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1 - A ESCOLHA DO COMPANHEIRO

Atualmente o casamento não tem mais o caráter sagrado comum que


tinha a quarenta ou cinqüenta anos atrás. Hoje muitos vivem juntos sem
casarem-se, entram no matrimônio casualmente e os casamentos dissolvem-se
facilmente.
Para muitos a escolha cuidadosa de um companheiro para toda a vida e
o compromisso de viver com este parceiro escolhido para o que der e vier,
digamos assim, foram substituídos por uma atitude egoísta que vê o
casamento como um arranjo conveniente, o qual pode ser sempre terminado no
caso do amor esfriar.
Para os cristãos, a permanência do casamento é ainda reconhecida. O
divórcio, embora à cada dia mais comum, não é encorajado e os solteiros levam
muito a sério a escolha do cônjuge.
A Bíblia diz pouco sobre a escolha do companheiro. Jesus deu sua
aprovação ao casamento e o apóstolo Paulo fez o mesmo, mas nenhum deles
discutiu como escolher o cônjuge.
Isto reflete, talvez, o fato de que nos tempos bíblicos a escolha do
parceiro não era responsabilidade dos envolvidos.
Exemplificando, vamos considerar a escolha da mulher de Isaque. Abraão
enviou o seu servo, o mais velho da casa, numa longa viagem para encontrar
uma candidata adequada:
Para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra,
que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no
meio dos quais eu habito. Mas que irás à minha terra e à minha
parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Isaque (Gênesis
24:3,4).
Quando Rebeca foi escolhida, os pais dela foram consultados e eles
perguntaram à moça se ela estava disposta a deixar a família e viajar a fim de
casar-se com um homem a quem nunca vira. Ficou implícito que o Senhor
orientou esta escolha, mas amor, personalidade, compatibilidade, o desejo da
noiva e do noivo tiveram pouco a ver com o caso:
Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ela disse: Filha de
Betuel, filho de Naor, que lhe deu Milca. Então eu pus o pendente no
seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos; e inclinando-me adorei
ao Senhor, e bendisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abraão, que me
havia encaminhado pelo caminho da verdade, para tomar a filha de
meu senhor para seu filho (Gênesis 24:48).
Agora, a situação de Jacó foi diferente. Ele se apaixonou por Raquel e na
ausência dos seus pais o noivo tratou diretamente com o pai dela, embora não
com a noiva (Gênesis 29).
Tanto Isaque quanto Jacó casaram-se tarde na vida, mas parece que nos
tempos bíblicos os rapazes e moças casavam-se bem cedo, algumas vezes já
aos doze ou treze anos.
Talvez tenhamos duas orientações bíblicas para a escolha de um cônjuge:
Primeira, a Escritura deixa claro que os cristãos não podem estar ligados aos
descrentes de um modo que afete sua pureza moral.
Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que
sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz
com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte
tem o fiel com o infiel? (II Coríntios 6:14,15).
Aqui o apóstolo Paulo exorta vigorosamente os crentes a que não se misturem
com incrédulos no sentido de participarem do seu modo de vida. O casamento,
naturalmente, é a maneira suprema de se partilhar da vida de outrem; ma o
apóstolo parece ampliar o escopo de sua exortação à medida que vai
escrevendo.
A idéia é enfatizada em I Coríntios 5, onde Paulo acrescenta que já aconselhara
a não se associarem com os impuros, e especificamente aplicada ao casamento
quando declara que, se o marido morre, a mulher fica livre para casar-se de
novo. Contudo, mesmo assim, não se deve precipitar, seu novo casamento deve
ser feito no Senhor.
A segunda orientação refere-se à orientação divina. Assim como o servo de
Abraão esperou e experimentou a orientação de Deus ao escolher uma esposa
para Isaque, nós podemos hoje esperar igualmente que ele nos guie na escolha
de um cônjuge.
Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu
próprio entendimento (Provérbios 3:5).
O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige
os passos (Provérbios 16:9).
A boa ou má escolha de um companheiro
Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam;
se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela (Salmos
127:1).
O Deus que nos criou designou o casamento e a família como a mais
fundamental das relações humanas. Hoje em dia, vemos famílias atormentadas
pelo conflito e arrasadas pela negligência e o abuso. O divórcio tornou-se uma
palavra comum, significando miséria e dureza para os múltiplos milhões de
suas vítimas. Muitos homens jamais aprenderam a serem esposos e pais
devotados. Muitas mulheres estão fugindo de seus papéis dados por Deus. Pais
que não têm nenhuma idéia de como prepararem seus filhos, estão assim
perturbados pelo conflito com seus rebentos rebeldes. Outros simplesmente
abandonam seu dever, deixando filhos sem qualquer preparação ou provisão.
Para muitas pessoas, a frase familiar e confortadora “LAR, DOCE LAR” não é
mais do que uma ilusão vazia. Não há nada doce ou seguro num lar onde há o
abuso, a traição e o abandono.
Há solução? Podemos evitar tais tragédias em nossas famílias? Poderão os
casais manterem o brilho do amor e do otimismo décadas depois de fazerem os
votos no casamento? Haverá esperança de recuperação dos terríveis erros do
passado?
A resposta para todas estas perguntas é sim!
As soluções raramente são fáceis. A construção de lares sólidos não acontece
por pura sorte. Somente pelo retorno ao padrão de Deus para nossas famílias
poderemos começar e entender as grandes bênçãos que ele preparou para nós
em lares construídos sobre a rocha sólida da sua palavra.
Se a pessoa se casa com o parceiro errado, a vida pode ser miserável, e em
vista disto, alguns indivíduos têm medo ou não estão dispostos a correr o risco
de escolher um cônjuge e construir um lar.
Por que escolher um cônjuge – a opinião corrente é que as pessoas se casam
por estarem apaixonadas. O amor, porém, é uma das palavras mais
contraditórias e ambíguas em nossa língua. Apaixonar-se é sentir uma
proximidade e intimidade excitante e maravilhosa com outro pessoa, mas este
auge emocional não dura para sempre por si mesmo.
A fim de que o amor profundo persista e cresça, é preciso existir uma relação
de entrega a outrem como a descrita em I Coríntios 13. Estar amando, é
experimentar um estado de emoção; crescer em amor é envolver-se
deliberadamente em atos de entrega, dar-se a si mesmo.
Os casamentos bíblicos, como os que ocorrem hoje em muitos países, foram
baseados em outros pontos dos sentimentos, e mesmo em nossa sociedade é
provável que as pessoas se casem na verdade por outras razões e não por
amor. Essas outras razões podem ser diversas, mas provavelmente se
concentram ao redor da idéia das necessidades. As pessoas se casam porque
isto as capacita a satisfazer suas próprias necessidades e as de outros mais
eficazmente.
Algumas também se casam devido a uma gravidez pré-conjugal, à pressão da
sociedade, ao desejo de escapar de um lar infeliz, medo de ficar sozinho, ou
impulso de salvar uma pessoa solteira em dificuldades. Cada uma dessas
razões para o casamento satisfaz alguma necessidade, embora nenhuma delas
por si mesma possa ser a base para uma relação conjugal amadurecida e
estável.
Por que alguns escolhem mal – embora a escolha do companheiro seja uma
das decisões mais importantes da vida, ela é raramente feita de maneira lógica
e analítica. Influências insidiosas, inclusive pressões por parte dos pais e da
sociedade, além de desejos inconscientes, com freqüência impelem as pessoas
a relacionamentos pouco saudáveis.
Segundo uma pesquisa, as necessidades mais comuns que os solteiros
esperam satisfazer no casamento, são encontrar alguém para amar, confiar,
mostrar afeição, respeitar seus ideais, apreciar os seus desejos, compreender
suas disposições, apoiar nas dificuldades, faze-lo sentir-se importante e aliviar
sua solidão.
Embora cada um desses pontos seja real e a grande maioria faça parte das
uniões amadurecidas, a satisfação dessas e outras necessidades só pode existir
quando cada cônjuge se dá igualmente na vida a dois. Quando as pessoas
esperam receber sem dar, além de ser um sinal de imaturidade, com certeza
ficarão decepcionadas. Quando escolhem um companheiro apenas com base
naquilo que pretendem aproveitar do casamento, estão se preparando para
tensões conjugais.
Por que as pessoas escolhem bem – apesar das dificuldades, algumas
pessoas escolhem com sabedoria seu parceiro para a vida. Dentre diversas
razões, podemos citar: Convicções cristãs. Desde que a Bíblia ensina
claramente que os cristãos devem se casar com cristãos, o crente deve buscar
seu companheiro apenas entre cristãos. Desde que ninguém sabe quando um
namoro pode acabar em casamento, é prudente que os cristãos solteiros
limitem seu namoro a outros cristãos. Estes, que escolhem com sabedoria,
oram com freqüência sobre a escolha de seu companheiro, primeiro a sós e
depois em conjunto, como um casal. Ressonância emocional. Muitas pessoas
perguntam: “como saberei quando encontrar a pessoa certa?” para ouvir
alguém lhe responder: “você vai saber!” Esta não é uma resposta muito
satisfatória mas reflete uma observação comum. Algumas relações são tidas
como harmoniosas e certas. Com outras “a chama não se acende”. Escolher
um companheiro com base apenas nesses sentimentos seria certamente pouco
sábio, mas ignora-los ou não perceber seria também um erro.
Os efeitos da boa ou má escolha de um companheiro
A boa escolha não garante a evolução para um bom casamento, mas trata-se
com certeza de um fundamento sólido para começar a construí-lo. A união
conjugal envolve esforço, risco e algumas vezes decepções. Essas experiências
jamais são fáceis, mas é mais agradável e motivador trabalhar com um
parceiro compatível do que com alguém que aparentemente não foi uma boa
escolha.
Existem muitas pessoas que acreditam ter escolhido mal, mas decidem
construir o melhor relacionamento possível em suas circunstâncias. Essas
pessoas descobrem que atos de amor freqüentemente resultam em sentimentos
de amor e produzem casamentos razoavelmente bons.
Outras, entretanto, jamais se recuperam de uma escolha errada do parceiro. A
infelicidade e o conflito caracterizam a união e o relacionamento se dissolve
emocionalmente, ou legalmente, mediante a separação.
Amor a Deus
Um genuíno amor a Deus afetará o conceito do namoro. Ele será considerado
uma oportunidade para se familiarizar com uma pessoa, de modo a avaliar seu
caráter, personalidade, intelecto, disposição e aptidão em geral para o
casamento.
O amor a Deus afetará nossa escolha de um parceiro para o namoro. O namoro
tende a aumentar nossa tolerância das faltas do outro. Enquanto essas faltas
sejam físicas, econômicas, sociais ou mesmo temporais por natureza, tal
tolerância pode não ser fatal. Mas muito freqüentemente, faltas morais e
espirituais chegam a ser aceitas e os resultados são desastrosos para a alma.
O amor a Deus também afetará a conduta no namoro. Deus será reconhecido
como um acompanhante em todos os encontros. Seu olhar que tudo vê não
será esquecido:
Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a
tua palavra (Salmos 119:9).
Quando duas pessoas que namoram escolhem amar e obedecer à Deus a
chance deles serem felizes é muito maior.
Fontes de consulta:
O novo comentário da Bíblia - Edições Vida Nova Aconselhamento cristão –
Gary R. Collins