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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUL DE MINAS – UNIS/MG

ENGENHARIA CIVIL
MATEUS HENRIQUE MEDEIROS

DIMENSIONAMENTO GEOTÉCNICO E ESTRUTRAL DE MURO DE GABIÃO


COMO ALTERNATIVA PARA CONTENÇÃO DE CONCRETO CICLÓPICO

Varginha – MG
2018
MATEUS HENRIQUE MEDEIROS

DIMENSIONAMENTO GEOTÉCNICO E ESTRUTRAL DE MURO DE GABIÃO


COMO ALTERNATIVA PARA CONTENÇÃO DE CONCRETO CICLÓPICO

Trabalho apresentado ao curso de Engenharia Civil do


Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS/MG como
pré-requisito para obtenção do grau de bacharel, sob
orientação do Prof. Me. João Marcos Guimarães Rabelo.

Varginha – MG
2018
MATEUS HENRIQUE MEDEIROS

DIMENSIONAMENTO GEOTÉCNICO E ESTRUTRAL DE MURO DE GABIÃO


COMO ALTERNATIVA PARA CONTENÇÃO DE CONCRETO CICLÓPICO

Monografia apresentada ao curso de Engenharia Civil do


Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS/MG, como
pré-requisito para obtenção do grau de bacharel pela
Banca Examinadora composta pelos membros:

Aprovado em / /

Prof. Me. João Marcos Guimarães Rabelo.

Prof.

Prof.

OBS:
Dedico este trabalho ao Pai Celestial, por todas
as oportunidades que me foram concedidas; à
minha família, pelo incessante apoio e
incentivo ao longo da vida e aos amigos de
curso, cujos momentos compartilhados ficarão
eternizados na memória.
“Aprender é a única coisa de que a mente nunca
se cansa, nunca tem medo e nunca se
arrepende.”
Leonardo da Vinci
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Terminologia dos muros. .......................................................................................... 15


Figura 2: Cortina de contenção em subsolo.............................................................................. 16
Figura 3: Estacas prancha. ........................................................................................................ 17
Figura 4: Muro de flexão. ......................................................................................................... 18
Figura 5: Muro de perfis de gravidade. .................................................................................... 19
Figura 6: Muros de pedra. ........................................................................................................ 19
Figura 7: Muro de gabião. ........................................................................................................ 20
Figura 8: Pré-dimensionamento muros de gravidade. .............................................................. 21
Figura 9: Esquemas do atrito entre dois corpos. ....................................................................... 22
Figura 10: Comparação entre grãos de areia e argila, respectivamente. .................................. 24
Figura 11: Curva intrínseca de ruptura e círculo de Mohr. ...................................................... 25
Figura 12: Equação de Coulomb graficamente. ....................................................................... 25
Figura 13: Critério Mohr-Coulomb. ......................................................................................... 26
Figura 14: Ensaio triaxial. ........................................................................................................ 28
Figura 15: Resultados gráficos do ensaio triaxial. .................................................................... 28
Figura 16: Sequência das etapas do ensaio SPT. ...................................................................... 29
Figura 17: Pressão no repouso. ................................................................................................. 33
Figura 18: Pressão ativa. ........................................................................................................... 34
Figura 19: Pressão passiva. ....................................................................................................... 35
Figura 20: Teoria de Rankine. .................................................................................................. 36
Figura 21: Diagrama de pressões laterais em solos coesivos pela Teoria de Rankine. ............ 37
Figura 22: Superfície de deslizamento pela Teoria de Coulomb.............................................. 38
Figura 23: Teoria de Coulomb. ................................................................................................ 39
Figura 24: Sistemas de drenagem – dreno vertical. .................................................................. 42
Figura 25: Comportamento tensão-deformação-tempo (modelo elástico). .............................. 43
Figura 26: Comportamento tensão-deformação-tempo (modelo plástico). .............................. 44
Figura 27: Comportamento tensão-deformação-tempo (modelo viscoso). .............................. 45
Figura 28: Coeficiente de Poisson. ........................................................................................... 46
Figura 29: Taludes. ................................................................................................................... 47
Figura 30: Elementos do talude. ............................................................................................... 47
Figura 31: Superfície de ruptura circular. ................................................................................. 48
Figura 32: Método das fatias. ................................................................................................... 49
Figura 33: Princípios do Método de Morgenstern & Price. ..................................................... 50
Figura 34: Forças atuantes em fatia de largura infinitesimal.................................................... 51
Figura 35: Tipos de ruptura em muros de contenção. .............................................................. 53
Figura 36: Área da seção transversal a ser considerada. .......................................................... 54
Figura 37: Segurança contra o deslizamento. ........................................................................... 56
Figura 38: Medidas para aumentar o FS contra o deslizamento da base do muro. .................. 58
Figura 39: Segurança contra o tombamento. ............................................................................ 59
Figura 40: Segurança contra a ruptura da fundação. ................................................................ 61
Figura 41: Diagrama de pressões na base. ................................................................................ 62
Figura 42: Propagação da tensão na fundação.......................................................................... 65
Figura 43: Ruptura global. ........................................................................................................ 69
Figura 44: Esquema de montagem do gabião tipo caixa. ......................................................... 71
Figura 44: Esquema de montagem do gabião tipo saco. .......................................................... 72
Figura 44: Esquema de montagem do gabião tipo colchão reno. ............................................. 72
Figura 44: Planta de situação. ................................................................................................... 73
Figura 45: Características do talude. ........................................................................................ 75
Figura 46: Caracterização do tipo de solo usado no aterro....................................................... 76
Figura 47: Resultado da análise de estabilidade do talude. ...................................................... 77
Figura 48: Soluções para instabilizações de taludes. ................................................................ 78
Figura 49: Características geométricas do muro de gabião. ..................................................... 79
Figura 50: Caracterização das camadas de solo da fundação. .................................................. 81
Figura 51: Verificação contra a ruptura global. ........................................................................ 89
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Características dos solos sem coesão (arenosos). ..................................................... 30


Tabela 2: Características dos solos com coesão (argilosos). .................................................... 30
Tabela 3: Peso específico dos solos argilosos. ......................................................................... 31
Tabela 4: Peso específico dos solos arenosos. .......................................................................... 31
Tabela 5: Coeficiente de Poisson.............................................................................................. 46
Tabela 6: Peso específico das rochas. ....................................................................................... 55
Tabela 7: Peso das telas do gabião (kgf/m³) ............................................................................. 67
Tabela 8: Parâmetros de solo adotados na análise do talude. ................................................... 75
Tabela 9: Características geométricas para dimensionamento do muro de gabião. ................. 80
Tabela 10: Parâmetros do solo arrimado e características do gabião. ...................................... 80
Tabela 11: Parâmetros do solo da fundação. ............................................................................ 81
Tabela 12: Valores iniciais de cálculo. ..................................................................................... 82
Tabela 13: Verificação do deslizamento. ................................................................................. 82
Tabela 14: Verificação do tombamento.................................................................................... 83
Tabela 15: Tensão máxima atuante. ......................................................................................... 83
Tabela 16: Tensão admissível (Solos 1, 2, 3, 4 e 5). ................................................................ 83
Tabela 17: Tensão admissível (Solo 6). ................................................................................... 84
Tabela 18: Tensão admissível (Solo 7). ................................................................................... 84
Tabela 19: Verificação seção intermediária 01 – h = 14,00 m. ................................................ 85
Tabela 20: Verificação seção intermediária 02 – h = 13,00 m. ................................................ 85
Tabela 21: Verificação seção intermediária 03 – h = 12,00 m. ................................................ 85
Tabela 22: Verificação seção intermediária 04 – h = 11,00 m. ................................................ 86
Tabela 23: Verificação seção intermediária 05 – h = 10,00 m. ................................................ 86
Tabela 24: Verificação seção intermediária 06 – h = 9,00 m. .................................................. 86
Tabela 25: Verificação seção intermediária 07 – h = 8,00 m. .................................................. 86
Tabela 26: Verificação seção intermediária 08 – h = 7,00 m. .................................................. 87
Tabela 27: Verificação seção intermediária 09 – h = 6,00 m. .................................................. 87
Tabela 28: Verificação seção intermediária 10 – h = 5,00 m. .................................................. 87
Tabela 29: Verificação seção intermediária 11 – h = 4,00 m. .................................................. 87
Tabela 30: Verificação seção intermediária 12 – h = 3,00 m. .................................................. 88
Tabela 31: Verificação seção intermediária 13 – h = 2,00 m. .................................................. 88
Tabela 32: Verificação seção intermediária 14 – h = 1,00 m. .................................................. 88
Tabela 33: Resumo das principais verificações. ....................................................................... 89
Tabela 34: Comparação de consumo dos principais materiais. ................................................ 91
RESUMO

O presente trabalho aborda as análises de segurança necessárias em uma estrutura de


contenção por gravidade de gabião. Tem por objetivo caracterizar os principais tipos de muro,
discutir sobre os parâmetros de solo necessários ao dimensionamento (ângulo de atrito interno,
coesão e peso específico), bem como os ensaios e as correlações para a obtenção de tais valores
na ausência de ensaios específicos, além de apresentar as equações clássicas para o cálculo dos
esforços. Também são abordados alguns conceitos geotécnicos, como o comportamento tensão-
deformação dos solos e os métodos de ruptura de taludes. No que tange diretamente o problema,
têm-se as verificações da estabilidade necessárias neste tipo de estrutura, provendo segurança
contra: o deslizamento da base, o tombamento do muro, a ruptura da fundação, a ruptura interna
entre os blocos de pedra e, por último, a ruptura global do maciço de terra. O estudo de caso é
ambientado na Pedreira Santo Antonio em Varginha – MG onde, em função dos processos
produtivos, se faz necessária a adaptação de maneira segura de uma encosta com desnível de
13 metros. Os dados obtidos (ensaios SPT e características geométricas do local) propiciaram
a elaboração da análise de estabilidade de um possível talude, recomendado como alternativa
primária aos problemas com essa característica. Através da comparação entre o resultado
obtido, com os valores mínimos exigidos por norma, são apresentadas as demais opções para
solução, figurando entre elas, as estruturas de contenção. A escolha para o dimensionamento
através de gabiões se deu em razão da abundância e da possibilidade de produção do recurso
principal deste tipo de estrutura (pedra britada) por parte da empresa, já mencionada,
interessada em sua construção. Além dos resultados de cálculo obtidos e das discussões
pertinentes, é apresentada uma análise comparativa de material em relação ao projeto executivo
da estrutura em concreto ciclópico existente.

Palavras-chave: Contenção. Gabião. Muro de peso. Estabilidades.


ABSTRACT

The present work deals with the necessary safety analyzes in a gabion gravity
containment structure. The objective of this work is to characterize the main types of wall, to
discuss the soil parameters necessary for the design (angle of internal friction, cohesion and
specific weight), as well as the tests and correlations to obtain such values in the absence of
specific tests, besides presenting the classical equations for the calculation of the efforts. Some
geotechnical concepts are also discussed, such as the tension-deformation behavior of soils and
the methods of slope rupture. Regarding the problem directly, the necessary stability checks on
this type of structure are provided, providing security against: base slippage, wall tipping,
foundation rupture, internal rupture between stone blocks and, for last, the global rupture of
the land mass. The case study is set in the Pedreira Santo Antonio in Varginha - MG where,
due to the productive processes, it is necessary to safely adapt a slope with a 13 meter slope.
The data obtained (SPT tests and geometric characteristics of the site) led to the elaboration of
stability analysis of a possible slope, recommended as a primary alternative to problems with
this characteristic. By comparing the result obtained with the minimum values required by
standard, the other options for solution are presented, including the containment structures.
The choice for sizing through gabions was due to the abundance and possibility of production
of the main feature of this type of structure (crushed stone) by the company, already mentioned,
interested in its construction. In addition to the calculation results obtained and the relevant
discussions, a comparative material analysis is presented in relation to the executive design of
the existing concrete structure.

Keywords: Containment. Gabion. Wall of weight. Stability.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 13
1.1 Justificativa ....................................................................................................................... 13
1.2 Objetivos ............................................................................................................................ 14
1.2.1. Gerais .............................................................................................................................. 14
1.2.2 Específicos ....................................................................................................................... 14
1.3 Metodologia ....................................................................................................................... 14

2 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 15


2.1 Conceituação ..................................................................................................................... 15
2.2 Tipos de contenções .......................................................................................................... 15
2.2.1. Muros em forma de cortina ............................................................................................ 16
2.2.2. Muros de concreto armado ............................................................................................. 17
2.2.3. Muros de peso ................................................................................................................. 18
2.3 Parâmetros de resistência ................................................................................................ 22
2.3.1. Atrito............................................................................................................................... 22
2.3.2. Coesão ............................................................................................................................ 23
2.3.3. Critérios de ruptura de Mohr-Coulomb .......................................................................... 24
2.3.4. Resistência ao cisalhamento ........................................................................................... 26
2.3.5. Ensaios de campo e laboratório ...................................................................................... 27
2.3.6. Correlações com o índice de resistência à penetração .................................................... 30
2.4 Empuxos de terra ............................................................................................................. 32
2.4.1. Equilíbrio plástico – repouso, ativo e passivo ................................................................ 32
2.4.2. Teoria de Rankine ........................................................................................................... 35
2.4.3. Teoria de Coulomb ......................................................................................................... 38
2.4.4. Influência da sobrecarga ................................................................................................. 40
2.4.5. Influência da água ........................................................................................................... 41
2.5 Comportamento tensão-deformação dos solos .............................................................. 42
2.5.1. Modelo elástico .............................................................................................................. 43
2.5.2. Modelo plástico .............................................................................................................. 44
2.5.3. Modelo viscoso ............................................................................................................... 44
2.5.4. Modelos combinados ...................................................................................................... 45
2.5.5 Coeficiente de Poisson .................................................................................................... 46
2.6 Taludes............................................................................................................................... 47
2.6.1. Métodos para análise de estabilidade de taludes ............................................................ 48
2.6.2. Método do equilíbrio limite ............................................................................................ 48
2.6.3. Método dos elementos finitos ......................................................................................... 51
2.6.4. Fatores de segurança mínimos para estabilidade de taludes........................................... 52
2.7 Análises de estabilidade para estruturas de contenção em gabião .............................. 53
2.7.1. Determinação do peso do muro ...................................................................................... 54
2.7.2. Deslizamento .................................................................................................................. 56
2.7.3. Tombamento ................................................................................................................... 58
2.7.4. Ruptura da fundação ....................................................................................................... 61
2.7.5. Ruptura interna ............................................................................................................... 66
2.7.6. Ruptura global ................................................................................................................ 68
2.8 Muro de Gabião ................................................................................................................ 69
2.8.1. Vantagens do gabião ....................................................................................................... 70
2.8.2. Tipos de gabiões ............................................................................................................. 71
3 METODOLOGIA................................................................................................................ 73
3.1 Etapas para desenvolvimento .......................................................................................... 74

4 DIRETRIZES PARA O ESTUDO DE CASO .................................................................. 75


4.1 Verificação de estabilidade do talude ............................................................................. 76
4.2 Soluções possíveis para instabilizações de taludes ......................................................... 77
4.3 Parâmetros para o dimensionamento do muro de gabião ............................................ 79

5 RESULTADO DAS VERIFICAÇÕES DE ESTABILIDADE DO GABIÃO................ 82


5.1 Deslizamento ..................................................................................................................... 82
5.2 Tombamento ..................................................................................................................... 82
5.3 Ruptura da fundação ....................................................................................................... 83
5.4 Ruptura interna ................................................................................................................ 85
5.5 Ruptura global .................................................................................................................. 88
5.6 Resumo e discussão das principais verificações ............................................................. 89
6 ANÁLISE DE VIABILIDADE E COMPARAÇÃO DOS MODELOS.......................... 91
CONCLUSÃO......................................................................................................................... 92
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 93
ANEXO A – Fotografias da execução do muro (ROTEV, 2014) ....................................... 96
ANEXO B – Ensaio de solo S.P.T. (JBUENO, 2017)........................................................... 98
13

1 INTRODUÇÃO

Desde os primórdios, quando o Homem abandonou os hábitos nômades e passou a viver


em pequenas cidades, surgiu a necessidade de adaptação do solo para a criação das construções.
Com isso, sempre que se deparava com a obrigação de vencer diferenças de níveis, impedindo
o perfil natural do terreno de atuar livremente, desencadeou o desenvolvimento de uma técnica
de engenharia que ainda é utilizada nos dias atuais, conhecida como muros de contenção.
Tais estruturas podem ser de vários tipos: gravidade (construídos de concreto, gabiões,
alvenaria ou pneus), de flexão (com ou sem contraforte) e com ou sem tirantes. A melhor
alternativa a ser tomada está ligada com a magnitude dos esforços de terra que atuam no muro
(força denominada empuxo), altura da contenção e fatores característicos do solo.
No entanto, o dimensionamento a partir dos pontos mencionados não é o único fator a
ser levado em consideração para um bom desempenho (qualidade e custo-benefício), pois ainda
se faz necessária a verificação da estabilidade do muro perante possíveis casos de ruptura. Com
isso, o presente trabalho visa apresentar as questões de cálculo estrutural e, posteriormente,
direcionar o enfoque para as condições de equilíbrio da contenção.
O capítulo 2 apresenta todo material pesquisado, compreendendo o referencial teórico.
Questões como a tipologia dos muros, parâmetros de resistência necessários nos cálculos, além
das teorias para obtenção dos esforços são amplamente abordadas. Além disso, critérios
geotécnicos pertinentes e a forma que devem se proceder as verificações de segurança também
figuram entre os assuntos
Os capítulos 3 e 4 trabalham a metodologia, bem como as diretrizes para o estudo de
caso a ser analisado. É possível o leitor compreender a situação-problema, os modelos de
cálculos a serem seguidos e os parâmetros adotados para esta condição.
Por fim, nos itens 5 e 6, se sucedem os resultados da jornada de cálculos, apresentados
de modo claro e completo. Há também a explanação comparativa entre a modelo dimensionado
no presente trabalho e a estrutura existente, ponderando as principais características em cada
uma delas.

1.1 Justificativa

O estudo de caso proposto busca atender as exigências para o correto funcionamento de


um muro de contenção de gabião (alternativo ao existente em concreto ciclópico) onde não há
a possibilidade de construção de um talude. Mais especificamente, houve a determinação deste
14

tipo de estrutura para estudo devido a produção da matéria-prima neste tipo de estrutura (pedra
britada) no local onde o mesmo está instalado, Pedreira Santo Antonio.

1.2 Objetivos

1.2.1. Gerais

Aplicar conceitos referentes à análise de estruturas de contenção de gabião, abrangendo


desde as análises do solo envolvido no problema até o dimensionamento final da geometria,
onde todas as verificações de segurança são concluídas.

1.2.2 Específicos

 Elaborar referência bibliográfica sobre o tema;


 Vincular dados do estudo de caso aos conhecimentos teóricos;
 Buscar familiaridade com ferramentas computacionais auxiliares;
 Compreender o dimensionamento de estruturas de contenção por gravidade de gabião;
 Apresentar a importância das verificações de segurança.

1.3 Metodologia

A primeira etapa se dá em função da pesquisa das referências bibliográficas para


fomentar o estudo, encontrando-se dispostas em livros, artigos, normas técnicas, apostilas e
afins. Todo o material relacionado se mostra importante para a elaboração do referencial
teórico. Em paralelo, o levantamento de dados disponíveis acerca do estudo de caso é necessário
para a concretização do tema e posterior utilização no problema.
Em seguida, procederá para a explanação da situação e apresentação dos devidos
detalhes em relação ao estudo de caso, com intuito de oferecer um embasamento para o tema
proposto.
Por fim, serão feitas as análises do solo presente no local da construção através de
ensaios de campo, culminando no dimensionamento sob a ótica geotécnica e estrutural da
estrutura de gabião. Além disso, tem-se a análise de viabilidade da solução proposta, cujo
embasamento se dá através de parâmetros técnicos.
15

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Conceituação

De acordo com Barros (2014), estruturas de contenção ou de arrimo são obras civis
construídas com a finalidade de prover estabilidade contra a ruptura de maciços de terra ou
rocha. São estruturas que fornecem suporte a estes maciços e evitam o escorregamento causado
pelo seu peso próprio ou por carregamentos externos.
Para Moliterno (1994), muro de arrimo nada mais é do que um detalhe localizado, nas
obras de estabilização de encostas nas regiões montanhosas, junto às edificações, estradas ou
ruas.
Gerscovich (2010) relata que muros são estruturas corridas de contenção de parede
vertical ou quase vertical, apoiadas em uma fundação rasa ou profunda. Podem ser construídos
em alvenaria (tijolos ou pedras) ou em concreto (simples ou armado), ou ainda, de elementos
especiais. A autora ainda ilustra a terminologia conforme a Figura 1.

Figura 1: Terminologia dos muros.

Fonte: Gerscovich, 2010.

2.2 Tipos de contenções

Marangon (2004) ressalta que a escolha adequada do tipo de obra implica uma correta
avaliação das características do meio físico (tipos e características dos materiais, inclinação da
encosta, condições hidrogeológicas, etc.) e dos processos de instabilização envolvidos, pois cada
obra tem eficiência restrita para certas condições e faixas de solicitação.
Moliterno (1994) destaca que a construção de um muro de arrimo, representa sempre
um elevado ônus no orçamento total da estrutura de uma obra. O autor complementa
16

mencionando que há inúmeros casos, em que esta etapa teve seu custo superior ao da própria
edificação.
Diante disso, é importante a realização de uma análise detalhada de qual tipo de
contenção atende do ponto de vista técnico, além de satisfazer também quanto ao aspecto
econômico.

Conforme Marangon (2004), os principais tipos de estruturas de contenção são os


seguintes:

 Muros de peso: alvenaria de pedras, concreto gravidade, gabiões, solo-pneus, solo reforçado
e sacos de solo-cimento;
 Muros de concreto armado: seção em L, com contrafortes e chumbado, cortina atirantada;
 Muros em forma de cortina: perfis metálicos com painéis pré-moldados, estacas pranchas.

2.2.1. Muros em forma de cortina

Os painéis pré-moldados utilizados com perfis metálicos Figura 2, são utilizados em


cortinas de contenção que contemplam muro de arrimo em edifícios que possuem subsolo. O
muro deve ser projetado para resistir ao empuxo de terra correspondente à diferença de nível
entre o terreno e o piso do subsolo. (DOMINGUES, 1997)

Figura 2: Cortina de contenção em subsolo.

Fonte: Romanini, 2017.


17

As contenções tipo parede diafragma e parede de estacas justapostas tem propiciado aos
engenheiros geotécnicos dimensionar e executar escavações próximas a estruturas existentes
com rapidez, segurança e economia. (MAGNUS, 2013)
Segundo Hachich (1998), estacas prancha são perfis de aço laminado com seções planas
ou em forma de “U” ou “Z”, com encaixes longitudinais, ou de concreto armado, com encaixes
do tipo "macho-fêmea". Permitem construir paredes contínuas pela justaposição das peças que
vão sendo encaixadas e cravadas sucessivamente. Conforme ilustrado na Figura 3, formam
paredes com estanqueidade limitada pela permeabilidade das próprias juntas.

Figura 3: Estacas prancha.

Fonte: Romanini, 2017.

2.2.2. Muros de concreto armado

Conforme Gerscovich (2010), muros de flexão são estruturas mais esbeltas com seção
transversal em forma de “L” (Figura 4) que resistem aos empuxos por flexão, utilizando parte
do peso próprio do maciço, que se apoia sobre a base do “L”, para manter-se em equilíbrio.
Hachich (1998) indica que tais estruturas se destinam a conter terraplenos que devem
ser compactados adequadamente sobre a sapata ou bloco de fundação. Exigem espaço para
execução das fundações cuja largura, no caso de se tratar de sapata corrida é, em média, da
ordem de 40% da altura a ser arrimada.
18

Figura 4: Muro de flexão.

Fonte: Gerscovich, 2010.

2.2.3. Muros de peso

Segundo Barros (2014), enquanto estruturas como as cortinas de estacas e paredes


diafragma geralmente recorrem a métodos de suporte auxiliares para manterem-se estáveis, as
estruturas à gravidade utilizam seu peso próprio e muitas vezes o peso de uma parte do bloco
de solo incorporado a ela para sua estabilidade.
Conforme Domingues (1997), o muro de gravidade deve ser dimensionado de modo a
não apresentar tensões de tração e garantir a resistência contra as ações laterais, oriundas do
atrito entre as camadas de interface do solo com o mesmo.
Devido ao fato de serem estruturas pesadas são quase sempre, escolhidas quando se
dispõe de terreno de boa capacidade de carga, capaz de suportar as tensões máximas na
fundação em sapata corrida. (HACHICH, 1998)
O muro de gravidade pode ser projetado em três perfis básicos: retangular, trapezoidal
e escalonado, conforme ilustrado na Figura 5. Nos dois últimos casos, a superfície inclinada do
muro deve ser sempre que possível de paramento externo inclinado, fazendo com que o centro
de gravidade do muro fique para o lado do terro. O paramento externo vertical só deve ser usado
em caso de exigência estética. (DOMINGUES, 1997)
Mesmo que este tipo de contenção suporte os esforços do maciço de solo utilizando seu
próprio, se faz necessário o uso de armadura mínima de retração (quando dimensionado
utilizando concreto) para combater a abertura de fissuras, ocasionando o aparecimento de
patologias. (MARCHETTI, 2007)
19

Figura 5: Muro de perfis de gravidade.

Fonte: Moliterno, 1994.

2.2.3.1 Alvenaria de pedra

Conforme Gerscovich (2010), o muro com blocos de pedra (Figura 6) apresenta como
vantagens a simplicidade de construção e a dispensa de dispositivos de drenagem, pois o
material do muro é drenante. Outra vantagem é o custo reduzido, especialmente quando os
blocos de pedras são disponíveis no local. No entanto, a estabilidade interna do muro requer
que os blocos tenham dimensões aproximadamente regulares, o que causa um valor menor do
atrito entre as pedras.
Ainda segundo Gerscovich (2010), os muros que não possuem utilização de argamassa
são recomendados unicamente para a contenção de taludes com alturas de até 2 m, enquanto os
que possuem a mistura de cimento e areia para preencher os vazios podem chegar a taludes com
cerca de 3 m de altura.

Figura 6: Muros de pedra.

Fonte: Gerscovich, 2010.


20

2.2.3.2 Gabião

Os muros de gabiões (Figura 7) são constituídos por gaiolas metálicas preenchidas com
pedras, arrumadas manualmente e construídas com fios de aço galvanizado em malha
hexagonal com dupla torção. (GERSCOVICH, 2010)
A montagem e o enchimento destes elementos podem ser realizados manualmente ou
com equipamentos mecânicos comuns. (BARROS, 2014)
Segundo Domingues (1997), sua principal vantagem é a elevada permeabilidade e
grande flexibilidade, dando origem a estruturas monolíticas altamente drenantes e capazes de
sofrerem deslocamentos e deformações sem se romperem. De acordo com o autor, os gabiões
são utilizados para proteção de margens de cursos d’água, controle de erosão e obras de
emergência.

Figura 7: Muro de gabião.

Fonte: Romanini, 2017.

2.2.3.3 Concreto gravidade (ou ciclópico)

Os concretos ciclópicos são concretos aos quais se incorporam pedras de grandes


diâmetros, dispostos regulamentes em camadas e convenientemente afastados para que a massa
possa envolvê-las por completo. O volume de pedra é responsável por 40% do total do volume
de concreto. (DOMINGUES, 1997)
Segundo Hachich (1998) são mais comumente construídos para conter cortes verticais
no terreno, pelo fato de poderem ser executados em trechos no interior de “cachimbos” que são
escavações de largura em geral não superior a 1,5 m, com faces verticais. Tais cachimbos
21

permitem que a escavação se processe parceladamente, evitando o desconfinamento total do


terreno e abrindo espaço para construir o muro em trechos sucessivos até sua conclusão.
De acordo com Gerscovich (2010), os furos de drenagem devem ser posicionados de
modo a minimizar o impacto visual devido às manchas que o fluxo de água causa na face frontal
do muro. Alternativamente, pode-se realizar a drenagem na face posterior (tardoz) do muro
através de uma manta de material geossintético (tipo geotêxtil). Neste caso, a água é recolhida
através de tubos de drenagem adequadamente posicionados.
Moliterno (1994) propõe para o pré-dimensionamento as seguintes dimensões,
conforme a Figura 8.

Figura 8: Pré-dimensionamento muros de gravidade.

Fonte: Moliterno, 1994 (adaptado).

Onde:
 b0 = 0,14 x h
 b = b0 + h/3

Carvalho e Filho (2014) destacam as vantagens na utilização do concreto:

 Boa resistência à maioria das solicitações;


 Boa trabalhabilidade, ou seja, adapta-se a vários perfis;
 Permite obter estruturas monolíticas (conjunto rígido, indivisível);
 Técnicas de execução são dominadas em todo país;
 Econômica se comparado à estrutura de aço;
 Material durável;
 Resistentes a choques, vibrações, efeitos térmicos, atmosféricos e desgastes mecânicos.
22

2.3 Parâmetros de resistência

Conforme Caputo (1996), a propriedade dos solos em suportar cargas e conservar sua
estabilidade, depende da resistência ao cisalhamento do solo; toda massa de solo se rompe
quando esta resistência é excedida.
A lei que determina a resistência ao cisalhamento do solo é o critério de ruptura ou de
plastificação do material. Trata-se de um modelo matemático aproximado que relaciona a
resistência ao estado de tensão atuante. No caso dos solos, o critério mais amplamente utilizado
é o critério de Mohr-Coulomb, que estabelece uma relação entre a resistência ao cisalhamento
e a tensão normal. (BARROS, 2014)
No entanto, antes do aprofundamento no estudo de resistência do solo deve-se entender
com clareza dois fenômenos característicos fundamentais para o dimensionamento: atrito e a
coesão.
Cabe salientar que atrito e coesão, segundo Barros (2014), não são parâmetros
intrínsecos do solo, mas parâmetros do modelo adotado como critério de ruptura. Além disso,
o valor desses parâmetros depende de outros fatores, como teor de umidade, velocidade, forma
de carregamento e condições de drenagem.

2.3.1. Atrito

O atrito é função da interação entre duas superfícies na região de contato. A parcela da


resistência devido ao atrito pode ser simplificadamente demonstrada pela analogia com o
problema de deslizamento de um corpo sobre uma superfície plana horizontal Figura 9a.

Figura 9: Esquemas do atrito entre dois corpos.

Fonte: Pinto, 1996.


23

A resistência ao deslizamento (T) é proporcional à força normal aplicada (N), segundo


a equação (1).

𝑇 = 𝑁 ∙ 𝑡𝑔 𝜑 (1)

Onde:
T – Resistência ao deslizamento;
N – Força normal;
φ – Ângulo de atrito.

O ângulo de atrito (φ) define-se como a resultante das duas forças com a normal (N) e
também pode ser entendido como o ângulo entre a força (F) aplicada no corpo e a normal,
conforme Figura 9b. A inclinação em que o corpo se encontra em relação ao plano, ilustrada
pela Figura 9c, também é um fator a ser considerado no que diz respeito ao deslizamento.
Segundo Pinto (2006), o fenômeno de atrito nos solos diferencia-se do fenômeno de
atrito entre dois corpos, porque o deslocamento envolve um grande número de grãos, que
podem deslizar entre si ou rolar uns sobre os outros, acomodando-se em vazios que encontram
no percurso.
Sob a denominação de genérica de atrito interno de um solo, inclui-se não só o “atrito
físico” entre suas partículas, como o “atrito fictício” proveniente do entrosamento de suas
partículas; nos solos não existe uma superfície nítida de contato, ao contrário, há uma infinidade
de contatos pontuais. (CAPUTO, 1996)

2.3.2. Coesão

A resistência ao cisalhamento dos solos deve-se essencialmente ao atrito entre as


partículas. Entretanto, a atração química entre essas partículas pode provocar uma resistência
independente da tensão normal atuante no plano e constitui uma coesão real, como se uma cola
tivesse sido aplicada entre os dois corpos. (PINTO, 2006)
Para Caputo (1996), a coesão distingue-se em “aparente” e “verdadeira”. A primeira é
resultante da pressão capilar da água contida nos solos, agindo como se fosse uma pressão
externa (Figura 10b). A segunda é devida às forças eletroquímicas de atração das partículas de
argila; ela depende de vários fatores e seu estudo levar-nos-ia à física dos solos e à química
coloidal.
24

Figura 10: Comparação entre grãos de areia e argila, respectivamente.

(a) (b)
Fonte: Pinto, 2006.

Deve-se ressaltar que existem solos coesivos e não coesivos. A resistência ao


cisalhamento é diferente nos dois casos. Conforme Barros (2014), o primeiro, pode ser
representado pelas argilas e é composto de partículas de tamanho menor que 0,0002 mm.
Enquanto que o segundo se caracteriza por serem solos granulares, ou seja, são representados
pelas areias e pedregulhos.

2.3.3. Critérios de ruptura de Mohr-Coulomb

De acordo com Pinto (2006), critérios de ruptura são formulações que procuram refletir
as condições em que ocorre a ruptura dos materiais. Existem critérios que estabelecem máximas
tensões de compressão, de tração ou de cisalhamento. Outros se referem a máximas
deformações. Outros, ainda, consideram a energia de deformação.
O critério de Mohr é graficamente representado pela curva intrínseca de ruptura AB,
assim denominada por Caquot (Figura 11a), obtida traçando-se a envoltória dos círculos de
Mohr correspondentes a pares de tensões principais, σ1 e σ3 (Figura 11b), causadoras da ruptura
do material. (CAPUTO, 1996)
25

Figura 11: Curva intrínseca de ruptura e círculo de Mohr.

(a) (b)
Fonte: Caputo, 1996 (adaptado).

Segundo Hachich (1998), o critério de Mohr pode ser expresso como: não há ruptura
enquanto o círculo representativo do estado de tensões se encontrar no interior de uma curva,
que é a envoltória dos círculos relativos a estados de ruptura, observados experimentalmente
para o material.
Para Caputo (1996), a equação de Coulomb em relação a resistência ao cisalhamento de
um solo é dada pela equação (2), sendo representada graficamente por uma reta de acordo com
a Figura 12.

𝜏 = 𝜏𝑅 = 𝑐 + 𝜎 𝑡𝑔 𝜑 (2)

Onde:
τ – Resistência ao cisalhamento;
σ – Tensão normal ao plano de cisalhamento;
c – Coesão do solo;
φ – Ângulo de atrito interno do solo.

Figura 12: Equação de Coulomb graficamente.

Fonte: Caputo, 1996.


26

Em mecânica dos solos, o critério de Mohr-Coulomb é o tradicionalmente utilizado. A


ele associa-se a reta de Coulomb à envoltória de Mohr, como ilustrado pela Figura 13.

Figura 13: Critério Mohr-Coulomb.

Fonte: Caputo, 1996.

2.3.4. Resistência ao cisalhamento

A presença de água no solo influencia diretamente o comportamento das estruturas de


contenção. Quanto à resistência, interfere em particular na coesão, que diminui quando a
umidade aumenta. Além disso, o peso específico do solo é aumentado pela presença de água
nos vazios entre os grãos. (BARROS, 2014)
Portanto, a pressão da água (poropressão ou tensão neutra) existente no solo deve ser
considerada nos cálculos, adaptando-se então a formulação proposta por Coulomb. O princípio
básico introduzido por Terzaghi (1943 apud REIS, 2000) diz que em solos saturados a tensão
efetiva, exposta na equação (3), é corresponde à diferença entre a tensão total e a tensão neutra.

𝜎 ′ = (𝜎 − 𝑢) (3)

Então, o resultado final da resistência do solo quanto ao cisalhamento é observado na


equação (4).

𝜏 = 𝑐 + 𝜎 ′ ∙ 𝑡𝑔 𝜑 = 𝑐 + (𝜎 − 𝑢) ∙ 𝑡𝑔 𝜑 (4)

Onde:
c – Coesão;
φ – Ângulo de atrito;
27

𝜎′ – Tensão normal efetiva;


𝜎 – Tensão normal total;
𝑢 – Poropressão ou tensão neutra.

Deve-se ressaltar que a irregularidade no formato dos grãos dificulta o surgimento da


coesão. Logo, tal parcela deve ser totalmente desprezada na equação (4) para solos granulares
(Figura 10a). Em função disso, esses tipos de solos também são conhecidos como não coesivos.

2.3.5. Ensaios de campo e laboratório

Hachich (1998) relata que o comportamento dos solos pode ser expresso por parâmetros
de deformação (módulo de elasticidade e coeficiente de Poisson) e por parâmetros de resistência
(coesão e ângulo de atrito interno).
No presente trabalho se faz necessário a determinação dos parâmetros de resistência do
solo para posterior cálculo da resistência ao cisalhamento.
Esta determinação pode ser feita por ensaios de laboratório, como o ensaio de
cisalhamento direto e o ensaio de compressão triaxial. Podem também ser estimados a partir de
ensaios de campo, ou mesmo a partir de outras características do material. (Barros, 2014)
O ensaio de compressão triaxial destaca-se por ser o mais completo e possuir maior
consistência dos resultados. Em função disso, haverá uma breve abordagem acerca do processo
no tópico a seguir.

2.3.5.1 Ensaio triaxial

Segundo Marangon (2006), esse ensaio é o mais recomendado na atualidade por suas
condições de aparelhagem mais refinadas, capazes de garantir uma impermeabilização total da
amostra, controle absoluto da drenagem e medida do valor da pressão neutra.
Os ensaios triaxiais são realizados em aparelhos, como esquematizados na Figura 14,
constituídos por uma câmara cilíndrica, de parede transparente, no interior da qual se coloca a
amostra, envolvida por uma membrana de borracha muito delgada. A base superior do cilindro
é atravessada por um pistão, que por intermédio de uma placa rígida, aplica uma pressão à
amostra. A câmara cilíndrica é cheia de um líquido, geralmente água, que se pode submeter a
uma pressão σ3, que evidentemente atua também sobre a base da amostra. O autor completa
mencionando que a tensão causada pela carga axial, diferença entre as tensões principais σ1 e
28

σ3, é comumente chamada de deviator stress. Há autores (como N. J. Newmark) que discordam
do termo “desvio” (deviator), preferindo “diferença de pressões principais”. (CAPUTO, 1996)

Figura 14: Ensaio triaxial.

Fonte: Caputo, 1996.

Caputo (1996) explica que, determinando-se pares de tensões (σ1 e σ3) correspondentes
à ruptura das diversas amostras ensaiadas, traçam-se os respectivos círculos de Mohr. Em
seguida, assimilando-se a envoltória desses círculos à reta de Coulomb, obtêm-se os valores de
c e φ, conforme ilustrado na Figura 15.

Figura 15: Resultados gráficos do ensaio triaxial.

Fonte: Caputo, 1996.


29

No entanto, conforme Marangon (2006), os resultados da resistência do solo ao


cisalhamento obtidos através do ensaio triaxial podem ser correlacionados com os valores de
SPT (Standart Penetration Test), obtidos em sondagem à percussão.
2.3.5.2 Standart Penetration Test (SPT)

De acordo com a ABNT (NBR 6484:2001), o objetivo da realização do ensaio de


penetração, SPT (sigla inglesa Standart Penetration Test) é o simples reconhecimento de solos,
tendo por finalidades: determinação dos tipos de solo, posição do nível d’água e índices de
resistência a penetração (NSPT) a cada metro.
Segundo Aoki (2013), o ensaio consiste de três etapas: I) perfuração; II) amostragem; e
III) ensaio penetrométrico. As etapas II e III são simultâneas, enquanto a I é alternada com II/III
em cada metro da sondagem.
Inicialmente deve-se perfurar 1 m, e depois, a cada metro, terão 0,45 m para amostragem
e ensaio penetrométrico, seguido de 0,55 m de perfuração (Figura 16).

Figura 16: Sequência das etapas do ensaio SPT.

Fonte: Aoki, 2013.

Ainda conforme Aoki (2013), em cada metro de sondagem, exceto no primeiro, obtém-
se três valores de número de golpes penetrométrico (N1, N2 e N3). Desconsiderando N1, por ser
um número afetado pela etapa de perfuração, define-se o índice de resistência a penetração
30

(NSPT) como sendo a soma do número de golpes dos últimos 30 cm de penetração do


amostrador, conforme a equação (5).

𝑁𝑆𝑃𝑇 = 𝑁2 + 𝑁3 (golpes/30 cm) (5)

2.3.6. Correlações com o índice de resistência à penetração

Aoki (2013) explica que, no Brasil, o ensaio mais utilizado (e muitas vezes o único) para
o projeto de fundações é o SPT, comumente designado como sondagem. O autor complementa,
destacando que, se não houver ensaios de laboratório, pode-se adotar o ângulo de atrito, coesão
e peso específico efetivo dos solos em função do índice de resistência à penetração (NSPT).
Conforme Marangon (2006), a Tabela 1 apresenta o ângulo de atrito e a nomenclatura
dos solos arenosos (sem coesão), obtidos através do ensaio SPT.

Tabela 1: Características dos solos sem coesão (arenosos).


NSPT Ângulo de atrito (φ) Nomenclatura para sondagens
<4 < 25º Muito fofo
4 a 10 25º a 30º Fofo ou pouco compacto
10 a 30 30º a 36º Medianamente compacto
30 a 50 36º a 40º Compacto
> 50 > 40º Muito compacto
Fonte: Marangon, 2006 (adaptado).

Da mesma forma, a Tabela 2 indica o valor da coesão para os solos argilosos.

Tabela 2: Características dos solos com coesão (argilosos).


NSPT Coesão (t/m²) Nomenclatura para sondagens
<2 < 1,2 Muito mole
2a4 1,2 a 2,5 Mole
4a8 2,5 a 5,0 Média
8 a 15 5,0 a 10,0 Rija
15 a 30 10,0 a 20,0 Muito rija
> 30 > 20,0 Dura
Fonte: Marangon, 2006 (adaptado).

Ainda segundo Marangon (2006), esses valores devem ser tomados com toda reserva
uma vez que os parâmetros dependem da condição de utilização, portanto, as tabelas implicam
em sugerir uma faixa de valores.
31

Para Teixeira (1996 apud AOKI, 2013), o ângulo de atrito pode ser obtido de acordo
com a equação (6).

𝜙 = 15° + √20 ∙ 𝑁𝑆𝑃𝑇 (6)

Enquanto Godoy (1983 apud AOKI, 2013) menciona uma correlação empírica exposta
na equação (7):

𝜙 = 28° + 0,4 ∙ 𝑁𝑆𝑃𝑇 (7)

O peso específico dos solos é outra característica imprescindível para os cálculos. Godoy
(1972 apud AOKI, 2013), expressa tais valores para os solos argilosos de acordo com a Tabela 3.

Tabela 3: Peso específico dos solos argilosos.


NSPT Consistência γ (kN/m³)
≤2 Muito mole 13
3a5 Mole 15
6 a 10 Média 17
11 a 19 Rija 19
≥ 20 Dura 21
Fonte: Godoy (1972 apud AOKI, 2013).

A Tabela 4 traz os valores do peso específico, propostos por Godoy (1972), em relação
aos solos arenosos.

Tabela 4: Peso específico dos solos arenosos.


γ (kN/m³)
NSPT Compacidade Areia Areia Areia
seca úmida saturada
<5 Fofa
16 18 19
5a8 Pouco compacta
9 a 18 Medianamente compacta 17 19 20
19 a 40 Compacta
18 20 21
> 40 Muito compacta
Fonte: Godoy (1972 apud AOKI, 2013).

No que diz respeito à coesão, também é possível ser feita uma correlação com o índice de
resistência à penetração, a partir dos resultados deste ensaio. Teixeira & Godoy (1996 apud AOKI,
2013) sugerem uma formulação, de acordo com a equação (8), onde a coesão é obtida em
kilopascal (kPa).
32

𝐶 = 10 ∙ 𝑁𝑆𝑃𝑇 (8)

Essa correlação apresenta resultados com elevadas magnitudes, haja visto que para a
obtenção de uma análise mais precisa deve-se realizar ensaios laboratoriais mais completos, como
o ensaio triaxial.

2.4 Empuxos de terra

De acordo com Cavalcante (2006), denomina-se empuxo a ação produzida por um


maciço de terra (empuxo de terra) ou por uma massa de água (empuxo de água) sobre as obras
em contato com tais maciços, projetadas para suportar os esforços decorrentes desses
elementos.
Para Gerscovich (2010), a determinação do valor do empuxo de terra é fundamental
para a análise e o projeto de obras como muros de arrimo, cortinas de estacas-prancha,
construção de subsolos, encontro de pontes, etc.

2.4.1. Equilíbrio plástico – repouso, ativo e passivo

Em sua obra, Das (2012) demonstrou a existência de três casos possíveis de empuxo:
repouso, ativo e passivo. Para o entendimento de cada um deles, deve-se considerar uma massa
de solo junto a um muro de arrimo de altura AB (Figura 17). O material, a uma determinada
profundidade z, é submetido a uma pressão efetiva vertical (𝜎’0 ) e a uma pressão efetiva
horizontal (𝜎’ℎ ), sem a existência de tensões de cisalhamento em ambos os planos (vertical e
horizontal). Com isso, é possível definir uma relação entre as pressões efetivas, como uma
quantidade adimensional K, de acordo com a equação (9).

𝜎’ℎ
𝐾= (9)
𝜎’0

Onde:
K – Coeficiente de empuxo;
σ’h – Pressão efetiva horizontal;
σ’0 – Pressão efetiva vertical.
33

 1º caso:

Se o muro AB for estático, ou seja, sem a existência de movimento nem para a direita
nem para a esquerda de sua posição inicial, a massa do solo estará no estado de equilíbrio
estático. Nesse caso, σ’h é denominada pressão de terra em repouso. Com isso, tem-se um
coeficiente de empuxo em repouso K0, de acordo com a equação (10). O esquema é ilustrado
conforme a Figura 17.

𝜎’ℎ
𝐾 = 𝐾0 = (10)
𝜎’0

Onde:
K0 – Coeficiente de empuxo em repouso;
σ’h – Pressão em repouso;
σ’0 – Pressão efetiva vertical.

Figura 17: Pressão no repouso.

Fonte: Das, 2012.

 2º caso:

Se o muro AB girar de modo suficiente em torno da sua base, para mudar sua posição
original para A’B (Figura 18), uma massa de solo triangular ABC’ anexo ao muro, atingirá um
estado de equilíbrio plástico e se romperá deslizando para baixo sobre o plano BC’. Nesse
34

instante, a tensão horizontal efetiva (σ’h ) será chamada de pressão ativa (σ’a ), assumindo-se
assim um coeficiente K de acordo com a equação (11).

𝜎’ℎ 𝜎’𝑎
𝐾 = 𝐾𝑎 = = (11)
𝜎’0 𝜎’0

Onde:
Ka – Coeficiente de empuxo ativo;
σ’a – Pressão ativa;
σ’0 – Pressão efetiva vertical.

Figura 18: Pressão ativa.

Fonte: Das, 2012.

 3º caso:

Se o muro sem atrito rotacionar sobre a fundação para uma posição A’’B (Figura 19),
uma massa de solo triangular ABC’ atingirá um estado de equilíbrio plástico e se romperá
deslizando para cima do plano BC’’. A tensão efetiva horizontal (σ’h ) neste momento será
chamada de pressão passiva (σ’p ), assumindo-se assim um coeficiente K de acordo com a
equação (12).

𝜎’ℎ 𝜎’𝑝
𝐾 = 𝐾𝑝 = = (12)
𝜎’0 𝜎’0
35

Onde:
Kp – Coeficiente de empuxo passivo;
σ’p – Pressão passiva;
σ’0 – Pressão efetiva vertical.

Figura 19: Pressão passiva.

Fonte: Das, 2012.

Segundo Moliterno (1994), as primeiras teorias para o cálculo do empuxo de terra foram
formuladas por Coulomb em 1773, Poncelet em 1840 e Rankine em 1856, conhecidas como
Teorias Antigas, e que ainda tem dado resultados satisfatórios para o caso de muros de peso,
construídos de alvenaria ou concreto ciclópico.
Ainda conforme Moliterno (1994), para muros elásticos construídos em concreto
armado, temos as chamadas Teorias Modernas, entre elas as de Resal, Caquot, Boussinesque,
Müller Breslau, sendo que, nos últimos 30 anos, as recomendações de Terzaghi e seus adeptos
apresentaram resultados práticos.

2.4.2. Teoria de Rankine

De acordo com Cavalcante (2006), O método de Rankine, que consiste na integração,


ao longo da altura do elemento de suporte, das tensões horizontais atuantes calculadas a partir
do sistema de equações estabelecido para o maciço, fundamenta-se nas seguintes hipóteses:
36

 Solo isotrópico e homogêneo;


 Superfície do terreno plana;
 A ruptura ocorre em todos os pontos do maciço simultaneamente;
 A parede da estrutura em contato com o solo é vertical.

Conforme Jaber (2011), Rankine considerou o estado plástico do solo usando a equação
de ruptura de Mohr. Admitiu então a necessidade de pequenas deformações para mobilizar o
empuxo ativo e passivo. Além disso, considerou os solos sem coesão e propôs distribuição das
pressões. O autor ainda complementa destacando que Rankine não considerou o atrito solo-
muro e também não propôs uma solução para o caso de cargas concentradas.
Marchetti (2007) ilustra a teoria de Rankine de acordo com a Figura 20.

Figura 20: Teoria de Rankine.

Fonte: Marchetti, 2007.

O autor também apresenta os valores dos coeficientes de empuxo através das as


equações (13) e (14), além das pressões laterais na parede do muro, em (15) e (16).

𝑐𝑜𝑠 𝛽 − √𝑐𝑜𝑠 2 𝛽 − 𝑐𝑜𝑠 2 𝜙


𝐾𝑎 = 𝑐𝑜𝑠 𝛽 ∙ (13)
𝑐𝑜𝑠 𝛽 + √𝑐𝑜𝑠 2 𝛽 − 𝑐𝑜𝑠 2 𝜙

𝑐𝑜𝑠 𝛽 + √𝑐𝑜𝑠 2 𝛽 − 𝑐𝑜𝑠 2 𝜙


𝐾𝑝 = 𝑐𝑜𝑠 𝛽 ∙ (14)
𝑐𝑜𝑠 𝛽 − √𝑐𝑜𝑠 2 𝛽 − 𝑐𝑜𝑠 2 𝜙
37

𝑃𝑎 = 𝐾𝑎 ∙ 𝛾 ∙ 𝐻 − 2 ∙ 𝑐 ∙ √𝐾𝑎 (ativo) (15)

𝑃𝑝 = 𝐾𝑝 ∙ 𝛾 ∙ 𝐻 + 2 ∙ 𝑐 ∙ √𝐾𝑝 (passivo) (16)

O empuxo é dado pela integral da pressão lateral. O resultado para os casos ativo e
passivo são apresentados pelas equações (17) e (18), respectivamente.

𝐾𝑎 ∙ 𝛾 ∙ (𝐻 2 − 𝑍0 2 )
𝐸𝑎 = − 2 ∙ 𝑐 ∙ √𝐾𝑎 ∙ (𝐻 − 𝑍0 ) (17)
2

𝐾𝑝 ∙ 𝛾 ∙ 𝐻 2
𝐸𝑝 = + 2 ∙ 𝑐 ∙ 𝐻 ∙ √𝐾𝑝 (18)
2

A Figura 21 ilustra o diagrama de pressão na lateral do muro para ambos os casos, em


situação com solo coesivo.

Figura 21: Diagrama de pressões laterais em solos coesivos pela Teoria de Rankine.

(Caso ativo) (Caso passivo)


Fonte: Bittencourt, 2011 (adaptado).

Segundo Barros (2014), solos coesivos ficam sujeitos a tensões de tração na sua porção
superior no estado ativo (Figura 21). Estas tensões de tração se prolongam até uma
profundidade “Z0” dada pela equação (19).

2∙𝑐
𝑍0 = (19)
𝛾 ∙ √𝐾𝑎
38

Outro valor de interesse é a profundidade teórica que uma escavação pode suportar sem
escoramentos laterais, sendo conhecida também como “altura crítica de escavação”. Esta altura
é definida pela equação (20). (RIBEIRO, 2013)

4∙𝑐
𝑍𝐶 = (20)
𝛾 ∙ √𝐾𝑎

2.4.3. Teoria de Coulomb

De acordo com Jaber (2011), Coulomb propôs outra maneira de se quantificar o empuxo
ativo e o passivo sobre uma estrutura de arrimo. Admite-se que no instante da mobilização total
da resistência do solo formam-se superfícies de deslizamento ou de ruptura no interior do
maciço.
Domingues (1997) explica que esse deslizamento ocorre quando uma superfície de
curvatura em forma de espiral logarítmica, que é substituída, por motivos práticos, por uma
superfície plana que passa a ser denominado “plano de ruptura” (Figura 22).

Figura 22: Superfície de deslizamento pela Teoria de Coulomb.

Fonte: Domingues, 1997.

Segundo Gerscovich (2010), são consideradas as seguintes hipóteses nesta teoria: solo
homogêneo e isotrópico; a ruptura ocorre sob o estado plano de deformação; pode existir atrito
solo-muro (𝛿).
39

Conforme Barros (2014), a Teoria de Coulomb possui uma vantagem pelo fato de que
se pode considerar a ocorrência de atrito entre a estrutura e o solo, além de possibilitar a análise
de estrutura com o paramento não vertical.
Marchetti (2007) ilustra a teoria de Coulomb de acordo com a Figura 23. O autor
também apresenta os valores dos coeficientes de empuxo através das as equações (21) e (22),
indicando que é comum o uso de 1/3 ϕ < 𝛿 < 2/3 ϕ para a interface solo-muro (𝛿). As pressões
laterais na parede do muro são as mesmas das apresentadas previamente, conforme as
expressões (15) e (16).

Figura 23: Teoria de Coulomb.

Fonte: Marchetti, 2007.

sen2 (𝛼 + 𝜙)
𝐾𝑎 = 2
sen(𝜙 + 𝛿) ∙ sen(𝜙 − 𝛽) (21)
sen2 𝛼 ∙ sen(𝛼 − 𝛿) ∙ [1 + √ ]
sen(𝛼 − 𝛿) ∙ sen(𝛼 + 𝛽)

sen2 (𝛼 − 𝜙)
𝐾𝑝 = 2
sen(𝜙 + 𝛿) ∙ sen(𝜙 + 𝛽) (22)
sen2 𝛼 ∙ sen(𝛼 + 𝛿) ∙ [1 − √ ]
sen(𝛼 + 𝛿) ∙ sen(𝛼 + 𝛽)

Os empuxos ativo e passivo são obtidos pelas equações (23) e (24), respectivamente.

𝐾𝑎 ∙ 𝛾 ∙ 𝐻 2
𝐸𝑎 = (23)
2
40

𝐾𝑝 ∙ 𝛾 ∙ 𝐻 2
𝐸𝑝 = (24)
2

2.4.4. Influência da sobrecarga

Segundo Barros (2014), caso haja uma sobrecarga uniforme distribuída sobre o maciço,
esta provocará um aumento no empuxo. Este aumento pode ser determinado considerando a
parte da sobrecarga que ocorre sobre a cunha de solo delimitada pela superfície de ruptura.
Conforme Silva (2012), o empuxo é função, entre outras grandezas, do quadrado da
altura do muro. Já as sobrecargas distribuídas (q) sobre o terrapleno causam um empuxo ativo,
por unidade de comprimento, de distribuição uniforme.
Com isso, deve-se acrescer ao empuxo ativo das equações (17) ou (23), uma parcela
referente a sobrecarga no maciço, caso esta exista. O valor é obtido de acordo com a equação
(25). A altura do ponto de aplicação (HEa) é calculada em função das alturas, conforme a
equação (26).

sen 𝛼
𝐸𝑎,𝑠𝑜𝑏𝑟 = 𝑞 ∙ 𝐻 ∙ 𝐾𝑎 ∙ (25)
sen(𝛼 + 𝛽)

γ ∙ 𝐻² + 3 ∙ 𝑞 ∙ 𝐻
𝐻𝐸𝑎 = (26)
3∙γ∙𝐻+6∙𝑞

Onde:
K a – Coeficiente de empuxo ativo;
q – Sobrecarga;
γ – Peso específico;
H – Altura total.

Segundo a ABNT (NBR 11682:2009), todas as estruturas de contenção devem ser


projetadas para suportar, além dos esforços provenientes do solo, uma sobrecarga acidental
mínima de 20 kPa, uniformemente distribuída sobre a superfície do terreno. A utilização de
valores inferiores para a sobrecarga acidental deve ser devidamente justificada pelo engenheiro
civil geotécnico.
Guerrin (2003 apud SILVA, 2012) faz algumas considerações importantes a respeito das
sobrecargas:
41

 Uma sobrecarga de 0,5 tf/m² é usualmente considerada para levar em conta uma eventual
ocupação do terrapleno;
 Sobrecargas da ordem de 1,0 a 1,5 tf/m² correspondem a veículos de 20 a 30 tf;
 Sobrecargas maiores, de 2 a 3 tf/m², só devem ser consideradas em muros de altura menor
que 10 m;
 Para muros muito pequenos, com altura menor que 2 m, a influência das sobrecargas não
deve ser desprezada; elas podem até ser responsáveis pelos maiores efeitos sobre o muro;
 Em muros muito grandes, acima de 15 de altura, é possível desprezar completamente o
efeito das sobrecargas, mesmo aquelas extremamente importantes.

2.4.5. Influência da água

Conforme Jaber (2011), a influência da água é marcante na estabilidade de uma estrutura


de arrimo, basta dizer que o acúmulo de água, por deficiência de drenagem, pode chegar a
duplicar o empuxo atuante.
Quando há movimento de água no terrapleno aparecem forças de percolação, cujas
intensidades são obtidas através da rede de percolação. Com isso, além das forças anteriormente
demonstradas, tem-se a poropressão (u) atuando num ponto qualquer do plano de ruptura
considerado. Para se obter este valor, basta traçar o diagrama de poropressão no trecho onde o
plano de ruptura é comum com a rede de percolação, e a partir desse diagrama, por integração
obtém-se a pressão neutra resultante no plano. (DOMINGUES, 1997)
Segundo Jaber (2011), o efeito da água pode ser direto, resultante do acúmulo de água
junto ao tardoz interno do arrimo e do encharcamento do terrapleno, ou indireto, produzindo
uma redução da resistência ao cisalhamento do maciço em decorrência do acréscimo das
pressões intersticiais.
Barros (2014) explica que, para que a água não fique retida atrás do muro, aumentando
ainda mais o valor do empuxo, deve-se usar estruturas autodrenantes, como por exemplo os
gabiões, ou prover a estrutura de drenos e filtros que impeçam o carreamento das partículas do
solo.
A Figura 24 ilustra a utilização de drenos posicionados na vertical junto ao tardoz do
muro. Além deste método, existem também os drenos inseridos de maneira inclinada, cuja
abordagem não será feita no presente trabalho devida a dificuldade da execução do mesmo na
obra.
42

Figura 24: Sistemas de drenagem – dreno vertical.

Fonte: Gerscovich, 2010.

Durante a construção da estrutura de arrimo, a execução dos drenos deve ser


cuidadosamente acompanhada, observando o posicionamento do colchão de drenagem e
garantindo que durante o lançamento do material não haja contaminação e/ou segregação.
(GERSCOVICH, 2010).

2.5 Comportamento tensão-deformação dos solos

Conforme Reis (2000), um corpo ao ser solicitado sofre deformações que dependem da
natureza do material do qual é constituído e da magnitude desta solicitação. Estabelecer relação
tensão-deformação é uma tarefa que, na maioria das vezes, incorpora vários erros devido à
complexidade do comportamento do material e a variabilidade da solicitação.
De acordo com Rohlfes Jr. (1996), o solo é um material granular desagregado trifásico
(ou quadrifásico se considerarmos a água absorvida como outro material) cujo comportamento
macroscópico depende da natureza do contato entre as partículas e dos movimentos e
43

deformações dos grãos nestes contatos, ao contrário de outros materiais, como o concreto e o
aço, que podem ser facilmente representados como meios contínuos.
Segundo Porto (2010), é significativamente importante para o projetista saber o
comportamento mecânico do material em análise. Neste sentido, as Teorias da Elasticidade e
da Plasticidade apresentam alguns modelos de idealização do comportamento tensão-
deformação. O autor ainda completa dizendo que, esses modelos devem sempre ser
representados por uma relação entre a tensão, deformação e o tempo.
Os modelos a serem descritos são: elástico (linear e não-linear), plástico e viscoso.

2.5.1. Modelo elástico

No modelo elástico, um corpo ao ser solicitado por uma carga externa sofrerá
deformações imediatas, que permanecem constantes enquanto durar o carregamento. Sendo
totalmente reversíveis no descarregamento. (REIS, 2000)

Figura 25: Comportamento tensão-deformação-tempo (modelo elástico).

(a) Linear (b) Não-Linear


Fonte: Reis, 2000 (adaptado).

A Figura 25a apresenta graficamente o modelo elástico linear. Nota-se que a


proporcionalidade entre a tensão (σ) e a deformação (ε) reflete a consagrada Lei de Hooke,
expressa pela equação (27). Nesse caso, a rigidez que caracteriza o material é uma constante
(E), que recebe o nome de Módulo de Elasticidade ou Módulo de Young.

𝜎 =𝐸∙𝜀 (27)
44

Segundo Porto (2010), na elasticidade não linear (Figura 25b), não há essa
proporcionalidade; existe, porém, uma função que dá, univocamente, o valor da tensão para
cada valor de deformação específica.

2.5.2. Modelo plástico

Porto (2010) apresenta conforme a Figura 26, o comportamento de um material em


regime plástico, no qual ao se aplicar um esforço externo em um corpo, este não sofrerá
deformações até um determinado limite de tensão (tensão de escoamento – σy), a partir do qual
o corpo sofrerá deformações plásticas ou permanentes.
O material, ao atingir o ponto final caracterizado pelo limite de elasticidade, atinge
deformações elevadas com o aumento da tensão rapidamente, ocasionando deformações
permanentes, ou seja, o material atinge o estágio plástico. (SILVA, 2016)

Figura 26: Comportamento tensão-deformação-tempo (modelo plástico).

Fonte: Reis, 2000.

2.5.3. Modelo viscoso

Nesse modelo, ao se aplicar uma ação externa em um corpo, este sofrerá deformações
que variam ao longo do tempo, sendo essas deformações irreversíveis, quando o corpo for
descarregado. (PORTO, 2010)
A Figura 27 ilustra graficamente o modelo viscoso.
45

Figura 27: Comportamento tensão-deformação-tempo (modelo viscoso).

Fonte: Reis, 2000.

Reis (2000) explica que, analiticamente equação (28) a tensão é proporcional à taxa de
variação da deformação com o tempo dε/dt, de modo que no instante de aplicação da tensão a
deformação é nula.

𝑑𝜀
𝜎=𝜂∙ (28)
𝑑𝑡

Onde:
𝜂 – Coeficiente de viscosidade do material.

2.5.4. Modelos combinados

Segundo Reis (2000), para reproduzir o comportamento dos diversos materiais, naturais
ou não, é possível combinar os três modelos básicos vistos anteriormente. Estas combinações
estão agrupadas em quatro grandes categorias: elasto-plástica, visco-elástica, visco-plástica e
elasto-visco-plástica.
Os modelos elasto-plásticos consideram tanto o comportamento elástico quanto o
plástico, ou seja, estes modelos resguardam o comportamento não-linear e inelástico dos solos.
(PORTO, 2010)
É sugerido inicialmente, conforme Borges (2016), que seja realizada uma análise linear-
elástica, para facilitar a avaliação da modelagem quanto etapas construtivas, parâmetros
geotécnicos e condições de contorno, sem preocupação com limites de convergência. Depois
46

de realizados todos os ajustes inerentes à modelagem, a simulação pode ser processada


utilizando-se um modelo construtivo elasto-plástico.

2.5.5 Coeficiente de Poisson

Na definição do Módulo de Elasticidade, considerou-se apenas a deformação


longitudinal. No entanto, qualquer material elástico ao ser “esticado” sofre também uma
deformação transversal (Figura 28) que é proporcional à deformação longitudinal aplicada.
De acordo com Massora (2014), a razão entre a deformação transversal (𝜀3 ) associada
a uma deformação longitudinal (𝜀1 ) na direção do esforço de tração chama-se Coeficiente (ou
Razão) de Poisson (ν). Nos solos o seu valor varia entre 0,2 e 0,5.

Figura 28: Coeficiente de Poisson.

Fonte: Hachich, 1998.

Para o Coeficiente de Poisson dos solos, Teixeira e Godoy (1996 apud AOKI, 2013)
apresentam valores típicos, exibidos na Tabela 5.

Tabela 5: Coeficiente de Poisson


Solo Coeficiente de Poisson (ν)
Areia pouco compacta 0,2
Areia compacta 0,4
Silte 0,3 a 0,5
Argila saturada 0,4 a 0,5
Argila não saturada 0,1 a 0,3
Fonte: Teixeira e Godoy (1996 apud AOKI, 2013), adaptado.
47

2.6 Taludes

Entende-se por talude qualquer superfície inclinada em relação a horizontal que delimita
uma massa de solo, rocha ou outro material qualquer (minério, escória, lixo etc.). Como
ilustrado pela Figura 29, podem ser naturais (encostas) ou construídos pelo homem (cortes ou
aterros).

Figura 29: Taludes.

Talude natural Talude artificial


(encosta) (corte ou aterro)

Fonte: Bittencourt, 2011.

De acordo com DNIT (2010), o talude é expresso por uma relação entre a altura e a base
de um triângulo retângulo, que tem um segmento da rampa por hipotenusa, como exemplificado
na Figura 30. Toma-se a vertical (V) como referência e não a horizontal (H), porque os
dispositivos usados para medir os taludes são de gravidade.

Figura 30: Elementos do talude.

Fonte: Bittencourt, 2011.

É aconselhável, ainda conforme DNIT (2010), para os cortes, um talude máximo de 1:1
(V:H) e, para os aterros compactados, a inclinação máxima de 2:3 (V:H).
No entanto, não basta seguir tais diretrizes para o dimensionamento de taludes. Deve-se
também, fazer a análise da estabilidade do elemento. Os métodos existentes para o cálculo e o
modelo mais usual serão abordados no tópico seguinte.
48

2.6.1. Métodos para análise de estabilidade de taludes

Os métodos de análise de estabilidade de taludes são divididos em duas categorias:


métodos determinísticos, nos quais a medida da segurança do talude é feita em termos de um
fator de segurança e métodos probabilísticos, nos quais a medida de segurança é feita em termos
da probabilidade ou do risco de ocorrência da ruptura. (GEORIO, 2000 apud DUTRA, 2013).
Segundo Gerscovich (2016), existem dois tipos de abordagens para determinação do
fator de segurança do ponto de vista determinístico: Teoria do Equilíbrio (método de equilíbrio
limite) e Análise de Tensões (método dos elementos finitos).
Pereira (2016) afirma que a diferença entre eles é que os métodos de equilíbrio limite
baseiam-se na análise do equilíbrio estático das forças e/ou momentos que atuam na estrutura.
Por sua vez, o método por elementos finitos se baseia nas relações de tensão-deformação dos
materiais.
Na Engenharia Geotécnica o método mais frequentemente utilizado foi sempre o
método do equilíbrio limite. Nesse método o coeficiente de segurança pode ser interpretado
tanto como o majorador de ações (coeficiente de segurança externo) quanto como o minorador
de resistências (coeficiente de segurança interno) que conduziria a estrutura à iminência de
colapso. (HACHICH, 1998)

2.6.2. Método do equilíbrio limite

Esse método, conforme Gerscovich (2016), consiste na determinação do equilíbrio


estático de uma massa ativa de solo, a qual pode ser delimitada por uma superfície de ruptura
circular (Figura 31), poligonal ou de outra geometria qualquer.

Figura 31: Superfície de ruptura circular.

Fonte: Silva, 2011.


49

Segundo Silva (2016) a Teoria de Equilíbrio Limite, pode ser aplicada a análise de
estabilidades, onde se realiza a aplicação de um dos três métodos:

 Método geral: É aplicada a toda massa de solo (instável) as condições de equilíbrio, onde o
comportamento da massa de solo é de um corpo rígido;
 Método das fatias: A massa de solo (instável) é dividida em fatias (verticais, geralmente),
e as condições de equilíbrio são aplicadas a cada fatia separadamente;
 Método das cunhas: A massa de solo (instável) é dividida em cunhas, sendo aplicadas as
condições de equilíbrio separadamente.

Para o presente trabalho interessa apenas uma breve explanação acerca do Método das
Fatias, pois conforme Souza Júnior (2013), dentre os métodos que utilizam a hipótese do
equilíbrio limite, este é o mais utilizado. O cálculo é realizado dividindo o solo acima da linha
de rotura em fatias de faces verticais (Figura 32) e analisando o equilíbrio das mesmas.

Figura 32: Método das fatias.

Fonte: Silva, 2011 (adaptado).

De acordo com Silva (2011), em 1936, Fellenius introduziu o primeiro método para uma
superfície de deslizamento circular, também conhecido por Método Sueco. Outros lhe
sucederam, como por exemplo, Janbu (1954), Bishop (1955), Morgenstern e Price (1965),
Spencer (1967) e Correia (1988), entre outros.
Da mesma forma, a explanação detalhada de cada um extrapola o âmbito deste trabalho.
No entanto, será feita uma breve explicação do modelo proposto por Morgenstern e Price.
De acordo com Gerscovich (2016), o método mais geral de equilíbrio limite para
superfície qualquer foi desenvolvido por Morgenstern e Price (1965). A autora complementa
dizendo que, este método é um dos mais completos, pois satisfaz as três equações de equilíbrio
50

da estática. Por conta de sua elevada complexidade é indispensável o uso de computadores para
sua aplicação.

2.6.1.1 Morgenstern e Price

O fator de segurança que esse método determina é gerado por meio da soma das forças
tangenciais e normais atuantes na base da fatia, e o somatório dos momentos em torno do centro
da base da fatia, e sucessivamente as equações formuladas para fatias de largura infinitesimal.
Para se obter o fator de segurança é necessária uma modificação da técnica numérica de
Newton-Raphson e as equações de forças e momentos são combinadas e atendidas em questões
de equilíbrio. A solução é baseada na adoção arbitrária da direção da resultante das forças inter-
fatias (SILVA, 2011).
Esse método foi desenvolvido tendo por base o talude ilustrado na Figura 33, com base
nas condições de equilíbrio da massa de solo, delimitada pela superfície do terreno – descrita
pela equação y = Z(x) – e pela superfície de ruptura curva adotada – expressa pela relação y =
y(x). Duas linhas complementares na figura expressam as condições iniciais do problema não
conhecidas, a princípio: lei de variação das tensões efetivas – expressa pela relação y = y’t (x)
e a lei de variação das pressões intersticiais – expressa pela relação y = ℎ (x). Essa função
determina a inclinação das forças entre fatias.

Figura 33: Princípios do Método de Morgenstern & Price.

Fonte: Silva, 2011.

Na Figura 34 é apresentado o sistema de forças atuantes numa fatia de largura


infinitesimal de massa de equilíbrio.
51

Figura 34: Forças atuantes em fatia de largura infinitesimal.

Fonte: Silva, 2011.

Para a formulação do método, as forças de interação são, neste caso, controladas por
uma função 𝑓(𝑥) multiplicada por um fator λ, que deve ser especificado previamente, de acordo
com a equação (29) .

𝑋 = 𝐸 ∙ 𝜆 ∙ 𝑓(𝑥) (29)

Onde:
𝑓(𝑥) – Função;
λ – Porcentagem da função usada;
E – Força normal de interação entre as fatias;
X – Força tangencial de interação entre as fatias.

Quando especificada uma distribuição razoável para as forças de interação, obtêm-se as


incógnitas λ e FS. A função 𝑓(𝑥) deve obedecer a alguns critérios, ditados pelo comportamento
do solo, para que os resultados de FS sejam válidos.

2.6.3. Método dos elementos finitos

Silva (2011) explica que, mais recentemente, o desenvolvimento do Método dos


Elementos Finitos tornou possível uma nova abordagem dos problemas de estabilidade. Para
além de uma modelação mais realista dos aspectos relacionados com a obra em si, esta nova
52

metodologia realiza o cálculo com base nas relações tensão deformação dos materiais,
possibilitando, para além disso, a especificação da lei de comportamento dos mesmos (linear
elástica, não linear, elasto-plástica, entre outras). Apesar de os resultados serem mais rigorosos,
este tipo de análise exige um maior esforço computacional e a introdução de uma maior
quantidade de dados, obrigando o utilizador à recolha de mais informação, muitas vezes
inexistente ou difícil de obter.
Conforme Gerscovich (2016) os resultados fornecidos em termos de tensões e
deformações permitem:

 Estabelecer áreas rompidas (plastificadas), mesmo sem se estabelecer uma superfície de


ruptura (indicando ruptura progressiva);
 Estabelecer níveis de tensão de interesse para realização de ensaios de laboratório;
 Conhecer a magnitude das deformações, que podem ser mais determinantes do que o
próprio FS na concepção do projeto.

2.6.4. Fatores de segurança mínimos para estabilidade de taludes

A ABNT (11.682:2009) considera que as análises usuais de segurança desprezam as


deformações que ocorrem naturalmente no talude ou na encosta e que o valor do fator de
segurança (FS) tem relação direta com a resistência ao cisalhamento do material do talude.
Admite-se, portanto, que um maior valor de FS corresponde a uma segurança maior contra a
ruptura.
O Quadro 1 traz os fatores de segurança mínimos contra o deslizamento, em função dos
níveis de segurança contra danos a vidas humanas e contra danos materiais e ambientais.

Quadro 1: Fatores de segurança mínimos para deslizamentos.

Nível de segurança contra


danos a vidas
humanas
Alto Médio Baixo
Nível de
segurança contra
danos materiais e ambientais
Alto 1,5 1,5 1,4
Médio 1,5 1,4 1,3
Baixo 1,4 1,3 1,2
Fonte: ABNT (NBR 11682:2009).
53

2.7 Análises de estabilidade para estruturas de contenção em gabião

Segundo Hachich (1998), após a fase de concepção, a primeira providência para poder
projetar uma estrutura econômica e, ao mesmo tempo, garantir a sua segurança é a previsão do
seu comportamento sob as ações a que ela estará sujeita na sua vida útil. É a fase do projeto
denominada análise (ou "cálculo"), na qual é quantificado o comportamento das estruturas.
Conforme Cavalcante (2006), na verificação da estabilidade de um muro de arrimo há
que se atentar para a possibilidade de deslizamento e tombamento. Além disso, deve-se
considerar a possibilidade de ruptura do talude formado (análise de estabilidade global), bem
como verificar as tensões aplicadas ao solo de fundação e os recalques (segurança a ruptura do
solo de fundação). Para alguns tipos de estruturas de contenção devem ser feitas verificações
de sua estabilidade interna (gabiões, contenções em terra armada, solo envelopado, etc). A
Figura 35 ilustra os tipos de ruptura descritos.

Figura 35: Tipos de ruptura em muros de contenção.

Fonte: Barros, 2014.

Aoki (2013) explica que, de modo geral, o comportamento de uma estrutura sob ação
das cargas funcionais e ambientais é considerado satisfatório, quando: a) no estado limite último
ou de ruína, o sistema oferece uma segurança satisfatória contra a ruptura; b) no estado limite
54

de serviço, os deslocamentos e rotações são compatíveis com a funcionalidade da obra, e com


as condições impostas pela estética, funcionalidade e durabilidade da obra.
Os fatores de segurança a serem apresentados baseiam-se nas exigências mínimas,
dispostas na ABNT NBR 11682 (2009) e as formulações, voltadas para estruturas de gabião,
foram baseadas na obra de Barros (2014).

2.7.1. Determinação do peso do muro

É necessária a determinação do peso da estrutura de arrimo para as análises de


estabilidade. O peso do muro de gabiões é obtido multiplicando-se a área da seção transversal,
ilustrada na Figura 36, pelo peso específico do material de enchimento dos gabiões. Este, varia
com o peso específico do material que compõe as pedras e a porosidade dos gabiões.

Figura 36: Área da seção transversal a ser considerada.

Fonte: o autor (2018).

O peso do muro, então, é dado pela equação (30).

𝑃 = 𝑆. γ𝑔 = 𝑆. [γ𝑝 . (1 − 𝑛)] (30)

Onde:
𝑃 – Peso do muro;
𝑆 – Área da seção transversal;
55

γ𝑔 – Peso específico do material de enchimento dos gabiões;


γ𝑝 – Peso específico das pedras;
n – Porosidade.

Valores de γ𝑝 para alguns tipos de rocha podem ser encontrados na Tabela 6. A


porosidade usual para estruturas de gabião, conforme Barros (2014), é de 0,30.

Tabela 6: Peso específico das rochas.


Tipo de rocha Peso específico (kN/m³)
Basalto 25 a 33
Diorito 25 a 33
Gabro 27 a31
Gnaisse 25 a 30
Granito 26 a 33
Calcário 17 a 31
Mármore 25 a 33
Quartzito 26,5
Arenito 12 a 30
Argilito 20 a 25
Fonte: Barros, 2014.

Além disso, é necessária também a determinação da posição do centro de gravidade “G”


(Figura 36) do muro. Primeiramente, calcula-se suas coordenadas para um sistema de eixos X
e Y alinhado a base da estrutura, conforme as equações (31) e (32), respectivamente.

1 2 1
∙ 𝑎 ∙ ℎ + 6 ∙ ℎ (𝐵 2 + 𝑎 ∙ 𝐵 − 2 ∙ 𝑎2 )
𝑥 ′𝑔 = 2 (31)
𝑆

1 2 1
∙ 𝑎 ∙ ℎ + 6 ∙ ℎ2 (𝐵 − 𝑎)
𝑦 ′𝑔 = 2 (32)
𝑆

Por fim, as coordenadas 𝑋𝑔 e 𝑌𝑔 do centro de gravidade em relação a extremidade


inferior à esquerda do muro é dado pelas equações (33) e (34), respectivamente.

𝑋𝑔 = 𝑥 ′𝑔 ∙ cos 𝛽 + 𝑦 ′𝑔 ∙ sen 𝛽 (33)


56

𝑌𝑔 = −𝑥 ′𝑔 ∙ sen 𝛽 + 𝑦 ′𝑔 ∙ cos 𝛽 (34)

Onde:
𝛽 – Ângulo formado entre a face externa do muro e o plano vertical.

2.7.2. Deslizamento

Hachich (1998), explica que a primeira condição consiste na verificação ao


deslizamento, que é, essencialmente, uma verificação do equilíbrio das componentes
horizontais das forças atuantes, com a aplicação de um coeficiente de segurança adequado. É
comum desprezar-se a colaboração do empuxo passivo na frente do muro de arrimo.
As variáveis a serem consideradas, bem como a localização dos esforços, são dispostos
na Figura 37.

Figura 37: Segurança contra o deslizamento.

Fonte: Barros, 2014.

Atuam na estrutura as forças N e T fazendo com que o muro tenda a escorregar. Ambas
podem ser obtidas de acordo com as equações (35) e (36), respectivamente, que foram
resumidas devido ao fato de se desprezar o empuxo passivo atuante na frente do muro.
57

𝑁 = 𝑃 ∙ cos 𝛽 + 𝐸𝑎 ∙ cos(𝛼 − 𝛿 − 𝛽) (35)

𝑇 = 𝑃 ∙ sen 𝛽 + 𝐸𝑎 ∙ sen(𝛼 − 𝛿 − 𝛽) (36)

Onde:
𝑁 – Força normal atuante na base;
𝑇 – Força tangencial atuante na base;
𝑃 – Peso do muro;
𝛽 – Ângulo formado entre a face externa do muro e o plano vertical;
𝐸𝑎 – Empuxo ativo;
𝛼 – Ângulo formado entre o plano de aplicação do empuxo ativo e a horizontal;
𝛿 – Ângulo de atrito entre o solo e o muro.

A força de atrito disponível ao longo da base para conter o efeito do deslizamento é dada
pela equação (37).

𝑇𝑑 = 𝑁 ∙ tan 𝛿 ∗ + 𝑎′ ∙ 𝐵 (37)

Onde:
𝑇𝑑 – Força de atrito disponível ao longo da base;
𝑁 – Força normal atuante na base;
𝛿 ∗ – Ângulo de atrito entre o solo da fundação e a base do muro;
𝑎′ – Adesão;
𝐵 – Comprimento da base do muro.

Barros (2014) explica que o ângulo de atrito entre o solo da fundação e a base do muro
pode ser tomado como o mesmo do ângulo de atrito interno do solo, a menos que se instale um
filtro geotêxtil sob a base da estrutura. Neste caso, deve-se reduzir em 10% seu valor original.
O mesmo pode ser adotado para o solo arrimado. Quanto a adesão, recomenda-se adotar metade
do valor da coesão do solo de fundação.
O fator de segurança contra o deslizamento é dado pela equação (38).

𝑇𝑑
𝐹𝑆𝐷𝐸𝑆𝐿𝐼𝑍. = ≥ 1,5 (38)
𝐸𝑎 ∙ sen(𝛼 − 𝛿 − 𝛽) − 𝑃 ∙ sen 𝛽
58

Onde:
𝐹𝑆𝐷𝐸𝑆𝐿𝐼𝑍. – Fator de segurança contra o deslizamento;
𝑇𝑑 – Força de atrito disponível ao longo da base;
𝐸𝑎 – Empuxo ativo;
𝛼 – Ângulo formado entre o plano de aplicação do empuxo ativo e a horizontal;
𝛿 – Ângulo de atrito interno entre o solo e o muro;
𝛽 – Ângulo formado entre a face externa do muro e o plano vertical;
𝑃 – Peso do muro.

Segundo Gerscovich (2010), o deslizamento pela base é, em grande parte dos casos, o
fator condicionante. As alternativas ilustradas na Figura 38 permitem obter aumentos
significativos no fator de segurança:

a) base do muro é construída com uma determinada inclinação, de modo a reduzir a grandeza
da projeção do empuxo sobre o plano que a contém;
b) muro prolongado para o interior da fundação por meio de um “dente”; dessa forma, pode-se
considerar a contribuição do empuxo passivo.

Figura 38: Medidas para aumentar o FS contra o deslizamento da base do muro.

Fonte: Gerscovich, 2010.

2.7.3. Tombamento

De acordo com Gerscovich (2010), para que o muro não tombe em torno da extremidade
inferior esquerda (Figura 39), também chamada de fulcro de tombamento, a soma dos
momentos resistentes deve ser maior do que o momento solicitante.
59

Figura 39: Segurança contra o tombamento.

Fonte: Barros, 2010.

É considerado momento de solicitante (ou de tombamento) aquele proveniente da


multiplicação da componente horizontal do empuxo ativo pela distância vertical de aplicação
em relação ao fulcro. Assim, o momento solicitante é dado pela equação (39).

𝑀𝐸𝑎ℎ = 𝐸𝑎ℎ ∙ 𝑦𝐸𝑎 = [𝐸𝑎 ∙ sen(𝛼 − 𝛿)] ∙ [𝐻𝐸𝑎 − 𝐵 ∙ cos 𝛽] (39)

Onde:
𝑀𝐸𝑎ℎ – Momento solicitante;
𝐸𝑎ℎ – Componente horizontal do empuxo ativo;
𝑌𝐸𝑎 – Distância vertical de aplicação do empuxo em relação ao fulcro;
𝐸𝑎 – Empuxo ativo;
𝛼 – Ângulo formado entre o plano de aplicação do empuxo ativo e a horizontal;
𝛿 – Ângulo de atrito entre o solo e o muro;
𝐻𝐸𝑎 – Altura de aplicação do empuxo ativo;
𝐵 – Comprimento base do muro;
𝛽 – Ângulo formado entre a face externa do muro e o plano vertical.

Em contrapartida, o momento resistente pode ser obtido pela soma de duas parcelas: o
momento oriundo do peso da estrutura e o momento da componente vertical do empuxo ativo.
60

A primeira parcela é dada pela multiplicação do peso próprio da estrutura pela distância
horizontal do centro de gravidade da mesma até o fulcro, conforme a equação (40).

𝑀𝑃 = 𝑃 ∙ 𝑋𝑔 (40)

Onde:
𝑀𝑃 – Momento oriundo do peso próprio da estrutura;
𝑃 – Peso da estrutra;
𝑋𝑔 – Distância horizontal do centro de gravidade até o fulcro de tombamento.

A segunda parcela é obtida pela multiplicação da componente vertical do empuxo ativo


pela distância horizontal de aplicação em relação ao fulcro de tombamento, de acordo com a
equação (41).

𝑀𝐸𝑎𝑣 = 𝐸𝑎𝑣 ∙ 𝑋𝐸𝑎 = [𝐸𝑎 ∙ cos(𝛼 − 𝛿)] ∙ [𝐵 ∙ cos 𝛽 − 𝐻𝐸𝑎 ∙ tan(90° − 𝛼)] (41)

Onde:
𝑀𝐸𝑎𝑣 – Momento da componente vertical do empuxo ativo;
𝐸𝑎𝑣 – Componente vertical do empuxo ativo;
𝑋𝐸𝑎 – Distância horizontal de aplicação do empuxo em relação ao fulcro;
𝐸𝑎 – Empuxo ativo;
𝛼 – Ângulo formado entre o plano de aplicação do empuxo ativo e a horizontal;
𝛿 – Ângulo de atrito entre o solo e o muro;
𝐵 – Comprimento da base do muro;
𝛽 – Ângulo formado entre a face externa do muro e o plano vertical;
𝐻𝐸𝑎 – Altura de aplicação do empuxo ativo.

O fator de segurança contra o tombamento é dado pela equação (42).

𝑀𝑟𝑒𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑀𝑃 + 𝑀𝐸𝑎𝑣
𝐹𝑆𝑇𝑂𝑀𝐵. = = ≥ 1,5 (42)
𝑀𝑠𝑜𝑙𝑖𝑐𝑖𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑀𝐸𝑎ℎ

Onde:
𝐹𝑆𝑇𝑂𝑀𝐵. – Fator de segurança contra o tombamento;
61

𝑀𝑃 – Momento oriundo do peso próprio.


𝑀𝐸𝑎𝑣 – Momento da componente vertical do empuxo ativo;
𝑀𝐸𝑎ℎ – Momento da componente horizontal do empuxo ativo.

2.7.4. Ruptura da fundação

Segundo Gerscovich (2010), a capacidade de carga consiste na verificação da segurança


contra a ruptura e deformações excessivas do terreno de fundação. A análise geralmente
considera a distribuição de tensões linear ao longo da base. Estas não devem ultrapassar o valor
da capacidade do solo.

2.7.4.1. Pressões atuantes na base

Para a distribuição das pressões aplicadas pelo muro de contenção no solo de fundação,
determina-se primeiramente a distância entre o ponto de aplicação da força normal ao fulcro de
tombamento, conforme a Figura 40 e equação (43).

Figura 40: Segurança contra a ruptura da fundação.

Fonte: Barros, 2014.

𝑀𝑃 + 𝑀𝐸𝑎𝑣 − 𝑀𝐸𝑎ℎ
𝑑= (43)
𝑁
62

Onde:
𝑑 – Distância entre o ponto de aplicação da força normal ao fulcro de tombamento;
𝑀𝑃 – Momento oriundo do peso próprio;
𝑀𝐸𝑎𝑣 – Momento da componente vertical do empuxo ativo;
𝑀𝐸𝑎ℎ – Momento da componente horizontal do empuxo ativo;
𝑁 – Força normal atuante na base.

Determina-se então a excentricidade da força normal atuante em relação ao meio da


base do muro, conforme a equação (44).

𝐵
𝑒= −𝑑 (44)
2

Onde:
𝑒 – Excentricidade;
𝐵 – Comprimento da base do muro;
𝑑 – Distância entre o ponto de aplicação da força normal ao fulcro de tombamento.

Das (2016) explica que a questão da excentricidade deve ser observada, podendo ser
dividida em três casos possíveis, cujas variações proporcionam diferentes diagramas de
pressões na base do muro, conforme ilustrado na Figura 41.

 CASO A: quando se tem apenas tensões de compressão (diagrama trapezoidal);


 CASO B: quando surge tensões de tração numa borda da fundação (diagrama triangular);
 CASO C: quando há compressão centrada na base (diagrama retangular).

Figura 41: Diagrama de pressões na base.

Fonte: Barros, 2014.


63

Se |𝑒| ≤ 𝐵/6, a distribuição das pressões segue o diagrama da Figura 41a e as tensões
máximas e mínimas para este caso são dadas pelas equações (45) e (46), respectivamente.

𝑁 |𝑒|
𝜎𝑚á𝑥 = (1 + 6 ∙ ) (45)
𝐵 𝐵

𝑁 |𝑒|
𝜎𝑚í𝑛 = (1 − 6 ∙ ) (46)
𝐵 𝐵

Onde:
𝜎𝑚á𝑥 – Tensão máxima atuante na base do muro;
𝜎𝑚í𝑛 – Tensão mínima atuante na base do muro;
𝑁 – Força normal atuante na base;
𝐵 – Comprimento da base do muro;
𝑒 – Excentricidade.

Caso |𝑒| > 𝐵/6, a distribuição das pressões segue o diagrama da Figura 41b e a tensão
máxima é dada pela equação (47). Deve-se evitar esta condição devido à concentração de
tensões que ocorre.

2∙𝑁
𝜎𝑚á𝑥 = (47)
3∙𝑑

Onde:
𝜎𝑚á𝑥 – Tensão máxima atuante na base do muro;
𝑁 – Força normal atuante na base;
𝑑 – Distância entre o ponto de aplicação da força normal ao fulcro de tombamento.

2.7.4.2. Carga admissível na fundação

Para se determinar a capacidade de carga limite da fundação pode-se recorrer à inúmeras


formulações de diversos autores. No entanto, para estruturas de contenção de gabião,
recomenda-se a expressão proposta por Hansen (1970, apud BARROS, 2014), de acordo com
a equação (48).
64

𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁𝛾 ∙ 𝑑𝛾 ∙ 𝑖𝛾
𝜎𝑙𝑖𝑚 = (𝑐 ∙ 𝑁𝑐 ∙ 𝑑𝑐 ) + (𝑞 ∙ 𝑁𝑞 ∙ 𝑑𝑞 ∙ 𝑖𝑞 ) + ( ) (48)
2

Onde:
𝜎𝑙𝑖𝑚 – Tensão limite da fundação;
𝑐 – Coesão;
𝑞 – Sobrecarga do solo acima do ponto de análise;
𝛾 – Peso específico do solo de fundação;
𝐵 – Comprimento da base do muro;
𝑁𝑐 , 𝑁𝑞 , 𝑁𝛾 – Fatores de capacidade de carga;
𝑑𝑐 , 𝑑𝑞 , 𝑑𝛾 – Fatores de profundidade;
𝑖𝑞 , 𝑖𝛾 – Fatores de inclinação da carga.

As demais variáveis podem ser obtidas da equação (49) a equação (55).

𝑞 =𝛾∙𝑦 (49)

𝑇
𝑖𝑞 = 1 − (50)
2∙𝑁

𝑖𝛾 = 𝑖𝑞 2 (51)

𝑦
𝑑𝑐 = 𝑑𝑞 = 1 + 0,35 ∙ (52)
𝐵

𝑑𝛾 = 1 (53)

𝜋 ∅
𝑁𝑞 = e𝜋 ∙ tan ∅ . tan2 ( + ) (54)
4 2

𝑁𝛾 = 1,8 ∙ (𝑁𝑞 − 1) ∙ tan ∅ (55)

Onde:
𝑞 – Sobrecarga de solo acima do ponto de análise;
65

𝑦 – Altura de massa de solo acima do ponto de estudo;


∅ – Ângulo de atrito interno do solo de fundação.

A tensão admissível da fundação, expressa pela equação (56), pode ser descrita como a
razão entre a tensão limite no solo em estudo e o fator de segurança mínimo exigido pela norma
ABNT NBR 6122 (2010) para modelos de cálculo semi-empíricos e analíticos sem a realização
de provas de carga, corresponde a 3.

𝜎𝑙𝑖𝑚
𝜎𝑎𝑑𝑚 = (56)
3

Onde:
𝜎𝑎𝑑𝑚 – Tensão admissível da fundação;
𝜎𝑙𝑖𝑚 – Tensão limite da fundação.

Barros (2014) explica que, caso haja camadas de solos menos resistentes abaixo da
fundação, a carga máxima admissível deve ainda ser verificada para estas camadas. Neste caso
deve-se também levar em conta o “espraiamento” das pressões verticais aplicadas pela estrutura
de arrimo até a camada analisada.
Segundo Cintra (2011), a propagação de tensões ocorre de uma forma simplificada,
mediante inclinação 1:2 (que corresponde a aproximadamente 27° com a vertical), conforme
ilustrado pela Figura 42, em que “z” é a distância da base da sapata ao topo da camada.

Figura 42: Propagação da tensão na fundação.

Fonte: Cintra, 2011.


66

A tensão atuante a ser considerada na camada analisada é dada pela variação da tensão
máxima calculada na base da estrutura, sendo distribuída ao longo de “z”, conforme expresso
pela equação (57). Deve-se ressaltar que a profundidade máxima a ser considera equivale a duas
vezes o comprimento da base.

𝜎𝑚á𝑥 ∙ 𝐵 ∙ 𝐿
∆𝜎 ≅ (57)
(𝐵 + 𝑧) ∙ (𝐿 + 𝑧)

Onde:
∆𝜎 – Variação da tensão máxima;
𝜎𝑚á𝑥 – Tensão máxima atuante na base da estrutura;
𝐵 – Comprimento da base do muro;
𝐿 – Largura da fundação, no caso a ser estudado 𝐿 = 1,00 𝑚;
𝑧 – Profundidade até a camada a ser analisada.

2.7.4.3. Verificação da segurança contra a ruptura da fundação

Para satisfazer a segurança contra a ruptura da fundação a tensão máxima atuante,


calculada pelas equações (45) ou (47), deve ser menor que a tensão admissível na camada de
solo a ser analisada, dada pela fórmula (56). A verificação é expressa pela equação (58).

𝜎𝑚á𝑥 < 𝜎𝑎𝑑𝑚 (58)

2.7.5. Ruptura interna

No caso de muros de arrimo, deve-se verificar a segurança contra o deslizamento dos


blocos de gabiões superiores sobre os inferiores. Para cada nível de blocos de gabiões executa-
se a análise de deslizamento considerando-se para o cálculo do empuxo a altura total da
estrutura a partir do topo até aquele nível e considerando-se o atrito entre os blocos como
resistência ao longo da base. (MACCAFERRI, 1990 apud BARROS, 2014)
O cálculo da força normal e da tangencial que agem na superfície em análise é feito
através do equilíbrio das forças, conforme já abordado no item 2.7.2. É importante destacar que
o peso do muro e o empuxo ativo atuante se alteram a cada seção, devido a mudança da
geometria estudada.
67

A força tangencial máxima admissível, dada pela equação (59), varia de acordo com o
ângulo de atrito e com coesão entre os gabiões, conforme expresso pelas equações (60) e (61),
respectivamente.

𝑇𝑎𝑑𝑚 = 𝑁 ∙ tan ∅∗ + 𝑐𝑔 ∙ 𝐵 (59)

∅∗ = 25 ∙ 𝛾𝑔 − 10° (60)

𝑐𝑔 = 3 ∙ 𝑝𝑢 − 5 (61)

Onde:
𝑇𝑎𝑑𝑚 – Força tangencial admissível na seção;
𝑁 – Força normal atuante na seção;
∅∗ – Ângulo de atrito interno entre os gabiões;
𝑐𝑔 – Coesão entre os gabiões, expresso em kPa;
𝐵 – Comprimento da base na seção;
𝛾𝑔 – Peso específico do gabião;
𝑝𝑢 – Peso da rede metálica, expresso em kgf/m³.

Para a obtenção do peso da rede metálica, Barros (2014) recomenda os valores expressos
na Tabela 7 que variam de acordo com a malha a ser utilizada, o tamanho da caixa de gabião e
o diâmetro do fio.

Tabela 7: Peso das telas do gabião (kgf/m³)


Peso [kgf/m³]
Altura
Malha Diâmetro do fio [mm]
da caixa [m]
2,00 2,20 2,40 2,70 3,00
0,50 11,10 11,05 14,30 - -
5x7
1,00 7,25 8,20 10,50 - -
0,50 8,50 10,90 12,30 15,20 -
6x8
1,00 5,55 6,95 8,20 10,30 -
0,50 - - 11,20 12,60 15,00
8 x 10
1,00 - - 7,85 8,70 10,50
0,50 - - - 11,00 13,50
10 x 12
1,00 - - - 7,50 9,00
Fonte: Barros (2014).
68

Além disso, também é necessária a verificação quanto à tensão normal entre os blocos.
Para o cálculo da tensão máxima, conforme a equação (62), admite-se que a força normal se
distribui uniformemente em torno do seu ponto de aplicação até uma distância, que compreende
o local de aplicação e a borda da camada de gabiões. Esta pode ser obtida da mesma forma que
anteriormente, expressa pela equação (43), através da relação dos momentos existentes no muro
e a força normal atuante.

𝑁
𝜎𝑚á𝑥 = (62)
2∙𝑑

Onde:
𝜎𝑚á𝑥 – Tensão máxima atuante na seção;
𝑁 – Força normal atuante na seção;
𝑑 – Distância entre o ponto de aplicação da força normal a borda da camada de gabiões.

A tensão admissível entre as camadas é dada pela equação (63) e deve ser maior que a
tensão máxima atuante para que se verifique a segurança da estrutura na seção analisada.

𝜎𝑎𝑑𝑚 = 500 ∙ 𝛾𝑔 − 300 (63)

Onde:
𝜎𝑎𝑑𝑚 – Tensão máxima admissível na seção;
𝛾𝑔 – Peso específico do gabião.

2.7.6. Ruptura global

De acordo com Gerscovich (2010), a verificação de um sistema de contenção quanto a


sua segurança em relação a estabilidade geral consiste na verificação de um mecanismo de
ruptura global do maciço. Neste caso, a estrutura de contenção é considerada como um elemento
interno à massa de solo.
A superfície de ruptura (Figura 43) segue os moldes das análises feitas através do
método do equilíbrio limite para cálculo de fatores de segurança de taludes, conforme já
descrito no presente trabalho.
69

Figura 43: Ruptura global.

Fonte: Cavalcante, 2006.

Ainda de acordo com Gerscovich (2010), neste caso, a estrutura de contenção é


considerada como um elemento interno à massa de solo, que potencialmente pode se deslocar
como um corpo rígido. Normalmente essa verificação consiste em se garantir um coeficiente
de segurança, de acordo com a equação (64), adequado à rotação de uma massa de solo que se
desloca ao longo de uma superfície cilíndrica.

∑ 𝑀𝑟𝑒𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠
𝐹𝑆𝐺𝐿𝑂𝐵. = > 1,5 (64)
∑ 𝑀𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑏𝑖𝑙𝑖𝑧𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠

2.8 Muro de Gabião

As estruturas em gabião são estruturas antigas, que teve seu pioneirismo na Itália e a
partir de 1970 passou a ser aplicada no Brasil. Têm constituição formada por telas metálicas de
malha hexagonal de dupla torção. O seu preenchimento utiliza pedras com dimensões
superiores às dimensões da malha. Essa técnica que funciona à gravidade, é vista como
vantajosa tecnicamente e economicamente. Os gabiões formam estruturas destinadas para
solução de problemas geotécnicos e de controle da erosão. (BARROS, 2014)
As unidades de gabião são unidas por costuras de arames qualificando as estruturas
como monolítica. A ocorrência disso depende de algumas características da malha como:
elevada resistência mecânica, elevada resistência à corrosão e boa flexibilidade.
70

2.8.1. Vantagens do gabião

Segundo Barros (2014), as principais vantagens na utilização de estruturas de gabião


são listadas abaixo:

1) Monolíticas: apresenta a mesma resistência em qualquer ponto da estrutura devido as


amarrações em todas arestas que estão em contato, formando um bloco homogêneo.
2) Resistentes: a malha tem características de resistência nominal de tração elevadas e a dupla
torção evita o desfilamento da tela em caso de ruptura dos arames.
3) Duráveis: o revestimento trata-se de uma liga aplicada por imersão a quente nas telas,
proporcionando proteção contra a corrosão e com vida útil superior a 50 anos quando em
ambientes não agressivos.
4) Armadas: para solos de baixa capacidade portante e naturais de fundação, ocorre pela malha
metálica, a absorção dos recalques e esforços extras não calculados, garantindo maior
estabilidade à estrutura.
5) Flexíveis: a estrutura se adapta as movimentações do terreno sendo dispensável a utilização
de fundações profundas mesmo quando sobre solos de baixa capacidade de suporte. O
colapso da estrutura é “avisado” por suas deformações e em caso dele acontecer é possível
reconhecer a situação e intervir de forma segura e econômica.
6) Permeáveis: devido as pedras de preenchimento, as estruturas em gabião são totalmente
permeáveis, ou seja, autodrenantes, aliviando totalmente o empuxo hidrostático sobre a
estrutura.
7) Baixo impacto ambiental: as estruturas em gabião não representam obstáculos para as águas
percolantes ou de infiltração. Em obras de proteção de córregos, rios e margens de arroios
as linhas de fluxo não são alteradas e o impacto natural é mínimo.
8) Práticas e versáteis: a praticidade advém da característica dos materiais (telhas metálicas e
pedras), sendo a mão de obra formada por serventes e um mestre-de-obras. Por não
necessitar de mão de obra qualificada, as estruturas em gabião se espalham pelas
comunidades. Quando se utiliza equipamentos mecânicos, pode se usar qualquer
equipamento destinado a obras de terraplanagem. Por não necessitar de formas ou cura, o
retroaterro é executado concomitante a estrutura de gabião.
9) Econômicas: custos reduzidos com material e mão de obra em relação as demais estruturas,
podendo ser executadas por etapas conforme a disponibilidade econômica.
71

2.8.2. Tipos de gabiões

As estruturas de gabião, no que diz respeito às telas metálicas para o preenchimento das
pedras, podem ser classificadas de três maneiras: gabião do tipo caixa, gabião do tipo saco e
gabião do tipo colchão reno. Cada uma delas terão suas características abordadas no item a
seguir com as devidas ilustrações.

2.8.2.1. Gabião do tipo caixa

São estruturas em forma de paralelepípedo. Apresenta uma malha hexagonal de dupla


torção onde seu pano principal compõe a base, a parte frontal e traseira, e a tampa. As paredes
laterais e os diafragmas são amarrados no pano principal conforme a Figura 44. Este tipo de
gabião é o mais utilizado para soluções de contenção.

Figura 44: Esquema de montagem do gabião tipo caixa.

Fonte: Barros, 2014.

As dimensões para a montagem das caixas podem variar de 1,00 a 4,00 metros para o
comprimento e de 0,50 a 1,00 metro para a largura.

2.8.2.2. Gabião do tipo saco

Usualmente conhecidos pela forma cilíndrica, os gabiões do tipo saco também são
constituídos por um pano de malha hexagonal com dupla torção, porém após preenchido in loco
com material de pedra, suas bordas livres são amarradas com um arame especial, conforme
ilustrado pela Figura 45. Eles são utilizados como apoio para obras de contenção com presença
de água e com solos de fundação sem capacidade de suporte.
72

Figura 45: Esquema de montagem do gabião tipo saco.

Fonte: Barros, 2014.

As dimensões do gabião tipo saco variam de 1,00 a 6,00 metros para o comprimento,
sendo o diâmetro fixo de 0,65 metros.

2.8.2.3. Gabião do tipo colchão reno

Este modelo se assemelha ao tipo caixa, porém apresenta pequena altura e grande área.
Sua principal atuação é como revestimento flexível de margens e fundo de cursos d’água como
pode ser visto na Figura 46.

Figura 46: Esquema de montagem do gabião tipo colchão reno.

Fonte: Barros, 2014.

As dimensões do gabião tipo colchão reno variam de 3,00 a 6,00 metros para o
comprimento, tendo largura fixa de 2,00 metros. Sua espessura pode variar entre 0,17 m, 0,23
m e 0,30 m.
73

3 METODOLOGIA

O presente trabalho visa dimensionar e discutir a utilização de um muro de arrimo de


gravidade de gabião como alternativa a uma estrutura em concreto ciclópico. O estudo de caso
situa-se na cidade de Varginha – MG, mais especificamente nas instalações da Pedreira Santo
Antonio, empresa que comercializa pedra britada para inúmeras cidades do sul de Minas Gerais.
A encosta a ser analisada se faz necessária em virtude dos processos de produção. O
material extraído deve ser despejado, com auxílio de caminhões basculantes, em um britador.
Este, por sua vez, exige a existência do desnível (Figura 47) devido a sua estrutura.

Figura 47: Planta de situação.

DESNÍVEL
NECESSÁRIO

TRANSPORTADORAS
DE CARGA

BRITADOR

Fonte: Astec do Brasil, 2017 (adaptado).


74

No Anexo A do presente trabalho encontram-se alguns registros fotográficos, cedidos


pela Construtora Rotev, retirados durante a execução do muro de concreto ciclópico. Com isso,
pode-se ter uma visão mais clara da situação descrita e da localização da obra.

3.1 Etapas para desenvolvimento

Em princípio, será efetuado o cálculo da estabilidade de um talude hipotético, buscando


justificar a necessidade da existência das contenções. A partir dos parâmetros geotécnicos
obtidos por meio de correlações com os ensaios de sondagem de solo (SPT), calcular-se-á os
fatores de segurança contra a rotura do maciço de terra através do software SLOPE/W elaborado
pela GEO-SLOPE International Ltd. Será adotado como fator de segurança referente ao nível
de alto, tanto para a segurança contra danos a vidas humanas, quanto para segurança contra
danos materiais e ambientais. Portanto, assume-se o valor mínimo de 1,5.
Para o projeto do muro, Moliterno (1994) recomenda os seguintes passos:

1) Determinação ou estimativa das dimensões, onde o projetista embasa-se na sua experiência


e observação, ou orienta-se por fórmulas empíricas;
2) Verificação da estabilidade dos esforços atuantes, onde se determina as forças que atuam na
estrutura, sendo peso próprio, empuxos, cargas eventuais e reações do solo.

A primeira etapa, pode ser tratada com mais facilidade atualmente. Isso ocorre, pois o
projetista tem auxílio de inúmeras ferramentas computacionais, como a elaboração de planilhas
automatizadas. Tal fato além de reduzir o processo de cálculos, possibilita modificações
posteriores, caso necessário. Em seguida, parte-se para as verificações de estabilidade através
dos fatores de segurança, que podem afetar diretamente as dimensões da estrutura até que a
estabilidade seja garantida.
Para análise do estudo de caso foram elaboradas as seguintes etapas:

 Análise da estabilidade do talude hipotético;


 Cálculo dos empuxos de terra e equilíbrio estático;
 Verificação da geometria em função dos esforços (análises dos fatores de segurança);
 Levantamento de material necessário para a estrutura de gabião;
 Comparação com a estrutura de concreto ciclópico existente.
75

4 DIRETRIZES PARA O ESTUDO DE CASO

A análise do talude seguirá as mesmas dimensões da estrutura executada, devido à


exigência dos processos produtivos. Sendo um talude de aterro e com as configurações de
acordo com a Figura 48, nota-se uma diferença de cota de 13 metros entre os níveis, com
inclinação de 82,00º.

Figura 48: Características do talude.


13,00 m

Fonte: o autor, 2018.

Os parâmetros de solos foram obtidos a partir de correlações com o ensaio SPT


disponível mais recente (Anexo B) às margens do muro, que foi realizado no ano de 2017 para
construção de transportadoras de carga, conforme pode ser visto na Figura 47.
Com o resultado do ensaio de sondagem, obteve-se o NSPT de cálculo, e a partir dele, os
valores do peso específico, ângulo de atrito interno (método proposto por TEIXEIRA, 1996) e
coesão dos solos, seguindo os conceitos já abordados no presente trabalho. A Tabela 8 traz um
resumo dos valores obtidos em campo e apresenta os parâmetros dos solos correlacionados,
cuja classificação é dada pela numeração das amostras.

Tabela 8: Parâmetros de solo adotados na análise do talude.


Amostra NSPT Tipo de solo γ (kN/m³) Ø (º) C (kPa)
Aterro sedimentar, com resíduo de bica
1 - - - -
corrida e areia cinza
Aterro sedimentar, com resíduo de bica
2 10 17 29,14 0
corrida e areia cinza
Aterro sedimentar, com resíduo de bica
3 11 17 29,83 0
corrida e areia cinza, com pedregulho
76

4 10 Silte argiloso-arenoso 18 29,14 110


5 11 Silte areno-argiloso 17 29,83 0
6 20 Silte areno-argiloso 18 35,00 0
7 7 Silte areno-argiloso 18 26,83 0
8 35 Silte areno-argiloso 18 41,46 0
9 50 Silte areno-argiloso 18 46,62 0
Fonte: o autor, 2018.

As características do aterro contido pelo muro foram as mesmas da amostra de solo do


tipo 3 (aterro sedimentar, com resíduo de bica corrida e areia cinza, com pedregulho). Os três
últimos materiais são facilmente obtidos no local estudado, devido a atividade de extração das
pedras. A Figura 49, obtida durante a execução da contenção, demonstra o material descrito.

Figura 49: Caracterização do tipo de solo usado no aterro.

Fonte: ROTEV, 2014.

4.1 Verificação de estabilidade do talude

Conforme mencionado previamente, o lançamento das informações no software


GeoStudio SLOPE/W seguiu os parâmetros do projeto padrão. Foram aplicadas as mesmas
geometrias para a análise, no presente momento, da estabilidade do talude. Além disso, também
teve como base as correlações previamente efetuadas para a definição dos materiais. Deve-se
destacar que devido a não utilização dos valores de NSPT do solo de tipo 1 por parte da empresa
77

responsável pelo ensaio SPT, foi adotado as características do solo 2 para estudo na faixa
correspondente. O resultado dos cálculos, obtidos através do método de Morgenstern-Price, é
apresentado na Figura 50.

Figura 50: Resultado da análise de estabilidade do talude.

20 kPa

Fonte: o autor, 2018.

Nota-se que o fator de segurança obtido corresponde a 0,407, ou seja, abaixo do valor
mínimo de 1,5 adotado no presente trabalho, conforme NBR 11682 (2009). Portanto, é
necessária a solução a partir de outros métodos.

4.2 Soluções possíveis para instabilizações de taludes

De acordo com Carvalho (1991, apud FILHO e VIRGILI, 1998), são com base no
conhecimento das causas dos processos de instabilização de taludes de cortes, aterros e encostas
78

naturais que devem ser definidas e construídas as obras de estabilização. Este embasamento
faz-se necessário para garantir a eficácia e a eficiência das obras do ponto de vista técnico e
econômico, evitando a execução de obras desnecessárias e a alocação de recursos financeiros
excessivamente elevados para a sua função.
Carvalho (1991, apud FILHO e VIRGILI, 1998) propõe um fluxograma (Figura 51)
para utilização de diferentes grupos de obras como alternativas, levando-se em conta
instabilizações em aterros e taludes de cortes e o princípio do emprego das soluções mais
simples para as mais complexas.

Figura 51: Soluções para instabilizações de taludes.

Fonte: Carvalho (1991, apud FILHO e VIRGILI, 1998).

O método que mais se adequa a situação, sendo o tema do presente trabalho, é o de obras
de contenção, mais especificamente um muro de gravidade de gabião. Tendo em vista as
análises de viabilidade e de comparação com a estrutura existente em concreto ciclópico, a
escolha deste tipo de muro foi impactada, no caso particular, pela abundância e possibilidade
de produção do recurso principal neste tipo de estrutura (pedra britada) por parte da empresa
interessada em sua construção, a Pedreira Santo Antônio.
79

4.3 Parâmetros para o dimensionamento do muro de gabião

As características geométricas definidas podem ser vistas de acordo com a Figura 52,
onde se destacam as restrições da altura a ser vencida e a inclinação máxima do muro,
correspondentes a 13,00 metros e 8,00º, respectivamente.

Figura 52: Características geométricas do muro de gabião.

Fonte: o autor, 2018.


80

A Tabela 9 apresenta um resumo das características geométricas a serem utilizadas nos


cálculos, estando em conformidade com a Figura 36 e Figura 52.

Tabela 9: Características geométricas para dimensionamento do muro de gabião.


Ângulo formado entre a superfície externa do muro e a vertical – 𝛽 (º) 8
Ângulo do reaterro – 𝑖 (º) 0
Dimensão superior do muro – a (m) 2,00
Comprimento da base do muro – B (m) 6,00
Altura inclinada do muro – h (m) 15,00
Ângulo formado entre o plano de aplicação do empuxo ativo e a horizontal – 𝛼 (º) 83,07
Altura vertical total do muro – H (m) 15,69
Área da seção transversal – S (m²) 60,00
Fonte: o autor, 2018.

O solo a ser arrimado, conforme já explicitado durante a análise do talude hipotético,


tem suas características resumidas pela Tabela 10. Além disso, nela também é apresentado o
peso específico da rocha adotada para preenchimento. No caso, trata-se do gnaisse por ser o
material extraído e comercializado na Pedreira Santo Antônio. O gabião escolhido é do tipo
caixa com malha de 8x10, tendo 1,00 metro de altura por 1,00 de largura.

Tabela 10: Parâmetros do solo arrimado e características do gabião.


Peso específico do solo – γ𝑠 (kN/m³) 17
Ângulo de atrito interno – ∅ (º) 29
SOLO ARRIMADO Coesão – c (kPa) 0
Ângulo de atrito entre o solo e o muro – 𝛿 (º) 29
Carregamento superficial – q (kPa) 20
Peso específico da pedra – γ𝑝 (kN/m³) 25
GABIÃO Porosidade – n (adimensional) 0,30
Peso específico da caixa metálica – 𝑝𝑢 (kgf/m³) 10,5
Fonte: o autor, 2018.

Foram abordadas no referencial teórico as duas teorias clássicas para a obtenção do


carregamento atuante nas estruturas de contenção, sendo elas a Teoria de Rankine e a Teoria de
Coulomb. No entanto, para o cálculo do empuxo no presente trabalho, será utilizado o modelo
proposto por Coulomb, devido este possibilitar a análise em um paramento interno não vertical,
além de considerar o atrito existente entre o solo arrimado e o muro.
Deve-se destacar também, a desconsideração da existência do empuxo passivo nos
cálculos em favor da segurança, pois caso haja alguma escavação a frente do muro, tal parcela
que ocasiona um benefício nas verificações é perdida.
81

Para a verificação da ruptura de carga na fundação houve o agrupamento dos Solos 1,


2, 3, 4 e 5 visando a simplificação dos cálculos. Isso se deu devido a semelhança nos parâmetros
de solo obtidos previamente durante a análise do talude hipotético. A Figura 53 ilustra a
disposição das camadas, bem como a locação da base do muro.

Figura 53: Caracterização das camadas de solo da fundação.

Fonte: o autor, 2018.

Os valores dos parâmetros de solo de fundação como camada a ser analisada, número
de golpes obtidos no ensaio SPT, peso específico do solo, ângulo de atrito interno e coesão
encontram-se disponíveis na Tabela 11, respectivamente.

Tabela 11: Parâmetros do solo da fundação.


Camada NSPT γ (kN/m³) Ø (º) C (kPa)
1, 2, 3, 4 e 5 10 17 29 0
6 20 18 35 0
7 7 18 26 0
8 35 18 41 0
9 50 18 46 0
Fonte: o autor, 2018.

A análise da ruptura da fundação será realizada até o Solo 7, pois este representa o menor
valor Nspt obtido em ensaio, sendo consequentemente a menor resistência dada a semelhança
do solo entre as camadas.
82

5 RESULTADO DAS VERIFICAÇÕES DE ESTABILIDADE DO GABIÃO

No presente capítulo serão demonstrados os valores utilizados durante os cálculos, bem


como os resultados obtidos para as verificações da estabilidade do muro de gabião. A memória
de cálculo seguiu conforme as teorias apresentadas nos itens 2.4.3, 2.4.4 e 2.7, além dos
parâmetros previamente estabelecidos em 4.3.
A Tabela 12 apresenta os valores iniciais para cálculo, referentes ao empuxo ativo na
estrutura e o peso do muro, com suas devidas posições geométricas de atuação.

Tabela 12: Valores iniciais de cálculo.


EMPUXO ATIVO – TEORIA DE COULOMB
𝐾𝑎 0,366
𝐸𝑎 (kN/m) 880,29
𝐻𝐸𝑎 (m) 5,57
PESO DA ESTRUTURA
𝛾𝑔 (kN/m³) 17,5
𝑃 (kN/m) 1050
𝑋𝑔 (m) 3,02
𝑌𝑔 (m) 6,49
Fonte: o autor, 2018.

5.1 Deslizamento

As informações de cálculo obtidas durante a verificação ao deslizamento foram


elaboradas conforme o item 2.7.2 e encontram-se disponíveis na Tabela 13.

Tabela 13: Verificação do deslizamento.


𝑁 (kN/m) 1650,52
𝑇𝑑 (kN/m) 914,40
𝐹𝑆𝐷𝐸𝑆𝐿𝐼𝑍 1,88
Fonte: o autor, 2018.

5.2 Tombamento

As informações de cálculo obtidas durante a verificação do tombamento foram


elaboradas conforme o item 2.7.3 e encontram-se disponíveis na Tabela 14.
83

Tabela 14: Verificação do tombamento.


𝑀𝐸𝑎ℎ (kN.m/m) 3375,51
𝑀𝑃 (kN.m/m) 3166,18
𝑀𝐸𝑎𝑣 (kN.m/m) 2719,40
𝐹𝑆𝑇𝑂𝑀𝐵 1,74
Fonte: o autor, 2018.

5.3 Ruptura da fundação

As informações de cálculo obtidas durante a verificação da ruptura da fundação foram


elaboradas conforme o item 2.7.4.1. A Tabela 15 traz os valores obtidos durante o cálculo.

Tabela 15: Tensão máxima atuante.


𝑑 (m) 1,52
𝑒 (m) 1,48
𝐵/6 (m) 1,00
𝜎𝑚á𝑥 (kN/m²) 723,54
𝜎𝑚í𝑛 (kN/m²) -
Fonte: o autor, 2018.

Para a análise das tensões admissíveis em cada camada foram utilizados os conceitos
abordados no item 2.7.4.2. A Tabela 16 apresenta os valores de cálculo da tensão admissível na
junção dos Solos 1, 2, 3, 4 e 5.

Tabela 16: Tensão admissível (Solos 1, 2, 3, 4 e 5).


𝑧 (m) 0,00
𝐵 + 𝑧 (m) 6,00
𝑞 (kN/m²) 31,45
𝑖𝑞 (adimensional) 0,72
𝑖𝛾 (adimensional) 0,52
𝑁𝑞 (adimensional) 48,34
𝑁𝑐 (adimensional) 85,41
𝑁𝛾 (adimensional) 47,23
𝑑𝑐 = 𝑑𝑞 (adimensional) 1,11
𝑑𝛾 (adimensional) 1,00
𝜎𝑙𝑖𝑚 (kN/m²) 2.476,25
𝜎𝑎𝑑𝑚 (kN/m²) 825,42
𝜎𝑚á𝑥 (kN/m²) 723,54
Fonte: o autor, 2018.
84

A Tabela 17 apresenta os valores de cálculo da tensão admissível no Solo 6. Além disso,


também é apresentado a tensão atuante na camada, admitindo-se a propagação da carga máxima
na base do muro ao longo da cota “z”.

Tabela 17: Tensão admissível (Solo 6).


𝑧 (m) 3,15
𝐵 + 𝑧 (m) 9,15
𝑞 (kN/m²) 85,00
𝑖𝑞 (adimensional) 0,72
𝑖𝛾 (adimensional) 0,52
𝑁𝑞 (adimensional) 115,53
𝑁𝑐 (adimensional) 163,56
𝑁𝛾 (adimensional) 144,34
𝑑𝑐 = 𝑑𝑞 (adimensional) 1,19
𝑑𝛾 (adimensional) 1,00
𝜎𝑙𝑖𝑚 (kN/m²) 14.666,58
𝜎𝑎𝑑𝑚 (kN/m²) 4.888,86
∆𝜎 (kN/m²) 114,33
Fonte: o autor, 2018.

Por fim, o mesmo acontece para a camada crítica, representada pelo Solo 7. Os
resultados obtidos estão dispostos na Tabela 18.

Tabela 18: Tensão admissível (Solo 7).


𝑧 (m) 4,15
𝐵 + 𝑧 (m) 10,15
𝑞 (kN/m²) 103,00
𝑖𝑞 (adimensional) 0,72
𝑖𝛾 (adimensional) 0,52
𝑁𝑞 (adimensional) 31,12
𝑁𝑐 (adimensional) 61,76
𝑁𝛾 (adimensional) 26,44
𝑑𝑐 = 𝑑𝑞 (adimensional) 1,21
𝑑𝛾 (adimensional) 1,00
𝜎𝑙𝑖𝑚 (kN/m²) 4.058,61
𝜎𝑎𝑑𝑚 (kN/m²) 1.352,87
∆𝜎 (kN/m²) 83,05
Fonte: o autor, 2018.
85

5.4 Ruptura interna

As verificações das seções intermediárias baseiam-se nas teorias apresentadas no item


2.7.5. Tendo um total de 14 seções, conforme ilustrado pela Figura 52, o cálculo dos esforços
e as verificações variam devido a alteração da geometria. Foram elaboradas tabelas individuais
para cada seção, a fim de demonstrar os valores de utilizados, além das verificações pertinentes
quanto ao deslizamento e das pressões atuantes entre as camadas.
Os resultados obtidos para as seções são representados da Tabela 19 até a Tabela 32.

Tabela 19: Verificação seção intermediária 01 – h = 14,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões

a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,329 𝑁 (kN/m) 1505 ∅ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 6,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 701,6 𝑀𝐸𝑎ℎ 2306 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 317
h (h) 14,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 5,24 𝑀𝑃 2898 𝑇𝑎𝑑𝑚 1164
𝛼 (°) 82,05 𝑃 (kN/m) 980 𝑀𝐸𝑎𝑣 2431 𝑇𝑎𝑡 317
H (m) 14,70 𝑋𝑔 (kN/m) 2,96 𝑑 (m) 2,01
S (m²) 56,00 𝑌𝑔 (kN/m) 6,08
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 20: Verificação seção intermediária 02 – h = 13,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,341 𝑁 (kN/m) 1396 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 6,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 637,5 𝑀𝐸𝑎ℎ 1901 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 328
h (h) 13,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 4,90 𝑀𝑃 2638 𝑇𝑎𝑑𝑚 1091
𝛼 (°) 82,90 𝑃 (kN/m) 910 𝑀𝐸𝑎𝑣 2235 𝑇𝑎𝑡 276
H (m) 13,71 𝑋𝑔 (kN/m) 2,90 𝑑 (m) 2,13
S (m²) 52,00 𝑌𝑔 (kN/m) 5,67
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 21: Verificação seção intermediária 03 – h = 12,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões

a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,311 𝑁 (kN/m) 1096 ∅ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 5,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 497,3 𝑀𝐸𝑎ℎ 1463 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 327
h (h) 12,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 4,52 𝑀𝑃 1878 𝑇𝑎𝑑𝑚 865
𝛼 (°) 83,96 𝑃 (kN/m) 735 𝑀𝐸𝑎𝑣 1424 𝑇𝑎𝑡 232
H (m) 12,58 𝑋𝑔 (kN/m) 2,55 𝑑 (m) 1,68
S (m²) 42,00 𝑌𝑔 (kN/m) 5,35
Fonte: o autor, 2018.
86

Tabela 22: Verificação seção intermediária 04 – h = 11,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,323 𝑁 (kN/m) 1002 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 5,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 443,3 𝑀𝐸𝑎ℎ 1168 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 279
h (h) 11,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 4,19 𝑀𝑃 1681 𝑇𝑎𝑑𝑚 802
𝛼 (°) 82,74 𝑃 (kN/m) 674 𝑀𝐸𝑎𝑣 1285 𝑇𝑎𝑡 197
H (m) 11,59 𝑋𝑔 (kN/m) 2,50 𝑑 (m) 1,79
S (m²) 38,50 𝑌𝑔 (kN/m) 4,93
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 23: Verificação seção intermediária 05 – h = 10,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões

a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,337 𝑁 (kN/m) 909 ∅ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 5,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 329,8 𝑀𝐸𝑎ℎ 915 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 239
h (h) 10,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 3,85 𝑀𝑃 1492 𝑇𝑎𝑑𝑚 740
𝛼 (°) 81,30 𝑃 (kN/m) 613 𝑀𝐸𝑎𝑣 1156 𝑇𝑎𝑡 165
H (m) 10,60 𝑋𝑔 (kN/m) 2,33 𝑑 (m) 1,91
S (m²) 35,00 𝑌𝑔 (kN/m) 4,50
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 24: Verificação seção intermediária 06 – h = 9,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,298 𝑁 (kN/m) 673 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 4,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 283,6 𝑀𝐸𝑎ℎ 649 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 229
h (h) 9,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 3,47 𝑀𝑃 991 𝑇𝑎𝑑𝑚 556
𝛼 (°) 85,47 𝑃 (kN/m) 473 𝑀𝐸𝑎𝑣 648 𝑇𝑎𝑡 130
H (m) 9,47 𝑋𝑔 (kN/m) 2,10 𝑑 (m) 1,47
S (m²) 27,00 𝑌𝑔 (kN/m) 4,18
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 25: Verificação seção intermediária 07 – h = 8,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,311 𝑁 (kN/m) 596 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 4,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 243,2 𝑀𝐸𝑎ℎ 481 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 189
h (h) 8,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 3,13 𝑀𝑃 855 𝑇𝑎𝑑𝑚 504
𝛼 (°) 83,96 𝑃 (kN/m) 420 𝑀𝐸𝑎𝑣 565 𝑇𝑎𝑡 105
H (m) 8,48 𝑋𝑔 (kN/m) 2,04 𝑑 (m) 1,57
S (m²) 24,00 𝑌𝑔 (kN/m) 3,74
Fonte: o autor, 2018.
87

Tabela 26: Verificação seção intermediária 08 – h = 7,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,329 𝑁 (kN/m) 521 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 4,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 206,3 𝑀𝐸𝑎ℎ 345 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 156
h (h) 7,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 2,79 𝑀𝑃 725 𝑇𝑎𝑑𝑚 454
𝛼 (°) 82,05 𝑃 (kN/m) 368 𝑀𝐸𝑎𝑣 490 𝑇𝑎𝑡 82
H (m) 7,49 𝑋𝑔 (kN/m) 1,97 𝑑 (m) 1,67
S (m²) 21,00 𝑌𝑔 (kN/m) 3,30
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 27: Verificação seção intermediária 09 – h = 6,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões

a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,354 𝑁 (kN/m) 449 ∅ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 4,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 173,1 𝑀𝐸𝑎ℎ 236 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 127
h (h) 6,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 2,54 𝑀𝑃 602 𝑇𝑎𝑑𝑚 406
𝛼 (°) 79,57 𝑃 (kN/m) 315 𝑀𝐸𝑎𝑣 423 𝑇𝑎𝑡 62
H (m) 6,50 𝑋𝑔 (kN/m) 1,91 𝑑 (m) 1,76
S (m²) 18,00 𝑌𝑔 (kN/m) 2,86
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 28: Verificação seção intermediária 10 – h = 5,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,288 𝑁 (kN/m) 288 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 3,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 101,4 𝑀𝐸𝑎ℎ 133 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 108
h (h) 5,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 2,06 𝑀𝑃 345 𝑇𝑎𝑑𝑚 272
𝛼 (°) 86,69 𝑃 (kN/m) 219 𝑀𝐸𝑎𝑣 174 𝑇𝑎𝑡 41
H (m) 5,37 𝑋𝑔 (kN/m) 1,58 𝑑 (m) 1,34
S (m²) 12,50 𝑌𝑔 (kN/m) 2,49
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 29: Verificação seção intermediária 11 – h = 4,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,311 𝑁 (kN/m) 231 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 3,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 78,04 𝑀𝐸𝑎ℎ 78 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 82
h (h) 4,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 1,71 𝑀𝑃 265 𝑇𝑎𝑑𝑚 234
𝛼 (°) 83,96 𝑃 (kN/m) 175 𝑀𝐸𝑎𝑣 139 𝑇𝑎𝑡 28
H (m) 4,38 𝑋𝑔 (kN/m) 1,51 𝑑 (m) 1,41
S (m²) 10,00 𝑌𝑔 (kN/m) 2,02
Fonte: o autor, 2018.
88

Tabela 30: Verificação seção intermediária 12 – h = 3,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,204 𝑁 (kN/m) 149 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 3,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 33,72 𝑀𝐸𝑎ℎ 29 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 53
h (h) 3,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 1,36 𝑀𝑃 190 𝑇𝑎𝑑𝑚 179
𝛼 (°) 79,57 𝑃 (kN/m) 131 𝑀𝐸𝑎𝑣 46 𝑇𝑎𝑡 10
H (m) 3,39 𝑋𝑔 (kN/m) 1,45 𝑑 (m) 1,40
S (m²) 7,50 𝑌𝑔 (kN/m) 1,56
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 31: Verificação seção intermediária 13 – h = 2,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões

a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,204 𝑁 (kN/m) 123 ∅ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 2,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 33,7 𝑀𝐸𝑎ℎ 33 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 97
h (h) 2,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 1,36 𝑀𝑃 79 𝑇𝑎𝑑𝑚 135
𝛼 (°) 98,00 𝑃 (kN/m) 105 𝑀𝐸𝑎𝑣 32 𝑇𝑎𝑡 13
H (m) 2,18 𝑋𝑔 (kN/m) 0,75 𝑑 (m) 0,64
S (m²) 6,00 𝑌𝑔 (kN/m) 0,75
Fonte: o autor, 2018.

Tabela 32: Verificação seção intermediária 14 – h = 1,00 m.


Geometria Empuxo Esforços Deslizamento Pressões
a (m) 2,00 𝐾𝑎 0,354 𝑁 (kN/m) 46 ∅∗ (°) 33,75 𝜎𝑎𝑑𝑚 1175
B (m) 2,00 𝐸𝑎 (kN/m²) 13,9 𝑀𝐸𝑎ℎ 3 𝑐𝑔 (kPa) 26,5 𝜎𝑎𝑡 20
h (h) 1,00 𝐻𝐸𝑎 (m) 0,56 𝑀𝑃 37 𝑇𝑎𝑑𝑚 84
𝛼 (°) 79,60 𝑃 (kN/m) 35 𝑀𝐸𝑎𝑣 18 𝑇𝑎𝑡 4
H (m) 14,70 𝑋𝑔 (kN/m) 1,06 𝑑 (m) 1,15
S (m²) 2,00 𝑌𝑔 (kN/m) 0,63
Fonte: o autor, 2018.

5.5 Ruptura global

Para a análise da ruptura global do muro de gabião foi utilizado, bem como para o talude
hipotético, o software GeoStudio SLOPE/W. No entanto, desta vez a modelagem seguiu os
parâmetros propostos anteriormente pela Tabela 11, visando uma uniformidade entre os solos,
além da simplificação no cálculo.
A Figura 54 ilustra o resultado obtido, demonstrando as camadas já mencionadas, o
muro em questão, a cunha de ruptura gerada e o respectivo fator de segurança do problema.
89

Figura 54: Verificação contra a ruptura global.

20 kPa

MURO

SOLO 1, 2, 3, 4, E 5
SOLO 6
SOLO 7
SOLO 8
SOLO 9

Fonte: o autor, 2018.

5.6 Resumo e discussão das principais verificações

A Tabela 33 reúne as principais verificações elaboradas junto dos valores exigidos.

Tabela 33: Resumo das principais verificações.


Verificação FS𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜 FS𝑚í𝑛𝑖𝑚𝑜
Deslizamento 1,88 1,50
Tombamento 1,74 1,50
Ruptura global 2,34 1,50
Verificação σ𝑚á𝑥 σ𝑎𝑑𝑚
Solo 1, 2, 3, 4 e 5 723,54 825,42
Ruptura da fundação Solo 6 114,33 4.888,86
Solo 7 83,05 1.352,87
Fonte: o autor, 2018.
90

A partir dos resultados obtidos nas análises de estabilidade realizadas, verifica-se as


condições de segurança para cada etapa, sendo elas: o deslizamento da base, o tombamento do
muro, a ruptura do solo de fundação e a ruptura global do maciço de terra. Além dessas, a
ruptura interna, verificada em cada seção intermediária também apresentou valores
satisfatórios, conforme demonstrado pelas tabelas individuais no item 5.4.
O fator de segurança calculado mais próximo do mínimo foi correspondente a
verificação do tombamento. Isso se explica devido a magnitude das forças geradas em função
da altura da massa de solo a ser contida (13,00 m), entre outras características, como os elevados
comprimentos dos braços de alavanca para cálculo dos momentos fletores. O deslizamento foi
beneficiado pelo ângulo de inclinação do muro com o plano vertical (8,00º), ocasionando um
alívio nas forças normais e tangenciais atuantes na base da estrutura. Quanto a verificação da
ruptura global do maciço de terra, a área da seção transversal do muro (60,00 m²) junto do peso
específico calculado em função do tipo de pedra de enchimento definido (17,5 kN/m³) foram
suficientes para evitar o colapso.
As análises da possibilidade de ruptura da fundação merecem certo destaque, devido a
consideração da heterogeneidade do solo. Buscou-se satisfazer as exigências na camada
unificada, correspondente aos Solos 1, 2, 3, 4 e 5, em razão desta receber a tensão máxima
calculada. Além disso, a análise do Solo 7 se fez necessária devido à baixa resistência deste em
comparação com as outras camadas. A partir das análises foi comprovada a capacidade de carga
nos materiais citados. Estas são explicadas pelo comprimento da base do muro (6,00 m), fator
que auxilia na dissipação da tensão máxima atuante no solo unificado, além do estudo realizado
sobre a propagação desta pressão até o solo pouco resistente.
91

6 ANÁLISE DE VIABILIDADE E COMPARAÇÃO DOS MODELOS

Será abordada a análise de viabilidade técnica quanto a implementação do muro gabião


dimensionado no presente trabalho, perfazendo-se uma comparação com a estrutura em
concreto ciclópico existente no local, cujo projeto executivo encontra-se nos Anexos. Os
valores a serem comparados são referentes ao consumo dos principais materiais em cada tipo
de estrutura, sendo: volume de concreto e massa de aço para o muro de concreto ciclópico; e
volume de brita e quantidade de caixas metálicas para a estrutura de gabião. Uma análise mais
completa, apesar de interessante, extrapolaria os âmbitos do presente trabalho.
A Tabela 34 demonstra a comparação proposta, considerando a extensão do muro como
sendo constante, visando a simplificação dos cálculos, e equivalente a 21,40 metros.

Tabela 34: Comparação de consumo dos principais materiais.


Concreto ciclópico Gabião
Volume de concreto (m³) 693,00 Volume de pedra (m³) 898,80
Aço (kg) 13.824 Caixas metálicas (un.) 1.342
Fonte: o autor, 2018.

Analisando os sistemas construtivos, a execução do muro de gabião se comparada com


o muro de concreto ciclópico, requer menos etapas. Não exigindo mão de obra especializada,
os processos correspondem basicamente a montagem das telas metálicas e o preenchimento
destas com as pedras, utilizando-se ou não de equipamento mecânico. A estrutura de concreto,
por sua vez, abrange a criação de fôrmas, concretagem e a colocação das pedras de mão, tendo
ainda de ser respeitado o tempo de cura. O gabião depois de montado já está pronto para o
serviço de aterro, enquanto que o muro de concreto depois de curado e atingido a resistência
necessária, permite um aterramento mais rápido e intensivo. Ainda assim, pode-se dizer que o
tempo gasto neste tipo de estrutura é bem maior do que o tempo para a execução do muro de
gabião.
No que diz respeito à permeabilidade das estruturas analisadas, o muro de concreto
ciclópico é impermeável, sendo, portanto imprescindível à execução de um sistema adequado
de drenagem, como o uso de barbacãs e drenos de areia, por exemplo. Já a alta permeabilidade
dos gabiões alivia as eventuais pressões hidrostáticas do talude, e sua flexibilidade absorve as
possíveis acomodações e deformações do terreno sem ocasionar danos à estrutura. O muro de
concreto ciclópico trata-se de uma estrutura rígida, não permitindo tais acomodações do terreno,
correndo o risco de colapso caso estas ocorram.
92

CONCLUSÃO

Os estudos realizados através das teorias para o cálculo das estabilidades de muros de
gabião mostraram-se satisfatórios em todos os aspectos pertinentes, conforme explicado na
discussão dos resultados. Isto se deu devido a adaptação da geometria frente a magnitude dos
esforços, haja visto que os parâmetros de solo obtidos através de correlações com o ensaio SPT
limitavam o problema. Porém, o simples reconhecimento dos materiais dispostos no problema
é, de certo modo, agradável tendo em vista que em muitos dimensionamentos os projetistas são
obrigados a trabalharem às cegas.
As verificações que apresentaram maior dificuldade durante os cálculos foram quanto a
análise de tombamento da estrutura e a ruptura do solo da fundação, sobretudo a camada
unificada que compreende os Solos 1, 2, 3, 4 e 5. Em razão disso, para absorção dos grandes
momentos atuantes, bem como a dissipação da tensão atuante na base, se deu a necessidade da
seção transversal um tanto quanto robusta, compreendendo a área total de 60,00 m², o que eleva
o consumo de materiais. O comprimento da base, aliado do ângulo de inclinação necessário a
segurança da estrutura, ocasionam o assentamento do muro a uma profundidade de
aproximadamente 2,70 m, impondo uma escavação prévia para a execução da mesma. No
entanto, ao relacionar tais fatores com a facilidade dos meios necessários para a execução no
local de interesse (Pedreira Santo Antonio), como maquinário e matéria-prima básica, tem-se
um olhar benéfico para a solução.
A análise comparativa envolta da estrutura executada em concreto ciclópico se deu
apenas quanto aos materiais principais, além dos modelos construtivos. Mesmo que de maneira
simplória, é possível se ter uma noção inicial quanto a análise da viabilidade de ambas
estruturas. Uma visão mais sistêmica e aprofundada do assunto, extrapolaria o âmbito do
presente trabalho, mas serve de sugestão para monografias futuras, aplicando conceitos de
planejamento e orçamentação de obras. Porém, é seguro dizer que a execução de uma estrutura
de gabião (independente do quantitativo de material necessário) sob os fatores benéficos já
mencionados, sairia a preço de custo para a Pedreira Santo Antonio.
Por fim, destacam-se o cumprimento dos conceitos normativos obtidos durante o
dimensionamento do muro de gabião, verificando assim a segurança do problema que foge as
ordens grandezas comumente trabalhadas neste tipo de estrutura.
93

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ANEXO A – FOTOGRAFIAS DA EXECUÇÃO DO MURO (ROTEV, 2014)


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ANEXO B – ENSAIO DE SOLO S.P.T. (JBUENO, 2017)