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MIGRAÇÃO VOLUNTÁRIA

O nosso grupo, apresenta-vos, com orgulho, a nossa conterrânea, RITA


MARTINS.
Nasceu no Porto, mas viveu quase sempre em Braga.
Inicialmente ( talvez por influência do pai) , frequentou Informática de Gestão
na UMinho, curso com o qual não se identificou.
Formou-se em Psicologia em Coimbra (pois a parte humanitária sempre foi o seu
grande objetivo); no CICD - College for International Co-operation and
Development - na Inglaterra e é mestranda em Direitos Humanos na UM. Atuou
em Mombaça e Kibera (Quénia), a maior favela urbana de África. Realizou um estágio
das Nações Unidas ONU (Departamento de Drogas e Crimes). Há dois anos cumpriu
o sonho da sua vida, integrou a equipa como psicóloga dos Médicos sem Fronteiras,
a melhor organização mundial de intervenção médico-humanitária em crises e
catástrofes.

Rita viveu em condições miseráveis.Por exemplo, em Mombassa tomava banho


numa bacia, não tinha sanita, apenas um buraco no chão cheio de baratas, a
alimentação não era igualmente a mais variada e em termos de segurança, as
necessidades não eram totalmente satisfeitas, o conforto, segundo ela, vinha no
pequeno contributo que diariamente presenciava e que fazia todo o sentido.
Transcrevemos um excerto de uma das várias entrevistas que A Rita deu.

Como gere as emoções do que vê e vive?


É a parte mais complicada. Gerir as emoções no terreno. Um dia acordamos com uma
vontade enorme e a certeza de que podemos e vamos mudar tudo; depois, há dias
mais complicados em que nos questionamos e vemos que, afinal, tudo o que fazemos
é quase nada! O mais complicado no meio disto tudo é de facto esta gestão coerente
de emoções. Saber controlar os sentimentos, saber e ter que dizer que não, aceitar
que não somos omnipotentes e que, apesar de toda a nossa vontade, nem sempre
conseguimos realizar tudo a que nos propomos e temos aceitar que há alturas em
que nada podemos fazer para amenizar certas dores! É importante saber balancear
tudo na vida, mas sem dúvida que isto é o mais complicado de fazer quando
diariamente nos deparamos com atrocidades, com graves violações dos direitos
humanos fundamentais e quando sabemos que, ainda que pouco, podemos fazer
mais e melhor! É sobretudo revoltante saber que há quem tenha mais poder do que
nós e pouco ou nada faz para melhorar a vida dos seus semelhantes!
da associação.

Que mensagem deixa a quem pensa/quer ser voluntário(a)?


Na minha opinião, o voluntariado nunca pode ser um escape para a realidade ou uma
tentativa de autoajuda. Antes pelo contrário, diria. O voluntário tem que estar bem
preparado, sobretudo ao nível psicológico. A sua realidade vai ser muito diferente, a
todos os níveis. Como tal, terá que saber que não existem super-homens nem
supermulheres. Tem que estar preparado para ver, e muitas vezes perceber, que não
é num período de tempo muito curto, que as mudanças vão ser sentidas. Acredito
que o período de voluntariado deveria ser o mais alargado possível, para que de facto
se sintam algumas mudanças. Aceitar que não podemos mudar tudo; lidar bem com
frustrações; ser humilde; respeitar a cultura alheia; ser muito dinâmico; ser flexível;
estudar bem o contexto para onde se vai; pensar em estratégias de coping; e,
principalmente, ser muito open-minded e ir com o coração cheio de amor. Penso que
desta forma a experiência tem tudo para ser bem aproveitada.
AO FIM DO VIDEO DA RITA

Terminamos, agora, sem palavras, porque as imagens falam por si…..


Em termos pessoais, claro que me falta ser Mãe que é, sem dúvida, um outro sonho
desde sempre.

Rita é hoje mãe de Benjamim, bébe com 3 meses.