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TAÍS LUISE DENICOL - MEDICINA XXXIV

AULA 1 – Professor Márcio Dal Bó

ENTREVISTA/ANAMNESE PSIQUIÁTRICA

*Principal instrumento de avaliação da psiquiatria (deve-se ouvir e perguntar muito).


Emergência (risco de vida em minutos ou 1 a 2 horas): risco de suicídio, risco de intoxicação, risco de homicídio.
Pode-se fazer uso de medicação injetável.
Urgência (risco de vida em horas)
Eletivo: não há risco de vida.

Objetivos da aula prática e teórica:


-Habilidade na relação médico/paciente
-Habilidade para obter informação
-Habilidade para avaliar informação (saber avaliar o que está ligado ou não)
-Habilidade para dar informação
-Habilidade para conseguir adesão ao tratamento
-Habilidade para documentar a historia do paciente
-Habilidade para formular diagnóstico, diagnóstico diferencial e plano terapêutico.
*Cada paciente é único. A depressão é igual, o deprimido é diferente um do outro.

Método usado para ensino/aprendizagem:


-Aulas teóricas – eixo longitudinal e transversal
-Aulas práticas – pacientes atendidos nos ambulatórios e discussão teórico/clínica
-Apresentação de casos clínicos – Apresentação dos casos atendidos nos ambulatórios

Introdução:
É um encontro entre 2 ou mais pessoas, em local adequado, para obtenção de avaliações, esclarecimentos e opiniões.
*Frequentemente mais de uma pessoa (paciente e familiar). Normalmente se atende primeiro o paciente sozinho, após
os familiares quando necessário.

Finalidades:
Avaliação, Indicação ou não de tratamento, Fornecer informações ao paciente (orientar o paciente sobre o quadro, o
tratamento, os riscos, os prognósticos), Recurso terapêutico, Perícias, Pesquisa (check list), Ensino (entrevista).
*Importante diferenciar patologia de não patologia, para ver se precisa realmente tratamento ou não. Ex: tristeza e
alegria não são patologias, diferentes de tristeza depressiva e euforia.

Roteiro:
*Religião na psiquiatria é importante.
*Um episódio de euforia já NÃO é depressão maior.
- Eixo longitudinal (historia de vida do paciente, que tenha relação com a patologia, cronologia): Impressão sobre o
paciente, identificação, QP (palavras do paciente), HDA (descrever e documentar todos os sintomas apresentados –
muito importante – perguntar e ouvir; há sempre um conjunto de sinais e sintomas), HP e HF, EEM (exame do estado
mental), EF (básico – PA, FC, ausculta pulmonar, ausculta cardíaca...), EC (exame complementar), HD (hipótese
diagnóstica) e DD (diagnóstico diferencial), PT (plano terapêutico) e prognóstico.
- Eixo transversal (corte transversal na vida do paciente. É o exame do estado mental (são 10) Observam-se os
sintomas atuais, presentes no paciente durante a entrevista ou que estejam presentes na atualidade). OBS: paciente não
precisa necessariamente apresentar o sintoma durante a entrevista, porém na atualidade ele tem o sintoma quase todo
tempo.
*Corte presente (está com dor de cabeça há 1 mês, mas na entrevista não = é presente).
*Pode ser que tenha que investigar até o parto, em paciente com deficiência mental, a origem pode estar
nesse período.

Impressão sobre o paciente:


-Aquilo que o paciente transmite ao médico, através da linguagem verbal e não verbal. Sentimentos e ideias que
ocorrem no médico, despertados pelo paciente através de:
-Como cumprimenta
-Como fala
-Como se veste
-Timidez, agressividade, sensualidade, etc
TAÍS LUISE DENICOL - MEDICINA XXXIV

História da Doença Atual:


-Aspectos importantes a serem exaustivamente esclarecidos, sempre no contexto da fala do paciente e das
possibilidades diagnósticas que surgem no correr da entrevista:
-Sintomas atuais
-Cronologia do aparecimento dos sintomas
-Fatores que os desencadearam quadro atual
-Se há fatores que melhoram ou pioram os sintomas
-Se é a primeira vez que apresenta estes sintomas
-Como este quadro influencia na vida do paciente(vaidade, vida social, profissional, amorosa, sexual,etc)
-Se há sofrimento evidente com os sintomas
-Se há uso de álcool ou drogas ou se há patologia clínica que podem estar relacionados ao quadro atual
-Se faz outros tratamentos ou usa medicação que pode influenciar quadro atual

História Prévia:
-Investigar se já teve episódios anteriores e se teve, quando foi a primeira vez(Houve desencadeante?)
-Se já teve outros episódios, como fica no período entre eles
-Se já teve quadros psiquiátricos diferentes do atual
-Tratamentos anteriores com sucesso ou não
-Antes de iniciar o quadro como era o “normal” do paciente

História Familiar:
-Há pessoas na família que tem transtornos psiquiátricos ou clínicos importantes
-Fazem tratamentos, quais?
-Relacionamento entre familiares próximos e o paciente (a qualidade desta relação pode influenciar o quadro atual ?)
-Outros relacionamentos e atividades importantes do paciente que podem influenciar no quadro atual

Exame do Estado Mental:


-É o eixo transversal da entrevista
-São os sintomas atuais do paciente. São vistos no aqui e agora da entrevista, porém é um “retrato” da atualidade do
paciente
-São examinadas as funções mentais (do ego) do paciente
-ASMOCPLIAC (será visto em separado)

Exame Físico:
-Exame necessário em qualquer atendimento médico
-Não é dispensável ao ser examinado um paciente psiquiátrico

Exames Complementares:
-Exames que serão solicitados para completar a história psiquiátrica e que contribuirão na elucidação diagnóstica e
evolução do paciente
-Acurácia – Se exames tem sensibilidade e especificidade para fazer diagnóstico e para evolução do quadro do
paciente.
-Exames laboratoriais, imagem, testes psicodiagnósticos, etc.
-LEMBRANDO SEMPRE QUE SÃO COMPLEMENTARES

Hipótese diagnóstica e Diagnóstico Diferencial:


-A partir da história, exame físico, exames complementares são realizadas as possíveis hipóteses diagnósticas. A partir
disso, é estabelecido o plano terapêutico e prognóstico.

*Prejuízo da normalidade de como o paciente era e quando a patologia se instalou.


*Precisa que a pessoa fique sem álcool e drogas e continuar sintomático para falar que tem a doença psiquiátrica
(mínimo 6 meses).
*Há medicações que geram quadros depressivos (ex: alfa metil dopa).
*Constituição genética + Vivência ambiental (plasticidade neuronal) = Personalidade + Trauma = Doença
*Há diferença entre a força (boa ou ruim) de cada um dos fatores. CG boa com uma VA ruim, causa uma P frágil em
que um T mínimo pode desencadear uma doença, ex: corte de cabelo. Já uma CG boa com um T grande pode ainda
assim causar uma doença independente dos outros fatores, ex: neurose de guerra.
*Plasticidade neuronal (capacidade de se adaptar a novas situações/experiências) é muito influenciada pela VA.
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Desenvolvimento da entrevista:
Conceitos importantes:
-Transferência (sentimentos que o paciente traz para relação dele com o médico, porém não são provenientes dela, são
sentimentos que vem do passado do paciente) e Contra transferência (sentimento do médico pelo paciente gerado pela
transferência).
-Empatia (se dar conta do que está acontecendo com o paciente, se colocar no lugar do outro = ajuda o paciente a
verbalizar).
-Resistência (toda atitude ou pensamento do paciente que se opõe ao tratamento).
-Continente (capacidade de absorver os conteúdos do paciente e ajudá-lo) e conteúdo (todas as dificuldades que o
paciente traz para a consulta).
-Aliança terapêutica (médico e paciente se unem para fazer o tratamento, e fazer o tratamento dar certo).
-Estes conceitos são oriundos da psicanálise e estão aplicados a psiquiatria. O conhecimento e o bom uso prático
destes conceitos poderão contribuir com melhora aderência a tratamento e, consequentemente, com maior
probabilidade de sucesso terapêutico.
-Pré-entrevista: Começa na primeira notícia entre a dupla médico-paciente e termina no início da entrevista.
-Iniciando a entrevista.
-Finalizando a entrevista (passar ideia ao paciente sobre o que foi visto e que possa ajudar na aderência ao tratamento).
*Só se trata a transferência e a contra transferência se ela atrapalhar a relação médico paciente ou for prejudicial a um
dos dois ou os dois.
*Sempre perguntar no final se o paciente tem alguma dúvida, perguntas...

Entrevista com familiar:


Necessita quando:
-Pacientes psicóticos (pessoa sem juízo crítico da realidade – não diferencia o que é imaginação e o que é realidade /
Psicose=loucura).
-Transtornos psiquiátricos secundários a quadros orgânicos.
-Crianças e adolescentes jovens (geralmente quando mais cedo a criança apresenta sintomas tem relação a mãe).
*Jamais esquecer da privacidade a qual o paciente tem direito e o médico tem o dever de respeitar / Risco de suicídio e
homicídio -> pode-se quebrar essa privacidade, pelo bem do paciente; mas comunica o paciente. Caso de uso de álcool
e drogas também.
*SEMPRE deve-se investigar qualquer ideia vista de suicídio.

Entrevistas com alguns pacientes difíceis:


-Paciente violento, paciente delirante, paciente suicida (sempre investigar a ideia suicida).
*Explicar cada passo ao paciente sempre, importante tentar ganhar a confiança do paciente.
*Interna o paciente (hospital psiquiátrico contem o paciente), e dias depois com o paciente mais estabilizado se faz a
entrevista completa.
*Delírio: paciente tem certeza que aquilo está acontecendo, mas na verdade não está.
*Sempre que ocorre qualquer sinal de que o paciente pode cometer suicídio deve-se fazer uma investigação completa
e detalhada.

Entrevista de evolução:
-Subjetivo: percepção do paciente e médico
-Objetivo: exames clínicos do médico e exames complementares
-Avaliação: percepção objetiva do médico e diagnóstico
-Plano terapêutico: o que será orientado

*Não esquecer que entrevistar um paciente significa conseguir se aproximar dele, respeita-lo genuinamente querer
ajudá-lo. Se isso for feito, boa parte do que é necessário para uma boa entrevista já esta feito.