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A Crase:

Crase é a junção da preposição “a” com o artigo definido “a(s)”, ou ainda da preposição
“a” com as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s), aquilo ou com o
pronome relativo a qual (as quais). Graficamente, a fusão das vogais “a” é representada
por um acento grave, assinalado no sentido contrário ao acento agudo: à.

Como saber se devo empregar a crase? Uma dica é substituir a crase por “ao”, caso
essa preposição seja aceita sem prejuízo de sentido, então com certeza há crase.

Veja alguns exemplos: Fui à farmácia, substituindo o “à” por “ao” ficaria Fui ao
supermercado. Logo, o uso da crase está correto.

Outro exemplo: Assisti à peça que está em cartaz, substituindo o “à” por “ao” ficaria
Assisti ao jogo de vôlei da seleção brasileira.

É importante lembrar dos casos em que a crase é empregada, obrigatoriamente: nas


expressões que indicam horas ou nas locuções à medida que, às vezes, à noite, dentre
outras, e ainda na expressão “à moda”.Veja:

Exemplos: Sairei às duas horas da tarde.


À medida que o tempo passa, fico mais feliz por você estar no Brasil.
Quero uma pizza à moda italiana.

Importante: A crase não ocorre: antes de palavras masculinas; antes de verbos, de


pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra
casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo
e de expressões com palavras repetidas (dia a dia).

A crase e os pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo.

Você já teve dúvidas em colocar ou não a crase em pronomes demonstrativos? O


problema é que esta crase não é do pronome, mas sim a representação da junção da
preposição que o antecede e o “a” inicial do mesmo!

Assim, existirá o acento grave quando o que foi dito anteriormente exigir a preposição
“a”. Veja:

Refiro-me a alguém.
Refiro-me a aquela mulher.
Refiro-me àquela mulher.

Agora veja: “Refiro-me àquela mulher que entrou agora” ou “Refiro-me à que entrou
agora.”

Ficará ainda mais claro se você substituir o pronome por outro que não comece com
“a”:

Não me refiro àquilo que aconteceu ontem. Refiro-me a isso que aconteceu agora.

Não se assuste em colocar a crase antes de “aquele”, por se tratar de um termo


masculino, pois o que é levado em consideração é o “a” do início.

Este caderno é igual àquele que vimos ontem.

Agora veja com mais exatidão: Você receberá o seu bônus quando este suceder àquele
dos minutos gratuitos.

Você receberá o seu bônus quando ele suceder a este plano de minutos gratuitos.

A crase também pode ocorrer com os pronomes relativos a qual, as quais:

As celebrações às quais assisti eram muito mais breves.

Ainda pode ocorrer com “à que”, a fim de se evitar repetições desnecessárias:

Comprou uma capa igual à (capa) que tinha estragado na última chuva.

O USO DA CRASE
A crase é simplesmente
De dois as a união
Um a que é um artigo
Mais um a preposição:
Rozenval nao foi à missa,
Mas vai à reunão.

Não se usa crase antes


De palavra masculina:
"Rogéio veio a cavalo",
"Chegou à pé Janaína"
Há crase, via de regra,
Com palavra feminina.

Contudo nossa gramática


Está cheia de exceção
E sempre dá um jeitinho
De ninguém ficar na mão:
Há crase com masculino?
Vire a página, bom irmão.!

Com palavra masculina


A crase se pode usar
Toda vez que ela, a crase,
À moda de detonar:
"O cabelo à Ronaldinho
Nenem gosta de cortar".

Possessivo feminino
"Sua, nossa, tua,minha..."
Faculta o uso da crase:
"Vou já à minha casinha",
"Obedeça a sua mãe",
"Irei à tua festinha".

Também pode existir crase


Com aquilo, aquele, aquela:
"Renata se referiu
Àquilo que disse Estela",
"Zefa gosta de assistir
Somente àquela novela".

Há muita gente que pensa


Que basta a preposição
Para o a ser craseado,
Mas não é bem assim não:
Preposição mais artigo -
Crase só nessa união.

Nos exemplos a seguir,


Temos preposição a:
"Eu me refiro à Mateus",
"Estou a trabalhar" -
Como artigo aqui nao cabe,
Portanto, crase não há!

A crase antes do verbo


Não há como colocar:
Verbo nao aceita artigo
"É por isso que nao dá" -
"Com dinheiro a receber,
Tenho contas a pagar".

(Aqui eu faço parênteses


Para uma observação:
quando o verbo aceita artigo
Já não é verbo mais não,
Passa a ser substantivo -
"O viver é ilusão").

Isso porque a palavra


Que do artigo vem à frente
Se torna substantivo
(Isso automaticamente):
"O três é número de sorte",
"O belo é sempre atraente".

O a artigo da crase
Estando no singular
Com a palavra no plural
Não há como concordar:
"Eu vou a lojas no centro"
Não há como crasear.

Autor: Zé de Fátima
Co-autores:
Aracélia
Leandra
Cláudia
Vaniziana
Lilian

(Obs.: Esse foi um trabalho apresentado por professores de EJA do Curso de Formação
Continuada em Língua Portuguesa, no município de Itarema, no encerramento do
mesmo).

Texto complementar:

A CRASE FORA DA LEI

A crase não foi feita para humilhar ninguém. Esse aforismo*, criado há cinqüenta anos
pelo poeta Ferreira Gullar num momento de humor, agora está sendo usado como arma
para acabar com o acento grave (`) no a. Por meio do projeto de lei 5.154, de 2005, o
deputado João Hermann Neto quer acabar com a crase. Para justificar seu projeto, o
deputado cita a frase de Ferreira Gullar. Este discorda daquele e é incisivo:
- Minha frase foi uma brincadeira. Não tenho nada contra o acento indicador da crase.
Acho que acabar com ele não tem cabimento. Ainda mais dessa forma. A tendência de
tudo simplificar indica menosprezo pela inteligência alheia. Agora, quanto a dizer que
erram muito na identificação da crase, é verdade. Mas erram em tudo, não só na crase. É
só ler os jornais.
O professor Francisco Platão Savioli é mais agressivo na oposição:
- Nossa preocupação (de brasileiros) é que está rolando um tsunami político, e o cidadão
se preocupa com a folha que ameaça entupir a calha. Coisa irrelevante. Não tem
cabimento legislar sobre um assunto como esse. E fora de hora. A propósito, um
exemplo: A noite chegou. Outro: Lenise cheira a rosa. Como saber o sentido de frases
como essas, sem o acento? [ ... ]
Difícil discordar da argumentação de quem estudou o assunto tão bem e por tanto
tempo. No entanto, quando o Congresso tiver feito um bom expurgo no pedaço e estiver
menos atarefado, talvez possa discutir o projeto e iluminar definitivamente o tema. É o
que todos esperamos ansiosos.

(Josué Machado. REVISTA LÍNGUA .v.1, n.2, outubro/novembro 2005, p. 30.


Editora Segmento)
_____________
* aforismo – sentença moral breve e conceituosa.

Refletindo sobre o texto:

1- Como você explicaria a necessidade da crase nos exemplos propostos pelo


Professor Platão Savioli.
2- O uso da crase evita ambigüidades. Crie exemplos onde a crase se trona
necessária para que evite dupla interpretação.
3- Você concorda como Deputado João Hermann neto? Por quê?
4- Você percebe o uso da crase na fala? Justifique sua opinião.

A Concordância Nominal:

Concordância nominal nada mais é que o ajuste que fazemos aos demais termos da
oração para que concordem em gênero e número com o substantivo.

Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome.

Além disso, temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira, merecendo um
estudo separado de concordância verbal.

REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome, concordam em gênero


e número com o substantivo.

- A pequena criança é uma gracinha.


- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.

CASOS ESPECIAIS: Veremos alguns casos que fogem à regra geral, mostrada acima.

a) Um adjetivo após vários substantivos

1 – Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural ou concorda com o


substantivo mais próximo.

- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.


- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
2 – Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural masculino ou concorda com o
substantivo mais próximo.

- Ela tem pai e mãe louros.


- Ela tem pai e mãe loura.

3 – Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente para o plural.

- O homem e o menino estavam perdidos.


- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.

b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos

1 – Adjetivo anteposto normalmente: concorda com o mais próximo.

Comi delicioso almoço e sobremesa.


Provei deliciosa fruta e suco.

2 – Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda com o mais próximo


ou vai para o plural.

Estavam feridos o pai e os filhos.


Estava ferido o pai e os filhos.

c) Um substantivo e mais de um adjetivo

1- antecede todos os adjetivos com um artigo.

Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.

2- coloca o substantivo no plural.

Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.

d) Pronomes de tratamento

1 – sempre concordam com a 3ª pessoa.

Vossa santidade esteve no Brasil.

e) Anexo, incluso, próprio, obrigado

1 – Concordam com o substantivo a que se referem.

As cartas estão anexas.


A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz.

f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)


1 – Após essas expressões o substantivo fica sempre no singular e o adjetivo no
plural.

Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.

g) É bom, é necessário, é proibido

1- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido de artigo ou outro
determinante.

Canja é bom. / A canja é boa.


É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada é proibida.

h) Muito, pouco, caro

1- Como adjetivos: seguem a regra geral.

Comi muitas frutas durante a viagem.


Pouco arroz é suficiente para mim.
Os sapatos estavam caros.

2- Como advérbios: são invariáveis.

Comi muito durante a viagem.


Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
Comprei caro os sapatos.

i) Mesmo, bastante

1- Como advérbios: invariáveis

Preciso mesmo da sua ajuda.


Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.

2- Como pronomes: seguem a regra geral.

Seus argumentos foram bastantes para me convencer.


Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.

j) Menos, alerta

1- Em todas as ocasiões são invariáveis.

Preciso de menos comida para perder peso.


Estamos alerta para com suas chamadas.

k) Tal Qual
1- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o conseqüente.

As garotas são vaidosas tais qual a tia.


Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.

l) Possível

1- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor” ou “pior”, acompanha o


artigo que precede as expressões.

A mais possível das alternativas é a que você expôs.


Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da cidade.

m) Meio

1- Como advérbio: invariável.

Estou meio insegura.

2- Como numeral: segue a regra geral.

Comi meia laranja pela manhã.

n) Só

1- apenas, somente (advérbio): invariável.

Só consegui comprar uma passagem.

2- sozinho (adjetivo): variável.

Estiveram sós durante horas.

EXERCÍCIOS

1) Assinale a alternativa em que ocorreu erro de concordância nominal.


a) livro e revista velhos
b) aliança e anel bonito
c) rio e floresta antiga
d) homem, mulher e criança distraídas

2) Assinale a frase que contraria a norma culta quanto à concordância nominal.


a) Falou bastantes verdades.
b) Já estou quites com o colégio.
c) Nós continuávamos alerta.
d) Haverá menos dificuldades na prova.
3) Há erro de concordância nominal na frase:
a) Nenhuns motivos me fariam ir.
b) Estavam bastante fracos.
c) - Muito obrigada, disse a mulher.
d) Foi um crime de lesa-cristianismo.

4) Está correta quanto à concordância nominal a frase:


a) Levou camisa, calça e bermuda velhos.
b) As crianças mesmo consertariam tudo.
c) Trabalhava esperançoso o rapaz e a moça.
d) Preocupadas, a mãe, a filha e o filho resolveram sair.

5) Cometeu-se erro no emprego de ANEXO em:


a) Anexas seguirão as fotocópias.
b) Em anexo estou mandando dois documentos.
c) Estão anexos a certidão e o requerimento.
d) Anexo seguiu uma foto.

6) Há erro de concordância nominal na seguinte frase:


a) Vós próprios podereis conferir.
b) Desenvolvia atividades o mais interessantes possíveis.
c) Anexo ao requerimento a documentação solicitada.
d) Ele já estava quite e tinha bastantes possibilidades de vitória.

7) Assinale o erro de concordância nominal.


a) Maçã é ótimo para isso.
b) É necessário atenção.
c) Não será permitida interferência de ninguém.
d) Música é sempre bom.

8) Assinale a frase imperfeita quanto à concordância nominal.


a) O artista andava por longes terras.
b) Realizava uma tarefa monstro.
c) Os garotos eram tal qual o avô.
d) Aquela é a todo-poderosa.

9) Em qual alternativa apenas a segunda palavra dos parênteses pode ser usada
na lacuna?
a) Estudei música e literatura............................ ( francesa / francesas )
b) Histórias quanto.............................. tristes. ( possível / possíveis )
c) Nem um nem outro......................... fugiu. ( animal / animais )
d) Só respondia com .......................palavras. ( meio / meias )

10) Marque o erro de concordância.


a) Os alunos ficaram sós na sala.
b) Já era meio-dia e meio.
c) Os alunos ficaram só na sala.
d) Márcia está meio vermelha.
11) Assinale a opção em que o nome da cor apresenta erro de concordância.
a) Tem duas blusas verde-musgos.
b) Usava sapatos creme.
c) Comprou faixas verde-azuladas.
d) Trouxe gravatas azul-celeste.

12) Aponte o erro de concordância.


a) Vi homem e mulher animados.
b) Era uma pseuda-esfera.
c) Encontramos rio e lagoa suja.
d) Regina ficou a sós.

13) Marque a frase com palavra mal flexionada.


a) Comprou camisas vermelho-sangue.
b) Assuntos nenhum lhe agravavam.
c) Não há quaisquer perspectivas.
d) Elas não se abrem por si sós.

14) (PROF.-MT) A frase em que a concordância nominal contraria a norma


culta é:
a) O poeta considera ingrata a terra e o filho.
b) O poeta considera ingrato o filho e a terra.
c) O poeta considera ingratos a terra e o filho.
d) O poeta fala de um filho e uma terra ingratas.
e) O poeta fala de uma terra e um filho ingratos.

15) (T.A.CÍVEL-RJ) "tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria


mesmo era escrever em português."
Das frases abaixo, a que contraria a norma culta quanto à concordância
nominal é:
a) Tornou-se clara para o leitor minha posição sobre o assunto.
b) Deixei claros para o leitor meus pontos de vista sobre o assunto.
c) Ficou clara para o leitor minha posição e meus argumentos sobre o
assunto.
d) Ficaram claras para o leitor minha posição e argumentação sobre o
assunto.
e) Quero tornar claros para o leitor serem estes meus argumentos sobre o
assunto.

16) (TFC) Assinale a opção em que não há erro.


a) Seguem anexo os formulários pedidos.
b) Não vou comprar esta camisa. Ela está muito caro.
c) Estas questões são bastantes difíceis.
d) Eu lhes peço que as deixem sós.
e) Estando pronto os preparativos para o início da corrida, foi dada a
largada.

Texto complementar:
Coisinha do Pai
Composição: Jorge Aragão, Almir Guineto

Ô Coisinha Tão Bonitinha Do Pai,(4x)

Você Vale Ouro todo O Meu Tesouro


Tão Charmosa Da Cabeça Aos Pés
Vou Lhe Amando Lhe Adorando
Digo Mais Uma Vez
Agradeço A Deus Por Que Lhe Fez

Ô Coisinha tão bonitinha do pai, (4x)

Charmosa você é tão dengosa


Que só me deixa prosa
Meu tesouro você vale ouro
Agradeço a Deus por que lhe fez...

Ô coisinha tão bonitinha do pai,(4x)

A música de Jorge Aragão apresenta vários exemplos de concordância nominal, o que


traz coerência para o texto. Reparem que a palavra coisa usada no diminutivo possui um
sentido especial para o entendimento da música. Sabemos que a esta palavra é muito
usada na nossa língua e possui uma produtividade enorme, de acordo com as noções que
temos de concordância nominal, sabemos que podemos usar, precedendo a palavra
coisa, tanto o artigo feminino (a, uma) quanto o masculino ( o , um) . A escolha depende
do contexto e da semântica atribuía à palavra.

Leia o texto de apoio abaixo:

Com mil e uma utilidades


O substantivo "coisa" assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações
cotidianas

Francicarlos Diniz

A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de
termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma
idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio.
Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há
"coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?".

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas"


nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir
pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do
Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda,
o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte.
Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em
Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a
Coisinha.

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade


escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King.
Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as
Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é
chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz:
"Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Devido lugar

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de
fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa
louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas
coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de
Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é
a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de
Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos
quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no
programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha
de Jesus".

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira
"coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB.

No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas


vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu
vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de
amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som
Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor,
verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda /
Coisa que eu adoro".

Cheio das coisas

As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me
coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos
de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração
da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma
questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de
carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de
CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa... Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa
coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também:
"Alguma coisa está fora da ordem."

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada
vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e
tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas,
por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está
sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está
na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando
se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma.
Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à toa

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa
crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu
nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira
"cousa".

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós
amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as
melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde,
alegria e outras cossitas más.

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida",
cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma
coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a
Deus sobre todas as coisas". Entendeu o espírito da coisa?

Se não entendeu, desculpe qualquer coisa

A partir da leitura do texto acima, crie um texto com uma semântica própria para a
palavra coisa, não se esqueça de fazer a concordância nominal correta.
Concordância verbal:

Regra geral:

Estudar a concordância verbal é, basicamente, estudar o sujeito, pois é com este que o
verbo concorda. Se o sujeito estiver no singular, o verbo também o estará; se o sujeito
estiver no plural, o mesmo acontece com o verbo. Então, para saber se o verbo deve
ficar no singular ou no plural, deve-se procurar o sujeito, perguntando ao verbo Que(m)
é que pratica ou sofre a ação? ou Que(m) é que possui a qualidade? A resposta indicará
como o verbo deverá ficar.

Por exemplo, a frase As instalações da empresa são precárias tem como sujeito “as
instalações da empresa”, cujo núcleo é a palavra instalações, pois elas é que são
precárias, e não a empresa; por isso o verbo fica no plural.
Até aí tudo bem. O problema surge, quando o sujeito é uma expressão complexa, ou
uma palavra que suscite dúvidas. São os casos especiais, que estudaremos agora:

01) Coletivo: Quando o sujeito for um substantivo coletivo, como, por exemplo, bando,
multidão, matilha, arquipélago, trança, cacho, etc., ou uma palavra no singular que
indique diversos elementos, como, por exemplo, maioria, minoria, pequena parte,
grande parte, metade, porção, etc., poderão ocorrer três circunstâncias:

A) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de qualquer restritivo:


Nesse caso, o verbo ficará no singular, concordando com o coletivo, que é singular.
Ex. A multidão invadiu o campo após o jogo.
O bando sobrevoou a cidade.
A maioria está contra as medidas do governo.

B) O coletivo funciona como sujeito, acompanhado de restritivo no plural: Nesse caso,


o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.
Ex. A multidão de torcedores invadiu / invadiram o campo após o jogo.
O bando de pássaros sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
A maioria dos cidadãos está / estão contra as medidas do governo.

C) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de restritivo, e se encontra


distante do verbo: Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.
Ex. A multidão, após o jogo, invadiu / invadiram o campo.
O bando, ontem à noite, sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
A maioria, hoje em dia, está / estão contra as medidas do governo.

Um milhão, um bilhão, um trilhão:

Com um milhão, um bilhão, um trilhão, o verbo deverá ficar no singular. Caso surja a
conjunção e, o verbo ficará no plural.
Ex. Um milhão de pessoas assistiu ao comício
Um milhão e cem mil pessoas assistiram ao comício.

02) Mais de, menos de, cerca de, perto de: quando o sujeito for iniciado por uma dessas
expressões, o verbo concordará com o numeral que vier imediatamente à frente.
Ex. Mais de uma criança se machucou no brinquedo.
Menos de dez pessoas chegaram na hora marcada.
Cerca de duzentos mil reais foram surripiados.

Quando Mais de um estiver indicando reciprocidade ou com a expressão repetida, o


verbo ficará no plural.

Ex. Mais de uma pessoa agrediram-se.


Mais de um carro se entrechocaram.
Mais de um deputado se xingaram durante a sessão.

03) Nome próprio no plural: quando houver um nome próprio usado apenas no plural,
deve-se analisar o elemento a que ele se refere:

A) Se for nome de obra, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.
Ex. Os Lusíadas imortalizou / imortalizaram Camões.
Os Sertões marca / marcam uma época da Literatura Brasileira.

B) Se for nome de lugar - cidade, estado, país... - o verbo concordará com o artigo; caso
não haja artigo, o verbo ficará no singular.
Ex. Os Estados Unidos comandam o mundo.
Campinas fica em São Paulo.
Os Andes cortam a América do Sul.

04) Qual de nós / Quais de nós: quando o sujeito contiver as expressões ...de nós, ...de
vós ou ...de vocês, deve-se analisar o elemento que surgir antes dessas expressões:

A) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no singular (qual, quem, cada
um, alguém, algum...), o verbo deverá ficar no singular.
Ex. Quem de nós irá conseguir o intento?
Quem de vós trará o que pedi?
Cada um de vocês deve ser responsável por seu material.

B) Se o elemento que surgir antes das expressões estiver no plural (quais, alguns,
muitos...), o verbo tanto poderá ficar na terceira pessoa do plural, quanto concordar com
o pronome nós ou vós.
Ex. Quantos de nós irão / iremos conseguir o intento?
Quais de vós trarão / trareis o que pedi?
Muitos de vocês não se responsabilizam por seu material.

Pronomes Relativos:

Quando o pronome relativo exercer a função de sujeito, deveremos analisar o seguinte:

A) Pronome Relativo que: o verbo concordará com o elemento antecedente.


Ex. Fui eu que quebrei a vidraça. (Eu quebrei a vidraça)
Fomos nós que telefonamos a você. (Nós telefonamos a você)
Estes são os garotos que foram expulsos da escola. (Os garotos foram expulsos)

B) Pronome Relativo quem: Quando o sujeito é o pronome relativo "quem", utiliza-se o


verbo na terceira pessoa do singular, ou este concorda com o seu antecedente, ou seja, é
flexionado de acordo com o sujeito.
Ex: Fui eu quem trouxe os presentes.
Fomos nós quem respondemos às questões.

Textos complementares:

Meteoro
Luan Santana
Composição: Sorocaba

Te dei o sol, te dei o mar


Pra ganhar seu coração.
Você é raio de saudade,
Meteoro da paixão,
Explosão de sentimentos
Que eu não pude acreditar.
Ah! Como é bom poder te amar!

Depois que eu te conheci fui mais feliz.


Você é exatamente o que eu sempre quis.
Ela se encaixa perfeitamente em mim.
O nosso quebra-cabeça teve fim.

Se for sonho não me acorde;


Eu preciso flutuar,
Pois só quem sonha
Consegue alcançar.

Te dei o sol... (repete)

Tão veloz quanto a luz


Pelo universo eu viajei.
Vem! Me guia, me conduz,
Que pra sempre te amarei.

Te dei o sol ... ( repete)

Observe o uso dos verbos na música interpretada por Luan Santana, repare que mesmo
sem expressar o sujeito em algumas passagens conseguimos identificá-lo, isto acontece
porque a desinência dos verbos nos remete à pessoa do verbo que é representada por um
pronome pessoal.

Exercício:
Reescreva a música passando o sujeito para a 3ª pessoa do singular e faça a
concordância verbal correta.

1. Assinale a opção em que há ERRO de conjugação verbal em


relação à norma culta da língua:

a) Se ele vir o nosso trabalho, ficará muito doente.


b) Não desanimes; continua batalhando.
c) Meu pai interveio na discussão.
d) Se ele reouvesse o que havia perdido.
e) Quando eu requiser a segunda via do documento...

2. (FUVEST) Complete as frases abaixo com as formas corretas


dos verbos indicados entre parênteses.

a) Quando eu _________________ os livros, nunca mais os


emprestarei. (reaver)
b) Os alienados sempre ______________ neutros. (manter-
se)
c) As provas que _____________ mais erros seriam
comentadas. (conter)
d) Quando ele _________________ uma canção de paz,
poderá descansar. (compor)

3. (FGV) Nas questões abaixo, ocorrem espaços vazios. Para


preenchê-los, escolha um dos seguintes verbos: fazer, transpor,
deter, ir. Utilize a forma verbal mais adequada.

1) Se _______________ dias frios no inverno, talvez as coisas


fossem diferentes.
2) Quando o cavalo ________________ todos os obstáculos, a
corrida terminará.
3) Se o cavalo _______________ mais facilmente os
obstáculos, alcançaria com mais folga a linha de chegada.
4) Se a equipe econômica não se __________________ nos
aspectos regionais e considerar os aspectos globais, a
possibilidade de solução será maior.
5) Caso ela ______________ ao jogo amanhã, deverá pagar
antecipadamente o ingresso.

4. (ENG. MACK) As formas que completariam o período “Pagando


parte de suas dívidas anteriores, o comerciante
________________ novamente seu armazém, sem que se
__________ com seus credores, para os quais voltou a merecer
confiança”, seriam:

a) proveu – indispusesse
b) proviu – indispuzesse
c) proveio – indispuzesse
d) proveio – indispusesse
e) n.d.a.

Regência:

Regência Verbal
Dá-se quando o termo regente é um verbo e este se liga a seu complemento por uma
preposição ou não. Aqui é fundamental o conhecimento da transitividade verbal.

A preposição, quando exigida, nem sempre aparece depois do verbo. Às vezes, ela pode
ser empregada antes do verbo, bastando para isso inverter a ordem dos elementos da
frase (Na rua dos Bobos, residia um grande poeta). Outras vezes, ela deve ser
empregada antes do verbo, o que acontece nas orações iniciadas pelos pronomes
relativos (O ideal a que aspira é nobre).

Alguns verbos e seu comportamento:

ACONSELHAR (TD e I)

Ex.: Aconselho-o a tomar o ônibus cedo / Aconselho-lhe tomar o ônibus cedo

AGRADAR

No sentido de acariciar ou contentar (pede objeto direto - não tem preposição).

Ex.: Agrado minhas filhas o dia inteiro / Para agradar o pai, ficou em casa naquele dia.

No sentido de ser agradável, satisfazer (pede objeto indireto - tem preposição "a").

Ex.: As medidas econômicas do Presidente nunca agradam ao povo.

AGRADECER

TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.

Ex.: Agradecer-lhe-ei os presentes / Agradeceu o presente ao seu namorado

AGUARDAR (TD ou TI)

Ex.: Eles aguardavam o espetáculo / Eles aguardavam pelo espetáculo.

ASPIRAR

No sentido sorver, absorver (pede objeto direto - não tem preposição)

Ex.: Aspiro o ar fresco de Rio de Contas.

No sentido de almejar, objetivar (pede objeto indireto - tem preposição "a")

Ex.: Ele aspira à carreira de jogador de futebol

Observação

não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a ele, a ela, a eles, a
elas. Também observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando for TI seguido de
substantivo feminino (que exija o artigo)
ASSISTIR

No sentido de ver ou ter direito (TI - prep. A).

Ex.: Assistimos a um bom filme / Assiste ao trabalhador o descanso semretal


remunerado.

No sentido de prestar auxílio, ajudar (TD ou TI - com a prep. A)

Ex.: Minha família sempre assistiu o Lar dos Velhinhos. / Minha família sempre assistiu
ao Lar dos Velhinhos.

No sentido de morar é intransitivo, mas exige preposição EM.

Ex.: Aspirando a um cargo público, ele vai assistir em Brasília..

Observação

não admite a utilização do complemento lhe, quando significa ver. No lugar, coloca-se a
ele, a ela, a eles, a elas. Também observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando
for TI seguido de substantivo feminino (que exija o artigo)

ATENDER

Atender pode ser TD ou TI, com a prep. a.

Ex.: Atenderam o meu pedido prontamente. / Atenderam ao meu pedido prontamente.

No sentido de deferir ou receber (em algum lugar) pede objeto direto

No sentido de tomar em consideração, prestar atenção pede objeto indireto com a


preposição a

Observação

se o complemento for um pronomes pessoal referente a pessoa, só se emprega a forma


objetiva direta (O diretor atendeu os interessados ou aos interessados / O diretor
atendeu-os)

CERTIFICAR (TD e I)

Admite duas construções: Quem certifica, certifica algo a alguém ou Quem certifica,
certifica alguém de algo.

Observação

observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando o OI for um substantivo feminino


(que exija o artigo)
Certifico-o de sua posse / Certifico-lhe que seria empossado / Certificamo-nos de seu
êxito no concurso / Certificou o escrivão do desaparecimento dos autos

CHAMAR

TD, quando significar convocar.

Ex.: Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.

TI, com a prep. POR, quando significar invocar.

Ex.: Chamei por você insistentemente, mas não me ouviu.

TD e I, com a prep. A, quando significar repreender.

Ex.: Chamei o menino à atenção, pois estava conversando durante a aula / Chamei-o à
atenção.

Observação

A expressão "chamar a atenção de alguém" não significa repreender, e sim fazer se


notado (O cartaz chamava a atenção de todos que por ali passavam)

Pode ser TD ou TI, com a prep. A, quando significar dar qualidade. A qualidade
(predicativo do objeto) pode vir precedida da prep. DE, ou não.

Ex.: Chamaram-no irresponsável / Chamaram-no de irresponsável / Chamaram-lhe


irresponsável / Chamaram-lhe de irresponsável.

CHEGAR, IR (Intrans.)

Aparentemente eles têm complemento, pois quem vai, vai a algum lugar e quem chega,
chega de. Porém a indicação de lugar é circunstância (adjunto adverbial de lugar), e não
complementação.

Esses verbos exigem a prep. A, na indicação de destino, e DE, na indicação de


procedência.

Observação

quando houver a necessidade da prep. A, seguida de um substantivo feminino (que exija


o artigo a), ocorrerá crase (Vou à Bahia)

no emprego mais freqüente, usam a preposição A e não EM

Ex.: Cheguei tarde à escola. / Foi ao escritório de mau humor.

se houver idéia de permanência, o verbo ir segue-se da preposição PARA.

Ex.: Se for eleito, ele irá para Brasília.


quando indicam meio de transporte no qual se chega ou se vai, então exigem EM.

Ex.: Cheguei no ônibus da empresa. / A delegação irá no vôo 300.

COGITAR

Pode ser TD ou TI, com a prep. EM, ou com a prep. DE.

Ex.: Começou a cogitar uma viagem pelo litoral / Hei de cogitar no caso / O diretor
cogitou de demitir-se.

COMPARECER (Intrans.)

Ex.: Compareceram na sessão de cinema. / Compareceram à sessão de cinema.

COMUNICAR (TD e I)

Admite duas construções alternando algo e alguém entre OD e OI.

Ex.: Comunico-lhe meu sucesso / Comunico meu sucesso a todos.

CUSTAR

No sentido de ser difícil será TI, com a prep. A. Nesse caso, terá como sujeito aquilo
que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto.

Ex.: Custou-me acreditar em Hipocárpio. / Custa a algumas pessoas permanecer em


silêncio.

No sentido de causar transtorno, dar trabalho será TD e I, com a prep. A.

Ex.: Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a família

No sentido de ter preço será intransitivo

Ex.: Estes sapatos custaram R$50,00.

DESFRUTAR E USUFRUIR (TD)

Ex.: Desfrutei os bens de meu pai / Pagam o preço do progresso aqueles que menos o
desfrutam

ENSINAR - TD e I

Ex.: Ensinei-o a falar português / Ensinei-lhe o idioma inglês

ESQUECER, LEMBRAR

Quando acompanhados de pronomes, são TI e constroem-se com DE.


Ex.: Ela se lembrou do namorado distante. Você se esqueceu da caneta no bolso do
paletó

constroem-se sem preposição (TD), se desacompanhados de pronome

Ex.: Você esqueceu a caneta no bolso do paletó. Ela lembrou o namorado distante

FALTAR, RESTAR E BASTAR

Podem ser intransitivos ou TI, com a prep. A.

Ex.: Muitos alunos faltaram hoje / Três homens faltaram ao trabalho hoje / Resta aos
vestibulandos estudar bastante.

IMPLICAR

TD e I com a prep. EM, quando significar envolver alguém.

Ex.: Implicaram o advogado em negócios ilícitos.

TD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como conseqüência,
acarretar.

Ex.: Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade / Suas palavras implicam
denúncia contra o deputado.

TI com a prep. COM, quando significar antipatizar.

Ex.: Não sei por que o professor implica comigo.

Observação

Emprega-se preferentemente sem a preposição EM (Magistério implica sacrifícios)

INFORMAR (TD e I)

Admite duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa,
informa alguém de algo.

Ex.: Informei-o de que suas férias terminou / Informei-lhe que suas férias terminou

MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE (Intrans.)

Seguidos da preposição EM e não com a preposição A, como muitas vezes acontece.

Ex.: Moro em Londrina / Resido no Jardim Petrópolis / Minha casa situa-se na rua
Cassiano.

NAMORAR (TD)
Ex.: Ela namorava o filho do delegado / O mendigo namorava a torta que estava sobre a
mesa.

OBEDECER, DESOBEDECER (TI)

Ex.: Devemos obedecer às normas. / Por que não obedeces aos teus pais?

Observação

verbos TI que admitem formação de voz passiva

PAGAR, PERDOAR

São TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a
pessoa.

Ex.: Paguei a conta ao Banco / Perdôo os erros ao amigo

Observação

as construções de voz passiva com esses verbos são comuns na fala, mas agramaticais

PEDIR (TD e I)

Quem pede, pede algo a alguém. Portanto é errado dizer Pedir para que alguém faça
algo.

Ex.: Pediram-lhe perdão / Pediu perdão a Deus.

PRECISAR

No sentido de tornar preciso (pede objeto direto).

Ex.: O mecânico precisou o motor do carro.

No sentido de ter necessidade (pede a preposição de).

Ex.: Preciso de bom digitador.

PREFERIR (TD e I)

Não se deve usar mais, muito mais, antes, mil vezes, nem que ou do que.

Ex.: Preferia um bom vinho a uma cerveja.

PROCEDER

TI, com a prep. A, quando significar dar início ou realizar.

Ex.: Os fiscais procederam à prova com atraso. / Procedemos à feitura das provas.
TI, com a prep. DE, quando significar derivar-se, originar-se ou provir.

Ex.: O mau-humor de Pedro procede da educação que recebeu. / Esta madeira procede
do Paraná.

Intransitivo, quando significar conduzir-se ou ter fundamento.

Ex.: Suas palavras não procedem! / Aquele funcionário procedeu honestamente.

QUERER

No sentido de desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar (TD)

Ex.: Quero meu livro de volta / Sempre quis seu bem

No sentido de querer bem, estimar (TI - prep. A).

Ex.: Maria quer demais a seu namorado. / Queria-lhe mais do que à própria vida.

RENUNCIAR

Pode ser TD ou TI, com a prep. A.

Ex.: Ele renunciou o encargo / Ele renunciou ao encargo

RESPONDER

TI, com a prep. A, quando possuir apenas um complemento.

Ex.: Respondi ao bilhete imediatamente / Respondeu ao professor com desdém.

Observação

nesse caso, não aceita construção de voz passiva.

TD com OD para expressar a resposta (respondeu o quê?)

Ex.: Ele apenas respondeu isso e saiu.

REVIDAR (TI)

Ex.: Ele revidou ao ataque instintivamente.

SIMPATIZAR E ANTIPATIZAR (TI)

Com a prep. COM. Não são pronominais, portanto não existe simpatizar-se, nem
antipatizar-se.

Ex.: Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo com o irmão dela.
SOBRESSAIR (TI)

Com a prep. EM. Não é pronominal, portanto não existe sobressair-se.

Ex.: Quando estava no colegial, sobressaía em todas as matérias.

VISAR

No sentido de ter em vista, objetivar (TI - prep. A)

Ex.: Não visamos a qualquer lucro. / A educação visa ao progresso do povo.

No sentido de apontar arma ou dar visto (TD)

Ex.: Ele visava a cabeça da cobra com cuidado / Ele visava os contratos um a um.

Observação

se TI não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a ele (a/s)

Sinopse

São estes os principais verbos que, quando TI, não aceitam LHE/LHES como
complemento, estando em seu lugar a ele (a/s) - aspirar, visar, assistir (ver), aludir,
referir-se, anuir.

Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar, noticiar, notificar,


prevenir são TD e I, admitindo duas construções: Quem informa, informa algo a alguém
ou Quem informa, informa alguém de algo.

Os verbos transitivos indiretos na 3ª pessoa do singular, acompanhados do pronome se,


não admitem plural. É que, neste caso, o se indica sujeito indeterminado, obrigando o
verbo a ficar na terceira pessoa do singular. (Precisa-se de novas esperanças / Aqui,
obedece-se às leis de ecologia)

Verbos que podem ser usados como TD ou TI, sem alteração de sentido: abdicar (de),
acreditar (em), almejar (por), ansiar (por), anteceder (a), atender (a), atentar (em, para),
cogitar (de, em), consentir (em), deparar (com), desdenhar (de), gozar (de), necessitar
(de), preceder (a), precisar (de), presidir (a), renunciar (a), satisfazer (a), versar (sobre)

Regência nominal:

REGÊNCIA NOMINAL
Regência Nominal é o nome da relação existente entre um nome (substantivo,
adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Essa relação é sempre
intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que
derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos
nomes cognatos. Observe o exemplo:

Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos


pela preposição "a". Veja:

Obedecer a algo/ a alguém.


Obediente a algo/ a alguém.

Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que


os regem. Observe-os atentamente e procure, sempre que possível, associar esses nomes
entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos

Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de


Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com,
por

Adjetivos

Acessível a Diferente de Necessário a


Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios

Longe de
Perto de

Exercícios:
Não há erro de regência em:
a- Custa-me muito entender as tuas evasivas.
b- Não os obedecemos, enquanto foram presunçosos.
c- Que horas você telefonou?
d- Informei-lhe do acontecido durante a Assembleia.
e- Essa será a conclusão que o presidente chegará.

(FUVEST) Indique a alternativa correta:


a- Preferia brincar do que trabalhar.
b- Preferia mais brincar a trabalhar.
c- Preferia brincar a trabalhar.
d- Preferia brincar à trabalhar.
e- Preferia mais brincar que trabalhar.

Assinale a oração correta quanto à regência verbal


a- Os tolos admiram e obedecem os velhacos.
b- Agradeci o convite ao anfitrião.
c- Quero assistir esse filme.
d- Marcela namorou com todos os meninos de sua sala.
e- Meu pai custou a chegar ontem à noite.

Indique a alternativa incorreta quanto à regência do verbo “esquecer”:


a- Esqueci a fisionomia dela.
b- Esqueci-me da fisionomia dela.
c- Esqueceu-se da fisionomia dela.
d- Esqueci-me a fisionomia dela.

Pontuação:

Emprego dos Sinais de Pontuação


Há certos recursos da linguagem - pausa, melodia, entonação e até mesmo, silêncio -
que só estão presentes na oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais recursos,
usamos os sinais de pontuação. Estes são também usados para destacar palavras,
expressões ou orações e esclarecer o sentido de frases, a fim de dissipar qualquer tipo de
ambigüidade.

1. Vírgula

Emprega-se a vírgula (uma breve pausa):

a. Para separar os elementos mencionados numa relação:


A nossa empresa está contratando engenheiros, economistas, analistas de
sistemas e secretárias.
O apartamento tem três quartos, sala de visitas, sala de jantar, área de serviço e
dois banheiros.

NOTA
Mesmo que o e venha repetido antes de cada um dos elementos da enumeração, a vírgula
deve ser empregada:
b.
Rodrigo estava nervoso. Andava pelos cantos, e gesticulava, e falava em voz
alta, e ria, e roía as unhas.
c. Para isolar o vocativo:
Cristina, desligue já esse telefone!
Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete.
d. Para isolar o aposto:
Dona Sílvia, aquela mexeriqueira do quarto andar, ficou presa no elevador.
Rafael, o gênio da pintura italiana, nasceu em Urbino.
e. Para isolar palavras e expressões explicativas (a saber, por exemplo, isto é, ou
melhor, aliás, além disso etc.):
Gastamos R$ 5.000,00 na reforma do apartamento, isto é, tudo o que tínhamos
economizado durante anos.
Eles viajaram para a América do Norte, aliás, para o Canadá.
f. Para isolar o adjunto adverbial antecipado:
Lá no sertão, as noites são escuras e perigosas.
Ontem à noite, fomos todos jantar fora.
g. Para isolar elementos repetidos:
O palácio, o palácio está destruído.
Estão todos cansados, cansados de dar dó!
h. Para isolar, nas datas, o nome do lugar:
São Paulo, 22 de maio de 1995.
Roma, 13 de dezembro de 1995.
i. Para isolar os adjuntos adverbiais:
A multidão foi, aos poucos, avançando para o palácio.
Os candidatos serão atendidos, das sete às onze, pelo próprio gerente.
j. Para isolar as orações coordenadas, exceto as introduzidas pela conjunção e:
Ele já enganou várias pessoas, logo não é digno de confiança.
Você pode usar o meu carro, mas tome muito cuidado ao dirigir.
Não compareci ao trabalho ontem, pois estava doente.
k. Para indicar a elipse de um elemento da oração:
Foi um grande escândalo. Às vezes gritava; outras, estrebuchava como um
animal.
Não se sabe ao certo. Paulo diz que ela se suicidou, a irmã, que foi um acidente.
l. Para separar o paralelismo de provérbios:
Ladrão de tostão, ladrão de milhão.
Ouvir cantar o galo, sem saber onde.
m. Após a saudação em correspondência (social e comercial):
Com muito amor,
Respeitosamente,
n. para isolar as orações adjetivas explicativas:
Marina, que é uma criatura maldosa, "puxou o tapete" de Juliana lá no trabalho.
Vidas Secas, que é um romance contemporâneo, foi escrito por Graciliano
Ramos.
o. para isolar orações intercaladas:
Não lhe posso garantir nada, respondi secamente.
O filme, disse ele, é fantástico.

2. Ponto

Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o término de um frase declarativa de um


período simples ou composto.

Desejo-lhe uma feliz viagem.


A casa, quase sempre fechada, parecia abandonada, no entanto tudo no seu interior era
conservado com primor.

O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas, por exemplo: fev. = fevereiro,
hab. = habitante, rod. = rodovia.

O ponto que é empregado para encerrar um texto escrito recebe o nome de ponto final.
3. Ponto-e-vírgula

Utiliza-se o ponto-e-vírgula para assinalar uma pausa maior do que a da vírgula,


praticamente uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula.

Geralmente, emprega-se o ponto-e-vírgula para:

a. separar orações coordenadas que tenham um certo sentido ou aquelas que já


apresentam separação por vírgula:
Criança, foi uma garota sapeca; moça, era inteligente e alegre; agora, mulher
madura, tornou-se uma doidivanas.
b. separar vários itens de uma enumeração:
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o
saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções, e coexistência de instituições públicas
e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais;
........
(Constituição da República Federativa do Brasil)

4. Dois-pontos

Os dois-pontos são empregados para:

a. uma enumeração:
... Rubião recordou a sua entrada no escritório do Camacho, o modo porque
falou: e daí tornou atrás, ao próprio ato.
Estirado no gabinete, evocou a cena: o menino, o carro, os cavalos, o grito, o
salto que deu, levado de um ímpeto irresistível...
(Machado de Assis)
b. uma citação:
Visto que ela nada declarasse, o marido indagou:
- Afinal, o que houve?
c. um esclarecimento:
Joana conseguira enfim realizar seu desejo maior: seduzir Pedro. Não porque o
amasse, mas para magoar Lucila.

Observe que os dois-pontos são também usados na introdução de exemplos, notas ou


observações.
Parônimos são vocábulos diferentes na significação e parecidos na forma. Exemplos:
ratificar/retificar, censo/senso, descriminar/discriminar etc.

Nota: A preposição per, considerada arcaica, somente é usada na frase de per si (= cada
um por sua vez, isoladamente).

Observação: Na linguagem coloquial pode-se aplicar o grau diminutivo a alguns


advérbios: cedinho, longinho, melhorzinho, pouquinho etc.
NOTA
A invocação em correspondência (social ou comercial) pode ser seguida de dois-pontos
ou de vírgula:
Querida amiga:
Prezados senhores,

5. Ponto de interrogação

O ponto de interrogação é empregado para indicar uma pergunta direta, ainda que esta
não exija resposta:

O criado pediu licença para entrar:


- O senhor não precisa de mim?
- Não obrigado. A que horas janta-se?
- Às cinco, se o senhor não der outra ordem.
- Bem.
- O senhor sai a passeio depois do jantar? de carro ou a cavalo?
- Não.
(José de Alencar)

6. Ponto de exclamação

O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer enunciado com


entonação exclamativa, que normalmente exprime admiração, surpresa, assombro,
indignação etc.

- Viva o meu príncipe! Sim, senhor... Eis aqui um comedouro muito compreensível e
muito repousante, Jacinto!
- Então janta, homem!
(Eça de Queiroz)

NOTA
O ponto de exclamação é também usado com interjeições e locuções interjetivas:
Oh!
Valha-me Deus!

7. Reticências

As reticências são empregadas para:

a. assinalar interrupção do pensamento:


- Bem; eu retiro-me, que sou prudente. Levo a consciência de que fiz o meu
dever. Mas o mundo saberá...
(Júlio Dinis)
b. indicar passos que são suprimidos de um texto:
O primeiro e crucial problema de lingüística geral que Saussure focalizou dizia
respeito à natureza da linguagem. Encarava-a como um sistema de signos...
Considerava a lingüística, portanto, com um aspecto de uma ciência mais geral,
a ciência dos signos...
(Mattoso Camara Jr.)
c. marcar aumento de emoção:
As palavras únicas de Teresa, em resposta àquela carta, significativa da turvação
do infeliz, foram estas: "Morrerei, Simão, morrerei. Perdoa tu ao meu destino...
Perdi-te... Bem sabes que sorte eu queria dar-te... e morro, porque não posso,
nem poderei jamais resgatar-te.
(Camilo Castelo Branco)

8. Aspas

As aspas são empregadas:

a. antes e depois de citações textuais:


Roulet afirma que "o gramático deveria descrever a língua em uso em nossa
época, pois é dela que os alunos necessitam para a comunicação quotidiana".
b. para assinalar estrangeirismos, neologismos, gírias e expressões populares ou
vulgares:
O "lobby" para que se mantenha a autorização de importação de pneus usados
no Brasil está cada vez mais descarado.
(Veja)

Na semana passada, o senador republicano Charles Grassley apresentou um


projeto de lei que pretende "deletar" para sempre dos monitores de crianças e
adolescentes as cenas consideradas obscenas.
(Veja)

Popularidade no "xilindró"
Preso há dois anos, o prefeito de Rio Claro tem apoio da população e quer uma
delegada para primeira-dama.
(Veja)

Com a chegada da polícia, os três suspeitos "puxaram o carro" rapidamente.


c. para realçar uma palavra ou expressão:
Ele reagiu impulsivamente e lhe deu um "não" sonoro.
Aquela "vertigem súbita" na vida financeira de Ricardo afastou-lhe os amigos
dissimulados.

9. Travessão

Emprega-se o travessão para:

a. indicar a mudança de interlocutor no diálogo:


- Que gente é aquela, seu Alberto?
- São japoneses.
- Japoneses? E... é gente como nós?
- É. O Japão é um grande país. A única diferença é que eles são amarelos.
- Mas, então não são índios?
(Ferreira de Castro)
b. colocar em relevo certas palavras ou expressões:
Maria José sempre muito generosa - sem ser artificial ou piegas - a perdoou sem
restrições.
Um grupo de turistas estrangeiros - todos muito ruidosos - invadiu o saguão do
hotel no qual estávamos hospedados.
c. substituir a vírgula ou os dois pontos:
Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a
superioridade humana - acima dos preceitos que se combatem, acima das
religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e
como o êxtase.
(Raul Pompéia)
d. ligar palavras ou grupos de palavras que formam um "conjunto" no enunciado:
A ponte Rio-Niterói está sendo reformada.
O triângulo Paris-Milão-Nova York está sendo ameaçado, no mundo da moda,
pela ascensão dos estilistas do Japão.

10. Parênteses

Os parênteses são empregados para:

a. destacar num texto qualquer explicação ou comentário:


Todo signo lingüístico é formado de duas partes associadas e inseparáveis, isto
é, o significante (unidade formada pela sucessão de fonemas) e o significado
(conceito ou idéia).
b. incluir dados informativos sobre bibliografia (autor, ano de publicação, página
etc.):
Mattoso Camara (1977:91) afirma que, às vezes, os preceitos da gramática e os
registros dos dicionários são discutíveis: consideram erro o que já poderia ser
admitido e aceitam o que poderia, de preferência, ser posto de lado.
c. indicar marcações cênicas numa peça de teatro:
Abelardo I - Que fim levou o americano?
João - Decerto caiu no copo de uísque!
Abelardo I - Vou salvá-lo. Até já!
(sai pela direita)
(Oswald de Andrade)
d. isolar orações intercaladas com verbos declarativos, em substituição à vírgula e
aos travessões:
Afirma-se (não se prova) que é muito comum o recebimento de propina para que
os carros apreendidos sejam liberados sem o recolhimento das multas.
e. 11. Asterisco

O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, é um recurso empregado para:

a. remissão a uma nota no pé da página ou no fim de um capítulo de um livro:


Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e muitas
outras que contêm o morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos à
conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns
contextos pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria etc.
* É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a
outras palavras.
b. substituição de um nome próprio que não se deseja mencionar:
O Dr.* afirmou que a causa da infecção hospitalar na Casa de Saúde Municipal
está ligada à falta de produtos adequados para assepsia.

Exercícios:

1. Leia o texto com a finalidade de pontuá-lo corretamente.

“Diz a sabedoria popular chinesa (1) que toda marcha (2) por mais longa
(3) e importante que seja (4) começa (5) com o primeiro passo. Dar (6)
esse primeiro passo (7) às vezes (8) exige (9) grande determinação (10)
esforço monumental e ( 11) muita coragem . Principalmente se o passo
(12) for em direção (13) a um caminho desconhecido (14) com o qual
( 15) não estamos acostumados a lidar por conta dos vícios adquiridos.”
( Revista Veja )

Os números que devem ser substituídos por vírgulas são

a) 2 - 4 - 7 - 8 - 10 - 14
b) 1 - 4 - 5 - 9 - 11 - 14
c) 3 - 5 - 6 - 8 - 10 - 12
d) 1 - 2 - 3 - 4 - 7 - 10 - 12
e) 2 - 3 - 4 - 7 - 9 - 13 – 15

2. Assinale a frase em que a pontuação está incorreta.

a) E ficou de olhos abertos, concentrado esperando, que o dia nascesse e


seus mortos, partissem.
b) Tomado de surpresa, fico imóvel, e somos como um feliz, ainda que
insólito, casal de namorados.
c) O escuro da garagem reteve-as por alguns momentos, até que a
vencedora emergiu, vagarosa, arquejante.
d) É bom que um homem, vez por outra, deixe o litoral misterioso e
grande, querendo contemplar uma lagoa.
e) Pegou o telefone, deu instruções à companhia, acrescentando com
meio desprezo: o que tem mais aqui é livro.

3. IDENTIFIQUE O ITEM EM QUE A PONTUAÇÃO ESTÁ CORRETA

a) Sobre a sociedade, acima das classes, o aparelhamento político - uma


camada social, comunitária embora nem sempre articulada - impera, rege
e governa, em nome próprio, num círculo impermeável de comando. Esta
camada, que não representa a nação, quando forçada pela lei do tempo,
renova-se e substitui velhos por moços, inaptos por aptos, num processo
que cunha e nobilita os recém-vindos, imprimindo-lhes os seus valores.

b) Sobre a sociedade acima das classes, o aparelhamento político - uma


camada social, comunitária embora nem sempre articulada; impera, rege
e governa, em nome próprio, num círculo impermeável de comando. Esta
camada, que não representa a nação, quando forçada pela lei do tempo,
renova-se e substitui velhos por moços, inaptos por aptos, num processo
que cunha, e nobilita os recém-vindos, imprimindo-lhes os seus valores.

c) Sobre a sociedade, acima das classes, o aparelhamento político: uma


camada social, comunitária embora nem sempre articulada - impera, rege
e governa, em nome próprio, num círculo impermeável, de comando.
Esta camada, que não representa a nação, quando forçada pela lei do
tempo, renova-se e, substitui velhos por moços, inaptos por aptos, num
processo que cunha e habilita os recém-vindos, imprimindo-lhes, os seus
valores.

d) Sobre a sociedade acima das classes, o aparelhamento político; uma


camada social, comunitária embora nem sempre articulada; impera, rege
e governa em nome próprio, num círculo impermeável, de comando. Esta
camada, que não representa a nação, quando forçada pela lei do tempo,
renova-se e substitui, velhos, por moços, inaptos por aptos num processo
que cunha e nobilita, os recém-vindos, imprimindo-lhes os seus valores.

e) Sobre a sociedade acima das classes o aparelhamento político. Uma


camada social, comunitária embora nem sempre articulada - impera rege
e governa, em nome próprio, num círculo impermeável de comando. Esta
camada, que não representa, a nação quando forçada pela lei do tempo
renova-se e substitui velhos por moços, inaptos por aptos, num processo
que cunha, e nobilita os recém-vindos, imprimindo-lhes os seus valores. [
Raymundo Faoro - Os Donos do Poder ]