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Correio dos Açores


Domingo, 14 de Junho de 2020 Director:
i A
Américo
é i Natalino
li Viveiros
i i - Director-Adjunto:
i Adj S
www.correiodosacores.pt
Santos Narciso
i Diário
iá i fundado
f d d em 1920 por Joséé Bruno Carreiro
C i e Francisco
i Luís
í Tavares Ano 100 n.º 32155 Preço: 0,90 Euros

Editorial “Que os Governos


Com a mudança no horizonte não se esqueçam dos
1 - O Presidente da República resolveu deslocar-
se à Região numa viagem relâmpago para, no Nor-
cias com anidades que devem focar-se em ques-
tões ambiciosas entre as quais a desinformação,
compromissos assumidos
deste, juntando o Presidente do Governo e acolitado
pelo Representante da República, procurar atar os
evasão scal e a desigualdade.
10 - Conclui depois que a nova ordem mundial com a Universidade
laços que “rebentaram” em plena pandemia devido deverá levar a uma “retirada ordeira e pensada da
a omissões cometidas pela República, que em deses-
pero invocou, despropositadamente, o santo nome
globalização”, pois o período pós-pandemia justi-
ca a criação de cadeias de fornecimento alternativas
dos Açores”
da continuidade territorial, coisa que o mar imenso em que as infra-estruturas devam ser construídas
que nos separa se encarrega de demonstrar que tal entre as democracias com anidades. Reitor João Luis
continuidade é um sosma para a rearmação do 11 - A Globalização, tal como foi concebida,
poder central que perdura em actos e omissões. aprisionou os vários países às cadeias de produção Gaspar afirma
2 - Marcelo Rebelo de Sousa, com a argúcia de das grandes potencias, sobretudo, dos países emer- que está a in-
sempre, dourou a pílula, respondendo sem respon- gentes como a China, Coreia do Sul, Índia, enquanto
der às questões colocadas pelos jornalistas e prome- a União Europeia abdicou da sua capacidade cien- vestir, esperan-
tendo voltar em Agosto como promotor do turismo tica e industrial, assim como do potencial gerado do a assinatura
com o selo de “Azores free da Covid-19”. pela investigação, tudo em benecio da produção
3 - O Presidente da República procurou, em em rede. Só que a China cresceu e tornou os demais de contrato-
três horas, enterrar o contencioso entre a Região e países como seus dependentes. programa no
a República, mas só o futuro dirá se foi uma aposta 12 - É a nova forma de escravidão global peri-
ganha. gosa, como foi evidenciado com a crise pandémica valor 1,2 mi-
4 - Três dias depois, Marcelo Rebelo de Sousa, que colocou tudo a nu.
no dia 10 de Junho, interpelou várias vezes os po- 13 - Daí a necessidade de nos virarmos para
lhões de euros
líticos, os governos, e os cidadãos perguntando: dentro e pôr à prova a nossa capacidade, aprovei- para 4 anos
“Percebemos mesmo o que se passou e se passa ou tando os nossos recursos endógenos, criando uma págs. 4 e 5
preferimos voltar ao passado? Percebemos mesmo verdadeira política alargada de substituição de im-
que a pandemia foi global, exacerbou egoísmos e portações, comprar produtos dos Açores, escolher Diz quem é pobre e um dia ajudou pobres Valter Ponte tira Mestrado em Música
intolerâncias, parou economias, refez fronteiras, sectores estratégicos para apostar na “reindustriali-
congelou comércios ou pensamos que tudo foi um zação”, e mobilizar os jovens talentos com vocação
“A pobreza sente-se e As larmónicas são
exagero político e mediático?” empreendedora para fazerem a nova “revolução” cheira-se. A maior dor ca autênticas escolas
5 - Depois lançou desaos: “Temos, nos meses económica e social que os Açores precisam. é na alma e não no corpo”
e anos próximos, de mudar o que é preciso mudar, 14 - Essa “revolução” tem de ter um objectivo pág. 3
de vida
com coragem e determinação, ou preferiremos re- político forte e mobilizador, assente num plano de Valter Ponte vive
mendar, retocar, regressar ao habitual.” recuperação e de um novo modelo para a Região que Para o turismo americano nos Açores e estuda no Porto e
6 - Muitos são os especialistas que defendem devia estar a ser discutido e não está, ouvindo-se o diz: “Não fecho as
Consulado dos EUA portas a um eventual
que nos próximos cinco anos vai haver uma nova contraditório dos partidos políticos e conclamando
ordem mundial. a sociedade para serem parte dessa nova ordem que
e investigadores locais regresso aos Açores
desenvolvem guia digital para o ensino do cla-
7 - Edward Fishman, investigador adjunto do terá de nascer assente nas nossas raízes e que terá de
pág. 14 rinete” págs. 6 e 7
Centro para uma Nova Segurança Americana, e que colocar o ser humano no centro da sociedade, para
trabalhou com a equipa do Presidente Obama, de- ser igual entre todos, seja ele branco, negro, amare-
fende que a nova ordem determinará a existência lo ou vermelho, rico, remediado ou pobre. Rede alemã de supermercados com forte presença em Portugal
de dois eixos. 15 - Essa tem de ser a grande bandeira da Re-
8 - A Globalização em si mesma terá de focar- gião. Só assim valerá os sacrifícios a que somos Lidl exporta atum Santa
se em problemas de acção colectiva, como as altera- chamados a fazer.
ções climáticas, cibersegurança e pandemias. Catarina para Alemanha,
9 - Depois vem o eixo formado pelas democra- Américo Natalino Viveiros
Grécia e Bélgica pág. 9
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2 sociedade Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Maria Corisca
RECADOS COM AMOR...

Meus Queridos! Estive muito atenta à visita surpresa que fez o meu querido Presidente Marcelo à Vila
do Nordeste, aproveitando as feridas abertas naquele concelho pelas mortes causadas pela Covid-19
para mostrar a sua solidariedade e afecto e tentar sarar a ferida aberta com o meu querido Presidente
Vasco Cordeiro por causa do pedido do encerramento dos aeroportos dos Açores… que foi negado
em uníssono pelo Presidente da República e pelo Primeiro-ministro António Costa, permitindo de-
pois a “importação” do dito bichinho… como se importa tanta outra coisa dispensável…. Marcelo
Rebelo de Sousa à chegada ao aeroporto mostrou reserva quanto à data das eleições nos Açores, mas
à saída, já mais condescendente, esteve quase a dizer que as eleições serão na data prevista, que será
Outubro. A minha comadre Germana, da Fazenda do Nordeste, que é uma mulher muito atenta a essas
coisas da política, telefonou-me, dizendo que lhe cheira que Marcelo para conseguir a paz com Vasco
Cordeiro estendeu-lhe o ramo da laranjeira e uma rosa cor-de-rosa com um cartão datado com o mês
de Outubro…, o que signica que se cumprirá o desejo do PS/Açores quanto à data das eleições…
Ainda por cima, diz Germana que isso agrada ao CDS, porque assim sendo, Artur Lima ca com o
caminho aberto para fazer a limpeza que deseja no seu partido para manter a liderança e até aspirar,
no que já esteve mais perto do que está agora, de ser a “bengala” do próximo Governo… Enquanto
isso, Paulo Estêvão esfrega as mãos se assim for porque tem esperança em manter o lugar no Corvo
que doutra maneira pode fugir para o PS ou para o PSD… Cá por mim co de palanque à espera para
ver se o medo passa para levar o povo a votar em Outubro, e depois desse mês, não me venham falar
em máscaras, distanciamentos e outras coisas do género… ‘Tá?
Meus queridos! Tinha jurado não falar mais em con- ções que estava prevista para este mês de Junho e que a da factura da luz desde os tempos em que a EDA é EDA…
namentos e desconnamentos, aqui nos meus recadinhos, Covid-19 obrigou a adiar, vai realizar-se lá para Setembro, Mas logo no dia a seguir ela recebeu uma cartinha da em-
porque quanto mais dele ouço falar, mais confusa co, e e este ano, na grande e vetusta igreja de São José, de Ponta presa a dizer que se quisesse podia pagar às prestações,
por vezes até revoltada…. Numa dessas muitas reportagens Delgada. Ela lembrou-se logo do meu recadinho do passado mas a quantidade de papelada que lhe exigem, desde a es-
para encher chouriços... que as televisões vão fazendo para mês de Dezembro, quando as ordenações dos 7 diáconos, critura da casa até ao recibo de vencimento e prova de que
estender os noticiários… sem notícia, ouvi uma mãe que seis dos quais de São Miguel, obrigaram a que famílias e perdeu mais de não sei quantos por cento ao mês e tudo
estava na praia, entre grande multidão e talvez sem as dis- párocos tivessem de ir todos para a Terceira, quando se- com assinatura e carimbo do patrão e da caixa, ela disse
tancias aconselhadas… responder à lha que lhe perguntou ria mais fácil e barato trazer apenas meia dúzia de pessoas logo que mais valia pedir um vale ao patrão para descontar
se no Domingo iria à missa… dizendo, que não, porque a São Miguel. Desta vez, o meu querido Bispo Lavrador no m do mês… Livra, onde está a palavra? Acham que
ainda não é seguro e porque a igreja é fechada e a praia é vai fazer as ordenações na terra dos ordenandos, o que, não os consumidores são sem descriminação uns mentirosos e
aberta. Mas a confusão não ca por aqui… pois também me sendo inédito, nunca aconteceu com fornada tão grande, a corruptos para se exigir uma carrada de papéis para obter
confundiu o cuidado do meu querido Presidente Marcelo maior desde a do ano dois mil… em nessa altura foram dez, a divisão de uma divida que vai ser paga em prestações, e
que quis fazer o Dez de Junho no Claustro do Jerónimos, isto se não me falha a memória. É que isto de descentralizar se não for, mandarão um funcionário com o alicate cortar
apenas com mais “sete magnícos”… isto depois de dois não pode ser só para o que convém… a ligação e exigir depois mais cerca de cinquenta euritos
dias antes ter estado num espectáculo com mais de duas mil para ligar… Passa fora! Com tanta burocracia, é mesmo
pessoas na praça de touros do Campo Pequeno em Lisboa. para desesperar…
Não é por nada, mas anda muita gente desorientada porque Ricos! Li no jornal que tão generosamente me acolhe no
entre o ditar o passo e depois praticar… vai uma distância seu seio que a Câmara da velha capital resolveu conceder
grande… e é conforme o vento sopra dum lado ou do ou- um apoio de dez mil euros a cada uma das larmónicas do Ricos! Quero mandar um ternurento beijinho ao sim-
tro… Isto é o que temos e daqui p’rá frente muito se há-de concelho para compensar este ano em que não há festas, patiquérrimo médico siatra António Raposo, pelo muito
ver ainda! nem impérios, nem marchas de São João. O simpatiquérri- que me tenho consolado a ler as suas crónicas no velhinho
mo Presidente Ricardo Rodrigues calculou mais ou menos e sempre renovado Diário dos Açores. Hoje em dia, com
dez serviços de cada banda e assim pelo menos vai dar para tanto que há para ler, não é fácil a escolha, mas a maneira
Ricos! Mas falando da cerimónia do Dia de Portugal, respirar, porque mesmo com as sedes fechadas, há com- como explica os casos apontados, a maneira como sabe até
mesmo sem gente, para história ca um dos mais belos promissos que as bandas têm de cumprir e que não podem brincar com os leitores e a apresentação curta e convidativa
discursos que já se ouviram em Dez de Junho. O Cardeal- falhar. Só espero agora que da parte da Cultura, lá para os dos artigos, zeram de mim uma leitora atenta, da penúlti-
poeta madeirense, D. Tolentino Mendonça escreveu uma lados da Ilha de Jesus, também não se esqueçam que sem ma página do velho e sempre renovado jornal. Espero que
peça memorável, uma verdadeira oração de sapiência em sair à rua, as bandas ainda precisam mais de ajuda, se qui- guarde as ditas cujas para publicar em livro que, de certeza
que não teve medo da História, nem dos nomes da História, serem que elas continuem a ser as escolas que têm sido e vai ter o sucesso que teve o seu “Hagan, o doente da Bola”
fazendo de páginas de glória e temores, verdadeiras lições uma forma de ter muita juventude ocupada em tempos que que já li há uns anos…
para o presente. Como diz a minha prima Jardelina, há sem- exigem mesmo muita atenção aos mais novos…
pre qualquer coisa de diferente quando um ilhéu fala. E ela Meus queridos! Nunca fui mulher de andar por aí de
até diz que há um traço de união entre os discursos deste ano metro na mão para ver o tamanho das ervas que crescem
do cardeal madeirense e daquele que há dois anos, Onésimo Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço que é na berma das estradas nos passeios dentro de vilas e cida-
Teotónio Almeida proferiu em Ponta Delgada, também no uma mulher muito poupadinha na luz, mas que também não des. E sei que com tantos problemas que há por aí, ninguém
Dia de Portugal, evocando “O Século dos Prodígios”. Num gosta de viver na escuridão, apesar de só ter lâmpadas LED morre por via de umas estradas ou de umas ruas por limpar.
momento histórico em que até se decapitam estátuas, são em casa, recebeu uma conta para pagar, acima do que é Mas há dias passei com a minha sobrinha-neta pelo Beco
discursos assim que o mundo precisa. Mesmo com claustro normal, mas logo soube que foi acerto por não lhe terem António Borges e quei banzada com as ervas que ali cres-
vazio, houve um discurso que encheu… ido registar a leitura há alguns meses. E ela diz que não cem e com o abandono que aquele espaço apresenta. Não
tem nada que ter o trabalho e o cuidado de dar as leituras sei se terá sido limpo esta semana, mas o lixo, as ervas e as
à EDA, porque com tantos milhões de lucros, bem pode ratazanas mortas merecem uma valente limpeza e ali nem
Meus queridos! A minha prima Teresinha, que tem um admitir mais meia dúzia de pessoas para fazerem a recolha se pode dizer que cada um limpe à frente da sua casa, em
sobrinho neto que vai ser ordenado sacerdote este ano, cou de leituras, porque o melhor meio de aplicar os lucros é vez de reclamar, porque até parece que nada daquilo tem
muito contente quando soube que a cerimónia das ordena- dando mais emprego… além de que esse custo já faz parte dono…
Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ regional/opinião 3

“A pobreza sente-se e Entre o passado e o futuro


cheira-se. A maior dor
ca é na alma e não no
corpo”, diz quem é pobre
e um dia ajudou os pobres Por: Álvaro Dâmaso

Os números da pobreza nos Açores, ou em qual-


quer parte, não têm rostos, mas números. Nesta Re-
Agora, os Açores
gião, com belezas naturais estonteantes e convites aos
turistas mundiais para passarem dias férias em ilhas
paradisíacas, habitam milhares de pobres, e dentro
primeiro
desta pobreza há uns mais pobres do que outros mas
que não deixam de ser pobres. Tanto assim é, que Depois da suspensão da economia e connamento obrigatórios, do medo e da incerte-
num dos trabalhos do sociólogo Fernando Diogo, za generalizados, tanto mal por uma causa que não originámos, somos simultaneamente
também professor universitário, não há dúvidas de testemunhas e vítimas duma catástrofe económica sem precedentes. As circunstâncias
que “a pobreza nos Açores apresenta um valor alto, difíceis exigem agora, no nosso próprio interesse, que com determinação e muita cora-
envolvendo cerca de um em cada três residentes”. Se gem rapidamente nos convertamos em obreiros do renascimento da realidade social e
só este dado já era o bastante, o também professor económica interrompida ou destruída.
universitário diz que “o que podemos observar é que “Uma história de perda é uma proposta de restauro”, escreve Snyder, reputado
os Açores têm, de longe, a maior percentagem de po- historiador americano. O passado ensina que não há crise sem uma causa, uma saída
pulação residente com o estatuto de beneciário do e uma lição.
RSI. De facto, o valor dos Açores representa mais do A causa desta vez foi uma pandemia anquilosante e letal, não o estouro duma “bolha
que três vezes a média e é verdadeiramente singular económica”. Gerou restrições sociais e económicas improváveis. Reclama medidas de
no contexto nacional. Se a taxa de pobreza dos Aço- recuperação inovadoras.
res se situa nos 117,3% da nacional (dados do IDEF), A saída consiste na injeção de liquidez na economia e no lançamento de um programa
no caso do RSI a taxa açoriana corresponde a 375% social público que evite o aprofundamento das desigualdades e o alastramento das situa-
do seu equivalente para o conjunto do país. Por isso, Ser pobre é um problema que “dói, e muito” ções de pobreza. A lição indica o caminho da cooperação internacional com a categoria
esta questão merece algum aprofundamento”. E se de urgente e universal. Se não for efetiva no âmbito do relacionamento multilateral e
os números se revelam assustadores, imagine-se, Sinto-me a fazer uma caminhada em direcção ao
institucional o projeto de restauro da economia perdida será fragmentário, contingente
se for possível, pensar/sentir como quem convive desconhecido, o impacto que esta pandemia provo-
e de efeitos medíocres. Só a cooperação internacional permitirá que a retoma seja um
diariamente com a pobreza. “Ninguém tem ideia do cou na minha vida foi de tal maneira brutal, que já
processo de execução potenciador, continuado e célere. A quebra do relacionamento
que um pobre sofre. Sofre porque não dinheiro para solicitei apoio psiquiátrico e vou sendo apoiado por
económico internacional desenvolvido intensamente nas últimas décadas agudizará as
comprar comida e se consegue alguma comida sofre esmolas dos meus mais chegados que com pena me
diculdades no reatamento da atividade económica, erguerá novos muros e estimulará
porque não tem dinheiro para comprar o gás. Mas se vão apoiando e tentando elevar o meu ânimo.
“guerrilhas económicas” que levarão muitas décadas a cair e a desaparecer. Agora, mais
tem tudo isso, por alguns dias, sofre porque não pode Se esta pandemia não fosse global, estaria a viver
do que ideologia, precisa-se de cooperação económica, de planeamento e concertação
pagar a luz e a água. Enm, se um pobre consegue novamente a era das grandes emigrações dos açoria-
internacional no âmbito do G7, G10, G20, ou o que for. Mas deles especialmente.
dinheiro para alguns bens, sempre falta para outros nos para outras paragens, mas até neste sentido tam-
bém não é possível almejar algo de positivo noutros Nos Açores a paragem abrupta da atividade económica foi longa com efeitos cruzados
tão importantes como comer”, diz José, nome ctí- e negativos relevantes. Cresceram as diculdades e as incertezas em todos os domínios,
cio, que vive frente ao mar, “o melhor que a natureza países.
Sempre ouvi dizer que depois da tempestade especialmente nos mais nevrálgicos: leira leite/laticínios no qual se eterniza a questão
dá e cujo horizonte permite sonhar com dias melho-
vem sempre a bonança, mas até ao momento con- do preço do leite e que ameaça perturbar ainda mais o setor; turismo de alojamento
res”. Não se pense que se fala de um pobre que não
tinuo sem saber o que vem depois de uma doença tradicional e local, a bomba de injeção de liquidez na economia regional que se avariou;
trabalha, fala-se sim de um pobre que ganhava um
que é um «tsunami mundial». Esta pandemia não a restauração responsável pelo emprego novo ainda está em pânico; o comércio local
ordenado médio e que perdeu o emprego, antes da
veio abalar mais a vida dos pobres, veio destruí-los caiu; as exportações diminuíram; os transportes marítimos e aéreos tremem; a transpor-
Covid-19, situação agravada pela pandemia.
completamente, mexer fortemente com os alicerces tadora regional de capital importância para a economia e coesão açoriana agravou a sua
“Parece que foi ontem que fui à minha primeira
da classe média e abalar seriamente a alta-roda - periclitante sustentabilidade; novos investimentos foram cativados.
entrevista de trabalho, mas já lá vão mais de uma dú-
nanceira. Por agora, o governo está a conseguir acu- Agora, urge repensar, planear e executar. A recuperação é mais do que um objetivo
zia de anos, que fazia parte dos quadros da empresa
dir quase todos para não morrerem de fome, como regional é uma obrigação que recai sobre todos, que só se extingue pelo seu cumpri-
para a qual dediquei parte da minha vida. Assisti a
vai ser o futuro se uma nova vaga chegar”, pergunta mento.
tantos episódios de pobreza, e sempre tive o cuidado
José, um homem manifestamente descrente quando Os Açores necessitam de dois planos: um plano operacional de aplicação e efeitos
de dentro das minhas posses nanceiras, colaborar
com os que mais precisavam, nomeadamente com à distribuição da riqueza. imediatos e um plano estruturante e de legislatura subsequente.
o Banco Alimentar. Em momento algum imaginei “Vive-se uma era de esperança e fé e de apoio O primeiro tem objetivos de curto prazo. É um modelo socioeconómico de reação
que viesse um dia precisar dele também. Sinto que, alheio, de resto não sobra mais nada”, opina José para à crise, integrador e orientador da recuperação imediata dos segmentos ou setores de
o meu caso é um tanto ou quanto diferente dos deno- quem a maior dor não é a falta de comida, porque a atividade mais atingidos e de recuperação urgente. Deve prever a origem e a alocação
minados pobres, pois sempre fui dono de uma vida recebe de várias instituições, é perceber que a Covid- dos recursos nanceiros, os instrumentos de execução e as medidas calendarizadas.
relativamente estabilizada, mas tal como eles hoje 19 também fez com que a comida devido, ao fecho O segundo tem objetivos a médio prazo, para uma legislatura, suportado por um
preciso de ajuda do Banco Alimentar”. dos restaurantes, era mais à base de sopa e de pão modelo regional de desenvolvimento económico, proteção da economia, defesa do
A Covid-19 veio alterar de todo a minha vida, recheado com queijo ou ambre. “Ninguém passa ambiente e da biodiversidade.
deixei de ter qualquer tipo de rendimento e nos dias fome, é verdade, mas sente-se a pobreza pelo tipo de Tem de considerar a economia do mar dos Açores, as pescas que carecem de orien-
de hoje o mais difícil é mesmo ter esperança de vol- comida que comemos. Sente-se a pobreza pelo tipo tação estratégica e a indescartável rede de comunicações por cabos submarinos, hoje
tar a arranjar emprego na minha área. Foram-se to- de produtos de higiene que compramos, porque não em m de vida, que é demasiado importante para ser gerida por uma empresa privada;
das as esperanças. O desespero começou a comandar há dinheiro para mais. A pobreza sente-se e cheira- não descuraras múltiplas aplicações da geotermia como fonte de energia alternativa
o meu dia e antes de cair no abismo total procurei se. A maior dor ca é na alma e não corpo”, remata e limpa; recuperar a posição geográca da ilha de Santa Maria no âmbito da nova
ajuda, não junto da família, porque é pequena e a José, que mesmo numa situação difícil garante que o estratégia nacional para o espaço; valorizar a agropecuária num quadro de cooperação
viver semelhantes diculdades, mas sim ajuda das governo tem feito tudo o que é possível para ajudar, estável e institucional entre produção e indústria; denir uma solução estrutural, orgâ-
instituições ajudam pobres e sem-abrigo. Uma das mas é certo que é impossível acabar com a pobreza, nica e operacional para as duas “SATAS” baseada no seu mercado natural; integrara
minhas bases foi-se por água-abaixo e o orgulho porque mesmo quem trabalha e ganha o ordenado atualização da lei das nanças regionais e a substituição dos avales do Estado pela
tive-o que o engolir a seco. Cheguei ao ponto de ter mínimo é pobre”, garante, defendendo que o que mutualização da dívida da Região.
de pedir ajuda para poder sobreviver, tive direito por tem de haver é um programa bem estruturado, en- Vivemos uma oportunidade única para retirar os Açores da cauda do índice nacional
parte do ISSA a apoio à renda e uma pequena verba volvendo vários especialistas, para ajudar os pobres do desenvolvimento regional sem afetara sua posição de topo no índice de qualidade
para alimentação e higiene pessoal. Mas todo o resto a conviver com a pobreza. “A não ser assim vamos ambiental. É o momento para cada um se questionar sobre o que pode fazer mais pelos
continua mesmo a faltar! Como pagarei a água e a ter muita gente com problemas psicológicos, porque Açores.
luz, sim, porque o serviço de cabo já mandei sus- enfrentar a pobreza dia após dia dói, e muito”.
pender. Nélia Câmara
4 reportagem Correio dos AçoresǡͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Reitor admite que pandemia trouxe diculdades acrescidas


Universidade dos Açores está a investir
esperando a assinatura de contrato-programa
no valor 1,2 milhões de euros para 4 anos
Outra das frentes em que o Reitor João Luís Gaspar está empenhado é a do apoio social aos alunos. O Rei-
tor considera que é “absolutamente fundamental aumentar as verbas disponíveis para o apoio social aos
estudantes cujas famílias têm dificuldades económicas para que os seus dependentes prossigam estudos
no ensino superior”, sublinha. Também , à semelhança do que acontece com as outras instituições de en-
sino superior, a própria pandemia, segundo o Reitor, está a ter consequências gravosas na Universidade
dos Açores. As receitas baixaram consideravelmente e as despesas para garantir as condições sanitárias
exigidas para prepararmos o próximo ano lectivo estão a ser significativas”.
O Reitor da Universidade dos Açores, res, tal com a Universidade da Madeira,
João Luís Gaspar, afirmou ao Correio dos por se encontrarem localizadas em Regiões
Açores que o contrato-programa, no valor Autónomas com programas operacionais
de 1,2 milhões de euros para quatro anos próprios, “nunca se puderam” candidatar a
(300 mil euros por ano) que deveria ter sido medidas do Programa Operacional Nacio-
assinado em Abril, em São Miguel, entre o nal que, no entender de João Luís Gaspar,
Primeiro-ministro, António Costa, e o Pre- são “de grande importância para o seu de-
sidente do Governo dos Açores, Vasco Cor- senvolvimento, como, por exemplo, as
deiro “não iria acabar com as injustiças e direccionadas para a modernização adminis-
as discrepâncias observadas ao nível do trativa e tecnológica, e a internacionalização,
Orçamento de Estado e dos fundos comu- entre outras”.
nitários em matéria de ensino superior, mas A propósito, o Reitor da Universidade
permitiria, pelo menos, atenuar o problema açoriana sublinha o facto de as instituições
e garantir que a Universidade mantivesse as de ensino superior do continente “garanti-
suas contas equilibradas”. ram”, ao nível do Programa Operacional
A pandemia da Covid-19 suspendeu uma Nacional, “um total de mais de 450 milhões
visita do Governo da República aos Açores de euros em fundos europeus! Não conse-
que chegou a estar agendada para Abril e, guindo concorrer a programas semelhantes
entretanto, a assinatura do contrato-progra- na Região, veja-se o impacto de uma tal
ma foi adiada para data a marcar. O Reitor questão no desenvolvimento da Universida-
percebe a circunstância mas deixa o recado: de dos Açores”, completa.
“espero que os governos não se esqueçam
dos compromissos assumidos, como a Uni- A “emergência” de apoios
versidade dos Açores não se esqueceu dos sociais aos estudantes
seus, mesmo em tempo de pandemia”.
A Universidade dos Açores pretenderia, Outra das frentes em que João Luís
já para 2020, de 750 mil euros (dos 800 mi- Gaspar está empenhado é a do apoio social
lhões de euros que tem em atraso no Minis- aos alunos. O Reitor considera que é “abso-
tério do Ensino Superior) para responder, lutamente fundamental aumentar as verbas
exclusivamente, ao aumento salarial asso- disponíveis para o apoio social aos estudan-
João Luís Gaspar: “É inaceitável que se invistam no ensino superior mais de 5 euros por pessoa
ciado às valorizações remuneratórias (336 tes cujas famílias têm dificuldades económi-
mil euros); 14 mil euros para o aumento no Continente comparativamente aos Açores” cas para que os seus dependentes prossigam
do salário mínimo; e 400 mil euros para a estudos no ensino superior”, sublinha.
integração de trabalhadores precários. relacionadas com o aumento salarial asso- distribuição das verbas do Orçamento de “Repare que, apesar do número de estu-
Docentes da Universidade dos Açores, ciado às valorizações remuneratórias, ao sa- Estado para o ensino superior”, desde logo, dantes carenciados ter vindo a aumentar nos
alguns com responsabilidades na Academia lário mínimo e à integração de trabalhadores porque o investimento do Governo, em ma- últimos anos, o montante global despendido
açoriana, vêm chamando a atenção do ‘Cor- precários, entre outras”. téria de ensino superior no país, “é muito em ação social não tem acompanhado tal
reio dos Açores’ para o agravamento da situ- O Reitor havia discutido esta questão mais elevado no Continente do que nas Re- tendência”, afirma para depois concluir:
ação financeira do estabelecimento do ensi- directamente com o Ministro da Ciência, giões Autónomas”. “e se o apoio social aos estudantes do en-
no superior, situação que o Reitor, João Luís Tecnologia e Ensino Superior. E, apesar dos “É inaceitável que se invistam mais de sino superior no país é uma necessidade
Gastar, acabou por esclarecer após alguma argumentos “válidos e incontestáveis” de 5 euros por pessoa no continente compara- inquestionável; nos Açores, por maioria de
insistência do jornalista. João Luís Gaspar, a verdade é que o valor tivamente aos Açores e isso traduz-se num razão, é uma emergência”.
de 800 mil euros em dívida “não foi consi- montante mínimo anual em falta da ordem São estas questões que a Universidade
A questão dos 800 mil euros derado” no orçamento da Universidade dos dos 5 milhões de euros”, defende João dos Açores tem vindo a defender e que João
Açores para 2020 que, deste modo, come- Luís Gaspar baseando-se no estudo que a Luís Gaspar considera “essenciais para o
A Universidade dos Açores não assinou çou o ano “numa situação deficitária”. Universidade apresentou à Presidência da desenvolvimento económico dos Açores e
o contrato-programa que o Ministério da Ci- República, à Assembleia da República, à a melhoria do bem-estar social dos açoria-
ência, Tecnologia e Ensino Superior propôs “É inaceitável que se invista mais 5 Assembleia Legislativa Regional, ao Gover- nos”.
às instituições de ensino superior no ano pas- euros por pessoa no continente que nos no da República, ao Governo Regional, aos É esta constatação que, segundo o Rei-
sado, por “discordar” dos termos em que foi Açores” partidos políticos e à comunidade em geral. tor, terá levado “o Presidente do Governo
elaborado e por considerar que o Governo Um estudo que “nunca foi, nem podia ser, Regional, doutor Vasco Cordeiro, a propor e
“não cumpriu” com o estabelecido no con- Mas, como sublinha o Reitor, “o proble- contestado”, sublinha o Reitor. a presidir a uma reunião entre a Academia e
trato-programa anterior. “Efectivamente”, ma financeiro da Universidade dos Açores o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino
clarifica João Luís Gaspar, “à data estavam não se resumia” aos 800 mil euros em falta. A perda de fundos comunitários Superior em Fevereiro último”. Dessa reu-
em falta cerca de 800 mil euros, devidos “Na verdade”, acrescenta, “há vários nião “saiu a garantia” de que o Ministério da
para o pagamento de alterações legislativas anos que me bato por uma reapreciação da Por outro lado, a Universidade dos Aço- Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior ia
Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ reportagem/publicidade 5

João Luís Gaspar espera que os governos


“não se esqueçam dos compromissos
assumidos” com a academia açoriana
estabelecer um contrato-programa específi- agendados, designadamente, os relaciona-
co com a Universidade dos Açores, no valor dos com a progressão na carreira docente
anual de 1,2 milhões de euros, durante um e a contratação de trabalhadores precários,
período de 4 anos. entre outros. Suspendemos, igualmente, os
“Tal contrato”, acentua, “não iria acabar investimentos em obras e equipamentos, tão
com as injustiças e as discrepâncias obser- necessários para mantermos a qualidade do
vadas ao nível do Orçamento de Estado e ensino e da investigação”.
dos fundos comunitários em matéria de en- Só que, realça João Luís Gaspar, a sus-
sino superior, mas permitiria, pelo menos, pensão de concursos públicos e de investi-
atenuar o problema e garantir que a Univer- mentos “não podia arrastar-se mais no tem-
sidade mantivesse as suas contas equilibra- po” e a Universidade dos Açores “já deu
das, como até aqui”. início à maioria de tais procedimentos”.
É neste contexto que “espera” que os go-
Projectos que avançam contando vernos “não se esqueçam dos compromissos
com os 1,2 milhões de euros assumidos, como a Universidade dos Açores
não se esqueceu dos seus, mesmo em tempo
Acontece que, entretanto, a pandemia de pandemia”.
veio alterar a calendarização de todo o pro- Aliás, prossegue, “devo dizer que, à se-
cesso, e o contrato que era para ser assinado melhança do que acontece com as outras para prepararmos o próximo ano letivo es- seus estudantes em termos de segurança e
em Abril, aquando da programada visita do instituições de ensino superior, a própria tão a ser significativas”. de qualidade, pelo que, em especial os es-
Governo da República aos Açores, “ainda pandemia está a ter consequências gravosas “De qualquer modo, uma coisa é certa”, tudantes açorianos, têm muito boas razões
não foi concretizado”. Por essa razão, real- na Universidade dos Açores. As receitas bai- assegura João Luís Gaspar, a Universidade para optar pela sua Universidade!”
ça, “atrasámos, até ao limite, todo um con- xaram consideravelmente e as despesas para dos Açores, no próximo ano letivo, vai ga-
junto de concursos públicos que estavam garantir as condições sanitárias exigidas rantir as melhores condições possíveis aos João Paz
6 entrevista Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Valter Ponte frequenta o 2º ano do Mestrado em Ensino da Música e colabora com a Orquestra da ESMAE

“As bandas larmónicas têm sido mais


do que simples escolas de música do
povo, são autênticas escolas de vida”
O nosso entrevistado de hoje é Valter Ponte, que se encontra a frequentar o segundo ano do Mestrado em Ensino da Músi-
ca na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo e Escola Superior de Educação, colaborando regularmente com a
Orquestra da ESMAE, sendo também concertino e chefe de naipe da Banda Musical e Cultural da Vila de Rio de Moinhos,
bem como membro do Trio Lacos. Iniciou os seus estudos musicais aos 11 anos na Filarmónica Lealdade em Vila Franca do
Campo e, em 2006, ingressou na Orquestra Lira Açoriana, desempenhando vários lugares, inclusive o de concertino. Este
músico micaelense integrou a Banda Militar dos Açores, a Banda Militar do Porto e, bem assim, a Orquestra Quadrivium
e o quarteto de clarinetes com percussão Sticks n’Keys Ensemble. O Exército atribuiu-lhe dois diplomas de Louvor, pelas
capacidades exemplares que foi desempenhando como militar e instrumentista, tendo sido agraciado com uma medalha de
Comportamento Exemplar, Grau Cobre. Em 2020 obteve uma Menção Honrosa no Prémio Helena Sá e Costa, concurso que
premeia alunos e ex-alunos da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo em todos os instrumentos.

Correio dos Açores: Conte como mim. É um professor que incute o pen-
despertou para a música. samento crítico e reflexivo constantes,
Valter Ponte: Comecei na música um algo importantíssimo para o crescimento
pouco como a maioria dos instrumentistas musical e pessoal.
de sopro em Portugal. Aos 12 anos, co-
mecei a frequentar uma das bandas filar- Prefere ser executante de uma or-
mónicas do concelho de onde sou natu- questra ou de uma banda filarmóni-
ral, neste caso a Banda Lealdade, de Vila ca?
Franca do Campo. Integrei por iniciati- Na minha opinião, ter a possibilidade
va própria, mas também um pouco pelo de tocar em conjunto é algo que desfru-
meu pai, através do gosto demonstrado to com muita naturalidade, até porque as
pela música e pela Lealdade em especial, funções de clarinetista em cada um dos
onde já tinha sido executante. agrupamentos são distintas. Nas orques-
tras, o clarinete muitas vezes assume
Fale-nos da sua carreira musical. um papel solístico ou realizando peque-
Inicialmente, comecei os meus estu- nos agrupamentos de música de câma-
dos musicais na Banda Lealdade, tendo, ra em plena obra, enquanto nas bandas
aos 18 anos, concorrido para o Exército filarmónicas, e de uma forma geral, o
Português, de modo a integrar a Ban- clarinete desempenha uma função mais
da Militar dos Açores, onde passei seis direccionada para o colectivo. A nível
anos. Foi nesta fase que consolidei e ad- social, é cada vez mais necessário tocar-
quiri conhecimentos que me permitiram mos em colectivo, independentemente
pensar seriamente num futuro na música, do agrupamento em causa.
o que me fez concorrer alguns anos mais
tarde ao Ensino Superior. Em 2015, fui Que concerto destaca neste seu per-
transferido para a Banda Militar do Porto curso?
e iniciei os meus estudos na Escola Su- Considero todos os concertos que re-
perior de Música e Artes do Espectáculo. alizei com o mesmo grau de importância,
Actualmente, encontro-me a finalizar o mas talvez possa destacar um em dife-
Mestrado em Ensino da Música, integra- rentes situações, por terem sido marcos
do na ESMAE e na Escola Superior de ou pontos de viragem no meu percurso.
Educação. Os meus recitais finais de licenciatura
e mestrado foram marcantes, por terem
Qual o primeiro instrumento musi- sido acompanhados pela Elsa Silva, uma
cal? pianista de excelência, mas também por
Foi uma escolha difícil, porque esta- estarem na plateia muitos amigos e fami-
va dividido entre clarinete e trompete. liares que estavam lá propositadamente
Mas sempre toquei clarinete, são quase para me ver. Em agrupamento de música
17 anos ligados a este instrumento, com Valter Ponte de câmara, destaco o concerto na Casa
algumas breves passagens em instru- da Música com o Trio Lacos, compos-
mentos da família. No meu segundo ano meus professores de instrumento, que me Banda Lealdade e foi com ele que cres- to por oboé, clarinete e fagote, inserido
na banda, tive alguns meses a tocar cla- permitiram aprender uma arte tão nobre ci a todos os níveis. Foi uma pessoa que no Festival Internacional Harmos. Com
rinete requinta, instrumento um pouco como a música e um instrumento versá- me colocou desafios, na tentativa inata a Orquestra da ESMAE é muito difí-
mais pequeno que o clarinete soprano, til, mas também pela ligação humana e que os superasse, seja na Lealdade ou cil, porque tive a oportunidade de tocar
mas pertencente à mesma família e fun- pelos valores transmitidos. Numa fase na Banda Militar, onde foi meu profes- grandes obras do repertório para esta for-
cionando da mesma forma. inicial, o Mário Pacheco foi o pilar da sor na especialidade. Por fim, o meu mação. Mas posso destacar o último que
minha formação. Foi com ele que apren- actual mentor e figura do panorama do colaborei, onde foi possível tocar uma
Quais os mentores de referência na di as primeiras notas e que desenvolvi o clarinete no nosso país, António Saiote. das obras mais icónicas de Stravinsky,
sua carreira de músico? gosto pelo clarinete. Tempos mais tarde, Pela personalidade, pelo que representa, como é “O Pássaro de Fogo”. Em ban-
As minhas grandes referências são os o Carmino Melo assumiu os destinos da mas acima de tudo por ter acreditado em da foram muitos, mas talvez destaco o
Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ entrevista 7

Valter Ponte a viver no


Porto diz: “Não fecho as
portas a um eventual
regresso aos Açores para
o ensino do clarinete”
Já foste dirigido por maestros de país?
grande nome. Fala-nos destas experi- Os Açores têm a média mais elevada
ências no teu percurso musical. de filarmónicas por habitante em Por-
acho necessária a existência de mais ac- Creio que todas estas experiências tugal, o que faz com que tenhamos res-
“Os Açores têm a média tividades que permitam aos músicos dos foram gratificantes, porque cada maestro ponsabilidades acrescidas sobre o modo
mais elevada de filarmó- Açores poderem obter mais formação de tinha a sua forma de ver e pensar a mú- como devemos preservar o que os nossos
forma mais regular, adequada aos dife- sica ,tal como formas distintas de gerir antepassados nos deixaram. Em muitos
nicas por habitante em rentes níveis, permitindo, assim, motivar um grupo de trabalho. Na minha óptica, casos, temos filarmónicas centenárias,
Portugal, o que faz com todos os músicos. é a partir das diferenças que podemos com um espólio e história riquíssimos.
obter o nosso gosto pessoal e assim ter a Acredito seriamente que os arquivos
que tenhamos responsabi- Qual tem sido o papel das filarmó- oportunidade de escolher como podemos musicais de muitas instituições contêm
lidades acrescidas sobre o nicas no ensino da música nos Aço- fazer a nossa própria música no futuro. exemplares únicos de manuscritos mu-
Em cada momento tentei cumprir, na sicais e obras originais de compositores
modo como devemos pre- res?
Ao longo de séculos de existência, perspectiva de aprender e desempenhar açorianos. Decerto será do interesse dos
servar o que os nossos an- as bandas filarmónicas têm sido mais do o meu papel da melhor forma possível. municípios locais em apostarem na pre-
que simples escolas de música do povo, servação deste património, que em muito
tepassados nos deixaram. são autênticas escolas de vida. Se escuto Que projectos tem para o futuro na poderá contribuir para a ilustração da his-
Em muitos casos, temos os músicos com mais anos nas bandas a área da música? tória, não só da instituição, mas também
falarem de histórias passadas, é porque No imediato, tenho como objectivo de figuras importantes que habitaram e
filarmónicas centenárias, muitos deles também o fizeram como eu principal terminar o Mestrado em Ensi- colaboraram com estas instituições. A
com um espólio e história e assim sucessivamente. Já assisti a vá- no, encontrando-me actualmente na reta tradição das filarmónicas nos Açores
rias situações onde a banda era o porto final. Ainda este ano ambiciono realizar ganha um outro tipo de contornos devi-
riquíssimos” seguro para os mais jovens ou onde um um projeto que está associado ao meu do à forma como estas enfrentaram as
miúdo mais tímido conseguiu fazer ami- projeto de investigação, algo ainda por adversidades, muitas delas provocadas
concerto inaugural da Banda Sinfónica gos. A filarmónica nunca será apenas a definir face às actuais circunstâncias. por fatores resultantes da insularidade.
de São Miguel, devido ao repertório e à banda, há uma vertente social muito for- Posteriormente, gostaria de leccionar e, Também a lacuna na diversidade de ins-
génese do projeto. te e será importante nos próximos anos em simultâneo, colaborar com alguma tituições de aprendizagem na música
fortalecer esta tradição secular. regularidade com alguma orquestra ou (comparativamente ao Continente, onde
Qual o papel das bandas militares agrupamento de música de câmara. é encarada com naturalidade a passagem
na sua carreira musical? Qual o instrumento da sua eleição? da escola da banda para o conservató-
A minha passagem pelas bandas mi- O clarinete, naturalmente. Pelas pro- Como caracteriza o património rio ou escola profissional), faz com que
litares dos Açores e Porto foram funda- priedades físicas, sonoras, pela ligação cultural dos Açores, em termos de fi- valorize o músico açoriano e o trabalho
mentais, na medida em que desenvolvi afectiva e emocional desde o começo. larmónicas, relativamente ao resto do feito nos Açores.
competências que dificilmente iria adqui-
rir noutra instituição, uma vez que o meu Vivendo no Porto, tem saudades
percurso só passou pelo ensino oficial de dos Açores?
música numa fase tardia. Tive a sorte de Não existe um dia em que não este-
ter colegas de grande nível em meu re- ja ligado aos Açores. São Miguel foi o
dor, tendo sido possível entender como local onde cresci, onde a minha família
poderia evoluir e aumentar os meus ní- habita e tento estar em contacto com as
veis motivacionais. A componente men- notícias locais. Consegui vir para uma ci-
tal foi igualmente essencial para conse- dade que considero ser a minha segunda
guir superar-me, através da perseverança casa, habitando um lugar muito especial
e resiliência que fui obtendo através das na minha mente, mas os Açores estarão
experiências ao longo destes 7 anos no sempre no coração.
Exército Português.
Contas regressar aos Açores para o
O que pensa do trabalho feita pela ensino da música?
Lira Açoriana? Se existir a possibilidade, não fecho
Qualquer projeto que dinamize a mú- as portas a um eventual regresso para o
sica jovem nos Açores é algo que deve ensino do clarinete, embora reconheça
ser acompanhado com muita atenção. O que seja uma decisão que não dependa
facto dos jovens músicos açorianos po- de mim e da minha competência. No en-
derem trabalhar com maestros de renome tanto, e no que depender de mim, gosta-
e com formadores de qualidade torna-se ria imenso de regressar.
importante para o desenvolvimento ar-
tístico, tal como é igualmente relevante Como viveste esta pandemia?
estes jovens conhecerem a realidade dos Infelizmente tinha acabado de regres-
colegas de outras ilhas do arquipélago sar dos Açores quando a situação se com-
e trocarem experiências. Em Portugal plicou em Portugal continental. Como
Continental existem agrupamentos de tal, passei o confinamento em casa no
jovens para banda sinfónica, mas ne- Porto, onde permaneço desde então, em
nhum se assemelha aos contornos adpo- redor dos projectos que tenho actualmen-
tados por este projeto. Fui membro em te em mãos, aproveitando para estudar e
duas fases muito distintas e em ambas para falar com a família e amigos.
considero que saí mais capaz. Porém, António Pedro Costa
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Correio dos Açores,ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ entrevista 9

Rede de supermercados alemã com forte presença em Portugal

Lidl exporta atum Santa Catarina para


Alemanha, Grécia e Bélgica
A operação arrancou em Março deste ano, mas a cadeia de supermercados alemã acredita que aceitação será
positiva já que “os produtos portugueses destacam-se pela qualidade”. A parceria com a Santa Catarina, que
produz também o atum de marca própria do Lidl, conta já com 10 anos, por serem produtos “que primam pela
qualidade, aliando a tecnologia a métodos artesanais”. A cadeia de supermercados tem outros produtos fabri-
cados nos Açores com marca própria, nomeadamente na área dos lacticínios, mas reconhece que a capacidade
de produção dos fornecedores “pode ser muitas vezes um desafio, bem como a logística dos transportes”.

O Lidl começou recentemente com a expor- portação dos queijos nacionais em conjunto com
tação do atum Santa Catarina para Alemanha, os produtores, tendo em consideração a capacidade
Grécia e Bélgica. Trata-se de atum com a vos- de produção de cada um e serão disponibilizados
sa marca “Bela Aurora” ou da marca Santa em mercados onde estamos presentes, que mani-
Catarina? Quando começaram essa exporta- festem interessem e à partida haja uma boa acei-
ção e em quantas lojas está presente o atum? tação.
Bruno Pereira (Administrador de Compras
Lidl Portugal) - No Lidl Portugal temos o com- Há pelo menos um queijo da vossa marca
promisso de valorizar e apoiar a produção nacio- própria que é produzido nos Açores. Como tem
nal, privilegiando sempre que possível os produ- sido essa relação com os lacticínios açorianos?
tores locais e assumimos um papel preponderante O Lidl Portugal tem vários queijos e lacticí-
no crescimento da economia nacional, enquanto nios produzidos nos Açores, da nossa marca pró-
facilitador da exportação de produtos nacionais pria Terra do Vento. Esta relação já remonta há
para os vários mercados onde temos presença, vários anos, tendo gerado resultados bastante po-
através das certicações e da estreita relação com sitivos, pelo que se tem vindo a desenvolver cada
os nossos fornecedores e parceiros, dando a conhe- vez mais.
cer a qualidade e rigor da produção portuguesa.
O nosso parceiro de Santa Catarina iniciou a Pensam alargar o vosso leque de produtos
exportação através do Lidl em Março deste ano, açorianos à venda nas lojas Lidl?
com a marca Santa Catarina. Os artigos indicados O Lidl Portugal dispõe de vários produtos aço-
foram exportados para lojas Lidl na Alemanha, rianos, complementados em semanas especícas
Grécia e Bélgica. onde é dado destaque a uma determinada região,
como por exemplo os Açores. Procuramos ofe-
Como tem sido a resposta destes mercados recer um sortido variado, adaptado em função do
ao atum açoriano? Bruno Pereira, Administrador de Compras do Lidl Portugal, revela que a parceria com os pro- que os nossos clientes procuram e valorizam, sen-
Estamos ainda numa fase inicial, mas acredi- dutos açorianos tem sido “muito bem aceite” pelos clientes do por isso dinâmico e inovador, centrando-se na
tamos que será positiva. Os produtos portugueses frescura e qualidade dos produtos e no princípio da
destacam-se pela sua qualidade, a qual faz parte da qualidade ao melhor preço.
aposta Lidl, garantindo o princípio da qualidade ao
melhor preço. A questão da economia de escala dos Aço-
res tem colocado alguns entraves à colocação
Isso representa quanto em termos de ven- de produtos daqui nas vossas lojas? E os trans-
das? portes afectam de alguma forma?
O Lidl Portugal actua como interlocutor e dá A capacidade de produção dos fornecedores
apoio em todas as etapas do processo de exporta- pode ser muitas vezes um desao, bem como a
ção, não recebe quaisquer incentivos scais nem logística dos transportes, que por vezes pode limi-
factura com a exportação de artigos nacionais. tar a disponibilidade de mercadoria. No entanto,
Fazemo-lo porque apoiamos os nossos parceiros, temos vindo a trabalhar em conjunto com todos
ao ponto de ser um dos pilares da nossa política de os nossos parceiros, por forma a minimizar es-
responsabilidade social. Não deixa de ser um privi- tas questões e potenciar as parcerias e o trabalho
légio sentir que contribuímos para uma importante conjunto e prova disso são os vários parceiros da
causa nacional, apostando nas empresas nacionais região dos Açores com quem já trabalhamos há
e fortalecendo os mercados onde operamos. vários anos.

Como tem sido a parceria com a fábrica Como classica o Lidl os produtos dos Aço-
Conserveira Santa Catarina? E como tem sido res?
a aceitação dos vossos clientes nacionais? Atum e queijo ilha, produzidos nos Açores, são marca própria do Lidl A nossa política de compras centra-se na ga-
A parceria com a fábrica Conserveira Santa rantia de qualidade e frescura dos produtos e na
Catarina tem sido muito positiva, um trabalho que sustentabilidade da cadeia de fornecimento. Neste
já é desenvolvido em conjunto há 10 anos, que de- Quanto representa em termos de vendas? Origem Açores, que vão da Manteiga a vários for- sentido, investimos na qualidade e segurança dos
monstra a importância para o Lidl, da valorização Sim, o Lidl Portugal valoriza a produção na- matos de Queijo. O Queijo da Ilha Curado, ralado nossos produtos, garantindo elevados padrões de
da regionalidade e nacionalidade dos produtos, cional e nesse sentido procura dar destaque a de- e fatiado da nossa marca própria Terra do Vento e qualidade e segurança, preços justos, e uma gama
privilegiando a proximidade como elemento estra- terminadas regiões, incluindo os Açores. Produtos o Atum Nixe com produtos dos Açores, são exem- de produtos variada que satisfaça as necessidades
tégico, que garante os nossos valores de eciência como o Atum e o Queijo são artigos muito apre- plos de artigos que estão permanentemente dispo- dos nossos clientes, pelo que os produtos dos Aço-
e qualidade. São produtos muito bem aceites pelos ciados pelos nossos clientes e com bastante pro- níveis nas nossas lojas. res que disponibilizamos nas nossas lojas não são
nossos clientes, que primam pela qualidade, alian- cura. No entanto, não temos, por política, divulgar excepção, primando pela sua qualidade e frescura.
do a tecnologia a métodos artesanais. valores de vendas. Em relação à aposta do Lidl na exportação É uma região que aposta na valorização dos seus
de queijos nacionais, pensam integrar os quei- produtos lácteos, com a singularidade do modo de
Têm ao longo do ano várias campanhas Há algum produto açoriano que tenham jos açorianos neste lote? De que marca/ilhas? E produção assente na pastagem das vacas ao ar li-
pontuais com produtos dos Açores. Qual o permanentemente nas vossas lojas? em que mercados vão apostar? vre, e aposta na qualidade do leite.
produto mais apreciado pelos vossos clientes? Trabalhamos vários artigos de lacticínios com O Lidl Portugal está a avaliar a hipótese de ex- Carla Dias
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12 reportagem Correio dos Açores,ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Reforma de qualidade em São Miguel, mas longe dos lhos e dos netos

“Não pensem que a América é um rebuçado”,


diz casal lagoense que decidiu emigrar
no m da década de 60
Maria da Trindade e Manuel chegaram aos Estados Unidos da América aos 34 anos de idade, quando tinham na altura
pouco mais de 12 anos de casamento e três lhos ainda pequenos. A mulher acabaria por dedicar 28 anos da sua vida
prossional numa fábrica de roupa, enquanto o marido dividiria o seu tempo entre o trabalho numa fábrica de caixotes
e os dez apartamentos que foi comprando para arrendar. No entanto, para “conseguirem ter alguma coisa”, a vida na
América não foi sempre “um rebuçado”, uma vez que exigiu muito trabalho de ambas as partes e muita poupança.
Depois de quase 40 anos emigrados, o casal resolveu regressar a São Miguel, para perto da tão adorada Nossa Senhora
das Necessidades, onde hoje, aos 84 anos de idade, desfrutam de uma reforma com qualidade de vida, embora longe
dos lhos, dos netos e dos bisnetos.
À semelhança do resto dos Açores, o lu- ximo possível da família, mesmo depois do
gar da Atalhada, no concelho de Lagoa é tam- casamento.
bém marcado por várias histórias de famílias Ainda assim, conta a mulher, a ideia era
que, ao longo da década de 60 e 70, optaram a de mais tarde poder também chamar a mãe
por emigrar para o Canadá ou para a Amé- para que esta pudesse passar parte da sua
rica do Norte, procurando ansiosamente por vida nos Estados Unidos da América, à se-
melhorias nas suas condições de vida e por melhança do que aconteceria com a família
uma estabilidade que, no caso concreto do do lado de Manuel. No entanto, quando esta
arquipélago, dificilmente chegaria. oportunidade surgiu a mãe de Maria da Trin-
Muitas destas famílias continuam dividi- dade recusou deixar a sua terra natal, o que
das entre a ilha em que nasceram e o país que afligiu a filha profundamente.
os acolheu e para o qual contribuíram ou con- “Ficámos 33 anos nos Estados Unidos
tinuam a contribuir, fazendo com que muitos da América e não voltássemos estaríamos
conheçam alguns dos familiares apenas atra- emigrados há pelo menos 50 anos. Tornei-
vés das novas tecnologias ou das fotografias me cidadã norte-americana logo após os dez
que, nas ocasiões mais especiais do ano, vão anos, tudo para conseguir chamar a minha
chegando aos correios uns dos outros, assim mãe mas ela depois não quis vir”, conta, ex-
como a habitual troca de postais que ocorre plicando que como esta tinha ainda um filho
no fim de cada ano. ao seu cuidado, embora maior de idade, o
Há também, como é sabido, vários casais Estado português não permitia que esta mãe
que resolvem – depois de longas décadas a deixasse o filho sozinho.
contribuir para o crescimento do país que Na América, onde não havia “pe-
escolheram para viver – regressar à ilha de zinhos descalços” como frequentemente se
onde são naturais, deixando para trás os fi- encontrava em São Miguel ainda nos anos
lhos que, embora açorianos, optaram por dar 60 e 70, a vida era mais confortável, afir-
continuidade às suas vidas do outro lado do mam, mas era também sinónimo de muito
Maria da Trindade na Reforma
mundo, onde acabam muitas vezes por casar trabalho e, também, de investimentos para
e por ter os seus próprios filhos que. fazer render aquilo que se ganhava.
É este o caso de Maria da Trindade e de os seus três filhos que tinham dez, sete e qua- “O Natal era sempre pas- “Com 57 dólares conseguíamos alimentar
Manuel, seu marido, que depois de mais de tro anos de idade na altura, sendo este o mês sado lá, mas sempre com a nossa família inteira durante uma semana e
40 anos a viver em Fall River, no estado de em que Manuel rumou para Tiverton, cidade ainda dava para pagar a renda de casa, porque
Massachusetts, resolveram retornar e pas- em Rhode Island, onde durante seis meses saudades de São Miguel. o dinheiro da minha mulher ficava no banco”,
sar os dias da sua reforma no pacato lugar ficaria em casa da irmã até amealhar o sufi- No dia do Senhor Santo conta Manuel. “Para além disso, comprei dez
da Atalhada, junto ao mar com que sempre ciente para conseguir alugar um apartamento apartamentos lá para meter à renda e podia
se habituaram desde crianças, deixando para para a mulher e para os três filhos, desta vez Cristo chorava imenso, ter comprado mais. Não comprei mais por-
trás os três filhos, os netos e também os bis- em Fall River, numa comunidade composta e no dia da procissão da que não quis, vinham até ter comigo para me
netos que os 84 anos de idade lhes permitem essencialmente por outros açorianos. contarem de negócios, mas os rendeiros que
ter. Manuel, também hoje com 84 anos de Atalhada ainda mais cho- tinha já eram um quebra-cabeças suficiente”,
A história deste casal começou ainda nos idade, começou de imediato a trabalhar como rava. Dizia ao meu mari- relembra.
anos 50, altura em que os dois vizinhos co- operador de máquinas numa fábrica que era Enquanto isso, Maria da Trindade encar-
meçaram a namorar mesmo com a falta de reconhecida pelas “lindas caixas de embru- do para voltarmos para a regava-se das lides domésticas, como seria
aprovação da família de Maria da Trindade lhos”, as preferidas dos ricos na altura do Na- nossa festa mas ele dizia de esperar, e ao mesmo tempo conciliava o
que receava o insucesso da relação. No en- tal, contam, e também pelos simples caixotes seu trabalho numa fábrica de roupa, onde a
tanto, depois de um curto namoro, viriam a de papel e até por malas de viagem, entre sempre que não havia sua função durante os 28 anos em que lá tra-
casar na Atalhada, lugar onde começariam a outros. dinheiro para estas coisas. balhou, saindo apenas na hora da sua refor-
sua vida a dois, até ao nascimento do primei- Manuel recorda ainda a alegria que sentiu ma, se resumia a colocar punhos nas camisas,
ro filho. ao saber que iria receber o seu primeiro pa- E era assim que se vivia” uma função de que gostava, embora possa
De acordo com a mulher, hoje com 84 gamento em dólares americanos, apenas 1,70 parecer repetitiva para muitos, diz.
anos de idade, “embarcar” nunca lhe tinha dólares por cada hora de trabalho, mas que ao esperar seis meses até ter autorização para À chegada, relembra, o receio deste mun-
passado pela cabeça, explicando que esta era fim de uma semana lhe renderia uma média sair dos Açores com os seus três filhos, em- do novo, onde temia não estar à altura e não
uma ambição de Manuel que “delirava muito de 57 dólares, dinheiro esse que viria a ser barcando assim num rumo completamente conseguir aprender nada, fez com que logo
com isso” e que acabaria por ter a sua família mais do que suficiente para, semanalmente, diferente em comparação com o que tinha à saída do avião desejasse regressar a São
emigrada também. cobrir as despesas da renda, da alimentação e pensado inicialmente para a sua vida de ca- Miguel com os filhos mas, em vez disso,
Chegou então o mês de Março do ano de da ama dos dois filhos mais novos. sada, que nesta comunidade pequena e nesta encheu-se de coragem e permaneceu durante
1969, ano este em que o casal contava já com Maria da Trindade teve, no entanto, que época se traduzia a permanecer o mais pró- quase 20 anos, até que a oportunidade de re-
Correio dos Açores, 14 de Junho de 2020 reportagem/opinião 13

Contradições

Por: Alberto Ponte

Desde muito cedo aprendi a não con-


fiar plenamente em tudo o que me dizem pois
vivendo numa sociedade cada vez mais aberta
descobri que, como diz o nosso povo, “nem
tudo o que brilha é ouro”, e só Deus sabe o
espaço que ocupa a hipocrisia na vida de muita
gente aparentemente inteligente mas também
mentirosa. Há muito que um velho amigo me
dizia:
Família à mesa “Escuta… o que te entra por um ouvido
guarda no teu cérebro o que pensas útil para
ti… o resto reencaminha para o outro para que
que se vivia”, conta.
“Não pensem que a Amé- Apesar de afirmarem que se voltassem
tombe e se misture com o lixo”.
Neste tempo dito de “pandemia” nestas
rica é um rebuçado. A atrás no tempo, sabendo o que sabem hoje e
pequenas Ilhas dos Açores conseguimos ser
o trabalho que viver num país estrangeiro dá,
pessoa que se desorientar Maria da Trindade e Manuel voltariam a emi-
exemplo para os nossos amigos de Lisboa que
insensíveis a uma realidade a que já nos ha-
está feita, há americanos grar num abrir e fechar de olhos, alertam para
bituaram, num momento que poderia ser dra-
o facto de a América “não ser um rebuçado”,
que não têm uma serrilha uma vez que o estilo de vida não é tudo.
mático à sobrevivência de muita gente deste
“Portugal pequenino” ignoraram simplesmen-
no bolso. Era comum vi- “Não pensem que a América é um rebu- te o pedido do Governo Regional dos Açores
çado. A pessoa que se desorientar está feita.
rem ter comigo a pergun- Se trabalharmos muito bem, mas há america-
para o encerramento temporário do espaço
aéreo alegando uma “continuidade territorial” sem respeito por uma realidade bem presente
tar se tinha um dólar para nos que não têm uma serrilha no bolso, era nestas Ilhas, algumas delas sem condições para fazer face a uma suposta pandemia. Felizmente
comum virem ter comigo às segundas-feiras
eles poderem ir tomar a perguntar se tinha um dólar para eles po-
até agora as consequências de tal gesto foram minimizadas apesar de algumas mortes que, não
importa a idade, não foi possível evitar. De um modo geral, até ao momento, conseguimos
café” derem ir tomar café”, relembra Manuel, re- ultrapassar um período conturbado que cará na memória durante muitos anos sobretudo para
ferindo que era comum que alguns homens aqueles que perderam familiares assim como dos que tiveram de se submeter a um completo
estourassem o seu rendimento nos cafés ou isolamento separados dos que mais estimam mesmo se o testemunho de quem o viveu, enaltece
nas festas de fim-de-semana, hábitos com os os prossionais da saúde também aqui nos Açores que foram de uma dedicação exemplar.
gressar por um curto período de tempo fosse quais cortou por completo desde que emigrou Não sabemos ainda como será o futuro pois existe ainda uma longa caminhada a percorrer
possível. para “poder ter alguma coisa”. até regressarmos à normalidade. É evidente que não podemos car eternamente parados mas
“Em São Miguel estava inquieta para co- Recordam ainda que mesmo sendo de uma há que agir com prudência e não cair em contradições inexplicáveis como deste meu “cantinho
nhecer a América, mas ao chegar, se eu pu- nacionalidade diferente e falando uma língua dos Ginetes” vou observando o que se está passando no “Portugal dos grandes” e que me faz
desse, subiria nem que fosse para a asa do diferente nunca foram mal tratados por nin- uma enorme confusão.
avião e fugia de volta para casa, porque assim guém, mas que o seu quotidiano era passado Na passada semana tivemos o privilégio de receber o Sr. Presidente da República Portu-
que cheguei tive receio de nunca conseguir entre o trabalho e a vida familiar, não dando guesa, o professor Marcelo Rebelo de Sousa, que decidiu nalmente dar um saltinho durante
aprender nada”, recorda. margem de manobra para grandes socializa- algumas horas ao Lar de Idosos da Vila de Nordeste que se tornou conhecido pelas mais tris-
O regresso de Maria da Trindade à Ata- ções sem ser, ocasionalmente, com alguns tes razões. Porque somos Açorianos, por natureza bem-educados e acolhedores recebemos o
lhada em específico viria a acontecer pela vizinhos, havendo inclusive alturas em que senhor com sorrisos mas tenho a impressão que tal como eu muita gente preferia que tivesse
primeira vez no ano em que a sua mãe sofreu Manuel trabalhava até aos Domingos. cado em Lisboa.
um acidente, necessitando de auxílio, e por Os dias em que não havia trabalho eram, Pessoalmente teria apreciado como prova de solidariedade tal presença no momento mais
isso resolveu vir em conjunto com os dois fi- de facto, poucos. Dos anos que passaram nos crítico que vivemos, mas não o fez o que me decepcionou. Praticamente em relação a nós pre-
lhos mais novos, deixando para trás o marido Estados Unidos relembram um grande nevão feriu o silêncio, e não fora a iniciativa do Governo Regional dos Açores, mesmo um pouco de
e o filho mais velho, não sabendo no entanto que ocorreu no ano de 1978, durante a pre- mãos atadas, ao abrigo de uma Constituição que carece ser renovada, poderíamos estar presen-
localizar no tempo este acontecimento. sidência de Jimmy Carter, em que a grande temente a viver uma situação bem mais dramática.
“Começámos a vir mais a São Miguel parte das pessoas acabou por ficar uma sema- Quanto às consequências de ordem económica aguardemos o futuro mas não é segredo para
quando os nossos filhos já estavam a fazer na em casa sem poder sair para trabalhar. quem quer que seja de que serão desastrosas.
a sua vida. Quando a minha mãe teve o aci- “Uma vez, em 1978, houve um grande ne- Esta é a minha opinião, que nada vale, mas mais uma vez tenho a impressão de que serão
dente regressei pela primeira vez, mas o meu vão… eu em casa preparada para sair para o os trabalhadores mais fragilizados, como sempre, a sofrer consequências com cortes de salário,
marido não veio nem o meu filho mais ve- trabalho e caiu um monte de neve em cima despedimentos, progressão de carreiras canceladas, enquanto os nossos governantes não terão
lho. Quando cheguei ele disse-me que nunca de mim. Ficámos uma semana em casa. Tão coragem de aproveitar o momento para mostrar um bom exemplo a quem os elegeu, dando
mais iria sem ele, porque foram seis semanas contente que fiquei naquela semana e ainda igualmente o seu contributo ao país que dizem tanto defender e tanto amar, renunciando a
a comer latas de atum”, relembra o casal en- por cima o governo pagou-nos tudo”, conta. determinadas mordomias e igualmente a uma pequena percentagem do maravilhoso salário
tre risos, tendo Manuel regressado apenas em Noutra ocasião, Maria da Trindade foi que beneciam e que tanta confusão faz ao cérebro de muitos Portugueses que trabalham vidas
1988, precisamente 20 anos depois de partir. alertada por uma das vizinhas para um gran- inteiras movidos por uma falsa esperança de justiça e igualdade social que nunca existirá.
Entre as festas que mais relembravam o de temporal que se aproximava. Ligou de Este é o tempo de todos nós Açorianos dar preferência a produtos das nossas Ilhas, mas é
casal da distância que havia da restante fa- imediato para avisar o marido no regresso a igualmente tempo de não nos considerarem incapazes de raciocinar. Quando, por exemplo,
mília, ou pelo menos daquela que não teve a casa, e mais tarde todos os trabalhadores vi- visitamos uma grande superfície e deparamos com produtos semelhantes expostos lado a lado,
mesma oportunidade para emigrar, estava o riam a ser dispensados. e que o produzido na nossa terra tem um preço muito mais elevado é evidente que as pessoas
Natal, o Senhor Santo Cristo e, mais ainda, No entanto, “a caminho de casa o carro farão a escolha mais vantajosa para o orçamento familiar, sobretudo que o poder de compra é
a festa da paróquia da Atalhada, em honra de ficou preso na estrada e o meu marido teve cada vez menor.
Nossa Senhora das Necessidades. de vir a pé para casa. Só pensava “Ai, Nos- Neste tempo infelizmente há muita gente que se aproveita para aumentar a margem de
“O Natal era sempre passado lá, mas sem- sa Senhora das Necessidades, trazei aquele lucros sem qualquer respeito pelo consumidor. Basta uma pequena visita à maioria dos super-
pre com saudades de São Miguel. No dia do homem para casa”, conta a mulher, compro- mercados ou Hipermercados para chegar facilmente à conclusão que os meses se sucedem mas
Senhor Santo Cristo chorava imenso, e no dia vando que o seu pensamento estava “sempre não são iguais.
da procissão da Atalhada ainda mais chora- na Atalhada”, nunca falhando um dia em que Qual a solução?
va. Dizia ao meu marido para voltarmos para não pensasse nos seus e naquilo que estariam Se economicamente não há possibilidades deixas o produto na respectiva prateleira ou op-
a nossa festa mas ele dizia sempre que não a fazer consoante a diferença horária entre os tas, já sem olhar à qualidade, pelo valor mais baixo mesmo que não seja dos Açores. É isto que
havia dinheiro para estas coisas. E era assim dois locais. Joana Medeiros as gentes fazem e por tal não pode ser criticadas.
14 regional Correio dos Açores,ͳ͵†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

A Universidade de Indiana será a promotora virtual do roteiro

Consulado dos EUA e investigadores


locais desenvolvem um guia digital
para o Turismo americano nos Açores
O Património Cultural e o Dever de Memória tornam-se assim novamente, um factor de promoção e união das ilhas com os EUA,
aliando-se agora à dinamização da economia por intermédio da área da História: a Cônsul dos Estados Unidos da América nos
Açores, Kathryn Ryan Hammond, tem um bacharelato em História pelo St. Mary’s College of Maryland e Susan Burkat Trubey,
nascida em 1948 em Boston e residente nos Açores desde 1999, tem-se dedicado ao estudo da presença norte americana nas ilhas
durante a I Guerra Mundial, apoiada de perto pelo conhecido historiador e nosso colaborador, Sérgio Rezendes.
O Consulado dos Estados Unidos da
América nos Açores e os historiadores
Susana Burkat Trubey e Sérgio Rezendes
preparam um guia digital da presença nor-
te americana no arquipélago, por solicita-
ção do Laboratório de Diplomacia do De-
partamento de Estado daquele país, tendo
como parceiro a Universidade de Indiana.
Importante contributo para reforçar a ami-
zade entre as ilhas e os EUA, visa apoiar
e cimentar a presença do Turismo norte-
americano no arquipélago numa fase pós-
Covid-19, promovendo os Açores naquele
mercado, desde a origem até à visita, enri-
quecendo a estadia com base na centenária
Cultura entre os dois povos.
Podendo atingir aproximadamente uma
centena de locais, esta cooperação ocorre
nas comemorações dos 225 anos do Con-
sulado e na esteira de outros eventos co-
memorativos como os centenários da de-
O Milagre do Santo Orion
fesa de Ponta Delgada pelo USS “Orion”,
a 4 de julho de 2017, ou do primeiro voo
nos Açores, a 16 de fevereiro de 2018. Cônsul dos Estados Unidos da América nos
Dos vários locais ou “spots”, destacam- Açores, Kathryn Ryan Hammond
se os Anjos, em Santa Maria, onde Cris-
tóvão Colombo rezou no seu regresso das
Antilhas; a Central de Cabos da “Western
Union Telegraph Company” no Faial e as
bases aéreas ou aeronavais em Santa Ma-
ria, Terceira e São Miguel durante ou após
os conflitos mundiais, numa ambiência
que ultrapassa os tradicionais temas do
bote baleeiro e da emigração. Em alguns
casos, até tópicos mais exóticos são evo-
cados, caso das cimeiras conjuntas na ilha
Terceira, o enigmático “Mary Celeste” ou
a presença do USS “Scorpion” no Mar
dos Açores, complementando o contributo
açoriano na guerra da Independência da-
quela nação, seja pela preciosa ajuda de Pastor e Marine - Azores
Peter Francisco, seja pelo combate da uni-
dade naval norte-americana “General Ar- A Universidade de Indiana será a representação diplomática daquele país
mstrong” no porto da Horta. promotora virtual do roteiro ao transfor- que “estamos muito satisfeitos em apoiar
O Património Cultural e o Dever de mar as fichas de inventário dos diferen- esta iniciativa através do Laboratório de
Memória tornam-se assim novamente, um tes locais numa aplicação com QR Code, Diplomacia do Departamento de Estado
fator de promoção e união das ilhas com acessível aos turistas por intermédio de dos EUA.
os EUA, aliando-se agora à dinamização um telemóvel com leitura bidimensional. O Laboratório de Diplomacia é uma
da economia por intermédio da área da Comemorando os seus duzentos anos em parceria público-privada que colabora
História: a Cônsul dos Estados Unidos 2020, a história da Universidade de India- com estudantes e professores de Univer- Historiador Sérgio Rezendes
da América nos Açores, Kathryn Ryan na está repleta de pensadores com mentes sidades Norte-Americanas, aproveitando
Hammond, tem um bacharelato em Histó- abertas e feitos, cujos legados são extraor- os seus recursos para desenvolver desafios ção.”
ria pelo St. Mary’s College of Maryland dinários nas áreas da Arte, da Ciência ou na política externa. O Consulado dos EUA Para apoio o consulado conta com a ajuda de
e Susan Burkat Trubey, nascida em 1948 do Ensino, destacando-se a formação de nos Açores candidatou-se para a criação de uma jovem universitária norte-americana, estagian-
em Boston e residente nos Açores desde líderes construtores de comunidades, es- uma App para telemóveis sobre a história do nas ilhas ao abrigo de intercâmbios académicos
1999, tem-se dedicado ao estudo da pre- tendendo-se agora no seu aniversário e no dos EUA - Açores e fomos seleccionados com universidades daquele país, equacionando-se de
sença norte americana nas ilhas durante a I do consulado aos Açores, em colaboração para trabalhar no desenvolvimento dessa momento, segundo Sérgio Rezendes, a parceria com
Guerra Mundial, apoiada de perto pelo co- com historiadores locais. App, com a Universidade de Indiana. No outras organizações nas nove ilha.
nhecido historiador e nosso colaborador, Ao Correio dos Açores, a Cônsul Ka- próximo semestre, os alunos do curso de
Sérgio Rezendes. thryn Ryan Hammond disse em nome da informática irão criar a referida aplica- C.A.
Correio dos Açores, 11 de Junho de 2020 publicidade 15
16 reportagem Correio dos Açores, 14 de Junho†‡ʹͲʹͲ

No Dia Mundial do Dador de Sangue

Dar sangue: O simples gesto que salva


vidas e melhora a saúde e qualidade
de vida de muitos doentes
Hoje é comemorado o Dia Mundial do Dado de Sangue, uma celebração que tem como objectivo fundamental au-
mentar as consciências para a necessidade e para a importância de cada país se comprometer com o autoabasteci-
mento de componentes sanguíneos seguros. É também ocasião para, publicamente, se reconhecer o mérito de todos
quantos se esforçam na criação e desenvolvimento de organizações dedicadas a promover a dádiva benévola e, de
igual modo, para enaltecer a generosa solidariedade de todos os dadores que, voluntariamente, à causa da doação
de sangue se dedicam. É, em suma, a oportunidade escolhida para, perante todo o mundo, os governos, as organi-
zações e os seus povos sublimarem ainda a importância e o contributo de todos quantos, sem nada esperarem em
troca e com um gesto simples, ajudam a salvar vidas e a melhorar a saúde e qualidade de vida de muitos doentes.

Dadores benévolos e voluntários ver – a de não nos fecharmos em nós pró-


A emergência e a indispensabilidade prios, mas, sim, darmos uma valiosa parte
de que cada país se organize para asse- de nós aos outros!
gurar internamente os recursos do sangue
de que necessita – e até, certamente, para Potenciais dadores de sangue
lutar contra o esclavagismo e a corrup- Fundamentalmente, são potenciais
ção que grassam no seio das principais dadores benévolos de sangue quem reu-
multinacionais que se dedicam ao negócio nir os seguintes requisitos: Ter hábitos de
do sangue - levou mesmo a Organização vida saudáveis, idade compreendida entre
Mundial de Saúde a proclamar o propósito os 18 aos 65 anos (até aos 60 anos se for
de que, já em 2020, as dádivas de sangue, a primeira dádiva), o peso mínimo de 50
em todos os países, sejam completamente kg e, ainda, quem não tenha história de
benévolas e não remuneradas. transfusões após 1980 nem efectuado ta-
O Dia Mundial dos Dadores de Sangue tuagens e/ou piercings há menos de 4 me-
é também ocasião propícia para esclare- ses e quem não tenha feito exames endos-
cer as populações sobre muitas das dúvi- cópicos há menos de 4 meses.
das e alguma ignorância sobre os requisi- Refira-se, por último, que os homens
tos exigidos e os procedimentos a seguir podem dar sangue de 3 em 3 meses e as
relativamente à recolha, aspectos que as mulheres de 4 em 4 meses. Outras situa-
poderão levar a retardar o momento de se ções que não possibilitam a dádiva de san-
disponibilizarem para aderir ao nobre e gue serão avaliadas, caso a caso, no decur-
generoso propósito de se iniciarem como so da entrevista anterior à própria doação,
dadores benévolos de sangue. com avaliação do inquérito preenchido e
consentido no momento da inscrição para
Requisitos do dador a dádiva.
Comecemos por esclarecer que é po- Antes de nos propormos a dar sangue
tencial dador de sangue quem tiver entre devemos ainda ter em conta que a doação
18 e 65 anos de idade, pesar mais de 50 pode ser feita de quatro em quatro meses
quilos, gozar de boa saúde e tiver hábitos pelas mulheres e de três em três meses pe-
de vida saudáveis. los homens.
Relativamente ao que se pode ou não
fazer depois de dar sangue, basicamente Joaquim Mendes Silva, Presidente da Associação de Dadores de Sangue de Portugal Sangue – tipos e factores RH
é simples: devem-se beber líquidos em A nossa deslocação ao local de reco-
abundância, não se pode conduzir por 30 horas o volume de sangue que lhe foi diferentes funções terapêuticas, aplican- lha pode ainda ser mais profícua se co-
minutos, não se pode fumar por duas horas retirado com a dádiva, sendo no próprio do-se numa grande diversidade de pato- nhecermos os diferentes tipos de sangue e
e não se pode beber álcool por 12 horas. local da dádiva cumpridas algumas medi- logias. de factores RH e a compatibilidade entre
Deve desde já esclarecer-se que a dá- das para, com toda a segurança, assistir o Deverá ter-se consciência de que, em eles. Assim:
diva benévola de sangue sendo um acto de dador, garantir o seu bem-estar e acelerar todo o processo de dádiva de sangue - Os tipos de sangue que existem são A,
sublime solidariedade, não é prejudicial o processo de recuperação. que, em regra, tem a demora média de O, que são os mais comuns, AB e B, que
à saúde e pode contribuir para melhorar cerca de 30 a 40 minutos - não há qual- são mais raros.
ou salvar uma vida - inclusivamente a do Conteúdo e significado da dádiva quer possibilidade de contrair quaisquer As pessoas com sangue do tipo O po-
próprio dador. Para que cada um saiba o que vai acon- doenças, pois todo o material utilizado é dem doar sangue para qualquer pessoa,
A recolha de sangue é feita por pessoal tecer ao produto da sua dádiva que, em esterilizado e descartável. mas só podem receber doações de pessoas
qualificado e nas condições técnicas e hi- regra, não vai além dos 450 mililitros na Escrito isto, e na expectativa de que os com o mesmo tipo de sangue. Por outro
gio-santárias recomendadas, sendo execu- forma de sangue total, esclareça-se que, leitores terão ficado minimamente sensi- lado, as pessoas do tipo AB podem rece-
tada somente após avaliação do histórico após a colheita, o sangue é testado e se- bilizados para iniciar esta empolgante ca- ber sangue de qualquer pessoa, mas só po-
do promitente dador com vista a detectar parado nos seus principais componentes: minhada de se tornarem dadores benévo- dem doar para pessoas com o mesmo tipo
eventuais itens inibitórios. Concentrado Eritrocitário (a parte verme- los de sangue, importa saber se reúnem ou sanguíneo.
Nunca é retirado do corpo sangue de lha), Plasma (a parte amarela) e Plaquetas não requisitos fundamentais para serem Já pessoas com sangue do tipo A po-
que ele precise. O organismo humano tem (as células da coagulação). avaliados para tão sublime gesto, com o dem doar apenas para outras do tipo A ou
a capacidade de reconstituir em algumas Cada um daqueles componentes tem qual acrescentarão uma maior razão de vi- tipo AB, assim como as do tipo B só po-
Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ reportagem 17

“Basta que menos de um por cento da


população seja dadora benévola para
que as carências do país sejam supridas”
dem doar para B e AB.
Para além dos tipos de sangue, existe o
factor RH, que determina se o tipo de san-
gue é positivo ou negativo e influencia na
compatibilidade sanguínea. Assim, pesso-
as com sangue positivo podem receber de
pessoas com qualquer RH, mas só podem
doar para outras com sangue positivo. En-
quanto que, se o sangue tiver RH negati-
vo, podem doar para pessoas com sangue
positivo ou negativo, mas só podem rece-
ber negativo

Proteger dadores e receptores


Um aspecto importante a observar,
tendo em conta a protecção do dador e do
receptor/doente, o promitente dador deve-
rá responder, com verdade, consciência e
responsabilidade, a todas as questões que
lhe são colocadas, consciente de que vai
ser avaliado por um profissional de saúde
qualificado que determina a sua elegibili-
dade para a dádiva de sangue, através de
uma avaliação clínica e exame físico (me-
dição da pressão arterial e determinação
do valor de hemoglobina). Associação de Dadores de Sangue de São Miguel
Sempre que fizer ou repetir uma dá- que nada decide – é então esta parte que,
diva benévola de sangue, é também im- como sempre, paga a factura mais dolo-
portante, para além do que fica escrito, ter rosa…
presentes algumas regras que terão de ser Os hospitais e os seus doentes depen-
cumpridas, nomeadamente: dem – ou deveriam depender - totalmente
Aumentar o consumo de líquidos nas 4 da disponibilidade e da solidariedade dos
horas seguintes; Evitar a exposição solar dadores.
prolongada;
- Não consumir bebidas alcoólicas no Dar sangue é partilhar a vida
dia da colheita e fazer apenas refeições li- Nos Açores e no país todo, somos
geiras; Não fumar nos 30 minutos seguin- dadores voluntários e benévolos. E basta
tes; Manter uma ingestão elevada de líqui- que menos de um por cento da população
dos nos 3 dias seguintes para a completa seja dadora benévola para que as carên-
normalização do volume sanguíneo; Nas cias do país sejam supridas.
12 horas após a dádiva não fazer exercí- Mas o que se vê é, muitas vezes, o
cio físico intenso nem realizar actividades sangue nacional ir para a incineração, ao
que possam pôr em risco a sua vida, ou mesmo tempo que somos abastecidos pe-
a dos outros; Não permanecer em locais las multinacionais que esclavagizam, que
pouco ventilados ou muito quentes. corrompem, que, grande parte delas, se
aproveitam da fragilidade dos povos, dos
Estranhas e graves opções dirigentes, dos governantes da maioria
Os hospitais debatem-se frequente- dos países do mundo.
mente com falta de sangue, o que pode di- As comemorações do Dia Mundial do
ficultar a prestação de cuidados de saúde Dador de Sangue, que hoje se celebra, são
a doentes que dele necessitam. O caso dos Associação de Dadores de Sangue da Lagoa em Portugal lideradas pelo Instituto Por-
Açores, face à descontinuidade territorial tuguês do Sangue e da Transplantação,
e aos imponderáveis dos acessos, presen- IP (IPST), nas mesmas se empenhando
temente quase dependentes do exterior, nomeadamente diversas organizações re-
têm entre mãos um problema que urge lacionadas com a Saúde, Associações de
resolver: apetrecharem-se tecnicamente Dadores de Sangue e a sua própria Fede-
com equipamentos para tratar o sangue re- ração e, ainda, muitos grupos autónomos
colhido na Região, sob pena de, em futu- de dadores e outras entidades nacionais
ra situação de pandemia, como aquela de sensíveis à causa da doação benévola de
que estamos a sair, nem haver aviões para sangue, fazendo o que hoje se vai fazer
nos socorrerem com o sangue de que pre- em todo o mundo, ou seja, organizar even-
cisarmos, preparado pelas multinacionais tos e actividades para celebrar a data, sen-
gigantes no negócio do sangue. sibilizar para a necessidade de dar sangue
De certeza de que não há dinheiro que e agradecer a todos os que, dando sangue
pague termos a garantia de dependermos a quem precisa, partilham a vida!
exclusivamente de nós. É verdade que o
Estado é que sabe onde quer gastar o seu José Nunes
dinheiro, quais são as suas prioridades.
Mas quando o Estado ignora as priorida-
des do povo – que também é Estado mas Associação de Dadores de Sangue da S. Miguel com a Secretária da Saúde
18 publicidade Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ
Correio dos Açores, 14 de Junho de 2020 opinião 19

O fundador do Correio dos Açores e as


ligações aéreas para as ilhas (1919-1937)
XXXI - A Aviação Naval e as tensões entre os Distritos
Até ao m da década de 1920, só as baías da Horta e de Ponta Delgada contavam para a
aviação que utilizava os Açores como escala entre a Europa e a América.
ocial, mas sobretudo com os lobbies terceirenses,
como é o exemplo de Fernando Borges, enquanto,
por outro lado, em S. Miguel, onde não faltariam
também lobbies micaelenses, a opção foi pela
prudência, na convicção de caber ao Estado a
incumbência de assumir tamanho custo no respe-
tivo orçamento. O encargo pode hoje parecer mais
irrelevante, mas, na altura em que se discutia ainda
se o desenvolvimento económico dependia assim
tanto da aviação, não era despiciendo que o Campo
Por José Adriano Ávila da Achada fosse um baldio fácil de expropriar, mas
os das Lajes e de Rabo de Peixe (Santana) fossem
Houve que construir aeroportos para virem a constituídos por terrenos produtivos, de expropria-
encorajar algo como o que viria a ser, em 1945,o ção problemática, tanto pelo custo envolvido como
pioneirismo da SATA e, na Terceira, foi a pista das pela resistência dos proprietários e das populações
Lajes a garantir o que se quis iniciar em 1930 com que ali encontravam o seu sustento que não parecia
a da Achada. Em 28 de fevereiro e 1 de março ter sucedâneo no campo de aviação a instalar. Por
de 1931 (pgs. 1 e 4) sob o título “EVOLUÇÃO outro lado, a necessidade de um aeroporto não
DA AERONÁUTICA em 1930: O major José podia ser endossada só para S. Miguel ou para a
Agostinho expõe-na numa brilhante síntese”, o Terceira, tratava-se de um benefício para a aviação
Correio dos Açores dá voz ao ilustre Diretor dos internacional e cabia à Nação reconhecê-lo.
Serviços Meteorológicos para percorrer a evolução É neste artigo de Luiz de Bettencourt que apa-
do século XX, teve como antecedente o Posto vous de aviadores - (...) se o Estado se não apressa
da aviação, dos dirigíveis aos hidroaviões e à avia- rece transcrito, como mencionado anteriormente,
Meteorológico de Ponta Delgada, dirigido desde a estabelecer no arquipélago bases de aviação e
ção terrestre, passando pelos avanços dos apoios o parecer de 8 de janeiro de 1929, de Cifka Duarte,
1893 por Afonso Chaves, e a que informalmente se aeródromos em condições de receber os aviadores
à navegação e pelas estruturas aeroportuárias: - o em nome da Aeronáutica, que serviria de justi-
chamava “Observatório”: - o serviço meteorológico que aqui vêm ter o seu rendez-vous necessário, as
Sikorski tão famoso viu-se suplantado pelo Dornier cação para a Junta Geral de Angra avançar para a
foi criado e desempenhou cabalmente o seu papel grandes potências da aviação mundial, ou nos
X, pelo G-38 e, agora, na América, pelo Fokker construção da Achada: - (...) Os aeroportos devem
naquele período da história da meteorologia por- impõem à força uma organização aérea, voltando
32 (...); de que serve poder transportar uma carga ser feitos pelas próprias Câmaras Municipais
que resultou de um longo processo de gestação a agitar a ameaça da internacionalização, ou nos
considerável com uma velocidade de 200 km por das localidades, únicas que podem no futuro tirar
de vários projetos internacionais para os Açores liquidam, pondo-nos perto da porta as poderosís-
hora, se não houver a necessária segurança! (...); compensações pelas verbas pagas pelas várias
(...). (...) A continuidade regular das observações simas armações utuantes(...).Na solução deste
no ano passado realizaram-se várias experiências empresas, tal e qual como sucede com os portos
meteorológicas, a prestação diária de serviços à problema já se manifestou a Terceira, numa visão
de ‘navegação cega’(...); uma outra conquista do do mar. É pois aos Açores que compete dedicar-se
Europa e à América e até o empreendimento de lúcida dos seus interesses, construindo um bom
ano de 1930 nos domínios da técnica do avião é a esse problema e efectivá-lo quanto antes, pois
estudos em magnetismo terrestre, sismologia e campo de aterragem para aviões. Mas é claro que
a do emprego de motores diesel nos aviões (...); que se estão construindo já outros absolutamente
marés, caram, neste período, a dever muito pouco isso não basta. Os Açores precisam de uma base
outro acontecimento sensação no ano de 1930 foi próprios para a travessia do Continente às Ilhas.
ao empenho estatal e quase tudo ao perseverante aérea bem apetrechada, de modo a cumprirem
a Exposição de Aeronáutica em Paris (...); a velha (...).
trabalho e à competência do coronel Afonso a alta função a que os destina a sua esplêndida
Europa está sulcada de linhas aéreas em todas as Em 14 e 15 de setembro, o jornal de José
Chaves. Continuados depois pelo seu discípulo, situação geográca. É obra que só ao Estado
direções, de Estocolmo até Sevilha, de Glasgow até Bruno Carreiro publica uma entrevista com Cifka
tenente-coronel José Agostinho. incumbe, organizando na ilha que a isso melhor se
Constantinopla (...); um problema que a aviação Duarte, aquando da passagem, de barco, por Ponta
A sua ecácia foi potenciada pela rede de prestar, na que para esse m melhores condições
trouxe consigo foi o estabelecimento de aeroportos Delgada, do Inspetor da Aeronáutica, a caminho
cabos submarinos que amarravam na Horta, per- oferecer, o Aeródromo dos Açores, depois do que
e campos de aterragem. Só nos Estados Unidos da Terceira para vericar localmente as obras a
mitindo ligações diárias com o Weather Bureau nas outras ilhas, mesmo nas mais pequenas, deve-
havia, em 1930, 324 campos de aterragem nas decorrer na Achada. “OS AÇORES e a aviação
de Washington, estabelecendo-se um intercâmbio rão ser preparados simples campos de socorro, de
escalas das linhas ordinárias de navegação aérea, transatlântica – O Correio dos Açores ouve o Sr.
cientíco transatlântico que se viria a aprofundar que se utilize um avião que que não possa atingir
estando 46 novos em construção (...). Comandante Cifka Duarte, inspector da aeronáu-
nos campos da cartograa e no conhecimento dos o aeródromo. (...).
No que diz respeito direta e proximamente aos tica portuguesa, sobre este magno problema (o
fundos marinhos. O telégrafo, primeiro, e a rádio, Dicilmente se podia retomar o tema, que
Açores, parece-nos ser de reter as seguintes partes responsável do Conselho Nacional do Ar conrma
de seguida, traduzem-se num salto qualitativo já tinha sido abordado pelo Barão Caters, por O
da síntese: - as ligações transatlânticas constituem que vem, há um ano, acompanhando a construção
capaz de assegurar comunicações instantâneas Século e pelo próprio Correio dos Açores, com
ainda uma grande diculdade. Que inuência terá do Campo da Achada)”. “A ILHA DE S. MIGUEL
entre a América e a Europa, designadamente as maior sentido de pertinência, convicção, síntese
tido na aviação mundial a inauguração do nosso POSSUI UMA EXCELENTE E VASTA REGIÃO
relacionadas com a indiscutível utilidade pública, e acutilância!
Campo de Aviação – da Achada? O New York PARA UM GRANDE CAMPO DE AVIAÇÃO -
como a informação meteorológica, ou as de inte- O Correio dos Açores de 1 de setembro de
Times escrevia um ano atrás que o problema da arma ao Correio dos Açores o Comandante Cifka
resse estratégico, relativas a operações militares. 1929 é dominado pela coluna da 1.ª página “AE-
navegação aérea transatlântica já estaria resolvido Duarte”. Por outro lado, poucos dias depois, con-
Será neste contexto que as potências internacionais ROPORTOS NOS AÇORES pelo DR. LUIS DE
se Portugal tivesse preparado um aeroporto em forme consta na edição de 8 de outubro do jornal,
da altura começam a movimentar-se com vista à BETTENCOURT”, a revisitar todo o processo
condições nas Ilhas dos Açores. Com a Achada, este proferirá, conciliador, em Angra: “O CAMPO
obtenção de facilidades nos Açores. relativo à construção de um aeroporto nos Açores,
entende José Agostinho que se deu um passo agi- DE AVIAÇÃO DA ACHADA, NA TERCEIRA é
Em 1936, numa carta que escreveu a José referindo-se às diferentes opções das Juntas Gerais
gantado para a resolução dessa aspiração. o indicado para o aero-porto internacional dos
Bruno em 17 de fevereiro, José Agostinho, ao de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada, tendo
Antes da Grande Guerra, os cabos subma- Açores, declarou o Tenente-Coronel Cifka Duarte,
referir-se aos estudos da missão francesa, arma- aquela assumido a responsabilidade da construção
rinos passam a ligar a Europa, desde Lisboa em três entrevistas concedidas à imprensa de An-
va: - na realidade, tanto o Nomy como os alemães, do Campo da Achada, e optando esta por entender
(Carcavelos), via Açores (amarrando na Horta), gra”(...) “Nas outras ilhas devem ser construídos
depois dos temporais a que assistiram, devem ter que o investimento caberia ao Governo e não às
até ao Canadá e aos EUA. No m do conito, as campos de refúgio e socorro” (...) “As vantagens
cado um tanto preocupados com os mares destas Juntas Gerais ou aos municípios.
comunicações por rádio começam a competir com do Campo da Achada” (...) “Uma ‘sorte grande’”
paragens. Isto é tremendo e com os temporais Vale a pena resumir numa ideia central o con-
as por cabo; a Inglaterra controla uma importante (...) “Os Campos de socorros nas outras ilhas” (...)
destes últimos dias não só teria sido impossível o teúdo deste artigo, tão ponderado e bem expresso,
estação de rádio na base naval instalada pela US “As características do Campo”(...) “A posição dos
tráco aéreo com os melhores aparelhos actuais, para além da interessante e oportuna questão de ali
Navy em Ponta Delgada. Nessas circunstâncias Açores na aeronavegação internacional”(...). Tra-
mas seria mesmo perigoso para um avião estar conter o despacho de Cifka Duarte de nove meses
facilmente se percebe hoje como a importância dos ta-se da reprodução, pelo Correio dos Açores, das
dentro dum porto. antes: - tal como na Terceira já se sabia, antes do
Açores, no meio do oceano, foi crescente e alvo declarações produzidas em Angra, designadamente
Até ao m da década de 1920, só as baías da aval de Cifka Duarte, que o sítio mais conveniente
da atenção estratégica dos principais protagonistas ao vespertino A UNIÃO, nos dias 19, 21, 23, 24 e
Horta e de Ponta Delgada contavam para a aviação para construir um Campo provisório era na Achada,
da política internacional, que visavam o controlo 25 de Setembro, pelo representante da Direção da
que utilizava os Açores como escala entre a Europa também em S. Miguel se sabia que o local mais
do Atlântico. Aeronáutica, encarregado de acompanhar e dar pa-
e a América. adequado seria em Santana. A diferença foi que,
Segundo Conceição Tavares, o Observatório recer sobre o Campo de Aviação em construção.
No Correio dos Açores de 24 de agosto de na Terceira, a Junta Geral resolveu arriscar e avan-
Meteorológico dos Açores, estabelecido no início 1929, o tema de fundo é: - os AÇORES Rendez- çar – para tal contando, não só com a aprovação
20 opinião Correio dos Açores,ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Crónica da Madeira

Açores – Madeira: dois destinos


turísticos com conforto
quilizantes, a generosidade, a educação de
populações que nasceram para amar e fazem
dos seus visitantes verdadeiros amigos.
Populações despidas de raivas, fraternas,
para quem a cor da pele e o credo religioso
não são problemas. Dois arquipélagos, não
distantes das grandes cidades europeias
geradoras de turismo, às quais oferecem ca-
racterísticas únicas e ricas. Um verdadeiro
universo de plantas e árvores endémicas,
Por: João Carlos Abreu atração para turistas e estudiosos. Mais:
vivências salutares em reinos de silêncios
Os Arquipélagos dos Açores e da Madei- só interrompidos pelo chilrear dos pássaros
ra que se espreguiçam pelas manhãs claras, ao entardecer, hotéis magníficos, onde em
unidos por este Oceano Atlântico da sau- cada recanto surge um sorriso franco de um
dade são agora entre os inúmeros destinos pessoal atento, competente, amigo.
turísticos aqueles que mais segurança ofe- Mas não se fica por aqui que os Açores
recem. Praticamente escapados do corona- e a Madeira têm para proporcionar, neste
vírus, “Covid 19” que tanto tem mortificado tempo de confinamento, aos seus visitantes:
o mundo pela expansão vertiginosa que apetrechados com todo o tipo de desportos
tomou e pelo aspeto mortífero que provoca, que forma um leque que vai desde o alpi-
fomentando crises sanitárias e económicas nismo aos passeios nas levadas; os saltos
tremendas. Psicologicamente criou medos e das rochas altíssimas para o oceano, onde
depressões, alguns irreparáveis, pôs em pâ- barcos à vela, decoram as baías deitadas
nico e desespero milhões de Seres humanos. em paisagens soberbas; praias de calhaus
Matou milhares de pessoas, entre esses tan- e areia, bordadas com a espuma das ondas;
tos idosos, bases dos nossos conhecimentos. o perfume das flores exalado e depositado
É neste panorama de calamidade que entra o em jardins, todo o ano floridos. O reencon-
turismo, submerso numa crise jamais vista. tro com a natureza traçada por estradas de
Ele de repente transforma-se num deserto, os sonhos, a determinação e o espírito de económico-financeiro do país. Temos de
beleza, salpicadas de cores e com uma luz aventura, contrapõem os medos. Felizmente ressuscitar deste pesadelo; temos de tornar
colocando à beira do abismo pequenas e que esconde a noite para prolongar o dia.
medias empresas, fechando as portas dos nele, apesar de tudo, não morreu nunca o saudáveis as empresas; temos de afastar
As gaivotas fazem viagens em círculos nos desejo de se reencontrar, de se humanizar, urgentemente os fantasmas desta pandemia
hotéis, deixando estacionados alguns mi- céus. Afinal é nestas ilhas que a poética vive
lhares de aviões. O mundo interrompeu-se de descobrir. Relativamente aos nossos e não voltar ao passado; temos de fazer do
em todas as coisas: nos gestos das pessoas, arquipélagos e ao país em geral, o Gover- turismo não só uma questão económica,
e as populações amedrontaram-se. No meio nas palavras, nos olhos de veludo das crian-
deste turbilhão arrasador, com as grandes no Central tem o dever de criar sistemas e mas também um elo com o mundo; apro-
ças onde estão estampados a esperança. apoios, despidos de demoras e burocracias ximar os povos uns aos outros tornando-os
cidades mergulhadas numa espécie de es- Estou crente que a retoma dos mer-
curidão, alguns destinos turísticos pratica- inúteis que só prolongam a agonia de que assim mais fortalecidos.
cados turísticos far-se-á com uma outra vivem as empresas dependentes do turis- Temos de reconstruir Portugal. Temos
mente salvaram-se. Entre eles os Açores e filosofia aos poucos, mas muito mais cedo
a Madeira que não tendo sido grandemente mo e, por sua vez, fazem paralisar aquelas de inventar novas indústrias. Temos jovens
de quanto se prevê. O turismo é frágil, outras que destas dependem, porque de- licenciados para colaborarem nesta recons-
afetados pelo Covid-19, proporcionam ago- porque é naturalmente humano. Antes de
ra a garantia de um conforto encorajador e tentoras de efeitos multiplicadores, urgem trução. Não devemos perder um só minuto
ser números é sonho. É nos Seres humanos viverem, restabelecerem-se e não caírem com politiquices que em nada adiantam.
atraente. Dois destinos seguríssimos que que se alicerça, por conseguinte ele abala-
aliam ao conforto a grandiosidade das suas em falências, porque aí, então, será muito Portugal precisa de todos nós: das nossas
se sempre que surge uma crise. Por outro mais trágico para a gravar o panorama inteligências, compreensão e trabalho.
paisagens, regadas pelo verde e beleza tran- lado tem a força do homem; o seu acreditar,

O não uso da coisa


do seu paradeiro. lugar à fusão operada por Justiniano no Corpus de verdadeiro titular do direito a que os poderes
Volvidos 40 anos John Doe regressa a Portu- Iuris Civilis e origem à prescrição aquisitiva que exercidos se referem.
gal e com alguma perplexidade verica que to- constava já do Código de Seabra e da usucapião Os carateres da posse encontram-se enun-
dos os seus bens estavam registados e na posse acolhida no Código Civil vigente, sendo um dos ciados nos artigos 1258.º e seguintes do Código
de terceiros. modos de aquisição do direito de propriedade. Civil, podendo aquela apresentar-se como titula-
Desconhecia John Doe que existe a faculda- A usucapião, encontra arrimo na norma ínsita da ou não titulada, de boa e de má fé, pacíca e
de na ordem jurídica portuguesa de adquirir bens no artigo 1287º do Código Civil e é denida como violenta, pública ou oculta.
pelo uso, ou em rigor pelo exercício da posse, e “A posse do direito de propriedade ou de outros O tempo necessário à constituição de direitos
dentro de alguns requisitos que a seguir enuncia- direitos reais de gozo, mantida por certo lapso de por usucapião varia em harmonia com as caracte-
Por: Judith Teodoro mos. tempo, faculta ao possuidor, salvo disposição em rísticas da posse que é exercida.
†˜‘‰ƒ†ƒ É o que a lei designa por usucapião. contrário, a aquisição do direito a cujo exercício A posse exercida deverá traduzir-se numa
Mas ainda antes de chegarmos ao regime atual corresponde a sua actuação: é o que se chama detenção continuada exercida de modo pacíco e
que regula a usucapião, não deixa de ser delicioso usucapião”. pública e de boa-fé, quando o possuidor ignorava,
John Doe, gura muito conhecida dos nossos recuar à sua origem. Para que se verique a aquisição de um direi- ao adquiri-la, que lesava o direito de outrem.
artigos, emigrou para os Estados Unidos da Amé- A gura da usucapião remonta à época roma- to real por usucapião é necessário que se veri- John Doe e bem assim outros nas mesmas cir-
rica. Era titular de bens em Portugal na altura que na muito anterior à Lei das XII Tábuas na qual quem dois elementos: a posse e o decurso de um cunstâncias alicerçam o seu direito de proprieda-
se ausentou do país. surge regulada, vem do vocábulo usucapio, que período de tempo consignado na lei. de, mesmo que gozem da presunção derivada do
Convicto de que seria dono e legítimo pro- signica “adquirir pelo uso” usus (uso) + capio, Por sua vez, a posse comporta dois elemen- registo, na convicção singela de que são donos, e
prietário das suas casas e terrenos, não regressou deu lugar à palavra aquisição, cujas bases ainda tos distintos e indispensáveis, o corpus, traduzido cam por aí, uma vez que não praticam qualquer
a Portugal por um longo período (nem de férias), hoje se mantém quase intactas entre nós e nos sis- no exercício material, ou na sua possibilidade, ato de posse sobre esses bens.
tendo cado entregue os seus bens (a coisa em temas jurídicos próximos do português. de poderes de facto sobre uma coisa; e o animus, Não basta ser proprietário deve parecer e agir
direitos reais) a terceiros que até desconheciam A usucapio romano e a praescritpio grega deu que consiste na convicção de agir na qualidade como tal.
Correio dos Açores,ͳͶ†‡ —Š‘ʹͲʹͲ opinião 21

Arquitectura LXXII

O clandestino das Sete Cidades


...”O que se tem feito de positivo no campo da arquitectura não prevale-
ce, ainda,sobre os erros que se cometem todos os dias contra ela.”...
In “Elogio da arquitectura - Arquitectura assim ou ao contrário” de
José Charters Monteiro, arquitecto.

Por: Khol de Carvalho


”“—‹–‡…–‘

A existência de planos, aparentemente


esclarece os direitos e deveres que deli-
mitam o interesse público dos interesses
privados para aquela área estabelecida no
plano, e que em democracia supostamente
se respeitariam, mas o seu abastardamen-
to por uns e por outros, de ambos os lados,
de uma suposta barricada que aqueles dois
interesses geram, impõem diariamente da-
nos na Arquitectura, que deveria entender-
se como coisa de interesse público, e que
deixa de o ser, e sempre com o inerente
prejuízo público.
O recente clandestino nas Sete Cida-
des, desrespeitando a continuidade que que lá está, onde só faltou o “pau de filei- pequenas áreas isentas de licenciamento,
o conjunto arquitectónico da rua e do ra” e as roqueiras. “Recentes declarações constrói aos bochechos o que pretendia.
sítio apresenta, e merece manter, cuja O desrespeito pela coisa pública, não do Presidente do Gover- É neste desaforo, que se esbraceja o
salvaguarda o Plano pretende preservar, merece actuação pronta e exemplar? planeamento, no combate do ora cá, ora
“conjugando as acções e actividades das Agora embargada a obra, proporá a no, acerca de uma obra lá, numa medição de forças tida pelas im-
entidades públicas e privadas que parti- Câmara a sua demolição, quando em Por- em São Jorge, creio bem portâncias de cada um, com luvas e sem
cipam na utilização e valorização da área tugal, pouco ou nada demolimos do que luvas, e que se (des)conjugam as acções e
de intervenção”, é mais um atentado à de- é considerado oportuno ou mesmo clan-
elucidativas da falta de actividades das entidades públicas e pri-
mocracia, mais um erro cometido contra destino? projecto de arquitectu- vadas na construção do nosso território, da
a Arquitectura, contra a “coisa pública”, A este respeito, não posso deixar de me coisa pública, num constante afrontamen-
a que não podemos ficar indiferentes, e voltar a lembrar das galerias da Calheta...
ra aprovado, fazendo-se to à democracia, consentido por todos.
por isso estranhamos que tanto a Câmara ainda que aí esteja tudo licenciado, o que a condução da obra “à Neste quadro, relembro ainda, um ar-
Municipal de Ponta Delgada gestora do complica, proporcionando uma melhor quitecto com quem privei, há muitos,
território, como a Secretaria Regional do promiscuidade de interesses.
vista”, no já agora, chu- muitos anos, e que dizia que se o local
Ambiente (versão simplificada da sua ex- Esta promiscuidade com que tratamos tando com o pé que está recomendava um determinado número de
tensa denominação) autora do plano e que os limites entre os interesses público e pri- mais à mão, à canelada na pisos, projectava sempre com mais dois,
nele reconhece a necessidade de preser- vado na assunção dos planos e projectos, para que a Câmara, no cumprimento das
vação daquele património, se mantenham trazem-me à memória dois outros casos coisa pública; não muito suas satisfações recusasse um, e mesmo
sossegadas, discutindo, investigando cal- exemplares, que soube saber: diferente do processo das assim, o proprietário beneficiasse sempre
mamente a gravidade do atentado, empur- - Num primeiro, o proprietário com de mais um, que o devido!
rando com a barriga, ao invés de actuação o seu arquitecto apresentou processo de Sete Cidades... E ficavam todos a ganhar(?), menos a
imediata e exemplar, de que estão incum- licenciamento para a reconstituição de de- cidade, a coisa pública, mas infelizmente
bidas pelo próprio plano. terminado edifício localizado na zona his- é assim que se olha o planeamento, o ter-
Ora a construção à margem do respecti- tórica, propondo o aumento de um piso, um edifício na frente de rua abre um va- ritório e a arquitectura.
vo licenciamento, é já de si representativa que lhe é negado por incumprimento da zio, como se a perda dos dois incisivos Recentes declarações do Presidente do
da falta de urbanidade do seu proprietário, altura proposta, face ao estipulado pelo deixasse ver a garganta; o que a Câmara Governo, acerca de uma obra em São Jor-
e só por si, dos seus maus propósitos, que Regulamento Geral de Edificações Urba- então considerou uma melhoria por criar ge, creio bem elucidativas da falta de pro-
prontamente deveriam ter despoletado a nas (RGEU), conforme parecer, e a meu um “enfiamento perspéctico”, quando a jecto de arquitectura aprovado, fazendo-se
actuação da fiscalização, sem que fosse ver bem, do técnico da Câmara. vontade do proprietário, não era obvia- a condução da obra “à vista”, no já agora,
necessário chegar à cobertura do edifício. Vendido o imóvel, o novo proprietário, mente essa, mas construir um novo edi- chutando com o pé que está mais à mão, à
Depois, viriam então os propósitos de de outro calibre, mune-se de outro arqui- fício encostado ao limite do terreno, lá ao canelada na coisa pública; não muito dife-
análise do projecto não regulamentar e a tecto, que como diria o africano: “manda fundo na garganta, longe do plano mar- rente do processo das Sete Cidades...
necessidade de o alterar ou mesmo subs- pausa”, e faz a diferença! Perante projec- ginal da rua, garantindo outro quadrante Há dias um advogado por ofensa a uma
tituir, e a verificação da falta de ética dos to idêntico e parecer igual do técnico da de vistas. Em abono do tal “enfiamento juíza, a Ordem dos Advogados, infringiu-
autores do projecto, transcrita falsamente Câmara, já é aprovado, socorrendo-se da perspéctico” criado pelo proprietário, foi lhe e bem, uma multa pesada.
na declaração de cumprimento da legis- suposta contradição entre os dois docu- chumbado o projecto de um novo edifício E o edifício clandestino das Sete Cida-
lação que acompanhou aquele, acção que mentos PDM e RGEU, dirimida pela pre- junto ao limite do lote, lá atrás na gargan- des, que nos ofende a todos, fica assim?
também ela deveria ser objecto de sanção, sidência. ta. Como resposta do proprietário, na des-
e tê-lo íamos feito, antes de se chegar ao - Num segundo caso, a demolição de coberta da possibilidade de construção de
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24 opinião/regional Correio dos Açores,ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Cesto da Gávea Apresentação de Mota Amaral e Carlos César


Livro da Autonomia dos Açores
lançado a 27 de Junho no Coliseu
-
O livro “A Vontade dos Açorianos - Os órgãos
de governo próprio da Região Autónoma dos Açores
(1976-2020)”, da autoria de José Andrade, é editado este
Por: Vasco Garcia mês em Ponta Delgada. O seu lançamento ocorre na data

Re-qualquer-coisa simbólica de 27 de junho, em que se realizaram as pri-


meiras eleições regionais de 1976, e tem lugar na sala
principal do Coliseu Micaelense, para cumprir as devi-
das recomendações de distanciamento físico.
O prexo “re” deverá ser aquele que mais uso tem tido nos últimos meses,
Os antigos presidentes do Governo Regional dos
ainda que a sua utilização tenha estado presente em tudo o que é promessa e progra-
Açores, João Bosco Mota Amaral e Carlos César, assi-
ma eleitoral, especialmente desde que a herança socrática mergulhou os portugue-
nam os dois prefácios desta obra editada pela Letras La-
ses no endividamento. O homem saiu da cadeira do poder político, retomando uma
vadas e são os oradores convidados para a sua apresen-
vida de cidadão comum, embora com caraterísticas pouco comuns e perspetivas
tação pública. A sessão inicia-se às 18h30, com entrada
incertas, mas a sombra persiste na recuperação do país, expressa na necessidade de
livre para o público em geral.
retomar a economia, renanciar o Estado, as empresas e a dívida pública e privada,
O novo livro faz um balanço histórico dos primei-
reindustrializar a produção nacional e reequipar organismos públicos, sobretudo na
ros 44 anos da Autonomia Política dos Açores, ao lon-
área da saúde. Nesta última, o reequipamento não é só em aparelhos e tecnologia, é
go de 420 páginas. No essencial, reconstitui a compo-
sobretudo em recursos humanos qualicados que o nosso Ensino Superior produz e
sição dos sucessivos parlamentos regionais, com 560
vão para o estrangeiro, onde ganham mais e têm carreiras onde o mérito é reconhe-
deputados eleitos para as 11 legislaturas, e recorda os
cido. A invasão pandémica em curso veio pôr a nu as fragilidades de muitos setores
elencos governativos dos 12 executivos açorianos, com
da atividade humana, em Portugal como no resto do mundo – e não vai ser fácil
127 governantes em funções, maioritariamente sob a José Andrade é o autor da obra
regressar ao antigo “business as usual”.
liderança de Mota Amaral (1976-1995) e Carlos César
Há cerca de 1 mês, a imprensa internacional divulgou números da UNC-
(1996-2012). Ainda na sua componente central, desig- tam esta parte introdutória.
TAD, o organismo das Nações Unidas que segue os uxos do comércio mundial, os
nada como “Ordem do Dia”, o livro percorre a partici- A terceira parte do livro, denominada “Depois da Or-
quais indicavam que a quebra comercial global, no 2º trimestre deste ano, vai atingir
pação eleitoral e os resultados partidários das 11 eleições dem do Dia”, identica uma dezena de personalidades
27%. A queda será sentida principalmente no setor da exportação automóvel, das
legislativas regionais, destacando os partidos políticos com relação açoriana que foram membros do governo
peças de maquinaria e na área dos produtos petrolíferos, tudo consequências da
com representação parlamentar (PS, PSD, CDS, BE, nacional, recorda os 82 deputados eleitos pelos Açores
covidiana pandemia, que já tinha feito cair 3% a economia no 1º trimestre. Segundo
PCP e PPM). Complementarmente, regista as sucessi- à Assembleia da República e acrescenta os 14 políticos
o jornal britânico “Guardian”, uma fonte geralmente ável e independente, nem
vas representações da República e inclui uma galeria de que representaram a Região no Parlamento Europeu.
mesmo a retoma na China conseguiu que a indústria do país fosse além duma média
presidentes do Parlamento e do Governo, apresentando Estas personalidades integram o guia de representações
de 70% da habitual, o que, tratando-se da 2ª economia mundial, tem reexos a curto
também um guia prática de funções regionais com a rela- externas que encerra a estrutura editorial da nova publi-
e médio prazo. As quedas de preços das matérias-primas, incluindo alimentares
ção nominal das 460 personalidades que exerceram fun- cação.
(“commodities”, no palrar internacional) exportadas por países mais pobres – aque-
ções parlamentares e governativas de 1976 a 2020. “A Vontade dos Açorianos - Os órgãos de governo
les a quem os politicamente corretos chamam piedosamente “em vias de desen-
A primeira parte do livro, intitulada “Antes da Or- próprio da Região Autónoma dos Açores (1976-2020)”
volvimento” – perderam à volta de 30% entre janeiro e m de março passados. O
dem do Dia”, apresenta o enquadramento legal da Au- é o 24º livro publicado por José Andrade e o décimo tí-
petróleo bruto ou “crude” desceu 33% em março, enquanto os minérios e produtos
tonomia Política, com sentido didáctico, explicando a tulo da sua bibliograa dedicado a matérias de natureza
agrícolas caíram 4%, o que permite concluir como os preços do petróleo eram e são
Constituição da República Portuguesa, o Estatuto Polí- política. O autor é licenciado em Ciências Sociais, na
uma exploração vergonhosa e como o agroalimentar tem preços à produção espre-
tico-Administrativo da Região Autónoma dos Açores e especialidade de Ciência Política, e tem exercido fun-
midos ao limite. Sabemos disso na lavoura açoriana, especialmente na leira do
a Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa, e arquiva ções institucionais, nomeadamente na presidência do
leite, a exigir medidas urgentes de intervenção governamental. Apesar da equilibra-
uma cronologia autonómica com 105 datas de interesse Governo Regional dos Açores e na presidência da Câ-
da gestão política do dossiê pelo Engº. João Ponte, responsável pela pasta agrícola
histórico para o percurso colectivo do povo açoriano. Os mara Municipal de Ponta Delgada. Em 2012-2016, foi
regional, a dependência da produção em relação à indústria coloca barreiras difíceis
símbolos heráldicos da Região, o glossário dos partidos deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma
de ultrapassar, uma vez que o desmantelamento das quotas leiteiras expôs o excesso
políticos e as sucessivas lideranças partidárias comple- dos Açores.
de produção. Associando à quebra no turismo, antevê-se uma retoma complicada
sem uma profunda reestruturação açoriana da agricultura e pecuária.
Um dos outros “re” diz respeito à reindustrialização portuguesa, tão balada
tem sido nesta época conturbada. No entanto, quanto mais se insiste no tema, menos
soluções se indicam, porque falar é fácil, mas agir é difícil, não vá a previsão falhar.
Empresa Azores Wedding Events recebe
Vislumbra-se uma oportunidade no sentido de visão do novo coordenador da reto-
ma, Prof. Engº. Costa e Silva, ao qual não faltarão meios vindos da União Europeia prémio “Wedding Awards 2020”
ou janelas industriais, adormecidas pelo torpor das importações fáceis, embarate- -
cidas pelas entradas do boom turístico. Metalo-mecânica, maquinaria, fabrico de
Pelo segundo ano consecutivo, a empresa Azores
peças, o que resta da construção naval, além de muitos mais setores onde tivemos
Wedding Events, empresa de promoção de festas de ca-
qualidade e competitividade, podem ser reavivadas, sendo suciente uma plani-
samento, recebeu o prémio “Wedding Awards 2020”,
cação correta e objetiva. Uma das janelas de oportunidade é a conceção e fabrico
na categoria de música, em reconhecimento por ser uma
de equipamento médico, percebendo-se mal como foi possível andar tanto tempo
das empresas mais recomendadas e melhor avaliadas
a importar “mascarilhas” do estrangeiro, quando a indústria nacional e mesmo re-
pelos casais de Casamentos.pt.
gional o poderia fazer a tempo e horas. Nos Açores, a plêiade empresarial do século
Desde há sete anos, a empresa Casamentos.pt con-
XIX/XX antecipou-se à História; adormecidos pelo “bem-bom” europeu, nós an-
cede estes prémios à excelência do serviço oferecido
dámos a reboque dela. Culpa nossa, mas também de um sistema democrático que
pelo sector empresarial no âmbito nupcial do nosso país,
aposta no peso do Estado para controlar subtilmente a sociedade civil, esquecendo
pelo que este prémio atribuído a uma empresa açoriana
o preço que mais tarde ou mais cedo irão pagar. A prova está no endividamento ga-
demonstra a qualidade dos serviços que a Azores We-
lopante do País e da Região, onde, salvo raras exceções, é mais premiado o mérito
dding Events tem disponibilizado, sobretudo na ilha de
político-partidário que o prossional. Se Portugal, agora no pós-Covid a caminho
S. Miguel, para eternizar um dos momentos mais impor-
dos 135% de dívida pública, vier a receber 19 milhões de euros diários da fonte
tantes da vida de um casal.
europeia, caberiam aos Açores, proporcionalmente à população, aproximadamente
São os próprios noivos que avaliam as mais de 8.000
2,4% (456.000 euros/dia ou mais de 166 milhões anuais, de 2021 a 2027). Ao m
empresas de casamentos do nosso país que desenvolve-
de 7 anos, seriam novos 1.165 milhões, o que parecendo muito, talvez não chegue
ram a sua actividade em 2019 e tiveram a possibilidade o empenho que a Azores Wedding Events coloca na or-
para alimentar velhos vícios. Não reenemos mais barretes, semelhantes àqueles
de participar neste concurso, pelo que a Azores Wedding ganização dos casamentos que tem realizado ao longo do
compridos sacos plásticos de enar pela cabeça que os bombeiros de Ponta Delgada
Events foi uma das vencedoras do prestigioso prémio. ano, esperando que esta distinção possa constituir mais
receberam para proteção antivírus. Ridícula, esta re-qualquer-coisa!
Este prémio já é uma referência no sector nupcial e incentivo para o bom trabalho que vem desenvolvendo.
um selo de garantia para os casais que pretendam orga- Por outro lado, este empresário vilafranquense de-
Nota de Redacção: O artigo do Professor Doutor Vasco Garcia publicado na edição
nizar o seu casamento, e assim poderem escolher os me- dica ao pessoal que trabalhou com a AWE em 2019,
de ontem saiu com o título correcto mas com o texto que fora publicado na edição
lhores fornecedores para o seu grande dia. mormente os músicos Diogo Amaral, António Carva-
do passado Sábado, pelo que hoje publicamos a versão correcta. Pelo facto, as nos-
Ao tomar conhecimento deste prémio, Rúben Melo lho, Luís Pessoa, Luís Paiva, Ricardo Pacheco e Sérgio
sas desculpas ao nosso ilustre colaborador e aos nossos estimados leitores.
manifestou a sua grande satisfação pelo prémio e destaca Pacheco. António Pedro Costa
Correio Desportivo Correio dos Açores, ͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ

Karaté Clube de Ponta Delgada: Olá, treinos ao ar livre

Treinos virtuais cam para trás


A equipa de técnica do Karaté Clube de Ponta Delgada e al-
guns graduados realizaram na Quarta-feira, dia 10 de Junho,
mais um treino com vista ao arranque denitivo dos treinos
ao ar livre.
O local, como se sabe, já está de- feira, foi realizado, provavelmente, Porém, os treinos virtuais irão
finido, mas foi aproveitada a ocasião aquele que terá sido o último treino manter-se como solução de recurso,
para treinar, apesar das condições virtual, dado que a partir de sexta- porque poderão surgir imprevistos.
climatéricas pouco favoráveis. feira, dia 12 de Junho, os treinos Além disso, os treinos de com-
O treino, no Parque Século XXI, passaram a ser, em definitivo, ao ar petição e Instrutores da Associa-
foi um misto de Kihon, Bo, prepara- livre. ção Shotokan Karate-Do Portugal
ção física e Kata, tendo sido muito Foram muitas semanas de treinos (ASKP) irão manter-se virtuais,
proveitoso e interessante. virtuais, que privaram os atletas de dada a distância física que nos sepa-
Entretanto, na passada terça- treinar da forma que mais gostam. ra do continente.

Programa completo da 27.ª jornada da I Liga:


As novidades nas provas de futsal no feminino Amanhã: Marítimo – Gil Vicente, às 18h00. Terça-feira:
Santa Clara – Portimonense, às 18 horas; Desportivo das
Aves – FC Porto, às 20h15. Quarta-feira: Paços de Ferreira –
No CN Feminino não há subi- grupo (12 no total) disputam a 2.ª Di- tém-se com a reformulação dos qua- Belenenses, 18h00; Rio Ave – Benca, 20h15. Quinta-feira:
das nem descidas e por isso, a versão visão Feminina em 2020/21. dros competitivos, mas há algumas Boavista – Vitória de Setúbal, às 18h00; Sporting – Tondela,
2020/21 vai ter as mesmas 16 equipas O Santa Clara pelo facto de ter sido mudanças. A mudança de grande vulto às 20h15. Sexta-feira: Vitória de Guimarães – Moreirense, às
da época 2019/20. E vai ser a última campeã regional vai ter um início de é o facto de as equipas subirem para a 18h00; Famalicão – Sporting de Braga, às 20h15.
vez com este número no principal esca- época bastante atribulado. Para que 2.ª Divisão e não para o Campeonato PUB.
lão feminino do futsal nacional. Assim, este esforço seja recompensado, tem Nacional.
em 2021/22 a 1.ª Divisão Feminina vai de classicar-se nas duas classicadas Vão ser 24 equipas, que foram as
contar com 14 clubes (menos dois do do seu grupo para assim entrar no novo campeãs distritais, divididas em 8 sé-
que actualmente) e para chegar a esse CN da 2.ª Divisão Feminina, divisão ries de 3 equipas como habitualmente.
número pouco ou nada vai mudar no que merece estar pelo trabalho que As 2 melhores equipas de cada série,
Campeonato Nacional em 2021/21. vem desenvolvendo ao longo de mui- num total de 16, seguem para a 2.ª fase
Serão duas séries de oito equipas tos anos. onde vão ser divididas em 4 grupos de
numa 1.ª fase que se dividem na 2.ª 4 equipas. Jogam no sistema de TxT a
fase. São apuradas os primeiros quatro 2.ª Divisão Feminina 2021/22 2 voltas, os vencedores de cada gru-
classicados de cada série para dispu- po, num total de 4 equipas, vão dispu-
tar o título. As restantes oito equipas É uma das novidades dos quadros tar uma Final Four em campo neutro.
jogam entre si para serem despromo- competitivos apresentados pela Fede- Os dois nalistas sobem à 2.ª Divisão
vidas quatro. ração Portuguesa de Futebol. A 2.ª Di- 2021/22 e disputam o título da Taça
Na época 2021/22 sobem apenas 2 visão feminina era pedida há muitos no Nacional 2020/21.
equipas e aí se chegará às 14. futsal português e torna-se numa reali-
A partir de 2022/23, tal como nos dade já a partir da temporada 2020/21. Taça da Liga Feminina 2020/21
masculinos, serão 12 os clubes que dis- Nesta divisão vão participar as 12
putam a 1.ª Divisão Feminina. equipas vindas da Taça Nacional como É outra das novidades dos novos
anteriormente referido, vão ser dividi- quadros competitivos da FPF para o
Taça Nacional Seniores Femininos das em duas zonas de seis equipas cada futsal feminino. A Taça da Liga femi-
2019/2020 numa primeira fase que se disputa no nina arranca já na época 2020/21, jun-
sistema de todos contra todos (TxT), a tando as melhores quatro equipas da
Com o encerramento das provas duas voltas e a pontos. 1.ª Fase da 1.ª Divisão – duas de cada
Nacionais devido à pandemia, a Taça 1.º classicado de cada zona sobe zona.
Nacional não chegou a realizar-se. As- à 1.ª Divisão feminina 2021/22; 2.º, A forma de disputa desta prova para
sim, a Taça Nacional 2019/2020 vai 3.º e 4.º classicados de cada zona 2.ª estas 4 equipas, é num recinto neutro e
disputar-se no início da época 2020/21 Divisão Feminina 2021/2022; 5.º e 6.º por sorteio, sendo que os 2 primeiros
para se apurar 12 equipas que vão dis- classicados de cada zona descem aos da 1.ª volta da 2.ª Fase da 1.ª Divisão
putar a 2.ª Divisão Feminina. Distritais 2021/2022. não podem jogar entre si nas meias-
Vão ser 24, as equipas participantes nais da competição.
(as campeãs distritais de 2019/2020) e Taça Nacional Feminina 2020/21
estas vão ser divididas em 6 grupos de Fonte FPF – José Araújo
4 equipas. As duas melhores de cada A essência da Taça Nacional man-

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Descoberta publicada na revista Journal of Pediatrics

Problemas de visão e equilíbrio


são comuns em crianças com concussões
Investigadores do Hospital Pediátrico de Filadéla, Estados Unidos da América, examinaram con-
cussões em crianças entre os 5-11 anos de forma a melhorarem os resultados na faixa etária.
Os investigadores analisaram os dados e monitorização e gestão adequadas destes O estudo concluiu que as avaliações
de mais de 1.500 doentes desta faixa etária doentes. visio-vestibulares especícas não foram re-
diagnosticados recentemente com uma con- Aproximadamente dois terços dos do- alizadas de forma consistente no momento
cussão num período de um ano. entes deste estudo (66,1%) relataram pro- do diagnóstico, sendo que estas avaliações
As visitas iniciais foram repartidas uni- blemas visio-vestibulares. No total, 74,3% ocorreram com muito menos frequência fora
formemente entre um médico de cuidados dos doentes tiveram uma avaliação visio- das práticas de cuidados especializados.
primários (49%) e um serviço de urgência vestibular durante os cuidados primários e, Os investigadores concluíram que os re-
(49%), sendo os restantes 2,1% atendidos entre estes doentes, 62,7% tinham déces sultados desta investigação podem ajudar a
em primeiro lugar nos cuidados de espe- identicáveis. melhorar os resultados para este grupo etário
cialidade, embora seja importante notar que Os investigadores também notaram que alertando para avaliações visio-vestibulares
24,7% de todos os doentes visitaram um es- menos de metade (43,8%) de todos os do- mais consistentes na visita inicial a unidades
pecialista durante os seus cuidados. entes com concussões receberam uma carta de cuidados de saúde.
A investigação também vericou que recomendando acomodações escolares, no
21% dos doentes viram um enfermeiro es- entanto, a grande maioria (95%) dos doen- ALERT Life Sciences Computing,
colar, salientando o papel importante que os tes atendidos apenas no serviço de urgência S.A.
enfermeiros desempenham na identicação não recebeu esta carta.

Estudo publicado na revista Scientic Reports


Investigadores descobrem novo método
de detecção de coágulos no sangue
Os actuais dispositivos de detecção de entes que sofrem de perturbações de coa-
coágulos não incorporam o uxo através gulação.
dos vasos sanguíneos tortuosos, que são re- Os investigadores armam que o apare-
guladores físicos da coagulação do sangue. lho pode ser usado na detecção de distúr-
Por conseguinte, as leituras destes sistemas bios de coagulação e utilizado em medicina
estáticos actuais não são preditivas e resul- de precisão onde se monitorizam terapias
tam frequentemente em falsos positivos ou pró-trombóticas ou antitrombóticas e se
falsos negativos. optimiza a abordagem terapêutica.
Os investigadores conceberam um mi- Os investigadores concluem que o siste-
crodispositivo que imita vasos sanguíneos ma de microuídos baseado na tortuosidade
tortuosos e criou um microambiente doente criado não requer químicos caros, é rápido,
em que o sangue pode coagular rapidamen- com resultados em 10-15 minutos, utiliza
te sob uxo. um baixo volume de amostras de sangue e
O estudo mostrou que este dispositivo é fácil de operar.
biomimético de coagulação do sangue podia
ser utilizado para conceber e monitorizar ALERT Life Sciences
medicamentos que são administrados a do- Computing, S.A.

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Ford electrica o Fiesta, mas isso


é só uma parte da renovação
Modelo mais vendido da Ford na Europa já dispõe de tecnologia semi-híbrida.
A Ford electrificou o Fiesta com o sis- nível do motor a gasolina por si só, para
tema semi-híbrido de 48 volts numa reno- 240 Nm na versão de 155 cv e até 50 por
vação do modelo mais vendido da marca cento mais binário a baixas rotações.
na Europa que tem grande incidência na O BISG também permitiu aos enge-
mecânica passando também pelos meios nheiros da Ford baixar a taxa de com-
tecnológicos à disposição do condutor. pressão do bloco 1.0 EcoBoost e dotá-lo
A tecnologia EcoBoost Hybrid da de um turbocompressor de maiores di-
Ford estreada nos automóveis de passa- mensões, através da mitigação do deno-
geiros com o Puma no final de 2019 está minado turbo-lag (atraso da resposta do
agora disponível no Fiesta nas variantes turbo), recorrendo ao suplemento de bi-
de 125 e 155 cv de potência. nário que também eleva as rotações do
O novo Ford Fiesta EcoBoost Hybrid motor, de modo a manter o boost de res-
possui um sistema integrado de arranque/ posta do turbocompressor.
gerador por correia (BISG) em lugar do Tanto o Fiesta EcoBoost Hybrid como
tradicional alternador. Esta solução per- as versões com motores a gasolina de 95
mite recuperar e armazenar a energia nor- e 125 cv dispõem da mais recente geração
malmente perdida durante as travagens e do bloco 1.0 EcoBoost com desactivação
em ‘coasting’ para carregar a bateria de de um dos cilindros quando a capacidade
iões de lítio de 48 Volts, arrefecida a ar. total do motor não é necessária – melho-
O BISG também actua como um mo- rando os consumos sem prejuízo do de-
tor, conjugando-se com o bloco principal sempenho.
e utilizando a energia armazenada, pro-
porcionando maior binário em condução Motor
normal e em aceleração, bem como na pressionar um botão no volante ou pres- ost – caixa de 7 velocidades automática
alimentação de diferentes equipamentos O motor 1.0 EcoBoost de 125 CV do sionar suavemente o acelerador para ar- – 125 cv; 1.0 EcoBoost Hybrid – caixa de
elétricos. Fiesta também pode ser agora especifica- rancar. 6 velocidades manual – 125 cv; 1.0 Eco-
do com uma nova transmissão automáti- A tecnologia modem FordPass Con- Boost Hybrid – caixa de 6 velocidades
Sistema semi-híbrido inteligente ca de dupla embraiagem de sete veloci- nect para controlar uma série de funções manual – 155 cv; 1.5 TDCi – caixa de 6
dades, com melhorias nos consumos num de foram remota a partir do smartphone velocidades manual – 85 cv.
O sistema semi-híbrido inteligente e máximo de 15% (NEDC) em comparação ou da app FordPass também é de série. A Ford vai alargar a gama de veículos
de gestão autónoma monitoriza de forma com o EcoBoost de 100 cv e caixa auto- O sistema de comunicações e entreteni- electrificados para 18 exemplares à ven-
contínua o modo como o veículo está a mática de seis velocidades – mesmo ten- mento SYNC 3 do Fiesta5 foi também foi da na Europa até ao final de 2021. Junta-
ser utilizado para determinar quando e do em conta os 25% extra de potência. actualizado ficando mais intuitivo e fá- mente com o novo Fiesta de passageiros
quão intensamente deverá carregar-se a A versão diesel do Fiesta está equipada cil de utilizar fruto de um novo interface semi-híbrido, a Ford anunciou também a
bateria para uma maximização dos bene- com o bloco TDCi de 1,5 litros e 85 CV. de utilizador que recorre a comandos de electrificação do Fiesta Van.
fícios ou quando utilizar a carga arma- Nas tecnologias à disposição da con- maior dimensão exibidos no ecrã digital Disponível com a motorização 1.0
zenada. dução, o Ford Fiesta vem agora equipado de 8’’. A compatibilidade com as plata- EcoBoost de 125 cv, o Fiesta Van não
Esta inteligência actua de duas com regulador de velocidade adaptativo formas Apple CarPlay e Android Auto perde capacidade na carga útil de 531
formas: por substituição de binário com ‘Stop & Go’ e com reconhecimento mantém-se sem custos. kg quando este bloco é o dotado da
disponibilizando um máximo de 24 Nm de sinalização de velocidade na – apli- tecnologia semi-híbrida.
e reduzindo a exigência imposta ao mo- cados à caixa automática gerem a para- Cinco versões O Fiesta Van EcoBoost Hybrid refor-
tor a gasolina - permitindo melhorias de gem completa do veículo em tráfego de ça gama comercial eletrificada da Ford
consumo na ordem dos 5% no bloco Eco- pára-arranca reiniciando automaticamen- Já disponível para encomendas, o já composta pelos Transit, Transit Cus-
Boost Hybrid de 125 cv; e por suplemen- te o motor se a duração dessa paragem Fiesta de passageiros apresenta-se nestas tom e Tourneo Custom EcoBlue Hybrid e
to de binário aumentando o pico até a um for inferior a 3 segundos; em paragens cinco versões: 1.0 EcoBoost – caixa de 6 pelos Transit Custom e Tourneo Custom
máximo de 20 Nm, acima do nível dispo- superiores a 3 segundos, o condutor pode velocidades manual – 95 cv; 1.0 EcoBo- Plug-In Hybrid.

Peugeot 308 ganha novos argumentos


Com mais de um milhão e meio de veículos destaca o cruise control adaptativo com função
vendidos desde o seu lançamento, o Peugeot Stop & Go, a câmara de visão traseira de 180
308 vai surgir agora com algumas alterações ° e a função Park Assist, os alertas de saída de
estéticas. faixa de rodagem e de ângulo morto, sensores
A nível do exterior a marca francesa apos- de estacionamento, entre outros.
tou numa nova cor, Vertigo Blue, e em dois Já em matéria de motores o 308 conta com
novos modelos de jantes. o bloco 1.2 do PureTech com 110 cv e 130
Já as versões de topo de gama passam a cv, bem como com as variantes a diesel 1.5
contar com um novo Black Pack, opcional, que BlueHDi de 100 e 130 cv, com opção de caixa
permite alterar a maioria dos acabamentos cro- automática de 8 velocidades.
mados para preto brilhante, incluindo a grelha Por seu lado a versão desportiva do Peu-
frontal e as jantes de 18 polegadas. geot 308 GTi completa a oferta com um bloco
Contudo é o nível do interior que as alte- 1.6L de quatro cilindros com 263 cv de potên-
rações ao 308 são mais acentuadas, já que este cia e um binário de 340 Nm.
modelo passa a contar com o i-Cockpit com um
ecrã de 10 polegadas de alta denição, utiliza-
do já no 208 e no 2008, substituindo o anterior
painel de instrumentos analógico.
Para além disso o sistema de infoentreteni-
mento conta com um ecrã capacitivo e acaba-
mento brilhante.
O renovado 308 conta com um vasto leque
de sistemas de assistência à condução onde se
Correio dos AçoresǡͳͶ†‡ —Š‘†‡ʹͲʹͲ passatempos 29

SUDOKU SUDOKU

Grau de diculdade Grau de diculdade


fácil difícil

Caça palavras A partir da seta, encontre o caminho mais rápido para sair do labirinto

No emaranhado de letras encontre as palavras abaixo indicadas:


Problema Pressente
Labirinto
Incerteza Presume
Pergunta Duvida
Suspeita Teme

PARA RIR... COMPLETE


Na aula de ciências, a professora pergunta - Anda, coxa, põe-te em pé. Cada um puxa a brasa à sua _________. quer.
a um aluno: Cada um sabe as _________ com que se
Cada um só goza a paz que o vizinho
- Em quantas partes se divide a perna? Uma mulher, muito aita, vai ao médico. pato.
O aluno não sabe. Segreda-lhe o colega - Doutor, tenho um enorme problema. cose. Cada um sabe onde lhe aperta o sa-
do lado: Preciso muito da sua ajuda, não sei que fazer. Cada um sabe de si e _________ de todos.
Cada um sabe de si e Deus de todos.
- Anca, coxa e pé. Sempre que digo “abracadabra” as pessoas cose.
O menino ouve mal e responde assim à desaparecem… Hã… Doutor?... Doutor?... Cada um sabe onde lhe aperta o _________. Cada um sabe as linhas com que se
professora: Onde se meteu? Cada um só goza a paz que o _________ quer. Cada um puxa a brasa à sua sardinha.

Resposta certa Diferenças


Associe a imagem do país ao respectivo nome
Encontre as 7 diferenças existentes

Israel

Islândia

Iraque

Itália

Itália
30 televisão Correio dos Açores, 14 de Junho †‡ʹͲʹͲ

Jogo da Caixa - RTP1 Pesadelo Na Cozinha - TVI


signos
Astrólogo Luís Moniz
site:http://meiodoceu-com-sapo-pt.webnode.pt

CARNEIRO BALANÇA
(21/03 a 20/04) (23/09 a 23/10)

A nível prossional, conseguirá com mais Atravessa um período de relançamento


facilidade expressar as suas ideias e vai da sua vida afetiva, mas manifeste as
02:10 Conselho de 02:09 Marte:T2 Ep.2 08:55 Kody Kapow 01:00 Notting Hill 01:45 GTi conseguir desenvolver o seu trabalho de suas intenções e demonstre abertamen-
Redação:T6 Ep.11 02:56 Televendas Ep.20 uma forma mais ecaz. te a sua verdadeira maneira de ser.
03:05 Televendas SIC
02:47 Europa Minha:T3 09:05 Kody Kapow 02:15 Querido, Mu-
05:11 Todas as
Ep.25 Ep.21 04:30 Os Malucos do dei a Casa!
03:09 Lugares de Palavras:T5 Ep.11 09:15 As Regras do TOURO ESCORPIÃO
Riso:T10 Ep.702:50 Mar de Paixão
Verão:T1 Ep.4 05:30 Espaço Zig Zag Ângelo:T4 Ep.45 (21/04 a 20/05) (24/10 a 21/11)
04:00 Telejornal Açores 05:31 #FicoEmCasa a 09:25 As Regras do 05:30 Lego Ninjago:T10 03:15 TV Shop
Ângelo:T4 Ep.46 05:00 Os Batanetes
04:45 Largo do Caldas Imaginar:T1 Ep.8 Ep.3 05:15 Todos Iguais
Em todas as áreas da sua vida, certamen- A conjuntura concede-lhe uma energia
05:26 Pianomania! 09:35 Sai Daqui,
05:40 Os Pequenos Unicórnio!:T1 06:00 Lego Ninjago:T10 05:45 Campeões e te, vivência muita harmonia e segurança. de grande estabilidade e de pleno con-
- Menahem
Pressler:T1 Ep.2 Contos de Wismo Ep.16 Ep.4 Detectives Perspetivam-se momentos de realização, trolo sobre a sua vida. Aliás, todas as
06:57 Visita Guiada:T6 Ep.10 09:45 A Casa da 07:15 O Bando dos de alegria e de proteção. áreas estão bastante favorecidas.
Árvore:T2 Ep.8 06:15 Power Rangers Quatro
Ep.19 05:50 Lulu
07:30 Biosfera:T17 Ep.34
09:55 Minúsculo Ep.55 Ninja Steel:T2 09:00 Detective
Cambalhota:T2 10:05 Minúsculo Ep.56
07:58 Magazine Literacia Ep.2 Maravilhas
Ep.48 11:15 Miraculous - As GÉMEOS SAGITÁRIO
3D Ep.9 10:00 Missa
06:00 Zig Zag:T21 Ep.149 Aventuras de 06:30 Uma Aventura:T5 (21/05 a 20/06) (22/11 a 20/12)
08:23 Zig Zag:T19 11:30 Mesa Nacional
06:15 Gawayn:T1 Ep.27 Ladybug:T2
Ep.114 Ep.15 12:00 Jornal da Uma
08:38 Gawayn:T1 Ep.41 06:30 As Aventuras de
Ep.8
13:00 Somos Portu-
Perante algumas escolhas de maior res- Altura certa para avaliar racionalmente
11:40 Grizzy e os 07:15 É Pr’Amanhã:T1
08:51 As Aventuras do Max - Atlantos:T2 gal, Sempre ponsabilidade, podem acontecer situações as suas ideias, ambições e aventuras, de
Lemingues:T1 Ep.5
Xavier:T1 Ep.5
Ep.3 Ep.43 17:30 Pesadelo que colocam à prova a sua capacidade de modo a evitar ilusões que lhe podem tra-
08:54 As Aventuras de 11:50 Capitão Bíceps 08:00 Olhó Baião:T2 Na Cozinha afastar hesitações e nervos.
Max - Magilika:T1 06:45 Radar XS:T1 Ep.23 zer algumas complicações.
Ep.17 Ep.42 ”Pesadelo na
Ep.12 06:55 Desao 12:15 Drama Total Cozinha” é a
09:08 Radar XS:T1 Ep.23 #FicoEmCasa:T1 - À Volta do 11:00 Vida Selvagem - versão portu- CARANGUEJO CAPRICÓRNIO
09:28 RTP3 / RTP Açores Ep.16 Mundo:T1 Ep.4 Seven Worlds, guesa de “Os (21/06 a 22/07) (21/12 a 19/01)
11:00 Missa de Domingo 13:20 Squish:T1 Ep.2 Pesadelos de
07:00 Bom Dia Portugal - One Planet:T1
(Açores):T1 Ep.9 14:00 Um Tango para Ramsay”, ori- Procure contrariar memórias do passa- Pode progredir no que diz respeito à sua
11:50 RTP3 / RTP Açores Fim de Semana
a Liberdade:T1 Ep.3 do e defender os seus ideais em termos
16:00 Notícias do Atlân- 09:30 Eucaristia Domini- Ep.2
ginal britânico vida afetiva, mas terá de esquecer pro-
12:00 Primeiro Jornal que começou amorosos. É tempo de quebrar amarras e blemas do passado e modicar certos
tico cal Ep.21 15:40 50 Tons de Rosé
em 2007. O
16:32 Tributo em 10:30 Mundo 16:30 Caminhos 13:15 Fama Show:T2 de namorar de forma descontraída. aspetos do seu comportamento.
17:00 70X7 formato da TVI
Estúdio:T1 Ep.9 Ep.23
Maravilhoso:T1 tem o reputado
16:59 Cá por Casa Com 18:25 Saber Sabe
Herman José:T6 Ep.7 Bem:T1 Ep.8 14:45 Cinema Ljubomir Sta-
LEÃO AQUÁRIO
Ep.10 11:00 O Artesão:T1 Ep.8 19:05 Eco-Lógica:T1 nisic, que vai
16:45 Cinema (23/07 a 22/08) (20/01 a 19/02)
18:11 Sinais de Vida 12:00 Jornal da Tarde Ep.8 à descoberta
19:35 A Estagiária:T3 18:15 Não Há Crise!:T14 de restauran-
Ep.60 13:15 Linha da O seu corpo, a sua mente e o seu es- É fundamental procurar tempo para
18:56 Mal-Amanhados: Ep.2 Ep.8 tes à beira da
Frente:T22 Ep.10 20:30 Jornal 2 falência, tentan-
pirito exigem a sua atenção. Provavel- cuidar de questões relacionadas com
Os Novos Corsá- 18:57 Jornal da Noite
rios das Ilhas:T1 13:45 Faz Faísca:T3 Ep.8 20:50 Página 2 do de alguma mente, daqui em diante, terá de atuar de a família, o lar e o trabalho. Este ciclo
Ep.9 14:45 O Pai Tirano 21:06 Folha de Sala 20:15 Isto é Gozar forma salvá-los acordo com os seus nobres valores. difícil exige-lhe atitudes lúcidas.
20:00 Telejornal Açores
21:12 O através de
17:00 I Love Portugal:T1 Com Quem
Oportunista:T1
20:47 Um Lugar para Ep.7 mudanças na
Ep.5 Trabalha:T1 Ep.15
Viver Ep.9 ementa.
18:59 Telejornal 22:15 Pappano, Ar- VIRGEM
21:35 Viola de Dois 21:15 Quem Quer 18:57 Jornal das 8 PEIXES
20:30 Batalha dos gerich, Maisky (23/08 a 22/09) (20/02 a 20/03)
Corações:T1 Ep.4 Namorar Com o 20:45 Big Brother - A
Jurados:T1 Ep.1 na Academia
22:31 Janela Gala
Nacional de Agricultor?:T3
Indiscreta:T12 22:32 Jogo da Caixa:T1 Santa Cecilia 22:55 Big Brother - Momento propício para experienciar Durante esta fase, cuide de si e siga a sua
Ep.24 Ep.6 Ep.8 Extra
22:53 Quarta Divisão muita tranquilidade na sua relação amo- intuição para conseguir nutrir a sua alma.
rosa. Trata-se de uma etapa descontraída Cone nos seus dotes e procure reavaliar
Qualquer alteração à programação que publicamos é da responsabilidade das respectivas estações e ótima para obter entendimentos. a sua noção de fé.

Previsão do estado do tempo nos Açores ESTATUTO


EDITORIAL

1 - O Correio dos Açores de-


ne-se como um órgão de comuni-
cação social de grande informação
regional.

2- O Correio dos Açores


orienta-se por critérios de rigor e
criatividade editorial, sem qual-
quer dependência de ordem ideo-
lógica, política e económica.

3- O Correio dos Açores


arma-se ainda como um porta-
voz dos princípios e valores defen-
didos e aceites pelos Açoreanos
na defesa da sua Autonomia e no
integral respeito pelos princípios
consagrados na Constituição da
República.

Informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera 4 - O Correio dos Açores


Centro Centro procurara veicular temas sociais,
Frente fria Frente quente Frente Oclusa Frente Estacionária de Alta Pressão de Baixa Pressão políticos e culturais diversicados,
correspondendo às motivações e
GRUPO OCIDENTAL GRUPO CENTRAL GRUPO ORIENTAL interesses de um público plural,
debatendo ideias suscetíveis de
Períodos de céu muito nublado com abertas. Aguaceiros. Céu geralmente muito nublado. Períodos de chuva e aguacei- Períodos de céu muito nublado com abertas. Aguaceiros. promoverem o enriquecimento da
ros por vezes FORTES. Condições favoráveis para a ocorrência de trovoadas.
Vento norte fresco a muito fresco (30/50 km/h), opinião pública, sempre norteados
Condições favoráveis para a ocorrência de trovoadas. Vento noroeste bonançoso (10/20 km/h), rodando para sul e pelos valores éticos e cívicos.
temporariamente FORTE (50/65 km/h) com rajadas até 75 km/h, Vento norte bonançoso a moderado (10/30 km/h), rodando tornando-se moderado (20/30 km/h).
para nordeste. ESTADO DO MAR
rodando para nordeste. ESTADO DO MAR 5 - O Correio dos Açores com-
Mar de pequena vaga, tornando-se cavado.
Mar de pequena vaga a cavado. Ondas norte de 1 a 3 metros, passando a noroeste. promete-se a assegurar o respeito
ESTADO DO MAR
Ondas do quadrante norte de 2 a 4 metros. Temperatura da água do mar: 19ºC pelos princípios deontológicos e
Mar cavado a grosso, temporariamente ALTEROSO. Temperatura da água do mar: 18ºC pela ética prossional dos jornalis-
Ondas norte de 3 a 4 metros, passando a nordeste. tas, assim como a boa-fé dos seus
leitores.
Temperatura da água do mar: 18ºC
Correio dos Açores, 14 de Junho †‡ʹͲʹͲ agenda 31

INFORMAÇÕES DE UTILIDADE PÚBLICA

FARMÁCIAS MUSEUS MOVIMENTO AÉREO MOVIMENTO MARÍTIMO TABELA DAS MARÉS


Ponta Delgada – Farmácia Associação De Socorros Mútuos Ponta Delgada NAVIOS DA MONTE BRASIL – Em
Rua Professor Machado Macedo, 4 Museu Carlos Machado
Azores Airlines Baixa-mar:
Voos suspensos TRANSINSULAR viagem de Lisboa para
Tel.: 296 650 860 Inverno (de 1 de outubro a 31 de março) 1:13 – 13:31
Terça a domingo, das 9h30 às 17h Ponta Delgada chegando
Air Açores Preia-mar:
Ribeira Grande - Farmácia Ribeirinha Verão (de 1 de abril a 30 de setembro) amanhã
Rua Direita 1ª parte, nº1 Terça a domingo, das 10h às 17h30
Chegada a Ponta Delgada de: 7:13 - 19:34
Santa Maria: 8:25 MONTE DA GUIA – Em
Telefone: 296479202 Museu Hebraico Sahar Hassamaim de Ponta Graciosa: 16:15 viagem de Ponta Delgada para Lisboa e
Delgada - Portas do Céu (Sinagoga) TEATRO MICAELENSE
HOSPITAIS Segunda a Sexta, das 13h00 às 16h30
Terceira: 12:55; 17:55; 20:00
Horta: 13:25
Leixões
Ponta Delgada - 296 203 000 Museu Militar dos Açores MALENA – Em Ponta Delgada
Nordeste - 296 488 318 - 296 488 319 Dias úteis: 10h00 - 18h00 Partida de Ponta Delgada para: S. JORGE – Em Ponta Delgada PROGRAMAÇÃO
Vila Franca - 296 539 420 Fim-de-semana: 10h00 - 13h30 / 14h30 - 18h00 Santa Maria: 7:05 SUSPENSA
R. Grande - 296 472 128 - 296 472727 Encerra aos feriados Horta: 9:00
Povoação - 296 585 197 - 296 585 155 Pico: 12:20
Ribeira Grande Terceira: 7:15; 14:00; 16:00 INSULAR - Em via- COLISEU MICAELENSE
POLÍCIA Museu Municipal gem para Lisboa
TAP
Ponta Delgada - 296 282 022, Museu “Casa do Arcano”
Chegada a Ponta Delgada de: LAURA S - Em via- PROGRAMAÇÃO
296 205 500 e 296 629 630 Museu da Emigração Açoriana Lisboa: 12h15 gem para Ponta Delgada chegando amanhã SUSPENSA
Trânsito - 296 284 327 Museu Vivo do Franciscanismo
R. Grande 296 472 120, 296 473 410 Casa Lena Gal Partida de Ponta Delgada para:
Lagoa - 296 960 410 Aberto de 2ª a 6ª - 09.00/17.00H
ASSOCIAÇÃO DE TÁXIS
Lisboa: 12h55
Vila Franca - 296 539 312 NAVIOS FURNAS - Em Lisboa. DE SÃO MIGUEL
Furnas - 296 549 040, 296 540 042 Museu Municipal do Nordeste DA MUTUALISTA CORVO - Nas Velas
Povoação - 296 550 000, 296 550 001, 296 Aberto de 2.ª a 6.ª das 09h00 AÇOREANA
550 005 e 296 550 006 saindo às 20 horas para
às 12h00 e das 13h00 às 16h00
Nordeste - 296 488 115, 296 480 110, Ponta Delgada.
296 480 112 e 296 480 118
Maia - 296 442 444, 296 442 996 SERVIÇOS CULTURAIS
R. Peixe - 296 491 163, 296492033
Capelas - 296 298 742, 296 989 433 Povoação
BAÍA DOS ANJOS:
Santa Maria - 296 820 110, Biblioteca:
296 820 111, 296 820 112 e 296 820 110 Em Ponta Delgada
De Segunda a Sexta das 09h00 às 17h00 Transporte Marítimo (INSTITUIÇÃO DE UTILIDADE
GNR Museu do Trigo Parece Machado, Lda PÚBLICA)
De Segunda a Sexta das 09h00 às 17h00
Largo Dr. Manuel Carreiro, 9504-514 Ponta Delgada Central 296 30 25 30
TelFixo: 296 306 580 / Fax: 296 306 598
Sábados, Domingos e Feriados 11h00 às 16h00 EFEMÉRIDES 296 20 50 50
Horário de Funcionamento
Email: ct.acr@gnr.pt
1962 - Cria-se a Organização 1900 - Abertura dos II Jogos Olím-
POLÍCIA MUNICIPAL
Ribeira Grande
Europeia de Investigação Espacial picos da Era Moderna em Paris, na
TÁXIS
Centro Comunitário e de Juventude
Rua Manuel da Ponte, n.º 34 (ESA). França.
de Rabo de Peixe
9500 – 085 Ponta Delgada Teatro Ribeiragrandense
1967 - Os EUA lançam uma nave 1991 - Jiang Qing, viúva de Mao
Tel. 296 304403/91 7570841 espacial para Vénus. Tse-Tung suicída-se.
Horário da 2ª a 6ª das 9h às 17h
Fax: 296 304401 1975 - A URSS lança uma segunda 1992 - O partido comunista da
E-Mail: policiamunicipal@mpdelgada.pt
nave espacial, em seis dias, em direcção ex-URSS, que se encontra ilegalizado,
BOMBEIROS MISSAS a Vénus, onde tenciona desembarcar expulsa Mikhail Gorbachov.
Semana >> 08h00 – Santuário do San-
duas cápsulas. 1994 - Morre, em Beverly, nos
Ponta Delgada - Urgência 296 301 301
Normal 296 301 313 to Cristo 08h30 – Matriz de 2ª a 6ª feira 1981 - O Partido Socialista francês EUA, o compositor Henry Mancini, au-
Ginetes - 296950950 09h30 – Fajã de Cima (3ª a 6ª) 12h30 vence, folgadamente, a primeira volta tor, entre outras obras, da banda sonora
Nordeste - 296488111 – Matriz 17h30 - Casa Saúde Nossa Se- das eleições para a Assembleia Nacional da “Pantera cor de rosa”.
Vila Franca - 296539900 nhora da Conceição (excepto segunda e da República francesa. 1995 - Morre William Alfred Fow-
296 38 2000
Ribeira Grande: 296 472318, sexta-feira). 18h00 – Igreja do Imaculado
296 470100 Coração de Maria 18h30 - Matriz; São
1983 - As autoridades polacas di- ler, Nobel de Física em 1983. 96 29 59 255
Lomba da Maia - 296446017, 296446175 José; 19h00 – São Pedro; Igreja Nª Sra. vulgam uma severa advertência contra 1997 - Morre Curt Lange, musi-
Povoação - 296 550050, 296 550052 de Fátima -Lajedo; Santa Clara; Fajã de manifestações de protesto nas véspera cólogo alemão naturalizado uruguaio 91 82 52 777
Centro de Enfermagem Bombeiros de Baixo (3ª e 5ª); Saúde - Arrifes - (3ª e 5ª); da visita do Papa João Paulo II ao país, (n. 1903);
Ponta Delgada Milagres - Arrifes - (4ª e 6ª). e prometem “acção resoluta” contra 1998 - Morre Frank Sinatra, cantor
JOGOS SANTA CASA
Todos os dias das 17h00 – 20h00
Incluindo Sábados, Domingos e Feriados tentativas de perturbação da ordem. norte-americano. Euromilhões
Sábado >> 12h30 - Matriz 17h – Clínica 1985 - O governo português en- 2000 - Morre Keizo Obuchi, primei- Próximo sorteio terça-feira
do Bom Jesus 17h30 – Igreja do Cora- € 17.000.000
MARINHA ção Imaculado de Maria; Capela de São trega, no decurso de uma cerimónia ro-ministro do Japão. Último sorteio 12/06/2020
Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Ma- João de Deus -Fajã de Baixo; Casa Saú- religiosa, a urna com os restos mortais 2 24 39 45 46 + 4 8
rítimo (MRCC Delgada) de Nossa Senhora da Conceição. 18h00 do régulo Gungunhana a uma delegação
Tel. 296 281 777
– São José; Sete Cidades, Feteiras, Saúde de alto nível da República Popular de M1lhão
- Arrifes. 18h30 – Matriz; Santa Clara; Moçambique. Pensamento do dia: “O mais Próximo sorteio sexta-feira
Polícia Marítima de Ponta Delgada (PM Delgada)
Fajã de Baixo. 19h00 - ;Mosteiros, São € 1.000.000
Tel. 296 205 246 Pedro; Relva; São Roque, Candelária;
1986 - Morre, aos 86 anos, o escritor precioso de todos os talentos é o de
Último sorteio 12/06/2020
Ginetes 19h00 - Fajã de Cima; Milagres argentino Jorge Luís Borges. nunca se utilizar duas palavras quando TQB 30112
PORTO DE ABRIGO - Arrifes. 20h00 - Covoada. 1989 - A polícia chinesa prende dois uma for suciente” - Thomas Jefferson
Estação Costeira Porto de Abrigo dos 21 dirigentes estudantis procurados (1743-1826), estista norte-americano. Totoloto
Tel. 296 718 086 Domingo >> 08h00 – Santuário Santo pelas autoridades, na sequência do mas- Próximo sorteio sábado
Cristo; Saúde – Arrifes, Mosteiros 09h00 sacre na praça Tianamem, o dia 4, ao Este é o centésimo trigésimo quar- € 2.600.000
GABINETE DE APOIO À VÍTIMA – Igreja Senhora das Mercês; Clínica Último sorteio 10/06/2020
do Bom Jesus; Fajã de Baixo; Piedade - mesmo tempo que são expulsos do país to dia do ano. Faltam 200 dias para
16 26 35 40 45 + 12
296 285 399 (número regional) Arrifes. 09h30 - Piedade – Arrifes; 10h00 vários jornalistas estrangeiros. acabar 2020.
707 20 00 77 (número único) – Matriz; Igreja Coração Imaculado de Lotaria clássica
apav.pontadelgada@apav.pt Maria – São Pedro; Santa Clara; Mi- Próxima extração 15/06/2020
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às 17:30 João de Deus - Fajã de Baixo; Covoada; Última extração 08/06/2020
BIBLIOTECAS Hospital Divino Espírito Santo; Várzea; CINEPLACE PARQUE ATLÂNTICO 1º PRÉMIO 59804
Sete Cidades, Candelária, Milagres -
Ponta Delgada Arrifes; Casa Saúde Nossa Senhora da
De 2.ª a 6.ª das 9h00 às 19h00 Lotaria popular
Sábado das 14h00 às 19h00 Conceição. 11h00 – São José; São Pedro; Encerrado por tempo indeterminado Próxima extração 18/06/2020
Biblioteca Municipal Ernesto do Canto Fajã de Cima 11h30 - Santa Clara; Fajã € 112.500
Rua Ernesto do Canto s/n 9500-313 de Baixo; São Roque 12h00 – Santuário Última extração 11/06/2020
Tel: 296 286 879; Fax: 296 281 139 Santo Cristo; Matriz; Relva; Mosteiros;
Email: biblioteca@mpdelgada.pt 1º PRÉMIO 78120
Horário: 2ª a 6ª feira das 10h00 às 18h00 Ginetes, Feteiras; Saúde - Arrifes; Igreja Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada
Horário de verão (durante as férias escola- Nª Sra. de Fátima Lajedo. 12h15 – Igreja Totobola
res): 2ª a 6ª feira das 8h30 às 16h3 de São Gonçalo - São Pedro 17h00 – Ma- Horário das Exposições
Próximo concurso domingo
triz 18h00 – São José 18h30 – Fajã de € 14.000
Ribeira Grande Sábados: das 14h00 às 17h00
Arquivo Municipal; Biblioteca Municipal Baixo 19h00 – São Pedro 2.ª feira a 6.ª feira: das 9h00 Último concurso 07/06/2020
De 2ª a 6ª feira das 9h00 às 17h00 às 17h00 221 XXX 22X 1X11 2

Director Américo Natalino Viveiros Director-adjunto Santos Narciso Sub-director João Paz
Chefe de Redacção Nélia Câmara Redacção Carla Dias; Joana Medeiros; Rita Frias, Marco Sousa (Desporto) Fotograa Pedro Monteiro Revisão Rui Leite Melo Paginação, Composição e Montagem
João Sousa (Coordenação); Luís Craveiro; Flávio Cordeiro Marketing Madalena Oliveirinha; Pedro Raposo Correio Económico Luís Guilherme Pacheco; Óscar Rocha Colaboradores João Bosco Mota
Amaral; João Carlos Abreu; Vasco Garcia; António Pedro Costa; Álvaro Dâmaso; Gualter Furtado; Carlos Rezendes Cabral; Eduardo de Medeiros; Valdemar Oliveira; Pedro Paulo Carvalho da Silva; João
Carlos Tavares; Teólo Braga; Sónia Nicolau; Alberto Ponte; Arnaldo Ourique; Fernando Marta; José Maria C. S. André; Frederico Cardigos; Sérgio Rezendes; Khol de Carvalho; João-Luís de Medeiros;
António Benjamim; Luís Anselmo; Beja Santos; José Adriano Ávila; Marcos Couto; Mário Moura; Dionísio Faria e Maia; Fernando Melo; Carlos E. Pacheco Amaral; Ferreira Almeida; Mário Chaves Gouveia;
Maria do Carmo Martins; Áurea Sousa; Paulo Medeiros; José Luís Tavares (Desporto)
Tiragem: 4.030 exemplares
Propriedade Gráca Açoreana, Lda.
Contribuinte 512005915 Gráca Açoreana, Lda.
Número de registo 100916 Rua Dr. João Francisco de Sousa, n.º 16 – 9500-187 Ponta Delgada – S. Miguel – Açores Governo dos Açores
Conselho de Gerência - Américo Natalino Pereira Viveiros; Paulo Hugo Falcão Pereira Esta publicação tem o apoio do
de Viveiros; Dinis Ponte Serviços Administrativos 296 709 887 / 296 709 888 / geral@correiodosacores.net PROMEDIA III - Programa Regional
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Sócios com mais de 5% do Capital da Empresa Américo Natalino Pereira Viveiros; Publicidade e Marketing 296 709 889 / pub@correiodosacores.net
Octaviano Geraldo Cabral Mota; Paulo Hugo Falcão Pereira de Viveiros Informática 296 709 885

Estatuto Editorial disponível na página da internet em www.correiodosacores.pt


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9500-187 Ponta Delgada - São Miguel - Açores

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Apontamento Dominical

O capacete
do Eng. Perestrello
A maior parte das histórias que co-
nheço da vida prossional do meu Pai
foram-me contadas por outros, mas ele
abria excepções a esta reserva quan-
do não era o protagonista, ou quando
se via como testemunha passiva dos
acontecimentos. Foi assim que conhe-
ci, através dele, a história dos capace-
tes.
O assunto era muito importante para
o meu Pai, empenhado em promover a
segurança dos operários nos estaleiros
navais de Lisboa. Uma das suas ini-
ciativas foi comprar capacetes de pro-
tecção e pedir aos Directores de cada
Departamento que os distribuíssem ao
pessoal. A seguir, visitou cada zona de
trabalho para vericar se as instruções
estavam a ser cumpridas. Infelizmente,
em toda a parte estava montada uma
pub
autêntica «guerra civil». De um lado,
os trabalhadores queixavam-se de que
era impossível trabalhar com capacete, instruções para distribuir os capace- sessenta. Algumas pessoas sentem
de que os capacetes faziam mal à saúde tes, o Eng. Perestrello não se apressou. verdadeira repugnância em cumprir
e até criavam situações de perigo. Do Começou por reunir a Direcção e os as regras e estão convencidas de que
outro lado, os Directores não cediam engenheiros e combinar que eles pró- as exigências são inúteis, ou até pre-
no uso obrigatório dos capacetes ainda prios passariam a usar capacete. No judiciais. Sobretudo quando o Gover-
que, na melhor das hipóteses, só con- dia seguinte, mal desceu às ocinas, no, ou até as autoridades eclesiásticas,
seguissem vitórias momentâneas, que com o seu capacete, foram os operá- dão directivas concretas em relação
não duravam mais do que o tempo de rios que se dirigiram a ele e lhe pedi- às igrejas e às cerimónias religiosas,
eles virarem as costas. A guerra ainda ram para também receberem capace- ferve-lhes o sangue de indignação pelo
não tinha começado no Departamento tes: «se os Directores e os engenheiros desprezo das coisas de Deus e o des-
do Eng. Perestrello, porque ele, em vez usam capacete, muito mais se justica respeito pela liberdade fundamental de
de distribuir imediatamente os capace- essa protecção para quem trabalha nas Lhe prestar culto. Realmente, a obedi-
tes, seguiu outra estratégia. ocinas». Não foram precisos muitos ência é uma virtude difícil quando cho-
Vale a pena apresentar brevemen- argumentos para o convencer e rapida- ca com o nosso ponto de vista.
te o Eng. Perestrello. Embora eu não mente se contabilizou e se distribuiu o Talvez uns líderes tenham mais
o tenha conhecido directamente, ouvi número de capacetes necessários. jeito que outros para facilitar a obedi-
testemunhos. Era um homem alto, ele- Nos outros departamentos, a tensão ência. Em todo o caso, é interessante
gante. Herdara da sua família ilustre da «guerra dos capacetes» arrastou-se reparar como – dependendo da pers-
um certo toque de classe, ainda que ele por mais tempo e a melhoria das con- pectiva com que vemos as situações –
fosse tão acessível e natural que o re- dições de segurança no estaleiro, neste a mesma coisa nos parece intolerável
lacionamento era descontraído e agra- domínio e noutros, exigiu um esforço ou a consideramos um direito honrosa-
dável, sem se notarem as diferenças enorme e persistente. Só no departa- mente conquistado.
hierárquicas. Apreciava cada pessoa, mento do Eng. Perestrello as coisas Talvez a obediência mais custosa
gostava de conversar e de conviver, e eram diferentes. Aí – contava o meu tenha mais mérito e dê mais alegria a
toda a equipa, desde os operários aos Pai –, os operários almoçavam de ca- Deus. Ainda que talvez, com alguma
engenheiros e aos colegas da Direcção, pacete na cabeça. distância emocional, acabemos por re-
reconhecia a sua liderança. Chegaria a As máscaras faciais, as viseiras e conhecer que «não era caso para tan-
ser o Administrador-Delegado do esta- todas as regras de segurança que as au- to».
leiro da Lisnave. toridades estabeleceram para o actual
Como disse, quando recebeu tempo de pandemia recordam-me os José Maria C.S. André
capacetes do estaleiro naval nos anos

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