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Metodologia de Pesquisa e Educação

PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA: o processo de produção e de


sistematização do conhecimento

27/05/2021

Antônio Joaquim Severino – Estuda a área de metodologia de pesquisa

PONTO DE PARTIDA E OBJETIVO:

-Reconhecimento do papel da pós graduação como espaço de pesquisa

ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO –

Fundamento teórico – fundamento epistemológico – precisa ter na

Tendo o projeto de pesquisa colocado em questões que nos tras a


inquietação – todo o processo ganham dimens

finalidade intrínseca e imanente do conhecimento: contribuir


intencionalizadamente para a emancipação dos homens, investindo nas
forças construtivas das práticas reais mediadoras da existência histórica.

A pós-graduação brasileira, como modalidade institucional, está


completando seus quarenta anos – CAMPO RECENTE

cuja atuação competente e dedicada se faz marcante no âmbito teórico e


prático de todas as áreas do conhecimento,

A Pós-Graduação stricto sensu como lugar de produção de conhecimento

todos os momentos e espaços do ensino superior deveriam estar


perpassados pela postura e pelas práticas investigativas.1 Com maior razão
ainda, no âmbito da pós-graduação, essa postura é absolutamente
imprescindível, pois, a prática sistematizada da investigação científica
encontra aí o seu lugar natural, uma vez que sua atividade específica é a
própria pesquisa.

DESAFIO PESSOAL: desenvolver uma pesquisa que realize, efetivamente,


um ato de criação de conhecimento novo, um processo que faça avançar a
ciência

MESTRADO PROFISSIONAL X ACADÊMICO

Enquanto que, de um lado, o mestrado profissional, atento às necessidades


sempre aceleradas de novas tecnologias para o mundo da produção,
preocupa-se em repassar as contribuições mais recentes do conhecimento já
produzido em sua área, de outro lado, um mestrado acadêmico, se
adequadamente compreendido, tem sua razão de ser na construção de
conhecimento novo.2

Trata-se de se fazer ciência e não apenas de transmiti-la.

Impõe-se, então, o desenvolvimento de fundamentação teórica, de reflexão


sistemática, de levantamento de dados empíricos, documentais ou
históricos ...

A pós-graduação não se prioriza como processo de escolarização -


precisam atuar prioritariamente como docentes pesquisadores, ou melhor
ainda, como pesquisadores docentes.

As exigências epistemológicas, metodológicas e técnicas para a


produção do conhecimento

Só a teoria pode caracterizar como científicos os dados empíricos. Mas, em


compensação, ela só gera ciência se estiver articulando dados empíricos
esse processo não pode nunca ser confundido com o processo de criação,
como se o sujeito pudesse, de algum modo, fazer um objeto existir. O que
se quer dizer é que para se apreender o objeto como sendo significativo
para nós, sujeitos, é preciso como que refazer a estrutura desse objeto, seja
ele um objeto físico, simbólico ou imaginário. Esse é o modo humano de
conhecer

Construir o objeto de conhecimento é, pois, pesquisar. Pesquisar, por sua


vez, é expor e explorar a estrutura dos objetos, mediante instrumentos
epistemológicos e técnicos adequados, - FONTES PRIMÁRIAS E
SECUNDÁRIAS (?)

A vivência acadêmica e científica na Pós-Graduação, a prática da


pesquisa e sua expressão

IMERSÃO NUM CONTEXTO PROBLEMATIZADOR

O desencadeamento do processo de construção do conhecimento, tal como


previsto por uma situação de pós-graduação, está ligado à inserção do
pesquisador num universo de problematização. O pesquisador precisa estar
imerso num contexto problematizador

É o que se espera do currículo de um curso de pós-graduação: é por isso


que, além das disciplinas, esse currículo envolve e estimula um conjunto
variado de atividades: leituras avulsas, seminários, participação em eventos
científicos, produções parciais, debates, estudos em grupo, todas atividades
destinadas a colocar o pós-graduando num clima de problematização, de
discussão.

O pesquisador precisa vivenciar uma experiência problematizadora


A centralidade das linhas de pesquisa

Os alunos não devem estar envolvidos apenas no processo de orientação


individualizada com seu orientador

O projeto de pesquisa como roteiro de trabalho

ele constitui um roteiro fundamental, delimitando bem o caminho a ser


percorrido, as etapas a serem vencidas, os instrumentos e as estratégias a
serem aplicados ao longo de sua execução. O projeto deve delimitar, com o
máximo de clareza e precisão, o objeto da pesquisa, sua problematicidade,
a contribuição que a pesquisa trará, as hipóteses que pretende defender, os
objetivos a serem alcançados, as referências teóricas, os procedimentos
metodológicos e técnicos que serão utilizados, o cronograma de execução e
as fontes documentais em que se baseará a investigação.

O Exame de qualificação

Exigência formal dos cursos de pós-graduação, é um momento


intermediário importante para o desenvolvimento da pesquisa e da
elaboração da dissertação ou da tese. Trata-se de uma avaliação preliminar
(feita por uma banca na qual, além do orientador, atuam dois outros
examinadores) dos resultados obtidos pelo pós-graduando numa fase que
não seja nem muito inicial nem muito final, de modo a que o aluno possa,
eventualmente, reorientar suas atividades de pesquisa e de reflexão.
Representa, assim, uma contribuição valiosa para o aluno mas também para
o orientador, uma vez que traz o ponto-de-vista de outros leitores.

Sob a forma de um pequeno memorial, esse relatório deve apresentar uma


avaliação articulada dos cursos e atividades realizados em relação a sua
vida na pós-graduação; o projeto de sua pesquisa, em sua versão técnica;
alguns produtos parciais já obtidos, incluindo partes da redação do texto, de
modo que a banca possa se formar uma noção objetiva da natureza, do
estilo e da qualidade do trabalho que está sendo desenvolvido

Como elaborações dissertativas, são constituídas pelo desenvolvimento de


um raciocínio demonstrativo, logicamente articulado, devendo estar
comprovando, mediante argumentos, uma hipótese que é uma solução
proposta para um problema.

DIFERENÇA MESTRADO E DOUTORADO

é preciso referir-se à questão da relevância social da ciência e da pesquisa


nesse âmbito.

como sujeito social e coletivo que é, não podem perder de vista essa
finalidade intrínseca e imanente do conhecimento: contribuir
intencionalizadamente para a emancipação dos homens, investindo nas
forças construtivas das práticas reais mediadoras da existência histórica. Só
assim torna ética sua atuação profissional e científica
ARTIGO: A relação orinetador-orientando na Pós-graduação stricto
sensu no Brasil: a autonomia dos discentes em discussão

O que se procura é a compatibilidade de interesses frente ao projeto e


temática a ser pesquisada, além da preocupação em selecionar alunos com
prévio conhecimento teórico

e metodológico em pesquisa. Os orientadores afirmam preferir candidatos


com capacidades técnicas – compreendidas como o conjunto de
conhecimentos teórico-metodológicos que o orientando possui frente ao
“fazer pesquisa” −, comprometidos com seus deveres e disciplinados, e não
por características pessoais e/ou afetivas.

A autonomia dos orientandos pode e deve ser fomentada durante o


processo de construção de uma dissertação ou tese. E essa tarefa será
facilitada se partir de envolvimentos anteriores em pesquisa por parte do
aluno.

Referimo-nos à autonomia do orientando frente ao processo de escrita e da


escolha da temática, e não à autonomia entendida como “deixar o
orientando sozinho”.

A orientação, nesse aspecto, precisa estar pautada no respeito e na


democracia.
LIVRO: UM DISCURSO SOBRE AS CIÊNCIAS

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS

defendo uma posição epistemológica antipositivista e procuro fundamentá-


la à luz dos debates que então se travavam na física e na matemática.

defendo que todo o conhecimento científico é socialmente construído

e defendo que a ciência, em geral, depois de ter rompido com o senso


comum, deve transformar-se num novo e mais esclarecido senso comum.

Por um lado, as potencialidades da tradução tecnológica dos conhecimentos


acumulados fazem-nos crer no limiar de uma sociedade de comunicação e
interactiva libertada das carências e inseguranças que ainda hoje compõem
os dias de muitos de nós: o século XXI a começar antes de começar

fazem-nos temer que o século XXI termine antes de começar.

Qual das imagens é verdadeira? Ambas e nenhuma. É esta a ambiguidade e


a complexidade da situação do tempo presente, um tempo de transição,
smcrone com muita coisa que está além ou aquém dele, mas
descompassado em relação a tudo o que o habita.

é necessário voltar às coisas simples, à capacidade de formular perguntas


simples, perguntas que, como Einstein costumava dizer, só uma criança
pode fazer mas que, depois de feitas, são capazes de trazer uma luz nova à
nossa perplexidade.
SENSO COMUM X CIENTIFICO X VIRTUDE

ROUSSEAU: o progresso das ciências e das artes contribuirá para purificar


ou para corromper os nossos costumes?

Há alguma razão de peso para substituirmos o conhecimento vulgar que


temos da natureza e da vida e que partilhamos com os homens e mulheres

da nossa sociedade pelo conhecimento científico produzido por poucos e


inacessível à maioria? Contribuirá a ciência para diminuir o fosso crescente
na nossa sociedade entre o que se é e o que se aparenta ser, o saber dizer e
o saber fazer, entre a teoria e a prática?

Foram assim as perguntas de Rousseau; terão de ser assim as nossas.

e temos finalmente de perguntar pelo papel de todo o conhecimento


científico acumulado no enriquecimento ou no empobrecimento prático das
nossas vidas, ou seja, pelo contributo positivo ou negativo da ciência para a
nossa felicidade.

Teremos forçosamente de ser mais rousseaunianos no perguntar do que no


responder

O PARADIGMA DOMINANTE

Duas formas de conhecimento não científico (e, portanto, irracional)


potencialmente perturbadoras e intrusas:Io senso comum e as chamadas
humanidades ou estudos humanísticos (em que se incluíram, entre outros,
os estudos históricos, filológicos, jurídicos, literários, filosóficos e
teológicos);!

outro.
Ao contrário da ciência aristotélica, a ciência moderna desconfia
sistematicamente das evidências da nossa experiência imediata. Tais
evidências, que estão na base do conhecimento vulgar, são ilusórias.

PROBLEMA: Deste lugar central da matemática na ciência

moderna derivam duas consequências principais. Em primeiro lugar,


conhecer significa quantificar. O rigor científico afere-se pelo rigor das
medições.

O que não é quantificável é cientificamente irrelevante.||Em segundo lugar,


o método científico assenta na redução da completoxidade.

Já em Descartes uma das regras do Método consiste precisamente em


"dividir cada uma das dificuldades... em tantas parcelas quanto for possível
e requerido para melhor as resolver"11. A divisão primordial é a que
distingue entre "condições iniciais" e "leis da natureza"

As leis da ciência moderna são um tipo de causa formal que privilegia


o como funciona das coisas em detrimento de qual o agente ou qual o
fim das coisas. É por esta via que o conhecimento científico rompe com
o conhecimento do senso comum

Montesquieu pode ser considerado um precursor da sociologia do direito ao


estabelecer a relação entre as leis do sistema jurídico, feitas pelo homem, e
as leis inescapáveis da natureza.

Para estudar os fenómenos sociais como se fossem fenómenos naturais, ou

seja, para conceber os factos sociais como coisas, como pretendia


Durkheim.

As ciências sociais não podem estabelecer leis universais porque os


fenómenos sociais são historicamente condicionados e culturalmente
determinados;|
as ciências sociais não podem produzir previsões fiáveis porque os seres
humanos modificam o seu comportamento em função do conhecimento que
sobre ele se adquire;/

os fenómenos sociais são de natureza subjectiva e como tal não se deixam


captar pela objectividade do comportamento;

A ciência social será sempre uma ciência subjectiva e não objectiva como
as ciências naturais;

A CRISE DO PARADIGMA DOMINANTE