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Engenheiro Engenheiro Civil Civil Consultor Consultor

CREA CREA 3034-D-PE/FN 3034-D-PE/FN

21-BLOCOS DE COROAMENTO – ESTACAS METÁLICAS (TRILHOS)

Embora de bibliografia escassa, trilhos passaram a ser utilizados no Brasil como estacas de fundação após descarte pelas ferrovias, selecionados sob critérios simplistas de boa conservação e nunca terem a redução do peso superior a 20% do seu valor teórico. As ferrovias descartam trilhos quando o desgaste do boleto, em área, atinge 25% do original, uma prevenção contra o descarrilamento, mas não, necessariamente, por perda de resistência Como precaução alguns autores recomendam reduzir de 20 a 30% a carga máxima estrutural. A corrosão de perfis metálicos totalmente enterrados já foi bem estudada constando da bibliografia que o baixo teor de oxigênio contido nos solos, responsável pela reação química que gera a corrosão, logo se esgota exceto em solos com pH inferior a 4, raros no Brasil. Para considerar os efeitos da corrosão de perfis metálicos diversos fatores do solo devem ser avaliados, tais como: granulometria, profundidade, características químicas, resistividade e acidez. Atentar, também, para os riscos de encurvamento do perfil em solos de baixa resistência decorrente da instabilidade dinâmica direcional, e as possibilidades de desvios quando a ponta da estaca encontra camadas de rochas inclinadas ou em blocos. Para considerar o efeito da corrosão de perfis metálicos a NBR 6122/96, de forma conservadora, segundo alguns autores, determina a redução de 1,5 mm da espessura do perfil, em todo o seu perímetro, exceto quando se usa proteção especial de eficiência comprovada – pintura ou proteção catódica, como exemplos. Atualmente a NBR 6122 está em processo de revisão. Nos casos de o perfil metálico permanecer imerso em água, com variações do seu nível, ou atravessando aterros heterogêneos de rejeitos, recomenda-se encamisá-lo com concreto armado nesses trechos estendendo esse revestimento até a uma profundidade de 2 a 3 m no terreno natural sem presença de água. Os trilhos e perfis em geral só podem ser utilizados em fundações se retilíneos, de curvatura 400 m em qualquer ponto do eixo, ou apresentar flecha máxima de 0,3% do comprimento total. As emendas de trilhos são feitas com solda de topo e os perfis são alinhados com o auxílio de talas laterais soldadas, recomendando-se o uso de eletrodos dos tipos OK 46 e OK 48. Raramente é usado um só trilho como estaca, nesse caso para pequenas cargas, sendo usual a utilização de perfis compostos de 2 TR, 3 TR e 4 TR (TR – train rail). Os tipos descartados mais comuns são os TR25, TR32, TR57 e TR68, cujos índices indicam o peso por metro, 25, 32, 57 e 68 kg/m, respectivamente.

R. Desp. Humberto Guimarães, 587 – Ed. Solar de Greenwich – ap.601.Ponta-Verde, CEP. 57035-030 Tel. (082) 3231.3232 -Cel. 9981.6748 - e-mail: marcarnauba@gmail.com – Maceió – AL- Brasil

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CREA CREA 3034-D-PE/FN 3034-D-PE/FN

   

Trilhos em aço A36 –fyk= 240 MPa

 

Perfil

Peso

Altura

Largura

M.Resist.

Perímetro

Área

Y

Kg/m

h (cm)

bw (cm)

Wx (cm³)

cm

cm²

X h
X
h

TR25

25,0

10,0

10,0

100,0

38,0

31,4

TR32

32,0

11,3

11,3

120.2

41,0

40,9

TR37

37,0

12,2

12,2

149,0

44,0

47,3

TR45

45,0

14,3

13,0

205,0

49,0

56.8

bw

TR50

50,0

15,2

13,7

247,0

52,0

64,2

TR57

57,0

15,8

14,0

295,0

55,0

72,6

TR68

68,0

18,6

15,2

391,0

60,0

87,5

Os principais arranjos se encontram mostrados na Figura 1, com os respectivos símbolos no canto inferior direito.

Figura 1

S 3 S 4
S 3 S 4
S 3 S 4
S 3
S
3
S 4
S 4
S
4
S 1
S
1
S 2A
S
2A

S

2B
2B
 
 

Dados obtidos de tabelas antigas, tendo como exemplo um bloco simbólico sobre duas estacas de trilhos – desenhos sem escala.

Planta

Corte

Φ e T T a e a
Φ
e
T
T
a e
a
ℓ = comprimento do perfil que adentra no bloco a a ℓ >5 cm concreto
ℓ = comprimento do perfil
que adentra no bloco
a
a
>5 cm concreto magro

Φ e = diâmetro equivalende da estaca metálica para fins de dimensões e espaçamento.

R. Desp. Humberto Guimarães, 587 – Ed. Solar de Greenwich – ap.601.Ponta-Verde, CEP. 57035-030 Tel. (082) 3231.3232 -Cel. 9981.6748 - e-mail: marcarnauba@gmail.com – Maceió – AL- Brasil

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Símbolo

Nomenclatura

Φ e

e

a

A T

J

X-X

J

Y-Y

W

XX

W

YY

Carga

   

cm

cm

cm

cm

cm²

cm

4

cm

4

cm

3

cm

3

kN

S

1

1TR25

13

75

25

20

31,5

410

89

81

18

120

S

2A

2TR25

20

80

32,5

20

62,8

824

1091

170

125

400

S

2B

2TR25

20

80

32,5

20

62,8

2270

179

230

36

400

S

3

3TR25

28

90

40

30

94,2

3488

3488

275

275

600

S

4

4TR25

30

100

40

30

125,6

6908

6908

468

468

800

S

1

1TR32

16

75

27,5

20

40,8

703

150

120

26

180

S

2A

2TR32

23

90

32,5

20

81,6

1409

1839

248

184

500

S

2B

2TR32

26

90

32,5

20

81,6

3823

301

383

53

500

S

3

3TR32

30

100

40

30

122,5

5898

5898

406

406

800

S

4

4TR32

34

100

42,5

30

163,3

11711

11711

693

693

1000

   

Φ e = diâmetro equivalende do trilho; A T = área da seção do trilho

Dados de

 

TR 25

 

geometria

S

P

P

b

cm

cm

2

cm

10

10
10

75

 

35

19,5

19,5

150

51

 

10

17,5
17,5

10

150

50,5

19 22 29,5 29,5
19
22
29,5
29,5

340

74

584

90

 

Dados de

 

TR 32

 

geometria

S

P

P

b

cm

cm

2

cm

11

11
11

97

 

40,5

22,5

22,5

194

58,5

11

20
20

11

194

58

22 25 34 34
22
25
34
34

444

84,5

749

103

 

S p – Área da base a ser considerada para o cálculo da resistência de ponta. P b - Perímetro de base a ser considerado no cálculo da resistência por atrito lateral.

R. Desp. Humberto Guimarães, 587 – Ed. Solar de Greenwich – ap.601.Ponta-Verde, CEP. 57035-030 Tel. (082) 3231.3232 -Cel. 9981.6748 - e-mail: marcarnauba@gmail.com – Maceió – AL- Brasil

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A NBR 6122/96 assim se expressa no item 7.8.2.4.2: “Quando as

estacas de aço constituídas por perfis laminados ou soldados

trabalharem à compressão, basta uma penetração de 20 cm no bloco. Pode-se, eventualmente, fazer uma fretagem através de espiral, em cada estaca neste trecho”. Consta do 7.8.2.4.3: “No caso de estacas metálicas trabalhando a tração, deve-se soldar uma armadura capaz de transmitir ao bloco de coroamento as solicitações correspondentes”. Essas recomendações confundem o projetista que trabalha com estacas de concreto, hoje embutidas apenas 5 cm nos blocos acima do nível do concreto magro, e sobre as cabeças delas (em b w ) distribui as armaduras obtidas no cálculo pelo método das bielas – recomendável – ou dimensionados pela teoria de vigas. As opções abaixo envolvem todos os tipos de blocos sobre perfis metálicos de qualquer natureza. Duas correntes de projetistas definem o posicionamento dessas armaduras quando o bloco se apóia sobre estacas metálicas com o toco de 20 cm ali adentrando. Observar que as tabelas de trilhos ferroviários indicam, em alguns casos, o toco de 30 cm.

A primeira corrente afirma que inexiste, na teoria das bielas desenvolvida por Magnel e outros, melhorada ao longo dos anos, qualquer exigência de as armaduras serem dispostas sobre as cabeças das estacas, e as colocam ao lado do toco metálico, sempre com fretagem. Em todos os casos devem ser estudados com cuidado os efeitos de puncionamento e verificada a necessidade de armadura de suspensão.

1-

N

Planta Corte longitudinal Corte transversal N 3 N 4 N 3 N 3 T T
Planta
Corte longitudinal
Corte transversal
N 3
N
4
N 3
N
3
T
T
N
2
N
5
5
N
1
fretagem
N
N
N
4
1
2

2-

A segunda corrente afirma que a teoria das bielas considera a distribuição das armaduras ao nível das estacas, aumenta a altura do bloco de 20 a 30 cm, as distribui sobre os perfis fretados (b w ), e insere armaduras complementares na sua base, 5 cm acima do concreto magro.

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Planta

Corte longitudinal

N 3

N 4 T T N 5 N 5 fretagem N 4 N 1 Armadura suplementar
N
4
T
T
N 5
N 5
fretagem
N
4
N
1
Armadura suplementar anti-fissuração

Notas:

Corte transversal N 3 N 3 N 2 N 1 N 2
Corte transversal
N 3
N 3
N 2
N 1
N
2

a)-A opção de soldar uma placa metálica na cabeça do perfil adentrando, apenas, 5 cm no bloco, é totalmente descartada por dificuldades de execução das soldagens em local exíguo, de difícil nivelamento e controle de qualidade. b)-Pode-se fretar cerca de 50 cm do perfil abaixo do concreto magro já soldando ali armaduras complementares que adentram b (comprimento de ancoragem) no bloco, como se houvesse tração na estaca e cumprindo o ditame normativo.

N

Planta Corte longitudinal Corte transversal N 3 N N N 4 3 3 T T
Planta
Corte longitudinal
Corte transversal
N 3
N
N
N
4
3
3
T
T
N
2
N
5
5
>50
Barras
N
1
fretagem
soldadas
N
N
N
4
1
2

Bibliografia. Traité de Béton Armé – Guerrin; Cimentaciones de Estructuras – Dunham; Introdução ao Estudo de Fundações Profundas – Aguirre e Wanderley; Fundações e Contenções de Edifícios – Joppert; Retropesctiva e Técnicas Modernas de Fundações em Estacas – Presa e Pousada; NBR 6122/1996; NBR 6118/2003; Eurocode; Estacas Franki, Gerdau.

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