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Circuitos magnéticos são caminhos estabelecidos para um fluxo magnético.

Nas
máquinas elétricas, os condutores são percorridos por correntes que interagem com os campos
magnéticos, resultando na conversão eletromecânica de energia.

Existe, como veremos mais adiante, uma grande semelhança entre a análise dos
circuitos elétricos e magnéticos. Além disso, o estudo desta área exige um cuidado especial,
devido as várias unidades de medidas para as mesmas entidades. Como norma, entretanto,
estaremos usando sempre o padrão SI.

2.1- Campo Magnético – Conceitos e definições

Se tomarmos um ímã permanente sabemos que na região do espaço em torno dele


haverá um campo magnético que pode ser representado por linhas de campo magnético
semelhantes às linhas de campo elétrico. Entretanto, as linhas de campo magnético não
possuem pontos de origem nem de finalização, mas sim curvas fechadas como pode ser
observado na figura 2.1.

Fig. 2.1- Linhas de campo de um


ímã permanente

Por definição, as linhas de campo se originam no pólo NORTE e terminam no pólo SUL,
retornando ao pólo norte por dentro do material magnético. Lá, as linhas de campo são
simetricamente distribuídas, se utilizando de espaços iguais entre si.
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É importante também entender que as linhas de campo procuram ocupar sempre a


menor área possível . Isto resulta em linhas de campo com o mínimo de comprimento entre
pólos de tipos diferentes.

Fig. 2.2- Efeito do campo magnético sobre


algumas amostras de materiais.

Se colocarmos um material não magnético, como madeira ou vidro, nas proximidades


de um ímã permanente, a distribuição das linhas de campo sofrerá alteração quase que
imperceptível (figura 2.2). Entretanto, se um material magnético, como ferro doce, for colocado
nas proximidades do ímã, as linhas de campo darão preferência pela passagem no ferro ao
invés da passagem pelo ar. Este princípio é usado na prática para construir blindagens
magnéticas para proteger instrumentos elétricos e outros componentes sensíveis a ação do
campo magnético.

2.2- Condutor carregado – Regra da Mão Direita

Em 1820, o físico dinamarquês Hans C. Oersted descobriu que a agulha de uma


bússola defletia quando era colocada nas proximidades de um fio condutor percorrido por
corrente. Esta foi a primeira evidência experimental de uma relação entre eletricidade e
magnetismo. No mesmo ano, o físico francês André-Marie Ampère realizou experimentos neste
campo e formulou uma lei conhecida como Lei de Ampère.

Fig. 2.3- Aspecto da Regra da


Mão Direita.

Sabemos então que um condutor percorrido por corrente elétrica gera campo magnético
no seu espaço. Este campo formado (B) circunda o condutor, conforme mostra a figura 2.3.
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Para determinar a direção e o sentido das linhas de campo, idealizou-se uma regra chamada
Regra da Mão Direita. Basta colocar o polegar da mão direita no sentido convencional da
corrente e observar a posição dos outros dedos da mão. Eles indicarão o sentido do campo
magnético.

Se o condutor for enrolado formando uma espira (figura 2.4), as linhas de campo terão a
mesma direção e sentido no centro da espira. Uma bobina com mais de uma espira produzirá
um campo magnético com um caminho contínuo em torno da bobina (figura 2.5).

A distribuição das linhas de campo de uma bobina é bastante similar à de um ímã


permanente. As linhas de campo entram na bobina pelo lado esquerdo e saem pelo lado direito
simulando os pólos Norte e Sul, respectivamente (figura 2.5).

Fig. 2.4- Linhas de campo em Fig. 2.5- Linhas de campo em uma


uma espira percorrida por bobina percorrida por corrente.
corrente. Observe os lados Norte e Sul.

Eletroímã

Um eletroímã é uma bobina de várias espiras com um núcleo de material


ferromagnético (com alta permeabilidade magnética) que possui as mesmas propriedades de
um ímã permanente. A grande diferença é que num eletroímã é possível controlar a
intensidade de campo magnético através de seus parâmetros (corrente, número de espiras,
etc).

Para se determinar o sentido de campo num eletroímã, basta usar a regra da mão
direita também, mas invertendo os dedos, ou seja: polegar no sentido do campo e os demais
dedos no sentido da corrente elétrica (veja figura 2.6).

Fig. 2.6- Determinação do sentido das linhas de campo no interior de um eletroímã:


a) mão direita b) notação.

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Força Mecânica e Eletromotriz (fem) – Regra da Mão Esquerda

Quando um condutor de comprimento l se movimenta com velocidade v na direção


perpendicular a um campo magnético de densidade B (dirigida para dentro do papel), conforme
mostra a figura 2.7, cada partícula elétrica carregada do condutor experimenta uma força fq,
que pode ser expressa como:

fq

+ v
l
-

fq
B

Fig. 2.7- Condutor mergulhado num campo


magnético com velocidade v.

fq = q.(v x B) (2.1)

A força sobre uma carga positiva q+ está na direção como mostra a figura 2.7. As
cargas positivas são forçadas a se deslocarem para cima e as negativas se deslocarem para
baixo. Como resultado final, nas extremidades do condutor teremos uma diferença de potencial
(concentração de cargas q+ em cima e concentração de cargas q- embaixo).

Em outras palavras, um condutor mergulhado num campo magnético e se movendo


perpendicularmente sobre ele provocará o surgimento de uma força eletromotriz (tensão) no
condutor. O valor da fem 'e' pode ser determinada pela equação (2.2) a seguir:

fem = e = B. l. v (2.2)

onde B é a densidade de campo (em Tesla), l é o comprimento do condutor mergulhado no


campo e v a velocidade de deslocamento do mesmo.

Uma interpretação da equação (2.2) é que a fem é exatamente igual à razão em que o
fluxo magnético está sendo "cortado" pelo condutor. Em geral, a fem, um escalar, é dada pela
expressão vetorial:
e = B. (l x v) = B. l. v. cos α. sen ϕ

onde α é o ângulo entre B e a normal ao plano que contém l e v, e ϕ é o ângulo entre l e v.

Fig. 2.8- Regra da Mão Esquerda auxilia na


localização da direção e sentido da força
mecânica.

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Se fecharmos um caminho elétrico entre as extremidades deste condutor (colocando


uma resistência elétrica, por exemplo), surgirá uma corrente elétrica circulante pelo condutor e
pela resistência, enquanto houver o deslocamento do mesmo (velocidade v). A corrente será
devido ao deslocamento das cargas elétricas negativas. O surgimento desta corrente então
provoca o aparecimento de um fluxo magnético, conforme a regra da mão direita visto
anteriormente. Como o condutor está mergulhado num campo magnético B aparecerá uma
força mecânica de deslocamento F. Tal força pode ser determinada pela equação (2.3):

F = i. (l x B) [em Newton] (2.3)

sendo B e l vetoriais e i escalar. Ou de forma escalar:

F = B. i. l [em Newton] (2.3a)

Como o resultado da equação (2.3) é um vetor, sua direção e sentido pode ser
determinada pela "Regra da Mão Esquerda", conforme mostra a figura 2.8.

OBS.: Esta regra mostra exatamente a força que aparece quando mergulhamos uma bobina
carregada por corrente num campo magnético. Tal força provoca o deslocamento da bobina e
se esta estiver sobre um eixo rotativo provocará sua rotação, que é o princípio de um motor
elétrico (que será visto mais adiante).

2.3- Densidade de Fluxo Magnético

Vimos que o fluxo magnético são as linhas de campo que nascem no pólo Norte de um
ímã permanente. O fluxo magnético é medido em weber (Wb) no sistema SI e seu símbolo é a
letra grega phi (ϕ). Um (1,0) weber equivale a 10 8 linhas de campo.

Fig. 2.9- Linhas de campo sobre uma área A definem a Densidade de


Fluxo Magnético.

O número de linhas de campo que corta uma determinada área A é chamado


Densidade de Fluxo Magnético, representada pela letra B e medida em tesla, em homenagem
ao cientista croata-americano Nicola Tesla.

A densidade de fluxo é calculada pela equação:

ϕ
B= [T ] (2.4)
A

onde ϕ é dado em weber e a área A em m2 .

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Por definição:
1,0 T = 1,0 Wb / m2.
-4
A densidade de fluxo também pode ser expressa em gauss (Sistema CGS) e vale 10
tesla.
Logo:
1,0 T = 1,0 Wb/m2 = 104 gauss

O instrumento usado para medir a densidade de fluxo B é chamado "gaussímetro" ou


"Teslameter" (figura 2.10).

Fig. 2.10- Exemplo de um gaussímetro da FW Bell (USA)

Exemplo de aplicação 2.1:

Um gaussímetro indica uma densidade de fluxo de 4,64 gauss sobre uma superfície
de 25 cm2. Qual o fluxo magnético presente na superfície ?

Solução:

Sabemos que: 25 cm2 à 25.10-4 m2

4,64 gauss à 4,64.10 -4 T

Logo:
ϕ = B.A = 4,64.10 -4 . 25.10-4

ϕ = 116.10-8 Wb ou 116 linhas de campo.

Lembrando que 1,0 Wb = 108 linhas de campo.

µ)
2.4- Permeabilidade Magnética (µ

É a medida da facilidade com que as linhas de campo (fluxo magnético) podem se


estabelecer dentro de um material.

Se diferentes materiais com as mesmas dimensões forem introduzidos numa bobina, a


força do ímã criado pelo conjunto (eletroímã) variará de acordo com o material usado. Esta

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variação se deve ao fato do material ter ou não capacidade de concentrar as linhas de campo
dentro do núcleo.

Os materiais, através dos quais as linhas de campo podem se estabelecer com relativa
facilidade, são denominados "magnéticos" e possuem elevada permeabilidade magnética. Esta
grandeza é semelhante, em muitos aspectos, à condutividade elétrica.

A permeabilidade magnética no vácuo (espaço livre) é dada por:

µ0 = 4. π. 10-7 (Wb/A.m)

Este é o menor valor para a permeabilidade.

Na prática, materiais não-magnéticos (cobre, alumínio, vidro, madeira, ar, água, etc)
possuem um µ quase igual a µ0 .

Materiais com µ um pouco maior que µ0 são chamados de "materiais


paramagnéticos". Os materiais ferromagnéticos são os materiais que possuem uma
permeabilidade muito superior ao µ0 (de 100 a 1000 vezes mais). Exemplos de
ferromagnéticos: ferro, aço (alguns deles), níquel, ligas metálicas, ouro, etc.

A razão entre a permeabilidade magnética do material e a do vácuo é chamada


"permeabilidade relativa", ou seja:

µ
µr = (2.5)
µ0
Em geral, os ferromagnéticos possuem µr ≥ 100 e os não-magnéticos, µr ≈ 1,0.

O valor de µ0 também é conhecido como "constante magnética". Segue abaixo alguns


exemplos de permeabilidades relativas de certos materiais:

Material Permeabilidade relativa


Ar 1
Ligas de Ferro e Silício 5 000 a 8 000
Mumetal (liga de Fé, Ni, Cu e Cr) 45 000
Liga 1040 (Ni, Fé, Cu, Mo) 100 000

Mesmo que o material magnético tenha uma estreita relação com a permeabilidade, seu
valor não é único para o mesmo material. Ou seja, digamos que estamos estudando o aço-
silício. Dependendo da quantidade de intensidade de campo aplicado, seu µ variará em função
dessa quantidade. Isto ficará mais claro quando vermos como se comporta os materiais
magnéticos perante uma variação de intensidade de campo.

2.5- Intensidade de Campo (H)

Também conhecida como força magnetizante, representa a "força" exercida pelo fluxo
magnético para atrair ou repelir materiais.

Se lembrarmos das brincadeiras com dois ímãs permanentes, veremos que a medida
que aproximamos dois pólos diferentes (N-S por exemplo) é necessário mais "força" nas mãos
para não deixá-los encostas. A medida que os afastamos, menos "força" é requerida. Numa
outra situação, se aproximarmos dois pólos iguais (N-N por exemplo) veremos que é
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necessário mais "força" nas mãos para tentar aproximá-los. A medida que os afastamos,
também menos "força" é necessária.

É interessante saber também que a intensidade de campo é independente do tipo de


material onde será estabelecido o fluxo (se é magnético ou não).

Ela pode ser determinada pela seguinte equação:

N .I (2.6)
H= ( A.esp / m)
l
onde:
N = n0 de espiras que formará o fluxo magnético.
I = a corrente que circula nas espiras (A).
l = o comprimento da trajetória magnética (m).

Conforme características observadas nos materiais imersos em campo magnético,


existe uma relação entre a densidade de campo B e a sua intensidade de campo H, dada por:

B = µ.H (2.7)

Esta relação indica que, para um dado valor específico da força magnetizante, quanto
maior o µ, maior será a densidade B induzida. Em outras palavras, materiais com alta
permeabilidade podem conduzir mais linhas de campo dentro do material, sem fazer muita
"força" (intensidade de campo) externa.

Portanto, a força magnética aplicada tem um efeito preponderante na permeabilidade do


material magnético. À medida que H aumenta, µ sobre até um valor máximo e então cai para
um valor mínimo, conforme podemos observar na figura 2.11.

Fig. 2.11- Curvas da permeabilidade magnética comparadas à curvas de densidade de campo.

OBS.: O único µ que não varia com a variação de H é o µ0, pois já é um valor fixo.

A expressão (2.6) anterior pode ser obtida pelo experimento com um toróide semelhante
ao da figura 2.12, abaixo.

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Sabemos que existe uma relação direta entre o fluxo magnético ϕ e a corrente I que
circula no condutor (bobina). Quanto maior a corrente, maior é o fluxo magnético. Este fluxo
dará preferência para circular dentro do material magnético (núcleo), pois com certeza seu µ
será bem maior que o do ar.

Fig. 2.12- O Toróide mostra a trajetória


magnética definida pelo núcleo magnético.

Desta forma, fica estabelecida a trajetória que o fluxo irá desenvolver, ou seja,
percorrerá o núcleo por completo. Assim, o comprimento da trajetória magnética será o
comprimento do núcleo do toróide.

Percebemos então que a força magnetizante depende diretamente do produto das


espiras da bobina com o valor da corrente e inversamente do comprimento da trajetória
magnética. Quanto maior o comprimento médio do núcleo, menor é a força magnetizante
produzida, para a mesma quantidade de linhas de campo que circula no núcleo.

Exemplo de aplicação 2.2:

Seja um toróide de ferro com 20 cm de comprimento e uma bobina de 50 espiras


espalhadas pelo núcleo. Faz-se circular uma corrente de 200mA na bobina. Determine a força
magnetizante H produzida no meio do material do toróide.

Solução:
N .I 50.200.10 −3
Pela equação (2.6), temos: H= = ⇒ H = 50 A.esp / m
l 20.10 − 2

Se o toróide fosse de madeira (µ ≅ µ0), calcule a intensidade de campo. O que


você acha do valor da resposta em comparação ao do exemplo ? Explique.

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2.6- Força Magnetomotriz (fmm)

Para definirmos esta entidade, vamos continuar analisando a figura 2.12. Na bobina de
N espiras do toróide, o efeito desejado é que surja um fluxo magnético no núcleo da mesma.

Na verdade, a produção de fluxo pela passagem de corrente no condutor pode ser


multiplicada criando-se várias espiras do mesmo condutor. Portanto, a mesma corrente
multiplica a produção de fluxo magnético, através das N espiras da bobina.

Pois bem, este produto (N x I) é entendido como a "força" (pressão) necessária para
estabelecer o fluxo magnético no interior do material. Tal força definimos então como "força
magnetomotriz" (fmm). Seu símbolo é o F e a sua unidade é o ampère-espiras (Aesp). A
propriedade que se opõe a criação do fluxo magnético é a relutância, que será vista mais
adiante.

Portanto, podemos calcular a fmm como:

F = N.I (Aesp) (2.8)

Porém, já vimos na equação (2.6) que:

N .I
H=
l
Logo:

F = H. l (Aesp) (2.9)

Estas são as duas, de três possíveis, maneiras de calcular a fmm em um circuito


magnético.

Na prática, podemos entender que uma bobina de N espiras, onde circula uma corrente
I, é na verdade um "gerador" de fluxo magnético, através da sua força magnetomotriz.

Será que existe alguma semelhança entre a fmm e a fem ? Elas não são
geradoras de alguma coisa ?

Exercício Proposto 2.1:

Um anel de madeira em forma de um toróide tem um raio médio de 30 cm. Tal anel é
bobinado com 600 voltas uniformemente distribuídas. A área da seção do toróide é de 4,0 cm2.
Uma corrente de 2,0 A é aplicada ao sistema. A permeabilidade da madeira pode ser
considerada igual a do vácuo. Calcular:

a) A intensidade de campo magnética;


b) A densidade de fluxo;
c) O fluxo magnético no interior do material;

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Exercício Proposto 2.2:

Para o mesmo sistema do exercício anterior, qual deve ser a corrente aplicada à bobina,
se desejarmos um fluxo magnético de 5,0.10-3 Wb ?

2.7- Relutância magnética

A resistência de um material ao estabelecimento de um fluxo magnético no seu interior


chamamos de relutância magnética (R ). Sua unidade é a "unidade de relutância".

Sabemos que: F = H.l e B = µ. H substituindo a segunda na primeira,

Temos: F = (B/µ). l

Sendo: B = ϕ / A e substituindo na equação anterior

Então: F = (ϕ. l )/ (µ. A) ou rearranjando a equação:

F = ϕ. (l / µ. A)

O termo entre parêntesis revela uma grande aproximação com a equação da resistência
elétrica, dada por: R = ρ. (l / A).

Examinando melhor a equação acima, podemos fazer uma interpretação similar para o
circuito magnético. Neste caso, (l / µ. A) é uma "resistência magnética" (relutância) que
depende do comprimento do material, da área e das propriedades físicas do mesmo.

Portanto, a relutância magnética é definida como:

R = ( l / µ. A ) (2.10)

Como decorrência disto:

F = ϕ. R (2.11)

que é a terceira maneira de expressar a força magnetomotriz. Portanto, a fmm gera um fluxo
magnético limitado apenas pela relutância do material onde está estabelecido o fluxo.

OBS.: Vale lembrar que a equação (2.11) é válida desde que B e A não variem.

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Dica do Prof. Arana

ϕ ÷A B
gráfico
H ×l F N.I

X R

Exercícios Propostos 2.3 :

1) Calcule a intensidade de campo (H) devido a um condutor reto, infinitamente longo,


percorrido por uma corrente de "I" ampère, em um ponto afastado de "r" metros do condutor.

2) Um núcleo é composto por três materiais ferromagnéticos diferentes. Num de seus lados
existe uma bobina de 100 espiras, como mostra a figura abaixo. O material X é uma liga de
ferro-níquel com um comprimento de 30 cm. O material Y é de aço-silício e tem um
comprimento de 20 cm. O material Z é de aço fundido doce de comprimento 10 cm. Cada
material tem a mesma área de seção transversal 10 cm2. Calcule:

X a) A fmm necessária para gerar um fluxo


i magnético no núcleo de 6,0.10-4 Wb.
b) A corrente que deve circular na bobina ?
Y c) Para o mesmo fluxo magnético, explique o que
acontece se o número de espiras diminuir ?
d) Qual a relutância na trajetória magnética em
cada material ?
Z e) Supondo que o material Z seja retirado do
núcleo, qual deve ser a corrente que deve
circular na bobina para gerar o mesmo fluxo magnético ?
f) Tente representar o sistema magnético acima em termos de circuito magnético.

3) Um sistema magnético é montado conforme a figura ao lado. 1


Sabendo que N= 100 espiras, ϕ = 9,0.10-4 Wb, A1= 25 cm2, A2= i
22,5 cm2, L1= 50 cm, L2= 80 cm e que o material do núcleo é
de aço silício, determine:
2
a) Qual deve ser a corrente que passa na bobina ?
b) Qual a relutância no material 1 e 2 ?

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4) Seja o sistema mostrado abaixo. Na bobina I1


1 temos I1 = 5,0 A e N1 = 80 espiras. Na
bobina 2 temos I2 = - 2,0 A e N2 = 400 espiras.
Bobina 1
Sabendo que o material é de aço fundido
doce, que a área da seção transversal é de 0,5
m2 e que o comprimento da trajetória
magnética é de 1,0 m, qual será o fluxo
magnético total resultante ?
Bobina 2
I2
Para que um fluxo magnético resultante seja
zero, quanto deverá ser I2 ? Despreze as
indutâncias mútuas das bobinas.

2.8- Entreferro

Antes de continuarmos com os tópicos, vamos considerar o efeito do entreferro nos


circuitos magnéticos. Um entreferro nada mais é que a ausência de material ferromagnético
num determinado trecho do sistema magnético, ou seja, no ar. Neste espaço, as linhas de
campo não percorrerão mais linearmente e com bastante escoamento como no material
magnético. Isto porque o ar, que possui uma permeabilidade magnética muito pequena
(próxima ao do vácuo), representa uma relutância muito alta. Faça a análise da equação (2.10).

A dispersão das linhas de campo neste espaço fora da área comum do núcleo
chamamos de " efeito de dispersão" das linhas de campo. Normalmente, para efeito de cálculo,
nós desprezamos o efeito da dispersão para não complicar o problema e neste caso, as linhas
seguem linearmente sua trajetória como se fosse um material de baixa relutância. Na prática,
consideramos um número muito próximo da realidade, conforme algumas experiências.

A densidade de fluxo no entreferro é dada por:

ϕg
Bg = (2.12)
Ag
onde, para todo efeito prático:

ϕg = ϕnúcleo
Ag = Anúcleo

Para toda aplicação prática, a permeabilidade do ar é igual a do vácuo (4.π.10-7).

A força magnetizante Hg no entreferro é determinado por:

Bg
Hg = (2.13)
µ0

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2.9- Analogia Circuito Elétrico – Circuito Magnético

Existe uma grande semelhança entre a análise dos circuitos elétricos e a dos circuitos
magnéticos. A tabela abaixo mostra as entidades de cada área e sua respectiva correlação.

Circuito Elétrico Circuito Magnético


Tensão (fem) Força Magnetomotriz (fmm)
Corrente (I) Fluxo magnético(ϕ)
Resistência (R) Relutância (R)
Condutividade (ρ) Permeabilidade (µ)
Condutância (G) Permeância (P) que é o inverso de R

Por analogia a LKT (Lei de Kirchhoff das Tensões), obtemos o seguinte:

Σ F=0 (2.14)

ou seja, que a soma das "quedas" das forças magnetomotrizes num circuito fechado é zero,
assim como é em circuitos elétricos.

2.10- Circuito magnético equivalente

Sistemas magnéticos podem ser representados através de circuitos magnéticos


equivalentes, similares aos circuitos elétricos. Para uso dos circuitos magnéticos, algumas
regras devem ser consideradas:

Regras para confecção de um circuito magnético equivalente

a) As dimensões das estrutura magnética são tais que a densidade de fluxo (B) em
qualquer seção transversal pode ser considerada uniforme.

b) A trajetória magnética no circuito é a trajetória média, salvo quando indicada.

c) A fmm total (F TOT) sempre será considerada a soma das fmm de cada material ou
trecho do sistema.

F TOT = F X + F Y + F Z = Hx.lx + HY.lY + HZ.lZ (2.15)

d) Dado um ponto P numa estrutura em T, temos que:

ϕ3 P ϕ2 ϕ1 = ϕ2 + ϕ3

ϕ1

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Exercício Propostos 2.4 :

Seja a estrutura magnética da figura abaixo feita de aço-silício. A área transversal da


estrutura é de 22,5 cm2 . Determine a corrente na bobina de 500 voltas para estabelecer um
fluxo magnético de 9,0. 10-4 Wb no braço direito da estrutura (trecho c-d).
5 cm 5 cm 5 cm

a b c 5 cm

20 cm

f e d 5 cm

40 cm

2.11- Curva de Magnetização

Nós vimos que a permeabilidade magnética dos materiais ferromagnéticos é bastante


alta (acima de 6000 vezes o µ0 ) e que pode ser considerada constante sem levar em
consideração a variação da força magnetomotriz aplicada no material. Embora a
permeabilidade seja constante no espaço livre, ela não é nos materiais ferromagnéticos.

Para ilustrar o comportamento da permeabilidade magnética deste materiais vamos


repetir aqui a figura 2.12 anterior (chamando agora de figura 2.13). Se a corrente I começar de
zero e irmos aumentando sua amplitude até o limite do condutor, teremos um fluxo magnético
também crescente.

Fig. 2.13- Um Toróide simples de núcleo magnético.

Se plotarmos este fluxo magnético versus a força magnetomotriz produzida, teremos


uma curva conforme a figura 2.14. Esta curva é chamada de Curva de Magnetização ou
Curva de Saturação. Nesta curva, podemos observar o seguinte: um pequeno incremento de
fmm (∆F) produz uma grande variação de fluxo magnético no núcleo (∆ϕ).

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A partir do ponto X, este comportamento se inverte, passando a pouquíssima geração


de fluxo magnético com o mesmo incremento de fmm. A partir deste ponto, qualquer
incremento de fmm produzirá baixíssimo aumento de fluxo. Chamamos esta região da curva de
região de Saturação e o núcleo é dito estar saturado.

ϕ (Wb)

∆ϕ

F (Aesp)

∆F

Fig. 2.14- Curva de Saturação de um material magnético.

A curva normal de magnetização é largamente utilizada em projetos eletromecânicos e


sistemas. Ela nos revela o comportamento não-linear da permeabilidade magnética frente a
uma força magnetomotriz (fmm).

A partir do gráfico da figura 2.14, podemos derivar o mesmo comportamento para uma
curva B x H. Para o fluxo magnético ϕ, se dividirmos pela área da seção transversal do toróide
(A), obtemos a densidade de fluxo (B). Para a força magnetomotriz (F) se dividirmos pelo
comprimento da trajetória magnética (l), obtemos a intensidade de campo (H). Tanto (A) quanto
(l) são entidades constantes e só dependem da estrutura física do sistema. Portanto, o
comportamento da curva B x H é o mesmo da curva ϕ x F .

2.11.1 - Por Que Isto Acontece ?

O fato da curva de saturação ter este comportamento se explica pelas próprias


características do material magnético.

A princípio, um material magnético isolado possui cristais de ferro que produzem


momentos magnéticos (M) apontando para diversas direções de forma aleatória, produzindo
uma resultante magnética nula (ΣM = 0). Neste estado então, um pedaço de ferro "emite" linhas
de campo magnético mas o resultado final é nulo (figura 2.15-a).

Quando este material passa a ficar imerso num campo magnético, os cristais de ferro
passam a se orientar magneticamente pelas linhas de campo externa. Esta orientação provoca
nos momentos magnéticos do material uma resultante diferente de zero (ΣM ≠ 0) e aí passam a
gerar também campo magnético facilitando ainda mais a passagem das linhas de campo
externas (figura 2.15-b). Isto melhora a fluidez das linhas, aumentando sua permeabilidade.
Quanto mais linhas externas (ou força magnetomotriz), maior é a resposta das linhas de campo
(B) do material. Isto pode ser representado pelo trecho linear da curva de magnetização (de
zero ao ponto X).
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Entretanto, chega um ponto que não há mais momentos magnéticos para serem
orientados pelas linhas externas. Ou seja, mesmo aumentando a fmm externa, o material
magnético não mais responde com a mesma intensidade. Estamos então na região de
saturação. Atingimos com isto o ponto máximo de densidade de fluxo permitido pelo material
(figura 2.15-c).

Sem influência de campo F externa F externa


externo
máxima
(a) (b) (c)

Fig. 2.15: (a) Momentos magnéticos orientados aleatoriamente. (b) Momentos magnéticos sob orientação
de uma fmm externa. (c) Material magnético totalmente saturado. Mesmo aumentando a fmm externa, não
se aumenta o B interno.

Fig. 2.16: Curvas de magnetização de diversos materiais magnéticos.

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2.12- Histerese

O efeito de histerese acontece sobre materiais ferromagnéticos quando submetidos a


um fluxo alternado ao longo do tempo. Isto é possível aplicando em sua bobina uma corrente
alternada. Para melhor compreensão sobre o fenômeno, vamos dar mais uma olhada no
toróide da figura 2.13.

Inicialmente, a corrente na bobina é nula e o núcleo não está magnetizado. Se a


corrente I aumentar gradativamente, a força magnetizante (H) aumentará para um valor dado
pela equação (2.6), repetida aqui:
H = N. I / l

Aumentando H, aumenta-se o fluxo magnético no núcleo também (e logicamente a sua


densidade magnética). Conforme o material magnético, a razão de crescimento se dá conforme
a curva de magnetização, já vista anteriormente.

Na região de saturação, a densidade de fluxo, para todo efeito prático, atingiu seu valor
máximo (BMAX). Qualquer aumento adicional de corrente não provocará aumento significativo
na densidade de fluxo.

Se diminuirmos gradualmente a corrente na bobina até zero, o caminho de retorno não


será sobre a curva de magnetização, devido as suas características magnéticas. Sua trajetória
será conforme a curva (a-b) da figura 2.17.

BRES B (Tesla)
a
b

HCOERC

- HMAX c f H (Aesp/m)

HX HMAX

- BRES
e
d

Fig. 2.17: Gráfico B x H mostrando o Laço de Histerese de um material magnético qualquer.

Quando H é zero (I = 0) haverá ainda uma densidade de fluxo positiva no material que
chamamos de "Densidade Residual" (BRES). É ela que torna possível a criação de ímãs
permanentes.

Se invertermos o sentido da corrente aplicada na bobina (lembre-se: estamos


trabalhando com corrente alternada), a força magnetizante (H) provocará sentido inverso
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também ao fluxo magnético. Isto provoca uma diminuição da densidade de fluxo residual até
ela se anular (trecho b-c).

A força magnetizante necessária para anular o efeito residual chamamos de "Força


Coercitiva" (- HCOERC), que é uma medida da coercitividade da amostra magnética.

Continuando a aplicação da corrente, a densidade de fluxo inverte de sentido (passa a


ser negativa) e cresce como no primeiro quadrante, chegando também a saturar reversamente
(trecho c-d). Neste ponto, temos (- BMAX) e (- HMAX). A corrente estará no seu pico máximo
negativo.

Voltando a corrente a reduzir sua amplitude, a intensidade de campo aplicada ao


material também se reduzirá. O fluxo magnético passa a diminuir, mantendo uma quantidade
residual de linhas de campo. Desta forma, quando H for igual a zero (trecho d-e), haverá uma
densidade residual contrária (- BRES). Note que, para uma dada intensidade de campo (Hx),
existem duas densidades de fluxo diferentes. Uma para quando H aumenta, outra para quando
H diminui.

Voltando a polarizar o sentido da corrente (positiva agora), passamos a desmagnetizar


o material até B = 0 (trecho e-f). A partir daí, se continuarmos aumentando a corrente na
bobina, o material magnético chagará a região de saturação novamente (trecho f-a). Com isto,
fecha-se o "Laço de Histerese".

Importante: Não existe apenas um único laço de histerese sobre o mesmo material, pois
depende muito do ponto sobre a curva de magnetização em que começou a se alternar o fluxo.

Alguns materiais possuem desenho do laço de histerese bastante típicos, como o do


ferrite (figura 2.18).

Fig. 2.18: Laço de Histerese do ferrite, que é um ótimo material ferromagnético.

2.13- Perdas no Núcleo (ou no Ferro )

O processo de magnetização e desmagnetização de um material ferromagnético em


condições cíclica e simétrica envolve o armazenamento e a liberação de energia que não é
totalmente reversível. Quando o material é magnetizado durante cada meio ciclo (primeiro
quadrante), tem-se que a quantidade de energia armazenada no campo magnético excede a
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que é liberada na fase de desmagnetização. Ou seja, haverá uma quantidade de energia que
será perdida no processo (ela se extingue na forma de calor, o que provoca perdas no núcleo).
O fator que provoca isto é a lenta reorientação dos momentos magnéticos dentro do material,
gerando a curva de histerese. Como o fenômeno da histerese ocorre no material magnético
(geralmente de ferro), chamamos isto de "perdas por histerese", que é uma das perdas que
há no ferro (núcleo magnético).

A área dentro do laço de histerese representa esta perda de energia devido ao próprio
fenômeno. Devido a complexidade matemática de se determinar a área do laço de histerese,
foram realizados estudos experimentais e definida uma equação empírica para o cálculo
aproximado das perdas por histerese no ferro. A equação é:

PHisterese = Kh. f. Bm1,5 à 2,5 (Watt / kg) (2.16)

Onde:
Bm : Densidade de fluxo magnético máximo.
f : Freqüência da corrente alternada.
Kh : Constante de proporcionalidade que depende do material e da permeabilidade do
material. Também conhecido como "Coeficiente de Steinmetz".

Exemplo de Kh :

- Aço Forjado ......: 0,025


- Aço Silício .........: 0,001
-Permalloy (FeNi) : 0,0001 (80% Ni e 20% Fe)

Veja mais sobre Charles Proteus Steinmetz em:


http://chem.ch.huji.ac.il/~eugeniik/history/steinmetz.html

Devido a alternância da corrente na bobina (di/dt) e, conseqüentemente, uma variação


do fluxo magnético no núcleo (dϕ/dt), surgem aí tensões induzidas (instantâneas) em diversos
pontos do núcleo. Como o material é também condutor elétrico (logo, possui uma resistência
ôhmica) surgem correntes instantâneas no núcleo que são correntes não desejadas
(projetadas) e por isso chamadas de "Correntes Parasitas". Estas correntes são também
conhecidas por "Correntes de Foucault" e que provocam perdas (efeito Joule) no material. Da
mesma forma que as perdas por histerese, as perdas por correntes parasitas podem ser
calculadas, empiricamente, por:

Pcp = ke. f2. B2m (Watts / kg) (2.17)

Onde:
Bm : Densidade de fluxo magnético máximo.
f : Freqüência da corrente alternada.
Ke : Constante de proporcionalidade que depende da espessura do material e da sua
condutividade.

Portanto, existem dois tipos de perdas no núcleo: as perdas por histerese e as perdas
por correntes parasitas (perdas por correntes de Foucault).

2.13.1 - Método de Redução das Perdas por Corrente Parasita

Como vimos, as correntes parasitas são oriundas da variação do fluxo magnético dentro
do núcleo. Esta variação provoca uma diferença de potencial no material que, sendo condutor
elétrico, gera uma corrente elétrica. É a corrente parasita.

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Uma forma de diminuir sensivelmente este efeito parasita é a redução da área


disponível para circulação desta corrente. Ou seja, construir o núcleo não de forma maciça,
mas de forma laminar. Seria um conjunto empilhado de lâminas finas, isoladas através de
material não condutivo (geralmente um verniz) entre elas. Assim, haverá menos material
condutor e menos diferença de potencial para gerar tais correntes.

Fig. 2.19: Corrente parasita num núcleo de ferro. A linha tracejada branca da figura representa
a corrente parasita (ib) se fosse um núcleo maciço. As linhas pretas representam as correntes
parasitas com o núcleo laminado (ia).

Fig. 2.20: Corrente parasita num núcleo de ferro. Maciço (b) e laminado (a) e (c).

2.13.2 - Fator de Empilhamento

Devido ao núcleo ser empilhado e não montado de forma maciça, sua área transversal
fica um pouco maior. Isto decorre do acréscimo da camada de isolação elétrica (geralmente
verniz) depositada em ambas as faces da lâmina, aumentando assim o pacote do núcleo (vide
figura 2.20, espessura d1). A razão entre a espessura só de material magnético (maciço) e a
espessura de todas as lâminas empilhadas chamamos de "Fator de Empilhamento".

Fe = epuro / eempilhado ou Fe = Área útil / Área medida (2.18)

onde Fe sempre menor que 1.


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Exemplo de aplicação 2.3 :

Um núcleo magnético formado por lâminas de aço-silício possui uma área


transversal de 4,0 cm2 e um fator de empilhamento de 90 %. Qual é a área líquida
a ser considerada para o cálculo da densidade de fluxo ?

Solução:

Fe = 0,9 Fe = Autil / Amedida à Autil = 0,9 x 4,0 à Autil = 3,6 cm 2


Amedida = 4,0 cm2

2.14 - Perdas no Cobre

As perdas no cobre são as perdas ocorridas no bobinado dos sistemas magnéticos,


devido a resistência ôhmica do material condutor. Nas verdade, qualquer material elétrico
condutor pode ser usado para se formar as bobina (alumínio, cobre, liga de ferro, etc). Como
historicamente eram usados cobre para tal, ficou a designação de "perdas no cobre" para
denominar as perdas ocorridas no bobinado.

Conhecida a resistência ôhmica do material, para se calcular as perdas, basta usar a


seguinte expressão:

PCOBRE = R. I2 (W) (2.19)

Onde R é a resistência ôhmica do material e I é a corrente que passa pela bobina.

2.15 - Demonstração Matemática das Perdas no Cobre e no Ferro

Seja a bobina do toróide da figura 2.13. Pelo sistema, temos que:

U(t)= R. i(t) + e(t)

sendo U(t) : tensão aplicada nos terminais da bobina


R.i(t) : queda de tensão devido a resistência R do cobre.
e(t) : tensão induzida na bobina.

Desenvolvendo a equação, temos:

U(t)= R. i(t) + e(t) = R. i(t) + N. dϕ(t) / dt ⇔ U(t). i(t)dt = R. i(t). i(t)dt + N. (dϕ(t). i(t)dt) / dt ⇔

U(t). i(t)dt = R. i2(t)dt + N. dϕ(t). i(t) à integrando ambos os lados de 0 a T (período), temos:

T T T

∫ U (t ). i(t )dt = ∫ R. i (t )dt + ∫ N . i (t ). dϕ(t )


2

0 0 0

Da integral 1 podemos desenvolver seus termos da seguinte forma:

N. i(t). dϕ(t) ⇒ sendo N. i = H. l então N. i(t). dϕ(t) = H(t). l. dϕ(t)

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Sendo dϕ(t) = A. dB(t) ⇒ H(t). l. dϕ(t) = H(t). l. A. dB(t)

Sendo A. l. = Volume (área x comprimento), temos que:

H(t). l. A. dB(t) = H(t). V. dB(t)

Portanto:
T T

∫ N .i(t ). dϕ(t ) = ∫ V . H (t ). dB(t )


0 0

Logo:
T T T

∫U (t ).i(t )dt = ∫ R.i (t )dt + ∫ V . H (t ). dB(t )


2

0 0 0

Potência = Perdas no + Perdas por


Consumida cobre Histerese

Portanto, a potência consumida por um toróide ligado em corrente alternada será para
gerar perdas no cobre e no ferro (perdas por histerese).

ATENÇÃO: Observe que a perda por histerese é proporcional ao volume do material e a


área do ciclo de histerese, representada pelo produto H x B (veja o gráfico de histerese).

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A descoberta do 'efeito colossal'


Composto testado por pesquisadores brasileiros abre novas perspectivas para o futuro da refrigeração.

Retirado de http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2005/ju288pag08.html

O futuro da refrigeração está nos materiais magnéticos. Prova disso é a recente descoberta
realizada pelos pesquisadores do Instituto de Física da Unicamp (maio de 2005), sobre o composto
intermetálico manganês-arsênio, cuja capacidade de retirar calor do ambiente é vinte vezes superior ao
gadolínio, substância comumente usada nos protótipos de refrigeradores magnéticos. Considerada de
alta relevância científica mundial, a descoberta foi batizada pelos pesquisadores de efeito
magnetocalórico colossal, pela intensa capacidade de absorção de calor. O professor Sérgio Gama,
coordenador do Grupo de Preparação e Caracterização de Materiais (GPCM) e responsável pela
pesquisa, afirma que embora não haja uma aplicação prática imediata do material, o fato abre um
enorme campo para se procurar novos materiais que apresentem o efeito colossal.

Tendência é substituir compressão de gás

Gama explica que o maior obstáculo a ser vencido é desenvolver um produto que tenha uma
histerese muito baixa, o que significa dizer que a diferença de temperatura entre o início e o fim do ciclo
de refrigeração deve ser bem próxima de zero à temperatura ambiente. No caso do composto
manganês-arsênio, o principal problema é que ele não volta ao ponto de origem quando submetido a
um ciclo de aquecimento e resfriamento.

“Nós já descobrimos que existe uma série de compostos nos quais o arsênio é parcialmente substituído
por antimônio e que também apresentam o efeito colossal. Embora esse efeito não seja tão grande,
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apresenta uma histerese menor”, comenta Gama. Ele ressalta que isso tem uma contrapartida prática,
porque ao descobrir um material que não apresenta histerese e que, portanto, pode ser aplicado na
prática, caracteriza-se um desenvolvimento tecnológico muito importante. Existirão refrigeradores
magnéticos com capacidade de refrigeração muito maior do que os utilizados com o efeito
convencional. Isso representa uma melhoria tecnológica importante para aplicação, inclusive com
redução de consumo de energia e um material bastante eficiente.

O pesquisador explica que, quando se fala em materiais magnetocalóricos usuais, existe o que
se chama de convencional, que tem um efeito relativamente pequeno, e existem também os chamados
gigantes, que possuem um efeito muito grande e que estão associados a transições magnéticas de
primeira ordem.

O mecanismo proposto pelos pesquisadores, considerado uma novidade, é que a rede passa,
através da interação com o campo magnético, a contribuir em grande parte para o efeito de entropia, ou
seja, cria-se uma segunda fonte de entropia para o efeito magnetocalórico, que é exatamente a rede,
através de uma interação chamada magnetoelástica. Portanto, embora hoje esse material não tenha
uma aplicação prática imediata pelo fato de apresentar uma histerese muito grande, ele é muito
importante do ponto de vista tanto prático quanto teórico, porque mostra a possibilidade de gerar um
efeito muito grande proveniente de uma outra fonte, que não é apenas a parte magnética do material.

Uma célula com 'jeito brasileiro'

A decisão de trabalhar com materiais sob pressão surgiu a partir de uma conferência realizada
em julho de 2003, em Roma (Itália). Os pesquisadores brasileiros conheceram uma célula de pressão,
em forma de caneta, construída com cobre e berílio, extremante eficiente para a pesquisa pretendida.
Como o preço sugerido pelo fabricante (US$ 20 mil) era bastante alto, resolveram observar como o
produto foi construído e desenvolveram, nas oficinas do Instituto, um produto similar com custo
aproximado de R$ 3 mil, cada uma.

Já se sabia na literatura que o composto manganês-arsênio era um material interessante para o


efeito magnetocalórico e que, do ponto de vista magnético, era também muito importante porque foi o
primeiro material onde se descobriu uma transição magnética de primeira ordem. Os pesquisadores do
GPCM fizeram uma medição e concluíram que se tratava de um material interessante para possível
aplicação. Estudaram também como variam as propriedades magnéticas do manganês-arsênio sob
pressão. "Quando construímos a nossa célula de pressão, pensamos em trabalhar com manganês-
arsênio para responder uma questão que outras pesquisas haviam levantado anteriormente. Uma
transição antiferromagnética que aparece quando se aplica pressão e que estava mal explicada na
literatura", disse Gama.

Existe uma tendência mundial atualmente de tentar substituir o processo tradicional de


compressão de gás por um processo mais eficiente. Um dos grandes candidatos é a refrigeração
magnética e quase todos os países desenvolvidos estão investindo pesadamente nessa área porque é
uma técnica extremamente promissora. Já existe uma corrida mundial que envolve Estados Unidos,
Canadá, Japão, China e Europa (principalmente França, Alemanha e Espanha, para desenvolvimento
desses protótipos).

O que é o efeito magnetocalórico

O efeito magnetocalórico corresponde ao aquecimento de um material magnético quando ele é


colocado sob a influência de um campo magnético, e ao correspondente resfriamento quando ele é
retirado deste campo. Todos os materiais magnéticos apresentam o efeito em alguma medida, mas ele
é particularmente intenso para alguns materiais e próximo a transições de fase magnéticas,
principalmente as de primeira ordem. Em termos de aplicações, o efeito tem o potencial de ser usado
em processos de refrigeração, que denominamos de refrigeração magnética, apresentando a vantagem
de poder ter eficiência maior que os processos convencionais de refrigeração, não só por envolver
sólidos, muito mais densos que os gases do processo convencional, mas também por prescindir destes
gases.

Por isso, a refrigeração magnética poderá ser uma tecnologia limpa e amigável para o meio
ambiente e para a atmosfera, evitando o uso de gases que causam o efeito estufa ou provocam a
destruição da camada de ozônio. Pressupõe-se que em um primeiro momento os beneficiados serão os
sistemas de refrigeração de grande porte como hospitais, shoppings e grandes indústrias.

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