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Rev Bras Anestesiol ARTIGO CIENTÍFICO

2006; 56: 4: 352-361 SCIENTIFIC ARTICLE

Transporte de Pacientes sem Oxigenoterapia para a Sala de


Recuperação Pós-Anestésica: Repercussões na Saturação de
Oxigênio e Fatores de Risco Associados à Hipoxemia*
Transportation of Patients to the Post-Anesthetic Recovery Room
without Supplemental Oxygen: Repercutions on Oxygen Saturation and
Risk Factors Associated with Hypoxemia
Giancarlo Marcondes1, Fábio Scalet Soeiro, TSA2, Eduardo de Abreu Ferreira3, Artur Udelsmann, TSA4

RESUMO terapia deve ser orientada pela presença desses fatores de risco,
Marcondes G, Soeiro FS, Ferreira EA, Udelsmann A – Transporte de ou pelo uso do oxímetro de pulso, com o intuito de diminuir a
Pacientes sem Oxigenoterapia para a Sala de Recuperação Pós- morbimortalidade e a incidência de hipoxemia no pós-operatório
Anestésica: Repercussões na Saturação de Oxigênio e Fatores de imediato.
Risco Associados à Hipoxemia.
Unitermos: COMPLICAÇÕES: hipoxemia; MONITORIZAÇÃO:
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O transporte de pacientes da sala oximetria de pulso; RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA: moni-
de cirurgia para a sala de recuperação pós-anestésica sem o uso torização.
de oxigenoterapia suplementar é prática comum, sendo utilizada
apenas em pacientes de alto risco para o desenvolvimento de hipo-
xemia. O objetivo deste estudo foi avaliar a incidência das altera- SUMMARY
ções na saturação de oxigênio durante esse transporte e identificar Marcondes G, Soeiro FS, Ferreira EA, Udelsman A – Transportation
os fatores de riscos associados ao desenvolvimento de hipoxemia. of Patients to the Post-Anesthetic Recovery Room without Sup-
plemental Oxygen: Repercussions on Oxygen Saturation and Risk
MÉTODO: Avaliou-se uma amostra de 882 pacientes de ambos os Factors Associated with Hypoxemia.
sexos, estado físico ASA I, II e III, submetidos a intervenções ci-
rúrgicas eletivas de várias especialidades e sob quatro técnicas BACKGROUND AND OBJECTIVES: The transportation of patients
anestésicas. A variável de saturação de oxigênio foi medida e re- from the operating room to the post-anesthetic recovery room without
gistrada imediatamente antes da saída da sala de cirurgia e, de supplemental oxygen is a common practice, since oxygen supple-
novo, na admissão na sala de recuperação pós-anestésica. mentation is used only in patients at high risk of developing hy-
poxemia. The objective of this study was to evaluate the incidence
RESULTADOS: Houve maior incidência de hipoxemia moderada/in- of changes in oxygen saturation during this transportation and to
tensa durante o transporte de pacientes do sexo feminino (14,47%), identify the risk factors associated to the development of hypoxemia.
nos pacientes estado físico ASA II e III (14,74% e 16,46%, respecti-
vamente) e naqueles submetidos a cirurgias cardiotorácicas METHODS: A cohort of 882 patients of both genders, physical
(28,21%), gastroproctológicas (14,18%) e de cabeça-pescoço status ASA I, II, and III, who underwent elective surgeries of several
(18,18%). A anestesia geral, entre as técnicas anestésicas empre- subspecialties using four different anesthetic techniques, was
gadas, foi fator de risco associado ao desenvolvimento de hipoxemia. evaluated. Oxygen saturation was measured and recorded just
before the patients left the operating room and as soon as they
CONCLUSÕES: Existem fatores associados à ocorrência de arrived in the recovery room.
hipoxemia durante o transporte da sala de cirurgia até a sala de
recuperação pós-anestésica. A utilização seletiva de oxigeno- RESULTS: There was a greater incidence of moderate to severe
hypoxia during the transport of female patients (14.47%), patients
* Recebido do (Received from) Departamento de Anestesiologia da Faculdade with physical status ASA II and III (14.74% and 16.46%, respec-
de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-UNICAMP), tively), and those who underwent cardiothoracic (28.21%), gastro-
Campinas, SP. proctologic (14.18%), and head and neck (18.18%) surgeries.
1. Anestesiologista do HC-UNICAMP. Among the anesthetic techniques used, general anesthesia was a
2. Anestesiologista; Co-Responsável pelo CET da Faculdade de Medicina de risk factor associated with the development of hypoxia.
Sorocaba (PUC-SP).
3. ME3 do CET/SBA da FCM-UNICAMP. CONCLUSIONS: There are factors associated with the develop-
4. Professor Doutor do Departamento de Anestesiologia da FCM-UNICAMP.
ment of hypoxia during the transportation of patients from the
Apresentado (Submitted) em 21 de setembro de 2005 operating room to the post-anesthetic recovery room. The selective
Aceito (Accepted) para publicação em 24 de abril de 2006 use of supplemental oxygen should be guided by the presence of
Endereço para correspondência (Correspondence to):
those risk factors or by the use of a pulse oxymeter, in order to
Dr. Artur Udelsmann reduce the morbidity, mortality, and the incidence of hypoxemia early
Av. Professor Atílio Martini, 213 in the post-operatory period.
13083-830 Campinas, SP
E-mail: artur@fcm.unicamp.br
Key Words: COMPLICATIONS: hipoxemia; MONITORIZATION: pulse
 Sociedade Brasileira de Anestesiologia, 2006. oximetry; POST-ANESTHETIC RECOVERY: monitorization.

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TRANSPORTE DE PACIENTES SEM OXIGENOTERAPIA PARA A SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA:
REPERCUSSÕES NA SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO E FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À HIPOXEMIA

INTRODUÇÃO normal (≥ 95%), hipoxemia leve (entre 91% e 95%), mode-


rada (entre 90% e 86%) e intensa (< 85%). Entendendo que

O impacto do ato anestésico-cirúrgico na função pulmo-


nar do paciente é responsável pelo desenvolvimento
de hipoxemia no período pós-operatório imediato1,2. Essa
mesmo os valores considerados moderados são inacei-
táveis, reuniu-se em um único grupo os pacientes que apre-
sentaram hipoxemia moderada e intensa. A SpO 2 foi
complicação pode ter maior prevalência em algumas situa- novamente verificada na admissão na SRPA.
ções, e o transporte para a sala de recuperação pós- Para verificar a relação entre a hipoxemia e as variáveis ca-
anestésica é um momento crítico 3. Para que se realizem tegóricas foi utilizado o teste Qui-quadrado, e entre hipoxe-
intervenções preventivas, com o intuito de diminuir a mia e variáveis contínuas, o teste de Kruskal-Wallis. O nível
morbimortalidade associada a esse transporte e, conse- significativo adotado foi de 5% ou p ≤ 0,05.
qüentemente, relacionada com a anestesia, torna-se funda-
mental o conhecimento dos fatores de risco associados ao RESULTADOS
aumento da incidência dessa complicação.
Em tempos de redução de custos, bem como de adoção de Os dados demográficos dos pacientes estão apresentados
condutas embasadas em evidências, o uso de oxigenote- na tabela I.
rapia suplementar deve ser orientado de forma racional; en- Dos pacientes estudados, 531 pacientes (60,2%) chegaram
tretanto, o risco das complicações potencialmente graves a SRPA com níveis de SpO2 considerados normais. Desen-
associadas à sua não-utilização não pode ser subestima- volveram quadro de hipoxemia leve, 245 pacientes (27,8%)
do4,5. Em estudo realizado em pacientes submetidos à in- e 106 pacientes (12%) apresentaram níveis considerados
tervenções cirúrgicas coloproctológicas 6 , evidências moderados/intensos (Tabela II).
recentes demonstraram que não apenas a prevenção da Houve maior incidência estatística de hipoxemia moderada/
hipoxemia é desejável, como a oxigenoterapia, no pós-ope- intensa em 56 pacientes do sexo feminino e hipoxemia leve
ratório imediato, pode melhorar o desfecho, reduzindo o ris- em 152 pacientes do sexo masculino (Tabela III).
co de infecção da ferida operatória e a incidência de náuseas Não houve correlação estatística significativa entre as dife-
e vômitos. Apesar desses conhecimentos, é prática comum rentes faixas etárias e hipoxemia (Tabela IV).
nesse meio o transporte de pacientes sem monitorização
adequada ou fornecimento de oxigênio adicional até a sala
de recuperação pós-anestésica (SRPA). Tabela I – Dados Demográficos
O objetivo deste estudo foi avaliar a incidência das alterações Freqüência %
na saturação periférica de oxigênio (SpO2) e correlacioná-la
com variáveis de interesse, com o intuito de identificar os Sexo
fatores de risco associados ao desenvolvimento de hipo- Feminino 387 43,9
xemia durante o transporte dos pacientes, sem oxigenote-
Masculino 495 56,1
rapia suplementar, da sala de cirurgia para a SRPA.
Idade
MÉTODO 0a2 49 5,6
3 a 14 183 20,8
Foram avaliados 882 pacientes, submetidos a quatro técnicas
anestésicas diferentes, para a realização de intervenções 15 a 65 561 63,3
cirúrgicas eletivas (exceto tocoginecológicas), em hospital > 65 89 10,1
universitário de nível terciário (HC-UNICAMP). Fizeram par- Estado físico
te do estudo pacientes de ambos os sexos, com idade en-
tre 0 e 88 anos, estado físico I, II ou III, segundo os critérios ASA I 423 47,9
da Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA). ASA II 380 43,1
Os pacientes que necessitaram de incremento na fração ASA III 79 9,0
inspirada de oxigênio durante o transporte, que permanece-
ram intubados no pós-operatório imediato, encaminhados
diretamente para a UTI ou submetidos a cirurgias de urgência
foram excluídos. Todos os pacientes que participaram do Tabela II – SpO2 e Freqüência
estudo foram transportados sob supervisão do anestesio-
SpO2 Freqüência %
logista responsável pelo procedimento anestésico realiza-
do e sem a utilização de oxigenoterapia suplementar. Normal 531 60,2
Verificou-se a saturação periférica de oxigênio por oxímetro Hipoxemia leve 245 27,8
de pulso imediatamente antes da saída da sala de cirurgia.
Hipoxemia moderada/intensa 106 12,0
A saturação da hemoglobina em O2 foi classificada como

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MARCONDES, SOEIRO, FERREIRA E COL.

Tabela III – SpO2 Versus Sexo


SpO2 Feminino Masculino

Normal 238 61,5% 293 59,19%


Hipoxemia leve 93 24,03% 152 30,71% *
Hipoxemia moderada/intensa 56 14,47% * 50 10,10%
Total 387 495

* p = 0,0280

Tabela IV – SpO2 Versus Idade


SpO2 Idades
0a2 3 a 14 15 a 65 > 65

Normal 29 (59,18%) 109 (59,56%) 344 (64,66%) 50 (56,18%)


Hipoxemia leve 17 (34,69%) 55 (30,05%) 147 (26,25%) 25 (28,09%)
Hipoxemia intensa/moderada 3 (6,12%) 19 (10,38%) 70 (12,50%) 14 (15,73%)
Total de pacientes 49 183 560 89

p = 0,547

Houve maior incidência de hipoxemia moderada/intensa te. Foram submetidos à anestesia geral com ou sem blo-
nos pacientes classificados como ASA II e III quando com- queio regional associado 737 pacientes (83,5%). Destes, 98
parados com os ASA I (Tabela V). pacientes apresentaram incidência de hipoxemia modera-
As técnicas anestésicas empregadas para a realização dos da/intensa estatisticamente superior, quando comparada
procedimentos cirúrgicos foram divididas em quatro grupos: com os pacientes que receberam bloqueio regional exclu-
anestesia geral, anestesia geral com bloqueio peridural, sivamente ou associação dessa técnica à sedação, sem
bloqueio regional com sedação e bloqueio regional somen- necessidade de intubação traqueal (Tabela VI).

Tabela V – SpO2 Versus Estado Físico (ASA)


SpO2 ASA I ASA II ASA III

Normal 282 (66,59%) 204 (53,68%) 46 (58,23%)


Hipoxemia leve 104 (24,64%) 120 (31,58)% 20 (25,32%)
Hipoxemia moderada/intensa 37 (8,77%) 56 (14,74%)* 13 (16,46)*
Total de pacientes 422 380 79

* p = 0,002

Tabela VI – SpO2 Versus Técnicas Anestésicas


SpO2 Técnicas Anestésicas
Geral Geral e Bloqueio Bloqueio e Sedação Bloqueio

Normal 354 (57,65%) 71 (58,20%) 60 (75,0%) 45 (69,23%)


Hipoxemia leve 176 (28,66%) 37 (30,33%) 18 (22,5%) 14 (21,54%)
Hipoxemia moderada/intensa 84 (13,68%)* 14 (11,48%)* 2 (2,5%) 6 (9,23%)
Total de pacientes e % 615 (69,7%) 122 (13,8%) 80 (9,1%) 65 (7,4%)

*p = 0,024

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TRANSPORTE DE PACIENTES SEM OXIGENOTERAPIA PARA A SALA DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA:
REPERCUSSÕES NA SATURAÇÃO DE OXIGÊNIO E FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À HIPOXEMIA

A duração da anestesia não apresentou correlação estatís- Quarenta e cinco pacientes, distribuídos entre as especia-
tica significativa com o desenvolvimento de hipoxemia duran- lidades cirúrgicas de cabeça-pescoço, cardiotorácicas e
te o transporte para a sala de recuperação pós-anestésica gastroproctológicas, apresentaram maior incidência de hipo-
(Tabela VII). xemia intensa no pós-operatório imediato, com diferença
estatística significativa (Tabela VIII).

Tabela VII – SpO2 Versus Duração da Anestesia


SpO2 Duração da Anestesia (horas)
0a1 1a2 2a4 >4

Normal 44 (57,14%) 183 (65,83%) 222 (57,07%) 82 (59,42%)


Hipoxemia leve 25 (23,74%) 66 (28,53%) 111 (31,16%) 43 (32,47%)
Hipoxemia moderada/intensa 8 (10,39%) 29 (10,43%) 56 (14,40%) 13 (9,42%)
Total de pacientes 77 248 389 138

p = 0,205

Tabela VIII – SpO2 Versus Especialidade Cirúrgica


Especialidades SpO2
Normal Hipoxemia Leve Hipoxemia Moderada/Intensa Total

Cabeça e pescoço 43 (55,84%) 20 (25,97%) 14 (18,18%)* 77


Cardiotorácica 16 (41,03%) 12 (30,77%) 11 (28,21%)* 39
Gastroproctológica 84 (59,57%) 37 (26,24%) 20 (14,18%)* 141
Neurológica 17 (73,91%) 4 (17,39%) 2 (8,70%) 23
Oftalmológica e ORL 91 (57,23%) 49 (30,82%) 19 (11,95%) 159
Ortopédica 87 (64,44%) 37 (27,41%) 11 (8,15%) 135
Pediátrica 40 (51,95%) 28 (36,36%) 9 (11,69%) 77
Plástica 48 (62,34%) 20 (25,97%) 9 (11,69%) 77
Urológica 73 (69,52%) 23 (21,90%) 9 (8,57%) 105
Vascular 32 (66,67%) 14 (29,17%) 2 (4,17%) 48

* p = 0,05

DISCUSSÃO alterações durante o período pós-operatório imediato é


multifatorial e engloba a sinergia entre a doença do pacien-
A curva de dissociação da hemoglobina constitui o padrão te, os efeitos da anestesia e as alterações causadas pelo
clinicamente utilizado para prever a pressão parcial de oxi- procedimento cirúrgico realizado. Pode-se citar a idade do
gênio a partir da saturação periférica de hemoglobina. A paciente, sua função pulmonar pré-operatória, a ação residual
hipoxemia é definida como redução do conteúdo arterial de dos anestésicos utilizados, a área cirúrgica envolvida no pro-
oxigênio e é diagnosticada por baixos níveis de PaO2 no san- cedimento, a duração da anestesia e o tipo de analgesia
gue arterial (abaixo de 60 mmHg) ou por diminuição da SpO2 pós-operatória empregada como os principais componen-
(abaixo de 95% ou decréscimo maior do que 5% do valor tes envolvidos e fundamentais nesse processo segundo a
inicial). Considera-se a hipoxemia como intensa quando a literatura8-11.
SpO2 está abaixo de 85%7. Os pacientes submetidos a cirurgias de abdômen superior
Os fatores implicados na diminuição do conteúdo arterial em e torácicas têm acentuada diminuição da capacidade resi-
oxigênio incluem todos aqueles que modificam a quantida- dual funcional no pós-operatório, bem como da capacidade
de de hemoglobina, a fração inspirada de oxigênio e a sa- vital, resultando em consideráveis distúrbios da relação ven-
turação fracional da oxihemoglobina. A gênese dessas tilação/perfusão. A disfunção diafragmática incidente no pós-

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MARCONDES, SOEIRO, FERREIRA E COL.

operatório é causada principalmente pelo efeito residual de gismo e etilismo) e sua associação à anestesia geral, téc-
bloqueadores neuromusculares e pela analgesia pós-ope- nica exclusivamente empregada nessa especialidade10.
ratória inadequada, responsáveis pela inibição reflexa do Quanto à técnica anestésica empregada, também houve
marca-passo fisiológico diafragmático4. concordância com os dados da literatura, seja pelo efeito
Histórico de roncos e apnéia durante o sono sugere forte- residual causado pelos anestésicos, seja pelas alterações
mente a presença de apnéia obstrutiva do sono (AOS), um ventilatórias impostas pela ventilação mecânica ou pelo tipo
importante fator de risco para apnéia seguida de hipoxemia de analgesia empregada para o controle da dor pós-opera-
no pós-operatório. Essa doença é responsável por episó- tória; 98 pacientes submetidos à anestesia geral apresen-
dios de hipoxemia episódica noturna e persistente, sendo taram maior incidência de hipoxemia intensa/moderada
agravada pelos distúrbios respiratórios fisiopatológicos do durante o transporte para a SRPA sem oxigenoterapia suple-
pós-operatório. A AOS é mais comum em homens, obesos mentar. Apesar de não haver diferença estatística significa-
e idosos, está associada à hipertensão arterial, disritmias tiva, bloqueios espinhais (peridural) parecem associar-se a
cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial menor incidência de hipoxemia intensa no pós-operatório13.
coronariana e infarto. A hipoxemia episódica noturna é asso- O comprometimento físico dos pacientes (ASA II e III), envol-
ciada ainda a eventos isquêmicos cardíacos e pode contribuir vendo a presença de comorbidades sistêmicas, também
para o aumento da freqüência de mortes pós-operatórias esteve associado à freqüência aumentada de eventos
ocorridas à noite1. hipoxêmicos durante o transporte, podendo ser considera-
Os problemas respiratórios do sono ocorrem no pós-ope- do fator de risco1,2,4.
ratório mesmo em pacientes sem história de AOS. Os agentes Esforços recentes têm sido feitos com o intuito de desen-
sedativos e analgésicos diminuem o tônus da hipofaringe, volver um índice de risco pulmonar para o desenvolvimento
a resposta ventilatória e o despertar, à hipóxia, à hipercarbia de insuficiência respiratória em pacientes cirúrgicos sub-
e à obstrução. A posição supina, rotineiramente empregada metidos à cirurgias não-cardíacas14. A grande dificuldade em
durante o transporte, bem como na SRPA, é mais um agra- elaborar esse tipo de medida preventiva encontra-se na não-
vante nessa situação1,4,8. uniformidade da amostra de pacientes em estudo, tornan-
O transporte dos pacientes para a SRPA marca o início do do o controle dos vieses algo impraticável.
período pós-operatório imediato. Os monitores de oxigênio, A maior incidência de hipoxemia moderada ou intensa no
para uso no peri-operatório, precisam estar em operação sexo feminino, tendo em vista a similaridade entre os gru-
contínua para detectar de forma precoce eventos adversos pos, foi um resultado aleatório; estudos direcionados para
e, idealmente, reduzir a morbidade anestésico-cirúrgica7. essa população são necessários para avaliar a sua consis-
Hoje a diminuição da SpO2 medida pelo oxímetro de pulso tência.
é o mais precoce e principal sinal de hipoxemia. Em recen- Os resultados obtidos neste estudo demonstraram que o
te metanálise publicada12, estudos confirmaram a necessi- risco de hipoxemia durante o transporte do paciente para a
dade do uso da oximetria de pulso para detectar hipoxemia sala de recuperação pós-anestésica foi real, freqüente e
no pós-operatório imediato e suas conseqüências. Além de poderia ser prevenido. A oximetria de pulso demonstrou ser
não-invasivo e custo efetivo, seu uso contribui para o aumento eficiente e confiável em diagnosticar precocemente a
da identificação precoce de eventos cardíacos decorrentes hipoxemia. Hoje, a diminuição da saturação de oxigênio
de episódios hipoxêmicos com redução na incidência de medida pelo oxímetro de pulso é o mais precoce e principal
isquemia miocárdica e bradicardia. Identifica também a sinal de hipoxemia no peri-operatório. Permite intervenção
eventual necessidade de oxigenoterapia após a alta da rápida e, em conjunto com os fatores de risco presentes,
SRPA e, assim, diminui a taxa de complicações e a mortali- seleciona qual população tem real necessidade do incre-
dade pós-operatória2,7,11,12. mento da fração inspirada de oxigênio, reduzindo assim a
Os resultados desse estudo reproduzem os fatores de ris- morbimortalidade pós-operatória.
co para o desenvolvimento de hipoxemia no pós-operatório. Nas condições desse estudo, concluiu-se que pacientes do
A intensidade da hipoxemia durante o período pós-operató- sexo feminino, estado físico ASA II e/ou III, presença de anes-
rio imediato está fortemente associada ao local da operação9. tesia geral e cirurgias gastroproctológicas, cardiotorácicas
As cirurgias de abdômen superior, aqui denominadas cirurgias e de cabeça e pescoço são importantes fatores de risco para
gastroproctológicas, apresentaram incidência de hipoxemia o desenvolvimento de hipoxemia durante o transporte para
moderada/intensa em 14,18% dos casos e cirurgias a SRPA. Deve-se orientar a seleção dos pacientes que podem
cardiotorácicas em 28,21%. Nessa instituição, a especialida- ser transportados sem o incremento da fração inspirada de
de de cirurgia de cabeça-pescoço é também responsável oxigênio com base nesses resultados. A monitorização é
pela realização de cirurgias oncológicas; os resultados en- necessária para a população específica de pacientes, com
contrados (18,18% de incidência de hipoxemia intensa/mo- risco aumentado para o desenvolvimento de hipoxemia e
derada) podem representar debilidade física e nutricional que deve, portanto, ser transportada sob oxigenoterapia su-
desses pacientes (alta incidência de idade avançada, taba- plementar.

356 Revista Brasileira de Anestesiologia


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TRANSPORTATION OF PATIENTS TO THE POST-ANESTHETIC RECOVERY ROOM WITHOUT SUPPLEMENTAL OXYGEN:
REPERCUTIONS ON OXYGEN SATURATION AND RISK FACTORS ASSOCIATED WITH HYPOXEMIA

ICU, or who underwent emergency surgeries were excluded.


Transportation of Patients to the Post- All patients participating in the study were transported under
Anesthetic Recovery Room without the supervision of the anesthesiologist who performed the
Supplemental Oxygen: Repercutions on anesthesia and without supplemental oxygen.
Oxygen Saturation and Risk Factors The peripheral oxygen saturation was measured using a pul-
se oxymeter just before leaving the surgical room. The hemo-
Associated with Hypoxemia
globin saturation was classified as normal (≥ 95%), mild
hypoxemia (between 91% and 95%), moderate (between
Giancarlo Marcondes, M.D.; Fábio Scalet Soeiro, TSA, M.D.;
86% and 90%), and severe (< 85%). Since even moderate
Eduardo de Abreu Ferreira, M.D.; Artur Udelsmann, TSA, M.D.
levels are not acceptable, the patients who presented
moderate to severe hypoxemia were considered as one
INTRODUCTION
group. The SpO2 was verified again when the patient arrived
at the recovery room.
The impact of surgical anesthesia on the patient’s lung
The Chi-square test was used to determine the relationship
function is responsible for the development of hypoxemia
between hypoxemia and the categorical variables, while the
early in the post-operatory period 1,2. This complication is
Kruskal-Wallis test was used to determine the relationship
more prevalent in some conditions, and the transportation to
between hypoxemia and the continual variables. The
the recovery room is a critical step3. To implement preventive
significant level adopted was 5% or p ≤ 0.05.
measures to decrease the morbidity and mortality associated
with this transportation and, consequently, with the anes-
RESULTS
thesia, it is important to be aware of the risk factors asso-
ciated with the increased incidence of this complication.
Table I shows the demographics data of the patient population.
In an era in which cost reduction is important, as well as
The SpO2 levels were considered normal in 531 patients
decision making based on solid evidence, the use of supple-
(60.2%) upon arrival in the recovery room. Two hundred and
mental oxygen must be done rationally; however, one should
forty five patients (27.8%) developed mild hypoxemia, and 106
not underestimate the risk of potentially severe com-
patients (12%) presented levels considered moderate/severe
plications caused by not using this treatment modality4,5. A
(Table II).
study with patients who underwent coloproctologic sur-
geries 6 showed that the prevention of hypoxemia by the
administration of supplemental oxygen early in the post-ope-
Table I – Demographics Data
ratory period is not the only goal, since it can also improve
the outcome by reducing the risk of infection of the surgical Frequency %
wound and the incidence of nausea and vomiting. In spite of Gender
what is known, it is common practice to transport the patient
Female 387 43.9
to the recovery room without adequate monitoring or the
Male 495 56.1
administration of supplemental oxygen.
The objective of this study was to evaluate the incidence of Age
the changes in the peripheral saturation of oxygen (SpO2) 0 to 2 49 5.6
and relate it to several variables in order to identify the risk 3 to 14 183 20.8
factors associated with the development of hypoxemia during 15 to 65 561 63.3
the transportation of patients to the recovery room without > 65 89 10.1
supplemental oxygen. Physical status
ASA I 423 47.9
METHODS
ASA II 380 43.1
ASA III 79 9.0
Eight hundred and eighty two patients who underwent elective
surgeries (except toco-gynecologic) using four different
anesthetic techniques in a tertiary university hospital (HC-
UNICAMP) were evaluated. This study included patients of Table II – SpO2 and Frequency
both genders, whose ages varied from 0 to 88, and physical
SpO2 Frequency %
status I, II, or III according to the criteria of the American Society
of Anesthesiologists (ASA). Normal 531 60.2
Patients who needed and increase in the fraction of inspired Mild hypoxemia 245 27.8
oxygen during the transport, who remained intubated in the
Moderate/severe hypoxemia 106 12.0
immediate postoperative period, who were transferred to the

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MARCONDES, SOEIRO, FERREIRA ET AL.

There was a greater incidence of moderate/severe hypoxe- with or without regional blockade. Of those, 98 developed
mia in 56 female patients and mild hypoxemia in 152 male moderate/severe hypoxemia, which was statistically signifi-
patients (Table III). cant when compared to the patients who received regional
There was no statistically significant correlation among the blockade alone or associated with sedation that did not
different age groups and the development of hypoxemia require tracheal intubation (Table VI).
(Table IV). The duration of anesthesia did not have a statistically sig-
The incidence of moderate/severe hypoxemia was greater in nificant correlation with the development of hypoxemia during
the patients classified as ASA II and III when compared to the the transportation to the recovery room (Table VII).
patients ASA I (Table V). Forty-five patients distributed among the surgical subspe-
The anesthetic techniques used for the surgical procedures cialties of head and neck, cardiothoracic, and gastro-proc-
were divided in four groups: general anesthesia, general tologic had a greater incidence of severe hypoxemia in the
anesthesia with epidural anesthesia; regional blockade with immediate post-operatory period, which was statistically
sedation, and regional blockade alone. Seven hundred and significant (Table VIII).
thirty seven patients (83.5%) received general anesthesia

Table III – SpO2 Versus Gender


SpO2 Female Male

Normal 238 61.5% 293 59.19%


Mild hypoxemia 93 24.03% 152 30.71%*
Moderate/severe hypoxemia 56 14.47%* 50 10,10%
Total 387 495

*p = 0.0280

Table IV – SpO2 Versus Age


SpO2 Age
0 to 2 3 to 14 15 to 65 > 65

Normal 29 109 344 50


59.18% 59.56% 64.66% 56.18%
Mild hypoxemia 17 55 147 25
34.69% 30.05% 26.25% 28.09%
Severe/moderate hypoxemia 3 19 70 14
6.12% 10.38% 12.50% 15.73%
Total number of patients 49 183 560 89

p = 0.547

Table V – SpO2 Versus Physical Status (ASA)


SpO2 ASA I ASA II ASA III

Normal 282 (66.59%) 204 (53.68%) 46 (58.23%)


Mild hypoxemia 104 (24.64%) 120 (31.58%) 20 (25.32%)
Moderate/severe hypoxemia 37 (8.77%) 56 (14.74%)* 13 (16.46%)*
Total number of patients 422 380 79

*p = 0.002

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TRANSPORTATION OF PATIENTS TO THE POST-ANESTHETIC RECOVERY ROOM WITHOUT SUPPLEMENTAL OXYGEN:
REPERCUTIONS ON OXYGEN SATURATION AND RISK FACTORS ASSOCIATED WITH HYPOXEMIA

Table VI – SpO2 Versus Anesthetic Techniques


SpO2 Anesthetic Techniques
General General and Blockade Blockade and Sedation Blockade

Normal 354 (57.65%) 71 (58.20%) 60 (75.0%) 45 (69.23%)


Mild hypoxemia 176 (28.66%) 37 (30.33%) 18 (22.5%) 14 (21.54%)
Moderate/severe hypoxemia 84 (13.68%)* 14 (11.48%)* 2 (2.5%) 6 (9.23%)
Total number of patients 615 (69.7%) 122 (13.8%) 80 (9.1%) 65 (7.4%)

*p = 0.024

Table VII – SpO2 Versus Duration of the Anesthesia


SpO2 Duration of the Anesthesia (hours)
0 to 1 1 to 2 2 to 4 >4

Normal 44 (57.14%) 183 (65.83%) 222 (57.07%) 82 (59.42%)


Mild hypoxemia 25 (23.74%) 66 (28.53%) 111 (31.16%) 43 (32.47%)
Moderate/severe hypoxemia 8 (10.39%) 29 (10.43%) 56 (14.40%) 13 (9.42%)
Total number of patients 77 248 389 138

p = 0.205

Table VIII – SpO2 Versus Surgical Subspecialty


Subspecialty SpO2
Normal Mild Hypoxemia Moderate/Severe Hypoxemia Total

Head and neck 43 (55.84%) 20 (25.97%) 14 (18.18%)* 77


Cardiothoracic 16 (41.03%) 12 (30.77%) 11 (28.21%)* 39
Gastroproctologic 84 (59.57%) 37 (26.24%) 20 (14.18%)* 141
Neurologic 17 (73.91%) 4 (17.39%) 2 (8.70%) 23
Ophthalmologic and ENT 91 (57.23%) 49 (30.82%) 19 (11.95%) 159
Orthopedic 87 (64.44%) 37 (27.41%) 11 (8.15%) 135
Pediatric 40 (51.95%) 28 (36.36%) 9 (11.69%) 77
Plastic 48 (62.34%) 20 (25.97%) 9 (11.69%) 77
Urologic 73 (69.52%) 23 (21.90%) 9 (8.57%) 105
Vascular 32 (66.67%) 14 (29.17%) 2 (4.17%) 48

*p = 0.05

DISCUSSION initial value). Severe hypoxemia is defined by a SpO2 value


below 85%7.
The hemoglobin dissociation curve is the clinical standard The factors implicated in the reduction of the arterial content
used to predict the partial pressure of oxygen from the of oxygen include all those that change the amount of
determination of the peripheral saturation of hemoglobin. hemoglobin, the inspired fraction of oxygen, and the
Hypoxemia is defined as a reduction of the arterial oxygen fractionated saturation of oxyhemoglobin. The genesis of the
content, being diagnosed by the presence of low levels of changes occurring during the immediate postoperative
PaO2 in the arterial blood (below 60 mmHg) or by a reduction period is multifactorial, including the synergy of the patient’s
in the SpO2 (below 95% or a reduction greater than 5% of the disease, the effects of anesthesia, and the changes caused

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Vol. 56, No 4, Julho-Agosto, 2006
MARCONDES, SOEIRO, FERREIRA ET AL.

by the surgery itself. According to the literature8-11, the funda- strongly associated with the site of the surgery9. Surgeries in
mental components involved in that process are the age of the superior abdomen, here referred to as gastroproctologic
the patient, his/her preoperative lung function, the residual surgeries, had moderate/severe hypoxemia in 14.18% of the
action of the anesthetics used, the site of the surgery, the patients, and the cardiothoracic surgeries in 28.21% of the
duration of the anesthesia, and the type of postoperative cases. In our institution, the service of head and neck surgery
analgesia used. is also responsible for oncologic surgeries; the results found
Patients who underwent surgeries of the upper abdomen (18.18% of the cases presented moderate/severe hypo-
and the thorax have marked reduction of the residual func- xemia) may represent the physical and nutritional fragility of
tional lung capacity in the postoperative, as well as of the vi- those patients (high incidence of patients with advanced age,
tal capacity, affecting considerably the ventilation/perfusion smoking, and alcoholism) and the association with general
relationship. The diaphragmatic dysfunction that occurs in anesthesia, which is the only one used in this specialty10.
the postoperative period is caused, mainly, by the residual As for the anesthetic technique used, our study reproduced
effects of neuromuscular blockers, and by the inadequate the data found in the literature, which includes the residual
postoperative analgesia, which are responsible for the reflex effects of the anesthetics, the ventilatory changes imposed
inhibition of the physiologic diaphragmatic pacemaker4. by mechanical ventilation, or the type of analgesia used to
A history of snore and apnea during sleep suggests stron- control the postoperative pain; 98 patients who underwent
gly the presence of obstructive sleep apnea, an important risk general anesthesia presented severe/moderate hypoxemia
factor for postoperative apnea leading to hypoxemia. This during the transportation to the recovery room without sup-
disease is responsible for instances of episodic nocturnal plemental oxygen. Epidural blockades seem to be as-
and persistent hypoxemia, which is worsened by the physio- sociate with a smaller incidence of severe postoperative
pathologic respiratory disturbances occurring in the posto- hypoxemia, even though the difference was not statistically
perative period. Obstructive sleep apnea is more common in significant13.
obese, elderly men, is associated with hypertension, cardiac The physical compromise of the patients (ASA II and III)
arrhythmias, congestive heart disease, coronary artery involving the presence of systemic comorbidities was also
disease, and myocardial infarction. Episodic nocturnal associated with a higher frequency of hypoxemia during the
hypoxemia is also associated with ischemic cardiac events, transportation, and can be considered a risk factor1,2,4.
and may contribute to the increased frequency of postope- Recent efforts have been made to establish a pulmonary risk
rative deaths occurring at night1. index for the development of respiratory deficiency in patients
Respiratory sleep problems occur in the postoperative period who undergo non-cardiac surgeries14. The greater difficulty
even in patients without a prior history of obstructive sleep in elaborating this type of preventive measure is the non-
apnea. Sedatives and analgesics diminish the tonus of the uniformity of the patient cohort being studied, making it im-
hypopharynx, the ventilatory response, and awakening possible to control the biases.
stimulated by hypoxia, increased CO2 level, and obstruction. Due to the similarity among the groups, the higher incidence
The supine position, frequently used while transporting of moderate or severe hypoxemia in female patients was a
patients and in the recovery room, is another factor that random result; further studies on this population are neces-
makes this situation worse1,4,8. sary to evaluate this event.
The immediate postoperative period starts when the patient The results of our study showed that the risk of hypoxemia
is taken to the recovery room. The oxygen monitors to be during the transportation of the patient to the recovery room is
used in the perioperative period must operate continuously real, frequent, and can be prevented. It demonstrated that pul-
for the early detection of adverse events and, ideally, reduce se oxymetry is an effective and reliable tool for the early
the anesthetic-surgical morbidity7. Currently, the reduction of diagnosis of hypoxemia. Currently, the reduction of the oxygen
the SpO2 measured by the pulse oxymeter is the earliest and saturation measured by the pulse oxymeter is the earliest and
main sign of hypoxemia. A metanalysis published recently12 main sign of hypoxemia in the postoperative period. It allows
showed that several studies confirmed the need to use pul- for fast intervention and, along with the risk factors present,
se oxymetry to detect hypoxemia and its consequences in the selects which population actually needs an increased fraction of
immediate postoperative period. Besides being a non- inspired oxygen, therefore reducing the postoperative morbi-
invasive and cost effective tool, it contributes to the early dity and mortality. This study concluded that female patients,
detection of cardiac events secondary to hypoxic events, patients with ASA II and/or III, the presence of general anes-
reducing myocardial ischemia and bradycardia. It also iden- thesia and gastroproctologic, cardiothoracic, and head and
tifies the occasional need for supplemental oxygen therapy neck surgeries are important risk factors for hypoxemia during
after the discharge from the recovery room, thus reducing the the transportation to the recovery room. The selection of the
rate of complications and the postoperative mortality2,7,11,12. patient that can be transported without supplemental oxygen
The results of this study reproduce the risk factors for the should be based on those results. It is necessary to monitor
development of postoperative hypoxia. The severity of the the population of patients with increased risk for hypoxemia,
hypoxemia during the immediate postoperative period is who should be transported with supplemental oxygen.

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TRANSPORTATION OF PATIENTS TO THE POST-ANESTHETIC RECOVERY ROOM WITHOUT SUPPLEMENTAL OXYGEN:
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