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10o Ano Economia A

O documento discute a atividade econômica e os agentes econômicos. A atividade econômica é o conjunto de tarefas realizadas pelo homem para assegurar sua sobrevivência e envolve funções como produção, distribuição, repartição de rendimentos e consumo. Os principais agentes econômicos são famílias, empresas, Estado e resto do mundo.

Enviado por

Marta
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Tópicos abordados

  • repartição,
  • produção,
  • fatores que influenciam o cons…,
  • lucros,
  • distribuição,
  • mercados,
  • concorrência monopolista,
  • monopólio,
  • redistribuição de renda,
  • taxa de juro
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10o Ano Economia A

O documento discute a atividade econômica e os agentes econômicos. A atividade econômica é o conjunto de tarefas realizadas pelo homem para assegurar sua sobrevivência e envolve funções como produção, distribuição, repartição de rendimentos e consumo. Os principais agentes econômicos são famílias, empresas, Estado e resto do mundo.

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  • monopólio,
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a actividade econmica

UNIDADE 1: ACTIVIDADE ECONMICA E CINCIA ECONMICA

1.1 A actividade econmica e os agentes econmicos


1.1.1 Actividade econmica e os agentes econmicos

a actividade econmica
1.1. os agentes econmicos e as funes econmicas
Antes de iniciarmos o estudo das actividades mais representativas de cada agente econmico, comecemos por
entender o que a actividade econmica e agente econmico.

actividade econmica o conjunto de tarefas realizadas pelo homem com vista a assegurar a sua sobrevivncia
agente econmico todo o indivduo que desempenha pelo menos uma das funes da actividade econmica

Quando observamos a realidade econmica, damos conta que ela composta por um conjunto de relaes
entre os diversos intervenientes na actividade econmica, consumidores, empresas, o prprio Estado, so intervenientes
apresentam um comportamento prprio, tpico.
Assim, podemos dizer que a actividade econmica, apresenta-se como um conjunto de tarefas indispensveis
obteno de bens necessrios sobrevivncia das pessoas.
Por isso se diz, que num pas existe sempre uma actividade fundamental que o consumo, pois o acto de consumir bens prprio dos homens, das famlias. Mas, para que as famlias possam consumir os bens, necessrio que existam
as empresas, cuja funo a produo de bens.

Contudo, a actividade econmica no se reduz a simples actos de produzir e de consumir. Efectivamente, a funo de produzir no chega, por si s, para que os bens produzidos estejam nossa disposio. Na maior parte dos casos,
os bens so produzidos bem longe dos consumidores, pelo que preciso traz-los e torn-los disponveis. Deste modo,
necessria a existncia de uma actividade que sirva de ligao entre a produo e o consumo, entre as empresas e os
consumidores, a chamada distribuio. Esta actividade, cada vez com mais importncia, est dividida em duas actividades fundamentais, o transporte e o comrcio.

No entanto, pelo facto de os bens se encontrarem nossa disposio, tal no significa que deles se possa dispor
de imediato. Para os adquirir, o consumidor tem que entregar uma certa quantia em dinheiro. Claro que para poder
pagar preciso que se tenha recebido, anteriormente, um determinado rendimento. Como sabemos, a produo cria
rendimentos que sero distribudos pelos seus intervenientes. Assim, as empresas, com as receitas recebidas pela venda dos
bens produzidos podero pagar salrios aos trabalhadores, rendas aos donos das propriedades ou dos edifcios onde se
encontram instaladas, juros a quem lhes emprestam dinheiro, impostos ao Estado, ficando o empresrio com o restante
sob a forma de lucro. A esta funo de distribuir os rendimentos, chama-se repartio de rendimentos

Concluindo: Para que as funes da actividade econmica se desenvolvam necessrio a existncia de agentes econmicos. Assim, temos as famlias, cuja funo consumir os bens, as empresas, cuja funo produzir bens e servios, as instituies financeiras, cuja funo prestar servios financeiros, a administrao pblica, cuja funo satisfazer
as necessidades colectivas e o resto do mundo, cuja funo trocar bens e servios entre os pases.

a actividade econmica

FUNES DA ACTIVIDADE ECONMICA

PRODUO

DISTRIBUIO

REPARTIO

ACUMULAO

CONSUMO

produzir os bens

distribuir os bens

repartir rendimento

acumular riqueza

utilizar os bens

[ FAMILIAS ] - [ conjunto de pessoas que existem num pas cuja actividade econmica o consumo ]
[ EMPRESAS ] - [ conjunto de empresas cuja actividade a produo de bens ]
[ ESTADO ] - [ conjunto de organismos pblicos, cuja actividade a satisfao das necessidades colectivas ]
[ RESTO DO MUNDO ] - [ conjunto de pessoas com operaes de trocas de bens e servios entre pases ]

necessidades e consumo

UNIDADE 2: NECESSIDADES E CONSUMO

2.1 Necessidades
2.1.1 Noo de necessidades
2.1.2 Caractersticas de necessidades
2.1.3 Classificao de necessidades
2.2 Consumo
2.2.1 Noo de consumo
2.2.2 Consumo acto econmico e acto social
2.2.3 Tipos de consumo
2.3 Padres de consumo
2.3.1 Factores de que depende o consumo
2.3.2 Estruturas de consumo
2.5 A sociedade de consumo
2.5.1 A sociedade de consumo e o consumismo
2.6 O consumeirismo e a defesa do consumidor
2.6.1 O consumeirismo
2.6.2 A defesa do consumidor em Portugal e na Unio Europeia

necessidades e consumo
2.1. necessidades

2.1.1. noo de necessidades


J sabemos que todos os indivduos, todas as pessoas, numa economia realizam, pelo menos, uma funo a de consumir
Ao longo do nosso dia-a-dia e da nossa vida, sentimos uma imensa variedade de necessidades que pretendemos
satisfazer. Temos necessidade de comida, medicamentos, roupas, livros... Mas necessidade porqu? A resposta simples:
todos os indivduos sentem carncias alimentares, educativas, de lazer,..., cuja satisfao vem prolongar ou de acrescer o
nosso bem-estar.
A necessidade corresponde, exactamente, a este estado de carncia que as pessoas sentem e tm desejos de a
verem satisfeita.

necessidade o desejo de acabar ou satisfazer um estado carncia

Todos ns sentimos uma multiplicidade de necessidades que pretendemos satisfazer, para isso utilizamos bens ou
servios. O acto de utilizar bens ou servios para satisfazer uma necessidade chama-se consumo. Por isso, dizemos que:
a necessidade carncia -o acto de consumir a sua satisfao.

2.1.2. caractersticas das necessidades


Apesar de todos ns sentirmos necessidades diferentes, que variam de pessoa para pessoa, as necessidades
apresentam algumas caractersticas comuns:

multiplicidade as necessidades sentidas pelo Homem so ilimitadas, pois as pessoas vo desejando cada vez
mais, novas coisas, para alm daquelas necessidades que so indispensveis sua sobrevivncia. Por exemplo, a
alimentao, a habitao, o vesturio, o calado, etc.

substituibilidade - as necessidades podem ser satisfeitas por bens substituveis, isto , por outros bens que possibilitam a sua satisfao. o caso, se temos sede e no podemos beber um sumo, podemos substitui-lo por gua.

saciabilidade - a intensidade das necessidades, medida que vo sendo satisfeitas, vai diminuindo at desaparecer. Se temos fome, medida que vamos comendo, a intensidade da fome vai diminuindo at desaparecer.

caractersticas

multiplicidade

substituibilidade

saciabilidade

necessidades e consumo
2.1.3. classificao das necessidades
As necessidades podem classificar-se quanto importncia, ao seu custo e vida em sociedade:

1.

quanto importncia
 necessidades primrias: so as necessidades que esto ligadas sobrevivncia do homem, por isso necessrio satisfaz-las em primeiro lugar (comer / beber)
 necessidades secundrias: so as necessidades que no sendo imediatas, devemos satisfaz-las depois das
necessidades primrias (cultura / diverso)
 necessidades tercirias: so as necessidades que correspondem ao chamado consumo de bens e servios de
luxo (jias / perfumes)

2.

quanto ao seu custo


necessidades econmicas: so as necessidades em que temos que gastar qualquer quantia em ou em trabalho para as satisfazer ( vestir / calar)
necessidades no econmicas: so as necessidades em que no temos que gastar qualquer quantia em ou
em trabalho para as satisfazer (respirar / dormir)

3.

quanto vida sociedade


necessidades individuais: so as necessidades que dizem respeito a cada um de ns em funo das caractersticas de cada pessoa (andar / ler)
necessidades colectivas: so as necessidades que dizem respeito sociedade, portanto a todas as pessoas do
pas (segurana / justia)
necessidades

quanto importncia

quanto ao seu custo

quanto vida sociedade

necessidades primrias

necessidades econmicas

necessidades individuais

necessidades secundrias

necessidades no econmicas

necessidades colectivas

necessidades tercirias

2.2. consumo - noo e tipos de consumo

2.2.1. noo de consumo


No nosso dia a dia, sentimos imensas necessidades que, naturalmente tentamos satisfazer de acordo com as nossas possibilidades.
Para tal, so precisos meios, materiais e no materiais, que nos permitam satisfazer este estado de carncia que
todos ns sentimos. Mas a simples existncia de meios no suficiente para ultrapassar as necessidades sentidas. necessrio consumir esses bens, ento:
consumo o acto de utilizar os bens e servios para a satisfao das nossas necessidades
6

necessidades e consumo
2.2.2. consumo acto econmico e acto social
Podemos dizer que o consumo um acto econmico, na medida em que atravs do consumo que se satisfazem as nossas necessidades.
Mas para alm de ser um acto econmico, o consumo tambm um acto social pois constitui, num determinado
momento, um importante indicador do nvel de bem-estar das pessoas e at da prpria sociedade. Com efeito, a quantidade e o tipo de bens e servios que uma populao est consumir, num dado momento, pode dar a conhecer a forma
como essa populao est a satisfazer as suas necessidades.
A vida das populaes alimentada e sustentada pelo consumo, que de uma forma positiva ou negativa, afecta necessariamente essa vida humana. Efectivamente, o consumo pode permitir ou no permitir o alargamento das condies de vida das populaes.
As populaes sem acesso satisfao das necessidades bsicas, como sejam a habitao, a alimentao, os
cuidados de sade e de educao, por exemplo, no tero as mesmas condies de vida que outras populaes com
acesso satisfao dessas necessidades tm.

2.2.3. tipos de consumos


Como estudmos, as necessidades do Homem so mltiplas e diversificadas, pelo que o consumo tambm
diversificado. Podemos, ento, distinguir os seguintes tipos de consumo:


consumo final: quando a utilizao dos bens satisfazem duma forma directa e imediata as nossas necessidades
(alimentos / bebidas)

consumo intermdio: quando a utilizao dos bens e servios serve para produzir outros bens e servios (malhas
para confeco / energia numa empresa)

consumo essencial: quando a utilizao dos bens feita para satisfazer as nossas necessidades primrias e
secundrias (alimentos / leitura)

consumo suprfluo: quando a utilizao dos bens feita para satisfazer as nossas necessidades tercirias (uso de
perfumes / jias)

consumo individual: quando a utilizao dos bens feita por uma pessoa para a satisfao de necessidades pessoais (consulta mdica)

consumo colectivo: quando a utilizao dos bens feita na satisfao das necessidades colectivas (segurana /
justia)

consumos

consumo final

consumo essencial

consumo individual

consumo intermdio

consumo suprfluo

consumo colectivo

necessidades e consumo
2.3. padres de consumo

2.3.1. factores de que depende o consumo


So muitos os factores que influenciam o consumo dos bens e servios, sendo porventura mais importantes os que
se relacionam com aspectos econmicos, polticos e culturais, ainda que, por vezes, se torne difcil distinguir ou delimitar o
seu campo prprio de incidncia, dada a forte interdependncia que se verifica entre eles.
No entanto, costume classificar os factores que influenciam o consumo em factores econmicos e factores
extra-econmicos.

[Link]. factores econmicos


J sabemos que consumir significa a utilizao de um bem ou servio. Para a sua utilizao o consumidor tem de
despender recursos, geralmente, monetrios.
Em consequncia, o rendimento das famlias, o nvel de preos dos bens, e a inovao tecnolgica so factores
de natureza econmica que tambm influencia o consumo.
Considermos at aqui que os rendimentos dos consumidores, no variavam, bem como o nvel dos preos. Mas,
na realidade, os rendimentos das famlias variam, assim como os preos no se mantm inalterveis. Portanto, so dois, os
principais factores econmicos que podem influenciar o consumo, a saber: influncia dos rendimentos, influncia dos preos e inovao tecnolgica.

- influncia dos rendimentos


O rendimento um dos factores que mais influencia o consumo dos bens e servios. Certamente, as donas de
casa, quando vo ao supermercado, gostariam de comprar mais produtos, mas como sabido, os rendimentos de que
dispem so limitados. Por isso, tero que adaptar esses rendimentos limitados s necessidades que tm que satisfazer.
Generalizando, os consumidores tero que fazer escolhas que sejam adequadas aos seus rendimentos e lhes proporcionem a mxima satisfao.
Assim sendo, podemos dizer que o consumo uma funo do rendimento, no sentido de que alteraes negativas ou positivas no rendimento tem consequncias directas no consumo. Alm disso, as variaes de rendimento no se
fazem sentir de igual maneira no consumo dos bens e servios, pois os consumidores no reagem da mesma maneira a
todos os bens As diferentes opes de consumo, determinam a chamada estrutura de consumo:

estrutura do consumo a forma como as famlias repartem o seu rendimento pelos diversos consumos

Para conhecermos a estrutura de consumo de uma famlia, ou de um grupo de famlias, ou at de uma populao, habitual, calcularmos os coeficientes oramentais que nos do a conhecer a percentagem do consumo de um
determinado grupo de bens ou servios em relao ao total das despesas efectuadas.

coeficiente oramental =

valor da despesa efectuada

100

despesas totais consumo

Se realizssemos inquritos a uma populao chegaramos a concluses semelhantes s do seguinte quadro, que
apenas uma hiptese:
8

necessidades e consumo

ESTRUTURA DAS DESPESAS DE CONSUMO DAS FAMLIAS POR CLASSES DE RENDIMENTOS


classes de rendimentos anuais (euros)

grupo de bens
alimentao bebidas

60 %

54 %

de 15.000 a
25.000
49 %

vesturio e calado

10 %

11 %

14 %

19 %

habitao

15 %

13 %

12 %

10 %

transportes

10 %

12 %

13 %

14 %

5%

10 %

12 %

13 %

100 %

100 %

100 %

100 %

Menos de 5.000

lazer e distraco
total

de 5.000 a 15.000

mais de 25.000
44 %

Do quadro podemos retirar as seguintes concluses:


- as famlias com menores rendimentos, gastam a maior parte do seu rendimento s despesas de consumo em alimentao e bebidas;
- medida que o rendimento das famlias aumenta, a percentagem do rendimento gasta em despesas em alimentao e bebidas baixa;
- medida que o rendimento das famlias aumenta, a percentagem do rendimento gasto em consumos de lazer e
cultura aumenta.
At aqui, observmos o comportamento das famlias por classes no que respeita maneira como essas mesmas
famlias afectam os seus rendimentos pelos diversos tipos de consumo.
Agora vamos fazer uma observao do comportamento de apenas uma famlia relativamente maneira como
reparte seu rendimento pelas despesas em classes de bens de consumo

Suponhamos, ento, que uma famlia gastava em despesas de consumo. no ms de Setembro mil euros e no ms
de Outubro passou a gastar ms de Setembro mil e quinhentos euros:

grupo de bens

Setembro
despesas

Outubro
%

despesas

alimentao

500

50%

600

40%

vesturio

100

10%

225

15%

habitao

200

20%

195

13%

transportes

150

15%

225

15%

50

5%

255

17%

1.000

100%

1.500

100%

lazer e distraco
total

Verificamos assim que, perante um aumento dos seus rendimentos, o consumo desta famlia se alterou. A percentagem da despesa em alimentao baixou, bem como o da habitao, tendo aumentado significativamente a percentagens das despesas destinadas ao lazer e distraces.
Contudo, pelo facto de a percentagem da despesa em alimentao baixar no significa que esta famlia no gaste mais, em termos monetrios, mas que no total das despesas, a percentagem das despesas em alimentao menor.
Ento podemos concluir, de acordo com a lei de Engel que diz:
medida que os rendimentos das famlias aumentam, o peso das despesas em alimentao e habitao vai baixando, aumentando por sua vez as despesas destinadas cultura e ao lazer.

necessidades e consumo
- influncia dos preos
O preo dos bens outro factor que influencia o consumo. Suponhamos que os rendimentos das famlias se mantm, mas os preos dos bens aumentaram.
De que forma iro reagir os consumidores? Duma forma geral, o consumo dum bem diminuiu medida que o
preo desse bem aumenta. No entanto, temos que distinguir duas situaes:
Em virtude do aumento do preo de um dado bem (mantendo-se constantes os preos dos restantes bens) o
consumidor ir procurar consumir um bem que lhe seja substituvel. Por exemplo, se o preos do azeite ou da manteiga
subirem, natural que o consumidor os v substituir por leo ou margarina a este fenmeno, em economia, chamamos de
efeito substituio: em virtude do aumento do preo de um bem, o seu consumo diminui pois o consumidor ir consumir
outro bem que lhe seja substituvel.
Suponhamos, agora que um consumidor que tem rendimentos fixos (pensionista ou trabalhador) se desloca de
transportes pblicos, cujo preo aumentou. Verificamos que este aumento vai actuar como uma baixa nos seus rendimentos, pois se quiser manter o mesmo nmero de deslocaes ter como consequncias uma diminuio no consumo de
outros bens; por outro lado, se quiser manter o mesmo nvel de vida ter que diminuir o nmero de deslocaes.
Da mesma maneira, uma baixa do preo de um bem, far aumentar o poder de compra do consumidor,
podendo consumir mais de outros bens. Chama-se a este fenmeno efeito rendimento: em virtude do aumento do preo
de um bem, que actuando como uma baixa no poder de compra do consumidor, provoca uma reduo no consumo de
todos os bens

- a inovao tecnolgica
O consumo ainda influenciado pela constante evoluo da tecnologia que faz aparecer novos produtos e servios, deslocando assim a preferncia dos consumidores para novas reas.
No nosso dia a dia, verificamos situaes que nos mostram exactamente estas situaes.
Basta atentarmos no aparecimento dos computadores que vieram substituir a velha mquina de escrever, ou
at os telemveis que arrumaram com os telefones com fios.

[Link]. factores extra-econmicos


O consumo para alm de um acto econmico, tambm um acto social. Uma pessoa profundamente influenciada pela sociedade em que est inserida, quer seja pela moda, pela publicidade, quer ainda pela tradio ou meio
social a que pertence.

- a moda
A renovao cada vez mais rpida dos bens, leva a que as pessoas tenham o desejo de adquirir os bens mais
recentes do mercado, ou seja, os que a moda ditou.
Muitas vezes o que se procura num bem, no tanto o seu uso mas o que significa, o de pertencer a um grupo
social ou identificar-se com um figura que se considera importante.
Por exemplo, compra-se um novo telemvel, apesar do antigo funcionar na perfeio, pois acabou de sair um
novo modelo mais pequeno, com novas linhas
10

necessidades e consumo
- a publicidade
A publicidade constitui um excelente veculo da moda, ao dar a conhecer os produtos mas criando nas pessoas
tambm a necessidade e o desejo de os comprar.
Transmitindo um conjunto de estmulos, as pessoas so levadas a comprarem certo tipo de bens, pretendendo
assim identificarem-se com determinado estilo de vida, imagem ou algo que faz parte do seu imaginrio. o caso de
determinado tipo de alimentao, pois consumir macdonalds ou comprar de certo tipo de automveis, ser-se bem
sucedido.

- a tradio
A tradio tambm um factor que tem influncia no consumo. Determinados hbitos alimentares ou de vestir,
por exemplo, que esto na memria das pessoas vo determinar certos tipos de consumo.
O exemplo mais tpico , sem dvida, os consumos que efectuamos no Natal. A comida tradicional no Natal, o
bacalhau, peru ou o bolo-rei, assim como a rvore de Natal e todos os enfeites, so consumos que efectuamos s nessa
poca do ano, profundamente marcados pela tradio.

- modos de vida
As pessoas vivem e pertencem a determinados grupos, estabelecendo-se um conjunto de ligaes entre os elementos do grupo. s vezes, desejando pertencer a um grupo social mais elevado, tentam imitar os comportamentos de
consumo desse grupo.
As pessoas procuram imitar o modelo de consumo de grupos sociais cujo nvel de vida lhes superior. Tambm a
influncia que determinados lderes exercem sobre as decises do consumo podem influenciar o consumo de determinados bens. A utilizao de conhecidos artistas na promoo ou na publicidade de certos produtos tem influncia no consumo desses produtos.
Por outro lado, o consumo de certos produtos, constitui, tambm, uma forma de expresso da classe social a que
uma pessoa pertence. Usar calas de marca, ou vestir de determinada maneira, uma forma de diferenciao social.

- estrutura etria das famlias


Alguns economistas ainda apontam o ciclo de vida da famlia e a posio da pessoa no seio da famlia, como
outros factores que podem influenciar o consumo.
Os consumos de um jovem casal que compra uma casa ou que acaba de ter um filho so necessariamente diferentes dos consumos de um casal j idoso.
No seio familiar habitual os pais terem maior poder de deciso sobre os consumos do que os filhos, que com a
idade vo aumentando esse poder de deciso. Ainda no seio da famlia tradicional, em geral, a mulher tem o poder de
deciso sobre os consumos domsticos, enquanto que o homem tem o poder de deciso sobre outros consumos como o
automvel.

factores de que depende o consumo


econmicos

extra-econmicos

rendimento

Moda

inovao tecnolgica

Publicidade

preos dos bens

Tradio

efeito substituio

efeito rendimento

estrutura etria familiar


modos de vida

11

necessidades e consumo
2.5. a sociedade de consumo
A expresso sociedade de consumo simboliza a importncia que o consumo ocupa na sociedade actual e est
presente em todos os actos da nossa vida.
Mede-se o xito de uma pessoa pelos consumos que efectua, seja pela cor, tipo ou marca do carro, seja ainda,
pelo local onde passa frias.
A sociedade de consumo, nasce com a expanso da industrializao e da produo dos bens em srie. Com a
melhoria das tcnicas de produo, as empresas verificaram que era mais difcil vender de que produzir. Era, ento,
necessrio criar o desejo de consumir. No se produz para satisfazer uma necessidade, mas produzem-se necessidades
para escoar a produo.
Consumir tornou-se finalidade ltima e a razo principal de viver. Consome-se para celebrar um acontecimento,
consome-se porque se est triste, consome-se porque se est feliz, consome-se para ocupar os tempos livres.
Para uma empresa da sociedade de consumo, tornou-se mais importante desenvolver todo um conjunto de actividades que conduzam as pessoas ao consumo (estudos de mercado, marketing, etc.) do que propriamente produzir bens
ou servios.
A sociedade de consumo desenvolveu quase escala mundial uma nova atitude e comportamento o consumismo, consumir por consumir, consumir o suprfluo, consumir indiscriminadamente mesmo que tal constitua um perigo
para a sade ou para o ambiente.
Comprar mais no sinnimo de comprar bem. Muitas vezes as pessoas so levadas a comprar o que no
necessitam, podendo at causar graves situaes de endividamento familiar pelo facilitismo do uso dos cartes de crdito

Nos ltimos tempos tem-se verificado um crescimento do crdito ao consumo no nosso pas. Este crescimento do
recurso ao crdito ao consumo, ficou a dever-se, essencialmente, descida ta taxa de juro e uma maior abertura dos
bancos portugueses.
Para alm destes factores que influenciaram o recurso ao crdito ao consumo, ainda convm sublinhar que se
verificou um aumento do rendimento mdio das famlias. Por isso, no de admirar que os portugueses recorrem ao crdito para os mais variados consumos.
At h alguns anos, o crdito destinava-se principalmente para compra de uma habitao ou de um automvel.
Hoje, j no bem assim, os portugueses podem recorrer ao crdito para comprar moblias, frias, electrodomsticos e at
faqueiros e relgios de coleco!

Neste Natal, as compras foram feitas com maior recurso ao crdito. O Dirio de Notcias
noticiou que o volume de pagamentos por com cartes de crdito aumentou catorze por cento, quando comparado com igual perodo do ano passado. Este fenmeno verifica-se desde o
incio deste ano, marcado pelo discurso da crise e pela retraco do crescimento econmico.
Em simultneo, as projeces apontam para uma que nas vendas de artigos de consumo no
perodo que antecede o Natal, quebra essa mais sentida junto do pequeno comrcio.

12

necessidades e consumo
2.6. consumerismo e a defesa dos consumidores

2.6.1. o consumerismo
Como reaco sociedade de consumo, ao consumismo, ao consumo indiscriminado e mesmo nocivo sade
ou ao ambiente, surge uma nova atitude e um novo comportamento das pessoas, mais informadas e mais conscientes do
seu papel que desempenham, defendendo os seus direitos, enquanto consumidores.
A esta nova atitude das pessoas, organizadas e que pretendem ver reconhecidos os direitos de cidados,
enquanto consumidores, chama-se consumerismo.
O consumerismo, a organizao dos consumidores, em associaes, no desenvolvimento dos meios de informao e de actuao, com a finalidade de serem reconhecidos os seus direitos

Mas para alm da defesa dos direitos dos consumidores, o consumerismo, tambm um movimento procura
formar consumidores mais conscientes, mais informados e capazes de intervir numa sociedade de consumo, em que os
grandes grupos industriais e comerciais fazem prevalecer os seus interesses.
Hoje, existem cada vez mais consumidores preocupados com a defesa do ambiente e recursos naturais, optando
por consumos de produtos reciclados e reciclveis, preocupando-se, cada vez mais com a recolha selectiva dos lixos.

2.6.2. a defesa dos consumidores


A defesa dos direitos dos consumidores hoje uma necessidade para o avano da democracia e para a participao de todos os consumidores, como cidados, numa sociedade aberta e participada. Com efeito, uma sociedade
cada vez mais globalizada e aberta exige consumidores participantes e capazes de tomarem decises conscientes, tendo
em vista melhorar a qualidade de vida dos consumidores.
Em Portugal, j existem vrias associaes e organizaes que vem trabalhando na defesa dos consumidores,
dos quais se destacam:

 INDC - Instituto Nacional de Defesa do Consumidor;


 DECO - Associao Portuguesa de Defesa do Consumidor.

Numa Europa cada vez mais unida e sem barreiras, a defesa dos consumidores europeus est consagrada nas
polticas comuns definidas pela Unio Europeia.
O consumidor tem assim uma expresso no s a nvel do seu pas, como tambm a o nvel de todo o espao
comunitrio. Os consumidores esto representados, atravs de organizaes de defesa dos consumidores, em vrias instituies europeias, como o Comit dos Consumidores, a Comisso Econmica e Social, a Comisso Europeia e o Tribunal
de Justia.

13

a produo de bens e servios

UNIDADE 3: A PRODUO DE BENS E SERVIOS

3.1 Bens
3.1.1 Noo de bens
3.1.2 Classificao de bens
3.2 Produo, processo produtivo e sectores de actividade econmica
3.2.1 Noo de produo
3.2.2 Noo de processo produtivo
3.2.3 Os sectores de actividade econmica
3.3 Factores de produo
3.3.1 Noo de factores de produo
3.3.2 Os recursos naturais
3.3.3 O factor trabalho
3.3.4 O factor capital
3.4 A combinao dos factores de produo
3.4.1 A substituio dos factores de produo
3.4.2 A combinao dos factores de produo a curto prazo
3.4.3 A combinao dos factores de produo a longo prazo

14

a produo de bens e servios

3.1. bens noo e classificao


3.1.1. noo de bens
Todos ns j nos dirigimos a um supermercado, a uma livraria, a uma farmcia, onde obtivemos coisas capazes
de satisfazerem algumas das nossas necessidades. Essas coisas so designadas por bens.
Naturalmente, tendo em conta a multiplicidade e a diversidade das necessidades humanas, facilmente podemos
concluir que tambm os bens utilizados so mltiplos e de diferente natureza.
Assim, h necessidades que se satisfazem com a utilizao directa de bens materiais a alimentao, o vesturio,
o calado, etc. enquanto outras exigem o exerccio de determinadas funes, isto , servios que nos so prestados os
cuidados de sade, a educao, o atendimento jurdico, etc.
Refira-se ainda que certos bens existem em quantidades ilimitadas e por isso mesmo no preciso gastar dinheiro
para os obter, so os chamados bens livres. Exemplos de bens livres, o ar, que respiramos, a luz do sol, etc.
Outros, pelo contrrio, so escassos relativamente s necessidades existentes, pelo que preciso gastar algum
dinheiro ou trabalho para os obter. A estes bens escassos chamam-se de bens econmicos. Podemos, ento, afirmar que:
bens tudo aquilo que utilizado para a satisfao das necessidades do Homem
necessidades so satisfeitas com bens, os quais podem ser bens materiais ou servios

3.1.2. classificao dos bens


Os bens podem ter diversas classificaes. Assim atendendo:
quanto durao
- bens duradouros: so os bens que se gastam quando os utilizamos (mesa / livro)
- bens no duradouros: so os bens que se gastam quando os utilizamos (po / leite
quanto funo
- bens de consumo: so os bens que satisfazem as nossas necessidades (casa, / fogo)
- bens de produo: so os bens que so utilizados na produo de outros bens (tear / l
quanto relao
- bens substituveis: so bens que podem ser substitudos por outros bens sem alterar as suas funes (azeite / leo)
- bens complementares: so bens que exigem outro bem para satisfao das necessidades so as necessidades
(pneu / automvel)

15

a produo de bens e servios

3.2. produo, processo produtivo e sectores da actividade econmica


3.2.1. noo de produo
Os bens econmicos utilizados diariamente pelo Homem so obtidos atravs da actividade produtiva. A actividade produtiva consiste na combinao dos diferentes componentes que intervm no processo, com o objectivo de
obter os bens necessrios satisfao das necessidades individuais e colectivas do Homem.
Por exemplo, na produo do po, com a interveno do Homem, em instalaes prpria, so combinados diferentes ingredientes, como o fermento, o sal, a gua, as farinhas, bem como, utilizados diferentes equipamentos, como os
fornos, as masseiras, as instalaes.
, pois, desta combinao dos componentes da produo, que chamamos de factores de produo (ingredientes, equipamentos, instalaes e mo-de-obra) que permite sociedade a obteno de bens e a prestao de servios
necessrios satisfao das suas necessidades.
produo a combinao dos factores de produo, realizada pelo Homem, para obter os bens necessrios
para a satisfao das suas necessidades

3.2.2. processo produtivo


Para que as diferentes necessidades dos homens sejam satisfeitas, as empresas trabalham continuamente. Continuamente as empresas repetem os seus processos de produo de bens e servios para abastecerem os mercados e
assim poderem satisfazer as nossas necessidades. O processo de produo, ou seja, o percurso de produo dos bens
repetido continuamente.

3.2.3. sectores de actividade produtiva


A produo dos bens envolve todo um conjunto de actividades diferentes mas que podem ser agrupadas, de
acordo com a existncia de caractersticas comuns entre si.
Assim podemos dizer que um sector de actividade econmica um conjunto de actividades que apresentam
caractersticas comuns, podendo ser identificados os seguintes trs sectores econmicos:
sector primrio, inclui todas as actividades relacionadas com os recursos naturais
sector secundrio, inclui todas as actividades relacionadas com as indstrias
sector tercirio, inclui todas as actividades relacionadas com a prestao de servios

sectores econmicos

sector primrio

sector secundrio

sector tercirio

agricultura

indstrias ligeiras

comrcio

pesca

indstrias pesadas

servios

pecuria

construo

administrao pblica

silvicultura

16

a produo de bens e servios

3.3. factores de produo


3.3.1. noo de factores de produo
Os componentes utilizados na produo chamam-se factores produtivos.
Retomando o exemplo do po, podemos dizer que o fermento, a gua, as farinhas, ou os fornos e o trabalho do
homem so considerados factores de produo.
Assim, os factores de produo, podem ser classificados, de acordo com o papel desempenhado na produo:

- recursos naturais:
que incluem todos componentes do processo produtivo que so retirados da natureza e como tal no so objecto
de qualquer transformao. Incluem-se nos recursos naturais, a terra, a gua.
- factor trabalho:
representa a capacidade do homem para trabalhar. o caso da mo-de-obra.
- factor capital:
inclui tudo o que participa na produo e que no recurso natural e/ou trabalho. Incluem-se neste factor capital,
as mquinas, os edifcios, as matrias-primas, etc.

factores

recursos naturais

de

produo

factor trabalho

factor capital

FACTORES DE PRODUO

PRODUO

BENS E SERVIOS

3.3.2. os recursos naturais


Como vimos, os recursos naturais so formados pelos elementos da natureza disponveis em cada sociedade. So
exemplo de recursos naturais: o solo, o subsolo, a fauna, a flora, o sol, o mar.
Os recursos naturais, podem classificar-se em:
- recursos naturais renovveis so aqueles que no se esgotam, como o caso do sol, mar, clima.
- recursos naturais no renovveis so aqueles que esgotaro um dia, como por exemplo, o solo, subsolo, flora, fauna, o clima.

17

a produo de bens e servios

3.3.3. o factor trabalho


J sabemos que um dos factores de produo o trabalho. O trabalho concretiza-se numa tarefa atravs da
qual as pessoas transformam coisas no utilizveis noutras que podem ser usadas na satisfao das nossas necessidades.
O trabalho toda a actividade do Homem com vista produo dos bens e servios

[Link]. populao activa


Quando se estuda a populao de um pas, conveniente conhecer, no s o tipo de actividades realizadas,
mas tambm quantos indivduos trabalham ou podem trabalhar. Deste modo, frequente dividir-se uma populao em
populao activa e populao inactiva
Assim, considera-se populao activa as pessoas que esto em condies de trabalhar. Neste sentido, a populao activa compreende todas as pessoas que trabalham e recebem uma remunerao por esse trabalho ou que tendo
capacidade para trabalhar o no fazem por vrios motivos. A populao activa inclui, assim, todas as pessoas a desempenhar uma tarefa remuneradas (empregados) os desempregados e os que se encontram a cumprir o servio militar.
Pelo contrrio, considera-se populao inactiva, todas as pessoas que ainda no trabalham (crianas e jovens
at aos quinze anos), aqueles que j no trabalham (idosos e reformados) as pessoas que exercendo uma profisso no
so remunerados (estudantes e donas de casa), bem como os invlidos e os deficientes.
Para conhecer a situao de uma populao face actividade produtiva de um pas usual calcular-se a taxa
de actividade anual e que d a relao percentual entre a populao activa e a populao total desse pas, num ano:
populao activa
taxa de actividade =

x 100
populao residente

Assim, quando se diz, que em Portugal, no ano 2001 a taxa de actividade era de 73,8% significa dizer que, em
2001, em mdia, por cada 100 portugueses, cerca de 74 eram considerados portugueses activos.
Todavia, porque na populao activa tambm se inclui a populao desempregada, torna-se importante
conhecer a taxa de desemprego, pois esta um indicador social e economicamente importante, pois permite interpretar
melhor a taxa de actividade, visto que traduz a percentagem de desempregados em relao ao total da populao activa e determina-se da seguinte forma:

nmero desempregados
taxa de desemprego =

x 100
populao activa

[Link]. desenvolvimento tecnolgico, informao e automao


Em cada momento e lugar, a evoluo do emprego encontra-se perfeitamente relacionada com a tecnologia
utilizada. Deste modo, as alteraes de natureza tecnolgica que o mundo tendo a conhecer nos ltimos anos vo levar a
alteraes tambm ao nvel do emprego.
Assim o desenvolvimento tecnolgico e a crescente especializao do trabalho, contriburam para uma maior
eficincia do trabalho. As recentes inovaes tecnolgicas, nomeadamente ao nvel informtico, tm provocado grandes
alteraes ao nvel das condies de trabalho e da sua prpria organizao. Isto porque o processo de produo passou
a dispensar, muitas vezes, a interveno directa do Homem, mas no a indirecta. Por exemplo, muitas das mquinas so
controladas por computador, no entanto este continua a ser controlado pelo Homem.

18

a produo de bens e servios

A informatizao est associada difuso dos computadores a nvel dos servios, como a banca, os seguros,
bem como a aplicaes especficas dos computadores na produo industrial.
Assim, a utilizao dos computadores permite a obteno de algumas vantagens: uma maior rapidez de execuo;
uma melhor qualidade do produto; uma reduo dos custos de produo.
Podemos concluir, que a introduo das novas tecnologias conduz destruio de muitos postos de trabalho e
at extino de algumas profisses, mas, ao mesmo tempo, permite a criao de emprego mais exigente.

[Link]. causas e tipos de desemprego


um facto, que cada vez mais as empresas utilizam novos equipamentos e novos mtodos de produo. Ora
esta situao vai incidir sobre o emprego, j que, por um lado, reduz o nmero de trabalhadores, mas, por outro lado, dispensa trabalhadores para outras actividades.
Esta passagem dos trabalhadores para outras tarefas pode originar uma situao de desemprego temporrio,
de natureza tecnolgica da populao empregada. De facto, o trabalhador substitudo pode ser encaminhado para
outras tarefas, isto se o mercado de trabalho dele precisar e se ele for capaz de se adaptar s suas novas funes.
Deste modo, o desenvolvimento das tecnologias tem efeitos profundos no emprego, pois podem levar ao desemprego um conjunto mais ou menos significativo de trabalhadores.
Na anlise econmica do desemprego, podem-se verificar os seguintes tipos de desemprego:
- desemprego tecnolgico o desemprego que resulta da evoluo das tecnologias; os trabalhadores sem formao profissional, no so
capazes de se adaptarem s novas tecnologias e podem engrossar as fileiras do desemprego
- desemprego longa durao o desemprego que resulta do enfraquecimento da actividade e que pode levar falncia de empresas. Em
Portugal considerado desempregados de longa durao, os que procuram emprego h mais de um ano
- desemprego repetitivo o desemprego que resulta das alteraes da procura dos bens e servios. o caso de certas actividades
agrcolas, como as vindimas, em que aumenta o emprego na altura da vindima, diminuindo nos outros perodos

[Link]. formao ao longo da vida


A evoluo tecnolgica e demais transformaes tm vindo a acontecer de forma to rpida que, como todos
sabemos, comprar um computador hoje ter bem presente que, amanh, ele estar ultrapassado tecnologicamente.
A rapidez do desenvolvimentos das tecnologias exige que um trabalhador esteja actualizado e em contnua formao. Um trabalhador tem de assumir uma atitude de pesquisa e de actualizao constante dos seus conhecimentos.
Esta atitude do trabalhador uma competncia avaliada, nos dias de hoje, pelo empregador, no momento de
admisso ao trabalho.
Neste sentido, a educao formal, adquirida nas escolas, encarada como uma formao inicial. Depois, no
local do trabalho, essa educao completada pela educao no formal, exterior escola. Espera-se que o trabalhador seja um elemento activo na aprendizagem, que esteja disponvel para frequentar aces de formao e que no
assuma um comportamento passivo, desinteressado e desmotivado pela inovao e pelas novas tecnologias.

19

a produo de bens e servios

3.3.4. o factor capital


No dia-a-dia empregamos indiscriminadamente as palavras capital e riqueza. No entanto as mesmas tm, em
termos econmicos, significados e aplicaes diferentes:
o capital o conjunto dos bens que combinados com o trabalho, permitem criar novos bens teis.
riqueza o conjunto dos bens que uma pessoa ou empresa tm e que utilizam para uso prprio.
Por exemplo, o senhor Antnio, proprietrio de uma empresa, tem uma carrinha que utiliza para entregar os bens
produzidos na sua empresa aos seus clientes. Esta utilizao da carrinha considerada capital, pois est ao servio da
empresa. Mas a mesma carrinha do senhor Antnio, se fosse utilizada, apenas para as suas deslocaes pessoais, seria
considerada como riqueza.

O termo capital pode ter ainda vrios conceitos:


- capital financeiro o conjunto de todos os recursos financeiros das empresas, como por exemplo, o dinheiro em caixa, os depsitos, as aces, os emprstimos realizados.
- capital tcnico o conjunto de todos os bens das empresas indispensveis produo, isto , instrumentos de trabalho, mquinas, edifcios, matrias-primas, etc.
- capital circulante o conjunto dos bens que so utilizados na produo e que se extinguem aps a sua transformao. o caso
das matrias-primas, matrias subsidirias
- capital fixo
o conjunto de todos os bens que so utilizados ao longo de vrios processos produtivos. o caso dos edifcios,
das mquinas, dos equipamentos, das ferramentas, etc.
- capital natural o conjunto de todos os recursos naturais utilizados pelo Homem para a satisfao das suas necessidades. Os
rios, as florestas, o petrleo so alguns exemplos de capital natural.
- capital humano um conceito recente, est associado produtividade dos trabalhadores que, por sua vez, vai aumentando
com o nvel de habilitaes escolares e com a natureza da formao profissional.

Capital

capital financeiro

capital tcnico

capital natural

capital circulante

capital fixo

matrias-primas

mquinas

matrias subsidirias

edifcios

capital humano

20

a produo de bens e servios

3.4. a combinao dos factores de produo


3.4.1. a substituibilidade dos factores de produo
A produo depende, no s, da combinao dos factores de produo utilizados para se obter uma determinada quantidade de produtos, mas tambm depende da tecnologia utilizada.
Para ser eficiente, uma empresa deve utilizar as quantidades necessrias dos factores capital e trabalho. Da a
importncia de uma boa escolha combinao destes factores produtivos.
Por exemplo, uma fbrica de calas pode produzir o mesmo nmero de calas, quer utilizando mais horas de trabalho ou um maior nmero de mquinas e menos horas de trabalho. O mesmo acontecer se for adoptada uma tecnologia mais avanada, tal como passar de mquinas manuais para mquinas elctricas, pois o mesmo nmero de operrios
com menos mquinas (elctricas) conseguir produzir o mesmo nmero de calas.
Neste caso, existe substituibilidade dos factores de produo, ou seja, o mesmo nvel da produo pode ser obtido substituindo uma dada quantidade de um factor de produo por uma determinada quantidade de outro factor de
produo. No exemplo da fbrica de calas, o mesmo nmero de calas, pode ser obtido substituindo mquinas por operrios ou operrios por mquinas.
No entanto, no possvel substituir todos os factores de produo no mesmo perodo de tempo. De facto, a curto ou a longo prazo, existem factores de produo que dificilmente podem ser substitudos a curto prazo, por exemplo, as
instalaes de uma fbrica, as suas mquinas (ou seja, o seu capital fixo) no se podem mudar de um dia para o outro.
Quer isto dizer, que as mudanas do capital fixo, s se podero realizar a mdio e longo prazo. J o trabalho
considerado um factor varivel, pois pode-se modificar o nmero de trabalhadores a curto prazo.
Assim, considera-se que o perodo de curto prazo pode ir at um ano e o de longo prazo ser sempre superior a
um ano. Vamos, agora, analisar, a combinao dos factores a curto prazo e a longo prazo.

3.4.2. a combinao dos factores de produo a curto prazo


O empresrio sabe que se produzir mais utilizando a mesma quantidade de factores de produo, obtm um
aumento de produtividade. Aumentar a produtividade significa:
- produzir mais com a mesma quantidade dos factores de produo;
- produzir o mesmo, com menos quantidades de factores produtivos.
Assim, podemos definir a produtividade como sendo: a relao estabelecida entre a produo obtida e os factores de produo utilizados nesse processo
A produtividade pode ser avaliada de diferentes maneiras: por trabalhador; por mquina e em termos fsicos e
em termos monetrios.

21

a produo de bens e servios

Assim, em termos fsicos, a produtividade mdia do trabalho ser:


a relao entre a quantidade da produo obtida e o nmero de trabalhadores utilizados

QUANTIDADE PRODUZIDA
PRODUTIVIDADE MDIA TRABALHO

=
NMERO DE TRABALHADORES

J a produtividade mdia trabalho, em termos monetrios ser:


a relao entre o valor da produo obtida e o valor do factor trabalho utilizado

VALOR DA PRODUO
PRODUTIVIDADE MDIA TRABALHO

=
VALOR DO FACTOR TRABALHO

Para compreendermos estes conceitos de produtividade mdia do trabalho, quer em termos fsicos, quer em termos monetrios, vejamos a seguinte situao: A empresa Gama, Lda produz diariamente 1.000 quilos de queijo fresco,
dispe de 20 trabalhadores e utiliza 5 mquinas de pasteurizao de leite.
Por dia, a empresa tem encargos com os trabalhadores no valor 500 euros e gasta com os meios de produo
1.000 euros. A produo diria vendida por 2.500 euros.
(1) - Calcular a produtividade mdia do trabalho, em termos fsicos.
(2) - Interpretar o significado dos valores obtidos.
(3) - Calcular produtividade mdia do trabalho, em termos monetrios.
(4) - Interpretar o significado dos valores obtidos.
(1)

produtividade mdia trabalho =

quantidade produzida
n trabalhadores

quantidade queijo
n trabalhadores

1.000 kg
20

50 kg /
trab.

(2) - Podemos afirmar que, cada trabalhador da empresa Gama, Lda , produz, em mdia por dia, 50 quilos de queijo
fresco.

(3)

produtividade mdia trabalho =

valor da produo
valor do trabalho

valor das vendas


valor mo-de-obra

2.500
500

= 5 euros

(4)- Podemos afirmar que, em mdia, cada trabalhador da empresa Gama, Lda contribui com 5 euros, para a produo diria de queijo fresco.

A produtividade total representa a produo mdia por factor de produo utilizados no processo produtivo. O
clculo da produtividade total procura evidenciar os resultados da interveno dos factores produtivos, pois informa-nos,
para cada factor de produo, os resultados mdios dessa produo.
Assim, a produtividade total ser:
a relao entre o valor da produo obtida e o valor dos factores produtivos utilizados

VALOR DA PRODUO
PRODUTIVIDADE TOTAL

=
VALOR DOS FACTORES PRODUTIVOS

22

a produo de bens e servios

O estudo da produtividade pode, tambm, ser feito para calcular o acrscimo, nas quantidades produzidas, que
uma empresa obtm sempre que acrescenta uma unidade a um dos factores produtivos (trabalho ou capital).
O empresrio, tem que saber avaliar a eficincia da utilizao de mais mquinas ou de mais mo-de-obra, num
qualquer processo produtivo.

Podemos definir a produtividade marginal trabalho:


o acrscimo na produo resultante da utilizao de mais um trabalhador

ACRSCIMO NA QUANTIDADE PRODUZIDA


PRODUTIVIDADE MARGINAL TRABALHO

=
ACRSCIMO DO NUMERO DE TRABALHADORES

Suponhamos, agora que a empresa Gama, Lda , pretendia contratar mais um trabalhador e que a produo
diria passaria para 1.050 quilos de queijo fresco.

(1) - Calcular a produtividade marginal.


(2) - Interpretar o significado dos valores obtidos.

acrscimo na produo
(1)

Produtividade marginal trabalho

50 kg
=

acrscimo de trabalhadores

1 trab.

50 kg

(2)- Podemos dizer que a produtividade marginal 50 quilos de queijo fresco, pois o acrscimo de mais um trabalhador,
provoca um aumento de 50 kg na produo diria da empresa Gama, Lda .

23

a produo de bens e servios

[Link] a lei dos rendimentos decrescentes


Vamos estudar, agora o comportamento de uma empresa numa anlise de curto prazo, isto , vamos manter fixo
um dos factores de produo, atravs do seguinte exemplo:
A empresa Alfacinha, Lda uma empresa agrcola e deseja determinar nmero ptimo de trabalhadores a
contratar, portanto ser o factor varivel. Consideremos que:
(1) a empresa agrcola Alfacinha, Lda cultiva no seu terreno, com uma certa rea, alfaces. Esta rea disponvel para
o cultivo de alfaces no vai sofrer qualquer alterao, por outro lado, as mquinas agrcolas ao seu dispor so as mesmas
que conjuntamente com o terreno constituem o factor capital que invarivel ao longo da produo, portanto o capital fixo.

Suponhamos, ento, que a empresa Alfacinha, Lda apresenta os seguintes valores:


NMERO
TRABALHADOR

PRODUO
TOTAL

PRODUTIVIDADE
TRABALHO

ACRSCIMO
TRABALHO

ACRSCIMO
PRODUO

PRODUTIVIDADE
MARGINAL

(1)

(2)

(3) = (2) / (1)

(4)

(5)

(6) = (5) / (4)

10

250 Kgs

25 Kgs / trab.

15

450 Kgs

30 Kgs / trab.

5 (15-10)

200 (450-250)

40Kgs / trab.

20

800 Kgs

40 Kgs / trab.

5 (20-15)

350 (800-450)

70 Kgs / trab.

25

1.250 Kgs

50 Kgs / trab.

5 (25-20)

450 (1.250-800)

90 Kgs / trab.

30

1.350 Kgs

45 Kgs / trab.

5 (30-25)

100 (1.350-1.250)

20 Kgs / trab.

35

1.400 Kgs

40 Kgs / trab.

5 (35-30)

50 (1.400-1.350)

10 Kgs / trab.

Leitura: A empresa Alfacinha, Lda com 10 trabalhadores obtm uma produo de 250 Kgs de alfaces e uma
produtividade do trabalho de 25 Kgs / trabalhador. J com 15 trabalhadores a produo de alfaces passa para 450 Kgs e
a produtividade do trabalho para 30 Kgs / trabalhador, sendo a produtividade marginal de 40 Kgs / trabalhador.
Significado: Observando o comportamento da produtividade marginal, verificamos que os seus valores comeam
por crescer at atingir as 90 Kgs / trabalhador (produtividade marginal mxima) para depois decrescerem, 20 e 10 Kgs.
Podemos concluir que, se adicionarmos unidades sucessivas de um factor varivel (no nosso caso 10 trabalhadores)
a um factor capital fixo (o mesmo terreno e as mesmas mquinas agrcolas) os aumentos da produo so cada vez
maiores at certo ponto (produtividade marginal mxima) e depois menores.
Acontece que a empresa Alfacinha, Lda ao contratar sucessivamente mais trabalhadores para o mesmo terreno,
verifica que os primeiros so bastante produtivos, mas a partir de certo nmero, os trabalhadores comeam a serem
menos produtivos, podendo mesmo acontecer que estes se impeam ou se atrapalhem uns aos outros no cultivo da terra.
A empresa Alfacinha, Lda teria interesse em produzir com 25 trabalhadores, pois nesta situao a sua produtividade marginal mxima.

LEI DOS RENDIMENTOS DECRESCENTES


quando se aumenta a quantidade de um factor de produo, mantendo-se o outro constante, a partir
de certo limite, a produtividade desse factor torna-se decrescente

24

a produo de bens e servios

3.4.3. a combinao dos factores de produo a longo prazo


Contrariamente situao de curto prazo, em que se parte do principio de s se pode variar um dos elementos da
produo, agora numa situao de longo prazo, coloca-se a hiptese de se poder variar todos os elementos da produo simultaneamente, e a partir das alternativas possveis, encontrar a dimenso ptima da empresa.

Como sabido, as empresas para produzirem bens ou prestarem servios, tm de suportar um conjunto de custos
como por exemplo o pagamento de salrios aos trabalhadores, o pagamento da energia, o pagamento das matriasprimas, etc. so alguns dos custos que constituem os custos totais a suportar pela empresa.
Os custos totais (CT) so formados por duas componentes diferentes: custos fixos (CF) e custos variveis (CV)
Os custos fixos (CF) representam as despesas que uma empresa tem de realizar, independentemente da empresa
estar parada ou a produzir uma, cem ou mil unidades. o caso das rendas das instalaes, do aluguer dos equipamentos,
dos encargos com a segurana social, etc.
Os custos variveis (CV) representam os encargos que a empresa pode alterar a curto prazo e que dependem
da quantidade produzida. So exemplos, o custo das matrias-primas, os salrios pagos, os gastos com a energia, os gastos com a conservao dos equipamentos, etc.
custos totais = custos fixos + custos variveis
CT

CF

CV

Tambm, podemos calcular outro tipo de custo, o custo mdio total:


a relao existente entre o custo total e as quantidades produzidas

CUSTO TOTAL
CUSTO MDIO TOTAL

CUSTO FIXO + CUSTO VARIVEL

=
QUANTIDADE PRODUZIDA

QUANTIDADE PRODUZIDA

Vamos estudar, agora o comportamento de uma empresa numa anlise de longo prazo. No longo prazo, a
empresa pode alterar os diferentes tipos de custos e ajust-los quantidade produzida, j que a curto prazo impossvel
modificar a parte dos custos fixos.

Vejamos o exemplo da empresa mega, Lda que apresenta a seguinte estrutura de custos:

PRODUO

CUSTO FIXO

CUSTO VARIVEL

CUSTO TOTAL

CUSTO MDIO TOTAL

(3)

(4)=(2)+(3
)

(5)=(4) /(1)

(1)

(2)

100

250

350

150

250

200

600

6,0

620

870

5,8

250

850

1.100

5,5

250

250

1.000

1.250

5,0

300

250

1.220

1.470

4,9

350

250

1.570

1.820

5,2

25

a produo de bens e servios

Leitura: A empresa mega, Lda para uma produo de 100 unidades, tem um custo total de 600 euros e um custo
mdio total de 6 euros. J para uma produo 150 unidades o seu custo total de 870 euros e o seu custo mdio total de
5,8 euros.
Significado: Observando o comportamento do custo mdio total da empresa, verificamos que:
- quando a quantidade produzida reduzida, o aumento na produo proporciona a reduo do custo mdio, porque o
custo fixo repartido por mais unidades;
- a partir de certa quantidade, o aumento da produo provoca agravamento no custo mdio total
- o nmero ptimo a produzir corresponde ao ponto onde o custo mdio total mnimo.
A empresa mega, Lda teria interesse em produzir 300 unidades do seu produto, pois nesta situao o seu custo
mdio total mnimo.

[Link] as economias de escala


As economias de escala so um exemplo da combinao dos factores de produo a longo prazo. A dimenso
de uma empresa est relacionada com a sua capacidade produtiva.
De facto quando aumenta a produo de uma empresa, aumenta a sua capacidade produtiva, pois sero utilizadas mais quantidades de factores produtivos. Deste modo, se utilizarmos duas vezes mais quer o factor trabalho, quer o
factor capital e a quantidade produzida aumentar mais do dobro, ento dizemos que estamos perante uma economia de
escala, perante uma reduo dos custos mdios totais.
A dimenso da empresa um dos factores de que dependem os custos de produo:

- nas empresas de pequena dimenso registam-se custos unitrios elevados, devido a vrias razes, entre elas, a dificuldade de acesso ao crdito, a dificuldade de utilizao de novas tecnologias, os reduzidos capitais existentes;
- nas empresas de grande dimenso, verifica-se uma diminuio dos custos unitrios devido exactamente ao aumento
da dimenso das empresas.

ECONOMIAS DE ESCALA
So as redues dos custos de produo unitrios em resultado do aumento da quantidade produzida pelas grandes empresas

26

o comrcio e a moeda

UNIDADE 4: COMRCIO E MOEDA

4.1 O comrcio
4.1.1 Noo de comrcio
4.1.2 Circuitos de distribuio
4.1.3 Formas de comrcio
4.2 A moeda
4.2.1 Noo da moeda
4.2.2 Funes da moeda
4.2.3 Evoluo da moeda
4.3 O euro a nova moeda portuguesa
4.3.1 Nascimento do euro
4.3.2 Vantagens e desafios da adopo do euro
4.4 O preo de um bem
4.4.1 Noo de preo de um bem
4.4.2 Componentes dos preos dos bens
4.5 A inflao
4.5.1 Noo de inflao
4.5.2 Tipos de inflao
4.5.3 Causas da inflao
4.5.4 Consequncias da inflao
4.5.5 Depreciao do valor da moeda e do poder de compra
4.5.6 ndice de preos no consumidor
4.6 A inflao em Portugal e na Zona euro
4.6.1 A inflao em Portugal e na Zona Euro

27

o comrcio e a moeda

4. comrcio e moeda
4.1. comrcio
4.1.1. noo de distribuio e de comrcio
Para que os consumidores possam comprar os bens e servios de que necessitam, no basta produzi-los. fundamental, que esses bens e servios estejam disposio dos consumidores. Por outras palavras, fundamental que exista
um conjunto de actividades que faa a ligao entre os produtores e os consumidores, entre a produo e o consumo.
Efectivamente, a distribuio fundamental na economia dos pases, pois disponibiliza os bens aos consumidores,
seja quando necessita, seja nas quantidades, seja no local.
produo

distribuio

consumo

O comrcio constituiu, por assim dizer, uma das actividades que est includa no conjunto de actividades que
constitui a distribuio. habitual definirem-se dois tipos de comrcio, comrcio grossista e comrcio retalhista.


comrcio grossista - contacta directamente com o produtor, rene, por vezes, produes que se encontram dispersas.

comrcio retalhista - compra os produtos ao grossista e coloca-os disposio dos consumidores.

o comrcio retalhista que contacta directamente com o consumidor, por esta razo temos a tendncia para
associar a actividade do comrcio funo retalhista. No entanto, a actividade grossista tambm muito importante para que os produtos possam chegar junto dos consumidores,

4.1.2. circuitos de distribuio


J vimos que para os bens chegarem at junto dos consumidores so precisas diversas actividades, a que se costuma chamar de circuito de distribuio. Assim, define-se:
circuito de distribuio so as diferentes etapas percorridas pelos bens, atravs de diversos agentes econmicos, desde a
sua produo at serem colocados disposio dos consumidores
Existem vrios circuitos de distribuio que se caracterizam pelo nmero de agentes envolvidos. Alguns produtores
oferecem directamente os seus produtos aos consumidores, sem recorrerem a qualquer intermedirio, outros utilizam os
retalhistas para chegarem junto dos consumidores. Assim, podemos encontrar os seguintes tipos de circuitos de distribuio


circuito ultracurto, quando o produtor coloca directamente os seus produtos no consumidor. o caso da venda
de alguns produtos agrcolas nas feiras, no intervindo qualquer intermedirio.
produtor  consumidor

circuito curto, quando entre o produtor e o consumidor existe apenas um intermedirio.


produtor  retalhista  consumidor

circuito longo, quando intervm uma srie de intermedirios entre o produtor e o consumidor.
produtor  grossista  retalhista  consumidor

28

o comrcio e a moeda

4.1.3. formas de comrcio


Quando observamos o comrcio retalhista, verificamos que existem vrias formas de este se organizar, com o
objectivo de conseguir melhores resultados no exerccio da sua actividade. Assim, distinguem-se trs formas de comrcio:
- comrcio independente;
- comrcio associado;
- comrcio integrado.

- comrcio independente O comrcio independente, formado, na maior parte das vezes, por empresas familiares, de dimenses relativamente pequenas, empregando um reduzido nmero de trabalhadores ou at mesmo nenhum, pois encontram-se a cargo
dos prprios proprietrios que trabalham normalmente num nico ponto de venda.
Este tipo de comrcio encontra-se espalhado nos centros habitacionais, junto dos consumidores, apresentando
um certo grau de especializao. Em geral, o comrcio independente dedica-se comercializao dum tipo de produto;
o caso das lojas de roupas, das lojas de ferragens, dos minimercados ou mesmo o comrcio ambulante.
- comrcio associado O comrcio associado compreende empresas que embora sejam independentes, associam-se, entre si, numa ou
mais actividades de modo a obterem vantagens.
De uma forma geral, estas associaes de comerciantes tm como grande objectivo efectuarem compras em
conjunto para assim poderem obter preos mais baixos devido ao grande volume de compras, o que no conseguiriam se
comprassem isoladamente. Por outro lado, usufruindo de servios comuns podem realizar promoes em maior escala,
conhecer melhor os mercados, o que isoladamente se tornaria mais difcil.
Constituem exemplos de comrcio associado as cooperativas de produtos alimentares, ou de produtos agrcolas.
- comrcio integrado O comrcio integrado, devido sua grande dimenso, rene empresas que exercem funes de grossistas e de
retalhistas ao mesmo tempo, explorando cadeias de pontos de venda e identificadas pela mesma insgnia, aplicando polticas de gesto comuns. Dentro do comrcio integrado podemos encontrar:


os grandes armazns - so sociedades que oferecem no mesmo local diversas categorias de produtos, arrumados em seces, funcionando cada seco como se tratasse de uma loja especializada. Neste tipo de lojas, o
consumidor encontra uma variedade de produtos, num mesmo edifcio, o que se torna mais cmodo. Um exemplo desta forma de comrcio o Corte Ingls.

os armazns populares - so sociedades que se dirigem a consumidores de menor poder de compra ou que
prendem gastar menos. Apresentam uma variedade de produtos mais reduzida, vendendo em geral em livre
servio, com o objectivo de reduzir os custos e oferecer preos mais baixos. So exemplos desta forma de
comrcio as lojas Pagapouco.

as grandes superfcies - so lojas de grande dimenso, oferecendo uma variedade e diversidade de produtos,
sobretudo bens alimentares e de higiene. So exemplos desta forma de comrcio os hipermercados, como o
Continente.

as grandes superfcies especializadas -so lojas de grande dimenso, mas dirigidas para uma mesma gama de
produtos, bastante especializada. So exemplos desta forma de comrcio, a FNAC , especializada na rea de
livros e msica, a Staples, especializada na rea de artigos para o escritrio.

o franchising - so empresas que embora mantenham jurdica e financeiramente independentes umas das
outras, esto ligadas por contrato sociedade me., aplicando polticas comuns. Existem vrias empresas nesta
situao das quais a Benetton e o McDonalds so exemplos.

29

o comrcio e a moeda

3.3. mtodos de vendas


At agora considermos como base o posto de venda, ou seja, o local fsico onde consumidores e comerciantes
se encontram. No entanto, nem sempre isso acontece, pois podem estabelecer-se outras formas de contacto entre consumidores e comerciantes. Assim sendo, podemos destacar as seguintes tipos de vendas.
- vendas distncia;
- venda automtica;
- venda ao domiclio;
- cibervenda.

1.

vendas distncia, neste tipo de venda no existe um local fsico de venda, no existe um contacto directo
entre o vendedor e o comprador. Com efeito, os produtos so apresentados aos consumidores atravs dos vrios
meios de comunicao, como a televiso, os catlogos, respondendo os consumidores atravs do envio de
cupes pelo correio.

2.

vendas automticas, este tipo de venda utiliza equipamentos automticos instalados em locais de grande circulao de pessoas, como estaes de comboios, grandes superfcies, fbricas, hospitais. So exemplo deste tipo
de vendas, as mquinas de tabacos, de bebidas, de bilhetes de comboios, de chocolates e at de produtos alimentares.

3.

vendas ao domicilio, neste tipo de venda j existe um contacto directo entre o vendedor e o consumidor, contudo a venda no feita no posto de venda mas sim no domicilio do consumidor ou no emprego do consumidor,
da tambm se poder chamar de venda porta--porta.

4.

cibervendas, este tipo de venda utiliza a Internet como meio de venda dos produtos; uma forma de venda que
tem vindo a crescer nos ltimos anos em Portugal, comercializando os mais diversos tipos de bens e de servios,
como livros, vesturio, bilhetes de avio, frias, etc.

mtodos de vendas

venda distncia

venda automtica

venda ao domiclio

cibervenda

30

o comrcio e a moeda

4.2. a moeda
4.2.1. noo de moeda
Muitas vezes designa-se por moeda no apenas as moedas metlicas ou as notas que se guardam na carteira,
mas tambm os cheques, os cartes de crdito, ou at, as moedas de oiro.
No entanto, nem tudo o que atrs foi dito, pode ser considerado como moeda no sentido econmico do termo.
Com efeito, quer as moedas quer as notas podem ser utilizadas para comprar bens e servios de que necessitmos. Tambm podem ser guardadas em casa ou nos bancos para ser utilizadas mais tarde na compra de bens e servios.
Os cheques e os cartes de crdito so tambm utilizados para pagamentos de compras de bens e servios.
J as moedas de oiro no servem para podermos pagar qualquer compra de bens e servios, que efectuem pois
no tm aceitao geral, o seu valor depende da sua cotao do momento. Assim sendo, podemos ento definir moeda
da seguinte forma:
moeda: o bem aceite por todas as pessoas e que expressa o valor de todos os bens e servios

4.2.2. funes da moeda


De acordo com a definio de moeda, podemos concluir que a moeda tem trs funes:
- medida comum de valor - a moeda simplifica as trocas pois expressa o valor dos bens e servios, permitindo a sua
comparao numa mesma unidade de medida. Sendo a moeda aceite obrigatoriamente por todas as pessoas, permite
adquirir qualquer bem ou servio, bem como liquidar qualquer dvida. O euro hoje em Portugal, a unidade comum de
medida pois permite comparar o valor dos bens uns aos os outros.
- meio de pagamento - sendo a moeda aceite obrigatoriamente por todas as pessoas, permite adquirir qualquer bem
ou servio, bem como liquidar qualquer dvida.
- meio de reserva de valor - possvel guardar moeda, ou seja poupar, para adquirir bens e servios no futuro, podendo
ser utilizada em qualquer momento.

funes da moeda

medida comum de valor

meio de pagamento

meio de reserva de valor

31

o comrcio e a moeda

4.2.3. evoluo da moeda


O Homem comea a produzir os bens que necessita para satisfazer as suas necessidades e a especializar-se na
produo de certos bens. No produzindo tudo o que necessitava, tinha de efectuar trocas para adquirir os bens que no
produzia. Inicialmente estas trocas assumiam a forma de troca directa em que se trocava um bem directamente por outro
bem.
Na prtica esta troca directa levantava grandes inconvenientes:
dupla coincidncia de desejos: para se realizar a troca entre dois bens, era necessrio encontrar algum que desejasse exactamente aqueles bens. Se algum tivesse peles e quisesse trocar por cereais, teria de encontrar uma pessoa
que precisasse exactamente o inverso, isto , tivesse cereais e desejasse peles. Esta necessidade de dupla coincidncia
de desejos levava a que, por vezes, a troca directa no se efectuasse.
atribuio de valor aos bens: uma vez ultrapassado o obstculo da coincidncia de desejos, havia agora que acordar sobre quantas peles teria que dar em troca de que quantidade de cereais. Assim, a atribuio do valor aos bens era
outro inconveniente da troca directa.
fraccionamento dos bens: se para alguns bens o seu fraccionamento no constitua problema, para outros, tal como
o gado ou at as peles, dividi-los tornava-se difcil ou impossvel.
transporte dos bens: por vezes, para se efectuar um nmero mais elevado de trocas, ter-se-ia que transportar um
nmero elevado de bens que nem sempre eram de fcil transporte.
elevado nmero de transaces: para que se obtivesse o bem desejado, era necessrio, por vezes, efectuar trocas
intermdias, obrigando realizao de um nmero de transaces mais ou menos elevado e ao transporte de um considervel nmero de bens.
medida que a especializao aumenta, aumenta tambm o nmero de produtos destinados troca. A troca
directa constitua um entrave ao desenvolvimento das trocas e da economia. Assim, comeam a serem utilizados alguns
bens como intermedirios na troca, que sendo aceites por todos os membros da comunidade permitem dividir a operao de troca em trs partes: trocar o bem que tenho por esse bem intermedirio e posteriormente utiliz-lo para adquirir
outros bens.
Trata-se agora de uma troca indirecta funcionando esse bem intermedirio como moeda, a chamada moeda
mercadoria, que constitui a forma mais rudimentar da moeda. Ao longo dos tempos vrios foram os bens utilizados como
moeda mercadoria, as peles, os cereais, o sal, o gado.
Apesar de constituir um grande avano, o uso da moeda mercadoria levantava problemas:
podia haver falta moeda: sendo um bem til, podia ser utilizado para fins no monetrios;
nem sempre pode ser fraccionado, como o gado ou as peles;
difcil de ser transportado como o gado;
difcil de guardar no tempo: pois podia estragar-se, os cereais podem-se estragar.

Estes inconvenientes apresentados pela moeda mercadoria vm a ser ultrapassados com a utilizao de metais
preciosos como moeda, sobretudo ouro e prata. A moeda toma a forma de moeda metlica. A moeda metlica divulgou-se rapidamente pois apresentava claras vantagens:
- inaltervel com o tempo com o desenrolar do tempo, mantm praticamente na mesma ;
- facilmente divisvel em pequenas partes, no perdendo, no entanto, o seu valor;
- fcil de transportar;
- difcil de falsificar;
- um bem raro e escasso, pois um metal precioso.

32

o comrcio e a moeda

Durante muito tempo a moeda metlica circulou sob a forma de blocos ou barras, ouro ou prata, sendo necessrio pes-la para se verificar a sua autenticidade e assim se poder concretizar a transaco. a fase da moeda pesada.
Como este mtodo no era muito prtico, passou-se a utilizar a moeda contada. O metal transformado em
pequenas peas em ouro ou prata, com determinado peso, sendo apenas necessrio contar as peas para determinar a
quantidade de ouro ou prata desejado.
Para garantir o seu valor (peso da moeda) passou-se a inscrever na moeda a cara, ou o selo dos reis, aumento
assim a confiana na moeda. A moeda passou agora a ser moeda cunhada.

Com o desenvolvimento do comrcio, as transaces entre regies alargam-se, tornando-se incmodo e inseguro transportar grandes quantidades de moeda de local para local. Assim, era mais seguro deixar essa moeda guarda de
algum especializado os cambistas recebendo em troca um certificado de depsito que representava o ouro que
tinha depositado, podendo ser trocado, em qualquer momento pelo metal precioso.
Esta prtica foi-se generalizando de tal forma que a partir de determinada altura passaram esses certificados a
serem utilizados como meio de pagamento, sem que fosse necessrio a sua transformao em metal precioso. Surgia um
novo instrumento monetrio - moeda-papel. A moeda assumia agora a forma de moeda de papel, que no sendo ouro
representava ouro, portanto uma moeda representativa.
Rapidamente esta forma de moeda-papel se desenvolveu e comeou a circular em quantidades superiores ao
ouro que estava depositado, circulava com base na confiana que as pessoas nela acreditavam, de que se fosse necessrio, a sua converso em ouro seria rpida.
Para evitar situaes de abuso ou de crise econmica, os governos intervieram para restabelecer a confiana na
moeda, decretando a sua inconvertibilidade em ouro e o seu curso forado, isto , a sua aceitao obrigatria, passando
o Estado a deter o monoplio da sua emisso. Assim a moeda-papel transforma-se em papel-moeda.

Apesar de os bancos terem sido impedidos de emitir papel-moeda, passando o Estado a deter o seu monoplio,
estes continuaram a aceitar os depsitos dos seus clientes, no em ouro, mas agora em papel-moeda. Sempre que as pessoas pretendiam efectuar transaces, ordenavam ao seu banco, atravs da sua assinatura num cheque, que movimentasse a sua conta. Tratava-se de uma simples operao de escrita e registos contabilsticos.
Estava criada uma nova forma de moeda, a moeda bancria ou moeda escritural que se foi generalizando,
medida que a actividade bancria se ia desenvolvendo. Esta moeda, traduz-se na movimentao de valores monetrios
feitos nos bancos.

Mas, nos ltimos anos, tm surgido novas formas de moeda: a moeda electrnica, resultante da utilizao de cartes informatizados, os cartes de crdito, os quais permitem o levantamento de dinheiro a qualquer hora e em diferentes
locais.
Mais recente ainda a chamada moeda informtica, designao dada moeda que resulta de ordens de
pagamento dadas por computador ao banco de que essa pessoa cliente.

Actualmente, circulam as seguintes formas de moeda:


- moeda de trocos: constituda pela moeda metlica e utilizada para pagamentos de baixo valor.
- papel moeda: constituda pelas notas e utilizadas para pagamentos de maior valor.
- moeda escritural: que pode ser movimentada atravs de depsitos bancrios, cheques, transferncias e emprstimos
bancrios.

33

o comrcio e a moeda

4.3. euro a nova moeda portuguesa

4.3.1. o nascimento do euro


Em resultado da adeso de Portugal Unio Europeia, o escudo deixou de circular, a partir de Maro de 2002,
sendo substitudo por moedas e notas de euro.
O euro a moeda que doze pases da Unio Europeia adoptaram: Alemanha, ustria, Blgica, Espanha, Finlndia, Frana, Grcia, Holanda, Irlanda, Itlia, Luxemburgo e Portugal.
Estes dozes pases criaram assim um espao comum onde circula uma nica moeda, o euro, por isso, este espao
se chama de Zona Euro.
De fora da zona euro, ficaram a Dinamarca, a Sucia e o Reino Unido, por no pretenderem aderir ao sistema da
moeda nica, o que no significa que no futuro no venham a aderir.
Assim sendo, no espao da actual Unio Europeia, circulam quatro moedas:
 o euro, nos pases da Zona Euro,
 a libra, no Reino Unido;
 a coroa dinamarquesa, na Dinamarca;
 a coroa sueca, na Sucia.

4.3.2. vantagens e desafios da adopo do euro


A circulao do euro, como moeda nica, para estes doze pases da Unio Europeia, trouxe vantagens e alguns
desafios.
Dentro das vantagens trazidas perla adopo do euro como moeda nica, destacam-se:

permite aos cidados da zona euro comparar mais facilmente os preos, pois esto marcados na mesma moeda;
reduz os custos nas deslocaes a pases da zona euro, pois foram eliminadas as comisses e as taxas de cmbio;
elimina os custos de das transaces dentro da zona euro, pois desaparecem os riscos e as oscilaes cambiais;
mais fcil comparar os preos dos produtos das empresas, pois estes esto fixados na mesma moeda que o euro;
torna mais visvel a moeda dos pases mais pequenos;
cria uma zona de comrcio mais alargada e mais homognea.

Se adopo do euro, como moeda nica, traz vrias vantagens para as empresas e para as economias dos pases da zona euro, tambm levanta alguns desafios, como.
as empresas tero que adaptar os seus produtos ou servios, pois o perfil de consumidor diferente e mais exigente;
as empresas tero de alterar os seus sistemas de pagamentos;
os pases tero que alterar as suas polticas econmicas.

34

o comrcio e a moeda

4.4 o preo de um bem


4.4.1. noo de preo de um bem
J estudmos que a moeda facilita a troca dos bens e servios. por esta razo que se diz que a moeda funciona como um meio geral de trocas. pois em moeda que se fixa o preo dos bens e servios, para comprar um bem preciso gastar uma quantidade de moeda.
o preo de um bem ou servio a quantidade de moeda que precisa gastar para o obter

Mas importante distinguir o valor de troca do valor de uso:


valor de uso: corresponde ao conjunto das caractersticas prprias dos bens e que vai levar as pessoas a escolherem os
bens, portanto, um valor que varia de pessoa ;

valor de troca: j corresponde ao valor dos bens, ao valor porque pode serem comprados.

4.4.2. componentes dos preos dos bens


Podemos afirmar que so vrios os factores que formam os preos dos bens. Assim:
 os custos de produo, que entram na produo dos bens;
 os custos do factor trabalho, que so precisos para produzir os bens;
 os preos dos bens, que possam ser substituveis;
 a interveno do Estado, atravs de pagamento de impostos fazendo aumentar os preos, ou atravs de subsdios
fazendo diminuir os seus preos;
 a imagem de marca do produto, pois a empresa poder pretender afirmar-se ao criar uma imagem de prestgio para o
seu produto e assim fixar os seus preos mais elevados.
 o nmero de compradores e de vendedores, pois se uma empresa produz sozinha um bem, necessariamente ter mais
possibilidades de fixar o preo de que a empresa que trabalha num mercado de concorrncia, onde os compradores
podem escolher a empresa que oferece melhores preos.

custos de produo
custos do factor trabalho
preos dos bens substituveis
Factores que influenciam os preos
interveno do Estado
imagem de marca do produto
nmero compradores e vendedores

35

o comrcio e a moeda

4.5. a inflao
4.5.1. noo de inflao
Todos ns no dia-a-dia verificamos com alguma frequncia de que os preos dos bens e servios aumentam,
dizemos imediatamente de que estamos perante o fenmeno da inflao. No entanto, no se trata de inflao. H que
precisar melhor o conceito para verificarmos se de facto se trata de uma inflao ou de uma subida ocasional do preo
de alguns bens ou servios.

Por vezes ao longo do ano, o preo de alguns bens e servios aumenta ocasionalmente, devido, por exemplo, ao
mau tempo ou chuva fora de poca, que danificando as culturas, torna o produto mais escasso face procura, fazendo subir o preo destes bens. Regularizada a situao, verificamos que o preo destes bens volta ao seu nvel anterior.
Trata-se, aqui, de uma alta de preos, ou seja, de uma subida ocasional do preo de um grupo de bens e com
tendncia a baixar logo que o factor que o originou seja controlado.

Esta subida ocasional do preo de alguns bens no pode ser confundida com inflao, pois falamos de inflao
quando se verifica:

uma subida generalizada do preo de todos os bens e no a subida de preos de alguns bens
uma subida sustentada e continuada dos preos e no uma subida ocasional

inflao subida generalizada, continuada e persistente dos preos dos bens e servios

4.5.2 - tipos de inflao


O grau de intensidade com que, ao longo da histria, a inflao se tem manifestado, permite-nos classific-la em
trs tipos:
- inflao moderada, quando os preos sobem lentamente, a uma taxa, em geral, de um s dgito;
- inflao galopante, quando os preos comeam a subir de uma forma mais rpida, a taxas de dois dgitos, por
exemplo, 10% ou 90% ao ano,
- hiperinflao, quando os preos sobem de forma descontrolada e anormal, atingindo valor muito elevados, com
taxas de trs ou mais dgitos.

Situaes de hiperinflao no tm sido frequentes na Histria, ocorrendo, geralmente, em casos de guerras. O


caso da inflao mais elevada que se conhece, foi o da Alemanha, entre os anos de 1922 e 1923, onde os preos aumentaram cerca de 3.000 milhes de vezes. Quer isto significar que com o dinheiro que gastava para comprar uma casa, em
1921, mal dava para comprar uma simples pastilha elstica, em 1923.

tipos de inflao
moderada

galopante

hiperinflao

36

o comrcio e a moeda

4.5.3. causas explicativas da inflao


J estudamos que a inflao uma subida geral, continuada e persistente dos preos dos bens. Mas porque
que os preos dos bens sobem? Quais so as suas causas?
Apesar da variedade de factores que se encontram na base da inflao, podemos destacar as seguintes causas da
inflao:
excesso de moeda em circulao:
Quando as despesas que o Estado efectua na satisfao das necessidades colectivas so superiores s receitas
que arrecadou, diz-se que h um dfice oramental. Uma das formas que o Estado tem de financiar esse dfice recorrer
ao crdito, interno ou externo, ou emitir moeda.
Ora, aumentando a quantidade de moeda em circulao, evidente, que com mais moeda em circulao, os
consumidores passam a ter um maior poder de compra; por isso vo procurar comprar mais bens, fazendo com que a
procura aumente sem aumentar a oferta; com o aumento da procura e mantendo-se a oferta, evidente que os preos
dos bens subiro, subindo o nvel geral dos preos existe inflao.

MOEDA EM CIRCULAO  

PODER DE COMPRA  

PROCURA  

NVEL GERAL DE PREOS  

INFLAO

aumento dos custos de produo:


Tem-se constatado que um aumento dos custos de produo vai ocasionar um aumento geral dos preos. A
razo est no facto de que aumentando os preos, por exemplo, das matrias-primas, os custos das empresas tambm
aumentam; aumentando os custos das empresas, estas para manterem as mesmas margens de lucro, aumentam os preos dos seus produtos, aumentando assim o nvel geral dos preos e consequentemente provocando inflao.

CUSTO EMPRESAS  

MARGEM DE LUCRO = 

PREOS DOS PRODUTOS  

NVEL GERAL DE PREOS  

INFLAO

aumento dos salrios sem aumento da produtividade:


evidente que um aumento dos salrios sem aumento da produtividade, vai ocasionar um aumento geral dos
preos. Aumentando os salrios, os trabalhadores passaro a ter um maior poder de compra e consequente, vo consumir
mais bens. Com o aumento da procura e mantendo-se constante a oferta, os preos dos bens aumentam, aumentando
assim o nvel geral dos preos e assim provocando inflao.

NVEL GERAL SALRIOS  

PODER DE COMPRA  

PROCURA  

NVEL GERAL DE PREOS   INFLAO

Por outro lado, com o aumento dos salrios, as empresas vo ter mais custos e como querem manter as suas
margens de lucro, aumentam os preos dos seus produtos, aumentando assim o nvel geral dos preos e consequentemente provocando inflao.

NVEL GERAL SALRIOS  

CUSTO EMPRESAS  

MARGEM DE LUCRO = 

NVEL GERAL DE PREOS   INFLAO

37

o comrcio e a moeda

poltica de crdito do governo:


Muitas empresas so obrigadas a recorrer ao crdito bancrio, a uma determinada taxa de juro; ora se o governo
impuser taxas de juro muito elevadas, os emprstimos bancrios ficam muito agravados, fazendo aumentar os custos das
empresas que tero que aumentar os preos dos seus produtos, contribuindo para uma possvel subida do nvel geral e dos
preos e consequentemente para a inflao.

causas da inflao
Excesso
moeda circulao

aumento
custos de produo

aumento
salrios trabalhadores

polticas
crdito do governo

4.5.4. consequncias da inflao


Os efeitos da inflao repercutem-se de diferentes formas na economia, de acordo com a intensidade com que
esta se faz sentir. De entre as diversas consequncias, destacamos as seguintes:

depreciao do valor da moeda:


Uma das mais importantes consequncias relaciona-se com o valor da moeda.
Se os preos sobem, isso significa que um consumidor, com a mesma quantidade de moeda, vai passar a poder
comprar menos bens e servios, porque os seus preos subiram. Logo, a moeda perdeu valor. Diz-se , ento, que a inflao
leva desvalorizao da moeda ou depreciao da moeda.

depreciao das condies de vida:


A inflao provoca uma depreciao das condies de vida da populao, ou seja, reduz o seu poder de compra , reduz a capacidade de compra das famlias.
Com o seu rendimento mensal, as famlias possuem um determinado poder de compra que vai diminuindo
medida que os preos vo subindo.
Mas esta reduo do poder de compra no uniformemente sentida por todas as famlias. Com efeito, as famlias de rendimentos fixos, em especial, os trabalhadores, funcionrios pblicos, pensionistas e reformados, so os mais atingidos com a inflao, visto que passam a ter menos poder de compra, pois os preos dos bens e servios aumentam e os
seus rendimentos mantm-se iguais.

aumento do recurso ao crdito:


A inflao estimula o recurso ao crdito, na medida em que as taxas de juro no se efectua imediatamente
subida da taxa de inflao, Assim, verifica-se um perodo de tempo em que a taxa da inflao superior taxa de juro,
tendo, portanto vantagens para quem recorre ao crdito.

consequncias da inflao
depreciao
valor da moeda

depreciao
condies de vida

aumento
recurso ao crdito

38

o comrcio e a moeda

4.5.5. medidas de combate inflao


J estudamos que a inflao uma subida geral, continuada e persistente dos preos dos bens. De acordo com
os economistas, existem vrias formas de combater a inflao.
Contudo, a medida mais utilizada para combater a inflao aplicada pelos governos, atravs da reduo de
moeda em circulao.

polticas dos governos:


Quando o Estado aplica mais impostos aos consumidores e/ou reduz as suas despesas est a retirar moeda da
circulao.
Ora, diminuindo a quantidade de moeda em circulao, evidente, que com menos moeda em circulao, os
consumidores passam a ter um menor poder de compra; por isso vo procurar comprar menos bens, fazendo com que a
procura diminua e assim os preos dos bens diminuiro, baixando o nvel geral dos preos

MOEDA EM CIRCULAO  

PODER DE COMPRA  

PROCURA  

NVEL GERAL DE PREOS   DEFLAO

4.5.6. o ndice de preos


Como dissemos anteriormente, os preos dos bens e servios no se mantm inalterveis ao longo dos anos,
sofrem aumentos ou diminuies.
Para medir a evoluo dos preos no tempo habitual utilizar-se o ndice de preos (IP).
Suponhamos que o preo de um bilhete de cinema, em 2000 era de 2 euros e que em 2001 era de 3 euros. Como
calcular a sua evoluo, como calcular o ndice de preos do bilhete de cinema?

IP =

3
2

X 100

IP = 150

Qual o seu significado? Se tomarmos como ano base o ano de 2000, verificamos que:
- o preo do bilhete de cinema aumentou 50% (150-100);
- o preo do bilhete de cinema passou a ser 1,5 vezes mais caro do que no ano anterior
Para medir a evoluo dos preos numa economia, num determinado perodo de tempo, utiliza-se o ndice de
Preos no Consumidor (IPC), que constitui uma das medidas da inflao.

Como se calcula o IPC?


1 atravs de inquritos realizados junto de um nmero significativo de famlias de vrias regies do pas, determinando-se as quantidades de cada bem que cada famlia consome durante um ano e o respectivo peso que ocupam nas
despesas familiares, constituindo-se assim um cabaz de bens e servios;
2 calcula-se o preo desse cabaz para um determinado ano considerado como ano base;
3 calcula-se o preo do mesmo cabaz para o ano que se pretende considerar;
4 relaciona-se o preo do dois cabazes obtidos.

39

o comrcio e a moeda

Consideremos por hiptese que o preo do cabaz em 2000 era de 80 euros e que em 2001 era de 100 euros.
Qual o ndice de Preos no Consumidor (IPC)?

IP =

100
80

X 100

IP = 125

O que traduz o resultado obtido?


- o que se comprava em 2000 por 1 euro, compra-se em 2001 por 1,25 euros;
- que os preos aumentaram em 25%
Como o IPC a medida da inflao, diremos que a taxa de inflao de 25%

4.5.7. a taxa da inflao


A taxa de inflao, indicador que mede, em termos percentuais, a variao dos preos, calcula-se a partir do
ndice de Preos no Consumidor (IPC)
No entanto, quando falamos em taxa de inflao, nem sempre estamos a referir-nos mesma taxa, ou seja,
possvel calcular a variao dos preos de vrias formas.
Com efeito, existem vrias formas de calcular a taxa de inflao:
- inflao mdia: mede a variao dos preos ao longo dos doze meses de um ano e do ano seguinte ( calculada
com base em vrias observaes estatsticas e, por isso, mais estvel).
Assim sendo, a taxa de inflao mdia anual que expressa a mdia da variao dos preos dos bens considerados no cabaz ao longo do ano, (sem habitao).

indicadores de inflao
taxas de variao mdia
ano

1991

1992

1993

total

11,4 %

8,9 %

6,5 %

1994

1995

1996

5,2 %

4,1 %

3,1 %

Relatrio Banco de Portugal,


1997

- inflao homloga: mede a variao dos preos entre o mesmo ms de dois anos consecutivos ( calculada com
base em apenas duas observaes)
Assim sendo, a taxa de inflao homloga compara a variao do preo do cabaz num determinado ms,
relativamente ao preo do cabaz no mesmo ms do ano anterior, (sem habitao).
indicadores de inflao
taxas de variao homloga
ano / ms
Total

1991 / Dez 1992 / Dez 1993 / Dez 1994 / Dez 1995 / Dez 1996 / Dez
9,6 %

8,4 %

6,4 %

4,0%

3,4 %

3,3 %

Relatrio Banco de Portugal,


1997

40

o comrcio e a moeda

4.5.8. inflao e nvel de vida


O conceito de nvel de vida utilizado frequentemente para referir o conjunto de bens e servios a que a populao de um pas tem acesso num determinado momento. O acesso a estes bens e servios determinado, principalmente, pelo rendimento que essa populao dispe, bem como o preo dos bens.
De facto, a inflao afecta negativamente o nvel de vida das populaes, sobretudo as que tm rendimentos
mais baixos, impedindo o acesso a determinado conjunto de bens e servios, por vezes at considerados essenciais. o
caso do acesso a servios de sade ou de educao, ou mesmo aos bens alimentares, traduzindo-se em nveis mais ou
menos graves de carncias alimentares e fome.
A medio do nvel de vida das populaes pode ser efectuada atravs da observao de diferentes indicadores tais como, as condies de alojamento, as despesas em meios de transporte, as despesas em alimentao, as despesas em sade , as despesas em educao, etc.

4.6. a inflao em Portugal e na Unio Europeia


4.6.1. a inflao em Portugal
At meados da dcada de 60, a inflao era um indicador relativamente controlado em Portugal. Depois, em
1965, a inflao foi de 3,5% e, em 1969, j foi de 7,4%. Mas em 1973, a inflao atingiu os 10,5%.
Em 1974, aconteceu o 25 de Abril e, nessa altura, a inflao era j de 28% e em 1984 atinge o elevado valor de
29,3%.

Podemos dizer que, nas dcadas de 70 e de 80, a inflao foi um indicador econmico que atingiu nveis muito
elevados. A depreciao do valor da moeda e a diminuio do poder de compra, resultante da inflao, fez com que o
combate inflao passasse a ser uma prioridade do governo. Assim, as polticas econmicas aplicadas pelos governos
fez com que, em 1990, a taxa de inflao tivesse baixado para 13,4% e, em 1997, a taxa j era de 1,9%.

A partir deste valor, a taxa subiu para 2,8% em 2001 para 4,4% e em 2002 as previses avanam para 3,6%, nmero esse que, a manter-se, coloca a taxa portuguesa 1,5 pontos percentuais acima da mdia da Unio Europeia.

41

preos e mercados

UNIDADE 5: PREOS E MERCADOS

5.1 Mercados
5.1.1 Noo de mercado
5.1.2 Exemplos de mercados
5.2 O mecanismo do mercado
5.2.1 A procura
5.2.2 A lei da procura
5.2.3 A Oferta
5.2.4 A lei da oferta
5.3 Estrutura dos mercados
5.3.1 Mercado de concorrncia perfeita
5.3.2 Mercado de monoplio
5.3.3 Mercado de oligoplio
5.3.4 Mercado de concorrncia monopolista
5.4 Elasticidades
5.4.1 Elasticidade da procura
5.4.2 Elasticidade da oferta

42

preos e mercados

5.1. noo de mercado

5.1.1. noo de mercado


Na utilizao corrente, o termo mercado aparece geralmente associado ideia de um local fsico ou geogrfico,
onde vendedores e compradores de um bem ou servio se encontram, normalmente numa data fixa. As exposies, as
feiras ou as praas, so exemplos deste tipo de mercados, caracterizados por terem espao e tempo bem definidos.
mercado qualquer situao onde os vendedores e os compradores ajustam o preo e as quantidades
a transaccionarem do bem.

5.1.2. exemplos de mercado


O conceito de mercado evoluiu ao longo do tempo; deixou de ser um local prprio para passar a ser a ser toda a
situao em que compradores e vendedores se encontram., no importando o local.
Com a introduo das novas tecnologias e toda a revoluo operada pelas telecomunicaes e informtica,
compradores e vendedores podem encontrar-se a milhares de quilmetros de distncia e efectuarem as mais variadas
transaces e terem um conhecimento perfeito do que se passa no mercado, como se estivem no mesmo local. Atravs
da Internet, hoje, possvel comprar e vender os mais variados produtos, em lojas virtuais.
Todos os dias, a comunicao social, nos fala no mercados ou mercados do petrleo, mercado da fruta, mercado imobilirio, mercado de capitais, mercado do trabalho, etc.
Portanto, a palavra mercado pode ser utilizada para designar as transaces de um bem ou de vrios bens ou
de servios, de capitais ou at do factor trabalho.

43

preos e mercados
5.2. o mecanismo do mercado
Como vimos anteriormente, no mercado que os vendedores e os compradores ajustam o preo e a quantidade dos bens a transaccionarem. De um lado, os vendedores so responsveis pelas quantidades oferecidas dos diferentes
bens; do outro lado, os compradores so responsveis pelas quantidades procuradas dos bens.
portanto no mercado que a oferta enfrenta a procura com o objectivo de se definir os preos e de estabelecerem as quantidades a transaccionar dos diferentes bens.

5.2.1. a procura
[Link]. noo de procura
J vimos, que no mercado intervm compradores e vendedores; os compradores como responsveis pela procura de um determinado bem ou servio, os vendedores como responsveis pela oferta desse bem ou servio. Sendo assim,
podemos definir procura:

procura a quantidade de bens e servios que os compradores desejam comprar num certo momento, tendo em conta
os preos desses bens, os preos de outros bens, os seus rendimentos e os seus gostos

[Link]. factores que influenciam a procura


Pela definio dada da procura, podemos verificar que a quantidade procurada depende de vrios factores,
nomeadamente:
1 preo dos bens: se o preo de um determinado bem aumentar, natural que a quantidade procura desse bem
diminua; pelo contrrio, se o preo desse bem diminuir, a quantidade procurada aumentar.
2 - preos de outros bens: a quantidade procurada de um bem tambm depende do preo de outros bens, nomeadamente dos bens substituveis e complementares.
No caso dos bens substituveis, como leo e azeite, o aumento do preo de um, tender a aumentar a procura
do outro. A diminuio do preo dum, tender a diminuir a procura do outro.
J no caso dos bens complementares, como o caf e o acar. O aumento do preo do caf, por exemplo,
reduziria a procura de caf e do acar. A reduo no preo do caf teria o efeito inverso, aumentaria a procura de caf
e consequentemente a procura de acar.
3 - rendimento dos consumidores: o rendimento influencia a maioria dos bens e servios que sero adquiridos pelos
consumidores, a um determinado preo. Se o rendimento dos consumidores aumentar natural que a quantidade procurada, dos diferentes bens e servios, aumente tambm. Se o rendimento dos consumidores diminuir, verificar-se- a situao inversa, a quantidade procurada diminuir.
4 gosto dos consumidores: o gosto dos consumidores no se mantm, na maioria dos casos inaltervel, muitas vezes
influenciado pela publicidade ou pela moda.
Se houver uma alterao do gosto dos consumidores relativamente a um bem ou servio, passando estes a preferir,
por exemplo, caf em vez de ch, a procura de caf ir aumentar enquanto que a procura de ch ir diminuir.
factores que influenciam a procura

rendimento
dos consumidores

preo
do bem ou servio

preos
de outros bens

gosto
dos consumidores

44

preos e mercados
[Link]. a curva da procura
A curva da procura traduz a relao existente entre os preos e as quantidades procuradas de um determinado
bem ou servio. A curva da procura de um determinado bem ou servio definida, portanto, pelas vrias quantidades
que os compradores esto dispostos a comprarem e pelos respectivos preos.
Imaginemos que, num determinado dia no mercado de Vizela, o quilo da banana procurada (m) e o respectivos
preos (p.), apresentavam os seguintes valores:
- 60 kgs de bananas se o seu preo for de 1 euro;
- 55 kgs de bananas se o seu preo for de 2 euros;
- 40 kgs de bananas se o seu preo for de 3 euros;
- 25 Kgs de bananas se o seu preo for de 4 euros;
- 15 Kgs de bananas se o seu preo for de 5 euros.
Vamos, ento, fazer a representao grfica da procura, que se designa por curva da procura (D.):
CURVA DA PROCURA
6

PREOS

5
4
3
2
1
0
15

25

40

55

60

QUANTIDADES

O grfico mostra-nos que quando o preo do quilo da banana de 5 euros, os compradores esto dispostos a
comprar 15 quilos de bananas; mas quando o preo do quilo da banana de 1 euro, os compradores j esto dispostos a
comprar 60 quilos de bananas.

Assim, a curva da procura indica-nos a quantidade de bens que os compradores esto dispostos a comprar aos
vrios preos. A sua principal caracterstica a tendncia decrescente, isto , quando o preo de um bem baixa, os
compradores tendero a comprar mais quantidades desse bem. Em sentido inverso, quando o preo de um bem aumenta, os compradores tendero a comprar menos quantidades do bem.

A verificao desta ocorrncia levou os economistas a enunciarem a lei da procura:

quando o preo do bem aumenta, a quantidade procurada diminuiu; em sentido inverso, quando o seu preo
diminuiu, a quantidade procurada aumenta
a procura de um determinado bem varia na razo inversa do seu preo

Pr. preo de um bem

Pr. 

CP 

CP quantidade procurada

Pr. 

CP 

45

preos e mercados
5.2.2. a oferta

[Link]. noo de oferta


Analismos no ponto anterior a procura de um bem, mas no mercado no teria sentido a existncia de uma procura sem a correspondente oferta. Mas o que ento a oferta?

oferta a quantidade de bens e servios que os vendedores desejam vender num certo momento, tendo em conta os
preos desses bens, os preos de outros bens, os custos de produo e a tecnologia

[Link]. factores que influenciam a oferta


Pela definio dada de oferta, podemos verificar que a oferta depende de vrios factores:
1 preo do bem: tal como na procura, a variao do preo dos bens reflecte-se nas quantidades oferecidas. Se o
preo de um bem aumentar, a tendncia ser de um aumento da quantidade oferecida desse bem. A descida do preo
do bem resultar, numa diminuio da quantidade oferecida desse bem.
2 preo de outros bens: a variao do preo de outros bens que esto relacionados com o bem a ser oferecido
ter igualmente reflexos nas quantidades oferecidas, sobretudo se se tratar de bens substituveis e bens complementares.
Na primeira situao, se o preo do bem baixar, a oferta dos bens que lhe so substituveis, descer tambm. Por
exemplo, se aumentar o preo da pra, a o oferta da ma baixa, pois os agricultores deixam de plantar mas e passam
a cultivar peras.
No caso dos bens complementares, sempre que o preo de um dos bens aumentar, a tendncia para aumentar a quantidade oferecida do bem e dos bens que lhe so complementares.
3 custos de produo: perante o aumento do custo das matrias-primas, dos combustveis ou dos salrios, a tendncia ser de diminuio da quantidade oferecida. Pelo contrrio, se o preo destes factores produtivos descer, as
quantidades oferecidas aumentaro.
4 tecnologia: a introduo de inovaes tecnolgicas, ou novos mtodos de produo traduzindo-se numa diminuio dos custos de produo, tendero a aumentar a oferta.
Por exemplo, a descoberta da utilizao de silcio no fabrico de microchips provocou o aumento da oferta de
computadores, pois baixou o seu custo de produo.

factores que influenciam a oferta

custos
dos produo

preos
do bem ou servio

preos
de outros bens

inovaes
tecnolgicas

46

preos e mercados
[Link]. a curva da oferta
Tal como fizemos para a procura, podemos tambm, relativamente oferta, relacionar o preo de um bem e a
quantidade oferecida no mercado. A curva da oferta traduz, assim, a relao existente entre os preos e as quantidades
oferecidas de um determinado bem ou servio. A curva da oferta de um determinado bem ou servio definida, portanto, pelas vrias quantidades que os vendedores esto dispostos a venderem e pelos respectivos preos.
Imaginemos que, nesse mesmo dia no mercado de Vizela, o quilo da banana oferecida (m) e o respectivos preos (p.), apresentavam os valores:
- 10 kgs de bananas se o seu preo for de 1 euro;
- 25 kgs de bananas se o seu preo for de 2 euros;
- 40 kgs de bananas se o seu preo for de 3 euros;
- 50 Kgs de bananas se o seu preo for de 4 euros;
- 65 Kgs de bananas se o seu preo for de 5 euros.
Vamos, ento, fazer a representao grfica da funo oferta, que se designa por curva da oferta (SI):

CURVA DA OFERTA
6
5

PREOS

4
3
2
1
0
10

25

40

50

65

QUANTIDADES
O quadro e o grfico mostram-nos que quando o preo do quilo da banana de 9 euros, os vendedores esto
dispostos a venderem 65 quilos de bananas; mas quando o preo do quilo da banana de 1 euro, os vendedores j esto
dispostos a venderem 10 quilos de bananas.

Assim, a curva da oferta indica-nos a quantidade de bens que os vendedores esto dispostos a oferecer aos
vrios preos. A sua principal caracterstica a tendncia crescente, isto , quando o preo de um bem baixa, os vendedores tendero a oferecer menos quantidades desse bem. Em sentido inverso, quando o preo de um bem aumenta, os
vendedores tendero a oferecer mais quantidades do bem.

Da mesma forma que fizemos para a procura, podemos tambm enunciar a lei da oferta:
quando o preo do bem aumenta a quantidade oferecida aumenta; em sentido inverso, quando o preo do
bem diminuiu a quantidade oferecida diminuiu
a oferta de um determinado bem varia na razo directa do seu preo
Pr. preo de um bem
o quantidade oferecida

Pr. 
Pr. 

o

o
47

preos e mercados
a curva da procura e da oferta
Analismos a oferta e a procura separadamente, observemos agora o que acontece quando a procura e a oferta se encontram no mercado.
Para isso, vamos socorrer, novamente do exemplo anterior. Nesse mesmo dia no mercado de Vizela, o quilo da
banana procurada (CP) e o quilo da banana oferecida (s) e os respectivos preos (p.), apresentavam os valores expressos no quadro. Vamos, ento, fazer a representao grfica da curva da procura (D.) e da curva da oferta (SI):

CURVA DA PROCURA E DA OFERTA


6

PREOS

5
4
3
2
1
0
15

25

40

55

60

QUANTIDADES

O quadro e o grfico mostram-nos que quando o preo do quilo da banana de 9 euros, os compradores esto dispostos
a comprarem 15 quilos de bananas e os vendedores esto dispostos a venderem 65 quilos de bananas; mas quando o
preo do quilo da banana de 5 euros, j os compradores esto dispostos a comprarem 40 quilos de bananas e os vendedores esto dispostos a venderem, tambm, 40 quilos de bananas. Verificamos assim que a curva da procura e a curva
da oferta se intersectam no ponto p., ponto de equilbrio:
ponto de equilbrio ocorre quando a quantidade procurada igual quantidade oferecida

A este preo toda a procura satisfeita, no ficando nenhuma unidade oferecida por vender. Se o preo for
mais baixo a quantidade procurada superior quantidade oferecida havendo assim escassez da oferta desse bem. Se o
preo for mais elevado a quantidade oferecida superior quantidade procura, havendo excesso da oferta desse bem.
Qualquer uma destas possibilidades traduz-se numa situao de desequilbrio que o mercado tender a corrigir procurando constantemente ajustar-se a novos pontos de equilbrio, atravs da variao de preos.

Assim, podemos enunciar a lei da procura e da oferta:


se o preo do bem aumenta a quantidade procurada diminui a quantidade oferecida aumenta; se o preo do bem
diminuiu a quantidade procurada aumenta e a quantidade oferecida diminuiu
a procura de um bem varia na razo inversa do seu preo e a oferta varia na razo directa

Pr. preo de um bem

Pr. 

CP  e

o

CP quantidade procurada
o quantidade oferecida

Pr. 

CP  e

o

48

preos e mercados
CONCLUSO:
1 - A procura e a oferta representam situaes contrrias, uma outra. A justificao est no facto de a procura
representar os interesses dos consumidores, enquanto que a oferta representa os interesses dos vendedores.
2 - Os interesses dos consumidores manifestam-se sempre no sentido de quanto mais baixo for o preo de um bem,
maiores quantidades desse bem esto dispostos a comprarem e quanto maior for o preo do bem, menores sero as
quantidades que esto dispostos a comprarem.
3 - Os interesses dos vendedores manifestam-se sempre no sentido de quanto mais baixo for o preo de um bem,
menores quantidades desse bem esto dispostos a venderem e quanto maior for o preo desse bem, maiores sero as
quantidades que esto dispostos a venderem.
4 - A curva da procura sempre uma curva decrescente.
5 - A curva da oferta sempre uma curva crescente.
6 - Tanto vale falar em compradores ou em consumidores, pois ambos, tm o mesmo significado.
7 - Tanto vale falar em vendedores como em produtores, pois ambos, tm o mesmo significado.

5.3. classificao dos mercados


5.3.1. tipos de mercados
Ao observarmos os mercados dos diferentes bens e servios verificamos que apresentam caractersticas muito
prprias que os distinguem uns dos outros, em virtude no s da especificidade dos bens e servios transaccionados, mas
tambm do nmero de compradores e vendedores.
Em alguns mercados o nmero de vendedores muito elevado, noutros pode reduzir-se a um s vendedor; a
influncia que compradores e vendedores exercem sobre os preos tambm diversa.
Atendendo ao nmero de vendedores e de compradores, podemos distinguir os seguintes tipos de mercado:
mercado de concorrncia perfeita: quando estamos perante numerosos compradores e numerosos vendedores, no
dispondo qualquer deles poder que lhe permita exercer aco sobre a fixao do preo do bem.
mercado de concorrncia imperfeita: quando o mercado dominado por um s, ou alguns vendedores, que dispem
de capacidade de exercer aco sobre a fixao do preo do bem.

49

preos e mercados

5.3.2. concorrncia perfeita


Como vimos, o mercado de concorrncia perfeita caracterizado pela existncia de um nmero elevado, quer
de compradores quer de vendedores.
Para que possamos dizer que um mercado funciona em concorrncia perfeita necessrio que se observem as
seguintes condies:
atomicidade do mercado: o nmero de compradores e de vendedores deve ser suficientemente grande, para que
nenhum deles isoladamente possa dispor do poder de fixar os preos;
homogeneidade do produto: os bens oferecidos no mercado apresentam caractersticas idnticas, no havendo
motivo para que os consumidores prefiram, pelas suas diferenas, este ou aquele bem;
transparncia de mercado: todos os compradores e vendedores dispem de informao perfeita e completa das
condies de mercado de forma a poderem realizar as suas escolhas;
livre entrada e sada: quer consumidores quer produtores podem entrar e sair livremente do mercado pois no existem quaisquer restries nesse sentido;
mobilidade dos factores produtivos: a todo o momento possvel que as empresas possam mudar do seu ramo de
actividade, produzir ou vender um produto em vez de outro produto.

Quando se verificam estas cinco condies falamos em mercado de concorrncia perfeita. Mas, basta que uma
das condies no seja preenchida, para que se deixe de verificar concorrncia perfeita, mas sim concorrncia imperfeita. Por isso, hoje, so poucos os mercados que obedecem s condies de concorrncia perfeita. Da que podemos
encontrar este tipo de mercado, apenas em situaes muito pontuais, em algumas feiras das aldeias mais antigas.

mercado de concorrncia perfeita


nmero de compradores

elevado nmero de compradores

concorrncia

livre concorrncia entre vendedores

caractersticas dos produtos

produtos perfeitamente homogneos

fixao dos preos

depende do jogo da oferta e procura

Entradas de novas empresas

livre entrada de vendedores

exemplos

algumas situaes em feiras

5.4.3. mercado de concorrncia imperfeita


Como vimos, muito difcil encontrar situaes de mercado de concorrncia perfeita., porque basta que apenas
uma das caractersticas que o definem para passar a ser considerado mercado de concorrncia imperfeita. Este mercado
de concorrncia imperfeita pode ser de vrios tipos:

50

preos e mercados

[Link]. monoplio
A situao de um mercado de monoplio, caracterizada pela existncia de um s produto ou servio, pela inexistncia de bens substituveis, prximos do bem oferecido e pela existncia de barreiras que impedem a entrada de novos
produtores ou vendedores. Estas barreiras que impedem a livre entrada de novos vendedores, podem resultar de:
razes naturais: quando os custos de produo de um determinado produto so de tal ordem elevados, que se torna mais eficiente a sua produo por apenas uma empresa do que por um conjunto de empresas. o caso da rede telefnica. O custo de fazer a ligao por fio a todas as habitaes e destas a uma central suficientemente grande para
que no compense um tal servio telefnico;
- razes legais: quando resultam de decises tomadas pelos governos em atribuir, por razes diversas, o exclusivo da
oferta ou da produo de um determinado bem ou servio a uma s empresa. o caso dos caminhos-de-ferro, ou do
abastecimento de gua em Portugal,
- razes tecnolgicas: quando uma empresa se afirma no mercado, eliminando as outras empresas concorrentes,
pois desenvolveram um processo de produo inovador que lhe garante oferecer no mercado o produto a preos mais
baixos. Temos exemplos, em reas como a electrnica ou a informtica.

Tal como no mercado de concorrncia perfeita, tambm o monoplio um mercado terico, pois a grande
maioria dos produtos so substituveis, podemos dizer que o poder dos monoplios no absoluto. o caso dos telefones
da rede fixa da Portugal Telecom que encontram nos telemveis um grande concorrente.

mercado de monoplio
nmero de compradores

elevado nmero de compradores

concorrncia

uma s empresa

caractersticas dos produtos

um s produto ou servio

fixao dos preos

domnio total sobre os preos

entradas de novas empresas

impossvel entrarem novas empresas

exemplos

caminhos-de-ferro, companhia das guas

grandes grupos econmicos


Hoje assiste-se a formas de concentrao heterognea visando reunir sob a mesma direco um grande
nmero de empresas de vrios ramos de actividade.
- cartis. so acordos firmados entre vrias empresas do mesmo ramo de produo com vista a monopolizar
o mercado. Cada empresa mantm a sua individualidade e a sua autonomia tcnica e financeira, apenas
cedem parte da sua autonomia econmica.
- trust: consiste numa combinao financeira que implica o agrupamento, sob direco nica, das vrias
empresas participantes, que perdem por completo a sua independncia.

51

preos e mercados

[Link]. oligoplio
Quando existem algumas, embora poucas, empresas de grande dimenso a que concorrem entre si no mercado
de um produto e nenhuma dela, s por si, tem poder total sobre o preo desse produto, dizemos que se trata de um mercado de oligoplio. Podem-se distinguir duas situaes de oligoplio:
quando existem poucas empresas a oferecerem um produto, mas que concorrem entre si: o caso da Pepsi Cola e
da Coca Cola, que competem entre si para alcanaram uma maior quota de mercado. Para isso, conhecem a reaco
da outra concorrente a uma descida ou subida de preo, embora nenhuma delas tenha poder total sobre o preo do
refrigerante.
quando existem poucas empresas a oferecerem o mesmo produto, mas estabelecem acordos entre si: o caso dos
produtores de petrleo que estabelecem acordos entre si, baseados nas quantidades a oferecer por cada um deles, tendo por objectivo manter um determinado preo do petrleo.

mercado de oligoplio
nmero de compradores

elevado nmero de compradores

concorrncia

poucas empresas

caractersticas dos produtos

produtos idnticos ou pouco diferenciados

fixao dos preos

grande domnio sobre os preos

entradas de novas empresas

difcil a entrada a novas empresas

exemplos

produtores de petrleo; refrigerantes, bancos

[Link]. concorrncia monopolista


Quando existem muitas empresas que oferecem produtos muito semelhantes, mas no exactamente iguais,
dizemos que se trata de um mercado de concorrncia monopolista. o caso das diferentes marcas de gasolina, das diferentes marcas de refrigerantes, de detergentes ou de electrodomsticos.
No mercado de concorrncia monopolista, as empresas entram e saem facilmente, pois no existem barreiras
que impeam a entrada de novas empresas

mercado de concorrncia monopolista


nmero de compradores

elevado nmero de compradores

concorrncia

muitas empresas

caractersticas dos produtos

produtos diferenciados mas substituveis

fixao dos preos

pequeno domnio sobre os preos

entradas de novas empresas

fcil a entrada a novas empresas

exemplos

detergentes, dentfricos, electrodomsticos

~
52

preos e mercados

5.4. elasticidades
5.4.1. a elasticidade da procura
J vimos, quando estudmos a lei da procura que a quantidade procurada tende a variar em sentido inverso
variao do preo. Podemos, no entanto, pretender conhecer qual o valor da variao da quantidade procurada de um
bem quando o seu preo varia. De facto, na prtica importante para os empresrios conhecerem de que forma as
decises de compra reagem s variaes do preo do seu bem. A elasticidade da procura, mede a variao percentual
da quantidade procurada de um bem relativamente variao percentual do seu preo

ELASTICIDADE DA PROCURA

variao percentual na quantidade procurada


variao percentual no preo dos bens

Com efeito, as procuras dos diferentes produtos no reagem de forma perfeitamente igual, variando de acordo
com o tipo de produto em causa. A procura de bens como os alimentos essenciais praticamente no reage a variaes
do preo, enquanto que a procura de bens suprfluos, como perfumes ou bijuterias, so muito sensveis a variaes dos
preos. Dizemos que no primeiro caso se trata de um bem com uma procura rgida e no segundo caso se trata de um bem
com uma procura elstica.

procura rgida: quando a procura no reage perante variaes do preo de um bem

procura elstica: quando a procura reage com sensibilidade perante variaes do preo dum bem

5.4.2. a elasticidade da oferta


Tal como acontece com a procura, a oferta de um bem pode reagir de forma mais ou menos sensvel a variaes dos preos. A elasticidade da oferta, mede a variao percentual da quantidade oferecida de um bem relativamente variao percentual do seu preo

ELASTICIDADE DA OFERTA

variao percentual na quantidade oferecida


variao percentual no preo dos bens

Tal como definimos para a procura, tambm a oferta pode ser oferta rgida e oferta elstica.

oferta rgida: quando a oferta no reage perante variaes do preo de um bem

oferta elstica: quando a oferta reage com sensibilidade perante variaes do preo de um bem

53

rendimentos e repartio dos rendimentos

UNIDADE 6: RENDIMENTOS E REPARTIO DE RENDIMENTOS

6.1 Actividade produtiva


6.1.1 Noo de actividade produtiva e formao dos rendimentos
6.2 Repartio funcional dos rendimentos
6.2.1 Noo de repartio funcional dos rendimentos
6.2.2 Remunerao do factor trabalho
6.2.3 Remunerao do factor capital
6.3 Repartio pessoal dos rendimentos
6.3.1 Noo de repartio pessoal dos rendimentos
6.3.2 O leque salarial
6.2.3 Rendimento nacional per capita
6.4 Redistribuio dos rendimentos
6.4.1 Noo de redistribuio dos rendimentos
6.4.2 Polticas do Estado na redistribuio dos rendimentos
6.4.3 Rendimento disponvel dos particulares
6.5 Desafios da Unio Europeia na actualidade
6.5.1 Os alargamentos
6.5.2 Desafios dos alargamentos

54

rendimentos e repartio dos rendimentos

6. rendimentos e repartio dos rendimentos

6.1. a actividade produtiva e a formao dos rendimentos


Como j vimos, a produo de bens e servios uma das funes mais importantes da actividade econmica.
Mas, para que a produo de bens e servios se realize fundamental a participao dos dois factores de produo: o
trabalho e o capital.
Com efeito, uma vez realizada a produo, os resultados obtidos dessa produo, os bens e servios, vo ser
vendidos no mercado a um determinado preo, garantindo assim rendimentos que iro ser distribudos pelos factores que
intervieram nessa produo.
A questo que agora se coloca a de saber como vo ser distribudos os rendimentos da produo pelos intervenientes dessa produo, visto que o factor trabalho e o factor capital, desempenham funes diferentes.

6.2 a repartio funcional dos rendimentos


6.2.1 noo de repartio funcional dos rendimentos
Uma das formas de analisarmos a repartio dos rendimentos, analisarmos essa distribuio do rendimento do
ponto de vista funcional, isto , analisarmos essa distribuio dos rendimentos atendendo funo que cada um dos factores de produo desempenha.
Assim sendo, de acordo com a funo desempenhada no processo produtivo, a cada um dos intervenientes, trabalho e capital, ir caber uma parte do rendimento gerado. Estamos a analisar a repartio do rendimento numa perspectiva funcional, a repartio funcional do rendimento.

repartio funcional do rendimento


a anlise da forma como o rendimento se distribui pelos factores de produo intervenientes no processo produtivo, de acordo com a funo desempenhada

Assim, atendendo funo desempenhada no processo produtivo, o rendimento distribui-se do seguinte modo:
- uma parte pelo factor trabalho, entregue aos trabalhadores, sob a forma de salrios;
- outra parte pelo factor capital, entregue aos proprietrios, sob a forma de rendas, aos capitalistas, sob a forma de juros e
aos empresrios, sob a forma de lucros.

FACTORES PRODUO

INTERVENIENTES

FORA DE TRABALHO

TRABALHADORES

PROPRIETRIOS
CAPITAL

RENDIMENTOS
SALRIOS

RENDAS

CAPITALISTAS

JUROS

EMPRESRIOS

LUCROS

55

rendimentos e repartio dos rendimentos

6.2.2 a remunerao do factor trabalho


Como acabmos de ver, o salrio a parte do rendimento que cabe ao trabalhador, ou seja, a remunerao do
trabalho. O termo salrio refere-se, de forma generalizada, remunerao do trabalho, no entanto, de forma mais precisa, o termo inclui:
- salrio: a remunerao dos operrios ou dos assalariados;
- ordenado: a remunerao dos empregados das empresas e do seu pessoal superior;
- vencimento: a remunerao dos funcionrios pblicos.
importante distinguir dois tipos de salrios: salrio nominal e salrio real.
O salrio nominal corresponde remunerao que cabe ao trabalhador pela utilizao da sua fora do trabalho, remunerao essa efectuada em moeda. Assim:

salrio nominal
quantidade de moeda que o trabalhador recebe pela prestao do seu trabalho

com esse salrio nominal, ou seja, com a quantidade de moeda recebida que o trabalhador vai poder pagar
os bens e os servios de que necessita (alimentao, vesturio, calado, transportes, etc.) traduzindo-se assim num salrio
real. Assim:
salrio real
quantidade de bens que o trabalhador pode comprar com o seu salrio real
importante estabelecer esta distino entre salrio nominal e salrio real, pois permite conhecer, a qualquer
momento, a situao efectiva do poder de compra dos trabalhadores.
Se os aumentos dos salrios nominais forem superiores ao aumento dos preos, isto , da taxa de da inflao,
ento a quantidade de bens e servios comprados cada vez maior. Verifica-se, neste caso, um ganho do poder de
compra dos trabalhadores.
Na situao inversa, se os aumentos dos salrios nominais no acompanharem o aumento dos preos, isto , da
taxa de da inflao, ento a quantidade de bens e servios comprados cada vez menor. J nesta situao, verifica-se
uma perda do poder de compra dos trabalhadores.

6.2.3 remunerao do factor capital


Como j foi dito, o factor capital, pelo facto de contribuir para a criao de riqueza, tambm remunerado.
Convm recordar que o factor capital, ou meios de produo, compreende o conjunto dos meios que contribuem para a
produo, como as mquinas, os edifcios, os terrenos e mesmo o dinheiro necessrio ao investimento. Nesse sentido, a
remunerao do factor capital feita atravs:
-

rendas: a parte do rendimento que cabem aos proprietrios de terrenos, armazns, andares ou instalaes fabris,
escritrios, que alugam a quem deles precisar.

juros: a parte do rendimento que cabem aos detentores do capital, aos capitalistas que emprestam dinheiro a
quem dele necessitar.

lucros: a parte do rendimento que cabem aos empresrios por dirigirem as empresas de forma a obterem delas a
maximizao das suas capacidades e do seu rendimento.

56

rendimentos e repartio dos rendimentos

6.3 repartio pessoal do rendimento


6.3.1 noo de repartio pessoal do rendimento
Vimos, no captulo anterior a repartio do rendimento de acordo com as funes desempenhadas por cada
interveniente no processo produtivo.
Importa, agora, analisar como o rendimento se distribui pelas famlias, independentemente da origem desses rendimentos. Observamos assim, a repartio do rendimento numa perspectiva pessoal, a chamada repartio pessoal do
rendimento.
repartio pessoal do rendimento
a anlise da forma como os rendimentos se distribui pelas famlias , independentemente da funo que desempenham no processo produtivo

Seja o exemplo duma economia formada por apenas trs famlias, cuja situao a seguinte:
- FAMLIA ALVES: composta por duas pessoas, sendo o seu rendimento apenas do salrio do marido, que operrio
numa empresa metalrgica.
- FAMLIA BRAGA: composta por duas pessoas, sendo o seu rendimento o salrio do mulher que secretria e do
marido que empresrio. Recebem ainda juros de depsitos efectuados.
- FAMLIA COSTA: composta por duas pessoas, sendo o seu rendimento proveniente das rendas que recebem dos
prdios que tm alugados e dos juros de depsitos efectuados.

RENDIMENTOS

SALRIOS

RENDAS

JUROS

LUCROS

[Link]

FAMLIA ALVES

50

50

FAMLIA BRAGA

100

25

200

325

FAMLIA COSTA

200

50

250

R. FUNCIONAL

150

200

75

200

625

Verificamos que o rendimento pessoal de cada famlia bastante diferente, pois as suas situaes tambm so
tambm diferentes: a FAMLIA ALVES recebe apenas um rendimento proveniente do salrio, de um trabalhador menos
qualificado e, portanto, mais baixo que o da mulher da FAMLIA BRAGA que recebe o dobro e possui ainda outros rendimentos provenientes da remunerao do capital, tal como acontece com a FAMLIA COSTA

Em concluso, podemos afirmar que existem desigualdades na distribuio pessoal do rendimento e que resultam
de factores como:

(1) as desigualdades salariais: os salrios no so todos iguais, pois as pessoas apresentam nveis diferentes de formao e qualificao profissional, variando tambm de acordo com o sector, ramo de actividade e a dimenso das
empresas.

(2) a distribuio da propriedade: existncia de algumas famlias que tm rendas, juros e lucros constitui outro factor
explicativo das desigualdades de repartio de rendimentos.

57

rendimentos e repartio dos rendimentos

6.3.2 o leque salarial


Como vimos, os salrios dos trabalhadores no so todos iguais. Ora, o leque salarial uma das formas mais utilizadas para medir as desigualdades salariais.
Assim sendo, podemos definir o leque salarial como sendo a relao existente entre o salrio mximo e o salrio
mnimo praticado num determinado pas.

leque salarial

salrio mximo
salrio mnimo

leque salarial

6.000 euros
1.000 euros

Do exemplo dado, podemos dizer que o leque salarial igual a 6, ou seja, o salrio mximo seis vezes superior ao
salrio mnimo.
Contudo, em Portugal e na maioria dos pases europeus, est estabelecido um valor para o salrio mnimo, mas
no se encontra fixado o valor do salrio mximo, apenas pode ser conhecido o seu valor de referncia nos contratos
colectivos de trabalho de cada sector de actividade.

6.3.3 rendimento nacional per capita


Este indicador importante para medir as diferenas na distribuio dos rendimentos, em especial, nas comparaes entre pases ou entre regies de um pas.

rendimento nacional per capita

rendimento nacional
populao total

O rendimento nacional per capita indica-nos o valor recebido por cada pessoa de um pas; portanto uma
mdia pois parte de uma situao de igualdade como se o rendimento fosse distribudo de uma forma igualitria por
todos os elementos da populao.
Apesar de constituir uma base de comparao, este indicador apresenta grandes limitaes, pois como o rendimento no distribudo equitativamente, as desigualdades na distribuio dos rendimentos como que desaparecem. o
que acontece frequentemente nos pases do Terceiro Mundo, j que grande parte do rendimento est nas mos de minoria da populao, vivendo a maioria na misria.

58

rendimentos e repartio dos rendimentos

6.4 redistribuio dos rendimentos


6.4.1 noo de redistribuio dos rendimentos
evidente que a repartio dos rendimentos gera desigualdades econmicas entre as famlias, quer devido
diferena salarial quer devido diferente posse do factor capital, o que ir originar desigualdades sociais, que se traduzem em menores oportunidades para as famlias de rendimentos mais baixos.
Algumas famlias por razes diversas, como situaes de invalidez, doena, velhice, desemprego, ficam impedidas de participarem na produo, no obtendo assim qualquer rendimento.
De forma a operar uma melhor e mais justa distribuio dos rendimentos para atenuar as desigualdades provocadas pela repartio do rendimento, o Estado efectua uma redistribuio dos rendimentos.
O Estado actua no sentido de diminuir as desigualdades verificadas nos rendimentos, recolhendo impostos, transferindo rendimentos para as famlias com mais necessidades, como os desempregados, idosos, invlidos ou deficientes
atravs de subsdios, penses, reformas, etc.

6.4.2 polticas de redistribuio dos rendimentos


Para alcanar esse objectivo o Estado pe em marcha um conjunto de polticas de actuao:
 poltica de preos: O Estado pode intervir na poltica de preos atravs da aplicao de impostos sobre o consumo de bens procurados pelas classes de maiores rendimentos e tambm atravs da atribuio de subsdios aos bens de
primeira necessidade de forma a torn-los mais acessveis.
 poltica fiscal: O sistema fiscal pode operar redistribuies do rendimento atravs da aplicao de impostos progressivos, isto , aplicando taxas de imposto progressivamente mais altas medida que os rendimentos aumentam. A
redistribuio ainda pode ser conseguida atravs de impostos sobre o consumo, tributando fortemente o consumo de
bens de luxo, bem como o consumo suprfluo.
 poltica social: Uma das formas de actuao do Estado a nvel social a criao de sistemas de segurana
social atravs das comparticipaes obrigatrias dos trabalhadores e das entidades patronais. Estas verbas so depois
canalizadas para as famlias de menores recursos sob a forma de subsdios (abono de famlia, subsdio de desemprego,
subsdio de doena, penses de reforma, etc.) ou para pagamento de servios prestados gratuitamente. Outra das formas
de interveno social do Estado consiste na criao de um rendimento mnimo garantido, o qual pretende fazer face s
necessidades mais elementares de subsistncia de algumas famlias. A fixao dum salrio mnimo nacional visando proteger os trabalhadores contra salrios de misria que impedem uma vida decente, ainda, outras das polticas sociais de
interveno do Estado na redistribuio dos rendimentos.
A redistribuio dos rendimentos pode ser horizontal ou vertical.
A redistribuio diz-se horizontal, quando o Estado procura manter os recursos dos indivduos atingidos por riscos
sociais, como por exemplo, a doena e o desemprego.
A redistribuio diz-se vertical, quando o Estado procura reduzir as desigualdades dos rendimentos dos indivduos,
como por exemplo, o mnimo por velhice, os impostos progressivos.

vertical: reduzindo as desigualdades da repartio do rendimento


redistribuio
horizontal: efectuando transferncias para os mais necessitados

59

rendimentos e repartio dos rendimentos

6.4.3 o rendimento pessoal disponvel


O montante do rendimento recebido pelas famlias normalmente no corresponde ao montante monetrio de
que as famlias podem dispor em cada perodo de tempo.
Isto assim porque, para alm dos rendimentos recebidos como contrapartida da sua participao na produo, quer atravs do trabalho quer atravs do capital, as famlias podem receber os chamados rendimentos sociais (penses de reforma, abonos de famlia, comparticipaes na doena etc.).
Por outro lado, algumas famlias tm de que pagar obrigatoriamente impostos para o Estado e contribuies para
a segurana social.
Se adicionarmos tudo o que as famlias recebem e deduzirmos os impostos e as contribuies, obtemos o rendimento pessoal disponvel, ou seja, o rendimento das famlias depois de pagos os impostos e as contribuies para a segurana social

componentes do rendimento pessoal disponvel


+

remunerao do trabalho (salrios)

rendimentos propriedade (rendas e juros)

rendimentos de empresas (lucros)

transferncias internas (subsdios)

impostos directos (impostos s/rendimentos)

transferncias externas (remessas)

contribuies sociais (segurana social)

rendimento pessoal disponvel

6.5 desigualdades na distribuio dos rendimentos em Portugal e na Unio Europeia


Ao longo dos ltimos anos, a distribuio dos rendimentos portugueses tem sofrido transformaes que nos aproximam do modelo europeu

PASES

Rendimentos do trabalho
( % do PIB )
1983
1993

Populao abaixo do
nvel de pobreza ( %)
1980
1989

Blgica

76,5

73,1

5,5

6,6

Dinamarca

75,2

69,5

4,2

4,9

Alemanha

72,3

68,7

10,9

11,2

Grcia

74,7

64,5

18,5

19,9

Espanha

75,5

67,9

18,7

17,3

Frana

76,0

68,0

13,2

14,9

Irlanda

80,8

71,0

18,4

15,8

Itlia

74,2

71,4

19,6

22,0

Luxemburgo

73,4

73,5

9,2

Holanda

69,3

67,1

5,0

6,2

ustria

72,4

69,5

Portugal

73,7

64,8

27,3

26,5

Finlndia

72,2

69,6

Sucia

73,9

72,5

Reino Unido

71,8

73,8

14,3

17,2

60

poupana e investimento

UNIDADE 7: POUPANA E INVESTIMENTO

7.1 A utilizao dos rendimentos


7.1.1 Noo de consumo
7.1.2 Noo de poupana
7.2 Os destinos da poupana e a importncia do investimento
7.2.1 Os destinos da poupana
7.2.2 A formao do capital
7.2.3 Tipos e funes do investimento
7.2.4 Investigao e desenvolvimento
7.2.5 Inovao tecnolgica
7.3 O financiamento da actividade econmica
7.3.1 Capacidade e necessidade de financiamento
7.3.2 Financiamento interno e externo
7.3.3 O crdito
7.3.4 A taxa de juro
7.3.5 Funes e tipos de crdito
7.3.6 O crdito e a criao da moeda
7.3.7 Instituies de crdito
7.3.8 Mercado de ttulos
7.4 O investimento em Portugal e no estrangeiro
7.4.1 O investimento interno e externo
7.4.2 O investimento directo

61

poupana e investimento

7.1. a utilizao dos rendimentos o consumo e a poupana

7.1.1. noo de poupana


J estudmos em aulas anteriores como a produo gera rendimentos que, posteriormente, so distribudos pelos
diferentes agentes econmicos, conforme a sua participao nessa mesma produo.
Falta-nos agora estudar o destino que dado ao rendimento. Como todos sabemos, por experincia prpria, o
rendimento s pode ter duas aplicaes possveis:
- com ele efectuamos as nossas despesas de consumo, seja na compra de produtos alimentares, em habitao, vesturio, transportes, lazer, etc.
- eventualmente, podemos guardar uma parte para utilizao futura, ou seja, efectuamos uma poupana.
poupana a parte do rendimento que no foi gasto, no imediato, no consumo

7.2. os destinos da poupana e a importncia do investimento


7.2.1. os destinos da poupana
Vamos analisar os possveis destinos que podero ser dadas s poupanas: o entesouramento, os depsitos e a
formao do capital.
- entesouramento: foi durante muito tempo uma forma muito utilizada, principalmente pelas populaes rurais, de lidar
com as suas poupanas. Trata-se de guardar a moeda no utilizada em casa para fazer face a eventuais futuras despesas. Ainda hoje, algumas famlias, normalmente de fracas possibilidades (mas que, apesar disso, conseguem efectuar
algumas poupanas), guardam dinheiro em casa por desconfiarem dos bancos ou para sentirem o dinheiro mais prximo
de si, pronto para qualquer eventualidade. No entanto, como facilmente podemos calcular, esta forma de poupana
comporta riscos relacionados com a falta de segurana das habitaes, possibilidade de assaltos, etc.
- depsitos: uma forma actualmente muito utilizada por praticamente todas as classes sociais e que consiste na colocao das poupanas em depsitos ordem ou a prazo nas instituies bancrias.
- investimentos: forma de utilizao das poupanas que consiste na compra de bens de produo. o caso da aplicao das poupanas na compra de um edifcio para instalao de uma empresa, ou na compra de um novo sistema
informtico, ou ainda na compra de nova mquina para essa empresa. Em todos estes exemplos, a poupana est a ser
utilizada para comprar bens que, por terem como finalidade a actividade produtiva, vo servir para gerar novos rendimentos. Recapitulando, podemos definir
investimento, como a aplicao da poupana das empresas na compra de bens de produo

62

poupana e investimento

Vejamos, ento, qual a importncia do investimento para a economia de um pas. Se uma da economia consumisse todos os seus recursos num dado momento, no poderia continuar a produzir no futuro e, portanto, no poderia satisfazer as necessidades da sua populao. Ou seja, a poupana fundamental para garantir que, a curto / mdio prazo,
as necessidades geraes futuras possam continuar a serem satisfeitas atravs da produo.
No entanto, se a poupana for, por exemplo, entesourada, no contribuir de maneira nenhuma, para essa continuidade da produo. Da a importncia do investimento, pois o investimento, que no existe sem poupana, que
permite a continuidade da produo.
Importa, agora, distinguir, dentro do investimento aquele que efectuado em bens duradouros (aqueles bens
que podem ser utilizados mais de que uma vez) do que efectuado em bens no duradouros (aqueles bens apenas utilizveis uma nica vez). Assim, dentro do investimento teremos:

formao bruta de capital fixo (FBCF), constituda pelas compras feitas em bens de produo duradouros, tais
como edifcios, terrenos, mquinas, viaturas, etc.

existncias, constituda pelas compras efectuadas , durante um ano, de bens de produo no duradouros,
nomeadamente as compras de matrias-primas.

Quando queremos referir-nos s despesas em existncias relativas a um determinado perodo, falamos, ento, de
variao de existncias. O valor da variao de existncias obtm-se por diferena entre valor das existncias no final do
ano e do incio desse mesmo ano.

INVESTIMENTO = F B C F + VARIAO DE EXISTNCIAS

7.2.2. tipos de investimentos


At aqui temos vindo a referir-nos ao investimento efectuado em bens materiais, tais como mquinas, edifcios,
etc. o investimento material.
Todavia, este no o nico tipo de investimento existente. No menos importante para a actividade econmica,
podemos considerar um outro tipo de investimento, o investimento imaterial, ou seja, aquele que efectuado em bens
imateriais. Assim, quando uma empresa compra um programa informtico, quando lana uma campanha publicitria ou
quando, atravs de aces deformao, aposta na melhoria da qualificao dos seus trabalhadores, essa empresa no
est a comprar bens materiais, mas nem por isso deixa de estar a investir.
Finalmente, podemos ainda considerar um outro tipo de investimento, o investimento financeiro, aquele que resulta da venda de aces, ou outros ttulos, para as empresas poderem aumentar a sua capacidade de produo.

INVESTIMENTO

MATERIAL

IMATERIAL

FINANCEIRO

63

poupana e investimento

7.4. funes do investimento


O investimento pode desempenhar vrias funes:
- investimento de substituio: constitudo pelas despesas efectuadas em bens de produo que tm como objectivo
substituir o material danificado ou j gasto (quando se compra uma nova mquina para substituir uma outra j avariada).
- investimento de inovao: quando o investimento aplicado na compra de novas tecnologias, de forma a melhorar
e modernizar o processo de produo.
- investimento em aumento da capacidade produtiva: quando as compras se destinam a aumentar a capacidade
produtiva da empresa (a compra de um edifcio para nele instalar uma nova unidade de produo, por forma a aumentar a produo)
Apesar de classificarmos o investimento desta trs formas possveis, isso no significa que cada uma destas categorias de investimento seja perfeitamente distinta das outras. Assim, um investimento pode ser simultaneamente de inovao e de aumento de capacidade produtiva. A compra de uma mquina inovadora, em termos tecnolgicos, acaba,
frequentemente, por permitir tambm um aumento da produo.
A verificao deste facto mostra-nos a importncia da inovao no aumento da capacidade de produo de
um pas. Ao longo dos tempos, a Humanidade evoluiu devido sua capacidade de inovar. Assim, o fogo, a roda, muito
mais tarde, a mquina a vapor (que impulsionou a Revoluo Industrial) e, actualmente, um sem nmero de inovaes,
nomeadamente as que esto ligadas s novas tecnologias de informao, fazem parte de um lista de inventos que, em
virtude de terem sido postos em prtica, revolucionaram a vida das sociedades.
Dito isto, podemos facilmente concluir da importncia do investimento em inovao tecnolgica tanto ao nvel
das empresas como ao nvel do pas.
No entanto, a inovao tecnolgica no surge por acaso mas sim como fruto da investigao, seja ela realizada
de forma isolada, como aconteceu ao longo dos sculos ou como acontece, actualmente, atravs de equipas de investigadores que trabalham nas empresas, nos laboratrios ou nas universidades.

INVESTIGAO

INVENO

INOVAO

DESENVOLVIMENTO

novos produtos

novas formas produo

A investigao , hoje, de tal forma considerada importante que podemos consider-la como indicador de
desenvolvimento de um pas, visto este ser tanto mais desenvolvido quanto maior for a percentagem do seu rendimento
canalizada para a investigao.

64

poupana e investimento

7.3. o financiamento da actividade econmica


7.3.1. capacidade de financiamento e necessidade de financiamento
Como j foi dito, a poupana a parte do rendimento que no gasto, no imediato, em bens de consumo.
Acontece que existem agentes econmicos que conseguem realizar poupanas e outros pelo contrrio, no conseguem
realizar poupanas.
Algumas famlias, algumas empresas, conseguem realizar poupanas em montantes superiores aos investimentos,
neste caso diz-se que h capacidade de financiamento. Diz-se, portanto que existe capacidade de financiamento por
parte de um agente econmico quando este efectua uma poupana superior ao montante investido.
Mas pode acontecer que uma empresa que queira investir, por exemplo, na melhoria da qualidade do seu produto, no tenha poupanas suficientes para poder realizar esse investimento. Neste caso, diz-se que h uma necessidade
de financiamento. Assim, existe necessidade de financiamento por parte de um agente econmico quando este realiza
investimentos superiores aos valores da sua poupana.

7.3.2. financiamento interno e financiamento externo


Vimos at aqui, que o investimento o motor da actividade econmica, porque o investimento que garante a
continuidade e o desenvolvimento da actividade produtiva. Tambm conclumos que sem poupana no h investimento, vejamos ento como as empresas conseguem obter as poupanas indispensveis para o to necessrio investimento.
Em principio as empresas obtm lucros. Uma parte desses lucros destina-se a remunerar os empresrios. O lucro
restante permanece nas empresas e constitui a poupana das empresas, representando assim a sua capacidade de
financiamento. Nestas situaes falamos de auto financiamento ou financiamento interno.
Mas, normalmente, essa poupana no suficiente, nomeadamente quando as empresas pretendem efectuar
investimentos de inovao ou de aumento da sua capacidade produtiva.
Assim sendo, as empresas precisam de obter financiamento externo. Elas podem, ento, proceder de duas
maneiras distintos:
- ou recorrem venda de aces ou de outros ttulos, nesta caso fala-se de financiamento externo directo.
- ou recorrem s instituies de crdito, e nesta situao fala-se em financiamento externo indirecto

[Link] financiamento externo directo


Este tipo de financiamento diz-se directo por no utilizar intermedirios. Com efeito, as empreses obtm directamente as poupanas, atravs da colocao de ttulos no mercado. Este mercado onde os ttulos so transaccionados
chama-se mercado de ttulos.
Na verdade, aqui funcionam no um mas dois mercados:
- mercado primrio: onde so colocados os ttulos que ainda no foram cotados bolsa;
- mercado secundrio: tambm chamado de bolsa de valores. Neste mercado so transaccionados os ttulos que j passam no mercado primrio, ou seja, aqueles que j esto a ser cotados em bolsa.
Entre os ttulos mais transaccionados destacam-se:
- aces: so documentos representativos de uma parte do capital de uma sociedade annima e que, por essa razo,
conferem ao seu possudos (accionista) o direito de uma parte dos lucros distribudos, proporcional ao nmero de aces

65

poupana e investimento

que possui. O accionista pode vender a qualquer momento as suas aces no mercado. A cotao das aces resulta
da diferena do valor da oferta e da procura em cada momento.
- obrigaes: so ttulos que representativos de um emprstimo efectuado por um outros agentes econmicos, que tanto
podem ser empresas como o prprio Estado.
A diferena principal entre aces e obrigaes que os possuidores de aces so scios da empresa que, por
isso, tm direito a receber lucros, enquanto que os possuidores de obrigaes so simplesmente credores da empresa, no
tendo, portanto, direito a receberem lucros.

[Link] financiamento externo indirecto


Como vimos, o financiamento externo indirecto verifica-se quando as empresas recorrem s instituies financeiras para obterem o montante de que necessitam.

O sector bancrio que temos vindo estudar faz parte de um sector mais vasto a que damos o nome de instituies financeiras. Por instituies financeiras entende-se o conjunto das instituies que servem de intermediarias entre a
oferta e a procura de fundos financeiros.
Delas fazem parte as instituies financeiras monetrias a que normalmente chamamos de bancos e as instituies financeiras no monetrias.
O que distingue as instituies financeiras monetrias das no monetrias a capacidade de as primeiras, porque aceitam depsitos e concedem crditos, de criarem moeda, enquanto as segundas, se limitam a conceder crdito,
no recebendo depsitos e por isso no criando moeda.

- instituies financeiras monetrias


- banco central O banco central em Portugal o Banco de Portugal e tem por objectivo principal a emisso de notas e de pr
em circulao moedas metlicas.
Mas, em virtude da constituio de um Banco Central Europeu e da competncia deste de em estabelecer em
estabelecer a poltica monetria da Unio europeia, o Banco de Portugal perdeu essa funo.
Embora os Bancos Centrais dos pases membros da Unio Europeia no tenham, actualmente, a capacidade de
emitir moeda, isso no significa que estejam completamente afastados da conduo da poltica monetria do pas.

- bancos comerciais No que respeita aos outros bancos, podemos distinguir:


- bancos comerciais: geralmente com elevado nmero de balces espalhados por todo o pas, para alm de captarem
depsitos e concederem crdito para diversos fins e entidades, tambm prestam um sem nmero de servios aos seus
clientes. Como exemplo, temos o Millennium, o BPI, etc.

- bancos de poupana
Desempenham funes semelhantes s dos bancos comerciais, e tambm operaes especializadas como a
concesso de crdito habitao, tal o caso da Caixa Geral de Depsitos.

66

poupana e investimento

- instituies financeiras no monetrias

- sociedades de locao financeira (leasing) So empresas cujo objectivo consiste na celebrao de um contrato entre a empresa de leasing (locador) e uma
pessoa ou empresa (locatrio) a quem concedido temporariamente um determinado bem, mediante o pagamento de
uma renda. No final do prazo, o locatrio tem a opo de compra do bem em troca do pagamento de um valor residual.
Frequentemente, as empresas de leasing esto associadas a bancos comerciais.
Para as empresas, o leasing apresenta algumas vantagens em relao aos emprstimos bancrios, pois mais
fcil a celebrao do contrato de leasing porque essas empresas de leasing no exigem a apresentao de garantias
especiais.

- sociedades de factoring So empresas que adquirem s empresas industriais e comerciais crditos de curto prazo (normalmente dvidas
de clientes), mediante o pagamento de uma comisso.
Trata-se portanto, de um contrato em que a sociedade de factoring adiante s empresas industriais e comerciais
o pagamento das suas dvidas de clientes, recebendo em troca uma comisso.

- sociedades de capital de risco So empresas que tm como objectivo a promoo do investimento por parte de outras empresas, principalmente o investimento de inovao tecnolgica.
So projectos cuja rentabilidade no muito segura. Ora, os bancos so normalmente muito conservadores, isto
, preocupam-se muito com a rentabilidade a curto prazo, com as garantias dadas, etc. Por estas razoes, estes projectos
estariam condenados
Nestas sociedades de capital de risco, no h emprstimo mas sim uma participao temporria no capital da
empresa que apresenta o projecto de investimento, assim como no h encargos com a dvida, o que uma vantagem.

INSTITUIES FINANCEIRAS

INSTITUIES FINANCEIRAS MONETRIAS

INSTITUIES FINANCEIRAS NO MONETRIAS

BANCO CENTRAL

SOCIEDADES DE LEASING

OUTROS BANCOS

SOCIEDADES DE FACTORING

SOCIEDADES CAPITAL DE RISCO

67

poupana e investimento

- o crdito
J foi referido que uma das principais formas de financiamento externo indirecto o crdito bancrio.
O crdito bancrio consista numa troca de moeda por um compromisso de reembolso da dvida numa certa data
claro que o banco (credor) s empresta porque em troca vai receber da empresa (devedor), posteriormente,
um valor superior ao emprestado. Este acrscimo, que constitui a remunerao do banco o juro
O juro calculado com base numa taxa que mais no do que o preo do dinheiro. obvio que os bancos s
concedem crdito se tiverem confiana de que recebero o pagamento do emprstimo juntamente com os respectivos
juros na data acordada. Por vezes, para aumentarem essa confiana, exigem por parte dos devedores garantias do
pagamento dessa dvida.

O crdito pode ser classificado de vrias formas, consoante o critrio utilizado.

quanto finalidade
- crdito ao consumo: aquele que se destina s famlias, normalmente para poderem comprar bens de consumo duradouros (compra de habitao, automvel, electrodomsticos, etc.) e nestes casos, os prprios bens servem como garantia
de pagamento;
- crdito produo: aquele que concedido s empresas, e podem ser crdito ao funcionamento se destinado a
suprir dificuldades de tesouraria (pagamento de salrios por exemplo) e crdito de financiamento se destinado ao investimento.

quanto durao
- crdito a curto prazo: para prazos de pagamento inferiores a um ano;
- crdito a mdio prazo: para prazos de pagamento compreendidos entre um e cinco anos;
- crdito a longo prazo: para prazos de pagamento superiores a cinco anos.

quanto ao tipo de beneficirio


- crdito pblico: quando o beneficirio do crdito o prprio Estado;
- crdito privado: quando o emprstimo concedido a famlias ou empresas privadas.

quanto origem
- crdito interno: se concedido por instituies que operam no territrio nacional;
- crdito externo: se concedido por instituies estrangeiras.

Como vimos, o crdito uma das principais formas de financiamento das empresas, ento, uma das suas funes
mais importantes ser financiar e, assim, estimular a produo contribuindo para o desenvolvimento da economia do pas.
Mas o crdito no se destina exclusivamente produo. O crdito ao consumo permite s famlias comprar
bens que, de outra forma, no teriam capacidade para o fazer, funcionando, portanto, como um estmulo no s produo como tambm ao consumo.
Por estas razes, podemos dizer que, actualmente, o crdito um instrumento importante para o crescimento e
desenvolvimento da economia de um pas.

68

poupana e investimento

MODALIDADES DE CRDITO

QUANTO FINALIDADE

QUANTO DURAO

QUANTO AO BENEFICIRIO

QUANTO ORIGEM

AO CONSUMO

CURTO PRAZO

PBLICO

INTERNO

PRODUO

MDIO PRAZO

PRIVADO

EXTERNO

LONGO PRAZO

Como vimos, os bancos funcionam como intermedirios entre a procura e a oferta de financiamento. Vejamos
quais so as principais funes desempenhas pelas instituies bancrias. Os bancos desenvolvem vrias operaes que
podem ser de dois tipos:
- operaes passivas: consistem na captao de poupanas junto dos diversos agentes econmicos, sob a forma de
depsitos que podem ser ordem ou a prazo. De uma forma geral, os bancos pagam juros sobre esses depsitos;
- operaes activas: so constitudas por todas as operaes de concesso de crdito, neste caso, so os bancos
que recebem juros em troca.

Como seria de esperar, visto que o objectivo dos bancos a obteno de lucros, as taxas de juro das operaes
activas so superiores s taxas de juro das operaes passivas.

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NDICE GERAL

unidade 1 a actividade econmica -........ 1

unidade 2 necessidades e consumo ............................................................................................................. 4

unidade 3 a produo de bens e servios ............ 14

unidade 4 preos e mercados ...........,.. 27

unidade 5 o comrcio e a moeda .... 42

unidade 6 rendimentos e repartio de rendimentos .............,... 54

unidade 7 poupana e investimento .... 61

Common questions

Com tecnologia de IA

A curva de oferta no mercado é influenciada por fatores como o preço do bem em questão, o preço de outros bens relacionados (sejam substituíveis ou complementares), custos de produção e inovações tecnológicas . O preço do bem tem uma relação direta com a quantidade oferecida – aumento de preço tende a aumentar a oferta, enquanto uma redução tende a diminuí-la . A curva de oferta se relaciona com a curva de demanda no mercado através do ponto de equilíbrio, onde a quantidade procurada é igual à quantidade oferecida, resultando em um mercado balanceado onde consumo e produção estão em harmonia .

Os fatores econômicos que influenciam o consumo incluem o nível de rendimento das famílias, os preços dos bens e serviços, e a inovação tecnológica, que determinam a capacidade de compra e a acessibilidade dos produtos . Fatores extra-econômicos abrangem normativas sociais, culturais e políticas que moldam os hábitos e preferências de consumo, como a cultura de consumo ou mudanças nas políticas fiscais . Esses fatores, inter-relacionados, ajudam a determinar como as famílias distribuem suas despesas em diferentes bens e serviços, impactando diretamente seus padrões de consumo . Ambos necessitam ser considerados para uma compreensão abrangente do comportamento do consumidor .

A lei da demanda afirma que há uma relação inversa entre o preço de um bem e a quantidade demandada dele: quando o preço aumenta, a quantidade demandada tende a diminuir, e quando o preço diminui, a quantidade demandada tende a aumentar . Essa relação é representada na curva de demanda como uma linha com inclinação negativa, indicando que, à medida que o preço do bem cai, os consumidores estão dispostos a comprar mais, o que é ilustrado pela curva que se desloca para a direita . A curva da demanda visualiza como alterações de preço impactam o comportamento dos consumidores no mercado .

O consumo é considerado um ato econômico porque é através dele que as necessidades humanas são atendidas, movimentando recursos e estimulando a produção de bens e serviços . Paralelamente, o consumo é um ato social porque reflete o nível de bem-estar das pessoas e da sociedade como um todo . A variedade e quantidade de bens consumidos indicam como um grupo populacional está satisfazendo suas necessidades, impactando diretamente as condições de vida . A inter-relação entre consumo e sociedade evidencia como o acesso ou a falta dele a bens essenciais como saúde e educação influencia significativamente as oportunidades e qualidade de vida dos indivíduos .

Consumo essencial refere-se à utilização de bens para satisfazer necessidades primárias e secundárias, como alimentação e educação, que são fundamentais para a sobrevivência e o desenvolvimento pessoal . Por outro lado, consumo supérfluo envolve bens que atendem necessidades terciárias, como perfumes e joias, que são considerados luxos ou extravagâncias em relação às necessidades básicas . Esses tipos de consumo refletem as prioridades dos consumidores na medida em que famílias com rendas mais limitadas priorizam o consumo essencial, enquanto aquelas com rendas mais altas podem destinar uma parte maior para consumos supérfluos, demonstrando assim sua segurança financeira e status social .

As necessidades humanas, embora variem de pessoa para pessoa, compartilham características comuns, tais como sua multiplicidade e substituibilidade . A multiplicidade refere-se ao fato de que as necessidades são ilimitadas, pois os indivíduos continuam a desejar novas coisas além das necessidades básicas de sobrevivência, como alimentação e vestuário . Já a substituibilidade significa que as necessidades podem ser satisfeitas por bens substitutos, ou seja, diferentes bens que podem suprir a mesma necessidade . Essas características explicam a continua mudança nas preferências de consumo humano e a busca incessante por novos produtos e serviços.

O ponto de equilíbrio no mercado é crucial porque representa o preço e a quantidade onde a oferta e a demanda são exatamente iguais, garantindo que toda mercadoria ofertada seja comprada sem excedentes ou escassez . No ponto de equilíbrio, os recursos são alocados de forma eficiente, e os mercados operam em uma situação de estabilidade . Se o preço estiver acima do equilíbrio, haverá superávit de oferta, enquanto se estiver abaixo, ocorrerá escassez . O mercado tende a corrigir essas diferenças ao ajustar preços e quantidades, estabilizando novamente o sistema econômico .

O rendimento das famílias é um dos principais fatores que influenciam o consumo de bens e serviços, pois ele limita as possibilidades de compra dos consumidores . Alterações no rendimento, sejam negativas ou positivas, têm consequências diretas no consumo, uma vez que as pessoas precisam ajustar seus gastos à nova realidade financeira . As famílias com rendimentos mais baixos tendem a gastar a maior parte de sua renda em despesas essenciais, enquanto famílias com rendimentos mais altos diversificam o consumo . No geral, o consumo é afetado pelas variações nos rendimentos, pois consumidores reagem de maneira diferente a essas mudanças, ajustando suas prioridades de consumo .

Inovações tecnológicas afetam a oferta no mercado principalmente ao reduzir os custos de produção, permitindo que os vendedores ofertem mais quantidades a preços competitivos . A introdução de novos métodos de produção ou inovações materiais pode aumentar significativamente a eficiência e a capacidade produtiva, expandindo a oferta de bens e serviços . Exemplos incluem a utilização de novos materiais como o silício na fabricação de microchips, que baixou os custos e aumentou a oferta de computadores .

O conceito de 'função econômica' refere-se aos papéis específicos desempenhados por diferentes entidades dentro de uma economia. As principais funções econômicas descritas incluem: produção (realizada pelas empresas que produzem bens e serviços), distribuição (envolvendo a distribuição desses bens), repartição (a alocação de renda entre diferentes agentes), acumulação (a acumulação de riqueza), e consumo (a utilização de bens e serviços para satisfazer necessidades). As principais entidades econômicas associadas a essas funções são as famílias, empresas, instituições financeiras, administração pública e o resto do mundo .

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