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Apresentação: 08/06/2021 09:11 - MESA

RIC n.778/2021
REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO N.º DE 2021
(Do Sr. Deputado Federal Bohn Gass – PT/RS)

Solicita informações ao Exmo.


Sr. Ministro de Estado da
Defesa, Senhor Walter Braga
Neto, acerca do procedimento
de apuração disciplinar
instaurado e arquivado pelo
Exército brasileiro, em desfavor
do General Eduardo Pazuello.

Exmo. Sr. Presidente da Câmara dos Deputados:

No exercício das competências, prerrogativas e


responsabilidades insertas nos artigos 49, X e 50, §2º da
Constituição Federal e na forma dos artigos 115 e 116 do
Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a Vossa
Excelência que, ouvida a Mesa, sejam solicitadas informações
ao Exmo. Sr. Ministro de Estado da Defesa, Senhor Walter
Braga Neto, acerca do procedimento de apuração disciplinar
*CD212067211600*

instaurado e arquivado pelo Exército brasileiro, em desfavor do


General de Divisa Eduardo Pazuello, devendo serem aclaradas
especificamente as seguintes indagações e enviadas as
informações solicitadas:

Assinado eletronicamente, por delegação do(a) Dep. Bohn Gass


Para verificar a assinatura, acesse https://infoleg-autenticidade-assinatura.camara.leg.br/CD212067211600
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1. Cópia do procedimento de Instauração do Processo
Administrativo Disciplinar Militar e documentos que o
informam e fundamentam;
2. Cópia da Defesa apresentada pelo General Eduardo
Pazuello;
3. Cópia dos pareceres técnicos e jurídicos que orientaram
a decisão do Comandante do Exército;
4. Decisão do Comandante do Exército e documentos que
a fundamentam;
5. Estatísticas das punições disciplinares aplicadas pelo
Exército Brasileiro, em relação a todos os Postos e
Graduações, por violação ao regulamento militar, nos
últimos 10 anos;
6. Cópias de todos os instrumentos normativos (Leis,
Decretos, Portarias, Ordens de Serviços etc) que
orientam o Exército brasileiro em relação à disciplina e
processo administrativo disciplinar por violação desta.

Solicito, na oportunidade, que as informações ora


requeridas, sejam enviadas diretamente a esse Parlamentar
solicitante, por meio digital, no seguinte endereço eletrônico:
dep.bohngass@camara.leg.br, bem como no endereço sito na
*CD212067211600*

Câmara dos Deputados – Gabinete nº 469 – Anexo III –


Brasília – DF.

Justificação

Assinado eletronicamente, por delegação do(a) Dep. Bohn Gass


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Como é de conhecimento de toda a sociedade
brasileira, o Ex-Ministro da Saúde e General de Divisão Eduardo
Pazuello, acompanhou e participou efetivamente do passeio de
motocicleta realizado pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro,
no domingo (23/05) no Estado do Rio de Janeiro, ocasião em que
também subiu no carro de som e, junto a outros aliados do
Presidente da República, promoveu aglomeração, fez discurso
político sem máscara (mesmo sabendo da proibição no Estado),
em franca e grave desobediência ao Regulamento disciplinar do
Exército Brasileiro, instituído pelo Decreto 4346, de 26 de agosto
de 2002, além de cometer crimes comuns previstos no Código
Penal brasileiro.

A participação do General no referido ato, além de


configurar absoluto desrespeito aos preceitos estabelecidos na
Lei 13.979/2019, que trata das medidas para enfrentamento da
emergência de saúde pública de importância internacional
decorrente do coronavírus, maculou e comprometeu
sobremaneira a imagem do Exército Brasileiro, além de
representar péssimo exemplo à instituição e a todos que dela
fazem parte.
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Ora, a Constituição Federal de 1.988, no capítulo


dedicado a tratar das Forças Armadas, especificamente em seu
artigo 142, estabelece que elas são constituídas pela Marinha,
pelo Exército e pela Aeronáutica, classificando-os como

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instituições nacionais, permanentes e regulares, destinando-se
à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais.

Nesse prisma, entre as diversas funções


constitucionais atribuídas aos poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário, estão as funções administrativas. Em se tratando de
Poder Executivo, destaca-se a função militar, conceituadas
como aquelas exercidas por instituições militares como
Marinha, Exército e Aeronáutica.

Contidas nessa função e dela intrinsecamente


fazendo parte, estão aspectos relevantes que o legislador
constituinte houve por bem determinar quanto à atividade
militar, quais sejam, princípios de organização, sendo eles: a
hierarquia e a disciplina.

Assim, a hierarquia e disciplina no exercício da função


militar não se traduzem em meros postulados de organização e
atuação da administração pública, pois possuem natureza
axiológica e finalística, características dos princípios de direito.

Além da vinculação da função militar aos princípios


da disciplina e hierarquia, a atividade apresenta características
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outras inexistentes nas funções e atividades civis, o que reforça


a necessidade de observância de regime jurídico-funcional
diferenciado, a exigir zelo e rigor nas condutas levada a cabo

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por quaisquer daqueles que estejam investidos na função
militar.

Em função da realidade acima destacada, é que se


entendeu que o General, ao participar de ato essencialmente
político, acompanhando passeio de motocicleta, subindo em
palanque, fazendo uso da palavra e promovendo aglomerações,
cometeu inequívoca transgressão disciplinar, à luz das leis e
regulamentos que disciplinam o exercício da atividade militar.

Vejam que o Decreto 4346/2002, estabelece 113


modalidades de transgressões passíveis de punição. A
transgressão de número 57, consubstanciada em "manifestar-
se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado,
a respeito de assuntos de natureza político-partidária."

Por sua vez, as transgressões de nº 01 “faltar à


verdade ou omitir deliberadamente informações que possam
conduzir à apuração de uma transgressão disciplinar”; de nº 40
“portar-se de maneira inconveniente ou sem compostura”; de
nº 42. Frequentar lugares incompatíveis com o decoro da
sociedade ou da classe; de nº 59 “discutir ou provocar
discussão, por qualquer veículo de comunicação, sobre
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assuntos políticos ou militares, exceto se devidamente


autorizado”.

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Ciente disso, o Exército brasileiro instaurou, como
ficou público na sociedade brasileira, o competente
procedimento ético disciplinar de natureza militar, para
auscultar a conduta violadora dos regulamentos castrenses,
perpetradas pelo referido Graduado.

Ocorre que, há poucos dias, a sociedade brasileira


ficou estarrecida, quando veio à baila a notícia de que o
Exército brasileiro, por seus oficiais graduados, arquivou o
procedimento ético-disciplinar, por entender que as condutas
do General investigado, não haviam, a despeito de todas as
compreensões em contrário, violado os regulamentos e a
Legislação militar.

A situação assume maior gravidade ainda, na medida


em que o Comando do Exército impõe sigilo de um século, para
o acesso ao procedimento disciplinar, sob a equivocada
compreensão de que se trata de documento de caráter pessoal.

Ora, não há qualquer informação de caráter


pessoal, quando em jogo a proteção do interesse público
e geral preponderante (coletivo).
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Para tanto, a Constituição Federal de 1988 no seu


art. 37, que trata sobre o Poder Público, diz que Administração
Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos

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princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência.

Deste modo, o requerimento de informações aqui


formulado, encontra previsão no art. 37, caput, da CRFB/88 e
do dever de transparência, os quais vinculam a Administração
Pública e todos os Poderes da República.

Ademais, a solicitação ora formulada, além do


mandamento constitucional, está substanciada na Lei de Acesso
à Informação (Lei nº 12.527, de 2011), que tem sede
constitucional (art. 5º, inciso XXXIII i; art. 37, §3ª, inciso IIii e
art. 216, §2ºiii), de modo que não se vislumbra, a priori,
quaisquer restrições à disponibilização das informações
solicitadas.

É bem verdade que o §1º, do art. 31 da Lei nº


12.527, de 2011 (Lei de Acesso à Informação), estatui que as
informações pessoais, relativas à intimidade, vida privada,
honra e imagem, poderão ter acesso restrito,
independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo
máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção,
a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que
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elas se referirem e que a divulgação poderá ser autorizada pela


pessoa a que as informações se referirem.

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Não obstante, o §3º, desse artigo 31, afirma que a
autorização da pessoa não será necessária, quando as
informações forem necessárias para à proteção do interesse
público e geral preponderante.

Ademais, o §4º, do art. 31 da Lei de Acesso à


Informação, é sobranceiro ao afirmar que a restrição de acesso
à informação relativa à vida privada, honra e imagem de
pessoa não poderá ser invocada com o intuito de prejudicar
processo de apuração de irregularidades em que o titular das
informações estiver envolvido, bem como em ações voltadas
para a recuperação de fatos históricos de maior relevância.

Conclui-se, desta feita, que não tem qualquer amparo


legal, a restrição de acesso, por 100 (cem) anos, à
documentação referente ao processo de apuração de
irregularidades perpetradas pelo General Eduardo Pazuello, em
poder do Exército Brasileiro.

Importante ressaltar que o princípio que deve nortear


o dia a dia dessas autoridades é o da transparência. Impedir a
publicidade e o conhecimento da sociedade brasileira acerca
desse procedimento de interesse público conduzido pelo
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Exército, configura, ao fim e ao cabo, um caminhar para trás,


um retrocesso inadmissível na realidade democrática vigente,
que coloca em risco a necessária fiscalização que a sociedade e
suas instituições e também os demais poderes da República

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podem exercer sobre as decisões dos agentes estatais e os atos
governamentais.

A classificação como reservada de procedimento


administrativo de interesse coletivo, tem a potencialidade
lesiva, não só de restringir a publicidade e o acesso às
informações de interesse público e do atuar de seus principais
agentes, como permite, de forma desarrazoada, que essas
autoridades possam, sem qualquer transparência, dispor dos
interesses da Nação e da sociedade brasileira, de forma
sigilosa.

A aposição de “reservado” às informações que aqui


são buscadas, é medida que frustra todos os avanços
alcançados em direção à transparência insculpida no texto
constitucional.

Nesse sentido, o acesso a tais informações é


imprescindível, para que a sociedade brasileira possa
monitorar, como lhe é direito, as ações e decisões que afetem o
interesse público.
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É o que se propõe alcançar com o vertente pedido de


informações.

Sala das Sessões, em de junho de 2021

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i Art. 5º (...). Inciso XXXIII. Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular,
ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
ii Art. 37 (...). §3º... Inciso II. O acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,
observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII.
iii Art. 216 (...). §2º. Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as
providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.

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