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O Espírito de natal respeitando os animais,

a natureza que implora por cuidados


Deixa eu ver se o espírito do Natal já tão simples,
está na sua casa. como não jogar o papel no chão, nem
Não, não quero ver a árvore o lixo nos rios.
iluminada na sala, Não quero ver o Natal nas vitrines
nem quero saber quanto você enfeitadas,
já gastou em presentes. no convite ao consumo,
Quero sim, sentir no ambiente a mas no enfeite que a bondade faz
mensagem viva no rosto das pessoas generosas.
Do aniversariante desse Dezembro Por fim, mostre-me que o espírito do
mágico: Natal
toda a família está unida? entrou definitivamente na sua vida,
O perdão já eliminou aquelas através do abraço fraterno, da oração
desavenças sentida,
que ocorrem no calor das nossas do prazer de andar sem drogas e
vidas? sem bebidas,
Não quero ver a sua despensa cheia, do riso franco,
quero saber se você conseguiu doar do desejo sincero de ser feliz e de tão
alguma coisa do que lhe sobra, feliz,
para quem tem tão pouco, as vezes não resistir ao desejo de fazer outras
nada. pessoas,
Não exiba os presentes que você já também felizes.
comprou, Deixe o Natal invadir a sua alma,
mesmo com sacrifício, entre os perfumes da cozinha
quero ver ai dentro de você a que vai se encher de comidas
preocupação deliciosas,
com aqueles que esperam tão pouco, no cheiro da roupa nova que todos
uma visita, um telefonema, uma vão exibir,
carta... abrace-se à sua família
Quero ver o espírito do Natal entre e façam alguns minutos de silêncio,
pais que será como uma oração do
que descobrem tempo para os filhos, coração,
em amigos que se reencontram que vai subir aos céus,
e podem parar para conversar, e retornar com um presente eterno,
no respeito do celular desligado no duradouro:
teatro, o suave perfume de Jesus,
na gentileza de quem oferece o perfume de paz, amor,
banco para o mais idoso, harmonia e a eterna esperança de
na paciência com os doentes, que um dia,
na mão que apóia o deficiente visual todos os dias serão como os dias de
na travessia das ruas, natal.
no ombro amigo que se oferece
para quem anda meio triste,
perdido.
Quero ver o espírito de Natal
invadindo as ruas,
“É dar, em vez de receber, que faz florescer o espírito de Natal. Perdoamos os
inimigos, lembramo-nos dos amigos e obedecemos a Deus. O espírito de Natal
ilumina-nos a janela da alma, ao olharmos a vida trepidante do mundo que nos
cerca, nosso interesse concentra-se mais nas pessoas que em objetos.”
Pres. Thomas S. Monson

“Talvez estejamos nos desviando do caminho que leva à paz e percebamos ser
necessário parar, ponderar e refetir sobre os ensinamentos do Príncipe da Paz e
tomar a decisão de incorporá-los a nossos pensamentos e ações, viver a lei maior,
caminhar por uma estrada mais elevada e ser melhores discípulos de Cristo.”
Pres. Thomas S. Monson

“Só alcançamos a verdadeira felicidade quando fazemos os outros felizes — a


aplicação prática da doutrina do Salvador de perder a própria vida a fim de
encontrá-la. Em suma, o espírito de Natal é o espírito de Cristo, que faz nosso
coração ficar repleto de amor fraternal e amizade, e nos impele a praticar atos
bondosos de serviço. É o espírito do evangelho de Jesus Cristo, cuja observância
trará ‘paz na Terra’, pois implica boa vontade para com todos os homens”.
Pres. David O. Mackay
O Espírito do Natal milhares de viajantes exaustos que
Pres. Thomas S. Monson estavam retidos no congestionado
Meus queridos irmãos e irmãs, sinto-me aeroporto de Atlanta, Geórgia. Uma
imensamente grato por estar com vocês tempestade de neve tinha causado grandes
nesta noite. Como vocês, senti-me atrasos nos voos enquanto aquelas
inspirado e edificado pelas mensagens do pessoas tentavam chegar a algum lugar
Presidente Eyring e do Presidente para o Natal — provavelmente em casa.
Uchddorf e também pela esplêndida Aconteceu em dezembro de 1970.
música do Coro e da Orquestra. Ao soar a meia-noite, passageiros
Encontramos a verdade numa expressão frustrados aglomeravam-se em frente aos
que cantamos em um de nossos hinos: balcões e ansiosamente questionavam os
“Veloz nos foge o tempo.”1 Outro ano já atendentes cuja paciência, àquela altura,
se passou, trazendo de volta a época do já evaporara. Também eles gostariam de
Natal. já estar em casa. Algumas pessoas
Tenho recentemente recordado conseguiram cochilar em cadeiras
Natais passados e percebi que desconfortáveis. Outros foram para as
provavelmente nenhuma outra época do bancas de jornais e ficaram folheando as
ano nos traz recordações tão comoventes. publicações.
Os Natais mais memoráveis em geral têm Se algo em comum unia toda
pouco a ver com bens materiais, mas aquela multidão diversa, era a solidão —
muito a ver com famílias, com amor, uma solidão envolvente, opressiva e
compaixão e carinho. Pensar assim dá sufocante. Porém, a civilidade exigia que
esperança àqueles entre nós que temem cada um mantivesse uma barreira
que o singular significado desse dia se invisível que o separava dos demais. A
dilua no consumismo ou no antagonismo solidão era melhor do que ficar ouvindo
das diferentes crenças, ou então na às inevitáveis reclamações de abatimento
agitação das festas que podem levar-nos a e desânimo dos outros.
perder aquele espírito especial que Na realidade, havia mais
deveríamos desfrutar. passageiros do que lugares disponíveis
Para muitos, os excessos são nos voos. Sempre que um avião
comuns nesta época do ano. conseguia decolar, havia mais passageiros
Simplesmente queremos fazer mais do deixados para trás do que os que
que nossas forças permitem. Talvez não embarcavam. As palavras “Em lista de
tenhamos dinheiro suficiente para gastar espera”, “Reserva confirmada” e
com o que achamos serem necessidades. “Primeira Classe” estabeleciam
Muitas vezes, nossos esforços natalinos prioridades e evidenciavam dinheiro,
resultam em estresse, pressão e desgaste poder, influência, previdência — ou a
em uma época que deveríamos desfrutar ausência dessas coisas.
das alegrias simples da celebração do O portão 67 era um microcosmo
nascimento do Menino em Belém. daquele tristonho aeroporto. Pouco maior
Em geral, entretanto, o espírito especial que um cubículo envidraçado, a sala de
dessa ocasião acaba encontrando eco em embarque estava apinhada de passageiros
nosso coração e na nossa vida, apesar das que tentavam voar para Nova Orleans,
dificuldades e distrações que podem Dallas e outras cidades do oeste. Havia
ocupar nosso tempo e energia. pouca conversa no Portão 67, exceto entre
Há muitos anos, li sobre um pessoas que viajavam acompanhadas. Um
acontecimento natalino que envolveu viajante olhava distraidamente para cima,
resignado. Uma jovem mãe aconchegava avião: vinte, trinta, cem passageiros — o
o bebê nos braços, balançando-o avião estava lotado. O funcionário olhou
levemente em um esforço vão de acalmá- para o ansioso jovem e demonstrou que
lo. nada podia fazer.
E havia um cavalheiro, muito bem Inexplicavelmente, o cavalheiro
vestido, que parecia insensível ao elegante ainda não embarcara. Então ele
sofrimento coletivo. Sua atitude era de se dirigiu ao balcão e disse discretamente
indiferença, absorto em sua papelada — ao funcionário: “Meu bilhete está
talvez calculando os lucros da firma no confirmado”. “Gostaria de dá-lo a esse
final do ano. Um passageiro mais agitado jovem.” O funcionário encarou-o, mal
poderia compará-lo a Ebenezer Scrooge, acreditando no que ouvia, enquanto ele
o sovina personagem de “Um Conto de indicava o soldado. Sem encontrar
Natal”, de Charles Dickens. palavras, com lágrimas escorrendo pelo
De repente, o silêncio relativo foi rosto, o jovem soldado apertou a mão do
quebrado por um tumulto. Um rapaz de cavalheiro que murmurou apenas: “Boa
uns 19 anos, em uniforme militar, sorte. Feliz Natal. Boa sorte”.
conversava agitadamente com o A porta do avião se fechou, os motores
funcionário da empresa aérea. Ele tinha aumentaram a rotação para partir, o
um bilhete de classe econômica e insistia cavalheiro virou-se, pegou a pasta e
com o funcionário para embarcar para caminhou lentamente em direção ao
Nova Orleans a fim de tomar um ônibus restaurante 24 horas.
até o desconhecido vilarejo a que ele Pouquíssimas pessoas entre as
chamava de lar. milhares que se achavam ilhadas no
O funcionário, aborrecido, aeroporto de Atlanta testemunharam o
explicou-lhe que as possibilidades seriam drama vivenciado no Portão 67. Mas para
mínimas nas 24 horas seguintes, talvez os que o presenciaram, o mau humor, a
mais. O rapaz ficava cada vez mais frustração e a hostilidade dissolveram-se
agitado. Logo após o Natal, ele seria em novo alento. Aquele ato de amor e
enviado para o Vietnam, onde a guerra bondade entre estranhos tinha trazido o
estava violenta, e se não fosse para casa espírito de Natal ao coração de todos.
agora, talvez nunca mais passasse um As luzes do avião que partia piscaram,
Natal lá. Até o cavalheiro indiferente como estrelas na noite, enquanto a
tirou os olhos de sua papelada e aeronave mergulhava na escuridão do
demonstrou um interesse reservado na céu. O bebê agora dormia calmamente no
conversa. O funcionário estava colo da jovem mãe. Talvez outro voo
visivelmente comovido, até mesmo pudesse partir em algumas horas. Porém,
constrangido. Mas tudo o que ele podia quem testemunhou o ocorrido ficou
oferecer era compreensão — não menos impaciente. Esse novo espírito,
esperança. O jovem ficou em pé em suave e em profusão, permeou o pequeno
frente ao balcão, olhando ansiosamente estábulo envidraçado do Portão 67.2
para a multidão como se procurasse ao Meus irmãos e irmãs, a verdadeira
menos uma expressão de simpatia. alegria do Natal não provém da agitação e
Finalmente, o funcionário anunciou que o da pressa de fazer mais coisas ou de
embarque teria início. Os passageiros, que comprar os presentes esperados. A
esperavam havia várias horas, ergueram- verdadeira alegria vem ao mostrarmos o
se, reuniram seus pertences e desceram amor e a compaixão inspirados pelo
rapidamente pelo estreito corredor até o Salvador do Mundo, que disse: “Quando
fizestes a um destes meus pequeninos A cada um de vocês, meus irmãos
irmãos, a mim o fizestes”.3 e irmãs, estendo meu amor e minha
Nesta alegre ocasião, que as bênção. Tenham um Feliz Natal. Que haja
desavenças pessoais sejam esquecidas e amor, bondade e paz em seu coração e em
as animosidades curadas. Possa o júbilo seu lar. Que até aqueles corações que
do Natal conter a atenção ao necessitado e estão pesarosos se ergam pela cura que
ao aflito. Que o nosso perdão alcance os vem somente Daquele que consola e
que nos ofenderam, assim como infunde segurança.
esperamos também o perdão. Que a Com o espírito de Cristo em nossa
bondade seja abundante em nosso coração vida, teremos boa vontade e amor pela
e que o amor prevaleça em nosso lar. humanidade, não somente nesta época,
Ao planejarmos os gastos com os mas durante todo o ano.
presentes de Natal, planejemos também Oro para que sejam essas as
como usar nosso tempo para trazer o nossas experiências e nossas bênçãos, em
verdadeiro espírito de Natal à vida do nome de Jesus Cristo, nosso Salvador e
próximo. Redentor. Amém.
O Senhor presenteou sobejamente Notas
a todos, e Seus dons são de valor 1. “Prolongue os Bons Momentos”,
inestimável. Em seu ministério, Ele Hinos, nº 152.
abençoou o doente, restaurou a visão ao 2. Extraído de “Drama at Gate 67”
cego, curou o surdo e fez andar o coxo e o [:Drama no Portão 67], de Ray Jenkins.
manco. Ele tornou limpo o que era 3. Mateus 25:40.
impuro. Restaurou ao morto o fôlego da 4. “Pequena Vila de Belém”, letra de
vida. Deu esperança ao debilitado e levou Phillips Brooks, Hinos de A Igreja de
luz aonde havia escuridão. Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias,
Deu-nos Seu amor, Seu serviço e Sua nº 129.
vida. 5. João 8:12.
Qual é o espírito que nos permeia
no Natal? É o Seu espírito — o espírito
de Cristo.
O dom glorioso, divinal, nenhum ruído
faz!
Porém a este mundo vil, amor e esperança
traz.
Sereno e sem arautos, sem toques de
clarim,
Traz ele ao mundo redenção, amor e paz
sem fim!4
Com o puro amor de Cristo,
caminhemos em Suas pegadas nesta
época em que celebramos Seu
nascimento. Ao fazer isso, lembremo-nos
de que Ele ainda vive e continua a ser a
“luz do mundo”, e que prometeu: “Quem
me segue, não andará em trevas, mas terá
a luz da vida”.5
Um conto de Natal
Autor desconhecido
É apenas um pequeno envelope branco pendurado entre os galhos da nossa
árvore de Natal.

Não tem nome, não tem identificação, não tem dizeres. Se esconde entre os
galhos da nossa árvore há cerca de dez anos. Tudo começou porque meu marido
Mike odiava o Natal. Claro que não era o verdadeiro sentido do Natal, mas seus
aspectos comerciais: gastos excessivos, a corrida frenética na última hora para
comprar uma gravata para o tio Harry e o talco da vovó, os presentes dados com
uma ansiedade desesperada porque não tínhamos conseguido pensar em nada
melhor.

Sabendo como ele se sentia, um certo ano decidi deixar de lado as


tradicionais camisetas, casacos, gravatas e coisas no gênero. Procurei algo
especial só para o Mike. A inspiração veio de uma forma um tanto incomum.
Nosso filho Kevin, que tinha 12 anos na época, fazia parte da equipe de luta livre
da sua escola. Pouco antes do Natal, houve um campeonato especial contra uma
equipe patrocinada por uma igreja da parte mais pobre da cidade. A equipe era
formada, em sua maioria, por negros. Esses jovens, que usavam tênis tão velhos
que tínhamos a sensação de que os darços eram a única coisa que os segurava,
contrastavam de forma gritante com nossos filhos, vestidos com impecáveis
uniformes azuis e dourados e tênis especiais novinhos em folha.

Quando o jogo começou, fiquei preocupada ao notar que a outra equipe estava
lutando sem o capacete de segurança que tinha como intuito proteger os ouvidos
dos lutadores. Era um luxo ao qual a equipe dos pé-sujos não podia se dar. No fim
das contas, a equipe da escola do meu filho acabou arrasando com eles.
Ganharam em todas as categorias de peso.

E cada um dos meninos da outra equipe que levantava do tatame se virava com
fúria, fazendo pose de valente, procurando mostrar um orgulho de quem não
ligava para a derrota. Mike, que estava sentado ao meu lado, balançou a cabeça,
triste:
Queria que pelo menos um deles tivesse ganhado, disse.
Eles têm muito potencial, mas uma derrota dessas pode acabar com o ânimo
deles.

Mike adorava crianças - todas as crianças - e as conhecia bem, pois tinha sido
técnico de times mirins de futebol, basquete e vôlei. Foi aí que tive uma idéia para
o presente dele. Naquela tarde, fui a uma loja de artigos esportivos e comprei
capacetes de proteção e tênis especiais que enviei, sem me identificar, à igreja
que patrocinava a equipe adversária. Na véspera de Natal, coloquei o envelope na
árvore com um bilhete dentro, contando ao Mike o que tinha feito e que esse era o
meu presente para ele. O mais belo sorriso iluminou o seu rosto naquele Natal.
Isso se deu em todos os anos consecutivos.
A cada Natal, eu seguia a tradição: uma vez comprei ingressos para um jogo de
futebol para um grupo de jovens com problemas mentais, outra vez enviei um
cheque para dois irmãos que tinham perdido a casa num incêndio na semana
antes do Natal e assim por diante. O envelope passou a ser o ponto alto do nosso
Natal. Era sempre o último presente a ser aberto na manhã de Natal. Nossos
filhos, deixando de lado seus novos brinquedos, ficavam esperando ansiosamente
o pai pegar o envelope da árvore e revelar o que havia dentro.

As crianças foram crescendo e os brinquedos foram sendo substituídos por


presentes mais práticos, mas o envelope nunca perdeu seu encanto. Esse conto
não acaba aqui. Perdemos nosso Mike ano passado por causa de um câncer.
Quando chegou a época do Natal, eu ainda estava sofrendo tanto que mal
consegui montar a árvore. Mas, na véspera de Natal, me vi colocando um
envelope na árvore. Na manhã seguinte, havia mais três envelopes junto a ele.
Cada um de nossos filhos, sem o outro saber, tinha colocado um envelope na
árvore para o pai.

A tradição cresceu e, um dia, se expandirá ainda mais e nossos netos se


reunirão em volta da árvore, ansiosos para saber o que há no envelope
retirado da árvore por seus pais. O espírito de Mike, assim como o espírito do
Natal, estará sempre conosco. Vamos todos lembrar de Jesus, que é o motivo
dessa comemoração e o
verdadeiro espírito do Natal este ano e sempre

A noite em que os hotéis estavam cheios


Moacyr Scliar
O casal chegou à cidade tarde da noite.
Estavam cansados da viagem; ela, grávida, não se sentia bem.
Foram procurar um lugar onde passar a noite.
Hotel, hospedaria, qualquer coisa serviria, desde que não fosse
muito caro.
Não seria fácil, como eles logo descobriram.
No primeiro hotel o gerente, homem de maus modos, foi logo dizendo
que não havia lugar.
No segundo, o encarregado da portaria olhou com desconfiança o
casal e resolveu pedir documentos.
O homem disse que não tinha, na pressa da viagem esquecera os
documentos.
- E como pretende o senhor conseguir um lugar num hotel, se não
tem documentos? Disse o encarregado.
- Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não!
O viajante não disse nada.
Tomou a esposa pelo braço e seguiu adiante.
No terceiro hotel também não havia vaga.
No quarto (que era mais uma modesta hospedaria) havia, mas o
dono desconfiou do casal e resolveu dizer que o estabelecimento
estava lotado.
- O senhor vê, se o governo nos desse incentivos, como dão para os
grandes hotéis, eu já teria feito uma reforma aqui.
Poderia até receber delegações estrangeiras.
Mas até hoje não consegui nada. Se eu conhecesse alguém
influente...
O senhor não conhece ninguém nas altas esferas?
O viajante hesitou, depois disse que sim, que talvez conhecesse
alguém nas altas esferas.
- Pois então, disse o dono da hospedaria, fale para esse seu
conhecido da minha hospedaria.
Assim, da próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um
quarto de primeira classe, com banho e tudo.
O viajante agradeceu, lamentando apenas que seu problema fosse
mais urgente: precisava de um quarto para aquela noite.
Foi adiante no hotel seguinte, quase tiveram êxito.
O gerente estava esperando um casal de conhecidos artistas, que
viajavam incógnitos.
Quando os viajantes apareceram, pensou que fossem os hóspedes
que aguardava e disse que sim, que o quarto já estava pronto.
Ainda fez um elogio.
- O disfarce está muito bom.
Que disfarce? Perguntou o viajante.
Essas roupas velhas que vocês estão usando, disse o gerente.
Isso não é disfarce, disse o homem, são as roupas que nós temos.
O gerente aí percebeu o engano:
- Sinto muito, desculpou-se.
- Eu pensei que tinha um quarto vago, mas parece que já foi
ocupado.
O casal foi adiante.
No hotel seguinte, também não havia vaga, e o gerente era metido a
engraçado.
- Ali perto havia uma manjedoura, disse, por que não se hospedavam
lá? Não seria muito confortável, mas em compensação não pagariam
diária.
Para surpresa dele, o viajante achou a idéia boa, e até agradeceu.
Saíram.
Não demorou muito, apareceram os três Reis Magos, perguntando
por um casal de forasteiros.
E foi aí que o gerente começou a achar que talvez tivesse perdido os
hóspedes mais importantes já chegados a Belém de Nazaré.