A História da Educação no Brasil é o estudo da evolução da Educação, do ensino, da instrução e das práticas pedagógicas no Brasil.

Como um processo sistematizado de transmissão de conhecimentos, evolui em rupturas marcantes e fáceis de serem observadas. De início, a História da educação brasileira é indissociável da Companhia de Jesus. As negociações de Dom João III, O Piedoso, junto a esta ordem missionária católica pode ser considerado um marco. A História da Educação no Brasil inicia-se no período colonial, quando começam as primeiras relações entre Estado e Educação, por meio dos jesuítas que chegaram em 1549, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega. Em 1759, com as reformas pombalinas, houve a expulsão dos jesuítas, passando a ser instituído o ensino laico e público, e os conteúdos basearam-se nas Cartas Régias. Muitas mudanças ocorreram até que se chegasse à pedagogia dos dias de hoje. As principais reformas foram Benjamim Constant (1890), Epitácio Pessoa (1901), Rivadávia Correia (1911), Carlos Maximiliano (1915), João Alves da Rocha Vaz (1925), Francisco Campos (1932), Gustavo Capanema (1946) e as Leis de Diretrizes e Bases de 1961, 1968, 1971 e 1996. Até os dias de hoje muito tem se mexido no planejamento educacional, mas a educação continua a ter as mesmas características impostas em todos os países do mundo, que é a de manter o "status quo" para aqueles que freqüentam os bancos escolares. • Choques culturais A primeira grande ruptura travou-se com a chegada mesmo dos portugueses ao território do Novo Mundo. Não podemos deixar de reconhecer que os portugueses levaram ao Brasil um padrão de educação próprio da Europa, o que não quer dizer que as populações que viviam no Brasil já não possuíssem características próprias de se fazer educação. A educação que se praticava entre as populações indígenas não tinha as "marcas repressivas" do modelo educacional europeu. A educação no Brasil não teve o mesmo incentivo que nas demais colônias européias na América, como as espanholas. Enquanto na América Hispânica foram fundadas diversas universidades desde 1538 (Universidade de Santo Domingo) e 1551 (Universidade do México, Universidade de Lima), a primeira universidade brasileira só surgiu em 1912 (Universidade Federal do Paraná. [editar] Período Jesuítico (1549-1759) A educação indígena foi interrompida com a chegada dos jesuítas. Os primeiros chegaram ao território brasileiro em março de 1549. Comandados pelo padre Manuel da Nóbrega, quinze dias após a chegada edificaram a primeira escola elementar brasileira, em Salvador, tendo como mestre o Irmão Vicente Rodrigues, de apenas 21 anos. Irmão Vicente tornou-se o primeiro professor nos moldes europeus, em terras brasileiras, e durante mais de 50 anos dedicou-se ao ensino e a propagação da fé religiosa. No Brasil os jesuítas se dedicaram à pregação da fé católica e ao trabalho educativo. Perceberam que não seria possível converter os índios à fé católica sem que soubessem ler e escrever. De Salvador a obra jesuítica estendeu-se para o sul e, em 1570, já era composta por cinco escolas de instrução elementar (Porto Seguro, Ilhéus, São Vicente, Espírito Santo e São Paulo de Piratininga) e três colégios (Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia). Quando os jesuítas chegaram ao território, eles não trouxeram somente a moral, os costumes e a religiosidade européia; trouxeram também os métodos pedagógicos. Todas as escolas jesuítas eram regulamentadas por um documento, o Ratio Studiorum, escrito por Inácio de Loiola. Eles não se limitaram ao ensino das primeiras letras; além do curso elementar, mantinham cursos de Letras e Filosofia, considerados secundários, e o curso de Teologia e Ciências Sagradas, de nível superior, para formação de sacerdotes. No curso de Letras estudava-se Gramática Latina, Humanidades e Retórica; e no curso de Filosofia estudava-se Lógica, Metafísica, Moral, Matemática e Ciências Físicas e Naturais.

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[editar] Período Pombalino (1760-1808) Este método funcionou absoluto durante 210 anos, de 1549 a 1759, quando uma nova ruptura marca a História da Educação no Brasil: a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal. No momento da expulsão, os jesuítas tinham 25 residências, 36 missões e 17 colégios e seminários, além de seminários menores e escolas de primeiras letras instaladas em todas as cidades onde havia casas da Companhia de Jesus. A educação brasileira, com isso, vivenciou uma grande ruptura histórica num processo já implantado e consolidado como modelo educacional. Com a expulsão, saíram do Brasil 124 jesuítas da Bahia, 53 de Pernambuco, 199 do Rio de Janeiro e 133 do Pará. Com eles levaram também a organização monolítica baseada no Ratio Studiorum. Desta ruptura, pouca coisa restou de prática educativa no Brasil. Continuaram a funcionar o Seminário Episcospal, no Pará, e os Seminários de São José e São Pedro, que não se encontravam sob a jurisdição jesuítica; a Escola de Artes e Edificações Militares, na Bahia, e a Escola de Artilharia, no Rio de Janeiro. Os jesuítas foram expulsos das colônias em função de radicais diferenças de objetivos com os dos interesses da Corte. Enquanto os jesuítas preocupavam-se com o proselitismo e o noviciado, Pombal pensava em reerguer Portugal da decadência que se encontrava diante de outras potências européias da época. Além disso, Lisboa passou por um terremoto que destruiu parte significativa da cidade e precisava ser reerguida. A educação jesuítica não convinha aos interesses comerciais emanados por Pombal. Se as escolas da Companhia de Jesus tinham por objetivo servir aos interesses da fé, Pombal pensou em organizar a escola para servir aos interesses do Estado. Pelo alvará de 28 de junho de 1759, ao mesmo tempo em que suprimia as escolas jesuíticas de Portugal e de todas as colônias, Pombal criava as aulas régias de Latim, Grego e Retórica. Criou também a Diretoria de Estudos que só passou a funcionar após o seu afastamento. Cada aula régia era autônoma e isolada, com professor único e uma não se articulava com as outras. Portugal logo percebeu que a educação no Brasil estava estagnada e era preciso oferecer uma solução. Para isso, instituiu-se o "subsídio literário" para manutenção dos ensinos primário e médio. Criado em 1772, o “subsídio” era uma taxação, ou um imposto, que incidia sobre a carne verde, o vinho, o vinagre e a aguardente. Além de exíguo, nunca foi cobrado com regularidade e os professores ficavam longos períodos sem receber vencimentos a espera de uma solução vinda de Portugal. Os professores geralmente não tinham preparação para a função, já que eram improvisados e mal pagos. Eram nomeados por indicação ou sob concordância de bispos e se tornavam "proprietários" vitalícios de suas aulas régias. O resultado da decisão de Pombal foi que, no princípio do século XIX, a educação brasileira estava reduzida a praticamente nada. O sistema jesuítico foi desmantelado e nada que pudesse chegar próximo deles foi organizado para dar continuidade a um trabalho de educação. [editar] Período Joanino (1808–1821) A mudança da Família Real, em 1808, permitiu uma nova ruptura com a situação anterior. Para atender as necessidades de sua estadia no Brasil, D. João VI abriu Academias Militares, Escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e, sua iniciativa mais marcante em termos de mudança, a Imprensa Régia. Segundo alguns autores, o Brasil foi finalmente "descoberto" e a nossa História passou a ter uma complexidade maior. O surgimento da imprensa permitiu que os fatos e as idéias fossem divulgados e discutidos no meio da população letrada, preparando terreno propício para as questões políticas que permearam o período seguinte da História do Brasil. Na verdade não se conseguiu implantar um sistema educacional nas terras brasileiras mas, segundo alguns autores, o Brasil foi finalmente "descoberto" e a História do país passou a ter uma complexidade maior.

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surge a primeira Escola Normal do país. A Reforma de Benjamin Constant tinha como princípios orientadores a liberdade e laicidade do ensino. Pedro II. pelos que defendiam a predominância literária. um Decreto institui quatro graus de instrução: Pedagogias (escolas primárias). além do significado comercial da expressão. inclui a Lógica entre as matérias e retira a Biologia. Em 1834. Para o professor Lauro de Oliveira Lima (1921. institui-se o Método Lancaster.) "a 'abertura dos portos'. Efetivamente. n. a Sociologia e a Moral. Apesar de sua afeição pessoal pela tarefa educativa. para nomeação. como também a gratuidade da escola primária. pelas dimensões do país. no entanto. A Reforma Rivadávia Correa. pelo qual um aluno treinado (decurião) ensinava um grupo de 10 alunos (decúria) sob a rígida vigilância de um inspetor. Uma das intenções desta Reforma era transformar o ensino em formador de alunos para os cursos superiores e não apenas preparador. Na organização escolar percebe-se influência da filosofia positivista. na tentativa de se suprir a falta de professores. Consta que o Imperador D. [editar] República Velha (1889-1929) A República proclamada adotou o modelo político estadunidense baseado no sistema presidencialista. mas a educação brasileira não sofreu um processo de evolução que pudesse ser considerado marcante ou significativo em termos de modelo. é criado o Colégio Pedro II. Em 1823. o Ato Adicional à Constituição dispõe que as províncias passariam a ser responsáveis pela administração do ensino primário e secundário. 1 (suplemento). a parte literária em detrimento da científica. pouco se fez pela educação brasileira e muitos reclamavam de sua qualidade ruim. incluindo D. seu filho D. em Niterói (Escola Normal de Niterói). no Brasil. 7 . Esta Reforma foi bastante criticada: pelos positivistas. para que se criasse. na cidade do Rio de Janeiro. já que não respeitava os princípios pedagógicos de Comte. Em 1826. Pedro I e D. Retomando a orientação positivista. 179 desta Lei Magna dizia que a "instrução primária é gratuita para todos os cidadãos". Graças a isso. 2. afirmou que gostaria de ser "mestre-escola". em 1835. outorga a primeira Constituição brasileira. Por todo o Império. prega a liberdade de ensino. Em 1827 um projeto de lei propõe a criação de pedagogias em todas as cidades e vilas. Pedro II. de 1901. Ginásios e Academias. Em 1837. continuou a ter uma importância secundária. entendendo-se como a possibilidade de oferta de ensino que não seja por escolas oficiais. Com a Proclamação da República. e de Perspectivas em Educação Física Escolar. a educação brasileira perdeu-se. tentaram-se reformas que pudessem dar uma nova guinada. v. João VI volta a Portugal em 1821. Propunha ainda a abertura de escolas para meninas. já que o que ocorreu foi o acréscimo de matérias científicas às tradicionais. Outra intenção era substituir a predominância literária pela científica. quando lhe perguntaram que profissão escolheria não fosse Imperador. o Colégio Pedro II não conseguiu se organizar até o fim do Império para atingir tal objetivo. ou do "ensino mútuo". pretendeu que o curso secundário se tornasse formador do cidadão e não como simples promotor a um nível seguinte. de 1911. [editar] Período imperial (1822-1889) D. Niterói. os bons resultados pretendidos não aconteceram. em 1824. tornando o ensino enciclopédico. um sistema educacional. já que. um fenômeno chamado civilização e cultura". pouco foi feito. O Art. significou a permissão dada aos 'brasileiros' (madereiros de pau-brasil) de tomar conhecimento de que existia. Estes princípios seguiam a orientação do que estava estipulado na Constituição brasileira. obtendo resultados pífios.A educação. O Código Epitácio Pessoa. acentuando. com o objetivo de se tornar um modelo pedagógico para o curso secundário. assim. no mundo. em sua gestão. Liceus. No entanto. Em 1822. além de prever o exame na seleção de professores. 2001. onde funcionava o Seminário de São Joaquim. Pedro I proclama a Independência do Brasil e.

freqüência. foram realizadas diversas reformas de abrangência estadual. na Bahia. primárias e secundárias. Em 1942. em Pernambuco. 2001. faz com que as discussões sobre as questões da educação. em 1930. Estas Reformas receberam o nome de Leis Orgânicas do Ensino. 2. Foi nesta década que ocorreu o Movimento dos 18 do Forte (1922). em 1928. Neste sentido a nova Constituição enfatiza o ensino pré-vocacional e profissional. redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores da época. e o trabalho manual. Num período complexo da História do Brasil surge a Reforma João Luiz Alves que introduz a cadeira de Moral e Cívica com a intenção de tentar combater os protestos estudantis contra o governo do presidente Artur Bernardes. prega ainda a abolição do diploma em troca de um certificado de assistência e aproveitamento e transfere os exames de admissão ao ensino superior para as faculdades. v. e são compostas por Decretos-lei que criam o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI e valoriza o ensino profissionalizante. Perspectivas em Educação Física Escolar. em 1928 e a de Carneiro Leão. Mantém ainda a gratuidade e a obrigatoriedade do ensino primário Também dispõe como obrigatório o ensino de trabalhos manuais em todas as escolas normais. A nova realidade brasileira passou a exigir uma mão-de-obra especializada e para tal era preciso investir na educação. Estes Decretos ficaram conhecidos como "Reforma Francisco Campos". a de Francisco Campos e Mario Casassanta. é outorgada uma nova Constituição em 1937]. por iniciativa do Ministro Gustavo Capanema. No contexto político o estabelecimento do Estado Novo. foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública e. do período anterior. Anísio Teixeira. [editar] Segunda República (1930-1936) A Revolução de 30 foi o marco referencial para a entrada do Brasil no modelo capitalista de produção. A primeira a ser criada e organizada segundo as normas do Estatuto das Universidades Brasileiras de 1931. Em 1934. tirando do Estado o dever da educação. Os resultados desta Reforma foram desastrosos para a educação brasileira. permitiu com que o Brasil pudesse investir no mercado interno e na produção industrial. são reformados alguns ramos do ensino. 1 (suplemento). n. As conquistas do movimento renovador. [editar] Estado Novo (1937-1945) Refletindo tendências fascistas. A década de vinte foi marcada por diversos fatos relevantes no processo de mudança das características políticas brasileiras. segundo a historiadora Otaíza Romanelli. a Rebelião Tenentista (1924) e a Coluna Prestes (1924 a 1927). Por outro lado propõe que a arte. entrem "numa espécie de hibernação". Em 1935 o Secretário de Educação do Distrito Federal. com uma Faculdade de Educação na qual se situava o Instituto de Educação. a fundação do Partido Comunista do Brasil (1922). como as de Lourenço Filho. profundamente ricas no período anterior. A acumulação de capital. Além disso. Além disso. Em 1932 um grupo de educadores lança à nação o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. para as classes mais favorecidas. foram enfraquecidas nessa nova Constituição de 1937. a ciência e o ensino sejam livres à iniciativa individual e à associação ou pessoas coletivas públicas e particulares. pela primeira vez. influenciando a Constituição de 1934. devendo ser ministrada pela família e pelos Poderes Públicos. em 1925. em 1931. em Minas Gerais. no Distrito Federal (atual Rio de Janeiro). foi criada a Universidade de São Paulo. no Ceará. A orientação políticoeducacional para o mundo capitalista fica bem explícita em seu texto sugerindo a preparação de um maior contingente de mão-de-obra para as novas atividades abertas pelo mercado. Sendo assim. 8 . Marca uma distinção entre o trabalho intelectual. a Semana de Arte Moderna (1922). Ainda em 1934. no que se refere à educação. a de Fernando de Azevedo. cria a Universidade do Distrito Federal. que a educação é direito de todos. a de Anísio Teixeira. Niterói. no atual município do Rio de Janeiro. enfatizando o ensino profissional para as classes mais desfavorecidas. a nova Constituição (a segunda da República) dispõe. em 1927. em 1923. o governo provisório sanciona decretos organizando o ensino secundário e as universidades brasileiras ainda inexistentes. por iniciativa do governador Armando Salles Oliveira.

o Ministro Clemente Mariani. 9 . n. sem a pujança do anteprojeto original. estado do Ceará. entre clássico e científico. é criado o Plano Nacional de Educação e o Programa Nacional de Alfabetização. v. estudantes foram presos e feridos. presidida pelo educador Lourenço Filho. em 1953.024. a nova Constituição fez voltar o preceito de que a educação é direito de todos. Apesar dessa divisão do ensino secundário. reunindo cerca de 90% dos alunos do colegial. Num momento posterior. [editar] República Nova (1946-1963) O fim do Estado Novo consubstanciou-se na adoção de uma nova Constituição de cunho liberal e democrático. de preparatório para o ensino superior. prevalecendo as reivindicações da Igreja Católica e dos donos de estabelecimentos particulares de ensino no confronto com os que defendiam o monopólio estatal para a oferta da educação aos brasileiros. os estudantes foram calados e a União Nacional dos Estudantes proibida de funcionar. nos confronto com a polícia. em 1961. em 1962 é criado o Conselho Federal de Educação. ainda em 1962. Se as discussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional foi o fato marcante. Esta nova Constituição. as discussões mais marcantes relacionaram-se à questão da responsabilidade do Estado quanto à educação. Num primeiro momento as discussões estavam voltadas às interpretações contraditórias das propostas constitucionais. 2. O Regime Militar espelhou na educação o caráter antidemocrático de sua proposta ideológica de governo: professores foram presos e demitidos. Ainda em 1946 o então Ministro Raul Leitão da Cunha regulamenta o Ensino Primário e o Ensino Normal. na área da Educação. em 1952. sob o pretexto de que as propostas eram "comunizantes e subversivas". Além disso. O ensino colegial perdeu o seu caráter propedêutico. cuja didática. e a participação das instituições privadas de ensino. após a apresentação de um substitutivo do Deputado Carlos Lacerda. neste período. universidades foram invadidas. dando início a sua idéia de escola-classe e escola-parque. e alguns foram mortos. dando início a uma luta ideológica em torno das propostas apresentadas. inspirada nos princípios proclamados pelos Pioneiros. quatro de curso ginasial e três de colegial. tem início uma campanha de alfabetização. Niterói. o educador Lauro de Oliveira Lima inicia uma didática baseada nas teorias científicas de Jean Piaget: o Método Psicogenético. era organizada em três subcomissões: uma para o Ensino Primário. em Salvador. Perspectivas em Educação Física Escolar. 1 (suplemento). em 20 de dezembro de 1961. pelo Ministério da Educação e Cultura. 2001. Anísio Teixeira inaugura o Centro Popular de Educação (Centro Educacional Carneiro Ribeiro). além de criar o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial . cria uma comissão com o objetivo de elaborar um anteprojeto de reforma geral da educação nacional. no estado da Bahia. inspirado no Método Paulo Freire. Esta comissão. determina a obrigatoriedade de se cumprir o ensino primário e dá competência à União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional. Depois de 13 anos de acirradas discussões foi promulgada a Lei 4.SENAC. o mais fértil da História da Educação no Brasil: em 1950. por outro lado muitas iniciativas marcaram este período como. um golpe militar aborta todas as iniciativas de se revolucionar a educação brasileira. Em novembro de 1948 este anteprojeto foi encaminhado à Câmara Federal. e passou a se preocupar mais com a formação geral.O ensino ficou composto. no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. a educação passa a ser administrada por um Ministério próprio: o Ministério da Educação e Cultura. uma para o Ensino Médio e outra para o Ensino Superior. atendendo as mudanças exigidas pela sociedade após a Revolução de 1930. podendo ser na modalidade clássico ou científico. propunha alfabetizar em 40 dias adultos analfabetos. Baseado nas doutrinas emanadas pela Carta Magna de 1946. a predominância recaiu sobre o científico. o Decreto-Lei 477 calou a boca de alunos e professores. inspirados nos educadores da velha geração de 1930. [editar] Regime Militar (1964-1985) Em 1964. em Fortaleza. que substitui o Conselho Nacional de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação e. talvez. nos primeiros anos da década de 30. criada pelo pernambucano Paulo Freire. por cinco anos de curso primário.

Para isso contribuiu a participação mais ativa de pensadores de outras áreas do conhecimento que passaram a falar de educação num sentido mais amplo do que as questões pertinentes à escola. Impedidos de atuarem em suas funções. à relação direta entre professor e estudante e à dinâmica escolar em si mesma. o exame não diferencia as regiões do país. de todos os níveis.692. O mais contestado deles foi o Exame Nacional de Cursos e o seu "Provão". embora existam outros critérios. n. por dados oferecidos pelo próprio Ministério da Educação. A característica mais marcante desta Lei era tentar dar a formação educacional um cunho profissionalizante. que é mais o de manter o "status quo". Além do mais. [editar] Nova República (1986-2003) No fim do Regime Militar a discussão sobre as questões educacionais já haviam perdido o seu sentido pedagógico e assumido um caráter político. 2. um Projeto de Lei para uma nova LDB foi encaminhado à Câmara Federal. e menos de oferecer conhecimentos básicos. Somente uma avaliação realizada em 2002 mostrou que 59% dos estudantes que concluíam a 4ª série do Ensino Fundamental não sabiam ler e escrever. mas a educação continua a ter as mesmas características impostas em todos os países do mundo. 10 . é levada em consideração como avaliação das instituições. que é instituída a Lei 5. A bem da verdade. onde os alunos das universidades têm que realizar uma prova ao fim do curso para receber seus diplomas. E. em 1971. v. acabou por ser extinto e. Para erradicar o analfabetismo foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL. oito anos após o encaminhamento do Deputado Octávio Elísio. É no período mais cruel da ditadura militar. 2001. profissionais de outras áreas. meio e fim bem demarcado e facilmente observável. no seu lugar criou-se a Fundação Educar. Esta mudança tornou o Conselho menos burocrático e mais político. 1 (suplemento). entre denúncias de corrupção. Niterói. Para acabar com os "excedentes" (aqueles que tiravam notas suficientes para serem aprovados. No ano seguinte o deputado Jorge Hage enviou à Câmara um substitutivo ao Projeto e. distantes do conhecimento pedagógico. Esta prova. a educação brasileira não evoluiu muito no que se refere à questão da qualidade. pelo Deputado Octávio Elísio. para serem aproveitados pelos estudantes em suas vidas práticas. onde em cada período determinado teve características próprias. o Senador Darcy Ribeiro apresenta um novo Projeto que acabou por ser aprovado em dezembro de 1996. através de uma Medida Provisória extinguiu o Conselho Federal de Educação e criou o Conselho Nacional de Educação. à didática. Ela é feita em rupturas marcantes. por questões políticas durante o Regime Militar. Até os dias de hoje muito tem se mexido no planejamento educacional. As avaliações. em 1988. Logo no início de sua gestão. Perspectivas em Educação Física Escolar. em que os alunos podem simplesmente assinar a ata de presença e se retirar sem responder nenhuma questão. O que podemos notar. mas não conseguiam vaga para estudar). em 1992. No bojo da nova Constituição. para aqueles que freqüentam os bancos escolares. Neste período. O MOBRAL se propunha a erradicar o analfabetismo no Brasil: não conseguiu. apesar de toda essa evolução e rupturas inseridas no processo. passaram a assumir postos na área da educação e a concretizar discursos em nome do saber pedagógico. em sua didática. do fim do Regime Militar aos dias de hoje. a fase politicamente marcante na educação. aproveitando-se. à sala de aula. foi o trabalho do economista e ministro da Educação Paulo Renato de Souza. estão priorizadas na aprendizagem dos estudantes. Jamais houve execução de tantos projetos na área da educação numa só administração. é que os estudantes não aprendem o que as escolas se propõem a ensinar. entre outras questões. onde qualquer expressão popular contrária aos interesses do governo era abafada. vinculado ao Ministério da Educação e Cultura.Neste período deu-se a grande expansão das universidades no Brasil. Concluindo podemos dizer que a História da Educação Brasileira tem um princípio. foi criado o vestibular classificatório. muitas vezes pela violência física. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. do expurgado Método Paulo Freire.

2001. Educação Física -UNESP. que atenda às necessidades de nossa população e que seja eficaz. Niterói. Na evolução da História da Educação brasileira a próxima ruptura precisaria implantar um modelo que fosse único. DIFICULDADES E POSSIBILIDADES Profa Dra Suraya Cristina Darido Depto. Como fizeram os países do bloco conhecidos como Tigres Asiáticos.Rio Claro. v. OS CONTEÚDOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: INFLUÊNCIAS. É provável que estejamos próximos de uma nova ruptura.br Perspectivas em Educação Física Escolar. que buscaram soluções para seu desenvolvimento econômico investindo em educação. n. nossa educação só teve caráter nacional no período da Educação jesuítica. TENDÊNCIAS. por decisão política de governo. erradicou o analfabetismo em apenas um ano e trouxe para a sala de aula todos os cidadãos cubanos.unesp. Ou como fez Cuba que.Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais estejam sendo usados como norma de ação. Após isso o que se presenciou foi o caos e muitas propostas desencontradas que pouco contribuíram para o desenvolvimento da qualidade da educação oferecida. 11 .SP LETPEF-Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física E-mail: surayacd@rc. criando soluções novas em respeito às características brasileiras. E esperamos que ela venha com propostas desvinculadas do modelo europeu de educação. 2. 1 (suplemento).

leis científicas. tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida.Neste texto discuto. de ampliar o conceito de conteúdo e passar a referencia-lo como tudo quanto se tem que aprender. 2000). modelos de conduta. de acordo com ZABALA (1998). poderá ser incluído de forma explícita nos programas de ensino o que antes estava apenas no currículo oculto. Atualmente. numa relação quase que exclusiva aos conhecimentos das disciplinas referentes a nomes. n. o que exige uma seleção rigorosa da escola (LIBÂNEO. LIBÂNEO (1994). fatos. convicções e atitudes. quando nos referimos a conteúdos estamos englobando conceitos. que não apenas abrangem as capacidades cognitivas. aqueles relativos a fatos e conceitos. COLL et al. e ainda é. regras. bem como apontar alguns caminhos para a condução das pesquisas. Niterói. hábitos de estudos. sentimentos. sobretudo. 2001. procedo uma análise das dificuldades e das possibilidades da implementação das discussões apresentadas a respeito dos conteúdos na disciplina da Educação Física escolar. Assim. 2.. Em seguida. tiveram e ainda têm uma presença desproporcional nas propostas curriculares (COLL et al. busco. modos de atividade. do mesmo modo que COLL et al. princípios. 1 . num primeiro momento. explicações. e "como se deve ser?". 1 (suplemento). idéias. hábitos. crenças. há uma tentativa. valores. que ao longo da história da educação determinados tipos de conteúdos. entende que conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos. conteúdos formam a base objetiva da instrução-conhecimento sistematizado e habilidade referidos aos objetivos e viabilizados pelos métodos de transmissão e assimilação. suas dimensões e o seu papel no interior da escola. conceitos. raciocínios. conceitos e princípios. 1994. Esta classificação corresponde às seguintes questões "o que se deve saber?". cuja assimilação é considerada essencial para que se produza um desenvolvimento e uma socialização adequada ao aluno. utilizado para expressar o que se deve aprender. o conceito de conteúdo. ZABALA. etc. v. COLL et al. linguagens. 12 . sinalizando o excesso de informações conceituais. uma vez que este termo é tão utilizado quanto mal compreendido. "o que se deve saber fazer?".. de trabalho. com a finalidade de alcançar os objetivos educacionais. modos valorativos e atitudinais de atuação social. Perspectivas em Educação Física Escolar. (2000) define conteúdo como uma seleção de formas ou saberes culturais. processos. interesses. Desta forma. atitudes.CONCEITO E DIMENSÕES DOS CONTEÚDOS Para iniciar a discussão sobre conteúdos na Educação Física escolar gostaria de esclarecer o seu conceito. com vistas à formação do cidadão. métodos de compreensão e aplicação. a partir da análise de alguns trabalhos publicados em importante evento da área (CONBRACE 97 e 99) desvelar quais as temáticas são mais comuns no estudo dos conteúdos. É importante ressaltar que nem todos os saberes e formas culturais são suscetíveis de constarem como conteúdos curriculares. Em seguida. habilidades. valores. É preciso lembrar. Desta forma. habilidades cognoscitivas. 2000. Além disso. É comum observamos os alunos afirmando que tal disciplina têm "muito conteúdo". levanto as principais tendências e influências que a disciplina de Educação Física sofreu ao longo das últimas décadas e os seus desdobramentos na concepção e adoção dos conteúdos escolares. como incluem as demais capacidades. de lazer e de convivência social. O fato é que o termo conteúdos foi. (2000) e ZABALA (1998). habilidades. 1998). organizados pedagógica e didaticamente.

Perspectivas em Educação Física Escolar. certas estratégias ou habilidades para resolver problemas. idade ou outro tipo de características individuais. mas uma ação pedagógica com ela. (2000) há uma reivindicação freqüente de que na escola sejam ensinados e aprendidos outros conhecimentos considerados tão ou mais importantes do que fatos e conceitos. O autor se pergunta porque. dentro de uma perspectiva de educação e também de Educação Física seria fundamental. Assim. DARIDO (1999). a discussão sobre a inclusão destes conteúdos na área é extremamente recente e há dificuldades na seleção e na implementação de conteúdos relevantes. priorizou os conteúdos numa dimensão quase que exclusivamente procedimental. os fatos e conceitos.eles não trabalhavam os conteúdos numa dimensão conceitual. na grande maioria dos casos). Através da observação das aulas de 7 professores de Educação Física do ensino fundamental e médio. ao longo de sua história. a presença da estética numa partida de futebol e muitas outras questões vinculadas ao contexto do futebol. ficou evidente a falta de tradição da área no encaminhamento do conteúdos numa dimensão conceitual. No entanto. como por exemplo. eram voltados ao saber fazer. muitas vezes. a nível cognitivo). 13 . a importância da atividade física. saber trabalhar em equipe. considerar os procedimentos. todos no mesmo nível de importância. respeitar e valorizar o trabalho dos outros ou não discriminar as pessoas por motivos de gênero. Além disso. a comunidade escolar não oferece respaldo para os professores trabalharem com esta proposta. integrando o aluno na esfera da sua cultura corporal. Embora os professores pesquisados. o seu relacionar-se com os outros e com as instituições sociais de práticas corporais. e esta autonomia é facilitada a partir do momento em que o aluno conhece (portanto. mesmo. ou ainda. Em pesquisa realizada por nós anteriormente. ao saber jogar (como ainda são hoje. não basta ensinar aos alunos a técnica dos movimentos. Embora. o significado da identidade da cultura corporal de uma nação. M. as principais modificações ocorridas no ser humano em função da prática da atividade física. A Educação Física. 1 (suplemento). . O autor argumenta que a linguagem deve auxiliar o aluno a compreender o seu sentir corporal. como alertou BETTI. afirmassem que um dos objetivos da Educação Física refere-se à busca da autonomia do aluno após o término da escolarização formal. não é propor que a Educação Física na escola se transforme num discurso sobre a cultura corporal. esta última categoria aparecesse na forma do currículo oculto. todos com pós-graduação. mostrar-se solidário com os colegas. Niterói. É preciso ir além e ensinar o contexto em que se apresentam as habilidades ensinadas. as atitudes e os valores como conteúdos.De acordo com COLL et al. (1994). ainda. CASTELLANI FILHO (1995). os seus benefícios. verificou-se que os professores não trabalham com conhecimentos acadêmicos nas aulas de Educação Física. lembra que os cursos de futebol ministrados à época da sua formação (década de 70). as discussões presentes nas obras de Nelson Rodrigues ou. além do conhecimento sobre o contexto das diferentes práticas corporais. depois de 2 ou 3 anos de estudo do futebol os alunos não conseguiam entender a razão de pendurar chuteirinhas nos quartos das mães que tinham dado a luz a meninos nas maternidades. selecionar a informação pertinente em uma determinada situação ou utilizar os conhecimentos disponíveis para enfrentar situações novas ou inesperadas. No nosso entender esta argumentação também dá sustentação à Educação Física no ensino fundamental e médio. o saber fazer e não o saber sobre a cultura corporal ou como se deve ser. 2001. n. v. ou seja. Em outras palavras. as melhores maneiras de realizá-la. 2. contudo. as habilidades básicas ou. as capacidades físicas.

trabalha cooperativa e coletivamente e prepara-se. o jogo esportivo foi percebido como um meio privilegiado. 14 . que produtos da atividade humana construídos no processo devem ser assimilados pelas novas gerações? Ou. 2. Janh e depois da escola francesa. esteve centrada nos movimentos ginásticos europeus. De acordo com Listello. adquire conhecimento de si próprio. e provocar as necessidades de higiene. além disso. especialmente os de Ling. para a vida. saúde e eugenia. eles têm um caráter histórico. exercício da cidadania. neste tópico procurei analisar as principais influências e tendências e os seus desdobramentos no processo de construção dos conteúdos escolares. e na idade adulta a manutenção e melhoria do funcionamento dos órgãos. 1992). pelo esforço e performance. BETTI. . não havia preocupação com o ensino de conceitos de qualquer espécie (COLETIVO DE AUTORES. M. assim. eles vão sendo elaborados e reelaborados conforme as necessidades de cada época e dos interesses sociais vigentes. submisso e que respeitasse as autoridades superiores sem questionamento. com ênfase no aspecto lúdico. Nos idos da década de 70 o governo militar apoiou a Educação Física na escola objetivando tanto a formação de um exército composto por uma juventude forte e saudável como a desmobilização de forças oposicionistas. . até os anos 60.A questão que se coloca por ora é a seguinte. quanto aos conteúdos. No Brasil. Enquanto valores subjacentes buscavam um homem obediente.AS INFLUÊNCIAS E TENDÊNCIAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E IMPLICAÇÕES PARA OS CONTEÚDOS ESCOLARES Os conteúdos escolares não existiam na sua forma atual. v. M. n. 1991). a eficiência e a produtividade. (1991) afirma que a Educação Física brasileira sofreu forte influência do Método Desportivo Generalizado. Especificamente. Assim. de trabalho e de lazer? 2 . que procurava atenuar o caráter formal da ginástica incluindo o conteúdo esportivo. em função do novo cenário político. M. principal defensor desta proposta. Essas considerações. No sentido de examinar mais detalhadamente algumas facetas dos conteúdos da Educação Física na escola. resultaram num período de crise da Educação Física que culminou com o lançamento de diversos Perspectivas em Educação Física Escolar. Em seguida. (BETTI. Niterói. este modelo de esporte de alto rendimento para a escola passa a ser fortemente criticado e como alternativa surgem novas formas de se pensar a Educação Física na escola. (1991) estes foram os núcleos de convergência dos grupos interessados na implantação da Educação Física na escola brasileira.desenvolver o gosto pelo belo. dos interesses militares e do nacionalismo. reforçando valores como a racionalidade. O método francês. Para tal finalidade. Fortaleceu-se desta maneira o conteúdo esportivo na escola. preconizava uma Educação Física orientada pelos princípios anátomo-fisiológicos.iniciar os alunos nos diferentes esportes. A partir da década de 80. e nas lutas pela melhoria das condições de vida.. estreitaram-se os vínculos entre esporte e nacionalismo. De acordo com BETTI . visando o desenvolvimento harmônico do corpo.orientar para as especializações através do desenvolvimento e aperfeiçoamento das atitudes e gestos. porque através do jogo o aluno descobre suas aptidões e gostos. segundo o mesmo autor. os objetivos do Método Desportivo Generalizado são. 2001. principal referência nesta época. . 1 (suplemento). a Educação Física na escola recebeu influências da área médica com ênfase nos discursos pautados na higiene. que conteúdos os alunos deverão adquirir a respeito da Educação Física a fim de se tornarem preparados e aptos para enfrentar as exigências da vida social.

centrado no 1 Em textos anteriores procurei analisar as principais tendências pedagógicas da Educação Física escolar. 50-66. com o ato de aprender. Anais do V Seminário de Educação Física escolar. Vayer.23). DARIDO. 1999.eu distinguia dois problemas em educação física: um deles ligados aos fatores de execução. ao recreacionista. 2. e Winnicott. O autor prossegue em suas críticas à Educação Física.área Educação Física e a proposta dos jogos cooperativos. e de seus seguidores. é preciso ressaltar que a discussão e o surgimento destas abordagens não significou o abandono de práticas vinculadas ao modelo esportivo. LE BOUCH (1986) afirma que: “.. 2001. com enfoque sociocultural. S. 1996). serão apresentadas algumas considerações sobre as principais abordagens da Educação Física escolar e a ênfase atribuída a determinados conteúdos e as dimensões conceituais. passando a incluir e a valorizar o conhecimento de origem psicológica. Além destas perspectivas. C.1 . A avaliação em Educação Física escolar: das abordagens à prática pedagógica.superadora e crítico emancipatória). Todavia. senão na Educação Física. atitudinais e procedimentais.livros e artigos que buscavam além de criticar as características reinantes da área. n. se constituem numa proposta diferente das demais. Perspectivas em Educação Física Escolar. o francês Jean Le Bouch. ressaltando que: “. que é uma visão relacionada a saúde e aptidão física.. 1 (suplemento). 1998. em outros campos de estudos. porém. S.C. foi sem dúvida. v. Para a construção das suas idéias Le Bouch inspirou-se em autores que já tinham uma certa penetração. podem ser citados os trabalhos de J. (p. Ajuriaguerra. Podemos incluir ainda uma nova perspectiva adotada por muitos colegas da área. Wallon. 20 (1): 58-66. pressupostos e a enfatizar conteúdos que viessem a tornar a Educação Física mais próxima da realidade e da função escolar.a corrente educativa em psicomotricidade tem nascido das insuficiências na educação física que não teve condições de corresponder às necessidades de uma educação real do corpo”. ou seja. que podem ser considerados os mais freqüentes na prática do professor de Educação Física escolar. Nele o envolvimento da Educação Física é com o desenvolvimento da criança.. Jean Piaget. psicomotricidade. H. com os processos cognitivos. Entre eles. É o que passaremos a analisar em seguida. Por exemplo: DARIDO. P. biológico ou ainda. através da publicação de seus livros.. Apresentação e análise das principais abordagens da Educação Física escolar. O autor que mais influenciou o pensamento psicomotricista no País. presentes em várias partes do mundo. Niterói. buscava garantir a formação integral do aluno (SOARES. afetivos e psicomotores. 15 . 2.PSICOMOTRICIDADE A psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que surge a partir da década de 70 em contraposição aos modelos anteriores. A seguir. Revista do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. desenvolvimentista e construtivista com enfoque psicológico e as críticas (crítico. o modelo adotado nos Parâmetros Curriculares Nacionais . da sua presença no Brasil. Na verdade. elaborar propostas.1 Algumas abordagens que tiveram maior impacto a partir da década de 70 foram as seguintes. com uma perspectiva renovada. esta concepção inaugura uma nova fase de preocupações para o professor de Educação Física que extrapola os limites biológicos e de rendimento corporal.

as rodas cantadas e outras atividades que compõem o universo cultural dos alunos. Porém. assegurar o desenvolvimento funcional tendo em conta possibilidades da criança ajudar sua afetividade a expandir-se e a equilibrar-se através do intercâmbio com o ambiente humano. não estando pronto ao nascer nem sendo adquirido passivamente de acordo com as pressões do meio. Nesta visão o que pode ocorrer com certa freqüência. procurando alertar os professores de Educação Física sobre as suas funções psicomotoras. os jogos com regras. 2. ligado ao nível de controle e de comando que eu chamei psicomotor.23). 16 . Conhecer é sempre uma ação que implica em esquemas de assimilação e acomodação num processo de constante reorganização.CONSTRUTIVISTA É preciso lembrar que a psicomotricidade influenciou a perspectiva construtivistainteracionista quer na questão da busca da formação integral. independentemente da situação formal de ensino. deste modo. tem uma proposta de ensino para a área que abarca principalmente crianças na faixa etária até os 10-11 anos. a psicomotricidade advoga por uma ação educativa que deva ocorrer a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais. desconsidera a questão da especificidade da Educação Física. n. e outro. em 1952. O aluno constrói o seu conhecimento a partir Perspectivas em Educação Física Escolar. 1986). 1 (suplemento). FREIRE (1989) teve o mérito de levantar a questão da importância da Educação Física na escola considerar o conhecimento que a criança já possui. Aliás.rendimento mecânico do movimento. a proposta construtivista também tem o mérito de propor uma alternativa aos métodos diretivos. ou seja. resgatar a cultura de jogos e brincadeiras dos alunos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. (LE BOUCH. seja ela normal ou com problemas e responde a uma dupla finalidade. é uma especialista em brinquedo. entendo que uma das marcas da psicomotricidade no espaço da Educação Física tenha sido o aumento da popularidade do termo “psico” no discurso da maioria dos professores. como ninguém. A principal vantagem desta abordagem é a de que ela possibilita uma maior integração com uma proposta pedagógica ampla e integrada da Educação Física nos primeiros anos de educação formal. com a inclusão das dimensões afetivas. na sua tese de doutorado o autor buscou verificar os valores do trabalho corporal. favorecendo a gênese da imagem do corpo. tão impregnados na prática da Educação Física. (p. E em 1960. a sua cultura. Assim. aqui incluídas as brincadeiras de rua. Nesta concepção a aquisição do conhecimento é um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida. e assim como a psicomotricidade. A educação psicomotora na opinião do autor refere-se a formação de base indispensável a toda criança. núcleo central da personalidade.2 . que estaria em torno do eixo corpo/movimento. e para cada criança a construção deste conhecimento exige elaboração. cognitivas ao movimento humano. Niterói. Além de procurar valorizar as experiências dos alunos. e os fatores de execução que dependem do sistema muscular que influem no rendimento motor e o sistema nervoso central. 2001. 2. porque a criança. LE BOUCH escreveu um dos seus trabalhos. quer na discussão do objeto da Educação Física escolar. uma ação sobre o mundo. é que conteúdos que não tem relação com a prática do movimento em si poderiam ser aceitos para atingir objetivos que não consideram a especificidade do objeto. v. Deve-se. Dentro da perspectiva construtivista a intenção é a construção do conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo.

Para TANI et alii (1988) a proposta elaborada por eles é uma abordagem dentre várias possíveis. flexionar. no Brasil.DESENVOLVIMENTISTA O modelo desenvolvimentista é explicitado. resolvendo problemas. família. e manipulativas (por exemplo: arremessar. motor. para fazer acreditar que as pessoas não tem escolhas e tem que aceitar a competição como opção natural. devem ser desenvolvidos segundo uma ordem de habilidades. Em suma. receber) e de estabilização (por exemplo: girar. criando alto nível de aceitação mútua. Na proposta construtivista o jogo enquanto conteúdo/estratégia tem papel privilegiado. principal divulgador destas idéias no país. é um instrumento pedagógico. saltitar).4 . e é dirigida especificamente para crianças de quatro a quartoze anos. BROTTO (1995) sugere o uso dos jogos cooperativos como uma força transformadora que são divertidos para todos e todos têm um sentimento de vitória. 1 (suplemento). É considerado o principal modo de ensinar. 1988). Inspirado em Terry Orlick. afirma que é a estrutura social que determina se os membros de determinadas sociedades. Aliás. As habilidades básicas podem ser classificadas em habilidades locomotoras (por exemplo: andar. v. 2. rebater. um meio de ensino. pois é através dela que os seres humanos se adaptam aos problemas do cotidiano.da interação com o meio. n. as habilidades específicas. 17 . do jogo. do mais simples que são as habilidades básicas para as mais complexas. 2. TANI et alii (1988) e MANOEL (1994). e busca nos processos de aprendizagem e desenvolvimento uma fundamentação para a Educação Física escolar. chutar. A obra mais representativa desta abordagem é “Educação Física Escolar: fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista (TANI et alii. cognitivo e afetivo-social. correr. enquanto nos jogos competitivos os jogos são divertidos apenas para alguns. Os autores desta abordagem defendem a idéia de que o movimento é o principal meio e fim da Educação Física. do desenvolvimento fisiológico. embora possam estar ocorrendo outras aprendizagens em decorrência da prática das habilidades motoras. BROTTO (1995). realizar posições invertidas). irão competir ou cooperar entre si. 2. Os movimentos específicos são mais influenciados pela cultura e estão relacionados à prática dos esportes. resolvendo problemas motores. a maioria têm sentimentos de derrota e são excluídos por Perspectivas em Educação Física Escolar. principalmente nos trabalhos de TANI (1987). também. sugerir aspectos ou elementos relevantes para a estruturação da Educação Física Escolar. da dança e. 2001. habilidade motora é um dos conceitos mais importantes dentro desta abordagem. em função destas características. Tais conteúdos. das atividades industriais. uma aula de Educação Física deve privilegiar a aprendizagem do movimento.3 . Niterói. Sendo que este aprender deve ocorrer num ambiente lúdico e prazeroso para a criança. na aprendizagem motora e.JOGOS COOPERATIVOS Esta nova perspectiva para a Educação Física na escola está pautada na valorização da cooperação em detrimento da competição. mídia. propugnando a especificidade do seu objeto. baseados nos estudos antropológicos de Margaret Mead. um treinamento na escola. saltar. pois enquanto joga ou brinca a criança aprende. O autor entende que há um condicionamento. Segundo eles é uma tentativa de caracterizar a progressão normal do crescimento físico.

2. mas uma proposta coerente com valores pedagógicos que deseja transmitir. entendem que as práticas de atividade física vivenciadas na infância e adolescência se caracterizam como importantes atributos no desenvolvimento de atitudes. que os escolares tivessem acesso às atividades esportivas alternativas que eventualmente possam apresentar uma maior aderência a sua prática fora do ambiente escola". a abordagem parece não ter se aprofundado. É importante ressaltar que ao longo do século XX. Embora tal proposta seja bastante interessante na busca de valores mais humanitários e seja possível. Os autores. com novos argumentos.. No entanto. foram muitos os autores que defenderam a Educação Física numa perspectiva biológica. por exemplo. 1 (suplemento). E como proposta sugerem a redefinição do papel dos programas de Educação Física na escola. NAHAS (1997). embora não tenham se afastado das temáticas da saúde e da qualidade de vida. sugere que o objetivo da Educação Física na escola de ensino médio é ensinar os conceitos básicos da relação entre atividade física. desse modo. Niterói. só para citar alguns. É possível que estas análises estejam em curso. sua mensagem. Entende o autor que os jogos não são algo novo para entreter os garotos. baseados em diferentes trabalhos americanos. considerando a importância do jogo. O autor observa que esta perspectiva procura atender a todos os alunos. "impedindo. principalmente os que mais necessitam. pois propõem novas formas de compreensão destas relações. por exemplo.5 – SAÚDE RENOVADA NAHAS (1997). habilidades. GUEDES & GUEDES (1996). sobretudo a partir de meados da década de 90. 2. n. basquetebol. e um espaço importante para viver alternativas novas. v. e hábitos que podem auxiliar na adoção de um estilo de vida ativo fisicamente na idade adulta. espaços de criação simbólica do povo. ressaltam que uma das principais preocupações da comunidade científica nas áreas da Educação Física e da saúde pública é levantar alternativas que possam auxiliar na tentativa de reverter a elevada incidência de distúrbios orgânicos associados à falta de atividade física. 2001. se dão os sentidos à prática que realizamos. 18 . suas possibilidades de ser uma prazerosa oportunidade de comunicação. voleibol. handebol e futebol. BROWN (1994). obesos e portadores de deficiências. uma contribuição para a construção de uma nova sociedade baseada na solidariedade e na justiça. a partir da cooperação.55). nas análises sociológicas e filosóficas subjacentes a construção de um modelo educacional voltado para a cooperação. espaços. Os autores consideram que as atividades esportivas são menos interessantes para a promoção da saúde. além de não considerar os efeitos do sistema capitalista sobre a competição/cooperação na sociedade contemporânea. viável em termos de implementação na prática. passam a advogar em prol de uma Educação Física escolar dentro da matriz biológica. uma vez que suas publicações são bastante recentes. devido a dificuldade no Perspectivas em Educação Física Escolar. GUEDES & GUEDES (1996). Além disso. Denomino esta proposta de biológica renovada porque ela incorpora princípios e cuidados já consagrados em outras abordagens com enfoque mais sócio cultural. entendo que as considerações destes autores representem uma nova proposta. (p. GUEDES & GUEDES (1996) criticam os professores que trabalham na escola apenas as modalidades esportivas tradicionais. como deveria. ou a indicação para um estilo de vida ativa proposta por NAHAS (1997).falta de habilidades. baixa aptidão física. sedentários. onde. autor do livro traduzido para o português intitulado: "Jogos cooperativos: teoria e prática" afirma que o ponto de partida desta perspectiva é o jogo. e concreta para os professores de Educação Física. agora como meio de promoção da saúde. aptidão física e saúde.

Esta reflexão pedagógica é compreendida como sendo um projeto político-pedagógico. com posições nem sempre convergentes. não tenham sido publicados antes desta data. 1984). Esta percepção possibilita a compreensão. É importante ressaltar que mesmo dentro da Educação Física surgiram alguns desdobramentos da abordagem crítica. Assim. não quer dizer que outros trabalhos importantes. 1988). 1 (suplemento). são elaborados os primeiros pressupostos teóricos num referencial crítico. “Educação Física cuida do corpo . “Educação Física e aprendizagem social”. valorizando a questão da contextualização dos fatos e do resgate histórico. Estas abordagens denominadas críticas ou progressistas passaram a questionar o caráter alienante da Educação Física na escola. explicitando suas determinações. uma Educação Física crítica estaria atrelada as transformações sociais. interesse. assim como NAHAS (1997) ressaltam a importância das informações e conceitos relacionados a aptidão física e saúde.e mente” (MEDINA. econômicas e políticas tendo em vista a superação das desigualdades sociais. 19 . mas também. a abordagem de conceitos e princípios teóricos que proporcionem subsídios aos escolares.. Quanto à seleção de conteúdos para as aulas de Educação Física propõem que se considere a relevância social dos conteúdos. a partir da década de 80. Político porque encaminha propostas de intervenção em determinada direção e pedagógico no sentido de que possibilita uma reflexão sobre a ação dos homens na realidade. “Educação Física progressista: a pedagogia crítico-social dos conteúdos e a Educação Física Brasileira. Esta abordagem levanta questões de poder. Crítico-superadora O trabalho mais marcante desta abordagem foi publicado em 1992. esforço e contestação. no livro intitulado “Metodologia do ensino da Educação Física.” publicada por um COLETIVO DE AUTORES. v.6 . por parte do aluno. 1983). com importantes contribuições para a construção do conhecimento nesta perspectiva. A adoção destas estratégias de ensino contemplam não apenas os aspectos práticos. de que a produção da humanidade expressa uma determinada fase e que houve mudanças ao longo do tempo.1992).” (GHIRALDELLI Jr. no sentido de tomarem decisões quanto à adoção de hábitos saudáveis de atividade física ao longo de toda vida. 2001. “Prática da Educação Física no primeiro grau: Modelo de reprodução ou perspectiva de transformação?” (COSTA. propondo um modelo de superação das contradições e injustiças sociais. como a perspectiva crítico-superadora e a crítico-emancipatória. de tendência marxista. 2. Niterói.CRÍTICAS Apoiados nas discussões que vinham ocorrendo nas áreas educacionais e na tentativa de romper com o modelo hegemônico do esporte/aptidão física praticado nas aulas de Educação Física. mas também sobre como se adquiri estes conhecimentos. (BRACHT.alcance das adaptações fisiológicas e segundo porque não prediz sua prática ao longo de toda a vida. não somente sobre questões de como ensinar. Isto porém. n. como por exemplo. GUEDES & GUEDES (1996). Acredita que qualquer consideração sobre a pedagogia mais apropriada deve versar. 2... sua contemporaneidade e sua adequação às Perspectivas em Educação Física Escolar.

sugerem que os conteúdos selecionados para as aulas de Educação Física devem propiciar a leitura da realidade do ponto de vista da classe trabalhadora. de tal modo que a Educação contribua para a reflexão crítica e emancipatória das crianças e jovens. em termos de uma metodologia de ação para instrumentalizar o profissional da prática . 2001. saltar e arremessar/lançar. ou seja. para ampliar o seu acervo de conhecimento. O ensino escolar necessita. especialmente.. que questionava. nos pressupostos da teoria crítica da escola de Frankfurt. Niterói. Deve. o esporte. se basear numa concepção crítica. Enquanto organização do currículo. no entanto. dentro de uma nova concepção de ensino para modalidades esportivas. criticava e dava a entender que tudo estava errado na Educação Física e nos esportes. 1 (suplemento). A Educação Física é entendida como uma disciplina que trata de um tipo de conhecimento denominado de cultura corporal que tem como temas.. normas sociais e culturais. o jogo. desta forma. evitar o ensino por etapas e adotar a simultaneidade na transmissão dos conteúdos. de falsos interesses e desejos. no atletismo apresenta a divisão da modalidade em elementos de correr. Crítico-emancipatória Uma das principais obras já publicadas dentro da perspectiva crítico emancipatória no escopo da Educação Física é de autoria do Professor Elenor Kunz e intitulada "Transformação didático-pedagógica do esporte". na questão metodológica para o ensino dos esportes não apresenta elementos que norteiem o ensino. Kunz entende que o Coletivo de Autores propõem a mesma classificação tradicional do esporte. nas palavras do autor " .características sócio-cognitivas dos alunos. A primeira delas diz respeito a deficiência das práticas efetivamente testadas na realidade concreta. a ginástica. Para o autor. sem. O autor relata que a abordagem crítico-superadora.. também. ressaltam que é preciso fazer com que o aluno confronte os conhecimentos do senso comum com o conhecimento científico.defronta-se mais uma vez com esta nova intransparência metodológica para o Perspectivas em Educação Física Escolar. a dança. criados e construídos nos alunos pela visão de mundo que apresentam a partir do conhecimento. n. Além disso. a capoeira e de outros temáticas que apresentarem relações com os principais problemas sociais e políticos vivenciados pelos alunos. Em suma. fornecer elementos para uma mudança ao nível de prática. o autor apresenta os resultados do desenvolvimento de uma proposta prática em algumas escolas. o autor busca apresentar uma reflexão sobre as possibilidades de ensinar os esportes pela sua transformação didático-pedagógica. Neste livro. 2. interesses e desejos. KUNZ (1994) ao longo do seu trabalho tece algumas críticas à proposta críticosuperadora e apresenta algumas de suas limitações. v. Assim. inspirada. baseada na perspectiva crítico-emancipatória. os mesmos conteúdos devem ser trabalhados de maneira mais aprofundada ao longo das séries. 20 . o ensino na concepção crítico-emancipatória deve ser um ensino de libertação de falsas ilusões. pois é pelo questionamento crítico que chega a compreender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados da sociedade que formam as convicções.. sem a visão de pré requisitos. considerando a dimensão do "conhecimento" que os alunos precisam adquirir para criticar o esporte e para compreendê-lo em relação a seus valores. por exemplo.

foram publicados os PCNs do Ensino Médio por uma equipe diferente daquela que compôs a do Ensino Fundamental. Do ponto de vista das orientações didáticas.. sobretudo nos PCNs . o que denominou de transcendência de limites. Pluralidade Cultural. incluindo um documento específico para a área da Educação Física (BRASIL. Assim.ensino da Educação Física numa perspectiva crítica. Orientação Sexual. desenvolver e apropriar-se de cultura. e a supervisão ficou sob a responsabilidade da Secretaria de Ensino Médio. dialogando com as propostas e experiências já existentes. Niterói. 1994. Devem também.PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS O Ministério da Educação e do Desporto. v. mobilizou a partir de 1994 um grupo de pesquisadores e professores no sentido de elaborar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). 2. Na primeira os alunos descobrem. embora muitas destas idéias já estivessem presentes no trabalho de alguns autores brasileiros (BETTI. 1 (suplemento). foram lançados os documentos referentes aos 1o e 2o ciclos (1a a 4a séries do Ensino Fundamental) e no ano de 1998 os relativos aos 3 o e 4o ciclos (5a a 8a séries). As propostas elencadas. 21 . num primeiro momento. 2001. n. o aluno com a realidade do ensino. através da Secretaria de Ensino Fundamental. a tarefa da Educação crítica é promover condições para que estas estruturas autoritárias sejam suspensas e o ensino encaminha no sentido de uma emancipação. manifestar pela linguagem ou representação cênica. 1992. possibilitado pelo uso da linguagem. inspirado no modelo educacional espanhol.1991. assim como servir de material de reflexão para a prática de professores. M. o que experimentaram e o que aprenderam numa forma de exposição. Os PCNs são compostos pelos seguintes documentos: documento introdutório.. para que todos possam participar em todas as instâncias de decisão. e por último. De acordo com o grupo que organizou os Parâmetros Curriculares Nacionais. pois é a partir dele que os alunos passam a compreender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados da sociedade e que formam as falsas convicções. e Trabalho e Consumo) e documentos que abordam o tratamento a ser oferecido em cada um dos diferentes componentes curriculares. p. KUNZ defende o ensino crítico. bem como no trabalho de alguns Perspectivas em Educação Física Escolar. 1994. 1998).7 . Em 1997. do Ministério da Educação e do Desporto (BRASIL. Ética. interesses e desejos. o papel do professor na concepção críticoemancipatória confronta.21). incentivando a discussão pedagógica interna às escolas e a elaboração de projetos educativos. com a finalidade de entender o significado cultural da aprendizagem. 1995. BETTI." (KUNZ. temas transversais (Saúde. estes documentos têm como função primordial subsidiar a elaboração ou a versão curricular dos estados e municípios. só para citar alguns). . na formulação de interesses e preferências e agir de acordo com as situações e condições do grupo em que está inserido e do trabalho no esforço de conhecer. 2. 1999). em discussões acadêmicas. Concretamente a forma de ensinar pela transparência de limites pressupõe três fases.. COLETIVO DE AUTORES. os alunos devem aprender a perguntar e questionar sobre suas aprendizagens e descobertas. pela própria experiência manipulativa as formas e meios para uma participação bem sucedida em atividades de movimentos e jogos.área Educação Física para os terceiros e quartos ciclos . A linguagem tem papel importante no agir comunicativo funciona como uma forma de expressão de entendimentos do mundo social. M.apresentam alguns avanços e possibilidades importantes para a disciplina. Meio Ambiente. Em 1999.

o texto publicado pelos PCNs auxiliou na organização desses conhecimentos. bem como reivindicar locais adequados para promover atividades corporais de lazer (BRASIL. de acordo com ZABALA (1998). a saber por quê está fazendo e como relacionar-se neste fazer. adotando hábitos saudáveis relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de melhoria da saúde coletiva. analisando criticamente os padrões divulgados pela mídia. Estas novas formas de organização buscam estabelecer relações entre os conteúdos de diversas maneiras. atitudinais e conceituais. Ao longo deste século. valorizar.professores da rede escolar de ensino. os projetos. perder de vista o seu papel de integrar o cidadão na esfera da cultura corporal. as propostas de organização que não têm como referência a própria disciplina pode-se ser consideradas em projetos multidisciplinar. 1 (suplemento). Na verdade. a proposta destaca uma Educação Física na escola dirigida a todos os alunos. . 1998). Na página 25 será apresentado no Quadro 1 os principais conteúdos sugeridos por cada uma das abordagens nas dimensões procedimentais. respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações da cultura corporal. que sempre se manifesta globalmente. Niterói. Assim. n. podemos encontrar propostas e experiências que rompem com a organização dos conteúdos centrados exclusivamente nas disciplinas escolares. Contudo. O discurso dos PCNs gira em torno da cidadania. sem discriminação. conhecer. no entanto. os centros de interesses. as dimensões dos conteúdos (atitudinais. e cada vez mais. o trabalho por temas ou tópicos. 3 . Sem dúvida. autônomo. conceituais e procedimentais) e os temas transversais. compreendendo sua inserção dentro da cultura em que são produzidos. tais aspectos se constituem em enormes desafios para os profissionais da área. princípio da inclusão. 2. Na Educação Física as tendências crítico-superadora e aquela propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais se manifestaram favoravelmente na busca de interfaces dos conteúdos da Educação Física com os grandes problemas da sociedade brasileira. articulando-os nas suas várias dimensões. . entendendo a escola como um dos espaços possíveis de contribuição para a formação do cidadão crítico. que prescindem da compartimentalização disciplinar. quanto mais relacionados entre si maior a potencialidade de uso e compreensão. Por outro lado. explicitando as dimensões dos conteúdos. Perspectivas em Educação Física Escolar. nos quais o ponto de partida é o interesse e aprendizagem do aluno e não a lógica interna das disciplinas. . quais sejam. organizar e interferir no espaço de forma autônoma.reconhecer-se como elemento integrante do ambiente. Eleger a cidadania como eixo norteador significa entender que a Educação Física na escola é responsável pela formação de alunos que sejam capazes de: . reflexivo. Três aspectos da proposta dos PCNs . e propõe um relacionamento das atividades da Educação Física com os grandes problemas da sociedade brasileira. 2001. de tal modo que os alunos passem a compreender a realidade.participar de atividades corporais adotando atitudes de respeito mútuo. v. 22 .reivindicar. dignidade e solidariedade. a transdisciplinar ou interdisciplinar. sem.área Educação Física representam aspectos relevantes a serem buscados dentro de um projeto de melhoria da qualidade das aulas.conhecer a diversidade de padrões de saúde. Ressalta também a importância da articulação entre o aprender a fazer.ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS A organização dos conteúdos se referem às relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem que formam as unidades didáticas. ZABALA (1998) cita como exemplos desta forma de organização dos conteúdos. beleza e desempenho que existem nos diferentes grupos sociais.

1992) já havia mencionado a necessidade e importância de tratar os grandes problemas sociais nas aulas de Educação Física. dívida externa. da deficiência. saúde pública. ginástica e dança. Saúde. Meio ambiente. preconceitos sociais. E. e outros Ética. da velhice. n. Na verdade. dívida externa. refletidos e. na perspectiva de consolidar tal objetivo. relações sociais do trabalho. indicando-os como questões geradoras da realidade social e que. distribuição da renda. o documento apresenta como temática central os temas sociais emergentes. distribuição de solo urbano. sua interpretação pode se dar entendendo-os como as ruas principais do currículo escolar que necessitam ser atravessadas/cruzadas por todas as disciplinas. relações sociais do trabalho. A seguir. Tendências Organização curricular Vínculos com problemas da sociedade brasileira. criticados. 23 .. o consumo. Pluralidade Cultural e Saúde. 1 (suplemento). ou outros temas que se mostrem relevantes.. Orientação Sexual. portanto. Na Educação Física. De acordo com os autores a “. o trabalho. interpretando-a e explicando-a a partir dos seus interesses de classe social” (p. Tais temas são chamados de Temas Transversais. tais como: ecologia. Trabalho e Consumo. possivelmente. Pluralidade Cultural. 2001. as iniciativas de discutir e analisar propostas que ampliem a compreensão dos conteúdos da Educação Física para além da perspectiva disciplinar ainda se mostram bastante preliminares. Trata-se. Esta concepção apresenta uma reflexão ética como eixo norteador. de discutir o sentido ético da convivência humana nas suas relações com várias dimensões da vida social: o ambiente. papéis sexuais. v. papéis sexuais. raciais. a sexualidade e a saúde.sensível e participativo. portanto. A ética interroga sobre a legitimidade de práticas e valores consagrados pela tradição e pelo costume. ecologia. pois podem/devem ser trabalhados por todos os componentes curriculares. abrangendo a crítica das relações entre os grupos. e outros. esporte. necessitam ser problematizados. saúde pública. Niterói. distribuição de renda. relacionados ao jogo. por exemplo. Meio Ambiente. a cultura. 2. o Coletivo de autores (SOARES et alii.reflexão sobre estes problemas é necessária se existe a pretensão de possibilitar ao aluno da escola pública entender a realidade social. logo. Orientação Sexual Críticas PCNs Perspectivas em Educação Física Escolar. velhice. encaminhados. por envolver posicionamentos e concepções a respeito das causas e efeitos de sua dimensão histórica e política. 63). dos grupos nas instituições e ante elas. como também a dimensão das ações pessoais. Trabalho e Consumo. Os temas desenvolvidos apresentam as seguintes problemáticas: Ética. A reflexão ética traz à luz a discussão sobre a liberdade de escolha. será apresentado o quadro apontando a organização dos conteúdos nas abordagem crítica e aquela proposta pelos PCNs.

folclore e outras. Do mesmo modo. às expressivas. e às da cultura popular. na análise do discurso dos alunos de Educação Física do ensino fundamental. (1995) observou que. capoeira. que chama atenção para as dificuldades de efetuar mudanças de conteúdo. de motivação. É preciso ressaltar que todas estas atividades fazem parte do currículo do curso de formação em Educação Física. ora da ginástica como formas de aquecimento. 24 . especialmente aqueles mais praticados no Brasil: futebol. Em um dos poucos ensaios existentes sobre o tema. I. eles reclamam por conteúdos mais diversificados. LOVISOLO (1995) argumenta. que a comunidade entende Educação Física na escola a partir justamente destes dois fenômenos sociais: o esporte e a ginástica. o esporte como conteúdo hegemônico impede o desenvolvimento de objetivos mais amplos para a Educação Física. Além disso. v. (1995) pergunta: tendo em vista que os currículos das escolas de Educação Física incluem disciplinas como dança.. com base num amplo levantamento de opinião. de material? Comodismo? Falta de aceitação destes conteúdos pela sociedade? Ou será que os professores desenvolvem somente os conteúdos com os quais tem maior afinidade? Segundo KUNZ (1989). atividades expressivas. 1995. "O judô nas aulas de Educação Física escolar" (MATHIAS. sobremaneira as possibilidades de um trabalho corporal mais amplo. As possibilidades de ampliar as práticas corporais na escola têm sido preocupação de diversos estudos. desta forma. Outros autores buscaram ampliar o leque de atividades corporais na escola. voleibol e basquetebol. judo.8% dos alunos conseguem diferenciar as duas áreas. 2000).Quadro 2 . por exemplo. BETTI. SOUZA (1994) a dança afro e VOLP (1994) a dança de salão. n. 1 (suplemento). TAVALER (1995) propõe a prática do Tai-chi-chuan. 2001. "As práticas corporais alternativas na escola" (FERREIRA. NORA. 4 . restringindo. Ficam. 1995). criativo e comunicativo. Os resultados deste trabalho mostraram que os conteúdos parecem restringir-se à prática. como explicar a pouca utilização destes conteúdos? A autora levanta as seguintes possibilidades para tal fato: Falta de espaço. Porque.A IMPORTÂNCIA DA DIVERSIDADE DOS CONTEÚDOS Alguns autores têm condenado a prática da Educação Física vinculada apenas a uma parcela da cultura corporal. não com a mesma ênfase que as disciplinas de cunho esportivo. ausentes das aulas de Educação Física as experiências vinculadas às atividades rítmicas. "Atividades rítmicas e expressivas para alunas do magistério" (De ÁVILA. apenas 12. Niterói. ginástica. todavia. 2000). outros conteúdos não comparecem no ensino escolar? Os professores experimentaram por mais tempo e provavelmente com mais intensidade as experiências esportivas. 1991). O impacto da mídia sobre a escolha dos conteúdos e sobre a forma como eles são transmitidos. também não pode ser desprezado. como trabalhos de final de curso de graduação e de pós-graduação. "A prática da ginástica aeróbia nas turmas mistas" (VENTURA. então. Podemos citar: "O futebol feminino nas aulas de Educação Física escolar" (SOUZA Jr. 2. ora aos fundamentos e ao jogo esportivo propriamente dito. mídia e Educação Física. 1996). KENSKI (1995) avalia que o esporte é um ótimo Perspectivas em Educação Física Escolar. Um resultado do seu trabalho.A organização curricular nas abordagens. os esportes coletivos. não vê diferença entre Educação Física e esporte. refere-se ao fato de que a maioria dos responsáveis (54%). tais como o sentido expressivo. Discutindo este tema BETTI. Alguns foram orientados por mim. I.

A autora afirma que: ". A mídia e. sem intenções de diminuir as práticas sexistas nas aulas de Educação Física. Niterói. Quais esportes são mais valorizados pela mídia. Criam-se assim hierarquias em que se privilegiam determinados tipos de modalidades esportivas e seus respectivos campeonatos e alguns outros esportes. entre as redes de televisão. já que o espetáculo é fácil de ser produzido. como ressalta CASTELLANI FILHO (1993). 131). A televisão. de desconsiderar o esporte como conteúdo da Educação Física escolar...ESTUDOS RELACIONADOS AOS CONTEÚDOS NOS DOIS ÚLTIMOS CONBRACES Neste tópico do trabalho pretendo analisar a produção do conhecimento referente aos últimos anos publicados em evento relevante da Educação Física. 131) . v. como o horário e o canal de vinculação? A ênfase é sobre a transmissão de jogos de futebol. Sobre o impacto da televisão na vida das pessoas a autora afirma: ". Nos dois últimos CONBRACES (Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte). não a aceitando incondicionalmente. e para a mídia em geral. mas reconhecer o esporte "como uma prática social. o esporte é uma fonte inesgotável de notícias. mas não o único. 2. E são justamente estes que são implementados com maior facilidade pelos professores.. 5 . Não obstante. de público e de lucro".para a televisão. um dos Perspectivas em Educação Física Escolar. os seus efeitos foram extremamente positivos.investimento. 2001.13). É KENSKI (1995) quem nos auxilia na reflexão sobre a prática de alguns esportes em detrimento de outros quando lembra que nem todos os esportes tem o mesmo tempo de televisão: "Por ser um tipo de programação altamente rentável os campeonatos e competições dos esportes mais populares são alvo de uma competição paralela. n. e. os cenários e atletas já estão preparados e custa pouco para os investidores. caracteriza-se como um dos seus mais relevantes fenômenos sócio-culturais"(p. de basquetebol profissional dos Estados Unidos. alguns casos. em termos de quantidade de horas de transmissão e em termos qualitativos. 131)". no sentido de desvelar pistas importantes sobre o encaminhamento das pesquisas na área dos conteúdos da Educação Física escolar. a penetração da televisão é uma característica do estágio atual da civilização e precisa ser compreendido como realidade com a qual se tem que conviver. 1 (suplemento). especificamente a televisão. voleibol e. menos nobres. resultado de uma construção histórica que. mas se posicionando e procurando aproveitar da melhor forma possível a nova realidade em benefício dos ideais profissionais que merecem ser mantidos" (p. (p. provavelmente por razões de ordem econômica. Hoje é possível observar uma prática bastante acentuada do futebol feminino nas diferentes classes sociais.. Não se trata. podem contribuir (como podem atrapalhar) o desenvolvimento de propostas mais adequadas da Educação Física na escola. Em nossos dias foi observado este fenômeno: até recentemente o futebol era um jogo praticado apenas por homens. dada a significância com que marca a sua presença no mundo contemporâneo. passou a exibir jogos de futebol feminino. em 1994. é preciso que o profissional reconheça o seu papel e a veja criticamente. na luta pela obtenção dos direitos de transmissão dos eventos. 25 . que não são sequer mencionados pela Televisão (p.

para além dos esportes tradicionais. o que é facilmente explicado. as ginásticas com 3 indicações (MIRANDA et al. BARRETO. considerando as características e a tradição do evento em análise. 1999). 1999.H. OLIVEIRA. 1999. e outros com mais 2 publicações (SOUZA & OLIVEIRA. a partir de diferentes experiências com o trato da cultura corporal precisam ser levantadas e explicitadas. entendo que deveria haver esforços no sentido de investigar as possibilidades. 1999. (o que buscou transformações didáticas para o esporte escolar. as ginásticas. MENDONÇA (1997). sistematização e valores subjacentes aos conteúdos. (1999). Além disso. pode ser incluído um grupo menos numeroso de autores que procurou estudar novas formas de organização. BRASILEIRO. ainda que de forma preliminar. apontar que os estudos relativos aos conteúdos da Educação Física têm se dirigido a analisar as transformações necessárias para o esporte na escola. OLIVEIRA (1999). conhecimento prévio dos alunos. com o propósito de caracterizar o esporte da escola. MAIA. 1999. Os trabalhos publicados nos anais. que é extremamente importante dado o papel que desempenha tal conhecimento/habilidade no mundo contemporâneo. mesmo considerando que não deverá haver uma padronização para todas as escolas ou alunos. n. como os jogos e brincadeiras populares com 4 indicações (CAMÊLO. e o grupo que procurou abordar outros conhecimentos para além do esporte). motivações. 1 (suplemento). Neste sentido podem ser apontados os seguintes estudos: SANTOS Jr (1997). ALVES (1997). No outro grupo de trabalhos mais freqüentes sobre conteúdos apareceu as experiências realizadas no sentido de implementar outros conteúdos nas aulas de Educação Física escolar. 26 . 1999) as danças com 4 (MEDEIROS. se dirigiam predominantemente a dois aspectos dos conteúdos escolares. jogos e outros conteúdos. uma vez que o contexto deverá definir vários aspectos. v. o que poderia ocorrer a partir de pesquisa ação/participante. condições materiais e físicas da escola e. os estudos parecem reconhecer a relevância da ampliação dos conhecimentos a serem ensinados/aprendidos pelos alunos nas aulas de Educação Física. realizados em 1997 em Goiânia e em 1999 em Florianópolis. sobretudo. BARBOSA. 2001. 1997. princípios gerais. 1999.(1997). É importante ressaltar que a maioria destes estudos utilizaram como referencial teórico a abordagem crítico-superadora. Estes resultados nos permitem. como interesses. Além destes dois grupos. a proposta pedagógica da própria escola. Niterói. e finalmente RAMOS et al. O primeiro grupo de trabalhos procurou abordar as transformações didático-pedagógicas que devem passar os esportes para estarem na escola..1999. 1999). que deve incluir. et al. Neste sentido podem ser citados os trabalhos de BAECKER et al. da construção do conhecimento sobre a sistematização e organização. VIANA & FREITAS (1999). (1999) que buscaram analisar as possibilidades dos temas transversais para a Educação Física na escola. e também o maior número de pesquisadores da área pedagógica que se baseiam nesta tendência. Dentro do contexto do encaminhamento dos problemas a serem levantados a respeito dos conteúdos escolares disciplinares. 1999). foram publicados aproximadamente 28 estudos especificamente direcionados aos conteúdos da Educação Física escolar. (1999). MAZONI. SILVA (1999). seleção. 2. No entanto. BARROS et al. FERREIRA. AMORIM & SILA. e não o esporte na escola.mais importantes eventos da área. VENTURA. que incluíam resumos e trabalhos na íntegra. danças. 1999. FERREIRA (1997) que procuraram abordar as possibilidades do planejamento participativo na escolha e seleção dos conteúdos escolares enquanto BAECKER & BAGGIO (1997) buscaram compreender a tematização dos conteúdos e os seus valores subjacentes. P. na perspectiva da cultura corporal. 1999. ALMEIDA & SANTOS. Perspectivas em Educação Física Escolar.

por conta de sua trajetória histórica e da sua tradição. O fato é que soubemos de várias escolas nas quais os professores de Educação Física se recusaram a participar do projeto da escola por não observarem relações com a temática em questão. Estes acontecimentos nos parecem bastante preocupantes. é possível pensar nas contribuições dos negros. compreender com seus alunos as amplas manifestações da cultura corporal. Entretanto. ou seja. as habilidades motoras. isto é. para além dos esportes tradicionais (futebol. v. dança. n. finalmente. é preciso superar essa perspectiva fragmentada. Na verdade. o jogo cooperativo. relacionar. Niterói. as brincadeiras populares. pois na perspectiva da cultura corporal. Um exemplo pode facilitar. CONSIDERAÇÕES FINAIS As análises das abordagens da Educação Física discutidas ao longo deste trabalho indicaram que elas enfatizaram diferentes conteúdos nas suas construções teóricas. quais atitudes os alunos devem ter nas e para as atividades corporais (dimensão atitudinal). Atualmente entende-se a Educação Física escolar como uma disciplina que introduz e integra o aluno na cultura corporal. das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. envolvendo. também se mostram necessários. Um ponto de destaque nessa nova significação atribuída à Educação Física é que a área ultrapassa a idéia única de estar voltada apenas para o ensino do gesto motor correto. No ano de 2000 o país comemorou seus 500 anos. as dimensões atitudinal e conceitual. ou até anual esta questão para ser trabalhada em todas as disciplinares escolares. 2. Para facilitar a adesão dos alunos às práticas corporais seria importante diversificar as vivências experimentadas nas aulas. ginástica. voleibol ou basquetebol). o papel da Educação Física ultrapassa o ensinar esporte. semestral. reproduzi-la e transformá-la. Assim. Trata-se de localizar em cada uma destas práticas corporais produzidas pela cultura os benefícios humanos e suas possibilidades na organização da disciplina no contexto escolar. E. jogos. dos esportes.Além disso. Na Educação Física escolar. interpretar. Na verdade. o que inclui o esporte de rendimento. não do esporte ou exclusivamente da saúde. Muito mais que isso. a preocupação do docente centraliza-se no desenvolvimento de conteúdos procedimentais. também. falta à Educação Física tradição no encaminhamento de estudos e propostas de intervenção que caminhem no sentido de observar a disciplina de fato integrada à proposta pedagógica da escola. em seus fundamentos e técnicas (dimensão procedimental). 27 . busca garantir o direito do aluno de saber por que ele está realizando este ou aquele movimento. as origens históricas das práticas da cultura corporal e outros. 1 (suplemento). a inclusão e a possibilidade das vivências das ginásticas. dos Perspectivas em Educação Física Escolar. índios e brancos na construção do conhecimento da cultura corporal. instrumentalizando-o para usufruir dos jogos. várias escolas adotaram como tema bimestral. 2001. cabe ao professor de Educação Física problematizar. o exercício físico. mas inclui também os seus valores subjacentes. de tal forma que os alunos compreendam os sentidos e significados impregnados nas práticas corporais. para a Educação Física estar efetivamente integrada à proposta pedagógica da escola. quais conceitos estão ligados àqueles procedimentos (dimensão conceitual). das danças. expressivas e conhecimento sobre o próprio corpo para todos. atividades rítmicas. as possibilidades de novas relações com outras disciplinas ou com temas ou projetos da escola. formando o cidadão que vai produzi-la.

gasto energético e as diferentes práticas corporais. o esporte e a violência. ndências Finalidades Procedimentos Higienista/ Eugênica Melhoria das funções orgânicas Formação das qualidades motoras Método Desportivo Melhora fisiológica. a história. Além disso. n. atitudes e normas Obediência Respeito a autoridade Submissão Lúdico -----------Esporte Eficiência Racionalidade Produtividade Perseverante Saber ganhar e perder ----------Prazer e divertimento Fatos e Conceitos ------------ Jogo esportivo ----------- Lateralidade Consciência corporal Coordenação motora Brincadeiras e jogos populares Habilidades locomotoras Manipulativas e de estabilidade Jogos Jogos --------Mudanças das regras Desenvolvimentista --------Cooperação Solidariedade Participação Questionador -----------------Origem e Jogos cooperativos Críticas Perspectivas em Educação Física Escolar. das brincadeiras. a organização social. as relações entre exercício. entre outros. deverá compor o rol de conteúdos da disciplina da Educação Física na escola. lesões e uso de anabolizantes. as relações entre nutrição. 2001. Após o período formal de aulas os alunos deveriam ter condições de manterem uma prática regular. Generalizado psíquica. Todos os alunos têm direito a ter acesso ao conhecimento produzido pela cultura corporal. numa dimensão mais sócio-cultural deve ser esclarecido aos alunos as relações entre esporte. as diferenças e similaridades entre a prática dos jogos e dos esportes. o esporte com intenções de lazer e da profissionalização. compreenderem os sentidos e significados da cultura corporal. as adaptações necessárias para a prática do esporte voltado para o lazer. das danças podem facilitar a adesão do aluno na medida em que aumentam as chances de uma possível identificação. atividade física e contexto sócio-cultural. Este objetivo é facilitado se os alunos vivenciam as diferentes práticas da cultura corporal e se compreendem o seu papel na sociedade. É importante ressaltar também que a Educação Física na escola deve incluir tanto quanto possível todos os alunos nos conteúdos que propõem adotando para isto estratégias adequadas. e sobretudo. o desenvolvimento das capacidades físicas (força. 28 . Neste sentido. social e moral Esportivista Busca do rendimento Seleção Iniciação esportiva Psicomotricidade Construtivista Educação Psicomotora Construção do conhecimento Resgate da cultura popular Desenvolvimento motor Indivíduos mais cooperativos Leitura da realidade Ginástica Método Francês Conteúdos Valores.jogos. 2. o contexto das diferentes modalidades esportivas. por exemplo. 1 (suplemento). numa dimensão mais biológica. sociedade e interesses econômicos. se assim desejarem. v. Não se pode mais tolerar a exclusão que historicamente tem caracterizado a Educação Física na escola. das lutas. resistência e flexibilidade) e a aquisição e melhoria da saúde e da estética. a qualidade de vida. sem o auxílio de especialistas. Niterói.

2001. Perspectivas em Educação Física Escolar.social Saúde renovada Aptidão física Esportes Dança Ginástica Capoeira Exercício Ginástica contexto da cultura corporal Indivíduo ativo Informações sobre nutrição. 2. às diferenças Valorização da cultura corporal Quador 1. capacidades física Capacidades físicas Postura Aspectos históricosociais Regras PCNs (3o e 4o Ciclos) Cidadania Integração à cultura corporal Brincadeiras e Jogos Esportes Ginásticas Lutas Atividades Rítmicas expressivas Conhecimento sobre o próprio corpo Participação Cooperação Diálogo Respeito mútuo. 29 . Os conteúdos nas tendências pedagógicas da Educação Física escolar. 1 (suplemento). Niterói. v. n.

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