SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA S. A.
– SESVALI
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP DEVRY
CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO
ARYANNE NEVES DOS SANTOS
CLEUDIANE CABRAL DA SILVA
JAMYLA LIMA DE MELO
MARIA ANDRESSA GOMES BARBOSA
CASO CLÍNICO I: DIABETES MELLITUS
CARUARU
2013
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SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA S. A. – SESVALI
FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP DEVRY
CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO
ARYANNE NEVES DOS SANTOS
CLEUDIANE CABRAL DA SILVA
JAMYLA LIMA DE MELO
MARIA ANDRESSA GOMES BARBOSA
CASO CLÍNICO I: DIABETES MELLITUS
Caso clínico apresentado ao Curso de Nutrição
como requisito avaliativo para a disciplina Patologia e
Dietoterapia II no 5º período - turma 1102.
CARUARU
2013
2
SUMÁRIO
1 Dados do paciente ...................................................................................................... 04
2 História e Evolução clínica-nutricional do paciente
2.1 Sinais e sintomas apresentados pelo paciente ...................................................... 04
2.2 Patologias associadas ........................................................................................... 04
2.3 Antecedentes pessoais e familiares ...................................................................... 04
3 Avaliação Nutricional
3.1 Exame físico ......................................................................................................... 05
3.2 Dados antropométricos ......................................................................................... 05
3.3 Exames laboratoriais ............................................................................................ 05
3.4 Anamnese alimentar ............................................................................................. 06
4 Diagnóstico e Tratamento .......................................................................................... 07
4.1 Epidemiologia ...................................................................................................... 08
4.2 Fisiopatologia ....................................................................................................... 10
4.3 Tratamento ........................................................................................................... 11
5 Recomendações Nutricionais: Necessidades energéticas (VCT), recomendações de
macronutrientes e micronutrientes
5.1 Cálculo das necessidades energéticas .................................................................. 12
5.2 Recomendações de macronutrientes e micronutrientes .................................... 13
5.3 Cardápio qualitativo ............................................................................................. 14
5.4 Distribuição das porções entre as refeições do dia ............................................. 15
5.5 Contagem total do cardápio e adequação .......................................................... 15
6 Sugestões para mudança de comportamento .......................................................... 16
7 Orientações gerais para o paciente ............................................................................. 17
Referências ................................................................................................................. 18
Apêndice I .................................................................................................................. 20
Apêndice II ................................................................................................................. 23
Apêndice III ............................................................................................................... 24
3
CASO CLÍNICO
1. DADOS DO PACIENTE
Paciente P. F. A., sexo masculino, idade 48 anos, branco, vem ao consultório
particular do nutricionista encaminhado pelo endocrinologista. É obeso desde a adolescência e
vem apresentando alteração da glicemia. Tem história familiar de diabetes (pai e avô paterno
são diabéticos). Não fuma, nem bebe. Não faz atividade física. Função intestinal: evacua
todos os dias fezes de consistência normal. Estômago e esôfago: segundo EDA sem
alterações. Ultrassonografia de abdômen total: fígado, rins e vesícula sem alterações.
2. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO CLÍNICA-NUTRICIONAL DO PACIENTE
2.1 Sinais e sintomas apresentados pelo paciente
O paciente P. F. A., apresenta obesidade e esta com alterações em seus exames
laboratoriais.
2.2 Patologias associadas
O paciente apresenta sua função intestinal normal. De acordo com a realização de
exames (EDA) o estômago e o esôfago encontram-se sem alterações. Verificou-se que os
órgãos como fígado, rins e vesícula estão normais, após realização de ultrassonografia de
abdômen total. Há indícios de comorbidades relacionadas à obesidade, onde será comprovado
posteriormente.
2.3 Antecedentes pessoais e familiares
O paciente afirma ter história familiar de diabetes, uma vez que seu pai e seu avô
apresentam tal patologia.
4
3. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL
3.1 Exame físico
No exame físico constatou-se na aferição da pressão arterial 120 x 80 mmHg.
3.2 Dados antropométricos
Os dados antropométricos aferidos no paciente P. F. A. foram: o peso (99 Kg); a altura
(1,78 m); e a circunferência da cintura ou CC (110 cm).
Com estes dados é possível avaliar se o peso esta adequado ou não para altura e
classificar o estado nutricional segundo o índice de massa corporal (IMC) e utiliza-se a CC
para verificar o risco de complicações metabólicas associadas à obesidade (CUPPARI, 2005).
A referida autora mostra que o IMC é um bom indicador e oportuno neste caso, além
de ser muito simples sua aplicação, é calculado a partir da fórmula:
IMC (Kg/m²) = Peso
(Altura)²
Então, P. F. A. apresenta o seguinte IMC:
IMC = Peso = 99 = 99 = 31,2 ou 31 Kg/m² (valor arredondado)
(Altura)² (1,78)² 3,17
Portanto, segundo a classificação estabelecida no estudo de CUPPARI (2005) o
paciente P. F. A. encontra-se com obesidade grau I.
Alguns estudos mostram que a circunferência da cintura é um ótimo indicador para
analisar o tecido adiposo visceral (CUPPARI, 2005). Logo, ainda de acordo com a presente
autora, como P. F. A. apresenta CC de 110 cm, o mesmo esta com risco muito elevado para
doenças cardiovasculares e metabólicas, considerando a classificação de risco ≥ 102 cm.
3.3 Exames laboratoriais
Analisaram-se os seguintes exames laboratoriais do paciente P. F. A..: Hemoglobina
Glicada (7,8 %), Glicemia de Jejum (285 mg/dl), Teste Oral de Tolerância a Glicose (TOTG)
5
75 g (240 mg/Dl), Triglicerídeos (149 mg/dl); Colesterol Total (198 mg/dl), HDL-c (48
mg/dl), LDL-c (110 mg/dL), Hemoglobina (14,0mg/dl) e Hematócrito (43 %).
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2012) na glicemia de jejum do referido
paciente constatou-se uma elevação considerável, assim como a Hemoglobina Glicada e o
Teste Oral de Tolerância a Glicose (TOTG), caracterizando um quadro compatível com
diabetes mellitus.
Comparando o valor bioquímico de triglicerídeos de P. F. A. com o padrão
estabelecido pela IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose
(2007) nota-se um valor considerado normal; o HDL-c esta no valor desejável; o LDL- c
encontra-se superior ao limite desejável (<100 mg/dL); o colesterol total esta nos parâmetros
da normalidade (<200 mg/dL), mas ressalta-se que esta muito próximo para ultrapassar o
referido valor, bem como os triglicerídeos (>150 mg/dL) e não apresenta anemia, de acordo
com as referências de Mahan e Escott-Stump (2010).
3.4 Anamnese alimentar
Na anamnese alimentar calculou-se a partir de um Recordatório 24 horas o valor do
consumo alimentar do paciente que resultou em aproximadamente 4381,9 Kcal/dia.
Em relação ao tipo e qualidade dos alimentos consumidos observou-se a ingestão
aumentada de carboidratos; consumo elevado de alimentos com alto índice glicêmico; alta
ingestão de gorduras saturadas e trans; um elevado consumo de sal; baixa ingestão de frutas,
legumes e verduras (PACHECO, 2011) e não faz as 06 refeições por dia, pois não faz a
colação pela manhã.
REFEIÇÃO ALIMENTO QUANTIDADE CALORIAS
Cuscuz 10 colheres de sopa 116
Carne guisada 150 g 333
Banana comprida 1 unidade 182,52
DESJEJUM Pão Francês 01 unidade 136,95
Manteiga 10 g 75
Suco de laranja 03 laranjas para 01 copo 210
COLAÇÃO Não come - -
Coentro, cebolinha,
tomate (01 inteiro),
Salada crua cebola (¼ unid.), 106,72
temperada com vinagre
6
e azeite de oliva extra
virgem (02 col)
ALMOÇO Carne de sol 150 g 615
Arroz escorrido 05 colheres de sopa 156
Farinha de mandioca 04 colheres de sopa 150
Feijoada 03 conchas 362
Laranja 01 unidade 70
Doce de goiaba em 30 g 90
barra
Coxinha grande 01 unidade 372
LANCHE Coca-Cola 01 lata 140
Macaxeira 03 talos (150 g) 223,5
Charque 100 g 269,5
Pão francês 01 unidade 136,95
JANTAR Queijo coalho 01 Ft. de 60g 140
Manteiga 10g 75
Suco de acerola Feito com 20 unidades 46
Açúcar 03 colheres de chá 58
CEIA Bolo de trigo 01 Ft. de 100 g 317,8
Total - - 4381,9 Kcal/dia
4. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
De acordo com Mahan e Escott-Stump (2010) os critérios diagnósticos para diabetes
mellitus levados em consideração são: glicemia de jejum (GJ) ≥ 126 mg/dL, Hemoglobina
glicada (HBA1c) ≥ 6,5 % que fornece informação sobre a concentração média de glicose
durante os últimos dois a três meses e TOTG ≥ 200 mg/dL. É importante também levar em
consideração neste diagnóstico à probabilidade aumentada para retinopatia e nefropatia,
juntamente com um histórico familiar e pessoal (LIMA; NÓBREGA; VENCIO, 2004), além
de uma triagem para diabetes considerada de suma importância para pacientes com idade
superior a 45 anos (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2007).
No caso estudado, o paciente possui obesidade grau I, pois seu IMC foi superior a 30
kg/m² (CUPPARI, 2005), foi possível detectar a presença de sedentarismo, tem parente de
primeiro grau diabético, pertence à população étnica de alto risco para diabetes (latino).
Logo, comparando os critérios diagnósticos já citados com os dados do referido
paciente, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2012) e a American Diabetes
Association (2007) o mesmo se encontra com diabetes mellitus tipo II, considerando sua
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Glicemia de jejum >126 mg/dL (285 mg/dL), TOTG 75 g > 200 mg/dL (240 mg/dL) e HbA1c
> 6,5 % (7,8%) juntamente com seu histórico familiar e pessoal.
4.1 Epidemiologia
O diabetes mellitus atualmente é considerado uma das principais doenças crônicas que
afetam o homem contemporâneo, acometendo populações de países em todos os estágios de
desenvolvimento econômico-social (ORTZ; ZANETTI, 2001). O mesmo autor ainda afirma
que sua importância nas últimas décadas vem crescendo em decorrência de vários fatores, tais
como: maior taxa de urbanização, aumento da expectativa de vida, industrialização, maior
consumo de dietas hipercalóricas e ricas em hidratos de carbono de absorção rápida,
deslocamento da população para zonas urbanas, mudança de estilo de vida tradicionais para
modernos, inatividade física e obesidade.
O diabetes está se tornando a epidemia do século e já afeta cerca de 246 milhões de
pessoas em todo o mundo, e até 2025, a previsão é de que esse número chegue a 380 milhões
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013). Estima-se, segundo este estudo, que boa parte das
pessoas que têm diabetes, doença que pode atingir crianças de qualquer idade, desconhece a
sua própria condição.
No Brasil, de acordo com o Vigitel (2007), a ocorrência média de diabetes na
população adulta (acima de 18 anos) é de 5,2%, o que representa 6.399.187 de pessoas que
confirmaram ser portadoras da doença.
E ressalta-se que o aumento da incidência de obesidade influencia no aumento de
casos de diabetes mellitus tipo 2, que vem se tornando uma epidemia a nível mundial
(DARNTON-HILL; NISHIDA; JAMES, 2004). E este tipo de diabetes “compreende até 90%
a 95% de todos os casos diagnosticados de diabetes e é uma doença progressiva que, em
muitos casos, esta presente muito antes de ser diagnosticada” (MAHAN; ESCOTT-STUMP,
2010). Conforme ainda e o estudo, verificou-se uma incidência com o avançar da idade, onde
o diabetes atingiu 18, 6% da população com idade superior a 65 anos (ver gráfico).
8
Fonte: Ministério da Saúde (2013).
Fonte: Ministério da Saúde (2013).
As complicações crônicas do diabetes mellitos (DM) são as principais responsáveis
pela morbidade e mortalidade dos pacientes diabéticos. As doenças cardiovasculares
representam a principal causa de morte (52%) em pacientes diabéticos do tipo 2 (GROSS;
NEHME, 1999). Diversos fatores de risco, passíveis de intervenção, estão associados ao
maior comprometimento cardiovascular observado nos pacientes diabéticos. Entre eles estão à
9
presença da Nefropatia Diabética (ND) e da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (GROSS;
NEHME, 1999). Conforme ainda o mesmo autor a ND acomete cerca de 40% dos pacientes
diabéticos e é a principal causa de insuficiência renal em pacientes que ingressam em
programas de diálise. A mortalidade dos pacientes diabéticos em programas de hemodiálise é
maior do que a dos não diabéticos.
De acordo com o mesmo estudo a Retinopatia Diabética (RD) acomete cerca de 40%
dos pacientes diabéticos e é a principal causa de cegueira em pacientes entre 25 e 74 anos. A
maioria dos casos de cegueira (90%) é relacionada à RD e pode ser evitada através de
medidas adequadas, que incluem, além do controle da glicemia e da pressão arterial, a
realização do diagnóstico em uma fase inicial e passível de intervenção. Estas medidas
diminuem a progressão das alterações na retina.
4.2 Fisiopatologia
Conforme Cuppari (2009) e Kumar et al. (2010) a base fisiopatológica para o
desenvolvimento do diabetes é a resposta diminuída dos tecidos periféricos à insulina e a
disfunção da célula β que secreta inadequadamente a insulina, desempenhando um papel
chave, uma vez que aparece muito antes da deterioração do metabolismo da glicose e é
frequentemente acompanhada por aumento compensatório na secreção de insulina.
Segundo Linhares e Gewndsznajder (2001) o diabetes mellitus é provocada pela
incapacidade total ou parcial das células beta de fabricar a insulina, cuja principal função é
facilitar a entrada de glicose nas células, o que é importante para a produção de energia
consequente. Segundo os mesmos autores o indivíduo passa depender apenas de gordura para
obter energia, pode haver um aumento na produção de cetoácidos, obtidos na oxidação dos
lipídeos, onde estão causando um desequilíbrio no sangue.
Ainda de acordo com o mesmo estudo o diabetes mellitus pode ainda causar cegueira e
também levar o indivíduo ao coma com perda da sensibilidade, mobilidade e consciência,
apresentando efeitos devastadores tanto no tipo I, quanto a do tipo II. São duas manifestações
crônicas com as quais os pacientes devem aprender a conviver, sobre o controle rigoroso das
taxas de glicemia pra uma condição de vida dentro dos limites (CUPPARI, 2009).
De acordo com Sheffel et al. (2004) o comprometimento aterosclerótico das artérias
coronarianas, dos membros inferiores e cerebrais é comum nos pacientes com diabetes
10
mellitus (DM) do tipo 2 e constitui a principal causa de morte destes pacientes. Conforme o
mesmo estudo estas complicações macro angiopáticas podem ocorrer mesmo em estágios
precoces do DM e se apresentam de forma mais difusa e grave do que em pessoas sem DM
Além disso, pacientes com DM podem apresentar problemas de visão doença renal nefropatia
diabética e dano neuronal neuropatia sensitiva distal (NSD), que são chamadas de
complicações micro angiopáticas.
A retinopatia diabética é a complicação ocular mais grave da diabetes mellitus. Esta
afeta a retina porque os altos valores de glicose provocam alterações no espessamento de
algumas estruturas da parede dos micros vasos da retina, reduzindo seu calibre, dificultando
sua elasticidade e permeabilidade (KUMAR et al., 2010).
Conforme Cavalcanti (2007) os exames de retina (“fundo de olho”), podem detectar
anormalidades em estágios primários, o que possibilita o tratamento ainda na fase inicial do
problema, pois nos pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 é recomendado a sua
realização desde o momento do diagnóstico de tal patologia, isso porque não é possível
identificar por quanto tempo a pessoa permaneceu com altas taxas de glicemia.
Além disso, a nefropatia é umas das complicações comuns que também acomete os
pacientes diabéticos, é caracterizada por alterações nos vasos dos rins, fazendo com que haja a
perda de proteínas na urina. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (2013), uma das
proteínas que circulam no sangue é a albumina, que possui alto valor biológico e fornece
aminoácidos essenciais para a recuperação do organismo. Na fase inicial da nefropatia
diabética, aparecem pequenas quantidades dessa proteína na urina (detectada através de
exame de microalbuminúria), segundo o mesmo estudo. E de acordo com este, é uma situação
em que o órgão pode reduzir sua função lentamente, porém de forma progressiva, até a sua
paralisação total, levando a uma insuficiência renal e avançada. Todavia, esse quadro é
controlável e existem exames para detectar o problema ainda no início (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE DIABETES, 2013).
4.3 Tratamento
Mahan e Escott-Stump (2010) mostram que o tratamento nutricional deve levar em
consideração as modificações no estilo de vida com uma alimentação saudável e com prática
de atividade física, pois contribuem para a melhoria das dislipidemias, glicemia e diminuição
11
da pressão arterial; é importante fazer uma modificação na qualidade das gorduras, como por
exemplo, diminuir o consumo de alimentos que contenham gorduras trans e saturada, havendo
uma educação nutricional adequada; dever haver uma restrição energética para promover
perda de 5-10% do peso corporal, logo a dieta será hipocalórica; e monitorar a glicemia para
que se possam realizar ajustes cabíveis na alimentação e também nos medicamentos utilizados
pelo paciente.
Contudo, se as recomendações nutricionais e de atividade física não forem eficazes
para controlar os níveis de glicose, mesmo se o paciente não apresentar queixas, deve ser
iniciado o tratamento medicamentoso (SGARBI; VILLAR, 2004).
“Em pacientes com diabetes tipo 2, o risco de complicações esta associado ao estado
hiperglicêmico prévio e qualquer redução nos níveis da HbA1C promove diminuição nos
riscos de complicações” (SGARBI; VILLAR, 2004 2004, p. 03 apud DARNTON-HILL;
NISHIDA; JAMES, 2004).
5. RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS: NECESSIDADES ENERGÉTICAS (VCT),
RECOMENDAÇÕES DE MACRONUTRIENTES E MICRONUTRIENTES
5.1 Cálculo das necessidades energéticas
Podem ser utilizados três métodos para calcular as necessidades energéticas do
paciente diagnosticado com diabetes (AMERICAN DIABETS ASSOCIATION, 2012), são
eles:
Dieta com restrição moderada:
1º Método: anamnese alimentar – 500 kcal + CAF =
4.381,9 – 500 + 1,00 = 3.882,9kcal/dia
2º Método: cálculo do TEE considerando o fator atividade 1,0 (sedentário):
TEE = 864 – 9,72 x I + CAF x [14,2 x P + 503 x E]
TEE = 864 – 9,72 x 48 + 1 x [14,2 x 99 + 503 x 1,78]
TEE = 864 – 466,6 + 1 x [1.405,8 + 895,34]
TEE = 864 – 466,6 + 2.301,14
TEE = 2.698,5 kcal/dia
12
- 500 kcal/dia
2.198,5 kcal/dia + 1,00 (CAF) = 2.199,5 kcal/dia ou 2.200 Kcal/dia (valor
arredondado)
Dieta com muito baixa caloria:
3º Método: oferecer ao paciente de 600 a 800 kcal/dia, com o objetivo de perda de
peso bem mais rápida que os métodos anteriores. Porém só deve ser aplicada entre
duas a doze semanas, de acordo com a American Diabets Association (2012).
5.2 Recomendações de macronutrientes e micronutrientes
Tabela 1: Recomendação nutricional para o tratamento da diabetes mellitus.
NUTRIENTE RECOMENDAÇÃO
Carboidrato 45 a 60%
Não oferecer menos que 130g/dia
Sacarose Até 10%
Frutose Não se recomenda adição nos alimentos
Proteína 15 a 20% do VCT
Gorduras totais Até 30% do VCT
Ácidos graxos saturados Menos de 7% do VCT
Ácidos graxos poli- Até 10% do VCT
insaturados
Ácidos graxos Completar de forma individualizada
monoinsaturados
Fibras Mínimo de 20 g/dia ou 14g/1000 kcal
Álcool 30g/dia para homens e 15g/dia para mulheres.
Restringir para menores de idade, gestantes e pessoas
com histórico de alcoolismo.
Colesterol < 200mg/dia.
Vitaminas e minerais Seguir a recomendação para não diabéticos.
Micronutrientes Ingestão recomendada/dia
13
Sódio Até 2,4 g/dia
Líquido 1.500 mL para cada 1.000 Kcal
Esquema alimentar Recomendado – se fracionar em 06 refeições diárias
Fonte: Adaptado de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2009).
Utilizou-se o VCT baseado no cálculo do TEE, o que foi equivalente a 2.200kcal/dia.
Carboidrato – 50 % do VCT = 1100 Kcal/dia (275 g);
1100/ 4 = 275, pois 1g de carboidrato tem 04 calorias.
Proteínas – 20 % do VCT = 440 Kcal Kcal/dia (110 g);
440 / 4 = 110, pois 1g de proteína tem 04 calorias.
Lipídeos totais – 30 % do VCT = 660 Kcal/dia (73,3 g).
660 / 9 = 73,3, pois 1g de lipídeo tem 09 calorias.
Gordura saturada – 7 % do VCT = 154 Kcal/dia (17 g).
154 / 9 = 17, pois 1g de lipídeo tem 09 calorias.
Gordura poli-insaturada – 08 % do VCT = 176 Kcal/dia (19,5 g).
176/ 9 = 19,5, pois 1g de lipídeo tem 09 calorias.
Líquidos: 1.500 mL para cada 1.000 Kcal
1500 x 2200 / 1000 = 3300 litros.
5.3 Cardápio qualitativo
GRUPOS PORÇÕES (2.200KCAL)
Cereal 07
Verduras 4,5
Frutas 04
Leite 03
Carne 1,5
14
Feijão 01
Óleo 02
Açúcar 1,5
5.4 Distribuição das porções entre as refeições do dia
Refeições Cereal Verduras Frutas Leite Carne Feijão Óleo Açúcar
Desjejum 02 01 01 01
Almoço 02 2,5 01 01 01 01
Jantar 01 02 01 01 0,5 01 0,5
Lanche 02 01 01
5.5 Contagem total do cardápio e adequação (ver cardápio em apêndice)
Nutriente Recomendado Oferecido Adequação
(Kcal) (Kcal) (%)
Kcal 2200 2215 101 %
Carboidratos 1100 1127 102 %
Proteínas 440 456 104 %
Lipídeos 660 632 96 %
Gord. Saturada 154 156 101%
Gord. poli-insaturada 220 109 61%
Nutriente Recomendado Oferecido Adequação
(Kcal)
Colesterol < 200 mg/dia 247 ↑
Fibra 20 a 30 g/dia 31,33
Cálcio 1000 mg/d (AI) – 2500 mg/d (UL) 1743,14
Ferro 08 mg/d (AI) – 45 mg/d (UL) 17,14
Magnésio 350 mg/d (AI) – 420 mg/d (UL) 557,47 ↑
15
Sódio 1,5 mg (AI) – 2000 mg (UL) 1,71
Vit. A 900 mcg/d (AI) – 3000 mcg/d (UL) 542,15 ↓
Vit. E 15 mg/d (AI) – 1000 mg/d (UL) 19,7
Vit. C 90 mg/d (AI) – 2000 mg/d (UL) 152,01
Vit. B1 1,2 mg/d (AI) – ND (UL) 2,28
Vit. B2 1,3 mg/d(AI) – ND (UL) 1,3
Fonte: Recomendações de micronutrientes – adaptada de Mahan e Escott-Stump (2010).
6. SUGESTÕES PARA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO
Cuppari (2005) e Mahan e Escott-Stump (2010) estabelecem importantes sugestões
para mudança de comportamento que devem ser seguidas pelo paciente:
Seguir as recomendações nutricionais;
Monitorar a glicose;
Abandonar o sedentarismo;
Manter as restrições nutricionais;
Não consumir alimentos ricos em gorduras trans e saturadas em excesso;
Consumir fibras, pois aumenta a sensação de saciedade e pode reduzir os lipídeos
sanguíneos;
Não consumir alimentos muito gordurosos e fritos, assim como o excesso de
embutidos e lanches elaborados com muita gordura e alto teor de sal;
Não ultrapassar a recomendação de sódio diária;
Preferir temperos naturais;
Consumir 02 ou mais porções de peixe na semana. Estes peixes devem ser de águas
profundas (cavala, sardinha, salmão, arenque);
Deve haver maior consumo de frutas, hortaliças, cereais pouco refinados e
leguminosas.
16
7. ORIENTAÇÕES GERAIS PARA O PACIENTE
Fazer as 06 refeições por dia;
Mastigar bem os alimentos;
Consumir no máximo duas xícaras de café por dia;
Realizar exercícios físicos, e antes de fazê-los o paciente deve alimentar-se;
Beber bastante água diariamente;
Não fumar;
Tomar líquidos nos intervalos das refeições;
Trocar o açúcar por adoçante à base de Aspartame e Estévia (ler o rótulo na
embalagem);
Não fazer uso de medicamentos sem a prescrição média.
17
REFERÊNCIAS
AMERICAN DIABETES ASSOCIATION: <http://www.diabetes.org/diabetes-basics/type-
2/> acesso em mar 2013.
CAVALCANTI, S. Sabor e vida, Diabéticos, complicações crônicas, retinopatia diabética. n.
12, 2007.
CUPPARI, L.. Nutrição Clínica no Adulto. 2 ed. São Paulo: Manole, 2005.
Darnton-Hill, I.; Nishida, C.; James, W. P.. A life course approach to diet, nutrition and the
prevention of chronic diseases. Public Health Nutr. 2004. v. 7, p. 101-21.
GROSS, J. L.; NEHME, M.; Detecção e tratamento das complicações crônicas do diabetes
melito: Consenso da Sociedade Brasileira de Diabetes e Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Revista da Associação Médica Brasileira. 1999. v. 45, n.3.
KUMAR, V.; ABBAS, A.; FAUSTO, N.; ASTER, J. C.. Robbins e Contran Patologia: Bases
Patológicas da Doenças. 8 ed.. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
LIMA, J. G.; NÓBREGA, L. H. C.; VENCIO, S.. Diabetes Mellitus: Classificação e
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MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 12 ed.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE: Epidemiologia do Diabetes Mellitus
<http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=29793&janela=> acesso
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tipo 2 em uma instituição de ensino superior. Revista Latino Americana Enfermagem.
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SGARBI, J. A.; VILLAR, H. C. C.. Diabetes Mellitus: Tratamento Medicamentoso.
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APÊNDICE II: CARDÁPIO DO PACIENTE
REFEIÇÃO ALIMENTO MEDIDA CASEIRA QUANT.
Inhame 2 rodelas M 312g
Queijo processado light 2 unidades 40g
DESJEJUM Melão 1 fatia peq. 115g
Café (infusão s/ açucar) 1 xícara 200ml
Stevioside Lowçucar (líquido) 1 gota ~
LANCHE Banana 1 unidade peq. 63g
Feijão mulatinho 1 concha 150g
Arroz integral 6 col. de sopa 120g
Banana comprida 1/2 unidade M 110g
Peixe grelhado 2 filés P 200g
Azeite 1 col. de sopa 8ml
ALMOÇO Tomate à gosto
Rúcula à gosto
Acelga à gosto
Abacaxi 1 rodela G 100g
Pão integral 2 fatias 50g
Requeijão light 1 1/2 col. de sopa 45g
LANCHE Suco abacaxi c/ hortelã 1 copo pequeno 200ml
JANTAR Arroz integral 6 col. de sopa 120g
Carne moída refogada 3 col. de sopa 75g
Cenoura crua ralada á gosto
Espinafre refogado 4 col. de sopa 100g
Azeite 1 col. de sopa 8ml
Café (infusão s/ açucar) 1 xícara 200ml
Leite desnatado em pó 3 col. de sopa 40g
Stevioside Lowçucar (líquido) 1 gota ~
CEIA
Barra de cereal (Diet Shake) 1 unidade 25g
TOTAL
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APÊNDICE III: LISTA DE SUBSTITUIÇÕES
SUBSTITUTOS DAS MASSAS:
Batata – doce = 2 unidades P.
Biscoito doce ou salgado integral= 5 a 6 unidades
Macaxeira cozida = 2 pedaços M.
Pão francês = 1 unidade
Pão de forma = 2 fatias
Torrada caseira de pão francês = 5 fatias
Purê de batata = 4 col. De sopa
SUBSTITUTOS DA BANANA COMPRIDA:
Purê de inhame = 4 col. de sopa rasa
Macarrão sem molho = 3 garfadas
Farinha de mandioca = 4 colheres de sopa
Pirão = 8 colheres de sopa
SUBSTITUTOS DO FEIJÃO MULATINHO:
Ervilha seca cozida (sem sal) = 6 col. de sopa
Feijão preto (sem sal) = 5 col. de sopa
Feijão-tropeiro = 2 col. de sopa
Grão de soja = 2 col. De sopa
Lentilha = 2 col. De sopa
SUBSTITUTOS DAS FRUTAS:
Maçã = 1 unidade P
Ameixa preta seca = 5 unidades
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Banana – maçã = 1 unidade
Caju = 1 unidade M.
Mamão = 1 fatia pequena
Maracujá = 1 unidade G.
Melão = 2 fatias P.
Pinha = ½ unidade P.
Tangerina = 2 unidades
SUBSTITUTOS DAS CARNES:
Bife bovino (grelhado) = 1 unidade G.
Sardinha em lata = 3 unidades
Carneiro cozido (costela) = 1 pedaço M.
Frango (filé grelhado ou cozido) = 1 unidade G.
Míudos cozidos (frango) = 2 colheres de sopa
Soja (proteína texturizada) = 2 ½ colheres de sopa
SUBSTITUTOS DO LEITE E DERIVADOS:
Coalhada light = 2 unidades
Iogurte (desnatado, integral ou qualquer sabor) = 1 copo de 200ml
Leite desnatado UHT = 2 copos de 200ml cada
Leite em pó desnatado = 3 colheres de sopa
Queijo coalho = 1 fatia
Queijo muçarela = 2 fatias finas
Queijo prato = 1 fatia fina
Requeijão light = 1 colher de sopa
SUBSTITUTOS DOS LEGUMES:
Beterraba cozida = 7 col. De sopa
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Cenoura cozida = 1 unidade G.
Abobrinha cozida = 4 xícaras de chá
Berinjela ensopada = 2 xícaras de chá
Couve refogada = 2 col. De sopa
Quiabo cozido = 5 col. De sopa
Repolho refogado = 1 xícara de chá
Vagem refogada = 2 colheres de sopa
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