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FÍSICA I ASSUNTO

Cinemática I: escalar
1
1. Referencial Entretanto, se considerarmos o trenzinho como referencial, a trajetória
é uma reta orientada para cima na subida e uma reta orientada para baixo
Para descrevermos o estado de repouso e movimento de um ponto na descida.
material, sua trajetória ou seu deslocamento, precisamos de um corpo, ou Conclusão: A forma dessa linha imaginária (trajetória) depende do
conjunto de corpos, que tomaremos como referência para determinar as referencial adotado para sua observação. Portanto, referenciais diferentes
posições do ponto material. Este corpo é denominado referencial. podem observar trajetórias diferentes.
Os conceitos de movimento e repouso não são absolutos, mas sim
relativos, já que dependem do referencial adotado. Um corpo estará em
repouso quando sua posição não se alterar em relação a um referencial 3. Posição, deslocamento
com o decorrer do tempo. Caso ocorra alteração, dizemos que o corpo
está em movimento.
e distância percorrida
Unidade no SI: metro; abreviação: m.
Importante: A escolha de um referencial é uma tarefa muito importante na
Outras unidades comuns: centímetro (cm), milímetro (mm),
resolução de um problema, principalmente quando se faz uso de cálculos.
quilômetro (km).
Deve-se ter em mente que, a partir da escolha do referencial, a descrição do
movimento dos corpos que participam do fenômeno passa a ser feita em
relação a este referencial e só em relação a ele. Isso é muito importante,
3.1 Posição escalar (s)
pois, se não obedecido, pode levar seus cálculos a conclusões erradas. Por definição, posição é o número associado ao ponto da trajetória
ocupado por um móvel em determinado instante, de acordo com algum
1.1 Classificação do referencial referencial. No caso da cinemática escalar, utilizaremos como referencial
uma reta orientada e como origem das posições um ponto qualquer dessa
1.1.1 Referencial inercial mesma reta (em geral, associa-se a letra “O” para a origem).
Um referencial inercial é todo aquele que torna válida a lei da inércia,
ou seja, é qualquer sistema de referência que permanece em repouso ou O
em movimento retilíneo uniforme.
Assim, para determinarmos o módulo da posição de um móvel,
1.1.2 Referencial não inercial mediremos a distância desse ponto à origem adotada. É imprescindível ter
Um referencial não inercial é todo aquele que apresenta aceleração atenção para o sinal. Se o móvel estiver a favor do referencial, usaremos
em relação a um referencial inercial. Por esse motivo, os referenciais não o sinal positivo, e se estiver contra, o negativo.
inerciais são também conhecidos como referenciais acelerados.
Quando a situação não especificar o referencial a ser utilizado, 3.2 Deslocamento escalar (ΔS)
considere sempre a Terra ou o solo. Por exemplo, se em uma situação Considerando um móvel qualquer em movimento em relação a um
genérica for feita uma afirmação do tipo “um corpo se movimenta com referencial inercial, por definição, seu deslocamento escalar (∆S) em um
velocidade de 80 km/h”, assuma que essa velocidade é medida em relação intervalo de tempo ∆t = t2 – t1 é dado pela diferença entre as posições
à Terra ou ao solo. nesses respectivos intervalos de tempo.
Chamando a posição inicial e final, respectivamente, de s0 e s, teremos:
2. Trajetória DS = s – s0
A trajetória de um móvel corresponde à linha imaginária obtida ao serem
ligadas as posições ocupadas pelo móvel em instantes sucessivos durante 3.3 Distância percorrida (d)
seu movimento. Não podemos confundir o conceito de deslocamento escalar (∆S) com
Por exemplo, quando uma bola é lançada verticalmente para cima o conceito de distância percorrida (em geral, representada pela letra d).
de um trenzinho que se move com velocidade horizontal constante, a Distância percorrida é uma grandeza de utilidade prática que informa quanto
trajetória para um referencial parado fora do trenzinho é uma curva (ou a partícula efetivamente percorreu entre dois instantes, devendo, portanto,
seja, uma parábola). ser calculada sempre em módulo.
Para entender a diferença, considere a figura a seguir:

90 150 210 310 km

A B C D

Note que, por exemplo, a posição de um móvel que passa pelo ponto
A é = +90 km. Isso acontece porque o ponto A dista 90 km da origem
adotada e está no sentido positivo do referencial adotado (para a direita).

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FÍSICA I
Assunto 1

Um móvel (que anda sempre sobre o segmento orientado Dessa forma, a velocidade média em todo o trajeto AB é:
representado na figura), situado inicialmente em B, desloca-se para o
ponto A e, a seguir, para o ponto D. O deslocamento escalar no primeiro 2d 2d 2d 2v · v 1
Vm = = = = 1 2 = .
trajeto é de Ds = s – s0 = +90 – (+150) = –60 km (negativo, pois t1 + t2 d + d d (v1 + v 2 ) (v1 + v 2 ) 1 1
+
está contra o referencial). No segundo trajeto, o deslocamento escalar é v1 v 2 v1 · v 2 v1 v 2
Ds = s – s0 = +310 – (+90) = +220 km (positivo, pois está a favor 2
do referencial).
Note que, quando o trajeto é dividido em partes iguais, a velocidade
Note que, embora o deslocamento escalar do referido móvel de B até D média total é a média harmônica das velocidades em cada trecho (e não a
seja Dstotal = Ds1 – Ds2 = –60 + 220 = +160 km, a distância percorrida média aritmética). Para quem não se lembra, média harmônica é o inverso
entre o começo e o fim do deslocamento é de 280 km (60 km de B até A da média aritmética dos inversos.
e 220 km de A até D).
Matematicamente, podemos dizer que a distância percorrida pode Ex.2: Um móvel se desloca em uma trajetória retilínea ABC de modo que,
ser obtida por meio das somas dos deslocamentos escalares parciais. na primeira parte do percurso (AB), sua velocidade é v1 e, na segunda
parte (BC), sua velocidade é v2. Sabendo que o intervalo de tempo nas
d = ∑| ∆S | duas partes do percurso é o mesmo, determine a velocidade média em
todo o percurso.
No exemplo, tem-se d = |Ds1|+| Ds2|=|–60|+|220| = 280 km.
Solução:
Dica: Se algum exercício perguntar qual a distância percorrida por um Por conveniência, chamaremos o tempo em cada parte do percurso de t.
móvel, deve-se seguir o seguinte passo a passo: ∆s
Usaremos também que V = → ∆s = v ⋅ ∆t. Dessa forma, a velocidade
∆t
I. Encontrar os instantes em que o móvel troca o sentido do movimento.
média em todo o trajeto AC é:
Para isso, basta descobrir os pontos em que a velocidade é igual a zero.
II. Calcular os deslocamentos parciais em cada um dos intervalos de
AB + BC v1 · t + v 2 · t v1 + v 2
tempo limitados pelos instantes encontrados (assim, você garante Vm = = = .
que está olhando para um deslocamento em um único sentido). t1 + t2 2t 2
III. Somar os módulos dos deslocamentos encontrados. Note que, quando o trajeto é dividido em tempos iguais, a velocidade
média em todo o percurso é a média aritmética das velocidades em cada
4. Velocidade escalar média trecho.

Unidade no SI: metro por segundo; abreviação: m/s. 4.1 Conversão de unidades
Outras unidades comuns: centímetro por segundo (cm/s), milímetro
por segundo (mm/s), quilômetro por hora (km/h). No S.I., a unidade de velocidade é o m/s, embora a unidade mais
Conceitualmente, a velocidade escalar de um corpo mede a rapidez utilizada seja o km/h.
com a qual esse corpo muda de posição. Para convertermos os valores dados de um sistema de unidades para
Embora a velocidade seja uma grandeza vetorial (precisa de módulo, outro, deve-se partir da unidade original e substituir as unidades originais
direção e sentido para ser compreendida), por enquanto iremos abordar km 1.000m 1m
pelas unidades a que se quer chegar: 1 = = . Portanto,
seu comportamento escalar, ou seja, vamos nos preocupar somente h 3.600 s 3,6 s
com o seu módulo. Por esse motivo, na cinemática escalar, estudaremos
para passarmos de m/s para km/h, basta multiplicar por 3,6 o valor da
basicamente trajetórias retilíneas.
velocidade em m/s. De maneira análoga, para passarmos de km/h para
Por definição, a velocidade escalar média de um corpo em um trecho
m/s, dividimos o valor em km/h por 3,6.
de um percurso é a razão entre seu deslocamento escalar nesse intervalo
de tempo e o respectivo intervalo de tempo. Esquematicamente:
dividir por 3,6
∆S s − s0
Vm = =
∆t t − t0
Importante: A velocidade média não é a média das velocidades. Os exemplos km/h m/s
abaixo mostrarão a importância de usar o conceito correto de velocidade
média para não cair em armadilhas.

Ex.1: Um móvel se desloca em uma trajetória retilínea AB. Na primeira multiplicar por 3,6
metade do percurso, sua velocidade possui módulo v1 e na segunda
metade, módulo v2. Determine a velocidade média em todo o trajeto AB. Repare que o método utilizado acima pode ser utilizado para transformar
quaisquer unidades de velocidade. Por exemplo, se quisermos converter
Solução: 3 dam/min em m/s (repare que dam/min é uma unidade extremamente
Por conveniência chamaremos a distância entre os pontos A e B de 2d, o incomum), devemos proceder da seguinte forma:
tempo na primeira metade do percurso de t1 e na segunda metade de t2.
∆S ∆S dam 3 dam 30m m
Usaremos, também, que V = → ∆t = . Em problemas como este, 3 = = =0,5 .
∆t v min 1min 60 s s
a ideia é escrever a expressão da velocidade média para o percurso todo
e, só depois, substituir as variáveis que não foram dadas usando alguma
informação da questão.

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Assunto 1

5. Velocidade escalar instantânea Conclusão: a velocidade instantânea de um móvel pode ser obtida
calculando o coeficiente angular da reta tangente ao ponto considerado
Unidade no SI: metro por segundo; abreviação: m/s. em um gráfico s × t. Portanto:
Outras unidades comuns: centímetro por segundo (cm/s), milímetro I quanto mais inclinado for o gráfico, maior o módulo da velocidade
por segundo (mm/s), quilômetro por hora (km/h). instantânea naquele ponto. Quanto menos inclinado, menor o módulo
Conceitualmente, velocidade instantânea é a velocidade em um da velocidade.
instante específico do movimento. Como a velocidade é a razão entre II. se a reta tangente for horizontal (vértices), a inclinação é zero e, portanto,
o deslocamento e o intervalo de tempo, temos que, se calcularmos a a velocidade é zero. O móvel troca de sentido.
velocidade média para intervalos de tempo cada vez menores, (intervalos Matematicamente, a velocidade instantânea é o limite da velocidade
muito próximos de zero), tenderemos a chegar à velocidade naquele exato média quando o intervalo de tempo tende a zero (o conceito explicado
momento. anteriormente é exatamente o conceito de derivada). Ou, em outras
Para entender melhor esse conceito, vamos ao seguinte exemplo palavras, é a derivada de primeira ordem da posição em relação ao tempo
numérico: considere um móvel que se move em trajetória retilínea segundo ou a taxa de variação da posição em relação ao tempo.
a equação s(t) = t2 – 4t + 2, em que s está em metros e t, em segundos. ∆s ds
v = lim =
Essa é uma equação do tipo equação horária da posição, já que informa ∆t → 0 ∆t dt
a posição do móvel em função do tempo.
Para calcular a velocidade instantânea desse móvel no instante t = 3 s,
vamos calcular velocidades médias fazendo o intervalo de tempo tender
6. Aceleração escalar média
a um valor cada vez mais próximo de zero. Unidade no SI: metro por (segundo)2; abreviação: m/s2.
I. Tempo t = 0 s a t = 7 s. Nesses instantes, temos que as Outras unidades comuns: quilômetro por (hora); abreviação: km/h2.
posições são respectivamente iguais a s(0) = 02 − 4 ⋅ 0 + 2 = 2 m
e s(7) = 72 − 4 ⋅ 7 + 2 = 23 m . Logo, a velocidade média é dada por Conceitualmente, a aceleração escalar de um corpo mede a rapidez
∆s 23 − 2 com que o valor da velocidade muda, independentemente de essa
vm = = = 3 m/s. velocidade aumentar ou diminuir.
∆t 7−0
II. Tempo t = 1,5 s a t = 5 s. Analogamente, teremos que a velocidade Atenção para a diferença entre os conceitos: Velocidade mede a taxa
média é 2,5 m/s. da variação da posição em relação ao tempo; aceleração mede a taxa de
III. Tempo t = 2,8 s a t = 3,1 s. Analogamente, teremos que a velocidade variação da velocidade em relação ao tempo.
média é 1,9 m/s. Um carro de Fórmula 1, por exemplo, atinge altas velocidades em
trajetórias retilíneas. Entretanto, se ele mantiver a velocidade constante,
Note que, quanto menor o intervalo de tempo considerado e quanto não vai haver variação da velocidade. Por esse motivo, a aceleração seria
mais próximo do instante t = 3 s, a velocidade média calculada se igual a zero.
aproximará da velocidade instantânea em t = 3 s. Um elevador parado, por exemplo, tem velocidade igual a zero (já
É extremamente importante também entender o argumento gráfico. que sua posição não está mudando). Entretanto, imediatamente antes
Veja-se um exemplo a seguir: de começar a subir, ele possui aceleração maior que zero, já que sua
A curva azul representa também a posição de um móvel qualquer em velocidade vai variar logo depois.
relação ao tempo. Por definição, a aceleração escalar média de um corpo em um dado
trecho de um percurso é a razão entre a variação de velocidade escalar
s
nesse intervalo e o respectivo intervalo de tempo.
∆v v − v 0
am = =
∆t t − t0
Ds A unidade no SI da aceleração escalar média é m/s2. Assim sendo, dizer
que um corpo possui uma aceleração de 3 m/s2, por exemplo, significa
dizer que sua velocidade aumenta 3 m/s a cada segundo. Vale destacar
que, embora o m/s2 seja a unidade mais usada, ela não é a única. Qualquer
unidade de variação de velocidade sobre qualquer unidade de tempo nos
dará uma unidade de aceleração.
t
0
Dt 7. Aceleração escalar instantânea
Se quisermos calcular a velocidade média entre os instantes Unidade no SI: metro por (segundo)2; abreviação: m/s2.
representados pelos pontos brancos, basta dividir o ΔS representado no Outras unidades comuns: quilômetro por (hora)2; abreviação: km/h2.
eixo das ordenadas pelo Δt representado no eixo das abscissas.
Repare que, se o intervalo de tempo tender a zero, os dois pontos Para obtermos a aceleração de um móvel em um instante específico,
tendem a um só (ponto vermelho). Nesse caso, a velocidade média devemos calcular a aceleração instantânea. Seguindo a mesma ideia de
calculada vai se aproximar da velocidade instantânea naquele ponto. velocidade instantânea, podemos dizer que a aceleração instantânea é a
Graficamente, ao dividirmos ΔS por Δt quando Δt tende a zero, aceleração de um móvel em um ponto específico da trajetória.
acabamos descobrindo a tangente do ângulo formado entre o eixo das
abscissas e a reta que tangencia a curva vermelha, passando pelo ponto
vermelho.

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FÍSICA I
Assunto 1

Matematicamente, a aceleração instantânea é o limite da aceleração


média quando o intervalo de tempo tende a zero. Em outras palavras, é
9. Derivadas de polinômios
a derivada de primeira ordem da velocidade em relação ao tempo (ou a Podemos encontrar velocidade e aceleração instantâneas se
derivada de segunda ordem da posição em relação ao tempo) ou a taxa soubermos a equação horária da posição de um móvel. Para isso,
de variação da velocidade em relação ao tempo. usaremos as ideias de derivada abordadas neste módulo.
∆v dv d 2 s A seguir, encontra-se a regra prática para derivadas de polinômios,
α = lim = =
∆t → 0 ∆t dt dt 2 o tipo de equação mais encontrada em nosso curso para a descrição de
movimentos.
Basicamente, a regra a ser usada para derivar qualquer parcela de um
8. Classificação dos movimentos d
polinômio é ( at n ) = a ⋅ n ⋅ t n −1 . Importante saber que a derivada de um
dt
8.1 Quanto ao sentido do deslocamento polinômio é a soma das derivadas de cada termo.
Daí, se a equação da posição é dada por S = a1t n + a2t n–1 + ... ant +
8.1.1 Progressivo an+1, então as funções horárias da velocidade e da aceleração serão
(condição necessária e suficiente: v > 0) dadas por:
O móvel desloca-se no sentido definido como positivo da trajetória. ds
v= = a1nt n −1 + a2 ( n − 1)t n − 2 + ... + an −1 ⋅ 2t + an + 0
(A posição escalar do móvel é crescente com o tempo). Nesse caso, o dt
deslocamento escalar é positivo e, portanto, a velocidade também é positiva. dv d 2 s
a= = = a1 ⋅ n ⋅ ( n − 1)t n − 2 + a2 ( n − 1) ⋅ ( n − 2)t n − 3 + ... + 2 an −1 + 0
dt dt 2
8.1.2 Retrógrado
t 3 5t 2
(condição necessária e suficiente: v < 0) Ex.: Um corpo se move segundo a equação s( t ) = − + 6t + 1,
3 2
O móvel desloca-se no sentido definido como negativo da trajetória. com s em metros e t em segundos. Para esse corpo, calcule:
(A posição escalar do móvel é decrescente com o tempo). Nesse caso,
o deslocamento escalar é negativo e, portanto, a velocidade também é a. a velocidade em um instante genérico t.
negativa. b. a aceleração em um instante genérico t.
c. a velocidade em t = 4 s.
8.1.3 Repouso d. a aceleração em t = 6 s.
(condição necessária e suficiente: v = 0) e. os instantes para os quais o móvel troca de sentido.
f. a velocidade média entre 2 s e 4 s.
Um móvel está em repouso quando sua posição não se altera com
g. a distância percorrida entre 2 s e 4 s.
o passar do tempo para um determinado referencial. Nesse caso, a sua
h. os instantes para os quais o movimento é retrógrado.
velocidade é nula.
i. os instantes para os quais o movimento é acelerado.
8.2 Quanto à variação de velocidade Solução:
ds t2 5t
8.2.1 Uniforme a. v= = 3⋅ − 2 ⋅ + 6 + 0 → v ( t ) = t 2 − 5 t + 6.
dt 3 2
(condição necessária e suficiente: a = 0) dv
b. a= = 2 ⋅ t − 5 ⋅ 1 + 0 → a( t ) = 2t − 5.
O módulo da velocidade do móvel não varia ao longo do tempo. dt
c. v(4) = 42 – 5 · 4 + 6 = 2 m/s.
8.2.2 Acelerado
d. a(6) = 2 · 6 – 5 = 7 m/s2.
(condição necessária e suficiente: a · v > 0) e. Trocar de sentido: v = 0 → t2 –5t + 6 = 0 → t = 2 s ou t = 3 s.
O módulo da velocidade aumenta ao longo do tempo. Isso só ocorre f. ∆s s( 4) − s( 2)
quando a aceleração e a velocidade possuem o mesmo sinal para um vm = = =
∆t 4−2
dado referencial.
43 5 ⋅ 42  23 5 ⋅ 22 
− + 6 ⋅ 4 + 1−  − + 6 ⋅ 2 + 1
8.2.3 Retardado 3 2  3 2  = 1 m/s.
(condição necessária e suficiente: a · v < 0) 4−2 3
g. Como o móvel troca de sentido em t = 3 s,
O módulo da velocidade diminui ao longo do tempo. Isso só ocorre
quando a aceleração e a velocidade possuem o sinais contrários para um  33 5 ⋅ 3 2 
d = | ∆S2 a3 s | + | ∆S3 a 4 s |=  − + 6 ⋅ 3 + 1 −
dado referencial. 3 2 
 23 5 ⋅ 22   43 5 ⋅ 4 2 
repouso progressivo retrógrado  − + 6 ⋅ 2 + 1 +  − + 6 ⋅ 4 + 1 −
 3 2   3 2 
v=0 v: + v: –
uniforme  33 5 ⋅ 3 2  1 5
a=0 a=0 a=0
 − + 6 ⋅ 3 + 1 = + = 1 m.
v: + v: –  3 2  6 6
acelerado – h. Retrógrado: v < 0 → t2 –5t + 6 < 0 → 2 s < t < 3 s.
a: + a: –
v: + v: – i. Acelerado: a · v > 0 → (2t –5) · (t 2 – 5t + 6) > 0 →
retardado – (2t – 5) · (t – 2) · (t – 3) > 0 → 2 s < t < 2,5 s ou t > 3 s.
a: – a: +

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Assunto 1

10. Movimento retilíneo uniforme 10.1.1 Gráfico s × t


(MRU) O gráfico posição por tempo (s × t) do movimento retilíneo uniforme
é regido pela função horária de posição, que é uma função linear
O movimento retilíneo uniforme é aquele no qual a velocidade escalar (1o grau). Portanto, o seu gráfico é sempre uma reta. Crescente se seu
instantânea é constante, e não nula, para qualquer instante considerado coeficiente angular for positivo (velocidade positiva) ou decrescente se
por um corpo que descreve trajetória retilínea. Nesse tipo de movimento, seu coeficiente angular for negativo (velocidade negativa).
a velocidade média em qualquer trecho é igual à velocidade instantânea
em qualquer ponto do percurso. v>0
s s
Convém destacar que, no caso do movimento retilíneo uniforme, v<0 Se os eixos estiverem na
s0
podemos dizer que, em intervalos de tempos iguais, o móvel sofre mesma escala:
deslocamentos iguais. s0 q q t
t tan θ = velocidade

10.1 Função horária de posição


A função horária de posição é uma equação que mostra a posição de
um corpo em função de cada instante.
10.2 Função horária de velocidade
∆s s − s Por definição, um movimento é dito uniforme quando sua velocidade
v = v m =  → v =  0 → v ( t − t0 ) = s − s0 → s = s0 + v ( t − t0 )
∆t t − t0 não se altera em relação ao tempo. Logo, a função horária de velocidade
não poderia ser outra senão uma função constante.
Fazendo t0 = 0, chegamos à equação horária de posição no MRU: v(t) = constante
s(t)=s0 + v · t 10.2.1 Gráfico v × t
Ex.: Considere dois móveis, A e B, que se movimentam, sob uma O gráfico v × t para esse mesmo movimento é uma reta paralela ao
estrada retilínea, em sentidos contrários e que no instante t = 0 distam eixo do tempo (indicando que a velocidade é constante).
1.400 metros entre si. As velocidades dos móveis A e B possuem módulos
respectivamente iguais a 40 m/s e 30 m/s. Determine o instante em que v v
os móveis se encontram e a que distância da posição inicial do móvel A v
isso ocorreu. t
t
Solução: v
Fazendo um sistema de referencial positivo no sentido A → B e com
origem em A, teremos que as funções horárias serão:
SA = 0 + 40t → SA = 40t e SB = 1.400 – 30t. Um fato interessante sobre esse tipo de gráfico é que, ao calcularmos
sua área, estamos multiplicando um eixo contendo a velocidade por outro
Em problemas que pedem encontro, uma ideia muito boa é encontrar contendo o tempo. Como já vimos, desse produto resulta o deslocamento
as equações horárias de cada móvel e igualar suas posições (para que do corpo.
haja encontro, as posições precisam ser iguais). Então, de uma maneira bem genérica (isso não se restringe a MRU),
Daí, SA = SB. Então 40t = 1.400 – 30t → 70t = 1.400 → t = 20 s. podemos dizer que a área do gráfico v × t é numericamente igual ao
deslocamento do corpo.
Para determinar a posição de encontro, substituiremos esse valor em
uma das equações: v v
v área =DS
SA = 40t = 40 · 20 = 800 m.
t
Atenção!
t
Note que chegamos a essa equação fazendo t0 = 0. Porém, em v área =DS
alguns problemas, um dos móveis sai com um atraso de ∆t unidades
de tempo. Nesse caso, a equação horária para o móvel com atraso será
s(t)=s0 + v · (t – ∆t). 10.3 Função horária de aceleração
Por ter velocidade constante, a aceleração no MRU é nula. Logo,
Ex.: Para o exemplo anterior, recalcule o tempo que foi pedido, considerando
que o móvel A começou a se mover em t = 7 s. a(t) = constante = 0

Solução:
Observe que agora não podemos mais considerar t0 = 0 para os dois
11. Velocidade relativa
móveis. Com isso, as equações horárias ficam da seguinte forma: Em muitos problemas de movimentos retilíneos, a solução torna-se
SA = 40 · (t – 7) e SB = 1.400 – 30t (cabe ressaltar que a função muito mais simples ao se utilizar o conceito de velocidade relativa. Tal
horária de A só vale para t ≥ 7 s). conceito nada mais é do que uma mudança de referencial, admitindo-
-se que um dos corpos em movimento está parado e observando o
No encontro, SA = SB. Então, 40 · (t – 7) = 1.400 – 30t → 40t – 280 = movimento do outro corpo em questão. De forma prática, pode-se calcular
1.400 – 30t → 70t = 1.680 → t = 24 s. a velocidade relativa de aproximação ou de afastamento entre dois corpos
Isso significa que A se moveu durante 17 s e B, 24 s. em movimento de maneira muito simples (supondo Va e Vb em módulo):

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FÍSICA I
Assunto 1

– Corpos se movem na mesma direção e mesmo sentido: Vrel =|VA – VB|. V


– Corpos se movem na mesma direção e sentidos contrários: a>0
Vrel = Va + Vb.
θ
Para problemas de encontro, afastamento ou aproximação entre dois V0
corpos em movimento uniforme, podemos escrever que:
t
∆S
Vrel = rel
∆t
V
Ex.: Um ônibus par te da rodoviária com velocidade constante de
V0 a<0
80 km/h. Um passageiro que se atrasou 15 minutos toma um táxi e parte
em direção ao ônibus. Sendo a velocidade do táxi de 100 km/h e supondo θ
que não ocorra interrupção no trajeto, determine o tempo gasto pelo táxi
t
para alcançar o ônibus.

Solução: Se os eixos estiverem na mesma escala:


Nos 15 minutos (1/4 de hora) de atraso do passageiro, o ônibus se deslocou
com velocidade de 80 km/h. Assim, quando o taxista parte com o passageiro, tan q = aceleração
o ônibus já se encontra a 80 · 1/4 = 20 km à frente. A velocidade relativa
entre o táxi e o ônibus é de 20 km/h e o tempo para o encontro é dado pela A tangente de inclinação da função mostra a taxa de variação da
razão entre a distância relativa e a velocidade relativa: velocidade em relação ao tempo e, portanto, mostra a aceleração. Outra
20 km maneira de ver isso é lembrar que o coeficiente angular da reta tangente
∆t = =1h
20 km/h a uma função, em um dado ponto, é a derivada dessa função (e já vimos
que a derivada da velocidade em relação ao tempo resulta na aceleração).
Fique atento, pois isso não significa que o táxi andou 20 km para alcançar
o ônibus.
dv d 2 x
=
a =
dt dt 2
12. Movimento retilíneo uniformemente
variado Atenção!
O movimento retilíneo uniformemente variado é aquele no qual a Imagine um gráfico v · t que seja uma reta inclinada crescente. A
aceleração é constante e diferente de zero. única informação que esse gráfico fornece é que o ângulo que essa
reta faz com a horizontal é 45°. Nesse caso, quanto vale a aceleração
Por esse motivo, dizemos que, no MRUV, a velocidade escalar sofre
do móvel?
variações iguais em intervalos de tempos iguais.
Você pode ficar tentado a falar que a = tan q = tan 45° = 1 m/s2.
12.1 Função horária de velocidade Entretanto, como não há nenhuma informação adicional no gráfico,
nada impede que os eixos estejam fora de escala e, portanto, não se
É a equação que nos permite identificar a velocidade instantânea de pode determinar a aceleração. Muito cuidado com pegadinhas desse
um móvel que possua aceleração não nula em função do tempo. Como tipo: eixos fora de escala, origem deslocada, etc.
a aceleração é constante, ela é igual à aceleração média para quaisquer
instantes. Daí: Se calcularmos a área desse gráfico, estaremos multiplicando a
∆v v − v velocidade pelo tempo. Esse produto é igual ao deslocamento escalar nesse
a = am =  →v =  0 → a( ⋅ t − t0 ) = v − v 0 → v = v 0 + a(
⋅ t − t0 )
∆t t − t0 intervalo de tempo.
Fazendo t0 = 0, chegamos à equação horária de velocidade do MUV: Vamos entender melhor esse conceito: Suponha que um móvel tem sua
velocidade em função do tempo dada pela curva a seguir. Se dividirmos
v(t) = v0+ a · t o intervalo que vai de t = a a t = b em vários pequenos intervalos de
tempo (tantos quantos você possa imaginar), poderemos assumir que a
Atenção! velocidade será constante para cada pequeno intervalo desses. Daí, para
Note que chegamos a essa equação fazendo t0 = 0. Porém, em alguns cada intervalo de tempo, o deslocamento será dado por DS = v · Dt.
problemas, um dos móveis inicia seu movimento com um atraso de Dt Note que, já que podemos assumir que a velocidade é constante nesse
unidades de tempo. Nesse caso, a equação horária para o móvel com intervalo, o produto v · Dt representa a área de um retângulo de base igual
atraso será v(t)= v0 + a · (t – Dt). a Dt e altura igual a v. Se quisermos todo o deslocamento de a até b, basta,
O comportamento nesse caso é análogo ao que vimos no módulo portanto, somar as áreas de cada pequeno retângulo formado. O resultado
passado. encontrado é a área abaixo da curva.
Matematicamente, esse é exatamente o conceito de integral de uma
12.1.1 Gráfico v × t função (integral = área). Portanto, se integrarmos a velocidade em função
Como essa função é linear, seu gráfico v × t é sempre uma reta do tempo para um intervalo de tempo dado, encontraremos o deslocamento
crescente se seu coeficiente angular for positivo (aceleração positiva) ou que o móvel sofreu nesse período.
decrescente se seu coeficiente angular for negativo (aceleração negativa).

298 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

y No primeiro intervalo de tempo o deslocamento é

∆s1 = área = 
( 2v0 + at ) ⋅ t = v t + at 2
0
2 2
ƒ(x) No segundo intervalo de tempo o deslocamento é

∆s2 = área = 
( 2v0 + 3 at ) ⋅ t = v t + 3 at 2
S 2
0
2
No terceiro intervalo de tempo o deslocamento é
x
a b
∆s3 = área = 
( 2v0 + 5 at ) ⋅ t = v t + 5 at 2
0
b 2 2
S = ∫ f ( x )dx
a
E assim sucessivamente.
t
Consequentemente, podemos escrever que ∆S = ∫ v( t )dt Note que, em intervalos de tempos iguais, o corpo em MUV varia
t0
seus deslocamentos segundo uma progressão aritmética (PA) em que a
De forma parecida com a derivada, para calcular a integral de um razão é at2. Graficamente, note que, para cada “t” a mais no tempo, a área
polinômio, basta somar as integrais de cada termo. A regra a ser aplicada acrescentada é a de 2 metades de quadrado (ou 1 quadradinho inteiro),
1 sendo a área do quadrado igual a at2.
a cada termo é a seguinte: ∫ a ⋅ t n dt = a ⋅ ⋅ t n +1 + C . Note que, para
n+1 É possível chegar à mesma conclusão usando a equação horária de
uma integral indefinida como essa (não tem limites de tempo), surge uma posição.
constante C, que só poderá ser determinada com alguma informação do
problema (são as chamadas condições de contorno). 12.2 Velocidade média no MUV
Ex.: Usando o mesmo exemplo do módulo anterior, suponha que um móvel Considere um MUV qualquer de gráfico v × t abaixo:
tem sua velocidade em função do tempo dada pela equação v(t) = t2 – 5t + 6.
Para encontrar a equação horária da posição, precisamos integrar essa V(m/s)
função. Daí:
1 1 V
s( t ) = ∫ v( t )dt = ∫ ( t 2 − 5t + 6) dt = ∫ t 2 dt + ∫ ( − 5t )dt + ∫ 6dt = t 3 − 5 ⋅ t 2 + 6t + C.
3 2
1 1 V0
6dt = t 3 − 5 ⋅ t 2 + 6t + C. Essa constante poderia ser encontrada se o problema
3 2
informasse a posição inicial do móvel (já que, pela equação encontrada, t(s)
s(0) = C. t0 t
Integrais definidas são aquelas em que o intervalo de integração está
1
∆S área gráfico 2 (
definido. Elas são a área abaixo da curva de limites estabelecidos. A regra v + v 0 )⋅ ( t − t0 ) ( v + v0 )
a ser aplicada a cada termo, nesse caso, é a seguinte: Vm = = = → Vm = 
 1 1
∆t t − t0 ( t − t0 ) 2
n +1   n +1 
tf
∫t0
n
a ⋅ t dt = a ⋅
 n+1 f ⋅ t − a ⋅
  n+1 0 ⋅ t 
   
Ou seja, no MUV, a velocidade média em um dado percurso é a média
Em nosso exemplo, se quisermos descobrir o deslocamento do móvel
das velocidades nos extremos desse percurso.
entre 2 s e 4 s, precisamos fazer a integral da velocidade para os instantes de
Outra maneira de enxergar isso é olhar para o gráfico. Para que a
4 1 3 1 2 
t = 2 s a t = 4 s. Daí: ∆s ∫2 ( t − 5t + 6)dt =  ⋅ 4 − 5 ⋅ ⋅ 4 + 6 ⋅ 4  −
2
velocidade média seja a mesma, o deslocamento precisa ser igual.
3 2  Portanto, a área abaixo da curva precisa ser igual. Como o MUV forma
1 3 1 2  2 um trapézio e, portanto, sua área é bmédia · h, podemos traçar uma reta
3 ⋅ 2 − 5 ⋅ ⋅ 2 + 6 ⋅ 2  = m.
 2  3 horizontal que diste bmédia da origem para chegarmos à mesma área. Como
v +v
bmédia = 1 f , então essa é a velocidade constante que gera o mesmo
Ex.: Essa propriedade gráfica nos permite visualizar um fato interessante 2
no MUV. Considere uma partícula com velocidade inicial v0 e aceleração deslocamento. Por esse motivo, essa é a velocidade média.
a. Seu gráfico v · t está representado na figura abaixo:
v V(m/s)
v0 + 4 at V
v0 + 3 at
v0 + 2 at V0
v0 + at t(s)
t0 t
v0
t
t 2t 3t 4t

IME-ITA – Vol. 1 299


FÍSICA I
Assunto 1

12.3 Função horária de posição • Do instante 0 até t1, o espaço aumenta, o movimento é progressivo
(v > 0) e retardado, pois a e V têm sinais contrários (a < 0 e V > 0).
Considere um móvel se deslocando em MUV, cujo módulo da • Após t1, o espaço diminui, o movimento é retrógrado (v < 0) e
aceleração vale a e, no instante t0 = 0, sua posição é s0 e sua velocidade, v0. acelerado, pois a e V têm mesmo sinal (a < 0 e V < 0).
Para esse móvel, podemos escrever que: Independentemente do formato do gráfico s × t, podemos, sem fazer
( v + v0 ) → ∆s = ( v + v0 )
Vm = 
cálculos, descobrir em que ponto desse gráfico s × t o móvel possui maior
2 t 2 velocidade. Veja o gráfico a seguir:
Como v = v0+ a · t, temos: s

∆S v 0 + at + v 0 ∆S 2v 0 + at 2v t at 2 at 2
= → = → ∆S =  0 +  → s − s0 = v o t +  tangente 1
t 2 t 2 2 2 2
2v 0 t at 2 at 2 P0
S =  +  → s − s0 = v o t +  y0
2 2 2 tangente 2
Daí: P1
at 2 y1
s( t ) = s0 + v o t +  f1
2
x2 x1 x0 t
Essa equação nos mostra a posição em função do tempo para um
móvel em MUV. Ela varia segundo uma função quadrática e deve ter seu Dado um gráfico s × t qualquer, a velocidade em um instante qualquer
gráfico representado por uma parábola, portanto. Conhecer essa parábola e é dada pelo coeficiente angular da reta tangente ao ponto correspondente
suas propriedades é muito importante. Por isso, vamos analisar os casos. a esse instante. Nesse exemplo, vemos que a reta tangente a P0 é mais
inclinada que a reta tangente a P1. Isso indica que vP0 > vP1.
1o caso: parábola com concavidade para cima:
12.4 Função horária de aceleração
S
Como no MUV, a aceleração tem valor constante, o gráfico a × t é
uma reta paralela ao eixo do tempo, podendo a aceleração assumir valores
positivos ou negativos.

S0
t2
a>0
0 t t a
1
t3
área = ∆V
• Nesse tipo de gráfico, a aceleração é positiva (a > 0).
• O ponto no qual a curva toca o eixo S corresponde ao espaço inicial t
S0. t área = ∆V
• Nos instantes t1 e t3, o corpo passa pela origem dos espaços (S = 0). a
• No instante t2, vértice da parábola, o corpo inverte o sentido de seu a<0
movimento (v = 0).
• Do instante 0 até t2, o espaço diminui, o movimento é retrógrado (v < 0)
e retardado, pois a e V têm sinais contrários (a > 0 e V < 0). Note que, se calcularmos a área dele, estamos multiplicando o eixo
• Após t2, o espaço aumenta, o movimento é progressivo (v > 0) e do tempo pelo eixo da aceleração. Como DV = a · Dt, concluímos que
acelerado, pois a e V têm mesmo sinal (a > 0 e V > 0). a área do gráfico a × t é numericamente igual à variação de velocidade.

2o caso: parábola com concavidade para baixo:


12.5 Equação de Torricelli
S Existe uma equação, denominada equação de Torricelli, que é utilizada
em problemas em que o tempo não é conhecido (ou ele não é importante
para o problema). Essa equação nasce de uma “fusão” entre as funções
horárias de velocidade e posição no MUV.

S0
Dica: Em geral, quando o problema não precisa da variável tempo, essa
equação é bem útil.
0 t1 t2 t
v = v0 + at (elevando-se ao quadrado)
• Nesse tipo de gráfico, a aceleração é negativa (a < 0). v2 = v20 + 2av0t + a2t2
• O ponto no qual a curva toca o eixo S corresponde ao espaço inicial S0. v2 = v20 + 2a (v0t + a t2/2)
• Nos instante t2, o corpo passa pela origem dos espaços (S = 0). v2 = v2n + 2aDS
• No instante t1, vértice da parábola, o corpo inverte o sentido de seu
movimento (v = 0).

300 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

12.6 Dica para problemas de gráfico Obs.: Quando um corpo está em queda livre, as alturas percorridas a
cada segundo de movimento seguem uma PA, como já mencionado
Para ajudar a memorização, podemos utilizar o fluxograma abaixo, anteriormente. Por ter velocidade inicial nula, os deslocamentos a cada
que nos dá uma visão de conjunto de todas as propriedades gráficas: segundo seguem a seguinte sequência:
concavidade g ⋅ 12 g
– No primeiro segundo de movimento a altura é H = =
inclinação inclinação 2 2
ds dv g ⋅ 22 g
v= a= – No secundário segundo de movimento a altura é H = = 4⋅
S = f(t) dt v = f(t) dt a = f(t) 2 2
derivada da posição derivada de velocidade g ⋅ 32 g
(∆S) (∆V) – No terceiro segundo de movimento a altura é H = = 9⋅
área área 2 2
∆S = ∫ v(t) dt ∆V = ∫ a(t) dt E assim sucessivamente.
(integral da velocidade) (integral da aceleração) g
Fazendo x = , teremos que no n-ésimo segundo de queda livre, a
Convém ressaltar que, matematicamente, ao calcularmos a tangente 2
distância percorrida pelo corpo é d = x · (2n – 1), em que x é a distância
a um gráfico, estamos calculando a sua derivada e, ao calcularmos a área
percorrida no primeiro segundo e n, o instante pedido.
sob a curva, a integral das respectivas funções.

13. Movimentos verticais em campos Dica: Esse problema também poderia ser resolvido com a ideia de que
a distância percorrida no n-ésimo segundo é a distância percorrida
gravitacionais uniformes pelo móvel até o instante n menos a distância percorrida pelo móvel
até o instante n – 1. Ao fazer isso, você transforma um problema que
Todos os corpos ao redor da Terra são puxados para o seu centro. Isso aparentemente não é de queda livre (já que o corpo tem velocidade no
ocorre devido ao que chamamos de campo gravitacional e a cada ponto instante n – 1) em um problema de queda livre. É muito mais interessante
desse campo temos associado um vetor chamado aceleração gravitacional transformar em queda livre, pois as equações são bem mais simples.
(ou simplesmente gravidade).
O que gera essa gravidade, suas propriedades e efeitos serão discutidos
no módulo sobre gravitação. Aqui, iremos ver do ponto de vista da cinemática 13.2 Lançamento vertical para baixo
como isso influencia os corpos abandonados na proximidade da Terra. No lançamento vertical para baixo, consideramos um corpo que é
Primeiro, temos que saber que, nos problemas que envolvem movimentos lançado para baixo (tem, portanto, velocidade inicial vertical para baixo)
no campo gravitacional terrestre, considera-se a aceleração da gravidade em um local livre da resistência do ar e com aceleração da gravidade
constante quando esses movimentos envolvem alturas muito pequenas constante. Esse corpo, tal como na queda livre, vai executar um MUV em
comparadas com o raio da Terra. A aceleração da gravidade próxima à que a = g. Nesse caso, as equações podem ser escritas como:
superfície da Terra é g = 9,8 m/s2, porém utiliza-se comumente o valor de
10 m/s2. A gravidade terrestre varia em função da latitude, mas isso também
x
será abordado no tópico de gravitação.
Vo = 0
Por ter valor aproximadamente constante, podemos dizer que todos
os corpos lançados ou abandonados na superfície da Terra ficam sujeitos
à mesma aceleração, executando, assim, um MUV. Em outras palavras,
sempre podemos utilizar os conhecimentos adquiridos no estudo de MUV
(gráficos, equações, etc.) para os movimentos verticais. Cabe ressaltar g
que a gravidade não depende da massa do corpo que está submetido a ela.
O livro, a formiga, você, um avião e qualquer outro objeto ficam sujeitos
à mesma aceleração (desde que a resistência do ar seja desprezada).

13.1 Queda livre


V
Todo corpo abandonado em um local livre da resistência do ar possui
solo
aceleração constante, executando um movimento uniformemente variado y
em que a = g. Se orientarmos seu referencial para baixo, com origem no
ponto de lançamento, teremos as seguintes equações horárias:
Lançamento vertical
MUV
para baixo
trajetória para baixo MUV Queda livre
v = v0 + a · t v = gt v = v0 + a · t v = v o + gt

v0 > 0 at 2 gt 2
g = 10 m/s2 ∆S = v 0 t + H= at 2 gt 2
2 2 ∆S = v o t + H = vot +
2 2
v2 = v20 + 2aDS v2 = 2 gH
v 2 = v o2 + 2 a∆S v 2 = v o2 + 2 gH
Note que as equações de queda livre não são novas equações. Como
já dito anteriormente, são as equações de MUV para essa situação.

IME-ITA – Vol. 1 301


FÍSICA I
Assunto 1

13.3 Lançamento vertical para cima móvel. Nesse caso, a gravidade é negativa sempre. É comum as pessoas
trocarem o sinal da gravidade de acordo com o movimento de descida
Um corpo lançado verticalmente para cima tem a subida como um ou subida. Isso não existe. A gravidade vai ter um único sinal em todo o
movimento retardado e a descida como um movimento acelerado em problema e isso só depende do referencial adotado.
que v0 = 0 (queda livre). Esses movimentos de subida e de descida são
simétricos. Há duas conclusões importantes acerca disso:
Dica: Em um número significativo das questões desse tipo de lançamento,
I. O módulo da velocidade com que um corpo passa subindo por uma é muito mais fácil estudar a descida (já que a descida é como se fosse
altura qualquer é a mesma que ele passa descendo pela mesma altura. uma queda livre). Lembre-se disso!

Demonstração:
Ex.:
Aplicando a equação de Torricelli:
Um corpo é lançado para cima do topo de um prédio de 200 metros com
velocidade inicial de 30 m/s em um local em que a resistência do ar pode
ser considerada desprezível. Considerando a gravidade igual a 10 m/s2,
v1 determine:

a. o tempo total de permanência no ar.


v2 b. a altura máxima atingida por esse corpo.
h c. a velocidade do corpo imediatamente antes de tocar no solo.

Solução:
Antes de responder à pergunta, vamos definir nosso referencial orientado
para cima e com origem no solo. A figura a seguir representa o exposto:
v22 = v12 + 2gDS
DS = 0 (S1 = S2)
200 m
v22 = v12 ⇒ v2 = – v1

II. O intervalo de tempo decorrido entre as passagens por dois patamares g


determinados A e B é o mesmo na subida e na descida.

Demonstração:
origem

A equação horária de posição para o corpo que é lançado para cima fica
assim:
VB B –VB
gt 2
h = h0 + v 0 t −  → h = 200 + 30t − 5t 2
2
a. O tempo de permanência no ar é o tempo que ele leva para atingir o
solo (h = 0).
0 = 200 + 30t – 5t2 → 0 = 40 + 6t – t2
VA A –VA t = –4 s (não convém) ou t = 10 s (convém).

b. Matematicamente, a altura máxima é o vértice da equação.


− ∆ −(302 − 4 ⋅ ( − 5) ⋅ 200) ( − 4900)
yV = = = = 245 m.
4a 4 ( − 5) ( − 20)

Obs: Esse item poderia ser feito sem a utilização da equação horária de
∆v posição.
g=
∆t Tempo para atingir a altura máxima: v = v0 – gt → 0 = 30 – 10t → t = 3 s
v B − v a −v A + v B Para retornar a altura do lançamento gastará 3 segundos em queda livre.
g= =
∆t AB ∆t ' AB gt 2 10 ⋅32
H= = = 45 m
∆t AB = ∆t ' AB 2 2

Como a altura de subida é igual à de descida, temos que a altura máxima
é 200 + 45 = 245 m.
As equações para um corpo lançado verticalmente para cima são as
mesmas do MUV. c. A equação horária de velocidade no MUV é v = v0 – gt → v = 30 – 10t.
O corpo chega ao solo no instante 10 segundos.
Atenção! 1v = 30 – 10t → v = 30 – 10 · 10 → v = –70 m/s (negativo), pois
Uma vez adotado o referencial, ele precisa ser mantido para todas imediatamente antes de chegar ao solo o vetor velocidade aponta para
as variáveis. A maneira mais comum de resolver problemas desse tipo é baixo, ou seja, contra o sentido do referencial adotado.
orientarmos o referencial positivo para cima e a origem na posição inicial do

302 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

13.4 Influência do ar P1
Alguns problemas, mais empíricos, não desprezam a influência do ar ϕ2
∆ϕ P1
nos movimentos verticais. Tal fenômeno será estudado mais adiante, em
dinâmica. No entanto, pode-se adiantar que a resistência do ar depende ϕ1
da forma e da velocidade do corpo e sua expressão é dada por
Fr = c · v2
em que c é uma constante que depende da forma do corpo e da área da
secção transversal do corpo e v é a velocidade instantânea do corpo.
Isso significa que, para um corpo qualquer, quanto maior for a velocidade,
∆ϕ = ϕ2– ϕ1
maior será a resistência do ar. Evidentemente, a resistência do ar não cresce
indefinidamente. Seu crescimento só ocorre enquanto é menor que a força
peso para o corpo. Isso porque a força de resistência é proporcional ao A unidade mais usual de ângulo é o radiano. Para determinar o ângulo
quadrado da velocidade. No momento em que seu valor se iguala ao valor da nessa unidade, basta calcular a razão entre o arco percorrido e o raio.
força peso, a aceleração passa a ser zero e a velocidade para de aumentar. Por definição, um radiano é o ângulo descrito quando o comprimento do
Consequentemente, a força de resistência para de crescer e fica igual ao arco é igual ao raio. Portanto, se considerarmos uma volta, teremos que
peso desse instante para frente. Nesse momento, o corpo atinge a sua 2πR
arco = 2πR → ângulo = =2π rad → 2π rad = 360° → π rad = 180°.
velocidade limite. A partir daí, o movimento de queda torna-se uniforme, R
ou seja, o corpo cai com velocidade constante. 14.2 Velocidade angular
Cálculo da velocidade limite: Unidade no SI: radiano por segundo; abreviação: rad/s.
  m⋅ g m⋅ g Outras unidades comuns: grau/segundo.
P = Fr → m ⋅ g = c ⋅ v 2 → v 2 = → vL =
c c
Definimos a velocidade angular média (ωm) como a razão entre o
em que: deslocamento angular e o tempo gasto para tal deslocamento.

m → massa do corpo; P2
∆t
g → aceleração da gravidade local; ∆ϕ
c → coeficiente de atrito com o ar. P1

14. Movimento circular


É aquele em que o corpo se desloca segundo uma trajetória circular.
Faremos um estudo do movimento muito próximo ao que já foi abordado
nos outros módulos. Entretanto, vamos nos preocupar mais com grandezas ϕ
ωm = ∆
angulares em vez de lineares. Por exemplo, além de verificar a distância ∆t
percorrida, precisaremos medir o ângulo varrido pelo móvel.
Convém ressaltar que a velocidade angular não depende do raio do
14.1 Fase e deslocamento angular círculo e que esse valor obtido nos fornece uma média de deslocamento
angular por unidade de tempo.
Unidade no SI: radianos; abreviação: rad
Analogamente ao que foi dito na cinemática escalar, existe diferença
Outra unidade comum: grau (°) entre velocidade angular média e velocidade angular instantânea.
A velocidade angular instantânea é dada pela velocidade angular média
Considere que, no instante t0 = 0, uma partícula se encontra no ponto para um intervalo de tempo tendendo a zero.
PI de uma circunferência e que, em um instante posterior t, essa partícula ∆ ϕ dϕ
se encontra em um ponto Pf. O deslocamento angular (Δϕ) sofrido por ωi = lim =
∆ t →0 ∆ t dt
essa partícula é a diferença entre os ângulos (ou fases) formados com
um eixo. Normalmente, utilizamos como eixo de referência uma reta
horizontal que possui origem coincidente com o centro da circunferência
14.3 Aceleração angular
e positivo para a direita. Unidade no SI: radiano por segundo ao quadrado; abreviação: rad/s2.
Atenção: Definir origem e referencial continua sendo essencial. A
origem é dada por um eixo arbitrário (como dito acima). O referencial, no A aceleração angular média indica o quão rápido a velocidade angular
caso de movimentos circulares, é positivo de acordo com o sentido do sofre variações. Seu módulo é dado por:
movimento: horário ou anti-horário.
∆ω
αm =
∆t

IME-ITA – Vol. 1 303


FÍSICA I
Assunto 1

Analogamente ao que foi dito na cinemática escalar, existe diferença Ex.: (UFU) Em uma pista circular de um velódromo, dois ciclistas
entre aceleração angular média e aceleração angular instantânea. cor rem em sentidos opostos. O ciclista A par te com uma
A aceleração angular instantânea é dada pela aceleração angular média velocidade angular constante de 0,50π rad/s e o cilclista B, com
para um intervalo de tempo tendendo a zero. 1,5 π rad/s, 2,0 segundos após. Eles vão se encontrar pela primeira vez:
∆ ω dω P
α i = lim =
∆ t →0 ∆ t dt

A
14.4 Relação entre a cinemática
angular e a escalar Q ponto de partida
Para mostrar a relação direta entre a velocidade angular média (ωm)
e a velocidade escalar média (vm), vamos partir da definição de radiano. B
arco percorrido ∆S
∆ϕ = = → ∆S = ∆ϕ · R
raio R R
Diferenciando em relação ao tempo, temos que: (A) no ponto P.
(B) entre P e Q.
d dt ds dϕ
(∆ S) = (∆ ϕ ⋅ R ) → =R⋅ → V = ωR (C) no ponto Q.
dt dt dt dt (D) entre Q e R.
Diferenciando em relação ao tempo mais uma vez, temos que: (E) no ponto R.
d d dv dω
( v ) = ( ωR ) → = R⋅ → a = αR Solução: Letra D.
dt dt dt dt Adotaremos um sistema de referência com origem no ponto de partida e
positivo no sentido anti-horário. O enunciado diz que os ciclistas mantêm a
14.5 Tipos de movimento circular velocidade constante. Temos, portanto, um MCU. Escrevendo as equações
horárias, a partir do movimento de B, teremos:
Os movimentos circulares normalmente seguem um padrão. Ou são
movimentos circulares uniformes (MCU), ou são movimentos circulares ϕA = 0 + 0,5 · π · (t + 2) ϕB = 0 – 1,5 · π · t
uniformemente variados (MCUV). No primeiro caso, a velocidade angular
é constante e, consequentemente, sua aceleração angular é nula. A função
No encontro, a soma dos módulos dos deslocamentos angulares tem
horária no MCU nasce da mesma ideia do MRU.
que ser igual a 2π (uma volta completa).

dividindo-se cada Importante: Note como há uma diferença relevante aqui. Em MRU
s = so + vt ϕ = ϕo + ω t ou MRUV, o encontro acontecia quando as posições eram iguais. Aqui,
v = cte
a=0
⇒ função horária por R,
obtemos as equações ⇒ ω = cte
α=o
é importante contar o número de voltas.
do MRU
Isso significa que eles se encontraram 0,5 segundo após a saída de B.
No movimento circular uniformemente variado (MCUV), a aceleração
angular é constante e não nula. Nesse caso, a velocidade angular sofre
alterações iguais para o mesmo intervalo de tempo. Suas funções horárias |ϕA|+|ϕB|= 2π → 0,5 · π · (t + 2) + 1,5 · π · t =
podem ser determinadas a partir das equações de MUV: 2 · π → 0,5 · t + 1 + 1,5t = 2 → 2t = 1 → t = ½ s.

dividindo-se Substituindo em qualquer equação, descobriremos o ponto de encontro.


1 cada função 1
s = so + v o ⋅ t + at 2 ϕ = ϕo + ω0 . t + αt 2
2 horária por R, 2
v = v o + at ⇒ obtemos as
⇒ ω = ωo + αt
ϕA = 0,5 · π · (0,5 + 2) = 1,25 π, ou seja, entre os pontos Q e R.

a = cte equações do α = cte


MRU Obs.: Igualamos a soma dos módulos dos deslocamentos angulares a
2π, pois queremos o primeiro encontro. Se esse movimento continuasse
infinito, encontros ocorreriam e poderíamos escrever de uma maneira
dividindo-se
genérica:
cada função
|ϕA|+|ϕB|= 2 · k · π
horária por R2,
v2 = vo2 + 2 a∆S ⇒ obtemos as ⇒ ω2 = ωo2 + 2 α∆ϕ
Em que k representa o número de vezes do encontro.
equações de
Torricelli do
MRU
14.6 Período e frequência
Período (T) é o tempo gasto para que o corpo execute um ciclo. No
O comportamento gráfico do MCU é análogo ao comportamento do SI, a unidade de período é o segundo (s).
MRU, enquanto os gráficos do MCUV são análogos ao do MRUV.

304 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

Frequência (f) é o número de ciclos dados em uma unidade de tempo. Daí, a velocidade de todos os pontos da correia vai ser a mesma,
No SI, a unidade é o Hertz (Hz) = (ciclos/s). Contudo, existe uma unidade assim como os “dentes” das polias. Portanto:
ainda muito utilizada denominada rpm (rotações por minuto). Sua relação 
com o Hertz é 1 Hz = 60 rpm. ω R = ω R
A partir das definições apresentadas, podemos escrever que:  A A B B

v A = v B  fA RA = fB RB

Pela definiçao  R R
1volta → T segundos  A
= B
 TA TB
f voltas → 1 segundo
Uma consequência imediata é que quanto maior o raio do disco, menor
Então: será sua velocidade angular.
1
=f.T 1=
ou T
f Ex.: (Unicamp-2005) Em 1885, Michaux lançou o biciclo com uma roda
dianteira diretamente acionada por pedais (fig. A). Por meio do emprego da
A velocidade angular no MCU para k voltas pode ser escrita como: roda dentada, que já tinha sido concebida por Leonardo da Vinci, obteve-se
k ⋅ 2π 2π melhor aproveitamento da força nos pedais (fig. B). Considere que um ciclista
ω= = → ω = 2π ⋅ f
k ⋅T T consiga pedalar 40 voltas por minuto em ambas as bicicletas.
Dado: π  3.
14.7 Transmissão de movimento
Pode ser feita basicamente de duas maneiras: transmitindo velocidade
angular (fazendo com que discos, rodas, polias ou engrenagens possuam 10 cm
seus eixos interligados) ou transmitindo velocidade linear (interligando
os corpos por meio de uma correia ou corrente, ou fazendo com que os
corpos se toquem.).
Na transmissão de velocidade angular, os eixos dos discos são
dispostos coaxialmente. Dessa maneira, quando um executar k voltas, o 25 cm
outro também terá executado k voltas. 30 cm
figura A figura B

a. Qual a velocidade de translação do biciclo de Michaux para um diâmetro


R1 da roda de 1,20 m?
b. Qual a velocidade de translação para a bicicleta padrão aro 60 (fig. B)?

R1 Solução:
ω1
a. No biciclo de Michaux, a frequência imposta é exatamente a frequência
ω2 de movimento. Assim:

40
Como a rotação das polias é igual à do eixo: v=2·πƒ·R≅2·3· · 0,6 ≅ 2,4 m/s.
60
b. Na bicicleta, temos que a velocidade linear (escalar) da coroa dentada
é a mesma do pinhão.
T1 = T2
 dc d 40
ω1 = ω 2  V1 V2 vcoroa = vpinhão → 2 · π ƒc · = ωp · p → 2 · 3 · · 25 =
R = R 2 2 60
 1 2
20
ωp ⋅ → ω = 10 rad/s.
2
Na transmissão de velocidade linear, os discos são interligados, de A velocidade angular do pinhão é a mesma velocidade angular da roda:
modo que quando um deles tem um deslocamento escalar, o outro disco
tenha o mesmo deslocamento. v roda
ωpinhão = ωroda → 10= → vroda = 10 · 0,3 → vroda = 3 m/s.
R
ϖA
Ex.: (UFRJ-1998) O olho humano retém durante 1/24 de segundo as
ϖB
imagens que se formam na retina. Essa memória visual permitiu a invenção
do cinema. A filmadora faz 24 fotografias (fotogramas) por segundo. Uma
RB RB vez revelado, o filme é projetado à razão de 24 fotogramas por segundo.
RA ϖA ϖB RA Assim, o fotograma seguinte é projetado no exato instante em que o
vB B B vB fotograma anterior está desaparecendo de nossa memória visual, o que
A vA A nos dá a sensação de continuidade.
vA

IME-ITA – Vol. 1 305


FÍSICA I
Assunto 1

Filma-se um ventilador cujas pás estão girando no sentido horário. Solução:


O ventilador possui quatro pás simetricamente dispostas, uma das quais Seja L o lado de cada cateto. Assim:
pintadas de cor diferente, como ilustra a figura. Ao projetarmos o filme, ∆SC = L; ∆SB = L. O espaço percorrido na hipotenusa é ∆SC, calculado
os fotogramas aparecem na tela na seguinte sequência, o que nos dá a pelo teorema de Pitágoras:
sensação de que as pás estão girando no sentido anti-horário. ( ∆SA )
2
= ( ∆SC ) + ( ∆SB ) = L2 + L2 = 2 L2 ⇒
2 2

∆SA = 2 L.

Então o espaço total percorrido é:


∆S = ∆SA + ∆SB + ∆SC = 2 L + L + L ⇒ ∆S = L ( )
2+2 .

O tempo gasto no percurso é:


2 L L L 2 2 L + L + 2L
∆t = ∆t A + ∆t B + ∆tC = + + = ⇒
v 2v v 2v

∆t =
(
L 2 2 +3 ).
2v

Calcule quantas rotações por segundo, no mínimo, as pás devem estar Calculando a velocidade média:
efetuando para que isto ocorra.
vm =
∆S
=
L 2+2
=
( )
2 + 2 2v
=
( )
2 + 2 2v  2 2 − 3 
⋅
(
 ⇒
)
Solução:
∆t L 2 2 +3 ( )
2 2 +3 2 2 + 3  2 2 − 3 
A ilusão de que as pás estão girando no sentido oposto ao real é devido ao 2v
fato de nosso cérebro interpretar que o movimento, de um fotograma para
vm =
(4 − 3 2 + 4 2 − 6 2v ) =
(2 )
2 −4 v

o outro, dá-se no sentido do menor deslocamento angular. O olho humano 8−9 −1
tira fotos da realidade de 1/24 a 1/24 segundo e “junta” as sucessivas
imagens, sempre atribuindo o menor caminho a cada objeto. (
v m = 4 − 2 2 v. )
Entre dois fotogramas consecutivos, a pá destacada efetua, no mínimo,
3/4 de volta, em um intervalo de tempo de 1/24 s. Portanto, a frequência
mínima de rotação é: 02 Dois tratores, I e II, percorrem a mesma rodovia e suas posições
variam com o tempo, conforme o gráfico a seguir:
3 s(km)
4 = 3 ⋅ 24 = 18 Hz.
ƒ= 300
1 4 1 I
24 270
II
60
0 3 t(h)
01 Um turista, passeando de bugre pelas areias de uma praia em
Natal-RN, percorre uma trajetória triangular, que pode ser dividida em três Determine o instante do encontro desses veículos.
trechos, conforme a figura abaixo.
Solução:
Para um intervalo de tempo de 3 horas, o trator I se deslocou 60 km e
o trator II se deslocou –30 km. Com isso, temos que vI = 20 km/h e
A vII = –10 km/h. Escrevendo as equações horárias para cada trator, temos:
C

sI = 20t e sII = 300 – 10t


No encontro sI = sI → 20t = 300 – 10t → t = 10h.
B
03 Duas partículas (P e Q) deslocam-se sobre o eixo x com as respectivas
Os trechos B e C possuem o mesmo comprimento, mas as velocidades
posições dadas por:
médias desenvolvidas nos trechos A, B e C foram, respectivamente, v,
2v e v.
P. x = 16 + 4bt2
Quanto vale a velocidade escalar média desenvolvida pelo turista para
Q. x = bct3, para x em metros, t em segundos e c = 1 s–1.
percorrer toda a trajetória triangular?
Qual deve ser o valor de b para que uma partícula alcance a outra em 2 s
e qual a velocidade da partícula P no ponto de encontro?

306 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

Solução: MN = x/2 + y/2 = (x + y)/2


No encontro xP = xQ. NP = y/2 + z/2 = (z + y)/2
16 + 4bt2 = bct3
16 + 4b(2)2 = b(1)(2)3 MN/NP = (x + y)/(z + y)
16 + 16b = 8b MN/NP = (2y + y)/(7/5y + y)
b = –2 m/s2. MN/NP = 3y/(12y/5)
MN/NP = 15y/12y
A velocidade de P é dada pela derivada na posição no instante t = 2 s. MN/NP = 5/4.

vp =
(
dx d 16 − 8t
=
2
)= −16 ⋅ 2 = −32m/s. 06 Uma partícula, a partir do repouso, descreve um movimento retilíneo
dt dt uniformemente variado e, em 10 s, percorre metade do espaço total previsto.
A segunda metade desse espaço será percorrida em, aproximadamente:
04 Em relação a um referencial cartesiano OXY, uma partícula se move
de acordo com as equações: (A) 2,0 s.
x = 8t – 4t2 e y = 12t – 6t2 (B) 4,0 s.
(C) 5,8 s.
Determine a equação cartesiana da trajetória para esta partícula. (D) 10 s.
(E) 14 s.
Solução:
Para determinar a equação da trajetória precisamos colocar x em função Solução:
de y. O gráfico a seguir ilustra o movimento da partícula que parte do repouso
x = 4 (2t – t2) → (2t – t2) = x/4 e possui aceleração a:
y = 6 (2t – t2) → (2t – t2) = y/6
x y v(m/s)
Logo, =
4 6
a·t
y = 1,5x.

05 Quatro cidades, A, B, C e D, são percorridas por um automóvel. M, N 10a


e P são, respectivamente, os pontos médios de AB, BC e CD. A velocidade
escalar média do móvel vale 50 km/h entre A e B, 75 km/h entre B e C,
70 km/h entre C e D, 60 km/h entre M e C e 60 km/h entre A e D. Calcule
a razão MN/NP: 10 t t(s)
(A) 25/29.
Nas condições do problema, a área do triângulo tem que ser igual à área
(B) 2/3.
do trapézio.
(C) 5/4.
10 ⋅10 a ( at + 10 a ) ( t − 10 )
(D) 4/5. = → 100 a = a ( t + 10 ) ( t − 10 ) →
(E) 3/2. 2 2
t 2 − 100 = 100 → t = 200 ≅ 14 s.
Solução:
M N P Como a questão só pede o tempo na segunda metade, a resposta é,
aproximadamente, 4 s.
A B C D
07 Duas partículas A e B desenvolvem movimentos sobre uma mesma
Por conveniência consideremos: trajetória, cujos gráficos horários são dados por:
distância de A até B = x
distância de B até C = y s(m)
distância de C até D = z

Como t = ∆s/v 32 B
28
1a equação: tx = x/50
2a equação: ty = y/75 A
3a equação: tz = z/70 14
4a equação: tMC = tx/2 + ty = (y + x/2)/60
5a equação: tAD = tx + ty + tz = (x + y + z)/60
0 4 78 t(s)
Substituindo as equações 1, 2 e 3 nas equações 4 e 5:
Na 4a equação obteremos x = 2y Qual a velocidade da partícula B, em m/s, no primeiro encontro entre A e B?
Na 5a equação obteremos z = 7/5y

IME-ITA – Vol. 1 307


FÍSICA I
Assunto 1

Solução: 09 À borda de um precipício de um certo planeta, no qual se pode


Nitidamente, a partícula A executa um movimento uniforme e a partícula desprezar a resistência do ar, um astronauta mede o tempo t1 que uma
B executa um movimento uniformemente variado. Escrevendo suas pedra leva para atingir o solo, após cair de uma de altura H. A seguir, ele
equações horárias: mede o tempo t2 que uma pedra também leva para atingir o solo, após
ser lançada para cima até uma altura h, como mostra a figura. Assinale a
14 − 28 expressão que dá a altura H.
vA = = − 2 m/ s → SA = 28 − 2t
4

at 2
SB = 0 + v 0 ⋅ t +  h
2
at 2 a ⋅ 42
SB = v 0 ⋅ t +  → 32 = v 0 ⋅ 4 +  → 32 = 4v 0 + 8 a→ v 0 + 2 a = 8
2 2
at 2 a ⋅ 72
SB = v 0 ⋅ t +  → 14 = v 0 ⋅ 7 +  → 28 = 14v 0 + 49 a→ 2v 0 + 7 a = 4
2 2 H
a = – 4 m/s2 e v0 = 16 m/s → SB = 16 · t – 2t2
No encontro SA = SB → 28 – 2t = 16t – 2t2 → 2t2 – 18t + 28 = 0 →
t2 – 9t + 14 = 0 → t = 2 s ou t = 7 s.

Calculando VB em: ( t12 t22 h) 4 t1 t2 h


(A) H = . (D) H = .
t = 2 s → vB =
ds
=
(
d 16 t − t
2 2
) = 16 − 4t = 16 − 4 ⋅ 2 = 8m / s. (
2 t −t 2
2
2
1 )
2
(t 2
2 − t12 )
dt dt
( t1 t2 h) 4 t12 t22 h
08 Um corpo cai em queda livre, de uma altura tal que durante o último (B) H = . (E) H = .
segundo de queda ele percorre 1/4 da altura total. Calcule o tempo de (
4 t22 − t12 ) (t 2
2 − t12 )
2

queda supondo nula a velocidade inicial do corpo.


2t12 t22 h
(C) H = .
(t )
2
1 4 2
− t12
(A) t = s. (D)
t= s. 2
2− 3 2− 3
2 2 Solução:
(B) t = s. (E)
t= s.
2− 3 2+ 3 Vamos dividir nosso problema em partes.
3 g ⋅ t12 2H
(C) t = s. Queda livre: H = →g= 2
2− 3 2 t1
Lançamento para cima (só a subida): v2 = v02 + 2aDS
Solução: Na altura máxima v = 0. Considerando o referencial no ponto de lançamento
Observe a ilustração: e adotando para cima positivo, teremos:
t=0 02 = v 02 + 2 ⋅ ( − g) ⋅ h → v 0 = 2 gh .
3H Queda da altura H na descida. Considerando o referencial no ponto de
lançamento e adotando para baixo positivo teremos:
(t – 1) a ⋅ t2 g ⋅ t22
∆S = −v o ⋅ t + → H = − t2 2 gh +
2 2
H Substituindo
t 2 H t22 2 H  t2  t t2 − t2 t ⋅ h
H = − t2 2 h ⋅ + ⋅ 2 → H  1 − 22  = −2 Hh 2 → 2 2 1 = 2 2 →H=
t1 2 t1  t1  t1 t1 t1 ⋅ H
gt 2
Em todo o percurso ele percorrerá 42HH= t 2 . 2 H  t2  t t2 − t2 t ⋅ h 4 t12 t22
H = − t2 2 h ⋅ + 22 ⋅ 2 → H  1 − 22  = −2 Hh 2 → 2 2 1 = 2 2 →H= ⋅ h.
( )
2
t1 2 t1 t t1 t1 t1 ⋅ H
g( t − 1)2 1  t12 − t22
Na primeira parte do percurso, ele percorrerá 3 H =
2
Dividindo as equações: 10 No arranjo mostrado a seguir, do ponto A largamos com velocidade
4 t2 2 2 2 2 nula duas pequenas bolas que se moverão sob a influência da gravidade
= → 4( t − 1) = 3t → 4( t − 1) = 3t → 2 ( t − 1) = t 3
3 ( t − 1)2 em um plano vertical, sem rolamento ou atrito, uma pelo trecho ABC e
outra pelo trecho ADC. As partes AD e BC dos trechos são paralelas e as
2
2t − 2 = t 3 → t ⋅ ( 2 − 3 ) = 2 → t = . partes AB e DC também. Os vértices B de ABC e D de ADC são suavemente
2− 3
arredondados para que cada bola não sofra uma mudança brusca na sua
trajetória. Pode-se afirmar que:

308 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

A B v
(A) .
g
10v
(B) .
D C 7g
20v
(C) .
(A) A bola que se move pelo trecho ABC chega ao ponto C primeiro. 3g
(B) A bola que se move pelo trecho ADC chega ao ponto C primeiro. v
(C) As duas bolas chegam juntas ao ponto C. (D) 12 .
g
(D) A bola de maior massa chega primeiro (e se tiverem a mesma massa,
chegam juntas). Solução: Letra C.
(E) É necessário saber as massas das bolas e os ângulos relativos à 
vertical de cada parte dos trechos para responder. v0 y

−v 0 2R
Solução: Letra B. 
Como o enunciado fala que AD é paralela a BC e AB é paralela a DC, 2v 0 R é o raio da
consideraremos os movimentos como MRUV. Nesse caso, a velocidade roda-gigante
média entre dois pontos é a média aritmética da velocidade entre esses
dois pontos. Portanto: O
V +V V situação inicial
VAD = A D → VAD = D
2 2 situação inicial
VA + VB VB
VAB = → VAB =
2 2 O intervalo de tempo entre o começo e o fim é T/2.
VC + VD T 
2
VDC = g 
2 2
gt T 2 g ⋅T2 T
VB + VC h = h0 + v 0 t − → 0 = 2R + v ⋅ −   → − v ⋅ − 2R = 0
VBC = 2 2 2 8 2
2
Já que VD > VB temos que VAD é maior que VAB e VDC é maior que VBC. 2⋅π⋅ R v ⋅T
Porém v = →R= . Substituindo, teremos:
Portanto, no trajeto ADC a velocidade escalar média é maior que no trajeto T 6
ABC e, como a distância total percorrida é a mesma, concluímos que o
tempo gasto no trajeto ADC é menor. g ⋅T2 T v ⋅T 20 v
−v⋅ −2 = 0 → 3 g ⋅ T 2 − 12v ⋅ T − 8v ⋅ T = 0 → T = ⋅ .
8 2 6 3 g
11 Uma pessoa brincando em uma roda-gigante, ao passar pelo ponto
mais alto, arremessa uma pequena bola (figura 1), de forma que esta
descreve, em relação ao solo, a trajetória de um lançamento vertical para
cima.
01 (EsPCEx) Em uma mesma pista, duas partículas, A e B, iniciam seus
movimentos no mesmo instante com as suas posições medidas a partir
da mesma origem dos espaços. As funções horárias das posições de A
e B, para S, em metros, e t, em segundos, são dadas, respectivamente,
por SA = 40 + 0,2t e SB = 10 + 0,6t. Quando a partícula B alcançar a
partícula A, elas estarão na posição:

(A) 55 m.
(B) 65 m.
(C) 75 m.
(D) 105 m.
(E) 125 m.

figura 1 figura 2 02 (EsPCEx) Um automóvel, desenvolvendo uma velocidade constante


de 60 km/h, faz, diariamente, uma viagem entre duas cidades vizinhas
A velocidade de lançamento da bola na direção vertical tem o mesmo em um tempo habitual T. Se ele fizesse esta viagem com uma velocidade,
módulo de velocidade escalar (v) da roda gigante, que executa um também constante, de 90 km/h, o tempo de duração ao habitual, seria 10
movimento circular uniforme. Despreze a resistência do ar, considere a minutos menor. Podemos dizer que o valor de T, em minutos, é:
aceleração da gravidade igual a g e π = 3. Se a pessoa consegue pegar
a bola no ponto mais próximo do solo (figura 2), o período de rotação da (A) 60.
roda-gigante pode ser igual a: (B) 50.
(C) 40.
(D) 30.
(E) 20.

IME-ITA – Vol. 1 309


FÍSICA I
Assunto 1

03 (AFA) Os gráficos a seguir referem-se a movimentos unidimensionais (C) V(m/s)


de um corpo em três situações diversas, representando a posição como
função do tempo.

0 t(s)
x x x
–24
a a a

a a a
2 2 2

0 b b t 0 b b t 0 2b b t (D) V(m/s)
3 2 3
18
Nas três situações, são iguais as velocidades:
16
(A) iniciais.
(B) finais
(C) instantâneas. 4 t(s)
(D) médias

04 (HELOU) Um móvel tem sua velocidade escalar instantânea (v)


variando com o tempo (t), conforme a função v = t2 – 4t (SI). 07 (AFA) A figura abaixo apresenta o gráfico posição × tempo para im
móvel em movimento retilíneo.
Calcule sua aceleração escalar média entre os instantes:
s
a. 0 s e 4 s.
b. 1 s e 5 s.
sC
05 (AFA) Uma pessoa está observando uma corrida a 170 m do ponto de C
sB B
largada. Em dado instante, dispara-se a pistola que dá início à competição. parábola
Sabe-se que o tempo de reação de um determinado corredor é 0,2 s, sua
velocidade é 7,2 km/h e a velocidade do som no ar é 340 m/s. A distância sA A
desse atleta em relação à linha de largada, quando o som do disparo chegar
ao ouvido do espectador, é:

(A) 0,5 m.
tA tB tC t
(B) 0,6 m.
(C) 0,7 m.
É correto afirmar que:
(D) 0,8 m.
(A) a velocidade no instante tAé menor que a velocidade no instante tB.
06 (AFA) Sabendo-se que a função horária de uma par tícula é:
(B) para tC, a aceleração do móvel é nula.
S = –t2 + 16t – 24, o gráfico que representa a função V = f(t) será:
(C) para tA < t < tC, o movimento é acelerado.
(D) para tB < t < tC, a velocidade do móvel decresce de maneira uniforme.
(A) V(m/s)
08 (AFA) Um vagão movimenta-se sobre trilhos retos e horizontais
obedecendo à equação horária S = 20t – 5t2 (SI). Um fio ideal tem uma
de suas extremidades presa ao teto do vagão e, na outra, existe uma
0 esfera formando um pêndulo. As figuras que melhor representam as
t(s)
configurações do sistema vagão-pêndulo de velocidade v e aceleração a,
–24
nos instantes 1 s, 2 s e 3 s, são, respectivamente:

(A)
(B) V(m/s)
α V α V=0 α V
16

(B)
0 8 t(s) α V α V=0 α V

310 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

(C) v(m/s)
α V α V α V 15

(D)
t(s)
α V α V α V 0 5

(A) S = 10 – 15t + 3t2/2.


09 (EFOMM) No sistema de transmissão de movimento da figura abaixo, (B) S = 15 + 10t – 5t2/2.
a polia motora A tem 500 mm de diâmetro e gira a 120 rpm. As polias (C) S = 10 + 15t – 3t2/2.
intermediárias B e C, solidárias entre si (soldadas uma na outra), têm, (D) S = 15 – 10t + 5t2/2.
respectivamente, 1.000 mm e 200 mm. A rotação da polia D, de diâmetro (E) S = 10 + 15t – 5t2/2.
400 mm, é de:
B 12 (IME) O gráfico a seguir apresenta a velocidade de um objeto em
A função do tempo. A aceleração média do objeto no intervalo de tempo 0
C
a 4t é:

velocidade
v

D 3t 4t
(A) 120 rpm. t 2t tempo
(B) 80 rpm.
(C) 60 rpm. –v
(D) 30 rpm.
(E) 20 rpm.
(A) v .
10 (AFA) Duas partículas, A e B, desenvolvem movimentos sobre uma t
mesma trajetória, cujos gráficos horários são dados por: 3v
(B) .
s(m) 4t
v
(C) .
32 B 4t
28 v
(D) − .
14 4t
A
3v
(E) − .
4t
0 4 78 t(s)
13 A função horária da posição de um móvel é dada pela seguinte equação:
No instante em que A e B se encontram, os módulos das velocidades de 2
S = t 3 − 7t 2 + 20t − 6, em que S e t estão nas unidades do SI.
A e de B valem, respectivamente: 3
Responda às seguintes perguntas:
(A) 2 e 12.
(B) 2 e 16. a. Qual a velocidade média entre os instantes 1 e 4 segundos?
(C) 2,57 e 12. b. Em que instantes o corpo inverte o sentido de movimento?
(D) 2,57 e 16 c. Qual a distância total percorrida pelo corpo entre os instantes
0 e 6 segundos?
11 (EsPCEx) O gráfico a seguir descreve a velocidade V, em função do d. Para que intervalos de tempo o movimento do corpo é acelerado?
tempo t, de um móvel que parte da posição inicial 10 m de sua trajetória. e. Para que intervalos de tempo o movimento do corpo é retrógrado?
A função horária da sua posição, em que o tempo t e a posição S são
dados, respectivamente, em segundos e em metros, é: 14 Um corpo, ao ser lançado para cima com certa velocidade, atinge o
solo após um tempo t1. Ao ser lançado para baixo com a mesma velocidade,
atinge o solo após um tempo t2. Quanto tempo levaria para atingir o solo
caso fosse abandonado do mesmo ponto?

IME-ITA – Vol. 1 311


FÍSICA I
Assunto 1

15 (AFA) Certa mãe, ao administrar um medicamento para o seu filho, a. Qual carro está na frente assim que eles saem do ponto inicial?
utiliza um conta-gotas pingando em intervalos de tempo iguais. A figura b. Em que instante(s) os carros estão no mesmo ponto?
a seguir mostra a situação no instante em que uma das gotas está se c. Em que instante(s) a distância entre os carros A e B não aumenta nem
soltando. diminui?
d. Em que instante(s) os carros A e B possuem a mesma aceleração?

04 (PUC-PR) Um automóvel parte do repouso em uma via plana, na qual


desenvolve movimento retilíneo uniformemente variado. Ao se deslocar
4,0 m a partir do ponto de repouso, ele passa por uma placa sinalizadora
de trânsito e, 4,0 s depois, passa por outra placa sinalizadora 12 m adiante.
Y
Qual a aceleração desenvolvida pelo automóvel?
X
05 (UFPR) Um ciclista movimenta-se com sua bicicleta em linha reta a
uma velocidade constante de 18 km/h. O pneu, devidamente montado na
roda, possui diâmetro igual a 70 cm. No centro da roda traseira, presa ao
eixo, há uma roda dentada de diâmetro 7,0 cm. Junto ao pedal e preso
ao seu eixo há outra roda dentada de diâmetro 20 cm. As duas rodas
Considerando que cada pingo “abandone” o conta-gotas com velocidade
dentadas estão unidas por uma corrente, conforme mostra a figura. Não
X
nula e desprezando a resistência do ar, pode-se afirmar que a razão , há deslizamento entre a corrente e as rodas dentadas. Supondo que o
entre as distâncias X e Y, mostradas na figura, vale: Y ciclista imprima aos pedais um movimento circular uniforme, assinale a
alternativa correta para o número de voltas por minuto que ele impõe aos
(A) 2. pedais durante esse movimento. Nessa questão, considere π = 3.
1
(B) .
2
1
(C) .
4
(D) 4.

(A) 0,25 rpm.


(B) 2,50 rpm.
01 (AFA) Dois automóveis, A e B, encontram-se estacionados (C) 5,00 rpm.
paralelamente ao marco zero de uma estrada. Em um dado instante, o (D) 25,0 rpm.
automóvel A parte, movimentando-se com velocidade escalar constante (E) 50,0 rpm.
vA = 80 km/h. Depois de certo intervalo de tempo, ∆t, o automóvel B
parte no encalço de A com velocidade escalar constante vB = 100 km/h. 06 O movimento unidimensional de uma partícula está plotado na figura
Após 2 h de viagem, o motorista de A verifica que B se encontra 10 km abaixo.
atrás e conclui que o intervalo ∆t, em que o motorista B ainda permaneceu
estacionado, em horas, é igual a: vx m/s
15
(A) 0,25.
10
(B) 0,50.
(C) 1,00. 5
A B C D E
(D) 4,00. 0
2 4 6 8 10 t, s
–5
02 Uma partícula desloca-se do ponto A até o ponto B. –10
A B –15

a. Qual é a aceleração média em cada um dos intervalos AB, BC e CE?


Na primeira terça parte do percurso, sua velocidade escalar média vale
b. A que distância a partícula está de seu ponto de partida após 10 s?
v1; na segunda terça parte vale v2 e na terceira, v3. Determine a velocidade
c. Esboce o deslocamento da partícula como função do tempo; assinale
escalar média no percurso total de A até B.
os instantes A, B, C, D e E em seu gráfico.
d. Quando a partícula está se deslocando o mais vagarosamente?
03 (YOUNG E FREEDMAN) Dois carros, A e B, deslocam-se ao longo de
uma linha reta. A distância de A ao ponto inicial é dada em função do tempo
07 Um carro percorre uma linha reta com movimento uniformemente
por xA(t) = αt + βt2, com α = 2,60 m/s e β = 1,2 m/s2. A distância de
acelerado. Nos instantes t1e t2, suas posições são x1e x2, respectivamente.
B ao ponto inicial é dada em função do tempo por xB(t) = γt2 – δt3, em
Sabendo que a posição inicial do carro é a origem do sistema adotado,
que γ = 2,80 m/s2 e δ = 0,20 m/s3.
determine o valor da aceleração do veículo.

312 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

08 Duas partículas, A e B, percorrem uma mesma circunferência com percorre também com velocidade constante e igual a 25 m/s. A segunda
movimentos uniforme e períodos respectivamente iguais a T e nT, sendo n metade desse trajeto é sempre percorrida com velocidade constante e igual
um número inteiro positivo. No instante t = 0, as partículas ocupam uma à média aritmética das duas velocidades anteriores. Nessas condições,
mesma posição PO. Sabendo-se que as partículas caminham no mesmo quando o veículo percorrer a primeira metade do trajeto com velocidade
sentido, o valor de n para que as partículas só se encontrem na mesma constante de 25 m/s, a velocidade média, em km/h, ao longo de todo
posição PO é: o trajeto, a distância, em km, entre as cidades e o tempo gasto, em h,
na primeira metade do trajeto quando a velocidade vale 15 m/s valem,
(A) 2. respectivamente:
(B) 3.
(C) 4. (A) 40, 270 e 2,5.
(D) 5. (B) 40, 270 e 4,5.
(E) n.r.a. (C) 80, 270 e 5,0.
(D) 80, 540 e 3,0.
09 O trajeto de um móvel é dividido em n trechos iguais. No primeiro,
móvel tem velocidade média V1, no segundo, V2 e assim por diante até 14 (ITA – adaptada) Considere dois carros que estejam participando de
que o último tem velocidade média Vn. Prove que a velocidade média do uma corrida. O carro A consegue realizar cada volta em 80 s, enquanto
móvel no percurso total é a média harmônica das velocidades médias em o carro B é 5,0% mais lento no tempo de uma volta. O carro A é forçado
cada trecho. a uma parada nos boxes ao completar a volta de número 6. Incluindo
aceleração, desaceleração e reparos, o carro A perde 135 s. Qual deve
Obs.: Média harmônica de n números é o inverso da média aritmética dos ser o número mínimo de voltas completas da corrida para que o carro A
inversos dos mesmos n números. possa vencer?

10 (ITA) Para multar motoristas com velocidades superior a 90 km/h, um (A) 28.
guarda rodoviário, munido de binóculo e cronômetro, aciona o cronômetro (B) 33.
quando avista o automóvel passando pelo marco A e faz a leitura no (C) 34.
cronômetro quando vê o veículo passar pelo marco A, em seguida faz a (D) 27.
leitura no cronômetro quando vê o veículo passar pelo marco B, situado (E) n.r.a.
a 1.500 m de A. Um motorista passa por A a 144 km/h e mantém essa
velocidade durante 10 segundos, quando percebe a presença do guarda. 15 Considere que em um tiro de revólver, a bala percorre trajetória retilínea
Que velocidade média deverá manter em seguida, para não ser multado? com velocidade V constante, desde o ponto inicial P até o alvo Q.

11 (ITA) Dois automóveis partem ao mesmo tempo de um mesmo M2


ponto e em um mesmo sentido. A velocidade do primeiro automóvel é de
50 km/h e do segundo automóvel é de 40 km/h. Depois de meia hora,
do mesmo ponto e no mesmo sentido, parte um terceiro automóvel que
alcança o primeiro 1,5 h mais tarde que o segundo. Ache a velocidade
do terceiro automóvel.

12 A figura representa dois discos de papelão fixados a um mesmo eixo, v 90°


que roda com frequência igual a 50 Hz. Os discos foram fixados em locais
do eixo distantes 2 m um do outro. Um projétil é disparado paralelamente P M1 Q
a esse eixo, movendo-se em movimento retilíneo e uniforme, perfurando
os discos. O ângulo entre o plano que contém o eixo e o furo no primeiro O aparelho M1 registra simultaneamente o sinal sonoro do disparo e o do
disco e o plano que contém o eixo e o furo no segundo disco é igual a 45°. impacto da bala no alvo, o mesmo ocorrendo com o aparelho M2. Sendo
Determine a velocidade do projétil, sabendo que, entre as duas perfurações, Vs a velocidade do som no ar, então a razão entre as respectivas distâncias
os discos completaram duas voltas. dos aparelhos M1 e M2 em relação ao alvo Q é:

(A) Vs (V – Vs) / (V2 – Vs2).


(B) Vs (Vs – V) / (V2 – Vs2).
(C) V (V – Vs) / (Vs2 – V2).
(D) Vs (V + Vs) / (V2 – Vs2).
(E) Vs (V – Vs) / (V2 + Vs2).

16 Dois trens estão a uma distância de 200 km e aproximam-se um


do outro com uma velocidade de 50 km/h cada um. Uma mosca voa
constantemente entre as locomotivas dos dois trens, de um para-choque
ao outro, com uma velocidade de 75 km/h, até o instante em que os trens
se chocam e a mosca morre esmagada. Qual foi a distância total percorrida
13 (PUC-SP) Um veículo percorre a distância entre duas cidades de pela mosca?
tal forma que, quando percorre a primeira metade desse trajeto com
velocidade constante e igual a 15 m/s, gasta 2 h a mais do que quando o

IME-ITA – Vol. 1 313


FÍSICA I
Assunto 1

17 A maior aceleração (ou desaceleração) tolerável pelos passageiros de 21 (ITA) Um automóvel a 90 km/h passa por um guarda em um local
um trem urbano é de 2 m/s2. Sabe-se que a distância entre duas estações em que a velocidade máxima é de 60 km/h. O guarda começa a perseguir
consecutivas é de 800 m e que o trem para em todas as estações. o infrator com sua moto mantendo aceleração constante até que atinge
108 km/h em 10 segundos e continua com essa velocidade até alcançá-lo.
Sugestão: Resolva essa questão utilizando o gráfico da velocidade escalar Qual a distância total percorrida pelo guarda?
em função do tempo.
22 (IRODOV) Um automóvel, tendo velocidade inicial nula, desloca-se
Determine:
por um caminho reto. Inicialmente, ele trafega com aceleração constante
a. a máxima velocidade que o trem pode atingir no percurso de uma w= 5 m/s2, logo depois com uma velocidade constante e, finalmente,
estação a outra. reduz sua velocidade com a mesma aceleração w, parando. Durante os
b. o tempo mínimo para o trem ir de uma estação a outra consecutiva. 25 segundos de movimento, sua velocidade média foi de 72 km/h. Durante
quanto tempo o automóvel manteve sua velocidade constante?
18 (ITA) Os espaços de um móvel variam com o tempo, conforme o
gráfico a seguir, que é um arco de parábola cujo vértice está localizado 23 Dois carros, A e B, movem-se no mesmo sentido com velocidades VA
no eixo e: e VB, respectivamente. Quando o carro A está a uma distância d atrás de
B, o motorista do carro A pisa no freio, o que causa uma desaceleração
e(m) constante de módulo a. Qual a condição necessária para que não haja
colisão entre A e B?
57
24 (IME) De dois pontos, A e B, situados sobre a mesma vertical,
respectivamente a 45 m e 20 m do solo, deixam-se cair duas esferas,
no mesmo instante. Uma prancha desloca-se no solo horizontalmente
com movimento uniforme. Observa-se que as esferas atingem a prancha
em pontos que distam 2 m. Nessas condições, supondo g = 10 m/s2 e
desprezando a resistência do ar, qual a velocidade da prancha?
48
25 Na figura abaixo, é representada uma barra de comprimento L, unida a
duas cordas acopladas nas polias 1 e 2. Determine, em função dos dados
abaixo, o tempo gasto para que a barra esteja na horizontal, sabendo que
0 a polia 1 gira no sentido horário e a polia 2 no anti-horário.
1 2 t(s)
Dado: ω1 – ω2 = ω.
Determine:

a. o espaço em t = 0.
b. a aceleração escalar. ω1 ω2
RA RB
c. a velocidade em t = 3 s.

19 (ITA) Um móvel parte da origem do eixo x com velocidade constante


igual a 3 m/s. No instante t = 6 s, o móvel sofre uma aceleração
g = –4 m/s2. A equação horária a partir do instante t = 6 s será:
L
θ
(A) x = 3t – 2t2.
(B) x = 18 + 3t – 2t2.
(C) x = 18 – 2t2.
(D) x = –72 + 27t – 2t2.
(E) x = 27t – 2t2. 26 Um engenheiro trabalha em uma fábrica, que fica nos arredores da
cidade. Diariamente, ao chegar à última estação ferroviária, um carro da
20 (ITA) De uma estação parte um trem, A, com velocidade constante fábrica transporta-o para o local de trabalho. Certa vez, o engenheiro
VA = 80 km/h. Depois de certo tempo, parte dessa mesma estação um chegou à estação uma hora antes do habitual, e, sem esperar o carro,
outro trem, B, com velocidade constante VB = 100 km/h. Depois de um foi a pé até o local de trabalho. No caminho, encontra-se com o carro e
tempo de percurso, o maquinista de B verifica que seu trem encontra-se chega à fábrica 10 minutos antes do habitual. Quanto tempo caminhou o
a 3 km de A. A partir desse instante ele aciona os freios indefinidamente, engenheiro antes de encontrar-se com o carro?
comunicando ao trem uma aceleração a = –50 km/h2. O trem A continua
no seu movimento anterior. Nessas condições: 27 Dois trens partem simultaneamente de dois pontos, A e B, distantes
5.000 m um do outro. Os trens possuem velocidades constantes de 20 m/s
(A) não houve encontro dos trens. e de sentidos contrários, sendo que o trem I dirige-se para B. Sabendo que
(B) depois de 2 horas, o trem B para e a distância que o separa de A é de os trens possuem comprimento de 100 m, determine quanto tempo um
64 km. automóvel deve esperar em A, após o início do movimento dos trens, para
(C) houve encontro dos trens depois de 12 minutos. que, deslocando-se a 40 m/s, demore 50 s entre iniciar a ultrapassagem
(D) houve encontro dos trens depois de 36 minutos. sobre o trem I e terminar a ultrapassagem sobre o trem II.
(E) não houve encontro dos trens, eles continuam caminhando e a
distância que os separa, agora, é de 2 km.

314 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática I: escalar FÍSICA I
Assunto 1

08 (ITA) A partir do repouso, deixa-se cair uma pedra da borda no alto


de um edifício. A figura seguinte mostra a disposição das janelas, com
as pertinentes alturas h e distâncias L que se repetem igualmente para as
01 Um projétil, ao penetrar em um alvo com velocidade inicial u, perde demais janelas, até o térreo. Se a pedra percorre a altura h da primeira
u/n de sua velocidade ao percorrer uma distância a dentro do mesmo. janela em t segundos, quanto tempo levará para percorrer, em segundos,
Que distância ele percorrerá a mais até parar? a mesma altura h da quarta janela? Despreze a resistência do ar.

02 (OBF) Dois aviões de combate, A e B, voam em trajetória retilínea e


horizontal e estão alinhados. Estando distanciados 600 m um do outro, o
que vem atrás inicia uma sequência de disparos contra o outro, à razão de L
1 projétil a cada quarto de segundo. A velocidade dos projéteis, relativamente
ao avião A, é constante e igual a 500 m/s e, como o tempo de seu percurso é
muito curto, o efeito de queda do projétil pela gravidade é irrelevante na análise h 1a janela
dessa situação. Considerando que o avião que vem por trás voa com uma
velocidade de 100 m/s e que a velocidade do da frente é 120 m/s, determine:
L
a. o tempo que o primeiro projétil disparado leva para atingir o avião que
vai à frente.
b. a distância entre dois projéteis lançados simultaneamente. h 2a janela
c. o número de projéteis, por segundo, que atingem a aeronave da frente.
L
03 Três turistas que possuem uma bicicleta devem chegar ao centro turístico
no menor espaço de tempo (o tempo conta até que o último turista chegue
ao centro). A bicicleta pode transportar apenas duas pessoas e, por isso, o
terceiro turista deve iniciar o trajeto a pé. O primeiro turista, que nunca larga
a bicicleta, leva o segundo turista até um determinado ponto do caminho, de
onde este continua a andar a pé e o primeiro turista volta para transportar o
terceiro. Encontre a velocidade média dos turistas, sabendo que a velocidade
de quem está a pé é 4 km/h e de quem está na bicicleta é 20 km/h. 09 (UEG) Observe a figura.

s
04 Em uma rodovia de mão dupla, um carro encontra-se 15 m atrás de
um caminhão (distância entre os pontos médios), ambos trafegando a
80 km/h. O carro tem uma aceleração máxima de 3 m/s2. O motorista deseja R1
ultrapassar o caminhão e voltar a sua pista 15 m adiante do caminhão. No Rn +1 Rn
momento em que começa a ultrapassagem, avista um ônibus que vem 60°
En + 1
vindo no sentido oposto, também a 80 km/h. A que distância mínima En
precisa estar do outro carro para que a ultrapassagem seja segura?
E1
05 Dois carros estão em repouso em duas estradas perpendiculares.
t
O primeiro está a uma distância l da interseção das duas estradas e o
segundo a uma distância d do mesmo ponto. Os dois começam a mover-se
Nessa figura, está representada uma máquina hipotética constituída de uma
simultaneamente em direção à interseção, o primeiro com aceleração
sequência infinita de engrenagens circulares, E1, E2, E3..., que tangenciam
constante a e o segundo com aceleração constante b. Qual a menor
as retas s e t. Cada engrenagem En tangencia a próxima engrenagem En + 1.
distância que eles tiveram entre si durante seus movimentos?
Para todo número natural n, Rn e ωn são, respectivamente, o raio e a
velocidade angular do circuito En.
06 (IME) Um elevador parte do repouso e sobe com aceleração constante
Considerando estas informações e que R1 = 0,1µ:
igual a 2 m/s2 em relação a um observador fixo fora do elevador. Quando
sua velocidade atinge o valor v = 6 m/s, uma pessoa que está dentro do
a. Determine Rn em função de n.
elevador larga um pacote de uma altura h = 2,16 m, em relação ao piso
b. Mostre que ωn + 1 = 3ωn, para todo n.
do elevador. Considerando que o elevador continue em seu movimento
acelerado ascendente, determine para o observador fixo e para o localizado
10 (ITA) Um corpo, inicialmente em repouso, entra em movimento com
no interior do elevador:
aceleração escalar constante a, no instante t = 0.
a. o tempo de queda.
a. Mostre que as diferenças entre as distâncias percorridas em intervalos
b. a distância total percorrida pelo pacote até que este encontre o piso
de tempos consecutivos e iguais a uma unidade de tempo são sempre
do elevador.
as mesmas e têm o mesmo valor numérico de a.
c. se o pacote entra em movimento descendente.
b. Determine a distância percorrida durante a n-ésima unidade de tempo.
Dado: g = 10 m/ss.
Verifique que ela é um múltiplo ímpar da distância percorrida na
primeira unidade de tempo
07 Uma pedra é abandonada do topo de um desfiladeiro e, após n
segundos, uma outra pedra é lançada para baixo com velocidade v. A que
distância do topo do desfiladeiro a segunda pedra ultrapassa a primeira?

IME-ITA – Vol. 1 315


FÍSICA I ASSUNTO

Dinâmica em movimentos retilíneos


2
1. Introdução linear ou quantidade de movimento (estudaremos mais a fundo sobre isso
em outros capítulos) com o tempo. Dessa forma:
 
A Dinâmica é o ramo da mecânica que estuda a relação entre força  d p d( mv )
e movimento. Logo, tem sua essência na preocupação em determinar = F =
dt dt
as causas do movimento, sem deixar de lado, é claro, os conceitos de
cinemática que estudamos na Apostila 1. Porém, já que, na maioria das vezes, trabalhamos com sistemas que
Neste capítulo, estudaremos as leis de Newton aplicadas a referenciais possuem massa constante, a massa pode ser “retirada” dessa taxa, o
inerciais e como podemos extendê-las a referenciais não inerciais. Ainda que resulta em:

nos atendo apenas ao movimento retilíneo, além dos tipos mais comuns  dv
F=m
de forças, aprenderemos a resolver os mais diversos tipos de problemas dt
que envolvem os conceitos estudados.
Como a aceleração é a derivada temporal da velocidade, temos:
 
2. As leis de Newton F = ma

A expressão “leis de Newton” se refere às três leis que conceituam e Essa é a expressão geralmente usada nos cálculos para solucionar
explicam os comportamentos dos corpos com relação a seu movimento. os problemas. Vê-se que ela pressupõe que toda força é associada a
Ou seja, permitem, por si só, o entendimento do porquê um corpo pode uma aceleração.
passar a se mover a partir do repouso, do porquê um corpo pode chegar
ao repouso depois de estar em movimento e do porquê um corpo pode Sabe-se que, no Sistema Internacional de Unidades (SI), a unidade
alterar seu movimento. As três leis foram formuladas pelo físico inglês de força é kg · m/s2, também chamada de N (newton), em homenagem a
Isaac Newton e publicadas em seu livro Philosophiae Naturalis Principia Isaac Newton. Logo, 1 N é a força resultante necessária a ser aplicada em
Mathematica, no século XVII. um corpo de 1 kg para que adquira uma aceleração de 1 m/s2.

A interação entre dois corpos é ditada pelo conceito de força. Essas 2.3 Terceira lei de Newton
forças são definidas sob uma fundamentação vetorial, apesar de as
estudarmos muitas vezes sob uma visão puramente escalar. “A toda força de ação corresponde uma de reação, de mesmo módulo,
Os seus enunciados estão explicitados a seguir: mesma direção e em sentido contrário, aplicadas em corpos diferentes.”
As forças de ação e reação não se equilibram, pois estão sempre
2.1 Primeira lei de Newton aplicadas em corpos diferentes. Se o corpo A faz uma força no corpo B, o
corpo B produzirá uma força sobre o corpo A de mesmo módulo e direção,
“Todo corpo tende a continuar em seu estado de repouso ou porém em sentido contrário. É, então, conhecida como “lei da ação e reação”.
movimento uniforme retilíneo, a não ser que uma força passe a atuar sobre
ele, obrigando-o a alterar aquele estado.”
 3. As forças mais comuns
∑ F = 0 ↔ v cte ou repouso
3.1 Peso
Ou seja, se não há força resultante atuando sobre o corpo, este
permanecerá no seu estado atual, caso seja de repouso ou de movimento O peso é a força de atração gravitacional dada pela expressão:
retilíneo. Essa lei é conhecida como lei da inércia.  
Newton a apresentou para que se pudesse estabelecer um referencial P = m⋅ g
para as duas próximas leis, já que esta lei postula que exista, no mínimo, 
um referencial, denominado inercial, no qual, quando a força resultante é Na expressão, g é a aceleração da gravidade local. É exercido pelo
nula, o corpo se move em MRU ou está em repouso. centro da Terra, e tem sempre o sentido da aceleração gravitacional (veja
que a aceleração associada ao peso é a gravidade, um exemplo do que
Assim, como as duas próximas leis decorrem dessa, as leis de
foi dito em 1.2). A força gravitacional será estudada mais profundamente
Newton só têm validade em um referencial inercial, cuja definição
no capítulo Gravitação universal. Por enquanto, o conhecimento dela
decorre justamente dessa propriedade. Mais à frente promoveremos uma
limita-se ao que foi escrito.
explicação mais exata sobre as diferenças entre um referencial inercial e
um referencial não inercial.
3.2 Normal
2.2 Segunda lei de Newton É a força de contato entre superfícies. É sempre perpendicular às
superfícies.
“Uma partícula sob ação de uma força resultante adquirirá uma
aceleração diretamente proporcional à força resultante, no mesmo sentido N
e direção, e inversamente proporcional à massa.” N
A princípio, essa lei, também denominada de princípio fundamental da
dinâmica, afirma que a força resultante é a taxa de variação do momento

316 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

A força normal é sempre exercida pela superfície sobre o corpo. Enquanto não se aplica no corpo uma força que supere a força de
Muitos confudem a força normal como a reação à força peso, o que está atrito estático máxima, o corpo permanece em repouso, e a força de atrito
totalmente errado. A força normal e a força peso estão aplicadas no mesmo estático cresce linearmente, até chegar a seu limite, justamente a força
corpo, e, como foi visto, forças de ação e reação devem estar aplicadas de atrito estático máxima (iminência de movimento). Após isso, o atrito
em corpos diferentes. Logo, as forças normal e peso não constituem par passa a ser cinético.
ação-reação. A reação da força peso é aplicada pelo corpo no centro da
Terra, e a reação à força normal é aplicada pelo corpo na superfície em 3.4.2 Atrito dinâmico (cinético)
que está apoiado. A força de atrito dinâmico, ou cinético, surge quando as superfícies
dos corpos possuem movimento relativo (escorregamento) uma em
Obs.: Quando se mede o peso de um corpo em uma balança, a força relação à outra.
que na verdade é medida é a normal! Logo, quando um problema pedir a A força de atrito dinâmico pode ser calculada pela expressão:
medição da balança, nunca responda com o peso do corpo, mas sim com
a intensidade da força normal que a balança fizer no corpo.
Fatd = µdN
N
3.3 Tração
em que:
É a força que atua em cabos, fios, elos, etc. Atua sempre no sentido
µd = coeficiente de atrito dinâmico
de puxar os corpos. Fat
entre as superfícies.

T N = força de reação da superfície.


T
T T Suponha, então, um corpo de 3 kg apoiado em uma superfície áspera
T e horizontal, cujos μe = 0,5 e μd = 0,333. O corpo é submetido a uma
T T força F, conforme mostra a figura abaixo:
 
N g
O único motivo pelo qual podemos considerar as trações constantes
nos problemas em que o sistema está acelerado é o fato de que 
 F
consideraremos, na maioria das vezes, os fios sem massa ou com F at
massa desprezível (ideais). Dessa forma, pense em um elemento do fio
de comprimento infinitesimal dl, que tenha massa dm, e esteja contido em 
um sistema acelerado. Suponhamos que atuem nele duas trações T1 e T2, P
de sentidos opostos. A força resultante do fio nesse elemento seria, então:
Sabemos, então, que o peso do corpo é dado por P = 3 · 10 = 30 N.
Fres = dm · a = |T1 – T2 | Como a força resultante na vertical é nula, já que o corpo está em
repouso, temos que a força normal é N = P = 30 N. Logo, temos que a
Dessa forma, se dm = 0, temos que T1 – T2 = 0 → T1 = T2, o que
Fate máxima = 0,5 · 30 = 15 N.
mostra que a tração será constante ao longo do fio.
Suponhamos que F = 5 N. Logo, F < Fate máxima. Logo, temos que
3.4 Atrito o corpo continua em repouso, já que a Fate máxima não foi vencida. Logo,
Fate = F = 5 N. A mesma situação ocorre para qualquer valor de F < 15 N.
Força que surge entre dois corpos em contato, quando a superfície
Quando F = 15 N, temos que F = Fate máxima. O corpo continua parado,
de um deles escorrega ou tende a escorregar em relação à superfície do
porém, como dissemos anteriormente, está na iminência de movimento,
outro. No primeiro caso, o atrito é denominado cinético. No segundo caso,
ou seja, está prestes a se mover.
o atrito é denominado estático.
Quando F > 15 N, o corpo sai do repouso e passa a se mover. Como
3.4.1 Atrito estático há escorregamento (movimento relativo) entre a superfície de contato
do corpo e o plano horizontal, o atrito passa a ser dinâmico, igual a
A força de atrito estático surge quando as superfícies de corpos em
Fatd = 30 · 0,333 = 10 N, constante, não importando qual o valor de F a
repouso e em contato entre si possuem tendência de movimento relativo
ser aplicado. A seguir, é representado o gráfico da Fat com a variação de
uma à outra, chegando à iminência de movimento. Nessa situação, a força
F. A Fat aumenta linearmente enquanto F ≤ 15 N (atrito estático). Depois
de atrito é máxima, e é dada pela expressão:
disso, o atrito passa a ser constante e igual a 10 N (atrito cinético).
Fat N Fat (N)
Fat máxima = µeN
15
em que: 10
µe = coeficiente de atrito estático
entre as superfícies.

N = força de reação da superfície. F (N)


0 15

IME-ITA – Vol. 1 317


FÍSICA I
Assunto 2

Lembrando que, para haver atrito cinético, deve haver escorregamento (A) força
entre as superfícies de contato, e não apenas movimento. Um exemplo resultante
típico é um carro que se desloca sem patinar. Enquanto suas rodas apenas
giram, sem deslizar em relação ao chão, o que faz com que o carro se
desloque para frente é o atrito estático entre os pneus e a pista. Não há
atrito cinético nesse caso, já que as rodas não estão deslizando, ou seja,
não estão “arrastando” no chão. A mesma coisa acontece quando andamos
tempo
em um chão seco. Quando damos um passo, nosso pé permanece em 0 TA
repouso em relação ao chão, não havendo atrito cinético, apenas estático.
É como se “empurrássemos” o chão para trás e o chão reagisse “nos
empurrando” para frente. Como nossa massa é muito menor do que a
massa do chão, quem adquire maior aceleração somos nós, enquanto o
chão não se move.
(B) força
3.4.3 Resistência do ar resultante
Quando um objeto se move em um fluido (ar ou água, basicamente),
o fluido exerce sobre ele uma força de resistência. Essa força depende de
características do fluido, da forma do objeto e da velocidade com que o
objeto está se movendo. Tem papel semelhante ao atrito: tende a reduzir
a velocidade do corpo, muitas vezes diminuindo apenas a sua aceleração. tempo
Porém, difere do atrito dinâmico no seguinte aspecto: a força de resistência 0 TA
em um fluido aumenta com o acréscimo da velocidade.
Dessa forma, o força de resistência do ar é proporcional ao quadrado
da velocidade do móvel,

(C) força
R = c · v2 resultante

em que:
c = constante de proporcionalidade empírica (depende da forma do corpo).
Sendo assim, considerando um caso em que R = c · v², à medida
tempo
que um corpo cai devido à força peso, a sua velocidade vai aumentando, 0 TA
bem como a força de resistência do ar, fazendo com que a força resultante
diminua. O limite dessa força de resistência é o próprio peso. A velocidade (D) força
do corpo, quando a força de resistência se iguala ao peso, mantém-se resultante
constante e é denominada velocidade limite, e pode ser calculada como
se segue:
m⋅g
P = R → m ⋅ g = c ⋅ v2 → v =
c tempo
0 TA
(E) força
resultante
(ENEM-2013) Em um dia sem vento, ao saltar de um avião, um
paraquedista cai verticalmente até atingir a velocidade limite. No instante
em que o paraquedas é aberto (instante TA), ocorre a diminuição de sua
velocidade de queda. Algum tempo após a abertura do paraquedas, ele
passa a ter velocidade de queda constante, que possibilita sua aterrissagem tempo
0 TA
em segurança.
Solução: Letra B.
Que gráfico representa a força resultante sobre o paraquedista, durante o Durante a queda livre do paraquedista, a força resultante que atua sobre ele é
seu movimento de queda? Fres = P – c · v², em que P é seu peso e c · v² é a força de resistência do
ar. Como c · v² aumenta, dado o aumento da velocidade, a força resultante

318 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

diminui com o tempo, de forma não linear. O paraquedista abre o paraquedas houvesse apenas uma mola sendo comprimida, o deslocamento dela seria
em TA, quando atingiu sua velocidade limite, ou seja, quando a força resultante igual ao deslocamento das três molas e a força elástica aplicada a ela
é igual a 0. Dessa forma, eliminamos as letras C e E. Com a abertura do seria a mesma. Dessa forma, temos:
paraquedas, a força resultante tem seu sentido alterado, já que o paraquedas
Fel F F F 1 1
provoca uma força de resistência do ar muito maior do que a que atua xeq = x1 + x 2 + x3 → = el + el + el → =∑
sobre o próprio paraquedista em queda livre com o paraquedas fechado. K eq K1 K 2 K 3 K eq i Ki

A força resultante, agora, deve ser negativa e com módulo elevado, pois a
força de resistência passa a ser maior que o peso. Depois de um tempo,
o paraquedista passa a ter velocidade constante, o que significa que o Em outras palavras, o inverso da constante elástica equivalente a uma
módulo da força resultante reduziu-se a 0. Assim, o único gráfico que pode associação de molas ideais em série é igual ao somatório dos inversos
representar o comportamento da força resultante com o tempo é o da letra B. das constantes elásticas das molas que estão presentes na associação
original. Esse resultado é equivalente à resistência equivalente de
3.5 Elástica uma associação de resistores em paralelo, assunto a ser abordado no
capítulo Associação de resistores.
As forças elásticas surgem sempre que se provoca uma deformação
em um corpo, e sempre tendem a fazer com que o corpo retorne à sua 3.5.2 Associação de molas ideais em paralelo
posição de equilíbrio inicial. Em regime elástico, a deformação sofrida por
Dizemos que molas estão associadas em série quando os “inícios”
uma mola é diretamente proporcional à intensidade da força que a provoca.
de todas elas estão conectados a uma mesma superfície, assim como
Quando a mola obedece a lei de Hooke, esse comportamento é linear, e
os “finais” delas estão conectados a uma outra superfície, como mostra
é calculada pela expressão:
a figura abaixo:
F=K·x
K
em que:
K = constante elástica da mola (unidade no SI: N/m). K
x = deformação sofrida pela mola (unidade no SI: m).
K
A figura a seguir mostra as orientações da força elástica em uma mola
quando comprimida e esticada, respectivamente:
Nesse tipo de situação, se uma força é aplicada no bloco a fim de se
comprimirem as molas, a deformação das molas será igual, já que elas têm
x0 o mesmo grau de liberdade. Dessa forma, se houvesse apenas uma mola
sendo comprimida, o deslocamento desta seria igual ao deslocamento das
F molas em paralelo, e a força aplicada nela seria igual à soma das forças
aplicadas nas molas em paralelo. Assim sendo:
–∆x
F Feq = F1 + F2 + F3 → K eq x = K1 x + K 2 x + K 3 x → K eq = ∑ K i
i

x
Em outras palavras, a constante elástica equivalente a uma associação
Essa força será importantíssima no estudo posterior do Movimento de molas ideais em paralelo é a soma das constantes elásticas das
Harmônico Simples (MHS) em um sistema massa-mola, já que atuará molas da associação original. Esse resultado é equivalente à resistência
como força de restauração do sistema (força que tende a restaurar o equivalente de uma associação de resistores em série, assunto a ser
equilíbrio do sistema). abordado no capítulo Associação de resistores.
Molas com diferentes constantes elásticas podem ser associadas, e
podemos substituí-las por uma única mola que preserve as propriedades
que as molas tinham previamente. Existem dois tipos de associação,
4. Resolução de problemas
como veremos a seguir. Os problemas de dinâmica são muito variados. Por essa razão, não
existe uma forma única de resolvê-los. Assim, abaixo serão descritos
3.5.1 Associação de molas ideais em série passos básicos e indispensáveis para a resolução de qualquer problema.
Dizemos que molas estão associadas em série quando o “final” de Os problemas podem envolver concomitantemente as três leis de
uma está conectado ao “início” de outra, como mostra a figura abaixo: Newton, portanto, a interpretação de cada problema em sua individualidade
é essencial para a solução.
K K K
Caso os componentes de um sistema mecânico não apresentem
movimento relativo entre si, o sistema pode ser analisado como um todo,
ou seja, os corpos podem ser estudados como se fossem um único corpo,
Suponha que uma força seja aplicada no sistema mostrado na figura cuja massa é dada pela massa total dos corpos. As forças de interação
a fim de se comprimir as molas. Como as molas são ideais, ou seja, não entre os componentes, neste caso, são chamadas de forças internas, e
possuem massa, ocorre a mesma situação da tração em um fio ideal: a não aparecerão no diagrama de forças do sistema, já que forças internas
força elástica permanece constante ao longo da associação. Dessa forma, são incapazes de realizar trabalho no sistema (estudaremos esse conceito
a força elástica que atua nas três molas é igual. Temos também que, se mais a fundo posteriormente). Essas forças só poderão ser analisadas

IME-ITA – Vol. 1 319


FÍSICA I
Assunto 2

e calculadas quando isolamos os componentes do sistema. Elas então


passam a ser denominadas forças externas. Esse procedimento muitas
5. Leis de Newton em um
vezes facilita o cálculo da aceleração do sistema e o posterior cálculo das referencial não inercial
forças internas (isolando-se cada componente).
Antes de iniciarmos nossos estudos sobre o referencial não inercial,
Caso os componentes de um sistema mecânico apresentem vamos relembrar algumas características do referencial inercial.
movimento relativo entre si, será necessário relacionar as suas acelerações  
antes de se iniciar a resolução do problema, por meio dos chamados A segunda lei de Newton nos diz que Fres = ma, ou seja, a força
vínculos geométricos. Os vínculos geométricos dependerão das situações resultante que atua em um corpo produz uma aceleração  nesse mesmo
expostas em cada problema; logo, a interpretação geométrica do corpo. Vê-se que a primeira lei de Newton diz que, se Fres = 0, o corpo tende
problema será muito importante. Descobre-se, primeiramente, como os a manter-se em seu estado atual. Parece, então,  que a primeira lei é um
deslocamentos dos componentes do sistema estão atrelados entre si, e, caso particular da segunda, quando tomamos a = 0. Porém, a primeira
como a aceleração é a segunda derivada da posição, temos que a relação lei enuncia algo muito maior: introduz o conceito de referencial inercial, ou
entre os deslocamentos é a mesma relação entre as acelerações. Após seja, um referencial que satisfaz à lei da inércia. Dessa forma, um referencial
descobrir-se como as acelerações dos componentes estão relacionadas, inercial nunca pode ser acelerado e, consequentemente, nunca pode ter
pode-se solucionar o problema normalmente, valendo-se da equação que aceleração relativa a outro referencial inercial. Assim, se um móvel tem
relaciona as acelerações. uma aceleração a em relação a um certo referencial inercial, ele deve
Partindo dessas considerações, a resolução dos problemas seguirá apresentar a mesma aceleração a em relação a um outro referencial inercial,
basicamente os passos apresentados na ilustração: apesar de poder apresentar velocidades diferentes em relação aos dois
referenciais, já que os referenciais inerciais podem apresentar velocidade
relativa entre si (a lei da inércia fala em repouso ou velocidade constante).
Visto que, a massa é invariável e os referenciais inerciais concordam em
relação à aceleração de um móvel, eles têm que concordar com relação
à força que atua sobre esse mesmo móvel, pois a força é o produto da
massa pela aceleração. Estabelece-se, então, o princípio da invariância de
Galileu, que afirma que as leis de Newton são válidas e as mesmas para
qualquer referencial inercial.
Representação das forças no sistema e dos diagramas de corpo livre dos
Em seguida, podemos definir o referencial não inercial: aquele que
componentes do sistema, respectivamente.
possui aceleração em relação a pelo menos um referencial inercial, sendo,
então, conhecido também por referencial acelerado. Logo, a aceleração
4.1 Envolvendo a primeira lei calculada para um referencial inercial nunca pode ser a mesma calculada
• Interpretar corretamente o problema para concluir se se trata de para um referencial não inercial, já que existe aceleração relativa entre
repouso ou movimento retilíneo uniforme; estes. Por conseguinte, dizemos que os referenciais não inerciais não
• isolar os componentes em diagrama de corpo livre, caso não haja respeitam as leis de Newton, as quais são válidas, então, apenas para os
movimento relativo entre eles. Se conveniente, considerar o sistema referenciais inerciais, como dito anteriormente.
todo, com massa igual à soma das massas dos componentes, e Enfim, se as leis de Newton não são válidas em referenciais não
desconsiderar forças internas; inerciais, como proceder quando nos depararmos com problemas que
• indicar corretamente as forças de ação e de reação (geralmente, são os relacionem? É aí que entra o princípio da equivalência de Einstein.
forças internas ao sistema, então só aparecerão caso se isolem os Ele afirma que, quando
componentes em diagrama de corpo livre);  o sistema contido em um referencial não inercial
que tem aceleração a relativa a um certo referencial inercial e se passa
• verificar com muita atenção o sentido da força de atrito, quando houver; a observar o movimento a partir do mesmo
• escolher sabiamente os eixos coordenados para diminuir o trabalho de  referencial não inercial, é
necessária a adição de uma aceleração – a a todos os componentes do
projeção de forças, ou seja, escolher os eixos de forma que contenham
sistema, para que possam ser aplicadas as leis de Newton. Por exemplo,
o maior número de forças possível.
em um elevador em repouso ou com velocidade
 constante, em uma região
4.2 Envolvendo a segunda lei em que a aceleração da gravidade é g , com módulo g, o valor do período
l
• Interpretar corretamente o problema para concluir se se trata de de um pêndulo de comprimento l é dado pela fórmula T = 2π . Porém,
um corpo em desequilíbrio, logo, acelerado (verificar o sentido da  g
aceleração); se o elevador possuir uma aceleração a para cima, com módulo a, para
• isolar os componentes em diagrama de corpo livre, caso não haja podermos calcular o novo período T’ do pêndulo, devemos observá-
movimento relativo entre eles. Se conveniente, considerar o sistema lo de dentro do elevador. Dessa forma, devemos adicionar a ele uma
todo, com massa igual à soma das massas dos componentes, e aceleração – a , ou seja, uma aceleração de módulo a e sentido para baixo.
desconsiderar forças internas; É como se estivéssemos “aumentando a gravidade” observada dentro
• indicar corretamente as forças de ação e de reação (geralmente, são do elevador. Chamamos essa “nova” gravidade de gravidade aparente.
forças internas ao sistema, então só aparecerão caso se isolem os Assim, passará a atuar no corpo, para baixo, uma aceleração de módulo
componentes em diagrama de corpo livre); l .
g + a, o que faz com que o novo período do pêndulo seja T = 2π
• verificar com muita atenção o sentido da força de atrito, quando houver; g+a
• escolher sabiamente os eixos coordenados. Um eixo deverá estar sempre
Vimos então que, a partir do princípio da equivalência, podemos
no sentido da aceleração, enquantro o outro eixo deve ser perpendicular
nos valer das leis de Newton em um referencial não inercial. Ora, se
ao eixo que contiver a aceleração. Quando isto puder ser feito, o segundo
cada elemento do sistema contido no referencial não inercial receber a
eixo estará tratando de equilíbrio, logo aplicar-se-á a primeira lei.

320 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2
 
aceleração – a quando o referencial se move com aceleração a , e se a Bloco B:
segunda lei de Newton é válida, sabemos que para essa nova aceleração – Horizontal (segunda lei de Newton): FA,B = 2a (II).
adicionada ao sistema haverá associada a ela uma “força extra”, – Vertical (primeira lei de Newton): N = P.
denominada força inercial. Essa extensão da segunda lei de Newton
FA,B é a força que o corpo A faz no corpo B e FB,A é a força que o corpo B
para referenciais não inerciais a partir das forças inerciais é chamada de
faz no corpo A, constintuindo, então, um par ação-reação. Logo, possuem
princípio de D’Alembert. Matematicamente, o princípio de D’Alembert se
módulos iguais. Dessa forma, de (I) e (II), temos: 16 – 2a = 6a → a =
resume à seguinte equação:
2 m/s2.
 Voltando à equação (II), temos que FA,B = 2 · 2 = 4 N.
 
∑ F − ma1 = ma2
Segunda solução:
em Como já foi dito, pode ser muito útil pensar no sistema como um todo
 que: antes de isolar os seus componentes, caso estes não possuam movimento
a 1 = a aceleração do referencial não inercial que contém o sistema
analisado em relação a um referencial inercial; relativo entre si, que é o caso dessa questão.
 Logo, podemos considerar o sistema como um “blocão” de massa 8 kg,
a 2 = a aceleração do componente do sistema analisado em relação ao
no qual estão atuando a força normal, a força peso e a força externa F.
referencial não inercial, considerando-o agora como inercial (que é o nosso
Na direção horizontal, teremos:
objetivo desde o início desta seção);
 F = m · a → 16 = 8a → a = 2 m/s2.
∑ F = a força resultante que já atuava no sistema antes da troca de
referencial. Ou seja, achamos a aceleração de maneira muito mais rápida que na
Os problemas resolvidos 5, 6 e 7 exemplificam bem o método aqui outra solução.
discutido e mostram suas vantagens.
Para acharmos a força interna, inevitavelmente, teremos que isolar um
dos blocos. Isolando o bloco B e voltando de novo à equação (II), temos:
FA,B = 2 · 2 → FA,B = 4 N.

Essa estratégia da segunda solução pode parecer simples agora, já que


01 Na figura, os blocos A e B têm massas mA = 6,0 kg e mB = 2,0 kg e,
só temos dois blocos no sistema, mas, para sistemas com um número
estando apenas encostados entre si, repousam sobre o plano horizontal
relativamente grande de componentes, ela pode ser bem útil.
perfeitamente liso.
 A partir de um dado instante, exerce-se sobre A uma
força horizontal F , de intensidade igual a 16 N. Desprezando a resistência
02 (MACKENZIE-SP) Um bloco A, de massa 6 kg, está preso a outro
do ar, calcule:
bloco B, de massa 4 kg, por meio de uma mola ideal de constante elástica
 800 N/m. Os blocos estão apoiados sobre umasuperfície horizontal e
F
A se movimentam sob a ação da força horizontal F , de intensidade 60 N.
B
Sendo o coeficiente de atrito cinético entre as superfícies em contato igual
a. o módulo da aceleração do conjunto. a 0,4 e a aceleração da gravidade igual a 10 m/s², a distensão da mola
b. a intensidade das forças que A e B trocam entre si na região de contato. é, em cm, igual a:

Solução: F
Esta é a situação mais simples possível que pode ocorrer nos problemas B A
que resolveremos. Mas ela exemplifica bem as duas formas como podemos
lidar inicialmente com problemas desse tipo.
(A) 3.
Veja que os blocos possuem mesma aceleração, já que não existirá
(B) 4.
movimento relativo entre eles. Suponha que adquiram uma aceleração
(C) 5.
a para a direita.
(D) 6.
(E) 7.
Primeira solução: Primeiramente, isolar os blocos.
Bloco A: Bloco B: Solução: Letra B.
Perceba que a força elástica exercida na mola é uma força interna ao
N N
sistema (para a direita no bloco B e para a esquerda no bloco A). Dessa
forma, podemos usar a dica do “blocão” para resolver o sistema. Veja
FA,B que, em cada um dos blocos, haverá uma força de atrito para a esquerda.
F FB,A B Logo, para o “blocão”, essas duas forças se resumem a uma só. A força
A normal do “blocão” será igual a seu peso, igual a P = 10 · 10 = 100 N.
Assim, aplicando a segunda lei de Newton na horizontal:

P F – Fat = m · a → 60 – 0,4 · 100 = 10 · a → 10a = 20 → a = 2 m/s2.


P
Isolando, agora, o bloco B, temos uma força elástica (Fel) atuando nele para
Vamos escrever agora as leis de Newton para os blocos. a direita, enquanto temos a força de atrito (FatB) atuando para a esquerda.
Bloco A:
– Horizontal (segunda lei de Newton): F – FB,A = 6a → 16 – FB,A = 6a (I).
– Vertical (primeira lei de Newton): N = P.

IME-ITA – Vol. 1 321


FÍSICA I
Assunto 2

Dessa forma, aplicando a segunda lei para o bloco B na horizontal, e figura. Desconsiderando qualquer tipo de atrito, para que os três cilindros
lembrando que a NB = PB = 40 N, temos: permaneçam em contato entre si, a aceleração a provocada pela força
deve ser tal que:
Fel – FatB = mB · a → 800 · x – 0,4 · 40 = 4 · 2 → x = 0,03 m = 3 cm.
g g
03 (UFC-2001) Um sistema composto por duas bolas de massas m e 2m, (A) < a< .
3 3 3
conectadas entre si por uma mola ideal, está pendurado ao teto como
mostrado na figura. Cortando-se o fio que liga o sistema ao teto, qual será 2g 4g
(B) < a< .
a aceleração adquirida pelas bolas de massa m e 2m, respectivamente, 3 2 2
logo após o corte? A aceleração da gravidade é g.
g 4g
(C) < a< .
2 3 3 3
2g 3g
(D) < a< .
m 3 2 4 2
g 3g
(E) < a< .
2 3 4 3

2m A

(A) 0 e 0. F
B C
(B) 0 e g.
(C) g e 0.
(D) 0 e 3g.
(E) 3g e 0. Solução: Letra A.
Para que exista um intervalo de acelerações no qual os cilindros
Solução: Letra E. permaneçam em contato entre si, é natural que exista também um intervalo
Antes do corte, é possível determinar a tração exercida no fio superior. para a força F que permita que os cilindros permaneçam em contato, já
Como as forças elásticas que atuam na mola são forças internas ao que a força F é a única força externa na direção horizontal (as outras são
sistema, podemos considerar o “blocão” formado pelas duas bolas e pela os pesos dos cilindros e as normais que a superfície exerce nos cilindros
mola. Vê-se que as forças externas presentes são a tração T e o peso do inferiores).
sistema, igual a 3mg.
Isolando a bola superior, vemos que atuam sobre ela três forças: a tração Dessa forma, obrigaremos a força F a ser mínima e máxima. No primeiro
T = 3mg, seu peso Pm = mg para baixo e a força elástica Fel para baixo caso, acharemos a aceleração mínima que deve ser comunicada ao
(já que a mola está distendida). Como a bola está em equilíbrio, vale a sistema. No segundo, acharemos a máxima aceleração que pode ser
primeira lei de Newton: comunicada ao sistema. Assim, obteremos o intervalo desejado.
Sejam N1, N2 e N3 as forças de contatos entre os cilindros B e C, A e B e A
T = Pm + Fel → 3mg = mg + Fel → Fel = 2mg. e C, respectivamente. Os diagramas de corpo livre estão expostos na figura
a seguir (os pesos dos cilindros inferiores e as normais da superfície foram
Isolando a bola inferior, temos a força elástica Fel = 2mg (já calculada) desconsiderados, pois não serão relevantes para os nossos cálculos).
para cima (pelo mesmo fato de a mola estar distendida) e o seu peso
P2m = 2mg para baixo. A
a
A única alteração que acontece no sistema ao fio ser cortado é o fato de
m·g
o fio não estar mais esticado. Sabemos que só há tração em fios ideias
caso o fio esteja minimamente esticado. Dessa forma, a tração se anula N2 N3
quando o fio é cortado.
Então, a bola de cima fica sujeita apenas à força peso Pm e à força elástica
Fel, que resultam em uma força para baixo igual a 3mg. Logo, pela segunda N2 N3
lei de Newton:
F N1 N1
F = m · am → 3mg = m · am → am = 3g.
B a C a
A bola de baixo continua sujeita apenas à ação da força elástica Fel para
cima e seu peso P2m para baixo. Logo, como essas forças se anulam, a
aceleração nessa bola será nula → a2m = 0. Obrigando a força F a ser mínima:
Para que a força F seja mínima, a força N1 deverá tender a 0, já que, se
04 (ITA-2013) Em um cer to experimento, três cilindros idênticos F não for suficientemente grande, o cilindro A tenderá a ocupar o espaço
encontram-se em pleno contato entre si, apoiados sobre uma mesa e sob entre os cilindros B e C, fazendo com que estes percam o contato entre si.
a ação de uma força F, constante, aplicada na altura do centro de massa Dessa forma, a condição que obriga F a ser mínima é N1 = 0.
do cilindro da esquerda, perpendicularmente a seu eixo, como mostra a

322 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

Isolando o cilindro C, temos: aceleração invertida, que é adicionada quando se muda de referencial, pode
– Horizontal (segunda lei de Newton): Fmín = m · amín = N3 · cos 60° (I). ser adicionada à aceleração da gravidade, criando uma nova aceleração
da gravidade g’ = g – a = 10 – 2 = 8 m/s². Logo, o peso dos corpos
Isolando o cilindro A, temos: será diferente nesse referencial, quando comparados aos seus pesos no
– Horizontal (segunda lei de Newton): Fmín = m · amín = N2 · cos 60° – N3 · referencial da Terra. As figuras a seguir exemplificam bem o que foi escrito.
sen 30° (II).
– Vertical (primeira lei de Newton): N2 · cos 30° + N3 · sen 60° = m · g (III).
campos
g 3 gravitacionais
Resolvendo o sistema, encontramos amín .
9 a
g a
Obrigando a força F a ser máxima:
Para que a força F seja máxima, N3 deve tender a 0, já que, para uma
força F limite, o bloco A estaria “rolando” por cima do bloco B, perdendo
o contato com o bloco C. Dessa forma, a condição que obriga F a ser
máxima é N3 = 0.
A B
Isolando o cilindro A:
– Horizontal (segunda lei de Newton): Fmáx = m · amáx = N2 · sen 30° (IV).
– Vertical (primeira lei de Newton): m · g = N2 · cos 30° (V). campos
g 3 gravitacionais
Resolvendo o sistema, encontramos amáx = . resultantes
3
Logo, o intervalo de valores da aceleração para o qual os cilindros não
g’
g 3 g 3
perdem o contato é < a< , que é a resposta da alternativa
9 3 T T
“a” já racionalizada.

Veja que o intervalo deve ser aberto, já que as acelerações máxima e a’


A B a’
mínima que encontramos obrigam as normais a serem 0, o que não é
nosso objetivo. Nós apenas o fizemos para achar os limites do intervalo.
mA · g’ mB · g’
Obs.: Problemas de minimização e maximização são muito comuns na
mecânica. Depararemo-nos com problemas semelhantes mais vezes, logo, Vê-se que os blocos têm, em módulo, a mesma aceleração a’. Porém, julgamos
é importante guardar ideias como essas. que B desce e A sobe, já que B é mais pesado. Isolando os blocos, temos:
Bloco A:
05 Um elevador apresenta aceleração a = 2 m/s² para baixo, em um local mA · a’= T – mA · g’ → T – 8 = 1 · a’ (I).
onde a aceleração da gravidade é igual a 10 m/s². Os blocos A e B da
figura têm massas respectivamente iguais a 1 kg e 2 kg, e estão ligados Bloco B:
conforme mostra a figura. Qual a tração no fio e a aceleração observada mB · a’ = mB · g’ – T → 16 – T = 2 · a’ (II).
no referencial do elevador?
8 32
Resolvendo o sistema, encontramos a’ = m/s² e T = N.
3 3
06 Um bloco desliza com atrito desprezível ao longo da face hipotenusa
a de uma cunha mantida fixa sobre o plano horizontal. Assim que o bloco
se imobiliza ao atingir a lingueta de retenção L, comunica à cunha uma
B aceleração horizontal a que faz com que o bloco suba ao longo da mesma
face e atinja o topo no mesmo intervalo de tempo que ele levou para descer.
Demonstre que a = 2g tan α .

Solução:
Como o problema nos pede a aceleração observada no referencial do
elevador, é natural mudarmos do referencial Terra para o referencial elevador. L
Dessa forma, de acordo com o princípio da equivalência, os corpos dentro
do elevador devem ser submetidos a uma aceleração de intensidade igual
à do referencial não inercial, só que com sentido inverso, e, de acordo com
o princípio de D’Alembert, essas acelerações estão associadas a forças
de inércia. Porém, resumindo esse pensamento, podemos dizer que essa

IME-ITA – Vol. 1 323


FÍSICA I
Assunto 2

Solução: Desvendando o vínculo geométrico:


(A) Durante a descida (referencial na Terra, inercial): Suponha que a cunha deslize, com relação à sua polia, do ponto B até o
ponto A, percorrendo um comprimento x, e que o trecho delimitado pelos
pontos A e C do fio tenha comprimento L, como mostra a figura.

P B A

L C

Pela segunda lei no eixo ao longo do plano inclinado:


P sen α = madescida ∴ g sen α = adescida.
a
Pela equação horária da posição do MRUV:
1
x= adescida td2 (I).
2
x
B A
(B) Durante a subida (referencial na Terra, inercial): a
C
D

a E
FI = ma
P
L F

a
Aplicação da segunda lei no eixo ao longo do plano inclinado:
FI cos α – P sen α = masubida ∴ ma cos α – mg sen α = m · asubida Logo, pelas figuras, temos que AB + BC = L. Como AB = x, temos que
1
x = asubida ts2 (II) (distância percorrida ao longo do plano, segundo as BC = L – x. Só que, no triângulo de vértices A, B e D, temos que AD = AB·
2 cos α = x · cos α e BD = x · sen α, o que implica que CE = x · sen α.
fórmulas).
Como o comprimento do fio é conservado, já que o fio é ideal, ou seja,
Como o tempo de subida e o de descida são iguais, de (I) e (II), não pode ser esticado nem comprimido, temos, pela figura, que AD +
adescida = asubida ∴g · sen α = a · cos α – g · sen α ∴ a = 2g · tan α. DE + EF = L. Como AD = x · cos α e DE = BC = L – x, temos que EF
= L – AD – DE = x(1 – cos α). Como CE e EF são as componentes do
07 (Irodov) Na figura, o bloco tem massa m, a cunha tem massa M e o deslocamento do bloco, temos que, quando a cunha se desloca AB = x
ângulo do plano inclinado da rampa é α. O fio é ideal e o atrito é desprezível. para a direita, o bloco se desloca CE = x · sen α perpendicularmente ao
Determine a aceleração a adquirida pela cunha, sabendo que a aceleração plano inclinado e EF = x(1 – cos α) ao longo do plano inclinado, como
da gravidade é g. mostra a figura abaixo:

a
m
na
se

a

)
sa

M
co

a

(1

a
Primeira solução: referencial inercial Terra.
Para resolvermos essa questão utilizando o referencial inercial Terra, temos
que, primeiramente, como nos passos escritos no item 3 deste módulo, Logo, se a é a aceleração da cunha para a direita (segunda derivada do
verificar se os componentes do sistema possuem movimento relativo deslocamento AB = x), temos que a · sen α é a aceleração do bloco
entre si ou não, isto é, verificar se possuem a mesma aceleração em perpendicularmente ao plano inclinado e a(1 – cos α) é a aceleração
relação à Terra. Veja que, quando a cunha se move para a direita, o bloco do bloco ao longo do plano inclinado, com suas respectivas segundas
cai ao longo do plano inclinado contido nela. Dessa forma, percebe-se derivadas de seus deslocamentos.
claramente que os componentes possuem movimento relativo entre si, não Dessa forma, podemos agora aplicar normalmente as leis de Newton,
possuindo, então, mesma aceleração em relação à Terra. Logo, devemos isolando os blocos.
desvendar o vínculo geométrico que atrela o deslocamento da cunha ao
deslocamento do bloco.

324 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

Diagramas de corpo livre: – Primeira lei de Newton para a cunha na direção horizontal (cunha em
– Segunda lei de Newton para a cunha na direção horizontal: Ma = repouso): T + N · sen α = T · cos α + Ma.
N · sen α + T – T cos α. mg ⋅ sen α
– Segunda lei de Newton para o bloco na direção perpendicular ao plano: Resolvendo o sistema, temos que a = .
M + 2 m(1 − cos α)
ma · sen α = mg · cos α – N.
– Segunda lei de Newton para o bloco na direção ao longo do plano: Vê-se, então, a vantagem da aplicação da mudança de referencial e do
ma(1 – cos α) = mg · sen α – T. princípio de D’Alembert em certas questões.
mg ⋅ sen α
Resolvendo o sistema, temos que a = .
M + 2 m(1 − cos α)
Segunda solução: referencial não inercial (cunha).
A solução com referencial não inercial necessita que nós analisemos o
vínculo geométrico constituído pelo bloco e pela cunha, o que, muitas 01 Na situação do esquema seguinte, não há atrito entre os blocos e
vezes, pode tornar a resolução da questão difícil. Dessa forma, pensaremos o plano horizontal, a resistência do ar é desprezível e as massa de A e
no referencial não inercial da cunha, para analisar um vínculo geométrico de B valem, respectivamente, 2,0 kg e 8,0 kg. Sabe-se que o fio leve e
muito mais simples. Vamos deixar a cunha imóvel, fazendo o bloco descer inextensível que une A com B suporta, sem romper-se, uma tensão máxima
ao longo do plano inclinado e a parede “se aproximar” da cunha, conforme de 32 N. Calcule a maior intensidade admissível à força, horizontal, para
indica a figura abaixo. Vê-se que a parede terá uma aceleração a para a que o fio não se rompa.
esquerda, já que se mudou o referencial, e, como o fio não estica, o bloco
deve descer o plano inclinado com a mesma aceleração a com que a parede F
está se movendo (vínculo geométrico muito mais simples que o anterior). B A

02 O dispositivo esquematizado na figura é a máquina de Atwood. No


caso, não há atritos, o fio é inextensível e despreza-se sua massa e a da
a polia. Supondo que os blocos A e B têm massas, respectivamente, iguais
a 3,0 kg e 2,0 kg e que g = 10 m/s2, determine:
m
a cunha
imóvel

g
Dessa forma, ao mudarmos o referencial, pelo princípio da equivalência, a
aceleração a para a direita tanto no bloco como na cunha cria, pelo princípio
de D’Alembert, as forças fictícias m.a e M.a, ambas para a esquerda, no
bloco e na cunha respectivamente. Assim, só precisamos analisar os B A
diagramas de corpo livre dos componentes, presentes na figura abaixo:
a. o módulo da aceleração dos blocos.
eixo
perpendicular b. a intensidade da força tensora estabelecida no fio.
a T c. a intensidade da força tensora estabelecida no cabo que sustenta a polia.
N

m·a 03 O corpo A, de 5,0 kg de massa, está apoiado em um plano horizontal,


a a T preso a uma corda que passa por uma roldana de massa e atrito
a a desprezíveis e que sustenta em sua extremidade o corpo B, de 3,0 kg de
m·g T massa. Nessas condições, o sistema apresenta movimento uniforme.
ção l
lera gencia Adotando g = 10 m/s2, determine:
ace tan M·a
eixo
a A
a
N
a g

NI
M·g
B
– Segunda lei de Newton no eixo tangencial para o bloco:
ma · cos α + mg · sen α – T = ma. a. o coeficiente de atrito entre o corpo A e o plano de apoio.
– Primeira lei de Newton no eixo perpendicular para o bloco (bloco em b. a intensidade da aceleração do sistema se colocarmos sobre o corpo
repouso nesse eixo): ma · sen α + N = mg · cos α. B uma massa de 2,0 kg.

IME-ITA – Vol. 1 325


FÍSICA I
Assunto 2

04 Na situação representada na figura, o homem puxa a corda vertical- a. o módulo da aceleração do sistema.
mente para baixo e esta, por sua vez, puxa o bloco que está apoiado no b. a intensidade da força de contato entre A e B.
plano horizontal. O fio e a polia são ideais, a massa do bloco vale 40 kg e
adota-se g = 10 m/s2. 07 Na figura seguinte, a superfície S é horizontal, a intensidade de F é de
40 N, o coeficiente de atrito de arrastamento entre o bloco A e a superfície
S vale 0,50 e g = 10 m/s2.
A
Sob a ação da força F, o sistema é acelerado horizontalmente e, nessas
g condições, o bloco B apresenta-se na iminência de escorregar em relação
ao bloco A.
a
B
g F
A S

a. Determine o módulo da aceleração do sistema.


A intensidade da força de atrito recebida pelo bloco do plano de apoio b. Calcule o coeficiente do atrito estático entre os blocos A e B.
(Fat) varia com a intensidade da força exercida pelo homem (F), conforme
o gráfico abaixo: 08 A situação representada na figura refere-se a um bloco que,
abandonado em repouso no ponto A, desce o plano inclinado com
Fat aceleração de 2,0 m/s2, indo atingir o ponto B:
A a
g

F q B

Calcule:
Sabendo que no local g = 10 m/s2, calcule o coeficiente de atrito cinético
a. os valores dos coeficientes de atrito estático e cinético entre o bloco entre o bloco e o plano de apoio.
e plano de apoio.
b. o módulo da aceleração do bloco para F = 120 N. 09 Na figura, o bloco I repousa sobre o bloco II, sendo que I está preso por
uma corda a uma parede. O bloco I tem massa m1 = 3,0 kg e o bloco II tem
05 Dois blocos (1) e (2) de pesos respectivamente iguais a 30 kgf e 10 massa m2 = 6,0 kg. O coeficiente de atrito cinético entre I e II e o plano é
kgf estão em equilíbrio, conforme mostra a figura abaixo: 0,20. Qual deve ser a força F que, aplicada em II, desloca esse bloco com
aceleração de 2,0 m/s2?

D
g
F

D
(A) 40 N.
(B) 30 N.
(C) 15 N.
Quais as indicações nos dinamômetros D1 e D2, graduados em kgf? (D) 27 N.
(E) 33 N.
06 Os blocos A e B representados na figura possuem massa de 3,0 kg
e 2,0 kg, respectivamente. A superfície horizontal onde eles se deslocam 10 No plano inclinado representado a seguir, o bloco encontra-se impedido
apresenta um coeficiente de atrito cinético igual a 0,30; F1 e F2 são forças de se movimentar graças a um cutelo no qual está apoiado. Os atritos são
horizontais que atuam nos blocos. desprezíveis, a massa do bloco vale 5,0 kg e g = 10 m/s2.
Determine:

F F
A
B

326 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

a. Esquematize todas as forças que agem no bloco. 14 No esquema seguinte, o homem (massa de 80 kg) é acelerado vertical-
b. Calcule as intensidades das forças com as quais o bloco comprime mente para cima juntamente com a plataforma (massa de 20 kg) sobre a qual
o cutelo e o plano de apoio. está apoiado. Isso é possível porque ele puxa verticalmente para baixo a corda
que passa pela polia fixa. A aceleração do conjunto homem-plataforma tem
11 No esquema a seguir, os fios e a polia são ideais. Desprezam-se todos módulo 5 m/s2 e adota-se g = 10 m/s2. Considerando ideais a corda e a polia
os atritos, bem como a resistência do ar. Sendo g o módulo da aceleração e desprezando a resistência do ar, calcule:
da gravidade, 2m, 2m e m as massas dos blocos A, B e C, nesta ordem,
calcule:

fio (1) fio (2)


A B

θ
g

Dado: θ = 30°.

a o módulo da aceleração de cada bloco. plataforma


b. a intensidade das forças que tracionam os fios 1 e 2. horizontal
c. a intensidade da força paralela ao plano horizontal de apoio a ser
aplicada no bloco A, de modo que o sistema permaneça em repouso.
a. a intensidade da força com que o homem puxa a corda.
12 No arranjo experimental da figura, a caixa A é acelerada para baixo b. a intensidade da força de contato trocada entre o homem e a plataforma.
com 2,0 m/s2. As polias e o fio têm massas desprezíveis e adota-se
g = 10 m/s2. Supondo que a massa da caixa B seja de 80 kg e ignorando 15 Em um elevador há uma balança graduada em newtons. Um homem
a influência do ar no sistema, determine: de 60 kg de massa, em pé sobre a balança, lê 720 N quando o elevador
sobe em movimento acelerado e 456 N quando desce em movimento
acelerado, com a mesma aceleração da subida, em módulo.

Determine:
g
a. quais são os módulos da aceleração da gravidade e do elevador.
b. quanto registrará a balança se o elevador subir ou descer com
A velocidade constante.
B
16 (ITA-1978) Três corpos, A, B e C, com massas respectivamente iguais a
4,0 kg, 6,0 kg e 8,0 kg, acham-se apoiados sobre uma superfície horizontal,
a. o módulo da aceleração de subida da caixa B. sem atrito. Estes corpos acham-se ligados por intermédio de molas de massas
b. a intensidade da força tensora no fio. desprezíveis, e são abandonados a partir da posição indicada na figura, quando
c. a massa da caixa A. as tensões nas molas AB e BC forem respectivamente 10 N e 15 N. Pode-se
afirmar que as acelerações “aAB” (do sistema constituído pelos corpos A e B)
13 Na figura, o sistema está sujeito à ação da resultante externa F, paralela e “a” (do sistema constituído pelos três corpos, A, B e C) serão dadas por:
ao plano horizontal sobre o qual o carrinho está apoiado. Todos os atritos
são irrelevantes e as inércias do fio e da polia são desprezíveis. As massas
dos corpos A, B e C valem, respectivamente, 2,0 kg, 1,0 kg e 5,0 kg e, no A B
local, o módulo da aceleração da gravidade é 10 m/s2. Supondo-se que 60°
A esteja apenas encostado em C, determine a intensidade de F, de modo
que A e B não se movimentem em relação a C.

B
C


F
C (A) aAB = 1,75 m/s2; a = 0,97 m/s2.
A (B) aAB = 1,5 m/s2; a = 0 m/s2.
(C) aAB = 1 m/s2; a = 0,81 m/s2.
(D) aAB = 1,75 m/s2; a = 0,81 m/s2.
(E) aAB = 1 m/s2; a = 0,97 m/s2.

IME-ITA – Vol. 1 327


FÍSICA I
Assunto 2

17 (EN-1994) Os blocos representados na figura abaixo possuem, 20 Uma caixa de peso P é puxada por uma força F sobre o solo horizontal.
respecti-vamente, massas m1 = 2,0 kg e m2 = 4,0 kg; a mola AB possui Se o coeficiente de atrito estático é µ e F está direcionada a um ângulo θ
massa desprezível e constante elástica K = 50 N/m. Não há atrito entre abaixo da horizontal, qual o valor mínimo de F que vai mover a caixa?
os dois blocos nem entre o bloco maior e o plano horizontal. Aplicando-se
ao conjunto a força F constante e horizontal, verifica-se que a mola µP sec q
(A) .
experimenta uma deformação de 20 cm. Qual a aceleração do conjunto? 1 − µ tan q
Qual a intensidade da força F? µP sen θ
(B) .
1− µ cos θ
µP se n θ
(C) .
F 1− µ tan θ
µP cos θ
m A B m (D) .
1− µ tan θ
µP cos θ
(E) .
1− µ cos θ

21 (AFA-2002) Um avião reboca dois planadores idênticos de massa m,


18 Na figura seguinte, os pesos da polia, do fio e da mola são desprezíveis
com velocidade constante. A tensão no cabo (II) é T. De repente, o avião
e assume-se g = 10 m/s2. Sendo as massas de A e B mA = 40 kg e
desenvolve uma aceleração a. Considerando a força de resistência do ar
mB = 24 kg, a deformação da mola de 50 cm e a intensidade de F igual
invariável, a tensão no cabo (I) passa a ser:
a 720 N, determine:

F
(II) (I)

g (A) T + ma.
(B) T + 2ma.
(C) 2T + 2ma.
balança (D) 2T + ma.
A B (newtons)
22 (AFA-2002) Dois corpos de massas iguais, unidos por um fio
inextensível, descem ao longo de um plano inclinado. Não há atrito entre
o corpo I e o plano. De acordo com o enunciado, analise as afirmativas
a. a constante elástica da mola em N/m. abaixo:
b. o módulo das acelerações de A, de B e do eixo da polia.
c. a indicação da balança sobre a qual repousam, inicialmente, os dois II
blocos.
I
19 Um bloco pesando 100 N deve permanecer em repouso sobre um
plano inclinado, que faz com a horizontal um ângulo de 53°. Para tanto,
aplica-se ao bloco a força F, representada na figura, paralela à rampa. Sendo
µe = 0,50 o coeficiente de atrito estático entre o bloco e o plano, que valores a
são admissíveis para F tais que a condição do problema seja satisfeita?

Dados: sen 53°=0,80 e cos 53°=0,60. I. Se não houver atrito entre o corpo II e o plano, a tensão no fio é nula.
II. Se houver atrito entre o corpo II e o plano, a aceleração do corpo II é
bloco em menor que a do corpo I.
repouso III. Se houver atrito entre o corpo II e o plano, o movimento do corpo I
será retardado.

F Assinale a alternativa que contém apenas afirmativa(s) incorreta(s):

(A) II.
(B) I e III.
(C) II e III.
(D) I, II e III.

328 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

23 (AFA-Feminino/2003) Os corpos A e B da figura abaixo têm massas (A) 0,1.


M e m, respectivamente. Os fios são ideais. A massa da polia e todos os (B) 0,2.
atritos podem ser considerados desprezíveis. A aceleração de B é: (C) 0,3.
(D) 0,4.

26 (EFOMM-2009) Três blocos, A, B e C encontram-se agrupados e sob


a ação das forças F1 = 100 N e F2 = 50 N, conforme desenho a seguir,
A
deslizando em superfície na qual o coeficiente de atrito é µ = 0,1. Sabendo
que as massas desses blocos são, respectivamente, 5, 10 e 5 kg, a
aceleração do sistema é de:

Dado: g = 10 m/s2.
B

F1 F2
A B C
2mg
(A) .
4M + m
mg (A) 0.
(B) . (B) 1,5 m/s2, para a direita.
M+m
(C) 1,5 m/s2, para a esquerda.
2mg (D) 3 m/s2, para a direita.
(C) .
M+m (E) 3 m/s2, para a esquerda.
mg
(D) . 27 (ITA-1972) Três forças de direções constantes são aplicadas em um
4M + m
ponto material de massa m = 2,0 kg, formando os ângulos da figura (A),
24 (AFA-2005) O conjunto abaixo, constituído de fio e polia ideais, é todos iguais entre si. Essas forças variam linearmente com o tempo
abandonado do repouso no instante t = 0 e a velocidade do corpo A varia na forma indicada no gráfico (B). (Os sentidos indicados em (A) são
em função do tempo segundo o gráfico dado: considerados como os sentidos positivos das forças). No instante t = 4s
o módulo da resultante vale:
v (m/s)
→ →
F3 (N) F3
A 24

F3

F1 →
12 2 F3
B
0 1 t(s)
0 3 6 t (s) →
F2 →
–2
F3
Desprezando o atrito, a razão entre a massa de A e a massa de B é:

(A) 1/2. (A) (B)


(B) 2/3.
(C) 3/2. (A) 6 N.
(D) 2. (B) 4 N.
(C) 2 N.
25 (AFA-2007) Três blocos, cujas massas mA = mB = m e mC = 2m, (D) 0 N.
são ligados por meio de fios e polias ideais, conforme a figura. Sabendo-se (E) 3 N.
que C desce com a aceleração de 1 m/s2 e que 0,2 é o coeficiente de atrito
entre B e a superfície S, pode-se afirmar que o coeficiente de atrito entre 28 (ITA-1972) Na questão anterior, o módulo da aceleração do ponto para
A e S vale: t = 0, vale:

(A) 0 m/s2.
(B) 3 m/s2 .
A B
(C) 2 m/s2 .
(D) 2 m/s2.
S
(E) 3 m/s2.

IME-ITA – Vol. 1 329


FÍSICA I
Assunto 2

29 (ITA-1977) Um corpo cai na água e, após alguns segundos, atinge uma 32 (ITA-1996) Um corpo de massa m é lançado com velocidade inicial v
velocidade praticamente constante (chamada velocidade limite) de 5,0 m/s. formando com a horizontal um ângulo α, em um local onde a aceleração
Sabendo que: da gravidade é g. Suponha que o vento atue de forma favorável sobre o
corpo durante todo o tempo (ajudando a ir mais longe), com uma força F
• A massa do corpo é 8 g; horizontal constante. Considere t como sendo o tempo total de permanência
• a força exercida pela água sobre o corpo é dissipativa, oposta ao no ar. Nessas condições, o alcance do corpo é:
movimento do corpo e proporcional à velocidade do mesmo, isto é,
F = –av; v2
• quando o corpo atinge a velocidade limite, a força total sobre o corpo (A) sen 2α.
g
é nula.
Ft 2
(B) 2vt + .
Calcule o coeficiente a, que será: 2m
v 2 sen 2α  F 
(A) 16 N · s/m. (C)  1+ tan α  .
(B) 1,6 · 10–2 kg/s. g  mg 
(C) 1,6 · 10–3 kgf/s. (D) vt.
(D) 1,6 · 10–3 N · s/m. (E) outra expressão diferente das mencionadas.
(E) nenhum dos valores acima.
33 (IME-1978) Os blocos A e B da figura têm pesos iguais. Determine o
30 (ITA-1995) A figura mostra o gráfico da força resultante agindo em coeficiente de atrito mínimo para manter o sistema em equilíbrio. Despreze
uma partícula de massa m, inicialmente em repouso. No instante t2 a o peso da corda e o atrito na roldana.
velocidade da partícula, v2 será:
F

F1 30° 45°

A
0

B
t1 t2 t
F2

( F1 + F2 )t1 − F2 t2
(A) v 2 = .
m
( F1 − F2 )t1 − F2 t2
(B) v 2 = .
m
01 (Pierre Lucie) Seja um prisma triangular inicialmente fixo ao solo. A
( F − F )t + F t sua superfície inclinada (rampa) é perfeitamente lisa e forma um ângulo α
(C) v 2 = 1 2 1 2 2 .
m com a horizontal. Um pequeno bloco, quando abandonado em repouso no
topo dessa rampa, desce aceleradamente até encontrar a trava T. Determine
F1t1 − F2 t2
(D) v 2 = . a aceleração horizontal a que se deve empurrar esse prisma para a direita,
m a partir desse instante, a fim de que o tempo que a caixa leva para retornar
( F + F )( t − t ) à sua posição inicial seja o mesmo tempo que ela gastou na descida da
(E) v 2 = 1 2 2 1 .
2m rampa. A gravidade local vale g.

31 (ITA-1996) No campeonato mundial de arco e flecha, dois concorrentes


discutem sobre a física que está contida na arte do arqueiro. Surge então a
seguinte dúvida: quando o arco está esticado, no momento do lançamento g
da flecha, a força exercida sobre a corda pela mão do arqueiro é igual à:

I. força exercida pela outra mão sobre a madeira do arco.


a
II. tensão da corda.
III. força exercida sobre a flecha pela corda no momento em que o arqueiro
larga a corda.
α T
Neste caso:

(A) todas as afirmativas são verdadeiras.


(A) g · tan α.
(B) todas as afirmativas são falsas.
(B) 2g · tan α.
(C) somente I e III são verdadeiras.
(C) g · cot α.
(D) somente I e II são verdadeiras.
(D) 2g · cot α.
(E) somente II é verdadeira.
(E) 2g · sen α.

330 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

02 (Tipler) Um bloco de 20 kg, com uma polia presa a ele, desliza ao m


longo de um trilo sem atrito. Ele está conectado, por um fio sem massa, 
a um bloco de 5 kg, como mostra o arranjo da figura. Encontre: F

M
20 kg

sem atrito

5 kg
06 Qual é a força horizontal capaz de tornar iminente o deslizamento do
cilindro, de 50 kgf de peso, ao longo do apoio em V mostrado na figura?
O coeficiente de atrito estático entre o cilindro e o apoio vale 0,25.
a. a aceleração de cada bloco.
b. a tensão no fio.

03 (Alonso e Finn) Um bloco com 3 kg de massa é colocado sobre um


outro com 5 kg. Admita que não há atrito entre o bloco de 5 kg e a superfície 30° 30°
sobre a qual ele repousa. Os coeficientes de atrito estático e cinético entre
os blocos são 0,2 e 0,1, respectivamente.

3 kg
07 Uma criança, de massa m = 50 kg, está sobre uma balança de
molas, a qual está fixa em um carrinho B que desce por uma rampa sem
F
5 kg atrito, como mostra a figura. São dados: g = 10 m/s2 e sen α = 0,20. A
marcação da balança, supondo que seu mostrador esteja calibrado em
newtons, vale:

a. Qual a força máxima que, aplicada em qualquer um dos corpos,


movimenta o sistema sem que os blocos se desloquem relativamente
um ao outro?
b. Qual a aceleração quando a força máxima é aplicada?
B
c. Qual a aceleração do bloco de 3 kg se a força aplicada ao bloco de
5 kg é maior do que a força máxima? Qual a aceleração do bloco de 3 kg
se a força a ele aplicada é maior do que a força máxima?
α
04 (Alonso e Finn) No sistema abaixo, temos uma barra de comprimento
total desconhecido, apoiado no ponto O. Nos extremos da barra, tem-se
(A) 450 N.
no ponto A um bloco de massa m1; já no extremo B, tem-se uma roldana
(B) 400 N.
ideal cujos dois blocos de massas m2 e m3 estão pendurados por um fio
(C) 350 N.
ideal. Determine o valor da distância de A até O, sabendo que a distância
(D) 480 N.
de O até B é I2.
(E) 300 N.
O
I1 I2 08 Um elevador é acelerado verticalmente para cima com 6,0 m/s2, em
um local em que g = 10 m/s2. Sobre o seu piso horizontal é lançado um
A B bloco, sendo-lhe comunicada uma velocidade inicial de 2,0 m/s.
O bloco é freado pela força de atrito exercida pelo piso até parar em
relação ao elevador. Sabendo que o coeficiente de atrito cinético entre as
superfícies atritantes vale 0,25, calcule, em relação ao elevador, a distância
m3 percorrida pelo bloco até parar.
m1
m2

05 (Halliday) Os dois blocos (m = 16 kg e M = 88 kg) não estão ligados.


a g
O coeficiente de atrito estático entre os blocos é µs = 0,38, mas não há
atrito na superfície abaixo do bloco maior. Qual é o menor valor do módulo
de F para o qual o bloco menor não escorrega para baixo ao longo do
bloco maior?

IME-ITA – Vol. 1 331


FÍSICA I
Assunto 2

09 (ITA-1997) Um antigo vaso chinês está a uma distância d da e o apoio horizontal. Aplica-se uma força F horizontal ao plano inclinado
extremidade de um forro sobre uma mesa. Essa extremidade, por sua e constata-se que o sistema todo move-se horizontalmente, sem que o
vez, encontra-se a uma distância D de uma das bordas da mesa, como objeto deslize em relação ao plano inclinado. Podemos afirmar que, sendo
mostrado na figura. Inicialmente, tudo está em repouso. Você apostou que g a aceleração da gravidade no local:
consegue puxar o forro com uma aceleração constante a (veja a figura),
de tal forma que o vaso não caia da mesa. Considere que os coeficientes
de atrito, estático e cinético, entre o vaso e o forro, tenham o valor µ e
que o vaso pare no momento que tocar a mesa. Você ganhará a aposta m F
se a magnitude da aceleração estiver dentro da faixa:
M
g
(A) a < dµ . a
D
d
g a
(B) a > dµ . (A) F = mg.
D D (B) F = (M + m)g.
(D) a >µg. (C) F tem que ser infinitamente grande.
g (D) F = (M + m)· g · tan α.
(C) a > Dµ . (E) F = Mg sen α.
d
g 13 No esquema da figura, tem-se o sistema locomovendo-se horizon-
(E) a < Dµ .
D−d talmente, sob ação de resultante externa F. A polia tem peso desprezível, o fio
que passa pela mesma é ideal e a resistência do ar no local do movimento é
10 Um anel homogêneo de raio R é posto a girar em torno do seu centro irrelevante. Não há contato da esfera B com a parede vertical. Sendo mA = 10 kg,
até adquirir uma velocidade angular ω. Em seguida, o anel em rotação na mB = 6,00 kg, mC = 144 kg e g = 10 m/s2, determine a intensidade de F
posição horizontal é abandonado sobre a superfície de uma mesa, com a que faz com que não haja movimento dos dois corpos A e B em relação a C.
qual apresenta um coeficiente de atrito cinético igual a µ. Quanto tempo
o anel levará até parar completamente? A gravidade no local é g.
A
2ω Rµ
(A) .
g F
C B
ωR .
(B)
µg
ωR .
(C)
2µg 14 (Kosel) Uma tábua horizontal tem um degrau, cuja altura é H, no qual
ωRµ se apoia um cilindro homogêneo de raio R > H, que descansa livremente
(D) . sobre a tábua. A tábua se move na direção horizontal com aceleração a.
g
Determine a aceleração máxima com a qual o cilindro não subirá o degrau.
ω R 2µ O atrito é desprezível.
(E) .
g
11 Sobre um prisma triangular se coloca uma corda flexível e homogênea
de modo que seu ponto médio fique sobre a aresta superior do prisma.
Este se apoia em um plano horizontal perfeitamente liso. Sendo α < β,
determine a aceleração horizontal que deve ser comunicada ao prisma
para que a corda permaneça imóvel em relação ao prisma durante seu a
movimento. A gravidade local vale g.
15 Determine as acelerações dos corpos de massas m1, m2 e m3 para o
(A) g(sen β – sen α) sistema mecânico da figura. Não existe atrito e as massas da roldana e
g tan β da corda são desprezíveis.
(B) .
tan α
β α m
(C) g tan  +  .
2 2 m
a b
g
(D) .
cos β + cos α

(E) g tan (β – a). m

12 (ITA-1982) O plano inclinado da figura tem massa M e sobre ele


apoia-se um objeto de massa m. O ângulo de inclinação é α e não há
atrito nem entre o plano inclinado e o objeto, nem entre o plano inclinado

332 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

16 (ITA-1986) Da posição mais baixa de um plano inclinado lança-se


um bloco de massa m = 5 kg com uma velocidade de 4 m/s no sentido
ascendente. O bloco retorna a esse ponto com velocidade de 3 m/s. O fio

ângulo do plano inclinado mede 30°. Calcule a distância d percorrida pelo F


bloco em sua ascensão, sendo g = 10m/s2. A
B 30°

d (A) 15,8 m/s2.


(B) 16,3 m/s2.

(C) 16,8 m/s2.
v (D) 17,2 m/s2.
m (E) 17,4 m/s2.
π
θ=
6 20 (ITA-1978) Considera-se um bloco de massa m sobre outro, de massa
M, (ver figura abaixo). Inicialmente, m desliza sobre M sem atrito, com
(A) 0,75 m. uma velocidade v0. A partir do ponto P, o coeficiente de atrito entre as
(B) 1,0 m. duas superfícies em contato é não nulo. Se o bloco M puder deslizar sobre
(C) 1,75 m. o plano horizontal sem qualquer atrito, pode-se afirmar que a distância x
(D) 2,0 m. percorrida por m sobre M, contada a partir do ponto P, será dada por:
(E) 1,25 m.
m=0 → m≠0
v0 x
17 (ITA-2003 – adaptada) Sobre a rampa inclinada de um prisma m
triangular de massa M = 10 kg, é colocado um pequeno bloco de massa
m = 2 kg. O coeficiente de atrito estático entre o bloco e o plano é 0,1. M P
Determine os valores de F para os quais o bloco fica em repouso sobre a
rampa.
sem atrito
m F
M 1
(A) x = mv 0 2 [µ( m + M )g ].
2
1
(B) x = mv 0 2 µ(m+M )2 g  .
4
1
(C) = x mv 0 2 [µ( m + M )g ].
2
18 Um pequeno bloco de 2 kg repousa sobre uma tábua horizontal T de (D) x = 0 (distância nula).
8 kg, a uma distância de 0,2 m de uma de suas extremidades. A tábua é (E) nenhum dos valores acima.
puxada a partir do repouso por uma força de 20 N constante e horizontal,
aplicada nessa extremidade, até a tábua esbarrar no calço C, distante 21 (ITA-1981) A figura (a) representa um plano inclinado cujo ângulo de
4,5 m, que impede seu movimento repentinamente. Calcule a que distância inclinação sobre o horizonte é α. Sobre ele pode deslizar, sem atrito, um
o bloco ficará da extremidade da tábua após cessar o seu movimento. corpo de massa M. O contrapeso tem massa m, e uma das extremidades
O coeficiente de atrito cinético entre a tábua e o bloco é 0,1; o estático é do fio está fixa ao solo. Na figura (b), o plano inclinado foi suspenso, de
0,15 e não há atrito entre a tábua e o plano. modo a se poder ligar as massas m e M por meio de outro fio. Desprezando
os atritos nos suportes dos fios, desprezando a massa dos fios e sendo
C dada a aceleração da gravidade g, podemos afirmar que:

fig. a
M
B
19 (EN-1998) Na figura abaixo, temos um bloco A (mA = 4,0 kg), um
bloco B (mB = 8,0 kg), uma mola de constante elástica K = 800 N/m e
um fio inextensível e horizontal. O coeficiente de atrito entre os blocos A
e B e entre o bloco B e a superfície horizontal vale 0,1. Sabendo-se que a
mola está deformada em 20 cm e que g = 10 m/s2, a aceleração adquirida
pelo bloco B é de:

Considere 3 = 1,73.

IME-ITA – Vol. 1 333


FÍSICA I
Assunto 2

Dado: g = 10 m/s2.
fig. b
M

R
B

α
m1

d ≅ 1,0 m
(A) no caso (a), a posição de equilíbrio estático do sistema ocorre se e
somente se M sen α = m. 0
(B) tanto no caso (a) como no caso (b), o equilíbrio se estabelece quando
e somente quando M = m. m2
(C) no caso (b), o corpo m é tracionado em A por uma força TA = (m + M
sen α) g. (A) 0,4 s.
M sen α − m (B) 1,4 s.
(D) no caso (b), a aceleração do corpo M é g no sentido (C) 1,6 s.
M+m
descendente. (D) 2,8 s.
(E) no caso (a), não há nenhuma posição possível de equilíbrio estático. (E) 3,2 s.

22 (ITA-1984) A figura representa uma mesa horizontal de coeficiente 24 (ITA-1994) Duas massas, m e M, estão unidas uma à outra por meio
de atrito cinético µ1 sobre a qual se apoia o bloco de massa M2. Sobre de uma mola de constante K. Dependurando-as de modo que M fique no
ele está apoiado o objeto de massa m, sendo µ o coeficiente de atrito extremo inferior, o comprimento da mola é I1; invertendo as posições das
cinético entre eles. M2 e m estão ligados por cabos horizontais esticados, massas, o comprimento da mola passa a ser I2. O comprimento I0 da mola
de massa desprezível, que passam por uma roldana de massa desprezível. quando não submetido à força é:
Desprezando-se a resistência do ar e o atrito nas roldanas, podemos
afirmar que m se deslocará com velocidade constante em relação a um ml1 − ml2 ml + Ml2
(A) l0 = . (D) l0 = 1 .
observador fixo na mesa, se M1 for tal que: M−m M+m
Ml − ml2 Ml + ml2
(B) l0 = 1 . (E)
l0 = 1 .
m M−m M−m
Ml + ml2
M2 (C) l0 = 1 .
M+m

25 (IME-1977) Na figura abaixo, o coeficiente de atrito entre o peso P e a


cunha é µ1, e entre a cunha e o bloco inferior é µ2. Desprezando o peso da cunha
e considerando que não há atrito na parede vertical, determine a expressão da
M1 força F necessária para levantar o peso P, forçando a cunha para a direita.

(A) M1 = µ m.
(B) M1 = µ1(M2 + m) + aµ m. P
(C) M1 = µ M2 + µm.
(D) M1 = 2µ m + 2µ1(M2 + m). F
(E) M1 = µ1(M2 + m).
q
23 (ITA-1986) Na figura a seguir, as duas massas m1 = 1,0 kg e
m2 = 2,0 kg, estão ligadas por um fio de massa desprezível que passa
por uma polia também de massa desprezível e raio R.
Inicialmente, m2 é colocada em movimento ascendente, gastando
0,20 segundos para percorrer a distância d ≅ 1,0 m indicada.
Nessas condições, m 2 passará novamente pelo ponto “0” após
aproximadamente:

334 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

26 (IME-1982) Determine a massa necessária ao bloco A para que o 29 (Irodov) Na configuração da figura, as massas da cunha M e do
bloco B, partindo do repouso, suba 0,75 m ao longo do plano inclinado corpo m são conhecidas. Só existe atrito entre a cunha e o corpo de
liso, em um tempo t = 2 s. Desprezar as massas das polias e dos tirantes massa m, e o coeficiente de atrito é igual a k. As massas do fio e da polia
e as resistências passivas ao movimento. A massa do bloco B vale 5 kg são desprezíveis. Ache a aceleração do corpo m em relação à superfície
e a aceleração da gravidade deve ser considerada a 10 m/s2. horizontal na qual a cunha desliza.

m
M

30 (Irodov) No arranjo da figura abaixo, as massa m0, m1 e m2 são iguais


às massas dos blocos. Ache a aceleração a com a qual bloco de massa
B

m0 cai, e calcule a tensão no fio que une os blocos de massa m1 e m2,


sabendo que o coeficiente de atrito entre os blocos e a superfície horizontal
é igual a k.
m1 m2
60°
A

27 (Irodov) Dois blocos em contato, bloco 1 e bloco 2, são colocados no m0


plano inclinado de inclinação α com a horizontal. As massas dos blocos
são m1 e m2, respectivamente, e os coeficientes de atrito entre o plano
inclinado e os blocos são iguais a k1 e k2, com k1 > k2. Determine:

2 01 Deseja-se suspender uma pedra de massa m desde o solo até uma


altura H. Para isso, amarra-se a pedra a uma corda de massa desprezível
e puxa-se verticalmente pela extremidade livre. Sabendo-se que a corda
1
suporta uma tração máxima T, determine o tempo mínimo que será gasto
para suspender essa pedra, de forma que ela atinja a altura final H em
repouso. Considere g a aceleração da gravidade.
α
02 (IIT) Uma cunha (triângulo retângulo isósceles) de massa m se encontra
a. a força de interação entre os blocos, quando estão em movimento. apoiada sobre um bloco de massa M e uma parede imóvel, como se indica
b. o menor valor do ângulo α para o qual ocorra deslizamento dos blocos. na figura. Ache a aceleração de cada um dos blocos. Despreze os atritos.

28 (Irodov) Determine a aceleração da barra A e da cunha B na figura


abaixo, sabendo que a razão entre as massas mB e mA vale h, a gravidade
local vale g e todos os atritos são desprezíveis.
m

A 03 No sistema representado na figura não há atritos. O fio é inextensível e


tem peso desprezível. No local, a intensidade da aceleração da gravidade é
B g. Ignorando a influência do ar, calcule o intervalo de tempo que o corpo A
(de massa m) leva para atingir a base do corpo B (de massa M), quando
α é abandonado de uma altura h em relação a B.

A
h

IME-ITA – Vol. 1 335


FÍSICA I
Assunto 2

04 (Irodov) No esquema mostrado na figura, temos um prisma de massa


M, com inclinação de α e um bloco de massa m, apoiado em cima do
prisma, preso por um fio à parede, passando por uma roldana. Sabendo que
as massas do fio e da polia são desprezíveis e que não há atrito, determine
a aceleração do prisma de massa M, quando todo o sistema é liberado.

M
α 90°

05 (Alonso e Finn) Calcule a aceleração dos corpos nos esquemas abaixo: 1


mg  µ2 − 1  2
(A)  .
2  µ2 + 1 
1

m1 mg  µ2 + 1  2.
(B)  
m1 2  µ2 − 1 
mg  µ2 − 1 
(C)  .
2  µ2 + 1 
m2 m3 mg  µ2 + 1  .
(D)  
2  µ2 − 1 
m3 m2 (E) Nenhuma das anteriores.

(a) (b) 09 Na situação, um sistema está descendo aceleradamente sobre um


plano inclinado. Acoplado ao teto do carrinho, existe um pêndulo que
06 A figura indica uma cunha em forma de triângulo de massa M e ângulo θ. contém uma esfera ao final. Sabendo que a mesma não se move em
A cunha repousa sobre uma mesa horizontal e sobre a cunha existe um relação ao carrinho, calcule o ângulo β.
bloco de massa m. Calcule a aceleração da cunha e a aceleração do bloco
em relação à cunha.

g β
M

07 A figura mostra uma cunha de massa M e inclinação α inicialmente


parada sobre o solo horizontal liso. Um certo bloco é abandonado sobre liso
a superfície inclinada lisa da rampa, descrevendo uma trajetória retilínea 53°
de inclinação β com a horizontal. Qual a massa do bloco?
10 A partir do sistema apresentado abaixo, determine o módulo da força
de tensão na corda (1). Considere todas as polias ideais.

2m
M (1)
a

b µc = 0,5
g

08 (ITA-2004) Um atleta mantém-se suspenso em equilíbrio, forçando as


mãos contra duas paredes verticais, perpendiculares entre si, dispondo
seu corpo simetricamente em relação ao canto e mantendo seus braços
horizontalmente alinhados, como mostra a figura. Sendo m a massa do
corpo do atleta e o coeficiente de atrito estático interveniente, assinale a
opção correta que indica o módulo mínimo da força exercida pelo atleta
em cada parede:

336 IME-ITA – Vol. 1


Dinâmica em movimentos retilíneos FÍSICA I
Assunto 2

11 Considere o sistema abaixo. Os dois blocos, A e B, possuem massas 14 (Irodov) Um pequeno corpo começa a deslizar do topo de um prisma,
respectivamente iguais a m e a M. Despreze qualquer tipo de atrito, e cuja base é igual a I = 210 m. O coeficiente de atrito entre o corpo e a
calcule a razão M/m de modo que A está em repouso em relação a B. superfície do prisma é k = 0,140. Para qual valor do ângulo α o tempo
de deslizamento será o menor? E qual será o valor desse tempo?

A
B

A
m α

t
12 No esquema abaixo, o bloco desliza sem sofrer nenhuma resistência
sobre a superfície horizontal. Em um instante inicial, o ângulo de desvio da 15 (Alonso e Finn) Uma corrente flexível de comprimento L e peso W, é
esfera é de 37°. Nessa mesma situação, o ângulo não varia e permanece colocada inicialmente em repouso sobre uma superfície sem atrito ABC.
igual a 37°. Assim, calcule a aceleração do bloco e a massa da esfera. Inicialmente, a distância de B a D é L – a. Determine a velocidade da
corrente quando a extremidade D atingir o ponto B.

g L–a

a a
37° A
M D B

α
C

16 (Alonso e Finn) Uma corda uniforme de massa M e comprimento


13 Uma corda, cujo peso é desprezado, foi colocada numa roldana de eixo L passa por um pino sem atrito e de raio muito pequeno. No início do
fixo e passa através de um orifício. No movimento da corda, o orifício atua 2
movimento, BC = b. Calcule a aceleração e a velocidade, quando BC = L.
com uma força de atrito constante F. Nos extremos da corda são colocados 3
pesos, cujas massas são m1 e m2. Determine a aceleração dos pesos. B

A
b

m1 m2

IME-ITA – Vol. 1 337


FÍSICA I
Assunto 2

17 (Halliday) A figura mostra uma máquina de Atwood, na qual dois a. Com que taxa o módulo da aceleração dos recipientes está variando (a)
recipientes estão ligados por uma corda (de massa desprezível) que passa em t = 0,00 s?
por uma polia sem atrito (também de massa desprezível). No instante t = 0, b. em t = 3,00 s?
o recipiente 1 tem uma massa de 1,3 kg e o recipiente 2 tem uma massa de c. Em que instante a aceleração atinge o valor máximo?
2,80 kg, mas o recipiente 1 está perdendo massa (por causa de um vazamento)
a uma taxa constante de 0,200 kg/s.

m1

m2

338 IME-ITA – Vol. 1


FÍSICA II ASSUNTO

Termometria e dilatação
1
1. Termometria

©s-dmit/iStock
1.1 Noções iniciais
A termometria é a parte da termologia que se preocupa em medir a
temperatura de corpos e sistemas, segundo escalas termométricas, as
quais serão apresentadas neste capítulo.

• Temperatura: é uma grandeza física que mede o estado de agitação das


partículas de um corpo, caracterizando seu estado térmico. Diversas
propriedades de um corpo variam com a temperatura.
• Calor: é uma modalidade de energia transmitida de um corpo para
outro, quando existe entre eles uma diferença de temperatura.
Em outras palavras, calor é energia em trânsito.
• Equilíbrio térmico: em um contato entre dois corpos a diferentes
O dispositivo muda sua resistência com a alteração da temperatura.
temperaturas, aquele exposto à maior fornece calor ao de menor, em
Um computador ou outro circuito mede a resistência e a converte em
um fenômeno que se prossegue até que, num determinado instante, as
temperatura, tanto para exibi-la quanto para decidir se liga ou desliga
duas temperaturas se tornam iguais. Nesse instante, ambas tornam-se
alguma coisa (esse assunto será mais profundamente estudado
iguais. Em tal momento, diz-se que a transferência de calor cessou e
em resistores).
que os corpos se encontram em equilíbrio térmico.
3.1.3 Termômetro de lâmina bimetálica
2. Lei zero da termodinâmica –0
hélice
Quando dois corpos estão, separadamente, em equilíbrio com um
terceiro, estão em equilíbrio entre si, ou seja, o equilíbrio térmico é
caracterizado pelas mesmas condições de temperatura.

3. Medida da temperatura
ácido
3.1 Termômetros
Instrumentos de medição de temperatura. laton

3.1.1 Termômetro de mercúrio


©Talaj/iStock

Composto por duas lâminas metálicas unidas rigidamente que, ao


serem aquecidas ou esfriadas, dilatam-se e, devido aos materiais serem
de diferentes coeficientes de dilatação, gira informando a temperatura do
corpo (esse assunto será mais profundamente estudado em dilatações).

3.1.4 Termômetro meteorológico


álcool vazio
máxima
mínima

parcial

0 150

50 50

índice mercúrio
150 0
O mais conhecido. É muito utilizado para medir a temperatura do
corpo humano.
Termômetro de máxima e mínima temperaturas
3.1.2 Termômetro eletrônico
É bastante comum medir a temperatura com componentes eletrônicos. Mede a temperatura do ambiente informando as temperaturas máxima
O sensor mais comum é um termorresistor (ou termistor). e mínima.

IME-ITA – Vol. 1 339


FÍSICA II
Assunto 1

3.1.5 Termômetro de radiação ligado por um tubo capilar de um manômetro. O bulbo é preenchido com
um gás, de modo que seu volume permanece constante. A pressão do gás

©ivansmuk/iStock
no bulbo pode ser obtida a partir da medição da diferença de nível, nos
dois braços do manômetro. Esses termômetros, devido a sua precisão,
são, muitas vezes, utilizados para calibrar outros de mesma característica.

3.2 Substância termométrica


Substância utilizada no termômetro para indicar a temperatura.
Ex.: mercúrio, álcool, tolueno, fio de platina, etc.

3.3 Propriedade termométrica


Propriedade física da substância termométrica que permite indicar a
temperatura.
Ex.: dilatação, cor, resistência, radiação, etc.

3.4 Pontos fixos


Mede a temperatura por ondas eletromagnéticas. Usado a uma grande Estados térmicos bem definidos utilizados como referência na
distância e sem contato. calibração dos termômetros.
Ex.: ponto de fusão, ponto de ebulição, ponto triplo, etc.
3.1.6 Pirômetro óptico
4. Escalas termométricas
©Hedwig Storch/Wikimedia

A escala Celsius é a mais utilizada no Brasil, entretanto, muitos países


não a utilizam. Devido a esse fato, surge a necessidade de se estabelecer
uma relação de correspondência. Para isso, partimos dos pontos fixos
das escalas, estabelecendo uma correspondência física, ou seja, o mesmo
grau de agitação molecular corresponde à mesma temperatura em duas
dessas, ainda que seus valores numéricos sejam diferentes. Para isso,
vejamos como se dá tal correspondência em escalas quaisquer:

2 • ponto
X2 Y2

Emite radiação térmica relacionado-a com a temperatura, para efetuar


a medição de temperatura do corpo. Utilizado para medir a temperatura
do fogo (plasma). X Y

3.1.7 Termômetro de gás


1 • ponto X1 Y1
escala

capilar
escala X escala Y
h
R
Para que seja realizado, basta efetuar uma interpolação linear entre as
temperaturas em diferentes escalas, ou seja, as razões entre segmentos
sistema equivalentes nas duas é igual, de maneira que:
bulbo
com X − X1 Y − Y1
=
gás X2 − X1 Y2 − Y1
tubo
flexível
Em que X1, X2, Y1 e Y2 são os pontos fixos nas escalas X e Y,
respectivamente.
O termômetro de gás ou de volume constante mede a temperatura pela
variação do volume e da pressão de um gás. É constituído por um bulbo Nas habituais, conhecemos os pontos fixos, portanto:

340 IME-ITA – Vol. 1


Termometria e dilatação FÍSICA II
Assunto 1

°C °F K F

100 212 373,15

C
e e
F T
d

32 273,15
0

repulsão atração
Realizando a interpolação:

C−0 F − 32 K − 273,15
= = A dilatação térmica é o fenômeno que um corpo apresenta ao variar
100 − 0 212 − 32 373,15 − 273,15 suas dimensões geométricas quando sua temperatura se modifica, sendo,
inclusive, esse o fenômeno usado para a construção de termômetros de
Simplificando: coluna líquida.
C F − 32 K − 273
= = Dependendo da quantidade de dimensões variantes, a dilatação térmica
5 9 5 é classificada em linear, superficial ou volumétrica.

5. Escala absoluta Kelvin • Dilatação linear: apenas uma dimensão varia. Por exemplo: uma barra
de ferro cujo comprimento aumenta quando aquecida.
Depois de James Prescott Joule ter determinado o equivalente • Dilatação superficial: apenas duas dimensões variam. Lembrando
mecânico do calor, Lorde Kelvin abordou o problema de um ponto de que duas dimensões podem representar uma área, pode-se dizer que a
vista completamente diferente e, em 1848, inventou uma escala de dilatação superficial provoca uma variação de uma área. Por exemplo:
temperatura absoluta que não dependia das propriedades da substância uma chapa de aço que tem sua área aumentada quando aquecida.
e era baseada somente nas leis fundamentais da termodinâmica. Ele • Dilatação volumétrica: as três dimensões do corpo variam. Lembrando
baseou-se no princípio de que sua escala fosse construída com o zero que três dimensões podem representar volume, pode-se dizer que a
em –273,15°C (–459,67°F), fazendo uma extrapolação numérica utilizando dilatação volumétrica provoca uma variação de volume. Por exemplo:
um termômetro a gás. um bloco de cobre tem seu volume aumentado quando aquecido.
O zero absoluto não pode ser atingido, porém é possível chegar Obs.:
a temperaturas muito próximas dele com o uso de refrigeradores • A rigor, toda dilatação tem caráter volumétrico. No entanto, há casos
criogênicos e desmagnetização adiabática nuclear. O uso de resfriamento em que alguma dimensão é tão maior que outra que a dilatação da
a laser já produziu temperaturas na ordem de bilionésimos de Kelvin. segunda é desprezível se comparada à primeira, caracterizando, assim,
Em temperaturas extremamente baixas, nas vizinhanças do zero a dilatação linear (apenas uma dilatação é considerável) e a superficial
absoluto, a matéria exibe muitas propriedades extraordinárias, incluindo (apenas duas dilatações são consideráveis).
a supercondutividade (quando a matéria não exibe resistência elétrica), a • O oposto à dilatação térmica é a contração térmica. Quando um corpo
superfluidez (quando a viscosidade de um fluido é 0) e a Condensação sofre um decréscimo de temperatura, suas dimensões se contraem.
de Bose-Einstein.
Até 2004, a temperatura mais baixa para um condensado Bose-Einstein
era de 450 pK, ou 45 K, obtida por Wolfgang Ketterle e colegas do MIT. 7. Dilatação linear
A mínima já atingida foi de 10 pK, durante uma experiência de ordenação
Disponível em: www.coladaweb.com
magnética nuclear em 1999 no Laboratório de Baixas Temperaturas da
Universidade de Tecnologia de Helsinque.

6. Introdução à dilatação
Sabe-se que a temperatura é uma medida de agitação molecular. Logo,
se aumentarmos, por exemplo, a temperatura de um corpo, a agitação
de suas moléculas aumentará, com isso elas se afastarão, fazendo com
que aquele corpo ocupe um espaço maior. Na verdade, o que acontece é
que as moléculas se afastam mais do que se aproximam, pois a força de
repulsão aumenta a uma taxa maior que a de atração. (Veja gráfico a seguir.)

IME-ITA – Vol. 1 341


FÍSICA II
Assunto 1

∆L = LO a ∆T
9. Dilatação volumétrica

©jax10289/iStock
Em que:
∆L → variação do comprimento (∆L = L – Lo);
Lo → comprimento inicial;
L → comprimento final (L = Lo + ∆L);
αFe = 13 ⋅ 10−6°C−1;
 −6 −1
a → coeficiente de dilatação linear α Cu = 16 ⋅ 10 °C ;
 −6 −1
α vidro =8 ⋅ 10 °C ;
∆T → variação de temperatura (∆T = T – To).

Podemos também obter uma expressão para o comprimento final L:


∆L = L – Lo = Lo a ∆T
L = Lo + Lo a ∆T

L = Lo (1+ a ∆T) ∆V = Vo γ ∆T

Em que:
8. Dilatação superficial ∆V → variação do volume (∆V = V – Vo);
Vo → volume inicial;
©DavidHewison/iStock

V → volume final (V = Vo + ∆V);


 γ Fe = 39 ⋅ 10−6°C−1;
 −6 −1
γ → coeficiente de dilatação volumétrica  γ Cu = 48 ⋅ 10 °C ;
 −6 −1
 γ vidro = 24 ⋅ 10 °C ;
∆T → variação de temperatura (∆T = T – To)

Pode-se obter também uma expressão para o volume final V:


∆V = V – Vo = VO γ ∆T
V = Vo + Vo γ ∆T

V= Vo (1+ γ ∆T)
∆A = Ao b ∆T

Em que: 10. Relação entre os coeficientes α, β e γ


∆A → variação da área (∆A = A – Ao); Seja uma placa de dimensões ao e bo.
Ao → área inicial;
A → área final (A = Ao + ∆A); ao
βFe = 26 ⋅ 10−6°C−1;
 −6 −1
b → coeficiente de dilatação superficial βCu = 32 ⋅ 10 °C ; bo
 −6 −1
βvidro = 16 ⋅ 10 °C ;
∆T → variação de temperatura (∆T = T – To).

Pode-se obter também uma expressão para a área final A: Sua área inicial é Ao = aobo. (I)
∆A = A – Ao = AO b ∆T Ao sofrer uma variação de temperatura ∆T, as dimensões tornam-se
A = Ao + Ao b ∆T a e b.

A = Ao (1+ b ∆T)

342 IME-ITA – Vol. 1


Termometria e dilatação FÍSICA II
Assunto 1

a com um furo, tal furo aumenta de tamanho como se fosse feito do material
da chapa.

Sua área final é A = ab. (II)


Aplicando-se a dilatação superficial, temos: No caso de um copo, por exemplo, utiliza-se seu volume interno (parte
A = Ao (1+ β ∆T) (III). vazia) como parâmetro para dilatação, visto que esse é muito maior que
Tomando-se um filete da placa de largura muito pequena nas direções o volume de vidro.
vertical e horizontal:

12. Dilatação de líquidos


Nos líquidos, aplicamos, em geral, a dilatação volumétrica. Porém,
b como os líquidos estão sempre acondicionados em recipientes, e estes
b0
também dilatam, deve-se ficar atento para não se esquecer de considerar a
sua dilatação quando pertinente.
a0 a Um caso bastante comum é um recipiente completamente cheio de um
líquido, cujo coeficiente é maior que o do recipiente. Nesse caso, ocorrerá
Aplicando-se a dilatação linear nesses filetes, temos: derramamento do líquido.
a = ao (1+α ∆T) Experimentalmente, surge daí um novo coeficiente de dilatação
volumétrico, o aparente.
b = bo (1+ α ∆T) (IV).
Esse coeficiente representa apenas a porção de líquido derramado e
está relacionado com os dois coeficientes do experimento (do líquido e
Substituindo as equações (III) e (IV) na equação (II), temos:
do recipiente).
Ao (1+ β ∆T) = ao (1+ α ∆T) bo (1+ α ∆T).
No exemplo abaixo, podemos desenvolver essas relações.
Um recipiente de volume Vo, a uma temperatura qo, é aquecido até uma
Substituindo a equação (I) e simplificando:
temperatura q. Verifica-se um derramamento do líquido (volume extravasado).
1+β ∆T = (1+ α ∆T)(1+ α ∆T)
1+ β ∆T = 1+ 2α ∆T + α2 ∆T2 volume
extravasado
β = 2α + α2 ∆T.
aquecimento
Como os coeficientes são da ordem de 10–6, podemos desprezar o
segundo termo da 2a parcela e, assim, obtemos a relação entre α e β. θ0 θ

Chamamos esse volume extravasado de DVaparente e pode ser calculado


β=2α pela diferença entre a dilatação do líquido e do recipiente:
DVaparente =DVlíquido – DVrecipiente
Utilizando o mesmo artifício na dilatação de um sólido de dimensões Aplicando as fórmulas de variação de volume, temos:
ao, bo e co, chegamos à relação entre α e γ: Vo ∙ gaparente ∙ Dq = Vo ∙ glíquido ∙ Dq – Vo ∙ grecipiente ∙ Dq
Dividindo a expressão acima por Vo ∙ Dq, temos:
γ = 3α gaparente= glíquido – grecipiente

Atenção: a expressão acima só é válida quando os volumes iniciais são


Resumindo:
iguais.
α β γ
= =
1 2 3 13. Variação da massa específica
de uma substância
m
11. Comportamento dos espaços vazios Massa específica ou densidade absoluta: ρ =
V
Verifica-se experimentalmente que os furos de chapas ou buracos Seja um corpo feito de uma substância cuja massa específica é ρo.
em sólidos comportam-se como se esse espaço fosse feito do próprio Isso significa que se esse corpo tem um volume inicial Vo, sua massa m
material. Ou seja, ao se aplicar a dilatação volumétrica em uma chapa será dada por:

IME-ITA – Vol. 1 343


FÍSICA II
Assunto 1

O melhor a fazer nesse caso é usar a terceira simplificação, pois:


m = ρoVo 1 + 0,000020 · (150 – 50) = 1,0020.

Após uma variação de temperatura ∆T, seu volume será: Se fizéssemos pelo método “normal”:
1,0030/1,0010 = 1,001998.
V = Vo(1 + γ∆T).
Como a massa não varia, Perceba que a simplificação que fizemos conduz a um resultado
ρoVo = ρ V = ρ Vo(1 + γ∆T). compatível com erros e algarismos significativos.

A nova massa específica dessa substância será:


16. Lâminas bimetálicas
ρo Ao unirmos duas lâminas feitas de materiais de coeficientes de
ρ= dilatação diferentes, teremos algo como mostra o esquema abaixo:
1 + γΔT

14. Comportamento anômalo da água Ao aquecermos esse sistema, uma das lâminas se dilatará mais do que
a outra. Isso ocorre porque ao analisarmos a equação da dilatação linear
densidade
L = Lo(1 + α∆T)
água constatamos que L depende apenas de Lo, α e ∆T. Como o comprimento
inicial é o mesmo (as lâminas tinham o mesmo tamanho) e a variação de
temperatura é a mesma para ambas, terá maior L a lâmina que tiver maior α.
Entretanto, pelo fato de elas estarem presas, a tendência do sistema
será curvar-se, e a direção da curva se dá com as seguintes análises:
outras
• A lâmina que se dilata mais terá L maior; consequentemente, terá um
substâncias raio maior.
• A lâmina que se dilata menos terá L menor; consequentemente, terá
um raio menor.
0° 1° 2° 3° 4° 5° temperatura
aquecimento resfriamento

Conforme vimos anteriormente, um aumento na temperatura causa,


nas substâncias, uma diminuição da sua densidade. Porém, a água tem
comportamento diferente na faixa de temperatura que varia de 0°C até 4°C. Ex. 1: lâmina superior com maior Ex. 2: lâmina inferior com maior
Verifique no gráfico anterior. coeficiente. coeficiente.
Esse fenômeno ocorre devido à quebra das pontes de hidrogênio.
Esse tipo de dilatação anormal explica por que um lago congela apenas
na superfície e, como o gelo é um isolante térmico, a vida animal e a vida
vegetal são preservadas.
17. Erros de medidas
É bastante comum calcularmos a variação de outras grandezas que
dependem da dimensão de um corpo em questões de dilatação. Isso ocorre
com pêndulos e aparelhos de medição em geral. Abaixo, vamos estudar
15. Simplificações úteis um aparelho de medição bastante comum, a régua.
Como α é da ordem de 10–5°C–1 e ∆T, geralmente da ordem de 102 °C, A régua nada mais é do que uma barra que possui marcações a
é possível fazermos simplificações no cálculo de equações de dilatação cada unidade de centímetro, então, ao sofrer variação de temperatura o
que são compatíveis com os erros cometidos nas medidas do coeficiente. espaçamento entre duas marcações pode aumentar ou diminuir. No caso
de um aumento de temperatura, por exemplo, a distância entre 0 e 1, que
Portanto, temos: teoricamente vale 1 centímetro, passará a valer:
• (1 + α∆T) · (1 + α∆T) = 1 + 2α∆T;
• (1 + α∆T)n = 1 + nα∆T ; 1 · (1 + α∆θ )
 
• (1 + α∆T)/(1 + α’∆T’) = 1 + α∆T – α’∆T. L = L0 (1 + α∆θ )

Ex.: Em um problema qualquer, recai-se na seguinte conta:


(1 + 0,000020 · 150)/1,000020 · 50. O que nos leva a concluir que, ao medirmos uma distância com a régua
dilatada, encontraremos um valor que é, na verdade, menor do que o real.

344 IME-ITA – Vol. 1


Termometria e dilatação FÍSICA II
Assunto 1

• Erro relativo: Solução: Letra D.


Resolveremos por semelhança de triângulos. Na figura a seguir escolhemos
Ve –� Vc um ponto qualquer do gráfico. A partir dele identificamos dois triângulos
e=
Vc semelhantes.

tc (°C)
Em que:
Ve → valor errado (régua dilatada);
78
Vc → valor certo (régua na temperatura em que foi calibrada).
tc

34
01 Mediu-se a temperatura de um corpo com dois termômetros: um
graduado na escala Celsius e outro, na escala Fahrenheit. Verificou-se
que as indicações nas duas escalas eram iguais em valor absoluto. Um 0 td 80 td (°D)
possível valor para a temperatura do corpo, na escala Celsius, é:
Fazendo a proporção dos lados homólogos, temos:
(A) –25. tc − 34 td
(B) –11,4. =
78 − 34 80
(C) 6,0.
Para o ponto de ebulição da água tc = 100°C
(D) 11,4. 100 − 34 td
(E) 40. = ⇒ td = 120
78 − 34 80
Solução: Letra D.
03 Ao nível do mar, mediante os termômetros, um graduado da escala
Utilizaremos a equação termométrica das escalas Celsius e Fahrenheit:
Celsius e outro na escala Fahrenheit, determinamos a temperatura de certa
C F − 32 9C
= ⇒F= + 32 massa de água líquida. A diferença entre as leituras dos dois termômetros
5 9 5 é 100. Qual a temperatura dessa massa de água na escala Kelvin?
Do enunciado, temos:
Solução:
|C| = |F|
Utilizaremos a equação termométrica das escalas Celsius e Fahrenheit.
9C
C = + 32 ⇒ C F − 32 9C
5 = ⇒F= + 32
5 9 5
 9C
C = 5 + 32 ⇒ 5C = 9C + 160 ⇒ C = −40 Como a água está líquida, a temperatura em Fahrenheit será maior que a
 Celsius, logo, do enunciado temos que: F – C = 100
−C = 9C + 32 ⇒ −5C = 9C + 160 ⇒ C = 11,, 4
 5 9C
Substituindo, temos: + 32 − C = 100 ⇒ C = 85
5
02 Um cientista criou uma escala termométrica D que adota como pontos Da relação entre Celsius e Kelvin, temos:
fixos de ebulição do álcool (78°C) e o de ebulição do éter (34°C). O gráfico K = C + 273
a seguir relaciona essa escala D com Celsius. K = 358 K

tc (°C) 04 Em uma escala termométrica arbitrária A, a temperatura de fusão do


gelo sob pressão normal é 20 A e a temperatura de 70 A equivale a 176,
78 na escala Fahrenheit. Nessas condições, a temperatura de 40°C equivale,
na escala A, a:

(A) 45.
34 (B) 40.
(C) 35.
(D) 30.
0 80 td(°D) (E) 25.

Solução: Letra A.
A temperatura de ebulição da água vale, em °D: Podemos determinar a função termométrica entre a escala A e a Fahrenheit:
A − 20 F − 32
(A) 44. (D) 120. =
70 − 20 176 − 32
(B) 86. (E) 160.
(C) 112. Para calcular o valor na escala A de 40°C, devemos primeira transformá-lo
em °F:

IME-ITA – Vol. 1 345


FÍSICA II
Assunto 1

C F − 32 40 F − 32 L L
= → = → F = 104 2π − 2π o
5 9 5 9 ∆T g g  L 
⋅ ∆t = ⋅ ∆t =  − 1 ∆t
To Lo  L 
2π  o 
Substituindo na função acima, teremos: g
A − 20 104 − 32
= → A = 45
= ( 1 + α∆T − 1 ∆t)
70 − 20 176 − 32
Aqui usamos a aproximação dada anteriormente em simplificações úteis:
05 Uma esfera maciça de raio 3 m (113 m3) feita de ferro foi colocada
em um forno inicialmente a 20°C. Aquece-se o forno até uma temperatura ∆T α∆T
⋅ ∆t ≅ ∆t
de 220°C. T0 2
Nesse problema, para calcular primeiramente o coeficiente de dilatação,
Determine:
aplicaremos a expressão acima para uma variação de temperatura de
a. O novo raio da esfera;
10°C a 30°C, produzindo um atraso total de (55 + 60) = 115 segundos.
b. o novo volume da esfera.
Assim:
Dado: aFe = 13 · 10–6°C–1 α20
115 ≅ 7 ⋅ 24 ⋅ 3600 → α = 1,9 ⋅ 10 −5°C−1 
2
Solução:
a. Para o cálculo do novo raio, aplicamos a expressão da dilatação linear: b. Para determinar a temperatura na qual o relógio é preciso, aplicaremos
∆L = LO α ∆T. a mesma expressão para uma variação de temperatura de Tpreciso até
Na qual L será representado pelo raio, assim: 30°C, produzindo um atraso total de 55 segundos.
∆R = RO α ∆T = 3 · 13 · 10–6 · 200 = 0,0078 m.
1,9 ⋅ 10−5 ⋅ (30 − Tpreciso )
Logo, R = 3 + 0,0078 = 3,0078 m. 60 ≅ 7 ⋅ 24 ⋅ 3.600 →
Poderíamos também aplicar a expressão do comprimento (raio) final: 2
R = Ro (1+ α ∆T) = 3(1 + 13 · 10–6 · 200) = 3,0078 m Tpreciso = 19,6°C
b. Podemos realizar o cálculo do novo volume de duas formas. A primeira
(não recomendada) seria aplicar a fórmula do volume de uma esfera Outra solução interessante seria notar que a relação entre atraso ou
4 3. adianto e a variação de temperatura é direta, assim, podemos resolver
V= πR
3 pela proporção:
4
V = π 3,0078 3 ≅ 113,9 m 3 60 115
3 = → Tpreciso = 19,6°C
30 − Tpreciso 30 − 10
A segunda (mais recomendada) seria usar o conhecimento de que o
coeficiente de dilatação volumétrico é, aproximadamente, o triplo do 07 Uma régua que apresenta um erro de 2% em sua medida foi calibrada
linear (γ = 3α). a 20°C. Qual é a sua temperatura?
V = 113(1+ 3 · 13 · 10–6 · 200) = 113,8 m3.
Dado: coeficiente de dilatação linear = 10–3°C–1.
06 Em um relógio, o pêndulo é uma barra metálica projetada para que seu
período seja igual a 1 s. Verifica-se que, no inverno, quando a temperatura Solução:
média é de 10°C, o relógio adianta, em média, 55 s por semana; no verão, Ve = Lo(1 + α∆θ)
quando a temperatura média é 30°C, o relógio atrasa, em média, 1 minuto e = 0,02 = 2%
por semana. Vc = Lo

a. Calcule o coeficiente de dilatação linear do metal do pêndulo. 0,02 =


( Lo (1 + α∆θ) − Lo ) → ∆θ = 20°C → T = 40°C.
F
b. A que temperatura o relógio funcionará com precisão? Lo

Solução: 08 Ao medir uma barra de aço a 20°C com uma régua que foi calibrada
a. Precisaremos da expressão do período de um pêndulo: nessa temperatura, encontramos o valor de 50 cm. Depois de colocar
no forno a régua e a barra de aço, é feita uma nova medida a 40°C e
L encontra-se o valor de 48 cm. Determine o coeficiente de dilatação da
T = 2π
g régua, sabendo que o do aço vale 10–3°C–1.
Na qual vemos a relação entre T e L.
Solução:
Vale ressaltar que:
Precisamos ter em mente que a medida de 48 cm após o aumento de
• O relógio adianta quando T diminui (logo, L diminui por resfriamento).
temperatura da barra e da régua, na verdade, vale 48(1+ αR∆θ), em que
• O relógio atrasa quando T aumenta (logo, L aumenta por aquecimento).
αR é o coeficiente de dilatação da régua. Além disso, sabemos que o
comprimento final da barra será 50(1 + αB∆θ), em que αB é o coeficiente
Uma dica para esses tipos de problema é multiplicar a variação relativa
de dilatação da barra. Então, temos que:
do período pelo intervalo de tempo em que foi feita a medição. Assim,
50(1 + αB∆θ) = 48(1 + αR∆θ)
temos que o atraso ou o adianto do relógio será dado por:
Substituindo valores, encontramos que αR = 3,125 · 10–3°C–1.

346 IME-ITA – Vol. 1


Termometria e dilatação FÍSICA II
Assunto 1

09 Um frasco de vidro, cujo volume é de 300 cm³ a 10°C, está completamente (A) 0 e 100.
cheio de um certo líquido. Quando se aquece o conjunto a uma temperatura (B) 32 e 212.
de 140°C, transbordam 2 cm³ do líquido. Sendo o coeficiente de dilatação (C) 459 e 559.
volumétrica do frasco igual a 0,00027/°C–1, determine: (D) 492 e 672.
(E) N.R.A.
a. O coeficiente de dilatação volumétrica aparente do líquido;
b. o coeficiente de dilatação volumétrica real do líquido. 06 (ITA) Para medir a febre de pacientes, um estudante de Medicina
criou sua própria escala linear de temperaturas. Nessa nova escala, os
Solução:
valores de 0 (zero) e 10 (dez) correspondem, respectivamente, a 37°C
a. A dilatação denominada aparente é o volume que transborda. Assim:
e 40°C. A temperatura de mesmo valor numérico em ambas escalas é,
∆Vaparente = Vo ⋅ γ aparente ⋅ ∆T
aproximadamente:
∆Vaparente 2
γ aparente = = = 5,1 ⋅ 10−5°C−1  (A) 52,9°C.
Vo ⋅ ∆T 300 ⋅ 130
(B) 28,5°C.
b. Para calcular o coeficiente real do líquido, usaremos a expressão (C) 74,3°C.
demonstrada anteriormente: γlíquido = γaparente + γrecipiente (D) –8,5°.
γ líquido = 5,1 ⋅ 10−5 + 27 ⋅ 10 −5 = 32,1 ⋅ 10 −5°C−1 (E) –28,5°C.

07 Os termômetros são instrumentos utilizados para efetuarmos medidas


de temperaturas. Os mais comuns se baseiam na variação de volume
sofrida por um líquido considerado ideal, contido num tubo de vidro cuja
01 Cer ta escala termométrica adota os valores –20°E e 280°E, dilatação é desprezada. Num termômetro em que se utiliza mercúrio, vemos
respectivamente, para os pontos de fusão de gelo e ebulição da água, sob que a coluna desse líquido “sobe” cerca de 2,7 cm para um aquecimento de
pressão de 1 atm. A fórmula de conversão entre essa escala e a escala 3,6°C. Se a escala termométrica fosse a Fahrenheit, para um aquecimento
Celsius é: de 3,6°F, a coluna de mercúrio “subiria”:

(A) 11,8 cm.


(A) TE = TC + 20. (B) 3,6 cm.
(B) TE = TC – 20. (C) 2,7 cm.
(C) TE = 3TC – 20. (D) 1,8 cm.
(D) TE = 3TC + 20. (E) 1,5 cm.
(E) TE = 3TC.
08 Uma escala absoluta Q marca 160 Q para –43°C. Qual será a
02 Uma escala de temperatura E apresenta relação com a escala Celsius
temperatura final, em °F, para uma substância que inicialmente estava a
de acordo com o gráfico a seguir.
–16°F e é aquecida de 80 Q?
θE
09 O gráfico a seguir nos mostra como se altera o comprimento de três
10 hastes metálicas de materias diferentes ao aumentar suas temperaturas.
Marque qual a relação entre seus coeficientes de dilatação linear.

–30 0 θC B
L C
Qual a temperatura cujas leituras coincidem numericamente nessas duas
escalas?
A
03 Um termômetro foi graduado, em graus Celsius, incorretamente. Ele
assinala 1°C para o gelo em fusão e 97°C para a água em ebulição, sob
pressão normal. Qual a única temperatura que esse termômetro assinala
corretamente, em graus Celsius?
T
04 (ITA) Um pesquisador achou conveniente construir uma escala
termométrica (escala P) com base nas temperaturas de fusão e ebulição do (A) αA = αC > αB.
álcool etílico, tomadas como pontos 0 e 100 da sua escala. Acontece que (B) αA = αB < αC.
na escala Celsius, aqueles dois pontos externos da escala do pesquisador (C) αC > αB > αA.
têm valores –118°C e 78°C. Ao usar o seu termômetro para medir a (D) αB > αC > αA.
temperatura de uma pessoa com febre, o pesquisador encontrou 80 graus (E) αB > αA > αC.
P. Calcule a temperatura da pessoa doente em graus Celsius (°C).
10 Uma barra metálica, inicialmente à temperatura de 20°C, é aquecida
05 Uma antiga escala denominada Rankine tinha seu 0 coincidindo com até 260°C e sofre uma dilatação igual a 0,6% do seu comprimento inicial.
o zero absoluto, mas usava como unidade de variação o grau Fahrenheit. Qual o coeficiente de dilatação linear médio do metal, nesse intervalo de
Podemos então dizer que 0°C e 100°C correspondem, nessa escala, temperatura?
respectivamente, aos valores:

IME-ITA – Vol. 1 347


FÍSICA II
Assunto 1

11 (ITA) Um pequeno tanque, completamente preenchido com 20,0 L 16 (ITA) Uma chapa de metal de espessura h, volume V0 e coeficiente de
de gasolina a 0°F, é logo a seguir transferido para uma garagem mantida dilatação linear α = 1,2 · 10–5/°C tem um furo de raio R0 de fora a fora.
à temperatura de 70°F. Sendo γ = 0,0012°C–1 o coeficiente de expansão A razão V/V0 do novo volume da peça em relação ao original quando a
volumétrica da gasolina, a alternativa que melhor expressa o volume temperatura aumentar 10°C será:
de gasolina que vazará em consequência do seu aquecimento até a
R
temperatura da garagem é:

(A) 0,507 L.
(B) 0,940 L.
(C) 1,68 L.
(D) 5,07 L. h
(E) 0,17 L.
(A) 10πR02ha/V0.
12 Um recipiente de 200 cm3 de capacidade, feito por um material de (B) 1 + 1,7 · 10–12 R0 /h.
coeficiente de dilatação volumétrica de 100 · 10–6°C–1, contém 180 cm3 (C) 1 + 1,4 · 10–8.
de um líquido de coeficiente de dilatação cúbica de 1.000 · 10–6°C–1. (D) 1 + 3,6 · 10–4.
A temperatura do sistema é de 20°C. Qual a temperatura-limite de (E) 1 + 1,2 · 10–4.
aquecimento do líquido sem que haja transbordamento?

13 A densidade absoluta de um material a 20°C é 0,819 g/cm3 e seu


coeficiente de dilatação volumétrica vale 5 · 10–4°C. A que temperatura
devemos levar esse corpo para que sua densidade absoluta torne-se igual 01 (AFA) Mergulham-se dois termômetros na água: um graduado na
a 0,780 g/cm³? escala Celsius e outro na Fahrenheit. Depois do equilíbrio térmico, nota-se
que a diferença entre as leituras nos dois termômetros é 172. Então, a
14 Uma rampa para saltos de asa-delta é construída de acordo com o temperatura da água em graus Celsius e Fahrenheit, respectivamente, é:
esquema ao lado. A pilastra de sustentação (II) tem, a 0°C, comprimento
três vezes maior do que a (I). Os coeficientes de dilatação de (I) e (II) são, (A) 32 e 204. (C) 175 e 347.
respectivamente, α1 e α2. Para que a rampa mantenha a mesma inclinação (B) 32 e 236. (D) 175 e 257.
a qualquer temperatura, é necessário que a relação entre α1 e α2 seja:
02 ( OBF) Ao se construir uma escala termométrica arbitrária X,
verificou-se que a temperatura de –40°X coincide com a da antiga escala
de Réamur, que adota como pontos fixos 0°R e 80°R. Observa-se ainda
I que a temperatura de –75°X coincide com a da escala Celsius. Determine
II na escala X a leitura de 0°C e a de 80°R.

03 No dia 1o, à 0h de determinado mês, uma criança deu entrada num


hospital com suspeita de meningite. Sua temperatura estava normal
(36,5°C). A partir do dia 1o, a temperatura dessa criança foi plotada num
(A) α1 = α2. gráfico por meio de um aparelho registrador contínuo. Esses dados caíram
(B) α1 = 2α1. nas mãos de um estudante de Física, que verificou a relação existente entre
(C) α1 = 3α2. a variação de temperatura (∆θ), em graus Celsius, e o dia (t) do mês. O
(D) α2 = 3α1. estudante encontrou a seguinte equação:
(E) α2 = 2α1.
∆θ = – 0,20t2 + 2,4t – 2,2
15 Mostram-se três corpos metálicos e isotrópicos do mesmo material:
um arco, um disco e uma esfera. Ao aumentar uniformemente suas A partir dessa equação, analise as afirmações dadas a seguir e indique a correta:
temperaturas, seus raios sofrem alterações. Indique verdadeiro (V) ou
falso (F) nas seguintes afirmativas. (A) A maior temperatura que essa criança atingiu foi 40,5°C.
(B) A maior temperatura dessa criança foi atingida no dia 6.
R
(C) Sua temperatura voltou ao valor 36,5°C no dia 12.
R
R (D) Entre os dias 3 e 8 sua temperatura sempre aumentou.
(E) Se temperaturas acima de 43°C causam transformações bioquímicas
aro disco esfera irreversíveis, então essa criança ficou com problemas cerebrais.

I. Os três mantêm suas formas. 04 Dois termômetros, um Fahrenheit correto e um Celsius inexato, são
II. R aumenta aproximadamente igual para os três. colocados dentro de um líquido. Acusaram 95°F e 30°C respectivamente.
III. Para a esfera R aumenta mais que para o disco. O erro percentual cometido na medida do termômetro Celsius foi de:

(A) V – V – F. (A) 5,3%.


(B) F – V – F. (B) 16,6%.
(C) V – F – F. (C) 9,5%.
(D) F – F – V. (D) 14,3%.
(E) V – V – V. (E) 5%.

348 IME-ITA – Vol. 1


Termometria e dilatação FÍSICA II
Assunto 1

05 Três termômetros de mercúrio, um graduado na escala Celsius, outro 09 Tentando criar uma escala própria para seus novos experimentos, um
na escala Fahrenheit e um terceiro na escala Kelvin são mergulhados no físico propõe a escala T, cuja temperatura indicada em qualquer estado
mesmo líquido contido em um recipiente de equivalente água nulo. Após térmico é a média aritmética entre os valores lidos na escala Celsius e na
um certo tempo, já atingido o equilíbrio térmico, nota-se que a soma dos Fahrenheit. Sobre a escala T proposta, é correto afirmar:
vetores numéricos indicados nas escalas Celsius e Fahrenheit é igual ao
dobro da soma da temperatura de ponto de gelo com a temperatura de (A) Não é de fato uma escala, pois não foram definidos os pontos fixos.
ponto vapor na escala Celsius para pressão normal. (B) Para uma variação de 20°C teremos uma variação de 56°T.
Determine a leitura do termômetro graduado na escala Kelvin: (C) Apresentará valores maiores do que os lidos na escala Celsius para
temperaturas maiores que –90°C.
(A) 222 K. (D) O ponto do gelo da escala P é –10°C.
(B) 333 K. (E) O ponto do vapor na escala P é 166°T.
(C) 444 K.
(D) 555 K. 10 (ITA/1980) Uma placa metálica tem um orifício circular de 50,0 mm
(E) 666 K. de diâmetro a 15°C. A que temperatura deve ser aquecida a placa para
que se possa ajustar no orifício um cilindro de 50,3 mm de diâmetro? O
06 Um termômetro de gás consiste em dois bulbos, cada um colocado coeficiente de dilatação linear do metal é α = 1,2 ⋅ 10−5 por Kelvin.
em um recipiente com água. A diferença de pressão entre eles é medida
por um manômetro de mercúrio, como mostra a figura. O volume de gás (A) θ = 520 K.
nos bulbos é mantido constante, usando reservatórios apropriados, que (B) θ = 300°C.
não aparecem na figura. Quando os recipientes estão à temperatura do (C) θ = 300 K.
ponto triplo da água, a diferença de pressão indicada pelo manômetro (D) θ = 520°C.
é 0. Quando um dos receptáculos está na temperatura do ponto triplo (E) θ = 200°.
(Ttriplo) e o outro na do ponto de ebulição da água, o manômetro indica
120 mmHg. Finalmente, o manômetro indica 90,0 mmHg, quando um 11 Um pino feito de um metal A tem diâmetro de encaixe d1, a uma
dos recipientes está à temperatura do ponto triplo e o outro está a uma temperatura T0, em graus Celsius. O pino deve ser encaixado em um orifício
temperatura desconhecida. Qual é a temperatura absoluta desconhecida? maior de diâmetro d2, que está na mesma temperatura T0 em uma chapa
de metal B. Sabe-se que o metal A possui coeficiente de dilatação linear αA
maior que o coeficiente de dilatação linear do metal B, αB. Podemos afirmar
que o procedimento correto e a temperatura de encaixe perfeito são:

(A) resfriamento; T =
( d1 – d2 )
.
T0 ( d2α B – d1α A )

(B) aquecimento; T =
( d2 – d1 ) – T0 ( d2α B – d1α A )
.
d1α A – d2α B

07 Um termopar é formado de dois metais diferentes, ligados em dois (C) resfriamento; T =


( d1 – d2 ) – T0 ( d2α B – d1α A )
.
pontos de tal modo que uma pequena voltagem é produzida quando as d1α A – d2α B
duas junções estão em diferentes temperaturas. Num termopar específico
ferro-constatan, com uma junção mantida a 0°C, a voltagem externa varia (D) aquecimento; T =
( d2 – d1 ) – T0 ( d2α B – d1α A )
.
linearmente de 0 a 28 mV, à medida que a temperatura de outra junção é d2α A – d1α B
elevada de 0 até 510°C. Encontre a temperatura da junção variável quando
o termopar gerar 10,2 mV. (E) aquecimento; T =
( d2 – d1 ) – T0 ( d2α B – d2α A )
.
d1 + d2
(A) 76°C.
(B) 86,2°C. 12 O volume de 1 g de gelo diminui 90 mm3 quando ele se funde a 0°C
(C) 106,1°C. sob pressão de 1 atm. Supondo que a densidade da água vale 1,00 g/cm3,
(D) 186°C. calcule a densidade do gelo em g/cm3 com a mesma aproximação indicada
(E) 226°C. no valor da densidade da água.

08 Um termômetro que mede a temperatura ambiente indica sempre 2°C 13 Uma esfera metálica é totalmente imersa em parafina e seu empuxo
acima da correta, e outro que mede a temperatura de um líquido indica 3°C é medido por meio de um dinamômetro ideal. Sabendo que a 20°C o
abaixo da correta. Se o líquido está a 5°C acima da temperatura ambiente, empuxo vale 0,2000 N, e que a 100°C vale 0,2145 N, calcule o coeficiente
a indicação dos termômetros defeituosos, em graus Celsius, pode ser: de dilatação volumétrica da parafina.
(A) 18 e 16. Dado: coeficiente de dilatação linear do metal: αmetal = 1,2 · 10–5°C–1.
(B) 18 e 18.
(C) 18 e 20. 14 Um corpo homogêneo e maciço de massa M e coeficiente de dilatação
(D) 18 e 23. volumétrica constante γ é imerso inicialmente em um líquido também
(E) 18 e 28. homogêneo à temperatura de 0°C, e é equilibrado por uma massa m1

IME-ITA – Vol. 1 349


FÍSICA II
Assunto 1

por meio de uma balança hidrostática, como mostra a figura abaixo. 19 Uma barra mede exatamente 20,05 cm, verificados com uma régua
Levando o sistema formado pelo corpo imerso e o líquido até uma nova de aço a 20°C. Colocamos a barra e a régua em um forno a 270°C e,
temperatura de equilíbrio térmico x, a nova condição de equilíbrio da nessas condições, medimos a barra com régua, obtendo 20,11 cm. Qual
balança hidrostática é atingida com uma massa igual a m2, na ausência o coeficiente de dilatação da barra?
de quaisquer resistências. Nessas condições, o coeficiente de dilatação
volumétrica real do líquido pode ser determinado por: Dado: coeficiente de dilatação linear do aço: 11 · 10–6°C–1.

20 Um relógio de pêndulo feito de invar é preciso a 20°C. Se o relógio for


usado em um clima cuja temperatura média é de 30°C, qual a correção
(aproximadamente) necessária no fim de 30 dias do início da contagem?
m1 Dado: ainvar = 0,7 · 10–6°C–1.
M
21 (ITA) Um relógio tem um pêndulo de 35 cm de comprimento. Para
0 ºC regular seu funcionamento, ele possui uma porca de ajuste que encurta
o comprimento do pêndulo de 1 mm a cada rotação completa à direita e
alonga este comprimento de 1 mm a cada rotação completa à esquerda.
 m − m1  1  M − m1  Se o relógio atrasa um minuto por dia, indique o número aproximado
(A)  2  +  γ. de rotações da porca e sua direção necessários para que ele funcione
 M − m2  x  M − m2 
corretamente.
 m − m2  1  m − m2 
(B)  1  +  γ. (A) 1 rotação à esquerda.
 M − m1  x  M − m1  (B) 1/2 rotação à esquerda.
 M − m1  1  m2 − m1  (C) 1/2 rotação à direita.
(C)   +  γ. (D) 1 rotação à direita.
 M − m2  x  M − m2  (E) 1 e 1/2 rotações à direita.
 M − m2  1  m1 − m2 
(D)   +  γ. 22 Uma haste de cobre de 3 m de comprimento está apoiada em dois
 M − m1  x  M − m1 
pontos por meio de rolos cilíndricos de 1 cm de diâmetro. Se a temperatura
da barra aumenta de 20°C para 220°C, quanto cada cilindro irá girar em
15 (ITA) Uma ampola de vidro está totalmente cheia com certa massa radianos?
mo de líquido a 0°C. Aquecendo-se o sistema a q°C, resta na ampola só
a massa m do líquido. O vidro tem coeficiente de dilatação k, sendo o do Dado: αCu = 1,7 · 10–5°C–1.
líquido γ. A partir de mo, m, k, γ, calcule θ.

16 (ITA) Um bulbo de vidro cujo coeficiente de dilatação linear é 3 · 10–6°C–1


está ligado a um capilar do mesmo material. À temperatura de –10,0°C, O A B
a área da secção do capilar é 3,0 · 10–4 cm² e todo o mercúrio, cujo
coeficiente de dilatação volumétrica é 180 · 10–6°C–1, ocupa o volume total 1m 2m
do bulbo, que a essa temperatura é 0,500 cm³. O comprimento da coluna
de mercúrio a 90,0°C será:
23 Uma barra de cobre foi recurvada tomando a forma de uma
(A) 270 mm.
semicircunferência. As extremidades foram unidas por uma outra barra
(B) 540 mm.
reta constituída por dois metais: uma parte, de comprimento x, era de
(C) 285 mm.
zinco e a outra, de comprimento y, de platina.
(D) 300 mm.
(E) 257 mm. cobre

17 Uma régua foi calibrada a 0°C. Quando utilizada, em uma temperatura platina
T > 0, para medir uma certa distância, verificou-se que havia um erro de zinco
15% nessa leitura. Sendo α o coeficiente de dilatação linear do material
que constitui a régua, responda:

a. O erro foi para mais ou para menos?


São dados os coeficientes de dilatação lineares:
b. se α = 2 · 10–3°C–1, calcule T.
• cobre = 17 · 10–6°C–1.
18 Uma haste metálica é utilizada para medir o comprimento de um
• zinco = 29 · 10–6°C–1.
terreno. Sabe-se que a 15°C o comprimento da barra é 5 m. Se a medida
• platina = 9 · 10–6°C–1.
do terreno foi feita em um dia em que a temperatura é 35°C e o valor
encontrado foi 100 m, calcule o comprimento real do terreno. Para que o arco de cobre conserve sua forma semicircular, a qualquer
x
Dado: αmetal = 4 · 10–4°C–1. temperatura a que seja levado, a razão entre os comprimentos iniciais
y
x e y dos segmentos de zinco e platina deve ser:

350 IME-ITA – Vol. 1


Termometria e dilatação FÍSICA II
Assunto 1

24 Uma barra com uma rachadura no centro entorta para cima com um Dados:
pequeno aumento de temperatura de T°C. Sendo Lo o comprimento inicial • Coeficiente de dilatação linear do alumínio: αAl = 2,4 · 10–5°C–1;
da barra e α o seu coeficiente de dilatação linear, determine x. Considere • densidade do alumínio a 4°C: ρAl = 2,7 · 103 kg/m3;
x <<< Lo. • coeficiente de dilatação linear do vidro: αvidro = 8 · 10–6°C–1;
• coeficiente de dilatação volumétrica da água: γágua = 4,4 · 10–4°C–1;
• densidade da água a 0°C: ρágua = 1 · 103 kg/m3.
L0
02 São dadas duas tiras metálicas, uma de ferro e outra de zinco, as quais
se ligam mutuamente mediante rebites, conforme indica a figura abaixo. A
x espessura das tiras é suposta desprezível; a distância que as separa é d.
Os coeficientes de dilatação linear são αf para o ferro e αz para o zinco,
com αz > αf . A dilatação térmica dos rebites pode ser desprezada. A 0°C
L0 o sistema apresenta-se reto. A uma temperatura qualquer θ o par de tiras
se apresenta encurvado em forma de arco de circunferência. Supõe-se
que o eixo dos rebites seja sempre normal às tiras nos pontos de ligação.
25 Três bastões de mesmo comprimento L formam um triângulo equilátero Pede-se determinar o raio de curvatura Rz (externo) do zinco para uma
ABC. O ponto O é médio do lado BC. A distância OA permanece inalterada temperatura θ qualquer.
para pequenas variações de temperatura. Se o coeficiente de dilatação
linear para AB e AC é α2 e para BC é α1, qual a relação entre os coeficientes? zinco

26 Quatro hastes de ferro, de comprimentos iguais a 20 cm, articuladas


nas extremidades, formam um losango ABCD. Deseja-se ligar os vértices ferro
A e C mediante uma barra de zinco de comprimento x, tal que a distância
entre os vértices B e D seja constante, independentemente da temperatura.
Os coeficientes de dilatação linear do ferro e do zinco são, respectivamente,
12 · 10–6°C–1 e 29 · 10–6°C–1. Qual é o valor de x?

27 Três bastões retos, 1, 2 e 3, com iguais comprimentos, feitos de


materiais de coeficientes de dilatação linear α1, α2 e α3, respectivamente, Rz
todos a uma mesma temperatura T0, formam um triângulo equilátero. A
que temperatura o ângulo oposto ao bastão 3 será θ? Considere que T é
da ordem de 102°C e que α1, α2 e α3 são todos da ordem de 10–5/°C.
(A)
[1 + α z q] d .
28 (IME-CG) Um banhista resolve medir a quantidade de energia solar [α z − α f ]
absorvida pelo seu corpo, deitado na areia da praia, em um dia de Sol, no
momento em que a temperatura ambiente é 50°C. Para tal, ele estima a área do 1 + ( α z + α f ) q  d
(B)  .
corpo exposta à radiação em 1 m² e mede o tempo de exposição como sendo [α z − α f ] q
3.600 vezes o período de um pêndulo simples. Se o período desse pêndulo é
1 s à temperatura de 20°C e o coeficiente de dilatação linear do fio do pêndulo 1 + ( α z − α f ) q  d
(C)  .
é 1,0 · 10–2°C–1, determine o valor da energia calculada pelo banhista. [α z − α f ] q
Considere que:
(D)
[1 + α z q] d .
• O banhista absorve toda a radiação incidente;
• o processo de dilatação é instantâneo.
[α z − α f ] q
(E)
[1 + α f q] d .
Dados:
• Aceleração da gravidade: 10 m/s2; [α z − α f ]
• intensidade da radiação solar: 1320 W/m².
03 (ITA) Um quadro quadrado de lado  e massa m, feito de um material
de coeficiente de dilatação superficial β, é pendurado no pino O por uma
corda inextensível, de massa desprezível, com as extremidades fixadas no
meio das arestas laterais do quadro, conforme a figura. A força de tração
01 Um recipiente retangular de vidro possui água até a altura de h = 0,6 m, máxima que a corda pode suportar é F. A seguir, o quadro é submetido
conforme apresenta a figura. Um tubo de alumínio de L =1 m de a uma variação de temperatura T, dilatando. Considerando desprezível a
comprimento é fixado no fundo desse tanque por meio de um pino. Sabe-se variação no comprimento da corda devida à dilatação, podemos afirmar que
que a seção transversal do tubo é circular, porém não toda preenchida, de o comprimento mínimo da corda para que o quadro possa ser pendurado
modo que a área externa é 1,2 cm² e a interna 1,0 cm². A temperatura inicial com segurança é dado por:
do sistema é 4°C. Quanto irá variar o ângulo entre o tubo e a horizontal se
a temperatura do sistema atingir 94°C?

IME-ITA – Vol. 1 351


FÍSICA II
Assunto 1

Com isso, conclui que o comprimento calculado seria teoricamente menor.


0 Ele, então, repete a experiência e percebe que o comprimento não se
altera, mas pela teoria deveria se reduzir ainda mais. Raciocinando sobre
a situação, o estudante se pergunta: caso esse processo (aquecimento
 seguido por resfriamento) se repita infinitas vezes, a barra irá desaparecer?

Explique por que a barra não irá sumir, mostrando qual a expressão correta
para analisar o caso.
/2 /2

(A) 2 lF βT /mg.
2 (1 + βT ) /mg.
(B)  lF

(C)  2 lF (1 + βT ) / 4 F 2 − m2g2 .

(D) 2 lF (1 + βT ) / ( 2F − mg ) .
(E) 2 lF (1 + β T ) / 4 F 2 − m2g2 .

04 Tem-se atribuído o avanço dos oceanos sobre a costa terrestre ao


aquecimento global. Um modelo para estimar a contribuição da dilatação
térmica é considerar apenas a dilatação superficial da água dos oceanos,
no qual toda a superfície terrestre está agrupada em uma calota de área
igual a 25% da superfície do planeta e o restante é ocupado pelos oceanos,
conforme ilustra a figura.
Z
r área do avanço oceânico
L=R⊗θ
terra

θ R

água
x

Dados:
Raio médio da Terra 6.400 km;
sen q = 0,86;
coeficiente de dilatação superficial da água: (4/3) · 10–4°C–1.

De acordo com o exposto, calcule a variação de temperatura dos oceanos


responsável por um avanço médio de L = 6,4 m sobre a superfície terrestre.

05 Um jovem aluno, apaixonado por física, decide fazer um experimento


para verificar a veracidade do que aprendeu sobre dilatação. Para isso,
ele utiliza uma barra de ferro, um forno e uma trena. A barra possui
comprimento l0 à temperatura ambiente T0, é aquecida até uma temperatura T
e atinge um comprimento final l. Ao ser retirada do forno, após algum
tempo, atinge o equilíbrio com o ambiente e retorna à temperatura T0.
Nesse novo equilíbrio, o jovem mede o comprimento da barra e constata
que vale l0.
Ao fazer anotações em seu caderno, o aluno percebe que com as
expressões que conhece sobre dilatação, ao aquecer e posteriormente
resfriar a barra, seu comprimento não retornaria a ser l0, mas sim assumiria
outro valor:
) l0 1 + α2 ( T − T0 )2  .
= l0 1 + α ( T − T0 )  1 + α ( T0 − T=
lfinal

352 IME-ITA – Vol. 1


FÍSICA II ASSUNTO

Calorimetria
2
1. Noções iniciais 2. Propagação de calor
A calorimetria analisa as trocas de calor entre os corpos e as suas A transferência de calor entre dois pontos pode ocorrer por três
consequências. Lembrando que calor é energia térmica em trânsito, processos: convecção, condução e radiação.
poderemos, futuramente, estabelecer princípios gerais para a calorimetria
com base nesse fato. 2.1 Convecção
A quantidade de calor (Q) representa a quantidade de energia que A convecção ocorre, normalmente, em um fluido (gás ou líquido)
é trocada entre corpos a diferentes temperaturas quando entre eles se e se caracteriza pela transferência de calor pelo movimento do próprio
estabelece uma transmissão de calor; por exemplo, quando colocamos fluido, gerando uma corrente de convecção. Esta pode ter duas naturezas:
em contato uma pedra de gelo a 0°C e um volume qualquer de água líquida
a 20°C. Um fato importante que se deve notar de imediato é que só há • convecção forçada: um fluido impulsionado pela ação de um ventilador
transferência de calor quando os corpos estão a temperaturas diferentes. ou de uma bomba, por exemplo.
Não haveria troca de calor entre gelo a 0°C e água a 0°C se eles fossem • corrente natural ou convecção livre: um fluido quando aquecido diminui
postos em contato. de densidade, tendendo assim a subir sob efeito gravitacional, sendo
Por ser energia, Q deve ser expressa em unidades de energia. As substituído por um fluido mais frio com maior densidade.
mais comuns são:
→ joule (J) – é a unidade SI para energia; Obs.: A densidade de um fluido gasoso pode ser calculada pela equação
geral dos gases.
→ caloria (cal);
→ quilocaloria (kcal ou cal) = 1.000 cal.
m m P·M
P · V =n · R · T = · R · T ⇒ =d =
Obs.: 1 cal = 4,18 J. M V R·T

Quando um corpo troca calor, suas moléculas podem se modificar Ex.: Os fabricantes de geladeira levam em conta o fato de o ar quente
energeticamente de duas formas: alterando sua energia cinética ou sua subir e o ar frio descer. Por isso, o congelador, que é o responsável pelo
energia potencial. A energia cinética das moléculas será alterada quando resfriamento interno da geladeira, fica na parte de cima. Ele resfria o ar
for verificado que o calor trocado modificou a temperatura do corpo. Já próximo de si. Esse ar frio desce, enquanto o ar quente, que está embaixo,
a energia potencial dessas moléculas será alterada quando for verificado sobe. Assim, produzem-se correntes de convecção, que mantêm o interior
que o calor trocado modificou o estado de agregação destas – em outras da geladeira em constante resfriamento. Se o congelador ficasse na parte
palavras, quando o corpo mudar de fase. Cada um desses efeitos (mudança de baixo da geladeira, o ar resfriado permaneceria na parte inferior. E o ar
de temperatura e mudança de fase) ocorre em uma faixa de temperatura que estivesse em cima continuaria quente, pois não desceria para poder
específica do corpo que realiza a troca. Por exemplo, analisemos o ser resfriado pelo congelador.
comportamento de uma massa de água ao longo do tempo enquanto
recebe calor e os efeitos que essa troca de calor lhe provoca; veja o gráfico Ex. 1: No ar das cidades, também constatamos a convecção. Os gases
esboçado abaixo: poluentes que saem do escapamento dos veículos e das chaminés das
fábricas tendem a subir, pois estão quentes. Esse é um exemplo em que
T (°C) as correntes de convecção favorecem a dispersão dos poluentes.
(vapor a 100°C)
(água transformando-se Ex. 2: No corpo humano, há um mecanismo de convecção forçada,
em vapor) responsável pela manutenção da temperatura corpórea: o fluxo sanguíneo,
100 (vapor esquentando)
(água a 100°C) no qual o coração funciona como uma bomba, impulsionando o sangue
(fluido).
(água esquentando)
0
tempo
(água a 0°C)
A transferência de calor por convecção é um processo muito complexo
(gelo transformando-se em água)
(gelo a 0°C)
e não existe uma equação simples para descrevê-lo. No entanto, há
–50 algumas observações que podem ser vistas experimentalmente:
(gelo esquentando)

(gelo a –50°C) • A taxa de transferência de calor por convecção é diretamente


proporcional à área da superfície;
Percebe-se que uma mudança de fase não ocorre sempre com aumento • a viscosidade do fluido retarda o movimento da convecção natural nas
de temperatura e vice-versa. Assim, cada um desses “tipos” de troca de calor suas vizinhanças de superfícies estacionárias, dando origem a uma
é estudado separadamente. Definem-se, portanto, calor sensível – aquele camada isolante ao longo da superfície. Contudo, uma convecção
que provoca uma variação de temperatura – e calor latente – aquele que forçada provoca diminuição da espessura dessa camada, aumentando
provoca uma mudança de fase. a taxa de transferência de calor.

IME-ITA – Vol. 1 353


FÍSICA II
Assunto 2

2.2 Condução • S é a área da superfície;


• T é a sua temperatura;
Nesse processo, há transferência de calor sem que haja movimento do
próprio corpo e só pode ocorrer em meio material (fluidos ou sólidos) sob
ε=1
efeito de diferença de temperatura. Em nível atômico, essa transferência
pode ser interpretada em decorrência da grande energia cinética dos • ε é a emissividade: valor compreendido entre 0 e 1, que representa a
átomos mais quentes, que transferem a sua energia para os átomos razão entre a taxa de radiação de uma superfície e a taxa de radiação
vizinhos mais frios por meio das colisões. de um corpo ideal, chamado corpo negro;
A taxa de transferência de calor pode ser medida utilizando-se cinco • σ é a constante de Stefan-Boltzmann. No SI, ela vale:
leis básicas: s =5,67 · 10−8 W m2 · K 4 .

• O calor sempre flui de um ponto A de maior temperatura para um ponto B
de menor temperatura; Obs.: Corpo negro é aquele que absorve toda a radiação incidente sobre ele.
• é proporcional à diferença de temperatura ∆T; Esse corpo também emite radiação idealmente, ou seja, ε = 1.
• é inversamente proporcional à espessura da chapa metálica ∆X;
• é diretamente proporcional à área pela qual o calor está fluindo;
• é proporcional ao tempo. 3. Trocas de calor
Combinando-se esses cinco princípios, podemos medir a taxa de 3.1 Calor sensível
transferência de calor pela seguinte equação:
É a quantidade de calor que um corpo recebe ou cede, tendo como
consequência a variação de sua temperatura.
ΔQ ΔT Equação fundamental da calorimetria:
=φ = −k · A ·
Δt Δx
Q = m · c · ∆T
ΔT
• A razão é chamada gradiente de temperatura e para a condução, Em que:
Δx
possui valor negativo. Q → quantidade de calor sensível;
• A constante k representa a condutividade térmica do material, indicando m → massa do corpo que varia a temperatura;
se o material é um bom ou mau condutor de calor. No SI, k possui a c → calor específico da substância que constitui o corpo;
seguinte dimensional:
cAl = 0,219 cal/g°C;
cágua = 1,000 cal/g°C;
ΔQ 1 Δx  J·m W
[ k ]  Δt · A · =
= 
ΔT  s · m · K
2 [
⇒= k]
m· K
cgelo = 0,550 cal/g°C;

cvapor = 0,480 cal/g°C;
∆T → variação de temperatura.
Quando os extremos do corpo são mantidos a temperaturas
constantes, um regime estacionário é estabelecido, ou seja, a temperatura 3.2 Capacidade térmica – C
ao longo do corpo não depende do tempo. Isso significa que o fluxo de
calor tem de ser o mesmo em qualquer parte do corpo. É a quantidade de calor que um corpo precisa receber ou ceder para
que sua temperatura varie de um grau.
Obs.: Os metais, que conduzem bem a eletricidade, também são bons
condutores de calor. Segundo a lei de Wiedemann-Franz, a condutividade Q = C · ∆T
térmica de um metal é proporcional à sua condutividade elétrica.
Obs.: A capacidade térmica de um corpo de massa m e constituído de um
2.3 Radiação material de calor específico c pode ser determinada pelo produto dessas
duas características físicas.
É responsável pela transferência de calor de um ponto a outro por meio
da radiação eletromagnética, que pode se propagar no vácuo. Qualquer
corpo, mesmo a baixas temperaturas, emite energia sob a forma de radiação C=m·c
eletromagnética.

• A 20°C, um corpo emite radiação no espectro infravermelho. 3.3 Equivalente em água de um corpo
• A 800°C, um corpo emite radiação visível. É a massa de água (meq) que possui a mesma capacidade térmica
• A 3.000°C, há emissão de radiação ultravioleta. do corpo.

A taxa de radiação da energia de uma superfície pode ser calculada (mc)água = (mc)corpo
pela lei de Stefan-Boltzmann.
Obs.: O equivalente pode ser em relação à outra substância qualquer no
Φ = ε · σ · S · T4 lugar da água.

354 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

3.4 Calorímetro 5. Diagrama de fases


Recipiente utilizado para experiências de trocas de calor entre dois ou É um gráfico que representa as curvas de fusão, vaporização e sublimação,
mais corpos. São normalmente adiabáticos, isto é, não trocam calor com associando estas a variáveis de estado da substância, geralmente pressão
o meio exterior. Podem participar ou não das trocas de calor. e temperatura.
• Calorímetro que participa das trocas de calor: possui capacidade
P P
térmica → Ccal .
• Calorímetro que não participa das trocas de calor: possui capacidade A A
CO2 H2O
térmica desprezível → Ccal = 0. C ponto
S C ponto S
L crítico L crítico
3.5 Calor latente ponto ponto
tríplice G tríplice G
É a quantidade de calor que um corpo recebe ou cede tendo como T
T V V
consequência sua mudança de estado.
T T
Q=m·L 0 0
Nomes das curvas
Em que:
Q → quantidade de calor latente; OT → curva de sublimação; TA → curva de fusão; TC → curva de vaporização
m → massa do corpo que muda de fase; Ponto tríplice (ponto triplo): pressão e temperatura na qual coexistem
L → calor específico latente da substância que constitui o corpo. os três estados da substância.

Obs.: É importante notar se o calor latente será positivo ou negativo, ou Substância Temperatura (K) Pressão (105 Pa)
seja, se o corpo cede ou recebe calor; como nos exemplos abaixo.
hidrogênio 13,84 0,0704
Ex.: oxigênio 54,36 0,00152
Calores específicos latentes da água: dióxido de carbono 216,55 5,17
→ calor específico latente de fusão: LF = 80 cal/g;
água 273,16 0,00610
→ calor específico latente de solidificação: LS = –80 cal/g;
→ calor específico latente de vaporização: LV = 540 cal/g; Ponto crítico: temperatura e pressão acima das quais as fases líquida
→ calor específico latente de condensação: LF = –540 cal/g. e de vapor não podem mais coexistir, isto é, mesmo variando a pressão
ou a temperatura, a substância não muda mais de estado. Acima dessa
Recordemos as mudanças de fase de uma substância observando temperatura e pressão o estado é chamado de gasoso.
o esquema abaixo:
Substância Temperatura (K) Pressão (105 Pa)
vapor hidrogênio 33,3 13,00
oxigênio 154,8 50,8
sublimação vaporização
dióxido de carbono 304,2 73,9
condensação
água 647,4 221,2
fusão
sólido líquido
solidificação 6. Pressão de vapor
(pressão máxima de vapor)
Suponha um frasco tampado que contém um líquido qualquer.
4. Lei zero da termodinâmica Inicialmente, sobre esse líquido, há vácuo, como na figura abaixo:
Equação geral das trocas de calor: se dois ou mais corpos, que vácuo
trocam entre si apenas calor, constituem um sistema isolado – ou seja, não
trocam calor com o que está fora desse sistema –, a soma da quantidade
líquido
total de calor cedido com a quantidade total de calor recebido é nula
(princípio da conservação de energia).

Qcedido + Qrecebido = 0 ou ∑Q = 0
Após a contagem do tempo, observaremos que algumas partículas
Obs.: do líquido vaporizam-se, começando a preencher o espaço que antes era
→ Calor recebido por um corpo é sempre positivo (Q > 0). vácuo. Esse vapor exerce uma pressão nas paredes do recipiente e no
→ Calor cedido por um corpo é sempre negativo (Q < 0). próprio líquido, que é a pressão de vapor.

IME-ITA – Vol. 1 355


FÍSICA II
Assunto 2

Observaremos que, inicialmente, a quantidade de par tículas


vaporizadas (e, consequentemente, a pressão de vapor) aumenta com
7. Umidade
o tempo. Contudo, simultaneamente a esse aumento de pressão, outro O ar atmosférico é uma mistura de gases contendo cerca de 78% de
fato ocorre: partículas de vapor, ao colidirem com a superfície do líquido, nitrogênio, 21% de oxigênio e pequenas quantidades de dióxido de carbono,
podem perder energia e voltar à fase líquida. Esse número de colisões vapor-d’água e outros gases. A massa de vapor-d’água por unidade de
aumenta com o número de partículas na fase de vapor. Isso significa que, volume chama-se umidade absoluta.
embora sempre haja partículas de líquido se vaporizando, também haverá A pressão total exercida pela atmosfera é a soma das exercidas por
partículas de vapor se condensando. Haverá um instante em que essas seus componentes gasosos, ou seja, das suas pressões parciais. A razão
duas velocidades de mudança de fase se igualarão, havendo um equilíbrio entre a pressão parcial e a máxima de vapor é denominada umidade
dinâmico. Nesse instante, a quantidade de vapor é máxima e constante; relativa.
essa massa de vapor exerce a chamada pressão máxima de vapor.

pressão parcial de vapor


umidade relativa (%) = 100 ⋅
pressão máxima de vapor
decorrer
do tempo

Quando a pressão parcial se iguala à pressão máxima, dizemos


que o vapor está saturado e a umidade relativa será de 100%, e não
haverá evaporação. Se a pressão parcial ultrapassar a máxima, haverá
A pressão de vapor de uma substância é função apenas da temperatura condensação, diminuindo a pressão parcial até se igualar a máxima
e não do volume. daquela temperatura. Esse é o processo pelo qual se formam as nuvens,
o nevoeiro e as chuvas.
Pressão de vapor-d’água
mvapor PM
T Pressão T Pressão T Pressão =
unidade absoluta =
(°C) (mmHg) (°C) (mmHg) (°C) (mmHg) volume RT

–15 1,436 24 22,377 115 1267,98


–13 1,691 26 25,209 120 1489,14 Obs.: Ponto de orvalho é a temperatura em que o vapor-d’água se torna
saturado. A evaporação torna-se maior quanto menor for a pressão parcial
–11 1,987 28 28,349 125 1740,93
de vapor ou quanto maior for a pressão máxima de vapor.
–9 2,326 30 31,824 130 2026,16
–7 2,715 35 42,175 135 2347,26 7.1 Sobrefusão
–5 3,163 40 55,324 140 2710,92 resfriamento normal
–3 3,673 45 71,88 145 3116,76 T (°C)
–1 4,258 50 92,51 150 3570,48
0 4,579 55 118,04 155 4075,88 líquido
2 5,294 60 149,38 160 4636,00 Tsolidificação solidificação
4 6,101 65 187,54 165 5256,16 Qtrocado
6 7,013 70 233,70 170 5940,92 sólido
8 8,045 75 289,10 175 6694,08
sobrefusão
10 9,209 80 355,10 180 7520,20 T (°C)
12 10,518 85 433,60 185 8423,84
14 11,987 90 525,76 190 9413,36 líquido
16 13,634 95 633,90 195 10488,76
Tsolidificação A C solidificação
18 15,477 100 760,00 200 11659,16 líquido em agitação Qtrocado
20 17,535 105 906,07 205 12929,12 TSF sobrefusão
B sólido
22 19,827 110 1074,56 210 14305,48

Sob certas condições, os líquidos podem atingir, aparentemente em


Obs.: Um líquido entra em ebulição quando sua pressão de vapor se iguala à
equilíbrio, temperaturas abaixo da de solidificação ainda no estado líquido.
pressão atmosférica. Por isso, a água ferve a 100°C ao nível do mar, porém
Esse equilíbrio é denominado metaestável (a passagem para sólido é
ferve a temperaturas menores quando a altitude aumenta (menor pressão).
muito lenta).
Uma simples vibração ou introdução de uma porção sólida provoca
uma rápida solidificação parcial ou total da substância. O gráfico anterior
(sobrefusão) ilustra tal fenômeno.

356 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

No intervalo de tempo da solidificação, uma parte do líquido libera uma Solução: Letra C.
quantidade de calor suficiente para o aquecimento de todo o sistema que Quanto maior o calor específico de um material, maior a capacidade térmica
volta à temperatura de solidificação, sem a interferência do meio externo. de um corpo feito desse material, logo maior será a retenção de calor desse
corpo. Desejamos, então, a fim de fabricarmos uma panela que esquente
rapidamente o seu conteúdo, um material de baixo calor específico, para
Qaquecimento = Mtotal ⋅ cliq ⋅ (Tfusão − Tsobr ) = msolidificada ⋅ Lfusão que a panela não retenha o calor. Quanto maior a condutividade térmica de
um corpo, maior será a propagação de calor por meio deste. Desejamos,
então, para essa panela, um material de alta condutividade térmica.
7.2 Compreendendo melhor a umidade relativa 02 Um galpão possui 300 m2 de paredes laterais, laje, janelas e portas.
Todos os ambientes restrigem sua máxima capacidade de vapor-d’água O coeficiente de condutibilidade térmica média desses conjunto é
permitida. Essa máxima quantidade está diretamente ligada à temperatura k = 0,50 W/m°C e a espessura média é x = 0,20 m. No inverno, deseja-se
que o ambiente se encontra e, consequentemente, à pressão. Para manter constante, em 20°C, a diferença de temperatura do ar no interior e
encontrarmos tais valores, basta traçarmos uma reta vertical no diagrama no exterior do galpão, durante o período de um mês. Considere 4 J = 1 cal.
de fases abaixo no ponto de equilíbrio entre líquido e vapor. Qual o custo mensal para manter constante a temperatura do ambiente
interno por meio de lâmpadas acesas, considerando que 1 MWh de energia
elétrica custa R$120,00?
pressão, P

Solução:
Aplicando-se a lei de Fourier, temos:
sólido líquido 0, 5 ⋅ 300 ⋅ 20
Φ= = 15.000 W = 0, 015 MW.
0, 2
Durante um mês = 30 · 24 horas = 720 h.
vapor A energia consumida será E = 0,015 · 720 = 10,8 MWh
Assim, o custo será de R$120,00 · 10,8 = R$1.296,00.

03 Considere duas barras metálicas de mesma seção transversal,


temperatura, T homogêneas e de comprimentos 1 e 2 soldadas de forma a compor
uma única barra de comprimento  = 1 + 2. Os extremos das barras
são mantidos a temperaturas T1 e T2. Determine a temperatura da junção
A umidade relativa é a razão entre a quantidade de água existente pela
das barras quando o regime estacionário for estabelecido.
máxima permitida.
Solução: No regime estacionário, o fluxo através das duas barras é o
Obs.: Pronunciar “umidade relativa” já nos faz pensar no quão úmido um mesmo. Seja T a temperatura na junção das barras, assim:
ambiente está. Isso só é possível se estivermos comparando uma situação
com certa quantidade de água e a máxima permitida. ΔT ΔT
φ1 = φ2 ⇒ k1=
· A1 · 1 k2 · A2 · 2 ⇒
Δx1 Δx 2
Suponha a seguinte situação: Uma sala fechada, onde não há nenhuma ( T1 − T ) k · A · ( T − T2 ) ⇒
molécula de água em nenhum estado. k=
1 · A1 · 2 2
l1 l2
Considere que nesse ambiente a restrição é de 1.000 móleculas
de água na forma de vapor. Se não existe água, podemos dizer que sua k=
( T1 − T ) k · ( T − T2 ) ⇒
1· 2
pressão parcial é nula (no diagrama de fases, estamos na região do vapor). l1 l2
Agora, coloquemos um recipiente que possuí 600 moléculas de água em k1 · T1 − k1 · T k2 · T − k2 · T2
sua fase líquida. Repare que todas as moléculas de água irão evaporar, = ⇒
l1 l2
pois 600 < 1.000. Assim, dizemos que a umidade relativa daquele
ambiente é de: l 2 · k1 · T1 − l 2 · k1 · T = l 1 · k2 · T − l 1 · k2 · T2 ⇒
l 2 · k1 · T1 + l 1 · k2 · T1 = l 1 · k2 · T + l 2 · k1 · T ⇒
l 2 · k1 · T1 + l 1 · k2 · T2
600 T= .
=
umidade = 0,6
= 60% l 1 · k2 + l 2 · k1
1.000
04 Considere que a área total de um corpo humano adulto seja 1,20 m2,
e que sua temperatura seja de 36°C, calcule a taxa total de transferência
de calor do corpo por radiação. Se o meio ambiente estiver a 20°C, qual
é a taxa resultante de calor perdido pelo corpo por radiação?
Considere que a emissividade do corpo se assemelhe a de um corpo
01 Um cozinheiro quer comprar uma panela que esquente rápido e
negro, ou seja, ε =1.
uniformemente. Ele deve procurar uma panela feita de um material que tenha:
Solução: Aplicando a equação de Stefan-Boltzmann para taxa total de
(A) alto calor específico e alta condutividade térmica.
transferência de calor do corpo, teremos:
(B) alto calor específico e baixa condutividade térmica.
(C) baixo calor específico e alta condutividade térmica. ( )
φtotal =ε · s · S · T 4 =1· 5,67 · 10−8 · 1,2 · 3094
(D) baixo calor específico e baixa condutividade térmica. φtotal =
620 W.

IME-ITA – Vol. 1 357


FÍSICA II
Assunto 2

Com o ambiente a 20°C, há uma taxa de absorção de radiação pelo corpo. 07 Três líquidos distintos são mantidos a T1 = 15°C, T2 = 20°C e T3 = 25°C.
A taxa resultante será dada pela diferença entre a emissão do corpo e a Misturando os dois primeiros na razão 1 : 1, em massa, obtém-se uma
absorção do calor ambiente: temperatura de equilíbrio de 18°C. Procedendo da mesma forma com
os líquidos 2 e 3, tem-se uma temperatura final de 24°C. Determine
φresultante = φtotal − φambiente a temperatura de equilíbrio se o primeiro e o terceiro líquidos forem
(
φresultante = ε · s · S · T 4 ) total
(
− ε · s · S · T4 ) ambiente
misturados na razão 3 : 1 em massa.

φresultante =ε · s · S · T ( 4
corpo − T
4
ambiente ) Solução:
Aplicando-se a lei zero para a primeira experiência:
φresultante (
1· 5,67 · 10 −8
) · 1,2 · ( 309 4
− 293 4
) ΣQ = 0 → Q1 + Q2 = 0 → m · c1 · (18 – 15)+ m · c2 · (18 – 20) = 0 →
φtotal ≅ 119 W. 3c1 = 2 · c2.
Aplicando-se a lei zero para a segunda experiência:
05 Um grupo de amigos se reúne para fazer um churrasco. Levam um ΣQ = 0 → Q1 + Q2 = 0 → m · c2 · (24 – 20)+ m · c3 · (24 – 25) = 0 →
recipiente térmico adiabático contendo uma quantidade de gelo a –4°C e 4c2 = c3.
60 latas com 350 mL de refrigerante, cada uma. As latas são de alumínio e Aplicando-se a lei zero para a terceira experiência:
quando foram colocadas no recipiente estavam a uma temperatura de 22°C. ΣQ = 0 → Q1 + Q2 =0 → 3m · c1 · (Teq – 15)+ m · c3 · (Teq – 25) = 0
Considere que a densidade e o calor específico do refrigerante sejam, Colocando os calores específicos em função de c2, temos:
aproximadamente, iguais aos da água. Sabendo-se que, no equilíbrio 3m · (2c2 · /3)(Teq– 15)+m · 4c2 · (Teq – 25) = 0
térmico, a temperatura no interior do recipiente adiabático é 2°C, calcule: 2(Teq – 15) + 4(Teq – 25) = 0
Teq = 65/3°C.
a. a quantidade de calor cedida pelas latas e pelo refrigerante.
b. a massa de gelo, em quilogramas, que foi colocada no recipiente. 08 Em um calorímetro são colocadas duas substâncias: gelo e ferro. O
gelo está a uma temperatura de –5°C e o ferro a uma temperatura de 120°C.
Dados: Considerando a massa de ferro com 100 g, calcule a temperatura de
Calor específico do gelo c(g) = 0,50 cal/g°C; equilíbrio e as fases envolvidas para as seguintes massas de gelo:
calor específico da água c(a) = 1,0 cal/g°C;
calor específico do alumínio c(Al) = 0,22 cal/g°C; a. 100 g.
calor latente de fusão do gelo  = 80 cal/g; b. 20 g.
massa de alumínio em cada lata m(lata) = 30 g;
densidade da água ρ(a) = 1,0 g/cm3. Dados:
• Cgelo = cvapor = 0,5 cal/g°C;
Solução: • Cágua = 1,0 cal/g°C;
a. Qref = 60 · 350 · 1 · (–20) = –420.000 cal • Cferro = 0,2 cal/g°C;
QAl = 60 · 30 · 0,22 · (–20) = –7.920 cal. • Lfusão = 80 cal/g;
b. Lei zero: Qgelo + Qfusão + Qágua + Qref + QAl = 0 • Lebulição = 540 cal/g.
m · 0,5 · 4 + m · 80 + m · 1 · 2 – 427.920 = 0 ⇒ m = 5,1 kg.
Solução:
06 Um corpo, com calor latente de fusão igual a 16 cal/g, inicialmente no a. Como não sabemos em que fase da água ocorrerá o equilíbrio, faremos
estado sólido, é aquecido sob a potência constante de uma fonte de calor. alguns cálculos preliminares.
O gráfico seguinte representa a variação da temperatura com o tempo. – aquecimento do gelo até 0°C: Q = 100 · 0,5 · 5 = 250 cal;
Admitindo-se que o corpo absorva energia de maneira constante ao longo – fusão total do gelo: Q = 100 · 80 = 8.000 cal;
de todo o processo, determine o calor específico do sólido. – resfriamento do ferro até 0°C: Q = 100 · 0,2 · (–120) = –2.400 cal.
60
Note que o calor liberado pelo ferro é capaz de aquecer o gelo, mas não
é capaz de fundi-lo totalmente. Tiramos a conclusão que o equilíbrio
ocorrerá ao longo do processo de fusão, logo a 0°C.
50
Podemos calcular a massa de gelo que fundiu aplicando a lei zero
com três trocas de calor: aquecimento do gelo (Q1), fusão parcial do
T(°C)

40 gelo (Q2) e resfriamento do ferro (Q3).


ΣQ = 0 → Q1 + Q2 + Q3 =0 → 250 + m · 80 + (–2.400) = 0 →
30 m = 26,875 g.

b.
Agora, refazendo os cálculos preliminares, temos:
20
0 2 4 6 8 10 12 14 – aquecimento do gelo até 0°C: Q = 20 · 0,5 · 5 = 50 cal;
t (min) – fusão total do gelo: Q = 20 · 80 = 1.600 cal.
Solução: Veja que o calor liberado pelo ferro (2.400 cal) supera o total absorvido
De 0 a 4 min, o sólido se aquece absorvendo um calor: Q1 = m · c · ∆T. pelo gelo (1.650 cal).
De 4 a 12 min, o sólido se liquefaz absorvendo um calor: Q2 = m ⋅ L. Para determinar esse ponto de equilíbrio, aplicamos a lei zero com
Como a potência é constante: quatro trocas de calor: aquecimento do gelo (Q1), fusão total do gelo
(Q2), aquecimento da água (Q3) e resfriamento do ferro (Q4).
Q1 Q m ⋅ c ⋅ ∆T m ⋅ L
= 2 ⇒ = ⇒ ΣQ = 0 → Q1 + Q2 + Q3 + Q4= 0
∆t1 ∆t2 ∆t1 ∆t2 50 + 1.600 + 20 · 1 · (Teq – 0) + 100 · 0,2 · (Teq – 120) = 0.
L ⋅ ∆t1 16 ⋅ 4 Teq = 18,75oC.
c= = = 0,4 cal.
∆T ⋅ ∆t2 20 ⋅ 8

358 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

09 Um cubo de gelo com massa 67 g e a –15°C é colocado em um Solução:


recipiente contendo água a 0°C. Depois de certo tempo, estando a água e a. u 14 , 554
= = 0, 83 = 83%.
o gelo a 0°C, verifica-se que uma pequena quantidade de gelo se formou 17, 535
e se agregou ao cubo. Considere o calor específico do gelo 2.090 J/(kg°C)
e o calor de fusão 33,5 · 104 J/kg. Calcule a massa total de gelo no b. Da tabela, temos pmáx (18°C) = 15,477 mmHg.
recipiente, supondo que não houve troca de calor com o meio exterior. Assim, podemos determinar a pressão parcial de vapor pela umidade
relativa:
Solução: pparcial = 0,9 ∙ 15,477 = 13,929 mmHg.
Observa-se no texto que certamente houve mudança de estado, nesse
caso, solidificação da água, enquanto o gelo tem sua temperatura Como esse valor não consta na tabela, teremos que aplicar uma
aumentada até atingir o equilíbrio com a água (0°C). interpolação linear:
T − 16 13, 929 − 13, 634
(°C) equilíbrio = → T = 16, 32o C.
18 − 16 15, 477 − 13, 634
1 T (°C)
0 c. Calcular a umidade relativa da sala primeiramente:
U = 0,7 ∙ 55,324 = 38,727 mmHg.
2 Agora podemos calcular a umidade absoluta:
38, 727 ⋅ 18
U= = 0, 0357 g/L.
62, 3 ⋅ ( 40 + 273)

Como a sala possui 100 m3 = 100 ∙ 103 L, chegamos à massa de
Lei zero: Q1 + Q2 = 0 vapor presente na sala: m = 0,0357 ∙ 105 g = 3,57 kg.
m · (–33,5 · 104) + 67 · 10–3 · 2.090 · 15 = 0
m = 0,0627 kg = 62,7 g. 12 Em um escritório de dimensões 10 × 5 × 3 (em metros), a temperatura
A massa de gelo no final será de: é de 22°C e a umidade relativa 60%. Se um balde com água for jogado no
M = 67 + 62,7 = 129,7 g. chão dessa sala, qual volume de água evaporará?

Atenção: Note que o calor latente de solidificação é negativo. É o valor Solução:


simétrico do calor latente de fusão. A partir da expressão de umidade absoluta, podemos obter uma expressão
para a massa de vapor em um ambiente em função da pressão parcial:
10 (UNIFESP) Sobrefusão é o fenômeno em que um líquido permanece
nesse estado a uma temperatura inferior à de solidificação, para a Pparcial ⋅ M Pparcial ⋅ M ⋅ V
correspondente pressão. Esse fenômeno pode ocorrer quando um líquido U= → m = U ⋅V = ⋅
R ⋅T R ⋅T
cede calor lentamente, sem que sofra agitação. Agitado, parte do líquido
solidifica, liberando calor para o restante, até que o equilíbrio térmico
seja atingido à temperatura de solidificação para a respectiva pressão. Note que para a massa de vapor mudar a pressão parcial será alterada
Considere uma massa de 100 g de água em sobrefusão à temperatura também. Assim, reescrevemos essa expressão em função dessas
de –10°C e pressão 1 atm, o calor específico da água de 1 cal/g°C e o variações:
calor latente da solidificação da água de –80 cal/g. A massa de água que
sofrerá solidificação se o líquido for agitado será: ∆Pparcial ⋅ M ⋅ V
∆m = .
R ⋅T
(A) 8,7 g. (D) 50,0 g.
(B) 10,0 g. (E) 60,3 g. A variação da pressão parcial ocorrerá até que a umidade atinja a saturação
(C) 12,5 g. (100%). Nesse caso, a pressão parcial que era de 60% da pressão máxima
Solução: Letra C. passará a valer 100% da pressão máxima, variando 40%, logo:
Aplicando a lei zero da termodinâmica em que o calor recebido por toda
massa e o calor perdido para solidificar parte dela, temos: ∆Pparcial =0,4 ∙ 19,827 = 7,9308 mmHg.
M ∙ c ∙ ∆T + m ∙ L = 0
100 ∙ 1 ∙ [0 – (–10)] + m (–80) = 0 Substituindo, temos:
100 ⋅ 1⋅ 10 7, 9308 ⋅ 18 ⋅ 150 ⋅ 103
m= = 12, 5 g. ∆m = = 1.165 g.
80 62, 3 ⋅ 295

11 Tomando como base a tabela de pressão máxima de vapor-d’água


vista no módulo anteriormente, determine:

a. a umidade relativa em um dia que a temperatura está 20°C e a pressão 01 Qual a massa de vapor a 100°C que deve ser misturada a 500 g de
parcial de vapor 14,554 mmHg. gelo a 0°C, em um recipiente termicamente isolado, para produzir água a
b. a temperatura de orvalho sabendo que a umidade está 90% e a 50°C?
temperatura 18°C.
c. a quantidade de vapor em uma sala de 100 m3 a uma temperatura de Dados: cágua = 1 cal/g°C; Lsolidificação = 80 cal/g; Lvaporização = 540 cal/g.
40°C e umidade relativa de 70%.

IME-ITA – Vol. 1 359


FÍSICA II
Assunto 2

02 O gráfico abaixo mostra a quantidade de calor, Q, absorvida por um 06 (AFA) Um cubo de gelo com massa 100 g e temperatura –10OC é
corpo de 20,0 g de massa, inicialmente no estado sólido, em função da colocado em um recipiente contendo 200 mL de um líquido a 100OC.
temperatura q: Supondo-se que não há perda de calor para o meio ambiente, qual o valor
final aproximado da temperatura, em °C, do sistema?
Q (cal)
Dados: calor específico em cal/g°C do gelo = 0,5, da água = 1 e do
500 líquido = 2, calor latente de fusão do gelo = 80 cal/g e densidade do
líquido = 1,5 g/cm3.
400
300 (A) 43. (C) 3.
(B) 53. (D) 73.
200
100 07 (AFA) Colocam-se 10 gramas de gelo a 0ºC em um calorímetro de
cobre com massa 150 gramas e calor específico 0,093 cal/g°C. No interior
do calorímetro, há 200 gramas de água, cujo calor específico é 1,0 cal/g°C.
0 10 20 30 40 θ (°C) A temperatura do calorímetro e da água, antes de receber o gelo, era de
20ºC. Após o equilíbrio, colocam-se 55 gramas de um metal a 90°C no
Determine:
interior do calorímetro. Restabelecido o equilíbrio térmico, a temperatura
a. a capacidade térmica do corpo no estado sólido.
atingiu 25°C. O calor específico do metal, em cal/g°C, é:
b. o calor específico sensível da substância do corpo no estado sólido.
c. a temperatura de fusão da substância que compõe o corpo. (A) 0,21. (C) 0,60.
(B) 0,40. (D) 0,80.
03 Três corpos A, B e C de massas 0,2 kg, 0,4 kg e 0,5 kg, respectivamente,
são colocados em um calorímetro ideal. As variações de temperatura em 08 (OBF) Em um calorímetro, de capacidade térmica desprezível, são
função das quantidades de calor são representadas no gráfico abaixo. colocados 40 g de água a 40°C, e 30 g de gelo a 0°C. Sabendo que o
calor latente de fusão da água vale 80 cal/g e o calor específico da água
T (°C)
vale 1,0 cal/g°C, a temperatura final da mistura será:
A
B (A) –14,5°C. (D) 0°C.
30 C (B) –11,4°C. (E) 20°C.
(C) –9,4°C.
15
09 (AFA) Dois líquidos A e B, com a massa de A valendo 5/4 da massa
10 de B, são misturados no interior de um calorímetro. Verifica-se que não
há mudanças de estado e que a temperatura inicial de B e a temperatura
Q (kcal) de equilíbrio correspondem ao quádruplo e ao triplo, respectivamente,
1 da temperatura inicial de A. Desprezando-se as trocas de calor com o
1,5 2
calorímetro e com o ambiente, a relação entre os calores específicos dos
líquidos A e B é igual a:
Qual é a ordem crescente dos os calores específicos dos três corpos?
(A) 1,25.
(A) CA < CB < CC.
(B) 0,80.
(B) CC < CA < CB.
(C) 0,75.
(C) CB < CC < CA.
(D) 0,40.
(D) CC < CB < CA.
(E) CB < CA < CC.
10 Em um calorímetro ideal, colocam-se duas esferas de mesmo material,
sendo uma com raio R e temperatura de 12°C e a outra de raio 2R e
04 A unidade de medida de calor no sistema inglês é a British Thermal Unit
temperatura de 30°C. Qual a temperatura de equilíbrio?
(BTU) e a unidade de medida de calor que utilizamos com frequência no Brasil
é a caloria (cal). Sabe-se que 1 cal é a quantidade de calor necessária para
11 (AFA) Um estudante, querendo determinar o equivalente em água de
elevar a temperatura de 1 g de água pura de 14,5°C até 15,5°C e que 1 BTU
um calorímetro, colocou em seu interior 250 g de água fria e, aguardando
é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 lb (uma
certo tempo, verificou que o conjunto alcançou o equilíbrio térmico a uma
libra) da mesma água de 39°F até 40°F. Sabendo-se que 1 g = 2,2 · 10–3 lb,
temperatura de 20°C. Em seguida, acrescentou ao mesmo 300 g de água
qual a relação entre as unidades caloria e BTU?
morna, a 45°C. Fechando rapidamente o aparelho, esperou até que o equilíbrio
térmico fosse refeito, verificando, então, que a temperatura final era de 30°C.
05 Calor de combustão é a quantidade de calor liberada na queima de
Baseando-se nesses dados, o equivalente em água do calorímetro vale,
uma unidade de massa do combustível. O calor de combustão do gás de
em gramas:
cozinha é de 6000 kcal/kg. Quantos litros de água à temperatura de 20°C
podem ser aquecidos até 100°C com um bujão de gás de 13 kg? Despreze (A) 400.
perdas de calor. (B) 300.
(C) 200.
Dado: (D) 100.
Calor específico sensível da água = 1,0 kcal/kg°C; massa específica da
água: 1 kg/L.

360 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

12 O gráfico a seguir mostra a curva de resfriamento de 100 g de água


em um processo lento e sem agitação: 16 Uma forma experimental para medir a condutividade térmica de um
material usado como isolante é construir uma caixa com esse material.
T (°C) No seu interior, é colocado um aquecedor elétrico de potência conhecida
que mantém a temperatura interna superior à externa.

D tempo

–4 C

Sendo o calor latente de fusão do gelo igual a 80 cal/g, qual a massa de


água que se solidifica no trecho CD?

13 (ITA) Um vaporizador contínuo possui um bico pelo qual entra água a


20°C, de tal maneira que o nível de água no vaporizador permanece constante.
Suponha que foi construída uma caixa com determinado material isolante.
O vaporizador utiliza 800 W de potência, consumida no aquecimento da água
A área total externa tem 4,0 m² e a espessura das paredes é de 5,0 mm.
até 100°C e na sua vaporização a 100°C. A vazão de água pelo bico é:
O aquecedor elétrico desenvolve uma potência constante de 300 W,
Dados: mantendo a temperatura interna da caixa 50°C acima da temperatura
Calor específico da água = 4,18 kJ/kg · K; externa. Desprezando possíveis efeitos de bordas, determine o coeficiente
massa específica da água = 1,0 g/cm3; de condutividade térmica do material em questão. Se essa caixa fosse
calor latente de vaporização da água = 2,26 · 103 kJ/kg. cúbica, qual seria o fluxo de calor por meio de uma de suas faces?

(A) 0,31 mL/s. 17 A pressão parcial do ar seco no ar atmosférico em equilíbrio a 20oC


(B) 0,35 mL/s. e 100,845 kPa é igual a 99,992 kPa. Determine a umidade relativa do ar
(C) 2,4 mL/s. atmosférico.
(D) 3,1 mL/s.
(E) 3,5 mL/s. 18 Se a temperatura do Sol fosse alterada de T para 2T e seu raio de R
para 2R, então a razão entre a energia radiante recebida na Terra entre
14 Em um aquário de 10 L, completamente cheio de água, encontra-se um antes e depois das mudanças seria de:
pequeno aquecedor de 60 W. Sabendo que em 25 minutos a temperatura
da água aumentou de 2,0°C, determine: (A) 1.
(B) 4.
a. a quantidade de energia que foi absorvida pela água. (C) 16.
b. qual fração da energia fornecida pelo aquecedor foi perdida para o exterior. (D) 32.
(E) 64.
Dado:
Calor específico da água = 1,0 cal/g°C;
1,0 cal = 4,0 J.

15 Um sólido tem capacidade de transmitir calor devido à diferença de 01 Uma experiência é montada para descobrir o calor específico sensível
temperatura entre as faces indicadas. A respeito das seguintes preposições, de um metal desconhecido em fase sólida. Para isso foi utilizado um
para a rapidez da transmissão de calor, indique as que são verdadeiras (V) calorímetro de equivalente em água igual a 200 g. Dentro do calorímetro
ou falsas (F). foram colocados cubos de gelo a –20°C, totalizando uma massa de 100 g.
Após algum tempo, foi introduzida no calorímetro uma amostra de 200 g
T1 > T2
de metal a 800°C. Sabendo que o sistema perde 10% do calor que o
T1 T2 metal cederia ao sistema se não houvesse dissipação e que no final do
experimento a temperatura de equilíbrio é 80°C, podemos afirmar que o
calor (Q)
calor específico do metal vale, em cal/g°C:
A
Dados:
b • Calor específico do gelo: 0,5 cal/g°C;
• calor de fusão do gelo: 80 cal/g;
I. É maior se b aumenta.
• calor específico da água: 1,0 cal/g°C.
II. Independe da diferença das temperaturas (T1 – T2).
III. Sendo A cada vez menor, a rapidez não se altera. (A) 0,11.
(B) 0,14.
(A) V – V – F.
(C) 0,24.
(B) V – F – F.
(D) 0,32.
(C) V – F – V.
(E) 0,42.
(D) F – F – V.
(E) F – F – F.

IME-ITA – Vol. 1 361


FÍSICA II
Assunto 2

02 (IME) Um projétil de liga de chumbo de 10 g é disparado de uma arma Dado: calor específico da água = 1,0 cal/g°C.
com velocidade de 600 m/s e atinge um bloco de aço rígido, deformando-se.
Considere que, após o impacto, nenhum calor é transferido do projétil para (A) 0,044. (D) 0,36.
o bloco. Calcule a temperatura do projétil depois do impacto. (B) 0,036. (E) 0,40.
(C) 0,030.
Dados:
• Temperatura inicial do projétil: 27°C; 07 (IME) Considere um calorímetro no qual existe certa massa de líquido.
• temperatura de fusão da liga: 327°C; Para aquecer o conjunto líquido – calorímetro de 30°C para 60°C são
• calor de fusão da liga: 20.000 J/kg; necessárias Q1 joules. Por outro lado, Q2 joules elevam de 40°C para 80°C
• calor específico da liga no estado sólido: 120 J/kg°C; o calorímetro juntamente com o triplo da massa do líquido.
• calor específico da liga no estado líquido: 124 J/kg°C.
a. Determine a capacidade térmica do calorímetro nas seguintes situações:
Q1 = 2.000 J, Q2 = 4.000 J.
03 Um projétil cujo calor específico vale 0,02 cal/g°C atinge um bloco de
Q1 = 2.000 J, Q2 = 7.992 J.
aço a uma velocidade de 200 m/s. Se após atingir o repouso a temperatura
b. Com base nesses dados, em qual das duas situações a influência do
do projétil aumenta em 60°C, qual o percentual de energia cinética
material do calorímetro pode ser desconsiderada? Justifique sua resposta.
absorvida pelo bloco?
08 (ITA) Em uma cavidade de 5 cm3 feita em um bloco de gelo, introduz-se
Dado: 1 J = 0,24 cal. uma esfera homogênea de cobre de 30 g aquecida a 100°C, conforme o
esquema a seguir. Sabendo-se que o calor latente de fusão do gelo é de
04 (ITA) Colaborando com a campanha de economia de energia, um grupo 80 cal/g, que o calor específico do cobre é de 0,096 cal/g°C e que a massa
de escoteiros construiu um fogão solar, constituído de um espelho de alumínio específica do gelo é de 0,92 g/cm3, o volume total da cavidade é igual a:
curvado que foca a energia térmica incidente sobre uma placa coletora. O
espelho tem um diâmetro efetivo de 1,00 m e 70% da radiação solar água
incidente é aproveitada para de fato aquecer certa quantidade de água.
Sabemos ainda que o fogão solar demora 18,4 minutos para aquecer 1,00 L
de água desde a temperatura de 20°C até 100°C, e que 4,186 · 103 J é a
energia necessária para elevar a temperatura de 1,00 L de água de 1,000 K.
Com base nos dados, estime a intensidade irradiada pelo Sol na superfície
da Terra, em W/m². Justifique sua resposta.

05 Um anel de cobre de 20,0 g tem um diâmetro de exatamente 1 polegada


à temperatura de 0,000°C. Uma esfera de alumínio tem um diâmetro de
gelo
exatamente 1,00200 pol à temperatura de 100°C. A esfera é colocada em
cima do anel e permite-se que os dois encontrem seu equilíbrio térmico,
sem ser perdido calor para o ambiente. A esfera passa exatamente pelo (A) 8,9 cm3. (D) 8,5 cm3.
anel na temperatura de equilíbrio. Qual a massa da esfera? (B) 3,9 cm3. (E) 7,4 cm3.
(C) 39,0 cm3.
Dados:
• Calor específico do cobre: 0,0923 cal/g · K; 09 Uma barra de gelo de 50 g de massa a –20°C é colocada em contato,
• calor específico do alumínio: 0,215 cal/g · K; em um calorímetro real, com 20 g de água no estado líquido a 15°C. Sabe-se
• coeficiente de dilatação linear do cobre: 17 · 10–6°C–1; que o calor específico do gelo é 0,5 cal/g°C, o da água é 1 cal/g°C e o calor
• coeficiente de dilatação linear do alumínio: 23 · 10–6°C–1. latente de fusão da água é 80 cal/g. Sabe-se também que 10% do calor da
fonte quente é perdido por intermédio do calorímetro para o meio ambiente.
1,00200 pol No equilíbrio térmico, quais as temperaturas e as massas envolvidas?

10 Em um experimento existem três recipientes E1, E2 e E3. Um termômetro


graduado em uma escala X assinala 10°X quando imerso no recipiente E1,
contendo uma massa M1 de água a 41°F. O termômetro, quando imerso
Al no recipiente E2 contendo uma massa M2 de água a 293 K, assinala 19°X.
100°C No recipiente E3 existe inicialmente uma massa de água M3 a 10°C. As
massas de água M1 e M2, dos recipientes E1 e E2, são transferidas para o
Cu 0°C recipiente E3 e, no equilíbrio, a temperatura assinalada pelo termômetro é
de 13°X. Considerando que existe somente troca de calor entre as massas
M
de água, a razão 1 é igual a:
1,000 pol M2
M3
(A)  2 + 0,2 . (D) 0,5.
06 Para se determinar o calor específico de uma liga metálica, um bloco M2
de massa de 500 g dessa liga foi introduzido no interior de um forno a M3
(B) 2. (E) 0,5 − 2 .
250°C. Estabelecido o equilíbrio térmico, o bloco foi retirado do forno e M2
colocado no interior de um calorímetro de capacidade térmica de 80 cal/°C, M3
contendo 400 g de água a 20°C. A temperatura final de equilíbrio foi obtida (C) 1 + .
M2
a 30°C. Nessas condições, o calor específico da liga, em cal/g°C, vale:

362 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

11 Uma experiência é realizada em um recipiente termicamente isolado, 15 A figura a seguir mostra uma seção de um muro feito de pinho
no qual são colocados 176,25 ml de água a 293 K; um cubo de uma liga branco de espessura La e tijolo de espessura Ld (= 2,0 La), com duas
metálica homogênea com 2,7 kg de massa, aresta de 100 mm, a 212°F; placas internas de material desconhecido com idênticas espessuras e
e um cubo de gelo de massa m, a –10°C. O equilíbrio térmico é alcançado condutividades térmicas. A condutividade térmica do pinho branco é ka e
a uma temperatura de 32°E, lida em um termômetro graduado em uma a do tijolo, kd (= 5,0 ka). A área da superfície do muro é desconhecida.
escala E de temperatura. Admitindo que o coeficiente de dilatação linear da A condução de calor através do muro atingiu um estado estacionário,
liga metálica seja constante no intervalo de temperaturas da experiência, com as únicas temperaturas de interface conhecidas, sendo T1 = 25°C,
determine: T2 = 20°C e T5 = –10°C. Calcule a temperatura de interface T4 e T3.

a. a equação de conversão, para a escala Celsius, de uma temperatura T1 T2 T3 T4 T5


tE, lida na escala E.
b. a massa m de gelo, inicialmente a –10°C, necessária para que o
equilíbrio ocorra a 32°E.
c. o valor da aresta do cubo da liga metálica a 32°E. Ka Kb KC Kd
interior exterior
Dados:
• Coeficiente de dilatação linear da liga metálica: 2,5 · 10–5°C–1;
• calor específico da liga metálica: 0,2 cal/(g°C);
• calor específico do gelo: 0,5 cal/(g°C);
• calor específico da água: 1,0 cal/(g°C); La Lb Lc Ld
• calor latente de fusão da água: 80 cal/g;
• massa específica da água: 1 g/cm3; 16 Duas paredes A e B da mesma grossura são feitas de metais
• temperatura de fusão da água na escala E: –16°E; heterogêneos como é mostrado nas figuras abaixo. Em que caso o
• temperatura de ebulição da água na escala E: +64°E. coeficiente de condutibilidade térmica será maior?

12 Em um calorímetro de capacidade térmica desprezível que contém 60 g d/2 d/2 d


de gelo a 0°C, injeta-se vapor-d’água a 100°C, ambos sob pressão normal.
k1 S
Quando se restabelece o equilíbrio térmico, há apenas 45 g de água no
calorímetro. O calor de fusão do gelo é 80 cal/g, o calor de condensação k2 S
do vapor-d’água é 540 cal/g e o calor específico da água é 1,0 cal/g°C. k1 k2
Calcule a massa do vapor-d’água injetado. k1 S

13 Um corpo de 0,2 kg, inicialmente a 0°C, recebe calor e passa a ter k2


sua temperatura variando. O calor específico do corpo é variável, como
pode ser observado no gráfico abaixo. Qual quantidade de calor (em kJ)
A B
deve ser fornecida ao corpo para que atinja 100°C?

Dado: 1 cal = 4,2 J. 17 Quatro hastes cilíndricas de metal são soldadas como mostra a figura
a seguir:
Ce (cal/g°C)
20°C 100°C

1 2
0,3

0,1 4 3
T (°C)
20°C 100°C
25
As áreas transversais são iguais. As condutividades térmicas das barras
14 (AFA) Para intervalos de temperaturas entre 5°C e 50°C, o calor
1, 2, 3 e 4 valem, respectivamente k1, k2, k3 e k4. Os comprimentos das
específico (c) de determinada substância varia com a temperatura (t) de
barras 1, 2, 3 e 4 valem, respectivamente L1, L2, L3 e L4, sendo esses
acordo com a equação c = t/60 + 2/15, em que c é dado em cal/g°C
comprimentos, nessa ordem, elementos de uma progressão aritmética
e t em °C. A quantidade de calor necessária para aquecer 60 g dessa
de elemento inicial L = L e razão L. As pontas das barras estão em
substância de 10°C até 22°C é:
contato com fontes térmicas cujas temperaturas são mostradas na figura
(A) 350 cal. anterior. Após um longo tempo, a temperatura da junção das barras
(B) 120 cal. tenderá corretamente para qual valor? Considere as fontes térmicas com
(C) 480 cal. capacidades térmicas infinitas.
(D) 288 cal.

IME-ITA – Vol. 1 363


FÍSICA II
Assunto 2

18 (ITA) Um fogareiro é capaz de fornecer 250 calorias por segundo. Medida Período do dia Umidade relativa Temperatura do ar
Colocando-se sobre o fogareiro uma chaleira de alumínio de massa 500 g,
tendo no seu interior 1,2 kg de água à temperatura ambiente de 25°C, a 1 manhã 50% 300 K
água começará a ferver após 10 minutos de aquecimento. Admitindo-se 2 tarde 75% 300 K
que a água ferve a 100°C e que o calor específico da chaleira de alumínio
é 0,23 cal/g°C e o da água 1,0 cal/g°C, pode-se afirmar que: Diante do exposto, a razão entre as taxas de evaporação de água do lago
calculadas na primeira e na segunda medida de umidade relativa do ar é:
(A) toda a energia fornecida pelo fogareiro é consumida no aquecimento
da chaleira com água, levando a água à ebulição. (A) 3/2.
(B) somente uma fração inferior a 30% da energia fornecida pela chama é (B) 2/3.
gasta no aquecimento da chaleira com água, levando a água à ebulição. (C) 2.
(C) uma fração entre 30% a 40% da energia fornecida pelo fogareiro é perdida. (D) 3/4.
(D) 50% da energia fornecida pelo fogareiro é perdida. (E) 4.
(E) a relação entre a energia consumida no aquecimento da chaleira com
água e a energia fornecida pelo fogão em 10 minutos situa-se entre 24 Um secador a ar quente é utilizado para retirar água por meio do fluxo
0,70 e 0,90. de ar que passa pela sua tubulação. Sabe-se que a corrente de ar que
passa pelo secador opera de acordo com as condições abaixo:
19 Atualmente, o laser de CO2 tem sido muito aplicado em microcirurgias,
em que o feixe luminoso é utilizado no lugar do bisturi de lâmina. O corte Temperatura Umidade Relativa
com o laser é efetuado porque o feixe provoca um rápido aquecimento
entrada 60°C 25%
e a evaporação do tecido, que é constituído principalmente de água.
Considere um corte de 2,0 cm de comprimento, 3,0 mm de profundidade saída 40°C 50%
e 0,5 mm de largura, que é aproximadamente o diâmetro do feixe. Sabendo
que a massa específica da água é de 103 kg/m3, o calor específico é A pressão máxima de vapor, nessas temperaturas, é dada por:
4,2 · 103 J/kg · K e o calor latente de evaporação é 2,3 · 106 J/kg:
Temperatura Pressão máxima de vapor (kPa)
a. Estime a quantidade de energia total consumida para fazer essa incisão,
60°C 19,940
considerando que, no processo, a temperatura do tecido se eleva 63 °C
e que este é constituído exclusivamente de água. 40°C 7,384
b. Se o corte é efetuado a uma velocidade de 3,0 cm/s, determine a
potência do feixe, considerando que toda a energia fornecida foi gasta Sabendo que a vazão do secador é de 100 m³/min, qual a quantidade de
na incisão. litros de água retirada do secador/hora?

20 Um bloco de gelo a –25°C e massa 100 g é colocado num calorímetro (A) 60 L/h.
de capacidade térmica igual a 900 cal/°F, a 25°C. Após o sistema entrar (B) 41,5 L/h.
em equilíbrio térmico, uma fonte passa a transmitir calor a uma taxa (C) 15 L/h.
constante para o sistema, de forma que, após 20 minutos, a água presente (D) 20,5 L/h.
no calorímetro começa a ferver, e que o sistema permanece em equilíbrio (E) 150 L/h.
térmico durante o fornecimento de calor. Determine quanto tempo a mais
a água levará para evaporar totalmente. 25 Um filamento de lâmpada é construído a partir de um fio de tungstênio
de 2 cm de comprimento e diâmetro de 50 µm. O filamento é inserido em
21 um bulbo de vidro sem ar em seu interior. Que temperatura o filamento atinge
a. Qual a umidade relativa em um dia em que a temperatura é de 20°C se operado a uma potência de 1 W? A emissividade do tungstênio é 0,4.
e o ponto de orvalho é 5°C?
b. Qual a pressão parcial do vapor-d’água na atmosfera em pascal? (A) 1,25 · 104 K.
c. Qual a umidade absoluta em gramas por metro cúbico? (B) 1,94 · 103 K.
(C) 1,48 · 102 K.
Dados: (D) 5,98 · 103 K.
• Pressão de vapor a 20°C: 17,5 mmHg; (E) 8,57 · 103 K.
• pressão de vapor a 5°C: 6,51 mmHg;
• densidade do mercúrio: 13,6 g/cm3; 26 Um corpo negro de área superficial S encontra-se a temperatura
• gravidade: 10 m/s2. absoluta T (que pode ser suposta constante durante toda a experiência)
numa caixa cúbica fechada. As paredes dessa caixa tem espessura d, bem
22 Um sistema de ar-condicionado aumenta, por segundo, a umidade menor que os comprimentos de aresta. O material da caixa tem coeficiente
relativa de 0,5 m3 de ar, de 30%, para 65%. Qual a massa de água necessária de condutibilidade térmica K, a temperatura externa da caixa é mantida
ao sistema, por hora, se a temperatura é de 20°C? T’, sendo T’ < T. Determine o valor da aresta do cubo para que o sistema
Dado: pressão máxima de vapor a 20°C: 17,5 mmHg. permaneça em regime permanente. Admita que pela caixa o calor só flua
por condução.
23 Um meteorologista mediu por duas vezes em um mesmo dia a umidade
relativa do ar e a temperatura do ar quando estava em um pequeno barco 27 Uma barra cilíndrica de tamanho L, condutividade térmica K e área
a remo no meio de um grande lago. Os dados encontram-se apresentados da secção transversal e lateral A, tem uma extremidade na fornalha
na tabela a seguir: de temperatura T1 e a outra para o exterior que tem temperatura T2. A
superfície da barra está exposta para a vizinhança que tem emissividade ε.

364 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

Sabendo que T2 = Ts + ∆T e Ts  ∆T, em que T1 – Ts = C∆T, determine o


valor de C. Faça as aproximações que julgar necessário e utilize a constante
de Boltzmann σ. parede do forno
Ts temperatura temperatura
interna do externa sem
forno ef isolante

T1 T2

figura I

3
(A)  2εslTs + 1. material
parede do forno isolante
K
3 temperatura temperatura
(B)  5εslTs – 1. interna do
ef ei externa com
K forno isolante

(C) 6εslTs3 + 1.
 
K
3
(D)  3εslTs – 1.
K figura II

(E) 4εslTs3 + 1.
K
01 (IME-2015) Uma fábrica produz um tipo de resíduo industrial na fase
28 Sendo o Sol um corpo esférico de raio R a uma temperatura T, encontre líquida que, devido à sua toxidade, deve ser armazenado em um tanque
a potência total que incide sobre a Terra, a qual está a uma distância r do Sol. especial monitorado a distância, para posterior tratamento e descarte.
Durante uma inspeção diária, o controlador dessa operação verifica que o
Dados: constante de Stefan-Boltzmann: σ; raio da Terra: r0. medidor de capacidade do tanque se encontra inoperante, mas uma estimativa
confiável indica que 1/3 do volume do tanque se encontra preenchido pelo
R 2sT 4 resíduo. O tempo estimado para que o novo medidor esteja totalmente
(A) . operacional é de três dias e nesse intervalo de tempo a empresa produzirá,
r2 no máximo, oito litros de resíduo por dia.
2 2 4
(B) 4 πr0 R sT . Durante o processo de tratamento do resíduo, constata-se que, com o
r2 volume já previamente armazenado no tanque, são necessários dois
2 2 4 minutos para que determinada quantidade de calor eleve a temperatura do
(C) πr0 R sT . líquido em 60°C. Adicionalmente, com um corpo feito do mesmo material
r2 do tanque de armazenamento, são realizadas duas experiências relatadas
2 2 4 a seguir.
(D) r0 R sT .
4 πr 2
m
m

2 4
(E) R sT .
0
50

r02
500 mm

29 (IME-2011) Uma fábrica foi multada pela prefeitura local, pois a


temperatura externa da parede de um forno industrial encontrava-se em um
nível superior ao previsto pelas normas de segurança (figura I). Para atender
às normas recomenda-se o seguinte procedimento (figura II): a parede
externa do forno deve ser recoberta com um material de condutividade chapa do
100°C 80°C tanque
térmica igual a 4% da parede do forno. Isso faz com que a transferência
de calor fique igual a 20% da original e que a redução de temperatura entre
a superfície interna da parede do forno e a superfície externa do isolante
fique 20% maior que a situação inicial. Determine a razão entre a espessura 10 mm
do isolante (ei) e a espessura da parede do forno (ef).

Experiência 1:
Confecciona-se uma chapa de espessura 10 mm cuja área de seção reta
é um quadrado de lado 500 mm. Com a mesma taxa de energia térmica
utilizada no aquecimento do resíduo, nota-se que a face esquerda da
chapa atinge a temperatura de 100°C enquanto a face direita alcança 80°C.

IME-ITA – Vol. 1 365


FÍSICA II
Assunto 2

A partir desse momento, a temperatura da água na caixa passa então a


aumentar, estabilizando-se depois de algumas horas. Desprezando perdas
60°C térmicas, determine, após o sistema passar a ter temperaturas estáveis
100°C
na caixa e na saída para o usuário externo:
R1

chapa do C
chapa-padrão
tanque 10 mm 210 mm
R2
Experiência 2:
A chapa da experiência anterior é posta em contato com uma chapa-
-padrão de mesma área de seção reta e espessura 210 mm. Nota-se que,
A B
submetendo esse conjunto a 50% da taxa de calor empregada no tratamento
do resíduo, a temperatura da face livre da chapa-padrão é 60°C enquanto
Dado: 1 cal = 4 J.
que a face livre da chapa da experiência atinge 100°C.

Com base nesses dados, determine se o tanque pode acumular a produção a. a quantidade de calor Q, em J, fornecida a cada minuto pelo aquecedor.
do resíduo nos próximos três dias sem risco de transbordar. Justifique sua b. a temperatura final T2, em °C, da água que sai pelo registro R2 para
resposta produzindo uma análise termodinâmica da situação descrita e uso externo.
levando em conta os dados abaixo: c. a temperatura final Tc, em °C, da água na caixa.

Dados: 04 Uma barra PQ, de aço, recebe uma potência de uma fonte externa.
• Calor específico do resíduo: 5000 J/kg°C; Sua extremidade P está fixa na parede e a extremidade Q varia sua posição
• massa específica do resíduo: 1200 kg/m³; com o tempo segundo o gráfico abaixo:
• condutividade térmica da chapa-padrão: 420 W/m°C.
S (m)
02 Três bastões de um material X e três bastões de um material Y foram
soldados formando a figura abaixo. Todos possuem o mesmo comprimento
e mesma seção reta. Se a extremidade A é mantida a 60°C e a junção E
45
a 10°C, calcule a temperatura das junções B, C e D. As condutividades
térmicas dos materiais X e Y são, respectivamente, 0,92 e 0,46 (SI).
15

x
x

A B x E
2 12 t (s)
y

y y
D P Q

03 Uma caixa-d’água C, com capacidade de 100 litros, é alimentada


pelo registro R1, com água fria a 15°C, tendo uma vazão regulada para
manter sempre constante o nível de água na caixa. Uma bomba B retira
3 L/min de água da caixa e os faz passar por um aquecedor elétrico A
(inicialmente desligado). Ao ligar-se o aquecedor, a água é fornecida,
à razão de 2 L/min, por meio do registro R2, para uso externo, enquanto
o restante da água aquecida retorna à caixa para não desperdiçar Dados:
energia. No momento em que o aquecedor, que fornece uma potência • Coeficiente de dilatação linear do aço: 12 · 10–6°C–1;
constante, começa a funcionar, a água, que entra nele a 15°C, sai a 25°C. • capacidade térmica da barra: 4 J/K;
• comprimento inicial da barra: 10 m.

366 IME-ITA – Vol. 1


Calorimetria FÍSICA II
Assunto 2

Determine: 07 O diâmetro do Sol subtende um ângulo de 0,35° quando visto de Marte.


a. a potência da fonte externa em kW. Entendendo o Sol como um corpo negro de temperatura de superfície
b. o valor da temperatura T para que o fluxo da parede seja numericamente igual a 6.000 K e tratando Marte como um disco preto absorvente de área
igual ao da potência do item a. Considere que a profundidade da parede πr² em que radiação solar cai normalmente, e como uma esfera de área
(perpendicular ao plano do papel) vale 100 m. 4 πr² radiando pelo espaço a T K, estime a temperatura T da superfície
de Marte.
Material A B C D E F G H
08 De acordo com a lei de Newton do resfriamento, a taxa com que a
K (W/m · K) 30 20 24 16 25 12 17 85 temperatura de um objeto reduz é proporcional à diferença de temperatura
instantânea entre o corpo e o ambiente à sua volta. Em um laboratório
3m 4m cuja temperatura se mantém constante a 20°C, determinado líquido leva
cinco minutos para esfriar de 80°C a 50°C. Quanto tempo o mesmo líquido
levaria para esfriar de 60°C a 30°C?
3m
C 4m
(A) 5 minutos.
F (B) 8 minutos.
8m
10 m

(C) 10 minutos.
(D) 12 minutos.
200°C 6m T
B (E) 15 minutos.

3m 09 Uma fonte de calor puntiforme de potência P é colocada no centro de


A D E 2m G uma casca esférica de raio médio R. O material da casca tem condutividade
térmica K. Se a diferença de temperatura entre as superfícies interna e
3m externa da casca não pode superar T, qual deve ser a espessura mínima
H da casca?

05 Um corpo negro no formado esférico de raio R e massa M se encontra 10 Um cubo de gelo de 10 kg a 0°C será fundido com chumbo líquido a
no interior de uma cavidade com vácuo dentro. As paredes da cavidade 327°C. Para isto, sendo que o volume de gelo maior do que o de chumbo,
são mantidas a T0. A temperatura inicial da esfera é 3T0. Se a capacidade deverá ser feita previamente uma cavidade cúbica no gelo para inserção
térmica do material da esfera varia como αT 3 por unidade de massa (α é do chumbo.
uma constante), determine em quanto tempo a temperatura da esfera irá
alcançar 2T0. a. Calcule o volume e a aresta dessa cavidade de modo a conseguir
fundir exatamente o gelo todo, ficando como resultado a água e
Dados: A constante de Stefan Boltzmann é σB. chumbo sólido a 0°C. Suponha que todo o conjunto possa estar no
interior de um recipiente perfeitamente isolante com uma tampa que
Mα 3 se fecha depois de colocado o chumbo líquido. Para evitar a fusão
(A) ⋅ ln   .
4 πR 2s B 2 do gelo enquanto ele era escavado, o mesmo está a –10°C durante
esse processo, mas logo se coloca a 0°C antes de injetar o chumbo
Mα  16  na cavidade cúbica.
(B) 2
⋅ ln   .
4 πR s B  3  b. A condutividade térmica do gelo é baixa em relação ao chumbo, e
devido à pressão do chumbo, funde-se primeiro a parte do gelo que
Mα  16 
(C) ⋅ ln   .
2
está abaixo deste. Faça hipóteses razoáveis para simplificar o cálculo
16πR s B  3  e estime em quanto tempo o chumbo afunda, perfurando o gelo
Mα 3 completamente até fazer contato com a base isolante do recipiente.
(D) ⋅ ln   .
16πR 2s B 2 Dados:
Mα 3 • Densidade do chumbo e gelo: 11.300 e 920 kg/m3;
(E) ⋅ ln   . • calor específico do chumbo e gelo: 130 e 2.100 J/kg · °C;
32πR 2s B 2 • calor de fusão ou latente do chumbo e gelo: 24.500 e 334.000 J/kg;
• temperatura de fusão do chumbo e gelo: 327 e 0°C;
06 Sabendo que a temperatura média da Terra é T, estime a temperatura • condutividade térmica do chumbo e gelo: 36 e 1,6 W/m°C.
do Sol.

Dados:
• Raio da Terra: RT ;
• raio do sol: RS ;
• distância entre sol e Terra: d;
• d  RT ;
• d  RS .

IME-ITA – Vol. 1 367


FÍSICA II
Assunto 2

368 IME-ITA – Vol. 1


FÍSICA III ASSUNTO

Vetores
1
1. Introdução
módulo ou r (reta suporte)
Neste capítulo, vamos apresentar e distinguir os dois tipos de grandezas intensidade
que estudamos em Física, citando alguns exemplos delas. Além disso, 
será introduzido o conceito de vetor, bem como suas diferentes formas de v B (extremidade)
representação, operações e aplicações em diversos problemas de Física.

r  
2. Grandezas físicas vetor unitário
 v = AB = B − A
r̂ = r = 1 A (origem)
Em Física, trabalhamos com o objetivo de realizar medições de dois
tipos de grandezas físicas: as escalares e as vetoriais. Obs.: Dois vetores são iguais quando possuem mesmo módulo, direção
As grandezas físicas escalares são caracterizadas por um número real e sentido.
e uma unidade de medida.
Ex.: tempo, massa, energia, temperatura. 4.2 Cartesiana
Por sua vez, as grandezas físicas vetoriais são definidas por um número O vetor será representado por coordenadas cartesianas, oriundas da
real positivo (módulo, norma ou intensidade), uma direção e um sentido, subtração do ponto extremidade pelo ponto origem.
além de uma unidade de medida.
Ex.: velocidade, força, deslocamento, impulso. z
zB B
Assim, para representarmos as grandezas vetoriais, utilizaremos os
vetores, que são entes matemáticos que possuem:
• módulo: comprimento do vetor;

• direção: horizontal, vertical; AB y →
AB = B − A = (xB − xA , yB − yA , zB − zA)
• sentido: para a direita, para a esquerda, para cima, para baixo. zA
A iˆ = jˆ = kˆ = 1

3. Classificação k̂
yA
yB

De acordo com a sua aplicação, um vetor pode ser classificado como: iˆ xA


→ vetores fixos (ou aplicados): possuem seu ponto de aplicação bem xB
x
definido (ponto material).
Ex.: força aplicada em um ponto material. 4.3 Algébrica
→ vetores livres: podem ser deslocados paralelamente a si mesmos, ^^ ^
ou seja, deslocam-se livremente pelo espaço. Nesse caso,vamos trabalhar com os vetores unitários i , j e k para os
Ex.: momento (torque) de uma força aplicada em um corpo extenso. eixos x, y e z, respectivamente.
→ vetores deslizantes: podem mover-se ao longo da reta suporte. O vetor unitário tem módulo igual a 1.
Ex.: força aplicada em corpos rígidos.

i | |=
|= j | | k | = 1
4. Representação
O vetor sempre é representado por meio de um segmento de
reta orientado entre dois pontos (origem e extremidade), sendo que o No exemplo anterior, teríamos a seguinte representação:
comprimento do segmento está relacionado à intensidade do vetor, enquanto
a ponta da seta fornece o seu sentido. Ele é denominado por uma pequena  
seta para direita colocada em cima da letra que o representa. v = AB = ( x B − x A )ˆi + ( y B − y A )ˆj + ( z A − z B )kˆ = x oˆi + y o ˆj + zo kˆ

módulo: v = ( x B − x A )2 + ( y B − y A )2 + ( z A − z B )2
4.1 Geométrica
O vetor é esboçado por um segmento de reta orientado, construído
sobre uma reta suporte que está associada à direção do vetor.

IME-ITA – Vol. 1 369


FÍSICA III
Assunto 1

Vejamos um novo exemplo com os vetores representados na figura abaixo: 6. Operações com vetores

A 6.1 Multiplicação por um escalar real
 
= m n · a, n∈
   
B C Ex.: segunda lei de Newton → FR = m · a

se n >0 se n < 0

 a a
D na na

j
 6.2 Adição
i

 6.2.1 Regra do paralelogramo


Repare que o vetor A tem componente apenas no eixo x e o tamanho Utilizada apenas para a soma de dois vetores aplicados no mesmo
do vetor é de dois “quadrados” ou duas unidades do módulo do vetor ponto.
unitário.
 Ex: Duas forças aplicadas em um ponto material.
^
A = 2i
A ideia é construir um paralelogramo usando os dois vetores aplicados
(origens coincidentes) como lados desse quadrilátero. Dessa forma, o
 vetor soma será o segmento de reta orientado construído sobre a diagonal
O vetor B também apresenta uma única componente (vertical) com
do paralelogramo, tendo como origem o ponto de aplicação dos vetores
tamanho de três unidades.
originais.
→ → → → → →
 ^ | AB + AC| = | AB|2 + | AC|2 + 2 ⋅| AB|⋅| AC|⋅ cos θ
B = 3j

AC AB + AC
 
Os vetores C e D possuem componentes nos eixos x e y, e suas
representações são:

 ^ ^ θ
C = 3i + 3j
 ^ ^
D = –2i – 2j
AB
 6.2.2 Regra do polígono
O sinal negativo nos vetores unitários de D indicam sentidos opostos
ao referencial adotado para os eixos x e y. Pode ser usada para a soma de dois ou mais vetores quaisquer.
Os vetores que serão somados são desenhados sequencialmente (a
5. Vetores opostos ordem não interfere no resultado final), com a origem de um na extremidade
São vetores que possuem a mesma intensidade e direção, porém do antecessor. O vetor soma será construído a partir da origem do primeiro
sentidos opostos. vetor representado até a extremidade do último vetor desenhado, fechando-
se assim um polígono.
O sinal negativo implica que há uma oposição dos sentidos dos vetores. D
 
B
Ex.: forças de ação e reação – terceira lei de Newton → FAB = − FBA. C

B C

a −a A
E
A
AB + BC = AC AB + BC + CD + DE = AE

Obs.: Quando os vetores formam um polígono fechado, a soma é nula, e vice-


versa, isto é, quando a soma de três ou mais vetores é nula, estes deverão
formar um polígono fechado, ligando cada extremidade a cada origem.

370 IME-ITA – Vol. 1


Vetores FÍSICA III
Assunto 1

6.2.3 Soma algébrica 6.5 Produto escalar


O vetor soma será obtido pela soma algébrica das coordenadas É o número real que representa o produto de dois vetores.
cartesianas dos vetores que serão adicionados.
   
Sejam: AB = u1ˆi + v1ˆj + w1kˆ e AC = u2ˆi + v 2 ˆj + w 2 kˆ Ex.: trabalho mecânico → τ = F ⋅ ∆S.
 
AB + BC = ( u1 + u2 )ˆi + (v1 + v 2 )ˆj + (w1 + w 2 )kˆ. AC
→ → → →
x = AB ⋅ AC = | AB|⋅| AC|⋅ cos θ
6.3 Subtração
θ
Nesse caso, podemos observar que a subtração de dois vetores
corresponde à soma do primeiro vetor com o vetor oposto ao segundo. AB

   Repare que o produto escalar
 x pode ser interpretado como o produto
Ex.: Velocidade relativa → v AB = v A − v B .
do módulo de um vetor (| AB |) pelo módulo da projeção de outro

  (|AC| ∙ cos q) na reta suporte do primeiro.
  AB − AC
AC AC Portanto, se dois vetores são ortogonais, o produto escalar entre
θ  eles será nulo.
θ
 AB
AB Podemos também efetuar o produto escalar realizando a soma dos
 produtos das componentes dos vetores, conforme o exemplo abaixo.
   
− AC AB + ( − AC) Sejam: AB = u1ˆi + v1ˆj + w1kˆ e AC = u2ˆi + v 2 ˆj + w 2 kˆ
 
   2  2   AB ⋅ AC = ( u1 ⋅ u2 ) + (v1 ⋅ v 2 ) + (w1 ⋅ w2 ).
AB − AC = AB + AC − 2 · AB · AC · COS θ
6.6 Produto vetorial
Subtração algébrica É o vetor que representa o produto de dois vetores. O vetor resultante
é perpendicular ao plano formado pelos dois vetores iniciais, ou seja,
O vetor diferença será obtido pela subtração algébrica das coordenadas o produto vetorial é um vetor perpendicular simultaneamente aos dois
cartesianas dos vetores que serão adicionados. vetores originais.
 
Sejam: AB = u1ˆi + v1ˆj + w1kˆ e AC = u2ˆi + v 2 ˆj + w 2 kˆ 
  
  Ex: Momento de uma força em relação a um ponto → M = r × F.
AB − AC = ( u1 − u2 )ˆi + (v1 − v 2 )ˆj + (w1 − w2 )kˆ.
r uur uur
y = AB × AC r uur uur uur uur
| y | = | AB × AC| = | AB|⋅| AC| sen θ
6.4 Projeção ortogonal uur
O objetivo é decompor um vetor em projeções ortogonais sobre eixos AC
coordenados.
θ uur
Ex.: componentes de uma força. AB

O vetor v é projetado sobre os eixos ortogonais, traçando-se, Dessa forma, podemos observar que dois vetores paralelos possuem
inicialmente, retas perpendiculares  a esses eixos, conduzidas da produto vetorial nulo.
extremidade do vetor v . As projeções v x e v y são denominadas componentes
Além disso, uma outra forma de se efetuar o produto vetorial é a partir
ortogonais ou componentes cartesianas de v .
do uso de determinante, conforme o exemplo a seguir.
 
y Sejam: AB = u i + v j + w k e AC = u i + v j + w k
1 1 1 2 2 2

i j k
 
v AB × AC = u1 v1 w1 =
u2 v 2 w 2

vY (v1 ⋅ w 2 − w1 ⋅ v 2 )i + (w1 ⋅ u2 − u1 ⋅ w2 )j + ( u1 ⋅ v 2 − v1 ⋅ u2 )k .

x
vX 7. Vetores unitários
   São aqueles que têm módulo (comprimento) igual a uma unidade de
v x = v cos θ = v sen α
   medida. Para se obter um vetor de módulo  1 na direção que passa por
v y = v sen θ = v cos α dois pontos A e B, basta dividir o vetor AB pelo seu módulo.

     
Logo, v = v x i + v y j . AB
uˆAB = 
AB

IME-ITA – Vol. 1 371


FÍSICA III
Assunto 1

01 (PUC-SP) Os esquemas abaixo mostram um barco retirado de um rio 01 Em determinado plano, temos dois vetores A e B, de mesma origem,
por dois homens. Em A, são usadas cordas que transmitem ao barco forças formando um ângulo θ. Se os módulos de A e B são respectivamente
paralelas de intensidades F1 e F2. Em B, são usadas cordas inclinadas de iguais a 3 u e 4 u, determine o módulo do vetor soma quando:
90° que transmitem ao barco forças de intensidades iguais às anteriores.
→ → a. θ = 0°;
F1 F1 b. θ = 60°;
c. θ = 90°;
→ 90o d. θ = 180°.
F2 →
F2 02 (ACAFE) Os módulos das forças representadas na figura são F1 = 30 N,
A B
F2 = 20 N e F3 = 30 N. Qual o módulo da força resultante?

Sabe-se que, no caso A, a força resultante transmitida ao barco tem Dados: sen 60° = 0,87, cos 60° = 0,50.
intensidade 70 kgf e que, no caso B, tem intensidade de 50 kgf. Nessas
condições, determine os esforços desenvolvidos pelos dois homens. y
Solução:
Na situação A, os dois vetores estão na mesma direção e sentido, portanto F2
somamos os seus módulos e a resultante é 70 kgf.
F1 + F2 = 70 → F1 = 70 – F2 (I) F1 60°
0 x
Na situação B, os dois vetores são perpendiculares e sua soma é
F12 + F22 = 502. (II)
F3
Substituindo I em II, temos:
(70 – F2)2 + F22 = 502. (A) 14,2 N.
(B) 18,6 N.
Resolvendo a equação acima, encontramos: (C) 25,0 N.
F1 = 30 kgf e F2 = 40 kgf ou F1 = 40 kgf e F2 = 30 kgf. (D) 21,3 N.
(E) 28,1 N.
02 A figura mostra cinco forças representadas por vetores de origem comum,
dirigindo-se
 aos vértices de um hexágono regular. Sendo 10 N o módulo da 03 A barcaça B é puxada por dois rebocadores A e C. A tração (força
força FC, a intensidade da resultante dessas cinco forças é igual a: feita) no cabo AB tem módulo igual a 20 kN e a resultante das duas forças
aplicadas em B por cada barcaça é dirigida ao longo do eixo da barcaça,
FA FB ou seja, tem a direção do seu movimento.
(A) 50 N.
(B) 45 N.
(C) 40 N. A
(D) 35 N.
(E) 30 N.
FC B 30°
Solução: Letra E. 45°
Podemos notar que:
  
(I) FB + FE = FC
   FE FD C
(II) FD + FA = FC
       
Assim, a resultante R das cinco forças será R = FA + FB + FC + FD + FE = 3 · FC
    Determine a tração no cabo BC e a intensidade da resultante das duas
R = 3 · FC → R = 3 · 10 (N )→ R = 30 N.
forças aplicadas em B.
 
04 Duas forças F1 e F2 estão aplicadas sobre uma partícula de modo que
 
a força resultante é perpendicular a F1. Se o módulo de F2 é o dobro do

módulo de F1, determine o ângulo entre os dois vetores.
 
05 Dois vetores A e B de módulos iguais formam um ângulo θ entre si.
   
A razão entre os módulos dos vetores A + B e A − B é igual a:

372 IME-ITA – Vol. 1


Vetores FÍSICA III
Assunto 1

q B
(A) sen   .
2
q
(B) cos   .
2
q
(C) tan   .
2
q 80 m
(D) cot   .
2 40 m

q
(E) sec   .
2
A
06 (MACKENZIE-SP) Com seis vetores de módulo iguais a 8 u, C 30 m
construiu-se o hexágono regular a seguir. O módulo do vetor resultante
desses seis vetores é:

(A) 40 u.
(B) 32 u. 10 Na figura abaixo, são mostrados dois vetores que representam
(C) 24 u. acelerações e uma tangente a certa curva que representa a trajetória de
(D) 16 u. um corpo. Se tan θ = 0,75, determine o módulo das suas componentes
(E) zero. da aceleração resultante na direção normal e tangencial à curva.

  curva
  u e v têm módulos perfeitamente iguais.
07 Dois vetores  Para que o
módulo de u + v seja n vezes maior do que o módulo de u – v , qual deve
ser o ângulo entre eles?

(A) 0°. θ
(B) 30°.
2n a = 15 m/s2
(C) arccos .
n +1
n −1
(D) arcsen .
n +1 tangente
2 n a2 = 10 m/s2
(E) arctan .
n −1

08 A figura abaixo mostra um conjunto de vetores dispostos dentro de


um cubo de aresta a. Sabendo que H e P são pontos médios das arestas
   
que os contêm, determine o módulo do vetor D = A + B − C.

z  
01 Ao realizar algumas operações com os vetores A e B, podem-se
determinar os seguintes vetores:
 
4A− B

  
B A + 2B
 y
A P 30°
H
x 
C    
Sabe-se que A + 2 B =10 3 u e 4 A − B =
10 u. Determine o módulo de
 
09 (BEER&JOHNSTON) O cabo de sustentação de uma torre está 7 A − 4 B.
ancorado por meio de um parafuso em A. A tração no cabo é de 2.500 N.
Determine as componentes Fx, Fy e Fz da força que atua sobre o parafuso.

IME-ITA – Vol. 1 373


FÍSICA III
Assunto 1


(A) 10 13 u. B
(B) 9 7 u. 
(C) 7 5 u. C
(D) 3 14 u. 
(E) 5 51 u. G

  A
  θ entre si.
02 Dois vetores A e B de módulos iguais formam um ângulo

 
 de A e B são A e B,
Considerando que os vetores unitários nas direções  D
respectivamente, determine a componente do vetor A na direção do vetor B.  
F E
 
( 
(A) A ⋅ B

) A.
( 
(B) A ⋅ B

) A. (A) 12 u.
(B) 13 u.
( 
(C) A ⋅ B ) B. (C) 14 u.

( 
(D) A ⋅ B ) B . (D) 15 u.
(E) 16 u.
 
( ) .
(E) A ⋅ B B 07 Uma mosca parte da origem O do sistema cartesiano mostrado na
  figura abaixo e segue a trajetória curvilínea representada, passando pelos
03 Dois vetores A e B, de módulos A e B fixos, respectivamente, têm pontos M e N até parar no ponto P. Sabe-se que os segmentos de reta
direções variáveis. Determine, em duas soluções distintas (uma algébrica OM, MN e NP valem, respectivamente, 15 cm, 8 3 cm e 4 3 cm. Qual
e outra geométrica), os módulos máximo e mínimo do vetor soma dos 
o vetor deslocamento resultante OP da mosca?
dois vetores.
  y (cm)
04 Dois vetores A e B formam entre si um ângulo de 60°. Sabe-se que
  
A = 10 u e que o módulo A − B é mínimo. Determine o N
 do vetor diferença 120°
módulo do vetor soma A + B.
23°
M
05 (UERJ) Pardal é a denominação popular do dispositivo óptico-
-eletrônico utilizado para fotografar veículos que superam determinado
limite estabelecido de velocidade V. Em um trecho retilíneo de uma 37°
P
estrada, um pardal é colocado formando um ângulo θ com a direção x (cm)
da velocidade do carro, como indica a figura a seguir. 0

(A) (20, 12) cm.


θ V (B) (21, 12) cm.
(C) (21, 9) cm.
(D) (12, 21) cm.
(E) (12, 20) cm.

08 A figura a seguir mostra um vetor A que parte do ponto de tangência
cartesiano da reta que passa pelos pontos (0, 10) e (6, 0) a um quarto
Suponha que o pardal tenha sido calibrado para registrar velocidades de circunferênciacentrado na origem do sistema. Qual o vetor unitário na
superiores a V, quando o ângulo θ = 0°. A velocidade do veículo que direção do vetor A.
acarretará o registro da infração pelo pardal, com relação à velocidade
padrão V, será de: y

(A) V sen θ. 10
(B) V cos θ.
V
(C) .
sen q
(D) V .
cos q

06 A figura
 a seguir mostra
 sete vetores,
 nomeados em ordem alfabética,

de A até G. Sabe-se que A = 5 u, E = 6 u e que o ângulo entre A e E é igual 
A
a 90°. Qual o módulo do vetor resultante desse sistema de vetores?
x
O 6

374 IME-ITA – Vol. 1


Vetores FÍSICA III
Assunto 1

2
(A) − .
(A) −
2
34
(
5i + 3j . ) 3

11
(B) − .
(B)
1
2 34
(
5i − 3j . ) 15

4
(C) − .
(C) −
1
34
(
5i + 3j . ) 5

13
(D) − .
(D)
2
34
(
5i + 3j . ) 15

14
(E) − .
(E) −
2
34
(
5i − 3j . ) 15
  
11 M e N são vetores de módulos iguais a M. O vetor M é fixo e o vetor

  N pode girar em torno doponto O no plano formado pelos vetores, como
09 Dois vetores A = 2i − 4 j − k e B= 2j + 8 k são concorrentes. Qual o  
mostra a figura. Sendo R= M + N, indique, entre os gráficos a seguir,
vetor unitário perpendicular ao plano formado por eles? 
aquele que pode representar a variação do módulo de R como função do
ângulo θ entre os vetores:
(A)
3
293
(
15i − 7j + k . )
(A) 2M

(B)
1
297
(
17i + 8j + 2 k . )
(C) −
2
293
(
13i − 8j + k . ) O
π 2π
(B)
2M
(D) −
1
293
(
15i + 8j − 2 k . )
(E) −
4
297
(
13i − 7j − 2 k . )
O π 2π
   (C)
10 Na figura a seguir, estão representados três vetores A, B e C. 2M
  
Estes satisfazem a seguinte relação:=
C mA + nB, em que m, n ∈ .
O valor de m + n é:
O 2π
π

A –2M

(D)
2M

 O
C π 2π
–2M

(E) 2M


B

O
π 2π

IME-ITA – Vol. 1 375


FÍSICA III
Assunto 1

12 Considere um vetor A no espaço, conforme mostra a figuraabaixo. Os 15 Na figura, ABCD é um quadrado, a curva BD  é um quar to de
ângulos α, β e γ são chamados de ângulos diretores do vetor A, visto que 
circunferência centrado em A e a curva CD é uma semicunferência de

determinam sua direção. Demonstre que cos2 α + cos2 β + cos2 γ = 1.  e cuja
 e CD
diâmetro CD. Seja o vetor x, cuja origem é a interseção de BD
    
z extremidade é D. Determine x em função de P = BC e Q = BA.

B P C

A

γ

α β Q
y 
x

A D
13 (BEER&JOHNSTON) Um poste AB, de 6 m de comprimento, é
sustentado por três cabos, como está ilustrado abaixo. Determine as
componentes cartesianas da tração do cabo BE no ponto B, sabendo que
seu módulo é igual a 840 N.
 
y 01 Dois vetores F1 e F2 têm origem no mesmo ponto e fazem entre si
B um ângulo de 60°, formando um triângulo. O lado do triângulo oposto ao
ângulo de 60° é dividido em K partes iguais pelas extremidades de vetores
 
de mesma origem de F1 e F2 . Qual a força resultante entre todos os vetores
840 N  
mostrados na figura a seguir, sabendo que F1 = 30 N e F2 = 18 N.
6m
5m D K divisões iguais

C O 3m 3m
A 2m x
2m 3m E

14 (BEER&JOHNSTON) Uma caixa está suspensa por três cabos, como 60°
mostra a figura a seguir. Determine o peso P da caixa, sabendo que o (A) 7(K+1) N.
módulo da tração no cabo AB é de 3 kN. (B) 14(K+1) N.
y (C) 21(K+1) N.
(D) 28(K+1) N.
B 0,72 m (E) 35(K+1) N.
0,8 m   
02 A figura mostra dois vetores A e B. O vetor A é horizontal, enquanto
0,64 m  
D que o vetor B faz um ângulo de 37° com a vertical. Dado que A = 20 u,
O determine o módulo do vetor resultante, sabendo que é mínimo.
C 0,54 m
x Dado: sen 37° = 0,6.
z

B
1,2 m 
A A

37°

376 IME-ITA – Vol. 1


Vetores FÍSICA III
Assunto 1
  
03 Na figura abaixo, são mostrados três vetores concorrentes A, B e C, cujos 06 (BEER&JOHNSTON) Três  cabos estão conectados no ponto A, em que

53° estão aplicadas as forças P (ao longo do eixo x) e Q (ao longo do eixo y).
módulos são 75 u, 15 5 u e 10 2 u, respectivamente. Dado que α = , 
2 Sabendo que P = 1.200 N, determine para que valores de Q o cabo AD
determine o módulo da resultante dos três vetores, sabendo que ela é está tracionado.
mínima.
y
Dado: cos 53° = 3/5. 220 mm

C
D

960 mm

A θ
320 mm
α
C
 380 mm
B 0
Q

04 Na figura abaixo, estão representados três vetores de módulos iguais. B 240 mm


A
Determine o valor de θ para que o vetor resultante desse sistema de vetores z
tenha módulo mínimo. 960 mm P

x
y

07 No paralelepípedo da figura abaixo, ABCD é um quadrado de lado


θ a e a aresta maior mede 4a. Uma mosca pousada no ponto médio da
diagonal EG voa até seu alimento que está na diagonal principal AG do
θ paralelepípedo em um ponto que dista a do vértice A. Determine o módulo
x
do vetor deslocamento da mosca.
θ
C G

B F
05 No sistema de vetores mostrado na figura a seguir, o vetor resultante é D H

nulo em qualquer instante. O vetor A é constante, ao passo que os outros

podem variar em módulo, mas não em direção. O módulo do vetor D varia A E

com o tempo segundo a equação = D ( 5t + 75 ) u, em que t é expresso em
08 (BEER&JOHNSTON) É aplicada uma carga P à barra OA. Sabendo
segundos. Se, no instante t = 0, o módulo do vetor C é zero, determine
o instante para o qual o módulo do vetor B é nulo. que a tração no cabo AB é de 850 N e que a resultante da carga P e das
forças aplicadas pelos cabos em A deve ter a direção de AO, determine a
Dado: cos 37° = 0,8. tração no cabo AC e o módulo da carga de P.

 y
 B 510 mm
D (t)
C 320 mm
270 mm
B
37° 37°

C 360 mm
O A
600 mm x
z
P

A

IME-ITA – Vol. 1 377


FÍSICA III
Assunto 1

09 (Beer & Johnston) Sabendo que a tração em AB é 39 kN, determine os 10 (BEER&JOHNSTON) Os cursores A e B são conectados por um fio
valores requeridos para a tração em AC e AD de tal forma que a resultante de 525 mm de comprimento e podem deslizar livremente sobre hastes

das três forças aplicadas em A seja vertical.
( )
sem atrito. Se uma força P = 341j N é aplicada em A e causa movimento
uniforme, determine:
y
A a. a tração no fio quando y =
 155 mm.
b. a intensidade da força Q necessária para manter em equilíbrio o
sistema.

48 m
P
C
16 m
A
24 m
D O 200 mm
y
x O
12 m
B
14 m
16 m
z
B x
z
Q

378 IME-ITA – Vol. 1


FÍSICA III ASSUNTO

Cinemática II: vetorial


2
1. Cinemática vetorial Por definição, o vetor deslocamento é a diferença entre os vetores
posições de P1 e P2.
Após entendermos todos os conceitos de movimento aplicados a
movimentos retilíneos ou circulares, vamos aprender como estender cada x (m)
assunto a qualquer movimento. Para isso, precisamos usar os conceitos

vetoriais das grandezas já previamente apresentadas. P1 ∆S
P2
1.1 Vetor posição (s→)
O vetor posição é um vetor com centro na origem de referência e
extremidade na posição do corpo em questão. Sua análise pode ser
unidimensional, bidimensional ou tridimensional, como mostram os
exemplos a seguir:

Análise unidimensional x (m)



s
X (m) Observa-se que o módulo do vetor deslocamento tem como valor
0 5 máximo o módulo do deslocamento escalar (já que uma reta é a menor
distância entre dois pontos). A igualdade só ocorre nos movimentos
→ →
|s |= 5 m s=î retilíneos.

Análise bidimensional 1.3 Velocidade vetorial média



É o quociente entre o vetor deslocamento (∆S ) e o correspondente
y (m) intervalo de tempo.
3

x (m) 
 ∆s
vm =
 ∆t
s = 32 + ( −2)2 = 13 m
  Note que o módulo do vetor velocidade média tem como valor máximo
–2 → s = 3 î − 2 j ou s = (3, − 2) o módulo da velocidade escalar média. Esses módulos só serão iguais
s
nos movimentos retilíneos, porque é a única situação em que coincidem
os valores do deslocamento escalar e do vetor deslocamento.
Análise tridimensional
Além disso, o vetor velocidade média tem a mesma direção e sentido
do vetor deslocamento, pois se trata da multiplicação de um vetor por um
z (m)
escalar positivo.
3
1.4 Velocidade vetorial instantânea
→ 
s É o limite da velocidade vetorial para um intervalo de tempo tendendo
y (m) s = 22 + 32 + 52 = 38 m
2 a 0. Matematicamente:
5 
s = 2 î + 5j + 3 k 
 ∆s
 v = lim  
s = ( 2, 5, 3) ∆t →0 ∆
t
x (m)
 Em outras palavras, se quisermos determinar a velocidade vetorial
1.2 Vetor deslocamento (∆ S) instantânea de uma partícula quando esta passa por um ponto P, devemos
tomar outro ponto Q da trajetória e fazer P tender a Q.
O vetor deslocamento de um corpo entre os instantes t1 e t2 é o vetor
representado por um segmento orientado de origem em P1 (posição do reta tangente
corpo no instante t1) e extremidade em P2 (posição do corpo no instante t2). P em P
Q3

P2 (t2) d3
∆S
+ sentido do →
P1 (t1) d2
→ movimento Q2
∆S S


d1
Q1

IME-ITA – Vol. 1 379


FÍSICA III
Assunto 2

Quanto mais próximo Q está de P, maior será a aproximação do vetor acelerado


deslocamento com a reta tangente a P.

→ reta tangente v
v em P
P

at

sentido do
movimento

|at |= ae > 0

retardado


v
Importante: Isso mostra que o vetor velocidade instantânea é
sempre tangente à trajetória.

1.5 Vetor aceleração →


at
O vetor aceleração média indica a razão entre a variação de velocidade
vetorial de um corpo e o intervalo de tempo. Lembre-se de que, para que

haja essa variação do vetor velocidade, não necessariamente precisa haver |at |= |ae|
mudança no módulo (um vetor tem direção e sentido, além do módulo).
    ae < 0
 ∆v v − v
am = = 0

∆t ∆t
O vetor aceleração média tem a mesma direção e sentido do vetor 1.5.2 Aceleração centrípeta
variação de velocidade (subtração vetorial), pois se trata da multiplicação É responsável pela mudança de direção do vetor velocidade instantânea.
de um vetor por um escalar positivo. →
A componente centrípeta da aceleração (a cp ) tem sempre a direção
O vetor aceleração instantânea é o limite desse quociente quando o radial e sentido apontado para o centro.
intervalo de tempo tende a 0.
 Atenção: essa componente de aceleração é nula somente para
 ∆v movimentos retilíneos.
am = lim
∆t → 0 ∆t O módulo da aceleração centrípeta é dado pela expressão:
A aceleração instantânea pode ser subdividida em duas: a aceleração  v2
acp =
tangencial e a aceleração centrípeta. R
Demonstração:
1.5.1 Aceleração tangencial →
v
É responsável pela mudança de intensidade (módulo) do vetor
→ → →
velocidade instantânea. v v ∆v
→ dθ
A componente tangencial da aceleração (at ) tem sempre a mesma
R R →
direção do vetor velocidade instantânea. O sentido vai depender do tipo dθ v
de movimento – acelerado, retardado ou uniforme.

uniforme  
∆v = v ⋅ dθ ∆ s = R ⋅ dθ

→ ∆s ∆s
v v= ⇒ t=
∆t v

 ∆v
acp =
∆t
 v ⋅ dθ v 2  v2
acp = = acp =
∆s ∆s R
v dθ

at = 0

380 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

Solução: Letra B.
Atenção! →
A figura mostra o automóvel e as velocidades do automóvel v aut e da chuva
Essa expressão pode ser utilizada em todo movimento curvilíneo, →
desde que se encontre o raio de curvatura do referido trecho da curva (v ) para a pessoa parada na beira da estrada. O diagrama vetorial mostra
(basta trocar o R pelo raio de curvatura). a composição dessas velocidades para o estudante.

→ –v aut
v aut →
Ex.: v

Um corpo lançado obliquamente possui, no ponto mais alto da trajetória, v
θ
uma velocidade de 5 m/s (horizontal). Considerando que nesse local o →
corpo fica sujeito somente à aceleração da gravidade (10 m/s2), determine v rel
o raio de curvatura nesse mesmo ponto.
referencial estrada referencial estudante
Solução: No ponto de altura máxima, a aceleração é ortogonal à velocidade
e, portanto, é a componente centrípeta. Em outras palavras, nessa situação, v aut sen θ v aut 0, 8 80
a aceleração da gravidade desempenha o papel de aceleração centrípeta tan θ = ⇒ = ⇒ = ⇒ v = 60 km/h
v cos θ v 0, 6 v
(já que é perpendicular à velocidade).
v2 52 Ex.:
acp = → 10 = → R = 2, 5 m
R R Um disco roda sobre uma superfície plana, sem deslizar. A velocidade do

1.6 Movimento relativo e composição de centro O é v 0. Em relação ao plano:
movimentos A
Quando se quer mudar o referencial de um vetor, matematicamente,
basta seguir a seguinte regra: Xa,b = Xa,c + Xc,b = Xa,c – Xb,c.

Importante: Note que todas as contas desse assuntos são vetoriais. →


v0 0
Ex.:

Considere a figura seguinte, em que um barco atravessa um rio. Seja v B,A

a velocidade do barco em relação às águas e v A,T a velocidade das águas
em relação às margens (terra).
B

→ → a. Qual a velocidade do ponto A?


v BA → vB b. Qual a velocidade do ponto B?

v BA
vA Solução: Os pontos A e B têm dois movimentos: um provocado pela

vA rotação do disco e outro provocado pela translação. O movimento

resultante, observado do plano de rolagem, é a composição desses
v0
movimentos parciais. A figura a seguir ilustra essa composição:

→ → → −v 0
Aplicando a definição de velocidade relativa v B,A= v B,T – v A,T, obtemos   
a velocidade do barco em relação às margens (mesmo referencial da v0 A v0 A 2v 0 A
velocidade das águas):  
−v 0 −v 0 
→ → →  v0 v0
v B,T = v B,A + v A,T 2v 0 O 2v 0 O  O
 −v 0 −v 0
v0  
Ex.:  2v 0 2v 0
B −v 0 v0 B B VB = 0
(UFAL) De dentro de um automóvel em movimento retilíneo uniforme, em  
uma estrada horizontal, um estudante olha pela janela lateral e observa 2v 0
movimento −v 0
movimento de movimento
de rolamento 
arrastamento resultante
a chuva caindo, fazendo um ângulo θ com a direção vertical, com 2v 0
sen θ = 0,8 e cos θ = 0,6. Para uma pessoa parada na estrada, a chuva
cai verticalmente, com velocidade constante de módulo v. Se o velocímetro
do automóvel marca 80,0 km/h, pode-se concluir que o valor de v é igual a:

(A) 48,0 km/h.


(B) 60,0 km/h.
(C) 64,0 km/h.
(D) 80,0 km/h.
(E) 106,7 km/h.

IME-ITA – Vol. 1 381


FÍSICA III
Assunto 2

02 Na figura, um ciclista percorre o trecho AB com velocidade escalar


média de 22,5 km/h e, em seguida, o trecho BC de 3,00 km de extensão.
No retorno, ao passar em B, verifica ser de 20,0 km/h sua velocidade
01 Uma pessoa brincando em uma roda-gigante, ao passar pelo ponto escalar média no percurso então percorrido, ABCB. Finalmente, ele chega
mais alto, arremessa uma pequena bola (Figura 1), de forma que esta em A perfazendo todo o percurso de ida e volta em 1,00 h, com velocidade
descreve, em relação ao solo, a trajetória de um lançamento vertical para escalar média de 24,0 km/h. Assinale o módulo v do vetor velocidade média
cima. referente ao percurso ABCB.
C

3,00 km
A B

(A) v = 12,0 km/h (D) v = 200 km/h


(B) v = 120 km/h (E) v = 36,0 km/h
(C) v = 20,0 km/h

Solução: Letra A.
figura 1 figura 2 Considerando o deslocamento em todo o trajeto:
A velocidade de lançamento da bola na direção vertical tem o mesmo ∆S = v · ∆t = 24 · 1 = 24 km
módulo de velocidade escalar (v) da roda-gigante, que executa um
movimento circular uniforme. Despreze a resistência do ar, considere a A distância AB pode ser calculada da seguinte forma:
aceleração da gravidade igual a g e π = 3. Se a pessoa consegue pegar
a bola no ponto mais próximo do solo (figura 2), o período de rotação da ∆S = 2 · AB + 2 · BC → ∆S/2 = AB + BC →
roda-gigante pode ser igual a: 24
AB = ∆S/2 – BC = – 3 = 12 – 3 = 9 km
2
v
(A) . Cálculo do tempo total gasto no trecho ABCB:
g
(9 + 6) 15
10v v = ∆S / ∆t → ∆t = ∆S / v = = = 0, 75 h
(B) . 20 20
7g
20v 9
(C) . O módulo da velocidade vetorial média é = 12 km/h.
3g 0, 75
v 03 Duas par tículas, X e Y, em movimento retilíneo uniforme, têm
(D) 12 .
g velocidades respectivamente iguais a 0,2 km/s e 0,1 km/s. Em um certo
instante t1, X está na posição A e Y na posição B, sendo a distância entre
Solução: Letra C. ambas de 10 km. As direções e os sentidos dos movimentos das partículas
 são indicados pelos segmentos orientados AB e BC, e o ângulo AB ^C mede
v0 y 60°, conforme o esquema.

−v 0 2R C

2v 0 R é o raio da
roda-gigante

O 60°
situação inicial A B
situação inicial Sabendo-se que a distância mínima entre X e Y vai ocorrer em um instante
t2, o valor inteiro mais próximo de t2 – t1, em segundos, equivale a:
O intervalo de tempo entre o começo e o fim é T/2.
2 (A) 24.
T 
2 g  (B) 36.
gt T 2 g ⋅T2 T
h = h0 + v 0 t − → 0 = 2R + v ⋅ −   → − v ⋅ − 2R = 0 (C) 50.
2 2 2 8 2 (D) 72.

2⋅π⋅ R v ⋅T Note que a velocidade linear de toda a roda (referente à translação) é


Porém v = →R= . Substituindo, teremos:
T 6 igual à velocidade linear de rotação dos pontos da roda. Isso só acontece
se pudermos supor que não há deslizamento entre a roda e o chão. Se
g ⋅T2 T v ⋅T 20 v
−v ⋅ −2 = 0 → 3 g ⋅ T 2 − 12v ⋅ T − 8v ⋅ T = 0 → T = ⋅ . não houver deslizamento, o arco percorrido pela roda em um intervalo de
8 2 6 3 g tempo qualquer é igual a distância percorrida pelo centro da roda. Por esse
motivo, as velocidades são iguais.

382 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

Solução: Letra B. 2. Lançamento horizontal e


Vamos considerar que o ponto A é a origem de um sistema cartesiano
e que o segmento AB esteja contido no eixo das abscissas. Dessa lançamento oblíquo
forma, podemos dizer que as equações paramétricas da partícula X são
y = 0 e x =0,2 · t e que as equações paramétricas da partícula Y são 2.1 Princípio da independência dos
y = 0,1 · t · sen (60) e x = 10 – 0,1t · cos (60).
movimentos (princípio de Galileu)
Importante: A ideia de desenhar a figura para um instante genérico “Se um corpo descreve um movimento composto, cada um dos
t e, a partir disso, obrigar ou calcular matematicamente algumas coisas movimentos componentes é descrito independentemente dos outros, ou
é muito usada na cinemática. seja, como se os outros não existissem e no mesmo intervalo de tempo."
O princípio de Galileu nos mostra que, quando possuímos um
Para calcularmos a distância mínima, vamos considerar um instante t. A movimento que é resultado da soma de movimentos simultâneos, nós
distância entre os pontos X e Y, nesse instante, é dada pelo Teorema de podemos estudá-los separadamente. Assim, ao lançarmos um corpo
Pitágoras e, dessa forma, temos: horizontalmente ou obliquamente, temos dois movimentos: um no eixo
horizontal e outro no eixo vertical. Esses movimentos ficam mais fáceis
d = ∆ x 2 + ∆ y 2  se estudados separadamente.

d = (10 − 0, 05 ⋅ t − 0, 2 ⋅ t ) + (0, 05 ⋅ t 3 )2 
2

  2.2 Lançamento horizontal


d = 100 − 5t + 0, 0625 ⋅ t 2 + 0, 0075 ⋅ t 2  Ao lançarmos um corpo de uma certa altura h, em um local livre da
resistência do ar e com aceleração da gravidade igual a g, ele executará
d = 100 − 5 ⋅ t + 0, 07 ⋅ t 2  uma curva como a representada a seguir.

 
A distância d é função do tempo t e essa função é quadrática com vo x g
concavidade para cima, o que significa que possui ponto de mínimo. Assim:
5
t = − b / ( 2 a) = = 35, 7 s ≅ 36 s
0,14 H

04 Considere dois carros que estejam participando de uma corrida. O


carro A consegue realizar cada volta em 80 segundos, enquanto o carro
B é 5,0% mais lento. O carro A é forçado a uma parada, nos boxes ao
completar a volta número 6. Incluindo aceleração, desaceleração e reparo, O movimento na vertical (eixo y) será uniformemente acelerado,
o carro A perde 135 segundos. Qual deve ser o número mínimo de voltas pois a aceleração da gravidade é constante; na horizontal (eixo x), o
completas da corrida para que o carro A possa vencer? movimento será uniforme. É importante que, ao resolvermos um problema
de lançamento horizontal, observemos que a velocidade de lançamento
Solução: só influencia o alcance horizontal do corpo, e a vertical desse tipo de
lançamento é uma queda livre.
2π π 2π 2π π
ωA = = rad /s ωB= = = rad/s Assim, as equações horárias ficam:
TA 40 TB 1, 05 ⋅ TA 42
Eixo vertical (eixo y);
Adotando o ponto de largada como origem do sistema de referência,
teremos: gt 2
h= vy = gt v y = 2 gh
π π 2
ϕA = ⋅t ϕ B= ⋅ t
40 42
π 615π Eixo horizontal (eixo x);
Enquanto A dá seis voltas, B percorre ϕB= ⋅ ( 480 + 135) = rad A = vx · t
42 42
A partir daí, as equações horárias são: Ex.: Um avião de bombardeio voa a uma altitude de 320 m com uma
π 615π π velocidade de 70 m/s e surpreende uma lancha torpedeira viajando a 20 m/s
ϕ A = 12π + t ϕ B= + t na mesma direção e sentido do avião. A que distância horizontal atrás da
40 42 42
lancha o avião deve lançar a bomba para atingi-la? Adote g = 10 m/s2.
No próximo encontro entre os móveis (após a volta do móvel A):
π 615π π Solução:
12π + t = + t → t = 2.220 s
40 42 42 A bomba executará um lançamento horizontal, visto que sairá do avião
mantendo a mesma velocidade horizontal. Nesse caso, sua vertical é
Nesse intervalo de tempo, o móvel A executa 27 voltas completas
uma queda livre:
 2.220  gt 2 10 ⋅ t 2
 80 = 27, 75  . h= → − 320 = →t =8s
  2 2
Para vencer, ele precisará de 6 + 27 + 1 = 34 voltas.
O alcance horizontal dessa bomba é dado por:
A = vx · t → A = 70 · 8 = 560 m

IME-ITA – Vol. 1 383


FÍSICA III
Assunto 2

Nesses 8 s de movimento, a lancha se deslocou 20 · 8 = 160 m O movimento vertical é um movimento uniformemente variado, em que
Portanto, o avião deve ficar a 560 – 160 = 400 metros de distância o módulo da aceleração é igual à aceleração da gravidade. O movimento
para atingir a lancha. horizontal é um movimento uniforme. Em outras palavras, a partícula sobe
desacelerando (pois a componente da velocidade nessa direção é contrária
Ex.: Uma partícula é lançada horizontalmente de uma altura , com à gravidade) e desce acelerando (pois a componente da velocidade nessa
velocidade inicial v, em um local onde a aceleração da gravidade direção é a favor da gravidade), sem modificar sua componente horizontal
é constante e vale g. Considerando desprezíveis quaisquer forças de velocidade.
dissipativas, determine: y
v0x
v0x g
a. A altura em um instante t;
b. o módulo da velocidade da partícula em um instante t; v0y v 0y
c. a equação da trajetória. v0x v0x
v0
Solução: v0y v0y
q
a. Para determinarmos a altura, temos de estudar a vertical (MUV em
que |a| = g). Vamos considerar o sistema de referência com origem 0 v0x x
no solo e positivo para cima. Assim:
gt 2 gt 2 É interessante notar que, analogamente ao lançamento para cima,
h = h0 + v 0 t − →h=H− estudado anteriormente, dois pontos da trajetória que estão sob a mesma
2 2
horizontal terão o mesmo módulo de velocidade vertical. Como a velocidade
b. Em um instante genérico t, a partícula possuirá uma componente horizontal não se altera, podemos ampliar e dizer que, em um lançamento
horizontal de velocidade (constante) e uma componente vertical. oblíquo, pontos na mesma horizontal possuem mesmo módulo de velocidade.
Assim:
vx = v e vy = gt 2.3.1 Parametrizando as equações
O módulo da velocidade resultante será dado por: Uma vez conhecido que no lançamento oblíquo temos um MUV na
2 2 2 2 2 2 vertical e um MRU na horizontal, podemos escrever que as funções horárias
v = v + v → vR = v + g t
R x y
para cada eixo são (origem é o ponto de lançamento e referencial é positivo
para cima e para a direita):
c. Para determinar a equação da trajetória, vamos colocar A em função
de h.
gt 2 gt 2
A – Vertical (MUV) → y = y 0 + v 0 y ⋅ t −  → y = v 0 ⋅ sen θ ⋅t − 
A= v ⋅t → t = 2 2
v
2 – Horizontal (MRU) → x= x0 + vx · t → x = v0 · cos q · t
gt 2 g  A g ⋅ A2
h=H− → h = H − ⋅  → h = H − (parábola, portanto)
2 2 v 2 ⋅ v2 Isolando a variável “t” na segunda equação:
x
t =
2.3 Lançamento oblíquo v 0 ⋅ cos θ
Consideremos uma partícula lançada de um ponto O sobre a superfície

 Substituindo a variável “t” na primeira equação, teremos:
da Terra, com velocidade vo cuja direção não é nem horizontal nem vertical.
2
Desprezando os efeitos do ar, temos que, para um referencial inercial, a  x 
trajetória da partícula será uma parábola (isso será provado mais adiante). g 
x ⋅ θ
v cos g ⋅ x2
y = v 0 ⋅ sen θ. −  0 → y = x tg θ −  2 2
trajetória v 0 ⋅ cos θ 2 2v 0 cos θ
y  do corpo
g Note que como θ, v0 e g são constantes. A posição no eixo y é uma
função quadrática de variável x, provando que todo lançamento oblíquo
possui como trajetória uma parábola.

 2.3.2 Tempo de voo, altura máxima e alcance
vo
horizontal
x
O tempo de voo de uma partícula lançada obliquamente é tão maior
quanto maior for a componente vertical da velocidade inicial. Assim, para
Repare que, durante a sua trajetória, a par tícula executa dois descobrir o tempo de voo, analisaremos a vertical. Lembre-se de que os
movimentos: um horizontal e outro vertical. O princípio da independência movimentos de subida e descida são simétricos, portanto, o tempo de
de Galileu diz que esses movimentos podem ser estudados separadamente. subida é igual ao de descida. O tempo de voo será o dobro do tempo de

 subida (tS). Na altura máxima, a componente vertical de velocidade é nula.
Chamando de θ o ângulo entre o vetor velocidade inicial vo e v ⋅ senθ
a horizontal, definimos que as componentes horizontal e vertical da v y = v y 0 − gt → 0 = v 0senθ − gt → ts =  0
velocidade possuem, no início, módulos respectivamente iguais a: g

   
   2 ⋅ v 0 ⋅ senθ
tvoo =
v x = v 0 cos
⋅ θ v y = v 0 ⋅ senθ g

384 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

Para o cálculo da altura máxima, mais uma vez faremos a análise c. A condição para acertar a cesta é a de que para x = 4 m → y = 3 m.
da vertical: Pelo movimento na direção horizontal → x = x0 + v · t →
v 2 sen 2θ 4 = 0 + v · cos 30° · t → 4 = 0,86 · v · t → v · t = 4,651 em que v é
v y 2 = v 02 y − 2 g∆S → 0 = ( v 0 sen θ ) − 2gH → HMAX = 0
2

2g a velocidade de lançamento da bola que acerta a cesta, e t é o tempo


necessário para acertar a cesta. Pelo movimento na direção vertical
Essa equação mostra que, se variarmos somente o ângulo de da bola
lançamento, a altura máxima ocorrerá quando sen2 θ = 1, ou seja, quando → y = y0 + v0 · t + a · t2/2 → 3 = 2 + v · sen 30° · t – 5 · t2 →
θ = 90° (lançamento vertical). 1 = 0,5 · v · t – 5 · t2. Então → 1 = 0,5 · 4,651 – 5 · t2 → 5 · t2 =
1,3255 → t2 = 0,2651 → t = 0,515 s. Assim → v · t = 4,651 →
Finalmente, para determinar o alcance horizontal de um projétil lançado v · 0,515 = 4,651 → v = 4,651/0,515 = 9,03 m/s.
obliquamente, devemos analisar a horizontal, em que o movimento é
uniforme: Ex. 2: Uma bolinha de aço é lançada de um ponto P de uma rampa inclinada
de α em relação à horizontal, com velocidade inicial v0, que forma um
2 ⋅ v 0 ⋅ sen θ
∆s = v x ⋅∆
 t → AHOR = v 0 ⋅ cos θ ⋅ ∆t → AHOR = v 0 .cos θ ⋅ → ângulo θ com a horizontal. Calcule a distância do ponto P ao ponto Q,
g onde a bolinha colide com a rampa. Despreze influências do ar e considere
v 2 ⋅ 2 ⋅ sen θ ⋅ cos θ g = 10 m/s2, v = 12 m/s, α = 30° e θ = 60°.
AHOR =  0
g
Fazendo 2 · sen θ · cos θ =sen 2θ Q


v 2 ⋅ sen 2θ vo rampa
AHOR =  0 q
g
a
P
Sobre essa expressão, dois pontos devem ser destacados: Solução:
– Para valores fixos de v0 e g, o alcance horizontal será máximo quando Para a solução dessa questão, consideraremos um eixo cartesiano no
sen(2θ) = 1, ou seja, quando θ = 45°. (Considerando altura final e ponto de lançamento, como ilustra a figura abaixo:
inicial iguais e aceleração apenas no eixo vertical.) y
– Para valores fixos de v0 e g, teremos mesmo alcance horizontal para
yQ
dois ângulos a e b, tais que a + b = 90°. 
 Q
vo
Ex.: Em uma partida de basquete, um jogador tem direito a realizar dois
q rampa
lances livres. O centro da cesta está situado a uma distância de 4,0 m
da linha de lançamento e a uma altura de 3,0 m do solo, conforme a P a
figura. A bola é lançada sempre a uma altura de 2,0 m do solo. No primeiro 0 xQ x
lançamento, a bola é lançada com velocidade de 5,0 m/s, formando As componentes horizontal e vertical da velocidade possuem módulos
um ângulo de 30° com a horizontal, e não atinge a cesta. No segundo respectivamente iguais a v0 cos θ e v0 sen θ. Com isso, as equações
lançamento, a bola é lançada com uma velocidade desconhecida, formando horárias passam a ser:
um ângulo de 30° com a horizontal, e atinge a cesta.
gt 2
x = v 0 ⋅ cos θ ⋅ t e y = v 0 ⋅ sen θ ⋅ t −
Dados: cos 30° = 0,86; sen 30° = 0,50; tan 30° = 0,57; cos2 30° = 0,75. 2
Denominando a distância PQ de d, observe o triângulo PX0Q. A partir
d
dele e considerando que α = 30°, temos que a altura será y 0 = e o
2
d 3
3m alcance horizontal será 0 x = .
2m 2
Substituindo nas equações horárias:
d 3 d 3
x = v 0 ⋅ cos θ ⋅ t = = 12 ⋅ cos60° ⋅ t → t =
4m 2 12
gt 2 d 10 ⋅ t 2 d
a. Determine o instante em que a altura máxima é atingida pela bola no y = v 0 ⋅ sen θ ⋅ t − → = 12 ⋅ sen60° ⋅ t − → =
primeiro lançamento. 2 2 2 2
2
b. Demonstre que a bola não atinge a cesta no primeiro lançamento. 3 d 3 10  d 3 
c. Determine a velocidade inicial da bola no segundo lançamento. = 12 ⋅ ⋅ − ⋅ 
2 12 2  12 
Solução: 10d 2
d = 3d − → 10d = 96 → d = 9,6 m.
a. v = v0 + a · t → 0 = 5 · sen 30° – 10 · t → 10 · t = 2,5 → t = 0,25 s 48
b. No primeiro lançamento, a bola atinge a altura máxima de: Dica: uma outra forma de resolver o problema anterior (e, muitas vezes,
y = y0 + v0 · t + a · t2/2 mais rápida) é usar o par de eixos coincidindo com o plano inclinado. Nesse
y = 2 + 5 · sen 30° · 0,25 – 5 · (0,25)2 caso, a gravidade não coincidiria com um eixo e, por esse motivo, precisaria
y = 2 + 0,625 – 0,3125 = 2,3125 m. ser decomposta. Daí, teríamos MUV nos dois eixos. Podemos resolver um
Essa altura não é suficiente para atingir a altura da cesta. problema de MUV nos dois eixos da forma explicitada abaixo. Basicamente,
a mudança é a seguinte: em vez de usar equações de MRU na horizontal,

IME-ITA – Vol. 1 385


FÍSICA III
Assunto 2

devemos usar equações de MUV. Todo o raciocínio permanece igual.

Ex.: Uma partícula é lançada obliquamente em um local onde, além da


aceleração da gravidade (10 m/s2), existe uma aceleração horizontal cujo 01 Uma bola é chutada da superfície de um terreno plano segundo um
módulo vale 4 m/s2. Considerando que a velocidade inicial da partícula ângulo j0 acima da horizontal.

é v 0 = 2i + 30j , determine o tempo de voo dessa partícula e o alcance
horizontal obtido.  

g ax


vo j0
q

Solução:
Se q é o ângulo de elevação do ponto mais alto da trajetória, visto do
Os movimentos horizontais e verticais são independentes. Logo, para a
ponto de lançamento, a razão tan θ/tan ϕ0, desprezando-se a resistência
determinação do tempo de voo só utilizaremos a vertical.
do ar, é igual a:
v = v0 – gt → 0 = 30 – 10t → tsub = 3s → tvoo = 6 s
(A) 1/4.
Sabemos agora que após seis segundos de movimento a partícula
(B) 1/2.
retorna ao solo. O diferencial nessa questão é que na horizontal o
(C) 1/6.
movimento é uniformemente acelerado. Portanto, para calcularmos o
(D) 1/8.
alcance horizontal usaremos as equações de MUV:
a t2 4 ⋅ 62 Solução: Letra B.
A = v0t + x → A = 2 ⋅ 6 + → A = 84 m
2 2 Para determinar θ, observe a figura:
y
2.3.3 Parábola de segurança
Para valores fixos de v0 e g e variando somente o ângulo de lançamento
(permitindo todas as possibilidades para a variação do ângulo), v0
observamos que para cada ângulo teremos uma parábola diferente. Todas j0
essas parábolas possuem em comum o fato de que são envolvidas por q q hmáx
uma única parábola denominada parábola de segurança (PS). x
A/2
y
A

tan θ = hmáx /(A/2) = [(V02 · (sen2 j/2 g)/(V02 · 2 · sen j0 · cos j0/2 g) =
sen j0/2 · cos j0.

tan j0 = V0Y/V0X = V0 · sen j0/V0 · cos j0 = sen j0/cos j0


x
Note que a altura máxima da parábola de segurança é a altura máxima tan θ/tg j0 = (sen j0/2 · cos j0)/(sen j0/cos j0) = 1/2.
 v2 
de um lançamento vertical para cima  h = 0  e que a equação da PS é 02 (ITA) Considere hipoteticamente duas bolas lançadas de um mesmo
 2g  lugar ao mesmo tempo: a bola 1, com velocidade para cima de 30 m/s,
do tipo y = ax2 + c (simétrica em relação ao eixo y). e a bola 2, com velocidade de 50 m/s formando um ângulo de 30° com a
Como o termo independente é a altura máxima, então a equação da horizontal. Considerando g = 10 m/s2, assinale a distância entre as bolas
v2 no instante em que a primeira alcança sua máxima altura.
PS é do tipo y = ax 2 + 0 .
2g
v2 (A) d = 6.250 m. (D)
d = 19.375 m.
O alcance horizontal máximo é quando θ = 45°. Portanto, 0 é raiz
−g g (B) d = 2.717 m. (E)
d = 26.875 m.
da PS. Isso implica que a = 2 . (C) d = 17.100 m.
2v 0
Finalmente chegamos à equação da PS: Solução: Letra C.
−g v2 Bola 1:
y = 2 ⋅ x 2 +  0 Posição horizontal x = 0.
2v 0 2g
Posição vertical y = 30 · t – 5 · t2.
Uma vez fixo v0 e g, é impossível atingir um alvo fora da parábola de Atinge a altura máxima em vy = 0 → 0 = 30 – 10 · t → t = 3 s.
segurança, qualquer que seja o ângulo. A posição vertical será → y = 30 · 3 – 5 · 32 = 90 – 45 = 45 m.
No instante em que a bola 1 atinge a altura máxima, ela está na posição
(0;45) m.

386 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

Bola 2: 04 Um projétil é lançado da origem


 de um sistema de coordenadas
 3 xy, com vetor velocidade inicial v 0 = ( a, a ), em que a é um real positivo.
Posição horizontal x = 50 ⋅   ⋅ t = 25 ⋅ t ⋅ 3 = 75 3 m. Determine a equação da reta de maior coeficiente angular positivo que corte
 2  a trajetória do projétil em dois pontos, sendo que um deles é a posição de
 1 2 2 altura máxima.
Posição vertical y = 50 ⋅   ⋅ t − 5 ⋅ t = 25t − 5t =75 − 45 = 30 m.
2
(A) y = 4x + 1.
No instante em que a bola 1 atinge a altura máxima, a bola 2 está na
(B) y = x/4.
posição (75 3 ;30) m. (C) y = 2x + 1.
(D) y = x/2.
A distância entre elas é dada por:
(E) y = x.
d = ( ∆x 2 + ∆y 2 ) = ( 75 2
)
⋅ 3 + 152 = ( 5.625 ⋅ 3 + 225 ) =
05 Duas partículas são lançadas com velocidades de mesmo módulo, que
(16.875 + 225 ) = (17.100 ) m. π 
fazem ângulos diferentes com a horizontal: α rad e  − α  rad. Determine
2 
a razão entre as alturas máximas atingidas pelas esferas.

(A) tan2 α.
01 Um corpo é lançado obliquamente com velocidade de módulo 50 m/s, (B) sen2 α.
sob um ângulo de lançamento θ (sen θ = 0,6), conforme indica a figura. (C) (1 + cos α)2.
y  (D) cos2 α.
 V (E) (1 + sen α)2.
Vo
06 (IME – 98/99) Uma gota de chuva cai verticalmente com velocidade
hmáx constante igual a v. Um tubo retilíneo está animado de translação horizontal
com velocidade constante v 3 . Determine o ângulo θ, de modo que a gota
θ
de chuva percorra o eixo do tubo.
0 x
A
tubo eixo

Calcule, considerando g = 10 m/s2 e desprezando influências do ar:

(A) A velocidade do corpo ao passar pelo vértice do arco de parábola;


(B) o tempo de subida;
(C) a altura máxima (hmáx);
(D) o alcance horizontal (A).

02 Num lançamento oblíquo, um projétil pode ter o mesmo alcance


A para dois ângulos distintos entre a velocidade inicial e a horizontal. θ
Determine o produto dos tempos de voo nas duas situações. A aceleração
da gravidade é g. 07 Uma partícula percorre uma circunferência de 1,5 m de raio no sentido
horário, como representado na figura. No instante t0, a velocidade vetorial
 
(A) A/2g. (D) 4A/g. da partícula é v e a aceleração vetorial é a.
(B) A/g. (E) 8A/g.
(C) 2A/g.

03 O canhão da figura dispara um projétil com velocidade inicial de módulo


igual a v0, atingindo um alvo estacionário situado em P:
P C 1,5 m


a 30° 
V
V0
300 m


45° Sabendo que v = 3 m / s:
400 m 
a. Calcule a ;
Desprezando influências do ar, determine o valor de v0. Considere b. e diga se no instante t0 o movimento é acelerado ou retardado,
g = 10 m/s2. justificando sua resposta.

IME-ITA – Vol. 1 387


FÍSICA III
Assunto 2

08 Uma partícula P move-se no espaço e, em um certo instante, tem 12 Um corpo de massa m é lançado obliquamente de uma superfície

vetor velocidade v= 4ˆi + 3ˆj m/s. Nesse mesmo instante, a aceleração plana e horizontal, com velocidade inicial v0, inclinada de θ em relação à
 horizontal. Suponha que, além do peso, atue no corpo uma única outra
total de P vale 10 m/s2 e faz um ângulo de 30° com v . Calcular o raio de
curvatura da partícula naquele instante. força F, horizontal e constante, no mesmo sentido do movimento. Sendo g
a gravidade, determine o alcance horizontal desse movimento. Lembre-se
(A) 3 m. de que, pela segunda Lei de Newton, a aceleração proporcionada por
(B) 4 m. qualquer força é a razão entre o módulo dessa força e a massa do corpo.
(C) 5 m.
(D) 2 5 m. v 02  F ·cot q 
(A) sen2q  1+ .
(E) 2 2 m. g  mg 
v 02  F ·cot q 
09 Um garoto está 4 m à frente de uma parede vertical e lança uma bola. (B) sen q  1+ .
A bola deixa a mão do garoto a uma altura de 2 m do solo com velocidade g  mg 

inicial v= 3i + j m / s. Quando a bola bate na parede, a componente v 02  F · tan q 
horizontal do vetor velocidade troca de sentido e a vertical permanece (C) sen2q  1+ .
g  mg 
inalterada. A que distância da parede a bola atinge o solo?
v 02  F ·cot q 
(D) sen2q  1− .
(A) 1 m. (D) 4 m. g  mg 
(B) 2 m. (E) 5 m.
(C) 3 m. v 02  F · tan q 
(E) sen2 q  1+ .
g  mg 
10 (IME – 10/11)
tubo
13 Em um dado instante, dois navios encontram-se sobre o mesmo
meridiano. O navio N’ encontra-se a uma distância d ao norte do navio N.

a. N faz rota para o norte com velocidade v. N’ faz rota para o leste com
velocidade v’. Qual será a mínima distância entre os navios?
b. N’ faz rota para leste com velocidade v’. Qual é o rumo que N deve
tomar para encontrar N’? Quanto tempo levará?

14 Para proteger sua comida dos ursos famintos, um escoteiro levanta


seu pacote de comida com uma corda que passa por cima de um galho
cilindro de árvore que está na altura h acima de suas mãos. Ele se afasta da corda
vertical com velocidade constante vescoteiro, mantendo a extremidade livre
A figura acima apresenta um cilindro que executa um movimento simultâneo da corda em suas mãos. Veja a figura:
de translação e rotação com velocidades constantes no interior de um tubo
longo. O cilindro está sempre coaxial ao tubo. A folga e o atrito entre o tubo
e o cilindro são desprezíveis. Ao se deslocar no interior do tubo, o cilindro
executa uma rotação completa em torno do seu eixo a cada 600 mm
de comprimento do tubo. Sabendo que a velocidade de translação do
cilindro é 6 m/s, a velocidade de rotação do cilindro em rpm é:
v a
(A) 6.
(B) 10. ℓ
(C) 360. h
(D) 600.
m
(E) 3.600.

11 Na superfície
 de certo planeta, o vetor aceleração da gravidade é
dado por = ( )
g 4i − 2j m/s2, num certo referencial yx. Uma esfera é x Vescoteiro
lançada com uma velocidade de módulo 5 m/s, que faz um ângulo de 37°
com a horizontal (eixo x). Determine a velocidade da esfera 5 s após seu
lançamento.

(A) 2j m/s.


(B) 5j m/s. Dessa forma, pode-se determinar a velocidade escalar v do pacote de
( )
(C) 2i + 5j m/s. comida em função da distância x que ele se afastou da corda vertical
pela equação:
(D) ( −2i − 5j ) m/s.
(E) −4i m/s.

388 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

(A) x · ( x2 + h2)–1/2 · vescoteiro. 02 No instante mostrado, uma partícula é lançada com uma velocidade
(B) h · ( x2 + h2)–1/2 · vescoteiro. de módulo v e a esfera inicia seu movimento de rotação em torno do eixo
x vertical mostrado, a partir do repouso, com aceleração angular constante
(C) ⋅ v escoteiro .
h de módulo 10π rad/s2. Determine a máxima altura H que a partícula pode
(D) x · ( x2 + h2)–1 · vescoteiro. alcançar, se ela volta para o mesmo ponto do qual foi lançada no menor
(E) h2 · ( x2 + h2)–1 · vescoteiro. tempo possível. Considere a aceleração da gravidade igual a 10 m/s2.

15 Uma partícula se desloca ao longo da reta . Um observador fixado em


O determina que a velocidade angular da partícula é de 1 rad/s. Determine
a velocidade linear v da partícula no instante em que θ = 45°.
U H
θ

2m
(A) 0,25 m.
(B) 0,5 m.
ℓ v (C) 0,75 m.
(D) 1 m.
(E) 1,25 m.
(A) 2 m/s.
03 (ITA – 12/13) Ao passar pelo ponto O, um helicóptero segue na direção
(B) 4 m/s.
norte com velocidade v constante. Nesse momento, um avião passa pelo
(C) 2 m/s. ponto P, a uma distância δ de O, e voa para oeste, em direção a O, com
(D) 2 2 m/s. velocidade u também constante, conforme mostra a figura. Considerando
(E) 4 2 m/s. t o instante em que a distância d entre o helicóptero e o avião for mínima,
assinale a alternativa correta.

norte

01 (IME – 97/98) Um pequeno cesto é preso em uma haste que o faz


girar no sentido horário com velocidade constante. Um carrinho, com
velocidade de 1,5 m/s, traz consigo um brinquedo que arremessa bolinhas oeste v
u
na vertical para cima com velocidade de 5,5 m/s. Quando o carrinho
está a uma distância de 2 m do eixo onde a haste é presa, uma bolinha é O P
lançada. Nesse instante, o cesto está na posição mais baixa da trajetória δ
(posição A), que é a altura do chão e a do lançamento da bolinha. A bolinha
é arremessada e entra, por cima, no cesto quando este está na posição
B indicada na figura. Determine: (A) A distância percorrida pelo helicóptero no instante em que o avião
alcança o ponto O é δu/v.
a. O vetor velocidade da bolinha ao entrar no cesto; (B) A distância do helicóptero ao ponto O no instante t é igual a
b. a menor velocidade angular do cesto para que a bolinha entre no cesto. δu v 2 + u 2 .
(C) A distância do avião ao ponto O no instante t é igual a δu v 2 + u 2 .
Dado: g = 10 m/s2. (D) O instante t é igual a δv v 2 + u 2 .
cesto (E) A distância d é igual a δu v 2 + u 2 .
B
04 (ITA – 92/93) O módulo da velocidade v1 de um projétil no seu ponto de
carrinho
altura máxima é 6 7 do valor da velocidade v2 no ponto em que a altura
é metade da altura máxima. Obtenha o cosseno do ângulo de lançamento
2m A com relação à horizontal.

(A) Os dados fornecidos são insuficientes.
(B) 3 2.
(C) 1 2.
(D) 2 2.
(E) 3 3.

IME-ITA – Vol. 1 389


FÍSICA III
Assunto 2

05 Uma partícula é lançada do solo com velocidade 2 gh , de forma que Determine:


passa tangenciando duas paredes de mesma altura h, separadas por uma
distância 2h. Determine o intervalo de tempo entre as passagens pelas a. A vetor velocidade do corpo em um instante t qualquer;
duas paredes. b. a intensidade mínima da velocidade do móvel.

10 Calcule o raio de curvatura da trajetória de um projétil que foi lançado


h com velocidade inicial v0 formando um ângulo α com a horizontal nos
(A) .
g seguintes casos:
2h
(B) . a. No ponto mais alto da trajetória;
g
b. no instante de lançamento;
4h c. em um instante genérico t após o lançamento.
(C) .
g
Dado: aceleração da gravidade = g
8h
(D) . 11 Uma roda de raio R rola sem deslizar por uma superfície plana com
g
velocidade angular em torno do seu eixo igual a ω. Considere que, em
16 h t = 0, o ponto da roda em contato com o plano se encontra na origem de
(E) .
g um sistema cartesiano yx. Determine, a partir desse instante, as equações
do movimento desse ponto, bem como seu vetor velocidade e seu vetor
06 (ITA – 69/70 – adaptada) O movimento de uma partícula é descrito aceleração, para qualquer instante t.
pelas seguintes equações:
12 Dois observadores em movimento acompanham o deslocamento de
x = b sen (ωt) uma partícula no plano. O observador 1, considerando estar no centro
y = b cos (ωt) de seu sistema de coordenadas, verifica que a partícula descreve um
z = ut movimento dado pelas equações x1(t) = t2 + t + 1 e y1(t) = t sendo t
a variável tempo. O observador 2, considerando estar no centro de seu
a. Determine a trajetória (equação e formato) descrita pela partícula. sistema de coordenadas, equaciona o movimento da partícula como
b. Demonstre que o módulo de sua velocidade é constante. x2(t) = t + 2 e y2(t) = –t 2 + t. O observador 1 descreveria o movimento
c. Determine a distância percorrida em um ciclo. do observador 2 por uma:

07 As coordenadas de um corpo são x(t) = t2 e y(t) = (t – 1)2 (SI). Obs.:


• Os eixos x1 e x2 são paralelos e possuem o mesmo sentido; e
a. Determine a equação da trajetória. • os eixos y1 e y2 são paralelos e possuem o mesmo sentido.
b. Determine o instante em que o módulo da velocidade é mínimo.
c. Determine as coordenadas quando a velocidade for 10 m/s. (A) reta.
d. Determine os módulos das acelerações tangencial e centrípeta em um (B) elipse.
instante t qualquer. (C) circunferência.
(D) parábola.
08 Uma partícula está sob ação da gravidade e de uma ventania muito (E) hipérbole.
forte, de modo que sua posição em função do tempo é:
13 Como em nossa região a chuva é companheira habitual, também é
t3 comum que pessoas, após terem se protegido com um guarda-chuva,
x ( t=
) +5
3 inadvertidamente o ponham a girar, em torno do seu eixo, o cabo, acabando
y (t=) t2 + 1 por provocar outra chuva fora de hora, capaz de molhar quem estiver por
perto. Se você perceber uma pessoa girar, com velocidade angular ω, o
z ( t ) = 2t
guarda-chuva molhado de raio R, com a aba a uma altura h do solo, como
ilustra a figura, e considerando o campo gravitacional igual a g, você não
Determine, para um instante qualquer: será atingido pelos pingos se estiver a uma distância daquela pessoa
a. Os vetores velocidade e aceleração; superior a:
ω

b. os módulos da velocidade e da aceleração;


c. os módulos das acelerações centrípeta e tangencial;
d. os vetores das acelerações centrípeta e tangencial. R

e. o raio de curvatura.

09 As equações paramétricas da posição de um móvel são, no SI: h

( t − 6)3 2
?

=
x( t ) +t
12
t 3 ( t − 1)2
y(=
t) −
12 2

390 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

(A) R 1+ 2 ω h .
2
v
g (D) sen2 β.
H
ω2 Rh
(B) R + . H
g (E) cos2 β.
v
R
(C) ωh .
g 17 (ITA – 90/91) A figura representa uma vista aérea de um trecho
retilíneo de ferrovia. Duas locomotivas a vapor, A e B, deslocam-se em
ω2 R sentidos contrários com velocidades constantes de 50,4 km/h e 72,0 km/h,
(D) h 2 + .
g respectivamente. Uma vez que AC corresponde ao rastro da fumaça do trem
A, BC, ao rastro da fumaça de B e que AC = BC, determine a velocidade
ω2 R Rh do vento. Despreze as distâncias entre os trilhos de A e B.
(E) .
g h+R
C
14 Uma bola de gude rola do topo de uma escada com velocidade
horizontal constante u. A aceleração da gravidade é g. Se cada degrau
tem altura y e comprimento x, determine uma condição que relacione u, 160 m
x, y, n e g para que a bola se choque com o n-ésimo degrau. A
B
15 (ITA – 10/11) Duas partículas idênticas, de mesma massa m, são
projetadas de uma origem O comum, num plano vertical, com velocidades 1.360 m
iniciais de módulo v0 e ângulos de lançamento respectivamente iguais a
α e β em relação à horizontal. Considere T1 e T2 os respectivos tempos (A) 5,00 m/s.
de alcance do ponto mais alto de cada trajetória e t1 e t2 os respectivos (B) 4,00 m/s.
tempos para as partículas alcançarem um ponto em comum de ambas (C) 17,5 m/s.
as trajetórias. Assinale a opção com o valor da expressão t1T1 + t2T2. (D) 18,0 m/s.
(E) 14,4 m/s.
2v 02 ( tan α + tan β )
(A) . 18 (ITA – 81/82) Um nadador que pode desenvolver uma velocidade de
g2
0,900 m/s na água parada atravessa um rio de largura D metros, cuja
2v 02 correnteza tem uma velocidade de 1,08 km/h. Nadando em linha reta, ele
(B) .
g2 D 3
quer alcançar um ponto da outra margem situado metros abaixo do
4v 02 ( sen α ) 3
(C) . ponto de partida. Para isso, sua velocidade em relação ao rio deve formar
g2
com a correnteza o ângulo:
4v 02 ( sen β )
(D) .
g2 (A) arcsen
3
12
( 33 + 1 .)
2v 02 ( sen α + sen β )
(E) . 3
g2 (B) arcsen .
2
16 No instante mostrado, uma barra é empurrada com uma velocidade (C) zero grau.
v, como mostra a figura. Todos os atritos são desprezíveis. Determine a 3
velocidade angular com que a barra roda em torno do ponto de contato (D) arcsen .
12
com o sulco no chão. Considere h << H.
(E) arcsen
2
3
( 33 + 1 .)
19 Uma partícula executa um movimento circular de centro O’ e raio R. Seu
v vetor posição relativo ao referencial YX tem velocidade angular constante
H igual a ω0 em torno da origem. Determine o módulo da aceleração centrípeta
da partícula.
y
h
β

(A) vH cos β.
O’ x
(B) v tan β.
H
H
(C) csc β.
v
IME-ITA – Vol. 1 391
FÍSICA III
Assunto 2

ω02 R
(A) .
4
ω02 R
(B) .
2
2
(C) ω0 R. 01 O movimento do pino A na ranhura circular de raio R é controlado pela
peça B que é elevada pelo parafuso com velocidade constante vo para um
(D) 2ω02 R.
período de movimento. Determine as componentes normal e tangencial
(E) 4ω02 R. da aceleração do pino A, numa posição θ qualquer.

20 Uma barra rígida está apoiada no canto de uma sala, conforme mostra
a figura. A extremidade A desliza pela parede, enquanto a extremidade B
desliza pelo solo. Determine o módulo da velocidade do ponto C (centro da
barra), em função do ângulo α, se a velocidade do ponto B for constante,
de módulo igual a v. Considere todos os atritos desprezíveis. R

A θ
B

Vo
A
C

 02 Dois projéteis são lançados simultaneamente com velocidades de


α B V mesmo módulo v, que fazem ângulos diferentes α e β (α > β) com a
horizontal, de uma mesma altura, estando inicialmente separados por uma
distância igual a d. Determine a menor distância entre eles e o intervalo
21 Na figura abaixo, a barra AB, de comprimento igual a L, desliza sem de tempo que transcorrerá desde o lançamento até o instante de menor
atrito ao longo de dois planos inclinados. A extremidade A tem velocidade distância entre eles. Tente resolver o problema de duas formas: uma
constante de módulo igual a V. Determine, em função de V e dos ângulos algébrica e uma geométrica.
indicados, o módulo da velocidade da extremidade B. Defina também, em
função de V, de L e dos ângulos indicados, a velocidade angular da barra 03 O ponteiro dos minutos do relógio de uma igreja tem o dobro do
em torno do seu centro instantâneo de rotação. comprimento do ponteiro das horas. A que horas, pela primeira vez após
a meia-noite, a extremidade do ponteiro dos minutos está se afastando
da extremidade do ponteiro das horas com velocidade máxima?
vA = V
A 04 (ITA – 10/11 – adaptada) N tartarugas encontram-se nos vértices
θ vB = ? de um polígono regular de N lados, cujo lado inicialmente tem tamanho L.
Simultaneamente, elas começam a se movimentar com uma velocidade
B constante em módulo v, sendo que a primeira se dirige sempre em direção
α à segunda, a segunda sempre em direção à terceira, a terceira sempre em
β
direção à quarta e assim por diante, até que a n-ésima se dirige sempre em
direção à primeira. Determine quanto tempo as tartarugas levarão pra se
22 Um plano inclinado faz um ângulo α com a horizontal. Uma partícula é e a distância percorrida por cada uma delas até o momento do encontro.
lançada do ponto mais baixo desse plano inclinado, fazendo um ângulo θ
com a horizontal. A aceleração da gravidade é g. Determine: 05 De uma mesma margem retilínea de um rio parte, ao mesmo tempo,
dois barcos, A e B, que se encontravam a uma distância inicial 2d um
a. A distância percorrida pela partícula ao longo do plano inclinado, até do outro. O barco A move-se com velocidade constante, perpendicular
o momento em que se choca com o plano inclinado pela primeira vez; à margem. O barco B parte com velocidade de mesmo módulo, porém,
b. e o ângulo θ para o qual essa distância é máxima. com direção sempre orientada para o barco A (isto é, o vetor velocidade
do barco B sempre aponta para o barco A). É evidente que, depois de um
23 (ITA – 13/14 – adaptada) Partindo do repouso, uma bolinha cai intervalo de tempo suficientemente grande, o barco B estará navegando
verticalmente sobre um plano inclinado de um ângulo θ com relação à atrás do barco A, na mesma trajetória retilínea, a uma certa distância
horizontal, originando seguidos choques perfeitamente elásticos (ou seja, constante de A. Determine essa distância.
as componentes das suas velocidades perpendiculares ao plano inclinado
logo antes e logo após o choque são iguais em módulo, apenas com sentido 06 Um projétil encontra-se em frente a um hexágono regular de lado a. Ele
inverso, enquanto a componente paralela nunca se altera). Se d é a distância é, então, lançado obliquamente em relação ao chão de modo a tangenciar os
inicial da bolinha ao plano, obtenha, em função de d, n e θ, a distância do quatro vértices superiores do hexágono durante o seu movimento. Determine
ponto do n-ésimo choque em relação ao ponto do primeiro choque. a que distância do ponto de lançamento o projétil retornará ao chão.

392 IME-ITA – Vol. 1


Cinemática II: vetorial FÍSICA III
Assunto 2

com o objetivo de alcançar a balsa na outra margem. Para isso, o piloto


da lancha orienta constantemente sua velocidade em relação à correnteza
com módulo igual a 2 m/s e fazendo um ângulo θ constante com o eixo x.
Determine θ e o tempo que a lancha levará para alcançar a balsa.

09

y
A

A=?
α
(A) 3 a.
(B) 4 a. x
(C) 5 a.
(D) 6 a. Uma bolinha de raio R parte do repouso de uma altura H em cima de um
(E) 7 a. plano inclinado de um ângulo α em relação à horizontal. A bolinha rola sem
deslizar pelo plano. Desprezando todos os atritos, determine a equação
07 A figura representa uma pessoa empurrando um cilindro, sem que ele do ponto A, ponto da bolinha que toca o plano em t = 0, em função do
deslize sobre a superfície horizontal, de forma que a barra gire no sentido tempo com relação aos eixos indicados na figura.
horário com velocidade angular ω constante. Para o instante representado
na figura, determine a velocidade angular do cilindro. Considere todos os 10 Os testes da explosão de uma granada de fragmentação são realizados
atritos desprezíveis. no centro do fundo de um poço cilíndrico de profundidade h. Se os
fragmentos que se formam durante a explosão, cujas velocidades não
ultrapassam um valor v0, não podem cair fora do poço, determine o raio
mínimo do poço.

v 02 2
(A) v 0 − 2 gh .
g
v 02
(B) v 02 − 2 gh .
β 2g
v 02 2
(C) v 0 + 2 gh .
08 Considere um rio de margens paralelas de largura L = 90 m. Em uma g
das margens, está ancorada uma balsa. Orienta-se um eixo x perpendicular 2v 2
(D) 0 v 02 − 2 gh .
às margens, com origem (x = 0) em uma das margens, de forma que a g
balsa esteja ancorada em x = 90 m. A correnteza tem sempre velocidade v 02
paralela às margens e essa velocidade varia com a posição x por meio da (E) v 02 + 2 gh .
2g
relação u(x) = kx, de modo que u(90) = 2 m/s. Uma lancha parte da origem

IME-ITA – Vol. 1 393


FÍSICA III
Assunto 2

394 IME-ITA – Vol. 1


FÍSICA IV ASSUNTO

Óptica geométrica I
1
1. Conceitos gerais Obs.: Esses três princípios podem ser resumidos em um único princípio
geral, elaborado por Fermat: “A trajetória que um raio de luz faz entre dois
• Fonte de luz é um corpo emissor ou refletor de luz. As chamadas fontes pontos é tal que o tempo gasto para realizá-lo é mínimo (situação mais
primárias geram luz, e as fontes secundárias refletem a luz por elas comum), máximo ou estacionário.”
recebida. Matematicamente:
• Uma fonte de luz será denominada pontual quando suas dimensões
forem desprezíveis em relação às distâncias que a separam dos corpos dl
=0
por ela iluminados. Caso contrário, a fonte será denominada extensa. dx
• Chama-se meio o ambiente por onde a luz se propaga.
em que l é o comprimento total do raio e x, a distância que determina o
• Meios transparentes são aqueles que permitem que a luz os atravesse
percurso.
descrevendo trajetórias regulares (por exemplo, vidro liso).
• Meios translúcidos são aqueles que permitem que a luz os atravesse
descrevendo trajetórias irregulares (por exemplo, papel vegetal). 3. Sombra, penumbra e eclipses
• Meios opacos são aqueles que não permitem que a luz os atravesse
(por exemplo, madeira).
• Raio luminoso indica a direção e o sentido de propagação da luz ao
partirem de uma fonte qualquer.

F sombra sombra
projetada
fonte de luz objeto

• Pincel luminoso é um conjunto de raios luminosos. penumbra


penumbra
projetada

sombra sombra
projetada

penumbra
fonte pontual fonte extensa

2. Princípios da óptica geométrica


A óptica geométrica baseia-se em princípios fundamentais. São eles: Lua
• Princípio da propagação retilínea: nos meios homogêneos e Sol Terra
transparentes, a luz se propaga em linha reta entre dois pontos.
• Princípio da independência dos raios luminosos: em um cruzamento de
raios de luz, cada um deles continua sua propagação independentemente Eclipse do Sol
do cruzamento com o(s) outro(s).
• Princípio da reversibilidade: a trajetória de um raio de luz não se modifica
quando se inverte o sentido de sua propagação entre dois pontos.

A’
Sol Terra Lua
B’

Eclipse da Lua

O eclipse do Sol ocorre na fase da Lua nova, e o eclipse da Lua na


B fase da Lua cheia.
A

IME-ITA – Vol. 1 395


FÍSICA IV
Assunto 1

eclipe

vaz tolentino/observatorio lunar


A – região de totalidade
anular anular
total

P
A Sol
Q

terra lua região de parcialidade


P Q

T – região de totalidade
eclipse solar total

P
A Sol
Na sequência fotográfica acima, o professor Ricardo Tolentino
Q
utilizou-se de um telescópio refrator

Terra Lua região de parcialidade


P Q

01 Desejando medir a altura H de um prédio, um estudante fixou


verticalmente no solo uma estaca de 2,0 m de comprimento. Em certa
hora do dia, ele percebeu que o prédio projetava no solo uma sombra
©Gil Nartea/AFP/Getty

de 60 m de comprimento, enquanto a estaca projetava uma sombra de


3,0 m de comprimento. Considerando os raios solares paralelos, que
valor o estudante encontrou para H?

Solução:
Deve-se primeiro fazer a figura representando a situação:

2m
60 m 3m

Note os dois triângulos semelhantes hachurados e faça a proporção entre


os lados homólogos:
Eclipse solar nas Filipinas
H 2
= → H = 40 m.
Disponível em: <ultimosegundo.ig.com.br>.

60 3

(lados homólogos são os lados opostos aos mesmos ângulos)

4. Câmara escura de orifício


Basicamente, a chamada “câmara escura de orifício” é uma caixa de
paredes opacas. Uma delas possui um orifício O. Pela propagação retilínea
da luz, uma imagem invertida será formada no anteparo da câmara.

Fotografia de eclipse solar tirada na China em janeiro de 2010

396 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

vermelho
alaranjado
amarelo
01 Um objeto está disposto verticalmente em frente a uma câmara de alaranjado
azul
orifício. Aproximando este objeto 2 cm da câmara, observa-se um aumento
de 10% no tamanho da imagem. Determine a distância inicial do objeto à anil
câmara. violeta

Solução: filtro alaranjado


É fundamental que se façam duas figuras representando a formação da (refração seletiva)
imagem no fundo da câmara, antes e depois do afastamento.

X

O 01 Tem-se um papel-cartão pintado com duas cores, conforme a figura


i abaixo:

2 cm x–2

O
1,1i Ao iluminar esse papel com diferentes fontes de luz, obtemos resultados
bem diferentes. Diga quais resultados correspondem a quais fontes.

Fontes Resultado
Muito cuidado para não confundir os triângulos semelhantes!
Das semelhanças, obtemos:
monocromática vermelha
 x o  ol
 l = i  x=
policromática azul + verde +
→ i
 laranja + branco
x − 2 o ol
 = 11, ( x − 2) =
 l 11
, i  i
2, 2 monocromática laranja
11 , ( x − 2) = x → x = = 22 cm
0,1

bicromática verde + laranja


5. Reflexão e refração seletivas
A luz solar (luz branca) é policromática, ou seja, composta de várias Solução:
cores – dentre elas, as principais são: vermelho, alaranjado, amarelo,
verde, azul, anil, violeta.
monocromática laranja
Observem-se os seguintes fatos:

• Quando se vê um corpo preto, ele está absorvendo todas as cores da bicromática verde + amarela
luz solar.
• Quando se vê um corpo branco, ele está refletindo todas as cores da
luz solar. policromática azul+verde+laranja+branco
• Quando se vê um corpo de alguma cor monocromática, por exemplo,
verde, que está sendo iluminado por luz policromática, significa que
ele está “selecionando” apenas a cor verde para refletir a luz solar. monocromática vermelha
• Um corpo que, se iluminado por luz policromática, parece
monocromático, por exemplo, vermelho, se apresentará escuro quando
iluminado por luz monocromática de cor diferente da mencionada
acima (por exemplo, se esse objeto vermelho for iluminado com luz 6. Tipos de ponto
verde). • Relativamente a determinado sistema óptico, chama-se ponto objeto
• Um corpo branco pode refletir todas as cores monocromáticas. o vértice do pincel de raios incidentes. Ele será:
• “Filtros” podem deixar passar apenas determinadas luzes – “real”, se for vértice de pincel incidente divergente;
monocromáticas: – “virtual”, se for vértice de pincel incidente convergente;

IME-ITA – Vol. 1 397


FÍSICA IV
Assunto 1

– “impróprio”, se o pincel for composto por raios paralelos, estando o


objeto no infinito.
Exemplos:
01 Classifique os pontos abaixo em cada sistema:

POR POV
P1
P3
P2

POI
Ponto/sistema S1 S2
• Relativamente a determinado sistema óptico, chama-se ponto imagem
o vértice do pincel de raios emergentes. Ele será: P1 POR –

– “real”, se for vértice de pincel emergente convergente; P2 PIR POR


– “virtual”, se for vértice de pincel emergente divergente;
– “impróprio”, se o pincel for composto por raios paralelos, estando a P3 – PIV
imagem no infinito.

Ex.:
P1 P2

S1 S2
PIR

PIV Ponto/sistema S1 S2

P1 POR –

∞ P2 – PIV
PII
∞ PII POI
Notas
I. As imagens reais podem ser projetadas em anteparos, como telões Vejamos em uma situação real de sistema óptico:
ou paredes.
II. As imagens virtuais não podem ser projetadas em anteparos. sol

• Classificação de pontos em sistemas ópticos associados.


Um mesmo ponto pode receber diferentes classificações relativas a
sistemas ópticos distintos. Portanto, quando for necessário classificar
lente
pontos pertencentes a uma associação de vários sistemas ópticos,
P2
torna-se útil o seguinte procedimento sistemático:

I. Escolha um dos sistemas ópticos. Você deverá analisar apenas os espelho


pontos que são vértices de raios que incidem/emergem diretamente P1
nesses/desses sistemas.
II. Escolha um dos pontos selecionados no item I. Se os raios que passam
por ele incidirem no sistema óptico considerado, ele será ponto objeto: Ponto/sistema lente espelho
real, se o pincel diverge do ponto; virtual, se o pincel converge no
P1 PIR POV
ponto; ou impróprio, se o pincel for composto de raios paralelos.
Porém, se os raios que passam por ele emergirem do sistema óptico
P2 – PIR
considerado, ele será ponto imagem: real, se o pincel converge no
ponto; virtual, se o pincel diverge do ponto; ou impróprio, se o pincel Sol POI –
for composto de raios paralelos (leia de novo).
III. Repita o item II para todos os pontos referentes ao sistema escolhido.
IV. Repita os itens anteriores para todos os sistema ópticos da associação.

398 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

7. Espelhos planos Solução:


Devemos fazer a imagem da árvore para saber até onde o espelho precisa
estar para que o observador possa ver o seu topo.
7.1 Introdução
Um espelho plano é qualquer superfície lisa, plana e com alto poder
de reflexão. A reflexão, de modo geral, obedece a duas leis gerais para
qualquer caso, inclusive espelhos planos: O espelho precisa vir até aqui

1a – O raio incidente e o raio refletido, relativos ao espelho, pertencem a


um mesmo plano.
2a – O ângulo de incidência e o ângulo de reflexão, medidos em relação à
reta normal relativa ao ponto de incidência, são congruentes.
A vB
A B X
4,0 m

a θ1 θ1 θ1’ θ1’ b

x P d–x

d
θ1 = θ1’
Dessa figura redesenharemos apenas os triângulos semelhantes formados
Cada ponto de um objeto, se refletido pelo espelho plano, conjugará e faremos a proporção entre os lados homólogos:
uma imagem equidistante ao espelho na zona de imagens (propriedade 
da reflexão simétrica). Veja: 

2m 
 A x B








7.2 Imagem de objeto pontual 








4–x


6m
d d 


objeto
imagem 2 6
= → 24 − 6 x = 2 x → x = 3 m.
4− x x

7.3 Imagem de objeto extenso


01 No esquema, o observador deseja visualizar a imagem da árvore
através do espelho plano AB deitado sobre o solo:

Chama-se “campo visual” toda região que um observador pode ver


através de um espelho. O campo visual pode ser facilmente identificado
6,0 m

para um observador usando-se a propriedade da reflexão simétrica. Tudo


ocorre como se esse campo visual fosse o mesmo de um observador
virtual (que não é nada mais do que a imagem do observador) atrás do
2,0 m

espelho, e esse espelho fosse uma janela:

A X B
4,0 m

observador

Qual deve ser o menor comprimento x do espelho para que o observador


veja a imagem completa da árvore, isto é, do topo até o pé?

IME-ITA – Vol. 1 399


FÍSICA IV
Assunto 1

7.4 Translações Portanto, uma translação de L unidades de comprimento em um


espelho, em relação ao objeto, mantendo este fixo, provoca uma translação
Quando o objeto e/ou o espelho sofrem mudanças de posição (sejam estas de 2L unidades de comprimento na imagem.
discretas ou contínuas), tem-se um caso de translação. Pode-se, então, estudar
Tomando-se uma variação de espaço na unidade de tempo, pode-se
a posição, a velocidade e/ou a aceleração dos objetos, imagens e espelhos
da mesma forma dizer que, se o espelho se move com uma velocidade
usando como base a propriedade de reflexão simétrica dos espelhos planos.
constante v, em relação ao objeto fixo, a imagem se moverá com uma
7.4.1 Translação do objeto velocidade 2v, na mesma direção e sentido. O mesmo se pode afirmar
para variações na velocidade: se o espelho possui uma aceleração a,
Um observador o caminha com velocidade constante v em direção a aceleração da imagem será 2a.
a um espelho plano fixo E1, em relação a esse espelho. A cada instante,
a distância de sua imagem ao espelho é congruente a distância entre 7.4.3 Translação simultânea do objeto e do espelho
si próprio e o espelho; logo, pode-se afirmar que se ele se desloca L
Usando o princípio da reflexão simétrica, é possível deduzir expressões
unidades de comprimento em relação ao espelho, sua imagem também se
que relacionam variações de espaço com velocidade e aceleração do objeto
desloca L unidades de comprimento em relação ao espelho com sentido
(índice o), espelho (índice e) e imagem (índice i) quando existe translação
oposto, e a velocidade da imagem, também em relação ao espelho, é – v
simultânea de objeto e espelho. Na realidade, tais expressões seriam um
(o sinal negativo indica que o sentido dessa velocidade é contrário ao do
caso geral das possibilidades de translação quando se trabalha com espelhos
observador, embora o módulo seja comum aos dois). Também a aceleração
planos, sendo os casos I e II acima apenas casos particulares (dependendo
da imagem possui o mesmo módulo (e sentido contrário) que a aceleração
do que esteja fixo). Abaixo, na figura, estão as relações geométricas:
do objeto – ambos em relação ao espelho fixo.
Observe ainda que, se tomar o objeto como referência, a velocidade da E1
imagem é – 2v; e se tomar a imagem como referência, a velocidade do objeto
é 2v. Da mesma forma, pode-se encontrar expressões para esses mesmos
referenciais ao se estudarem deslocamentos ou acelerações.
E1
o i

v –v d d
o i

d d x
L
7.4.2 Translação do espelho y
Se um espelho varia sua posição em relação a um objeto, de quanto o i
deverá se deslocar a imagem desse objeto em relação à sua posição original?
Essa pergunta é muito simples de ser respondida. É necessário saber
apenas que, antes e depois do deslocamento do espelho, a imagem deve
ser simétrica ao objeto, em relação ao espelho. Abaixo, observam-se as D D
relações feitas: d + L – y = D (equação 1) x + d – L = D (equação 2)
E1 Substituindo a equação 1 na equação 2:
x + d – L = d + L – y → x = 2L – y
Portanto,
        
o i Δ S i = 2Δ S e − Δ S o; =
v i 2v e − v o ; =
a i 2 ae − ao .

d d
7.4.4 Casos genéricos de translação
Até então, foram abordadas nos tópicos anteriores translações onde
x o objeto se move em direção ao espelho e o espelho se movendo em
L
direção ao objeto. Mas e quando o movimento de translação do objeto
ou do espelho não está na direção do outro? Como se pode aproveitar as
o i conclusões feitas no tópico anterior?
Para responder a essa pergunta, veja-se a seguinte figura:
D D
x = 2D – 2d = 2(D – d) = 2L → x = 2L

400 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

 01 Um móvel encontra-se na origem de um sistema de coordenadas


Vo  unidimensional e move-se de forma progressiva e retardada com
Ve velocidade inicial 4 m/s e aceleração 2 m/s2. Inicialmente, à frente desse
móvel, na coordenada x = 50 m, encontra-se um espelho plano disposto
θ α referencial
sobre uma base móvel em movimento uniforme e progressivo, com sua
o superfície refletora voltada para o móvel. Determine a velocidade do
espelho para que a imagem do móvel passe pela coordenada x = 205 m
no instante t = 5 s.

Solução:
B Função velocidade do móvel (objeto): vo = 4 – 2t
Função velocidade do espelho: ve = ve
Nesta, o objeto O e o espelho AB estão se movimentando em direções Função velocidade da imagem: vi = 2ve – (4 – 2t) = (2ve – 4) + 2t
bem diferentes das usuais.
Para facilitar a questão, deve-se sempre assumir um referencial que 2ve = Velocidade inicial da imagem
seja ortogonal ao espelho plano e que passe pelo objeto. Após isso, faz-se 2t = Aceleração da imagem
a decomposição tanto da velocidade do objeto quanto da velocidade do
espelho, ficando com a seguinte configuração: Assim, a função das posições da imagem será:
Xi(t) = 100 + (2ve – 4)t + t2
A Substituindo Xi(5) = 205:
205 = 100 + (2ve – 4)(5) + (5)2 → ve = 10 m/s

7.5 Rotação
Vo senθ Se um raio luminoso incide sobre um espelho plano, e se rotaciona
Ve senα um dos extremos desse espelho (mantendo o outro extremo fixo) de certo
Ve cosα referencial ângulo, o raio refletido sofrerá uma rotação, no mesmo sentido, de um
ângulo duas vezes maior.
Vo cosθ

θ1 θ1

B q
θ2 θ
2
Agora, deve-se analisar separadamente os movimentos paralelos
entre si.
No eixo horizontal, há uma combinação da traslação do objeto com s
a do espelho. Dessa maneira, a velocidade da imagem será dada pela a
seguinte equação:
Por semelhança de triângulos e usando as leis da reflexão, anotam-se
Vi(H) = 2Ve(cos(α)) + Vo(cos(θ)) os ângulos acima. As relações abaixo são, então, deduzidas:
2θ2 = 2θ1 + σ → σ = 2(θ2 – θ1)
Ao se observar agora a vertical, nota-se que a componente vertical θ 1 + α = θ 2 → θ2 – θ1 = α
do espelho não vai alterar em nada a componente vertical da imagem, se
for considerado o referencial adotado (terra). Dessa forma, observa-se → σ = 2α
na vertical:

Vi(V) = Vo(sen(θ)) 7.6 Imagens múltiplas


Quando se associam dois espelhos de modo que um dos vértices de
Para concluir, basta realizar a soma das componentes horizontal e cada espelho esteja unido, e as faces espelhadas uma defronte à outra,
vertical para obter a velocidade da imagem: haverá a formação de imagens (ou partes de imagens) múltiplas devido a
sucessivas reflexões simultâneas. Formar-se-á imagem simétrica ao objeto
Vi = (2V (cos(α ) + V (cos(θ))) + (V (sen (θ))) )
e o
2
o
2 (ou a outra imagem) enquanto esse objeto ou a imagem a ser refletida está
defronte a uma face espelhada, seja ela real ou virtual. Quando isso não
for possível, diz-se que o ponto encontra-se sob a “zona morta”:

IME-ITA – Vol. 1 401


FÍSICA IV
Assunto 1

imagem face em que:


espelhada
“virtual” • C: centro de curvatura (centro da esfera geratriz do espelho)
• V: “vértice” do espelho
imagem • CV: eixo principal
Zona
objeto • R: raio de curvatura (raio da esfera geratriz)
morta
imagem
Para que as imagens formadas pelas reflexões em espelhos esféricos
face
sejam nítidas e bem definidas, os raios luminosos que atingem a superfície
espelhada
imagem refletora devem ser pouco inclinados em relação ao eixo principal. Qualquer
“virtual”
espelho que esteja refletindo raios nessa condição obedece à “condição
de nitidez de Gauss”.
Usando conceitos geométricos, é possível calcular o número de imagens
que serão formadas com base no processo de associação de espelhos.
8.2 Focos
Em um caso específico, dado que haja um objeto P entre dois espelhos
Um foco é qualquer ponto cujo conjugado seja impróprio. O foco
E1 e E2 associados com um ângulo α (dado em graus) a partir de um centro
principal de um espelho esférico é o ponto para onde convergem (no
comum O, haverá a formação de n imagens, de modo que:
caso de espelhos côncavos) ou de onde divergem (no caso de espelhos
O E1 convexos) raios luminosos cuja incidência é paralela ao eixo principal:
a
P espelho côncavo espelho convexo

C F v v F C
E2

360°
=n − 1 (somente para α divisor de 360°)
α

O foco dos espelhos côncavos é real, enquanto o foco dos espelhos


Observações acerca da fórmula anterior: convexos é virtual.
Existem, ainda, focos secundários, tanto para espelhos côncavos
• Todos os objetos e imagens estão sobre uma mesma circunferência quanto para convexos. Os focos secundários são os pontos para onde
centrada em O. convergem raios paralelos entre si, mas que façam no espelho incidência
• Se a razão 360º/α for par, a fórmula é válida para qualquer posição oblíqua em relação ao eixo principal. Todos os infinitos focos secundários
de P entre E1 e E2. possíveis encontram-se em uma mesma região denominada plano focal,
• Se a razão 360º/α for ímpar, a fórmula só é válida quando P estiver que contém o foco principal e é paralelo ao espelho. Nas figuras abaixo,
posicionado sobre o plano bissetor de α. há exemplo de um foco secundário φ para cada tipo de espelho esférico.
O eixo que contém C e φ é chamado de eixo secundário.
8. Espelhos esféricos
espelho côncavo espelho convexo

8.1 Conceitos gerais


Um espelho esférico é uma superfície polida e refletora com forma de
calota esférica, podendo ser côncava (se a parte refletora for o interior da C F v v F C
esfera geratriz) ou convexa (se a parte refletora for o exterior da esfera geratriz).
j j

parte parte
côncava convexa O foco principal F de um espelho esférico é muito importante no estudo
da formação de imagens nele. Pode-se facilmente encontrar sua posição
no eixo principal. Tal processo será feito para o espelho côncavo, mas
a demonstração e o resultado também são compatíveis com espelhos
Costuma-se representar um espelho esférico da seguinte forma: convexos:

C v v C
R R

côncavo convexo

402 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

8.5 Espelho côncavo


a I Existem cinco possibilidades de posicionamento do objeto
a relativamente ao espelho:
C a F 2a v
f
I. Objeto à esquerda do centro de curvatura: a imagem é real, em relação
R ao objeto, menor e invertida.

CÎP = FÎC = α (2a Lei da Reflexão; lembre-se de que o espelho é


esférico; logo, CI = raio = reta normal)
^
IF V = 2α (ângulo alterno interno)
^
→ IC F = α (teorema do ângulo externo) C F V
→ CF = FI, mas FI ~ FV (pelo referencial de Gauss)
→ CF ~ FV

f = R/2

8.3 Raios notáveis II. Objeto sobre o centro de curvatura: a imagem é real, em relação ao
objeto, do mesmo tamanho e invertida.
I. Centro de curvatura (C): o raio incidente (ou seu prolongamento) que
contém C é refletido sobre sua própria reta-suporte.

C V V C

C F V

côncavo convexo

II. Vértice (V): o raio incidente que passa pelo vértice é refletido
simetricamente em relação ao eixo principal.

III. Objeto entre os pontos C e F do eixo principal: a imagem é real, em


relação ao objeto, maior e invertida.
C θ V θ V C
θ θ

côncavo convexo
θ
III. Foco principal (F): o raio incidente (ou seu prolongamento) que passa θ
C F V
por F é refletido paralelamente ao eixo principal, e, reciprocamente,
raios paralelos ao eixo principal são refletidos passando por F. Isso
vem da própria definição de foco (já vista).
IV. Foco secundário (φ): o raio incidente (ou seu prolongamento) que
passa por φ é refletido paralelamente ao eixo secundário. Isso vem
da própria definição de foco secundário (já vista).
IV. Objeto sobre o foco principal: a imagem é imprópria.
8.4 Construção de imagens de objetos
Utilizando os raios notáveis, podemos saber onde haverá a formação
da imagem relativa a um objeto qualquer disposto em frente de um espelho
esférico. Pode-se usar todos os raios notáveis distintos que se quiser
nessas construções, mas basta dois deles (usados corretamente) para
que se defina a posição da imagem. Vamos mostrar as possibilidades de
construção de imagens de objetos reais para os dois tipos de espelhos C F V
esféricos.

IME-ITA – Vol. 1 403


FÍSICA IV
Assunto 1

V. Objeto entre os pontos F e V do eixo principal: a imagem é virtual, em Observe, abaixo, um exemplo do uso do referencial gaussiano:
relação ao objeto, maior e direita. É o único caso em que a imagem
refletida por um espelho esférico côncavo é virtual. y imagem

objeto
y’
y’

C F p V
C F V f p’

8.6 Espelho convexo 9.2 A função dos pontos conjugados


Existe apenas uma possibilidade de posicionamento do objeto (equação de Gauss)
relativamente ao espelho. A imagem sempre é virtual, em relação ao Usando-se o referencial apontado e as leis da reflexão aplicadas para
objeto, direita e menor; além disso, situa-se em algum lugar entre o foco espelhos esféricos, com raios luminosos de pouca inclinação em relação
e o vértice do espelho. ao eixo principal, deduz-se facilmente a famosa relação entre f, p e p’:

1 1 1
= +
f p p’

9.3 Aumento linear transversal


V F C O aumento linear transversal (A) é a razão entre uma medida da imagem
e a medida equivalente do objeto:

y ’ − p’
=
A =
y p

9. Estudo analítico O sinal negativo que precede p’ é meramente uma correção que
visa compensar o fato de que a imagem pode ou não estar invertida em
relação ao objeto.
9.1 O referencial gaussiano
Observe-se que:
Será feito agora um estudo analítico do espelho esférico, adotando
um sistema cartesiano regido pelo referencial gaussiano. Tal referencial
• Se A > 0: y e y’ têm o mesmo sinal (logo, a imagem é direita); p e p’
é de suma importância na aplicação das equações que regerão o estudo
têm sinais opostos (logo, a imagem tem natureza oposta à do objeto).
analítico dos espelhos esféricos. Ele apresenta as seguintes características:
• Se A < 0: y e y’ têm sinais opostos (logo, a imagem é invertida); p
• É um sistema cartesiano de coordenadas retangulares; e p’ têm o mesmo sinal (logo, a imagem tem a mesma natureza do
• a origem do par das retas cartesianas orientadas é o vértice (V) do espelho; objeto).
• a orientação positiva do eixo das abscissas (Ox) é oposta à do sentido
da luz incidente;
• os elementos reais possuem abscissa positiva;
• os elementos virtuais possuem abscissa negativa;
• o sinal da abscissa do foco (F) para espelhos côncavos é positivo (f > 0); 01 Um objeto está diante da parte espelhada de um espelho esférico de
• o sinal da abscissa do foco (F) para espelhos convexos é negativo (f < 0). diâmetro 40 cm. Verifica-se que sua imagem, virtual, está a 15 cm do
Além disso, serão utilizadas as seguintes notações: objeto e está reduzida em 50%. Determine a posição do objeto e o tipo de
• p: abscissa do objeto; espelho.
• p’: abscissa da imagem;
• f: abscissa focal; Solução:
• y: ordenada do objeto; Como a imagem é virtual e menor, concluímos que o espelho é convexo.
• y’: ordenada da imagem; Nesse caso, pelo referencial de Gauss:
• |f|: distância focal. diâmetro = –40 cm ⇒ raio = – 20 cm ⇒ foco = –10 cm

Além disso, também sabemos que a imagem será direita. Assim,


1
i= + o.
2

404 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

Usando a equação de ampliação: 03 Três feixes de luz, de mesma intensidade, podem ser vistos
i p′ 1 p′ p atravessando uma sala, como mostra a figura abaixo.
=− → =− → p′ = −
o p 2 p 2
2
Quando é fornecida a distância entre o objeto e a imagem, todos os 3
1
problemas podem ser resolvidos por equação modular: |p – p’| = 15.

Substituindo, temos:
A
 p p
p −  −  = 15 → p + = 15 → p = ± 10 cm
 2 2
B C D
Nesse exercício, como na maioria, o objeto é real (está em frente da parte
espelhada) e por isso é positivo. p = 10 cm
O feixe 1 é vermelho, o 2 é verde e o 3 é azul. Os três feixes se cruzam na
02 Um espelho côncavo pode concentrar os raios solares a 20 cm de posição A e atingem o anteparo nas regiões B, C e D. As cores que podem
seu vértice. Um objeto luminoso de 8 cm de altura está 15 cm à frente do ser vistas nas regiões A, B, C e D, respectivamente, são:
espelho. O espelho pode produzir uma imagem nítida do objeto luminoso.
(A) branco, branco, branco, branco.
Determine: (B) branco, vermelho, verde, azul.
(C) amarelo, azul, verde, vermelho.
a. A posição da imagem; (D) branco, azul, verde, vermelho.
b. a altura da imagem; (E) amarelo, vermelho, verde, azul.
c. a classificação da imagem;
d. a ampliação desse sistema óptico. 04 Uma bandeira do Brasil é colocada em um ambiente completamente
escuro e iluminada com luz monocromática verde. Nessa situação, ela
Solução: será vista, por uma pessoa de visão normal, nas cores:
1 1 1 1 1 1
a. = + → = + → p′ = − 60 cm (A) verde e amarela.
f p p' 20 15 p' (B) verde e branca.
i p′ i − 60 (C) verde e preta.
b. =− → =− → i = 32 cm
o p 8 15 (D) verde, preta e branca.
(E) verde, amarela e branca.
c. p' < 0 → virtual; i > 0 → direita ; i > o → maior
05
É comum aos fotógrafos tirar fotos coloridas em ambientes iluminados
por lâmpadas fluorescentes, que contêm uma forte composição de luz
verde. A consequência desse fato na fotografia é que todos os objetos
01 A altura de uma árvore, num dia de sol, pode ser conhecida, a partir claros, principalmente os brancos, aparecerão esverdeados. Para equilibrar
dos seguintes dados: as cores, deve-se usar um filtro adequado para diminuir a intensidade da
luz verde que chega aos sensores da câmera fotográfica. Na escolha desse
I. Comprimento da sombra da árvore, projetada no solo; filtro, utiliza-se o conhecimento da composição das cores-luz primárias:
II. Altura de um observador; vermelho, verde e azul; e das cores-luz secundárias: amarelo = vermelho
III. Comprimento da sombra do observador, projetada no solo. + verde, ciano = verde + azul e magenta = vermelho + azul.

A altura é obtida com base em triângulos retângulos semelhantes. Pode-se, Disponível em: <http://nautilus.fis.uc.pt>. Acesso em: 20 maio 2014 (adaptado).
então, afirmar que:
Na situação descrita, qual deve ser o filtro utilizado para que a fotografia
(A) a altura não depende da hora do dia em que a medida é feita. apresente as cores naturais dos objetos?
(B) a altura obtida depende da hora em que a medida é feita.
(C) a altura obtida depende da posição (latitude e longitude) onde é feita. (A) ciano.
(D) a altura depende da estação do ano. (B) verde.
(E) esse método só pode ser usado no Hemisfério Norte. (C) amarelo.
(D) magenta.
02 A imagem focada de uma câmara escura dista 50 mm do orifício e tem (E) vermelho.
uma altura de 20 mm. A árvore está a uma distância de 15 m do orifício.
Qual a altura da árvore?

(A) 2,0 m.
(B) 4,0 m.
(C) 6,0m.
(D) 8,0 m.
(E) 10 m.

IME-ITA – Vol. 1 405


FÍSICA IV
Assunto 1

06 Uma pequena lâmpada F emite luz que incide numa lente L, refrata-se
e, em seguida, incide num espelho E como mostra a figura abaixo:

L E
H

F F1

P Q

Na posição Q, a sombra do lápis tem comprimento 49 (quarenta e nove)


F’ vezes menor que a distância entre P e Q.
A altura H é, aproximadamente, igual a:
Podemos afirmar que F1 é:
(A) 0,49 m.
(A) a imagem virtual da lente. (B) 1,0 m.
(B) a imagem virtual do espelho. (C) 1,5 m.
(C) a imagem real do espelho. (D) 3,0 m.
(D) a imagem real da lente. (E) 5,0 m.
(E) Nenhuma das respostas anteriores.
10 Um jovem, em uma praia do Nordeste, vê a Lua a leste, próxima ao
07 No dia 3 de novembro de 1994 ocorreu o último eclipse total do Sol mar. Ele observa que a Lua apresenta sua metade superior iluminada,
deste milênio. No Brasil, o fenômeno foi mais bem observado na Região Sul. enquanto a metade inferior permanece escura. Essa mesma situação,
A figura mostra a Terra, a Lua e o Sol alinhados num dado instante durante vista do espaço, a partir de um satélite artificial da Terra, que se encontra
o eclipse; neste instante, para um observador no ponto P, o disco da Lua no prolongamento do eixo que passa pelos polos, está esquematizada
encobre exatamente o disco do Sol. (parcialmente) na figura, onde J é a posição do jovem.
Pode-se concluir que, nesse momento, a direção dos raios solares que
se dirigem para a Terra é mais bem representada por:
P
A

Terra Lua
J
Sol leste oeste
E B
Obs.: a figura não está em escala.

Sabendo que a razão entre o raio do Sol (RS) e o raio da Lua (RL) vale
RS
= 400 e que a distância do ponto P ao centro da Lua vale 3,75 · 105km,
RL D
calcule a distância entre P e o centro do Sol. Considere propagação C
retilínea para a luz.
A seta curva indica o sentido de rotação da Terra:
08 Desejando medir a altura H de um determinado prédio, um estudante
fixa verticalmente no solo uma estaca de 2,0 m de comprimento. Numa (A) A.
certa hora do dia, ele percebe que o prédio projeta no solo uma sombra (B) B.
de 60 m de comprimento, enquanto a estaca projeta uma de 3,0 m. (C) C.
Considerando os raios solares paralelos, que valor o estudante encontrará (D) D.
para H? (E) E.

09 Para determinar a que altura H uma fonte de luz pontual está do chão, 11 O tempo mínimo possível entre um eclipse do Sol e um eclipse da Lua
plano e horizontal, foi realizada a seguinte experiência: colocou-se um lápis é de, aproximadamente:
de 0,10 m, perpendicularmente sobre o chão, em duas posições distintas,
primeiro em P e depois em Q. A posição P está, exatamente, na vertical (A) 12 horas.
que passa pela fonte e, nessa posição, não há formação de sombra do (B) 24 horas.
lápis, conforme ilustra esquematicamente a figura. (C) 1 semana.
(D) 2 semanas.
(E) 1 mês.

406 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

12 Às 18h, uma pessoa olha para o céu e observa que metade da Lua 15 Qual é a menor altura que deve ter um espelho plano, fixo verticalmente
está iluminada pelo Sol. Não se tratando de um eclipse da Lua, é correto em uma parede, a fim de que um homem possa ver toda a sua imagem
afirmar que a fase da Lua, nesse momento: sem mover a cabeça? A que distância do solo deverá ficar a borda inferior
do espelho?
(A) só pode ser quarto crescente.
(B) só pode ser quarto minguante. 16 Determine a distância focal e a natureza de um espelho esférico se,
(C) só pode ser lua cheia. para um objeto colocado a 1,20 m do espelho, corresponde uma imagem
(D) só pode ser lua nova. que é:
(E) pode ser quarto crescente ou quarto minguante.
a. real e está a 0,80 m do espelho.
13 Dois espelhos planos, sendo um deles mantido na horizontal, formam b. virtual e a 3,20 m do espelho.
entre si um ângulo Â. Uma pessoa observa-se através do espelho inclinado, c. virtual e a 0,60 m do espelho.
mantendo seu olhar na direção horizontal. Para que ela veja a imagem d. real e duas vezes maior.
de seus olhos, e os raios retornem pela mesma trajetória que incidiram, e. virtual e duas vezes maior.
após reflexões nos dois espelhos (com apenas uma reflexão no espelho f. real e com aumento transversal igual a um terço.
horizontal), é necessário que o ângulo  seja: g. virtual e com aumento transversal igual a um terço.

17 Um espelho côncavo produz uma imagem real e invertida três vezes


maior do que o objeto e a uma distância de 28 cm do mesmo. Determine
a distância focal do espelho.

18 Quando um objeto, que inicialmente está a 60 cm de um espelho


côncavo, move-se 10 cm em direção a ele, a separação entre o objeto e
Â
sua imagem torna-se 5/2 maior. Determine a distância focal do espelho.

19 A distância entre um objeto real e sua imagem virtual é de 150 cm.


(A) 15°.
Se a imagem foi conjugada por um espelho esférico convexo de distância
(B) 30°.
focal 40 cm, qual é a posição do objeto?
(C) 45°.
(D) 60°.
(A) 30 cm.
(E) 75°.
(B) 150 cm.
(C) 90 cm.
14 O esquema seguinte representa o instante inicial (t0 = 0) do movimento
(D) 120 cm.
retilíneo e uniforme de um garoto diante da superfície refletora de um
(E) 200 cm.
espelho plano fixo verticalmente no solo:
20 Um homem quer se barbear com o auxílio de um espelho côncavo
de distância focal igual a 1,2 · 102 cm. Para ele ver uma imagem direta
de sua face, aumentada de 50% em relação à real, a que distância deve
colocar-se do espelho?

01 Quando um objeto O é colocado a uma distância d de uma câmara


-10 0 x (m)
escura, forma-se uma imagem de altura i. O mesmo objeto é aproximado
6 m dessa mesma câmara e nota-se a formação de uma imagem de
O garoto aproxima-se do espelho caminhando ao longo do eixo Ox com altura 3i.
velocidade escalar de módulo 2,0 m/s. Em relação ao eixo Ox, podemos O valor de d, em metros, é:
afirmar que as funções horárias x = f(t) do movimento do garoto e da sua
imagem conjugada pelo espelho são, em unidades do SI: (A) 6.
(B) 7.
Garoto Imagem (C) 8.
(A) x = 2,0 t x = –2,0 t (D) 9.
(E) 15.
(B) x = 10 + 2,0 t x = –10 – 2,0 t
(C) x = –10 + 2,0 t x = 10 – 2,0 t
(D) x = –10 – 2,0 t x = 10 + 2,0 t
(E) x = 10 + 2,0 t x = 10 + 2,0 t

IME-ITA – Vol. 1 407


FÍSICA IV
Assunto 1

02 Um relógio de sol simplificado consiste em uma haste vertical exposta 06 (ITA-2007) Um raio de luz de uma lanterna acesa em A ilumina o
ao Sol. Considere que ela seja fixada ao solo em algum local na linha do ponto B, ao ser refletido por um espelho horizontal sobre a semirreta DE
Equador e que seja um período do ano em que ao meio-dia o Sol fique da figura, estando todos os pontos num mesmo plano vertical. Determine
posicionado exatamente sobre a haste. O tamanho da sombra da haste a distância entre a imagem virtual da lanterna A e o ponto B.
pode ser relacionado à hora do dia. É correto afirmar que o comprimento
da sombra às 9h (C9h) e às 15h (C15h) é tal que a razão C15h/C9h é igual a: Dados: AD = 2 m, BE = 3 m e DE = 5 m.

(A) 5/3. B
(B) 3/5. A
(C) 1/2.
(D) 1.

03 Para riscar uma circunferência de 3,5 m de diâmetro no piso horizontal


D E
e plano em um galpão de pouca luminosidade natural, um engenheiro fixou
uma lanterna a uma altura Y, apontando-a para o piso. Para conseguir
realizar sua tarefa, colocou entre a fonte luminosa e o piso um disco opaco 07 Um rapaz com chapéu observa sua imagem em um espelho plano e
paralelo ao solo de 70,0 cm de diâmetro, a 4,0 m do piso, para que ele vertical. O espelho tem o tamanho mínimo necessário, y = 1,0 m, para
pudesse ver a sombra da circunferência do disco opaco no solo do galpão que o rapaz, a uma distância d = 0,5 m, veja a sua imagem do topo do
igual à circunferência que deseja riscar. Qual a altura Y em que ele colocou chapéu à ponta dos pés. A distância de seus olhos ao piso horizontal é h =
a fonte pontual luminosa, em metros? 1,60 m. A figura da questão “a” ilustra essa situação e, em linha tracejada,
mostra o percurso do raio de luz relativo à formação da imagem do ponto
(A) 5,0. mais alto do chapéu.
(B) 5,5.
(C) 6,0.
(D) 6,5.
y
(E) 7,0. H
h
04 Quando o Sol está à pino, uma menina coloca um lápis de 7,0 · 10–3 m
de diâmetro paralelamente ao solo e observa a sombra dele formada pela
Y
luz do Sol. Ela nota que a sombra do lápis é bem nítida quando ele está
próximo ao solo, mas, à medida que vai levantando o lápis, a sombra
perde a nitidez até desaparecer, restando apenas a penumbra. Sabendo-se d
que o diâmetro do Sol é de 14 · 108 m e a distância do Sol à Terra é de
15 · 1010 m, pode-se afirmar que a sombra desaparece quando a altura a. Determine a altura H do topo do chapéu ao chão.
do lápis em relação ao solo é de: b. Determine a distância Y da base do espelho ao chão.
c. Quais os novos valores do tamanho mínimo do espelho (y’) e da
(A) 1,5 m. distância da base do espelho ao chão (Y’) para que o rapaz veja sua
(B) 1,4 m. imagem do topo do chapéu à ponta dos pés, quando se afasta para
(C) 0,75 m. uma distância d’ igual a 1 m do espelho?
(D) 0,30 m.
(E) 0,15 m. Dados: O topo do chapéu, os olhos e a ponta dos pés do rapaz estão em
uma mesma linha vertical.
05 Dois espelhos planos E1 e E2, perpendiculares ao plano do papel,
formam entre si um ângulo q. Um raio luminoso, contido no plano 08 Um espelho plano é colocado paralelamente a uma parede, a uma
do papel, incide sobre o espelho E1, formando com este um ângulo distância I da mesma. A luz emitida por uma fonte pontual, fixa na parede,
a(0 < a < p/2). Determine o valor de q para que, após refletir-se em E1 incide no espelho, e, refletindo-se, forma uma imagem na parede. Com que
e E2, o raio luminoso surja paralelo à direção do raio incidente: velocidade se moverá a imagem na parede, se aproximarmos o espelho
à mesma com velocidade v? Como variarão as dimensões da imagem?
(A) 90°.
(B) 90° – a. 09 Um ponto encontra-se no plano bissetor de um diedro formado por
(C) 90° + a. dois espelhos planos, que se encontram formando um ângulo α entre si.
(D) 180° – a. Nesse ângulo, o número de imagens enantiômeras é igual ao número de
imagens iguais ao objeto. Ao aumentarmos o ângulo α entre os espelhos
para um ângulo α + 20°, forma-se uma única imagem na zona morta
entre os espelhos e três imagens a menos que no primeiro caso. Assinale a
alternativa que corresponde ao ângulo α, bem como o número de imagens
formadas no primeiro caso.

(A) 60°, 5 imagens.


(B) 10°, 35 imagens.
(C) 24°, 14 imagens.
(D) 40°, 8 imagens.
(E) 4°, 89 imagens.

408 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

10 Um raio de luz incide, verticalmente, sobre um espelho plano que está (A) 4,0.
inclinado 20° em relação à horizontal (ver figura). (B) 4,5.
(C) 5,5.
(D) 6,0.
raio
(E) 6,5.

13 (AFA-2016) Considere um objeto formado por uma combinação de um


quadrado de aresta a cujos vértices são centros geométricos de círculos
e quadrados menores, como mostra a figura abaixo:

r
20°

1
O raio refletido faz, com a superfície do espelho, um ângulo de:

(A) 10°. 2
(B) 30°.
(C) 50°.
(D) 70°. Colocando-se um espelho plano, espelhado em ambos os lados, de
(E) 90°. dimensões infinitas e de espessura desprezível ao longo da reta r, os
observadores colocados nas posições 1 e 2 veriam, respectivamente,
11 Dois espelhos planos, E1 e E2, formam um ângulo de 110° entre si. objetos completos com as seguintes formas:
Um raio de luz que incide em E1 com um ângulo de 40°, como mostra a
figura, é refletido sucessivamente por E1 e E2. O ângulo que o raio refletido (A)
por E2 forma com o plano de E2 é igual a:

E1
40° (B)

110° (C)

E2

(A) 20°. (D)


(B) 30°.
(C) 40°.
(D) 50°.
(E) 60°.

12 (EFOMM-2016) Um espelho plano vertical reflete, sob um ângulo de 14 Uma jovem está parada em A, diante de uma vitrine, cujo vidro, de
incidência de 10°, o topo de uma árvore de altura H, para um observador 3 m de largura, age como uma superfície refletora plana vertical. Ela
O, cujos olhos estão a 1,50 m de altura e distantes 2,00 m do espelho. observa a vitrine e não repara que um amigo, que no instante t0 está em
Se a base da árvore está situada 18,0 m atrás do observador, a altura H, B, se aproxima, com velocidade constante de 1 m/s, como indicado na
em metros, vale: figura, vista de cima. Se continuar observando a vitrine, a jovem poderá
começar a ver a imagem do amigo refletida no vidro após um intervalo de
Dados: sen(10°) = 0,17; cos(10°) = 0,98; tan(10°) = 0,18 tempo, aproximadamente, de:
A
vidro 3m

10° 1m
H A
O
B
1,5 m
18 m 2,0 m 1m
B P Q

IME-ITA – Vol. 1 409


FÍSICA IV
Assunto 1

(A) 2 s. (D) h
(B) 3 s.
(C) 4 s.
(D) 5 s.
(E) 6 s. t

15 (AFA-2011) Um objeto luminoso é colocado em frente ao orifício de (E) h


uma câmara escura como mostra a figura abaixo:

17 Um caminhão trafega em uma estrada retilínea com velocidade de


40 km/h. Olhando no espelho retrovisor, o motorista contempla a imagem
de um poste fixo na estrada.

A a. Qual a velocidade da imagem do poste em relação ao solo?


espelho b. Qual a velocidade da imagem do poste em relação ao motorista do
caminhão?
Do lado oposto ao orifício, é colocado um espelho plano com sua face
espelhada voltada para o anteparo translúcido da câmara e paralela a 18 (IME-2014) Um espelho plano gira na velocidade angular constante w
este, de forma que um observador em A possa visualizar a imagem em torno de um ponto fixo P, enquanto um objeto se move na velocidade v,
do objeto estabelecida no anteparo pelo espelho. Nessas condições, a de módulo constante, por uma trajetória não retilínea. Em um determinado
configuração que melhor representa a imagem vista pelo observador instante, a uma distância d do ponto P, o objeto pode tomar um movimento
através do espelho é: em qualquer direção e sentido, conforme a figura acima, sempre mantendo
constante a velocidade escalar v. A máxima e a mínima velocidades
(A) escalares da imagem do objeto gerada pelo espelho são, respectivamente:

(B) imagem

(C)

v
(D)

objeto
16 Um homem se aproxima de um espelho plano e depois se afasta. Qual
dos gráficos abaixo é o que representa o tamanho real h de sua imagem d
em função do tempo?
P
(A) h
ωd − v .
(A) ωd + v e
(B) ωd + v e ( ωd ) + v 2 .
2
t
(C) ( ωd ) + v 2 e ωd − v .
2

(B) h (D) 2ωd + v e 2ωd − v .


( 2ωd )
2
(E) 2ωd + v e + v2 .

t 19 (IME-2013) Um foguete de brinquedo voa na direção e sentido


indicados pela figura com velocidade constante v. Durante todo o voo, um
(C) h par de espelhos, composto por um espelho fixo e um espelho giratório
que gira em torno do ponto A, faz com que um raio laser sempre atinja o
foguete, como mostra a figura acima. O módulo da velocidade de rotação
do espelho é:
t

410 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

24 Numa experiência de Óptica Geométrica, dispuseram-se um toco de


A d vela e um espelho côncavo gaussiano E, de distância focal igual a 20 cm,
como mostra a figura:
v
foguete
E

d d
x0 x1

d 30 cm

fonte laser 40 cm
espelho fixo
O toco de vela foi deslocado de x0 a x1, com velocidade escalar de módulo
1,0 cm/s. Enquanto o toco de vela foi deslocado, qual foi o módulo da
(A) v sen ( q )  / d.
velocidade escalar média da imagem, expressa em cm/s?
(B) v sen2 ( q / 2 )  / d.
25 Na figura, O é um ponto objeto virtual, vértice de um pincel de luz
(C) v sen2 ( q )  / d. cônico convergente que incide sobre um espelho esférico côncavo E de
distância focal f. Depois de refletidos no espelho, os raios desse pincel
(D) v sen ( q )  / 2d. convergem para o ponto I sobre o eixo principal do espelho, a uma distância
f
de seu vértice.
(E) v sen2 ( q )  / 2d. 4
 
E
20 Um raio luminoso incide num espelho côncavo paralelamente ao eixo
principal. O raio do espelho é R e a distância entre o eixo principal e o raio
R 3
incidente é . Determinar a distância entre o centro da curvatura do
2
espelho e o ponto em que o raio refletido intercepta o eixo principal.
I v O eixo principal
21 A distância mínima de visão distinta de um observador é 25 cm. A que
distância deve se colocar o observador de um espelho esférico côncavo
para ver uma imagem direita de seu olho. Tome o raio do espelho como
60 cm.
fora de escala
22 A distância entre o Sol e a Terra é 250 vezes maior que o diâmetro do
Sol. Qual o diâmetro da imagem do Sol fornecida por um espelho côncavo
de 2,0 m de raio?
f 40 cm
23 Uma barra AB de 20 cm de comprimento está colocada sobre o eixo 4
principal de um espelho esférico côncavo. A extremidade B encontra-se
sobre o centro de curvatura do espelho, enquanto a extremidade A se Considerando válidas as condições de nitidez de Gauss, é correto afirmar
encontra a 60 cm do espelho, conforme mostra a figura. Determine: que a distância focal desse espelho é igual a:

(A) 150 cm.


(B) 160 cm.
(C) 120 cm.
(D) 180 cm.
A 20 cm B V (E) 200 cm.
60 cm
26 Uma vela, de altura H, é colocada diante de um espelho côncavo
com raio de curvatura de 10 cm. A vela encontra-se a uma distância D do
vértice do espelho, como mostra a figura abaixo, e produz uma imagem
real, invertida e com altura h = H/2.

a. A distância focal do espelho;


b. o comprimento da imagem da barra conjugada pelo espelho.

IME-ITA – Vol. 1 411


FÍSICA IV
Assunto 1

H
D R h

////////////// //////////////
y

30 (ITA-2009) Um espelho esférico convexo reflete uma imagem


Pode-se afirmar que a distância D é igual a: equivalente a 3/4 da altura de um objeto situado a uma distância p1 dele.
Então, para que essa imagem seja refletida com apenas 1/4 da sua altura,
(A) 15,0 cm. o objeto deverá se situar a uma distância p2 do espelho, dada por:
(B) 12,0 cm.
(C) 7,5 cm. (A) p2 = 9p1.
(D) 8,0 cm. (B) p2 = 9p1/4.
(E) 20,0 cm. (C) p2 = 9p1/7.
(D) p2 = 15p1/7.
27 Os espelhos são instrumentos muito úteis na vida cotidiana. São (E) p2 = −15p1/7.
usualmente classificados em planos e curvos. Os espelhos curvos mais
comuns são o côncavo e o convexo. Sobre os espelhos planos, côncavos 31 (ITA-2014) O aparato esquematizado na figura mede a velocidade da
e convexos, é totalmente CORRETO afirmar que: luz usando o método do espelho rotativo de Foucault, em que um feixe de
laser é refletido por um espelho rotativo I, que gira a velocidade angular
(A) os espelhos planos fornecem imagens reais de objetos reais, ao passo w constante, sendo novamente refletido por um espelho estacionário II a
que os espelhos côncavo e convexo fornecem imagens somente virtuais. uma distância d.
(B) os espelhos planos e convexos fornecem imagens virtuais de objetos
reais, ao passo que os espelhos côncavos fornecem imagens virtuais
e reais, dependendo da distância do objeto ao espelho.
d II II
(C) os espelhos planos e côncavos fornecem imagens virtuais de objetos
reais, ao passo que os espelhos convexos fornecem imagens virtuais
e reais, dependendo da distância do objeto ao espelho.
(D) os espelhos planos e côncavos fornecem imagens reais de objetos
reais, ao passo que os espelhos convexos fornecem imagens virtuais.
(E) os espelhos planos e convexos fornecem imagens virtuais e reais de I detector detector
I
objetos reais, ao passo que os espelhos côncavos fornecem imagens
somente virtuais.

28 Determine o raio de curvatura, em cm, de um espelho esférico laser laser


que obedece às condições de nitidez de Gauss e que conjuga de um
determinado objeto uma imagem invertida, de tamanho igual a 1/3 do
Devido ao tempo de percurso do feixe, o espelho rotativo terá girado de
tamanho do objeto e situada sobre o eixo principal desse espelho. Sabe-se
um ângulo q quando o feixe retornar ao espelho I, que finalmente o deflete
que a distância entre a imagem e o objeto é de 80 cm.
para o detector.
(A) 15.
a. Obtenha o ângulo a do posicionamento do detector em função de q.
(B) 30.
b. Determine a velocidade da luz em função de d, w e q.
(C) 60.
c. Explique como poderá ser levemente modificado esse aparato
(D) 90.
experimental para demonstrar que a velocidade da luz na água é menor
que no ar.
29 (ITA-2002) Um ginásio de esportes foi projetado na forma de uma
cúpula com raio de curvatura R = 39,0 m, apoiada sobre uma parede
32 (ITA-1997) Um espelho plano está colocado em frente de um espelho
lateral cilíndrica de raio y = 25,0 m e altura h = 10,0 m, como mostrado
côncavo, perpendicularmente ao eixo principal. Uma fonte luminosa A,
na figura. A cúpula comporta-se como um espelho esférico de distância
centrada no eixo principal entre os dois espelhos, emite raios que se
focal f = R/2, refletindo ondas sonoras, sendo seu topo o vértice do
refletem sucessivamente sobre os dois espelhos e formam sobre a própria
espelho. Determine a posição do foco relativa ao piso do ginásio. Discuta,
fonte A, uma imagem real da mesma. O raio de curvatura do espelho é
em termos físicos, as consequências práticas desse projeto arquitetônico.
40 cm e a distância do centro da fonte A até o centro do espelho esférico
é de 30 cm. A distância d do espelho plano até o centro do espelho
côncavo é, então:

412 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

01 Uma haste retilínea AB, de comprimento L, localiza-se sobre o eixo


principal de um espelho esférico côncavo, como ilustrado na figura a seguir.
30 cm A A distância focal do espelho é denotada por f. Sabe-se que a extremidade B
da haste encontra-se a uma distância D do vértice V do espelho. Considere
que D > f.

(A) 20 cm.
(B) 30 cm. A B V
(C) 40 cm.
(D) 45 cm.
(E) 50 cm. L D

33 (IME-2007) Um espelho e uma lente, ambos esféricos, encontram-se


posicionados de maneira que seus eixos ópticos coincidam. Uma vela acesa
é posicionada entre o espelho e a lente, perpendicularmente ao eixo óptico, a. Calcule o comprimento da imagem da haste em função de f, L e D.
com a base sobre o mesmo. Para que as imagens formadas individualmente b. Considere a situação particular em que f = 20 cm e L = 30 cm.
pelos dois instrumentos, a partir do objeto, possam ser direitas e Calcule as coordenadas das extremidades A e B e as posições de
coincidentes, os tipos de espelho e de lente devem ser, respectivamente: suas respectivas imagens, a fim de que a da haste fique superposta
sobre si.
(A) convexo e convergente.
(B) convexo e divergente. 02 Um espelho gira a uma velocidade angular constante de 4 rad/s. Com
(C) côncavo e convergente. qual velocidade mínima deverá correr um roedor pela superfície interna
(D) côncavo e divergente. de uma tampa de 1,5 m de raio para não ser alcançado por uma radiação
(E) Não existe combinação que torne as imagens coincidentes. letal da lanterna F?

34 (IME-2008) Uma pequena barra metálica é solta no instante t = 0 s


do topo de um prédio de 32 m de altura. A aceleração da gravidade local F
é 10 m/s2.

32 m R ω

O
espelho

03 Dois espelhos formam um ângulo reto. Uma bola é lançada desde um


A barra cai na direção de um espelho côncavo colocado no solo, conforme ponto A no espelho E1 com velocidade de v = 6 cm/s em uma direção
indicado na figura ao lado. Em certo instante, a imagem da barra fica indicada por q = 53°. Deseja-se verificar qual é a distância mínima entre
invertida, 30 cm acima da barra e quatro vezes maior que ela. O instante a bola e sua terceira imagem formada nos espelhos e indicar o tempo que
em que isso ocorre é, aproximadamente: se passou desde que partiu de A até o ponto de distância mínima.

(A) 2,1 s. E1
(B) 2,2 s. A
(C) 2,3 s. v
(D) 2,4 s. θ
(E) 2,5 s.
60 cm

E2
0

IME-ITA – Vol. 1 413


FÍSICA IV
Assunto 1

04 No esquema abaixo, P é um ponto luminoso e P’ é sua imagem 07 Num instante inicial, um espelho começa a girar em torno do ponto
conjugada por um espelho côncavo gaussiano, de 20 cm de raio de O, com velocidade angular constante. Simultaneamente, o objeto inicia
curvatura: um movimento circular em torno do ponto O. A trajetória que a imagem
do objeto puntiforme percorre é um(a):

Dados:
• Velocidade angular do espelho: wE
• Velocidade angular do objeto: w
P P’ • wE > w
C F V
Considere que o objeto não atinge o espelho no intervalo estudado.
48 cm
wE

Os pontos C, F e V representam, respectivamente, o centro de curvatura,


o foco principal e o vértice do espelho. Chamando o comprimento PV de
p e o comprimento P’V de p’, é correto que: w

(A) p = 63 cm e p’ = 15 cm.
(B) p = 62 cm e p’ = 14 cm.
(C) p = 61 cm e p’ = 13 cm.
(D) p = 60 cm e p’ = 12 cm.
(E) p = 59 cm e p’ = 11 cm.
O P
05 O ponto médio de uma haste de arame, de 6,0 cm de comprimento,
desloca-se ao longo do eixo principal de um espelho côncavo, de 10 cm de r
distância focal, de maneira que a haste mantém uma posição perpendicular
em relação ao eixo. Seja d a distância entre esse ponto e o vértice do espelho.
Qual das expressões abaixo melhor representa o comprimento, em cm, da
imagem virtual da haste conjugada pelo espelho, em função de d? (A) circunferência com velocidade angular wE.
(B) circunferência com velocidade angular wE – w .
60 (C) circunferência com velocidade angular 2wE – w.
(A) para d < 10. (D) elipse.
10 − d
60 (E) reta.
(B) para d ≠ 10.
10 − d
08 Considerando um referencial cartesiano xyz, um espelho plano é fixado
30 no plano formado pelos eixos yz, mantendo-se a parte positiva do eixo x à
(C) para d ≠ 10.
10 − d frente do espelho. Toma-se a origem dos eixos como sendo o referencial
10 para o movimento de uma partícula que obedece à função horária:
(D) para d < 10.
10 − d
30 S= (5ˆi + 3ˆj − 4 kˆ) + (4ˆi − 6ˆj ) ⋅ t + (2ˆi + 4 kˆ) ⋅ t 2
(E) para d < 10.
10 − d
06 Uma esfera metálica oca tem diâmetro interno D = 4,000 m, a 20°C. Então a velocidade da imagem dessa partícula, em função do tempo, para
Corta-se uma calota dessa esfera, polindo-se sua parte côncava. Dirige-se o mesmo referencial é dada por:
seu eixo óptico principal para uma estrela, da qual se obtém uma imagem
num ponto A. Em seguida, aquece-se a calota até 80°C. Numa experiência ( ) (
(A) v = 4ˆi − 6ˆj + 2ˆi + 4 kˆ ⋅ t )
idêntica à anterior, a posição da imagem da estrela é B, sendo que o vértice
do espelho se mantém na mesma posição. Se o coeficiente de dilatação (B) v = ( 4ˆi − 6ˆj ) + ( 4ˆi + 8 kˆ) ⋅ t
volumétrica do material da esfera é 30 · 10–5°C–1, o valor do deslocamento
AB da imagem é: (C) v =( −4ˆi − 6ˆj ) + ( −4ˆi + 8 kˆ) ⋅ t

(A) 0 mm. (D) v =( −4ˆi + 6ˆj ) + ( −4ˆi + 8 kˆ) ⋅ t


(B) 6 mm.
(C) 12 mm. (E) v =( −4ˆi + 6ˆj ) + ( 2ˆi + 4 kˆ) ⋅ t
(D) 18 mm.
(E) Diferente dos anteriores.

414 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica I FÍSICA IV
Assunto 1

09 Um espelho esférico tem distância focal f. Ache duas posições de um 15 A figura representa um sistema de dois espelhos esféricos: um côncavo
objeto para as quais o tamanho da imagem é A vezes maior que o tamanho E1 (raio de curvatura: R1 = 20 m) e um convexo E2 (raio de curvatura R2 =
do objeto. 10 m), situados a uma distância de L = 5 m entre si. Este sistema é utilizado
para reter temporalmente um pulso luminoso que incide sobre o espelho
10 Um ponto luminoso move-se, pelo eixo de um espelho esférico E1 a uma distância de h = 20 cm do seu eixo óptico. Em quanto tempo o
côncavo, aproximando-se ao mesmo. Para quais distâncias do ponto ao pulso sairá através do orifício de diâmetro d = 2 cm?
espelho, a distância entre o ponto e sua imagem no espelho será igual a
0,75 R, onde R é o raio de curvatura do espelho?

11 Encontrar, graficamente, para que posições do olho, um observador


pode ver em um espelho, de dimensões, finitas, a imagem de um segmento

h
de reta, localizado relativamente ao espelho, como mostra a figura abaixo:

d
A

B L
E2
E1

16 Um objeto é posicionado em frente a um espelho côncavo, que se


12 Um espelho plano gira com velocidade angular constante. O número encontra preso a uma parede por meio de haste rígida, conforme mostra
de rotações por segundo é n = 0,5. Com qual velocidade se deslocará a figura. A partir de um certo instante, o sistema “espelho + haste” é
uma imagem, em uma tela esférica de raio 10 m, se o espelho se encontra aquecido por um instrumento cuja potência é constante. Sabendo que tal
no centro de curvatura da tela? sistema permanece em equilíbrio durante todo o experimento, calcule a
variação da posição da imagem da lâmpada.
13 (ITA) Um excitador pulsado que gera faíscas a uma frequência de
106 Hz está localizado no centro de curvatura C de um espelho côncavo
de 1 m de raio de curvatura. Considere que o tempo de duração de cada haste
faísca seja desprezível em relação ao intervalo de tempo entre duas
faíscas consecutivas. A 2 m do centro de curvatura do espelho está
situado um anteparo normal aos raios refletidos. O espelho gira em torno
de C com uma frequência de 500 rotações por segundo, formando faixas
luminosas equidistantes no anteparo. O comprimento do intervalo entre
duas faixas luminosas formadas pelos raios refletidos no anteparo é de,
aproximadamente:

(A) 3,1 mm. L x


(B) 6,3 mm.
(C) 12,6 mm. Dados:
(D) 1,0 mm. – Raio inicial do espelho: r
(E) 9,4 mm. – Variação da temperatura: q
– Distância da lâmpada ao espelho: x
14 As dimensões de uma janela traseira de um automóvel são B × H = – Coeficiente de dilatação linear do espelho: a2
120 × 45 cm2. O motorista está sentado à distância l = 2,0 m dela. Quais – Coeficiente de dilatação linear da haste: a1
as dimensões mínimas deve ter o espelho retrovisor plano, suspenso a uma
distância de l0 = 0,5 m à frente do motorista, para que ele veja o melhor
possível tudo o que acontece na estrada atrás do veículo?

IME-ITA – Vol. 1 415


FÍSICA IV
Assunto 1

416 IME-ITA – Vol. 1


FÍSICA IV ASSUNTO

Óptica geométrica II
2
1. Índice de refração II. O desvio do raio refratado obedece à lei de Snell:

Quando a luz muda de meio, sua velocidade pode se alterar devido


n1sen θ1 = n2sen θ2
às propriedades do novo ambiente. Em associação a esse fato, também
poderá ocorrer a mudança da direção de propagação da luz. Todos esses
fenômenos consistem na refração luminosa. Obs.: Os ângulos utilizados na lei de Snell são os ângulos que os raios
O índice de refração de um meio (n) é uma relação útil que se faz fazem com a reta normal, e não com a superfície de separação.
entre a velocidade de propagação da luz no vácuo (c) e a velocidade de
propagação da luz no meio (v):
c
3. Tipos de incidências
n= • Incidência oblíqua com n2 > n1 → θ2 < θ1:
v
Perceba que sua utilidade reside na ideia de que, ao compararmos
dois meios de diferentes índices de refração, saberemos que aquele que
possuir o maior será o que mais desviará a luz, pois: θ1
n1
I. c é uma constante, logo n varia apenas com v.
II. se v aumenta, n diminui, pois a relação é de proporção inversa.
III. v diminuir significa que a luz no meio percorre um espaço menor em n2
um dado tempo, e logo sua direção de propagação desvia-se mais σ
da original. θ2
Sobre o índice de refração, fazemos ainda as seguintes observações:
Ângulo de desvio (σ): σ = θ1 – θ2
• No vácuo, n = 1 (pois v = c).
• Nos meios materiais, n > 1 (pois v é sempre menor que c fora do • Incidência oblíqua com n2 < n1 → θ2 > θ1:
vácuo).
• No ar, n é aproximadamente igual a 1 (embora seja maior, a diferença
θ1
é tão pequena que, na prática, consideramos nar=1).
• Quanto maior a densidade de uma mesma substância, maior será seu
índice de refração (pois haverá mais partículas da substância em um
mesmo volume, que desviarão a luz). n1
• Índice de refração relativo: compara dois índices de refração por meio
de uma razão. O índice de refração do meio 2 em relação ao meio 1
(n2,1) é dado por: n2
n θ2
n2,1 = 2
n1
σ
• Dioptro: é o nome dado à interface de separação de dois meios de
diferentes índices de refração.
Ângulo de desvio (σ): σ = θ2 – θ1
2. Leis da refração
• Incidência normal: θ2 = θ1 = 0, para todo n:
Assim como acontece com a reflexão, o fenômeno da refração obedece
a duas leis gerais:

I. O raio incidente, o raio refratado e a reta normal que passa pelo ponto
de incidência são todos coplanares.
n1
raio incidente raio refletido
normal

n2
θ1 θ1
n1

n2
θ2
raio refratado

IME-ITA – Vol. 1 417


FÍSICA IV
Assunto 2

4. Ângulo limite e casos


especiais de refração
01 Uma moeda encontra-se exatamente no centro do fundo de
uma caneca. Despreze a espessura da moeda. Considere a altura da Refração e reflexão são fenômenos vinculados, já que, ao atingir uma
caneca igual a 4 diâmetros da moeda, d(m), e seu diâmetro igual a superfície de separação de meios, um raio luminoso sofre simultaneamente
3d(m). reflexão e refração. Porém, a intensidade de um dos raios (refletido ou
refratado) pode ser maior que a do outro, de modo que, em condições
limites, um deles pode ser considerado como praticamente nulo. Além
disso, às vezes suprimimos um dos raios de algum esquema por termos
interesse apenas no outro. Veja, por exemplo, o que acontece nos casos
a seguir:

I. Aumento gradativo de θ1 com n2 > n1:

a. Um observador está a uma distância de 9d(m) da borda da caneca.


Em que altura mínima, acima do topo, o olho do observador deve estar
para ver a moeda inteira? θ1 θ1 θ1
b. Com a caneca cheia de água, qual a nova altura mínima do olho do
observador para continuar a enxergar a moeda inteira?

Dado: n(água) = 1,3. θ2 θ2
θ2
Solução:
a. A figura abaixo representa o ponto-objeto que deve ser visto pelo
observador. Da figura, podemos aplicar semelhança de triângulos.
No limite, θ1 = 90°. Temos o caso limite de refração e θ2 é chamado
observador de “ângulo limite de refração” (rL). Pela lei de Snell:

n1sen 90° = n2sen rL


sen rL = n1/n2

h h 4d II. Aumento gradativo de θ1 com n2 < n1:


= → h = 36d
9d d
θ1
θ1
9d
4d
d θ2 θ2

b. Agora, aplicaremos a lei de Snell para determinar θ2. (I) (II)

observador
n1sen θ1 = n2 sen θ2
θ2 θ1 θ1 θ2
d
h 1, 3 = 1 sen θ2
θ2 d 2 + 16d 2
9d 1, 3
θ1 sen θ2 = θ2
4d 17
d (III) (IV)

Do caso (I) ao caso (III), θ1 vai aumentando gradativamente, até o caso


Da figura, temos que: limite em que θ2 atinge o valor de 90°, de modo que, se θ1 for ligeiramente
aumentado, teremos reflexão total do raio incidente e nenhum raio será
1, 3
refratado (como mostra o caso IV). Nesse caso, ocorre a reflexão total
9d sen θ2 9d 17 = 9 d
tan θ2 = ⇒ = ⇒ e θ1 é chamado de “ângulo limite de reflexão total” (iL). Pela lei de Snell,
h cos θ2 h 15, 31 h no caso (III):
17
n1sen iL = n2sen 90°
9d 15, 31
h= ≅ 27,1d.
1, 3
sen iL = n2 /n1

418 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica II FÍSICA IV
Assunto 2

Obs.: As fibras ópticas permitem a transmissão de informações por meio Refração no ponto de incidência A (cálculo de θ2): 1 · sen 45° = n · sen θ2
de raios luminosos que sofrem inúmeras reflexões totais em pequenos
tubos maleáveis. Geralmente, esses tubos são feitos com vidro de óxido Refração no ponto de incidência B (cálculo de θ3): n · sen θ3=1 · sen 90°
de silício e óxido de germânio, tendo cerca de 0,1 mm de diâmetro.
Observando na figura que θ2 e θ3 são complementares, temos:
sen θ3 = cos θ2

Pelo teorema fundamental da trigonometria:


sen2 θ2+ cos2 θ2 = 1

2 2
 sen 45°   1 
III. n2 = n1:   +  =1
 n  n
2
n1  2   2 
   1 2    1 1 1 3
 2  +  = 4  +  2  = 2 + 2 = 2 = 1→ n = 3 2
n2  n   n   n2   n  2n n 2n
  
   

02 Na figura a seguir, temos um recipiente cúbico de paredes opacas,


vazio, de 40 cm de aresta:
Nesse tipo de caso, há o fenômeno da continuidade óptica. O imerso
O
torna-se invisível. Temos, como exemplo, o vidro e o tetracloroeteno
(C2Cl4) – ao imergir uma barra de vidro em C2Cl4, um observador externo
não será capaz de ver a barra de vidro, pois ela está aproximadamente
invisível (os índices de refração são estreitamente iguais, não havendo,
portanto, desvios de luz).
(1)
P

10 cm
01 Um raio luminoso incide sobre um cubo de vidro, como indica a figura
a seguir. Qual deve ser o valor do índice de refração do vidro para que Na posição em que se encontra, o observador O não vê o fundo do
ocorra reflexão total na face vertical? recipiente, mas vê completamente a parede (1). Calcule a altura mínima da
água que se deve despejar no objeto, para que o observador passe a ver a
45° partícula P. Adote o índice de refração da água em relação ao ar igual a 4/3.
ar Solução:
Como na maioria dos problemas de física, principalmente óptica
geométrica, é fundamental que seja feita uma figura ilustrando o caminho
da luz e os raios e ângulos envolvidos. Nesse caso, é interessante que
destaquemos apenas o raio de luz que sai do objeto e chega no observador.
Ficando assim:

Solução:
Para determinar o índice (mínimo) do cubo, devemos representar, na parede
vertical, a situação limite, isto é, a representação geométrica tem que o 45° θ2
raio refratado faz 90° com a vertical. Veja abaixo:
45°
θ1
45°
A

θ2 Da figura notamos que θ2 = 45°


B θ3 4 3 2
n Aplicando a lei de Snell: sen θ1 = 1 ⋅ sen 45° → sen θ1 =
3 8

IME-ITA – Vol. 1 419


FÍSICA IV
Assunto 2

Destacando da figura a região dentro do líquido, podemos identificar Os arcos-íris também ocorrem por esse fenômeno. As gotículas de
melhor a altura: água dispersas no ar, em determinadas condições, podem provocar, para
um dado observador, a decomposição da luz branca.
θ1
h
6. Dioptro plano e dioptro esférico
45°
45° Quando um observador, situado em um meio qualquer, olha para um
objeto, situado em outro meio de diferente índice de refração, ele pode
h – 10 10 cm percebê-lo em uma posição diferente da verdadeira, devido à refração
luminosa. Vejam-se os dois casos possíveis:
h
I. O observador se encontra em um meio de menor índice de refração
h − 10 sen θ1 que o do meio do objeto:
Da figura acima, temos que tan θ1 = =
h cos θ1 observador
2
3 2  18 46
Em que cos θ1 = 1 − sen2θ1 = 1 −  = 1− =
 8  64 8
 
3 2 n1
h − 10 3 10 23
Substituindo, temos = 8 = →h= cm posição aparente n2
h 46 23 23 − 3
do objeto
8
Sugestão: aproximação de radicais n1 > n 2
 2  2  1  24 posição real
23 = 25 − 2 = 25  1 −  = 5 1 − ≅ 5  1− ≅ ≅ 4, 8
 25  25  25  5 do objeto

No problema acima, o resultado aproximado seria então: h II. O observador se encontra num meio de maior índice de refração do
10 ⋅ 4, 8 48 que o do meio do objeto:
h= = ≅ 26, 7 cm.
4, 8 − 3 1, 8
posição aparente
do objeto
5. Dispersão de luz policromática posição real
do objeto
A luz policromática é formada por uma infinidade de luzes n1
monocromáticas que a constituem. Embora todos esses componentes
n2
monocromáticos tenham a mesma velocidade (c) no vácuo, cada um deles
tem uma respectiva velocidade distinta ao atravessarem um meio material,
de modo que, se uma luz policromática vinda do vácuo atravessar um meio
n1 > n 2
material, esta será decomposta em suas constituintes monocromáticas.
Esse fenômeno é explicado considerando os diferentes comprimentos
de onda de cada raio monocromático, e tais detalhes serão vistos nos Vamos, agora, fazer o estudo analítico de um caso especial de dioptro
capítulos sobre ondas. plano, que é quando temos pequenos ângulos de incidência. Deduziremos uma
Sofrem maior desvio os componentes monocromáticos de menor expressão para o caso (I) acima, mas a dedução para o caso (II) é análoga.
comprimento de onda. A decomposição da luz branca (luz solar), por Quando os ângulos de incidência são pequenos, as posições real
exemplo, tem como extremos visíveis as monocromáticas violeta e vermelha: e aparente do objeto estão aproximadamente sobre uma mesma reta
vertical. No desenho abaixo, não faremos pequenos ângulos de incidência
simplesmente para que seja possível analisá-los melhor, mas tomaremos
branca
como hipótese que, de fato, os ângulos são pequenos:

θ1
A B n1

d’ θ1
n2
p’ θ2
d
θ2
vermelha
p
violeta

420 IME-ITA – Vol. 1


Óptica geométrica II FÍSICA IV
Assunto 2

AB
tan q2 =
AP
AB
tan q1 =
P’ A
tan q2 P’ A d’ sen q2 n1 d’ ndestino
= =≅ = =
tan q1 PA d sen q1 n2 d norigem
Um dioptro esférico possui como interface de separação uma parte
posição aparente do fundo (imagem)
de circunferência. Vejamos a dedução de sua equação: p’
p = 60 cm fundo (objeto)

θ1 a c c
n n'
θ2 Pela fórmula de diptros planos, temos: = → : v = v' → vp = v'p'
p p' p p'
O α v β C I Em que:
p r
v = velocidade do raio incidente = 2,25 · 105 km/s
p’ p = posição do objeto (fundo do aquário) = 60 cm
n1 n2
v’= velocidade do raio refratado = 3,00 · 105 km/s
Pela lei de Snell, temos: p’