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Gestão Educacional

1. O documento discute os conceitos e teorias da gestão escolar, explicando como ela se baseia nos princípios da administração empresarial mas possui características próprias devido ao contexto educacional. 2. São listados alguns pressupostos fundamentais da gestão escolar como planejamento, organização, direção e controle com participação coletiva visando a melhoria contínua da qualidade do ensino. 3. A gestão educacional é definida como um processo de gerir o sistema de ensino e coordenar as escolas de

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Weslane Sousa
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Gestão Educacional

1. O documento discute os conceitos e teorias da gestão escolar, explicando como ela se baseia nos princípios da administração empresarial mas possui características próprias devido ao contexto educacional. 2. São listados alguns pressupostos fundamentais da gestão escolar como planejamento, organização, direção e controle com participação coletiva visando a melhoria contínua da qualidade do ensino. 3. A gestão educacional é definida como um processo de gerir o sistema de ensino e coordenar as escolas de

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Nome da Disciplina: Gestão Educacional Carga Horária: 60

horas/aula

Apresentação do professor: Mestrado acadêmico pela FUCAPE Business School;


MBA em Gerência de Projetos PMI pela Universidade de Vila Velha; especialização
em Marketing e Tecnologia da Informação pela Universidade Federal do Espírito
Santo; graduação em Administração pela União de Escolas de Ensino Superior
Capixaba e graduação em Pedagogia pela Escola Superior Aberta do Brasil. Atuo
nos cursos de Administração e Pedagogia nas modalidades presencial e a distância.
Link para o currículo lattes: [Link]

SUMÁRIO

1 A GESTÃO ESCOLAR
2 CONCEPÇÕES DA GESTÃO ESCOLAR
2.1 A GESTÃO DEMOCRÁTICA-PARTICIPATIVA
2.1.1 Gestão democrática-participativa e liderança
3 CONCLUSÃO

1 A GESTÃO ESCOLAR
A administração é uma importante atividade em nossa sociedade pluralista
que se baseia no esforço cooperativo do homem por meio das organizações. A
tarefa básica da administração é fazer as coisas por meio das pessoas, com os
melhores resultados (CHIAVENATO, 2020). Em qualquer tipo de organização
humana, inclusive na escolar, busca-se o alcance de determinados objetivos com
eficiência e eficácia.
Ao longo da história, os homens desenvolveram diferentes formas de
organização, em função de suas necessidades. Assim como, elaboraram diversas
teorias administrativas sobre as práticas desenvolvidas nas empresas, que
acabaram repercutindo na gestão escolar. Dessa forma, o conteúdo da
administração varia conforme a teoria considerada. Veja!

1
Na Administração Científica, o foco eram os métodos e processos de trabalho
de cada operário; Na Teoria Clássica, a administração envolve previsão,
organização, direção, coordenação e controle do trabalho realizado em toda a
organização; para a Teoria das Relações Humanas, a administração deve buscar os
melhores resultados por meio de condições que permitam a integração das pessoas
nos grupos sociais e a satisfação das necessidades individuais (CHIAVENATO,
2020).
Alguns princípios como “racionalização, produtividade, especialização,
controle”, constituem os fundamentos teóricos da prática da administração orientada
para garantir a divisão do trabalho e o seu controle em todos os níveis da
organização da empresa, desde o planejamento do processo de produção até a sua
execução.
Nesse contexto podemos inserir o cenário moderno de realização do trabalho
empresarial no qual há o esforço direcionado à criação de um clima participativo e
em que o gerente é um dos agentes da integração, sendo também responsável pela
produtividade da equipe sob sua orientação. Ao ler essa breve introdução sobre
nosso assunto, você deve estar se perguntando: mas, afinal, qual a relação dessas
teorias com a gestão escolar?
Conforme Oliveira
(2014), a gestão
escolar tem origem
nos princípios ou
teorias gerais da
administração
empresarial,
entretanto alguns
estudos mostram
que as
Figura 1 - Gestão escolar se baseia nos princípios de características
Gestão Empresarial
Disponível em: <[Link] daquela são, às
content/uploads/2019/09/[Link] > vezes, diferentes
das características
desta. Se esta pressupõe que as causas dos problemas devem ser investigadas

2
coletivamente, na administração escolar, é preciso contar com a participação
coletiva e com os recursos disponíveis para, com competência, tomar decisões
corretas.
Enquanto a administração de empresas desenvolve as teorias sobre a
organização do trabalho nas empresas capitalistas, a administração escolar
apresenta proposições teóricas sobre a organização do trabalho na escola e no
sistema escolar. Todavia, a administração escolar não construiu um corpo teórico
próprio e no seu conteúdo podem ser identificadas as diferentes escolas da
administração de empresas, o que significa uma aplicação dessas teorias a uma
atividade específica, neste caso, a educação.
Nos sistemas de ensino, a concepção de administração ou gestão deve ser
muito mais do que uma intenção ou uma proposta, pois materializa-se em práticas
concretas e ações objetivas a fim de cumprir os objetivos definidos na organização
do trabalho escolar. O processo de gestão escolar propõe a melhoria da qualidade
de ensino ofertado, com o objetivo de promover o desenvolvimento de sujeitos
proativos e participativos (OLIVEIRA, 2014).
A construção de uma escola com qualidade social exige que todos os
envolvidos no processo conheçam os conceitos de administração e suas
implicações para o processo de trabalho, em especial a gestão e a organização do
trabalho educativo focadas na aprendizagem. Esse processo de construção objetiva
que as funções e os papéis desses profissionais se adaptem aos objetivos e ao
destino social das ações desencadeadas pelas empresas. Oliveira (2014) lista
alguns pressupostos fundamentais que nos levam a refletir sobre essas ocorrências
e cujas aplicações irão influenciar as atividades da gestão escolar. Veja quais são
eles a seguir:
a) A função administrativa (planejamento, organização, direção e controle) é
comum a todo e qualquer empreendimento social no qual ocorra divisão do
trabalho e especialização de funções;
b) Os fundamentos em que se apoia a administração provêm de outras ciências
e estão sujeitos a mudanças, determinando alterações na concepção da
“função administrativa”;
c) As mudanças na concepção da “função administrativa” acarretam mudanças
nos “papéis” correspondentes;

3
d) Os papéis são definidos institucionalmente, porém o desempenho que lhes
corresponde depende de como são percebidos pelos indivíduos deles
incumbidos;
e) As alterações na definição dos “papéis” requerem um novo tipo de
administrador e, portanto, revisões no tipo de formação estabelecida;
f) A escola constitui um tipo particular de empreendimento social no qual o
trabalho tende a ser cada vez mais especializado. Classifica-se, pois, entre as
chamadas organizações;
g) As características da “função administrativa” são as mesmas em todos os
tipos de empreendimento, inclusive, no escolar;
h) O comportamento dos diretores de escola reflete conceitos tradicionais desse
papel decorrentes, em grande parte, da má conceitualização da “função
administrativa”.
Então, como deve ser a compreensão sobre a gestão escolar e o papel dos
gestores escolares?
A gestão educacional, de acordo com Oliveira (2014, p. 35) corresponde ao:
processo de gerir a dinâmica do sistema de ensino como um todo e de
coordenação das escolas em específico, afinado com as diretrizes e
políticas educacionais públicas, para a implementação das políticas
educacionais e projetos pedagógicos das escolas, compromissado com os
princípios da democracia e com métodos que organizem e criem condições
para um ambiente educacional autônomo (soluções próprias, no âmbito de
suas competências) de participação e compartilhamento (tomada conjunta
de decisões e efetivação de resultados), autocontrole (acompanhamento e
avaliação com retorno de informações) e transparência (demonstração
pública de seus processos e resultados)

E a busca de uma nova compreensão sobre o papel dos gestores escolares


implica reconhecer as limitações que se impõem aos conceitos de administração.
Enfim, os problemas que ocorrem nas escolas, comumente de origem
administrativa, dificultam o atendimento das demandas da contemporaneidade, e por
isso, é urgente repensar as ações educativas, que, se bem planejadas por pessoas
comprometidas e qualificadas, resultarão em melhoria da qualidade da educação. A
gestão educacional se faz não pela negação dos pressupostos da administração,
mas, antes, pela análise das possibilidades de encontrar neles princípios que
orientem a nova concepção de gestão, a fim de que se chegue a um projeto
educacional sustentável.

4
Atenção! Deixo aqui um alerta! A gestão das organizações educacionais
públicas tem como finalidade a melhoria da qualidade da aprendizagem dos
estudantes que frequentam esses estabelecimentos de ensino, buscando assegurar
o direito social à educação. A gestão das instituições de ensino privadas também
encalça esse objetivo, diferenciando-se das públicas por buscar também o lucro e o
aumento da sua participação no mercado. Dessa forma, a gestão pública e a gestão
privada têm objetivos distintos na sua atuação, o que faz com que os seus
processos de planejamento, controle e organização se estruturem de forma
específica.

Dica: Você pode saber mais sobre as teorias da administração no portal


da administração – Teorias da administração: resumo completo.
Disponível em: [Link]
[Link]

2 CONCEPÇÕES DA GESTÃO ESCOLAR


Antes de iniciar o assunto, é preciso esclarecer que administração não é o
mesmo que gestão. A administração está relacionada ao planejamento e ao controle
em dirigir os recursos que podem ser humanos, materiais e/ou financeiros. Já a
gestão, está relacionada ao incentivo e à participação dos sujeitos na busca da sua
autonomia, bem como, na responsabilidade de todos os envolvidos em um processo
coletivo, na escola (GUIMARÃES, 2017).
Dando sequência .... A gestão do trabalho educativo assume diferentes
conotações de acordo com a concepção que seus dirigentes detêm sobre educação,
ensino-aprendizagem, formação humana e papéis dos sujeitos desse processo.
Nesta seção, abordarei as principais concepções de gestão escolar de acordo com
autores como Libâneo, Oliveira e Toschi (2018).
As concepções de gestão e organização escolar podem ser classificadas em
quatro grupos, confirme figura 1.

Democrático-
Técnico-científica Autogestionária Interpretativa
participativa

Figura 1 – Classificação das concepções e gestão.


5
Fonte: Autor (2021).

A gestão técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e de funções,


nas regras e nos procedimentos administrativos, para a racionalização do trabalho e
a eficiência dos serviços escolares. Sua versão mais atual é a gestão da qualidade
total com ênfase na utilização dos princípios da administração empresarial.
A gestão autogestionária fundamenta-se na responsabilidade coletiva, na
ausência de direção centralizada e na acentuação da participação direta e por igual
de todos os membros da instituição escolar.
A gestão interpretativa contrapõe-se fortemente à concepção técnico-
científica por priorizar a análise dos processos de gestão e de organização nos
significados subjetivos, nas intenções e na interação das pessoas, vendo, portanto,
as práticas de organização como uma construção social.
A gestão democrático-participativa baseia-se na relação entre a direção e a
participação dos membros da equipe, prioriza os objetivos assumidos por todos e a
tomada de decisões coletivas.
Acompanhe no quadro 2 os princípios e as principais características de cada
um dos estilos de gestão escolar.

Estilo de gestão Princípios Características


- A divisão técnica das funções do trabalho.
- O poder está centralizado nas mãos do diretor da escola.
Racionalização
Técnico-científica - A comunicação é realizada de forma verticalizada.
e hierarquização
- Mais importante do que as interações pessoais são o
cumprimento das tarefas burocráticas
- Autogestão.
- As funções não são exercidas unicamente por uma
Autogestão e
Autogestionária pessoa, mas sim alternadas entre os sujeitos.
descentralização
- Valoriza mais as relações pessoais do que as tarefas
burocráticas
- Dedica maior importância à ação que organiza, do que o
Interpretativa Subjetividade ato de organizar.
- Destaca-se pelas práticas compartilhadas.
- Descentralização: as decisões e as ações de gestão são
construídas e implementadas de forma não hierarquizada,
levando em consideração duas dimensões: a participação
e a transparência.
Participação,
Democrático- - Participação: pressupõe o envolvimento da comunidade
coletividade,
participativa escolar interna (professores, estudantes, funcionários, pais
descentralização
ou responsáveis) e da comunidade externa (entorno da
escola: associações, conselhos etc.). Nos processos de
decisão, planejamento e execução da gestão.
- Transparência: as decisões e as ações de gestão devem

6
ser de conhecimento público e estar disponíveis para todos
os envolvidos
Quadro 2 – Princípios e características dos estilos de gestão escolar.
Fonte: Libâneo, Oliveira e Toschi (2018).

Como você pode notar, os princípios e os métodos das concepções de gestão


estão presentes, de uma forma ou de outra, na prática educativa das escolas e, na
maioria das vezes, não são aplicados na íntegra. Os elementos das gestões se
entrecruzam e se reconstroem, conforme a concepção de educação que assumem
os gestores, as políticas educacionais de cada sistema de ensino e as próprias
propostas educativas elaboradas pelos profissionais das escolas.
Logo, as concepções de gestão não se estabelecem no interior da práxis
escolar isoladamente. Na maioria das vezes os gestores escolares utilizam
elementos de uma e de outra, construindo de forma específica a organização do
trabalho pedagógico e o processo de ensino-aprendizagem.

Dica: Você pode saber mais sobre as concepções de organização e


gestão escolar no link:
[Link]
[Link]

A seguir, você conhecerá, de forma mais aprofundada, a gestão democrática-


participativa. Acompanhe!

2.1 A GESTÃO DEMOCRÁTICA-PARTICIPATIVA


No contexto sócio-histórico de hoje, é de basilar a consolidação das
atividades teóricas e práticas na educação. Em especial, é básico que os
profissionais dessa área, aqueles que fazem e pensam a educação no dia a dia,
mantenham e fundamentem as críticas e reinventem utopias, como bases da
construção do novo no processo de emancipação socioantropológica. Esse
processo exigido em tempos de profundas e aceleradas mudanças demanda
compartilhamento e corresponsabilidade. Portanto, a gestão democrática do trabalho
pedagógico é essencial para que a escola cumpra sua função educativa e
pedagógica (KLIPPEL; WITTMANN, 2012).

7
O crescimento dessa exigência decorre da própria essencialidade do trabalho
pedagógico e do contexto histórico no qual a educação se realiza. Em resumo,
conforme Klippel e Wittmann (2012), a exigência do caráter democrático da gestão
escolar decorre de três fatores:
a) Da especificidade da educação escolar;
b) Do atual estágio do contexto histórico, especialmente, da nova configuração
do mundo do trabalho e da nova base das relações na sociedade do
conhecimento;
c) Do próprio trabalho pedagógico.
Oliveira (2014) destaca que a gestão democrática na escola se apresenta
como elemento de contra hegemonia em face da implantação direta e acrítica dos
princípios e métodos da administração geral na gestão e organização escolar.
Acredito que você já sabia, mas vou reforçar... O conceito de democracia teve
origem na Grécia antiga e, no decorrer da história, foi sendo transformado e
interpretado de maneiras diferentes. Na Antiguidade, a palavra democracia, na sua
essência, representava a participação popular nas decisões da pólis (cidade). Com a
evolução histórica, democracia passou a ser entendida como sinônimo de formas de
governo, em que um governo seria democrático ou não, dependendo do grau de
participação do povo nas políticas e práticas de administração.
Nesse sentido, Oliveira (2014) destaca que a democracia expressa valores,
responsabilidade e subentende não apenas ideais, mas práticas de participação no
planejamento, construção e exercício das diferentes formas de gestão, quer seja em
termos de Estado, quer seja em termos de gestão de instituições locais.
Resumindo, a democracia participativa pressupõe uma sociedade civil politicamente
preparada e consciente quanto aos direitos e deveres necessários para a
concretização de causas coletivas.
Ao transpor esse raciocínio para a gestão escolar, em que o objetivo maior é
a formação técnica e política do cidadão humano, a participação adquire maior
relevância e se configura na forma mais adequada de construir uma gestão
democrática: por possibilitar o envolvimento de todos os integrantes da escola no
processo de tomada de decisão, organização e funcionamento do trabalho
pedagógico e administrativo; e o fato de todos participarem do planejamento,
reflexão e execução das práticas de gestão expande o conhecimento acerca dos

8
objetivos, aprofunda o entendimento das funções e metas da escola e, por
conseguinte, aumenta o grau de interação entre equipe diretiva e pedagógica,
docentes e discentes, pais e comunidade (OLIVEIRA, 2014).
Essa discussão sobre participação democrática na gestão escolar é
fundamenta por Libâneo, Oliveira e Toschi (2018, p. 328), que relacionam o conceito
ao de autonomia. Veja:
O conceito de participação fundamenta-se no princípio da autonomia, que
significa a capacidade das pessoas e dos grupos para a livre determinação
de si próprios, isto é, para a condução da própria vida. Como a autonomia
opõe-se às formas autoritárias de tomadas de decisão, sua realização
concreta nas instituições dá-se pela participação livre na escolha de
objetivos e processos de trabalho e na construção conjunta do ambiente de
trabalho.

Isso merece uma reflexão! o que é necessário para estabelecer um processo


propiciador de autonomia nas escolas?
Oliveira (2014) explica que a
autonomia na escola requer o
envolvimento de todos na
organização,
operacionalização e avaliação
dos processos administrativos
e pedagógicos, de forma a
refletir permanentemente
sobre os objetivos
sociopolíticos da instituição

Figura 2 - Gestão democrática na escola escolar, o que requer dos


Disponível: docentes que atuem com
<[Link]
[Link]> profissionalismo nesse
processo, “uma vez que
construir ética e politicamente a autonomia não teria significado se não se aliassem
à perspectiva ético-política a dimensão técnica, o domínio seguro de conhecimentos
específicos, a utilização de uma metodologia eficaz, a consciência crítica e o
propósito firme de ir ao encontro das necessidades concretas e sua sociedade de
seu tempo” (RIOS, 1998 apud OLIVEIRA, 2014, p. 100).

9
Sendo assim, a autonomia e a democratização da gestão da escola são
demandadas pelos avanços teórico-práticos da educação e de sua administração.
Nesse cenário, os educadores estão reencontrando e reconstruindo o sentido e o
prazer de educar (KLIPPEL; WITTMANN, 2012).
Para tanto, as práticas de gestão exigem de toda a equipe, em especial da
direção da escola, espírito de liderança, capacidade de dialogar, de construir
consensos e de coordenar o processo de decisão e realização do trabalho
pedagógico, além de postura firme e autonomia para construir encaminhamentos e
criar condições para a operacionalização das decisões (OLIVEIRA, 2014).
O conceito de autonomia apresenta quatro classificações conforme Oliveira
(2014):
a) Autonomia administrativa: representa a possibilidade de os profissionais da
escola gerirem os planos, o programa e os projetos, adequando-os à
estrutura da instituição, à realidade na qual se inserem e ao contexto histórico
e social. Compreende um espaço de negociação e garantia do direito de a
comunidade escolar eleger seus dirigentes, constituir conselhos escolares
com funções deliberativa, consultiva e fiscalizadora, bem como elaborar e
aprovar, nos respectivos conselhos, o plano de gestão da escola;
b) Autonomia pedagógica: possui relação com as normas, encaminhamentos e
procedimentos das questões pedagógicas, tais como elaboração e
explicitação de objetivos pedagógicos, científicos, tecnológicos, artísticos e
culturais; análise, implementação e avaliação do currículo escolar; seleção e
organização de conteúdo; construção de metodologias e práticas avaliativas;
instituição da pesquisa e de programas de formação continuada, em parceria
com universidades e outras agências sociais; estabelecimento de critérios
sobre acesso, promoção e recuperação dos alunos; e conferência de graus e
outros títulos escolares, considerando-se sempre a função social da escola, a
organização do trabalho pedagógico e a melhoria permanente do processo de
ensino-aprendizagem;
c) Autonomia jurídica: refere-se à possibilidade de a escola elaborar, em
coerência com as políticas e diretrizes dos órgãos centrais, as próprias
normas e orientações internas no que se refere a aspectos como admissão
de professores, estabelecimento de convênios, matrículas e transferências

10
dos alunos, implantação de projetos diversos etc., oferecendo, nesse
processo, condições de participação cultural, profissional e sociopolítica a
todos os sujeitos que atuam no processo educativo escolar;
d) Autonomia financeira: configura-se na prerrogativa de a escola pública, que
recebe as verbas repassadas pelo Poder Público, administrar os recursos
financeiros e aplicar e remanejar diferentes rubricas. Ou seja, compreende a
competência para elaborar e executar seu orçamento, com fluxo regular do
poder público, permitindo à escola planejar e executar suas atividades,
independentemente de outras fontes de receita com fins específicos.
Destaca-se que tais recursos devem existir e ser suficientes para efetivar a
proposta pedagógica com qualidade, preservando a dignidade de docentes e
discentes.

Enfim, a autonomia pressupõe que o diretor seja investido da autoridade do


conhecimento expresso no domínio de referências sobre a função da escola, sobre
os fundamentos teóricos-metodológicos e relacionais da ação educativa, sobre os
princípios da gestão e sobre a habilidade para organizar, planejar e executar o
trabalho pedagógico escolar, bem como acompanhar o processo de ensino-
aprendizagem com suas múltiplas inter-relações e com as implicações que ele
envolve.
Para encerrar essa seção, abordarei a liderança do gestor democrático
participativo. Vamos lá!

2.1.1 Gestão democrática-participativa e liderança


Começarei com duas perguntas: O que liderança e gestão têm em comum?
Que impacto a liderança promove na escola?
A resposta inicia pelo conceito de liderança. liderança corresponde “a um
conjunto de ações, atitudes e comportamentos assumidos por uma pessoa, para
influenciar o desempenho de alguém, visando a realização de objetivos
organizacionais” (LÜCK, 2018, p.96). Ou seja, corresponde à capacidade de
influenciar pessoas individualmente ou em grupo, de modo que ajam voltadas para a
realização de uma tarefa, a efetivação de um resultado, ou o cumprimento de
objetivos determinados, de modo voluntário e motivado, a partir do reconhecimento

11
de que fazem parte de uma equipe e que compartilham em comum
responsabilidades sociais a que devem atender.
Essa influência, na
escola, dá-se a partir da
mobilização dos membros
da comunidade escolar,
socialmente organizada,
em torno das
responsabilidades
educacionais, para,
mediante seu esforço e
Figura 3 - Diretor escolar e sua liderança capacidade de
Disponível em: < [Link]
realização, garantirem a
[Link]/Ujn3ahHY8VfdqqTtJmtdeG
WVx5D6m8bXfMgh24qJFpxnFYffnSFAFPwx4uG8/gestao efetividade do trabalho
-[Link] >
educacional. Tal
mobilização se processa, tal como proposto pela gestão, de modo a abarcar a
multiplicidade de significações que surgem no contexto das ações do coletivo
escolar, das articulações entre os integrantes desse contexto e nos movimentos
sociais que o dinamizam (LÜCK, 2018).
Dessa forma, os conceitos de liderança e de gestão se complementam e até
mesmo, em certa medida, confundem-se por apresentarem vários elementos
importantes e básicos em comum, como por exemplo, elementos dizem respeito à
dimensão humana do trabalho e sua mobilização. O exercício da gestão pressupõe
liderança, pois que não se pode fazer gestão sem exercer a liderança (LÜCK, 2018).
Como você já percebeu, a liderança corresponde a um processo de gestão de
pessoas. Entretanto, a gestão escolar implica no trabalho com outras dimensões,
como, por exemplo, a gestão administrativa, gestão do currículo, gestão de
resultados etc. (embora todas dependentes do trabalho de pessoas), em vista do
que gestão e liderança não são termos sinônimos e sim complementares, de cuja
complementaridade resulta uma certa sobreposição de significados e papéis.
A liderança tem sido identificada por pesquisas como um fator crucial para o
desenvolvimento da qualidade da escola e melhoria da aprendizagem dos alunos. É

12
observado que nenhuma escola existe sem que haja nela uma liderança efetiva
(LÜCK, 2018).
Deste modo, a equipe de gestão da escola compõe uma equipe de liderança,
cuja atuação necessita ser focada em processos específicos e resultados. Cabe, a
essa equipe atuar no sentido de:
a) Promover e manter um elevado espírito de equipe, a partir de uma visão clara
dos objetivos educacionais, missão, visão e valores da escola;
b) Alargar os horizontes das pessoas que atuam na escola, a respeito de seu
papel e das oportunidades de melhoria e desenvolvimento;
c) Estabelecer uma orientação empreendedora e proativa na ação conjunta para
a realização dos objetivos educacionais;
d) Criar e manter cultura escolar favorável e propícia ao trabalho educacional, à
formação dos alunos e sua aprendizagem;
e) Motivar e inspirar as pessoas no seu envolvimento em processos
socioeducacionais cada vez mais efetivos, no interior da escola e na sua
relação com a comunidade;
f) Estabelecer e manter elevado nível de expectativas a respeito da educação e
da possibilidade de melhoria contínua de seu trabalho e dos bons resultados
na promoção da aprendizagem dos alunos e sua formação;
g) Dinamizar um processo de comunicação e relacionamento interpessoal
aberto, dialógico e reflexivo;
h) Orientar, acompanhar e dar feedback ao trabalho dos professores na sala de
aula, tendo como foco a aprendizagem.

Diversos estilos de liderança são descritos pela literatura. Apresentarei aqui


um grande apanhado de várias propostas, tendo como base Chiavenato (2020) e
Escorsin e Walger (2017).
Liderança autocrática - o líder centraliza as decisões e impõe suas ordens ao
grupo. Esse é um perfil de liderança que tende a ser mais agressivo, muitas vezes
opressivo e que pode induzir os liderados à submissão, à alienação e à passividade.
O líder tende a desrespeitar as pessoas, suas necessidades, suas capacidades e
seus sentimentos, fazendo com que se sintam incapazes, inseguros e imaturos.
Com essa postura, o líder deteriora as relações interpessoais e, com isso, os

13
subordinados podem manifestar revolta, hostilidade, retração, resistência, baixa
produtividade e absenteísmo. Nesse processo, os subordinados tornam-se
dependentes do líder e trabalham apenas quando ele está presente, ou seja, quando
o líder se afasta do grupo, o trabalho não progride com a mesma intensidade.
Liderança liberal - o líder delega totalmente as decisões ao grupo e deixa-o
completamente à vontade e sem controle algum. O líder permissivo é aquele que
evita conflitos e tenta agradar a todos o tempo todo. Assim, acredita que a melhor
forma de dirigir é não dirigir, deixando que os indivíduos tenham completa liberdade,
contudo sem oferecer orientação, controle e ajuda. Essa postura permissiva é eficaz
para pessoas individualistas, considerando-se que o sujeito individualista gosta de
permanecer sozinho e, portanto, pode ser mais produtivo com esse tipo de
liberdade. Do mesmo modo, para o sujeito retraído, que tem aversão a contatos
pessoais, é também favorável esse tipo de liberdade. Porém, a postura permissiva
pode ser disfuncional, pois esse tipo de líder, em geral, apresenta dificuldade para
tomar decisões e resolver problemas. Ele dá ao grupo completa liberdade de ação e,
de certa forma, acaba nem atuando como líder.
Liderança democrática - o líder conduz e orienta o grupo e incentiva a
participação democrática das pessoas. A liderança democrática ou participativa
também pode ser chamada de liderança integradora, entendendo-se, nesse caso,
que todos os indivíduos podem contribuir para que a organização atinja seus
objetivos. Para isso, o líder pretende criar um ambiente favorável e promover
recompensas para valorizar e estimular as pessoas. Dessa forma, o líder
democrático respeita o grupo, promove integração entre os membros, valoriza a
opinião e a participação de cada um deles e estimula a cooperação. Como resultado
disso, dirige o grupo com o apoio e a colaboração de seus membros.
Ou seja, o líder democrático promove a aprendizagem e o desenvolvimento
dos indivíduos, permitindo o crescimento contínuo da equipe. Com um ambiente de
trabalho agradável e amistoso, as pessoas subordinadas a esse tipo de líder tendem
a se comprometer, ter otimismo, confiança e rendimento elevado. Mas atenção!
Essa não é, necessariamente, a liderança ideal, pois nem todos os subordinados se
adaptam a esse estilo de liderança, pois, às vezes, esperam uma postura autoritária,
sendo necessário um processo de desenvolvimento e amadurecimento do grupo
para lidar com o líder democrático.

14
Liderança transformacional-carismática - os líderes transformacional-
carismáticos são vistos por seus liderados como se tivessem uma capacidade
heroica ou extraordinária de liderança, o que pode gerar paixão e até fanatismo.
Esse tipo de líder costuma usar sua visão pessoal e energia para inspirar seguidores
e apresenta algumas características-chave, como visão de futuro, capacidade de
correr risco pessoal, sensibilidade ao ambiente, sensibilidade para as necessidades
dos liderados, comportamentos não convencionais.
Liderança coach - a postura de líder coach é inspirada no processo de
coaching como uma das formas de se buscar o desenvolvimento da liderança.
Nesse contexto, o líder coach facilita a aprendizagem dos liderados para além do
aspecto profissional, favorecendo a vontade de crescimento como seres humanos.
Esse tipo de líder tem foco nas pessoas e estimula seus liderados a desenvolver a
autoliderança e o autoconhecimento, auxiliando a equipe, desse modo, a superar
suas metas.
Com base nos conceitos, é possível determinar um estilo ideal de liderança?
A resposta é que não há um único tipo de liderança ideal e não há um líder que
tenha apenas um desses estilos de liderança. A liderança ideal é aquela que
consegue adaptar-se às diversas situações e aos diversos contextos. Por isso, o
importante é que o líder escolar saiba quando atuar de determinada forma,
buscando amplo processo de autoconhecimento e de desenvolvimento, bem como
mesclando os diversos estilos de liderança para seu benefício e o da sua equipe.

Dica: Para saber mais sobre gestão e liderança escolar, recomendo a


leitura dos seguintes artigos:

 HONORATO, Hercules Guimarães. A gestão escolar e a liderança do diretor:


desafios e oportunidades. Revista de Administração Educacional, v. 9 n. 2 p.
21-37, jul/dez. 2018. Disponível em:
[Link]
 NICHELE, Patrcia Tavares; MELLO, Maria Aparecida da Silva. Gestão escolar
na perspectiva da educação democrático-participativa e a função social da
escola. Saberes Pedagógicos, v. 4, n. 3, setembro/dezembro 2020.
Disponível em: [Link]

15
3 CONCLUSÃO
Ao longo do texto detalhei para você o assunto gestão escolar. A gestão
escolar tem origem nos princípios ou teorias gerais da administração empresarial.
Enquanto a administração de empresas desenvolve as teorias sobre a organização
do trabalho nas empresas capitalistas, a administração escolar apresenta
proposições teóricas sobre a organização do trabalho na escola e no sistema
escolar. Entretanto, a administração escolar não construiu um corpo teórico próprio e
no seu conteúdo podem ser identificadas as diferentes escolas da administração de
empresas, o que significa uma aplicação dessas teorias a uma atividade específica,
neste caso, a educação.
Na sequência, uma breve explicação de como a gestão democrática do
trabalho pedagógico é essencial para que a escola cumpra sua função educativa e
pedagógica. E como as práticas de gestão exigem de toda a equipe, em especial da
direção da escola, espírito de liderança, capacidade de dialogar, de construir
consensos e de coordenar o processo de decisão e realização do trabalho
pedagógico, além de postura firme e autonomia para construir encaminhamentos e
criar condições para a operacionalização das decisões
Para encerrar, uma explanação sobre diferentes estilos de liderança –
autocrática, liberal, democrática, transformacional-carismática e coach. Mas, não há
um estilo ideal, pois todos têm vantagens e desvantagens e são mais ou menos
adequados a depender do momento.

REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração: uma visão
abrangente da moderna administração das organizações. 10 ed. São Paulo Atlas,
2020.

ESCORSIN, Ana Paula; WALGER, Carolina. Liderança e desenvolvimento de


equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017.

GUIMARAES, Joelma. Gestão educacional. Porto Alegre: SAGAH, 2017.

KLIPPEL, Sandra Regina; WITTMANN, Lauro Caros. A prática da gestão


democrática no ambiente escolar. Curitiba: InterSaberes, 2012

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LIBÂNEO, José Carlos.; OLIVEIRA; José Ferreira de; TOSCHI, Mirza. Seabra.
Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 10. ed. São Paulo: Cortez,

LÜCK, Heloísa. Liderança em gestão escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

OLIVEIRA, Maria Auxiliadora Monteiro (Org). Gestão educacional: novos olhares,


novas abordagens. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

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