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NO PAIN, NO GAIN!

Prof. Waldemar Guimarães


Parece haver pessoas que fazem questão de criar polêmica onde não existe polêmica. Tenho
a impressão que talvez queiram se parecer inteligentes ou dar relevância ao seu trabalho ao
provocar comparações banais. Vejam, eu pessoalmente não conheço nenhum grande atleta
do nosso anabólico esporte (musculação) que não saiba sobre a correta aplicação do volume
e intensidade do trabalho e ainda assim acredite piamente na boa teoria "no pain, no gain"
(sem dor, sem ganho) , senão estes atletas não seriam do tamanho que são. Por outro lado o
criador da fraca teoria "less pain, more gain" ( menos dor, mais ganho) e os seus discípulos
provavelmente nunca desenvolveram um físico superior à mediocridade e provavelmente,
com toda a sua ciência, só conhecem as operações básicas da matemática.
"Os discípulos do Less Pain, More Gain provavelmente nunca desenvolveram um físico
superior à mediocridade."

A forte teoria do "no pain, no gain", para os bons entendedores, refere-se ao ponto que em
perfeita forma de execução, para um dado princípio de treinamento, não se consegue mais
realizar outra repetição. Isto é quando levamos a nossa musculatura à falha total e para
quem sabe matemática, falha total não significa massacre total. Alguns profissionais
acreditam que os adeptos do "no pain, no gain" estejam idioticamente mergulhados em
massacrar e em consequência disto catabolizar os seus músculos. Se fosse assim, atletas
como Omar Josef, Dorian Yates, Nasser El Sonbaty, Tommi Torvildsen e Ernie Taylor não
seriam do tamanho que são.
A nossa teoria não tem nada a ver com um absurdo volume e intensidade de treino. A dor é
a agradável dor imediata de um treino realizado corretamente e também a dor tardia, que
ocorre provavelmente pela migração do aminoácido hidroxiprolina para as terminações
nervosas.

O atleta ou um bom treinador sabe a diferença entre a dor negativa de um processo


inflamatório por sobrecarga excessiva e/ou pela má técnica na execução dos exercícios e a
dor desejável que é um indicativo do processo de hipertrofia. De fato, se a degradação da
proteína muscular é elevada durante um treinamento de alta intensidade e ressíntese
muscular, também deve ser elevada a fim de promover reparação tecidual e crescimento
muscular. Evidências demonstram que treinamento de alta intensidade eleva a síntese
protéica por 24 horas após o treino. Mas isto não quer dizer também que alguém possa
treinar o mesmo músculo a cada 24 horas. A idéia não é promover uma quebra exagerada
do tecido muscular e sim fazê-lo controladamente, enquanto se dá oportunidade para o
crescimento muscular.

"Evidências demonstram que treinamento de alta intensidade eleva a síntese protéica por 24
horas após o treino."

É por isto que os nossos atletas treinam a alta intensidade hoje e só voltarão a treinar o
mesmo grupo muscular depois de 5 a 8 dias de intervalo. Alguns deles, e eu mesmo,
utilizamos este processo já há mais de 15 anos e ainda não tivemos uma parada cardíaca ou
sequer estamos andando de cadeira de rodas como sugerido no artigo Treine Menos e
Cresça Mais veiculado em um número anterior da Muscle Inform, que ainda relaciona "no
pain, no gain" com quanto mais melhor e proclama a fraca "less pain, more gain" como um
dizer mais inteligente.
Se podem relacionar "no pain, no gain" com catabolismo então me dou o direito de
relacionar a fraca "less pain, more gain" com aulas de tricô e crochê. Irmãos de maromba,
não se importem, eles não sabem do que estão falando.
Existe a tendência de alguns profissionais em lidar com a atividade física de forma muito
melindrosa. São colegas que normalmente só se apegam ao que foi publicado ou ao que
ouviram no Seminário do Professor Sebastião, mas também facilmente mudarão de opinião
até ler o próximo artigo ou realizar o Simpósio do Professor Mestre Pardal sendo que
adotarão a nova filosofia até o Congresso com o Professor Doutor Einstein da Silva.
Lembrem-se ciência é muito importante, mas nem tudo que está publicado nos periódicos
científicos é boa ciência. Keep Pumping!

Fonte: forum.outerspace