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ECONOMIA A – A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS

Bens – Noção e classificação

Noção de bem

É tudo aquilo que é utilizado para a satisfação direta ou indireta de uma necessidade.

Classificação dos bens

Materiais
Quanto à
natureza
Imateriais

Produção
Quanto à função
Livres ou não
que
económicos
desempenham
Bens Consumo

Económicos

Duradouros

Quanto à duração

Não duradouros

Substituíveis ou
sucedâneos
Quanto à relação
Horizontal
com outros bens
Complementares

Vertical

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Bens livres ou não económicos

Aqueles que por existirem em quantidades ilimitadas na natureza não é necessário


despender de moeda para os obtermos.

Na natureza encontramos bens livres como: o ar que respiramos; o calor do sol; a água
da chuva, etc.

Bens económicos

São aqueles bens que são limitados face às necessidades existentes e que por vezes não
apresentam as características necessárias à satisfação imediata da necessidade em
causa.

Estes bens são submetidos a processos de transformação para se tornarem aptos ao


consumo e à satisfação de necessidades, os bens económicos são bens escassos e/ou
resultantes de processos de transformação, por isso torna-se necessário despender de
moeda para os obter.

 Os bens económicos podem ainda ser classificados de acordo com a sua natureza,
função que desempenham, duração e relação com outros bens.

Quanto à natureza

Bens materiais

Vulgarmente designados por bens, assumem uma forma que podemos descrever
através do seu peso, dimensão ou cor. Ex: livros, roupa, carros, alimentos, etc.

Bens imateriais

São os designados de serviços, aqueles que satisfazem necessidades através do


desempenho de certas funções exercidas por indivíduos como: o professor, o médico, o
contabilista, o mecânico, o informático, etc.

Quanto à função que desempenham

Bens de consumo

Aqueles que são utilizados diretamente na satisfação da necessidade. Bens como o pão
e o leite são utilizados diretamente pelos indivíduos na satisfação da fome (consumo
final). Quando utilizados em conjugação com outros bens de consumo (farinha, açúcar
e ovos para o bolo caseiro) designam-se de consumo intermédio.

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Bens de produção

Aqueles que são utilizados na obtenção de outros bens. As empresas utilizam matérias-
primas, subsidiárias e equipamentos na obtenção de novos bens, a farinha é um bem de
produção intermédio quando utilizada na padaria para fazer pão; o saco utilizado para
levar o pão é um bem de produção final.

Equipamentos
Bens de Matérias-
produção primas
Intermédios
Matérias
subsidiárias

Quanto à duração

Bens duradouros

Aqueles que permitem várias utilizações sem perderem as características iniciais, que os
tornaram aptos à satisfação da necessidade em causa. Ex: casa, carro, roupa, etc.

Bens não duradouros

Aqueles que só se podem utilizar uma única vez. Ex: alimentos, papel para escrever,
tinta, etc.

Quanto à relação com outros bens

Bens substituíveis ou sucedâneos

Correspondem a dois ou mais bens capazes de satisfazerem a mesma necessidade. Para


saciar a fome podemos escolher entre um chocolate, um bolo ou uma sande, a escolha
que fazemos depende do nosso gosto, do dinheiro disponível ou do preço dos bens, no
entanto, todos eles satisfazem a mesma necessidade: a fome.

Bens complementares

São aqueles que quando utilizados em conjunto satisfazem uma mesma necessidade.
Quando dois ou mais bens são utilizados conjuntamente na satisfação de uma
necessidade, dizem-se complementares. É o caso da gasolina e do carro, a carta e o selo,
o caderno e a caneta, etc.

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A complementaridade pode ainda ser horizontal se se tratar de bens de consumo, ou


vertical se se tratar de bens de produção.

Exercício – Classifique os seguintes bens:

 Carro particular;
 Farinha para padaria;
 Água da chuva;
 Agulha e linha da dona de casa;
 Mesas e cadeiras da sala de aula;
 Corte de cabelo;
 Sapatos e sapatilhas;
 Pão com manteiga;
 Faca e garfo;
 Pomada;
 Máquina e óleo industrial;
 Oxigénio;
 Guarda-chuva;
 Estojo e caneta;
 Óculos e lentes de contacto;
 Colchão e lençol.

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Produção e processo produtivo

Produção

Todos os dias utilizamos bens económicos os quais são obtidos após um processo de
transformação – a produção.

A maior parte dos bens e serviços que utilizamos diariamente são produzidos por
inúmeras empresas no nosso país, enquanto outros são importados de outros países. O
autocarro, o pão, a t-shirt, o livro, etc., são bens produzidos através de diferentes formas
de combinar os diversos “ingredientes” utilizados em cada um dos processos, mais ou
menos complexos, de produção desses bens.

Produção – atividade de combinação dos fatores de produção, desempenhada pelo


homem, que permite obter bens ou serviços para a satisfação das suas necessidades.

Produção – atividade que consiste na criação de bens e serviços.

Processo produtivo

Para se fazer manteiga são necessários diversos ingredientes, tais como o leite e o sal
entre outros. São também necessários alguns equipamentos e utensílios como as
batedeiras, as masseiras, as máquinas de embalar, etc., não esquecendo a ação do
homem, sem a qual não seria possível obtermos o produto final. Os intervenientes na
produção de um bem ou serviço são designados de fatores de produção.

Ainda assim, a manteiga não aparece só porque temos tudo aquilo que é necessário para
a fazer, os ingredientes precisam de passar por várias etapas até se transformarem em
manteiga.

Processo produtivo – percurso efetuado pelas matérias-primas e subsidiárias até se


transformarem em novos bens.

Processo produtivo – organização das diferentes fases da produção, de modo a obter


bens e serviços.

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Os setores de atividade económica

Ao longo do processo produtivo constatamos a participação de diversas atividades


distintas as quais podem ser agrupadas de acordo com as características comuns entre
si – os setores de atividade.

Setor de atividade – divisão artificial das atividades económicas de um país, de acordo


com a atividade principal.

Em 1941 Colin Clark dividiu as atividades económicas em três setores:

 Setor primário
 Setor secundário
 Setor terciário

Setor primário

Compreende todas as atividades de extração de produtos da natureza, isto é, dos solos,


subsolos e das águas. Neste setor estão incluídas atividades como a agricultura, a
pecuária, a silvicultura, a apicultura, a pesca e as indústrias extrativas.

Setor secundário

Engloba as indústrias de transformação de matérias-primas em novos produtos.


Incluem-se neste setor as indústrias ligeiras (confeção de vestuário, alimentação) e as
indústrias pesadas (produção de aço, construção civil).

Este setor também pode ser dividido entre indústrias tradicionais, aquelas que utilizam
ainda a tecnologia da Revolução Industrial (alimentar, têxtil, calçado), e indústrias
modernas, aquelas que utilizam “tecnologia de ponta” (computadores, automóveis).

Sector terciário

Abrange todas as atividades que normalmente designamos por serviços. A atividade


bancária, os seguros, os transportes, a educação, o turismo e o comércio são exemplos
de atividades deste setor.

Hoje em dia fala-se em “setor quaternário”, um subconjunto do setor terciário,


resultante da evolução tecnológica e das tecnologias da informação e comunicação:
informática, internet, imprensa online, redes sociais, etc.

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Importância do estudo dos setores de atividade económica

A classificação da atividade económica é utilizada para compreendermos as alterações


na estrutura da população ativa, do emprego e da capacidade de produção de cada um
dos setores de atividade económica.

A divisão e o estudo da atividade económica em setores de atividade também nos


permite analisar a situação económica de um país. Ao longo dos tempos a
predominância de mão-de-obra nos diversos setores foi-se alterando. No início a grande
maioria das pessoas trabalhava no setor primário, com a Revolução Industrial essa
situação alterou-se e a mão-de-obra deslocou-se para o setor secundário. Nos nossos
dias, devido à evolução tecnológica, é o setor terciário que emprega a maior parte da
população ativa, este fenómeno designa-se por terciarização da economia.

Nesta perspetiva, podemos analisar a economia dos países e classificá-los. Assim, um


país será considerado como desenvolvido se o setor com mais peso na sua economia for
o setor terciário. Um país cujo setor primário seja o setor predominante é, à partida, um
país subdesenvolvido. Um país onde a atividade económica se reparta em porções
semelhantes é considerado como em vias de desenvolvimento.

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Fatores de produção – Noção e classificação

Noção

Os fatores de produção são as componentes utilizadas na produção de bens.

Classificação

Fatores de Produção
Recursos Naturais

Trabalho

Capital

O fator de produção “Recursos Naturais” corresponde aos elementos que a natureza


nos fornece, necessários e indispensáveis à produção des bens e serviços que satisfaçam
as nossas necessidades. Ex.: sol, água, vento, fósseis, etc.

O “Trabalho” é o fator de produção que engloba o esforço físico e intelectual do ser


humano, no sentido da produção.

O fator “Capital” agrega todos os restantes elementos necessários à transformação das


matérias-primas e subsidiárias em bens e serviços.

Os recursos naturais

O fator de produção recursos naturais inclui todas as componentes do processo


produtivo que são disponibilizadas pela natureza e como tal não são objeto de qualquer
transformação prévia.

Recursos naturais:

O sol, os mares e oceanos, os rios, o solo, o subsolo, o clima, a fauna e a flora.

Os recursos naturais estão na origem de todo o processo de produção e podem


classificar-se em:

Recursos renováveis

Recursos não renováveis

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Recursos naturais renováveis

São aqueles que não se esgotam, possibilitando múltiplas utilizações sem que umas
condicionem as outras.

Recursos naturais não renováveis

São aqueles que se esgotarão um dia, ou cuja necessidade de utilização seja superior à
sua capacidade de renovação.

Consideram-se como recursos naturais não renováveis o solo, o subsolo, a fauna e a


flora; como recursos naturais renováveis o sol, o mar e o clima.

O grau de escassez dos recursos naturais está associado à capacidade da sociedade de


os aproveitar. Os recursos hoje indisponíveis ou próximos do seu esgotamento podem,
em resultado da evolução tecnológica, transformar-se em recursos relativamente
abundantes. A inovação tecnológica poderá permitir extraí-los a maiores profundidades
no subsolo ou no mar ou ainda obtê-los por processos industriais altamente
controlados.

Desenvolvimento sustentável

Devido à crescente escassez dos recursos naturais não renováveis, tem-se defendido o
pensamento do desenvolvimento sustentável, isto é, crescimento da economia com
respeito pelos consumos de recursos sabendo que eles se esgotarão um dia, logo, os
mesmos deverão ser preservados por forma a durarem o máximo de tempo possível, o
que permitirá às gerações vindouras a sua utilização e tempo para a descoberta e
desenvolvimento de novas fontes de energia.

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O trabalho

 Compreende todo o esforço humano, físico e intelectual, despendido no


processo produtivo.
 Corresponde ao esforço desenvolvido com o objetivo de se efetuar um
determinado processo produtivo.
 Toda a ação do homem no sentido da produção de bens e serviços.

Tipos de trabalho

Manual
Intelectual

Manual – aquele que é efetuado com esforço físico.

Intelectual – aquele cuja execução implica essencialmente estímulo mental.

Execução Organização Investigação

Execução – se a atividade desenvolvida for a de efetiva realização de uma tarefa.

Organização – se a tarefa se traduzir em dirigir aqueles que efetuam trabalhos de


execução.

Investigação – se a atividade desenvolvida for a de criação de novos bens ou serviços.

Qualificado Não
qualificado

Qualificado – aquele cujo desempenho obriga a instrução e treino específicos, sem os


quais não poderá ser executado convenientemente.

Não qualificado – aquele onde não é necessária qualquer preparação significativa.

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População Ativa

 É formada por todos os indivíduos com capacidade para o exercício de uma


atividade produtiva e que, em simultâneo, apresentam idades inferiores aos 67
anos e iguais ou superiores aos 16 anos de idade. É constituída pelos
empregados, pelos desempregados e por aqueles que prestam serviço militar.

População Inativa

 É composta por todos os indivíduos sem capacidade para trabalhar, os que


exercem uma atividade não remunerada e pelo grupo de indivíduos que
apresentem idade superior a 67 anos ou inferior a 16 anos de idade. É constituída
pelas donas de casa, crianças e jovens em idade escolar, estudantes, reformados,
inválidos e deficientes.

Taxa de atividade

Esta indica-nos a relação entre a população ativa e a população total de um país.

𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝑋 100
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙

Exemplo

Determine a taxa de atividade do país Alfa, sabendo que a sua população total é de
10.857.263 habitantes e a sua população ativa é de 6.752.001 indivíduos.

10 857 263
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝑋 100 = 62,2%
6 752 001

Análise: No país Alfa, em cada 100 indivíduos, aproximadamente 62 são ativos.

Taxa de inatividade

Esta indica-nos a relação entre a população inativa e a população total de um país.

𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑖𝑛𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑎𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝑋 100
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙

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Taxa de desemprego

Esta indica-nos a relação entre a população desempregada e a população ativa.

𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔𝑎𝑑𝑎
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔𝑜 = 𝑋 100
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎

Exemplo

Suponha ainda que no país Alfa estão desempregados 935.876 indivíduos. Calcule a
taxa de desemprego.

935 876
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔𝑜 = 𝑋 100 = 13,9%
6 752 001

Análise: Em cada 100 ativos, do país Alfa, cerca de 14 estão desempregados.

Tipos de desemprego

Desemprego tecnológico

A evolução tecnológica proporcionou novos equipamentos e novas técnicas de fabrico,


o que contribuiu para a extinção de alguns tipos de trabalho. Ao mesmo tempo, e em
virtude dessa mesma evolução tecnológica, surgiram novas necessidades e
consequentemente novas oportunidades no mercado de trabalho. Tornou-se assim
necessário dominar novos conceitos, novas técnicas e novas tecnologias.

Estas transformações tecnológicas provocam temporariamente um aumento do


desemprego, pois as sociedades têm de “reciclar” os desempregados por forma a dotá-
los das competências necessárias aos novos empregos e às novas exigências do mercado
de trabalho. O desemprego resultante da evolução tecnológica é designado por
desemprego tecnológico.

Desemprego de longa duração

Este resulta da estagnação da atividade económica, que provoca o encerramento de


algumas empresas. Os desempregados de longa duração são aqueles que procuram
emprego há mais de um ano.

Desemprego repetitivo

Este resulta das alterações na procura de bens e serviços na sociedade, que conduzem
à redução/aumento da produção e do emprego. O desemprego repetitivo está também
associado à sazonalidade, como é o caso das atividades turísticas e agrícolas. As épocas

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de sementeira e de colheita aumentam a capacidade de emprego na agricultura, nos


restantes períodos do ano a capacidade de emprego decresce conduzindo ao
desemprego temporário de alguns trabalhadores.

Também se deve considerar desemprego repetitivo o caso do trabalhador que não se


consegue adaptar a nenhum tipo de trabalho, estando constantemente entre uma
situação de emprego e uma situação de desemprego.

Informação, desemprego e formação

Nas últimas décadas a inovação tecnológica levou a um aumento do desemprego,


nomeadamente o desemprego tecnológico. A substituição do Homem pela máquina e o
consequente aumento da produção levou à criação e crescimento de novas atividades
dentro do setor terciário.

O trabalhador precisou de se adaptar aos novos tipos de trabalho, a formação (inicial e


contínua) permitiram a adaptação a este novo contexto.

Formação ao longo da vida

O mercado de trabalho dos nossos dias exige mais e melhores qualificações aos seus
trabalhadores e a permanente atualização dos seus conhecimentos e das suas
competências iniciais.

Ao longo da nossa vida profissional vamos ser submetidos a diferentes formações para
respondermos às exigências do mercado de trabalho.

A ideia de um trabalho para toda a vida desapareceu e, em sua substituição, surge a


ideia da atualização contínua do trabalhador como forma de responder às constantes
exigências do mercado de trabalho.

Dois tipos de qualificações:

 Qualificação individual – preparação prévia ao desempenho de um conjunto de


tarefas;
 Qualificação profissional – o indivíduo recebe formação no local de trabalho que
o torna mais apto às exigências do processo produtivo desenvolvido na empresa.

O crescente desenvolvimento tecnológico obriga as empresas a contratarem


trabalhadores com novas qualificações e/ou melhores qualificações individuais. No
entanto, nem sempre a empresa consegue os técnicos qualificados necessários ao
funcionamento desta, o que a leva a proceder à formação dos seus colaboradores, isto
é, à sua qualificação profissional.

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O combate ao desemprego

Atualmente alguns países desenvolvem políticas e medidas que visam diminuir o


desemprego, nomeadamente:

 a formação profissional dos jovens e dos desempregados de longa duração;


 o aumento da escolaridade obrigatória;
 a redução dos horários de trabalho;
 a diminuição da idade da reforma;
 a redução dos custos com a criação de novos postos de trabalho.

O Capital

Noção

É toda a riqueza afeta à produção, sejam bens (materiais ou imateriais), dinheiro, força
de trabalho ou riqueza natural, desde que ao serviço da criação /produção de bens e/ou
serviços.

Tipos de Capital

Capital
Capital Próprio
Financeiro Capital
Alheio
Meios de
Capital Fixo
Tipos de Capital trabalho
Capital Técnico Capital Objetos de
Capital Circulante trabalho
Natural
Capital
Humano

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Capital Financeiro

Corresponde aos meios financeiros que a unidade produtiva tem à sua disposição.

Capital Financeiro
Capital Próprio

Capital Alheio

Capital Próprio – aquele que pertence à empresa.

Capital Alheio – aquele que não pertence à empresa mas que ela pode utilizar (ex.:
empréstimo).

Capital Técnico

Corresponde a todos os bens que possibilitam a produção de outros bens.


Capital Técnico

Capital Fixo

Capital Circulante

Capital Fixo – corresponde aos meios de produção que a empresa tem e que se destinam
a nela permanecerem mais de um ano (ou vários ciclos produtivos), que ao longo do
tempo sofrem desgaste de utilização, sendo por isso necessária a sua reparação ou
substituição.

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Meios de
comunicação

Capital Fixo
Veículos

Meios de trabalho Máquinas

Edifícios

Instrumentos de
Ferramentas
trabalho

Meios de trabalho – todos os auxiliares que ajudam e/ou complementam o trabalho dos
indivíduos no ato de produzir.

Instrumentos de trabalho – correspondem aos meios de trabalho mais simples, como


por exemplo: martelo, chave-de-fendas, caneta, etc.

Capital Circulante – tudo aquilo que é alvo do trabalho humano e que permanece na
empresa um único ciclo produtivo. Corresponde aos meios de produção incorporados
no processo produtivo.
Capital Circulante

Matérias-primas
Objetos de
trabalho Matérias
Subsidiárias

Matérias-primas – são os objetos que estão na base do produto final e que nele são
totalmente incorporadas.

Matérias subsidiárias – são aquelas que direta ou indiretamente contribuem para a


obtenção do produto final não sendo, regra geral, visíveis no mesmo.

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Capital Natural

 É uma metáfora para os recursos naturais, como água, terra e os minerais,


quando utilizados como meios de produção, podendo ser renováveis ou não.
 Representa o potencial das matérias-primas brutas se transformarem em bens
de consumo.

Capital Humano

 Engloba os conhecimentos, a iniciativa, as habilidades, a experiência e outras


capacidades que o trabalhador possa possuir e que utiliza no processo produtivo.
 Representa o potencial do ser humano em transformar, interpretar e produzir.
Está ligado a capacidades técnicas e cognitivas.

Exercício

Numa plantação de girassóis com 800ha de terreno, trabalham 40 pessoas na lavoura,


2 nos escritórios, 1 como encarregado e 3 operam a condução dos diversos veículos aí
existentes (2 tratores, 1 camião e 1 debulhadora que funcionam a gasóleo). Nesta
plantação os trabalhadores utilizam pás e enxadas que os ajudam a trabalhar a terra,
um lagar para fazer óleo de girassol, 15 pipas de armazenamento, tesouras de poda, 1
armazém e 2 carrinhos de mão. São também necessárias sementes, adubos e água para
produzir os girassóis.

Complete o quadro seguinte:

Capital Fixo Capital Circulante


Capital Capital
Instrumentos de Matérias- Matérias
Natural Humano Outros
trabalho primas Subsidiárias
800ha 40 Lavoura Pás 2 Tratores Sementes Gasóleo
terreno 2 Escritórios Enxadas 1 Camião Adubos
1 Encarregado Tesouras de 1 Debulhadora Água
3 Condutores poda 1 Lagar
15 Pipas
1 Armazém
2 Carrinho mão

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A combinação dos fatores de produção

Características dos fatores de produção

Adaptabilidade

Os fatores de produção (trabalho e capital) devem ser ajustados às quantidades a


produzir.

Ex.: para produzir uma caixa de maçãs não é necessário plantar um pomar, apenas uma
macieira.

Complementaridade

Os fatores de produção são complementares, isto é, para se obter um bem não se pode
utilizar somente trabalho nem apenas capital, é necessária a utilização dos dois em
conjunto.

Ex.: para produzir uma caixa de maçãs não basta ter uma macieira, é necessário o
trabalho de alguém para apanhar as maçãs.

Substituibilidade

Os fatores de produção podem ser combinados em diferentes porções, isto é, dentro de


certos limites um pode substituir o outro.

Ex.: para produzir 1000 caixas de maçãs necessito de um pomar de macieiras, 10


trabalhadores e 1 trator ou, um pomar de macieiras, 5 trabalhadores e 2 tratores.

CARLA ANTÃO 18
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A produtividade

 É a relação existente entre a produção realizada e os fatores de produção


utilizados para a obter.
 É a relação entre aquilo que se produz e o que se gastou nessa produção.

Produtividade total

Relação entre o total da produção e o total de recursos utilizados.

Em termos físicos:

𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎
𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜 𝑢𝑡𝑖𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑜𝑠

Em termos monetários:

𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜
𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜 𝑢𝑡𝑖𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑜𝑠

Produtividade do fator trabalho

 Estabelece a relação entre as quantidades produzidas, ou o valor destas, e a


quantidade de trabalho utilizada.
 Compara a produção realizada com a quantidade de trabalho necessária para tal
(número de trabalhadores; horas de trabalho).

Em termos físicos:

𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎
𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜

Em termos monetários:

𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜
𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜

CARLA ANTÃO 19
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Produtividade do fator capital

 Mede a relação existente entre o produto obtido e o capital (capital fixo)


utilizado nessa produção.
 Estabelece a relação entre a produção e os capitais fixos utilizados.

Em termos físicos:

𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎
𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙

Em termos monetários:

𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜
𝑃𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙

Produtividade marginal

Corresponde ao aumento da produção resultante do aumento de uma unidade de fator


produtivo.

Produtividade marginal do fator trabalho

Mede a relação entre o acréscimo de uma unidade de fator trabalho (ex.: 1 trabalhador;
1 hora de trabalho) e o acréscimo na produção.

𝐴𝑐𝑟é𝑠𝑐𝑖𝑚𝑜 𝑛𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜
𝑃𝑀𝑔𝑇 =
𝐴𝑐𝑟é𝑠𝑐𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜

Produtividade marginal do fator capital

Mede a relação entre o acréscimo de uma unidade de fator capital (ex.: 1 máquina; 1
terreno; 1 viatura) e o acréscimo na produção.

𝐴𝑐𝑟é𝑠𝑐𝑖𝑚𝑜 𝑛𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜
𝑃𝑀𝑔𝐶 =
𝐴𝑐𝑟é𝑠𝑐𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑜 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙

CARLA ANTÃO 20
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Exercício:

A fábrica de caramelos “ColaNosDentes, S.A.” produz mensalmente 100.000 caramelos,


os quais são embalados em sacos de 25 caramelos. Cada saco tem um valor de 2€. Esta
fábrica emprega 5 trabalhadores e o seu capital fixo consiste em: 1 fábrica; 3 máquinas
e 1 viatura.

a) Determine a Produtividade Total em quantidade e em valor.

100.000
𝑃𝑇𝐹 = = 10.000 𝑐𝑎𝑟𝑎𝑚𝑒𝑙𝑜𝑠
10
8.000 100.000
𝑃𝑇𝑀 = = 800 € 𝑐𝑎 = 𝑥 2 = 8.000 €
10 25

b) Determine a produtividade do fator trabalho em termos físicos e monetários.


Conclua acerca dos resultados obtidos.

100.000
𝑃𝐹𝑇 = = 20.000 𝑐𝑎𝑟𝑎𝑚𝑒𝑙𝑜𝑠
5
R: Em média, cada trabalhador, produz 20.000 caramelos por mês.

8.000
𝑃𝑀𝑇 = = 1.600 €
5
R: Em média, cada trabalhador produz 1.600 € de caramelos por mês.

c) Determine a produtividade do fator capital, em termos físicos e monetários.


Conclua acerca dos resultados obtidos.

100.000
𝑃𝐹𝐶 = = 20.000 𝑐𝑎𝑟𝑎𝑚𝑒𝑙𝑜𝑠
5
R: Em média, cada unidade de fator capital produz por mês 20.000 caramelos.

8.000
𝑃𝑀𝐶 = = 1.600 €
5
R: Em média, cada unidade de fator capital produz 1.600 € de caramelos por mês.

d) Sabendo que a empresa contratou mais um trabalhador, e que passou a produzir


110.000 caramelos por mês, determine a produtividade marginal do fator
trabalho.
100.000
𝑃𝑀𝑔𝑇 = = 10.000 𝑐𝑎𝑟𝑎𝑚𝑒𝑙𝑜𝑠 𝑐𝑎 = 110.000 − 100.000 = 10.000
1

CARLA ANTÃO 21
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Combinação dos fatores de produção a curto prazo

Lei dos Rendimentos Decrescentes

 A combinação dos fatores de produção a curto prazo só nos permite alterar um dos
fatores de produção mantendo o outro fixo: ou se altera o fator capital ou se altera
o fator trabalho.
 A Lei dos Rendimentos Decrescentes diz-nos que se adicionarmos unidades
sucessivas de um fator de produção, mantendo o outro constante, os aumentos na
produção, a partir de certo ponto, são cada vez menores.
 A combinação ótima dos fatores produtivos ocorre quando a produtividade
marginal atinge o seu ponto mais elevado.

Exemplo

A empresa de chocolates “DerreteNasMãos, Lda.” apresenta os seguintes dados:

Produtividade
Produção
Capital Fixo Trabalhadores marginal do
(unidades)
trabalho
10 15.000
1 fábrica 11 18.000 3.000
2 misturadoras 12 25.000 7.000
1 embaladora 13 29.000 4.000
14 31.000 2.000

R: Neste caso, a combinação ótima dos fatores de produção será de:

Fator Capital: 1 fábrica; 2 misturadoras; 1 embaladora.

Fator trabalho: 12 trabalhadores.

CARLA ANTÃO 22
ECONOMIA A – A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS

Exercício:

Considere os seguintes dados relativos à empresa vinícola “ComOsCopos, SA”:

Produtividade
Produção
Capital Fixo Trabalhadores marginal do
(litros)
trabalho
25 3.000
26 3.300 300
50ha vinha
27 3.900 600
1 trator
28 4.600 700
1 lagar
29 5.100 500
30 5.400 300
a) Preencha o quadro.
b) Indique a combinação ótima dos fatores de produção.

Exercício:

Considere os dados da empresa “MuitoAçucar, Lda.”, produtora de gomas:

Fator capital Produção Produtividade


Fator trabalho
(máquinas) (toneladas) marginal do capital
2 100
3 130 30
4 165 35
18 trabalhadores
5 210 45
6 240 30
7 260 20

a) Determine a produtividade marginal do fator capital.


b) Indique a combinação ótima dos fatores produtivos. Justifique.
c) Calcule a produtividade média do fator trabalho e do fator capital, em termos
físicos, na combinação ótima.
d) Sabendo que cada tonelada de gomas tem um valor de 125€, determine a
produtividade média, em termos monetários, do fator trabalho e do fator
capital, na combinação ótima.
e) Determine a produtividade total, em termos físicos e monetários, na
combinação ótima.

CARLA ANTÃO 23
ECONOMIA A – A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS

Combinação dos fatores de produção a longo prazo

 A longo prazo podemos fazer variar mais do que um fator de produção, ou todos se
assim for necessário. Aqui, pretende-se determinar a dimensão ótima de uma
unidade produtiva, que ocorre quando se atinge o menor custo por unidade
produzida (custo médio unitário).
 Através do estudo dos custos de produção da unidade, identificamos os custos fixos
e os custos variáveis.

Custos de produção

São os gastos efetuados na realização da produção.

Custos fixos

Correspondem aos gastos que a empresa tem, independentemente da produção


realizada. Exemplo: alugueres, devolução de empréstimos (amortizações), salários, etc.

Custos variáveis

São aqueles que dependem da quantidade produzida, isto é, quanto mais a empresa
produzir maiores serão os custos variáveis. Exemplos: matérias-primas, combustíveis,
despesas de comunicação, etc.

Custos totais

Correspondem à soma dos valores dos custos fixos com os custos variáveis.

𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 = 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑓𝑖𝑥𝑜𝑠 + 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑖𝑠

Custo médio ou custo médio unitário

É aquele que resulta da relação entre os custos totais e as quantidades produzidas.

𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 =
𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎𝑠

CARLA ANTÃO 24
ECONOMIA A – A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS

Economias de escala

Este fenómeno económico diz-nos que à medida que a dimensão de uma unidade
produtiva aumenta, diminuem os seus custos de produção médios ou unitários.

É através desta lei económica que conseguimos obter a dimensão ótima de uma unidade
produtiva.

Deseconomias de escala

Esta situação verifica-se quando as empresas crescem para além da sua dimensão ótima,
provocando o aumento dos custos unitários. Neste caso a empresa deixa de trabalhar
em situação de economia de escala e passa a ter graves problemas internos.

Exemplo

A fábrica de guarda-chuvas “Abre&Fecha, Lda” pretende determinar as quantidades


ideais a produzir. Para tal pediu ao departamento de contabilidade analítica um estudo,
o departamento enviou à direção o seguinte mapa:

Previsões mensais
(valores em euros)
Custo
Produção Custos Custos Custos
médio
(unidades) fixos variáveis totais
unitário
3.000 4.000 6.300 2,10
3.500 4.800 7.100 2,00
4.000 5.300 7.600 1,90 Economia de
4.500 5.600 7.900 1,75 escala
2.300
5.000 6.000 8.300 1,66
5.500 6.300 8.600 1,56
6.000 7.300 9.600 1,60 Deseconomia
6.500 8.200 10.500 1,62 de escala

 Dimensão ótima da unidade produtiva – Produção mensal de 5.500 unidades.

CARLA ANTÃO 25
ECONOMIA A – A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS

Exercício

A fábrica de mel “AbelhãoDoce, S.A.”, apresentou os seguintes dados:

Produção diária de frascos de mel


Custo
Produção Custos Custos Custos
médio
(unidades) fixos variáveis totais
unitário
500 300 1.000 1.300 2,60
550 300 1.100 1.400 2,55
600 300 1.200 1.500 2,50
650 300 1.300 1.600 2,46
700 300 1.500 1.800 2,57

a) Preencha o quadro com os valores adequados.


b) Indique a dimensão ótima da unidade produtiva.
c) Identifique o fenómeno, ou fenómenos, observáveis no mapa e explicite-os.
d) Se a fábrica pretendesse vender cada frasco de mel a 2,55€, a partir de que nível
de produção é que a empresa seria rentável?

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