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CORRECÇÃO DA FICHA DE TRABALHO

1- Explica em que consiste a função de suplência do cérebro.

Se há zonas do cérebro que são especialmente responsáveis por funções


específicas (linguagem, audição, visão, etc.) será errado pensar:

a) Que essas zonas sejam estanques, i.é., que funcionem todas


independentemente umas das outras;

b) Que uma zona assume todos os aspectos de uma função;

c) Que, danificada uma determinada zona, a função que lhe está


associada desaparece irremediavelmente.

Neste sentido, é mais apropriado considerar o cérebro como um sistema


(uma unidade interactiva em que se estabelecem relações de
interdependência entre diversas áreas), uma totalidade funcional e não
uma estutura compartimentada.

A função de suplência ou vicariante ocorre quando uma área


lesionada deixa de exercer a sua função e uma outra área vizinha
assume essa função perdida. (Não se trata de uma regeneração de
células nervosas da região lesionada- o que à partida não seria
possível- mas de uma substituição funcional efectuada por outra zona
do córtex).

2- Justifica a afirmação: “O cérebro caracteriza-se pela sua unidade


funcional”.

O cérebro é um sistema unitário, que trabalha como um todo, de forma


interactiva, caracterizando-se pela sua plasticidade.
O cérebro funciona em obediência a dois pincípios básicos: Especialização
e Integração:

ESPECIALIZAÇÃO, significa que o cérebro não funciona como um


todo indeferenciado, havendo zonas que dão o seu contributo
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específico para o comportamento. Mover a mão, percepcionar a cor, o
movimento dependem de cadeias nervosas especializadas.
INTEGRAÇÃO, funções complexas como a memória, a linguagem, a
aprendizagem ou o amor envolvem a coordenação de várias áreas do
cérebro.
A função de suplência do cérebro é um exemplo da unidade funcional deste
órgão.
Exemplo: A actriz Patrícia Neal, sofreu um avc aos 39 anos. Ficou
incapaz de ler, de escrever e de falar. Sujeita a reabilitação intensiva,
associada à plasticidade cerebral de que é dotado qualquer cérebro
humano, recuperou e retomou a sua carreira de actriz, quatro anos mais
tarde.

3- Explica porque razão a lentificação do desenvolvimento cerebral é


decisiva no desenvolvimento das capacidades especificamente
humanas.

O ser humano quando nasce é prematuro e inacabado, ou seja, o seu


desenvolvimento não está completo, daí sermos seres neotenicos. A
neotenia designa o inacabamento biológico do ser humano ao nascer, o
que implica que a infância seja tão longa, uma vez que o nosso
desenvolvimento é lento e o desenvolvimento do nosso cérebro faz-se
essencialmente ao longo da nossa vida (apesar de este continuar até à
morte do individuo).
A lentidão do desenvolvimento do cérebro e do nosso desenvolvimento
constituiu uma vantagem na medida em que possibilita a influência do
meio ao longo da vida, permite uma maior capacidade de aprendizagem e
uma adaptação ao meio. Por tudo isto a lentificação é uma das
características mais importantes do cérebro humano.

4- Relaciona a diversidade dos cérebros com o processo de individuação.

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Individuação é o processo de singularidade e autonomia operado no ser
humano em correlação com a complexificação cerebral.
A individuação também é uma característica do nosso cérebro.
Inicialmente pensava-se que o cérebro era igual em todos os indivíduos,
ou seja, julgava-se que o desenvolvimento do cérebro obedecia a um
padrão, a uma modelo. A verdade é que os nossos cérebros são diferentes.
Mas qual a razão desta diferença? O cérebro humano apresenta
diferenças porque os seres humanos tem códigos genéticos diferentes o
que faz com que haja um diferente desenvolvimento dos tecidos nervosos
e porque cada uma de nós ao longo da nossa vida tem experiências,
vivências diferentes. Até mesmo os gémeos homozigóticos apresentam
cérebros diferentes (com uma diferente número de células nervosas e com
diferentes conexões entre os neurónios) mesmo tendo o mesmo código
genético pois têm experiências de vida diferentes devido às diferentes
influências do meio.

5- Mostra a relação que existe entre a capacidade de aprendizagem e a


plasticidade do cérebro humano.

A Plasticidade cerebral corresponde às alterações fisiológicas neuronais,


resultantes da aprendizagem e da memória, ié, a sua capacidade para se
modificar ao longo da vida por efeito das experiências do sujeito.
Durante muito tempo considerou-se que o funcionamento cerebral estaria
predeterminado geneticamente, esta ideia foi abandonada a partir de
investigações recentes no campo da neurologia. Sabe-se o cérebro é
flexivel e maleável, modificando-se em função da acção e dos
comportamentos que o sujeito desenvolve na sua interacção com o meio.

É a imaturidade do cérebro humano e a sua plasticidade que dão aos


seres humanos a possibilidade de desenvolverem um conjunto de
capacidades que os distinguem dos outros animais e de aprenderem ao
longo da vida.
Vários estudos demonstram que em todas as idades, a interacção com
ambientes estimuladores e enriquecedores (incentivar a criança à
oralidade, à escrita, à música, aos jogos, estimular diversas sensações, cor,
forma, cheiro, interacções sociais, etc.) são decisivos para o
desenvolvimento cerebral.

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Esta plasticidade, esta flexibilidade, permite uma adaptação o meio mais
eficaz e mais criativa. São a condição de aprendizagem ao longo da vida.