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Caderno Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região

DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA DO TRABALHO


PODER JUDICIÁRIO REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Nº3080/2020 Data da disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020. DEJT Nacional

Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região


PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO
BRASILINO SANTOS RAMOS
Desembargador Presidente
Fundamentação

ALEXANDRE NERY DE OLIVEIRA


Desembargador Vice-Presidente e Corregedor RECURSO DE REVISTA

SAS, Quadra 01, Bloco D


Praça dos Tribunais Superiores
Brasília/DF
CEP: 70097900

Telefone(s) : 3348-1100

Recorrente(s): 1.WORLD
PRESIDÊNCIA
Decisão Monocrática TELECOMUNICACOES LTDA

Decisão
Processo Nº ROT-0001726-66.2018.5.10.0101 Advogado(a)(s): 1.VALERIA CRISTINA DA
Relator DENILSON BANDEIRA COELHO
RECORRENTE LUZINALDO TORRES CARVALHO SILVA SIMPLICIO (GO -
ADVOGADO CLEIDE ALVES GUIMARAES(OAB:
14906-A/DF)
Recorrido(a)(s): 1.LUZINALDO TORRES
RECORRENTE WORLD TELECOMUNICACOES
LTDA CARVALHO
ADVOGADO VALERIA CRISTINA DA SILVA
SIMPLICIO(OAB: 18437/GO)
RECORRIDO CLARO S.A. Advogado(a)(s): 1.CLEIDE ALVES
ADVOGADO JOSÉ ALBERTO COUTO
MACIEL(OAB: 513/DF) GUIMARAES (DF - 14906)
RECORRIDO WORLD TELECOMUNICACOES
LTDA
ADVOGADO VALERIA CRISTINA DA SILVA
SIMPLICIO(OAB: 18437/GO) PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
RECORRIDO LUZINALDO TORRES CARVALHO Tempestivo o recurso (publicação em 01/09/2020 - fls. VIA
ADVOGADO CLEIDE ALVES GUIMARAES(OAB:
14906-A/DF) SISTEMA; recurso apresentado em 14/09/2020 - fls. 827).
RECORRIDO TELEFONICA BRASIL S.A. Regular a representação processual (fls. 131).
ADVOGADO ANDRE LUIS TORRES
PESSOA(OAB: 19503/BA) A recorrente - World Telecomunicações Ltda - requer a concessão
ADVOGADO Nelson Wilians Fratoni da gratuidade de justiça, na medida em que passa por extrema
Rodrigues(OAB: 25136/DF)
dificuldade financeira, sem os recursos necessários para efetuar o
Intimado(s)/Citado(s): preparo recursal.
- CLARO S.A.
Excepcionalmente, o TST tem admitido a possibilidade de extensão
- LUZINALDO TORRES CARVALHO
- TELEFONICA BRASIL S.A. da gratuidade de justiça às pessoas jurídicas, desde que haja prova
- WORLD TELECOMUNICACOES LTDA inequívoca nos autos da impossibilidade de a parte arcar com as

despesas processuais, não sendo suficiente a mera declaração de

miserabilidade jurídica.

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Nesse sentido, o item II da Súmula 463 do TST: Registre-se, por oportuno, a inaplicabilidade do contido no artigo

'ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. COMPROVAÇÃO 1.007, § 2º, do CPC ao caso sob exame, pois não houve

(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 304 da SBDI-1, com comprovação em valor insuficiente, mas sim a não comprovação do

alterações decorrentes do CPC de 2015) - Res. 219/2017, DEJT recolhimento.

divulgado em 28, 29 e 30.06.2017 - republicada - DEJT divulgado CONCLUSÃO

em 12, 13 e 14.07.2017. (...). II - No caso de pessoa jurídica, não Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

basta a mera declaração: é necessária a demonstração cabal de Publique-se.

impossibilidade de a parte arcar com as despesas do processo.'

Nesse sentido, ainda, o § 4º do artigo 790 da CLT, introduzido pela Assinatura

Lei 13.467/2017: Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

'§ 4º O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que BRASILINO SANTOS RAMOS

comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas Desembargador do Trabalho

do processo.' Decisão
Processo Nº ROT-0001401-65.2016.5.10.0003
A recorrente, contudo, não logrou demonstrar sua situação de Relator JOAO LUIS ROCHA SAMPAIO
miserabilidade. A mera alegação deque aparte não pode arcar RECORRENTE DENISIA FILOMENA F DAS S ABREU
ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
com os custos do processo em razão da 'perda de contratos de 1441-A/DF)
prestação de serviços, em decorrência do estado de calamidade ADVOGADO Eduardo Henrique Marques
Soares(OAB: 21688/DF)
pública decretado em virtude da PANDEMIA COVID 19', não é ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO
COLY(OAB: 29723/DF)
suficiente para ensejar a concessão do benefício da justiça gratuita.
ADVOGADO DEBORA MORAES REGO DE SOUZA
É necessário, repita-se, a comprovação cabal do estado de PIRES(OAB: 24312/DF)
ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
pobreza. 31924/DF)
A propósito, como reforço de fundamentação, trago à baila o ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB:
31189/DF)
seguinte precedente do TST: ADVOGADO VITOR SANTOS DE GODOI(OAB:
31656/DF)
'AGRAVO DE INSTRUMENTO. LEI 13.467/2017. DESERÇÃO DO
ADVOGADO BRUNNO HENRIQUE ALVES
RECURSO ORDINÁRIO E DO RECURSO DE REVISTA. PEDIDO RODRIGUES(OAB: 51479-B/SC)
ADVOGADO LUCAS ALCANFOR BACCILE(OAB:
DE CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. 44799/DF)
EMPREGADORA PESSOA JURÍDICA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
SILVA(OAB: 106055/SP)
SITUAÇÃO DE POBREZA. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO RECURSAL ADVOGADO LEANDRO THOMAZ DA SILVA
SOUTO MAIOR(OAB: 302778/SP)
DO RECURSO DE REVISTA E DO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
ADVOGADO MEILLIANE PINHEIRO VILAR
TRANSCENDÊNCIA. O entendimento do c. TST é de que o LIMA(OAB: 29614/DF)
RECORRIDO ITAU UNIBANCO S.A.
benefício da justiça gratuita não dispensa a parte do recolhimento
ADVOGADO JACO CARLOS SILVA COELHO(OAB:
do depósito recursal, uma vez que este constitui garantia do Juízo e 3678/TO)

tem por finalidade garantir a execução da sentença com o


Intimado(s)/Citado(s):
pagamento da condenação. Dessa forma, uma vez indeferido o - DENISIA FILOMENA F DAS S ABREU
benefício da justiça gratuita à reclamada, por não ter ela - ITAU UNIBANCO S.A.

comprovado nos autos a sua situação de pobreza, mostra-se

correta a decisão que reconheceu a deserção do recurso de revista.

Necessário, ainda, afirmar a deserção do agravo de instrumento,


PODER JUDICIÁRIO
porque também não realizado o recolhimento do respectivo depósito
JUSTIÇA DO TRABALHO
recursal, o que prejudica a análise da transcendência e obriga o não

conhecimento do referido recurso. Agravo de instrumento não Fundamentação

conhecido' (AIRR-929-52.2017.5.12.0010, 6ª Turma, Relator

Ministro Aloysio Correa da Veiga, DEJT 14/02/2020). RECURSO DE REVISTA

Desse modo, indefiro o benefício da justiça gratuita à demandada. Lei 13.015/2014

Diante da ausência do depósito recursal, denego seguimento ao

recurso de revista, por deserto.

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utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o

valor que considerar adequado, observado o contraditório (art. 372

do CPC).

Observa-se, no caso dos autos, que o magistrado de primeiro grau

indeferiu a oitiva da segunda testemunha da Autora por entender


Recorrente(s): DENISIA FILOMENA F DAS S que os elementos já constantes dos autos eram suficientes para a
ABREU formação do convencimento judicial.

Inexiste, portanto, o alegado cerceamento de defesa suscitado no


Advogado(a)(s): MEILLIANE PINHEIRO VILAR
recurso ordinário do Reclamado, valendo ressaltar que as
LIMA (DF - 29614)
conclusões do magistrado de piso convergem o posicionamento

jurisprudencial desta Corte, restando evidente que a oitiva das


Recorrido(a)(s): ITAU UNIBANCO S.A.
testemunhas em nada alteraria o resultado do julgado e, por

conseguinte, seu indeferimento não representa prejuízo à

Reclamante.
Advogado(a)(s): JACO CARLOS SILVA
Diante disso, rejeito a preliminar.' - fls. 222
COELHO (TO - 3678)
Inconformada, insurge-sea reclamantecontra essa decisão,

insistindo na nulidade do julgado.

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS Entretanto, não se vislumbra a alegada ofensa aos dispositivos

Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 29/09/2020; recurso alhures destacados, pois a decisão encontra respaldo nos artigos

apresentado em 09/10/2020 - fls. 247). 765 da CLT e 370, 372 e 443, I, do CPC, cuja exegese foi bem

Regular a representação processual (fls. 12 e 246). aplicada peloÓrgão fracionário.

Dispensado o preparo (fls. 186). Responsabilidade Civil do Empregador/Indenização por Dano Moral.

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS Alegação(ões):

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos - violação do(s) inciso III do artigo 1º;inciso IV do artigo 1º;inciso V

Processuais/Nulidade/Cerceamento de Defesa. do artigo 5º;inciso X do artigo 5º da Constituição Federal.

Alegação(ões): - violação do(s) artigo 186 do Código Civil;artigo 927 do Código

- violação do(s) inciso LIV do artigo 5º;inciso LV do artigo 5º, da Civil;artigo 932 do Código Civil;artigo 944 do Código Civil.

Constituição Federal. A2ª Turma ratificou a decisão que indeferiu os pedidos de

A2ª Turma rejeitou a preliminar de nulidade da sentença por indenização por danos morais e materiais, consignando na ementa

cerceamento de defesa, consignandono acórdão os fundamentos do acórdão os fundamentos seguintes:

seguintes: 'DANOS MORAIS E MATERIAIS. FESTA DE TRINTA ANOS E

'As nulidades no processo trabalhista seguem as normas prescritas PREMIAÇÕES. TRATAMENTO DISCRIMINATÓRIO. NÃO

nos artigos 794 a 798 da CLT. COMPROVAÇÃO. INDENIZAÇÃO INDEVIDA. Não restou

Entre os requisitos para a declaração de nulidade estão o manifesto comprovado nos autos o cometimento de ilícito vocacionado a

prejuízo causado às partes e, salvo a hipótese de nulidade fundada determinar a reparação pleiteada, visto que eventos de celebração

em incompetência de foro, a provocação pela parte na primeira formatados por terceiros, inclusive abrangendo premiações, não se

oportunidade em que tiver de falar em audiência ou nos autos. mostram aptos a violar os direitos da personalidade do obreiro.

O artigo 765 da CLT, que confere ampla liberdade ao Juiz do Inexiste substrato para o deferimento do pleito de indenização por

Trabalho na direção do processo, podendo determinar qualquer danos morais e materiais pelo não recebimento de relógio e ações

diligência necessária ao seu esclarecimento. da empresa.'

No mesmo sentido, o artigo 370 do CPC dispõe que cabe ao juiz Inconformada, insurge-sea demandante contra essa decisão,

determinar as provas necessárias à instrução processual, mediante as alegações alhures destacadas,sustentando ser devida

indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias. as reparações. Alega, em síntese,que restou demonstrada a

A mais disso, em conformidade ao disposto no inciso I do art. 443, conduta discriminatória da acionada.

do CPC, o juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos já No entanto, rever a conclusão alcançada peloColegiado, nos

provados por documento ou confissão da parte, podendo admitir a termos em que proposta a pretensão,exigiria o reexame do

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contexto fático-probatório, o que é vedado (Súmula nº 126/TST). - violação do(s) inciso XXXIV do artigo 5º da Constituição Federal.

CONCLUSÃO - divergência jurisprudencial.

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. A egr. Turma manteve a sentença originária que julgou

Publique-se. improcedente o pedido da segunda reclamada de desconsideração

Assinatura da personalidade jurídica do devedor principal antes do

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. redirecionamento da execução em seu desfavor. Esta a ementa:

BRASILINO SANTOS RAMOS "EXECUÇÃO. DIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO CONTRA O

Desembargador do Trabalho DEVEDOR CONDENADO SUBSIDIARIAMENTE. BENEFÍCIO DE


Decisão ORDEM. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Processo Nº AP-0002072-24.2012.5.10.0005
Relator LUIZ HENRIQUE MARQUES DA DA EMPRESA EXECUTADA. O direcionamento da execução contra
ROCHA
o devedor subsidiário não está condicionado ao exaurimento das
AGRAVANTE FUNDACAO UNIVERSIDADE DE
BRASILIA diligências em desfavor do devedor principal e dos seus
AGRAVADO DOMINGAS MARCELINO DE BRITO
representantes legais (Verbete 37/2008 deste TRT/10ª Região).
ADVOGADO DAVI RODRIGUES RIBEIRO(OAB:
23455/DF) Correta, assim, a decisão originária que rejeitou os embargos à
ADVOGADO ADALBERTO BATISTA GUIMARAES
BORGES(OAB: 60054/DF) execução do responsável subsidiário. Agravo de petição da
AGRAVADO MONTE SINAI SERVICE LOCACAO Fundação Universidade de Brasília conhecido parcialmente e
DE MAO DE OBRA LTDA
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho negado provimento."

Recorre o ente público ao argumento de que o acórdão fere a coisa


Intimado(s)/Citado(s):
julgada porquanto a recorrente foi condenada de forma subsidiária e
- DOMINGAS MARCELINO DE BRITO
não houve o esgotamento das medidas constritórias em relação ao

devedor principal e seus sócios.

Registro que a admissibilidade do recurso de revista, em fase ou


PODER JUDICIÁRIO processo de execução, depende de demonstração inequívoca de
JUSTIÇA DO TRABALHO ofensa direta e literal à Constituição Federal (art. 896, § 2º, da CLT;

Súmula 266/TST). Ante esses balizamentos, sob a ótica


Fundamentação
estritamente processual, afigura-se descabida, nesta oportunidade,
Recurso de Revista
a alegada violação de texto infraconstitucional, bem como suposta

divergência jurisprudencial.
Recorrente(s): 1. FUNDACAO UNIVERSIDADE DE BRASILIA
De outro lado, frise-se que a afronta a dispositivo da Constituição
Recorrido(a)(s): 1. DOMINGAS MARCELINO DE BRITO
Federal, autorizadora do conhecimento do recurso de revista, é a
2. MONTE SINAI SERVICE LOCACAO DE MAO
que se verifica de forma direta e literal. No caso, o posicionamento
DE OBRA LTDA
adotado no v. acórdão recorrido reflete a interpretação dada pelo
Advogado(a)(s): 1. ADALBERTO BATISTA GUIMARAES BORGES
egr. Colegiado aos preceitos legais que regem a matéria. Nesse
(DF - 60054)
contexto, ofensa, ainda que fosse possível admiti-la, seria
1. DAVI RODRIGUES RIBEIRO (DF - 23455)
meramente reflexa, insuficiente, portanto, para autorizar o trânsito
Interessado(a)(s): 1. Ministério Público do Trabalho
regular do recurso de revista.

Além disso, o artigo 5º, XXXVI, da Constituição Federal encerra


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
conteúdo nitidamente principiológico e, nesta feição, eventual
Tempestivo o recurso (publicação em 08/09/2020 - fls. VIA
ofensa teria natureza reflexa ou indireta, o que, com efeito, não
SISTEMA; recurso apresentado em 10/09/2020 - fls. 539).
atende à disposição da CLT.
Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº
Nego seguimento ao apelo.
436/TST).
CONCLUSÃO
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Publique-se.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO / Liquidação /
Assinatura
Cumprimento / Execução.
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
Alegação(ões):

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BRASILINO SANTOS RAMOS EXTENSÃO

Desembargador do Trabalho Alegação(ões):


Decisão - violação do(s)do artigo 5º; caputda Constituição Federal.
Processo Nº ROT-0000452-03.2019.5.10.0014
Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO A PrimeiraTurma deu provimento ao recurso do reclamado para
RECORRENTE CONSELHO REGIONAL DE julgar improcedente o pedido de pagamento de diferenças salariais,
CORRETORES DE IMOVEIS DA 8
REGIAO adotando os fundamentos consignados na ementa:
ADVOGADO ULISSES BORGES DE
RESENDE(OAB: 4595/DF) 'EMPREGADO PÚBLICO. EMPREGADO COMISSIONADO.
ADVOGADO IANE SAMILLI ABRANTES TRATAMENTO ISONÔMICO. BENEFÍCIOS NORMATIVOS.
FERREIRA(OAB: 17683/PB)
RECORRIDO Ministério Público do Trabalho EXTENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. LEI DE RESPONSABILIDADE

FISCAL. Os Conselhos se submetem à regra de ingresso de


Intimado(s)/Citado(s):
pessoal mediante concurso público (art. 37, II, da CF). Todavia, por
- CONSELHO REGIONAL DE CORRETORES DE IMOVEIS DA 8
REGIAO terem recursos próprios, os postos de trabalho não são criados por

lei, mas em razão da demanda da entidade. Outra distinção é a não

aplicabilidade do inciso XIII do art. 37/CF, o que possibilita a

isonomia salarial, uma vez que os recursos do conselho não estão


PODER JUDICIÁRIO
atrelados ao erário. O art. 461 da CLT dispõe que: 'Sendo idêntica a
JUSTIÇA DO TRABALHO
função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo
Fundamentação empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário,

sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade'. Todavia, há de se


RECURSO DE REVISTA diferenciar 'os ocupantes de cargo em comissão daqueles
Lei 13.015/2014 funcionários integrantes do quadro próprio da autarquia admitidos

por concurso público para fins de aplicação da norma coletiva. Sem

entrar na discussão da própria legitimidade do sindicato na

representação dos ocupantes de cargos em comissão, o fato é que

o Supremo Tribunal Federal já externou posicionamento de que é

assegurado à todos os ocupantes de cargos públicos, sejam eles de

provimento efetivo ou em comissão, o direto ao percebimento dos


Recorrente(s): Ministério Público do Trabalho
direitos estampados no artigo 7º da Constituição, tais como 13°

salário e o usufruto de férias anuais remuneradas, acrescidas de

pelo menos um terço, independente de normativos próprios que


Recorrido(a)(s): CONSELHO REGIONAL DE
possam suprimir tais parcelas. A Constituição impera, sob pena de
CORRETORES DE IMÓVEIS
operar-se o enriquecimento ilícito da Administração, situação

Advogado(a)(s): rechaçada pelo ordenamento jurídico pátrio. Contudo, despesas


IANE SAMILLI ABRANTES
criadas por normas coletivas para os empregados efetivos da
FERREIRA (PB - 17683)
autarquia não possuem a mesma força cogente, destinando-se

apenas aos empregados efetivamente representados pela entidade


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS sindical convenente, até porque, ainda que órgão fiscalizador de
Tempestivo o recurso (publicação em 30/07/2020 - via sistema; atividade profissional própria e considerada como uma categoria
recurso apresentado em 24/08/2020 - ID. db6443e). especial dentre as demais autarquias, devem ser observados os
Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº requisitos legais da prévia disponibilidade orçamentária,
436/TST). atendimento aos requisitos e condições da LRF - Lei de
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV). Responsabilidade Fiscal e, a aprovação dos órgãos responsáveis
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS pela supervisão das autarquias e definição de política salarial,
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Recurso. conforme dispuser a lei do ente controlador'. (Juiz Denilson
EMPREGADO PÚBLICO. EMPREGADO COMISSIONADO. Bandeira Coelho, 1ª Turma, Tribunal Regional do Trabalho da 10ª
TRATAMENTO ISONÔMICO. BENEFÍCIOS NORMATIVOS. Região).'

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Inconformado, insurge-seo Ministério Público do Trabalhocontra Recorrente(s): JOSE CARLOS GALDINO DA


essa decisão, mediante as alegações alhures destacadas, CUNHA
almejando o processamento do apelo. Renova a tese de tratamento

diferenciado e discriminatório entre empregados integrantes da Advogado(a)(s): GILPETRON DOURADO DE


mesma categoria profissional em clara violação ao artigo5º, caput, MORAES (BA - 15204)
da Constituição Federal.

Ocorre que a matéria - isonomia salarial - é interpretativa. Ou seja, Recorrido(a)(s): UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF

não há falar em violação à literalidade do dispositivo invocado,

revelando-se inconsistente a alegada vulneração oblíqua.

Dessa forma, seria imprescindível a caracterização de divergência


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
jurisprudencial para impulsionar o apelo, hipótese não configurada.
Tempestivo o recurso (publicação em 04/09/2020 - via sistema;
Ademais,o artigo 5º, caput, da Constituição Federal encerra
recurso apresentado em 17/09/2020 - fls. 523).
conteúdo nitidamente principiológico e, nesta feição, eventual
Regular a representação processual (fls. 16).
ofensa teria natureza reflexa ou indireta, o que, com efeito, não
Dispensado o preparo (fls. 476).
atende à disposição da CLT.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Nego seguimento ao apelo.
DIREITO CIVIL/Fatos Jurídicos/Prescrição e Decadência.
CONCLUSÃO
Alegação(ões):
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
- violação do(s) inciso II do artigo 37;inciso III do artigo 7º da
Publique-se.
Constituição Federal.
Assinatura
- divergência jurisprudencial.
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
Sobre o tema , assim se manifestou o egr. Colegiado:
BRASILINO SANTOS RAMOS
FGTS. TRANSMUDAÇÃO DE REGIME. VÍNCULO ANTERIOR À
Desembargador do Trabalho
CONSTITUIÇÃO DE 1988. EMPREGADO ADMITIDO SEM
Decisão
Processo Nº ROT-0001042-19.2019.5.10.0001 CONCURSO PÚBLICO, MAS COM ESTABILIDADE PREVISTA NO
Relator JOSE LEONE CORDEIRO LEITE
ART. 19 DO ADCT. PRESCRIÇÃO BIENAL. A Jurisprudência do C.
RECORRENTE JOSE CARLOS GALDINO DA CUNHA
ADVOGADO FELIPE GILPETRON CARVALHO DE TST é firme no sentido de que a prescrição bienal prevista na
MORAES(OAB: 46298/BA)
Súmula 382 se aplica aos empregados admitidos sem concurso
ADVOGADO GILPETRON DOURADO DE
MORAES(OAB: 15204/BA) público antes da vigência da Constituição de 1988 e que gozem da
RECORRIDO UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF
estabilidade prevista no art. 19 do ADCT, caso dos autos, não
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
havendo falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade na
Intimado(s)/Citado(s): transposição dos regimes.
- JOSE CARLOS GALDINO DA CUNHA
Adespeito dos argumentos lançados no apelo, o fato é que a

conclusão alcançada pela Turma está em sintonia com a

jurisprudência doTST, conforme se depreende dos seguintes


PODER JUDICIÁRIO precedentes:
JUSTIÇA DO TRABALHO RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.467/2017.

TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. EMPREGADO


Fundamentação
ESTÁVEL ADMITIDO ANTES DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE

1988. TRANSMUDAÇÃO DE REGIME JURÍDICO CELETISTA


RECURSO DE REVISTA
PARA ESTATUTÁRIO SEM PRÉVIA APROVAÇÃO EM
Lei 13.015/2014
CONCURSO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. A jurisprudência desta

Corte se orienta no sentido da possibilidade de conversão

automática do regime celetista para o estatutário do servidor estável

, sem prévia aprovação em concurso público, admitido mais de 5

anos antes da promulgação da Constituição Federal . Precedentes.

Na hipótese, a transmudação do regime jurídico implicou a extinção

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do contrato de trabalho, incidindo a prescrição bienal a partir da estatutário. Na hipótese, a parte reclamante foi contratada pelo

mudança de regime, ou seja, 1990, nos termos da Súmula 382 do regime celetista em 1981, ou seja, trata-se de servidora

TST. Assim, ajuizada a reclamação trabalhista somente em 2017, estabilizada, na forma do precedente mencionado. Nesse contexto,

deve ser declarada a prescrição total das pretensões referentes aos em que válida a transmudação do regime do servidor celetista

depósitos de FGTS. Recurso de revista conhecido e provido. (RR- estabilizado, nos termos do art. 19 do ADCT, e não concursado,

859-58.2017.5.05.0421, Relatora MinistraDelaide Miranda sobressai a competência desta Corte para a apreciação da

Arantes,2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 26/06/2020). demanda tão somente em relação ao período em que a parte

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA reclamante fora submetida ao regime celetista, tratando-se,

INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DAS LEIS Nos 13.015/2014, portanto, de competência residual da Justiça do Trabalho. Recurso

13.105/2015 E 13.467/2017 - DESCABIMENTO. de revista conhecido e provido. PRESCRIÇÃO. FGTS. Na presente

SUPERVENIÊNCIA DE REGIME ESTATUTÁRIO EM hipótese, a transmudação do regime jurídico implicou a extinção do

SUBSTITUIÇÃO AO CELETISTA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO contrato de trabalho, incidindo a prescrição bienal a partir da

FIRMADO EM PERÍODO ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA mudança de regime, ou seja, do advento da Lei Municipal nº

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. AUSÊNCIA DE CONCURSO 15.335/90. Nessa diretriz é o entendimento contido na Súmula nº

PÚBLICO. ESTABILIDADE. ART. 19, 'CAPUT', DO ADCT. 382 do TST, segundo a qual 'A transferência do regime jurídico de

APLICAÇÃO DO REGIME ESTATUTÁRIO. 1. No caso dos autos, a celetista para estatutário implica extinção do contrato de trabalho,

contratação se deu em 1.6.1983, antes do advento da Constituição fluindo o prazo da prescrição bienal a partir da mudança de regime'.

Federal de 1988, sem prévia submissão a concurso público. Assim, Assim, ajuizada a ação somente em 13/06/2014, deve ser declarada

tem-se que a servidora era estável, nos termos do art. 19, 'caput', a prescrição total das pretensões referentes aos depósitos de

do ADCT, pois estava em exercício, na data da promulgação da FGTS. Recurso de revista conhecido e provido. (RR-860-

Constituição, há mais de cinco anos continuados. Esta circunstância 69.2014.5.06.0017, Rel. Min. Breno Medeiros, 5ª Turma, DEJT

é relevante para o deslinde da controvérsia. 2. Quanto ao tema, o 29/3/2019)

Pleno deste Tribunal decidiu, com remissões ao julgamento do STF 'RECOLHIMENTO DO FGTS. DECISÃO DO STF. ARE 709.212/DF.

na ADI 1.150/RS, no ArgInc-105100-93.1996.5.04.0018, de relatoria MODULAÇÃO DOS EFEITOS. PRESCRIÇÃO TRINTENÁRIA. I -

da Ministra Maria Helena Mallmann, em julgamento ocorrido em Para equacionar a controvérsia em torno do prazo prescricional

21/08/2017, que os servidores estáveis regidos pela CLT, aplicável nas pretensões relativas ao recolhimento dos depósitos do

contratados sem concurso público, ficam, com a superveniência de FGTS, é imprescindível trazer a lume a decisão proferida pelo STF,

Lei instituindo regime jurídico único, vinculados ao regime no julgamento do ARE 709.212- DF, com repercussão geral, na

estatutário. 3. Nesse contexto, estando a reclamante submetida, sessão plenária do dia 13/11/2014. II - Nela, os eminentes Ministros

após a instituição do regime jurídico único, a relação jurídico- daquela Corte declararam a inconstitucionalidade dos artigos 23, §

administrativa, sobressai, tal como consta do acórdão recorrido, a 5º, da Lei nº 8.036/90 e 55 do Regulamento do FGTS, aprovado

ausência de substrato jurídico para deferir o FGTS. Ressalva de pelo Decreto 99.684/1990, na parte em que ressalvam o 'privilégio

ponto de vista do Relator. Agravo de instrumento conhecido e do FGTS à prescrição trintenária'. III - Na ocasião, a Suprema Corte

desprovido. (AIRR-823-57.2017.5.13.0012, Relator Ministro Alberto esclareceu que o artigo 7º, III, da Constituição arrolou o FGTS como

Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, DEJT 12/4/2019) um direito de índole social dos trabalhadores e que, não obstante o

(...) RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA princípio da proteção do trabalhador, o artigo 7º, XXIX, estabelece o

VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA prazo prescricional a ser observado, não podendo ser modificado

DO TRABALHO. TRANSMUDAÇÃO DE REGIME. SERVIDOR por lei ordinária. IV - Além disso, em atenção ao princípio da

PÚBLICO ESTÁVEL. ART. 19 DO ADCT. O Tribunal Pleno desta segurança jurídica, determinou-se a modulação dos efeitos daquela

Corte, examinando controvérsia nos autos do processo nº TST- decisão, aplicando-se, desde logo, o prazo de cinco anos para os

ArgInc - 105100-93.1996.5.04.0018, envolvendo a lei estadual que casos em que o termo inicial da prescrição ocorra após a data

foi objeto de apreciação pelo STF na ADI 1.150/RS, firmou a daquele julgamento e, em contrapartida, aos casos em que o prazo

compreensão de que nesse precedente do STF foi vedada tão prescricional já esteja em curso, aplicar o que ocorrer primeiro: 30

somente a transposição automática dos servidores celetistas anos, contados do termo inicial, ou 5 anos, a partir da referida

admitidos sem concurso público em cargo de provimento efetivo, decisão. V - Com essa diretriz, o TST alterou a redação da Súmula

sem afastar a validade da mudança do regime celetista para o 362, in verbis: 'I - Para os casos em que a ciência da lesão ocorreu

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a partir de 13.11.2014, é quinquenal a prescrição do direito de Desembargador do Trabalho

reclamar contra o não recolhimento de contribuição para o FGTS, Decisão


Processo Nº ROT-0001158-04.2019.5.10.0105
observado o prazo de dois anos após o término do contrato; II - Relator MARIA REGINA MACHADO
GUIMARAES
Para os casos em que o prazo prescricional já estava em curso em
RECORRENTE VIA VAREJO S/A
13.11.2014, aplica-se o prazo prescricional que se consumar ADVOGADO TATIANE DE CICCO NASCIMBEM
CHADID(OAB: 201296/SP)
primeiro: trinta anos, contados do termo inicial, ou cinco anos, a
ADVOGADO DENNER DE BARROS E
partir de 13.11.2014 (STF-ARE-709212/DF)'. VI - Na hipótese dos MASCARENHAS BARBOSA(OAB:
6835/MS)
autos, o TRT da 12ª Região negou provimento ao recurso ordinário, RECORRIDO ONELIA PEREIRA DA SILVA
por entender que o prazo prescricional aplicável à pretensão relativa ADVOGADO MARCELO HENRIQUE VIEIRA
DURAES(OAB: 44654/DF)
ao recolhimento do FGTS seria de 30 anos, uma vez que o prazo

prescricional já estava em curso em 13/11/2014. VII - Nesse Intimado(s)/Citado(s):


- ONELIA PEREIRA DA SILVA
contexto, constata-se que o Regional, ao aplicar a prescrição
- VIA VAREJO S/A
trintenária, decidiu em consonância com o entendimento

consagrado no item II da Súmula 362 do TST. VIII - Com isso,

avulta a convicção de que o recurso de revista não merecia

seguimento, por óbice da Súmula 333 do TST, erigida em requisito PODER JUDICIÁRIO

negativo de admissibilidade do apelo extraordinário. IX - Agravo de JUSTIÇA DO TRABALHO

instrumento a que se nega provimento' (TST, AIRR - 1190-


Fundamentação
65.2014.5.12.0028 Data de Julgamento: 28/06/2017, Relator

Ministro: Antonio José de Barros Levenhagen, 5ª Turma, Data de


RECURSO DE REVISTA
Publicação: DEJT 30/06/2017, grifo nosso).

Conforme se nota,a partir do advento da Lei Federal nº

8.112/1990,a partereclamante não permaneceu regida pela CLT,

mas sim pelo regime estatuário de servidores. Logo, não são

devidos os depósitos dos valores relativos ao FGTS a partir da data

em que houve mudança de regime jurídico do então empregado

público .

Na hipótese, a transmudação do regime jurídico implicou a extinção

do contrato de trabalho, incidindo a prescrição bienal a partir da Recorrente(s): VIA VAREJO S/A
mudança de regime, ou seja, 1990. Assim, uma vez que a

reclamação trabalhista somente foi protocolada em 2019, correta a

pronúnciadaprescrição total da pretensão referente aos depósitos Advogado(a)(s): DENNER DE BARROS E


de FGTS. MASCARENHAS BARBOSA
Esseentendimento está contido na Súmula 382 do TST: 'A

transferência do regime jurídico de celetista para estatutário implica Recorrido(a)(s): ONELIA PEREIRA DA SILVA

extinção do contrato de trabalho, fluindo o prazo da prescrição

bienal a partir da mudança de regime'.


Advogado(a)(s): MARCELO HENRIQUE VIEIRA
Por essas razões, inviável o seguimento do apelona forma da

Súmula nº 333 docol. TST. DURAES (DF - 44654)

CONCLUSÃO
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
Tempestivo o recurso (publicação em 01/09/2020 - fls. VIA
Publique-se.
SISTEMA; recurso apresentado em 14/09/2020 - fls. 1299).

Regular a representação processual (fls. 1184/1196).


Assinatura
Satisfeito o preparo (fl(s). 1204, 1231, 1226/1228 e 1323/1342).
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
BRASILINO SANTOS RAMOS
Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Salário /

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Diferença Salarial/Salário por Equiparação / Isonomia. Desembargador do Trabalho

Alegação(ões): Decisão
Processo Nº ROT-0001216-13.2019.5.10.0103
- violação do(s) artigo 818 da Consolidação das Leis do Relator MARIA REGINA MACHADO
GUIMARAES
Trabalho; artigo 373 do Código de Processo Civil de
RECORRENTE JOSE GOMES DA SILVA FILHO
2015;artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho. ADVOGADO ARLEY MARCIO SOARES DE
SOUZA(OAB: 22725/DF)
A egr. Turma manteve a sentença que condenou a reclamada
RECORRENTE ANHANGUERA EDUCACIONAL
aopagamento de diferenças de comissões por equiparação PARTICIPACOES S/A
ADVOGADO RAFAEL GOOD GOD
salarial. Eis a ementa do julgado: CHELOTTI(OAB: 139387/MG)
DIFERENÇAS DE COMISSÃO. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ADVOGADO NATHASHA SIMOES CERRI LETIZIO
GONCALVES(OAB: 32387/SC)
Restando demonstrado a incorreção no pagamento das RECORRIDO JOSE GOMES DA SILVA FILHO
comissões pelo preenchimento dos requisitos da equiparação ADVOGADO ARLEY MARCIO SOARES DE
SOUZA(OAB: 22725/DF)
salarial aliado à inobservância do princípio da isonomia RECORRIDO ANHANGUERA EDUCACIONAL
PARTICIPACOES S/A
salarial, devidas são as diferenças de comissões postuladas.
ADVOGADO RAFAEL GOOD GOD
Insurge-sea reclamadacontra essa decisão, almejando o CHELOTTI(OAB: 139387/MG)
ADVOGADO NATHASHA SIMOES CERRI LETIZIO
processamento do recurso de revista. Alega, em síntese, quea GONCALVES(OAB: 32387/SC)
reclamante não preencheu os requisitos do art. 461 da CLT.
Intimado(s)/Citado(s):
No entanto, a discussão da matéria brandida em sede de
- ANHANGUERA EDUCACIONAL PARTICIPACOES S/A
jurisdição extraordinária, na forma como articulada, desafia o - JOSE GOMES DA SILVA FILHO
revolvimento de fatos e provas, o que é defeso, a teor da

Súmula nº 126/TST.

Inviável, pois,o processamento do apelo.


PODER JUDICIÁRIO
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Partes e
JUSTIÇA DO TRABALHO
Procuradores/Sucumbência/Honorários Advocatícios.

Alegação(ões): Fundamentação
- violação do(s) inciso II do artigo 5º da Constituição Federal. DECISÃO
- violação do(s) artigo 791-A da Consolidação das Leis do

Trabalho.

Areclamada requer que seja observada a alteração promovida Vistos, etc.


pela lei 13.467/17 para condenação da parte autora em Por meio das petições de Ids 14edebc e b920a9f, as partes noticiam
honorários, em virtude da sucumbência parcial, a serem a composição amigável.
descontados dos valores devidos na fase de execução. Pede, Recebo as peças como pedido de desistência do recurso de revista
ainda, que a verba honorária seja fixada no importe mínimo de interposto pela reclamada, homologando-o (art. 998 do CPC).
5%. Remetam-se os autos ao MM. Juízo de origem para análise do
Conforme consignado no acórdão recorrido, não houve acordo entabulado e providências cabíveis.
sucumbência da parte autora, de modo que não há falar em Publique-se.
condenação da obreira no pagamento de honorários.

Além disso, ojulgado está de acordo com o disposto no art.

791-A da CLT, que autoriza a fixação do honorários entre 5% e Assinatura


15%. Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
Portanto, inviável o processamento do recurso. BRASILINO SANTOS RAMOS
CONCLUSÃO Desembargador do Trabalho
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. Decisão
Processo Nº ROT-0001776-55.2015.5.10.0018
Publique-se. Relator DENILSON BANDEIRA COELHO
Assinatura RECORRENTE EMBAIXADA DA REPUBLICA
PORTUGUESA
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. ADVOGADO MARCELLO ALENCAR DE
ARAUJO(OAB: 6259/DF)
BRASILINO SANTOS RAMOS

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RECORRIDO FRANCISCA MARIA DA CONCEICAO


espécie:
ADVOGADO ROGERIO MARTINS DE LIMA(OAB:
43271/DF) 1. EMPREGADO DE REPRESENTAÇÃO ESTRAGEIRA.

Intimado(s)/Citado(s): COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. IMUNIDADE DE

- EMBAIXADA DA REPUBLICA PORTUGUESA JURISDIÇÃO AFASTADA. PRECDENTES DO STF E TST.


- FRANCISCA MARIA DA CONCEICAO Ademandadapede seja declarada a incompetência material desta

Justiça Especializada ou, caso assim não entenda,que seapliquea

lei portuguesa ao caso dos autos.

PODER JUDICIÁRIO O entendimento adotado pelo v. acórdão combatidoencontra

JUSTIÇA DO TRABALHO guarida na jurisprudência atual e reiterada da col. Corte

SuperiorTrabalhista:
Fundamentação
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. ESTADO

ESTRANGEIRO. A jurisprudência desta Corte reconhece a


RECURSO DE REVISTA
competência da Justiça Trabalhista para julgar reclamação

trabalhista ajuizada por ex-empregado de embaixada. O estado

estrangeiro goza de imunidade relativa que o protege de atos de

império e não abrange atos de gestão, incluindo contratos de

relações trabalhistas. A existência de lei estrangeira que

regulamenta a relação não afasta a jurisdição. Agravo de

instrumento não provido. (AIRR-342-03.2016.5.10.0016, Relator

Ministro Augusto César Leite de Carvalho, Ac. 6ª T., Publicação:

23/08/2019).
Recorrente(s): EMBAIXADA DA REPUBLICA
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1.
PORTUGUESA
CONSULADO GERAL DA FRANÇA. ESTADO ESTRANGEIRO.

IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO. 2. PRELIMINAR DE NEGATIVA DE


Advogado(a)(s): MARCELLO ALENCAR DE
PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO
ARAUJO (DF - 6259)
QUANTO AO PERÍODO CONDENATÓRIO E QUANTO À

Recorrido(a)(s): INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ASSUNTOS


FRANCISCA MARIA DA
ESCLARECIDOS PELO TRT. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE POR
CONCEICAO
NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 3.

Advogado(a)(s): ROGERIO MARTINS DE LIMA TERCEIRIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. É

(DF - 43271) entendimento jurisprudencial desta Corte Especializada que a

imunidade de jurisdição dos Estados estrangeiros é relativa, com

respeito às demandas que envolvam atos de gestão e em que se


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS debate o direito a parcelas decorrentes da relação de trabalho. No
Tempestivo o recurso (publicação em 01/09/2020 - fls. VIA caso concreto, sendo o Reclamado pessoa jurídica de Direito
SISTEMA; recurso apresentado em 14/09/2020 - fls. 295). Público Externo, Estado Estrangeiro, não se há falar em imunidade
Regular a representação processual (fls. 64). de jurisdição relativamente a parcelas oriundas de contrato de
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV). trabalho (atos de gestão). Esclareça-se que a vantagem referida
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS pela OJ 416 da SDI-I do TST somente se dirige a entidades
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Jurisdição e públicas internacionais (ONU, FAO, etc.), não podendo ser
Competência/Imunidade de Jurisdição/Estado Estrangeiro. ampliada para favorecer também Estados estrangeiros. Agravo de
Alegação(ões): instrumento desprovido' (AIRR-475-43.2012.5.01.0046, Relator
- violação do artigo 114, da Constituição Federal. Ministro Mauricio Godinho Delgado, Ac. 3ª
- divergência jurisprudencial. T.,Publicação:18/11/2016).
A egr. 1ª Turma rejeitou a preliminar de incompetência da Justiça do AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA
Trabalho brasileira para dirimir a lide. Eis a ementa do julgado na INTERPOSTO ANTES DA LEI Nº13.015/2014. 1. EMPREGADO DE

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EMBAIXADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. consoante já analisado supra, o ato de contratação de empregado

IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO RELATIVA. Não procede a alegação praticado no Brasil trata-se de ato de Gestão, motivo pelo qual não

de ofensa ao art. 4º, IV, V, VII e IX, da Constituição Federal, há se confundir os atos decorrentes da soberania de um Estado,

mormente quando o STF já manifestou entendimento no sentido de como é o caso da organização dos Poderes e/ou definição do seu

que a imunidade de jurisdição do Estado estrangeiro frente aos respectivo orçamento, com os atos de gestão praticados pelo ente,

órgãos do Poder Judiciário Trabalhista brasileiro é relativa. Apenas que é a contratação de empregados em países estrangeiro, ato

os atos de império são acobertados pela imunidade, não meramente negocial, como é o caso dos autos.

alcançando os atos de gestão, de natureza negocial, como por Assim, se afastada a jurisdição brasileira, acaso acolhida a tese de

exemplo, os contratos e relações trabalhistas. Precedentes. (...)' defesa, estaríamos a vislumbrar primazia à soberania de um Estado

(AIRR-304-06.2011.5.10.0003, Relatora Ministra Maria Helena em um ato negocial, no caso a de Portugal, a violar a própria

Mallmann, Ac. 2ª T., Publicação: DEJT 28/10/2016). soberania do Brasil, se afastada fosse a juridicização do contrato de

Assim, o recurso de revista não merece seguimento, nos termos da trabalho da autora pelo a aplicação de nosso ordenamento jurídico

Súmula n.º 333 do col. TST. pátrio. E o nosso ordenamento, como já ditado, veda a redução

Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Salário / salarial perpetrada pela demandada, bem como proíbe a

Diferença Salarial. transferência de riscos da atividade ao trabalhador.

Alegação(ões): Por outro lado, dispõe o artigo 468 da CLT que qualquer alteração

- violação da (o) artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho; do contrato de trabalho somente será válida se realizada por

artigo 333 do Código de Processo Civil de 2015. consentimento mútuo das partes e, ainda assim, desde que não

- divergência jurisprudencial. haja qualquer tipo de prejuízo ao trabalhador, o que não é o caso,

Na fração de interesse, o. egr. Colegiado manteve a sentença do autos, no qual resta inegável a existência de prejuízo à

quanto ao deferimento de diferenças salariais, sob os seguintes reclamante diante da diminuição de seu poder remuneratório.

fundamentos: Escorreita, portanto, a decisão de origem que, reconhecendo a

'(...) superveniência de redução salarial, condenou a reclamada ao

Ante a tese defensiva, incontroverso nos autos que houve redução pagamento das diferenças salariais aferidas e respectivos reflexos

salarial nos limites indicados na peça de ingresso. sobre as demais parcelas.

Com efeito, equivoca a tese patronal de que o fato de encontrar-se Nego provimento ao recurso.'

o Estado Português em crise financeira e orçamentária amparado Em suas razões de revista, a reclamada sustenta quea reclamante

por lei portuguesas tenha o condão de decotar a remuneração não se desincumbiu do ônus de demonstrar a redução salarial

registrada em CTPS da reclamante, já que independentemente de alegada.

previsto em leis ou na Constituição daquele Estado, tais Pois bem.

instrumentos normativos, consoante já analisado supra, não se Inicialmente, anoto que a questão não foi dirimida sob as regras de

fazem aplicáveis ao contrato de trabalho da autora, mas sim a distribuição do ônus da prova, de modo que o apelo se submete à

legislação Constitucional e consolidada pátria, normas cogentes as dicção da Súmula nº 297/TST.

quais consagram a intangibilidade salarial e vedam transferir ao Ressalte-se que, para se afastar a redução salarial reconhecida no

trabalhador o risco da atividade. v. acórdão, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-

Nessa toada, dito princípio da intangibilidade do salário visa garantir probatório dos autos, o que é vedado neste momento processual

ao obreiro proteção contra descontos abusivos praticados pelo (Súmula nº 126 do TST).

empregador. Dispõe o artigo 462 da CLT as hipóteses em que a Ademais, a divergência jurisprudencial mostra-se inapta, por ser

remuneração pode ser decotada, não estando dentro de dito rol oriunda de órgãos não elencados na alínea 'a' do art. 896 da CLT

quaisquer previsões de 'descontos por lei estrangeira', sendo que a Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Ajuda / Tíquete

nossa Constituição Federal permite somente o existência de Alimentação.

redução salarial mediante acordo ou convenção coletiva (inciso VI, Alegação(ões):

do art. 7º, CF/88), o que não é o caso dos autos. - violação do(s) artigo 114 da Constituição Federal.

Ao contrário do alegado pela recorrente, tal entendimento não A egrégia Turma manteve a sentença que reconheceu a natureza

importa em questionar a legislação de soberania portuguesa, ou o salarial do auxílio-alimentação e deferiu reflexos em 13º salário,

regulamentado pela Constituição de dito país, até porque, FGTS eférias mais 1/3. Eis a ementa do julgado, na fração de

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interesse: recurso de revista, exige o reexame de fatos e provas, o que

2. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO ESPONTÂNEO. esbarra no óbice da Súmula 126 do col. TST.

AUSÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO DO INDIVÍDUO TRABALHADOR. Nego seguimento ao recurso.

NATUREZA SALARIAL. ARTIGO 458 DA CLT. INTEGRAÇÃO AO CONCLUSÃO

SALÁRIO. SÚMULA Nº 241/TST. PARCELAS REFLEXIVAS Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

DEVIDAS. SENTENÇA MANTIDA. Publique-se.

A reclamada pugna pela exclusão da condenação. Argumenta, em Assinatura

síntese, que a decisão recorrida viola a soberania portuguesa, pois Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

alegislação daquele país determina que o subsídio alimentação BRASILINO SANTOS RAMOS

écomputado apenas sobre dias trabalhados e não integra a Desembargador do Trabalho

remuneração obreira. Decisão


Processo Nº ROT-0000342-64.2020.5.10.0015
Aconclusão alcançada pelo egrégio Colegiado está em sintonia Relator JOSE LEONE CORDEIRO LEITE
com a Súmula n.º 241do colendo TST, o que inviabiliza o RECORRENTE JOSE RENATO SOARES DOS
SANTOS
processamento do recurso de revista,a teorda Súmula n.º 333 da ADVOGADO DAYSIANNE DE PAULA
CLIMACO(OAB: 50341/DF)
Corte Superior Trabalhista.
RECORRIDO BANCO DO BRASIL SA
Duração do Trabalho/Horas Extras. ADVOGADO CARLOS EDUARDO DE
CAMPOS(OAB: 267325/SP)
Alegação(ões):
ADVOGADO VANESSA BORGES LIMA(OAB:
- violação da (o) artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho; 30084/DF)

artigo 341 do Código de Processo Civil de 2015;inciso I do artigo


Intimado(s)/Citado(s):
373 do Código de Processo Civil de 2015. - BANCO DO BRASIL SA
O acórdão recorrido manteve a condenação da reclamada ao - JOSE RENATO SOARES DOS SANTOS

pagamento de horas extras, sob os seguintes fundamentos:

'(...)

Ao contrário do alegado pela recorrente, a jornada contratual


PODER JUDICIÁRIO
declinada na peça de ingresso restou confirmada pelo depoimento
JUSTIÇA DO TRABALHO
testemunhal colhido, que foi incisivo em a contratação obreira para

laborar por 34 horas semanais, bem como de que no período de Fundamentação

2013 a 2016 a jornada foi majorada para 8 horas diárias, a

comprovar, a contento, a existência de labor extraordinário posterior RECURSO DE REVISTA

à jornada contratual de 34 horas, de acordo com os limites Lei 13.015/2014

declinados na exordial

Não há se falar em reforma ou limitação do julgado já que a decisão

de origem restringiu o deferimento do labor extraordinário aos

limites delineados na lide ao deferir dito pagamento das horas

extras observando-se a jornada de 8h diárias, de segunda-feira a

quinta-feira, e 7h às sextas-feiras, no período de 31.12.13 e

31.12.15, considerando como horas extras aquelas excedentes à


Recorrente(s): BANCO DO BRASIL SA
34ª semanal.

Escorreita, portanto, a decisão de origem que condenou a

reclamada ao pagamento da rubrica em epígrafe e reflexos


Advogado(a)(s): VANESSA BORGES LIMA (DF
inerentes.
- 30084)
Nego provimento ao recurso.'

A recorrente afirma que a reclamante não comprovou a jornada de


Recorrido(a)(s): JOSE RENATO SOARES DOS
trabalho declinada na inicial. Acena com a má valoração da prova
SANTOS
oral pelo Colegiado. Pugna pela exclusão da condenação.

A revisão do acórdão recorrido, nos termos em que propostos no

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): Recorrido(a)(s): ADRIANA MARTINS CABRAL


DAYSIANNE DE PAULA
Advogado(a)(s): RAQUEL FREIRE ALVES (DF - 18963)
CLIMACO (DF - 50341)

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS Tempestivo o recurso (publicação em 28/09/2020 - fls. VIA
Tempestivo o recurso (publicação em 28/09/2020 - fls. ; recurso SISTEMA; recurso apresentado em 08/10/2020 - fls. 758).
apresentado em 08/10/2020 - fls. 425). Regular a representação processual (fls. 789/791).
Regular a representação processual (fls. 341/344). O juízo está garantido (fl(s). 604).
Satisfeito o preparo (fl(s). 441/442 e 440). PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
A 3ª Turma afastou a extinção do feito sem resolução do mérito e DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO / Liquidação /
determinou o retorno dos autos à origem para retificação do Cumprimento / Execução.
cadastro do processo no sistema PJe, com o regular Alegação(ões):
processamento do feito, como entender de direito. - violação do(s) incisos LIV, LV e XXXVI do artigo 5º, da
Inconformado, o reclamado interpõe recurso de revista contra essa Constituição Federal.
decisão. - violação da (o) artigo 884 da Consolidação das Leis do Trabalho;
Todavia, a diretriz da Súmula nº 214 do TST impede a admissão do §1º do artigo 879 da Consolidação das Leis do Trabalho; artigo 492
apelo. Isso porque, na Justiça do Trabalho, vigora o princípio da do Código de Processo Civil de 2015; §2º do artigo 7º da Lei nº
irrecorribilidade das decisões interlocutórias. 605/1949; artigo 22 da Lei nº 8212/1991.
CONCLUSÃO - divergência jurisprudencial.
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. -violação ao artigo 18, § 2º, da Instrução Normativa 1.436/2013.
Publique-se. A egr. Turma negou provimento ao agravo de petição interposto
Assinatura pelo executado, consignando na ementa do v. acórdão, naquilo que
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. diz respeito à matéria devolvida, os seguintes fundamentos:
BRASILINO SANTOS RAMOS "CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO. OBSERVÂNCIA AO Os cálculos
Desembargador do Trabalho CONTEÚDO DA COISA JULGADA. de liquidação de sentença
Decisão devem guardar absoluta reverência ao comando emergente da
Processo Nº AP-0000590-30.2015.5.10.0007
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO coisa julgada. O reconhecimento de parâmetros de liquidação não
AGRAVANTE GOL LINHAS AEREAS S.A. presentes no título executivo representa inadmissível ofensa à
ADVOGADO CARLOS JOSÉ ELIAS JÚNIOR(OAB:
10424/DF) norma do art. 5.º, XXXVI, da Lei Fundamental. É inviável aplicar
ADVOGADO OSMAR MENDES PAIXÃO parâmetros não contemplados no título judicial."
CÔRTES(OAB: 15553/DF)
AGRAVADO ADRIANA MARTINS CABRAL Em sede de recurso de revista, insiste a executada na ocorrência de
ADVOGADO RAQUEL FREIRE ALVES(OAB: descompasso entre o cálculo homologado e a decisão exequenda.
18963/DF)
Pugna pela modificação dos cálculos elaborados, ao argumento de
Intimado(s)/Citado(s): que foram apurados indevidamente os intervalos intrajornada, o
- ADRIANA MARTINS CABRAL
adicional de periculosidade, os reflexos das diferenças salariais
- GOL LINHAS AEREAS S.A.
sobre o repouso semanal remunerado, bem como as contribuições

previdenciárias cota-parte do empregador.

Como é cediço, a admissibilidade do recurso de revista, em


PODER JUDICIÁRIO
processo de execução, depende de demonstração inequívoca de
JUSTIÇA DO TRABALHO
ofensa direta e literal à Constituição Federal (art. 896, § 2º, da CLT;

Fundamentação Súmula 266/TST).

Recurso de Revista Ante esses balizamentos, sob a ótica estritamente processual,

afigura-se descabida, em sede de execução, as alegações de

Recorrente(s): GOL LINHAS AEREAS S.A. violação de texto infraconstitucional, bem como suposta divergência

Advogado(a)(s): OSMAR MENDES PAIXÃO CÔRTES (DF - 15553) jurisprudencial.

CARLOS JOSÉ ELIAS JÚNIOR (DF - 10424) De outro lado, frise-se que a afronta a dispositivo da Constituição

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 14
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Federal, autorizadora do conhecimento do recurso de revista, é a

que se verifica de forma direta e literal. No caso, o posicionamento RECURSO DE REVISTA

adotado no v. acórdão recorrido reflete a interpretação dada pelo Lei 13.015/2014

egr. Colegiado aos preceitos legais que regem as matérias. Nesse

contexto, ofensa, ainda que fosse possível admiti-la, seria

meramente reflexa, insuficiente, portanto, para autorizar o trânsito

regular do recurso de revista.

Além disso, o artigo 5º, XXXVI, da Constituição Federal encerra

conteúdo nitidamente principiológico e, nesta feição, eventual

ofensa teria natureza reflexa ou indireta, o que, com efeito, não


Recorrente(s): 1.COMPANHIA IMOBILIARIA
atende à disposição da CLT.

A tal modo, afastam-se as alegações deduzidas. DE BRASILIA TERRACAP

Inviável, pois, o processamento do recurso de revista.


Advogado(a)(s): 1.ANTONIO AMERICO
CONCLUSÃO
BARAUNA FILHO (BA - 24119)
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Publique-se.
Recorrido(a)(s): 1.EDNA GONCALVES DA
Assinatura
SILVA
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

BRASILINO SANTOS RAMOS


Advogado(a)(s): 1.FABIO CIPRIANO CHAVES
Desembargador do Trabalho
(DF - 33220)
Decisão
Processo Nº RORSum-0000140-15.2019.5.10.0018
Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO
RECORRENTE COMPANHIA IMOBILIARIA DE PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
BRASILIA TERRACAP
ADVOGADO ANTONIO AMERICO BARAUNA Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 24/09/2020; recurso
FILHO(OAB: 24119/BA)
apresentado em 06/10/2020 - fls. 656).
RECORRIDO EDNA GONCALVES DA SILVA
ADVOGADO KELEN CRISTINA TEIXEIRA Regular a representação processual (fls. 168).
SANTOS(OAB: 31390/DF)
Satisfeito o preparo (fl(s). 522, 564, 563 e 675).
ADVOGADO PRISCILLA SALES BARBOSA
SOARES(OAB: 29804/DF) PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
ADVOGADO FABIO CIPRIANO CHAVES(OAB:
33220/DF) Responsabilidade Solidária / Subsidiária.
RECORRIDO FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME Alegação(ões):
ADVOGADO RODRIGO DUQUE DUTRA(OAB:
12313/DF) - contrariedade à(s) Súmula(s) Súmula nº 331 do colendo Tribunal
RECORRIDO JOSIMIRA CIRQUEIRA CARVALHO Superior do Trabalho.
ADVOGADO KELEN CRISTINA TEIXEIRA
SANTOS(OAB: 31390/DF) - violação do(s) artigo 818 da Consolidação das Leis do
ADVOGADO PRISCILLA SALES BARBOSA Trabalho;inciso I do artigo 373 do Código de Processo Civil de
SOARES(OAB: 29804/DF)
ADVOGADO FABIO CIPRIANO CHAVES(OAB: 2015; §1º do artigo 71 da Lei nº 8666/1993.
33220/DF)
- divergência jurisprudencial: .

Intimado(s)/Citado(s): A1ªTurma manteve a decisão quereconheceu a responsabilidade


- COMPANHIA IMOBILIARIA DE BRASILIA TERRACAP subsidiária da segundaré, nos termos da Súmula nº 331 do TST.
- EDNA GONCALVES DA SILVA
Recorre de revista a segundaacionada, mediante as alegações
- FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
- JOSIMIRA CIRQUEIRA CARVALHO alhures destacadas, objetivando afastar a responsabilidade

subsidiária decretada.

Primeiramente, ressalta-se que, conforme preceitua o artigo 896, §

9º, da CLT, a admissibilidade do recurso de revista nas causas


PODER JUDICIÁRIO
sujeitas ao procedimento sumaríssimo está condicionada à
JUSTIÇA DO TRABALHO
demonstração inequívoca de violência direta à Constituição Federal
Fundamentação ou contrariedade à súmula de jurisprudência do colendo Tribunal

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 15
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Superior do Trabalho ou à súmula vinculante do excelso Supremo Recorrido(a)(s): DULCE LEA FERREIRA DA
Tribunal Federal. Dessa forma, incabível a análise de ofensa à SILVA
legislação infraconstitucional, bem como do dissenso

jurisprudencial. Advogado(a)(s): FERNANDO GOMES ARAUJO


Depreende-se do acórdão recorrido que, na qualidade de tomadora PEREIRA (TO - 9173)
e beneficiária do trabalho levado a efeito por força do contrato de

prestação dos serviços, a segundademandada não se cercou dos


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
imprescindíveis cuidados no curso da execução contratual, no
Tempestivo o recurso (publicação em 14/09/2020 - fls. VIA
sentido de atuar com o necessário desvelo para evitar o
SISTEMA; recurso apresentado em 06/10/2020 - fls. via sistema).
inadimplemento dos créditos assegurados trabalhistas devidas à
Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº
parte hipossuficiente, exsurgindo, daí, a sua corresponsabilidade.
436/TST).
Assim, o acórdão está em perfeita harmonia com a jurisprudência
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).
cristalizada na Súmula nº 331, incisos IV, Ve VI, doTST, obstando
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
o processamento do apelo (Súmulas nºs 333 doTST e 401 doSTF).
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Jurisdição e
CONCLUSÃO
Competência.
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
Alegação(ões):
Publique-se.
- violação do inciso I do artigo 109;inciso I do artigo 114, da
Assinatura
Constituição Federal.
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
- divergência jurisprudencial: .
BRASILINO SANTOS RAMOS
A egr. Turma manteve a r. sentença que declarou a competência da
Desembargador do Trabalho
Decisão Justiça do Trabalho para processar e julgar a presente demanda. O
Processo Nº ROT-0001040-41.2019.5.10.0812 v. acórdão tem a seguinte ementa:
Relator CILENE FERREIRA AMARO SANTOS
RECORRENTE FUNDACAO NACIONAL DE SAUDE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. RECOLHIMENTO
RECORRIDO DULCE LEA FERREIRA DA SILVA DO FGTS. EMPREGADO ADMITIDO PELA ADMINISTRAÇÃO
ADVOGADO FERNANDO GOMES ARAUJO
PEREIRA(OAB: 9173/TO) PÚBLICA SEM CONCURSO PUBLICO, SOB REGIME DA

CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO, COM ANOTAÇÃO


Intimado(s)/Citado(s):
DA CTPS, ANTES DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, NÃO
- DULCE LEA FERREIRA DA SILVA
ABRANGIDO PELA ESTABILIDADE PREVISTA NO ART. 19 DO

ADCT. TRANSMUDAÇÃO DE REGIME. NÃO OCORRÊNCIA.

RECOLHIMENTO DO FGTS. O entendimento da Terceira Turma


PODER JUDICIÁRIO que a competência da Justiça do Trabalho é aferida pela causa de
JUSTIÇA DO TRABALHO pedir e do pedido. No caso, o pedido é de recolhimento do FGTS,

logo, não há falar em incompetência.


Fundamentação
Repisa a recorrente a tese de incompetência material desta Justiça

Especializada. Aduz que o vínculo que há entre as partes, que,


RECURSO DE REVISTA
inicialmente, ostentava natureza empregatícia, de há muito perdeu
Tramitação Preferencial
dito caráter, havendo, na atualidade, e desde 1990, relação

estatutária.

A iterativa e atual jurisprudência do col. TST enfatiza que o servidor

público contratado menos de 5 anos antes do advento da

Constituição Federal de 1988, ou seja, posteriormente a 5/10/1983

e anterior a 4/10/1988, sem prévia submissão a concurso público,


Recorrente(s): FUNDACAO NACIONAL DE não foi alcançado pela estabilidade prevista no art. 19, caput , do

SAUDE ADCT, razão pela qual permaneceu regido pela CLT, mesmo após

a instituição do Regime Jurídico Único pela Lei nº 8.112/1990, não

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 16
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

se inserindo, portanto, na situação examinada pelo Tribunal Pleno divergência jurisprudencial). Tratando-se de recurso interposto em

da col. Corte trabalhista superior, nos autos do processo TST-AIRR- face de decisão regional que se mostra em possível contrariedade à

105100-93-1996.5.04.0018, motivo por que remanesce a jurisprudência desta Corte (ArgInc-105100-93.1996.5.04.0018),

competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar os revela-se presente a transcendência política da causa (art. 896-A,

litígios com a Administração Pública. Nesse sentido, precedentes: §1º, inciso II, da CLT) a justificar o prosseguimento do exame do

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE EMBARGOS. COMPETÊNCIA apelo. Quanto à questão de fundo, o Tribunal Pleno desta Corte,

DA JUSTIÇA DO TRABALHO. EMPREGADO NÃO ESTÁVEL nos autos do processo TST-ArgInc-105100-93.1996.5.04.0018,

ADMITIDO ANTES DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. examinando controvérsia envolvendo a lei estadual que foi objeto de

IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMUDAÇÃO DE REGIME JURÍDICO apreciação pelo STF na ADI 1.150/RS, firmou o entendimento de

CELETISTA PARA ESTATUTÁRIO SEM PRÉVIA APROVAÇÃO que, no julgamento desta ação, o STF vedou tão somente a

EM CONCURSO PÚBLICO. 1. A Eg. 6ª Turma deu provimento ao transposição automática dos servidores celetistas admitidos sem

recurso de revista do reclamante, 'para, diante da constatação de concurso público em cargo de provimento efetivo, sem afastar a

que não houve transmudação do regime jurídico e de que o validade da mudança do regime celetista para o estatutário dos

reclamante permaneceu com vínculo celetista durante todo o pacto empregados estabilizados pelo artigo 19 do ADCT. Todavia, no

laboral, reformar o acórdão recorrido e condenar o ente público caso dos autos, consta do acórdão recorrido que o reclamante foi

reclamado ao pagamento dos depósitos de FGTS contratado em 02/05/1988, ou seja, menos de 5 anos antes do

incontroversamente não recolhidos a partir da adoção do regime advento da Constituição Federal de 1988, sem prévia submissão a

jurídico único no Município de João Pessoa'. 2. A formação de concurso público, não tendo, assim, alcançado a estabilidade

vínculo de emprego em período anterior à promulgação da prevista no artigo 19, caput , do ADCT. Desta forma, a formação de

Constituição Federal de 1988, à revelia de concurso público, vínculo de emprego em período anterior à promulgação da

desautoriza a transposição automática do regime celetista para o Constituição Federal de 1988, sem a realização de concurso

estatutário (ADI-1.150/RS-STF). 3. Quanto ao tema, o Pleno deste público, desautoriza a mudança do regime celetista para o

Tribunal concluiu, com remissões ao julgamento do STF na ADI estatutário. Recurso de revista conhecido e provido (RR-152-

1.150/RS, no ArgInc-105100-93.1996.5.04.0018, de relatoria da 33.2018.5.13.0001, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, 7ª

Ministra Maria Helena Mallmann, em julgamento ocorrido em Turma, DEJT 18/09/2020).

21.8.2017, que apenas os servidores estáveis vinculados à CLT, A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

contratados sem concurso público, ficam, com a superveniência de EMPREGADO CELETISTA CONTRATADO SEM CONCURSO

Lei instituindo Regime Jurídico Único, vinculados ao regime PÚBLICO ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA CF/1988.

estatutário. 4. Assim, para o caso dos autos, tem-se, como bem SERVIDOR NÃO ESTABILIZADO. ART. 19 DO ADCT. MUDANÇA

registrou a Eg. Turma de origem, que, tendo a contratação DE REGIME JURÍDICO. EXTINÇÃO DO CONTRATO.

acontecido em 1984, antes do advento da Constituição Federal de IMPOSSIBILIDADE. Em face da configuração de divergência

1988, sem prévia submissão a concurso público, subsiste o regime jurisprudencial, dá-se provimento ao agravo de instrumento para

celetista, com a competência da Justiça do Trabalho. Precedentes determinar o processamento do recurso de revista. Agravo de

da SBDI-1. Incidência do óbice do art. 894, § 2º, da CLT. Agravo instrumento conhecido e provido. B) RECURSO DE REVISTA.

conhecido e desprovido. (Ag-E-RR-1704-64.2017.5.13.0002, EMPREGADO CELETISTA CONTRATADO SEM CONCURSO

Relator MinistroAlberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Subseção PÚBLICO ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA CF/1988.

I Especializada em Dissídios Individuais, Publicação: 09/10/2020) SERVIDOR NÃO ESTABILIZADO. ART. 19 DO ADCT. MUDANÇA

RECURSO DE REVISTA. RECURSO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DE REGIME JURÍDICO. EXTINÇÃO DO CONTRATO.

DA LEI Nº 13.467/2017. LEI MUNICIPAL INSTITUIDORA DE IMPOSSIBILIDADE. Trata-se de reclamação trabalhista ajuizada

REGIME JURÍDICO ESTATUTÁRIO. EMPREGADO ADMITIDO contra ente público por empregada admitida em 1º/4/1988, sem

SEM CONCURSO PÚBLICO MENOS DE 5 ANOS ANTES DA concurso público, anteriormente à vigência da Constituição Federal

PROMULGAÇÃO DA CF/88. AUSÊNCIA DE ESTABILIDADE. de 1988, pleiteando verbas trabalhistas, notadamente recolhimentos

IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMUDAÇÃO AUTOMÁTICA DO do FGTS. A Corte de origem consigna a existência de Lei Municipal

REGIME. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. específica que determinou a alteração do regime jurídico dos

(violação aos arts. 37, inciso II, e 114, I, da Constituição Federal e servidores, de celetista para estatutário. Nesse contexto, o

19, § 1º, do ADCT, contrariedade à Súmula nº 362 do TST e Regional, conquanto tenha declarado a competência material da

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 17
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Justiça do Trabalho para apreciar os pedidos deduzidos no presente a conversão automática do regime celetista para o estatutário não

feito, julgou improcedente o pedido de recolhimento do FGTS se aplica aos empregados celetistas admitidos sem concurso

relativo ao período posterior à conversão do regime, ao fundamento público após 5/10/1983, haja vista o óbice contido no art. 37, II, da

de que não há previsão legal para o deferimento da verba para o Constituição Federal de 1988, pois que não possuem os cinco anos

período posterior à mudança. Ocorre que, ao contrário do de efetivo exercício anteriores à promulgação da CR/88 que lhe

entendimento proferido, a hipótese examinada pelo Tribunal Pleno dariam direito à estabilidade de que trata o art. 19 do ADCT .

desta Corte, nos autos do processo nº TST-ArgInc - 105100- Recurso de Revista conhecido e provido. (RR - 180-

93.1996.5.04.0018, abordou a competência desta Justiça 50.2018.5.13.0017, Data de Julgamento: 25/09/2019, Relator

especializada para o exame de ação ajuizada por empregado Ministro: Luiz José Dezena da Silva, 1ª Turma, Data de Publicação:

celetista admitido sem concurso anteriormente à vigência da DEJT 27/09/2019)

Constituição Federal de 1988. Na oportunidade, o Tribunal Pleno [[...] COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. EMPREGADO

rejeitou a arguição de inconstitucionalidade da lei estadual que ADMITIDO SEM CONCURSO PÚBLICO, MENOS DE 5 ANOS

instituiu o regime jurídico estatutário, reputando válida a alteração ANTES DA PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE

do regime dos servidores públicos celetistas estabilizados na forma 1988. NÃO ESTABILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DA

do art. 19 do ADCT, os quais, ainda que não investidos em cargo TRANSMUDAÇÃO AUTOMÁTICA DO REGIME JURÍDICO. É

efetivo, se submetem ao aludido regime estatutário. Entretanto, a inviável a conversão automática do regime celetista para o

reclamante, in casu, foi admitida em 1º/4/1988, não sendo detentora estatutário, na hipótese de servidores admitidos sem aprovação em

da estabilidade prevista no art. 19 do ADCT, razão pela qual concurso público antes da Constituição Federal de 1988 e ainda

permaneceu regida pela CLT mesmo depois da instituição do não estáveis (artigo 19 do ADCT). Assim, permanece vinculado à

Regime Jurídico Único . Recurso de revista conhecido e provido. legislação trabalhista, circunstância que atrai a competência da

(RR-334-83.2018.5.13.0012, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, Justiça do Trabalho. Precedentes. Agravo de instrumento conhecido

8ª Turma, DEJT 04/10/2019) e não provido. (AIRR - 437-46.2015.5.22.0109, Data de Julgamento:

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 18/09/2019, Relator Ministro: Cláudio Mascarenhas Brandão, 7ª

INTERPOSIÇÃO NA VIGÊNCIA DA LEI N.º 13.467/2017. Turma, Data de Publicação: DEJT 27/09/2019);

TRANSCENDÊNCIA DA CAUSA. Considerando a possibilidade de RECURSO DE EMBARGOS. REGÊNCIA DA LEI Nº 11.496/2007.

a decisão recorrida contrariar entendimento pacificado no TST, e SERVIÇO PÚBLICO. ADMISSÃO ANTES DA CONSTITUIÇÃO DE

diante da função constitucional uniformizadora desta Corte, há de 1988 PELO REGIME DA CLT. AUSÊNCIA DE APROVAÇÃO EM

se reconhecer a transcendência política, nos termos do art. 896-A, § CONCURSO PÚBLICO. SERVIDOR NÃO ESTÁVEL.

1.º, II, da CLT. EMPREGADA ADMITIDA ANTES DA TRANSPOSIÇÃO DE REGIMES. DEPÓSITOS DO FGTS. 1. O

CONSTITUIÇÃO DE 1988 (EM 18/1/1986) SEM CONCURSO Tribunal Pleno desta Corte, nos autos da Arguição de

PÚBLICO. NÃO ESTABILIZADA NA FORMA DO ART. 19 DO Inconstitucionalidade nº 105100-93.1996.5.04.0018 (DEJT

ADCT. POSTERIOR INSTITUIÇÃO DE REGIME JURÍDICO 18/9/2017), firmou entendimento no sentido de que aos servidores

ÚNICO. LEI MUNICIPAL N.º 211/2001. TRANSMUDAÇÃO públicos admitidos anteriormente a 5/10/1983, pelo regime da CLT,

AUTOMÁTICA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizada a e dotados da estabilidade aludida no art. 19 do ADCT, embora não

violação do artigo 37, II, da Constituição Federal, admite-se o admitido o provimento do cargo público, considera-se constitucional

Recurso de Revista. Agravo de Instrumento conhecido e provido. a transmudação automática para o regime estatutário. Precedentes

RECURSO DE REVISTA. EMPREGADA ADMITIDA ANTES DA do STF. 2. A hipótese dos autos, por outro lado, comporta distinção,

CONSTITUIÇÃO DE 1988 (EM 18/1/1986) SEM CONCURSO por se tratar de servidora pública admitida em 1984, não detentora

PÚBLICO. NÃO ESTABILIZADA NA FORMA DO ART. 19 DO da estabilidade prevista no art. 19 do ADCT, e que, portanto,

ADCT. POSTERIOR INSTITUIÇÃO DE REGIME JURÍDICO permaneceu regida pela CLT mesmo após a instituição do Regime

ÚNICO. LEI MUNICIPAL N.º 211/2001. TRANSMUDAÇÃO Jurídico Único. 3. A eg. Sexta Turma, ao aplicar a prescrição bienal

AUTOMÁTICA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. O Regional, ao à pretensão de depósitos de FGTS, por entender que o prazo se

entender pela ocorrência da mudança automática de regime, iniciou com a vigência da Lei nº 8.112/90, considerando, ainda,

bastando a mera edição de lei municipal, o que delimita a indevidos os depósitos posteriores a essa data, ante a transposição

competência da Justiça do Trabalho ao período anterior à vigência da autora para o regime estatutário, contrariou, por má-aplicação, o

de tal lei, contrariou a jurisprudência desta Corte, no sentido de que disposto na Súmula nº 382 deste Tribunal Superior. Precedente

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 18
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

desta Subseção. Recurso de embargos conhecido e provido. ( E-RR extinção do contrato de trabalho para o ajuizamento de ação

-82940-85.2006.5.23.0021, Relator Ministro Walmir Oliveira da reclamando o recolhimento dos depósitos do FGTS. No caso dos

Costa, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DEJT autos, o contrato de trabalho da reclamante está em vigência, não

24/08/2018). havendo prescrição bienal a ser pronunciada. Incidência da Súmula

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. nº 333 e do artigo 896, §7º, da CLT. Registre-se que o STF,

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. EMPREGADO conquanto tenha decidido que a prescrição aplicável às demandas

ADMITIDO ANTES DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 SEM de cobrança dos depósitos do FGTS é quinquenal, nos termos do

CONCURSO PÚBLICO. O Tribunal Superior do Trabalho consagra artigo 7º, XXIX, da Constituição Federal, e não trintenária, como

a impossibilidade de transmutação automática do regime celetista previa os artigos 25, § 5º, da Lei nº 8.036/90 e 55 do Decreto nº

para o estatutário do servidor investido em cargo público, antes da 99.684/90, modulou os efeitos do seu decisum, de modo que

vigência da Constituição Federal de 1988, sem a prévia aprovação somente atingirá as prescrições iniciadas ou em andamento na data

em concurso público, de modo que continua regido pela CLT, razão de 13.11.2014 (data do mencionado julgamento), não sendo esta a

pela qual remanesce a competência da Justiça do Trabalho para hipótese dos autos. Agravo de instrumento a que se nega

julgar e processar os feitos dessa natureza. Precedentes. provimento. (...) (ARR - 319-74.2013.5.22.0001, Relator Ministro:

PRESCRIÇÃO DO FGTS. Conforme se constata, não houve Guilherme Augusto Caputo Bastos, 5ª Turma, DEJT 13/10/2017).

extinção do vínculo empregatício,tendo em vista a impossibilidade No caso, extrai-se do contexto fático delimitado no v. acórdão

da transmudação de regime, em face do óbice do art. 37, II, da recorrido, o que é insuscetível dereexame nesta

Constituição Federal. Logo, não se há falar em prescrição bienal do oportunidade(Súmula 126/TST),que a reclamante 'recebe pensão

art.7º, XXIX, da Constituição Federal. Agravo de instrumento em razão do falecimento de seu marido que fora admitido pela

conhecido e desprovido. (AIRR - 238-84.2014.5.06.0018, Relator reclamada, em 9/9/1987', sob o regime celetista, sem concurso

Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: público.

14/03/2018, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 16/03/2018)(..) Nesse contexto, o falecido esposo da autora não foi alcançado pela

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CONTRATAÇÃO estabilidade prevista no art. 19 do ADCT, estando, portanto, o

ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE1988 PELO REGIME contrato de trabalho não sujeito à extinção automática com a

CELETISTA. CONVERSÃO AUTOMÁTICA DE REGIME. transmutação de regime para o estatutário.

AUSÊNCIA DE PRÉVIA APROVAÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO. Assim, não se constata violação dospreceitos da Constituição

Esta Corte pacificou o entendimento de que a instituição por parte Federal invocadosnas razões do recurso.

doente público de regime jurídico único não enseja a transmudação Sob o viés do dissenso pretoriano, o recurso de revista, no

automática do regime celetista para o regime estatutário, particular, também nãomerece impulso.O aresto oriundo da SBDI1

permanecendo o empregado público regido pela CLT, o que atrai a do col. TST acima citado torna superados todos aqueles que com

competência da Justiça do Trabalho para julgar o feito. ele não se coadunem. Oportuno salientar, aliás, que aresto

PRESCRIÇÃO. FGTS. A prescrição aplicável à hipótese é a originário do STF ou do STJ desservem para a finalidade pretendida

trintenária, nos termos Súmula 362, II, desta Corte, tal como (CLT, art. 896, a).

declarado pelo Regional. Agravo de instrumento a que se nega Além do mais,no caso, aparte não procedeu ao cotejo analítico

provimento. (AIRR - 658-28.2014.5.06.0006 , Relatora Ministra: entre os fundamentos do v. acórdão recorrido e a divergência

Maria Helena Mallmann, Data de Julgamento: 13/12/2017, 2ª jurisprudencial apontada. Com efeito, cingiu-se a transcrever

Turma, Data de Publicação: DEJT 19/12/2017)(...) 3. arestos paradigmas, sem, contudo, expor as razões do pedido de

PRESCRIÇÃO. FGTS. EMPREGADO CELETISTA. reforma, nem apontar nenhum fundamento jurídico a respeito da

TRANSMUDAÇÃO DE REGIME. INEXISTÊNCIA. NÃO questão, além de não esclarecer em que medida a d. decisão

PROVIMENTO. Inexistindo transmudação de regime jurídico Colegiada teria divergido dos casos confrontados. Registre-se quea

celetista para estatutário, não há falar na incidência da Súmula nº jurisprudência predominante no col. Tribunal Superior do Trabalho

382, a qual dispõe que na referida mudança ocorre a extinção do define que o pressuposto legal não se atende com a mera indicação

contrato de trabalho, fluindo o prazo da prescrição bienal a partir da da folha do trecho do acórdão, da sinopse da decisão, da

alteração. Por outro lado, a Súmula nº 362 orienta que a prescrição transcrição da ementa, da parte dispositiva ou do inteiro teor do

da pretensão ao recolhimento da contribuição para o FGTS é acórdão recorrido. A exigência consiste em apontar o

trintenária, observado o prazo de dois anos contados da data da prequestionamento, salvo vício nascido na própria decisão, e

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comprová-lo mediante a transcrição textual e destacada da tese consignado na decisão agravada, não foram satisfeitas. (Ag-AIRR-

adotada pela Turma. 11346-55.2017.5.15.0083, Relator Ministro Jose Roberto Freire

Ao assim proceder, a parte deixou de observar o disposto no art. Pimenta, 2ª Turma, DEJT 28/08/2020).

896, § 1.º-A, II, III, e § 8.º, da CLT, o que obsta o conhecimento do AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM

recurso de revista. RECURSO DE REVISTA. NÃO OBSERVÂNCIA DO REQUISITO

Nesse sentido, é a iterativa e atual jurisprudência do col. TST: DE ADMISSIBILIDADE DO ART. 896, § 1.º-A, DA CLT. A despeito

[[...] Recursos baseados em meros apontamentos de dispositivos das razões expostas pela agravante, deve ser mantida a decisão

tidos como violados ou na mera transcrição de arestos paradigmas, pela qual foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento, pois

sem a indicação, ponto a ponto, do trecho da decisão recorrida que não observados os requisitos elencados no art. 896, § 1.º-A, da

a Parte entende ser ofensivo à ordem legal ou divergente de outro CLT. Dentre os pressupostos intrínsecos de admissibilidade do

julgado, de fato, não merecem seguimento. O propósito do art. 896, Recurso de Revista, acrescidos pela Lei n.º 13.015/2014, consta a

§ 1º-A, da CLT, é impor ao recorrente objetividade, de modo a exigência de que o recorrente faça o cotejo analítico entre o trecho

indicar assertivamente as teses adotadas pelo Tribunal Regional e da decisão recorrida que abarca a tese jurídica impugnada e as

por quais razões o acórdão estaria em desacordo normativo ou afrontas legais e/ou constitucionais ou dissenso de teses indicados

jurisprudencial. Este Colegiado tem interpretado a norma de acordo (art. 896, § 1.º-A, III, da CLT). Uma vez não observado o comando

com a sua finalidade, qual seja, a de tornar a análise dos recursos legal, o Recurso não deve ser admitido. Agravo conhecido e não

de competência deste Tribunal Superior mais objetiva, célere e provido. (Ag-AIRR - 11664-92.2015.5.01.0052 , Relator Ministro Luiz

precisa, eliminando a antiga prática de se interpor o recurso com José Dezena da Silva, 1ª Turma, DEJT 16/08/2019)

alegações genéricas e abstratas, sem o cotejo com a decisão AGRAVO DE INSTRUMENTO. EQUIPARAÇÃO SALARIAL.

proferida pela Corte a quo . Nesse sentido, incumbia ao recorrente INTERVALO DO ARTIGO 384 DA CLT. INOBSERVÂNCIA DO

indicar a parte específica dessa decisão em que se encontrava a ART. 896, § 1º-A, I E III, DA CLT. A parte recorrente não atende ao

tese jurídica combatida (art. 896, § 1.º-A, I), realizando o confronto requisito descrito no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, na medida em que

com os dispositivos legais apontados (art. 896, § 1.º-A, II e III) e/ou efetua apenas a transcrição integral da decisão recorrida, sem

com a divergência jurisprudencial (art. 896, § 8.º, da CLT). Não qualquer destaque dos trechos que consubstanciam o

merece prosperar, portanto, agravo de instrumento que visa a prequestionamento da tese que pretende debater; logo, trata-se de

destrancar recurso de revista que não preenche os pressupostos transcrição genérica que não atende ao aludido requisito. Do

formais de admissibilidade. (AIRR-1602-33.2016.5.10.0011, mesmo modo, não logrou atender à exigência contida no art. 896, §

Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, 2ª Turma, DEJT: 1º-A, III, da CLT. Isso porque não há nas razões recursais cotejo

04/09/2020) analítico por meio do qual o recorrente tenha demonstrado que a

AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE decisão impugnada ofendeu especificamente a literalidade dos

REVISTA. DIFERENÇAS DE ADICIONAL NOTURNO. RECURSO dispositivos indicados . Agravo de instrumento de que se conhece e

DE REVISTA QUE NÃO ATENDE AOS REQUISITOS DISPOSTOS a que se nega provimento. (AIRR- 21233-71.2015.5.04.0008,

NO ARTIGO 896, §§ 1º-A, INCISO III, E 8º, DA CLT. AUSÊNCIA DE Relatora Desembargadora Convocada Cilene Ferreira Amaro

IMPUGNAÇÃO ANALÍTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO Santos, 6.ª Turma, DEJT 16/8/2019)

CIRCUNSTANCIAL DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

merece provimento o agravo que não desconstitui os fundamentos RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INDICAÇÃO DO INTEIRO

da decisão monocrática, pela qual foi denegado seguimento ao TEOR DO ACÓRDÃO REGIONAL DISSOCIADO DAS RAZÕES DE

agravo de instrumento em face da ausência de preenchimento dos REFORMA. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS

requisitos previstos no artigo 896, §§ 1º-A e 8º, da CLT. Verifica-se, ELENCADOS NO ARTIGO 896, § 1.º-A, I E III, E § 8.º DA CLT. A

da análise das razões do recurso de revista, que a parte, de fato, indicação do inteiro teor do acórdão regional no início do Recurso

não cuidou em demonstrar, analiticamente, a ofensa aos de Revista, totalmente dissociada das razões de reforma, não

dispositivos por ela indicados, como ordena o art. 896, § 1º-A, inciso atende às determinações da Lei n.º 13.015/2014 . Apesar de

III, da CLT, tampouco procedeu à indicação circunstancial da parecer, num primeiro momento, que foram cumpridas as

divergência jurisprudencial na forma ordenada no § 8º do determinações do inciso I do § 1.º-A do artigo 896 da CLT, o fato é

mencionado artigo, de forma que as exigências processuais que o Recorrente não só não demonstra o prequestionamento da

contidas nos referidos dispositivos, na hipótese, assim como controvérsia como também não obedece à determinação do inciso

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III do referido dispositivo legal, desse modo não houve delimitação artigo 37; §3º do artigo 39; artigo 97, da Constituição Federal.

da tese jurídica e, por conseguinte, a demonstração analítica do - violação do artigo 243, §§1º e 7º, da Lei nº 8.112/1990.

dispositivo de lei supostamente ofendido e do fundamento jurídico - divergência jurisprudencial: .

adotado pelo Regional. O § 8.º, parte final, do art. 896, da CLT, é Em prosseguimento,a egr. Turma reconheceu que subsistiu a

claro ao dispor que o Recorrente deverá mencionar, 'em qualquer vinculação do cônjuge da autora ao regime jurídico celetista e,

caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos rejeitando a prejudicial de prescrição,condenou a reclamada ao

confrontados'. Logo, não basta para que seja conhecido o Apelo por recolhimento das contribuições para o FGTS relativos ao período de

divergência jurisprudencial unicamente a transcrição do aresto, duração do vínculo empregatício, conforme ementas a seguir:

sendo necessário, repise-se, que a parte recorrente especifique o 3. PRESCRIÇÃO BIENAL A CONTAR DA DATA DA

cenário que iguale ou aproxime os casos analisados . Agravo de APOSENTADORIA. Não há nos autos prova de aposentadoria do

Instrumento conhecido e não provido. (AIRR-831- empregado, aliás, sequer foi indicada qual teria sido a data dessa

09.2016.5.08.0206, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4.ª aposentadoria, logo, não há como acolher a prescrição bienal

Turma, DEJT 23/3/2018) alegada.

'RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 4. TRANSMUDAÇÃO DE REGIME. EMPREGADO NÃO

13015/2014. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. ESTABILIZADO NA FORMA DO ART. 19 DO ADCT. Conforme

PRESCRIÇÃO BIENAL. INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO A entendimento firmado pelo TST, os empregados admitidos antes da

DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL E DE CONFLITO CR/88, mas após 5/10/1983, os quais não foram abrangidos pela

JURISPRUDENCIAL SEM DEFINIÇÃO DO TRECHO DA DECISÃO estabilidade do art. 19 do ADCT, permanecerão no regime celetista

RECORRIDA E SEM CONFRONTO ANALÍTICO. até que sejam aprovados em concurso público. Assim, não ocorrerá

IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. A recorrente se a conversão de regime para o estatutário ainda que tal alteração

descuidou de cumprir requisito essencial a viabilizar a apreciação esteja prevista na lei de implementação do Regime Jurídico Único,

do recurso de revista. A ausência de indicação do trecho da v. porquanto o simples texto legal não é suficiente para afastar a regra

decisão que consubstancia o prequestionamento da matéria e o constitucional do concurso público para investidura em cargo ou

confronto analítico entre a tese recorrida e a violação constitucional emprego público (art. 37, II, do CR). No caso, o empregado foi

e mesmo o conflito jurisprudencial indicado inviabiliza o contratado pela Administração Pública em 1986, com anotação na

conhecimento do recurso de revista, nos termos do §1º-A, I e III, do CTPS, sem concurso público, portanto o advento da Lei nº

art. 896 da CLT. Ressalte-se que a alteração legislativa contida na 8.112/1990 não alterou automaticamente o regime jurídico que

norma traduz a obrigação das partes levar ao Tribunal Superior a continua sendo regido pelas regras da CLT.

matéria recursal de modo a viabilizar o reconhecimento da tese 5. PRESCRIÇÃO DOS RECOLHIMENTOS DO FGTS. A prescrição

jurídica que se pretende colocar em debate, com o devido confronto dos créditos trabalhistas é regida pelo art. 7º, XXIV da CR, portanto

analítico, demonstrando os requisitos do art. 896 da CLT, com o fim inaplicável o Decreto nº 20.910/32, indicado pela reclamada.

maior de racionalizar e efetivar a jurisdição. Recurso de revista não Conforme esposado no tópico anterior, não houve transmudação do

conhecido.' (RR-2007-71.2013.5.05.0251, Relator Ministro: Aloysio regime jurídico da autora, a qual permanece em uma relação

Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DEJT 04/05/2015) celetista com a reclamada. Assim, não houve extinção do contrato

Assim, em face das Súmulas 126 e 333/TST e do art. 896, §7º, da de trabalho, o que afasta aplicação da Súmula 382/TST e o

CLT, não se processa o recurso de revista. reconhecimento da prescrição bienal. Nos termos da Súmula 362, II,

do TST e da decisão do STF no ARE 709212/DF, a prescrição dos

CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO/ADMINISTRAÇÃO depósitos do FGTS exigíveis antes de 13/11/2014, como é o caso

PÚBLICA/CONVERSÃO DE REGIME JURÍDICO/FGTS/BASE DE dos autos, é trintenária. Ajuizada a ação em 14/11/2019 pleiteando

CÁLCULO. os depósito do FGTS a partir de 1990, não há prescrição a declarar.

Alegação(ões): 6. RECOLHIMENTO DO FGTS. EMPREGADO ADMITIDO PELA

- contrariedade às Súmulas nºs 243 e382 do Tribunal Superior do ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA SEM CONCURSO PUBLICO, SOB

Trabalho. REGIME DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO, COM

- contrariedade à Súmula Vinculante nº 10 do excelso Supremo ANOTAÇÃO DA CTPS, ANTES DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE

Tribunal Federal. 1988, NÃO ABRANGIDO PELA ESTABILIDADE PREVISTA NO

- violação dos incisos IV,VIII,XXIV e XXIXdo artigo 7º; inciso II do ART. 19 DO ADCT. TRANSMUDAÇAO DE REGIME. NÃO

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OCORRÊNCIA. CONSEQUÊNCIAS. Tratando-se de empregado 1988, sem concurso público, permanecem regidos pela

contratado pelo regime da CLT e não tendo havido transmudação Consolidação das Leis do Trabalho, mesmo após a instituição de

do regime, devidos os depósitos do FGTS durante o período do Regime Jurídico Único. Precedentes desta Corte superior. 3 . Tendo

contrato de trabalho. em vista que o reclamante foi admitido pelo ente público em

Recorre a demandada para sustentar a validade da mudança do 1/9/1988, sem aprovação em concurso público, conclui-se que a

regime jurídico de celetista para estatutário, bem como para que se conversão do regime contratual de celetista para estatuário não teve

proncuncie a prescrição da pretensão autora, além de se o condão de investi-lo no cargo público fruto da conversão. Num tal

insurgircontra a condenação ao pagamento de FGTS. contexto, mantida a regência da Consolidação das Leis do Trabalho

Segundo se viu no tópico precedente, no caso concreto,o esposo sobre a relação jurídica em exame, não há prescrição bienal a ser

falecido dareclamante foi admitido em período inferiora cinco anos declarada na hipótese . 4. Recurso de Revista conhecido e provido.

anteriores à promulgação da Constituição Federal (1987), situação, (RR-412-76.2018.5.21.0005, Relator MinistroLelio Bentes Correa,

portanto, que afasta qualquer consideraçãorelativa a 6ª Turma, Publicação: 09/10/2020).

suaestabilidade. Em tal hipótese,a iterativa e atualjurisprudência I - AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROVIMENTO. COMPETÊNCIA

da col. Corte Superior Trabalhista é no sentido denãoser operar a DA JUSTIÇA DO TRABALHO. EMPREGADA ADMITIDA, NOS

transmudação automática de regime, tendo em vista o ingresso na QUADROS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL, SOB O

Administração Pública sem concurso público, sob pena de ofensa REGIME DA CLT E SEM PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO,

ao artigo 37, inciso II, da Constituição da República. E, nesse AUSÊNCIA DA ESTABILIDADE PREVISTA NO ARTIGO 19 DO

contexto, o col. TST firmou o entendimento de que não há solução ADCT DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. A potencial ofensa ao

de continuidade do contrato de trabalho, circunstância que afasta a art. 37. II, da Constituição da República encoraja o processamento

prescrição bienal em relação ao período anterior à mudança do do recurso de revista, na via do art. 896, 'c', da CLT. Agravo de

regime e confere o direito aos depósitos de FGTS no período instrumento conhecido e provido. II - RECURSO DE REVISTA.

posterior. Logo, não se aplica à hipótese vertente, o teor da Súmula COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. EMPREGADA

382/TST. Precedentes: ADMITIDA, NOS QUADROS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI MUNICIPAL, SOB O REGIME DA CLT E SEM PRÉVIO

N.º 13.467/2017. PRESCRIÇÃO BIENAL. EMPREGADO PÚBLICO. CONCURSO PÚBLICO, AUSÊNCIA DA ESTABILIDADE

ADMISSÃO SEM PRÉVIA APROVAÇÃO EM CONCURSO PREVISTA NO ARTIGO 19 DO ADCT DA CONSTITUIÇÃO DA

PÚBLICO POSTERIORMENTE A 5/10/1983 E ANTES DE REPÚBLICA. O ingresso nos quadros da Administração Pública

5/10/1988. TRANSMUDAÇÃO AUTOMÁTICA DO REGIME pode ocorrer tanto pelo regime estatutário, quanto pelo celetista. É

JURÍDICO CELETISTA PARA ESTATUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. regido pela CLT o empregado cujo contrato de trabalho tenha

JURISPRUDÊNCIA ITERATIVA E NOTÓRIA DO TRIBUNAL iniciado antes do advento da Constituição da República de 1988,

SUPERIOR DO TRABALHO . TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA mas não conte com cinco anos quando do advento da Lex Legum,

RECONHECIDA . 1. Controverte-se nos autos acerca da aplicação tal qual ocorreu no caso vertente. Diante desse cenário, não se

da prescrição bienal total à pretensão de recolhimento do FGTS, em cogita de transmudação do regime celetista para o estatutário, sob

razão da instituição de regime jurídico único pelo Estado reclamado. pena de ofensa ao art. 37, II, da Constituição Federal,

2. Por ocasião do julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade permanecendo com esta Justiça Especializada a competência para

n.º ArgInc-105100-93.1996.5.04.0018, o Tribunal Pleno desta Corte processar e julgar demanda . A jurisprudência assente, no âmbito

uniformizadora, à luz do julgamento proferido pelo Supremo do TST , sedimentou o entendimento no sentido de que, nesses

Tribunal Federal no ADI 1.150/RS, pacificou o entendimento de que casos, inexiste solução de continuidade do contrato de trabalho,

a transmudação automática do regime jurídico - a partir da circunstância que afasta a prescrição bienal e confere direito aos

instituição, pelos entes públicos contratantes, de Regime Jurídico depósitos de FGTS por todo o período. Recurso de revista

Único - relativamente aos empregados contratados, sem concurso conhecido e provido' (RR-22-91.2018.5.06.0242, 3ª Turma , Relator

público, antes da promulgação da Constituição da República de Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT

1988, opera-se apenas em relação àqueles albergados pela 06/03/2020).

estabilidade prevista no artigo 19 do ADCT. A contrario sensu , os (...) II - RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.467/2017.

empregados admitidos no serviço público em data posterior a TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. EMPREGADO NÃO

5/10/1983 e antes da promulgação da Constituição da República de ESTÁVEL ADMITIDO ANTES DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

1988. TRANSMUDAÇÃO DE REGIME JURÍDICO CELETISTA de cálculo por ausência de sucumbência, entendimento que não foi

PARA ESTATUTÁRIO SEM PRÉVIA APROVAÇÃO EM objeto de insurgência adequada pela recorrente (Súmulas 297 e

CONCURSO PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DA 422/TST).

JUSTIÇA DO TRABALHO. PRESCRIÇÃO BIENAL. INEXISTÊNCIA. Denega-se seguimento ao apelo.

Conforme jurisprudência desta Corte, se o empregado não foi CONCLUSÃO

submetido a concurso público e não é estável, revela-se inviável a Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

conversão automática de regime jurídico, de celetista para Publique-se.

estatutário, independentemente da existência de norma Assinatura

estabelecendo a mudança, motivo pelo qual permanece regido pela Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

CLT e deve ser mantida a competência desta Justiça Especializada BRASILINO SANTOS RAMOS

, não havendo de se falar em prescrição bienal a partir da citada Desembargador do Trabalho

mudança de regime. Precedentes. Recurso de revista conhecido e Decisão


Processo Nº AIAP-0000787-44.2018.5.10.0018
provido. (RR-1195-68.2017.5.06.0313, 2ª Turma , Relatora Ministra Relator JOSE LEONE CORDEIRO LEITE
Delaíde Miranda Arantes, DEJT 14/02/2020 ). AGRAVANTE CARDIOSUL - CLINICA
CARDIOLOGICA LTDA
RECURSO DE EMBARGOS. REGÊNCIA DA LEI Nº 11.496/2007. ADVOGADO RICARDO ADOLPHO BORGES DE
ALBUQUERQUE(OAB: 11110/DF)
SERVIÇO PÚBLICO. ADMISSÃO ANTES DA CONSTITUIÇÃO DE
ADVOGADO JOSE MARIA DE OLIVEIRA
1988 PELO REGIME DA CLT. AUSÊNCIA DE APROVAÇÃO EM SANTOS(OAB: 9004/DF)
ADVOGADO LILIANE DANTAS CORTEZ(OAB:
CONCURSO PÚBLICO. SERVIDOR NÃO ESTÁVEL. 53594/DF)
TRANSPOSIÇÃO DE REGIMES. DEPÓSITOS DO FGTS. 1. O AGRAVADO EMILIA RODRIGUES CARNEIRO
ADVOGADO WELLINGTON DANIEL GREGORIO
Tribunal Pleno desta Corte, nos autos da Arguição de DOS SANTOS(OAB: 32187/DF)
Inconstitucionalidade nº 105100-93.1996.5.04.0018 (DEJT
Intimado(s)/Citado(s):
18/9/2017), firmou entendimento no sentido de que aos servidores
- CARDIOSUL - CLINICA CARDIOLOGICA LTDA
públicos admitidos anteriormente a 5/10/1983, pelo regime da CLT, - EMILIA RODRIGUES CARNEIRO
e dotados da estabilidade aludida no art. 19 do ADCT, embora não

admitido o provimento do cargo público, considera-se constitucional

a transmudação automática para o regime estatutário. Precedentes


PODER JUDICIÁRIO
do STF. 2. A hipótese dos autos, por outro lado, comporta distinção,
JUSTIÇA DO TRABALHO
por se tratar de servidora pública admitida em 1984, não detentora

da estabilidade prevista no art. 19 do ADCT, e que, portanto, Fundamentação


permaneceu regida pela CLT mesmo após a instituição do Regime

Jurídico Único. 3. A eg. Sexta Turma, ao aplicar a prescrição bienal RECURSO DE REVISTA
à pretensão de depósitos de FGTS, por entender que o prazo se

iniciou com a vigência da Lei nº 8.112/90, considerando, ainda,

indevidos os depósitos posteriores a essa data, ante a transposição

da autora para o regime estatutário, contrariou, por má-aplicação, o

disposto na Súmula nº 382 deste Tribunal Superior. Precedente

desta Subseção. Recurso de embargos conhecido e provido.' (E-RR

-82940-85.2006.5.23.0021, Ac. Subseção I Especializada em

Dissídios Individuais, Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, in

DEJT 24.8.2018). Recorrente(s): CARDIOSUL - CLINICA

Diante do exposto, o entendimento turmário acerca de toda a CARDIOLOGICA LTDA

matéria encerra consonância com a jurisprudência do col. TST, de


Advogado(a)(s): LILIANE DANTAS CORTEZ
modo que se aplica ao caso a Súmula 333/TST.

Não há falar, portanto, em lesão ao Texto Constitucional ou de lei (DF - 53594)

federal, bem como em divergência pretoriana.

Ressalta-se que o v. acórdãonão admitiu o tópico pertinente à base

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 23
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Recorrido(a)(s): BRASILINO SANTOS RAMOS


EMILIA RODRIGUES
Desembargador do Trabalho
CARNEIRO
Decisão
Processo Nº ROT-0000521-39.2019.5.10.0821
Advogado(a)(s): LILIANE DANTAS CORTEZ Relator RICARDO ALENCAR MACHADO
(DF - 53594) RECORRENTE ENERGISA TOCANTINS
DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO
NETO(OAB: 29340/DF)
RECORRENTE DANILO AUGUSTO VINHAL
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
ADVOGADO DANILO AUGUSTO VINHAL(OAB:
Tempestivo o recurso (publicação em 21/09/2020 - fls. VIA 37342/GO)
RECORRENTE FRANCISCO DE ASSIS GOMES DA
SISTEMA; recurso apresentado em 01/10/2020 - fls. 200). SILVA
Regular a representação processual (fls. 7/8). ADVOGADO WELLINGTON MARTINS
VIEIRA(OAB: 23220/GO)
A análise do preparo será realizada conjuntamente com o mérito do ADVOGADO NATALIA PICCOLO DABUL(OAB:
6741/TO)
recurso.
RECORRIDO FRANCISCO DE ASSIS GOMES DA
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS SILVA
ADVOGADO WELLINGTON MARTINS
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Liquidação / VIEIRA(OAB: 23220/GO)
Cumprimento / Execução. ADVOGADO NATALIA PICCOLO DABUL(OAB:
6741/TO)
Alegação(ões): RECORRIDO D. B. MACHADO - ME
- contrariedade à(ao) : Súmula nº 214 do Tribunal Superior do ADVOGADO DANILO AUGUSTO VINHAL(OAB:
37342/GO)
Trabalho. RECORRIDO ENERGISA TOCANTINS
DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
- violação do(s) incisos II, XXXV, LIV e LV do artigo 5º da
ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO
Constituição Federal. NETO(OAB: 29340/DF)

- violação da (o) parágrafos 1º e 2º do artigo 879 da Consolidação


Intimado(s)/Citado(s):
das Leis do Trabalho; §1º do artigo 893 da Consolidação das Leis - D. B. MACHADO - ME
do Trabalho;alínea 'a' do artigo 897 da Consolidação das Leis do - DANILO AUGUSTO VINHAL
- ENERGISA TOCANTINS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
Trabalho.
- FRANCISCO DE ASSIS GOMES DA SILVA
Aegr. Turma negou provimento ao agravo de instrumento interposto

pela executada, consoante os fundamentos sintetizados na ementa:

'AGRAVO DE INSTRUMENTO. NÃO RECEBIMENTO DO AGRAVO

DE PETIÇÃO. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. AUSÊNCIA DE PODER JUDICIÁRIO

GARANTIA DO JUÍZO. O Agravo de Petição interposto não merece JUSTIÇA DO TRABALHO

conhecimento, seja porque ataca decisão interlocutória não


Fundamentação
terminativa do feito e seja diante da ausência de comprovação da

garantia integral do juízo no momento da interposição do apelo.


RECURSO DE REVISTA
Portanto, correto o Juízo de origem ao denegar seguimento ao

Agravo de Petição.'

Inconformada, insurge-se a executada, mediante as alegações

alhures citadas, almejando o processamento do apelo.

Todavia, é incabível recurso de revista em face de decisão proferida

em agravo de instrumento, na forma da Súmula 218/TST.

CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Publique-se. Recorrente(s): 1.ENERGISA TOCANTINS

DISTRIBUIDORA DE

Assinatura Advogado(a)(s): 1.MOZART VICTOR


Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. RUSSOMANO NETO (DF -

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 24
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Recorrido(a)(s): inegável que a empresa recorrente logrou benefícios em detrimento


1.FRANCISCO DE ASSIS
da prestação de serviços do autor durante o vínculo laboral.
GOMES DA SILVA
Assim, o acórdão está em perfeita sincronia com a Súmula 331, IV,

Advogado(a)(s): 1.NATALIA PICCOLO DABUL do TST, resultando obstaculizado o processamento do apelo

(TO - 6741) (Súmulas 333/TST e 401/STF e art. 896, § 7º, da CLT).

CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS Publique-se.
Tempestivo o recurso (publicação em 28/09/2020 - fls. VIA Assinatura
SISTEMA; recurso apresentado em 06/10/2020 - fls. 711). Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
Regular a representação processual (fls. 102). BRASILINO SANTOS RAMOS
Satisfeito o preparo (fl(s). 527, 559 e 556). Desembargador do Trabalho
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS Decisão
Responsabilidade Solidária / Subsidiária. Processo Nº ROT-0001224-67.2017.5.10.0003
Relator JOAO LUIS ROCHA SAMPAIO
Alegação(ões): RECORRENTE LEROY MERLIN COMPANHIA
BRASILEIRA DE BRICOLAGEM
- contrariedade à(s) Súmula(s) itens I e III da Súmula nº 331 do
ADVOGADO TATIANE DE CICCO NASCIMBEM
colendo Tribunal Superior do Trabalho. CHADID(OAB: 201296/SP)
RECORRIDO IVAN GOMES RIBEIRO JUNIOR
- violação do(s) inciso IV do artigo 1º;inciso II do artigo 5º;artigo 170;
ADVOGADO FLAVIO CZORNEI(OAB: 24631/DF)
parágrafo único do artigo 170 da Constituição Federal.

- violação da (o) artigo 9º da Consolidação das Leis do Trabalho; Intimado(s)/Citado(s):


- IVAN GOMES RIBEIRO JUNIOR
artigo 25 da Lei nº 8987/1995.
- LEROY MERLIN COMPANHIA BRASILEIRA DE BRICOLAGEM
Aegr. Turma manteve a decisão quereconheceu

aresponsabilidade subsidiária da segunda reclamada nos termos

da Súmula/TST nº 331. O acórdão foi assim ementado, no

particular: PODER JUDICIÁRIO

TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE JUSTIÇA DO TRABALHO

SUBSIDIÁRIA DO TOMADOR. A jurisprudência pacificada no col.


Fundamentação
TST quanto à responsabilização subsidiária do tomador de serviços

(Súmula nº 331) subsiste mesmo após o julgamento do RE nº


RECURSO DE REVISTA
958252 pelo ex. Supremo Tribunal Federal. Assim, incontroverso o
Lei 13.015/2014
inadimplemento das obrigações trabalhistas por parte da

empregadora, deve ser mantida a condenação subsidiária imposta

ao tomador.

Contra essa decisão, insurge-se a segunda reclamada. Argumenta,

em resumo, que o contrato de terceirização firmado com a

primeiraré é lícito e que nunca foi empregadora do autor, de modo

que não pode ser responsabilizada pelo inadimplemento das

obrigações trabalhistas por parte da real empregadora - primeira Recorrente(s): LEROY MERLIN COMPANHIA
acionada. Primeiramente, não há como se chegar a conclusão BRASILEIRA DE
diversa da adotada na decisão recorrida, quanto ao fato de que a

recorrente foi beneficiária da mão de obra do autor, sem que se Advogado(a)(s): Maria Helena Villela Autuori
incorresse em revolvimento de fatos e provas (Súmula 126 do TST). Rosa (SP - 102684)
Quanto ao mais, depreende-se do acórdão recorrido que, na

qualidade de tomadora e beneficiária do trabalho levado a efeito por Recorrido(a)(s): IVAN GOMES RIBEIRO

força do contrato de prestação dos serviços, a demandada não se JUNIOR

cercou dos devidos cuidados no curso da execução contratual e é

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 25
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): CONCLUSÃO
FLAVIO CZORNEI (DF -
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
24631)
Publique-se.

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS Assinatura


Tempestivo o recurso (publicação em 28/09/2020 - via sistema; Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
recurso apresentado em 08/10/2020 - fls. 692). BRASILINO SANTOS RAMOS
Regular a representação processual (fls. 588). Desembargador do Trabalho
Satisfeito o preparo (fl(s). 448, 562, 561 e 717). Decisão
Processo Nº RORSum-0000364-73.2019.5.10.0851
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Relator MARIO MACEDO FERNANDES
Duração do Trabalho/Horas Extras. CARON
RECORRENTE ENERGISA TOCANTINS
Duração do Trabalho/Horas Extras/Cargo de Confiança. DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
Alegação(ões): ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO
NETO(OAB: 29340/DF)
- violação da (o) inciso II do artigo 62 da Consolidação das Leis do RECORRENTE CLEYTON ALVES PEREIRA
Trabalho. ADVOGADO SERGIO APARECIDO
FERNANDES(OAB: 6106/TO)
- divergência jurisprudencial. RECORRIDO CAMARA BRAGA ENGENHARIA
LTDA - EPP
A eg. Turma negou provimento ao recurso patronal, mantendo a
ADVOGADO ADRIANO CORAIOLA(OAB: 5501/TO)
sentença que deferiu as horas extras diárias requeridas, após RECORRIDO ENERGISA TOCANTINS
DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
verificar ausência de poder de mando e gestão pelo reclamante. Eis
ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO
a ementa do acórdão: NETO(OAB: 29340/DF)
RECORRIDO CLEYTON ALVES PEREIRA
'GERENTE COMERCIAL. COORDENAÇÃO DE SETOR EM HOME
ADVOGADO SERGIO APARECIDO
CENTER. AUSÊNCIA DE EFETIVOS PODERES DE MANDO E FERNANDES(OAB: 6106/TO)

GESTÃO. ENQUADRAMENTO NA EXCEÇÃO DO INCISO II DO Intimado(s)/Citado(s):


ART. 62 DA CLT. INVIABILIDADE. HORAS EXTRAS DEVIDAS. O - CAMARA BRAGA ENGENHARIA LTDA - EPP
preceito do inciso II do art. 62 da CLT, de índole especial, disciplina - CLEYTON ALVES PEREIRA
- ENERGISA TOCANTINS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A.
a situação de empregados que, pela relevância das atribuições

exercidas, não estão sujeitos a controle de jornada. No caso, o

Autor não passava de um simples chefe de setor, limitando-se, por

óbvio, tão somente a coordenar as atividades rotineiras ali PODER JUDICIÁRIO

desenvolvidas e, ainda, subordinado a responsáveis mais amplos JUSTIÇA DO TRABALHO

pelas atividades gerais da loja, estabelecimento estruturado como


Fundamentação
home center e compartimentado pelas diversas linhas de produtos

nele comercializados. Tal sistema produtivo, organizado em


RECURSO DE REVISTA
camadas hierárquicas, não permite concluir que trabalhadores
Lei 13.015/2014
posicionados no respectivo nível, ainda que investidos em cargo

intitulado de gerente comercial, possam ser enquadrados na

exceção do inciso II do art. 62 da CLT, porque desvestido de

efetivos poderes de mando e gestão. São devidas, assim, as horas

suplementares prestadas.'

Recorre de revista a parte reclamada, deduzindo razões voltadas ao

reexame de fatos e provas, requerendo o reconhecimento do

exercício de cargo de confiança. Recorrente(s): 1.CAMARA BRAGA


Todavia, pelo contexto descrito no julgado, a pretensão recursal
ENGENHARIA LTDA - EPP
implica o reexame de fatos e provas, circunstância vedada, ante os

termos da Súmula n.º 126 do TST.

Nego, pois, seguimento ao recurso.

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 26
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): TRANSCENDÊNCIA. O entendimento do c. TST é de que o


1.ADRIANO CORAIOLA (TO -
benefício da justiça gratuita não dispensa a parte do recolhimento
5501)
do depósito recursal, uma vez que este constitui garantia do Juízo e

Recorrido(a)(s): 1.CLEYTON ALVES tem por finalidade garantir a execução da sentença com o

PEREIRA pagamento da condenação. Dessa forma, uma vez indeferido o

benefício da justiça gratuita à reclamada, por não ter ela


Advogado(a)(s): 1.SERGIO APARECIDO comprovado nos autos a sua situação de pobreza, mostra-se

FERNANDES (TO - 6106) correta a decisão que reconheceu a deserção do recurso de revista.

Necessário, ainda, afirmar a deserção do agravo de instrumento,

porque também não realizado o recolhimento do respectivo depósito


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
recursal, o que prejudica a análise da transcendência e obriga o não
Tempestivo o recurso (ciência via sistemaem 16/09/2020; recurso
conhecimento do referido recurso. Agravo de instrumento não
apresentado em 18/09/2020 - fls. 719).
conhecido' (AIRR-929-52.2017.5.12.0010, 6ª Turma, Relator
Regular a representação processual (fls. 129).
Ministro Aloysio Correa da Veiga, DEJT 14/02/2020).
Câmara Braga Engenharia Ltda. - EPP requer a concessãoda
Desse modo,indefiro o benefício da justiça gratuita à demandada.
gratuidade de justiça, na medida em que passa por extrema
Diante da ausência do depósito recursal, denego seguimento ao
dificuldade financeira, sem os recursos necessários para efetuar o
recurso de revista, por deserto.
preparo recursal.
Registre-se, por oportuno, a inaplicabilidade do contido no artigo
Excepcionalmente, o TST tem admitido a possibilidade de extensão
1.007, § 2º, do CPC ao caso sob exame, pois não houve
da gratuidade de justiça às pessoas jurídicas, desde que haja prova
comprovação em valor insuficiente, mas sim a não comprovação do
inequívoca nos autos da impossibilidade de a parte arcar com as
recolhimento.
despesas processuais, não sendo suficiente a mera declaração de
CONCLUSÃO
miserabilidade jurídica.
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
Nesse sentido, o item II da Súmula 463 do TST:
Publique-se.
'ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. COMPROVAÇÃO
Assinatura
(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 304 da SBDI-1, com
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
alterações decorrentes do CPC de 2015) - Res. 219/2017, DEJT
BRASILINO SANTOS RAMOS
divulgado em 28, 29 e 30.06.2017 - republicada - DEJT divulgado
Desembargador do Trabalho
em 12, 13 e 14.07.2017. (...). II - No caso de pessoa jurídica, não
Decisão
basta a mera declaração: é necessária a demonstração cabal de Processo Nº ROT-0000859-36.2019.5.10.0005
Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO
impossibilidade de a parte arcar com as despesas do processo.'
RECORRENTE SINDICATO DOS EMPREGADOS EM
Nesse sentido, ainda, o § 4º do artigo 790 da CLT, introduzido pela ESTAB BANCARIOS DE BRASILIA
ADVOGADO MEILLIANE PINHEIRO VILAR
Lei 13.467/2017: LIMA(OAB: 29614/DF)
'§ 4º O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
SILVA(OAB: 106055/SP)
comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas ADVOGADO FILIPE FREDERICO DA SILVA
FERRACIN(OAB: 55840/DF)
do processo.'
ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB:
A recorrente, contudo, não logrou demonstrar sua situação de 31189/DF)
ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
miserabilidade. Os documentos a fls. 758/768 não são suficientes 31924/DF)
para a comprovar a incapacidade financeira da empresa. ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO
COLY(OAB: 29723/DF)
A propósito, como reforço de fundamentação, trago à baila o ADVOGADO Eduardo Henrique Marques
Soares(OAB: 21688/DF)
seguinte precedente do TST:
ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
'AGRAVO DE INSTRUMENTO. LEI 13.467/2017. DESERÇÃO DO 1441-A/DF)
RECORRENTE BANCO DO BRASIL SA
RECURSO ORDINÁRIO E DO RECURSO DE REVISTA. PEDIDO
ADVOGADO RAFAEL LEANDRO VIRMOND
DE CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. PERDIGAO NOGUEIRA(OAB:
19339/DF)
EMPREGADORA PESSOA JURÍDICA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ADVOGADO VANESSA BORGES LIMA(OAB:
30084/DF)
SITUAÇÃO DE POBREZA. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO RECURSAL

DO RECURSO DE REVISTA E DO AGRAVO DE INSTRUMENTO.

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 27
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

ADVOGADO LUCIANO FERREIRA


CAMARGO(OAB: 27066/GO) Recorrido(a)(s): BANCO DO BRASIL SA
RECORRIDO BANCO DO BRASIL SA
ADVOGADO RAFAEL LEANDRO VIRMOND
PERDIGAO NOGUEIRA(OAB:
19339/DF)
Advogado(a)(s): LUCIANO FERREIRA
ADVOGADO VANESSA BORGES LIMA(OAB:
30084/DF)
CAMARGO (GO - 27066)
ADVOGADO LUCIANO FERREIRA
CAMARGO(OAB: 27066/GO)
RECORRIDO SINDICATO DOS EMPREGADOS EM Interessado(a)(s): Ministério Público do Trabalho
ESTAB BANCARIOS DE BRASILIA
ADVOGADO MEILLIANE PINHEIRO VILAR
LIMA(OAB: 29614/DF)
ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
SILVA(OAB: 106055/SP)
ADVOGADO FILIPE FREDERICO DA SILVA PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
FERRACIN(OAB: 55840/DF)
ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB: Tempestivo o recurso (publicação em 29/09/2020 - via sistema;
31189/DF)
recurso apresentado em 09/10/2020 - ID. 486fed4).
ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
31924/DF) Regular a representação processual (ID. 4ec056e).
ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO
COLY(OAB: 29723/DF) Dispensado o preparo (ID. 29ae32d).
ADVOGADO Eduardo Henrique Marques PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Soares(OAB: 21688/DF)
ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Formação,
1441-A/DF)
Suspensão e Extinção do Processo/Condições da
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
Ação/Legitimidade Ativa.
Intimado(s)/Citado(s): Alegação(ões):
- BANCO DO BRASIL SA
- violação do(s) inciso III do artigo 8º;inciso XXXV do artigo 5º;inciso
- SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTAB BANCARIOS DE
BRASILIA LIV do artigo 5º;inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal.

- violação da (o) inciso IV do artigo 485 do Código de Processo Civil

de 2015;inciso VI do artigo 485 do Código de Processo Civil de

2015;inciso III do artigo 81 do Código de Defesa do


PODER JUDICIÁRIO
Consumidor;artigo 95 do Código de Defesa do Consumidor.
JUSTIÇA DO TRABALHO
- divergência jurisprudencial.
Fundamentação A eg. Turma decidiu nos termos da ementa:

'AÇÃO CIVIL COLETIVA. SINDICATO. DIREITOS


RECURSO DE REVISTA HETEROGÊNEOS. Os artigos 81 e 82 do Código de Defesa do
Lei 13.015/2014 Consumidor estabelecem os requisitos necessários a proposição da

ação civil coletiva. Vale lembrar que os interesses individuais

homogêneos se apresentam uniformizados pela origem comum,

mas, na sua essência, permanecem individuais. Compreendem os

integrantes determinados ou determináveis de grupo, categoria ou

classe de pessoas que compartilham prejuízos divisíveis, oriundos

das mesmas circunstâncias de fato. Nos interesses individuais

homogêneos, os titulares são determinados ou determináveis e o

dano ou a responsabilidade se caracteriza por sua extensão


Recorrente(s): SINDICATO DOS divisível ou individualmente variável. Em relação ao direitos
EMPREGADOS EM ESTAB heterogêneos, apesar da similitude da causa de pedir e do pedido

formulado extensível a todos os substituídos, é inegável que cada


Advogado(a)(s): JOSÉ EYMARD LOGUERCIO
caso apresenta peculiaridades que não podem ser largadas ao ralo
(DF - 1441)
comum, sob pena de prejuízo, quer do demandante, quer do

demandado, por não se possibilitar a efetiva análise das

singularidades, ou mesmo o efetivo exercício do contraditório. Os

pedidos formulados na inicial necessitam exame individual, pois,

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 28
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

inegável a realidade pessoal de seus associados. Neste sentido o que vise resguardar direito individual heterogêneo, e a extinção do

Verbete 71 do TRT-10: 'SINDICATO. AÇÃO COLETIVA. feito é incompatível com a produção de provas relacionadas ao

LEGITIMIDADE. DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS E mérito do pedido formulado na petição inicial.

HETEROGÊNEOS. PROCESSO. PRESSUPOSTO DE Logo, não se vislumbra a ofensa aos dispositivos constitucionais e

CONSTITUIÇÃO E DESENVOLVIMENTO. I - O sindicato detém legais apontados.

legitimidade irrestrita para, em sede judicial, defender os interesses Nego, pois, seguimento ao apelo.

coletivos e individuais da categoria a qual representa. II - Nas ações CONCLUSÃO

civis coletivas, sendo necessário aferir o ato dito ilícito por meio da Recebo parcialmente o recurso.

análise da situação individual de cada substituído, emerge a figura A(o)(s) recorrido(a)(s), para contrarrazões. Após, remetam-se os

do direito heterogêneo, o qual afasta pressuposto válido de autos ao TST.

constituição e desenvolvimento do processo.' (Verbete 71 do TRT- Publique-se.

10. Disponibilizado do DEJT dos dias 1º, 2 e 3/4/2019). Portanto, Assinatura

extingue-se o feito, sem resolução de mérito (CPC, art. 485, VI).' Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

O reclamante interpõe recurso ordinário, requerendo a reforma da BRASILINO SANTOS RAMOS

decisão no particular, apontando violações ao texto constitucional e Desembargador do Trabalho

infra-constitucional, além de divergência jurisprudencial. Decisão


Processo Nº RORSum-0000413-69.2020.5.10.0111
Em análise aos termos do recurso de revista, reputo que o Relator MARIO MACEDO FERNANDES
CARON
reclamante logrou demonstrar a existência de divergência
RECORRENTE LARISSA ROCHA DA SILVA
jurisprudencial apta a autorizar o processamento do recurso nos ADVOGADO MARIANA SIQUEIRA PAES(OAB:
63721/DF)
moldes do artigo 896, 'a', da CLT, tendo em vista o teor dos
ADVOGADO TATIANE ANDRADE DA SILVA(OAB:
arestoscolacionados, proferidos no âmbito da SBDI-I do col. TST. 63742/DF)
RECORRIDO CLEZEUMAR ALVES BARBOSA
Dessarte, admito o processamento do recurso de revista.
ADVOGADO PAULO HENRIQUE CORREIA DA
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos SILVA(OAB: 46329/DF)

Processuais/Nulidade/Cerceamento de Defesa.
Intimado(s)/Citado(s):
Alegação(ões): - CLEZEUMAR ALVES BARBOSA
- violação do(s) inciso LV do artigo 5º, da Constituição Federal. - LARISSA ROCHA DA SILVA

- violação da (o) artigo 400 do Código de Processo Civil de 2015.

Recorre o reclamante para suscitar a nulidade do acórdão por

negativa de prestação jurisdicional e em face do alegado


PODER JUDICIÁRIO
cerceamento ao direto de defesa. Aduz que o juízo originário tolheu-
JUSTIÇA DO TRABALHO
lhe o direito de ampla defesa no que concerne à produção de prova

oral. Fundamentação

Conforme a exegese extraída dos artigos 370 e 371 do CPC e 765

da CLT, o julgador dispõe de ampla liberdade na direção do RECURSO DE REVISTA

processo, cabendo a ele determinar as provas necessárias à Lei 13.015/2014

instrução processual, indeferindo, por outro lado, as diligências

inúteis ou meramente protelatórias, em prol da celeridade

processual, princípio alçado, inclusive, ao âmbito constitucional

(artigo 5º, LXXVIII).

No caso concreto, conforme esclarecido pelo colegiado, o processo

foi extinto sem resolução do mérito pois 'a discussão a respeito de

cerceamento de defesa é incabível, visto que o processo foi extinto


Recorrente(s): CLEZEUMAR ALVES
sem resolução do mérito.'
BARBOSA
A questão principal, como se constata, não reside na legitimidade

do ente sindical para ajuizamento da ação civil pública, mas, sim, na

inadequação da via eleita para o ajuizamento de ação civil pública

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 29
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): comprovação da especificidade dos arestos transcritos para o


PAULO HENRIQUE CORREIA
confronto de teses, conforme preceitua o § 8º do aludido dispositivo
DA SILVA (DF - 46329)
e o teor da Súmula nº 337, I, 'b', do TST. Agravo conhecido e não

Recorrido(a)(s): LARISSA ROCHA DA SILVA provido.' (Ag-AIRR - 11257-21.2016.5.03.0012, Órgão Judicante: 7ª

Turma, Relator: CLÁUDIO MASCARENHAS BRANDÃO,

julgamento: 11/09/2019, publicação: 20/09/2019)


Advogado(a)(s): TATIANE ANDRADE DA SILVA 'AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE

(DF - 63742) SUBSIDIÁRIA . TRANSCRIÇÃO INTEGRAL. AUSÊNCIA DE

CONFRONTO ANALÍTICO. INOBSERVÂNCIA DO ART. 896, § 1º-

A, I E III, DA CLT. A parte recorrente não atende ao requisito


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
descrito no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, na medida em que efetua
Tempestivo o recurso (publicação em 29/09/2020 - via sistema;
apenas a transcrição integral da decisão recorrida, sem qualquer
recurso apresentado em 09/10/2020 - ID. df8d54e).
destaque dos trechos que consubstanciam o prequestionamento da
Regular a representação processual (ID. 3e361cf).
tese que pretende debater; logo, trata-se de transcrição genérica
Satisfeito o preparo (ID(s). 14a066a, 2389591 e d167f2a).
que não atende ao aludido requisito. Do mesmo modo, não logrou
A despeito dos argumentos recursais, verifico que a parte recorrente
atender à exigência contida no art. 896, § 1º-A, III, da CLT. Isso
não se desincumbiu do ônus que lhe competia no sentido de indicar
porque não há nas razões recursais cotejo analítico por meio do
os trechos da decisão recorrida que consubstanciam o
qual a Recorrente tenha demonstrado que a decisão impugnada
prequestionamento da controvérsia objeto do apelo, nos termos do
ofendeu especificamente a literalidade dos dispositivos indicados.
§ 1º-A, I, do art. 896 da CLT, o que inviabiliza o prosseguimento do
Agravo de Instrumento de que se conhece e a que se nega
apelo.
provimento. (AIRR - 11463-57.2014.5.01.0207, Órgão Judicante: 6ª
A omissão quanto aos trechos do acórdão impugnado ou a mera
Turma, Relatora: CILENE FERREIRA AMARO SANTOS,
transcrição, de forma integral no início do recurso, sem a indicação
Julgamento: 18/09/2019, Publicação: 20/09/2019)
precisa do trecho objeto da insurgência, bem como a evidente
A tal modo, inviável a análise do apelo.
lacuna quanto à demonstração analítica dos motivos pelos quais
CONCLUSÃO
cada disposição legal ou jurisprudência reiterada e ementada ou
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
acórdão paradigma teria sido motivo de afronta pela decisão
Publique-se.
recorrida, revelam desconsideração às disposições legais acima
Assinatura
declinadas.
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
Nesse sentido, os seguintes precedentes:
BRASILINO SANTOS RAMOS
'AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE
Desembargador do Trabalho
REVISTA. LEI Nº 13.015/2014. CPC/2015. INSTRUÇÃO
Decisão
NORMATIVA Nº 40 DO TST. OBRIGAÇÃO DE FAZER. ENTREGA Processo Nº ROT-0001278-63.2018.5.10.0014
Relator JOAO LUIS ROCHA SAMPAIO
DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO. AUSÊNCIA
RECORRENTE FABIO ROEDEL KOHLER
DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREQUESTIONAMENTO. ADVOGADO EURO CASSIO TAVARES DE LIMA
JUNIOR(OAB: 27800/DF)
REQUISITO PREVISTO NO ARTIGO 896, § 1º-A, I, DA CLT. A
ADVOGADO JULIANA AGUIAR SOARES(OAB:
transcrição do acórdão ou capítulos integralmente, sem a 39729/DF)
ADVOGADO LUIZ CLAUDIO SACRAMENTO
delimitação do ponto de insurgência objeto das razões do recurso PORCIDONIO JUNIOR(OAB:
48054/DF)
de revista - mediante o destaque do trecho em que foram adotados
RECORRIDO SERVICO DE APOIO AS MICRO E
os argumentos do acórdão regional para o deslinde da controvérsia PEQUENAS EMPRESAS DO DF
ADVOGADO AQUILES RODRIGUES DE
-, não atende ao previsto no artigo 896, § 1º-A, I, da CLT, mormente OLIVEIRA(OAB: 1145/DF)
quando utilizado mais de um fundamento para a resolução das
Intimado(s)/Citado(s):
questões. Tal procedimento impede, por consequência, a
- FABIO ROEDEL KOHLER
observância dos demais requisitos contidos nos incisos II e III do - SERVICO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
DO DF
artigo 896, § 1º-A, da CLT: a demonstração analítica (que se faz por

meio da argumentação) entre os dispositivos e verbetes apontados

e o trecho da decisão destacada no apelo, bem como a

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 30
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

com a realização de atividade mais qualificada sem a


PODER JUDICIÁRIO
correspondente majoração da remuneração. In casu, o conjunto
JUSTIÇA DO TRABALHO
fático probatório constituído nos autos comprova o alegadoo desvio
Fundamentação de função, razão pela qual deve ser reformada a r. sentença que

indeferiu a pretensão autoral de diferenças salariais com reflexos.'


RECURSO DE REVISTA Recorre de revistaa reclamada, mediante as alegações alhures
Lei 13.015/2014 destacadas,sustentando, em resumo,que restou nãodemonstrado

o desvio funcional.

Todavia, rever a conclusão alcançada pelo Colegiado, nos termos

em que proposta a pretensão recursal,importaria, necessariamente,

no reexame de fatos e provas, o que encontra óbice na Súmula nº

126 doTST.

CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.


Recorrente(s): SERVICO DE APOIO AS Publique-se.
MICRO E PEQUENAS Assinatura

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.


Advogado(a)(s): AQUILES RODRIGUES DE
BRASILINO SANTOS RAMOS
OLIVEIRA (DF - 1145)
Desembargador do Trabalho
Decisão
Recorrido(a)(s): FABIO ROEDEL KOHLER Processo Nº ROT-0001155-70.2019.5.10.0001
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
RECORRENTE AQUIVALDO APARECIDO CEZARINO
ADVOGADO JOANA NEVES AMARAL DE
Advogado(a)(s): LUIZ CLAUDIO SOUZA(OAB: 39228/DF)
ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO
SACRAMENTO PORCIDONIO COLY(OAB: 29723/DF)
ADVOGADO SANDRIELE FERNANDES DOS
REIS(OAB: 57481/DF)
ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS SILVA(OAB: 106055/SP)
ADVOGADO NATALIA AGRELLO
Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 28/09/2020; recurso CASTILHEIRO(OAB: 51390/DF)
apresentado em 07/10/2020 - fls. 756). ADVOGADO LUARA BORGES DIAS(OAB:
401340/SP)
Regular a representação processual (fls. 590). ADVOGADO LEANDRO THOMAZ DA SILVA
SOUTO MAIOR(OAB: 302778/SP)
Satisfeito o preparo (fl(s). 740, 770/771 e 768/769).
ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB:
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS 31189/DF)
ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Salário / 1441-A/DF)
Diferença Salarial/Diferenças por Desvio de Função. ADVOGADO FILIPE FREDERICO DA SILVA
FERRACIN(OAB: 55840/DF)
Alegação(ões): ADVOGADO Eduardo Henrique Marques
Soares(OAB: 21688/DF)
- contrariedade à(ao) : Súmula Vinculante nº 10 do Supremo
ADVOGADO ANTONIO DE FREITAS BORGES
Tribunal Federal. FILHO(OAB: 57351/DF)
ADVOGADO ANDREY RONDON SOARES(OAB:
- violação do(s) inciso II do artigo 5º;inciso IV do artigo 170;inciso VII 44879/DF)
do artigo 170 da Constituição Federal. ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
31924/DF)
- violação do(s) artigo 187 do Código Civil;artigo 422 do Código RECORRENTE BANCO DO BRASIL SA
Civil. ADVOGADO DENISE CARNEIRO FERNANDES
FERREIRA(OAB: 24313/DF)
A2ª Turma deferiuo pedido de pagamento de diferenças salariais ADVOGADO DEYSE MARA NOGUEIRA PATRICIO
FIGUEIREDO(OAB: 34841/DF)
decorrentes do desvio de função.O acórdão foi assim ementado:
ADVOGADO IVAN KAMINSKI DO
'DESVIO DE FUNÇÃO. COMPROVAÇÃO. DIFERENÇAS NASCIMENTO(OAB: 35445/DF)
ADVOGADO CARLOS EDUARDO DE
SALARIAIS DEVIDAS. Consubstancia-se o desvio de função CAMPOS(OAB: 267325/SP)
quando há modificação das atribuições contratuais do empregado

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 31
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

ADVOGADO LUCIANO FERREIRA


CAMARGO(OAB: 27066/GO) Recorrente(s): BANCO DO BRASIL SA
RECORRIDO AQUIVALDO APARECIDO CEZARINO
ADVOGADO JOANA NEVES AMARAL DE
SOUZA(OAB: 39228/DF)
ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO Advogado(a)(s): LUCIANO FERREIRA
COLY(OAB: 29723/DF)
ADVOGADO SANDRIELE FERNANDES DOS CAMARGO (GO - 27066)
REIS(OAB: 57481/DF)
ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
SILVA(OAB: 106055/SP) Recorrido(a)(s): AQUIVALDO APARECIDO
ADVOGADO NATALIA AGRELLO
CASTILHEIRO(OAB: 51390/DF) CEZARINO
ADVOGADO LUARA BORGES DIAS(OAB:
401340/SP)
Advogado(a)(s): SAMANTHA BRAGA GUEDES
ADVOGADO LEANDRO THOMAZ DA SILVA
SOUTO MAIOR(OAB: 302778/SP)
(DF - 31924)
ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB:
31189/DF)
ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
1441-A/DF)
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
ADVOGADO FILIPE FREDERICO DA SILVA
FERRACIN(OAB: 55840/DF) Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 28/09/2020; recurso
ADVOGADO Eduardo Henrique Marques
Soares(OAB: 21688/DF) apresentado em 02/10/2020 - fls. 1286).
ADVOGADO ANTONIO DE FREITAS BORGES Regular a representação processual (fls. 1260/1263).
FILHO(OAB: 57351/DF)
ADVOGADO ANDREY RONDON SOARES(OAB: Inexigível opreparo.
44879/DF)
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
31924/DF) A 1ª Turmaafastoua extinção do feito e determinouo retorno dos
RECORRIDO BANCO DO BRASIL SA
autos à origem para prosseguimento, como entender de direito.
ADVOGADO DENISE CARNEIRO FERNANDES
FERREIRA(OAB: 24313/DF) Inconformado, o reclamado interpõe recurso de revista contra essa
ADVOGADO DEYSE MARA NOGUEIRA PATRICIO
FIGUEIREDO(OAB: 34841/DF) decisão.
ADVOGADO RENATO DE ALMEIDA GENTIL(OAB: Todavia, a diretriz da Súmula nº 214 do TST impede a admissão do
54205/DF)
ADVOGADO IVAN KAMINSKI DO apelo. Isso porque, na Justiça do Trabalho, vigora o princípio da
NASCIMENTO(OAB: 35445/DF)
irrecorribilidade das decisões interlocutórias.
ADVOGADO CARLOS EDUARDO DE
CAMPOS(OAB: 267325/SP) CONCLUSÃO
ADVOGADO LUCIANO FERREIRA
CAMARGO(OAB: 27066/GO) Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Publique-se.
Intimado(s)/Citado(s):
Assinatura
- AQUIVALDO APARECIDO CEZARINO
- BANCO DO BRASIL SA Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

BRASILINO SANTOS RAMOS

Desembargador do Trabalho
Decisão
PODER JUDICIÁRIO Processo Nº ROT-0000268-74.2019.5.10.0005
JUSTIÇA DO TRABALHO Relator RICARDO ALENCAR MACHADO
RECORRENTE SIND EMPREG CONS ORD FIS
PROF ENTID COLIG AFINS
Fundamentação
ADVOGADO FABIO FONTES ESTILLAC
GOMEZ(OAB: 34163/DF)
RECORRIDO CONSELHO DE ARQUITETURA E
RECURSO DE REVISTA URBANISMO DO DISTRITO
FEDERAL
Lei 13.015/2014
ADVOGADO ALEXANDRE CAPUTO
BARRETO(OAB: 11789/DF)
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho

Intimado(s)/Citado(s):
- CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO DISTRITO
FEDERAL
- SIND EMPREG CONS ORD FIS PROF ENTID COLIG AFINS

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 32
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

de 25 de julho de 2016 do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do


PODER JUDICIÁRIO
Distrito Federal aos empregados da reclamada admitidos até
JUSTIÇA DO TRABALHO
14.09.18, nos termos da seguinte ementa:
Fundamentação 'AÇÃO COLETIVA. SUPRESSÃO DO 13º AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO

CONCEDIDO POR NORMA REGULAMENTAR. DIREITO


RECURSO DE REVISTA INTERTEMPORAL. O denominado abono auxílio alimentação

cuidou-se de benefício implementado pelo CAU/DF a seu pessoal

em 2016 por meio de norma interna, benefício esse fruído, a partir

de então, até seu cancelamento no ano de 2018. Certo é que o art.

457, §2º, da CLT, com a redação emprestada pela Lei nº

13.467/2017, dispõe, na fração de interesse, que o auxílio-

alimentação não se incorpora ao contrato de emprego. Todavia,

referida norma, à luz do princípio geral tempus regit actum, revela-

se inaplicável à situação jurídica do pessoal do CAU-DF já

beneficiado sob a égide do regulamento anterior.'


Recorrente(s): CONSELHO DE Inconformado, o Conselho interpõe recurso de revista. Sustenta que
ARQUITETURA E oauxílio-alimentação quando não é gratuito, ou seja,quando há o

desconto salarial do empregado, ainda que ínfimo, enquadra-se no


Advogado(a)(s): ALEXANDRE CAPUTO respectivo dispositivo, qual seja, §2º do artigo 457, da CLT, hipótese
BARRETO (DF - 11789) dos autos. Aponta violação do artigo468 da CLT e contrariedade

àSúmula 51, do TST.


Recorrido(a)(s): SIND EMPREG CONS ORD
Entretanto, a decisão do Colegiado é no sentido de que o artigo
FIS PROF ENTID COLIG
457, §2º, da CLT, é inaplicável à hipótese dos autos, haja vista

queo benefício denominado abono auxílio-alimentação já havia se


Advogado(a)(s): FABIO FONTES ESTILLAC
incorporado ao contrato de emprego do pessoal do CAU-DF por
GOMEZ (DF - 34163)
meio de regulamento anterior, esclarecendo ainda quanto ao

desconto na folha de pagamento que'o benefício em si deverá ser


Interessado(a)(s): Ministério Público do Trabalho
extremado da parcela alimentação propriamente dita, nos termos da

Portaria Normativa nº 32/2016 (fls. 61), na medida em que não se

destina à alimentação do empregado no decorrer de cada mês;

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS antes consoante o §2º, 'será concedido ao empregado, na data do

Tempestivo o recurso (publicação em 04/09/2020 - fls. VIA pagamento da segunda parcela do décimo terceiro salário, um

MANDADO; recurso apresentado em 14/09/2020 - fls. 228). abono no valor mensal concedido, a título de auxílio alimentação em

Regular a representação processual (fls. 75). dobro'. (ID. 240e003 - Pág. 2)

Satisfeito o preparo (fl(s). 116 e 118, 117 e 119 e 238/239). Nesse panorama,rever a conclusão alcançada pelo egrégio

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS Colegiado, nos termos em que proposta a pretensão, implicaria o

Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Ajuda / Tíquete reexame de fatos e provas, o que é defeso no atual estágio, a teor

Alimentação. da Súmula nº 126/TST. Prescindível, portanto, o cotejo

Alegação(ões): jurisprudencial.

- contrariedade à(ao) : Súmula nº 51 do Tribunal Superior do Nesse contexto, nego seguimento ao apelo.

Trabalho. CONCLUSÃO

- violação da (o) artigos 457 e 468 da Consolidação das Leis do Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Trabalho. Publique-se.

- divergência jurisprudencial: . Assinatura

Aegr.Turmamanteve a sentença quedeferiu o pagamento do Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

abono auxílio-alimentação previsto no §2º do art. 2º da Portaria 32, BRASILINO SANTOS RAMOS

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 33
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Desembargador do Trabalho Advogado(a)(s): 1.DAYANE MACIEL


Decisão BEZERRA DE CASTRO (TO -
Processo Nº AP-0004397-67.2016.5.10.0801
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
AGRAVANTE VANDERLAN PEREIRA COSTA
ADVOGADO edwardo nelson luis chaves PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
franco(OAB: 2557/TO)
ADVOGADO DAYANE MACIEL BEZERRA DE Tempestivo o recurso (publicação em 29/09/2020 - via sistema;
CASTRO(OAB: 4682/TO)
recurso apresentado em 09/10/2020 - ID. 273cced).
AGRAVADO M S DA SILVA EIRELI - ME
ADVOGADO FRANCISCO JOSÉ SOUSA Regular a representação processual (ID. 3245f20).
BORGES(OAB: 413-B/TO)
O juízo está garantido (ID(s). 9569c4d).
AGRAVADO CANADA EMPREENDIMENTOS
IMOBILIARIO SPE 03 LTDA PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
ADVOGADO AURELIO FERNANDES
PEIXOTO(OAB: 36774/GO) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Liquidação /
AGRAVADO MARGARETHE SCHMIDT DA SILVA Cumprimento / Execução/Desconsideração da Personalidade
AGRAVADO CARMEM LUCIA PIRES MORALES
Jurídica.
ADVOGADO AURELIO FERNANDES
PEIXOTO(OAB: 36774/GO) Alegação(ões):
AGRAVADO SEBASTIAO PIRES CAMPOS
- violação do(s) inciso II do artigo 5º;inciso LIV do artigo 5º;inciso LV
ADVOGADO AURELIO FERNANDES
PEIXOTO(OAB: 36774/GO) do artigo 5º, da Constituição Federal.

- violação da (o) artigo 6º da Lei nº 11101/2005;artigo 47 da Lei nº


Intimado(s)/Citado(s):
- CANADA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIO SPE 03 LTDA 11101/2005;artigo 50 do Código Civil;artigo 133 do Código de
- CARMEM LUCIA PIRES MORALES Processo Civil de 2015;artigo 927 do Código de Processo Civil de
- M S DA SILVA EIRELI - ME
2015.
- SEBASTIAO PIRES CAMPOS
- VANDERLAN PEREIRA COSTA - divergência jurisprudencial.

Aegr. Turma manteve a decisão que julgou procedente o incidente

de desconsideração da personalidade jurídica da empresa

devedora, determinando a inclusão dos sócios no polo passivo da


PODER JUDICIÁRIO
execução. O acórdão foi assim ementado:
JUSTIÇA DO TRABALHO
'1. AGRAVO DE PETIÇÃO. DIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO.
Fundamentação Evidenciada nos autos a inadimplência do crédito obreiro, sem

indicação de bens idôneos da executada principal, irretocável a


RECURSO DE REVISTA decisão de origem que incluiu os sócios no polo passivo da
Lei 13.015/2014 execução, com instauração do incidente de personalidade jurídica e

observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. 2.

Agravo de petição conhecido e desprovido.'

Inconformados, insurgem-se os sócios da empresa executada,

mediante as alegações alhures destacadas, almejando a sua

reforma. Sustentam ser descabido o pedido de desconsideração da

personalidade jurídica, porque não observados os pressupostos dos

artigos 50 do CC, não estando caracterizado abuso de


Recorrente(s): 1.SEBASTIÃO PIRES personalidade jurídica pelo desvio de finalidade ou pela confusão
CAMPOS e CARMEM LÚCIA patrimonial.

De início, registre-se que a admissibilidade do recurso de revista em


Advogado(a)(s): 1.AURÉLIO FERNANDES
processo de execução depende de demonstração inequívoca de
PEIXOTO (GO - 36774)
ofensa direta e literal à Constituição Federal, circunstância que

afasta a alegação de dissenso pretoriano e de ofensa à legislação


Recorrido(a)(s): 1.VANDERLAN PEREIRA
infraconstitucional (CLT, artigo 896, § 2º).
COSTA
A alegada violação do art. 5º da Carta Magna só poderia ocorrer de

modo oblíquo e indireto, sendo certo que a respectiva aferição

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 34
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

dependeria, necessariamente, do exame de normas Recorrente(s): AMARILDO DE OLIVEIRA


infraconstitucionais que disciplinam a matéria em discussão, o que

torna inviável o processamento do recurso de revista, a teor do

artigo 896, § 2º, da CLT. Advogado(a)(s): GUSTAVO MICHELOTTI


De toda sorte, não verifico qualquer ofensa ao devido processo FLECK (DF - 21243)
legal, mas insatisfação da recorrente com a interpretação aplicada

pelo colegiado. Recorrido(a)(s): CONFEDERACAO NACIONAL

Nego seguimentoao apelo. DA INDUSTRIA

Advogado(a)(s): DEBORAH CABRAL


INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO

DA SUSPENSÃO DA MORA - RECUPERAÇÃO JUDICIAL SIQUEIRA DE SOUZA (DF -

Os temasem destaque carecem do necessário prequestionamento,


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
incidindo o óbice da Súmula nº 297/TST.
Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 28/09/2020; recurso
CONCLUSÃO
apresentado em 05/10/2020 - fls. 622).
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
Regular a representação processual (fls. 420).
Publique-se.
Dispensado o preparo (fls. 506).
Assinatura
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos
BRASILINO SANTOS RAMOS
Processuais/Nulidade/Negativa de Prestação Jurisdicional.
Desembargador do Trabalho
Alegação(ões):
Decisão
Processo Nº ROT-0000440-74.2019.5.10.0018 - violação do(s) artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal.
Relator JOSE LEONE CORDEIRO LEITE
- violação da (o) artigo 489 do Código de Processo Civil de
RECORRENTE AMARILDO DE OLIVEIRA
ADVOGADO GUSTAVO MICHELOTTI FLECK(OAB: 2015;artigo 1022 do Código de Processo Civil de 2015;artigo 832 da
21243/DF)
Consolidação das Leis do Trabalho;artigo 897-A da Consolidação
RECORRIDO CONFEDERACAO NACIONAL DA
INDUSTRIA das Leis do Trabalho.
ADVOGADO DEBORAH CABRAL SIQUEIRA DE
SOUZA(OAB: 9157/DF) O inconformismo manifestado pelo reclamante decorre da decisão

que rejeitou a preliminar de nulidade por negativa de prestação


Intimado(s)/Citado(s):
jurisdicional doJuízo do primeiro grau. Nesse sentido, aduz, em
- AMARILDO DE OLIVEIRA
síntese, quea conclusão alcançada pelo Colegiado traduz flagrante
- CONFEDERACAO NACIONAL DA INDUSTRIA
desacerto jurídico.

Vejamos.

Ocorre negativa de prestação jurisdicional quando o Magistrado,


PODER JUDICIÁRIO
embora provocado, não emite tese expressa sobre matérias ou
JUSTIÇA DO TRABALHO
vertentes importantes para o deslinde da controvérsia.

Fundamentação Conforme delimitado no acórdão vergastado a fls. 557,os temas

acerca dos quais o autorpretendeu manifestação perante o Juízo 'a

RECURSO DE REVISTA quo'foram devolvidos aInstância Revisora, o que afasta eventual

Lei 13.015/2014 prejuízo resultante dasentença.A tal modo, não se divisa nenhuma

mácula aos dispositivos citados como transgredidos.

JULGAMENTO EXTRA PETITA

A matéria em destaque carece do necessário prequestionamento,

incidindo o óbice da Súmula nº 297, I, do TST.

Contrato Individual de Trabalho/Reconhecimento de Relação de

Emprego.

Alegação(ões):

- violação do(s) artigo 7º da Constituição Federal.

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 35
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

ADVOGADO SIMONE OLIVEIRA ANCELMO(OAB:


- violação do(s) artigo 2º da Consolidação das Leis do Trabalho. 130841/MG)
ADVOGADO VANESSA BORGES LIMA(OAB:
A 3ªTurma manteve a sentença que não reconheceu o vínculo 30084/DF)
empregatício entre as partes. Eis a ementa do julgado, na fração de
Intimado(s)/Citado(s):
interesse:
- BANCO DO BRASIL SA
'VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Negada a
- CLAUDIO JARBAS LIMA DE MELO
relação de emprego, assim como a prestação de serviços, é do

Autor o ônus de provar que a relação existente entre as partes se

amolda ao disposto no art. 3º da CLT, posto que tal alegação é fato


PODER JUDICIÁRIO
constitutivo de seu direito (CLT, art. 818, I c/c CPC/2015, art. 373, I),
JUSTIÇA DO TRABALHO
encargo do qual não se desincumbiu a contento.'

Em sede de recurso de revista,o autor, mediante as alegações Fundamentação


acima destacadas, insiste na ocorrência de relação empregatícia.

Todavia, adiscussão foi dirimida com base no conjunto fático- RECURSO DE REVISTA
probatório dos autose rever a questão, na forma como articulada,

exigiriaa reanálise das provas,o que é vedado no atual momento

processual, a teor da Súmula nº 126/TST.

CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Publique-se.

Assinatura

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

BRASILINO SANTOS RAMOS Recorrente(s): CLAUDIO JARBAS LIMA DE

Desembargador do Trabalho MELO


Decisão
Processo Nº AIRO-0001267-13.2018.5.10.0021 Advogado(a)(s): VITOR GUEDES DA
Relator DENILSON BANDEIRA COELHO
AGRAVANTE CLAUDIO JARBAS LIMA DE MELO FONSECA PASSOS (DF -
ADVOGADO SAMANTHA LAIS SOARES
MICKIEVICZ(OAB: 38809/DF)
Recorrido(a)(s): BANCO DO BRASIL SA
ADVOGADO RICARDO LUIZ RODRIGUES DA
FONSECA PASSOS(OAB: 15523/DF)
ADVOGADO CECÍLIA MARIA LAPETINA
CHIARATTO(OAB: 20120/DF)
ADVOGADO LEONARDO GUEDES DA FONSECA Advogado(a)(s): VANESSA BORGES LIMA (DF
PASSOS(OAB: 36129/DF)
ADVOGADO VITOR GUEDES DA FONSECA - 30084)
PASSOS(OAB: 48468/DF)
AGRAVADO BANCO DO BRASIL SA
ADVOGADO PEDRO ARAUJO COSTA(OAB:
31411/DF) PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
ADVOGADO CARLA LOPES PINHEIRO(OAB:
370275/SP) Tempestivo o recurso (publicação em 01/09/2020 - fls. VIA
ADVOGADO MARLON RODRIGUES SISTEMA; recurso apresentado em 08/09/2020 - fls. 1101).
BARROSO(OAB: 7236/DF)
ADVOGADO LUCIANO FERREIRA Regular a representação processual (fls. 37).
CAMARGO(OAB: 27066/GO)
Dispensado o preparo (fls. 1056/1057).
ADVOGADO CARLOS EDUARDO DE
CAMPOS(OAB: 267325/SP) PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
ADVOGADO IVAN KAMINSKI DO
NASCIMENTO(OAB: 35445/DF) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos
ADVOGADO RENATO DE ALMEIDA GENTIL(OAB: Processuais/Nulidade/Negativa de Prestação Jurisdicional.
54205/DF)
ADVOGADO INGRID LIVIA PINHEIRO DE Alegação(ões):
MENESES(OAB: 48377/DF)
- violaçãoaos artigos 832 da CLT, 489, § 1º, IV, do CPC e 93, IX, da
ADVOGADO RAFAEL SGANZERLA DURAND(OAB:
27474/DF) CF.
ADVOGADO DENISE CARNEIRO FERNANDES
FERREIRA(OAB: 24313/DF) Orecorrente aduz que o acórdão prolatado pela egrégia Turma

deve ser anulado por negativa de prestação jurisdicional, sob o

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argumento de que o Colegiado, apesar de devidamente instado a se DE TRÂNSITO EM JULGADO DA MANIFESTAÇÃO

manifestar por meio de embargos de declaração, deixou de se JURISDICIONAL NA FASE DE CONHECIMENTO DA AÇÃO

pronunciar adequadamente sobre todas as teses apresentadas nas TRABALHISTA. PRESCRIÇÃO QUE TAMBÉM TEM INÍCIO

razões recursais, em especial, no que tange à existência de erro de NAQUELE MOMENTO DA IMUTABILIDADE DO JULGADO DE

premissa no acórdão recorrido ao não examinar um dos NATUREZA POSITIVA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM

fundamentos da decisão de primeiro grau para acolher a carência RESOLUÇÃO DE MÉRITO. SENTENÇA MANTIDA.

da ação,calcado nanecessidade de liquidação dos pedidos da Inconformado,o reclamante recorre de revistasustentando,em

inicial. suma, que a presente demanda cuida justamente da indenização

perseguida contra ex-empregador, visando a reparação de prejuízos

Ao que se depreende da sumária leitura da decisão recorrida, sofridos pelo demandante em virtude do não pagamento de horas

efetivamente, a prestação jurisdicional foi entregue, na sua extras e reflexos ao tempo e modo devidos, tendo como

inteireza, ainda que contrária aos desígnios almejados pelo pressuposto a procedência de reclamação trabalhista anterior em

recorrente, estando a decisão satisfatoriamente fundamentada. que se busca a condenação do reclamado ao pagamento de horas

Vale gizar que o julgador não está obrigado a responder a todas as extras. Nesse sentido, requer a reforma do acórdão para que se

alegações das partes se já tiver exposto motivo suficiente para reconheça o interesse processual do reclamante, determinando-se

fundamentar a decisão, tampouco há obrigação de se ater aos a suspensão do processo até o trânsito em julgado na reclamação

fundamentos indicados pelos litigantes e a responder um a um trabalhista n° 0001753-75.2016.5.10.0018.

todos os seus argumentos. Isso mesmo na vigência do atual CPC Consignou o egr. Colegiado que'somente após a ocorrência do

2015. trânsito em julgado da ação originária haverá surgido o interesse de

Nessa trilha, o exc. Supremo Tribunal Federal (AGAIRR 215.976- agir em favor do autor'.

2/PE; Rel. Min. Maurício Corrêa; DJ de 2.10.1998, seção 1, pág. Nessa esteira, tem-se que as razões de reforma deduzidas pelo

008); o STJ (EDcl no MS 21.315-DF, Relatora Ministra Diva Malerbi reclamante não detém o condão de infirmar os fundamentos

Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região, Ac. 1ª Seção. consignados no acórdão, posto quea próprio autor defende que o

Julgado em 8/6/2016); bem como col. TST (AIRR-1001070- processo seja suspenso.

86.2014.5.02.0382, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de Além disso, sob a ótica da divergência jurisprudencial, os arestos

Fontan Pereira, Ac. 3ª T., Data de Publicação: DEJT 28/10/2016). trazidos pelo recorrente não apresentam identidade fática com

Decisão desfavorável não pode ser confundida com decisão matéria dos autos, nos termos da Súmula 296 do col. TST.

insuficiente ou omissa. Assim, diante dos fundamentos constantes da decisão recorrida,

Em tal cenário, não se evidencia mácula aos dispositivos invocados, não vislumbro as violações invocadas.

observada a limitação imposta pela Súmula nº 459/TST. A tal modo, o apelo não merece admissão, nos termos do art. 896,

Nego, pois, seguimento ao apelo. §1º-A, inc. III e da Súmula 296 do col. TST.

CONCLUSÃO

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Formação, Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Suspensão e Extinção do Processo/Condições da Ação. Publique-se.

Alegação(ões):

- violação da (o) artigo 17 do Código de Processo Civil de Assinatura

2015;alínea 'a' do inciso V do artigo 313 do Código de Processo Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

Civil de 2015. BRASILINO SANTOS RAMOS

- divergência jurisprudencial. Desembargador do Trabalho

A egr.Turma ratificou a decisão de origem que extinguiu o feito, Decisão


Processo Nº ROT-0001690-21.2019.5.10.0802
sem resolução de mérito, conforme fundamentos resumidos na Relator CILENE FERREIRA AMARO SANTOS
seguinte ementa: RECORRENTE ADRIANA BENTO DOS SANTOS
ADVOGADO RICARDO NAZARENO TOSTA(OAB:
2. DIFERENÇA DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. 8352/TO)
HORAS EXTRAS RECONHECIDAS EM AÇÃO TRABALHISTA. ADVOGADO LUIZ FELIPE IAGHI SABOIA(OAB:
8326/TO)
INDENIZAÇÃO. RECURSO REPETITIVO. STJ-IRR-RESP RECORRENTE TEL CENTRO DE CONTATOS LTDA.
1.312.736. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. INEXISTÊNCIA

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ADVOGADO CYNTIA MARIA DE POSSIDIO


OLIVEIRA LIMA(OAB: 15654/BA) - contrariedade à(s) Súmula(s) vinculante(s) nº 10 do excelso
RECORRIDO ADRIANA BENTO DOS SANTOS Supremo Tribunal Federal.
ADVOGADO RICARDO NAZARENO TOSTA(OAB:
8352/TO) - violação do(s) artigo 97, da Constituição Federal.
ADVOGADO LUIZ FELIPE IAGHI SABOIA(OAB: A União Federal (INSS) acena com a inobservância, por parte
8326/TO)
RECORRIDO TEL CENTRO DE CONTATOS LTDA. daTurma, do comando insculpido no artigo 97 da Constituição
ADVOGADO CYNTIA MARIA DE POSSIDIO Federal, que trata da cláusula de reserva de plenário. Sinaliza,
OLIVEIRA LIMA(OAB: 15654/BA)
RECORRIDO UNIÃO FEDERAL (PGF) - TO assim, com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 71, § 1º,
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho da Lei nº 8.666/93, proferida pelo Órgão fracionário deste Regional,

Intimado(s)/Citado(s): resultando em contrariedade à Súmula Vinculante nº 10/STF eà

- ADRIANA BENTO DOS SANTOS Súmula nº 331, V, doTST, assim como em ofensa ao artigo 97 da
- TEL CENTRO DE CONTATOS LTDA. Carta Magna.

Todavia, não vislumbro a suscitada declaração de

inconstitucionalidade, haja vista que o Colegiado simplesmente

PODER JUDICIÁRIO limitou-se a aplicar o entendimento consubstanciado na Súmula nº

JUSTIÇA DO TRABALHO 331,IV e V, doTST. Incólumes, pois, o artigo 97 da Constituição

Federal, o item V da Súmula nº 331/TST e a Súmula Vinculante nº


Fundamentação
10/STF.

Responsabilidade Solidária / Subsidiária.


RECURSO DE REVISTA
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Processo e
Lei 13.015/2014
Procedimento/Provas/Ônus da Prova.

Alegação(ões):

- contrariedade à(s) Súmula(s) nº 331 do colendo Tribunal Superior

do Trabalho.

- violação do(s) inciso XXXV do artigo 5º;inciso LIV do artigo

5º;inciso LV do artigo 5º; §6º do artigo 37; §2º do artigo 102, da

Constituição Federal.
Recorrente(s): 1.UNIÃO FEDERAL (PGF) -
- violação do(s)§1º do artigo 71 da Lei nº 8666/1993;inciso I do
TO
artigo 373 do Código de Processo Civil de 1973;inciso II do artigo

Recorrido(a)(s): 373 do Código de Processo Civil de 1973;artigo 818 da


1.ADRIANA BENTO DOS
Consolidação das Leis do Trabalho; §2º do artigo 8º da Lei nº
SANTOS
13467/2017.

Advogado(a)(s): 1.LUIZ FELIPE IAGHI - divergência jurisprudencial: .

SABOIA (TO - 8326) A3ª Turma reconheceu aresponsabilidade subsidiária da União

Federal (INSS), nos termos da Súmula nº 331 do TST.O acórdão

foi assim ementado:


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS 'RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO
Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 14/09/2020; recurso PÚBLICA. É entendimento da Terceira Turma do Tribunal Regional
apresentado em 04/10/2020 - fls. 2690). do Trabalho da Décima Região que os arts. 58, III e 67 da Lei
Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº 8.666/1993 impõe à Administração Pública o dever de fiscalizar a
436/TST). execução do contrato, logo, o ônus de comprovar que efetivamente
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV). cumpriu essa obrigação é da tomadora dos serviços, nos exatos
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS termos dos arts. 818, II, da CLT e 373, II, do CPC. Como se vê, não
Anulação / Nulidade de Ato ou Negócio Jurídico. se trata de inversão de ônus de prova, mas de atribuir à
Alegação(ões): Administração Pública o ônus de comprovar os fatos impeditivos e
- contrariedade à(s) Súmula(s) nº 331, item V do colendo Tribunal extintivos do direito pleiteado pela parte autora. A contratação
Superior do Trabalho. obedeceu aos ditames da lei 8.666/93, mas não houve fiscalização

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satisfatória da tomadora de serviços. Reconhecida a cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias e tenta

responsabilidade subsidiária, a condenação abrange toda a justificar-se, daí porque assume a sua culpa in vigilando'. Registre-

condenação imposta ao empregador da parte autora, mesmo se, por oportuno, que a recente decisão do STF no RE nº 760.931,

porque não se apresenta obrigação de natureza personalíssima.' com repercussão geral, que atribuiu o ônus da prova da ausência

Inconformado, insurge-seo ente público contra essa decisão, de fiscalização ao trabalhador, em nada altera a conclusão destes

mediante as alegações alhures destacadas, objetivando afastar a autos, uma vez que a condenação subsidiária da entidade pública

condenação subsidiária. Alega, inicialmente, que não pode ser está amparada na prova de que incorreu em culpa in vigilando, ante

responsabilizado subsidiariamente pelo pagamento das verbas a ausência de fiscalização dos direitos trabalhistas dos empregados

deferidas aoreclamante, pois estenão se desincumbiu do ônus de da empresa prestadora de serviços. Nesse contexto, é inviável a

comprovar a ausência de fiscalização do contrato de terceirização, admissibilidade do recurso de revista, pois a decisão recorrida

encargo que lhe pertencia. Sustenta, outrossim, não evidenciada encontra-se em consonância com o item V da Súmula 331 do TST.

sua conduta culposa na fiscalização das obrigações da prestadora Assim, tendo em vista que a parte não trouxe, nas razões de

de serviços. agravo, nenhum argumento capaz de infirmar a decisão denegatória

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 760.931/DF, do agravo de instrumento, há que ser mantida a decisão. Agravo

com repercussão geral, decidiu que o ônus de provar a ausência de conhecido e desprovido.' (Ag-AIRR - 672-08.2013.5.21.0013, Data

fiscalização da execução do contrato com a empresa prestadora é de Julgamento: 13/09/2017, Relator Ministro: Alexandre de Souza

do empregado. Todavia, tal entendimento não modifica a conclusão Agra Belmonte, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 15/09/2017)

alcançada pela Turma, pois a condenação imposta está 'AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA EM

fundamentada na prova de que o ente público incorreu em culpa 'in FACE DE DECISÃO PUBLICADA A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI

vigilando', legitimando a imputação da responsabilidade subsidiária. Nº 13.015/2014. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

Em tal cenário, o acórdão está em perfeita harmonia com a RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. CONTRATO DE

jurisprudência cristalizada na Súmula nº 331, V, do TST. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ÔNUS DA PROVA. A contratação de

De outra parte, decidida a matéria com arrimo no contexto fático- empresa prestadora de serviços, por meio de regular licitação, não

probatório produzido nos autos, o processamento do recurso de basta para excluir a responsabilidade do ente público. Nos termos

revista fica obstado, na medida em que seria necessário o do item V da Súmula nº 331 do TST, editado à luz da decisão

revolvimento de fatos e provas, o que é defeso (Súmula nº126/TST). proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADC nº 16/DF, em se

A propósito, nesse sentido, trago à baila os seguintes precedentes tratando de terceirização de serviços, os entes integrantes da

do TST: Administração Pública direta e indireta responderão

'AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE subsidiariamente pelas dívidas trabalhistas das empresas

REVISTA. ENTE PÚBLICO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. prestadoras, quando forem negligentes em relação ao dever de

CARACTERIZAÇÃO DE CULPA IN VIGILANDO. INCIDÊNCIA DA fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais e legais da

SÚMULA 331, V, DO TST. Do quadro fático registrado no acórdão contratada. Na presente demanda, o Tribunal Regional, soberano

recorrido extrai-se que a condenação decorre da culpa do tomador na análise do conjunto probatório, registrou que o ente público não

dos serviços. Com efeito, o TRT destacou que: 'Na seqüência, o se desincumbiu do ônus de comprovar a correta fiscalização do

que deve ser aferido é se houve culpa ' in vigilando' do Estado do cumprimento do contrato com a empresa prestadora. Assim, ao

RN, ora recorrente, quanto à fiscalização da reclamada SALUTE, no atribuir-lhe a responsabilidade subsidiária, decidiu em plena sintonia

que se refere ao adimplemento das obrigações trabalhistas geradas com o verbete acima mencionado. Acrescente-se que não se

durante o período de vigência do contrato mantido entre os verifica desrespeito à tese de repercussão geral, firmada no

litisconsortes passivos. Neste ponto, o recorrente afirma que ' o ente julgamento do RE-760931, pelo Supremo Tribunal Federal, tendo

público, no decorrer da execução do contrato administrativo, não em vista que não houve, no caso, a transferência automática da

tem a obrigação legal de fiscalizar se a empresa contratada honra responsabilidade decorrente do inadimplemento da obrigação pelo

os demais contratos, firmados com outras pessoas, físicas ou empregador. Ficou evidenciada a culpa in vigilando do ente público.

jurídicas, ainda mais quando detêm natureza privada' e que o único Tal conclusão se baseia apenas nas informações disponibilizadas

objeto de fiscalização era a prestação de serviços (ID. 2be5609 - no sítio daquela Corte na internet, pois a decisão ainda aguarda a

pág. 10). Noutras palavras, o litisconsorte admite que não redação do acórdão e a respectiva publicação no órgão oficial.

fiscalizava as empresas contratadas no que diz respeito ao Agravo de instrumento a que se nega provimento.' (AIRR - 10054-

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 39
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69.2013.5.01.0049, Data de Julgamento: 30/08/2017, Relator de terceirização, em responsabilidade objetiva, a teor da

Ministro: Cláudio Mascarenhas Brandão, 7ª Turma, Data de jurisprudência advinda da Corte Máxima. Porém, naturalmente, se

Publicação: DEJT 08/09/2017) houver clara, inquestionável culpa da entidade estatal tomadora de

'AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. serviços quanto à fiscalização da conduta da empresa terceirizada

PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.015/2014. 1. relativamente ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas,

TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA. ENTIDADES ESTATAIS. incidirá a responsabilidade subsidiária, por força de outros preceitos

ENTENDIMENTO FIXADO PELO STF NA ADC Nº 16-DF. SÚMULA legais, além do art. 71, caput e § 1º, da Lei de Licitações. Havendo

331, V/TST. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. NECESSIDADE manifesta ou demonstrada culpa in vigilando, incidem preceitos

DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA CULPOSA NO responsabilizatórios concorrentes, tais como os artigos 58, III, 67,

CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DA LEI 8.666/93 caput e §1º, da Lei 8.666/93 e os artigos 186 e 927, do Código Civil.

EXPLICITADA NO ACÓRDÃO REGIONAL. Registre-se que o Nesse contexto, o STF, ao julgar com repercussão geral o RE nº

Supremo Tribunal Federal, ao decidir a ADC nº 16-DF, reverteu a 760.931, confirmou a tese já explicitada na anterior ADC nº 16-DF,

interpretação sedimentada há duas décadas na jurisprudência no sentido de que a responsabilidade da Administração Pública não

trabalhista no sentido de que as entidades estatais - a exemplo das pode ser automática, cabendo a sua condenação apenas se houver

demais pessoas físicas e jurídicas - eram firmemente responsáveis prova inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na

por verbas contratuais e legais trabalhistas dos trabalhadores fiscalização dos contratos, bem como atribuiu o ônus de provar o

terceirizados na área estatal, caso houvesse o inadimplemento por descumprimento desse dever legal ao trabalhador. Assim, em que

parte do empregador terceirizante (Súmula 331, antigo item IV, pese a decisão do RE nº 760.931 atribua ao trabalhador o ônus

TST). Para o STF, é necessária a efetiva presença de culpa in processual, no caso dos autos, enfatize-se que houve a conduta

vigilando da entidade estatal ao longo da prestação de serviços omissiva do Estado Recorrente no tocante ao pagamento das

(STF, ADC nº 16-DF). Observados tais parâmetros, é preciso faturas do contrato de prestação de serviços, sendo condição mais

perceber, no caso concreto, se o ente público agiu com culpa para a grave que a simples ausência do dever de fiscalização pelo ente

ocorrência do inadimplemento dos débitos trabalhistas. Se não público, o que autoriza sua responsabilização subsidiária. Agravo de

resultar claramente evidenciada a ação ou omissão, direta ou instrumento desprovido.' (AIRR - 1443-14.2015.5.06.0019, Data de

indireta, na modalidade culposa, do agente público em detrimento Julgamento: 09/08/2017, Relator Ministro: Mauricio Godinho

do contrato administrativo para a prestação de serviços Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 18/08/2017)

terceirizados, não há como identificar a responsabilidade da 'RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. DA ADMINISTRAÇÃO

Administração Pública em relação às obrigações trabalhistas da PÚBLICA. CULPA IN VIGILANDO CARACTERIZADA. I - Para

prestadora de serviços, à luz do art. 71, § 1º, da Lei 8.666/1993. equacionar a controvérsia em torno da existência ou inexistência de

Insista-se que essa é a linha do entendimento atual do Supremo responsabilidade subsidiária da Administração Pública pelas

Tribunal Federal na ADC nº 16-DF. Em observância a esse obrigações trabalhistas não honradas pela empresa prestadora de

entendimento da Corte Máxima, o TST alinhou-se à tese de que a serviço é imprescindível trazer a lume a decisão proferida pelo STF

responsabilidade subsidiária dos entes integrantes da na ADC 16/2007. II - Nela, apesar de ter sido reconhecida a

Administração Pública direta e indireta não decorre de mero constitucionalidade do artigo 71, § 1º, da Lei 8.666/93, os eminentes

inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela Ministros daquela Corte permitiram-se alertar os tribunais do

empresa regularmente contratada, mas apenas quando trabalho para não generalizar as hipóteses de responsabilização

comprovada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações subsidiária da Administração Pública. III - Na ocasião, traçaram

da Lei 8.666, de 21.6.1993, especialmente na fiscalização do inclusive regra de conduta a ser observada pelos tribunais do

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de trabalho, de se proceder, com mais rigor, à investigação se a

serviço como empregadora (artigos 58 e 67, Lei 8.666/93) - novo inadimplência da empresa contratada por meio de licitação pública

texto da Súmula 331, V, do TST. Nesse quadro, a mera culpa in teve como causa principal a falha ou a falta de fiscalização pelo

eligendo não autoriza, por si só, deduzir a responsabilidade do órgão público contratante. IV - A partir dessa quase admoestação

Poder Público pelos débitos inadimplidos pela empregadora, da Suprema Corte, o Tribunal Superior do Trabalho houve por bem

segundo o STF. A propósito, para a Corte Máxima, tendo sido a transferir a redação do item IV da Súmula 331 para o item V desse

terceirização resultado de processo licitatório, não há que se falar precedente, dando-lhe redação que refletisse o posicionamento dos

em culpa in eligendo. Também não há que se falar, em tais casos Ministros do STF. V - Compulsando o verbete, percebe-se, sem

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 40
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

desusada perspicácia, que a responsabilização subsidiária da Terceirização/Ente Público/Abrangência da Condenação.

Administração Pública tem por pressuposto a comprovação da sua Alegação(ões):

conduta culposa ao se demitir do dever de fiscalizar o cumprimento - violação do(s) inciso XLVI do artigo 5º;artigo 100, da Constituição

das obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços. VI - Federal.

Em outras palavras, impõe-se extrair da decisão do Regional A despeito dos argumentos lançados no arrazoado, relativamente

elementos de prova de que a Administração Pública observou ou ao tópico em destaque, o fato é que a responsabilidade subsidiária

não o dever de fiscalização dos direitos trabalhistas devidos aos do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da

empregados da empresa prestadora de serviços, uma vez que o condenação referentes ao período da prestação laboral(Súmula nº

seu chamamento à responsabilização subsidiária repousa na sua 331, VI, do TST).

responsabilidade subjetiva e não objetiva. VII - Mediante exame do Incidem, portanto, a Súmula nº 333 do TST e o art. 896, § 7º, da

acórdão recorrido, verifica-se que o Colegiado de origem fora CLT como óbice ao processamento do recurso de revista, não se

incisivo e minudente ao extrair do contexto factual a divisando maltrato aos dispositivos invocados.

responsabilidade subsidiária do agravante. VIII - O acórdão CONCLUSÃO

recorrido, com riqueza de detalhes probatórios em torno da culpa in Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

vigilando do agravante, por ter se demitido do dever de fiscalizar o Publique-se.

cumprimento das obrigações trabalhistas da empresa prestadora de Assinatura

serviços, premissa, aliás, insuscetível de modificação no TST, a teor Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

da Súmula 126, guarda absoluta sintonia com entendimento contido BRASILINO SANTOS RAMOS

na Reclamação nº 23151/DF - Distrito Federal, em que fora Relator Desembargador do Trabalho

o Ministro Luiz Fux, cuja decisão foi publicada no DJe de 3/3/2016. Decisão
Processo Nº AP-0121500-87.2009.5.10.0010
IX - Sobrevém, assim, a certeza de o Regional ter-se valido do Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO
princípio da persuasão racional do artigo 131 do CPC de 73, no qual AGRAVANTE SUELY BRAGA CASTILHO
ADVOGADO ANA MONICA PORTELA PATRICIO
se acha subentendido o princípio da despersonalização da prova DA COSTA(OAB: 26190/DF)
oral, consagrado, a propósito, no artigo 371 do CPC de 2015, para ADVOGADO ANTONIO DE FREITAS BORGES
FILHO(OAB: 57351/DF)
extrair a culpa in vigilando do agravante, nos termos da ADC ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
1441-A/DF)
16/2010. X - Desse modo, cai por terra a arguição de infringência
ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
aos artigos 818 da CLT e 333, I, do CPC de 73, pois o Regional não 31924/DF)
AGRAVADO CAIXA DE PREVIDENCIA DOS
dirimira a controvérsia pelo critério do ônus subjetivo da prova. XI - FUNCS DO BANCO DO BRASIL
Por outro lado, não se vislumbra ofensa literal e direta ao artigo 71, ADVOGADO BRUNA SHEYLLA DE
OLIVINDO(OAB: 32682/DF)
§ 1º, da Lei 8.666/93, pois a decisão impugnada encontra-se, ao fim AGRAVADO BANCO DO BRASIL SA
e ao cabo, em consonância com a Súmula 331, item V, do TST, ADVOGADO CARLOS ALBERTO DE SOUZA(OAB:
19962/DF)
erigida em requisito negativo de admissibilidade do recurso revista. ADVOGADO DEYSE MARA NOGUEIRA PATRICIO
FIGUEIREDO(OAB: 34841/DF)
XII - A divergência jurisprudencial, a seu turno, não se credencia à

cognição do TST, não só por se reportar a arestos que não Intimado(s)/Citado(s):


guardam similitude factual com a decisão recorrida, mas, sobretudo, - BANCO DO BRASIL SA
- CAIXA DE PREVIDENCIA DOS FUNCS DO BANCO DO
por estarem superados no caso concreto. XIII - Com isso, avulta a BRASIL
convicção de que o recurso de revista efetivamente não lograva - SUELY BRAGA CASTILHO

processamento, quer à guisa de violação legal ou constitucional,

quer por dissenso pretoriano, na esteira do artigo 896, § 7º, da CLT

e da Súmula nº 333/TST. XIV - Agravo de instrumento a que se


PODER JUDICIÁRIO
nega provimento.' (AIRR - 10235-65.2014.5.03.0086, Data de
JUSTIÇA DO TRABALHO
Julgamento: 19/04/2017, Relator Ministro: Antonio José de Barros

Levenhagen, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/04/2017) Fundamentação

A tal modo, inviável a prossecução do feito, a teor das Súmulas nºs Recurso de Revista

126 e 333 do TST e do artigo 896, § 7º, da CLT.

Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Tomador de Serviços / Recorrente(s): 1. SUELY BRAGA CASTILHO

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 41
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): 1. SAMANTHA BRAGA GUEDES (DF - 31924) Recurso de Revista / Fase de Execução.

1. JOSE EYMARD LOGUERCIO (DF - 1441) Alegação(ões):

1. ANTONIO DE FREITAS BORGES FILHO (DF - - contrariedade à(ao) : Súmula nº 211 do Tribunal Superior do

57351) Trabalho.

1. ANA MONICA PORTELA PATRICIO DA COSTA - violação dos incisos II e XXXVI do artigo 5º, da Constituição

(DF - 26190) Federal.

Recorrido(a)(s): 1. CAIXA DE PREVIDENCIA DOS FUNCS DO - violação do artigo 883 da Consolidação das Leis do Trabalho;

BANCO DO BRASIL artigo 39 da Lei nº 8177/1991.

2. BANCO DO BRASIL S/A - divergência jurisprudencial.

Advogado(a)(s): 1. BRUNA SHEYLLA DE OLIVINDO (DF - 32682) A egr. Turma deu parcial provimento ao agravo de petição oposto

2. DEYSE MARA NOGUEIRA PATRICIO pela exequente, adotando os fundamentos sintetizados na ementa

FIGUEIREDO (DF - 34841) da seguinte forma:

2. CARLOS ALBERTO DE SOUZA (DF - 19962) "AGRAVO DE PETIÇÃO. VALOR EXECUTADO. ATUALIZAÇÃO.

JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. Os juros de mora incidem, a

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS partir da data do ajuizamento da ação (CLT, art. 883), sobre o

Tempestivo o recurso (publicação em 29/09/2020 - fls. VIA montante da condenação corrigido monetariamente, nos exatos

SISTEMA; recurso apresentado em 08/10/2020 - fls. 1586). termos da Súmula 200/TST e do artigo 39, § 1º, da Lei nº 8.177/91,

Regular a representação processual (fls. 12 e 1570). devendo ser observado como limite de atualização a data do

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS depósito, porquanto garantido o Juízo. Assiste parcial razão à

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO / Atos exequente, posto que o valor liberado se refere à data de

Processuais / Nulidade / Negativa de Prestação Jurisdicional. liquidação, estando desatualizado em relação à data do depósito.

Alegação(ões): Ressalto que as manifestações de concordância da exequente

- violação do(s) inciso IX do artigo 93, da Constituição Federal. logicamente se referem ao valor exequendo em relação à data da

A recorrente suscita a nulidade do acórdão por negativa de apuração e não simplesmente ao valor nominal sem as

prestação jurisdicional ao argumento de que, não obstante a atualizações."

oposição dos pertinentes embargos de declaração, o Colegiado não Em suas razões recursais, a exequente reitera a tese de que a

emitiu pronunciamento explícito acerca de aspectos relevantes à incidência dos juros de mora e correção monetária sobre o débito

controvérsia, especialmente no que concerne à legislação atual e trabalhista deve ser aplicada até a data da efetiva liberação ao

jurisprudência que determinam que a atualização do crédito credor. Aponta para a afronta aos princípios da legalidade e da

trabalhista ocorra até a satisfação do débito. coisa julgada. Colaciona jurisprudência divergente.

De início, registre-se que a admissibilidade do recurso de revista em Cumpre registrar, ab initio, que a admissibilidade do recurso de

processo de execução depende de demonstração inequívoca de revista em processo de execução limita-se à constatação de

ofensa direta e literal à Constituição Federal, circunstância que violação literal e direta da Constituição Federal (artigo 896, § 2º, da

afasta a alegação de dissenso pretoriano e de ofensa à legislação CLT c/c a Súmula nº 266 do Col. TST), motivo pelo qual não serão

infraconstitucional (CLT, artigo 896, § 2º). objeto de análise o dispositivo infraconstitucional e o dissenso

Dispõe o artigo 93, IX, da Constituição Federal, que todos os jurisprudencial indicados pela recorrente.

julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos e Nesse contexto, releve-se que a aferição de afronta ao art. 5º,

fundamentadas as decisões. Da leitura dos acórdãos, verifica-se incisos II e XXXVI da Carta Magna só poderia ocorrer de modo

que a Turma analisou todas as questões mediante decisão oblíquo e indireto, por pressupor demonstração de ofensa à norma

suficientemente motivada, não havendo que se falar em omissão de processual pertinente (art. 884 da CLT), o que torna inviável o

pronunciamento. processamento do recurso de revista.

De outra parte, decisão desfavorável não pode ser confundida com Afastam-se, pois, as alegações recursais.

decisão insuficiente ou omissa. CONCLUSÃO

A tal modo, não se evidencia nenhuma mácula aos dispositivos Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

apontados. Publique-se.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO / Recurso / Assinatura

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. da seguinte ementa:

BRASILINO SANTOS RAMOS "PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. O enquadramento do reclamante

Desembargador do Trabalho no PES/2010 teve a prescrição interrompida pelo ajuizamento da


Decisão ação do sindicato, por meio da qual se discutia a validade desse
Processo Nº RORSum-0000934-42.2019.5.10.0016
Relator MARIA REGINA MACHADO plano. Transitada em julgado a respectiva decisão em
GUIMARAES
setembro/2018, não há prescrição total a ser declarada em face do
RECORRENTE COMPANHIA DO METROPOLITANO
DO DISTRITO FEDERAL METRO DF ajuizamento da presente ação, ocorrido em outubro/2019.
RECORRIDO ROGERIO BARBOSA
PES/2010. ENQUADRAMENTO. De acordo com o PES/2010, o
ADVOGADO ITAMAR DE GODOY(OAB:
113657/SP) Motorista, cargo então ocupado pelo reclamante, foi enquadrado no
ADVOGADO SOSTENES JULIANO DA SILVA(OAB:
43985/DF) "NOVO EMPREGO" denominado "Profissional de Apoio Geral
ADVOGADO LEIDILANE PEREIRA SUDRE(OAB: (PAG). Consequentemente, com a instituição do PCS/2013 e
52800/DF)
atendendo aos requisitos necessários, o reclamante foi
Intimado(s)/Citado(s): automaticamente nele inserido, passando a fazer parte da
- ROGERIO BARBOSA respectiva tabela salarial."

O reclamado interpõe recurso de revista. Aduz que o acórdão

recorrido violou literalmente o dispositivo constitucional e as

PODER JUDICIÁRIO Súmulas do TST, posto que a demanda discute a aplicabilidade do

JUSTIÇA DO TRABALHO PES\2010 e PCS\2013 e se passaram mais de 5 anos da

implementação dos referidos planos, logo, há a aplicação da


Fundamentação
Súmula 294 do TST, que reconhece a prescrição total do direito do
DECISÃO
Recorrido. Ressalta, ainda, que o direito que se discute se refere o

reenquadramento previsto no PCS\2010, o que também se encontra

prescrito nos termos da Súmula 275 do TST. Destaca, quanto ao


Recurso de Revista
enquadramento, que a promulgação da Constituição Federal de

1988 e Emendas Constitucionais posteriores, vedou-se o ingresso


Recorrente(s): COMPANHIA DO METROPOLITANO DO DISTRITO
em órgãos públicos, em sentido amplo, sem a realização e concurso
FEDERAL METRO DF
público, além de ter vedado a passagem de servidores\empregados
Recorrido(a)(s): ROGERIO BARBOSA
ocupantes de determinados cargos para outros cargos integrantes
Advogado(a)(s): LEIDILANE PEREIRA SUDRE (DF - 52800)
de carreiras diversas.
SOSTENES JULIANO DA SILVA (DF - 43985)
De plano, registre-se o que o art. 896, § 9º, da CLT preceitua que a
ITAMAR DE GODOY (SP - 113657)
admissibilidade do recurso de revista nas causas sujeitas ao
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
procedimento sumaríssimo está condicionada à demonstração
Tempestivo o recurso (publicação em 21/09/2020 - fls. VIA
inequívoca de violência direta à Constituição Federal ou
SISTEMA ; recurso apresentado em 01/10/2020 - fls. 328).
contrariedade a súmula de jurisprudência do Tribunal Superior do
Regular a representação processual (fls. 168).
Trabalho, ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal.
Satisfeito o preparo (fl(s). 291/292, 288/289 e 340/341).
Conforme delineado no acórdão vergastado - delimitação essa
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
intangível, a teor da Súmula nº 126/TST -, "o SINDIMETRO ajuizou
Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios / Salário /
ação trabalhista (RT 0001762-13.2011.5.10.0018) buscando o
Diferença Salarial / Plano de Cargos e Salários.
reconhecimento da nulidade do PES/2010, cuja respectiva decisão
Alegação(ões):
transitou em julgado somente em 17.09.2018, quando, então, foi
- contrariedade à(ao) : Súmula nº 275; Súmula nº 294 do Tribunal
reconhecida a sua nulidade apenas parcial. A partir do trânsito em
Superior do Trabalho.
julgado dessa decisão, portanto, passou a correr o prazo
- violação do(s) inciso XXIX do artigo 7º; inciso II do artigo 37, da
prescricional para o reclamante buscar em juízo a aplicação desse
Constituição Federal.
normativo. Assim, ajuizada a presente ação em outubro de 2019,
A egrégia Turma manteve a decisão que determinou o
não há prescrição total a ser declarada." Nesse sentido, asseverou
enquadramento do autor no PES/2010 e, posteriormente, no
que a prescrição não foi total, mas apenas parcial, porquanto
PCS/2013 e o pagamento dos consectários decorrentes, nos termos

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

- AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO


decidiu-se declarar nulo o PES/2010 apenas em relação aos S.A.
ocupantes do cargo de "Profissionais Operadores Metro - LEONARDO DE LUCENA HELIODORO

Ferroviários", o que não abarca o reclamante, então Motorista.

No que concerne ao enquadramento, consignou que "De acordo

com o PES/2010 (ID 62e3a33 anexo à inicial), os Motoristas, cargo PODER JUDICIÁRIO
então ocupado pelo reclamante, foram enquadrados no "NOVO JUSTIÇA DO TRABALHO
EMPREGO" denominado "Profissional de Apoio Gera (PAG)". Com
Fundamentação
a instituição do PCS/2013 (ID eb7ccfa anexo à inicial) e atendendo

aos requisitos necessários - o que, aliás, sequer é impugnado pelo


RECURSO DE REVISTA
recorrente - o reclamante foi automaticamente nele inserido,
Lei 13.015/2014
passando a fazer parte da respectiva tabela salarial (ID eec3efa

anexo à inicial)."

Nesse contexto, a discussão foi dirimida com base no conjunto

fático-probatório dos autos e rever a questão, na forma como

articulada, exigiria a reanálise das provas, o que é vedado no atual

momento processual, a teor da Súmula nº 126/TST.

Nego, pois, seguimento ao recurso.

CONCLUSÃO
Recorrente(s): LEONARDO DE LUCENA
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.
HELIODORO
Publique-se.

Advogado(a)(s): MARCELO AMERICO

MARTINS DA SILVA (DF -


Assinatura

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. Recorrido(a)(s): AYMORE CREDITO,


BRASILINO SANTOS RAMOS
FINANCIAMENTO E
Desembargador do Trabalho
Decisão Advogado(a)(s): OSMAR MENDES PAIXÃO
Processo Nº ROT-0001871-61.2014.5.10.0005
Relator MARIO MACEDO FERNANDES CÔRTES (DF - 15553)
CARON
RECORRENTE LEONARDO DE LUCENA
HELIODORO
ADVOGADO PAULA IANUCK RESENDE(OAB: PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
43498/DF)
ADVOGADO GILBERTO CLAUDIO HOERLLE(OAB: Tempestivo o recurso (ciência via sistema em 25/09/2020; recurso
5166/DF)
apresentado em 07/10/2020 - fls. 423).
ADVOGADO MARCELO AMERICO MARTINS DA
SILVA(OAB: 11776/DF) Regular a representação processual (fls. 301).
RECORRENTE AYMORE CREDITO,
FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Inexigível opreparo (fl(s). 102).
S.A.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
ADVOGADO OSMAR MENDES PAIXÃO
CÔRTES(OAB: 15553/DF) Responsabilidade Civil do Empregador/Indenização por Dano Moral.
RECORRIDO AYMORE CREDITO,
FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Responsabilidade Civil do Empregador/Indenização por Dano
S.A.
Moral/Valor Arbitrado.
ADVOGADO OSMAR MENDES PAIXÃO
CÔRTES(OAB: 15553/DF) Alegação(ões):
RECORRIDO LEONARDO DE LUCENA
HELIODORO - violação do(s) inciso XXII do artigo 7º, da Constituição Federal.
ADVOGADO PAULA IANUCK RESENDE(OAB: - violação do(s) artigo 927 do Código Civil;artigo 940 do Código
43498/DF)
ADVOGADO GILBERTO CLAUDIO HOERLLE(OAB: Civil;artigo 944 do Código Civil.
5166/DF)
A 2ª Turma reduziu o valor da indenização por danos morais para
ADVOGADO MARCELO AMERICO MARTINS DA
SILVA(OAB: 11776/DF) R$15.000,00. Eis os fundamentos que nortearam a decisão:

'Relativamente ao quantumreparatório, deve ser arbitrado de


Intimado(s)/Citado(s):

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

acordo com, entre outros fatores, agravidade da falta e a


PODER JUDICIÁRIO
intensidade da ofensa. Deve, ainda, oferecer ao lesado
JUSTIÇA DO TRABALHO
compensação que possa atenuar o seu sofrimento e importar em

montante razoável do patrimônio do ofensor que o desestimule de

persistir na conduta ilícita, além de servir de exemplo aos demais Recurso de Revista

empregadores para que não trilhem no mesmo caminho do

agressor. Recorrente(s): 1. FUNDACAO UNIVERSIDADE DE BRASILIA

No caso dos autos, o reclamante confessou que o transporte de Recorrido(a)(s): 1. DOMINGAS MARCELINO DE BRITO

valores era realizado duas vezes ao mês (fl. 252). Considerando 2. MONTE SINAI SERVICE LOCACAO DE MAO

ainda duração aproximada do contrato de trabalho por 11 anos e o DE OBRA LTDA

valor indenizatório praticado por este eg. Colegiado, a exemplo do Advogado(a)(s): 1. ADALBERTO BATISTA GUIMARAES BORGES

RO 0000012838.2018.5.10.0017, tenho que o importe indenizatório (DF - 60054)

deve ser reduzido. 1. DAVI RODRIGUES RIBEIRO (DF - 23455)

Nesse cenário, dou parcial provimento ao recurso da reclamada Interessado(a)(s): 1. Ministério Público do Trabalho

para reduzir o valor da indenização para R$15.000,00.' - fls. 418

Inconformado, insurge-se o reclamante contra essa decisão, PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

mediante as alegações acima destacadas, sustentando, em síntese, Tempestivo o recurso (publicação em 08/09/2020 - fls. VIA

que o Colegiado não observou a proporcionalidade entre a SISTEMA; recurso apresentado em 10/09/2020 - fls. 539).

gravidade dos ilícitos praticados e os danos causados. Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº

Depreende-se do acórdão recorrido que o quantum arbitradose 436/TST).

pautou na razoabilidade e proporcionalidade, conforme preconiza o Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).

art. 223-G da CLT, de modo que se tem por preservado o preceito PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

em destaque. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO / Liquidação /

Dessarte, afastam-se as alegações deduzidas. Cumprimento / Execução.

Nego, pois, seguimento ao recurso de revista. Alegação(ões):

CONCLUSÃO - violação do(s) inciso XXXIV do artigo 5º da Constituição Federal.

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. - divergência jurisprudencial.

Publique-se. A egr. Turma manteve a sentença originária que julgou

Assinatura improcedente o pedido da segunda reclamada de desconsideração

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020. da personalidade jurídica do devedor principal antes do

BRASILINO SANTOS RAMOS redirecionamento da execução em seu desfavor. Esta a ementa:

Desembargador do Trabalho "EXECUÇÃO. DIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO CONTRA O

Edital DEVEDOR CONDENADO SUBSIDIARIAMENTE. BENEFÍCIO DE

ORDEM. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA


Processo Nº AP-0002072-24.2012.5.10.0005
DA EMPRESA EXECUTADA. O direcionamento da execução contra
Relator LUIZ HENRIQUE MARQUES DA
ROCHA o devedor subsidiário não está condicionado ao exaurimento das
AGRAVANTE FUNDACAO UNIVERSIDADE DE
BRASILIA diligências em desfavor do devedor principal e dos seus
AGRAVADO DOMINGAS MARCELINO DE BRITO representantes legais (Verbete 37/2008 deste TRT/10ª Região).
ADVOGADO ADALBERTO BATISTA GUIMARAES
BORGES(OAB: 60054/DF) Correta, assim, a decisão originária que rejeitou os embargos à
ADVOGADO DAVI RODRIGUES RIBEIRO(OAB: execução do responsável subsidiário. Agravo de petição da
23455/DF)
AGRAVADO MONTE SINAI SERVICE LOCACAO Fundação Universidade de Brasília conhecido parcialmente e
DE MAO DE OBRA LTDA
negado provimento."
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
Recorre o ente público ao argumento de que o acórdão fere a coisa
Intimado(s)/Citado(s):
julgada porquanto a recorrente foi condenada de forma subsidiária e
- MONTE SINAI SERVICE LOCACAO DE MAO DE OBRA LTDA
não houve o esgotamento das medidas constritórias em relação ao

devedor principal e seus sócios.

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Intimado(s)/Citado(s):
Registro que a admissibilidade do recurso de revista, em fase ou
- MARGARETHE SCHMIDT DA SILVA
processo de execução, depende de demonstração inequívoca de

ofensa direta e literal à Constituição Federal (art. 896, § 2º, da CLT;

Súmula 266/TST). Ante esses balizamentos, sob a ótica


PODER JUDICIÁRIO
estritamente processual, afigura-se descabida, nesta oportunidade,
JUSTIÇA DO TRABALHO
a alegada violação de texto infraconstitucional, bem como suposta

divergência jurisprudencial.

De outro lado, frise-se que a afronta a dispositivo da Constituição RECURSO DE REVISTA


Federal, autorizadora do conhecimento do recurso de revista, é a Lei 13.015/2014
que se verifica de forma direta e literal. No caso, o posicionamento

adotado no v. acórdão recorrido reflete a interpretação dada pelo

egr. Colegiado aos preceitos legais que regem a matéria. Nesse

contexto, ofensa, ainda que fosse possível admiti-la, seria


1.SEBASTIÃO PIRES
meramente reflexa, insuficiente, portanto, para autorizar o trânsito Recorrente(s):
CAMPOS e CARMEM LÚCIA
regular do recurso de revista.

Além disso, o artigo 5º, XXXVI, da Constituição Federal encerra


1.AURÉLIO FERNANDES
conteúdo nitidamente principiológico e, nesta feição, eventual Advogado(a)(s):
PEIXOTO (GO - 36774)
ofensa teria natureza reflexa ou indireta, o que, com efeito, não

atende à disposição da CLT.


1.VANDERLAN PEREIRA
Nego seguimento ao apelo. Recorrido(a)(s):
COSTA
CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.


1.DAYANE MACIEL BEZERRA
Publique-se. Advogado(a)(s):
DE CASTRO (TO - 4682)

Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.

BRASILINO SANTOS RAMOS PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

Desembargador do Trabalho Tempestivo o recurso (publicação em 29/09/2020 - via sistema;

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020. recurso apresentado em 09/10/2020 - ID. 273cced).

Regular a representação processual (ID. 3245f20).

CESAR DA SILVA AGUIAR O juízo está garantido (ID(s). 9569c4d).

Assessor PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Liquidação /


Processo Nº AP-0004397-67.2016.5.10.0801 Cumprimento / Execução/Desconsideração da Personalidade
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
AGRAVANTE VANDERLAN PEREIRA COSTA Jurídica.
ADVOGADO DAYANE MACIEL BEZERRA DE Alegação(ões):
CASTRO(OAB: 4682/TO)
ADVOGADO edwardo nelson luis chaves - violação do(s) inciso II do artigo 5º;inciso LIV do artigo 5º;inciso LV
franco(OAB: 2557/TO)
do artigo 5º, da Constituição Federal.
AGRAVADO M S DA SILVA EIRELI - ME
ADVOGADO FRANCISCO JOSÉ SOUSA - violação da (o) artigo 6º da Lei nº 11101/2005;artigo 47 da Lei nº
BORGES(OAB: 413-B/TO)
11101/2005;artigo 50 do Código Civil;artigo 133 do Código de
AGRAVADO CANADA EMPREENDIMENTOS
IMOBILIARIO SPE 03 LTDA Processo Civil de 2015;artigo 927 do Código de Processo Civil de
ADVOGADO AURELIO FERNANDES
PEIXOTO(OAB: 36774/GO) 2015.
AGRAVADO MARGARETHE SCHMIDT DA SILVA - divergência jurisprudencial.
AGRAVADO CARMEM LUCIA PIRES MORALES
Aegr. Turma manteve a decisão que julgou procedente o incidente
ADVOGADO AURELIO FERNANDES
PEIXOTO(OAB: 36774/GO) de desconsideração da personalidade jurídica da empresa
AGRAVADO SEBASTIAO PIRES CAMPOS
devedora, determinando a inclusão dos sócios no polo passivo da
ADVOGADO AURELIO FERNANDES
PEIXOTO(OAB: 36774/GO) execução. O acórdão foi assim ementado:

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 46
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

'1. AGRAVO DE PETIÇÃO. DIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO. Assessor

Evidenciada nos autos a inadimplência do crédito obreiro, sem

indicação de bens idôneos da executada principal, irretocável a SECRETARIA DA CORREGEDORIA REGIONAL


decisão de origem que incluiu os sócios no polo passivo da Portaria
execução, com instauração do incidente de personalidade jurídica e

observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. 2. PORTARIA DA CORREGEDORIA Nº 66,

Agravo de petição conhecido e desprovido.' DE 14 DE OUTUBRO DE 2020

Inconformados, insurgem-se os sócios da empresa executada, O CORREGEDOR REGIONAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO DA

mediante as alegações alhures destacadas, almejando a sua DÉCIMA REGIÃO, no exercício de suas atribuições legais e

reforma. Sustentam ser descabido o pedido de desconsideração da regimentais,

personalidade jurídica, porque não observados os pressupostos dos considerando o contido no Processo SEI-0008800-

artigos 50 do CC, não estando caracterizado abuso de 74.2020.5.10.8000, no qual informada a atuação de magistrado

personalidade jurídica pelo desvio de finalidade ou pela confusão perante a e. 2ª Turma do Tribunal

patrimonial. RESOLVE:

De início, registre-se que a admissibilidade do recurso de revista em REFERENDAR a atuação do Exmo. Sr. Juiz do Trabalho LUIZ

processo de execução depende de demonstração inequívoca de FAUSTO MARINHO DE MEDEIROS junto à egrégia 2ª Turma do

ofensa direta e literal à Constituição Federal, circunstância que Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região no dia 07 de outubro

afasta a alegação de dissenso pretoriano e de ofensa à legislação de 2020, para participar de julgamentos em que vinculado em razão

infraconstitucional (CLT, artigo 896, § 2º). do período de substituição à Exma. Sra. Desembargadora Maria

A alegada violação do art. 5º da Carta Magna só poderia ocorrer de Regina Machado Guimarães.

modo oblíquo e indireto, sendo certo que a respectiva aferição A presente Portaria tem efeitos retroativos à data de atuação, sem

dependeria, necessariamente, do exame de normas prejuízo da publicação regular, ciente o magistrado designado.

infraconstitucionais que disciplinam a matéria em discussão, o que DESEMBARGADOR ALEXANDRE NERY DE OLIVEIRA

torna inviável o processamento do recurso de revista, a teor do CORREGEDOR REGIONAL

artigo 896, § 2º, da CLT.

De toda sorte, não verifico qualquer ofensa ao devido processo

legal, mas insatisfação da recorrente com a interpretação aplicada SEÇÃO DE PRECATÓRIOS


pelo colegiado. Despacho
Nego seguimentoao apelo. Despacho
Processo Nº Precat-0008704-37.2019.5.10.0000
Complemento Nº TRT = Precat-00148/2019
INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO Requerente Marlene Rodrigues do Nascimento
Advogado Jomar Alves Moreno(OAB: 5218-S/DF)
DA SUSPENSÃO DA MORA - RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Requerido AGÊNCIA NACIONAL DE
Os temasem destaque carecem do necessário prequestionamento, TELECOMUNICAÇÕES - ANATEL

incidindo o óbice da Súmula nº 297/TST. Trata-se de Precatório de natureza alimentar, oriundo dos autos
acima identificado, encaminhado pelo Juízo da execução em face
da União - Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL, já
CONCLUSÃO com valores disponibilizados para pagamento.
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. Comprovados os depósitos das quantias requisitadas, atualizadas
monetariamente pelo IPCA-E (art. 100 da Constituição Federal e art.
31 da Lei n.º 13.898/2019 - LDO 2020), por meio de ordens
Publique-se. bancárias n.ºs 2020OB803349 e 2020OB803350 e comprovantes
do banco oficial, mediante abertura de contas remuneradas em
nome dos beneficiários Marlene Rodrigues do Nascimento,
Brasília-DF, 14 de Outubro de 2020.
Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância
BRASILINO SANTOS RAMOS do Distrito Federal e Instituto Nacional do Seguro Social, na Caixa
Desembargador do Trabalho Econômica Federal, determino sejam os autos remetidos à Vara do
Trabalho de origem, observadas as cautelas de praxe quanto aos
Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.
nossos registros.
O Juiz da execução deverá, após liberação do crédito, informar à
CESAR DA SILVA AGUIAR Seção de Precatórios, via malote digital, no prazo de 5 (cinco) dias,
a quitação integral do Precatório para fins de baixa no sistema (art.

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 47
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Complemento Nº TRT = Precat-00150/2019


13 da Instrução Normativa n.º 32/2007 do Tribunal Superior do
Requerente Sindicato dos Empregados de
Trabalho). Empresas de Seg e Vig do Df
Eventual valor de repasse de precatório ou RPV que sobejar em Requerido AGÊNCIA NACIONAL DE
favor da União, em decorrência de retificação de erro material na TELECOMUNICAÇÕES - ANATEL
conta de atualização ou de qualquer outro procedimento levado a Trata-se de Precatório de natureza alimentar, oriundo dos autos
efeito na execução que implique modificação quanto ao valor final acima identificado, encaminhado pelo Juízo da execução em face
requisitado, deverá ser restituído ao final, pelo Juiz da execução da União - Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL, já
(oficiando-se à SCPRE, de modo a informar a data e o montante com valores disponibilizados para pagamento.
dos valores por ele transferidos) por GRU, no endereço Comprovados os depósitos das quantias requisitadas, atualizadas
www.tesouro.fazenda.gov.br, informando: unidade gestora 080016, monetariamente pelo IPCA-E (art. 100 da Constituição Federal e art.
gestão 00001, código de recolhimento: 18809-3 (exercícios 31 da Lei n.º 13.898/2019 - LDO 2020), por meio de ordens
anteriores) ou 60001-6 (exercício atual). bancárias n.ºs 2020OB803349 e 2020OB803350 e comprovantes
Publique-se para ciência das partes. do banco oficial, mediante abertura de contas remuneradas em
Brasília, data consoante assinatura digital. nome dos beneficiários Marlene Rodrigues do Nascimento,
Assinado Digitalmente Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância
Nos termos da Lei.º 11.419 de 19/12/2006 do Distrito Federal e Instituto Nacional do Seguro Social, na Caixa
BRASILINO SANTOS RAMOS Econômica Federal, determino sejam os autos remetidos à Vara do
Desembargador Presidente Trabalho de origem, observadas as cautelas de praxe quanto aos
TRT da 10.ª Região. nossos registros.
Processo Nº Precat-0008705-22.2019.5.10.0000
O Juiz da execução deverá, após liberação do crédito, informar à
Complemento Nº TRT = Precat-00149/2019
Seção de Precatórios, via malote digital, no prazo de 5 (cinco) dias,
Requerente Instituto Nacional do Seguro Social
a quitação integral do Precatório para fins de baixa no sistema (art.
Requerido AGÊNCIA NACIONAL DE
TELECOMUNICAÇÕES - ANATEL 13 da Instrução Normativa n.º 32/2007 do Tribunal Superior do
Trabalho).
Trata-se de Precatório de natureza alimentar, oriundo dos autos
Eventual valor de repasse de precatório ou RPV que sobejar em
acima identificado, encaminhado pelo Juízo da execução em face
favor da União, em decorrência de retificação de erro material na
da União - Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL, já
conta de atualização ou de qualquer outro procedimento levado a
com valores disponibilizados para pagamento.
efeito na execução que implique modificação quanto ao valor final
Comprovados os depósitos das quantias requisitadas, atualizadas
requisitado, deverá ser restituído ao final, pelo Juiz da execução
monetariamente pelo IPCA-E (art. 100 da Constituição Federal e art.
(oficiando-se à SCPRE, de modo a informar a data e o montante
31 da Lei n.º 13.898/2019 - LDO 2020), por meio de ordens
dos valores por ele transferidos) por GRU, no endereço
bancárias n.ºs 2020OB803349 e 2020OB803350 e comprovantes
www.tesouro.fazenda.gov.br, informando: unidade gestora 080016,
do banco oficial, mediante abertura de contas remuneradas em
gestão 00001, código de recolhimento: 18809-3 (exercícios
nome dos beneficiários Marlene Rodrigues do Nascimento,
anteriores) ou 60001-6 (exercício atual).
Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância
Publique-se para ciência das partes.
do Distrito Federal e Instituto Nacional do Seguro Social, na Caixa
Brasília, data consoante assinatura digital.
Econômica Federal, determino sejam os autos remetidos à Vara do
Assinado Digitalmente
Trabalho de origem, observadas as cautelas de praxe quanto aos
Nos termos da Lei.º 11.419 de 19/12/2006
nossos registros.
BRASILINO SANTOS RAMOS
O Juiz da execução deverá, após liberação do crédito, informar à
Desembargador Presidente
Seção de Precatórios, via malote digital, no prazo de 5 (cinco) dias,
TRT da 10.ª Região.
a quitação integral do Precatório para fins de baixa no sistema (art.
13 da Instrução Normativa n.º 32/2007 do Tribunal Superior do
Trabalho).
SECRETARIA DO TRIBUNAL PLENO
Eventual valor de repasse de precatório ou RPV que sobejar em
favor da União, em decorrência de retificação de erro material na Ato
conta de atualização ou de qualquer outro procedimento levado a Orientação Normativa
efeito na execução que implique modificação quanto ao valor final ORIENTAÇÃO NORMATIVA Nº 13/2020
requisitado, deverá ser restituído ao final, pelo Juiz da execução
O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª
(oficiando-se à SCPRE, de modo a informar a data e o montante
dos valores por ele transferidos) por GRU, no endereço Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13
www.tesouro.fazenda.gov.br, informando: unidade gestora 080016, de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a
gestão 00001, código de recolhimento: 18809-3 (exercícios
Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS,
anteriores) ou 60001-6 (exercício atual).
Publique-se para ciência das partes. presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE
Brasília, data consoante assinatura digital. OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA
Assinado Digitalmente
SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON,
Nos termos da Lei.º 11.419 de 19/12/2006
BRASILINO SANTOS RAMOS RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO,
Desembargador Presidente mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO
TRT da 10.ª Região.
Processo Nº Precat-0008706-07.2019.5.10.0000 GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 48
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE BRASILINO SANTOS RAMOS

DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS Desembargador Presidente do TRT da 10.ª Região

ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional Verbete


do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES

BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE

MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 10.ª REGIÃO

VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS, VERBETE Nº 78/2020

ambos em período de férias, O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª

DECIDIU, por unanimidade, apreciando o contido no Processo SEI Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13

n.º 0003765-70.2019.5.10.8000 - MA 101/2020, fixar a Orientação de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a

Normativa n.º 13, nos termos do art. 19, § 2.º, do Regimento Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS,

Interno desta Corte, na forma proposta pelo Desembargador presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE

Ricardo Alencar Machado: OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA

"1. Na hipótese de concordância expressa do magistrado SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON,

interessado com os débitos oriundos de decisões do Acórdão nº RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO,

2880/2013 - TCU -Plenário, relacionadas à Parcela Autônoma de mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO

Equivalência – PAE (0968336-18.0.000006483-8) e do ex. STF, em GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE

julgado, proferido na Ação Originária 1.163/DF, referentes à CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE

incidência da correção monetária sobre o abono variável previsto na DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS

Lei 10.474, de 27 de junho de 2002, DECIDE o eg. Pleno fixar os ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional

seguintes parâmetros mínimos para as respectivas devoluções: do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES

1.1. No que toca à Parcela Autônoma de Equivalência – PAE, BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE

adotar, para tais fins de devolução, na exatidão dos seus termos, a MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS

previsão do Acórdão nº 2880/2013 - TCU -Plenário (item 9.3.17), a VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS,

saber: “…o imediato restabelecimento dos descontos que estavam ambos em período de férias,

sendo efetuados nos contracheques dos magistrados e dos DECIDIU, por unanimidade, considerando o resultado do

pensionistas beneficiados com a decisão exarada pelo Tribunal julgamento do ArgInc 0000065-93.2020.5.10.0000, aprovar a

Superior do Trabalho no Processo RMA-294.07111996.4, bem proposta de verbete na forma apresentada pelo Desembargador

como se abstenha de devolver a esses magistrados os valores que João Amílcar Pavan, para compor a Súmula de Jurisprudência

já foram descontados, desde agosto de 2005, observando os Uniforme do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, sob o

critérios que vinham sendo utilizados quando da interrupção n.º 78/2020, com a seguinte redação:

ocorrida a partir de fevereiro de 2011 para os descontos (Seção IX “HONORÁRIOS PERICIAIS. GRATUIDADE JUDICIÁRIA. ART.

do voto);”; 790-B, CAPUT E § 4º, DA CLT. INCONSTITUCIONALIDADE

1.2. Para a parcela referente à incidência da correção monetária PARCIAL. É inconstitucional a atribuição dos honorários periciais

sobre o abono variável previsto na Lei 10.474, de 27 de junho de ao beneficiário da gratuidade judiciária, ainda que por meio da sua

2002, observar-se-á a mesma simetria do item anterior, notando- compensação com outros créditos trabalhistas, devendo a União

se, porém, que o percentual será equivalente ao complemento do suportar o encargo (art. 5º, incisos II e LXXIV da CF).

limite legal de 10% (dez por cento); Declaração de inconstitucionalidade parcial do caput e parágrafo 4º

1.3. Fica desde já estabelecido que, efetuada a devolução integral do artigo 790-B da CLT adotada por maioria absoluta do Tribunal

de um dos débitos, o remanescente passará a ser descontado no Pleno, na ArgInc-0000065-93.2020.5.10.0000 para os fins do artigo

percentual de 10%, mantido o mesmo critério de cálculo; e 97 da Constituição Federal.”

1.4. Situações que revelem aspectos personalíssimos merecerão Brasília-DF, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO)

também apreciação individualizada pelo eg. Pleno, autorizada, BRASILINO SANTOS RAMOS

desde já, se for o caso, a adoção de deliberação diferenciada da Desembargador Presidente do TRT da 10.ª Região

presente orientação normativa.”

Brasília-DF, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO) SECRETARIA DA 1ª TURMA

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 49
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Acórdão

Processo Nº RORSum-0000290-56.2020.5.10.0019
Relator DENILSON BANDEIRA COELHO 1. NOVACAP. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. BASE DE
RECORRENTE JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA CÁLCULO. LEGALIDADE DO ATO REVISOR DO
ADVOGADO CRISTIANNE RODRIGUES DO
AMARAL(OAB: 43227/DF) ADMINISTRADOR PÚBLICO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
ADVOGADO RICARDO PINTO DO AMARAL(OAB: AUSÊNCIA DE OFENSA A DIREITO ADQUIRIDO OU AO ARTIGO
21269/DF)
RECORRENTE CIA URBANIZADORA DA NOVA 468 DA CLT. SÚMULAS 473 E 346 DO STF. UTILIZAÇÃO DO
CAPITAL DO BRASIL - NOVACAP
SALÁRIO BÁSICO. ARTIGO 193, § 1º, DA CLT. NR 16 ITEM 16.2.
ADVOGADO CASSIA KELLY DOS SANTOS
BARCELOS(OAB: 44747/DF) SÚMULA 191 DO TST.
RECORRIDO JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA
2. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA
ADVOGADO CRISTIANNE RODRIGUES DO
AMARAL(OAB: 43227/DF) DA LEI Nº 13.467/2017. PESSOA NATURAL. DECLARAÇÃO.
ADVOGADO RICARDO PINTO DO AMARAL(OAB:
21269/DF) ARTIGO 99, § 3º DO CPC. JURISPRUDÊNCIA TURMÁRIA.
RECORRIDO CIA URBANIZADORA DA NOVA RESSALVAS DO RELATOR.
CAPITAL DO BRASIL - NOVACAP
ADVOGADO CASSIA KELLY DOS SANTOS 3. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO AJUIZADA NA
BARCELOS(OAB: 44747/DF)
VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Intimado(s)/Citado(s): DA PARTE AUTORA. CABIMENTO DA CONDENAÇÃO.


- CIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL - NATUREZA E IMPORTANCIA DA CAUSA. RAZOABILIDADE E
NOVACAP
PROPORCIONALIDADE. ARTIGO 791-A, § 4º. TRT/10-PLENO-

ARGINC-0000163-15.2019.5.10.0000. VERBETE Nº 75/2019-

TRT10. NÃO UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO PARA QUITAÇÃO.


PODER JUDICIÁRIO CONDIÇÃO SUSPENSIVA DE EXIGIBILIDADE. RESSALVAS DO
JUSTIÇA DO TRABALHO RELATOR.

PROCESSO nº 0000290-56.2020.5.10.0019 - RORSum (11886)


RELATÓRIO

RELATOR: JUIZ CONVOCADO DENILSON BANDEIRA COÊLHO

Dispensado nos termos da lei.

RECORRENTE: JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA - CPF:

342.780.871-87
VOTO
ADVOGADO: RICARDO PINTO DO AMARAL - OAB: DF0021269

ADVOGADO: CRISTIANNE RODRIGUES DO AMARAL - OAB:

DF0043227
1. ADMISSIBILIDADE
RECORRENTE: CIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO
O recurso é tempestivo, a representação está regular e o preparo foi
BRASIL - NOVACAP - CNPJ: 00.037.457/0001-70
corretamente efetuado. Conheço.
ADVOGADO: CASSIA KELLY DOS SANTOS BARCELOS - OAB:
2. MÉRITO
DF0044747
2.1. MATÉRIA COMUM AOS RECURSOS

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. BASE DE CÁLCULO.


RECORRIDO: OS MESMOS
REFLEXOS.

Sustentou o reclamante, na inicial, que foi contratado na função de


ORIGEM: 19ª VARA DE BRASÍLIA/DF (JUÍZA PATRICIA SOARES
Auxiliar Operacional em 13/02/1998, estando em vigor o contrato de
SIMOES DE BARROS)
trabalho. Alegou que desde setembro de 1998 recebe adicional de

periculosidade. Declinou que, a partir de dezembro de 2019, a

rubrica adicional de periculosidade foi reduzida em razão de sofrer

incidência somente da rubrica "10002- salário", não mais fazendo


EMENTA

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 50
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

parte de dita parcelas as rubricas que já vinham sofrendo a adicional de periculosidade.

incidência sobre o citado adicional, quais sejam, "10359 - De início, é preciso lembrar que Administração Pública direta e

VANT.PESSOALACT 2009/2011"; "10457 - indireta submete-se ao princípio da legalidade ativa, pelo qual o

ANTECIPACAO/INCORPORACAO PCCS" e "10362 - PROMOCAO agente somente pode atuar nos estritos comandos autorizadores da

P/MERITO/ANTIG ACT", o que requereu. Requereu, ainda, os lei. Como corolário, a Administração Pública goza do poder-dever

reflexos das verbas majoradas ao adicional de periculosidade sobre de reavaliar os atos administrativos que não estejam em

anuênios, FGTS, férias acrescidas de 1/3, gratificações natalinas, consonância com o ordenamento jurídico - princípio da autotutela

parcelas vencidas e vincendas. (STF, súmula 473).

A reclamada, em defesa, alegou que em decorrência de auditoria Pois bem, as sociedades de economia mista e as empresas

realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal que apontou públicas (caso da reclamada) sujeitam-se ao regime jurídico próprio

irregularidade no pagamento da vantagem remuneratória das empresas privadas, notadamente quanto aos direitos do

recomendou a utilização do salário básico para efeito de quitação trabalhador (Constituição, artigo 173, §1º, inciso II), os quais são

da rubrica. primordialmente representados pela Consolidação da Leis do

O Juízo de Origem determinou o restabelecimento da base de Trabalho. Nesse sentido, é plenamente aplicável aos empregados

cálculo do adicional de periculosidade utilizada antes de dezembro do reclamado o artigo 468 da CLT, que anuncia o princípio da

de 2019, bem com ao pagamento das diferenças salarias devidas inalterabilidade contratual lesiva.

após dezembro de 2019, parcelas vencidas e vincendas, com Observe-se que ambos os princípios, autotutela e inalterabilidade

reflexos sobre o FGTS, férias acrescidas de 1/3, gratificações contratual lesiva, decorrem do postulado da legalidade, devendo ser

natalinas. Indeferiu, ainda, a integração do adicional por tempo de observados pelo demandado. Não se tratam de princípios

serviços ao adicional de periculosidade. excludentes, mas de postulados que devem ser harmonizados, em

O reclamante insurge-se do julgado no tocante ao indeferimento dos respeito à unidade do ordenamento jurídico e, desta forma, não se

reflexos do adicional de periculosidade sobre o Adicional por Tempo pode perpetrar como adesão ao contrato de emprego o pagamento

de Serviço - ATS. Defende a aplicabilidade dos termos da Súmula de parcela que não guarda suporte legal.

51 do TST. Argumenta que os ACTs vigentes até 31/10/2019 Resta pacificado no Supremo Tribunal Federal que "A administração

determinam a remuneração como base de cálculo da parcela. pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os

A Reclamada recorre da sentença de origem. Alega que o adicional tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los,

de periculosidade trata de parcela de natureza transitória, de modo por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos

que não pode integrar definitivamente o patrimônio jurídico do adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial."

empregado. Afirma com base no §1º do artigo 193 da CLT e na NR (Súmula 473). Já a Súmula 346 dispõe que "A Administração

16 do MTE, que a base de cálculo de dito adicional é o salário Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos."

básico. Afirma que a correção da parcela indevidamente paga está O artigo 193, § 1º, da CLT, prescreve que o trabalho em condições

dentro do Poder de autotutela da Administração Pública consoante de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30%

previsto na Súmula 473 do STF, inciso II, do artigo 5º, inciso VI e (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de

XXIII, do artigo 7º e artigo 37, caput, da Constituição Federal e gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa,

artigo 17 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. comando este também expresso na NR 16 - ATIVIDADES E

Defende que as rubricas "10359 - VANT.PESSOAL ACT 2009/2011 OPERAÇÕES PERIGOSAS, em seu item 16.2. Daí que tal

se enquadra na parte final do inciso I da Súmula 191 do colendo regulamentação legal conduziu ao entendimento majoritário que

TST a atestar que a base de cálculo do adicional de periculosidade resultou na edição da Súmula nº 191, item I, do TST (redação de

é de parcela salarial e que tal dispositivo sumular somente é dezembro de 2016), com o seguinte teor: "O adicional de

aplicável aos eletricitários. Diz que o a rubrica "10457 - periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre

ANTECIPACAO/INCORPORACAO PCCS" é um acréscimo salarial este acrescido de outros adicionais" (sic - grifei).

antecipado previsto em negociação coletiva que não pode ser Sendo assim, tratando-se de empresa pública que deve completa

considerada como salário básico, pois, se assim o fosse teria sido obediência ao princípio da legalidade e, disto derivado, a

incorporado à rubrica "SALÁRIO - cod 10002". Por fim, aduz que a autorização de revisão de seus atos, afasta-se a integração do

rubrica "10362 - PROMOCAO P/MERITO/ANTIG ACT" é uma artigo 468 da CLT, em consonância com o entendimento da

gratificação e não pode ser considerado como base de cálculo do Suprema Corte assim exemplificado:

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 51
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de R$ 6.101,06, de acordo com o artigo 2º da Portaria MF nº

Agravo regimental no recurso extraordinário. Servidor público. 914/2020 e, a teor do art. 790, § 3º, da CLT - com a redação dada

Retificação do ato de aposentadoria. Possibilidade. Decadência. Lei pela Lei 13.467/2017, somente poderiam ser deferidos os benefícios

nº 9.784/99. Fatos e provas. Reexame. Impossibilidade. Direito ao de justiça gratuita àqueles que comprovadamente não percebiam

contraditório e à ampla defesa. Súmula vinculante nº 3. R$ 2.440,42 (dois mil, quatrocentos e quarenta reais e quarenta e

Precedentes. 1. A jurisprudência da Corte consolidou o dois centavos) em 2020.

entendimento de que pode a Administração Pública, com base no Contudo, necessárias são algumas ponderações sobre o tema.

princípio da legalidade, corrigir seus atos quando eivados de vícios Estabelece o artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, que o

ou ilegalidades, sem que isso importe em ofensa aos princípios do Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que

direito adquirido e da irredutibilidade de vencimentos. 2. O acórdão comprovarem insuficiência de recursos, em perfeita consonância

recorrido consignou expressamente não ter ocorrido a decadência com o contido no artigo 790, § 4º, da Consolidação das Leis do

no caso em exame. Divergir desse entendimento demandaria o Trabalho, com a redação concedida pela Lei nº 13.467/2017, ao

reexame dos fatos e das provas que compõem a lide. Incidência da estabelecer que o "benefício da justiça gratuita será concedido à

Súmula nº 279/STF. 3. Nos termos da Súmula Vinculante nº 3: "Nos parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento

processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o das custas do processo".

contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar Com isso, não se observa qualquer incompatibilidade entre o

anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o preceito Constitucional e a regra Celetária. Ao revés, ambas

interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de conduzem à efetiva necessidade de comprovação, por parte do

concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão". 4. Agravo interessado, acerca da alegada insuficiência de recursos "para o

regimental não provido. (STF; RE 866512 AgR / RN; Segunda pagamento das custas do processo" (sic).

Turma; Rel: Min. DIAS TOFFOLI; Julgamento: 09/06/2017; Assim, inexistindo nos autos a comprovação do requerente, entende

Publicação: 30/06/2017) este Magistrado pela não concessão dos benefícios da gratuidade

de Justiça.

Sendo assim, tenho por legítimo o ato empresarial que restitui a Contudo, outro tem sido o entendimento da egrégia 1ª Turma deste

base de cálculo do adicional de periculosidade ao salário básico da Regional, aceitando a declaração de pobreza jurídica lançada pelo

parte autora, dou provimento ao recurso da reclamada para julgar próprio interessado, motivo pelo qual, ressalvo o entendimento

improcedentes os pedidos de diferenças do adicional de pessoal acima tratado e acompanho a jurisprudência citada, ainda

periculosidade em parcelas vencidas e vincendas, assim como os que não unânime.

reflexos nas demais parcelas trabalhistas acessórias. Por Assim, neste aspecto, observo que o Código de Processo Civil,

conseguinte, também indevido o pagamento de indenização por utilizado de forma subsidiária e supletiva, tratando do pedido de

danos morais que tem como fundamento exordial a ilegalidade da gratuidade de Justiça, trouxe no seu artigo 99, § 3º que, "presume-

conduta patronal, ora afastada, bem como afastada a condenação se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente

da reclamada ao pagamento de honorários advocatícios já que os por pessoa natural" (sic).

pleitos exordiais restaram todos improcedentes. A presunção emanada da declaração de pobreza jurídica constante

Nego provimento ao recurso do autor. dos autos (fls. 79) não foi objeto de prova suficiente que

2.2. RECURSO DA RECLAMADA descaracterize seu teor, motivo pelo qual, com RESSALVAS DE

JUSTIÇA GRATUITA ENTENDIMENTO PESSOAL, nego provimento ao recurso.

A reclamada impugna a sentença que deferiu as benesses da 2.3. RECURSO DO RECLAMANTE

justiça gratuita ao reclamante com base na declaração de HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS

miserabilidade jurídica juntada aos autos. Assevera a recorrente Observada a manutenção neste julgado da sucumbência obreira no

que a mera declaração não é suficiente para comprovar tal estado, tocante ao pleito de danos morais, mantém-se a condenação do

conforme disposto no art. 790, § 3º, da CLT com a redação dada autor na verba honorária advocatícia.

pela Lei 13.467/2017. Sustenta que o Autor percebe salário acima No tocante ao percentual deferido, observando-se os pedidos

de 40% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral da formulados na peça exordial e, levando-se em consideração o grau

Previdência Social. de zelo profissional, a natureza e a importância da causa, o trabalho

É cediço que o teto dos benefícios do RGPS em 2020 passou a ser realizado e o tempo exigido para o seu serviço, mantenho a

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 52
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

condenação fixada em sentença em 15%. cobrança, como decidido no RE 184.841, foi recebido pela atual

A determinação legislativa de honorários advocatícios Constituição, por não ser incompatível com o artigo 5º, inciso LXXIV

sucumbenciais no processo do trabalho está claramente igualando (STF; RE 514.451 AgR, rel. Min. Eros Grau, 2ª T, j. 11-12-2007,

a situação já existente no âmbito do direito processual comum, DJE 31 de 22/2/2008), ainda que tenha tratado do artigo 12 da Lei

quando o Código de Processo Civil estabelece em seu artigo 98, § nº 1.060, de 1950.

2º, que a "concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade Os honorários advocatícios sucumbenciais, eis que derivados do

do beneficiário pelas despesas processuais e pelos honorários resultado da demanda, não servem para estabelecer qualquer tipo

advocatícios decorrentes de sua sucumbência" (sic). de obstáculo ao acesso ao Poder Judiciário. Caberá sim, ao

Os honorários advocatícios tratados no inciso VI do mesmo são os indivíduo devidamente assistido por advogado, analisar os riscos

contratuais, permitindo ao autor da ação judicial, abrangido pela que envolvem sua demanda e a certeza de sua pretensão, inclusive

gratuidade de Justiça, não arcar com a contratação de advogado. do ponto de vista probatório, antes de movimentar a máquina

Contudo, os benefícios não alcançam e, nem pode atingir, o Estatal de Justiça, tendo consciência dos custos envolvidos pelo

trabalho de terceiros, traduzindo-se naquele advogado que, trabalho de terceiros.

contratado pela parte contrária para estabelecer tecnicamente o A aplicação da Lei nº 13.467/2017, quanto aos honorários

amplo direito de defesa, tenha que arcar com seu trabalho pessoal advocatícios sucumbenciais, nas ações ajuizadas após o início de

e direto. sua vigência, é medida que se impõe, não havendo retrocesso

A pessoa, física ou jurídica, beneficiária da gratuidade de Justiça, social em tal implantação legislativa. Retrocesso social, data vênia,

quando vencida, deve ser condenada em honorários advocatícios como tratado por parte da doutrina, seria permitir que o trabalho do

sucumbenciais, consoante disposto no artigo 98, § 2º, do Código de profissional do direito não mereça remuneração, atingindo

Processo Civil. Entretanto, não está obrigado a fazê-lo com diretamente o advogado da parte contrária, vencedora na demanda

sacrifício do sustento próprio ou da família (STF; RE 249.003 ED, ou em parte dos pedidos, salientando-se que consoante expressa

Rel. Min. Edson Fachin, voto do Min. Roberto Barroso, P, j. 9-12- previsão legislativa, "os honorários constituem direito do advogado e

2015, DJE 93 de 10-5-2016), desde que não tenha obtido em juízo, têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos

ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a oriundos da legislação do trabalho..." (CPC, artigo 85, § 14º).

despesa (Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 791-A, § 4º). O exercício de direito de ação pelo cidadão não pode gerar prejuízo

Inexistindo crédito, as obrigações decorrentes da sucumbência do a terceiro que, livremente, exerce sua profissão e merece por ela

beneficiário da gratuidade de Justiça ficarão sob condição obter a renda para sua manutenção pessoal e familiar.

suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, Portanto, aplicando a legislação vigente e diferenciando os

nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que conceitos de (1) condenação e (2) cobrança, cabível a condenação

as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação da parte beneficiária da gratuidade de Justiça em honorários

de insuficiência de recursos que justificou a concessão da advocatícios sucumbenciais.

gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do Também neste sentido decidiu o TST em recentes decisões

beneficiário. Turmárias:

Portanto, o benefício da justiça gratuita não se constitui na isenção

dos honorários advocatícios, mas na desobrigação de pagá-los "AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA

enquanto perdurar o estado de carência econômica do necessitado, INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DAS LEIS Nos 13.015/2014,

propiciador da concessão deste privilégio (vide decisão do Supremo 13.105/2015 E 13.467/2017. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Tribunal Federal acima mencionada). SUCUMBENCIAIS. AÇÃO AJUIZADA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI

Entendo que a novel legislação, neste ponto específico ora tratado, Nº 13.467/2017. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 791-A, § 4º,

que é a suspensão da cobrança dos honorários advocatícios DA CLT. 1. A Reforma Trabalhista, implementada pela Lei nº

sucumbenciais, é até mesmo mais benéfica no processo trabalhista 13.467/2017, sugere uma alteração de paradigma no direito material

do que no processo comum, pois aqui na esfera judicial e processual do trabalho. No âmbito do processo do trabalho, a

especializada, permitiu-se a suspensão por dois anos, enquanto imposição pelo legislador de honorários sucumbenciais ao

que o Código de Processo Civil indica cinco anos de suspensão. reclamante reflete a intenção de desestimular lides temerárias. É

Mais, a Suprema Corte já se manifestou no sentido de que a uma opção política. 2. Por certo, sua imposição a beneficiários da

sistemática de condenação em honorários e sua suspensão de Justiça gratuita requer ponderação quanto à possibilidade de ser ou

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 53
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não tendente a suprimir o direito fundamental de acesso ao afastando-se a compensação com seu crédito porventura existente

Judiciário daquele que demonstrou ser pobre na forma da Lei. 3. e, somente poderão ser executadas se, nos dois anos

Não obstante, a redação dada ao art. 791, § 4º, da CLT, subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o

demonstrou essa preocupação por parte do legislador, uma vez que credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência

só será exigido do beneficiário da Justiça gratuita o pagamento de de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-

honorários advocatícios se ele obtiver créditos suficientes, neste ou se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário, tudo nos

em outro processo, para retirá-lo da condição de miserabilidade. termos do Verbete nº 75/2019-TRT10.

Caso contrário, penderá, por dois anos, condição suspensiva de Dou parcial provimento ao recurso para determinar a observância

exigibilidade. A constatação da superação do estado de do teor do Verbete nº 75/2019-TRT10, com ressalvas deste Relator.

miserabilidade, por óbvio, é casuística e individualizada. 4. Assim, 3. CONCLUSÃO

os condicionamentos impostos restauram a situação de isonomia do Pelo exposto, conheço dos recursos interpostos e, no mérito, dou

atual beneficiário da Justiça gratuita quanto aos demais postulantes. provimento ao recurso da reclamada e parcial provimento ao

Destaque-se que o acesso ao Judiciário é amplo, mas não recurso do reclamante, nos termos da fundamentação.

incondicionado. Nesse contexto, a ação contramajoritária do

Judiciário, para a declaração de inconstitucionalidade de norma,

não pode ser exercida no caso, em que não se demonstra violação ACÓRDÃO

do princípio constitucional de acesso à Justiça. Agravo de

instrumento conhecido e desprovido" (AIRR-2054-

06.2017.5.11.0003, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz

Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 30/05/2019).

"HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. AÇÃO

AJUIZADA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2018. O Tribunal

Regional, ao condenar o reclamante ao pagamento de honorários

advocatícios de sucumbência previstos no art. 791-A da CLT,

limitou-se a aplicar disposição legal expressa e plenamente vigente Por tais fundamentos,

ao caso concreto, que se subsumiu àquela norma jurídica, em ACORDAM os Integrantes da Egr. 1ª Turma do Tribunal Regional

consonância com a IN nº 41 desta Corte, o que, por óbvio, não viola do Trabalho da 10ª Região conhecer dos recursos interpostos e, no

os arts. 1º, III, 5º, XXXV e LXXXIV, e 7º, X, da CF." (AIRR-10184- mérito, (1) dar provimento ao recurso da reclamada para julgar

51.2018.5.03.0074, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da improcedentes os pedidos de diferenças do adicional de

Costa, DEJT 21/03/2019). periculosidade em parcelas vencidas e vincendas, assim como os

reflexos nas demais parcelas trabalhistas acessórias, bem como a

Por fim, esclareço que este egrégio Tribunal Regional do Trabalho, indenização por danos morais e honorários advocatícios e; (2) dar

em sessão Plenária (06/08/2019), declarou a inconstitucionalidade parcial provimento ao reclamante para determinar a observância do

parcial do parágrafo 4º do artigo 791-A da CLT, conforme redação teor do Verbete nº 75/2019-TRT10. Invertido o ônus da

dada pela Lei nº 13.467/2017, com necessária redução de texto sucumbência, custas pelo reclamante no importe de R$ 208,30

pela exclusão da expressão "desde que não tenha obtido em juízo, arbitradas sobre o valor dado à causa de R$10.415,00, dispensado.

ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a Tudo nos termos do voto do Juiz Relator que ressalvou

despesa", por afronta ao artigo 5º, II e LXXIV, da Constituição, entendimento pessoal. Também apresentaram ressalvas os

dando por constitucional o restante do preceito legal discutido, Desembargadores Grijalbo Coutinho e Dorival Borges. Ementa

observada a redução de texto referida, nos termos do decidido nos aprovada.

autos da Arguição de Inconstitucionalidade nº 0000163- Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

15.2019.5.10.0000, derivada do recurso ordinário 0000428- dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo

09.2018.5.10.0014. Coutinho e dos Juízes convocados Denilson Coêlho e Paulo

Desta forma, sendo a parte autora deste processo beneficiária da Henrique Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora

gratuidade de Justiça, as obrigações decorrentes de sua Flávia Falcão; em licença médica, a Desembargadora Elaine

sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade, Vasconcelos e, em gozo de férias, o Desembargador André

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Damasceno. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior

(Procuradora Regional do Trabalho), que opinou pelo RECORRENTE: JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA - CPF:

prosseguimento do recurso. 342.780.871-87

Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do ADVOGADO: RICARDO PINTO DO AMARAL - OAB: DF0021269

julgamento). ADVOGADO: CRISTIANNE RODRIGUES DO AMARAL - OAB:

DF0043227

RECORRENTE: CIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO

BRASIL - NOVACAP - CNPJ: 00.037.457/0001-70

DENILSON BANDEIRA COÊLHO ADVOGADO: CASSIA KELLY DOS SANTOS BARCELOS - OAB:

DF0044747

Juiz Convocado Relator

RECORRIDO: OS MESMOS

ORIGEM: 19ª VARA DE BRASÍLIA/DF (JUÍZA PATRICIA SOARES

SIMOES DE BARROS)

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

VALDEREI ANDRADE COSTA EMENTA

Diretor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000290-56.2020.5.10.0019
Relator DENILSON BANDEIRA COELHO 1. NOVACAP. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. BASE DE
RECORRENTE JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA CÁLCULO. LEGALIDADE DO ATO REVISOR DO
ADVOGADO CRISTIANNE RODRIGUES DO
AMARAL(OAB: 43227/DF) ADMINISTRADOR PÚBLICO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
ADVOGADO RICARDO PINTO DO AMARAL(OAB: AUSÊNCIA DE OFENSA A DIREITO ADQUIRIDO OU AO ARTIGO
21269/DF)
RECORRENTE CIA URBANIZADORA DA NOVA 468 DA CLT. SÚMULAS 473 E 346 DO STF. UTILIZAÇÃO DO
CAPITAL DO BRASIL - NOVACAP
SALÁRIO BÁSICO. ARTIGO 193, § 1º, DA CLT. NR 16 ITEM 16.2.
ADVOGADO CASSIA KELLY DOS SANTOS
BARCELOS(OAB: 44747/DF) SÚMULA 191 DO TST.
RECORRIDO JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA
2. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA
ADVOGADO CRISTIANNE RODRIGUES DO
AMARAL(OAB: 43227/DF) DA LEI Nº 13.467/2017. PESSOA NATURAL. DECLARAÇÃO.
ADVOGADO RICARDO PINTO DO AMARAL(OAB:
21269/DF) ARTIGO 99, § 3º DO CPC. JURISPRUDÊNCIA TURMÁRIA.
RECORRIDO CIA URBANIZADORA DA NOVA RESSALVAS DO RELATOR.
CAPITAL DO BRASIL - NOVACAP
ADVOGADO CASSIA KELLY DOS SANTOS 3. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO AJUIZADA NA
BARCELOS(OAB: 44747/DF)
VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Intimado(s)/Citado(s): DA PARTE AUTORA. CABIMENTO DA CONDENAÇÃO.

- JOSE MARIA EDVIGES DA SILVA NATUREZA E IMPORTANCIA DA CAUSA. RAZOABILIDADE E

PROPORCIONALIDADE. ARTIGO 791-A, § 4º. TRT/10-PLENO-

ARGINC-0000163-15.2019.5.10.0000. VERBETE Nº 75/2019-

TRT10. NÃO UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO PARA QUITAÇÃO.


PODER JUDICIÁRIO
CONDIÇÃO SUSPENSIVA DE EXIGIBILIDADE. RESSALVAS DO
JUSTIÇA DO TRABALHO
RELATOR.

PROCESSO nº 0000290-56.2020.5.10.0019 - RORSum (11886)

RELATÓRIO
RELATOR: JUIZ CONVOCADO DENILSON BANDEIRA COÊLHO

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Dispensado nos termos da lei. que não pode integrar definitivamente o patrimônio jurídico do

empregado. Afirma com base no §1º do artigo 193 da CLT e na NR

16 do MTE, que a base de cálculo de dito adicional é o salário

VOTO básico. Afirma que a correção da parcela indevidamente paga está

dentro do Poder de autotutela da Administração Pública consoante

previsto na Súmula 473 do STF, inciso II, do artigo 5º, inciso VI e

1. ADMISSIBILIDADE XXIII, do artigo 7º e artigo 37, caput, da Constituição Federal e

O recurso é tempestivo, a representação está regular e o preparo foi artigo 17 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

corretamente efetuado. Conheço. Defende que as rubricas "10359 - VANT.PESSOAL ACT 2009/2011

2. MÉRITO se enquadra na parte final do inciso I da Súmula 191 do colendo

2.1. MATÉRIA COMUM AOS RECURSOS TST a atestar que a base de cálculo do adicional de periculosidade

ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. BASE DE CÁLCULO. é de parcela salarial e que tal dispositivo sumular somente é

REFLEXOS. aplicável aos eletricitários. Diz que o a rubrica "10457 -

Sustentou o reclamante, na inicial, que foi contratado na função de ANTECIPACAO/INCORPORACAO PCCS" é um acréscimo salarial

Auxiliar Operacional em 13/02/1998, estando em vigor o contrato de antecipado previsto em negociação coletiva que não pode ser

trabalho. Alegou que desde setembro de 1998 recebe adicional de considerada como salário básico, pois, se assim o fosse teria sido

periculosidade. Declinou que, a partir de dezembro de 2019, a incorporado à rubrica "SALÁRIO - cod 10002". Por fim, aduz que a

rubrica adicional de periculosidade foi reduzida em razão de sofrer rubrica "10362 - PROMOCAO P/MERITO/ANTIG ACT" é uma

incidência somente da rubrica "10002- salário", não mais fazendo gratificação e não pode ser considerado como base de cálculo do

parte de dita parcelas as rubricas que já vinham sofrendo a adicional de periculosidade.

incidência sobre o citado adicional, quais sejam, "10359 - De início, é preciso lembrar que Administração Pública direta e

VANT.PESSOALACT 2009/2011"; "10457 - indireta submete-se ao princípio da legalidade ativa, pelo qual o

ANTECIPACAO/INCORPORACAO PCCS" e "10362 - PROMOCAO agente somente pode atuar nos estritos comandos autorizadores da

P/MERITO/ANTIG ACT", o que requereu. Requereu, ainda, os lei. Como corolário, a Administração Pública goza do poder-dever

reflexos das verbas majoradas ao adicional de periculosidade sobre de reavaliar os atos administrativos que não estejam em

anuênios, FGTS, férias acrescidas de 1/3, gratificações natalinas, consonância com o ordenamento jurídico - princípio da autotutela

parcelas vencidas e vincendas. (STF, súmula 473).

A reclamada, em defesa, alegou que em decorrência de auditoria Pois bem, as sociedades de economia mista e as empresas

realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal que apontou públicas (caso da reclamada) sujeitam-se ao regime jurídico próprio

irregularidade no pagamento da vantagem remuneratória das empresas privadas, notadamente quanto aos direitos do

recomendou a utilização do salário básico para efeito de quitação trabalhador (Constituição, artigo 173, §1º, inciso II), os quais são

da rubrica. primordialmente representados pela Consolidação da Leis do

O Juízo de Origem determinou o restabelecimento da base de Trabalho. Nesse sentido, é plenamente aplicável aos empregados

cálculo do adicional de periculosidade utilizada antes de dezembro do reclamado o artigo 468 da CLT, que anuncia o princípio da

de 2019, bem com ao pagamento das diferenças salarias devidas inalterabilidade contratual lesiva.

após dezembro de 2019, parcelas vencidas e vincendas, com Observe-se que ambos os princípios, autotutela e inalterabilidade

reflexos sobre o FGTS, férias acrescidas de 1/3, gratificações contratual lesiva, decorrem do postulado da legalidade, devendo ser

natalinas. Indeferiu, ainda, a integração do adicional por tempo de observados pelo demandado. Não se tratam de princípios

serviços ao adicional de periculosidade. excludentes, mas de postulados que devem ser harmonizados, em

O reclamante insurge-se do julgado no tocante ao indeferimento dos respeito à unidade do ordenamento jurídico e, desta forma, não se

reflexos do adicional de periculosidade sobre o Adicional por Tempo pode perpetrar como adesão ao contrato de emprego o pagamento

de Serviço - ATS. Defende a aplicabilidade dos termos da Súmula de parcela que não guarda suporte legal.

51 do TST. Argumenta que os ACTs vigentes até 31/10/2019 Resta pacificado no Supremo Tribunal Federal que "A administração

determinam a remuneração como base de cálculo da parcela. pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os

A Reclamada recorre da sentença de origem. Alega que o adicional tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los,

de periculosidade trata de parcela de natureza transitória, de modo por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos

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adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial." periculosidade em parcelas vencidas e vincendas, assim como os

(Súmula 473). Já a Súmula 346 dispõe que "A Administração reflexos nas demais parcelas trabalhistas acessórias. Por

Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos." conseguinte, também indevido o pagamento de indenização por

O artigo 193, § 1º, da CLT, prescreve que o trabalho em condições danos morais que tem como fundamento exordial a ilegalidade da

de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% conduta patronal, ora afastada, bem como afastada a condenação

(trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de da reclamada ao pagamento de honorários advocatícios já que os

gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa, pleitos exordiais restaram todos improcedentes.

comando este também expresso na NR 16 - ATIVIDADES E Nego provimento ao recurso do autor.

OPERAÇÕES PERIGOSAS, em seu item 16.2. Daí que tal 2.2. RECURSO DA RECLAMADA

regulamentação legal conduziu ao entendimento majoritário que JUSTIÇA GRATUITA

resultou na edição da Súmula nº 191, item I, do TST (redação de A reclamada impugna a sentença que deferiu as benesses da

dezembro de 2016), com o seguinte teor: "O adicional de justiça gratuita ao reclamante com base na declaração de

periculosidade incide apenas sobre o salário básico e não sobre miserabilidade jurídica juntada aos autos. Assevera a recorrente

este acrescido de outros adicionais" (sic - grifei). que a mera declaração não é suficiente para comprovar tal estado,

Sendo assim, tratando-se de empresa pública que deve completa conforme disposto no art. 790, § 3º, da CLT com a redação dada

obediência ao princípio da legalidade e, disto derivado, a pela Lei 13.467/2017. Sustenta que o Autor percebe salário acima

autorização de revisão de seus atos, afasta-se a integração do de 40% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral da

artigo 468 da CLT, em consonância com o entendimento da Previdência Social.

Suprema Corte assim exemplificado: É cediço que o teto dos benefícios do RGPS em 2020 passou a ser

de R$ 6.101,06, de acordo com o artigo 2º da Portaria MF nº

Agravo regimental no recurso extraordinário. Servidor público. 914/2020 e, a teor do art. 790, § 3º, da CLT - com a redação dada

Retificação do ato de aposentadoria. Possibilidade. Decadência. Lei pela Lei 13.467/2017, somente poderiam ser deferidos os benefícios

nº 9.784/99. Fatos e provas. Reexame. Impossibilidade. Direito ao de justiça gratuita àqueles que comprovadamente não percebiam

contraditório e à ampla defesa. Súmula vinculante nº 3. R$ 2.440,42 (dois mil, quatrocentos e quarenta reais e quarenta e

Precedentes. 1. A jurisprudência da Corte consolidou o dois centavos) em 2020.

entendimento de que pode a Administração Pública, com base no Contudo, necessárias são algumas ponderações sobre o tema.

princípio da legalidade, corrigir seus atos quando eivados de vícios Estabelece o artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, que o

ou ilegalidades, sem que isso importe em ofensa aos princípios do Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que

direito adquirido e da irredutibilidade de vencimentos. 2. O acórdão comprovarem insuficiência de recursos, em perfeita consonância

recorrido consignou expressamente não ter ocorrido a decadência com o contido no artigo 790, § 4º, da Consolidação das Leis do

no caso em exame. Divergir desse entendimento demandaria o Trabalho, com a redação concedida pela Lei nº 13.467/2017, ao

reexame dos fatos e das provas que compõem a lide. Incidência da estabelecer que o "benefício da justiça gratuita será concedido à

Súmula nº 279/STF. 3. Nos termos da Súmula Vinculante nº 3: "Nos parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento

processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o das custas do processo".

contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar Com isso, não se observa qualquer incompatibilidade entre o

anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o preceito Constitucional e a regra Celetária. Ao revés, ambas

interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de conduzem à efetiva necessidade de comprovação, por parte do

concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão". 4. Agravo interessado, acerca da alegada insuficiência de recursos "para o

regimental não provido. (STF; RE 866512 AgR / RN; Segunda pagamento das custas do processo" (sic).

Turma; Rel: Min. DIAS TOFFOLI; Julgamento: 09/06/2017; Assim, inexistindo nos autos a comprovação do requerente, entende

Publicação: 30/06/2017) este Magistrado pela não concessão dos benefícios da gratuidade

de Justiça.

Sendo assim, tenho por legítimo o ato empresarial que restitui a Contudo, outro tem sido o entendimento da egrégia 1ª Turma deste

base de cálculo do adicional de periculosidade ao salário básico da Regional, aceitando a declaração de pobreza jurídica lançada pelo

parte autora, dou provimento ao recurso da reclamada para julgar próprio interessado, motivo pelo qual, ressalvo o entendimento

improcedentes os pedidos de diferenças do adicional de pessoal acima tratado e acompanho a jurisprudência citada, ainda

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que não unânime. suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se,

Assim, neste aspecto, observo que o Código de Processo Civil, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que

utilizado de forma subsidiária e supletiva, tratando do pedido de as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação

gratuidade de Justiça, trouxe no seu artigo 99, § 3º que, "presume- de insuficiência de recursos que justificou a concessão da

se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do

por pessoa natural" (sic). beneficiário.

A presunção emanada da declaração de pobreza jurídica constante Portanto, o benefício da justiça gratuita não se constitui na isenção

dos autos (fls. 79) não foi objeto de prova suficiente que dos honorários advocatícios, mas na desobrigação de pagá-los

descaracterize seu teor, motivo pelo qual, com RESSALVAS DE enquanto perdurar o estado de carência econômica do necessitado,

ENTENDIMENTO PESSOAL, nego provimento ao recurso. propiciador da concessão deste privilégio (vide decisão do Supremo

2.3. RECURSO DO RECLAMANTE Tribunal Federal acima mencionada).

HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS Entendo que a novel legislação, neste ponto específico ora tratado,

Observada a manutenção neste julgado da sucumbência obreira no que é a suspensão da cobrança dos honorários advocatícios

tocante ao pleito de danos morais, mantém-se a condenação do sucumbenciais, é até mesmo mais benéfica no processo trabalhista

autor na verba honorária advocatícia. do que no processo comum, pois aqui na esfera judicial

No tocante ao percentual deferido, observando-se os pedidos especializada, permitiu-se a suspensão por dois anos, enquanto

formulados na peça exordial e, levando-se em consideração o grau que o Código de Processo Civil indica cinco anos de suspensão.

de zelo profissional, a natureza e a importância da causa, o trabalho Mais, a Suprema Corte já se manifestou no sentido de que a

realizado e o tempo exigido para o seu serviço, mantenho a sistemática de condenação em honorários e sua suspensão de

condenação fixada em sentença em 15%. cobrança, como decidido no RE 184.841, foi recebido pela atual

A determinação legislativa de honorários advocatícios Constituição, por não ser incompatível com o artigo 5º, inciso LXXIV

sucumbenciais no processo do trabalho está claramente igualando (STF; RE 514.451 AgR, rel. Min. Eros Grau, 2ª T, j. 11-12-2007,

a situação já existente no âmbito do direito processual comum, DJE 31 de 22/2/2008), ainda que tenha tratado do artigo 12 da Lei

quando o Código de Processo Civil estabelece em seu artigo 98, § nº 1.060, de 1950.

2º, que a "concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade Os honorários advocatícios sucumbenciais, eis que derivados do

do beneficiário pelas despesas processuais e pelos honorários resultado da demanda, não servem para estabelecer qualquer tipo

advocatícios decorrentes de sua sucumbência" (sic). de obstáculo ao acesso ao Poder Judiciário. Caberá sim, ao

Os honorários advocatícios tratados no inciso VI do mesmo são os indivíduo devidamente assistido por advogado, analisar os riscos

contratuais, permitindo ao autor da ação judicial, abrangido pela que envolvem sua demanda e a certeza de sua pretensão, inclusive

gratuidade de Justiça, não arcar com a contratação de advogado. do ponto de vista probatório, antes de movimentar a máquina

Contudo, os benefícios não alcançam e, nem pode atingir, o Estatal de Justiça, tendo consciência dos custos envolvidos pelo

trabalho de terceiros, traduzindo-se naquele advogado que, trabalho de terceiros.

contratado pela parte contrária para estabelecer tecnicamente o A aplicação da Lei nº 13.467/2017, quanto aos honorários

amplo direito de defesa, tenha que arcar com seu trabalho pessoal advocatícios sucumbenciais, nas ações ajuizadas após o início de

e direto. sua vigência, é medida que se impõe, não havendo retrocesso

A pessoa, física ou jurídica, beneficiária da gratuidade de Justiça, social em tal implantação legislativa. Retrocesso social, data vênia,

quando vencida, deve ser condenada em honorários advocatícios como tratado por parte da doutrina, seria permitir que o trabalho do

sucumbenciais, consoante disposto no artigo 98, § 2º, do Código de profissional do direito não mereça remuneração, atingindo

Processo Civil. Entretanto, não está obrigado a fazê-lo com diretamente o advogado da parte contrária, vencedora na demanda

sacrifício do sustento próprio ou da família (STF; RE 249.003 ED, ou em parte dos pedidos, salientando-se que consoante expressa

Rel. Min. Edson Fachin, voto do Min. Roberto Barroso, P, j. 9-12- previsão legislativa, "os honorários constituem direito do advogado e

2015, DJE 93 de 10-5-2016), desde que não tenha obtido em juízo, têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos

ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a oriundos da legislação do trabalho..." (CPC, artigo 85, § 14º).

despesa (Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 791-A, § 4º). O exercício de direito de ação pelo cidadão não pode gerar prejuízo

Inexistindo crédito, as obrigações decorrentes da sucumbência do a terceiro que, livremente, exerce sua profissão e merece por ela

beneficiário da gratuidade de Justiça ficarão sob condição obter a renda para sua manutenção pessoal e familiar.

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Portanto, aplicando a legislação vigente e diferenciando os os arts. 1º, III, 5º, XXXV e LXXXIV, e 7º, X, da CF." (AIRR-10184-

conceitos de (1) condenação e (2) cobrança, cabível a condenação 51.2018.5.03.0074, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da

da parte beneficiária da gratuidade de Justiça em honorários Costa, DEJT 21/03/2019).

advocatícios sucumbenciais.

Também neste sentido decidiu o TST em recentes decisões Por fim, esclareço que este egrégio Tribunal Regional do Trabalho,

Turmárias: em sessão Plenária (06/08/2019), declarou a inconstitucionalidade

parcial do parágrafo 4º do artigo 791-A da CLT, conforme redação

"AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA dada pela Lei nº 13.467/2017, com necessária redução de texto

INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DAS LEIS Nos 13.015/2014, pela exclusão da expressão "desde que não tenha obtido em juízo,

13.105/2015 E 13.467/2017. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a

SUCUMBENCIAIS. AÇÃO AJUIZADA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI despesa", por afronta ao artigo 5º, II e LXXIV, da Constituição,

Nº 13.467/2017. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 791-A, § 4º, dando por constitucional o restante do preceito legal discutido,

DA CLT. 1. A Reforma Trabalhista, implementada pela Lei nº observada a redução de texto referida, nos termos do decidido nos

13.467/2017, sugere uma alteração de paradigma no direito material autos da Arguição de Inconstitucionalidade nº 0000163-

e processual do trabalho. No âmbito do processo do trabalho, a 15.2019.5.10.0000, derivada do recurso ordinário 0000428-

imposição pelo legislador de honorários sucumbenciais ao 09.2018.5.10.0014.

reclamante reflete a intenção de desestimular lides temerárias. É Desta forma, sendo a parte autora deste processo beneficiária da

uma opção política. 2. Por certo, sua imposição a beneficiários da gratuidade de Justiça, as obrigações decorrentes de sua

Justiça gratuita requer ponderação quanto à possibilidade de ser ou sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade,

não tendente a suprimir o direito fundamental de acesso ao afastando-se a compensação com seu crédito porventura existente

Judiciário daquele que demonstrou ser pobre na forma da Lei. 3. e, somente poderão ser executadas se, nos dois anos

Não obstante, a redação dada ao art. 791, § 4º, da CLT, subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o

demonstrou essa preocupação por parte do legislador, uma vez que credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência

só será exigido do beneficiário da Justiça gratuita o pagamento de de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-

honorários advocatícios se ele obtiver créditos suficientes, neste ou se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário, tudo nos

em outro processo, para retirá-lo da condição de miserabilidade. termos do Verbete nº 75/2019-TRT10.

Caso contrário, penderá, por dois anos, condição suspensiva de Dou parcial provimento ao recurso para determinar a observância

exigibilidade. A constatação da superação do estado de do teor do Verbete nº 75/2019-TRT10, com ressalvas deste Relator.

miserabilidade, por óbvio, é casuística e individualizada. 4. Assim, 3. CONCLUSÃO

os condicionamentos impostos restauram a situação de isonomia do Pelo exposto, conheço dos recursos interpostos e, no mérito, dou

atual beneficiário da Justiça gratuita quanto aos demais postulantes. provimento ao recurso da reclamada e parcial provimento ao

Destaque-se que o acesso ao Judiciário é amplo, mas não recurso do reclamante, nos termos da fundamentação.

incondicionado. Nesse contexto, a ação contramajoritária do

Judiciário, para a declaração de inconstitucionalidade de norma,

não pode ser exercida no caso, em que não se demonstra violação ACÓRDÃO

do princípio constitucional de acesso à Justiça. Agravo de

instrumento conhecido e desprovido" (AIRR-2054-

06.2017.5.11.0003, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz

Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 30/05/2019).

"HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. AÇÃO

AJUIZADA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2018. O Tribunal

Regional, ao condenar o reclamante ao pagamento de honorários

advocatícios de sucumbência previstos no art. 791-A da CLT,

limitou-se a aplicar disposição legal expressa e plenamente vigente Por tais fundamentos,

ao caso concreto, que se subsumiu àquela norma jurídica, em ACORDAM os Integrantes da Egr. 1ª Turma do Tribunal Regional

consonância com a IN nº 41 desta Corte, o que, por óbvio, não viola do Trabalho da 10ª Região conhecer dos recursos interpostos e, no

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RECORRIDO KATIA PATRICIA MENDES DOS


mérito, (1) dar provimento ao recurso da reclamada para julgar SANTOS
ADVOGADO PRISCILLA SALES BARBOSA
improcedentes os pedidos de diferenças do adicional de SOARES(OAB: 29804/DF)
periculosidade em parcelas vencidas e vincendas, assim como os ADVOGADO KELEN CRISTINA TEIXEIRA
SANTOS(OAB: 31390/DF)
reflexos nas demais parcelas trabalhistas acessórias, bem como a

indenização por danos morais e honorários advocatícios e; (2) dar Intimado(s)/Citado(s):

parcial provimento ao reclamante para determinar a observância do - FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME

teor do Verbete nº 75/2019-TRT10. Invertido o ônus da

sucumbência, custas pelo reclamante no importe de R$ 208,30

arbitradas sobre o valor dado à causa de R$10.415,00, dispensado. PODER JUDICIÁRIO


Tudo nos termos do voto do Juiz Relator que ressalvou JUSTIÇA DO TRABALHO
entendimento pessoal. Também apresentaram ressalvas os

Desembargadores Grijalbo Coutinho e Dorival Borges. Ementa


PROCESSO n.º 0000103-21.2019.5.10.0007 - RECURSO
aprovada.
ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)
Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação
RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da
dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo
Veiga Damasceno
Coutinho e dos Juízes convocados Denilson Coêlho e Paulo

Henrique Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora


RECORRENTE: COMPANHIA IMOBILIARIA DE BRASILIA
Flávia Falcão; em licença médica, a Desembargadora Elaine
TERRACAP
Vasconcelos e, em gozo de férias, o Desembargador André
ADVOGADO: ANTONIO AMERICO BARAUNA FILHO - OAB:
Damasceno. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior
BA0024119
(Procuradora Regional do Trabalho), que opinou pelo
RECORRIDO: FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
prosseguimento do recurso.
ADVOGADO: RODRIGO DUQUE DUTRA - OAB: DF0012313
Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do
RECORRIDO: KATIA PATRICIA MENDES DOS SANTOS
julgamento).
ADVOGADO: KELEN CRISTINA TEIXEIRA SANTOS - OAB:

DF0031390

ADVOGADO: PRISCILLA SALES BARBOSA SOARES - OAB:

DF0029804
DENILSON BANDEIRA COÊLHO
(Juíza MONICA RAMOS EMERY)

Juiz Convocado Relator

EMENTA

(dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT).

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

RELATÓRIO
VALDEREI ANDRADE COSTA

Diretor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000103-21.2019.5.10.0007 Dispensado nos termos do art. 895, §1º, IV da CLT.


Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO
RECORRENTE COMPANHIA IMOBILIARIA DE
BRASILIA TERRACAP
ADVOGADO ANTONIO AMERICO BARAUNA VOTO
FILHO(OAB: 24119/BA)
RECORRIDO FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
ADVOGADO RODRIGO DUQUE DUTRA(OAB:
12313/DF)
ADMISSIBILIDADE

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Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. diretamente responsável pelos encargos trabalhistas inadimplidos,

não se extraindo de seu artigo 71 qualquer vedação à

MÉRITO responsabilidade subsidiária do ente público naqueles casos.

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA A incompatibilidade entre a literalidade da norma em discussão e a

O Juízo primário, com esteio no entendimento consubstanciado na jurisprudência sumulada do Col. TST, portanto, é tão somente

Súmula 331/TST, reconheceu a responsabilidade subsidiária da 2ª aparente, como bem explicitou o Exmo. Des. Douglas Alencar

reclamada, em relação às obrigações pecuniárias impostas à Rodrigues, por ocasião do julgamento do Processo RO 01260-2001-

primeira demandada. 010-10-00-4, cujo acórdão foi publicado em 29.11.2002:

Em seu recurso, a segunda reclamada requer a reforma do julgado Ainda no que concerne ao art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93,

no ponto, alegando, em suma, inexistência de culpa in eligendo e in consideramos que a postura adotada pela mais alta corte

vigilando sob o fundamento que houve farta fiscalização, bem assim jurisdicional trabalhista prestigiou a interpretação conforme à

que a inadimplência ocorreu após o rompimento do contrato de Constituição, apesar de aparentemente contrária à própria

prestação entre as partes. literalidade do preceito infraconstitucional. Não há ofensa ao art. 5º,

A discussão afeta à possibilidade de responsabilizar-se o ente da II, da CF, mas apenas o reconhecimento judicial das consequências

Administração Pública direta, enquanto tomador dos serviços, pelas lesivas do negócio jurídico constituído com a participação direta da

obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços há muito empresa tomadora, cuja conduta culposa, seja pela ausência de

encontra-se superada no âmbito da jurisprudência consolidada do vigilância das atividades empresariais da prestadora, seja pela má

Colendo TST (Res. 96/2000), que já havia alterado a redação do eleição do outro contratante, são suficientes para justificar a

inciso IV da Súmula nº 331, para dispor que: "O inadimplemento das apenação subsidiária proclamada, com já decidido, de modo

obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a reiterado, pelos tribunais do trabalho. Como exposto, a

responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto responsabilização subsidiárias de entidades jurídicas de direito

àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração público, tal como tratada no En. 331, IV, da Súmula do C. TST, não

direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas foi construída com absoluto desprezo ao preceito da Lei nº

públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam 8.666/93, igualmente não havendo, na interpretação e aplicação das

participado da relação processual e constem também do título regras positivas, afronta ao postulado da separação dos Poderes.

executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993)". Daí porque sempre entende-se despiciendo perquirir acerca da

Importante observar que reconhecer a responsabilidade subsidiária inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.

do ente público, em conformidade com o entendimento firmado pelo Oportuno salientar que o fato de o artigo 37, § 6º, de nossa Carta

Col. TST com relação ao tema, não implica negar vigência ao art. Magna, imputar responsabilidade objetiva à Administração ao

71 da Lei nº 8.666/93, mas, sim, em interpretá-lo à luz dos princípios estabelecer a obrigação de indenizar toda vez que seus atos

que norteiam o ordenamento jurídico. causarem danos a terceiro não obsta também se atribua aos entes

De fato, esta Justiça Especializada buscou, dentro de sua públicos a responsabilidade de responder pelos danos causados

competência, definir o sentido da norma em análise, confrontando-a por terceiros que ela própria contratou, desde que caracterizada a

como todo o sistema normativo pátrio, de molde a extrair-lhe o culpa in eligendo e in vigilando pelo eventual inadimplemento do

sentido que mais se coaduna com todo o conjunto de normas e crédito trabalhista assumido em contratos de prestação de serviços

princípios fundamentais que orientam o Estado brasileiro e o terceirizados. Em outras palavras, a atribuição de responsabilidade

funcionamento da Administração Pública, em especial o princípio da objetiva à Administração Pública pelo Texto Constitucional não

valorização social do trabalho. afasta a possibilidade de responsabilizar-se a Administração com

Não é demais lembrar que os valores sociais do trabalho se erigem base na culpa subjetiva, como, de resto, resultou estabelecido pelo

como um dos princípios basilares do ordenamento pátrio, sendo Col. TST ao modificar os termos da Súmula nº 331.

inclusive prestigiados pela própria Constituição da República em Com efeito, a obrigação de fiscalizar a execução dos contratos de

seu art. 1º, IV, devendo o aplicador do direito, ao interpretar a norma prestação de serviços firmados pela Administração Pública encontra

no caso concreto, harmonizá-la com este princípio. -se assentada sob os arts. 58, III, e 67 da Lei nº 8.666/93, e sua

Em tal contexto, o que se verifica é que a Lei nº 8.666/93, a toda inobservância pelo ente público enseja a responsabilização por

evidência, visou impedir que, na ocorrência de inadimplemento do culpa in vigilando, impondo-se a responsabilização subsidiária

empregador, a Administração Pública fosse considerada (artigos 186 e 927 do Código Civil).

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Trata-se apenas de atribuir responsabilidade a quem causa dano ou consequências a que alude a Súmula 331/TST. Com efeito, a

contribui para a sua ocorrência. simples observância pelo ente público dos procedimentos licitatórios

Não há falar, portanto, em violação do art. 97 da Constituição previstos em lei para a contratação da prestadora de serviços não o

Federal ou da Súmula Vinculante nº 10 do STF, pois, repita-se, não exime de responder subsidiariamente pelos créditos eventualmente

se trata de declarar a inconstitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº inadimplidos.

8.666/93, mas apenas de definir o real alcance da norma inscrita no Assinale-se que o STF, em recente decisão prolatada no RE nº

citado dispositivo com base na interpretação sistemática. 760.931, em sessão realizada no dia 30/3/2017, confirmou o

Nesse ponto, convém ressaltar que o Excelso Supremo Tribunal entendimento adotado na referida ADC nº 16, reafirmando a

Federal, a par de haver, em sessão plenária realizada no dia impossibilidade de responsabilizar-se automaticamente a

24.11.2010, nos autos do ADC 16/DF, rel. Ministro Cezar Peluso, Administração Pública, só cabendo sua condenação se houver

por maioria de votos, concluído pela constitucionalidade do artigo 71 prova inequívoca de conduta culposa na fiscalização dos contratos.

e seu parágrafo único da Lei 8.666/1993, também reconheceu, na Nesses termos, conforme definido pela Corte Suprema, a

mesma assentada, que isso não significaria que eventual omissão Administração Pública pode ser responsabilizada apenas em

da Administração Pública, na obrigação de fiscalizar as obrigações casos excepcionais, sendo inadmissível a presunção da culpa

do contratado, não viesse a gerar essa responsabilidade em razão do simples inadimplemento de verbas trabalhistas

(Informativo 610/STF). pela contratada.

Tanto assim que a Colenda Corte Superior Trabalhista, clarificando Com relação ao ônus da prova, não se pode olvidar que ao

a questão, promoveu alteração nos termos da Súmula nº 331 (Res. reclamante incumbe a prova dos fatos constitutivos do direito

174/2011), a qual, no aspecto em discussão, passou a ostentar a perseguido, cabendo à reclamada a prova dos fatos extintivos,

seguinte redação: modificativos e impeditivos do direito alegado, conforme previsto

SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. pelo art. 373 do Código de Processo Civil.

LEGALIDADE Tratando-se de fato constitutivo do direito, incumbe ao reclamante

I - omissis demonstrar, de forma específica e bem delimitada, os elementos da

II - omissis responsabilidade civil, quais sejam, o dano, a conduta ilícita, o nexo

III - omissis de causalidade e a culpa atribuída ao ente público, conforme

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do disposto pelos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil.

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos A esse respeito, a Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do RE

serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado 760.931/DF, manifestou: "a alegada ausência de comprovação, em

da relação processual e constem também do título executivo juízo, pela União, da efetiva fiscalização do contrato administrativo

judicial. não substitui a necessidade de 'prova taxativa do nexo de

V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta causalidade entre a conduta da Administração e o dano sofrido pelo

respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, trabalhador'".

caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das O Ministro Luiz Fux, em decisão proferida na Reclamação

obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do 28.272/MG, explicita que:

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de "Resta imprescindível a prova categórica do nexo de causalidade

serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre entre a conduta culposa da Administração e o dano sofrido pelo

de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas trabalhador. Sem essa prova, subsiste a presunção de legitimidade

pela empresa regularmente contratada. do ato administrativo, eximindo-se o Ente Público da

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange responsabilidade por obrigações trabalhistas de empregados das

todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período empresas prestadoras de serviços.

da prestação laboral. Com efeito, para Celso Antônio Bandeira de Mello, "presunção de

legitimidade é a qualidade, que reveste tais atos (administrativos),

Assim, sob a ótica da mais recente diretriz traçada pelo Col. TST, de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em

faz-se imprescindível verificar se o ente público deixou ou não de contrário" (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros,

diligenciar com relação ao cumprimento das obrigações contratuais 31ª Edição, 2014, p.423).

da empresa terceirizada, de molde a atrair, para si, as Daí decorre a presunção de que a Administração agiu em

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conformidade com seu dever legal de fiscalizar o contrato - e não o consequentemente a manutenção do desrespeito à decisão desta

contrário -, transferindo-se, consequentemente, ao empregado o Corte na ADC 16".

ônus de comprovar a culpa na conduta administrativa"(Rcl 28272,

Dje 04/10/2017)." Nessa mesma linha, colhem-se os seguintes arestos do C. TST:

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO

Assentada tal premissa - a da presunção de legitimidade do ato REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017.

administrativo - mais se avulta que o ônus de prova pertence à TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE

reclamante quanto à presença dos requisitos inerentes à SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ÔNUS DA PROVA

caracterização da responsabilidade civil. Inadmitida a presunção de QUANTO À FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA

culpa, exige-se a clara e específica demonstração da conduta LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PELA PRESTADORA. DECISÃO DO

omissiva ou comissiva do ente público tomador de serviços, bem SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. I.

como a prova do nexo causal entre a conduta culposa da Na hipótese de terceirização de serviços, o entendimento firmado

Administração Pública no cumprimento de seu dever de fiscalização pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 760931/DF,

do contrato de prestação de serviços e o inadimplemento da em repercussão geral, é no sentido de que a Administração Pública

contratada, não se admitindo, como regra, a inversão do ônus pode ser responsabilizada pelos débitos trabalhistas da prestadora

probatório em favor do reclamante. apenas em casos excepcionais, quando demonstrado pelo

Registre-se que a obrigação fiscalizatória imposta ao Poder Público reclamante, de forma cabal e específica, o nexo de causalidade

é obrigação de meio, e não de resultado, admitindo-se, inclusive, a entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do

prova de fiscalização por amostragem. Em outras palavras, a tão só ente público no tocante à fiscalização do cumprimento da legislação

prática de irregularidades pontuais pela contratada durante o trabalhista pela empresa contratada. II. No caso, na decisão ora

contrato de trabalho não é suficiente para imputar responsabilidade agravada, o recurso de revista foi conhecido e provido para afastar

ao ente público, pois não se pode exigir que este aja como a responsabilidade subsidiária, tendo em vista que a Corte Regional

empregador ou executor direto do contrato de prestação de não mencionou os elementos probatórios que pudessem atrair o

serviços. dever de responsabilidade subsidiária do ente público. III. Logo, é

Nesse aspecto, o Ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do inviável o provimento do agravo interno em que se postula a adoção

RE 760.931/DF, bem assinala que: de entendimento dissonante do quanto decidido pelo Supremo

"O Supremo Tribunal Federal fixou, na ADC 16, que a mera Tribunal Federal. IV. Agravo interno de que se conhece e a que se

inadimplência não pode converter a Administração Pública em nega provimento. (TST - Ag-RR: 10029374420165020609, Relator:

responsável por verbas trabalhistas, decidindo que não é todo e Evandro Pereira Valadão Lopes, Data de Julgamento: 02/10/2019,

qualquer episódio de atraso na quitação de verbas trabalhistas que 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2019)

pode ser imputado subsidiariamente ao Poder Público, mas só AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE

aqueles que tenham se reiterado com a conivência comissiva ou SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS

omissiva do Estado. Não me parece que seja automaticamente SERVIÇOS. Demonstrada possível contrariedade à Súmula 331, V,

dedutível, da conclusão deste julgamento, um dever estatal de do c. TST, deve ser provido o agravo de instrumento. Agravo de

fiscalização do pagamento de toda e qualquer parcela, rubrica por instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para

rubrica, verba por verba, devida aos trabalhadores. O que pode determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE

induzir à responsabilização do Poder Público é a comprovação de REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA

um comportamento sistematicamente negligente em relação aos ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS SERVIÇOS.

terceirizados; ou seja, a necessidade de prova do nexo de CONDENAÇÃO PELO MERO INADIMPLEMENTO. No julgamento

causalidade entre a conduta comissiva ou omissiva do Poder da ADC 16/DF, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é

Público e o dano sofrido pelo trabalhador. Se não houver essa constitucional e que isso não impede a responsabilização

fixação expressa, clara e taxativa por esta Corte, estaremos subsidiária da Administração Pública, desde que caracterizada a

possibilitando, novamente, outras interpretações que acabem por culpa in vigilando. No caso, a responsabilidade subsidiária da

afastar o entendimento definitivo sobre a responsabilização da Reclamada foi reconhecida de forma genérica, sem que tivesse sido

Administração Pública nas terceirizações, com a possibilidade de atribuída e demonstrada a sua negligência no tocante à fiscalização

novas condenações do Estado por mero inadimplemento e, da prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações

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trabalhistas. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá contrato de prestação de serviços e aditivos firmados entre as

provimento. (TST - RR: 117997620165030032, Data de Julgamento: partes, não havendo qualquer documentação nos autos

27/03/2019, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019) tendente a demonstrar que havia efetiva fiscalização quanto ao

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. cumprimento as obrigações trabalhistas. E a alegação de que a

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO inadimplência ocorrida somente quando do pagamento das

PÚBLICA. MUNICÍPIO. I. A Corte Regional cominou ao Município verbas rescisórias não tem o condão de eximir o ente público

litisconsorte o ônus de comprovar a fiscalização efetiva do contrato da responsabilidade subsidiária, uma vez que O item VI da

de trabalho. II. Consignou que o ente federativo não se desincumbiu Súmula nº 331 do Col. TST expressamente estabelece que "A

do encargo de evidenciar que adotou as precauções para impedir o responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange

inadimplemento da empresa interposta em relação aos obreiros todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao

desta. III. O Supremo Tribunal Federal decidiu tratar-se de ônus período da prestação laboral".

do Reclamante a comprovação de que a ausência ou a Disso resulta que esta Eg. Corte tem entendido, com base no

precariedade da fiscalização do contrato de trabalho pela disposto na Súmula 331, IV, TST, que o tomador de serviços é

tomadora foram corresponsáveis ou propiciadoras do subsidiariamente responsável por todas as obrigações trabalhistas

inadimplemento de seus direitos trabalhistas. IV. O acórdão não cumpridas pelo empregador, inclusive multas. Nesse sentido,

regional contradiz o entendimento do STF em relação à foi editado verbete específico que traz a seguinte redação:

responsabilidade subsidiária da Administração Pública. V. Agravo "VERBETE Nº 11/2004 (com nova redação dada em 1º/07/2008)

interno de que se conhece e a que se nega provimento. (TST - Ag- "RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ABRANGÊNCIA.

RR: 101710820155010076, Data de Julgamento: 26/06/2019, Data ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TOMADORA DOS SERVIÇOS. ITEM

de Publicação: DEJT 01/07/2019) (O grifo é meu) IV DA SÚMULA Nº 331 DO COL. TST (nova redação). O tomador

RECURSO DE REVISTA . INVERSÃO DA ORDEM DE dos serviços responde, em caráter subsidiário, pelas obrigações

JULGAMENTO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA trabalhistas do empregador, ainda que aquele integre a

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. No julgamento da ADC 16/DF, o STF Administração Pública. Tal responsabilidade abrange também as

decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é constitucional e que multas do artigo 467 e do § 8º do artigo 477, ambos da CLT e § 1º

isso não impede a responsabilização subsidiária de ente público, do artigo 18 da Lei nº 8.036/1990, bem como os honorários

desde que caracterizada a culpa in vigilando. No caso, a assistenciais.".

responsabilidade subsidiária do reclamado foi reconhecida de forma

genérica sem que tivesse sido atribuída e demonstrada a sua Pontue-se, por oportuno, que a responsabilidade do recorrente pelo

negligência no tocante à fiscalização da prestadora de serviços pagamento das multas capituladas nos arts. 467 e 477 da CLT não

quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Recurso de se encontra vinculada ao descumprimento por parte do ente público

Revista de que se conhece e a que se dá provimento. AGRAVO DE das obrigações ali contidas, antes emergindo da sua condição de

INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - FALTA DE responsável subsidiário pelo pagamento das verbas trabalhistas

PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. Diante do devidas pela 1ª ré.

conhecimento e provimento do recurso de revista do reclamado Nesses termos, nego provimento ao recurso, sem vislumbrar nisso

para excluir a sua responsabilidade subsidiária, fica prejudicado o qualquer ofensa aos dispositivos constitucionais e

exame do agravo de instrumento que versa sobre matérias infraconstitucionais invocados pela recorrente.

consectárias da responsabilidade afastada. (TST - ARR:

206973220155040761, Data de Julgamento: 08/05/2019, Data de CONCLUSÃO

Publicação: DEJT 10/05/2019) Pelo exposto, conheço do recurso ordinário e, no mérito, nego-lhe

provimento, nos termos da fundamentação.

Passa-se então à análise do contexto probatório no caso em É o meu voto.

exame.

A alegação exordial é de que a TERRACAP agiu culposamente

permitindo o descumprimento das obrigações contratuais ACÓRDÃO

trabalhistas pela prestadora de serviços.

A segunda reclamada colacionou aos autos às fls. 157/184, o

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia

Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

Região, em sessão realizada na data e nos termos contidos na PODER JUDICIÁRIO


respectiva certidão de julgamento, conhecer do recurso ordinário e, JUSTIÇA DO TRABALHO
no mérito, negar-lhe provimento. Tudo nos termos do voto do

Relator.
PROCESSO n.º 0000103-21.2019.5.10.0007 - RECURSO

ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)

RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da

Veiga Damasceno

RECORRENTE: COMPANHIA IMOBILIARIA DE BRASILIA

TERRACAP
Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação
ADVOGADO: ANTONIO AMERICO BARAUNA FILHO - OAB:
dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André
BA0024119
Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique
RECORRIDO: FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão;
ADVOGADO: RODRIGO DUQUE DUTRA - OAB: DF0012313
em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em
RECORRIDO: KATIA PATRICIA MENDES DOS SANTOS
gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.
ADVOGADO: KELEN CRISTINA TEIXEIRA SANTOS - OAB:
Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho),
DF0031390
que opinou pelo prosseguimento do recurso.
ADVOGADO: PRISCILLA SALES BARBOSA SOARES - OAB:
Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do
DF0029804
julgamento).
(Juíza MONICA RAMOS EMERY)

EMENTA

Desembargador Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno


(dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT).
Relator(a)

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

RELATÓRIO
PEDRO JUNQUEIRA PESSOA

Servidor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000103-21.2019.5.10.0007 Dispensado nos termos do art. 895, §1º, IV da CLT.


Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO
RECORRENTE COMPANHIA IMOBILIARIA DE
BRASILIA TERRACAP
ADVOGADO ANTONIO AMERICO BARAUNA VOTO
FILHO(OAB: 24119/BA)
RECORRIDO FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
ADVOGADO RODRIGO DUQUE DUTRA(OAB:
12313/DF)
ADMISSIBILIDADE
RECORRIDO KATIA PATRICIA MENDES DOS
SANTOS Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
ADVOGADO PRISCILLA SALES BARBOSA
SOARES(OAB: 29804/DF)
ADVOGADO KELEN CRISTINA TEIXEIRA MÉRITO
SANTOS(OAB: 31390/DF)
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA
Intimado(s)/Citado(s):
O Juízo primário, com esteio no entendimento consubstanciado na
- COMPANHIA IMOBILIARIA DE BRASILIA TERRACAP

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Súmula 331/TST, reconheceu a responsabilidade subsidiária da 2ª aparente, como bem explicitou o Exmo. Des. Douglas Alencar

reclamada, em relação às obrigações pecuniárias impostas à Rodrigues, por ocasião do julgamento do Processo RO 01260-2001-

primeira demandada. 010-10-00-4, cujo acórdão foi publicado em 29.11.2002:

Em seu recurso, a segunda reclamada requer a reforma do julgado Ainda no que concerne ao art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93,

no ponto, alegando, em suma, inexistência de culpa in eligendo e in consideramos que a postura adotada pela mais alta corte

vigilando sob o fundamento que houve farta fiscalização, bem assim jurisdicional trabalhista prestigiou a interpretação conforme à

que a inadimplência ocorreu após o rompimento do contrato de Constituição, apesar de aparentemente contrária à própria

prestação entre as partes. literalidade do preceito infraconstitucional. Não há ofensa ao art. 5º,

A discussão afeta à possibilidade de responsabilizar-se o ente da II, da CF, mas apenas o reconhecimento judicial das consequências

Administração Pública direta, enquanto tomador dos serviços, pelas lesivas do negócio jurídico constituído com a participação direta da

obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços há muito empresa tomadora, cuja conduta culposa, seja pela ausência de

encontra-se superada no âmbito da jurisprudência consolidada do vigilância das atividades empresariais da prestadora, seja pela má

Colendo TST (Res. 96/2000), que já havia alterado a redação do eleição do outro contratante, são suficientes para justificar a

inciso IV da Súmula nº 331, para dispor que: "O inadimplemento das apenação subsidiária proclamada, com já decidido, de modo

obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a reiterado, pelos tribunais do trabalho. Como exposto, a

responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto responsabilização subsidiárias de entidades jurídicas de direito

àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração público, tal como tratada no En. 331, IV, da Súmula do C. TST, não

direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas foi construída com absoluto desprezo ao preceito da Lei nº

públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam 8.666/93, igualmente não havendo, na interpretação e aplicação das

participado da relação processual e constem também do título regras positivas, afronta ao postulado da separação dos Poderes.

executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993)". Daí porque sempre entende-se despiciendo perquirir acerca da

Importante observar que reconhecer a responsabilidade subsidiária inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.

do ente público, em conformidade com o entendimento firmado pelo Oportuno salientar que o fato de o artigo 37, § 6º, de nossa Carta

Col. TST com relação ao tema, não implica negar vigência ao art. Magna, imputar responsabilidade objetiva à Administração ao

71 da Lei nº 8.666/93, mas, sim, em interpretá-lo à luz dos princípios estabelecer a obrigação de indenizar toda vez que seus atos

que norteiam o ordenamento jurídico. causarem danos a terceiro não obsta também se atribua aos entes

De fato, esta Justiça Especializada buscou, dentro de sua públicos a responsabilidade de responder pelos danos causados

competência, definir o sentido da norma em análise, confrontando-a por terceiros que ela própria contratou, desde que caracterizada a

como todo o sistema normativo pátrio, de molde a extrair-lhe o culpa in eligendo e in vigilando pelo eventual inadimplemento do

sentido que mais se coaduna com todo o conjunto de normas e crédito trabalhista assumido em contratos de prestação de serviços

princípios fundamentais que orientam o Estado brasileiro e o terceirizados. Em outras palavras, a atribuição de responsabilidade

funcionamento da Administração Pública, em especial o princípio da objetiva à Administração Pública pelo Texto Constitucional não

valorização social do trabalho. afasta a possibilidade de responsabilizar-se a Administração com

Não é demais lembrar que os valores sociais do trabalho se erigem base na culpa subjetiva, como, de resto, resultou estabelecido pelo

como um dos princípios basilares do ordenamento pátrio, sendo Col. TST ao modificar os termos da Súmula nº 331.

inclusive prestigiados pela própria Constituição da República em Com efeito, a obrigação de fiscalizar a execução dos contratos de

seu art. 1º, IV, devendo o aplicador do direito, ao interpretar a norma prestação de serviços firmados pela Administração Pública encontra

no caso concreto, harmonizá-la com este princípio. -se assentada sob os arts. 58, III, e 67 da Lei nº 8.666/93, e sua

Em tal contexto, o que se verifica é que a Lei nº 8.666/93, a toda inobservância pelo ente público enseja a responsabilização por

evidência, visou impedir que, na ocorrência de inadimplemento do culpa in vigilando, impondo-se a responsabilização subsidiária

empregador, a Administração Pública fosse considerada (artigos 186 e 927 do Código Civil).

diretamente responsável pelos encargos trabalhistas inadimplidos, Trata-se apenas de atribuir responsabilidade a quem causa dano ou

não se extraindo de seu artigo 71 qualquer vedação à contribui para a sua ocorrência.

responsabilidade subsidiária do ente público naqueles casos. Não há falar, portanto, em violação do art. 97 da Constituição

A incompatibilidade entre a literalidade da norma em discussão e a Federal ou da Súmula Vinculante nº 10 do STF, pois, repita-se, não

jurisprudência sumulada do Col. TST, portanto, é tão somente se trata de declarar a inconstitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 66
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

8.666/93, mas apenas de definir o real alcance da norma inscrita no Assinale-se que o STF, em recente decisão prolatada no RE nº

citado dispositivo com base na interpretação sistemática. 760.931, em sessão realizada no dia 30/3/2017, confirmou o

Nesse ponto, convém ressaltar que o Excelso Supremo Tribunal entendimento adotado na referida ADC nº 16, reafirmando a

Federal, a par de haver, em sessão plenária realizada no dia impossibilidade de responsabilizar-se automaticamente a

24.11.2010, nos autos do ADC 16/DF, rel. Ministro Cezar Peluso, Administração Pública, só cabendo sua condenação se houver

por maioria de votos, concluído pela constitucionalidade do artigo 71 prova inequívoca de conduta culposa na fiscalização dos contratos.

e seu parágrafo único da Lei 8.666/1993, também reconheceu, na Nesses termos, conforme definido pela Corte Suprema, a

mesma assentada, que isso não significaria que eventual omissão Administração Pública pode ser responsabilizada apenas em

da Administração Pública, na obrigação de fiscalizar as obrigações casos excepcionais, sendo inadmissível a presunção da culpa

do contratado, não viesse a gerar essa responsabilidade em razão do simples inadimplemento de verbas trabalhistas

(Informativo 610/STF). pela contratada.

Tanto assim que a Colenda Corte Superior Trabalhista, clarificando Com relação ao ônus da prova, não se pode olvidar que ao

a questão, promoveu alteração nos termos da Súmula nº 331 (Res. reclamante incumbe a prova dos fatos constitutivos do direito

174/2011), a qual, no aspecto em discussão, passou a ostentar a perseguido, cabendo à reclamada a prova dos fatos extintivos,

seguinte redação: modificativos e impeditivos do direito alegado, conforme previsto

SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. pelo art. 373 do Código de Processo Civil.

LEGALIDADE Tratando-se de fato constitutivo do direito, incumbe ao reclamante

I - omissis demonstrar, de forma específica e bem delimitada, os elementos da

II - omissis responsabilidade civil, quais sejam, o dano, a conduta ilícita, o nexo

III - omissis de causalidade e a culpa atribuída ao ente público, conforme

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do disposto pelos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil.

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos A esse respeito, a Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do RE

serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado 760.931/DF, manifestou: "a alegada ausência de comprovação, em

da relação processual e constem também do título executivo juízo, pela União, da efetiva fiscalização do contrato administrativo

judicial. não substitui a necessidade de 'prova taxativa do nexo de

V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta causalidade entre a conduta da Administração e o dano sofrido pelo

respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, trabalhador'".

caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das O Ministro Luiz Fux, em decisão proferida na Reclamação

obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do 28.272/MG, explicita que:

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de "Resta imprescindível a prova categórica do nexo de causalidade

serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre entre a conduta culposa da Administração e o dano sofrido pelo

de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas trabalhador. Sem essa prova, subsiste a presunção de legitimidade

pela empresa regularmente contratada. do ato administrativo, eximindo-se o Ente Público da

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange responsabilidade por obrigações trabalhistas de empregados das

todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período empresas prestadoras de serviços.

da prestação laboral. Com efeito, para Celso Antônio Bandeira de Mello, "presunção de

legitimidade é a qualidade, que reveste tais atos (administrativos),

Assim, sob a ótica da mais recente diretriz traçada pelo Col. TST, de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em

faz-se imprescindível verificar se o ente público deixou ou não de contrário" (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros,

diligenciar com relação ao cumprimento das obrigações contratuais 31ª Edição, 2014, p.423).

da empresa terceirizada, de molde a atrair, para si, as Daí decorre a presunção de que a Administração agiu em

consequências a que alude a Súmula 331/TST. Com efeito, a conformidade com seu dever legal de fiscalizar o contrato - e não o

simples observância pelo ente público dos procedimentos licitatórios contrário -, transferindo-se, consequentemente, ao empregado o

previstos em lei para a contratação da prestadora de serviços não o ônus de comprovar a culpa na conduta administrativa"(Rcl 28272,

exime de responder subsidiariamente pelos créditos eventualmente Dje 04/10/2017)."

inadimplidos.

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Assentada tal premissa - a da presunção de legitimidade do ato REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017.

administrativo - mais se avulta que o ônus de prova pertence à TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE

reclamante quanto à presença dos requisitos inerentes à SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ÔNUS DA PROVA

caracterização da responsabilidade civil. Inadmitida a presunção de QUANTO À FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA

culpa, exige-se a clara e específica demonstração da conduta LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PELA PRESTADORA. DECISÃO DO

omissiva ou comissiva do ente público tomador de serviços, bem SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. I.

como a prova do nexo causal entre a conduta culposa da Na hipótese de terceirização de serviços, o entendimento firmado

Administração Pública no cumprimento de seu dever de fiscalização pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 760931/DF,

do contrato de prestação de serviços e o inadimplemento da em repercussão geral, é no sentido de que a Administração Pública

contratada, não se admitindo, como regra, a inversão do ônus pode ser responsabilizada pelos débitos trabalhistas da prestadora

probatório em favor do reclamante. apenas em casos excepcionais, quando demonstrado pelo

Registre-se que a obrigação fiscalizatória imposta ao Poder Público reclamante, de forma cabal e específica, o nexo de causalidade

é obrigação de meio, e não de resultado, admitindo-se, inclusive, a entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do

prova de fiscalização por amostragem. Em outras palavras, a tão só ente público no tocante à fiscalização do cumprimento da legislação

prática de irregularidades pontuais pela contratada durante o trabalhista pela empresa contratada. II. No caso, na decisão ora

contrato de trabalho não é suficiente para imputar responsabilidade agravada, o recurso de revista foi conhecido e provido para afastar

ao ente público, pois não se pode exigir que este aja como a responsabilidade subsidiária, tendo em vista que a Corte Regional

empregador ou executor direto do contrato de prestação de não mencionou os elementos probatórios que pudessem atrair o

serviços. dever de responsabilidade subsidiária do ente público. III. Logo, é

Nesse aspecto, o Ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do inviável o provimento do agravo interno em que se postula a adoção

RE 760.931/DF, bem assinala que: de entendimento dissonante do quanto decidido pelo Supremo

"O Supremo Tribunal Federal fixou, na ADC 16, que a mera Tribunal Federal. IV. Agravo interno de que se conhece e a que se

inadimplência não pode converter a Administração Pública em nega provimento. (TST - Ag-RR: 10029374420165020609, Relator:

responsável por verbas trabalhistas, decidindo que não é todo e Evandro Pereira Valadão Lopes, Data de Julgamento: 02/10/2019,

qualquer episódio de atraso na quitação de verbas trabalhistas que 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2019)

pode ser imputado subsidiariamente ao Poder Público, mas só AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE

aqueles que tenham se reiterado com a conivência comissiva ou SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS

omissiva do Estado. Não me parece que seja automaticamente SERVIÇOS. Demonstrada possível contrariedade à Súmula 331, V,

dedutível, da conclusão deste julgamento, um dever estatal de do c. TST, deve ser provido o agravo de instrumento. Agravo de

fiscalização do pagamento de toda e qualquer parcela, rubrica por instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para

rubrica, verba por verba, devida aos trabalhadores. O que pode determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE

induzir à responsabilização do Poder Público é a comprovação de REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA

um comportamento sistematicamente negligente em relação aos ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS SERVIÇOS.

terceirizados; ou seja, a necessidade de prova do nexo de CONDENAÇÃO PELO MERO INADIMPLEMENTO. No julgamento

causalidade entre a conduta comissiva ou omissiva do Poder da ADC 16/DF, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é

Público e o dano sofrido pelo trabalhador. Se não houver essa constitucional e que isso não impede a responsabilização

fixação expressa, clara e taxativa por esta Corte, estaremos subsidiária da Administração Pública, desde que caracterizada a

possibilitando, novamente, outras interpretações que acabem por culpa in vigilando. No caso, a responsabilidade subsidiária da

afastar o entendimento definitivo sobre a responsabilização da Reclamada foi reconhecida de forma genérica, sem que tivesse sido

Administração Pública nas terceirizações, com a possibilidade de atribuída e demonstrada a sua negligência no tocante à fiscalização

novas condenações do Estado por mero inadimplemento e, da prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações

consequentemente a manutenção do desrespeito à decisão desta trabalhistas. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá

Corte na ADC 16". provimento. (TST - RR: 117997620165030032, Data de Julgamento:

27/03/2019, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019)

Nessa mesma linha, colhem-se os seguintes arestos do C. TST: AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA.

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO

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PÚBLICA. MUNICÍPIO. I. A Corte Regional cominou ao Município verbas rescisórias não tem o condão de eximir o ente público

litisconsorte o ônus de comprovar a fiscalização efetiva do contrato da responsabilidade subsidiária, uma vez que O item VI da

de trabalho. II. Consignou que o ente federativo não se desincumbiu Súmula nº 331 do Col. TST expressamente estabelece que "A

do encargo de evidenciar que adotou as precauções para impedir o responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange

inadimplemento da empresa interposta em relação aos obreiros todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao

desta. III. O Supremo Tribunal Federal decidiu tratar-se de ônus período da prestação laboral".

do Reclamante a comprovação de que a ausência ou a Disso resulta que esta Eg. Corte tem entendido, com base no

precariedade da fiscalização do contrato de trabalho pela disposto na Súmula 331, IV, TST, que o tomador de serviços é

tomadora foram corresponsáveis ou propiciadoras do subsidiariamente responsável por todas as obrigações trabalhistas

inadimplemento de seus direitos trabalhistas. IV. O acórdão não cumpridas pelo empregador, inclusive multas. Nesse sentido,

regional contradiz o entendimento do STF em relação à foi editado verbete específico que traz a seguinte redação:

responsabilidade subsidiária da Administração Pública. V. Agravo "VERBETE Nº 11/2004 (com nova redação dada em 1º/07/2008)

interno de que se conhece e a que se nega provimento. (TST - Ag- "RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ABRANGÊNCIA.

RR: 101710820155010076, Data de Julgamento: 26/06/2019, Data ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TOMADORA DOS SERVIÇOS. ITEM

de Publicação: DEJT 01/07/2019) (O grifo é meu) IV DA SÚMULA Nº 331 DO COL. TST (nova redação). O tomador

RECURSO DE REVISTA . INVERSÃO DA ORDEM DE dos serviços responde, em caráter subsidiário, pelas obrigações

JULGAMENTO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA trabalhistas do empregador, ainda que aquele integre a

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. No julgamento da ADC 16/DF, o STF Administração Pública. Tal responsabilidade abrange também as

decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é constitucional e que multas do artigo 467 e do § 8º do artigo 477, ambos da CLT e § 1º

isso não impede a responsabilização subsidiária de ente público, do artigo 18 da Lei nº 8.036/1990, bem como os honorários

desde que caracterizada a culpa in vigilando. No caso, a assistenciais.".

responsabilidade subsidiária do reclamado foi reconhecida de forma

genérica sem que tivesse sido atribuída e demonstrada a sua Pontue-se, por oportuno, que a responsabilidade do recorrente pelo

negligência no tocante à fiscalização da prestadora de serviços pagamento das multas capituladas nos arts. 467 e 477 da CLT não

quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Recurso de se encontra vinculada ao descumprimento por parte do ente público

Revista de que se conhece e a que se dá provimento. AGRAVO DE das obrigações ali contidas, antes emergindo da sua condição de

INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - FALTA DE responsável subsidiário pelo pagamento das verbas trabalhistas

PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. Diante do devidas pela 1ª ré.

conhecimento e provimento do recurso de revista do reclamado Nesses termos, nego provimento ao recurso, sem vislumbrar nisso

para excluir a sua responsabilidade subsidiária, fica prejudicado o qualquer ofensa aos dispositivos constitucionais e

exame do agravo de instrumento que versa sobre matérias infraconstitucionais invocados pela recorrente.

consectárias da responsabilidade afastada. (TST - ARR:

206973220155040761, Data de Julgamento: 08/05/2019, Data de CONCLUSÃO

Publicação: DEJT 10/05/2019) Pelo exposto, conheço do recurso ordinário e, no mérito, nego-lhe

provimento, nos termos da fundamentação.

Passa-se então à análise do contexto probatório no caso em É o meu voto.

exame.

A alegação exordial é de que a TERRACAP agiu culposamente

permitindo o descumprimento das obrigações contratuais ACÓRDÃO

trabalhistas pela prestadora de serviços.

A segunda reclamada colacionou aos autos às fls. 157/184, o

contrato de prestação de serviços e aditivos firmados entre as Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia

partes, não havendo qualquer documentação nos autos Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

tendente a demonstrar que havia efetiva fiscalização quanto ao Região, em sessão realizada na data e nos termos contidos na

cumprimento as obrigações trabalhistas. E a alegação de que a respectiva certidão de julgamento, conhecer do recurso ordinário e,

inadimplência ocorrida somente quando do pagamento das no mérito, negar-lhe provimento. Tudo nos termos do voto do

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Relator.

PROCESSO n.º 0000103-21.2019.5.10.0007 - RECURSO

ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)

RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da

Veiga Damasceno

RECORRENTE: COMPANHIA IMOBILIARIA DE BRASILIA

Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação TERRACAP

dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André ADVOGADO: ANTONIO AMERICO BARAUNA FILHO - OAB:

Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique BA0024119

Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; RECORRIDO: FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME

em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em ADVOGADO: RODRIGO DUQUE DUTRA - OAB: DF0012313

gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. RECORRIDO: KATIA PATRICIA MENDES DOS SANTOS

Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho), ADVOGADO: KELEN CRISTINA TEIXEIRA SANTOS - OAB:

que opinou pelo prosseguimento do recurso. DF0031390

Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do ADVOGADO: PRISCILLA SALES BARBOSA SOARES - OAB:

julgamento). DF0029804

(Juíza MONICA RAMOS EMERY)

EMENTA

Desembargador Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno

Relator(a) (dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT).

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

PEDRO JUNQUEIRA PESSOA RELATÓRIO

Servidor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000103-21.2019.5.10.0007
Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA Dispensado nos termos do art. 895, §1º, IV da CLT.
VEIGA DAMASCENO
RECORRENTE COMPANHIA IMOBILIARIA DE
BRASILIA TERRACAP
ADVOGADO ANTONIO AMERICO BARAUNA
FILHO(OAB: 24119/BA) VOTO
RECORRIDO FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
ADVOGADO RODRIGO DUQUE DUTRA(OAB:
12313/DF)
RECORRIDO KATIA PATRICIA MENDES DOS ADMISSIBILIDADE
SANTOS
ADVOGADO PRISCILLA SALES BARBOSA Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
SOARES(OAB: 29804/DF)
ADVOGADO KELEN CRISTINA TEIXEIRA
SANTOS(OAB: 31390/DF) MÉRITO

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA
Intimado(s)/Citado(s):
O Juízo primário, com esteio no entendimento consubstanciado na
- KATIA PATRICIA MENDES DOS SANTOS
Súmula 331/TST, reconheceu a responsabilidade subsidiária da 2ª

reclamada, em relação às obrigações pecuniárias impostas à

primeira demandada.
PODER JUDICIÁRIO
Em seu recurso, a segunda reclamada requer a reforma do julgado
JUSTIÇA DO TRABALHO
no ponto, alegando, em suma, inexistência de culpa in eligendo e in

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vigilando sob o fundamento que houve farta fiscalização, bem assim jurisdicional trabalhista prestigiou a interpretação conforme à

que a inadimplência ocorreu após o rompimento do contrato de Constituição, apesar de aparentemente contrária à própria

prestação entre as partes. literalidade do preceito infraconstitucional. Não há ofensa ao art. 5º,

A discussão afeta à possibilidade de responsabilizar-se o ente da II, da CF, mas apenas o reconhecimento judicial das consequências

Administração Pública direta, enquanto tomador dos serviços, pelas lesivas do negócio jurídico constituído com a participação direta da

obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços há muito empresa tomadora, cuja conduta culposa, seja pela ausência de

encontra-se superada no âmbito da jurisprudência consolidada do vigilância das atividades empresariais da prestadora, seja pela má

Colendo TST (Res. 96/2000), que já havia alterado a redação do eleição do outro contratante, são suficientes para justificar a

inciso IV da Súmula nº 331, para dispor que: "O inadimplemento das apenação subsidiária proclamada, com já decidido, de modo

obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a reiterado, pelos tribunais do trabalho. Como exposto, a

responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto responsabilização subsidiárias de entidades jurídicas de direito

àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração público, tal como tratada no En. 331, IV, da Súmula do C. TST, não

direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas foi construída com absoluto desprezo ao preceito da Lei nº

públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam 8.666/93, igualmente não havendo, na interpretação e aplicação das

participado da relação processual e constem também do título regras positivas, afronta ao postulado da separação dos Poderes.

executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993)". Daí porque sempre entende-se despiciendo perquirir acerca da

Importante observar que reconhecer a responsabilidade subsidiária inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.

do ente público, em conformidade com o entendimento firmado pelo Oportuno salientar que o fato de o artigo 37, § 6º, de nossa Carta

Col. TST com relação ao tema, não implica negar vigência ao art. Magna, imputar responsabilidade objetiva à Administração ao

71 da Lei nº 8.666/93, mas, sim, em interpretá-lo à luz dos princípios estabelecer a obrigação de indenizar toda vez que seus atos

que norteiam o ordenamento jurídico. causarem danos a terceiro não obsta também se atribua aos entes

De fato, esta Justiça Especializada buscou, dentro de sua públicos a responsabilidade de responder pelos danos causados

competência, definir o sentido da norma em análise, confrontando-a por terceiros que ela própria contratou, desde que caracterizada a

como todo o sistema normativo pátrio, de molde a extrair-lhe o culpa in eligendo e in vigilando pelo eventual inadimplemento do

sentido que mais se coaduna com todo o conjunto de normas e crédito trabalhista assumido em contratos de prestação de serviços

princípios fundamentais que orientam o Estado brasileiro e o terceirizados. Em outras palavras, a atribuição de responsabilidade

funcionamento da Administração Pública, em especial o princípio da objetiva à Administração Pública pelo Texto Constitucional não

valorização social do trabalho. afasta a possibilidade de responsabilizar-se a Administração com

Não é demais lembrar que os valores sociais do trabalho se erigem base na culpa subjetiva, como, de resto, resultou estabelecido pelo

como um dos princípios basilares do ordenamento pátrio, sendo Col. TST ao modificar os termos da Súmula nº 331.

inclusive prestigiados pela própria Constituição da República em Com efeito, a obrigação de fiscalizar a execução dos contratos de

seu art. 1º, IV, devendo o aplicador do direito, ao interpretar a norma prestação de serviços firmados pela Administração Pública encontra

no caso concreto, harmonizá-la com este princípio. -se assentada sob os arts. 58, III, e 67 da Lei nº 8.666/93, e sua

Em tal contexto, o que se verifica é que a Lei nº 8.666/93, a toda inobservância pelo ente público enseja a responsabilização por

evidência, visou impedir que, na ocorrência de inadimplemento do culpa in vigilando, impondo-se a responsabilização subsidiária

empregador, a Administração Pública fosse considerada (artigos 186 e 927 do Código Civil).

diretamente responsável pelos encargos trabalhistas inadimplidos, Trata-se apenas de atribuir responsabilidade a quem causa dano ou

não se extraindo de seu artigo 71 qualquer vedação à contribui para a sua ocorrência.

responsabilidade subsidiária do ente público naqueles casos. Não há falar, portanto, em violação do art. 97 da Constituição

A incompatibilidade entre a literalidade da norma em discussão e a Federal ou da Súmula Vinculante nº 10 do STF, pois, repita-se, não

jurisprudência sumulada do Col. TST, portanto, é tão somente se trata de declarar a inconstitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº

aparente, como bem explicitou o Exmo. Des. Douglas Alencar 8.666/93, mas apenas de definir o real alcance da norma inscrita no

Rodrigues, por ocasião do julgamento do Processo RO 01260-2001- citado dispositivo com base na interpretação sistemática.

010-10-00-4, cujo acórdão foi publicado em 29.11.2002: Nesse ponto, convém ressaltar que o Excelso Supremo Tribunal

Ainda no que concerne ao art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93, Federal, a par de haver, em sessão plenária realizada no dia

consideramos que a postura adotada pela mais alta corte 24.11.2010, nos autos do ADC 16/DF, rel. Ministro Cezar Peluso,

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por maioria de votos, concluído pela constitucionalidade do artigo 71 prova inequívoca de conduta culposa na fiscalização dos contratos.

e seu parágrafo único da Lei 8.666/1993, também reconheceu, na Nesses termos, conforme definido pela Corte Suprema, a

mesma assentada, que isso não significaria que eventual omissão Administração Pública pode ser responsabilizada apenas em

da Administração Pública, na obrigação de fiscalizar as obrigações casos excepcionais, sendo inadmissível a presunção da culpa

do contratado, não viesse a gerar essa responsabilidade em razão do simples inadimplemento de verbas trabalhistas

(Informativo 610/STF). pela contratada.

Tanto assim que a Colenda Corte Superior Trabalhista, clarificando Com relação ao ônus da prova, não se pode olvidar que ao

a questão, promoveu alteração nos termos da Súmula nº 331 (Res. reclamante incumbe a prova dos fatos constitutivos do direito

174/2011), a qual, no aspecto em discussão, passou a ostentar a perseguido, cabendo à reclamada a prova dos fatos extintivos,

seguinte redação: modificativos e impeditivos do direito alegado, conforme previsto

SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. pelo art. 373 do Código de Processo Civil.

LEGALIDADE Tratando-se de fato constitutivo do direito, incumbe ao reclamante

I - omissis demonstrar, de forma específica e bem delimitada, os elementos da

II - omissis responsabilidade civil, quais sejam, o dano, a conduta ilícita, o nexo

III - omissis de causalidade e a culpa atribuída ao ente público, conforme

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do disposto pelos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil.

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos A esse respeito, a Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do RE

serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado 760.931/DF, manifestou: "a alegada ausência de comprovação, em

da relação processual e constem também do título executivo juízo, pela União, da efetiva fiscalização do contrato administrativo

judicial. não substitui a necessidade de 'prova taxativa do nexo de

V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta causalidade entre a conduta da Administração e o dano sofrido pelo

respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, trabalhador'".

caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das O Ministro Luiz Fux, em decisão proferida na Reclamação

obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do 28.272/MG, explicita que:

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de "Resta imprescindível a prova categórica do nexo de causalidade

serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre entre a conduta culposa da Administração e o dano sofrido pelo

de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas trabalhador. Sem essa prova, subsiste a presunção de legitimidade

pela empresa regularmente contratada. do ato administrativo, eximindo-se o Ente Público da

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange responsabilidade por obrigações trabalhistas de empregados das

todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período empresas prestadoras de serviços.

da prestação laboral. Com efeito, para Celso Antônio Bandeira de Mello, "presunção de

legitimidade é a qualidade, que reveste tais atos (administrativos),

Assim, sob a ótica da mais recente diretriz traçada pelo Col. TST, de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em

faz-se imprescindível verificar se o ente público deixou ou não de contrário" (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros,

diligenciar com relação ao cumprimento das obrigações contratuais 31ª Edição, 2014, p.423).

da empresa terceirizada, de molde a atrair, para si, as Daí decorre a presunção de que a Administração agiu em

consequências a que alude a Súmula 331/TST. Com efeito, a conformidade com seu dever legal de fiscalizar o contrato - e não o

simples observância pelo ente público dos procedimentos licitatórios contrário -, transferindo-se, consequentemente, ao empregado o

previstos em lei para a contratação da prestadora de serviços não o ônus de comprovar a culpa na conduta administrativa"(Rcl 28272,

exime de responder subsidiariamente pelos créditos eventualmente Dje 04/10/2017)."

inadimplidos.

Assinale-se que o STF, em recente decisão prolatada no RE nº Assentada tal premissa - a da presunção de legitimidade do ato

760.931, em sessão realizada no dia 30/3/2017, confirmou o administrativo - mais se avulta que o ônus de prova pertence à

entendimento adotado na referida ADC nº 16, reafirmando a reclamante quanto à presença dos requisitos inerentes à

impossibilidade de responsabilizar-se automaticamente a caracterização da responsabilidade civil. Inadmitida a presunção de

Administração Pública, só cabendo sua condenação se houver culpa, exige-se a clara e específica demonstração da conduta

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omissiva ou comissiva do ente público tomador de serviços, bem SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. I.

como a prova do nexo causal entre a conduta culposa da Na hipótese de terceirização de serviços, o entendimento firmado

Administração Pública no cumprimento de seu dever de fiscalização pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 760931/DF,

do contrato de prestação de serviços e o inadimplemento da em repercussão geral, é no sentido de que a Administração Pública

contratada, não se admitindo, como regra, a inversão do ônus pode ser responsabilizada pelos débitos trabalhistas da prestadora

probatório em favor do reclamante. apenas em casos excepcionais, quando demonstrado pelo

Registre-se que a obrigação fiscalizatória imposta ao Poder Público reclamante, de forma cabal e específica, o nexo de causalidade

é obrigação de meio, e não de resultado, admitindo-se, inclusive, a entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do

prova de fiscalização por amostragem. Em outras palavras, a tão só ente público no tocante à fiscalização do cumprimento da legislação

prática de irregularidades pontuais pela contratada durante o trabalhista pela empresa contratada. II. No caso, na decisão ora

contrato de trabalho não é suficiente para imputar responsabilidade agravada, o recurso de revista foi conhecido e provido para afastar

ao ente público, pois não se pode exigir que este aja como a responsabilidade subsidiária, tendo em vista que a Corte Regional

empregador ou executor direto do contrato de prestação de não mencionou os elementos probatórios que pudessem atrair o

serviços. dever de responsabilidade subsidiária do ente público. III. Logo, é

Nesse aspecto, o Ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do inviável o provimento do agravo interno em que se postula a adoção

RE 760.931/DF, bem assinala que: de entendimento dissonante do quanto decidido pelo Supremo

"O Supremo Tribunal Federal fixou, na ADC 16, que a mera Tribunal Federal. IV. Agravo interno de que se conhece e a que se

inadimplência não pode converter a Administração Pública em nega provimento. (TST - Ag-RR: 10029374420165020609, Relator:

responsável por verbas trabalhistas, decidindo que não é todo e Evandro Pereira Valadão Lopes, Data de Julgamento: 02/10/2019,

qualquer episódio de atraso na quitação de verbas trabalhistas que 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2019)

pode ser imputado subsidiariamente ao Poder Público, mas só AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE

aqueles que tenham se reiterado com a conivência comissiva ou SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS

omissiva do Estado. Não me parece que seja automaticamente SERVIÇOS. Demonstrada possível contrariedade à Súmula 331, V,

dedutível, da conclusão deste julgamento, um dever estatal de do c. TST, deve ser provido o agravo de instrumento. Agravo de

fiscalização do pagamento de toda e qualquer parcela, rubrica por instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para

rubrica, verba por verba, devida aos trabalhadores. O que pode determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE

induzir à responsabilização do Poder Público é a comprovação de REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA

um comportamento sistematicamente negligente em relação aos ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS SERVIÇOS.

terceirizados; ou seja, a necessidade de prova do nexo de CONDENAÇÃO PELO MERO INADIMPLEMENTO. No julgamento

causalidade entre a conduta comissiva ou omissiva do Poder da ADC 16/DF, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é

Público e o dano sofrido pelo trabalhador. Se não houver essa constitucional e que isso não impede a responsabilização

fixação expressa, clara e taxativa por esta Corte, estaremos subsidiária da Administração Pública, desde que caracterizada a

possibilitando, novamente, outras interpretações que acabem por culpa in vigilando. No caso, a responsabilidade subsidiária da

afastar o entendimento definitivo sobre a responsabilização da Reclamada foi reconhecida de forma genérica, sem que tivesse sido

Administração Pública nas terceirizações, com a possibilidade de atribuída e demonstrada a sua negligência no tocante à fiscalização

novas condenações do Estado por mero inadimplemento e, da prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações

consequentemente a manutenção do desrespeito à decisão desta trabalhistas. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá

Corte na ADC 16". provimento. (TST - RR: 117997620165030032, Data de Julgamento:

27/03/2019, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019)

Nessa mesma linha, colhem-se os seguintes arestos do C. TST: AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA.

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO

REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. PÚBLICA. MUNICÍPIO. I. A Corte Regional cominou ao Município

TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE litisconsorte o ônus de comprovar a fiscalização efetiva do contrato

SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ÔNUS DA PROVA de trabalho. II. Consignou que o ente federativo não se desincumbiu

QUANTO À FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA do encargo de evidenciar que adotou as precauções para impedir o

LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PELA PRESTADORA. DECISÃO DO inadimplemento da empresa interposta em relação aos obreiros

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desta. III. O Supremo Tribunal Federal decidiu tratar-se de ônus período da prestação laboral".

do Reclamante a comprovação de que a ausência ou a Disso resulta que esta Eg. Corte tem entendido, com base no

precariedade da fiscalização do contrato de trabalho pela disposto na Súmula 331, IV, TST, que o tomador de serviços é

tomadora foram corresponsáveis ou propiciadoras do subsidiariamente responsável por todas as obrigações trabalhistas

inadimplemento de seus direitos trabalhistas. IV. O acórdão não cumpridas pelo empregador, inclusive multas. Nesse sentido,

regional contradiz o entendimento do STF em relação à foi editado verbete específico que traz a seguinte redação:

responsabilidade subsidiária da Administração Pública. V. Agravo "VERBETE Nº 11/2004 (com nova redação dada em 1º/07/2008)

interno de que se conhece e a que se nega provimento. (TST - Ag- "RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ABRANGÊNCIA.

RR: 101710820155010076, Data de Julgamento: 26/06/2019, Data ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TOMADORA DOS SERVIÇOS. ITEM

de Publicação: DEJT 01/07/2019) (O grifo é meu) IV DA SÚMULA Nº 331 DO COL. TST (nova redação). O tomador

RECURSO DE REVISTA . INVERSÃO DA ORDEM DE dos serviços responde, em caráter subsidiário, pelas obrigações

JULGAMENTO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA trabalhistas do empregador, ainda que aquele integre a

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. No julgamento da ADC 16/DF, o STF Administração Pública. Tal responsabilidade abrange também as

decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é constitucional e que multas do artigo 467 e do § 8º do artigo 477, ambos da CLT e § 1º

isso não impede a responsabilização subsidiária de ente público, do artigo 18 da Lei nº 8.036/1990, bem como os honorários

desde que caracterizada a culpa in vigilando. No caso, a assistenciais.".

responsabilidade subsidiária do reclamado foi reconhecida de forma

genérica sem que tivesse sido atribuída e demonstrada a sua Pontue-se, por oportuno, que a responsabilidade do recorrente pelo

negligência no tocante à fiscalização da prestadora de serviços pagamento das multas capituladas nos arts. 467 e 477 da CLT não

quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Recurso de se encontra vinculada ao descumprimento por parte do ente público

Revista de que se conhece e a que se dá provimento. AGRAVO DE das obrigações ali contidas, antes emergindo da sua condição de

INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - FALTA DE responsável subsidiário pelo pagamento das verbas trabalhistas

PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. Diante do devidas pela 1ª ré.

conhecimento e provimento do recurso de revista do reclamado Nesses termos, nego provimento ao recurso, sem vislumbrar nisso

para excluir a sua responsabilidade subsidiária, fica prejudicado o qualquer ofensa aos dispositivos constitucionais e

exame do agravo de instrumento que versa sobre matérias infraconstitucionais invocados pela recorrente.

consectárias da responsabilidade afastada. (TST - ARR:

206973220155040761, Data de Julgamento: 08/05/2019, Data de CONCLUSÃO

Publicação: DEJT 10/05/2019) Pelo exposto, conheço do recurso ordinário e, no mérito, nego-lhe

provimento, nos termos da fundamentação.

Passa-se então à análise do contexto probatório no caso em É o meu voto.

exame.

A alegação exordial é de que a TERRACAP agiu culposamente

permitindo o descumprimento das obrigações contratuais ACÓRDÃO

trabalhistas pela prestadora de serviços.

A segunda reclamada colacionou aos autos às fls. 157/184, o

contrato de prestação de serviços e aditivos firmados entre as Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia

partes, não havendo qualquer documentação nos autos Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

tendente a demonstrar que havia efetiva fiscalização quanto ao Região, em sessão realizada na data e nos termos contidos na

cumprimento as obrigações trabalhistas. E a alegação de que a respectiva certidão de julgamento, conhecer do recurso ordinário e,

inadimplência ocorrida somente quando do pagamento das no mérito, negar-lhe provimento. Tudo nos termos do voto do

verbas rescisórias não tem o condão de eximir o ente público Relator.

da responsabilidade subsidiária, uma vez que O item VI da

Súmula nº 331 do Col. TST expressamente estabelece que "A

responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange

todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 74
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

PROCESSO n.º 0000949-32.2019.5.10.0009 - RECURSO

ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)

Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da

dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André Veiga Damasceno

Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique

Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; RECORRENTE: GOLD SERVICOS DE MONITORAMENTO E

em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em LIMPEZA EIRELI - EPP - CNPJ: 05.020.143/0001-89

gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. ADVOGADO: ALINE TALITA FERNANDES DA SILVA - OAB:

Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho), DF0058826

que opinou pelo prosseguimento do recurso. RECORRENTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL - CNPJ:

Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do 00.038.166/0001-05

julgamento). RECORRIDOS: OS MESMOS E ESHO EMPRESA DE SERVICOS

HOSPITALARES S.A. - CNPJ: 29.435.005/0001-29

ADVOGADO: FABIO RIVELLI - OAB: SP0297608

ORIGEM: 9ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA/DF

CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo

(JUIZ ACELIO RICARDO VALES LEITE)

Desembargador Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno

Relator(a)

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020. EMENTA

PEDRO JUNQUEIRA PESSOA

Servidor de Secretaria (dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT)

Processo Nº RORSum-0000949-32.2019.5.10.0009
Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO
RELATÓRIO
RECORRENTE GOLD SERVICOS DE
MONITORAMENTO E LIMPEZA
EIRELI - EPP
ADVOGADO ALINE TALITA FERNANDES DA
SILVA(OAB: 58826/DF)
Dispensado na forma do artigo 852-I c/c artigo 895, §1º, IV, da CLT.
RECORRENTE BANCO CENTRAL DO BRASIL
RECORRIDO WALDIONOR APOLONIO DA SILVA
ADVOGADO SEBASTIAO PEREIRA DE
SOUZA(OAB: 20702/DF)
RECORRIDO GOLD SERVICOS DE FUNDAMENTAÇÃO
MONITORAMENTO E LIMPEZA
EIRELI - EPP
ADVOGADO ALINE TALITA FERNANDES DA
SILVA(OAB: 58826/DF)
RECORRIDO BANCO CENTRAL DO BRASIL ADMISSIBILIDADE
RECORRIDO ESHO EMPRESA DE SERVICOS Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço de ambos
HOSPITALARES S.A.
ADVOGADO FABIO RIVELLI(OAB: 297608/SP) recursos.

Intimado(s)/Citado(s):
MÉRITO
- GOLD SERVICOS DE MONITORAMENTO E LIMPEZA EIRELI
- EPP INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL (RECURSO DO SEGUNDO

RECLAMADO)

Renova o recorrente a preliminar em epígrafe, dizendo que "o

reclamante não tece uma linha sequer em sua petição inicial com o
PODER JUDICIÁRIO
fito de demonstrar eventual conduta omissiva ou comissiva do
JUSTIÇA DO TRABALHO
Banco Central que possa configurar falha na fiscalização do

contrato administrativo firmado com a primeira reclamada" (fl. 786),

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

fato este imprescindível à fundamentação do pedido de Logo, cumprido satisfatoriamente o ônus da prova pelo reclamante,

responsalização subsidiária do ente público tomador dos serviços. na forma prevista no artigo 818, inciso I, da CLT, defiro as horas

No processo do trabalho, a petição inicial será reputada inepta extras pleiteadas na alínea "e3" do rol dos pedidos iniciais, com

quando não atender às exigências do artigo 840, § 1º, da CLT, que reflexos dessas horas extras nas verbas rescisórias.

preconiza: "Sendo escrita, a reclamação deverá conter a (...)

designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição 10 - DA COMPENSAÇÃO E/OU DEDUÇÃO

dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, O reclamante requer "sejam compensados os valores

determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do eventualmente pagos, "cujo valor é inestimável". A primeira

reclamante ou de seu representante". reclamada também "requer aplicação do instituto da compensação

Assim, se dos fatos narrados decorre logicamente o pedido, não há dos títulos efetivamente pagos, a fim de evitar o enriquecimento

que se falar em inépcia. sem causa por parte do reclamante".

No caso, o autor relata que prestou serviços em favro do BACEN e Ao exame.

requer sua responsabilização com amparo na Súmula nº 331 do Em réplica o reclamante não cuidou de impugnar especificadamente

TST, argumentando que houve culpa in vigilando. o recibo comum anexo à fl. 659, datado de 16/05/2019, no importe

Não há, assim, que se cogitar de inépcia. de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais), que teria sido

Recurso desprovido no particular. recebido pelo autor, "referente a plantões extras trabalhados", nos

meses de 10/2018 a 03/2019, mas apenas aduz que se trata de

BOMBEIRO CIVIL. JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS. "comprovante de pagamento por fora, proforma, via que na

(RECURSO DA PRIMEIRA RECLAMADA) confiança restou assinado, mas não recebeu a totalidade ali

O autor, que cumpria jornada de 12x36 horas nos termos previstos declinada", e também não cuidou de informar qual teria sido o valor

na Lei nº 11.901/09, alega na inicial que a primeira reclamada não efetivamente declinada recebido, o que se mostra insatisfatório para

solveu a totalidade das horas extras que eram devidas em refutar a veracidade do citado documento.

decorrência do quantitativo de plantões cumpridos. Nessa medida, autorizo que na liquidação do julgado seja deduzido

A defesa sustenta o correto adimplemento das eventuais horas o valor de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) do montante

extras cumpridas, conforme folhas de ponto e contracheques devido a título horas extras com o acréscimo de 50% (cinquenta por

coligidos aos autos. cento) e reflexos, a resultar no abatimento de prestações

O juízo de origem acolheu o pedido obreiro, nos seguintes termos: trabalhistas já parcialmente adimplidas, como se verifica na

"(...) presente hipótese." (fls. 768/776)

Ao exame.

Sem prolegômenos, analisado detidamente os comprovantes de Inconformada, investe a primeira ré contra a avaliação encetada na

depósitos bancários e os respectivos contracheques, anexos às fls. origem. Afirma que a documentação coligida ao feito - e cujo teor

652/653, 654/656, 660 e 651, 663/670, 672/675, 676, 678/679, 681, não foi impugnado pelo autor em réplica - demonstram que apenas

684, 685, 690/691, 697/698, 755/756 e 757, não se constata eventualmente o obreiro suplantou sua jornada legal, sendo

nenhum valor pago a título de horas extras nos citados recibos de devidamente remunerado pelo sobrelabor desenvolvido. Pretende,

pagamentos de salários do reclamante, como alegado pela primeira outrossim, seja deferida a compensação de todos "aqueles valores

reclamada. Além disso, em reforço à confirmação da tese obreira, pagos a título de horas extraordinárias e que não foram

tem-se um recibo comum, à fl. 659, datado de 16/05/2019, no completamente verificadas pelo Juízo a quo ao sentencia-lo, haja

importe de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais), em que o vista ter se apercebido apenas em um único recibo assinado pelo

autor teria recebido tal valor "referente a plantões extras reclamante, e não observou os outros documentos comprobatórios

trabalhados" nos meses de 10/2018 a 03/2019, sendo devidamente que comprovam o adimplemento total das horas extras." (fls.

assinado pelo reclamante, bem como se nota que em determinados 824/849)

meses foram preenchidas duas folhas de ponto para o mesmo mês, O art. 5° da Lei nº 11.901/09, que regulamenta a profissão de

em uma constando a jornada normal de 12 horas de trabalho por 36 bombeiro civil, estabelece que "A jornada do Bombeiro Civil é de 12

horas de descanso, e na outra apenas "plantões", a exemplo do que (doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) horas de descanso,

se constata quanto aos meses 02/2019 (fls. 667/668), 08/2018 (fls. num total de 36 (trinta e seis) horas semanais".

692/693) e 09/2018 (fls. 687/688). Como se observa, a lei não se limitou a impor a observância do

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regime de 12h x 36h, mas também estabeleceu que, no reclamada e a prestação dos serviços pelo reclamante, mas apenas

cumprimento de tal escala de trabalho, há de se observar o limite de alega inexistência da culpa in eligendo e/ou culpa in vigilando, bem

36 horas semanais de labor. Assim, pela lei, os bombeiros civis como defende a regularidade da terceirização da mão de obra, sob

devem em tese trabalhar apenas 3 dias por semana, com vistas a enfoque da Lei nº 8.666/1993 e do acórdão proferido no RE nº

observar o limite imposto pela legislação. 760931/DF, com repercussão geral reconhecida em Sessão

Em tal perspectiva, o empregado que se submete ao regime Plenário do Supremo Tribunal Federal, sendo fixada, para casos

ininterrupto de 12h x 36h, cumprindo uma jornada alternada de 36 semelhantes, a tese de que "o inadimplemento dos encargos

horas trabalhadas em uma semana e 48 horas na subsequente, faz trabalhistas dos empregados do contratado não transfere

jus à percepção de 12 horas extras em cada semana em que automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade

ultrapassado o limite horário legal. pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos

De fato, as folhas de ponto coligidas à defesa não tiveram seu termos do art. 71, § 1º, da Lei nº8.666/93" (inteiro teor do acórdão

conteúdo impugnado em réplica, de forma que prevalecem como pública do DJE de 12/09/2017).

verdadeiras as informações neles contidas alusivas a horário de A terceira reclamada contesta a pretensão obreira de

trabalho e quantidade de dias laborados. responsabilização subsidiária ao fundamento, em síntese, de que

Contudo, do teor dos aludidos documentos (fls. 662, 667, 668, 680, "não há o que se argumentar também quanto à culpa in eligendo e

687, 688, 692, 693, 699, 701, 708, 753,754 758 e 759) extrai-se in vigilando, posto que a reclamada sempre adimpliu correta e

claramente que o limite horário fixado na Lei 11.901/2009 não foi tempestivamente todas as verbas decorrentes do contrato de

observado pela empresa, pois o autor, além de laborar mais de três trabalho em apreço, não havendo nenhuma diferença

dias em semanas alternadas, chegou a ter folga inferior a 36 horas remanescente", e que "se algum direito laboral for ferido, a

em períodos em que foi designado para postos de trabalho contestante, concessa vênia, nada tem a ver com isso, visto ter

simultâneos (a título exemplificativo, reporto-me às folhas de ponto tomado todos os cuidados exigidos por lei. Assim, não há

do mês de fevereiro/2019 - fls. 667 e 668). autorização legal, culpa e muito menos nexo de causalidade para

Assim, uma vez comprovada a extrapolação do limite horário legal sua improvável responsabilização, seja a que título for".

da categoria, faz jus o autor ao pagamento de horas extras. À análise.

Por outro lado, à exceção do recibo de pagamento mencionado na Das teses das defesas e da prova documental coligida aos autos

r. sentença, inexiste qualquer outro documento nos autos tendente constata-se incontroverso que o autor foi empregado da primeira

a evidenciar que a ora recorrente teria pago horas extras. reclamada, na função de Bombeiro Civil, prestando serviços para o

Logo, apenas os valores ali consignados é que devem ser objeto de segundo reclamado e à terceira reclamada, como, aliás, também foi

compensação. registrado na ata de audiência realizada em 18/02/2020 (ID.

Destaque-se, por oportuno, que a teor do que se depreende do e002e99 Pág. 1 - fl. 760), quando em depoimento o reclamante

aludido recibo, a reclamada pagou apenas pelos "plantões extras" disse que "foi contratado para cobrir férias dos vigilantes lotados na

trabalhados pelo autor e não pelas horas extras decorrentes da 2º reclamado(a)"; que "durante o período em que estava lotado no

extrapolação da jornada, sendo, assim, irrefutável a existência de 2º reclamado(a) prestou serviços na condição de substituição de

diferenças em favor do obreiro. colegas em vários outros tomadores" e que "depois que saiu do

Assim sendo, nego provimento ao apelo da primeira ré. BACEN foi trabalhar fixo na 3ª reclamado(s)", sendo tais assertivas

confirmadas pelo preposto da primeira reclamada ao afirmar que "o

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. LIMITAÇÃO DA reclamante era folguista e trabalhou em vários postos em que a

CONDENAÇÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. JUROS DE MORA. reclamado(s) fornecia mão de obra". Logo, afigura-se plausível a

(RECURSO DO SEGUNDO RECLAMADO) tese obreira no que se refere à responsabilidade subsidiária das

Eis os termos da decisão no tocante aos temas destacados em tomadoras de serviços.

epígrafe: No caso, embora não comprovada a pessoalidade e a subordinação

"9 - DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA jurídica do obreiro em relação ao segundo e à terceira

Pede o reclamante que a autarquia federal e a terceira reclamada reclamados(as), tem-se evidenciado que o BACEN e Esho Empresa

sejam declaradas subsidiariamente responsáveis pela condenação de Serviços Hospitalares foram beneficiados pelos serviços

imposta à primeira reclamada. prestados pelo reclamante, revelando-se caracterizada a

O segundo reclamado não nega a contratação da primeira responsabilidade subsidiária das referidas reclamadas,

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notadamente diante da mais recente tese firmada pelo plenário do provido.(Recurso Ordinário nº 0001379-19.2017.5.10.0020, Redator

Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 958252/MG, Desembargador João Amilcar Silva e Souza Pavan, Segunda

Tema 725, no qual foi reconhecida a repercussão geral, fixando a Turma, Data de Julgamento: 29/01/2020, Data de Publicação:

tese segundo a qual "é lícita a terceirização ou qualquer outra forma 13/02/2020)

de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTIDADES PRIVADAS.

independentemente do objeto social das empresas envolvidas, ADPF 324 E RE 958.252. ENTENDIMENTO DO STF. No

mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante", julgamento da ADPF 324 e do RE 958.252, o Supremo Tribunal

como consta do inteiro teor do acórdão houve publicado no DJE de Federal definiu os novos rumos da jurisprudência em relação à

13/09/2019. terceirização. De acordo com esse novo entendimento, cabe à

Nesse sentido, tem-se os seguintes julgados do TRT da 10ª Região: empresa contratante de serviços terceirizados: 1) verificar a

RECURSO DO RECLAMANTE. RESPONSABILIDADE idoneidade e a capacidade econômica da contratada; e 2)

SUBSIDIÁRIA. ENTE PÚBLICO. O E. Supremo Tribunal Federal, no responder pelo descumprimento das normas trabalhistas e das

julgamento da ADC 16/DF, assentou que, de fato, segundo os obrigações previdenciárias. Assim, à luz da jurisprudência do STF,

termos do art. 71, §1º, da Lei 8.666/1993, a mera inadimplência do conclui-se que o inadimplemento das obrigações trabalhistas por

contratado não autoriza seja transferida à Administração Pública a parte da empresa terceirizada acarreta a responsabilização

responsabilidade pelo pagamento dos encargos trabalhistas, a subsidiária da empresa contratante. (Recurso Ordinário nº 0001524-

vedar irrestrita aplicação da Súmula 331, IV, V e VI, do TST. 96.2017.5.10.0013, Redator Desembargador Dorival Borges de

Entretanto, também reconheceu expressamente, no julgamento da Souza Neto, Primeira Turma, Data de Julgamento: 12/02/2020, Data

mesma ADC 16/DF, que referido preceito normativo não obsta o de Publicação: 17/02/2020)

reconhecimento dessa responsabilidade em virtude de eventual Desse modo, defiro a pretensão descrita na alínea "d" dos pedidos

omissão da Administração Pública no dever - que impõem os arts. iniciais e declaro a responsabilidade subsidiária do segundo

58, III, e 67 da Lei 8.666/1993 - de fiscalizar as obrigações do reclamado e da terceira reclamada para responderem por eventual

contratado, caso que ocorreu nestes autos. O Exc. Supremo inadimplemento da condenação imposta à primeira reclamada na

Tribunal Federal, no julgamento da ADPF 324 e RE 958252, em presente sentença.

30/08/2018, a despeito de reconhecer a licitude da terceirização dos No que concerne à alegação do benefício de ordem, a demandar

serviços, fixou entendimento em relação à manutenção da primeiramente a desconsideração da personalidade jurídica da

responsabilidade subsidiária da empresa contratante (certidão do devedora principal, bem como em relação aos limites da

RE 958252: "É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de condenação, inclusive em multas, julgo improcedentes tais pleitos

divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, da autarquia federal e da terceira reclamada, porquanto contrários

independentemente do objeto social das empresas envolvidas, ao entendimento da jurisprudência consolidada no Tribunal

mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante"). Regional do Trabalho da 10ª Região, a teor dos seguintes julgados:

(Recurso Ordinário nº 0001595-25.2018.5.10.0802, Redator NOVA REDAÇÃO DO VERBETE Nº 37/2008 DO TRT DA 10ª

Desembargador José Leone Cordeiro Leite, Terceira Turma, Data REGIÃO. "EXECUÇÃO. RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO.

de Julgamento: 29/01/2019, Data de Publicação: 20/02/2020) BENEFÍCIO DE ORDEM. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO

TERCEIRIZAÇÃO. LICITUDE. RESPONSABILIDADE. DA VIA EXECUTIVA EM RELAÇÃO AOS SÓCIOS DA EMPRESA

SUBSIDIÁRIA. Segundo a dicção do STF, "É lícita a terceirização EXECUTADA. Frustradas as medidas constritivas contra a

ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas devedora principal, é lícito o redirecionamento da execução contra a

jurídicas distintas, independentemente do objeto social das devedora subsidiária, independentemente de tentativa

empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da expropriatória em relação aos sócios da empregadora." (Publicado

empresa contratante" (RE 958.252, ac. Tribunal Pleno, Rel. Min. no DEJT DE 5.12.2008. Alteração disponibilizada no DEJT dos dias

Luiz Fux, julgado em 30/08/2018). Assim, evidenciado o 14, 15 e 16/3/2017). (Recurso Ordinário nº 0001524-

aproveitamento do trabalho do empregado, pelo tomador dos 96.2017.5.10.0013, Redator Desembargador Dorival Borges de

serviços, este responde subsidiariamente pelos créditos Souza Neto, Primeira Turma, Data de Julgamento: 12/02/2020, Data

reconhecidos em seu favor, mesmo porque demonstrada sua culpa de Publicação: 17/02/2020)

in vigilando das obrigações trabalhistas devidas àquele. Incidência RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ADMINISTRAÇÃO

da Súmula 331, item IV, do TST. Recurso conhecido e parcialmente PÚBLICA. 1. Na dicção da d. maioria, está evidenciada a culpa do

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tomador dos serviços em hipóteses nas quais não há o pagamento 19/02/2020)

integral, por parte do efetivo empregador, de todas as parcelas JUROS DE MORA. FAZENDA PÚBLICA. ART. 1.º-F LEI 9.494/97.

devidas à obreira. Ressalva de ponto de vista do Relator. 2. CONDENAÇÃO SUBSIDIÁRIA. INAPLICABILIDADE. Nas

"Frustradas as medidas constritivas contra a devedora principal, é condenações subsidiárias da Fazenda Pública na condição de

lícito o redirecionamento da execução contra a devedora responsável pela quitação das obrigações pecuniárias trabalhistas

subsidiária, independentemente de tentativa expropriatória em inadimplidas pelo empregador, a taxa de juros aplicável é aquela

relação aos sócios da empregadora." (Verbete 37 do TRT/10ª prevista no art. 39, §1º, da Lei 8.177/91. Incidência da diretriz

Região) (Recurso Ordinário nº 0002564-40.2018.5.10.0802, Redator traçada na Orientação Jurisprudencial 382 da SBDI-I do col. TST.

Desembargador João Amilcar Silva e Souza, Segunda Turma, Data (Recurso Ordinário nº 0000231-20.2019.5.10.0014, relator Juiz

de Julgamento: 27/11/2019, Data de Publicação: 04/12/2019) convocado Gilberto Augusto Leitão Martins, Primeira Turma, Data

LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. A responsabilidade subsidiária de Julgamento: 19/02 /2020, Data de Publicação: 27/02/2020)

abrange todas as parcelas pecuniárias devidas à reclamante Desse modo, indefiro os citados requerimentos formulados nas

(Verbete 11/2004 do TRT/10ª Região e inciso VI da Súmula contestações do Banco Central do Brasil e da terceira reclamada."

331/TST). (Recurso Ordinário nº 0000999- 07.2019.5.10.0802, (fls. 772/775)

Redatora Desembargadora Elke Doris Just, Segunda Turma, Data

de Julgamento: 19/02/2020, Data de Publicação: 27/02/2020) Contra tal decisão insurge-se a autarquia ré, reafirmando a

LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. MULTAS. A responsabilidade impossibilidade de responder pelos créditos trabalhistas deferidos

subsidiária da segunda Reclamada abarca todas as verbas nesta reclamatória.Sustenta que a condenação imposta encontra

relacionadas ao extinto contrato de trabalho, visto que todas as óbice no art. 71 da Lei 8.666/93, que isenta a Administração Pública

lesões ao patrimônio do Empregado praticadas pela ex- de responsabilidade pelo cumprimento das obrigações trabalhistas

empregadora merecem ser reparadas suficientes para elidir a e cuja constitucionalidade já foi reconhecida pelo Exc. STF. Nega

responsabilidade subsidiária as teses invocadas no recurso. tenha atuado com culpa na fiscalização do contrato de terceirização

(Recurso Ordinário nº 0000389-97.2018.5.10.0018, Redator e afirma que incumbe à reclamante demonstrar a falha/omissão da

Desembargador José Leone Cordeiro Leite, Terceira Turma, Data Administração Pública. Acusa contrariedade ao item V da Súmula nº

de Julgamento: 04/12/2019, Data de Publicação: 06/12/2019) 331 do TST, afirmando que o obreiro não produziu prova concreta

No que diz respeito ao requerimento da autarquia federal (BACEN) da atuação culposa do Poder Público na fiscalização do contrato

quanto ao juros de mora aplicáveis à Fazenda Pública, na forma do administrativo, nos moldes preconizados pelo STF no julgamento da

artigo 1º-F da Lei nº9.494/1997, julgo igualmente improcedente o ADC nº 16. Invoca, assim, violação aos artigos 71, § 1º, da Lei

pleito, porquanto destoante da Orientação Jurisprudencial nº 382 da 8.666/93; 28, parágrafo único, da Lei 9.868/1999; 818 da CLT; 373,

SBDI-I do Tribunal Superior do Trabalho, no sentido de que "a I, do CPC; 186 do Código Civil; 37,caput, inciso XXI, e§6º, e 102,

Fazenda Pública, quando condenada subsidiariamente pelas §2º, da Constituição Federal e acusa descumprimento da decisão

obrigações trabalhistas devidas pela empregadora principal, não se proferida pelo STF na ADC nº 16/STF. Renova, outrossim, a

beneficia da limitação dos juros, prevista no art. 1º-F da Lei nº pretensão de que a execução direcione-se primeiramente aos

9.494, de 10.09.1997". sócios da primeira reclamada e, bem assim, de que os juros de

De igual modo, nota-se que tal postulação da autarquia federal mora observem os ditames do art. 1º-F da Lei n. 9.494, de

revela-se também contrária ao entendimento que tem sido 1997,com a alteração conferida pela Lei n. 11.960, de 2009, na

prevalecente no TRT da 10ª Região, conforme se verifica dos forma preconizada na OJ-TP-7 do Col. TST. Por fim, sustenta a

seguintes julgados: impossibilidade de responder pelas multas dos arts. 467 e 477 da

JUROS DE MORA. Na hipótese dos autos, não poderá ser aplicado CLT, sustentando "1) não se encontram referidas em nenhum

o percentual de juros de mora, nos termos do previsto no artigo 1º-F momento na Súmula 331 do TST; 2) não se referem ao período da

da Lei da Lei nº 9.494, de 10.09.1997, visto que nos casos de prestação laboral (parte final do item VI do verbete); 3) sua

responsabilidade subsidiária não existe a possibilidade de limitação manutenção torna a responsabilidade da Administração objetiva ou

dos juros, na forma da Orientação Jurisprudencial n.º 382 da SDI-1 sem nexo causal (violação ao item V do verbete); 4) a exegese

da SBDI-1. (Recurso Ordinário nº 0000999-07.2019.5.10.0802, contrária implica em agressão ao parágrafo único do art. 467 da

Redatora Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Santos, Terceira CLT e do art. 48 do CPC, bem como ao disposto nos incisos LIV e

Turma, Data de Julgamento: 12 /02/2020, Data de Publicação: XXXV do art. 5º da CRFB" (fl. 800).

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A discussão afeta à possibilidade de responsabilizar-se o ente da II, da CF, mas apenas o reconhecimento judicial das consequências

Administração Pública Indireta, enquanto tomador dos serviços, lesivas do negócio jurídico constituído com a participação direta da

pelas obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços há empresa tomadora, cuja conduta culposa, seja pela ausência de

muito encontra-se superada no âmbito da jurisprudência vigilância das atividades empresariais da prestadora, seja pela má

consolidada do Colendo TST (Res. 96/2000), que já havia alterado eleição do outro contratante, são suficientes para justificar a

a redação do inciso IV da Súmula nº 331, para dispor que: "O apenação subsidiária proclamada, com já decidido, de modo

inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do reiterado, pelos tribunais do trabalho. Como exposto, a

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos responsabilização subsidiárias de entidades jurídicas de direito

serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos público, tal como tratada no En. 331, IV, da Súmula do C. TST, não

da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, foi construída com absoluto desprezo ao preceito da Lei nº

das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde 8.666/93, igualmente não havendo, na interpretação e aplicação das

que hajam participado da relação processual e constem também do regras positivas, afronta ao postulado da separação dos Poderes.

título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993)".

Importante observar que reconhecer a responsabilidade subsidiária Daí porque sempre entende-se despiciendo perquirir acerca da

do ente público, em conformidade com o entendimento firmado pelo inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.

Col. TST com relação ao tema, não implica negar vigência ao art. Oportuno salientar que o fato de o artigo 37, § 6º, de nossa Carta

71 da Lei nº 8.666/93, mas, sim, em interpretá-lo à luz dos princípios Magna, imputar responsabilidade objetiva à Administração ao

que norteiam o ordenamento jurídico. estabelecer a obrigação de indenizar toda vez que seus atos

De fato, esta Justiça Especializada buscou, dentro de sua causarem danos a terceiro não obsta também se atribua aos entes

competência, definir o sentido da norma em análise, confrontando-a públicos a responsabilidade de responder pelos danos causados

como todo o sistema normativo pátrio, de molde a extrair-lhe o por terceiros que ela própria contratou, desde que caracterizada a

sentido que mais se coaduna com todo o conjunto de normas e culpa in eligendo e in vigilando pelo eventual inadimplemento do

princípios fundamentais que orientam o Estado brasileiro e o crédito trabalhista assumido em contratos de prestação de serviços

funcionamento da Administração Pública, em especial o princípio da terceirizados. Em outras palavras, a atribuição de responsabilidade

valorização social do trabalho. objetiva à Administração Pública pelo Texto Constitucional não

Não é demais lembrar que os valores sociais do trabalho se erigem afasta a possibilidade de responsabilizar-se a Administração com

como um dos princípios basilares do ordenamento pátrio, sendo base na culpa subjetiva, como, de resto, resultou estabelecido pelo

inclusive prestigiados pela própria Constituição da República em Col. TST ao modificar os termos da Súmula nº 331.

seu art. 1º, IV, devendo o aplicador do direito, ao interpretar a norma Com efeito, a obrigação de fiscalizar a execução dos contratos de

no caso concreto, harmonizá-la com este princípio. prestação de serviços firmados pela Administração Pública encontra

Em tal contexto, o que se verifica é que a Lei nº 8.666/93, a toda -se assentada sob os arts. 58, III, e 67 da Lei nº 8.666/93, e sua

evidência, visou impedir que, na ocorrência de inadimplemento do inobservância pelo ente público enseja a responsabilização por

empregador, a Administração Pública fosse considerada culpa in vigilando, impondo-se a responsabilização subsidiária

diretamente responsável pelos encargos trabalhistas inadimplidos, (artigos 186 e 927 do Código Civil).

não se extraindo de seu artigo 71 qualquer vedação à Trata-se apenas de atribuir responsabilidade a quem causa dano ou

responsabilidade subsidiária do ente público naqueles casos. contribui para a sua ocorrência.

A incompatibilidade entre a literalidade da norma em discussão e a Não há falar, portanto, em violação do art. 97 da Constituição

jurisprudência sumulada do Col. TST, portanto, é tão somente Federal, pois, repita-se, não se trata de declarar a

aparente, como bem explicitou o Exmo. Des. Douglas Alencar inconstitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, mas

Rodrigues, por ocasião do julgamento do Processo RO 01260-2001- apenas de definir o real alcance da norma inscrita no citado

010-10-00-4, cujo acórdão foi publicado em 29.11.2002: dispositivo com base na interpretação sistemática.

Ainda no que concerne ao art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93, Nesse ponto, convém ressaltar que o Excelso Supremo Tribunal

consideramos que a postura adotada pela mais alta corte Federal, a par de haver, em sessão plenária realizada no dia

jurisdicional trabalhista prestigiou a interpretação conforme à 24.11.2010, nos autos do ADC 16/DF, rel. Ministro Cezar Peluso,

Constituição, apesar de aparentemente contrária à própria por maioria de votos, concluído pela constitucionalidade do artigo 71

literalidade do preceito infraconstitucional. Não há ofensa ao art. 5º, e seu parágrafo único da Lei 8.666/1993, também reconheceu, na

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

mesma assentada, que isso não significaria que eventual omissão apenas em casos excepcionais, sendo inadmissível a presunção da

da Administração Pública, na obrigação de fiscalizar as obrigações culpa em razão do simples inadimplemento de verbas trabalhistas

do contratado, não viesse a gerar essa responsabilidade pela contratada.

(Informativo 610/STF). Com relação ao ônus da prova, não se pode olvidar que ao

Tanto assim que a Colenda Corte Superior Trabalhista, clarificando reclamante incumbe a prova dos fatos constitutivos do direito

a questão, promoveu alteração nos termos da Súmula nº 331 (Res. perseguido, cabendo à reclamada a prova dos fatos extintivos,

174/2011), a qual, no aspecto em discussão, passou a ostentar a modificativos e impeditivos do direito alegado, conforme previsto

seguinte redação: pelo art. 373 do Código de Processo Civil.

SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Tratando-se de fato constitutivo do direito, incumbe ao reclamante

LEGALIDADE demonstrar, de forma específica e bem delimitada, os elementos da

I - omissis responsabilidade civil, quais sejam, o dano, a conduta ilícita, o nexo

II - omissis de causalidade e a culpa atribuída ao ente público, conforme

III - omissis disposto pelos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil.

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do Sobre tal questão, a Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do RE

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos 760.931/DF, assentou que: "a alegada ausência de comprovação,

serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado em juízo, pela União, da efetiva fiscalização do contrato

da relação processual e constem também do título executivo administrativo não substitui a necessidade de 'prova taxativa do

judicial. nexo de causalidade entre a conduta da Administração e o dano

V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta sofrido pelo trabalhador'".

respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, O Ministro Luiz Fux, em decisão proferida na Reclamação

caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das 28.272/MG, por sua vez, explicitou que:

obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do "Resta imprescindível a prova categórica do nexo de causalidade

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de entre a conduta culposa da Administração e o dano sofrido pelo

serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre trabalhador. Sem essa prova, subsiste a presunção de legitimidade

de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas do ato administrativo, eximindo-se o Ente Público da

pela empresa regularmente contratada. responsabilidade por obrigações trabalhistas de empregados das

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange empresas prestadoras de serviços.

todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período Com efeito, para Celso Antônio Bandeira de Mello, ´presunção de

da prestação laboral. legitimidade é a qualidade, que reveste tais atos (administrativos),

de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em

Assim, sob a ótica da mais recente diretriz traçada pelo Col. TST, contrário' (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros,

faz-se imprescindível verificar se o ente público deixou ou não de 31ª Edição, 2014, p.423).

diligenciar com relação ao cumprimento das obrigações contratuais Daí decorre a presunção de que a Administração agiu em

da empresa terceirizada, de molde a atrair, para si, as conformidade com seu dever legal de fiscalizar o contrato - e não o

consequências a que alude a Súmula 331/TST. Com efeito, a contrário -, transferindo-se, consequentemente, ao empregado o

simples observância pelo ente público dos procedimentos licitatórios ônus de comprovar a culpa na conduta administrativa"(Rcl 28272,

previstos em lei para a contratação da prestadora de serviços não o Dje 04/10/2017)."

exime de responder subsidiariamente pelos créditos eventualmente

inadimplidos. Assentada tal premissa - a da presunção de legitimidade do ato

Assinale-se que o STF, na decisão prolatada no RE nº 760.931, administrativo - mais se avulta que o ônus de prova pertence ao

confirmou o entendimento adotado na referida ADC nº 16, reclamante quanto à presença dos requisitos inerentes à

reafirmando a impossibilidade de responsabilizar-se caracterização da responsabilidade civil. Inadmitida a presunção de

automaticamente a Administração Pública, só cabendo sua culpa, exige-se a clara e específica demonstração da conduta

condenação se houver prova inequívoca de conduta culposa na omissiva ou comissiva do ente público tomador de serviços, bem

fiscalização dos contratos. Nesses termos, conforme definido pela como a prova do nexo causal entre a conduta culposa da

Corte Suprema, a Administração Pública pode ser responsabilizada Administração Pública no cumprimento de seu dever de fiscalização

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do contrato de prestação de serviços e o inadimplemento da em repercussão geral, é no sentido de que a Administração Pública

contratada, não se admitindo, como regra, a inversão do ônus pode ser responsabilizada pelos débitos trabalhistas da prestadora

probatório em favor do reclamante. apenas em casos excepcionais, quando demonstrado pelo

Registre-se que a obrigação fiscalizatória imposta ao Poder Público reclamante, de forma cabal e específica, o nexo de causalidade

é obrigação de meio, e não de resultado, admitindo-se, inclusive, a entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do

prova de fiscalização por amostragem. Em outras palavras, a tão só ente público no tocante à fiscalização do cumprimento da legislação

prática de irregularidades pontuais pela contratada durante o trabalhista pela empresa contratada. II. No caso, na decisão ora

contrato de trabalho não é suficiente para imputar responsabilidade agravada, o recurso de revista foi conhecido e provido para afastar

ao ente público, pois não se pode exigir que este aja como a responsabilidade subsidiária, tendo em vista que a Corte Regional

empregador ou executor direto do contrato de prestação de não mencionou os elementos probatórios que pudessem atrair o

serviços. dever de responsabilidade subsidiária do ente público. III. Logo, é

Nesse aspecto, o Ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do inviável o provimento do agravo interno em que se postula a adoção

RE 760.931/DF, bem assinalou que: de entendimento dissonante do quanto decidido pelo Supremo

"O Supremo Tribunal Federal fixou, na ADC 16, que a mera Tribunal Federal. IV. Agravo interno de que se conhece e a que se

inadimplência não pode converter a Administração Pública em nega provimento. (TST - Ag-RR: 10029374420165020609, Relator:

responsável por verbas trabalhistas, decidindo que não é todo e Evandro Pereira Valadão Lopes, Data de Julgamento: 02/10/2019,

qualquer episódio de atraso na quitação de verbas trabalhistas que 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2019)

pode ser imputado subsidiariamente ao Poder Público, mas só AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE

aqueles que tenham se reiterado com a conivência comissiva ou SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS

omissiva do Estado. Não me parece que seja automaticamente SERVIÇOS. Demonstrada possível contrariedade à Súmula 331, V,

dedutível, da conclusão deste julgamento, um dever estatal de do c. TST, deve ser provido o agravo de instrumento. Agravo de

fiscalização do pagamento de toda e qualquer parcela, rubrica por instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para

rubrica, verba por verba, devida aos trabalhadores. O que pode determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE

induzir à responsabilização do Poder Público é a comprovação de REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA

um comportamento sistematicamente negligente em relação aos ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS SERVIÇOS.

terceirizados; ou seja, a necessidade de prova do nexo de CONDENAÇÃO PELO MERO INADIMPLEMENTO. No julgamento

causalidade entre a conduta comissiva ou omissiva do Poder da ADC 16/DF, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é

Público e o dano sofrido pelo trabalhador. Se não houver essa constitucional e que isso não impede a responsabilização

fixação expressa, clara e taxativa por esta Corte, estaremos subsidiária da Administração Pública, desde que caracterizada a

possibilitando, novamente, outras interpretações que acabem por culpa in vigilando. No caso, a responsabilidade subsidiária da

afastar o entendimento definitivo sobre a responsabilização da Reclamada foi reconhecida de forma genérica, sem que tivesse sido

Administração Pública nas terceirizações, com a possibilidade de atribuída e demonstrada a sua negligência no tocante à fiscalização

novas condenações do Estado por mero inadimplemento e, da prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações

consequentemente a manutenção do desrespeito à decisão desta trabalhistas. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá

Corte na ADC 16". provimento. (TST - RR: 117997620165030032, Data de Julgamento:

27/03/2019, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019)

Nessa mesma linha, colhem-se os seguintes arestos do C. TST: AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA.

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO

REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. PÚBLICA. MUNICÍPIO. I. A Corte Regional cominou ao Município

TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE litisconsorte o ônus de comprovar a fiscalização efetiva do contrato

SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ÔNUS DA PROVA de trabalho. II. Consignou que o ente federativo não se desincumbiu

QUANTO À FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA do encargo de evidenciar que adotou as precauções para impedir o

LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PELA PRESTADORA. DECISÃO DO inadimplemento da empresa interposta em relação aos obreiros

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. I. desta. III. O Supremo Tribunal Federal decidiu tratar-se de ônus do

Na hipótese de terceirização de serviços, o entendimento firmado Reclamante a comprovação de que a ausência ou a precariedade

pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 760931/DF, da fiscalização do contrato de trabalho pela tomadora foram

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corresponsáveis ou propiciadoras do inadimplemento de seus Alvorada).

direitos trabalhistas. IV. O acórdão regional contradiz o A par de o teor da aludida documentação não ter sido impugnado

entendimento do STF em relação à responsabilidade subsidiária da em réplica, o obreiro, ao depor em juízo, informou:

Administração Pública. V. Agravo interno de que se conhece e a "A escala de trabalho era elaborada pela 1º reclamado(a). O

que se nega provimento. (TST - Ag-RR: 101710820155010076, depoente foi contratado para cobrir férias dos vigilantes lotados na

Data de Julgamento: 26/06/2019, Data de Publicação: DEJT 2º reclamado(a). Durante o período em que estava lotado no 2º

01/07/2019) (O grifo é meu) reclamado(a) prestou serviços na condição de substituição de

RECURSO DE REVISTA . INVERSÃO DA ORDEM DE colegas em vários outros tomadores. Depois que saiu do BACEN foi

JULGAMENTO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA trabalhar fixo na 3a reclamado(s). Quando cobria férias recebia

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. No julgamento da ADC 16/DF, o STF somente o salário." (fl. 760)

decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é constitucional e que

isso não impede a responsabilização subsidiária de ente público, Assim, de plano, verifica-se que a responsabilidade imputada ao

desde que caracterizada a culpa in vigilando. No caso, a segundo réu deve alcançar apenasas verbas trabalhistas

responsabilidade subsidiária do reclamado foi reconhecida de forma devidas até o mês de fevereiro/2018.

genérica sem que tivesse sido atribuída e demonstrada a sua É o que se infere, a contrario sensu, do seguinte precedente do Col.

negligência no tocante à fiscalização da prestadora de serviços TST:

quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Recurso de "I. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

Revista de que se conhece e a que se dá provimento. AGRAVO DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. MULTIPLICIDADE DE

INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - FALTA DE EMPRESAS NA QUALIDADE DE TOMADORAS DOS SERVIÇOS.

PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. Diante do FOLGUISTA DE PORTEIRO. AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO , NA

conhecimento e provimento do recurso de revista do reclamado PETIÇÃO INICIAL, DO PERÍODO EM QUE O RECLAMANTE

para excluir a sua responsabilidade subsidiária, fica prejudicado o PRESTOU SERVIÇOS PARA CADA UMA DAS TOMADORAS.

exame do agravo de instrumento que versa sobre matérias SÚMULA 331, IV, DO TST. Hipótese em que as terceira, quarta e

consectárias da responsabilidade afastada. (TST - ARR: quinta Reclamadas, ao contestarem a ação trabalhista, na

206973220155040761, Data de Julgamento: 08/05/2019, Data de qualidade de Tomadoras dos serviços, embora tenham admitido a

Publicação: DEJT 10/05/2019) terceirização e a apropriação dos resultados da mão de obra

fornecida pelo Reclamante, apresentaram fato impeditivo, atraindo

No entanto, observo que a SDI-1 decidiu, no dia 12/12/2019, no para si o ônus da prova, nos termos do artigo 333, II, do CPC.

bojo do processo nº E-RR 925-07.2016.5.05.0281, que a tese fixada Nesse cenário, impõe-se o processamento do recurso de revista,

felo e. STF, nos autos do RE nº 791.931, não teria realizado a para melhor exame . Agravo de instrumento provido. II. RECURSO

transferência automática do ônus da prova ao trabalhador DE REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA.

envolvido. Assim, destacando a necessidade de que seja observado MULTIPLICIDADE DE EMPRESAS NA QUALIDADE DE

o princípio da inversão dinâmica do ônus da prova, estabeleceu que TOMADORAS DOS SERVIÇOS. FOLGUISTA DE PORTEIRO.

o ônus da prova recai sobre o tomador de serviços, o qual tem AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO, NA PETIÇÃO INICIAL, DO PERÍODO

obrigação legal de fiscalizar a execução do contrato. EM QUE O RECLAMANTE PRESTOU SERVIÇOS PARA CADA

Em tal perspectiva, ressalvo meu entendimento pessoal acerca da UMA DAS TOMADORAS. SÚMULA 331, IV, DO TST. O Tribunal

questão e curvo-me ao entendimento majoritário do col. TST quanto Regional consignou que o Reclamante não indicou, de forma

à matéria. individualizada, o período em que prestou serviços para cada uma

Passo então à análise do contexto probatório no caso em exame. das Empresas Tomadoras, circunstância que impediu a análise da

De plano, observo que a autarquia recorrente, em defesa, alegou responsabilidade subsidiária pretendida. Todavia, as terceira, quarta

que o obreiro prestou serviços em suas dependências apenas de e quinta Reclamadas, ao contestarem a ação trabalhista, na

julho/2018 (quando admitido) até março/2019. qualidade de Tomadoras dos serviços, embora tenham admitido a

A prova dos autos corrobora tal informação. terceirização e a apropriação dos resultados da mão de obra

As folhas de ponto e escalas de serviço apresentadas pela 1ª fornecida pelo Reclamante, fato constitutivo da pretensão deduzida

reclamada revelam que a partir de março/2019 (inclusive) o obreiro na petição inicial, apresentaram fato impeditivo, atraindo para si o

prestou serviços exclusivamente em favor da 3ª reclamada (Hospital ônus da prova, nos termos do artigo 333, II, do CPC. De acordo

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com o princípio da aptidão para a prova, o ônus de comprovar o

período de efetivo labor em seu favor caberia às Tomadoras. Dele Por fim, pontuo que a questão afeta ao percentual de juros de mora

não se desincumbindo, devem responder subsidiariamente por todo aplicável à Fazenda Pública, na hipótese de condenação

o período do contrato de trabalho, observado o limite imposto pela subsidiária, já se encontra pacificada no âmbito desta Justiça

petição inicial. Contrariedade à Súmula 331, IV, do TST, Especializada, nos termos da OJ n.º 382 da SBDI-1 do C. TST, in

caracterizada. Recurso de revista conhecido e provido" (RR-185600 verbis:

-98.2006.5.02.0262, 7ª Turma, Relator Ministro Douglas Alencar JUROS DE MORA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494, DE 10.09.1997.

Rodrigues, DEJT 19/06/2015)." INAPLICABILIDADE À FAZENDA PÚBLICA QUANDO

CONDENADA SUBSIDIARIAMENTE. (DEJT divulgado em 19, 20 e

Posto isso, observo que a prova documental atesta claramente que 22.04.2010)

houve falha na fiscalização do contrato de serviços. A Fazenda Pública, quando condenada subsidiariamente pelas

O recorrente, em sua contestação, alega que fiscalizou o contrato, obrigações trabalhistas devidas pela empregadora principal, não se

exigindo que a primeira reclamada apresentasse os comprovantes beneficia da limitação dos juros, prevista no art. 1º-F da Lei nº

de pagamento do período em que o obreiro atuou em seu favor. 9.494, de 10.09.1997..

Contudo, como visto acima, os contracheques não consignam o

pagamento de nenhuma das horas extras assinaladas nas folhas de Ressalte-se que a Lei 11.960, de 29.06.2009, ao alterar a redação

ponto atinentes ao período - cabendo destacar que as horas extras do art. 1º-F da Lei nº 9494/97 para fins de dispor que "Nas

não decorrem apenas do labor em dois postos de serviço condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de

simultâneos, mas também da inobservância do limite de plantões sua natureza e para fins de atualização monetária, remuneração do

semanais. capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única vez,

O recorrente, portanto, foi omisso e negligente no cumprimento do até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica

seu dever de fiscalização, cabendo destacar que o reconhecimento e juros aplicados à caderneta de poupança", buscou apenas

da existência de horas impagas em favor do obreiro revela uniformizar a atualização monetária e juros incidentes sobre as

claramente que o BACEN, por sua conduta culposa, contribuiu para condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, sem promover

a violação dos direitos trabalhistas do reclamante. qualquer alteração na situação jurídica da responsável subsidiária.

Destarte, não logrando o recorrente desincumbir-se de seu ônus Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para declarar

probatório, deve responder subsidiariamente pelos débitos que a responsabilidade subsidiária do segundo reclamado alcança

inadimplidos pela empregadora no período em que o obreiro tão somente as verbas trabalhistas devidas até o fim de

prestou-lhe serviços. fevereiro/2019.

Prosseguindo no exame do recurso, assinalo que o direito de o

devedor subsidiário de ver, primeiramente, excutidos os bens do HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO AJUIZADA APÓS A

devedor principal, não impõe que se persiga indefinidamente bens VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017 (RECURSO DO SEGUNDO

do devedor principal ou de seus sócios antes de se direcionar a RECLAMADO)

execução ao responsável subsidiário. A jurisprudência deste Reafirma o recorrente a impossibilidade de se deferir honorários

Regional é pacífica nesse sentido: advocatícios no caso, pela não configuração das hipóteses

"VERBETE Nº 37/2008 DO EGRÉGIO TRIBUNAL PLENO previstas na Súmula nº 219/TST e na já cancelada OJ 305 da SDI-

EXECUÇÃO. RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. BENEFÍCIO DE 1. Destaca que o reclamante não se encontra assistido por

ORDEM. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO DA VIA sindicado, nem fez prova de que não possui condições de pagar as

EXECUTIVA EM RELAÇÃO AOS SÓCIOS DA EMPRESA custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua

EXECUTADA família.

Frustradas as medidas constritivas contra a devedora principal, é Cuida-se de ação ajuizada após a vigência da Lei nº 13.467/2017,

lícito o redirecionamento da execução contra a devedora devendo ser observado o regramento específico previsto no art. 791

subsidiária, independentemente de tentativa expropriatória em -A da CLT, que autoriza a condenação em honorários advocatícios

relação aos sócios da empregadora." (Publicado no DEJT DE com base na mera sucumbência.

5.12.2008. Alteração disponibilizada no DEJT dos dias 14, 15 e Nesses termos, nego provimento ao recurso no tópico.

16/3/2017.

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ADVOGADO CRISTIANE DELFINO RODRIGUES


CONCLUSÃO LINS(OAB: 2119/TO)
ADVOGADO MARIELLE COSTA DE SOUSA
Pelo exposto, conheço dos recursos interpostos e, no mérito, nego FERREIRA CAMILO(OAB: 9538/TO)
provimento ao recurso da primeira reclamada e dou provimento RECORRIDO MARIA EMIFRAN BRITO SILVA
ADVOGADO MARIENE COELHO E SILVA(OAB:
parcial ao recurso do segundo reclamado para limitar a condenação 1175/TO)
subsidiária que lhe foi imposta pelo juízo de origem ao mês de ADVOGADO ANA PAULA DE CARVALHO(OAB:
2895/TO)
fevereiro/2019, inclusive. Tudo nos termos da fundamentação.

Mantido o valor arbitrado na origem à condenação. Intimado(s)/Citado(s):

É o meu voto. - MARIA EMIFRAN BRITO SILVA

ACÓRDÃO PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO

Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia


PROCESSO n.º 0000079-66.2020.5.10.0812 - RECURSO
Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima
ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)
Região, em conhecer dos recursos interpostos e, no mérito, negar
RELATOR: DESEMBARGADOR ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO
provimento ao recurso da primeira reclamada e dar provimento
RECORRENTE: MARIA EMIFRAN BRITO SILVA
parcial ao recurso do segundo reclamado para limitar a condenação
ADVOGADO : ANA PAULA DE CARVALHO
subsidiária que lhe foi imposta pelo juízo de origem ao mês de
ADVOGADO : MARIENE COELHO E SILVA
fevereiro/2019, inclusive. Mantido o valor arbitrado à condenação na
RECORRIDA: ANGELINA MARIA DOS SANTOS
origem. Tudo nos termos do voto do Des. Relator e com ressalvas
ADVOGADO : MARIELLE COSTA DE SOUSA FERREIRA CAMILO
do Des. Grijalbo Coutinho.
ADVOGADO : CRISTIANE DELFINO RODRIGUES LINS
Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André


ORIGEM: 2ª Vara do Trabalho de Araguaína - TO
Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique
CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo
Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão;
(JUIZ RENATO VIEIRA DE FARIA)
em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em

gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.

Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho), que


EMENTA
opinou pelo prosseguimento do recurso.

Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

julgamento).
(dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT)

Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno


RELATÓRIO
Relator

Dispensado na forma do artigo 852-I c/c artigo 895, §1º, IV, da CLT.
Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

MARIA APARECIDA FONSECA MATOS


VOTO
Servidor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000079-66.2020.5.10.0812
Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO ADMISSIBILIDADE
RECORRENTE ANGELINA MARIA DOS SANTOS Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do

recurso.

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 85
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provimento, mantendo a sentença pelos próprios fundamentos.

MÉRITO É o meu voto.

O Julgador de origem homologou a desistência da ação, nos

seguintes termos:

"Trata-se de Reclamação Trabalhista ajuizada por ANGELINA ACÓRDÃO

MARIA DOS SANTOS em face de MARIA EMIFRAN BRITO SILVA,

na qual, antes do decurso do prazo para apresentação de defesa,

foi requerida a desistência da ação, hipótese na qual prescindível a Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia

anuência da parte contrária. Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

Assim, homologo a DESISTÊNCIA, para que surta seus jurídicos e Região, em sessão realizada na data e nos termos contidos na

legais efeitos, extinguindo o processo sem resolução do mérito, na respectiva certidão de julgamento, conhecer do recurso interposto

forma do art. 485, VIII, do CPC. e, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo a sentença pelos

Preenchidos os requisitos legais, defiro ao(à) reclamante os próprios fundamentos, nos termos do voto do Relator.

benefícios da Justiça Gratuita e dispenso o recolhimento das Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

custas, no importe de R$241,32 , calculadas sobre o valor dado à dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André

causa R$ R$ 12.066,23. Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique

Retire-se o feito da pauta de audiências. Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão;

Publique-se para ciência das partes. em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em

Após, arquivem os autos definitivamente." (fl. 64). gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.

Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho),

A reclamada, em seu apelo, alega que as partes peticionaram nos que opinou pelo prosseguimento do recurso.

autos requerendo a homologação da renúncia da ação e não da Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

desistência da ação. Requer "o reconhecimento do pedido de julgamento).

RENUNCIA formulado pela recorrida, de conformidade artigo 487,

inciso 3, alínea c do NCPC, decretando a extinção do processo com

Julgamento de mérito." (fls. 70). Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno

Examino. Relator

Para os fins do art. 487, III, do CPC, ocorre renúncia quando, de

forma expressa, o autor abre mão da pretensão de direito material

invocada em juízo, acarretando a extinção do processo com Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

resolução do mérito. Trata-se, portanto, de ato volitivo da parte e

prescinde de anuência da parte adversa, operando efeitos jurídicos MARIA APARECIDA FONSECA MATOS

com a homologação judicial. Servidor de Secretaria

No caso, observo que a reclamante peticionou nos autos às fls. 63 e


Processo Nº RORSum-0000949-32.2019.5.10.0009
requereu "a renúncia da presente ação, o que concorda a parte Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO
requerida" (fl.63).
RECORRENTE GOLD SERVICOS DE
A parte formulou pedido genérico "de renúncia da ação" e, em face MONITORAMENTO E LIMPEZA
EIRELI - EPP
do princípio da irrenunciabilidade de direitos previsto na CLT, está ADVOGADO ALINE TALITA FERNANDES DA
SILVA(OAB: 58826/DF)
correto o julgador originário ao homologar a desistência da ação,
RECORRENTE BANCO CENTRAL DO BRASIL
com anuência da parte contrária, extinguindo o processo sem RECORRIDO WALDIONOR APOLONIO DA SILVA
resolução do mérito, na forma do art. 485, VIII, do CPC. ADVOGADO SEBASTIAO PEREIRA DE
SOUZA(OAB: 20702/DF)
Desse modo, nego provimento ao recurso e mantenho a sentença RECORRIDO GOLD SERVICOS DE
MONITORAMENTO E LIMPEZA
pelos próprios fundamentos. EIRELI - EPP
ADVOGADO ALINE TALITA FERNANDES DA
SILVA(OAB: 58826/DF)
CONCLUSÃO RECORRIDO BANCO CENTRAL DO BRASIL
Isso posto, conheço do recurso interposto e, no mérito, nego-lhe

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 86
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

RECORRIDO ESHO EMPRESA DE SERVICOS


HOSPITALARES S.A. recursos.
ADVOGADO FABIO RIVELLI(OAB: 297608/SP)

Intimado(s)/Citado(s): MÉRITO

- WALDIONOR APOLONIO DA SILVA INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL (RECURSO DO SEGUNDO

RECLAMADO)

Renova o recorrente a preliminar em epígrafe, dizendo que "o

reclamante não tece uma linha sequer em sua petição inicial com o
PODER JUDICIÁRIO
fito de demonstrar eventual conduta omissiva ou comissiva do
JUSTIÇA DO TRABALHO
Banco Central que possa configurar falha na fiscalização do

contrato administrativo firmado com a primeira reclamada" (fl. 786),


PROCESSO n.º 0000949-32.2019.5.10.0009 - RECURSO fato este imprescindível à fundamentação do pedido de
ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886) responsalização subsidiária do ente público tomador dos serviços.
RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da No processo do trabalho, a petição inicial será reputada inepta
Veiga Damasceno quando não atender às exigências do artigo 840, § 1º, da CLT, que

preconiza: "Sendo escrita, a reclamação deverá conter a


RECORRENTE: GOLD SERVICOS DE MONITORAMENTO E designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição
LIMPEZA EIRELI - EPP - CNPJ: 05.020.143/0001-89 dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo,
ADVOGADO: ALINE TALITA FERNANDES DA SILVA - OAB: determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do
DF0058826 reclamante ou de seu representante".
RECORRENTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL - CNPJ: Assim, se dos fatos narrados decorre logicamente o pedido, não há
00.038.166/0001-05 que se falar em inépcia.
RECORRIDOS: OS MESMOS E ESHO EMPRESA DE SERVICOS No caso, o autor relata que prestou serviços em favro do BACEN e
HOSPITALARES S.A. - CNPJ: 29.435.005/0001-29 requer sua responsabilização com amparo na Súmula nº 331 do
ADVOGADO: FABIO RIVELLI - OAB: SP0297608 TST, argumentando que houve culpa in vigilando.
ORIGEM: 9ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA/DF Não há, assim, que se cogitar de inépcia.
CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo Recurso desprovido no particular.
(JUIZ ACELIO RICARDO VALES LEITE)

BOMBEIRO CIVIL. JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS.

(RECURSO DA PRIMEIRA RECLAMADA)


EMENTA O autor, que cumpria jornada de 12x36 horas nos termos previstos

na Lei nº 11.901/09, alega na inicial que a primeira reclamada não

solveu a totalidade das horas extras que eram devidas em


(dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT) decorrência do quantitativo de plantões cumpridos.

A defesa sustenta o correto adimplemento das eventuais horas

extras cumpridas, conforme folhas de ponto e contracheques


RELATÓRIO coligidos aos autos.

O juízo de origem acolheu o pedido obreiro, nos seguintes termos:

"(...)
Dispensado na forma do artigo 852-I c/c artigo 895, §1º, IV, da CLT. Ao exame.

Sem prolegômenos, analisado detidamente os comprovantes de

depósitos bancários e os respectivos contracheques, anexos às fls.


FUNDAMENTAÇÃO 652/653, 654/656, 660 e 651, 663/670, 672/675, 676, 678/679, 681,

684, 685, 690/691, 697/698, 755/756 e 757, não se constata

nenhum valor pago a título de horas extras nos citados recibos de


ADMISSIBILIDADE pagamentos de salários do reclamante, como alegado pela primeira
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço de ambos reclamada. Além disso, em reforço à confirmação da tese obreira,

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 87
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

tem-se um recibo comum, à fl. 659, datado de 16/05/2019, no completamente verificadas pelo Juízo a quo ao sentencia-lo, haja

importe de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais), em que o vista ter se apercebido apenas em um único recibo assinado pelo

autor teria recebido tal valor "referente a plantões extras reclamante, e não observou os outros documentos comprobatórios

trabalhados" nos meses de 10/2018 a 03/2019, sendo devidamente que comprovam o adimplemento total das horas extras." (fls.

assinado pelo reclamante, bem como se nota que em determinados 824/849)

meses foram preenchidas duas folhas de ponto para o mesmo mês, O art. 5° da Lei nº 11.901/09, que regulamenta a profissão de

em uma constando a jornada normal de 12 horas de trabalho por 36 bombeiro civil, estabelece que "A jornada do Bombeiro Civil é de 12

horas de descanso, e na outra apenas "plantões", a exemplo do que (doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) horas de descanso,

se constata quanto aos meses 02/2019 (fls. 667/668), 08/2018 (fls. num total de 36 (trinta e seis) horas semanais".

692/693) e 09/2018 (fls. 687/688). Como se observa, a lei não se limitou a impor a observância do

Logo, cumprido satisfatoriamente o ônus da prova pelo reclamante, regime de 12h x 36h, mas também estabeleceu que, no

na forma prevista no artigo 818, inciso I, da CLT, defiro as horas cumprimento de tal escala de trabalho, há de se observar o limite de

extras pleiteadas na alínea "e3" do rol dos pedidos iniciais, com 36 horas semanais de labor. Assim, pela lei, os bombeiros civis

reflexos dessas horas extras nas verbas rescisórias. devem em tese trabalhar apenas 3 dias por semana, com vistas a

(...) observar o limite imposto pela legislação.

10 - DA COMPENSAÇÃO E/OU DEDUÇÃO Em tal perspectiva, o empregado que se submete ao regime

O reclamante requer "sejam compensados os valores ininterrupto de 12h x 36h, cumprindo uma jornada alternada de 36

eventualmente pagos, "cujo valor é inestimável". A primeira horas trabalhadas em uma semana e 48 horas na subsequente, faz

reclamada também "requer aplicação do instituto da compensação jus à percepção de 12 horas extras em cada semana em que

dos títulos efetivamente pagos, a fim de evitar o enriquecimento ultrapassado o limite horário legal.

sem causa por parte do reclamante". De fato, as folhas de ponto coligidas à defesa não tiveram seu

Ao exame. conteúdo impugnado em réplica, de forma que prevalecem como

Em réplica o reclamante não cuidou de impugnar especificadamente verdadeiras as informações neles contidas alusivas a horário de

o recibo comum anexo à fl. 659, datado de 16/05/2019, no importe trabalho e quantidade de dias laborados.

de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais), que teria sido Contudo, do teor dos aludidos documentos (fls. 662, 667, 668, 680,

recebido pelo autor, "referente a plantões extras trabalhados", nos 687, 688, 692, 693, 699, 701, 708, 753,754 758 e 759) extrai-se

meses de 10/2018 a 03/2019, mas apenas aduz que se trata de claramente que o limite horário fixado na Lei 11.901/2009 não foi

"comprovante de pagamento por fora, proforma, via que na observado pela empresa, pois o autor, além de laborar mais de três

confiança restou assinado, mas não recebeu a totalidade ali dias em semanas alternadas, chegou a ter folga inferior a 36 horas

declinada", e também não cuidou de informar qual teria sido o valor em períodos em que foi designado para postos de trabalho

efetivamente declinada recebido, o que se mostra insatisfatório para simultâneos (a título exemplificativo, reporto-me às folhas de ponto

refutar a veracidade do citado documento. do mês de fevereiro/2019 - fls. 667 e 668).

Nessa medida, autorizo que na liquidação do julgado seja deduzido Assim, uma vez comprovada a extrapolação do limite horário legal

o valor de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) do montante da categoria, faz jus o autor ao pagamento de horas extras.

devido a título horas extras com o acréscimo de 50% (cinquenta por Por outro lado, à exceção do recibo de pagamento mencionado na

cento) e reflexos, a resultar no abatimento de prestações r. sentença, inexiste qualquer outro documento nos autos tendente

trabalhistas já parcialmente adimplidas, como se verifica na a evidenciar que a ora recorrente teria pago horas extras.

presente hipótese." (fls. 768/776) Logo, apenas os valores ali consignados é que devem ser objeto de

compensação.

Inconformada, investe a primeira ré contra a avaliação encetada na Destaque-se, por oportuno, que a teor do que se depreende do

origem. Afirma que a documentação coligida ao feito - e cujo teor aludido recibo, a reclamada pagou apenas pelos "plantões extras"

não foi impugnado pelo autor em réplica - demonstram que apenas trabalhados pelo autor e não pelas horas extras decorrentes da

eventualmente o obreiro suplantou sua jornada legal, sendo extrapolação da jornada, sendo, assim, irrefutável a existência de

devidamente remunerado pelo sobrelabor desenvolvido. Pretende, diferenças em favor do obreiro.

outrossim, seja deferida a compensação de todos "aqueles valores Assim sendo, nego provimento ao apelo da primeira ré.

pagos a título de horas extraordinárias e que não foram

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 88
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. LIMITAÇÃO DA reclamante era folguista e trabalhou em vários postos em que a

CONDENAÇÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. JUROS DE MORA. reclamado(s) fornecia mão de obra". Logo, afigura-se plausível a

(RECURSO DO SEGUNDO RECLAMADO) tese obreira no que se refere à responsabilidade subsidiária das

Eis os termos da decisão no tocante aos temas destacados em tomadoras de serviços.

epígrafe: No caso, embora não comprovada a pessoalidade e a subordinação

"9 - DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA jurídica do obreiro em relação ao segundo e à terceira

Pede o reclamante que a autarquia federal e a terceira reclamada reclamados(as), tem-se evidenciado que o BACEN e Esho Empresa

sejam declaradas subsidiariamente responsáveis pela condenação de Serviços Hospitalares foram beneficiados pelos serviços

imposta à primeira reclamada. prestados pelo reclamante, revelando-se caracterizada a

O segundo reclamado não nega a contratação da primeira responsabilidade subsidiária das referidas reclamadas,

reclamada e a prestação dos serviços pelo reclamante, mas apenas notadamente diante da mais recente tese firmada pelo plenário do

alega inexistência da culpa in eligendo e/ou culpa in vigilando, bem Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 958252/MG,

como defende a regularidade da terceirização da mão de obra, sob Tema 725, no qual foi reconhecida a repercussão geral, fixando a

enfoque da Lei nº 8.666/1993 e do acórdão proferido no RE nº tese segundo a qual "é lícita a terceirização ou qualquer outra forma

760931/DF, com repercussão geral reconhecida em Sessão de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas,

Plenário do Supremo Tribunal Federal, sendo fixada, para casos independentemente do objeto social das empresas envolvidas,

semelhantes, a tese de que "o inadimplemento dos encargos mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante",

trabalhistas dos empregados do contratado não transfere como consta do inteiro teor do acórdão houve publicado no DJE de

automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade 13/09/2019.

pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos Nesse sentido, tem-se os seguintes julgados do TRT da 10ª Região:

termos do art. 71, § 1º, da Lei nº8.666/93" (inteiro teor do acórdão RECURSO DO RECLAMANTE. RESPONSABILIDADE

pública do DJE de 12/09/2017). SUBSIDIÁRIA. ENTE PÚBLICO. O E. Supremo Tribunal Federal, no

A terceira reclamada contesta a pretensão obreira de julgamento da ADC 16/DF, assentou que, de fato, segundo os

responsabilização subsidiária ao fundamento, em síntese, de que termos do art. 71, §1º, da Lei 8.666/1993, a mera inadimplência do

"não há o que se argumentar também quanto à culpa in eligendo e contratado não autoriza seja transferida à Administração Pública a

in vigilando, posto que a reclamada sempre adimpliu correta e responsabilidade pelo pagamento dos encargos trabalhistas, a

tempestivamente todas as verbas decorrentes do contrato de vedar irrestrita aplicação da Súmula 331, IV, V e VI, do TST.

trabalho em apreço, não havendo nenhuma diferença Entretanto, também reconheceu expressamente, no julgamento da

remanescente", e que "se algum direito laboral for ferido, a mesma ADC 16/DF, que referido preceito normativo não obsta o

contestante, concessa vênia, nada tem a ver com isso, visto ter reconhecimento dessa responsabilidade em virtude de eventual

tomado todos os cuidados exigidos por lei. Assim, não há omissão da Administração Pública no dever - que impõem os arts.

autorização legal, culpa e muito menos nexo de causalidade para 58, III, e 67 da Lei 8.666/1993 - de fiscalizar as obrigações do

sua improvável responsabilização, seja a que título for". contratado, caso que ocorreu nestes autos. O Exc. Supremo

À análise. Tribunal Federal, no julgamento da ADPF 324 e RE 958252, em

Das teses das defesas e da prova documental coligida aos autos 30/08/2018, a despeito de reconhecer a licitude da terceirização dos

constata-se incontroverso que o autor foi empregado da primeira serviços, fixou entendimento em relação à manutenção da

reclamada, na função de Bombeiro Civil, prestando serviços para o responsabilidade subsidiária da empresa contratante (certidão do

segundo reclamado e à terceira reclamada, como, aliás, também foi RE 958252: "É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de

registrado na ata de audiência realizada em 18/02/2020 (ID. divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas,

e002e99 Pág. 1 - fl. 760), quando em depoimento o reclamante independentemente do objeto social das empresas envolvidas,

disse que "foi contratado para cobrir férias dos vigilantes lotados na mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante").

2º reclamado(a)"; que "durante o período em que estava lotado no (Recurso Ordinário nº 0001595-25.2018.5.10.0802, Redator

2º reclamado(a) prestou serviços na condição de substituição de Desembargador José Leone Cordeiro Leite, Terceira Turma, Data

colegas em vários outros tomadores" e que "depois que saiu do de Julgamento: 29/01/2019, Data de Publicação: 20/02/2020)

BACEN foi trabalhar fixo na 3ª reclamado(s)", sendo tais assertivas TERCEIRIZAÇÃO. LICITUDE. RESPONSABILIDADE.

confirmadas pelo preposto da primeira reclamada ao afirmar que "o SUBSIDIÁRIA. Segundo a dicção do STF, "É lícita a terceirização

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 89
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas devedora principal, é lícito o redirecionamento da execução contra a

jurídicas distintas, independentemente do objeto social das devedora subsidiária, independentemente de tentativa

empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da expropriatória em relação aos sócios da empregadora." (Publicado

empresa contratante" (RE 958.252, ac. Tribunal Pleno, Rel. Min. no DEJT DE 5.12.2008. Alteração disponibilizada no DEJT dos dias

Luiz Fux, julgado em 30/08/2018). Assim, evidenciado o 14, 15 e 16/3/2017). (Recurso Ordinário nº 0001524-

aproveitamento do trabalho do empregado, pelo tomador dos 96.2017.5.10.0013, Redator Desembargador Dorival Borges de

serviços, este responde subsidiariamente pelos créditos Souza Neto, Primeira Turma, Data de Julgamento: 12/02/2020, Data

reconhecidos em seu favor, mesmo porque demonstrada sua culpa de Publicação: 17/02/2020)

in vigilando das obrigações trabalhistas devidas àquele. Incidência RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ADMINISTRAÇÃO

da Súmula 331, item IV, do TST. Recurso conhecido e parcialmente PÚBLICA. 1. Na dicção da d. maioria, está evidenciada a culpa do

provido.(Recurso Ordinário nº 0001379-19.2017.5.10.0020, Redator tomador dos serviços em hipóteses nas quais não há o pagamento

Desembargador João Amilcar Silva e Souza Pavan, Segunda integral, por parte do efetivo empregador, de todas as parcelas

Turma, Data de Julgamento: 29/01/2020, Data de Publicação: devidas à obreira. Ressalva de ponto de vista do Relator. 2.

13/02/2020) "Frustradas as medidas constritivas contra a devedora principal, é

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTIDADES PRIVADAS. lícito o redirecionamento da execução contra a devedora

ADPF 324 E RE 958.252. ENTENDIMENTO DO STF. No subsidiária, independentemente de tentativa expropriatória em

julgamento da ADPF 324 e do RE 958.252, o Supremo Tribunal relação aos sócios da empregadora." (Verbete 37 do TRT/10ª

Federal definiu os novos rumos da jurisprudência em relação à Região) (Recurso Ordinário nº 0002564-40.2018.5.10.0802, Redator

terceirização. De acordo com esse novo entendimento, cabe à Desembargador João Amilcar Silva e Souza, Segunda Turma, Data

empresa contratante de serviços terceirizados: 1) verificar a de Julgamento: 27/11/2019, Data de Publicação: 04/12/2019)

idoneidade e a capacidade econômica da contratada; e 2) LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. A responsabilidade subsidiária

responder pelo descumprimento das normas trabalhistas e das abrange todas as parcelas pecuniárias devidas à reclamante

obrigações previdenciárias. Assim, à luz da jurisprudência do STF, (Verbete 11/2004 do TRT/10ª Região e inciso VI da Súmula

conclui-se que o inadimplemento das obrigações trabalhistas por 331/TST). (Recurso Ordinário nº 0000999- 07.2019.5.10.0802,

parte da empresa terceirizada acarreta a responsabilização Redatora Desembargadora Elke Doris Just, Segunda Turma, Data

subsidiária da empresa contratante. (Recurso Ordinário nº 0001524- de Julgamento: 19/02/2020, Data de Publicação: 27/02/2020)

96.2017.5.10.0013, Redator Desembargador Dorival Borges de LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. MULTAS. A responsabilidade

Souza Neto, Primeira Turma, Data de Julgamento: 12/02/2020, Data subsidiária da segunda Reclamada abarca todas as verbas

de Publicação: 17/02/2020) relacionadas ao extinto contrato de trabalho, visto que todas as

Desse modo, defiro a pretensão descrita na alínea "d" dos pedidos lesões ao patrimônio do Empregado praticadas pela ex-

iniciais e declaro a responsabilidade subsidiária do segundo empregadora merecem ser reparadas suficientes para elidir a

reclamado e da terceira reclamada para responderem por eventual responsabilidade subsidiária as teses invocadas no recurso.

inadimplemento da condenação imposta à primeira reclamada na (Recurso Ordinário nº 0000389-97.2018.5.10.0018, Redator

presente sentença. Desembargador José Leone Cordeiro Leite, Terceira Turma, Data

No que concerne à alegação do benefício de ordem, a demandar de Julgamento: 04/12/2019, Data de Publicação: 06/12/2019)

primeiramente a desconsideração da personalidade jurídica da No que diz respeito ao requerimento da autarquia federal (BACEN)

devedora principal, bem como em relação aos limites da quanto ao juros de mora aplicáveis à Fazenda Pública, na forma do

condenação, inclusive em multas, julgo improcedentes tais pleitos artigo 1º-F da Lei nº9.494/1997, julgo igualmente improcedente o

da autarquia federal e da terceira reclamada, porquanto contrários pleito, porquanto destoante da Orientação Jurisprudencial nº 382 da

ao entendimento da jurisprudência consolidada no Tribunal SBDI-I do Tribunal Superior do Trabalho, no sentido de que "a

Regional do Trabalho da 10ª Região, a teor dos seguintes julgados: Fazenda Pública, quando condenada subsidiariamente pelas

NOVA REDAÇÃO DO VERBETE Nº 37/2008 DO TRT DA 10ª obrigações trabalhistas devidas pela empregadora principal, não se

REGIÃO. "EXECUÇÃO. RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. beneficia da limitação dos juros, prevista no art. 1º-F da Lei nº

BENEFÍCIO DE ORDEM. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO 9.494, de 10.09.1997".

DA VIA EXECUTIVA EM RELAÇÃO AOS SÓCIOS DA EMPRESA De igual modo, nota-se que tal postulação da autarquia federal

EXECUTADA. Frustradas as medidas constritivas contra a revela-se também contrária ao entendimento que tem sido

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 90
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

prevalecente no TRT da 10ª Região, conforme se verifica dos forma preconizada na OJ-TP-7 do Col. TST. Por fim, sustenta a

seguintes julgados: impossibilidade de responder pelas multas dos arts. 467 e 477 da

JUROS DE MORA. Na hipótese dos autos, não poderá ser aplicado CLT, sustentando "1) não se encontram referidas em nenhum

o percentual de juros de mora, nos termos do previsto no artigo 1º-F momento na Súmula 331 do TST; 2) não se referem ao período da

da Lei da Lei nº 9.494, de 10.09.1997, visto que nos casos de prestação laboral (parte final do item VI do verbete); 3) sua

responsabilidade subsidiária não existe a possibilidade de limitação manutenção torna a responsabilidade da Administração objetiva ou

dos juros, na forma da Orientação Jurisprudencial n.º 382 da SDI-1 sem nexo causal (violação ao item V do verbete); 4) a exegese

da SBDI-1. (Recurso Ordinário nº 0000999-07.2019.5.10.0802, contrária implica em agressão ao parágrafo único do art. 467 da

Redatora Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Santos, Terceira CLT e do art. 48 do CPC, bem como ao disposto nos incisos LIV e

Turma, Data de Julgamento: 12 /02/2020, Data de Publicação: XXXV do art. 5º da CRFB" (fl. 800).

19/02/2020) A discussão afeta à possibilidade de responsabilizar-se o ente da

JUROS DE MORA. FAZENDA PÚBLICA. ART. 1.º-F LEI 9.494/97. Administração Pública Indireta, enquanto tomador dos serviços,

CONDENAÇÃO SUBSIDIÁRIA. INAPLICABILIDADE. Nas pelas obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços há

condenações subsidiárias da Fazenda Pública na condição de muito encontra-se superada no âmbito da jurisprudência

responsável pela quitação das obrigações pecuniárias trabalhistas consolidada do Colendo TST (Res. 96/2000), que já havia alterado

inadimplidas pelo empregador, a taxa de juros aplicável é aquela a redação do inciso IV da Súmula nº 331, para dispor que: "O

prevista no art. 39, §1º, da Lei 8.177/91. Incidência da diretriz inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do

traçada na Orientação Jurisprudencial 382 da SBDI-I do col. TST. empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos

(Recurso Ordinário nº 0000231-20.2019.5.10.0014, relator Juiz serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos

convocado Gilberto Augusto Leitão Martins, Primeira Turma, Data da administração direta, das autarquias, das fundações públicas,

de Julgamento: 19/02 /2020, Data de Publicação: 27/02/2020) das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde

Desse modo, indefiro os citados requerimentos formulados nas que hajam participado da relação processual e constem também do

contestações do Banco Central do Brasil e da terceira reclamada." título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993)".

(fls. 772/775) Importante observar que reconhecer a responsabilidade subsidiária

do ente público, em conformidade com o entendimento firmado pelo

Contra tal decisão insurge-se a autarquia ré, reafirmando a Col. TST com relação ao tema, não implica negar vigência ao art.

impossibilidade de responder pelos créditos trabalhistas deferidos 71 da Lei nº 8.666/93, mas, sim, em interpretá-lo à luz dos princípios

nesta reclamatória.Sustenta que a condenação imposta encontra que norteiam o ordenamento jurídico.

óbice no art. 71 da Lei 8.666/93, que isenta a Administração Pública De fato, esta Justiça Especializada buscou, dentro de sua

de responsabilidade pelo cumprimento das obrigações trabalhistas competência, definir o sentido da norma em análise, confrontando-a

e cuja constitucionalidade já foi reconhecida pelo Exc. STF. Nega como todo o sistema normativo pátrio, de molde a extrair-lhe o

tenha atuado com culpa na fiscalização do contrato de terceirização sentido que mais se coaduna com todo o conjunto de normas e

e afirma que incumbe à reclamante demonstrar a falha/omissão da princípios fundamentais que orientam o Estado brasileiro e o

Administração Pública. Acusa contrariedade ao item V da Súmula nº funcionamento da Administração Pública, em especial o princípio da

331 do TST, afirmando que o obreiro não produziu prova concreta valorização social do trabalho.

da atuação culposa do Poder Público na fiscalização do contrato Não é demais lembrar que os valores sociais do trabalho se erigem

administrativo, nos moldes preconizados pelo STF no julgamento da como um dos princípios basilares do ordenamento pátrio, sendo

ADC nº 16. Invoca, assim, violação aos artigos 71, § 1º, da Lei inclusive prestigiados pela própria Constituição da República em

8.666/93; 28, parágrafo único, da Lei 9.868/1999; 818 da CLT; 373, seu art. 1º, IV, devendo o aplicador do direito, ao interpretar a norma

I, do CPC; 186 do Código Civil; 37,caput, inciso XXI, e§6º, e 102, no caso concreto, harmonizá-la com este princípio.

§2º, da Constituição Federal e acusa descumprimento da decisão Em tal contexto, o que se verifica é que a Lei nº 8.666/93, a toda

proferida pelo STF na ADC nº 16/STF. Renova, outrossim, a evidência, visou impedir que, na ocorrência de inadimplemento do

pretensão de que a execução direcione-se primeiramente aos empregador, a Administração Pública fosse considerada

sócios da primeira reclamada e, bem assim, de que os juros de diretamente responsável pelos encargos trabalhistas inadimplidos,

mora observem os ditames do art. 1º-F da Lei n. 9.494, de não se extraindo de seu artigo 71 qualquer vedação à

1997,com a alteração conferida pela Lei n. 11.960, de 2009, na responsabilidade subsidiária do ente público naqueles casos.

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

A incompatibilidade entre a literalidade da norma em discussão e a Não há falar, portanto, em violação do art. 97 da Constituição

jurisprudência sumulada do Col. TST, portanto, é tão somente Federal, pois, repita-se, não se trata de declarar a

aparente, como bem explicitou o Exmo. Des. Douglas Alencar inconstitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, mas

Rodrigues, por ocasião do julgamento do Processo RO 01260-2001- apenas de definir o real alcance da norma inscrita no citado

010-10-00-4, cujo acórdão foi publicado em 29.11.2002: dispositivo com base na interpretação sistemática.

Ainda no que concerne ao art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93, Nesse ponto, convém ressaltar que o Excelso Supremo Tribunal

consideramos que a postura adotada pela mais alta corte Federal, a par de haver, em sessão plenária realizada no dia

jurisdicional trabalhista prestigiou a interpretação conforme à 24.11.2010, nos autos do ADC 16/DF, rel. Ministro Cezar Peluso,

Constituição, apesar de aparentemente contrária à própria por maioria de votos, concluído pela constitucionalidade do artigo 71

literalidade do preceito infraconstitucional. Não há ofensa ao art. 5º, e seu parágrafo único da Lei 8.666/1993, também reconheceu, na

II, da CF, mas apenas o reconhecimento judicial das consequências mesma assentada, que isso não significaria que eventual omissão

lesivas do negócio jurídico constituído com a participação direta da da Administração Pública, na obrigação de fiscalizar as obrigações

empresa tomadora, cuja conduta culposa, seja pela ausência de do contratado, não viesse a gerar essa responsabilidade

vigilância das atividades empresariais da prestadora, seja pela má (Informativo 610/STF).

eleição do outro contratante, são suficientes para justificar a Tanto assim que a Colenda Corte Superior Trabalhista, clarificando

apenação subsidiária proclamada, com já decidido, de modo a questão, promoveu alteração nos termos da Súmula nº 331 (Res.

reiterado, pelos tribunais do trabalho. Como exposto, a 174/2011), a qual, no aspecto em discussão, passou a ostentar a

responsabilização subsidiárias de entidades jurídicas de direito seguinte redação:

público, tal como tratada no En. 331, IV, da Súmula do C. TST, não SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.

foi construída com absoluto desprezo ao preceito da Lei nº LEGALIDADE

8.666/93, igualmente não havendo, na interpretação e aplicação das I - omissis

regras positivas, afronta ao postulado da separação dos Poderes. II - omissis

III - omissis

Daí porque sempre entende-se despiciendo perquirir acerca da IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do

inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos

Oportuno salientar que o fato de o artigo 37, § 6º, de nossa Carta serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado

Magna, imputar responsabilidade objetiva à Administração ao da relação processual e constem também do título executivo

estabelecer a obrigação de indenizar toda vez que seus atos judicial.

causarem danos a terceiro não obsta também se atribua aos entes V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta

públicos a responsabilidade de responder pelos danos causados respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV,

por terceiros que ela própria contratou, desde que caracterizada a caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das

culpa in eligendo e in vigilando pelo eventual inadimplemento do obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do

crédito trabalhista assumido em contratos de prestação de serviços cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de

terceirizados. Em outras palavras, a atribuição de responsabilidade serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre

objetiva à Administração Pública pelo Texto Constitucional não de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas

afasta a possibilidade de responsabilizar-se a Administração com pela empresa regularmente contratada.

base na culpa subjetiva, como, de resto, resultou estabelecido pelo VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange

Col. TST ao modificar os termos da Súmula nº 331. todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período

Com efeito, a obrigação de fiscalizar a execução dos contratos de da prestação laboral.

prestação de serviços firmados pela Administração Pública encontra

-se assentada sob os arts. 58, III, e 67 da Lei nº 8.666/93, e sua Assim, sob a ótica da mais recente diretriz traçada pelo Col. TST,

inobservância pelo ente público enseja a responsabilização por faz-se imprescindível verificar se o ente público deixou ou não de

culpa in vigilando, impondo-se a responsabilização subsidiária diligenciar com relação ao cumprimento das obrigações contratuais

(artigos 186 e 927 do Código Civil). da empresa terceirizada, de molde a atrair, para si, as

Trata-se apenas de atribuir responsabilidade a quem causa dano ou consequências a que alude a Súmula 331/TST. Com efeito, a

contribui para a sua ocorrência. simples observância pelo ente público dos procedimentos licitatórios

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previstos em lei para a contratação da prestadora de serviços não o Dje 04/10/2017)."

exime de responder subsidiariamente pelos créditos eventualmente

inadimplidos. Assentada tal premissa - a da presunção de legitimidade do ato

Assinale-se que o STF, na decisão prolatada no RE nº 760.931, administrativo - mais se avulta que o ônus de prova pertence ao

confirmou o entendimento adotado na referida ADC nº 16, reclamante quanto à presença dos requisitos inerentes à

reafirmando a impossibilidade de responsabilizar-se caracterização da responsabilidade civil. Inadmitida a presunção de

automaticamente a Administração Pública, só cabendo sua culpa, exige-se a clara e específica demonstração da conduta

condenação se houver prova inequívoca de conduta culposa na omissiva ou comissiva do ente público tomador de serviços, bem

fiscalização dos contratos. Nesses termos, conforme definido pela como a prova do nexo causal entre a conduta culposa da

Corte Suprema, a Administração Pública pode ser responsabilizada Administração Pública no cumprimento de seu dever de fiscalização

apenas em casos excepcionais, sendo inadmissível a presunção da do contrato de prestação de serviços e o inadimplemento da

culpa em razão do simples inadimplemento de verbas trabalhistas contratada, não se admitindo, como regra, a inversão do ônus

pela contratada. probatório em favor do reclamante.

Com relação ao ônus da prova, não se pode olvidar que ao Registre-se que a obrigação fiscalizatória imposta ao Poder Público

reclamante incumbe a prova dos fatos constitutivos do direito é obrigação de meio, e não de resultado, admitindo-se, inclusive, a

perseguido, cabendo à reclamada a prova dos fatos extintivos, prova de fiscalização por amostragem. Em outras palavras, a tão só

modificativos e impeditivos do direito alegado, conforme previsto prática de irregularidades pontuais pela contratada durante o

pelo art. 373 do Código de Processo Civil. contrato de trabalho não é suficiente para imputar responsabilidade

Tratando-se de fato constitutivo do direito, incumbe ao reclamante ao ente público, pois não se pode exigir que este aja como

demonstrar, de forma específica e bem delimitada, os elementos da empregador ou executor direto do contrato de prestação de

responsabilidade civil, quais sejam, o dano, a conduta ilícita, o nexo serviços.

de causalidade e a culpa atribuída ao ente público, conforme Nesse aspecto, o Ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do

disposto pelos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil. RE 760.931/DF, bem assinalou que:

Sobre tal questão, a Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do RE "O Supremo Tribunal Federal fixou, na ADC 16, que a mera

760.931/DF, assentou que: "a alegada ausência de comprovação, inadimplência não pode converter a Administração Pública em

em juízo, pela União, da efetiva fiscalização do contrato responsável por verbas trabalhistas, decidindo que não é todo e

administrativo não substitui a necessidade de 'prova taxativa do qualquer episódio de atraso na quitação de verbas trabalhistas que

nexo de causalidade entre a conduta da Administração e o dano pode ser imputado subsidiariamente ao Poder Público, mas só

sofrido pelo trabalhador'". aqueles que tenham se reiterado com a conivência comissiva ou

O Ministro Luiz Fux, em decisão proferida na Reclamação omissiva do Estado. Não me parece que seja automaticamente

28.272/MG, por sua vez, explicitou que: dedutível, da conclusão deste julgamento, um dever estatal de

"Resta imprescindível a prova categórica do nexo de causalidade fiscalização do pagamento de toda e qualquer parcela, rubrica por

entre a conduta culposa da Administração e o dano sofrido pelo rubrica, verba por verba, devida aos trabalhadores. O que pode

trabalhador. Sem essa prova, subsiste a presunção de legitimidade induzir à responsabilização do Poder Público é a comprovação de

do ato administrativo, eximindo-se o Ente Público da um comportamento sistematicamente negligente em relação aos

responsabilidade por obrigações trabalhistas de empregados das terceirizados; ou seja, a necessidade de prova do nexo de

empresas prestadoras de serviços. causalidade entre a conduta comissiva ou omissiva do Poder

Com efeito, para Celso Antônio Bandeira de Mello, ´presunção de Público e o dano sofrido pelo trabalhador. Se não houver essa

legitimidade é a qualidade, que reveste tais atos (administrativos), fixação expressa, clara e taxativa por esta Corte, estaremos

de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em possibilitando, novamente, outras interpretações que acabem por

contrário' (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, afastar o entendimento definitivo sobre a responsabilização da

31ª Edição, 2014, p.423). Administração Pública nas terceirizações, com a possibilidade de

Daí decorre a presunção de que a Administração agiu em novas condenações do Estado por mero inadimplemento e,

conformidade com seu dever legal de fiscalizar o contrato - e não o consequentemente a manutenção do desrespeito à decisão desta

contrário -, transferindo-se, consequentemente, ao empregado o Corte na ADC 16".

ônus de comprovar a culpa na conduta administrativa"(Rcl 28272,

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Nessa mesma linha, colhem-se os seguintes arestos do C. TST: AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA.

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO

REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. PÚBLICA. MUNICÍPIO. I. A Corte Regional cominou ao Município

TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE litisconsorte o ônus de comprovar a fiscalização efetiva do contrato

SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ÔNUS DA PROVA de trabalho. II. Consignou que o ente federativo não se desincumbiu

QUANTO À FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA do encargo de evidenciar que adotou as precauções para impedir o

LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PELA PRESTADORA. DECISÃO DO inadimplemento da empresa interposta em relação aos obreiros

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. I. desta. III. O Supremo Tribunal Federal decidiu tratar-se de ônus do

Na hipótese de terceirização de serviços, o entendimento firmado Reclamante a comprovação de que a ausência ou a precariedade

pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 760931/DF, da fiscalização do contrato de trabalho pela tomadora foram

em repercussão geral, é no sentido de que a Administração Pública corresponsáveis ou propiciadoras do inadimplemento de seus

pode ser responsabilizada pelos débitos trabalhistas da prestadora direitos trabalhistas. IV. O acórdão regional contradiz o

apenas em casos excepcionais, quando demonstrado pelo entendimento do STF em relação à responsabilidade subsidiária da

reclamante, de forma cabal e específica, o nexo de causalidade Administração Pública. V. Agravo interno de que se conhece e a

entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do que se nega provimento. (TST - Ag-RR: 101710820155010076,

ente público no tocante à fiscalização do cumprimento da legislação Data de Julgamento: 26/06/2019, Data de Publicação: DEJT

trabalhista pela empresa contratada. II. No caso, na decisão ora 01/07/2019) (O grifo é meu)

agravada, o recurso de revista foi conhecido e provido para afastar RECURSO DE REVISTA . INVERSÃO DA ORDEM DE

a responsabilidade subsidiária, tendo em vista que a Corte Regional JULGAMENTO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA

não mencionou os elementos probatórios que pudessem atrair o ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. No julgamento da ADC 16/DF, o STF

dever de responsabilidade subsidiária do ente público. III. Logo, é decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é constitucional e que

inviável o provimento do agravo interno em que se postula a adoção isso não impede a responsabilização subsidiária de ente público,

de entendimento dissonante do quanto decidido pelo Supremo desde que caracterizada a culpa in vigilando. No caso, a

Tribunal Federal. IV. Agravo interno de que se conhece e a que se responsabilidade subsidiária do reclamado foi reconhecida de forma

nega provimento. (TST - Ag-RR: 10029374420165020609, Relator: genérica sem que tivesse sido atribuída e demonstrada a sua

Evandro Pereira Valadão Lopes, Data de Julgamento: 02/10/2019, negligência no tocante à fiscalização da prestadora de serviços

7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2019) quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Recurso de

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE Revista de que se conhece e a que se dá provimento. AGRAVO DE

SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - FALTA DE

SERVIÇOS. Demonstrada possível contrariedade à Súmula 331, V, PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. Diante do

do c. TST, deve ser provido o agravo de instrumento. Agravo de conhecimento e provimento do recurso de revista do reclamado

instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para para excluir a sua responsabilidade subsidiária, fica prejudicado o

determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE exame do agravo de instrumento que versa sobre matérias

REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA consectárias da responsabilidade afastada. (TST - ARR:

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS SERVIÇOS. 206973220155040761, Data de Julgamento: 08/05/2019, Data de

CONDENAÇÃO PELO MERO INADIMPLEMENTO. No julgamento Publicação: DEJT 10/05/2019)

da ADC 16/DF, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é

constitucional e que isso não impede a responsabilização No entanto, observo que a SDI-1 decidiu, no dia 12/12/2019, no

subsidiária da Administração Pública, desde que caracterizada a bojo do processo nº E-RR 925-07.2016.5.05.0281, que a tese fixada

culpa in vigilando. No caso, a responsabilidade subsidiária da felo e. STF, nos autos do RE nº 791.931, não teria realizado a

Reclamada foi reconhecida de forma genérica, sem que tivesse sido transferência automática do ônus da prova ao trabalhador

atribuída e demonstrada a sua negligência no tocante à fiscalização envolvido. Assim, destacando a necessidade de que seja observado

da prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações o princípio da inversão dinâmica do ônus da prova, estabeleceu que

trabalhistas. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá o ônus da prova recai sobre o tomador de serviços, o qual tem

provimento. (TST - RR: 117997620165030032, Data de Julgamento: obrigação legal de fiscalizar a execução do contrato.

27/03/2019, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019) Em tal perspectiva, ressalvo meu entendimento pessoal acerca da

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questão e curvo-me ao entendimento majoritário do col. TST quanto Regional consignou que o Reclamante não indicou, de forma

à matéria. individualizada, o período em que prestou serviços para cada uma

Passo então à análise do contexto probatório no caso em exame. das Empresas Tomadoras, circunstância que impediu a análise da

De plano, observo que a autarquia recorrente, em defesa, alegou responsabilidade subsidiária pretendida. Todavia, as terceira, quarta

que o obreiro prestou serviços em suas dependências apenas de e quinta Reclamadas, ao contestarem a ação trabalhista, na

julho/2018 (quando admitido) até março/2019. qualidade de Tomadoras dos serviços, embora tenham admitido a

A prova dos autos corrobora tal informação. terceirização e a apropriação dos resultados da mão de obra

As folhas de ponto e escalas de serviço apresentadas pela 1ª fornecida pelo Reclamante, fato constitutivo da pretensão deduzida

reclamada revelam que a partir de março/2019 (inclusive) o obreiro na petição inicial, apresentaram fato impeditivo, atraindo para si o

prestou serviços exclusivamente em favor da 3ª reclamada (Hospital ônus da prova, nos termos do artigo 333, II, do CPC. De acordo

Alvorada). com o princípio da aptidão para a prova, o ônus de comprovar o

A par de o teor da aludida documentação não ter sido impugnado período de efetivo labor em seu favor caberia às Tomadoras. Dele

em réplica, o obreiro, ao depor em juízo, informou: não se desincumbindo, devem responder subsidiariamente por todo

"A escala de trabalho era elaborada pela 1º reclamado(a). O o período do contrato de trabalho, observado o limite imposto pela

depoente foi contratado para cobrir férias dos vigilantes lotados na petição inicial. Contrariedade à Súmula 331, IV, do TST,

2º reclamado(a). Durante o período em que estava lotado no 2º caracterizada. Recurso de revista conhecido e provido" (RR-185600

reclamado(a) prestou serviços na condição de substituição de -98.2006.5.02.0262, 7ª Turma, Relator Ministro Douglas Alencar

colegas em vários outros tomadores. Depois que saiu do BACEN foi Rodrigues, DEJT 19/06/2015)."

trabalhar fixo na 3a reclamado(s). Quando cobria férias recebia

somente o salário." (fl. 760) Posto isso, observo que a prova documental atesta claramente que

houve falha na fiscalização do contrato de serviços.

Assim, de plano, verifica-se que a responsabilidade imputada ao O recorrente, em sua contestação, alega que fiscalizou o contrato,

segundo réu deve alcançar apenasas verbas trabalhistas exigindo que a primeira reclamada apresentasse os comprovantes

devidas até o mês de fevereiro/2018. de pagamento do período em que o obreiro atuou em seu favor.

É o que se infere, a contrario sensu, do seguinte precedente do Col. Contudo, como visto acima, os contracheques não consignam o

TST: pagamento de nenhuma das horas extras assinaladas nas folhas de

"I. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ponto atinentes ao período - cabendo destacar que as horas extras

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. MULTIPLICIDADE DE não decorrem apenas do labor em dois postos de serviço

EMPRESAS NA QUALIDADE DE TOMADORAS DOS SERVIÇOS. simultâneos, mas também da inobservância do limite de plantões

FOLGUISTA DE PORTEIRO. AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO , NA semanais.

PETIÇÃO INICIAL, DO PERÍODO EM QUE O RECLAMANTE O recorrente, portanto, foi omisso e negligente no cumprimento do

PRESTOU SERVIÇOS PARA CADA UMA DAS TOMADORAS. seu dever de fiscalização, cabendo destacar que o reconhecimento

SÚMULA 331, IV, DO TST. Hipótese em que as terceira, quarta e da existência de horas impagas em favor do obreiro revela

quinta Reclamadas, ao contestarem a ação trabalhista, na claramente que o BACEN, por sua conduta culposa, contribuiu para

qualidade de Tomadoras dos serviços, embora tenham admitido a a violação dos direitos trabalhistas do reclamante.

terceirização e a apropriação dos resultados da mão de obra Destarte, não logrando o recorrente desincumbir-se de seu ônus

fornecida pelo Reclamante, apresentaram fato impeditivo, atraindo probatório, deve responder subsidiariamente pelos débitos

para si o ônus da prova, nos termos do artigo 333, II, do CPC. inadimplidos pela empregadora no período em que o obreiro

Nesse cenário, impõe-se o processamento do recurso de revista, prestou-lhe serviços.

para melhor exame . Agravo de instrumento provido. II. RECURSO Prosseguindo no exame do recurso, assinalo que o direito de o

DE REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. devedor subsidiário de ver, primeiramente, excutidos os bens do

MULTIPLICIDADE DE EMPRESAS NA QUALIDADE DE devedor principal, não impõe que se persiga indefinidamente bens

TOMADORAS DOS SERVIÇOS. FOLGUISTA DE PORTEIRO. do devedor principal ou de seus sócios antes de se direcionar a

AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO, NA PETIÇÃO INICIAL, DO PERÍODO execução ao responsável subsidiário. A jurisprudência deste

EM QUE O RECLAMANTE PRESTOU SERVIÇOS PARA CADA Regional é pacífica nesse sentido:

UMA DAS TOMADORAS. SÚMULA 331, IV, DO TST. O Tribunal "VERBETE Nº 37/2008 DO EGRÉGIO TRIBUNAL PLENO

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 95
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

EXECUÇÃO. RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. BENEFÍCIO DE 1. Destaca que o reclamante não se encontra assistido por

ORDEM. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO DA VIA sindicado, nem fez prova de que não possui condições de pagar as

EXECUTIVA EM RELAÇÃO AOS SÓCIOS DA EMPRESA custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua

EXECUTADA família.

Frustradas as medidas constritivas contra a devedora principal, é Cuida-se de ação ajuizada após a vigência da Lei nº 13.467/2017,

lícito o redirecionamento da execução contra a devedora devendo ser observado o regramento específico previsto no art. 791

subsidiária, independentemente de tentativa expropriatória em -A da CLT, que autoriza a condenação em honorários advocatícios

relação aos sócios da empregadora." (Publicado no DEJT DE com base na mera sucumbência.

5.12.2008. Alteração disponibilizada no DEJT dos dias 14, 15 e Nesses termos, nego provimento ao recurso no tópico.

16/3/2017.

CONCLUSÃO

Por fim, pontuo que a questão afeta ao percentual de juros de mora Pelo exposto, conheço dos recursos interpostos e, no mérito, nego

aplicável à Fazenda Pública, na hipótese de condenação provimento ao recurso da primeira reclamada e dou provimento

subsidiária, já se encontra pacificada no âmbito desta Justiça parcial ao recurso do segundo reclamado para limitar a condenação

Especializada, nos termos da OJ n.º 382 da SBDI-1 do C. TST, in subsidiária que lhe foi imposta pelo juízo de origem ao mês de

verbis: fevereiro/2019, inclusive. Tudo nos termos da fundamentação.

JUROS DE MORA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494, DE 10.09.1997. Mantido o valor arbitrado na origem à condenação.

INAPLICABILIDADE À FAZENDA PÚBLICA QUANDO É o meu voto.

CONDENADA SUBSIDIARIAMENTE. (DEJT divulgado em 19, 20 e

22.04.2010)

A Fazenda Pública, quando condenada subsidiariamente pelas ACÓRDÃO

obrigações trabalhistas devidas pela empregadora principal, não se

beneficia da limitação dos juros, prevista no art. 1º-F da Lei nº

9.494, de 10.09.1997.. Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia

Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

Ressalte-se que a Lei 11.960, de 29.06.2009, ao alterar a redação Região, em conhecer dos recursos interpostos e, no mérito, negar

do art. 1º-F da Lei nº 9494/97 para fins de dispor que "Nas provimento ao recurso da primeira reclamada e dar provimento

condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de parcial ao recurso do segundo reclamado para limitar a condenação

sua natureza e para fins de atualização monetária, remuneração do subsidiária que lhe foi imposta pelo juízo de origem ao mês de

capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única vez, fevereiro/2019, inclusive. Mantido o valor arbitrado à condenação na

até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica origem. Tudo nos termos do voto do Des. Relator e com ressalvas

e juros aplicados à caderneta de poupança", buscou apenas do Des. Grijalbo Coutinho.

uniformizar a atualização monetária e juros incidentes sobre as Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, sem promover dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André

qualquer alteração na situação jurídica da responsável subsidiária. Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique

Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para declarar Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão;

que a responsabilidade subsidiária do segundo reclamado alcança em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em

tão somente as verbas trabalhistas devidas até o fim de gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.

fevereiro/2019. Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho), que

opinou pelo prosseguimento do recurso.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO AJUIZADA APÓS A Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017 (RECURSO DO SEGUNDO julgamento).

RECLAMADO)

Reafirma o recorrente a impossibilidade de se deferir honorários

advocatícios no caso, pela não configuração das hipóteses Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno

previstas na Súmula nº 219/TST e na já cancelada OJ 305 da SDI- Relator

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 96
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Dispensado na forma do artigo 852-I c/c artigo 895, §1º, IV, da CLT.

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

MARIA APARECIDA FONSECA MATOS VOTO

Servidor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000079-66.2020.5.10.0812
Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA ADMISSIBILIDADE
VEIGA DAMASCENO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do
RECORRENTE ANGELINA MARIA DOS SANTOS
ADVOGADO CRISTIANE DELFINO RODRIGUES recurso.
LINS(OAB: 2119/TO)
ADVOGADO MARIELLE COSTA DE SOUSA
FERREIRA CAMILO(OAB: 9538/TO) MÉRITO
RECORRIDO MARIA EMIFRAN BRITO SILVA
O Julgador de origem homologou a desistência da ação, nos
ADVOGADO MARIENE COELHO E SILVA(OAB:
1175/TO) seguintes termos:
ADVOGADO ANA PAULA DE CARVALHO(OAB:
2895/TO) "Trata-se de Reclamação Trabalhista ajuizada por ANGELINA

MARIA DOS SANTOS em face de MARIA EMIFRAN BRITO SILVA,


Intimado(s)/Citado(s):
na qual, antes do decurso do prazo para apresentação de defesa,
- ANGELINA MARIA DOS SANTOS
foi requerida a desistência da ação, hipótese na qual prescindível a

anuência da parte contrária.

Assim, homologo a DESISTÊNCIA, para que surta seus jurídicos e


PODER JUDICIÁRIO legais efeitos, extinguindo o processo sem resolução do mérito, na
JUSTIÇA DO TRABALHO forma do art. 485, VIII, do CPC.

Preenchidos os requisitos legais, defiro ao(à) reclamante os

benefícios da Justiça Gratuita e dispenso o recolhimento das


PROCESSO n.º 0000079-66.2020.5.10.0812 - RECURSO
custas, no importe de R$241,32 , calculadas sobre o valor dado à
ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)
causa R$ R$ 12.066,23.
RELATOR: DESEMBARGADOR ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO
Retire-se o feito da pauta de audiências.
RECORRENTE: MARIA EMIFRAN BRITO SILVA
Publique-se para ciência das partes.
ADVOGADO : ANA PAULA DE CARVALHO
Após, arquivem os autos definitivamente." (fl. 64).
ADVOGADO : MARIENE COELHO E SILVA

RECORRIDA: ANGELINA MARIA DOS SANTOS


A reclamada, em seu apelo, alega que as partes peticionaram nos
ADVOGADO : MARIELLE COSTA DE SOUSA FERREIRA CAMILO
autos requerendo a homologação da renúncia da ação e não da
ADVOGADO : CRISTIANE DELFINO RODRIGUES LINS
desistência da ação. Requer "o reconhecimento do pedido de

RENUNCIA formulado pela recorrida, de conformidade artigo 487,


ORIGEM: 2ª Vara do Trabalho de Araguaína - TO
inciso 3, alínea c do NCPC, decretando a extinção do processo com
CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo
Julgamento de mérito." (fls. 70).
(JUIZ RENATO VIEIRA DE FARIA)
Examino.

Para os fins do art. 487, III, do CPC, ocorre renúncia quando, de

forma expressa, o autor abre mão da pretensão de direito material


EMENTA
invocada em juízo, acarretando a extinção do processo com

resolução do mérito. Trata-se, portanto, de ato volitivo da parte e

prescinde de anuência da parte adversa, operando efeitos jurídicos


(dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT)
com a homologação judicial.

No caso, observo que a reclamante peticionou nos autos às fls. 63 e

requereu "a renúncia da presente ação, o que concorda a parte


RELATÓRIO
requerida" (fl.63).

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 97
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

RECORRENTE GOLD SERVICOS DE


A parte formulou pedido genérico "de renúncia da ação" e, em face MONITORAMENTO E LIMPEZA
EIRELI - EPP
do princípio da irrenunciabilidade de direitos previsto na CLT, está ADVOGADO ALINE TALITA FERNANDES DA
SILVA(OAB: 58826/DF)
correto o julgador originário ao homologar a desistência da ação,
RECORRENTE BANCO CENTRAL DO BRASIL
com anuência da parte contrária, extinguindo o processo sem RECORRIDO WALDIONOR APOLONIO DA SILVA
resolução do mérito, na forma do art. 485, VIII, do CPC. ADVOGADO SEBASTIAO PEREIRA DE
SOUZA(OAB: 20702/DF)
Desse modo, nego provimento ao recurso e mantenho a sentença RECORRIDO GOLD SERVICOS DE
MONITORAMENTO E LIMPEZA
pelos próprios fundamentos. EIRELI - EPP
ADVOGADO ALINE TALITA FERNANDES DA
SILVA(OAB: 58826/DF)
CONCLUSÃO RECORRIDO BANCO CENTRAL DO BRASIL
Isso posto, conheço do recurso interposto e, no mérito, nego-lhe RECORRIDO ESHO EMPRESA DE SERVICOS
HOSPITALARES S.A.
provimento, mantendo a sentença pelos próprios fundamentos. ADVOGADO FABIO RIVELLI(OAB: 297608/SP)
É o meu voto.
Intimado(s)/Citado(s):
- ESHO EMPRESA DE SERVICOS HOSPITALARES S.A.

ACÓRDÃO

PODER JUDICIÁRIO

Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia JUSTIÇA DO TRABALHO

Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

Região, em sessão realizada na data e nos termos contidos na


PROCESSO n.º 0000949-32.2019.5.10.0009 - RECURSO
respectiva certidão de julgamento, conhecer do recurso interposto
ORDINÁRIO - RITO SUMARÍSSIMO (11886)
e, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo a sentença pelos
RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da
próprios fundamentos, nos termos do voto do Relator.
Veiga Damasceno
Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André


RECORRENTE: GOLD SERVICOS DE MONITORAMENTO E
Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique
LIMPEZA EIRELI - EPP - CNPJ: 05.020.143/0001-89
Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão;
ADVOGADO: ALINE TALITA FERNANDES DA SILVA - OAB:
em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em
DF0058826
gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.
RECORRENTE: BANCO CENTRAL DO BRASIL - CNPJ:
Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho),
00.038.166/0001-05
que opinou pelo prosseguimento do recurso.
RECORRIDOS: OS MESMOS E ESHO EMPRESA DE SERVICOS
Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do
HOSPITALARES S.A. - CNPJ: 29.435.005/0001-29
julgamento).
ADVOGADO: FABIO RIVELLI - OAB: SP0297608

ORIGEM: 9ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA/DF

CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo


Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno
(JUIZ ACELIO RICARDO VALES LEITE)
Relator

EMENTA
Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

MARIA APARECIDA FONSECA MATOS


(dispensada nos termos do art. 895, §1º, IV, da CLT)
Servidor de Secretaria

Processo Nº RORSum-0000949-32.2019.5.10.0009
Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA RELATÓRIO
VEIGA DAMASCENO

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 98
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

"(...)

Dispensado na forma do artigo 852-I c/c artigo 895, §1º, IV, da CLT. Ao exame.

Sem prolegômenos, analisado detidamente os comprovantes de

depósitos bancários e os respectivos contracheques, anexos às fls.

FUNDAMENTAÇÃO 652/653, 654/656, 660 e 651, 663/670, 672/675, 676, 678/679, 681,

684, 685, 690/691, 697/698, 755/756 e 757, não se constata

nenhum valor pago a título de horas extras nos citados recibos de

ADMISSIBILIDADE pagamentos de salários do reclamante, como alegado pela primeira

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço de ambos reclamada. Além disso, em reforço à confirmação da tese obreira,

recursos. tem-se um recibo comum, à fl. 659, datado de 16/05/2019, no

importe de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais), em que o

MÉRITO autor teria recebido tal valor "referente a plantões extras

INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL (RECURSO DO SEGUNDO trabalhados" nos meses de 10/2018 a 03/2019, sendo devidamente

RECLAMADO) assinado pelo reclamante, bem como se nota que em determinados

Renova o recorrente a preliminar em epígrafe, dizendo que "o meses foram preenchidas duas folhas de ponto para o mesmo mês,

reclamante não tece uma linha sequer em sua petição inicial com o em uma constando a jornada normal de 12 horas de trabalho por 36

fito de demonstrar eventual conduta omissiva ou comissiva do horas de descanso, e na outra apenas "plantões", a exemplo do que

Banco Central que possa configurar falha na fiscalização do se constata quanto aos meses 02/2019 (fls. 667/668), 08/2018 (fls.

contrato administrativo firmado com a primeira reclamada" (fl. 786), 692/693) e 09/2018 (fls. 687/688).

fato este imprescindível à fundamentação do pedido de Logo, cumprido satisfatoriamente o ônus da prova pelo reclamante,

responsalização subsidiária do ente público tomador dos serviços. na forma prevista no artigo 818, inciso I, da CLT, defiro as horas

No processo do trabalho, a petição inicial será reputada inepta extras pleiteadas na alínea "e3" do rol dos pedidos iniciais, com

quando não atender às exigências do artigo 840, § 1º, da CLT, que reflexos dessas horas extras nas verbas rescisórias.

preconiza: "Sendo escrita, a reclamação deverá conter a (...)

designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição 10 - DA COMPENSAÇÃO E/OU DEDUÇÃO

dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, O reclamante requer "sejam compensados os valores

determinado e com indicação de seu valor, a data e a assinatura do eventualmente pagos, "cujo valor é inestimável". A primeira

reclamante ou de seu representante". reclamada também "requer aplicação do instituto da compensação

Assim, se dos fatos narrados decorre logicamente o pedido, não há dos títulos efetivamente pagos, a fim de evitar o enriquecimento

que se falar em inépcia. sem causa por parte do reclamante".

No caso, o autor relata que prestou serviços em favro do BACEN e Ao exame.

requer sua responsabilização com amparo na Súmula nº 331 do Em réplica o reclamante não cuidou de impugnar especificadamente

TST, argumentando que houve culpa in vigilando. o recibo comum anexo à fl. 659, datado de 16/05/2019, no importe

Não há, assim, que se cogitar de inépcia. de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais), que teria sido

Recurso desprovido no particular. recebido pelo autor, "referente a plantões extras trabalhados", nos

meses de 10/2018 a 03/2019, mas apenas aduz que se trata de

BOMBEIRO CIVIL. JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS. "comprovante de pagamento por fora, proforma, via que na

(RECURSO DA PRIMEIRA RECLAMADA) confiança restou assinado, mas não recebeu a totalidade ali

O autor, que cumpria jornada de 12x36 horas nos termos previstos declinada", e também não cuidou de informar qual teria sido o valor

na Lei nº 11.901/09, alega na inicial que a primeira reclamada não efetivamente declinada recebido, o que se mostra insatisfatório para

solveu a totalidade das horas extras que eram devidas em refutar a veracidade do citado documento.

decorrência do quantitativo de plantões cumpridos. Nessa medida, autorizo que na liquidação do julgado seja deduzido

A defesa sustenta o correto adimplemento das eventuais horas o valor de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) do montante

extras cumpridas, conforme folhas de ponto e contracheques devido a título horas extras com o acréscimo de 50% (cinquenta por

coligidos aos autos. cento) e reflexos, a resultar no abatimento de prestações

O juízo de origem acolheu o pedido obreiro, nos seguintes termos: trabalhistas já parcialmente adimplidas, como se verifica na

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 99
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

presente hipótese." (fls. 768/776) Logo, apenas os valores ali consignados é que devem ser objeto de

compensação.

Inconformada, investe a primeira ré contra a avaliação encetada na Destaque-se, por oportuno, que a teor do que se depreende do

origem. Afirma que a documentação coligida ao feito - e cujo teor aludido recibo, a reclamada pagou apenas pelos "plantões extras"

não foi impugnado pelo autor em réplica - demonstram que apenas trabalhados pelo autor e não pelas horas extras decorrentes da

eventualmente o obreiro suplantou sua jornada legal, sendo extrapolação da jornada, sendo, assim, irrefutável a existência de

devidamente remunerado pelo sobrelabor desenvolvido. Pretende, diferenças em favor do obreiro.

outrossim, seja deferida a compensação de todos "aqueles valores Assim sendo, nego provimento ao apelo da primeira ré.

pagos a título de horas extraordinárias e que não foram

completamente verificadas pelo Juízo a quo ao sentencia-lo, haja RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. LIMITAÇÃO DA

vista ter se apercebido apenas em um único recibo assinado pelo CONDENAÇÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. JUROS DE MORA.

reclamante, e não observou os outros documentos comprobatórios (RECURSO DO SEGUNDO RECLAMADO)

que comprovam o adimplemento total das horas extras." (fls. Eis os termos da decisão no tocante aos temas destacados em

824/849) epígrafe:

O art. 5° da Lei nº 11.901/09, que regulamenta a profissão de "9 - DA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA

bombeiro civil, estabelece que "A jornada do Bombeiro Civil é de 12 Pede o reclamante que a autarquia federal e a terceira reclamada

(doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) horas de descanso, sejam declaradas subsidiariamente responsáveis pela condenação

num total de 36 (trinta e seis) horas semanais". imposta à primeira reclamada.

Como se observa, a lei não se limitou a impor a observância do O segundo reclamado não nega a contratação da primeira

regime de 12h x 36h, mas também estabeleceu que, no reclamada e a prestação dos serviços pelo reclamante, mas apenas

cumprimento de tal escala de trabalho, há de se observar o limite de alega inexistência da culpa in eligendo e/ou culpa in vigilando, bem

36 horas semanais de labor. Assim, pela lei, os bombeiros civis como defende a regularidade da terceirização da mão de obra, sob

devem em tese trabalhar apenas 3 dias por semana, com vistas a enfoque da Lei nº 8.666/1993 e do acórdão proferido no RE nº

observar o limite imposto pela legislação. 760931/DF, com repercussão geral reconhecida em Sessão

Em tal perspectiva, o empregado que se submete ao regime Plenário do Supremo Tribunal Federal, sendo fixada, para casos

ininterrupto de 12h x 36h, cumprindo uma jornada alternada de 36 semelhantes, a tese de que "o inadimplemento dos encargos

horas trabalhadas em uma semana e 48 horas na subsequente, faz trabalhistas dos empregados do contratado não transfere

jus à percepção de 12 horas extras em cada semana em que automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade

ultrapassado o limite horário legal. pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos

De fato, as folhas de ponto coligidas à defesa não tiveram seu termos do art. 71, § 1º, da Lei nº8.666/93" (inteiro teor do acórdão

conteúdo impugnado em réplica, de forma que prevalecem como pública do DJE de 12/09/2017).

verdadeiras as informações neles contidas alusivas a horário de A terceira reclamada contesta a pretensão obreira de

trabalho e quantidade de dias laborados. responsabilização subsidiária ao fundamento, em síntese, de que

Contudo, do teor dos aludidos documentos (fls. 662, 667, 668, 680, "não há o que se argumentar também quanto à culpa in eligendo e

687, 688, 692, 693, 699, 701, 708, 753,754 758 e 759) extrai-se in vigilando, posto que a reclamada sempre adimpliu correta e

claramente que o limite horário fixado na Lei 11.901/2009 não foi tempestivamente todas as verbas decorrentes do contrato de

observado pela empresa, pois o autor, além de laborar mais de três trabalho em apreço, não havendo nenhuma diferença

dias em semanas alternadas, chegou a ter folga inferior a 36 horas remanescente", e que "se algum direito laboral for ferido, a

em períodos em que foi designado para postos de trabalho contestante, concessa vênia, nada tem a ver com isso, visto ter

simultâneos (a título exemplificativo, reporto-me às folhas de ponto tomado todos os cuidados exigidos por lei. Assim, não há

do mês de fevereiro/2019 - fls. 667 e 668). autorização legal, culpa e muito menos nexo de causalidade para

Assim, uma vez comprovada a extrapolação do limite horário legal sua improvável responsabilização, seja a que título for".

da categoria, faz jus o autor ao pagamento de horas extras. À análise.

Por outro lado, à exceção do recibo de pagamento mencionado na Das teses das defesas e da prova documental coligida aos autos

r. sentença, inexiste qualquer outro documento nos autos tendente constata-se incontroverso que o autor foi empregado da primeira

a evidenciar que a ora recorrente teria pago horas extras. reclamada, na função de Bombeiro Civil, prestando serviços para o

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 100
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

segundo reclamado e à terceira reclamada, como, aliás, também foi RE 958252: "É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de

registrado na ata de audiência realizada em 18/02/2020 (ID. divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas,

e002e99 Pág. 1 - fl. 760), quando em depoimento o reclamante independentemente do objeto social das empresas envolvidas,

disse que "foi contratado para cobrir férias dos vigilantes lotados na mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante").

2º reclamado(a)"; que "durante o período em que estava lotado no (Recurso Ordinário nº 0001595-25.2018.5.10.0802, Redator

2º reclamado(a) prestou serviços na condição de substituição de Desembargador José Leone Cordeiro Leite, Terceira Turma, Data

colegas em vários outros tomadores" e que "depois que saiu do de Julgamento: 29/01/2019, Data de Publicação: 20/02/2020)

BACEN foi trabalhar fixo na 3ª reclamado(s)", sendo tais assertivas TERCEIRIZAÇÃO. LICITUDE. RESPONSABILIDADE.

confirmadas pelo preposto da primeira reclamada ao afirmar que "o SUBSIDIÁRIA. Segundo a dicção do STF, "É lícita a terceirização

reclamante era folguista e trabalhou em vários postos em que a ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas

reclamado(s) fornecia mão de obra". Logo, afigura-se plausível a jurídicas distintas, independentemente do objeto social das

tese obreira no que se refere à responsabilidade subsidiária das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da

tomadoras de serviços. empresa contratante" (RE 958.252, ac. Tribunal Pleno, Rel. Min.

No caso, embora não comprovada a pessoalidade e a subordinação Luiz Fux, julgado em 30/08/2018). Assim, evidenciado o

jurídica do obreiro em relação ao segundo e à terceira aproveitamento do trabalho do empregado, pelo tomador dos

reclamados(as), tem-se evidenciado que o BACEN e Esho Empresa serviços, este responde subsidiariamente pelos créditos

de Serviços Hospitalares foram beneficiados pelos serviços reconhecidos em seu favor, mesmo porque demonstrada sua culpa

prestados pelo reclamante, revelando-se caracterizada a in vigilando das obrigações trabalhistas devidas àquele. Incidência

responsabilidade subsidiária das referidas reclamadas, da Súmula 331, item IV, do TST. Recurso conhecido e parcialmente

notadamente diante da mais recente tese firmada pelo plenário do provido.(Recurso Ordinário nº 0001379-19.2017.5.10.0020, Redator

Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 958252/MG, Desembargador João Amilcar Silva e Souza Pavan, Segunda

Tema 725, no qual foi reconhecida a repercussão geral, fixando a Turma, Data de Julgamento: 29/01/2020, Data de Publicação:

tese segundo a qual "é lícita a terceirização ou qualquer outra forma 13/02/2020)

de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTIDADES PRIVADAS.

independentemente do objeto social das empresas envolvidas, ADPF 324 E RE 958.252. ENTENDIMENTO DO STF. No

mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante", julgamento da ADPF 324 e do RE 958.252, o Supremo Tribunal

como consta do inteiro teor do acórdão houve publicado no DJE de Federal definiu os novos rumos da jurisprudência em relação à

13/09/2019. terceirização. De acordo com esse novo entendimento, cabe à

Nesse sentido, tem-se os seguintes julgados do TRT da 10ª Região: empresa contratante de serviços terceirizados: 1) verificar a

RECURSO DO RECLAMANTE. RESPONSABILIDADE idoneidade e a capacidade econômica da contratada; e 2)

SUBSIDIÁRIA. ENTE PÚBLICO. O E. Supremo Tribunal Federal, no responder pelo descumprimento das normas trabalhistas e das

julgamento da ADC 16/DF, assentou que, de fato, segundo os obrigações previdenciárias. Assim, à luz da jurisprudência do STF,

termos do art. 71, §1º, da Lei 8.666/1993, a mera inadimplência do conclui-se que o inadimplemento das obrigações trabalhistas por

contratado não autoriza seja transferida à Administração Pública a parte da empresa terceirizada acarreta a responsabilização

responsabilidade pelo pagamento dos encargos trabalhistas, a subsidiária da empresa contratante. (Recurso Ordinário nº 0001524-

vedar irrestrita aplicação da Súmula 331, IV, V e VI, do TST. 96.2017.5.10.0013, Redator Desembargador Dorival Borges de

Entretanto, também reconheceu expressamente, no julgamento da Souza Neto, Primeira Turma, Data de Julgamento: 12/02/2020, Data

mesma ADC 16/DF, que referido preceito normativo não obsta o de Publicação: 17/02/2020)

reconhecimento dessa responsabilidade em virtude de eventual Desse modo, defiro a pretensão descrita na alínea "d" dos pedidos

omissão da Administração Pública no dever - que impõem os arts. iniciais e declaro a responsabilidade subsidiária do segundo

58, III, e 67 da Lei 8.666/1993 - de fiscalizar as obrigações do reclamado e da terceira reclamada para responderem por eventual

contratado, caso que ocorreu nestes autos. O Exc. Supremo inadimplemento da condenação imposta à primeira reclamada na

Tribunal Federal, no julgamento da ADPF 324 e RE 958252, em presente sentença.

30/08/2018, a despeito de reconhecer a licitude da terceirização dos No que concerne à alegação do benefício de ordem, a demandar

serviços, fixou entendimento em relação à manutenção da primeiramente a desconsideração da personalidade jurídica da

responsabilidade subsidiária da empresa contratante (certidão do devedora principal, bem como em relação aos limites da

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 101
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

condenação, inclusive em multas, julgo improcedentes tais pleitos artigo 1º-F da Lei nº9.494/1997, julgo igualmente improcedente o

da autarquia federal e da terceira reclamada, porquanto contrários pleito, porquanto destoante da Orientação Jurisprudencial nº 382 da

ao entendimento da jurisprudência consolidada no Tribunal SBDI-I do Tribunal Superior do Trabalho, no sentido de que "a

Regional do Trabalho da 10ª Região, a teor dos seguintes julgados: Fazenda Pública, quando condenada subsidiariamente pelas

NOVA REDAÇÃO DO VERBETE Nº 37/2008 DO TRT DA 10ª obrigações trabalhistas devidas pela empregadora principal, não se

REGIÃO. "EXECUÇÃO. RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. beneficia da limitação dos juros, prevista no art. 1º-F da Lei nº

BENEFÍCIO DE ORDEM. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO 9.494, de 10.09.1997".

DA VIA EXECUTIVA EM RELAÇÃO AOS SÓCIOS DA EMPRESA De igual modo, nota-se que tal postulação da autarquia federal

EXECUTADA. Frustradas as medidas constritivas contra a revela-se também contrária ao entendimento que tem sido

devedora principal, é lícito o redirecionamento da execução contra a prevalecente no TRT da 10ª Região, conforme se verifica dos

devedora subsidiária, independentemente de tentativa seguintes julgados:

expropriatória em relação aos sócios da empregadora." (Publicado JUROS DE MORA. Na hipótese dos autos, não poderá ser aplicado

no DEJT DE 5.12.2008. Alteração disponibilizada no DEJT dos dias o percentual de juros de mora, nos termos do previsto no artigo 1º-F

14, 15 e 16/3/2017). (Recurso Ordinário nº 0001524- da Lei da Lei nº 9.494, de 10.09.1997, visto que nos casos de

96.2017.5.10.0013, Redator Desembargador Dorival Borges de responsabilidade subsidiária não existe a possibilidade de limitação

Souza Neto, Primeira Turma, Data de Julgamento: 12/02/2020, Data dos juros, na forma da Orientação Jurisprudencial n.º 382 da SDI-1

de Publicação: 17/02/2020) da SBDI-1. (Recurso Ordinário nº 0000999-07.2019.5.10.0802,

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ADMINISTRAÇÃO Redatora Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Santos, Terceira

PÚBLICA. 1. Na dicção da d. maioria, está evidenciada a culpa do Turma, Data de Julgamento: 12 /02/2020, Data de Publicação:

tomador dos serviços em hipóteses nas quais não há o pagamento 19/02/2020)

integral, por parte do efetivo empregador, de todas as parcelas JUROS DE MORA. FAZENDA PÚBLICA. ART. 1.º-F LEI 9.494/97.

devidas à obreira. Ressalva de ponto de vista do Relator. 2. CONDENAÇÃO SUBSIDIÁRIA. INAPLICABILIDADE. Nas

"Frustradas as medidas constritivas contra a devedora principal, é condenações subsidiárias da Fazenda Pública na condição de

lícito o redirecionamento da execução contra a devedora responsável pela quitação das obrigações pecuniárias trabalhistas

subsidiária, independentemente de tentativa expropriatória em inadimplidas pelo empregador, a taxa de juros aplicável é aquela

relação aos sócios da empregadora." (Verbete 37 do TRT/10ª prevista no art. 39, §1º, da Lei 8.177/91. Incidência da diretriz

Região) (Recurso Ordinário nº 0002564-40.2018.5.10.0802, Redator traçada na Orientação Jurisprudencial 382 da SBDI-I do col. TST.

Desembargador João Amilcar Silva e Souza, Segunda Turma, Data (Recurso Ordinário nº 0000231-20.2019.5.10.0014, relator Juiz

de Julgamento: 27/11/2019, Data de Publicação: 04/12/2019) convocado Gilberto Augusto Leitão Martins, Primeira Turma, Data

LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. A responsabilidade subsidiária de Julgamento: 19/02 /2020, Data de Publicação: 27/02/2020)

abrange todas as parcelas pecuniárias devidas à reclamante Desse modo, indefiro os citados requerimentos formulados nas

(Verbete 11/2004 do TRT/10ª Região e inciso VI da Súmula contestações do Banco Central do Brasil e da terceira reclamada."

331/TST). (Recurso Ordinário nº 0000999- 07.2019.5.10.0802, (fls. 772/775)

Redatora Desembargadora Elke Doris Just, Segunda Turma, Data

de Julgamento: 19/02/2020, Data de Publicação: 27/02/2020) Contra tal decisão insurge-se a autarquia ré, reafirmando a

LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. MULTAS. A responsabilidade impossibilidade de responder pelos créditos trabalhistas deferidos

subsidiária da segunda Reclamada abarca todas as verbas nesta reclamatória.Sustenta que a condenação imposta encontra

relacionadas ao extinto contrato de trabalho, visto que todas as óbice no art. 71 da Lei 8.666/93, que isenta a Administração Pública

lesões ao patrimônio do Empregado praticadas pela ex- de responsabilidade pelo cumprimento das obrigações trabalhistas

empregadora merecem ser reparadas suficientes para elidir a e cuja constitucionalidade já foi reconhecida pelo Exc. STF. Nega

responsabilidade subsidiária as teses invocadas no recurso. tenha atuado com culpa na fiscalização do contrato de terceirização

(Recurso Ordinário nº 0000389-97.2018.5.10.0018, Redator e afirma que incumbe à reclamante demonstrar a falha/omissão da

Desembargador José Leone Cordeiro Leite, Terceira Turma, Data Administração Pública. Acusa contrariedade ao item V da Súmula nº

de Julgamento: 04/12/2019, Data de Publicação: 06/12/2019) 331 do TST, afirmando que o obreiro não produziu prova concreta

No que diz respeito ao requerimento da autarquia federal (BACEN) da atuação culposa do Poder Público na fiscalização do contrato

quanto ao juros de mora aplicáveis à Fazenda Pública, na forma do administrativo, nos moldes preconizados pelo STF no julgamento da

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ADC nº 16. Invoca, assim, violação aos artigos 71, § 1º, da Lei inclusive prestigiados pela própria Constituição da República em

8.666/93; 28, parágrafo único, da Lei 9.868/1999; 818 da CLT; 373, seu art. 1º, IV, devendo o aplicador do direito, ao interpretar a norma

I, do CPC; 186 do Código Civil; 37,caput, inciso XXI, e§6º, e 102, no caso concreto, harmonizá-la com este princípio.

§2º, da Constituição Federal e acusa descumprimento da decisão Em tal contexto, o que se verifica é que a Lei nº 8.666/93, a toda

proferida pelo STF na ADC nº 16/STF. Renova, outrossim, a evidência, visou impedir que, na ocorrência de inadimplemento do

pretensão de que a execução direcione-se primeiramente aos empregador, a Administração Pública fosse considerada

sócios da primeira reclamada e, bem assim, de que os juros de diretamente responsável pelos encargos trabalhistas inadimplidos,

mora observem os ditames do art. 1º-F da Lei n. 9.494, de não se extraindo de seu artigo 71 qualquer vedação à

1997,com a alteração conferida pela Lei n. 11.960, de 2009, na responsabilidade subsidiária do ente público naqueles casos.

forma preconizada na OJ-TP-7 do Col. TST. Por fim, sustenta a A incompatibilidade entre a literalidade da norma em discussão e a

impossibilidade de responder pelas multas dos arts. 467 e 477 da jurisprudência sumulada do Col. TST, portanto, é tão somente

CLT, sustentando "1) não se encontram referidas em nenhum aparente, como bem explicitou o Exmo. Des. Douglas Alencar

momento na Súmula 331 do TST; 2) não se referem ao período da Rodrigues, por ocasião do julgamento do Processo RO 01260-2001-

prestação laboral (parte final do item VI do verbete); 3) sua 010-10-00-4, cujo acórdão foi publicado em 29.11.2002:

manutenção torna a responsabilidade da Administração objetiva ou Ainda no que concerne ao art. 71, §1º, da Lei nº 8.666/93,

sem nexo causal (violação ao item V do verbete); 4) a exegese consideramos que a postura adotada pela mais alta corte

contrária implica em agressão ao parágrafo único do art. 467 da jurisdicional trabalhista prestigiou a interpretação conforme à

CLT e do art. 48 do CPC, bem como ao disposto nos incisos LIV e Constituição, apesar de aparentemente contrária à própria

XXXV do art. 5º da CRFB" (fl. 800). literalidade do preceito infraconstitucional. Não há ofensa ao art. 5º,

A discussão afeta à possibilidade de responsabilizar-se o ente da II, da CF, mas apenas o reconhecimento judicial das consequências

Administração Pública Indireta, enquanto tomador dos serviços, lesivas do negócio jurídico constituído com a participação direta da

pelas obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços há empresa tomadora, cuja conduta culposa, seja pela ausência de

muito encontra-se superada no âmbito da jurisprudência vigilância das atividades empresariais da prestadora, seja pela má

consolidada do Colendo TST (Res. 96/2000), que já havia alterado eleição do outro contratante, são suficientes para justificar a

a redação do inciso IV da Súmula nº 331, para dispor que: "O apenação subsidiária proclamada, com já decidido, de modo

inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do reiterado, pelos tribunais do trabalho. Como exposto, a

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos responsabilização subsidiárias de entidades jurídicas de direito

serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos público, tal como tratada no En. 331, IV, da Súmula do C. TST, não

da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, foi construída com absoluto desprezo ao preceito da Lei nº

das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde 8.666/93, igualmente não havendo, na interpretação e aplicação das

que hajam participado da relação processual e constem também do regras positivas, afronta ao postulado da separação dos Poderes.

título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993)".

Importante observar que reconhecer a responsabilidade subsidiária Daí porque sempre entende-se despiciendo perquirir acerca da

do ente público, em conformidade com o entendimento firmado pelo inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.

Col. TST com relação ao tema, não implica negar vigência ao art. Oportuno salientar que o fato de o artigo 37, § 6º, de nossa Carta

71 da Lei nº 8.666/93, mas, sim, em interpretá-lo à luz dos princípios Magna, imputar responsabilidade objetiva à Administração ao

que norteiam o ordenamento jurídico. estabelecer a obrigação de indenizar toda vez que seus atos

De fato, esta Justiça Especializada buscou, dentro de sua causarem danos a terceiro não obsta também se atribua aos entes

competência, definir o sentido da norma em análise, confrontando-a públicos a responsabilidade de responder pelos danos causados

como todo o sistema normativo pátrio, de molde a extrair-lhe o por terceiros que ela própria contratou, desde que caracterizada a

sentido que mais se coaduna com todo o conjunto de normas e culpa in eligendo e in vigilando pelo eventual inadimplemento do

princípios fundamentais que orientam o Estado brasileiro e o crédito trabalhista assumido em contratos de prestação de serviços

funcionamento da Administração Pública, em especial o princípio da terceirizados. Em outras palavras, a atribuição de responsabilidade

valorização social do trabalho. objetiva à Administração Pública pelo Texto Constitucional não

Não é demais lembrar que os valores sociais do trabalho se erigem afasta a possibilidade de responsabilizar-se a Administração com

como um dos princípios basilares do ordenamento pátrio, sendo base na culpa subjetiva, como, de resto, resultou estabelecido pelo

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Col. TST ao modificar os termos da Súmula nº 331. todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período

Com efeito, a obrigação de fiscalizar a execução dos contratos de da prestação laboral.

prestação de serviços firmados pela Administração Pública encontra

-se assentada sob os arts. 58, III, e 67 da Lei nº 8.666/93, e sua Assim, sob a ótica da mais recente diretriz traçada pelo Col. TST,

inobservância pelo ente público enseja a responsabilização por faz-se imprescindível verificar se o ente público deixou ou não de

culpa in vigilando, impondo-se a responsabilização subsidiária diligenciar com relação ao cumprimento das obrigações contratuais

(artigos 186 e 927 do Código Civil). da empresa terceirizada, de molde a atrair, para si, as

Trata-se apenas de atribuir responsabilidade a quem causa dano ou consequências a que alude a Súmula 331/TST. Com efeito, a

contribui para a sua ocorrência. simples observância pelo ente público dos procedimentos licitatórios

Não há falar, portanto, em violação do art. 97 da Constituição previstos em lei para a contratação da prestadora de serviços não o

Federal, pois, repita-se, não se trata de declarar a exime de responder subsidiariamente pelos créditos eventualmente

inconstitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, mas inadimplidos.

apenas de definir o real alcance da norma inscrita no citado Assinale-se que o STF, na decisão prolatada no RE nº 760.931,

dispositivo com base na interpretação sistemática. confirmou o entendimento adotado na referida ADC nº 16,

Nesse ponto, convém ressaltar que o Excelso Supremo Tribunal reafirmando a impossibilidade de responsabilizar-se

Federal, a par de haver, em sessão plenária realizada no dia automaticamente a Administração Pública, só cabendo sua

24.11.2010, nos autos do ADC 16/DF, rel. Ministro Cezar Peluso, condenação se houver prova inequívoca de conduta culposa na

por maioria de votos, concluído pela constitucionalidade do artigo 71 fiscalização dos contratos. Nesses termos, conforme definido pela

e seu parágrafo único da Lei 8.666/1993, também reconheceu, na Corte Suprema, a Administração Pública pode ser responsabilizada

mesma assentada, que isso não significaria que eventual omissão apenas em casos excepcionais, sendo inadmissível a presunção da

da Administração Pública, na obrigação de fiscalizar as obrigações culpa em razão do simples inadimplemento de verbas trabalhistas

do contratado, não viesse a gerar essa responsabilidade pela contratada.

(Informativo 610/STF). Com relação ao ônus da prova, não se pode olvidar que ao

Tanto assim que a Colenda Corte Superior Trabalhista, clarificando reclamante incumbe a prova dos fatos constitutivos do direito

a questão, promoveu alteração nos termos da Súmula nº 331 (Res. perseguido, cabendo à reclamada a prova dos fatos extintivos,

174/2011), a qual, no aspecto em discussão, passou a ostentar a modificativos e impeditivos do direito alegado, conforme previsto

seguinte redação: pelo art. 373 do Código de Processo Civil.

SUM-331 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Tratando-se de fato constitutivo do direito, incumbe ao reclamante

LEGALIDADE demonstrar, de forma específica e bem delimitada, os elementos da

I - omissis responsabilidade civil, quais sejam, o dano, a conduta ilícita, o nexo

II - omissis de causalidade e a culpa atribuída ao ente público, conforme

III - omissis disposto pelos artigos 186, 187 e 927 do Código Civil.

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do Sobre tal questão, a Ministra Cármen Lúcia, no julgamento do RE

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos 760.931/DF, assentou que: "a alegada ausência de comprovação,

serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado em juízo, pela União, da efetiva fiscalização do contrato

da relação processual e constem também do título executivo administrativo não substitui a necessidade de 'prova taxativa do

judicial. nexo de causalidade entre a conduta da Administração e o dano

V- Os entes integrantes da administração pública direta e indireta sofrido pelo trabalhador'".

respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, O Ministro Luiz Fux, em decisão proferida na Reclamação

caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das 28.272/MG, por sua vez, explicitou que:

obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do "Resta imprescindível a prova categórica do nexo de causalidade

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de entre a conduta culposa da Administração e o dano sofrido pelo

serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre trabalhador. Sem essa prova, subsiste a presunção de legitimidade

de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas do ato administrativo, eximindo-se o Ente Público da

pela empresa regularmente contratada. responsabilidade por obrigações trabalhistas de empregados das

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange empresas prestadoras de serviços.

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Com efeito, para Celso Antônio Bandeira de Mello, ´presunção de Público e o dano sofrido pelo trabalhador. Se não houver essa

legitimidade é a qualidade, que reveste tais atos (administrativos), fixação expressa, clara e taxativa por esta Corte, estaremos

de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em possibilitando, novamente, outras interpretações que acabem por

contrário' (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, afastar o entendimento definitivo sobre a responsabilização da

31ª Edição, 2014, p.423). Administração Pública nas terceirizações, com a possibilidade de

Daí decorre a presunção de que a Administração agiu em novas condenações do Estado por mero inadimplemento e,

conformidade com seu dever legal de fiscalizar o contrato - e não o consequentemente a manutenção do desrespeito à decisão desta

contrário -, transferindo-se, consequentemente, ao empregado o Corte na ADC 16".

ônus de comprovar a culpa na conduta administrativa"(Rcl 28272,

Dje 04/10/2017)." Nessa mesma linha, colhem-se os seguintes arestos do C. TST:

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO

Assentada tal premissa - a da presunção de legitimidade do ato REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017.

administrativo - mais se avulta que o ônus de prova pertence ao TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE

reclamante quanto à presença dos requisitos inerentes à SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ÔNUS DA PROVA

caracterização da responsabilidade civil. Inadmitida a presunção de QUANTO À FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DA

culpa, exige-se a clara e específica demonstração da conduta LEGISLAÇÃO TRABALHISTA PELA PRESTADORA. DECISÃO DO

omissiva ou comissiva do ente público tomador de serviços, bem SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. I.

como a prova do nexo causal entre a conduta culposa da Na hipótese de terceirização de serviços, o entendimento firmado

Administração Pública no cumprimento de seu dever de fiscalização pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 760931/DF,

do contrato de prestação de serviços e o inadimplemento da em repercussão geral, é no sentido de que a Administração Pública

contratada, não se admitindo, como regra, a inversão do ônus pode ser responsabilizada pelos débitos trabalhistas da prestadora

probatório em favor do reclamante. apenas em casos excepcionais, quando demonstrado pelo

Registre-se que a obrigação fiscalizatória imposta ao Poder Público reclamante, de forma cabal e específica, o nexo de causalidade

é obrigação de meio, e não de resultado, admitindo-se, inclusive, a entre o dano ao empregado terceirizado e a conduta negligente do

prova de fiscalização por amostragem. Em outras palavras, a tão só ente público no tocante à fiscalização do cumprimento da legislação

prática de irregularidades pontuais pela contratada durante o trabalhista pela empresa contratada. II. No caso, na decisão ora

contrato de trabalho não é suficiente para imputar responsabilidade agravada, o recurso de revista foi conhecido e provido para afastar

ao ente público, pois não se pode exigir que este aja como a responsabilidade subsidiária, tendo em vista que a Corte Regional

empregador ou executor direto do contrato de prestação de não mencionou os elementos probatórios que pudessem atrair o

serviços. dever de responsabilidade subsidiária do ente público. III. Logo, é

Nesse aspecto, o Ministro Alexandre de Moraes, no julgamento do inviável o provimento do agravo interno em que se postula a adoção

RE 760.931/DF, bem assinalou que: de entendimento dissonante do quanto decidido pelo Supremo

"O Supremo Tribunal Federal fixou, na ADC 16, que a mera Tribunal Federal. IV. Agravo interno de que se conhece e a que se

inadimplência não pode converter a Administração Pública em nega provimento. (TST - Ag-RR: 10029374420165020609, Relator:

responsável por verbas trabalhistas, decidindo que não é todo e Evandro Pereira Valadão Lopes, Data de Julgamento: 02/10/2019,

qualquer episódio de atraso na quitação de verbas trabalhistas que 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2019)

pode ser imputado subsidiariamente ao Poder Público, mas só AGRAVO DE INSTRUMENTO. RESPONSABILIDADE

aqueles que tenham se reiterado com a conivência comissiva ou SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS

omissiva do Estado. Não me parece que seja automaticamente SERVIÇOS. Demonstrada possível contrariedade à Súmula 331, V,

dedutível, da conclusão deste julgamento, um dever estatal de do c. TST, deve ser provido o agravo de instrumento. Agravo de

fiscalização do pagamento de toda e qualquer parcela, rubrica por instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para

rubrica, verba por verba, devida aos trabalhadores. O que pode determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE

induzir à responsabilização do Poder Público é a comprovação de REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA

um comportamento sistematicamente negligente em relação aos ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TOMADORA DOS SERVIÇOS.

terceirizados; ou seja, a necessidade de prova do nexo de CONDENAÇÃO PELO MERO INADIMPLEMENTO. No julgamento

causalidade entre a conduta comissiva ou omissiva do Poder da ADC 16/DF, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é

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constitucional e que isso não impede a responsabilização No entanto, observo que a SDI-1 decidiu, no dia 12/12/2019, no

subsidiária da Administração Pública, desde que caracterizada a bojo do processo nº E-RR 925-07.2016.5.05.0281, que a tese fixada

culpa in vigilando. No caso, a responsabilidade subsidiária da felo e. STF, nos autos do RE nº 791.931, não teria realizado a

Reclamada foi reconhecida de forma genérica, sem que tivesse sido transferência automática do ônus da prova ao trabalhador

atribuída e demonstrada a sua negligência no tocante à fiscalização envolvido. Assim, destacando a necessidade de que seja observado

da prestadora de serviços quanto ao cumprimento das obrigações o princípio da inversão dinâmica do ônus da prova, estabeleceu que

trabalhistas. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá o ônus da prova recai sobre o tomador de serviços, o qual tem

provimento. (TST - RR: 117997620165030032, Data de Julgamento: obrigação legal de fiscalizar a execução do contrato.

27/03/2019, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019) Em tal perspectiva, ressalvo meu entendimento pessoal acerca da

AGRAVO INTERNO. RECURSO DE REVISTA. questão e curvo-me ao entendimento majoritário do col. TST quanto

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO à matéria.

PÚBLICA. MUNICÍPIO. I. A Corte Regional cominou ao Município Passo então à análise do contexto probatório no caso em exame.

litisconsorte o ônus de comprovar a fiscalização efetiva do contrato De plano, observo que a autarquia recorrente, em defesa, alegou

de trabalho. II. Consignou que o ente federativo não se desincumbiu que o obreiro prestou serviços em suas dependências apenas de

do encargo de evidenciar que adotou as precauções para impedir o julho/2018 (quando admitido) até março/2019.

inadimplemento da empresa interposta em relação aos obreiros A prova dos autos corrobora tal informação.

desta. III. O Supremo Tribunal Federal decidiu tratar-se de ônus do As folhas de ponto e escalas de serviço apresentadas pela 1ª

Reclamante a comprovação de que a ausência ou a precariedade reclamada revelam que a partir de março/2019 (inclusive) o obreiro

da fiscalização do contrato de trabalho pela tomadora foram prestou serviços exclusivamente em favor da 3ª reclamada (Hospital

corresponsáveis ou propiciadoras do inadimplemento de seus Alvorada).

direitos trabalhistas. IV. O acórdão regional contradiz o A par de o teor da aludida documentação não ter sido impugnado

entendimento do STF em relação à responsabilidade subsidiária da em réplica, o obreiro, ao depor em juízo, informou:

Administração Pública. V. Agravo interno de que se conhece e a "A escala de trabalho era elaborada pela 1º reclamado(a). O

que se nega provimento. (TST - Ag-RR: 101710820155010076, depoente foi contratado para cobrir férias dos vigilantes lotados na

Data de Julgamento: 26/06/2019, Data de Publicação: DEJT 2º reclamado(a). Durante o período em que estava lotado no 2º

01/07/2019) (O grifo é meu) reclamado(a) prestou serviços na condição de substituição de

RECURSO DE REVISTA . INVERSÃO DA ORDEM DE colegas em vários outros tomadores. Depois que saiu do BACEN foi

JULGAMENTO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA trabalhar fixo na 3a reclamado(s). Quando cobria férias recebia

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. No julgamento da ADC 16/DF, o STF somente o salário." (fl. 760)

decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 é constitucional e que

isso não impede a responsabilização subsidiária de ente público, Assim, de plano, verifica-se que a responsabilidade imputada ao

desde que caracterizada a culpa in vigilando. No caso, a segundo réu deve alcançar apenasas verbas trabalhistas

responsabilidade subsidiária do reclamado foi reconhecida de forma devidas até o mês de fevereiro/2018.

genérica sem que tivesse sido atribuída e demonstrada a sua É o que se infere, a contrario sensu, do seguinte precedente do Col.

negligência no tocante à fiscalização da prestadora de serviços TST:

quanto ao cumprimento das obrigações trabalhistas. Recurso de "I. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

Revista de que se conhece e a que se dá provimento. AGRAVO DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. MULTIPLICIDADE DE

INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - FALTA DE EMPRESAS NA QUALIDADE DE TOMADORAS DOS SERVIÇOS.

PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. Diante do FOLGUISTA DE PORTEIRO. AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO , NA

conhecimento e provimento do recurso de revista do reclamado PETIÇÃO INICIAL, DO PERÍODO EM QUE O RECLAMANTE

para excluir a sua responsabilidade subsidiária, fica prejudicado o PRESTOU SERVIÇOS PARA CADA UMA DAS TOMADORAS.

exame do agravo de instrumento que versa sobre matérias SÚMULA 331, IV, DO TST. Hipótese em que as terceira, quarta e

consectárias da responsabilidade afastada. (TST - ARR: quinta Reclamadas, ao contestarem a ação trabalhista, na

206973220155040761, Data de Julgamento: 08/05/2019, Data de qualidade de Tomadoras dos serviços, embora tenham admitido a

Publicação: DEJT 10/05/2019) terceirização e a apropriação dos resultados da mão de obra

fornecida pelo Reclamante, apresentaram fato impeditivo, atraindo

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para si o ônus da prova, nos termos do artigo 333, II, do CPC. inadimplidos pela empregadora no período em que o obreiro

Nesse cenário, impõe-se o processamento do recurso de revista, prestou-lhe serviços.

para melhor exame . Agravo de instrumento provido. II. RECURSO Prosseguindo no exame do recurso, assinalo que o direito de o

DE REVISTA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. devedor subsidiário de ver, primeiramente, excutidos os bens do

MULTIPLICIDADE DE EMPRESAS NA QUALIDADE DE devedor principal, não impõe que se persiga indefinidamente bens

TOMADORAS DOS SERVIÇOS. FOLGUISTA DE PORTEIRO. do devedor principal ou de seus sócios antes de se direcionar a

AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO, NA PETIÇÃO INICIAL, DO PERÍODO execução ao responsável subsidiário. A jurisprudência deste

EM QUE O RECLAMANTE PRESTOU SERVIÇOS PARA CADA Regional é pacífica nesse sentido:

UMA DAS TOMADORAS. SÚMULA 331, IV, DO TST. O Tribunal "VERBETE Nº 37/2008 DO EGRÉGIO TRIBUNAL PLENO

Regional consignou que o Reclamante não indicou, de forma EXECUÇÃO. RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO. BENEFÍCIO DE

individualizada, o período em que prestou serviços para cada uma ORDEM. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO DA VIA

das Empresas Tomadoras, circunstância que impediu a análise da EXECUTIVA EM RELAÇÃO AOS SÓCIOS DA EMPRESA

responsabilidade subsidiária pretendida. Todavia, as terceira, quarta EXECUTADA

e quinta Reclamadas, ao contestarem a ação trabalhista, na Frustradas as medidas constritivas contra a devedora principal, é

qualidade de Tomadoras dos serviços, embora tenham admitido a lícito o redirecionamento da execução contra a devedora

terceirização e a apropriação dos resultados da mão de obra subsidiária, independentemente de tentativa expropriatória em

fornecida pelo Reclamante, fato constitutivo da pretensão deduzida relação aos sócios da empregadora." (Publicado no DEJT DE

na petição inicial, apresentaram fato impeditivo, atraindo para si o 5.12.2008. Alteração disponibilizada no DEJT dos dias 14, 15 e

ônus da prova, nos termos do artigo 333, II, do CPC. De acordo 16/3/2017.

com o princípio da aptidão para a prova, o ônus de comprovar o

período de efetivo labor em seu favor caberia às Tomadoras. Dele Por fim, pontuo que a questão afeta ao percentual de juros de mora

não se desincumbindo, devem responder subsidiariamente por todo aplicável à Fazenda Pública, na hipótese de condenação

o período do contrato de trabalho, observado o limite imposto pela subsidiária, já se encontra pacificada no âmbito desta Justiça

petição inicial. Contrariedade à Súmula 331, IV, do TST, Especializada, nos termos da OJ n.º 382 da SBDI-1 do C. TST, in

caracterizada. Recurso de revista conhecido e provido" (RR-185600 verbis:

-98.2006.5.02.0262, 7ª Turma, Relator Ministro Douglas Alencar JUROS DE MORA. ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494, DE 10.09.1997.

Rodrigues, DEJT 19/06/2015)." INAPLICABILIDADE À FAZENDA PÚBLICA QUANDO

CONDENADA SUBSIDIARIAMENTE. (DEJT divulgado em 19, 20 e

Posto isso, observo que a prova documental atesta claramente que 22.04.2010)

houve falha na fiscalização do contrato de serviços. A Fazenda Pública, quando condenada subsidiariamente pelas

O recorrente, em sua contestação, alega que fiscalizou o contrato, obrigações trabalhistas devidas pela empregadora principal, não se

exigindo que a primeira reclamada apresentasse os comprovantes beneficia da limitação dos juros, prevista no art. 1º-F da Lei nº

de pagamento do período em que o obreiro atuou em seu favor. 9.494, de 10.09.1997..

Contudo, como visto acima, os contracheques não consignam o

pagamento de nenhuma das horas extras assinaladas nas folhas de Ressalte-se que a Lei 11.960, de 29.06.2009, ao alterar a redação

ponto atinentes ao período - cabendo destacar que as horas extras do art. 1º-F da Lei nº 9494/97 para fins de dispor que "Nas

não decorrem apenas do labor em dois postos de serviço condenações impostas à Fazenda Pública, independentemente de

simultâneos, mas também da inobservância do limite de plantões sua natureza e para fins de atualização monetária, remuneração do

semanais. capital e compensação da mora, haverá a incidência uma única vez,

O recorrente, portanto, foi omisso e negligente no cumprimento do até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de remuneração básica

seu dever de fiscalização, cabendo destacar que o reconhecimento e juros aplicados à caderneta de poupança", buscou apenas

da existência de horas impagas em favor do obreiro revela uniformizar a atualização monetária e juros incidentes sobre as

claramente que o BACEN, por sua conduta culposa, contribuiu para condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, sem promover

a violação dos direitos trabalhistas do reclamante. qualquer alteração na situação jurídica da responsável subsidiária.

Destarte, não logrando o recorrente desincumbir-se de seu ônus Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para declarar

probatório, deve responder subsidiariamente pelos débitos que a responsabilidade subsidiária do segundo reclamado alcança

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 107
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

tão somente as verbas trabalhistas devidas até o fim de gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.

fevereiro/2019. Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho), que

opinou pelo prosseguimento do recurso.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AÇÃO AJUIZADA APÓS A Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017 (RECURSO DO SEGUNDO julgamento).

RECLAMADO)

Reafirma o recorrente a impossibilidade de se deferir honorários

advocatícios no caso, pela não configuração das hipóteses Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno

previstas na Súmula nº 219/TST e na já cancelada OJ 305 da SDI- Relator

1. Destaca que o reclamante não se encontra assistido por

sindicado, nem fez prova de que não possui condições de pagar as

custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

família.

Cuida-se de ação ajuizada após a vigência da Lei nº 13.467/2017, MARIA APARECIDA FONSECA MATOS

devendo ser observado o regramento específico previsto no art. 791 Servidor de Secretaria

-A da CLT, que autoriza a condenação em honorários advocatícios


Processo Nº ROT-0000535-71.2018.5.10.0008
com base na mera sucumbência. Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO
Nesses termos, nego provimento ao recurso no tópico.
RECORRENTE LUIZA CARLA FERREIRA
ADVOGADO THIAGO DIAS MOTA(OAB: 35637/DF)
CONCLUSÃO RECORRIDO EMPRESA BRASILEIRA DE
SERVICOS HOSPITALARES -
Pelo exposto, conheço dos recursos interpostos e, no mérito, nego EBSERH
ADVOGADO JOAO LUIZ DOS SANTOS
provimento ao recurso da primeira reclamada e dou provimento FILHO(OAB: 16290/DF)
parcial ao recurso do segundo reclamado para limitar a condenação PERITO DENISE DUARTE PIRES

subsidiária que lhe foi imposta pelo juízo de origem ao mês de


Intimado(s)/Citado(s):
fevereiro/2019, inclusive. Tudo nos termos da fundamentação. - LUIZA CARLA FERREIRA
Mantido o valor arbitrado na origem à condenação.

É o meu voto.

PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO
ACÓRDÃO

EDRO 0000535-71.2018.5.10.0008 ACÓRDÃO 1ª TURMA 2020


Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da
Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Veiga Damasceno
Região, em conhecer dos recursos interpostos e, no mérito, negar EMBARGANTE: LUIZA CARLA FERREIRA
provimento ao recurso da primeira reclamada e dar provimento EMBARGADO: EMPRESA BRASILEIRA DE SERVICOS
parcial ao recurso do segundo reclamado para limitar a condenação HOSPITALARES - EBSERH
subsidiária que lhe foi imposta pelo juízo de origem ao mês de

fevereiro/2019, inclusive. Mantido o valor arbitrado à condenação na

origem. Tudo nos termos do voto do Des. Relator e com ressalvas EMENTA
do Des. Grijalbo Coutinho.

Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação EMBARGOS DECLARATÓRIOS. FINALIDADE.Os embargos
dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André declaratórios destinam-se a sanar vícios porventura existentes no
Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique julgado (arts. 897-A da CLT e 1.022 do CPC). O mero
Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; inconformismo enseja recurso próprio.
em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em

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Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

Nos termos do art. 897-A da CLT c/c art. 1.022 do NCPC, destinam-

RELATÓRIO se os Embargos Declaratórios a sanar obscuridade, contradição,

omissão ou erro material porventura existentes no julgado.

Trata-se de embargos de declaração opostos pela parte reclamante "A omissão que justifica opor embargos de declaração diz respeito

em face do acórdão proferido a fls. 1215/1232, por meio do qual a apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão

egrégia Turma decidiu conhecer do recurso ordinário interposto e, jurisdicional (arts. 897-A/CLT e 535-II/CPC). Não é omissão o Juízo

no mérito, negar-lhe provimento. não retrucar todos os fundamentos expendidos pelas partes ou

A embargante busca sanar os vícios que entende caracterizados no deixar de analisar individualmente todos os elementos probatórios

julgado. dos autos. A sentença é um ato de vontade do Juiz, como órgão do

É o relatório. Estado. Decorre de um prévio ato de inteligência com o objetivo de

solucionar todos os pedidos, analisando as causas de pedir, se

mais de uma houver. Existindo vários fundamentos (raciocínio

VOTO lógico para chegar-se a uma conclusão), o Juiz não está obrigado a

refutar todos eles. A sentença não é um diálogo entre o magistrado

e as partes. Adotado um fundamento lógico que solucione o binômio

ADMISSIBILIDADE "causa de pedir/pedido" inexiste omissão (Desembargador

Regularmente interpostos, conheço dos embargos declaratórios Fernando Américo V. Damasceno, o destaque é deste Relator). A

opostos. contradição, por sua vez, se dá quando presente uma incoerência

interna na decisão, podendo ocorrer na fundamentação, no

dispositivo, entre a fundamentação e o dispositivo, bem como entre

MÉRITO a ementa e o corpo do acórdão (MIESSA, Élisson. Processo do

Acusa a parte embargante a existência de omissões e contradições Trabalho. 3. ed. Salvador: JusPodivm, 2016, página 569). Já a

no acórdão, especialmente quanto à análise da "intermitência do obscuridade ocorre quando a decisão não é suficientemente clara a

contato do Trabalhador com os riscos apontados nos Laudos respeito de suas proposições e conclusão.

Periciais presentes nos autos e a completa fundamentação jurídica No caso, o acórdão consigna expressamente os motivos pelos

para afastar o reconhecimento do direito a percepção do adicional quais o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso interposto,

de insalubridade, apesar do reconhecimento do contato habitual destacando que "o laudo é claro ao constatar que a exposição da

permanente/intermitente do mesmo com pacientes portadores de obreira ao agente insalubre não era permanente. Ademais, o

doença infectocontagiosa em isolamento". Alega omissão também enquadramento legal deve ser feito pelo Juízo e não pelo perito,

pela "ausência de manifestação sobre os demais Laudos Periciais que tem a função de esclarecer os fatos, não de julgar", bem como

apresentados como Prova Emprestada, visto que os mesmos que "a função do perito é apurar o fato, e informar o seu

reforçam o contato permanente/intermitente do Reclamante (em enquadramento técnico. Mas o enquadramento legal é feito pelo

comparação com outros profissionais de mesmo cargo, Juízo. Se o laudo é claro ao constatar que a exposição do

função/atividade e lotação) com elementos ensejadores de empregado ao agente insalubre não era permanente, na forma da

insalubridade em grau máximo, nos termos do Anexo 14 da NR-15". jurisprudência pacífica do Eg. TST, o grau de insalubridade era

Afirma, ainda, a existência de contradição no acórdão, visto que "se médio".

não houve a negativa de que o Reclamante assistia a pacientes Assim, da mera leitura da petição de embargos extrai-se que, na

portadores e, tampouco, que as atividades com pacientes em verdade, a embargante investe contra o acerto da decisão,

isolamento por doenças infectocontagiosas não estão previstas nas buscando revolver a análise probatória realizada, com vistas a obter

Normas Regulamentadores do MTE, a conclusão do r. Acórdão novo pronunciamento acerca da questão já decidida, desta feita sob

embargado restou equivocada, motivo pelo qual enseja a correção a ótica que reputa mais adequada, com consequente reforma do

da contradição com a modificação do julgado para reconhecer a julgado, o que se revela inadmissível pela via eleita.

insalubridade em Grau Máximo e o pagamento das diferenças Destaco que o Juízo não é obrigado a rebater um a um todos os

remuneratórias, reformando-se a r. Sentença a quo". argumentos das partes, bastando a fundamentação válida de sua

Requer, assim, a concessão de efeitos modificativos aos embargos, decisão, o que ocorreu devidamente no caso concreto.

com a consequente reforma do julgado. Registro que os embargos de declaração não se prestam para

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 109
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

submeter o que foi decidido a um novo exame, como se se tratasse

de recurso capaz de modificar a prestação jurisdicional. Não pode a

parte, a pretexto de sanar um dos vícios de que trata os artigos 897-

A da CLT e 1.022 do CPC, valer-se dos embargos para obter um

novo pronunciamento jurisdicional, com a reforma do anterior, nem Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

tampouco para prequestionar matéria não discutida anteriormente

em suas peças processuais. A via estreita dos embargos ELIENNE SOUSA LIMA DANTAS

declaratórios não autoriza seu manuseio para impugnar a justiça da Servidor de Secretaria

decisão. Eventual erro no julgamento desafia recurso próprio.


Processo Nº ROT-0000864-06.2017.5.10.0821
Outrossim, registre-se de acordo com o entendimento do Col. TST, Relator ANDRE RODRIGUES PEREIRA DA
VEIGA DAMASCENO
cristalizado na O.J. nº 118 da SBDI-I: "havendo tese explicita sobre
RECORRENTE WEMERSON WAGNER SILVA
a matéria, na decisão recorrida, desnecessário contenha nela ADVOGADO GARDENIA DE OLIVEIRA
GOMES(OAB: 21552/GO)
referência expressa do dispositivo legal para ter-se como
RECORRIDO CEMAR TRANSPORTADORA E
prequestionado este". DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA
ADVOGADO LUIZ TADEU GUARDIERO
Assim, quando a questão, em sua inteireza, é apreciada em sede AZEVEDO(OAB: 116-B/TO)
recursal, tem-se por satisfeito o requisito do prequestionamento
Intimado(s)/Citado(s):
para fins de interposição de recurso de natureza extraordinária.
- CEMAR TRANSPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE
Assim sendo, inexistindo vício a ser sanado, nego provimento aos BEBIDAS LTDA

embargos.

CONCLUSÃO
PODER JUDICIÁRIO
Pelo exposto, conheço dos embargos declaratórios e, no mérito,
JUSTIÇA DO TRABALHO
nego-lhes provimento, nos termos da fundamentação.

É o meu voto.
EDRO 0000864-06.2017.5.10.0821 ACÓRDÃO 1ª TURMA 2020

RELATOR(A): Desembargador André Rodrigues Pereira da

ACÓRDÃO Veiga Damasceno

EMBARGANTE: WEMERSON WAGNER SILVA

Por tais fundamentos, ACORDAM os Integrantes da Egrégia EMBARGADO: CEMAR TRANSPORTADORA E DISTRIBUIDORA

Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima DE BEBIDAS LTDA

Região, aprovar o relatório, conhecer dos embargos declaratórios

opostos e, no mérito, negar-lhes provimento nos termos do voto do

Desembargador Relator. Ementa aprovada. EMENTA

Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), André EMBARGOS DECLARATÓRIOS. FINALIDADE.Os embargos

Damasceno, Grijalbo Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique declaratórios destinam-se a sanar vícios porventura existentes no

Blair. Ausentes, justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; julgado (arts. 897-A da CLT e 1.022 do CPC). O mero

em licença médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em inconformismo enseja recurso próprio.

gozo de férias, o Juiz convocado Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra.

Soraya Tabet Souto Maior (Procuradora Regional do Trabalho).

Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do RELATÓRIO

julgamento).
Trata-se de embargos de declaração opostos pela parte reclamante

Andre Rodrigues Pereira da Veiga Damasceno em face do acórdão proferido a fls. 385/388, por meio do qual a

Relator egrégia Turma decidiu conhecer do recurso ordinário interposto e,

no mérito, negar-lhe provimento.

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3080/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 110
Data da Disponibilização: Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020

A embargante busca sanar os vícios que entende caracterizados no com duração média de 10/12 horas por trecho, respeitando o limite

julgado. semanal de 44 horas" e que "O reclamante, por outro lado, não

É o relatório. produziu nenhuma prova a corroborar suas alegações iniciais,

sendo indevido, assim, o pagamento das horas extras pleiteadas,

bem como das horas noturnas, tempo de espera, domingos e

VOTO feriados, além de intervalos inter e intrajornada, como decidido pelo

juízo original". Em tal contexto, considerado o teor da decisão e,

ADMISSIBILIDADE principalmente, a prova dos autos, torna-se irrelevante a análise das

Regularmente interpostos, conheço dos embargos declaratórios normas coletivas apresentadas, razão pela qual não houve

opostos. pronunciamento expresso a esse respeito.

Assim, da mera leitura da petição de embargos extrai-se que, na

verdade, a embargante investe contra o acerto da decisão,

MÉRITO buscando revolver a análise probatória realizada, com vistas a obter

novo pronunciamento acerca da questão já decidida, desta feita sob

Acusa a parte embargante a existência de omissão no acórdão, a ótica que reputa mais adequada, com consequente reforma do

buscando o pronunciamento expresso desta Turma sobre a julgado, o que se revela inadmissível pela via eleita.

aplicação das CCTS juntadas aos autos. Destaco que o Juízo não é obrigado a rebater um a um todos os

Nos termos do art. 897-A da CLT c/c art. 1.022 do NCPC, destinam- argumentos das partes, bastando a fundamentação válida de sua

se os Embargos Declaratórios a sanar obscuridade, contradição, decisão, o que ocorreu devidamente no caso concreto.

omissão ou erro material porventura existentes no julgado. Registro que os embargos de declaração não se prestam para

"A omissão que justifica opor embargos de declaração diz respeito submeter o que foi decidido a um novo exame, como se se tratasse

apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão de recurso capaz de modificar a prestação jurisdicional. Não pode a

jurisdicional (arts. 897-A/CLT e 535-II/CPC). Não é omissão o Juízo parte, a pretexto de sanar um dos vícios de que trata os artigos 897-

não retrucar todos os fundamentos expendidos pelas partes ou A da CLT e 1.022 do CPC, valer-se dos embargos para obter um

deixar de analisar individualmente todos os elementos probatórios novo pronunciamento jurisdicional, com a reforma do anterior, nem

dos autos. A sentença é um ato de vontade do Juiz, como órgão do tampouco para prequestionar matéria não discutida anteriormente

Estado. Decorre de um prévio ato de inteligência com o objetivo de em suas peças processuais. A via estreita dos embargos

solucionar todos os pedidos, analisando as causas de pedir, se declaratórios não autoriza seu manuseio para impugnar a justiça da

mais de uma houver. Existindo vários fundamentos (raciocínio decisão. Eventual erro no julgamento desafia recurso próprio.

lógico para chegar-se a uma conclusão), o Juiz não está obrigado a Outrossim, registre-se de acordo com o entendimento do Col. TST,

refutar todos eles. A sentença não é um diálogo entre o magistrado cristalizado na O.J. nº 118 da SBDI-I: "havendo tese explicita sobre

e as partes. Adotado um fundamento lógico que solucione o binômio a matéria, na decisão recorrida, desnecessário contenha nela

"causa de pedir/pedido" inexiste omissão (Desembargador referência expressa do dispositivo legal para ter-se como

Fernando Américo V. Damasceno, o destaque é deste Relator). A prequestionado este".

contradição, por sua vez, se dá quando presente uma incoerência Assim, quando a questão, em sua inteireza, é apreciada em sede

interna na decisão, podendo ocorrer na fundamentação, no recursal, tem-se por satisfeito o requisito do prequestionamento

dispositivo, entre a fundamentação e o dispositivo, bem como entre para fins de interposição de recurso de natureza extraordinária.

a ementa e o corpo do acórdão (MIESSA, Élisson. Processo do Assim sendo, inexistindo vício a ser sanado, nego provimento aos

Trabalho. 3. ed. Salvador: JusPodivm, 2016, página 569). Já a embargos.

obscuridade ocorre quando a decisão não é suficientemente clara a

respeito de suas proposições e conclusão. CONCLUSÃO

No caso, o acórdão consigna expressamente os motivos pelos Pelo exposto, conheço dos embargos declaratórios e, no mérito,

quais o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso interposto, nego-lhes provimento, nos termo