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UMA ABORDAGEM TECNOLÓGICA, BIOPSICOSOCIAL, EDUCACIONAL E
ESPIRITUAL, DO USO, CONTEÚDO E INFLUÊNCIA DA TV, VÍDEOS, GAMES E
INTERNET, DENTRO DE UMA ÉTICA E COSMOVISÃO CRISTÃS

Por:
Jorge N. N. Schemes

INTRODUÇÃO
No início do século XXI, denominado por muitos como o século da
informação, a televisão ainda continua no “palco”, exercendo fascíneo e certo
“encantamento”. Considerada, no passado, um “milagre” tecnológico, a tevê
tornou-se um hábito. Hoje, o problema não está só “no que” as pessoas
assistem, mas “no fato de assitirem” televisão. Uma pesquisa do Target
groups Index revelou que 55% dos brasileiros assistem pelo menos 15 horas
de televisão por semana. Outro estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas
Norte-Americano NOP World revelou que a média semanal que o brasileiro
assiste televisão é de 18,4 horas. O Instituto avaliou o “consumo cultural” em
30 páises e constatou que o principal entretenimento do povo brasileiro é a
televisão. O Brasil ficou em 2º lugar em “consumo” de rádio, 8º de televisão,
9º de Internet e 27º de leitura. Além das 18,4 horas assistindo tevê, o brasileiro
fica em média 17,2 horas por semana ouvindo rádio; 10,5 horas usando o
computador somente para entretenimento; e apenas 5,2 horas semanais lendo.
Embora a televisão tenha a preferência entre os meios de comunicação de
massa deixou de atuar sozinha e ganhou aliados poderosos, como: videogames
de última geração, videocassetes, DVDs e microcomputadores, cada vez mais
sofisticados, interativos e fáceis de se adquirir.
Há quem vaticine que este será o século do “computador quântico”, do
“chip do futuro”, feito à base de neurônios e DNA (ácido
desoxirribonucléico), o século das imagens tridimensionais e holográficas, da
realidade virtual-interativa, enfim, o século da comunicação. E a previsão é de
que, nessa “era do conhecimento”, as pessoas cada vez mais se voltarão para a
sua “cabana eletrônica”. Inegavelmente, vivemos hoje uma verdadeira
“revolução microeletrônica”, chamada também de “a terceira onda
tecnológica”, a qual surgiu depois da revolução industrial e da revolução
científico-tecnológica, que decorreu da utilização da eletricidade e dos
derivados do petróleo. Mas, por outro lado, há aqueles que predizem,
principalmente nas grandes metrópoles, que o século XXI também será o

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século do individualismo brutal, da competitividade gananciosa e consumismo


desenfreado, dos relacionamentos transitórios e virtuais; o século do
descartável, da solidão, da angústia e do vazio existencial. Isso revela que
embora a tecnologia tenha os seus benefícios, ela é incapaz de substituir o
lugar de Deus na vida humana.
Todavia, para o povo de Deus espalhado pela face da terra, existe a
esperança de que o novo século seja o tempo no qual veremos Jesus voltar em
glória e majestade. Mas, infelizmente, até a própria bendita esperança do
segundo advento já foi relacionada com a TV. Pelo menos na visão de Chen
Heng-Ming e seus seguidores. Chen, um líder religioso que deixou Taiwan
para viver no Texas (EUA), passou os últimos anos afirmando que Deus
deveria aparecer na tevê, a nível mundial, no dia 24 de março de 1998, para
anunciar a sua chegada na terra. Tal crença levou todos os seus fiéis
seguidores a ficaram 24 horas com os olhos pregados na televisão. Claro que
nada aconteceu. Chen teve de se desculpar publicamente pelo “equívoco”,
mas, mesmo retratando-se, ele insistiu em marcar novas datas e dizer que
Deus chegará primeiramente na TV, quando retornar neste planeta. Ele tornou
o seu “deus” dependente da TV, mas, para o cristão, Deus é todo poderoso e
onipresente. A Sua Santa Palavra nos dá a promessa e a certeza de que Ele “...
vem com as nuvens, e todo o olho o verá,[...]” (Apocalipse 1:7). Todavia, é
necessário ter cuidado para, como os seguidores de Chen, não ficarmos 24
horas por dia na frente da telinha, substituindo o culto, a adoração, o louvor, o
estudo da bíblia e a oração, pelos programas mundanos e profanos da
televisão. Enfim, é necessário cuidar para que a TV e os entretenimentos
eletrônicos não roubem o tempo que deve pertencer às coisas de Deus e
destruam nossa comunhão pessoal com Jesus.
A sociedade do terceiro milênio é marcada pela constante evolução
tecnólogica e mudança de paradigmas; hoje, é impossível estar 100%
atualizado, as mudanças são constantes e rápidas. Só para se ter uma idéia,
atualmente, a cada 18 meses os microcomputadores quadruplicam sua
capacidade. Inevitavelmente essas mudanças externas têm levado a mudanças
internas profundas, modificando comportamentos, atitudes, valores e crenças.
É aí que devemos tomar cuidado e estar conscientes e preparados físicamente,
mentalmente, emocionalmente, socialmente e espiritualmente, para que a volta
de Jesus não nos apanhe de surpresa. Ele mesmo nos advertiu: “E acautelai-
vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que os vossos corações
fiquem sobrecarregados com as consequências da orgia, da embriaguez e das
preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós
repentinamente, como um laço.” (Lucas 21: 34). Parafraseando essa
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admoestação ao tema proposto, leríamos: “E acautelai-vos por vós mesmos,


para que nunca vos suceda que as vossas mentes fiquem sobrecarregadas e
enfraquecidas com as consequências das diversões e entretenimentos, dos
vícios eletrônicos e das programações mundanas das emissoras de TV, e para
que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço”.
Vivemos na era da informação imediata e do relacionamento cada vez
mais estreito do homem com as “máquinas”, especialmente as que produzem
imagens, sons e cores. E como povo de Deus, não podemos ficar indiferentes a
tudo isso, muito menos assumir uma postura passiva diante da qualidade e do
conteúdo transmitido pelos meios de comunicação audiovisual. Não podemos
permitir que esses meios enfraqueçam nossa fé e esperança. Mas para muitos,
a posse de um aparelho de TV, de um videocassete ou DVD, de um
videogame ou ainda de um computador, é um sinônimo de empecilho na
busca de um comportamento sadio, construtivo e equilibrado, bem como de
uma vida espiritual frutífera e comprometida com Cristo. Outros, porém, são
capazes, pela graça divina, de controlá-los e selecionar os seus conteúdos.
Embora me pareça que estes pertençam um grupo bem pequeno, o qual pode
ser incluído na categoria de heróis (principalmente no que diz respeito à TV,
devido a sua popularidade).
Meu objetivo não é condenar quem quer que seja pelo simples fato de
possuir um desses aparelhos. Muito menos ir contra a tecnologia informativa.
Todavia, é bom lembrar que a mesma faca que serve para ser usada como um
instrumento de utilidade doméstica pode também ser usada para ferir e matar.
Creio que essa premissa pode ser aplicada também aos meios de comunicação
mencionados neste livro, do ponto de vista espiritual. Entretanto, cada um
deve avaliar, com muita honestidade, até onde estes meios de comunicação
estão afetando o seu comportamento, modificando os seus valores e
influenciando nas suas crenças, bem como de sua família, e de um modo
particularmente especial, dos seus filhos e filhas.
Devemos como cristãos ser equilibrados em tudo: no comer, no beber,
no vestir, no falar, etc., e isso também inclui o uso desses aparelhos de
comunicação e seus conteúdos. Para isso, o primeiro passo é sermos objetivos
e sinceros conosco e fazermos um autoquestionamento e uma autoavaliação,
levantando algumas perguntas, tais como:
 Quanto tempo eu e minha família estamos dedicando à televisão e/ou
internet?
 Compensa dedicar tanto tempo a um aparelho de televisão e/ou
computador?
 Realmente conseguimos controlá-los?
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 Posso, como cristão, fazer uso indiscriminado destes poderosos veículos de


comunicação?
 Que fatores e/ou princípíos devo levar em conta quanto aos conteúdos
veiculados na televisão, vídeos, games e internet?
 Existe alguma coisa em minha vida, que traduz os valores anticristãos
transmitidos pelos meios de comunicação de massa eletrônicos?
 Há membros de minha família que imitam ídolos e heróis proclamados
pela mídia eletrônica e idolatrados pelo mundo?
Estas são apenas algumas questões que podem e devem ser suscitadas.
Não tenho a pretensão de invalidar por completo as utilidades da televisão, do
vídeo e dos microcomputadores. Muito menos o objetivo de ser alarmista ou
incitar ao fanatismo. Mas, meu sincero desejo é deixar uma mensagem de
advertência e alerta, bem como um apelo para que se use o senso crítico-
espiritual diante “das telinhas eletrônicas”, pois temos uma vida eterna a
ganhar ou a perder. Faz bem considerar que a tecnologia em si não é má, ela
tem as suas utilidades e, dependendo da finalidade, é até essencial. O
problema real não está nos aparelhos em si, mas no conteúdo e na maneira
como se faz uso desse conteúdo. Sem mencionar a quantidade de tempo que se
gasta com esses eletro-eletrônicos digitais. Para tanto, além das informações
tecnológicas, é feita neste livro uma análise biopsicosocial, educacianal e
espiritual, o que envolve os seguintes aspectos e objetivos:
 Informações tecnológicas – Envolve a tecnologia informativa e os
avanços tecnológicos no mundo da comunicação eletrônica digital.
Considerando a rapidez das mudanças tecnológicas, estou consciente
que muitas informações contidas nesse livro sobre os avanços da
tecnologia da comunicação, logo estarão obsoletas. Por isso, a
referência aos aparelhos eletrônicos é utilizada mais a título de
curiosidade, informação e contextualização das possibilidades atuais e
futuras da comunicação.

Ao propor uma abordagem “biopsicosocial”, estou me referindo a três


aspectos importantes do desenvolvimento humano: 1- Aspecto biológico; 2-
Aspecto psicológico; 3- Aspecto social. Vejamos cada um:

 Bio – Abrange os aspectos biológicos do desenvolvimento humano.


Tem a ver com a vida e sua relação com os instrumentos e as
informações eletrônicas. Esse aspecto é explorado devido a sua
abrangência e interligação com o meio social e o aspecto psicológico,
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principalmente quanto se fala no cérebro humano.


 Psico – O termo deriva da palavra psicologia, a ciência que estuda o
comportamento humano. Uma vez que as tecnologias informativas
exercem forte pressão e influência sobre o comportamento humano,
alterando-o positivamente ou negativamente, para o bem ou para o mal
do indivíduo, por isso faz-se necessária uma abordagem nesse aspecto
também. Para isso, são utilizadas fontes de pesquisas e estudos
científicos, ligadas e relacionadas com as referidas tecnologias
informativas.

 Social – Diz respeito aos aspectos sociológicos do desenvolvimento e


comportamento humano, e a interação do indivíduo com o meio-
ambiente frente ao bombardeio de informações veiculados nos meios de
comunicação eletrônico. Refere-se ao lado social da educação. São
utilizados dados estatísticos e experimentos científicos para verificar
qual a relação que existe entre o processo de socialização humana e os
meios de comunicação eletrônicos. Esse aspecto também envolve
“posturas políticas” diante dos meios de comunicação de massa, e está
muito relacionado com a psicologia.
.
 Educacional – Ao propor uma análise educacional, estou me referindo à
necessidade de uma “educação crítica para a mídia eletrônica digital”,
ou se for o caso, uma “reeducação”. É essencial levar em conta a
importância e a necessidade de aprender a se relacionar com a
informação, e de ensinar nossas crianças e adolescentes a fazer bom uso
dos veículos de comunicação filtrando os conteúdos. Nessa interação
com as tecnologias da informação, também é importante desenvolver
um espírito crítico e ter um compromisso ético, moral e espiritual bem
fundamentado.

 Espiritual – Primeiramente é necessário esclarecer que esse aspecto está


fundamentado na crença cristã. Os parâmetros espirituais estão
baseados na solidez da Palavra de Deus, a Bíblia. É feita uma
abordagem dos perigos que a má qualidade e a má influência de certos
conteúdos transmitidos podem ter na vida espiritual do cristão. Quando
a tecnologia informativa substitui o tempo de comunhão com Deus, ou
quando se permite que crianças e adolescentes absorvam tudo que vêem
na mídia eletrônica, sem nenhum critério de seleção ou ética cristã, é
hora de parar, orar, dialogar sobre o assunto e tomar decisões.
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Generalizando, são analizados os perigos e armadilhas do inimigo na


mídia eletrônica e suas implicações espirituais na vida daqueles que
utilizam as tecnologias da comunicação sem nenhum senso crítico-
espiritual ou fora dos princípios estabelecidos pela Palavra de Deus.

Com exceção do aspecto tecnológico, os aspectos biológico,


psicológico, social, educacional e espiritual abrangem o ser humano em sua
totalidade, ou seja: físico (corpo), mente (intelectual e emocional), caráter
(personalidade, hábitos e comportamento) e espírito (religiosidade).
Lembrando que, todos os aspectos estão interligados, e que quando um é
afetado, seja de maneira positiva ou negativa, os outros também o são. Ao
afirmar que a abordagem “tecno/bio/psico/socio/educacional e espiritual” será
feita dentro da cosmovisão cristã isso não significa exclusão de outras crenças.
Muito menos, que o tema será abordado de maneira puramente
denominacional. Mas significa que o assunto será analisado do ponto de vista
bíblico, uma vez que as bases e as estruturas doutrinárias da igreja cristã estão
enraizadas unicamente na Santa Palavra de Deus (Sola Scriptura).
Entenda-se por “cosmovisão”, uma expressão que siginifica a maneira
como o povo de Deus vê o cosmos (o mundo, o universo), e os acontecimentos
que nele ocorrem, sejam fatos de ordem social, científica, política, econômica,
religiosa ou espiritual. Essa cosmovisão, ou visão de mundo, é toda
abrangente e interligada. Não há um só episódio que seja isolado do todo. A
ordem dos acontecimentos e a maneira como eles ocorrem é ditada pela
providência Divina e Sua soberania na história humana, bem como pela lei da
“dialética espiritual”. Essa dialética espiritual envolve cada ser humano em
particular, influenciando-o, ou para o bem, ou para o mal. Não há ninguém
nêutro, e tudo que ocorre tem uma finalidade que servirá aos propósitos de
Deus ou de Satanás. Porém, a Palavra de Deus assegura que ao final do drama
entre estes dois poderes antagônicos, prevalecerá a vontade e os planos do
Altíssimo. A dialética espiritual, chamada também de “o grande conflito” é
travada constantemente, não há trégua, e o campo de batalha é a mente
humana. Esse grande conflito é mais bem entendido quando se tem uma idéia
clara da batalha cósmica-espiritual que começou no céu entre Cristo e Satanás,
entre as forças espirituais do mundo celestial lideradas pelo Cordeiro de Deus,
e as potestades das trevas, lideraradas pelo Dragão. Tal batalha cósmica
perdura até hoje, e envolve a todos nós. Como escreveu Paulo: “Porque nós
não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do
mal que vivem no mundo celestial, isto é, os governos, as autoridades e os
poderes do universo, desta época de escuridão. Por isso peguem agora a
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armadura de Deus. Assim, quando chegar o dia de enfrentarem as forças do


mal, vocês poderão resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutarem até o
fim, vocês ainda continuarão firmes, sem recuar”. (Efésios 6:12-13)
É dentro desta cosmovisão que você deve ler este livro, tendo
consciência de que o grande conflito também está presente na mídia eletrônica
digital. Os conteúdos, informações e imagens veículados não são mensagens
vazias de significado e propósitos. À medida que avançamos para o
cumprimento das profecias finais, à medida que a segunda vinda de Jesus
Cristo fica mais próxima, o diabo acenderá todos os “holofotes” possíveis para
desviar a nossa atenção das coisas de Deus. Muitos estão sendo iludidos pelos
“holofotes coloridos” do maligno, outros, estão intoxicados com o excesso de
informação maligna ou inútil veiculada na mídia eletrônica e, o que é pior,
vazios de espiritualidade. Permita-me propor uma alternativa antes de você
continuar lendo. Que tal fazer uma reflexão “mais limpa” durante a leitura
deste livro? Como? Sugiro que você mantenha o propósito de não assistir nada
na TV aberta ou por assinatura, não usar o vídeo ou DVD, Smartfone com
seus aplicativos, nem Games ou Internet enquanto estiver fazendo essa leitura.
Ou ainda: estabeleça em seu coração a determinação de ficar uma semana sem
usar esses aparelhos, será uma semana experimental. Converse com a sua
família e convide-os para aproveitar melhor o tempo junto para passear, orar
mais, ler e estudar mais a Bíblia, fazer o culto doméstico, testemunhar, enfim,
promover a união da família, fazer uma reconsagração ao Senhor Jesus e uma
avaliação de como está o seu grau de envolvimento com a TV e seus
“aliados”. De qualquer forma, oro a Deus, para que este livro o ajude a
priorizar o que realmente importa: “O Reino de Deus e a Sua Justiça”.

Cordialmente:
Jorge N. N. Schemes

CAPÍTULO I
A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DAS IMAGENS

IMAGENS EM MOVIMENTO
Depois do impacto das ondas sonoras transmitidas pelo Rádio, os
franceses Auguste e Louis Lumière, os lendários irmãos Lumière da cidade de
Lyon na França, foram os grandes responsáveis pelo surgimento e
popularização das imagens cinematográficas. Tudo começou quando seu pai,
Antoine Lumière adquiriu a invenção patenteada por Thomas Edison,
conhecida pelo nome de cinetoscópio (um móvel de mais de um metro de
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altura, parecido com uma cômoda e que pesava 50 quilos). O cinetoscópio


projetava imagens em movimento em seu interior, porém com alguns
solavancos, o que prejudicava a qualidade das imagens, que, além do mais, só
podiam ser vistas individualmente.
O cinetoscópio fascinou Louis Lumière, que resolveu aperfeiçoar a
invenção de Edson. Logo ele esboçou novos dispositivos que seriam mais
eficazes na projeção, resultando em imagens muito mais nítidas. Não demorou
muito para que um novo protótipo de câmera, o “cinematógrafo”, pesando
apenas cinco quilos, estivesse pronto. Louis foi um homem de visão fantástica,
além de seu tempo. Ele costumava dizer que o futuro estava em imagens
projetadas na tela para mais de uma pessoa. Todavia, o que deu notoriedade a
essa invenção, além da superioridade nas imagens e do tamanho, foi o fato de
que a mesma máquina poderia ser usada tanto para filmar como para projetar.
A partir de 1895, quando foi registrada uma patente em nome dos
irmãos Lumière, “o mundo” passou a ser visto em telas com imagens em
movimento. No mesmo ano foi apresentado ao público o primeiro filme
realizado com o protótipo construído, seu título era: “A saída dos operários da
fábrica Lumière”. Tive a oportunidade de assistí-lo em vídeo, e nada mais é do
que uma filmagem de pessoas saindo de uma fábrica, algo monótono para os
nossos dias, mas uma verdadeira fascinação para aquela época.
Os Lumière não imaginavam a verdadeira revolução que essas
primeiras imagens causariam na sociedade. Logo se seguiram outros filmes e
documentários, incluindo o famoso “O Ragador Regado”, que foi na realidade
a primeira filmagem dos irmãos Lumière, os quais se tornaram os primeiros
diretores de uma nova forma de arte, o cinema.
Imagens de cavalos, carruagens e locomotivas em movimento
começaram a serem apresentadas ao povo. O domínio da imagem
movimentada na sociedade estava dando os seus primeiros passos. Na
primeira apresentação pública foram vendidos apenas 33 ingressos, porém nas
que se sucederam, foram vendidos uma média de dois mil ingressos por dia.
Eram realizadas aproximadamente 18 projeções diárias para atender a
demanda, e mesmo assim eram insuficientes. As pessoas estavam
maravilhadas, muitas delas assombradas com o que viam. Um exemplo dessa
fascinação e assombro ocorreu quando foi projetado o filme: “A Chegada do
Trem à Estação Ciotat”, durante a exibição muitos espectadores “tomados
pelo pânico”, saltavam de suas poltronas “com medo de serem esmagados pela
locomotiva”.
Essa reação do público levou os operadores de câmaras a darem o
seguinte aviso antes da projeção: “Atenção todos, os cavalos e locomotivas
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não podem sair da tela”! Para nós hoje, tão acostumados com o mundo das
imagens em movimento, esse aviso parece uma piada. Todavia, para aquela
época, era realmente necessário. Até mesmo por questões de segurança. Por
exemplo, quando foram feitas filmagens e apresentações na Rússia, a platéia
ficou tão chocada e apavorada quando viram as imagens gigantescas da
coroação do Czar Nicolau II, que chegaram a acreditar que o operador da
câmara era o próprio Satanás, em carne e osso. O tumulto se formou quando
alguém gritou: “bruxaria”! O operador teve que fugir para não ser linchado, e
no dia seguinte a população incendiou o teatro para, segundo eles, exorcizar o
demônio.
Essa foi uma atitude drástica marcada pela “ignorância tecnológica e
cinematográfica” daquela geração. Porém, ela parece ser uma atitude
profética, pois depois de tantos anos as imagens do cinema realmente se
tornaram num instrumento diabólico, e na maioria das vezes, “quem realmente
está por trás das produções”, é o próprio Satanás. Ele tem conseguido instilar
com sucesso suas idéias e doutrinas na mente de “grandes” diretores do
mundo do cinema, e por meio de seus filmes, denegrir e banir a crença cristã
dos corações.
Em 1900, Quando houve a Exposição Universal em Paris, os Lumière
contruíram uma tela de 21 metros de largura por 18 de altura. Seu objetivo era
tornar o cinematógrafo a principal atração da exposição. O que foi alcançado
sem muitas dificuldades. Durante meses, cerca de 8 milhões de pessoas viram
a exibição de 150 filmes dentro de um amplo e confortável teatro. Não
demorou muito para que as novas câmaras fossem produzidas em grande
quantidade e se espalhassem pelo mundo. Além, é claro, da produção de
patentes de máquinas concorrentes, o que tornou as imagens cinematográficas
ainda mais populares. Apenas os operadores Lumière produziram mais de
2.000 filmes. Os assuntos variavam desde lutadores Javaneses e as pirâmides
do Egito, até as colheitas de arroz no Japão. Todos refletiam a realidade, eram
verdadeiros documentários, fontes de educação, cultura e bom entretenimento.
Sem dúvida nenhuma, a contribuição cultural dos irmãos Lumière foi
fantástica. No entanto, como filhos e filhas de Deus, devemos refletir e
levantar algumas questões básicas sobre a realidade do cinema hoje.
Atualmente, essa tão importante invenção, não está sendo mais utilizada para
a divulgação da cultura propriamente dita, mas de uma contracultura,
destituída dos valores cristãos, da ética e da verdadeira moral. É fundamental
perguntar, se a assim chamada sétima arte, estaria mais comprometida com os
princípios do reino de Deus ou de Satanás? Desafortunadamente, o que o
cinema atual tem divulgado, está mais para o pós-cristianismo do que para o
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cristianismo bíblico.
Após impor-se como meio de comunicação, o cinema teve seu maior
impulso a partir da década de 30. Inicialmente, era apenas um meio de
entretenimento e recreação destituído de voz (cinema mudo), mas hoje,
ganhou outras dimensões e outros objetivos. Hoje, há cinemas para todos os
gostos e públicos, desde os culturais até cines gays. O fato é que atualmente, a
mentalidade pós-cristã, aquela que anula os princípios da Palavra de Deus, é
que predomina, ou na maioria dos casos domina, as grandes produções
cinematográficas.

O ADVENTO DA TELEVISÃO
Depois do gigantesco passo dado pelos irmãos Lumière e do impacto do
cinema na vida de milhões de pessoas, a televisão seria outra “revolução
visual” que marcaria as nações de todo o planeta, e causaria profundas
transformações no pensamento, cultura, costumes e valores, principalmente
das sociedades mais desenvolvidas, afetando direta ou indiretamente as igrejas
cristãs. O advento da televisão, bem como a sua rápida popularização,
tornando-se o principal meio de comunicação de massa e formação de opinião,
conquistou lares e corações e causou um segundo impacto na maneira de “ver”
o mundo. Enquanto os crentes em Cristo discutiam se deviam ou não deviam
ir ao cinema, as mensagens e os conteúdos do cinema passaram a ser
apresentados dentro de suas próprias casas por meio da televisão. Ela passou a
ser uma atraente companheira de seus lares: colorida, rude, mordaz e
consumidora de tempo.
A TV pode ser considerada como uma invenção relativamente recente.
“Em 1926, o escocês John Logie Baird (1888-1946) fez a primeira
demonstração pública da televisão. Três anos antes, porém, o engenheiro
russo-americano Vladimir Zworykin (1889-1982) inventara o tubo eletrônico
de câmera (iconoscópio), que é a base dos aparelhos de televisão usados até
hoje”. A TV começou com o formato de um grande tubo, cheio de válvulas e
no máximo em duas cores, preto e branco. Adquiriu popularidade nas décadas
de 40 e 50, quando ela começou a ser aperfeiçoada. Não demorou muito para
que ela se tornasse o objeto dos sonhos de consumo dentro das sociedades
capitalistas, contrariando as previsões mais pessimistas, como a do cineasta
Americano Darryl F. Zanuck (1902-1979), o qual disse que “a televisão não
poderia se manter muito tempo no mercado. Pois as pessoas logo se cansariam
de passar toda a tarde olhando um caixote”. Assim, vencendo a expectativa de
Zanuck, inicialmente a TV foi implantada nos países mais ricos como os
Estados Unidos, Inglaterra e França, para depois chegar aos países em
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desenvolvimento como o Brasil, que desde a década de 50, com o surgimento


da TV Tupi, começou a industrializar televisores num ritmo sempre crescente.
Como era de se esperar, a TV também conquistou o coração e os lares do povo
brasileiro. Segundo as estatísticas, “existem hoje mais de 800 milhões de
aparelhos de televisão num mundo de quase seis bilhões de habitantes. Mais
de 90% dos lares europeus e norte-americanos têm um receptor. No Brasil,
cerca de 75% das casas possuem televisor”. Não é por acaso que, pelo menos
uma parcela do povo brasileiro, “prefere tomar água morna” (falando de
maneira irônica) do que deixar de ver TV. Isso porque o nosso país tem mais
televisores do que geladeiras, apesar do clima tropical. São mais de 42
milhões de residências que têm pelo menos um aparelho de TV. Segundo uma
pesquisa por amostra de domicílios, realizada em 1996/1997 em todo território
nacional, ficou constatado que o número de domicílios com aparelho de TV
era de 84,3%. E com geladeiras, 78,2%. Atualmente esta estatística
praticamente não mudou. Dados do IBGE de 2002 constataram que o número
de domicílios com geladeira ainda é inferior em relação aos que possuem
televisor, ou seja: 86,7% possuem geladeiras e 89,9% possuem televisores.
Outro levantamento feito pelo IBOPE em 2001, também confirmou que no
Brasil a TV é o aparelho preferido, o bem precioso, o elemento essencial do
dia-a-dia, algo do qual a população não abre mão. O estudo revelou que nove
entre cada dez lares contavam com um receptor. O resultado é que todos os
dias 81% da população brasileira assistia a TV. Na pesquisa do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2002), ficou demonstrado que este
índice subiu, ou seja: 94% dos 42,8 milhões de domicílios brasileiros têm pelo
menos uma televisão.
Isso revela que em nossa sociedade e cultura, a televisão passou a ser
mais importante do que qualquer outro eletrodoméstico. Nunca ouvi falar que
outro aparelho merecesse e tivesse sua “salinha exclusiva” com cadeiras
cativas. As tevês dão tantas alegrias, provocam tantas emoções, ensinam tanta
coisa às pessoas que não podem simplesmente ser chamadas de aparelhos. Às
vezes fazem mais companhia do que um ser humano, outras chegam a se
tornar fetiches. No Brasil não é incomum perceber os barracos de favelas
(onde muitas vezes se passa fome) possuírem antenas parabólicas para uma
melhor recepção de TV.
Se em nosso país há mais televisores dentro de casa do que geladeiras,
nos Estados Unidos da América o número de lares que possuem um aparelho
de televisão é maior do que o de casas com água encanada. E na maioria deles,
o televisor fica ligado cerca de sete horas por dia. E o que é pior, um em cada
oito adultos confessa ser viciado em televisão, segundo relatório do periódico
11 Por: Jorge N. N. Schemes
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americano New Yorker. No Brasil a dependência da TV não parece muito


diferente da realidade americana. Segundo estudos divulgados pela UNESCO,
a média brasileira está entre as maiores do mundo, quatro horas por dia na
frente da telinha. Diante dessa realidade, deveríamos no mínimo perguntar:
será que esta estatística não está incluindo também o povo de Deus?

O AVANÇO TECNOLÓGICO CONTINUA


O surgimento das antenas parabólicas e sua aplicação doméstica nos
Estados Unidos na década de 70, proporcionando a seus usuários o privilégio
de acompanhar o que vai pelo mundo das imagens no mesmo instante em que
entram no ar, provocou uma verdadeira revolução nas comunicações. A febre
contagiou todo mundo. O fato das antenas permitirem captar emissões de TV
do mundo inteiro abriu espaço a mudanças culturais capazes de influir
profundamente no perfil das sociedades do futuro. Quando um aparelho de TV
está ligado a uma antena parabólica e ela está voltada para a órbita de
determinado satélite é como se uma verdadeira avenida se abrisse para as
ondas eletromagnéticas. Elas partem da estação rumo ao espaço atingindo o
satélite que as reflete para a terra, onde são colhidas pelo prato da antena
parabólica. Essa trajetória está livre de interferências, e o resultado obtido é
mais nitidez na imagem e no som. Tal vantagem nem sempre é o principal
motivo que leva alguém a adquirir uma parabólica. A televisão a cabo, que
surgiu por volta de 1948 nos Estados Unidos e no Brasil em 1976, é outro
sistema de transmissão de TV que trafega pelos fios, como um telefonema, por
isso propicia muito mais qualidade de imagem, pois o sinal segue diretamente
do estúdio ao aparelho de TV, sem intermediações de qualquer espécie. Se for
assim, parece que a razão pela qual muitos preferem instalar a parabólica ou
receptor em casa está mais relacionada com a cultura do que com a técnica.
Na visão de Alvin Toffler, autor de “A Terceira Onda”, o homem do final do
século XX está criando o que ele denominou de “infosfera”, isto é,
independente de fronteiras, nacionalidades ou correntes políticas, um número
crescente de habitantes do planeta Terra está se aproximando “via
informação”. Por isso, saber o que está acontecendo a todo o momento ao
redor do mundo já passou a fazer parte do cotidiano nas sociedades modernas.
O próprio aparelho de televisão vem passando por constantes
modificações. Quando a TV à cores se tornou popular, quase que ao mesmo
tempo as válvulas foram substituídas pelos “Chips”. Em mais de trinta anos
de existência, a televisão em cores revoluciou os hábitos das pessoas em todo
o mundo, mas tudo indica que sua era está chegando ao fim – pelo menos para
indústria. Aos poucos, sem que os telespectadores se dêem conta, o aparelho
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de televisão está passando por uma verdadeira “cirurgia plástica”. Sua forma
está diferente, seus recursos são muito mais variados. O velho tubo de imagem
dos aparelhos convencionais logo terá aposentadoria definitiva, pois já está
sendo substituído por tevês de tela plana e cristal líquido, e pela TV digital ou
HDTV (High Digital Television). Além do tradicional controle remoto, a
HDTV tem alta definição de som estereofônico (possibilita diferenciar na TV
sons graves e agudos e distinguir os diversos instrumentos de uma orquestra),
e um sistema de alta definição de imagens proporcionais às do cinema, em
termos de qualidade. Numa televisão digital, os filmes feitos com cameras de
cinema não precisam ser cortados, pois seu formato é compatível com os
novos televisores. Assim, a imagem não é só melhor como tem oito vezes
mais informação. Por exemplo, um filme de 35 milímetros projetado em
cinema comporta dez vezes mais informação que o mesmo filme projetado na
televisão e dezessete vezes mais do que uma cópia feita em videocassete. Por
isso o aparelho de TV digital tem o dobro da resolução dos televisores
normais e formato de tela de cinema (retangular), com a proporção de 16/9
(para cada 16 centímetros de largura, 9 de altura). Essa mudança na tela da TV
não está ocorrendo por acaso, há muita pesquisa feita por especialistas em
fisiologia óptica. Um desses centros de pesquisa é o Conservatoire National
des Arts et Mértiers, em Paris, na França. Para eles, “o novo formato não só
permite a exibição de filmes na sua totalidade, como também se adapta muito
melhor à visão humana. É óbvio, ainda que pouca gente perceba que o nosso
mundo é horizontal. Primeiro porque nossos olhos são dispostos lado a lado.
Segundo, porque estamos acostumados a tratar dados que chegam das laterais
(pessoas, carros, etc.), mais do que de cima para baixo. Esta diferença de
proporções alarga a tela atual sem aumentá-la em altura. Como um espectador
deve se situar a uma distância máxima de três vezes a altura da tela para se
sentir envolvido pela imagem, a uma distância equivalente preenche-se mais o
campo visual olhando para uma tela retangular do que para uma quadrada (o
formato é retangular porque o mundo, a nossos olhos é horizontal). De fato, a
tela em 16/9 ocupa 30% deste campo, enquanto a de um aparelho normal
(4/3), ou seja, limita-se a 10%.
As mudanças no formato do aparelho de TV envolvem até mesmo
aspectos psicológicos. Mas as mudanças não ficam apenas na estética, com o
sistema de alta definição digital (HDTV), é possível exibir imagens em
câmara lenta, sintonizar vários canais ao mesmo tempo em partes diferentes da
tela e até congelar imagens durante a transmissão. Ao pressionar uma tecla do
controle remoto do televisor digital, o telespectador vê uma pequena janela
aparecer no canto da televisão. Embora não emita som, essa janela pode ser
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congelada, ou exibir imagens transmitidas por um aparelho de videocassete ou


ainda por uma câmera de segurança instalada na entrada da casa.
Foram os japoneses que começaram as pesquisas sobre alta definição,
assim que os televisores preto e branco se tornaram obsoletos, há mais de
trinta anos. Os europeus entraram na disputa na década de 80, e os americanos
vieram pouco tempo depois. No projeto Norte Americano de digitalização, a
cor e a luz da tevê têm o mesmo sistema usado na informática, o que promete
subverter a relação entre espectador e emissor. Mesmo para os produtores as
possibilidades de um processo digital são ilimitadas, pois a imagem pode ser
alterada mesmo depois de gravada. Se o diretor de uma novela prefere que
uma determinada cena se passe de dia e não de noite, como foi gravada, basta
trocar o fundo e a iluminação por meio de um programa de computador.
Também será autorizado pela tecnologia a escolher seus próprios atores para
interpretar o filme que quiser, com o cenário original. Tudo isso com a mesma
qualidade de definição conseguida pelos concorrentes internacionais. Isso
significa que o teleespectador que hoje apenas liga, desliga e troca de canal,
será convidado a participar do processo.
Num jogo de futebol, por exemplo, existem sempre diversas câmeras
que captam imagens para um mesmo canal. Uma concentra-se na bola, outra
num plano geral do jogo, outra ainda grava a torcida nas arquibancadas. O
diretor escolhe a melhor em cada plano e monta em tempo real uma sequência
de imagens. Na televisão americana do futuro, o espectador pode escolher as
câmeras no lugar do diretor, congelar a imagem ou passá-la em câmara lenta.
Se ele quer rever o gol, assistir à comemoração dos jogadores ou olhar a
vibração das arquibancadas? O teleespectador decidirá.
A televisão digital é interativa porque seu sistema de sinais funciona
como num computador, por isso o telespectador pode manipular a imagem ou
selecionar as tomadas de diferentes câmeras. Essa nova tecnologia logo
causará uma corrida às lojas, estima-se que esse mercado chegará a 400
bilhões de dólares até o ano de 2010, época prevista para que grande parte dos
consumidores preencha seus cheques nas lojas de eltrodomésticos e esqueçam
seus televisores atuais no fundo do porão. Para as sociedades modernas seria
inconcebível imaginar o mundo sem esses aparelhos “mágicos” de
comunicação sonora e visual. Contudo as mudanças não param, um exemplo
disso é o encolhimento do aparelho de TV convencional, com seus 70 cm de
profundidade, para o de cristal líquido, com apenas 30 centímetros, com tela
de 37 polegadas e a mesma qualidade e alta definição de imagens. Mas a tela
de cristal líquido já não é algo tão almejado pelos “devoradores de bens aletro-
eletrônicos”. Atualmente o objeto do desejo de todo “bom consumidor” é um
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aparelho de TV, que em termos de tecnologia, é o que existe de melhor.


Imagine uma TV pendurada na parede de sua sala. Não estou falando daqueles
suportes para vídeo e TV, mas da mais nova sensação do mercado televisual:
um aparelho de televisão que substituirá os “home theaters”, aqueles
trambolhos que ocupam metade da sala, os quais já cederam lugar às esbeltas
tevês de plasma ou led. “Suas telas, com 3 a 5 centímetros de espessura, são
tão finas quanto as telas de cristal líquido dos notebooks, mas com muito mais
qualidade”. “O ângulo de visão da TV de plasma não é restrito como nas telas
de cristal líquido. Você vê a imagem mesmo olhando de lado”. Agora dá para
imaginar melhor o aparelho de TV do “futuro”, como se fosse um quadro
pendurado na parede da sala, porém, com som e imagem digital de alta
qualidade.
Outro aparelho que não é tevê, telão ou painel eletrônico, que foi
elaborado e desenvolvido após muita pesquisa, é o “Plasmavision”. O
aparelho reproduz as imagens utilizando a tecnologia do plasma (conhecido
como o quarto estado da matéria, o plasma é uma mistura gasosa ionizada, dos
gases raros neônio e xenônio). Partindo daí, foram criados monitores displays
que usam esta nova tecnologia, oferecendo mais contraste e uma incrível
sensação de volume e profundidade, sem distorção de imagens. Com um
ângulo de visibilidade de 1600 graus, o parelho oferece uma imagem uniforme,
não havendo perda da qualidade nos cantos da tela como ocorre nos aparelhos
que empregam os tubos convencionais de raios catódicos. Por gerar luz
própria, sua imagem é imune a reflexos, sendo perfeita nas diferentes
condições de iluminação. O Plasmavision não utiliza sistema de projeção, e
sua tela tem 42 polegadas, enquanto sua espessura é de apenas 15 centímetros
e seu peso de 39,5 Kg. Este megamonitor pode ser conectado em TV aberta,
TV por assinatura, vídeo, CD, LD, DVD, PC, etc.
Outra “novidade”: Que tal assistir aos seus programas favoritos de TV
em três dimensões? Com essas palavras a Sanyo anuncia que está disponível o
aparelho de televisão 3D. Tudo que a pessoa precisa para ver as imagens em
três dimensões é sentar confortavelmente, acionar a tecla 3D e usar os óculos
especiais que acompanham o aparelho. Essa nova tecnologia (um novo chip)
transforma a imagem normal transmitida pelas emissoras de TV em imagens
tridimensionais, dando mais “vida” e realismo ao que se vê na telinha. Talvez
não demore muito para que tecnologias novas desenvolvam um aparelho de
TV ou vídeo que possibilite ver as imagens em três dimensões sem usar
óculos especiais.
Mas a “evolução” desse mundo dominado por sons, cores e imagens
não pára por aí. Indubitavelmente, as sociedades mais ricas e desenvolvidas,
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sempre estarão buscando e experimentando novas tecnologias de comunicação


televisual, e sentindo novos impactos na maneira de ver as coisas. Como tem
ocorrido até aqui com toda certeza o telespectador não será o mesmo depois
do advento desses novos paradigmas da telecomunicação.
Em seguida à popularização da televisão a cabo por assinatura, vem aí a
“TV que você faz”, também por assinatura, a qual já está sendo testada por
vários países, inclusive o Brasil. Projetos como o “TVoT” (Televisão de
Amanhã), do Media Lab. (laboratório de comunicação do MIT - Instituto de
Tecnologia de Massachusetts - EUA), tem como objetivo “juntar o jeitão
personalizado e interativo da internet com a qualidade de imagem e
transmissão da TV”.
Será possivel estudar, fazer compras ou assistir a um noticiário
personalizado, tudo pela televisão. Para isso, o TVoT pesquisa novas formas
de transmisão e aparelhos de alta definição. O grupo também tem um projeto
chamado Alive (vivo), que visa a produção de um equipamento com as
possibilidades interativas nunca antes imaginadas. O usuário poderá fazer
coisas como tocar na tela para interferir na imagem de um vídeo. O Alive vai
inaugurar experiências mais complexas e muito diferentes do que as
permitidas pelos tradicionais sistemas virtuais. Na verdade, ele já faz isso.
Estão sendo testados em várias áreas, como educação e entretenimento, um
cão virtual com o qual o usuário pode brincar, videogames e um professor de
ginástica aeróbica (feito em computador) interativo.
Uma mistura de TV, videocassete, telefone e a rede Internet em um
único aparelho, a TV interativa é um exemplo das mudanças de paradigmas na
comunicação, que paulatinamente estão se impondo. Considerada por muitos
comunicólogos como a carta de alforria do telespectador, a TV interativa
permite que o usuário se torne muito mais ativo, abandonando sua atual
atitude passiva e aderindo à interatividade, montando sua própria
programação, do jeito e no horário que bem entender.
Nesse novo sistema, você vai poder ver o seu programa favorito no dia
e na hora em que quiser. Segundo os especialistas é a maior revolução no
universo televisivo desde 1927, quando o engenheiro russo Vladimir
Zworykin inventou, nos Estados Unidos, o iconoscópio, aparelho que deu
origem à televisão.
Você não será mais forçado a acompanhar o horário rígido das
programações, ao contrário, você fará os seus próprios horários,
personalizados. Também não precisará mais ir à locadora de vídeo para alugar
uma fita VHS que nem existe mais ou um DVD do último lançamento, pois
com apenas alguns toques no controle remoto você pode escolher, dentro de
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um vasto menu, o filme que deseja assistir (vídeo por encomenda). Mas a TV
interativa não é só filmes, “é possível ainda fazer compras, jogar os últimos
lançamentos de videogames, checar a conta bancária, fazer uma consulta
médica e até votar em eleições; [...] montar seu próprio jornal,...e ainda:
educação interativa, telefonia, acesso a bibliotecas, vídeo conferência, música
por encomenda...tudo sem precisar sair da sala de casa. E à hora em que o
usuário quiser.
Você poderá, por exemplo, ao ligar a TV, ver a tela dividida em até
nove ou 18 segmentos menores com imagens em movimentos ou congeladas,
podendo escolher assim, num rápido relance, o canal que mais lhe interessar.
Com o auxílio de um controle remoto, terá a possibilidade de agir
interativamente, manipulando a imagem. Poderá, com um simples toque no
controle, ver determinado personagem que esteja no vídeo, de frente, de perfil,
por inteiro ou em close. Poderá particularizar um pequeno detalhe, de modo
que ele venha a ocupar a tela inteira, e assim por diante.
Ainda é cedo para concluir se as pessoas irão abandonar a costumeira
passividade e recorrer à interatividade, mas o fato mais importante é que com
a TV interativa o espectador pode exercer o poder de escolha de forma mais
ampla. Uma opção que não existe diante da TV convencional e da TV por
assinatura comum. Todavia resta saber se diante de tantas inovações o
telespectador será o senhor da TV; ou se tais “comodidades” poderão
contribuir para que, caso não haja o devido cuidado, o veículo se torne senhor
do telespectador.
O escritor e jornalista americano George Gilder, um dos maiores “gurus
futurísticos” da atualidade, defende idéias otimistas sobre a tecnologia da
informação. Tirando algumas posições extremas e exageradas, seu livro é
curioso. Entre outras coisas, Gilder fala da importância da TV interativa, e
prevê o surgimento de um novo aparelho, o “telecomputador”, uma mistura da
televisão com o micro. Parece que a grande tendência do mundo televisual e
do universo da informação on line em geral é a unificação de todos os meios
de comunicação, tendo o computador como o cérebro.
O primeiro grande passo nessa área veio com o DVD (Digital Versatile
Disc), que está causando uma verdadeira revolução em forma de disco laser.
Ele tomará o lugar dos atuais CDs e videocassetes. Depois vai ligar os
aparelhos eletrônicos entre si e também o computador. Por ser digital, o DVD
vai unir todas as mídias em torno de um único padrão, basta esperar a
digitalização dos aparelhos que ainda são analógicos. Mas não mudam apenas
os aparelhos de recepção. Muda todo o processo de produção, difusão e
recepção da imagem. Para citar um exemplo, segundo a Federal
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Comunications Commision (FCC), instância suprema que controla as


concessões de freqüências para emissoras de rádio e televisão nos Estados
Unidos, não é apenas a qualidade de imagem que precisa mudar para atrair
mais e novos espectadores, e sim a televisão como um todo [...] por isso a
FCC estabeleceu um prazo de no máximo 15 anos para as emissoras se
converterem totalmente à alta definição digital. Caso contrário, perderão suas
concessões.
Praticamente idêntico aos CDs, no formato, os DVDs têm uma grande
diferença por dentro. Um DVD armazena melhor tudo o que grava - sons,
imagens e informações - sua capacidade de “memorização” equivale a mais ou
menos 30 CDs. Enquanto num CD cabem no máximo 20 minutos de filme, o
DVD registra nada menos que 4 horas, em quatro línguas diferentes. E não
pára por aí, o Digital Versatile Disc pode passar informações como filmes,
fotos, sons e dados de computador, desenhos ou tabelas de um aparelho para o
outro.
Imagine-se passando as férias com sua família no Canadá. Você poderá
gravar imagens do local com sua câmera digital como se estivesse com uma
câmera comum. Mas os dados estarão gravados em uma fita digital. Logo após
a gravação, você sente o desejo de enviar essas imagens e sons para seus
parentes aqui no Brasil. Você liga a sua câmera a um celular digital e os dados
passam direto da câmera para o satélite, já que este também trabalha com
dados digitais. O que acontece em seguida? No satélite a informação é
transmitida rapidamente por já estar no formato digital. (o mesmo acontece
com uma trilha sonora de um aparelho de som que não precisa mais ser
convertida de analógico para digital). Em seguida o vídeo finalmente chega ao
seu destino. Um computador, na casa de seus parentes, receberá os dados do
satélite, poderá juntar esses dados com uma música vindo de um DVD ou Pen
Drive e produzir um documentário personalizado de sua viagem quase que
instantâneamente. Esse documentário pronto pode ser gravado em um DVD
para ser tocado no DVD player que funciona como um videocassete. Uma vez
que a TV na casa de seus parentes é digital, ela oferecerá uma alta definição
nas imagens que você enviou do Canadá. Assim, após a mudança definitiva
dos aparelhos e emissoras do sistema analógico para o digital ocorrerá a
integração de todos eles. Obs: Escrevi esse tópico no final da década de 90.
Logicamente as coisas mudaram bastante de lá para cá. Hoje é possível
utilizar o Smartfone para realizar tudo isso em perfeita conectividade com a
Internet e as diferentes redes sociais.
Outra “evolução” prevista no mundo das telecomunicações, e que
certamente alterará o modo de vida das passoas, será o advento dos
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“minicomunicadores”. A televisão, dentre outros aparelhos, poderá ser levada


a qualquer lugar. Na realidade, onde estiver o seu dono ali a TV estará. Basta
tê-la sempre no pulso, isso mesmo, será usada como um relógio. A Philips
apresentou o protótipo de um supercomunicador de pulso que tem videofone,
TV, rádio, agenda eletrônica, hora, previsão do tempo e ligação com a
Internet. O fato é que, sejam minúsculos como relógios ou grandes como a TV
de plasma, os modelos de aparelhos de TV não deixam de inovar. O mesmo
pode ser dito dos computadores pessoais (PC).
Com relação a eles, há quem proponha a integração de todas as suas
partes em um só chip. No lugar das tradicionais placas de modem, vídeo, som,
rede e todas as demais partes de um PC, tudo estará reunido em um único
chip. A previsão é de que o PC como o conhecemos hoje (na década de 90 e
inicio do ano 2000) irá desaparecer, e em seu lugar vai ter um PC em cada
canto da casa, no painel do carro, no assento do avião, na TV do hotel. Deste
modo, onde você for terá acesso à informação televisual. Esse tipo de PC,
denominado “Chip-PC”, será tão comum quanto foi o videocassete. Será mais
um eletrodoméstico, pois no futuro o seu preço será bem acessível.

IMAGENS QUE FLUTUAM NO AR


Se você acha que o avanço no mundo das imagens em movimento só
está limitado às mudanças de aparelhos cada vez mais sofisticados e às
dimensões das telas planas, engana-se. A TV, o vídeo, o computador e até os
brinquedos eletrônicos que você tem na sua casa estão com os dias contados,
afinal, quem não vai querer comprar um vídeo holográfico, o qual projeta
imagens tridimensionais no ar?.
Talvez você esteja perguntando: “mas o que é, e como funcionará um
vídeo holográfico?”. Para que você possa compreender melhor, é necessário
entender primeiro o que é a holografia. Holografia pode ser definida como
uma técnica fotográfica que registra em três dimensões qualquer figura ou
objeto. A palavra vem do grego holos, inteiro, e graphos, sinal. Os elementos
principais para se produzir um holograma são: uma fonte de luz que se
propague numa só direção, como o laser, e um filme hipersensível. A luz
proveniente do raio laser é dividida em dois feixes: o primeiro ilumina o
objeto, que a reflete sobre o filme; o segundo ilumina diretamente o filme.
Essas duas fontes luminosas criam o holograma, que pode ser descrito como
uma irreconhecível sucessão de faixas e anéis concêntricos. O qual, ao ser
iluminado, a luz transforma as faixas e anéis numa representação
tridimensional do objeto fotografado.
Imagine esculturas de imagens perfeitas, porém feitas de luz, pairando
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no ar, isso também é holografia. Não se trata de uma técnica nova, já é


conhecida a mais de um quarto de século, mas somente agora se começa a
descobrir as utilidades da holografia. Na década de 60, os físicos americanos
Emmett Leith e Juris Upatnieks causaram a maior sensação no congresso
anual da Sociedade Ótica dos Estados Unidos, realizado em Washington. Eles
surpreenderam os colegas ao apresentar nada mais nada menos que uma
imagem em três dimensões do modelo de uma locomotiva. Havia razão de
sobra para o espanto: pela primeira vez, o mundo assistia à aparente
materialização de objetos no espaço. Como se fosse mágica era possível ter
diante de si a imagem real de algo sem que se pudesse tocá-la. E tamanho foi
o impacto da novidade que muita gente acreditou que a holografia substituiria
a fotografia como forma de registrar a realidade. Como se sabe, previsões tão
radicais ainda não se concretizaram, pelo menos por enquanto. A holografia
vem sendo utilizada e preferencialmente aplicada nas artes plásticas, na
publicidade, na pesquisa científica e na indústria. Porém, as luminosas
imagens em três dimensões projetadas no ar que ela permite produzir, são
“ainda” um grande mistério para o grande público, e ainda não estão
disponíveis como meio de entretenimento.
Foi o “laser” que tornou a holografia possível. Em 1948, Dennis Gabor
(1900-1979), um cientista húngaro, começou a esboçar uma teoria. Garbor
afirmava que os raios de luz que entram nos nossos olhos podiam ser
manipulados de maneira que nos fizessem ver objetos que não existiam
realmente. Ele comprovou isso por meio de cálculos complicadissímos. Mas
apesar de suas contas não apresentarem falhas, não se conhecia uma fonte de
luz forte e precisa o suficiente para responder às suas equações.
Somente nos anos 60, com a descoberta do laser, é que as teorias de
Gabor puderam ser comprovadas. O que ele havia inventado era a holografia.
Façanha que lhe renderia um prêmio Nobel de Física, mas apenas em 1971.
Todavia, os avanços nessa área foram rápidos. Já no final dos anos 80 e
começo dos anos 90 o laser deixou de ser usado na exibição de holografias.
Hoje, há holografias que podem ser vistas com qualquer luz e de qualquer
ângulo. E o Massachusetts Institute of Technology (MIT) já tenta criar o vídeo
holográfico. Esse Instituto foi fundado em 1861, mas só pode entrar em
funcionamento em 1865, depois que acabou a guerra civil americana. Seu
lema é Mens et Manus (mentes e mãos), refletindo seu objetivo principal: ter
idéias e transformá-las em coisas úteis ao homem. Invenções cuja
possibilidade de existência a maioria dos cidadãos sequer pode imaginar.
Composto por 61 laboratórios, numa área aproximada de 650.000 metros
quadrados, o MIT possui mais de 12.000 pesquisadores que trabalham para
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simular desejos e necessidades que os indivíduos ainda não têm e os


satisfazem. Criam um mundo novo, mudam o modo de pensar da humanidade.
Muito do que o MIT está fazendo não tem apenas objetivos filosóficos
ou científicos. Seu objetivo também é inventar maravilhosos produtos de
consumo. São produtos considerados verdadeiras atrações, e que logo vão
estar nas vitrinas e nos shopping centers. Eles inventam o que estará nos
noticiários em breve, e na sua casa logo em seguida. Afinal, quem não vai
querer comprar um computador que reconhece as emoções do seu usuário? Ou
ainda um vídeo holográfico que projeta imagens no ar? Pois estes aparelhos já
funcionam no Media Lab (laboratório de mídia do MIT), que, entre outras
fontes de financiamento, recebe dinheiro de mais de 100 empresas do mundo
todo. O objetivo é desenvolver tecnologias que tornem mais agradável o
cotidiano. Além dos objetivos científicos, fica evidente o interesse comercial
do MIT.
Stephen Benton, o criador do tipo de holograma que aparece na maioria
dos cartões de crédito, lidera o Grupo de Imagens Espaciais do MIT, e já
exibe, com orgulho, imagens tridimensionais feitas em computadores e
projetadas no ar. É o vídeo holográfico. Ou como os cientistas do MIT
preferem denominar: “holovídeo”. Que, embora esteja em fase de
aperfeiçoamento, já é uma realidade. O projeto ainda está em
desenvolvimento, mas já abre espaço para que se possa imaginar, num futuro
não muito distante, dentro das casas de família cenas como aquela do filme “O
Vingador do Futuro”, onde o ator Arnold Scwarznegger confunde seus
perseguidores projetando um vídeo holográfico de si mesmo no ar. Segundo
os pesquisadores do MIT, a holografia está evoluindo a cada ano e
aumentando a expectativa pelo futuro da ciência e tecnologia da imagem.
Entre os vários objetivos do grupo do Media Lab para os próximos anos está a
produção de holovídeos coloridos, além de desenvolver um sistema que
possibilite a interação entre o usuário e as imagens projetadas no ar.

INTERAÇÃO DO HOMEM COM AS IMAGENS


Na verdade, esse sistema de interatividade virtual entre o usuário e as
imagens já existe, embora ainda não seja holográfico. Até a pouco tempo atrás
ninguém imaginou que fosse possível criar outra realidade, até que certos
pioneiros de paradígmas a criaram é a realidade virtual. Hoje, empresas como
a Fiat, por exemplo, utilizam uma avançada tecnologia de realidade virtual
para levar ao jovem os conceitos de educação no trânsito e direção defensiva.
Dentre os sistemas desse programa educativo de alta tecnologia, há o
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simulador de direção que é composto por um capacete de realidade virtual,


vários sensores e um software montados dentro de um carro. É aí que o jovem
motorista tem que mostrar toda a sua habilidade e também o seu conhecimento
do Código Nacional de Trânsito, porque irá percorrer um cenário virtual que
alterna trechos urbanos e rodoviários. Isso significa que o teste de direção
segura é feito sem que o carro saia do lugar, mas para quem participa é como
se estivesse de fato rodando por ruas e avenidas.
Agora imagine a seguinte situação: você passa o dedo na imagem de
uma fruta que aparece na tela do computador e sente sua textura e suas
formas. Difícil de acreditar? Pois é exatamente isso que o Phantom faz. Ele é
uma espécie de mouse, que usa três sensores para captar as informações sobre
os movimentos da mão do usuário. Os dados são transmitidos ao computador
e ele movimenta um dedo virtual na tela. No sentido inverso, o computador
passa ao mouse informações sobre as dimensões e a textura do objeto e uma
sequência de micromotores faz o usuário sentir esse objeto no dedo. Por causa
da precisão e do realismo proporcionado pelo aparelho, ele já está sendo
testado para uso em cirurgias delicadas, em conjunto com vídeos holográficos.
E, pensando mais além ainda, os pesquisadores do MIT estão testando
aquilo que pode ser a maior revolução desde que o computador ganhou
teclado e mouse. Eles estão desenvolvendo máquinas que aceitam serem
usadas pelo dono de modo muito mais íntimo, ou seja, aceitam ser vestidas.
Bem diferentes dos chamados micros pessoais de hoje, esses novos aparelhos
acompanharão seus usuários em toda parte, pois estarão integrados às suas
roupas. O monitor poderá ficar num óculo de plático, o mouse e o teclado
(desenvolvidos para ser usado com uma só mão) serão adaptados, ao gosto do
freguês, no braço, na cintura, no peito. E vai por aí afora: um lugar para o
modem, outro para o celular. É evidente que ainda nunca vimos alguém
vestido assim, chamaria muita atenção. Mas o projeto está sendo aperfeiçoado
para se tornar viável, e não vai demorar muito para que as lojas de produtos de
informática apareçam com esse novo e verdadeiro PC (personal computer) de
vestir.
O fato é que, os novos aparelhos de realidade virtual vão fazer o usuário
sentir a forma dos objetos e imagens, levando-o a sentir sensações além da
imaginação. Num futuro próximo será possível vestir um macacão que vai
fazer com que o corpo inteiro, a partir do dedo mínimo do pé, entre na
realidade virtual. Isso pode parecer coisa tirada dos filmes de ficção. Mas já
foi exposto nos pavilhões da feira tecnológica McCormick Place, realizada
nos dias 3 a 6 de junho de 1996, na cidade de Chicago, EUA. A empresa
VRex apresentou um sistema composto de capacete, luva e botas que, no
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futuro, será complementado por roupas. Esse traje não só capta os


movimentos do usuário e os transmite para o computador como também faz o
inverso. Coleta informações de objetos imaginários, como lápis e copos
virtuais, e faz com que micromotores nas luvas pressionem a mão do usuário
para que ele os sinta pelo tato. Essa tecnologia ainda não está à venda.
Enquanto a indumentária virtual não vem, a indústria do entretenimento já
colocou no mercado equipamentos capazes de produzir sensações
semelhantes. Um exemplo disso são os óculos chamados FV-Glasses que, com
fone de ouvido acoplado e ligado a um micro, faz com que a pessoa entre em
mundos fictícios e vire o personagem principal.
Outra novidade do mercado tecnológico é a “tela de cinema virtual”.
Quem poderia advinhar que algum dia os efeitos do cinema em 3D (terceira
dimensão) poderiam estar bem diante dos nossos olhos? O Glasstron, da
Sony, é um óculo de 3D, o qual pode ser ligado a qualquer videocassete. A
transparência das lentes pode ser regulada para que o usuário tenha a
impressão de estar totalmente no escuro ou ver a tela se sobrepondo ao mundo
real. Esse sistema de cinema virtual cria uma tela gigante diante do usuário e
faz o jogador virar um personagem dentro do game. A sensação é tão perfeita
que só falta o programa incluir uma namorada para as matinês.
Todavia, a indústria do submundo da pornografia, liderada por uma
máfia mundial, já criou tais “namoradas” virtuais. Elas vêm dentro de sistemas
compostos de roupas, luvas e viseiras “especiais” para reproduzir, em
realidade virtual, as cenas imorais e degradantes de práticas sexuais inspiradas
por satanás e seus anjos maus. Tal sistema preenche ainda mais os anseios de
corações egoístas de pessoas que vivem afastadas da Graça Divina, que não
sabem o significado do verdadeiro amor e confundem o caráter sagrado do
sexo com libertinagem, imaginação corrompida, desejos profanos e lascívia.
Essa tecnologia indica que o ser humano está caminhando para um tipo de
relacionamento interpessoal cada vez mais egocêntrico, onde receber é mais
importante que dar, e onde a satisfação pessoal (do eu) está acima de qualquer
outro interesse.
Outras pesquisas indicam que a interação do homem com a tecnologia
vai acabar criando tecnologias cada vez mais próximas das pessoas, ou até
mesmo implantadas no próprio corpo humano. Experiências realizadas com
animais demonstraram que isso é viável. Já existem cães e gatos que não
andam mais com coleiras, andam é com chip de identificação sob a pele, o
qual funciona como uma carteira de identidade. O chip é injetável e traz um
código individual. Num banco de dados, o número é relacionado ao dono do
animal. O microchip é do tamanho de um grão de arroz e revestido de vidro,
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assim não há risco de rejeição. A identificação do código do chip é feita por


um leitor. Por isso os veterinários já estão se equipando com scanners para ler
o dispositivo e encontrar o dono dos bichos perdidos.
Mas a experiência não parou nos animais. Já existem pesquisadores na
Inglaterra que estão experimentando o implante de Chip sob a pele, e o
resultado dessa experiência poderá ser o surgimento do “homem cyborg”.
Inclusive, um dos pesquisadores já aplicou uma cápsula de vidro com um
Chip de silício para computadores sob a pele do braço direito, e adquiriu
alguns “poderes”, como: abrir portas automaticamente sem usar as mãos,
acender a luz, mudar a temperatura ambiante, etc. Essa tecnologia poderá ser
aplicada na medicina, ajudar deficientes físicos e substituir pilhas de
documentos pessoais. Todavia, vale lembrar que o ser humano correrá o
perigo de permitir que tais tecnologias passem a controlar a sua vida.
Realmente não podemos negar ou fugir do avanço tecnológico. É dentro
deste contexto que o universo eletrônico das imagens em movimento têm
expandido seu domínio e alcançado graus cada vez mais avançados de
sofisticação. Não podemos deixar de admitir a sua “evolução”, bem como
reconhecer o fascínio exercido sobre a mente humana. Também não dá para
negar o seu poder de influenciar e mudar pensamentos e atitudes quer seja
para o bem, quer seja para o mal.

CAPÍTULO II
TV, MUDANÇA SOCIAL, SOCIALIZAÇÃO E FAMÍLIA

TV: UM FATOR DE MUDANÇAS SOCIAIS


A tecnologia mudou a imagem do nosso planeta. Quando o astronauta
americano Neil Armstrong pisou pela primeira vez o solo lunar, em julho de
1969, milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam o fato ao vivo em
seus televisores. Isso parecia coroar o que o canadense Marshall McLuhan
(1911-1980) havia teorizado, que o planeta caminhava a passos largos para se
tornar uma “aldeia global”, em que, de um pólo ao outro, gostos, hábitos e
idéias seriam cada vez mais parecidos – e todos induzidos pela influência cada
vez mais onipresente da televisão. Todavia, as tecnologias das
telecomunicações que se desenvolveram após a transmissão ao vivo do
primeiro passo do homem na lua, tecnologias como a TV por cabo e as
antenas parabólicas de uso doméstico, tendem a revelar que McLuhan estava
certo e ao mesmo tempo equivocado. Certo, na medida em que as novas
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tecnologias ampliam cada vez mais o lugar da tela de TV na vida de cada um,
e, com isso, a dependência das pessoas em face dela. Equivocado, na medida
em que os mesmos avanços tecnológicos aumentam o leque de emissões à
disposição do espectador, o que tende a diminiuir a dependência do público
em relação às grandes redes de emissoras de TV.
Inegavelmente vivemos numa era de avanço tecnológico constante,
onde estagnar significa retroceder. O rádio, os aparelhos de som de alta
definição, a tevê convencional, as tevês a cabo por assinatura, os canais via
parabólica, a TV interativa, o vídeo e futuramente o holovídeo; juntamente
com o DVD player, os “bichinhos virtuais”, os games e microcomputadores
cada vez mais potentes e “inteligentes” que estão aí, ganhando cada vez mais
popularidade, todos viram para ficar. As diversões eletrônicas fascinam
crianças, jovens e adultos. A família moderna parece estar cada vez mais
agregada em torno de aparelhos de comunicação e imagens.
As opções de entretenimento desta nossa era eletrônica parecem
intermináveis. O termo entreter significa prender a atenção, distrair, divertir.
Ele deriva do Latim, e seu sentido básico é estar entre ou deter. Não é de
admirar que o mundo se empenhe tanto em utilizar sua arrojada tecnologia
eletrônica para produzir todo tipo de entretenimento. As pessoas acolhem bem
essas diversões porque parecem precisar delas desesperadamente. E, essa
busca incessante de distrações é para muitos uma tentativa de preencher um
vazio interior, um vazio espiritual.
Indubitavelmente há muitos benefícios na moderna tecnologia
informativa. Hoje é possível visitar museus famosos de qualquer país via
internet. Recebemos as notícias do mundo todo simultâneamente e a cores,
dentro de nossa própria casa. A própria informação se tornou numa verdadeira
avalanche, tão grande que é impossível acompanhar tudo o que ocorre no
planeta, mesmo estando disponível através de telas coloridas e cheias de
imagens e movimento.
Não resta dúvidas de que os aparelhos eletro-eletrônicos digitais de
comunicação visual trazem o mundo para perto de nós, mas principalmente a
televisão (por causa de sua popularidade) funciona como uma “janela” para o
mundo, ampliando sobremaneira o universo cultural de crianças, jovens e
adultos. Mas a sua influência não se limita apenas ao “universo cultural.”
Especialmente a TV, por ser o principal meio de comunicação de massa, tem
contribuído muito para as mudanças sociais verificadas principalmente nos
hábitos, costumes e valores da sociedade e, conseqüentemente da família, e de
maneira especial nas crianças e adolescentes.
Inquestionavelmente, a TV e a informática têm modificado
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grandemente as metodologias educacionais, assim como o modo de viver das


pessoas. Principalmente a televisão é uma poderosa força sociológica. Na
qualidade de “janela cultural”, ou seja, como instrumento educativo e de
ensino, a TV deve grande parte de seu êxito ao fato de que ela reúne, em um
só instrumento de comunicação, uma combinação única de visão, sons, cores e
movimento. A TV é animada! Esta conjunção de estímulos auditivos e visuais
tem revelado que ela pode modificar a conduta humana. A TV forma atitudes,
modifica esquemas mentais, estabelece e nutre normas culturais e éticas,
plasma a opinião pública, educa (em raras exceções), informa e entretém.
Essas são algumas razões que levam as pessoas a dedicarem mais tempo à TV
que a qualquer outro meio de comunicação, em média quatro horas por dia no
Brasil.
Uma mudança social não ocorre de uma hora para outra (exceto numa
revolução), pelo contrário, ocorre com relativa lentidão. Por exemplo:
mudança nas funções da família, na estabilidade do casamento e mudança de
valores ocorre lentamente e imperceptivelmente, mudando aos poucos o
comportamento das pessoas sem que muitas vezes elas se dêem conta
disso.Não resta dúvidas que os meios de comunicação podem estimular ações
sociais, políticas, econômicas e culturais, entre outras.
Mas, seria ingenuidade responsabilizar apenas os meios de
comunicação de massa, especialmente a TV, pelas mudanças sociais. Há
outros fatores envolvidos nesse processo. Porém, embora não seja o único
fator e nem a causa das mudanças em si, a TV é um fator que acelera muito e
facilita a aceitação dessas mudanças.
Até mesmo os lugares mais conservadores acabam sucumbindo à
influência da televisão e alterando seus costumes e sua escala de valores. Para
mencionar apenas um exemplo destaco uma pequena nota editada no jornal
Folha de São Paulo (06/07/98, pp.1-9) sob o título: “TV agita a vida no
„cafundó‟”. A matéria conta a história da chegada da luz elétrica e da televisão
no interior do município pernambucano de Vitória de Santo Antão e a reação
das pessoas. Aos 56 anos, o agricultor Josué Firmino de Macena ligou pela
primeira vez uma TV (preto-e-branco do Paraguai) na sua casa. Isso foi
possível graças a energia elétrica instalada. Todavia, apesar de seus
benefícios, há quem tema a energia elétrica por conta de eventuais mudanças
de comportamento que a luz possa provocar. Na opinião de Francisco Tavares,
outro agricultor beneficiado com a luz, a TV já começou a “desmantelar” a
cabeça das pessoas na região. Se referindo as novelas que já conquistaram
principalmente a audiência feminina, ele afirmou: “O diabo da novela é uma
imoralidade. Só tem esculhambação, gente nua, mulher traindo o marido e
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filhos desobedecendo aos pais”. Há aqueles que dizem que as novelas deixam
as moças vagabundas, outros não se entusiasmam, mas não se incomodam
com possíveis mudanças nos costumes”. Apesar da simplicidade dessa gente,
pode-se perceber um senso crítico bastante apurado quanto ao conteúdo e a
influência da TV, pelo menos por enquanto.
Não é sábio aceitar o retrato do mundo que a televisão transmite. Se
você assistir aos noticiários da televisão, às novelas e aos programas de grande
audiência sem estar com o senso crítico aguçado, chegará inevitavelmente à
conclusão de que o mal predomina assustadoramente no planeta, que a
desgraça é iminente e que o fim do mundo por meio de uma terceira guerra
mundial está próximo. Você também será confrontado com ambientes de luxo
e riqueza, onde só há alegria e pessoas deslumbrantes apresentadas como um
ideal de beleza a ser atingido. De um modo geral, ficamos ali sentados,
inertes, engolindo passivamente tudo, sem darmos conta do mal que essas
imagens nos fazem e sem perebermos como causam mudanças em nossa
maneira de ver o mundo.
Durante mil gerações, a tribo Gwinch‟in viveu no norte do Alasca em
um isolamento cultural quase completo. Os membros da tribo eram totalmente
autosuficientes, sobrevivendo com base em habilidades e sabedoria aprendidas
com seus pais e com os anciãos. Em 1980, um líder da tribo adquiriu uma
televisão. O evento é descrito por membros da tribo como o princípio de um
vício. Em breve o convívio e os costumes nativos começaram a serem
ignorados, de modo a maximizar o tempo diante da televisão. Um pesquisador
comentou a respeito da experiência da tribo: “Para esses nativos, como para
todo o mundo, a televisão é um gás paralisante cultural. É inodoro, indolor,
insosso e mortal”. O que aconteceu com as tradições Gwinch‟in que haviam
sido respeitadas durante milhares de anos? Nas palavras de um membro da
tribo: “A televisão nos fez desejar ser uma coisa diferente. Ela nos ensinou a
cobiça e o desperdício, e agora tudo o que éramos está perdido”. Apesar de ter
bons programas (poucos), a televisão é capaz de mudar a nossa visão do
mundo e nos incentivar a desenvolver conclusões altamente irreais e muitas
vezes prejudiciais que reduzem a nossa satisfação na vida e principalmente
nas coisas de Deus.
Diante destes fatos, podemos afirmar que as mudanças de hábitos,
costumes e valores são veículados rapidamente pela mídia digital e
assimilados com a mesma rapidez pelo público. Um exemplo claro são as
famosas novelas. Ao apresentar o liberalismo sexual e a instabilidade no
casamento como modelos (para citar dois aspectos) o comportamento e a
escala de valores do cristão vai sofrendo um desgaste e alteração, até aceitar
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os novos padrões de comportamento estabelecidos pela programação anticristã


da mídia eletrônica. Por essa razão, como filhos e filhas de Deus, não devemos
ignorar o poder de influência exercido pela TV sobre o comportamento
humano, e isso inclui a possibilidade de influenciar você e eu.

TV: INSTRUMENTO SOCIALIZADOR?


É muito difícil dimensionar com precisão a capacidade socializadora da
televisão sobre os jovens. Há muitos debates e muita discordância dos
estudiosos quanto ao assunto. Mas de uma coisa ninguém discorda, de que a
televisão tem a capacidade de criar modelos de comportamento, difundir
atitudes e transmitir valores de um modo peculiar. Na família, escola, igreja e
nos grupos de amigos, a socialização é praticada através de contatos diretos,
com leis que estabelecem recompensas e punições que servem para orientar o
comportamento nos moldes estabelecidos em cada um dos grupos sociais.
Além disso, por mais que a estrutura dos grupos seja rígida, há sempre a
possibilidade de uma negociação constante a respeito da aplicação das normas
e dos valores que orientam suas decisões e ações. Isso é possível graças a
interação direta entre os seus membros.
No caso específico da televisão, o processo de socialização é distinto,
porque o tipo de interação que a TV propicia, é indireta. Ou seja, é por meio
da audiência que, especialmente crianças e jovens, recebem as mensagens que
lhes são enviadas, passivamente. A capacidade de interferir sobre o conteúdo
das mensagens é bem limitada, o que torna a transmissão via TV, até certo
ponto, autoritária. Não raro, a interpretação dos fatos é apresentada como
sendo o próprio fato. Além disso, a TV não dispõe de mecanismos próprios de
recompensas e sanções, embora tenha poder de orientar o comportamento.
Ninguém precisa ser sociólogo para perceber a força dos modelos divulgados
pela televisão. Por meio das suas programações, comerciais e propagandas,
são estabelecidos padrões de consumo, comportamentos, atitudes e valores
que atuarão como modelos a serem seguidos, principalmente pelas crianças e
adolescentes.
Inquestionavelmente, a televisão alterou profundamente o
comportamento das pessoas de um modo geral, seja na vida pessoal, na
família, na igreja, na vizinhança ou na sociedade como um todo. Percebe-se
com essas transformações que a TV desenpenha um importante papel na
socialização dos indivíduos. O processo de socialização do ser humano
envolve diferentes fontes de influência como a família, a vizinhança, a escola,
a igreja e inegavelmente a TV. Sendo que essa última, na maioria das vezes, é
a mais influente. De acordo com os estudiosos na área da educação e
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comunicação, uma pessoa recorda 10% do que lhe é transmitido por meio dos
ouvidos; 50% por meio dos olhos; 70% por meio da boca e 90% por meio das
mãos. A televisão talvez esteja numa porcentagem acima dos 70%, seu poder
de penetração e influência é tão amplo a ponto de formar uma geração de
pessoas sem espírito crítico, que não gostam e não sabem pensar por si
mesmos. Há o que podemos denominar de: “cultura do pensamento débil”.
A sociedade está com uma viseira para não pensar grande. Pensar é
difícil, é trabalhoso, é comprometedor e por isso as pessoas têm um
pensamento fraco, imediatista, um pensamento do presentismo. O pensamento
não vai para o futuro, só para o momento presente. Falta pensar longe, em
todas as dimensões (passado, presente e futuro). As pessoas não querem se
comprometer com o pensamento crítico. Vivemos numa cultura do “não
pensar”. Elas não pensam no passado, no presente e muito menos no futuro.
Os jovens que têm vida sexual ativa não pensam antes, durante e depois, nas
causas, no significado do que estão fazendo e nas possíveis conseqüências. A
destruição da natureza pela sociedade industrial-capitalista é outro exemplo, a
filosofia neoliberal não pensa além da produção e do consumo, e essa filosofia
é transmitida ao vivo e em cores na telinha da TV. O desenvolvimento
sustentável é uma alternativa não pensada pela maioria dos governos.
Vivemos numa cultura do pensamento débil. As crianças e jovens são
educados para repetir o que vêem na mídia e não para pensar por si mesmos,
precisam urgentemente desenvolver um pensamento crítico da realidade não
se conformando com a situação socioeconômica do país e com muitas outras
coisas. Muitas religiões já se institucionalizaram, tornaram-se secularizadas
para não mais lançar as perguntas cruciais para o pensamento mais elevado,
ou seja: De onde vimos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? As pessoas
não gostam de pensar nestas questões porque elas exigem um pensamento
forte, um pensamento analítico e dialético profundo. A cultura do pensamento
débil predomina na mídia, o povo só pensa em carnaval, futebol, cerveja [...]
mas não é desafiado a pensar de forma profunda e ampla sobre a real condição
do país, sobre os aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais. O
pensamento da grande maioria ainda está condicionado ao tamanho da tela do
seu televisor. Não pensam além, no que está por detrás do que é veiculado na
telinha, nos interesses reais que existem por detrás dos “espetáculos”
televisivos. Mas essa condição pode mudar. Deve mudar. Por meio da
educação cristã é possível transformar essa cultura de pensamento débil ou
cultura do não pensamento, numa cultura pró-pensamento ou cultura do
“pensamento crítico-analítico-dialético espiritual”. Esse pensamento espiritual
é globalizante, pois inclui todas as dimensões da realidade humana, envolve a
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educação dos aspectos biopsicosociais e espirituais (do ser humano e da


realidade). A sociedade e as igrejas precisam tirar a viseira e começar a pensar
grande, pensar e agir para a grandeza da nação, do Estado, do município, das
instituições sociais, da família e do indivíduo, pois pensar criticamente dentro
da cosmovisão espiritual cristã é libertador, renovador e transformador.
Os meios de comunicação, e a TV em particular, transformaram
radicalmente as condições do processo de socialização. Hoje a televisão é o
primeiro e maior (no sentido de amplitude e alcance) contato das pessoas,
especialmente as crianças, com o mundo externo. Em apenas cinco minutos,
ela vai do Irã a Manaus, vê um desenho Japonês, uma novela mexicana, etc.
Portanto, a TV é considerada por muitos pedadogos como um excelente meio
de educação. Há quem defenda a idéia de que a televisão enriquece o universo
da criança pré-alfabetizada ao fazê-la ouvir outras vozes além das dos
familiares, ao mostrar mais do que os limites das quatro paredes da casa. Mas
é uma pena que ainda seja tão mal explorada, principalmente pelo mundo
cristão.
As crianças nascidas depois da era televisiva sofreram uma profunda
transformação. Antes a família desenpenhava bem seu papel de formar hábitos
e valores, uma vez que o ambiente familiar era a fonte primária dos mesmos,
bem como a maior influência para a formação social e moral da criança. Hoje
elas dispõem de uma fonte que lhes permite vivenciar ou experimentar
emoções novas, assimilar valores, crenças, idéias e filosofias diferentes das
defendidas pela sua família. Isso significa que desde a mais tenra idade,
justamente no período mais importante para a formação de seu caráter, as
crianças são o alvo de poderosos “holofotes” de influências múltiplas, com
mensagens muitas vezes contraditórias, chocantes e absurdas, sobre temas que
elas não compreendem devido a sua precocidade.
As crianças mais novas não entendem, por exemplo, as mudanças
súbitas de ângulo, os efeitos visuais e o efeito zoom, de aproximação e
afastamento da câmera. Também não percebe que seu desenho foi
interrompido para um comercial. Fica achando que tudo faz parte de um só
programa que está mandando ela comprar alguma coisa. Só para se ter uma
idéia da frequência com que uma criança sofre esse tipo de abordagem, e
estatísticas revelam que “antes de completar cinco anos, uma criança terá visto
não menos do que 1000 comerciais”.
É fato inegável que muitas das mudanças ocorridas pós-televisão,
dentro das famílias, foram para pior. Principalmente no que diz respeito à
educação das crianças, adolescentes e jovens; bem como os valores éticos,
morais e espirituais. Se for assim, devemos diante dessa realidade, refletir e
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fazer um autoquestionamento: Será que como seres humanos, racionais que


somos, pensantes, deveríamos dar tanta atenção e preferência à televisão e seu
conteúdo, sem ao menos questioná-lo? Será que pais e mães deveriam
transferir suas responsabilidades quanto a educação dos filhos para um
aparelho cheio de todo tipo de informação, sem ao menos selecioná-las?
A penetração da mídia eletrônica nos lares, também causou uma ruptura
entre a vida privada da família e a vida pública, ou seja, a família como agente
número um do processo de socialização foi destronada, sua orientação, regras,
leis, código de ética e valores, outrora restritos no círculo familiar e
inquestionáveis, passaram a serem questionados pela opinião da mídia
televisiva. Isso levou a atual geração a ter uma visão relativista dos valores e
das coisas, criando um universo de idéias pluralistas e, na maioria das vezes,
anticristãs.

MONÓLOGO TELEVISUAL EM FAMÍLIA


Apesar de toda essa tecnologia informativa e cheia de recursos cada vez
mais sofisticados, em muitas famílias de nosso século já não existe mais
tempo para o diálogo, muito menos qualidade com o pouco que restou, porque
principalmente a TV, além de interferir no conteúdo das conversas, colocou
um “esparadrapo” na boca de todos, criando um monólogo televisual. São
famílias que não desenvolveram um espírito crítico em relação aquilo que
vêem na TV. E muito menos tranformaram o seu conteúdo em temas para
debates ou diálogo dentro do círculo familiar. Embora devamos admitir que há
temas que não valem a pena nem mesmo mencionar o título. Estatísticas
indicam que as crianças passam pelo menos 50% mais tempo ligadas à TV do
que em qualquer outra atividade não escolar, incluindo o convívio com a
família ou amigos e o hábito da leitura.
Há uma anedota sobre dois pesquisadores que desejavam comprovar
como a força do hábito de ver TV, alterava a quantidade de tempo dedicada à
comunicação em família. Eles tentaram determinar se, ver menos televisão
levaria a um crescimento na comunicação familiar. Entraram em contato com
oficinas de consertos de televisão, para obter os nomes das pessoas que
haviam mandado consertar seus aparelhos. Uma vez que essas pessoas
ficariam sem televisão por mais ou menos uma semana, os pesquisadores
planejaram entrevistar essas famílias, para ver se conversavam mais na
ausência da televisão. Contudo, tal hipótese estava errada. “Quando as pessoas
levam um aparelho de TV para a oficina, sempre dão um jeito de arranjar
outro emprestado.”
O fato concreto é que a comunicação em família foi afetada com a
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chegada da televisão. Há um conselho de que quando os problemas com a


comunicação surgirem ou forem percebidos, é hora de fazer uma perguntinha
que pode ser fundamental para resolver a situação, principalmente quando a
desculpa é falta de tempo e a pergunta é: “O que estamos fazendo com aquelas
horas na frente da tevê?” É claro que as pessoas não ficam 100% mudas diante
da telinha, mas quanto maior for o grau de interesse pelo que está sendo
apresentado na TV, menos amistosas as pessoas se sentem a respeito de uma
interrupção.
É evidente que existe, em menor ou maior grau, um envolvimento
afetivo do telespectador com os personagens e situações da televisão. É
preciso lembrar, todavia, que as mensagens televisuais atuam por
impregnação, agindo sobre o inconsciente e o imaginário, que distrai e cativa a
pessoa paralizando por assim dizer sua capacidade de ação e reflexão. Talvez
seja esta a razão por que há tantas famílias que no "horário nobre" estão
demasiado fascinadas com o que assistem que não têm tempo para ouvir, falar
ou atender a pedidos. E quando alguém ousa interromper a programação
favorita, acaba ocorrendo uma verdadeira “guerra”. Em certas ocasiões, até
mesmo quando chega visita a indiferença é demonstrada, e o “aparelho das
fantasias”, muitas vezes ignorante, inculto e irreligioso, continua tendo a
suprema veneração.
De acordo com o relatório anual do AD Council (www.adcouncil.org. -
entidade americana pró-lar e família), 50% dos lares americanos deixam a
televisão ligada durante o jantar em família. Para o Dr. William J. Doherty
(Ph.D.), autor do livro: “Intentional Family: How to build Family Ties in Our
Modern World”, assistir TV na hora da refeição é lamentável, pois o tempo do
jantar é freqüentemente o único momento do dia quando há uma oportunidade
para toda família estar junta e sentir um senso real de conexão e unidade. Sem
um freqüente reforço, a conexão familiar pode se perder, e principalmente as
crianças começarão a se sentir isoladas. Por essa razão, o relatório do AD
Council dá algumas sugestões de como aproveitar o tempo das refeições e
desenvolver o diálogo em família:
 Faça da refeição uma hora especial, desligue a TV.
 Acenda algumas velas e não comece o jantar até todos estarem presentes.
Se a sua filha adolescente está no telefone e vocês começam sem ela, vocês
estão dizendo que ela não é importante o suficiente para ser aguardada no
jantar.
 Todos devem permanecer à mesa até que o último membro da família
tenha acabado de comer.
 Se os conflitos e brigas tornarem o jantar em família impossível, seja
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criativo, pense em alternativas como um jantar à luz do luar.


 Se não há como ter um jantar em família pelo menos uma ou duas vezes na
semana, transforme o café da manhã aos sábados ou domingos em
momentos especiais.
 Algumas vezes saia com toda família para comer em um restaurante típico,
onde não tenha televisão ligada. Lembre-se: o objetivo é manter a conexão
familiar.
 Procure transformar a hora da refeição num ritual em família, fazendo do
diálogo um hábito.

ONDE ESTÁ A FAMÍLIA CRISTÃ?


Instilar valores fortes no caráter de uma criança é a única maneira de
torná-la inócua contra as muitas influências negativas a que elas estão
expostas a cada dia. Mas essa não é uma tarefa fácil, onde dar presentes e
brinquedos caros seja sufuciente. De acordo com Harriet Heath (Ph.D.), autor
do livro Planning: The Key to Meeting the Challenge of Parenting, são os
pequenos atos de amor demosntrados a cada dia, cheios de apoio e orientação,
que fazem uma enorme diferença na vida da criança. Todavia, a mídia é um
dos maiores obstáculos e a mais poderosa influência, que na maioria das
vezes, vai diretamente contra a educação cristã das crianças.
Allan Bloom analiza de forma objetiva a principal causa do fracasso das
famílias pós-modernas, tanto no que diz respeito ao relacionamento
interpessoal entre os seus membros, como na sua estrutura e educação cristã.
Há quem defenda o uso irrestrito da TV no lar, alegando que quando ocorrem
reuniões de família, por exemplo, o convívio é mais pacífico se a televisão
está ligada. Essa “paz” ocorre porque os membros da família podem focalizar
toda sua atenção na televisão, em vez de uns nos outros, e desta forma avitam
discusões e indelicadezas.
Ao escrever sobre a religião e a família, Bloom observa que existe um
paradoxo religioso na atual geração. Enquanto a sociedade cai no modismo do
respeito ao sagrado, a religião propriamente dita, e de maneira mais específica
o conhecimento da Bíblia, foram diminuídos até o ponto de fuga. Para ele, até
algumas gerações passadas, a família estava muito bem alicerçada na prática
religiosa, a qual consistia em cultos familiares, assiduidade à igreja, reflexões
sobre a lei moral de Deus, bem como nos heróis bíblicos (verdadeiros modelos
de virtudes), recomendações ao amor fraternal, orações à hora da mesa e
recitações de passagens bíblicas, que literalmente ecoavam na mente das
crianças. Tudo isso formava um modo de vida, uma responsabilidade familiar.
O ensino moral correspondia ao ensino religioso. Tanto as lições morais como
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os limites éticos eram norteados pela Bíblia Sagrada.


Todavia, o quadro em que se apresenta a família hoje não é o mesmo.
Para Bloom, a perda do esteio da vida interior concedido àqueles que eram
alimentados pela Bíblia deve ser primeiramente atribuída não às escolas ou à
vida política, mas sim à família, a qual, com todos os seus direitos à
privacidade, se demonstrou incapaz de manter todo e qualquer conteúdo
próprio. A melancolia da paisagem espiritual da família é inacreditável. É tão
monocrática e tão alheia a quem vive nela como as estepes desérticas
freqüentadas por nômades, os quais extraem sua mera subsistência e vão
embora. O delicado tecido da civilização, no qual as sucessivas gerações se
entrelaçam, desfiou-se; e os filhos são criados, mas não educados.
Para um grande número de pais, a educação de seus filhos recebe toda
prioridade, além de sua sincera devoção material. Acontece porém, que não
têm nada para dar aos filhos em termos de uma visão do mundo, de elevados
modelos de conduta ou de profundo senso de relação com os outros. A família
exige a mais delicada mistura de natureza e de convenções, do humano e do
divino, para que subsista e preencha suas funções. Na base dela está a mera
reprodução fisiológica, mas a sua finalidade é a formação de seres humanos
civilizados.
Bloom ainda expõe o fato de que a família precisa se alimentar de
livros, os quais falam do que é justo e injusto, bom e mau explicando porque é
assim. A família requer certa autoridade e sabedoria quanto aos caminhos dos
céus e dos homens. A família tem de ser uma unidade sagrada, crente na
permanência daquilo que ensina...Quando a crença desaparece, conforme
ocorreu, a família guarda na melhor das hipóteses uma unidade transitória. As
pessoas jantam, brincam e viajam juntas, mas não pensam juntas. É raro que
haja vida intelectual em qualquer residência, muito menos uma vida que
inspire os interesses essenciais da existência.
O abandono das “tradições” na família, dos conhecimentos “antigos”, e
da própria Bíblia, trouxeram o desaparecimento gradativo e inevitável da fé
em Deus, que é a base mais sólida para as tradições familiares. Com essa
perda, pais e mães perderam a noção de que o mais elevado legado que
poderiam fornecer aos filhos seria o conhecimento e a sabedoria, e
principalmente aquela sabedoria que vem do alto. Porém, tudo o que mais
almejam é a formação especializada e o sucesso profissional de seus filhos.
Essa perda das tradições familiares tem levado os pais a uma perda de
autoridade e da confiança em si próprios como os principais educadores dos
filhos.
Simultaneamente, com as constantes novidades e incessantes
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deslocamentos de um lugar para o outro, primeiro o rádio e depois a televisão


assaltaram e transformaram a intimidade do lar. A qual permitia o
desenvolvimento de uma vida superior e mais independente dentro da
sociedade democrática. Os pais já não conseguem dominar a atmosfera
domiciliar e até perderam a vontade de fazer. Com grande sutileza e energia, a
televisão entrou não só na sala, mas também nos gostos tanto de jovens quanto
de velhos, apelando ao imediatamente agradável e subvertendo tudo quanto
não se conforme com ela. Nietzsche dizia que o jornal substituíra a oração na
vida do burguês moderno, querendo dizer que o mundano, o vulgar, o efêmero
tinham usurpado tudo o que restava do eterno na sua vida diária. Hoje em dia,
a televisão substituiu o jornal e a internet está substituindo a TV.
Em um discurso proferido do Vaticano em 1994, o Papa João Paulo II,
comentando a influência da TV sobre as famílias ao redor do mundo, definiu a
televisão como “a pior ameaça para a vida familiar”, e a responsabilizou por
“glorificar o sexo e a violência”. A presença constante da violência nos meios
de comunicação de massa, principalmente na TV, contribui para o
desenvolvimento de uma cultura agressiva blobal e a banalização da vida.
Segundo H. Arendt, não se pode mais dizer que os lares de hoje são as
quatro paredes onde se desenrola a vida da família. Muito menos de que o lar
é uma proteção contra o mundo, e em particular contra o aspecto público do
mundo. Como já afirmamos, ao longo do processo de socialização as crianças
são o objeto da ação de várias instituições especializadas: a família, a escola, a
igreja e os diferentes grupos sociais. Todavia nada pode substituir a relação
sócio-afetiva da criança e sua interação com o meio. Se a TV tem certa
importância no desenvolvimento sociológico da criança como já vimos que
tem, é preciso, porém, ter o devido cuidado para não exagerar nessa
importância. Isso, porque a TV não é capaz de substituir a interatividade da
criança com os outros, especialmente com a família, bem como os
coleguinhas, e enfim: com todas as pessoas que fazem parte de seu universo
existencial.

AS INSTITUIÇÕES SOCIALIZADORAS E A TV
Uma pesquisa entitulada “Alguns aspectos da audiência infantil aos
meios de comunicação”, realizada pelo grupo de mídia de São Paulo e
divulgada pela Fundação Carlos Chagas, revelou que o segmento da
população paulistana entre quatro e 14 anos é um dos principais grupos de
consumo de programações de TV. Embora os padrões de exposição à TV
sejam diferenciados, variando por dia da semana e por camada
sócioeconômica, as crianças e adolescentes gastam em média 3,8 horas por dia
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assistindo TV. As camadas sócio-econômicas menos favorecidas tendem a um


padrão mais intenso de exposição que as camadas de maior poder aquisitivo.
Emquanto os pobres assistem tevê em média 22 horas semanais, os de classe
média alta assistem 15 horas por semana. Isso revela que, em muitos casos, a
televisão tornou-se um agente socializador tão importante quanto a família e
os grupos de amigos.
Se a televisão está adquirindo cada vez mais importância no processo de
socialização da nova geração, e de forma mais acentuada nas classes mais
desfavorecidas da sociedade, é necessário pensar um pouco, pelo menos, no
porquê e onde as demais instituições socializadoras têm falhado. Entre os
muitos aspectos da vida que o hábito de ver televisão afetou, estão três grupos
sobrepostos de relacionamento: a família, a vizinhança e a igreja. Por várias
razões, esses relacionamentos não estão indo muito bem. A TV está longe de
ser a causa principal, mas tem a sua parcela de contribuição. Por exemplo,
muitos já não sabem mais o que significa passar algumas horas com os
vizinhos, geralmente o pensamento que a maioria tem é de que conversar com
o vizinho não é considerado suficientemente importante para privá-los de ver
televisão. Ver TV acaba sendo considerado até menos trabalhoso do que ter
que conversar com aquela senhora que mora na frente. Vale lembrar, como
disse Kevin Perrota, que a subtração que a TV faz do nosso tempo com os
parentes e vizinhos pode tornar nossas vidas mais fáceis. Mas, no final das
contas, faz-nos mais pobres e infelizes.
O tempo passado com a televisão não reduz apenas as oportunidades de
relacionamentos interpessoais significativos, mas reduz também a
oportunidade de educar as crianças. Além disso, também interfere em sua
educação. Desde a década de 70 os educadores têm estado preocupados com
indicações de que as crianças não estão aprendendo tanto como
“antigamente”. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos constataram que os
escores, ou pontos médios, alcançados nos testes escolares de admissão para
avaliar os alunos matriculados começou a baixar já na década de 60,
continuando em queda na década de 70, e assim suscessivamente. Os alunos
sabiam cada vez menos sobre ciências e matemática. Os professores
começaram a perceber que disciplina, concentração, raciocínio lógico e outras
habilidades intelectuais estavam diminuindo. Os educadores não demoraram a
apontar a televisão como a culpada. O argumento principal era de que as
oportunidades estavam sendo perdidas. As crianças preferiam passar o seu
tempo assitindo tevê, em vez de lendo um livro ou fazendo as tarefas
escolares. Certo educador da Universidade de Satanford chegou a afirmar que
aquela geração de estudantes era a primeira mais afetada depois da chegada da
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televisão. O que as crianças vêem na TV também influencia seu


desenvolvimento intelectual. Uma pesquisa realizada pela universidade do
Texas (EUA) acompanhou 200 crianças entre 2 e 7 anos de idade, divididas
em dois grupos, as quais tinham o hábito de ver televisão várias horas por
dia.O grupo que assistia mais a programas do tipo educativo teve um
desenvolvimento intelectual maior do que o grupo que assistia a outros tipos
de programa. Isso revela, no mínimo, que é necessário selecionar o tipo de
programa que as crianças estão assistindo.
Embora não seja regra geral, o uso da TV geralmente substitui outras
atividades. O tempo dedicado à TV interfere no estudo sério e de qualidade.
Muitos estudantes só podem fazer seus deveres se ela estiver ligada. Aqueles
que assistem muito à televisão acabam indo tarde da noite para a cama e não
conseguem se concentrar nos trabalhos escolares; os viciados em tevê não
lêem nem buscam propósitos mais educacionais ou culturais. Não há dúvida
de que o excesso de televisão reforça atitudes e padrões que impedem o
estudante de melhorar o seu desempenho escolar. Como foi abordado, apesar
de não ser regra geral, pelo menos em algumas circunstâncias, existe uma
relação de causa e efeito entre ver televisão e o desenvolvimento escolar mais
lento. Uma pesquisa feita por Robert C. Hornik, da Universidade de Stanford,
constatou que de fato as crianças consumidoras de TV não têem o progresso
que delas é esperado na escola. Hornik concluiu que há uma forte associação
negativa da exposição à televisão com as habilidades de leitura em longo
prazo. Em outras palavras, a televisão causou uma desaceleração no processo
de leitura, que é um instrumento básico para o aprendizado e desempenho
global dos alunos na escola. Segundo Hornik, o grau em que a televisão
parecia afetar o progresso da leitura não era muito alto, cerca de 10%. No
entanto, considerando a importância vital da leitura, devem os pais permitir
que seus filhos caiam em 10%, de onde estariam, no desenvolvimento de sua
capacidade de leitura? Em doze anos de educação básica, uma perda de 10%
atinge mais do que um ano de desnvolvimento acadêmico.
Se por um lado, a televisão é um obstáculo ao desenvolvimento global
de muitos estudantes, e alterou a maneira como eles estudam em casa; por
outro, o que se percebe com as escolas, principalmente as não confessionais, é
que elas tendem a perder terreno no que se refere à formação integral da
personalidade, uma vez que se preocupam em buscar a especialização na
transmissão dos conhecimentos. A ênfase dada é nas aptidões exigidas pelo
mercado de trabalho. Entretanto, como alguém ironicamente disse:
“especialização é saber cada vez mais a respeito de cada vez menos”. Assim,
debates para educar os alunos para a mídia, praticamente inexistem nas
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escolas. Os alunos não são incentivados, como deveriam, a fazer uma análise
crítica dos conteúdos veiculados na mídia eletrônica, e tampouco são
orientados em como aproveitar melhor o seu tempo de estudo, sem a tevê.
Enquanto a escola se esforça para formar cidadãos, a TV tem por meta
principal formar consumidores. A escola não pode estar alienada diante da
televisão e do fato de que seus alunos a assistem diariamente. Por que não
levar a TV para a sala de aula? Por que não inverter a relação, na qual a TV
passa a ser o objeto, e o aluno o sujeito crítico? Imagine o que aconteceria se
os alunos na sala de aula analisassem os programas de TV e clipes
publicitários, transformando o jogo de emoções, sons, cores e movimentos em
objeto da razão crítica, e interpretando os conteúdos dos programas de
maneira ética. Poderiam realizar debates e discusões em torno da ética que
está implícita nos programas de auditório, onde muitas vezes os pobres e
nordestinos são ridicularizados. Poderiam ainda analisar a publicidade
televisiva, a qual reduz a mulher ao seu aspecto físico como uma isca para o
consumismo desenfreado. Acredito que ver TV de maneira crítica é educar o
olhar. As escolas poderiam promover fóruns permanentes de debate e
discusões sobre a qualidade dos programas de televisão, e por meio de
manifestações promover a democratização dos meios de comunicação.
Outra instituição que tem perdido o rumo educacional é a própria
família. Que na realidade perdeu suas raízes culturais judaico cristã num
processo de perda de valores, materialização e vazio espiritual. A crescente
urbanização, o capitalismo desenfreado somado aos baixos salários, a injustiça
e discriminação social e racial, a ausência de ideais cristãos elevados, bem
como o afastamento dos princípios tradicionais do cristianismo bíblico, têm
levado as famílias modernas a experimentar uma desestruturação no que diz
respeito as suas funções educativas. Ela própria passou a fazer das imagens da
telinha uma válvula de escape para os seus problemas. Em muitos casos a TV
se tornou a única fonte onde se busca o “conhecimento”, ou melhor, um
pseudoconhecimento, levando à negligência de fontes mais nobres, como os
livros por exemplo.
Quanto às igrejas, parece que uma parcela de cristãos a tem encarado
mais como um clube do que como uma fonte de crescimento e vida espiritual.
Muitas vezes essa visão distorcida do que é a igreja, e qual é o seu papel, se
deve ao fato de que em seus púlpitos não está sendo proclamado o evangelho,
que é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” As pessoas
têm ouvido o que querem ouvir, mas não o que realmente necessitam ouvir.
Da mesma maneira que a TV tem contribuído para o enfraquecimento das
relações interpessoais na família, escola e vizinhança, ela tem enfraquecido
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também a comunhão espiritual e os relacionamentos entre os crentes. Embora


não seja a força principal por trás desse enfraquecimento, ela tem contribuido
para acelarar os processos de isolamento e solidão. A tevê distrai da
oportunidade de servir às muitas pessoas que estão à nossa volta mesmo
dentro da igreja. Seria muito simplista alegar, que o simples ato de desligar a
TV, resolvesse os problemas de relacionamento na igreja. Mas, tal atitude
pode ser o começo para que “sobre” mais tempo à oração, ao testemunho
pessoal, à visitação e à comunhão para buscar o Espírito que pode mudar tudo,
o Espírito Santo de Deus.
No que diz respeito ao papel sociológico e educacional, as igrejas
parecem ter dificuldades para atrair os jovens, uma vez que suas mensagens
não são transmitidas em forma de espetáculo audiovisual, os adolescentes não
suportam ouvir o que para eles parece uma eterna monotonia. Talvez por isso
muitas igrejas estejam usando telões com tanta freqüência e tornando seus
cultos, em alguns casos, num verdadeiro show pictográfico-religioso,
perdendo a interatividade entre membros e liderança. Em alguns casos os
instrumentos tecnólogicos têm assumido a própria função do pregador,
causando um distanciamento ainda maior nas relações interpessoais e no
carisma cristão.
Considerando que a televisão faz parte de um vasto sistema de mídia
que se dirige a diferentes públicos, dentre os quais as crianças e adolescentes
são um verdadeiro filão de mercado, sua principal meta é formar
consumidores. Todavia não podemos negar que além dos objetivos
comerciais, e ao mesmo tempo junto com eles, a TV não é nêutra em questões
morais e éticas. Juntamente com os produtos oferecidos, diria que no bojo de
toda publicidade, são veiculados imagens, informações, valores, crenças e
modelos que são assimilados pelas mentes ainda em formação. É por essa
razão que a televisão interfere no processo de socialização, do mesmo modo
que a escola e a família, e em muitos casos, mais do que essas instituições.
É evidente que precisamos levar em consideração, nesse processo de
socialização, o nível sócio-cultural da família, bem como a sua estrutura.
Porém, uma coisa podemos admitir: a TV tem causado um impacto muito
grande na formação social, moral, ética, educacional e até mesmo religiosa de
milhares de crianças e jovens, de todas as classes sociais. Uma vez que a
televisão é o veículo mais popular entre a garotada, fica fácil descobrir a
razão. Porém é bom lembrar que, enquanto as instituições estabelecidas por
Deus não cumprirem fielmente seus papéis educacionais, bem como suas
tarefas socializadoras, a TV continuará exercendo suprema autoridade e
domínio na vida de muitos.
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Por essa razão, os estímulos oferecidos à criança no lar, na escola e na


igreja, devem proporcionar atividades e oportunidades variadas, para que a
criança exerça suas práticas de aprendizagem e interatividade com o mundo
real que a rodeia. Quanto mais desafiadoras forem essas oportunidades, menos
importante será a televisão, uma vez que as crianças terão outras experiências,
e conseqüentemente passarão menos tempo em frente à telinha.

O SENSO CRÍTICO É FUNDAMENTAL


Na maioria daz vezes, contudo, o problema quanto ao relacionamento
exagerado que se tem com a TV dentro das famílias, não está com as crianças
e muito menos com a TV propriamente dito, mas com seus responsáveis. São
pais que não estabeleceram limites ao uso da TV, nem para si mesmos e muito
menos para os seus filhos, deixando o acesso à mesma totalmente liberado.
Essa atitude de indiferença acaba estimulando crianças e adolescentes, que
têm muito tempo livre para gastar, a gastá-lo frente à telinha. Outra razão é
que estes pais não formaram nos filhos um espírito crítico daquilo estão vendo
na televisão. Talvez porque eles mesmos são frequentadores assíduos de seus
programas, sem questionar a qualidade daquilo que vêem.
Pode-se dizer portanto, que a família não representa um espaço que
estimule os jovens a desenvolver uma atitude ativa e crítica frente à televisão.
Tais pessoas desejando se justificar sobre o uso que fazem da TV, bem como
ao conteúdo a que assistem, usam a mesma desculpa: “nós só precisamos
saber usar a TV e controlá-la”. Quando essas pessoas são confrontadas sobre o
baixo padrão de certos programas, respondem que a maldade está com quem
vê, basta olhar as coisas com “bons olhos”. Tais desculpas, além de revelar
fraqueza moral, demonstram uma reação de fuga diante do compromisso ético
de julgar e avaliar o conteúdo da TV.
A violência e o sexo não são os únicos problemas no conteúdo
veiculado pela mídia televisiva. Os maiores problemas repousam nas maneiras
como a televisão alimenta a vida das pessoas com padrões seculares e
pensamentos mundanos. O fato é que, infelizmente, nem todo telespectador
consegue dominar a "fera", a grande maioria parece ficar paralizada, dopada,
anestesiada e impotente para apertar o botão que desfaz as cenas que ofendem
a moral, a religião e o próprio valor familiar. Comentando os resultados de
uma pesquisa sobre o papel da televisão no processo de socialização, podemos
afirmar que os telespectadores parecem desenvolver o que ela definiu como o
„rito da telinha‟, como exemplo, esta pesquisa declara que a maioria dos
adolescentes assiste sempre aos mesmos programas, o que revela uma atitude
passiva e pouco curiosa frente à telinha. As novelas, como os seriados e
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desenhos animados infantis, são exemplos mais típicos de escuta ritualizada.


Enquanto narrativas-sequênciais estes programas propiciam a criação de
relações afetivas entre seus personagens e os jovens. Criam também fortes
expectativas quanto ao desenrolar da ação (do enredo) assegurando um
público cativo todos os dias. As telenovelas parecem ter uma importância
muito forte na vida dos jovens estudados (sua escuta ritualizada se torna
muitas vezes compulsiva).
Apesar de muitos terem consciência dos aspectos positivos e negativos
da televisão, não está ocorrendo uma avaliação sistemática da qualidade do
conteúdo apresentado na tela. Como já foi dito, a grande maioria já perdeu o
senso de crítica e julgamento ético diante da TV. Tornaram-se telespectadores
compulsivos, sem nenhum critério de seleção ou avaliação. O que fazer? Não
cabe a ninguém recomendar algum mandamento, porém, como seres criados a
imagem e semelhança de Deus e cristãos, devemos analisar alguns fatores e
tomar nossa própria decisão. E que ela seja para o bem da família, da igreja e
para a honra de Deus. Como escreveu Paulo: “Portanto, quer comais, quer
bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. (I
Coríntios 10:31).

CAPÍTULO III
O PERIGO DA TEVÊLATRIA

TEMPO, TELEVISÃO E OPORTUNIDADES PERDIDAS


Do ponto de vista científico da Física, o tempo é algo enigmático, não
há uma definição segura para ele. Para os cientistas dessa área do
conhecimento, passado, presente e futuro são apenas frações do tempo, que na
realidade não existem, quando colocadas dentro do tempo em si, uma vez que
ele é eterno e invariável (sempre constante). Por isso, o tempo continua sendo
um grande desafio à mente humana.
Todavia, para facilitar nossa localização, bem como os acontecimentos
de nossa existência dentro desse imenso universo imaterial que é o tempo,
usamos medidas, datas e horas, desde o momento do nascimento até a morte,
as quais servem para marcar ou delimitar o tempo em frações (unidades de
tempo). É justamente esse período, o de nossa existência aqui neste mundo,
que dá “sentido e localização geográfica” ao que costumamos chamar de
realidade, além de nos permiter estar conscientes das nossas opotunidades.
Mas, nem todos têm consciência do valor e significado do tempo. Para
citar um caso extremo, os habitantes das ilhas Trobriand, em Papua Nova
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Guiné, consideram o tempo como algo sem muita importância. Muito menos
diferenciam passado, presente e futuro. Em geral eles não se importam muito
com o tempo. Eles nem ligam para horas ou minutos, e muitos nem sabem sua
própria idade. Os pais não lembram quando seus filhos nasceram e ninguém se
preocupa em saber quanto tempo ainda tem de vida. Ou mesmo se está
envelhecendo. „Para que dividir o tempo em pedacinhos e ficar se afligindo ao
ver os dias passarem, se isso é algo que você não pode evitar?‟Perguntam,
com inocência, os trobriandeses.
Entretanto, para nós cristãos, ter consciência da eternidade e
invariabilidade do tempo, é ter consciência de nossa transitoriedade,
fragilidade e mortalidade. Contudo essa consciência nos permite também ter
uma pálida idéia daquilo que Deus é, da Sua grandeza imutável e eterna, bem
como da Sua suprema soberania. Com esse pensamento podemos afirmar que
Deus não está preso ao passado, nem ao presente e muito menos ao futuro.
Joel Kauffmann ilustrou numa charge a incoerência e a falta de um
significado maior na vida de muitos quando estão diante da TV. Imagine a
cena: Certo “cristão”, diante de um aparelho desligado de TV, diz indignado:
“A televisão torna a violência atraente, glorifica o sexo, comercializa nossos
valores e trivializa a espiritualidade!” Faz uma pausa, “pensa” por um instante
e então, conclui: “Por outro lado, uma vez que a vida está destituída de
significado, propósito ou relações, a TV bem pode ser um modo agradável de
passar o tempo”.
Infelizmente essa ilustração se repete na vida de muitos professos filhos
de Deus, os quais vivem uma vida tão vazia de espiritualidade e serviço
cristão, que procuram na comunhão diária com a TV ou intenet, inclusive nas
horas santificadas de adoração ao criador, uma válvula de escape para as suas
frustrações e derrotas espirituais. Sem, todavia, jamais encontrar o que
anelam, pois os meios de comunicação não têm o que mais necessitam. Um
dos maiores impactos da televisão na vida dos cristãos é o simples fato de que
eles passam demasiado tempo diante dela.
A questão é que raramente pensamos na disponibilidade do tempo que
nos é reservado enquanto aqui vivemos. A própria expressão “passa-tempo” é
usada como se fóssemos imortais. Nesse ponto, faz-se pertinente algumas
perguntas: alguma vez você já parou para pensar em quantas horas úteis de
vida você tem? Ou, qual o saldo de tempo de vida que você tem pela frente?
Se você ainda não fez essa avaliação, está na hora de fazê-la. Contudo, no
lugar de concentrar suas energias no tempo perdido, dedique sua atenção nesse
saldo em particular, e faça um inventário de como pretende investir e usar o
tempo que lhe resta. Vale lembrar que há duas razões muito fortes para fazê-
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lo: 1º) Você pode estar usando mal o tempo que lhe resta para viver; e, 2º) O
estoque de tempo não pode ser renovado. Portanto, trate de aproveitar ao
máximo o tempo disponível usando-o para honrar e glorificar o nome do
Senhor Jesus em sua vida o mais cedo possível.
Um estudo feito recentemente por um órgão do governo americano
mostra o número de anos e o volume de horas que, em média, temos pela
frente, dependendo da idade de cada um (o que em determinados casos pode
significar uma verdadeira contagem regressiva). Dê uma verificada no quadro
abaixo e veja como anda a sua situação ao conferir seu saldo de tempo ainda
disponível. Todavia, lembre-se: se o saldo for pouco, não desanime, mas
invista-o com qualidade (nunca é tarde demais para iniciar novos projetos de
vida); se o saldo for muito, não se anime em demasia, mas tenha prudência e
peça a sabedoria do alto para administrá-lo, para que o saldo disponível não
seja desperdiçado. Faça a oração do salmista quando disse: “... ensina-nos a
contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio”.

Idade Atual Anos Futuros Horas Disponíveis


20 anos 56,3 493 526
25 anos 51,6 452 326
30 anos 46,9 411 125
35 anos 42,2 369 925
40 anos 37,6 329 601
45 anos 33,0 329 601
50 anos 28,6 250 708
55 anos 24,4 213 890
60 anos 20,5 179 703
65 anos 16,9 148 145
70 anos 13,6 119 218
75 anos 10,7 93 796

É claro que o futuro é incerto, ninguém está livre de uma calamidade,


doenças e acidentes. Contudo, vamos supor que você atravesse os anos com
uma saúde inabalável e ileso de acidentes. Mesmo assim, é bom lembrar que o
número de horas disponíveis nessa estatística não é exatamente este. Digamos
que as horas disponíveis estão no resultado bruto, é necessário fazer algumas
subtrações para se chegar ao número de horas líquidas, as quais são realmente
úteis para o trabalho, crescimento pessoal e comunhão com Deus. Faça você
mesmo as contas em porcentagem:
 30% a menos gastos com o sono. Isso se você dormir uma média de 7
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horas e 12 minutos por dia, sem um segundo sequer a mais. Para uma
pessoa que tem 35 anos, por exemplo, isso significa 110 997 horas e 30
minutos a menos no saldo de horas.
 10% a menos gastos com higiene, transporte de casa para o trabalho e
outras atividades pessoais. Esses 10% significam algo em torno de 2 horas
e 20 minutos por dia. O que somado aos 30% pode equivaler à metade do
total de horas indicado na estatística.
A Universidade de Winsconsin (EUA) realizou outro estudo estatístico
que nos ajuda a fazer uma melhor avaliação da maneira como utilizamos
nosso tempo. O estudo revelou que, em uma vida aproximada aos 70 anos,
somando-se todos os minutos dedicados para cada atividade, o indivíduo
dedicará, em média, um totaql de:
 20 anos para o sono e esportes.
 15 anos para passeios e diversões.
 05 anos enfeitando-se.
 03 anos para alimentação.
 03 anos esperando algo ou alguém.
 01 ano falando por telefone.
 05 anos em vestir-se.
 05 meses calçando os sapatos.
 02 meses para regular o relógio.
 04 horas de cada ano para assoar o nariz.
 01 ano para acender o cigarro.
 13 anos trabalhando.
 08 anos vendo televisão ou escutando programas de rádio.
 A pessoa que dedica 30 minutos diariamente à leitura da Bíblia, ao final de
seus 70 anos de existência, haverá empregado só um ano lendo a Palavra
de Deus.
 Se dedicar 03 horas semanais para ir ao templo, durante 70 anos, só haverá
dedicado um ano e três meses em render adoração ao Senhor.
John Robinson e Geoffrey Gdbey pesquisaram como os americanos
gastam seu tempo livre. Segundo eles, os adultos normalmente têm uma média
de 39.4 horas livres por semana e usam essas 39.4 horas da seguinte maneira:
 Atividades sociais (visitas, comidas, festas) – 6.7
 Lazer – 2.7
 Recreação e esportes – 2.2
 Eventos culturais – 0.9

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 Ouvindo música (rádio e outros) – 0.4


 Atividades de grupo – 1.2
 Educação – 2.2
 Leitura – 2.8
 Comunicação (telefone, e-mail, conversa) – 4.4
 Assistindo televisão – 15.o
Outra estatística divulgada pela revista italiana Focus, calculou no que
uma pessoa que viveu 70 anos gasta esse tempo (em média). O pessoal da
Focus confirmou muitas conclusões da Universidade de Winsconsin e
acrescentaram outros. O estudo verificou que, em 70 anos, passamos 23 anos
dormindo. Perde-se um ano respondendo formulários e quase o dobro disso
em filas. O tempo gasto com refeições é de sete anos (em 70); quase o mesmo
tempo gasto diante da televisão. Eis algumas outras atividades tabuladas:
 Ficar em pé – 30 anos.
 Caminhar – 16 anos.
 Trabalhar – 9 anos.
 Ficar em filas – 500 dias.
 Pentear o cabelo – 108 dias.
 Olhar o relógio – 3 dias.
 Ver Televisão – 5 anos e 303 dias.
O êxito da vida, e de maneira especial da vida cristã, depende em maior
ou menor grau da maneira como se programa o tempo. Como cristãos
devemos considerar o tempo como um dom sagrado concedido por Deus. Ao
descobrir quanto tempo estamos gastando com atividades banais ou
indesejáveis, talvez o melhor seja voltar ao Salmo de Moisés e fazer a oração
que ele expressou: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos
coração sábio”. (Salmo 90:12).
Também será saudável fazer uma auto-avaliação e perguntar: Quanto
tempo estou colocando à disposição de Deus? Quanto tempo gasto nas coisas
de caráter Eterno? Quanto tempo dedico pensando em minha salvação e na
salvação daqueles que me rodeiam? Estou gastando meu tempo da mesma
forma que um descrente, dando prioridade àquilo que é terreno e transitório?
Se a sua autoavaliação for negativa, siga os seguintes conselhos do Apóstolo
Paulo: “Remindo o tempo, porque os dias são maus”. A Bíblia na Linguagem
de Hoje diz: “Aproveitem bem o tempo, porque os dias em que vivemos são
maus”. (Efésios 5:16). “Pensem nas coisas lá do alto e não nas que são aqui da
terra”. (Colossenses 3:2).
Falando da importância do tempo na vida do cristão, Ellen G. White dá
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algumas orientações e faz algumas advertências ao comentar a “Parábola dos


Talentos”. De suas afirmações desejo destacar alguns pontos que considero
essenciais para a nossa reflexão:
 Nosso tempo pertence a Deus.
 De nenhum talento que nos concedeu requererá Ele mais estrita conta do
que de nosso tempo.
 Somos advertidos a remir o tempo. Porém, o tempo esbanjado nunca
poderá ser recuperado.
 Todo o momento está carregado de consequências eternas.
 A vida é muito curta para ser absorvida em negócios terrenos e temporais,
em um remoinho de cuidados e ansiedades pelas coisas terrenas que são
apenas um átomo em comparação com as de interesse eterno.
 Do justo emprego do tempo depende nosso êxito no conhecimento e
cultura mental.
 A cultura do intelecto não precisa ser tolhida por pobreza, origem humilde
ou circunstâncias desfavoráveis, contanto que se aproveitem os momentos.
 Se se tivesse um livro à mão, e os “retalhos de tempo” fossem empregdos
estudando, lendo ou meditando, que não poderia ser conseguido?
 Precisamos exercitar a mente em planejar como utilizar o tempo para
alcançar os melhores resultados.
 Muitas crianças e jovens dissipam o tempo que poderia ser empregado de
ocupações domésticas, o que mostraria interesse amoroso no pai e na mãe.
 Os pais devem ensinar a seus filhos o valor e o bom uso do tempo.
 Muitos foram arruinados, para essa vida e para a vindoura pela ociosidade,
más companhias e hábitos viciosos que depravam a mente e a alma.
Para melhor avaliar quanto tempo é “jogado para o espaço” diante da
televisão, faça a seguinte pergunta quando estiver assitindo a telinha: O que
não estou fazendo, porque estou vendo televisão? Ao fazer essa pergunta,
você descobrirá muitas atividades que gostaria de fazer, mas “nunca tem
tempo”. Quando você fizer essa descoberta, verá que há algo de ilusório na
experiência de ver TV, então será o momento apropriado para desligar a
televisão e passar algumas horas meditando sobre ela, em lugar de assistí-la. A
televisão não preencheu simples vácuos na vida das pessoas. Ela se intrometeu
e tomou o lugar de outras coisas. Onde havia alguma outra coisa ou atividade,
agora está a televisão (os mais idosos que o digam). Hoje, é inconcebível uma
quebra radical do grande investimento de tempo à televisão. Quando ficamos
sabendo de alguém que se livrou de seu aparelho de TV, geralmente tal pessoa
é taxada de fanática. Contudo, é necessário perguntar se, ver televisão pode
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estar custando a oportunidade de fazer outras coisas que, com o “correr do


tempo”, poderiam fazer de você uma pessoa melhor e mais feliz, ou ainda
coisas que Deus poderia querer que você fizesse.
Diante disso, se faz necessário perguntar: e se todos os programas de
televisão fossem inofensivos, ou até mesmo na sua opinião, bons? Ainda
assim, seria legítimo e viável passar tanto tempo com este meio de
comunicação como geralmente as pessoas fazem? Seria saudável duas a três,
ou mais horas por dia, de quatorze a vinte e uma, ou mais horas por semana,
vendo televisão, mesmo se os programas fossem inofensivos e até mesmo
bons? O que se sabe, é que durante a vida, a soma de horas que uma pessoa
passa diante da TV, em média, é de 50.000 a 75.000 horas ou mais,
dependendo do grau de dependência. Equivale de cinco a oito anos, ou mais
anos, olhando para a telinha. Será que o uso desses cinco a oito anos não
merece maior atenção? O que você poderia fazer nesse período de tempo? De
uma cioisa você pode estar certo, existe uma forte relação entre, tempo
dedicado à televisão e qualidade de vida.
Nesse ponto, gostaria de levantar novamente a pergunta: o que é que as
pessoas não fazem por estar assistindo à televisão? É claro que a resposta a
essa pergunta irá depender de vários fatores, tais como: nível educacional,
costumes culturais, escala de valores e prioridades. Talvez enquanto uns
leriam suas Bíblias, aprenderiam espanhol ou fariam trabalhos de arte, outros
esbanjariam seu tempo com atividades supérfluas e pouco produtivas. Um
estudo realizado pela Texas Tech University, tentou diagnosticar o tempo
dedicado a diversas atividades em uma semana, em duas situações:
1- Quando as pessoas tivessem assistido TV durante uma semana.
2- Quando as mesmas pessoas não tivessem visto televisão durante uma
semana.

Atividade Semana com TV Semana sem TV


Leitura de jornais, livros... 86 minutos 175 minutos
Atividades sociais, diálogo 72 minutos 118 minutos
Tarefas domésticas 82 minutos 101 minutos
Atividades com a família 42 minutos 70 minutos

Embora esses dados não possam ser generalizados e os resultados sejam


bem relativos e com variantes que dependem de fatores socioculturais, eles
servem para nos dar uma idéia. Todavia, fica evidente o fato de que com a TV
ligada durante uma semana, a tendência é ocorrer o que pode ser definido
como “deslocamento de prioridades”, além de um maior desperdício de
tempo. Por outro lado, se a TV ficar desligada, ocorrerá uma busca de
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atividades saudáveis para preencher o vazio deixado por ela. Contudo, vale
lembrar que ver televisão pode ser um problema mesmo que você não esteja
negligenciando outras coisas que deveria estar fazendo. Por exemplo: o tempo
que você passa diante do vídeo pode ser usado para lidar com a tensão ou
ansiedade, dificuldades com os membros da família, falta de propósitos e
tédio, medo de se relacionar com outras pessoas ou solidão. Para citar apenas
um exemplo, pesquisadores do assunto descobriram que as crianças que
assistem demais à televisão tendem a ter dificuldades em situações sociais.
Elas não são tão adaptáveis, extrovertidas, e não fazem tantos amigos. Em tais
casos, ver televisão pode estar causando problemas, ou então ser um meio para
compensá-los.
Vale lembrar que, enquanto você está sentado confortavelmente em
frente à telinha, o seu tempo está sendo subtraído lentamente e
imperceptivelmente de coisas fundamentais, como uma conversa com a
esposa, filhos e outros que lhe são queridos. A TV pode estar servindo como
anestésico para os problemas, desviando da procura de soluções reais. Ela
enche a vida com uma cascata de imagens e sons, toma a atenção, quando se
poderia, de outro modo, dedicar mais tempo à reflexão, estudo da bíblia e
oração. Dentro do lar, a televisão se coloca entre os pais e os filhos e entre os
filhos e a leitura. Isso enfraquece a oportunidade de educar, dialogar e
desenvolver nas crianças e em si próprio, o crescimento na graça e o
amadurecimento em Cristo tornando você e sua família cristãos maduros e
competentes. Por isso, é bom lembrar que ao investir o tempo com prudência,
vocês receberão um bom troco, nessa vida e na vindoura.
Além disso, um investimento exagerado de tempo na frente da TV é um
desperdício e um mau negócio. O que se “ganha” em entretenimento ou
informação não compensa pelo que se perde em termos de experiência de vida
ou vivência com o próximo. A expressão “tempo é dinheiro”, é mais levada a
sério pelos produtores de TV do que pelos telespectadores. É bom considerar
que a indústria da televisão valoriza o seu tempo e atenção, mais do que você
mesmo o faz. São gastos milhões em publicidade e elaboração de novelas e
filmes para que você dedique alguns minutos de seu tempo à telinha. O valor
do tempo no mercado publicitário e na mídia, só vem reforçar a idéia de que o
seu tempo vale ouro. Todavia, esse valor não pode medir a importância do
tempo que você dedica à família, aos filhos, aos amigos, à igreja, aos
necessitados e principalmente ao Criador.
Agora vamos fazer outro cálculo para finalizar essa reflexão: pense
numa pessoa que passa uma média de três horas por dia na frente da “telinha”,
por semana ela dedicará 21 horas à TV. Por mês dedicará 84 horas, e durante
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o ano todo terá desperdiçado cerca de 1.008 horas, ou 42 dias da sua tão breve
e preciosa existência. Não é difícil calcular quanto tempo ela terá gastado
diante da TV em 10 anos, serão aproximadamente 10.080 horas ou 420 dias.
Imagine que a mesma pessoa dedica uma hora por dia à leitura e estudo da
Bíblia, bem como à oração. É fácil fazer o cálculo e perceber, que o seu tempo
com Deus está defasado. O fato, porém, é que uma boa parcela dos cristãos
dedicam mais de três horas por dia à TV e menos de uma hora para sua
devoção pessoal com Jesus. O mesmo cálculo pode ser feito para analisar a
quantidade de horas dedicadas ao estudo, à busca de conhecimentos culturais e
à leitura construtiva. Ao fazê-lo, talvez você e sua família descubram que têm
desperdiçado muito tempo. Se isso ocorrer, faça um pacto com Deus e
reorganize seu tempo para a honra e glória do Senhor Jesus.

ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO


Podemos afirmar que o tempo é o elemento de maior valor do universo.
Considere esta pequena história:
Cruzando o deserto, um viajante viu um Beduíno sentado ao pé de uma
tamareira. A pouca distância, repousavam seus camelos, pesadamente
carregados com objetos de valor. O viajor, observando que o árabe estava
absorto e muito preocupado, dirigiu-lhe a seguinte pergunta:
- Em que posso ser útil ao prezado companheiro?
- Ah! - respondeu o árabe - estou muito aflito porque acabo de perder a mais
preciosa das jóias!
- Que jóia era essa? Perguntou o viajante.
- Bem, era uma jóia como não se voltará a fazer outra. Estava talhada com um
pedaço de Pedra da Vida e tinha sido confeccionada na oficina do tempo. Era
adornada com 24 brilhantes, ao redor dos quais se agrupavam seis pedras de
menor tamanho, mas muito preciosas.
- Mas, com o dinheiro que você possui é possível mandar confeccionar uma
jóia similar.
- Infelizmente, meu amigo - respondeu com tristeza o beduíno - a jóia perdida
não poderá jamais ser recuperada, pois é UM DIA!
Ter um planejamento do tempo é o mais importante passo a ser dado
quando se deseja administrá-lo de maneira inteligente e dentro da ética e
cosmovisão cristã. O planejamento ajuda a investir bem o tempo e ganhar
benefícios como retorno. Quanto tempo você já tem perdido? Que fortuna
incalculável de dias, horas, minutos e segundos você já esbanjou diante da
tevê? Pare agora mesmo e pense um pouco no que você pode fazer a partir de
agora. O tempo está passando, por isso não temos tempo a perder diante
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daquilo que não edifica e é informação inútil e perniciosa. Não podemos


dominar o tempo, mas podemos administrá-lo como mordonos e servos de
Deus. Faça em primeiro lugar uma séria avaliação e depois elabore um
planejamento detalhado do seu tempo. Preencha o gráfico abaixo dando os
minutos ou horas para cada atividade, de tal maneira que seja a sua relaidade e
não como gostaria que fosse. Para tanto, seja sincero e verdadeiro consigo
mesmo.

ATIVIDADES 2ª feira 3ª feira 4ª feira 5ª feira 6ª Feira SÁB. DOM. TOTAL


Horas de sono
Refeições
Banheiro
Escola
Estudo em casa
Trabalho
Televisão
Internet
Vídeogames
Transporte
Amigos
Igreja / cultos
Oração em casa
Leitura da Bíblia
Testemunho
Lazer
Outros
TOTAIS 24h 24h 24h 24h 24 24h 24h 168h

Medite um pouco sobre o resultado e ore pedindo a Deus sabedoria para


administrar o “talento” do tempo. A partir do resultado é conveniente fazer um
planejamento tendo como princípio fundamental o que Jesus disse em Mateus
6:25 a 34. Lembre-se de colocar as coisas na ordem de prioridade estabelecida
por Cristo: “[...] buscando primeiro o reino de Deus e a sua justiça”.

PERDENDO TEMPO COM BESTEIROL E PANCADARIA


Além do mais, deve-se considerar que essa perda de tempo diante da
TV muitas vezes está associada a muito conteúdo apresentado aos
telespectadores que não passa de um vasto repertório de “besteirol”, onde na
maioria das vezes, o ridículo e o bizarro se combinam perfeitamente. Já foram
feitas severas críticas aos programas que faltam com a ética e a educação,
além de desrespeitarem o valor e a dignidade humana. “No vale tudo da
audiência, emissoras brasileiras apelam e ultrapassam os limites do bom
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gosto”. Um exemplo foi o caso de Rafael Pereira dos Santos, um “menino” de


15 anos, portador de uma doença rara chamada síndrome de Seckel, um mal
transmitido hereditariamente. Por causa dessa doença, considerada pior do que
o Nanismo, Rafael mede 87 centímetros, pesa 8 quilos e tem o corpo fino
como um boneco de brinquedo. Apesar de seus 15 anos, ele tem a idade
mental de 3 anos. Abandonado pelos pais vive durante o dia num orfanato,
onde brinca com outras crianças, e volta para casa de noite, um pequeno
barraco numa das favelas do Rio de Janeiro.
A aparição de Rafael num desses programas de domingo, despertou o
que há de mais baixo e mesquinho na TV brasileira. Ele foi ridicularizado,
humilhado e ultrajado como ser humano. Sem ter consciência plena do que
estava ocorrendo, foi literalmente “usado” como bobo-da-côrte para aumentar
a audiência dos gananciosos. O ponto “máximo” do programa foi quando o
apresentador, juntamente com seus “diletos” convidados, se esbaldaram em
fazer piadas de mau gosto sobre as características físicas de Rafael.
“Isso sim que é um grande homem. Menor que você, só o salário
mínimo”, disse um deles imitando a voz do político “Lula”. Outro, imitando o
apresentador Gugu Liberato afirmou: “Vou chamar você para entrar na minha
banheira. Ou melhor, na minha bacia”. Um terceiro, imitando o falecido
trapalhão Mussum, declarou: “Vou dar a ele uma cachaça, para ver se fica um
pouco alto”. Por último, ouve-se uma voz afetada imitando o estilista
Clodovil: “Para fazer uma roupa para ele bastava um retalho”. Foram cenas
constrangedoras de ridicularização e falta de respeito que duraram
aproximadamente 40 minutos. E tudo isso sem pagar nenhum cachê à vítima.
Quando o Juizado de Menores do Rio de Janeiro e o Ministério Público
resolveram investigar a participação de Rafael no “Domingão”, descobriram
que a emissora tinha infringido o artigo 258 do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) ao colocar na TV um menor sem alvará. Creio, porém,
que a maior infração foi contra o ser humano Rafael, e contra a sua dignidade
como pessoa.
Nos Estados Unidos, as apresentações de cenas grotescas só receberam
um freio quando “um exagero” desencadeou uma morte. “Certo programa
colocou um convidado, Jonathan Schmitz, frente a frente com uma “paixão
secreta”; O homossexual Scott Amedure, de 32 anos;... Durante vinte minutos,
a câmera mostrou o crescente desconforto de Schmitz, que era heterossexual.
Nos três dias seguintes foi alvo de brincadeiras de todos os parentes, colegas e
vizinhos. Sentindo-se humilhado, Schmitz matou Amedure com dois tiros de
revólver. De lá para cá, uma grande quantidade de programas sensacionalistas
americanos aderiu ao politicamente correto. Mas a TV brasileira vai na
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direção oposta.
Na realidade, como analisa o jornalista e lingüista Nilson Lage, “esse
tipo de programação foi criado nos Estados Unidos para a América Latina na
década de 60. Era a chamada comunicação do grotesco, que recupera o
programa do Chacrinha, que jogava bacalhau na platéia; do Raul Longas, que
fazia casamento na TV com pessoas desdentadas, muito velhas ou muito
pobres; com a Dercy Gonçalves falando palavrão...O momento atual é de
retorno a esse modelo, e a televisão não faz isso à toa. É porque está sem
condições de comprar programação ou de produzir bons programas, porque
precisa desesperadamente de audiência”. Podíamos mencionar centenas de
exemplos e casos reais de desrespeito aos direitos humanos na mídia
televisiva, mas vejamos algumas formas comuns deste desrespeito:
 Fazer a defesa e estimular o crime, inclusive a prática de tortura,
linchamento e outras formas de violência.
 Discriminação racial, de gênero, por religião e orientação sexual.
 Ataque à dignidade de pessoas e grupos como portadores de deficiência
física e de necessidades especiais, de sofrimento psíquico, dependentes
químicos, portadores do vírus HIV, entre outros.
 Tratamento preconceituoso da sexualidade e da liberdade de opção sexual.
 Valorização da exploração sexual comercial, pedofilia, incesto e abuso
sexual.
 Estímulo precoce à atividade sexual infantil e infanto-juvenil.
 Exposições abusivas de crianças e adolescentes, incluindo entrevistas
sobre dificuldades no interior da família e sobre temas que estão além das
suas capacidades de compreensão.
 Divulgação de imagens de pessoas internas (incluindo crianças e
adolescentes) em instituições de privação de liberdade ou de tratamento de
saúde, ou mesmo de pessoas detidas pela polícia, sem a autorização das
mesmas.
 Atribuir autoria de crime à pessoa sem provas ou condenação da justiça.
Por essas e outras razões, não deveríamos encarar a TV como um mero
“passa-tempo”, o que é uma expressão enganadora e falsa. Além do mais, é
válido considerar que muitas vezes ela tem destruído os valores éticos e o
próprio bom-senso. Conclusão: a tevê tem, literalmente, roubado preciosas
horas da nossa vida, tornando-se não num “simples e inocente passa-tempo”,
mas num verdadeiro “rouba-tempo”, e em muitos casos, denegrindo a imagem
de pessoas inocentes que acabam se tornando verdadeiras vítimas da guerra de
audiência entre as emissoras.
Programas populares abusam das pegadinhas que apesar do sadismo,
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asseguram boa audiência. Um exemplo disso foi o que ocorreu com uma
família de São Paulo. Imagens de uma suposta brincadeira da carteira foram
levadas ao ar mais de um ano depois. As cenas foram apresentadas como
resultado de uma pesquisa sobre honestidade dos cidadãos. Apresentada como
material jornalístico, essa pesquisa faz parte do arsenal de novas aboradgens
jornalísticas, aparentemente criativas, usadas por muitos veículos de
comunicação, mas que não passam de um jornalismo de pegadinha. Ainda que
se tratasse de pesquisa, o sigilo do pesquisado e os dados deveriam ser
preservados. A família não poderia ter sido exposta ao ridículo como foi. As
imagens mostradas colocaram a família toda numa situação delicada. O casal e
os três filhos foram filmados, sem o saber, durante passeio no Parque
Ibirapuera em São Paulo. A cena exibida na TV mostrou o momento em que
eles encontraram uma carteira supostamente perdida, contendo uma nota de 50
reais e um papel com o telefone do suposto proprietário. O vídeo exibiu o
casal conversando a respeito do achado e depois guardando a carteira num
compartimento do carrinho de bebê que empurravam. Nesse momento, o
apresentador às gargalhadas, teria acusado o casal de desonesto, dizendo:
“Eles pegaram a carteira e foram embora...”. O apresentador ainda teria
manifestado surpresa pelo fato de o ato de desonestidade ter sido praticado na
presença de crianças. Sendo que, na realidade, quando decidiram procurar um
orelhão para entrar em contato com o número telefônico contido na carteira e
devolvê-la com o dinheiro, a família foi abordada por uma equipe de produção
da emissora que a convenceram de que se tratava de uma brincadeira, para ver
quem pegava ou não a carteira. E depois de um ano o programa de tevê só
mostrou o que queria editando as imagens da forma como quiseram.
Toda família sentiu as conseqüências da divulgação dessas imagens. A
mãe, médica veterinária, com clínica estabelecida, viu parte dos seus clientes
se afastarem por desconfiança, num primeiro momento. O marido, consultor
autônomo, deixou de fechar novos negócios. E os filhos foram motivo de
chacota na escola. A partir do dia seguinte ao da apresentação do programa, a
família se tornou vítima de brincadeiras, principalmente o marido, em
reuniões de negócios. As pessoas diziam: “Escondam as carteiras, que fulano
chegou”. A família passou a ser rotulada de desonesta por aquela
pseudopesquisa em forma de pegadinha. A família entrou com um processo na
justiça solicitando indenização pelas ofensas morais sofridas.
No caso do desrespeito aos direitos humanos, quais seriam as possíveis
soluções? A promoção de debates públicos e conversações entre políticos,
produtores, pedagogos, psicólogos, professores e líderes religiosos, com a
participação de pais, crianças e adolescentes. O estabelecimento de um
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processo de educação contínua sobre a mídia, formando usuários competentes


e com capacidade de crítica em relação aos conteúdos veiculados na telinha e
dispostos a denunciar os seus abusos. Uma das maneiras de estabelecer essa
cultura é a formação de fóruns permanentes de acompanhamento da mídia,
bem como a participação nos que já existem, e como cristãos evangélicos não
podemos ficar omissos e indiferentes. A Comissão de Direitos Humanos da
Câmara Federal e entidades parceiras da sociedade civil recebem denúncias de
telespectadores que assistiram a programas ou comerciais de TV que
desrespeitaram os direitos humanos, o telefone é 0800-619-619 (a ligação é
gratuita). Ou se preferir, pode assessar o site: www.eticanatv.org.br, ou ainda
escrever para: Comissão de Direitos Humanos – Câmara dos Deputados –
Anexo II, Sala 185A – CEP: 70160-900 – Brasília/DF.
Também há outras organizações que atuam em favor dos Direitos
humanos na mídia, os endereços eletrônicos são:
 www.tver.org.br
 www.tvbem.org.br
 www.cdcsc.alquimidia.org
 www.andi.org.br
 www.fndc.org.br
 www.fenaj.org.br
 www.observatoriodaimprensa.com.br

TERCEIRA IDADE DIANTE DA TELINHA


Não são apenas crianças, adolescentes e jovens que dedicam horas e
horas à TV. Há muitos vovôs e vovós que estão terminando seus preciosos
dias na frente da “telinha”. Talvez você não veja nenhum problema nisso,
afinal de contas eles merecem uma “boa diversão” depois da aposentadoria.
Todavia, devemos questionar se esse é o desejo de Deus para seus filhos e
filhas. Será da vontade Divina que os servos de Cristo terminem seus dias
dessa maneira? Sentados confortavelmente na frente da TV? Será que o Deus
dos nossos antepassados não tem nenhuma grande obra para seus filhos que
atingiram a terceira idade? A resposta é afirmativa! O Eterno, não só tem uma
obra, como tem dons a oferecer para que essa obra seja realizada.
A promessa Bíblica é segura: “Os justos florescerão como a palmeira,
crescerão como o cedro no Líbano. Estão plantados na casa do Senhor,
florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos, serão
viçosos e florescentes, para ploclamarem que o Senhor é reto. Ele é a minha
rocha, e nele não há injustiça”. (Salmos 92: 12-15.).
O problema é que a terceira idade é encarada por muitos como o
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período menos produtivo do indivíduo, no qual não resta mais nada a fazer, a
não ser ficar sentado numa confortável poltrona, diante de uma TV colorida e
com o controle remoto sempre à mão. Geralmente o pensamento que permeia
a mente dessas pessoas é que não possuem mais o mesmo vigor, os mesmos
talentos e capacidades. Ou mesmo, que já realizaram o que podiam e agora os
mais jovens é que façam todo trabalho. Porém, essa visão não reflete toda
verdade, é uma visão comodista e satânica. Deus raramente usa pessoas com
talentos excepcionais, ele prefere usar pessoas comuns e transformá-las em
vidas extraordinárias.
Temos muitos exemplos na Bílbia e na história, de pessoas que
atingiram suas maiores realizações e conquistas depois de atingirem a terceira
idade. Moisés tinha 80 anos de idade quando foi chamado por Deus para
libertar o povo de Israel, e sem dúvida essa foi sua maior obra missionária. Da
mesma maneira Calebe, diante do desafio de conquistar Hebrom, afirmou: “E
já agora sou de oiteneta e cinco anos. Estou forte ainda hoje como no dia em
que Moisés me enviou; qual era minha força naquele dia, tal ainda agora, para
o combate, assim para sair a ele, como para voltar”. (Josué 14:10,11).
Quarenta anos antes disso, Deus ordenara ao povo de Israel para entrar
na terra prometida e tomar posse dela em seu nome. Mas só dois homens se
dispuseram a ir com Moisés: Josué e Calebe. Todos os outros tinham se
acovardado, mas esses dois disseram: “Com a ajuda de Deus, poderemos
conquistar a terra”. Passados quarenta anos, Deus ainda tinha uma obra a ser
realizada e ordenou novamente: “Vão e tomem posse de sua herança”.
E Calebe estava pronto a ir. Achava-se com 85 anos, mas era um
homem robusto. Sua determinação e confiança em seguir a Deus eram
inabaláveis, e disse: “Eu perseverei em seguir o senhor meu Deus”.
Da mesma maneira e com o mesmo espírito, foi que Samuel, Davi,
Salomão, João e tantos outros servos de Deus, realizaram suas maiores
vitórias espirituais quando estavam no auge de sua existência. Quando os
servos de Deus entendem que seu tempo e energia são valiosos, e que, junto
com o chamado de Deus, vem a capacitação necessária para realizar a obra, o
Espírito Santo começa a atuar e operar verdadeiros milagres.
O pastor norte-americano Merlin Carothers, autor de vários livros,
relatou sua experiência com a TV, após a aposentadoria. Após trabalhar toda
sua vida para Deus, o pastor Carothers se viu numa situação de comodidade.
Aos poucos foi se envolvendo em atividades de lazer, dentre elas, o prazer de
desfrutar o conforto oferecido por sua poltrona diante da TV. Certo dia ele
ouviu sua netinha de oito anos indagar: “Vovô, por que o vovô fica tanto
tempo assistindo a televisão”? Aquilo o deixou irritado, a ponto de pensar:
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“por que a mãe dessa menina não lhe ensina a ser mais educada”? Sobre esse
acontecimento o pastor Carothers relata:
“Quanto mais uma pessoa se acha dominada por um vício, menos aceita
conselhos. E eu estava assim. Como me era penoso pensar em parar de assistir
à televisão. Pouco a pouco fui compreendendo que Deus não desejava
simplesmente tirar de mim algo que eu apreciava. Queria livrar-me de algo
que iria contaminar-me. E seu objetivo era direcionar-me para seus propósitos
que eram melhores e mais elevados (ver II Timóteo 2:20,21). Cabia a mim
decidir que propósitos eu preferiria realizar na casa de Deus. Tinha a
impressão de que o que eu decidisse não teria consequências apenas neste
mundo, mas também no vindouro. Quando eu assistia à televisão sempre via
violência, sensualidade e a ridicularização de quase tudo que Deus nos manda
fazer ou de como Ele quer que vivamos. Pois bem, se a televisão era um mal,
então acho que eu teria de tirar os olhos dela”.
O pastor Carothers superou sua dependência visual da TV, ele dá seu
testemunho no livro que escreveu e adverte que a duração da fase de
“desintoxicação” vai depender de três coisas:
1- Do período de tempo em que estivemos “viciados”.
2- De nossa determinação de ficar livre do “vício”.
3- Do tempo que levarmos para entender que o “entretenimento” de Deus é
muito mais prazeroso do que qualquer diversão que satanás nos ofereça.
Se os vovôs e vovós da igreja orarem e permitirem que o Espírito de
Deus os dirirja, certamente obterão a vitória e encontrarão muitas atividades
sadias e espirituais que substituirão a TV. Por exemplo, eles poderão dedicar
tempo a escrever cartas ou e-mails missionários, ou utilizar as Redes Sociais e
aplicativos de mensagens para testemunhar de Jesus e seu amor. Poderão usar
o telefone para orar com as pessoas e como meio de evangelismo. Há tantas
outras atividades que podem ser feitas, inclusive escrever um livro de
testemunho sobre sua vida em Cristo. Que lindo exemplo para os filhos e
netos da igreja quando os avós cristãos terminam os seus dias iluminando. São
como uma vela que, na medida em que vai se consumindo derrama luz ao seu
redor.

CULTO ÀS IMAGENS
Como cristãos temos uma viva esperança que envolve preparar-se e
apresar a segunda volta de Jesus. Porém, sem exceção de idade, correm o
perigo de se deixar envolver com divertimentos mundanos e perdê-la de vista.
Os filmes, os progamas de televisão e os jogos eletrônicos vão prendendo a
atenção de forma sutil, afastando-os da missão de levar a boa nova do
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evangelho a um mundo perdido. Muitas vezes esses prazeres tomam o lugar


da satisfação que teriam buscando a presença de Deus e a comunhão com Seus
filhos na igreja. Somos advertidos pela palavra de Deus a não sermos mais
amigos dos prazeres do que amigos de Deus (ver II Timóteo 3: 4).
Comentando a realidade dessa situação nos EUA, a revista Insight, traz
a seguinte declaração: “O horário nobre é a igreja que a maioria dos
americanos freqüenta diariamente, durante quatro horas, absorvendo a
pregação mundana de Hollywood. A mensagem vem de púlpitos disfarçados
em comédias, suspenses policiais e filmes feitos para a tevê”.
Será que a situação dos crentes no Brasil é diferente? O que dizer do
horário “nobre” do culto às novelas? É assim que o inimigo interpõe seus
planos entre nós e o Senhor. Se os adultos têm sido prejudicados
espiritualmente com o uso impróprio e exagerado da TV, como estaria a
situação de seus filhos? Certo presidente Norte Americano afirmou que estava
convencido de que os excessos da televisão afetam negativamente as crianças,
a sua capacidade de aprender e a estabilidade da família.
Creio que os pais não devem cometer o engano de pensar que seus
filhos estão aprendendo apenas no horário escolar. O caráter deles também
está sendo formado pela televisão. Assistindo diariamente a cenas de
violência, de perversão sexual e desrespeito às autoridades, como se fossem
normais. Desta maneira o Diabo tem conseguido lançar na mente de milhares
de jovens e crianças as sementes da desintegração espiritual.
No caso das crianças, devemos considerar que há várias razões pelas
quais elas permanecem de forma excessiva na frente de uma TV. Essas razões
vão desde a ausência dos pais em casa deixando os filhos por conta própria;
até a omissão destes em estabelecer limites para o seu uso. Porém, nada
justifica o abuso televisivo indiscriminado praticado em muitos lares. É
necessário dialogar com os filhos sobre o que eles estão vendo nos programas
de televisão, além de sugerir atividades alternativas que os satisfaçam.
Satanás sofisticou a idolatria. Hoje não encontramos mais altares com
ídolos de pedra, onde se oferecem sacrifícios humanos, pois ele sabe que
recuaríamos horrorizados. Ao invés disso ele tem conseguido entrar na casa
dos filhos de Deus e fazê-los se prostrar diante do conteúdo pagão que a TV
tem veiculado. Muitos têm substituído sua adoração ao Senhor pelo “culto às
imagens”, uma atitude que bem poderia ser definida como “tevêlatria” ou um
termo equivalente. Talvez devessemos reconsiderar o significado do segundo
mandamento para os nossos dias. Quem sabe, se Deus fosse escrevê-lo hoje,
esse mandamento também poderia ser lido da seguinte forma: “Não adore as
imagens da TV, do videocassete, DVD, games ou da Internet, nem desperdice
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o seu tempo com elas. Tenha cuidado para não ser iludido por imagens
enganadoras, e se afaste daquelas que são imorais”.
Precisamos, como filhos de Deus, acordar e tomar providências. Há
necessidade de se estabelecer critérios éticos, morais e espirituais bem mais
claros ao uso “desses aparelhos”, que têm roubado não apenas o precioso
tempo, mas a vida espiritual de muitos filhos e filhas de Deus, além de,
literalmente, estar destruíndo sua fé.

CAPÍTULO IV
SELECIONANDO O QUE SE VÊ

O FILTRO DA COSMOVISÃO CRISTÃ


A televisão desde o seu surgimento, com sua ampla penetração e
absorção da atenção das pessoas, tem sido objeto de vários estudos sobre a sua
influência nos adultos e principalmente na vida das crianças. Psicólogos,
sociólogos e comunicólogos das mais diferentes correntes são unânimes em se
preocupar com o desenvolvimento das crianças junto aos programas infantis
de televisão.
Segundo estudiosos, a influência da televisão não será isolada, irá
somar-se aos componentes familiares, escolares e sociais, definindo o
comportamento infantil. Por isso é preciso que os educadores (pais e
professores) expliquem às crianças desde cedo, que a TV influi no seu
desenvolvimento psicológico; pois assistir a uma programação inadequada à
idade, pode causar um cansaço mental significativo, dentre outros fatores.
Muitos estudiosos em psicologia são unânimes em afirmar que as crianças que
vêem alguém ser fuzilado, apunhalado, brutalizado, degradado ou assassinado
nas programações de TV, acham que isto está realmente acontecendo. Até os
três ou quatro anos, muitas crianças não sabem distinguir fato de fantasia nos
programas de televisão, mesmo com a ajuda dos adultos. Mesmo que os pais
digam às crianças que as pessoas não morreram e que estão apenas fingindo, a
mente da criança ainda não vê a diferença. Para ela, a violência na TV é bem
real. Estudiosos da psiquê infantil, afirmam que a TV ocasiona perturbações
graves na mente das crianças. A identificação projetiva da criança com a
televisão favorrece a persistência da imitação, portanto, limita as possiilidades
de aprendizagem por identificação.
Entre as crianças que assitem à televisão de forma prolongada e diária, e
que o fazem desde os primeiros meses de vida, uma alta porcentagem
apresenta dificuldades escolares bastante sérias. Isto se deve à deficiente
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organização intelectual, tanto no que diz respeito à atenção, que é dispersa,


como à concentração, à memória e à reprodução. A disgrafia (dificuldade
ortográfica), a dislexia (problemas de leitura), a discalculia (perturbação nas
operações aritméticas) constituem transtornos comuns nestes casos.
Outro aspecto relevante é o fator emocional. A personalidade das
crianças que vêem televisão com muita freqüência e desde os primeiros meses
de vida apresenta as características do estado narcisista, ou seja, o egoísmo, o
egocentrismo, o despotismo e a tirania. São crianças caprichosas (teimosas),
impulsivas, desrespeitosas, inclusive daninhas, nas quais se podem observar
condutas maliciosas, semelhantes às que vêem na tevê. Sua idéia sobre as
relações humanas é de que os outros se encontram aí para serví-los e dar-lhes
o que pedirem. Eles, de sua parte, não são obrigados a nada.
Os estudos de Himmelweit, também verificaram que as crianças têm
reações diferentes das dos adultos diante de cenas violentas exibidas nos
programas de televisão. O mecanismo infantil de superação do medo ou prazer
se dá de acordo com a distinção que fazem entre realidade e ficção, os efeitos
psicológicos obtidos no relatório de pesquisa da UNESCO, consideram
negativas as cenas de violência sobre a criança. A televisão antes de qualquer
coisa deve ser um meio de entreter as crianças em casa (quando a
programação é viável), amenizando seus conflitos, sem no entanto prejudicar
o desenvolvimento de outras atividades infantis, como as brincadeiras com
outras crianças, o relacionamento com os familiares e as atividades escolares.
Cabe aos pais, através do diálogo com os filhos, colocar limites e discutir o
que a TV apresenta, criando com isso uma boa estrutura psicológica de
discernimento do que é bom ou não.
Deve-se considerar que, apesar da TV “trazer o mundo” para perto de
nós, ela apresenta tanto o que existe de bom quanto o que existe de mau. Seus
papéis são multifacetários e contraditórios: ela informa ou deforma, constrói
ou arruína, fascina ou repele, tranqüiliza ou agita, deslumbra ou desencanta.
Como aparelho em si ela é nêutra, mas quando ligada, devemos julgá-la pelos
males que apresenta e não pelo bem que ela pode e deveria propiciar à
humanidade. A saúde física depende muito do que comemos. Se comermos
sempre alimentos de baixo valor nutritivo, a saúde, com o tempo sofrerá. O
mesmo princípio se aplica à saúde mental. Podemos comparar o que
introduzimos na mente como alimento mental. As informações que
absorvemos de diversos tipos de mídia podem afetar o nosso raciocínio e a
nossa personalidade como os alimentos literais afetam o nosso corpo.
Devemos considerar que mais do que qualquer outro efeito, a televisão coloca
imagens no nosso cérebro.
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Muitas pessoas monitoram com cuidado sua alimentação física, mas


engolem indiscrimidamente qualquer alimento mental que a mídia lhes
oferece. Mesmo considerando que não há nada que “presta” na televisão,
alguns parecem hipnotizados, sempre pulando de um canal para o outro,
esperando que apareça algo de valor. Mas a idéia de desligar a tevê nunca lhes
ocorre. Se não servimos lixo nas refeições de nossa família, e se somos
criteriosos em balancear os alimentos, por que deixamos de orientar a família
e ajudá-la a selecionar o conteúdo recebido através da televisão?
Um estudo divulgado na revista The Family Therapy Networker
afirmou que: “A linguagem, as imagens, os sons, os conceitos, os
personagens, as situações, os valores, a estética da mídia de massa acaba se
tornando a essência de nossos pensamentos, sentimentos e imaginações”.
Como cristãos temos uma cosmovisão que envolve a luta entre dois
poderes antagônicos, o pano de fundo do grande conflito entre o bem e o mal
nos ajuda a entender melhor a necessidade que temos de selecionar aquilo que
estamos vendo na TV. Certamente que a televisão como meio de comunicação
pode servir tanto aos interesses divinos quanto satânicos. Partindo deste
princípio é que nasce o verdadeiro motivo e a real importância para filtrar
aquilo que se pretende assistir.
Evidentemente a mídia eletrônica não é o monstro manipulador e
produtor exclusivo das consciências - sempre haverá possibilidades de
resistências. Mas justamente estas possibilidades só existem realmente se
forem construídas, se frente à sedução da telinha, a sociedade e especilamente
as instituições de socialização desenvolverem uma leitura crítica e uma
postura ativa. Para isto o único caminho é a educação para mídia, a formação
do telespectador crítico e inteligente. É indispensável ensinar os jovens a
dominarem a linguagem televisual para não serem dominados por ela.
Acrescentaria o fato de que essa educação para mídia, dentro da
filosofia de educação cristã evangélica, deve levar em consideração a luta
cósmica entre Cristo e Satanás. Sendo que a Santa Palavra de Deus deve ser a
norma para toda decisão ética, bem como para todo e qualquer juízo moral.
Numa entrevista foi perguntado para algumas pessoas como elas
escolhiam seus programas de TV. De todas as respostas desejo destacar as
seguintes:
 R: Primeiramente, é preciso que façamos algumas perguntas a nós
mesmos: (1) o programa reflete o ponto de vista do mundo em harmonia
com as éticas cristãs ou diminui meus valores pessoais? (2) O programa dá
respostas satisfatórias às questões levantadas ou apenas sugestões
simplistas? (3) Os atores são abertos e dizem a verdade ou tentam
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manipular as pessoas? (4) O que motiva os atores? Sexo, dinheiro, amor,


poder ou status, como mostrado nos filmes e novelas? (5) Existe algum
valor moral colocado como um comportamento aceitável ou qualquer coisa
é aceita? (6) Existe algum programa que fala de sacrifício e perdão? Existe
algum ator que transmite esse sentimento durante o filme? (7) Como o
programa afeta meu relacinamento com Jesus, com minha família e com as
pessoas ao meu redor? Aprenda a usar o botão ON/Off de seu televisor,
quando for necessário. Mas se você não consegue vencer a atração da
telinha, afaste-se da “árvore proibida”.
 R: Para escolhermos ao que assistir na TV precisamos de um
discernimento muito apurado. O que seria de bom proveito para nossa
personalidade cristã? O que seria prejudicial à mente? Procuro escolher
meus programas de acordo com essses parâmetros.
 R: O melhor modo de selecionar a programação de TV é, primeiramente,
agendar as atividades. Se nos horários vagos não há outro compromisso,
confiramos nos jornais locais qual será a programação do dia. Os títulos
podem sugerir se o filme é bom ou não. Imagens de violência, sexo,
trapaça, palavrões e música imoral certamente não contribuirão para a
salvação, se é que a desejamos.
Com relação aos filhos, os pais podem ajudá-los a ser mais críticos
diante da tevê ao assumir algumas atitudes: 1. Limitar o número de horas de
tevê para crianças e adolescentes. 2. Discutir o conteúdo dos programas. Os
recursos audiovisuais atingem o hemisfério esquerdo do cérebro, responsável
pelas emoções e sensações. É preciso estimular o uso do lado direito, do
raciocínio lógico. Quanto menor a criança, mais chances de ela misturar
relaidade e fantasia. 3. Não fazer da tevê o centro da rotina da família. 4. Não
comer vendo televisão. A criança não percebe o que está comendo e deixa de
interagir com a família nesse horário. 5. Não colocar a tevê no quarto, pois
isso isola a criança e divide a família. 6. Entender a televisão como alimento
pedagógico e espiritual. Os pais devem checar o horário, a quantidade, a
qualidade e a adequação dos programas como se escolhessem o cardápio de
uma refeição para seus filhos.
Não resta dúvidas de que a televisão é a prova de fogo para muitos
cristãos. Ou ele a controla ou é controlado por ela. Não há mal em termos um
aparelho em casa, se, de fato, pudermos controlá-lo. Quando, porém, a deusa
eletrônica nos obrigar a prostar-nos diante de seus espetáculos, abramos os
olhos. Uma coisa é mais importante do que não termos um aparelho de TV em
casa: é possuirmos autocontrole, ou seja, domínio de nós mesmos. E isso
também é obra do Espírito Santo.
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CAPÍTULO V
ESPIRITUALISMO TELEVISUAL

ESPIRITUALISMO E SATANISMO EM DESENHOS


Não podemos negar a íntima relação que existe entre os desenhos
animados e a Nova Era. Inúmeros pesquisadores analizam a influência que o
espiritualismo está exercendo por meio de desenhos animados, filmes
veiculados na TV e em fitas de vídeo, DVDs, Videojogos, Games, Internet e
realidade virtual.
É impressionante como Satanás tem usado os meios de comunicação de
massa para divulgar suas doutrinas, principalmente os conceitos da Nova Era,
do panteísmo (afirmação de que tudo é Deus e Deus é tudo) e da
reencarnação. E mais impressionante ainda, é a falta de senso crítico e de
percepção espiritual demonstrada pelo público e até mesmo pelo povo de
Deus.
Com relação aos desenhos animados, há vários fatores que têm
contribuído para a formação de uma geração voltada para o misticismo, bem
como para a imoralidade. Como exemplos podemos citar, dentre outros, os
desenhos de Walt Disney, tais como: O Rei Leão, Aladdin, O Corcunda de
Notre-Dame e Pocahontas, para citar alguns, os quais estão repletos de
conceitos espiritualistas.
 “O Corcunda de Notre-Dame”:
Uma das muitas produções de Walt Disney está repleto de paganismo,
satanismo, sensualismo e apelos sexuais. Investigações feitas pelo pastor
Josué Yron (Igreja Pentecostal - USA), dão testemunho de que cada filme
produzido por Disney, antes de ser lançado à venda, é conjurado e
amaldiçoado na igreja de satanás. De maneirra que quando levamos estes
vídeos a nossos lares, também enchemos nossa casa de influências
demoníacas. Cada filme tem um espírito de acultismo e bruxaria que inspira
espírito de rebeldia, desobediência e desprezo pela Palavra de Deus.
Temas como violência, incentivo à rebelião e desordem, imagens
contendo clara conotação sensual e pornográfica, desvios sexuais, e
principalmente as doutrinas da Nova Era sobre reencarnação, animismo,
espiritismo e panteísmo, estão incluídos em tais roteiros, é só prestar bastante
atenção e pedir ao Senhor Jesus o discernimento espiritual.
 “O Rei Leão”:
Segundo a revista Time, o Rei Leão é o vídeo mais sujo, perverso e
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carregado de violência que a Disney já havia produzido até aquele momento.


O homossexualismo é representado na forma como um de seus personagens
caminha e em seus trejeitos efeminados (o autor desse personagem era
homossexual e morreu de AIDS). Os apelos sexuais são sutis por meio de
mensagens subliminares, em determinada cena a palavra sexy se forma com a
poeira que levanta do chão. As cenas do filme se desenvolvem em regiões
africanas e, portanto, há uma marcada cota de filosofia cúltica africana
mesclada com práticas orientais. O desenho reflete a sugestiva filosofia New
Age em praticamente todos os aspectos. É a luta do bem e do mal, contra o
mal.
O leão Skar, tio do pequeno Simba, anseia (igual a satanás) possuir o
trono e o reino. Ele mesmo mata seu próprio irmão Mufasa, lançando-o de um
despenhadeiro, e culpa o leãozinho que foge para muito longe. Simba
sobrevive graças a ajuda de dois amigos: Timão, o suricata e o amistoso javali
Pumba. Ambos ensinam-lhe uma frase mágica para não se deprimir.
Finalmente o leão regressa e recupera o reino, devendo para isso tornar-
se um assassino, e matar a seu tio Skar; que aproveitou a ausência física de
Simba para usurpar o trono aliando-se com as hienas que se uniram a ele por
conveniência. Após assassiná-lo, pode-se ouvir a seguinte frase: “não se sinta
mal por ter matado alguém...”, é uma mensagem subliminar que fica no
subconsciente das crianças. Na Califórnia (EUA), uma criança de 11 anos de
idade, após assistir por 12 vezes o filme o Rei Leão, matou seus pais com um
machado.
Quando entrevistado por que fez aquilo, essa criança respondeu
assutadoramente: “o rei leão disse que eu posso matar você!” Isso sem
mencionar aquelas crianças que têm alucinações, sonhos e temores noturnos.
No filme aparecem cores vívidas e contrastantes, símbolo da união de
dois opostos, o bem e o mal. Aparece a roda ou círculo formada por pássaros,
símbolo da vida concebida como um ciclo, onde nada termina mas se
transforma e perpetua-se em outro ser. Uma iniciação ao conceito de
reencarnação.
Há um episódio onde se mostra Skar rodeado de hienas parecendo
representar o próprio diabo. Ele está encima de uma rocha com raios no piso e
a meia lua simbólica rodeado de fogo e fumaça. É notável que o leão possua
figuradamente as características com que a Bíblia se refere aos maus. O diabo
mesmo é visto como um leão que ruge e busca a quem devorar.
Práticas de iniciação ao espiritismo são transmitidas quando Rafiki, um
macaco feitiçeiro, ensina a Simba como pode comunicar-se com seu falecido
pai, que logo se personifica, e fala com ele até desaparecer numa nuvem.
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 “Pocahontas”:
O nome Pocahontas é uma palavra indígena que significa: “espírito do
abismo” (Poca = espírito; hontas = abismo). Este desenho é exatamente do
mesmo estilo que „O Rei Leão‟. A filosofia da Nova Era é soberana neste
filme. O cenário onde se desenvolve a história são as terras americanas.
Pocahontas, filha do chefe Powhatan, vivia feliz no meio da natureza. Um dia
chegou àquelas terras o capitão John Smith, por quem se apaixona. Eles vivem
um idílio impossível até que ele parte. Pocahontas ama a terra e os espíritos
que vivem nela, nos animais, nas árvores, nas rochas e no vento. A indiazinha
consulta com frequência o espírito de sua falecida avó, que se personifica num
tronco de árvore e lhe dá conselhos. Existe uma clara adoração pelas coisas
criadas, o que indica a forte dose de panteísmo que impregna a história.
Como „O Rei Leão‟, aqui aparece uma iniciação às práticas espíritas.
Em certo momento os índios estão sentados ao redor de uma fogueira e na
fumaça sucedem coisas estranhas. A sexualidade é explorada na figura de
Pocahontas. Suas formas, posturas e vestimentas são um verdadeiro culto ao
sexo (isso é resaltado de maneira extrema).
Não resta dúvidas de que a filosofia New Age se apresenta nesses
desenhos em forma pictória, nas imagens infernais, ensinando às crianças
práticas de ocultismo, bruxaria, feitiçaria, invocação de entidades espirituais e
às forças cósmicas que, segundo os místicos, regem o universo. Em nenhum
momento se faz referência ao nome de Jesus, a Deus ou a Sua Palavra. Essa
filosofia tem diferenças ideológicas marcantes com a fé cristã. Percebe-se pelo
menos 12 pontos básicos e distintos entre a Nova Era e o Cristianismo:

1- Nova Era - A mente deve receber tudo sem preconceitos ou barreiras.


1- Cristianismo - A mente seleciona o que recebe.
2- Nova Era - O conceito de Deus é panteísta, ou seja, Deus é tudo e tudo é Deus.
2- Cristianismo - O conceito de Deus é de um ser pessoal.
3- Nova Era - Filosofia espiritualista e ateísta.
3- Cristianismo - Deus criador, eterno, triúno, onisciente, onipotente e onipresente.
4- Nova Era - Evoca os espíritos dos mortos.
4- Cristianismo - Evoca o Espírito de Deus.
5- Nova Era - Humanista e antropocêntrica, (o ser humano é o centro).
5- Cristianismo - Cristocêntrico, (Cristo é o centro).
6- Nova Era - Recebe mensagens no subconsciente.
6- Cristianismo - Consciência desperta para receber mensagens.
7- Nova Era - Conceitos tirados do paganismo oriental, Budismo e Hinduísmo.
7- Cristianismo - Conceitos tirados da Bíblia.
8- Nova Era - O poder é transmitido de pessoa para pessoa.
8- Cristianismo - Deus dá o poder.
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9- Nova Era - Há pessoas mais poderosas, mestres, gurus, canais espirituais.


9- Cristianismo - O poder de Jesus é para todos os que nEle crêem.
10- Nova Era - Tem idéias e conceitos nublados e relativos.
10- Cristianismo - Tem verdades reveladas, doutrinas, ensinamentos.
11- Nova Era - Refere-se a seres espitituais místicos e mitológicos (duendes, fadas, etc.).
11- Cristianismo - Refere-se ao ministério dos anjos celestiais.
12- Nova Era - Origem satânica, ensinos inspirados e transmitidos por demônios.
12- Cristianismo - Origem divina e ensinos inspirados pelo Espírito Santo.

 “Os Cavaleiros do Zodíaco”:


Assume descaradamente um compromisso com a Nova Era, além de
pretender ilustrar a luta cósmica entre o bem e o mal. O cenário bem como os
nomes dos personagens têm estreita relação com a mitologia grega. O uso de
talismãs mágicos é constante. Sua filosofia é politeísta, existem distintos
deuses que habitam em outras dimensões cósmicas e que vêm em auxílio dos
cavaleiros (como na mitologia). Também há semideuses e guardiões de
distintas categorias. Alguns vivem nos templos do signo do zodíaco o qual
representam. Suas lutas são feitas com o poder da mente e do espírito do
cosmo. A comunicação entre os personagens é feita por meio da prática
pretensiosa da telepatia, de mente para mente, somente por pensamentos. Em
muitos episódios aparece de maneira clara a prática da comunicação com os
mortos. Além do mais, os símbolos usados nessa série são característicos da
filosofia New Age, tais como:
 Estrela de cinco pontas ou pentagrama - Na feitiçaria e no meio esotérico é
um símbolo da magia branca (pontas para cima) e da magia negra (pontas
para baixo). Para os satanistas essa estrela representa a suposta vitória de
satanás sobre a trindade.
 Círculo da vida (representado pelos signos do zodíaco) - Estabelecido pelos
Babilônios, foi feito semelhante a uma roda com os tempos e estações
sempre em mudança. E mais além, simboliza o ciclo da vida
(reencarnação).
 A imagem de Buda - Buda significa “O Iluminado”, e é um título dado a
Sidartha Gauthama, originador dos conceitos filosóficos budistas. O
budismo é uma ramificação do hinduísmo (religião extremamente
politeísta). No budismo não há um Deus pessoal, aliás, não há Deus.
Dentro do pensamento budista não há lugar para as doutrinas cristãs
reveladas na Bíblia, porque toda sua doutrina e ensinamentos se baseiam na
idéia fundamental da reencarnação.
Outro fator que deve ser considerado são as letras das canções dos
desenhos animados que contém a filosofia do Movimento da Nova Era.
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Geralmente estão contidos nessas letras conceitos antibíblicos que levam as


crianças a ter idéias panteístas e uma concepação errada da natureza de Deus e
do ser humano conforme a cosmovisão cristã. Cumprindo-se assim, a profecia
do apóstolo Paulo quando disse: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em
mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito
eternamente. Amém”. (Romanos 1:25).
Para mencionar apenas dois exemplos, “As Cores do Vento”
(Pocahontas) e “O Ciclo Sem Fim” (O Rei Leão), percebe-se na letra dessas
canções que algumas frases são uma referência clara ao panteísmo, ao
espiritualismo e a reencarnação.

“As Cores do Vento” (Pocahontas):

“... você crê que a terra é algo morto,


mas cada rocha, cada árvore, cada criatura
tem uma vida, um espírito e um nome...
... a tormenta e o rio são meus irmãos,
amigos somos todos como vês,
e todos nós estamos conectados um ao outro
num círculo, numa roda que não tem fim”.

“O Ciclo Sem Fim” (O Rei Leão):

“Desde o dia que ao mundo chegamos,


nos chega o brilho do sol, há muito mais para ver do que se pode ver,
para fazer do que o nosso vigor permite;
são muitos os tesouros, mais do que se poderão descubrir,
mas sob a luz do sol jamais haverá distinção,
grandes e pequenos haverão de conviver no ciclo sem fim,
esse ciclo que move a todos, e mesmo que estejamos sós,
devemos encontrar nosso grande presente no ciclo sem fim.
É um ciclo sem fim que move a todos nós,
mesmo que estejamos sós,
devemos buscar até encontrar nosso grande presente no ciclo sem fim”.

É notável a semelhança que tem a letra dessa canção com a de


Pocahontas. Parece ser a continuidade de uma mesma filosofia:
 Rei Leão: “Há muito mais para ver do que se pode ver...”.
 Pocahontas: “... aprenderás coisas que jamais soubeste, coisas que
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ignoras”.
 Rei Leão: “No ciclo sem fim que move a todos”.
 Pocahontas: “E todos nós estamos conectados um no outro num círculo,
numa roda que não tem fim”.
A idéia de que o ser humano pode evoluir espiritualmente por meio do
ciclo eterno da reencarnação da alma, até atingir o estágio de um deus ou
semideus, sendo assim um espírito cósmico superior é contrária aos
ensimamentos da Santa Palavra de Deus. E é justamente essa idéia que
permeia a grande maioria dos filmes e desenhos animados, bem como os jogos
para computadores, inclusive os de realidade virtual. Por isso devemos refletir
nas implicações de se usar tais conteúdos com esses conceitos antibíblicos.
Se a salvação está dentro do homem, então Jesus teria morrido em vão!
Se o ser humano pode evoluir espiritualmente por meio do
autoaperfeiçoamento, por que Jesus morreu na cruz? A resposta que os gurus
da Nova Era dão é de que Jesus fez um auto-sacrifício, Ele morreu para se
auto-aperfeiçoar, Ele era um espírito evoluído, e nos deixou um exemplo de
como alcançarmos o auto-aperfeiçoamento espiritual, ou seja, operarmos
nossa própria salvação. Tal doutrina não poderia ser mais diabólica, uma vez
que anula completamente o evangelho e a salvação pela fé no sacrifício de
Jesus.
É nada mais nada menos do que a continuação da grande mentira
proferida por Satanás quando disse à Eva que ela poderia evoluir
espiritualmente e ser como Deus: “[...] Certamente não morrereis. Por que
Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como
Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”. (Gênesis 3:4-5).
É impresionante como certos desenhos animados estão comprometidos
com a causa do maligno, como é o caso do desenho Anastasia. Repleto de
cenas e risadas infernais e diabólicas. A presença explícita de demônios é
constante em todo desenho. Eles são liderados pelo próprio Diabo que procura
enviá-los das profundezas do inferno para destruir a jovenzinha Anastasia e
seus amigos. As manifestações satânicas em Anastasia incluem: mentira,
hipnose, sonhos macabros, aparição de espíritos maus e finalmente do próprio
satanás. Em nenhum momento do desenho se fala da necessidade de orar ou
ler a Bíblia, muito menos é mencionado o nome de Deus ou de Jesus. Mas,
constantemente, é ensinado às crianças que se pode vencer o Diabo e seus
emissários com amuletos mágicos e muita, muita coragem. Tudo isso sem
mencionar as cenas com conotação sexual, marcadas pela sensualidade.
Os desenhos “Hércules” (Disney), “Mulan” (Disney) e, “A Espada
Mágica” (Werner), são exemplos de como essas grandes produções estão
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comprometidas com as doutrinas da Nova Era. Destes três, desejo analizar


“Mulan” (EUA - 1998), um desenho que, segundo os críticos da sétima arte,
tem entre os seus objetivos, agradar o governo da China; já que os filmes do
estúdio Disney estão banidos daquele país, com seu potencial mercado de um
bilhão de consumidores. Porém, seus objetivos ultrapassam a dimensão
política, artística e econômica atingindo em cheio os conceitos básicos da
doutrina cristã sobre Deus, a proteção dos anjos e a natureza humana.
Mulan é o nome do título e da principal personagem do desenho. Ela é
uma “heroína feminista que vence os homens pela disciplina e força de
vontade”. Essa protagonista é uma chinesinha que, para salvar o pai inválido e
o país invadido, traveste-se de homem e vira um guerreiro. Sua vitória pela
força, um atributo masculino, é o ponto frágil do roteiro. Para se impor em sua
sociedade, a garota tem de ser um garoto. É um bom tema para pedagogos e
feministas irem mais a fundo. Para os estúdios Disney, na verdade, importa
outra coisa. Com um olho no mercado chinês e outro no restante do mundo, a
intenção é tentar agradar a todos igualmente.
Há duas características fundamentais em “Mulan” que o comprometem
com os objetivos do movimento New Age, ou seja:
1- Culto aos mortos e invocação de espíritos ancestrais.
Essa é a nota tônica do desenho, que baseado na tradição e religiosidade
chinesa, mostra os personagens invocando constantemente os mortos da
família e suplicando seu cuidado protetor. Até mesmo numa de suas canções
aparecem súplicas aos ancestrais mortos (ancestralidade). Nesse esquema não
há lugar para o ministério e o cuidado dos anjos celestiais, quem realiza essa
função protetora são pretensas entidades espirituais de parentes já falecidos.
Além do mais é feita referência aos poderes dos deuses, criando uma idéia
pluralista (politeísta) de Deus.
Dentre os “fantasmas” que aparecem no desenho, se destaca a figura de
um pequeno dragão (companheiro inseparável de Mulan e seu protetor) que,
apesar de sua aparência frágil e seu humor engraçado, se autodenomina o
“todo poderoso”, assumindo numa das cenas um aspecto claramente
demoníaco. O uso de incensos e amuletos protetores para dar sorte também
são bastante explorados em Mulan.
2- Posturas feministas e desvios da sexualidade.
O desenho apresenta dois extremos no que diz respeito à sexualidade
humana. O primeiro é apresentado quando Mulan, uma menina se traveste de
homem, e o segundo é quando seus amigos se travestem de mulheres. A
filosofia New Age defende a idéia de que em cada ser humano há um pouco
dos dois lados, feminino e masculino, e que portanto não é pecado assumir
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posturas homossexuais.
“Vida de Inseto”, outro desenho da Disney, que não deixa de ser uma
verdadeira obra de arte, mas também é sutilmente espiritualista, contém
mensagens ocultas da filosofia New Age. Já no início do filme, duas
formiguinhas aparecem conversando sobre a difícil vida que levam, e uma
delas diz o seguinte: “[...] é nosso carma na vida. É difícil ter carma, mas é a
realidade...”, a doutrina do carma faz parte da filosofia Budista e nada mais é
do que a doutrina da reencarnação; Outra cena mostra um Louva-Deus usando
um turbante oriental com uma pedra de cristal sobre a cabeça (símbolos
místicos da Nova Era). Ele aparece concentrado com as patas na cabeça,
praticando uma meditação mântrica oriental (chinesa). Numa cena o Louva-
Deus faz referência ao uso das vibrações psíquicas e da telepatia. Noutra, ele
pratica um ritual místico e faz invocações espiritualistas, invocando o “velho
espírito do caboclo” e outras entidades das trevas. A seguir, faz menção a
necessidade de transformação, falando essa palavra várias vezes, até que sua
“esposa” (uma borboleta colorida) sai de dentro de uma caixa e aparece. Vale
lembrar que a boroboleta é um dos símbolos da Nova Era, e simboliza o
aquariano (adepto da filosofia New Age) que saiu das trevas do casulo de
Peixes (cristianismo) para a dimensão celestial de Aquário (espiritualismo). A
borboleta pode também significar o próprio Movimento Nova Era, tendo o
mesmo sentido de libertação do casulo das trevas da Era de Peixes (Era Cristã)
para a dimensão mística e espiritualista da Nova Era (Era de Aquário).
O desenho “Vida de Inseto” também aborda o tema da sexualidade de
uma maneira distorcida e anticristã. Faz referências implícitas e, pelo menos
uma vez explícita, ao bissexualismo e ao homossexualismo. Um dos insetos é
uma “joaninha macho” que vive sendo ridicularizado por outros insetos e
tratado como fêmea. Apesar de não gostar das constantes insinuações de que é
feminina, a joaninha macho acaba aceitando tais afirmações. Há uma cena em
que dois insetos estão conversando sobre a Joaninha, e um deles diz para o
outro: se não fosse você, a Joaninha não teria descoberto a sua feminilidade.
Ao ouvir tal declaração, a Joaninha simplesmente afirma: é isso aí! Fica claro
que a intenção de tal episódio é defender o homossexualismo, considerá-lo
como se fosse uma “descoberta” e incentivá-lo como uma opção sexual não
pecaminosa.
Esse tipo de mensagens em desenhos animados se torna ainda mais
relevante e grave, quando consideramos que cerca de 56 mil pessoas que
trabalham nos estúdios da Disney são homossexuais e lésbicas, e que essa é
uma empresa adepta da Nova Era, adotando as técnicas místicas divulgadas
por personalidades como a atriz Shirley Macllen (uma das principais
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divulgadoras da filosofia New Age). Assim, fica fácil entender o porquê das
mensagens e apelos às práticas de homossexualismo e lesbianismo contidas
em desenhos e filmes. Isso fica ainda mais claro quando sabemos que a Disney
criou dois Mickey Mouse homossexuais, juntamente com duas Minie lésbicas,
e que certa vez o próprio porta voz da Disney convidou os adolescentes a
experimentar essas práticas sexuais. O objetivo do Diabo é promover um
estilo de vida contrário ao da Palavra de Deus, seja por meio dos desenhos ou
dos produtos oferecidos. Há quem afirme que a Disney está comprometida até
mesmo com cultos satânicos, nos quais os vídeos infantis são consagrados ao
inimigo para serem um sucesso de vendas. A realidade é que nos Estados
Unidos existem centenas de templos e altares dedicados ao diabo, com o
símbolo do pentagrama, e milhares de satanistas, que oram ao inimigo e
jejuam para que os pastores evangélicos fracassem e sejam derrotados pelas
forças do mal. Mas o principal alvo são as crianças, pois satanás sabe que é a
geração cristã de hoje que irá liderar a igreja do amanhã. Nesse universo de
entretenimento há uma espécie de condicionamento mental para que as
crianças aceitem e adotem uma postura anticristã e aceitem crenças pagãs. Por
exemplo, recentemente foi lançado nos EUA o cereal matinal da Família
Adam’s, seus flocos são feitos com formas de pedaços do corpo humano
como, mãos, pés, cabeça, etc., dando a idéia de canibalismo, uma das práticas
mais primitivas dentro dos cultos pagãos. Além de terem suas mentes
programadas para crenças e rituais satânicos, por meio de uma sofisticada
indústria de publicidade, muitas crianças se tornam fanáticas pelos produtos
de determinados desenhos animados, vivendo como pequenos escravos
consumistas.
A conclusão a que chegamos, diante de tanta informação diabólica, não
poderia ser outra: como povo de Deus é nosso dever de banir esse tipo de
conteúdo de dentro de nossas casas, pois são coisas consagradas às forças das
trevas. Além disso, os resultados desse tipo de informação nas crianças não
poderiam ser outros, além de: medo, insegurança, terrores noturnos, espírito
de vingança e ódio, ataques de “epilepsia”, vocabulário espiritualista,
descrença na Palavra de Deus, atitudes de rebeldia e, finalmente, abandono da
fé cristã.

A FACE OCULTA DOS DESENHOS “INOCENTES”


Logo após o surgimento dos “gibis” em 1896, as historinhas foram
adquirindo características cada vez mais comprometidas com as forças do mal.
As histórias inocentes, com fundo amplamente humorístico, passaram a ser
substituidas por histórias de ficção, ação, violência, sensualidade e, mais
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recentemente, muito misticismo e ocultismo.


Já na década de 30, surgia nos Estados Unidos o famoso e inesquecível
personagem criado pelos cartunistas Siegel e Shuster, batizado de “Super-
Homem”. Que, segundo um de seus criadores, deveria ser um herói que
fascinasse a juventude, um personagem como Sansão, Hércules e todos os
homens fortes da história e mitologia combinados num só. Dentro de pouco
tempo o Super-Homem conquistou o mundo e a admiração de milhões de
crianças, adolescentes e até de adultos.
O que mais se destaca nesse super-herói interplanétário é o fato dele não
precisar e depender de ninguém e ser considerado um semideus, uma espécie
mais “evoluída” de humanidade. Possuidor de poderes sobre-humanos, ele
tem poder para tirar a vida e voltar a dár-la. Em nenhum momento é
mencionada a existência ou a necessidade de Deus, o centro do universo é o
próprio homem (antropocentrismo). Não demorou muito para que outros
“super-heróis” competissem e entrassem em cena, dentre eles: “Batman” (o
homem-morcego), “O Homem Aranha”, “A Mulher Maravilha...”, dentre
outros, a lista vai longe.
Depois da comercialização e popularização da TV, desenhos imóveis
que estavam limitados às páginas dos “gibis”, ganharam, dentro da telinha,
nova força e influência. E, alguns “evoluíram” de desenhos animados à
categoria de grandes produções cinematográficas. Especialmente os super-
heróis, que nem bem influenciaram seus fãs quando estavam nas histórias em
quadrinhos, e se tranformam em filmes e invadiram o cinema, as antigas fitas
de videocassete, DVDs e as programações de TV. Superman, Batman e
Homem Aranha são apenas três dos “superpoderosos” que se tornaram
verdadeiros sucessos de bilheteria.
Também não demorou para que as histórias passassem a trazer como
tema principal assassinatos, roubos, tráfico de drogas, ocultismo, espiritismo,
hipnotismo, mentes dominadas ou controladas pelo mal, politeísmo; enfim, os
princípios da filosofia New Age e do pensamento pós-modernista, denominado
também de pós-cristianismo.
Um exemplo disso é o desenho infantil “He Man”. Repleto de práticas
de feitiçaria e frases com filosofia espiritualista, tais como: “Eu sou Moon Rá,
o de vida eterna!” Dita por um dos vilões, que após invocar os espíritos
inferiores das trevas e encarná-los, se transforma de um esqueleto num corpo
vigoroso, com poderes sobrenaturais voltados para o mal.
Frases como: “tenho os seres humanos fazendo a minha vontade”,
“quanto às almas, dei a elas a imortalidade”, revelam sua filosofia e origem
satânica. Os super-heróis desse desenho também não deixam por menos. He-
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Man, na realidade é um espírito que se apossa do corpo de um príncipe


chamado Adan, cujo poder se manifesta a partir da pronúncia de um
misterioso nome, “grayskull”.
É notório o fato de que nesses desenhos de super-heróis, nunca é
solicitado o auxílio Divino (pelo menos ao Deus Bíblico), e que suas vitórias
são dádivas exclusivas de seus superpoderes ou da evocação de nomes ou
frases mágicas. Outra característica é a idéia de que a intervenção de Deus na
história humana inexiste, anulando desta maneira as profecias bíblicas. Isso
acaba gerando nas crianças um espírito de ateísmo e ceticismo quanto as
verdades básicas do cristianismo, tais como: A existência de um Deus criador
e pessoal; A morte de Cristo na cruz como um fato histórico; A volta de Jesus,
a qual irá mudar drasticamente a história da humanidade. Outra característica
marcante verificada nesses super-heróis, é que eles nunca morrem. Ao serem
constantemente bombardeadas com essa idéia, as crianças poderão formar em
sua mente conceitos equivocados e poderão acabar tendo dificuldades em
aceitar o “Herói” que teve de morrer para salvá-las.
Esses desenhos também contribuem para neutralizar o significado dos
genuínos milagres bílbicos na vida das crianças. Muitas crianças contestam os
milagres da bíblia e alegam que os mesmos milagres são realizados pelos
super heróis e outros personagens da tevê. As crianças têm uma atração pelo
irreal, principalmente na idade dos contos de fada e das fantasias. Esse período
surge ao redor dos quatro anos de idade, e nele a criança se adapta facilmente
ao mundo da ficção, da fantasia e do irreal. Nesta época, os contos imaginários
exercem sobre a criança uma atração, um magnetismo. Não tendo
desenvolvido ainda a capacidade crítica, a criança é susceptível à aceitação
passiva de todos os imprevistos e absurdos dos desenhos animados e filmes de
super heróis. É o mundo do faz de conta, dos mitos, das lendas, das fábulas e
das histórias imaginárias. Dentro do desenvolvimento natural da criança Jean
Piaget refere-se a essa etapa como “animismo infantil”. Segundo ele, nessa
fase a criança dá vida aos objetos inanimados, como se eles fossem humanos.
Não é possível eliminar essa etapa da vida da criança, mas o período de
permanência nela pode variar de intensidade e de duração de acordo com a
educação que a criança recebe. Assim, o amadurecimento para ultrapassar o
“animismo infantil” requer uma adequada postura de ajuda e orientação, tanto
por parte dos pais quanto dos professores.
Considerando que o mundo encantado das fantasias tende a se distanciar
da forma como Deus criou originalmente as coisas, Satanás tem usado com
facilidade esta abertura para introduzir seus enganosos sofismas.
Conseqüentemente as crianças estão ficando confusas e sem critérios
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concretos para distinguir entre a vrdade e o erro, entre as influências do bem e


as influências do mal, como apresentadas na bíblia. Destituída de um
discernimento espiritual claro, essas crianças podem facilmente atribuir a
Deus a obra de Satânica, e a Satanás, as obras divinas. Diante disso, o que
pode ser feito pelos pais? Primeiro é necessário selecionar bem os programas
de tevê, ou se for o caso, até eliminar aqueles onde a fantasia, o faz-de-conta e
os milagres superpoderosos dos heróis aparecem de maneira dominante. Os
pais também podem tentar substituir esses desenhos e ao mesmo tempo
introduzir histórias e vídeos que contém as histórias bíblicas. A imaginação
pode e deve ser desenvolvida, mas dentro do processo natural, lógico, possível
e verdadeiro, e no contexto da cosmovisão cristã.
Além do mais, outro aspecto que é enfatizado nesses super-heróis é a
sensualidade. Tanto os heróis masculinos quanto os femininos exibem seus
traços corporais através de roupas colantes e insinuantes, levando milhares de
crianças e adolescentes a prestar um verdadeiro culto ao corpo. O que acaba
provocando, na maioria das vezes, uma busca desenfreada pela perfeição
física e, conseqüentemente, o esquecimento do cultivo das graças do espírito,
tais como: verdade, amor, justiça, bondade, mansidão, temperança e fé (Ver:
Gálatas 5:22). Será que poderíamos classificar esta “sensualidade desenhada”,
como uma das causas do desenfreado narcisismo e hedonismo que tanto
caracterizam nossa sociedade? Na minha opinião, se não for uma das causas,
tem ao menos contribuído para isso. Se os pais pensam que seus filhos estão
apenas se divertindo quando assistem a desenhos animados na TV ou em
vídeo, estão redondamente enganados. Os desenhos não apenas divertem, mas,
como já vimos, passam valores, crenças e ensinam padrões de comportamento
às crianças.
Até mesmo em desenhos aparentemente inocentes como “Popeye, O
Marinheiro”, Pica-Pau e Pernalonga, considerados inofensivos e divertidos
podem ser encontrados elementos negativos para as crianças. O desenho do
marinheiro Popeye apareceu ligado à publicidade de espinafres em conserva
(o qual é um alimento muito saudável) e o consumo de tabaco. Seu
personagem principal é um rude marinheiro que sempre está brigando com o
grandalhão Brutus pelo amor de Olívia. A agressividade sem limites
caracteriza este desenho. Além do paradoxo de promover o saudável espinafre
e fazer publicidade do prejudicial tabaco. Afinal, Popeye que adora comer
espinafre para ficar forte, sempre está ligado ao seu cachimbo.
Os desenhos do Pica-Pau e do Pernalonga contém inúmeras referências
ao transformismo. Em muitos episódios, Pica-Pau e Pernalonga aparecem
repentinamente vestidos de mulher, com batom (ganham lábios de repente
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numa cena), pernas bem torneadas e cílios longos. São estratégias para
enganar seus perseguidores, que nunca os reconhecem e sempre acabam se
apaixonando perdidamente pelas mulheres nas quais eles se transformam. E,
com a mesma rapidez com que as pernas bem esculpidas estão lá, no momento
seguinte já dão lugar a uma perna cabeluda e masculina, dependendo se o
momento é para impresionar e enganar o perseguidor, ou para revelar que a
sua paixão era na verdade a sua presa, e masculina. Além de todo o
tansformismo, dos lábios que surgem e desaparecem conforme a
conveniência, dos cílios e dos beijos que lascam em seus perseguidores, a
própria presença dessas personagens travestidos já é uma atitude de
manifestação de bisexualidade.
Satanás é um inimigo astuto, ele sabe quando lançar “bombas atômicas”
pela TV, com objetivo de destruir os bons princípios; e quando lançar
pequenos fogos de artíficio, com o objetivo de cativar a atenção e causar
“queimaduras” que deixarão suas marcas no caráter, principalmente das
crianças. Desenhos considerados pela maioria como “inocências infantis”,
nada mais são do que “dardos inflamados do maligno.”
É hora de considerar mais atentamente o fato de que as grandes
empresas de entretenimento, como a Disney World, por exemplo, estão
comprometidas com as forças do mal e dispostas a propagar a aceitação e a
crença na filosofia New Age, apresentar imagens repletas de bruxarias, feitiços
que transformam o homem em besta, homossexualismo, espiritismo e até
mesmo satanismo. Mesmo em desenhos como “A Pequena Sereia”, aparecem
mensagens que exaltam o satanismo, por exemplo, em determinado episódio
uma bruxa (a bruxa do mar) diz para a pequena sereia que, para ela casar, ela
tem de dar algo em troca. A sereia pergunta: o que eu tenho de dar? E a
resposta não poderia ser mais satânica: eu quero a sua voz e a sua alma! Isso é
uma mensagem subliminar que induz a criança a se comprometer com as
forças do mal. “Os 101 Dalmatas” também passa esse tipo de mensagem. A
palavra Devil (diabo em inglês), está constantemente exposta na placa do carro
da bruxa Cruela. O desenho Hércules é outro caso, em uma das cenas o
próprio diabo sai do meio do abismo e menciona a seguinte frase: “meu nome
é Ades (palavra grega para inferno) – o senhor dos mortos, o senhor da morte.”
A meta do diabo é destruir nas crianças a fé em Cristo, e para isso ele não
precisa tirá-las da igreja, pois ele as está destruindo na sala de suas próprias
casas.
O “inocente” desenho dos Smurffs também pode ser incluído na
categoria de “fogos de artifício do maligno”. Encantadoramente
engraçadinhos, todavia, perigosamente malígnos. Nem humanos nem animais,
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mas considerados uma espécie de pequenos duendes, os Smurffs também são


adeptos de práticas de magia, bruxaria, feitiços e hipnotismo. Há quem
considere que estas criaturinhas azuis transmitem uma forte mensagem de
bissexualismo.
“Os Simpsons”, para citar apenas mais um exemplo, também estão na
categoria de “fogos de artíficio” lançados pelo inimigo. Particularmente
estranhos, por causa da deformidade de seu aspecto físico, com olhos
esbugalhados, cabeça grande e olhar profundo refletindo malícia. “Os
Simpsons” foram criados na década de 80 para o público adulto e como uma
crítica à sociedade. Porém, logo foram adotados pelo público infantil
ganhando notória popularidade. Matt Groening, autor dos Simpsons, disse
certa vez que a medida que seus personagens eram deformados e mutilados
alcançavam maior sucesso. Ele é o criador de outras caricaturas anteriores aos
Simpsons, tais como: Bongo (o menino de uma só orelha); Akbar e Jeff (os
gêmeos homossexuais); Ozzie e Harriet (os mutantes deformados) que logo
inspiraram as figuras dos papais Simpsons. Groening se converteu ao
cristianismo, deixou de ser o desenhista da série Os Simpsons, mas seu estilo
foi aprendido por outros. Hoje ele se dedica a produção de vídeos cristãos.
Vale ainda fazer as seguintes observações sobre essa série: Os
personagens utilizam uma linguagem grotesca e algumas vezes histérica.
Prezam pelo mau-trato, a violência e a agressividade descontrolada em adultos
e crianças. Há uma marcada falta de respeito. Aparecem cenas freqüentes
incentivando vícios como: álcool, cigarro, jogos de azar, sexo, etc. Na maioria
dos episódios se faz alusão direta ao diabo e ao inferno. Em certo episódio
Bart está assistindo TV e aparece seu ídolo, „o homem radioativo‟, este está
fumando e diz que o cigarro lhe dá forças para vencer o mal. Em outro
episódio é mostrado Homer e sua aberta rejeição à igreja. Há um momento em
que manifesta o desejo de ir a um jogo de futebol para tirar o gosto ruim que
ficou nele por ter ido a igreja pela manhã. Noutro momento Homer descobre
que sua filhinha acertou todos os resultados dos jogos de futebol, e então a
utiliza para fazer suas apostas, dizendo que a menina tem um dom e que a
Bíblia ensina que se deve estimular os dons.
Episódios de outro programa mostram a morte de Homer e sua ida ao
inferno. Alí, ele é cortado em fatias por uma máquina usada pelo diabo de uma
forma terrivelmente cruel. É uma cena tremendamente forte, pela situação
macabra da ação. Em outros programas da mesma série aparecem práticas de
hipnotismo, suborno, etc.”. Em outro episódio, o vovô Simpson fica viúvo
mas “mantém contato” com a sua falecida esposa, a vovó Bia Simpson. Bia
lhe aparece em forma de espírito e lhe dá conselhos do que fazer com o seu
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dinheiro. Também é comum nesse desenho os filhos chamarem os pais de


estúpidos, idiotas e outros termos que refletem rebeldia. Um exemplo de como
esse desenho passou a influenciar as crianças, foi o que ocorreu nos Estados
Unidos quando houve uma tentativa de criar um boneco do adolescente Bart
Simpson bonzinho e comportado, que refletisse o bem. A empresa responsável
recebeu mais de 100 mil cartas de crianças pedindo que o boneco fosse
substituído por um que fosse estúpido, idiota e mau.
O desenho Tenko, apresentado num desses programas infantis de TV a
cada manhã, também reflete claramente os ensinamentos da Nova Era que aos
poucos vão sendo inculcados nas crianças. Um grupo de adolescentes
modernos que possuem uma caixa mágica de ilusionismo, porém, nela há três
pedras de cristal com poderes mágicos e sobrenaturais. Essa caixa,
denominada caixa Tenko é usada para apresentações de truques mágicos, mas
quando são pronunciadas algumas palavras místicas, essas três pedras
“energizam” a caixa que passa a ter poderes sobrenaturais. O uso de pirâmides
mágicas, símbolos místicos, cristais e amuletos mágicos é marcante em todo
desenho. A prática da magia sobrenatural é constante, e seus personagens têm
o poder de criar animais estranhos a partir dessas práticas usando palavras
mágicas. No final, uma ilusionista profissional ensina às crianças
telespectadoras como fazer truques de ilusionismo em casa e, depois de cada
dica, enfatiza: “lembre-se, a mágica está em você!”
Outro fato que não pode ser ignorado são as mensagens e imagens
subliminares que aparecem nos desenhos, especialmente os da Disney. No
meio cristão, enquanto uns acham que há um certo exagero em torno do
assunto, outros aconselham cautela com relação aos produtos que têm o selo
da Disney. Apesar de dividir opiniões, as mensagens subliminares contendo
mensagens satânicas, apelos à violência ou ao sexo são uma realidade em
muitos desenhos animados aparentemente inocentes. Segundo notícias
veiculadas na mídia, em janeiro de 1999 a própria Disney admitiu ter
encontrado imagens subliminares em pelo menos uma de suas produções.
Uma foto tirada de uma das cenas do desenho infantil “Bernardo e Bianca”
(produção de 1977) mostra, ao fundo, uma mulher com os seios de fora. O
fato é que, em decorrência desta descoberta, a empresa divulgou um
comunicado oficial informando à população americana que os vídeos,
lançados no mesmo mês, continham “imagens de fundo objetáveis”. O
resultado foi que cerca de 3,4 milhões de fitas foram recolhidas do mercado.
Este fato é uma prova cabal das intenções maquiavélicas que permeiam uma
boa parcela das produções infantis.
Estes são apenas alguns exemplos, uma pequena amostra de como
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Satanás lança mão de todos os meios para atingir a vida espiritual dos filhos
de Deus, em especial das crianças e jovens. Ao ficarem atentos e pedirem a
Deus discernimento espiritual, os pais cristãos não terão dificuldades em
verificar como o mal se utiliza dessas aparentes “inocências infantis” para
propagar suas mensagens.

ANTIVALORES NOS DESENHOS ANIMADOS


A curiosidade por assuntos como sexo, paixão, violência e morte fazem
parte da natureza humana. O problema é como são tratados. Os programas de
tevê mexem com isso, mas não o fazem de forma construtiva, com contexto e
discusão. Não é apenas a violência praticada por seres reais que traz
influências negativas às crianças. As falas e os gestos agressivos executados
por seres fantásticos também contagiam o público mirim. Por exemplo, toda
vez que uma batalha é travada em Yugi-Oh, muitas crianças não conseguem
ficar sentadas no sofá. Inspirado nos card-games - baralhos que exibem
montros com diferentes poderes -, o desenho narra as aventuras do garoto
Yugi, que se torna o mais esperiente jogador de Duelo de Monstros. Cada vez
que ele e o adversário lançam suas cartas sobre a mesa, as respectivas criaturas
ganham vida e se aniquilam na tela da tevê. Muitas crianças passam o dia no
sofá, do desenho para o videogame, do videogame para a novela, ficam muito
agitadas e aprendem antivalores nessa escola televisual.
Vejamos o que alguns desenhos estão ensinando às crianças todos os
dias, enquanto seus pais vivem despreocupados com o que elas estão assitindo
na telinha colorida da tevê.
 Sorriso Metálico (Fox Kids) - A menina Sharon Spitz tem 13 anos e
sofre chacotas dos colegaspor causa do aparelho que usa nos dentes.
Como não bastasse, o objeto provoca acontecimentos misteriosos. A
criança tem dificuldade em detectar a maldade dos comentários e
pode repetir a mesma atitude preconceituosa para com aqueles que
são diferentes.
 Yu-Gi-Oh (Nickelodeon e Globo) - Yugi é o mais telentoso jogador
de “Duelo dos Monstros” e tem um baralho invejável. Para salvar o
avô, ele não pode perder uma só batalha. As lutas entre os monstros
são violentas. Atitudes irresponsáveis são às vezes recompensadas.
Em um dos episódios, um amigo pula de um navio em alto-mar para
resgatar algumas cartas de Yugi.
 Três Espiãs Demais (Fox Kids e Globo) - Clover, Alex e Sam são
três jovens de Beverly Hills que, involuntariamente, se tornam
agentes secretas. Sua missão é salvar o planeta a tempo de fazer a
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lição de casa. Com aspecto nada infantil, elas usam celular, batom e
estojo de maquiagem e adoram fazer compras. São praticamente
compulsivas por adquirir roupas novas. Antes que os filhos sejam
contaminados pela ideologia consumista, é preciso lembrá-los de
que, na ficção, ninguém precisa de dinheiro para consumir.
 Shin Chan (Fox Kids) - O pestinha que tanto incomoda costuma
colocar os pais em parafuso. Nunca acorda a tempo de tomar o
ônibus escolar e adora ver fotos de mulheres de biquíni. Quando
contrariado, abaixa as calças e rebola. O desnho tem um humor
adulto e por isso é tansmitido às 22 horas. Se não for possível evitar
que as crianças pequenas asssitam, é recomendável mostrar que o
comportamento do personagem não é adequado.
 O Laboratório de dexter (Cartoon network) - O pequeno dexter está
sempre fazendo experiências científicas. A irmã Dee Dee vive
atrapalhando. O desenho retrata o conturbado relacionamento entre
irmãos e, apesar de inteligente, é recheado de expressões como
“idiota” e “cala a boca”. A criança pode acabar reproduzindo em seu
círculo familiar e de amizades o mesmo tratamento dispensado pelos
personagens.
 A Vaca e o Frango (Cartoon Network) - Mesmo que não faça o
menor sentido, Vaca e Frango são irmãos, de 7 e 11 anos, e têm pais
humanos. Juntos, metem-se em confusões e disputas constantes entre
si, repetindo a temática de O Laboratório de Dexter. A sugestão é,
mais uma vez, zelar para que os filhos não reproduzam em casa os
gestos agressivos dos irmãos personagens.
Em todos esses casos, o que se pode perceber em muitas famílias
e na escola é o fato de que muitas crianças, encantadas pelos
personagens, acabam reproduzindo alguns gestos e falas, sem muitas
vezes nem ao menos saber o que significam. Por isso é importante
proteger os filhos da avalanche de violência, errotismo, consumismo e
mediocridade transmitidos pelos desenhos animados. Uma das saídas é
formar trelespectadores críticos. O diálogo e a negociação, juntamente
com a explicação do porquê tais desenhos são inadequados são as
melhores atitudes. Proibir pode tornar o desenho ainda mais atraente.
Uma educação cristã é a melhor opção.

ESPIRITUALISMO EM HORÁRIO NOBRE


O cantor Daniel (da dupla João Paulo e Daniel) está no palco, é
Domingo e o apresentador de televisão lhe pergunta: “Você parece ser muito
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religioso. Acredita que João Paulo continua vivo em algum lugar? Acho que
sim, e torço para que ele esteja bem!” Além da promoção vergonhosa de cenas
e revistas pornográficas nas tardes de domingo, Gugu Liberato parece ter se
tornado um defensor e promotor do espiritismo e do misticismo, e mais
recentemente do catolicismo carismático divulgado pelo padre Marcelo Rossi.
Gugu não exita quando tem que apresentar e promover supostos videntes
como a “Mãe Diná”, e muito menos em fazer predições com seus convidados
por meio de místicos que praticam a numerologia.
No dia 02 de agosto de 1998, foi a vez do cantor sertanejo Leonardo dar
o seu emocionado testemunho, ao lembrar o drama do irmão Leandro, morto
de câncer. Leonardo afirmou que acreditava em vida após a morte, e declarou
abertamente para milhares de espectadores, que em breve iria procurar Chico
Xavier para “contactar” o falecido irmão. Segundo a revista Veja, essa
entrevista rendeu 34 pontos no Ibope (cada ponto corresponde a cerca de 80
mil pessoas). No mesmo programa, Gugu chegou à emissora do SBT com o
livro “A Cura Através de Vidas Passadas” (o qual enfatiza a reencarnação),
embora declare ser adepto da proteção de Nossa Senhora de Fátima, da qual
tem uma imagem no seu camarim. Mas, sua inspiração parece estar mesmo em
Chico Xavier, famoso médium e escritor espírita. Este sincretismo religioso,
não atrapalha o apresentador em seu constante marketing a favor da crença no
espiritismo. Seja por meio de opiniões pessoais ou entrevistando seus
convidados, Gugu tem se tornado num verdadeiro “líder religioso” nas tardes
de domingo. Não raro, seu programa tem se transformado num verdadeiro
culto, às vezes místico, às vezes espírita e outras vezes Católico, mas nunca
bíblico.
Comentando o excesso de mensagens espiritualistas na TV brasileira, o
jornalista Júlio Castañeda, em artigo publicado na revista “Incrível” sob o
título: “Fantasmas Na Televisão”, escreveu que: novelas, seriados e outros
programas de TV recorrem a poderes místicos e ao realismo fantástico para
ganhar mais pontos na guerra da audiência. Esse fascínio pelo sobrenatural é o
mais novo fenômeno da TV brasileira. Paranomais, videntes e espíritas, que há
tempos faziam aparições nas novelas em tom de farsa, agora transportam
segmentos inteiros de telespectadores para novos horários e canais ao viverem
tramas realistas.
Castañeda ainda cita alguns exemplos, como a novela “A Viagem”, de
autoria de Ivani Ribeiro, que já foi professora de catecismo e hoje se diz
espiritualista. Essa novela bateu recordes de audiência no horário das 19h;
sendo classificada pelos comunicólogos como uma programação neomística.
Ivani revelou que se inspirou livremente no livro...“E a Vida Continua”, um
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best-seller espírita psicografado por Chico Xavier. A primeira versão da


novela teve a supervisão do próprio médium.
Quem pensa que a invasão de seres sobrenaturais é novidade nas
novelas está enganado. A arqueologia da TV mostra que espíritos
reencarnados, telepatas e até extraterrestres vêm trabalhando na surdina,
conquistando espaço e pontos no Ibope, há anos. O primeiro exemplar foi
encontrado em 1969, em „Era Preciso Voltar‟, de Silvan Paezzo. É a história
de uma atriz de sucesso que começa a se ver em outra vida, em Paris, 1830.
Basta forçar um pouco a memória para perceber que de uns tempos para
cá há uma trama mística por trás de toda novela de sucesso, já em 1971 na
novela “O Homem Que Deve Morrer”, o ator Tarcísio Meira passou de
bandoleiro a sábio oriental para cumprir uma missão inacabada. Em 1977 a
novela “O Profeta” transmitia conceitos espiritualistas. Janete Clair, uma das
“noveleiras” mais conhecidas da TV brasileira, foi a grande responsável pela
introdução nas novelas da doutrina espírita da reencarnação da alma.
Outro exemplo foi a novela Pantanal, com seus personagens zôo-
espirituais, como o misterioso velho do rio que também aparecia sob a forma
de uma enorme cobra sucuri, e a mulher-onça Juma Marruá, que gozava de
proteção espiritual através de sua mãe já falecida. Os diretores dessa novela
quase levaram um de seus personagens (o fazendeiro iniciante Jove)
protagonizado pelo ator Marcos Winter, a que fizesse um pacto com o diabo,
para se tornar o melhor peão das redondezas. Todo esse clima de esoterismo
misturado com realismo fantástico ajudou esse programa a conquistar índices
assombrosos de audiência, se tornando um dos maiores sucessos da história da
televisão brasileira. Já na novela “Renascer”, o personagem “Tião Galinha”
sela um pacto com um “diabinho” presso dentro de uma garrafa, passando a
viver constantemente com uma galinha preta embaixo dos braços ou
aprissionada. Com relação ao satanismo, o programa “Você Decide”, levado
ao ar no dia 08 de abril de 1999, se superou ao contar a história de Alex, um
jogador de cassino fracassado e endividado, que recebeu diretamente de
“Damus” (Satanás), uma proposta, que segundo o apresentador do programa,
era tentadora: “as maravilhas do mundo (dinheiro, fama e prazeres) em troca
de sua alma. Este programa, muito assistido pelas famílias brasileiras,
incluindo milhares de crianças e adolescentes, apresentou uma imagem
distorcida do príncipe deste mundo, além de mostrar cenas de separação
conjugal, sexo livre e vícios (tabagismo, alcoolismo e jogo). Revelou ainda,
como andava a “opinião do povo brasileiro” quando o assunto é pactuar com o
diabo. O resultado da tradicional votação no final do programa ficou a favor
de que as pessoas façam um pacto com o demônio em troca de prosperidade,
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fama e prazeres. Mais de 84 mil pessoas ligaram para dizer que Alex devia
aceitar as propostas do diabo e fazer um pacto com ele, enquanto pouco mais
de 77 mil disseram que não, que Alex devia rejeitar o pacto satânico. E o mais
assustador, é que para finalizar o programa, o apresentador ainda disse que
essa tinha sido a escolha do Brasil, como se toda nação aceitasse pactuar com
o diabo. Fico pensando que tipo de influência tal mensagem exerceu sobre
milhares de crianças e adolescentes?
Muitos programas de telenovelas tais como “Corpo Santo”, “Olho no
Olho”, “O Amor Está No Ar”, dentre outros, estavam repletos de conceitos
sobre paranormalidade, poderes sobrenaturais, comunicação com os mortos,
manifestações de seres cósmicos (ETs), etc. E não pára por aí, os próprios
autores dessas novelas dão o seu testemunho de que estão divulgando aquilo
em que crêem. “Tenho muita crença na paranormalidade”, é o que disse José
Louzeiro, crente devoto dos livros de Paulo Coelho e autor da novela “Corpo
Santo”, para justificar os motivos que o levaram a incluir uma médium com
poderes telepáticos e milagreiros na história. Louzeiro chegou a visitar várias
vezes um templo de seguidores do guru indiano Saibaba, no Rio, em busca de
paz e inspiração para as gravações de sua novela.
O cúmulo do exagero místico transmitido pela TV foi a novela “Olho
No Olho”, uma verdadeira overdose esotérica em horário nobre, porém um
recorde na TV brasileira. De autoria de Calmon, a história estava baseada nos
conceitos da parapsicologia. Onde os personagens principais entravam numa
verdadeira batalha espiritual com os poderes da mente. Numa das cenas, o
vilão que se tansformava num instrumento diabólico, cujo poder provinha de
uma estátua que literalmente encarnava o mal, chegou a ponto de levar um de
seus inimigos ao suicídio com o poder da mente. E tudo isso recheado com
efeitos especias como, raios, olhos de fogo e colunas flamejantes, criados
pelos técnicos.
Se não bastasse tudo isso, a própria equipe de produção contava com a
ajuda de um pai-de-santo, como chegou a admitir numa entrevista o co-autor
da novela, Vinícius Viana, quando disse que o pai-de-santo orientava as
cabeças dos produtores e não a ficção. Maria Lídia Gomes de Mattos, vice-
presidente da Federação Brasileira de Parapsicologia e pesquisadora da
paranormalidade há 31 anos, foi quem orientou a equipe na produção dessa
novela. É dela a crença de que a televisão brasileira deverá continuar
mantendo o tempero místico nas novelas.
“O Fim Do Mundo”, novela de Dias Gomes, retratou de maneira aberta
a crença em poderes sensitivos e na prática da poligamia. Além de contribuir
no Ibope de Thomas Green Morton, o sensitivo mineiro que entorta talheres e
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exala perfume. Ele revelou numa entrevista que a novela causou muita
agitação em sua vida, e também deu seu testemunho dizendo que achava tudo
muito bom. “Isso porque a novela despertou as pessoas para uma coisa legal.
Antigamente achavam que isso era bruxaria. Hoje é praticamente natural. Por
isso, eu acho muito boa essa abertura, este trabalho do Dias Gomes mostra
conscientemente, sem fanatismo, o que é energia cósmica, diz. Thomas lembra
que, quando anda pelas ruas é parado por crianças que lhe pedem que passe
energia aromática para elas, dão roupas e cadernos para que os energizem. Já
pensou? Uma criança de sete anos falando em energia aromática? Isso mostra
uma evolução incrível”, afirmou Morton.
Quando perguntaram a Paulo Betti, protagonista do vidente polígamo,
Joãozinho de Dagmar, se ele acreditava no fim do mundo, sua resposta foi um
sonoro não. Betti ainda disse: “Eu concordo com o frei Leonardo Boff em seu
livro „Ecologia, Grito da Terra‟. O ser humano é capaz de acabar com sua
espécie. Podemos criar uma condição tão adversa no planeta que acabaria com
o homem na terra... o homem pode acabar com o mundo”. Onde está a
verdade bíblica da volta de Jesus? Essa declaração do ator Paulo Betti, bem
como o conceito de fim do mundo transmitido por essa novela, entra em direto
desacordo com o que Deus revelou no Apocalipse: “E tocou o sétimo anjo a
trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo
vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o
sempre. E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seu trono, diante
de Deus, prostraram-se sobre seu rosto e adoraram a Deus, dizendo: Graças te
damos Senhor Deus todo poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que
tomaste o teu grande poder e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e
o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão
aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a
pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra”
(Apocalipse 11:15-18). Esse texto não deixa dúvidas sobre a futura atuação
direta de Deus na história humana, a qual mudará drasticamente o seu rumo, e
impedirá que o homem destrua este planeta antes do cumprimento da
promessa feita por Cristo em S. João 14:1-3, de que voltaria a este mundo pela
segunda vez para buscar os seus fiéis seguidores.
Poderia citar muitos outros exemplos de como os programas de TV, em
especial as novelas, estão comprometidos com os conceitos satânicos do
espiritismo e da filosofia pós-modernista da Nova Era, algumas com ênfase
explícita e outras apresentadas de maneira mais sutil, mas fundamentado no
que foi escrito até aqui você mesmo poderá constatar. Como já vimos é um
caso antigo, que se renova em cada produção, e que certamente não vai parar
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na última série transmitida.

A GLOBALIZAÇÃO TELEVISUAL DO ESPIRITUALISMO


Falando sobre a onda de misticismo não só na TV brasileira, mas ao
redor do mundo, Muniz Sodré, diretor da escola de comunicação da UFRJ e
autor do livro “Jogos Extremos do Espírito”; afirma que o crescimento do
espiritualismo em todo o mundo engloba todos estes fenômenos no que ele
chama de onda neomística, um fascíneo pelo mágico que alcança todos os
cantos do planeta e influi até no discurso da ciência.
A filosofia pós-modernista e pós-cristã da Nova Era, que tem como
bandeiras o materialismo, o liberalismo sexual, a pluralidade de verdades
religiosas e o relativismo ético e moral, foi adotada pela mídia e seus
consumidores como regra e modo de vida. Como consequência, a predileção
das pessoas por filosofias e religiões ocultistas aumentou assustadoramente ao
redor do mundo.
É interessante notar que para diferentes grupos de pessoas Satanás
apresenta um tipo de espiritualismo que melhor se adapta à realidade de cada
grupo, vestindo-o desde “roupagens” animistas até graus mais sofisticados de
manifestações espiritualistas, como por exemplo, a parapsicologia, travestida
com uma aparência supostamente científica.
Já na opinião do diretor do Centro de Ciências Sociais da (Universidade
Estadual do Rio de Janeiro - UERJ), José Flávio Pessoa Barros, doutor em
religião pela Universidade de São Paulo - USP, não há mudanças no esquema
tradicional das telenovelas. Para ele elas passam o que o telespectador quer
ver, num círculo vicioso que se realimenta. Um desses assuntos foi a questão
da comunicação com os mortos, que mostrou sua força no episódio “Um
Mistério do Outro Mundo”, em um dos programas “Você Decide”. Mais de 48
mil espectadores responderam que acreditariam no testemunho de um médium
para desvendar um crime. Menos da metade, cerca de 21.926 pessoas foram
contra. Isso nos dá uma idéia de como os conceitos espiritualistas transmitidos
pela TV têm influenciado o senso comum. O fato é que toda essa informação
espiritualista acaba influenciando a crença das pessoas. Uma pesquisa Vox
Populi divulgada na Revista Time e republicada na Revista Veja, revelou em
porcentagem, dentre outras coisas, como anda a crença da população brasileira
e norteamericana. Dentre as perguntas, foram feitas as seguintes:
 O que você acha que vai acontecer com você depois da morte?

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 Ir direto para o paraíso – 32% Brasil – 61% EUA.


 Ir para o purgatório – 11% Brasil – 15% EUA.
 Ir para o inferno – 1% Brasil – 1% EUA.
 Ir para outros planos de existência – 12% Brasil - ? EUA.
 Na sua opinião, apenas o espírito da pessoa vive no paraíso ou o corpo
também?
 Apenas o espírito – 80% Brasil – 66% EUA.
 O espírito e o corpo – 15% Brasil – 26% EUA.
Obs: Excluídas respostas “Não sabe/Não respondeu”.
As grandes produções cinematográficas, verdadeiros sucessos de
bilheteria, também têm contribuído para a divulgação do espiritualismo e
ensinamentos antibíblicos. Filmes como a trilogia “Star War”, “Gaspar: O
Fantasminha Camarada” (onde um fantasma tem atração sexual por uma pré-
adolescente), “Ghost”: do outro lado da vida (onde espíritos desencarnados
convivem com as pessoas), “Robin Hood” (onde são feitas constantes
invocações aos espíritos das trevas em rituais satânicos), e “A Casa Dos
Espíritos” (onde pessoas que morreram aparecem inesperadamente), para citar
apenas alguns, divulgam abertamente a filosofia New Age, defendendo crenças
antibíblicas tais como: bruxaria, comunicação com os mortos, evolução
espiritual, panteísmo, reencarnação, etc.
Em 1999, o filme Matrix sacudiu Hollywood com espetaculares efeitos
especiais que revolucionaram os filmes de ação e ficção. Dentre os aspectos
mais empolgantes de Matrix estão a utilização de simbolismos religiosos
como embasamento para as idéias propostas na história. Larry Wachowski, um
dos criadores e diretores afirmou que: “todas as referências religiosas foram
cuidadosamente plantadas e intencionais, incluindo todos os nomes de
personagens, e que todos têm múltiplos significados”. Na verdade, Matrix é
um verdadeiro caldo de idéias filosóficas e religiosas.
As analogias de Matrix com as religiões começam com a presença de
elementos cristãos na produção. A mais óbvia é a morte, ressurreição e
ascenção aos céus de “Neo” (Keanu Reeves). No filme, Neo é o Messias, o
Escolhido, aquele do qual falam as profecias e cuja vinda é preparada por
Morpheus (Lawrence Fishburne), que por sua vez cumpre o papel no filme
que na Bíblia é de João Batista. A ligação de Neo com a figura do Messias
cristão é reforçada no filme de inúmeras maneiras. Numa das cenas, Chad, um
comprador de softwares ilegais de Neo, exclama: “Aleluia! Você é meu
salvador, cara. Meu Jesus Cristo particular!”. Na nave Nabucodonozor
(batizada com o nome de um rei babilônico do Antigo Tesamento responsável
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pela destruição do templo de Jerusalém), a tripulação, maravilhada com os


feitos (milagres) de Neo, exclama com freqüência: “Jesus Cristo”, “o Cristo!”.
E na própria nave também está gravada a inscrição “MARK III n 0 11”,
referência messiânica do evangelho de Marcos 3:11, que diz: “E quando os
espíritos impuros o viam, se jogavam gritando: Tu és o filho de Deus”.
Outra personagem de Matrix é Trinity (em português: trindade), que
significa o conceito de Pai/Filho/Espírito Santo. Todavia tem implicações
mais profundas, que derivam do significado convencional da palavra, algo
justificado no primeiro diálogo da personagem com Neo (o escolhido): “Você
é a trindade? Eu pensei que fosse um homem, disse surpresso Neo. A maioria
dos homens pensa assim, revela Trinity”. Outros nomes como Zion (Sião, a
terra prometida), e Apoc (abreviação de Apocalipse) também aparecem no
filme.
Apesar dos elementos mencionados serem essencialmente cristãos, a
analogia do sistema da Matrix e as crenças religiosas pouco se utiliza a fé
cristã. A fundamentação para o funcionamento da Matrix parece estar
enraizada nas filosofias gnóstica e budista, o eterno questionamento da
realidade como a vemos.
O gnosticismo foi um sistema religioso que floresceu entre os séculos II
e V d.C., e que tinha seus próprios rituais e escrituras, sendo a principal delas
o Evangelho de Tomás. No mito gnóstico, o “Deus supremo” é absolutamente
perfeito, reside no paraíso, e abaixo dele estão outros seres divinos sem
gêneros distintos, os quais têm o poder de gerar herdeiros, também divinos e
perfeitos, quando unidos em par. Todavia, quando um deles (Sophia) decide
dar à luz a uma entidade sem o auxílio de outra divindade, surge Yadabaoth,
um herdeiro aberrante, imperfeito, o qual é jogado fora, numa região separada
do universo. Tal divindade solitária acaba crendo que é o único Deus existente
e decide criar anjos, a terra e as pessoas. Tal decisão acaba privando os
humanos (também criaturas divinas) de seu reino de direito, o paraíso,
mantendo-os pressos num mundo material terrível.
As referências ao gnosticismo em Matrix vão além do simples feito de
que os humanos são tratados como prissioneiros num mundo no qual não
escolheram viver e do qual necessitam despertar. As próprias máquinas
(inteligências artificiais) parecem ser um reflexo do deus aberrante criado por
Sophia. Os robôs pensam e existem, mas não têm espírito. Como o aberrante
Yadabaoth, criam sua própria raça e mundo (a Matrix). É somente quando
Neo toma consciência da fragilidade desse mundo imperfeito e de sua
condição de entidade divina, que ele consegue quebrar as regras e passa a
operar milagres, tornando-se o salvador dos humanos. Vale notar também que
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o nome de batismo de Neo, no filme, é Thomas Anderson (Ander significa


homem / Son significa filho; ou seja: filho do homem, um título pertencente a
Jesus Cristo – Cf. Mateus 24:27); e Thomas que é o nome do autor do
evangelho fundamental do gnosticismo).
Alguns autores vão ainda mais além e atribuem parte da própria criação
dos efeitos especiais ao gnosticismo. Ou seja, as seqüências de imagens
congeladas, nas quais a câmera dá uma volta de 360 graus ao redor dos
objetos e personagens da cena. É que nos mitos dos gnósticos, as divindades
mais elevadas conseguem tornarem-se imóveis e silenciosas sem qualquer
medo através de concentração e meditação. Esses momentos de concentração
e imobilidade são freqüêntes no filme Matrix.
Todavia, concentração e imobilidade também são encontradas em outra
filosofia religiosa cuja presença é maciça no filme, o budismo. Matrix reflete
na tela a doutrina budista da Samsara (estado que requer generosidade,
disciplina, paciência, perseverança, concentração e o conhecimento
transcendente). O sistema de reencarnação também é sugerido na explicação
do funcionamento da Matrix. Nela, os humanos mortos são liquifeitos e
usados para alimentar os demais, num eterno ciclo de reaproveitamento.
Todavia, um importante ideal budista não é respeitado no filme. Trata-se da
doutrina da não violência, na qual é ensinado que nenhuma vida deve ser
prejudicada.
Estes são apenas alguns simbolismos religiosos apresentados nas séries
do filme Matrix, há um verdadeiro sincretismo religioso. Há dezenas de outras
menções mitológicas e religiosas, algumas simples de identificar como a
inscrição “conhece-te a ti mesmo” do Oráculo de Delfos na casa do Oráculo,
enquanto outras são paradoxais como Zion, que é sugerido no filme como
sendo o Paraíso, mas fica nas profundezas ardentes do planeta, onde seria o
inferno. O ato de os próprios seres humanos terem arruinado o planeta e serem
responsáveis diretos pelo caos do futuro, também vai contra as profecias
bíblicas sobre a segunda vinda de Cristo (Cf. II Pedro 3:1-18).
O impulso que a feitiçaria tem alcançado na sociedade contemporânea,
a ponto de ser aceita por ela, também provém em grande parte dos livros e
filmes sobre as aventuras de Harry Poter. O jornal “National Post”, que é o
maior jornal diário do Canadá, publicou uma entrevista com J. K. Rowling,
autora da série Harry Potter. Nesta entrevista ela assumiu publicamente que é
adoradora de Satanás, e que seus livros são inspirados por ele. Confessou que
adora Belzebu, Satanás e Lúcifer e atribuiu todo o seu sucesso a Lúcifer:
“Ofereço-me por completo de corpo e alma ao meu mestre, ele me dá poder
sobre os fracos e riquezas absurdas”. Assim, a escritora Joanne K. Rowling
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não apenas imaginou a história de Harry Potter, mas, como ela mesma disse:
“O Diabo me deu autorização para revelar que foi ele mesmo quem lhe deu os
livros. O meu doce e belo Lúcifer enviou-me todas as noites um anão
deformado com as anotações para os livros”.
Harry Potter é a história de um adolescente londrino que por força do
destino ficou órfão muito cedo e foi colocado aos cuidados de seus tios que
ocultaram sua verdadeira origem, até que Poter descobre que provém de uma
família de poderosos feiticeiros inclanados ao bem. Ao completar onze anos
de idade, Harry recebe uma carta mágica em que é convidado a estudar no
colégio Hogwarts de magia e feitiçaria, o qual se encontra na mesma cidade
onde mora, porém, além da realidade. Após passar por um portal mágico,
Harry Poter entra numa dimensão governada pela magia, bruxaria e ocultismo.
Harry, juntamente com vários condicípulos, é o protagonista das
aventuras que têm por objetivo trazer ao mundo real a bruxaria condenada
pela sociedade contemporânea, e de modo mais específico pelo cristianismo
bíblico. Em suas cenas, aparecem de maneira abundante seres mitológicos,
duendes, vampiros, centauros, gnomos, fantasmas, espíritos maus e diabólicos,
almas penadas e toda sorte de práticas de feitiçaria e bruxaria. Em virtude
disso, os valores sustentados pela Escritura Sagrada a respeito da vida e da
harmonia que devemos ter com a vontade de Deus são corrompidos até sua
máxima expressão. Enquanto a fé dos que se dizem cristãos não estiver
centrada no verdadeiro Deus, as artes mágicas e ocultistas, deste tipo de filme,
incrementarão seu poder na sociedade ao atuar na mente de crianças e
edolescentes atingindo suas consciências. Diante disso devemos no mínimo
questionar: Não é a consciência humana que o diabo pretende cauterizar com
o objetivo de anular a obra do Espírito de Deus? Esta é a nossa luta diante da
feitiçaria, do ocultismo e da magia. Enquanto filhos e filhas de Deus nos
deixaremos seduzir pelas obras das trevas? O que ensina a bíblia em relação a
magia, a bruxaria e o ocultismo?
Em Apocalipse 12:9 a Palavra de Deus nos declara que “Satanás engana
ao mundo todo”. Diante do momento e das circunstâncias em que estamos
vivendo na história deste mundo, esta declaração pode ser muito certa para os
cristãos despertos de hoje. Todavia, além de enganar ao mundo, Satanás está
enganando até mesmo muitos professos cristãos, mas principalmente seus
filhos, crianças e adolescentes entregues sem restrição ao mundo televisual
com suas mensagens satânicas.
Outra trilogia de sucesso cinematográfico foi o filme “O Senhor dos
Anéis”. Esta série foi escrita por J.R.R. Tolkien e foi publicada pela primeira
vez na década de 1950. Durante a década de 60, foram vendidos 100 milhões
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de exemplares. Mas foi no cinema, com a trilogia “O Senhor dos Anéis”, que
as idéias de Tolkien se tornaram populares a nível mundial. Para entender o
dano espiritual que este filme pode causar naqueles que o assistem, se faz
necessário primeiro compreender certas crenças da bruxaria. Aqueles que
praticam a bruxaria acreditam que há a magia que é positva (branca) e que há
a magia negativa (negra), e que o bem sempre triunfa sobre o mal. Os bruxos e
bruxas ensinam que as batalhas sempre ocorrem no centro da terra, em um
plano astral, causando variações por cima e por baixo dela. A bruxaria
estabelece que o bem deve triunfar sobre o mal, mas para os crentes em Cristo,
tanto a magia branca quanto a magia negra estão sob o controle de Satanás.
Um dado interessante dos três filmes é que todos eles foram estrelados em
dias festivos no calendário da bruxaria chamados de sábado de Yule (17,18 e
19 de dezembro). Os eventos especiais que ocorrem neste mundo e que estão
sob o domínio de Satanás costumam acontecer em dias especiais deste
calendário. Nada é por acaso para os adeptos da bruxaria.
A bruxaria é uma prática muito antiga e difundida, mas que sempre
esteve oculta da sociedade devido sua pouca aceitação. Todavia, cada dia
mais, o que antes eram práticas encobertas e desprestigiadas, têm se tornado
em algo comum para muita gente. Sem dúvida, o melhor meio que satanás tem
encontrado para introduzir estas práticas na sociedade é por meio de
produções cinematográficas. Por essa razão devemos entender que filmes
como “O Senhor dos Anéis”, entre outros, não são pura ficção como a maioria
acredita. Muito do que é visto nestes e em outros filmes é bruxaria praticada
desde a antigüidade.
John Ronald Reuel Tolkien, sempre buscava inspiração para escrever
nas horas próximas da meia noite. Este homem empregou 12 anos de sua vida
para escrever os livros que deram origem aos filmes. Somente no décimo
terceiro ano é que sua obra ficou conhecida (vale lembrar que o treze é o
número de maior poder dentro do ocultismo). Ele era conhecido como o
“Mestre do Centro da Terra”. Esta terra era habitada por duendes, homens
mortos, feiticeiros, anões, criaturas grotescas. Para Tolkien, duendes e bruxos
desfrutam a certeza de uma vida eterna incondicional, enquanto que a Palavra
de Deus afirma que somente Deus é possuidor de tal atributo (Cf. I Timóteo
6:16). No lugar da esperança de vida eterna por meio de Jesus Cristo, o mundo
apresentado em “O Senhor dos Anéis” oferece a reencarnação como resposta
diante da morte, mas apenas para um grupo de escolhidos. Esta crença desafia
a Palavra de Deus (Cf. Bebreus 9:27).
O herói da história é Frodo, um ser de um metro de altura, com orelhas
pontiagudas, pés peludos e que leva um objeto maldito consigo. Esse objeto
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maldito é um anel de ouro ao qual é atribuído poder terrível, e por isso deve
ser destruído. Se Frodo falhar em sua missão, o anel poderá cair nas mãos de
um feiticeiro perverso, e o mundo inteiro entraria em uma era eterna de
escuridão sob o poder do Senhor da Escuridão. No filme, as runas interpretam
a mensagem do anel com a seguinte declaração: “Um anel para governar a
todos, um anel para os controlar, um anel para trazê-los e para atá-los na
escuridão”.
Produções nacionais também têm abordado com frequência temas
místicos, como o assunto da reencarnação, por exemplo. Entitulado “Almas
Gêmeas”, novamente o programa de TV “Você Decide” apresentou um
episódio repleto de conceitos espiritualistas, ao explorar o tema da
reencarnação e de supostas vidas passadas. A história girou em torno de uma
professora universitária que teve de decidir entre manter um casamento de 15
anos, ou se separar, em nome de uma “paixão antiga”, já de outras
encarnações. Tudo ia muito bem na vida dessa professora até ela conhecer um
garçom, o qual lhe garante que eles sempre foram amantes em outras épocas, e
que os dois eram almas gêmeas, inseparáveis. A história foi apresentada de tal
maneira que acabou induzindo o público na decisão final. Por exemplo, a
relação matrimonial da professora sempre era apresentada como algo tedioso e
monótono, enquanto os “sonhos” e sessões de regressão, das suas vidas
passadas e de seus romances com a sua “alma gêmea”, estavam recheados de
emoções fortes, erotismo e sensualidade. O fato surpreendente foi que o
público, na sua grande maioria, decidiu que ela deveria se separar e terminar
com o seu casamento, e tudo isso em nome de seus supostos romances em
vidas e épocas passadas. Sem dúvida, essa decisão, além de ser um reflexo da
crença popular na reencarnação, contribuiu para reforçá-la na mente de
crianças e adolescentes.
Porém, não só de reencarnação o telespectador viverá. Sob o título
“„ETs‟ estrelam 30 horas semanais”, o jornal Folha de São Paulo divulgou que
“os programas e os seriados que exploram a temática dos discos voadores e
dos fenômenos paranormais somam mais de 30 horas semanais na TV
(incluindo rede aberta e canais pagos)”. Basta prestar mais atenção em
determinados programas de auditório para perceber que realmente está
ocorrendo uma exploração muito grande do tema. Apresentadores como
Carlos Massa (o ratinho), Gilberto Barros (o leão), Augusto Liberato (o gugu)
e Hebe Camargo, são alguns exemplos. Mas a crença em seres extraterrestres
não se limita aos programas de TV brasileiros, é praticamente universal dentro
do universo da mídia eletrônica.
Produções como “Arquivo X”, “Millenium”, “Dark Skies”, “3rd Rock
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from the sun”, “Alf”, “Meu Marciano Favorito”, “Missão Alien”, “V”,
“Histórias Insólitas”, “Além da Imaginação”, “Mysterious Places”, para citar
alguns; trazem como mensagem principal a crença em Ets, bem como nos
poderes místicos da mente humana. Alguns até sugerem um possível convívio
pacífico com seres extraterrestres. Nas grandes produções cinematográficas a
crença em ETs também é explorada ao máximo. Filmes como “ET”, “Marte
Ataca”, “Independence Day”, negam abertamente as crenças cristãs,
principalmente a crença na segunda vinda de Jesus. Um exemplo disso é o
enredo do filme ET, onde um ser alienígena vem à terra com poderes
sobrenaturais e opera vários “milagres”. Ele acaba sofrendo rejeição e
perseguições que o levam à morte. Porém num momento que ninguém
esperava ET ressuscita dentre os mortos, é levado ao céu por uma espaçonave
extraterrestre, e antes de subir promete voltar ao planeta terra. Isso nos parece
familiar? É uma deturpação do evangelho. A idéia transmitida é de que não
precisamos temer esses “seres cósmicos” extraterrestres, mesmo apesar da sua
aprarência, muitas vezes assustadora, eles são “bons” e desejam nos ensinar o
caminho da autosalvação ou evolução espiritual.
Depois do sucesso de bilheteria do filme ET, outras produções de
Hollywood continuaram a explorar o tema. O filme Homens de Preto (MIB),
por exemplo, explora a tese de que os alienígenas vivem aqui na terra sob a
proteção do governo americano, muitas vezes disfarçado como pessoas
famosas e astros do cinema. O filme Arquivo X, baseado na famosa série para
TV, é outro exemplo. Nele os americanos gostam de acreditar que o governo
“esconde ETs no armário”. “O filme deita e rola em cima dessa hipótese.
Conta que moradores de outros mundos estão entre nós há tempos e que o
governo dos Estados Unidos anda clonando seres mistos de humanos e
alienígenas. Os agentes Fox Mulder e Dana Scully estão sempre envolvidos
até o pescoço com os arquivos X – casos que o FBI não conseguiu resolver – e
vão investigar a história.”
Não é por acaso que a crença em ET‟s está aumentando. O jornal
americano USA TODAY publicou uma pesquisa na qual perguntaram aos
entrevistados: “você acredita em seres de outros planetas?” A porcentagem de
pessoas que disseram que sim, eu acredito em ETs, foi de 44%. Destes, 54%
eram homens e 33% mulheres.” Em contrapartida, outra pesquisa revelou que
não basta apenas ter uma opinião formada sobre a Bíblia ou possuir mais de
um exemplar, é necessário estudá-la com afinco para não cair nos enganos da
Nova Era. “O instituto de pesquisa Barna Research Group, dos EUA,
entrevistou mil americanos sobre a Bíblia e constatou que, em cada casa ou lar
americano há em média três exemplares da Bíblia” (mesmo assim a crença em
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ETs continua crescendo entre os norte americanos). “Outros dados revelaram


que 80% acham que a Biblia é o livro mais influente da história da
humanidade; 58% dizem que os textos bíblicos contém temas atuais; e 22%
afirmam que já leram a Bíblia inteira”. Será que a situação no Brasil é
diferente? E o que dizer da situação da igreja de Deus?
Não é difícil perceber que os objetivos satânicos são desviar a mente
humana das verdades proféticas reveladas na Palavra de Deus, principalmente
as que revelam os acontecimentos finais, e preparar o mundo para o seu último
grande engano. Contudo, Deus não nos deixou sem luz, e esse derradeiro
engano, poderá claramente ser identificado como uma falsificação do segundo
advento de Cristo, por várias razões apresentadas na Bíblia, dentre elas: 1-
Quando Jesus voltar, Ele virá nas nuvens do céu com poder e glória (Mateus
24:30). 2- Seu retorno será visto por todos na face da terra, será um
acontecimento universal (Apocalipse 1:7) 3- Ele virá com todos os anjos do
céu (Judas 14) 4- Os justos mortos ressuscitarão por ocasião da sua vinda (I
Coríntios 15:22-23). 5- Os ímpios serão destruídos pela manifestação de sua
glória (II Tessalonicenses 2:8). 6- Jesus não pisará neste planeta (I
Tessanolicenses 4:15-17). 7- Os anjos virão buscar os salvos para encontrar o
Senhor nos ares (Mateus 24:31).
Mas a atual realidade é que os alienígenas conquistam espaço até
mesmo nos telejornais, programas de auditório e nas telenovelas brasileiras. A
exploração e divulgação de casos não comprovados como o caso do “ET de
Varginha” e do “Chupa Cabras”, deram margens à imaginação popular
desenvolver sua crença. Os que foram e estão sendo mais influenciados com
tudo isso, sem sombra de dúvida, são as crianças. E se toda essa divulgação
alarmista não fosse sufuciente, a mídia ainda produz seriados e novelas que
ajudam a reforçar a crença em ETs. Um exemplo disso foi a telenovela “O
Amor Está No Ar”, onde a protagonista era uma adolescente que acreditava
em ETs, afirmava categoricamente que mantinha contato com alguns deles e
chegou a ser abduzida ( raptada com sedução e violência) por uma suposta
nave, retornando, depois de algum tempo, de uma longa viagem espacial com
um novo amigo, um suposto alienígena.
O ufólogo Claudeir Covo atuou como consultor dessa novela,
baseando-se em dados estatísticos de supostas aparições de naves espaciais,
contatos com ETs e abduções em solo brasileiro. O autor, Alcides Nogueira se
diz crédulo da existência de ETs, juntamente com um dos principais
protagonistas da novela, o ator Eriberto Leão, que assume o papel de um ET
em forma humana. Numa entrevista, Eriberto afirmou: “Eu não acredito na
existência de ETs. Eu sei que eles existem”. Ele define João, seu personagem,
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como “um humano mais evoluído”. Não ficam dúvidas de que a televisão
brasileira se converteu num império do misticismo, e que este não é um
fenômeno nacional, mas global.
Não desejo apresentar uma relação cronológica das principais
produções da TV e do cinema relacionadas com o espiritualismo. Mencionei
algumas, apenas para servir de exemplo, bem como para despertar em você o
senso crítico de avaliação espiritual. Creio que outra influência negativa que
esse tipo de programação exerce, principalmente nas crianças e adolescentes,
seja a que está relacionada com a indiferença demonstrada de forma cada vez
mais crescente para com a Bíblia, a oração e os cultos de adoração e louvor,
considerados por muitos como “sem graça”. Se quisermos uma geração de
membros da igreja fiéis e dedicados, temos que estabelecer orientações claras
quanto ao uso da TV, sem rodeios e com sólidas barreiras morais, éticas e
espirituais.
Nossa geração está sendo atingida pelo espiritualismo e se voltando
para o que pode ser definido como “tecnopaganismo”, ou seja, as tecnologias
de informação televisual como a principal fonte de idéias e conceitos pagãos.
É a maneira sofisticada que o Diabo encontrou para semear as suas doutrinas
na mente do homem secularizado, levando-o à descrença na Palavra de Deus.

CAPÍTULO VI
BEBÊ NÃO PRECISA DE TV

TV NÃO É BABÁ
O ambiente familiar é extremamente importante na formação da
personalidade e caráter infantil. Para isso as etapas do desenvolvimento
infantil precissam ser respeitadas e devidamente estimuladas. Todavia,
atualmente parece que não existem mais crianças, no sentido literal da palavra,
a televisão parece ter envelhecido e amadurecido precocemente a todas elas.
Muitas dessas crianças, já não têm mais seus pais, pois foram adotadas pelos
apresentadores e “heróis” da televisão, os quais são imitados e copiados em
questões de moda, costumes, comportamento, valores e até mesmo crenças.
São uma geração de crianças sem-colo, sem carinho e afetividade.
Parece que nos lares de nosso século já ocorreu uma transferência de
responsabilidade no que diz respeito a educação dos filhos. A televisão se
tornou a grande babá, o “remédio” para toda criança chorona, a conselheira
mais íntima, a grande saída para pais que já perderam o controle da situação.
Porém, é bom lembrar, que nada substituí a responsabilidade que os pais têm
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perante a criação dos filhos, muito mais em se tratando de pais cristãos.


É muito fácil para a família desenvolver um estilo de vida em que se usa
a TV como se fosse uma babá que “cuida” das crianças enquanto os pais se
ocupam de outras atividades dentro ou fora de casa, porém é bom lembrar que
o uso da TV como babá regular pode levar a sérios problemas. Psicólogos têm
chegado a conclusões alarmantes sobre a importância de estimular todo o
potencial de desenvolvimento do cérebro infantil, principalmente nos
primeiros anos de vida. Todo estímulo deve ser feito pelo contato direto dos
pais com a criança, nada pode substituir essa relação interacionista e afetiva-
emocional. Esse contato é fundamental para a saúde psicológica dos filhos e
seu desenvolvimento. Pesquisas revelam que o cérebro só se desenvolve com
estímulos, e o melhor estímulo para uma criança é brincar. Porém, o mais
importante não é se o brinquedo é caro ou não, nem mesmo o tipo de
brinquedo em si, mas o ato de brincar, ou a brincadeira. Uma simples sucata
na mão de uma criança pode se transformar num brinquedo. É brincando, e
não assistindo à TV, que as crianças desenvolvem a imaginação, a criatividade
e as relações humanas.
Embora existam alguns bons programas de televisão educativos para
crianças, bebês com menos de dois anos não se beneficiam muito deles. A
televisão pode parecer o meio ideal de aprendizado da linguagem para o bebê,
mas estudos mostram que os bebês não ouvem as palavras na televisão do
mesmo modo que ouvem as palavras expressadas pessoalmente. Eles precisam
de interação humana para ser capazes de compreender e distinguir as palavras
umas das outras. O som da televisão é para eles um barulho de fundo e pode
até lhes tirar a oportunidade de ouvir um verdadeiro diálogo. Visualmente os
bebês precisam da perspectiva e do movimento de objetos tridimensionais
para estimular sua curiosidade de ajudá-los a aprender. De qualquer forma, é
bom desligar a TV e deixar que as interações com o bebê o estimulem.

HUMANIZAÇÃO
É de extrema importância considerarmos a influência que o meio exerce
sobre o desenvolvimento e humanização da criança, bem como a importância
de se demonstrar afeto, carinho e amor. O caso de Patrick, é uma verdadeira
tragédia humana e científica, que comprova estes fatos. Quando Patrick foi
finalmente descoberto ele contava com sete anos, vivia trancado num
galinheiro que media 3m por 1,80m protegido por telas, o que o obrigava a
empoleirar nos suportes de madeira. Esse pobre garoto se locomovia pulando
com movimentos semelhantes ao das rãs. Suas unhas dos pés cresceram tanto
que ele constantemente tropeçava nelas. Ele estava com mais de vinte fraturas
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consolidadas nas pernas e braços, seu rosto era pálido, suas canelas côncovas,
sua alimentação básica consistia em cascas de batatas que sua desumana
“mãe” atirava no chão do galinheiro, coberto de camadas de penas,
excrementos e restos de sua comida. Patrick foi encontrado e tratado, uma
cirurgia endireitou suas pernas e ele foi capaz de andar com passos irregulares.
Nunca aprendeu a falar, o único som que emitia era o das galinhas do
galinheiro vizinho, o qual havia ouvido desde pequeno. Depois de várias
terapias Patrick começou a apresentar sinais de humanização, mas o
tratamento foi abruptamente interrompido e encerrado quando ele foi
removido para um orfanato onde imediatamente regrediu e faleceu.
Outro caso, muito conhecido por aqueles que estudam psicologia ou
sociologia, é o de Amala (ou Kama) e Kamala na Índia (1920), duas crianças
que foram encontradas vivendo no meio de uma família de lobos. Elas se
locomoviam de quatro, apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os
pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos.
Eram incapazes de permanecer em pé. Na instituição onde foram acolhidas,
passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra; eram ativas e
ruidosas durante a noite, procurando fugir e uivando como os lobos. Nunca
choravam ou riam. Kamala viveu oito anos na instituição que a acolheu,
humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar
e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras. Atitudes
afetivas foram aparecendo aos poucos, ela chorou pela primeira vez por
ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que cuidavam
dela. Aprendeu a se comunicar primeiramente por gestos, depois por palavras
de um vocabulário rudimentar. Morreu em 1929, tinha poucas características
humanas e seu comportamento era exatamente semelhante àquele de seus
“irmãos” lobos.
Esses relatos descrevem fatos verídicos e permitem entender em que
medida as características humanas dependem do convívio social, da interação
com outras pessoas, da satisfação de necessidades básicas, sejam de ordem
física ou psicológica, tais como: alimentação, abrigo, proteção, carícias,
incentivos, amparo, segurança, conhecimento, etc. É por meio do contato
humano que a criança aprende e adquire a linguagem, passando por meio dela
a se comunicar com outros seres humanos e a organizar seu pensamento. A
criança aprende a ser humana quando há um contato “interativo-afetivo-
emocional”, significativo. Quando ela é devidamente estimulada nas
diferentes fases de seu desenvolvimento.
Diante desse quadro, se faz necessário alguns questionamentos para
reflexão: será que o excessivo convívio com a TV não está “produzindo” uma
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geração “desumanizada” em certo sentido, quase “sub-humana” em alguns


aspectos? Uma geração magnetizada pelas imagens e mensagens sugestivas da
TV? Vítima de um consumismo desenfreado e selvagem? Manipulada e
imcapaz de pensar por si mesma? Vazia do verdadeiro conhecimento? Carente
de afeto e demonstrações do verdadeiro amor? Desequilibrada
emocionalmente e pobre em espiritualidade? Essas são algumas questões para
se pensar e dialogar, e muito!

ESTÍMULOS VERSUS TV
Para provar a importância do aspecto afetivo-emocional no
desenvolvimento e realizações humanas, o psicólogo e jornalista americano
Daniel Goleman (Phd), autor do sucesso editorial: “Inteligência Emocional”;
Realizou pesquisas intensas em escolas, empresas e famílias, bem como em
alguns dos melhores e mais reputados trabalhos na área de neurofisiologia;
concluindo que a fórmula para o sucesso na vida repousa numa combinação
bem temperada de pensamento racional agudo com controle e
autoconhecimento emocionais. Mais do que isso, para Goleman, é nas
emoções que está o fator preponderante.
Não querendo entrar numa análise crítica da obra de Goleman, desejo
apenas destacar a importância dos aspectos mencionados acima, e de como
eles podem ser aplicados ao viver cristão. Diante dos “bloqueios” causados
pelo uso excessivo da TV, tais como: ausência de relacionamentos
interpessoais significativos, desinteresse social, pensamentos e idéias
manipuladas, afastamento dos livros, insensibilidade diante do sofrimento
alheio, incapacidade de demonstrar e receber afeto e carinho, pouca ou
nenhuma comunicação, etc; Faz-se necessário pensar e destacar a importância
do cristão ter um pensamento racional claro e profundo para entender
plenamente a vontade de Deus para a sua vida (Cf. Romanos 12:1). Além da
necessidade de desenvolver pleno controle das emoções no cotidiano, e ter
consciência de como elas podem ser entendidas e moldadas para honra e
glória de Deus, seja na vida espiritual ou profissional.
Cada vez mais, empresas e escolas estão aplicando métodos
psicológicos para medir o estado emocional de seus funcionários e alunos. O
princípio é simples, conforme o nível emocional do indivíduo, será a sua
reação a determinadas situações. Logo, quando há uma concientização de
todos, de que tal colega de trabalho ou de escola, não está bem
emocionalmente, (as causas podem ser variadas) isso é levado em
consideração, nos momentos de interatividade e na maneira de praticar o
relacionamento interpessoal com essa pessoa. Todos são beneficiados,
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começando pelo próprio indivíduo que tem mais facilidade para se abrir
emocionalmente, devido ao ambiente psicologicamente favorável. Por que não
usar esse método dentro do lar? Por que não transformar o seu lar num
ambiente totalmente favorável para a prática da interação emocional?
Considerando que a TV não contribui de maneira satisfatória para a
formação afetivo-emocional das crianças e para essa abertura emocional, se
torna imperativo a necessidade de relacionamentos interpessoais significativos
para o seu desenvolvimento integral. E quanto mais cedo as crianças forem
estimuladas pelos pais e por aqueles que a cercam, melhor.
O primeiro ano de vida é decisivo no desenvolvimento do cérebro da
criança e no despertar de seus potenciais. De acordo com especialistas na área
de psicologia, a interação entre herança genética e o estímulo do meio
ambiente é que definirão o ser humano. Fruto dessa interação entre o que é
herdado e os estímulos do ambiente, no primeiro ano de vida o cérebro do
bebê triplica de tamanho, chegando a cerca de um quilo (uma arrancada
decisiva, visto que o cérebro de um indivíduo na idade adulta é pouco maior,
pesando algo em torno de 1,350 quilo). Além do florescimento das células da
glia, que são estruturas de sustentação e nutrição dos neurônios, o ganho de
peso é explicado pelo aumento do número de sinapses, uma espécie de elo que
une os neurônios. Quanto mais um indivíduo executa atividades sensoriais,
físicas ou intelectuais, maior o número de sinapses que irá desenvolver. Aos
oito meses de idade, a criança atinge seu número máximo, cerca de 100
trilhões. O desafio está em conseguir mantê-las, lutando contra a natureza,
que, sozinha, se encarrega de reduzi-las à metade antes que a criança atinja os
cinco anos. De acordo com o estudiosos em neurologia, quando há uma
habilidade que não é utilizada, a sinapse correspondente a ela tende a
desaparecer, por isso, na guerra pela sobrevivência das sinapses, a estimulação
é uma arma poderosa.
Porém, o que os especialistas querem dizer quando falam sobre a
necessidade de estimular o bebê? Será que significa, por exemplo, forçar uma
criança a aprender a falar antes mesmo dela saber sequer balbuciar algum
som? A resposta é negativa. Estimular o desenvolvimento do bebê não
significa apressá-lo, mas estimulá-lo na hora certa, no período apropriado.
Tudo tem um tempo certo. O desenvolvimento infantil normal e sadio
acontece gradualmente. Considerando a importância da formação cerebral no
primeiro ano de vida, bem como a necessidade de estimular o bebê nessa fase,
é fundamental saber quais são as principais etapas do desenvolvimento do
bebê em sua primeira infância (0 a 3 anos):
 Reconhece feições - Já no primeiro mês.
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 Segue objetos com os olhos - Do primeiro mês ao início do segundo.


 Sorriso social - Entre o primeiro mês e o segundo.
 Ergue a cabeça de bruços - Do primeiro mês ao início do segundo.
 Desenvolvimento sócio afetivo - Do primeiro mês ao início do segundo.
 Desenvolvimento motor - Do primeiro mês ao início do segundo.
 Firma a cabeça - Entre o terceiro e o quarto mês.
 Brinca com as mãos - No quarto mês.
 Leva objetos à boca - No quarto mês.
 Pega objetos com as mãos - Entre o quarto e o sexto mês.
 Senta com apoio - Entre o final do terceiro mês e o início do sexto.
 Senta sem apoio - Entre a metade do sexto mês ao final do nono mês.
 Expressa as primeiras sílabas sem significado - Do sétimo ao nono mês.
 Brinca com imagem no espelho - Do final do sétimo mês ao oitavo mês.
 Entende o seu nome e o sentido de “não” - Do final do sétimo mês ao
décimo.
 Segura objetos com dedos em pinça - Entre o nono e o décimo mês.
 Anda com o apoio das duas mãos - Entre o final do oitavo mês ao final do
décimo primeiro mês.
 Expressa as primeiras sílabas com significado - Do décimo mês ao décimo
segundo mês.
 Anda com o apoio de uma mão - Do décimo mês ao décimo segundo mês.
 Coopera no vestir - Entre o final do décimo primeiro mês ao décimo
segundo.
 Anda sozinho - Entre o décimo segundo mês até o décimo oitavo mês.
 Anda na ponta dos pés - Até o trigéssimo mês.
 Sobe escadas alternando os pés - Até o trigéssimo quinto mês.
Os pais devem considerar que, a capacidade de expressão no primeiro
ano de vida da criança é limitada, mas seu poder de apreensão é enorme, é
muito grande nos primeiros meses, principalmente pela percepção de sons. Por
essa razão é fundamental que os pais desenvolvam desde cedo uma
comunicação correta com seus filhos. Usando um vocabulário correto e não
repetindo as palavras mal pronunciadas do bebê. Uma estimulação auditiva
deficiente pode gerar problemas no processo de alfabetização dessas crianças
mais tarde, uma vez que elas terão dificuldades em associar a sequência de
fonemas à grafia das palavras.
Ao contrário do que se pensa a estimulação da criança não exige
aparatos especiais, muito menos o uso da TV com desenhos animados
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bonitinhos e coloridos. O que toda a criança realmente precisa é de muito


carinho e contato pessoal com seus familiares, principalmente com a mãe. O
ambiente familiar, com pessoas em redor do recém-nascido, conversando com
ele, é um ótimo começo. A mãe, ao segurar a criança no colo, alimentá-la,
cuidar de sua higiene e livrá-la de alguma dor, transmite o que é fundamental
nesse primeiro ano. O afeto cria a predisposição para o desenvolvimento
cognitivo. Por outro lado, atitudes intempestivas e bruscas, podem produzir
distúrbios cujas consequências só serão sentidas bem mais tarde, na idade
adulta. Segundo os psicólogos, hoje existem pesquisas que associam, por
exemplo, quadros de obesidade à amamentação em ambientes tumultuados.
As atitudes afetivas, principalmente da mãe, determinam durante a
infância, não só a qualidade e o ritmo de desenvolvimento físico, intelectual e
afetivo da criança, como também, em casos extremos, a sua morte. Enquanto
bebê, a mãe é a fonte vital da qual fluem a experiências e as satisfações mais
primárias e, depois, durante toda a infância, ela será um centro permanente de
estímulos e de segurança. O recém-nascido é totalmente dependente da mãe,
há uma ligação biológica e psicológica muito forte entre a criança e a mãe
(diáde). Quando o pai está inserido nessa ligação, forma-se o que se denomina
de tríade. O ideal é que ele esteja inserido. É fácil, portanto compreender que
qualquer atitude afetiva, principalmente da mãe, em termos de indiferença e
rejeição, desencadeia peturbações afetivas na criança. Deve-se acrescentar
ainda que estas perturbações não ocorrem apenas no plano das emoções, mas
inclusive em termos físicos e intelectuais. No campo de estudo da psicologia
(Spitz), Há um quadro já considerado clássico sobre as relações entre a atitude
materna e a reação da criança recém-nascida:
Atitudes Maternas Efeitos na Criança
Manifesta repulsa afetiva Estado de coma do recém-nascido
Rejeição ativa e explícita Vômitos e doenças respiratórias
Solicitude ansiosa excessiva Cólicas
Hostilidade e angústia Neurodermatite infantil
Oscilação entre mimos e hostilidade (inconstância Hipermotibilidade (abalos e rítmos fora dos
nas demonstrações afetivas) padrões da normalidade)
Saltos de humor cíclicos Jogos fecais
Hostilidade recalcada (atitudes compensatórias) Hipertimia agressiva
Privação afetiva parcial Depressão
Privação afetiva total Marasmo e indiferença (Apatia)

A carência afetiva poderá causar lesões irreparáveis. Tanto o abandono


afetivo como a separação pode provocar a apatia, a depressão, a indiferença, a
angústia e até mesmo a morte. Inversamente, os cuidados exagerados e a
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superproteção, no fundo compensatórios, denunciam uma ansiedade mesclada


de culpa, o que pode originar na criança perturbações digestivas, enurese,
insegurança e angústia. São bastante freqüentes os casos de crianças com
insônia infantil, anorexia, atrofias musculares e atrasos motores originados de
uma situação carencial. Quanto ao comportamento, as crianças apresentam-se
ora hiperativas e agressivas, ora inertes, apáticas e indiferentes. Alexander
Löwen, médico psicoterapeuta, chama a depressão de doença do século. Ele
afirmou que a depressão quase sempre começa no útero materno. Crianças ou
mesmo adultos deprimidos, geralmente tiveram mães gestantes deprimidas.
Há várias causas para a depressão, mas uma delas pode estar relacionada ao
hábito de ver tevê. Um estudo realizado por Mihaly Csikszentmihalyi,
cientista da Universidade de Chicago, comprovou que de fato, o ato de ver TV
é uma das causas de depressão.
Entretanto, diante da realidade histórica da demanda das mulheres no
mercado de trabalho, uma boa parcela de filhos e filhas não estão recebendo
os devidos estímulos, tão necessários ao seu desenvolvimento pleno. O pior de
tudo é que, em muitos casos, essa tarefa tão sagrada, a de estimular, educar e
moldar o caráter da criança é confiada, quase que integralmente, aos cuidados
de outras pessoas. Que na maioria das vezes, passam essa responsabilidade
para o aparelho de televisão. Ocorrendo assim um círculo vicioso de
“transferências de responsabilidade”. Contudo, é bom lembrar, que nada ou
ninguém, pode substiuir o que compete aos pais fazê-lo.

LINGUAGEM VERSUS TV
Estudos científicos têm demonstrado que as experiências durante a
infância alimentam os circuitos nervosos e determinam o futuro da
inteligência. Essa é mais uma boa razão para os pais se empenharem na
educação de seus filhos. Pesquisadores de diversas partes do mundo estão
descobrindo que há etapas definidas para o desenvolvimento do cérebro das
crianças, e informam que a inteligência, a sensibilidade e a linguagem podem
e devem ser aprimoradas na escola, no clube e, especialmente dentro de casa.
E a maior surpresa: o gosto pela ciência, pela arte e pelas línguas ocorre muito
mais cedo do que se imaginava.
Esse estudo ainda revela que, as primeiras experiências da vida são tão
importantes que podem mudar por completo a maneira como as pessoas se
desenvolvem. Essas diferentes etapas de desenvolvimento são denominadas de
“janelas da oportunidade”. A revista americana Newsweek usa uma imagem
que pode parecer assustadora, mas que reflete bem o que os cientistas estão
dizendo: a cada velinha de aniversário que uma criança assopra, é como se ela
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estivesse fechando janelas de oportunidade, que jamais serão abertas uma


segunda vez. Múltiplos centros de pesquisa exploraram essa hipótese, e
confirmaram o seguinte: musicalidade, raciocínio lógico-matemático,
inteligência espacial, capacidades relativas ao movimento do corpo, entre
outras, dependem de circuitos que são plugados logo na primeira infância,
época em que a criança aprende a aprender. O tempo, nesse caso, é essencial.
Principalmente o tempo que os pais dedicam a seus filhos antes de atingirem a
adolescência.
Para citar apenas um exemplo das pesquisas realizadas, estudos na área
da linguística mostram que a “janela aberta” para a habilidade da linguagem
vai do nascimento aos dez anos de idade. O que se sabe é que por volta do
primeiro ano de vida, os circuitos no córtex auditivo, responsáveis pela
transformação dos sons em palavras estão conectados. Aos poucos, as crianças
perdem a capacidade para identificar sons ausentes de sua língua nativa
escutada desde o nascimento. A partir dos 10 anos, o aprendizado de um
idioma estrangeiro torna-se, por isso, mais penoso. Aos 2 anos, quanto mais
palavras a criança ouvir, mais rico será seu vocabulário.
Essa pesquisa ainda sugere que a melhor maneira de desenvolver as
habilidades linguísticas na criança é por meio de um recurso simples e eficaz:
conversar diretamente com ela. Por isso, os pais que desejam que seus filhos
falem corretamente com um bom vocabulário e/ou aprendam uma segunda
língua, devem começar o ensino antes dos 10 anos. “Quando uma criança
começa a falar (2 a 3 anos), o vocabulário dela passa de cerca de 50 palavras
chegando até 500 palavras. Até os 5 anos pode chegar a 5.000 palavras, se ela
for devidamente estimulada. Por isso os pais devem estimular a criança nos
aspectos sensório-motor (sentidos e movimentos), já no início da sua
existência, quando as janelas de oportunidades estão escancaradas. Por outro
lado, estudos realizados pela Drª Sally Ward, especialista Britânica em
linguística, confirmam que: “televisão em excesso antes do primeiro ano de
vida, pode prejudicar o desenvolvimento linguístico das crianças. A overdose
de TV leva-as a começar a falar e reconhecer palavras básicas mais tarde que
as demais crianças. Ward acredita que os programas infantis impedem que a
criança se interesse por seus brinquedos. E quanto mais tempo passa diante da
TV, menos o adulto que „toma conta‟ desenvolve o hábito de conversar e
estimular sua percepção. Resultado: Um reduzido vocabulário infantil”. Uma
criança que permanece várias horas diante da TV a absorver como uma
esponja tudo o que é apresentado, ante a redundância verbal do veículo, não
lhe sobra outra alternativa a não ser a emudecida inércia. Durante o tempo
todo postada diante do foco hipnótico, ela é desestimulada a falar, dialogar ou
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desenvolver qualquer atividade motora. Vygotsky, neurologista e psicólogo


russo, fez estudos na área da linguística, e comprovou que a criança necessita
de uma inteligência prática de interação com o meio para desenvolver
plenamente a habilidade da fala. Isso se dá por meio da manipulação de
instrumentos, demonstrações e brincadeiras. Nas crianças pequenas essas
atividades práticas são de particular importância, uma vez que são
estimuladoras do seu desenvolvimento linguístico e emocional. Porém, se a
criança consumidora de tevê, durante várias horas por dia, é privada de duas
oportunidades fundamentais ao seu desenvolvimento pleno: falar e agir.
Reduzida à comtemplatividade, é sempre ouvinte-vidente; o fantoche que não
concorda nem discorda, ouve e vê, mas não escuta nem observa, e muito
menos duvida ou contesta.
Estudiosos em neuropediatria recomendam que crianças com menos de
três anos não fiquem vendo televisão e, em qualquer idade, que se posicionem
a uns dois metros de distância do aparelho. Do ponto de vista da
psicolingüística e do processo de aquisição de linguagem, a televisão não
causa atrasos aos bebês, mas também não os favorece em nada. Nessa idade a
criança precisa de um interlocutor, e da interação com pessoas mais velhas
com quem possa aprender tudo, inclusive a falar. Em qualquer idade elas
precisam do carinho, estímulo, da orientação e dos limites vindos de adultos e
não podem ser deixadas à mercê de nenhum meio eletrônico-digital. Uma das
razões é que as crianças podem ter livre acesso a programas que mostram
violência e erotismo. Estas são coisas para as quais elas ainda não estão
capacitadas a lidar nem têm como se proteger psicologicamante e
espiritualmente. E se os pais ficarem assistindo passivamente a esse tipo de
programação é ainda pior.
Nos primeiros anos de vida, a criança não necessita de televisão, da
mesma forma como não precisa de refrigerantes. Uma das necessidades
básicas de um bebê é dormir muito, e o som constante do aparelho ligado pode
desregular seu ciclo normal de sono e vigília. Além disso, até os dois ou três
anos, a TV não vai proporcionar a estimulação de que os pequenos
necessitam, mesmo porque eles nem têm maturidade suficiente para entender
o que se passa na tela. O ideal é que, quando estiver acordada, a criança possa
brincar e ralacionar-se com as pessoas mais velhas, em vez de ficar diante da
televisão. Com relação a isso, é importante saber que especialistas em
neuropediatria e psicopedagogia recomendam que:
 Bebezinhos não conseguem compreender nem acompanhar a imagem
no vídeo nem o som da tevê. Como precisam de ambientes tranqüilos, é
melhor dedixá-los longe desses estímulos televisuais.
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 A televisão não ensina a falar. Bebês aprendem a falar realcionando-se


com adultos que conversam com eles de maneira simples e direta.
 O período do nascimento até os três anos é fundamental para o
desenvolvimento social, emocional e intelectual. A criança necessita de
adultos amorosos e atentos a seu lado. Nesta fase, a TV não tem nada a
contribuir.
 Desde pequenas as crianças precisam ser responsáveis, críticas e
conscientes em relação à programação da TV e aos comerciais.
 Convém criar alternativas prazerosas para que a criança possa se distrair
longe da TV. Isso exige disponibilidade dos pais ou de outros adultos
que cuidam dela, bem como um comprometimento com a ética cristã.
Como cristãos, devemos considerar que o pior resultado na vida de uma
criança “consumidora de TV” é aquele que está relacionado com a capacidade
crítica de pensar por si mesma. O direito de escolha, regido pelo poder da
vontade, é um dom exclusivo da raça humana. E ao perdê-lo, o homem se
coloca ao nível de um irracional. Telespectadores passivos, contemplativos,
ouvintes atentos e sem nenhum espírito crítico, estão se colocando na posição
de meros refletores do pensamento alheio, não importando a qualidade desses
pensamentos. Definitivamente, podemos afirmar que a televisão não ensina a
pensar, ela apenas ensina a receber o pensamento de outros assimilando suas
ideologias, valores e crenças.

CAPÍTULO VII
A TV E A SÍNDROME DO MUNDO VIL

A TV E A BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA
A violência, acima de tudo, é o “prato” do dia nos aparelhos de TV.
Chega a ser espantosa a naturalidade com que milhares assistem a cenas de
violência. Estudos comprovam que a presença constante da violência nos
meios de comunicação de massa (incluindo a TV), contribui para o
desenvolvimento de uma cultura agressiva global. Todavia, por vezes, a
atitude de muitos telespectadores chega a ser contraditória diante da telinha. O
mesmo espectador que, ao ver um noticiário, fica passivo e indiferente ao
assistir a tortura e a morte de centenas de seres humanos, manifesta protestos e
indignação ao ver a morte agonizante de um animal qualquer. Hoje, as pessoas
“consumidoras de notícias e filmes violentos”, têm a tendência de receber
como ato corriqueiro e sem importância o sofrimento e o assassinato de seus
semelhantes, mas não estão habituados ao sacríficio de um animal.
Em uma entrevista concedida à revista “Sinais dos Tempos” o Dr.
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Romeu Tuma, comentando sobre como a família poderia evitar a delinquência


juvenil, menciona a necessidade de mais diálogo e acompanhamento dos pais
a seus filhos. Tuma afirmou que “a concorrência externa é numerosa e
atraente, além de desagregadora. A concorrência interna fica por conta da
televisão, como mensagem e não como meio. Todo o enorme potencial desse
veículo de comunicação de massa vem sendo utilizado inadequadamente e em
detrimento de crianças e adolescentes. De uma maneira geral a mensagem que
a televisão tem passado às crianças está mais para estimular a delinquência do
que para evitá-la”!
Os seriados e desenhos animados onde a figura do herói e do vilão são
exploradas, estabelecem para as crianças um código de ética e comportamento
bem definido. Naturalmente as crianças tendem a se identificar com as forças
do bem. Todavia nem sempre essas forças fazem uso da justiça para atingir o
bem. É nesse ponto que os meios justificam os fins, ou seja, a defesa do bem,
ou dos interesses do herói, justifica o uso da mentira, de truques, trapaças e de
qualquer outro meio violento. E dessa maneira os grandes heróis da telinha
vão transmitindo os valores de uma sociedade baseada no declíneo moral e na
violência.
Os programas infantis produzidos para o mercado mundial (desenhos
animados e seriados americanos e japoneses) são concebidos a partir de uma
mesma estrutura de situações de agressividade e de conflitos que se resolvem
invariavelmente de maneira violenta. A infabilidade do herói e a nobreza de
seus fins (o bem) conferem legitimidade moral e social a seus atos. A
violência se torna deste modo aceitável e mesmo digna de admiração. A idéia
transmitida é a de que os atos heróicos - sempre violentos - são mostra de
coragem e de virtude e por isso devem ser imitados. Talvez isso justifique,
pelo menos em parte, a violência demonstrada pelas crianças no lar e na
escola. Bem como suas demonstrações de irritabilidade, e muitas vezes até
mesmo seus atos de crueldade com os coleguinhas e animais de estimação. O
pensamento é que a violência se torna justificada, desde que usada em defesa
do bem, ela se torna um meio legítimo de resolver conflitos ou situações
difíceis. A questão é que a própria definição do que é o bem fica contaminada,
já que para alcançá-lo vale tudo.
Parece que nossa geração não gosta de assistir “filmes monótonos”, ou
seja, para que um filme seja de fato “bom”, “emocionante”, precisa ter “muita
ação”, o suficiente para lançar muita adrenalina na corrente sanguínea. E isso
inclui lutas corporais, mortes, ferimentos, assassinatos, explosões, tiroteios,
torturas, etc. E o pior é que tudo isso tende a ser encarado de forma natural,
comum, banal, como se fizesse parte da vida cotidiana. Essa idéia confirma a
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tese da “banalização da violência”, como resultado da transmissão de


conteúdos violentos na mídia
Um exemplo de tal influência foi a telenovela “Bebê a Bordo”, onde
aconteceram várias cenas de violência, muitas vezes de forma cômica e
inconseqüente, como se tudo fosse uma grande brincadeira. O principal
personagem era um “herói” contraditório, ele era um fora da lei, um
assaltante, mas era ao mesmo tempo bonzinho, simpático, afetuoso, inseguro;
o que levou o público a ter um sentimento de misericórdia protetora para com
ele. Muitos telespectadores passaram a justificar os atos violentos desse
personagem, encarando o bandido simpático e bonzinho como uma vítima da
sociedade. É isso que muitas vezes torna a violência aceitável, mesmo quando
é usada para objetivos criminosos.
Todavia, a crença de que a televisão reflete, tal como num espelho fiel,
a realidade violenta do mundo em que vivemos, parece ser uma idéia aceita
por grande número de pessoas, adultos e jovens. A participação - mediatizada
pela TV - nos conflitos mundiais, por exemplo, dá ao telespectador a
impressão de viver num mundo extremamente violento, mesmo quando ele
mora numa pacata cidade do interior. Para a maioria que vive nos grandes
centros urbanos, essa impressão é confirmada pela violência real. É preciso
porém relativizar essa questão: mesmo vivendo em cidades violentas, não
somos testemunhas (ou vítimas) de situações violentas todos os dias. A
violência faz parte do cotidiano, muito mais enquanto ameaça do que como
experiência vivida. A televisão contribui para a banalização da violência na
medida em que a apresenta como natural fazendo parte da natureza das coisas,
logo como inelutável e imutável. Talvez essa naturalização da violência
explique porque os pais se preocupam mais com conteúdos veiculados na tevê
relativos ao sexo e pornografia que à violência.
Uma das imagens mais chocantes registrada pela televisão brasileira, foi
a cena do suicídio da menina Daniele Alves, transmitido num desses
telejornais que são especialistas em mostrar criminosos, bandidos e muita
violência. O caso ocorreu em 1993, na época causou indignação, protestos e
muita revolta nos telespectadores mais sensíveis. O suicídio de Daniele, que se
jogou de um prédio, foi exibido ao vivo e em rede nacional. O ocorrido levou
os orgãos competentes (Ministério da Justiça e ABERT - Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) a iniciar um debate sobre os
limites a ser respeitados pela televisão. Todavia, os protestos e manifestações
de indignação pela falta de ética e bom-senso, ainda não foram suficientes
para frear a violência na TV. Aproximadamente dois anos depois da
condenação pública da exibição do suicídio da garota, o número de programas
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usando a mesma idéia se multiplicou assustadoramente. Hoje, quase todos


seguem a mesma fórmula de apresentar cenas violentas e chocantes filmadas
por seus cinegrafistas, ou entrevistas com os próprios criminosos. Como não
se pode admitir a censura, os executivos pregam, demagogicamente, a
concessão de um “suposto” poder punitivo à ABERT.
Para mencionar outros dois casos de extrapolação do bom-senso, e má
qualidade jornalística, cito a famosa entrevista com o “maníaco do parque”
feita em um dos programas do Fantástico na rede Globo. Onde, em meio a
dramatizações que ilustravam os crimes cometidos por Francisco de Assis
Pereira foram ouvidos entre outros especialistas, uma vidente espírita e um
astrólogo. E a entrevista, em outro programa, com Jack Kevorkian, “o doutor
morte”, médico americano defensor e praticante da eutanásia. Como no caso
do maníaco do parque, mas com relativa moderação, diversos recursos de
ficção foram introduzidos pela emissora brasileira, como música de suspense e
outros elementos de sonoplastia, além de textos e cortes de imagens que
sublinhavam a dramaticidade. Não foi um jornalismo sério, mas um
jornalismo teatral feito em horário nobre com a benção dos telespectadores
que deram um Ibope de 40 pontos, ou seja, uma audiência de
aproximadamente 32 milhões de telespectadores.
Por essas e outras razões devemos lutar para impor às emissoras e
principalmente aos anunciantes e patrocinadores a opinião pública de repúdio
aos abusos e ao lixo televisual. Na minha opinião, a melhor maneira de fazê-lo
é a que foi usada pelo grande líder negro Marthim Luther King contra a
segregação racial nos Estados Unidos: o boicote pacífico. Desligue seu
aparelho de TV quando presenciar cenas violentas, de mau gosto e antiéticas.
Outra medida que pode dar resultados é escrever ou ligar para os anunciantes
e patrocinadores daquele programa, reclamando da má qualidade e dizendo
que não irá mais comprar o produto anunciado se o programa não melhorar.
Os publicitários dão muita importância para um cliente insatisfeito. Sem
Ibope, e sem patrocínio, os apresentadores serão obrigados a repensar o
conteúdo que estão oferendo às famílias brasileiras.
Um grande obstáculo para a definição de um código de ética mais claro
para os programas de TV é o fato das emissoras terem autonomia para se auto-
regular. Para os diretores e apresentadores fica difícil resistir à tentação de ir
um “pouquinho” mais longe, para receber em troca as “palmas do Ibope”,
ocasionadas com o aumento dos telespectadores, que ficam olhando curiosos.
Tudo isso significa sucesso comercial, mais anúncios e mais faturamento. Se
por um lado há lucros, por outro só há perdas. E ironicamente, os perdedores
são os mesmos que dão lucro, ao ficarem com seu aparelho de TV ligado.
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Por enquanto, no Brasil, o único critério que estabelece limites às


programações de TV, é o que está formalizado e previsto no Código de Ética
da Radiodifusão Brasileira, um documento publicado em 1991 pela
Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT). O código,
curiosamente, não fala nada sobre a exibição de deficientes físicos como no
caso do menino Rafael... Além de vago, o código de ética da ABERT não tem
nenhuma eficácia em melhorar o padrão das emissoras. A punição mais
utilizada é uma advertência sigilosa, o que é praticamanete igual a nada. Mas
o referido código tem artigos que condenariam grande parte da programação
exibida pelas emissoras quando afirma que: “Os programas transmitidos não
terão cunho obsceno e não advogarão a promiscuidade ou qualquer forma de
perversão sexual, diz o artigo 8 do código. Recomenda o artigo 11 que a
violência e o crime jamais sejam apresentados inconseqüentemente”. Os
defensores de que se mostre esse tipo de coisa na TV costumam argumentar
que sexo, violência e coisas bizarras já são moeda corrente na televisão
brasileira há muito tempo. Apesar de ser verdadeira, essa alegação não serve
como justificativa para o baixo nível de determinados programas.
O Brasil ainda não aprovou lei que estabeleça um Código de Ética da
programação televisiva. Esta legislação já existe na Europa e nos Estados
Unidos, sem que se configure como censura. Pelo contrário, significa legítima
fiscalização social, sempre realizada depois da criação do programa sobre o
que é veiculado pela televisão, que é uma concessão pública. Os produtores de
TV precisam ser responsáveis sobre o que projetam para milhões de cidadãos,
assim como cada um de nós é responsável sobre o que dizemos e fazemos. É
necessário criar espaços para discussão pública desses limites, com base nos
princípios fundamentais da democracia e dos direitos humanos universais. E
para o povo de Deus, com base também nos princípios sólidos da Eterna
Palavra de Deus.

VIOLÊNCIA NA TELA E NA MENTE


A questão da violência na sociedade contemporânea é um desafio à
consciência e à reflexão cristã. E tem sido tema de estudo, pesquisa e debate
entre sociólogos, psicólogos e governantes ao redor do mundo. As autoridades
também estão preocupadas com o problema da violência que é exibida e
amplamente divulgada nos sons e imagens da televisão. E isso também deve
constituir uma preocupação para a igreja cristã comtenporânea.
Já em julho de 1977, o Ministério das Comunicações do Brasil,
divulgou estatísticas que apontavam a escalada da violência nos programas de
TV. Em cada 100 horas de programação infanto-juvenil o espectador assistia
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em média a 12 assassínios, 21 fuzilamentos, 20 acidentes com armas de fogo,


20 lutas, nove facadas, seis tentativas de suicídio, quatro quedas, nove
incêndios, dois atropelamentos, seis batidas propositais, dois linchamentos,
uma explosão, nove chantagens e 32 ameaças veladas.
Outra pesquisa realizada em 1990, pelos alunos da Escola de
Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo sobre a violência na
televisão, não deixa dúvidas do número exagerado de atos violentos que
bonbardeia o telespectador. Eles assitiram a toda programação de todos os
canais da cidade de São Paulo durante uma semana (28 de maio a 3 de junho
de 1990). Os dados da tabela abaixo classificam, em números de ocorrências,
as cenas de violência registradas pelos pesquisadores:

CENAS DE VIOLÊNCIA NA TV
(Uma Semana de Programação)
Cenas de tortura 23
Facadas 56
Trombadas de carro 233
Brigas 651
Explosões 886
Tiros 1940

De lá para cá, parece que esses dados ficaram obsoletos. Infelizmente a


desatualização dessa estatística mudou para pior, a televisão ainda continua
apresentando muita violência. Além de configurar cenas de violência, a TV
tem como agravante o fato de que várias dessas cenas são produzidas por
criadores de histórias e filmes fantásticos. Suas mentes doentias elaboram
inúmeros episódios de violência que, na maioria das vezes, vão além dos
limites daquilo que ocorre no plano da vida real. Esses autores têm um único
interesse, conquistar um público cada vez mais ávido por derramamento de
sangue e sensações de crueldade. E certamente a inspiração deles não é divina.
Um mapeamento estatístico da ONU (Organização das Nações Unidas)
realizado em seis emissoras abertas no Brasil detectou cerca de 1.432 crimes
em uma semana de desenhos animados. O relatório concluiu que a tevê
brasileira exibe em média 20 crimes por hora só nas programações de
desenhos animados. Os tipos de crimes ficaram distribuídos da seguinte
maneira: Lesão corporal (57%); Homicídio (30%); Furto (6%); Roubo (4%);
Outros crimes (3%). Quanto a natureza dos crimes: Intencional (72%);
Acidental (9%); Legítima defesa (9%); Outras (4%); Não informa (6%).
Quanto as características do criminoso: Individual (86%); Adulto (47%);
Homem (84%); Desconhecido da vítima (51%). Quanto as características da
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vítima: Individual (80%); Adulto (45%); Homem (80%). Quanto aos motivos
do crime: psicológicos (22%); Financeiros (8%); Político-ideológicos (5%);
Amorosos (1%); Não Informa (33%). Quanto a arma utilizada: Arma de fogo
(13%); Arma branca (9%); Outras - Corpo, sacos, vasos, etc. (40%); Não
informa (39%). Quanto as conseqüências físicas: Hematomas ou ferimentos
(42%); Perda de patrimônio (7%); Danos matérias (5%); Morte (3%); Não
informa (46%). Quanto as conseqüências psicológicas: Não informa (34%);
Informa (22%); Não informa (43%). Quanto a justificativa para o crime:
justificável (38%); Não justificável ou gratuito (34%). Uma característica
observada foi que em geral não há polícia, os crimes não geram conseqüências
à vítima e não existe intermediação ou alguém para dirimir os conflitos. Esse
mapeamento estatístico resultou da crescente preocupação da sociedade com o
conteúdo vale-tudo das programações em meio a estudos acadêmicos,
especialmente nos Estados Unidos da América, indicando suposta relação
entre a tevê e comportamentos anti-sociais.
Há quem defenda a televisão, alegando que os meios de comunicação
apenas divulgam a violência existente na sociedade. Todavia, as evidências
apontam na direção oposta. A exposição a atos violentos causa uma
deseducação, ou, dito de outra maneira, uma educação segundo princípios
eticamente condenáveis, onde as principais vítimas são crianças e
adolescentes. Essa tese é corroborada por uma série de pesquisas divulgadas
pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o qual preparou
um informe que resumiu mais de 2.800 estudos sobre a influência da televisão
sobre o comportamento humano. As provas foram tão convincentes que
estabeleceram o consenso de que a violência projetada pela TV incita um
comportamento agressivo (talvez por isso o Governo dos EUA tenha exigido
dos fabricantes de tevês a instalação do Violence Chip (V-Chip), um
dispositivo que impede a apresentação de cenas violentas na telinha).
Outro estudo estatístico revelou que ao longo de dez anos, um
telespectador terá visto pelo menos 150 mil episódios violentos e 25 mil
mortes, o que é muitíssimo mais do que qualquer soldado possa ter
comtemplado nas últimas guerras. Por isso é bom considerar que a TV
influencia e muito; é o que também confirma um relatório preparado pela Drª
Bárbara Wilson da Universidade da Califórnia, onde foi divulgado o resultado
de uma pesquisa feita nos Estados Unidos da América sobre a influência da
TV nas crianças e adolescentes. A Drª Wilson, uma das autoras da pesquisa,
disse: Todos os programas violentos ensinam às crianças técnicas de
brutalidade. Muitos infundem medo nelas, e alguns contribuem seriamente
para torná-las insensíveis com relação ao sofrimento dos outros. O fato é que,
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fictícia ou real, a violência na tevê afeta o dia-a-dia dos pequenos e deve ser
motivo de acompanhamento e bate-papos entre pais e filhos.
Leonard Eron, professor de psicologia na Universidade de Yale (EUA),
divulgou a seguinte pesquisa sobre como a TV influencia a prática da
violência: Eron fez um estudo para identificar as causas da agressão contra
crianças. Queria saber como os pais tratavam os filhos, mas também queria
saber quanto tempo as crianças ficavam vendo televisão. Conclusão: Dez anos
depois, para sua surpresa, o fator que mais prognosticava agressão entre as
crianças, agora no final da adolescência, não tinha nada a ver com a maneira
como seus pais as tratavam; era a quantidade de violência na TV que eles
haviam visto uma década antes. Dez anos depois, nova pequisa foi feita com
as mesmas pessoas, e a correlação ainda se mantinha. A violência na TV criou
a síndrome do mundo vil, ou seja, a criança se torna insensível quando vê
cenas violentas na vida real. Diante disso, não resta dúvidas de que a televisão
contribui enormemente para a banalização da violência, seja por meio do
ensino de técnicas criminosas e a difusão da idéia de que a violência é um
meio legítimo para a resolução dos problemas individuais.
De acordo com outra pesquisa realizada, “há uma preocupação por parte
dos pais no tocante à violência, embora essa preocupação seja mais acentuada
quando o filho assite a programas que mostram cenas reais, e menos
acentuada quando são filmes de ficção, como os de Stalone e
Schwarzenegger”. Segundo este estudo, realizado com 180 pais divididos em
18 grupos, em cinco grandes cidades brasileiras, a principal conclusão sobre a
violência na telinha (por parte dos pais) é a seguinte:
 “A violência real mostrada em alguns documentários e programas de
telejornalismo, faz mal às crianças. Quando é ficção, pode ser um bom
programa familiar”.
Infelizmente, estes pais não estão 100% certos. Para a grande maioria dos
psicólogos, uma criança que fica vendo programas que mostram cadáveres,
violência e crimes, seja em cenas reais ou de ficção, acaba perdendo a
capacidade de ficar perplexa, achando que o mundo é assim mesmo. Isso sem
mencionar o fato de que as crianças podem desenvolver uma assimilação
desses modelos e ídolos violentos apresentados nos filmes de ação, utilizando-
os como padrão para o seu próprio comportamento na escola, em casa e até
mesmo na igreja. Outro fato que não deve ser ignorado, segundo uma pesquisa
feita nos Estados Unidos da América, são os efeitos psicológicos causados
pelos filmes violentos em crianças e adolescentes. Um estudo realizado pela
Universidade de Michigan revelou que de cada quatro pessoas que assistiram
a cenas de violência na infância e adolescência, uma, apresenta alguma forma
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de distúrbio psicológico. Por exemplo: crianças e adolescentes que assistiram


ao filme” e o filme “Psicose”, ambos com cenas fortes de morte com
suspense, ficaram tão abaladas psicologicamente que nunca mais tiveram
coragem para entrar no mar, ou simplesmente ficam apavoradas quando
entram no banheiro para tomar o seu banho.
Lars Justinen, ilustrador e artista americano, retratou muito bem a filosofia
violenta transmitida pela TV em seu quadro “Violência na Televisão”, uma
ilustração encomendada pelo El Centinela. A tela apresenta um jovem sentado
confortavelmente numa cadeira, braços esticados para trás e com as mãos
postas na nuca, sustentando o peso da cabeça. Logo à sua frente está um
pequeno aparelho de TV, o qual projeta a claridade de sua tela em direção ao
rapaz, que o olha compenetradamente. Enquanto a TV projeta suas luzes
diante do telespectador passivo, por trás dela há densas sombras. Pode-se
perceber em meio à escuridão a mão de um homem, segurando um revólver,
com o dedo no gatilho. A arma está conectada na parte de trás do aparelho de
TV e seu alvo é o telespectador compenetrado à sua frente, porém, o jovem
espectador parece incosnciente disso. A obra de Justinen ilustra em óleos não
só a natureza objetiva da televisão moderna, mas também o efeito subjetivo
sobre o telespectador. De fato, se realmente soubéssemos o efeito negativo da
televisão sobre nossa cultura e nossa vida, a maioria de nós teria uma atitude
menos tolerante para com essa invenção e seus conteúdos profanos.
O estudo realizado pela Universidade de Michigan (EUA), comparou a
violência vista pelos pequenos na tevê com a praticada por eles na vida adulta.
Entre 1977 e 1979, foram feitas 557 entrevistas com crianças entre seis e dez
anos. O objetivo era saber quais os programas preferidos e com que frequência
assistiam. Quinze anos depois, os pesquisadores voltaram a 329 delas e,
comparando as informações prévias com uma análise de seu comportamento
naquele momento, concluíram que meninos e meninas que tiveram maior
exposição a cenas de violência tronaram-se mais agressivos. Na época, entre
os programas violentos estavam Cyborg, o homem de seis milhões de dólares
e Mulher Biônica. O desenho Papa-Léguas era ícone da garotada e os seriados
Dirty Harry e Justiça em Dobro despertavam o mesmo interesse das novelas
de hoje. A conclusão que o estudo chegou é que os programas violentos
passam a mensagem de que atos de violentos são jsutificáveis e até
apropriados em certas situações. É isso o que acontece quando um herói é
recompensado ao vencer o bandido com tiros, socos e pontapés.
Um dos filmes mais assistidos no cinema foi “A Lista De Schindler”, do
diretor Steven Spilberg. Acredita-se que cerca de 25 milhões de pessoas nos
Estados Unidos da América e mais de 100 milhões de pessoas no exterior
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viram esse filme, marcado por cenas de violência e brutalidade. A exibição do


filme “A Lista de Schindler” pela TV conseguiu a maior audiência da
temporada norte-americana de 1996/1997 para programas não-esportivos. A
apresentação na TV foi precedida de uma apresentação do próprio Spilberg,
durante a qual ele recomendava aos pais que não deixassem seus filhos
pequenos assistirem ao programa. Spilberg disse que seu filho de sete anos
ainda não havia visto o filme”. Numa entrevista com o ator Dustin Hoffman,
quando perguntado se seus filhos viam seus filmes, ele respondeu que sim,
mas disse que sua filha mais nova (oito anos) nunca veria filmes que a
deixariam agitada ou inquieta. Hoffman afirmou ainda que detestava quando
seus filhos gostavam de filmes que eram uma porcaria.
Outro exemplo de limites diante da tevê e de uma educação à moda
antiga, é o da cantora e popstar Madonna. Para quem adorava chocar a platéia
e era a rainha dos escândalos, Madonna siu-se uma mãe mais do que
tadicional, bem à moda antiga. Numa entrevista a cantora confessou que não
deixava sua filha, Lourdes Maria de dois anos de idade, ver televisão. Nem
mesmo os desenhos animados a garotinha tinha permissão de asssitir. Tudo
isso, segundo Madonna, para garantir uma sólida educação à sua filhinha.
Li certa vez uma declaração do ator Arnold Schwarzenegger, na qual
ele afirmou que não permitia que seus filhos vissem seus filmes, por serem
muito violentos e marcados por cenas de brutalidade e crimes. Todavia, a
influência de seu personagem em “o exterminador do futuro”, um de seus
maiores sucessos cinematográficos, extrapolou seu círculo familiar e, atingiu
em cheio, crianças e adolescentes do mundo todo.
Parece que, em matéria de limites diante da teleinha, “os filhos das
trevas são mais sábios do que os filhos da luz”. Enquanto os próprios
produtores e artistas aparentemente estão preocupados em preservar seus
filhos de cenas prejudiciais à formação moral, muitos cristãos colocam os seus
como sacrifício no altar da “deusa deste século”, e o que é pior, sem nenhuma
restrição. E assim, milhões de crianças estão sendo “consumidas” ali, sem a
menor chance de reagir.

ÍDOLOS VIOLENTOS
O Times Mirror Center for People and the Press, fez uma pesquisa com
1.516 espectadores de TV dos Estados Unidos e revelou que os jovens
americanos são a favor da violência na TV, dos entrevistados, 74% dos
espectadores abaixo de 30 anos assistem a programas violentos. A violência
na TV tem exercido o seu fascínio sobre os jovens. Uma outra pesquisa feita
pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e
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Cultura) realizada em 23 países sobre os efeitos da violência da mídia no


comportamento infantil, apontou os personagens violentos como modelo das
crianças, ou seja: as “estrelas” e “astros” de filmes de ação são considerados
seus heróis.
O professor e psicólogo Jo Groebel, da Universidade de Ultrecht na
Holanda, foi o responsável pela coordenação da pesquisa. Segundo ele, a
despeito da cultura, religião ou acesso à tecnologia, 88% das crianças
conhecem o Exterminador do Futuro - personagem do ator americano Arnold
Schwarzenegger, o qual se transformou numa espécie de ícone global da
violência. Groebel entrevistou 5 mil crianças na fase da pré-adololescência ao
redor do mundo. Das 5 mil crianças de 12 anos, entrevistadas em 23 países,
entre eles o Brasil, 26% apontaram como seu maior modelo de
comportamento os heróis de filmes de ação. A porcentagem aumenta entre os
meninos: 30% têm tais personagens como modelo. O estudo mostra que 51%
das crianças que vivem em áreas violentas gostariam de ser como
Schwarzenegger na pele do Exterminador. Os heróis de filmes de ação ficam
bem à frente, na preferência, que pop stars e músicos (18,5%), líderes
religiosos (8%) ou políticos (3%), entre outros, como revelam as estatísticas
abaixo:

Quem São os Ídolos Infantis?


(porcentagem dos entrevistados)

Heróis de filmes de ação - 26%


Pop stars e músicos - 18,5%
Líder religioso - 8%
Líder militar - 7%
Filósofo ou cientista - 6%
Jornalista - 5%
Político - 3%

Obs: Os demais 26,5% apontaram pessoas de suas relações pessoais ou


que desempenham outras funções na sociedade. (Fonte: UNESCO).
A pesquisa ainda revelou que, nas áreas violentas, 7,5% das crianças
admitem ter usado armas contra outras pessoas. “Fica claro que as crianças
usam os heróis como modelos principalmente para lidar com situações difíceis
e sobreviver a elas”, afirma o professor Jo Groebel, psicólogo responsável
pela coordenação da pesquisa.
O relatório da Unesco conclui que o maior meio de acesso à violência
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na mídia é a televisão. Das crianças entrevistadas, 93% assistem a, pelo


menos, um canal de TV. Em média, passam três horas por dia na frente de um
televisor. Esse tempo de exposição aumenta no Brasil, onde elas passam
quatro horas assistindo à TV. O Dr. Groebel chegou a conclusão de que a TV
domina a vida das crianças em todo o mundo. Ele afirma ainda que elas
dedicam 50% a mais de seu tempo à TV do que a qualquer outra atividade.
Segundo o psicólogo, o impacto é ainda maior se for levado em conta que a
maioria das emissoras apresenta programas de “entretenimento”, e não
educativos.
O estudo da UNESCO não tem por objetivo responsabilizar a mídia
pelo aumento da violência, que faz parte do sistema, afirmou Groebel numa
entrevista em “O Estado de São. Paulo”. “Mas a mídia propaga a idéia de que
a violência compensa”. Groebel acredita que, com a popularização da internet
e dos videogames, esse quadro pode piorar. “Na internet, as crianças têm
acesso a todo tipo de pornografia”, diz. “E, nos games, tornam-se sujeitos da
ação, em muitos casos ganhando pontos ao mutilar ou torturar o adversário”.
Groebel sugere, como solução, que as crianças tenham orientação para saber
discernir melhor a ficção da realidade. É necessária a criação de um código de
conduta. “Os pais têm papel fundamental no processo”, afirma o psicólogo.
Falando de maneira objetiva, o que realmente acontece quando a criança vê
cenas de violência ou sexo na TV? Essa pergunta foi feita para um grupo de
psicólogos e pedagogos, num estudo realizado sobre a qualidade dos
programas infantis. A resposta não é tão conclusiva quanto o estudo da
UNESCO, mas deixa margens para dúvidas, no mínimo, preocupantes. Sobre
o fato de a criança assistir cenas de violência e sexo na TV, “não se chegou a
um veredicto”, revela o estudo. “O que se sabe é que a criança funciona como
um computador cuja memória está vazia. Ela armazena todo tipo de
informação que recebe, e ninguém quer que um menino de cinco anos tenha
na memória cenas de violência”. Além do mais, as evidências apontam na
direção contrária, revelando que as crianças e adolescentes não só reterão tal
conteúdo na memória como serão atingidos de maneira negativa por esse
conteúdo. Não se pode negar que a violência apresentada na TV tem
contribuído para o cumprimento da profecia feita pelo Senhor Jesus quando
disse: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus
24:12).
Diante desse imenso bombardeio de falsos heróis, se faz necessário
estabelecer diante das crianças, quem são, de fato, os verdedeiros heróis.
Tanto a história secular como a história da igreja nos apresenta muitos, mas é
na Palavra de Deus onde você encontrará modelos dignos de serem copiados.
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Porque os heróis do cristão não são forjados por trás dos bastidores. Não se
acham a serviço de interesses escusos. Não se identificam com uma escala
invertida e irreal de valores. Os heróis do cristão são autênticos, porque se
identificam com aquele que é o mesmo ontem, hoje e eternemente. E todos
aqueles que imitam o caráter do supremo modelo (Cristo Jesus), são dignos de
imitação. Por isso Paulo afirmou: “sede meus imitadores, como também eu
sou de Cristo”. (I Coríntios 11:1). Não podemos negar que existem modelos
na televisão que exaltam a dignidade humana, são poucos, mas existem.
Entretanto, a Bíblia apresenta o personagem que sobrepassa a todos os outros
neste mundo, e este é o Filho de Deus, Jesus Cristo. Sua bondade, ternura,
cuidado pela raça humana e intersse por nós, o transformam no ser mais
maravilhoso que já tenha pisado neste planeta. Diante dos falsos heróis
apresentados pela mídia eletrônica, é pertinente fazer uma breve comparação
entre o que a tevê tem apresentado como modelo de conduta e o modelo
supremo para os cristãos, o Filho do Deus Vivo:

JESUS CRISTO HERÓIS E MODELOS DA TV


1. Manso e Humilde. (Mateus 11:28,29). 1. Violentos e Agressivos.
2. Vida Piedosa. (Lucas 9:58). 2. Luxo e Luxúria Desmedidos.
3. Fazia o Bem. (Atos 10:38). 3. Procuram Impressionar a Outros.
4. Respeitava as Mulheres. (João 4:1-42; 8:1-11) 4. Degradam as Mulheres como Objetos.
5. Respeitava as Minorias. (Mateus 8:5-13). 5. Ignoram e Ridicularizam as Minorias.
6. Amava os Idosos. (João 5:1-18). 6. Tratam os Idosos com Preconceito.
7. Amava as Crianças. (Marcos 10:13-16). 7. Manipulam as Fantasias Infantis.
8. Respeitava a Vida Humana. (Mateus 5:21). 8. Banlizam a Vida Humana.
9. Respeitava a Dignidade Humana. (Mateus 5,6,7). 9. Degrada a Dignidade Humana.
10. Sentia Compaixão pelos Pobres. (Lucas 4:18; 14:13). 10. Rejeitam e Exploram os Pobres.
11. Detestava a Violência. (Lucas 6:20-26). 11. Justificam e Exaltam a Violência.

O INDIVIDUALISMO E A BANALIZAÇÃO DA VIDA HUMANA


O embrião de muitos crimes e escaramuças encontra sua origem nas
cenas de violência que invadem, através do vídeo, a intimidade sagrada dos
lares. Considrerando que, especialmente as crianças e adolescentes são
influenciados pela violência praticada por seus heróis, faz-se necessário um
questionamento: até que ponto a TV tem influenciado a criminalidade infanto-
juvenil? Não há um estudo que comprove a relação entre a violência na TV e a
criminalidade, todavia há fortes evidências de que essa relação exista. A
influência negativa de certos programas e o uso indiscriminado da TV,
videogames e computadores, tem colaborado para o surgimento de uma
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geração de crianças e adolescentes frios, grosseiros, chantagistas, mentirosos,


dissimulados, destituídos de afetividade infantil, sem educação e sem limites,
(parece que não temos mais “crianças criança”, mas adultos precoces). Os pais
também têm uma parcela de culpa, eles dão o que os filhos querem e não o
que precisam, e muitas vezes “compram” seus filhos. Apesar dessa geração de
crianças estar mais bem informada, estão perdendo a ética e os valores,
perdendo a construção do ser humano nelas, bem como a espiritualidade.
Especialmente nos Estados Unidos da América, a criminalidade
associada à influência da mídia eletrônica entre as crianças americanas, tem
aumentado assustadoramente. Crimes bárbaros estão sendo cometidos pelos
“Serial Killers” adolescentes. Somente em três meses (março, abril e maio de
1998), foram praticados cinco crimes que abalaram a opinião pública
americana e o mundo. Esses assassinos juvenis deixaram os americanos
atônitos e inseguros quanto ao futuro. Parece que a “geração digital” está
sendo seriamente afetada no desenvolvimento de seu caráter.
Para citar apenas dois dos cinco casos; o primeiro, que ocorreu no dia
24 de março de 1998, quando Mitchell Johnson, 13 anos de idade, e Andrew
Golden, se esconderam estrategicamente no bosque, perto da escola Westside,
em Jonesboro, Arkansas, onde estudavam. Eles estavam armados e, “como
nos filmes de ação”, esperaram o momento em que suas vítimas estavam
saindo do prédio escolar para, apertar o gatilho. Fuzilaram quatro meninas e
uma professora. Nove crianças ficaram feridas. Mitchell e Andrew estão
presos. O quinto caso ocorreu no dia 21 de maio de 1998. Kipland Philip
Kinkel, 15 anos de idade, matou dois estudantes e feriu 18 pessoas na
lanchonete da escola, em Thurston, Oregon. Kinkel também é suspeito de ter
assassinado os pais.
Segundo antropólogos, sociólogos e psicólogos, essa “nova onda” de
violência ainda precisa ser muito estudada para ser entendida. Há vários
fatores envolvidos nesse problema, esses fatores vão desde a facilidade que os
americanos têm em adquirir armas, até o credo individualista que caracteriza
aquela sociedade.Por isso, seria simplista atribuir à TV a plena
responsabilidade por crimes tão bárbaros, porém, precisamos considerar que
ela não é de todo inocente, inocentá-la completamente, significa absolvê-la
injustamente. Ela tem contribuído com uma parcela de culpa ao promover em
sua tela a banalização da violência e da vida humana, o individualismo brutal
e a competição material desenfreada. Esse individualismo veiculado pela
mídia televisa, tem se transformado em egoísmo, especulação, preconceito e
segregação contra estrangeiros. Ele faz parte dos conceitos pós-modernistas, e
leva o indivíduo a uma competição selvagem por status, dinheiro, fama e
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poder. Nesse processo, as pessoas se matam simbolicamente, pois tudo é


válido para atingir os seus objetivos, nem que para isso seja necessário “pisar”
no semelhante.
No individualismo pós-moderno, a ética e os valores são pessoais e não
coletivos. Há uma deteriorização dos valores coletivos. As pessoas tendem a
reinvindicar seus direitos (mais que seus deveres), tendem ao isolamento, ao
medo de se aprofundarem nos relacionamentos interpessoais, e perdem com
isso a capacidade de se comunicar com outros de maneira expontânea. Para
muitos antropólogos o individualismo brutal é o maior responsável pelos
crimes que estamos assistindo. Crimes que, muitas vezes, ainda levam ao
reconhecimento social, a celebrização e ao dinheiro.
Segundo estudos antropológicos, o Serial killer infanto-juvenil, “ainda”
é considerado um fenômeno de violência tipicamente norte-americano. Os
cientistas apontam alguns traços recorrentes desse “fenômeno”, tais como: o
apreço por armas sofisticadas, o uso de uniformes militares ou paramilitares
inspirados em “Rambo”, o resgate do modelo de assassinato público, no
melhor estilo John Kennedy - Lee Oswald. E há também certa estupefação
social que atinge principalmente as crianças. Elas passam a acreditar que a
vida é igual ao que vêem nas telas das tevês e dos cinemas e assumem a
agressividade do meio em que vivem como se fossem médiuns da violência,
pagando o preço por uma sociedade em que tudo é permitido, inclusive morrer
sem razão.
É justamente nesse ponto que os valores familiares têm sua importância.
É aqui que se percebe que o que Deus estabeleceu como modelo para as
famílias cristãs não deve ser ignorado. Os conselhos da Palavra de Deus
quanto à educação cristã, devem ser levados mais a sério. Como povo de
Deus, é urgente buscar os “elos perdidos” do relacionamento pessoal com
Jesus. É necessário desenvolver programas de “ressocialização humana e
espiritual”, estreitando os laços que transformam a igreja no Corpo de Cristo.
Mas também é necessário implantar nas mentes infantis uma visão otimista do
mundo que a rodeia. Se você reforçar a idéia de mundo-cão passada na TV, e
pintar um quadro do mundo como um lugar frio e cruel, seus filhos logo
começarão a perder o atimismo natural pela vida, próprio das crianças.
Lembre-se que crianças precisam sentir-se bem acerca do mundo em que
vivem, a fim de sentirem-se bem sobre o seu futuro nele. Para incutir um
espírito otimista em seus filhos, aí vão algumas sugestões: 1- Ajude-os a
entender que embora existam coisas realmente perigosas e ruins, a vasta
maioria da vida não é uma experiência lastimosa e cruel. 2- Logicamente, se
seus filhos estão preocupados acerca dos perigos e das pressões que há, seja
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pelo medo de se tornar mais uma vítima da violência ou pelo risco de se tornar
usuário de drogas, você deve proceder de tal maneira que eles se sintam livres
para se expressar sobre isto. 3- Pergunte a suas crianças o que eles podem
fazer para evitar cair dentro dessas armadilhas. Deste modo eles se sentirão
habilitados para tomar atitudes e agir, ao invés de serem uma vítima sem
esperança. 4 – Sempre lembre seus filhos de que os assassinatos e crimes
hediondos que aparecem na televisão são apenas uma pequena porcentagem
diante de todas as coisas boas e felizes que acontecem a cada dia, mas que
nem sempre temos consciência. 5- Toda vez que você conversar com seus
filhos, tente ser mais positivo do que negativo. Deixe-os saber que você é
otimista acerca da vida, e eles serão também.

VIOLÊNCIA EM DESENHOS ANIMADOS


De acordo com um levantamento estatístico realizado pela
Oraganização das Nações Unidas (ONU), referente ao ano de 1998, as seis
redes de televisão aberta do Brasil apresentam cerca de 20 crimes por hora de
programação em desenhos animados. TV Cultura, Rede Globo, Manchate,
SBT, Bandeirantes e Record fizeram parte da análise. No período considerado,
foram identificadas 1.432 cenas de crimes nos programas de desenhos
animados. Pelos dados da pesquisa, a Rede Bandeirantes e a TV Record
lideravam na época a apresentação de cenas de homicídios em seus desenhos
animados. A TV Globo vence em lesões corporais. A média mais alta (32
crimes por hora) ficou com a TV Manchete. Dos crimes exibidos, 38% tinham
alguma “justificativa”, como reagir à violência, por exemplo, e 34% eram
inteiramente gratuitos. Em geral não há polícia, os crimes não geram
conseqüências à vítima e não existe intermediação ou alguém para dirimir os
conflitos.
Com um maior percentual da programação ocupada com desenho
animado (24%), o SBT lidera também em número de crimes registrados:
foram levantados 753 situações criminosas contra 259 da Globo, que dedica
cerca de 7% da grade de programações aos desenhos; 164 da Record, com
cerca de 5% da programação; 160 crimes apresentados pela Manchete, que
possui 3,5% da grade ocupada com desenho animado; seguido da Band, com
31 cenas de crimes com apenas 2,5% da programação; e finalmente da TV
Cultura, que dedica 6% da programação aos desenhos e, no período
observado, veiculou 65 crimes.
Na apresentação do número de crimes por hora de programação, a
Manchete liderava com 32, seguido da Globo com 22, SBT e Record, ambas
com 21 crimes, enquanto a Cultura exibiu 11 e a Bandeirantes cerca de oito
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crimes por hora de programação em desenho animado. O que dá em média,


uma exibição de 20 crimes a cada hora de programação. Entre os tipos de
crime, a lesão corporal foi o mais freqüente nas exibições, ficando com 57%
dos casos, seguido de homicídio, em 30% dos registros; o furto ficou com 6%,
o roubo com 4% e outras formas de crimes com 3%. Quanto à natureza dos
crimes, 72% das ocorrências apresentavam natureza intencional, 9% acidental,
10% por outros motivos não informados e apenas 9% por “legítima defesa”.
Mesmo já distante da “Guerra Fria”, a influência do “Tio Sam” não
deixa por menos culturalmente falando. A origem dos desenhos animados
apresentados na programação das seis emissoras brasileiras fica na faixa de
45% do total, seguido de 40% não identificados, 8% Ítalo-Suíço, 4% com
produção japonesa e outros 2% distribuídos entre produções de outros países.
O levantamento estatístico da ONU foi o resultado da crescente
preocupação da sociedade com a qualidade do conteúdo televisivo, e revela
que de fato, há uma influência dos conteúdos transmitidos sobre as crianças e
adolecentes. Portanto, para o povo de Deus é essencial uma análise mais
profunda da programação televisiva com um senso crítico apurado, dentro de
uma ética e cosmivisão cristãs.

CATEGORIAS DE VIOLÊNCIA E ATITUDES ALTERNATIVAS


Deve-se considerar também, que a violência não é necessariamente
matar ou morrer, ela deve ser compreendida de uma maneira mais ampla,
embora ela possa ser empregada de várias maneiras, nem sempre é cruenta ou
sanguinária.
Aplicando as categorias sociológicas da violência à TV, podemos
afirmar que ela incluí quatro categorias:
 Violência pessoal - envolvendo conflito de indivíduos isolados, passivos ou
ativos.
 Violência racial - presupõe conflitos originados dos preconceitos étnicos.
 Violência social - quando os interesses de diferentes grupos entram em
choque.
 Violência política - se alimenta dos conflitos ideológicos que buscam o
poder dentro da sociedade.
Dentro da cosmovisão cristã, pode ser acrescentado a essas categorias,
pelo menos mais uma:
 Violência espiritual - é aquela que fere frontalmente nossas crenças e
valores, além de ridicularizar e invalidar a Palavra de Deus.
Embora essas categorias sociológicas da violência nem sempre estejam
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tão claras no conteúdo das mensagens dos jornais e revistas, a televisão


também as apresenta, muitas vezes de maneira camuflada e sútil.
Abordei o fato da violência na TV e o perigo que ela representa para a
família cristã, especialmente para as crianças, mas, o que dizer dos seus pais
ou responsáveis? Quanto aos espectadores adultos, que assistem passivamente
às cenas violentas e imorais da TV, incentivando a mesma atitude nas
crianças, resta algumas alternativas, tais como:

1- Não ligar o aparelho naquele horário (boicote televisivo).


As emissoras estão interessadas na audiência, e se não há audiência eles
se vêem forçados a fazer mudanças na programação ou em seu conteúdo. Há
uma verdadeira fortuna envolvida em cada ponto do IBOPE, as inserções
publicitárias atualmente estão na base de cem mil reais por um comercial de
trinta segundos, dependendo do horário e da emissora. Em uma carta
publicada na revista Época, uma leitora expressou a sua opinião com as
seguintes palavras: “É triste ver que a qualidade dos programas da TV aberta
cai a cada dia. Depende de nós reverter esse processo. Como? Mudando de
canal ou, melhor ainda, desligando a telinha. Sou a favor de um boicote
nacional”. A atitude do governo do Afeganistão pode ser considerada um
exemplo extremo de tal boicote nacional. Segundo o jornal “A Folha de São
Paulo” (09/07/98), o Teleban, grupo fundamentalista Islâmico, que controlou a
maior parte do Afeganistão desde que tomou o poder em 1996, deu um prazo
de 15 dias (em julho de 1998), para que os afegãos jogassem fora suas
televisões, vídeocassetes e antenas receptoras de imagem de satélite. O uso
dos aparelhos foi proibido por ser considerado inadmissível para a moral
islâmica e causador de problemas mentais. O Teleban tem por objetivo e
missão, criar o Estado islâmico mais puro do mundo, e para que isso seja
possível, consideram necessário o banimento da mídia eletrônica da nação.
Anteriormente a transmissão de programação televisiva já havia sido
interrompida nos dois terços do território do país controlados pelo Teleban.
Mas, conforme afirmou Maulvi Qalamuddin, ministro do Teleban para a
Prevenção do Vício e Promoção da Virtude, “as pessoas continuavam
assistindo a fitas de vídeos e a canais de recepção via satélite.” À época, o
governo islâmico não revelou de que forma pretendia punir os cidadãos que
desrespeitassem a “orientação”, porém deixou um aviso: “não iremos à casa
das pessoas fiscalizar. Confiamos nas informações que recebemos de vizinhos
e parentes.” É claro que um governo cristão e democrático jamais chegará a
esse ponto. Todavia, não se pode permitir o extremo oposto, ou seja: a
decadência cada vez mais acentuada na qualidade das programações de TV.
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Outro exemplo de boicote televisivo contra os programas de má


qualidade, porém, bem mais democrático, foi o que ocorreu com a novela
“Torre de Babel”. Sob o título “Faxina no Horário das Oito”, a revista Veja
(1/6/1998) abordou o tema e revelou que, dos 42 pontos alcançados pelos
capítulos iniciais, “Torre de Babel” despencou para uma média de 37 na
segunda semana, o que é considerado um fracasso para os padrões da
emissora. As cenas fortes e pesadas de “agressividade” apresentadas no início
da novela afastaram os telespectadores, cenas tais como: adultério sucedido de
assassinato a golpes de pá, invasão domiciliar com tiros de metralhadora (por
causa do tráfego de drogas), a lua-de-mel de duas lésbicas numa banheira
trocando juras de amor e cenas com clara conotação sexual, foram suficientes
para a queda na audiência e o boicote (ainda que modesto) de muitas famílias.
Preocupada com a perda de seus “clientes” televisivos, a emissora
realizou a pesquisa qualitativa de opinião, na qual um grupo de
telespectadores se reúne para analisar e avaliar os erros e acertos das
personagens e da trama. “O resultado foi uma verdadeira faxina eletrônica em
“Torre de Babel”: menos violência, menos brigas e palavrões, menos cenas de
sexo e menos cocaína na tela”. Mas infelizmente, essa falta de qualidade ainda
não foi suficiente para convencer os telespectadores das influências
perniciosas que esse tipo de programação exerce sobre a família. Baseados em
pesquisas de opinião pública sobre o que o povo quer assistir, a emissora
apelou para a sensualidade de algumas de suas melhores atrizes, com o
objetivo de reconquistar o público perdido. Porém, esse fato revelou que é
possível à sociedade interferir na qualidade dos programas de tevê.
Embora a massa seja incoerente em sua opinião e atitude diante dos
programas de TV, o povo de Deus jamais deveria vacilar em boicotar tais
programas. Pois não se ganha nada com eles, só se perde, e perde-se muito.

2- Usar o botão ON/OFF assim que aparecer algo ruím.


Nem todos estão aptos a receber essa sugestão. Há pessoas que
literalmente não têm a capacidade de controlar seu controle remoto. Se você
desenvloveu um forte senso crítico diante da TV e é maduro o suficiente para
trocar de canal ou desligar a TV, parabéns, você é uma excessão.

3- Optar por não ter TV em casa.


Se não conseguir usar o botão on/off, a mais radical de todas as atitudes
é se desfazer de sua TV. Isso é uma atitude drástica para a grande maioria,
mas tem os seus benefícios. Contudo não é um mandamento, depende da
maturidade espiritual de cada filho e filha de Deus.
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4- Usar o bom senso.


Ainda há uma outra alternativa, que também pode ser considerada uma
atitude de violência, que é a de Jogar um “tijolo” contra a tela da TV. Essa
também pode ser uma maneira de protestar contra um mau programa. Não é
isso que muitas vezes você tem vontade de fazer? Dar uma tijolada no
aparelho de TV!? Pois foi justamente baseado nesse sentimento, que o inglês
Willy Jhonson começou a jogar “tijolos” na telinha, para protestar.
Aparentemente um furioso crítico de televisão, na realidade, um inventor
criativo, ele descobriu que podia praticar esse ato de protesto sempre que
julgasse necessário. É claro que ele não usa um tijolo comum, de barro cozido.
A sua arma é de espuma, com um sensor especial embutido. Ao tocar a tela do
televisor, desliga-o instantâneamente, como os tradicionais controles remotos,
baseados nos raios infra-vermelhos. O invento requer dos espectadores
zangados uma única habilidade: boa pontaria.
Como nem todos podem ter esse “tijolo”, resta apenas (para aqueles que
não vivem sem a TV) a “arma” do bom senso e a “boa pontaria” dos
princípios morais e da ética cristã, os quais estão claramente esboçados na
infalível Palavra de Deus e nos conselhos e orientações do Espírito Santo de
Deus. (Cf. Apocalipse 19:10).

CAPÍTULO VIII
TELEVISÃO VERSUS LEITURA, SAÚDE E REALIDADE

CUIDADO, TV VICIA!
“Acho a televisão irresistível. Quando o aparelho está ligado, não
posso ignorá-lo. Não consigo desligá-lo. Assim que estendo o braço para
desligar o aparelho, desvanece-me a força. De modo que fico ali sentado,
horas a fio”. Você pensa que esse depoimento lê de um jovem imaturo? Não.
Trata-se de um homem maduro, de nível universitário e muito bem sucedido
financeiramente. Quando foi realizada a “semana sem TV” nos Estados
Unidos da América, onde foi proposto às famílias que mantivessem seus
aparelhos desligados por uma semana. Veja a reação de alguns que
concordaram: “Tenho sentido muita depressão... Estou ficando louca sem a
tevê” - (Suzana, 12 anos). “Não creio que serei capaz de romper o hábito.
Gosto demais de TV” - (Linda, 23 anos). “A pressão resultante foi terrível.
Continuei a ter o impulso. O período mais duro foi à noite, entre as oito e às
dez horas” - (Luís, 41 anos).Não foi surpresa que todos os envolvidos tenham

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celebrado o fim da semana sem TV com uma corrida louca para o aparelho de
televisão mais próximo.
A análise de inúmeros estudos sobre o hábito de assistir televisão vem
demosntrando o que os pesquisadores já desconfiavam há mais de duas
décadas: assistir TV pode causar uma dependência semelhante à provocada
pelo álcool ou outros medicamentos. Como já dizia Santo Agostinho: “o
hábito não refreado logo se tranforma em vício”. Os estudos indicam que os
viciados assistem TV duas vezes mais do que o telespectador médio. É
comum as pessoas dizerem que vêem televisão seletivamente, mas na verdade
elas ligam o aparelho para assistir apenas um programa e só se levantam três
horas depois. Outra revelação das pesquisas foi de que, embora a maioria diga
que relaxa enquanto assiste televisão, as pessoas acabam se sentindo bem mais
relaxadas quando desligam o aparelho.
Longe de ser motivo de risadas, o vício de ver tevê trás uma série de
problemas. O efeito da televisão sobre as crianças e adoelscentes é gerar a
expectativa de que a aprendizagem deve ser algo fácil, passivo e divertido.
Então o estudo passa a ser uma provocação. A passividade da TV leva à
expectativa de que todas as necessidades serão supridas sem nenhum esforço.
Outro fator que deve ser levado em conta é que, diante de um mundo
cada vez mais globalizado, a necessidade de dominar a arte da boa
comunicação, seja oral ou escrita, tem se tornado uma obrigação para quem
deseja o sucesso profissional. A criatividade, a capacidade de raciocínio e um
pensamento aguçado são requisitos indispensáveis na hora de procurar um
bom emprego. Cada vez mais o poder de argumentação e a expresão verbal
fluente vem adquirirndo papel essencial na vida das pessoas. Definitivamente
não podemos afirmar que a televisão está contribuindo para desenvolver tais
habilidades. A prática constante da leitura, e principalmente da boa leitura, é
que permanece como campeã para o desenvolvimento de tais habilidades.
Podemos afirmar que o hábito de ler se constitui na mola propulsora do
pensamento criativo, enquanto o hábito de ver TV leva à preguiça mental,
muitas vezes crônica.
Em artigo publicado na revista Mocidade sob o título “A TV VICIA”,
foram apresentadas várias advertências para os telemaníacos, revelando que a
TV não combina com os livros e os estudos, nem com um bom papo entre
amigos. O professor francês Marcel Rufo fez estudos sobre a relação entre o
estresse e a tevê no meio estudantil, e chegou a algumas conclusões
surpreendentes:
 A TV é uma das causas do estresse na escola. Ela é responsável, também,
por problemas nervosos e falta de atenção.
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 Em muitos casos a TV funciona como um “medicamento social”, levando


as pessoas à apatia. Muitas crianças e adultos recorrem à televisão como
meio de preencher um vazio cultural e social em suas vidas.
 Assistir televisão regularmente deixa a pessoa agitada, instável, e com um
enorme problema de concentração.
 A TV leva o indivíduo a esperar uma linguagem “televisual”, não importa
onde ele esteja. No sistema televisual tudo acontece em forma de show,
isso significa que se não há espetáculo, não interessa - ainda que seja algo
essencial para a vida.
 Por influência da TV muitas pessoas não conseguem discutir um tema em
profundidade; mudam de papo de uma maneira surpreendente.
 A TV torna o indivíduo passivo em relação ao estudo e à leitura, que são
coisas ativas. Por isso, já se estudam até formas televisuais de
aprendizagem e exames. É para atender os “viciados”.
 A TV bloqueia o desenvolvimento linguístico, uma vez que não pede que o
telespectador fale, o indivíduo pode ter dificuldades para se comunicar.
Diante disso, não é recomendável passar muito tempo na frente da telinha,
talvez a razão maior de muitos estudantes acharem tudo monótono na
escola, com relação aos livros e até amigos, seja o fato de dedicarem mais
tempo e atenção ao aparelho das fantasias.
Segundo pesquisas, a criança chega à adolescência depois de ter
assistido em média a 15 mil horas de televisão e mais de 350 mil comerciais,
contra menos de 11 mil horas de escola. A televisão é agradável, não requer
esforço e seu ritmo é alucinante. Para as crianças a tevê é sua primeira escola.
Quando chegam aos bancos escolares, já estão acostumados com a linguagem
fragmentada, ágil e sedutora apresentada pela TV. E a escola não consegue
chegar perto dessa forma de ensinar, e as crianças irão julgá-la a partir do
aprendizado da televisão.
Muito mais do que um víco, a TV pode se constituir uma verdadeira
“droga eletrônica”. Com as mudanças sociais ocorridas pós-televisão, houve
também uma mudança na forma como as pessoas se relacionam. A era
moderna é marcada por uma incidência cada vez maior de problemas
emocionais e de relacionamento. As indicações disso estão à nossa volta.
Basta verificar as taxas crescentes de abuso de álcool, drogas, suicídio e outros
sinais de depressão, os quais indicam que a vida de muita gente não anda nada
bem. A televisão está dentro de um padrão de atividades que fornece alívio
temporário para as dificuldades que a sociedade pós-moderna tende a
produzir. A TV é um remédio tecnológico para os problemas de uma
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sociedade tecnológica. A ela são atribuídas falsas virtudes tais como: relaxar o
tenso, estimular momentâneamente o sem propósitos, entreter o entediado,
oferecer fuga para os inseguros e tímidos, ser uma companheira para os
solitários, etc. O que ela não faz, contudo, é ajudar de fato a lidar, sequer
superficialmente, com as causas da tensão, dos complexos, solidão, angústia,
vazio existencial, ou qualquer que seja o problema de que a pessoa possa estar
procurando escapar ao ver TV. Pelo contrário, a televisão é como uma droga.
Todavia, é uma droga que mascara os sintomas. Se ver televisão pode ser uma
maneira de fugir dos problemas, isso se torna mais grave quando assitir tevê é
um ato de fuga ainda mais séria, fuga de Deus.
Mas não precisa ser assim, pois é possível romper a escravidão imposta
pela tevê. O autodomínio começa por se aprender a fixar alvos. Primeiro
analise seus atuais hábitos. Durante uma semana, guarde registros de que
programa assiste e quanto tempo gasta a cada dia em frente à telinha.
Responda sinceramente a estas perguntas: Você liga a tevê assim que chega
em casa? Quanto tempo ela fica ligada? (independentemente de você estar
vendo ou não). Quantos programas são “obrigatórios” todos os dias e toda
semana? Talvez fique chocado com o resultado. Mas faça um exame rigoroso
dos programas a que tem assistido. Use o discernimento espiritual e junto com
toda família escolha quais programas realmente valem a pena assistir. Faça as
seguintes perguntas a você mesmo (a): A televisão traz unidade, harmonia e
amor ao meu lar? Influencia positivamente meus filhos? Estimula uma melhor
comunicação entre os membros da minha família? Aumenta os conhecimentos
artísticos, científicos, culturais e espirituais de todos? Encoraja a família a
desenvolver um sistema de valores corretos em meio a um mundo com
rpioridades invertidas? Propicia maior descontração na família? Se alguém
precisar de mim em meio a meu programa favorito, consigo atendê-lo com
delicadeza e amor? A tevê conduz ou aumenta o estresse?
Se, manter e enriquecer os relacionamentos em sua família é um item
que ocupa os primeiros lugares de sua lista de prioridade, então, quando hoje à
noite você for se sentar em frente à TV avalie bem o que vai assistir. Será que
não existe uma melhor maneira para passar o tempo?

TV, ESTRESSE E OBESIDADE


A Universidade de Chicago realizou um estudo com um grupo de
voluntários adultos. O objetivo era constatar como eles utilizavam o seu tempo
e como se sentiam a respeito do que estavam fazendo. Cada um recebeu um
“beep”, que era acionado em determinados horários, nos quais eles deviam
registrar o que estavam fazendo naquele momento e como estavam se
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sentindo. O resultado revelou que os voluntários passavam mais tempo vendo


televisão do que em qualquer outra atividade de lazer, mas também revelou
que eles tendiam a sentirem-se fracos, passivos, sonolentos, solitários,
desconcentrados e rejeitados na frente da telinha. Nenhuma outra atividade
praticada por eles fazia com que se sentissem tão mal. A princípio os
pesquisadores não sabiam se as pessoas começavam a ver TV por sentirem-se
passivas e vazias, na esperança de que a televisão as animasse, ou se era o ato
de ver TV que causava tal passividade e sentimento de solidão. Após
analisarem os dados novamente, os cientistas constataram que, realmente, era
o ato de ver TV que causava depressão nos voluntários.
Que a TV é um instrumento que promove a passividade no
telespectador não há dúvidas, mas a questão que precisa ser levantada é: até
que ponto a televisão é de fato relaxante? Muitas perguntas poderiam ser feitas
a respeito da passividade diante da telinha, mas, desejo analisar se de fato a
TV é tão relaxante, como muitos alegam. Primeiramente é necessário lembrar
que não é na passividade que se encontra um relaxamento das tensões e do
estresse, mas em atividades diferentes daquela a que se está acostumado, ou
seja, atividades que levam você a sair da rotina. Deste modo, pode-se afirmar
que, o que de fato relaxa é o contraste de atividades, e não a inatividade. Por
exemplo: a fim de relaxar, executivos jogam tênis, operários vão pescar,
estudantes praticam esportes, etc. Todavia, para uma grande maioria, a TV é
encarada como uma fonte legítima de distração e relaxamento.
Entretanto, deve-se questionar se essa fonte é de fato tão legítima.
Confiar na televisão para relaxar, passando várias horas em sua frente, é um
padrão de comportamento que trará sérios prejuízos. A inatividade física e
mental diante da telinha priva as pessoas das oportunidades de praticar formas
mais adequadas e ativas de relaxamento e usufruir seus benfícios. Ver
televisão, mesmo com a justificativa de que é para relaxar, não tonifica os
músculos nem prepara para um sono reparador de qualidade, como aquele que
vem após o exercício físico, por exemplo. Por outro lado, a leitura, os
“hobbies”, os esportes, a música, os relacionamentos interpessoais, o diálogo,
enfim, todas as formas ativas de relaxamento, têm a vantagem e a
possibilidade de produzir um senso de realização, seja por conhecimento
adquirido, amizade alimentada, temores superados, projetos executados,
habilidades desenvolvidas ou adquiridas. Portanto, confiar na televisão para
relaxar, significa no mínimo, privar-se dos lucros e benefícios que formas
mais ativas de relaxamento têm para oferecer. Qualquer outra atividade em
que você possa pensar, será mais positiva do que ver TV, mas todas exigem
esforço e risco. Como muitos não querem correr riscos nem se esforçar,
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preferem ver televisão por ser algo “seguro” e fácil. Diante da TV não há
como fracassar. Além do mais, a TV está sempre à disposição, sempre que se
desejar. Ela faz com que as pessoas se sintam como se estivessem fazendo
algo, participando, quando, na realidade, não estão. Nesse sentido, a TV é,
acima de tudo, uma grande ilusão. Por essa razão não é de admirar que algo
tão seguro e passivo seja insatisfatório e deprimente como forma de
relaxamento do estresse.
Enquanto as formas ativas de relaxamento podem ser chamadas de
recreação; as formas passivas podem ser denominadas de descanso. A
televisão tem o poder de fazer com que o corpo e a mente entrem num estado
de neutralidade, mas de maneira nenhuma isso significa descanso. Quando se
fala em descanso, logo vem à mente o ato de dormir, que muitas vezes está
relacionado com o ato de ver televisão. Há quem descreva o ato de ver TV
como um estado de “quase-sono”, o qual induz os espectadores ao sono. Por
essa razão muitos chegam a usar a TV como sonífero ou relaxante, antes de ir
para a cama. Todavia, tal atitude não garante um sono profundo e reparador
como aquele que vem após a leitura, por exemplo.
Se por um lado a TV não serve como relaxante do estresse e é
causadora de depressão, por outro, ela também é culpada por induzir o
telespectador ao consumo de produtos supérfluos e estimular um estilo de vida
pouco saudável, principalmente às crianças. Para os produtores de marketing,
há um forte interesse em atingir o público infantil, não só com programas
adequados à sua idade, mas também com propagandas, e para isso são feitos
investimentos milionários. Para transformar crianças de 0 a 12 anos em
pequenos consumidores, os responsáveis pelo marketing na TV levam em
considração as características inerentes à idade infanto-juvenil, ou seja: o fato
das crianças apreciarem o mundo da fantasia e do faz de conta; o fato delas
amarem os heróis da TV e fazerem deles seus exemplos; o fato das crianças
quererem viver só de diversão; o fato de serem egocêntricas e capazes, a partir
de certa idade, de tomar suas próprias decisões e fazer escolhas. É se
aproveitando dessas carcterísticas, falando na sua própria linguagem e fazendo
uso de músicas e histórias para chamar a atenção e divertir, que os programas
e comerciais são produzidos e apresentados, passando a ser assimilados e
imcorporados no cotidiano infantil. Essa assimilação não ocorre por acaso,
pois de acordo com estatísticas recentes, antes de completar 5 anos, uma
criança terá visto não menos do que mil comerciais na TV. Há uma verdadeira
indústria que obtém grande lucro às custas da audiência do público infantil,
pois é justamente esse público que consome grande parte dos produtos
apresentados na TV. Esses produtos incluem música infantil (algumas com
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palavrões e muita malícia), brinquedos com nome de personagens da TV e


personagens de filmes e desenhos animados, calçados, roupas, jóias, revistas,
guloseimas, hamburguer, etc. As crianças são estimuladas a consumir, mas, na
maioria das vezes, elas mesmas acabam sendo consumidas e até mesmo
prejudicadas.
Outro fator que deve ser levado em consideração, é o que está
relacionado com a saúde física. A razão é óbvia, o ato de assistir televisão
geralmente vem acompanhado de um “bom” refrigerante, pipoca, salgadinhos,
biscoitos, sorvete, chocolate, enfim, “alguma coisa” para comer.
Especialmente para as crianças e adoelscentes é difícil ficar diante da TV sem
comer e beber seus produtos preferidos. Tendo como parâmetro esse
comportamento, Kurt Gold, pediatra da Universidade da Califórnia (EUA),
realizou uma pesquisa experimental com 1.066 crianças, e concluiu que as
“crianças que passam pelo menos duas horas por dia assistindo TV têm duas
vezes mais chances de ter alto nível de colesterol no sangue do que as que
gastam menos tempo nessa atividade.” Outro estudo médico feito na Inglaterra
concluiu que “uma criança que assistir à tevê inglesa por uma hora diária verá
em uma semana 92 anúncios de comida e bebida. E isto está mudando os seus
hábitos alimentares para pior. Os produtos mais anunciados, em geral ricos em
açucar e gorduras, têm uma participação cada vez maior nas dietas das
crianças”. Será que no Brasil essa realidade é diferente? E o que dizer dos
filhos de Deus? Os quais têm uma mensagem especial de salvação e reforma
pró-saúde a dar ao mundo? Que professam o corpo como santuário vivo do
Espírito de Deus? (Cf. Romanos 12:1-2; I Coríntios 6:19).
Todavia, não é só o hábito de comer diante da telinha que causa
obesidade, a própria tecnologia em si tem contribuído para que as pessoas
ganhem uns quilinhos. Por exemplo: o simples ato de usar o controle remoto
para trocar de canal, representa uma economia de aproximadamente 50
calorias. Ou seja, se ao invés de usar o controle, as pessoas levantassem do
lugar e trocassem de canal manualmente, elas estariam perdendo nesse ato,
cerca 50 calorias. Eis aí, mais uma, das muitas razões, para o aumento de peso
relacionado ao uso da TV. Pesquisadores americanos do hospital St. Luke’s
Roosevelt desenvolveram uma maneira de tirar do sofá as crianças preguiçosas
viciadas em televisão: a TVcicleta, na verdade uma bicicleta ergométrica
conectada ao aparelho de tevê que obriga as crianças a pedalar para assitir a
seus programas favoritos. Parou de pedalar, a televisão simplesmente desliga.
É mais uma invenção para tentar diminuir o problema da obesidade infantil. O
número de crianças e adolescentes obesos, entre 6 e 17 anos, nos Estados
Unidos da América, já ultrapassa os 13%. Na realidade a obesidade é a doença
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nutricional que mais cresce no mundo. Uma pesquisa do Centro de Controle e


Prevenção de Doenças dos Estados Unidos mostrou que, na última década, as
mortes decorrentes do excesso de peso (caussa de diabetes, hipertensão e
doença cardiovasculares) aumentaram quatro vezes mais do que as motivadas
pelo fumo. Por isso, o sobrepeso vem sendo tratado como epidemia pelos
americanos. Dados da ABESO indicam que o número de obesos no país
dobrou nos últimos anos. Até os anos 1970, havia no Brasil duas pessoas
desnutridas para cada obeso. Hoje os dados apontam três indivíduos obesos
para cada desnutrido. A pesquisa mostra que 50% das crianças obesas tronam-
se adultos com o mesmo problema, podendo chegar a 80% quando se trata de
adolescentes. A obesidade é causada por uma combinação de fatores
genéticos, alimentação inadequada, falta de atividades físicas (95% dos casos),
e também por problemas emocionais, psicológicos ou outras doenças (5%).
Para avaliar se uma criança ou adolescente está ou não com o peso acima do
ideal, a melhor maneira é calcular o índice de Massa Corpórea (IMC): divide-
se o peso da criança ou adolescente por sua altura ao quadrado. Os resultados
obtidos devem ser comparados com os valores de referência específicos para a
idade e o sexo da criança ou adolescente, conforme tabela abaixo:

Indicação ACIMA DO PESO OBESO


IDADE MENINOS MENINAS MENINOS MENINAS
2 18.4 18 20.1 20.1
3 17.9 17.6 19.6 19.4
4 17.6 17.3 19.3 19.1
5 17.4 17.1 19.3 19.2
6 17.6 17.3 19.8 19.7
7 17.9 17.8 20.6 20.5
8 18.4 18.3 21.6 21.6
9 19.1 19.1 22.8 22.8
10 19.8 199 24 24.1
11 20.6 20.7 25.1 25.4
12 21.2 21.7 26 26.7
13 21.9 22.6 26.8 27.8
14 22.6 23.3 27.6 28.6
15 23.3 23.9 28.3 29.1
16 23.9 24.4 28.9 29.4
17 24.5 24.7 29.4 29.7
18 25 25 30 30
Fonte: ABESO.

Uma pesquisa realizada por especialistas nos Estados Unidos da


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América constatou que os americanos vêem cerca de quatro horas de TV por


dia, e mais ainda nos meses de inverno. Um novo estudo sugeriu que o tempo
gasto no sofá pode trazer prejuízos mais terríveis do que se imaginavam. Em
Nice, pesquisadores franceses reexaminaram mais de 65 mil casos de
trombose venosa profunda (coágulos de sangue potencialmente fatais nas
pernas) e descobriram que no inverno as hospitalizações eram 18% mais
freqüentes. Esses coágulos se formam com relativa rapidez, mas eliminar os
riscos é tão simples quanto levantar da cadeira, pois é preciso apenas fazer o
sangue circular.

TV, PREGUIÇA MENTAL E CÉREBRO ATIVO


Ver televisão é uma maneira fácil de permitir que outras pessoas
exponham os produtos de suas imaginações, através de nossa consciência,
para seus próprios fins. É como se a mente entrasse numa espécie de
“devaneio televisivo”, onde o telespectador tem imagens na mente, mas está
numa condição totalmente passiva, inconsciente do mundo exterior ao de suas
imagens. Pesquisas têm indicado que quando as pessoas estão assistindo aos
programas de televisão que lhes interessam, suas ondas cerebrais estão em
estado alfa, o que indica que estão recebendo o conteúdo de modo passivo.
Estado alfa são padrões de ondas cerebrais que ocorrem quando você não se
orienta em direção a algo. Essa técnica é utilizada nas meditações
transcendentais para obter relaxamento, mas também ocorre quando você vê
TV. Assim, uma pessoa que assiste um comercial, por exemplo, pode
direcionar sua mente integralmente à TV e não às diferenças de conteúdo.
Estar em alfa é aprender de forma passiva, e essa “aprendizagem” ocorre
quando a pessoa não está nem concentrada nem opondo resistência à fonte de
informação. Suas faculdades críticas estão em repouso, não há confrontação
de problemas ou idéias. Deste modo a informação chega à pessoa, mas ela não
reage a ela. Todavia, essa informação fica “armazenada na mente”, e talvez
mais tarde haja uma reação a ela, sem que a pessoa saiba a que está reagindo.
Deste modo, as sugestões feitas enquanto a pessoa está mentalmente relaxada
em estado alfa, são mais prováveis de serem seguidas posteriormente. Desta
maneira há um paradoxo entre o estado alfa (passividade), promovido pelo ato
de ver a imagem eletrônica na TV e o seu conteúdo informativo, repleto de
sons e imagens. O parodoxo é que ao mesmo tempo que informa, a televisão
freia a nossa capacidade de desenvolver o senso crítico e processar a
informação. A TV multiplica o número de informações recebidas pela visão e
audição, abrindo as janelas do mundo, mas ao mesmo tempo, diminui a
capacidade de lidar conscientemente e inteligentemente com essas
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informações, além de bloquear o desenvolvimento da comunicação falada e do


diálogo.
Por isso, nada melhor para desenvolver a arte da boa comunicação do
que o hábito da leitura, que além de trazer conhecimentos culturais, pode
“prevenir” doenças degenerativas do cérebro. Alguns alegam que a leitura
causa sono e cansa os olhos. Mas, de acordo o Instituto de Neuropatologia da
Universidade Livre de Berlim na Alemanha, o hábito de ler retarda o
envelhecimento do cérebro. Exercitar a “massa cinzenta” é um hábito que se
deve ter desde a juventude. Especialmente importante na terceira idade, a
leitura é uma das melhores formas de manter o cérebro ativo, evitando a
degradação provocada por vários tipos de demência senil, como o mal de
Alzheimer.
Cientistas têm investigado se pessoas com maior grau de escolaridade
estão mais protegidas do mal de Alzheimer. Muitos têm visto o estudo, e
principalmente a leitura, como um “remédio” preventivo para esse mal.
Alzheimer é uma doença que tem como os primeiros sintomas a perda de
memória e alterações de comportamento, levando as suas vítimas a sofrer uma
degeneração das capacidades mentais. Foi diagnosticada pela primeira vez em
1906, sendo responsável por até 50% dos casos de demência, aparecendo na
velhice, segundo as estatísticas sobre o avanço do alzheimer: no Brasil há 1,5
milhão de portadores, enquanto que nos EUA há 4 milhões. Outro fato é que
pessoas com mais de 65 anos têm 10% de chance de desenvolver o mal. Aos
85 anos, as chances aumentam para até 50%.
Desde 1992, a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, vem
publicando trabalhos que sugerem a teoria de que um intelecto mais
estimulado forneceria uma reserva contra a proliferação do Alzheimer. Com
base em pesquisas desenvolvidas nos Estados Unidos, na Europa e na China,
os cientistas encontraram algumas evidências de que um nível educacional
mais alto pode servir de proteção contra a degeneração dos neurônios
promovida pelo Alzheimer. Na verdade não impediria a doença de se
desenvolver. No entanto atrasaria a sua progressão. O oposto também vem
sendo investigado, ou seja, se a baixa escolaridade é capaz de precipitar o
avanço dessa enfermidade. Essa teoria neurológica revela que um fator social
pode interagir com o biológico e até mesmo determinar a organização de uma
estrutura cerebral. Mas a questão é: de que maneira um bom nível escolar
protegeria o cérebro? Em expriências com camundongos, os cientistas
encontraram mais terminações nervosas e conexões entre neurônios (as
sinapses) em ratos estimulados com objetos e mais bem nutridos. Cogita-se
que, nos seres humanos, haja um processo semelhante. Ou seja, em um
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número maior de conexões, o Alzheimer teria de percorrer um caminho maior


até conseguir degenerar uma quantidade de neurônios razoável para
incapacitar o portador.
Outra alternativa para ter mais qualidade de vida na terceira idade é a
que propõe um estudo da Universidade Católica do Chile. A pesquisa revelou
que viajar faz muito bem aos idosos. Problemas como insônia, falta de apetite
e depressão são amenizados quando os velhinhos saem de sua rotina e
conhecem novos lugares. Ficou constatado que 85% adquirem mais
disposição; 78% tornaram-se mais sociáveis; 58% deixam de ter insônia; e
42% sentiram melhora no apetite. As explicações são que, quando viajam, os
idosos precisam memorizar novos nomes, horários e lugares. Essa quebra de
rotina estimula seus processos cerebrais e contribui para a prevenção do mal.
Como filhos e filhas de Deus devemos considerar que, se Ele nos deu a
capacidade de ler, devemos usá-la com todas as nossas energias mentais, não
apenas para trazer vigor e saúde ao nosso cérebro, mas para entendermos o
plano da salvação e o conjunto de verdades que foram a nós reveladas na
Bíblia. É por meio da leitura da Santa Palavra de Deus que estaremos
protegidos contra os efeitos degenerativos do erro e do pecado., Em artigo
publicado na revista Veja sob o título: “A Televisão e a Volta às Cavernas”,
Roberto Pompeu de Toledo comenta todavia, o fato de que nossa sociedade
hoje parece viver num tempo de culto da imagem deixando de lembrar do
valor inestimável da palavra escrita. Ele faz sérias críticas ao uso exclusivo e
indiscriminado dos meios de comunicação, inclusive o telefone, afirmando
que o homem que pensa de verdade escreve cartas aos amigos. Toledo faz
menção a Lorde Thomson of Monifieth, um inglês que já presidiu a
Independent Broadcasting Authority (órgão de supervisão do sistema de rádio
e televisão na Grã-Bretanha) que disse certa vez numa conferência que
lamentava não ter surgido na história da humanidade primeiro a televisão, e
depois os tipos móveis de Gutenberg. “Penso que imprimir e ler representam
formas mais avançadas de comunicação civilizada do que a transmissão de
TV”, afirmou Monifieth. Esse lúcido inglês confessou que, em seus momentos
sombrios, se sente incomodado com o pensamento de que a humanidade
caminhou milhões de anos para voltar a ponto de partida. Começou
magnetizada pelos desenhos nas paredes das cavernas e terminou magnetizada
diante das figuras de alta definição nas paredes onde se embutem os aparelhos
de televisão.

SOMBRAS DA REALIDADE
De certa maneira podemos afirmar que a primeira sessão de cinema
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numa sala pública de projeções, aconteceu a mais de dois mil anos, muito
antes que Louis Lumière mostrasse as paisagen animadas de La Ciotat no
Grande Café de Paris. Ela teve lugar na imaginação de Platão, que, por sua
vez, a credita a Sócrates, num diálogo com o discípulo Glauco, e veio a ser
conhecida posteriormente como a “Alegoria da Caverna”. À caverna de
Platão, basicamente uma “sala de projeção”, pode ser feita outra alegoria, a da
imagem. Fazendo uso dos pensamentos filosóficos de Platão em sua obra “A
República”, onde é apresentada sua “alegoria da caverna”, e sobrepondo seus
pensamentos à idéia de Monifieth, podemos narrá-la e aplicá-la ao mundo de
hoje da seguinte maneira:
Imagine um grupo de pessoas que sempre viveram dentro de uma
caverna sem jamais terem saído para ver a luz do sol e o mundo real. Tais
indivíduos sempre comtemplaram as sombras que se projetavam para dentro
da caverna, oriundas da pouca luminosidade advinda de sua entrada. Esses
seres humanos nunca puderam ao menos olhar para a própria entrada da
caverna, uma vez que estavam acorrentados de costas para ela, eram obrigados
a ver as imagens disformes que se projetavam, uma vez ou outra, na parede
logo à sua frente; tais imagens eram produzidas quando algum animal ou
pessoa passava do lado de fora, projetando suas sombras para dentro. Nossos
personagens sempre acreditaram que as sombras que viam, e os ecos que
ouviam, era a realidade última dos fatos, sem jamais questionar a origem de
tais imagens e ecos. A fascinação demonstrada por eles diante das sombras era
indescritível, permaneciam ali o dia todo, olhando para as imagens em
movimento enquanto a vida no mundo real, fora da caverna, a verdadeira fonte
de conhecimento e satisfação plena, permanecia inexplorada. Mas um belo
dia, um deles conseguiu se libertar das correntes, e olhando para a claridade à
entrada da caverna ficou curioso. Começou a andar em direção a única saída.
A luz que vinha de fora ofuscava e castigava seus olhos, por um momento ele
quase desistiu, mas a sua inteligência o desafiava a prosseguir. Aos poucos ele
foi se acostumando com aquela claridade, seus olhos foram se adaptando à
nova situação, até que finalmente resolveu pular para fora da caverna; porém,
não resistindo à intensa luz do sol caiu por terra, com as mãos cobrindo seus
olhos. Jamais em toda sua existência havia entrado em contato com o mundo
real, aos poucos foi se recuperando do impacto e seus olhos foram se abrindo
para comtemplar a realidade da vida, e não apenas as suas sombras e ecos.
Quando voltou para avisar seus companheiros da sua descoberta, eles riram e
disseram que ele estava louco, que a única coisa que realmente dava sentido à
vida era comtemplar as sombras projetadas na parede.
Essa alegoria pode representar a situação de muitas pessoas em nossa
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sociedade, e até mesmo dentro da igreja. São aqueles que vivem limitados pela
“caverna” do vício televisual, pessoas que preferem contemplar as sombras e
ouvir os ecos, deixando de viver a realidade, pois estão continuamente diante
do aparelho das fantasias. São indivíduos que pensam estar comtemplando o
fantástico show da vida, e não conseguem se libertar para uma forma mais
nobre de conhecimento e relacionamento. Nesse processo o consumismo é o
bem mais idolatrado, oferecido pelo capitalismo, ainda que não consumido.
Todavia, quando essa libertação ocorre, ficam por alguns instantes atordoados
diante da complexidade dos fatos e da beleza da verdade, até finalmente
compreenderem que a vida real está além dos sons e das imagens projetadas
na TV. Esses privilegiados que escapam da “caverna”, descobrem novas
dimensões, mais complexas e verdadeiras. Para muitos que professam o nome
de Cristo, se faz necessário sair da caverna televisiva, perceber as coisas, as
pessoas, e viver num mundo real servindo ao próximo e a Deus. Buscando o
verdadeiro conhecimento e um relacionamento significativo, tanto no sentido
vertical, voltado para as verdades eternas; como no sentido horizontal, voltado
para as necessidades de um mundo sem Cristo.
Em seu livro The Unreality Industry (A Indústria da Irrealidade), Ian
Mitroff afirma que a televisão prejudica nossa mente de duas maneiras.
Primeiro, ela apresenta a irrealidade eletronicamente de tal forma que o
espectador muitas vezes não consegue fazer distinção entre o real e a ficção.
Em seguida torna essa distorção tão atraente, que a pessoa não se preocupa
mais em distinguir o que é real do que não o é. Certa ocasião, após ter falado
sobre a influência da TV na vida espiritual e familiar, fui procurado por um
membro da igreja. Jamais esquecerei a angústia daquele irmão ao me falar da
situação do seu filho. Disse ele: ore pelo meu filho, ele tem 16 anos e sua vida
se resume em ver TV. Ele só sai do seu quarto para almoçar e ir ao banheiro,
não quer trabalhar, nem estudar. Não tem amigos e só quer ficar dentro do seu
quarto vendo TV ou ouvindo música Rock.
Alienação, comportamento anti-social e apatia diante das
responsabilidades e realidades da vida, estes são alguns efeitos trazidos pela
dominação televisual na vida pessoal de muitos. São casos extremos de como
uma pessoa pode passar a vida dentro da “caverna”, diante das sombras,
perdendo o verdadeiro sentido de sua existência. Ao absorver a filosofia
individualista veiculada pela TV, o indivíduo passa a considerar os
personagens televisivos como o seu coletivo, na TV ele vê tudo o que precisa
ver, então por que sair de casa e fazer novos amigos? Por que se preocupar
com os que vivem sem Cristo? Por que sair para visitar e testemunhar da
verdade eterna do evangelho?
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Além de tudo isso, devemos considerar que o nosso Deus nos deixou
uma revelação em forma de Graphê (escrita), Ele exorta em Sua Palavra:
“Bem aventurado aquele que lê...e guarda as palavras desta profecia, pois o
tempo está próximo.”(Apocalipse 1:3). Por outro lado Ele nos adverte: “... Aí
dos que habitam na terra...porque o diabo desceu a vós e tem grande ira,
sabendo que já tem pouco tempo.”(Apocalipse 12:12). Esse inimigo fará o
possível para nos desviar da leitura dessa Revelação feita por Jesus aos seus
servos. (ver Apocalipse 1:1-2). Portanto, não permita, que as “sombras”
inspiradas pelo maligno e projetadas em sua TV, levem-no a negligenciar a
oração, a leitura e o estudo da Palavra de Deus, tanto na vida pessoal quanto
no culto familiar, e principalmente com relação a seus filhos.
Ao falar da decadência do ensino e da educação nas famílias Norte
Americanas, (o que também pode ser aplicado à nossa realidade) Allan Bloom
afirma que “não é evidente que alguém cuja leitura regular consiste em Time,
Playboy e Scientific American seja senhor de uma sabedoria mais profunda
sobre o mundo do que o aluno da escola rural de outrora com seu manual de
leitura de McGuffey, o célebre pedagogo do século passado. Quando um rapaz
procurava instrução, como Lincoln, o que havia à mão para aprender de
imediato era a Bíblia, Shakespeare e Euclides. Seria realmente pior a situação
dele do que a das pessoas que tentam abrir caminho por entre a salgalhada
técnica do atual sistema educativo...? Pelos padrões atuais, diz Bloom, meus
avós eram ignorantes, tanto que meu avô se ocupava com empregos humildes.
Mas a casa deles era espiritualmente rica, porque tudo que nela se passava (e
não só o que era tipicamente ritual) encontrava origem nos mandamentos da
Bíblia e explicação nas histórias bíblicas e nos comentários sobre elas, com
seu equivalente imaginário nos feitos de uma miríade de heróis exemplares.
Meus avós encontraram razões para a existência da família e o cumprimento
de seus deveres em textos sérios...o verdadeiro ensino era respeitado porque
tinha uma conexão sensível com a vida das pessoas”.

TV, ANAFALBETISMO E MANIPULAÇÃO DE MASSA


As estratégias de controle da opinião pública são bem mais complexas
do que se pode imaginar. Não é a televisão o único veículo desse controle,
nem tampouco o conjunto dos meios de comunicação. Na imensa maioria dos
países capitalistas e democráticos, os meios de comunicação pertencem a
empresários que investem neles objetivando lucro. Nos poucos países
socialistas que restam, os meios pertencem ao Estado, com o objetivo de
controlar todo contéudo transmitido e desta maneira exercer maior controle da
opinião pública. Mas, também é comum que nos países capitalistas o governo
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possua canais de TV educativos sem fim lucrativo. Todavia uma coisa é certa,
aquele que controla os meios de comunicação, seja o empresário, seja o
governo, tem condições de impor à audiência a visão de mundo do grupo que
representa. Porém, numa sociedade democrática, a idéia da manipulação total
é absurda. Isso porque existem visões de mundo que sempre estão em conflito,
dando liberdade ao telespectador para exercer o direito de escolha. Mas nem
sempre essa manipulação é facilmente percebida, não raro ela aparece sob o
disfarce de uma orientação sútil à um determinado comportamento, ou mesmo
uma indução. Os grupos que detêm o poder sabem como a TV influencia as
pessoas e recorrem a incontáveis artifícios – desde sutis construções de
linguagem até evidentes manipulações da realidade – e tudo isso para criar
uma “verdade conveniente” por meio da indústria da comunicação. É
seguindo este parâmetro que a TV apresenta a mentira disfarçada de verdade
ou misturada com ela, o supérfluo como se fosse uma questão de vida ou
morte, e propositalmente ignora o essencial, o primordial, o que na realidade
importaria.
Indubitavelmente, a TV tem contribuído, e muito, para que predomine
entre a população como um todo, essas “verdades convenientes”, que
geralmente são opostas a todo e qualquer princípio cristão. Tais “verdades”
têm, dentre os seus objetivos, o de desviar a atenção do público para as
realidades sociais, tais como: fome, miséria, corrupções, crises econômicas,
etc. É como se o povo fosse eternamente “embalado em berço esplendido”,
esquecendo de reinvidicar direitos sociais e exercer a cidadania plena. As
verdades convenientes apresentadas pela mídia funcionam mais como uma
“cortina de fumaça”, impedindo que as pessoas realmente pensem e tenham
uma visão ampla e crítica dos verdadeiros acontecimentos. Para o povo de
Deus, a situação é ainda mais complexa, porque essas “verdades
convenientes” adquirem dimensão espiritual ao entreter e desviar os filhos de
Deus das verdades eternas reveladas na Bíblia.
A Televisão também é um meio eficaz de estabelecer costumes e mudar
o padrão de comportamento de milhares de pessoas quase que
simultâneamente, e tudo de uma maneira muito sutil e aparentemente ingênua.
Isso adquire muito mais importância quando se leva em consideração o fato de
que, no Brasil, com uma população estimada em mais de 183 milhões de
habitantes, a grande maioria não têm uma educação formal adequada, nem
acesso à uma formação cultural digna e, conseqüentemente, não têm a
capacidade de fazer uma leitura crítica das informações e conteúdos
veiculados pela mídia eletrônica de forma fragmentada.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
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(INEP/MEC), divulgou as seguintes estatísticas quanto ao acesso da


população brasileira à educação:

Nível Educacional Ano de 1994 Ano de 1997


Ensino Fundamental 32,4% 34,22%
Ensino Médio 5,07% 6,40%
Ensino Superior 1,66% 1,99%
(Obs: Porcentagem em milhões)

Embora esteja ocorrendo uma evolução no número de matrículas em


escolas e universidades públicas e particulares, segundo dados estatísticos da
UNESCO e INEP/MEC, publicados em 1998, o Brasil ainda ocupa o segundo
lugar em número de analfabetos na América do Sul, perdendo só para a
Bolívia (ver tabelas abaixo), o que indica que os livros estão fechados para
uma boa parcela da população, que tem na tevê sua única fonte de informação.

LIVROS FECHADOS
População Analfabeta da América do Sul
Bolívia 16,9%
Brasil 16,0%
Peru 11,3%
Equador 9,9%
Venezuela 8,9%
Colômbia 8,7%
Paraguai 7,9%
Chile 4,8%
Argentina 3,8%
Uruguai 2,7%
(Obs: Porcentagem em milhões)

ANALFABETOS NO BRASIL
Idade Homens Mulheres
De 15 a 19 7,9% 4,0%
De 20 a 24 8,7% 5,5%
De 25 a 29 10,0% 6,4%
De 30 a 39 11,0% 9,4%
De 40 a 49 15,8% 15,9%
Mais de 50 28,1% 34,4%
(Obs: Porcentagem em milhões)

Dados da UNESCO/Pnud de 2000 já revelavam que o Brasil ocupava a


73º posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH=0,757); enquanto a
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taxa de analfabetismo da população com idade acima de 15 anos era de


13,6%. Outra estatística do IBGE/Pnads, realizada entre os anos de 1996,
1998 e 2001 revelou que a taxa de analfabetismo da população brasileira na
faixa de 15 anos ou mais está decrescendo. Em 1996 era de 14,7; em 1998 era
de 13,8; em 2001 era de 12,4, considerando que esta percentagem corresponde
a aproximadamente 15 milhões de analfabetos funcionais, que não sabem ler e
escrever seu nome, os números são alarmantes. Quando consideramos que há
níveis de analfabetismo, e que apenas saber ler e escrever seu nome não é
garante ao indivíduo a capacidade de interpretação e de “leitura” crítica dos
meios de comunicação de massa, esse número pode aumentar
consideravelmente.
Se o analfabetismo é uma mácula nacional, a situação do ensino no Brasil é
vexatória. A educação brasileira obtém um desempenho apenas comparável ao
de países da África, o continente mais miserável do planeta. Enquanto no
mundo civilizado a porcentagem da população que completa o primário é
bastante próxima de 100%, no Brasil apenas 39% concluem esta fase do
aprendizado crucial para o próprio exercício da cidadania. Faz companhia ao
Brasil a pobre Angola (34% de conclusão), devastada por vários anos de uma
das mais cruentas guerras civis do mundo. Mesmo quando comparado a outros
países da América Latina, o Brasil faz feio. Segundo estudo realizado pela
UNESCO, no vizinho Uruguai 94% terminam o primário; em Trinidad e
Tobago, 89%; na Venzuela, 86%; no México, 80%; no Paraguai, 70%; na
Colômbia, 56%.
Infelizmente, no Brasil, a grande maioria da população não tem acesso
ao jornal diário escrito. O baixo nível de instrução da população, combinado
com o baixo poder aquisitivo, faz com que o número de habitantes que lêem
jornal seja um dos mais baixos dentre os países industrializados como revela a
pesquisa abaixo:
TIRAGEM DE JORNAIS DIÁRIOS EM 1988
País Exemplares por mil habitantes
 Japão 566
 Estados Unidos da América 259
 México 124
 Itália 105
 Chile 67
 Brasil 55
(Fonte: UNESCO)

Se no Brasil o número de leitores é baixo, o número de ouvintes de


rádio e de telespectadores é alto. O rádio e especialmente a televisão atingem a
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imensa maioria da população brasileira. Os telejornais, programas de auditório


e principalmente as novelas atingem milhões de pessoas e conquistam a
audiência de jovens e adultos. Desta maneira, sem terem acesso à educação e
sem desenvolverem uma consciência crítica da mídia, o padrão de
comportamento da grande maioria é elaborado por trás dos bastidores dos
meios de comunicação de massa, especialmente da TV. Tudo é feito segundo
os interesses econômicos e ideológicos de determinados grupos. E podemos
estar certos de que os comerciais não estão aí apenas para fazer a gente
comprar coisas, não. Indiretamente, eles promovem idéias, vendem um estilo
de vida, criam “o mito da perfeição”.
Uma ideologia se constitui num conjunto de idéias e pensamentos que
estão associados a interesses de uma determinada classe social. Todas as
classes, sem exceção, estão ligadas e são movidas por ideologias. Assim, por
trás de uma idéia veiculada na TV, sempre estão os interesses de seus
mentores. Mas, nem sempre a ideologia apresentada reflete suas verdadeiras
intenções ou está em harmonia com os princípios do cristianismo bíblico.
Por exemplo: quando você assiste a um comercial na TV, no qual
aparecem pessoas bonitas, saudáveis e felizes voando de Asa Delta ou
praticando algum outro hobby, e tendo o cigarro como companheiro
inseparável; a idéia da indústria do fumo é associar o cigarro ao sucesso, à
vitória, à felicidade e, por incrível que pareça, à saúde das pessoas. Jamais, a
indústria do fumo fará uma propaganda mostrando alguém ligado a um tubo
de oxigênio, lutando para poder respirar, por causa de enfizema pulmonar,
muito menos mostrará alguém com a garganta tomada pelo câncer, ou algo
semelhante. No entanto, milhares de telespectadores, principalmente os
adolescentes, são levados a associar o cigarro com a beleza e a felicidade, e
induzidos a comprar aquela marca para supostamente atingir o mesmo status
ou viver as mesmas situações que os atores da propaganda (de maneira falsa e
cínica) representaram na tevê.
As ideologias veiculadas pela TV são mais um fator de mudanças
sociais. Embora haja ideologias que não ferem os princípios Bíblicos (são
raras as excessões), a grande maioria delas está em contraposição aos ideais
cristãos. Essas idéias e pensamentos na maioria das vezes antiéticos, pelo
menos do ponto de vista cristão, são repassados ao grande público por meio de
propagandas, filmes, comentários, entrevistas e principalmente por meio das
telenovelas. As novelas são um capítulo à parte. Não apenas ensinam
ideologias como enfraquecem a mente, tornando-a fantasiosa e dispersiva. Ao
passar suas idéias e produtos ao telespectador, as novelas estabelecem
modelos de comportamento baseados em exemplos menos dignos, produzindo
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atos maliciosos e lascivos com descarada esperteza e astúcia. A questão do


consumo de bebidas alcoólicas é um exemplo. Sempre que estão diante de
uma crise ou angústia os atores recorrem ao uso do álcool, seja numa “dose de
álcool” ou num gole de cerveja, para buscar alívio das tensões. O ato de
“beber socialmente” é apresentado como uma alternativa para fugir dos
problemas ou encará-los com mais coragem. É dessa maneira que o
pensamento e o modo de vida de um grupo predomina sobre a população.
Tudo isto, muitas vezes fica no subconsciente do telespectador, podendo
mediante a tentação do inimigo, produzir pensamentos e ações de pecado,
levando o indivíduo à miséria, degradação e ruína física, intelectual, social e
espiritual.

TELEVISÃO, CONSUMISMO E MATERIALISMO


Após a revolução e o desenvolvimento industrial, e a inevitável
expansão do capitalismo, a diversão e o lazer tornaram-se um grande negócio.
Com o surgimento da chamada indústria de entretenimento, surgiu também
uma sociedade marcada pela sede do consumo. Esse consumismo, muitas
vezes desenfreado e louco, é incentivado constantemente pelos meios de
comunicação de massa. Nesse processo de incentivo ao consumo a televisão
adquire um papel extremamente importante (do ponto de vista econômico),
mas infelizmente, na maioria das vezes, esse papel é manipulador. Há uma
espécie de treinamento para que o povo trabalhe e consuma, trabalhe e
consuma...Vivendo para, e em função do “ter”.
Usando a expresão empregada pelo sociólogo alemão Theodor Adorno
(1903-1969), o século XX presenciou o surgimento do que ele denominou de
“indústria cultural”. Para Adorno, toda manifestação artística e cultural
produzida nos últimos cem anos devia desenvolver um pensamento crítico no
homem, mas acabou se degenerando em mera mercadoria dessa indústria
cultural. O efeito desse processo nas pessoas foi a acomodação do senso
crítico e a conformidade com os valores e padrões da filosofia consumista. O
filósofo Herbert Marcuse (1898-1979) descreve melhor esse processo em seu
livro: “Ideologia da Sociedade Industrial - O Homem Unidimensional”. Para
ele as sociedades altamente industrializadas caracterizam-se pela produção em
larga escala de bens de consumo. Através da propaganda veiculada nos meios
de comunicação é divulgada e estabelecida a idéia de que a realização humana
funda-se no ter e não no ser. Quando uma pessoa acredita que sua libertação e
realização encontram-se naquilo que a propaganda lhe apresenta, essa pessoa
perde sua dimensão crítica, e quanto mais ela acreditar na filosofia do ter,
menor será o seu senso crítico.
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Na sociedade de consumo a “felicidade” é colocada à venda sob as mais


variadas formas: roupas, marcas, casas, carros, etc. Para que a pessoa pense
assim, a propaganda é usada para agir no sentido de “domesticar” as energias
e produções humanas, direcionando-as para o consumo. A liberdade, muitas
vezes é sacrificada no altar do consumismo, levando milhares de pessoas a
comprar uma necessidade artificial e, de certa forma, imposta pela
propaganda. Isso se torna mais grave ainda para as crianças. Deve-se levar em
consideração que há um envolvimento emocional entre o público infantil e
determinados ídolos televisivos. Os “apelos” ao consumo são feitos baseados
nesse envolvimento emocional da criança com seu ídolo, o que é um poderoso
estímulo ao consumo de determinados produtos. Esse bombardeio feito pelas
diversas formas de propaganda acaba transformando as crianças em
consumidores compulsivos. Nos adolescentes isso fica muito mais claro na
obsessão que desenvolvem por produtos “de marcas famosas” como tênis,
calças, camisetas, etc. E se os pais não podem comprar o que eles viram na TV
está armada a maior briga.
Tudo isso porque o consumismo é o bem mais idolatrado, ainda que não
consumido. O consumismo é o bem oferecido pelo capitalismo, todavia, os
privilegiados que conseguem escapar de suas garras descobrem que a vida tem
outras dimensões, mais complexas e reais do que os produtos (na maioria das
vezes supérfluos) oferecidos na tevê. É fora desse sistema escravista de
consumo desenfreado, que a pessoa encontra a verdadeira razão de viver e a
mais pura realidade. Mas, infelizmente, a realidade é que, para a grande
maioria, a mídia transformou o “Tchan” na expressão mais popular que
qualquer livro. Enquanto para ver TV basta prestar atenção, para ler um livro é
necessário imaginar, refletir e pensar. Na TV um fato banal é mais importante
do que as mais recentes descobertas científicas. A indústria cinematográfica
oferece como produto, o mais mágico dos bens de consumo, sonhos, ilusões!
A imagem nos mostra a realidade já pronta. A mídia é organizada em grandes
monopólios de comunicação e padronizada para pregar o consumo.
Se por um lado a televisão apresenta itens de que realmente
necessitamos, por outro, ela também apresenta um verdeiro bombardeio
daquilo que é supérfluo e muitas vezes até prejudicial. A propaganda tem o
poder de transformar aquilo que não é essencial à vida em algo de imediata
urgência. Vende, não apenas o produto em si, mas idéias, atitudes e
comportamento. Hoje em dia, come-se, veste-se, fala-se e age-se de acordo
com uma escala de valores massificada e pré-estabelecida no ambiente
sofisticado dos estúdios das emissoras de televisão.
A letra de uma canção de Edson Alencar e Hélio Matheus, em que o
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assunto é a televisão, ilustra essa questão e chama a atenção para o aspecto


comercial da TV, o título é: Comunicação.

Sinto o anúncio e vejo;


Em forma de desejo o sabonete;
Em forma de sorvete;
Acordo e durmo na televisão;
Creme dental saúde;
Vivo no sorriso o paraíso;
Quase que jogado, impulsionado;
No comercial;
Só tomava chá;
Quase que forçado vou tomar café;
Ligo o aparelho, vejo o rei Pelé;
Vamos então repetir o gol;

É incontestável que o mundo da publicidade costuma exagerar a


importância de novos artigos e estimular os consumidores a vender ou jogar
fora bens apenas parcialmente gastos, para abrir caminho para outros, sendo
portanto verdade que o consumidor é geralmente apanhado numa “armadilha
consumista”. Com isso, é estabelecido um relacionamento cada vez mais
temporário das pessoas com as coisas, que são consideradas descartáveis. Isso
ocorre porque o cidadão normal é mal informado e treinado ou condicionado,
para um sistema de sobrevivência em que ele está empenhado em comprar
uma quantidade enorme de quinquilharias, hipotecando o salário do mês
seguinte. É desta maneira que as dívidas têm levado milhares de pessoas a
uma situação de estresse, angústia e solidão, que geralmente acaba
culminando em atos de violência. É importante resaltar que as coisas são
altamente significativas para o ser humano, não somente devido a sua
utilidade funcional, mas também por causa de seu impacto psicológico.
Desenvolve-se relacionamentos com as coisas e há pessoas que resistem em se
desfazer de algum objeto por causa de seu valor sentimental. Todavia, a mídia
está sempre enfatizando a necessidade de renovar, mesmo quando não é
necessário, criando a sociedade do “compre-use-e-descarte”.
Um exemplo desse ciclo de constantes renovações é a moda.
Sustentados pela promoção dos meios de comunicação de massa e por
técnicas sofisticadas de marketing, tais modismos atualmente irrompem em
cena virtualmente da noite para o dia e desaparecem quase com a mesma
rapidez. Essa constante transitoriedade e o desejo de acompanhá-la tem criado
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uma geração estressada e escravizada por marcas e grifes, e as consequências


psicológicas dessa “sociedade do descartável” ainda precisam ser estudadas
mais a fundo, mas as consequências espirituais ficam claras quando
contrastadas com os princípios da mordomia e modéstia cristã.
O sistema de valorização do próprio ser humano é imposto pela TV.
Com a equação: ter é igual a ser, o sistema de publicidade passa a mensagem
de que para “ser alguém” dentro da sociedade, para ser aceito, reconhecido,
respeitado e valorizado, você precisa ter. É adquirindo determinados bens de
consumo que você ganhará projeção social. É vestindo determinadas marcas e
usando produtos anunciados pela mídia que você será reconhecido e terá
valor. Todavia, como escreveu William James, “as vidas baseadas no ter são
menos livres do que as baseadas no fazer ou em ser”.
Essa busca de bens, muitas vezes se transforma na razão de viver da
grande maioria, levando-os a uma vida de extremo materialismo e
consumismo febril, que inevitavelmente leva ao individualismo selvagem, ao
egoísmo, à ganância, à avareza e à cobiça insaciáveis. São pessoas que nunca
estão satisfeitas com o que têm, não desenvolveram um espírito de gratidão e
vivem sempre competindo e se comparando com os outros, diante disto é bom
lembrar que é na comparação que está a raiz do complexo de inferioridade.
Todavia, a Palavra de Deus condena a cobiça (a qual é a raiz de todos os
pecados) e recomenda uma atitude de gratidão, generosidade e contentamento.
A televisão tem o poder de nos afastar do que há de fundamental em
nossas vidas. Quando você vai ao supermercado você compra alguma coisa
em todas as seções? É claro que não. Você vai para as seções onde há algo que
quer e passa direto por aquelas onde não há nadad de que você precise. Mas
quando se trata de televisão, muitos de nós parecemos consumidores vorazes
que não resistem a qualquer oferta. Às segundas-feiras vemos televisão. Às
terças vemos televisão. E as quartas vemos televisão. Muitas vezes vemos
televisão porque estamos viçados e não porque haja algo que realmente
desejamos ver. Quando você estiver na frente da televisão faça-se a pergunta:
“eu quero mesmo ver isso?” Ou poderia estar batendo um papo com amigos,
com a família, lendo um bom livro ou fazendo uma caminhada? Os psicólogos
descobriram que algumas pessoas assistem tanta televisão que sua capacidade
de conversar chega a ficar prejudicada. Costumo dizer em minhas aulas de
filosofia que o pensamento da grande maioria é do tamanho da tela de seu
televisor.
A televisão rouba nosso tempo e nunca o devolve. Não ligue a tevê só
porque ela está lá e isso é o que você costuma fazer. Ligue-a apenas quando
houver algum programa que você realmente queira ver. Você vai aprender a
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usar suas horas livres de formas enriquecedoras e criativas, que lhe darão
muito mais prazer, satisfação e felicidade do que o entorpecimento passivo
que a televisão acionada pelo controle remoto pode lhe trazer. As pesquisas
mostram que assistir televisão em excesso pode triplicar a sua ânsia
consumista, e cada hora diária de televisão reduz em cerca de 5% a sua
satisfação pessoal. A avançada tecnologia ocidental, voltada cada vez mais
para a prática do viver para consumir e não do consumir para viver, tem
transformado o homem pós-moderno em andróide, programado, unicamente,
para os bens de consumo. As propagandas são sedutoras, apresentam
vantagens, passam a sensação de superioridade para quem adquirir os seus
produtos. Falam com doçura e sensibilidade de formas, cores e sonhos. Nos
envolvem, nos conquistam com promessas. O alvo dos anúncios é ensinar a
desejar o que não se desejava antes.
O problema é que muitos transformam em verdadeiros rituais a compra
e o uso de bens de consumo, procuram muitas vezes nos bens materiais de
consumo, a satisfação espiritual. Os shoping centers são considerados
templos, nos quais o culto consiste na adoração, no louvor, no sacrifício, na
exaltação de marcas, na gratificação pela aquisição do produto idolatrado e na
glorificação do dinheiro. Há quem só considere a satisfação da existência
como resultado das coisas que compra. O lema dessas pessoas, mesmo
incosciente, é: “vou às compras, logo existo”. O consumidor tem sido
orientado e disciplinado pela mídia a ser insaciável. Ele nunca deve ficar
satisfeito com o que tem, pelo menos não por muito tempo. Essa mentalidade
muitas vezes é refletida na vida religiosa. Há quem procurre igrejas e seus
“produtos” da mesma froma como procura artigos em shopings e
supermercados. Na faltam, infelizmente, mercadores da fé, vendendo,
literalmente, esperanças, milagres, paz e conforto; falsos, poprque a fé é um
dom de Deus e seus benefícios só se aplicam àqueles que crêem.
Muitos esquecem que, enquanto muito dinheiro é gasto em futilidades,
milhares de pessoas morrem sem ter o que comer ou sem um remédio para
tomar. Um bem terreno não pode dar a verdadeira satisfação e a paz que só o
Senhor Jesus cristo pode proporcionar àqueles que o buscam. O consumismo
exagerado reflete o vazio, a pobreza e a carência da alma. Quem não tem nada
dentro de si, vive à procura de algo que possa preencher esse vazio. Na
verdade, ninguém deveria dar-se às coisas que “a traça e a ferrugem corroem e
onde os ladrões escavam e roubam” (Cf. Mateus 6:19). A palavra de Deus
também ensina que “onde estiver o nosso coração, ali estará o nosso tesouro”.
Enquanto a equação divulgada pela mídia é: ter igual a ser; o
cristianismo bíblico ensina justamente o oposto. Jesus, no “sermão do monte”,
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deixou claro que o mais importante aos olhos de Deus não é ter (embora Deus
saiba das nossas necessidades e deseje suprí-las), mas ter não é prioritário.
Buscar o Reino de Deus e a Sua justiça está em primeiro plano. (Cf. Mateus
6:32-33). O essencial, no pensamento de Jesus, é primeiro ser, e cada
indivíduo é tão inestimável para Deus, que o seu valor se baseia no fato de que
Ele fez a maior avaliação do ser humano ao morrer na cruz do calvário.
Enquanto a TV ensina que você só terá valor se tiver um carro novo, a cruz de
Cristo diz que você, como pessoa humana, como indivíduo, é a coisa mais
preciosa que há em todo universo. Para atrair e manipular de maneira mais
eficaz o telespectador, os cientístas da comunicação inventaram ídolos de
consumo. Esses ídolos incorporam os valores pré-estabelecidos pelos
produtores, se tornam símbolos dos ideais que as massas humanas aspiram.
São ídolos considerados heróis e heroínas nacionais que, sob um sofisticado
jogo de luzes, sons e imagens, passam a representar pretensiosamente os
anseios de todos quantos gostariam de atingir determinado status na vida
social, econômica, política e mesmo religiosa. É dessa maneira que a TV
exerce seu papel manipulador, criando indivíduos sem individualidade,
incapazes de pensar e decidir por si mesmos, pessoas que são verdadeiros
papéis-carbono e cópias daquilo que vêem na telinha. Uma pessoa que é
manipulada dessa maneira, não tem “luz” própria, é apenas um mero refletor
do pensamento alheio. E no caso de alguém que professa ser filho ou filha de
Deus a situação é ainda pior, “não têm a luz da vida e ainda permanece em
trevas”. “O pensamento de grupo” imposto de maneira manipuladora pela TV
é responsável pelo controle da consciência de milhares de pessoas que
costumam racionalizar assim: “a maioria pensa e age assim; por que não vou
fazê-lo também? Agrega-se a isso o fato de que há o interesse de esvaziar toda
e qualquer discusão (seja ela econômica, educacional, política, sociológica ou
religiosa), e colocar em primeiro plano qualquer outro assunto.
Com raras exceções, geralmente a televisão condiciona o indivíduo ao
modo de pensar do inimigo. Quando a mente é sobrecarregada com o
conteúdo profano da TV, por meio de imagens violentas, apelos à lascívia,
desejo de status e poder, ela tende a se conformar com essas mensagens, que
vêm emolduradas por imagens, sons e cores fantásticas e deslumbrantes. A
pessoa passa a moldar os seus pensamentos e o próprio comportamento, de
acordo com o que armazena em sua mente. Esse processo de repetição da
mídia pode ser definido como disse alguém: “água mole em pedra dura tanto
bate..., até que não há mais pensamento próprio”.
Por sua constante insistência em impor “seu pensamento” é perigoso
não ter um senso crítico apurado diante da telinha. E mais perigoso ainda é
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não ter discernimento espiritual para perceber o perigo do poder massificador


da TV, isto é, o poder que ela tem de destruir nas pessoas o exercício da
individualidade. Por essa razão, quando o apóstolo Paulo adverte: “E não vos
conformeis com este mundo”, ele deseja afirmar que não devemos moldar
nossa vida aos padrões de comportamento planejados por pessoas que vivem
sem Cristo e distantes das normas eternas. O mesmo apóstolo ainda diz: “...
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente para que experimenteis
qual seja a boa e perfeita vontade de Deus”. (Cf. Romanos 12:1-2).

PROPAGANDAS PERIGOSAS E ENGANOSAS


É inegável a importância da publicidade nos meios de comunicação.
Numa economia de livre iniciativa e concorrência ela cumpre importantes
funções, como a de garantir a pluralidade e a independência dos veículos
informativos. A publicidade não deixa de ter a sua utilidade ao divulgar o
lançamento de novos produtos e serviços. Afinal, sem ela seria difícil ampliar
as vendas, promover a concorrência e gerar as economias de escala que
resultam em produtos e serviços de melhor qualidade e menores preços. Pode-
se afirmar que sem imprensa livre não há democracia. E sem propaganda não
existe imprensa livre. Todavia, nem toda propaganda é de fato útil, ou mesmo
democrática.
A influência dos comerciais que divulgam bebidas alcoólicas, por
exemplo, exercem uma pressão quase constante sobre as pessoas. Não é à toa
que um dos piores problemas sociais do Brasil e de outros países é a doença
do alcoolismo. David Ogilvy, um dos mestres da publicidade nos Estados
Unidos, acusou certa vez a propaganda de ter persuadido 58% dos americanos
adultos a consumir cerveja. Outra pesquisa revelou que os jovens que assistem
muito à TV, especialmente videoclipes, estão mais propensos a se tornar
consumidores de bebidas alcoólicas.
Uma pesquisa realizada no Instituto de Psicologia da USP por Ilana
Pinsky e Ronaldo Laranjeira, autores do livro O Alcoolismo, analisou 2.107
comerciais de TV para defender a tese sobre propaganda e bebidas alcoólicas
e constatou que há mais comerciais de bebidas alcoólicas na televisão
brasileira do que de bebidas não alcoólicas, cigarros, medicamentos ou
automóveis. E quando se analisam vinhetas, ou seja, comerciais curtos de no
máximo cinco segundos de duração, bebidas alcoólicas lideram o ranking, à
frente de outras categorias fortíssimas como serviços bancários e aparelhos
domésticos. A conclusão a que se chegou nessa pesquisa é de que hoje, a
sociedade por meio da mídia não faz outra coisa senão convidá-lo a beber. E
quando se faz parte do grupo de pessoas que se tornarão dependentes do
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álcool, a mesma sociedade e cultura que o incentivou a beber, simplesmente o


rejeita e discrimina. Outro problema grave considerado pela OMS
(Orgaqnização Mundial da Saúde) como uma epidemia mundial é o
tabagismo.
Um estudo norte-americano, realizado pela Universidade da Califórnia
e divulgado na revista do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, constatou
que o principal alvo, bem como as vítimas dos comerciais de tabaco, são as
crianças e os adolescentes. Eles são alvos fáceis e os mais visados pela
propaganda do cigarro. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer),
órgão do Ministério da Saúde do Brasil, o momento ideal para transformar
uma pessoa num fumante para o resto da vida é na adolescência. A indústria
tabagista também sabe que é nessa fase que se cria a dependência. Na opinião
de especialistas, um dos problemas é que a propaganda do cigarro é mais ágil
e agressiva do que os programas de informação para os jovens. A influência
negativa da publicidade sobre o cigarro fica confirmada diante das estatísticas:
Nos EUA, estima-se que mais de um terço dos adolescentes esteja fumando.
Pesquisas do CDC, Centro para o Controle e Prevenção de Doenças indicam
que entre 1995 e 1997 o número de fumeantes entre estudantes do segundo
grau passou de 34,8% para 36,4%. O governo dos EUA estima que 3 milhões
de adolescentes são fumantes e que um terço vai morrer de doenças ligadas ao
cigarro. No Brasil, dados do IBGE de 1989 indicavam que 2,8 milhões de
jovens até 19 anos eram fumantes; na população em geral o país teria cerca de
40 milhões de fumantes.
A pesquisa norte-americana revelou ainda que, quanto mais cedo a
pessoa começa a fumar, mais danos o cigarro vai provocar em seu organismo.
Além de o jovem cair na dependência mais rapidamente, é ele quem pagará
mais caro pelo vício precoce. Analisando o tecido do pulmão não atacado pelo
câncer, os pesquisadores observaram que, nas pessoas que não fumavam,
havia 32 alterações do DNA em 10 milhões de células. Entre os que
começaram a fumar entre sete e 15 anos, houve 164 alterações. E entre os que
iniciaram entre 15 e 17 anos, foram 115, caindo para 81 entre aqueles que só
fumaram depois dos 20 anos. As alterações genéticas são causadas pelas
substâncias químicas presentes no cigarro.
Geralmente quem chega aos 20 anos sem fumar, dificilmente começa. Por isso
muitas instituições governamentais e não governamentais (Ongs) estão
empenhadas em impedir que o adolescente se inicie. Até porque o cigarro
pode servir de porta de entrada para que os jovens queiram experimentar
outros tipos de drogas. Um dos meios usados para alertar os adolescentes tem
sido a Internet, um exemplo é a página do Instituto Nacional do Câncer:
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www.inca.gov.br. Segundo estatísticas, no Brasil, “o uso de cigarros entre


adolescentes passou de 22% para 44% nos últimos 10 anos. Já o consumo de
bebidas alcoolicas passou de 65%, nos anos 80, para mais de 90% nos dias
atuais”. Conforme uma pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre
Drogas Psicotrópicas (CEBRID) que ouviu 24 mil estudantes no país inteiro,
cerca de 18% dos jovens em idade escolar bebem rotineiramente – alguns com
apenas doze anos de idade. Para muitos profissionais da área da saúde, esse
crescimento exagerado deve-se a um fator preponderante: A propaganda de
cigarrro e bebidas na televisão direcionada quase que exclusivamente ao
público jovem. Pesquisas demonstram que há cerca de 10 anos a indústria de
cigarros e bebidas observou que o consumo estava diminuindo. Então
direcionaram as campanhas publicitárias ao público jovem. Deu resultado
fantástico do ponto de vista financeiro para as empresas. Mas catastrófico do
ponto de vista da saúde pública. O fato de aparecer na televisão a observação
de que “fumar faz mal à saúde” era praticamente ineficaz do ponto de vista
preventivo. O que é apresentado primeiro acaba exercendo maior influência.
Primeiro passam imagens esculturais, com ação e aventura, usando modelos
maravilhosamente lindos. Depois aparece a inscrição de advertência em letras
minúsculas e descoloridas. O fato de a mídia fazer campanha contra drogas
mais pesadas como a maconha e a cocaína, e deixar o tabagismo e o
alcoolismo de lado, reflete o caráter comercial que está por trás de toda essa
publicidade. Acontece que a maconha e a cocaína não são drogas socialmente
aceitas e não têm uma indústria legalizada como a do tabaco e do álcool que
podem anunciar nos meios de comunicação. Já as empresas de cigarros e
bebidas são os principais anunciantes. Todavia, as medidas para restringir a
publicidade do cigarrona mídia incluem a Lei Federal de 27 de dezembro de
2000, a qual proíbe a veiculação de propagandas na televisão e internet
restringindo aos postos de venda com frases e imagens de advertência
impressos nas carteiras de cigarros.
Mas, não são apenas os comerciais de bebidas alcoólicas e cigarros que
constituem “propagandas perigosas” e prejudiciais. A tevê também tem se
tranformado num paraíso promocional de jogatinas e apostas, apelos sexuais e
convites místicos. É uma fonte perigosa de propaganda de números que levam
às práticas pagãs da bruxaria e à lascívia e perversão da sexualidade. Esse
marketing abusivo (embora pretenda vedar a participação de menores) acaba
atingindo todas as faixas etárias sem discriminação, e muitas crianças e
adolescentes são seduzidos por seus apelos.
A televisão tem incentivado o vício do jogo eletrônico por telefone em
milhares de telespectadores. Os apelos promocionais incluem televisores,
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carros, casas, prêmios em dinheiro, caminhões e até helicóptero. Diante desse


bombardeio consumista baseado numa constante insistência para ligar
imediatamente, o telespectador acaba ficando desarmado e tentado a arriscar
na sorte, tornando-se uma vítima fácil. Os sorteios via 0900 começaram na
televisão brasileira em agosto de 1996, e atualmente é o negócio que mais
movimenta dinheiro na TV. Segundo dados levantados pela assembléia
legislativa de São Paulo, só em 1997 os números com 0900 movimentaram
276 milhões de reais, uma média de 23 milhões por mês, engordando os
caixas das emissoras e saqueando o telespectador.
Como se sabe, o jogo “ainda” é ilegal no país, há, no entanto uma lei de
1971 que autoriza sorteios feitos por instituições filantrópicas que tenham
recebido algum bem como doação. Em 1997, o Ministério da Justiça criou
uma portaria autorizando as entidades beneficientes a divulgar esses sorteios
pela TV. É com esse amparo legal que as emissoras ainda fazem (até o
momento em que escrevo estas linhas) os concursos pelo sistema telefônico
0900. O problema para a Justiça é que, de acordo com a lei, todo o dinheiro
arrecadado, descontados os custos operacionais, deveria ir para instituições de
caridade ou associações esportivas. Não é isso que vem acontecendo, o que
torna tal prática uma verdadeira propaganda enganosa. Muitas dessas
instituições beneficientes cedem seu nome para a “campanha” e acabam não
recebendo nada ou quase nada dos milhões arrecadados. Mesmo aqueles que
participam com a “boa intenção de ajudar” os necessitados (embora isso não
justifique tal vício), acabam na verdade ajudando a enriquecer uma classe de
pessoas por demais privilegiada.
Apesar de estar sob os olhos da Justiça e da Procuradoria-Geral da
República (por ser uma ameaça ao desempenho das loterias promovidas pelo
Governo), a embrulhada dos sorteios televisivos continua a todo vapor. Só
para termos uma idéia da movimentação financeira que essa prática envolve,
reportando-nos em maio de 1998, os números desse “caça níquel” telefônico
nas quatro principais emissoras do país eram os seguintes:

Globo* Record Sbt Bandeirantes


Ligações 7 milhões 5 milhões 3,5 milhões 2 milhões
Valor em Reais 27 milhões 20 milhões 14 milhões 8 milhões
(*A Globo começou a operar no dia 17 de maio de 1998)

E os números não param por aí não, as previsões feitas para durante a


copa do mundo (frança/98) era de que a média mensal de 23 milhões do ano
de 1997 quintuplicasse. Segundo a revista Veja de 18 de julho de 1998,
somente para o cassino telefônico da Globo estava previsto a seguinte
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estatística:

REDE GLOBO MAIO/98 JUNHO-JULHO/98


Número de Ligações 7 milhões 36 milhões
Dinheiro Movimentado (R$) 27 milhões 142 milhões

Usando as palavras do jurista Ives Gandra da Silva Martins, “esses


cassinos eletrônicos geram recursos fantásticos. Mas dão uma premiação
ridícula aos apostadores”. A coisa fica mais ridícula ainda quando se leva em
consideração que, em 1995, de acordo com o Banco Mundial, o Brasil era o
campeão mundial da desigualdade social, apresentando a maior concentração
de renda do planeta” (ver tabela abaixo). Nessa concentração a minoria tem a
maior fatia do bolo do capital monetário (ou quase o bolo inteiro), e a maioria
fica com as migalhas:

CONCENTRAÇÃO DE RENDA (% DO PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO)

País 10% mais ricos 20% mais pobres


Brasil 51,3 2,1
Bolívia 31,7 5,6
Etiópia 27,5 8,6
Suécia 20,8 8,0
*Fonte: Arruda e Piletti, Toda História. Editora Ática, pág. 396.

Infelizmente este quadro não mudou muito atualmente. Outro fator


agravante no Brasil é a concentração da terra em mãos de poucos. Apesar da
imensidão do seu território (850 milhões de hectares),... 2,8% de grandes
proprietários detêm 56,7% das terras, enquanto 89,1% de pequenos
proprietários ficam com apenas 23,4% das terras. E ainda há 4,8 milhões de
famílias rurais sem terra. Tudo isso sem analizar aqui o problema relacionado
aos meninos e meninas de rua, a difícil situação habitacional, o problema da
fome e do trabalho infantil, dentre tantos outros que flagelam nossa sociedade.
As questões que deveriam deixar qualquer um intrigado são: como, uma
população com tantas dificuldades e desigualdades sociais, econômicas e
educacionais, pode se dar ao luxo de esbanjar tanto dinheiro? Por que os
poderosos do meio da comunicação não usam ao menos uma pitada de bom
senso e param com essa manipulação psicológica abusiva da massa? Na minha
opinião, essa fortuna arrecadada gananciosamente só contribue para deixar o
Brasil na classificação de campeão da má distribuição de renda e injustiça
social. Nesse sentido, nossa contribuição como cristãos é de não participar
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desta e de outrs formas de jogo, pois essa prática só traz desgraças e incentiva
o egoísmo, além de contribuir para a formação de uma super- classe de
privilegiados, em detrimento da grande maioria, principalmente daqueles que
vivem na pobreza ou abaixo dela, que no caso do Brasil somam um total de
cerca de 40 milhões de pessoas.
Como dissemos, a tevê também promove imagens pornográficas e apela
para a prática do chamado sexo por telefone. Segundo uma pesquisa realizada
em São Paulo, só num “serviço” gay daquela cidade, 1% das chamadas
recebidas são feitas por crianças e adolescentes. Apesar das queixas de muitos
pais, em estado de inadimplência junto à companhia telefônica, essa
propaganda continua incentivando os menores a uma vida de imoralidades.
Isso tem contribuído para a formação de uma imaginação pervertida e doentia,
e de uma mentalidade lasciva voltada para pensamentos de adultério e luxúria.
Tal informação promove atitudes egoístas frente à sexualidade humana,
incentiva a prática de vícios secretos e promove desvios no comportamento
sexual, além de inculcar idéias distorcidas sobre masculinidade e feminilidade.
Tudo isso sem mencionar a exploração da mulher como um mero objeto, o
que acaba criando um esteriótipo social e reforçando posturas machistas de
desrespeito a mulher. Os resultados da pesquisa “A Mulher Retratada pela
TV”, realizada pela CPM Market Research de São Paulo, confirmou o que
muitos já intuíam: “as mulheres brasileiras sentem-se cada vez menos
representadas pela programação e menos identificadas com o modelo
difundido pela telinha.” As principais críticas feitas à programação da TV
aberta foram de que o sexo em excesso divulgado na telinha erotiza meninas
antes do tempo, transmite imagem irreal e não atende as necessidades da
mulher, voltando-se mais para o homem. A pesquisa também indicou quais as
personalidades femininas da televisão que refletem uma imagem negativa da
mulher; as mais negativas segundo as entrevistadas, foram: Tiazinha, as
mulheres do 0-900, as garotas da banheira do gugu, e a rebolativa Carla Perez.
Outro fator que não pode ser ignorado é a divulgação de telefones
místicos na TV, que chega a ser “espantosa”. Os apelos para pegar o telefone e
discar em busca de ajuda espiritual incluem várias práticas esotéricas, tais
como: disque Tarot, numerologia, angelologia, búzios, disque bruxos, etc.
Para citar apenas um exemplo, o grande ícone do misticismo televisual via 0-
900 é Walter Mercado, considerado o guro esotérico das chamadas televisivas
promovidas pela Nova Era. Envolta em capas acetinadas, a figura andrógena
desse Porto-Riquenho faz milhões no filão esotérico do 0900. Com um jeito
efeminado e o bordão em “portunhol” ligue “djá”, apenas na TV brasileira
Mercado fatura 5 mihões de reais por mês. Contando com cerca de 250
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atendentes em São Paulo, a maioria egressa do candomblé, o serviço brasileiro


de Walter Mercado se dispõe e pretende resolver quaisquer dificuldades: de
problemas financeiros a decepções amorosas. Hoje essa multinacional da
Nova Era fatura 150 milhões de dólares por ano em cinquenta países ao redor
do globo. Além de ganhar dinheiro pelo telefone, esse instrumento de satanás
vende uma vasta gama de quinquilharias esotéricas, desde livros a velas e kits
de incenso.
Em uma entrevista de na televisão, concedida para a jornalista Maria
Gabriela, ele afirmou que foi curado aos sete anos de idade numa “sessão de
santeria” (equivalente ao candomblé e umbanda) em Porto Rico, sua cidade
natal. Mercado disse claramente que estamos vivendo na era de aquário e os
“dogmas” cristãos devem sem rompidos. Conceituou Deus como uma energia
pura, e declarou sem vacilar: “Deus está dentro de você”. Quando interrogado
sobre como recebe suas visões, alegou que as recebe baseadas na astrologia, e
que sua primeira atitude a cada manhã é respirar Deus (conceito panteísta),
ele afirmou: “meu cristo interior me fala e peço visões ao meu deus interior”.
Ele ainda garante que após ter sido curado aos sete anos de idade, realizou seu
primeiro milagre ainda na infância: ressuscitou um passarinho tocando-o,
beijando-o e soprando sobre seu cadáver. Segundo ele, após essa sessão de
“tranmissão de energia cósmica”, o bichinho saiu voando, desde então as
pessoas o tocam para serem curadas pelo seu “deus interior”.
Quando perguntado se acreditava no diabo, respondeu que “o diabo não
existe. Diabo são as coisas e pensamentos ruins”. Mercado mantém uma rede
mundial de psíquicos (conselheiros espirituais) em países como Estados
Unidos da América, Caribe, Indonésia, Portugal, México, Colombia,
Argentina, etc. Classificou o Brasil como a terra da magia branca, mas admitiu
que já praticou a magia negra. Quando criança, com 5 ou 6 anos de idade,
solicitou num círculo mágico que a professora ficasse doente para não ter de
fazer um teste na escola no dia seguinte, e ela adoeceu! Também a sua
resposta sobre a doutrina da reencarnação foi enfática: “eu não creio em
reencarnação, eu sei que existe”! Mercado crê cegamente em vidas anteriores
e chegou a declarar que, dentre outras vidas, foi um bruxo malvado que
praticava magia negra. Quando a jornalista lhe perguntou quantos anos tinha,
respondeu que tinha aproximadamente 235 anos, somando suas últimas 4
reencarnações. “Eu nunca nasci e nunca morri (ciclo sem fim). Nunca vou
morrer!”, garantiu presunçosamente reproduzindo a primeira grande mentira
proferida no Éden pela serpente quando afirmou aos nossos primeiros pais que
certamente eles não morreriam de desobedecessem a Deus. (Cf. Gênesis 3:4).
Apesar de ter se recusado a confessar o quanto ganha no 0900, fez
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questão de alegar obras de caridade ao redor do mundo. E não escondeu


algumas vaidades, como a de levar sempre consigo 8 mil dólares em notas de
20 para comprar antiguidades, e a de gastar 100 mil dólares por ano com
roupas. Com um visual inconfundível, tem mais de 3000 capas brilhantes em
suas casas de Miami, Los Angeles, New York e Porto Rico. Disse que suas
capas são um símbolo de seu misticismo. Mercado jura que pratica o celibato
há duas décadas, mas definiu sua sexualidade como yin-yang (antigo símbolo
oriental que representa o negativo-positivo e simboliza o equilíbrio das
energias cósmicas divinas com seus dois pólos opostos); e como feminino e
masculino, alegando que todos têm os dois lados. Também afirmou ser
constantemente convidado a fazer o mapa astral de gente famosa ao redor do
mundo, principalmente atores de Hollywood. Escreveu sete livros sobre a
filosofia New Age, e já realizou mais de 200 conferências na Rússia. Ele já
veio várias vezes ao Brasil, onde lançou seu sétimo livro entitulado: “Além do
horizonte: Visões do Novo Milênio”. Afirma que finalmente haverá uma
religião, onde o deus será o amor.
Estas são as influências e ensinamentos a que uma pessoa se submete
quando disca para Walter Mercado e seus discípulos, ou, a outra fonte de
ensinamentos espiritualistas e esotéricos. Especialmente perigosa às crianças e
adolescentes, tais fontes são uma armadilha do diabo para enganar as nações e
se possível enfraquecer a fé dos filhos de Deus. (Cf. Apocalipse 16:13-14).

ESTRATÉGIAS PARA NÃO SER SEDUZIDO PELOS COMERCIAIS


Não é necessário fazer uma análise muito profunda para perceber que
geralmente as pessoas acreditam nos comerciais de TV. É claro que isso
dependerá de muito fatores, tais como a criatividade do anúncio, a qualidade
do produto, a credibilidade da emissora, a repetição do anúncio em outros
veículos de comunicação, etc. Todavia, independente desses fatores, pesquisas
têm revelado que de um modo geral os telespectadores acreditam.
Para que você não seja uma vítima do consumismo desenfreado
promovido pela indústria sofisticada da publicidade sugerimos 5 estratégias
“para se proteger”.
1ª. Avalie os comerciais.
Procure perceber o que está por trás dos anúncios, e quais são as suas
“segundas intenções”. Avalie se eles condizem com a realidade, se são
realmente úteis e necessários ou apenas uma questão de vaidade e capricho
passageiro. Enquanto vê o comercial, tente descobrir qual é a sua estratégia.
2ª. Procure dosar o tempo dedicado à tevê.
Alguns especialistas são enfáticos em afirmar que ver televisão em
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demasia deixa a pessoa meio “dopada”, facilitando a aceitação dos produtos


anunciados e das mensagens veiculadas, o que acaba induzindo ao consumo.
3ª. Conheça seus pontos fracos.
Se a mídia pode ajudar a mudar o resultado de uma eleição, ela pode
influenciar o seu comportamento. Evite o anúncio dos produtos que você é
mais influenciado e tem mais dificuldade para resistir. Para alguns o álcool é
uma tentação, para outros os apelos sexuais, a comida, a vaidade, o
materialismo, etc. Portanto, indentifique seus pontos fracos.
4ª. Deternine sua real necessidade do produto.
Como ninguém compra aquilo que não lhe interessa, a propaganda tenta
criar uma necessidade física ou psiológica dos seus produtos. Por isso,
verifique se a coisa é boa mesmo, se as informações são corretas e se vai ser
útil.
5ª. Se você não gostar do que vê, reaja.
Mantenha sua individualidade resistindo às propagandas enganosas.
Uma maneira de protestar é telefonar para os orgãos competentes de direito e
defesa do consumidor, ou mesmo para a empresa que pôs o anúncio no ar,
protestando e dando a sua opinião. Outra opção mais radical é desligar a TV.
De qualquer modo, desenvolva o hábito de ver as propagandas com olhos
críticos.

CULTIVANDO A LEITURA
Acredito que todos os pais têm aspirações semelhantes para os filhos:
boa saúde, felicidade, trabalho interessante e satisfatório, estabilidade
financeira, etc. Quando porém consideramos que muitos já não sabem em que
acreditam, pois perderam a confiança em si próprios para dizer aos filhos
senão que desejam vê-los felizes e realizados na sua capacidade potencial. E
que consideram os valores como coisas muito discutíveis e relativas.
Percebemos a necessidade de prioridades educacionais bem como de uma
edução moral bem definida.
Apesar desses pais desejarem o máximo de sucesso profissional e
material a seus filhos, um dos maiores presente que podem dar a eles é a
paixão pela leitura. Se os pais e professores se preocuparem desde cedo em
formar nos seus filhos e alunos o hábito da leitura, eles não perderão seu
tempo com as programações impróprias oferecidas pela TV. E também não
perecerão por falta de conhecimento, pois saberão pensar por si mesmos e
tomar decisões mais sábias.
Ler, escrever e pensar, é justamente isso que o próprio Governo Federal
sugere na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN).
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Ensinar as crianças e adolescentes a ler, a escrever e a se expressar de maneira


competente na língua portuguesa é o grande desafio dos professores do ensino
fundamental.
A deficiência na leitura e na escrita é o responsável número um pelo
índice de repetência e de abandono nas escolas brasileiras, considerado um
dos mais altos do mundo. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs), a proposta é que ao longo das oito séries do ensino fundamental, os
alunos devem desenvolver as seguintes habilidades:
 Expressar-se em diferentes situações. Em caráter privado, com a família e
os amigos, ou em público, na apresentação de um trabalho em classe ou
solenidade escolar.
 Saber expressar-se de diferentes maneiras. Ou seja, usar a linguagem
adequada a cada ambiente: a coloquial, em situações de intimidade; ou a
formal, que utiliza a forma culta (valorizada socialmente), em situações
cerimoniosas. Numa entrevista para obter emprego as expressões usadas e
a clareza de expor idéias e pensamentos fazem uma grande diferença.
 Conhecer e respeitar as variedades lingüísticas do português falado. O
aluno deve entender que no Brasil existem sotaques, expressões regionais e
maneiras diferentes de falar. Nenhum está certo ou errado. Eles são apenas
diferentes.
 Saber distinguir e compreeender o que dizem diferentes gêneros de texto:
uma bula de remédio, um bilhete ou um anúncio de venda têm intenções,
estilos e vocabulários muito diferentes entre si.
 Entender que a leitura pode ser uma fonte de informação, de prazer e de
conhecimento. Ela dá acesso às informações necessárias para o dia-a-dia e
aos mundos criados pela literatura e pelas ciências. O aluno deverá saber,
ainda, como recorrer a diferentes materiais impressos para atender a
diferentes necessidades.
 Ser capaz de identificar os pontos mais relevantes de um texto, organizar
notas sobre esse texto, fazer roteiros, resumos, índices e esquemas. Em
resumo, ele deve transformar a linguagem em um instrumento de
aprendizagem, que lhe dê acesso e meios de usar as informações contidas
nos textos que lê.
 Expressar seus sentimentos, experiências, idéias e opções individuais.
Também deve ser capaz de ouvir, interpretar e refletir sobre as idéias de
outros, sabendo contrapor-lhes suas próprias idéias.
 Ser capaz de identificar e analisar criticamente os usos da língua enquanto
instrumento de divulgação de valores e preconceitos de raça, etnia, gênero,
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credo ou classe. É o que ocorre nas piadas consideradas “inocentes” sobre


portugueses, judeus, baianos ou negros. No entanto, refletir e debater sobre
o real significado preconceituoso delas pode gerar uma interessante
oportunidade para aprender a respeitar o ser humano.
Falar e escutar, além de ler e escrever, são ações que permitem produzir
e compreender textos. Cabe à escola e aos pais desenvolver a linguagem oral
de suas crianças. Ler e escrever são atividades que se complementam. Os bons
leitores têm grandes chances de escrever bem, já que a leitura é que fornece a
matéria-prima para a escrita. Quem lê mais tem um vocabulário mais rico e
compreende melhor a estrutura gramatical e as normas ortográficas da Língua
portuguesa. Bem como o sentido do que está lendo. Quanto mais variados,
interessantes e divertidos forem os textos apresentados às crianças, maior será
a chance delas tornarem-se leitoras hábeis. Indivíduos que têm pouco interesse
pela leitura, têm dificuldades em aprender.
Para as famílias cristãs, essa é uma declaração ainda mais abrangente.
Principalmente quando se leva em consideração a urgência em entender o que
Deus revelou em Sua Palavra, especilamente nas profecias de Daniel e
Apocalipse. É a falta de leitura que leva muitos membros a ter um
conhecimento superficial das doutrinas bílbicas e certa dificuldade em
entendê-las. Muitos já foram acometidos de “Dislexia Bíblica” (Dislexia é a
inabilidade para aprender a ler, ou dificuldade mental e patológica de ler).
Todavia, somos advertidos e admoestados a ler, esse é o primeiro passo para
aprender as verdades da Sagrada Escritura. “Bem-aventurado (feliz) aquele
que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que
nela estão escritas; porque o tempo está próximo”. (Apocalipse 1:3).
Nesse instante você pode estar perguntando: Mas como isso pode ser
realizado dentro de casa? Como desenvolver o hábito salutar e cultural da
leitura em meus filhos? Como posso incentívá-los a gostar de ler?
Comentando a importância de estimular os filhos para a leitura, Anna
Quindlen sugere algumas medidas que poderão servir de base aos pais, para
partilhar a alegria de ler, formando assim leitores assíduos. Quindlen afirma
que “crianças chegam à leitura de vários modos em diferentes ocasiões”. Mas
os pais podem fazer o seguinte para ajudar os filhos a criar e aproveitar a
paixão duradoura pela leitura:
 Comece pelos livros que agradam a você. Até descobrir o que seu filho
gosta de ler, escolha livros de que você gostava quando era pequeno, e com
novas histórias que mexem com sua fantasia. É mais provável que ele goste
de um livro que já o tenha empolgado. Vá à biblioteca local e peça à
encarregada dos livros infantis para sugerir autores e títulos de que as
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crianças gostem.
 Faça da leitura uma rotina. Para conseguir que seu filho se habitue a ler,
destine uma hora todos os dias para juntos lerem um livro. Bastam de 15 a
30 minutos - ou o suficiente para ler uma história inteira ou um capítulo.
Isso dá ao jovem leitor oportunidade para se instalar, focalizar e aproveitar.
 Tenha um comportamento-modelo para boa leitura. Seu filho o observa
quando você lê. Se não parece divertir-se, está enviando mensagem
dizendo que a leitura não é muito agradável. Por mais cansado que esteja,
procure não ser monótono. Leia com entusiasmo. Deixe surgir o ator que
existe em você. Se aparentar tédio, não pode esperar que seu filho se
interesse.
 Revezem-se na leitura. À medida que os filhos amadurecerem como
leitores, anime-os a ler para você de modo ideal, com muita expressão.
„Ler‟ também pode significar pedir a uma criança muito nova para lhe
contar uma história conhecida enquanto você vira as páginas.
 Pegue emprestado ou compre livros sempre que possível. Cultive o hábito
de levar os filhos à biblioteca. Em casa, procure encher de livros as
estantes. Dê um livro de presente de aniversário e nos feriados. Encoraje os
amigos e parentes a fazerem o mesmo. Quando for às compras e seu filho
pedir um presente, compre um livro. É mais barato do que brinquedo e
investimento muito melhor para o futuro de seu filho.
Um dos presentes mais valiosos que os pais podem deixar para os
filhos, não é o livro em si, mas é o ato de “ler para”, ou, “com”, os filhos. Ler
juntos é a melhor maneira de promover uma duradoura paixão pelos livros.
Essa atitude é crucial, principalmente durante as férias, pois de acordo com
pesquisas feitas pelo Dr. Harris Cooper (Ph.D.), “as crianças geralmente
perdem entre um a três meses de aprendizado durante as férias de verão.”
Especialistas concordam que a atitude dos pais para com a leitura é
extremamente importante. Os pais deveriam ler todas as noites para seus
filhinhos e continuar lendo, mesmo depois que os filhos possam fazê-lo por
eles mesmos. O Dr. Cooper sugere que para as crianças mais velhas, seja
criado um programa próprio de leitura para o período de férias, o qual pode
ser colocado em prática da seguinte maneira: 1- Estabeleça um alvo de leitura.
Um livro por semana não é muito. 2- Ao invés de impor, sugira vários títulos.
3- Leve seu filho a uma livraria e o ajude a escolher um bom livro sobre os
seus temas favoritos. 4- Depois, prometa a seu filho que você também irá ler o
mesmo livro quando ele não estiver lendo. 5- Proponha que após a leitura, no
final de semana vocês discutirão junto o que leram. Outra alternativa para as
férias é aproveitar os programas de leitura e oficinas de arte oferecidos pelas
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bibliotecas públicas, ou o que estiver disponível em sua comunidade. O mais


importante é deixar que suas crianças vejam que você realmente se alegra e
sente prazer com a leitura.
A escola, mais especificamente o professor, também pode ser um
poderoso aliado na educação das crianças para a boa leitura. Segundo os
Parâmetros Curriculares Nacionais, o professor, em união com os pais, pode
desenvolver o hábito da leitura entre seus alunos por meio de duas atitudes
básicas:
 Incentivando a leitura diária. Não se formam bons leitores, se eles não têm
um contato íntimo com os textos. Há inúmeras maneiras de fazer isso: o
aluno pode ler em silêncio, a leitura pode ser feita em voz alta, em grupo
ou individualmente, ou o professor pode ler um texto para a turma.
 Usando textos diversificados. Cada vez mais o aluno terá de compreender e
escrever textos mais diferenciados, claros e criativos. Não é preciso
quebrar a cabeça para conseguir textos diversificados, esses textos estão
por toda parte: jornais, folhetos de propaganda, revistas. Até algumas
embalagens de produtos alimentícios costumam trazer pequenos textos
repletos de informações. O importante é que o material escrito apresentado
aos alunos seja interessante e desperte a curiosidade das crianças. Textos
literários e poesias também devem ser usados.
Ao lecionar por mais de dez anos para alunos do primeiro e segundo
graus, tive a oportunidade de constatar a grande dificuldade de redação e
expressão de idéias demonstrada por muitos meninos e meninas. Crianças e
adolescentes que detestavam ler, e quando o faziam, era com muita
dificuldade e deficiência na entonação, acentuação, expressão e até
concordância verbal. Uma das razões para essa aversão à leitura e para tanta
deficiência na comunicação e expressão da língua materna repousa no
universo encantado das imagens televisivas e diversões eletrônicas (os
professores de Português que o digam). Grande parte das pessoas hoje, não só
crianças, já não lê com tanta freqüência ou já abandonou esse hábito, porque
foram conquistados por outro hábito considerado “moderno”, assistir TV.
Contudo, vale refletir no que Groucho Marx (comediante americano) disse:
“acho que a televisão é muito criativa. Todas as vezes que alguém liga o
aparelho, vou para a outra sala e leio um livro”. Uma consequência natural
dessa exposição exacerbada diante da telinha é a preguiça mental crônica.
Diante da TV o telespectador não precisa pensar, nem raciocinar e, muito
menos, usar a imaginação e a criatividade. Basta sentar confortavelmente e
receber tudo pronto e pensado. Uma grande parte já permitiu que seu cérebro e
sua imaginação criativa fossem embotados, por isso detestam ler.
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Daniel Scarone, em artigo publicado na revista Decisão, estabelece uma


comparação entre o hábito de ver televisão e o hábito de ler. Ele argumenta
que um texto escrito nos oferece códigos imóveis compostos por letras que são
decodificadas em imagens de acordo com o ritmo da leitura. Se lemos a
palavra „casa‟, a composição das letras não se assemelha a uma casa, mas ao
ler os signos a imaginação cria uma casa em nossa mente. Por outro lado, a
televisão trabalha com imagens e, sendo assim, poupa a imaginação. Ela já
nos entrega uma imagem em formação, e não necessitamos imaginá-la. Por
exemplo: quando um esritor descreve um personagem, cada leitor vai
imaginar à sua maneira, mas quando a televisão mostra um personagem,
ninguém precisa imaginar nada: ele é aquele e não pode ser outro.
Em seu livro, “O Menino Sem Imaginação”, Carlos Eduardo Novaes
conta de maneira muito criativa a história de uma família que, obrigada a viver
sem a telinha, se vê constrangida a mudar seu dia-a-dia. No meio de toda essa
mudança está Tavinho, um garoto que não tem imaginação criativa e que só é
capaz de reproduzir aquilo que já viu antes, de preferência na televisão, ou
seja: imaginação reprodutiva ou memória visual. O menino adora ver TV, e
quando crescer seu desejo é sair da escola para não precisar mais fazer os
deveres e poder assistir televisão de manhã, de tarde e de noite. Nas férias
passa dias interirinhos na frente da telinha, só sai para ir ao banheiro. Só
compra aquilo que vê nos comerciais, e adora o sistema de vendas diretas em
que o locutor ordena “ligue já!”.
Ele tem três aparelhos de TV em seu quarto, os quais chama de “Babá,
Plim-Plim e Fantástica”. Além disso, o garoto se relaciona com eles como se
fossem membros da família. Babá é a sua televisão mais antiga, ela o viu
nascer e crescer. Tavinho a ganhou quando era ainda muito pequeno como
presente de sua mãe. Ela o colocava sentado na frente do televisor para que
ficasse ali, horas e horas, quietinho, sem chorar nem perturbar ninguém,
apenas consumindo suas imagens. Enquanto Babá é lenta e demora a
funcionar, Plim-Plim é uma televisão mais jovem, moderna e dinânica, ela
está sempre animada e sente prazer em estar sempre ligada. Ela tem até um
sistema de timer capaz de desligá-la sozinha após Tavinho pegar no sono.
Fantástica é ultramoderna, cheia de novidades e recursos tecnológicos de
última geração. No dia que a recebeu, o garoto explodiu de emoção, e pegando
um controle remoto pela primeira vez em suas mãos estendeu o braço para
cima e gritou: “eu tenho a força!” Ele estava feliz por não precisar mais sair
do lugar para mudar de canal, “agora ele tinha o controle”.
Tavinho gosta de assitir as três tevês ao mesmo tempo, e passa o tempo
todo olhando para elas e se abastecendo de imagens que ele não consegue
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criar por conta própria. Ele é tão viciado que ao sair na rua não pode ver uma
TV ligada. O menino vive muito feliz assim, até o dia em que há uma pane no
sistema de telecomunicações (anomalia magnética) e o Brasil interio fica sem
televisão. O fenômeno vira o país de pernas pro ar, afinal, como viver sem
TV? A anomalia magnética provoca uma tragédia nacional e leva a população
a manifestar atitudes de dependência da TV. Muitas delas vão ao desespero e à
beira da loucura, dentre elas estão aquelas que só conseguem dormir “vendo”
televisão. Outras, não suportando a ausência das imagens e a solidão, se
suicidam. Surgem novas doenças relacionadas com a falta da TV, e
conseqüentemente novos produtos e serviços para preeencher o vazio deixado
por ela. O movimento nas farmácias era intenso, muita gente apresentava
sintomas negativos provocados pela falta de TV. A grande maioria não sabe o
que fazer sem as imagens da telinha, e num ato de desespero correm para as
locadoras de vídeos (que em pouco tempo ficam vazias) na tentativa de
satisfazer suas necessidades audiovisuais.
Essa situação cria um drama na família de tavinho, que estava reunida
impacientemente para assitir o jogo do Brasil justamente quando a tela da tevê
escureceu. Depois, diante dos chuviscos da televisão, ficam esperando em
silêncio o retorno das imagens enquanto olham para a TV e ouvem um rádio
colocado em cima dela, parecendo um bando de malucos dominados pela
força de um hábito arraigado durante anos. Quando a TV saiu do ar tiveram
dificuldades para dialogar, estavam tão acostumados ao monólogo televisual
que foi difícil voltar à prática desse “hábito antigo”. Parecia que além da
televisão as pessoas também ficaram fora do ar ao se verem sem as imagens
da TV.
A decepção aumenta ao ser anunciado pelo rádio e pelos jornais
impressos que o fenômeno é a nível nacional e que não há previsão de quando
as imagens voltarão, elas poderão demorar um ano ou até um século para
retornar. A tristeza é geral, a grande pergunta que paira na cabeça de todos é:
o que faremos sem a TV? A população se recolhe para as suas casas, estão
perdidas, outras estão assustadas, muitas não sabem mais como se relacionar e
o que falar umas com as outras, o constrangimento é quase geral, mas todas
estão esperançosas de que as imagens voltem logo para restabelecer a rotina e
a segurança de suas vidas. A hora da novela, acompanhada com fervor
religioso por milhares de telespctadores é um problema à parte. Mas não
demora muito para surgirem fitas de vídeo vendidas pelos camelôs (via
Paraguai) contendo capítulos de novelas em chinês. As pessoas não se
importam de não entender, o que vale é ver as imagens. Mas nem todos se
ressentem da falta de TV, por terem uma imaginação fértil e se interessarem
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por outras coisas, não reagem como a maioria.


Todavia, Tavinho enfrenta um drama pessoal, e se vê obrigado a fazer
sua imaginação funcionar aprendendo a imaginar criativamente sem as
imagens da TV. Mas para que isso seja possível, ele tem de passar por um
processo de desintoxicação televisual das imagens, armazenadas durante anos
assistindo “Babá, Plim-Plim e Fantástica”. Aos poucos sua família vai
percebendo que é possível sobreviver sem televisão e começa a manifestar
sintomas positivos. A própria salinha de TV é transformada numa biblioteca e
sala de leitura. Finalmente, quando o menino sem imaginação fica
desintoxicado, a anomalia magnética acaba, as imagens retornam e a televisão
é colocada como item principal nas lojas de eletrodomésticos. Mas, para
Tavinho, isso não tem mais importância, ele agora tem imaginação criativa, e
não precisa mais de Babá, nem de Plim-Plim e muito menos de Fantástica.
Tavinho aprende, finalmente, a ligar sua “telinha interior”.
Esta história fictícia remete-nos ao fato de que a televisão é capaz de
sufocar a imaginação das pessoas, alienando-as e impedindo-lhes o contato
com um universo cultural muito mais enriquecedor do que a sua limitada
telinha. Ela passa tanta informação em tão pouco tempo que as pessoas apenas
absorvem o que vêem sem parar para pensar sobre aquilo tudo. Considerando
que olhar à TV produz uma grande concentração, pois envolve a constante
composição das linhas de imagens, argumentos e ruídos, e que pode atrofiar
nossa imaginação, a leitura parece ser a melhor opção para aqueles que
desejam desenvolver a criatividade, alcançar o sucesso profissional e acima de
tudo espiritual. No entanto se não for revelado ao jovem, em casa ou na
escola, os encantos da leitura, ele vai preferir sempre assistir televisão. Usando
as palavras de Novaes, “é muito mais fácil formar um telespectador do que um
leitor”.
O texto de Apocalipse 1:3 também diz que além de ler é preciso ouvir e
guardar as palavras da profecia, e para guardar (observar, seguir) é necessário
entender o que se lê. Um princípio básico para reter o conteúdo e entendê-lo é
ler sem esquecer. Não basta passar os olhos no texto e fazer de conta que
armazenou o conteúdo, é necessário desenvolver algumas técnicas para não
esquecer o que foi lido. Como escreveu o salmista: “Escondi (guardei,
memorizei) a tua palavra no meu coração (na minha mente)...” (Salmos
119:11). Então, aí vai dez dicas para ler sem esquecer: (à primeira vista,
muitas podem parecer óbvias, mas não as subestime. Não é sempre que a
gente enxerga o óbvio).
 Não leia cansado nem ansioso. Se for o caso, faça exercícios de respiração
antes de começar a leitura. O estresse é o inimigo número um da
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concentração e, em consequência, da memorização.


 Tenha vontade de aprender o que será lido.
 Se não tiver vontade de antemão, procure criar interesse pelo assunto. A
curiosidade é a mola da humanidade.
 Sublinhe as palavras mais importantes e as frases que expressem melhor a
idéia central.
 Analise as informações e crie relação entre elas, seja nas linhas de cima ou
com tudo o que você aprendeu na vida, trazendo-as para o seu mundo. A
associação de idéias é fundamental.
 Leve sempre em conta coisas como: 1- Grau de dificuldade do texto (ler
um gibi não é o mesmo que ler sobre filosofia). 2- Objetivo (Só querer
agradar alguém, e mais nada, não é o melhor caminho para gravar uma
informação. 3- Necessidade - querer ler é bem diferente de depender
disso).
 Faça perguntas ao texto e busque respostas nele.
 Repita sempre, desde ler de novo até contar para alguém o que você leu.
 Faça uma síntese mental. Organizar bem as idéias já é meio caminho
andado.
 A memória prefere imagens a palavras ou sons. Por isso, tente criar uma
história com aquilo que está lendo, com cenas coloridas e movimentadas.
Sammy Pulver comentou muito bem a sensação de quem descobriu e
está experimentando os prazeres de uma boa leitura: “Na vida nos ensinam a
amar, a sorrir, a andar, a lutar, mas quando abrimos um livro, descobrimos que
também podemos voar”.

LIVROS TRADICIONAIS E LIVROS VIRTUAIS


Quando a televisão se tornou um objeto de consumo obrigatório, houve
quem dissesse que o consumo e a leitura de livros estava com os dias
contados. O que ocorreu foi justamente o contrário, a produção e venda de
livros cresceram progressivamente sem vacilar em todo mundo. Só nos
Estados Unidos, nação que detém o maior mercado de livros do mundo, são
movimentados anualmente cerca de 21 bilhões de dólares. E mais de
quinhentos anos depois que Gutenberg imprimiu a primeira Bíblia, ela
continua no topo dos mais vendidos (best sellers), embora isso não signifique
necessariamente que ela seja o livro mais lido, infelizmente. Mesmo diante do
advento de novas tecnologias da informação, a bíblia ainda é o livro que
detém o recorde mundial em vendas.
Pouco a pouco o computador foi comquistando seu espaço, foi sendo
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melhorado e passou a substituír muitas das “antigas” invenções humanas,


como as máquinas mecânicas de escrever, por exemplo. E hoje, há quem
profetize que o velho e bom livro, não será invulnerável a essa invasão
tecnológica. O argumento mais forte é o surgimento do E-Book (abreviação de
Eletronic Book), ou “livro eletrônico”, ou ainda “livro virtual”. Embora não
seja novidade que os CDs, computadores e laptops (com suas telas de cristal
líquido) tenham se transformado em verdadeiras enciclopédias eletrônicas, o
“livro virtual” é algo novo e distinto.
Novo porque seu lançamento é recente, e distinto porque apesar de ser
um computador, seu tamanho é semelhante ao de uma obra normal, além de
possuir uma tela de cristal líquido, coberta por uma capa de couro, que pode
ser virada para trás como a capa de um livro de verdade na hora da leitura. Seu
peso é bem maior que o de um livro comum: cerca de um quilo (1Kg). Para
mudar as páginas basta apertar um botão. É possível, ainda, sublinhar trechos
de texto ou mudar o tamanho e o estilo tipográfico das letras. No entanto a
maior vantagem do livro eletrônico é que ele pode armazenar ao mesmo
tempo até 100.000 páginas de um livro normal. Isso significa que um único
computador desse tipo pode carregar texto equivalente ao de 177 obras de
aproximadamente 560 páginas cada. É, sob esse ponto de vista, uma
verdadeira biblioteca portátil. Segundo seus fabricantes (Softbook e a
NuvoMedia - EUA), o objetivo é oferecer um “livro” leve, capaz de arquivar
dúzias de estudos, romances, etc., e prático a ponto de as pessoas poderem lê-
lo em casa, no trabalho ou no avião. A previsão é que essas obras poderão ser
encontradas não só em prateleiras de lojas de informática como nas próprias
livrarias, até hoje território sagrado das obras convencionais.
Além da capacidade de armazenar vários títulos, o “E-Book” permitirá o
acesso a „livrarias virtuais”, nas quais serão colocados novos títulos
disponíveis aos usuários do “livro eletrônico”. O usuário ainda poderá manter
uma espécie de “estante”, com os títulos que tiver comprado. Quando desejar
poderá buscar nessa “prateleira virtual” uma nova obra e deixar lá a que tiver
lido. Esse acesso à livraria virtual pode ser feito a partir de qualquer lugar do
mundo onde exista um telefone. Centenas de títulos já estão disponíveis pela
Internet. Basta comprar, capturar no computador e depois descarregar no E-
Book. Em alguns modelos de livro eletrônico como o Rocket E-Book, a pessoa
pode ler até no escuro, porque ele possui uma tela de cristal líquido que
acende.
Outra invenção que certamente mudará o conceito de livro, é a folha de
“papel” eletrônica ou “livro do futuro”, que é outra revolução editorial que
está a caminho. Numa simples página de papel eletrônico é possível
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armazenar uma biblioteca. Ao se passar uma régua sobre essa folha eletrônica,
o livro muda de página. Parece que o livro de papel está com seus dias
contados. Mas por enquanto essa nova tecnologia ainda não está preocupando
o ramo tradicional de publicação de livros, embora não seja vista com bons
olhos por muitos editores. Alguns chegam a prever que, mesmo o livro
eletrônico, não poderá substituir o livro tradicional, o qual é uma das poucas
coisas que atravessam o século sem substituto. Considerado fácil de manusear,
fácil de carregar e barato, além de oferecer uma leitura mais prazerosa e
prolongada, um bom livro no padrão tradicional é sempre bem vindo. Há
quem defenda que um livro é para ser tocado, cheirado, manuseado com
carinho e lido com intimidade. Se, será substituído ou não, é esperar para ver.

LIVROS VERSUS TEVÊ


Embora as pesquisas não sejam conclusivas, há fortes evidências de que
existe uma relação entre o hábito de ver TV e o abandono da leitura. Melita
Cutright, especialista em educação, fez um estudo com crianças e jovens
americanos e obteve dois dados: Primeiro: o hábito de assistir à televisão está
relacionado com a idade (pré-adolescentes e adolecentes assistem a mais horas
de programação); Segundo: 54% das crianças americanas afirmam ler
diariamente por parzer, ao passo que entre os jovens de 17 e 18 anos o
percentual de leitores cai para 28%. Comparando esses dois dados, a
pesquisadora oncluiu que há uma relação direta entre o abuso do hábito de ver
televisão e o baixo desempenho escolar, aliado ao desprezo pela leitura.
Embora a televisão seja culpada, nem todos deixam de ler por causa da
televisão. Uma grande parcela de jovens simplesmente não encontra prazer na
leitura, porque não desenvolveram esse hábito. Todavia, a criança ou
adolescente que assiste constantemente à televisão, não está apenas se
expondo a uma programação, mas tmbém se familiarizando com uma
linguagem televisual e deixando de se familiarizar com outros tipos de
linguagem, como a escrita, por exemplo. Habituado ao tipo de linguagem da
televisão, dificilmente a criança ou adolescente encontrará prazer na leitura,
uma vez que esta utiliza uma forma distinta de linguagem. Isso explica, pelo
menos em parte, a aversão de muitos jovens ao estudo diário da Bíblia.
Não ficam dúvidas de que há uma disputa entre os livros e a TV, e a
dura realidade é que essa disputa é desleal, pois a televisão é mais atraente,
sedutora, e não exige qualquer esforço intelectual. As diferenças já começam
ao se entrar numa livraria, onde tudo é parado e silencioso, o que é uma
experiência bem distinta de entrar numa loja de eletrodomésticos, onde a TV
ocupa lugar de honra. Infelizmente em nosso país, “o tcham” é mais popular
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que qualquer livro, enquanto em um basta ouvir, olhar e prestar atenção na


performance, no outro, é necessário pensar, refletir e questionar. Portanto, o
fato da tevê afastar os jovens do livro é uma guerra perdida, mas pode-se
conquistar uma batalha aqui e ali, e se você está interessado em fazê-lo, então
continue a leitura.
Numa edição especial a revista Veja realizou um trabalho inédito sobre
o desenvolvimento da criança desde o nascimento até os cinco anos. Para
tanto, escalou uma equipe de 23 jornalistas, que durante três meses
entrevistaram 339 especialistas, 120 pais e mães e 55 crianças. Foram ouvidos
psicólogos, pedagogos, pediatras, psiquiatras e até zoólogos. Como forma de
saber quais eram as principais preocupações de pais e mães, a revista
encomendou uma pesquisa de opinião em onze Estados do Brasil. Para
garantir a confiabilidade das informações. O estudo contou ainda com a
colaboração de onze profissionais, entre médicos, psiquiatras, obstetras e
neurologistas a quem a equipe de reportagem recorreu diversas vezes para
tirar dúvidas e conferir informações. Como segurança, todos os textos foram
submetidos ao crivo técnico de dois pediatras e uma psicóloga, que atuaram
com consultores.
Dentre os temas apresentados, um dos estudos foi sobre o que fazer para
que os livros sejam mais atraentes do que a televisão?” Primeiramente é
necessário se conscientizar de que nunca foi tão fácil incentivar os filhos a ler.
Hoje é possível encontrar de tudo um pouco nas livrarias, inclusive nas
evangélicas. Há livros de pano, de plástico, com figuras tridimensionais, de
montar, de dobrar, etc. tudo para tornar o hábito da leitura cada vez mais
prazeroso. Para quem tem filho pequeno, de um, dois ou três anos, é um prato
cheio, pois os livros coloridos e diferentes dão um sabor especial na hora de
“ler”. Para as crianças um pouco maiores também existem ofertas de primeira
qualidade. Portanto, pare de dar desculpas e saia a procurar o que tem de
melhor, afinal, seu filho merece. Lembre-se, ler é como andar de bicicleta, a
criança precisa de treino. Mas para que os filhos se interessem pela leitura,
cabe aos pais um investimento inicial, e o primeiro passo é óbvio: é preciso
comprar livros. Quanto mais variedades, melhor, para não cair na monotonia
de ler sempre o mesmo livro. Psicólogos afirmam que a criança que não tem
livros em casa dificilmente vai se interessar mais tarde pela leitura.
É importante ter em mente que adultos e crianças têm uma relação
diferente com a leitura. Portanto, não espere que uma criança de três aninhos
proceda como você ao pegar um livro para “ler”. Toda criança pode ser
incentivada a ler desde a mais tenra idade, o simples fato de ter um livro em
suas mãozinhas já é um estímulo muito grande. Ainda que seu relacionamento
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com o livro, aparentemente se limite a apontar para as figuras, raspar o dedo


nas páginas e abrir e fechar o livro um sem-número de vezes. É claro que
algumas páginas serão sacrificadas, mas os resultados futuros valerão as
possíveis perdas. Nessa etapa o livro tem de ser oferecido como qualquer
outro brinquedo. Deve estar à mão, assim como os ursos, carrinhos e bonecas.
Na medida que cresce, a relação da criança com o livro e seu conteúdo
vai amadurecendo, mas o que realmente faz diferença é quem lê a história.
Para os filhos, poucas coisas são tão confortáveis quanto ouvir pai ou mãe ler
uma história, se interessando por algo que para elas é importante. É um
momento de atenção total. Se quem estiver lendo, usar um pouco de
criatividade interpretendo uma história com vários personagens e fazendo uma
voz diferente para cada um, o livro ganha uma coloração especial, além de
entusiasmar a criança. O contato da criança com o livro solta a sua imaginação
e melhora sua compreensão sobre a vida real, faz descobertas de coisas ainda
desconhecidas, além de conhecer palavras novas e enriquecer o seu
vocabulário. Para a criança em pré-alfabetização, “ver” livros também serve
de porta de entrada para a língua escrita e o desenho das letras.
Investir no interesse de seu filho por histórias exige disposição e
energia, já que é mais cômodo chegar em casa e ligar a TV. Porém, com
certeza essa opção pode estar privando a criança de momentos valiosos.
Diante da televisão, a criança fica muda, fascinada com a postura dos
personagens, as imagens, o movimento e as cores. Já com os livros, ela tem a
chance de parar a história, perguntar o que não entendeu, rir, usar a
imaginação e pedir repetição. Como já abordamos, de acordo com psicólogos
e educadores, a TV pode levar a uma atitude passiva, enquanto a leitura abre a
possibilidade de a criança questionar, dialogar e se sentir com atenção.
Podemos resumir a resposta à pergunta: “o que fazer para que os livros
sejam mais atraentes do que a televisão?”, com a seguinte afirmação: “ler para
os filhos”! Conforme pesquisa feita pela Vox Populi e divulgada na edição
especial de Veja, 56% dos pais entrevistados costumam ler ou contar histórias
para seus filhos, enquanto 62% não compram livros infantis. Estes dados
revelam que há, por parte das famílias brasileiras, pouco interesse na aquisição
de livros e no companheirismo com seus filhos na hora da leitura. A situação
se complica ainda mais, se no momento de que dispõem para as crianças, os
pais preferem a televisão. Se isso ocorrer, certamente os pequenos vão
associar a TV, e não ao livro, a idéia de lazer. Todavia, vale lembrar que há,
no mínimo, doze motivos importantes para se interessar em desenvolver o
hábito da boa leitura. São eles:
 Quem lê sabe mais.
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 Quem lê sempre tem o que dizer.


 Quem lê consegue os melhores empregos.
 Quem lê tem mais amigos.
 Quem lê tem mais argumentos.
 Quem lê fala e se comunica melhor.
 Quem lê tem mais oportunidades na vida.
 Quem lê descobre o mundo.
 Quem lê está sempre atualizado.
 Quem lê desvenda o conhecimento disponível.
 Quem lê exercita a mente.
 Quem lê tem mais criatividade.

MAIS DICAS PARA UMA BOA LEITURA


Muitas pessoas só conseguem tomar um livro em suas mãos se ele tiver
muitas ilustrações, capítulos e letras bem grandes. Geralmente as pessoas não
planejam os objetivos da leitura, deixando-a de fazê-la de forma consciente e
objetiva. Grande porcentagem da energia humana é consumida através da
visão e dentro dessa estimativa está a leitura como fonte maior. É inegável o
valor da leitura para a integração humana. Apesar de muitas pessoas assinarem
jornais e revistas em busca de informação, jamais chegam a uma leitura
planejada e proveitosa. A grande maioria reclama da falta de tempo, são
pessoas que gastam o tempo procurando as horas que perdem, enquanto outras
simplesmente sabem organizar suas tarefas, trabalhos e atividades.
Há vários tipos de leitores. Uns são ágeis, rápidos tanto com os olhos
quanto com a mente. Lêem tudo e aproveitam muito. Outros são vagarosos. Só
lêem mesmo o que precisam ou o que lhes interessa. Há aqueles que dão
apenas “uma espiada”, olham uma gravura daqui, lêem um parágrafo dali e
pronto. Outros ainda lêem apenas por uma questão de sobrevivência. Muitas
vezes, sem se dar conta, esses leitores apenas gastaram energia e não
alcançaram um objetivo, uma meta. Ter metas ao ler é extremamente
importante, mas alcançá-las é muito mais.
O mundo encontra-se em uma verdadeira decadência moral, ética e
espiritual. Tal decadência chega a ser assutadora. A leitura é uma arma
poderosa no auxílio e na formação de atitudes e valores positivos. Uma boa
leitura formará um bom caráter. Muitas leituras boas formarão uma nação
mais justa. Por isso é extremamente importante um autoquestionamento: Por
que estou lendo? Qual é minha meta com essa leitura? Que objetivos desejo
alcançar? Iniciei essa leitura porque a planejei? Sinto alegria e curiosidade
com o que leio? Estou concentrado? Sou persistente?
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Ao falar sobre a leitura ideal, J. D. Snider escreveu: “Bom é para mim o


livro que me desenvolve, que me inspira os mais elevados pensamentos, os
impulsos mais nobres, as mais puras emoções, ou que me acena com os mais
verdadeiros ideais da virtude e do caráter piedoso”.Outro aspecto que deve ser
levado em consideração nessa guerra entre a tevê e os livros, são os fatores
que ajudam no desempenho da leitura. Ao levá-los em consideração, os
benefícios serão incalculáveis. Veja quais são:
 Iluminação adequada.
 Posição correta.
 Anotar, grifar e destacar pontos importantes.
 Voltar à leitura em parágrafos anteriores (recapitulação) para que o assunto
fique mais claro e fique mais bem retido na memória.
 Escrever resumidamente ou gravar algum ponto importante,
 Anotar termos e palavras desconhecidas para pesquisar no dicionário (que
sempre deve estar à mão).
 Ao sinal de cansaço, parar de ler por 15 ou 20 minutos, fazendo outra
atividade manual.
 Às vezes, mudar o tipo de leitura ajuda na concentração.
 Levar em consideração o seu estado emocional, para uma leitura mais
aproveitável.
 Ler livros que levem a amar a vida e transmitam ânimo, esperança e fé.
Vale lembrar que quem lê tem mais valor, mas não basta ler apenas por ler,
é necessário que haja uma causa maior, mais justa. Leia pela real intenção
de ler e aproveitar o máximo os benefícios da leitura. Não leia apenas
porque as letras são grandes, porque há muitas ilustrações ou porque o
livro é fininho. Leia pela razão de uma saúde física, mental, intelectual e
espiritual mais feliz.

EPILEPSIA DIANTE DA TELINHA


Outra razão para estimular nas crianças o hábito de ler, é o fato de que
há muitas teorias, para muitos não confirmadas, em torno dos males que a TV
pode causar às crianças, principalmente pelo excesso de violência na
programação. No final de 1997 veio do Japão a confirmação de que os
programas infantis podem fazer um mal e tanto.
O fato é que as crianças podem estar correndo o perigo de sofrer crises
de epilepsia fotossensível. A proximidade com que muitas crianças assistem
tevê, juntamente com os flashes e as luzes emitidos na tela, pode provocar
convulsões, irritação nos olhos, falta de ar e vômitos. Foi exatamente isso que
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ocorreu com 728 crianças japonesas numa terça-feira do dia 16 de dezembro


de 1997. O acontecimento teve repercusão na mídia ao redor do mundo. As
crianças estavam assistindo um episódio da série de desenhos animados
Pokémon, exibida pela TV Tóquio, quando começaram a passar mal devido
aos flashes e as luzes emitidas numa das cenas. Segundo os médicos, foi um
surto de epilepsia fotossensível.
Sob o título: “Raios Fulminantes”, a revista Veja publicou um artigo
comentando o que ocorreu no Japão justamente no horário em que milhões de
crianças, jovens e adultos acompanhavam mais um apisódio da série
Pokémon. Na telinha passava mais uma aventura de Pikachu, um monstrinho
animado que se alimenta de cogumelo e tem o poder de emitir raios pelos
olhos. No episódio, a missão de Pikachu era entrar num computador e destruir
um vírus virtual. Durante a batalha, de apenas cinco segundos, os
telespectadores foram submetidos a um festival de explosões e bombardeio de
cores e luzes potentes que piscavam freneticamente. Em função das cenas,
12.000 pessoas passaram mal e mais de 700 foram internadas nos hospitais
japoneses com quadro convulsivo, falta de ar, náuseas ou tontura. Algumas
vomitavam sangue, outras haviam desmaiado. Foi o mais assustador e
improvável surto já registrado de uma doença pouco conhecida: a “epilepsia
fotossensível”.
Há pelo menos meio século sabe-se que luzes de grande intensidade podem
deflagrar convulsões. A epilepsia fotossensível é uma doença da família das
epilepsias reflexas, que pouco têm a ver com a epilepsia comum. Enquanto os
ataques epiléticos clássicos são imprevisíveis, as crises de epilepsia reflexa
são causadas por estímulos externos, que podem ser conhecidos e evitados. As
convulsões podem começar pelas imagens, mas também pelo que se ouve,
como o som ensurdecedor de uma cirene, ou, pelo que se sente, como o
impacto de um tapa. A doença não manda recado, revela-se apenas na hora do
ataque. No caso do desenho japonês, as pessoas passaram mal porque as luzes
na tela da tevê não só eram fortes como também acendiam e apagavam em
intervalos superiores a vinte vezes por segundo. Em função do ritmo, as cenas
acabaram fazendo com que as pessoas propensas ao ataque ficassem com duas
regiões do cérebro desorientadas, a que cuida do registro das imagens e a que
processa as informações. Segundo especialistas em neurologia é uma espécie
de curto-circuito, e as crianças são mais suscetíveis aos ataques porque, até o
final da adolescência, o cérebro ainda não está completamente amadurecido. O
processo da crise de epilepsia fotossensível tem três etapas:
1- Pessoas propensas à epilepsia fotossensível podem sofrer uma crise quando
expostas a luzes potentes que acendem e apagam em intervalos curtos.
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2- As crianças são mais vulneráveis a esses ataques porque seu cérebro ainda
está em processo de amadurecimento. Sentar perto da tevê aumenta o risco.
3- Durante o bombardeio de luzes, duas áreas cerebrais entram em curto
circuito. Uma cuida do registro de imagens. A outra, do processamento de
informação. Resultado: vêm as convulsões.
O caso do Pokémon não foi o primeiro registro de crise diante da TV,
mas jamais se havia ouvido falar de um programa que “derrubasse” tanta
gente ao mesmo tempo. Diante do problema, a emissora japonesa TV Tóquio
foi obrigada a tirar o desenho do ar por algum tempo e a pagar o tratamento
dos que adoeceram, bem como uma indenização às famílias. Como era de se
esperar, após o incidente, o debate em torno dos males da TV para as crianças
ressurgiu com força. Muitos pedagogos japoneses criticaram o enredo dos
desenhos animados afirmando que é cada vez mais complicado, exigindo que
a criança não desgrude os olhos da telinha.
O nome pokémon é uma corruptela da expressão “pocket monsters”
(monstros de bolso). Apesar do que ocorreu no Japão, os produtores reduziram
o brilho do monstrinho e a série continuou a empolgar os fãs. No Brasil, a
série estreou na manhã da segunda-feira dia 10 de maio de 1999, no programa
infantil Eliana & Alegria, da Rede Record. Apresentado diariamente, o
desenho conseguiu nos primeiros dias de exibição mais de quatro pontos no
IBOPE. Contudo, a emissora, preocupada com a polêmica das luzes e seus
efeitos epiléticos, garantiu ter cortado as cenas responsáveis pelos efeitos
convulsivos. Apesar dos fatos, o sucesso do jogo e do desenho é considerado o
maior fenômeno do gênero em todos os tempos. A Nintendo, temendo pela
associação de seu nome à epilepsia, tratou de anunciar que o desenho não é
produzido por ela, mas por uma empresa licenciada. O fato é que, desde a
década de 80, quando a revista médica Lancet publicou um artigo que provava
que a epilepsia podia ser deflagrada por videogames, a empresa Nintendo vem
lutando contra processos judiciais e reclamações de consumidores que tiveram
problemas de saúde depois de “brincar” com seus jogos. Para evitar
problemas, os fabricantes de videogame passaram a imprimir nos manuais de
seus produtos um alerta contra o risco de peilepsia decorrente dos estímulos
visuias dos jogos.
Segundo o Doutor e pastor Irion, em palestra proferida em vídeo, nos
Estados Unidos da América já foram relatados casos de “epilepsia” durante a
apresentação do seriado Power Ranger. Irion afirma que crianças tiveram
ataques diante da televisão. Um fato curioso a considerar é que nesse seriado o
símbolo satânico do pentagrama aparece freqüentemente. No Panamá,
crianças de 6 a 7 anos chegaram até mesmo a se suicidar durante as
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apresentações de tevê dos Power Ranger. Diante disso, devemos questionar se


há a possibilidade de, ao menos em alguns casos, a epilepsia e os ataques de
convulsão em crianças ser mais do que um problema orgânico e envolver
também aspectos espirituais.

OS CUMPLICES DA TV
Quando se fala dos malefícios da televisão, no entanto, é preciso
procurar o responsável não apenas na sede da emissora, mas também em casa,
já que cabe aos pais zelar pelo que os filhos assistem. Segundo dados do
IBOPE, a criança brasileira fica diante da telinha duas horas e meia por dia,
em média. É muito tempo se se pensar que a maioria delas fica ali sozinha,
sem a participação do pai, mãe ou responsável. É muito mais cômodo para os
pais jogarem a culpa pelo fracasso educacional de seus filhos sobre a
televisão, em vez de assumir a responsabilidade de cuidar dos filhos e
verdadeiramente educá-los. Como já foi abordado, durante a infância assiste-
se muito à televisão, e é justamente nessa fase, que a vida e o caráter estão se
moldando. Infelizmente a maioria dos pais permite que seus filhos assistam
bastante à televisão sem estabelecer regras ou acompanhá-los. Isso acaba
excluindo a oportunidade de as crianças eprenderem a se relacionar com
outras pessoas, limitando-as a uma atitude de passividade ao sentar e ficar
olhando para a tevê. A oportunidade de treinar e educar as crianças em
habilidades sociais básicas é trocada pela oportunidade de ter a mentalidade
das crianças moldada pelas presentadoras de programas infantis e os
pseudoheróis dos desenhos animados.
Numa pesquisa realizada pela Vox Populi, sobre a qualidade dos
programas infantis na TV brasileira, foram entrevistados 120 pais e mães de
onze Estados. O objetivo era saber se os pais limitam o tempo que seus filhos
passam diante da TV, ou selecionam os programas a que eles assistem. O
resultado revelou que 51% dos pais não se preocupam em limitar o tempo que
as crianças ficam diante da TV, enquanto 49% deles se declaram nada
rigorosos com a escolha dos programas a que os filhos assistem. Esta
estatística confirma a tese de que não há uma preocupação dos pais em educar
a criança para ver tevê. Se isto é um fato, o que dizer dos filhos de Deus? Qual
seria a porcentagem entre as famílias cristãs? Estaria o povo de Deus mais
consciente e preocupado em estabelecer limites?
O desvio do envolvimento paterno na socialização dos filhos se deve a
vários fatores. Esses fatores vão desde a crescente ausência dos pais em casa
até a crescente emancipação dos filhos fora de casa. O próprio estilo de vida
moderno limitou a quantidade de tempo que os pais tinham para supervisionar
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o desenvolvimento social, emocional e espiritual dos filhos. A televisão,


entretanto, tem reforçado essa tendência, pois quando pais e filhos encontram-
se juntos em casa, estão sujeitos às atrações competitivas do televisor, ou
outros aparelhos eletroeletrônicos de comunicação. Constatar isso deveria
estimular pais e mães, a usar da melhor maneira possível o tempo que têm à
disposição para educar seus filhos e ensiná-los a fazer uso da mídia de
maneira crítica e consciente. Mas, como foi analisado, uma grande
porcentagem de pais não estão preocupados em “competir com o televisor”
pelo tempo dedicado aos filhos, e muito menos em colocar limites ao uso da
televisão.
Algumas vezes a questão dos limites vem à tona após a veiculação de
notícias que chegam a tirar o sono. Um exemplo disso ocorreu após a
divulgação dos crimes que abalaram a opinião pública mundial, como o que
foi cometido pelos garotos americanos Mitchell Johnson, 13 anos, e Andrew
Golde, 11; que armados como numa operação de guerra, abriram fogo contra
colegas e professores da escola. Ou ainda daquele adolescente que matou um
colega numa “roleta russa”. Incidentes assim acabam gerando muita discusão
em torno do aumento da agressividade infanto-juvenil, e do papel dos pais na
tarefa de educar e impor limites aos filhos. Preocupada com essa falta de
compromisso dos pais na educação dos filhos, a revista Istoé fez uma
entrevista com o psicólogo francês Yves de La Taille, professor de
Desenvolvimento Moral de Crianças na Universidade de São Paulo e um dos
maiores especialistas no assunto no país. Dentre as 20 perguntas feitas por
Istoé a Taille, desejo destacar três, são elas:
 Istoé - Os pais de hoje estão com medo de educar?
Resposta de La Taille: “Estão com medo de ser autoritários. Os pais de
antigamente não tinham absolutamente esse medo e se tornaram muitas vezes
arbítrários. Hoje, se repensa esse autoritarismo. O conhecimento psicológico
pôs nos pais muitos medos, como o dos traumas precoces. Isso demonstra
sensibilidade, mas acaba caindo na ausência. Os primeiros passos das crianças
no mundo dependem deles. As crianças não vão construir a moral sozinhas.
Essa abdicação é preocupante. Muitas vezes, pais ficam em casa vendo
televisão. Entregam-se ao consumismo. Os pais estão sendo pouco críticos
para o que os filhos consomem, sobretudo na televisão.”
 Istoé – A criança absorve a violência da televisão?
Resposta de La Taille: “Ela está absorvendo, mas não é uma esponja. A
criança filtra, mas não significa que é imune às influências. Os pais entregam
os filhos para a televisão. Eles vêem filmes violentos, desenhos animados
violentos, jogam videogames igualmente violentos. Depois da ficção ela muda
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de canal e assiste à violência real no noticiário. Imagine uma criança entrando


nesse mundo, sem que os pais demonstrem alguma crítica. Isso acaba
passando uma idéia para a criança de que a violência é natural, um modo de
vida perfeitamente aceitável, generalizado e banal.”
 Istoé – Como agir diante desse poder da tevê?
Resposta de La Taille: “Deve-se limitar o tempo da criança na tevê. E os pais
também precisam escolher o que ela vai assistir. Uma censura interna mesmo.
Discute-se se essa censura tem de vir pelo Estado. Acho que não. Mas também
não é preciso privar a criança de ver um filme que todo mundo comenta. Não
dá para criar um ET. O filme tem que ser comentado e criticado. Converse
com seu filho sobre o que ele assistiu. Principalmente se não concordar com a
mensagem. Sem a conversa, as crianças vão achar que matar gratuitamente e
matar numa guerra é a mesma coisa.”
Sob o título: “TV, controle nada remoto”, o dramaturgo Dias Gomes, 73
anos, pai de duas filhas, Luana, sete anos, e Mayra, dez, revelou que controla a
relação delas com a tevê. O dramaturgo também deu a sua opinião à revista
Istoé sobre a participação dos pais na educação das crianças, e a necessidade
de impor limites à televisão: “É uma questão difícil. Não se deve só proibir, é
preciso conversar com elas. Não é censurar, mas reconhecer que há um tempo
certo para cada coisa. Criança não sabe se defender. Tento evitar que minhas
filhas vejam programas de má qualidade, que exploram a miséria humana.
Também evito os filmes violentos, onde se matam 30 ou 40 pessoas e continua
tudo bem. É a banalização da vida. Não que a tevê seja culpada de todos os
males: ela é assim porque a sociedade a quer assim. E sua influência não é tão
direta. Mas admito que uma criança saudável pode ser perturbada pela
exposição inadequada à mídia”.
Novamente vem à tona a grande necessidade, a de que os pais
acompanhem seus filhos na hora em que assistem TV, interferindo na
programação quando necessário. É chegada a hora de pais assumirem o
comando do controle remoto. Essa alternativa é fundamental se você deseja
educar seus filhos para desenvolverem um espírito crítico frente à mídia.
Olhar televisão junto com seu filho é tão importante quanto estabelecer
limites, porque pode abrir a porta para o diálogo acerca de temas cruciais e
difíceis. Isso pode ser colocado em prática da seguinte maneira: Primeiro – se
suas crianças estão na pré-escola ou são adolescentes, encontre programas na
TV que vocês possam assistir juntos. Segundo – Quando você ver alguma
coisa inapropriada, inicie uma discusão, um debate. Pergunte a seu filho: o
que você pensa a respeito do que acabou de ver? Isso poderá conduzí-lo para
uma importante conversa e criar uma excelente oportunidade para reforçar
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seus valores como cristão. Terceiro – Outra alternativa é limitar o tempo


diante da telinha, ou ainda selecionar os programas que a criança poderá ver.
Especialistas em psicologia concordam que há muitos pais que, mesmo
inconscientemente, são demasiado permissivos. Mas também concordam que
a falta de limites não é a melhor maneira de demonstrar preocupação e amor.
As crianças precisam de limites para ter um desenvolvimento saudável. Uma
pesquisa feita com adolescentes americanos entre 12 a 17 anos e divulgada na
Reader’s Digest, revelou que eles esperam alguma forma de controle, “49%
deles acreditam e reconhecem que precisam de mais orientação e atenção dos
adultos. Assim, é interessante aproveitar esta pré-disposição e ajudá-los.
Lembre-se, nunca é tarde demais para aprender como melhor disciplinar suas
crianças, principalmente quando está em jogo a sua salvação.
O importante é criar uma dieta balanceada de TV para a família, onde a
telinha não seja o “prato principal”, mas uma “sobremessa”. Para escolher
uma programação com conteúdo nutritivo, mensagens positivas e papéis que
sirvam de modelo, é necessário ter um bom conhecimento dos programas e de
sua qualidade. Como já analizamos, os programas infantis na televisão ainda
não são ideais. Mas, segundo um estudo realizado por psicólogos e pedagogos,
os programas estão começando a trocar a violência por um pouco de
educação. A reviravolta nos programas infantis ainda é pequena, é um
movimento suave, mas está ocorrendo em algumas emissoras. Segundo
teóricos da comunicação da Universidade de São Paulo, o processo começou
nos Estados Unidos, onde a grita dos pais resultou na melhoria da
programação. E, como os americanos dominam a distribuição dos programas
para televisão, acabam influenciando o Brasil e o resto do mundo.
É evidente que a televisão não mudou da água para o vinho. A
programação infantil continua coalhada de filmes violentos, desenhos bobos e
outros seriados cretinizantes. E as crianças também seguem podendo ver cenas
de sexo e violência na programação da tarde e do começo da noite. As
mudanças na televisão podem se processar de maneira mais rápida se todos os
lares cristãos e as famílias que zelam pela ética e a moral estiverem unidos, e,
juntos, reividicarem uma programação de mais qualidade educativa para seus
filhos. Isso pode ser feito escrevendo cartas, abaixo assinados, enviando e-
mails e mesmo telefonando para a ABERT. Outra alternativa é organizar
comitês para debater o assunto com representações da sociedade e os próprios
publicitários. Ou ainda estabelecer um fórum permanente de discusão e
análise da qualidade dos programas veiculados na tevê na comunidade onde
você vive. Esse fórum pode envolver os moradores do bairro, famílias,
profissionais ligados à educação, escolas e comunidades religiosas.
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CAPÍTULO IX
ESCOLA DE IMORALIDADE

A TV E O LIBERALISMO SEXUAL
Numa entrevista concedida à revista Istoé, sob o título: “Os piores
programas da tevê”, o publicitário Daniel Barbará, especialista em mídia, e
consultor das principais emissoras do país, deu a seguinte resposta quando lhe
perguntaram se havia muito sexo na televisão: “Há uma parte da sociedade
que considera a criança vítima desse processo. Só existe uma forma de você
combater isso, que é liberando. Aqui no Brasil durante muitos anos a gente
teve um problema muito sério que era o fantasma do Partido Comunista. Ele
só acabou quando o deixaram se instalar. Não tem outro jeito. Acho que essa
questão do sexo na televisão, se a gente esquecer, ela vai se desgastar sozinha.
Não há organização, lei ou decreto, nada que consiga resolver isso. Tem que
liberar e esquecer isso”.
Tal declaração demonstra claramente o conceito liberal e a fraqueza
moral que impera nos meios de comunicação. Não concordo com o senhor
Barbará, fazendo um trocadilho, acho sua posição uma tremenda
“barbaridade”. Será que a pornografia televisiva pode ser comparada com um
partido político? Será que liberar aquilo que é prejudicial leva tal coisa a um
autodesgaste? Será que liberar as drogas seria suficiente? Será que abrir mão
da prevenção da AIDS seria o melhor? Será que basta “esquecer” do problema
da fome e tudo se arranjará sozinho? Será que é ignorando os problemas que
conseguiremos superá-los? Acredito sinceramente que não, e penso que você
também. O fato é que, enquanto existir gente com esse tipo de pensamento
libertino, com relação a sexualidade humana, a TV brasileira continuará
apresentando tanto lixo televisual, e será cada vez mais necessário ter a
capacidade de discernir entre o que é bom e o que não é, além de tomar
decisões corajosas e assumir uma postura genuinamente cristã.
Uma das piores influências da TV, tanto nos adultos como nas crianças,
é a que está relacionada com a moral cristã, a sexualidade e a ética. As cenas
pornográficas estão “quase sempre” presentes em um “bom filme”. Algumas
emissoras têm até horário cativo para filmes onde o enfoque principal são
cenas explícitas de sexo livre. Isso sem mencionar as novelas, que são uma
verdadeira escola de hipocrisia, adultério e mentiras, ensinando muito bem
como desenvolver esses traços de caráter. Na briga pela audiência, enquanto
algumas emissoras de TV apostam nas aberrações e no grotesco, outras
preferem investir pesado em erotismo. Comentando esse fato, a revista
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semanal Istoé Online divulgou o seguinte comentário sobre a principal rede de


TV aberta do país: “o erotismo invade a tela da Rede Globo, colocando suas
estrelas mais sensuais como protagonistas de cenas tórridas. Seja no horário
nobre, em programas jornalísticos ou em filmes, a televisão amplia seu
repertório de safadezas”. Até mesmo algumas atrizes, consideradas mais
conservadoras, estão surpreendendo o público com cenas pornográficas de
nudez e sexo livre, “o nú conta pontos e é bom para o currículo”, afirmou
determinada atriz à Istoé “para se justificar”. E se tudo isso não fosse o
suficiente para a desmoralização da família e da religião, as emissoras de TV
são hábeis na produção de programas cômicos, séries, minisséries e
microsséries “especiais”, onde a pornografia (cenas de nudez), a malícia, os
“amores” proibidos, o ridículo, o grotesco, os vícios, a violência, as traições, o
homossexualismo, o lesbianismo, a prostituição e até mesmo cenas de
pedofilia (abuso sexual de menores) e incesto (relação sexual com parentes)
são exploradas ao máximo.
Outro agravente das novelas fica por conta da falta de ética e princípios
cristãos de muitos de seus atores. É comum para o telespectador saber sobre a
vida pessoal e particular de atores a atrizes por meio de jornais e revistas.
Geralmente nessas entrevistas sabe-se quantas vezes casaram, se têm um
namoro liberal, se vivem juntos, se defendem o homossexualismo, o
lesbianismo, o aborto ou se são adeptos de alguma crença mística e
antibíblica. Se tudo isso não fosse o suficiente, via de regra a vida privada
desses atores é um livro aberto, e nem sempre reflete a moral cristã. Um
exemplo disso são algumas mulheres famosas da TV, que costumam tirar
fotos para revistas pornográficas alegando que tal atitude é apenas uma forma
de “arte”. Depois, aparecem na tela da TV para divulgar seu “trabalho”, e
ainda são aplaudidas como “heroínas nacionais”. Infelizmente, o Brasil parece
ser o único país do mundo onde, tirar a roupa, passou a ser uma atitude
socialmente aceita e até mesmo considerada uma “virtude”. Não raro, estas
atrizes são entrevistadas em programas de auditório e bajuladas como se
fossem um exemplo de dignidade, outras vezes, ganham seus próprios
programas de televisão, passando seu exemplo e servindo de modelo para
milhares de crianças e adolescentes.
Há também aqueles casais de atores que vivem uma vida liberal na
telinha. Embora façam a mesma novela juntos, na hora de “representar”, se
envolvem com outros atores, trocam beijos e atitudes marcadas pela
sensualidade, com clara conotação sexual à vista do próprio cônjuge, como se
aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Depois tentam justificar tais
“representações” alegando que sabem separar a vida profissional da pessoal, e
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quem acaba corando de vergonha são os telespectadores (pelo menos aqueles


que ainda têm um pouco de moralidade).
Não há dúvida de que as crianças e adolescentes são os mais
influenciados com esse tipo de informação. Em seu trabalho entitulado: “o
papel da televisão no processo de socialização”, Maria Luiza Belloni afirma
que “a sexualidade é também um tema muito importante para os adolescentes,
que declaram ter aprendido na televisão „como fazer amor‟, „como beijar‟, e
mesmo „tudo sobre sexo‟”. Isso não deveria surpreender, pois “ficando em
frente à TV por algumas horas durante dez anos, o adolescente brasileiro
assistirá não menos que 92.000 cenas de sexo. Porém, o mais terrível, é como
ele é apresentado. Raramente a mídia revela as consequências desastrosas que
o sexo pré-nupcial acarreta. Algumas delas são: separações, divórcios,
infidelidade, espancamento e doenças venérias. A mensagem da mídia é que
todos transam numa boa, sem culpa, sem qualquer consequência posterior. Só
há divertimento e não há responsabilidade”.
Segundo os psicólogos, a evolução sexual de uma criança passa por várias
fases, e o alcance da sexualidade madura depende de que tais fases sejam
naturalmente superadas. Alguns psicólogos afirmam que essa exposição
intensa pode provocar uma sexualização precoce em crianças e jovens,
levando-os a se preocupar com um tema que só seria objeto de sua atenção na
puberdade. O fato é que, qualquer que assista à programação e às propagandas
veiculadas na televisão fica impressionado com as cenas de nudismo ou de
sexo. De acordo com estudos sociológicos, a exposição de temas relacionados
à sexualidade na TV brasileira é absurdamente maoir do que em países como
Estados Unidos, Japão, França e Inglaterra. Para demonstrar este fato, a USP
(Universidade de São Paulo), realizou uma pesquisa fazendo um levantamento
das mensagens de caráter sexual constantes da programação semanal de todos
os canais de televisão de São Paulo. Para a contagem das cenas de sexo, foram
usadas as seguintes definições para os itens que serviram de critério:
 Relação implícita – Aquela na qual se subentende que , na sequência da
cena, haverá ato sexual. Exemplo: o casal entra no quarto aos beijos, cai na
cama e a luz se apaga.
 Relação explícita – Cena em que fica evidente que um casal está tendo
relação sexual. Não significa, necessariamente, mostrar todos os detalhes
do ato, como nos filmes pornográficos. Exemplo: o casal cai na cama, o
quarto fica na penumbra e os dois aparecem se acariciando debaixo do
lençol.
 Nudez parcial – Exposição de partes do corpo com objetivo erótico.
Exemplo: coristas de programas de auditório com biquínis cavados,
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rebolando para as câmaras, e cenas em que os atores ou model;os aparecem


usando apenas peças íntimas do vestuário.
 Nudez total – Na contagem entraram inclusive as focalizadas a distância ou
com os modelos e atrizes de costas.
 Termos chulos e palavrões – Todas aquelas palavras que não são
empregadas por Cid Moreira, Boris Casoy ou Willian Bonner nos
telejornais, mas são usadas em novelas, filmes e por Fausto Silva.
Baseados nessas categorias os pesquisadores acompanharam a
programação durante uma semana e chegaram aos seguintes resultados:

SEXO NA TV
(uma semana de programação)
Estupros.................................................................................................................................3
Nudez total masculina........................................................................................................28
Nudez total feminina..........................................................................................................83
Trejeitos ou referências a homossexualismo feminino....................................................61
Trejeitos ou referências a homossexualismo masculino................................................127
Relações sexuais explícitas...............................................................................................114
Relações sexuais implícitas...............................................................................................162
Referências a sexo ou piadas sobre o tema.....................................................................180
Nudez parcial masculina..................................................................................................212
Nudez parcial feminina....................................................................................................822
Referências a:
Afrodisíacos...........................................................................................................................3
Virgindade.............................................................................................................................7
Genitália...............................................................................................................................24
Impotência sexual................................................................................................................30
Termos chulos ou palavrões...............................................................................................72

Nesta pesquisa, a soma total de mensagens relacionadas ao sexo, em


uma semana de programação de TV, é de 1.928 referências. Um verdadeiro
bombardeio de imagens pornográficas, sons erotizados e principalmente
“filosofia de vida”. Para mencionar um exemplo do tipo de filosofia que é
apresentada na telinha, uma das maiores emissoras de TV do país fez uma
reportagem exclusiva com casais homossexuais, em forma de documentário.
O programa, que foi ao ar em rede nacional às 23 horas, e acompanhou o dia a
dia de dois casais, dois homens gays, e duas mulheres lésbicas. Mostrou como
eles “namoravam”, como ficaram noivos e ainda fez questão de filmar o
“casamento” e mostrar cenas da própria “lua de mel” deles. Apesar da Palavra
de Deus ser clara e condenar a união de pessoas do mesmo sexo, um dos
casamentos foi feito por um líder de uma religião que se denomina cristã. Na
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cerimônia, o nome de Deus e Suas bençãos foram invocados, tornando tal


casamento num ato mais abominável ainda e numa verdadeira blasfêmia. Já o
casal de lésbicas foi mais “sincero”, e resolveram selar a sua união com a
“benção” de uma mãe-de-santo, sob a invocação das potestades das trevas.
Inclusive uma delas admitiu que sua companheira tinha o corpo de mulher,
mas era dominada por um “espírito masculino”.
A reportagem foi apresentada pela TV de uma maneira muito sutil e
cheia de sentimentalismo, tudo para causar no telespectador sentimentos e
idéias favoráveis a tal comportamento. Para passar a imagem de que o
homossexualismo é algo perfeitamente normal, o programa utilizou vários
recursos técnicos como, fundo musical romântico, corte de imagens, textos
bem elaborados, entrevistas com familiares e os próprios pais, promovendo
inclusive uma reconciliação entre um filho gay e seu pai, induzindo os
telespectadores a se emocionarem e se comoverem. Resumindo, a ênfase
filosófica do programa, foi sobre a necessidade de acabar com o que eles
chamam de “preconceito”, mas que a Bíblia condena abertamente e chama de
pecado.
Estatísticas mais recentes confirmam a tese de que a televisão brasileira
ainda continua apresentando tais mensagens, e de que tanta informação de
caráter erótico tem levado a própria população a admitir que há, no mínimo,
um certo exagero na apresentação de temas sexuais na telinha. Uma pesquisa
de opinião pública, realizada pelo instituto Vox Populi, revelou que a maioria
da população brasileira acha que há excesso de sexo na TV. Foi perguntado a
mais de 300 pais em 214 municípios se, “na sua opinião, a televisão brasileira
tem mostrado mais sexo do que deveria?” Os resultados obtidos em cada
pergunta foram os seguintes:
 Mais do que deveria - 68%
 Na medida certa - 19%
 Pouco - 6%
 Não tem mostrado - 2%
 Não sabe/não respondeu - 10%

Interessada em como as cenas de sexo na TV influenciam as crianças e


preocupam os pais, a revista Veja realizou uma pesquisa e publicou um
relatório sobre o erotismo na televisão brasileira. Veja inicia sua reportagem
com os seguintes dizeres: “Há algo na televisão brasileira que provoca mal-
estar em vários pais e mães: as cenas de nudez, os diálogos maliciosos, as
representações de relações sexuais mostradas no horário nobre, quando

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crianças ainda estão na frente do vídeo”. Ao entrevistar o então Ministro da


Justiça, este afirmou que “há uma sensação geral, ainda que meio
envergonhada, de que o sexo na televisão anda meio fora de controle”.
Segundo o levantamento feito por Veja, a preocupação do Ministro tem
fundamento, e para comprová-la, foi realizada uma observação mais atenta e
cuidadosa das programações de TV durante uma semana, (ver tabela abaixo),
nos horários das 18h às 22h (dias úteis) e das 14h às 22h (sábados e
domingos). Estavam incluídas nessa observação as cinco principais redes de
televisão do Brasil (SBT, Globo, Record, Manchete, Bandeirantes).

Principais Cenas de Palavras Diálogos Atos


Emissoras Nudez Chulas Maliciosos Sexuais
Sbt 10 09 08 10
Globo 08 51 66 21
Record 09 13 03 04
Manchete 31 04 06 05
Bandeirantes 37 05 07 34
TOTAL 95 82 90 74

Apesar destes dados não serem recentes, percebe-se que a situação não
mudou muito atualmente, e se mudou, foi para pior. Se fosse feita uma
pesquisa na semana que passou, talvez ficássemos alarmados com o aumento
da exploração de cenas de nudez e de sexo nos canais da TV aberta. Mas os
números levantados por essa pesquisa, são suficientes para mostrar “que o
sexo se tornou uma idéia fixa das emissoras de televisão”. Aparece um termo
vulgar (chulo) a cada 131 minutos, uma cena de nudez a cada 113 minutos,
uma representação de ato sexual a cada 145 minutos. Novelas, filmes,
propaganda, nada escapa do telerotismo”. Citando apenas um exemplo, Veja
menciona a novela “Quatro por Quatro”, que na época era exibida às 7 da
noite, hora em que boa parte da criançada nem sequer foi para o banho antes
do jantar. Só num de seus capítulos, sete das onze cenas levadas ao ar
tratavam de sexo. Inclusive apresentou uma cena de sadomasoquismo, com
máscaras de couro, correntes e chicotes, na qual os personagens trocavam
frases vulgares e maliciosas.
A repetição constante desse tipo de mensagem na tela da TV, que
chegou a ser classificada por parlamentares de Brasília como “permissividade
da televisão”, somado a alguns “fatores culturais” do nosso país, como a
exploração da nudez nas praias e no carnaval, contribui para que essas cenas
muitas vezes passem despercebidas da maioria dos telespectadores. Mas a
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realidade é que esse tipo de permissividade é constante não só em novelas,


mas em filmes, entrevistas, programas “humorísticos”, de auditório, e até em
desenhos animados. E toda essa informação erotizada acaba afetando em
cheio os valores morais, principalmente das crianças e adolescentes.
De acordo com estudos e pesquisas qualitativas, em que se reúnem
pequenos grupos de espectadores com a finalidade de captar sua opinião e
suas emoções diante do que se passa na televisão, as cenas de sexo na TV
aparecem como uma preocupação para aqueles que têm filhos, em especial
filhas. Contudo, para o povo de Deus, principalmente para pais e mães cristãs,
isso é motivo de preocupação ainda maior. Não há como se manter passivo
diante de tais conteúdos televisivos, ficar indiferente é compactuar com o mal,
é necessária muita coragem moral e espiritual para dizer não e encarar os fatos
com sinceridade.
Embora alguns ignorem o problema, ele está aí, é fato consumado. O
sexo excessivo e desvirtuado, explorado constantemente como meio de vender
produtos anunciados conseguiu mudar a própria natureza da televisão. Ela
deixou de ser aquele aletrodoméstico capaz de garantir um entretenimento
sossegado para se tranformar numa ameaça à saúde moral e espiritual da
família. Não é à toa que muitos pais assistam às novelas com o olho no vídeo
e a mão no controle remoto, na esperança de que seus filhos sejam poupados
de cenas inconvenientes e mesmo “chocantes”.
Para mencionar outro exemplo (e são tantos), de como a mídia
eletrônica tem interesse em minar os alicerces do cristianismo bíblico,
menciono o programa “Você Decide”, veiculado no dia 08 de outubro de
1998, o qual misturou religião, sexo e violência. Simone e Joel foram os
protagonistas principais. Os dois estavam noivos, porém, ele era religioso
(evangélico) e achava errado ter relações sexuais antes do casamento. Como
um fiel cristão, Joel tinha princípios éticos, morais e espirituais bem definidos,
e por ser assim, foi taxado de “conservador”. Por outro lado, sua noiva
Simone, era mais liberal. Ela trabalhava em uma agência de telesexo sem que
Joel sequer desconfiasse. Apesar de seu amor por Simone ser sincero, quando
ele descobriu no que ela trabalhava, ficou muito decepcionado. No próximo
encontro, Joel é convidado pela noiva a “transar” (o sexo é usado como uma
vávula de escape para o conflito), e para a felicidade dos liberais
antievangélicos da rede Globo, ele cai em tentação. Em outra cena, após ela
ter sofrido tentativa de estupro e agressões físicas por parte de um de seus
“fãs” (um cliente obscecado), Joel e Simone discutem, e ela solta uma
pergunta que paira no ar: “O que você tem aí dentro? Fé? Isso que é fé?” Se
toda essa pressão não fosse suficiente para induzir o povo na decisão final, o
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melhor amigo de Joel o acusa de ser machista, preconceituoso, ridículo,


patético e cabeça quadrada. Também afirma em alto e bom som que Simone
está certa, que se Joel fosse inteligente deveria pedir perdão a ela, e mais
ainda: o indigno na história toda, era ele (Joel), porque o “trabalho” dela “era
como outro qualquer”, tudo bem que fala “coisas”, usa palavras obscenas,
termos vulgares e chulos, mas..., e daí? Se eu fosse ela, faria a mesma coisa!
Concluiu o „amigo‟.
Na realidade, o questionamento de Simone sobre a fé de seu noivo e as
palavras do “amigo” de Joel, não foram dirigidas só para ele naquele
programa, mas para toda a classe de pessoas que Joel representava naquele
episódio. O povo de Deus foi esteriotipado como machista, ridículo, patético,
cabeça quadrada, burro e indigno. E tudo isso porque não aceita e condena a
prática imoral do sexo por telefone. O programa todo girou em torno da
decisão que Joel deveria tomar, ou seja, se ele devia aceitar o “trabalho” da
sua noiva ou não. A pergunta não deveria ser se Joel devia ou não devia
aceitar a atividade de sua noiva, mas se ela, deveria continuar com tal “prática
pornográfica” tão degradante. Infelizmente, o resultado final contribuiu com a
sua parcela para o rebaixamento das normas criatãs e a divulgação do sexo por
telefone como um comportamento normal e aceitável. Foram 99.862 pessoas
que ligaram para dizer que Joel deveria casar com Simone e aceitar a sua
“profissão”, enquanto 52.454 pessoas ligaram para protestar e dizer que não,
ele não deveria casar com ela naquela situação.
Outro caso de incentivo ao liberalismo sexual, dentre muitos que
aparecem na TV, foi o programa Você Decide do dia 10/12/98. A história,
repleta de cenas eróticas, girou em torno de um garoto de programa (Pablo) e
sua namorada (Daniela). A pergunta que deveria ser respondida pelo público
era: “será que Daniela deve aceitar a profissão de Pablo e ficar com ele?” Em
certo episódio, Pablo tenta justificar seu comportamento liberal dizendo: “eu
amo você Daniela, mas essa é minha profissão, meu trabalho”. Pablo disse que
gostava daquela vida. É dessa maneira que muitos adolescentes e jovens sem
dinheiro, estudo ou princípios morais, são incentivados a experimentar o estilo
de vida pregado na telinha, vivendo na prostituição como se fosse uma
profissão socialmente e moralmente aceitável. No final, aparece uma cena na
qual Daniela só aceitou transar com Pablo depois que ele mostrou o teste de
HIV (Teste para detectar o vírus da AIDS). Quando o aprentador do programa
disse: “agora vamos ver o final que o Brasil interio escolheu”, aparece um
diálogo entre Daniela, que está saindo para encontrar Pablo, e seu pai, que
sabia o que estava ocorrendo entre sua filha e Pablo. “Hoje eu vou chegar bem
tarde”, diz Daniela. “Eu quero que você seja muito feliz minha filha”,
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concorda o “pai”. A grande maioria dos telespectadores (98.320) respondeu


que sim, que Daniela deveria aceitar ficar com Pablo apesar de sua “profissão”
como garoto de programa; segundo o programa, apenas 52.139
telespectadores foram contra. No final, o casal de namorados aparece
transando na maior naturalidade. E ainda tem gente que diz que a TV não
influencia as crianças e jovens a viver uma vida imoral.
Embora muitos pais estejam realmente preocupados com o conteúdo
que seus filhos estão vendo na televisão, a grande maioria considera que
proibir a criança de assistir a TV não seja uma boa idéia. Uma das alegações
mais freqüentes para não se proibir é o fato de que essa atitude é impraticável,
afinal, como é possível, em nossos dias, manter uma criança longe da TV?
Além disso, sempre existe o argumento de que a proibição pode apenas
aumentar a vontade de assistir TV e aguçar a curiosidade infantil. Todavia, há
como, ao menos equilibrar, o acesso dos filhos à TV e filtrar o conteúdo. Ser
criativo e desenvolver estratégias para deixar os filhos longe da telinha por
mais tempo é uma alternativa. Por exemplo: arrastá-los para brincadeiras em
outros ambientes e reforçar programas fora de casa. Afinal, há coisas muito
mais interessantes no mundo do que uma tela de TV.

TV, EROTIZAÇÃO PRECOCE E CONSEQUÊNCIAS


Não resta dúvidas de que com a revolução sexual dos anos sessenta os
costumes mudaram. Os padrões de comportamento também e, a própria
“paissagem sexual” onde a criança se encontra hoje é muito diferente daquela
de algumas décadas atrás. Com o advento da Aids e a sua conseqüente
divulgação, a camisinha se tornou tema freqüente de campanhas na mídia. O
resultado é que hoje há mais conversas sobre sexo do que houve em qualquer
outra época. Outro fator que deve ser levado em conta são os escândalos
sexuais de gente famosa e influente, inclusive de estadistas. Para citar um
exemplo bem conhecido, basta lembrar do caso de adultério entre o Presidente
Bill Clinton e a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, o qual
repercutiu a nível internacional. Um fato curioso sobre isso, foi que, ao
mesmo tempo em que o depoimento de Clinton sobre o caso era exibido por
redes de TV americanas a nível nacional, autoridades do mundo inteiro (100
Ministros de Exterior e 50 líderes mundiais) aplaudiam entusiasticamente o
Presidente Norte Americano depois do seu discurso na sessão de abertura da
Organização das Nações Unidas em Nova York. O caso entre Clinton e
Lewinsky foi tão explorado pela mídia, que levou a rede de televisão CNN a
colocar a seguinte mensagem no ar, antes do início da entrevista ou
interrogatório com o Presidente: “Warning: Testimony may contain explicit
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details”. (Advertência: este testemunho pode conter detalhes explícitos).


Além disso, o sexo na televisão tem-se mostrado o recurso mais comum
para levantar a audiência. Desde que a censura foi extinta, em 1988, as redes
de TV não cessaram de testar a tolerância dos telespectadores com cenas e
temas cada vez mais ousados. Com frequência a TV coloca questões
impróprias para uma criança, que muitas vezes acaba alarmando até os adultos
mais liberais. Cenas de homosexualismo, lesbianismo e traições matrimoniais
causam uma verdadeira confusão moral na mente infantil, provocando certo
“desconforto psicológico” em meninos e meninas. Embora existam pessoas
que alegam que “as pequenas transgressões” que a TV comete são eliminadas
por outros mecanismos sociais, como a arientação da família, essa é uma
opinião que não é aceita pela maioria. E apesar de alguns especialistas
considerarem a exposição de crianças ao sexo apresentado na TV como algo
que não faz nenhum mal, a grande maioria dos psicólogos, psiquiatras,
pedagogos e educadores são unânimes em afirmar o contrário, que a exposição
precoce de crianças ao sexo propagado pela mídia é prejudicial, e um fato que
não pode ser ignorado. Prova disso, foi um estudo coordenado pela sexóloga
brasileira Marta Suplicy, o qual revelou que a informação sobre sexo
veiculada na TV estimula a sexualidade infantil e prejudica a criança. Segundo
a pesquisa, 88% dos entrevistados afirmaram que a televisão incentiva a
sexualização precoce, e 74% consideram as informações da TV prejudicial às
crianças. Há um abuso na exploração da sexualidade na telinha.
Quando o assunto é sexo na TV, as crianças são submetidas a uma série
de informações que na maioria das vezes não estão preparadas para resolver. É
como dar feijoada a um bebê que se encontra na fase da mamadeira. As
crianças na faixa dos 5 aos 10 anos de idade, geralmente ignoram as questões
ligadas à sexualidade e muitas vezes reajem à elas com indiferença. Mas a
maioria começa a imitar o que vê nas cenas da TV, mesmo sem entender
direito o que aconteceu e o que estão fazendo. Elas ficam seduzidas
(consciente ou inconscientemente), querem agarrar outras pessoas, dão beijos
com força e adotam atitudes que consideram sensuais. Se não bastasse o meio
ambiente ser extremamente erotizado (devido aos constantes apelos da mídia),
em muitos casos, as crianças ainda recebem uma “educação erotizante” por
parte dos próprios pais, que incentivam suas crianças à erotização em tudo que
fazem. Por exemplo: quando a criança está brincando com outra, esses pais
incentivam beijinhos e abraços e dizem (de brincadeirinha) que elas estão
namorando, quando tudo o que a criança quer é apenas brincar; outros vestem
suas filhas com roupinhas apertadas e as estimulam a imitar as dançarinas do
“Tchan”. Essa “educação erotizante”, somada a uma exposição intensa aos
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assuntos relacionados a sexo na mídia, acaba deixando as crianças angustiadas


e estressadas. Elas presenciam cenas em que o “amor” é realizado de forma
completamente diferente daquela que podem dar e receber. O que essas
situações, ou cenas de sexo na TV fazem, é aumentar sua angústia, além de
atropelar seu amadurecimento sexual e desrespeitar as fases de seu
desenvolvimento infantil.
Definitivamente temos que entender que se a TV estimula o consumo
de mercadorias e marcas, e influencia o cidadão a escolher o seu candidato
numa eleição, fica difícil imaginar que em matéria de sexo a TV seja um
aparelho nêutro. Devemos nos convencer de que a televisão modifica o
comportamento da criança, podendo prejudicá-la. O que está havendo é uma
sexualização precoce, meninas de 6 ou 7 anos já têm comportamento de
adolescente, usam batom e salto alto, e compram roupas erotizadas da Xuxa e
da Angélica. Meninos de 9 ou 10 anos já pensam em agarrar e beijar uma
menina. Crianças de 5 ou 6 anos já falam (mesmo sem entender direito) em
“namorar”.
Em uma conversa com onze meninos e meninas entre 7 e 13 anos (sete
meninas e quatro meninos), uma equipe de profissionais preparada pela revista
Veja constatou que: em teoria, os temas sexuais deixaram de ser um mistério
para as crianças, que abordam o assunto com desenvoltura de especialistas na
qualidade de adultos precoces. “Se o discurso é de gente grande, em seus
corpos fluem poucos miligramas de hormônios sexuais”. “Elas falam, falam e
falam de sexo com suas vozinhas infantis, enquanto brincam com ursos de
pelúcia, bonecas, bolinhas de gude ou em seus videogames e computadores”.
Todas as crianças ouvidas declararam que aprenderam mais sobre o
assunto na TV do que em qualquer outro lugar. Um dos garotos, André, de
apenas 10 anos de idade, admitiu que desde os 5 anos começou a descobrir e
aprender “certos truques” quando viu um filme pornô pela TV à cabo em seu
quarto. Ele mesmo descreve sua reação: “Nunca tinha visto nada parecido na
vida. Foi superestranho. Fiquei perturbado. Armazenei aquelas cenas na
cabeça, essas coisas foram ficando na memória. Mulher e homem fazendo
sexo, falando coisas estranhas, tinha pegado essas imagens por acaso, pela
antena parabólica. Vi o cara mordendo a orelha da mulher. Achei animal”,
descreveu impressionado. Com sua curiosidade infantil aguçada, André foi
procurar sua professora na escola para “esclarecimentos”. Insatisfeito com o
que ele chamou de “boboseiras”, resolveu aprender por conta própria. “O
homem da banca de jornal da esquina deixava eu olhar umas revistas”,
afirmou. “Depois fui me aprimorando. Sabendo mais, perguntando para meus
amigos e amigas mais velhos. Fui ficando expert. Não tenho mais dúvidas
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sobre sexo. Sou um homem resolvido. Agora é só fazer. Já tenho as manhas,


sei do que uma mulher gosta”, comenta o menino ainda impúbere de 1,45
metro de corpo imberbe.
Diante disso, vale lembrar que para a televisão fechada (canais a cabo
ou por assinatura), já existe um sistema seguro para manter as crianças
afastadas de temas impróprios e cenas sobre sexo. Denominado “Parental
Control”, trata-se de um dispositivo que só libera a programação depois que
uma senha (conhecida apenas pelos pais) é digitada pelo controle remoto.
Todavia, o melhor sistema ainda é o bom senso norteado por uma educação
legitimamente cristã.
A entrevista feita por Veja ainda revelou que, quando o assunto é sexo,
os garotos têm uma escala de grau de confiança diferente das meninas. Para os
quatro meninos entrevistados a ordem nessa escala foi: 1- Pais; 2- Televisão;
3- Professores; 4- Empregadas domésticas. Apesar de mencionarem os pais
em primeiro lugar, os garotos alegaram que não gostam de assistir TV na
companhia deles, sentem vergonha. Acham que o ideal mesmo é assitir
sozinhos ou com alguém de menos intimidade, como a empregada, por
exemplo.
Já com as meninas a ordem do grau de confiança foi: 1- Mãe; 2- Pais; 3-
Escola; 4- Amigos; 5- Tevê. Elas alegaram ter mais intimidade e diálogo com
as mães. Essa diferença demonstrou que, quanto ao “tubo catódico”, se para os
meninos ele é o principal veículo de informação sobre os temas sexuais, para
as garotas funciona mais como um elemento a despertar curiosidade. E é
justamente na curiosidade que repousa o perigo, tanto para elas quanto para
eles. O caso de André é um exemplo de como as informações e orientações
quanto a sexualidade podem proceder de fontes menos dignas (e creia, seu
caso não é único). Basta sair à rua para se deparar com mais de uma banca
com uma grande coleção de revistas masculinas, femininas e gays. Nas
videolocadoras o caso é idêntico. Embora a lei não autorize menores de idade
a comprar ou alugar fitas e revistas pornográficas, as embalagens estão lá e,
em geral, já dizem tudo, muitas vezes usando termos e “slogans”
impublicáveis. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente não é
respeitado no que prevê o Artigo 78, que diz: “As revistas e publicações
contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão
ser comercializados em embalagem lacrada, com a advertência de seu
conteúdo”; “As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens
pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca”
(Parágrafo Único). No telefone há o disk-sexo, que não discrimina adultos,
adolescentes ou crianças. É dessa maneira que o diabo tem acesso às mentes
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em formação, injetando nelas a distorção daquilo que Deus criou e ordenou


para que fosse uma benção ao homem e à mulher, ou seja, o uso da
sexualidade plena dentro vínculo sagrado do matrimônio.
Outra consequência desse aprendizado precoce e desvirtuado é o que
pode ser classificado como “paixão contemplativa ou platônica” (Que em
determinados casos e circunstâncias pode se tornar patológica).
Principalmente para os meninos, a imagem de sexo ideal é povoada por cenas
de novelas, filmes, anúncios publicitários e afins. Geralmente, é a partir daí
que surge o desejo de “ficar” com mulheres. Há crianças (para não mencionar
adultos) que acabam ficando com mais vontade de ver determinadas atrizes na
TV do que se relacionar na vida real. São indivíduos que sonham mais com as
mulheres da televisão por serem muito mais bonitas e sensuais (segundo os
critérios estabelecidos pela mídia). Essa paixão platônica pode levar a
pensamentos de luxúria, a um comportamento anti-social, à prática da
masturbação e da imoralidade sexual. Atitudes estas claramente condenadas
pela palavra de Deus, a qual nos orienta: “Foge também das paixões da
mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um
coração puro, invocam o Senhor”. (II Timóteo 2: 22)
É difícil negar ou fingir que a televisão não tenha nada a ver com a
alteração do comportamento e dos valores morais da sexualidade infanto-
juvenil. Um exemplo claro dessa influência erótica televisiva é a novela
“Malhação”, que já apresenta no título um sentido ambíguo (segundo a gíria
jovem, malhar pode ser a prática de algum exercício ou se aproveitar
fisicamente de alguém). “Especialmente” preparada para o público infanto-
juvenil, atinge crianças e adolescentes em cheio. A série é apresentada por
atores (em sua grande maioria) menores de 18 anos, e é tão permeada de
apelos sexuais e cenas de sensualidade, que muitas vezes, quando os pais não
ficam constrangidos diante dos filhos, acabam ficando complacentes, achando
que aquilo tudo é muito normal. O que não é verdade.
Em uma de suas primeiras cenas, Malhação ia apresentar um grupo de
adolescentes “vestidas” apenas com peças íntimas, porém, Siro Darlan, juiz de
menores do Rio de Janeiro, proibiu tal apresentação e determinou que as
„roupas‟ fossem modificadas. Todos foram ao ar com roupa colante de
ginástica. Na prática, o que Darlan fez foi uma censura prévia, que tem como
fundamento o Estatuto da Criança e do Adololescente, o qual sugere
providências para proteger a imagem, a saúde física e mental dos menores.
Na opinião de uma das pré-adolescentes entrevistadas por Veja, “as
novelas passam um preconceito muito grande contra quem quer manter a
virgindade. Por exemplo, apareceu na novela uma menina que era virgem e, só
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por causa disso, o garoto não queria nada com ela. Ela tinha de deixar de ser
virgem para transar com ele. Aí, ela saiu querendo transar com qualquer um
para resolver isso. É um absurdo!”; afirmou Elisa, 12 anos e aluna da sexta
série. O mesmo preconceito apareceu em Malhação. Essa acusação foi feita
por Maria Alice, 13 anos, aluna da sétima série e veterana do grupo feminino
entrevistado por Veja. “Tinha um menino virgem que todo mundo queria que
não fosse mais. Arrumaram uma prostituta para ele... Eu acho o fim”, opina a
adolescente. “Os autores de novelas deviam pensar que esse tipo de coisa é
uma pressão incrível na cabeça das pessoas. Quem acha uma baixaria resolver
a vida sexual desse jeito acaba se sentindo culpado porque não está fazendo
aquilo que os outros, a novela inclusive, acham que ele deveria fazer”,
argumenta a adolescente.
Parece que as medidas judiciais tomadas até agora não foram suficientes
para impedir que essa novela teen, deixasse de apresentar adolescentes e pré-
adolescentes com atitudes maliciosas e sensuais, e que só falam e pensam em
sexo antes do casamento. Imagens de dolescentes com roupa de praia aos
beijos e abraços; cenas que incentivam os namoros precoces; cenas de traição
no namoro e a divulgação da filosofia do “ficar” (tão conhecida no meio dos
adolescentes), fazem de Malhação uma babel de imoralidade. Num de seus
episódios chegou a apresentar o momento em que os pais de uma garota saem
de casa para que a filha possa ficar sozinha e “mais à vontade” com seu
namorado.
Levando esse tipo de influência em consideração, percebemos que não é
por acaso que os adolescentes e pré-adolescentes estão tendo atividades
sexuais cada vez mais cedo. De acordo com uma pesquisa mencionada na
revista Claudia, “enquanto na década de 70 a iniciação sexual acontecia entre
19 e 22 anos, hoje ocorre a partir dos 13 e, no máximo, aos 16 anos”. Outra
pequisa realizada com 2.337 adolescentes e jovens entre 12 e 24 anos,
divulgada pela revista Istoé revela que “40% dos adolescentes se iniciam na
vida sexual entre 13 e 17 anos”. Essa pesquisa ainda revelou o que os
adolescentes de hoje pensam sobre virgindade, casamento e projeto de vida.
Dentre as perguntas respondidas por eles constavam as seguintes:

Acha certo ter relações sexuais antes do casamento?


Sim 74,7%
Não 25,1%

Já teve relações sexuais?


Sim 55,4%
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Não 44,3%

A virgindade é importante?
Sim 46,0%
Não 52,9%
Não sabe 1,1%

É importante legalizar o casamento?


Sim 58,1%
Não 41,7%

Qual o seu principal plano de vida


Estudar 43,4%
Estabilidade econômica 15,4%
Bom emprego 13,0%
Casar 9,8%
Ter um filho 2,7%
Outros 15,7%

Noutra pesquisa realizada em colégios públicos e partiulares de Belo


Horizonte (MG), com cerca de mil adolescentes entre 13 e 18 anos, confirmou
o que eles pensam sobre sexo antes do casamento, virgindade e casamento:
 74,7% acham certo ter relações sexuais na adolescência.
 59,3% acham que as relações sexuais fazem parte do namoro.
 64,9% tiveram a primeira relação com namorado(a) ou noivo(a).
 53,9% não acham a virgindade um valor importante.
 41,7% não acham o casamento uma instituição importante.
 27,9% não usam método anticoncepcional por ser desconfortável.
 21,7% não usam método anticoncepcional porque esquecem.
 49,6% Não usam qualquer método anticoncepcional.

Percebe-se, com estes indicadores, uma geração liberal e ao mesmo


tempo imatura, que acha natural ter relações sexuais fora do vínculo sagrado,
mas ao mesmo tempo não sabe nem ao menos se previnir. Por que os
adolescentes estão cada vez mais liberais em questões relacionadas à
sexulaidade? Estaria a mídia influenciando o pensamento e o comportamento
desses jovens? Creio que além da irresponsabilidade e imaturidade próprias da
idade e a falta de educação sexual dentro de casa, a sexualização precoce na
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adolescência, com todas as suas consequências negativas, tem muito que ver
com a erotização propagada pela mídia eletrônica.
Segundo uma pesquisa patrocinada pela OMS (Organização Mundial da
Saúde), feita com mais de 2.000 adolescentes e jovens de 12 a 24 anos de
várias classes sociais e de regiões urbanas e rurais do Brasil, o perfil do
comportamento sexual de adolescentes e jovens na última década do século
XX é assustador. Os resultados da pesquisa, que enfocou, sobre tudo o
comportamento sexual, revelaram um quadro realmente preocupante, não só
no que diz respeito ao sexo pré-marital, mas principalmente quanto ao uso de
métodos anticoncepcionais e a influência da mídia, especialmente a TV.
Embora 90,1% dos adolescentes conheçam os diferentes métodos, somente
69,9% os usam com alguma regularidade, e 29,6% não usaram nenhum na
primeira relação. Mais da metade dos entrevistados já tinha vida sexual, que
teve início antes dos 15 anos para um quarto deles. Os jovens reconhecem a
importância da mídia em seu comportamento: televisão (15,2%) e revistas
(15,0%) chegam a superar os pais (13,0%), os serviços de saúde (12,2%), a
escola (12,1%) e os amigos (11,0%) como a principal fonte de informação. E
– mais uma alerta para a mídia – 79,5% dos adolescentes acham, que os filmes
e as propagandas eróticas influenciam seu comportamento sexual.
A realidade é que as mensagens proporcionadas pela televisão a respeito
do sexo e o amor não conduzem o adolescente a uma atitude sexual madura,
ou a uma conduta responsável. Um estudo realizado por Joyce Sparkin e
Teresa Silvermann demonstra que são mais frequentes os casos de gravidez
nas jovens telespectadoras que nas que não assistem à televisão, porque as
primeiras tendem a depositar maior confiança nas experiências com o sexo
oposto para se parecerem com suas „heroínas‟ da televisão. Os romances
passageiros e sem compromisso (ficar), bem como o namoro precoce e liberal
entre adolescentes geralmente terminam em gravidez. Isso acontece com uma
boa parcela da juventude brasileira que se vê obrigada a trocar as apostilas da
escola por fraldas e mamadeiras. Crianças que engravidam ficam
desestruturadas, quebram os relacionamentos próprios para sua idade e ficam
emocionalmente abaladas. Segundo estatísticas, “a gravidez na adolescência
vira um problema grave porque interfere na vida de uma em cada três jovens
com menos de 20 anos e, é polêmica, porque aquece a discusão em torno do
aborto. No Brasil, 18% das adolescentes entre 15 e 19 anos já ficaram
grávidas pelo menos uma vez, segundo os dados oficiais do Ministério da
Saúde. A gestação precoce não escolhe idade nem classe social, ainda que os
casos na área rural ultrapassem os dos centros urbanos (20% contra 13%). O
que assusta é que do número total de gravidez precoce, 49,1% delas são
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indesejadas. Este percentual se reflete em constatações do próprio Ministério


da Saúde: a criança indesejada é muitas vezes vítima de negligência e
violência psicológica e física. A menina tem uma interferência na vida, é uma
marca que não dá para apagar. Segundo relatório do Fnuap (Fundo de
População das Nações Unidas), o boom de mães-adolescentes é um problema
mundial, principalmente nos países subdesenvolvidos. No Brasil, o número de
mães adolescentes cresceu sem parar nos últimos quatro anos. Em 1994, os
hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) realizaram 2,85 milhões de
partos, 23,7% deles em meninas de 10 a 19 anos e 76,8% em mulheres de
mais de 20 anos. Na última década, o número de partos caiu para 2,71
milhões, mas a porcentagem de mães-adolescentes subiu para 26,5%,
enquanto os partos em mulheres acima de 20 anos diminuíram para 73,5%.
Conforme estatísticas do Ministério da Saúde, o ranking nacional da
gravidez na adolescência na última década, e o número de partos em
adolescentes de 10 a 19 anos por região, era a seguinte:
 Norte – 33,13%
 Centro-Oeste – 29,91%
 Nordeste – 27,67%
 Sudeste – 24,19%
 Sul – 23,9%
 Número total de partos: 2.718.265
Esses dados refletem problemas educacionais, sociais e econômicos,
mas também são um reflexo do pensamento liberal reforçado pela mídia, de
que o sexo é só mais um ingrediente do cotidiano sem perspectivas. Porém, a
realidade é bem diferente da apresentada na TV, quando se vêem grávidas,
essas adolescentes enfrentam conflitos psicológicos para os quais não estavam
preparadas, e descobrem cedo demais que ter um bebê nos braços não é a
mesma coisa que brincar de boneca. Devido a isso a relação mãe e filho
muitas vezes fica prejudicada, e a criança cresce numa mentira.
Como mais uma das consequências negativas do liberalismo sexual, o
número de meninas que se tornam mães-solteiras é cada vez maior. Segundo
dados do IBGE 23% das famílias existentes no Brasil são compostas por mães
solteiras. São jovens rejeitadas por seu namorado que decidem ter o bebê e
assumir uma dupla responsabilidade, a tarefa de ser mãe e pai ao mesmo
tempo. Esse quadro tem revelado uma mudança no próprio conceito de
família.
A face feliz das estatísticas são os casos nos quais a mãe ganha a
compreensão da família e do namorado, e assume a gravidez. Mas esse é
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apenas mais um lado da questão, falta mencionar o caso daquelas garotas


grávidas que serão mandadas embora de casa, viverão na prostituição para
poder sobreviver, enfrentarão o conflito entre ficar e dar a criança, ou o que é
pior: farão aborto, por vergonha e medo de decepcionar os pais (que sempre a
orientaram), mas muitas vezes para “honrar” o nome da família (o que é uma
grande hipocrisia).
O sentimento de culpa, os traumas psicológicos e o “vazio” que a
lembrança da gravidez interrompida traz são algumas consequências
experimentadas na vida de milhares de adolescentes. É impossível precisar
com exatidão quantas meninas escolhem a cada ano o caminho das clínicas de
aborto, das “parteiras” de fundo de quintal ou do uso de remédios abortivos. O
fato é que, para as adolescentes pobres, geralmente o aborto é feito de maneira
quase primitiva e em péssimas condições de higiene.
Em contrapartida, dados do Sistema Único de saúde (SUS) dão conta
que os partos em adolescentes crescem 1% ao ano. Outra porcentagem
alarmante são os problemas de parto na faixa etária entre os 10 e 19 anos”. Por
exemplo, em 1995 as estatísticas do SUS surpreenderam as autoridades: das
cerca de 180 mil meninas entre 10 e 14 anos internadas no país naquele ano,
16% foram internadas para dar à luz. Para mencionar um exemplo específico,
no Estado do Paraná, só no ano de 1997, o SUS registrou quase 1,5 mil casos
de curetagem (raspagenm do útero) pós-aborto. As partes óssea e sanguínea e
aparte hormonal das adolescentes não estão preparadas para essa interferência
no desenvolvimento, dificilmente essas meninas estão preparadas.
Não fica difícil imaginar os números a nível nacional diante das
estatísticas divulgadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), as quais
revelam que de um milhão de adolescentes brasileiras entre 10 a 19 anos que
ficam grávidas a cada ano, cerca de 200.000 abortam. Estima-se que são
realizados 45 milhões de abortos, por ano, ao redor do mundo. Noventa por
cento deles são praticados em países pobres”. Todavia, muito mais do que um
reflexo dos probelmas sociais, o aborto é um grave problema moral e reflete
uma verdadeira crise de valores e espiritualidade enfrentada pelos jovens, que
são induzidos pela mídia a viver de maneira independente de Deus e de Sua
Palavra no que diz respeito as questões morais.
Outro problema “socioespiritual” grave, o qual não deixa de ser uma
consequência direta do liberalismo sexual aprendido na mídia e praticado na
vida real, é o abandono de bebês. “Mães” que não têm coragem ou dinheiro
para fazer o aborto, jogam seus filhos em qualquer lugar para morrerem
abandonados. Estatísticas revelam que doze bebês recém-nascidos são
abandonados em São Paulo a cada mês. Dez no Rio de Janeiro. A opinião
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pública ficou chocada com a descoberta de um bebê a ponto de ser triturado


como lixo. Mas esse caso é a ponta da tragédia. Muitas dessas crianças são
colocadas em sacos plásticos, gavetas e caixas de papelão. Ficam
desagasalhadas no frio, em vias públicas, nas estações de metrô, bancos de
praça e terrenos baldios, à espera de que alguém as encontre em tempo....Nem
todas sobrevivem. Algumas são encontradas com vida. Outras morrem até
dois dias após internamento, de desnutrição ou infecções. Sem dúvida que por
trás de todos esses números importunos e atitudes irresponsáveis, existem
muitos fatores sociais e educacionais negativos, mas também está a má
influência de certos programas de TV, que nada mais são do que “lixo
televisual” de primeira, oferecido em horário “nobre” para toda família. Os
quais ensinam e advogam a liberdade sexual, o homossexualismo e o
lesbianismo, apresentam a sexualidade humana de um modo distorcido,
estimulam o sexo sem compromisso e a paternidade irresponsável. Depois,
quando uma menina se torna mãe-solteira, tendo a coragem de assumir o seu
filho, essa mesma sociedade que estimulou um comportamento promíscuo de
liberalismo sexual, a condena e a discrimina, entrando em contradição,
tornando-se assim uma sociedade marcada pela hipocrisia, sem valores éticos
e morais claramente definidos.
Mas, e o que dizer do risco das doenças sexualmente transmissíveis
(DST)? Com relação a Aids, conforme relatório da Organização das Nações
Unidas (ONU), só em 1998 essa doença fez 5,8 milhões de novas vítimas, a
metade entre os jovens. Segundo esse relatório, o alcance da epidemia entre os
jovens é alarmante, com cerca da metade dos novos casos entre os 15 e os 24
anos. Em 1998, três milhões de jovens foram infectados. E o que é pior, os
casos não param de crescer, segundo estatísticas mundiais, “11 pessoas são
infectadas a cada minuto”. Todavia, o risco de contaminação não é uma
questão restrita ao problema da AIDS, porém é muito mais abrangente.
Também envolve doenças sexualmente transmissíveis que a TV não mostra e
muitas vezes os jovens nem ouviram falar sequer o nome, tais como:
Gonorréia, Cancro Mole, Sífilis, Uretrite, Linfogranuloma Venéreo,
Tricomoníase, Herpes Genital e Condiloma Acuminado, para citar algumas.
Essa última, também denominada popularmente como Crista de Galo,
Figueira ou Cavalo de Crista, mereceu destaque na mídia porque está
crescendo muito no Brasil. O vírus causador dessa doença sexual, o papiloma
humano ou HPV, é um ilustre desconhecido das campanhas de prevenção do
Ministério da Saúde às DST. Nenhuma campanha contra a AIDS toca no
assunto. Todavia, o Condiloma Acuminado está se tornando cada vez mais
conhecido por adolescentes e jovens adeptos da “liberdade” sexual. Quando
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comparado com o HVI, que leva aos suplícios da AIDS, o HPV parece até
inofensivo, pois é fácil de tratar e curar, por se manisfestar na forma de uma
verruga que, percebida e diagnosticada a tempo, pode ser retirada por métodos
rápidos e seguros. Até aí a notícia não seria tão ruim para os promíscuos. Mas
o que acontece, é que o HPV já é o líder entre as doenças sexualmente
transmissíveis, atingindo principalmente as mulheres. Estatísticas revelam que
uma em cada três mulheres brasileiras com vida sexual ativa, a maioria jovens
entre 20 e 29 anos, está contaminada com o papiloma humano (HPV). E mais,
esse vírus é um dos principais responsáveis pela morte de milhares de vítimas
de câncer no colo do útero por ano. Para cada novo ano, as autoridades
médicas esperavam a ampliação dos números de óbitos. Estudos feitos no
Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, revelaram que de cada dez casos
de câncer no colo do útero, nove estavam contaminados com o HPV, e mais,
que 30% das vítimas do HPV desenvolverão o câncer do colo do útero. O
perigo é que quando o HPV não é diagnosticado a tempo, após um período de
latência no aparelho genital feminino, as verruguinhas causadas pelo papiloma
se transformam em câncer. Para piorar, mesmo que isso não aconteça, a
simples existência das lesões torna as mulheres mais vulneráveis às infecções
por outras doenças sexuais, inclusive a AIDS. Segundo as pesquisas nessa
área, há dezoito vezes mais possibilidade de uma pessoa infectada com o HPV
do Condiloma Acuminado, ser também contaminado pelo vírus HIV da AIDS.
O risco de contágio aumenta, pelo fato de o vírus do papiloma estar atingindo
principalmente os jovens, que iniciam a vida sexual cada vez mais cedo, e por
isso são mais desinformados sobre os “perigos do sexo”, mais inseguros e, em
geral, mais afastados dos serviços de saúde. O risco aumenta ainda mais,
quando não há sequer a mínima preocupação, por parte dos adolescentes e
jovens liberais, em usar preservativos. Uma pesquisa realizada na década de
90, patrocinada pela OMS, revelou que 25% dos adolescentes entrevistados
fizeram sexo antes dos 15 anos. Desses, sete em cada dez não usaram o
preservativo na primeira relação e apenas um em cada cinco o usa
regularmente. As consequências, primeiramente do comportamento liberal,
depois da falta de proteção, são funestas. Enquanto o Programa de Atenção
Integral ao Adolescente da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo
detectou que 2% das meninas atendidas na rede pública tinham algum tipo de
DST na década de 80, esse índice chegou a 10% na década de 90.
Diante da realidade da sexualização precoce, e de tantas consequências
negativas, as quais envolvem problemas como o aborto, o abandono de bebês,
o sexo irresponsável e sem compromisso, o risco de contaminação com o vírus
da AIDS e o risco de contágio com doenças sexualmente transmissíveis, os
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pais precisam desenvolver um diálogo mais aberto com seus filhos sobre a
sexualidade humana. Não é correto transferir essa responsabilidade para a TV
ou para os coleguinhas de rua. É no círculo sagrado da família, dentro dos
vínculos do casamento e de uma união matrimonial saudável, que os filhos
estão mais aptos a entender o plano de Deus para a sexualidade e felicidade do
homem e da mulher. De acordo com a pesquisa (já citada) realizada em Belo
Horizonte (MG), apenas 10,5% dos adolescentes recebem alguma orientação
em casa, enquanto 9,6% adquirem as informações da mídia, e apenas 3,1%
dos profissionais de saúde. A mesma pesquisa também revelou de quem os
adolescentes gostariam de receber orientações sobre sexo:
 20,3% gostariam de Ter na família a principal fonte de conhecimento.
 19,7% querem receber mais orientações dos médicos.
 5,5% querem receber mais orientação da mídia.
 4,9% querem receber mais orientação dos professores.
Psicólogos e educadores concordam que a atitude mais acertada para os
pais, é encarar as questões sobre sexo colocadas pelos filhos e responder-lhes
com sinceridade (embora isso nem sempre seja fácil). Todavia, para que a
educação sexual das crianças seja muito mais do que mera informação, os pais
devem respeitar três princípios básicos: 1- Não atropelar e nem ignorar a
sexualidade de seus filhos; 2- Respeitar as fases do desenvolvimento infantil
e; 3- Diante das perguntas e da curiosidade das crianças, aproveitar o
momento para explicar, com naturalidade, o lado saudável do sexo, segundo
os princípios e a ética cristã, e de preferência usando bons livros.

GRAVIDEZ SOLTEIRA NA TV E NA VIDA REAL


Para mencionar mais um exemplo das consequências do liberalismo
sexual, a cada ano que passa nascem mais filhos de adolescentes com menos
de 14 anos de idade, não são raros os casos de mães-meninas com até 11 anos
de idade. De acordo com uma avaliação médica, uma gravidez nessa fase do
desenvolvimento acelera a maturidade, provocando desestruturação não só
psíquica mas também física. Imagine uma criança amamentando outra. Essas
meninas estão pulando uma etapa das suas vidas, encarando a idade adulta
sem o menor preparo. A própria gravidez é prova disto, pois o fato de ter um
filho representa todo um comprometimento e responsabilidade. Se não
bastasse a pressão da mídia, a liberação sexual, muitas vezes estimulada pelos
próprios pais, é um fator agravante. Os pais têm que ensinar o que o sexo
realmente significa. É preciso educar adequadamente, impor limites. Há uma
diferença entre liberdade e liberalidade. As escolas também precisam trabalhar
melhor a questão.
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Mas a triste realidade é que têm se tornado menos incomuns casos de


mães-meninas de 12-13 anos, e pais-meninos de 14-15 anos. Verônica, uma
garota que com apenas 12 anos de idade se tornou mãe de Gêmeos, é um
exemplo da triste realidade em que muitas meninas na fase da pré-
adolescência se encontram. O caso foi amplamente divulgado pela mídia nos
anos 90. Verônica começou a namorar com 11 anos de idade. Seu namorado
tinha 24 anos. Não tendo onde morar, ambos foram para um quartinho
apertado, sem banheiro, nos fundos da casa da mãe dela.
Numa idade em que Verônica ainda deveria estar brincando de bonecas,
ela teve que assumir precocemente responsabilidades para as quais não
recebeu nenhuma orientação e não estava preparada. No lugar das bonecas ela
teve de segurar dois bebês, com suas mamadeiras, fraldas sujas e muito choro.
Ser mãe, esposa e dona de casa aos doze anos, certamente não é o que se
espera de uma menina. A rotina de Verônica virou de pernas para o ar com a
maternidade precoce. Depois que ganhou os bebês, deu um adeus definitivo às
bonecas, teve de abandonar a escola e suas coleguinhas de classe. “O que vai
ser de mim?”, foi o que Verônica repetia na maternidade quando deu a luz.
Todavia, “a história de Verônica não é novidade nas estatísticas brasileiras. É
cada vez maior o número de meninas pobres e ainda adolescentes que se
tornam mães. Só no período de uma ano, segundo dados do IBGE, já
nasceram no Brasil 11.000 bebês de meninas com menos de 15 anos de
idade”. Conformada, a mãe de Verônica afirmou que não sabia o porquê de
tanto espanto, “hoje em dia é comum que as meninas tenham filho cedo”,
disse. Porém, ao tentar explicar a gravidez precoce da filha, revelou
conformismo e transferiu sua responsabilidade dizendo: “A culpa é da
televisão, que ensina tudo às crianças”.
Até que ponto a culpa é realmente só da TV? Será que a educação
sexual de meninos e meninas não é mais responsabilidade dos pais? Poderia a
família deixar por conta da TV as orientações quanto a sexualidade de seus
filhos? Estariam eles recebendo boa orientação? Seria essa uma atitude
segura? Como já vimos a resposta para essas interrogações é negativa.
Creio que seria muito simplista admitirmos que a única culpada por
casos como o de Verônica fosse a televisão. Deve-se levar em consideração
outros fatores que influenciam o adolescente, ou seja: as informações sobre
assuntos de sexualidade e de comportamento adquiridas na rua, com seus
colegas de escola e amigos, as publicações pornográficas largamente
difundidas, bem como uma gama de outras Influências sociais. Mas também
seria simplista se negássemos o fato de que a TV tem contribuído para uma
atitude irresponsável e precoce quanto ao sexo.
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Um exemplo disso foi o que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro,


enquanto estava sendo levada ao ar a telenovela “Barriga de Aluguel”. Os
conceitos transmitidos por tal novela eram de rebeldia às autoridades e
liberalismo sexual. Uma adolescente resolve “ser” barriga de aluguel para um
casal que não podia ter filhos. Tal situação cria questões éticas e morais que
precisam ser debatidas com os jovens. O que ocorreu no Rio foi um drástico
aumento de casos semelhantes, onde centenas de meninas adolescentes
engravidaram. Esse aumento foi atribuído, pelo menos em parte, à influência
que a novela “Barriga de Aluguel” exerceu sobre essas meninas.
A síndrome “barriga de aluguel”, como ficou conhecida, foi verificada
devido ao crescente aumento de adolescentes que procuraram a Sociedade de
Pediatria Fluminense, da qual Ricardo Barros era presidente. Como chefe de
um serviço que atende problemas clínicos e dá orientação sexual a jovens
entre 10 e 20 anos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Dr. Barros
afirmou, se referindo a novela, que: “Mostrando uma adolescente grávida,
com o apoio dos pais e amigos, o mesmo comportamento se repetiu na vida
real onde as consequências foram muito diferentes do que se via na ficção.
Notamos no Instituto um aumento da gravidez entre meninas de baixa renda.
Só que a realidade é o oposto do que a televisão mostrava: essas meninas são
marginalizadas e hoje têm problemas na escola.”
Outro exemplo de como a novela “Barriga de Aluguel” influenciou o
comportamento dos jovens, foi o caso ocorrido em Londrina, norte do Paraná.
“Duas mulheres anunciaram nos classificados do jornal “Folha de Londrina”,
que estavam dispostas a emprestar o útero a casais impossibilitados de Ter
filhos. Inspiradas na personagem da novela “Barriga de Aluguel”, da Rede
Globo, Suely (33) e Maria (23), não estipularam o preço, mas se dispuseram a
negociar a gravidez para resolver problemas financeiros.
Na opinião do Doutor Barros, a má influência que a TV exerce sobre os
adolescentes e sua sexualidade, pode gerar um problema que ninguém sabe
onde vai estourar. O sexo é mostrado na televisão como uma coisa
compulsiva, indiscriminada, com a qual as pessoas podem suprir todas as
carências. Ele chega a temer que a televisão esteja preparando um desastre de
grandes proporções.
O fato é que, mesmo com a divulgação constante de métodos
anticoncepcionais (principalmente o uso da camisinha), o número de pais
precoces não pára de crescer. Já existe até mesmo grupos de apoio à
paternidade e maternidade precoce, pois a responsabilidade da gravidez não é
só da mulher. Um dos objetivos de tais grupos é fazer com que esses jovens
pais pensem melhor antes de agir. Há também em algumas escolas o que eles
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chamam de “cursos de iniciação sexual para adolescentes”, que apesar dos


apelos constantes ao uso da camisinha, inentivam os jovens a um
comportamento liberal, privando-os de receberem o que é mais importante: os
verdadeiros princípios morais da Palavra de Deus.
O incentivo ao uso da camisinha, ao meu ver, induz à prática do sexo
livre. A idéia passada é que o importante é se proteger e não se guardar para o
casamento. Uma das consequências negativas de tal liberalismo está aí, a
maternidade precoce, que obriga jovens a abrir mão de grande parte da
adolesecência. Percebe-se com isto que não basta receber informação sem
emoção pela TV, ou ainda, informação dentro de uma falsa conduta ética de
prevenção pelo uso da camisinha. Geralmente o que acaba acontecendo é uma
confusão do que realmente seja o amor, que para esses adolescentes, acaba
sendo comparado e confundido com excitação, paixão e atração física.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para
a Infância), é comprovada a relação entre o índice de gravidez na adolescência
e a falta de planejamento familiar específico para jovens. “Em mais da metade
dos 43 países pesquisados, pelo menos 10% das adolescentes entre 15 e 19
anos disseram não ter recebido orientação sobre métodos contraceptivos”.
Outro aspecto inverso é que, mesmo tendo conhecimento, uma boa parcela de
adolescentes simplesmente ignoram a camisinha na hora da relação sexual.
“No Brasil, 11% das adolescentes entre 15 e 19 anos sexualmente ativas
afirmaram que, apesar de não quererem ter filhos, não usam nenhum método
contraceptivo”.
As inúmeras cartas enviadas para psicólogos, médicos e sexólogos de
revistas Teens, revelam as inquietações e dúvidas de milhares de adolescentes.
Essa busca de informações por parte dos jovens começa com os pais (que
muitas vezes falham em dialogar francamente), passa pela escola (que nem
sempre está interessada no assunto), e chega às redações de revistas para
adolescentes (que geralmente tem um postura liberal). Alegando que não têm
para quem perguntar, ou que não confiam em pais e professores, esses
adolescentes esperam que suas perguntas sejam respondidas por profissionais.
Na Inglaterra, por exemplo, onde os pais geralmente não falam sobre sexo
com seus filhos, a juventude Britânica vive a onda de liberalismo sexual
proclamada na década de 60 pelos Beatles, e depois pelo Rock dos Rolling
Stones, Spice Girls, etc. O resultado? Uma em cada três mulheres antes dos 16
anos perde a virgindade, o que torna a Inglaterra campeã em número de
adolescentes liberais.
Aparentemente seguros do assunto, os jovens iniciam seus
relacionamentos como um romance, que acaba levando a um sentimento forte
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de paixão (confundida com amor), e que geralmente acaba em desilusão,


angústia e dor pela expectativa frustrada, e pelas consequências de seu
comportamento libertino. Freqüentemente confundem os sentimentos, pensam
que tudo é uma brincadeira, um faz de conta, como vêem na televisão. Só que
a realidade de segurar uma criança nos braços é bem diferente. Preocupado
com isso, o governo da Escócia encomendou o “bebê virtual”, um boneco
computadorizado desenvolvido pela Nasa e destinado a ensinar os
adolescentes que a vida não é brincadeira.
O bebê virtual ensina para os jovens as responsabilidades envolvidas em
ter um filho, e como é difícil cuidar de uma criança. Os adolescentes levam o
bebê para casa, o qual simula situações reais e registra como foi tratado. O
cansaço de passar noites e noites em claro faz com que muitos pretendentes
desistam da idéia de terem um filho tão cedo na vida. A conclusão que muitos
chegam é de que não têm condições financeira, emocional e física de serem
mãe e pai na adolescência. Todavia, no Brasil, cresce a cada dia o número de
meninas segurando um “bebê real”. O erotismo veiculado pela mídia, a
puberdade mais adiantada, a sexualização precoce, e a prática sexual cada vez
mais cedo, são alguns fatores que explicam o aumento dos casos de gravidez
na adolescência.
Para citar outro exemplo mais recente de liberalismo sexual explícito
veiculado e explorado pela mídia, basta mencionar o comentado caso da
gravidez solteira da apresentadora Xuxa meneghel, que surpreendeu os
próprios fãs. A gravidez foi anunciada em horário nobre da televisão
brasileira, para todas as faixas etárias. E depois disso, parece que todo Brasil
ficou grávido junto com Xuxa. Sem o menor constrangimento, ela e seu
namorado entraram nos lares de todo Brasil não apenas para anunciar uma
gravidez, mas indiscutivelmente, para passar sua própria escala de valores aos
baixinhos e grandinhos. Implicitamente, o recado deixado foi claro:
“baixinhos e baixinhas, o sexo antes do casamento não é errado, e mais, ficar
grávida não significa que você tenha a obrigação de casar, o importante é ter
um filho”.
Considerando que a Xuxa é um ícone da televisão brasileira, objeto de
veneração de crianças, adolescentes e jovens, e que sua fama extrapola as
fronteiras do país, a influência que exerce sobre o comportamento de seus fãs
não é para ser subestimada. Além de trabalhar sempre em evidência na mídia,
a apresentadora tem dezenas de produtos licenciados com sua marca. Suas
bonecas já venderam mais de 10 milhões de unidades, enquanto sua sandália
infantil está nos pés de 15 milhões de crianças. Não é difícil imaginar o que
uma menina que segura em suas mãos a boneca de sua maior ídolo vai pensar
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sobre o sexo antes do casamento. Creio que ainda não podemos avaliar todas
as consequências de tal atitude, mas de uma coisa podemos estar certos, esse
exemplo deixado por Xuxa contribuiu para a banlização do casamento na
cabecinha de suas fãs.
Sob o título: “O Mais Novo Xou da Xuxa”, a revista Veja publicou uma
reportagem sobre o assunto, da qual destaco o seguinte comentário: “Há trinta
anos, seria motivo de escândalo uma moça solteira anunciar sua gravidez em
casa, apenas aos familiares. Imagine assim, aos quatro ventos, pela televisão.
Dá para pensar na época da atriz Regina Duarte, então „a namoradinha do
Brasil‟, festejando com amigos e admiradores uma gravidez fora do
casamento? Impossível, afirma Veja. Hoje, no entanto, depois das conquistas
obtidas pelas militantes da emancipação feminina, do alargamento dos padrões
morais e do esvaziamento do casamento formal, um anúncio como o de Xuxa
já não causa choque, conclui”. É impresionante como a mídia tem o poder de
transformar o pecado em algo banal. Mas, o que pode parecer normal para
toda uma nação, não o é para o povo de Deus. Talvez esse tipo de caso não
choque mais, afinal não é o único no meio artístico, mas deixou, na época, no
mínimo um ar de preocupação pelo futuro de milhares de meninas (fanáticas
pelo “Xou” da Xuxa e seus produtos), as quais poderiam desejar “imitar” sua
gravidez solteira, mesmo não tendo a estrutura socioeconômica da
apresentadora.
Sabe-se que a adolescência é uma idade em que o indivíduo está
buscando uma identificação própria, e por isso se torna um verdadeiro “papel
carbono” dos modelos que lhe são apresentados. O adolescente é altamente
influenciável, ao procurar uma identidade própria, acaba assumindo
identidades transitórias, o que o leva a uma confusão de identidade. Nessa
busca de si mesmo assumem atitudes próprias, muitas delas, negativas e
prejudiciais. Os adolescentes estão buscando uma escala de valores
individualizada, um padrão de comportamento, mas antes, experimentarão
seguir modelos. É justamente por isso que a TV, com seus princípios liberais
acaba exercendo de modo negativo o papel de “conselheira comportamental”
para esses adolescentes.
Sendo que o caráter de uma criança ainda está em formação, precisando
ser modelado e direcionado com muita atenção e cuidado, a influência da TV
se torna muito mais perniciosa sobre elas, principalmente no que diz respeito
ao estabelecimento de padrões de comportamento, valores e à sexualidade
humana. Essa realidade, somada ao fato de que os casos de gravidez na
adolecência e doenças sexuais estão aumentando, ressalta a importância e a
necessidade de uma educação sexual preventiva, baseada numa orientação
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cristã, dentro dos parâmetros da Palavra de Deus e sob a responsabilidade da


família.

LIXO TELEVISUAL EM HORÁRIO NOBRE


Comentando a exploração da sexualidade infantil feita pelas redes de
televisão do Brasil, Ricardo Valladares, citando um exemplo, escreveu que
“não tem cabimento, pelo grotesco e pelo selvagem o sexo infantil das tardes
de domingo; (citando em seguida um determinado apresentador de TV). Ali,
sob o pretexto de um concurso para eleger a melhor imitadora de uma
dançarina famosa, expõem-se meninas entre 4 e 6 anos a situações vexatórias,
rebolando semi-nuas, em poses com clara conotação sexual....A verdadeira
razão para esse apresentador trazer as meninas para seu programa é que elas
elevam a audiência de 13 para 17 pontos. A conclusão é que a sensualidade
ajuda no Ibope”. (Veja, 13 de Agosto de 1997). Faltou acrescentar que apesar
de ajudar no Ibope, incentiva a depravação e promiscuidade infanto-juvenil e
prejudica na formação do caráter. Que no caso de uma criança, precisa ter uma
atenção e cuidado especiais.
Numa entrevista concedida à revista veja, o referido apresentador foi
questionado sobre as baixarias que exibe em seu programa nas tardes de
domingo, o mesmo se justificou dizendo: “Hoje em dia, as pessoas vão com
pouca roupa à praia e ninguém acha isso escandaloso. Mas no meu programa
todo mundo reclama”. Ele chegou a usar o mesmo argumento para se defender
do fato de ter apresentado meninas de 5 anos de idade em poses lúbricas
rebolando ao som de uma famosa música popular. “Qualquer criança faz isso
em festa infantil”, justificou. Segundo revelou a revista veja, “ele só tirou o
quadro do ar por determinação da Corregedoria de Menores”! (Revista Veja,
29 de outubro de 1997, p. 135)
As atenções da própria mídia sobre a péssima qualidade de
determinados programas televisivos merecem a nossa consideração. Sob o
forte título: “A casa alheia como esgoto”, Eugênio Bucci faz sérias críticas a
um quadro apresentado num dos principais programas da TV brasileira, se
referindo as cenas “gastropornográficas” apresentadas para as famílias numa
dessas tardes de “domingão”. Ele Observa que tais bizarrices dão ibope, uma
vez que apelam para as perversidades inconfessas de seus telespectadores.
Justamente os quadros que mais geram protestos são os que mais fazem
sucesso. O telespectador parece se deliciar com os excessos que condena em
público. “Mas a hipocrisia mais nefasta do Brasil não é a dos telespectadores;
é a dos programadores, que, em pleno domingo à tarde, fazem ao vivo na casa
alheia o que jamais fariam na sua própria”, afirma.
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Bucci ainda diz que essa falta de qualidade nos programas revela o
desprezo dos donos e diretores das emissoras pelo público, “os quais fariam
muito se não levassem ao ar o lixo que recusam em suas casas. É como se eles
fossem os senhores, dignos de todas as deferências, e o país fosse a senzala,
condenada a se alimentar de sobras imundas. Os responsáveis pelos circos
dominicais dariam um grande passo se deixassem de pôr no ar aquilo que eles
mesmos sabem que é puro lixo, que eles mesmos, se fossem telespectadores,
recusariam”. (Veja, 05 de novembro de 1997, p. 18)
O referido programa ( tomado como um exemplo dentre outros),
também recebeu severas acusações por parte dos telespectadores mais
sensíveis. Dentre as cartas enviadas à redação de Veja, gostaria de mencionar
algumas declarações de desabafo, que nos ajudarão a refletir e questionar
sobre a qualidade do que se passa na telinha:
 “Igual ao vírus, eles (mencionando dois apresentadores dominicais) fazem
qualquer coisa para conseguir mais Ibope dentro do corpo social. Não
hesitam em matar qualquer célula, a fim de multiplicar sua audiência. Para
isso vale qualquer baixaria, demagogia. É a vitória da insanidade. Até que
chega um momento que tudo começa a morrer: nossa inteligência,
sensibilidade, valores éticos”.
 “A reportagem um furacão no domingão...(29 de outubro de 1997) retrata
muito bem a situação em que se encontra os programas que vão ao ar na
televisão brasileira. A programação é um insulto à inteligência e a
glorificação do besteirol”.
 “Minhas condolências aos donos das emissoras e , por extensão, aos
apresentadores, pelo desserviço. Lamento apenas que grande parte da
população brasileira não tenha outra coisa melhor para fazer aos domingos
do que prestigiar esse excremento eletrônico”.
 “A televisão brasileira fica a cada dia pior, com programação de péssimo
gosto e sem o objetivo de levar o verdadeiro entretenimento à sofrida e
inculta população brasileira. Ver o programa no qual o apresentador
aproveita a inocência de crianças em trajes sumários, usando-as para obter
audiência, é tão desagrádavel quanto assistir a outro programa no qual o
seu apresentador diz palavrões a todo o momento e mostra um almoço
japonês servido sobre o corpo nu de algumas moças, com a participação
dos chamados galãs da TV. Ainda de forma grosseira, o apresentador
interrompe as respostas de seus entrevistados a todo instante, numa falta de
educação descomunal”.
 “A guerra pela audiência está deixando um rastro de podridão e vergonha.

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Há tempos que na TV só se assiste a violência, corrupção, traição e


promiscuidade”.
 “Creio que há uma alternativa para a guerra de audiência entre os
apresentadores da TV, e ela cabe ao próprio telespectador: desligar a
televisão e não se sujeitar ao festival de baixaria e mau gosto
protagonizado por esses apresentadores. Infelizmente, domingo é dia de
lixo na televisão”. (Veja, 05 de novembro de 1997, p. 19)
Creio que essas opiniões refletem o sentimento de indignação e
vergonha que está presso no coração de muitas famílias brasileiras que ainda
prezam pelo bom gosto e pela ética cristã. Diante dos fatos apresentados, deve
ficar bem claro que a família é a grande responsável pela educação moral nos
dias atuais, e que nada e ninguém pode suibstituir essa tarefa. E essa educação
moral precisa estar centrada no conceito bíblico da grande controvérsia
universal entre Cristo e Satanás, exaltando os princípios éticos e morais
revelados na sagrada e imutável Palavra de Deus.

CAPÍTULO X
ESTATÍSTICAS ALARMANTES

CONTROLE DE QUALIDADE
Uma pesquisa inédita solicitada pelo Ministério da Justiça do Brasil e
patrocinada pela Unesco, revalou que 75% dos brasileiros (uma média de três
em cada quatro brasileiros) gostariam que houvesse algum tipo de controle
sobre o que vai ao ar. Entre estes, 64% defenderam a classificação por faixa
etária e horário, e uma minoria, apenas 32%, pediu a volta de alguma forma de
censura. Parece haver um dilema entre censura e limite de comportamento, e
isso não é recente, mas atualmente tem ganhado mais força e espaço nos
meios de debate sobre a qualidade dos programas de TV. Assim, se faz
necessário separar censura de limite de comportamento.
A censura é uma maneira de fazer as pessoas se comportarem da forma
que a sociedade impõe. É um controle de fora para dentro, e por isso a
Constituição de 1988 aboliu a censura no Brasil. O limite de comportamento é
uma alternativa mais igualitária, que não fere as leis que regem a democracia.
Esse limite é imposto pelo próprio indivíduo, baseado na noção de civilidade,
respeito e compromisso ético. Um exemplo prático de como o limite de
comportamento pode ser aplicado, é quando uma emissora de TV apresenta
cenas de pornografia para aumentar a audiência e vender publicidade, e há um
protesto reclamando contra isso. Essa reclamação não é censura, mas é um
modo de estabelecer um limite de comportamento àquela emissora, um limite
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situado no terreno da ética. Isso não fere a democracia, pois ela mesma não é
um vale-tudo, onde cada um pode fazer o que bem entender. A democracia é
regulada por uma ética muito forte, que está constantemente impondo limites
tanto na esfera pública quanto privada. Por exemplo, um professor não pode
traficar drogas e sair pregando moralidade com o dinheiro que ganhou do
tráfico.
Em países como os Estados Unidos, o limite de comportamento foi
imposto por meio da instalação obrigatória de um dispositivo inibidor nos
televisores que saem da fábrica. Tal dispositivo é chamado de “violence chip”,
ou “v-chip”. E teve o apoio do presidente Norte Americano Bill Clinton, o
qual respaldou sua instalação para controlar os programas de televisão,
alarmado pela descomunal crueldade que eles transmitem. Com o “v-chip”, os
pais poderão programar a televisão para não receber programas considerados
impróprios para menores de 12, 14 ou 18 anos. Se é que podemos dizer que
aquilo que é impróprio para os menores pode ser próprio para os maiores.
Na França, filmes violentos e programas com cenas de sexo só podem
ser apresentados em horários noturnos. A questão é, será que as crianças de
hoje, que na maioria das vezes têm uma TV dentro do seu próprio quarto,
estão indo dormir cedo? Muitos outros países adotam o recurso do chamado
“horário de proteção aos menores de idade”, entre as 8 da manhã e 8 da noite.
Na Inglaterra, televisão é serviço público, como água, luz ou telefone, e
o ministério responsável pelo seu funcionamento cuida também das artes, dos
museus e das bibliotecas. As emissoras públicas (Bbc 1 e 2) são mantidas por
uma licença anual paga pelas pessoas que possuem um aparelho de tevê e as
privadas sobrevivem graças à publicidade.As concessões valem por dez anos e
a escolha das empresas leva em conta três critérios: a programação proposta,
inclusive a infantil, o valor a ser pago pela licença e a capacitação técnica.
O controle da qualidade dos programas é rígido e a fiscalização é feita
por órgãos independentes, responsáveis pelo acompanhamento da
programação e eplo encaminhamento das reclamações do público. Essas
comissões não têm poder de censura, mas exercem uma forte pressão sobre as
redes e, em muitos casos, acabam influindo na qualidade das programações.
Além disso, a Independent Television Comission (ITC), que dirige o setor
privado, publica um relatório de análise das programações. Algumas
emissoras recebem advertências formais e recomendações para melhorar o
nível, enquanto outras são elogiadas.
Por esse cuidado extremo, o professor de Telejornalismo da
Universidade de São Paulo (USP), Laurino Lalo Leal Filho, em seu livro A
Melhor TV do Mundo (Summus Editorial), considera a tevê inglesa a melhor
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do mundo. Os referenciais de programação da TV inglesa não são apenas os


números de audiência, mas também a ética. Segundo ele, o resultado é uma
televisão diversificada, com espaço para filmes de arte, esporte, telejornalismo
e boas produções infantis.
Infelizmente no Brasil, a emissora de TV, hoje, tem total liberdade para
transmitir o que quiser em qualquer horário. Uma portaria do Ministério da
Justiça, de oito anos atrás, diz apenas que os programas devem passar por uma
classificação de horário recomendado para exibição. A TV pode seguir ou não
a orientação. Se depender do Congresso, a situação deve mudar em breve. Há
três projetos de lei sobre o assunto. O primeiro propõe que a classificação seja
obrigatoriamente respeitada. Os demais sugerem a adoção de uma legislação
semelhante à americana, que determina a fabricação de televisores com o
violence chip (equipamento que permite aos pais programar o aparelho para
recusar a transmissão de atrações consideradas impróprias para menores). Para
que o modelo funcione, no entanto, seria preciso que as emissoras
respeitassem a tabela de horários e a classificação por idade, permitindo aos
pais programar o que seus filhos devem ou não assistir. Hoje, nem o código de
ética da Abert é seguido. Se fosse, cenas ousadas de sexo e nudez não
poderiam se exibidas nem após as 23 horas. Acima do código, deveria ser
levado em consideração o limite de comportamento, a ética. Porque televisão
não é como cinema, aonde as pessoas vão quando podem ou desejam; não é
um jornal de banca que a pessoa compra se quiser. A TV simplesmente entra
dentro de casa de repente, a qualquer hora, e um garoto de 7 anos não tem
capacidade para entender o que um filme pornográfico está mostrando.
A Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV possui um
código de ética muito bonito, mas até as crianças já perceberam que esse
papelório só foi escrito para não ser respeitado. O argumento favorito das
emissoras é dizer que quem não está satisfeito só precisa mudar de canal ou
desligar o aparelho. Todavia, dizer isso é fingir que se pode ignorar no
mínimo quatro realidades. 1- Que a maioria das famílias, especialmente as
mais pobres, têm na TV sua única alternativa de lazer. 2- Que freqüentemente
as crianças ligam a TV quando os pais estão fora de casa, trabalhando. 3- Que
a programação do conjunto das emissoras (com raras exceções) está
comprometida, em maior ou menor grau, com ideologias anti-cristãs. 4- Que a
TV exerce certo poder de manipulação e indução sobre o telespectador,
levando-o à passividade e incapacitando-o a tomar decisões.
Outra alegação é de que a TV tem o direito à liberdade de expressão, e
que ninguém tem o poder de intrometer-se em seu trabalho, o que não está de
todo errado. Porém, embora a luta pela liberdade seja a causa mais bela que
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existe, isso não elimina a necessidade de um debate sobre a função que a


televisão exerce. Essa discusão pode melhorar a própria televisão, abrindo
caminhos mais criativos do que simplesmente apelar indiscriminadamente
para a violência ou sexualidade humana, como únicas alternativas para manter
a audiência.
Se a falta de ética nas programações não bastasse, as agências de
publicidade ligadas a empresas cuja imagem está fortemente relacionada à
criança, levam em conta apenas a audiência antes de anunciar seus produtos,
contribuindo assim para que a péssima qualidade dos programas infantis
continue. O interesse das grandes multinacionais são os programas mais
rentáveis, com audiência qualificada, ou seja: os que têm o maior público são,
em geral, os melhores para se anunciar. Estas empresas não estão preocupadas
com a falta de limites e ética de determinados programas de televisão, seu
único interesse é ganhar muito dinheiro. Cabe aos telespectadores protestar e
exigir um controle de qualidade. Esse protesto pode ser encaminhado à
Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a qual possui o “Manual de
Qualidade da Televisão Brasileira”. Esse manual tem propostas de
acompanhamento – não de controle – do que é exibido na telinha tendo em
vista os excessos costumeiros de algumas emissoras.
Segundo o Jornal “Ö Globo” (28/01/99), há uma preocupação por parte
do Governo Federal quanto a baixa qualidade dos programas oferecidos ao
telespectador, inclusive desenhos animados infantis que contém cenas de
brutalidade. Objetivando colocar limites à exibição exagerada de violência na
TV, o Governo Federal pretende criar um comitê de acompanhamento da
programação e um novo manual de qualidade para a televisão brasileira. A
intenção é determinar horários para a veiculação de programas que contenham
cenas de violência. O comitê será inspirado no modelo de código de
veiculação do Canadá, onde programas com violência não podem ir ao ar
antes da 20h30. Há quem considere as 21h como o limite ideal para as
emissoras brasileiras. De acordo com o Conselho Mundial de Rádio e
Televisão, os telejornais não estão incluídos neste manual de qualidade. Mas,
fugindo ao padrão, os noticiários em todo o País também serão submetidos ao
novo código. A emissora que desobedecer ao controle poderá perder a
concessão do canal. Traz certo alívio saber que o governo está tomando algum
tipo de providência para impedir a exposição das crianças aos banhos de
sangue e pancadaria exibidas pela telinha, mas é esperar para ver se as
emissoras respeitarão as normas e o governo cumprirá as sanções.

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TELA CONDENADA
Numa pesquisa feita pela Vox Populi em 1995, foram entrevistados
3.075 moradores de 214 municípios das cinco regiões brasileiras. Havia na
época uma preocupação, que ainda predomina hoje, com relação ao erotismo e
a escalada sexual na TV apresentada com um frequência quase alucinante. O
resultado indicou que a opinião da maioria da população brasileira era de que
havia excesso de cenas eróticas e mensagens sexuais na TV. Vox Populi
elaborou a seguinte pergunta: “Na sua opinião, a TV tem mostrado mais cenas
de sexo do que deveria, tem mostrado na medida certa, tem mostrado pouco
ou não tem mostrado?” O resultado em porcentagem ficou assim:

Mais do que deveria - 63%


Na medida certa - 19%
Pouco - 6%
Não tem mostrado - 2%
Não sabe/não respondeu - 10%

Outra pesquisa realizada pelo Ibope em 1997, foram entrevistadas 2.000


pessoas, todas com mais de 30 anos e com filhos entre 8 e 17 anos, onde
foram feitas três perguntas e constatou-se que, entre outras coisas, nada
incomoda mais aos pais que as novelas, as cenas de sexo e o homossexualismo
transmitidos pela TV. A revista Veja publicou esse resultado num artigo
entitulado “Tela condenada”, onde aparecem os assuntos que o brasileiro não
quer ver no vídeo, ou seja:
O que deixa você constrangido ao assistir à televisão com sua família?
Cenas de sexo 71%
Estupro 58%
Relações homossexuais 49%
Que tipo de programa você acha inadequado para crianças e adolescentes?
Novelas 52%
Filmes 51%
Programas policiais 34%
O que você não gostaria que seus filhos vissem na TV?
Relações homossexuais 47%
Consumo de cocaína 43%
Consumo de maconha 43%
* O Ibope ouviu 2000 pessoas. Algumas respostas obtidas num questionário
em que era possível assinalar mais de uma alternativa. (Fonte: Veja, 10 de
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setembro de 1997, p. 135)


Segundo esta pesquisa, as novelas e o homossexualismo são duas das
principais preocupações dos país, no que diz respeito ao conteúdo apresentado
na TV. Mas, ultimamente, é justamente o homossexualismo que os produtores
de filmes e novelas procuram explorar. Um exemplo disso foi o que ocorreu
na novela Torre de Babel, na qual o lesbianismo foi introduzido e divulgado
abertamente com o objetivo de derrubar o “preconceito”. Foram usados
diversos recursos técnicos para que a representação fosse perfeita, dentre eles,
foram muito explorados o tom de voz do casal de lésbicas, as cenas
insinuantes, o figurino e a própria decoração do apartamento em que elas
moravam. A idéia era provocar sentimentos de voyerismo e fantasias sexuais
nos telespectadores. “Quero que cada homem pense em ficar espreitando essas
mulheres pelo buraco da fechadura”, afirmou um de seus diretores à revista
Contigo (25 de agosto de 1998, p. 11). Numa entrevista, a atriz Christiane
Torloni, a Rafaela de Torre de Babel e uma das protagonistas lésbicas,
declarou acreditar que “apesar de ter ficado no ar por menos de dois meses, as
lésbicas da novela conseguiram uma grande vitória. Só o fato de termos
conseguido abordar um assunto tabu na novela das 20h, com tanta delicadeza,
já foi um gol”, afirmou Christiane. (Jornal Diário Catarinense, Revista da
Tevê. Domingo, 5 de julho de 1998, p. 4).
Pressionados pela opinião pública, os diretores da novela tiveram que
dar um sumiço no casal gay. Para isso, se aproveitaram da famosa explosão do
shopping. Todavia, “segundos antes de o shopping center explodir em
anunciadíssimos efeitos especiais, e matar as duas, Rafaela (Christiane
Torloni) diz a Leila (Silvia Pfeifer), sem que se saiba a que se refere: „foi esse
maldito preconceito‟. Certamente um recado do autor Silvio de Abreu aos
telespectadores intolerantes”. (Veja, 22 de julho de 1998)
De acordo com pesquisas ralizadas pela agência Retrato do Rio de
Janeiro, os pais não estão nada satisfeitos com o que anda passando na telinha.
Retrato entrevistou 180 pessoas de famílias diferentes de seis grandes cidades
(São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Goiânia e Uberlândia), no
meses de maio a junho de 1997. A pesquisa queria saber se a TV mostra cenas
que deixam os pais constrangidos ao vê-las com seus filhos. A resposta foi
afirmativa, as cenas de sexo na TV incomodam os pais. O que ficou
confirmado ouvindo o depoimento dos próprios profissionais da televisão:
“Até eu, que me considero uma pessoa aberta, me senti mal ao ver meu filho
de 9 anos assistindo ao programa Madrugada Sexy”, disse a apresentadora de
televisão Christina Rocha. Falando sobre a educação de suas duas filhas (20 e
16), a atriz Eliane Giardini (ex-mulher do ator paulo Betti), confessou que
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“quando apareceia uma cena de amor mais apimentada, sempre arranjávamos


uma desculpa e mudávamos de canal”. (Revista Veja, 10 de Setembro de
1997, p. 135)
Outro objetivo da Retrato, era saber quais o programas mais perniciosos,
na visão dos pais. Segundo a pesquisa, as opiniões foram as seguintes:
 O programa que causou mais constrangimento para os pais foi o Domingo
Legal. Considerado “o exemplo máximo do uso comercial do sexo”. Outro
alvo foi a novela Xica da Silva, da Manchete.
 Os pais acham que a televisão reduz a infância, antecipando problemas que
as crianças só iriam conhecer mais tarde – como drogas, prostituição e
traição. (Revista Veja, 10 de Setembro de 1997, p. 136)
Embora a população demonstre certa preocupação com a qualidade dos
programas televisivos e pareça saber o que deseja ver na telinha, os programas
de TV, na sua grande maioria, ainda deixam muito a desejar. Até mesmo nos
programas infantis, que sempre foram considerados inofensivos por pais,
anunciantes e emissoras, tem ocorrido exibição de cenas de assédio e de abuso
sexual, onde o conteúdo, muitas vezes machista e preconceituoso,
frequentemente passsa despercebido, mas nem por isso deixa de exercer sua
influência desmoralizadora.

PRECONCEITO E PERIGO NA TELINHA INFANTIL


Os meios de comunicação a todo momento estão empenhados em divulgar
em seus noticiários, entrevistas, telenovelas, programas de auditório ou
mesmo nas mensagens publicitárias os padrões de comportamento
“socialmente valorizados”. Isso pode se dar através do reforço positivo ou da
crítica às atitudes ou ações de indivíduos que acupam uma posição social
qualquer, seja pai, filho, jovem, idoso, pastor, padre, esposa, criança, etc.
Acontece que nem sempre o ideal proposto é um reflexo do que predomina na
sociedade ou do que ela aceita. Muitas vezes os responsáveis pela produção
cultural e informativa apresentam “o que eles” gostariam que fosse aceito e se
tornasse predominante. Nesse caso, os produtores podem oferecer novos
modelos e padrões de comportamento, que, uma vez aceitos e interiorizados
por uma parte da sociedade, passam a estabelecer o novo padrão a ser seguido.
Para dar um exemplo, basta mencionar a influência que os meios de
comunicação de massa tiveram para difundir e consolidar a nova imagem da
mulher, bem como o seu papel na sociedade. Inspirada no movimento
feminista, ao enfatizar e reiterar que a mulher devia trabalhar fora e ter os
mesmos direitos que o homem, a mídia construiu uma nova identidade
feminina e acrescentou um novo comportamento ao papel da esposa. Quem
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ousar questionar essa nova identidade e papel feminino, é criticado como


machista e retrógrado. Isso é mais um exemplo de como a mídia estabelece
novos valores que poderão orientar o comportamento dos indivíduos,
especialmente nas crianças.
Um pesquisa feita por P. W. Musgrave, com crianças de uma pequena
cidade da Inglaterra, revelou a força da televisão como fornecedora de
modelos. Foi feita a seguinte pergunta àquelas crianças: “Se você não fosse
você mesmo, quem você gostaria de ser?” Do total, 81% dos meninos e 48%
das meninas se identificaram com personagens ou artistas da televisão. Se tal
pesquisa fosse feita no Brasil, os resultados provavelmente seriam
semelhantes. O fornecimento de modelos oferecido pela TV pode ser
negativo, especialmente quando são estabelecidos “esteriótipos” (modelos que
servem de base para a discriminação. Não necessariamente para algo concreto.
Mas serve de guia , de orientação para um comportamento discriminatório).
Por exemplo, há programas humorísticos que difundem a idéia de que os
negros vivem exclusivamente para a bebida, samba e pagode; os
homossexuais são apresentados como estremamente afetados e caricaturais; os
políticos são identificados como corruptos. Quando na realidade isso é uma
distorção e exagero. Geralmente os esteriótipos expressam a imaginação
popular, mas não se pode negar que a imagem generalizada distorce a
realidade. Ao reforçar esteriótipos, a mídia e especialmente a televisão,
deseducam o povo, pois incentivam preconceitos.
Os jovens e principalmente as crianças, por estarem ainda em fase de
formação da personalidade, são mais propensos a absorver os modelos
veiculados na telinha, sejam eles positivos ou negativos. Quando
consideramos que a personalidade é um conjunto de influências biológicas
(hereditariedade), mas também é um conjunto de influências sociológicas
(meio ambiente), tais como crenças, hábitos, valores e padrões de
comportamento desenvolvidos por meio da educação, mas estabelecidos pela
“identificação”, compreendemos melhor as implicações da influência da tevê.
A identificação é um elemento de formação da personalidade. É quando uma
pessoa se identifica com alguma coisa ou modelo, que ela assume aquele
padrão de comportamento. Por exemplo: escovar os dentes, a princípio é uma
norma imposta, com o tempo esse hábito é incorporado e a motivação passa a
ser interior, e não mais exterior (norma). Nesse ponto, a pessoa ampliou sua
natureza moral. Por outro lado, se uma pessoa olha para os lados e não vê
nenhum guarda, e baseada nisso decide passar o sinal vermelho, ela não
incorporou, ou interioriozou as normas. Diante disso se faz necessário
perguntar: que tipos de normas as crianças têm interiorizado vendo TV? E
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para ir um pouco mais além, quais as “atitudes” que a televisão está criando
nas mentes infantís?
As atitudes a que me refiro, não são comportamentos ou procedimentos,
mas as pré-disposições para determinado comportamento, baseadas em
ideologias ou crenças. Ou seja, atitudes são pré-conceitos, que são adquiridos,
aprendidos e incorporados à personalidade. Assim, no sentido psicosocial,
uma atitude é sempre uma pré-disposição (pré-julgamento) para um
comportamento. Atitudes são pré-noções, que determinado grupo faz a outro,
geralmente às chamadas “minorias”, como judeus, índios, negros, etc. Uma
pessoa que age racionameltente dificilmente terá atitudes ou preconceito. Uma
atitude é sempre pré-concebida e baseada nas emoções. Por essa razão, a TV é
uma geradora de atitudes, pois coloca um véu entre a realidade e o que
apresenta. Forma julgamentos, atitudes (pré-conceitos), ao fazer
discriminações da minoria. Um exemplo, é a discriminação religiosa feita
pelas emissoras de TV. Mesmo não tendo uma religião oficial no Brasil, o
Catolicismo é tratado e divulgado pela mídia como sendo a religião adotada
pelo Estado.
A força da TV para criar atitudes de preconceito é tão forte que, algumas
coisas são aprendidas e incorporadas de tal forma, que as pessoas passam a
agir por instintos. Assim, os preconceitos se constroem na infância, e quanto
maior for a ligação afetiva que a criança tiver com o adulto, ou com o modelo
apresentado na TV, mais ela incorporará suas atitudes e pré-conceitos. Esses
pré-conceitos e atitudes se adquirem na infância porque se baseiam nas
emoções e na confiança que a criança deposita no modelo apresentado. É
dessa maneira que as atitudes aprendidas e passadas à criança farão parte de
sua personalidade.
Preocupada com a influência da tevê na formação das crianças, a revista
“Claudia” encomendou uma pesquisa à Comunicarte Marketing Cultural e
Social, coordenada por Marcio Schiavo, professor de mestrado em sexologia
da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, e consultor do Fundo das
Nações Unidas para a infância (Unicef). Durante uma semana, no período de
25 a 31 de maio de 1997, especilaistas dos cursos de mestrado de Sexologia e
de Comunicação da mesma universidade acompanharam e analisaram 151
horas e 30 minutos de programação infantil distribuídas pelas seis principais
emissoras do país (Bandeirantes, TVE, Globo, Manchete, Record e SBT).
O objetivo da pesquisa era quantificar a incidência de cenas e situações
eróticas na programação infantil, além de analisar seu enfoque, sua linguagem,
seus valores e de que forma isso é percebido pela criança. No período
pesquisado, que foi de uma semana, registraram-se 308 estímulos e referências
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a sexo nos programas destinados a crianças, o equivalente a um estímulo ou


referência a cada 29 minutos (ver dados abaixo). O mais grave, no entanto,
segundo Marcio Schiavo, não é a quantidade, mas sim o conteúdo deles. Com
poucas exceções, os programas pesquisados abordam a sexualidade de forma
jocosa e discriminatória, reforçando “velhos estereótipos” bem como atitudes,
comportamentos e valores impróprios da ética, conduta e vida cristã.

 Estereótipos sexuais: 49 incidências.


Cenas e situações que tendem a generalizar condutas e comportamentos
segundo o sexo dos indivíduos. Ex.: Menino não pode sxentir medo nem
chorar; flores são coisas de menina.

 Estímulos eróticos visuais: 46 incidências.


Posturas e/ou coreografias sensuais, como a dança do tchan, da garrafa e
outras; homens simulando movimentos do ato sexual; close em partes do
corpo fortemente associados à sexualidade (nádegas, coxas, seios, órgãos
genitais); enquadramento de peças íntimas (calcinhas, sutiãs, cuecas); homens
e mulheres seminus ou despindo-se.

 Culto ao corpo: 45 incidências.


Referência ao corpo como objeto de prazer.

 Atitudes sensuais: 43 incidências.

 Relações de gênero: 36 incidências.


Cenas e situações que envolvem os diferentes aspectos sociais e culturais
do que significa ser homem ou mulher. Ex.: o homem é agressivo, forte e
racional; a mulher é passiva, frágil e sentimental.

 Estímulos eróticos verbais: 18 incidências.


Cenas e situações permeadas por frases ou diálogos referentes aos órgãos
sexuais, às suas funções ou, ainda, às relações sexuais. Sons de beijos,
suspiros, gemidos, gritinhos e outros ruídos de conotação sensual.

 Carícias eróticas: 15 incidências.


 Piadas maliciosas: 12 incidências.

 Estímulos musicais: 10 incidências.


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Letras de canções com conteúdo erótico e/ou pornográfico, entre as quais:


O Pão da Minha Prima, Dança da Garrafa e Dança do Striptease, etc.

 Homossexualismo: 09 incidências.
 Fantasias sexuais envolvendo ou não fetiches: 08 incidências.
 Relações sexuais simuladas e insinuadas: 08 incidências.

 Sexualidade: 07 incidências.
Sublimada: cenas ou situações em que fica alaro o desejo ou a atração
erótica de um personagem pelo outro, sem concretização em cena.
Realizada: cenas ou situações em que o desejo é satisfeito por meio de
contatos físicos (beijos, carícias, etc.) mutuamente prazerosos.

 Amor e sexo: 02 incidências.


Reprodutivo: cenas em que a intenção de ter um filho é explícita.
Não-reprodutivo: cenas em que o prazer é de alguma forma focalizado
como único objetivo da relação. (Fonte: Revista Claudia, TV, Preconceito,
Machismo e Sexo na Programação Infantil. Novembro de 1997, pp. 26-27)
A pesquuisa ainda revelou quais são os campeões do abuso entre os
programas infantis apresentados na TV brasileira:
 Angel Mix (Globo) - Número de estímulos e/ou referências: 69.
Os estímulos eróticos estão presentes nos desenhos animados e nas músicas
e danças.

 Os Trapalhões (Globo) - Número de estímulos e/ou referências: 26.


Os episódios apresentados são de cinco a dez anos atrás. Com o intuito de
fazer graça, o programa abusa dos esteriótipos. As Mulheres são consideradas
feias e os homossexuais são sistematicamente ridicularizados.

 Mundo Maravilha (Record) - Número de estímulos e/ou referências: 24.


Recém-convertida à religião evangélica (Igreja Universal do Reino de Deus),
Mara se comporta de maneira bastante discreta e substituiu seu vestuário
ousado por roupas mais largas e compridas. Suas auxiliares, no entanto,
abusam de roupas curtas e coladas ao corpo. A maior incidência de estímulos
eróticos e referências de gênero aparece nos desenhos animados importados.
(Fonte: Idem)
As insinuações e estímulos começam pelo visual das apresentadoras,
que é cuidadosamente elaborado, geralmente com roupas curtas e justas,
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valorizando as formas do corpo, para apresentá-las com uma imagem


produzida para ser o mais bem acabado exemplo de beleza e sensualidade.
Poderia esta ser uma das raízes para a falta de modéstia prticada dentro da
igreja? Sabemos que, principalmente entre os adolescentes e jovens, a moda
exerce grande influência. Mas na maioria das vezes ela não condiz com o local
de culto, e muito menos com o viver em Cristo.
Programas como o Xuxa Park e Angel Mix não economizam
coreografias e músicas altamente sensuais, muitas vezes com letras obscenas.
Não foi por acaso que a apresentadora Angélica, numa entrevista à revista
“Contigo” afirmou que achava o seu programa bom, mas se tivesse um filho
procuraria fzer com que ele assistisse à TV Cultura. Nos desenhos animados,
os personagens femininos também se exibem com roupas colantes e em
posturas sensuais, como a mulher-gato, da série Batman, da TV Record.
Outros como O Máscara, apresentado no Angel Mix, da Globo, e US Manga,
da Manchete, vivem um grande número de situações eróticas, com referências,
inclusive, a abuso (US Manga) e assédio sexual (O Máscara).
Atrações como “O Cinema em Casa”, do SBT, apresentam referências
ao homossexualismo, relações sexuais insinuadas, brincadeiras maliciosas e
fantasias sexuais. Embora não seja considerada parte da programação infantil
da emissora, a sessão é exibida às 13h30, com a especificação irônica de que
pode ser vista pela família inteira.
Outro fato preocupante é que poucos pais fazem restrições ao que seus
filhos assistem na tevê. Na pesquisa feita por “Claudia” foi distribuido
questionários a 150 alunos da segunda à quarta série do primeiro grau. Das
150 crianças ouvidas pela pesquisa, 60,6% disseram que vêem tudo o que
querem na televisão. O restante relatou que as proibições se referem apenas a
horários (após as 22 horas) ou épocas (semana de provas, por exemplo) e
nunca a algum programa. Diante de tudo isso nasce a necessidade de pais e
professores prestarem mais atenção ao que passa na televisão.
Quando consideramos que todo esse bombardeio de apelos e estímulos
estão sendo introduzidos semanalmente na mente de crianças, passamos a
compreeender melhor o seu comportamento cada vez mais precoce no que diz
respeito a sexualidade. Meninos e meninas que deveriam estar preocupados
em brincar, são induzidos a proceder como os adultos em sua sexualidade. Do
ponto de vista psicológico isso não contribui para a formação de um caráter
saudável e equilibrado, pois não respeita os limites e fases do
desenvolvimento infantil.
A TV assumiu com esse tipo de programação um papel que não era
dela. A sexualidade é construída culturalmente, como a capacidade da fala.
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Percorre fases e etapas que devem ser protegidas. Certos programas de TV


estão quebrando todas as etapas e os resultados ainda são desconhecidos.
Enquanto no mundo real a criança vai aprendendo aos poucos a administrar
questões relativas à sexualidade, na tevê ela conhece tudo de uma só vez. É a
mesma coisa que dar uma feijoada para um bebê que não tem condições de
digerí-la.
Embora alguns especialistas não considerem tais programas de TV
prejudiciais às crianças, alegando que não há programa infantil que supere pai
e mãe (que nem sempre estão presentes) e que a TV influencia aqui e agora, e
não a longo prazo, não se pode ignorar que as mensagens são passadas para as
crianças na linguagem delas, por personagens com os quais elas se
identificam. Mesmo que a família tente preservar um ideal igualitário, essas
imagens, às vezes, são mais fortes do que as mensagens de casa.
Além disso, deve-se considerar que as leis que regem o
desenvolvimento “biopsicosocioespiritual” do indivíduo não podem ser
quebradas. Para o pediatra e psiquiatra infantil Christian Gauderer, autor do
livro Sexualidade da Criança e do Adolescente (Ed. Rosa dos Tempos);
“Enquanto o jovem já desenvolveu capacidade crítica para questionar aspectos
éticos e morais, as crianças não têm estrutura neurológica nem informação
suficiente para isso. Elas estão totalmente desprotegidas e suscetíveis a
mensagens que serão prejudiciais à formação de sua identidade”.
A pesquisa de “Claudia” ainda demonstrou que os meninos mais que as
meninas, tendem a aceitar e a reproduzir os esteriótipos difundidos pela TV.
Também se observou, por parte dos meninos, uma visão parcial da
sexualidade, reduzida, na maioria das vezes, aos órgãos genitais. Se atribuiu
parte da responsabilidade aos programas infantis. Com frequência, o afeto, o
romantismo e a sensibilidade são apresentados apenas como atributos
femininos. Enquanto as meninas, que participaram do grupo de pesquisa,
suspiraram diante de cenas e situações românticas e as consideraram bonitas,
os meninos as qualificaram de chatas, perguntando por que não vão logo ao
assunto?
Há quem argumente que a criança faz a “leitura”dos programas de
acordo com a própria realidade cultural em que vive, ou seja: o que ela vê na
telinha tem força, mas essa não é a única fonte de estereótipos na sociedade.
todavia é bom lembrar que o problema é que há muito mais sexo e violência
do lado de lá do que no mundo real.
Particularmente acredito que enquanto as emissoras de TV não se
preocuparem em melhorar a qualidade de seus programas, e enquanto o
código de ética da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de rádio e
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Televisão) não for respeitado e seguido, a solução para esse dilema está
mesmo em casa e na escola. Todavia, infelizmente, pais e professores não
estão preparados ou interessados em discutir a utilização desse veículo de
comunicação dentro de uma visão bíblica. Eles têm prestado pouca atenção
crítica à TV, e isso é grave. Entretanto, bem feita e bem utilizada, na verdade,
a televisão pode se tornar uma aliada poderosa na educação das nossas
crianças. É urgente questionar, orientar, aprender e ensinar a ver televisão, ou
se for o caso, aprender e ensinar a deixar de assistí-la.

CAPÍTULO XI
ATITUDES ALTERNATIVAS

PROGRAMAS EDUCATIVOS E RELIGIOSOS


Todos os fatores considerados até aqui, foram estudos e pesquisas
feitas por especialistas na área da comunicação, pessoas que não têm nenhum
compromisso com organizações religiosas. Se a sociedade como um todo está
vendo na TV uma fonte, na maioria da vezes, inadequada para a formação do
caráter, como igreja também precisamos refletir e debater sobre o assunto com
mais frequência, pois o que está em jogo são resultados eternos, é a salvação
oferececida por Deus a cada um de nós e de maneira particular às nossas
crianças.
Certa vez após proferir uma palestra sobre a influência da TV no
relacionamento familiar, um irmão me entregou à saída um papel dobrado,
solicitando que eu o lesse quando chegasse em casa. Naquele bilhete estava
escrito o seguinte: “...guardo em minha mente lembranças de minha
adolescência, quando íamos na casa de meus avós para passear. Porém, em
determinado momento a minha família se “uniu” e comprou um aparelho de
televisão, acabaram-se nossas férias dali em diante. Guardo isso em minha
mente...”. Acredito que esse saudosismo faz parte da geração que viveu antes
da popularização da TV, pois a geração pós-televisão, na maioria dos casos,
não sabe o que significa passar as férias na casa dos avós (sem ver TV), ou,
correr pelos campos, contemplar a natureza, conversar até altas horas da noite,
fazer um piquenique com os familiares, ouvir as histórias da família, etc.
O advento da TV é um fato consumado. Não há como fugir dessa
realidade. Como aparelho tecnológico ela progrediu muito e ainda teremos
muitas surpresas quanto a isso. Contudo, no que diz respeito a programações
de qualidade, há poucas alternativas, mas há. Canais com documentários sobre
a natureza e o mundo animal, aulas práticas de culinária, ou ainda informações
e curisosidades sobre ciências, música clássica, literatura e ecologia, existem.
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Uma ótima dica são os programas da TV Cultura, de São Paulo, reconhecida


internacionalmente como uma das melhores tevês do mundo, dentre eles o
Castelo Rá-Tim-Bum. Todavia, mesmo esses programas culturais devem
passar sob o crivo da ética cristã.
Os documentários sobre a vida selvagem transmitidos pelas televisões
educativas ou tevês a cabo, e os programams que têm a Ecologia como tema,
ajudaram (e ainda ajudam) a formar a consciência ambiental de milhões de
crianças brasileiras. Como a maioria da população vive em centros urbanos,
muitas crianças conhecem rios, montanhas, florestas e animais selvagens
somente pela televisão. A sua realidade cotidiana se resume a prédios,
concentração populacional, poluição e falta de espaço. Programas como Globo
Ecologia (Rede Globo) ou Repórter Eco (TV Cultura-SP), que ocuparam
espaço na programação brasileira durante a década de 90 e que ainda hoje são
transmitidos, mostram a realidade ambiental do Brasil e do planeta com o
objetivo de educar e conscientizar. Contudo, deve-se avaliar tais programas do
ponto de vista criacionista.
Outro ótimo programa é O Mundo de Beakman, série americana de
1993, onde Beakman, um cientista maluco, revela com humor os mistérios da
ciência e da natureza. Prestando muita atenção e, se for o caso, reeducando as
preferências, encontra-se coisas boas na TV. Mas cuidado para não fazer
como o “Garfield”, que sentado diante da TV com o controle na mão ouve o
seguinte anuncio: “bem-vindos ao programa a Física Quântica e você”. Saindo
do seu característico estado de letargia, o gato arregalou seus olhos e, num
“epa” involuntário, “clicou” o botão do controle mudando instintivamente de
canal. Após o susto, o famoso felino, ainda com olhar fixo e assustado, disse:
“ufa...quase ví uma coisa educativa”!
Prefira assistir os canais de TV onde são veiculados programas
evangélicos. Geralmente esses canais estão na frequência UHF (é necessário
uma aparelhagem especial incluindo antena parabólica ou pizza), por Cabo ou
Digital via Satélite. Embora nem todos os programas evangélicos tenham uma
postura realmente 100% cristã e bíblica, principalmente com relação as
músicas e ensinamentos doutrinários, mesmo assim ainda há bons programas.

DANDO FÉRIAS À TELEVISÃO


Michel Ashcraft em seu depoimento relatado na revista Seleções, sob o
título: “O dia em que desligamos a TV”, nos revela o que pode acontecer na
vida de uma família, quando esta se liberta do que ele chama de: “a máquina
de fazer loucos”:
“Foram os Power Rangers quem primeiro nos forneceram autoridade.
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Há uns dois anos, quando o programa estava no auge da popularidade (1995),


nosssos gêmeos - então com 6 anos - eram espectadores ávidos, minha mulher
e eu não nos opúnhamos, vendo neles parte da trivialidade do antigo seriado
Batman. Para sue crédito, ao fim de todos os episódios violentos, os Power
Rangers alardeavam virtudes pacíficas e positivas que qualquer pai teria
orgulho de transmitir aos filhos. Mensagens como: „Não desista‟. „Há
esperença para o mundo se cada um fizer a sua parte‟. „A maior realização é
transformar o inimigo em um amigo‟.
Apesar desses conselhos, o que as crianças faziam era trocar pontapés
até alguém gritar. Incapazes de interromper as dolorosas representações dos
gêmeos com a barreira de ameaças e castigos, suspendemos o privilégio de
assistirem aos Power Rangers durante uma semana, carregando a TV para o
porão. A primeira reação dos gêmeos, assim como da irmãzinha caçula, foi
perplexidade. Vieram os pedidos de desculpas e, em seguida, dois dias de
pirraça e súplicas para ver algo na TV. Qualquer programa. Por favor!
Durante algum tempo, os meninos ficavam em pé no alto da escada do
porão, ou desciam só para olhar a TV fora da tomada, e coberta pela capa
protetora. As crianças não estavam sozinhas em sua angústia. Quando a
televisão foi embora, abandonou a todos nós. tínhamos apenas um aparelho de
TV. É claro que minha mulher e eu, de vez em quando, assistíamos a algum
programa ou alugávamos um filme quando as crianças estavam dormindo. O
desejo de ver TV, no entanto, diminui quando é necessário arrastá-la até o alto
da escada.
Na verdade, afastar a TV funcionou tão bem que posso afirmar: a
ausência realmente faz o coração gostar mais. Não da TV, mas de ficar sem
ela. Provavelmente não no primeiro dia, e talvez nem no segundo. Mas no
terceiro dia você poderá perceber, com surpresa, novo desejo de ler um livro,
conversar com a família, convidar os vizinhos ou até soltar pipa. Na ausência
da televisão, redescobrimos nosso quintal. Os meninos estão felizes na cama
elástica. A irmãzinha adora sentar-se na casa da árvore com as bonecas ou
fazer piquenique.
Durante os dias frios ou tempestuosos, a pequena fica satisfeita dentro
de casa, desenhando, montando quebra cabeças ou inventando canções. Os
meninos brincam de jogos de cartas e tabuleiro. Em certa ocasiãocriaram uma
peça de teatro: espontaneamente e sem ajuda, desenvolveram roteiro,
providenciaram roupas, representaram e fizeram profunda reverência ao
terminar. Algo que nunca teriam pensado em fazer, se estivessem vendo TV.
A televisão tornou-se tão difundida que as pessoas a ligam por reflexo,
imediatamente ao entrar em casa. É como acender as luzes ou verificar a caixa
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de correio. Quando confrontados com estudos que os acusam de ver televisão


durante número absurdo de horas por dia, muitos argumentam que , na
verdade, não a estão assistindo tanto assim: a TV simplesmente está ligada
como ruído de fundo ou luz estroboscópica. É como o fumante que diz: „Na
verdade, eu não fumo três maços por dia. A maior parte dos cigarros só fica
apoiada no cinzeiro e me faz fumar passivamente até a morte‟.
Nessa perspectiva, quando o ato de ver televisão ultrapassa a fronteira
entre hábito e vício? Há forma de descobrir: desligue-a durante uma semana e
veja o que ocorre. Se necessário, grave a novela preferida ou aquele seriado
especial, mas assista a eles em algum momento das 51 semanas restantes do
ano. Quando perceber que a máquina de fazer loucos não está mais pensando
por você, vai se descobrir pensando por si mesmo”. (Michael Ashcraft, O dia
em que desligamos a TV , Reader‟s Digest Seleções, Outubro/1997, pp. 119-
120)
Talvez o que esteja faltando em muitos lares cristãos seja uma
verdadeira volta às origens. Uma volta à família “tradicional”, onde a
criatividade imperava nas horas de folga. Em todas as famílias há problemas e
conflitos, talvez a grande maioria deles comece a ser resolvido quando a
televisão permanecer por muito mais tempo desligada, e passe a existir mais
diálogo, companheirismo e amizade entre os seus componentes. Mas dar férias
à TV deve ter uma objetivo superior, o de passar mais tempo em comunhão
com Deus. Quem sabe aproveitar melhor o tempo para colocar aquele ano
bíblico em dia. Ou ser mais sistemático e dedicado no estudo da Palavra de
Deus. Ou ainda, aproveitar para visitar as pessoas afastadas da igreja ou fracas
na fé em Cristo.
No livro, "The Television Time-Bomb”, os autores Lonnie Melashenko
e Tim Crosby, oferecem 38 coisas para fazer em vez de ver televisão. A
criativa lista deles inclui jogos, leitura de bons livros, exercícios, pintura, fazer
pão em família, conversar, fazer uma boa ação, jardinagem, limpar a casa,
etc.; e se todos falham, dormir". (Diálogo Universitário, 5:1-1993)
Joe Wheeler, em “Remote Controlled”, acrescenta discusões familiares
durante a refeição (Debates), ouvir boa música, visitar um museu ou galeria de
arte, estudar a natureza, aprender uma língua, escrever cartas, ler a Bíblia e
orar em família, etc. Ironicamente, estas eram precisamente as atividades que
as famílias cristãs (Adventistas do Sétimo Dia) desfrutavam a muitos anos
atrás antes da televisão". (Idem)
A pergunta que deve ser feita é: “a vida em família é mais saudável sem
televisão?” Parece que a resposta é positiva. Não é por acaso que nos Estados
Unidos existe um projeto realizado todo ano, a nível nacional, no qual as
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famílias norte-americanas são convidadas a participarem voluntariamente. O


projeto denomina-se: “Semana Anual da TV Desligada”. Só em 1999 (durante
a semana de 22 a 28 de abril), cerca de sete milhões de pessoas deixaram seus
televisores completamente desligados. A “Semana da TV Desligada”,
coordenada pela TV-Free America e apoiada por mais de 56 organizações
nacionais, visa encorajar os americanos a reduzirem a quantidade de tempo
diante da telinha e estimular a comunhão em família. Segundo Mim Noorani,
diretor do TV-Free America, uma organização sem fins lucrativos, a “Semana
da TV Desligada” faz sucesso porque é um evento interessante. Ao invés de
ficarem assistindo à TV, as famílias estarão fazendo atividades juntas. (Fonte:
Home Page www.ichtus.com.br).
Analisando friamente, a televisão funciona como uma faca de dois
gumes. Ao mesmo tempo em que serve para entreter e informar – pelo menos
deveria ser assim – é capaz de distanciar as pessoas na medida em que diminui
o tempo para as conversas e atividades em família. Idéias como a da TV-Free
America merecem ser “importadas”. Diante do baixíssimo nível em que anda a
programação televisa aqui no Brasil, não seria difícil conseguir uma adesão
em alta escala. Que tal defender e divulgar essa idéia!

DICAS PARA CONTROLAR A TELEVISÃO


Como poucos são aqueles que conseguem viver sem televisão, e nem
todos estão dispostos a dar férias à telinha ou se desfazer de sua TV por algum
tempo, se faz necessário considerar alguns conselhos práticos para que você e
sua família possam assegurar um melhor uso da televisão em sua casa.
Todavia, se você já tem opinião formada sobre o uso da TV, considerando
intocavelmente válidas as justificativas para ter seu televisor ao alcance dos
filhos, e usá-lo a seu bel-prazer, sem nenhum critério de seleção, não leia esse
tópico. Entretanto, se você está insatisfeito com o modo como a TV vem
sendo usada dentro de seu lar, vá em frente. Mas, lembre-se que, a influência
da televisão na vida de sua família tem muito que ver com o lugar e o papel
que você destina a esse aparelho, primeiramente em sua vida e, depois, dentro
do seu lar. Embora as razões para que seja feito um controle do uso da TV,
sejam bastante plausíveis e convincentes, não pense que controlá-la seja uma
tarefa fácil, prepare-se para uma verdadeira guerra. Eis algumas sigestões
práticas, que espero, sejam de grande utilidade:
1. Determine quanto tempo você e seus filhos poderão assistir televisão
durante o dia ou durante a semana.
Tomar essa decisão exige coragem moral. Mas também requer
planejamento, estudo e critérios bem definidos. É extremamente
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importante, que toda a família participe da decisão e defina as prioridades


de cada um, elaborando a seguir um manifesto das prioridades da família
como um todo. Deve haver consenso quanto ao tempo que a TV
permanecerá ligada durante a semana e, especialmente, nos finais de
semana. Todos devem se comprometer a respeitar os limites impostos as
decisões tomadas em conjunto.
2. Os pais devem “fiscalizar” os programas de televisão e ver o que é
conveniente para seus filhos.
É comum pais ficarem “abismados” ao descobrir que seus filhos estavam
assistindo a programas demasiado violentos ou imorais. Antes que isso
ocorra, é melhor verificar o que eles andam assistindo. Pense no futuro
espiritual de seus filhos. No caso de filhos adolescentes é bom ter mais
cautela e partir para a troca de idéias e muito, muito diálogo.
3. Decida quanto à localização do televisor em sua casa.
O local onde fica o aparelho de TV é extremamente importante para que os
itens acima sejam mais facilmente cumpridos. O lugar onde a TV será
colocada, determinará o grau de importância que lhe é atribuído, além de
facilitar ou difilcultar o seu controle. Se o aparelho estiver localizado em
um ponto central da casa, pode converter-se no centro das atividades da
família. Por exemplo, se estiver próximo à mesa de refeições
provavelmente reduzirá de forma acentuada a conversação familiar. É
interessante ter o aparelho em localização onde os pais possam estar a par
do que seus filhos estão assistindo. Por essa razão, televisão no quarto das
crianças, nem pensar. Essa regra também vale para os adultos, viu?!
Possuir mais de um aparelho também não é uma boa idéia. Que tal vender
os que estão “sobrando” e comprar livros? Se você realmente deseja
controlar a TV, jamais deveria ter uma salinha especial só para ela em sua
casa. No lugar da sala de TV, tenha uma sala de leitura bem diversificada,
uma biblioteca particular, e incentive seus filhos a frequentá-la. É válido
transpor o aparelho para um local menos saliente da casa. Esse
procedimento impedirá que a TV se transforme em fator dominante na
família, tanto no que se refere ao uso do tempo livre, como nas relações
familiares. Também facilitará que a televisão seja desligada quando entrar
uma visita em sua casa. Infelizmente há pessoas que dão mais valor a uma
palhaçada no vídeo do que à presença de um amigo. Todavia, é sempre
bom lembrar que, continuar com a TV ligada ao chegar um visitante se
constitui a mais grosseira falta de educação.
4. Evite usar sua televisão como babá.
Já foi analisado como o uso da TV, como babá regular, pode causar danos
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às crianças, e a conclusão é que não vale a pena transferir para a TV a


tarefa de “cuidar” de seus filhos. Embora haja programas educativos que
valham a pena, geralmente as crianças “se amarram” mesmo é nos
programas violentos ou inadequados. Converse muito com seus filhos e
desenvolva neles um profundo senso crítico frente aos conteúdos da
telinha. Busque outras opções de atividades que seus filhos possam fazer
sem a TV, isso exigirá criatividade, tempo e um pouco mais de esforço do
que simplesmente jogá-los na frente da telinha. Os resultados lhe mostrarão
que seus esforços valeram a pena.
5. Como alternativa para o uso exagerado e impróprio da TV, ofereça
oportunidades para que seus filhos desfrutem de boas experiências
religiosas, sociais e culturais.
Quando o assunto é o sucesso dos filhos, todo investimento, seja em
educação ou tempo junto a eles, não é desperdício. Um dos segredos para
manter seus filhos longe da telinha por mais tempo, é mantê-los sempre
ocupados em atividades que proporcionam senso de realização, como por
esemplo, um cursinho de inglês, aulas de música, etc. Não permita que
seus filhos deixem de estudar por causa da TV. Considerando que muitos
adultos e crianças recorrem à televisão como meio de preencher um vazio
cultural e social em suas vidas, se faz necessário planejar atividades
educativas, culturais, recreativas e religiosas que ofereçam oportunidades
prazerosas para o desenvolvimento da personalidade. Jamais sacrifique
passeios com a família ou as horas de lazer, por causa da televisão. Muito
menos permita que ela substitua, ou ocupe o horário do culto familiar, ou
ainda, tome o lugar de sua vida devocional. Se de fato você deseja
fortalecer a vida familiar e manter a televisão desligada por mais tempo,
comece agora a buscar alternativas que coloquem a TV em segundo,
terceiro ou mesmo, último lugar em importância, dentro de sua casa e na
rotina diária de sua família.
Além destas medidas, é interessante considerar como você e sua família
estão se relacionando com a televisão. Veja a seguir os “dez mandamentos
para usar corretamente a TV”, se você não quer jogá-la para fora de seu lar. A
desobediência de qualquer um desses mandamentos é um sinal de que algo
pode não estar bem entre você, Deus e sua família.

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“Os Dez Mandamentos da TV”


(Por Jorge N. N. Schemes)

10 Não terás a televisão e seus programas como se fossem deuses diante do


Eterno.
20 Não adorarás os ídolos e “astros” da TV, nem suas músicas, nem seu estilo
de vida mundano, e muito menos as imagens imorais e profanas veiculadas na
tela da televisão.
30 Não permita que a TV o induza a desonrar o nome de Deus.
40 Lembra-te de não desperdiçar o teu tempo diante da televisão.
50 Honra a tua família, assistindo na TV, só aquilo que exalta os valores
cristãos do lar.
60 Não assistirás programas e filmes que exaltem a violência e banalizem a
vida humana.
70 Não verás cenas que despertem pensamentos de imoralidade, adultério,
luxúria e desejos profanos de lascívia.
80 Não furtarás o tempo sagrado da oração, estudo da bíblia e comunhão
pessoal com Deus por assistir televisão em demasia.
90 Não dirás as mesmas mentiras e falsidades ensinadas na televisão.
100 Não cobiçarás os vícios, hábitos e costumes profanos dos artistas de tevê,
nem seu modo de vestir, falar e pensar.

PRINCÍPIOS CRISTÃOS PARA AVALIAR OS PROGRAMAS DE TV


Estabelecer padrões de comportamento diante da TV não é o mesmo
que estabeler princípios. Um princípio é algo muito mais abrangente, e por
isso deve ser interiorizado para que possa se refletir no modo de vida cristã. A
seguir estão alguns princípios para que você e sua família possam desenvolver
cada vez mais um senso crítico cristão diante dos programas de televisão:
1- "Pensai nas coisas que são de cima..." (Colossenses 3:2)
2- "Tudo que é verdadeiro...honesto...justo...puro...amável...de boa
fama...nisto pensai." (Filipenses 4:8)
3- "Pela contemplação somos transformados".
4- "Conserve fora do lar cada influência que não produza o bem".
5- "Não porei coisa má diante dos meus olhos". (Salmo 101:3)
6- "Desvia meus olhos, Senhor, de contemplarem coisas sem valor, e vivifica-
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me em teu caminho". (Salmo 119:37)


7- "Evite programas que enaltecem o crime, a indecência, a crueldade, a
intemperança e a imoralidade".
8- "Evite programas que desencorajam a dignidade de ideais, valores e
crenças cristãs".
9- "Evite programas que denigrem a imagem familiar".
10- Convide Jesus para assistir o programa, se Cristo pode assistir ao
programa, nada impedirá que você e sua família o vejam.
11- Se nenhum deles funcionar, a melhor alternativa é desligar a TV, pois o
mesmo botão que serve para ligá-la, serve também para desligá-la.
12- Se você já perdeu as forças para apertar o botão, venda, doe ou
empreste a sua televisão por algum tempo, até você e sua família ficarem
desintoxicados.
13- E se depois disso você perceber que a TV não faz mais falta dentro do
seu lar, deixe-a do lado de fora para sempre.

PARA MEDITAR
Jorge Rizzo escreveu um versão para o Salmo 23 que é no mínimo
alarmante, creio ser benéfico fazermos uma reflexão e introspecção para
avaliar nosso relacionamento com a TV e o nível de comprometimento com o
seu conteúdo.

“Canal 23”
A talevisão é o meu pastor, nada me faltará.
Ela me faz repousar em um sofá confortável.
Leva-me para junto das concupiscências do mundo;
sufoca minha alma.
Guia-me pelas veredas da injustiça por amor à iniquidade.
Ainda que eu assista a programas impróprios,
não temerei mal nenhum,
porque eu faço como disse Paulo: retenho só o bem.
A tua antena e o teu controle remoto me consolam.
Preparas-me uma programação indigna na presença da minha família;
enches a minha cabeça com abominações;
o meu ser transborda de alegria.
Indignidade e miséria certamente me seguirão todos os dias da minha vida;
e habitarei na casa das trevas para todo o sempre.
A televisão é o meu pastor...tudo me faltará.

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Também é impotante fazer uma análise espiritual profunda entre a obra


que a TV tem feito nos corações e mentes daqueles que professam a Cristo
Jesus como único salvador e soberano senhor da sua vida, e a obra que o
Espírito de Deus deseja realizar. Nunca poderemos entender plenamente a
obra do Espírito Santo em nosso favor. Porém, de uma coisa nós já sabemos:
Ele não melhora a vida de ninguém, mas transforma e dá vida nova. Por outro
lado, há a obra de Satanás e seus comparsas. Eles, sim, trabalham de maneira
sutil para, aos poucos, fazer pequenos reparos no caráter dos filhos de Deus
que deixam de vigiar e orar, até corrompê-los totalmente. E um dos meios que
o diabo tem usado para corromper os filhos de Deus que são descuidados de
sua vida espiritual, principalmente as crianças e os adolescentes, é a “telinha”.
Quando contrastamos o ministério e a influência do Espírito Santo de
Deus e a influência de certos filmes e programas de TV, chegamos à
irrefutável conclusão de que a telinha, via de regra, cumpre os propósitos do
maligno. Compare as duas influências opostas, e decida de que lado deseja
estar:

ESPÍRITO SANTO PROGRAMAS DA TV


1. Ensina o que é reto e santo (João 14:26) 1. Ensinam a maldade e a perversão
2. Pode ser ofendido (Efésios 4:30) 2. Ofende a Deus e o que é sagrado
3. Convence do pecado (João 16:8) 3. Cauteriza a consciência culpada
4. Deseja habitar em nós (João 14:17) 4. Estabelece um estilo de vida mundano
5. Chama a atenção para Deus (Gen. 6:3) 5. Chama a atenção para o pecado
6. Concede amor, bondade e fé (Gal. 5:22,23) 6. Ensina lições de ódio, descrença e violência
7. É todo amor (Romanos 5:5) 7. Sua programação é vergonhosa e profana
8. Dá poder para vencer (Atos 1:8) 8. Estimula o desejo de fazer o mal
9. Produz novas criaturas (Atos 6:7;5:12,14) 9. Transforma à imagem dos ídolos e astros
10. Ensina o que devemos fazer (Lucas 12:12) 10. É uma escola de crimes e imoralidades
11. Nosso corpo é seu templo (I Cor. 6:19) 11. Apresenta o corpo como templo de vícios
12. Transforma e renova (Tito 3:5) 12. Corrompe e degrada os bons costumes
13. É a verdade (I João 5:6) 13. É quase sempre mentira e engano
14. Transforma a mente mundana (Efésios 4:23) 14. Destrói a mentalidade espiritual e cristã
15. Nele há verdadeira liberdade (II Cor. 3:17) 15. Escraviza seus espectadores
16. Ajuda em nossas fraquezas (Romanos 8:16) 16. Debilita-nos moral e espiritualmente
17. Testifica da filiação divina (Romanos 8:16) 17. Testifica da filiação mundana
18. É o selo da promessa de salvação (Efés. 1:13) 18. É o selo deste mundo, selo de perdição
19. Apela aos corações endurecidos (Heb. 3:7) 19. Endurece os corações à voz do Espírito

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CAPÍTULO XII
NOVOS VÍCIOS ELETRÔNICOS

O ADVENTO DA INTERNET
Enfatizamos até aqui a problemática da televisão dentro dos contextos:
familiar, educacional, moral, ético e religioso. Todavia, como afirmamos no
início deste livro, além da televisão, os lares de hoje estão sendo invadidos por
aparelhos de comunicação cada vez mais sofisticados. São aparelhos de som
de alta definição, videogames, microcomputadores ultra-modernos, bichinhos
virtuais de estimação (Tamagotchis), etc. Principalmente para as crianças e
adolescentes, é inadimissível não ter os joguinhos eletrônicos da moda.
O momento atual é de desenvolvimento de novas tecnologias ocorrendo
em passo acelerado; a velocidade de penetração dos novos veículos é cada vez
maior. Hoje, também já faz parte do cotidiano moderno o acesso à Internet
(International Network), a “superestrada da informação” que interliga milhões
de computadores pessoais nos cinco continentes. É o computador se
comunicando com outros computadores através de uma linha telefônica. Basta
que a pessoa instale no seu micro um pequeno aparelho chamado modem, que
transforma os códigos digitais para o tráfego no fio de sua linha telefônica, e
está tudo pronto para a maior viagem que a tecnologia já ofereceu ao ser
humano. Essa Rede é uma representação crucial da infra estrutura da
sociedade da informação, e tem se popularizado bastante, vindo para ficar. As
New Medias estão aí para serem não só mais um complemento às mídias
convencionais. Para se ter uma idéia de como a informação se tornou mais
veloz, basta considerar que enquanto a Web (outro termo para a Internet),
levou quatro anos para conseguir 50 milhões de usuários, o rádio levou 38
anos e a TV, 13. Uma coisa que deve ser levada em consideração, quando se
fala em TV e Internet, é que a separação entre ambas é apenas para efeito
didático, pois hoje já é possível unir a TV ao computador. Isso mesmo, já é
possível ligar a TV e navegar na Net, essa tecnologia demonstra que a própria
tevê sofreu mudanças com o advento da Internet. “Faz tempo que a televisão
vem mudando. Já ganhou recursos de vídeo, como o congelamento de
imagens, e de áudio, como o som surround. Agora chegou a vez da acoplagem
ao ocmputador. Imagine só: com o infoway TV, da Itautec Philco, você
navega na Internet olhando para um monitor de 34 polegadas e ouvindo o som
que vem de seis caixas acústicas. E mais, a tela da Infoway pode ser dividida
em duas. Você vê TV e navega na Internet ao mesmo tempo”. (Revista
Superinteressante, Agosto de 1998, p. 75). E, “depois da WebTV, que levou a
Internet para os aparelhos de televisão, foi criada uma tecnologia que faz o
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inverso, levando a TV para a tela do micro, por meio da Internet”.


(Superinteressante, junho de 1997, p. 91).
Mas agora vamos a um pouco de história. A Internet nasceu em 1969.
Era o auge da guerra fria, e os laboratórios militares americanos necessitavam
manter suas comunicações em sigilo. Até 1983 a rede ainda era militar, reunia
menos de 500 computadores, instalados em laboratórios militares e
universidades americanas e européias. Quatro anos depois já eram cerca de 28
mil computadores usados exclusivamente por pesquisadores que não estavam
ligados com o aparato industrial-militar. Em meados de 1980, a Internet foi
aberta para as empresas. Em 1991 em Genebra, foi criada a World Wide Web
(WWW), uma grande teia mundial, uma nova forma de transmitir dados e
imagens coloridas através da rede. A partir de então, a Web tornou-se uma
verdadeira malha no assim chamado ciberespaço, propiciando o surgimento de
empressas que atuam como intermediários no processo de conecção com a
Internet.
Algumas características próprias definem o que é a Internet. É um meio
de comunicação que não tem dono, nem governamental nem empresarial, e
cresce expontâneamente “como capim”. O fato de ter crescido fora do governo
e de nenhuma empresa mandar nela, não tira o seu caráter comercial, o qual
avança dentro dela por meio de redes comerciais que oferecem serviços mais
caros e diferenciados. Ao contrário da Internet, que como vimos não tem
dono, os serviços comerciais custam uma fortuna para ser montados. Há uma
verdadeira corrida para ver quem oferece mais serviços na Internet, é assim
que essas redes disputam clientes entre si. Em breve a maioria dos
computadores estarão plugados na Internet, embora existam muitas estatísticas
quanto ao seu uso, o fato é que, como a Net não está submetida a um núcleo
de comando, não se sabe ao certo quantos membros ela tem exatamente no
mundo, apenas estima-se. É mais fácil explicar o que a Internet não é do que
ela é. Por exemplo: A Internet não é uma entidade, não é uma instituição e o
mais espectacular não é o seu tamanho (dimensão, alcance), mas o seu ritmo
de propagação. Por isso é difícil fazer previsões quando o assunto é Internet.
Mas alguns se arriscam a afirmar que “a cada dia, 130.000 novos usuários
pulam para dentro dessa rede. A cada hora, 5.416 novos terráqueos são
interligados, recebem o seu e-mail ou endereço eletrônico e passam a receber
mensagens vindas de qualquer parte do mundo.” (Revista Veja, 1 de Março de
1995, p. 49). O fato é que nenhuma outra forma de comunicação na História
da humanidade cresceu tão rápido. Isso significa que, mesmo que você se sinta
distante agora da Internet, brevemente fará parte dela. Isso ocorrerá mesmo
que você não tenha um computador em casa, pois o acesso será por meio de
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quiosques eletrônicas públicas. “Nos Estados Unidos, já existem mais de 400


quiosques de acesso à Internet. As empresas do setor garantem que vão
multiplicar os quiosques até o fim do ano de 1999, ao rítmo de cinqüenta por
dia. Serão 35.000 orelhões até o final de 1999”. Nos Estados Unidos, cada
minuto de uso desses quiosques eletrônicos custa 30 centavos de dólar. Mas
não é só nos EUA que isso está ocorrendo, esse serviço inédito de acesso à
Internet já foi apresentado e testado no Brasil desde outubro de 1997 pela
Telerj (Companhia de Telecomunicações do Rio de Janeiro). “É um quiosque
com um computador de onde os interessados vão poder navegar pela rede. Dá
até para checar as mensagens recebidas por e-mails. Para usar o orelhão da
Internet, a pessoa vai passar um cartão telefônico comum numa leitora óptica
que fica ao lado do computador e entrar numa página de acesso à rede com a
simplicidade de quem usa o caixa eletrônico de um banco 24 horas. O
quiosque já foi testado em shoppings da cidade do Rio com grande sucesso, já
está funcionando e a previsão é que serão instalados em áreas de grande
concentração de público como aeroportos, escolas e rodoviárias.” (Revista
Veja, 1 de Abril de 1998, p. 16)
A “superautopista da informação” não tem regulamentação ou qualquer
tipo de controle oficial. Por isso, qualquer pessoa pode ter acesso a esse
universo virtual. Seja manejando seu computador, ou utilizando quiosques
eletrônicas públicas, a pessoa pode acessar todas as bases de informação
disponíveis e também transmitir textos, imagens e sons para qualquer outro
usuário em qualquer lugar do planeta. Mas afinal, para que serve a Internet?
Serve para que milhões de pessoas separadas por milhares de quilômetros
conversem horas a fio teclando suas frase nos computadores e pagando o
preço de uma ligação telefônica local. Através dela, as pessoas trocam
mensagens, fazem ciência, lêem jornais, discutem e até namoram. Serve para
consultar um livro ou um documento em milhares de bibliotecas que podem
ser acessadas a distância, 24 horas por dia. A Internet serve também para que
pessoas com intereesses comuns, como os ecologistas, os gays, os médicos, os
fanáticos por esporte e os religiosos conversem com pessoas que
compartilham seu modo de vida ao redor do mundo. Serve para que cientistas
separados no tempo e no espaço possam trabalhar em projetos comuns,
compartilhando a mesma tela mas usando teclados diferentes. A rede pode
servir também para dar uma olhada em centenas de imagens de alta qualidade
das pinacotecas do Vaticano, visitar o Louvre e ver seus quadros, ou para
montar a mais degradante coleção de imagens pornográficas cujas
reproduções digitais trafegam pela rede sem censura.
Assim, com o advento e popularização da “Net”, se torna cada vez mais
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fácil e rápida a comunicação. Mas ao mesmo tempo perigosa. As novas


tecnologias prometem transformar o modo de trabalhar, estudar, fazer
compras, se divertir e até mesmo manter relações interpessoais, tais como:
fazer amigos e “namorar”. Contudo não devemos ignorar o poder de
influência exercido por essa rede mundial, não apenas no que diz respeito ao
seu conteúdo (que é irrestrito) mas também com relação ao fascínio que impõe
sobre os seus usuários, que em muitos casos, já se tornaram dependentes “do
monitor” de seu computador.

PROJETO AMBICIOSO
O mais surpreendente, de acordo com os recentes avanços na área de
comunicação, é a previsão para o próximo milênio, de que a própria Internet
(como a conhecemos hoje) deixará de ser a estrela número um das
comunicações, cedendo o lugar para o super-projeto patrocinado pelo
engenheiro americano Edward Tuck, um dos principais fornecedores de
equipamentos para os satélites Navstar; Craig O. McCaw, dono da McCaw
Cellular, maior empresa de telefonia celular nos Estados Unidos; e Bill Gates,
dono da Microsoft. Denominado do que se pode chamar de “Internet
celestial”, o super-projeto “Teledesic” dispensará o uso de cabos de fibras
óticas, uma vez que usará satélites para a comunicação.
“Imagine uma constelação de 60 satélites voando em formação precisa,
como uma rede, sobre todo o planeta. Isso é o que algumas empresas vão
começar a fazer, nos próximos anos. Imagine agora uma rede de quase 1.000
satélites. Esse é o plano delirante da empresa americana Teledesic
Corporation. Em seu sistema, grupos de 44 satélites cada um, flutuariam em
21 órbitas diferentes. Num total de 924 aparelhos. Essa esquadrilha está ainda
longe da realidade. Mas se chegar a levantar vôo, construirá a maior de todas
as supervias de informações. Maior até que a Internet. Ela deve transmitir voz,
dados, imagens e ligar computadores entre si”. (Superinteressante, maio de
1994, p. 39)
A Teledesic possibilitará a comunicação de qualquer lugar do mundo.
Mesmo que a pessoa esteja num barco no meio do Oceano Pacífico, ou a pé no
deserto do Saara, local onde, com o Teledisic, poderá ser instalada uma cabine
telefônica sem fio. Num futuro próximo, ninguém vai ficar isolado da
civilização. Pois o mundo todo estará ao alcance de um celular ou de um
microcomputador. Que fantástico meio para a proclamação do Evangelho
Eterno ao mundo que perece sem Cristo! (Ver Apocalipse 14:6-12)

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A GLOBALIZAÇÃO DA REDE
Ao se transformar numa rede que abraça todo o planeta, a Internet
inaugurou a chamada aldeia global, na maior aventura tecnológica da história
da humanidade. Para muitos comunicólogos, a Internet é uma experiência
humana rara e a concretização da profecia da aldeia global sem limites, porque
está acontecendo agora, diante dessa geração. A sensação é tão fantástica que
muitos se sentem como um astronauta em órbita. Segundo o americano
Nicholas Negroponte, autor do livro, “A Vida Digital”, não podemos mais
falar sobre o futuro da comunicação, pois o futuro já chegou! Isso pode ser
sentido na multiplicação do número de computadores interligados à rede
mundial Internet, a mãe de todas as redes. Negroponte faz uma ilustração
dessa “explosão de Internet”, ao compará-la a uma brincadeira com números
que faz muito sucesso entre as crianças. Começa com uma pergunta: vale a
pena trabalhar por 1 centavo ao dia durante um mês, dobrando o salário a cada
dia? Se começarmos esse maravilhoso sistema salarial no dia de ano novo,
estarremos ganhando mais de 10 milhões de dólares por dia no fim de janeiro.
Essa é a brincadeira. Usando o mesmo esquema, estaríamos ganhando apenas
2,6 milhões de dólares, no total, se janeiro tivesse três dias a menos. Mas,
como o mês tem 31 dias, o salário mensal vai para mais de 21 milhões de
dólares. Por ser a velocidade de crescimento exponencial, aqueles últimos
tr6es dias fazem uma enorme diferença! Pois estqamos nos aproximando
daqueles três dias no processo de espansão dos computadores e das
telecomunicações digitais. É nessa velocidade que os computadores estão
entrando em nossas vidas.
Um exemplo, em números, dessa explosão da rede mundial de
computadores, foi o fato dela ter crescido 300% no ano de 1994 chegando a
mais de 40 milhões de usuários ao redor do mundo, e no ano seguinte,
crescido mais de 900%. Ou seja, a Internet ganhou aproximadamente quatro
usuários para cada bebê que nasceu no mundo em 1995. Mudanças no
cotidiano, por mais radicais que tenham sido, mesmo em áreas mais visíveis
como a moda, arquitetura e arte, nunca chocam muito porque aparecem aos
poucos e depois as pessoas se acostumam e não reagem mais. Mas com a
Internet será difícil acostumar-se.
Embora os números estatísticos estejam em constante mudança e se
tornem obsoletos com facilidade, irei usá-los para que você tenha uma idéia da
rapidez de expanção da Internet. Ao descrever o perfil dos internautas
adolescentes do Brasil, a revista Veja afirmou que “eles não saem da frente do
computador para nada. Livros, ar livre, arte, etc., não fazem parte dos seus
interesses. O maior objetivo de vida dos internautas é saber cada vez mais a
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respeito de programas, sites da Internet, informações secretas sobre protótipos


de produtos de última geração, manhas para enganar o joguinho eletrônico.
Eles estão entre os principais responsáveis pelo drástico crescimento do
número de computadores ligados à Internet no Brasil. Em 1995, havia no país
apenas 30.000 máquinas conectadas à rede mundial de informação. Hoje
(1998) são mais de 3 milhões. Os adolelescentes respondem por um quinto das
314.000 pessoas que acessam diariamente o Universo On Line...na maioria
das vezes a conversa dos internautas é composta de palavrões e bobagens sem
fim, bem como muita mentira”. (Revista veja, 24 de setembro de 1997, p. 85).
Segundo uma pesquisa realizada pelo Cadê?/Ibope 1998, o brasileiro
cibernauta é um solitário, ou falso quando se trata de revelar seu estado civil.
Segundo o Ibope, nada menos que dois dos três milhões (64%) são solteiros,
31% são casados e 5% estão numa situação conjugal indefinida. A faixa etária
que vai dos 20 aos 29 anos, foi a que mais aderiu à Net no ano de 1998.
Os dados sobre o Brasil estão em constante evolução, e por isso não são
muito precisos, mas alguns afirmam que dentre os mais de 6.5 milhões de
computadores vendidos no país até 1998, o número de usuários da Rede já
estva entre 3 a 4 milhões. Segundo a revista Veja, “3.000 pessoas são plugadas
a cada dia, e a previsão é de que até o ano 2014 a grande maioria dos
brasileiros que têm computador em casa estarão conectados à rede.” (Veja, 11
de Novembro de 1998, p. 42). Em pesquisa realizada em conjunto pelos
institutos Ibope e Cadê (www.cade.com.br), com o objetivo de saber algumas
características do internauta brasileiro, foram entrevistadas 25.316 pessoas.
Elas responderam à pesquisa através da própria Internet. Constatou-se que a
presença das mulheres na Rede tem aumentado no Brasil. A pesquisa também
apontou o perfil dos usuários no que diz respeito a idade e os objetivos que os
levam a usar a Internet, ou seja:

Perfil Do Usuário Por Sexo


Homem - 75%
(Têm presença mais marcante em endereços que tratam de sexo ou esporte)

Mulher - 25%
(Se interessam por uma gama mais variada de assuntos que os navegantes
masculinos: lêem mais notícias, fazem mais compras pela Rede e visitam com
mais frequência endereços que versam sobre artes e turismo)

Perfil Do Usuário Por Idade


20 a 29 - 32%
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15 a 19 - 22%
30 a 39 - 20%
40 em diante - 15%
Até 14 - 11%

Principal Uso Da Internet


Busca de informação - 45%
e-mail - 29%
Chat - 11%
Captura de programas - 10%
Outros - 5%
(Fonte: Veja, 29 de outubro de 1997, p. 17)

Dados de uma outra pesquisa realizada com 47.566 participantes, pelo


mesmo Instituto (Cadê?/Ibope 1998), apontaram que está havendo uma
evolução da participação feminina na Teia Global a cada dia, em 1998 o
índice subiu de 25% para 29%, e certamente não vai parar por aí. “A pesquisa
de 1998 revelou também que os principais usuários da Rede são profissionais
ligados a área da informática, classe que não pára de crescer no mercado de
trabalho. A maioria absoluta (79%) dos usuários se conectam no computador
de casa. Mas tem gente que se conecta também ou somente no trabalho (45%)
e uma minoria se conecta na escola (19%).” (A Notícia, NA Informática, 28
de Outubro de 1998, p. D-1)
Estatísticas do Instituto de Tecnologia da Geórgia (USA), divulgadas na
revista Época (27/07/1998), revelaram que de uma maneira geral, a
porcentagem de usuários divididos por sexo tem se alterado nos últimos
tempos (ver tabela abaixo). Em 1994, quando a Internet começou a se tornar
popular, cerca de nove entre dez usuários eram homens. Agora, o número de
mulheres internautas mais que triplicou, aproximando-se bastante do número
de homens. A pesquisa apresentou um dado ainda mais revelador: pela
primeira vez as mulheres ultrapassaram os homens entre os novos usuários da
Internet. O instituto verificou também que o internauta tem em média 35 anos
e a maioria é contra a censura na Internet.

Usuário Total De 11 a 20 Anos Novos Usuários


Homem 61,3% 56,7% 48,3%
Mulher 38,7% 43,3% 51,7%

Já no aspecto global, as estatísticas mundiais sobre o crescente aumento


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de usuários da Rede estão alarmando até mesmo os próprios divulgadores. As


previsões para o futuro chegam a assustar. Dizem os especialistas que 1996 foi
o ano da Internet, os mais otimistas achavam que ela ia dobrar de tamanho.
mas passou disso. No mês de janeiro de 1997 a rede já estava com 71 milhões
de usuários ao redor do planeta. O “Matrix Information and Directory
Services”, forneceu os seguintes dados estatísticos e de previsões para o ano
2000:

Mês/Ano Usuários da Usuários da Provedores Home Pages e


Internet WWW* Sites
Janeiro/1990 3 400 000 1 120 000 725 000 118 000
Janeiro/1997 71 000 000 57 000 000 36 000 000 18 000 000
Janeiro/2000 827 000 000 707 000 000 436 000 000 254 000 000
*WWW = O ambiente multimídia da Internet.
(Fonte: Superinteressante, abril de 1997, p. 88)

O fato é que cada vez mais a Web conquista mais público que TV. Uma
pesquisa realizada pela Deloitte afirma que os brasileiros passam três vezes
mais tempo por semana conectados à internet do que assistindo à TV. O
estudo "O Futuro da Mídia", na terceira edição, mencionou pela primeira vez
o Brasil entre os outros países pesquisados: Estados Unidos, Japão, Alemanha
e Grã-Bretanha. Dos 9 mil entrevistados, 1.022 eram brasileiros. De acordo
com a pesquisa, os consumidores brasileiros gastam, atualmente, 82 horas por
semana utilizando diversos tipos de mídia e de entretenimentos tecnológicos,
como o celular. Para a maioria dos consumidores, o computador superou a
televisão em termos de entretenimento.
A maior parcela dos participantes (81%) apontou o computador como o
meio de entretenimento mais importante em relação à TV. Entre os ouvidos na
pesquisa, 58% disseram que videogames, jogos no computador e online são
importantes fonte de diversão. Metade dos entrevistados está atenta aos
lançamentos tecnológicos e tenta adquirir rapidamente esses equipamentos.
Além disso, 47% dos pesquisados usam o celular como um dispositivo de
entretenimento.
O levantamento ouviu pessoas com entre 14 e 75 anos de idade. A faixa
etária de 26 a 42 anos é a mais envolvida com atividades interativas na
internet, como assistir a programas de TV ou usar o computador para
chamadas telefônicas. Em todas as faixas de idade, a atividade mais realizada
na internet é a criação de conteúdos pessoais para serem acessados por outras
pessoas, como sites, fotos, vídeos, músicas e blogs, diz o estudo.

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Outro dado detectado pela pesquisa da Deloitte foi que os brasileiros se


sentem limitados na internet pela velocidade de sua conexão. Por isso, 85%
dos ouvidos afirmaram estar dispostos a pagar mais para ter conexões mais
velozes. As pessoas da faixa etária acima de 43 anos são as mais dispostas a
pagar mais caro por mais velocidade.
Entre todos os entrevistados, 92% possuem celular. Entre os aplicativos
deste tipo de aparelho, as mensagens de texto são as mais utilizadas (92%),
seguidas da câmera digital (78%), jogos (67%) e a câmera de vídeo (62%).
O número de brasileiros com algum acesso à Internet na residência saltou
73% em dois anos, entre o último trimestre de 2006 e o mesmo período deste
ano, segundo pesquisa Ibope/NetRatings divulgada ontem. O número de
internautas conectados em casa passou de 22,1 milhões nos três últimos meses
de 2006 para 38,2 milhões no final deste ano.
De acordo com a pesquisa, o tempo de navegação médio dos brasileiros
que acessaram a web pelo menos uma vez no mês passado caiu quase 1 hora
sobre o mês anterior, mas manteve o Brasil como o país de maior tempo
médio de navegação mensal entre os 10 pesquisados pela NetRatings.
Em novembro, os internautas ativos somaram 23 horas e 47 minutos de
navegação. Ficaram mais próximos do Brasil em novembro a França, com 23
horas e 45 minutos, e a Alemanha, que marcou 23 horas e 5 minutos, segundo
o Ibope.
Dos 38,2 milhões que têm acesso à Internet em casa, 24,4 milhões
navegaram em novembro, o que os fez usuários ativos, na definição do Ibope.
O número equivale a um aumento de 3% sobre o mês de outubro e de 13%
sobre novembro de 2007.

TIMIDEZ
Segundo uma pesquisa divulgada pela Symantec, 82% dos internautas
brasileiros dizem que a web melhorou seus relacionamentos, índice que supera
a média mundial, de 70%. Nesse aspecto, o Brasil fica atrás apenas da Índia
(90%) e da China (87%). O estudo Norton Online Living Report analisou
dados sobre a segurança e os relacionamentos na esfera virtual em 12 países e
entrevistou nove mil pessoas.
Quanto ao número de amigos online, os adultos brasileiros ficam em
primeiro lugar, com uma média de 66,4, seguido pela China (55,5) e pelo
Canadá (45,8). A experiência de se apaixonar por meio da rede já foi vivida
por 25% dos internautas adultos pesquisados no Brasil, e contato facilitado
com familiares é um aspecto importante para 77%. Comparado aos internautas
de outros países, o brasileiro é o que mais usa compartilha fotos online, e é
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também quem mais gasta tempo com isso - uma média de quatro horas por
semana.
O Norton Online Living Report também fez um levantamento com
internautas entre 8 e 17 anos nesses 12 países. As crianças e os adolescentes
brasileiros são os que passam mais tempo conectados, uma média de 70 horas
por semana - seus pais, no entanto, pensam que esse tempo seja de 56 horas.
No Brasil, 74% dos pais dizem saber o que os filhos vêem na internet, e 72%
dos jovens e crianças confirmam essa informação. Os pais também admitem
monitorar o comportamento dos filhos na web: 66% deles admitem ler e-mails
ou rastrear sites visitados pelos filhos. Em redes sociais, 60% de crianças e
adolescentes têm seus pais em sua lista de amigos.
A segurança na internet foi outro ponto examinado pelo estudo, que
aponta que 40% dos internautas brasileiros afirmam que alguém já tentou
invadir seus computadores. O número só não é maior do que na China, onde a
taxa fica em torno de 50%. Por outro lado, o brasileiro é também o mais
propenso no grupo pesquisado a instalar soluções de segurança em seu PC.
Como escrevi esse material no final da década de 90 e inicio do ano
2000, não tenho a pretenção de escrever sobre os mais recentes dados
estatíscos, ou as últimas invenções na área da tecnologia informativa, até
porque é praticamente impossível acompanhar em 100% o avanço e as
mudanças tecnológicas. Porém, tenho como objetivo maior ampliar a visão de
futuro acerca do potencial que há nos novos caminhos da comunicação. Esse
potencial, que já está disponível, está sendo usado tanto para o bem quanto
para o mal, exercendo alcance e influência a nível pessoal, familiar, e também
mundial. Por isso, como organização, como igreja e como seguidores de Jesus,
devemos estar alerta e saber usar esse potencial para a honra e glória de Deus.

O ÚLTIMO VÍCIO DE NOSSA ERA


Assim como a TV, o uso irrestrito e abusivo da internet pode ser um
sinal de sérios problemas sociais, psicológicos e ainda espirituais. Além de um
sinal, pode ser a causa desses problemas. Quando uma pessoa passa a viver só
em função do computador, em detrimento de seu relacionamento interpessoal
com os amigos, no trabalho, na escola, na igreja e na própria família, isso é
um sinal de que a sua vida não está mais sob o seu domínio, mas sob o
domínio de uma máquina, mais especificamente dos conteúdos transmitidos
por ela. Tal indivíduo acaba ficando “preso na Rede”, se tornando um
“Netdependente”ou “Netmaníaco”.
“Quase tudo de interessante que se possa imaginar está na rede. É tão
atraente que em algumas pessoas o efeito é hipnotizante. São os viciados na
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própria Net, os Internet addicted, pessoas que trocam o convívio social e


familiar pelo mundo virtual. Passam horas e horas, e por que não dizer dias, na
frente do monitor. Uma pesquisa feita em abril (1997) pela Universidade de
Buffalo, no estado americano de Nova York, constatou que 15% dos
entrevistados são viciados na rede: passam mais de 40 horas por semana
navegando. Metade admitiu que o longo tempo de uso interfere e prejudica
seu trabalho ou estudo”. (Istoé, 25 de setembro de 1996, pp. 57-58)
Segundo a pesquisa Cadê?/Ibope 1998 (já citada), a grande maioria
(64%) dos usuários no Brasil, entram na rede uma ou mais vezes por dia, e
70% deles ficam conectados por mais de uma hora. Os 33% restantes usam a
Net algumas vezes por semana. Os recursos mais usados são: www, e-mail,
chat e download. Quanto ao desejo de fazer negócios eletrônicos, o número
dos que já adquiriram produtos e serviços on-line subiram de 19% para 24%, e
50% estão dispostos a sacar o crtão de crédito em caso de oferta irrestível. Por
outro lado diminuíram o número de internautas assinantes de revistas, jornais
e TVs a cabo. Em resposta a pegunta “Pagaria por serviço na Net?”, 48% dos
entrevistados responderam que sim, enquanto 54% disseram que não. Entre os
serviços sugeridos o item Notícias foi indicado por 46%, vindo a seguir Jogos
com 10%, sexo com 9% e outros com 35%. As mulheres se mostram mais
atraídas que os homens para compras de obras de arte, turismo e música. Por
sua vez os homesn demonstram mais interesse que elas para artigos de
informática, esportes e ciências. Mas numa coisa houve um consenso, 27%
dos homens e das mulheres acha viável fazer compras de supermercados via
Internet. As mudanças de comportamento com o uso da Internet foram
associadas às seguintes atividades:
 40% afirmaram que nada mudou em suas vidas.
 28% afirmaram que assistem menos televisão.
 12% afirmaram que dormem menos.
 7% afirmaram que deixam de fazer outras atividades.
 6% afirmaram que saem menos de casa.
 4% afirmaram que lêem menos jornal.
 3% afirmaram que lêem menos revistas e livros.
Esses números revelam que para uma boa parcela de pessoas, a Internet
tem alterado áreas importantes de sua vida, principalmente no que diz respeito
a hábitos e relacionamentos. Não são poucos aqueles que têm ficado
intoxicados eletrônicamente. A história de Sandra Hacker é um dos muitos
casos de “intoxicação eletrônica via Internet”. Sandra (cujo sobrenome
Hacker, coincidentemente ou não, quer dizer pirata na gíria dos internautas),
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foi alvo de manchetes na mídia americana e ao redor do mundo. Ela ficou


famosa por ser uma “assídua” usuária da Rede. De nacionalidade americana,
casada, mãe de três filhos pequenos (cinco, três e dois anos de idade), a
senhora Hacker deixou claro para o mundo todo, que ser uma dependente da
internet exige “sacrifícios”, e que a pessoa não precisa ter uma idade
específica, ou seja, qualquer um pode se candidatar. Para Sandra, filho de
verdade é como um Tamagotchi (bicho virtual) - ou seja, ela pensa que se o
filho morrer basta apertar um botão para criar outro. Porém as coisas não são
bem assim, pelo menos na visão do juiz de direito William Mallory, da cidade
de Cincinnati, EUA; que numa terça-feira, dia 9 de setembro de 1997,
decretou prisão de dois anos, com direito a liberdade condicional, à essa
distinta “dona-de-casa e mãe”. Seu crime? Vício e negligência! Sandra
deixava de cuidar de seus três filhos por ser viciada em Internet. O Dr.
Mallory afirmou que as crianças eram mantidas em condições deploráveis,
trancadas no quarto, para que não atrapalhassem a mãe enquanto ela passava
horas e horas navegando na Internet, confortavelmente acomodada em um
outro cômodo da casa. Além da condenação ela será obrigada a frequentar um
“curso intensivo de tratamento e educação de filhos”, caso não cumpra as
medidas, será presa e perderá a guarda das crianças para seu marido, de quem
se divorciou, devido a sua mais nova paixão, a Internet. Pode até parecer
engraçado, mas esse tipo de incidente é uma tragédia pessoal e familiar. Ele
nos revela que as mudanças de paradigmas na comunicação também
trouxeram novos desafios educacionais, não apenas com relação aos filhos,
mas também no que diz respeito a responsabilidade dos pais. Talvez muitos
estejam precisando de uma “reeducação” de como tratar e educar seus filhos
num mundo cada vez mais informatizado. E o caso de Sandra Hacker não é o
único.
Outro caso foi o do casal Michael Straw, de 25 anos, e Iana Straw, de
23, declararam-se culpados por descuidar de dois seus filhos. Em vez de
alimentá-los, eles decidiram passar o tempo jogando videogames na internet.
As crianças, um menino de um ano e 10 meses e uma menina de 11 meses,
estavam subnutridos e à beira da morte no mês passado, quando foram levados
a um hospital por assistentes sociais. As duas crianças foram socorridas e
ganharam peso. O casal ficava tão envolvido com jogos online -
principalmente os da série "Dungeons & Dragons" - que não cuidavam das
crianças. Quando chegou ao hospital os funcionários tiveram de raspar a
cabeça da menina porque ela estava coberta por urina de gato. Pesando 4,5
quilos, a menina também tinha uma infecção na boca, pele seca e desidratação
severa. Seu irmão teve de ser tratado de uma infecção genital e a falta de
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desenvolvimento muscular resultou em dificuldades para andar. Michael


Straw estava desempregado e sua mulher tinha um emprego temporário num
depósito. Eles receberam uma herança de US$ 50 mil, mas gastaram tudo em
equipamentos de informática e uma grande televisão de plasma. Casos de
crianças maltratadas por pais viciados em drogas são comuns, mas casos nos
quais os pais são viciados em videogame são raros.
Um estudo feito pelo psicólogo americano David Greenfield sobre os
hábitos dos internautas revelou que 6% deles são viciados na cibernavegação.
Isso significa cerca de 11,4 milhões de pessoas em todo o mundo. (Época, 30
de agosto,199, p. 92). Devido a isso, juntamente com o advento da Internet,
pode ter surgido uma oportunidade para o tratamento de mais um novo tipo de
doença, identificada de modo geral como: “uso excessivo da Rede”. É o que
afirma a Associação Americana de Psicologia, que estuda a possibilidade de
classificar o uso abusivo da Internet como uma doença, tendo como base os
estudos e pesquisas realizadas por Kimberly Young.
Diante dos fatos, a Nottingham Trent University, da Inglaterra,
oferecerá uma nova graduação voltada para a psicologia da vida online, o
primeiro curso de "ciberpsicologia". A nova graduação estudará o
comportamento humano em mundos virtuais e olhará para formas de
relacionamento, sexualidade e jogatina online, conforme noticiou o site The
Inquirer. De acordo com o EducationGuardian, o curso será ministrado pela
primeira vez a partir do novo ano acadêmico, e também abordará cibercrime,
educação e aspectos de saúde, redes sociais e inteligência artificial. Dentre as
questões que procurarão ser respondidas estão algumas bastante interessantes.
Por exemplo, como sites como MySpace e Facebook modificaram as maneiras
com que as pessoas interagem. Para a Dr. Monica Whitty, que liderará o curso
que custará aproximadamente US$ 9 mil, o ciberespaço não se limita a
internet, mas também tecnologias como celulares e realidade virtual. "O fato
dessas tecnologias fazerem parte de nossa vida cotidiana nos obriga a tentar
entender como eles nos afetam psicologicamente", explicou. Douglas Brown,
porta-voz da associação British Psychological Society, vê o novo curso com
bons olhos e explicou que esta é uma área em crescimento. (Fonte:
YahooNotícias)

SAIBA SE VOCÊ É DEPENDENTE DA INTERNET


A Dra. Young, psicóloga americana da Universidade de Pttsburgh,
apresentou no dia 15 de agosto de 1997 um relatório aos participantes da 105a
convenção anual da Associação Psicológica dos EUA. Em seu relatório a Dra.
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Yung revelou que: “Assim como as drogas, a internet também cria


dependência. Baseando seu estudo em 396 „internetmaníacos‟, ela chegou à
seguinte conclusão: as pessoas podem se tornar dependentes da Internet da
mesma maneira que se viciam em drogas, álcool ou jogo, e que apenas 10%
dos internautas entram na rede em busca de informações”. (Istoé, 20 de agosto
de 1997, p. 13)
Segundo as conclusões da Dra. Kimberly, o vício é real. Os sintomas
incluem tempo excessivo na rede, isolamento social, visão turva,
“distraibilidade”, transtornos de memória recente, depressão e ansiedade.
De acordo com o jornal The New York Times, já existem até grupos de
auto-ajuda aos viciados na rede. Os principais são: Netholics Anonymous, o
Webaholics e o Interneters Anonymous. Neles as pessoas tentam se convencer
a deixar de navegar abusivamente. Esse último tem um programa de
“desintoxicação”em 12 estágios e começa com uma oração pedindo
“serenidade para saber quando desconetar”. Obviamente eles não estão
baseados no lema: “não dê a primeira navegada”, ou ainda: “não click a
primeira vez”. Porém há um detalhe no mínimo intrigante: as conversas
acontecem via Internet.
Como todo veículo de comunicação, a internet também contém boas e
más informações, compete ao seu usuário fazer a seleção. Muitos que não
conseguem estabelecer limites ao uso indiscriminado que fazem da internet, se
tornam pessoas que, como um alcoólatra que não admite seu vício, não
conseguem admitir o quanto estão envolvidos com a rede. Se faz nescessário,
para os internautas, ter um meio de avaliar de forma mais objetiva o seu grau
de envolvimento. Para isso colocamos a seguir um teste apresentado e
adaptado pela Dr. Kimberly, que o ajudará (se for o seu caso) a medir o grau
de dependência da Internet:
*TESTE
(Sim) (Não) - Quando está fora da internet, você fica pensando e se
preocupando com o que está acontecendo nela?

(Sim) (Não) - Sente necessidade de aumentar cada vez mais o seu tempo de
navegação na rede?

(Sim) (Não) - Você já chegou ao ponto de ser incapaz de controlar o uso da


rede?

(Sim) (Não) - Fica irritado e inquieto quando tenta reduzir o seu uso da
internet?
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(Sim) (Não) - Na internet, você sente estar escapando de seus problemas ou


aliviando sensações incômodas de impotência, culpa, ansiedade ou depressão?

(Sim) (Não) - Você mente para as pessoas tentando esconder o quanto está
envolvido com a internet?

(Sim) (Não) - Seu trabalho, estudos ou relacionamentos afetivos já foram


colocados em risco devido à rede?

(Sim) (Não) - Você gastou muito dinheiro com taxas especiais de acesso a
sites de sexo ou compras on-line, e se arrependeu. Mesmo assim, voltou a
fazer a mesma coisa?

(Sim) (Não) - Quando não está conectado.Você se sente deprimido ou


ansioso?

(Sim) (Não) - Com frequência você fica conectado mais tempo do que havia
planejado?

Resultado: Se você respondeu Sim a quatro ou mais perguntas e acha que há


pelo menos um ano está nessa situação, você é um dependente.

* Fonte: Adaptação para a internet feita pela psicóloga Kimberly Young a


partir do Diagnostic and Statistical Manual. (Istoé, 20 de agosto de 1997, p.
13)

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo (30/08/1998), outro


estudo feito pelo psicólogo canadense Jean Pierre Rouchon, de Quebec,
calcula que 10% dos usuários da Internet desenvolvem sintomas de
dependência. Sua estimativa leva em conta os usuários que estejam na Internet
por mais de um ano. (Assim passou o período natural de entusiasmo inicial.)
Como já foi analisado, alguns sintomas mostram a dependência: Isolamento
gradual, deixam amigos de lado, assim como namorado(a), família; Ficam
ansiosos e passam a querer ficar cada vez mais tempo nas páginas da Net
(sites), nas salas de discussão (chats) e no correio eletrônico (e-mail); trocam
atividades domésticas, de lazer, de trabalho e de contato humano pela
navegação nas páginas e salas da Web. Todavia, essas constatações ainda são
pouco precisas, pois sendo um distúrbio novo, as pessoas demoram para
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perceberem que estão tendo um problema de dependência; o número de casos


ainda é considerado pequeno.
É importante ressaltar que o tempo que uma pessoa está conectda não é
o melhor indicador de diferenciação entre o comportamento normal e a
dependência. Por exemplo, uma pessoa que passa 20 horas por semana
navegando na Internet pode ser muito mais dependente do que outra que fica
40 horas. Em ambos os casos deve-se levar em consideração o impacto que o
uso do computador acarreta na maneira de organizar o tempo e na vida.
Portanto, aí vai mais um teste, para você fazer uma auto-avaliação ou ajudar
alguém:

TESTE O NÍVEL DE DEPENDÊNCIA NA INTERNET


Reponda as questões abaixo e cheque o resultado final. Não considere o tempo que você
fica na Rede, por causa do trabalho ou dos estudos.

USE OS SEGUINTES VALORES PARA PREENCHER OS COLCHETES DE CADA PERGUNTA

01- Nunca ou raramente. 02- Ocasionalmente. 03- Com alguma frequência.


04- freqüentemente. 05- Sempre.

[ ] Você fica conectado mais tempo do que planejava?


[ ] Você deixa de lado suas aitvidades domésticas para ficar mais tempo conectado?
[ ] Prefere estar conectado à Internet à companhia do seu/sua amigo/a?
[ ] Acaba encontrando as pessoas que conheceu na Internet?
[ ] As pessoas reclamam que você fica muito tempo conectado?
[ ] Seu estudo ou trabalho são prejudicados pelo tempo que você fica na Internet?
[ ] Você checa seu e-mail antes de outras coisas que precisa fazer?
[ ] Sua produtividade cai por causa da Internet?
[ ] Você se sente mal e fica na defensiva, quando os outros reclamam do tempo que
passou na Internet?
[ ] Você se refugia na Internet para esquecer problemas da sua vida?
[ ] Fica pensando quando será a próxima conexão?
[ ] Acha que a vida sem a Internet fica chata, vazia e sem graça?
[ ] Você grita, fica nervoso ou irritado, quando é interrompido durante uma conexão?
[ ] Dorme pouco, porque ficou conectado até muito tarde?
[ ] Fica fantasiando sobre a Internet, quando está embaraçado?
[ ] Você diz ou pensa “só ,ais uns minutinhos”, quando está querendo desconectar?
[ ] Tenta diminuir o tempo de conexão e acaba falhando?
[ ] Você tem de esconder dos outros quanto tempo ficou conectado?
[ ] Troca uma saída com os amigos por umas horinhas a mais na Internet?
[ ] Você se sente deprimido, irritado ou de mau humor, quando está desconectado e
melhora o ânimo, quando fica on line?

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CHEQUE O RESULTADO: Some o número de pontos que você


colocou em cada pergunta. Quanto mais alto for o seu número, maior o nível
de dependência e os problemas que a Internet pode trazer. A seguir, verifique
a escala geral abaixo para ajudar você a localizar seu resultado:
 20 – 49: Está na média. Às vezes, você pode “surfar” um pouco demais na
Net, mas tem a situação sob controle.
 50 – 79: Você está passando por problemas ocasionais ou freqüentes por
causa da Internet. Está na hora de fazer um balanço real dessa situação na
sua vida.
80 – 100: O uso da Internet está causando problemas significativos na sua
vida. É bom avaliar esse impacto e pensar em procurar ajuda, caso não
consiga reverter essa situação. (fonte: Cola – Center for Online Addiction –
http://betaddiction.com)
Mesmo após fazer essas avaliações, é bom refletir em algumas questões
gerais, que podem finalmente indicar se você está sendo controlado e
intoxicado pela Internet ou tem ela sob controle. Confira a seguir, mais
alguns sinais de intoxicação:
1- Usar a Internet todos os dias, sem pular nenhum.
2- Esquecer quanto tempo você está conectado.
3- Sair de casa cada vez menos por causa da Internet.
4- Gastar menos tempo nas refeições em casa e no trabalho, e comer cada vez
mais na frente do monitor.
5- Negar que stá passando muito tempo na Internet.
6- Reclamações dos outros de que você está muito tempo na frente do
computador.
7- Checar seu correio eletrônico muitas vezes por dia.
8- Pensar que você tem o melhor Site do mundo e ficar morrendo de vontade
de dar seu endereço para que as pessoas possam vê-lo.
9- Conectar-se, quando você ainda está cheio de trabalho.
10- Entrar na Interne, com uma sensação de alívio, quando as pessoas da
família não estão em casa.
Outra boa razão para não se deixar dominar pela Internet, é que o uso
indiscriminado do computador pode afetar gravemente a saúde. Além de
problemas de coluna, devido a má postura, que principalmente as crianças têm
diante do monitor, e dos problemas de “lesão por esforço repetitivo” (LER),
há o risco de câncer. “Um estudo feito na Universidade Estadual Paulista,
revelou que aumentam os riscos de câncer entre pessoas habituadas a passar
mais de 8 horas diárias diante do computador. Segundo a pesquisa, a culpa é

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das ondas eletromagnéticas emitidas pelo monitor do aparelho”. (Veja, 10 de


março de 1999, p. 36)

USANDO A NET COM PRINCÍPIOS CRISTÃOS


Mais informação, mais poder. Certo? Em geral, sim. Mas, também pode
significar mais dor de cabeça. Entretanto nem todos vêem o aspecto negativo
do excesso de informação. E, como resultado, vivem dentro de um círculo
frenético em busca de informação sem nenhum critério de seleção, o que pode
ser muito prejudicial. Viver em sociedade e desenvolver relações interpessoais
sólidas dentro do contexto atual, significa escapar do constante e estressante
bombardeio de informações. É jornal, revista, telefone, rádio, fax, vídeo, TV,
Internet...é como se uma pessoa estivesse na extremidade de uma linha de
montagem que produzisse dados a uma média absurdamente alarmante e a
linha não tivesse botão de “stop” (pare). O pior de tudo é que boa parte dos
dados não presta. Aqueles que sabem usar o bom senso jogam fora o que não
lhes interessa, aceitam que há coisas que não compreendem, reduzem o uso da
tecnologia e o montante de leituras supérfluas, e tentam captar o que não foi
dito mas é essencial. Por outro lado, os mais ingênuos sofrem com o excesso
de informação, porque vivem vidrados em notícias que não lhes dizem nada,
sempre acham que estão mal informados, se consideram ignorantes porque
pensam constantemente que apenas os outros entendem de tudo, e têm medo
de admitir que não sabem. É claro que deve-se fugir da ignorância, mas
sacrificar a sanidade mental com excesso de informação inútil é demais. O
apóstolo Paulo aconselhou os cristãos a examinarem tudo e reter o que é bom,
mas também escreveu que o cristão deve evitar toda aparência do mal e fugir
da imoralidade. Se ele vivesse hoje, na era da comunicação, talvez diria aos
cristãos: “vejam e leiam o que é bom, guardem o que é ótimo e joguem fora o
resto.” A necessidade de selecionar a avalanche de informação é fundamental.
Estudos psicológicos realizados pela Rockefeller University (EUA),
acerca da sobrecarga de informação a que o homem moderno está exposto,
bem como a sua capacidade de absorvê-la, revelaram que “existem sérias
limitações quanto à quantidade de informações que somos capazes de receber,
processar e recordar. Ao classificar a informação, ao abstraí-la e „codificá-la‟
de várias formas, conseguimos esticar esse limite, mas ainda assim, amplas
evidências demonstram que nossas capacidades são finitas.” (Alvin F. Toffler,
O Choque do Futuro. Record, Rio de Janeiro: 1970. p. 283)
Assim como o superestímulo sensorial (dos sentidos) aumenta a
distorção da percepção da ralidade, o superestímulo cognitivo (do raciocíneo)
interfere na habilidade de pensar de modo claro e racional. Como cristãos e
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particularmente como Adventistas do Sétimo Dia, temos o sagrado dever de


preservar nossa mente para que pense de maneira clara e espiritual, uma vez
que é por meio do ato de pensar que se toma decisões, e que estas decisões
podem ser para a vida ou para a morte, para benção ou maldição.
Há dois princípios básicos que devem ser levados em consideração
quando se fala em excesso de informação: primeiro, que o homem tem uma
capacidade limitada. E segundo, que superlotar o sistema leva a um sério
colapso do desempenho, seja no aspecto físico, emocional, mental ou mesmo
espiritual. Essa incapacidade e insuficiência humanas para processar com
rapidez e eficiência o excesso de informação disponível, pode levar a
perturbações que vão desde o stress até várias formas de doenças mentais, é o
que sugere Alvin Toffler em seu livro “O Choque do Futuro”. (Idem, p. 285)
Há um excesso de informação disponível na Internet, nas últimas
décadas o conhecimento vem se duplicando em espaços de tempo cada vez
mais curtos: “ele duplicou de 1950 a 1980; voltou a duplicar de 1980 a 1990; e
de novo duplicou de 1990 a 1994. Em 2002, deverá ser 16 vezes maior do que
em 1990”. Benedicto ainda expõe os dados divulgados pela World Future
Society, os quais revelam que hoje o conhecimento da humanidade dobra a
cada dois anos, todavia nos próximos dez ou 15 anos dobrará a cada 80 dias.
Com essa explosão de conhecimento, é inevitável o surgimento de novas
tecnologias para divulgá-lo, dentre as quais a Internet será considerada a mais
influente, pois afetará diretamente o mundo dos negócios, marketing, finanças,
treinamento e educação, bem como a própria vida pessoal de milhares de
indivíduos ao redor do mundo.
“O cérebro humano está ficando pequeno para tanta novidade. O
estresse causado pelo excesso de informação já virou tema de estudo
científico. Em estudos feitos com executivos, constatou-se que eles têm de
conviver com um paradoxo: não podem trabalhar sem receber grandes
quantidades de informação, mas ao mesmo tempo, se sentem sufocados pela
grande carga de dados, boa parte deles irrelevante e não solicitada. Isso gera
ansiedade, bloqueia a capacidade de análise, atrapalha as decisões e afeta a
eficiência”.
Diante dessa realidade, há cinco princípios para que os usuários da
Internet tirem proveito do que há de bom nela, e não sejam mais uma vítima
desta Rede:
 Reconheça seus limites. O cérebro humano tem um potencial enorme, mas
não é ilimitado. Querer aproveitar tudo que existe na Internet é “como você
tentar beber toda a água das cataratas do Niágara”.
 Seja seletivo. Nem tudo que está na Rede tem que ser visto ou lido. Adote
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o princípio de evitar totalmente o lixo, analisar o que é bom e só reter o que


é ótimo. Evite selecionar muita coisa para ler depois. Lembre-se de que o
nosso cérebro precisa de tempo para processar as informações,
transformando-as em conhecimento.
 Utilize as ferramentas de apoio. Há vários recursos para facilitar a vida na
Rede. Consulte os livros de dicas sobre a WWW, arrume uma boa lista de
sites e conte com os mecanismos de busca, como o Yahoo, o Altavista ou
ainda o HumanSearch (htt://www.humansearch.w1.com/).
 Reserve tempo para sua formação. Informação não é conhecimento e
quantidade não é qualidade. A Internet tem muita coisa boa, mas não
substitui a escola e o estudo. Não foi por acaso que Bill Gates, o bilionário
da Microsoft, disse: “Meus filhos terão computador, sim, mas antes terão
livros”.
 Entre em “chat” (bate-papo) com Cristo. Muitos internautas sentem uma
grande necessidade de buscar novos amigos na Internet, para abrir a alma.
Mas você, que é cristão, deve se lembrar de que há um amigo inigualável
esperando-o. Faça da oração um meio exclusivo de chegar à sala de bate-
papo com Deus. Se você ainda não está ligado na Internet, procure se
conectar, Mas busque conhecimento de alto nível. Excesso de informação
ruim intoxica e mata. Para saber o que é bom ou ruim, o primeiro passo é
aprender a pensar.

CAPÍTULO XIII
NEURÔNIOS EM JOGO

GERAÇÃO DIGITAL E AFETIVIDADE VIRTUAL


Com o surgimento de novas tecnologias, tem surgido uma nova geração
de crianças, denominada por muitos especialistas como a “geração digital”.
São crianças que estão muito bem familiarizadas com os aparelhos
eletrônicos, especialmente o videogame e o computador. A geração digital é
uma geração que usa o microcomputador desde muito cedo, tem extrema
facilidade para entender os novos processos de comunicação e “não
conseguiria mais viver” sem os joguinhos e diversões eletrônicas. “Pesquisas
feitas nos Estados Unidos mostram que 70% das crianças daquele país usam
computador em casa ou na escola. Algumas aprenderam com 18 meses a
manusear o mouse. Em 1994, 50% dos jovens consideravam “in” (na moda)
acessar a Internet. Essa porcentagem pulou para 88% no ano de 1997”.
(Revista Época, 19 de Outubro de 1998, p. 57)
No Brasil, onde a invasão tecnológica ainda está em fase de expansão, a
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maioria dos jovens, adolescentes e crianças, já sabem usar aparelhos como


computador, videocassete, agendas eletrônicas, microondas e radiorrelógio.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi, com o objetivo de saber qual
eram os aparelhos eletrônicos mais conhecidos e usados pela geração digital
brasileira, revelou que a grande maioria das crianças entre 8 a 13 anos (que
têm acesso às novas tecnologias), preferem, e sabem usar videogames e
computadores. Quando perguntados sobre que parelhos sabiam usar, 95%
responderam que sabiam usar o videogame, enquanto 70% dos juvenis
entrevistados afirmaram saber usar o computador. A pesquisa também revelou
como essa geração digital passa o tempo em frente ao computador:
 64% passam o tempo com jogos eletrônicos.
 29% passam o tempo fazendo trabalhos escolares.
 2% passam o tempo acessando e usando a Internet.
 5% passam o tempo em outras atividades.
(Fonte: Revista Época, 19 de Outubro de 1998, p. 59)
Outros dados obtidos nessa pesquisa indicaram que a geração digital é
cada vez mais precoce, ou seja, a idade em que as crianças começam a mexer
no micro é cada vez menor. A pesquisa ainda revelou que o número de horas
diárias dedicadas diante do computador ainda não é exagerada, mas tende a
aumentar (ver quadro abaixo):

PRECOCES TEMPO
Idade Porcentagem Horas por Dia Porcentagem
De 2 a 4 anos 2% Menos de 1 hora 32%
De 11 a 13 anos 6% 1 hora 34%
De 5 a 7 anos 26% 2 horas 13 %
De 8 a 10 anos 66% De 3 a 4 horas 17%
5 ou mais horas 4%
(Fonte: Revista Época, 19 de Outubro de 1998, p. 59)

Para alguns especialistas, essa geração faz parte da chamada “revolução


microeletrônica”, a terceira onda tecnológica. Muitos dos que têm computador
passam longas horas rodando programas, jogos ou acessando a Internet.
Quando ligados à Rede Mundial, essas crianças navegam pelos Sites mas
também não perdem a oportunidade de freqüentar salas de bate-papo. Essa
autonomia e intimidade das crianças diante dos aparelhos eletrônicos, tem
deixado muitos pais perplexos e atônitos, levando-os a perguntar: "como as
crianças podem fazer isso? Não correm o risco de ficar viciadas, autômatas
sem capacidade de raciocínio? Ou pequenos egoístas, pré-programados para se
tornar adultos nervosos e agressivos, como afirmam alguns especialistas?”
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Embora essas perguntas ainda não tenham uma resposta definitiva, elas devem
ser levadas em consideração pelos pais que realmente se preocupam com o
desenvolvimento “psicosocioespiritual” de seus filhos. Mas, quando o assunto
é jogo eletrônico (produto especialmente admirado pela geração digital), essas
perguntas adquirem ainda mais importância. Enquanto há pais que
estabelecem regras rígidas quanto ao tempo que seus filhos podem ficar
brincando no computador, e outros preferem dar às crianças softwares
educativos em vez de games com conteúdo violento, há aqueles que acham
que o relacionamento das crianças com os joguinhos, não lhes afetará em
nada.
O fato é que, principalmente nos grandes centros urbanos, está
ocorrendo um declíneo moral acentuado, a criminalidade e tantos outros
problemas têm levado os indivíduos ao isolamento. As novas tecnologias de
comunicação, principalmente os games e micros, têm contribuido para que
crianças, que antes brincavam juntas, agora prefiram ir cada uma para frente
do computador. Ou se for o caso, para seus bichinhos de estimação, que
atualmente não precisam ser necessariamente animais domesticados, mas
“bichinhos eletrônicos”.
No ano de 1997 a febre do “bicho virtual” levou mais de 40 milhões de
crianças e adolescentes ao redor do mundo a cuidar de um animal imaginário,
pendurado por um fio no pescoço do dono, capaz de “morrer” quando não
tratado adequadamente. De olho no mercado a empresa de Hong Kong Solar
Tune Eletronics foi mais longe e criou o “Meu Amante”, que já é um dos
brinquedos mais procurados e sem dúvida irá conquistar o coração da
garotada. Segundo a assistente de Marketing da companhia Solar Tunes, o
jogo foi criado pensando que os adolescentes estão sempre em busca de amor
e o joguinho virtual “Meu Amante” pode lhes dar um pouco de experiência e
ensiná-los a respeitar o outro. (Jornal Diário Catarinense, 04 de março de
1998)
Depois da onda mundial dos chamados “bichinhos virtuais” ou
Tamagotchis, agora é a vez do “amante virtual”, isso mesmo, “amante
virtual”. Os brinquedos eletrônicos japoneses que tomaram o mercado de
assalto no ano de 1997 têm um poderoso rival chamado “Meu Amante”,
lançado em Hong Kong, na feira de brinquedos e jogos no início de 1998. Os
donos do amante virtual têm como tarefa para agradar “os parceiros” ofertar
presentes como flores, chocolates e cartas de amor, tudo com a finalidade de
ganhar a afeição do companheiro eletrônico e obter “pontos de afinidade”. Os
donos do joguinho que conseguem mais pontos ganham um “beijo virtual” ou
até um “casamento virtual”. Mas se falharem na conquista, o parceiro pode
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trocá-los em favor de um outro partido.

A FEBRE DOS VIDEOGAMES


Não resta dúvidas de que a principal fonte de divertimento eletrônico da
garotada são os videogames, com seus cartuchos, CDs, DVDs, consoles de
última geração e acessórios cada vez mais direcionados para a realidade
virtual. Os jogos da Rede também fazem a alegria da garotada, apesar de que
se deve considerar essa separação entre videogame e Internet apenas para
efeitos didáticos, pois com a moderna tecnologia já é possível unir o
videogame à Internet.
Não é por acaso que a indústria dos games está investindo em pesquisa,
quase tanto quanto a indústria farmacêutica, e o resultado são jogos cada vez
mais criativos e equipamentos cada vez mais incríveis. Um exemplo disso é o
MindDrive, que é capaz de mover o cursor na tela seguindo o movimento da
mão, dando a impresão que o videogame é acionado com a “força do
pensamento”. Foram investidos 5 milhões para aproveitar a força mais básica
dos músculos, como a que faz mexer os pulmões mesmo sem que a gente
perceba. O resultado foi a criação do MindDrive, um Joystick sem fios, capaz
de ler os fracos impulsos elétricos dos terminais nervosos dos músculos,
interpretar esses sinais como movimento e permitir o comando do jogo.
Outro exemplo é a “luva” que substitui os joysticks que reinaram
absolutos desde que apareceu o primeiro videogame do mundo, o americano
Odissey 100, em 1972. Essa luva” é um novo controle ajustável e sob medida,
e se adapta muito bem à mão de qualquer um com mais de 12 anos. É feita de
“neoprene”, uma borracha especial, e seu design é pensado para evitar lesões
musculares. Seus sensores são capazes de detectar os movimentos do pulso.
Os botões de controle ficam embaixo dos dedos dando maior agilidade ao
jogador. Dentro da tecnologia virtual, essa luva permite ao usuário repetir os
movimentos da mão na tela do computador, “a qual está cada vez mais
próxima dos olhos”, por meio de “visores especiais”.
Literalmente ameaçando o prodomínio dos joysticks, os controles em
forma de luva estão se multiplicando com a popularização da realidade virtual.
Usando essas luvas e visores as pessoas poderão, cada vez mais, tocar e sentir
qualquer situação da vida real com personagens cibernéticos. Dentro do
chamado ciberespaço (do inglês cyberspace), um mundo de imagens
tridimensionais geradas em pequenas telas dentro de “máscaras” ou “visores
em forma de óculos” usados pela pessoa, já é possível “entrar” em ambientes
fictícios, olhar os diferentes panoramas ao redor e até “mover objetos”.
Ver um filme ou jogar o game favorito virtualmente é uma experiência
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considerada insuperável pelos gamemaníacos. Há óculos virtuais que são tão


leves e confortáveis que pesam apenas 200 gramas. Além do mais podem ser
ligados na TV, no vídeo, no computador ou no videogame. O resultado é
considerado fantástico, pois cria uma realidade artificial que é capaz de
envolver 100% o usuário.
Por isso, a grande tendência dos novos videojogos é a total e real
interatividade entre o usuário e o que ele está vendo, permitindo aos
competidores participar, com todos os seus sentidos, das “brincadeiras”. Essa
Participação de “corpo inteiro” nesses novos jogos, é possível devido a um
arrojado sistema de interação com as máquinas e o mundo impalpável dos
bits. Por meio da “realidade virtual”, ou também denominada de “realidade
artificial”, como já vimos, o indivíduo pode “fazer parte” daquilo que vê,
como se fosse verdade. Ele pode “estar lá”, participar da cena, tocar e sentir,
como se estivesse de fato vivendo aquela realidade. Tudo isso é claro, em
mundos ditos virtuais ou potenciais, usando intrumentos sofisticados que, “por
enquanto”, não estão à disposição de qualquer pessoa, já que o preço não é
muito acessível.
Todavia, com o avanço tecnológico, muito em breve a realidade virtual
se tronará tão popular que fará parte do cotidiano das pessoas, assim como a
televisão. Ao considerar que essa nova tecnologia pode ser utilizada para
propagar a pornografia, incentivar a violência e pregar o espiritualismo, não é
difícil imaginar as implicações morais, éticas e espirituais que esse fantástico
meio de comunicação pode acarretar.
Na verdade, o que existe por trás de todo esse universo eletrônico é uma
bilionária indústria de joguinhos, onde “são investidos 2,3 bilhões de dólares
por ano na pesquisa e desenvolvimento de consoles para videogames,
acessórios e jogos...as empresas do setor reúnen-se todo o ano na E3
(Entertainment Electronic Expo), nos Estados Unidos”. (Superinteressante,
outubro de 1997, p. 83)
Foi na E3 que a IDSA (Interactive Digital Software Association), uma
organização que reúne grandes fabricantes de games como a Sony, a Nintendo
e a Sega, aproveitou para revelar um levantamento de dados sobre o tipo de
aparelho que a molecada prefere, bem como o perfil de seus usuários:
Quem Joga no PC (Personal Computer)
72% Têm mais de 18 anos
40% São mulheres
60% Jogam on-line pela Internet
Quem Prefere o Console (Controle)
58% Têm menos de 18 anos
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27% São mulheres


30% Costumam jogar pela Internet
Conclusão: a geração teen ainda se liga no videogame.
(Fonte: Revista Superinteressante, Outubro de 1997, p. 83)

MUITO MAIS DO QUE UMA BRINCADEIRA


O fato é que milhares de crianças e jovens das grandes e pequenas
cidades, passam horas a fio brincando com os joguinhos interativos, seja nos
videogames ou na Internet. Estudos neurológicos e de comportamento
realizados por psicólogos e psiquiatras, revelam que o convívio intenso com
os jogos eletrônicos, baseados principalmente na reação a estímulos visuais,
está contribuindo para formar uma geração com reflexos mais rápidos,
habilidade para a elaboração de estratégias e impaciência com o que é teórico.
Segundo o psiquiatra Haim Grunspun, “o videogame tem o poder de acelerar a
especialização de alguns tipos de neurônios que às vezes não são sequer
ativados em pessoas que não recebem estímulos”. (Istoé, 8 de janeiro de 1992,
p. 26)
Esse relacionamento cada vez mais íntimo das crianças com
computadores e produtos eletrônicos de última geração está causando uma
verdadeira “revolução cerebral”. O que não se sabe ainda é se essa suposta
mudança na atividade cerebral é boa ou ruim. “Nosso cérebro é um fantástico
computador, ele se mantém em funcionamento graças aos seus 30 bilhões de
neurônios, distribuídos em dois hemisférios geometricamente iguais, o
esquerdo e o direito. Porém, eles têm funções totalmente diferentes:

Hemisfério Esquerdo Hemisfério Direito


 Detalhista  Amplo
 Mecânico  Criativo
 Substância  Essência
 Preto e Branco  Cores
 Cético  Receptivo
 Linguagem  Meditação
 Lógico  Artístico
 Fechado  Aberto
 Cauteloso  Aventura
 Repetitivo  Novos Caminhos
 Verbal  Intuição
 Analítico  Sintético
 Memória  Espacial

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Os hemisférios esquerdo e direito processam informações de maneira


diversa. Porém, são complementares. Ser bem-sucedido depende dos dois
hemisférios cerebrais trabalhando a todo o vapor em equilíbrio e harmonia”.
(Lair Ribeiro, Pés No Chão Cabeça Nas Estrelas, P. 30)
Como já vimos o hemisfério direito está ligado à compreensão ética,
filosófica e artística, e o esquerdo, reponsável pelo desempenho da lógica,
exatidão, rapidez e estratégia. De acordo com o psiquiatra Grunspun, “o
videogame estaria estimulando e especializando apenas o hemisfério
esquerdo”. Como consequência o aspecto criativo, tão necessário no contexto
atual, fica praticamente inativo. O resultado disto é a formação de um
indivíduo com excelentes capacidades estratégicas, mas com a sua criatividade
bem limitada.
Apesar de estimularem novas ligações no cérebro, não podemos ignorar
os efeitos negativos causados pelo uso abusivo dos games eletrônicos,
principalmente no que diz respeito as alterações de comportamento de seus
usuários, a grande maioria crianças e adolescentes. Estudos psicológicos e
observações comportamentais verificaram as seguintes mudanças em crianças
e jovens quando estão jogando: nervozismo, impaciência, irritação, mau-
humor e alienação (comportamento anti-social).
Em muitos casos a situação parece patológica, convertendo os
jogadores em verdadeiros “gamemaníacos”, muitas vezes levando-os a uma
overdose de prática em seus videogames de última geração ou nas casas de
diversões eletrônicas. São meninos e meninas que passam de três a cinco
horas por dia na frente da telinha, quando esse tempo não é bem maior, já que
muitos têm o “privilégio” de ter game, TV ou computador dentro do seu
próprio quarto. Quando estão diante dos joguinhos essas crianças parecem
ficar sob efeito hipnótico, sua personalidade chega a mudar enquanto jogam,
“esquecem” até mesmo de necessidades básicas, tais como: comer, beber ou ir
ao banheiro. Em outros casos porém, a situação é o inverso, passam horas e
horas comendo bobagens enquanto estão “brincando”, o que acaba
contribuindo para transformá-las, literalmente, em “pessoas de peso”. Além da
obesidade, o risco que as crianças usuárias de vidoegame têm de sofrer perda
auditiva irreversível é grande e real. Segundo especialistas, a cabacidade
aditiva normal e recomendada é de no máximo 70 decibéis, só que um
videogame ligado em alto e bom som como as crianças gostam, tem até 104
decibéis. Esse índice acaba causando microlesões irreversíveis na parte interna
do aparelho auditivo, causando perda de audição. Não é raro encontrar
crianças e adolescentes que já perderam até 25% da capacidade auditiva
devido à exposição abusiva aos “sons fantásticos” dos videojogos.
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Desde a década de 80, quando a revista médica Lancet publicou um


artigo que provava que a epilepsia fotossensível podia ser desencadeada por
videogames, as empresas ligadas a este ramo vêm lutando contra processos
judiciais e reclamações de consumidores que tiveram problemas de saúde
depois de brincar com seus videojogos. Para evitar mais problemas, os
fabricantes de videogame passaram a imprimir nos manuais de seus produtos
um alerta contra o risco de epilepsia decorrente dos estímulos visuais dos
jogos.
Outro fator negativo que deve ser considerado é o afastamento dos
livros. Aqueles que mergulham fundo na prática dos games não têm tempo
para ler nada. Desenvolvem uma linguagem superficial, e na escola detestam
português. São crianças que não lembram do último livro que leram, mas que
podem dizer com precisão o nome de todos os games que jogaram na última
semana. Em uma pesquisa feita pelo Isntituto Vox Populi à revista Época
(19/10/1998), foram ouvidas 500 crianças, de 8 a 13 anos, em cinco capitais
(São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte). Os
entrevistados pertenciam às classes A, B, C e tinham computador e/ou
aparelho de videogame em casa. Tal pesquisa revelou qual a principal
ocupação da chamada “geração eletrônica”, ou seja, quais as atividades que as
crianças praticam duas ou mais horas por dia.
 Assistir à TV – 77%
 Jogar videogame – 46%
 Ouvir música – 44%
 Brincar na rua – 36%
 Mexer no computador – 33%
 Passear no shopping – 10%
 Ler livro – 9%
 Praticar esportes – 5%
Das 500 crianças entrevistadas, a maioria ainda prefere a TV e os games
como formas de “entretenimento”, mas o que mais se destaca nessa pesquisa é
o desprezo da geração digital pelos livros. A pesquisa Época/Vox Populi,
ainda revelou quantas horas por dia as crianças e adolescentes costumam
“brincar” com videogame:
 30% brincam menos de uma hora.
 23% brincam uma hora.
 21% brincam duas horas.
 16% brincam mais de três horas.
 9% brincam três horas por dia.
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 1% não brinca.
(Fonte: Revista Época, 19 de Outubro de 1998, p. 61)
Embora os dados indiquem que está ocorrendo um certo controle ao uso
dos videogames, nem todos têm conseguido controlar o tempo diante dos
joguinhos eletrônicos. Talvez isso se deva a falta de interesse e de
acompanhamento dos pais, ou simplesmente a falta de se estabelecer limites
ao uso dos videogames e do computador.

VIOLÊNCIA VIRTUAL E REAL


Enquanto alguns pais “liberam geral” o uso desses jogos, por acharem
que seus filhos estão ficando “mais espertos”, com raciocínio mais rápido; há
outros que, preocupados com as manifestações anti-sociais exibidas por seus
filhos, sabiamente colocam limites ao uso dos games. Outros ainda limitam
não apenas o tempo de uso, mas também a qualidade dos cartuchos ou CDs,
uma vez que há “joguinhos”que mais parecem um “açougue”, onde o inimigo
pode até cortar a cabeça do seu adversário.
Creio que os mesmos fatores que analizei sobre a TV se aplicam aos
games, porém numa dimensão maior, já que são cada vez mais interativos.
Todos têm uma característica em comum: ensinam técnicas de luta mortal,
estimulando a violência, a rebeldia e o crime. O famoso jogo Street Fighter é
o exemplo mais claro desse tipo de conteúdo. Nele, o jogador pode aplicar
golpes mortais, além de usar efeitos especiais de magia, feitiços e
encantamentos para controlar o inimigo e matá-lo. É uma verdadeira mistura
de misticismo com violência, duas práticas muito apreciadas por Satanás e
suas hostes.
As edições um, dois e três do videojogo entitulado Mortal Kombat são
uma verdadeira inspiração para a prática da violência e para matar. O Mortal
Kombat 4 foi elaborado em 3D, para criar imagens de golpes ainda mais reais.
Os episódios estão repletos de cenas onde as cabeças rolam e o sangue jorra
sem piedade, e restreitamente relacionados com práticas místicas e
espiritualistas. Na edição número três, por exemplo, “Shao Khan (demônio)
está de novo pronto para lançar o ataque definitivo contra os terráqueos. Ele
construiu uma escura habitação no centro de seu reino, de onde tem roubado
as almas de todos os habitantes do planeta terra, exceto aqueles homens e
mulheres contra os quais não pode fazer nada. Unicamente um grupo de
valentes guerreiros entraram por um portal dimensional até o reino do
malvado demônio. Os personagens aqui são seres mitológicos ou monstros
deformados e com conotações sexuais.” (Mónica Graglia, El Verdadero Maná,
p. 102). É possível notar o paralelismo deste videojogo com o que Satanás
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intenta fazer com o mundo. Contra quem ele não pode fazer nada?
O fato é que os jogos de luta são os best-sellers dos videogames. Fazem
sucesso entre os adolescentes, tanto em casa como nas casas de diversões
eletrônicas. Talvez essa seja uma das razões pelas quais a violência e
delinqüência infanto-juvenil tenha proliferado nas grandes cidades. No Rio de
Janeiro por exemplo, as “gangues” que promovem brigas de rua são
compostas de adolescentes que na grande maioria praticam artes marciais
como o Jiu-Jitsu. Enquanto essa onda de violência se espalha pelo país, muitos
ficam a perguntar quais são as razões para isso. Por essa razão seria
interessante questionar se os “joguinhos” de lutas marciais tem alguma coisa a
ver com essa violência. Será que as crianças não estão sendo educadas para a
prática das artes marciais por meio de jogos como Mortal Kombat? Estariam
estes jogos violentos formando uma geração de crianças e jovens
delinqüentes?
Outro jogo que, segundo a revista Superinteressante, “traz tudo o que
um gamemaníaco precisa”, é Tekken (Punho de Ferro). Nina, uma de suas
protagonistas é uma pistoleira profissonal, e todos os demais são especialistas
em artes marciais. Seu conteúdo se resume em “lutas espetacularmente
animadas em 3D, com movimentos muito fluidos, rápidos e ampla variedade
de golpes. Além de um sensacional efeito replay, em câmera lenta, para ver
como foi mesmo aquele golpe implacável.” (Superinteressante, Julho, 1995, p.
72)
Ao se colocar na frente da tela que projeta um destes videojogos, a
criança começa a entregar sua mente e seu corpo. Considerarando que alguns
“joguinhos” exigem o uso de viseiras com efeito virtual tridimensional, de tal
maneira que a pessoa tem a impressão de estar dentro da cena atuando como
protagonista. É impossível deixar de imaginar que seus usuários não sofram
perdas e danos espirituais. Usando aparelhos especiais, o usuário pode
interagir com os “videoinimigos” enfrentando-os corpo a corpo. Isso é
possível graças a realidade virtual produzida por determinados aparelhos,
capazes de reproduzir os mesmos movimentos que o jogador faz do lado de
fora da telinha. Assim, dando socos e pontapés no ar, os temíveis adversários
combaterão sem luvas, óculos ou botões intermediários. A luta será
literalmente corpo a corpo. Essa tecnologia é semelhante àquela usada pelo
músico francês Jean-Michel Jarre, que desenvolveu um instrumento musical
etéreo, onde as cordas de uma harpcord eram feixes de raios que vinham do
nada, bastando fazer movimentos com as mãos para que o som fosse
produzido. Da mesma maneira, o aparelho Activator, “consiste na projeção de
18 feixes de raios infravermelhos que se projetam de baixo para cima, a partir
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de uma estrutura octogonal que fica no chão, criando 16 movimentos


diferentes, incluse alguns que não são possíveis realizar com o joystick, como
o de atacar o adversário com os dois braços simultâneamente.” (Revista Globo
Ciência, Junho de 1993, p. 76).
Uma reportagem veiculada pela Rede Globo de Televisão em 06/06/99
no programa do Fantástico, abordou o tema dos videogames violentos e sua
influência sobre crianças e adolescentes. Segundo pesquisas feitas nos EUA,
os videomaníacos estão perdendo sua saúde. As reações de uma criança diante
de um videogame podem variar, mas no geral são reações de rebelião e
irritabilidade, levando alguns gamemaníacos a dar chutes na TV ou quebrar o
controle remoto no chão. Ficou constatado que o coração de quem está
jogando um videojogo violento fica 40% mais rápido e há um acrécimo de
20% de adrenalina na corrente sangüínea. Nos EUA, as crianças gastam em
média 90 minutos por dia jogando videogames, o que contribuirá para que
mais tarde elas apresentem problemas cardíacos. O estudo concluiu que
quanto mais violento o jogo, mais prejudicial. Por essa razão os especialistas
dão dois conselhos: 1- Para cada hora no game, uma hora de exercício físico;
2- Crianças e adolescentes devem evitar os jogos violentos.
Outro aspecto analisado na reportagem do Fantástico, foi o fato de que
ao jogar um game violento, o cérebro percebe as ações e cenas do jogo como
sendo reais e descarrega os hormônios (principalmente a adrenalina); desta
maneira o cérebro fica condicionado às cenas de violência. Dentre os jogos
violentos, foi analisado o videojogo Doom, que a princípio era um programa
de treinamento que foi usado por muito tempo pelos militares do exército
norte americano. O objetivo era condicionar os soldados para estarem
preparados para enfrentar situações de extrema violência, bem como torná-los
insensíveis diante da dor e da morte de outros seres humanos. Certo coronel
afirmou que “o jogo é um verdadeiro simulador de assassinos”.
Foi “inspirado” em Doom, que um adolescente chamado Erick, um
garoto viciado em games violentos, matou a sangue frio 8 colegas de escola
com exatamente 8 tiros, sem errar nenhum, e todos na cabeça. Isso foi algo
que chamou a atenção do FBI, pois Erick não praticava tiro ou sequer teve
aulas de tiro ao alvo em algum clube. Ele simplesmente aprendeu a atirar com
tanta precisão praticando no jogo Doom, com uma pistola que simulava uma
arma de verdade. Outro fato interessante foi que ao analisarem o joguinho no
computador de Erick, a polícia descobriu que ele havia personalizado o jogo.
Certamente que a intenção da criança ao praticar tais jogos não é matar, mas o
cérebro interpreta o jogo como real, fica condicionado a cenas de violência e a
criança se torna insensível e mesmo inconcientemente fica condicioanda a
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praticar ações de violência e até mesmo crimes, esse processo pode ser
descrito como se fosse uma bomba relógio.
Esse crime bárbaro ocorreu nos EUA, no colégio de Littleton, subúrbio
de Denver, capital do Estado americano do Colorado e abalou a opinião
pública internacional. No dia 20 de abril de 1999, dois jovens adolescentes
(Erick Harris de 18 anos, e Dylan Klebord de 17) invadiram a escola onde
estudavam com armas e bonbas de fabricação caseira, juntos mataram 15
colegas com tiros certeiros na cabeça e deixaram 28 feridos, eles “deram
preferência” aos negros e estrangeiros. Erick e Kebold riam durante o tiroteio
manifestando indiferença, frieza e crueldade diante do sofriemento e da morte
de seus colegas. Em seguida os dois se suicidaram.
A polícia encontrou nas cinco páginas da Internet de um dos assassinos
da matança de Littleton, instruções e conselhos para a fabricação de bombas e
explosivos com ingredientes usando até mesmo detergentes; “as bonbas de
fabricação caseira são um dos meios mais simples e eficazes de matar um
grupo de pessoas e destruir algo”, dizia na página de Erick Harris. Ele já havia
feito ameaças de morte a colegas pela Internet. No dia anterior a chacina, ele
mandou a seguinte mensagem eletrônica: “preparem-se para o grande 20 de
abril. Vocês amargarão esse dia”.
Os dois garotos eram membros de um grupo chamado de máfia da capa
preta. Eram adolecentes viciados em Internet e fascinados pela cor preta (se
vestiam completamente de preto e inclusive pintavam as unhas dessa cor).
Apreciavam imagens satânicas, veneravam músicos de rock como Marilyn
Manson, que fez muito sucesso entre jovens do mundo inteiro com letras que
falam sobre morte, suicídio e demônios. Eles também eram obscecados por
vampiros, sangue, morte e violência em geral. Se tudo isso não bastasse, seu
principal ídolo era Adolf Hitler. O jogo de RPG (Role Playing Game)
“Cavernas e Dragões” era outra mania entre o grupo da máfia da capa preta.
Dentre os hábitos dos assassinos estavam o de ficar longas horas na Internet
batendo papo ou jogando videojogos extremamente violentos, como o famoso
Doom. Inclusive, chegaram a personalizar esse “jogo” substituindo os
monstros por pessoas (negros, latinos e judeus), demonstrando forte
sentimento racista. (Diário Catarinense, 22/04/99 – DC, 23/04/99 – Folha de
S. Paulo, 22/04/99, p. 1-12)
Como já foi analizado, esse não é um caso isolado na sociedade
americana. Segundo estatísticas, o número de mortes violentas em escolas dos
EUA desde 1992 até meados de 1999 já somava 236, envolvendo estudantes e
professores que foram violentamente mortos em incidentes nas escolas ou
locais próximos a ela. Na maioria dos casos os agressores costumavam
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“brincar” com videojogos violentos. Diante disso, não é exagero supor que
uma das causas para o aumento da violência entre as crianças e os diferentes
grupos de adolescentes, esteja na filosofia agressiva pregada por esse tipo de
“divertimento”, acessível a qualquer criança em estabelecimentos
especializados no ramo de diversões eletrônicas. Milhares de crianças estão se
intoxicando com os conceitos de violência e desrespeito à vida humana
apresentados em muitos desses “joguinhos”. Todavia, o que é mais
preocupante, é saber que por trás dessas produções “artísticas” está uma mente
dominada pelo mal, literalmente a serviço de Satanás. Isso revela que o
inimigo tem sua escola na terra, e está ocupado em atender todas as etapas do
desenvolvimento do ser humano. Ele ensina ao homem, desde pequeno,
distintas formas de matar, destruir e clamar pelo sangue de seus semelhantes.
E a revolução acelerada da informática tem servido como ferramenta muito
eficaz para degenerar e obscurecer a mente de crianças e adolescentes através
de videojogos abomináveis. Ação em primeira pessoa, diversas armas à
disposição, muito sangue e violência e inimigos difíceis de vencer são os
ingredientes básicos de jogos como o Unreal. E muitas vezes nessa luta
terrível contra os inimigos, as crianças, além de sentirem-se frustradas por não
superarem as diversas fases, acabam quebrando o controle de tanto
nervosismo.
E o que dizer dos jogos onde a violência era tão brutal que acabaram
sendo rejeitados até mesmo pelas autoridades judiciárias. O videojogo de
corrida Carmagedon é um exemplo, ele teve a sua venda, distribuição e
fabricação suspensas pelo Ministério da Justiça do Brasil no dia 26 de
novembro de 1997. Mas esse “jogo” também é um exemplo de como alguém
pode ser usado pelo Diabo, para a divulgação da crueldade, bem como da
banalização da vida humana. O jogo foi proibido pelas autoridades de nosso
país por ser considerado de extrema violência, pois incentivava o jogador a
cometer graves infrações de trânsito, além de assassinato a sangue frio. A
filosofia de “vitória” do Carmageddon era a seguinte: “No videogame, ganha
o motorista que atropelar mais pedestre, entre eles idosos, crianças e mulheres
grávidas”. (Istoé, 3 de dezembro de 1997, p. 13).
Insatisfeitos com a proibição, os autores do Carmageddon elaboraram e
lançaram em 1999 uma segunda versão do jogo, o “Carpocalypse Now”. O
objetivo do jogo continuou sendo tão perverso quanto o primeiro: destruir
outros carros e, no lugar dos pedrestres, “Zumbis assassinos”, ou mortos-
vivos, o que acaba reforçando a idéia macabra de que o mal pode dar vida.
Mas graças a Deus, esse jogo eletrônico também foi proibido pelo Ministério
da Justiça do Brasil. “Carpocalypse Now estimula a violência entre os
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jovens”, essa foi a conclusão do Governo. Ele foi considerado um jogo tão
violento que a sua proibição inclui a fabricação, fornecimento, distribuição e
comercialização em território nacional, inclusive o seu uso na Internet. Tal
atitude tão radical não é por menos, basta ler a contra capa do videojogo para
perceber o seu grau de violência. Aparecem frases como: “Uma multidão de
pilotos maníacos”; “Dirigir loucamente gera pontos – aniquile qualquer coisa
em seu caminho!”; “Destrua trens, aviões e veículos dos adversários”;
“Esmague, amasse, queime, destrua, derrape e salte em um realismo de
enlouquecer”.
Fico imaginando o que se passa na mente de uma pessoa quando está
“criando” esse tipo de conteúdo que será usado por crianças e adolescentes?
Será que o problema da violência nos videojogos só vai ser percebido quando
ela for considerada extrema? Não estariam outros “joguinhos” divulgando
quase a mesma coisa? Se não, coisa pior?
Na opinião da psicóloga boliviana Viviana Velasco Martinez,
especialista no assunto, e autora de uma tese de mestrado em Educação pela
Universidade Federal de São Carlos no interior de São Paulo, intitulada
“Game over: a criança no mundo do videogame”, as crianças viciadas em
videogames substituem as brincadeiras pelos jogos, passam horas a fio diante
do videogame e entram em estado de excessiva exaltação na qual o seu humor
oscila entre alegria, frustração e ira. O videogame parece aprissionar as
crianças. Dentre outras coisas, os jogos tornam a violência algo familiar,
tornando-a num elemento lúdico, de tal maneira que ela passa a ser parte do
cotidiano e nada mais assusta.
“Loucura e violência no mais alto grau”, é assim que a Revista Veja se
referiu a um dos mais novos jogos para PC lançado nos EUA (1997).
“Postal”, como é chamado, “conseguiu o milagre de elevar o grau de violência
que assola o mercado de jogos para computador. Nele, o jogador, que assume
o papel de um ensandecido, é convidado a fuzilar crianças e matar passantes
sem motivo. Para sair do jogo é preciso cometer suicídio”. (Veja, 22 de
outubro de 1997, p. 18)
E o que dizer quando a vida imita o game? Um caso extremo e trágico
foi divulgado pela revista Veja em janeiro de 1996. Um garoto Norte-
Americano chamado Keith Flaig, de 14 anos, estava brincando no computador
com o melhor amigo, Nicholas Watts, na cidade de portland, quando, de
repente, sem motivo nenhum, Keith rasgou com uma faca a garganta do
amigo. Depois, o garoto pegou uma pistola calibre 20, atirou contra o irmão e
a mãe de Nicholas e, finalmente, suicidou-se. Veja comenta que: “antes de
cometer toda essa barbaridade, Keith jogava “Hell” (Inferno), game de ação
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com cenários assustadores. Um exemplo é o campo de punição, onde há


pessoas queimadas e amarradas em estacas de amdeira. A sala do dentista é
pior. Em vez de aparelhos odontológicos, vêem-se serrotes, limas e uma
cadeira de tortura. Na história, o jogador assume o papel de um casal que
procura pistas para desvendar segredos de um ditador. É macabro. Foi depois
de mergulhar nessa história perturbadora que o garoto Keith cometeu os
terríveis homicídios”. (Veja, 24 de janeiro de 1996)
Não há dúvidas de que, em alguns games, parece haver mensagens
subliminares que induzem à violência e ao crime. Mas, pelo jeito, essa onda de
violência nos jogos eletrônicos não vai parar nunca, é fato consumado que os
videojogos do futuro estarão cada vez mais comprometidos com as forças das
trevas. Cabe aos usuários da moderna tecnologia, um compromisso maior com
o senhorio de Jesus Cristo.

VIDEOJOGOS SATÂNICOS
Enquanto de um lado o Diabo ataca com violência, por outro, inspira a
produção daqueles jogos que incentivam abertamente a religiosidade mística,
contendo uma clara conotação espiritualista e anticristã. Um exemplo disso
são os jogos em que seus personagens usam recursos de feitiçaria, práticas
místicas e satânicas, como o jogo de caça aos adversários, Doom, em que
aparece as aventuras de um soldado que enfrenta demônios. Mas para aqueles
que preferem acreditar nos supostos poderes da mente, há o videojogo
tridimensional Ubik, onde o herói principal é Joe Chip e outros 59
personagens que empregam cinqüenta armas diferentes e “48 poderes
psíquicos”. (Revista Veja, 10 de Junho de 1998, p. 39).
Outro exemplo de misticismo via Internet é o que revelou a revista
Superinteressante sob o título: O Demônio dos Quadrinhos Invade a Rede.
“Criado em 1992 pelo desenhista e roteirista americano Todd McFarlane, o
personagem de quadrinhos Spawn ganhou fama mundial nos últimos tempos.
Ele é um ex-agente do governo dos Estados Unidos que fez um pacto com o
demônio para voltar da morte e rever sua mulher. As histórias são violentas e
para adultos. Por isso, um projeto de série para a TV foi proibido no país de
Spawn (EUA). Mas depois o herói acabou indo para os cinemas e agora
chegou à Internet”. E o que é pior, disponível à crianças e adolescentes.
(Superinteressante, outubro de 1997, p. 84)
Acredito que para quem tem um estreito relacionamento com as coisas
de Deus, não é difícil perceber a atuação das forças diabólicas nos conteúdos
da comunicação eletrônica e digital. Pode-se perceber os seguintes conceitos
no enredo dessa história: 1-divulga a falsa idéia da imortalidade da alma. 2-
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Satanás assume o poder de ressuscitar ou dar vida aos mortos (um atributo que
só pertence a Deus). 3- O “herói” da história (Spawn) é um servo do diabo. 4-
Ensina claramente o satânismo. 5- Em conjunto com o satânismo prega a
violência (uma das oferendas a Satanás).
Não precisamos pensar muito para percebermos as implicações desse
tipo de conteúdo na vida espiritual das pessoas, principalmente das crianças e
jovens. Apesar de ser um conteúdo “recomendado” só aos adultos (do ponto
de vista da mídia), uma vez que está na Internet, qualquer criança poderá
acessá-lo, basta saber o seu “endereço demôniaco”.
Outro jogo com claras conotações místicas é o Phantasmagoria,
produzido em série pela empresa Sierra desde 1995. Suas histórias de terror
são feitas nos moldes do serieado televisivo “Além da Imaginação”, uma
mistura de ciência, terror e misticismo. Num de seus jogos, “o personagem
principal é Curtis Craig, jovem bem empregado, saído há um ano de um
hospício. Coisas estranhas acontecem e, para escapar de uma nova internação,
Craig vai procurar explicações na história de sua família. Aí aparece de tudo:
ancestrais mortos, feiticeiros, alquimistas”. (Superinteressante, outubro de
1996, p. 78)
“Bem vindo à sua nova religião”, assim começa o anúncio do videojogo
“Heretic” (que significa herético; herege; blasfêmia; ato ou palavra ofensiva à
religião). E continua: você está a ponto de experimentar uma “nova revelação”
como “nenhuma outra”: Heretic! Ação poderosa e intensa. “Mundos divinos”
em 3D. Armas e “magias potentes”. Um jogo em terceira pessoa que “inspira
temor”. “Uma verdadeira experiência fora do corpo”. Sem comentário!
“Para Jogar Com As Luzes Acesas”, esse é o título que encabeça o
comentário feito pela revista Superinteressante sobre o Phantasmagoria,
considerado um jogo extremamente espiritualista e desapropriado para
menores de 13 anos (isso na opinião popular). “Os pais podem escolher uma
senha para vetar cenas como a de uma mulher sendo torturada, ou em trajes
sumários”, afirma a Super. (Superinteressante, dezembro de 1995, p. 77)
Todavia como cristãos jamais devemos recorrer a esse tipo de fonte,
muito menos necessitar de uma senha para impedir o acesso de nossas
crianças a determinadas cenas. Segundo a palavra de Deus, tais cenas e tal
filosofia é abominação ao Senhor (Cf. Apocalipse 22:15, Deuteronômio
18:10-14).
Videojogos onde os conceitos bíblicos sobre Deus e Satanás, céu e
inferno, e a mortalidade da alma são distorcidos e mal apresentados também já
não são novidade. O jogo Grim Fandango revela como satanás é sutil em
alcançar as mentes infantis com esses conceitos antibíblicos. Considerado
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sucesso de crítica nos EUA, Grim Fandango nada mais é do que uma
continuação da grande mentira proferida pela serpente no Éden: certamente
não morrerás! Trata-se de um videojogo onde o jogador faz o papel de Manny
Calavera (um boneco com rosto de caveira), “agente de viagens do
Departamento da Morte, encarregado de indicar quais pacotes turísticos os que
chegam à “terra dos mortos” devem receber. O “destino” de Manny Calavera
é conseguir certo número de clientes para sua alma poder descansar em paz.
Mas o que ele não sabe é que existe um acerto para que nunca atinja essa cota.
Seu visual foi inspirado no Día de Los Muertos mexicano.”(Época, 16 de
Novembro de 1998, p. 62). Sob o título: “Deus E O Diabo na Tela Do
Computador”, a revista Superinteressante ironicamente faz um breve
comentário do jogo After Life (depois da vida). “Na linha dos jogos
simuladores, esse aqui faz você bancar niguém menos que Deus. O objetivo é
manter o céu e o inferno cheios e funcionais. Para isso, o jogador controla os
portões e as características dos dois lugares. O céu precisa ser agradável e sem
conflitos. O inferno, é claro, tem que garantir uma boa punição para os
condenados. Também há o purgatório, que abriga algumas almas
temporiamente”. (Superinteressante, setembro de 1996, p. 79)
De maneira nenhuma a filosofia dos jogos Grim Fandango e After Life
refletem a verdadeira crença cristã sobre a morte e o estado dos mortos. Muito
menos sobre o conceitos bíblicos de alma, espírito, céu, inferno, recompensa e
punição final. Isso sem comentar a questão do purgatório, que nada mais é do
que pura tradição Católica Romana.
Falta espaço para mencionar todos os joguinhos, nintendos e
supernintendos que são declaradamente satânicos. Para mencionar mais
alguns, há aqueles que esboçam na capa, imagens de satanás ou de demômios,
e têm frases satanicamente convidativas como: “sente-se e relaxe, deixe as
legiões te possuir”; Ou, o que diz o jogo “Diablo”: “... você irá parar num
labirinto...bem vindo ao inferno. Eu sou o seu senhor!”. Ou ainda: “para você
entender este jogo (Diablo) você terá de descer nas maiores profundezas do
inferno”. Na contra-capa há um convite às crianças: “junte-se a seus amigos
para destruir o Diablo, embarque, se tiver coragem, numa busca para destruir
o Senhor da Maldição..., e na capa aparecem imagens infernais e satânicas. O
jogo DeathTrap Dungeon, que estampa na capa uma caveira, diz: “viaje nas
profundezas de um labirinto macabro, habitado por um dragão...e outras
criaturas monstruosas, todas sedentas de sangue...”. Dark Omen apela: “Use a
magia para desruir seus inimigos”, os personagens deste jogo são uma
multidão de soldados mortos (zumbis), caveiras e espíritos malígnos. Por sua
vez o jogo Jedi knight - Dark forces II (Cavaleiro Jedi – Força das Trevas II),
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é uma apologia à filosofia da Nova Era, onde Deus é despersonificado e


apresentado como uma força ou energia boa, mas ao mesmo tempo má (Ying-
Yang, símbolo oriental que representa o negativo e o positivo. Representa o
equilíbrio das energias cósmicas divinas com seus dois pólos opostos). Neste
jogo a criança é convidada a escolher entre o lado da luz e o lado negro. Se ela
escolher o lado da “luz”, poderá usar os poderes sonbrenaturais Jedi, ou se for
tentada pelo lado negro, pode usar os mesmos poderes para tornar-se um
agente do mal, fazendo uso dos poderes exclusivos do lado negro: arremesso
da Força, raios de energia e destruição. Ao todo, o jogador dispõe de 12 armas
e “12 poderes da Força”. O apelo da capa termina com as seguintes palavras:
“faça sua escolha com sabedoria e que a Força esteja com você”. Se tudo isso
não bastasse, ainda há CDs que ensinam práticas de bruxaria, magia,
esoterismo, astrologia, quiromancia, etc.
Agora imagine uma criança que possua em casa um capacete ou
máscara virtual, com luvas de efeitos especiais, os quais simulam a realidade,
ou tenha acesso a esses equipamentos. Ou ainda, simplesmente, use uma
viseira, ou óculos como o Virtual Boy e o R-Zone, feitos exclusivamente para
uso doméstico, que possibilitam ver imagens em três dimensões. Com eles,
como já vimos, qualquer criança pode não apenas jogar, mas “quase” que
literalmente, vivenciar o que está vendo, por meio dos sentidos. Vamos supor
que ela entrou num joguinho virtual com conotações espiritualistas, ou
marcado por cenas de violência. Sua mente estará em completa conexão com
idéias e princípios que inspiram práticas místicas, ódio, crime e violência. As
mensagens diabólicas e seus personagens, muitos deles figuras de demônios,
certamente exercerão uma influência satânica. Também se deve levar em
consideração que, apesar desses personagens terem sido “criados” por
“artístas”, a inspiração para essa criação, com certeza, não veio de Deus.
Num futuro “próximo”, com a comercialização e popularização do
“holovídeo”, a interatividade com as imagens será “quase real”. A previsão é
de que a interatividade homem-máquina, será a próxima onda da tecnologia,
ou pelo menos do marketing. Resta saber, se as indústrias cinematográficas e
de entretenimentos estarão produzindo filmes e jogos eletrônicos voltados
para a filosofia cristã, ou para a filosofia pós-modernista e o paganismo da
Nova Era. Particularmente sou cético quanto a conversão desses produtores.
Mas como cristãos e cidadãos devemos exigir um código de ética que proteja
ao menos nossas crianças. Há muito que conquistar para o reino de Deus na
mídia eletrônica. Como soldados de Cristo devemos buscar mais espaço e
influência.
Neste planeta, palco da guerra cósmica entre Cristo e Satanás, não há
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espaço para influências nêutras. São de Jesus as palavras: “Não podeis servir a
dois senhores”. Então, só há duas opções: ou é de origem Divina, ou é de
origem satânica. E, com toda certeza, os meios de comunicação e o conteúdo
oferecido neles não está, na grande maioria dos casos, a favor do cristianismo.
Todavia, não é necessário esperar a realidade virtual e o holovídeo se
popularizarem para sentir os efeitos de tais influências negativas. Os
videojogos marcados pela violência e espiritualismo, certamente já estão
exercendo seu poder destrutivo na mente de seus usuários. Por meio de
milhões de Games vendidos ao redor do globo; Milhares de casas de diversões
eletrônicas com suas máquinas, cada vez mais interativas e voltadas para a
realidade virtual; Satanás tem conseguido atingir a vida espiritual de milhões
de adolescentes, crianças, jovens e até mesmo de adultos.
Diante dessa assustadora realidade devemos perguntar: seria isso um
alimento espiritual saudável para a mente de um Filho de Deus? Esses jogos
contribuem para o crescimento na graça de Cristo? É claro que se você é um
cristão, sua resposta será negativa. Mas, e o que dizer da sua atitude? Ela está
em harmonia com a sua crença? Espero de todo o coração que sim, pois o que
está realmente em jogo são resultados eternos.

DINHEIRO JOGADO FORA


Outro aspecto realcionado com os games é o desperdício de dinheiro.
Quantos livros bons poderiam ser adquiridos com o que se gasta nesses
joguinhos? Quantas ações de bondade e obras de caridade poderiam ser
incentivadas e praticadas com esse dinheiro? Alguns gamemaníacos chegam a
devorar insaciavelmente mais de 50 games por mês, e tudo isso para alimentar
e estimular apenas um lado do cérebro. Essa é uma atitude que bem pode ser
classificada como sendo mesquinha e egoísta.
Quando levamos em consideração que, segundo a FAO (Organização
para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas), a fome crônica atinge
200 milhões de menores de 5 anos de idade. Que mais de 1 bilhão de pessoas
vivem com menos de US$ 1 (um dólar) por dia, e que o número de indigentes
cresce em 25 milhões ao ano e uma quarta parte da população mundial sofre
com a pobreza, de acordo com a agência especializada das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD) na jornada Mundial de Erradicação da
Pobreza. Todo cristão deveria se interessar por esses números, mas acima
deles demonstrar um verdadeiro interesse em ajudar o semelhante de maneira
prática. Creio que é dever de toda família cristã incutir em seus filhos um
espírito de amor e abnegação ao próximo. O consumo exacerbado de
divertimentos eletrônicos, bem como das horas desperdiçadas com os games,
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está demonstrando justamente o contrário daquilo que um verdadeiro filho de


Deus deve fazer. “Muitos estão gastando o dinheiro de seu Senhor em assim
chamados prazeres dissolutos; não estão ganhando uma experiência em
abnegação, mas gastando o dinheiro em vaidades e deixando de levar a cruz
após Jesus”. “O dinheiro não nos foi dado para honrarmos e glorificarmos a
nós mesmos.... No uso de cada centavo deve ser visto se amamos a Deus sobre
todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. O dinheiro é de grande
valor, porque pode realizar grande bem. Nas mãos dos filhos de Deus é
alimento para o faminto, água para o sedento, vestido para o nu. É proteção
para o opresso, e meio para socorrer o enfermo”. O sábio Salomão já havia
advertido sobre o perigo dos vícios e prazeres da vida quando escreveu:
“Quem ama os prazeres empobrecerá”.(Provérbios 21: 17)

PERIGO NA REDE: PORNOGRAFIA E PEDOFILIA ON-LINE


Crianças e adolescentes têm direito à proteção, inclusive na Internet. Os
pais devem orientar as crianças e os adolescentes a navegarem com segurança
na Internet, pois eles têm direito a um desenvolvimento saudável, longe de
situações de risco como a expopsição a conteúdos de violência, racismo ou
intolerância e, principalmente, a sedução por pessoas mal intencionadas que
pretendem obter pornografia e contatos sexuais e promover a pedofilia na
Internet. Portanto, seguem dez dicas importantes:
1. Ensine as crianças e os adolescentes a desconfiarem da identidade e das
intenções das pessoas que eles conhecem na Internet.
2. Instrua-os a nunca divulgarem dados pessoais na Internet, como nome,
endereço, telefone, e-mail e fotos.
3. Evite que seus filhos marquem encontros, sem a sua permisão, com pessoas
que eles conheceram na Internet.
4. Mantenha o computador em uma área comum da casa, de forma que a
família possa participar do uso feito pelas crianças.
5. Acompanhe-os quando utilizarem computadores de bibliotecas, lugares
públicos, lan houses, cyber cafés, etc.
6. Estabeleça regras razoáveis para o uso da Internet, indicando quais são os
sites apropriados e quanto tempo seus filhos podem usar o computador.
7. Instale no computador programas que filtrem e bloqueiem sites suspeitos,
mas lembre-se que isso não substitui a sua presença.
8. Incentive-os a lhe contarem se passaram por algo suspeito ou constrangedor
na Internet.
9. Estimule outras formas sadias de diversão, como jogos, esportes e passeios
em família, distantes do uso da televisão e do computador.
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10. Comunique-se de forma sincera com seus filhos, inclusive sobre


sexualidade. Essa é a melhor maneira de todos enfrentarem os perigos da
pedofilia na Internet, e muitos outros. (fonte: wwww.mp.sc.gov.br)

FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO


Alguns psicoterapêutas defendem o uso irrestrito do videogame como
um método maravilhoso de aprendizado, uma vez que aumenta os reflexos,
aprimora o raciocínio visual, estimula o desempenho da lógica, exatidão,
rapidez e estratégia. Todavia há aqueles que o condenam por não favorecer à
criança o desenvolvimento verbal, além de desestimular a leitura, a interação
com o meio e a sociabilização.
Segundo o Biólogo francês Jean Piaget (1896-1980), o desenvolvimento
da inteligência de uma criança ocorre pela interação com outras crianças, não
com “máquinas”. Mesmo sem ter o diploma em psicologia, Piaget foi o pai da
psicologia infantil e influenciou o que há de mais avançado em educação.
Suas idéias sacudiram a pedagogia do século XX, decifrando como a criança
raciocina. Depois de Piaget a pedagogia nunca mais foi a mesma, pois ele
submeteu o ensino à necessidade do aluno e não o aluno ao ensino. Sua teoria
biológica sobre a construção do conhecimento humano, denominada:
Epistemologia Genética ou Teoria Psicogenética, é a mais conhecida
concepção construtivista da formação da inteligência. Ele explicou
detalhadamente e sistematicamente como o indivíduo contrói o conhecimento,
desde o nascimento com suas formas mais simples de compreensão (reflexos
neurológicos básicos), até a fase dedutiva e lógica (quando o raciocínio
começa a elaborar hipóteses complicadas).
A vida desse “gênio educacional”, foi marcada desde cedo por
realizações e produções literárias que o distinguiram dos demais colegas de
escola. Dos 10 aos 84 anos, ele pesquisou da Biologia à inteligência humana,
sempre estudando, lecionando e escrevendo. Foi um curioso insaciável, um
daqueles meninos que os professores de hoje identificariam como um
superdotado. Sua vida foi a de um pesquisador incansável, todavia, muito
bem-humorado. Defendia o ensino e o aprendizado prazeroso, rompendo
definitivamente com os métodos rígidos, impostos pela escola tradicional.
Como já vimos, Piaget descobriu que a atividade mental e a descoberta
do aprendizado se organiza e se dá por etapas. Há fases da inteligência, e o ser
humano evolui no conhecimento a partir da interação com o mundo. Os
diferentes estágios (fases) que descrevem a evolução do raciocínio têm
características próprias que devem ser respeitadas, são elas:

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 Fase Sensório-Motor (0 a 2 anos) - A partir de reflexos neurológicos


básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar
mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e
tempo, por exemplo, são construídas pela ação. O contato com o meio é
direto e imediato, sem representação ou pensamento. Por reflexo, o bebê
“pega” o que está em sua mão, “mama” o que é posto em sua boca, “vê”o
que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz, afinal, de ver
um objeto, pegá-lo e levá-lo à boca. Vejamos as diferentes etapas dessa
fase:
 Até 1 mês
Comportamentos como respirar, chorar ou sugar o leite materno são
determinados hereditariamente e manifestam-se sob forma de reflexos inatos.
 1 a 4 meses
O toque físico permite as primeiras adaptações e o reconhecimento do
ambiente. Repetições sucessivas testam as reações, cujos resultados são
assimilados e incorporados a novas situações.
 4 a 8 meses
Novos movimentos provocam ações sobre as coisas: toques sucessivos em
móbiles, pequenos barulhos e movimentos que estimulam o interesse.
 8 a 12 meses
O bebê aplica formas já conhecidas por ele para resolver situações novas:
sentado no cadeirão, pega com as mãos os alimentos e joga objetos no chão
provocando reações diferentes.
 12 a 18 meses
As experiências com objetos ampliam os meios para entendimento de novas
situações. A criança começa a considerar, por exemplo, que os objetos saem
da visão, como uma bola atrás de uma almofada.
 18 a 24 meses
Surgem combinações mentais e de ações. Os jogos de encaixa tornan-se
instigantes. Há uma mudança qualitativa da organização da inteligência, que
passa de sensível e motora para mental.

 Fase Pré-Operatório ou Pré-Operacional (2 a 7 anos) - A criança se torna


capaz de representar mentalmente pessoas e situações. Já pode agir por
simulação, “como se”. Sua percepção é global, sem discriminar detalhes.
Deixa-se levar pela aparência, sem relacionar aspectos. Quando mostram-
se duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A
criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são
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diferentes. Não relaciona as situações. É centrada em si mesma, pois não


consegue colocar-se, abstratamente, no lugar do outro. Surgem
pensamentos anímicos e intuitivos, sobre a natureza. Para a criança, tudo se
comporta como ela: nuvens “choram”, pássaros voam “porque gostam”, e o
sol tem “rosto”.

 Fase Operátorio-Concreto (7 a 11 anos) - nessa fase a criança já é capaz de


relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. não se limita a
uma representação imediata, mas ainda depende do mundo concreto para
chegar à abstração. Desenvolve também a capacidade de refazer um trajeto
mental, voltando ao ponto inicial de uma situação. Começam as operações
chamadas de lógico-concretas, nas quais as respostas baseiam-se na
observação do mundo e no conhecimento adquirido. É a fase de
escolarização, dos primeiros textos e operações matemáticas. Despeja-se a
água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança
diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é positiva. Ela
diferencia aspectos e é capaz de “refazer”a ação.

 Fase Operacional-Formal (12 anos em diante) - A representação agora


permite a abstração total. A criança não se limita mais à representação
imediata nem somente às relações previamente existentes, mas é capaz de
pensar em todas as relações possíveis logicamente. Desenvolvem-se as
operações formais e proposicionais com raciocínio sustentado no
conhecimento físisco e em hipóteses lógicas. Incorporam-se idéias
abstratas e ideológicas, como justiça e ecologia. Se lhe pedem para analisar
um provérbio como “de grão em grão, a galinha enche o papo”, a criança
trablha com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem real de uma
galinha comendo grãos.
(Fonte: Superinteressante, agosto de 1996, pp. 44-45)
(Fonte: Nova Escola, agosto de 1996, pp. 12-13)

Pode-se perceber que é no período sensório-motor que a criança adquire


a idéia e consciência do eu. O ponto de partida para o desenvolvimento
intelectual é a posição egocêntrica, ou seja, aquela em que a criança não
percebe nem distingue o mundo externo. Pois na sua visão ela e o mundo são
um só. Nessa visão de mundo não existe nem espaço, nem objeto nem
pessoas. Comentando a atitude psicológica do recém nascido, a Dra. Miriam
David afirma que: “Durante as primeiras semanas, a criança se encotra num
estado de „nebulosa psíquica‟, difícil de imaginar para nós. Não conhece nada
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do mundo que a cerca. Não tem noção de tempo, vive apenas o presente, não
pode prever nem se lembrar; não se distingue do resto do mundo. Será preciso
muito tempo para que saiba o que é seu corpo, para distinguir suas diferentes
partes, para saber que lhe pertencem, que fazem parte dela”. (A Criança de 0 a
2 Anos, Vida afetiva e problemas familiares, Edições Paulinas. São Paulo,
1983 - p. 13)
Contudo, apesar de parecer indiferente ao que se passa ao seu redor, a
criança nessa fase, tem uma capacidade de absorção fantástica. Na realidade,
essa capacidade de sentir os estímulos e acontecimentos do meio que a
envolve, já tem início no período pré-natal, quando o bebê ainda está no útero
materno.
Todavia, até os dois anos de idade as janelas dos sentidos estão
totalmente “escancaradas”, afirmam os psicológos. Há um forte espírito de
aventura e descoberta, o ser está em ebulição. Existe uma atitude compulsiva
para a exploração exterior. Por exemplo: quando o bebê está na fase
denominada por Freud de “fase oral”, ele experimenta uma interação mão
versus boca. O bebê está experimentando “o mundo”pela boca, ou seja, a
textura, o volume, o gosto, a forma e a cor daquilo que leva à boca. Para a
criança tudo é pura aventura e descoberta. Por essa razão Piaget incentiva o
uso de atividades lúdicas (jogos) para estimular o desenvolvimento infantil,
essa atividade interacionista desenvolve a criança em todos os níveis da vida.
Piaget enfatiza a inteligência sensoriomotor, frisando o lado social
(socialização) com atividades práticas, estímulos adequados e aproveitamento
das “janelas escancaradas”. Para ele, a formação da personalidade é um
processo Biopsicosocioespiritual, ou seja: envolve aspectos biológicos,
psicológicos, sociológicos e espirituais, os quais precissam ser despertados na
criança em suas diferentes etapas de desenvolvimento, mas principalmente nos
primeiros anos de vida.
Resumindo, para Piaget o aprendizado é um processo gradual no qual a
criança vai se capacitando a níveis cada vez mais complexos do
conhecimento, seguindo uma sequência lógica, ou seja: 1- Sujeição. 2-
Incorporação. 3- Assimilação. 4- Acomodação. 5- Adaptação ao meio. 6-
Formação de um esquema mental (padrões de comportamentos organizados).
7- Maturidade intelectual (compreensão dedutiva e lógica - hipóteses
complicadas).
Abordei alguma coisa da psicologia piagetiana do desenvolvimento,
para revelar de maneira parcial a complexidade e a beleza que há no
amadurecimento de um ser humano. Mas também para corroborar a conclusão
de que: “o contato excessivo com o videogame atrapalha o processo de
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socialização; Em alguns casos o videogame acaba privando a criança da


capacidade de fazer amigos, além de incitar um modo de pensar muito
mecanizado”, é o que afirma a psicóloga Isolda Gunter e a psicoterapeuta
Claudete Sargo. (Istoé, 8 de janeiro de 1992, p. 28)
Carlos Byngton, psiquiatra e analista, vê na “nova geração eletrônica
uma certa dificuldade emocional para amadurecer. No seu ponto de vista, se a
criança se expõe demasiadamente ao game, ela corre o risco de incorporar o
universo mágico à sua realidade particular. Por isso o analista recomenda que
os jogos eletrônicos sejam usados com moderação e balanceados com esportes
e ensinamentos humanísticos”. (Idem, p.28)
Para a Professora de psicologia da USP, Maria Isabel Leme de Mattos,
“as crianças que vivem concentradas num universo de informações
extremamente visual têm a tendência a tomar decisões de forma
„impressionista‟, ou seja, são mais impulsivas e não refletem teoricamente
sobre um problema, partindo para resolvê-lo de forma indutiva na base d