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GED-72/2020 Princípios de Economia Autor Charles A.

de Souza
Disciplina Macroeconomia ORCID 0000-0003-4454-8038
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1 Introdução

O presente arquivo trata dos principais tópicos abordados na primeira aula do


curso. O objetivo é reforçar o que foi apresentado em sala de aula (ou em vídeo).

Com esse propósito, a Seção 2 apresenta alguns conceitos sobre macroeconomia.


As Seções 3 e 4 trazem, respectivamente, um pequeno resumo sobre as três óticas do
produto agregado e sobre o Fluxo Circular da Renda. Elenca-se na Seção 5 algumas
questões de revisão. Este resumo não substitui o conteúdo apresentado em aula ou o
referencial bibliográfico da disciplina.

2 Conceitos de Macroeconomia
Cf. Lopes et al. (2018,
Economia: uma ciência da escassez. p. 1-2) e Mankiw
(2010, p. 3-14).

“A palavra ‘economia’, na Grécia Antiga, servia para indicar a administração da


casa, do patrimônio particular, enquanto a administração da polis (cidade-estado) era
indicada pela expressão ‘economia política”’ (SANDRONI, 1999).

A macroeconomia é o “estudo da economia como um todo agregado” (MANKIW,


2010, p. 447).

“Em termos gerais, pode-se definir a macroeconomia como a área de economia


que estuda comportamento das denominadas variáveis macroeconômicas como o produto
interno de um país (ou o Produto Interno Bruto), a inflação, o desemprego, a taxa de
câmbio, a taxa de juros etc [...]” (LOPES et al., 2018, p. 1).

É a partir desses conceitos que o objeto de estudo de um macroeconomista se


torna inteligível. A macroeconomia enfoca problemas inerentes à coleta e à análise de
dados econômicos não experimentais (dados observáveis), ou seja, os macroeconomistas
coletam informações sobre as variáveis supracitadas em diferentes períodos do tempo e
propõem teorias para explicar o comportamento delas.

“Embora a atribuição de formular políticas econômicas caiba aos líderes das


grandes potências mundiais, a tarefa que diz respeito a explicar o modo como funciona a
economia, como um todo, fica a cargo dos macroeconomistas” (MANKIW, 2010, p. 3).

Escassez

A escassez decorre de recursos limitados, enquanto os indivíduos têm desejos ilimitados. Esse é
um problema persistente ao longo do tempo. Ter menos recursos produtivos agravará os problemas
de escassez. A introdução de novos bens pode mudar as demandas, mas isso apenas realocará a
escassez, em vez de aliviá-la. Embora demandas e expectativas reduzidas não eliminem o problema
da escassez, isso torna-la-á menor, pois as demandas estarão mais próximas da capacidade da
economia.
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3 O produto agregado sob as três óticas


Cf. Lopes et al. (2018,
O Produto Interno Bruto (PIB) refere-se ao valor agregado de todos os bens e p.2- 6) e Mankiw (2010,
serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país durante um intervalo p. 16-18).
de tempo (geralmente três meses ou um ano), independentemente da nacionalidade dos
proprietários das unidades produtoras desses bens e serviços. O PIB é medido a preços
de mercado e pode ser calculado sob três óticas.

3.1 Ótica do produto

Pela ótica da produção, o PIB corresponde à soma dos valores agregados líquidos
dos setores primário, secundário e terciário da economia, mais os impostos indiretos, mais
a depreciação do capital, menos os subsídios governamentais.

E.g.,

∑ pi × qi = psoja × qsoja + ... + pautomóvel × qautomóvel + ... + pbilhete viagem × qbilhete viagem
p = preço e q = quantidade.

Depreciação

Redução do valor ativo em consequência de desgaste pelo uso, obsolescência tecnológica ou queda
no preço de mercado, geralmente de máquinas, equipamentos e edificações.

Outra forma de mensurar o PIB sob essa ótica é através da soma do valor adicio-
nado na produção. Ou seja, considera-se o valor efetivamente adicionado pelo processo
de produção em cada unidade produtiva.

PIB pm = ∑ Valor Adicionado = Valor Bruto da Produção (VBP)−Consumo Intermediário

VBP = Produção + Imposto sobre Produto

O valor da produção de uma empresa menos o valor dos bens intermediários que
a empresa adquiriu, veja o exemplo.

Para fins didáticos, considera-se que em uma determinada economia exista so-
mente uma cadeia produtiva, destinada à produção final de pão.

1. No ano X a empresa do setor 1 produziu sementes no valor de $100 e vendeu-as à


empresa do setor 2.

2. No mesmo ano, a empresa do setor 2 produziu trigo no valor de $300.


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3. Posteriormente, a empresa do setor 3 comprou o trigo da empresa do setor 2 por


$300 e vendeu farinha de trigo à empresa do setor 4 por $750.

4. A empresa do setor 4 vendeu aos consumidores o total de pães produzidos no ano


em referência por $1.000.

O PIB dessa economia corresponde à soma dos valores adicionados que é exata-
mente o valor da produção do único bem final.

Figura 1: Valores adicionados no processo de fabricação de pães

Setor Receita de venda Compra intermediária Valor adicionado


Semente 100 0 100
Trigo 300 100 200
Farinha 750 300 450
Pão 1.000 750 250
Total 1.000
Fonte: o autor (2020).

O valor final do pão corresponde à soma dos valores adicionados em cada etapa
produtiva.

Evidentemente, o PIB de uma economia é formado por uma rede complexa de


atividades econômicas.1 No Brasil, o IBGE apresenta trimestralmente os valores adiciona-
dos da economia, valores correntes e os índices de volume, no relatório do Sistema de
Contas Nacionais Trimestrais – SCNT. Como exemplo, as figuras a seguir evidenciam o
valor adicionado dos grandes setores da economia brasileira – agropecuária, indústria e
serviços – em valores nominais e reais entre 2010 e 2017.

Figura 2: Valores adicionados dos grandes setores

4000
4000

3000
3000
R$ Bilhão

R$ Bilhão

2000
2000

1000
1000

0
2010 2012 2014 2016 2010 2012 2014 2016

Agropecuária Indústria Serviços Agropecuária Indústria Serviços

(a) PIB Nominal (b) PIB Real

Fonte: elaborada pelo autor com dados do IBGE (2019).

1 Cf. Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).


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3.2 Ótica da renda

Pela ótica da renda, o PIB é calculado a partir das remunerações pagas dentro do
território econômico de um país sob a forma de salários, juros, aluguéis e lucros distribuí-
dos; somam-se a isso os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do
capital e, finalmente, subtraem-se os subsídios.

Fatores de produção e as respectivas remunerações

• Mão-de-obra → Salários (w)


• Capital (financeiro) → Juros ( j)
• Terra (recursos naturais)/Capital físico → Aluguéis (a)

Alguns autores conceituam também:

• Capacidade empresarial (organização da produção) → Lucros (l)


• Capacidade tecnológica (invenção, inovação e operação) → Royalties

Em outras palavras, o PIB pela ótica da renda é medido pela soma dos rendimentos
obtidos no processo de produção, ou seja:

Y = w + j + l + a + royalties

Figura 3: Distribuição do produto entre os fatores de produção


Produto Agregado (Y) = 1.000
Salário (w) = 300
Juros (j) = 300
Lucros (l) = 200
Aluguéis (a) = 100
Royalties = 100
Total = 1.000
Fonte: o autor (2020).

O IBGE explicita essas variáveis de modo diferente:

• remunerações dos empregados;

• excedente operacional bruto;

– saldo resultante do valor adicionado deduzido das remunerações pagas aos em-
pregados, do rendimento misto e dos impostos líquidos de subsídios incidentes
sobre a produção;

• rendimento misto;
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– remuneração recebida pelos proprietários de empresas não constituídas em


sociedade (autônomos) que não pode ser identificada separadamente se pro-
veniente do capital ou do trabalho;

• impostos, líquidos de subsídios, sobre produção e importação.

A Tabela 1 demonstra a participação dos componentes do PIB do Brasil pela ótica


da renda nos anos de 2015 e 2016.

Tabela 1: Componentes do Produto Interno Bruto pela ótica da renda – 2015-2016

2015 2016
Componentes do PIB
R$ bilhões % R$ bilhões %
Produto Interno Bruto 5 996 100 6 267 100
Remuneração 2 672 44,6 2 802 44,7
Rendimento misto bruto 499 8,3 528 8,4
Excedente operacional bruto 1 925 32,1 2 026 32,3
Impostos, líquidos de subsídios, 899 15,0 910 14,5
sobre a produção e importação

Fonte: elaborada pelo autor com dados do SIDRA (2019).

3.3 Ótica da demanda (ou despesa)


Cf. Lopes et al. (2018,
Pela ótica do dispêndio, o PIB resulta da soma dos dispêndios em consumo das p. 4-5) e Mankiw
unidades familiares e do governo, mais as variações de estoques, menos as importações (2010, p. 48-54).
de mercadorias e serviços e mais as exportações. Sob essa ótica, o PIB é também
denominado Despesa Interna Bruta.

Estoque

“Quantidade de um bem armazenado ou em conservação (matérias-primas, combustíveis, produtos


semi-acabados ou acabados). Os bens podem ser estocados para venda, abastecimento de entressa-
fra ou simplesmente para especulação. O estoque deve ser periodicamente avaliado para possibilitar
o balanço anual de uma empresa. O volume total de estoques numa economia tende a crescer com o
produto nacional e, a curto prazo, está sujeito a flutuações conjunturais (valorização ou depreciação,
conforme o nível dos preços ou a situação cambial)” (SANDRONI, 1999).

• Consumo (C)
Bens e Serviços comprados pelos domicílios, i.e., bens não duráveis, bens
duráveis e serviços.

• Investimento (I)
Contempla a demanda da empresa por bens de capital, i.e., é o tipo de investi-
mento que cria um novo capital. No Brasil, corresponde à Formação Bruta de Capital
Fixo (FBKF), considerando a depreciação e a variação do estoque.
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• Gastos do governo (G)


São os bens e serviços comprados pelos governos federal, estadual e municipal.

• Exportações líquidas (X-M)


Stricto sensu, essa diferença representa o saldo do Balanço de Pagamento em
Transações Correntes, ou seja, o saldo da balança comercial, de serviços, a renda
primária e a renda secundária. Cf. Lopes et al. (2018, p. 8).

Tudo que foi


Tudo que foi
despendido em
despendido em
bens de consumo
bens de consumo
final pelas famílias
final pelo governo
Y=C+I+G+(X-M)
Tudo que foi Tudo que foi
despendido com despendido pelos
a aquisição de bens estrangeiros em bens
de capital e construção produzidos no país menos
o que foi despendido pelos
residentes com bens importados.

O consumo da famílias é a variável mais relevante da demanda agregada. A Figura


4 evidencia a participação dos diferentes grupos de produtos que compõem essa variável.

Figura 4: Participação dos grupos de produtos no consumo final das famílias (%) 2016

6.3%
3.8%

13.6% 18.5%
5.1%

10.1% 13.1%

26%
3.5%

Artigos de residência Saúde e cuidados pessoais Despesas pessoais

Transportes Alimentação e bebidas Habitação

Vestuário Educação Comunicação

Fonte: elaborada pelo autor com dados do IBGE (2019).

A Figura 5 demonstra a variação do consumo final das famílias, segundo grupos


de produtos. É possível verificar o arrefecimento do consumo. Dentre os grupos que mais
contribuíram para essa queda destacam-se os grupos: Transportes (-8,1%), Alimentação
e bebidas (-3,3%) e Artigos de residência (-10,9%).
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Figura 5: Variação em volume do consumo final das famílias, segundo os grupos de produtos (%) 2016
5
0
−5
−10

Comunicação

Habitação

Despesas pessoais

Educação

Alimentação

Total

Saúde

Vestuário

Transportes

Artigos de residência
Fonte: elaborada pelo autor com dados do IBGE (2019).

A Formação Bruta de Capital Fixo consiste em bens adquiridos para produção


futura. A Figura 6 demonstra os componentes do investimento, segundo o IBGE, nos anos
de 2010 e 2016.

Figura 6: Componentes da formação bruta de capital fixo (%) – 2010-2016

2010 2016

1.9% 2%

9.4%
11.6%

49.8% 53.7%
38.9% 32.6%

Máquinas e equipamentos Produtos de propriedade intelectual

Construção Outros ativos fixos

Fonte: elaborada pelo autor com dados do IBGE (2019).


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Síntese

Produto Agregado = soma dos valores adicionados em cada etapa do processo produtivo
Produto Agregado = renda agregada = salário + juros + lucros + aluguéis + royalties
Produto Agregado = demanda agregada = consumo + investimento + gastos do governo + exportações
- importações
Poupança total da economia = investimento total da economia

3.4 Outras especificações para o Produto (Renda)

“Lembrando que o termo ’produto’ pode ser substituído pela palavra ’renda”’ (LO-
PES et al., 2018, p. 7).

O PIB mede o total da renda produzida internamente. Já o Produto Nacional Bruto


(PNB) mensura a renda total ganha pelos chamados nacionais (residentes de uma nação).

Temos:
Receita Líquida Enviada ao Exterior (RLEE) = renda enviada ao exterior - renda recebida do exterior

PIB = PNB + RLEE

Logo, se a renda enviada ao exterior > renda recebida do exterior, o PIB do país é
maior do que o PNB. Os países desenvolvidos costumam ter PNB maior que o PIB. No
Brasil, o PNB é menor que o PIB, uma vez que a RLEE é positiva, ou seja, envia-se mais
recurso ao exterior do que se recebe.

Para obter o Produto Nacional Líquido (PNL), subtraímos a depreciação do capital.

PNL = PNB − Depreciação

Outro conceito importante que caracteriza o Produto diz respeito à remuneração


dos fatores de produção, isto é, Produto a custo de fatores (cf). No caso do PNB, teríamos
o PNBc f quando mensuramos o PNB sem considerar os impostos indiretos e os subsídios.
Se levarmos em conta essas variáveis, teríamos o PNB a preço de mercado (pm). Logo:

PNB pm = PNBc f + impostos indiretos - subsídios


Assim, há várias combinações possíveis. e.g., PIB pm , PIBc f , PIL pm , PILc f ...

Para compreender mais plenamente esses conceitos, convém recorrer à represen-


tação do PIB por meio do Fluxo Circular da Renda.
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4 Fluxo Circular da Renda


Cf. Lopes et al. (2018,
Pressupostos iniciais p. 6) e Mankiw (2010,
p. 16-20).

1. As contas procuram medir a produção corrente. Não são considerados os bens


produzidos em período anterior, apenas a remuneração do vendedor (que é a
remuneração a um serviço corrente).

2. As contas referem-se a um fluxo (normalmente um ano): os agregados correspondem


às variáveis tipo fluxo (são consideradas ao longo de um período – dimensão
temporal).

3. A moeda é neutra, no sentido de que é considerada apenas como unidade de medida


e instrumento de trocas.

Alguns exemplos de variáveis quantitativas: Fluxo e Estoque

Fluxo Estoque
Renda Patrimônio
No de pessoas que estão perdendo o emprego No de desempregados
Investimento Capital
Déficit orçamentário Dívida pública
PIB Quantidade de moeda na economia

Como mencionado, o PIB pode ser mensurado de várias formas: somando os


gastos com bens e serviços finais, somando as rendas recebidas pelos indivíduos, ou
ainda, analisando a demanda agregada da economia. De modo simples, isso significa que,
na economia, a renda gerada no curso da produção é sempre suficiente para comprar um
dado nível de PIB. Se todo o rendimento gerado for gasto, o nível de produção agregada
(PIB) será adquirido e a economia estará em equilíbrio.
Economia fechada
Considere uma economia hipotética em que há apenas dois agentes econômi- sem formação de
capital.
cos: empresas e famílias. Nessa economia simples há somente dois tipos de mercado:
Mercado de Bens e Serviços e Mercado de Fatores de Produção. O principal fornecedor
de recursos para a economia é o setor das famílias e o principal recurso que as famílias
fornecem é, evidentemente, o seu trabalho. O setor empresarial é o principal comprador
de recursos, que usam para produzir bens e serviços. Os bens e serviços são vendidos
pelas empresas às famílias no Mercado de Bens e Serviços. Essa situação é mostrada na
Figura 7.
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Figura 7: Fluxo Circular da Renda

Despesa Receita
Mercado de
Demanda por Bens e Serviços Oferta de
Bens e Serviços Bens e Serviços

Famílias Empresas

Oferta de Demanda por


Fatores de Produção Mercado de Fatores de Produção
Fatores de
Renda Produção
Despesa
Fonte: o autor (2019).

A Figura 7 é conhecida como diagrama do fluxo circular da renda e do produto.


Observe que existem dois fluxos na economia. Há um fluxo no sentido anti-horário
de recursos reais – bens e serviços. No sentido horário, há um fluxo monetário. Os
pagamentos recebidos pelas famílias pela venda dos seus recursos (fatores de produção)
representam seus rendimentos. As famílias usam suas rendas para comprar bens e
serviços. Os pagamentos feitos pelas empresas às famílias fazem parte dos custos dos
negócios. O dinheiro que as empresas recebem pelos bens e serviços que vendem às
famílias constitui o seu rendimento bruto.

Se as famílias gastarem toda a sua renda nesta economia hipotética, a economia


estará em equilíbrio. A renda que é gerada no curso da produção de bens e serviços é
suficiente para comprar todos os bens e serviços que são produzidos, garantindo que
as empresas mantenham o nível atual de produção. Se essa produção estiver em pleno
emprego, a economia permanecerá em equilíbrio, indefinidamente, no pleno emprego. Não
há razão para as empresas mudarem o seu nível de produção, uma vez que conseguem
vender todos os bens e serviços que produzem.

Pleno emprego

O pleno emprego é a situação no mercado de trabalho onde todos os aptos e dispostos a trabalhar
conseguem ocupação remunerada. Em outras palavras, “quando o produto agregado está abaixo
do produto de pleno emprego, dizemos que existe desemprego, em geral representado pelo desem-
prego de mão de obra. Quando está acima, dizemos que a economia opera em uma situação de
superemprego” (LOPES et al., 2018, p. 7).

Economia fechada
Compreendido esse processo, convém acrescentar algumas complicações em com formação de
nosso modelo. É razoável supor que as famílias não gastam toda sua renda. Elas podem, capital.
por vários motivos, poupar parte de sua renda. Na medida em que os agregados familiares
poupam, constitui uma fuga de recursos do fluxo circular de gastos. Esse “vazamento” é
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representado na Figura 8 por uma seta que leva ao setor doméstico.

Figura 8: Fluxo Circular da Renda com poupança

Despesa Receita
Mercado de
Demanda por Bens e Serviços Oferta de
Bens e Serviços Bens e Serviços

Famílias Empresas

Oferta de Demanda por


Fatores de Produção Mercado de Fatores de Produção
Fatores de
Renda Produção
Despesa

Poupança
Fonte: o autor (2019).

Será que essa nova variável é um problema para nossa economia hipotética?
Se os agregados familiares decidirem poupar parte dos seus rendimentos, os gastos
deixarão de ser suficientes para comprar todos os bens e serviços produzidos pelas
empresas. As famílias ainda recebem renda suficiente para comprar toda a produção da
economia, mas optam por poupar parte de sua renda. Ou seja, parte da produção não
será vendida. Como as empresas reagirão a essa situação? Há três possibilidades: elas
podem estimular a demanda reduzindo os preços, reduzir sua produção ou, o que é mais
provável, a combinação das duas. Se a produção é reduzida, menos trabalhadores são
empregados, surge o desemprego involuntário.

Poupança = Investimento “ex-post”

Em uma economia fechada e sem governo teremos:


Y =C+I (1)

Poupança é a renda não consumida:


Y −C = S (2)

Combinando as equações (1) e (2) obtemos:

S=I (3)
Onde: Y = renda, C = consumo, I = Investimento e S = poupança.

Outro ponto relevante do nosso modelo é: onde as famílias alocam sua poupança?
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É provável que grande parte da renda não consumida será alocada em bancos comerciais.
Estas instituições usarão essa poupança para fazer empréstimos a outras famílias e
empresas. Se o empréstimo é para outras famílias que desejam gastar mais do que sua
renda, então não haverá alteração no fluxo circular da renda. Ou seja, a redução do
consumo de uma família é compensada pelo aumento de consumo de outras famílias.

Existe também a possibilidade da empresa pedir dinheiro emprestado para comprar


bens de capital, isto é, realizar um investimento produtivo.

Investimento Produtivo (ou econômico) × Investimento Financeiro

• O investimento produtivo é um investimento direcionado para a produção de novos bens e


serviços, em geral, é o investimento em equipamentos e estruturas que serão utilizados no
processo produtivo do período seguinte.
• O investimento financeiro são aqueles alocados em carteiras ou portfólios financeiros, e.g.,
derivativos, ações, letras do tesouro, opções, fundos de investimento.

O investimento (conceituado como sinônimo de investimento produtivo em econo-


mia) pode ser considerado como uma injeção de recursos no fluxo circular. Essa injeção é
representada na Figura 9 pela seta direcionada às empresas.

Figura 9: Fluxo Circular da Renda com poupança e investimento

Despesa Receita
Mercado de
Demanda por Bens e Serviços Oferta de
Bens e Serviços Bens e Serviços

Famílias Empresas

Oferta de Demanda por


Fatores de Produção Mercado de Fatores de Produção
Fatores de
Renda Produção
Despesa

Poupança Investimento
Fonte: o autor (2019).

Observe que se o investimento das empresas (e/ou o empréstimo entre famílias)


for igual aos vazamentos ocorrido pela poupança, a economia estará em equilíbrio. Todos
os bens e serviços na economia são comprados, seja pelas famílias ou pelas próprias
empresas.
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O investimento em ativos de segunda mão não é contabilizado como investimento agregado, sendo
apenas uma transferência de ativos que se compensa: alguém “desinvestiu”. Esses bens já foram
computados no passado.

Economia fechada
Outro agente econômico relevante em uma economia é o governo. Este faz seus com governo.
próprios gastos e também cobra tributos das pessoas.

Imposto

Taxas obrigatórias pagas ao Estado, que devem reverter à coletividade sob forma de benefícios de
interesse geral.
Imposto Direto – afeta diretamente a riqueza dos contribuintes, incidindo sobre seus capitais ou suas
rendas, e depende da importância das riquezas possuídas ou das rendas ou salários recebidos, e.g.,
Imposto de Renda, IPVA, IPTU, etc.
Imposto Indireto – decorrente da produção e comercialização (geralmente, incide sobre vendas,
produtos industrializados, importação etc.), e.g., IPI, ICMS, ISS, etc.
Uma vez que, em última análise, os impostos têm de ser pagos pelas pessoas, podemos
apenas considerar o efeito dos impostos sobre os agregados familiares.

As famílias agora terão três formas de despender suas rendas: no consumo, na


poupança e no pagamento de tributos. Os dois últimos constituem fugas do fluxo circular
de gastos da economia. Mas o governo também realiza gastos (em bens e serviços) que
são acrescidos no fluxo circular de gastos. A participação do governo em nossa economia
hipotética está evidenciada na Figura 10.

Figura 10: Fluxo Circular da Renda com governo

Despesa Receita
Mercado de
Demanda por Bens e Serviços Oferta de
Bens e Serviços Bens e Serviços

Gastos do Governo

Tributos
Famílias Governo Empresas

Oferta de Demanda por


Fatores de Produção Mercado de Fatores de Produção
Fatores de
Renda Produção
Despesa

Poupança Investimento
Fonte: o autor (2019).

Economia aberta e
Para tornar o nosso exemplo um pouco menos abstrato, inclui-se agora o setor com governo.
externo. As famílias podem optar por comprar mercadorias estrangeiras, o que constituirá
outro tipo de fuga do fluxo circular. Indivíduos em outros países podem optar por comprar
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bens e serviços de nossa economia, que são injeções em nosso fluxo circular de gastos.
Essas relações estão representadas na Figura 11.

Figura 11: Fluxo Circular da Renda com setor externo

Importação Exportação
Setor Externo

Despesa Receita
Mercado de
Demanda por Bens e Serviços Oferta de
Bens e Serviços Bens e Serviços

Gastos do Governo

Tributos
Famílias Governo Empresas

Oferta de Demanda por


Fatores de Produção Mercado de Fatores de Produção
Fatores de
Renda Produção
Despesa

Poupança Investimento
Fonte: o autor (2019).

Em síntese, há agora três tipos de vazamentos do fluxo de gastos: poupança,


tributos e bens e serviços importados. Existem três tipos de injeções: investimento, gastos
do governo e bens e serviços exportados. O equilíbrio ainda requer que toda a renda seja
gasta, seja como consumo das famílias, investimento das empresas, gastos do governo ou
exportações para países estrangeiros. Se toda a renda for gasta, então toda a produção
das empresas será comprada. O gasto total será igual à produção total e a economia
estará em equilíbrio. Contudo, se a produção total exceder o gasto total, então a economia
estará em desequilíbrio, já que parte da produção não é vendida. Nesta situação, as
empresas reagirão, pelo menos parcialmente, reduzindo seu nível de produção, levando
um menor nível de emprego e um menor PIB real. No entanto, se o gasto total exceder
a produção total, então as empresas tenderão a aumentar a produção, desde que a
economia não esteja em pleno emprego, resultando em uma maior taxa de emprego e um
PIB real mais alto.
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5 Exercícios

5.1 Exercícios para revisão

1. Aponte a alternativa incorreta.


A. A microeconomia é o estudo que trata dos mercados individuais e dos tomadores
de decisão.
B. A macroeconomia é o estudo da economia como um todo, incluindo crescimento
em termos de renda, variação de preços e taxa de desemprego.
C. Capital é o estoque de equipamentos e estruturas utilizados no processo de
produção.
D. Investimento são os bens adquiridos por indivíduos e por empresas com a
finalidade de acrescentá-los a seus respectivos estoques de capital.
E. Exportações líquidas corresponde às exportações mais as importações.
2. Quais dos itens a seguir a Macroeconomia não estuda?
A. mudanças no preço das ações.
B. mudanças na taxa de desemprego.
C. mudanças no aumento do PIB real na economia.
D. mudanças na taxa de desemprego.
3. Aponte a alternativa incorreta.
A. Um crescimento em um dos fatores de produção (ou um avanço tecnológico) faz
crescer a produção.
B. O PIB corresponde ao valor adicionado de todos os produtos e serviços produ-
zidos em um país, sendo que, por valor adicionado, entende-se o valor da produção
mais o consumo intermediário
C. O PIB corresponde a renda total gerada internamente, incluindo a renda gerada
por fatores de produção de propriedade estrangeira; o gasto total com bens e serviços
produzidos internamente.
D. Inflação é o crescimento no nível geral de preço.
E. O consumo depende positivamente da renda disponível e o investimento depende
negativamente da taxa de juros real.
4. Suponhamos que um automóvel tenha sido fabricado, mas não vendido, em 2019.
O automóvel ainda poderia ser vendido em 2020. Logo, o automóvel poderia ser
considerado parte do:
A. PIB de 2019 como investimento.
B. PIB de 2020 como consumo.
C. PIB de 2020 como investimento.
D. nem do PIB de 2019 nem do PIB de 2020.
5. Uma diminuição dos impostos irá acarretar:
A. aumento da renda disponível e consequentemente expansão da demanda agre-
gada
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B. queda do consumo e consequentemente expansão da demanda agregada


C. aumento do consumo sem afetar o nível de demanda agregada
D. diminuição da renda disponível e expansão da demanda agregada
6. Com relação ao fluxo circular da renda, com dois agentes econômicos, assinale a
alternativa correta.
A. O fluxo real é caracterizado pelos pagamentos (despesas) de consumo de bens
e de serviços e pela remuneração aos serviços dos fatores de produção.
B. As famílias não fazem parte dos mercados de bens e de fatores de produção, pois
não constituem a demanda no mercado de bens nem a oferta no mercado de fatores.
C. O processo produtivo dá origem a dois fluxos distintos: o monetário (referente à
oferta e à procura dos bens e serviços) e o real (referente aos pagamentos aos fatores
de produção).
D. O fluxo circular simplificado do sistema econômico possui dois fluxos: o real e o
monetário.
E. No fluxo circular simplificado do sistema econômico com dois agentes econômicos,
a oferta de bens e serviços é tipicamente um fluxo monetário.
7. Um aumento em qual dos seguintes itens NÃO aumentará a produção?
A. Mão de obra
B. Maquinário
C. Terra
D. Recursos naturais
E. Dinheiro
8. Uma redução dos gastos do governo significa:
A. um aumento da demanda agregada e, consequentemente, uma queda no Produto
Nacional de equilíbrio
B. um aumento da demanda agregada e, consequentemente, um aumento no
Produto Nacional de equilíbrio
C. uma redução da demanda agregada e, consequentemente, uma queda no
Produto Nacional de equilíbrio
D. uma redução da demanda agregada e, consequentemente, um alta no Produto
Nacional de equilíbrio
9. Uma forma de compreendermos o funcionamento de uma economia se dá por meio do
chamado “fluxo circular da renda”, onde
A. os bens e serviços finais são fornecidos pelas famílias às empresas.
B. o fluxo monetário fica restrito no sentido das famílias para as empresas.
C. os agentes da sociedade se organizam como produtores e como consumidores.
D. o processo de produção que cria bens e serviços é organizado pelas famílias.
E. o fluxo material depende das famílias e não depende das empresas.
10. Numa economia fechada com três agentes ocorre equilíbrio entre vazamento e inje-
ções quando:
A. S + T = I + G
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B. S + I = T + G
C. S - I = T - G
D. S - T = I - G

11. Constituem vazamentos numa economia com quatro agentes:


A. investimentos, gastos do governo e exportações.
B. poupança, tributos e exportações.
C. poupança, tributos e importações.
D. investimentos, gastos do governo e importações.

12. Constituem injeções numa economia com quatro agentes:


A. poupança, tributos e exportações
B. investimentos, gastos do governo e exportações
C. poupança, tributos e importações
D. investimentos, gastos do governo e importações

5.2 Exercícios extras

1. Defina o conceito de produto agregado sob as três óticas.

2. Sob a ótica do dispêndio, como se deve definir o bem final?

3. Considere os seguintes dados para uma economia, expressos em unidades monetá-


rias: Produto Nacional Líquido = 1.600, Depreciação = 250 e Renda Líquida Enviada
ao Exterior = -50.
Determine o PIB.

4. No ano X, João comprou um smartphone por $ 1.000,00; no ano seguinte revendeu


o aparelho por $ 700. Como essa venda afeta o PIB corrente?

5. Dado que o PIB de uma economia no ano X corresponde a $1.250, a renda recebida
do exterior equivale a $150 e a renda enviada ao exterior é igual a $200, calcule:

(a) Produto Nacional Bruto.


(b) Se a depreciação corresponde a $120 calcule o Produto Nacional Líquido
(PNL).
(c) Nesta economia, o PIB ou o PNB é maior?

6. Em geral, países com um PIB semelhante ao do exercício anterior apresentam


características de país desenvolvido ou de país em desenvolvimento? Explique.

7. Dada a seguinte cadeia produtiva:

• No ano X o setor agrário produziu semente de trigo por $80.


• O setor agroindustrial comprou as sementes produzidas naquela ano e, após
um processo de semimanufatura, as vendeu para a indústria por $120.
• A indústria produziu farinha de trigo e vendeu aos distribuidores por $210 que,
posteriormente, as revendeu às padarias por $270.
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• No referido ano as padarias venderam sua produção por $310.

Isso posto,

(a) Qual o valor agregado em cada etapa do processo produtivo?


(b) Qual o PIB?
(c) Qual o Valor Bruto da Produção (VBP)?
(d) Suponha que parte da população resolva fazer pão caseiro e compre $40 de
trigo diretamente dos distribuidores. Qual será o valor do PIB dessa economia?

8. Qual o PIB pm da economia abaixo?

• Consumo Agregado = $1.500


• Formação Bruta de Capital Fixo = $450
• Variação de Estoque = $30
• Consumo do Governo = $90
• Exportações = $100
• Importações = $80

9. Calcule a poupança agregada.

• Renda Nacional Bruta = $2.000


• Consumo agregado = $900
• Importações = $250
• Total de impostos = $400
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Respostas

1. E 2. A 3. B 4. A 5. A 6. D 7. E 8. C 9. C 10. A 11. C 12. B

1. Defina o conceito de produto agregado sob as três óticas.

• Ótica do Produto: soma do valor total de todos os bens e serviços finais


produzidos em determinado período de tempo, ou seja, é o valor total
da produção de bens e serviços menos o consumo intermediário do
processo produtivo.

• Ótica da Renda: soma de todas as rendas recebidas pelos fatores de


produção (mão de obra, capital físico, capital monetário, capacidade
gerencial e capacidade tecnológica) no período, ou seja é a soma dos
salários, juros, aluguéis, lucros e royalties.

• Ótica da Demanda: soma das demandas dos diferentes agentes econô-


micos,

PIB = C + I + G + (X − M),
i.e., o consumo das famílias, a demanda das empresas por bens de
capital, a demanda do governo, além das exportações líquidas das
importações.

Dada a identidade: Produção Nacional = Renda Nacional =


Demanda Nacional, os valores obtidos em cada ótica são equi-
valentes.

2. Sob a ótica do dispêndio, como se deve definir o bem final?

Tudo que foi


Tudo que foi
despendido em
despendido em
bens de consumo
bens de consumo
final pelas famílias
final pelo governo
Y=C+I+G+(X-M)
Tudo que foi Tudo que foi
despendido com despendido pelos
a aquisição de bens estrangeiros em bens
de capital e construção produzidos no país menos
o que foi despendido pelos
residentes com bens importados.

3. Considere os seguintes dados para uma economia, expressos em unidades monetá-


rias: Produto Nacional Líquido = 1.600, Depreciação = 250 e Renda Líquida Enviada
ao Exterior = -50.
Determine o PIB.
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PNB = PNL + Depreciação = 1.600 + 250 = 1.850

PIB = PNB + RLEE = 1.850 − 50 = 1.800

4. No ano X, João comprou um smartphone por $ 1.000,00; no ano seguinte revendeu


o aparelho por $ 700. Como essa venda afeta o PIB corrente?

Esta transação não entra no cálculo do PIB corrente, pois entrou no cálculo do
PIB anterior. A venda no ano X + 1 é uma venda informal, o que não compõe
o PIB.

5. Dado que o PIB de uma economia no ano X corresponde a $1.250, a renda recebida
do exterior equivale a $150 e a renda enviada ao exterior é igual a $200, calcule:

(a) Produto Nacional Bruto.


No PIB considera-se a renda gerada dentro de território nacional. Já no
PNB considera-se a renda que realmente pertence ao país, logo:

PIB = PNB + RLEE


RLEE = renda enviada ao exterior - renda recebida do exterior

PNB = 1.250 − (200 − 150) = 1.200

(b) Se a depreciação corresponde a $120 calcule o Produto Nacional


Líquido (PNL).
Depreciação é o desgaste das máquinas, equipamentos, estradas, pon-
tes, entre outros.

PNL = PNB − Depreciação = 1.200 − 120 = 1.080

(c) Nesta economia, o PIB ou o PNB é maior?


PIB, PIB = 1.200 + 50 = 1.250

6. Em geral, países com um PIB semelhante ao do exercício anterior apresentam


características de país desenvolvido ou de país em desenvolvimento? Explique.

Os países em desenvolvimento possuem a maior parte de suas grandes


empresas e indústrias advinda do exterior, principalmente de países desenvol-
vidos. Assim sendo, o seu PIB tende a ser maior do que o seu PNB, pois uma
boa parte da renda líquida é enviada para fora de seus domínios.

7. Dada a seguinte cadeia produtiva:


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• No ano X o setor agrário produziu semente de trigo por $80.


• O setor agroindustrial comprou as sementes produzidas naquela ano e, após
um processo de semimanufatura, as vendeu para a indústria por $120.
• A indústria produziu farinha de trigo e vendeu aos distribuidores por $210 que,
posteriormente, as revendeu às padarias por $270.
• No referido ano as padarias venderam sua produção por $310.

Isso posto,

(a) Qual o valor agregado em cada etapa do processo produtivo?


Setor agrário: 80 − 0 = 80
Setor agroindustrial: 120 − 80 = 40
Indústria: 210 − 120 = 90
Distribuidores: 270 − 210 = 60
Padarias (comércio): 310 − 270 = 40

(b) Qual o PIB?


O PIB é a a somatória dos valores adicionados,
Valor PIB = ∑ VA = 80 + (120 − 80) + (210 − 120) + (270 − 210) + (310 −
270) = 310
que é igual ao valor da produção vendida ao consumidores finais.

(c) Qual o Valor Bruto da Produção (VBP)?


O VBP é: 80 + 120 + 210 + 270 + 310 = 990

(d) Suponha que parte da população resolva fazer pão caseiro e com-
pre $40 de trigo diretamente dos distribuidores. Qual será o valor
do PIB dessa economia?
Neste caso, as padarias terão menos trigo disponível e, consequente-
mente, produzirão menos pão.
A relação entre o valor de venda e o custo de produção das padarias é
310
270 . Sabendo que a nova quantidade disponível de trigo é 270 − 40 = 230.
310
Logo, 230 × 270 = 264, 07.
Nessas condições o PIB será: 264, 07 + 40 = 304, 07.

8. Qual o PIB pm da economia abaixo?

• Consumo Agregado = $1.500


• Formação Bruta de Capital Fixo = $450
• Variação de Estoque = $30
• Consumo do Governo = $90
• Exportações = $100
• Importações = $80
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O exercício apresenta os componentes do PIB pela ótica da demanda, que é


sempre calculada a preço de mercado. Nesse caso, utiliza-se a equação,

PIB = C + I + G + (X − M).
Logo:

PIB = 1.500 + (450 + 30) + 90 + (100 − 80) = 2.090

9. Calcule a poupança agregada.

• Renda Nacional Bruta = $2.000


• Consumo agregado = $900
• Importações = $250
• Total de impostos = $400

De modo simples, poupança é a parte da renda nacional que não é utilizada


em despesas, sendo guardada e aplicada depois de deduzidos os impostos.
Assim:

S = Renda Nacional Bruta - Consumo agregado - Impostos - Importações

Logo:

S = 2.000 − 900 − 250 − 400 = 450

Referências

LOPES, Luiz Martins; BRAGA, Márcio Bobik; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval
de; TONETO JUNIOR, Rudinei. Macroeconomia: Teoria e Aplicações de Política
Econômica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2018. ISBN 9788597017274.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. Tradução e


revisão técnica Teresa Cristina Padilha de Souza. ISBN 9788521617648.

SANDRONI, Paulo. Novíssimo dicionário de economia. São Paulo: Editora Best Seller,
1999.