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2.

Quanto à ação anulatória de débito fiscal, pergunta-se:

a) É viável a propositura de ação anulatória para desconstituição de relação


jurídica constituída pelo próprio contribuinte por meio de DCTF, cujo
recolhimento do tributo ainda não tenha ocorrido?

Na minha concepção sim, já que a ação visa a anulação do lançamento tributário e é


um direito constitucional do devedor, não possuindo restrições e podendo ser
efetuado antes ou depois propositura da ação exacional e de acordo com a Súmula
28 do STF, é inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de
admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade do crédito
tributário.

b) E para a desconstituição de crédito tributário inserido em parcelamento, onde


houve confissão da dívida por parte do contribuinte? Em caso de resposta
positiva, indaga-se: qualquer tipo de questão poderá ser objeto desta ação
anulatória (questões de fato e/ou questões de direito)?

c) Qual o prazo prescricional para a ação anulatória de débito fiscal? É possível


ingressar com ação anulatória de débito após a propositura da ação executiva
fiscal? E após o transcurso do prazo para apresentação dos embargos à
execução?

De acordo com o art. 1º do Decreto Lei 20910/32, o entendimento jurisprudencial


majoritário é de que o fisco dispõe de cinco anos para prescrição, que são contados
do dia seguinte ao vencimento da exação ou da entrega da declaração pelo
contribuinte constatado o decurso de cinco anos entre a notificação do lançamento e
o ajuizamento da ação. Já em relação à ação anulatória após a execução fiscal, o
posicionamento jurisprudencial do STJ, é de que há necessidade de depósito integral
para que haja cabimento para o ajuizamento da ação anulatória. A princípio, a perca
do prazo para opor embargos não induz a preclusão na ação anulatória. Visto que
após o lapso temporal de 30 dias, contados da intimação da penhora, opera a
preclusão, também, para a ação anulatória.
d) O depósito do valor do débito fiscal discutido na ação anulatória é condição
dessa específica ação?

Nos termos da Sumula Vinculante nº 28 do STF, não há a necessidade de depósito


do montante integral para a propositura da ação anulatória não sendo uma condição
específica da ação, mas para que esta produza efeito suspensivo na execução fiscal
será preciso o deposito do montante pleiteado pela Estado- Fisco, nos termos do art.
151, II do CTN.

3. Que relações podem existir entre as ações anulatória de débito, executiva


fiscal e embargos à execução: conexão, continência ou prejudicialidade (ou
nenhuma das alternativas)? Qual o juízo competente para julgá-las? Deverão
ser reunidas para julgamento conjunto? Responder a essa pergunta, com base
nas disposições do código de processo civil de 2015 que tratam da modificação
da competência. (Vide anexos III e IV – aplicam-se tais precedentes?)

De acordo com o art. 55 do CPC “reputam-se conexas duas ou mais ações, quando
lhes for comum o objeto ou a causa de pedir”, ou seja, pode ser possível a relação de
conexão e prejudicialidade já que ambas podem coincidir a causa de pedir ou objeto
da causa. Ao considerar as regras de competência legais, havendo varas
especializadas o juízo competente para a execução e embargos serão os mesmos,
podendo ter mudanças para a ação anulatória. Não há necessidade já que esta não
terá necessariamente o mesmo juízo competente.

5. Quanto à exceção de pré-executividade, pergunta-se: (a) Em que consiste a


exceção de pré-executividade? É uma ação ou meio de defesa? (b) Qual seu
fundamento legal? (c) Há limite temporal no processo executivo para o seu
oferecimento? (d) E limite lógico-processual para o seu oferecimento? (e) Quais
matérias são passíveis de arguição? (f) A oposição de exceção de pré-
executividade tem o condão de suspender o trâmite do processo de execução?
(g) A oposição de exceção de pré-executividade impede o ajuizamento de
embargos à execução fiscal? Ao responder justifique suas respostas.

(a) Segundo Hélio Apoliano Cardoso (2009, p.25) ela constitui remédio jurídico de que
o executado pode lançar mão, a qualquer tempo, sempre que pretenda infirmar a
certeza, a liquidez ou a exigibilidade do título por meio de inequívoca prova
documental, independendo sua propositura de prévia segurança do juízo, exigível,
conforme a nova ordem processual, apenas para o fim de receber os embargos no
efeito suspensivo. Sendo considerada um meio de defesa.

(b) Teve sua primeira aparição na CF de 1988 apoiando-se no princípio do


contraditório que segundo o art. 5º, LV da CF/88 tem que ser aplicado em todos os
processos judiciais e administrativos, sendo utilizado como recurso de defesa no
processo de execução.

(c) A lei não prevê oposição da exceção de pré-executividade e por conter alegação
de matéria de ordem pública não há prazo para a sua oposição, não tendo assim um
limite para o mesmo.

(d) Mesmo não tendo prazo para oposição o excipiente não pode deixar de exercitar
seu direito de excepcionar o quanto antes, em decorrência do princípio da economia
processual, já que ao demorar desnecessariamente a iniciar o mesmo, além de violar
o princípio da economia processual, causa prejuízos tanto ao excipiente como ao
excepcionado.

(e) As matérias passíveis de arguição seriam aquelas que o juiz deveria conhecer de
ofício, aquelas que se referem aos pressupostos processuais, condições da ação e
vícios objetivos do título, referentes à certeza, liquidez e exigibilidade.

(f) A exceção de pré-executividade tem a sua natureza suspensiva, já que este tem
como objetivo a possibilidade de defesa do executado sem a necessidade de prévia
constrição de seu patrimônio. Já que se o mesmo for para penhora e não houvesse
a suspensão, o excipiente poderia ter seu patrimônio penhorado da mesma forma,
não tendo assim a necessidade de uma defesa.

(g) O ajuizamento de exceção de pré-executividade é meio hábil para, enquanto não


apreciada, suspender a execução fiscal.