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TJPA - 2º Grau

PJe - Processo Judicial Eletrônico

29/07/2020

Número: 0808289-58.2019.8.14.0000
Classe: AGRAVO DE INSTRUMENTO
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma de Direito Público
Órgão julgador: Desembargadora ROSILEIDE MARIA DA COSTA CUNHA
Última distribuição : 27/09/2019
Valor da causa: R$ 0,00
Processo referência: 0838206-92.2019.8.14.0301
Assuntos: Licença Capacitação (Aperfeiçoamento Profissional)
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
ESTADO DO PARA (AGRAVANTE)
KAIO CESAR VILHENA RABELO (AGRAVADO) WINDERSON DA SILVA NUNES (ADVOGADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
2443700 18/11/2019 Decisão Decisão
19:41
AGRAVO DE INSTRUMENTO PROCESSO Nº: 0808289-58.2019.8.14.0000
AGRAVANTE: ESTADO DO PARÁ
PROCURADOR: DIOGO DE AZEVEDO TRINDADE
AGRAVADO: KAIO CESAR VILHENA RABELO
ADVOGADO: WINDERSON DA SILVA NUNES- OAB/SE 5.059
RELATORA: DESEMBARGADORA ROSILEIDE MARIA DA COSTA CUNHA

DECISÃO MONOCRATICA

Trata-se de Agravo de Instrumento com Pedido de Efeito Suspensivo, interposto pelo


ESTADO DO PARÁ, em face da decisão proferida pelo MM. Juízo de Direito da 2° Vara de
Fazenda da Capital, proferida nos autos do processo n° 0838206-92.2019.8.14.0301, que
concedeu em parte a liminar, nos seguintes termos:
“Diante das razões expostas, CONCEDO EM PARTE A LIMINAR, para
determinar a imediata SUSPENSÃO dos efeitos do ato administrativo que
indeferiu o requerimento de afastamento do Impetrante sem remuneração
para participação de curso de formação da Polícia Rodoviária Federal,
permitindo, dessa forma, seu afastamento, nos moldes de seu requerimento
administrativo, do art. 92, d, da Lei Estadual nº 5.810/94, e do art. 20, §§4º e
5º, da Lei Federal nº 8.112/90.”

Insurge-se o agravante contra decisão afirmando que não há na legislação estadual


específica qualquer previsão legal para a concessão de afastamento para participar de curso de
formação decorrente de aprovação em concurso para outro cargo na Administração Pública, mas
tão somente há previsão na esfera Federal, que não se aplica no caso em tela.

Alega também que o agravado não preencheu os requisitos necessários para a


concessão da tutela e que a liminar é de cunho satisfativo.

Requer a concessão do efeito suspensivo para suspender os efeitos da decisão recorrida.


É o relatório.
Decido.
Preenchidos os requisitos de admissibilidade, recebo o presente Agravo de Instrumento,
nos termos do art. 1.015 do Novo Código de Processo Civil.
Passo a análise do pedido de Efeito suspensivo formulado pelo ora agravante:
Como se sabe, para a concessão do efeito suspensivo são necessários os
preenchimentos dos requisitos autorizadores, quais sejam fumus boni iuris e periculum in mora.

Sendo assim, faz-se necessário a presença simultânea da fumaça do bom direito, ou


seja, que o agravante consiga demonstrar através das alegações aduzidas, em conjunto com as
documentações acostadas, a possibilidade de que o direito pleiteado exista no caso concreto, e o
reconhecimento de que a demora na definição do direito poderá causar dano grave e de difícil
reparação ao demandante com um suposto direito violado ou ameaçado de leso.
Conforme consta nos autos, o agravado é servidor em estágio probatório (fls. 7 do id n°

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Número do documento: 19111310210750500000002387584
11601812 dos autos originários), sendo este um motivo pelo não deferimento da pretensão do
servidor, além do fato de que é inaplicável a Lei Federal n° 8.112/90 ao servidor público estadual.
No entanto, é importante ressaltar que no Regime Jurídico Único dos Servidores
Estaduais do Pará (Lei nº 5.810/94), consta previsão de que é possível a concessão de licença
em outras hipóteses da legislação federal específica. Vejamos:
Art. 92. O servidor será licenciado, quando:
(...)
d) em outras hipóteses previstas em legislação federal específica.”

No caso, a Lei Federal nº 8.112/90 estabelece em seu art. 20, §4° ao servidor em estágio
probatório somente poderão ser concedidas as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 81,
incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afastamento para participar de curso de formação
decorrente de aprovação em concurso para outro cargo na Administração Pública Federal.

Contudo, apesar de constar na norma que o afastamento é para a participação em curso


de formação por aprovação em concurso para outro cargo “na Administração Pública Federal”, o
entendimento jurisprudencial têm se manifestado no sentido de que autorização deve estender-se
aos cargos da esfera estadual, sob pena de configurar violação ao princípio da isonomia previsto
no art. 5º da Constituição Federal. Para corroborar com o exposto, colaciono os seguintes
julgados:
AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. LICENÇA
REMUNERADA DE SERVIDOR EM ESTÁGIO PROBATÓRIO PARA
PARTICIPAR DE CURSO DE FORMAÇÃO EM VIRTUDE DE
APROVAÇÃO EM OUTRO CONCURSO PÚBLICO. AUSÊNCIA DE
PREVISÃO LEGAL NA LEI ESTADUAL 5.810/94. APLICAÇÃO
SUBSIDIÁRIA DA LEI FEDERAL 8.112/90 POSSIBILIDADE.
INTELIGÊNCIA DO ART. 20, §§4º E 5º(...)
(2177653, Não Informado, Rel. LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO, Órgão
Julgador 2ª Turma de Direito Público, Julgado em 2019-08-26, Publicado em
2019-09-06)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URGÊNCIA. SERVIDOR


ESTADUAL. LICENÇA REMUNERADA. PARTICIPAÇÃO EM CURSO DE
FORMAÇÃO POR APROVAÇÃO EM CORNCURSO PÚBLICO. ESTÁGIO
PROBATÓRIO. PREVISÃO EM LEI FEDERAL. APLICABILIDADE.
PERMISSIVO NA LEI ESTADUAL. FUNGIBILIDADE ENTRE
SERVIDORES DA UNIÃO E ESTADOS. POSSIBILIDADE.
PRECEDENTES DO STJ. DECISÃO MANTIDA(...)
(2118919, Não Informado, Rel. CELIA REGINA DE LIMA PINHEIRO, Órgão
Julgador 1ª Turma de Direito Público, Julgado em 2019-08-12, Publicado em
2019-08-22)

Pelo exposto, INDEFIRO o efeito suspensivo requerido no presente agravo de


instrumento.
Oficie-se ao Juízo de primeira instância, comunicando-lhe do teor desta decisão.
Intime-se o agravado para que apresente contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias,

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consoante o art. 1.019, inc. II, do CPC/2015, facultando-lhe juntar cópias das peças que entender
necessárias.
Encaminhe-se os autos para o Ministério Público, objetivando parecer.
Após, com ou sem manifestação, retornem os autos conclusos para ulteriores de direito.
Belém/PA, 13 de novembro de 2019.

ROSILEIDE MARIA DA COSTA CUNHA


Desembargadora Relatora

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