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TJPA

PJe - Processo Judicial Eletrônico

31/07/2020

Número: 0033207-13.2011.8.14.0301
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 5ª Vara da Fazenda Pública dos Direitos Difusos, Coletivos e Individuais
Homogêneos da Capital
Última distribuição : 20/09/2011
Valor da causa: R$ 100.000,00
Assuntos: Adicional de Periculosidade
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
SINDICATO DOS SERVIDORES DO MINISTERIO PUBLICO VIRGILIO ALBERTO AZEVEDO MOURA (ADVOGADO)
DO ESTADO DO PARA - SISEMPPA (AUTOR)
ESTADO DO PARA (REU)
IGEPREV - INSTITUTO DE GESTÃO PREVIDENCIÁRIA DO
ESTADO DO PARÁ (REU)
MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO PARA
(AUTORIDADE)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
17680454 15/06/2020 Sentença Sentença
14:07
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
COMARCA DA CAPITAL
5ª Vara da Fazenda Pública e Tutelas Coletivas

Processo nº 0033207-13.2011.8.14.0301
Autor: Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Estado do Pará -
Sisemppa
Réus: Estado do Pará e Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Pará -
Igeprev

SENTENÇA

1- Relato
Vistos.
O Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Estado do Pará, em
20.09.2011, ajuizou ação de cobrança e deduziu pretensão em face do Estado do
Pará.
O demandante, agindo em nome de seus filiados, substituídos processualmente,
referiu que, conforme perícia realizada pela Secretaria de Administração – Sead, foi
constata a necessidade de concessão de adicional de periculosidade aos servidores
responsáveis pela manutenção elétrica do Ministério Público, nos termos da Lei
Federal nº 7.369/85, regulamentada pelo Decreto nº 93.412 de 14.10.86.
No entanto, segundo o autor, os servidores obtiveram a concessão dessa gratificação
no patamar de apenas 10%, quando a lei prevê o percentual de 30%. Assim, depois de
tentar solucionar o imbróglio pela via administrativa, sem sucesso, o o demandante
ingressou com a presente demanda e requereu:
1) que o Estado do Pará apresente as fichas financeiras ou histórico de vencimentos
de cada um dos servidores ocupantes do cargo de Auxiliar de Serviços de
Manutenção, incluindo os efetivos, exonerados, pensionistas ou aposentados, com
demonstrativos de recebimentos desde suas posses no Órgão;
2) a majoração do adicional de periculosidade para 30%, inclusive com pagamento
retroativo;
3) alternativamente, o pagamento retroativo no percentual de 10% vigente, contado
retroativamente à data de posse de cada servidor, mais juros e correções legais,
calculados com exatidão para cada substituído processualmente, em ulterior liquidação
de sentença, descontados valores pago a este título;

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4) ou, ainda, a indenização correspondente a tais valores no percentual de 30% ou de
10%, face a omissão da Administração Pública.
Com a petição inicial, juntou documentos.
Devidamente citado, o Estado do Pará apresentou a peça de defesa que consta às fls.
111-128. Sustentou, inicialmente, a ilegitimidade ativa do sindicato autor, vez que não
pode agir em nome de pessoas que já foram exoneradas de seus cargos, pois deixou
de existir vínculo entre o servidor e a administração, de maneira que não mais
pertencem à categoria profissional representada autor. Afirmou, ainda, a sua
ilegitimidade a sua passiva, pois a demanda foi ofertada, também em defesa de
pensionistas e aposentados. Assim, o Igeprev, como órgão previdenciário, é quem
deveria ser acionado.
Alegou o demandante, também, a inépcia da petição de ingresso. Afirmou que há
obscuridade na sua redação, na medida que o autor postulou “... a majoração para
30% do adicional de periculosidade, ora o reconhecimento retroativo do patamar de
10% e, ainda, naquilo que parece pedido subsidiário, a condenação na obrigação de
indenizar ...” (sic, fl. 117).
Em seguida, o demandado suscitou a incidência do instituto da prescrição, afirmando
que a verba reclamada pelo autor tem natureza alimentar, de maneira que, nesse
caso, deve incidir a regra do art. 10 do Decreto nº 20.910/1932, o qual ressalva a
aplicação de prazos mais curtos eventualmente previstos na legislação esparsa,
sempre em benefício da Fazenda Pública. Assim, caberia aplicar ao caso, a regra do
art. 206, § 2° do CC/2002 e do art. 10 do Decreto 20.910/1932, pois se está diante de
crédito de natureza alimentar.
Quanto à tese principal, o demandado alegou que inexiste o direito pleiteado pelo
autor, já que o “... caput do art. 129 do RJU estadual faz referência à legislação
federal, mas não especificamente à Lei 7.369/85, que só se aplica ao empregado que
exerce atividade no setor de energia elétrica, situação típica daqueles que trabalham
nas etapas de produção e distribuição de energia elétrica, o que não é a situação dos
substituídos...” (sic, fl. 122).
Em seguida, sustentou que “... a Lei Federal 12.740/2012, publicada no Diário Oficial
da União de 10/12/2012 (data em que é apresentada esta defesa) - expressamente
revoga a já citada Lei 7369/85; circunstância tático-jurídica que deve necessariamente
ser ponderada na sentença...” (sic, fl. 123).
Pelo argumentado, requereu o acolhimento das preliminares ou, alternativamente, a
improcedência total dos pedidos do autor.
Réplica aditada às fls. 131-134. Em suma, o demandante rechaçou as alegações do
réu e reafirmou os pedidos iniciais.
Intimadas, as partes apresentaram memoriais finais às fls. 138-140 (autor) e 141-142
(réu).
Em parecer, o Ministério Público requereu o chamamento do Instituto de Gestão
Previdenciária do Estado do Pará – Igeprev (fls. 150-152).
Na sequência, o juízo de origem declinou da competência e determinou a
redistribuição do feito para esta 5ª Vara de Fazenda Pública e Tutelas Coletivas (fl.
159).
Atendendo à requisição do Ministério Público, o Igeprev foi intimado e apresentou
contestação (fls. 185-219). Como preliminar, sustentou a ausência de requisitos do
autor para representação processual. Afirmou, ainda, a sua ilegimitidade em relação
aos servidores ativos. No mérito, alegou a impossibilidade de majoração do adicional
de periculosidade por serem incabíveis e inaplicáveis as mesmas regras que são
vigentes para os trabalhadores celetistas aos servidores públicos substituídos.
Ademais, o órgão previdenciário sustentou que há impossibilidade de incorporação ou
majoração do adicional para fins de aposentadoria, por ser um remuneração de
natureza transitória. Ao final, requereu o acolhimento das preliminares alegadas ou a

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improcedência da demanda no mérito.
O autor apresentou nova réplica, que consta às fls. 223-224. Em resumo, reafirmou a
existência das teses veiculadas na peça de ingresso.
Instado ao debate, o Ministério Público apresentou parecer. Em sua parte mais
expressiva alegou que “... não cabe o pagamento do Adicional de Periculosidade,
antes do Laudo Pericial, mister se reconhecer que a partir da conclusão deste, em
20/10/2010, têm-se por obrigatório o pagamento aos servidores que dele fazem jus.
Logo, como os próprios autores esclareceram às fls. 07, que o MPPA pagou o
retroativo do Adicional concedido no percentual de 10%, desde a data que foi
requerido administrativamente, resta fazer a apuração do restante, considerando-se
desta feita, o percentual de 30%, abatendo-se em liquidação de sentença o que já foi
pago pelo MPPA...” (sic, fl. 239). Ao final, manifestou-se pela procedência parcial dos
pedidos.
É o relato necessário. Decido.
2- Fundamentos
2.1 – Considerações Iniciais
Interessa consignar que o processo está apto para julgamento, uma vez que
não há necessidade de outras provas, na forma do art. 355, I do CPC.
Ressalte-se, ainda, que, considerando que o feito foi migrado do Sistema Libra
para o Sistema Pje, as numerações das folhas seguirão o padrão do documento
digitalizado.
2.1- Preliminar. Ilegitimidade ativa
Relativamente a essa questão, sob qualquer hipótese, merece acolhimento. Com
efeito, é da natureza das entidades sindicais e das associações de classe, a defesa
dos interesses jurídicos que entendem pertencer à categoria a que estejam vinculadas,
bem como a reivindicação judicial desses direitos.
O autor está constituído regularmente e, inclusive, possui registro junto ao
Ministério do Trabalho, conforme consta documento à fl. 22. Assim, não há que se falar
em ilegitimidade, neste caso, já que a pretensão veiculada afeta interesse jurídico de
uma parte dos servidores do Ministério Público Estadual.
Por tais fundamentos, rejeito a preliminar suscitada.
2.2 – Preliminar. Ilegitimidade passiva
Tanto o Estado do Pará quanto o Igeprev sustentaram que são ilegítimos para
figurarem no polo passive da lide. No entanto, as teses não merecem amparo.
Efetivamente, o Estado do Pará está legitimado em relação aos servidores ainda
ativos, ao passo que o Igeprev, sendo a autarquia previdenciária, em tese, responde
pela parte que caberia aos eventuais beneficiários que foram aposentados, antes ou
depois do ajuizamento da ação, bem como os pensionistas vinculados esses
servidores aposentados.
Rejeito, pois, a preliminar invocada pelos réus.
2.3 – Preliminar. Inépcia da petição inicial
Quanto à inépcia da petição de ingresso, trata-se de argumento que, tal como os
demais, não merece prosperar. Com efeito, não se deve exigir que todas as peças
judiciais sejam exibam um primor de texto, mas apenas que delas seja possível extrair
todos os elementos necessários para se entender a causa de pedir e os pedidos, que
deverão estar de acordo com a narrativa dos fatos.
No caso presente, assimilo que a petição descreve razoavelmente a situação
fática e apresenta pedidos coerentes com o direito que os substituídos imaginam
possuir, estando em consonância com o art. 282 do CPC.
Rejeito, assim, também essa alegação preliminar.
2.4- Prejudicial de mérito. Prescrição
Quanto à alegação de prescrição, assimilo que não merece prosperar.
O pedido do demandante tem por finalidade obter o pagamento de supostas

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diferenças salariais, na forma de adicional de periculosidade. Esse tipo de verba, como
é bem sabido, tem a natureza jurídica típica de um direito diferido, ou seja, aquele
cujo exercício se protrai ao longo do tempo. Dessa maneira, enquanto não pacificada a
questão posta em Juízo, enquanto não reconhecido - ou mesmo rejeitado - o pedido
de pagamento a maior do adicional, a situação de fato permanecerá latente, visto que
(em tese) o direito do autor, a cada mês, estaria sendo maculado.
O adicional aos vencimentos, ora reivindicado, cuida de um direito de trato
sucessivo, de maneira que a prescrição somente atingiria as parcelas mais antigas.
Assim, eventualmente, apenas incidirá a prescrição quinquenal sobre as parcelas
vencidas nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, consoante a norma do
art. 1º do Decreto 20.910/32, que estipulou o regramento geral do prazo prescricional
para a cobrança de débitos contra a Fazenda Pública.
Diante disso, rejeito a alegação de prescrição.
2.3 – Mérito
Conforme consta do parecer do Ministério Público, em 02.07.2013, o Colégio
do Procuradores daquele órgão decidiu por majorar o percentual referente ao adicional
de periculosidade de 10% para 30% (Acórdão nº 008/2013). Denota-se, assim, que,
como o órgão empregador (Ministério Público Estadual) reconheceu como devido o
aumento do percentual da gratificação de periculosidade, com base na lei federal que
rege a matéria, trata-se, esse ponto do debate, de uma questão incontroversa.
No entanto, o autor requereu o pagamento retroativo da diferença dos valores,
antes do reconhecimento do aumento de 10% para 30%, aos servidores que exerciam
atividades tidas como perigosas.
Todavia, não se poderia ter como fundamento para alavancar o percentual de
10% para 30% a Lei Federal nº 7369/85, visto que o art. 1º dessa legislação
preconizava, de modo claro e explícito, que essa a norma era aplicável ao “
empregado que exerce atividade no setor de energia elétrica, em condições de
periculosidade”, o qual, por esse motivo, teria direito “a uma remuneração adicional de
trinta por cento sobre o salário que perceber”.
Infere-se desse regramento que não caberia aplicar, por analogia, o mesmo
dispositivo aos servidores do Ministério Público Estadual – MPE que labutam nos
serviços de manutenção elétrica, visto que os empregados do setor de energia elétrica
compõem uma categoria profissional muito específica, qual seja, a dos eletrecitários,
cuja atividade é distinta daquela exercida pelos servidores do MPE, os quais, antes de
tudo, são servidores públicos civis.
Portanto, com apoio em uma legislação bastante específica, eis que
destinada a um tipo próprio de empregado, não caberia aplicar, desde 2010, o
percentual de 30%, tal como reclamado pelo autor.
Contudo, com o advento da Lei Federal nº 12.740/2012, em 08.12.2012, foi
revogada a Lei Federal nº 7.369/85. Portanto, vale destacar o que consta do art. 1º da
nova legislação que:
Art. 1º O art. 193 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº
5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar com as seguintes alterações:
" Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação
aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos
de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do
trabalhador a:
I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica;
II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança
pessoal ou patrimonial. (sem grifo no original)

Dessa maneira, o adicional de periculosidade ganhou outra dimensão e passou


a ser devido não apenas aos empregados do setor de energia elétrica, mas a todos

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que trabalham em atividades tidas como perigosas e que, por sua natureza ou
métodos de trabalho, estejam sob risco acentuado em virtude de exposição
permanente, tais como, aqueles que trabalham com “energia elétrica”.
A partir dessa referência normativa resta evidente que, antes do advento da Lei
Federal nº 12.740/2012, que alterou o art. 193 da CLT, não se poderia cogitar da
aplicação do adicional de periculosidade no percentual de 30%, com base na Lei
Federal nº 7369/85 de maneira indistinta, a todo e qualquer trabalhador, mas somente
àqueles que exerciam atividades na condição de empregados do setor de energia
elétrica.
Assim, aos servidores públicos estaduais, como é o caso das pessoas
defendidas pelo autor, a “lei federal” a ser aplicada por analogia – até o advento da
referida legislação - era a Lei nº 8.270/91, que reconheceu como devido aos servidores
públicos da União os adicionais de insalubridade e de periculosidade, conforme
abaixo:
Art. 12. Os servidores civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais
perceberão adicionais de insalubridade e de periculosidade, nos termos das normas legais e
regulamentares pertinentes aos trabalhadores em geral e calculados com base nos seguintes
percentuais:
I - cinco, dez e vinte por cento, no caso de insalubridade nos graus mínimo, médio e máximo,
respectivamente;
II - dez por cento, no de periculosidade.
§ 1° O adicional de irradiação ionizante será concedido nos percentuais de cinco, dez e vinte por
cento, conforme se dispuser em regulamento.
§ 2° A gratificação por trabalhos com Raios X ou substâncias radioativas será calculada com
base no percentual de dez por cento.
§ 3° Os percentuais fixados neste artigo incidem sobre o vencimento do cargo efetivo.
§ 4° O adicional de periculosidade percebido pelo exercício de atividades nucleares é mantido a
título de vantagem pessoal, nominalmente identificada, e sujeita aos mesmos percentuais de
revisão ou antecipação dos vencimentos.
§ 5° Os valores referentes a adicionais ou gratificações percebidos sob os mesmos fundamentos
deste artigo, superiores aos aqui estabelecidos, serão mantidos a título de vantagem pessoal,
nominalmente identificada, para os servidores que permaneçam expostos à situação de trabalho
que tenha dado origem à referida vantagem, aplicando-se a esses valores os mesmos
percentuais de revisão ou antecipação de vencimentos. (sem grifo no original).
Diante desse panorama, antes de 08.12.2012, o pagamento do adicional de
periculosidade no percentual de 10% não era ilegal, visto que, àquele tempo, a
regra aplicável deveria ser extraída da norma federal atinente aos servidores
públicos civis federais e não àquela destinada aos empregados do setor elétrico.

Ao trilhar por esse viés interpretativo, passou a subsistir o direito ao


pagamento do adicional de periculosidade, no percentual 30%, apenas a partir de
08.12.2012. Por isso, há direito ao pagamento retroativo da diferença entre 10% e
30%, no período compreendido entre 08.12.2012 (data da nova lei federal) e
02.07.2013 (data em que o Colégio de Procuradores reconheceu o direito ao
acréscimo).
Vale esclarecer que essa diferença é devida a todos servidores que recebiam o
adicional de 10%, durante o período de incidência. Assim, mesmo que, posteriormente,
tais servidores tenham sido aposentados, o devedor continuará a ser o Estado do
Pará, pois, como visto, trata-se de verba devida em razão do exercício da atividade
laboral e que não guarda nenhuma relação com a aposentadoria.
No mais, não há que se falar no mesmo direito aos aposentados e
pensionistas, vez que esse tipo de verba (adicional de periculosidade) somente será
devido enquanto perdurar o fato gerador e, por isso, não jamais será incorporado aos

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proventos de aposentadoria, consoante a regra do art. 129 da Lei Estadual nº
5.810/94.
3 - Dispositivo
Consoante as razões declinadas, julgo parcialmente procedentes os pedidos e o
processo com resolução de mérito, na forma do art. 487, inciso I, do CPC.
Como consectário, condeno o Estado do Pará a pagar a diferença (20%) do
adicional de periculosidade, aos servidores do Ministério Público Estatual, que
exerciam o cargo de “Servidores Auxiliares de Serviços de Manutenção”, no
período compreendido entre 08.12.2012 e 02.07.2013.
Conforme assentado nos fundamentos, essa diferença é devida, também pelo
réu, aos servidores que, no período apontado, exerciam o mesmo cargo, ainda
que, posteriormente tenham sido aposentados.
Quanto ao pedido de incorporação do adicional de periculosidade, julgo-o
improcedente, nos termos da fundamentação. Dessa maneira, não recairá
qualquer dispêndio em desfavor do Igeprev.
Quanto à apresentação das fichas financeiras, trata-se de questão a ser resolvida
ulteriormente, ou seja, apenas por ocasião de eventual e futura execução.
Sem custas. Honorários pelo Estado do Pará. No entanto, como ainda não é
possível fixar o montante da condenação, o percentual relativo à sucumbência será
estipulado por ocasião da liquidação da sentença (art. 85, §4º, II do CPC).
Sem prejuízo de eventuais recursos, deverá ser observada a regra do art. 496, I
do CPC, com a remessa necessária à Superior Instância.
Publicar. Registrar.

Belém, 15 de junho de 2020.

RAIMUNDO RODRIGUES SANTANA


Juiz de Direito da 5ª Vara da Fazenda Pública e Tutelas Coletivas

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