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FERRARI, Celson. Dicionário de urbanismo.

Editora Disal, 1 edição, São Paulo,


2004.

Aglomerado urbano (urban agglomerate): conjunto de zonas urbanizadas próximas


entre si, portanto muito independentes, podendo constituir uma área metropolitana
ou área de nível submetropolitano, com conurbação ou sem ela. Exemplos de
conurbações brasileiras que não são legalmente áreas metropolitanas: aglomerados
de São José dos Campos (SP), de Londrina (PR), de Florianópolis (SC), de Caxias
do Sul (RS), de Itabira (MG) e outras mais. (p. 20)

Área de proteção ambiental (environmental protection área): espaço urbano ou


rural que, por sua localização, geomorfologia, vegetação, hidrologia ou outra
característica especial, merece ser preservado, recuperado ou modificado com o
objetivo de manter, no melhor nível possível, a qualidade do meio ambiente. (p. 37)

Área metropolitana (metropolitan área): conjunto de municípios de uma região


metropolitana cujas zonas urbanizadas são conurbadas e fortemente polarizadas por
uma cidade central ou metrópole, podendo apresentar zonas rurais intersticiais. No
Brasil, este conceito difere do de região metropolitana, o que acontece em outros
países, como os EUA, por exemplo. (p. 37)

Bacia hidrográfica (catchment basin, watershed): área de terreno, delimitada


topograficamente pelos seus divisores d’água, cuja precipitação convertida em água
de escoamento, superficial e subterrânea, tem uma única saída, onde se mede sua
vazão efluente. O mesmo que bacia de drenagem. (p.48)

Biodiversidade (biodiversity): manutenção, em todas as partes da biosfera, da


maior diversidade possível de seres vivos para que nenhum elo da cadeia destes
organismos, ao ser destruído, impeça a existência das relações vitais
complementares entre eles, importantíssimas à manutenção do equilíbrio ecológico
da natureza. Sem a biodiversidade não se alcançará o desenvolvimento sustentável
e ambientalmente saudável. Este conceito pode ser estendido ao patrimônio
genético desses seres vivos ou espécies (biodiversidade genética), bem como aos
habitats ou ambientes em que vivem tais espécies (biodiversidade de ecossistemas).
(p. 55)
Bom desenvolvimento (good-development) 1: crescimento econômico
acompanhado de mudanças sociais com melhoria da qualidade de vida da
população. Expressão desnecessária ou redundante, já que desenvolvimento difere
de crescimento exatamente por englobar mudanças para melhor na qualidade de
vida da população, em decorrência do crescimento. 2: desenvolvimento com
emprego de tecnologia ecológica. (p. 56)

Cidade (city, town): espaço delimitado e contínuo, ocupado de forma permanente


por um aglomerado urbano denso e considerável em número, cuja evolução e
estrutura são determinadas pelo meio físico, desenvolvimento tecnológico e modo
de produção existente e cuja população possui “status” urbano. Esta definição é
extremamente eclética e considera o dinamismo do conceito, variável no tempo: os
significados de “denso”, “considerável” e principalmente de “status urbano” são
variáveis no tempo, além de subjetivos ...

Concentração urbana (urban concentration): processo ecológico urbano


caracterizado pelo adensamento de população, de instituições, de atividades
econômicas e outras em qualquer sítio ou núcleo urbanos. Se o sítio ou núcleo
coincidir com o centro (da cidade), dá-se-lhe o nome de centralização urbana,
espécie do gênero concentração. O processo inverso chama-se descentralização
urbana ou dispersão urbana. (p. 88)

Conservação (ambiental) (conservation) 1: em urbanismo, espécie de preservação


caracterizada pela não-modificação do patrimônio ambiental, de modo significativo,
mas que admite apenas um mínimo de intervenção, necessária a evitar a
deterioração daquilo que se pretende preservar. 2: em ecologia, o uso racional do
ambiente, que visa à promoção da qualidade de vida do homem. Tal uso consiste
em se utilizar alguns recursos naturais e áreas para a produção de bens e serviços,
bem como em preservar e valorizar outras áreas e recursos que possam satisfazer,
no presente e no futuro, às exigências da humanidade em ciência, arte, estética,
recreação, trabalho, circulação, habitação, saúde etc. (p. 90 e 91)

Conurbação (conurbation): zona urbanizada que abrange mais de uma zona urbana
de forma contínua, ou seja, fusão de duas ou mais zonas urbanizadas: o exemplo
mais simples são as cidades gêmeas e o mais complexo, a megalópole (como a que
se formou ao norte da costa Atlântica dos EUA, de Boston e Norfolk, englobando
Nova Iorque e Washington). O introdutor da palavra foi Patrick Geddes, que a definiu
como “uma região urbana integrada por um grupo de cidades grandes e pequenas
situadas em uma área determinada e limitada, e unida estreitamente por laços
econômicos”, o que hoje se identificaria com o conceito de conglomerado urbano. O
prof. C. B. Fawcett, em 1932, definiu-a como “uma área ocupada por uma série
contínua de residências, fábricas e outros edifícios, porto ou docas, parques urbanos
ou campos de jogos etc., que não estejam separados entre si por nenhuma zona
rural; ainda que em muitos casos neste país (os EUA) uma área urbana possui
tratos de terra como ocupação agrícola”, em uma definição que se pretende mais
estreitamente à idéia de continuidade da superfície construída. O caso mais simples
de conurbação é o das cidades gêmeas. O exemplo mais complexo é o da
megalópole que se formou ao norte da costa atlântica dos Estados Unidos e que se
estende de Boston a Norfolk, englobando Nova Iorque e Washington. (p. 96)

Densidade urbana (urban density): relação entre a população residente na zona


urbana e a sua superfície total, em hab/km² ou hab/ha. Trata-se de uma densidade
média e bruta. Como, em geral, a zona urbanizada (cidade propriamente dita) é
menor que a zona urbana, a densidade da zona urbanizada é maior que a da zona
urbana, definida em lei. (p. 111)

Desenho urbano (urban design) 1: parte do urbanismo ou do planejamento urbano


que estuda a obra arquitetônica da cidade em escala de projeto, constituindo
importante participação do arquiteto no planejamento urbano. Melhor expressão
seria “projeto urbano. 2: para alguns arquitetos, confunde-se com o planejamento
físico-territorial da cidade. (p. 113)

Desenvolvimento sustentável (sustainable development): desenvolvimento


econômico com um planejamento integrado que emprega tecnologia ecológica,
capaz de manter continuamente a produção dos recursos naturais renováveis. Ex.:
aproveitamento da madeira de nossas florestas com reflorestamento que não
destrua a biodiversidade local. O mesmo que ecodesenvolvimento. (p. 114)

Ecodesenvolvimento (ecodevelopment): forma de desenvolvimento planejado que,


levando em conta a necessidade de manter íntegro o equilíbrio ecológico da área de
estudo e as restrições que impõe seu meio ambiente, permite a utilização ótima dos
recursos disponíveis. É um desenvolvimento sustentável. (p. 130)
Equilíbrio ecológico (ecological balance) 1: estado do meio ambiente que
permanece inalterado enquanto não surgir uma mudança nas relações de seus
componentes (parâmetros), até então constantes. E que tende a retornar a seu
estado primitivo ou a um novo estado de inalterabilidade de seus parâmetros. É um
equilíbrio da natureza dinâmica que, todavia, pode não significar um estado ideal do
ambiente. Um meio pode, ainda que deteriorado, insalubre, manter-se em equilíbrio
ecológico. Assim, um desequilíbrio pode até ser favorável, se melhorar o estado do
ambiente. 2: para alguns ecologistas, estado ideal do ambiente, em que suas partes
(animais, vegetais e o homem) se ajustam em perfeita e eficiente associação,
devendo ser preservadas. É nesse sentido que a Constituição do Brasil, no art. 225,
entende equilíbrio e é nesse sentido que o compreendem aqueles que lutam pela
institucionalização de um ecodesenvolvimento no país. (p. 141)

Estatuto da Cidade (statute of the city): lei federal (10.257, de 10 de julho de 2001)
que regulamente os artigos 182 e 183 da Constituição e estabelece as diretrizes
gerais e instrumento da política urbana, as diretrize e objetivos do plano diretor
municipal, os instrumentos para gestão democrática da cidade e outras providências
gerais. O processo de planejamento preconizado pelo Estatuto regula o “uso da
propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos
cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental”, com a participação das comunidades
envolvidas, de forma permanente e relativamente integrada à área de influência do
município. No que diz respeito a uma correta integração vertical do processo, os
objetivos do planejamento municipal dever-se-iam vincular aos objetivos e diretrizes
dos planos dos escalões superiores de governo e não apenas a sua restrita área de
influência. Preconiza, acertadamente, uma integração horizontal ao incluir nos
objetivos do plano diretor, além dos aspectos físico-territoriais, também os sociais e
econômicos. Como a área de influência de um município abrange outros municípios,
faltou ao Estatuto o estabelecimento dos mecanismos processuais e legais para
viabilizar essa integração respeitando a autonomia municipal. (p. 151)

Estudo de impacto ambiental – EIA (environmental impact statement): conjunto de


pesquisas, análises e diagnoses das prováveis ou evidentes conseqüências ao meio
ambiente (ouseja, do impacto ambiental) de uma ação proposta (obra ou serviço),
com o objetivo de informar a população, o governo e os tomadores de decisão sobre
eventuais riscos ambientais da ação. O EIA compreende, dentre outros, estudos de
relação custo/benefícios da ação proposta, podendo apresentar alternativas de
menores custos sociais e maiores benefícios ao ambiente, sempre que possível. As
atividades que dependem de elaboração do EIA, suas diretrizes gerais e as
atividades técnicas a serem desenvolvidas em sua feitura estão descritas pelo
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), na resolução 1ª, de 23 de janeiro
de 1986, art. 2, 5 e6. Cada EIA deve ter suas conclusões registradas em um
relatório de impacto ambiental (RIMA). (p. 153 e 154)

Impacto ambiental (environmental impact): “qualquer alteração das propriedades


físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente,
afetam: I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II – as atividades
sociais e econômicas; III – a biota; IV – as condições estéticas e sanitárias do meio
ambiente; V – a qualidade dos recursos ambientais”, conforme o artigo 1º da
resolução 1ª do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 23 de janeiro de
1986. (p.186)

Infra-estrutura urbana (urban infrastructure): conjunto de obras públicas e serviços


de utilidade pública da cidade, que representa a capital fixo social urbano. Ex.: vias
urbanas, rede de água, rede de esgoto, rede telefônica, rede de gás, rede energia
elétrica, edifícios públicos e de utilidade pública e outros. (p. 200)

Lote (plot, loto f land) ou lote urbano: unidade básica do cadastro imobiliário urbano,
resultante do parcelamento de um terreno situado em zona urbana ou de expansão
urbana. O lote urbano pode ser edificável ou não, e às vezes constituir um terreno
baldio; em relação com o logradouro, há lote de esquina, lote interno, lote encravado
e lote de fundo. Um lote urbano possui confrontações com logradouro público que se
denominam testadas ou frentes; com lotes contíguos que não têm testadas voltadas
para o mesmo logradouro público, que se denominam fundos (geralmente opostos à
sua frente). A frente ou testada de um lote chama-se também de alinhamento. (p.
219 e 220)

Loteamento (urbano) (allotment, plotting): tipo de parcelamento urbano (do solo)


caracterizado pela abertura de novas vias de acesso aos lotes ou prolongamentos
das já existentes, sendo os lotes destinados à edificações para fins urbanos. (p. 221)
Manancial (source of supply, water source, fountain) 1: nascente de água
proveniente do aqüífero. 2: em hidráulica, quantidade razoável de água, acumulável
ou já acumulada em lagos ou reservatórios, e que abastece ou pode abastecer de
água potável uma população. (p. 223)

Megalópole (megalopolis): conurbação de uma grande metrópole com outras zonas


urbanizadas próximas, formando um “continuum” de ocupação urbana de
avantajadas dimensões. A denominação foi aplicada primeiramente pelo geógrafo
Jean Gottmann, em 1961, à grande conurbação da costa nordeste dos Estados
Unidos, que abrange Nova Iorque como pólo dominante principal. No Brasil, a
Grande São Paulo e a Grande Rio de Janeiro constituem exemplos inegáveis de
megalópole. Para que as megalópoles não gerem deseconomias de aglomeração,
baixa qualidade de vida, desigualdades sociais acentuadas, falta de habitação,
transporte, trabalho, saúde, recreação e outros males, é preciso que suas regiões
metropolitanas sejam adequadamente organizadas para a implantação de um
processo de planejamento, contínuo e permanente, sob a orientação de uma
autoridade metropolitana, autônoma pelo menos nos assuntos do interesse comum
dos demais Municípios da região. (p. 230)

Meio ambiente (environment): conjunto que compreende, em seu todo, o meio físico
e o meio biótico e o meio antrópico. O meio físico é constituído pelo solo, pelos
recursos hídricos superficiais, subterrâneos e pelo clima. O meio biótico compõe-se
da flora e da fauna, isto é, da vida vegetal e animal. O meio antrópico é o criado pelo
homem: infra-estrutura física e social, infra-estrutura viária, atividades econômicas,
urbanização, instituições públicas e privadas, qualidade de vida. A expressão “meio
ambiente” parece-nos uma redundância, embora seja mais empregada que
“ambiente” simplesmente. (p. 231)

Metrópole (metropolis): cidade de grande dimensão que polariza uma região ou


área de influência, chamada área ou região metropolitana. Etimologicamente,
significa “cidade mãe”. No Brasil são consideradas metrópoles as aglomerações com
população igual ou superior a 400 mil habitantes. Já nos Estados Unidos, as
metrópoles das áreas metropolitanas têm população igual ou superior a 50 mil
habitantes. Pelas economias de aglomeração que geram, tais cidades são de
fundamental importância ao crescimento econômico de suas áreas de influência.
Além do crescimento econômico, caracterizam-se por abrigarem serviços
profissionais raros e altamente especializados, bem como propiciarem meios ao
desenvolvimento das artes, das ciências e da tecnologia. Todavia, quando seu
crescimento é natural, sem a orientação de uma política adequada de planejamento
integrado, passa a gerar deseconomias de aglomeração, prejudiciais a seu
crescimento econômico e ao de sua região. Além disso, o crescimento desordenado
provoca várias crises: de transporte, de habitação, de emprego, de saúde, de
educação, de recreação e as decorrentes delas, como a violência urbana. Nossas
megalópoles, por crescerem desordenadamente, padecem dessas crises de forma
mais acentuadas que nossas metrópoles, também não planejadas. (p. 238 e 239)

Metropolização (metropolization): crescimento populacional acentuado das


metrópoles, bem como de suas áreas e regiões metropolitanas, em relação à
população total do país. (p. 239)

Nascente (source, fountain): lugar em que se origina uma corrente de água; fonte.
(p. 249)

Planejamento estratégico (strategical planning): formulação de intervenções, ações


e políticas estratégicas visando atingir objetivos fixados “a priori”, a partir de uma
diagnose da situação atual e de uma visão do futuro baseadas numa projeção de
tendências históricas dos dados considerados, devidamente adaptadas a uma nova
e desejada realidade. A inovação do processo consiste na formulação prévia dos
objetivos, alguns confirmando as tendências históricas prognosticadas, por serem
considerados favoráveis ao desenvolvimento almejado, outros mudando-as, para
que se tornem igualmente favoráveis. A fixação prévia dos objetivos, caso não se
baseie em uma visão clara da realidade presente e futura, configura-se como um
inconsistente rol de desejos. Aos objetivos propostos são vinculados indicadores
quantitativos que permitam avaliar a eficiência de cada estratégia adotada. O
planejamento estratégico, como todo e qualquer planejamento, deve ser do tipo
integrado. (p. 276)

Planejamento integrado (comprehensive planning): método de aplicação contínua


e permanente destinado a resolver de maneira racional a problemática que afeta
determinada sociedade (ser), situada em delimitado espaço (forma) e dada época
(tempo): atua basicamente por uma previsão ordenada das mudanças desejadas por
ela, em que se consideram os aspectos físico-territoriais, sociais, econômicos e
administrativos da realidade, além de vincular tais mudanças aos objetivos e
diretrizes dos planos dos demais escalões de governo. O planejamento integrado
considera a realidade em sua complexidade abrangente, concomitantemente e de
forma sistêmica, num processo de integração horizontal. Ao ligar os objetivos
almejados para esta realidade aos objetivos dos planos dos demais escalões do
governo, adquire uma verticalidade em nome de sua unidade, de sua coerência. A
necessidade do enfoque abrangente, horizontal, da realidade sob planejamento
decorre em essência do assincronismo das mudanças entre o Ser e a Forma, da
diversidade de estruturas sociais e do crescimento econômico desigual das regiões.
A integração vertical, por outro lado, se impõe por razões de coerência do processo,
encarado em sua totalidade. A legislação urbanística inglesa de 1968 (Town and
Country Planning Act) manda que os “structure plans” levem em conta,
concomitantemente, os aspectos físicos, sociais e econômicos da área planejada.
Franceses, espanhóis, italianos, alemães e outros povos também adotam o
planejamento integrado. Os norte-americanos, em seus “city plans”, dão um aproche
predominatemente físico-territorial ao planejamento, em virtude de sua peculiar
organização municipal e da multiplicidade de órgão de planejamento, áreas e
assuntos. No Canadá, a atividade de “comprehensive planning” refere-se ao
planejamento de áreas metropolitanas com mais de um município. Os grupos de
trabalho de planejamento integrado são necessariamente pluriprofissionais e
multidisciplinares. Recomenda-se que a coordenação do grupo seja feita pelo
profissional que alie o conhecimento mais amplo das disciplinas envolvidas a
qualidades de liderança e organizativas de trabalho, independentemente de sua
formação profissional específica. Segundo a Carta dos Andes: “Planejamento é o
processo de ordenação e previsão para conseguir, mediante a fixação de objetivos e
por meio de uma ação racional, a utilização ótima dos recursos de uma sociedade
em uma época determinada”. O planejamento é ciência enquanto se obstem de
emitir juízos de valor, isto é, quando formula teorias a partir dos fatos observados.
Por outro lado, é a arte política quando estabelece preceitos, modos de ação, para
atingir objetivos, metas ou fins. Em âmbito municipal, enquanto ciência e teoria é
urbanismo e sua aplicação prática, urbanística. O teórico do urbanismo é o
urbanólogo, sendo o urbanista o profissional da urbanística. (p. 277 e 278)
Planejamento urbano (sectorial planning): no sentido original, planejamento ou
ordenação do aspecto físico-territorial de uma cidade ou zona urbanizada; como
cidade e campo interagem estreitamente, o campo de atuação estendeu-se ao
território municipal e hoje a preocupação deve ser com o planejamento integrado do
Município dentro de sua região, de seu Estado e da Nação. (p. 279)

Polarização (polarizatio): ação de uma das partes de um sistema, chamado pólo ou


nó, sobre as demais, ditas polarizadas ou satélites, de sorte que as interações das
partes satélites entre si sejam sempre de ordem inferior às existentes entre o pólo e
qualquer das partes polarizadas. Quando o sistema considerado é uma região,
macro ou micro, e uma de suas cidades é um pólo em relação às demais, tem-se
uma região polarizada. (p. 284)

Política de desenvolvimento urbano (urban development policy); conjunto de


diretrizes gerais fixadas em lei federal e que “tem por objetivo ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus
habitantes”, conforme o art. 182 da Constituição. Segundo este mesmo artigo, a
execução da política de desenvolvimento urbano é da competência do Município,
por plano diretor aprovado pela Câmera Municipal e obrigatório para cidades com
mais de 20 mil habitantes. Obviamente, o plano diretor é de abrangência no mínimo
municipal, devendo preferencialmente integrar-se aos objetivos dos planos regional,
estadual e nacional em que se inclui o Município. (p. 285)

Preservação ambiental (environmental preservation): genericamente, conservação


do ambiente natural em estado de equilíbrio ecológico, livrando-os das pressões
destrutivas da tecnologia dura empregada no processo de crescimento econômico
desordenado. Uma das ferramentas da preservação do ambiente é a
ecoengenharia, ou engenharia ambiental. (p. 296)

Qualidade de vida (life quality): condição média de uma população desfrutar de


benefícios de sua renda ou de seus recursos. A qualidade de vida de um grupo
social é a conseqüência de seu nível de vida. Segundo a ONU, os critérios para a
definição do nível de vida de um povo são doze: saúde, alimentação e nutrição,
educação, condições de trabalho, emprego e desemprego, poupança popular,
transporte, moradia, vestimenta, recreação, segurança social e liberdades humanas.
A qualidade de vida depende, pois, de condições políticas favoráveis, democráticas,
participativas. (p. 308 e 309)

Recursos naturais (natural resources): qualquer produto da natureza, como solo,


água, floresta, mineirais, animais etc., que constitua um bem econômico, ou seja,
que por sua relativa escassez tenha valor econômico, valor de troca. (p. 314)

Região Metropolitana (metropolitan region): região polarizada definida e delimitada


por critérios estabelecidos pela fundação IBGE e pelo Instituto Brasileiro de
Geografia, pertencentes a três categorias: demográficos, estruturais e de integração.
Apenas exemplificando tais critérios, a metrópole ou cidade central deve ter uma
população mínima de 400 mil habitantes e seu distrito deve ter uma densidade
demográfica mínima de 500 hab/km² (5 hab/ha). Além disso, um Município só
poderá pertencer à região metropolitana se, no mínimo, 10% de sua população
potencialmente ativa se ocupa em atividades industriais, e também quando o valor
total de sua produção industrial for, no mínimo, o triplo de sua produção agrícola.
Finalmente, o Município, para pertencer a região metropolitana, deve ter pelo menos
10% de sua população trabalhando na metrópole, e outros critérios mais. A região
metropolitana, além de zonas conurbadas, abrange também zonas rurais, podendo
conter ou não área metropolitana. (p. 318)

Relocação populacional (relocalization of inhabitant): mudança de lugar de uma


população numerosa, de forma compulsória e permanente, em virtude de realização
de grandes obras públicas como represas, usinas nucleares, renovação urbana etc.,
de acontecimentos calamitosos ou por razões de segurança pública. A questão
social gerada por uma relocalização tem merecido a atenção dos planejadores
(antropólogos sociais, principalmente), que criaram até, de forma exagerada, uma
teoria da relocalização. A questão social referida envolve problemas de identidade
sócio-cultural, de vez que o relocalizado tende a defender sua casa, sua
comunidade, seu gênero de vida e seu entorno, em cujo seio ele se identificava até
então. O relocado pode sentir-se sem objetivos, apático, anônimo em meio a
pessoas desconhecidas e revoltado. A relocalização é uma agressão
multidimensional ao indivíduo, atingindo-o fisiológica, psicológica e sócio-
culturalmente. O custo de uma relocalização de população nunca é inferior a 20% do
custo total da obra que a gera. (p. 321 e 322)
Saneamento básico (water supply and sanitation): ato ou efeito de tornar uma área
habitável, em condições satisfatórias de higiene, com a execução de obras e
serviços de água potável e de esgoto. A mortalidade infantil depende umbilicalmente
das condições de saneamento básico local. A expressão, desconhecida em outras
línguas, parece ter sido cunhada no Brasil, nas publicações do Banco Nacional de
Habitação. (p. 329)

Urbanismo (town planning, city planning, urbanism) 1: conjunto de disciplinas


científicas e artísticas que estudam a problemática da menor unidade territorial, que
administrativamente tem por sede uma cidade (Município), abrangendo seus
aspectos físico-territorial, social, econômico e administrativo, vinculando seus
objetivos aos objetivos maiores de suas regiões envolventes, desde a microrregião
até a macrorregião em escala nacional. Primitivamente, o urbanismo estudava
apenas os aspectos físico-territoriais das cidades, atendendo ao significado
etimológico do vocábulo. Embora empregados, os termos “urbanismo regional” e
“urbanismo nacional” devem ser substituídos respectivamente por “planejamento
regional” e “planejamento social”. O mesmo que planejamento municipal integrado.
2: modo de vida urbano, filosofia de vida urbana (acepção encontrada
principalmente nos autores de língua inglesa). 3: filosofia que defende a
superioridade da vida urbana sobre a rural; o ruralismo, ou desurbanismo, seria a
filosofia oposta. (p. 370)

Urbanização (urbanization) 1: crescimento da população urbana em relação à


população rural. 2: mesmo que urbanificação. 3: transferência do gênero de vida
urbano para o campo, pelos meios de comunicação. 4: em sentido figurado,
civilização, polidez, educação. (p. 371)

Zona urbanizada (urbanized zone, developed zone): toda área caracterizada por
utilização efetivamente urbana, em oposição à utilização rural, formando ou não um
continuum com a zona urbana, legalmente delimitada. Nos Estados Unidos, a partir
de 1950, as áreas urbanizadas das áreas metropolitanas são consideradas urbanas
pelo serviço do censo. No Brasil, de maneira predominante, as áreas urbanizadas
são bem menores que as urbanas. As conurbações ocorrem entre áreas
urbanizadas e não-urbanas, quase sempre. Só no específico caso de coincidirem as
zonas, urbana e urbanizada é que se pode falar em conurbação de zonas urbanas.
Quando a zona urbanizada abrange mais de uma zona urbana de diversos
Municípios, ou seja, quando há conurbação, dá-lhe-se também o nome de
aglomerado urbano. O mesmo que área urbanizada. (p. 394)

Zoneamento ambiental (environmental zoning): divisão de um território em zonas,


objetivando a preservação e recuperação do equilíbrio ecológico do meio ambiente,
pela fixação dos usos mais adequados do solo para cada zona e declaração de usos
desconformes ou não permissíveis em cada uma delas ou em todo o território. É
descabida de sentido qualquer legislação de controle da poluição sem um
correspondente zoneamento ambiental. Ex.: no Brasil proíbe-se a emissão, na
atmosfera de todo o território nacional, de fumaça Ringelmann números 2, 3, 4 e 5
indistintamente, o que é um absurdo, sob os aspectos ecológicos e conômico. O
mesmo que zoneamento ecológico. (p. 394)

Zoneamento urbano (urban zoning): divisão das zonas urbana e de expansão


urbana, delimitadas por lei, em zonas ou espaços especializados de uso e ocupação
do solo, de forma predominante. (p. 395)