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ESTADO DO PARÁ

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PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

UJ
RA
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO LUIS ROBERTO BARROSO – DO
COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

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:31 O T
:29 LI
MANDADO DE SEGURANÇA 37.116

23 RE
0 - N AU
5/2 RLO
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ESTADO DO PARÁ, pessoa jurídica de direito público interno, nos autos do


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:0 -M

Mandado de Segurança acima citado, vem, respeitosamente à presença de Vossa


Excelência, em atendimento ao despacho exarado nesta data, informar que
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mantém o interesse processual em relação à apreciação da medida liminar


e também quanto à concessão da segurança, mesmo com a publicação da
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Resolução n. 318/CNJ, como se passa a demonstrar:


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Este mandado de segurança foi impetrado visando suspender decisão


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oriunda de Pedido de Providências do Conselho Nacional de Justiça que tem como


objeto a suspensão de Portaria Conjunta do Tribunal de Justiça do Estado do Pará
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que ampliou a suspensão dos prazos processuais até o próximo dia 15.05.2020.
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Na data de hoje, foi publicada a Resolução 318/CNJ que “prorroga, no âmbito

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do Poder Judiciário, em parte, o regime instituído pelas Resoluções no 313, de 19 de
março de 2020, e no 314, de 20 de abril de 2020, e dá outras providências”.

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Atendendo ao determinado por esse Exmo. Relator, várias são as razões

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pelas quais está mantido o interesse processual quanto ao deferimento da medida

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liminar e à própria concessão da segurança, a saber:

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i. Manutenção do ato Coator oriundo do Pedido de Providências.
Garantia ao jurisdicionado em relação aos dias 04 e 05.05.2020
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Considerando que ainda não ocorreu a retratação da decisão oriunda do


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Pedido de Providências em tramitação no CNJ, está mantida a violação ao direito


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líquido e certo do impetrante, como resta devidamente demonstrada neste


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procedimento mandamental.
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Há a violação ao direito também do jurisdicionado em razão do início de


vigência da Portaria Conjunta 08/TJE e a suspensão de seus efeitos, pelo ato coator,
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que ocorreu no dia 05.05.20. Assim, como aduzido na peça de ingresso, a medida
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liminar deve ser concedida por V.Exa. para reconhecer o direito líquido e certo
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também aos advogados, promotores, procuradores, defensores etc. que, DE


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ABSOLUTA BOA-FÉ, não apresentaram suas manifestações judiciais nos dias


anteriores ao ato aqui impugnado e quando estava em vigência a Portaria do
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Tribunal de Justiça do Estado.


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ii. A suspensão dos prazos deve atingir os processos físicos e

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eletrônicos

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Como se demonstrou neste feito, a Portaria Conjunta do Tribunal de Justiça
do Estado do Pará ampliou a suspensão de prazos também para os processos

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eletrônicos, em razão das dificuldades vivenciadas no Estado do Pará (salas da OAB

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fechadas, lockdown, proibição de locomoção, vedação de acesso a serviços públicos

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etc).

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A suspensão dos prazos também para os processuais eletrônicos, no âmbito do
Estado do Pará cuja realidade é notória e demonstrada nestes autos, visa proteger
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toda a coletividade e atender as determinações das autoridades de saúde. O
processo eletrônico também demanda atividades, deslocamentos, diligências e
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contatos presenciais que estão absolutamente comprometidos nesse momento de


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crise sanitária que atinge o Brasil e, em grande escala, o Estado do Pará.


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Contudo, a redação do art. 1º da Resolução 318/CNJ, ao prorrogar as


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resoluções 313 e 314/CNJ, não enfrenta a situação dos prazos nos processos
eletrônicos. Pelo contrário, ao mencionar a Resolução 314/CNJ, a nova Resolução
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deixa a entender que, quanto aos eletrônicos, o prazo voltou a fluir a partir do dia
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04.05.2020.
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Logo, o direito líquido e certo defendido neste mandamus resta ainda


presente e mais evidenciado, tendo em vista a necessidade de intervenção desse
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Pretório Excelso no sentido de ser garantida a autonomia do Estado e do próprio


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Tribunal de Justiça em relação à suspensão dos processos físicos E


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ELETRÔNICOS, no âmbito de todo o seu território, desta feita até o dia


31.05.2020.
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Esta é a única interpretação a ser feita, garantindo-se a segurança jurídica,
isonomia e previsibilidade ao jurisdicionado e, acima de tudo, preservando-se a

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saúde de toda a coletividade e salvaguardando-se a gestão administrativa do
Tribunal de Justiça do Estado do Pará no que respeita à organização dos atos,

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prazos e, enfim, a própria gerência do sistema de Justiça Local.

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iii. Suspensão dos prazos de Processos Físicos e Eletrônicos em todo o

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Estado do Pará e não apenas nos Municípios atingidos pelo Decreto
de Lockdown
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No âmbito do Estado do Pará, o Decreto 729/20 estabeleceu o lockdown na


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Capital e em alguns Municípios do Estado, como demonstrado na peça de ingresso.


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Contudo, pela leitura dos arts. 2º e 3º da Resolução 318/CNJ, não está claro se,
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como no caso do impetrante, o lockdown atinge todos os processos em tramitação


no Estado (físicos e eletrônicos), em 1ª e 2ª Instâncias.
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A realidade local deve ser novamente demonstrada à V.Exa. A sede do


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Tribunal de Justiça é em Belém e a própria gestão administrativa da Corte


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está atingida com a restrição de locomoção advinda do Decreto Estadual


729/20.
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Há a absoluta necessidade de suspensão dos prazos de todos os processos em


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tramitação no Estado, em 1ª e 2ª Instâncias, sob pena de se colocar em risco toda


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a atividade administrativa, tendo em vista que existem dezenas de Comarcas que

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não foram atingidas pelo Decreto de Lockdown.

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Neste fulgor, a suspensão em todo o Estado é medida que se impõe, evitando-
se, acaso mantida a interpretação advinda da Resolução em comento, o verdadeiro

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caos na administração da justiça em comarcas, por vezes próximas, com

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tratamento diferenciado (uma com a suspensão e outra com a fluência normal de

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prazo processual).

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Ademais, esse tratamento processual diferenciado advindo da Resolução
318/CNJ ainda iria gerar deslocamentos, diligências e movimentação entre
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profissionais do direito entre Comarcas próximas que foram ou não atingidas pelo
Lockdown e que, em última análise, com ou sem a fluência de prazo processual.
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Portanto, a medida liminar requerida nesta ação mandamental, para consagrar


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a suspensão dos prazos de todos os processos (físicos e eletrônicos) em todas as


Comarcas do Estado e não apenas naquelas atingidas pelo lockdown é, acima de
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tudo, medida que salvaguarda a saúde pública de toda a sociedade paraense.


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iv. Manutenção da Autonomia Administrativa do Tribunal de Justiça –


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Necessidade de atendimento aos preceitos constitucionais


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Exmo. Relator, neste Mandado de Segurança demonstrou-se a violação ao


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direito líquido e certo em relação à autonomia do Estado do Pará nos atos de gestão
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da crise de saúde e também do próprio Tribunal de Justiça do Estado, quanto aos


procedimentos internos e à própria administração da justiça e dos órgãos a ele
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vinculados.
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Contudo, em no mínimo duas passagens, a Resolução 318/CNJ mantém a
violação ao direito líquido e certo da Corte Local. Como mencionado na peça de

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ingresso, o Texto Constitucional, em seus arts. 99 e 125, consagra preceitos
voltados a garantir ao Judiciário independência e autonomia para se organizar,

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observadas, principalmente, as características regionais.

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O Tribunal de Justiça do Estado do Pará atuou, no caso concreto (Portaria

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Conjunta 08/2020), em observância de sua autonomia institucional e preocupado

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com a realidade que passa este ente federativo.
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A autonomia deve ser garantida e resguardada por esse C. STF, tendo em
vista que as situações fáticas envolvendo a contaminação advinda do Covid-19 são
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de extrema rapidez e necessitam de análise imediata pelos gestores da Corte, em


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relação à suspensão ou mesmo o restabelecimento dos prazos processuais (em


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processos físicos e eletrônicos) em algumas regiões do Estado.


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Contudo, os art. 2º e 3º da Resolução 318/CNJ são flagrantemente violadores


dessa autonomia administrativa do Tribunal de Justiça, ao vincularem a gestão
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administrativa local ao Decreto da Autoridade Executiva ou mesmo à autorização


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do Conselho Nacional de Justiça.


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Exmo. Relator, a fundamentação maior deste mandado de segurança


envolve exatamente a previsão constitucional de autonomia administrativa do
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Tribunal de Justiça que deve ser resguardada, especialmente nesse período de


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grave crise de saúde que a sociedade brasileira está enfrentando.


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Logo, os arts. 2º e 3º são flagrantemente inconstitucionais em razão dos

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impedimentos de atuação lá contidos.

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De mais a mais, a matéria ligada ao prazo judicial foge da atribuição
constitucional prevista no art. 103-B, da Constituição Federal e envolve análise

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interna de cada Tribunal. Logo, além da inconstitucionalidade clara e manifesta, a

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Resolução 318/CNJ afeta competência privativa de cada órgão do sistema de

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justiça nacional.

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Além disso, estes arts. 2º e 3º da Resolução 318/STF geram precedentes que
afrontam a independência do Poder Judiciário Estadual e o próprio Pacto
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Federativo. Tudo isso provoca a necessidade de imediata intervenção dessa C.
Corte, como requerida neste remédio constitucional.
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Como consequência, esses dispositivos violam o princípio da separação de


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poderes e o pacto federativo, ao retirar a autonomia do Poder Judiciário Estadual


previsto consagrado no Texto Constitucional.
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Aliás, Exmo. Relator, além da manutenção do interesse processual em


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relação à medida liminar e à concessão da segurança, há a absoluta


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necessidade de decretação, incidenter tantum, de inconstitucionalidade


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destes dois dispositivos, reconhecendo-se, com isso, absoluta independência


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e autonomia do Tribunal de Justiça do Estado na gestão administrativa,


especialmente aquelas ligadas às situações que possam gerar a necessidade
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de ampliação das medidas de suspensão de prazos processuais no âmbito das


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diversas Comarcas do Estado, independentemente da Decretação de


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lockdown e da autorização do CNJ.


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Enfim, devem ser garantidas, nos termos da Constituição Federal de 1988, a

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autonomia e independência administrativa do Tribunal de Justiça na gestão da
crise de saúde pública advinda do Covid-19, sem as amarras dos arts. 2º e 3º da

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Resolução 318/CNJ.

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Em face de todo o exposto, restando demonstrada a manutenção de

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interesse processual mesmo com a publicação da Resolução 318/CNJ, pugna o

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Estado do Pará pela concessão de medida liminar, em caráter de urgência,

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inaudita altera pars, para suspender os efeitos da decisão do Conselho

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Nacional de Justiça que determinou a suspensão dos atos oriundos do Tribunal
de Justiça do Estado do Pará (Portaria Conjunta nº 08/2020- GP/VP/CJRMB/CJCI)
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e, por consequência, também atingindo a Resolução 318/CNJ nos aspectos aqui
impugnados.
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Brasília, 07 de maio de 2020.


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:0 -M

JOSÉ HENRIQUE MOUTA ARAÚJO


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Procurador do Estado
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