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Apostila desenvolvida para ser usada nas ministrações das aulas de Análise
em Hebreus no curso de Bacharel em Teologia com concentração em
Missiologia, Teologia Ministerial com concentração em Missiologia e Educação
Religiosa no Instituto Bíblico Betel Brasileiro. Esta disciplina terá ima carga
horária de 30 horas-aula.
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ÍNDICE

Introdução

Cap. 1:1-3 – A Nova Revelação e a Natureza do Filho


1:4-14 – A Superioridade do Filho Sobre os Anjos.

Cap. 2:1-4 – A Primeira Advertência.


2:5-18 – A Humilhação e a Exaltação do Filho.

Cap. 3:1-19 – A Superioridade do Filho sobre Moisés.

Cap. 4:1-13 – A Superioridade do Filho sobre Josué.


4:14-16 – Introdução ao Sacerdócio de Cristo.

Cap. 5:1-4 – O Sacerdócio Histórico de Arão.


5:5-10 – O Sacerdócio de Cristo.
5:11-14 – A Situação Espiritual dos Ouvintes.

Cap. 6:1-3 – As Doutrinas Básicas do Cristianismo Primitivo.


6:4-8 – O Perigo da Apostasia.
6:9-20 – A Fidelidade e a imutabilidade de Deus.

Cap. 7:1-8:5 – A Superioridade do Sacerdócio de Cristo sobre o Aarônico.

Cap. 8:6-9:14 – A Aliança Superior.

Cap. 9:15-10:18 – O Mediador


O Sacrifício Superior
O Sacerdócio Superior

Cap. 10:19-13:25 – Exortações e implicações práticas.

Conclusão.

Bibliografia.
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Introdução

Esta é uma das cartas que levantou grande polêmica quanto a sua
aceitação no cânon sagrado.
Algumas perguntas importantes para uma melhor compreensão do seu
conteúdo não são claramente respondidas, tais como:
1. Quem escreveu?
2. Para quem escreveu?
3. Data da escrita?
4. Quais as circunstância que envolveram a escrita?
5. Contexto histórico?

Apesar de todas essas perguntas não respondidas, podemos dizer que


nenhum livro das Escrituras possui uma mensagem que demonstre com
tanta ousadia e clareza a superioridade do cristianismo sobre, em
primeiro plano o judaísmo e consequentemente todos os sistemas
religiosos existentes, do que a contida na Epístola aos Hebreus.

O nome “Epístola aos Hebreus” foi adotado em face ao conteúdo conter


uma grande abordagem da lei cerimonial praticada pela religião judaica,
a qual era de grande interesse da parte dos judeus.

Sabemos que a luz dos capítulos 2,3,5 e etc. que os destinatários da


epístola eram crentes com algum tempo de conversão, e que, por
negligenciarem o aprendizado das Escrituras no N.T., estavam se
sentindo tentados, possivelmente pelos judaizantes (Grupo de judeus
convertidos ao cristianismo que ensinavam que não existia salvação
sem a lei de Moisés), como também grande influência do gnosticismo
que estimulava seus seguidores a exercerem uma profunda veneração
pelos anjos chegando muitas vezes a prática ca idolatria, e eram
estimulados a voltarem a lei de Moisés e depositarem a confiança de
sua justificação nas obras da lei e no perdão mediante o sacrifício de
cordeiros e outros animais., virando assim as costas a obra feita por
Cristo em seu benefício.
O propósito desta epístola é exortar os cristãos a permanecerem firmes
na fé que abraçaram para que não sejam achados reprovados por Deus
na consumação dos séculos. (13:22). Portanto, é pensando nessas
coisas que abordaremos a epístola aos Hebreus.
A data mais aceita é entre 60-69, e o escritor mas aceito na
modernidade é Apolo.
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Capítulo 1

O escritor começa este capítulo e consequentemente todo o livro


levantando a bandeira da suprema autoridade da Bíblia como Palavra de Deus,
bem como a progressividade desta revelação. Quem não crê que Deus não se
relaciona com a Sua criação, rejeita esta epístola ao ler sua primeira frase: “
Havendo Deus outrora falado ...”. Ele não está interessado em fazer um tratado
sobre inspiração das Escrituras, mas demonstra claramente que este é o seu
pressuposto: Deus falou e acabou-se!
Quanto a progressividade da revelação vemos esta idéia em três frases
contidas no primeiro versículo.

“ ... muitas vezes ...”. Revela a necessidade de Deus em transmitir vários


novos conhecimentos que culminassem e apontassem para a revelação futura
e final. (Ilustração do sermão sem conclusão)
“ ... de muitas maneiras ...”. Diz respeito a diversidade de recursos utilizados
por Deus para tornar-se conhecido e a Sua vontade. (Pais, profetas, poesia,
história, etc.)
“ ... nesses últimos dias falou-nos pelo Filho ...”. Esta expressão últimos
dias, tipificam para um judeu o início da era vindoura ou o estabelecimento real
do reino de Deus de forma visível. Significa que, tudo o que Deus faltava
revelar em Sua palavra a respeito da redenção dos homens foi demonstrado na
pessoa e obra de Cristo. A partir de agora, toda a revelação que surgisse
deveria ser confrontada com a Palavra de Deus.

Nos versos 3 e 4, o escritor nos apresenta de forma profunda e clara quem é


esse Filho de Deus. Em sua natureza essencial o Filho é apresentado como:
1.O Herdeiro de tudo.
2. O Criador do mundo.(Mundo = eras)
3. O reflexo da glória e do caráter de Deus diante dos homens.
4. O Redentor.
5.O Dono de tudo e sustentador,
6. O Senhor supremo de toda a criação.

Devemos levar em consideração alguns fatores que estão implícitos nas


afirmações que acabamos de fazer:

HERDEIRO DE TUDO.

Pode ser entendido de dois aspectos: (1) Todas as coisas lhe foram
entregues não somente por aquilo que ele é, mas, também, por aquilo que ele
fez. Tudo pertence a ele, inclusive os anjos. (2) Se todas as coisas foram
dadas ao Filho, logo, nenhum bem espiritual ou físico pode nos ser concedido
se não for por intermédio deles.

POR QUEM FEZ O MUNDO.

Traz uma idéia mais ampla do que somente a criação da realidade do


universo que percebemos a nossa volta. A palavra usada aqui neste verso
significa literalmente eras. Logo, o Filho não criou apenas as coisas que
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surgiram no passado em Gn.1, Mas, todas as coisas que surgiram e irão surgir
até a consumação dos séculos.

RESPLENDOR DE SUA GLÓRIA E A EXPRESSA IMAGEM DE SUA


PESSOA.

Deus não é somente o que se viu nas theofanias no V. T., e nem Cristo
somente aquilo que vemos em sua humanidade. Qual é o problema? O
homem em sua limitação da compreensão de sua mente finita, compreender
quem Deus é em toda a Sua essência. Esta expressão usada pelo autor, traz a
idéia de que se o homem não tinha condições de conhecer a Deus em Sua
totalidade, Deus se revelou numa medida que fosse perceptível a compreensão
humana.

SUSTENTANDO TODAS AS COISAS.

Traz-nos a idéia de controle absoluto sobre todas as coisas. Aqui perde seu
sentido ensinos como: Evolução, Deísmo, Dualismo, etc. os quais ensinam que
o controle do mundo está nas mãos do acaso, de leis naturais, de leis
espirituais, etc. Segundo este texto, todas as coisas existem e permanecem da
forma que estão e continuarão a existir até o tempo determinado para o seu
propósito de existência porque o Filho de Deus coordena todos os seus
eventos. Todas as coisas que existiram, existem e existirão estão debaixo dos
cuidados do Filho, inclusive as nossas vidas.

HAVENDO FEITO POR SI MESMO A PURIFICAÇÃO DOS PECADOS.

Neste sentido, o Filho não apenas exerceu o ministério sacerdotal, como


também, foi a própria oferta para que os nossos pecados fossem expiados, ou
seja, purificados.

ASSENTOU-SE A DESTRA DA MAJESTADE NAS ALTURAS.

Traz a idéia de que o Filho está assentado na posição de maior honra ao


lado do Pai exercendo o governo soberano de todas as coisas.

A partir do verso 4, até o 14, o escritor vai tratar não apenas da


superioridade do Filho sobre os anjos, mas, também, demonstrar que a
posição que o Filho ocupa demonstra que Ele tem muito mais importância.

No verso 4, o nome mais excelente é o nome de “ ... Filho ...” A seguir o


escritor começa a demonstrar a função do Filho no governo de seu Pai.

“ ... Tu és meu filho, hoje te gerei? ...” (v.5) Esta expressão era usada pelos
reis da antigüidade quando apresentavam os futuros herdeiras a sua herança.
(Ex.: Rei leão) Esta expressão de maneira alguma quer trazer a idéia de que o
Filho tenha sido criado em algum ponto da eternidade.
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“ ... e todos os anjos de Deus o adorem ...”(v.6). Este é um dos primeiros


textos de citações vetero testamentárias que abordam de maneira clara a
divindade do Filho. Segundo a teologia rabínica, somente Deus deveria ser
adorado. No verso 6 diz que os anjos deveriam adorar o Filho.

“ ... Seus anjos fez ventos ...” (v.7). Aqui encontra-se uma citação do salmo
104:4 extraído da LXX que é o texto utilizado pelo escritor da epístola para
fazer uma analogia demonstrando que os anjos foram criados para serem
servos e não para exercerem governo. Os anjos foram criados para servirem
aos propósitos divinos.

“ ... o Teu trono, Ó Deus, ...”(v.8) e “ ... por isso Deus ...”(v.9).
Caracterizam a atribuição de divindade ao Filho com a mesma honra que ela é
dada a Jeová no Antigo Testamento, colocando assim o Filho em pé de
igualdade com o Pai. Literalmente estes textos no V.T. eram direcionados ao
próprio Jeová e são aplicados para o Filho no N.T.

Nos versos 10 ao 12 expõe-se uma perspectiva escatológica de forma


figurada quanto ao destino desta realidade visível e material na qual
habitamos.. O escritor demonstra que assim como, quando temos um utensílio
e o substituímos quando não serve mais para o propósito para que foi criado,
assim Deus fará com esta realidade. Para isso, ele utiliza-se da figura da roupa
(v.11) e do manto (v.12).

“ ... espíritos ministradores ...”. Aqui o escritor conclui a sua tese


demonstrando que os anjos foram criados para servirem. Temos que
esclarecer de que os anjos não são nossos servos, mas servos de Deus que
ele usa para trabalhar em nosso favor. Se os anjos são servos de Deus, logo,
são servos do Filho e consequentemente inferiores a Ele.
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CAPÍTULO 2

O problema maior aqui enfocado é qual dos revelações tem mais


autoridade, se a do Filho ou a dos anjos. Esta exortação contida nos versos 2-4
deste capítulo, demonstra claramente que os leitores deveriam dar muito mais
valor a mensagem do Filho pois, quem isto não fizesse se exporia a ira divina.
Rejeitar a revelação do Filho era rejeitar o único meio que Deus estabeleceu
para trazer salvação aos homens perdidos.

“ ... convém-nos atentar com mais diligência ...”(v.1). Devemos dar muito
mais valor e atenção sob pena de punição.

“ ... verdades ouvidas ...”(v.1). Aqui, a superioridade do Filho sobre os anjos


como também, a supremacia de Sua mensagem sobre a antiga.

“ ... nos desviemos dela ...”(v.1). Significa literalmente escorregar para longe
ou ser arrastado pela correnteza. Negligenciar para com a nossa confiança na
revelação do N.T. é nos oferecermos para sermos arrastados por qualquer
vento de doutrina que vier até nós.

“ ... recebeu justa retribuição ...”(v.2). O escritor traz a memória dos leitores
que conheciam a lei e como Deus tratou as pessoas que não obedeceram a
mesma, ou seja, pagou a cada um o devido salário do seu pecado. Temos que
entender que este pagamento de salário ao pecado no V.T. nem sempre
implicava na condenação eterna. Temos exemplos de homens de Deus que
pecaram e foram punidos por causa do pecado mas ninguém ousa afirmar que
não vai encontrar esse homens na eternidade, como é o caso de Moisés e
Davi.

“ ... Como escaparemos nós ... tão grande salvação ...”(v.3). Do mesmo
jeito que Deus foi fiel em punir aqueles que não deram o devido valor a
revelação antiga, Ele vai dar um castigo muito maior a quem não der o devido
valor a revelação do Filho. Maior porque as implicações deste ato de
desobediência tem relação não com uma punição terrena apenas, mas com a
punição eterna. Da mesma forma que a salvação é grande, também grande
será a punição de quem a rejeitar.

Quatro coisas davam autoridade a esta mensagem:

1ª Foi anunciada pelo Senhor. Foi o próprio Filho que foi apresentado em 1:1-3
quem a comunicou.
2ª Foi-nos depois confirmada. O escritor deixa claro que conheceu a
mensagem do evangelho por aqueles que a ouviram do próprio Senhor
minando assim a perspectiva de ser Paulo o autor desta carta. Algo que
devemos salientar é que os apóstolos não criaram outra mensagem mas,
transmitiram aquela que ouviram anteriormente.
3ª Testificando também Deus. O próprio Deus dava demonstração de que
aquela mensagem estava de acordo com a Sua vontade.
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4ª Por sinais, milagres e prodígios. Temos que Ter o cuidado de entender esta
mensagem dentro de seu devido contexto para não ensinarmos que toda
pregação que é acompanhada de sinais Deus a está avalizando.(Mt.7:22-ss).
Na tradição judaica havia credibilidade de que Satanás teria poder para fazer
sinais, porém, existiam sinais que somente Deus poderia fazer; são estes
sinais que estão em evidência aqui. (Ex. Lázaro; O cego de nascença; o filho
da viúva de Naim; a transformação da água em vinho; etc.)

“ ... negligenciarmos ...”.(v.3) Significa não importar-se com; desconsiderar;


considerar sem valor.

Pode-se negligenciar a salvação por meio de uma dessas coisas:

1. Deixando de dar atenção às coisas de Deus e a salvação que por Ele nos é
conferida.
2. Absorvendo-nos por interesses terrenos e egoísticos.
3. Permitindo que o nosso coração amorne para com Cristo, para com Seu
sacrifício e para com o amor de Deus.
4. Ocupando-nos com os negócios deste mundo.
5. Perdendo a consciência da dependência de Deus.
6. Abafando o pensamento sobre o castigo vindouro.
7. Vivendo como as feras que perecem.

Não admira que o mundo vindouro tenha sido sujeito a Cristo (v.5) e não
aos anjos; não somente por causa de Sua própria natureza, mas, também, por
causa de Sua obra remidora merece tal posição. Deus estabelecerá uma nova
ordem de coisas e o Filho será o cabeça.

Na mente de um judeu, na ordem presente, os anjos são superiores aos


homens. Se Jesus era homem, sofreu, morreu como se pode dizer que Ele é
superior aos anjos na qualidade de mediador?

“... vemos Jesus... coroado...” (v. 9). A resposta a essa pergunta está nesta
frase no verso 9 que expressa o significado de Sua exaltação como homem.
Nos versos 6-8, vemos expresso a idéia de Deus criando o homem para
reinar . O pecado adiou este fato, mas na vida de Jesus ele está plenamente
cumprido. Portanto, mesmo em Sua humanidade o filho é superior aos anjos.
Não apenas Jesus, mas também os homens por intermédio dele são chamados
para herdar um destino de glória e domínio (v.8). Todas as coisa incluem
também os anjos.

“ ... por um pouco ...”(v.7). Aspecto temporal para alcançarmos a glorificação.


a) Para um homem comum – Até a consumação dos séculos.
b) Para Jesus Cristo – Período entre a encarnação e a ressurreição.

“ ... autor ...”(v.10). Significa: Líder, fundador, originador.

O destino do homem é ser coroado de glória e honra para que tudo seja
posto aos seus pés, isto é, venha a obter a salvação completa ou plena.
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NOSSA POSIÇÃO REAL X NOSSA POSIÇÃO TEMPORAL

I. A posição temporal dos homens é inferior aos anjos; mas a real é


acima deles. (homens crentes)
II. Deus coroou o homem de glória terrena para ser rei da terra.((vs
6-8).
III. Por enquanto não se vê todas as coisas sujeitas ao homem, mas,
no Filho, esta vitória está assegurada. (vs. 8-9)
IV. Jesus, o Filho celestial, derrotou a morte em favor dos homens e
lhes abriu o caminho.(v.9)
V. O alvo é que o homem em Cristo faça parte da família de Deus.
(v.14)

Os sofrimentos de Cristo cumpriram dois objetivos:

1º Produziram nele a simpatia que o qualifica a ser o nosso Sumo


Sacerdote. (v.17)
2º Sua morte quebrantou o poder que nos mantinha escravos e
atemorizados – o medo de morrer. (v.14)

A obra do Senho resultou no fato dele tornar-se o cabeça de um grupo


ou comunidade salva. Aquilo que Deus deu a Jesus através e por causa
daquilo que Ele realizou.

A expressão: “ ... e aos filhos que Deus me Deu ...” não deve ser
interpretada como se Jesus fosse o nosso pai, mas, que Deus trouxe os seus
filhos para si através da obra que Cristo realizou. Na verdade, como diz o verso
11 – “ .. não se envergonha de lhes chamar de irmãos ...”, somos irmãos
de Cristo – adotivos, mas irmãos e não filhos.

A respeito de Cristo ser o cabeça de uma comunidade salva, citações


do V.T. confirmam este fato:

V.12 – Aponta para a cruz. (Sl. 22)

V.13 – Emerge o pensamento do remanescente salvo.(Is. 8:17 e Sl. 18:2)

Vs.14-15 – Os filhos eleitos eram homens pecadores.

V.16 – A salvação foi preparada para os homens e não para os anjos.

“ ... socorre ...”. Descreve um gracioso agarrar a fim de arrebatar alguém do


estado de escravidão.

“ ... convinha ...”(v.17). Significa estar sobre obrigação; estar endividado.

a) A necessidade da redenção humana obrigou o Filho a estar


totalmente identificado com eles, pois era irmão deles.
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b) A posição de Cristo como sumo sacerdote exigiu que Ele se


identificasse totalmente com eles, em sua natureza, em seus
sofrimentos, nas experiências humanas em geral, a fim de cumprir o
Seu ofício que visa levar os remidos a atingirem total redenção.
c) O cumprimento do plano divino de redenção, em que o Filho
incorporou em si mesmo as duas naturezas, a superior e a inferior,
para assim conduzir a inferior ao mais elevado.

“ ... fiel ...”. Justo e reto para com Deus e para com os homens. Alguém digno
de total confiança.

QUANDO UM CRENTE É TENTADO ELE PRECISA DE TRÊS COISAS:

1. Forças para resistir a tentação.


2. Consolo em meio a tentação ou prova para que seu espírito seja
fortalecido e triunfe.
3. Livramento final da tentação, para que o espírito não seja
quebrantado devido ao excesso de tristeza.

ISSO O NOSSO SUMO SACERDOTE FAZ EM NOSSO FAVOR.


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CAPÍTULO 3

Pelo fato dos leitores serem chamados “ ... santos ...”, dá a entender
que eles eram cristãos. “ ... vocação celestial ...” = Deus nos
transportou do império das trevas para o reino da luz através de Sua
Nova Aliança cujo único mediador é Jesus Cristo.

Moisés era mediador da Velha Aliança; Cristo é o da Nova. Por que a


Nova é superior a Velha? Por que Cristo tem mais autoridade que
Moisés? Estas são as duas perguntas cruciais que terão a Sua resposta
na analogia feita pelo escritor para demonstrar essas diferenças.

ANALOGIA DA CASA

MOISÉS CRISTO
1. Ele foi fiel. 1. Ele foi fiel.

2. Fazia parte da casa em que 2. É o edificador da casa.


servia.
3. Era o Filho, herdeiro de tudo. O
3. Era servo. (gr. serviço Filho que dirige a casa
prestado gratuitamente. juntamente com o Seu Pai.

2ª ADVERTÊNCIA – (v.12 E SS)

Existem algumas verdades que queremos ressaltar neste parágrafo que


nos levarão a expor o texto diferentemente do que estávamos fazendo
anteriormente. Faremos aqui uma abordagem das idéias principais contidas no
mesmo.

V.12 – A geração que saiu do Egito não entrou na terra prometida por causa da
incredulidade para com a Palavra de Deus e Suas promessas ( Cf. v.18) Esta
advertência é reforçada pelo exemplo do fracasso dos israelitas no deserto.

1. A maioria dos israelitas foram infiéis.


2. Compartilharam do grande livramento da páscoa, e do Mar
Vermelho; porém endureceram seus corações contra Deus e
permaneceram no deserto.
3. Tendo chegado às portas da terra prometida, falharam e não
entraram.
4. Somente duas pessoas daquela geração entraram na terra: Josué e
Calebe.
5. Até Moisés, o mediador da Velha Aliança foi impedido por Deus de
entrar na terra por causa de sua incredulidade.(Ex.20:12)
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Aqueles que estavam sendo confrontados com a nova revelação que o


Filho de Deus estava trazendo não deveriam negligenciá-la como
fizeram os israelitas no deserto com a revelação de Deus para eles
através de Moisés, sob pena de serem banidos da Canaã celestial.

O episódio ou melhor, episódios que retratam a incredulidade do


povo de Israel a revelação de Deus , conforme verso 8 deste capítulo,
estão descritos em Num. 20:1-13 e Ex. 17:1-7. Quando lemos estes dois
textos temos a impressão que estamos lendo a mesma passagem em
livros diferentes das Escrituras, isto é um erro. O episódio que é
traduzido por “ ... provocação e tentação ...” no verso 8 são a tradução
dos locativos hebraicos “meribá”(Num. 20:1-13) e “Massá” (Ex. 17:1-7).
Dois fatores devem ser levados em consideração aqui:

1º A instância da incredulidade de Israel em Massá, ocorreu no primeiro


ano das peregrinações.
2º A instância de Meribá, ocorreu no quadragésimo ano.

“ ... esses sempre erram em seu coração e não conheceram o meus


caminhos ...” (v.10). O que podemos deduzir? Que, apesar de todas as
maravilhas que Deus fez em meio ao Seu povo, da revelação enviada e das
promessas e ameaças feitas a quem obedecesse ou desobedecesse, o povo
passou quarenta anos vivendo na mais completa incredulidade. (e.g. Espias).

Postura dos israelitas:

1. Tentaram a Deus (v.9)


2. Recusaram-se a arrepender-se (v.10)

Essas expressões: Tentaram e provaram demonstra que o problema do


povo era não acreditar que Deus cumpriria fielmente as ameaças feitas quanto
ao Seu juízo. Por não crer, o povo se achou no direito de testá-Lo, e aí se
deram muito mal. Assim será quem fizer a mesma coisa com a revelação do
Filho, irá de mal a pior.

A palavra “ ... hoje ...” nos versos 7 e 15 demonstra que, enquanto


houver ou sempre que houver oportunidade de ouvir-se ou Ter-se acesso a
Palavra de Deus, o ser humano deve dar ouvidos a ela e comprometer-se
fielmente às suas exigências, sob pena de anátema se não o fizer.

As causas do fracasso que deveriam ser evitadas são:

a) Incredulidade e infidelidade (v.12)


b) O Próprio engano do pecado (v.13)

Talvez, um adágio popular que cairia bem aqui seria: “ não devemos
dar sopa para o azar”. A maior ênfase nos testemunhos sobre quedas em
pecados no meio do povo de Deus continua sendo o pensamento maligno de
alguns crentes que pensam que são imbatíveis na luta contra o pecado. Este é
um exemplo claro de alguém que já foi enredado pelo engano do pecado. Em
13

nome dessa aparente vitória certa, muitos cristãos vivem se oferecendo as


tentações. Conseqüência disto: Apostasia e afastamento de Deus.
A incredulidade é apresentada no verso 12 como uma atitude profundamente
perversa que rouba do ser humano a única forma que ele tem para se
aproximar de Deus.

Como então a Igreja pode se proteger deste problema? Vivendo como um


corpo, desfrutando da proteção que é encontrada na exortação diária e mútua.
(v.13)

1. Os crentes deve dirigir-se uns aos outros a cada dia com palavras
de encorajamento.

2. Reconhecer que os muitos são responsáveis por cada um.

3. Cada membro da comunidade cristã deveria cuidar para que


nenhum indivíduo dentre o seu número se torne afetado.

V.14 - Demostra que a plena participação das bênçãos messiânicas é


concedida somente àqueles que são firmes em sua confiança desde o princípio
até o fim.

Vs.15-19 – O maior inimigo do homem em sua relação com Deus e que lhe
trará conseqüências drásticas e talvez até irreversíveis é a incredulidade.

Conclusão: “Sem fé é impossível tomar posse da herança”.


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CAPÍTULO 4

A verdade básica apresentada neste capítulo é a superioridade do


Filho sobre Josué, no que concerne ao ofício de conduzir o povo de Deus à sua
herança. Há três argumentos neste capítulo que demonstram este fato:

1º Josué não levou o povo para o verdadeiro descanso (v.4-8)

2º Cristo oferece o verdadeiro descansa para o Seu povo ( v.9-10)

3º Somente por meio de Cristo chegamos à Deus ( v.14-16)

Vemos, pois, que Josué fracassou pelo mesmo motivo que Moisés: Por
causa da incredulidade do povo (v.2-6). Isso leva o escritor a exortar os seus
leitores a procurarem por aquele descanso superior que se acha em cristo (v.9-
11). Haviam razões para temer-se que os judeus cristãos a quem escrevia
viessem a privar-se (e não perder) da bênção que lhes era oferecida (v.1).

Descanso para Josué era a terra de Canaã terrena. Porém Davi,


depois de Israel já estar estabelecido na terra aponta para outro descanso
como se o terreno não fosse o final. V. 7-9 está escrito: ”... resta ainda um
repouso para o povo de Deus.” (Cf. Sl. 95:11) Vemos que a terra de Canaã
foi um descanso, mas em forma de sombra, para além do qual os crentes tem
de prosseguir. O escritor conclui dizendo: “ ... resta um descanso para o
povo de Deus ...”(v.9).

A Preeminência e a finalidade do sacerdócio de Cristo.

O tema do suma sacerdócio ocupava um lugar de destaque na mente do


escritor (cf. 1:3; 2:17; 3:1), mas somente a partir de 4:14 é que se começa a
explicação sobre o mesmo. Três declarações são feitas a respeito do sumo
sacerdote de nossa confissão:

1ª “ ... Ele é grande ...” . O que o destaca como sendo superior a outro
sacerdotes anteriores e inferiores (4:14). Esta grandeza se estende tanto ao
Seu caráter quanto a Sua obra. ( Superior a ordem Aarônica)

2ª “ ... penetrou nos céus ...”. Normalmente, na tradição rabínica,


sempre que é usada a palavra céu no plural, refere-se a uma alusão ao lugar
de habitação de Deus, ou seja, a Sua própria presença. Nosso sumo sacerdote
penetra até a própria presença de Deus, o que contrasta com a entrada
limitada do sumo sacerdote Aarônico dentro do véu.

3ª “ ... Jesus, o Filho de Deus ...” . Em 2:9 e 3:1, o nome Jesus


privado de qualitativos indica exclusivamente a Sua natureza humana,
demonstrando a Sua elegibilidade para o cargo de sumo sacerdote. O nosso
sumo sacerdote é o Jesus histórico que também é o Filho de Deus.
“ ... mas sem pecado ...”. Esta expressão demonstra o limite de Sua
identificação em Sua natureza humana.
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CAPÍTULO 5

Dois alvos podem estar em evidência aqui:

1º Demonstrar que Jesus preenche todas as condições para ser aceito


como sumo sacerdote.

2º Demonstrar o quanto superior Ele é a linhagem de Arão.

Os quatro primeiros versículos deste capítulo são históricos e dizem


respeito a ordem de Arão. Tendo já declarado que Jesus é o Grande sumo
sacerdote, e que alguma comparação com a ordem Aarônica é inevitável, esta
porção das Escrituras pode Ter certamente os alvos que apresentamos no
início do capítulo. Se assim não fosse, o significado verdadeiro da ordem de
Melquisedeque teria passado desapercebido.

Certamente, a capacidade que o nosso sumo sacerdote te de socorrer


depende de até que ponto ele cumpre as condições. Existem neste texto várias
características específicas mencionadas sobre o sumo sacerdote:

1. “...tomado entre os homens...”. O sumo sacerdote é


essencialmente um representante do homem (v.1).
2. “...é constituído...” . Subtende que a nomeação do sumo
sacerdote é feita por Deus (v.1).
3. “...nas coisas concernente a Deus...”. Ser o representante dos
homens diante de Deus no que tange não relacionamento do
homem para com Deus e vice-versa (v.1).
4. “... para que ofereça dons e sacrifícios pelo pecado...”. Este é o
propósito, ser o mediador das ofertas apresentadas a Deus, tanto as
ofertas voluntárias (dons) como as ofertas de sangue
(sacrifícios).Seu desempenho tem valor expiatório para o povo, isto
é, tem haver com os pecados das pessoas que representa.

Depois destas funções gerais do ofício, no versículo 2, o aspecto mais


pessoal é enfocado: A capacidade do sumo sacerdote se condoer dos
ignorantes e dos que erram. Numa sociedade teocrática como era a de
Israel, não podia-se deixar de considerar tais pessoas. O sumo
sacerdote não era um representante apenas das melhores seções da
sociedade, mas, também, das piores. Talvez o sentido neste verso seja
o contraste entre a fraqueza de Arão e a força de Cristo, o que é mais
provável.

5. “... tanto pelo povo, como também por si, fazer ofertas pelo
pecado...”. O sumo sacerdote Aarônico era um pecador. Jesus
Cristo não era. Cristo, não tendo que oferecer sacrifício por si,
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ofereceu-se como sacrifício, tanto voluntário e vicário como


expiatório pelo povo.
6. “ ... ninguém toma esta honra para si, senão o que é chamado
por Deus, como Arão ...” Sua nomeação é divina e não humana.
Sua eleição divina foi feita diretamente por Deus, Somos lembrados
de que Ele sabia que Deus lhe dera a obra que viera realizar.

Dos versos 5 ao 10, o escritor introduz e explica o relacionamento entra


Cristo e Arão, e nessa relação aparece a figura de Melquisedeque. A
nomeação por Deus é uma indicação que nosso sumo sacerdote é totalmente
aceitável por Ele. Se Ele tivesse sido nomeado pelos homens sempre teria
havido dúvidas.

“ ... tu és sacerdote eternamente ...”( v.6). O sacerdócio de Cristo é para


sempre porque não poderá ficar melhor do que é. Isto é um indício claro de que
o sacerdócio perfeito havia sido entronizado por Deus no mundo. Sendo
perfeito nunca chega ao ponto de ceder lugar para outro.

“ ... segundo a ordem de Melquisedeque ...” .(v.6 – Cf. sl. 110:4) É segundo
a ordem de Melquisedeque porque, conforme será exposto mais tarde, não tem
sucessão como tinha a de Arão. Aconteceu uma vez por todas, porém, é
constantemente aplicável; neste sentido, é para todos os tempos. Esta profecia
do Sl.110:4 mostra-nos claramente que a sacerdócio Aarônico chegaria ao seu
tempo de dar lugar para aquela ordem que estabeleceria a perfeição
sacerdotal. Essa troca nada mais é do que mais um cumprimento profético da
Palavra de Deus.

“ ... clamor, lágrimas, orações e súplicas ...” (v.7). A principal declaração no


verso 7 diz respeito a vida humana de Jesus e às poderosas orações. As duas
palavras do texto estão estritamente ligadas entre si, mas não deixa de haver
distribuição entre elas.

“ ... grande clamor e lágrimas ...”. Parece ser uma alusão inegável a agonia
do Getsêmane, onde sua oração foi acompanhada por suor, lágrimas e sangue
revelando a intensidade interior da luta pela qual passava.

“ ... Foi ouvido quanto ao que temia ...”. Em que sentido Jesus foi ouvido? A
resposta acha-se, decerto, na Sua perfeita aceitação da vontade divina.

“ ... aprendeu a obediência ...”(v.8). Nesse sentido, a obediência envolve


mais uma vez a Sua aceitação completa a vontade divina. “ ... por aquilo que
padeceu ...” Estabelece-se aqui o fato de que o plano redentivo de Deus para
os homens implicaria em suportar sofrimentos, ou seja, a experiência de
obediência de Cristo em sua condição humana estava intimamente ligada aos
sofrimentos que a obra que Ele veio fazer O faria passar. È digno de nota que
os que são elegíveis para a salvação “são todos os que lhe
obedecem ...”(v.9).
17

“ ... Chamado por Deus sumo sacerdote segundo a ordem de


Melsquisedeque ...”(v.10). A proclamação de uma nova ordem de sacerdócio
é feita por Deus, onde a ordem de Melquisedeque não é uma ordem de
sucessão hereditária. Ninguém pode ser consagrado nesta ordem a não ser
peço próprio Deus. Ninguém mais pertenceu a ela a não ser Cristo.

O escritor apresenta entre os versos 11 ao 14 as características básicas


que identificam a situação espiritual dos destinatários desta Epístola. Ele
enfatiza a incapacidade dos ouvintes em assimilar aquilo que ele passaria a
ensinar.

“ ... Negligentes para ouvir ...”(v.11). Num sentido espiritual.

“ ... negligentes ...”. Não estavam dando o devido valor ou importância aquilo
que estava sendo ensinado. Essa negligência influenciou em sua condição
espiritual como também em sua capacidade de compreensão das verdades
expostas.
“ ... devíeis ser mestres pelo tempo decorrido ...”. A razão porque
esperava-se que eles ensinassem, é porque já tinham tempo suficiente de,
como cristãos, haverem adquirido conhecimento suficiente para os estar
passando para aqueles que ainda não conheciam estas verdades ou que
estavam começando a caminhada.
Maturidade cristã não é fruto do tempo de conversão, mas de uma vida
em busca de conhecimentos teóricos e práticos a respeito de Deus e de Sua
vontade.

“ ... devíeis ...”. Subtende um obrigação e não apenas uma característica


desejada.

É uma situação grave em qualquer comunidade, quando seus mestres


em potencial são ainda imaturos: precisam voltar a estaca zero.

“ ... oráculos de Deus ...”(v.12). Escrituras Sagradas.

“ ... primeiras rudimentos ...” ( gr.  Palavra usada para descrever o
ABC de uma determinada coisa.

“ ... leite e alimento sólido ...”. Esse contraste visa demonstrar um


desenvolvimento natural e normal de um para outro. Aqueles que nunca
chegam a última etapa estão profundamente deficientes.

Os cristão de leite, são aqueles que são inexperientes na palavra da


justiça; literalmente, não provados ( gr.que significa falta de perícia por
falta de prática.

“ ... palavra da justiça ...” (v.13). Aquilo que é obtido pela fé em Cristo
( salvação e retidão). O homem não pode Ter idéia daquilo que é certo senão
através da retidão de Cristo.
18

A criança deve anteceder ao homem. Homens feitos não são


sustentados por leite.

“ ... perfeitos ...”(v.14). Adultos ou maduros ( experientes) ( gr. São


aqueles que pela prática da disciplina espiritual adequada (orações e
aprendizado teórico e prático) tem a capacidade de julgar com equidade com
base na vontade de deus que lhe é conhecida.

“ ... faculdades ...”.(  Denota aquelas capacidades


especiais da mente que são usadas para o entendimento e julgamento.

O poder de distinguir entre o bem e o mal tem sido procurado


desde os tempos de Adão e Eva; mas, alcançá-los não ocorre facilmente, até
mesmo para aqueles com algum conhecimento de Cristo. Esta perícia
imediatamente demonstra a diferença entre o maduro e o imaturo.

O contraste entre o homem maduro e a criança passa a ser


desenvolvido por uma descrição daquilo que a criança espiritual deve deixar
para traz a fim de amadurecer; como veremos no cap.6.
19

CAPÍTULO 6

O escritor introduz com uma exortação dupla apresentando as atitudes


que deve Ter o cristão que deseja desenvolver-se espiritualmente com plena
saúde a qual é exemplificada por duas frases, a saber: “ ... pondo a parte ...”
e “ ... deixemo-nos levar ...”. Estão incluídos um olhar para traz e outro para
frente. Olhar para traz no sentido de observar que conceitos e comportamentos
eu possuo que estão fora do padrão de Deus ante aquilo que já aprendi a
respeito de Sua vontade. E um olhar para frente buscando uma conformidade
prática com o que já foi aprendido e uma busca constante de conhecimentos
mais profundos a respeito dele e de Sua vontade.

“ ... deixando ...”(v.1). Deixar não significa jogar fora, mas, reconhecer que
existem conhecimentos posteriores que também devem ser obrigatoriamente
aprendidos.

“ ... prossigamos até a perfeição ...”. Aqui há uma exortação para que os
cristãos se conscientizem da necessidade de um maior conhecimento de todos
os desígnios de Deus, e não apenas as doutrinas básicas do dicipulado cristão.
Quanto mais conhecimento, mais facilidade de julgar corretamente; quanto
menos conhecimento, mais capacidade de ser envolvido e arrastado por
doutrinas estranhas, mesmo já tendo nascido de novo.

Há seis fatores Na descrição das doutrinas elementares de cristo:

1. Arrependimento.
2. Fé.
3. Os batismos.
4. A imposição de mãos.
5. A ressurreição dos mortos.
6. O juízo final.

O batismo e a imposição de mãos tinham o seu paralelo no judaísmo,


mas claramente tinham um significado diferente ao serem aplicados ao
cristianismo.

Nos versos 4 ao 12 vemos o escritor apresentando os perigos ou perigo


a ser enfrentado por aqueles que cometerem o erro de não dar o devido valor a
revelação do Filho e não quiser obter conhecimento e alcançar maturidade.
20
21
22

A esta altura (v.13), o pensamento do autor se volta para Abraão


servindo de ligação para exposição do tema Melquisedeque.
A promessa de Abraão foi confirmada por um juramento (Gn 22:16) ;
Deus faz uma declaração específica: “ ... Jurei por mim mesmo...”. Visto que
não tinha ninguém superior por quem jurar, que é o equivalente a dizer que
Sua própria palavra bastava.

Nos versos 14 e 15, a promessa que Deus abençoaria Abraão e sua


semente seria abençoada e multiplicada. A sua obediência quando do sacrifício
de Isaque foi aceita no lugar do ato. Abraão é um exemplo por excelência de
quem já ganhou sua herança por fé e paciência.

A promessa divina é superior a palavra do homem. Se diante dos


homens, quando é (era) feito um juramento em que ambos concordavam não
poderia haver volta, a palavra seria confirmada, quanto mais um juramento
vindo da parte do próprio Deus.. Nesse sentido não haveria necessidade de
Deus confirmar Sua palavra (v.17), ela é inviolável. Vale notar que o juramento
era para benefício dos herdeiros da promessa embora fosse realmente dado a
Abrão. O que era real para Abraão era rela para sua descendência também.

O juramento, embora não acrescente nada a esta convicção, também


não lhe tira nada. Sua palavra ainda teria sido verdadeira sem o juramento.

“ ... é impossível que Deus minta ...”(v.18). Esta é a âncora do cristão. Ele
sabe que a sua certeza não depende de sua estabilidade nem da força de sua
própria fé, mas, sim, da absoluta fidedignidade da Palavra de Deus.

“ ... âncora da alma segura e firme ...”(v.19). Mostra que é firme e incapaz
de ser removida do fundo do mar. Nossa âncora penetra até a própria presença
de Deus, diante do qual está, para sempre, o nosso sumo sacerdote Jesus
Cristo.

A declaração final (v.20), acerca de Melquisedeque forma uma ligação


com (5:10) e encerra o interlúdio de advertência . O único fato novo é que
Cristo é o sumo sacerdote para sempre, tema a ser desenvolvido na seção
seguinte.
23

CAPÍTULO 7

Até o presente o escritor não deu nenhum pormenor a respeito de


Melquisedeque. Este primeiro verso é uma declaração de fatos em harmonia
com o relato de Gen. 14:17-20. Fala-nos da posição de Melquisedeque, tanto
como rei quanto como sacerdote do Deus Altíssimo.

No verso 2, fala-se a respeito do dízimo que Abraão deu a


Melquisedeque, o que reforça a superioridade deste último. Fazendo desta
maneira Abraão reconheceu o direito de Melquisedeque de receber dízimo.

“ ... sem pai , sem mãe, sem genealogia ...”(v.3). Caracteriza o ato soberano
de Deus em estabelecer o sacerdócio que Lhe convier segundo os seus
propósitos eternos, isso sem levar em consideração a família da qual o
escolhido pertencia, o que era uma obrigatoriedade no sacerdócio Aarônico.
Essa afirmação não nos dá liberdade de espiritualizar a passagem como se a
aparição de Melquisedeque fosse uma cristofania, pois a frase contida no verso
6: “ ... mas, aquele cuja genealogia não é contada ...” deixa claro que ele
teve pais e que as expressões do verso 3 estão se referindo com a não
conformidade com as exigências da lei para este ofício. Por esse motivo é
apropriado para ser comparado a Jesus Cristo.

“ ... considerai, pois, como era grande este ...”(v.4). A razão para exposição
histórica é fornecer uma comparação entre Abraão e Melquisedeque. Esta
exortação a um estudo especial da grandeza de Melquisedeque é baseada na
sua superioridade à grandeza reconhecida por Abraão. A idéia principal,
realmente, é fazer-se uma comparação entre Melquisedeque e Arão. São as
duas ordens do sacerdócio que ele tinha em mente.

“ ... aqui ... ali...”(v.8). Estabelece o contraste entre as duas ordens: uma que
fora estabelecida para terminar quando do cumprimento do propósito de sua
existência expirasse (aqui), e outra que foi estabelecida com o propósito de ser
o modelo sumo sacerdotal aplicado para a eternidade.(ali).

Nos versos 9 e 10 o assunto toma outro rumo no relacionamento do


patriarca Abraão com Levi. Aqui é levado em consideração fatores culturais
judaicos no que se refere a projeção ou perpetuidade da descendência familiar.
Na cultura o pai se perpetuava através de seus filhos e consequentemente de
netos, bisnetos e etc. logo, se Arão estava nos lombos de Abraão quando este
reconheceu a superioridade de Melquisedeque e seu sacerdócio, Arão era
obrigado a reconhecer porque, em Abraão, Arão pagou dízimos a
Melquisedeque também.

O sistema levítico em si mesmo era imperfeito para se apresentar diante


de Deus por meio de ofertas vicárias; não poderia aperfeiçoar os adoradores. A
lei não podia fazer mais do que apresentar as faltas dos homens. Trazia
apenas frustração.
24

Novamente a estreita conexão entre o sacerdócio Aarônico e a lei é


ressaltada. Havia grande dificuldade por parte dos judeus em aceitar outro
sacerdócio que não fosse o de Arão.

“ ... por aquele, de que são ditas essas coisas ...”(v.13). Refere-se ao
versículo 11 onde está em mente o sucessor de Melquisedeque – uma alusão
preparatória a Jesus Cristo que é introduzido no verso 14 como Nosso Senhor.

“ ... pois é evidente ...”(v,14). Essas palavras subtendem que era bem
conhecida a tribo a que Nosso Senhor pertencia. As genealogias de Mateus e
Lucas apoiaram este fato. Muitas vezes no N. T. Jesus é apresentado como
Filho de Davi.

No verso 15, o escritor volta a sua mente para a ordem de


Melquisedeque. Diz porque sua mente está fixa em outro sumo sacerdote
(Jesus Cristo). O direito de cristo ao cargo sacerdotal baseia-se em
fundamentos totalmente diferentes do sacerdócio levítico. A semelhança indica
que, em certo sentido, Melquisedeque era considerado em sua pessoa um
prenuncio do seu sucessor que Arão nunca foi.

O sacerdócio de Cristo está inextricavelmente ligado a sua encarnação.


A nova ordem de sacerdócio exposta, coloca-o numa base bem diferente da
que já existia.

Embora este sumo sacerdote tenha morrido, e sua morte fizesse parte
do seu cargo sacerdotal, ainda assim, podia ser descrito como indissolúvel,
pois a morte não foi capaz de segurá-lo.

No verso 17, vem uma referência ao salmo 110:4, que pode ser descrita
como a melodia temática desta parte da Epístola.

Nos versos 18 e 19 existem três declarações acerca do mandamento:

1o, É fraco.

2o, É inútil.

3o, É revogado.

Embora a lei tivesse sido guardada, sua fraqueza essencial era não
poder dar vida e vitalidade àqueles que a guardavam.

Nos versos 20-21, outra distinção a ser verificada é que os sacerdotes


Aarônicos e a ordem de Melquisedeque é que para esta última era necessário
um juramento para estabelecer quem exerceria o mesmo tipo de sacerdócio,
ao passo que para aqueles, nenhum juramento assim foi dado.

“ ... mas este, com juramento ...”(v.21). O escritor está convicto de que isto
demonstra a superioridade de Melquisedeque porque está baseado nas
25

Escrituras. Refere-se a primeira metade de v.17 mais a primeira metade do Sl.


110-4 que anteriormente omitira.

No verso 22 numa declaração resumida Jesus mais uma vez é mencionado


pelo nome. Tendo em vista que a Aliança será cumprida, o sentido bíblico é
um acordo iniciado por Deus, o fiador, (i.e. Jesus)

Nos versos 23 e 24, a continuidade do sacerdócio de Jesus já foi ressaltada,


mas o escritor não pode deixar de reiterar o contraste entre “ ... aqueles ...
sacerdotes” e “ Jesus”.

A linhagem de Arão era inevitável o fim do sacerdócio porque os seus


descendentes são impedidos pela morte de continuarem no cargo. Jesus tem o
seu sacerdócio imutável.

A capacidade de Jesus já fora focalizada antes nesta epístola, mas, em


nenhum lugar tão compreensivamente quanto aqui neste versículo.

No verso 25, o resultado de um sumo sacerdócio inviolável é especificamente


declarado como sendo a capacidade divina e contínua de salvar. Teria sido
totalmente diferente se seu cargo sumo sacerdotal tivesse sido apenas
temporário.

O escritor passa a resumir algumas daquelas qualidades que são


características de um sumo sacerdócio ideal – “... santo, inculpável e sem
mácula ...”. A primeira refere-se a santidade pessoal e tem um aspecto
positivo. As outras qualidades dizem respeito ao impacto do seu caráter sobre
as outras pessoas..

As três palavras se combinam entre si para oferecer um quadro


completo de pureza do nosso sumo sacerdote.

“ ... feito mais alto que o céu ...”(v.26). descreve a posição presente do
nosso sumo sacerdote e relembra a declaração em 1:3 a respeito dele: “ ...
assentado a destra da majestade nas alturas...”.

No verso 27, sua superioridade aos sacerdotes Aarônicos é vista ainda


mais no fato de que nenhum sacrifício diário era feito nem para ele e nem pelo
povo. A expressão “ ... todos os dias ...” de acordo com as declarações feitas
no versículo 25 reforça o caráter contínuo da intercessão de cristo.

O verso 28 dá um resumo dos dois versículos anteriores. O contraste


entre as duas ordens é resumido como sendo o contraste entre a lei e o
juramento. Trata-se de tirar a conclusão do argumento a partir do cap. 6:13 e
ss. “ ... homens sujeitos a fraquezas ...” contrastam-se fortemente com o
Filho perfeito para sempre.
Os que eram escolhidos sofriam da fraqueza que todos os homens tinham em
comum. A ordem de melquisedeque estava livre dos embaraços da sucessão
humana, isenta da fraqueza do sacerdote Aarônico, e concentrado numa única
pessoa sem igual - Cristo.
26

Com o sumo sacerdote perfeito, o cargo fica permanente pois nada o torna
inválido. O cristão pode aproximar-se de Deus com confiança visto que tem tal
sumo sacerdote.
27

CAPÍTULO 8

Em primeiro lugar, é dada uma declaração breve acerca das características


peculiares ao nosso sumo sacerdote.

1. “ ... Ele assentou-se a destra do trono das Majestade nos


céus ...”. Esta declaração, é feita em 1:3 a respeito do Filho, mas
agora é repetida com aplicação direta ao tema do sumo sacerdotal.
A idéia é baseada em Sl. 110.1. O fato de nosso sumo sacerdote
está assentado a destra de Deus ressalta a Sua categoria em
comparação com a linhagem de Arão, cujos sacerdotes podiam ficar
de pé na presença de deus, sendo que a tarefa nunca teve
definitivamente completa.
2. “ ... ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo ...”. Pode
parecer estranho a primeira vista esta declaração, porque segue ao
ato de sentar-se. O lugar de Cristo é real e espiritual, comparado com
o de Arão no tabernáculo temporário. O contraste entre o aparente e
o real, sendo que o primeiro é erigido pelo homem, ao passo que o
último, é pelo Senhor.

No verso 3, a função principal dos sumos sacerdotes terrestres é agora


transferida para o nosso sumo sacerdote. O escritor procura mostrar que
Cristo cumpre as funções usuais do cargo de uma maneira muito melhor
do que a linhagem de Arão as cumpriu. O propósito deste verso é
comentar sobre o sacrifício espiritual que nosso sumo sacerdote
ofereceu. O que deve ser notado é que o princípio da oferta sacerdotal é
expresso de forma impessoal – “ ... o que ( - gr.) – que se torna
pessoal quando aplicado à oferta do próprio Cristo.

O comentário do verso 4 demonstra que o sacerdócio de cristo não foi


estabelecida aqui na terra. Para o escrito na defesa de sua tese, é de
que, o sacerdócio superior é aquele que é exercido no céu e não na
terra. Jesus nunca exerceu nenhuma função sacerdotal em seu
ministério terreno. Apenas o seu sacrifício ocorreu aqui na terra.

No verso 5, o propósito do autor não é reduzir a glória da sombra, mas,


ressaltar a glória de sua substância. A mente do escritor remonta Ex.
25:40, onde é citada a instrução de deus a Moisés. O tabernáculo na
terra era apenas sombra da realidade. Era considerada uma cópia
imperfeita daquele que existe no céu.

Demonstra também, que o sacerdócio Aarônico e as suas disposições


para eles não vieram a existir por acidente, mas por um desígnio do
próprio Deus.

O verso 6, declara que o ministério de Cristo é tanto mais excelente.


Neste contexto há um paralelo entre a Nova Aliança e a Antiga. O
escritor pretende expor a superioridade da Nova Aliança, mas por
28

enquanto está preocupado em demonstrar que o ministério deve ser


proporcional a Aliança de conformidade com a qual é estabelecido.

A tarefa do mediador é principalmente agir em prol do homem perante


Deus, e agir em prol de Deus perante os homens.

Nos versículos 6 ao 12 o escritor expõe a superior aliança.

O primeiro contato que deus fez com seu povo Israel pela mediação de
Moisés (Ex.24:1-8) deixou de permanecer em vigor por causa da
fraqueza dos homens. A Nova Aliança oferece as seguintes vantagens:

1o, Foi anunciada pelos profetas. (Jr. 31:31-34; Ez. 36:25-27).

2o, É nova (Não apenas em tempo, mas também em qualidade.

3o, Abrange maior amplidão ( judeus e gentios)

4o, Realiza transformação interior (v.10), e não apenas conformidade


exterior com a lei.

5o, Oferece perdão total.(v.12), e não cobertura passageira.

A base do ponto de vista de que a Nova Aliança é superior (melhor) do


Que a antiga é que é instituída tendo como base em superiores promessas.

“ ... superior ...”. Refere-se ao propósito espiritual mais sublime inerente na


Nova Aliança. (e.g. a idéia da lei escrita sobre o coração)

No verso 7, não era que a lei estava defeituosa, mas que a experiência do
homem sob a lei era defeituosa.

No verso 8, a função da lei na procura de falhas é claramente ressaltada. A


nova situação exige uma nova abordagem no relacionamento de Deus e o Seu
povo. (Uma Nova Aliança)

Na Antiga Deus disse: “ ... Se ...”.(Ex.19:5)


Na Nova Ele diz: “ ... Eu farei ...”.(vs.8,10)

 Indica alguma coisa que é nova em comparação com


aquilo que a antecedeu.

No verso 9, Demonstra-se as circunstâncias em que a Antiga Aliança foi


celebrada:

a) O próprio Deus fez a Aliança.


b) Deus não consultou os homens.
29

“ ... os tomei pela mão ...”. Esta expressão é uma maneira poética de deixar
claro que o povo estava incapacitado até que Deus colocou Sua mão sobre a
deles para os conduzir até fora da terra do Egito, o lugar do cativeiro.

Uma aliança normalmente envolve a cooperação de duas partes; se uma


parte falhar a aliança torna-se nula. Foi virtualmente isto que aconteceu a
Antiga Aliança. Os israelitas “ ... não continuaram na aliança, ... não
cumpriram suas condições.”

No verso 10, a passagem contem um contraste entre a lei escrita em tábuas


de pedra e a lei colocada nas mentes.

“ ... nas suas mentes e sobre os seus corações...”. Enfatiza o caráter


interior da Nova Aliança. Na Nova Aliança o relacionamento deve ser íntimo e
mútuo. “ ... Eu serei para eles como Deus, e eles serão para mim como
povo.”

“ ... porque todos me conhecerão..”. No verso 11, a verdadeira comunidade


cristã tem a intenção de ser um grupo em que todos estão em pé de igualdade
através de uma experiência comum e pessoal com o Senhor.

“ ... usarei de misericórdia ...”. Esta é a base espiritual da Nova Aliança.


Nela, a misericórdia de Deus fornece um fundamento seguro para Seu povo
aproximar-se Dele.

“ ... e dos seus pecados jamais me lembrarei ...”. Significa perdão total dos
pecados.

No verso 13, o escritor entende que a exposição da Nova Aliança


subtende que a Antiga tornou-se obsoleta ou antiquada. A palavra traduzida
por antiquada ( gr.) está no tempo perfeito, o que sugere que a
primeira aliança já se tornara obsoleta, e que o resultado disto ainda está
evidente no presente.

É fundamental a teologia cristã que a Antiga Aliança já cumpriu sua


função e agora cedeu lugar a Nova. “ ... os dias do ritual já estavam
contados ...”.
30

CAPÍTULO 9

Nos versos de 1 a 14 é exposto a glória da nova ordem.

V.1 – Caso os leitores pensem que o escritor estava subestimando o antigo,


agora ele sublinha algumas glórias do tabernáculo antigo.

1. Ocupa-se em primeiro lugar com os preceitos do serviço sagrado. A


palavra traduzida preceitos ou regulamentos () tem muitos
usos no N.T. significando o ato que cumpre aquilo que é considerado
certo, “ ... que exigem obediência ...”.
2. “ ... o santuário terrestre ...”.( . Demonstra que
o interesse principal centraliza-se no lugar do culto. A palavra
traduzido por santuário representa tanto o santo lugar quanto o
santo dos santos.

V.2 – Neste verso, a referência agora ao tabernáculo (É que ninguém


deve supor que é o templo que está em mente.

V.3 – “ ... segundo véu ...”. é claramente uma alusão ao véu que estava entre
a santo lugar e o santo dos santos. A parte interna também era chamada de
tabernáculo ou tenda.

“ ... santo dos santos ...” Esta expressão tem relação com a santidade
especial do lugar, e explica porque o acesso normal era vedado.

V.4 – A ênfase recai sobre o conteúdo da arca. Três itens são mencionados:

1o, A urna de ouro.

2o, O maná, Para lembrar aos israelitas a provisão maravilhosa de Deus


no deserto.

3o, A vara de Arão que floresceu, para lembrar-lhes da poderosa


intervenção de Deus em prol deles.

V.6 – A despeito de todo o resplendor dos móveis do tabernáculo, a adoração


segundo a ordem levítica era severamente limitada. Os israelitas não podiam
se aproximar diretamente à presença de Deus; deviam vir através de
representantes, os sacerdotes. A via de acesso certamente não estava aberta.
O fato dos sacerdotes terem que entrar continuamente ressalta o caráter
repetitivo da ordem mosaica, tratando-se deliberado com a qualidade definitiva
do novo caminho.

É DIGNO DE NOTA QUE A OFERTA ANUAL É PELOS PECADOS DE


IGNORÂNCIA DO POVO (LITERALMENTE, IGNORÂNCIAS).
31

V.8 – “ ... enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido ...”. Parecem


significar que enquanto a aproximação depender de cerimonias do tipo levítico,
que excluem todos, menos o sumo sacerdote ao acesso a presença de Deus.

V.9 – “ ... a totalidade do sistema levítico ...”. Era uma figura (. No
contexto do pensamento nesta passagem, a era presente foi aquela que
preparou o caminho para o aparecimento de Cristo (11-12). Depois que o
símbolo foi cumprido deixou de Ter qualquer função.

Segundo o sistema levítico os dons e sacrifícios foram considerados


temporariamente eficazes em capacitarem os homens virem a Deus, mas não
a chegarem à perfeição. Qualquer sistema seria considerado inadequado se
esta finalidade não pudesse ser atingida.

Adoração é uma questão de consciência. Onde a consciência está


afetada ou sobrecarregada de culpa, a adoração verdadeira é impossível. A
superioridade da abordagem cristã é vista em 9:14 onde a purificação da
consciência das obras mortas é providenciada.

V.10 – A limitação da ordem levítica é vista no fato de que muitos regulamentos


somente tratavam de questões externas, de comidas, bebidas e diversas
abluções. Parece haver aqui, como na seção de 13-14, um contraste entre a
consciência e a carne, entre o interior e espiritual e o exterior e físico. Sem
dúvidas muitas das restrições eram benéficas ao corpo, mas não traziam
liberdade para o espírito.

V.11 – A esta altura começa a explicação da função especial de Cristo sob a |


Nova Aliança.
Em primeiro lugar, Cristo é mencionado como quem se tornou sumo sacerdote.
A descrição especial de Jesus como sumo sacerdote dos bens já realizados
demonstram outra distinção entre a Antiga e a Nova. Ao passo que a Antiga
era um prenuncio de coisas melhores por vir, a Nova baseia-se num fato já
consumado.
Estas coisas boas representam todas as bênçãos espirituais que são
dispensadas pelo nosso sumo sacerdote.

“ ... tabernáculo maior ...”. O artigo definido indica um tabernáculo sem igual,
ou seja, não há outras comparações possíveis com este tabernáculo espiritual.

“ ... não feito por mãos ..”. quer dizer, não desta criação, são para explicar
que o sentido pretendido não é o literal, mas, espiritual.

V.12 – Há um aspecto meramente definitivo naquilo que Cristo tem feito em


comparação com a repetição contínua do sacerdócio Aarônico. Este fato é
especialmente ressaltado nas palavras: “ ... entrou ... uma vez por todas ...”.
A eficácia das ofertas dependia do derramamento de sangue, e é esta a
característica a qual o escritor se apega a fim de comentar sobre a obra de
cristo. A superioridade poderia ser demonstrada senão por meio de comparara
a oferta de Jesus de si mesmo com o sacrifício de animais. A verdadeira
eficácia da oferta de Cristo é resumida nas palavras: “ ... tendo obtida eterna
32

redenção...”. A eterna redenção foi concebida como conseqüência do


sacrifício perfeito oferecido.
A redenção é descrita como sendo eterna, porque é completa e portanto,
não pode ser repetida.

Nos versos 13 e 14, o sangue de bodes e de touros é provavelmente uma


referência as ofertas do dia da expiação(Lv.16), e o segundo, a cinza de uma
novilha, pode referir-se a oferta ocasional de uma novilha (Num.19) Estas
disposições externas que ofereciam a purificação cerimonial da contaminação
da carne.
As ofertas levíticas podiam fornecer a purificação cerimonial numa base
temporária, mas, a oferta que Cristo fez purificará a nossa consciência, isto é,
uma purificação interior e espiritual.

Várias declarações importantes a respeito da oferta que Cristo fez de si


mesmo:

1ª “ ... o sangue de Cristo ...”.è representada a entrega da vida em prol


dos outros.

2ª “ ... pelo espírito eterno ...”. A expressão espírito eterno no grego


não tem artigo e deve primariamente referir-se ao espírito de Jesus em
comparação com a sua carne. Mas, o Espírito Santo, sem dúvida, também está
em mente visto que Jesus estava operando em conjunção com Ele.

3ª “ ... eterna redenção...”.(v.12) Visto que a redenção a ser obtida era


eterna, era necessário a oferta fosse feita por alguém que possuísse o espírito
eterno.

4ª “ ... a si mesmo se ofereceu ...”. A outra faceta de Cristo, é que Ele


mesmo tomou a iniciativa. A sua oferta foi tanto voluntária quanto premeditada,
não foi mera questão de circunstâncias.

4ª “ ... sem mácula ...”. A oferta é colocada no nível moral mais alto.
Jesus viveu e morreu sem pecado, porque somente assim poderia ser um
sacrifício perfeito em prol de seu povo.

“ ... obras mortas ...” . Quando estas são deixadas de lado, o cristão está livre
para servir ao Deus vivo. A adoração verdadeira envolve uma dedicação
sincera e total a Deus..

A seção que vai de 9:15 a 10:18, enfatiza a pessoa do mediador. A menção


da Nova Aliança na seção anterior leva o escritor a refletir mais sobre Cristo
como mediador.

“ ... o mediador da Nova Aliança ...”(v.15). É aliás, com base da sua auto-
oferta, que Cristo se torna o mediador. Na presente frase a ênfase recai sobre
a palavra Aliança (Aliança estabelecida unilateralmente.
33

A idéia de herança era central na Velha Aliança, mas não subia além do
nível terreno. A Nova é eterna, e, portanto, claramente superior. Esta herança
não é restringida a uma única nação, mas a uma certa classe definida como
aqueles que tem sido chamados (), que no presente contexto
refere-se aos crentes em geral e é uma lembrança de que Deus tomou a
iniciativa. O particípio perfeito sugere o resultado contínuo de um ata passado.
Sua morte é o preço da soltura de um prisioneiro. É especialmente relacionada
com transgressões que haviam sob a primeira Aliança, como se a redenção
fosse qualificada pela coisa da qual é obtida a libertação. Sob a antiga Aliança
nenhuma ajuda era dada aqueles que transgrediram, mas a morte de Cristo
tornou possível a libertação.

V.16 – A mudança de Aliança para testamento é mais compreensível em grego


do que em português, porque a palavra  serve para as duas idéias. Na
realidade um testamento é o significado mais básico da palavra, embora a LXX
traduza normalmente por aliança..
Um testamento só entra em vigor com a morte do testador.

V.17 – A idéia de testamento está em primeiro lugar aqui. A declaração supõe


que fica estabelecido no sentido de ser inalterável depois da morte do
testador.

V.18 – O pensamento remonta a Ex. 24, que dá um relato da ratificação da


antiga aliança mediante a aspersão de sangue de uma vítima sacrificial que já
foi ecoada no versículo 13. A palavra traduzida por “ sancionada” ou
“ratificada”() literalmente significa renovada. Expressa no aspecto
temporal do uso.

“ ... havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei


“(v.19). É uma alusão direta a Ex. 24:3-4. É verdade que o povo não tinha
escolha quanto as condições; estas eram essencialmente mandamentos que
vieram com a autoridade de Deus.

V.20 – Ao invés de “ ... este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu


para vós outros...”, diz : “ ... Eis aqui o sangue da aliança que o senhor fez
convosco a respeito de todas essas palavras ...”. Segundo Hughes, a
sombra do derramamento de sangue levado a efeito por Moisés cede lugar a
realidade eterna.

V.21 – No presente contexto o alvo é claramente focalizar a atenção na


importância do sangue na Velha Aliança.

V.22 – A conclusão geral sobre este tema é que, de acordo com a lei, quase
todas as coisas se purificavam com sangue. Alguns ritos de purificação judaica
eram feitos com água ou através de fogo. Mas, os mais significativos eram
feitos através de sacrifícios que envolviam o derramamento de sangue de uma
vítima.
34

“ ... sem derramamento de sangue não há remissão ...” – É baseada na


declaração de (Lv 17:11)

“ ... remissão ...”( gr.  Fica sendo uma referência ao livramento bem
como ao perdão dos pecados específicos. O alvo dos sacrifícios era trazer
algum tipo de remissão para os pecados.

V.23 - Pelo fato da purificação ser necessária na Velha Aliança, o escritor


deduz que, o que é verdadeiro para figuras ( deve ser
igualmente exigido para as realidades, porque doutra forma, não faria sentida
falar da necessidade das obras sacrificiais de Cristo.

V.24 – Somente o reconhecimento de que existia uma realidade espiritual


transcendente à glória do santuário terrestre que os judeus que se tornaram
cristãos compreenderiam a ausência de qualquer lugar central de adoração no
cristianismo.

“... para comparecer pôr nós diante de Deus ...”. Esta é a obra intercessória
de Cristo e é expressa em termos diferentes:

1º A atividade de Cristo diz respeito especificamente ao presente agora.


(gr. .

2º A atividade de Cristo é diante de deus. Não há outros intermediários


entre Cristo e Deus. A palavra usada para presença ( que
literalmente significa “face”. Face é a mais pessoal do que presença e contém
a sugestão de comunicação. Como representante perfeito do homem, reúne
em si mesmo a totalidade da humanidade.

V.25 – Nalguns sentidos, o escritor combinou a missão presente do nosso


sumo sacerdote com base na sua entrada. A entrada de Cristo foi diferente.
Não tinha necessidade de oferecer muitas vezes, e quando ofereceu não foi
sangue alheio.

V.26 – Por este meio demonstra que Cristo está permanentemente diante da
face de Deus. O que demonstra que o sacrifício foi suficiente. A eficácia da Sua
oferta sempre está diante do Pai.

“ ... agora, porém ...”. Chama os leitores a deixar a especulação e considerar


o evento histórico. Evidentemente considera a expiação como o clímax da era
que acaba de chegar ao fim visto que uma nova era acaba de começar com
base no poder do sacrifício de Cristo.

“ ... uma vez pôr todas ...”. estabelece a qualidade definitiva da oferta.” ...
para aniquilar o pecado ...”. O aniquilamento envolve a anulação do pecado,
isto é, tratá-lo como se já não mais existisse.

Assim como no sistema levítico a eficácia do sacrifício dependia da atitude do


adorador; assim também na aplicação da oferta de cristo, uma atitude de
arrependimento e fé é tomada pôr certa.

A oferta que cristo fez foi de si mesmo.


35

V.27-28 – Aqui é reforçada a idéia da perfeição e eficácia do sacrifício de Cristo


como suficiente para termos plena convicção da nossa salvação. O juízo ( gr.
) aludido no verso 27 é o juízo final. Demonstrando assim que o ser
humano que morrer sem se aproximar de Cristo e de seu sacrifício sela o seu
destino eterno.
36

CAPÍTULO 10

V.1 – Poder-se-ia pensar que o escritor quer inculcar a compreensão da


ineficácia da totalidade do ritual levítico. Em primeiro lugar existe uma
declaração sucinta das ineficiências da velha ordem. Uma sombra nunca pode
alegar que é a revelação completa do seu objeta, mas, no máximo, pode
apenas dar um mero esboço da realidade.

“ ... os bens vindouros ...”. São claramente o evangelho com o seu sumo
sacerdócio espiritual. Um cerimonial não poderia realizar aquilo que era
necessário.

A repetição da oferta dava testemunho do caráter temporário. Aproximar-se de


Deus é a atitude mais sublime do homem.

V.2 - A dedução feita da repetição das ofertas é sua insuficiência. Se a


perfeição tivesse sido conseguida as ofertas teriam cessado, o que não
aconteceu segundo o antigo sistema. O que as ofertas faziam era providenciar
purificação para os pecados cometidos desde a oferta anterior, mas nada podia
fazer contra o pecado, a causa que jazia a raiz.

V.3 – Esses últimos sacrifícios que foram ordenados pôr deus visavam
preparar o caminho para aquela oferta perfeita que podia tratar eficazmente
com as conseqüências do pecado numa base permanente.

V.4 - A impossibilidade referida aqui é moral. Aqueles cristãos judaicos que


vieram de um passado de adoração no templo precisariam aprender a
futilidade ulterior do sistema que abandonaram. O alvo é demonstrar a
superioridade incomensurável de Cristo.

V.5-6 – “ ... pôr isso ...”. forma uma ligação com a insuficiência das ofertas
levíticas mencionadas no verso anterior. A referência diz respeito a
consciência contínua de Jesus de que estava cumprindo a vontade do Seu Pai.

Na citação do V.T, quatro palavras são usadas para as ofertas levíticas:

1ª Sacrifício (

2ª Ofertas ()

3ª Holocausto ()

4ª Ofertas pelo pecado ()

Na primeira declaração o contraste é feito entre o suposto desejo de Deus pelo


sacrifício e a provisão que realmente fez de um corpo. Conforme sugere aqui, a
citação sugere que aquilo que cristo fez, tinha que ser feito no corpo, isto é,
37

como ser humano. Embora os sacrifícios fossem ordenados pôr Deus, era a
atitude do adorador que realmente interessava a Ele. A história de Israel já
demonstra a tendência que o sistema sacrificial fosse considerado uma
finalidade em si mesmo, tornando-se uma mera formalidade.

A necessidade de cumprir a vontade de deus fora negligenciada, daí a


aplicabilidade das palavras do salmista.

V.7 – “ ... eis aqui estou ...”. Expressa um fato consumado.

“ ... par fazer, ó Deus, a Tua vontade ...”É o alvo do homem perfeito.
Realmente cumpriu a vontade de Deus ao ponto de se tornar obediente até a
morte.

Vs.8-9 – Há a repetição das idéias principais já achadas nos versículos 5-7. O


comentário geral sobre a citação inteira é: “ ... remove o primeiro para
estabelecer o segundo ...”.

“... remove ...”. (gr. ) geralmente tem o sentido de matar. Há algo de
definitivo no desaparecimento do velho.

V.10 – O efeito imediato é que temos sido santificados. A idéia parece ser que
aqueles que estão em Cristo foram de tal maneira identificados com Ele, que
nEle eles cumpriram a vontade de Deus.

O acréscimo das palavras: “... mediante a oferta do corpo de Cristo...”


esclarece o meio mediante os quais a obediência de Cristo pode ser eficaz
para nós. Na sua oferta de Si mesmo, reuniu a humanidade. Deus nos recebeu
com no perfeito cumprimento da Sua vontade por Cristo.

A seção seguinte (v.11-14) concentra-se na glória atual de Cristo afim de


completar a declaração no v.10 acerca da oferta do corpo.

Os aspectos principais de interesse neste versículo são:

1º A posição dos sacerdotes. ( Todo sacerdote se apresenta –


literalmente “fica em pé” )

2º A continuidade dos sacrifícios. (A oferecer muitas vezes)

3º Sua ineficácia de realizar seus propósitos. (Para remover pecados)

A posição de Cristo:

1º “... assentou-se...” . Esses sacerdotes nunca poderiam sentar-se porque


sua obra nunca eram completa.

2º “... muitas vezes...” . () está em direto contraste com uma vez por
todas.
38

3º A incapacidade das antigas ofertas removerem os pecados é


contrastada no verso 12 com a única oferta de Cristo pelos pecados.

V.12 – Há um contraste entre “ todo sacerdote” e “este”. Ressalta-se como um


tipo de sacerdote inteiramente diferente.

V.13 – O período de espera entre a entronização de cristo e o Seu triunfo final


sobre os inimigos é idêntico à era presente. A demora deve ser vista como
sinal de misericórdia e longanimidade de deus.

V.14 – O pensamento volta para o sumo sacerdote e sua única oferta a fim de
chamar a atenção ao resultado obtido por ela, ou seja, a obtenção da perfeição
para os crentes.

” ... quantos estão sendo santificados...”. refere-se a sucessão contínua das


pessoas que vem sob a aplicação eficaz da única oferta.

V.15 – “ ... e disto também nos dá testemunho o Espírito Santo ...”. A


expressão pode ser entendida no sentido do testemunho com relação a nós,
ao invés de dirigido à nós.

V.17 – São aqueles atos que são contrários a lei de Deus.

V.18 – “ ... já não há oferta pelo pecado”. Já que a remissão é prometida sob
a Nova Aliança, a necessidade de semelhante oferta cessou. A perfeição da
oferta de cristo visa acabar finalmente com a celebração do antigo ritual.

Exortações (10:19 – 13:25)

Na seção que vai de 10:19-39 o escritor expõe os privilégios e as


responsabilidades da vida cristã.

1º O Novo Caminho. (19-25)

É com base em tudo quanto foi dito acerca do sumo sacerdote e sua
oferta eficaz que a declaração no presente verso pode ser feita.

“ ... tendo intrepidez ...”. É declarado como um fato.

“ ... intrepidez ...”. ( ) é a palavra para confiança que o N.T.


geralmente relaciona com a liberdade do homem pôr causa do seu novo
relacionamento com Deus.

“ ... pelo sangue de Jesus ...”. Esta é a via de apresentação do homem para
com Deus. O santo dos santos já não está mais separado; porém o acesso
está disponível somente àqueles que são classificados como irmãos.
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“ ... novo ...”. ( gr. Originalmente significa recentemente morto.


Este seria o equivalente a dizer que o novo e vivo caminho para deus foi aberto
em Jesus como ser humano ( em Sua humanidade).

V.22 – É aqui que chegamos a exortação principal desta Epístola. Ela é


expressa em três etapas:

1ª “ ... aproximemo-nos ...”.(v.22) Refere-se a devoção pessoal.

2ª “ ... guardemos firme ...”.(v.23) Refere-se a consistência.

3ª “ ... consideremo-nos também uns aos outros, para nos


estimularmos ao amor e ás boas obras ...”. Refere-se as obrigações
sociais.

Quatro condições de aproximação são definidas no versículo 12:

a) “ ... com sincero coração ...”. Não pode haver fingimento.

b) “ ... em plena certeza de fé ...”. Porque já não há nenhuma razão


para duvidar que o acesso a presença de Deus seja obtido. Ele está
presente em todos os adoradores que fazem uso do Novo Caminho.

c) “ ... tendo os corações purificados da má consciência ...”. É mais


que um mero ritual, é uma questão moral.

d) “ ... e lavado o corpo com água pura ...”. Parece tratar-se de uma
alusão ao batismo cristão. A lavagem do corpo talvez ache alguma
explicação em Ef. 5:26, que é mais inteligentemente interpretado
num sentido espiritual.

V.23 – “ ... guardemos firmes ...”. () No sentido de guardarmos firmes


a nossa ousadia ou a confiança que desde o princípio tivemos.

“ ... a confissão da esperança ...”. Inclui promessas específicas a respeito do


futuro.

V.24 – A terceira exortação focaliza-se na responsabilidade social. O alvo


proposto é nos estimularmos ao amor e as boas obras. Amar ao próximo não é
algo que acontece automaticamente. É necessário trabalhar, provocar o amor
como se faz com as boas obras.

V.25 – “ ... não deixemos de congregar-nos ...”. Presumivelmente refere-se


aos cultos de adoração, embora o fato não seja declarado.  sugere
alguma assembléia oficial. Parece que alguns estavam negligenciando esses
encontros, o que era considerado uma séria fraqueza. As assembléias cristãs
visam encorajar uns aos outros.

“ ... e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima ...”. O dia da
prestação de contas.
40

Na seção de 26 a 31, introduz-se outra advertência.

V.26 Adverte contra os perigos da apostasia de maneira muito semelhante a do


cap. 6.

“ ... se vivermos deliberadamente no pecado ...”. O tipo de pecado no qual


as pessoas entram de olhos abertos. Exclusivamente neste texto o retorno à
confiança em Moisés e nos sacrifícios e rituais da lei, rejeitando assim a
verdade aprendida anteriormente.

“ ... verdade ...”. Neste texto a revelação da superioridade do Filho, de Sua


mensagem e de Sua obra como único meio que traria suficiência a redenção
total que a humanidade esperava.

Neste caso, conhecer a verdade sobre o que Cristo fez e voltar a confiar
no sacrifício de touros, cordeiros, novilhas era abrir mão de qualquer
perspectiva de perdão pois, nos rituais judaicos não existia mais nenhum
sacrifício que fosse eficaz para trazer perdão aos pecados de ninguém. Ou
vem unicamente a Cristo ou não existirá perdão em nenhum outro lugar.

“ ... já não resta mais sacrifícios pelo pecado ...”. Esses sacrifícios são os
da lei.

V.27 – Sem sacrifício expiador em que se possa confiar, tudo o que permanece
é juízo e fogo vingador.

V.28 - Um exemplo de pena capital é a lei de Moisés. Para semelhante homem


não havia misericórdia sob a Antiga Aliança, não poderia esperar anão ser a
morte.

V.29 – “ ... quanto mais severo castigo ...”. O argumento a gora procede do
menor para o maior e refere-se aquilo que o delito, na Nova Aliança merece.
O delito é expressado de modo tríplice:

1º Envolvia o desprezo do Filho.

2º O transgressor profanou o sangue da Aliança.(Lit. considerou comum;


sem valor)

3º “ ... ultrajar o Espírito da graça ...”. É uma rejeição arrogante do


Espírito pôr cujo intermédio a graça chegou ao homem.

Esses três aspectos da apostasia não somente colocam o homem numa


posição de condenação,; mas anti-cristã.

V.30 – O caráter do juiz é a garantia de que o julgamento será justo.

V.31 – O terror da expectativa mencionada no verso 27 agora é reforçado para


descrever o resultado de cair nas mãos do Deus vivo. Logo, as mãos do Deus
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vivo estão contra aqueles que através de suas ações e atitudes se colocam
fora de Sua misericórdia.

32-39 – Exortação a perseverança.

V.32 – “ ... lembrai-vos porém ...”. denota algum esforço em chamar a mente.
Quando o assunto da lembrança são os sofrimentos anteriores do crente, a
maioria das pessoas precisam ser estimuladas a lembrança.

V.33 – Aqui são todos pormenores do tipo de sofrimentos que os leitores já


tinham suportado. A idéia é que os cristãos foram usados como um alvo
público para maus tratos.

V.34 – Conforme demonstra a palavra grega essa compaixão


cristã consiste na capacidade de sofrer com os que sofrem. Era bastante
comum naqueles dias primitivos os cristãos serem encarcerados sempre que
suas convicções eram consideradas contrárias ao gosto das autoridades civis.

V.35 – “ ... não abandoneis ...”. ( Significa “jogar fora” como se
joga no lixo aquilo que não tem mais utilidade.

V.36 – É uma persistência até mesmo quando as circunstâncias são contrárias.


O propósito da perseverança é cumprir a vontade de Deus. É na base de
cumprir a vontade de Deus que os leitores alcançaram a promessa.

V.37-38 – Expressa a idéia de que a necessidade da fé é essencial para


sustentar a confiança anterior.

V.39 – “ ... Nós, porém, não somos ...”.Aqui o escritor identifica os seus
leitores com ele na rejeição da idéia de retroceder; Ele e o leitor gozarão da
conservação da alma. Conservação é o antônimo de destruição, é
característica da salvação.
42

CAPÍTULO 11
V.1 – “ ... a fé ...”. Confiança absoluta e incontestável, que não pode ser
abalada pelas circunstâncias adversas.

“ ... firme fundamento ...”. è a base essencial para permanecermos firmes e


inabaláveis.

“ ... das coisas que se esperam ...”. Aqui não está em evidência as coisas
que eu espero segundo a minha vontade ou as coisas que alguém espera,
mas, são as coisas que Deus nos tem prometido, em especial, conforme
versos 34, 35 e 36 do cap. Anterior. Deus só tem responsabilidade real em nos
dar aquilo que Ele prometeu; Embora Ele também satisfaça muitas vezes os
nossos desejos.

“ ... a prova das coisas que não se vêem ...”. Refere-se a consumação
visível e final do reino de Deus e seu aparecimento em glória trazendo a nossa
realidade existencial tudo aquilo que Ele nos prometeu em Sua palavra. Não se
vêem ainda, mas a confiança que temos na fidelidade de Sua palavra nos faz
viver como se já as tivéssemos recebido.

V.2 – A partir daqui é apresentada uma lista histórica de homens e mulheres


que viveram a luz dessa fé.

CAPÍTULOS 12 E 13, TRABALHO DE PESQUISA.


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BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIN, R. N. “ Comentário interpretado verso pôr verso”.


GUTHRIE, DONALD. “ Hebreus – introdução e comentário, Ed. Mundo Cristão.
CALVINO, JOÃO. “Hebreus”.
Bíblia Vida Nova.
Bíblia Scofield.