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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARA

PROCESSO: 0033207-13.2011.8.14.0301
SECRETARIA UNICA DAS VARAS DA FAZENDA DA
PROTOCOLO: 2019.02452571-38 ...
CLASSE: PET/Ç40 CÍVEL
ES DATA DA ENTRADA: 17/06/2019 10:54:33
ENVOLVIDOS.:
MINI:
AUTOR:
SINDICATO DOS SERVIDORES DO MINIS
Promotoria de Justiça de /
ORd .
20190245257138
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PROCESSO N°0033207-13.2011.8.14.0301 . ovè;'\

PROCEDIMENTO COMUM

AUTOR: SINDICATO DOS SERVIDORES DO MINISTÉRIO


PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ-SISEMPPA

REQUERIDO:ESTADO DO PARÁ

RELATÓRIO

Versam os presentes autos sobre pedido de majoração de


percentual de Adicional de Periculosidade de 10% para 30%, a ser
contado retroativamente da data de posse de cada servidor auxiliar
de manutenção do Ministério Público do Estado do Pará,
concursados e ativos; inativos; pensionistas ou exonerados no
período no cargo. Além do pedido alternativo de se ver reconhecido
o valor de 10% desde a exposição ao perigo.

Aduz na inicial, que em 2009, foi realizada uma perícia pela


SEAD, a fim de se saber se era devido o Adicional de Periculosidade
aos auxiliares de serviços de manutenção elétrica. Em 20 de outubro
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de 2010, foi concluída a inspeção e comunicado ao MPPA do


resultado da perícia, que expôs ser devida referida vantagem aos
servidores que trabalhão com a manutenção.

Informam, que de acordo com a SEAD, esses deveriam receber


30% do Adicional e não somente 10% como já estavam sendo-lhes
pago pelo Órgão.

Recorreram administrativamente, mas não lograram êxito com


o recurso. Inconformados, ingressaram com a presente ação.

Em Contestação, o Estado do Pará consolida a tese de que não


cabe ao Sindicato propor demanda em relação aos servidores
exonerados pois que já não pertencem ao Quadro do MPPA; que em
relação aos servidores inativos ou pensionistas, o IGEPREV é que
detêm legitimidade para efetuar o pagamento desses, tornando
ilegítimo passivamente AD CAUSAM o requerido; a prescrição e a
inexistência do direito nos termos pleiteados na inicial, conforme faz
parte integrante deste parecer.

Compulsando os autos, constatamos que às fls. 140 a 142,


contém um parecer interlocutório com requerimento ao final, para que
se chamasse o IGEPREV para compor a lide, caso assim o
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entendesse. O que de fato o fez. Impugnou a legitimidade do


Sindicato e demais pedidos expostos na inicial.

PARECER

Como já colocado no parecer preliminar, através do Processo


n° 007/2013- CPJ, de 2 de julho de 2013, o Colégio de Procuradores
deliberou pelo conhecimento e provimento do recurso contra a
decisão que indeferiu o pedido de majoração do adicional de
periculosidade pelo PGJ. Através do ACÓRDÃO N° 008/2013 — CPJ
publicado no Diário Oficial n°32436, de 11/7/2013, foi aumentado o
percentual de 10% para 30% do Adicional de Periculosidade dos
servidores do Ministério Público que trabalham como Auxiliar de
Manutenção, responsáveis pela manutenção elétrica do MPPA
(fls.136 a 139). Inclusive, há nestes autos, prova que se faz através
de contracheque de servidor que já recebe referida vantagem no
percentual requerido (fls.146).

Deste modo, reconhecido o direito pela Administração Pública,


nada mais temos a discutir.

Resta agora, analisar os pedidos seguinte:


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1-Se cabe o Direito de recebimento da vantagem por parte dos,


inativos, pensionistas e exonerados.

Entendemos que, consoante o que dispõe o art. 186, § 2° da


Lei n° 8.112, de 11.12.1990, o Adicional de Periculosidade não é
incorporável aos proventos de aposentadoria por falta de amparo
legal. Encontramos semelhante dispositivo expresso no RGU Lei n°
5.810/94, em seu art. 129, a saber:

Art. 129 - O adicional pelo exercício de atividades penosas,


insalubres ou perigosas será devido na forma prevista em lei federal.
Parágrafo Único - Os adicionais de insalubridade, periculosidade,
ou pelo exercício em condições penosas são inacumuláveis e o seu
pagamento cessará com a eliminação das causas geradoras, não
se incorporando ao vencimento, sob nenhum fundamento.
O Decreto Estadual n° 2.485/94, ainda em pleno vigor,
disciplina a concessão do adicional de periculosidade previsto no
artigo e Lei acima, e estabelece que:
Art.4° - Cessará o pagamento dos adicionais disciplinados
neste Decreto com o desaparecimento das condições ou riscos
que deram causa à sua concessão, vedada a incorporação do
adicional ao vencimento do servidor.
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Assim, a proibição de incorporação aos vencimentos é taxativa.


E logo se compreende, que nos proventos de aposentadoria ou
pensão, não pode constar referida verba, por absoluta falta de
amparo legal.
Deste modo, não cabe o direito de recebimento do Adicional de
Periculosidade, nem pelos inativos, nem pelos aposentados e muito
menos pelos exonerados; pois que sequer integram os quadros de
servidores da Administração Pública.
2-Se cabe o recebimento do adicional retroativamente, desde a
data da posse de cada servidor.
Sem razão os autores.
Isto porque, em 11 de abril de 2018, decidindo o PUIL (Pedido
de Uniformização de Interpretação de Lei) 413, o Superior Tribunal
de Justiça concluiu que o termo inicial do adicional deve ser fixado
na data do laudo pericial. Abaixo, decisões jurisprudenciais sobre a
questão:
PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA.

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE.

RECONHECIMENTO PELA ADMINISTRAÇÃO. RETROAÇÃO


"ribice'À

st,

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DOS EFEITOS DO LAUDO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES

DO STJ. INCIDENTE PROVIDO.

1. Cinge-se a controvérsia do incidente sobre a possibilidade

ou não de estender o pagamento do adicional de insalubridade

e periculosidade ao servidor em período anterior à formalização

do laudo pericial. 2. O artigo 6° do Decreto n. 97.458/1989, que

regulamenta a concessão dos adicionais de insalubridades,

estabelece textualmente que Ia] execução do pagamento

somente será processada à vista de portaria de localização ou

de exercício do servidor e de portaria de concessão do

adicional, bem assim de laudo pericial, cabendo à autoridade

pagadora conferir a exatidão esses documentos antes de

autorizar o pagamento." 3. A questão aqui trazida não é nova.

Isso porque, em situação que se assemelha ao caso dos autos,

o Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido no

sentido de que "o pagamento de insalubridade está


fl

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condicionado ao laudo que prova efetivamente as condições

insalubres a que estão submetidos os Servidores. Assim, não

cabe seu pagamento pelo período que antecedeu a perícia e a

formalização do laudo comprobatório, devendo ser afastada a

possibilidade de presumir insalubridade em épocas passadas,

emprestando-se efeitos retroativos a laudo pericial atual"

(REsp 1.400.637/R5, Rel. Ministro Humberto Marfins, Segunda

Turma, DJe 24.11.2015). No mesmo sentido: REsp 1.652.391/RS,

Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 17.5.2017;

REsp 1.648.791/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda

Turma, DJe 24.4.2017; REsp 1.606.212/ES, Rel. Ministro Og

Fernandes, Segunda Turma, DJe 20.9.2016; EDcl no AgRg no

REsp 1.2844.38/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho,

Primeira Turma, DJe 31.8.2016. 4. O acórdão recorrido destoa


1
do atual entendimento do STJ, razão pela qual merece

prosperar a irresignação. 5. Pedido julgado procedente, a fim


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de determinar o termo inicial do adicional de insalubridade à

data do laudo pericial.

(STJ - PUIL: 413 RS 2017/0247012-2, Relator: Ministro

BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 11/04/2018, S1 -

PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 18/04/2018)

Ainda neste sentido:

EMENTA ADMINISTRATIVO. ADICIONAL DE

PERICULOSIDADE. TERMO INICIAL DO PAGAMENTO.

DATA DO LAUDO PERICIAL. NÃO CABE O PAGAMENTO

DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE PELO PERÍODO

QUE ANTECEDEU À PERÍCIA E À FORMALIZAÇÃO DO

LAUDO COMPROBATÓRIO, AFASTANDO-SE A

POSSIBILIDADE DE PRESUMIR-SE PERICULOSIDADE

EM ÉPOCAS PASSADAS DE MODO A EMPRESTAR


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EFEITOS RETROATIVOS A LAUDO PERICIAL ATUAL.

JURISPRUDÊNCIA DO STJ E TNU.

1. A despeito de já ter adotado entendimento diverso

acompanhando a TRU4, quanto ao termo inicial da

concessão dos adicionais de insalubridade e

periculosidade, a jurisprudência atual deste Colegiado

encontra-se alinhada ao entendimento uniformizado em

nível nacional pela TNU, a qual consolidou o entendimento

de que não cabe o pagamento do adicional de insalubridade

'pelo período que antecedeu a perícia e a formalização do

laudo comprobatório, devendo ser afastada a possibilidade

de presumir-se insalubridade em épocas passadas,

emprestando-se efeitos retroativos a laudo pericial atual'

(Pedido de Uniformização Nacional n°

500466a152ou4i furma Nacional

de Uniformização consolidou-se a partir de reiteradas

o7
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decisões do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que

o pagamento de adicional de insalubridade ou de

periculosidade a servidores públicos deve estar amparado

em laudo técnico que comprove as condições de trabalho

do servidor, não sendo devido o pagamento em período

pretérito ao reconhecimento das referidas condições. 3.

Existência de três laudo periciais, sendo um realizado em

2007 e os outros dois realizados em 2017 e 2018. Laudos

atuais corroboram o laudo anterior, de modo que não há

que se falar em retroatividade de laudo e/ou presunção de

insalubridade em épocas passadas. 4. Negado provimento

ao recurso inominado da parte ré.

(TRF-4 - RECURSO CÍVEL: 50051173020184047105 RS

5005117-30.2018.4.04.7105, Relator: RODRIGO KOEHLER

RIBEIRO, Data de Julgamento: 16/04/2019, QUINTA

TURMA RECURSAL DO RS)


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Promotoria de Justiça de Ações Constitucionais e Fcienda Púbiida

Então, como não cabe o pagamento do Adicional de


Periculosidade, antes do Laudo Pericial, mister se reconhecer que a
partir da conclusão deste, em 20/10/2010, têm-se por obrigatório o
pagamento aos servidores que dele fazem jus. Logo, como os
próprios autores esclareceram às fls. 07, que o MPPA pagou o
retroativo do Adicional concedido no percentual de 10%, desde a
data que foi requerido administrativamente, resta fazer a apuração
do restante, considerando-se desta feita, o percentual de 30%,
abatendo-se em liquidação de sentença o que já foi pago pelo MPPA.
Nestes termos, manifesto-me pelo deferimento parcial do
pedido, como exposto acima.
Belém, 12 de junho de 2019.

Dra. Oirama Brabo


Promotora de Justiça de Ações
v.oktucionais 3 Fazenda Pública
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Fazenda da CoOtal,
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