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E STUDO DE CASO

REPERTÓRIO Cartão de Recursos

Construção de um estudo de caso


DE METODOLOGIAS O estudo de caso é um instrumento pedagógico que apresenta um
problema a ser solucionado. No entanto, o problema apresentado
não possui solução pré-definida. Para tanto, faz-se necessário,
antes, identificar o problema, analisar evidências, desenvolver
argumentos lógicos, avaliar e propor soluções.
Trata-se de um instrumento pedagógico valioso, pois nos desafia
a raciocinar, argumentar, negociar e refletir. O estudo de caso
revela uma realidade na qual é possível visualizar os
Cartão de Recursos conhecimentos, aplicando-os “na prática”. Isso porque o estudo
de caso revela características holísticas e significativas dos
acontecimentos da vida real (YIN, 2005), como, por exemplo,
ocorre nos processos sociais, organizacionais e adminis-trativos e
nas mudanças em regiões urbanas, entre outros. Não obstante,
para Becker (1999), o estudo de caso permite o estudo de uma
situação social específica, como o estudo e a análise de uma

1
organização ou organização não governamental (ONG) e a história 3. Com o problema, os alunos devem definir estratégias que os
de vida de pessoas ou de empresas, etc. ajudem a resolve-lo. Para isso, é preciso cumprir os objetivos: 1.
Quando aplicado individualmente, é uma técnica de tomada de (xxx); 2. (xxx); n. (xxx).
decisão e de apresentação e resolução individual de problemas. 4. O professor pode realizar a etapa da planificação que consiste
Essa estratégia volta-se para a construção de um estudo de caso em trazer indagações como: “que tipo de articulações existe entre
em grupo, tornando-se uma técnica social, que requer que cada os diferentes ângulos do caso?” “como o profissional x deveria
membro do grupo compreenda o problema e também tenha proceder?”.
conhecimento necessário e argumentação para convencer os
5. Para responder o problema, os alunos podem elaborar
demais colegas do grupo acerca da realidade que ora buscam
perguntas que possam fazer aos colegas e/ou demais alunos da
analisar e compreender.
faculdade. Cada grupo terá que entrevistar 10 pessoas. Exemplo:
Qual é o significado de (xxx) para você? Pode indicar algumas
Competências ideias? O que vem a sua mente quando se fala de (xxx)? O
● Vivência e superação de conflitos profissionais e éticos professor deve atribuir uma nota de 1 a 5, indicando a importância
● Visão sistêmica e integradora do assunto abordado da (xxx) para você. Após entrevistar outros alunos – dependendo
● Argumentação oral.
do tamanho da turma -– os alunos podem entrevistar colegas da
● Trabalho em equipe.
● Resolução de problemas. mesma sala de aula, para então voltar e escrever o caso.
● Tomada de decisão. 6. O caso deverá conter:

● Introdução: contextualização acerca da importância do


Sequência didática tema, problema ou assunto; breve relato sobre a sua
importância na vida das pessoas, de modo geral e sucinto;
1. Os alunos deverão formar grupo de no mínimo três e no máximo
apresentação dos objetivos do estudo de caso.
cinco alunos.
● Apresentação das informações coletadas e correlação com
2. O professor relata ou distribui o problema a ser compreendido. o assunto estudado; descrição da experiência de trocar
“O problema a ser compreendido é (xxx)?, ou seja, o caso. informações sobre o tema, problema ou assunto com os

2
demais colegas ou alunos. Deve-se tecer correlações com a

P
teoria.
● Relato sobre a percepção dos alunos, procurando-se
analisar a importância do tema ou assunto para eles.
roblem Based Learning - PBL
● Considerações finais.

7. Deve-se lembrar que o estudo de caso deverá ser um texto de


três páginas no máximo. Deve-se solicitar aos alunos que Cartão de Recursos
explorem sua capacidade de síntese e argumentação. Pode-se
fazer uso de gráficos, figuras, imagens e fotos, etc. Outra Construção de uma Aprendizagem baseada em investigação e
estratégia que pode ser utilizada é a de narrar histórias. Neste em problemas
caso, serão narradas as histórias de vidas dos alunos acerca do Um dos caminhos mais interessantes de aprendizagem ativa é por
tema. meio da aprendizagem baseada na investigação (ABIn). Nessa
modalidade, os estudantes, sob orientação dos professores,
desenvolvem a habilidade de levantar questões e problemas e
buscam – individualmente e em grupo e utilizando métodos
indutivos e dedutivos – interpretações coerentes e soluções
possíveis (BONWELL; EISON, 1991). Isso envolve pesquisar, avaliar
situações e pontos de vista diferentes, fazer escolhas, assumir
riscos, aprender pela descoberta e caminhar do simples para o
complexo. Os desafios bem planejados contribuem para mobilizar
as competências desejadas, sejam intelectuais, emocionais,
pessoais ou comunicacionais. Nas etapas de formação, os alunos
precisam do acompanhamento de profissionais experientes para
ajudá-los a tornar conscientes alguns processos, a estabelecer
conexões não percebidas, a superar etapas mais rapidamente, a
confrontar novas possibilidades.
A aprendizagem baseada em problemas (PBL, do inglês problem-
based learning, ou ABProb, como é conhecida atualmente no
3
Brasil) surgiu na década de 1960 na McMaster University, no pesquisar em livros e na internet. O problema não deve conter
Canadá, e na Maastricht University, na Holanda, inicialmente pistas falsas que possam desviar a atenção. Os problemas devem
aplicada em escolas de medicina. A ABProb/PBL tem sido utilizada
em várias outras áreas do conhecimento, como administração,
arquitetura, engenharias e computação, também com um foco Competências
mais específico que é a aprendizagem baseada em projetos (ABP ● Análise crítico-analítica.
ou PBL). O foco na aprendizagem baseada em problemas é a ● Pesquisa científica.
pesquisa de diversas causas possíveis para um problema (p. ex., a ● Argumentação oral.
inflamação de um joelho), enquanto na aprendizagem baseada em ● Trabalho em equipe.
projetos procura-se uma solução específica (construir uma ponte).
Na prática, há grande inter-relação e, por isso, é frequente o uso
Sequência didática
de siglas como sinônimos.
A PBL tem como inspiração os princípios da escola ativa, do 1) Organizar os alunos em pequenos grupos
método científico, de um ensino integrado e integrador dos 2) Apresentação do problema na forma de texto, vídeo,
conteúdos, dos ciclos de estudo e das diferentes áreas envolvidas, animação, entrevista, dramatização, etc.
em que os alunos aprendem a aprender e preparam-se para 3)É fundamental que os alunos tenham o máximo de atenção em
resolver problemas relativos às suas futuras profissões. A relação ao problema, que identifiquem palavras ou expressões
aprendizagem baseada em problemas, de forma mais ampla, desconhecidas e que esclareçam qualquer outra informação que
propõe uma matriz não disciplinar ou transdisciplinar, organizada dificulte o entendimento do problema apresentado.
por temas, competências e problemas diferentes, em níveis de 4)Os alunos devem identificar questões ligadas ao problema.
complexidade crescentes, que os alunos deverão compreender e 5)Os alunos devem responder a essas questões com base nos
equacionar com atividades individuais e em grupo. Cada um dos conhecimentos prévios do grupo, por meio de metodologias de
temas de estudo é transformado em um problema a ser discutido braimstorm
em um grupo tutorial que funciona como apoio para os estudos
6) Resumir as diversas respostas e organizar. Preencher o
(VIGNOCHI et al., 2009).
relatório parcial para entregar ao professor.
O problema não pode ser de fácil resolução, ele deve ser
constituído de forma que evidencie o que os alunos já sabem e que
também explore um universo desconhecido. Eles precisarão

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▪ O contexto do problema no mundo real deve ser definido
– é importante procurar inspiração em revistas, jornais e
em conversas com profissionais da área para conseguir
aplicações realistas dos conteúdos do problema.
▪ A estrutura do problema deve ser estabelecida – nesta
etapa, pode-se fazer as seguintes perguntas: Como será a
aparência do problema? Que perguntas abertas é possível
inserir? Qual será a estrutura do problema? Quantos
períodos serão necessários para os estudantes concluírem
o processamento do problema? Enquanto o problema é
trabalhado, serão adicionadas informações aos estudantes
em páginas subsequentes? Quais são os recursos que os
7)Identificação daquilo que é necessário estudar para que se estudantes precisarão? Qual é o produto que os estudantes
alcance a resolução do problema. Esses objetivos de terão de elaborar?
aprendizagem devem estar conectados as questões respondidas ▪ Deve-se lembrar que não se pode confundir os estudantes
pelos conhecimentos prévios, porque não é possível abarcar tudo.
com muitas informações e detalhes.
8) Os alunos devem buscar as respostas pesquisando em livros,
▪ Situações mais detalhadas podem demandar maior tempo
textos, entrevistando especialistas, buscando em base de dados.
Essa etapa pode e deve ser cumprida extraclasse. de processamento e busca de novas informações.
9) Alcançar explicações concisas para as perguntas a partir de ▪ Podem ser utilizadas pequenas histórias para ilustrar o
uma discussão sobre tudo o que foi pesquisado. Entregar o problema.
relatório final. ▪ Os professores devem antecipar os recursos que os alunos
10) Apresentação do grupo e discussão com toda a sala. precisarão para resolver o problema, por exemplo:
11)Instrução direta do professor para consolidação das consulta à biblioteca e a laboratórios, entrevistas,
aprendizagens. conferências com especialistas, visitas técnicas, etc.
ATENÇÃO:
▪ Os objetivos de aprendizagem para o problema devem ser
listados.
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baseada no trabalho coletivo. Buscam-se problemas extraídos da

A
realidade a partir da observação realizada pelos alunos dentro de
uma comunidade. Ou seja, os alunos identificam os problemas e
buscam soluções para resolvê-los.
prendizagem baseada em projetos De acordo com o Buck Institute for Education (2008), os projetos
que se apresentam como efetivos têm os seguintes atributos:

1. Reconhecem o impulso para aprender, intrínseco dos


Cartão de Recursos alunos.
2. Envolvem os alunos nos conceitos e princípios centrais de
Construção de aprendizagem baseada em projetos uma disciplina.
3. Destacam questões provocativas.
É uma metodologia de aprendizagem em que os alunos se
4. Requerem a utilização de ferramentas e habilidades
envolvem com tarefas e desafios para resolver um problema ou
essenciais, incluindo tecnologia para aprendizagem,
desenvolver um projeto que tenha ligação com a sua vida fora da
autogestão e gestão do projeto.
sala de aula. No processo, eles lidam com questões
5. Especificam produtos que resolvem problemas.
interdisciplinares, tomam decisões e agem sozinhos e em equipe.
6. Incluem múltiplos produtos que permitem feedback.
Os alunos são avaliados de acordo com o desempenho durante as
7. Utilizam avaliações baseadas em desempenho.
atividades e na entrega dos projetos.
8. Estimulam alguma forma de cooperação.
Os projetos de aprendizagem também preveem paradas para
reflexão, feedback, autoavaliação e avaliação de pares, discussão Competências
com outros grupos e atividades para “melhoria de ideias”.
● Análise crítico-analítica.
Diferentemente de uma sequência didática, em um projeto de
● Resolução de Problemas
aprendizagem há preocupação em gerar um produto. Porém, esse
● Argumentação oral.
produto não precisa ser um objeto concreto. Pode ser uma ideia,
● Trabalho em equipe.
uma campanha, uma teoria, etc. A grande vantagem de gerar esse
● Criatividade.
produto é criar oportunidades para o aluno aplicar o que está
● Tomada de decisão
aprendendo e também desenvolver algumas habilidades e
competências (SÃO PAULO, 2013).
São vários os modelos de implementação da metodologia de
Essa abordagem adota o princípio da aprendizagem colaborativa,
projetos, que variam de projetos de curta duração (uma ou duas
6
semanas), restritos ao âmbito da sala de aula e baseados em um projetos de investigação e de criação é por meio do design. O
assunto específico, até projetos de soluções mais complexas, que design thinking é uma metodologia de projetos centrados nas
envolvem temas transversais e demandam a colaboração necessidades do usuário com uma visão multidisciplinar,
interdisciplinar, com duração mais longa (semestral ou anual). buscando, testando e implementando soluções a partir de uma
intensa colaboração
Os principais modelos são:
Sequência didática
1. Exercício-projeto, quando o projeto é aplicado no âmbito
de uma única disciplina. Para facilitar a construção, ordenação e condução das atividades na
2. Componente-projeto, quando o projeto é desenvolvido de modo metodologia ABP é sugerida uma sequência estruturada de 7 (sete)
independente das disciplinas, apresentando-se como uma passos:
atividade acadêmica não articulada com nenhuma disciplina 1. Apresentação do Problema – Contextualização da situação
específica. problema
3. Abordagem-projeto, quando o projeto se apresenta como uma 2. Questionamentos – Entendimento da problemática e seus
atividade interdisciplinar, ou seja, como elo entre duas ou mais desdobramentos
disciplinas. 3. Impasse e Hipóteses – Debate no grupo e Análise de possíveis
4. Currículo-projeto, quando não mais é possível identificar uma soluções
estrutura formada por disciplinas, pois todas elas se dissolvem e 4. Soluções – Coleta e sistematização das principais soluções
seus conteúdos passam a estar a serviço do projeto, e vice-versa. 5. Metas de Aprendizagem – Individuais e em Grupo
6. Análise Individual – Execução do Plano de Estudo Individual
Os projetos também podem ser classificados em função do seu 7. Solução – Discussão final (debate, compartilhamento, diálogos)
objetivo: de explicar algo que já se conhece (projeto pedagógico),
de pesquisar uma nova solução (científico) ou de construir um
novo produto ou processo (criativo):
Pelo uso de Design Thinking:
1)Constatação do problema
● Projeto construtivo: quando a finalidade é construir algo novo, 2)Aprendizagem sobre o problema
criativo, no processo e/ou no resultado. 3)Soluções possíveis/ criatividade
● Projeto investigativo: quando o foco é pesquisar uma questão ou
situação, utilizando técnicas de pesquisa científica. 4)Prototipação
● Projeto explicativo: quando procura responder a questões do tipo: 5)Teste
“Como funciona? Para que serve? Como foi construído?”. Esse tipo 6)Reiteração
de projeto busca explicar, ilustrar, revelar os princípios científicos *Para a etapa 3 recomenda-se o uso de braimstorm.
de funcionamento de objetos, mecanismos ou sistemas, por
exemplo. Uma das formas mais interessantes de desenvolver
7
Trabalho em equipe.

B

● Reflexão e tomada de decisão.

Sequência didática
rainstorm
1. As equipes devem ser formadas com o mínimo de três e o
máximo de cinco alunos.
2. As equipes devem ser distribuídas em uma sala com bastante
Cartão de Recursos espaço nas paredes.
3. Os post-its e marcadores devem ser distribuídos e deve-se ter
folhas de - flip-chart, bem como fitas para prendê-las na parede, se
Aplicação de Brainstorm com post-its.
for necessário. Pode-se solicitar aos participantes, com
O brainstorm com post-its é uma estratégia para ser utilizada
antecedência, que tragam post-its para a aula.
quando se desconhece o problema, assunto ou desafio, buscando
4. Cada participante deve receber ou definir antes o tema,
esclarecer e buscar mais informações acerca do tema. É, talvez, a
assunto, problema ou desafio a ser trabalhado.
estratégia de geração de ideias mais conhecida. Baseia-se na
5. Dá-se início ao brainstorm. Pede-se à equipe que vá até a parede
exposição espontânea de ideias, sem julgamento ou críticas.
ou quadro e coloque o tema, assunto, desafio ou problema no
Depois, é dado tempo para que se faça a análise. É uma estratégia
centro. Abaixo dele, os integrantes devem escrever ideias ou o
que estimula e incentiva a criatividade para gerar uma série de
que já sabem sobre o tema, assunto, desafio ou problema – uma
ideias, problemas, questões ou soluções. O brainstorm pode
informação apenas para cada post-it (Fig. 5).
preceder atividades como a pirâmide de prioridades, o
6. Os alunos devem apresentar todas as ideias que eventualmente
mapeamento de causas ou a ATF/I. surjam, sem rodeios, elaborações ou considerações. As ideias devem
fluir rapidamente.
Competências

● Troca de informações.
● Desenvolvimento da criatividade.
● Associação e desenvolvimento de ideias.

8
9. Nesta fase, é feita a seleção de ideias. Peça aos alunos para
organizarem as ideias, que podem ser classificadas quanto à
importância, prioridade, ou outras categorias que julgarem pertinentes.
10. Na seleção de ideias, os alunos devem:
a) analisar todas as ideias expostas;
b) classificar as causas do problema ou as soluções propostas;
c) combinar ou associar causas ou soluções (inter-relacioná-las).
11. Ao final, o professor pode promover uma discussão ou debate acerca
da atividade trabalhada em sala de aula e resultados alcançados.

*Após o brainstorm é possível criar atividades de


PROTOTIPAÇÃO da ideia. Para esse processo utilize materiais
diversos como papéis, canetas, isopor, revistas, tesoura, cola,
lego, sucata...

Figura 5 Brainstorm com post-its.

7. Os alunos devem sentir-se à vontade durante a atividade. Neste


momento, não existem ideias ruins ou absurdas, pelo contrário, elas
devem ser encorajadas e estimuladas. Quantidade, neste caso, é melhor
do que qualidade. Quanto mais ideias, melhor. Elas propiciam a
associação de ideias.
8. Se o professor achar necessário, pode fazer um breve aquecimento
com os alunos, demonstrando a estratégia com um grupo.

9
(MICHAELSEN; KNIGHT; FINK, 2002).

T
Competências

eam Based Learning - TBL ● Capacidade de tomada de decisões mais racionais para a
solução de problemas.
● Desenvolvimento das habilidades interpessoais.
● Argumentação.
● Trabalho em equipe.
Cartão de Recursos ● Autonomia.
● Senso crítico.
Construção de um Team-Based Learning (TBL) ● Autodidatismo (estudo prévio).

O team-based learning (TBL) é uma estratégia de abordagem ativa Sequência didática


desenvolvida pelo professor de Administração Larry Michaelsen, O TBL é realizado em três etapas: preparação, garantia de preparo
na década de 1970, na Oklahoma University (Estados Unidos). Com e aplicação de conceitos (BOLLELA et al., 2014), conforme
a difusão e a popularização, tornou-se muito usada em turmas apresenta a figura a seguir .
com grande número de alunos, favorecendo o protagonismo Assim, didaticamente, sugere-se a sequência didática:
estudantil.
1. Antes da aula, o professor deve avisar aos participantes a
O TBL baseia-se no construtivismo, pressupondo que o aluno
necessidade de leitura prévia (estudo prévio antes da aula – pré-
poderá construir a aprendizagem por si mesmo, de forma atuante,
classe), a aplicação do TBL contempla atividades relacionadas com
contemplando este saber a partir de sua vivência, interagindo com
o estudado.
outras pessoas, professores, palestrantes e colegas.
2. Em sala de aula, o professor deve formar times de cinco a sete
O método envolve o gerenciamento de equipes, a realização de
pessoas. Na formação dos times, deve priorizar a diversidade,
tarefas de preparação e aplicação conceitual, o feedback e a
evitando pessoas com vínculos.
avaliação entre os pares (colegas). Espera-se, com essa estratégia,
alto grau de comprometimento individual em prol do grupo, por
meio da aquisição de confiança entre os membros da equipe

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7. Após o time discutir e chegar ao consenso das respostas de cada
questão, ou seja, depois de tomar uma decisão conjunta sobre a
melhor resposta para àquela questão, devem voltar-se novamente
ao formulário de avaliação de garantia de preparo e preencher a
resposta do grupo.
8. Após todos os times preencherem o gabarito, este deve ser
apresentado com as respostas de todas as questões. Após a
conferência, deverá ser realizada a contagem da pontuação, tanto
individual quanto da equipe.
9. Caso alguma equipe queira intervir sobre alguma questão que
Figura Etapas do TBL. julgam correta, podem fazer isso após a correção do gabarito,
Fonte: adaptada de Bollela et al. (2014, p. 294). reanalisando, ou seja, nesse momento, podem, por exemplo,
entrar com recurso, solicitando “anulação da questão”,
2. Em sala de aula, o professor deve formar times de cinco a sete argumentando e posicionando-se na discussão coletiva a favor de
seu ponto de vista.
pessoas. Na formação dos times, deve priorizar a diversidade,
evitando pessoas com vínculos.
Pontuações
3. Após a composição dos times, poderá ser entregue um No TBL, os alunos podem ser avaliados por seu desempenho individual
pequeno texto (individual) do conteúdo programado (opcional). e em grupo. Uma estratégia usada refere-se à pactuação entre professor
e aluno da ponderação da avaliação, considerando o resultado do teste
4. No segundo momento, após a leitura (caso o professor tenha individual, em grupo e entre os próprios colegas (PARMELEE et al., 2012).
distribuído o texto anteriormente), cada participante deverá A pontuação pode ser feita de várias formas. Por exemplo, cada questão
receber um “formulário teste de garantia de preparo”. pode valer 5 pontos, e o participante assinalar um total de 5 pontos em
cada linha, ou o professor pode sugerir a distribuição dos pontos.
5. Cada participante deve responder o teste avaliação garantia de No primeiro caso, os participantes podem, por exemplo, colocar os 5
preparo individualmente e anotar no formulário (Fig. 38). pontos em uma só alternativa, ou, se estiverem inseguros sobre a
resposta correta, podem dividir os pontos em várias alternativas,
6. Em seguida, os alunos devem reunir-se com os participantes
assinalando-os em mais de uma alternativa, da forma que quiser
elegidos pelo professor (time) e discutir os conceitos ou questões. (5;4+1;3+2; 2+2+1; 2+1+1+1; 1+1+1+1+1), desde que a soma deles totalize

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cinco. por meio da participação ativa.
No segundo caso, o professor pode, ainda, sugerir pesos ou faixas Em síntese, a aprendizagem baseada em equipes constitui um método
-percentuais de ponderação mínima e máxima para cada avaliação alternativo de ensino-aprendizagem, no qual é entregue uma prova,
(BOLLELA et al., 2014). Nesse caso, o professor, em vez de deixar os teste ou unidade de aprendizagem (Avaliação como Garantia de
alunos decidirem pela distribuição dos pontos, aplica a estratégia. Preparo) referente ao conteúdo disponível on-line ou no ambiente
virtual de aprendizagem (BOLLELA et al., 2014). Cada participante deve
responder, primeiramente, o Formulário Teste de Garantia de Preparo
individual e anotar suas respostas em um gabarito individual. Em
seguida, devem discutir os conceitos com o time (formado pelo
professor). Posteriormente, preenchem o gabarito com o resultado da
discussão em grupo (BOLLELA et al., 2014; KHOGALI, 2013). Ao final, o
professor passa o gabarito, e o aluno mensura sua nota individual e
grupal. O professor pode usar diferentes pesos para compor a nota final,
contemplando a nota individual e em grupo.
Desse modo, espera-se que, com a aplicação do TBL, o aluno obtenha
resultados de aprendizagem maior do que aquele obtido
individualmente (MICHAELSEN; SWEET, 2008), ou seja, proporcionando
benefícios aos estudantes (progressão além da simples aprendizagem
conceitual), aos professores (desenvolvimento de relação mais próxima
com o aluno) e às IES (garante melhor qualidade no processo de ensino-
aprendizagem).
Proposta de folha de resposta para a avaliação como garantia de preparo.
Fonte: adaptada de Bollela et al. (2014, p. 294).

Recomendações
O TBL pode também ser usado como forma de avaliação formativa, com
o uso de metodologias ativas de aprendizagem, constituindo
importante instrumento de avaliação interativo e formativo. Contribui,
nesse ponto, significativamente com o processo de ensino-
aprendizagem do estudante, colocando-o como protagonista e
responsável pela pontuação obtida, individualmente e em grupo,
auxiliando o aluno em seu desenvolvimento acadêmico e profissional

12
do que isso, são uma forma de registrar – de forma inteligente e

M
que permita revisões ultrarrápidas – os assuntos compreendidos
em forma de resumos que sintetizam o entendimento das
matérias.
apas conceituais
Competências

● Capacidade de sintetizar as ideias.


Cartão de Recursos ● Capacidade de ordenar e organizar as ideias.
● Capacidade de associação de ideias.
Construção de um Mapa Conceitual
Os mapas mentais foram criados pelo inglês Tony Buzan, na Sequência didática
década de 1970. Seu objetivo era aprimorar o processo de 1. O professor deve escolher um conteúdo ou texto a ser
aprendizagem e a memorização utilizando uma abordagem não trabalhado e apresentá-lo aos alunos de forma geral.
linear de encadeamento de informações. O método de registro de 2. Ao término da apresentação, o professor deve solicitar aos
ideias proposto por Buzan é organizado do modo em que o estudantes que elaborem o mapa mental do conteúdo trabalhado.
cérebro armazena informações nos neurônios. 3. Para elaborarem o mapa mental, os estudantes devem seguir as
Os mapas mentais procuram representar, com o máximo de seguintes recomendações:
detalhes possível, a relação conceitual existente entre a) Iniciar no centro, com uma imagem do assunto, usando pelo
informações que normalmente estão fragmentadas, difusas e menos três cores.
pulverizadas em textos curtos ou longos.
b) Usar imagens, símbolos, códigos e dimensões em todo seu
Trata-se de uma ferramenta para ilustrar ideias e conceitos, lhes mapa mental.
dar forma e contexto, traçar as relações de causa, efeito, simetria
c) Selecionar as palavras-chave e escrevê-las usando letras
e/ou similaridade que existem entre elas e torná-las mais palpáveis
minúsculas ou maiúsculas.
e mensuráveis, sobre os quais se possa planejar ações e
d) Colocar cada palavra/imagem sozinha e em sua própria linha. As
estratégias para alcançar objetivos específicos.
linhas devem estar conectadas a partir da imagem central. As
Os mapas mentais são úteis para memorizar os conteúdos e, mais
13
linhas centrais são mais grossas, orgânicas e afinam-se à medida

S
que irradiam para fora do centro.
e) Fazer as linhas do mesmo comprimento que a palavra/imagem
que suportam. torytelling
f) Usar várias cores em todo o mapa mental, para a estimulação
visual e também para codificar ou agrupar.
g) Desenvolver seu próprio estilo pessoal de mapeamento da
Cartão de Recursos
mente.
h) Usar ênfases e mostrar associações em seu mapa mental.
Aplicação de Storytelling
i) Manter o mapa mental claro, usando hierarquia radial, ordem
Contar de histórias é algo que sempre fez parte da vida das
numérica ou contornos para agrupar ramos.
pessoas. As pessoas contam histórias no ambiente escolar, com os
amigos, familiares e em diferentes fases da vida humana (quando
criança, jovem, adulto ou mais velho). É um espaço em que falam,
naturalmente, de modo espontâneo e aberto acerca dos
acontecimentos da vida.
Assim, esta estratégia consiste em criar personagens e enquadrá-
los em uma determinada situação, desafio ou problema que se
busca resolver. Nesta atividade, procura-se tornar um conceito
abstrato mais pessoal e humano, ampliando a capacidade de
estabelecer empatia com os ouvintes da história, buscando sua
compreensão e visão acerca do problema, evento ou situação,
para buscar as causas e a resolução. Trata-se, portanto, de uma
poderosa ferramenta para compartilhar conhecimento, a partir da
narrativa de fatos reais.

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Eventualmente, a história também pode ser contada a partir da encontraram, de modo real. O professor deve buscar instigar a
solução de problemas que foi encontrada, procurando aprofundar curiosidade de quem vai ouvi-la.
e obter feedback. 5. O storytelling deve ter, no mínimo, cinco elementos: 1)
A contação de histórias permite que se consiga a atenção das personagem; 2) o personagem deve ter desejos, necessidades,
pessoas por um pouco mais de tempo, ao proporcionar um problemas, conflitos ou obstáculos; 3) o personagem deve
ambiente criativo e colaborativo. superar obstáculos; 4) o personagem deve fazer escolhas; 5) o
personagem deve passar por um processo de transformação (para
Competências melhor).
6. Ao criar personagens, os alunos devem dar-lhes vida com fotos,
● Argumentação oral e escrita. desenhos e descrições, dando mais subsídios à história que
● Criatividade. pretendem contar.
● Cooperação e colaboração. 7. Após criar a história, o grupo de alunos deve vendê-la para outro
● Empatia. grupo. Nesse momento, o professor pode limitar o tempo de
venda, por exemplo: vender a história em 1 minuto, ou subir um
Sequência didática elevador contando uma história.
1. O professor deve formar grupos de no mínimo três e no máximo 8. Enquanto o líder do grupo vende a história, os demais grupos
cinco alunos. escutam e fazem anotações para darem feedback. Todos os
2. Para cada grupo, o professor deve fornecer um problema, grupos devem vender sua história, a fim de buscar a solução ou de
situação ou evento e solicitar para que os alunos criem uma aprofundar na solução apresentada pelo grupo.
história a ser contada por meio dele. 9. O professor deve encerrar a atividade promovendo uma
3. A história pode ser criada com base em pesquisa exploratória discussão/debate.
realizada pelos alunos, capazes de exemplificar uma situação real,
ou seja, pode surgir da observação de comportamentos e da
captura de histórias e citações reais que julguem memoráveis.
4. Ao contar a história, o aluno não deve apenas relatar uma
situação ou fato, mas deve procurar revelar insights e experiências
que representem a situação, o problema ou a solução que
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importante pesquisa de diversos recursos para aplicação.

P eer Instruction

Cartão de Recursos

Aplicação de Peer Instruction

A instrução por pares é uma estratégia criada por Eric Mazur. Nas
aulas de física nas Universidade de Harvard ele proporcionou o
engajamento dos alunos no processo de aprendizagem. Ela se
desenvolve a partir da aplicação de testes conceituais que
promovem o debate. O professor lança questões individuais e
coletivas cujas respostas podem ser dadas pelo computador ou
outros dispositivos.
Competências
2)Depois o professor deve lançar questões de múltipla escolha
● Dominio de múltiplas linguagens sobre o conteúdo do texto e determinar um tempo para que os
● Leitura Compreensiva alunos votem na alternativa correta.
● Capacidade de resolver problemas 3)As respostas dos alunos podem ser dadas pelo computador,
aplicativos ou pelos flash cards. Devem ser impostas
Sequência didática automaticamente para todos os alunos.
1)O professor indica a leitura do texto em casa ou sala e solicita 4)Após a exposição dos resultados das respostas individuais, o
que os alunos identifiquem os conceitos ou ideias relevantes. É professor solicita que os acadêmicos se reúnam em pares e que
realizem a discussão chegando em um consenso para então
16
anotar o resultado de cada grupo.É fundamental que os alunos

P
formulem individualmente argumentos para convencer colegas
com opiniões distintas.
5)Após a tomada de decisão coletiva o professor lança as mesmas
questões e mostra os resultados gerados. ainel Integrado
6)Com o novo resultado exposto, o debate é produzido para
explicar como chegar as conclusões.

Cartão de Recursos

Construção de um Painel Integrado

Atividades que utilizam a dinâmica do painel integrado são


interessantes quando há um determinado tópico a ser estudado
com muitas nuances ou detalhes que merecem ser aprofundados.
Pode funcionar com textos, livros, artigos, filmes, etc.

Competências

● Argumentação oral e escrita.


● Criatividade.
● Cooperação e colaboração.
● Empatia.

Sequência didática
No painel integrado, os alunos são agrupados em pequenos
grupos (de quatro a cinco participantes), e cada grupo recebe uma
parte do assunto a ser investigado ou uma parte do problema a

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ser resolvido. Cada grupo deve se tornar especialista no assunto

A
designado. Na segunda etapa dessa atividade, os alunos são
reagrupados, de modo a assegurar que os novos grupos tenham
um representante de cada tópico distribuído na etapa inicial. Cada
integrante deve então compartilhar o que foi aprendido plicativos na Educação
anteriormente com seus colegas, e o grupo produz uma reflexão
que sintetize os aspectos centrais do conteúdo estudado nessa
aula. A estratégia do painel integrado é uma forma de transferir
autonomia para o grupo de alunos. Nesse modelo, o professor se Cartão de Recursos
torna um mediador das aprendizagens e não o detentor da palavra
final. É fundamental que o conteúdo ou a tarefa a ser completada
seja dividida em partes iguais, de modo que todos os estudantes Pool Everywhere →
enfrentem o mesmo nível de desafio em sua resolução.

A ferramenta permite a criação de questionários interativos que


podem ser projetados para a turma toda. Existem vários formatos
de questões disponíveis, incluindo nuvem de palavras e mapas.

Como usar:
1)Para fazer uma avaliação diagnóstica sobre os entendimentos
prévios de um conteúdo
2)Como lista de exercício após a instrução direta de um conteúdo

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3)Como ferramenta de braimstorm, pois, por não ser possível ver Como usar:
quem respondeu o quê, os alunos se sentem mais a vontade para 1) Você pode pedir que os alunos façam primeiro o mapa no
expor ideias papel, em sala, para depois colocar na plataforma em casa.
4)Como transição de uma atividade para outra Caso isso seja feito, podem inserir no portfólio virtual deles.
5)Usar no peer instruction 2) O interessante da ferramenta é que o aluno pode colocar
arquivos dentro dos troncos da árvore, criando hiperlynks.
Dessa forma, o aplicativo pode ser a própria ferramenta de
A ferramenta pode ser usada sem cadastro de login e senha. portfólio.
3) A plataforma é boa para o aluno usar durante o PBL ou outra
Site: www.polleverywhere.com metodologia que se utilize de problemas porque será
possível visualizar melhor todas as partes da situação
Mind Meister → 4) Em tarefas com múltiplas funções peça para que organizem
os papéis e as responsabilidades de cada um utilizando o
recurso

Site: www.mindmeister.com

PIKTOCHART →

A ferramenta permite a criação de mapas conceituais de forma


bem clara e de simples manejo. Os alunos podem ser requisitados
a produzir um mapa sobre seus entendimentos dos conteúdos do
semestre ou de uma sequência didática.

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A ferramenta permite a criação de histórias em quadrinho.
A ferramenta permite a criação de infográficos de forma muito Como usar:
orgânica e com layouts bem bonitos. Os infográficos são ótimas 1)Peça aos alunos que criem suas histórias individualmente usando
ferramentas para visualização de dados nomes distintos. Peça para que levem impresso. Faça uma
dinâmica em sala com as histórias para que todos conheçam um
Como usar: pouco um do outro, desenvolvendo a empatia, ainda que não
saibam de quem a história é. Você pode pedir que relatem uma
1)Peça que os alunos façam um infográfico com todas as
história específica como: um momento muito emocionante, uma
informações e dados que pesquisaram sobre o problema em
vitória, uma dor profunda...
questão com especialistas, em livros, sites, visitas técnicas, etc.
2)Durante a etapa de conhecimento de uma persona na qual
2)Você pode pedir que os alunos publiquem nas redes sociais as devem resolver um problema, peça para representarem o
informações, divulgando em um blog ou drive. Se você tiver seu cotidiano dessa persona.
próprio blog também vale muito a pena divulgar os trabalhos dos 3)Em uma atividade que envolva pesquisa biográfica, peça para
alunos. representarem a história do especialista/mestre que estão
3) Você pode produzir seus próprios infográficos para explicar um estudando
conteúdo complexo, pois com cores e imagens alunos mais visuais
podem ter mais facilidade para compreender. Site: www.pixton.com/br

Site: www.piktochart.com
UTELLSTORY →

PIXTON →

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A ferramenta permite a criação de histórias com fotos, vídeos, Bibliografias consultadas:
áudios e animações
Como usar: BACICH, Lilian. Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora. Penso,
2017
1) Em uma atividade que envolva pesquisa biográfica, peça para
representarem a história do especialista/mestre que estão CAMARGO, Fausto F.. A Sala de Aula Inovadora: Estratégias Pedagógicas para
estudando Fomentar o Aprendizado Ativo - Desafios da Educação. Penso,2018.
2)Em disciplinas que envolvam escrita criativa, peça para criem
uma história e representem as cenas HANNAS, Thales.Metodologias ativas de ensino: manual de aplicação. Belo
Horizonte: FACIG.2017.
3)Utilizem o aplicativo para apresentação de trabalhos de forma
criativa em substituição ao PPT
4)Peça para representarem um final hipotético para um livro
estudado um filme analisado.

Site: www.utellstory.com

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