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Princípios do Direito Processual Civil

Este documento resume os principais princípios do Direito Processual Civil Brasileiro em 3 frases: 1) Os princípios constitucionais incluem o devido processo legal, o acesso à justiça, o contraditório e a razoável duração do processo. 2) Os princípios infraconstitucionais fundamentam as normas do Código de Processo Civil. 3) Todos os princípios visam garantir a igualdade processual e o correto exercício dos direitos e deveres das partes no processo.

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Princípios do Direito Processual Civil

Este documento resume os principais princípios do Direito Processual Civil Brasileiro em 3 frases: 1) Os princípios constitucionais incluem o devido processo legal, o acesso à justiça, o contraditório e a razoável duração do processo. 2) Os princípios infraconstitucionais fundamentam as normas do Código de Processo Civil. 3) Todos os princípios visam garantir a igualdade processual e o correto exercício dos direitos e deveres das partes no processo.

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CURSO: Direito ÁREA: Direito Processual Civil

Princípios do Direito Processual Civil Brasileiro

Ryan Alves de Sousa


2021100009@aluno.fadat.edu.br
RESUMO

O presente resumo expandido busca compilar os princípios que regem o Direito Processual
Civil, apresentando cada princípio de forma a explanar suas raízes, previsões legais e
concretização na realidade, para assim alcançar a compreensão plena de cada princípio em
que se baseia o Processo Civil. Obras de doutrinadores como Felipe Didier e Theodoro Jr.
foram consultadas, afim de aprofundar os tópicos e trazer os conceitos por eles construidos.
Ademais, a Constituição Federal e o Código de Processo Civil tiverem seus dispositivos em
enfoque durante a pesquisa, sendo feita a correlação dos textos legais e dos princípios que
fundamentam esses texos. Conclusão

Palavras-chave: Princípios. normas fundamentais. processo Civil.

1. INTRODUÇÃO

As raízes do termo princípio são do latim principĭum, que significa “origem”,


“causa próxima”, ou “início”. Princípios fundamentais funcionam como bases em que se
apoiam as ciências. No Processo Civil existem princípios que são diretrizes para a aplicação
do Direito, tais princípios agrupam-se em estatura constitucional e infraconstitucional.

A Constituição Federal é detentora dos valores e normas fundamentais aos


quais o Processo Civil está subordinado, conforme prevê o artigo 1º do Código de Processo
Civil, sendo assim percebe-se que é essencial que para a correta aplicação do Processo é
necessária a observância dos valores constitucionais: “Art. 1º O processo civil será ordenado,
disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na
Constituição da República Federativa do Brasil , observando-se as disposições deste Código.”
(CPC/2015)

Para além destes, serão descritos e aprofundados os princípios chamados


infraconstitucionais e sua importância e relação com os demais princípios, assim como sua
consumação na realidade processual.
2. MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada através de revisão bibliográfica com enfoque no livro


“Curso de Direito Processual Civil - Introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e
Processo do Conhecimento” (DIDIER, 2019), obra que irá abordar de forma aprofundada
os princípios constitucionais e infraconstitucionais.
Além da bibliografia central, foi consultada a obra de Humberto Theodoro Jr.:
“Curso de Direito Processual Civil: Teoria geral do direito processual civil e processo de
conhecimento” a fim de complementar e expandir os temas abordados. Por fim, o livro
Direito processual civil esquematizado (GONÇALVES, 2022) também auxiliou na
construção da estrutura dos tópicos a serem apresentados.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Cabe destacar que o CPC por muitas vezes repete princípios processuais já descritos
pela Constituição, portanto, são princípios gerais do processo civil na constituição os
seguintes:

3.1 Princípios Gerais do Processo Civil na Constituição Federal

3.1.1 Princípio do devido processo legal

O Art. 5º, inciso LIV, da Constituição Federal afirma: “Ninguém será privado da
liberdade se seu bens sem o devido processo legal”. Esse princípio apresenta grande
importância, visto que os demais decorrem dele, essencialmente ele garante que a liberdade e
os bens do indivíduo não sofrerão privações por ações do Estado que se configurem ilegais.

Nesse sentido, THEODORO JR. afirma o caráter de superprincípio do Devido


Processo Legal:,

“Nesse âmbito de comprometimento com o “justo”, com a “correção”,


com a “efetividade” e a “presteza” da prestação jurisdicional, o due
process of law realiza, entre outras, a função de subprincípio,
coordenando e delimitando os demais princípios que informam tanto o
processo como o procedimento. Inspira e torna realizável a
proporcionalidade e razoabilidade que deve prevalecer na vigência e
harmonização de todos os princípios do direito processual de nosso
tempo.” (THEODORO JR. 2009, Pág. 24)
O Devido Processo Legal pode ser compreendido em dois aspectos, formal e
substancial. O primeiro se relaciona com as garantias e regramentos a serem respeitados, por
exemplo, direito ao contraditório, ao juiz natural, a duração razoável do processo. Já o aspecto
substancial considera devido o processo legal como fundamento das máximas de
proporcionalidade e razoabilidade: De acordo com Alexandre Câmara:

O devido processo legal substancial deve ser entendido como uma


garantia do trinômio ‘vida-liberdade-propriedade’. Através da qual se
assegura que a sociedade só seja submetida a leis razoáveis, as quais
devem atender aos anseios da sociedade, demonstrando assim sua
finalidade social. Tal garantia substancial do devido processo legal
pode ser considerada como o próprio princípio da razoabilidade das
leis. (CÂMARA, 2008. Pág. 35)

3.1.2 Princípio do acesso à justiça

Tal princípio, também denominado princípio da inafastabilidade da jurisdição tem por


base o Artigo 5°, inciso XXXV da CF/1988: “a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito”, também descrito no art 3° do CPC, consiste no direito
de ação, ou seja, o direito provocar o judiciário e receber resposta da demanda apresentada.
Portanto, não poderá recusar apreciação de pedidos devidamente formulados. Felipe Didier
(2019), explana como este princípio abrange todos, não apenas pessoas naturais, mas também
jurídicas e certas entidades despersonalizadas (PROCON), assim, o direito de ação é do
sujeito que tem capacidade de ser parte. Sobre isso o autor escreve:

O direito de ação pertence a todos quantos aleguem ter sido lesados


em seus direitos ou que estejam em vias disso. Não apenas as pessoas
naturais, mas também as pessoas jurídicas e algumas entidades
despersonalizadas, como órgãos administrativos (PROCON, p. ex.) ou
as chamadas pessoas formais ( condomínio, massa falida, espólio etc.)
têm o direito de formular pretensão perante o Poder Judiciário. Todo
sujeito de direito tem o direito de ação. Tem o direito de ação todo
aquele que tem capacidade de ser parte” (DIDIER, 2019. Pág. 221).

3.1.3 Princípio do contraditório

O contraditório evoca ao processo o ideal democrático, garantindo que o lado oposto


seja ouvido. Nesta ótica, o processo ao ter este princípio como fundamental, também respeita
os princípios democráticos do Estado de Direito.

O princípio repousa no artigo 5°, inciso LV, da CF/1988: “"aos litigantes, em processo
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". No que se refere ao texto do CPC o Artigo
9° estabelece: “Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que esta seja previamente
ouvida.”, e ainda nesse sentido o Artigo 10° diz: “O juiz não pode decidir, em grau algum de
jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de
ofício”.

De acordo com Didier, existem duas garantias que compõem o princípio do


contraditório, a participação e a possibilidade de influência na decisão. A participação
corresponde à garantia de manifestar-se no processo e ser ouvido, tal garantia se consuma no
momento em que a parte é ouvida. A segunda garantia, a possibilidade de influência na
decisão, assegura que não basta que a parte participe, mas também possa influenciar na
decisão do juíz.

3.1.4 Princípio da razoável duração do processo

Princípio introduzido pela Emenda Constitucional n. 45/2004 que instituiu ao Art. 5° o


inciso LXXVIII: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”, por sua vez o
CPC/2015 em seu Art. 4° consagra o mesmo dispositivo: “As partes têm o direito de obter em
prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa”.

A duração razoável do processo seria o direito ao processo livre de desnecessária


morosidade, a problemática que cerca este princípio é o fato da alta demanda que enfrenta o
judiciário, fazendo com que o andamento dos processos sofram com dilações de prazos.
Contudo, como explica DIDIER (2019):

“Não existe um princípio da celeridade. O processo não tem de ser


rápido/célere: o processo deve demorar o tempo necessário e
adequado à solução do caso submetido ao órgão jurisdicional.
“(DIDIER,2019. Pág. 126)

3.1.5 Princípio da isonomia (igualdade processual)

O princípio da isonomia corresponde à necessidade das partes serem tratadas


igualmente durante o processo. A igualdade processual é descrita no Art. 5°, caput da
CF/1988, que diz que todos são iguais perante a lei. Assim também o Art. 7° do CPC dispõe:
“É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e
faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções
processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.”
A doutrina de Felipe Didier considera quatro aspectos a serem observados:

a) imparcialidade do juiz (equidistância em relação às partes);

b)igualdade no acesso à justiça, sem discriminação (gênero, orientação sexual, raça,


nacionalidade etc.);

c) redução das desigualdades que dificultem o acesso à justiça, como a financeira ( ex.:
concessão do benefício da gratuidade da justiça, arts. 98-102, CPC), a geográfica (ex.
possibilidade de sustentação oral por videoconferência, art. 937, § 4º, CPC), a de
comunicação (ex.:garantir a comunicação por meio da Língua Brasileira de Sinais, nos casos
de partes e testemunhas com deficiência auditiva, art. 162, III, CPC) etc.71;

d) igualdade no acesso às informações necessárias ao exercício do contraditório 72.

3.1.6 Princípio da imparcialidade do juiz (juiz natural)

No que diz respeito ao princípio do juiz natural, assim dispõe o artigo 5°, inciso LII da
CF/1988: “ningúem será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”,
ainda nesse sentido e complementando o princípio dispõe o inciso XXXVII: “não haverá juízo
ou tribunal de exceção.

O juiz natural é o devido juiz, aquele que foi regularmente investido das funções de
juíz e de suas devidas competências, mas além do juiz ser competente e capaz, é necessário
que este seja imparcial.

Além disso a lei veda expressamente a criação de juízos ou tribunais de exceção, com
o intuito específico de julgar um fato anterior à criação do juízo, sendo assim a causa deverá
ser julgada por órgão instituído antes do fato e com juiz competente

3.1.8 Princípio do duplo grau de instrução

Não há previsão expressa em lei que trate do duplo grau de jurisdição em todos os
processos. Esse princípio nasce da forma como a Constituição organizou juízos e Tribunais
para julgar recursos, portanto, este princípio consagra-se quando a parte não se conforma com
a decisão de primeiro grau e recorre a um órgão de superior instância.

3.1.8 Princípio da publicidade dos atos processuais

A publicidade dos atos processuais é direito fundamental garantido pela Constituição


no art. 5°, LX: “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa
da intimidade ou o interesse social o exigirem”; e no art. 93, X: “as decisões administrativas
dos tribunais serão motivadas e em sessão pública...”. Os artigos 8 e 11 do CPC confirmam
esse princípio.

Os atos processuais devem ser públicos, pois essa publicidade age como mecanismo de
controle das decisões judiciais, protegendo as partes de decisões parciais e secretas e fazendo
com que a sociedade conheça essas decisões e fiscalize os juízes.

3.1.9 Princípio da motivação das decisões judiciais

A motivação das decisões judiciais são de fundamental importância, uma decisão


infundada estará sujeita a nulidade. As razões pelas quais a decisão está sendo tomada devem
ser devidamente apresentadas para que a sociedade e os demais tribunais reconheçam como
legítima a motivação do juiz.

O princípio encontra-se previsto na Constituição pelo artigo 93, inciso IX: “todos os
julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do
direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação;”

4. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode-se concluir, que assim como toda ciência possui seus princípios fundamentais
que norteiam seu funcionamento, o Processo Civil adota princípios que baseiam toda a
estrutura de funcionamento de seus demais dispositivos, atuando como um sustentáculo para
melhor aplicação e interpretação do processo.
É possível perceber que certos princípios encontram dificuldades em sua concretização
na realidade, por exemplo, a duração razoável do processo, que por muitas vezes não é
observada, e processos tem sua resolução dentro de uma elevada morosidade. Outro exemplo
são decisões judicias que carecem de motivação e fundamentação, resultando em insatisfação
das partes.
Portanto, para que se obtenha um ideal funcionamento do Processo Civil, faz-se
imperioso a observância de seus princípios na aplicação e andamento do processo.
Negligenciar os princípios do processo civil, é negligenciar a estrutura que fundamenta todo o
processo.

5. REFERÊNCIAS
THEODORO JR. Humberto - Curso de Direito Processual Civil: Teoria geral do direito
processual civil e processo de conhecimento. Ed. 50, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2009
Pág. 24.

CÂMARA, Alexandre Freitas, 18º Ed., Editora Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2008. Pág. 35.
Companhia das Letras, 2019.

GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios - Direito processual civil; coord. Pedro Lenza. –13.
ed. - São Paulo : SaraivaJur, 2022. (Coleção Esquematizado®).

Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Brasília:


Senado Federal. In: Vade Mecum Saraiva. São Paulo: 2014.

BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código de Processo Civil. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 17 março 2015.

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