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Logística Reversa - Latas de Tinta

Já parou para pensar na importância das embalagens tanto no aspecto estético, de


funcionalidade, técnico, econômico e até ambiental? A embalagem é uma ferramenta que
atende à sociedade em suas necessidades e tem como principal função proteger e estender
o prazo de vida (shelf life) dos produtos viabilizando sua identificação e consumo.
Conforme divulgado pela ABRE (Associação Brasileira de Embalagem), frente ao
ambiente de mercado competitivo, a embalagem tornou-se estratégica para a
competitividade dos negócios no que diz respeito à eficiência de envase, distribuição e
venda. E mais: reflete a cultura de uma sociedade e o estágio de desenvolvimento
econômico social de uma nação.
Na indústria de tintas, a embalagem é um componente importante para garantir segurança,
proteção, facilidade de manuseio e logística. E como informa a ABRE, ao final da cadeia
produtiva, quando chega o momento de o consumidor decidir, a embalagem ganha uma
relevância ainda maior, já que, segundo a Associação, ela tem forte influência no
momento da compra, atuando como um vendedor silencioso.
Atualmente, o segmento de tintas conta de maneira mais intensa com duas opções de
embalagens: as latas de aço e os baldes plásticos. Cada uma delas com sua peculiaridade
e benefícios. De modo geral, tanto as fabricantes de embalagens metálicas quanto as de
plástico estão cada vez mais capacitadas para desenvolver projetos inovadores ditando
avanços na produção com o surgimento de ferramentas que possibilitam maior segurança,
velocidade, novos formatos e litografias diferenciadas.
O aço como protagonista
Há décadas a lata de aço envasa as tintas com eficiência devido as suas características de
impermeabilidade, hermeticidade, segurança, facilidade de moldagem, praticidade no
armazenamento e transporte, além de resistências mecânica e térmica. O mercado de
tintas representa pouco mais de 50% das embalagens de aço (em peso, não em unidades)
– representando cerca de 250 mil toneladas de aço. Dados mais recentes da Abeaço
(Associação Brasileira de Embalagem de Aço) apontam que, em 2016, o número de latas
de tintas produzidas foi 395 milhões de unidades.
Outro aspecto muito interessante a ser levado em consideração nas embalagens metálicas
é na parte de sustentabilidade. Se jogado na natureza, o aço volta para seu estado natural
de óxido de ferro em aproximadamente cinco anos, sem poluir ou comprometer o solo
nem o ambiente. Ele também é 100% reciclável, tendo a capacidade de ser reciclado
infinitas vezes sem perder suas propriedades.
Segundo a Abeaço, a cada tonelada de latas recicladas deixamos de extrair 1,5 toneladas
de minério de ferro. A extração do minério representa o maior impacto na análise de ciclo
de vida das latas. Estudos e números indicam ainda que a cada 75 embalagens de aço
recicladas, salva-se uma árvore que, sem isso, estaria sendo transformada em carvão
vegetal; e a cada 100 latas recicladas, poupa-se o equivalente a uma lâmpada de 60 W
acesa por uma hora. Bom saber também que 100 latas recicladas economizam energia de
uma TV ligada por 3 horas.
Diante destes levantamentos, mais de 20 bilhões de latas de aço são recicladas todos os
anos no mundo; e todas as latas de aço são fabricadas com até 25% de sucata. A diretora
executiva da Abeaço e do Prolata, Thais Fagury, menciona que com a reciclagem do aço,
as siderúrgicas economizam energia equivalente ao abastecimento de 18 milhões de
residências por ano; e os benefícios do uso do aço reciclado no processo de fabricação de
novo aço gera uma série de economias como na energética de 74%; de matéria-prima
virgem de 90%; redução no consumo de água de 40% ; e de poluentes na água de 76%, e
de poluentes no ar de 86%; além da redução de resíduos de mineração de 97%.
Logística reversa
Para o mercado de tintas é fundamental o Prolata Reciclagem, instituição criada sem fins
lucrativos, formada por empresas do setor de embalagens de aço, que conta com o apoio
e a expertise técnica da Abeaço e da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de
Tintas), com o principal objetivo de estimular a coleta e a reciclagem de latas de aço pós-
consumo no Brasil.
Localizado em São Paulo (SP), na Vila Anastácio, o centro da Prolata firmou parcerias
em 2016 com grandes geradores de resíduos. Hoje, as parcerias são feitas principalmente
com construtoras já que a Logística Reversa vem ganhando grande importância na
construção civil atendendo às premissas da Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS). “Essas embalagens não tinham, até então, rastreabilidade para
as construtoras e para as empresas de pintura que prestam serviços paras as construtoras.
Com o programa Prolata passamos a garantir a rastreabilidade do pós-consumo da
embalagem e isso é importante por conta das certificações conquistadas, principalmente
para as empresas que buscam destinação adequada de materiais”, assinala Thais.
O Prolata beneficia o material descartado pelas empresas/parceiras e destina-o para a
Gerdau, que recebe todo o material. Segundo Thais, o fato de ter essas parcerias e engajar
mais cooperativas a comercializar latas de aço pós-consumo trouxe resultados bastante
positivos. Para ter ideia, no primeiro ano do programa foram aproximadamente 2700
toneladas de latas destinadas ao descarte correto. No entanto, no ano de 2016 essa
quantidade saltou para quase 10 mil toneladas, e ainda tem muito potencial de
crescimento.
Conforme menciona Victor Dias, Coordenador do Departamento de Sustentabilidade da
Trisul, uma das construtoras parceiras do projeto Prolata desde 2016, “participar desse
projeto é permitir a ascensão de um sistema que, mesmo ainda pouco disseminado nas
diversas atividades, possui grandes potenciais e oportunidades; quebrando paradigmas e
gerando valores indiretos que ultrapassam os lucros, como por exemplo, a geração de
emprego e renda, aumento da reciclagem e a diminuição da necessidade de extração de
matéria-prima da natureza”.
O plástico em cena
Os fabricantes de tintas também optam pelas embalagens plásticas que ano a ano
registram crescimento no setor, em diversas regiões do país. O uso pode ser industrial,
por meio de IBC (Intermediated Bulk Container), ou através de baldes plásticos que
envasam tintas imobiliárias e automotivas, e contam com a tecnologia IML (In Mold
Label) para aplicação de rótulos com alta qualidade e definição de imagens.
É muito comum ver baldes plásticos no mercado internacional de tintas e essa
movimentação é muito presente em tintas base água, massa e texturas, principalmente na
região Nordeste do Brasil, onde a embalagem plástica é bem aceita pelos consumidores e
pintores. O segmento de impermeabilizantes, por exemplo, hoje já se encontra
praticamente 100% em baldes plásticos, provando sua viabilidade para tintas.
Novas opções de processos de impressão, capacidades, formatos, cores de chapas, tipos
de tampas, válvulas, alças, entre outros; são algumas das evoluções no segmento de baldes
plásticos para expandir atuação e buscar participação na linha de tintas da categoria
premium.
Tradicionalmente, o balde plástico é conhecido por ser praticamente indeformável e
imune à oxidação. Os fabricantes também admitem que é um material que garante
conservação, resistência, durabilidade, leveza e, com os atuais avanços tecnológicos,
proporciona qualidade de impressão fotográfica, destacando perfeitamente as diversas
cores e logotipos de qualquer produto, além de conferir custo competitivo.
Segundo os fabricantes, a nova geração de baldes plásticos tornaram o produto mais
econômico e resistente, além da alta qualidade fotográfica na impressão dos rótulos. E,
em relação à sustentabilidade, o segmento se apoia no fato de que o importante não é o
que fazer com o resíduo, e sim, não gerar resíduo, o que vem ao encontro de que são
reutilizáveis para diversas funções. Outras vantagens consideradas aos baldes plásticos:
não enferrujam, não amassam facilmente, oferecem segurança no manuseio, preservam a
qualidade da tinta envasada, aumentam a vida útil dos produtos, prometem ser práticos
para abrir e fechar, estão disponíveis em variados tamanhos e modelos.
Por conta da abrangência do setor de transformados plásticos, existe a dificuldade de
extração de dados específicos de todos os segmentos do setor, incluindo o de baldes. Por
isso, a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) trabalha com dados
agregados sobre produção e consumo de produtos plásticos em geral, que em 2016
registraram 5,86 e 6,1 milhões de toneladas, respectivamente. Apesar dessa agregação, a
Associação conta com uma Câmara Setorial de fabricantes de baldes industriais que reúne
fabricantes de baldes para as mais diversas aplicações e, periodicamente, se reúnem para
discutir e propor soluções a desafios que impactam o setor como um todo.
Segundo a Abiplast, os baldes plásticos são excelentes opções de embalagens,
principalmente para aplicações em tintas e vernizes. São embalagens inertes, resistentes
a contaminação e 100% recicláveis, sendo que em sua concepção já são pensadas para
atender o ecodesign e otimizadas para uso, descarte e reciclagem.
Soluções adequadas para o plástico
A Abiplast fomenta iniciativas para reciclagem, orientando seus associados a adotar boas
práticas e o ecodesign na concepção de seus produtos. Editou em 2016 a “Cartilha de
Reciclabilidade” com o intuito de orientar não só os fabricantes como os usuários das
embalagens a fazer as melhores escolhas de suas soluções, pensando também na
reciclagem dessas embalagens. A Associação afirma que tal conteúdo foi muito bem
aceito pelos fabricantes de baldes plásticos que já adotaram tais aspectos na produção de
suas soluções em embalagens.
Além disso, a entidade admite participar ativamente da implementação do acordo setorial
de embalagens que visa aumentar a reciclagem de materiais pós-consumo e está
trabalhando próximos às cooperativas para promoção de treinamentos para melhor
identificação e valoração de produtos plásticos. Em abril deste ano, a Abiplast inaugurou
o banco de resíduos, um espaço virtual onde também é estimulado o comércio de resíduos
para reciclagem. Além disso, a Câmara Setorial de Fabricantes de Baldes Industriais vem
estudando modelos de logística reversa para baldes, de forma a viabilizar a reciclagem
desses baldes em parceria com empresas fabricantes e recicladores. O objetivo, de acordo
com a Associação, é aumentar a taxa de reciclagem de baldes industriais e, ao mesmo
tempo, minimizar custos de logística e tratamento de resíduos dos usuários de nossas
embalagens.
Fonte: Revista Tintas e Vernizes

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