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ZEUS
Senhor do Céu, Zeus era o rei dos deuses. Seu nome é de origem indo-europeia e significa "céu luminoso".
Júpiter, nome latino de Zeus, tem a mesma raiz e significa "pai do dia". Zeus reinava sobre os deuses e os homens,
sobre a Terra e o Céu. Ele tinha o raio em seu poder e o agitava para manifestar sua cólera. Também comandava as
estações e os dias, o trovão, as nuvens e as chuvas. Mas Zeus nem sempre foi esse deus soberano. Quando ele
nasceu, seu destino era bem diferente.
Zeus era filho do Titã" Crono, que havia se casado com a irmã, Réia. Crono tinha se tornado senhor do
universo destronando seu próprio pai, Urano, e temia que seus filhos agissem do mesmo modo. Para não ser
destronado também, Crono adotava uma solução radical: engolia seus filhos quando nasciam. Assim, ele engoliu
Héstia", Deméter*, Hera", Hades* e Posêidon*. Na sexta gravidez, Réia não aguentava mais e resolveu preservar
aquele filho, que era Zeus. Ela foi dar à luz em Creta, no monte Ida, e confiou o filho à sua mãe, Gaia*. Depois deu a
Crono uma pedra envolta em faixas, que ele engoliu sem pestanejar, achando que fosse o recém-nascido.
Nas montanhas de Creta, o menino Zeus foi amamentado pela cabra Amaltéia, ama carinhosa e dedicada, de
quem ele nunca se esqueceu. Foi educado entre as ninfas* e protegido pelos curetes. Os curetes eram guardas
incansáveis, que cultuavam Réia e que, com o ruído de suas danças guerreiras e de suas armas, abafavam o choro do
pequeno deus para que seu pai não o ouvisse. À medida que crescia, Zeus pensava cada vez mais em se vingar
daquele pai indigno, cujo procedimento sua mãe lhe contara.
Ao se tornar adulto, casou-se com Métis, deusa da astúcia e da sabedoria. Métis produziu uma droga e a deu
para Crono beber. Assim que a engoliu, ele começou a vomitar violentamente, expelindo a pedra enfaixada e todos os
filhos que tinha devorado. Zeus já não estava sozinho. Com a ajuda dos irmãos e das irmãs, ele conseguiu destronar o
pai e tomou o poder. Assim, Crono foi substituído por uma
nova geração de deuses. Eles escolheram como morada uma montanha da Grécia cujo cume se perdia no meio das
nuvens. Era o monte Olimpo. Esses novos deuses foram chamados de olímpicos.
Mas não foi fácil estabelecer o reino dos deuses olímpicos. Os Titãs, irmãos de Crono, revoltaram-se contra
eles. Instalados numa montanha que ficava em frente do Olimpo, travaram contra Zeus uma guerra que durou dez
anos. Ao longo desses confrontos violentos, os olímpicos receberam ajuda de divindades antigas e monstruosas, da
mesma geração dos Titãs. Zeus, a conselho de sua avó Gaia, havia libertado os monstros que ela gerara com Urano,
que haviam sido presos pelo pai nas profundezas da Terra: eram os três ciclopes e os três hecatonquiros, cujo nome
em grego significa "com cem braços". Seu ataque foi decisivo. Utilizando como armas rochedos gigantescos, eles
destruíram o abrigo dos Titãs. Estes, admitindo sua derrota, foram acorrentados e lançados, por sua vez, nas
profundezas da Terra.
Depois da vitória, o mundo foi dividido entre os filhos de Crono. Zeus atribuiu a si mesmo o poder supremo e
escolheu o reino do céu. Posêidon tornou-se senhor dos mares e Hades recebeu o poder subterrâneo, passando a
reinar sobre os Infernos. Com os olímpicos, estabeleceu-se uma nova ordem no universo, constituída de equilíbrio,
justiça e harmonia. O comando e a manutenção dessa ordem couberam a Zeus.
A vida do deus soberano nada tinha de austera. Suas aventuras amorosas foram inúmeras. Zeus começou por
engolir sua primeira esposa, Métis. Dessa estranha união nasceu Atena", que brotou inteiramente armada da cabeça
de seu pai. Em seguida ele se casou com sua tia, Têmis, deusa da justiça. Repudiou-a por sua irmã, Hera, que passou
a ser sua companheira oficial no Olimpo. Dela Zeus teve quatro filhos: Hebe", deusa da eterna juventude; Hefesto",
deus da forja, deformado e coxo; Ilítia, deusa que presidia aos partos; e Ares", o impetuoso deus da guerra. Mas isso
não bastava ao senhor do mundo. Precisava gerar mais deuses e também heróis, homens excepcionais cujas proezas
são contadas pela mitologia. Apesar do ciúme corrosivo de Hera, que nunca conseguiu garantir a fidelidade do esposo,
Zeus uniu-se tanto a deusas como a mulheres mortais. Empregava os meios mais extravagantes para seduzi-Ias e teve
com elas muitos filhos, entre os quais Apelo", Ártemis* e Dioniso", as musas*, os heróis Héracles* e Perseu", a bela
Helena* de Tróia, etc.
No entanto, a ordem olímpica não convinha a todos. Gaia, apesar de ter ajudado o neto a tomar o poder,
censurava-o por a ter afastado definitivamente dos próprios filhos, os Titãs e outras divindades ctonianas, monstros
diversos nascidos de sua união com Urano. Assim, ela lançou contra o Olimpo os gigantes, criaturas colossais
consideradas invencíveis, que atacaram a morada divina lançando sobre ela rochedos e árvores.
Foi assim que começou a Gigantomaquia, ou combate dos gigantes. Em torno de Zeus, seus irmãos, irmãs e
filhos organizaram a reação. O combate foi violento, e Zeus conseguiu confiscar a erva mágica que, segundo se dizia,
conferia invulnerabilidade aos gigantes. Gaia se obstinou. Enviou em socorro dos gigantes dois colossos pavorosos,
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nascidos de seus amores com Posêidon. Estes começaram por perturbar a ordem do universo: encheram os mares e
empilharam as montanhas umas sobre as outras. Para afirmar seu poder, prenderam Ares, deus da guerra. Depois se
apossaram de Hera e de Ártemis, dizendo que queriam se casar com elas. Era demais. Sua pretensão estúpida
exasperou os deuses. Apolo os trespassou com suas flechas e Zeus, com seu raio, mandou-os para o fundo dos
Infernos. Mas os gigantes não foram vencidos e os combates continuavam. Os deuses consultaram o oráculo, que
anunciou que só o filho de uma mortal poderia levar os olímpicos à vitória. Esse homem era Héracles, filho de Zeus e
de Alcmena. Sua intervenção na Gigantomaquia provocou a derrota dos gigantes.
Gaia ficou furiosa ao ver seus filhos vencidos. Imaginou então lançar contra os olímpicos sua cria mais
monstruosa, Tífon, gigantesca criatura de cem cabeças. A simples visão do monstro foi suficiente para aterrorizar os
deuses, que fugiram para o Egito. Mas Zeus se dispôs a enfrentá-lo. Tífon começou por vencer. Paralisou o adversário
cortando os tendões de seus músculos e levou-os para sua toca. O deus Hermes", com a ajuda de Pã", roubou os
tendões e voltou a ligá-los ao corpo de seu pai. Triunfante, Zeus lançou seu raio. Ofuscado, Tífon fugiu, indo para a
Sicília. Zeus o perseguiu e o prendeu debaixo de uma montanha vulcânica, o Etna, cujas erupções na Antiguidade
eram explicadas como acessos de cólera do monstro.
Depois da Gigantomaquia, Zeus e os olímpicos se tornaram definitivamente senhores das forças selvagens da
natureza. As divindades ctonianas passaram a ser apenas divindades secundárias, que os deuses olímpicos sabiam
utilizar sob seu controle.
Senhor da ordem natural, Zeus era também o árbitro da ordem humana. Nas narrativas mitológicas que
contam a história dos homens, é ele que preside aos destinos humanos, que fundamenta a organização das famílias e
das cidades, que distribui a paz e a justiça. Também é ele que marca os limites entre os mortais e os deuses, que pune
o orgulho de alguns seres humanos e que purifica os criminosos. Mas, para os antigos, o deus soberano não tinha
poder sobre tudo. A Fatalidade e o Destino eram mais fortes do que ele. Zeus tinha na mão uma balança em que era
pesado o quinhão de cada um - felicidade e infelicidade, vida e morte. Cabia a ele fazer com que o destino previsto se
cumprisse. Assim, por ocasião da Guerra de Tróia", Zeus foi obrigado a deixar que Heitor" morresse, depois Aquiles",
porque esses eram seus destinos.
Representado na Antiguidade sob a aparência de um homem em pleno vigor da idade, de expressão boa,
nobre e majestosa, Zeus era objeto de culto em todo o mundo greco-romano, especialmente nos santuários de Dodona
e Olímpia. Contava-se que o santuário de Dodona tinha sido criado a pedido de uma pomba preta, com voz humana,
vinda do Egito. Nele fora plantado um carvalho sagrado, e no farfalhar de suas folhas ao vento acreditava-se ouvir a
voz do deus. Suas palavras eram interpretadas por sacerdotes, que as transmitiam aos fiéis que vinham consultar o
oráculo. Nesse santuário, Zeus era venerado sobretudo como senhor das chuvas. A seu culto era associado o de
Dione, divindade muito antiga, filha de Urano e de Gaia, deusa da terra fecundada pela chuva. Em Olímpia, gigantesco
santuário ao qual acorriam fiéis de todo o mundo grego, as mais belas festas e os mais belos templos eram
consagrados a Zeus. Particularmente, a cada quatro anos ocorriam cerimônias magníficas que duravam uma semana,
durante a qual se realizavam os famosos Jogos Olímpicos.
OS AMORES DE ZEUS
Seria necessário um livro inteiro para falar de todas as mulheres, mortais e imortais, que se uniram a Zeus,
voluntariamente ou não.
Para um deus poderoso que governava o mundo, amar mulheres e fecundá-Ias era afirmar e assegurar seu
poder. Os inúmeros filhos de Zeus, fossem deuses ou heróis, o ajudavam na luta que ele sempre travou contra os
antigos deuses, as divindades ctonianas, aparentemente submetidas à ordem olímpica mas que não perdiam
oportunidade de questionar a soberania do novo senhor do universo. Na lista abaixo, bastante incompleta, estão
citados os nomes das mulheres mais célebres amadas por Zeus e dos filhos que elas lhe deram:
1. Entre as divindades:
• Calisto (ninfa) Arcas (herói)
• Deméter (deusa) Perséfone (deusa)
• Egina (ninfa) .. Éaco (herói)
• Hera (deusa) Hefesto, Ares, Ilítia, Hebe (deuses)
• Leto (deusa) Apolo, Ártemis (deuses)
• Maia (ninfa) Hermes (deus)
• Métis (deusa) Atena (deusa)
• Mnemósine (deusa) Musas (divindades secundárias)
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• Plotas (ninfa) Tântalo (mortal)
• Taígeto (ninfa) Lacedêmon (herói)
• Têrnis (deusa) Moiras (divindades secundárias)