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mandamentos que constroem

4 SEGREDOS QUE SEU FILHO GOSTARIA DE LHE CONTAR


Douglas Gonçalves | 2014

NÃO ME DEIXE PASSAR FOME


Filhos gostariam de dizer: “Pai, não me deixe passar fome”.
Isso o choca? Isso o deixa sem jeito, sem graça? Que filho desejaria dizer isso a seu pai num
mundo como o nosso? A comida que é desperdiçada hoje daria para por um fim à fome ao redor do
mundo. Será que tem alguém sofrendo fome aqui?
Consigo imaginar os pais pensando: “Poxa, mas aí, nessa área, eu não tenho problemas.
Comida é o que não falta na minha casa”. Mas não estou falando da comida ou do alimento diário. Os
filhos talvez nem pensem em alimento no dia a dia, pois é algo tão natural, “tão óbvio”, que essa
preocupação não lhes passa pela cabeça, de fato. Refiro-me a outro tipo de alimento.
Em Mateus 3.16, lemos uma porção bem conhecida da Palavra de Deus, que narra quando
João batizou Jesus. Jesus aproximou-se de João Batista e disse que precisava ser batizado. João
ficou constrangido, mas deveria realizar o batismo para que se cumprisse aquilo que tinha sido
predito no Antigo Testamento, ou seja, o ritual de purificação como sinal do ingresso na comunidade
de fé. E foi assim que aconteceu. Em seguida, lemos:
E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus
descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo.
“Este é meu Filho amado em quem eu tenho muito prazer.” Trata-se de uma declaração muito
forte sobre a paternidade de Deus e, consequentemente, a divindade de Jesus, logo no início do seu
ministério.
Depois desse acontecimento, a Bíblia diz que o Espírito Santo guiou Jesus, levando-s para o
deserto a fim de ser tentado. O Espírito Santo que veio sobre Jesus no batismo no rio Jordão levou o
mesmo Jesus para uma série de tentações iniciais que ele sofreria na sua caminhada terrena. E
Jesus passou quarenta dias no deserto sem comer, sem beber, em completo jejum, consagrando-se
para que pudesse enfrentar os anos seguintes de ministério. Ele buscou a Deus nesse tempo e, no
final do período de jejum, foi visitado por Satanás, o tentador. Quando Satanás chegou, ele fez as
suas propostas e ofertas como o evangelista Mateus fez questão de registrar:
Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo,
disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
(Mateus 4.3,4)
Que relação pode haver entre o deserto e o tentador que Jesus enfrentou e o cotidiano da vida
de nossos filhos? Superficialmente nenhuma; mas há. Parece existir uma forte relação quando nós
lemos a rotina deles e o ambiente no qual eles ingressam. Todos os dias, bem cedo, os nossos filhos
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vestem o seu uniforme, pegam a sua mochila e vão para o seu deserto. Todos os dias os nossos
filhos ligam a televisão e dão de frente com o tentador.
No deserto, nossos filhos também recebem propostas sedutoras como as que Jesus recebeu.
Muitas vezes, esse tentador aproxima-se deles com um cigarro de maconha em sua mão, oferecendo
“alívio para as pressões” ou mesmo “pura diversão”. Noutros casos, o tentador chega até eles
apresentando o mundo de possibilidades da homossexualidade, de “serem compreendidos”, de “se
realizarem como são” e “serem amados”, ou ainda a possibilidade de entrarem para um mundo onde
os desejos sem controle e o sexo sem compromisso não são proibidos. A verdade é que todos os
dias os nossos filhos são enviados para esse deserto a fim de serem tentados. Nós os enviamos para
que estudem e sejam alguém na vida, mas o tentador vê a situação com outros olhos.
A pergunta que precisamos fazer é: Será que os nossos filhos estão famintos quando vão para
esse deserto? Será que eles estão bem nutridos quando se deparam com a batalha? Temos dado a
eles alimento e nutrição suficientes pra que rejeitem os pratos oferecidos?
Quando olhamos para a situação de Jesus ao ir para o deserto, não penso haver dúvidas: ele
tinha fome. Afinal de contas, Jesus estava ali também como homem. Embora fosse o Filho amado de
Deus, ele não abriu mão de sua humanidade e esteve sujeito a ela. Jesus teve fome fisicamente, mas
emocionalmente ele estava muito bem alimentado porque, antes de ir para essa batalha, o Pai o
chamou e disse: “Filho, saiba disto, o Pai te ama muito e tem muito prazer em você”. “Filho, você vai
passar por algo terrível, o tentador vai visitar você, mas nunca se esqueça de que você é o meu Filho,
eu o amo muito e tenho muito prazer em você”. O Pai alimentou antes de permitir que fosse para o
deserto.
Observe que a frase dita por Deus não contém um “se”, que submete o seu amor a uma
situação ou a uma condição específica. O Pai não disse “Filho, eu o amo muito se você tirar boas
notas” ou “Filho, eu o amo muito se você for um bom filho”. Não há condicionantes para o amor de
Deus. Não há uma partícula “se” que limite o amor de Deus a uma situação específica. Seu amor é do
tipo “Filho, eu o amo muito como você é”, “Quer você vença ou não, eu o amo muito”, “Quer você erre
ou não, eu o amo muito” e “Eu tenho muito prazer em você”. É assim o amor de Deus para com Jesus
e para com cada um de nós.
Será que nós também temos amado os nossos filhos com esse tipo de amor? E será que
quando nós os amamos dessa maneira, eles têm percebido esse nosso amor em relação a eles? As
melhores expressões de nosso amor têm chegado até eles ou a comunicação tem falhado? Eles têm
percebido e recebido as mais fortes e intensas manifestações do nosso amor? Nossos filhos vão
para o deserto todos os dias, a cada manhã, e o tentador está lá, à sua espera. Será que eles têm ido
famintos para o deserto?
A fome física, provavelmente, foi saciada logo cedo, no café da manhã. A fome física é real.
Mais tarde, eles tomam um lanche no intervalo das aulas, levado de casa ou comprado na própria
escola. Mas nós temos de prestar atenção à necessidade de alimentar os nossos filhos
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emocionalmente, não deixando que paire qualquer sombra de dúvida de que eles são amados e
aceitos, e que são aceitos da forma como são. Lá fora, na escola, os amigos colocam condições para
que eles sejam aceitos.

EU VEJO DEUS EM VOCÊ


O ser humano tem um poder incrível. Se estiver cheio do Espírito Santo, isso pode ser ainda mais
significativo. No entanto, há algumas tarefas que não conseguimos fazer sempre bem. Não podemos
sustentar uma situação falsa por muito tempo. O ser humano pode enganar em uma ocasião, duas,
três, mas não por toda a vida. Jesus tocou nesse assunto em Mateus 12.34, que diz que “a boca fala
do que está cheio o coração”. Não podemos tirar coisas boas de um tesouro ruim, e o contrário
também é verdadeiro: não podemos tirar coisas ruins de um bom tesouro. Só é possível liberarmos o
Espírito Santo sobre e para a vida de alguém se o nosso próprio coração estiver cheio do Espírito
Santo. Só podemos liberar vida em benefício de alguém se o nosso coração estiver cheio de vida.
Isso também parece óbvio.
O segundo segredo é que seu filhos gostariam de fazer para vocês, pais, é: “Pai, mãe, eu vejo
Deus em vocês” ou “Eu vejo Deus na vida de vocês”.
É preciso entender essa frase, pois ela não é o que parece ser. Um filho que quer contar a seus
pais “Eu vejo Deus em vocês” não está interessado em dizer se vocês são bons ou são ruins, se são
boas pessoas ou más pessoas. “Eu vejo Deus em vocês” quer dizer que a expressão de Deus vem até
eles por meio da vida dos pais. Se vocês disserem que Deus age de um modo e vocês agirem de
outro modo, eles olharão para vocês e não farão abstrações a respeito de Deus nem terão
informações bíblicas ou teológicas para discernir entre o certo de Deus e o errado de seus pais. Para
o seu filho ou a sua filha, você é como um sacerdote, você é o representante de Deus em sua casa,
em favor de suas frágeis vidas. Sendo assim, se vocês forem ruins, eles verão em vocês um Deus
igualmente ruim. Se vocês forem bons, eles verão em vocês um Deus igualmente bom!
Veja a responsabilidade que temos como pais e mães. O pai é a principal representação de
Deus dentro de sua casa, em especial, para os filhos pequenos – o provedor, o organizador, o
protetor. A relação que eles mantiveram como você, pai, irá refletir na relação que eles terão com
Deus Pai. A relação humana lançará as bases para a relação espiritual.
Quer um exemplo? Muitos de nós temos dificuldade para orar, para passar um tempo na
presença do Senhor. Costumamos orar em duas situações: quando queremos pedir algo a Deus ou
quando fizemos algo errado e queremos pedir perdão. É possível entender o porquê da dificuldade
para orar baseando-nos na relação que temos com nossos pais: esses dois “motivos” de oração são
os mesmos motivos que nos levam a falar com nossos pais. Há pais que só conversam com seus
filhos quando estes querem algum presente ou quando o filho fez alguma bobagem e precisa pedir
perdão. Não há outro motivo pelo qual eles conversam. Como podemos esperar que eles conversem
com Deus sobre assuntos corriqueiros se não aprenderam a fazer isso com seus pais? Os pais são o
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modelo.
Se a sua filha não pode falar sobre os “namorados” com você, como ela falará com Deus sobre
seu namorado? Se a sua filha não pode contar a você que está triste por algum motivo, por que ela
irá à presença de Deus falar sobre a sua tristeza? Na cabeça dos filhos há uma compreensão de que
aquilo que é irrelevante para os pais será certamente irrelevante para Deus e, portanto, deve ser
evitado. Você percebe como os pais são uma representação de Deus para seus filhos? Veja o que
Jesus disse sobre isso: “Eu falo do que ouvi de meu Pai” (João 8.40; 15.15). Eu só falo o que eu ouvi
o meu pai falar. Eu só ando quando eu sinto que o meu pai está me movendo. Eu só creio quando sei
que o meu pai apoia o que irei fazer.

O QUE OS SEUS FILHOS TÊM VISTO VOCÊ FAZER?


Quando você fala, o seu filho ouve e retém a informação; quando você faz e dá o exemplo de
como fazer, o seu filho imita. Há situações em que os filhos encontram-se em um dilema. Se fossem
falar, diriam algo assim: “Pai, desculpe-me, mas não estou ouvindo a sua voz porque o seu
comportamento está falando mais alto”. Ou “Pai, desculpe-me, mas não estou ouvindo você dar esta
ordem porque as suas más atitudes estão 'gritando' nos meus ouvidos”.
Aquilo que fazemos aparece mais que as nossas palavras. Em muitas das vezes, é aquilo que
fazemos que conta mais, não o que falamos. É assim que os pais representam Deus para seus filhos
e, portanto, a pergunta que precisa ser respondida pelos pais é: “Que tipo de Deus você está
representando para seu filho?”.