Fundamentos da Economia e Consumo
Fundamentos da Economia e Consumo
A realidade social é uma unidade una, complexa e indivisível pois é suscetível de ser abordada
segundo diversas perspetivas ou seja por várias ciências e disciplinas.
O problema económico
De um lado, a multiplicidade das nossas necessidades; de outro, a escassez de recursos capazes de
as satisfazer.
A racionalidade económica
A adequação dos recursos escassos às necessidades, que são ilimitadas, implica optar, fazer escolhas.
Os indivíduos, ao fazerem escolhas, pretendem obter, para si próprios, o máximo benefício,
procurando o mínimo dispêndio de recursos, o que exige uma gestão eficiente dos recursos.
Custo de oportunidade
O custo de oportunidade de um bem consiste na alternativa que tem de ser sacrificada para se obter
esse bem, isto é, o sacrifício que se tem de pagar quando, face à escassez de recursos, é necessário
fazer uma opção.
PROBLEMA ECONÓMICO
↓ ↓
Recursos escassos ou limitados Necessidades ilimitadas
↓ ↓
Escolha entre necessidades ilimitadas e recursos disponíveis
↓
Racionalidade económica
↓
Otimização da utilização dos recursos
↓ ↓
Satisfação de algumas necessidades Não satisfação de outras necessidades
↓ ↓
Benefício Custo de oportunidade
Exemplos:
O custo de oportunidade de uma sessão de cinema para um jovem que tem um convite para, na mesma
altura, ir praticar desporto com os amigos, é a renúncia a essa atividade desportiva.
A atividade económica
Produção
Salários – Trabalhadores
Juros – Bancos
Atividade Económica Distribuição dos rendimentos
Renda – Dono de propriedades
Lucros – Empresas, acionistas
Consumo
Utilização de rendimentos
Acumulação (Poupança)
Os agentes económicos
Agente económico: É toda a entidade autónoma, com capacidade para realizar operações económicas
tomando decisões. Tem pelo menos uma função na atividade económica.
Os indivíduos ou entidades podem agrupar-se e participar na atividade exercendo várias funções com
autonomia de decisão.
Famílias
Pequenas empresas em que não se separa o Consumir
que é da família e da empresa.
Resto do Mundo (outros países) Trocar bens, serviços e capitais. Países que investem em Portugal.
Unidade 2 – Necessidades e consumo.
Características das necessidades
Multiplicidade
As necessidades são múltiplas e parece não haver limites para elas.
As necessidades renovam-se constantemente e por isso aparentam não ter fim.
Substituibilidade
As necessidades podem ser satisfeitas por bens substituíveis, isto é, por diversos bens que
possibilitam a satisfação da mesma necessidade.
Exemplo: Quando temos fome podemos satisfazer as necessidades com vários alimentos.
Saciabilidade
A intensidade com que uma necessidade é sentida vai diminuindo à medida que é satisfeita, acabando
por desaparecer.
Exemplo: Se temos sede e bebemos um sumo, a sede vai diminuindo à medida que bebemos mais;
Relatividade
As necessidades variam temporal e geograficamente, isto é, são relativas ao tempo e ao espaço.
As necessidades dos nossos antepassados eram diferentes das nossas.
Exemplo: No século passado, não havia necessidade de telemóveis e computadores.
Necessidades coletivas
Resultam da vida em sociedade, pelo que dizem respeito a todos a todos os seus membros.
A necessidade de segurança, justiça e defesa são disso exemplos.
As necessidades coletivas são satisfeitas por bens públicos que são indivisíveis e o seu uso não
impede o benefício de outros.
A iniciativa privada não tem interesse na produção destes bens, cabendo ao Estado providenciá-los.
Bens privados Bens públicos
- Pertencem em exclusivo aos seus proprietários. - Ninguém pode ser excluído de beneficiar de um
- A lei reconhece o direito de propriedade, impedindo bem público, tendo por isso como caraterística a não
os que não são proprietários de os usar. exclusividade;
- O uso de um bem privado afasta o benefício dos - O uso de um bem não diminui o benefício de outras
indivíduos que não o possuem. pessoas, sendo por isso bens não rivais.
- São pagos individualmente porque o seu benefício é - São cobrados à coletividade porque o seu benefício
individual. é coletivo.
Consumo: É o ato económico que nos permite concretizar a satisfação de uma necessidade, através da
destruição progressiva de um bem ou serviço.
Tipos de consumo
Consumo essencial e consumo supérfluo (Quanto à natureza das necessidades)
Consumos essenciais: Consumos indispensáveis à sobrevivência, satisfaz necessidades primárias.
Consumos supérfluos: Consumo destinado à satisfação de necessidades terciárias.
Consumo privado e consumo público (Quanto ao autor)
Consumo privado: O consumo é efetuado por particulares.
Consumo público: O consumo é da iniciativa de um organismo estatal;
Económicos Extraeconómicos
Rendimento dos consumidores; Idade;
Preço dos bens; Moda;
Inovação tecnológica; Publicidade;
Crédito; …
Fatores económicos
Rendimento dos consumidores:
- O consumo é função do rendimento. Uma alteração ao nível do rendimento altera o consumo.
- Por exemplo, quando o rendimento aumenta, aumenta o consumo de bens superiores e diminui
o consumo de bens inferiores.
Crédito bancário:
- O consumidor terá de exercer esse comportamento de forma racional para evitar o
endividamento excessivo.
Estrutura do consumo
O rendimento é um dos fatores que condiciona o consumo mas a reação dos consumidores a
alterações no seu rendimento não é idêntica para todos os bens.
Os consumos podem classificar-se em essenciais e não essenciais.
O consumo de bens essenciais não é muito afetado pelas alterações de rendimento mas o consumo
de bens não essenciais são afetados.
Por isso, é importante conhecer o valor total das despesas dos indivíduos em bens de consumo mas
também a forma como tal despesa se distribuiu pelos diferentes grupos de bens.
Lei de Engel
Quanto menor for o rendimento de uma família, maior será o coeficiente orçamental relativo à
alimentação e menor nos bens não essenciais.
Coeficiente orçamental: Representa a percentagem de uma classe de despesas de consumo em relação ao total
das despesas de consumo de uma família ou de outro agrupamento social.
As famílias com maiores rendimentos utilizam grande parte deles na aquisição de bens e serviços
nem sempre essenciais, indicadores de um certo nível de vida;
As famílias com menores rendimentos despendem grande parte do seu rendimento na satisfação de
necessidades básicas;
A sociedade consumo
Começou na revolução industrial e acentuou se na 2ª Guerra Mundial.
O progresso das técnicas de produção e o desenvolvimento económico em geral permitiram o fabrico
em grande escala, originando a sociedade de consumo.
Uma sociedade em que a oferta excede a procura, o que implica o recurso a estratégias de marketing
para escoar a produção;
Uma sociedade de oferta de bens produzidos a baixo custo que resultam da produção em série,
atrativos e de duração efémera pois as necessidades de produzir e escoar são permanentes;
Mais tecnologia → Mais produção → Menor custo de produção → Baixa de preços → Mais pessoas
podem comprar → Mais consumo de massas.
Consumerismo
Procura tornar os consumidores mais racionais nas suas escolhas.
É um consumo racional, controlado, seletivo, baseado em valores sociais e ambientais e no respeito
pelas gerações futuras.
Bens e Serviços
Bens livres
São todos os bens que podemos dispor sem qualquer entrave ou esforço.
Na natureza existem bens em quantidade superior à necessária para satisfação dos indivíduos.
Ar atmosférico, água do mar, gelo das regiões polares, pastagens em regiões pouco povoadas.
Bens Económicos
Quando as necessidades da população são maiores do que os recursos para as satisfazer.
São todos os bens escassos, que não permitem satisfazer as necessidades de toda a gente logo é
preciso gastar algum dinheiro ou esforço para os obter.
Os bens económicos são múltiplos e de diferente natureza.
Bens duradouros
São bens que mantêm as suas qualidades iniciais durante um período mais ou menos longo.
Bens sucedâneos ou substitutos e bens complementares. (Quanto às relações que estabelecem entre si)
Bens sucedâneos
Bens que se podem substituir no ato de produção ou de consumo, isto é, podem satisfazer a mesma
necessidade.
Bens complementares
Bens cuja utilização conjunta é necessária para a satisfação de uma necessidade. São bens que se
complementam para atingir o objetivo da sua utilização. Ex: Impressora e tinteiro.
Processo produtivo:
Para produzir um bem é necessário seguir uma sequência de etapas através das quais as matérias-
primas são transformadas em produtos finais.
Esta sucessão de fases designa-se por processo produtivo.
Para a produção ser considerada atividade económica, é necessário que se verifique, pelo menos, uma
das seguintes condições:
- O bem produzido deve destinar-se ao mercado (deve ser transacionado).
- O trabalho correspondente a essa produção deve ser remunerado e declarado.
Fatores de produção:
São os elementos indispensáveis à produção dos bens e serviços.
Englobam a força de trabalho, o capital e os recursos naturais.
Objeto de trabalho
Tudo aquilo que é alvo do trabalho humano.
Entre os objetos de trabalho, podemos considerar dois tipos: matérias-primas e matérias
subsidiárias.
Meios de trabalho
São usados pelo ser humano na transformação dos objetos de trabalho a fim de obter produtos
utilizáveis.
Edifícios, canais de irrigação, meios de comunicação, instrumentos de trabalho, etc…
Os recursos naturais
Os recursos naturais são bens que a natureza oferece ao ser humano e que este utiliza para satisfação
das suas necessidades.
Quando um recurso natural é suscetível de ser renovado num período de tempo relativamente curto,
diz-se renovável – Madeira.
Quando a exploração de um recurso provoca a sua destruição, diz-se não renovável – Petróleo.
No sentido de preservar a Natureza e as possibilidades de vida das futuras gerações tem-se defendido
uma nova atitude face à economia, o desenvolvimento sustentável.
O trabalho
É a atividade do ser humano, com vista à realização da produção de bens e de serviços e pode assumir
diversas formas.
População ativa
Força de trabalho disponível para a produção, num dado momento.
Todos os indivíduos a desempenhar uma tarefa remunerada e os desempregados.
𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚çã𝐨 𝐚𝐭𝐢𝐯𝐚
𝐓𝐚𝐱𝐚 𝐝𝐞 𝐚𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 = × 𝟏𝟎𝟎
𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚çã𝐨 𝐭𝐨𝐭𝐚𝐥
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞𝐠𝐚𝐝𝐨𝐬
𝐓𝐚𝐱𝐚 𝐝𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞𝐠𝐨 = × 𝟏𝟎𝟎
𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚çã𝐨 𝐚𝐭𝐢𝐯𝐚
População inativa
Indivíduos que ainda não trabalham (crianças), que já não trabalham (reformados);
Exercem uma atividade mas não são remunerados (estudantes, donas de casa);
Tipos de desemprego
Desemprego tecnológico
- É o desemprego resultante da evolução da tecnologia.
- Os trabalhadores são incapazes de se adaptar às novas tecnologias.
Desemprego de longa duração
- É o desemprego que se prolonga para além de um ano;
- Podendo resultar de situações de recessão ou crise económica, ou ausência de competências;
Desemprego repetitivo
- É o desemprego resultante da não adaptação a sucessivos postos de trabalho normalmente de
baixo nível de qualificação profissional ou empregos sazonais.
Capital
Capital e riqueza
Quem é proprietário possui riqueza.
No entanto, essa riqueza só é capital se estiver ao serviço do processo produtivo e contribui para o
aumento da produção.
Tipos de capital
Capital financeiro
Representa todos os meios financeiros de que uma unidade produtiva pode dispor e é constituído pelo
capital próprio e pelo capital alheio.
Capital próprio e capital alheio
Capital próprio é o conjunto de valores constituídos pelo financiamento dos proprietários da unidade
produtiva.
Capital alheio é o conjunto de valores que constituem o financiamento de terceiros, o valor dos bens
de que a unidade produtiva dispõe mas que não lhe pertence.
Capital técnico
Inclui todos os bens que possibilitam ou facilitam a produção de outros bens.
O capital técnico são os bens cuja utilização é indispensável no processo produtivo.
No capital técnico inclui-se o capital fixo e o capital circulante.
Capital natural
São todos os recursos naturais que contribuem para o aumento da produção.
Agora são considerados capital porque nem todos são renováveis e alguns encontram-se em
progressivo estado de escassez.
Capital humano
É a capacidade de trabalho do ser humano.
Essa capacidade pode aumentar desde que se eleve as qualificações dos indivíduos. (formação)
Investir em formação é sinónimo de elevação da produtividade dos trabalhadores;
Produtividade
É a relação entre uma produção e os fatores utilizados para a obter.
Representa a relação existente entre o que se gasta e o que se produz, permitindo conhecer o valor
da produção por unidade de recurso utilizada.
𝐀𝐜𝐫é𝐬𝐜𝐢𝐦𝐨 𝐝𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐨
𝐏𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐠𝐢𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐨 =
𝐀𝐜𝐫é𝐬𝐜𝐢𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐨
Combinação dos fatores produtivos a curto prazo.
Lei dos Rendimentos Decrescentes.
Custos de produção:
Custos fixos
- Representam despesas que uma unidade de produção tem de realizar, independentemente das
quantidades produzidas. Não varia com a quantidade produtiva.
Custos variáveis
- Representam despesas que variam em função da quantidade produzida.
Circuito de distribuição:
Conjunto de intermediários que promovem a circulação do produto, fazendo-o chegar aos
consumidores.
As empresas têm de escolher o circuito mais adequado às características dos bens que produzem;
Circuito curto:
- Existe apenas 1 intermediário
- Os produtos saem diretamente do produtor para os retalhistas
- Os retalhistas compram produtos aos fabricantes vendendo-os à unidade.
Circuito longo:
- Existem vários intermediários (pelo menos 2).
- Todos os intermediários entre o produtor e o retalhista são designados por grossistas;
- Os grossistas não vendem aos consumidores finais.
Troca direta
As economias de autossubsistência foram substituídas pelos sistemas de troca, onde se troca o que
se tem em excesso por aquilo que faz falta.
As trocas eram feitas produto por produto
Obstáculos da troca direta:
- Dificuldade que cada pessoa sentia em encontrar outra que estivesse interessada na troca;
- A atribuição de valores diferentes aos produtos, não permitia o acordo quanto à transação;
Troca indireta:
Produto Moeda Produto
Os obstáculos da troca direta foram ultrapassados quando a moeda passou a ser utilizada como
intermediária nas trocas.
Moeda:
- É um bem de aceitação generalizada que se utiliza como intermediário nas trocas.
Moeda papel
Moeda-mercadoria Moeda metálica •moeda representativa Moeda escritural
•moeda fiduciária Moeda eletrónica
•papel-moeda
Moeda-mercadoria
Nas sociedades primitivas muitos foram os bens utilizados como moeda;
A moeda adotada estava relacionada com a principal atividade a que a comunidade se dedicava;
Desvantagens:
- O gado não era divisível; o peixe estragava-se; o sal não era duradouro.
Moeda metálica
Foi-se generalizando, como moeda, a utilização de metais, que apresentavam maior facilidade de
transporte, durabilidade e divisibilidade.
As moedas metálicas eram constituídas por metal cujo valor era determinado pelo seu peso.
Quando se começou a utilizar o ouro e a prata, iniciou-se o sistema de cunhagem da moeda que
certifica o seu valor.
Moeda-papel
A partir dos Descobrimentos, o grande incremento do comércio originou o transporte de enormes
somas de moeda, o que era difícil e perigoso.
Para resolver este problema, os bancos ao receberem as moedas guardavam-nas e emitiam os
respetivos certificados de depósito.
Moeda representativa:
A quantidade de notas em circulação equivalia ao valor de metal retido nos cofres dos bancos.
Assim, as notas podiam ser convertidas em metal, a qualquer momento.
Moeda fiduciária:
Surgiram as primeiras emissões de moeda de papel sem igual contrapartida de ouro retido no banco.
Este tipo de moeda era designada por moeda fiduciária por se basear na confiança.
Esta situação era arriscada para os depositantes porque os bancos não eram capazes de reembolsar
todos os clientes em simultâneo;
Papel-moeda:
Assim, o Estado impôs o curso forçado às notas sendo inconvertíveis e de aceitação obrigatória;
É o aparecimento do papel-moeda, que é atualmente o tipo de moeda de papel em circulação;
Moeda escritural
É constituída pela movimentação dos depósitos bancários.
Esta moeda resulta dos depósitos pelos particulares e empresas junto dos bancos e traduz-se nas
movimentações de valores monetários nos bancos, por jogos de escrita nas contas dos clientes;
Os depósitos movimentam-se através dos seguintes instrumentos:
- Cheques; transferências bancárias; cartões de débito; cartões de crédito.
Vantagens:
- Totalmente divisível;
- Não necessita de ser transportada e conservada;
- Possui grande segurança contra roubos;
Funções da moeda
A moeda desempenha múltiplas funções económicas:
Meio de pagamento ou instrumento geral de trocas:
- Pois é aceite por todos e por todos pode ser utilizada, permite adquirir todos os bens;
Reserva de valor
- Traduz na possibilidade de conservar a moeda, utilizando-a mais tarde.
A desmaterialização da moeda
A moeda-mercadoria até aos nossos dias tem perdendo o seu conteúdo material;
Aconteceu quando o valor facial da moeda metálica é superior ao valor que compõe a própria moeda;
A moeda passou a ser formada por pedaços de papel impressos, mais recentemente, por registos
contabilísticos não tendo a moeda já nenhuma realidade material;
O preço de um bem
O preço de um bem é a medida do seu valor, expresso numa unidade monetária.
O preço de um bem depende de fatores:
- O Número de vendedores que disponibilizam o bem;
- O Número de compradores que o desejam adquirir;
Custo de produção
O preço que as empresas produtoras pagam pelas matérias-primas que adquirem e os salários devidos
aos trabalhadores constituem alguns dos custos de produção.
Como quem produz quer obter um rendimento pela sua atividade, naturalmente que o produtor
estabelecerá, para cada produto, um preço de venda superior ao preço de custo verificado.
Inflação
É a subida contínua e generalizada dos preços.
Desinflação
- Desaceleração do crescimento dos preços.
Deflação
- Descida generalizada dos preços.
Causas da Inflação
Excesso de procura
Às vezes, verifica-se um desajustamento entre a oferta e a procura.
Este desajustamento pode ser devido:
- Acréscimo da procura relativamente à oferta, em virtude do aumento do consumo das famílias.
- Incapacidade da oferta responder à procura dada a capacidade de produção existente.
Verifica-se em ambos um excesso de procura relativamente à oferta, origina o aumento dos preços.
Poder de compra:
É a quantidade de bens que é possível adquirir com o salário;
Num processo inflacionista, se não se verificar o aumento do rendimento das famílias assistir-se-á à
deterioração do poder de compra das famílias.
A taxa de inflação
𝐈𝐏𝐂(𝐧)−𝐈𝐏𝐂(𝐧−𝟏) 𝟏𝟐𝟎−𝟏𝟎𝟎
× 𝟏𝟎𝟎 = × 𝟏𝟎𝟎 = 𝟐𝟎%
𝐈𝐏𝐂(𝐧−𝟏) 𝟏𝟎𝟎
Mercado:
É a situação onde se confrontam duas intenções a de produção por parte dos produtores (oferta) e a
de solicitação de consumo pelos consumidores (procura), de onde resulta o “preço de mercado”.
A forma como se conjugam os interesses de ambos, isto é, a combinação da oferta e da procura que
permite encontrar uma situação de equilíbrio, denomina-se mecanismo de mercado.
Tipo de bens
- Bens normais: O aumento do consumo é proporcional ao aumento do rendimento.
- Bens inferiores: Dispondo de mais rendimento, vão consumir outro tipo de bens.
- Por isso quando o rendimento aumenta, a procura destes bens diminui e vice-versa.
Custos de produção
- Diminuição dos custos de produção, logo maior oferta, deslocação da curva para a direita.
- Aumento dos custos de produção, logo menor oferta, deslocação da curva para a esquerda.
Evolução tecnológica
- Se a evolução tecnológica aumentar, permite o aumento da produtividade e o aumento do lucro;
- Logo haverá maior quantidade oferecida, deslocação da curva para a direita.
Homogeneidade do produto
- As caraterísticas do produto transacionado são iguais, sendo para o consumidor indiferente
consumir uns ou outros.
Transparência de mercado
- Todos os intervenientes dispõem de livre acesso às informações respeitantes ao mercado;
O preço de cada bem é determinado pelo mecanismo de mercado que compatibiliza a oferta e a
procura desse bem.
Este mecanismo gera acertos de modo a encontrar um ponto de equilíbrio, no qual para um dado
preço, a quantidade que os produtores e compradores desejam transacionar entre si é a mesma.
Assim se forma o preço de equilíbrio e a quantidade de equilíbrio.
Outros produtores iram ser atraídos por este aumento de procura, aumentando assim a produção e as
quantidades oferecidas, situação de excesso de oferta.
O excesso de oferta irá obrigar os produtores a baixarem os preços, para escoar o excesso de
produção, originando assim um novo ponto de equilíbrio.
Concorrência monopolística
- Caraterizam-se pela existência de um grande número de empresas;
- Comercializam produtos do mesmo género, mas que divergem pela marca, publicidade…
- Neste caso o produtor detém ainda algum domínio sobre o preço dos bens.
Mercados de oligopólio
- Caraterizam-se pela existência de várias unidades de grande dimensão a produzir o mesmo bem;
- Neste caso o preço é o resultado do acordo que se estabelece entre as grandes produtoras que
dividem entre si clientes e regiões.
Concorrência Concorrência
Monopólio Oligopólio
perfeita monopolística
Número de produtores Muitos Um Alguns Muitos
O juro
- Se o capitalista possui dinheiro sob a forma de depósitos bancários, poderá empresta-lo por
intermédio dos bancos, recebendo em contrapartida Juros.
- O dono do capital denomina-se Capitalista
O lucro
- O indivíduo possui a própria empresa, gerindo-a tentando obter o máximo rendimento.
- Denomina-se Empresário e o rendimento obtido é o Lucro.
- Este é o único rendimento não estabelecido previamente, pois depende da gestão da empresa.
Salário real
- Quantidade de bens e serviços que o trabalhador pode adquirir com o seu salário nominal. Este
representa o poder de compra dos trabalhadores.
Leque Salarial
Como vimos existem grandes desigualdades salariais, quer por países, profissões ou géneros.
O leque salarial indica quantas vezes o salário máximo é superior ao mínimo.
𝐒𝐚𝐥á𝐫𝐢𝐨 𝐌á𝐱𝐢𝐦𝐨
𝐋𝐞𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐚𝐥𝐚𝐫𝐢𝐚𝐥 =
𝐒𝐚𝐥á𝐫𝐢𝐨 𝐌í𝐧𝐢𝐦𝐨
Curvas de Lorenz
É um diagrama que representa, por classes percentuais,
a parte do rendimento que cabe a cada grupo;
A diagonal que divide o gráfico corresponde a uma
concentração dos rendimentos nula;
As curvas assinaladas correspondem à distribuição dos
rendimentos onde as assimetrias são evidentes.
É possível quantificar o grau de concentração dos
rendimentos através do Índice de Gini.
O índice de Gini varia entre:
- 0 (maior igualdade, menor concentração).
- 100 (menor igualdade, maior concentração).
Limiar da pobreza
Rendimento abaixo do qual se considera que uma família se encontra em risco de pobreza;
O risco de pobreza corresponde a população cujo rendimento é inferior a 60% da média do
rendimento de cada país;
Destinos da poupança
Entesouramento
- É a conservação de valores monetários sobre a forma de moeda, ouro ou obras de arte.
- Os valores entesourados não dão origem a rendimento.
Aplicações financeiras
- Constituem poupanças entregues às instituições financeiras que vão entrar no circuito
económico através do crédito concedido.
- Estes depósitos são remunerados com juros.
Investimento
- É a aplicação da poupança na atividade produtiva, através da aquisição de bens de capital.
Formação de capital
É a aplicação da poupança em novos bens de produção.
Durante o processo produtivo, os bens vão se desgastando;
- Formação bruta de capital fixo (FBCF)
- Investimento em novos bens de produção, ou seja investimento em capital fixo.
- Variação existências (VE)
- Investimento em matérias-primas e subsidiárias, ou seja investimento em capital circulante.
- Formação de capital = FBCF + VE
- Investimento imaterial
- Despesas com formação e investigação.
- Investimento financeiro
- Aplicações da poupança na compra de ações e obrigações.
Quanto à sua função:
Substituição
- Assegurar a reposição do capital à medida que é utilizado, bem como aquisição de existências.
Inovação
- Manter os equipamentos tecnologicamente atualizados para tentar garantir a competitividade.
Investigação e desenvolvimento
A investigação é um fator indispensável ao desenvolvimento, pois esta assume um papel decisivo na
competitividade das empresas, com o surgimento de novos produtos, tornando possível o
desenvolvimento da economia;
Necessidade de financiamento
- Financiamento externo (fornecido por terceiros)
- Mercado de capitais (ações e obrigações) – Financiamento direto
- Crédito concedido nos bancos – Financiamento indireto
Crédito
Cedência temporária de valores monetários, mediante uma determinada remuneração, o juro.
𝐕𝐚𝐥𝐨𝐫 𝐝𝐨 𝐣𝐮𝐫𝐨
𝐭𝐚𝐱𝐚 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐫𝐨 = × 𝟏𝟎𝟎
𝐕𝐚𝐥𝐨𝐫 𝐝𝐨 𝐜𝐚𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥
Mercado de títulos
É o local onde se encontram agentes com necessidade e capacidade de financiamento;
Ações
- Parcelas de capital de uma empresa que conferem ao titular a qualidade de acionista;
- O titular recebe dividendos;
Obrigações
- Valores mobiliários representativos de uma dívida;
- O titular recebe juros bem como o reembolso do capital;
IPE
- Investimento direto de Portugal no Estrangeiro;
Unidade 8 – A contabilização da atividade económica
A atividade económica e os agentes económicos
Corresponde ao conjunto de operações levadas a cabo pelos agentes económicos com o objetivo de
criar bens e serviços para satisfazer as necessidades;
Todos os indivíduos que intervêm na atividade económica são considerados agentes económicos.
São entidades com autonomia de decisão e desempenham uma função na atividade económica;
Fluxos reais
Os fluxos reais representam as interações materiais entre os agentes
As famílias cedem trabalho e capital às empresas e estas disponibilizam bens e serviços.
Este fluxo tem o enorme inconveniente porque não se pode fazer comparações;
Fluxos monetários
Os fluxos monetários representam o valor monetário dos respetivos fluxos reais.
É possível comparar os dois fluxos se eles estiverem expressos na mesma unidade.
Convertem-se fluxos reais em fluxos monetários adotando como unidade, a moeda.
O circuito económico
É um quadro descritivo de operações económicas entre agentes económicos, durante certo período.
É a forma simplificada da representação da atividade económica, de determinado país.
Economia aberta: Economia com relações económicas com o resto do mundo.
Economia fechada: Economia sem relações económicas com o resto do mundo.
Empresa A
Empregos Receitas
Consumo Intermédio
Valor acrescentado
Valor Bruto da Produção
Unidade 9 – A contabilidade nacional
Objetivos da Contabilidade Nacional
Quantificar a atividade económica do país;
Permite avaliar a evolução da economia do país;
Gerir com maior eficiência os recursos;
Território económico
Território geográfico administrado por uma administração central
Zonas Francas incluindo entrepostos e fábricas sob controlo aduaneiro.
Espaço aéreo, águas territoriais e plataforma continental.
Enclaves territoriais (Enclaves e Embaixadas);
Residente
É aquele que tem a sua principal atividade económica em território económico há mais de 1 ano.
Sociedades financeiras
- As sociedades financeiras incluem as instituições de crédito e as empresas de seguros.
- As instituições de crédito tem como principal função proporcionar financiamento, através do
recurso ao crédito e da moeda escritural;
- As empresas de seguros tem como principal função a de segurar, isto é tornar coletivos os
riscos individuais.
- Os recursos destas unidades são constituídos por prémios contratuais, prestações pagas à
seguradora.
Administrações públicas
- A sua principal função é a prestação de serviços não mercantis destinados à satisfação das
necessidades coletivas.
- Efetua operações de redistribuição de rendimento, com o objetivo de diminuir as
desigualdades sociais.
- Este agente inclui organismos com diferentes níveis de competência: Administração central,
local, regional, bem como a segurança social.
Famílias
- Este setor inclui os indivíduos como consumidores.
- Tendo a função principal de consumir.
- Também se incluem neste setor as empresas de cariz familiar cujas operações não se
encontram separadas do proprietário e dos trabalhadores.
Resto do Mundo
- Toda a economia mundial com a qual o país mantêm relações económicas.
- Neste setor incluem-se todas as operações económicas entre residentes e não residentes.
Ramos de atividade
Unidade de produção homogénea:
- Unidade produtiva que utiliza o mesmo processo de fabrico ou muito semelhante.
- A unidade de produção homogénea apenas pode pertencer a uma unidade institucional.
O conjunto de todas as unidades de produção homogénea constitui um ramo de atividade.
Economia informal
Os bens produzidos são legais mas não se encontram registados, não com a finalidade de fugir ao
fisco mas porque são familiares e de reduzida dimensão, preferindo poupar custos nas formalidades.
Incluem-se nesta categoria as donas de casa, bens para autoconsumo…
Externalidades
Algumas atividades têm efeitos a médio ou longo prazo, não passiveis de serem medidos em termos
monetários e que se reflete na positiva ou negativamente, no bem-estar das populações.
A estes efeitos chama-se Externalidades.
A balança de pagamentos
As relações económicas com o resto do mundo obrigam ao registo oficial de todas as operações para
se conhecer melhor o estado da economia do país face ao exterior;
Para isso é elaborado o documento Balança de pagamentos e é da responsabilidade dos bancos
centrais de cada país que a elaboram com base nas informações recolhidas.
A balança de pagamentos é composta por 3 rúbricas:
- Balança Corrente
- Balança de Capital
- Balança Financeira
- Existe portanto uma quarta rúbrica Erros e Omissões que regista os acertos.
A balança corrente
Registam-se as transações entre residentes e não residentes de:
- Bens (Balança de Bens)
- Serviços (Balança de serviços)
- Rendimentos do trabalho e do investimento (Balança de rendimentos primários)
- Valores de mudança de propriedade sem contrapartida (Balança de rendimentos secundários)
Divisas
- Moeda aceite como meio de pagamento nas trocas internacionais.
Quando os países trocam entre si bens e serviços necessitam de efetuar os pagamentos respetivos em
moeda que seja aceite pelos intervenientes.
Para poder paga na moeda de cada país, estabelece-se uma relação de troca entre uma moeda e todas
as outras, chama-se câmbio.
Taxa de câmbio:
- Quantidade de moeda nacional necessária dar por uma unidade de moeda estrangeira.
No sentido de tornar as exportações mais competitivas no mercado internacional, é usada também a
desvalorização da moeda.
Grau de abertura ao exterior
𝑬𝒙𝒑𝒐𝒓𝒕𝒂çõ𝒆𝒔 + 𝑰𝒎𝒑𝒐𝒓𝒕𝒂çõ𝒆𝒔
× 𝟏𝟎𝟎
𝑷𝑰𝑩
Balança de Serviços
Nesta rubrica registam-se as trocas de serviços entre um país e o Resto do Mundo.
Também se registam os direitos de utilização de marcas, franchises, patentes, transportes e saúde…
A balança de Serviços Portuguesa apresenta saldos positivos devido às receitas do turismo.
A balança de capital
Nesta rubrica registam-se os fluxos provenientes da União Europeia, como os recebimentos de
capital relativo à execução dos Quadros comunitários;
Também se registam nesta balança a compra e venda de licenças e patentes, como a aquisição de
terrenos por embaixadas e as transferências de jogadores de futebol.
Os recebimentos de capital para Investimento são registados na Balança de capital;
A balança de capital Portuguesa tem apresentado valores positivos;
Saldo conjunto da Balança Corrente e da Balança de Capital
O saldo conjunto da Balança Corrente e da Balança de Capital representa a situação devedora ou
credora de um país em relação ao saldo com o resto do mundo.
Se o saldo conjunto for negativo então o país consome e investe mais do que aquilo que produz tendo
necessidade de financiamento.
Se o saldo conjunto for positivo então o país produz mais do que aquilo que consome e investe tendo
capacidade de financiamento.
A balança Financeira
Na balança financeira inscrevem-se fluxos financeiros entre um país e o Resto do Mundo tais como:
- Fluxos relacionados com o investimento, Investimento Direto do Estrangeiro (IDE)
- Investimento de carteira
- Derivados financeiros
- Outros investimentos
- Ativos de reserva
País A País B
Saldo da Balança Corrente -5 Saldo da Balança Corrente 8
Saldo da Balança de Capital 10 Saldo da Balança de Capital 10
Saldo Conjunto (Corrente e capital) 5 Saldo Conjunto (Corrente e capital) -2
Saldo da Balança Financeira -5 Saldo da Balança Financeira 2
Protecionismo
Política do comércio externo que se preocupa com a proteção da economia nacional;
O protecionismo defende a economia nacional, penalizando as outras economias com as quais se
estabelecem as relações comerciais.
Embora não rejeitando o comércio externo, adota medidas que levam o consumidor nacional a optar
pelos bens e serviços nacionais, importando menos produtos.
Instrumentos do Protecionismo
Os entraves podem ser Barreiras tarifárias e Barreiras não tarifárias
As barreiras tarifárias baseiam-se em tarifas ou custos (direitos aduaneiros) que se adicionam aos
bens importados, tornando-os mais caros e menos competitivos relativamente aos bens nacionais.
As barreiras não tarifárias assentam na fixação de cotas de importação.
A Contingentação é uma forma radical de defender os produtos nacionais, pois impede que se
importe mais do que um certo volume. Ex: Sistema de Quotas.
O embargo comercial é uma forma de contingentação que proíbe a entrada de um bem.
Os subsídios às exportações são também uma prática que serve de barreira alfandegária,
promovendo as suas exportações.
Por último surge o Dumping que consiste em praticar preços inferiores na venda de produtos para o
mercado externo comparando-os com os praticados no mercado interno;
O livre cambismo
Política do comércio externo que defende a liberalização das trocas.
Surge a teoria das vantagens absolutas, cada país deverá se especializar naquilo em que fosse mais
dotado e eficiente, libertando os outros países da produção desses bens.
Esta especialização originaria bens mais baratos e de melhor qualidade, devendo aumentar comércio
e a produção mundial.
Função executiva:
- Consiste na concretização e execução das leis por parte do Governo;
Função judicial:
- Consiste na aplicação da lei, levada a cabo pelos tribunais;
Áreas de intervenção
Função política:
- Garantir a satisfação de interesses gerais da comunidade (defesa, segurança e justiça).
- E são exercidas pelos órgãos que detêm o poder político.
Função social:
- Criar condições necessárias ao bem-estar da comunidade, garantindo padrões mínimos de vida
aos cidadãos.
- A adoção de medidas efetivas de aumento dos rendimentos mais baixos;
Função económica:
- Favorecer o desenvolvimento económico, criando infraestruturas, favorecer a ciência…
- Promover a estabilidade dos preços e do emprego utilizando políticas monetárias e orçamentais
- Preservar o meio ambiente para garantir a satisfação das necessidades das gerações futuras.
Estado Intervencionista
O estado passou a ter uma intervenção de forma direta na economia.
Começou primeiramente com a nacionalização de algumas empresas produtoras de bens essenciais.
O estado passou a assumir a responsabilidade de garantir melhores condições sociais, criando um
sistema de Segurança social;
Utilização da política de redistribuição de rendimentos como tentativa de diminuir as desigualdades
existentes no país;
Falhas do Mercado
Concorrência Imperfeita
- As economias atuais são caraterizadas por mercados de concorrência imperfeita, onde os
mecanismos de autorregulação dos preços não são respeitados.
- Portanto não utilizam técnicas que possibilitem a eficiência pois tem total controlo sobre o
preço a praticar, conseguindo portanto impor preços elevados devido à grande procura.
- O interesse privado não coincide com o interesse social;
Externalidades
- Constituem efeitos derivados da produção ou consumo podendo ser positivos ou negativos;
O planeamento
Permite articular as iniciativas privadas e públicas, a fim de potenciar as capacidades da economia e
maximizar a satisfação das necessidades individuais e coletivas.
Assim apenas através de um planeamento adequado é possível satisfazer o máximo de necessidades
com o mínimo de recursos, isto é com eficiência.
Quanto à sua natureza os planos do estado podem ser imperativos destinam-se ao setor público
sendo por isso obrigatórios;
São indicativos orientando o setor privado, servindo de apoio estratégico. O estado não pode obrigar
o setor privado a aderir ao seu planeamento promove-o através de subsídios.
Orçamento do estado
É o documento onde se encontram previstas as receitas e as despesas do Estado para um período de
geralmente um ano, é assim um instrumento económico e social do Governo.
As despesas e as receitas públicas produzem efeitos na atividade económica do país e na
redistribuição dos rendimentos.
Despesas públicas
São gastos efetuados pelo estado na satisfação de necessidades coletivas.
As despesas públicas tendo em conta o período que se fazem sentir os seus efeitos podem ser:
Despesas correntes:
- Efetuam-se ao longo de um determinado ano, mas os seus efeitos terminam nesse mesmo ano;
- Vencimentos funcionários públicos, transferências sociais (pensões e subsídios);
Despesas de capital:
- Realizam-se ao longo de um ano mas os seus efeitos perduram nos anos seguintes;
- Investimentos em capital fixo, compras de ações e Reembolso dos empréstimos.
Receitas públicas
As receitas públicas são arrecadadas pelo Estado para financiar as suas despesas.
Impostos indiretos
- Incidem sobre o consumo, produção e despesa. (IVA e impostos do tabaco).
- Os impostos regressivos são aqueles que diminuem relativamente ao acréscimo de rendimento
das famílias, pois todos pagam o mesmo independente do seu rendimento;
Saldo Orçamental
É constituído pela diferença entre as receitas e as despesas públicas de um determinado ano.
Se as receitas superiorizarem as despesas, o saldo orçamental é positivo -) Superavit
Se as receitas igualarem as despesas, o saldo orçamental é nulo -) Equilíbrio
Se as receitas inferiorizarem as despesas, o saldo orçamental é negativo -) Défice
Saldo Orçamental corrente
- Diferença entre as receitas correntes e as despesas correntes;
Saldo Orçamental capital
- Diferença entre as receitas de capital e as despesas de capital;
Saldo Orçamental global ou convencional
- Diferença entre o valor total das receitas (exceto emissão divida publica) e o valor total das
despesas (exceto amortizações divida publica).
Saldo Orçamental primário
- Diferença entre o valor total das receitas (exceto emissão divida publica) e o valor total das
despesas (exceto amortizações divida publica e juros da dívida pública).
Dívida Pública
Devido ao défice no saldo orçamental os países são obrigados a recorrer a empréstimos, originando
a dívida pública, podendo esta ser:
- Interna (os financiadores são residentes no país).
- Externa (os financiadores não são residentes no país).
Políticas conjunturais
Tem como objetivo promover a estabilização da economia, corrigindo os desequilíbrios existentes
num curto prazo, num período inferior a um ano.
São exemplos de políticas conjunturais: política fiscal, orçamental, de preços, monetária, de
combate ao desemprego e de redistribuição de rendimentos.
Políticas estruturais
Têm como objetivo uma alteração do funcionamento e das estruturas em que assenta a economia, os
seus efeitos fazem se sentir a médio ou a longo prazo;
São exemplos de políticas estruturais: políticas setoriais (Agricultura e industrial), política
ambiental e proteção social.
Política Fiscal
A política fiscal incide sobre os impostos (principal rubrica das receitas publicas).
Uma variação nesta rubrica produz efeitos em toda a economia pois pode fazer aumentar o
rendimento disponível o que irá aumentar o consumo e investimento e vice-versa.
Quando o estado tem como objetivo o crescimento económico desenvolverá uma política fiscal
expansionista, diminuindo os impostos, aumentando o rendimento disponível, aumentando a procura
e o consumo.
Pelo contrário se o objetivo for diminuir o défice orçamental desenvolverá uma política
retracionista, deste modo aumentará os impostos, e aumentará por consequência as receitas públicas.
Política Orçamental
A política orçamental tem como objetivo corrigir os excessos do ciclo económico e promover a
estabilidade.
O ciclo económico é composto por períodos de expansão económica (crescimento económico) e por
períodos de recessão económica (queda económica), surge por isso esta política com o objetivo de
estabilizar a economia e diminuir os extremos.
Quando estamos perante um período de expansão económica, o estado desenvolverá uma política
orçamental retracionista corrigindo os excessos provocados pelo período vivido.
Quando estamos perante um período de recessão económica, o estado desenvolverá uma política
orçamental expansionista para inverter o ciclo económico vivido.
Política monetária
A política monetária tem como objetivo controlar a massa monetária em circulação e deste modo,
a inflação e a atividade económica.
Esta política pode ser expansionista caso pretenda aumentar para dinamizar a economia.
Pode ser também retracionista caso tenha como objetivo o combate à inflação.
Os instrumentos mais utilizados são: taxas de desconto, taxas de juro, reservas bancárias, limites ao
crédito e taxas de câmbio.
Atualmente Portugal não tem influência nesta política, pois esta passou a ser da autoria do Banco
Central Europeu.
Formas de integração
Sistema de preferências aduaneiras
- Corresponde à mais fraca forma de integração económica, que consiste na concessão de mútuas
vantagens aduaneiras aos países-membros.
União Aduaneira
- Nesta forma de integração, para além das condições da zona de comércio livre;
- Os países membros ficam obrigados à aplicação da mesma pauta aduaneira no que respeita
ao comércio com países terceiros.
Mercado Comum
- Esta forma de integração corresponde a uma união aduaneira sem restrições à livre circulação
de capitais, pessoas e serviços.
- Como aconteceu no Mercado Único criado pelo Ato Único Europeu.
União Económica
- Ao mercado comum acrescenta-se a adoção de políticas económicas e sociais comuns a todos
os países membros, com vista à maior coesão social e à convergência económica.
- Como acontece na União Europeia.
A União Europeia
Em 1992 foi assinado o Tratado da União Europeia em Maastricht.
Assenta em 3 pilares abrangendo diversos domínios:
Comunidades Europeias
- Reforço dos diversos tratados entre os quais o mercado único
- Aumento dos direitos e deveres dos cidadãos da comunidade
- Adoção de políticas comuns e alcançou-se finalmente uma união económica e monetária.
Domínio Política Externa e segurança comum
- Alcançar uma política externa comum a todos bem como uma política de defesa comum.
Domínio da Justiça e assuntos Internos.
- Resolver os problemas relacionados com a imigração, asilo, fraudes e alfândegas.
Parlamento Europeu
- É eleito pelos cidadãos Europeus;
- Aprova em codecisão com o Conselho ministros a legislação;
- Aprova o orçamento da União Europeia;
- Fiscaliza o trabalho da comissão Europeia, podendo demiti-la.
Comissão Europeia
- Executa o orçamento da União Europeia;
- Propõe e executa a legislação;
- Representa a união Europeia em reuniões internacionais;
- Apresenta o relatório anual de contas da união.
Tribunal da Justiça
- Tem a função de garantir a aplicação do direito da União Europeia;
- Garante o respeito pela aplicação e interpretação dos tratados.
Banco Central Europeu
- Responsável pela gestão do Euro e pela política monetária comum.
Tribunal de Contas
- Controlo da gestão do orçamento da EU equiparando despesas e receitas.
Fundos de coesão
Tem como objetivo promover a coesão económica e social dos países, fazendo com que os seus níveis
de desenvolvimento se aproximem cada vez mais.
Destinam-se a países com um RNB per capita inferior a 90% da média da União Europeia, atuam nas
áreas do ambiente e do transporte.