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Transcrição – Turma de Exercícios – Diurna (16/03/2010 a 29/04/2010)

FESUDEPERJ – Fundação Escola Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro 1

TURMA DE EXERCÍCIOS DIURNA


CONCURSO DA DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

AULA 07 – 30/03/2010 – DIREITO CIVIL – OBRIGAÇÕES E CONTRATOS


PROFESSORA: CRISTIANE XAVIER

- Mantenham-se atualizados com as súmulas e informativos

A principal dificuldade que enfrentamos com obrigações e contratos é permanecer


na matéria, mas sabemos que a prova da Defensoria não é objetiva e, por isso as respostas
devem estar em português correto, com a demonstração das controvérsias, artigos e súmulas.
Respondam exatamente ao que foi perguntado e se o aluno domina obrigações, domina
contratos, pois o Direito das Obrigações, em relação aos contratos, é regra geral. Após isso
estudamos a teoria geral dos contratos.

Direito das Obrigações

O ponto que não podemos esquecer jamais nesse tema é o que sofreu alteração do
Código Civil de 1916 para o Código Civil de 2002 e tudo isso se deve à palavra-chave:
COOPERAÇÃO, pois é ela que traz, tanto do devedor como do credor, a observância de relações
recíprocas para o cumprimento daquela relação obrigacional pactuada e, nesse momento,
surgem os chamados deveres anexos da boa-fé, que abordam a conduta de ambos (devedor e
credor).

Desse dever principal de cooperação surgem várias ilações, inclusive a violação


positiva do contrato (questão que já foi objeto da prova do MP). Sempre que falarmos de
obrigações, além da COOPERAÇÃO, também não podemos esquecer-nos do nascimento da
prestação, pois e diante do momento do nascimento dela é que vamos passar a diferenciar as
obrigações nas suas modalidades: dar, fazer, não fazer e restituir. Daí a necessidade de
guardarmos mentalmente a seguinte linha do tempo:

NASCIMENTO DA PRESTAÇÃO MOMENTO DO CUMPRIMENTO


OBRIGACIONAL ADIMPLEMENTO FORÇADO

PAGAMENTO DIRETO INADIMPLEMENTO


a) Total
PAGAMENTO INDIRETO
b) Parcial (mora)
(EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL)
- CONSIGNAÇÃO
- DAÇÃO EM PAGAMENTO
-SUBROGAÇÃO
-CONFUSÃO
- REMISSÃO

PRO - DEVEDOR PRO - CREDOR

As modalidades de pagamento indireto existentes são: 1) consignação em


pagamento; 2) Dação em pagamento; 3) Subrogação; 4) Confusão; 5) Remissão. São tidas como
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modalidades de pagamento indireto, pois uma vez realizado um daqueles comportamentos a


relação obrigacional se extingue.

Existe outra situação: Inadimplemento  que para parte da doutrina pode ser: a)
total e b) parcial. Muitos vão dizer que são diferentes, mas outros vão dizer que terei um
inadimplemento parcial (mora). Após o momento da verificação do inadimplemento, temo o
cumprimento forçado da obrigação, ou seja, a satisfação do crédito.

Assim sendo, todas as regras dispostas entre as fases “nascimento da prestação” e


“cumprimento forçado” são pró-devedor, enquanto após isso serão pró-credor.

Vamos à questão: 1) É absoluta a regra do artigo 391 do Código Civil: " Pelo inadimplemento
das obrigações respondem todos os bens do devedor." Resposta fundamentada.

Não é uma regra absoluta, mas para podermos responder corretamente a questão
devemos buscar todos os seus fundamentos, verificando quais as regras constitucionais
devemos aplicar, bem como a legislação ordinária, súmulas e enunciados. Assim, as normas de
direito constitucional que eu posso invocar na resposta dessa questão são: dignidade da pessoa
humana (art. 1º, III da CF/88 – que é um direito fundamental que possui objetivos – art. 3º, I da
CF/88) e ainda devemos falar do MÍNIMO EXISTENCIAL (ou patrimônio mínimo) – que é
matéria tratada com muita propriedade pelos autores Ingo Wolfgang Sarlet e Ricardo Lobo
Torres.

Atualmente, tendo em vista que há o dever de COOPERAÇÃO nas relações


obrigacionais e o credor pode realizar o cumprimento da sua obrigação, de seu crédito, ele tem
obrigatoriamente que observar o mínimo existencial do devedor, com base nos art. 1º ,III e 3º,
I da CF/88. Ou seja, ele não pode esfoliar o devedor, ao tentar fazer com que ele satisfaça seu
crédito, de tal forma que implique na impossibilidade de que esse devedor tenha uma vida
digna.

O mínimo existencial é considerado atualmente na doutrina como sendo uma vida


digna e não o mínimo de sua sobrevivência, sendo a Lei 8.009/90 um desses exemplos, pois
atualmente a questão da submissão do patrimônio é mitigada pelo novo fundamento
constitucional que exige a observância do princípio supralegal da dignidade da pessoa humana,
na promoção da solidariedade social, razão pela qual deve assegurar o mínimo existencial e ,
por força disso, o patrimônio que é considerado o subsistente para uma vida digna, que não
está passível de constrição.

Comentários: Já foi objeto de outros concursos o tema a obrigação como processo, que é um
dos objetos de alteração do Código Civil e que tem, pela PUC editora, um livro relançado sobre
o assunto.

Obrigação como processo significa que a satisfação do credor não estará adstrita a
uma provimento jurisdicional, pelo qual estaremos seccionando cada fase de um procedimento
para a obtenção do cumprimento da relação obrigacional. A obrigação como processo visa o
desencadeamento de atos ou condutas de cooperação para que, por meio de relações
intersubjetivas, se alcance o cumprimento da prestação obrigacional pactuada.

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Na prática, ninguém entra com ação na justiça para dizer que “ganhou, mas não
levou”, pois quando se tem um direito subjetivo violado, se quer a satisfação daquela
prestação, daquela violação sofrida. Por conta disso, o melhor exemplo dessa modificação está
positivada no art. 461 do CPC – tutelas de urgência e tutelas inibitórias.

Vamos à outra questão:

1) - QUESTÕES OBJETIVAS:

I- Consideram-se resolvidas as obrigações de dar e de restituir coisa certa, se esta,


antes da tradição, se perder sem culpa do devedor.
(verdadeiro – a regra que norteia essa assertiva é a res perit domino, pois a
transferência do domínio da coisa móvel se faz mediante a tradição – toda a responsabilidade
sobre a coisa que pereceu é ocorreu para o dono, que ainda estava com o domínio da coisa);
II - Na obrigação de dar coisa incerta, não pode o devedor, antes da escolha,
alegar perda ou deterioração da coisa.
(verdadeira – Gustavo Tepedino entende que a regra de que a coisa em gênero não
perece nunca merece ser revista, em razão do princípio da razoabilidade, pois, muito embora,
ela não tenha sido individualizada, poderá exigir um desforço desproporcional ao cumprimento
da relação obrigacional, violando, pois, o próprio equilíbrio contratual).
Apropriado falar que os três princípios básicos modernos que norteiam as relações
obrigacionais, de acordo com a Constituição Federal, são: a) solidariedade; b) boa-fé objetiva e
c) equilíbrio contratual. (Ex. Caso da Febre Aftosa – embora houvesse gado para entregar, por
exemplo, 20 vacas de uma determinada qualidade, que ainda não estivessem individualizadas.
Por conta da febre aftosa, embora se tratasse de uma obrigação de dar coisa incerta, exigir que
um devedor buscasse vacas em outro pais seria uma carga excessiva).
III - Nas obrigações alternativas, não havendo estipulação em contrário, a escolha
cabe ao devedor.
(verdadeira, pois nesta fase do inadimplemento é sempre pró-devedor, desde que
não haja estipulação em contrário).
a) Todas as proposições são verdadeiras ALTERNATIVA CORRETA
b) Todas as proposições são falsas.
c) Apenas uma das proposições é verdadeira.
d) Apenas uma das proposições é falsa.

Diferença da Obrigação Alternativa para Obrigação Facultativa (foi questão da


Prova da Magistratura): Havia uma obrigação de dar 20 vacas holandesas na data X, podendo se
desobrigar o devedor entregando 5 cavalos. Na data do adimplemento (vencimento), o devedor
não entregou nem as vacas, nem os cavalos. Poderia o credor exigir a entrega dos 5 cavalos?

Observação pessoal – a questão oficial era a QUESTÃO discursiva n. 03 – Juiz/TJRJ –


XXVII Concurso) A e B realizaram um negócio jurídico em que o primeiro se obrigou a fornecer,
no curso de 90 dias, por preço certo, de logo adiantado, 20 cabeças de vacas leiteiras da raça
holandesa, dentre as melhores de seu pasto, no Município de Cações. Cláusula especial
estabeleceu que, no dies ad quem do termo, poderia A desobrigar-se, entregando, no lugar do
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gado, 5 cavalos da raça manga larga marchador, em criação no Haras Solar, situado no
município vizinho.

Uma súbita epidemia dizimou todo o rebanho bovino de A, impedindo a entrega das
20 vacas. B, então, exigiu os 5 cavalos, invocando o art. 885 do Código Civil.Responda
objetivamente: A) Que tipo ou espécie de obrigação assumiu A; B) Cabe aplicar-se ao caso o
artigo 885 do Código Civil? Resolva, sucintamente a questão, fornecendo os esclarecimentos e a
fundamentação necessários e pertinentes.

Gabarito: A obrigação que A assumiu é denominada, por alguns autores, como


obrigação facultativa. Outros vêem contradição nessa nomenclatura, pois a obrigação não pode
ser facultativa e propõem a denominação de obrigação com faculdade de substituição, pelo
devedor, da obrigação assumida.

No caso, só está vinculada à obrigação, a entrega das 20 vacas, não se aplicando,


portanto, o disposto no art. 885 do Código Civil. Como a morte das vacas decorreu de força
maior, o devedor pode dar por resolvida a obrigação, devolvendo o preço recebido, nada
podendo exigir o credor.

Poderá ainda o devedor, caso queira a seu exclusivo critério (faculdade) entregar os
cinco cavalos, mantendo a relação jurídica e cumprindo-a pela obrigação em faculdade de
substituição, não podendo o credor exigir os 5 cavalos. O CC não regulamentou a obrigação
denominada de facultativa.

Primeiramente, vamos exemplificar com casa e carro. Essa regra foi criada em
benefício do devedor, pois é uma forma dele se desobrigar da obrigação original no dia do
vencimento, podendo entregar coisa diversa. Para alguns doutrinadores, isso seria dação em
pagamento, prevista no próprio nascimento da relação obrigacional. (art. 313 CC/02).

Seção III
Do Objeto do Pagamento e Sua Prova

Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação


diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.

OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA OBRIGAÇÃO FACULTATIVA

OU - 1ª OBRIGAÇÃO

- 2ª OBRIGAÇÃO

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Para parte da doutrina, as obrigações facultativas conceberiam a dação em


pagamento, já que ele aceitou receber coisa diversa, porém o pactuado é a obrigação original,
mas como meio de desobrigar o devedor, ele aceita coisa diversa. Já nas obrigações
alternativas, temos uma prestação ou outra, vindo o chamado momento da CONCETRAÇÃO.

1ª possibilidade: Nesse caso, eu devedor, se não estipulado em contrário, chegando


o vencimento, poderei entregar a casa ou o carro, se perecer a casa, há concentração
automática no carro, mas se perecer a casa, haverá concentração automática no carro. Nesse
momento a escolha ainda é do devedor. Se as duas perecerem, analisou aquela que pereceu
por último. Se perecerem simultaneamente, com a escolha é do devedor, quem vai escolher o
valor do ressarcimento será o devedor.

Ou seja, pela concentração, chegando o vencimento, posso entregar uma prestação


ou outra, perecendo uma delas há concentração automática na prestação restante (escolha do
devedor), se perecerem as duas, vai se analisar o que pereceu por último, mas se houve
perecimento simultâneo, como a escolha é do devedor, quem escolhe o valor do ressarcimento
é o devedor.

Se a casa custar 100.000,00 e o carro 50.000,00, o devedor, embora seja um


perecimento simultâneo, vai escolher 50.000,00, mas se for com culpa, ainda assim, os
consectários das verbas indenizatórias serão apurados em cima do valor do bem escolhido pelo
devedor.

2ª possibilidade: aplicam-se as mesmas regras, quem vai escolher em qual valor


ocorrerá a concentração será o credor (que escolherá o valor mais alto) , sendo com culpa,
ocorrerá perdas e danos. A única situação em relação à obrigação alternativa é analisar no caso
concreto a quem compete realizar a concentração. Portanto, a expressão da questão
“podendo se desobrigar o devedor” indica que a obrigação é facultativa, pois essa estipulação
foi colocada a favor do devedor, não podendo o credor exigir 5 cavalos. A obrigação facultativa
não encontra previsão no Código civil.

Observação pessoal: A obrigação alternativa tem por conteúdo duas ou mais


prestações, das quais somente uma será escolhida para pagamento ao credor. A obrigação se
considera adimplida desde que o devedor cumpra uma das prestações.

- Concentração do débito: A obrigação alternativa só poderá ser cumprida depois da


definição do objeto a ser prestado, ou seja, depois da escolha da prestação. As partes podem
atribuir a faculdade de escolha ao credor, ao devedor ou a terceiro. Na ausência de estipulação
a respeito de quem exercerá a escolha, esta caberá ao devedor (art.252 caput CC/02). Quando a
escolha couber ao devedor (seja por estipulação das partes ou por ausência de estipulação),
este não estará, na obrigação alternativa, adstrito ao critério da qualidade média – o titular do
direito de escolha pode optar livremente por qualquer das prestações vinculadas à obrigação.
No entanto, o devedor não pode obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em
outra (art.252 § 1º CC/02).

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2ª QUESTÃO:

Assinale a Alternativa correta:

a) Falecendo um dos credores solidários, que deixa dois herdeiros necessários,


cada herdeiro, ainda que se trate de obrigação indivisível, só pode exigir e receber a cota do
crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário;

Essa assertiva está errada. Trata-se de uma obrigação indivisível. Assim sendo,
vamos traça a diferença da obrigação indivisível para a obrigação solidária. Dentro da
classificação das obrigações essas estão dentro da modalidade PLURALIDADE DE SUJEITOS.

OBRIGAÇÃO DIVISÍVEL

OBRIGAÇÃO INDIVISIVEL

NOTAS PESSOAIS: As obrigações divisíveis e indivisíveis são compostas pela


multiplicidade de sujeitos. Tal classificação só oferece interesse jurídico havendo pluralidade de
credores ou de devedores, pois havendo um único devedor obrigado a um único credor a

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obrigação é indivisível, ou seja, a prestação deverá ser cumprida por inteiro, seja divisível ou
indivisível o seu objeto.

Por outro lado, para haver a divisibilidade de obrigações seu objeto há de poder se
dividido entre seus sujeitos, o que não é possível com as obrigações indivisíveis.

Nas obrigações indivisíveis com mais de um devedor, cada um é obrigado por toda a
dívida, e o que pagar sub-roga-se nos direitos do credor perante os demais. Já nas obrigações
indivisíveis com mais de um credor, o pagamento a um deles apenas libera o devedor ou
devedores se o que recebeu der ratificação do ato pelos demais.

Para obrigação indivisível, suponha um caso em que três devedores têm a obrigação
de entregar um automóvel. Neste caso não há como dividir o veículo, sem tirar suas
características como bem, sendo esta obrigação indivisível.

Assim, quando a obrigação é indivisível, e há pluralidade de devedores, cada um


será obrigado pela dívida toda, haja vista o objeto não poder ser dividido.

Obrigações solidárias: Solidariedade pode ser entendida como a relação de


responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada elemento
do grupo se sinta na obrigação de apoiar o(s) outro(s). É, portanto, o laço ou vínculo recíproco
de pessoas ou coisas independentes.

A obrigação é solidária se mais de um credor (solidariedade ativa) ou mais de um


devedor (solidariedade passiva) têm direito ou se obrigam à dívida toda. Na solidariedade, que
resulta necessariamente de lei ou contrato, excepciona-se o princípio da divisibilidade das
obrigações estatuído pelo artigo 257 do Código Civil.

Assim, nas obrigações solidárias, havendo mais de um devedor, cada um responde


pela dívida inteira, assumindo circunstancialmente a condição de devedor único. Nesta
hipótese, o credor tem direito de exigir de qualquer um deles o pagamento integral da dívida.

Por outro lado, se houver mais de um credor, qualquer deles pode exigir a prestação
na sua totalidade, assumindo neste caso a posição como se fosse credor único.

Não se deve confundir a pluralidade de sujeitos com o conteúdo da prestação


obrigacional, como, por exemplo, no caso em que a prestação seja um animal, não poderemos
esquartejar o animal para entregá-lo, podendo, mesmo assim ser solidária, muito embora, no
seu cumprimento, seja indivisível pela sua própria natureza.

Qualquer um dos co-devedores, no momento da entrega, deverá entregá-lo


integralmente. Quando observarem sobre isso, lembrem que solidariedade é um conceito de
PLURALIDADE, podendo ser os sujeitos ACCIPIENS (devedor) ou SOLVENS (credor). Nessa
relação podemos estipular que a obrigação é solidária, que não se presume, oriunda de acordo
ou de lei.

Se for estipulado que a obrigação é solidária, todos os sujeitos são tratados como
uma única pessoa (tanto se for devedor, como credor). Por isso, quando eu interpelar um deles,
vai valer para todos, assim como a prescrição numa obrigação solidária, se interrompida para

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um, será para todos. Internamente a relação é comum, divisível, mas externamente é tratada
como uma única obrigação.

No primeiro desenho temos uma relação interna divisível, que por causa da
solidariedade, é tida externamente como uma só. Na indivisibilidade, segundo desenho, se
estamos trabalhando com pluralidade de sujeitos, não havendo, em tese solidariedade
estipulada, mas quando eu verifico que o conteúdo é indivisível (seja, por estipulação ou
natureza do objeto), significa que eu também terei que dar a integralidade da coisa.

Ex. se eu estipular que a obrigação de 100.000,00 reais é indivisível, qualquer um


dos devedores estará obrigado a cumprir com a integralidade da obrigação. Na obrigação
divisível, se houver a solidariedade, serão devedores dos 100.000 – qual a diferença?

Nas obrigações divisíveis com solidariedade, não vigora a regra da divisibilida de,
não vigora o concursus pactum fiunt, que é “na ausência de pactuação em contrário, tudo é
dividido em partes iguais” (pizza). Assim, a diferença é que em não havendo o pagamento, na
obrigação divisível, a solidariedade permanece, podendo o credor demandar a totalidade do
valor de qualquer devedor. Na obrigação indivisível, o que era indivisível, passa a ser divisível,
aplicando-se a regra da cota parte, o credor somente poderá cobrar de cada um deles
25.000,00.

Se acontecer que 1 dos devedores tenha dado causa ao inadimplemento, seja na


obrigação indivisível, seja na obrigação divisível, somente quem deu causa ao inadimplemento
é que estará sujeito às penalidade, havendo um rateio interno.

b) No condomínio pro diviso a comunhão existe de fato e de direito;

(Essa assertiva está errada – a comunhão condomínio pro diviso existe somente de
direito, a de fato ainda não existe).

c) O dever de coabitação, decorrente do casamento, é observado com a simples


convivência dos cônjuges sob o mesmo teto;

(assertiva errada – logicamente que não – isso é pacífico)

d) a obrigação cumulativa não se caracteriza pela pluralidade de obrigações, mas sim


pela pluralidade de prestações, estas oriundas da mesma causa ou título.

(assertiva correta)

II- QUESTÕES - PROVA ESCRITA: ( 8 linhas)

1) É absoluta a regra do artigo 391 do Código Civil: " Pelo inadimplemento das
obrigações respondem todos os bens do devedor." Resposta fundamentada.

2) Quais são as exceções à regra contida no artigo 882 do Código Civil: " Não se
pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente
inexigível."

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Obrigação prescrita é considerada obrigação natural. Antes disso é preciso explicar


a escada ponteana, criada por Pontes de Miranda (ou Pontiana): 1) EXISTENCIA; 2) VALIDADE e
3) EFICÁCIA (Antônio Junqueira tem um livro somente sobre assunto).

OBS: Na visão de Pontes de Miranda, o negócio jurídico é dividido em três planos, o


que gera um esquema gráfico como uma estrada com três degraus, denominada por parte da
doutrina, como escada ponteana. Esses três degraus seriam: Primeiro degrau: o plano da
existência. Onde estão os elementos mínimos, os pressupostos de existência. Sem eles, o
negócio não existe. Substantivos (partes, vontade, objeto e forma) sem adjetivos. Se não tiver
partes, vontade, objeto e forma, ele não existe.

Segundo degrau: o plano da validade. Os substantivos recebem os adjetivos.


Requisitos de validade (art 104) -> partes capazes, vontade livre (sem vícios), objeto lícito,
possível ou determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei. Temos aqui
os requisitos da validade. Não há dúvida, o código civil adotou o plano da validade. Se tenho um
vício de validade, ou problema estrutural, ou funcional, o negocio jurídico será nulo (166 e 167)
ou anulável (171). (palavras-chave)

Terceiro degrau: o plano da eficácia. Estão as conseqüências do negócio jurídico,


seus efeitos práticos no caso concreto. Elementos acidentais (condição, termo e encargo).
Na obrigação natural, como o caso da obrigação prescrita, temos o débito, mas falta
a coercibilidade. No conceito de obrigação, para que seja considerada obrigação tutelada pelo
direito, tem que haver exigibilidade pela via judicial, se não houver ela deixar de ter relevância
jurídica.

As teorias que adotamos no Direito das Obrigações que abordam o débito e sua
coercibilidade são: a) teoria monista – para essa teoria basta o débito, pois a coercibilidade ou
responsabilidade é apurada no momento do inadimplemento; e b)teoria dualista – o Código
Civil adota esta, que divide o débito (haftung)e a responsabilidade (schuld), e, em função disso,
podemos ter um débito, mas podemos não ter a responsabilidade, ou vice-versa. (ex. débito
existente, mas sem responsabilidade – DÍVIDA PRESCRITA e DÍVIDAS DE JOGO) e (Ex. de
responsabilidade sem débito – obrigação de garantia – fiança e avalista e art. 50 do Código Civil
– fraude nas sociedades).

Na questão da desconsideração da pessoa jurídica, temos duas teorias, a teoria


maior e a teoria menor, sendo certo que a teoria adotada pelo Código Civil foi a teoria maior e
a adotada pelo Código de defesa do Consumidor foi a teoria menor.
Cuidado com o Informativo 426 que saiu sobre dívida de jogo. Essa dívida de jogo, a
princípio, somente não é devida se for jogo proibido, pois temos jogos permitidos, como
Loteria, Jockey. Assim sendo cuidado com a questão da Caixa Econômica Federal, aquele caso
que a funcionária esqueceu-se de cadastrar a aposta e o caso que saiu nesse informativo,
constante do REsp 1.070.316-SP:

CORRIDA. CAVALOS. APOSTA. EMPRÉSTIMO.

O cerne da questão do REsp cinge-se à possibilidade de


exigir dívida resultante de empréstimo da própria
banca exploradora do jogo para apostas em corridas
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de cavalos, sendo que, no caso, a aposta foi efetuada


mediante contato telefônico entre o recorrente e o
recorrido. Inicialmente, observou-se que, a despeito
da previsão de não obrigatoriedade de pagamento das
dívidas de jogo, contida nos arts. 1.477 e 1.478 do
CC/1916 (correspondentes aos arts. 814, § 1º, e 815 do
CC/2002), tais dispositivos não se aplicam a jogos
legalmente permitidos. Na hipótese, trata-se de aposta
em corrida de cavalos, atividade regulamentada pela
Lei n. 7.291/1984 e pelo Dec. n. 96.993/1988, não
incidindo, pois, as vedações contidas na lei substantiva
civil a esse tipo de jogo. Diante disso, ao prosseguir o
julgamento, a Turma, por maioria, entendeu que
inexiste nulidade de título extrajudicial na execução
promovida pelo recorrido, porquanto, embora os
referidos diplomas legais prevejam a realização de
apostas em dinheiro nas dependências do
hipódromo, em nenhum momento eles proíbem a
realização delas por telefone e mediante o
empréstimo de dinheiro da banca exploradora ao
apostador. O entendimento de ser abusiva tal prática
levaria ao enriquecimento ilícito do apostador e
violaria o princípio da autonomia da vontade, que
permeia as relações de Direito Privado, no qual, ao
contrário do Direito Público, é possível fazer tudo
aquilo que a lei não proíbe. Assentou-se, por fim, que
as instâncias ordinárias concluíram que inexistiam
provas de que as apostas deixaram de ser efetuadas
em dinheiro; o valor das apostas feitas pelo recorrente
integrou o rateio dos páreos em que ele apostou; as
apostas realizadas por telefone foram confirmadas
pelo próprio recorrente quanto à sua realização; o
título que fundamentou o ajuizamento da ação de
execução foi assinado pelo recorrente e o contrato e
as notas promissórias tiveram valor certo e
determinado. Assim, tais constatações corroboram
que não houve qualquer vício no procedimento das
apostas. Todavia, a Min. Relatora, entre os
fundamentos de seu voto vencido, destacou que a
concessão de empréstimo ao jogador por aquela banca
de apostas é uma prática claramente abusiva, que
toma a fraqueza do apostador como oportunidade de
lucro, sendo vedada nos termos do art. 39, IV, do CDC.
Observou que o próprio art. 1.478 do CC/1916 (art.
815 do CC/2002) revela muito sobre a questão, ao
estipular que não se pode exigir reembolso do que se
emprestou para jogo ou aposta no ato de apostar ou
jogar. Destarte, não se trata de premiar a má-fé do
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jogador que toma o empréstimo e se recusa ao


pagamento, mas simplesmente de reconhecer que a
banca de apostas não poderia conceder empréstimos
e, se quisesse obter a tutela jurisdicional, deveria
também demonstrar a lisura de sua conduta. Assim,
constatado pelo tribunal a quo que houve mútuo, é
certo que o valor cobrado não se inclui entre as
dívidas lícitas de jogo. REsp 1.070.316-SP, Rel.
originária Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min.
Massami Uyeda, julgado em 9/3/2010.

Assim, considerando o art. 882 do Código Civil, se espontaneamente pagamos uma


dívida prescrita, não poderemos pedir a devolução, salvo as hipóteses do art. 814 , art. 191 e
art. 369:

Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam


a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia,
que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por
dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.

Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa


ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de
terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é
a renúncia quando se presume de fatos do
interessado, incompatíveis com a prescrição.

Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas


líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.

A prescrição pode ser renunciada, mas cuidado, não haverá a validade daquele
pagamento se for em prejuízo de um credor. O devedor paga dívida prescrita justamente para
se tornar insolvente e não pagar credores legitimados. No caso do art. 369 – no caso de uma
dívida prescrita, está vencida, mas não podemos aplicar a ela o pagamento em prejuízo.

Obrigação Natural não paga – existem 2 entendimentos: 1) não se admite a


novação, pois é modalidade de pagamento, permitir seria burla o próprio instituto de proteção
que implica em tirar a coercibilidade do débito, é uma fraude ao próprio sistema que retira a
coercibilidade do débito – posição superada. 2) não há obstáculo para a novação,pois se eu
posso renunciar a prescrição, não há motivo para não nová-la para fazer surgir uma nova
relação obrigacional.(quem adota esse entendimento – Carlos Roberto Gonçalves , Silvio
Venosa e Gustavo Tepedino). Para eles o fundamento inclui o principio da eticidade.

Art. 202 do Código Civil – Interrupção da Prescrição – uma única vez somente
podemos interromper a prescrição, o mesmo se aplicaria à novação. (somente toquem nesses
pontos em provas específicas).

Outra decisão sobre aposta:

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REsp 819482 – “DIREITO CIVIL. CONTRATO DE APOSTA.


TURFE. ATIVIDADE LEGALIZADA. ART. 1.477 DO
CÓDIGO CIVIL DE 1916. INAPLICABILIDADE. A aposta
expressamente permitida em lei tem amparo
jurisdicional e não se insere na previsão do art. 1.477
do Código Civil de 1916, obrigando o apostador ao
pagamento de seu preço, como no caso. Hipótese em
que as corridas de cavalos foram realizadas em estrita
conformidade com a legislação pertinente (Lei n.
7.291/84). Recurso especial não conhecido “ (fls. 237-
238).

3ª QUESTÃO:

Discorra sobre instituto da Exceção de Insegurança, indicando o(s) dispositivo(s)


legal (is) previsto(s) no ordenamento civil.

Abram o art. 477 do Código Civil:

Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier


a uma das partes contratantes diminuição em seu
patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa
a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-
se à prestação que lhe incumbe, até que aquela
satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante
de satisfazê-la.

Pela leitura desse artigo, depois que foi concluída, há possibilidade de


descumprimento daquela obrigação que foi pactuada, ela é chamada de Exceção de
Insegurança, pois ele vislumbra uma deficiência fática no cumprimento daquela obrigação
contratual. É hipótese diversa da regra contida no art. 476 – que é a exceção do contrato não
cumprido (execptio non adimpleti contratus).

Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos


contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode
exigir o implemento da do outro.

Pelo art.477 eu não vou cumprir, porque estou vendo que a outra parte não vai me
pagar – ex. estou pagando as prestações para um apartamento, faltam 2 meses para a entrega,
mas sequer a construção saiu da edificação – para a exceção do contrato não cumprido eu
tenho que cumprir a minha parte para poder exigir da outra, nesse caso se aplica o Exceção de
Insegurança ou quebra antecipada de contrato (basta a dificuldade patrimonial)

Onerosidade Excessiva - Vejam o art. 478:

Seção IV

Da Resolução por Onerosidade Excessiva

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Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou


diferida, se a prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem para
a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários
e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do
contrato. Os efeitos da sentença que a decretar
retroagirão à data da citação.

O que acontece na quebra antecipada do contrato quando aplicamos a Exceção de


Insegurança prevista no art. 477? Em relação ao art. 477 existe mera dificuldade patrimonial,
basta a dificuldade para caracterizá-la. A quebra antecipada do contrato pela onerosidade
excessiva exige demonstração cabal do inadimplemento, ou seja, a evidência deque o devedor
não vai cumprir.

Vejam o art. 333:

Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a


dívida antes de vencido o prazo estipulado no
contrato ou marcado neste Código:

I - no caso de falência do devedor, ou de concurso de


credores;

II - se os bens, hipotecados ou empenhados, forem


penhorados em execução por outro credor;

III - se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as


garantias do débito, fidejussórias, ou reais, e o
devedor, intimado, se negar a reforçá-las.

Parágrafo único. Nos casos deste artigo, se houver, no


débito, solidariedade passiva, não se reputará vencido
quanto aos outros devedores solventes.

Quando tenho data certa, pode o devedor compelir o credor a receber a prestação
antes do vencimento? Justifique. Escrevam em vermelho – prazo de pagamento sempre
estipulado como benefício para o devedor, daí a possibilidade de pagamento antecipado, pois a
recusa injustificada do credor importa em abuso de direito.
Para o pagamento antecipado deve ser descontado juros e todos os encargos, pois
na parcela está embutida a expectativa de inadimplemento em indisponibilidade de capital
(juros de mora), sob pena de enriquecimento sem causa do credor.

Relembrando – Obrigação Propter Rem: é uma obrigação pessoal com efeitos reais.
O desdobramento é real, pois oriundo do titular da coisa. Você paga IPVA , pois você é
proprietário de veículo. O mesmo ocorre com IPTU e condomínio. Assim sendo, qual a
diferença entre assunção de dívida e assunção de cumprimento (ou promessa de liberação)?

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Transmissão das obrigações – modalidades: a) cessão de crédito ou dívida e b)


assunção de dívida. Na cessão de crédito temos a transmissão das obrigações no pólo ativo –
credor (cedente x cessionário). Em contrapartida, se falo de assunção, estou falando do no pólo
passivo daquela relação obrigacional, tendo a figura do proponente (devedor primitivo) e do
assuntor.

Quando se tratar de transmissão das obrigações, lembre-se que a relação


obrigacional permanece a mesma. Não se modifica, se mantendo, em regra, com todas as
garantias, devendo ter um cuidado quanto ao pagamento. Ainda estou na primeira fase da
minha linha lá do início da aula. Contudo, quando eu chamo outra pessoa para assumir a
obrigação, ela pode ter efeito liberatório ou não.

Na cessão de crédito eu também posso ter uma relação interna e outra externa. Na
externa, o credor de uma obrigação, chamado cedente, transfere a um terceiro, chamado
cessionário, sua posição ativa na relação obrigacional, devendo dar ciência ao devedor do
crédito cedido, em função do pagamento, pois se ele não for notificado dessa alteração, fará o
pagamento a pessoa diversa - credor primitivo – credor putativo (figura aos olhos de todos
como sendo credor e na verdade não é).

A teoria que aborda o credor putativo é a teoria da aparência e , em razão dela, o


pagamento está feito e extingue a relação obrigacional. Se demonstrada má-fé do devedor, não
será extinta a relação obrigacional.

Na assunção de dívida, o credor pode chamar um terceiro para ingressar na relação


obrigacional no lugar do devedor – isso se chama ASSUNÇÃO DE DÍVIDA EXPROMISSÓRIA (ou
por expromissão) - Expromissão é a forma de novação em que se substitui o devedor primitivo
por outro, em regra, sem o conhecimento ou anuência daquele.

Entretanto, quando se chama um terceiro para ser devedor, em razão do princípio


da boa-fé objetiva, atualmente se tem entendido que, não só pelo fato de ser uma relação
obrigacional, mas por ser moral, deve o credor notificar o devedor.

Na relação interna – pode ocorrer a ASSUNÇÃO DE DÍVIDA POR DELEGAÇÃO:


delegação é a modalidade de novação pela qual um devedor passa a terceiro o encargo de
pagar a sua dívida. O devedor, que chamou esse terceiro, passará a ser assuntor, ele é
responsável pelo pagamento daquela relação obrigacional?

Não, somente se houver disposição em contrário, pois a regra é pela solvência, que
será verificada na data da assunção da dívida. Se , no momento em que houve a assunção da
dívida, o devedor era solvente, está perfeito – não há nada o que se restabelecer. Se após, se
tornar insolvente, haverá responsabilidade nessa nova relação obrigacional.

Ou seja, a assunção de dívida por delegação é uma relação interna, na qual o


devedor chama um terceiro para assumir a posição de assuntor, sendo sua responsabilidade,
salvo disposição em contrário, na verificação da solvência deste assuntor à época da assunção
da dívida. Se ele for insolvente em momento posterior, isso é conseqüência normal da relação
obrigacional e o credor vai cobrar a dívida do assuntor, não podendo restabelecer a
responsabilidade do devedor primitivo.

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