Sumário
1. Origem e importância econômica, 9
2. Botânica, 37
3. Exigências edafoclimáticas e fisiologia da produção, 58
4. Manejo operacional no plantio, 89
5. Arranjo de plantas no plantio, 119
6. Adubação, 144
7. Cultivares, 169
8. Manejo de plantas daninhas, 188
9. Manejo de pragas, 207
10. Manejo de doenças, 242
11. Colheita, 266
ÜRIGEM E IMPORTÂNCIA
ECONÔMICA 1
Paulo Motta Ribas 1
Origem
A moderna planta de sorgo, Sorghum bicolor L. Moench, é
um produto da intervenção do homem, que domesticou a espécie e, ao
longo de gerações, vem transformando-a para satisfazer às
necessidades humanas. Sorgo é uma extraordinária fábrica de energia,
de enorme utilidade em regiões muito quentes e muito secas, onde o
homem não consegue boas produtividades de grãos ou de forragem
cultivando outras espécies, como o milho. A África Oriental parece
ser o centro de origem dos sorgos cultivados da forma que se conhece
nos dias de hoje, muito embora tenha sido constatada grande
variabilidade de sorgos cultivados e selvagens também no Noroeste da
África. Prevalece, no entanto, a tese de que os sorgos tiveram 01igem
na Abissínia, nome da atual Etiópia, centro de dispersão de muitas
outras espécies de interesse econômico, como o milheto ( Pennisetum
glaucum), mamona (Ricinus communis) e café (Coffea arabica e
cojfea robusta) (DOGGEIT, H., 1970). Diferentes autores divergem
sobre a data em que ocorreu a domesticação do sorgo pelo homem (de
WET; HUCKABA Y, 1967). Evidências arqueológicas indicam que o
1
Eng.-Agr. Consultor Técnico, Valor Orientações Agropecuárias.
E-mail: pauloribas@[Link]
10 Ribas
início do cultivo do sorgo se deu na pré-história, cerca de 5.000 a
7.000 anos atrás (W ALL; ROSS, 1970). De acordo com outros
registros, a prática de domesticação de cereais teve início no Egito em
tomo de 3.000 a.C. (DOGGETT, 1965a). É possível que a
domesticação do sorgo date dessa época. Segundo Murdock, 1959, o
povo Mande, um grupo étnico que habitava regiões nas cabeceiras do
rio Niger, pode ter sido o responsável pela domesticação do sorgo. Da
mesma forma, vários autores divergem sobre o momento e a forma
como essa planta se dispersou mundo afora a partir da África.
Snowden (1936) fornece rica informação sobre essa
discussão. Extensas rotas terrestres e marítimas utilizadas pelas
correntes migratórias disseminaram o sorgo para além das fronteiras
do Nordeste da África, seu provável centro de origem, para lugares tão
distantes como a Índia e a China. Na Índia, seu cultivo é mencionado
através de figuras datadas do século I d.C. Da Índia, o sorgo teria sido
levado para a China no século m da Era Cristã, como sugere a
presença de alguns tipos de sorgo na Coréia e províncias chinesas
adjacentes, territórios incluídos na antiga "rota da seda". Plínio
registra que a cultura foi introduzida na Itália aproximadamente entre
60 e 70 d.C., através de sementes provenientes da China (HOUSE,
1970). Ao longo do tempo, a cultura do sorgo foi se estabelecendo em
várias regiões tropicais e subtropicais do mundo, recebendo nomes
locais. Na África Ocidental, é conhecido como 1nilho-da-guiné; kafir,
na África do Sul ; durra, no Sudão; na Índia é jowar; na China,
kaoliang. Nos Estados Unidos é também conhecido como milo,
enquanto sorgos de colmo suculento e doce são chamados de sorgo.
Em outras situações, o sorgo recebe o nome de alguma forma
específica de uso, como sorgo-vassoura ou simplesmente vassoura,
referindo-se aos cultivares cujas inflorescências são usadas na
fabricação de vassouras rústicas (DOGGETT, 1970).
O Sorgo nas Américas
O sorgo não é nativo do hemisfério ocidental e, nas Américas,
seu culti vo é bem mais recente. As primeiras referências do sorgo no
Novo Mundo vieram do Caribe. Durante os séculos XVII e XVIII
grande contingente de escravos africanos foi trazido para trabalhar nas
plantações de cana-de-açúcar da região e, com eles, foram
01igem e importância econômica 11
introduzidas as primeiras sementes de sorgo na América. Dessa
região, o sorgo atingiu o Sudoeste dos Estados Unidos por volta da
metade do século XIX. Registros de 1853 confirmam introduções de
variedades provenientes da França, para produção de forragem e
melaço. Quatro anos mais tarde, em 1857, Leonard Wray, um inglês
que cultivava a cana-de-açúcar, introduziu 15 variedades de sorgo da
África do Sul, que, trabalhadas por técnicos do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA), deram origem aos primeiros
cultivares comerciais "modernos" de sorgo de que se tem notícia. A
partir daí, numerosos materiais genéticos provenientes de diversas
partes do mundo foram introduzidos nos EUA pelo Departamento de
Agricultura e outras agências. Na primeira década do século XX, o
sorgo foi extensivamente cultivado nos EUA, para produção de xarope
ou melaço. Os cultivares conhecidos como Sorgo eram de porte muito
alto e de ciclo muito longo, tendo alguma semelhança fenotípica com
os atuais sorgos forrageiros para silagem. O porte avantajado não
permitia sua utilização para produção de grãos, porque a colheita,
mesmo por processo manual, era muito difícil. Além disso, o ciclo
extremamente longo limitava seu cultivo em regiões do sul do país
mais próximas da linha do equador. Assim os primeiros colonizadores
das Grandes Planícies do Oeste Americano, selecionaram plantas mais
adaptadas à agricultura que se modernizava e que eram muito mais
tolerantes que o milho ao clima seco da região. Com o advento da
mecanização, na segunda década do século XX, novas seleções foram
sendo feitas a partir dos materiais originais, acrescentando n1ais
valores aos cultivares, como precocidade e porte cada vez mais baixo
(W ALL; ROSS, 1970). Foi a partir da década de 1940, quando
surgiram os chamados combine types, cultivares de porte baixo
adaptados à colheita mecânica, que a cultura teve significativo
incremento em várias regiões do Oeste dos Estados Unidos. Maiores
progressos, no entanto, estavam por vir, graças aos trabalhos de um
grupo de pioneiros cientistas que viabilizaram a produção de sementes
híbridas de sorgo no início dos anos 1960. O sorgo híbrido tornou-se
um incontestável sucesso nos EUA, e a nova tecnologia rompeu suas
fronteiras , sendo rapidamente considerada uma cultura muito popular
em diversos países como Argentina, México, Au trália, China,
Colômbia, Venezuela, Nigéria, Sudão e Etiópia (QUlNB, 1974).
12 Ribas
O Sorgo no Brasil
O sorgo chegou ao Brasil provavelmente da mesma forma como nas
Américas Central e do Norte, ou seja pelas mãos de escravos
africanos, sendo o Nordeste uma das portas de entrada. Nomes
comuns atribuídos ao sorgo pelos sertanejos como "Milho d' Angola"
e "Milho-da-Guiné" sugerem que os primeiros cultivares foram
introduzidos pelos africanos. Há relatos de que entre 1920 e 1930,
feirantes na Feira de Caruaru, Pernambuco, vendiam grãos de uma
variedade muito apreciada para fazer pipoca, conhecida por Milho
d' Angola ou Vira-cacho (TABOSA, 2013, informação pessoal). Outra
via de introdução pode ter sido o Sul do país. Nas regiões de
colonização italiana, em especial nos vales dos Rios Uruguai e
Pelotas, era cultivada a "caninha de sementes", um tipo de sorgo de
colmo adocicado, do qual se fabricavam o melado e a cachaça. Já nas
regiões de fronteira com os países platinas, alguns sorgos usados para
alimentação dos rebanhos bovinos eram conhecidos como Fitirita e
Massambará. Fitirita é, provavelmente, uma coITuptela de feterita,
variedade muito usada nos programas de melhoramento. Massambará
(ou Maçambará), nome de uma estação feIToviária onde se
descarregavam sementes de forrageiras importadas da Argentina,
emprestou o nome para um tipo de sorgo f01Tageiro, provavelmente o
sorgo de alepo (Sorghum halepense). (CHIELLE, 2013; MATOS,
2003, informação pessoal). A partir da segunda década do século XX
até fins dos anos 1960, a cultura foi reintroduzida de forma ordenada
no país através dos institutos de pesquisa públicos e universidades.
Em 1938, registra-se o plantio da variedade de sorgo "grohoma" para
produção de feno no município de Limoeiro, Pernambuco, trabalho
conduzido no antigo Departamento de Produção Vegetal (DPV). Em
1958, o Instituto de Pesquisas Agropecuárias de Pernambuco (IPA)
importou por várias vezes linhagens de sorgo sacarina e forrageiro da
Estação Experimental de Forth Collins, EUA, e também elo Instituto
Agronômico de Campinas-IAC, ele São Paulo (IPA, 2004). Esta e
outras instituições, como o Instituto de Pesquisas Agropecmirias -
IPAGRO do Rio Grande do Sul, a Escola Superior de Agricultura de
Piracicaba- ESALQ, a Escola Superior de Agricultura de Lavras-
ESAL, a Escola Superior de Agronomia de Viçosa- ESA V, a Escola
de Agronomia de Pernamhuco, entre outras, introduziram coleções da
Origem e importância econômica 13
África, Ásia e Estados Unidos, que deram origem a cultivares
comerciais, como as variedades Santa Eliza, Lavrense, Fartura, Atlas,
Sart, IPA 1011. O sistema de produção e distribuição de sementes
melhoradas, no entanto, só se desenvolveria mais tarde, entre fins dos
anos 1960 e começo dos 1970, com a criação da Embrapa, a instalação
do Centro Nacional de Milho e Sorgo, atual Embrapa Milho e Sorgo, e
com a decisiva entrada de empresas sementeiras privadas no
agronegócio do sorgo. Os híbridos de sorgo granífero de porte baixo
recém lançados na Argentina (aqui chamados de sorgo anão)
chegaram ao Brasil através da fronteira gaúcha, e o Rio Grande do Sul
tornou-se o maior produtor de grãos de sorgo do país. No município
de Bagé, na fronteira com o Uruguai, eram plantados entre 20 e 25 mil
hectares de sorgo ao ano. Do Rio Grande do Sul, os "modernos"
híbridos desenvolvidos pelo trabalho de melhoramento de plantas e
adaptados às condições da Pampa Argentina chegaram ao Estado de
São Paulo e, deste estado, a cultura expandiu-se para o Triangulo
Mineiro e estados centrais. Atualmente, o sorgo granífero tem pouca
expressão no Rio Grande do Sul. Seu cultivo está largamente
disseminado do Norte de São Paulo às regiões do Triângulo Mineiro,
Sul e Sudoeste de Goiás, Chapadas do Mato Grosso, do Mato Grosso
do Sul, do Tocantins, Oeste da Bahia e Sul do Piauí. No Nordeste,
entre 1973 e 1980, foi instalado o Programa de Sorgo e Milheto, com
o apoio da Fundação Ford, Sudene e BNB, cobrindo ações de pesquisa
nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Alagoas. Apesar desses
esforços, a cultura de sorgo no Nordeste não teve o crescimento
compatível com as características de região semiárida tão propícias à
cultura, como oc01Te em outras regiões do n1tmdo. Ao longo do
tempo, sorgo alternou crescimento e declínio de área plantada no
Brasil. Nos últimos 10 anos, entretanto, a cultura do sorgo encontrou
os nichos de mercado que lhe deram estabilidade e status técnico e
comercial. Atualmente, o Brasil situa-se entre os 10 maiores países
produtores de grão de sorgo do mundo, e o uso da planta inteira como
recurso forrageiro está largamente difundido no país.
14
Ribas
Importância econômica do sorgo
no mundo
O sorgo. é o quinto cereal mais plantado no mundo, perdendo
ap~nas para o tngo, arroz, milho e a cevada. Juntos, correspondem a
mais de 85% de toda a energia consumida pelo homem (RUSKIN,
1966). Na Tabela 1. 1 é mostrada a produção média de soroo 0
no
período de 2008 a 201 O, comparada à de outros cereais.
Tabela 1.1 - Produção mundial dos principais cereais, no período de
2008 a 2010
Produção (milhões de toneladas)
1
f
Cereais 2008 2009 2010 j
Milho 827 819 844
Arroz 689 684 672
Trigo 683 686 651
Cevada 157 151 123
Sorgo 66 56 55
Milheto 35 27 29
Aveia 26 23 20
Centeio 18 18 12
Fonte: WIKIPED lA, 20 13.
o sorgo faz
parte da dieta de aproximadamente 500 milhões
de pessoas em mais de 30 países e é culti vado nos seis continentes, em
áreas onde a temperatura média no verão é superior a 20 graus
centigrados e que tem um período outonal de pelo menos 125 dias sem
geada (W ALL; ROSS, 1970). Em todo o mundo, o sorgo é uma
cu ltura marginal. Seu cultivo e o consumo dos grãos e da forragem
são significativos nos países em desenvolvimento ou que apresentam
problemas de altas temperaturas e ~é~icit hídrico ?urante o ano. A
exceção a estas marcantes caractenst1 cas dos paises produtores e
Origem e importância econômica 15
consumidores de sorgo são os Estados Unidos, maior produtor, maior
exportador e o quarto maior consumjdor de grãos de sorgo do mundo
(DUARTE, 2010). As estatísticas de produção de grãos de sorgo e,
principalmente, de forragem são imprecisas. Em alguns países, aos
números de produção de sorgo é somada a produção de outros grãos,
como o milheto (DOGGETT, 1970; HOUSE, 1970). Em termos
mundiais, a área cultivada com sorgo cresceu de 38,5 para 43,9
milhões de hectares de 1961-65 a 1976. Neste período, a
produtividade média evoluiu de 918 a 1.179 kg/há, e a produção total
passou de 35,3 para 51,8 milhões de toneladas métricas. Anualmente,
são plantados cerca de 30 milhões de hectares com sorgo para
produção de grãos em todo o mundo, flutuando a produção entre 50 e
55 MT (milhões de toneladas métricas) por ano. Números recentes
publicados pela FAO estimam crescimento da produção de 8,33% em
2013 em relação à safra anterior; uma oferta total de 62 milhões de
toneladas (MT) e um consumo total de 59 MT. Deste total, 32 MT
foram destinados à alimentação humana, produção de álcool e a outros
usos industriais. Em ração animal foram consumidos 23 MT e a
exportação girou em torno de 4 MT. A produtividade média de grãos
de sorgo ao longo do tempo tem se mantido abaixo das médias do
trigo, arroz, milho e cevada. Esse dado é principalmente influenciado
pelas drásticas condições de cultivo a que o sorgo é submetido, co1no
o calor e a deficiência hídrica. As baixas n1édias mundiais não
refletem, definitivamente, o alto potencial de produção de grãos, de
matéria seca e de energia da planta de sorgo, que em certos ambientes
e se bem manejada, consegue superar as medias de produtividade do
milho (HOUSE, 1970). Atualmente, Estados Unidos, México, China e
Argentina detêm as melhores produtividades médias, entre 3,5 e 5,0
toneladas por hectare. Nas últimas décadas, a área cultivada com
sorgo nos Estados Unidos e na Argentina, dois dos maiores produtores
mundiais, caiu dramaticamente, cedendo espaço para culturas como
soja, girassol e milho, que, além de mais rentáveis financeirame nte,
foram beneficiadas pela adoção de novas técnicas ele manejo e
lançamento de cultivares bem adaptados aos ambientes antes restritos
ao cultivo do sorgo. Até meados dos anos 1970, os Estados Unidos
produziam mais de 20 milhões de toneladas, e a Argentina em torno
de 8 milhões de toneladas . Em outros países como Nigéria, Índia,
China, México, Etiópia, Sudão, Colômbia, Bolívia, Austrália e Brasil,
a área de sorgo cresceu ou manteve-se estável. Estados Unidos,
----
.
16 Ribas
México, Índia e Nigéria são os ma10res produtores de sorgo
atualmente e responsáveis por mais da metade de todo o sorgo
produzido no mundo. Países como Índia, Nigéria, Sudão, Etiópia e
Burkina Faso, além de grandes produtores, são também grandes
consumidores do grão, responsáveis por 32,5% do sorgo consumido
no mundo. Argentina, ainda um grande produtor de sorgo, é também
expressivo exportador do cereal. A Figura 1.1 mostra a produção de
sorgo dos principais países produtores nas três últimas safras e uma
projeção para a próxima safra 2013/2014. Nessa projeção, observa-se
recuperação da liderança dos Estados Unidos, que nas safras
2011/2012 e 2012/2013 perdeu posição para Nigéria e México
respectivamente, resultado da drástica estiagem que reduziu a
produção de milho e sorgo do país de forma dramática. A Argentina,
outrora grande produtora de sorgo, esboça uma reação e o Brasil,
juntamente com a Austrália e a China, mostra estabilidade ao longo do
período analisado.
12.000
10.000
~ 8.000
"C
<1:1
e:;
i:
E
o
o
~
4 .000
2.000
o EUA México
■ 201 0/20 11 ■ 20 11/201 2 201 2/20 13 L 201 3/201 4
Figura 1.1 _ Países maiores produtores de sorgo no período de 2010 a
201 3.
Fonte: MENEZES, C. B .. 20 10.
Origem e i111portâ11cia eco11ô111ica 17
A importância econômica do sorgo
no Brasi 1
Sorgo Granífero
Comparada à do milho, da soja e de outros grãos, a cultura do
sorgo tem pequena expressão no país, ou seja, faz parte do grupo de
cultivos que a literatura de língua inglesa chama de minar crops. No
entanto, movidos pela necessidade de redução de custo da alimentação
animal, criadores de aves, suínos e bovinos impulsionaram a demanda
pelo grão e forragem de sorgo, de forma que nos últimos l O anos a
área cultivada com sorgo se expandiu de maneira extraordinária. Para
que isso acontecesse, muito se deve, também, ao intenso trabalho do
Grupo Pró-Sorgo, movimento criado no fim dos anos 1980 por
pesquisadores públicos e privados, técnicos da extensão rural,
produtores, pecuaristas, industriais e imprensa, cujas ações
contribuíram fortemente para a difusão da cultura e do uso de seus
produtos (DUARTE, 2010). De 1975 para 2011, a área plantada
passou de 85.400 ha para 763.855 ha em 2011. No mesmo período, a
produção cresceu de 200 mil toneladas em 1975 para próximo de 2
MT em 2011. O rendimento médio teve incremento de 15% entre
1990 e 2011 , passando de 1.869,6 kg/ha para 2.147 kg/ha. Projeções
da Conab para a safra 2013 sinalizam produtividade média nacional de
2,5 toneladas/ha. Os maiores aumentos de produtividade fora1.-i
observados no Noroeste de Minas e Oeste ela Bahia. Os Estados de
Goiás, Minas Gerai s, Mato Grosso e Bahia concentram mais que 80o/c
da área plantada e da produção de sorgo granífero (LANDAU et al.,
20 l 3). O Centro Oeste é a principal região de cultivo de sorgo
granífero, tendo contribuído com cerca de 1,5 milhão de tonelada~ em
20 l 3 para a oferta total de sorgo. Novas áreas de cultivo <le sorgo
estão se abrindo no Sul cios Estados do Piauí, Maranhão, Oeste da
Bahia e Norte do Tocantins, vasta região agrícola conhecida como
MAPITOBA. Nestas regiões, o sorgo granífero, assiu como o milho,
cresce no rast1 o da soja. A importância destes estados para a produção
de sorgo deve-se às demandas de grãos para a Região Nordeste,
possibilitando a diminuição elos custos de produção ele frangos ·
lR Ribas
suínos. A incorporação destas novas áreas à produção de sorgo pode
diminuir a pressão de demanda por milho no Nordeste e no Centro-Sul
do país (DUARTE, 2010). Estima-se que ainda haveria 10 milhões de
hectares de áreas agrícolas com aptidão climática para expansão da
cultura de sorgo granífero no Brasil.
-- --
Na Figura 1.2 tem-se a distribuição da cultura de sorgo
granífero e a produção média de grãos no período de 2004 a 2006.
Produção média de sorgo
2004 a 2006
li1 1 ponto = 1.000 toneladas
Edição Gcoproccssamcnto
0& 1ro1 - Embrapa Milho e Sorgo - 2007
Figura 1.2 - Distribuição da cultura de sorgo granífero no Brasil e
produção média, no período ele 2004 a 2006.
Fonte: 113GE. 2007.
Assim corno e m outros países, o sorgo é considerado no
Brasil uma c ultura marginal , isto é, manejada sob condições de
estrc. se ambi e ntal e com baixa aplicação de tecnolog ia. Por essa
razão, os índices de produtividade ainda estão aqué m do grande
po te nc ial de produção de g rãos e matéria seca da espécie. Apesar da
Origem e i111por1âncio econtm1irn 19
baixa produtividade de grãos quando comparada aos 4.200 kg/ha dos
Estados Unidos e aos 4.300 kg/ha da Argentina, a produtividade
brasileira está acima dos nívei s médios mundiai s. Enquanto a média
da produtividade mundial é de 1.439 kg/ha, a média brasileira
encontra-se em torno de 2.500 kg/ha. É preciso ressaltar que a menor
produtividade do sorgo no Brasil está relacionada com a opção dos
produtores em plantar sorgo na segunda safra e com baixo uso de
tecnologia, aproveitando a fertilidade residual das culturas de verão.
A Tabela 1.2 apresenta a área plantada, produtividade e
produção de grãos de sorgo no Brasil relativas à safra 11/12 e projeção
para a safra 12/ 13
Tabela 1.2 - Área, produtividade e produção de grãos de sorgo no
Brasil
Safras 2011/20 l 2 e 201 2/2013
Produtividade (Em
Região/UF Área (Em mil ha) kg/ha) Produção (Em mil t)
Safra Safra Safra Safra Safra Safra
11/12 J2/ 13 11/ 12 12/ 13 11/ 12 12/ 13
(a) (b) ( e) (d) (e) (f)
Norte 2 1,5 2 2,0 1 .736 1 .850 3 7 ,3 -1- 0.7
TO 2 1,5 22,0 1.736.0 1.850.0 37}, 40.7
Nordeste 1 01 ,9 9 0,7 7 58 3 99 7 7.2 3 6 ,3
PI 7.7 1,2 2. 130.0 2.000.0 16.-1- 2 .➔
-·- ,__
CE 0,3 0,3 236,0 236,0 0.1 0.1
RN 1, 1 1,3 930,0 732 ,0 l.0 l.0
PB 0 ,2 0,2 1.500,0 800,0 O.J 0.2
PE 0,6 0,6 582 ,0 439,0 0.3 0,3
BA 92,0 87 , 1 642 ,0 .17 1.0 59.1 J 2,J
Centro-Oeste 483 ,0 490,3 3. 160,0 2.990,0 1.526,,, l.-1-65,9
MT 15 1,4 163,2 2.7 X0.0 .1.010,0 -1-20.9 ..i91,,
MS 29,ll 16,8 [Link] 2.800.0 78.3 -1-7.ü
Continua .. .
20 Ribas
Tabela 1.2 - Cont.
,1-, , ,, Safras 2011/2012 e 2012/2013
1
Produtividade (Em
Região/UF Área (Em mil ha) kg/ha) Produção (Em mil t)
Safra Safra Safra Safra Safra Safra 1
11/12 12/13 11/12 12/13 11/12 12/13
1
' (a) (b) ( e) (d) (e) (f)
GO 296.5 306,3 3.369,0 2.970,0 998,9 909,7
DF 6,1 4,0 4.600,0 4.500,0 28, 1 18,0
Sudeste 150,3 175,3 3.460,0 2.959,0 519,9 518,7
MG 126.1 151, I 3.5 19,0 2.984,0 443,7 450,9
SP 24,2 24,2 3. 150,0 2.800,0 76,2 67.8
SUL 30,2 22,0 2.030,0 3.002.0 61,3 66,0
PR 1,8 1,8 3.700,0 3.740,0 6,7 6,7
RS 28,4 20,2 1.924,0 2.936,0 54,6 59,3
Norte/Nordeste 123,4 112,7 928,0 682,0 114,5 77,0
Centro-Sul 663,5 687,6 3. 176,0 2.982,0 2. 107,4 2.050,6
Brasil 786,9 836,4 2.824,0 2.544,0 2.221,9 2.127,6
Fonte: CONAB. 2013.
Sorgo Forrageiro
O crescimento da área de sorgos forrageiros no Brasil tem
sido mais discrelo, e as estatísticas de área plantada, ele produção e de
produtividade são escassas e imprecisas. Em Minas Gerais e no Rio
Grande do Sul, maiores produtores de leite cio país, encontram-se as
mais extensas áreas de c ultivo com sorgos forrageiros. A área plantada
com sorgo forrageiro para si lagem tem se mantido estável ao longo
dos últimos anos, de 300 a 400 mil hectares/ano. No entanto, é
cre!')cente o interesse por sorgos de corte e pastejo, especialmente no
Rio Grande do Su l, onde esse cultivo é tradicional desde os anos 1960.
Recente mente, foram introduzidos no mercado brasileiro cultivares de
sorgo j.Jün. ,Jastcjo com a incorpora~ão de genes que aumentam a
Origem e i111por1a11cia eco11ô111ica 21
eficiência alimentar da sua forragem. Esses genes, conhecidos como
bmr (iniciais de brown mid rib), têm sua expressão fenotípica através
da cor marrom da nervura central e das bainhas das folhas. Seu efeito
é observado no aumento do consumo e na digestibilidade da matéria
seca, resultando em melhor desempenho animal na nutrição de
ruminantes. Essa novidade tecnológica abre clara oportunidade de
crescimento do uso de sorgos forrageiros no Brasil, em todas as
regiões de exploração pecuária de c011e e leite.
A Figura 1.3 mostra a evolução da área plantada com todos os
tipos de sorgo foITageiro no Brasil , período de 1992 a 2009
(DUARTE, 2010).
-.::t"
450 -.::t"
400 M '
00
1
350 M
300 N
250
200
150
100
50
o
N r') s::t" Ir) \D r-- 00 O\ o N r'"l s::t" Ir) \D r-- 00 O\
O\ O\ O\ O\ O\ O\ O\ O\ o o o o o o o o o o
°' O\ O\ O\ O\
°' O\
-
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N
o
N
o
N
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N
Figura 1.3 - Evolução da área plantada com sorgos forrageiros no
Brasil , de 1992 a 2009.
Fon te: DUARTE, 20 10.
Uso do Sorgo na Alimentação Humana
Em todo o mundo, os grãos ele sorgo são utili zados de diversas
formas para atender às necessidades alime ntares cio homem e elos
animais. Em países pobres ele recursos alimentares, assim como e m
países em desenvolvimento, farinha ele grãos de sorgo é largamente
cons_umida pelas suas populações. Da fari nha são fabricados pães, papas
e mtngaus, com ou sem a mistura de outras farinhas. Dos grãos de
alguns cultivares faz-se pipoca: culti vares de grãos com endosperrna
22 Ribas
ceroso ou amiláceos (waxy t_vpes) têm aplicação na indústria de
alimentos~ sorgos de colmo doce foram e ainda são muito usados nos
Estados Unidos na produção de melaço e que, atualmente, despertam
grande interesse para a produção de bietanol. No Brasil, praticamente
não há consumo regular de sorgo na alimentação humana, mas sim
referências de indústrias a11esanais que testam o sorgo em suas receitas
(QUEIROZ, 2013). Pesquisas em desenvolvimento na Embrapa e nas
Universidades Federais de Viçosa (UFV), de Minas Gerais (UFMC), de
São João Dei-Rei (UFSJ) e na UNICAMP, em parceria com a Texw
A&M University dos Estados Unidos, indicam o alto potencial dos
grãos de sorgo para esse fim. Pesquisadores dessas entidades,
trabalhando com grãos de sorgo de diferentes colorações de pericarpo e
constituição do endosperma, têm verificado elevado efeito antioxidante
de compostos bioativos em alguns cultivares de sorgo, os quais são de
grande valor na melh01ia da saúde humana. Além disso, por não
apresentar glúten nos grãos, alimentos processados com farinha de
sorgo têm grande importância na dieta de indivíduos portadores da
doença celíaca ou para aqueles com algum tipo de intolerância ao glúteo
(QUEIROZ, 2009). A adoção de sorgo na alimentação humana, no
Brasil, crescerá na medida em que forem eliminados preconceitos e
tabus entre os hábitos alimentares da população, e que se intensifique o
envolvimento das áreas de pesquisa com o setor industrial. A Figura 1.4
mostra alguns produtos caseiros feitos com farinha de sorgo pela
Embrapa Milho e Sorgo.
figura 1.4 - A limentos produzidos com farinha de sorgo.
Font e: EMBR Al'A MIU 10 1: SORCiO.
Origem e importância eco11a111ica 23
Sorgo na Alimentação Animal
Na grande maioria dos países produtores e consumidores, o
principal uso do sorgo é na alimentação animal. Os grãos são
largamente usados em dietas caseiras e rações comerc1a1s para
monogástticos, ruminantes, peixes, crustáceos e pequenos animais
domésticos. Para esses fins, são utilizados indistintamente grãos de
várias cores, formas e consistências do endosperma. O grão de sorgo é
basicamente uma fonte de energia sendo a qualidade de sua proteína
(kafüina) baixa, principalmente pela insuficiente concentração de
alguns anunoácidos essenciais, como a li~ina. Os grãos de sorgo
podem ser usados de forma integral ou moídos. Modernamente, são
aplicados processos industriais como o craqueamento e a extrusão.
para melhor expô-los ao ataque das enzimas durante a digestão e,
assim, melhorar sua eficiência nutricional. No Brasil , o principal
usuário de grãos de sorgo é a agroindústria de carnes. De acordo com
dados do Sindicato dos Fabricantes de Ração (SINDIRAÇÕES, 2012)
avicultura, suinocultura, bovinocultura, pet e outros, nessa ordem, são
os maiores consumidores do sorgo produzido no Brasil. A Figura 1.5
mostra a participação de grãos de sorgo na indústtia brasileira de
rações (média de 2006 a 2010). A agroindúsh·ia de cm11es e o setor de
derivados do leite estão cada vez mais interessados em aumentar o
consumo de sorgo na alimentação animal. Estima-se que a produção
de grãos de sorgo poderá se elevar até 5 milhões de toneladas, num
médio prazo, sem risco de excesso de oferta.
Participação dos setores no consumo de
sorgo granífero
Aves ■ Suínos ■ Bovinos ■ PeUoutros
Fi gura 1.5 - ParLic ipação dos setores no consumo de sorgo granífero
nas rações.
Ponte: SINDIR AÇÕES. 201 2.
24 Ribas
O balanço de manda/oferta de milho está ajustado, porque
recentemente o país recomeçou a exportar este cereal com bons
resultados financeiros para produtores e exportadores. Assim, o sorgo
passa a assumir cada vez mais um papel estratégico para a
consolidação de uma política de exportação de milho, quer sob forma
direta, quer agregada, em carnes de aves e suínos. Considerando os
cereais em geral, inclusive sorgo, e mais algumas matérias-primas
componentes da chamada cesta básica de ingredientes energéticos, o
sorgo representou 4,36% de um total de 51 milhões de toneladas de
matérias-primas e nergéticas empregadas na indústria de rações
animais em 2012, como mostra a Tabela 1.3.
Tabela 1.3 - Consumo de ingredientes energéticos pela indústria de
rações no Brasil - previsão 2012
Categoria Ingrediente (Xl .000t) 1
animal
Milho Sorgo Trigo Outros 2 Total
Frangos 19.580,0 784,0 166,0 4.107,0 24.637,0
Poedeiras 3. 110,0 - 56,0 3 l 9,0 3.485,0
Suínos 9.687,0 682,0 6 19,0 l.703,0 12.69 1,0
Gado de leite 1.637.0 - 936,0 l.188,0 3.76 1,0
Gado de corle 682,0 518,0 239,0 702,0 2. 14 1,0
Outros 1 2.73 1,0 232,0 265,0 909,0 4.137,0
TOTAL 37.427,0 2.2 16,0 2.28 1,0 8.928,0 50.852,0
,
• Pets: peixes; crustaceo~; aves; outros.
2 Fare lo e g lúten de milho; derivados de arroz, soja. cana; farinhas e gorduras de animais .
Fonte: SINDIRAÇÕES, 20 12.
A planta inteira de sorgo é muito nutnt1va. Ela pode ser
cortada e ensi lada quando os grãos atingem o ponto ele ''massa dura",
produzindo uma si lagem, em certos cas~s, comparada às me lhores
silagens de milho. Ou pode ser cortada ainda verde para ser serv ida
aos animais, no cocho. E pode também ser usada para fenação, para
silagem pré-secada; e, mais comumente, como pasto te mporário de
verão. Enquanto em outros países como EUA e Argentina a principal
utilização da forragem é sob rastejo direto, no Brasil, o uso mais
Origem e i1111wr1(111cia l'co11r1111ico 25
frequente é sob forma de silagem ou forragem conservada, tanto para
bovinos ele leite como para gado ele corte.
As Figuras J .6 e 1.7 mostram os usos mais correntes da
forragem de sorgo: planta inteira, para ser servida no cocho ou
ensilada ou utilizada em pastejo direto.
Figura J.6 - Corte ele forragem ele sorgo.
Figura 1.7 - Sorgo em pastejo direto.
Ta nino e Durrina
Duas característi cas nutri cionai s cios grãos e da forragem de
sorgo têm merecido a atcrn;ão de estudiosos e nutricionistas: presença
de tanino nos grãos de certos culti vares e de um glucosídeo
cianogê nico nas partes verdes da planta. O mau entendi rnento dessas
26 Ribas
caracteristicas tem gerado preconceito e rejeição ao uso do sorgo nas
dietas animais, especialmente no Brasil. A presença de tanino nos
grãos não tem importância toxicológica, como às vezes se afirma, mas
é um elemento supressor da digestibilidade da proteína e dos
carboidratos, reduzindo o valor biológico do grão. Grãos de sorgo com
tanino apresentam uma camada de células escuras logo abaixo do
pericarpo e possuem sabor adstringente, pouco atrativo ao paladar de
animais monogástiicos. Esses cultivares - também conhecidos por
sorgos antipássaros - são plantados em regiões do mundo onde o
ataque de pássaros silvestres inviabiliza a produção de grãos, o que
não é o caso do Brasil, em geral. O cultivo dos sorgos antipássaros,
hoje, é restrito à micr01Tegião da fronteira do Rio Grande do Sul com
Uruguai e Argentina. No restante do país, são plantados sorgos sem
tanino nos grãos. A presença do glucosídeo cianogênico, conhecido
como durrina, pode causar acidentes digestivos em ruminantes. A
durrina está especialmente presente nas partes verdes de plantas
jovens, e sua concentração diminui a níveis não letais com o
crescimento da planta. O potencial de intoxicação é maior em rebrotas
jovens, com menos de 30 dias, especialmente quando seu crescimento
é retomado após a ocorrência de geada. Com exceção das condições
particulares, tanto os grãos como a forragem ele sorgo são alternativas
reconhecidamente de alto valor nutritivo para a alimentação animal
em geral.
Sorgo na Geração de Energia
Recentemente, nos Estados Unidos, na Argentina e também
no Brasil, os sorgos de colmos suculentos e ricos em açúcares
voltaram a despertar grande interesse na indústria alcooleira. Acredita-
se que esses sorgos terão relevante papel, em futuro próximo, na
composição da matri z energética de certos países, como o Brasil.
Além desses tipos ricos em açúcares, cultivares ele porte alto, de
colmos grossos e fibrosos, ele ciclo muito tardio e de grande potencial
de produção de matéria seca, também têm despertado interesse na
produção de e nergia. A literatura refere-se a esses sorgos como sorgos
para biomassa ou biomass sorg/11111s. Sua utilização na produção de
energia baseia-se na digestão ele sua fração fibrosa para transformá-la
em energia calórica. Em capítulo específico sobre o uso elo sorgo na
Origem e i111portâ11cia eco11ô111ica 27
produção de energia, o potencial de utilização dos sorgos sacarino e de
biomassa será mais amplamente discutido.
Outros Usos
Em muitas regiões da África e da Ásia fabricam-se
aguardentes e cervejas a partir da fermentação de grãos de sorgo. Na
China, uma aguardente chamada Maotai, fabricada a partir de grãos de
sorgo, cuja origem remonta há 2000 anos, tornou-se a bebida nacional
do momento no país (FOLHA DE SÃO PAULO, caderno A 10,
Mundo, julho, 2013). Sabe-se também que álcool de alta pureza
química, produzido a partir de grãos de sorgo, tem sido aplicado na
produção de vodkas, na indústria farmacêutica e de perfumaria. Em
algumas comunidades pobres da África, os colmos de variedades de
porte alto são utilizados corno material de construção para sustentar
simples habitações e armazéns nas propriedades rurais (HOUSE,
1970). No Brasil, é comum no meio rural e em pequenas comunidades
o uso de vassouras artesanais feitas com panículas dos chamados
"sorgos vassouras", cultivares geralmente de porte alto com panículas
grandes, muito ramificadas e abertas. Na indústria de tintas, colas e
plásticos biodegradáveis usa-se a1nido de sorgo, que també m tem
aplicação nos processos de perfuração de poços profundos.
Tipos Comerciais de Sorgo
Todos os sorgos de interesse comercial, independentemente
de sua morfologia ou finalidade, pertence m ao gênero Sorglwm. No
mercado de sementes da maioria dos países produtores, inclusive o
Brasil , são reconhecidos pelo me nos quatro tipos agronô micos e de
consagrada nomenclatura comercial. A seguir, é apresentada bre ve
descrição de cada tipo e uso:
Sorgo Granífero
■ C ultivares de porte bai xo, de 1,00 até 1,50 m, aptos a colheita
mecanizada dos grãos (Figura 1.8).
28 Ribas
Figura 1.8 - Sorgo granífero no Triângulo Mineiro.
• Inflorescências ou panículas de formas variadas, comumente
cilíndricas ou elípticas, semicompactas ou semiabertas, raramente
muito compactas ou muito abertas.
• Grãos relativamente grandes e de cores variadas: branco, creme,
amarelo, vermelho, bronzeados, manons e que se desprendem
facilmente das glumas protetoras.
• Endosperma duro ou farináceo, de cor branca ou amarela.
• Alguns cultivares apresentain grãos com tanino e são chamados
anti pássaros.
• Colmos suculentos, não doces ou ligeiramente doces, raramente
secos.
• Semente comercial: híbrida ou variedade de polinização aberta.
Sorgo Forrageiro para Silagem
• Conhecidos no Brasil como sorgos silageiros.
• Cultivares de porte alto: ele 2 a 3 m, da base da planta até o ápice da
• panícula.
• Colmos suculentos ou secos, doces ou insípidos; grãos pequenos.
• Tipos de porte alto: altura de planta > 2,5 m: alto potencial ele
produção de matéria seca, baixa relação folhas/colmo e baixa
re lação panículas/planta inte ira (Figura 1.10).
Origem e i11111ortâ11cio c'c·o11r,111ico 29
■ Tipos ele porte médio: altura de pl antas entre 1,8 e 2,5 m; bom
potenci al ele produção de matéri a seca, boas re lações en tre partes da
planta (Figura 1.9).
■ Nos Estados Unidos e na Argentina, sorgos com l ,80 a 2,00 m de
altura são também chamados de sorgos ele duplo propósito: tanto se
prestam à produção de silage m como para colheita mecanizada dos
grãos (Figura 1.9).
■ Semente comercial: híbrida ou variedade de polini zação aberta.
Figura 1.9 - Silageiro ele porte médi o.
Figura 1. l O - Si lagc irn de porte alto.
30 Ribas
Sorgos de Corte e Pastejo
• Cruzamento de sorgo granífero (Sorghum bicolor) x capim-sudão
(Sorghum sudanense) (Figura 1.11).
• Plantas de folhas estreitas, colmos finos e suculentos, panículas
ralas, baixa produção de grãos.
■ Rápido crescimento, rebrota fácil e perfilhamento abundante.
• Alto potencial de produção de matéria seca de excelente valor
nutritivo.
■ Até cinco cortes nas condições de verão e outono das reg1oes
tropicais e subtropicais.
• Muito populares nos Estados Unidos, Argentina, Austrália e
México.
• Introduzidos no Brasil nos anos l 960~ muito utilizados por
pecuaristas do Rio Grande do Sul.
■ Principal finalidade de uso no Brasil: pastagem temporária de
verão/outono (RS/Brasil Central).
■ Formação de palha para plantio direto (Brasil Central).
Figura 1.11 - Sorgo de corte e pastejo.
Sorgos Sacarinos
• Fenotipicamente seme lhantes aos sorgos para silagem.
• Colmos suculentos, caldo rico em açúcares ele concentraçüo e
qualidade para produção comercial de bietanol.
Origem e i111portâ11cia eco11ô111ica 31
• No Brasil, foram inicialmente estudados nos anos 1970 e 1980 pela
Embrapa e outras instituições.
• Atualmente, têm sido considerados fonte alternativa para produção
de energia.
Sorgos Biomassa
• São de porte muito alto, acima de 3 m.
• Colmos grossos e fibrosos.
• Panículas pequenas, baixa produção de grãos.
• Atualmente, têm sido considerados fonte alternativa para
produção de energia.
A Figura 1.12 mostra uma colheita de sorgo sacanno no
Estado de São Paulo.
Figura 1.12 - Colheita de sorgo sacarina.
Sistemas de Produção de
Sorgo no Brasil
Até o fim dos anos 1970, o sorgo granífero era cultivado no
Sul e Sudeste elo Brasil, principalmente na safra de verão, de setembro
32 Ribas
a janeiro. A partir dos anos 1980, passou a ser plantado também na
segunda safra, ou safrinha, do fim do verão ao início do outono. Hoje,
con1 exceção do Rio Grande do Sul, todo o sorgo granífero do país é
plantado na safrinha, em sequência às culturas de verão,
principalmente após soja. Já aqueles para silagem ou para corte e
pastej o são plantados parte no verão, parte na safrinha (Figura 1.13)
Forrageiro Granífero
9%
■ Safrinha ■ Safrinha
D Verão □ Verão
Figura 1.13 - Proporção das áreas plantas no verão (A) e na safrinha (B).
Fonte: DUARTE, 2010.
Tanto no verão como na safrinha, o sorgo é plantado
convencionalmente ou direto na palha. Na safrinha, o plantio é quase
integralmente na palha da cultura anterior. Essa prática tornou o
sistema de produção mais eficiente e foi fundamental para o
crescimento da área cultivada. O Brasil é um dos poucos países que
consegue colher eficientemente safras sequenciais (Figura 1.14),
utilizando-se a mesma área, sem irrigação suplementar, com
produtividades crescentes e com baixo custo de produção.
Figura 1. J4 - Sorgo plantado na palha de soja.
Origem e i111portâ11cia eco11ô111ica 33
A comercialização de grãos de sorgo no Brasil flui
normalmente a partir dos meses de junho e julho, quando se inicia a
colheita da safrinha nos estados centrais. Vários agentes atuam no
processo de comercialização: cooperativas, fabricantes de rações,
integrações de aves e suínos, pecuaristas de corte e leite, comerciantes
de grãos. À época da colheita, as unidades armazenadoras, públicas e
privadas, normalmente estão ocupadas com outros produtos,
especialmente soja e milho e, por isso, a armazenagem do sorgo é
precária, fato que reduz a oportunidade de obter melhores preços pelo
produtor, além da perda de qualidade do produto. Como o tempo
permanece seco nos meses de colheita, de junho até agosto, muitos
produtores costumam armazenar temporariamente o sorgo na lavoura
ou a céu aberto, à espera de melhores preços, como mostra a Figura
1.15. Os preços do sorgo seguem o mercado de milho, com deságios
que variam de 15 a 20% conforme a praça e as circunstâncias do
momento. Toda a produção brasileira de sorgo tem sido
comercializada num curto período, de julho a dezembro, sem sobras.
Poucos são os usuários do produto que mantêm estoques estratégicos
para aguardar a safra seguinte. A característica de sazonalidade da
cultura de sorgo granífero e a falta de mais espaço para armazenar
adequadamente o produto têm inibido o seu uso ao longo do ano pelas
agroindústrias de grande porte, que requere1n maior disponibilidade e
regularidade no fornecimento do grão de sorgo.
Figura 1. 15 - Armazename nto te mporário cio sorgo a céu aberto ou na
lavoura.
------------ . ---··
34 Ribas
Nos diferentes ambientes do semiárido brasileiro, o sorgo é
normalmente plantado no início da estação chuvosa (inverno), que se
caracteriza pela curta duração, di stribuição irregular no espaço e no
tempo e ocoITência de veranicos, com 15 a 20 dias sem chuvas
(BARROS; T ABOSA, 2009). No semiárido brasileiro, que inclui a
Região Nordeste e parte dos Estados de Minas Gerai s e Espírito Santo,
são praticados doi s sistemas de produção:
• Mecanizado: praticado nas áreas planas, com aptidão plena e sem
impedimento de natureza climática e pedológica para o cultivo do
sorgo. Neste sistema, os produtores fazem uso de média tecnologia,
que inclui operações mecanizadas, uso de fertilizantes e
agroquí[Link], sementes fiscalizadas e, eventualmente, irrigação
suplementar. A Figura 1.16 mostra a lavoura de sorgo forrageiro
sendo colhida mecan.ica1nente na região do agreste pernambucano.
• Manual: praticado por agricultores familiares, com o mínimo de
tecnologia e, consequentemente, baixos índices de produtividade.
Fi gura 1.16 - Colhe ita mecanizada de sorgo forrageiro.
Fonte: Cortes ia do IPA.
Origem e importância econômica 35
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Acesso em: 8 Nov. 20 13.
BOTÂNICA 2
1
Renzo Garcia Von Pinho
Ivan Vilela Andrade Fiorin/
Álvaro de Oliveira Santos3
O sorgo [Sorghum bicolor (L.) Moench] originou-se no
quadrante noroeste da África, abaixo do Deserto do Saara,
provavelmente nas regiões da Etiópia e Sudão, onde se encontra
atualmente a maior variabilidade de espécies silvestres e cultivadas.
Foi provavelmente domesticado a cerca de 6.000 mil anos, através da
seleção de espécies silvestres (Sorghum arundinaceum ou Sorghum
verticilliflorum). Posteri01mente, foi difundido inicialmente na África
e Ásia e, depois, levado às Américas.
Doggett (1988) descreveu a disseminação e o desenvolvimento
do sorgo cultivado, que aconteceram paralelamente ao seu parente
silvestre Sorghum arundinaceum, da Etiópia, na região do Alto Volta,
no Sudão, numa época bastante remota. O movimento foi restringido
ao sul pelos bosques do Congo e os sorgos cultivados continuaram o
processo de cruzamento com as espécies silvestres, gerando novas
formas de ambos os tipos. Evidências sugerem que o sorgo migrou da
Etiópia à África Oriental aproximadamente no ano 200 d.C. e,
posteriormente, foi levado aos países da savana, e destes, ao sul da
1
Engenheiro-Agrônomo, M.S .. D.S.c. e Professor da Universidade Federal de Lavras. Bolsista
CNPq. E-mail: renzo@[Link]
2
Engenheiro-Agrônomo, M.S. e Doutorando em Fitotecnia na Universidade Federal de Lavras.
E-mail: ivanvaf@[Link]
3
Engenheiro-Agrônomo, M.S. e Doutorando em Fitotecnia na Universidade Fedl!ral de Lavras.
E-mail: alvuroareudo@[Link]
38 Von Pinho, Fiorini e Santos
África. Porém, segundo alguns indícios, pode ter havido duas regiões
de dispersão independentes: África e Índia (PIRES et ai., 2006).
/ A produção de sorgo teria se estendido para o sul da África,
lndia (aproximadamente no ano 1500 a.C.) e sul asiático, alcançando a
China e Tailândia no século III d.C. Entretanto, o sorgo já havia sido
observado na Coréia e nas provmcias chinesas adjacentes,
introduzidas pelas chamadas "rotas da seda", que seguiam da Ásia
Menor em direção ao Extremo Oriente (SANTOS et ai., 2005). No
ano de 700 a.e., o cereal havia se propagado da Índia para os países
mediterrâneos, notadamente para a Itália.
Nas Américas, o processo de disseminação do sorgo é bem
mais recente. As primeiras introduções oc01Teram no Caribe, trazidos
por escravos africanos. Posteriormente, o sorgo foi introduzido nos
Estados Unidos em meados do século XIX, por meio de sementes
trazidas nos navios negreiros por ocasião do tráfico de escravos.
Após longo período de adaptação, várias experiências e
trabalhos de melhoramento foram realizados, visando atender às novas
modalidades de utilização e métodos culturais diferentes. Foi nos
Estados Unidos, por meio dos trabalhos de melhoramento com os
cultivares antigos, que se chegou aos diferentes tipos de sorgo hoje
cultivados (VON PINHO, 2007).
No Brasil, a sua introdução também é atribuída aos escravos,
onde a cultura ficou conhecida como "milho-d'angola" (LIRA, 1981).
Após um período de baixa utilização, a reintrodução desta cultura é
relativamente recente e ocorreu inicialmente no Estado do Rio Grande
do Sul, nas estações experimentais da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul.
No nordeste brasileiro, os estados que mais têm se sobressaído
com a exploração do sorgo são Rio Grande do Norte, Ceará,
Maranhão, Bahia e Pernambuco.
Atualmente, o sorgo vem sendo cultivado com sucesso nas
mais variadas regiões do Brasil, principalmente nos plantios ele safra,
em sucessão ao cultivo principal de verão.
Botânica
39
Classificação Taxonômica
O sorgo é uma espécie monoica, autógama, com taxa de
alooamia
b
entre 2 e 10%. Pertencente à ordem Poales, ,
farru1ia
., .
Poaceae, subfamília Panicoidae, gênero Sorghum e a espec1e
Sorghum bicolor L. Moench.
Em 1753, Linneu descreveu três espécies de sorgo cultivado:
Holcus sorghum, Holcus saccaratuse e Holcus bicolor. Esta
classificação perdurou 40 anos, quando, em 1794, Moench separou o
gênero Sorghum do gênero Holcus. Em 1961, Clayton considerou
Sorghum bicolor (L.) Moench como o nome específico e correto para
designar os sorgos cultivados. Atualmente, esta nomenclatura é a mais
utilizada (PAUL, 1990).
Posteriormente, outras classificações foram apresentadas. Por
exemplo, Harlan e de Wet (1972) dividiram o sorgo cultivado em
cinco raças básicas: caudatum, guinea, bicolor, [Link] e durra e 1O
raças hfbridas. Esta classificação foi de grande importância, pois
permitiu que se obtivessem resultados satisfatórios na identificação
dos sorgos, utilizando poucas características como a forma do grão e
das glumas e panícula.
A raça caudatum é cultivada na Nigé1ia, Sudão, Uganda e
Chad e apresenta as características: panícula grande, robusta e
compacta. Os grãos são quase pontiagudos na parte basal, biilhantes e
de boa qualidade, assimétricos, aplanados ou côncavos. As glumas são
pequenas e curtas, cobrindo de 25 a 50% do grão (Figura 2.1 ).
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1 Gl unia,
Figura 2.1 - Panícula, espiguetas, glumas, seção transversal (ST) e
seção longitudinal (SL) do grão da raça caudarum.
Fontl:: Adaptadu de MANN e1 ai., l 9XJ .
40 Vo11 Pí11ho, Fíoríní e Santos
A raça guinea encontra-se amplamente distribuída pelo
mundo. As panículas são grandes e soltas, as glumas são largas,
cobrindo 50% do grão; e os grãos apresentam tamanho médio, são
duros e vítreos, com aspecto arredondado/oval ou aplanado. Na fase
de maturação, o grão inclina-se cerca de 90º em relação às glumas
(Figura 2.2).
Glumas
Figura 2.2 - Panícula, espiguetas, glumas, seção transversal (ST) e
seção longitudinal (SL) do grão da raça guinea.
Fonte: Adaptado de MANN et ai., 1983.
A raça bicolor é a mais primitiva das cinco 1~aças básicas,
pertencente aos sorgos silvestres S. arundinaceum. E geralmente
menos produtiva, sendo culti vada como forragem, por possuir colmo
doce, e encontra-se distribuída na Áf1ica. Apresenta panícula estreita e
compacta, espiguetas persistentes, glumas largas e bem aj ustadas e
cobrem completamente os grãos; porém, em alguns casos, essa
cobertura pode ser parcial. Os grãos possuem tamanho grande,
redondo, algumas vezes oval, quase simétrico dorso-ventralmente
(Figura 2.3).
41
Botânica
o . {"
.
..
Glumas
Figura 2.3 - Panícula, espiguetas, glumas, seção transversal (ST) e
seção longitudinal (SL) do grão da raça bicolor.
Fonte: Adaptado de MANN et ai., 1983.
A raça kafir é originá.tia da África do Sul e é amplamente
cultivada na África, principalmente ao sul da linha do Equador. Possui
hastes grossas, suculentas e folhas grandes. As panículas são grandes,
semicompactas e cilíndricas. As glumas são curtas, cobrindo 50% do
grão. Os grãos são de tamanho médio, fonna cilíndrica, aplanada ou
biconvexa, quase redonda, de coloração branca, rosa ou vem1elha
(Figura 2.4 ).
Glumas
Figura 2.4 - Panícula, espiguetas, glumas, seção transversal (ST) e
seção longitudinal (SL) do grão da raça Kafir.
Fon te: Adaptadn ele MANN et ai., 1983.
42 Von Pinho, Fiorini e Santos
A raça durra é originária de áreas mediterrâneas. Apresenta
hastes secas, panículas compactas, de formato oval, voltadas para base
em ângulo de 180º, devido à curvatura do pedúnculo. As glumas são
largas, exibindo nas pontas textura diferente da que se observa na
base. Os grãos são aplanados, redondos ou ovoides, com coloração
maITom ou avermelhados, de tamanho médio a pequeno. Essa raça é
frequente em teITas altas da Etiópia, Índia, Vale do Nilo e Sudão e é
considerada tolerante à seca (Figura 2.5).
Glumas
Figura 2.5 - Panícula, espiguetas, glumas, seção transversal (ST) e
seção longitudinal (SL) do grão da raça e/urra.
Fonte : Adaptado de MANN et ai. , 1983.
Tradicionalmente, alguns pesquisadores (BENNETT et al.,
1990; DOGGETT, 1988) classificam o sorgo de acordo com o seu
uso:
• Sorgo para grão (kaollings, Durra, Shallu, Guineens, Kafir,
Hegari, Feteritas, Mi/o).
• Sorgos doces.
• Sorgos forrageiros.
• Sorgos para vassoura.
• Sorgos para propósitos especiais, como produção de biomassa etc.
Botânica 43
Podem, ainda, ser classificados quanto às características
agronômicas:
• Granífero (pmte baixo, adaptado para colheita mecânica).
• Forrageiro (porte alto, utilizado na produção de silagem).
• Sacarina (produção de açúcar e etanol).
• Corte e pastejo (pastejo extensivo).
• Vassouras (panículas).
Morfologia da Planta de Sorgo
O sorgo é uma planta de clima tropical, de dias curtos,
pertencente ao grupo das gramíneas (C4). A temperatura ótima para o
seu desenvolvimento oscila entre 16 e 38ºC. É cultivado
principalmente em locais de precipitação anual entre 375 e 625 mm
(RIBAS, 2009).
Devido as suas características xerofíticas e ao eficiente
mecanismo mmfológico, a planta de sorgo tem a habilidade de se
manter dormente durante o período de seca, retomando seu
crescimento imediatamente após o restabelecimento das condições
favoráveis (LANDAU; SANS, 2009).
Na Figura 2.6, é mostrada a estrutura de uma planta de sorgo
completa.
44 Von Pinho, Fiorini e Santos
Panícula
Folha bandeira
Pedúnculo
Bainha
Colmo Perfilho
Gema basal
~ ~ ~ ~~---
~:~~~~í:.:- ~ 'Ji'{-~
Figura 2.6 - Planta de sorgo completa.
Fonte: Adaptado de PAUL, 1990.
Raízes
A radícula é responsável pelo estabelecimento inicial da
plântula. Posteriormente, desenvolvem-se as raízes primárias ou
seminais - sendo pouco ramificadas - , responsáveis pela absorção de
nutrientes e água até o estabelecimento do sistema radicular definitivo
da planta (raízes secundárias).
As raízes secundárias ou adventícias, formadas no primeiro nó
acima do solo, são compostas por elevado número de raízes com
grande quantidade ele pelos absorventes. A profundidade de
enraizamento pode chegar a 1,30 m, com 80% das raízes disttibuídas
nos primeiros 30 cm ele prorundiclade. A presença de sílica na
Botânica 45
endoderme, a lignificação do ~ericicJo" e. o vo!~~e ~e. pelos
absorventes permitem ao sorgo maior toleranc~a ~o def1~1t hidnco. ~s
raízes de sustentação podem crescer nos primord10s rad1culares e sao
limitadas na absorção de água e nutrientes (Figura 2.7).
Coleóptilo
Figura 2.7 - Sistema radicular da planta de sorgo.
Fonte: Adaptado de PAUL, 1990.
Colmo
O caule é do tipo colmo, dividido em nós, que, dependendo do
sorgo, podem variar entre 7 e 24. A altura é determinada pela
quantidade de nós que apresentam o colmo e pelo tamanho dos
entrenós (porção entre dois nós subsequentes). Nos tipos comerciais. a
altura da planta varia de l,20 m (granífero) até 4,0 m (sacarina).
O diâmetro do colmo varia de 5 a 30 mm na , ua base,
apresentando diminuição no diâmetro à medida que se aproxima do
ponto mais alto da planta.
46 Von Pinho, Fiorini e Santos
Os colmos são cheios, de dureza mediana e o tipo sacarino
ten1 caldo adocicado. Normalmente, a planta de sorgo possui apenas
um colmo~ porém, devido ao tipo, ao manejo e às condições
ambientais, pode ocorrer perfilhamento. Além disso, qualquer dano ao
colmo pode causar quebra de dominância apical, com consequente
brotamento da gema, que se encontra no anel de crescimento, acima
de cada nó do colmo (Figura 2.8).
Gema
. Anel de
' • • 1.
1, crescimento
Primórdios
Nó radiculares
1 • 1
, .. · 1 r,
!l·l; f 1,,.,1
Figura 2.8 - Estruturas do colmo da planta de sorgo.
Fonte: Adaptado de PAUL, 1990.
Folhas
No sorgo. o número de folhas varia de 7 a 24. É a partir de
cada nó que emergem as folhas. eretas quando novas, tendendo para a
horizontalidade ao amadurecerem. Quando maduras, atingem até
Botânica 47
1,30 m com 0,15 m de largura. As folhas são alternas, lisas e
lanceoladas, com bordos serrilhados e uma camada de cerosidade. Os
fatores que determinam o seu tamanho e número são influenciados
pelo cultivar, temperatura e fotoperíodo.
A folha divide-se em bainha e limbo ou lâmina foliar. Na
parte terminal da bainha e inserção do Umbo foliar encontram-se, em
cada extremidade, duas estruturas plumosas chamadas de aurículas,
que têm a função de permitir mobilidade lateral às folhas. Uma
segunda estrutura é a lígula, que se encontra na base do limbo e o
pressiona de encontro ao colmo. Tem a função de impedir a entrada de
agentes externos e evitar o excesso de evapotranspiração. A última
folha é chamada de folha bandeira e sua bainh ..,rotege a
inflorescência que está emergindo (Figura 2.9).
a) Porção do colmo, lâmina e bainha b) Porção da lâmina e bainha (vista interior)
Folha IRll'&.:.&.r'.-.f--:+- Lâmina
Nervura central
Colmo Aurícula
Aurícula
Papada
. .
LJ-;.-----..:.;::~~
Lígula
Nervura
Lígula
Bainha
e) Porção da lâmina e bainha (vista lateral)
.,,~~··"
'·
Lâmina
-==:..,.,.;=o,....-_ _ Lígtua
Lóbulo
Figura 2.9 - Estruturas ela folha ela planta de sorgo.
Fonte: Adaptado dê PAUL. 1990.
48 Von Pinho, Fiorini e Santos
1 nflorescência
A inflorescência do sorgo é do tipo panícula, com um eixo
central ou ráquis, de onde partem eixos secundários. A ráquis pode ser
con1prida ou curta, grossa ou fina, estriada, acanalada, peluda ou glaba
e com vários eixos que partem de cada nó (Figura 2.10).
e) Racimo
a) Panícula b) Raquis com espigas Arista
e espiquetas
d) Espiqueta
Figura 2.10 - Estruturas das inflorescências da planta de sorgo.
Fonte: Adaptado de PAUL, 1990.
Segundo o ângulo de inserção dos eixos secundátios na ráquis
principal, as panículas podem ser assim classificadas:
- Decumbentes.
- Muito abertas e eretas.
- Abertas e decumbentes.
- Abertas e eretas.
- Semiaberta e ereta.
- Semiaberta e decumbente.
49
Botânica
_ Semiaberta e elíptica.
- Compacta e elíptica.
- Compacta e redonda.
- Médi a escora.
- Escorada (Figura 2.11).
Muito Semiaberta e
Aberta e
Muito aberta e decumbente
Aberta e ereta
aberta ereta decumbente
Semiaberta e Semiereta e
elíptica
elíptica Compacta e
redonda
Figura 2.11. Diferentes formatos das panículas da planta de sorgo.
Fonte: Adaptado de HOUS E, 1982.
Nos eixos, as espiguetas encontram-se aos pares, un1a séssil e
outra pedicelada. O número de espiguetas pode variar de 1.500 a
7 .000, dependendo do cultivar. As espiguetas pedicelada consistem
de duas glumas, onde estão inseridas duas flores, uma superior e
masculina com um conjunto lema e púlea contei1do três estames, e a
inferior estéril, representada por uma única gluma. A espigueta séssil
possui duas flores: uma estéril e outra fértil. A flor fértil tem duas
glumas: inferior e superior; uma lenrn estéril; um conjunto lema e
pálea; duas lodículas; e três estames e um pistilo. que é constituído por
ovário, estilo e estigma (Figura 2. 12).
50 Von Pinho, Fiorini e Santos
a) Espigueta pedicelada com suas duas flores: uma macho e a outra estéril
Lema fértil
\ Lema de flor
estéril inferior Lodfculo
. __ Oluma superior .,,,,,,., Gluma supen·or
Gluma inferior
- · Pálea
VISTA LATERAL SEÇÃO TRANSVERSAL
a) Espigueta séssil com suas flores: urna iemea e outra estéril
Lema de flor Gluma superior
estéril inferior
tigma Í Gluma Lema estéril
/' superior
1
Pálea
; '/
/ Pálea
/
Ovário Lodfculo
VISTA LATERAL SEÇÃO TRANSVERSAL
Figura 2.12 - Estruturas das espiguetas pediceladas e sésseis da planta
de sorgo.
Fonte: Adaptado de HOUSE, 1982.
Fruto
O fruto do sorgo é do tipo cariopse ou grão seco. A camada
ligeiramente inferior ao pericarpo é chamada de testa e, nos diferentes
cultivares de sorgo, apresenta teores variáveis de tanino, substância
adstringente que confere ao grão resistência ao ataque de pássaros:
porém, prejudica a digestibilidade dos grãos. Existe grande variação
nos teores de tanino entre os cultivares, inclusive aqueles sem tanino.
O grão é constituído principalmente de amido (65%) e seu teor
de açúcar é formado principalmente de sacarose. A quantidade de
proteína varia de acordo com o cultivar, podendo atingir até 18% em
alguns deles.
8 01â11ica 51
Crescimento e Desenvolvimento da
Planta de Sorgo
Basicamente, o ciclo do sorgo pode ser dividido em três fases:
vegetativa, reprodutiva e período de maturação do grão. A etapa de
crescimento l (EC 1) caracteriza-se pela germinação, aparecimento da
plântula, crescimento das folhas e estabelecimento do sistema
radicular fasciculado. A etapa de crescimento 2 (EC 2) inicia-se
quando o meristema apical se diferencia em um meristema floral e vai
até a antese. A etapa de crescimento 3 (EC 3) caracteriza-se pela
maturação dos grãos e senescência das folhas.
Na Figura 2.13, observam-se os estádios de desenvolvimento
da planta de sorgo.
----EC2-----
-------ECI------
IO ll 13
---EC3---
50 51 52 60
Figura 2.13 - Etapas de crescimento l (EC 1), 2 (EC 2) e 3 (EC 3) J a
planta de sorgo em função do número de dias após a
semeadura.
Fonte: Adaptado de PAUL. 1990.
52 Von Pinho, Fiorini e Santos
Etapa de crescimento l (EC l)
Da semeadura até o quarto dia, aproximadamente, observa-se
a embebição da semente. Quando esta encontra meio úmido, inicia-se
rápida absorção de água (através do hilo) pela semente e grande
aumento na sua atividade metabólica, com crescimento em extensão e
aumento da divisão celular. Grande quantidade de giberelina é
secretada na região do escutelo, difundindo-se para a camada de
aleurona que circunda o endosperma, estimulando a síntese e liberação
de enzimas hldrolíticas, particularmente a a-amilase e proteases, que
induzem a produção de açúcares, que logo são transferidos através do
escutelo. O volume da semente aumenta de 30 a 40% durante as
primeiras 24 a 30 horas desta fase. Pode ocorrer atraso nessa etapa,
principalmente se a umidade da semente estiver abaixo de 10%.
Entre o quinto e nono dias após a semeadura o tegumento é
rompido, liberando a radícula e o coleóptilo. A raiz primária começa a
se desenvolver, emitindo raízes laterais. O coleóptilo emerge na
superfície do solo três a quatro dias após o início da embebição,
portanto, podendo haver atraso de 10 dias ou mais se a temperatura
estiver abaixo de 20 ºC. É impulsionado para cima pela elongação do
mesocótilo, quando ocorre a emergência da primeira folha. No
embrião existem cinco a sete folhas seminais.
Após l O dias à semeadura, surge a primeira folha, o que
resulta na supressão do crescimento do mesocótilo, estimulando a
formação de clorofila. Com o crescimento da plântula, as folhas vão
se abrindo. O sistema radicular produzido do desenvolvimento da
radícula supre a plântula com água nas primeiras semanas após a
germinação. No momento em que o mesocótilo para de crescer,
forma-se um nó na base do coleóptilo abaixo do nível do solo. Dentro
de sete a l O dias após a emergência, inicia-se, nesse nó formado, o
desenvolvimento das raízes adventícias ou secundárias. Esse rápido
desenvolvimento permite a formação de aproximadamente uma raiz
por dia, atingindo em média 15 a 20 raízes por planta, dependendo da
intensidade de perfilhamento. Os perfilhas desenvolvem-se a partir de
gemas adventícias no nó basal, posterior ao desenvolvimento das
raízes secundárias.
53
8 01â11ico
Após l l dias da emergência, as folhas origi_nam-se d_e uma
série de primórdios dispostos ao lado do meristema ap1cal. Ao fmal de
29 dias depois da emergência, aproximadarr:iente, a p!anta enco~tra-se
com sete a oito folhas totalmente expandidas; porem, o menstema
apical permanece abaixo da superfície do solo até 20 a 25 dias após a
germinação.
Até 30 dias, há incremento na taxa de absorção de NPK.
Nessa fase, problemas causados pela competição por luz, ~gua e
nutrientes e patógenos são responsáveis pelo menor rendimento
produtivo, devido à redução do número de espiguetas viáveis
(primórdios florais) que serão produzidas na próxima etapa de
crescimento. O período de duração da etapa EC 1 varia de acordo com
fatores genéticos e ambientais.
Etapa de Crescimento 2 (EC 2)
Aproximadamente 30 dias após o início da embebição, ocorre
a diferenciação da gema apical em um primórdio floral. Nessa fase , a
planta já se encontra entre 30 e 40 cm. O aparecimento do primórdio
floral indica o final do crescimento vegetativo em razão da atividade
meristemática. A partir de então, inicia-se o período de grande
crescimento, tanto no número quanto no tainanho das células, sendo
este período compreendido entre 30 e 59 dias após a embebição da
semente.
Nessa fase, a matéria seca acumula-se a uma taxa quase
constante até a maturação. No sorgo, não há expressivo alongainento
do colmo até a diferenciação floral Assim, de 4 a 5 entrenós
superiores crescem extensivamente durante EC 2. Também ne ta fase
ocorre grande crescimento do sistema radicular.
A partir elo início do EC 2, as folhas se desenvolvem mais
rapidamente, pois à medida que os entrenós se alongam e as lânünas
foliares se expandem, os fatores an1bientais e o nível de nitrogênio do
solo influenciam as taxas ele divisão e alongamento, acelerando o
ritmo de crescimento e a capacidade da superfície fotossintética. Entre
35 e 40 dias após ela germinação, 80% ela área foliar já se desenvolveu
e a interceptação ele luz é máxima, com 40% do potássio jú ab orvido.
54 Von Pinho, Fiorini e Santos
Até os 50 dias da germinação, todas as folhas já se
desenvolveram, e a planta inicia o emborrachamento (6 a 10 dias antes
da floração). Nessa fase, o meristema floral já se apresenta como
panícula completa e, assim, está determinado o seu tamanho potencial.
Isto é, o alongamento dos entrenós do colmo atingiu seu máximo.
Nessa etapa, o sistema radicular está totalmente desenvolvido e a
planta atinge 60 a 70% do seu peso seco total.
A EC 2 finaliza-se quando ocorre cerca de 50% de
florescimento, variando entre 50 e 70 dias aproximadamente.
Qualquer estresse durante a EC 2 pode ocasionar efeitos marcantes
sobre o rendimento, pela redução no tamanho da planta, especialmente
da área foliar e do número de sementes por panícula.
Posteriormente, a planta atinge os 60 dias após a germinação,
caracterizada pela ocorrência da antese. Nessa etapa, a absorção de
nutrientes é de 70, 60 e 80% de N, P e K, respectivamente. O peso das
folhas é máximo, enquanto o colmo alcança seu máximo peso
aproximadamente cinco dias após.
O florescimento do sorgo geralmente começa com a
deiscência das anteras, quando o pedúnculo já terminou sua
elongação. A primeira flor que se abre é a terminal. O florescimento
continua de cima para baixo na panícula, de maneira bastante regular
e, em geral, as flores de um mesmo plano h01izontal na panícula se
abrem ao mesmo tempo. As espiguetas pediceladas (masculinas)
florescem dois a quatro dias após o florescimento das espiguetas
sésseis (hermafroditas) no mesmo ramo. Uma panícula pode produzir
até 6.107 grãos de pólen, os quais são viáveis por três a seis horas. Os
estigmas permanecem receptivos por até dois dias antes da floração e
até oito dias após, caso não ocorra fertilização.O florescimento ocorre
durante seis a nove dias, podendo estender-se até 15 dias.
Vale ressaltar que, em alguns casos, pode ocorrer no sorgo o
processo de clei stogamia.
Etapa de crescimento 3 (EC3)
Inicia-se a partir ele 61 dias após a germinação e caracteriza-se
pelo processo de polinização e fertilização.
Botânica 55
A polinização pode ocorrer a partir de estames da mesma flor,
de estames da mesma inflorescência ou de estames de inflorescências
de outras plantas. Os estigmas expostos antes da deiscência das
anteras estão propensos a ser polinizados por inflorescência de outra
planta. O cruzamento é mais pronunciado na parte superior da
panícula onde as espiguetas estão mais expostas. Quando um grão de
pólen cai sobre um estigma receptivo, ele germina e a fecundação
ocon-e cerca de duas horas depois. As plantas macho-estéreis não
produzem anteras ou os grãos de pólen são inviáveis.
Durante esse período, a planta atinge sua maturação
fisiológica. O rendimento final de grãos depende da duração deste
período e da taxa de acumulação de matéria seca no grão em
desenvolvimento. O grão atinge seu volume máximo entre 12 e 20
dias após a polinização. Posteriormente, o seu desenvolvimento
principal é manifestado pelo incremento no tamanho do embrião e
deposição do amido no endosperma. O primórdio foliar f,')rma-se aos
nove dias após a fertilização e, entre três e seis dié',s . dá-se a
diferenciação das folhas embrionárias sucessivas até um total de cinco
a sete folhas. A iniciação das folhas termina 25 dias após a
polinização. A radícula surge cerca de seis dias após a polinização e.
aos 25 dias, alcança tamanho máximo. O grão atinge a maturação
morfológica cerca de 14 dias antes de sua maturação fisiológica.
A taxa de acúmulo de matéria seca nos grãos é
aproximadamente linear durante toda a maturação, exceto logo após a
fertilização (6 a 22 horas) e 14 dias antes da maturação fisiológica.
Neste período, o grão permanece num estado senulíquido, sendo este
o primeiro período da maturação do grão, conhecido como grão
leitoso.
Cerca de 70 a 80 dias após a gernunação, o grão encontra-se
na etapa de massa suave; porém, só cerca de 10% da matéria seca foi
acumulado. Começa, então, a fase de grão pastoso (20 dias), quando o
acúmulo de matéria seca é muito rápido. Os genótipos com n1aior
período de massa suave geralmente são mais produtivos. Até o final
desta fase os grãos atingem cerca de 40% de seu peso máximo. Entre
80 e 85 dias após a emergência (etapa de massa dura), já foi
acumulado aproximadamente 75 % do peso final do grão e a absorção
de nutrientes está completa.
56 Von Pinho, Fiorini e Santos
Aproximadamente 90 dias após a germinação, a planta
alcança a maturidade fisiológica (peso de matéria seca máximo) e o
grão tem aproximadamente 30% de umidade. A maturação fisiológica
manifesta-se com o aparecimento de uma camada negra na região do
hilo, devido ao acúmulo de pectina nas células do floema, que obstrui
os vasos condutores, cessando o movimento de produtos assimilados
para o grão.
O período que vai da antese até a maturidade fisiológica varia
entre 31 e 56 dias, havendo correlação positiva entre o rendimento e a
duração deste período.
O grão alcança 15% de umidade (ponto de colheita) entre 20 e
25 dias após atingir a maturação fisiológica, ou seJa,
aproximadamente 120 dias após a semeadura.
Os tipos de sorgo sensíveis ao fotoperíodo atingem a
maturação fisiológica em 135 a 180 dias e chegam ao ponto de
colheita entre 140 e 210 dias após a semeadura.
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EXIGÊNGIAS
3 EDAFOCLIMÁTICAS E
FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO
Paulo César Magalhães1, Thiago Corrêa de Souza 2, André May',
Oscar Fontão de Lima Filho3• Flávia Cristina dos Santos',
José Aloisio Alves Moreira', Carlos Eduardo do Prado Leite 1,
Carlos Juliano Brant Albuquerque4 e Rogério Soares de Freitas5
Fisiologia da Produção, emperaturas e ·r
Fotoperíodo no Desempenho do Sorgo
Altura da Planta e Desenvolvimento Inicial das
Folhas
A planta de sorgo adapta-se a uma ampla variação de
ambientes e produz sob condições desfavoráveis à maioria dos outros
cereajs. Por causa da sua resistência à seca, é considerado um cultivo
1
Engenheiros-Agrônomos, D.S. e Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo. E-mails:
[Link] @[Link]; [Link] @[Link]; tla [Link]@[Link]:
[Link] @[Link]; [Link]@[Link]
2 Oiôlogo, D.S. Professor da UNIFAL. E-ma il: thiagonepre @[Link]
1
Engenheiro-Agrônomo, D.S. e Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste. E-mail:
[Link]@[Link]
~ Engenheiro-Agrônomo, D.S. e Pesquisadnr da Empresa lk Pesquisa Agropecuária dê finas
Gerais - EPAMIG. E-mai l: carlosjuliano@[Link]
j Engenheiro-Agrônomo, D.S. e Pesquisador da Agência Paulista dê Tecnologia J os
Agroncgócio~ - Apta. E-mail: f"rl:itas@[Link]
Exigências edafoclimáticas e fisiologia da produçc7o 59
mais apto para as regiões áridas com chuvas escassas (T ABOSA et al.,
2002; MONTEIRO et al., 2004).
A altura da planta é importante para sua classificação. Pode
variar de 40 cm a 4 m. A altura do caule até o extremo da panícula
muda de acordo com o número e a distância dos entrenós e também
conforme o pedúnculo e a panícula. A quantidade de nós está
determinada pelos genes da maturação e por sua reação ao fotoperíodo
e à temperatura. A distância dos entrenós varia segundo as
combinações de quatro ou mais fatores genéticos e o ambiente. No
entanto, a distância do pedúnculo e a da panícula com frequência são
independentes.
A altura da planta, portanto, é controlada por quatro pares de
genes principais (dwl, dw2, dw3 e dw4), os quais atuam de maneira
independente e aditiva sem afetar o número de folhas e a duração do
período de crescimento (ARNON, 1972). As plantas com os genes
recessivos nos quatro Zoei resultam em porte mais baixo (60-80 cm),
caracterizadas pelo nanismo e são chamadas anãs-4; enquanto aquelas
com genes recessivos em três loci e dominante no outro locus são
denominadas anãs-3. Cultivares graníferos normalmente são anãs-3 e
cultivares forrageiras são anãs-2 ou anãs-1, com genes recessivos em
dois ou um loci, respectivamente. Inibidores de giberelinas em sorgo
também têm sido utilizados para diminuir o tamanho das plantas e,
assim, aumentar a estabilidade do rendimento de grãos,
principalmente em situações de seca (LI et al., 2011; MA Y et al ..
2013). A taxa de produção de matéria seca no sorgo é fortemente
afetada pela área foliar no primeiro estádio de crescimento (do plantio
à iniciação da panícula, (KRIEG, 1983). A área foliar final é
determinada pelas taxas de produção e duração da expansão, pelo
número de folhas produzidas e pela taxa de senescência, os quais são
fatores bastante afetados pelo ambiente (PEACOCK; WILSON,
1984).
A temperatura, o déficit de água e as deficiências de nuttientes
afetam as taxas de expansão das folhas, altura ela planta e duração da
área foliar, sobretudo nos genótipos sensíveis ao fotoperíodo. Esses
efeitos podem ser modificados por mudanças na duração do dia
(DALE, 1982). A insuficiência de água é uma das causas mais
comuns de redução de área foliar nos cereais e está relacionada com a
ex pansão elas células (KRIEG, 1983 ; ROYO et ai., 2004; ARAUS et
60 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
al. , 2008). A temperatura noturna baixa geralmente atrasa o
desenvolvimento dos estádios EC 2 e EC 3.
Existem diferenças consideráveis das taxas diurnas de
crescimento das folhas de sorgo, provavelmente como reflexo das
diferenças ambientais. Têm sido observadas taxas de expansão foliar
de aproximadamente 60 cm2/planta/dia, o que se traduz em taxa de
crescimento relativo de 70% por dia (KRIEG, 1983). As folhas mais
velhas mostram taxas de fotossíntese e de crescimento mais baixas,
em razão de mudanças causadas pela senescência (DALE, 1982).
A quantidade e qualidade de luz também são importantes para
a expansão foliar. Folhas que crescem em altas intensidades de luz
têm frequentemente maior número de células que aquelas que
desenvolvem em intensidades de luz mais baixas.
O estádio de três folhas completamente desenvolvidas é
caracterizado pelo ponto de crescimento ainda abaixo da superfície do
solo. Enquanto a taxa de crescimento da planta depende grandemente
da temperatura, esse estádio usualmente ocorrerá cerca de 10 dias
após a emergência. Da mesma maneira que no nulho, como o ponto de
crescimento ainda está abaixo da superfície do solo, caso aconteça
algum problema com a parte aérea, por exemplo chuva de granizo ou
alguma outra intempérie da natureza, isto não matará a planta. O
sorgo, no entanto, não se recupera tão vigorosamente como o nulho.
No estádio de cinco folhas, aproximadamente três semanas após a
emergência, o ponto de crescimento ainda está abaixo da superfície do
solo. A perda das folhas igualmente não matará a planta. O
crescimento nesse caso será mais vigoroso que no estádio anterior;
porém, ainda menos vigoroso que o milho. Nos estádios iniciais da
planta de sorgo, ela entra no chamado período de crescimento rápido,
acumulando matéria a taxas aproximadamente constantes até a
maturação , desde que as condições sejam satisfató1ias.
Com cerca ele 30 dias após a e mergênc ia ocorre a
diferenciação da gema api cal (alteração de vegetativo, " produtor de
folhas", para reprodutivo, " produtor de panícula"). O número total ele
folhas nesse estádio já foi dete rminado, e o tamanho pote nc ial da
panícula será breve me nte estabe lec ido. Cerca de 1/3 da área total
foli ar está totalme nte desenvolvida. Neste estádio, a planta encontra-se
com 7 a 10 fo lhas, depe ndendo do seu c iclo, que l a 3 folhas baixeiras
Exigências edc{/ocli111áticas e fisiologia da produção 61
já perdidas. O crescimento do colmo aumenta rapidamente,
acompanhado da ligeira absorção de nutrientes. O te~po
compreendido entre o plantio até a diferenciação da gema a~1cal
geralmente é cerca de 1/3 do tempo compreendido entre plantio e
maturidade fisiológica.
Perfilhamento
O petfilhamento no sorgo forrageiro é uma característica
considerada vantajosa, ao passo que para o sorgo granífero pode não
ser; sobretudo, quando não há coincidência de maturação entre planta-
mãe e perfilhas. Neste caso, o perfilhamento pode ter efeito negativo
no rendimento por sombrear as folhas da planta-mãe e pela
competição do uso de água e nutrientes do solo (PEACOCK:
WILSON, 1984).
O perfilhamento é influenciado pelo grau de dominância
apical, que é regulado por fatores hormonais, ambientais e genéticos.
O peifilhamento pode ser basal ou axilar. Basal quando se origina de
gemas basais (1 º nó) logo após o início do desenvolvimento das raízes
secundárias ou depois do florescimento. Todas as gemas dos nós são
morfologicamente idênticas e com potencial para fom1ar perfilho. No
entanto, são mantidas em "donnência" através do fenômeno da
dominância apical (DOGGET, 1970; ALAM et al., 2009).
A dominância apical é uma característica herdável e pode er
modificada por fatores ambientais, como temperatura, fotoperíodo e
umidade do solo. Condições de manejo da cultura igualmente afetam
o perfilhamento, por exemplo a população de plantas - quanto menor
a população de plantas, maior a possibilidade de perfilhamento
(DOGGET, 1970; STOSKOPF, 1985; KIM et al., 2010).
O sorgo geralmente produz mais perfilhas em dias curtos e a
temperaturas mais baixas e são naturalmente mais sensíveis ao déficit
hídrico que a planta-mãe (KRIEG, 1983). Acredita- e que quanto
maior a disponibilidade de fotoassi1nilados de reserva (carboidratos)
na planta, maior será o grau de perfilhamento (LAFARGE:
1-IAMMER, 2002). Dentro desse contexto, quando não há
fotoassimilados suficientes para a planta-mãe e os perfilhas, e 'Ses,
ainda que iniciados, podem simplesmente não se desenvolver.
62 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Sal/los, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
Qualquer dano no ápice de crescimento na planta pode dar início ao
processo de perfilhamento, uma vez que a dominância apical será
quebrada. Ex.: dano no ápice por insetos, estresse severo de água ou
temperatura. Os causados por insetos na panícula principal vão
originar os petfilhos axilares, os quais se originam de gemas laterais.
Sistema radicular
O crescimento das raízes de sorgo está relacionado com a
temperatura e é limitado pela falta de umidade no solo e
disponibilidade de fotoassimilados oriundos das folhas
(MILTHORPE; MOORBY, 1979; JORDAN et al., 1979). Um dos
fatores mais importantes que afetam o uso de água e a tolerância à
seca é um sistema radicular profundo e denso. Essa característica é
bem evidenciada na planta de sorgo (DOGGET, 1970; FARRÉ; FACI,
2006; ASSEFA; STAGGENBORG, 2011).
Os tipos de raízes encontrados no sorgo são: primárias ou
seminais, secundárias e adventícias. As primárias podem ser uma ou
várias, são pouco ramificadas e morrem após o desenvolvimento das
raízes secundárias. As secundárias desenvolvem-se no primeiro nó,
são bastante ramificadas e formam o sistema radicular principal. Já as
adventícias podem aparecer nos nós acima do solo. Geralmente
surgem como sinal de falta de adaptação e são ineficientes na
absorção de água e nutrientes, tendo, portanto, função apenas de
suporte. A espessura da raiz também determina seu papel.
Normalmente, raízes mais grossas são responsáveis pela fixação da
planta no solo, enquanto as mais finas (com menos de dois
milímetros) absorvem a água e sais minerais (WILCOX et al., 2004).
Tanto as raízes primárias do [Link] quanto as do sorgo
apresentam basicamente a mesma quantidade de massa radicular;
porém, as raízes secundárias do sorgo são no mínimo o dobro
daquelas encontradas no milho. Além do mais, o sistema radicular do
sorgo é mais extenso, fibroso e com maior número de pelos
absorventes. Estas últimas estruturas são si mplesmente extensões de
céJuJ as da epiderme ela raiz que apresentam importante papel na
aquisição de água e nutrientes ele baixa mobi liclacle no solo, como o
fósforo, e na produção de substâncias que intermediarn associações
Exigências edafoclimáticas [Link] da produção 63
entre planta e microrganismos. Seu papel na aquisição de nutrientes é
devido ao aumento do volume de solo explorado pelas raízes, com a
expansão da zona de absorção de fósforo e a dispersão de exsudados,
como ácidos orgânicos, na rizosfera (DOGGET, 1970; YANG et al..
2004; ROCHA, 2008).
A profundidade do sistema radicular chega até 1,5 m (sendo
80% até 30 cm de profundidade no solo), em extensão lateral alcança
2,0 m. O crescimento das raízes em geral termina antes do
florescimento; nessa fase, a planta passa a priorizar as partes
reprodutivas (panículas), as quais apresentam grande demanda por
fotoassimilados.
Desenvolvimento da Parte Aérea
A fotossíntese fornece cerca de 90 a 95% da matéria seca ao
vegetal, assim como a energia metabólica requerida para o
desenvolvimento da planta (KRIEG, 1983). Durante o ciclo, a planta
de sorgo depende das folhas como os principais órgãos fotossintéticos,
e a taxa de crescimento da planta depende tanto da taxa de expansão
da área foliar como da taxa de fotossíntese por unidade de área foliar.
Na medida em que µ. _copa da planta se fecha, outros incrementos no
índice de área foliar têm pouco ou nenhum efeito sobre a foto síntese,
a qual passa a depender ela radiação solar incidente e da estrutura da
copa vegetal. A inflorescência do sorgo, considerada grande para o
padrões normais, pode interceptar 25 a 40% da radiação incidente
(EASTIN, 1983) e fornecer 15% ou mais da fotossíntese total da copa,
variando, é claro, com o genótipo (FISCHER; WILSON, 1976).
As taxas de fotossíntese das folhas do sorgo variam de 30 a
2
100 mg CO2/dm /h, dependendo do material genético, intensidade de
luz fotossinteticamente ativa e da idade das folhas (EASTIN, 1983).
Folhas de sorgo contêm grande número de estômatos; por sinal, tem-
se estimado que estas possuem 50% a mais de estômato por unidade
de área que a planta de milho; porém, os estômatos do sorgo são
menores . O número total de folhas numa planta vaiia de 7 a 30, endo
geralmente ele 7 a 14 para genótipos adaptados de sorgo granífero. O
comprimento da folha pode chegar a mais de 1 m, enquanto a largura
varia ele 0,5 a 15 cm. Os fatores que determinam o número de folhas
64 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Samos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
no sorgo são: cultivar, fotoperíodo e temperatura (CLERGET et al. ,
2008). As partes da folha incluem: limbo, no qual estão presentes os
estômatos localizados nas duas faces; bainha, a qual se liga ao nó e
envolve o internódio acima; e a lígula, que é a junção da bainha com o
internódio (DOGGET, 1970). A posição da folha na planta pode variar
de vertical a horizontal, concentrando-se mais na base, ou ainda
unifmmemente distribuída na planta. As folhas do sorgo possuem
depósito de substância cerosa na junção da bainha com o limbo, o que
leva a planta a perder menos água na transpiração, sendo importante
para a economia de água, sobretudo em condições de estresse hídrico
(EASTIN, 1972; BUROW et al., 2009).
Leva-se de três a seis dias entre a diferenciação de uma folha e
a próxima no meristema. A expansão foliar pode continuar mesmo
durante o desenvolvimento da panícula, o que pode gerar nesse caso
competição por fotoassimilados disponíveis. O embrião em um grão
maduro já possui seis a sete primórdios foliares. Fato interessante é
observado na epiderme superior da folha, onde se notam filas de
células especializadas chamadas buliformes, que permitem que a folha
se enrole em condições de estresse hídrico, constituindo defesa como
estratégia característica de plantas da farru1ia Poaceae (LINO, 2011 ).
A capacidade de manter a expansão foliar e reter área foliar
verde (stay green) sob estresse hídrico e de nutrientes, sem o
comprometimento da produtividade, é característica do sorgo. A
cultura consegue manter a interceptação de luz e eficiência do uso da
radiação, o que resulta em aumento de produtividade. Em sorgo, a
retenção de área foliar verde é considerada característica constitutiva
(BORREL et ai. , 2000; LOPES et ai. , 2011 ).
Florescimento
O florescimento corresponde ao EC 3 que engloba a
polinização, a fertilização, o desenvolvimento e a maturação do grão.
A diferenciação floral elo sorgo é afetada principalmente pelo
fotoperíodo e pela temperatura (CRAUFURD; QI, 2001 ; SILVA:
ROC HA, 2006). O período mai s crítico para a planta, em que e la não
pode sofrer qualquer tipo de estresse biótico ou abiótico, vai da
diferenciação da panícula à diferenciação elas espiguetas (duas a três
'\
Exigências [Link]áticas [Link] da produção 65
semanas de duração). Em condições normais, a diferenciaç~o da gema
floral inicia-se 30 a 40 dias após a germinação (pode vanar de 19 a
mais de 70 dias). Em climas quentes, o florescimento em geral ocorre
com 55 a 70 dias depois da germinação (pode variar de 30 a mais de
100 dias). Em geral, a formação da gema floral ocorre 15 a 30 cm
acima do nível do solo, Esse fato acontece quando as plantas têm
cerca de 50 a 75 cm de altura (PAUL, 1990).
Daí para frente, todo crescimento é devido ao alongamento
das células já existentes. Cerca de seis a 10 dias antes do aparecimento
da inflorescência ela pode ser vista como algo semelhante a um
torpedo dentro da bainha da folha-bandeira. As flores na panícula
desenvolvem-se sucessivamente do topo para a base (entre 4 e 5 dias).
Ao comparar estudos recentes de genótipos de sorgo com os antigos,
observa-se que os hfbridos atuais possuem maior comprimento de
panfcula e pedúnculo reduzido (ASSEFA; STAGGENBORG, 2011).
Uma vez que nem todas as plantas num campo de sorgo
florescem ao mesmo tempo, o florescimento no campo pode variar de
seis a 15 dias. O número de espiguetas por panícula varia de 1.500 a
7.000 (DOGGET, 1970).
Fertilização
A fertilização inicia-se no topo da panfcula e depois para a
base (duração de quatro a cinco dias). A panfcula do sorgo varia muito
quanto à forma e ao tamanho (compacta, aberta, grande, pequena).
Seu comprimento pode oscilar entre quatro e 25 cm, e o diâmetro, de
dois a 20 cm (PAUL, 1990). O pólen germina in1ediatan1ente ao cair
em um estigma receptivo, ocorrendo a fertilização duas horas depois.
No entanto, a luz é necessária para a germinaçã[Link] exemplo, o pólen
espalhado à noite não germina até o amanhecer. Vale ressaltar
também que temperaturas elevadas podem reduzir a longevidade do
pólen e sua germinação, em razão de mudanças em sua estrutura e no
conteúdo de carboidratos (PRASAD et al., 2011 ).
O grão de sorgo varia muito quanto a cor, dureza, forma e
tamanho, e o peso ele 100 sementes, de menos de lo
o
a mais de 6 oo
(DOGGET, 1970).
66 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
Acumulação de matéria seca e produção
Loomis e Willians (1963), ao estimarem o nível teórico
possível de uma produção, afirmaram que cerca de 90% do peso seco
das plantas consiste de produtos da fotossíntese. A quantidade de luz
disponível deve, portanto, impor um limi te superior de rendimento
(BLACK; ONG, 2000). Cerca de 90% do rendimento dos grãos se
deve à fotossíntese da panícula e das quatro folhas superiores.
Os resultados observados na Tabela 3.1 são de grande
interesse para os envolvidos com a cultura do sorgo. Na média de taxa
de crescimento diário, ele foi superado somente pelo capim-napier. A
planta de sorgo, portanto, constitui excelente fábrica de carboidrato.
Tabela 3. 1 - Rendimento máxjmo de culturas e taxas de crescimento
1 Cultura Matéria Estação de Média de crescimento
seca (t/ha) crescimento (dias) diário ([Link]- 1)
Capim-napier 102,62 365 26
Cana-de-açúcar 70,6 365 18
Beterraba 46,9 300 14
Sorgo forrageiro 30, l 120 22
Alfafa 35,8 250 13
Capim-sudão 32,8 160 18
Capim-bermuda 35,3 230 14
Alga (Chlorella sp.) 49,74 300 15-22
Fonte: Adaptado de LOOM JS ; WILLIAM. 1963.
Dois problemas, no entanto, precisam ser resolvidos : saber
como obter o máximo dessa fábrica e canali zar esses resultados pma
a ltos rendime ntos.
O re ndime nto fina l ele grãos em sorgo geralmente estú
correlacionado com o núme ro de grãos na panícula. Existe uma
compensação entre os componentes ele rendimento na planta de sorgo,
0 que resulta na manutenção cio re ndimento dentro de certos limites.
Por exemplo, se ex iste m condições quase ótimas durante EC l e EC _,
e, por alguma razão. a população fina l ele plantas é baixa, a planta
Exigências edafoclimáticas e fisiologia da produção 67
compensa com aumento de pe1filhamento e tamanho de panículas, o
que faz com haja maior número de grãos por superfície plantada.
Numa outra situação, quando ocorre estresse durante EC 1 e EC 2,
esta condição vai limitar a população, perfilhamento e a diferenciação
da panícula acarretando, com isso, menor número de sementes. No
entanto, haverá aumento do peso das sementes, durante a etapa
seguinte de crescimento (EC 3). O limite de incremento na semente
varia de 15-20%.
Influência da temperatura e foto pe ríodo
no desempenho do so rg o
Temperatu ra
Em razão de sua origem tropical, o sorgo é um dos cultivos
agrícolas mais sensíveis a baixas temperaturas noturnas. A
temperatura ótima para crescimento é em torno de 33, 34 ºC. Acima
de 38 ºC e abaixo de 16 ºC a produtividade decresce. (CLEGG et al ..
1983). Baixas temperaturas (< 10 ºC) reduz a área foliar,
perfilhamento, altura, acúmulo de matéria seca, além de atrasar a
floração aumentar a incidência de doenças. Isto ocorre en1 virtude da
redução da síntese de clorofila, especialmente nas folhas que se
formam primeiro na planta jovem com consequente redução da
fotossíntese. Alguns genótipos de sorgo tolerantes germinam em
baixas temperaturas e estabelecem n1udas sadias (CLEGG et al., 1983;
TIRYAKI; ANDREWS, 2001; BOGO et al., 2006; KNOLL et al.,
2008).
Os efeitos da temperatura durante EC 2 manifestam-se no
número de grãos por panícula, afetando diretamente o rendimento
final de grãos. Temperaturas mais altas geralmente tendem a antecipar
a antese, assim como podem causar aborto floral, inibição da
formação dos micrósporos, diininuição da longevidade e gern1inação
do grão de pólen. O desenvolvimento floral e a fertilização dos grãos
podem ocorrer até com temperaturas de 40 a 43 ºC, 15 a 30% de
umidade relativa, desde que haja umidade disponível no solo. Um
ajustamento osmótico em sorgo também pode oc01Ter por causa de
68 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Sa/llos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
altas temperaturas. Altas e baixas temperaturas estimulam
perfilhamento basal (CLEGG et ai., 1983; MACHADO; PAULSEN,
2001; JAIN et ai., 2007; ANANDA et ai., 2011; PRASAD et al.,
2011 ).
Quando comparado ao milho, o sorgo é mais tolerante a
temperaturas altas e menos tolerante a temperaturas baixas. A
temperatura baixa afeta o desenvolvimento da panícula,
principalmente por seu efeito sobre a esterilidade das espiguetas
(BROOKING, 1976).
Existe alta variabilidade genética em relação à melhor
temperatura para a germinação e estabelecimento das plântulas de
sorgo. De modo geral, as sementes germinam bem em temperaturas
entre 21 e 35 ºC, porém, acima de 40 ºC, pode ser letal, bem como
abaixo de O ºC. Temperaturas mínimas que permitem a germinação
parcial das sementes variam de acordo com o cultivar, estando entre 5
e 15 ºC. A temperatura do solo deve ser superior a 15 ºC à
profundidade de 1O cm (PEACOCK; HEINRICH, 1984; PLESSIS,
2008).
A temperatura ótima para o crescimento e desenvolvimento
vegetativo do sorgo é maior que a exigida no estágio reprodutivo. O
desenvolvimento vegetativo do sorgo apresenta temperatura base
(valor abaixo do qual a planta tem seu crescimento paralisado) de 8 ºC
e ótima de 34 ºC (ALAGARSWAMY; RITCHIE, 1991). Durante o
florescimento, a temperatura média diária deve estar acima de 18 ºC
(A VELAR, 1982). Na fase reprodutiva, Prasad et al. (2006)
estabeleceram temperatura ótima de 31 ºC, e Maiti (1996), na faixa de
25 a 28 ºC. Este mesmo autor reporta que o crescimento vegetativo do
sorgo apresenta intervalo de temperatura ótima entre 26 e 34 ºC.
Downs ( 1972) encontrou temperatura ótima para produção de grãos e
matéria seca de 27 ºC (diurna) e 22 ºC (noturna).
Devido ao atraso na iniciação e no desenvolvimento ele
primórdios florais, altas temperaturas noturnas e diurnas podem afetar
negativamente a produção. Plantas com até seis a oito folhas maduras
submetidas a temperaturas abaixo ele 18 ºC podem perfilhar. Após
esse estádio, a dominância apical impede a formação de perfilhas
(PLESSIS, 2008).
Exigências edqfocli111áticas [Link] da produção 69
Como visto, durante o ciclo de crescimento e
desenvolvimento, a faixa ideal de temperatura deve estar entre 20 e
35 ºC e livre de geada. Nessa faixa de temperatura, há maior
surgimento de folhas e de seu comprimento, enquanto temperaturas
baixas reduzem esses parâmetros. Entre a emergência e o
aparecimento da panícula, a produção de matéria seca é bastante
afetada pela área foliar. Esta, por sua vez, é influenciada por diversos
fatores, como a época da iniciação floral (a qual modifica o número de
folhas), as taxas de aparecimento, expansão e senescência das folhas,
e a estrutura da cobertura foliar, as quais são governadas em grande
parte pela temperatura, desde que não haja estresses de natureza
hídiica ou nutricional (PEACOCK; HEINRICH, 1984).
Fotoperíodo
O sorgo é sensível ao fotoperiodismo, o qual pode ser definido
como a resposta do desenvolvimento à duração dos períodos de luz e
escuro. O comprimento do dia vmia de acordo com a estação do ano e
a latitude. O sorgo é uma planta de dias curtos, ou seja, tem a indução
do florescimento por noites longas (PAUL, 1990; BELLO, 1997).
Em cultivares sensíveis, a gema vegetativa (terminal) permanece
vegetativa até que os dias encmtem o bastante para haver a sua
diferenciação em gema floral. É o que se chama fotoperíodo crítico, que
poderia ser assim entendido: se o cmnprimento do dia aumenta, a planta
não floresce, se decresce, ela floresce (PAUL, 1990).
Diferentes materiais genéticos variam quanto ao fotoperíodo
crítico. Por exemplo, algumas variedades tropicais têm dificuldade de
florescer em regiões temperadas, onde os dias no verão têm mais de
12 horas . Salienta-se que o fotoperíodo crítico para estas variedades
tropicais é em torno ele 12 horas . Já as variedades temperadas
sensíveis tê m fotoperíoclo crítico maior, florescendo com fac ilidade
nos trópi cos (CRAUFURD; QI, 200 l ).
O fotoperíodo crítico elas variedades temperadas é em torno de
13,5 horas. Na verdade, é a duração do período sem luz que é
importante para estimular o floresc ime nto (PAU L, L990). Os
di spositivos das plantas responsáveis pela captação e medição do
comprimento dos dias são os pigmentos chamados fitocromos. Em
70 Magalhães, Souz.a, May, Lima Filho, Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
estudos com sorgo, por exemplo, foram identificadas plantas mutantes
que não codificavam o fitocromo phyB , levando a uma insensibilidade
ao fotope1íodo (MORGAN et ai., 2002). A grande maioria dos
materiais comerciais de sorgo granífero foi melhorada geneticamente
para insensibilidade ao fotoperíodo. Somente os genótipos de sorgo
forrageiro são sensíveis ao fotoperíodo (SILVA et ai., 2005).
Luz
Em condições não estressantes, a fotossíntese é afetada pela
quantidade de luz fotossinteticamente ativa. Proporção desta luz é
interceptada pela estrutura do dossel e distribuição ao longo do dossel. O
efeito do sombreamento no sorgo, com a consequente redução da
fotossíntese, tem menor impacto quando acontece em EC l que quando
em EC 2 e EC 3. Isto pode ser explicado pela maior atividade metabólica
da planta nesses dois estádios. Além da maior atividade, a demanda por
fotoassimilados também é maior, requerendo da planta taxa fotossintética
alta para satisfazer aos órgãos reprodutivos em crescimento.
Muito embora o sombreamento sempre resulte em redução de
crescimento da cultura, em proporção direta com a redução da
radiação, o efeito final no rendimento de grãos pode ser pequeno
(EVANS ; W ARDLA W, 1976).
Quanto à radiação fotossinteticamente ativa, percebe-se
diferença na interceptação desta pelas folhas da planta de sorgo, pois
as folhas maduras (as primeiras a serem formadas) geralmente são
sombreadas pelas mais jovens. De acordo com estudos, a tolerância à
alta irradiância leva a modificações morfoanatômicas, como o número
de estômatos (densidade estomática), espessura do mesófilo e
tamanho das células da bainha (nas folhas jovens), que são
controlados pela quantidade de radiação que atinge as folhas maduras
(JIANG et al., 2011 ).
Tolerância à Acidez
O Brasil é hoje um país que se destaca na produção
agropecuária mundial, sendo grande fornecedor de alime ntos para o
Exigências [Link]/imáticas [Link] da produção 71
mundo. A produção agrícola atualmente concentra-se na região dos
Cerrados, que se caracteriza por solos, de forma geral, com boas
propriedades físicas e topografia que favorece a mecanizaçã[Link]
contrapartida, são solos altamente intemperizados, com elevada
acidez, pobres em elementos químkos, com ênfase no P, Ca e Mg, e
com baixa capacidade de retenção de água (LOPES, 1984).
Dentre as características supracitadas, destaca-se a acidez do
solo, que está associada à presença dos íons de hidrogênio (H+),
manganês (Mn 2+) e, principalmente, alumínio (Al 3+), sendo este último
um dos principais limitantes à produção agrícola em solos ácidos, por
ser altamente tóxico a plantas e animais.
Com participação em 8% na composição da crosta terrestre, o
AI é o terceiro elemento mais abundante, após o oxigênio e o silício.
Ele ocorre na forma de minerais primários ou secundários, como
aluminossilicatos, oxi-hidróxidos, sulfatos e fosfatos na fase sólida do
solo (ROSSIELO; NETIO, 2006). Quando o pH do solo apresenta
valores inferiores a 5,5, ocorre maior dissolução das formas sólidas do
AI, com liberação de formas iônicas para a solução do solo
(RITCHIE, 1994) e consequente efeito tóxico às plantas. Para melhor
elucidar a dimensão do problema, estima-se que 40% das terras
aráveis do mundo e 70% dos solos brasileiros são representados por
solos ácidos (ADÁLMOLI et al., 1985; WRlGHT, 1989).
Essa dinâmica de dissolução dos minerais de Al envolve
alterações na química e fertilidade do solo, restringindo
principalmente o crescimento das raízes das plantas (FOY, 1988;
RENGEL, 1996). A inibição do crescimento das raízes é
relativamente rápida e mensurável dentro de 1-2 horas de expo ição
ao AI, envolvendo a inibição da expansão das células radiculare , bem
como da divisão celular (KOCHIAN, 1995; SIV AGURU; HORST.
1998, LAZOF; HOLLAND, 1999). Podem ocon-er também anomalias
radiculares, como a diminuição na quantidade de raízes laterais e de
pelos radiculares, bem como o engrossamento e enrijecimento de
raízes, tornando-as mais quebradiças, além de alterações fi iológicas e
nos processos bioquímicos da planta (FERREIRA et ai., 2006).
Estes problemas podem ocorrer nas camadas superficiai do
solo, 0-20 cm, bem como nas mais profundas, ressaltando- e que, em
suma, tudo isso irá res ultar em um sistema radicular menos
72 Magalhães, Souza, Mav, Lima Filho, Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
desenvolvido, o que implica menor volume de solo explorado pelas
raízes e, consequentemente, uma área mai s restrita para a absorção de
água e nutrientes, expondo as plantas a maiores estresses químicos e
hídricos e gerando menores patamares de produti vidade das culturas.
Considerando esta limitação, as plantas apresentam
comportamento variável em relação à tolerância ao AI , com variações
inter e intraespecíficas e, basicamente, a sobrevivência das plantas
expostas ao Al tóxico requer evolução de mecani smos de proteção
(SILVA et al., 2002). Esses mecanismos dividem-se em dois tipos:
imobilização ou neutralização do AI dentro da célula ou a exclusão,
impedindo o AI de penetrar na célula, em virtude da sua imobilização
ou neutralização na rizosfera (KOCHIAN, 1995).
Neste contexto, o sorgo, originário da África, é reconhecido
como cultura de certa adaptabilidade a condições adversas, no que se
refere à tolerância à acidez do solo e ao déficit hídrico,
desenvolvendo-se bem em zonas menos férteis, secas e quentes
(RODRIGUES FILHO et al., 2006).
Aparentemente, cultivares de sorgo tolerantes ao Al exsudam
alta quantidade de ácido transaconítico, bem como possuem maior
efluxo de K+ e exsudação de ácidos orgânicos, quando comparados
com os cultivares sensíveis (PITTA et al. , 1996, MAGALHÃES et al.,
2007).
Diante do exposto, dois caminhos, ou, de forma mais ampla,
três, poden1 ser seguidos para amenizar os problemas advindos da
acidez do solo: melhoramento de plantas para tolerância ao Al;
correção do solo para neutralizar a acidez; e associação dos métodos 1
e 2.
Considerando o melhoramento de plantas, pesquisas nessa
linha apontaram que a característica de tolerância ao AI é controlada
por poucos genes maiores, predominando efeitos de dominância
(BORGONOYE et ai. , 1987). Recentemente, Magalhães et al. (2007)
localizaram um gene de efeito maior na tolerância do sorgo ao Al.
Altsn, responsável por até 80% da variação fenotípica na
característica. Existe na Embrapa Milho e Sorgo uma equipe de
pesquisadores envolvida e m estudos c0m marcadores para
introgre~são assistida do ge ne Alls11 en-1 111ateriais-e lite originários do
Exigências edafocli111áticas [Link] da produção 73
Níger, país africano, e desenvolvidos pela Embrapa (GUIMARÃES
et ai., 2011).
No que se refere à correção do solo, embora o sorgo seja
reconhecido como cultura tolerante à acidez, ele é altamente
responsivo à correção do solo e adubação (RABELO et ai., 2012), de
forma que, para expressar todo o seu potencial produtivo, é necessário
que suas exigências nutricionais sejam supridas de maneira adequada.
Assim, a calagem, além de neutralizar o efeito tóxico do AI, fornece
cálcio e magnésio às plantas de sorgo na camada superficial do solo.
Trabalhos desenvolvidos na Embrapa Milho e Sorgo (dados
não publicados), nas safras 2011/12 e 2012/13, com o objetivo de
avaliar a resposta de quatro genótipos de sorgo, sendo um sensível ao
AI e três tolerantes (gene Alts 8 ) com combinações de calcário e gesso,
mostraram que, embora não tenha havido diferença estatística na
produtividade de grãos a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey,
numericamente ficou evidente a superioridade da produtividade dos
três genótipos com tolerância ao AI em relação ao genótipo sensível
no tratamento sem correção do solo (dose O de calagem e gessagem),
em que os genótipos tolerantes produziram, em média, 3.220 kg ha-1
de grãos, enquanto o genótipo sensível produziu 2.287 kg ha-1,
1
totalizando uma diferença de 933 kg ha- , que pode ser atiibuída à
tecnologia de resistência ao AI.
Destaca-se que na condição de solo sem coITeção, o pH em
água na camada de 0-20 cm foi de 4,8 e a saturação por alunúnio de
52,5%. Esses dados, associados à produtividade de grãos acima de
1
3.200 kg ha- para os genótipos com gene de tolerância ao Al,
reforçam a característica do sorgo para este fim.
Necessidades Hídricas
O consumo de água pelas culturas pode oscilar de acordo com
o estádio de desenvolvimento, a variedade, o local, as condições de
so lo e a época de plantio. Quantitativamente, esse consumo fica
determinado pela evapotranspiração, ou uso consuntivo da cultura,
expresso em milímetros ele altura de água na unidade elo tempo. Costa
et ai. ( 1994) estudaram o consumo de água para o sorgo cu lti var BR
30 1 em seus diferentes estádios feno lógicos e duas épocas de plantio
74 Magalhães, Souza, May. Lima Filho. Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
para a região de Sete Lagoas, MG. Constataram-se que, para o cultivo
de inverno, a evapotranspiração potencial foi de 1,7; 2,3; 4,1; e 3,9
nu11 dia- 1 para os estádios I, II III, e IV, respectivamente, definidos
pela FAO. Já para o cultivo de verão, os valores foram de 3,4; 3,9;
4,5; e 2,5 nu11 dia- 1, respectivamente. Tanaka (2010), estudando
diferentes níveis de lençol freático para a subirrigação do sorgo, em
condições controladas, encontrou valores de evapotranspiração na
faixa de 115 a 184,6 mm por ciclo. Para Sans et al. (2003), o consumo
de água pela cultura do sorgo varia entre 380 e 600 mm durante o seu
ciclo, de acordo com o estádio de crescimento e desenvolvimento da
cultura.
Utilizando-se do método de Doorenbos e Kassam/FAO
(1979), para estimar a perda de produtividade potencial do sorgo em
36 épocas de semeadura, para quatro localidades do Estado de São
Paulo, Marin et ai. (2006) verificaram que as curvas de produtividade
potencial observadas nas quatro localidades estudadas obedeceram em
grande parte as curvas anuais da temperatura do ar e do
armazenamento hídrico no solo, confirmando a influência desses
fatores na determinação da produtividade do sorgo (SANS et al.,
2000). A queda mais acentuada da produtividade entre os meses de
março e maio foi atribuída, além do frio, à interna deficiência hídrica.
Ao estudar diferentes níveis de umidade do solo para a
produção do sorgo, Peiter e Carlesso (1966) sugeriram que o manejo
da irrigação fosse realizado com a manutenção da fração da água
disponível do solo superior a 0,75%, na profundidade efetiva do
sistema radicular. A manutenção da fração da água disponível em
0,5% ocasiona alterações no crescimento e desenvolvimento da planta
de sorgo com efeitos negativos na sua capacidade produtiva. Nessa
situação, a perda de rendimento está principalmente relacionada com
estádio fenológico à duração e intensidade do déficit hídrico.
Entretanto, convém salientar que essas informações não podem ser
extrapoladas para outros locais, uma vez que estudos sobre consumo
de água, com base na fração da água disponível, só são aplicáveis pma
aquele local , para a época de plantio considerada e solos com as
mesmas características, em razão da variabilidade das curvas dt>
rete nção de água de solos cli ferentes.
Verifica-se, portanto, que o consumo de água pelas culturas
varia com o solo, a época ele plantio, com o local e com O ano. Por
Exigências edqfocli111áticas e fisiologia da produção 75
isso, informações sobre consumo de água, obtidas em dado local,
basicamente só devem ser levadas em conta para aquele local e para a
época de plantio considerada.
Em vista disso, o que se tenta fazer é estabelecer uma relação
entre a evapotranspiração máxima das culturas (ETm) e a
evapotranspiração potencial de um cultivo de referência (ETo). O
íll
índice obtido dessa relação é denominado coeficiente de cultura (Kc).
A utilização prática do Kc baseia-se no fato de existir estreita
correlação entre a água evaporada de um tanque e a evaporação de
uma cultura. Portanto, os dados médios de evaporação de um tanque
(classe "A"), de dado local, associados com o coeficiente de cultura.
permitem estimar a demanda de água de cada cultura.
Estudando o coeficiente de cultura para a cultura do sorgo,
Assis e Verona ( 1991) constataram boa concordância com os
coeficientes da FAO (DOORENBOS; KASSAM, 1979) nos estágios
iniciais da cultura (0,25 a 0,29 contra 0,3 daqueles autores) e nos
valores máximos (l,04 a 1,11 contra 1,15). No final do ciclo, os
valores de Kc observados por Assis e Verona ( 1991) foram cerca de
30% superiores aos de Doorenbos e Kassam, 1979. Nesse estudo,
foram comparados os métodos de determinação da ETm pelos
métodos ele Penman-Monteith, Tanque Classe A e Método de
Radiação, e os valores médios encontrados foram 0,74, 0,76 e 0,68,
respectivamente, para o coeficiente de cultura e evapotranspiração
máxima de 461 mm.
Estresses Hídricos - seca e alagamento
Tanto o excesso ele água (alagamento) quanto a seca ou o
déficit hídrico no solo afetam o desenvolvimento elo sorgo, sendo este
último mais estudado (PROMKHAMBUT et ai., 2010; TSUJl et ai..
2005; ALI et ai., 2011). O sorgo requer menos água para se
desenvolver quando comparado com outros cereais, sendo o estádio de
florescimenlo o mais crítico. Para a produção de 1 kg de matéria seca,
o sorgo necess ita de 330 kg de água, bem menos que outras culturas
ele grãos (ALDRICH et al., 1982).
A resistência ü seca é uma característica complexa, pois
e nvolve simultaneamente aspectos ele morfologia, fisiologia e
76 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Sa111os, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
bioquhnica. A literatura cita três mecanismos relacionados à seca:
resistência, tolerância e escape (CHAVES et ai., 2003; BARNABÁS
et al., 2008). O sorgo parece apresentar duas características: escape e
tolerância. O escape acontece por meio de um sistema radicular
profundo e ramificado, o qual é eficiente na extração de água do solo.
Já a tolerância está relacionada ao nível bioquímico. A planta diminui
o metabolismo e tem poder extraordinário de recuperação quando o
estresse é interrompido.
Sabe-se que, em sorgo, diferentes características podem estar
ligadas à tolerância à seca em vários estádios. Genótipos tolerantes
submetidos ao estresse no pré-florescimento tendem a possuir maiores
taxa fotos sintética, condutância estomática, controle da temperatura
foliar, além de grãos de pólen com maior viabilidade. Já os genótipos
tolerantes na fase de enchimento de grãos (após o florescimento)
tendem a ter maior comprimento de raízes finas, (stay -green),
evidencia-se maior enchimento de grãos (TSUJI et al. , 2005;
HABYARIMANA et al., 2010; MUTAVA et ai., 2011).
Com a falta de água, os estômatos fecham-se e as trocas
gasosas (água e CO2) são limitadas (condutância estomática é
impedida). A temperatura foliar está diretamente ligada à condutância
estomática, pois estômatos abertos permitem maior transpiração e,
assim, há resftiamento da folha. Contudo, estômatos abertos
significam perda maior de água. Genótipos tolerantes de sorgo podem
desenvolver mecanismos de controle estomático que permitem uso
eficiente da água com estômatos semiabe1tos, favorecendo a
realização da fotossíntese sem grandes perdas de água (TINGTING et
ai. , 201 O; LINO, 2011; MUTAV A et al. , 2011).
Modificações na fluorescência da clorofila também são
evidenciadas em sorgo sob seca. Ocorre aumento do quenching não
fotoquímico e diminuição da eficiência quântica do fotossistema II
(PSII). Como relatado anteriormente, o déficit hídrico impede a
entrada de CO2 e, assim, a atividade fotossintética cai. Além de o
fechamento estomático limitar a fotossíntese em sorgo, a atividade da
Pepcase e a regeneração elo fosfoenolpiruvato (PEP) também
contribuem para a limitação cio processo fotossintético (BEYEL:
BRUGG EMANN, 2005) .
Exigências edafoclimâticas e fisiologia da produção 77
Em sorgo, da mesma forma que em milho, o rendimento de
grãos parece estar muito mais ligado à força do dreno que à fonte .
6
Assim, índices que consideram a partição de fotoassimilados tomam-
se mais importantes no estudo de seca (ARAUS et al., 2008; long et
al., 2006; Lopes et ai., 2011; MUTAVA et al., 2011).
Apesar de existirem poucos trabalhos com relação à tolerância
ao alagamento em sorgo, maior desenvolvimento radicular, maior
distribuição de fotoassimilados, manutenção da fotossíntese e maior
atividade de enzimas glicolíticas e fosfatases foram evidenciados
como características que levam à tolerância ao excesso de água
(SINGLA et al., 2003; SHARMA et al., 2005; PROMKHAMBUT et
al., 2010). Estudando altura de lençol freático sobre o rendimento de
sorgo, Tanaka (201 O) mostrou que profundidades freáticas menores
que 17 cm não seriam recomendadas, pois se ve1ificou o menor
desenvolvimento do sistema radicular, prejudicando o
desenvolvimento das plantas.
Segundo Neves et al. (2012), o alagamento afetou diretamente
os processos bioquímicos nas plantas de sorgo, tanto nas folhas quanto
nas raízes. O alagamento do solo provocou aumento nas
concentrações da atividade da redutase do nitrato nas folhas e
diminuição dela nas raízes. Além disso, as concentrações de
carboidratos solúveis totais, glicina-betaína foram maiores nas folhas
e raízes sob alagamento em comparação às plantas sob controle.
Potencial Produtivo sob
Condições Marginais
O uso do sorgo é destaque em condições mm·ginais de cultivo
para maioria dos cereais. Neste caso, prevalecem sistemas de produção
em regiões semiáridas ou como opção de segunda safra (saf1inha) em
áreas do Cerrado quando o plantio do milho é atrasado, em razão de
colheita tardia da primeira safra ou quando é necessátio o replantio.
Dispondo de suficiente precipitação pluviométrica e com boa
cli,~tribuição, o sorgo tem pouca vantagem econôinica sobre o milho.
"í11dice de rnlheiw - relação e11Lrc massa seca do grão e massa se,.:a Lotai da planta e índice de
trilhC1- relação entre a massa sem do grão e massa seca lutai da panícula.
78 Magalhães, Sou za. Mav, Lima Filho, Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
Em 1971 foi elaborado um documento pela Universidade de
Purdue, com a colaboração da Superintendência de Desenvolvimento
do Nordeste/SUDENE, a fim de aquilatar o potencial do sorgo em
grão como alimento importante e produto forrageiro no Nordeste
Brasileiro (SWERINGIN et al., 1971). Neste trabalho já eram
evidenciadas as potencialidades da cultura na região semiárida.
Posteriormente, outros trabalhos realizados na década de 1970
também demonstravam a viabilidade técnica do cultivo do sorgo para
a produção de grãos e silagem em regiões com menor disponibilidade
hídrica (MOREIRA et al., 1977a; BORGONOVE et ai. , 1979;
MOREIRA et al., 1977b; AZEVEDO et al., 1977).
A partir da década de 1980, diversos cultivares foram
desenvolvidos pela Embrapa, pelo IP A, entre outras instituições de
pesquisa. Neste período, vários eventos de difusão em parceria com o
setor privado propiciaram grande avanço do sorgo forrageiro, em que
tecnologias e ajustes de sistemas de produção foram desenvolvidos
por pesquisadores, extensionistas e produtores. Esses trabalhos foram
fundamentais para o avanço do sorgo em propriedades com grande
influência da pecuária. Já o sorgo granífero, apesar da demanda por
grãos na região, não teve o mesmo desenvolvimento em área
cultivada.
No Cerrado, o sorgo é cultivado por meio de dois sistemas de
produção. O primeiro deles é muito semelhante ao semiárido, em que
o pecuarista é produtor de sorgo, ou seja, o cultivo diz respeito ao
plantio de verão para incremento de volumoso no período da seca na
forma de silagem. Em condições marginais, o outro sistema adotado é
utilizando o sorgo granífero na segunda safra. Assim, o agricultor
consegue melhor aproveitamento do solo, maior quantidade de grãos
para alimentação animal e mais uma fonte de renda por meio da
comercialização da cultura plantada na entressafra.
O sorgo apresenta tolerância cli ferenciacla ao estresse hídrico
conferida pelo seu sistema radicular fibroso e extenso, possui
características foliares de plantas xerófitas que atrasam a perda de
água da planta, o que permite o u o mais eficiente ela água
(ANTUNES , 1979). Esse fato confere ao sorgo maior tolerância à seca
durante a rase vegetativa e reproduti va (SINGH; SlNGH, l 995;
CAMARGO; HUBBARD, 1999; FARR É; FACI, 2006), reduzindo o
Exigências edafocli111áticas e fisiologia da produção 79
nível de risco de perda de rendimento da cultura. A maior tolerância à
deficiência hídrica do sorgo permite ao técnico planejar as culturas do
sistema de produção aproveitando-se ao máximo o potencial produtivo
de cada uma delas visando à maior produtividade do sistema de
produção como um todo. Assim, pelas características
morfofisiológicas do sorgo, esta cultura, quando bem inserida no
sistema de produção, pode representar menor risco de perdas
econômicas e maior sustentabilidade do sistema de produção.
Em muitas áreas de produção de sorgo no Brasil, o manejo
empregado para cultura do sorgo, a época de semeadura e o manejo
das lavouras não são satisfatórios para se obterem boas produtividades
de grãos, como revela a série histórica de produtividade de sorgo no
Brasil, sendo a da última safra em torno de 3.000 kg ha-1• Todavia,
hoje no Brasil é possível obter aumento de produtividade desta cultura
inserido-a de fonna adequada na janela de plantio indicada no
zoneamento e seguindo as recomendações técnicas já disponíveis. As
empresas públicas e privadas têm ofertado cultivares de sorgo com
alto potencial produtivo. Entretanto, os ambientes nos quais o sorgo é
cultivado no Brasil apresentam baixa e ÍITegular disponibilidade
hídrica durante o ciclo da cultura, o que limita a produtividade.
Contudo, ensaio de competição de cultivares tem mostrado o elevado
potencial de grãos de cultivares de sorgo sob condições marginais,
tanto no Brasil central (FREITAS et ai., 2009; FREITAS et al., 2010)
quanto no semiárido brasileiro (ALBUQUERQUE et al., 2011).
Desse modo, a cultura do sorgo tem amplo potencial para uso
nos cultivos de safrinha em extensas áreas no Brasil central; pelo
potencial de produção desta cultura é possível aproveitar melhor os
fatores de produção com a semeadura no momento adequado e, para
isso, é determinante o planejamento do produtor do sistema de
produção na sua totalidade.
No semiárido brasileiro, o sorgo é utilizado como cultura
principal, em razão da itTegularidade no regime das chuvas com
período curto e distribuição irregular no espaço e no tempo.
caracterizado, ainda, no período chuvoso, por ocorrência de veranicos,
com 15 a 20 dias (BARROS et al., 2004). Cerca de 35% deste
ambiente possui aptidão plena e regular para a cultura do sorgo. O
levantamento de resultados médios de ensaios de competição de
cultivares de sorgo e m diferentes amhientes do semiúriclo feito por
80 Magalhães, Souza, May, Lima Filho, Santos, Moreira, Leite, Albuquerque e Freitas
Tabosa (2012) reflete o elevado potencial de produtividade de grãos
de sorgo em condições de sequeiro, com amplitude que variou entre
5.800 e 8.800 kg ha-1•
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MANEJO OPERACIONAL NO
PLANTIO 4
José Robe,10 Androcióli1
Introdução
Para implantar tecnicamente uma lavoura de sorgo e dela
obterem máxima produtividade e rentabilidade financeira, o produtor
deve fazer um planejamento adequado, levando em conta todos os
fatores que possam refletir positivamente no resultado final. Em
primeiro lugar, os objetivos devem ser bem definidos. Se a intenção é
produzir grãos de sorgo para ofertar ao mercado, obviamente o
primeiro fator a ser considerado é de ordem comercial: há mercado
para grão de sorgo próximo da zona de produção? Quais são os
requerimentos de qualidade que devem ser atendidos para se obter o
melhor preço pelo produto? Que tecnologia deve ser empregada para
se conseguir em produtividade econômica e qualidade? Porém, se o
objetivo é atender a uma demanda interna por grãos ou por foITagem,
o produtor deve buscar o tipo de sorgo que atenda à finalidade de uso
e o cultivar adequado às condições do ambiente onde se insere a
propriedade. Em qualquer situação, se o produtor está plantando sorgo
pela primeira vez, recomenda-se assessoria de um profissional ou
recorrer à literatura técnica disponível para planejar as operações,
desde a definição da época de plantio, passando pela escolha do
cultivar adaptado aos seus objetivos e pelos processos de pré plantio.
plantio, condução da lavoura, até colheita.
1
Gcrentl.! de Pesq uisa de Produção, Helix Sememes Ltda., Parm:alu-MG. E- mail:
androcioliconsultoria@[Link]
90 Androcióli
Neste capítul o, será abordada tão somente a implantação de
uma lavoura de sorgo, independentemente do tipo agronômico e do
objetivo comercial do produtor. Serão discutidas as formas de preparo
do solo conforme o sistema de plantio adotado, a revisão dos
equipamentos de semeadura, a regulagem da di stribuição de sementes
e ferti lizantes e os procedimentos para o plantio propriamente dito.
O Correto Estabeleci mento da C ultura
,
Definição da Epoca de Pl antio
A definição da época de plantio de sorgo no Brasil depende
fundamentalmente de dois fatores climáticos: temperatura e regime
pluviométrico. O sorgo desenvolve-se mal sob temperaturas abaixo de
18 ºC e esse deve ser o limite para sua semeadura. A temperatura
ótima para crescimento é em torno de 33 a 34 ºC.
Apesar da sua tolerância à seca, quando comparado a outras
culturas, o sorgo necessita de pelo menos 400 1nm de chuva bem
distribuída ao longo do ciclo. Os períodos críticos estão entre 20 e 25
dias após plantio e na fase de polinização, em torno de 50 e 60 dias
depois da germinação. A falta de água compromete o estande da
lavoura, o desenvolvimento vegetativo, a definição do potencial
produtivo e a qualidade dos grãos e da forragem. Falta d 'água nos
períodos críticos é responsável por significativa perda de
produtividade. Dessa forma, a época de plantio nas diferentes regiões
produtoras do Brasil e nos sistemas de produção vigentes pode ser
assim definida:
• Plantio de verão no Sul do Brasil: de l5 de nove mbro até fim de
dezembro. No Rio Grande do Sul e Sul do Paraná é comum o
plantio de milho no fim de agosto a setembro. Não se recomenda
semear sorgo nessa condição.
• Plantio de verão no Norte e Oeste do Paraná, Sudeste e Centro
Oeste: de 15 de outubro até 15 de janeiro. Dentro dessa vasta região
geográfi ca cada produtor deverá escolher o melhor momento para
semear sorgo de pois de ao menos duas boas chuvas. Nunca seme~l-
lo em solo seco ou com meia umidade. No caso de sorgo granífero.
Manejo operacional 11 0 plantio 91
não semear muito cedo, para evitar que a maturação fisiológica
ocorra em período muito chuvoso, o que poderá acarretar
germinação na panícula na pré-colheita.
• Plantio de segunda safra (safrinha) no Norte de São Paulo, Estados
Centrais, Oeste da Bahia e Sul do Piauí: o fator determinante da
produtividade na safrinha é a disponibilidade hídrica. Plantios do
fim de janeiro até meados de fevereiro produzem mais que os de
final de fevereiro até fim de março. O calendário de plantio na
safrinha pode ser assim resumido:
a) Plantio de abertura: no fim de janeiro até 28 de fevereiro.
b)Plantio de fechamento: lº a 15 de março.
c) Plantio de risco: de 16 a 31 de março.
d) Plantio de alto risco: após 31 de março.
Preparo do Solo
Em culturas de sementes pequenas, como o sorgo (diâmetro
médio de 2,5 mm), preparar muito bem o leito de germinação é fator
importante para se obter alta produtividade. Solo mal preparado pode
resultar em baixo desempenho das plantadeiras e, por consequência,
má distribuição das sementes, má colocação do fertilizante,
emergência irregular e, finalmente, estandes abaixo ou acima da
recomendação técnica.
Correção da Fertilidade do Solo
Antes de iniciar o preparo do solo propriamente dito, é
imprescindível verificar seu estado físico-químico. Em áreas recém-
desbravadas recomenda-se, além da análise química, uma análise
granulométrica, sempre em duas profundidades: 00-20 e 20-40 cm.
Em áreas de cultivo contínuo e cujo histórico de fertilidade é
desconhecido, apenas a análise química de 00-20 é satisfatória.
Havendo necess idade e por indicação do laboratório, fazer a cotTeção
de acidez/alumínio tóxico e elos elementos químicos deficientes
(Figura 4.1 ). A cada safra retirada, ou pelo menos a intervalos
92 A11drocióli
regulares, recomenda-se a reanálise do solo para atualização do
histórico da ferti !idade. O uso de agricultura de precisão é cada vez
mais comum. por ser uma técnica que permitirá melhor manejo de
fe11ilidade dos solos e formação ele um status de fertilidade adequado
no solo.
Figura 4.1 - Aplicação de corretivo no solo.
Preparo do Solo Conforme o Sistema de
Semeadura
O sorgo pode ser semeado convencionalrnente ou diretamente
na palha. Para cada caso, os procedimentos são distintos, conforme
exposto a seg utr:
Preparo para Semeadura Convencional
a) Verificar a necessidade, ou não, de co nstrução de curvas de nível ou
terraços de base larga para ev itar futuras erosões.
Man ejo operacional 110 plantio 93
b) Incorporação dos restos culturais (palhada) com grade pesada
(Figura 4.2), ou arado ele disco (Figura 4.3), ou arado de ai veca
(Figura 4.4). Dependendo do volume e da consistência da palhada,
é recomendável sua desintegração com roçadeira (Figura 4.5), ou
triton (Figura 4.6), ou rolo faca (Figura 4.7).
Figura 4.2 - Grade pesada para Figura 4.3 - Arado de disco
incorporações de restos culturais. para incorporação de restos
culturais.
Figura 4.4 - Arado de ai veca Figura 4.5 - Desintegração dos
para incorporação ele restos restos culturais com roçadeira.
culturais.
94 Androcióli
Figura 4.6 - Triton para Figura 4.7 - Rolo ou faca para
desintegração de tratos desintegração de restos
culturais. culturais.
e) Fazer duas a três gradagens, sendo a primeira com grade
intermediária (Figura 4.8) e a(s) seguinte(s) com grade niveladora
(Figura 4.9).
Figura 4.8 - Gradagem com Figura 4. 9 - Gradagem com
grade intermediá1ia. grade niveladora.
d) Utilizar rolo compactador (opcional) após a última gradagem da
niveladora (Figura 4.10).
Manejo operacional 110 plantio 95
Figura 4.10 - Preparo final do solo com rolo compactador.
e) Observações e cuidados gerais:
✓ A incorporação dos restos culturais e das ervas daninhas com arado
de disco ou de aiveca é feita à profundidade média de 20 cm. A
grade aradora incorpora a profundidades menores, entre 10 e 20
cm. O uso constante da grade aradora pode compactar o solo
abaixo da área revolvida, em torno de 4 cm, efeito conhecido como
"pé de grade". Essa compactação é a causa de mau
desenvolvimento radicular e da baixa infiltração de água. Para
evitar o "pé de grade" é recomendável alternar a cada 2-3 anos o
uso da grande aradora com aração ou subsolagem.
✓ A gradagem para nivelamento não deve pulverizar excessivamente
o solo, pois alguns pequenos toITões sobre a superfície são
desejáveis.
✓ No caso de semeadura pelo sistema convencional, a plantadeira
deve estar equipada somente com o disco duplo de distribuição do
::idubo, conforme (Figura 4.11 ).
96 Androcióli
'-~--..
- ~ ti ~
......
:~'
. '
~---- .. •
~ ... r •
( ~
: . ·.:.
Figura 4.11 - Plantadeira com disco duplo de distribuição de adubo.
Preparo para Plantio em Cultivo Mínimo
O cultivo mínimo é um sistema intermediário entre o plantio
convencional e o plantio direto na palha. Consiste em preparar o solo
com um mínimo de operações, utilizando-se a grade intermediária
(Figura 4.2) ou somente a grade niveladora (Figura 4.3), com o
objetivo de manejar ou revolver o menor volume de solo possível,
deixando-o, entretanto, em condições para o bom desempenho das
pl antadeiras. No cultivo mínimo, a escolha do tipo de grade depende
da quantidade de restos culturais a ser incorporada. A expe1iência e o
bom senso do produtor são importantes para definir o tipo de
equipamento de preparo mais adequado para cada situação. No cultivo
mínimo, alguns acessórios de plantadeiras como o disco de corte de
palhada e a botinha (Figura 4. 12) podem ser muito úteis para o corte e
incorporação da palhada.
Manejo operacional no plantio 97
Figura 4.12 - Plantadeira com disco de corte de palhada e botinha.
Preparo para Plantio Direto
O sorgo tem sido plantado diretamente sobre dois tipos de
palhada:
a) Restos culturais de soja, 1nilho, feijão , atToz, trigo e outras culturas
de grãos;
b) Palhadas produzidas especificamente para cobertura morta do solo,
como as de milheto, nabo-forrageiro, mucuna, lab-lab, crotal:iria,
pastagens e o próprio sorgo de corte e pastejo.
No Brasil-Central, a quase totalidade do sorgo plantado na
segunda safra é sobre palhada de soja e muito pouco sobre outros
restos culturais. Algumas situações podem ocorrer para definição da
melhor forma de preparo cio solo e plantio do sorgo:
a) Lavoura de soja (ou outra cultura) bem conduzida e sem plantas
daninhas remanescentes: o sorgo pode ser semeado diretamente sem
necessidade de dessecação.
b) Lavoura de soja (ou outra cultura) com plantas daninhas
remanescentes. No caso ela soja, fazer sua dessecação antes ou
depois da colheita. Quando se refere a outras culturas, dessecar após
colheita. O sorgo deve ser semeado imediatamente após a
clessecação, seguindo sempre as indicações de intervalo ele
98 Androcióli
segurança constantes nas bulas dos dessecantes. A Tabela 4.1
mostra dessecantes recomendados pela pesquisa e disponívei s no
mercado brasileiro.
Tabela 4.1 - Herbicidas dessecantes de aplicação em pré e pós
emergência mais utilizados no Brasil
Princípio ativo Grupo químico Dose (L. ou kg/ha) Aplicação
Glifosato de sal de Homoclonina 1,5 a 4,0 Dessecação
amônio substitutiva
Glifosato Glicina substituída 1,0 a 6,0 Dessecação
Diquate Bipiridílio 1,0 a 2,0 Dessecação
Paraquat Bipiridílio 1,5 a 2,0 Dessecação
2,4D(') Ácido 1,0 Dessecação
ariloxialcanoico
Cafentrozona-etíl ica Triazol0na 0,050 a 0,075 Dessecação
Atrazina Triazinas 2,0 a 6,0 Pré e pós
(sequencial de
3,0 e 3,0 (2)
11
( Para cada 100 mUha: inlervalo de um dia entre a aplicação e plantio de sorgo; (2) Adicionar
(somente) óleo vegetal.
Para plantio sobre palhadas produzidas e dependendo do
volume, a massa vegetal deve ser fragmentada após a dessecação para
melhor desempenho das plantadeiras. Para isso são utilizados os
mesmos implementos descritos anteriormente (Figuras 4.5, 4.6 e 4.7).
Tratamento das Sementes
Sementes de sorgo comercializadas no Brasil são tratadas com
inseticidas e fungicidas para sua prmeção, do armazenamento até o
momento do plantio. No entanto, esses produtos não são suficientes
para a proteção das ~L'.rnent~s no solo e das plântulas e m e me rgência.
Hoje, 110 Brasil. praticamente toda a semente de sorgo é tratada antes
da se-mead ura com insetic idas próprios para o co ntrole de diversos
insetos-praga de solo e insetos-pragas da fase inicial, como: lagarta-
Manejo operacional 11 0 plantio 99
elasmo, lagarta-rosca, larva-arame, peludinha, corós ou bicho-bolo e
algumas espécies de sugadores, como percevejo castanho. As
sementes devem ser tratadas preferencialmente nas revendas que
di spõem de equipamentos (Figura 4.13) e pessoal treinado para essa
operação. O tratamento também pode ser feito nas fazendas no
momento do plantio, sob a orientação de um técnico e seguindo
procedimentos de segurança, utilizando-se de tambores rota ti vos
(Figura 4.14) ou betoneiras.
Figura 4.13 - Equipamentos para Figura 4.14 - Tratamento
tratamento de sementes. de sementes usando
tambores rotarivc s ou
betoneiras.
Na Tabela 4.2 estão indicados os produtos e as dosagens para
tratamento de sementes de sorgo:
Tabela 4.2 - Inseticidas utili zados no tratamento de semen te--.
Princípio ativo Grupo químico U 8 kg de emente
Tiametoxan Neonicotinoicles 0,032 a 0,0-i8
I miclaclopriclo N ionicotinoicles 0,032 a o,o..io
I midacloprido + Neonicotinoides + O, l 00 a O, 1➔ Ü
Tioclicarbe Metilcarbamato de oxi na
100 Androcióli
Duas recomendações importantes:
As sementes tratadas com esses produtos devem,
preferencialmente, ser semeadas no mesmo dia do tratamento. A
experiência tem mostrado que até cinco a sete dias após o tratamento
há tendência de perda do seu vigor e poder germinativo.
No estabelecimento da cultura de sorgo em sistemas de plantio
direto sobre palhadas, ou em cultivo mínimo, é comum a ocorrência
de danos provocados pelos insetos-praga, que migram dos restos
culturais ou de plantas voluntárias (tigueras ou soqueiras) para a
cultura recém-instalada. Neste caso, recomenda-se aplicar um
inseticida específico para o controle destes insetos juntamente com a
operação de dessecação realizada antes da implantação da cultura,
seguindo sempre as recomendações do fabricante.
Profundidade de Plantio e de Colocação do
Ferti Iiza nte
Sementes de sorgo devem ser cobe11as com 3 a 5 cm de solo. O
produtor deve ficar atento às variações do tempo para alterar a
profundidade da colocação de sementes: se o solo estiver muito úmido e
há sinais de boas chuvas no deco1Ter do plantio, a profundidade deve ficar
em tomo de 3 cm. Ao contrário, a profundidade deve chegar a 5 cm se a
umidade do solo diminuir ao longo elo trabalho. O plantio deve ser
interrompido se a umidade do solo ficar abaixo da capacidade ele campo.
O fertilizante deve ser colocado numa profundidade nunca
inferior a 8 cm; quanto mais profundo for depositado o adubo, maior
será a tendência de aprofundamento do sistema radicular do sorgo,
com benefícios para que a planta suporte melhor os períodos de
estresse hídrico.
Man ejo operacional 110 plantio 101
Espaçamento, Densidade de Plantio e
População Final
Para cada tipo comercial de sorgo a pesquisa indica uma
combinação ideal de espaçamento e densidade de semeadura. De
acordo com Meira et al. ( 1978 citados por COELHO et al., 2002), a
pi[
densidade de semeadura deve ser diretamente proporcional à
disponibilidade hídrica e de nutrientes: quanto mais umidade no solo e
ft': .
mais disponibilidade de nutrientes, mais elevada pode ser a densidade,
pari. sempre respeitando o tipo, a finalidade de uso e as características
[
agronômicas do cultivar. Cultivares de porte baixo (sorgos graniferos),
COIT , precoces e de colmos resistentes ao acamamento suportam densidades
acima de 200 mil plantas por hectare, enquanto para sorgos silageiros
de porte alto a densidade de semeadura não deve ultrapassar 120 mil
plantas por hectare.
A Tabela 4.3 a seguir resume as populações de plantas
mínimas e máximas recomendadas para os diferentes tipos comerciais
de sorgo no Brasil.
Tabela 4.3 - População de plantas núnimas e máximas recomendadas
para os diferentes tipos comerciais de sorgo
Consumo de
Tipo comercial Mínima Máxima sementes Observação
(kg)
8 a 10 Plantio de verão: > 180.000
150.000 2 10.000 Safrinha inicial: > l 80.000
Granífero 8 a 10
Fechame mo
6a8
Safri nha:< 180.000
6 a7 Boa condição geral: > 100.000
Silageiro/Sacarino 90.000 120.000 Condição desfavorável:
5a7
< 100.000
12 a 15 Corte: 300.000 a 400.000
Corte e pastejo 300.000 600.000
20 a 30 Pastejo: 400.000 a 600.000
Situação frequente mente encontrada em regiões de safrinha é
pl antar sorgo granífe ro com o mes mo espaçamento usado para a soja.
102 Androció/i
Dessa forma , sorgo granífero pode ser plantado de 0,45 m até 0,70 m,
conforme o maquinário. Esse procedimento produz economia de
tempo na preparação das plantadeiras, permitindo plantio imediato do
sorgo em sequência à colheita da soja. Naturalmente, as densidades de
semeadura devem ser ajustadas para se obterem as populações finai s
recomendadas para cada tipo agronômico. Em sorgo forrageiro para
silagem, o espaçamento varia de 0,70 m a 0,90 m, conforme a
disponibilidade de equipamentos de plantio e de corte de forragem
(ensiladeiras) das propriedades. O sorgo de pastejo pode ser plantado
com semeadeiras de trigo e arroz e também a lanço quando seu uso for
para pastejo direto.
Características de uma Boa Semente de Sorgo
As sementes de sorgo ofertadas no mercado brasileiro são de
qualidade comparável às de países tradicionalmente produtores de
sementes, como Estados Unidos, México, Austrália e Argentina. Pelo
padrão brasileiro, uma boa semente de sorgo deve ter no núnimo 80%
de germinação. O peso médio de 1.000 sementes de sorgo é de
17,63 g, (Banco Ativo do Germopla ma do CNPMS,CNPMS :
Embrapa Milho e Sorgo) e o diâmetro médio é 2,5 mm,
independentemente do tipo agronômico considerado. A indústria de
sementes não oferta sementes de orgo classificadas por tamanho
(comprimento e largura) como no caso do milho. Normalmente uma
boa semente de sorgo, do ponto de vista da apresentação, deve ter
90% de um tamanho e l 0% de outro ligeiramente menor, uma mescla.
portanto. Ao adquirir sementes de sorgo no mercado, o produtor deve
exigir os documentos de comerciali zação, baseando nos resultado de
germinação para definir a quantidade de sementes por metro linear.
Além dessas características, outros dois fatores de erão ser
considerados no momento da regulagem do equipamento de plantio: o
culti var escolhido pelo produtor e a época de plantio. Os obtentores dos
culti vares ou as empresas sementeiras responsáveis pela sua
comercialização geralmente informam qual deve ser a clen, idade de
semeadura e estande final de seus produtos. E, como já exposto, a época
de pl antio e as condições de ambient e manejo pretendidos para a cultura
completam o conjunto de fatores que devem ser levados em conta no
momento ela rcgulagcm das plantadeiras usadas para plantar sorgo. .
Manejo operacional 110 plantio 103
Regulagem da Plantadeira
O objetivo dessa operação visa proporc10nar a melhor
condição para germjnação das sementes, rápida emergência das
plântulas e desenvolvimento do sistema radicular primário. As
modernas plantadeiras são projetadas para: cortar a palhada e evitar
que ela se acumule dentro do sulco de plantio; depositar as sementes
no sulco de plantio uniformemente; distribuir semente por semente de
forma regular, sem falhas e duplicidade; depositar o adubo na
profundidade e com quantidade calculada; e promover o contato entre
o solo e a semente, evitando bolsões de ar. É importante que o
produtor leia o manual do fabricante e conheça muito bem o
equipamento de plantio e todo o seu funcionamento.
O primeiro passo para regulagem do equipamento de plantio é
conferir, criteriosa e pacientemente, todo seu sistema mecânico antes
da regulagem propriamente dita, como se segue:
• Confe1ir o estado dos discos de corte., botinhas, disco da semente e
do adubo (Figura 4.15). Os discos devem estar com o mesmo
diâmetro, sem desgaste exagerado e não podem estar empenados.
As botinhas devem ter tamanhos igums, sem desgaste.
• Os rolamentos dos discos devem ser examinados e trocado se
necessários.
Figura 4.15 - Regulagem do equipamento de plantio.
104 Androció/i
• Os condutores ele adubo não podem apresentar corrosão e
obstruções. As mangueiras condutoras de adubo não podem
apresentar-se com rachaduras e, ou, furos.
• As ponteiras não podem estar gastas e mal fixadas.
• As molas de regulagem da profundidade do adubo devem estar em
perfeito estado.
• Os reguladores de profundidade de sementes (Figura 4.16 e 4.17) e
os compactadores (Figura 4.18) não devem estar gastos.
Figuras 4.16 e 4.17 - Reguladores de profundidade de sementes.
Fig ura 4 . 18 - Compac [Link] de se me ntes.
Manejo operacional 110 plantio 105
• Coroas, rolamentos e pinhões (Figura 4. 19 e 4.20) devem ser
reparados ou trocados caso apresentem dentes quebrados ou folgas,
correntes frouxas ou engripadas, e , ou , rolamentos gastos.
Figuras 4.19 e 4.20 - Coroas, rolamentos e pinhões de plantadeiras.
Correntes dos sistemas de distribuição de adubo (Figura 4.21)
e semente, (Figura 4.22) são uma das partes de maior importância do
conjunto. Os esticadores deverão estar com suas roldanas em pe1feito
estado, as conentes completamente livres e não engripadas.
Principalmente os dentes das engrenagens têm que estar em ótimas
condições, pois qualquer diferença entre elas pode comprometer a
regulagem.
Figura 4.2 1 - Correntes elos Figura 4.22 - Corre ntes dos
sistemas ele distribuição de sistemas ele distribuição de
adubo. se mentes.
106 Androcióli
A caixa de adubo deve ser vistoriada: rotores e roscas sem fim
de condução do adubo devem estar uniformemente limpos e
desobstn1ídos (Figuras 4.23 e 4.24). Se uma ou mais roscas estiverem
com desgaste maior que as outras, é impossível obter a mesma
quantidade de adubo em todas as saídas.
Figuras 4.23 e 4.24 - Caixas de adubo com rosca sem fim.
Tambor de Distribuição de Semente
É a parte mais importante da plantadeira, porque é ela que,
efetivamente, distribui as sementes e, por isso, deve estar bem
ajustado, sem folga alguma. O tambor de distribuição de emente pode
ser de dois tipos: tambor a disco e tambor pneumático:
No tambor de distribuição a disco há que observar se há folgas
e frestas por onde as pequenas sementes de sorgo venham a vazar. As
folgas podem aparecer no local de assentamento do disco e anel
(Figura 4.25), nos limpadores de sementes (Figura 4.26) e no
acoplamento da caixa (Figura 4.27). Importante ta1nbém verificar se
há cortes, trincas e obstruções nos condutores de semente (Figura
4.28).
Mc111(:jo opemciona/ 110 plantio 107
Figuras 4.25 e 4.26 - Folgas no assentamento do disco, anel e
limpadores de sementes.
Figuras 4.27 e 4.28 - Folgas no acoplamento da caixa condutora de
sementes.
No tambor de plantadeiras pneumáticas (Figura 4.29), mesmo
sendo uma tecnologia mais avançada, alguns itens devem ser
conferidos antes da regulagem, corno: verificar se os reguladores de ar
estão funcionando livremente (Figura 4.30); se os seletores de semente
são ela mesma dimensão (Figura 4.3 l ); se estão ckvidamente fixados
para deixar passar apenas uma semenle em cada furo (Figura -+.3:2), e
principalmente se h,'í furos nas mangueiras de ar. situação que
compromete a distribuição ele semente (Figura -+.33).
108 A11drocióli
Figura 4.29 - Tambor de Figura 4.30 - Regulador de ar
plantadeira pneumática. e retirada de duplas.
Figura 4.31 - Diferenças entre limpadores de se mentes para sacar
dupl as.
Figura 4.32 Posição do Figura 4.33 - Vazamento na
limpador de sement es mangueira de ar
Man ejo operacional 110 plantio 109
Escolha do Disco de Distribuição de Semente
e das Rosetas dos Marteletes
A escolha do disco da semente (Figuras 4.34 e 4.35) e anel,
(Figura 4.36) deve ser feita tendo-se como referência a semente de maior
diâmetro de uma amostra do material que será plantado, de maneira a não
ficar muito justa, permitindo sua passagem com faciHdade. Como
mostram as figuras a seguir, uma mesma semente é testada em dois
discos, um com furos de 5,2 mm e outro com furos de 5,5 mm. Ambos
fatiam boa distribuição, mas o disco de 5,2 mm é o ideal pai·a esta
semente, porque com o disco de 5,5 mm haveria maior ocorrência de
duas sementes/furo (semente dupla). Essa situação costuma ser causa
frequente de entupimento dos furos e, ou, de duas plantas ocupando o
mesmo espaço no solo. No mercado são encontrados discos com furos
duplos e simples (conforme figuras abaixo), ambos indicados para se
reaHzar boa semeadura de sorgo.
Figura 4.34 - Disco de furo Figura 4.35 - Disco de furo
duplo. simples.
Figura 4.36 - Anel para acoplamento do disco.
110 Androcióli
É impmtante escolher corretamente martelete e roseta, compo-
nentes da caixinha de distribuição de semente (Figura 4.37). Há dois tipos
básicos: o de milho (Figura 4.38) e o de soja e sorgo (Figura 4. 39).
Figura 4.37 - Caixa sem Figuras 4.38 e 4.39 - Marteletes
martelete e roseta. com rosetas.
Para escolha da roseta, há que considerar também se o disco é
duplo ou simples, como mostram as Figuras 4.40 e 4.41.
Figura 4.40 - Caixa com rosetas duplas e disco de furo duplo montado.
Fig ura 4.41 - Caixa com rosetas simples e disco de furo simples
montado.
Manejo operacional 110 plantio 11 1
Cálculo da densidade de semeadura
Para calcular a densidade de semeadura ou a quantidade de
sementes que será depositada na Unha de plantio, é preciso saber
definir primeiro o espaçamento, a população de plantas recomendados
para o cultivar a ser plantado e que equipamento está disponível,
conforme visto em item anterior. Tome-se como exemplo um cultivar
cujas recomendações são: espaçamento de 0,50 me população final de
170 mil plantas/ha. Sabe-se também que a semente apresenta
germinação de 95% e o vigor de 90%. Finalmente, a prática de campo
recomenda adicionar mais 10% para compensar perdas por condições
adversas, sempre que essas condições estiverem presentes. Entende-se
por condições adversas: solo mal preparado; e histórico de insetos
pragas no solo. Vigor é a capacidade de uma semente germinar sob
condições adversas, como: baixa temperatura do solo; excessiva
profundidade de semeadura; e compactação do solo após fortes
chuvas.
Após estas definições, o cálculo da quantidade de sementes
que será depositada no solo para obter a população desejada é feito
como a seguir:
1) Divide-se 1 hectare (10.000 m2 ) pelo espaçamento (0,50 m) para
saber quantos metros lineares teremos em 1 hectare: 10.000/
0,5 = 20.000 m lineares.
2) Divide-se a população de plantas pretendida ( 170.000
plantas/ha)/pela metragem linear/ha (20.000 m), para ter a
quantidade de sementes necessárias por metro linear:
170.000/20.000 = 8,5 semente/m linear.
3) Uma vez que a semente não germina 100%, é necessário aplicar a
correção para a germinação expressa no boletim de análise do lote
de semente: 8,5 sementes/metro linear./0,95 (% germ.) = 8,95
sementes/metro linear.
4) A correção pelo vigor informado pelo fabricante da semente: é
8,95/0,90 (% vigor)= 9,94 sementes/metro linear.
5) Se houver riscos de perdas pelas condições adversas anteriormente
apontadas, mais urna correção: 9,94 / 0,90 (- 10%) = 11,04
sementes/metro linear, ou 11 sementes/metro linear considerando-
112 Androcióli
se todos os parâmetros de qualidade e de riscos de má emergência
a campo.
Regulagem da Quantidade de
Semente no Solo
Revisado o equipamento de plantio, escolhido o disco de
plantio, definidos o espaçamento e a população desejada e calculada a
quantidade de sementes/metro, o processo seguinte é aferir a
quantidade de sementes no solo, no local onde será realizada a
semeadura. Passo a passo, os procedimentos são os seguintes:
l) Definir as engrenagens motora e movida, consultando-se a tabela
que acompanha o equipamento de plantio. Na falta da tabela, use a
experiência dos operadores.
2) Abastecer todas as caixas colocando pouca quantidade de semente
tratada. Adicionar grafite na proporção de 4 g de grafite/kg de
semente (MANTOV ANI et ai., 1999), visando diminuir atrito da
semente tratada com o disco, anel , limpadores e outras partes do
equipamento.
3) Tampar a saída do tubo condutor de sementes de todas as unidades
de plantio com estopa ou qualquer outro material semelhante
di sponível, um pedaço de tecido, por exemplo.
4) Tracionar em seguida a plantadeira no núnimo 20 m na velocidade
padrão de semeadura (4 km/hora).
5) Coletar as sementes de cada unidade e contá-las separadamente;
calcular a média de sementes / metro (contagem total / número de
unidades / 20 m). Não é admitida variação maior que 5% entre uma
unidade e outra.
6) Descobrir, caso a quantidade ele sementes desejada não for atingida,
qual a me lhor relação entre as engre nage ns motora e movida.
Tome-se o exemplo anterior, em que o calculo indicou l l
sementes/metro.
7) Supondo-se que a engrenagem motora que estü na ca ixa de câmbio
da planLacleira é de 17 de ntes, a movida é ele 33 cientes e a
contage m média é de 8,5 seme ntes por metro, dividir o número de'
Man ejo operacional 110 plantio 113
dentes da motora (17) pelo numero de dentes da movida (33) 17 /
33 = 0,515.
8) Com essa relação, obtiveram-se 8,5 sementes/metro. Para se
obterem 11 sementes/metro, aplica-se a regra de três :
Relação 0,515 ........................média obtida de 8,5 sementes/metro
Relação procurada (X) .......... média desejada de 11 sementes/metro
X= (0,515 x 11) / 8,5 = 0,666.
9) Por tentativa, procura-se uma engrenagem MOTORA que, dividida
por uma MOVIDA, dê a relação calculada ou uma relação mais
próxima possível. Nesse exemplo, motora de 20 dentes/movida de
30 dentes= 0,666.
10) Sempre dividir motora pela movida, lembrando que as
plantadeiras modernas ainda têm recurso adicional que permite
aperfeiçoar a regulagem: a troca da caixa de câmbio da
plantadeira, que pode ser de alta e de baixa rotação. Quando não
se consegue a regulagem desejada, recomenda-se a troca da caixa
& de câmbio da plantadeira e repete-se o procedimento ora descrito.
~ para ter precisão nas quantidades de adubo e semente.
~ 11) Iniciada a operação de semeadura, fazer medições em pontos
diferentes da área, procurando as sementes na linha de plantio e
conferindo se a quantidade calculada está presente no solo. se há
falhas ou sementes duplas. Mesmo reconhecendo que é difícil
encontrar as pequenas sementes de sorgo no solo, esta conferência
é mais uma oportunidade para co1Tigir os defeitos da semeadura e.
assim, encerrar o processo de regulagem técnica de uma
plantadeira de sorgo.
Regulagem da Quantidade de Adubo
O processo de regulagem da quantidade de adubo é semelhante
ao processo de regulagem da quantidade de se me ntes, com pequenas
variações. Em lugar do tampão na saída de adubo. co loca-se um
recipiente para coletar o fertili zante em cada linha, um saco ou uma
vasilha. A distância a ser percorrida pe lo equipamento é de 50 m.
Tendo a quantidade de adubo/hectare (exemplo: 450 kg/ha) e o
114 Androcióli
espaçamento (exemplo: 0,50 m), calcula-se a quantidade de adubo por
linha da seguinte maneira:
(450/ha x 0,50 m x 50 m) / 10.000 m2 = 1,125 kg/linha de plantio.
Se a média das pesagens não for igual ou próxima ao valor
obtido no cálculo acima, repete-se o mesmo procedimento descrito na
regulagem de sementes com relação à escolha das engrenagens motora
e movida do sistema de distribuição de adubo. A exemplo da
regulagem da quantidade de sementes, não é admitida variação maior
que 5% entre as pesagens de duas linhas.
Nivelamento da Pl anta deira e
Regulagem dos Ma rcadores
Após a acoplagem ao trator, a plantadeira deve ser nivelada
com o solo (Figura 4.42) para melhor desempenho de ambos os
equipamentos, evitando com isso desgastes desnecessários. O
nivelamento é feito com os recursos que existem no chassi de engate
da plantadeira. É essencial a leitura do manual da plantadeira para
realizar essa operação.
Figura 4.42 - Nivelamento ele plantacleira.
A regulagem cios marcadores ele linha objetiva a manutenção
do espaçamento desejado ao longo da operação. É a forma pela qual o
operador posiciona o conjunto trator/plantadeira ao chegar ao fim ela
Manejo operacional 110 plantio 115
área e retomar o plantio na direção oposta. Seguindo as instruções
abaixo, calculam-se o valor de C (Fi gura 4.43) e a distância que o
marcador de linha deverá ser posicionado.
Figura 4.43 - Esquema para regular marcadores.
Regulagem dos marcadores: tome-se um exemplo de espaçamento de
0,50 m (B):
A = Centro do pneu dianteiro do trator até o centro da última linha da
plantadeira.
B =Espaçamento entre as linhas da cultura = 0,50 m.
C = Distância a ser encontrada entre a última linha ao marcador.
Supondo que A = 1,20 m.
E que A + B. = C .
Neste ponto finaliza-se o processo de preparação para dar
início à operação de plantio do sorgo propriamente dito. Daqui em
diante, o produtor deve ficar atento para velocidade da operação;
funcionamento ela plantacleira (conferir regulagem no mínimo duas
vezes ao dia); a umidade do solo; abastecimento das c,üxas de
sementes e adubo. Todos esses ite ns fazem parte elo planej amento,
para que se tenha maior rendimento de grão ou forragem. Porém, a
velocidade de plantio tem sido uma das causas mais frequentes de
falhas de estande e, conseque ntemente, de baixa produtividade.
116 Androcióli
Velocidade de Plantio
A velocidade ideal para a operação de semeadura é ele 4 a 6
km/ hora. Quando superiores a 6 km/hora podem causar drásticos
efeitos no estande inicial e, às vezes, levar à necessidade de replantio.
A Figura 4.44 mostra a diferença qualitativa entre semeaduras
realizadas com velocidades abaixo e acima de 6 km/hora. Na
velocidade mai s alta, há remoção de palha e sulcos de plantio
descobertos.
Figura 4.44 - Diferença no solo devido à veloc idade de plantio.
FontP: FANCELLI. 1999.
Outros problemas podem ser causados pela ve locidade
excessiva, como:
• Revolvi mento do solo com a expos ição ele grande quantidade de
torrões que podem afetar a emergê ncia elas plântulas.
• Redução do efeito de herbicida pré-e merge nte, limitando sua a\·ãn ~l
superffcie do so lo.
• Oscilação nas [Link] de co loca~·ào do ad ubo e da semente,
misturando um ao outro, deixando seme ntes descobertas ou muito
enterrada!-..
• Em ,illi.l ve lol·i dadc, os compac t,.1dorcs ck' semente rüo conseguem
pre!-.sírn1{i-l:i~ ckv idamcnle ao solo, rorm:rndo bols(k's d1: ar.
Manejo operacional 110 plantio 117
causando emergência desuniforme das plântulas e comprometendo o
estande inicial.
Replantio
A decisão de replantio de uma lavoura de sorgo deve ser
tomada até os 20 dias de plantada, caso o estande inicial esteja
reduzido. Como regra prática e geral, o replantio deverá ser feito se a
redução do estande inicial for superior a 20% em relação ao estande
recomendado. Se a redução for igual ou inferior a 20% do ideal, não
há necessidade de replantio. As plantas remanescentes compensarão a
redução (MANTOV ANI et al., 2012).
Para fazer o replantio rapidamente e aproveitar a boa condição
de Uinidade do solo, a lavoura deve ser dessecada com produtos
indicados na Tabela 4.1. A destruição das plantas jovens e sua
incorporação ao solo podem ser feitas com grade intermediária
(Figura 4.8) ou niveladora (Figura 4.9). Nesse caso e dependendo do
volume de matéria incorporada, é prudente aguardar alguns dias para
sua decomposição antes de realizar o replantio.
Conclusão
A produção e a produtividade de sorgo para grão, silagem ou
pastagem no Brasil ainda são baixas, muito aquém do potencial
revelado em trabalhos de pesquisa. É perfeitamente viável dobrar a
produtividade brasileira dos diferentes tipos de sorgo no Brasil, desde
que os produtores tomem consciência do potencial e das limitações da
cultura, bem como dos fatores que devem ser levados em conta ao
planejar a produção. Neste capítulo procurou-se abordar, de forma
mais ampla e accessível possível aos leitores desse compêndio, todas
as variáveis e a experiência prática vi vida no campo.
Referências
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<hIt p://p 1ata formarg .cc narge 11 . e 111 b [Link]/ rede-vc getal/p rojetos-componen tes/pc 2-
118 Androcióli
bancos-at i vos-de-gemop Ias ma-de-cercai s/p Ianos-de-acoes/pa8-banco-ati vo-de-
germop Ias ma-de-sorgo>. Acesso e m: 30 Oul. 2013.
COELHO, A. M. ; WAQUIL, J. M.; KARAN, D.; CASELA, C. R. ; RJBAS , P. M.
Seja o doutor de seu sorgo. [S.I.] : KP Potafós, 2002. 24 p. (Encarte do In formações
Agronômicas Nº l00 - Arquivo do Agrônomo nº 14).
COM POSIÇÃO BROMATOLÓGICA e parâmetros físicos de grãos de sorgo com
diferentes texturas do endosperma. Disponível em:
<[Link] 102-
09352007000500042&script=sci_arttext>. Acesso em: 25 Jun . 2013.
CULTIVO DO SORGO. Disponível em:
<[Link] vodoSorgo/pl
[Link]>. Acesso em: 29 Out. 2013.
MANTOVANI, E. C.; RIBAS, P. M .; GUIMARAES, J. B. Mecanização. ln: MAY,
A. et ai. (Ed.). Documentos sistema Embrapa de produção agroindustrial de
sorgo sacarino para bietanol. Sistema BRSlG - Tecnologia Qualidade Embrapa.
[S.l.: s.n.t.], 2012. p. 34-42. ISSN 1518-4277, Agosto 2012.
MEIRA, J. L. ; MARINATO, C. ; CAVARINI, R. Ensaio de espaçamento e
densidade para sorgo granífero - Projeto milho e sorgo. Belo Horizonte: Epamig,
1978. p. 47-50. (Relatório 1975/77).
ARRANJO DE PLANTAS
NO PLANTIO 5
André Ma/
Mónica Matoso Campanha 1
Alexandre Ferreira da Silva 1
Rogério Soares de Freitas2
Carlos Juliano Brant Albuquerque3
Introdução
O sorgo é uma planta que apresenta metabolismo do grupo C4
e é caracterizada pela alta eficiência na utilização da radiação solar
para conversão do C0 2 em fotoassimi lados. Contudo, a quantidade de
radiação incidente disponível depende da posição geográfica de cada
região produtora (latitude, longitude e altitude) e da época de
semeadura da cultura.
A eficiência de interceptação de radiação pela cultura e de sua
conversão e partição em produtos orgânicos depende de caracte1ísticas
da planta como arquitetura das folhas, área foliar, eficiência na
conversão de energia; fatores climáticos, com destaque para
temperatura e disponibilidade hídrica; edáficos, com ênfase na
ferti lidade do solo; e de manejo, ressaltando-se as práticas culturais,
como densidade e arranjo de plantas (MAGALHÃES et ai., 2000).
Assim, a di sposição das plantas na lavoura tem grande importância na
1
Engenheiros-Agrônomos, M.S .. D.S. e Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo. E-mai ls:
, andre.1nay@[Link], [Link]@[Link]; alexandre.fe1Teira @embrapa.l1r
· Engenheiro-Agrônomo, M.S., D.S. e Pesqu isadores da Agencia Paulista de Tecnologia dos
1
~groncgócios - Apta. E-mail : frei1as @[Link]
Enge nheiro-Agrônomo, M.S., D.S. e Pesquisadores du Empresa de Pesqu isa Agropecuária de
Minas Gerais - EPAM lG. E-mail : carlos_juliano@[Link]
120 May, Ca111pa11'1a, Silva, Freitas e Albuquerque
interceptação e eficiência de conversão da radiação
fotossinteticamente ativa em produção de grãos ou acúmulo de massa
seca das plantas cultivadas.
Determinar a melhor densidade de semeadura e o espaçamento
entrelinhas para diversas situações de manejo da cultura, entre outros
fatores, é primordial para otimizar a produtividade (BERENGUER;
FACI, 2001; HAMMER; BROAD, 2003, COELHO et ai. , 2002).
Nessas escolhas, deve-se considerar também a realidade do produtor.
O incremento na densidade de plantas é uma forma de
aumentar a quantidade de radiação incidente interceptada pela cultura.
Porém, o uso de altas populações pode resultar no aumento da
competição intraespecífica por água, luz e nutrientes, reduzindo o
potencial produtivo da cultura, além de poder ocasionar o acamamento
de plantas, afetando a eficiência da colheita. Ao escolher a densidade
de plantas, devem-se levar em consideração alguns fatores, como:
disponibilidade hídrica, nível de fertilidade do solo, cultivar e época
de semeadura. O produtor deve optar por menores populações nas
seguintes situações: semeadura em região sujeita a veranicos
frequentes; solos com baixo nível de fertilidade; e semeaduras tardias,
quando o plantio estará mais sujeito ao déficit hídrico e, ou, a baixas
temperaturas durante o seu ciclo de desenvolvimento. Populações
grandes podem ser utilizadas nas seguintes situações: regiões com
precipitações regulares e bem distribuídas; lavouras in-igadas; solos
com alta fertilidade; e produtores com maior capacidade de
investimento em manejo.
Diversos autores observaram que o rendimento cultural do
sorgo é diretamente afetado pelo número de linhas por hectare. De
forma geral, o aumento no espaçamento ocasiona redução na
produtividade da cultura; porém, esses resultados podem variar de
acordo com o cultivar e as condições edafoclimáticas de cada região.
Segundo Fornasieri Filho e Fornasieri (2009), a redução no
espaçame nto entrelinhas em lavouras de sorgo pode resultar melhor
rendimento de grãos por área cultivada, e m razão do me lhor
aproveitamento dos fatores de produção disponíveis, mesmo que
individualmente seja observada diminuição da produção por planta.
A inda, de acordo com os autores, a limitação elo espaçamento no
planti o poue contribuir para me lhor controle de plantas daninhas e
Arranjo de plantas no plantio 121
redução da erosão, devido ao fechamento mais rápido do dossel, por
proporcionar melhor qualidade da operação de semeio e, também, em
virtude da menor velocidade de rotação dos sistemas de distribuição
de sementes.
Mantida a densidade de plantas constante, a redução no
espaçamento entrelinhas aumenta a distância entre plantas na linha de
semeadura, proporcionando um arranjo mais equidistante dos
indivíduos nas áreas de cultivo, contribuindo, dessa forma, para a
melhor interceptação da radiação solar. A utilização de espaçamentos
reduzidos também tem outras vantagens, como: redução da quantidade
de água perdida por evaporação, em razão do rápido sombreamento do
solo e melhoria da distribuição do sistema radicular, contribuindo para
melhor absorção de água e nutrientes.
Contudo, a escolha do arranjo de plantas de sorgo por grandes
produtores, combinando a população de plantas mais adequadas para
determinado cultivar, o espaçamento entrelinhas c01numente
recomendado na região geográfica e a condição edafoclimática
específica, estão atrelados ao trinômio a seguir reportado:
1. Disponibilidade de informações de pesquisa acerca da espécie
cultivada em diferentes sistemas de cultivo.
2. Capacidade operacional da equipe de semeio para a regulagem de
máquinas no dia da semeadura, que, por sua vez, está condicionado
à cultura predominante no sistema de produção a que o sorgo está
atrelado (normalmente soja ou cana, conforme o tipo de sorgo
granífero ou sacarino, respectivamente) e ao binômio tamanho da
área versus parque de máquinas disponível na propriedade.
3. Disponibilidade comercial de semeadoras para as difere ntes
necessidades dos sistemas de produção predominantes: muito do
que se passa hoje na agricultura não foi de fato a recomendação da
pesquisa nacional para países tropicais que determinou e, sim, o
tipo de configuração das máquinas que inicialmente chegaram ao
Brasil , no início da abertura das grandes fronte iras agrícolas do
país. Após esse período, as grandes empresas nacionais e
multinacionais começaram a adequar o maquinário disponível para
venda à realidade de um país tropical. A parti1 daí, a associação
entre as empresas pri vadas geradoras elas semeaclont, de alta
122 May, Campanha, Silva, Freitas e Albuquerque
tecnologia, com as pesquisas realizadas pelas instituições nacionais
e com grandes produtores de soja, novas diretrizes de semeio
foram traçadas para sorgo granífero, estabelecendo o cultivo em
espaçamentos reduzidos e para sorgo sacari no, com o semeio em
linhas triplas, conforme determinação das colhedoras de cana,
utilizadas para a colheita do sorgo, ou linhas sequenciais simples,
quando a colheita do sorgo sacarina pode ser realizada por
colhedora autopropelida de foITagem.
O ananjo de plantas não é, portanto, apenas determinação da
pesquisa institucional e, sim, um elemento vivo, que depende da
conjunção entre diversos fatores, conforme ora listados, associado às
diferenças edafoclimáticas entre as regiões, que, certamente, alteram o
comportamento da planta e o seu potencial produtivo, de acordo com
o aITanjo de plantas recomendado para _o cultivar de sorgo escolhido.
a) Sorgo granífero e forrageiro
Como normalmente ocoITe em qualquer cultura de interesse
econômico, ao longo dos anos, com o desenvolvimento do sistema de
produção da espécie comercialmente utilizada e aumento da área
cultivada, há constante evolução na forma de conduzir a cultura, já
que em grandes áreas agricultáveis, atualmente, há importante
interligação entre as espécies cultivadas em um ano agrícola. Assim,
muitas vezes, a cultura principal desenvolvida em uma propriedade
lidera os investimentos em equipamentos e máquinas agrícolas para os
tratos culturais da lavoura. Isso é notado em grandes propriedades de
soja em todo o Brasil, mas, principalmente, na região Centro-Oeste,
cujas semeadoras adquiridas são reguladas para o cultivo da soja no
verão, determinando, assim, o espaçamento entrelinhas das culturas
em sucessão, por exemplo o milho ou o sorgo granífero em safrinha.
Isso normalmente ocorre pela falta de tempo e mão de obra dos
agricultores na alteração dos carri nhos das semeadoras pma
espaçamentos de cada cultura de interesse, já que a mudança nos
espaçamentos entre os carrinhos gera alto custo de mão de obra e
elevado te mpo de trabalho, podendo chegar a mais de l O horas ck
ajustes e m máquinas maiores. Talvez, com o tempo, as semeadoras
com regulage m hidráulica dos carrinhos de semeio possam mudar
Arranjo de plantas ,w plantio 123
novamente esse cenário, já que essa operação de regulagem das
entrelinhas de cultivo seria grandemente facilitada.
Dessa forma, muito do que ocorre em grandes áreas
produtivas é fruto das necessidades operacionais e não propriamente
das informações de pesquisa geradas por grandes instituições de
pesquisa. Observa-se isso claramente com a cultura do sorgo granífero
em safrinha, que, ao longo dos anos, teve o espaçamento entrelinhas
determinado pela cultura antecessora, cultivada no verão, que, na
~ maioria dos casos, é a soja. Hoje, a maior parte das áreas produtivas
~ cultivadas com sorgo granífero em safrinha é conduzida com
espaçamento entrelinhas de 0,45 m, mas, em alguns casos específicos,
como no Sudoeste Goiano, 0,5 m entrelinhas é o mais comum (Figura
5.1), principalmente em razão da necessidade de maior arejamento
entre as plantas de soja cultivadas no verão, visando reduzir o
ambiente favorável à disseminação de doenças importantes para
aquela cultura. ··· · ;.
De qualquer forma, isso não se caracteriza como um
problema, já que os cultivares atuais se adaptaram perteitamente a
esse cenário. Pesquisas desenvolvidas em instituições e empresas têm
determinado alterações mais substanciais no número de plantas na
linha de semeio, a partir das recomendações de população de plantas
estabelecidas para cada cultivar de sorgo comercializado, que, por sua
vez, vai depender das condições edafoclimáticas do período de cultivo
da espécie, da região produtora e época de semeio desejada. Assim, o
produtor deve ficar atento à população de plantas recomendada pela
empresa de sementes, para melhor calcular o número de plantas na
linha segundo o espaçamento entrelinhas escolhido.
Para determinada população de plantas final almejada deve-se
elevar em 5 a 10%, como taxa de segurança de semeio, o cálculo da
quantidade de sementes a ser gasta por hectare. Essa taxa de segurança
foi estabelecida de acordo com as perdas de germinação, além da
diferença para 100% do poder germinativo das sementes adquiridas. A
partir dessa informação, deve-se dividir pelo número ele metros
lineares contidos em um hectare, segundo o espaçamento entrelinhas
escolhido, visando determinar o número de sementes a serem
distribuídas por metro linear que, por sua vez, determinará as
regulagens das engrenagens da semeadora de trabalho.
124 May, Campanha, Silva, Freitas e Albuquerque
Para ter certeza da quantidade de sementes que está sendo
distribuída por metro linear durante o processo de regulagem das
semeadoras, visando atingir a população de plantas final desejada,
aconselha-se o caminhamento da semeadora sobre solo compactado
(catTeadores e estradas de acesso), visando avaliar se a distribuição
está sendo uniforme. Contudo, durante a operação de semeio é
necessário aferir algumas vezes ao longo do dia de trabalho como está
a distribuição dentro do sulco de semeio, retirando-se o solo
movimentado pelo semeio com cuidado, aferindo a profundidade de
semeio e a distribuição das sementes no metro. O sorgo, de forma
geral, necessita ser semeado em sulcos rasos (2 a 3 cm de
profundidade).
Figura 5.1 - Espaçamento entrelinhas de 0,5 m para sorgo granífero no
Sudoeste Goiano, em Rio Vercle/GO.
Fonte: MAY. 201 3.
Al guns produtores utili zam-se de um siste ma de avaliação da
qualidade de semeio qt~e avisa ao operador ela fre nte de semeio.
através de al e rtas lum1nosos ou sonoros, que hú proble ma na
------------- ·· - -- ·-· ·
Arranjo de plantas 110 plantio 125
distribuição elas sementes, visando ter máxima qualidade no número
de sementes por metro, perrrútindo o alcance da meta de população de
plantas almejada no planejamento agrícola da propriedade.
Como visto, o sorgo granífero é cultivado principalmente em
safrinha, após a soja, na maioria das regiões produtoras brasileiras,
sendo seu espaçamento entrelinhas determinado pela cultura de verão.
Já o sorgo forrageiro pertence a outro cenário. É cultivado no verão,
para a produção de biomassa para si lagem, utilizada na alimentação
animal, visando à melhoria da qualidade da alimentação oferecida ao
rebanho, principalmente no período seco. Por ser o sorgo urna planta
sensível ao fotoperíodo, a época adequada para cultivo comercial é o
verão, quando se aproveitam melhor os fatores de produção. Portanto,
é conduzida corno cultura principal no ano agrícola.
Dessa forma, o sistema de produção do sorgo forrageiro é
completamente diferente do de sorgo granífero. O espaçamento
entrelinhas mais utilizado para o cultivo da cultura produtora de massa
para ensilagem é de 0,7 rn. Assim, o número de sementes dispostas na
linha de cultivo, calculada a partir da população de plantas
recomendada pelas empresas de sementes (Tabela 5.1), será
determinado pela quantidade de metros lineares contidos em um
hectare conduzido sob espaçamento 0,7 m. Isso resulta em um número
de sementes a ser regulado nas semeadoras de trabalho diferente das
normalmente utilizadas no sorgo granífero, considerando ainda que a
empresas de sementes recomendam populações de plantas por área
cultivada maior para sorgo fotTageiro do que para sorgo granífero.
conforme se observa na Tabela 5 .1.
Contudo, o espaçamento entrelinhas hoje utilizado em orgo
forrageiro está também muito ligado ao tipo de maquinário disponível
para colheita, variando de 0,5 a 0,7 m entrelinhas. dificultando. assim.
a mudança no padrão de cultivo normalmente aceito pela maio1ia dos
produtores nacionais.
Tabela 5. l - População de plantas de cultivares comerciais de sorgo, recomendados pelas empresas responsáveis
pelas marcas
1~
Epoca Densidade
Uso Cultivar Altura Empresa
Tipo Ciclo de (1.000 Região de adaptação
planta (m)
elantio elantas/ha)
G BUSTER HS p C/N/S 180-200 1, 10-1 ,50 Sul, Estado de São Paulo. Centro-Oeste Atlântica SP,mentes
G CATUY HS p N/S 180-200 1.10-1 ,51 Sul, Estado de São Paulo, Centro-Oeste Atlântica Sementes
G MR43 HS p N/T/S 150-180 l ,10-1.30 Sul, Estado de São Paulo, Centro-Oeste Atlântica Sementes
G Dow 740 HS p S/V 180-240 1,15 Todo o Brasil Dow Agrosciences Industrial Ltda
G DO\~ ~22 !--IS p s 180-200 1,20 Todo o Brasil Dow Agrosciences Industrial Ltda
G IG IUU HS p S/V 180-240 1,20 Todo o Brasil Dow Agrosciences Industrial Leda
G Dow IGl50 HS p S/V 160-180 1,30 Todo o Brasil Dow Agrosciences Industrial Ltda
G IG220 HS p S/V 160-240 1,25 Todo o Brasil Dow Agrosciences Industrial Ltda
p 180-200 1,20 Todo o Brasil Dow Agrosciences Industrial Ltda ~
G IG244 HS S/V ~
~
G JG282 HS M S/V 180-240 1,40 Todo o Brasi l Dow Agrosciences Industrial Ltda ri
§
F IF305 HS p S/V 100-120 2,60 Todo o Brasil Dow Agro/ Agromen Tecnologia -';:
p 400-600 1,50 Todo o Brasil Dow Agro/Agromen Tecnologia §
IP400 HS M S/V :::-
p S/V 180-200 1,30 Todo o Brasil Agrornen Tecnologia -~
G 50AI0 HS
Agromen Tecnologia ~
~
G 50A30 HS p S/V 180-200 1,25 Todo o Brasil ~
G 50A50 HS p S/V 180-200 1,30 Todo o Brasil Agromen Tecnologia ~
~
::;:
G BRS 304 HS M S/T 180-200 1,3 Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste. Sul Embrapa ~
:,,
G BRS 305 HS M C/S 160-200 1,4 - 1,7 Estado do Rio Grande do Sul Ernbrapa ""::i,.
G BRS 307 HS M s 160-200 1,4 Sudeste, Centro-Oeste Embrapa ?
~
G BRS 308 HS M C/S 160-200 1,25 Sudeste, Centro-Oeste Ernbraea ""....
Continua .... ~~
Tabela 5.1 - Cont.
Epoca Densidade
Altura
\~
i:l
2:
Cultivar Tipo Ciclo de (1.000 Região de adaptação Empresa <::>'
Uso
planta (m) ~
plantio plantas/ha) ('1,
--;::
G BRS 310 HS M s 180-200 1,15 Sudeste. Centro-Oeste Embrapa §
s -
lã:)
G BRS 330 HS M 180-200 1.27 Sudeste, Centro-Oeste Embrapa
-êi
""
G
SAC
BRS 332
BRS 506
HS
V
M
M
s
V
180-200
120
1,23
3 - 3,3
Sudeste, Centro-Oeste
Sul, Centro-Oeste, Sudeste. Nordeste
Embrapa
Embrapa
-:::...
§
g.
F BRS 610 HS M V 120-140 2,5 Sul, Centro-Oeste, Sudeste Embrapa
F BRS 655 HS M V 120-140 2.5 Sul, Centro-Oeste. Sudeste Embrapa
F BRS 700 HS M V 140-170 2,2-2,5 Sul, Centro-Oeste. Sudeste Embrapa
p
BRS 802 HS p V 200-300 1,00-2,50 Sul, Centro-Oeste, Sudeste Embrapa
p BRS 810 HI p V 200-300 1.5-3,7 Sul, Centro-Oeste, Sudeste Embrapa
G GRANUS 401 HS PfT s 160-200 1,4-1,5 Todo o Brasil 1-lelianthus do Brasil Ltda.
G GRANUS 505 HS P/Mff s 160-200 1,2-1,3 Todo o Brasil Helianthus do Brasil Ltda.
G A9755R HS P/M C/S 150-200 1,2 - 1,4 Sul , Centro-Oeste, Norte. Nordeste Nidera Sementes Ltda.
G A98l5RC HS P/M C/S 150-200 1,4 - 1,6 Sul Nidera Sementes Ltda.
G/F A9939W HS P/M CIS 150-180 1,4 - 1,6 Sul Nidera Sementes Ltda.
G A9941W HS P/M C/S 150-170 1,4 - 1,6 Sul Nidera Sementes Ltda.
G A972IR HS P/M C/S 150-180 1,2 - 1,4 Sul. Centro-Oeste, Norte, Nordeste Nidera Sementes Ltda.
G A9735R HS P/M C/S 170-220 1,2 - 1,4 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Nidera Sementes Ltda.
G SHS - 410 HS p V/S 150-J 80 1,2 Sudeste, Centro-Oeste Santa helena Sementes
F SHS - 500 HS P/M V 110- 130 2,7 Sudeste. Centro-Oeste Santa helena Sementes
G A 6304 HS p C/S 150-220 1, 10-1,20 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Semcali Sementes Hibridas Ltda.
--
Continua .... IN --._.)
Tabela 5.1 - Cont.
llso Culti\•ar Tipo Ciclo
Epoca
de
Densidade
(1.000
Altura
planta (m)
Região de adaptação Empresa
,~ ,--
~lantio ~lanlas/ha)
G A 9902 HS p C/S 140-150 170-190 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Semeali Sementes Híbridas Lida.
GfF A 9904 HS p CIS 140-200 1.65-1.85 Sul. Centro-Oeste, Norte. Nordeste Semeali Sementes Híbridas Lida.
G ES~ffiRALDA HS p CIS 140-200 1.4- 1.5 Sul. Centro-Oeste, Norte, Nordeste Semealí Sementes Hibridas Lida.
G RANC HERO HS p CIS 150-220 1.15-1.25 Sul, Centro-Oeste, Norte. Nordeste Semeali Sementes Híbridas Ltda.
G XB 6022 HS p C/S 150-220 1. 10-1.20 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Semealí Sementes Híbridas Ltda.
p BM500 HS p C/S 300-500 1,10- 1,20 Sul, Sudeste, Centro-Oeste Sementes Biomatrix Ltda.
p 13M 5 15 HS p C!S 300-501 1, 10-1.20 Sul, Sudeste, Centro-Oeste Agroceres
G AG !040 HS p V/S 180-220 1,4 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres
G AG 1060 HS p V/S 180-220 1, 1 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres
F AG 2005-E HS p V/S 120-150 1,9 Sul, Centro-Oeste, Norte. Nordeste Agroceres ~
~
p p V/S 300-400 2 Sul, Centro-Oeste, Norte. Nordeste Agroceres ':e
AG 2501-C HT
F QUALIMAX HS p V/S 120-140 2,7 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres ?
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F VOLUMAX HS M V/S 120-140 2,7 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres §
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HS p V/S 180-220 1.3 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres ;:::
G AGI080
G AS 4ó10 HS p
p
V/S 180-220 1,4
1,2
Sul , Centro-Oeste, Norte, Nordeste
Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste
Agroeste
Agroeste
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G AS 46 15 HS V/S 180-220
Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres
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AG 2005-E
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120-150
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2 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres
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F QUALIMAX HS p V/S 120-140 2.7 Sul , Centro-Oeste, Norte, Nordeste Agroceres
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VOLUMAX HS M V/S 120-140 2,7 Sul, Centro-Oeste, Norte. Nordeste Agroceres ri;
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Continua.... -.t3s:::
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Tabela 5.1 - Cont. :::i
Epoca Densidade 2:.
;:i
Altura
Uso Cultivar Tipo Ciclo de (1.000 Região de adaptação Empresa ~
plantio plantas/ha)
planta (m)
--
~
G AGI080 HS p V/S 180-220 1.3 Sul. Centro-Oeste. Norte, Nordeste Agroceres
~
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G AS 4610 HS p V/S 180-220 1.4 Sul. Centro-Oeste. Norte, Nordeste Agroeste
~
G AS 4615 HS p V/S 180-220 1,2 Sul, Centro-Oeste. Norte, Nordeste Agroeste ~
G AS 4620 HS p V/S 180-220 1.5 Sul , Centro-Oeste, Norte. Nordeste Agroeste --§-
~
G DKB 550 HS M V/S 180-220 1,3 Sul, Centro-Oeste, Norte, Nordeste De kalb
G p VIS 180-220 1,2 Sul. Centro-Oeste. Norte, Nordeste Dekalb
0KB 551 HS
p DKB 75 HT p V/S 300-400 2 Sul , Centro-Oeste. Norte, Nordeste Dekalb
F DKB 90S HS p V/S 120- 140 2.3 Sul, Centro-Oeste. Norte, Nordeste Dekalb
F CATISSORGO V M V/S 200 1,4 Todo o Brasi l CATI
G lPA 730 1OI 1 V p s 180-200 1,7 Estados: PE. MT. GO. TO. MA, PI IPA
F IPA 8602502 V p V 180-200 2.5-3.5 Região do Semi árido Nordestino IPA
F SFl5 V p V 150-250 2,5-3,5 Estado de Alagoas IPA
p SF 11 V p V 150-250 2,5-3,5 NORDESTE IPA
p SUDAN 4202 V p V 150-250 J ,7-2,3 Região do Semi:.írido Nordestino IPA
F IPA 467 V p V 150-250 2,5-3,5 Estado de Pernambuco IPA
Ui.o: G - Grão~: F - Forrageiro; P - Pas tejo; SAC - Sacarino.
Tipo: V_ variedade: HIV- Híbrido intervariewl: HD - Híbrido duplo: HT - Híbrido triplo; HTm - Híbrido triplo modificado: HS - Híbrido simples: HSm -
Híbrido s impk~ modifi cado; HI - Híbrido íntcrespecífico.
Cic:ln: P - PriXoce: M - Médio: T - Tardio.
Época de Plantio: C - Ct::do; N - Normal; T - Tarde; S - Safrinha; V - Verão.
Den!>idade de planws: ~afra/l,afrinha.
Fonte:: MA Y. c.:I ai .. 2U J J. 1
-
N
\O
_, ,5
130 May, Cm11pa11ha, Sill'a, Freitas e Alb11q11erq11e
De qualquer forma, com o advento da colhedora autopropelida
de fon-agern , capaz de colher qualquer espaçamento entre as linhas de
cultivo, dependendo do tipo de plataforma utilizada, o espaçamento
entrelinhas para o sorgo forrageiro poderá ser gradativamente
reduzido, podendo chegar a 0,4 m (Figura 5.2), visando maiores
produtividades de massa fresca por hectare cultivado, mantendo a
população de plantas final nos mesmos padrões recomendados pela
empresas de sementes, conforme ilustra a Tabela 5.1. Para isso,
bastada uma alteração no número de sementes di stribuídas por metro
linear que, por sua vez, é variável conforme o espaçamento utilizado.
O novo maquinário utilizado para grandes empreendimentos agrícolas.
que necessitam de grande velocidade de processamento de massa para
ensilagem, está determinando a alteração no espaçamento entrelinhas
para distâncias mais reduzidas.
Figura 5.2 - Vista gera l de uma lavoura de sorgo com potenL·ial
forrageiro condu zido so b espaça men to de OA m
e ntre linhas e 120.000 plantas por hectare.
l·u11té: MAY . 20 12.
Arranjo de plantas 110 plantio 131
A densidade populacional ou estande, definida como número
de plantas por unidade de área por ocasião da colheita, influencia
diretamente o rendimento da lavoura de sorgo. A escolha do melhor
arranjo é de fundamental importância para que a cultura possa
expressar todo seu potencial produtivo.
O número ótimo de plantas é aquele que corresponde à
máxima produtividade. Dependendo da disponibilidade de água e
nutrientes, um cultivar apresenta diferentes pontos de máxima
produtividade econômica. Em condições de estresse hídrico ou
nutricional, a maior produtividade por área será obtida com menor
população. Havendo baixa deficiência hídrica e alta fertilidade do
solo, a produtividade máxima será obtida com população maior
(PEREIRA, 1989). Desse modo, qualquer fator que afete a
disponibilidade hídrica e de nutrientes para o sorgo influenciará a
escolha da densidade de semeadura. Foi o que verificaram
Albuquerque et al. (2011), avaliando a produtividade de sorgo
forrageiro. Eles recomendam menores densidades de semeadura em
condições de menor disponibilidade hídrica. De acordo com Sans et
al. (2003), o consumo de água pelo sorgo varia entre 380 e 600 mm
durante o ciclo da cultura, dependendo principalmente das condições
climáticas dominantes.
Estes mesmos autores verificaram que, para alguns cultivares,
a redução do espaçamento entrelinhas propiciou aumento de
rendimento, entretanto, o aumento na densidade de semeadura
provoca redução na quantidade de matéria-seca da planta. Mesmo
comportamento foi observado em sorgo granífero por Lopes et al.
(2005), estudando a influência da população de plantas (100 a 220 nlil
plantas ha-1) e do espaçamento entrelinhas (50 a 80 cm), quando
verificaram que a produção de grãos de sorgo por planta é reduzida
com o aumento da população de plantas por área e maiores
produtividades por área para menores espaçamentos entre plantas.
Neste estudo, foi constatada a produti viclacle de grãos por planta
superior na menor densidade de semeadura (100 mil plantas ha-1),
comparada à maior densidade (220 mil plantas ha-1), e maior
132 May, Campanha, Silva, Freitas e Albuquerque
produtividade no menor espaçamento, de 0,5 m. Já Berenguer e Faci
(2001) , avaliando diferentes densidades de plantas de sorgo com
níveis de irrigação suplementar, concluíram que a densidade de planta,
dentro do limite avaliado, não afetou o rendimento final.
Fornasieri Filho e Fornasieri (2009) recomendam, para
maxinuzar o rendimento de grãos de sorgo, população de plantas entre
140 e 170 mil plantas ha-1 na colheita, dependendo do cultivar,
disponibilidade hídrica, disponibilidade de nutrientes e época de
semeadura. Entretanto, as características de cada cultivar como porte,
arquitetura da planta, resistência ao acamamento e finalidade a que se
destina o plantio, terão grande influência na definição da densidade de
plantas (PEREIRA, 1989).
Segundo Montagner et al. (2004), o sorgo possui
compensação de rendimento de grãos quando submetido à redução da
população de plantas inicial, devido ao aumento do número de grãos
por panícula e à maior radiação incidente por planta. Ou seja, altas
densidades de semeadura não apresentam vantagens na produção da
cultura do sorgo (BERENGUER; FACI, 2001; LOPES et al., 2005).
Albuquerque (2009), estudando cultivares de sorgo granífero no Norte
de Minas Gerais, verificou que o espaçamento entrelinhas de 0,5 m é o
mais adequado para maiores produtividades, atingindo até 4,7 t ha-1,
para a cultivar BRS 31 O, utilizando população de plantas de 180.000
1
plantas ha- •
No Texas, EUA, Stlchler et al. (1997) observaram, em área
irrigada, incrementas na produtividade de grãos de sorgo com a
reduçã0 do espaçamento entre fileiras de 90 cm para 70 cm e
diminuição no rendimento com populações maiores que 150.000
plantas ha-1 Em condições de sequeiro, Jones e Johnson ( 1997)
demonstraram que melhores data de plantio, população de plantas,
variedade e espaçamento entre fileiras de sorgo granífero são
interdependentes. Neste trabalho, os cultivares tardios apresentaram
redução na produtividade quando semeados com altas populações.
Em trabalho~ avaliando o perfilhame nto de culti vares de :-;orgo
semeado em dife rentes arranjos de plantas, foi relatado que as
' Arranjo de plantas no plantio 133
interações entre os menores espaçamentos e maiores densidades
proporcionaram menores números de perfilhas (JONES; JOHNSON,
1997; BAUMHARDT; HOWELL, 2006). O perfilhamento de
cultivares de sorgo é uma característica afetada pela época de
semeadura, espaçamento, densidade e ciclo da cultura
(BAUMHARDT; HOWELL, 2006).
Portanto, especialmente para sorgo granífero, que, na maior
parte do país é cultivado em safrinha após a soja, em áreas marginais,
que não foram reservadas para o cultivo de milho em mesma época, a
população de plantas final varia, sendo menor quanto mais tardio for
realizado o semeio, já que a disponibilidade hídrica para o
desenvolvimento da lavoura é cada vez menor para os semeias tardios,
em razão da entrada da estação seca nessas regiões de cultivo de
sorgo.
Principalmente na Região Sul do Brasil, Rio Grande do Sul, o
semeio do sorgo granífero pode ocorrer no verão, dentro de um
esquema de rotação de culturas nas áreas cultivadas, por exemplo
arroz, conforme interesse e possibilidade do produtor. Assim, o
a1Tanjo de plantas normalmente utilizado nessas lavouras é diferente
do usado na Região Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Comumente,
são empregados naqueles estados espaçamentos entrelinhas de 0,7 rn.
em razão da maior disponibilidade dos fatores de produção nessa
época de desenvolvimento da cultura nesses locais, demonstrando
grande diversidade de cenários para a espécie, interligado mais uma
vez ao sistema de produção predominante.
Para o sorgo de uso para corte verde e pastejo, as populações
de plantas recomendadas variam de 200.000 a 600.000 plantas por
hectare, sendo os espaçamentos entrelinhas indicados de 0,3 a 0,6 m,
conforme as recomendações de Ribas (2012).
Em pesquisa realizada em Votuporanga/SP, Freitas et al.
(2010) verificaram que a população ele plantas interferiu na massa ele
grãos por panícula para todos os cultivares de sorgo avaliados (Tabela
5.2). Embora o aumento da densidade populacional tenha reduzido a
massa ele panícula e a massa de grãos por panícula pm·a todos os
134 May, Campanha, Silva, Freitas e Albuquerque
cultivares em diferentes graus, a produtividade de grãos não foi
afetada para maioria dos cultivares estudados. Isso confirma os
resultados observados na literatura, nos quai s as plantas de sorgo
apresentam alta capacidade de compensação de espaços
(MAGALHÃES et ai. 2000; BERENGUER; FACI, 2001). Assim, em
baixas densidades, a produção por planta é máxima, mas o rendimento
por área é menor, sendo a panícula grande, com maior número de
grãos e colmo de maior vigor. Com o aumento da densidade, ocorre
tendência de declínio da produção individual das plantas, mas a
produtividade por área aumenta, até um máximo, quando ambas,
produção individual e produção por área, declinam (FORNASIERI
FILHO; FORNASIERI, 2009).
Os cultivares de sorgo apresentam respostas diferenciadas
para densidade de plantas, suportando em muitos casos amplas
variações de densidades de plantas sem causar perda de produtividade
de grãos. Segundo Fornasieri Filho e Fornasieri (2009), a população
de plantas ideal para maximizar o rendimento de grãos de sorgo varia
1
de 140.000 a 170.000 plantas ha- na colheita, dependendo do cultivar,
da disponibilidade hídrica, da disponibilidade de nutrientes e da época
de semeadura. Embora essa possa ser uma recomendação segura, ela
pode não representar a faixa de densidade ideal para obtenção da
máxima produtividade para alguns cultivares.
Tabela 5.2 - Valores médios de produtividade (kg ha-1) de grãos de
sorgo, em virtude das populações e cultivares con1erciais
avaliados na safra 2010
População de plantas (pl ha-1)
Cultivares
100.000 150.000 200.000 250.000
A 6304 5353 A 6165 A 6444 A 6689 A
AG 1018 59 14 A 5616 A 5867 AB 5727 AB
AG 1040 564 1 A 5974 A 6033 AB 5429 AB
BRS 304 5 150 A 5515 A 5437 AB 5169 AB
Buster 5526 A 5850 A 6709 A 6288 A
Continua ...
Arranjo de plantas ,w plantio 135
Tabela 5 .2 - Cont.
População de plantas (pJ ha- )
Cultivares
100.000 150.000 200.000 250.000
0KB 510 4899 A 5317 A 4733 AB 4573 B
0KB 599 5619 A 5534 A 5785 AB 5572 AB
DOW 741 5586 A 5962 A 6134 AB 5158 AB
DOW 740 5165 A 5188 A 5432 AB 5654 AB
DOW1Gl50 5205 A 6284 A 6629 A 6470 A
DOW 822 5281 A 5765 A 5819 AB 5739 AB
Esmeralda 5585 A 5619 A 5214 AB 6237 A
Ranchero 6012 A 6314 A 6458 A 6491 A
SARA 5362 A 5614 A 5334 AB 5359 AB
SHS 400 6345 A 6350 A 6125 AB 6215 A
XB 6022 5206 A 6208 A 6071 B 6174 A
Média 5491 5830 5889 5809
* Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey. a 5% de
probabilidade.
Fonte: FREITAS et ai., 2010.
Por fim, para o cultivo de sorgo granífero em safrinha, após a
soja, a população de plantas mais segura estada em tomo de 140 mil
plantas por hectare, principalmente para semeios mais tardios. A
maior parte das pesquisas indica ampla variação na população de
plantas para os cultivares. Assim, muitos produtores optain por
populações em torno de 180.000 plantas por hectare, já que, muitas
vezes, a [Link] no dia do semeio já está no limite, acarretando
perdas de plantas no processo de germinação.
b) Sorgo Sacarino
No caso do sorgo sacarina, recomendam-se para o semeio ele
verão (novembro) densidades de 120.000 a 130.000 plantas ha-1, para
cultivares que perfi lham pouco. No caso de cultivares que peif ilham
1
mais, recomendam-se 110.000 plantas ha- para o seme io nos meses
de fevereiro a março. Nesse período outono/inverno a ocorrência de
/
défi cit hídrico pode estimular maior perfilhamento, depe nde ndo cio
136 May, Ca111pa11/w, Silva, Freitas e Albuquerque
cultivar utilizado. Entretanto, o produtor deve sempre optar pela
densidade de semeadura recomendada pela empresa sementeira.
Ressalta-se ainda que essas recomendações são baseadas em poucos
estudos a respeito, necessitando-se ele mais resultados de pesquisas
para os cultivares de sorgo sacarino disponívei s.
O brix é um parâmetro que representa aproximação do teor de
sólidos solúveis totais, tendo correlação significati va e positiva com a
concentração total de açúcar, sendo diretamente influenciado pela taxa
fotossintética das plantas. Portanto, é de se esperar que o arranjo de
plantas, em virtude da maior ou menor interceptação da radiação
fotossinteticamente ativa, exerça influência direta sobre o brix. Fatores
como nível de fertilidade do solo, temperatura, disponibilidade hídrica
e radiação disponível também afetam diretamente essa variável.
É importante salientar que o aumento na produção de
biomassa (folhas + colmo~) não necessariamente resulta no aumento
da massa de colmo por hectare, tendo em vista que maior densidade
pode resultar na redução do seu diâmetro. A redução de diâmetro do
colmo correlaciona-se positivamente com o acamamento e
quebramento de plantas. Dessa forma, os produtores devem ficar
atentos à regulagem das semeadoras, evitando o estabelecimento de
altas populações. Altas doses de nitrogênio, associadas a altas
populações de plantas, também podem ocasionar maiores chances de
acamamento, em razão do crescimento vegetativo vigoroso,
resultando em plantas altas com diâmetro reduzido. Materiais com
panículas grandes e pesadas também são mais propícios ao
acamamento, devendo ser semeados com menor população de plantas.
Em regiões onde ocorrem sempre ventos fortes, a escolha
incorreta da densidade de semeadura e do aii-anjo de plantas
especialmente no período do verão pode ocasionar sérios problemas
de acamamento. Dessa forma, menores densidades de semeadura
podem resultar em maior diâmetro elo colmo, reduzindo as chances ele
acamamento. Além disso, o excesso ele população ele plantas também
pode ocasionar o aparecimento ele doenças foliares, em razão das
condições mi croclimdti cas desenvolvidas no interior da lavoura.
Arranjo de plantas 110 plantio 137
Assim, uma vez definida a densidade de semeadura, a escolha
do melhor arranjo de plantas é fundamental para o sucesso no
estabelecimento ela cultura, tendo em vista que o rendimento é
diretamente influenciado pela interceptação da radiação solar. O
arranjo pode ser manipulado pelo espaçamento entre plantas na linha
de plantio (densidade) e, ou, pelo espaçamento das entrelinhas. O
aJTanjo de plantas influencia diretamente a produção de colmo (altura
e diâmetro) que proporciona maior ou menor produção de caldo em
razão da biomassa verde e, consequentemente, deve-se optar por
aJTanjos de semeadura que proporcionem maior incremento dessas
variáveis no momento da colheita.
Atualmente, em áreas de usinas, a escolha do espaçamento
entrelinhas tem sido limitada pelas colhedoras de cana-de-açúcar que
vêm sendo utilizadas na colheita do sorgo sacarina (MA Y et al ..
2012a). É necessário obedecer à bitola entre as esteiras da máquina e a
distância entre os molinetes de alimentação frontal. Por esse moti vo,
cultivo em linhas duplas (l ,00 x 0,65 m ou 1,20 x 0,5 m, conforme a
colhedora utilizada) (Figura 5.3) e triplas (0,96 x 0,4 x 0,4 m ou LOO x
0,5 x 0,5 m, conforme a colhedora utilizada) (Figura 5.4) vem sendo
muito adotado por usineiros. No entanto, dependendo das dimensões
J das colhedoras, é possível utilizar espaçamentos simples.
Figura 5.3 - Vi sta geral ele uma lavoura de sorgo sacarina conduzida
sob linhas duplas l ,00 x 0,65 m, em Orindiuva/SP.
Fonte: MAY. 201 2.
138 May, Ca111pa11/,a, Silva, Freitas e Alb11querq11e
Figura 5.4 - Vista geral de uma lavoura de sorgo sacarino conduzida
sob linhas triplas, 1,00 x 0,5 x 0,5 m, em Capivari/SP.
Fonte: MAY, 2013.
Caso utilize colhedoras de biomassa total, por exemplo
ensiladeiras autopropelidas, espaçamentos nas entrelinhas de 0,40 m
têm apresentado maiores rendimentos em relação aos de 0,70 a
0,90 m.
Algumas colhedoras de cana comerciais, em usinas de grande
porte, permitem o uso de espaçamentos simples (0,70 rn entrelinhas)
em sorgo sacarino, apesar de a máquina de colheita pa sm· levemente
por cima da linha não colhida. Utilizando-se este espaçamento de
entrelinha, 0,70 m, consegue-se obter 143 linhas por hectare.
resultando em 22 linhas a mais por hectare cultivado, em relação ao
espaçamento de linha dupla, normalmente utilizado.
No caso de colhedoras de duas linhas de cana, pode-se utilizm
0 espaçamento de 0,45 m de entrelinhas, deixando-se o espaço <lo
rodado da colhedora ele O, 96 m a cada seis linhas sequenciais de orgo
sacarino, dependendo das dimensões ela múquina utili za la, resultando
em 187 linhas por hectare.
Arranjo de plantas 110 plantio 139
Para colhedoras de cana convencionais (uma linha de cana),
pode-se pensar em utilizar o semeio do sorgo sacarina em linhas
triplas de 0,4 x 0,4 x 0,96 m, resultando em 170 linhas por hectare.
É preciso ter cuidado, pois o cálculo errado do espaçamento
entrelinhas, conforme as dimensões do equipamento de colheita, pode
ocasionar esmagamento das linhas não colhidas, resultando em perdas
no rendimento de massa verde.
Utilizando-se o sistema de 1,0 m x 0,65 m entre fileiras
duplas, a produtividade de colmos por hectare tem sido reduzida,
alcançando, em diferentes condições e locais de cultivo, o máximo de
40 t ha- 1, na moenda da usina, após todo o processo de corte,
carregamento e transporte do material vegetal.
Ao avaliar os espaçamentos 0,50, 0,70, 0,90 e 1,10 m e
populações de 100 mil, 140 mil, 180 mil e 220 mil plantas ha-1 para as
variedades de sorgo sacalino BR 506 e BR 507 em diferentes locais da
Região Norte do Estado de Minas Gerais, Albuquerque et al. (2012)
constataram que a redução do espaçamento muito contribuiu para o
aumento da produtividade de biomassa verde dos cultivares. Em solos
de textura arenosa e baixa disponibilidade hídrica, além de possuir
menor capacidade de troca de cátions e menor eficiência na absorção
de água e nutrientes, foi evidenciado que a utilização de espaçamentos
reduzidos não se expressa em maiores produtividades, apesar da
melhor distribuição das plantas na área.
Observou-se, em estudo sobre arranjo de plantas de sorgo
sacarina, que o aumento da população em até 250 mil plantas ha-1
propiciou incrementas na produtividade de biomassa verde, porém,
sem elevações na massa de colmo por hectare, devido à redução do
diâmetro com o aumento do número de plantas por hectare
(ALBUQUERQUE, 2009).
No caso de usinas de grande porte, que precisam de maior
tempo de pátio dos caininhões que transportam a matéria-prima do
campo para as moendas, em algumas situações passando de 12 horas
entre o corte e a moagem, a colheita com auto motrizes ainda precisa
ser testada, devido ao maior fracionamento dos colmos. Porém, o uso
de espaçamentos simples reduzidos tem proporcionado maiores
rendimentos de colmo quando comparado com espaçamentos duplos.
Assim, é preciso que o setor comercial de maquinário agrícola
140 May, Cm11pa11ha, Silva, Freitas e Albuq11erque
desenvolva máquinas colhedoras capazes de fornecer alto rendimento
operacional e com capacidade de corte de colmos em toletes de 30 cm,
visando à colheita de lavouras conduzidas em espaçamentos simples.
Em relação à densidade de semeadura e espaçamento
entrelinhas (aITanjo de plantio), estudos preliminares realizados na
Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas/MG, demonstraram que a
elevação no número de plantas por hectare, quando superior a 120.000
plantas ha-1, não influenciou na produtividade total de colmos.
Contudo, a produção de biomassa verde foi influenciada pela redução
do espaçamento entrelinhas, ou seja, maiores produções de biomassa
foram obtidas nos menores espaçamentos (MA Y et al., 2012b).
Apesar de a redução do espaçamento proporcionar maior
produção de massa fresca, o diâmetro do colmo das plantas também
pode-se reduzir, ocasionando altas perdas na colheita (risco de perda
de toletes na exaustão da máquina), pois as colhedoras utilizadas
foram desenvolvidas para a colheita de colmos de cana, que são mais
pesados e com maior diâmetro. Sendo assim, os benefícios com a
redução do espaçamento podem ser totalmente perdidos devido à não
operacionalidade da colheita, por causa de acamamento e
quebramento das plantas. No entanto, as perdas de colheita devido à
exaustão de toletes podem ser reduzidas a níveis inferiores a 1%,
mesmo utilizando-se espaçamentos mais adensados, bastando reduzir
a rotação do exaustor para 650-750 rpm, a velocidade da máquina para
1
3,5 a 7,0 km h- e desligar o extrator primário.
Quando o semeio do sorgo sacarina é realizado sob palhada de
cana devido ao alto volume gerado após a colheita da cultura
principal , deve-se ter especial atenção ao dimensionar o espaçamento
entrelinhas, além daqueles cuidados relacionados à colheitadeira.
Algumas máquinas, em situação em que o disco de corte frontal está
muito gas to, mesmo quando construídas para semeio direto, acabam
arrastando a palha quando o volume na área é muito elevado. Para
tanto, novas semeadoras têm sido desenvolvidas para semeio de sorgo
sacarina e m diferentes espaçamentos entrelinhas, com discos de corte
de 24 polegadas, minimi za ndo o embuchamento da semeadora.
O excesso ele palha reduz o rendimento operacional da
semeauora, devido ao grande número ele paradas para limpeza Jo
sistema de corte. Além disso, muitas vezes há distribuiç}o
Arranjo de plantas 110 plantio 141
desuniforme das sementes no sulco de semeio, resultando em
população de plantas final inadequada e baixa produtividade da
lavoura. Contudo, mesmo que as sementes sejam distribuídas
adequadamente, quando o sistema de fechamento e compactação do
sulco de semeio não é efetivo, há baixa germinação das sementes,
refletindo também em baixo stand final da lavoura de sorgo, uma vez
que o sorgo, de forma geral, não germina quando em contato com o ar
do solo. Assim, para que se tenha con-eto estabelecimento da lavoura
de sorgo, visando a um stand adequado por metro linear, objetivando
altas produtividades de grãos ou biomassa, as sementes, além de
adequadamente distribuídas, devem ser semeadas retirando-se o ar em
seu redor, através ele boa compactação do sulco de semeio.
Portanto, uma vez definidos o cultivar, o espaçainento
entrelinhas e a densidade de semeadura, o produtor rural deve também
levar em conta, na tomada de decisão, as características dos
equipamentos ele semeadura e, principalmente, de colheitas
disponíveis na propriedade.
Referências
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6 ADUBAÇÃO
leonardus Vergiitz.1
• J
Roberto Ferreira de Novais-
Introdução
Embora a produtividade das culturas dependa de uma série de
fatores relacionados ao clima e a características quí[Link], físicas e
biológicas dos solos, a fertilidade é um dos fatores mais importantes e
naturalmente associada ao crescimento e desenvolvimento das plantas.
A cultura do sorgo destaca-se por sua rusticidade e pela
grande tolerância ao déficit hídrico. Essas características têm
favorecido a expansão de sua área plantada no Brasil, principalmente
em culti vos de safrinha e em regiões ele baixa pluviosidade; porém,
são geralmente confundidas com a baixa resposta da cultura do sorgü
à tecnologia, o que não é verdade. O sorgo responde muito ao
suprimento ele água e, em especial, à adubação, podendo superar
produti viclades de grãos e matéria seca normalmente ohtidas pel~l
cultura do milho (RESENDE et ai., 2009).
Esse equívoco com relação ~l rusticidade do sorgo kva o
Brasil a atingir proclutiviclacles ele grãos (sorgo granífero) e silagem
1 l:ngcnhci ro-Agrí'i110111~1. M.S .. D.S . e Prof.:\Slll' da llni\'cr~idade h :ckral de Viçusa. E-111.1il:
kunardu s. w rgu11,(!JJu f ,.. br
! J: ugc nli eiro -i\gré1numo. M .S .. l'h .D. e Pmk,..,rn da Univl'.r,[Link]· h :dl'.ral J c Vi,,11sa. E-m.1il:
rf11m·ai ~ (â1uh·.br
Adubação 145
(sorgo forrageiro) muito aquém do potencial produtivo das áreas de
cultivo. Enquanto o potencial produtivo do sorgo granífero no Brasil é
1
de 12 t ha· 1, a média brasileira não passa de 5 t ha- (ZAGO;
GUIMARÃES, 2008). O mesmo ocorrendo para o sorgo forrageiro,
1
em que o potencial produtivo fica em tomo de 25 t ha- e a média
brasileira é de 18 t ha- 1• Portanto, de modo geral, no Brasil, o cultivo
de sorgo recebe menos corretivos e fertilizantes que o necessário para
que a cultura expresse todo o seu potencial produtivo.
O método de recomendação de corretivos e fertilizantes
adotado no país baseia-se na avaliação da fertilidade do solo por meio
de extratores químicos. A partir desses resultados é possível avaliar a
disponibilidade de nutrientes no solo e, com base nas demandas da
cultura, recomendar as doses de fertilizantes necessárias para se
atingir a máxima eficiência econômica. Neste capítulo, há importantes
informações sobre como avaliar a fe1tilidade do solo, além de variadas
recomendações acerca de corretivos e fertilizantes para o correto
cultivo do sorgo.
Amostragem de Solo
Todo o processo de recomendação de corretivos e fertilizantes
tem início com a amostragem do solo. É um processo relativamente
simples, mas, se conduzido de maneira inadequada, comprometerá
toda a recomendação e, consequentemente, a produtividade e
rentabilidade. Para fins de recomendação de c01Tetivos e fertilizantes,
essas amostras devem ser retiradas da camada de 0-20 cm de
profundidade. Caso exista o interesse em c01Tigir o perfil do solo em
profundidade por 1neio da gessagem, a camada de 20-40 cn1 também
deverá ser amostrada.
, O primeiro passo para se realizar a amostragem é dividir a
area em glebas. Não existe um tamanho limite para cada gleba. O
unportante é que dentro de cada uma delas as características de relevo,
solo (cor, textura, classe de solo), histórico da área, manejo e
adubação sejam iguais.
Após a separação da área em glebas, devem ser retiradas de 20 a
40 amostras simples, aleatoriamente dentro de toda a área da gleba,
utilizando-se o mesmo equipamento pma cada uma <leias.
146 Vergütz e No vais
Posteiiormente, em um recipiente limpo (balde) essas amostras oriundas
de uma mesma gleba devem ser misturadas, homogeneizadas, e, então,
uma fração de aproximadamente½ kg dessa amostra, agora denominada
amostra composta, deve ser identificada e enviada ao laboratório em um
saco plástico. Desse modo, tem-se uma amostra composta por gleba e por
profundidade amostrada.
Correção da Aci dez do Solo e
Suprimento de Ca e Mg
A correção da acidez do solo é importante para qualquer
cultura, incluindo o sorgo. Nos EUA, onde as produtividades são
elevadas, admite-se que o pH ideal para essa cultura gira em tomo de
7, que é elevado para as condições químicas de nossos solos.
Não se pode pensar em elevadas produtividades,
recomendando-se altas doses de fertilizantes NPK, sem antes corrigir
a acidez do solo e suas deficiências de Ca e Mg. Muitos agricultores,
com o intuito de economizar, não realizam a calagem, embora
mantenham as doses de fe1tilizantes recomendadas. O que esses
agricultores muitas vezes não sabem é que as características de um
solo com baixo pH impedem as plantas de responderem
adequadamente ao suprimento dos nutrientes.
A calagem pode ser recomendada basicamente por três
métodos no país. Na Região Sul, onde se emprega o método SMP, a
quantidade de calcário a ser recomendada para a cultura do sorgo deve
visar à elevação do pH do solo para 6, de acordo com as tabelas desse
método (ROLAS -TEDESCO et al., 2004).
Para o método do controle da ac idez trocável (Al3+) e
2 2
fornecimento de Ca + + Mg + (ALV AREZ; RIBEIRO, 1999), utiliza-
se a equação:
NC (f ha-1) = (Y Al3+) + f2 - (Ca 2+ + Mg 2+) Eq. 6.1
em que NC é a necessidade de cal agem (t h;f '); Y está relacionado ao
fator tampão do solo e varia ele O a 4, dependendo elo teor ele mgila
(quanto mais argiloso, maior será o va~or ele Y); e Al.1+, Ca~+ e Mg~+ são
os teores troc,'íveis destes elementos onunclos ela análise química do solo.
Adubação 147
De modo geral, pode-se admitir que Y = 2. Assim, quando o solo for
argiloso (> 35 % de argila) acrescenta-se a NC em 25 %. Mas, quando o
solo for arenoso(< 15 % de argila), essa dose é reduzida em 25%.
No caso do método da elevação da saturação por bases (V %)
(ALVAREZ; RIBEIRO, 1999), tem-se:
NC (t ha- 1 ) = ( Ve - Vª JT Eq. 6.2
100
em que Ye é a saturação por bases recomendada para a cultura que,
para o sorgo, é 60%; Vª é a saturação por bases atual do solo e T a
CTC a pH 7, ambas encontradas na análise química do solo.
A priori, todos esses métodos foram calibrados, de modo a
possibilitar a máxima eficiência econômica das culturas. Porém, como
são métodos distintos, cada um deles poderá recomendar quantidades
diferentes de calcário. A decisão por qual dos métodos utilizar deverá
basear-se em questões financeiras e no efeito residual das doses
aplicadas. Quanto maior a dose recomendada, mais alto será o custo
associado, incluindo a compra do calcário, além de seu transporte e
aplicação. Porém, o efeito residual também será maior. De maneira
geral, a tendência para culturas de ciclo curto como o sorgo é de se
utilizarem doses menores em intervalos de tempo menores. Ou seja.
aplicações ele doses menores repetidas a cada dois ou três anos.
Após o cálculo ela NC, a quantidade de calcário (QC) a ser
efetivamente adicionada deverá ser corrigida pelo Poder Relativo de
Neutralização Total (PRNT) do calcáiio e pela profundidade de
incorporação, utilizando-se a equação:
QC (t ha-t) = NC 100 PF Eq. 6.3
PRNT 20
em que QC é dada em t ha· 1; NC é a neces5idade de caJcirio: PRNT é
o poder relativo de neutralização total do calcário em porcentage m; e
PF é a profundidade incorporação do calcário em cm. A superfície de
cobertura do solo não foi levada em consideração pois, para a cultura
do sorgo, a aplicação deve ser em área total. Vale lembrar que para
manejo do solo sem revolvimento (plantio direto, por exemplo),
admite-se que o calcário terá uma incorporação natural de
aproximadamente 5 cm em solos argi: e 8 cm em s0los arenosos.
148 Vergiitz e Novais
Ao realizar a calagem, eliminam-se problemas relacionados à
toxidez por Al 3+, suprindo-se Ca e Mg para a cultura. Cabe ressaltar
que, na hora da compra do calcário, além de questões econômicas
(custo do calcário posto na fazenda), deve-se atentar para suas
relações Ca/Mg. Relações Ca/Mg no solo muito elevadas não são
desejadas, assim como relações Ca/Mg menores que 3/1 também não
o são. Dessa maneira, em solos com baixos teores de Mg, o uso de
calcário calcítico (contendo menos de 5% de MgO) poderá promover
desbalanço nutricional, induzindo a deficiência de Mg. Nessa situação
recomenda-se o uso de calcário dolomítico (mais de 12% de MgO).
Caso o solo a ser cultivado apresente algum impedimento
químico ao bom desenvolvimento radicular em subsuperfície, o uso
do gesso agrícola é conveniente. Ao condicionar (melhorar
quimicamente) o perfil do solo, diminuindo a toxidez por Al e
aumentando os teores de Ca, Mg e K em profundidade, assegura-se
adequado ambiente para o crescimento radicular. Assim, a cultura
poderá explorar maior volume de solo, tendo acesso a maior
quantidade de nutrientes e de água, conferindo-lhe maior resistência a
veranicos. Recomenda-se a gessagem sempre que uma das seguintes
características estiver presente na camada subsupe1iicial de 20-40 cm:
~ 0,4 cmolc dm- de Ca + e, ou, > 0,5 cmolc dm- 3 de A1 3+ e, ou, > 30 %
3 2
3
de saturação por Al + (LOPES, 1989 citado por ALV AREZ et al..
1999). A necessidade de gessagem (NG) pode ser recon1endada de
acordo com o teor de argila ou P remanescente (P-rem) (Tabela 6.1 ).
ou de acordo com a necessidade de calagem, recomendando-se 25%
da NC (ALVAREZ et ai., 1999).
Tabela 6.1 - Necessidade de gessagem (NG) recomendada a partir do
teor de argila ou do P remanescente (P-rem)
Argila NO P-rem NG
t IHi° mao L- 1
o/o t hn-
O- 15 0,0 - 0,4 0- 4 l,7 - l ,J
15 - 35 0,4 - 0,8 4- lO 1.3 - l.0
35 - 60 0,8 - 1,2 10 - l9 1.0 - 0,7
60 - 100 1,2 - 1,6 19 - 30 0,7 - OA
30 - 44 0,4 - 0.2
44 - 60 0,2 - o.o
Adubação 149
Após a determinação da NG, a quantidade de gesso (QG) a
ser aplicada em área total é calculada de forma semelhante à QC,
levando-se em consideração a camada a ser corrigida, de acordo com
a equação:
_, EC
QG (t ha ) = NG - Eq. 6.4
20
em que EC é a espessura da camada subsuperficial a ser corrigida (por
exemplo, para a correção da camada de 20-40 cm EC = 20. Já para a
correção da camada de 20-50 cm, EC = 30).
Caso a gessagem seja recomendada somente para a correção
da deficiência de S, 300 kg ha-1 de gesso são suficientes para atender à
demanda da cultura.
Recomendação de Adubação
De maneira geral, as tabelas de recomendação de corretivos e
fertilizantes existentes no país - 5ª aproximação (RIBEIRO et al.,
1999), Boletim 100 (VAN RAIJ et al., 1997), Cerrado (SOUZA;
LOBATO, 2004) e Manual de Adubação e de Calagem para os
Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (TEDESCO et al.,
2004) - apresentam fundamentação parecida e recomendam
quantidades semelhantes de fertilizantes, tanto para o sorgo granífero
quanto para o de silagem. Para o sorgo silagen1, como a extração de
nutrientes é maior (principalmente de K), a recomendação de
adubação também é maior, visando à sustentabilidade do sistema. As
recomendações de coITetivos e fertilizantes por essas tabelas baseiam-
se na produtividade esperada e na avaliação da fertilidade do solo por
meio de extratores químicos.
No país, a disponibilidade de P e K é usualmente avaliada por
dois extratores: o Mehlich-1 e a resina de troca mista. O Mehlich-1 é mna
mistura de ácidos (HCI 0,05 mol C 1 + H2SO4 0,0125 mol L-1), já a resina
ele troca mista é formada por polímeros (esfé1icos ou laminares)
carregados com cargas positivas e negativas. A resina~ o método oficial
do Estado de São Paulo, enquanto o restante do país emprega o Mehlich-
1. Para o K, ambos os extratores apresentam capacidades similares de
extração. Porém, o mesmo não ocorre pma o P.
150 Vergiitz e Novais
A fundamentação teórica das resinas (simples ou mistas) é de
que elas [Link] a função das raízes na solução do solo, absorvendo o
nutriente em solução forçando seu ressuprimento a partir da fase
sólida do solo. Porém, apesar de esse comportamento ser similar ao
das plantas, elas não apresentam comportamento tão passivo assim.
Caso um nutriente esteja deficiente no solo, as plantas utilizam uma
série de artifícios para melhorar a absorção desse. Elas alteram o pH
rizosférico, modificam a razão parte aérea/raiz e interagem com
[Link], além de produzir uma série de exsudatos radiculares,
incluindo ácidos orgânicos e sideróforos. Nessas condições, a resina
perde sua correlação com o que a planta realmente absorve.
No caso do Mehlich-1, este método foi desenvolvido para
solos intemperizados e pobres em P, como os nossos de modo geral,
em que as formas principais de P são aquelas ligadas (adsorvidas) a Fe
e a AI (P-Fe e P-Al). Por ser um extrator ácido, ele extrai
eficientemente P-Ca, forma predominante de P em solos jovens e com
pH e teor de Ca elevados. Porém, P-Ca é uma das formas menos
Iábeis (mais estáveis) de P para as plantas. Quando o Mehlich-1 é
empregado em solos ricos com essa forma de P, o teor extraído perde
correlacão com o que a planta absorve. Isso tem se tornado um
~
problema em solos com fertilidade restaurada, que apresentam
elevados teores de Ca e pH, ou que foram adubados com rochas
fosfáticas (reativo ou não reativo). Adicionalmente, o Mehlich-1 é
. sensível ao poder tampão dos solos. Quanto maior o teor de argila (ou
menor o P remanescente - P-rem), menores os teores de P extraídos
do solo. Por esse motivo, as tabelas de avaliação da disponibilidade de
p exibem diferentes classes, dependendo do teor de argila ou do P-rem
(Tabela 6.2).
De posse da análise química do solo, o primeiro passo para
realizar a recomendação de fertilizantes é a avaliação da
di sponibilidade de nutrientes de acordo com a Tabela 6.2. Com base
na análise químka do solo, os teores de P e K serão classificados
segundo os níveis baixo, médio ou alto (Tabela 6.2). Caso a avaliação
da disponibilidade de P tenha sido feita utilizando-se o método da
resina, ela deve ser classificada de acordo com a faixa de menor teor
de argi la (0 a I 5%J), uma vez que esse extrator não é sensível ao poder
tampão do solo.
..
Adubação 151
Tabela 6.2 - Classe de interpretação da disponibilidade de P e K
(extraída e adaptada' da 5ª aproximação)
Classificação
Característica
Baixo Médio Alto
P-rem (mg C) P disponível (mg dm- )
0-4 $ 4,3 4,4 - 6,0 ~ 6,1
4- 10 $ 6,0 6,1 - 8,3 ~ 8,4
10- 19 $ 8,3 8,4 - 11,4 ~ 11,5
19 - 30 $ 11,4 11,5-15,8 ~ 15,9
30-44 $ 15,8 15,9 - 21,8 ~ 21 ,9
44 - 60 $ 21,8 21 ,9 - 30,0 ~ 30, 1
Argila(%)
60- 100 $ 5,4 5,5 - 8,0 ~ 8, 1
35 -60 $ 8,0 8,1-12,0 ~ 12, 1
15 - 35 $ 12,0 12,1 -20,0 ~ 20, l
O- 15 $ 20,0 20,1 - 30,0 ~ 30,1
K disponível (mg dm-3 )3
$ 40 41-70 ~ 71
1
Adaptação deve-se ao fato de que em Alvarez et ai. ( 1999) existem cim:o classes de
di sponibilidade de P e K (muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto). Aqui essas cinco
classes estão agrupadas e m três (baixo, médio e alto). 2Concentração de P da solução de
equilíbrio após agitar durante l h a TFSA (amos tra de solo - te1Ta fina seca ao ar) com o lução
de CaC12 10 rnmol L 1, contendo 60 mg L·' ele P. na re lação 1: 1O. 3Método Mehlich- 1.
Fonte: ALVAREZet ai. , 1999.
Depois de classificada a fertilidade de P e K do solo a se r
cultivado, prossegue-se com a recomendação de acordo com o Tabela
6.3. Nesse ponto, deve-se decidir a respeito da produtividade
es perada, a qual depende do níve l tecnolôgico do produtor e do
histórico da área.
1--'
Ul
N
Tabela 6.3 - Rec01nendaçã0 de doses de N, P e K para o sorgo granífero e sorgo silagem (retirada da 5ª
aproximação)
Disponibilidade de P Disponibilidade de K
DoseN DoseN
Produtividade Baixa Média Boa Baixa Média Boa
plantio cobertura
------Dose de P20 s----- ------Dose de K20-----
Sorgo granifero
t ha-T -------------------------------------kg ha-T---------------------------------------
4-6 1O- 30 70 50 30 50 40 20 40
6-8 10-30 80 60 40 70 60 40 80
Sorgo silagem
t ha-1 -------------------------------------kg ha-1---------------------------------------
< 50 1O - 30 70 50 30 75 60 30 70
50- 60 10 - 30 80 60 40 100 90 60 100
>60 10 - 30 90 70 50 150 120 90 140
Fonte: ALVES et aJ .. 1999. ~
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Adubaçào 153
De acordo com a 5ª aproximação (Tabela 6.3), a adubação
1
nitrogenada de plantio do sorgo varia entre 10 e 30 kg ha- • Esta
adubação é também conhecida como adubação de arranque e não está
relacionada com a produtividade, por isso independe da produtividade
desejada. O que vai definir a recomendação da dose de N a ser
aplicada no plantio é o histórico da área. Caso a cultura do sorgo seja
implantada em área anteriormente cultivada com leguminosa, por
exemplo a soja, que fixa N 2, essa recomendação pode ficar próxima
do limite inferior de 10 kg ha-1• Porém, se a cultura do sorgo estiver
sendo implantada em área de plantio direto, onde se tem grande
quantidade de palhada, a recomendação deve ficar próxima do limite
superior de 30 kg ha-1 de N. Isso porque nessas condições, parte do N
adicionado como fertilizante será imobilizada pela microbiota do solo
durante a decomposição dessa palhada.
A adubação fosfatada (Tabela 6.3) dependerá da
disponibilidade de P (Tabela 6.2) no solo e deverá ser aplicada
localizadamente toda no plantio, de forma a atender à demanda da
cultura. Do mesmo modo, a adubação potássica é recomendada de
acordo com a disponibilidade de K no solo. No caso da adubação
potássica, caso a recomendação exceda a dose de 60 kg ha- 1, o ideal é
que essa adubação seja parcelada. Muitas vezes, o agricultor realiza a
adubação potássica antes mesmo do plantio, facilitando o manejo da
adubação. Porém, resultados de experimentos têm demonstrado que
essa aplicação de potássio pode ser feita em área total, mas realizada
por volta de uma semana após o plantio (IPNI - citando BACKES et
al., 2007), de modo a evitar as perdas de potássio e atender à demanda
da cultura. Uma alternativa que o agricultor tem utilizado quanto à
adubação potássica é a potassagem. Essa prática visa elevar os teores
de K no solo para 150 mg dm-3, o que pode ser feito utilizando-se a
equação:
1 11
KCI (kg hc( ) = (150 - K 1') ( ! / 10 ) 2 Eq. 6.5
em que KCl é a quantidade de potássio a ser aplicada em área total em
kg ha-'; 150 é o teor de K trocável desejado no solo (mg dn{' ); K+ é o
teor atual ele K trocável no solo (rng dm-.1); e pf é a camada de solo
(profundidade) a ser corrigida (cm).
Para a adubação de cobertura de N (adubação de produção) ,
essa deve ser feita quando as plantas atingirem altura de
154 Verg iitz e No vais
aproximadamente 30 cm. Idealmente, quanto mai s arenoso for o solo,
mais parcelada deve ser a aplicação tanto de N quanto de K, visando
melhorar a eficiência das plantas em absorver esses nutrientes.
Pergunta frequente de usuários dessas tabelas de
recomendação é a respeito da produtividade esperada. Caso o
histó1ico da área e o sítio produtivo permitam produtividades maiores
que as especificadas nessas tabelas, a recomendação de adubação deve
ser complementada baseando-se na quantidade de nutrientes exportada
por tonelada a mais que o agricultor deseja produzir e na recuperação
de nutrientes pelas plantas. Para cada tonelada de grãos de sorgo
produzida são exportados, em média, 11,8, 6,6 e 4,8 kg de N , P2O5 e
K 2O (STEWART, 2012). Admitindo-se taxas de recuperação de N, P
(P 2 O 5 ) e K (K2 O) na ordem de 50, 20 e 60% do aplicado,
respectivamente, tem-se que as recomendações desses nutrientes, para
cada tonelada de grãos que se deseja produzir além do limite das
tabelas, devem ser de: 24, 33 e 8 kg de N, P 2O5 e K2O,
respectivamente. Essa recomendação de N aproxima-se da de Leikam
et al. (2003) - Kansas University -, em que eles recomendam 25,5 kg
de N para cada tonelada de sorgo a ser produzida.
A 5ª aproximação ainda chama atenção para a recomendação
de Zn e S para a cultura do sorgo granífero, recomendando 1 a 2 kg
ha- 1 de Zn quando o solo for deficiente neste micronutriente e 30 kg
ha-1 de S, quando forem utilizados adubos concentrados que não
contêm esse elemento. Esses problemas podem ser facilmente
resolvidos pela utilização de formulações NPK enriquecidas com Zn
(algo em torno de 0 ,5 a 0,7 % de Zn) e pelo uso de gesso, que, além de
condicionar o solo em subsupe1fície, supre as necessidades por S da
cultura.
Ao comparar as nossas recomendações (T abela 6.3) com
aquelas para o cultivo do sorgo granífero nos Estados Unidos (Tabela
6.4) , percebe-se que as produtividades esperadas, ass im como as doses
recomendadas de adubo são superiores àquelas indicadas nas
condições brasileiras, em particular para o N. Nitrogênio é o nutriente
que mai s frequentemente limita a produtividade de sorgo, sendo as
recomendações deste nutriente geralmente fe itas de acordo com a
produtividade esperada (STEW ART, 201 2). Para a máxima
1
produtividade desejada, J 2.500 kg ha- , a recomendação de N, P 2O 5 e
Adubnçüo 155
K2O quando a disponibilidade desses nutrientes no solo é baixa é de
336, 78 e l 06 kg ha-', respectivamente (Tabela 6.4 ).
Tabela 6.4 - Recomendação de adubação para o sorgo granífero
cultivado nos Estados Unidos
Produtividade (kg ha- )
r 2.500 5.000 7.500 10.000 12.500
1
f. MOS(%) ............................... kg ha- de N .................................
1,0 16 87 159 231 302
1,5 4 76 148 220 291
2,0 o 65 137 208 280
2,5 o 54 125 197 269
3,0 o 43 114 186 258
3,5 o 31 103 175 246
4,0 o 20 92 164 235
Bray-1 P (mg dnf· ) ......... .................... kg ha· 1 de P20 5 . ..••... . ... . .• . .••••.•.•....
Oa5 56 62 67 73 78
5 a 10 39 45 50 50 56
lO a 15 22 28 28 34 34
15 a 20 17 17 17 17 17
> 202 o o o o o
P20 5 exportado nos grãos 18 36 54 72 90
K trocável (mg dm-3) 1
........................... ...kg ha- de K 20 ....................... ..... .
Oa 40 84 90 95 1O1 106
40 a 80 50 56 62 67 67
80 a 120 22 22 28 28 28
120 a 130 17 17 17 17 17
> 130 o o o o o
K20 ex portado nos grãos 11 24 -l7 58
T
Além dessa adubação de produção. são recomendados mais JJ.6 kg ha·1 Je N no plantio (uose
2
de arranque). Mesmo para solos com elevados teores d1:• P. a recLimendaçào é de que se u1ili 2e
adubação fosfatada no plamio (arranq ue). e mbora 11;1\l s~·j:1 t·speciticada a quanLidade. -' Em
termos numéricos, as quantidades extraídas peln extralrn Hray- 1 süu muih1 semelhante~
àquelas eximidas pelo Mehlich- 1.
Fome: Recome11da1_:ãu propos1a por [Link]'vl e1 ai.. 2 0lU .
- - - ··-· -.- . - .
156 Vergiitz e No vais
De n1aneira geral. as condições atuais de fertilidade de nossos
solos não permitem atingir elevadas produtividades como nos Estados
Unidos. P01tanto, as do es recomendadas lá não são as ideais para as
nossas condições. A razão é a me ma apontada por Novais e Smyth
(1999), pela qual a cultura do milho não é ideal nos primeiros anos
após a abertura de áreas de Cenado. Esses solos são extremamente
pobres em P e com grande sorção (retenção) deste nutriente, o que
linuta o acesso das plantas ao P. No caso da cultura do milho (e do
sorgo, provavelmente), essa baixa disponibilidade de P (lei do
1nínin10) limita respostas a N. Com isso, as altas produtividades
conseguidas em solos de clima temperado (menos intemperizados e
com maior disponibilidade de P) com altas doses de N não são
conseguidas em nossas condições, de maneira geral. Isso só seria
possível em solos bem manejados, onde os teores de matéria orgânica
e a fertilidade tenham sido construídos e melhorados ao longo do
tempo.
Sintomas de Deficiência Nutricion al
Os s intomas de deficiência representam item complementar
na identificação da deficiência de deternunado nutriente. O aspecto
visual desses sintomas incluem cloroses, necroses, alterações de
coloração e morfológicas. Ao caracterizar sintomas de deficiência
nutiicional , para diferenciá-los de sintomas de natureza não
nutricional , é necessário seguir critérios de evolução temporal
(demanda das plantas), no espaço (mobilidade na planta) e simetria
(tecidos de mesma idade fisiológica devem apresentar mesmo
sintoma). Porém, no caso de sintoma, a deficiência deve ser
confirmada pel a análise química do material vegetal em laboratório.
Vale lembrar que a eventual visualização dos sintomas de deficiência
de algum nutrie nte em camp~. j_{~ te~·á compr?meticlo a produtividade
da c ultura. os sintomas de defic1encia de nutrientes em plantas podem
ser divididos em dois grandes grupos: os que apresentam sintomas
iniciais na parte superior ?~ ~Janta (Ca, ~• _F~, Mn, Zn, Cu e B) e os
que mostram sintomas _i111c1ais na parte 11üenor (~, ~' ~ e Mg). Os
. • estão relacionados aos elementos 1move1s ou com
pnmelíOS . .
·i ·ct· d bastante reduzida no tloema. Uma vez que esses
mo b 1 1 a e . .d d d .d
eleme ntos apresentam rnoh1 1I a e re uz1 a, não podem ser
Adubaçâo 157
translocados das partes mais velhas (baixeiras) para as mais novas
(ponteiras), levando os sintomas a aparecerem inicialmente nas partes
mais jovens. Já para os elementos com maior mobilidade no floema,
os sintomas apresentam-se inicialmente nas folhas mais velhas, uma
vez que eles são translocados para as partes da planta com maior
caráter dreno.
Nutrientes cujos Sintomas Apresentam-se
Inicialmente nas Folhas Velhas (móveis no
floema)
Nitrogênio
O nitrogênio está associado a processos fisiológicos da
fotossíntese, respiração e absorção iônica e é constituinte de
aminoácidos e proteínas. Os sintomas de deficiência de N começam
com o amarelecimento/clorose em folhas mais velhas (da ponta para a
base), progredindo para o secamento dessas folhas ao longo da
nervura principal. A planta como um todo apresenta perda de
crescimento, com colmos mais finos e amarelecimento generalizado
caso a deficiência seja severa (Figura 6.1).
Figura 6.1 - Sintomas de deficiência d~ nitrogê nio na planta. na ·
folhas e na panícula.
Fonte: EMlJRAPA M ILHO E SORGO.
158 Vergiit z e Novais
Fósforo
O fósforo também está ligado a processos fisiológicos da
fotossíntese e respiração e é ainda constituinte de proteínas e
coenzimas. ácidos nucleicos, com papel fundamental no
armazenamento de energia na planta (ATP). A deficiência de P ocorre
primeiramente nas folhas mais velhas, onde essas apresentam
coloração inicial verde mais escura que o normal. Posteriormente,
segue-se a progressão de uma coloração avermelhada/arroxeada nas
pontas e margens do limbo foliar, podendo essa coloração estender-se
até o colmo (Figura 6.2). A planta como um todo também apresenta
redução de crescimento.
Figura 6.2 - Sintomas de deficiência ele fósforo.
Fonte: [Link] morn>[Link]/?p= 102 - Safra de milho: du plan1io ü colh~ila.
.-----=-----------------------------·- .
~
A d11/)(IÇ{IO 159
Potássio
O potássio tem papel fundamental no transporte de
carboidratos e no potencial osmótico das células, controlando a
abertura e o fechamento estomático e, consequentemente, conferindo
maior tolerância à seca. A deficiência de K também é percebida
incialmente nas folhas mais velhas. O sintoma típico é a clorose em
"V" das pontas e margens dessas folhas, migrando rapidamente para
necrose (queima) do tecido foliar (Figura 6.3). As plantas também
apresentam baixo crescimento, fragilidade dos tecidos e maior
sensibi lidade à seca.
Figura 6.3 - Sintomas de defici ência de potássio.
Fonte: EM BRAMA MILHO E SORGO.
Magnésio
O magnés io é componente da clorofila, ativador ele reações
enzimáti cas e confere estabilidade estrutural a ácidos nucleicos e
membranas. Os sintomas ele de fi ciência ele Mg surgem inicialmente
nas folh as mais ve lhas, sendo a clorose internerval o sintoma
dominante. Essas folha s amare lecem nas margens e, depois. entre as
nervuras (as pecto ele estrias), podendo seguir-se ela necrose dessas
regiões. Os sintomas também pode m progredir para as folhas mais
jovens (Figura 6.4). A defi c iência de M g tamhém acarreta redução de
cresc imento e perda de qualidade dos grãos.
160 Vergiitz e Novais
Figura 6.4 - Sintomas de deficiência de magnésio.
Fonte: EMBRAPA MILHO E SORGO.
Nutrientes cujos Sintomas Apresentam-se
Inicialmente nas Folhas Jovens (imóveis ou de
mobilidade bastante reduzida no floema)
Cálcio
O cálcio está ligado à síntese de parede celular, integridade de
membranas e crescimento de meristemas. Portanto, a deficiência desse
nutriente manifesta-se nas folhas mais jovens e regiões apicais de
crescimento (meristemas). De modo geral, o crescimento como um
todo é reduzido (incluindo as raízes), com as folhas mais jovens secas
e deformadas (Figura 6.5). Sucessivamente, essas folhas amarelecem,
secam e necrosam, ocorrendo esses sintomas em faixas largas nas
bordas e entre as nervuras das folhas. Em condição de deficiência
mais severa pode ocorrer a morte ela região de crescimento
(meristemática).
Ad11baçào 161
Figura 6.5 - Sintomas ele deficiência de cálcio.
Fonte: VASCONCELLOS (EMBRAPA MILHO E SORGO).
Enxofre
O enxofre é componente ele anlinoáciclos. proteínas. clorofila.
vitaminas e hormônios e participa de diversas reações enzimáticas.
Dada sua baixa mobilidade no floema , os sintomas da deficiência de
começam nas folhas mais jovens, que apresentam co\ora1,;ào verde
claro, tendendo para o amarelo, uniforme no limbo foliar. Assemelha-
se à deficiência ele N; poré m, ocorre inicialmente cm folhas mais
jovens (Figura 6.6).
162 Vergiitz e Novais
Figura 6.6 - Sintomas de deficiência de enxofre.
Fon te: GRUNDON el ai.. 1987.
Ferro
O ferro tem papel fundamental no transporte de elétrons
(ferr0 dox ina), em reações de óxido-redução e como grupo prostético
(ativação de enzimas). Dada sua baixa mobilidade no floe ma, o
.- [Link] típi co de deficiênc ia de Fe é a clorose interne rval nas folhas
110 ,'as, permanecendo verde apenas as nervuras, conferindo aspecto J e
•et ic ul ado fino (Fig ura 6.7). A clorose causada pe la de fi c iênc ia de Fe
ti picamente apresenta coloração esbra nqui çada.
163
Adubação
Figura 6.7 - Sintomas de deficiência de feno.
Fonte: GRUNDON et ai.. 1987 .
Manganês
O manganês atua na síntese da clorofila e na ativação de
enzimas. Por apresentar baixa mobilidade no tloema, o sintoma típico
de deficiência de Mn é a clorose internerval das folhas mais novas:
porém, com o passar do tempo, pode envol ver também as foln,1 :;
velhas. Ao contrário da deficiência de Fe, que confere aspecto
reticulado fino , a deficiência de Mn confere aspecto de reticulado
grosso (faixas mais grossas). Em casos mais severos. es~e te,.:ido
clorótico pode senescer e desprender-se ela folha. Assim. essa necrose
que segue a clorose é um sintoma típico da deficiência de ln ( Figura
6.8).
164 Vergiitz e No vais
Figura 6.8 - Sintomas de deficiência de manganês.
Fonte: GRUNDON et ai., 1987.
Zinco
O zinco é importante cofator enzimático e constituinte de
enzimas e hormônios (ácido indolacético - AIA). Dada sua baixa
mobilidade no floema, os sintomas da deficiência de Zn ocoITem nas
folhas mais novas, que são caracterizadas por faixas brancas ou
amareladas entre a nervura principal e as bordas, podendo ocorrer tons
an-oxeados e necrose nessas áreas. As folhas novas recém-emitidas no
ápice da planta apresentam coloração esbranquiçada (pálida) com
internódios curtos (Figura 6.9).
\
\
Ad11baçâo 165
Figura 6.9 - Sintomas de deficiência de zinco.
Fonte: GRUNDON et ai., 1987.
Cobre
Constituinte de enzimas e responsável pela síntese de
compostos fenólicos (lignificação). A deficiência de cobre é visível
nas folhas mais novas, dada sua baixa mobilidade no floema. Ao se
desenrolarem, estas folhas exibem coloração mais pálida que o
restante das folhas e são mai s quebradiças. Além desse
amarelecimento, as pontas começam a se curvar e necrosar (Figura
6.10).
166 Ve rgiitz e Novais
Figura 6.1 O - Sintomas de deficiência de cobre.
Fonte: GRUNDON et ;_il., 1987.
Boro
O boro é importante no metabolismo de carboidratos, divisão
celular e na formação da parede celular e membranas (pectina). Dadas
as suas funções e ao fa to de ser pouco móve l no floema, os sintomas
de deficiência de B apresentam-se nas folhas mais novas, na forma de
fa ixas alon gadas transparentes que, depois, se tornam brancas ou
secas. Ass im como em outras culturas, em casos de extrema
deficiência de B é com um a morte da região de crescime nto da planta
(parte apical) ( Figura 6.1 J ).
Adubação 167
Figura 6.11- Sintomas de deficiência de boro.
Fonte: GRUNDON et ai., 1987.
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Gerais - CFSEMG, 1999. 359 p.
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GUIMARÃES, P. T. G.; ALVAREZ V. , V. H. (Ed.). Recomendação para uso de
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Comissão de Fertilidade do Solo do Estado ele Minas Gerais - CFSEMG, 1999 . 359 p.
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SOUZA, D . M. G.; LOBATO, E. Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed.
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TEDESCO, M . J .; GlANELLO, C.; ANGHINONI, I.; BISSANI, C. A.; CAMARQO,
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Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10. ed. Porto Alegre, RS: Sociedade
Brasileira de Ciência do Solo/Comissão de Química e Fertilidade do Solo, 2004. 400
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ZAGO, C. P. ; GUIMARÃES, F. B. Sistemas de produção para sorgo. ln:
CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 17., 2008, Londrina, PR.
Anais ... Londrina, PR: Embrapa Milho e Sorgo, 2008.
CULTIVARES
7
Rafael Augusto da Costa Parrella 1
Cícero Beserra de Menezes1
José Avelino Santos Rodrigues 1
Flávio Dessaune Tardin 1
Nádia Nardely Lacerda Durães Parrella 2
Robert Eugene Schajfert1
Cultivares de Sorgo Granífero
A área cultivada de sorgo granífero (Figura 7.1) no Brasil tem
se expandido significativamente nos últimos anos, consolidando-o
como cultura rentável para épocas de safrinha. O sorgo granífero é
excelente opção para plantio de sucessão a culturas de verão, por ser
tolerante à seca, pouco exigente en1 nutrientes e de baixo custo de
produção.
1
Engenhei ros-Agrônomos, M.S. Ph.D. e PesquisaJur~s da Embrapn. E-mails:
rufacl .parrella @[Link]; · ciccro. mi.::nezcs@[Link]; flavio.t.u·din @[Link];
2
[Link]@[Link]; [Link]'fort @[Link]
Engenheira-Agrônoma, M.S. Ph.D. e Professorn mi Universidade F~Llúral de São Juiiu Dei-Rei.
E-mail: nadia@ufsj .[Link]
170 Pnrrelln, Mene-;:,cs, Rodrigues, Tardh1, Parrella e [Link]
Figura 7 .1 - Vista panorâmica de uma lavoura de sorgo granífero.
A planta de sorgo possui características fisiológicas que
[Link] paralisar seu crescimento, ou diminuir o seu metabolismo
durante o estresse hídrico e reiniciá-lo quando a água torna-se
disponível (MAGALHÃES et ai., 2003). Essa característica permite
que esta cultura seja apta para se desenvolver em regiões de cultivo
com distribuição in-egular de chuvas e em sucessão a culturas de
verão. Além disso, o sorgo oferece ao produtor outras vantagens,
como: cobertura verde quando os cerrados encontram-se quase sempre
expostos ao excesso de radiação solar e a chuvas fortes; receita
adicional no período de entressafra; opção de rotação de culturas;
fornecimento de palhada residual, viabili zando o sistema de plantio
direto; produção da rebrota; cu ltura totalmente mecani zada e sem
necessidade de investimento adicional em máquinas e equipamentos.
No Brasil , o sorgo granífero encontra ótimas condições
c limáticas para desenvolvimento. O plantio ela cultura te m se
co nce ntrado no Brasil Central em sucessão (safrinha) a plantios de
verão, no Sul (região de fronteira) em plantios de verão e no Nordeste
em plantios nas condições do semiárido, co m altas temperaturas e
preci pilação inferior a 600 mm anuais (CONAB, 20 l 3a).
Cultivares 171
Apesar dos aumentos observados na produtividade das
lavouras brasi !eiras, a média nacional está muito abaixo do potencial
de rendimento de grãos dos híbridos de sorgo encontrados no
mercado. Experimentos demonstram que a produtividade desses
híbridos pode ultrapassar as 10,0 t/ha e 7,O t/ha, respectivamente, em
condições favoráveis no verão e em plantios de sucessão (SANTOS,
et al., 2005).
Esta realidade, em parte se deve ao sistema de produção de
grãos predominante nas regiões produtoras do país, que cultivam a
soja na época das águas e, após a sua colheita, planta-se o 1nilho na
safrinha. O sorgo granífero normalmente é cultivado num período
tardio de safrinha, ou seja, quando os riscos de perdas de lavouras de
Inilho, por deficiência hídrica, aumentam significativamente.
Para garantia de obtenção de maiores produtividades das
lavouras, os produtores devem estar atentos à escolha dos cultivares
adaptados às suas regiões e ao seu sistema de produção, além de
realizar um bom planejamento para implantação e condução da
lavoura. Plantios tardios em condições de sequeiro tendem a reduzir
drasticamente a produtividade das lavouras, devido à falta de água
durante a fase de enchimento de grãos. Para o sucesso desta estratégia
de ação, é de extrema importância que os produtores utilizem
cultivares de sorgo de ciclo precoce e sejam mais tolerantes à seca
(COELHO et ai., 2002; TARDIN et ai., 2012).
Dentre os cultivares disponíveis no mercado, o uso de híbridos
simples tem predominado. Esses materiais apresentam ampla
adaptabilidade e estabilidade de produção. Na escolha do híbrido,
principalmente para o plantio em sucessão, devem ser observadas as
seguintes características:
1. Produtividade de grãos.
2. Tolerância a períodos de déficit hídrico, principalmente em pós-
florescimento .
3. Resistência ao acamamento e quebramento.
4. Ausência ele tanino nos grãos . O uso ele cultivares com tanino está
restrito ao Rio Grande cio Sul.
5. Porte e ntre 1,0 m e 1,5 m com boa produção de massa residual.
6. Ciclo precoce a médio.
172 Parrella, Menezes, Rodrigues, Tardin, Parrella e Schaffert
7. Resistência às doenças predominantes na região de plantio.
8. Tolerante ao alunúnio.
A indústiia de sementes oferece condições para o atendimento
da demanda das várias regiões de cultivo de sorgo e, para o plantio da
safra de 2013/14, estará disponível grande número de híbridos
oriundos de empresas dos setores público e privado. Informações
referentes às principais características de cada cultivar, como
recomendação de local e época de plantio, podem ser encontradas nos
sites das empresas que os comercializam, nas revendas de sementes,
na página do MAPA ([Link]), ou em links
associados a Zoneamento Agrícola e Registro Nacional de Cultivares
(LANDAU; GUIMARÃES, 2012; TARDIN et al., 2012). Na Tabela
7 .1, para exemplificar, há os nomes dos principais híbridos
disponíveis para a safra 2013/14.
Considerando o risco inerente ao sistema de plantio em
sucessão, principalmente com a ocorrência de doenças e deficiência
hídrica, recomenda-se que o produtor utilize uma combinação de
cultivares, iniciando seu plantio com aqueles de maior teto produtivo,
geralmente de ciclo mais tardio e, finalizando, com as mais precoces.
O plantio de mais de um híbrido reduz o risco de perda de
produtividade pelo surgimento de novas doenças ou raças de fungos,
reduzindo a vulnerabilidade genética do cultivar. Recomenda-se ainda
observar a população de plantas indicadas para o plantio. Cada híbrido
possui sua população ideal de plantas, as quais variam entre 140.000 e
220.000 plantas/ha.
Os híbridos expressam a produtividade máxima na primeira
geração, sendo necessária a aquisição de sementes todos os anos. O
plantio de sementes da segunda geração (F2) proporcionará redução
na produtividade, dependendo do híbrido, de 15 a 40%, e grande
variação entre plantas com efeito negativo na qualidade do produto.
Portanto, não é recomendável a utilização ele sementes F2 para cultivo
de sorgo.
\
Cultivares 173
Tabela 7 .1 - Principais híbridos de sorgo granífero disponíveis para a
comercialização na safra 2013/14
1 Híbrido Ciclo Origem
BRS 310 Precoce Embrapa
BRS 330 Médio Embrapa
BRS 332 Médio Embrapa
10 100 Superprecoce Dow AgroSciences
10220 Precoce Dow AgroSciences
10244 Precoce Dow AgroSciences
10 282 Precoce Dow AgroSciences
C: 50Al0 Superprecoce Morgan
50A50 Superprecoce Morgan
50A70 Superprecoce Morgan
AON 8040 Superprecoce Agromen
Agromen 70035 Precoce Agromen
AO 1040 Precoce Agroceres/Monsanto
AO 1060 Precoce Agroceres/Monsanto
AO 1080 Médio Agroceres/Monsanto
AS 4610 Precoce Agroeste/M onsan to
AS 4615 Precoce Agroeste/Monsanto
AS 4625 Precoce Agroeste/Monsanto
AS 4639 Médio Agroeste/Monsanto
DKB 540 Precoce Dekalb/Monsanto
DKB 550 Precoce Dekalb/Nlonsanto
DKB 590 Precoce Dekalb/Monsanto
ESMERALDA Precoce Semeali
RANCHERO Semi precoce Semeali
A6304 Precoce Semeali
XB 6022 Precoce Semeali
A 9902 Precoce Semeali
BM 737 Precoce Biomatrix
SI-IS 410 Precoce Santa Helena
Buster Precoce Atlântica
Bravo Superprecoce Atlântica
MR43 Superprecoce Atlântica
FOX Superprecm:e Atlântica
A 9721 R Superprecocc Nidera
A 9755 R Precoce Nidera
A 9735 R Precoce Nidera
Fonte: Elaborada a partir de inform11çõ0 de empresas produtoras de: sc:me1lles.
. ------.
174 Pnrrella, [Link]. Rodrigues. Tardin, ?arrelia e Schaffert
Cultivares de Sorgo Forrageiro
A cultura de sorgo forrageiro (Figura 7.2) é uma das que mais
cresce no País. Em 2012/2013, plantou-se no Brasil em torno de
500.000 ha de sorgo destinados à produção de forragem, passando a
ter importância estratégica no abastecimento de grãos e forragem do
País. Esta cultura contribui para o equilíbrio nos estoques reguladores
de grãos energéticos, o crescimento sustentado da pecuária, por
garantir a oferta de alimentos, e para a redução de custos, permitindo
maior competitividade ao setor (CONAB, 2013b). A conservação do
excesso de forragem, produzida na época de abundância, a fim de
suprir as necessidades de alimentação dos animais nos meses de
escassez é fundamental para a manutenção de um programa
sustentado de produção animal. Com a paulatina substituição dos
sistemas extensivos de produção de leite ou carne, por sistemas
intensivos, com base na maximização da expressão do potencial
genético dos bovinos, observou-se crescente demanda por silagem de
boa qualidade.
Figura 7 .2 - Vi sta panorâmica de uma lavoura de sorgo forrageiro.
As c ulturas de mi lho e sorgo têm s ido as mais utilizadas no
processo <le e nsi la~c m, por sua fa~ili<lade c!e cultivo, altos
rendime ntos e, es pecialmente. pela qualidade da silagem produzida,
Cullivares 175
sem necessidade de aditivo para estimular a fermentação. O sorgo
forrageiro pode ser plantado no Centro-Sul do Brasil de agosto até
meado de abri I, e seu uso para si !agem se justifica pelas suas
características agronômicas, como alta produção de forragem, maior
tolerância à seca e ao calor, capacidade de explorar maior volume de
solo, por apresentar sistema radicular abundante e profundo, e pela
possibilidade de se cultivar a rebrota, com produção que pode atingir
até 60% no primeiro corte, quando submetido a manejo adequado.A
vocação de planta forrageira é uma característica do sorgo. O
potencial produtivo e a contribuição dessa cultura na economia da
pecuária bovina são amplamente conhecidos.
Embora várias plantas forrageiras, anuais ou perenes, possam
ser ensiladas, o sorgo e o milho são as culturas mais utilizadas para
este propósito. O seu uso pode ser atribuído a diversos fatores: custo
entre 80 e 85% do custo da silagem de milho, consumo equivalente a
cerca de 90% da silagem de milho, valor nutritivo entre 85 e 92% da
silagem de milho e elevado potencial de produção, boa adequação à
mecanização, reconhecida qualificação como fonte energética,
adaptação a regiões mais secas e capacidade de rebrota, podendo
atingir até 60% da produção obtida no primeiro corte (GONÇALVES
et ai., 2005). O sorgo constitui cultura adaptada ao processo de
ensilagem por sua facilidade de cultivo, alto rendimento e pe la
qualidade da silagem produzida, além de dispensar o uso de aditivos
como forma de melhorar e estimular a fermentaç ão (ZAGO, 200 l ;
NUSSIO, 1992).
Os sorgos podem ser graníferos ou de porte baixo. forrageiro
ou de porte alto, de dupla aptidão ou de porte médio, sacarina e tipo
vassoura. A diferença está na proporção de colmo, folhas e panículas.
a qual reflete na produção ele matéria seca por hectare, na composição
bromatológica e no valor nutritivo. Segundo Zago (200 l) e Van Soest
( l 994), o sorgo deve ser ensilado no estádio pastoso ou fa rináceo .
Entretanto, quando ensilado no estádio farináceo pode m ocorrer
perdas de grãos pelas fezes. Por isso, recomenda-se ens ilá-lo quando
apresentar grãos no estádio leitoso-pastoso.
O uso de sorgo para silage m no Brasil ori ginou-se com a
introdução de variedades de porte alto, com alta produti vidade de
massa, tardios e com elevados teores de açúcar no colmo. A
introdução e o desenvol vimento de sistemas de mac ho esterilidade
176 Parrel/a, Men ezes, Rodrigues, Tardin, Parrella e Schaffert
permitiram a síntese de híbridos comerciais mais apropriados para
confecção de silagem de alto valor nutritivo com boas produtividades.
Para a produção de silagem, a escolha do cultivar tem sido bastante
controvertida. Segundo Nussio (1992), o pecuarista geralmente tem
escolhido materiais de porte alto e elevada produção de massa verde
total. Pizzaro (1978) encontrou, em levantamentos nos Estados de São
Paulo e Minas Gerais, silagens de baixa qualidade e baixa
produtividade, sendo a baixa qualidade principalmente devido à
pequena porcentagem de grãos na massa.
A produtividade de matéria seca de sorgo forrageiro está
geralmente correlacionada com a altura da planta, ou seja, o potencial
de produção de matéria seca aumenta com a altura da planta. A
porcentagem de panículas decresce a taxa menor nos híbridos de porte
baixo ou médios, passando a decrescer em taxa maior naqueles
cultivares de porte muito alto, ou seja, inversamente ao que ocorre em
relação à porcentagem de colmos. Já a porcentagem de folhas
decresce com a elevação da altura; porém a uma taxa menor e
constante (ZAGO, 2001).
A digestibilidade das partes da planta tem marcada influência
sobre a digestibilidade da planta total. Cummins (1972), ao avaliar
quatro híbridos de sorgo com diferentes porcentagens de colmos,
folhas e panículas, detectou que a digestibilidade das panículas é
sempre maior que a das folhas e, geralmente, os colmos são as partes
da planta de menor digestibilidade. Existe acentuada variação dentro
de cada parte entre os diversos híbridos, sugerindo a possibilidade de
melhorias no valor nutritivo através da seleção de genótipos com
melhor equilíbrio colmo, folha e panícula, assim como pela seleção de
linhagens de maior digestibilidade das pai1es da planta (ORSKOV,
2002).
Segundo Zago (2001), a produção animal cresce com o
aumento do conteúdo de grãos na forragem. A maior porcentagem de
panículas, além de contribuir para o aumento na qualidade da silagem,
em razão do seu melhor valor nutritivo, tem grande participação na
elevação da porcentagem de matéria seca da massa ensilada, em
virtude do seu menor conteúdo de água.
Em vários trabalhos tem sido comparado o desempenho de
animais alimentados com silage m ele milho e de sorgo. Os híbridos de
Cultivares 177
milho comumente apresentam valores mais elevados de
digestibilidade aparente de matéria seca. A silagem de sorgo granífero
e, ou, duplo propósito geralmente é a mais consumida pelos animais e
mostram melhores ganhos de peso em relação à silagem de sorgo
forrageiro de porte alto. O estágio de maturação e a época de colheita
também influenciam a qualidade da silagem (SANTOS et al., 2013;
OLIVEIRA et ai., 2010; ROONEY, 2004).
A digestibilidade de uma forrageira está relacionada com seu
valor energético. Os valores de digestibilidade in vitro da matéria seca
(DIVMS) são altamente ligados com aqueles de digestibilidade in
vivo. A proporção de grãos contidos na silagem influencia a
digestibilidade da matéria seca, uma vez que o aumento da quantidade
de grãos reduz a porcentagem de constituintes da parede celular,
aumentando a DIVMS e digestibilidade in vivo, o que atribuiriri
maiores valores de digestibilidade aos sorgos do tipo granífero
(SILVA, 1997). Um dos motivos de variação da digestibilidade entre
cultivares de sorgo é a presença ou ausência de taninos. O aumento
dos teores de taninos na dieta de ruminantes está principalmente
associado à diminuição das digestibilidade da fração hemicelulose e
carboidratos facilmente fermentáveis no rúmen (BEEVER, 2000). No
entanto, Borges ( 1995) não observou diferenças nas porcentagens da
DIVMS para os híbridos de sorgo estudados nos diferentes período , o
que demonstra que a redução dos teores de tanino não influenciou a
DIVMS.
Nos últimos anos, o sorgo tem apresentado aumentos
significativos na produtividade e, principalmente, na qualidade de
forragem. Grande parte desse ganho é atribuído ao uso da diversidade
genética no desenvolvimento de novos cultivares de sorgo adaptados
aos diferentes sistemas de manejo no país. No Brasil. exi tem poucos
híbridos de sorgo especializados e comercializados para produção de
silagem, conforme se observa na Tabela 7 .2.
178 Parrelfa. Menezes. Rodrigues, Tardin. Parrelf a e Schaff ert
Tabela 7.2 - Cultivares de sorgo forrageiro para silagem na safra
2013/2014
Cultivar Origem
BRS 610 Embrapa
BRS 655 Embrapa
BR 700 Embrapa
BR 701 Embrapa
BR 601 Embrapa
1F305 Dow Agroscience
SS318 Dow Agroscience
SS302 Dow Agroscience
Volumax Monsanto/Agroceres
Qualimax Monsanto/Agroceres
DKB 901 Monsanto/Dekalb
AS 4420 Monsanto/ Agroeste
Chopper Atlântica Sementes
Dominator Atlântica Sementes
Nutrigrain Atlântica Sementes
VDH 422 Atlântica Sementes
SHS 500 Helix
BBW379F Nidera Sementes
CMX347F Nidera Sementes
Cultivares de Sorgo Sacarina
O sorgo sacarino (Figura 7.3) vem se destacando como cultura
bas tante promi ssora para a produção de etanol no Bra -il , tanto do
ponto de vista agronômico q~1anto indust1~ial, por apresentar colmos
suc ule ntos com aç úcares diretame nte lermentáveis, associado à
possibilidade de utilizar a mesma estrutura de colheita, moagem e
Cultivares 179
processamento da cana-de-açúcar nas usinas para produção de etanol.
O sorgo sacarino é recomendado para plantios de primavera/verão,
com semeadura no início do período chuvoso, que vai de outubro a
dezembro, e colheita nos meses de fevereiro a abril para as Regiões
Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Esta época de colheita coincide
com a entressafra da cana-de-açúcar, quando as usinas estão paradas,
devido à ausência de matéria-prima para moagem. Dessa forma, o
sorgo sacarina tem encontrado grande demanda no setor
sucroalcooleiro do Brasil, por possibilitar ampliação do número de
dias trabalhados por ano nas destilarias, principalmente com o
fornecimento de matéria-prima nos meses de março e abril,
otimizando a operacionalização e amortizando custos fixos.
Adicionalmente, o bagaço pode ser utilizado como fonte de energia
para industrialização, cogeração de eletricidade, etanol de segunda
geração ou forragem para animais, contribuindo para um balanço
energético favorável.
Figura 7 .3 - Vista panorâmica de uma lavoura de sorgo sacarina.
18L Parrella, Menezes, Rodrigues, Tarcli,1, ?arrelia e Schaffert
Um cenário que o sorgo sacarino está sendo proposto é o
plantio em área de canaviais em renovação. Neste caso, após a
colheita da última safra de cana, realiza-se um ciclo de cultivo com
sorgo [Link] com semeadura de outubro-dezembro e colheita de
fevereiro-abril, com implantação da cana em seguida. Estima-se que
em torno de 15% da área total com cana no Brasil é renovada
anualmente. A área cultivada com cana está em tomo de 8.485.000
hectru·es (CONAB, 2013c). Então há aproximadamente 1.272.720 ha
sendo renovados anualmente, e parte desta área pode ser utilizada para
o cultivo do sorgo sacarino. Dessa forma, as usinas podem utilizar
sua~ próprias terras, sem necessidade de expandir fronteiras. Contudo,
atenção especial deve ser dada à implantação do sorgo sacarina nestes
ambientes, pois o excesso de palha, comum nestes ambiente,
dificultam as operações de semeadura, germinação e estabelecimento
da cultura com estande uniform~ e pretendido.
Estudos econômicos mostram viabilidade do sorgo sacarina
com produtividade de etanol em torno de 3.000 [Link]· 1 (MA Y et al.,
2012). Esta produtividade pode ser obtida através da produção de 50
[Link]· 1 de colmos com rendimento de 60 L de etanol por tonelada de
colmos. Estes rendimentos são influenciados pelo cultivar utilizado,
ambiente de cultivo, manejo da cultura e época de colheita.
A produtividade de etanol dos cultivares de sorgo [Link] está
associada a suas características agroindusttiais como rendimento de
colmus por hectares, umidade da biomassa, B1ix no caldo, porcentagens
de extração de caldo, fibra dos colmos, açúcares redutores totais, as
quais irão refletir em litros de etanol por tonelada de colmos
(PARRLLLA, 2011). Neste contexto, a produtividade de colmos dos
cultivares é uma característica fmtemente associada à produtividade de
etanol por hectare (MURRA Y et al., 2008; RITTER et ai., 2008), pois o
caldo rico em açúcares fermentescíveis é extraído em sua totalidade dos
colmos. Assim, quanto mais rendimento de colmos maior será a
produtividade de caldo por hectare e, consequentemente maior volume
de etanol produzido. O teor de sólidos solúveis totais no caldo (Brix)
correlaciona-se diretamente com o teor ele açúcares totais no caldo
(M URRA Y et ai., 2008), os quais são utilizados como alimentos das
levedura~ na produção de etanol , sendo desejúvel em maior grau
possível. O sorgo sacarino também produz grãos em suas panículas,
devendo ser menor possível, em virtude da competição por
Cultivares 181
fotoassimi lados para produção de açúcares solúveis nos colmos com a
produção de amido nos grãos, uma vez que o acúmulo de açúcares nos
colmos ocorre após o florescimento, coincidindo com a fase de
enchimento de grãos. Além disso, cultivares de sorgo sacarina são de
porte alto (> 3,0 m) e o excesso de grãos nas panículas, no ápice das
plantas, tendem a favorecer o acamamento, que é indesejável por
reduzir a qualidade da matéria-prima devido ao maior teor de
impurezas na colheita das plantas acamadas.
Outra característica importante é o período de utilização
industrial (PUI), que compreende a época em que o cultivar estará
apto para colheita no campo, mantendo os padrões mínimos de
produtividade e qualidade da matéria-prima, que reflitam em
rendimento de etanol viável economicamente (SCHAFFERT;
PARRELLA, 2012). O PUI é necessário para o planejamento de
colheita e processamento da matéria-prima, devendo ser o maior
possível e mínimo de 30 dias, uma vez que a possibilidade de atrasos
na colheita é comum nas usinas, devido a fatores operacionais
(manutenção da usina) ou fatore s climáticos (chuvas). Dessa forma,
cultivares com PUI inferior a 10 dias apresentam grande risco para o
setor sucroalcooleiro, pois este curto período associado aos frequentes
atrasos na colheita nas usinas resultam em produtividade abaixo da
viabilidade econômica.
Diante do exposto, foram estabelecidas as metas núnima de
produtividade e qualidade do sorgo sacarina para obter rentabilidade
com a cultura, sendo uma produtividade mínima de biomassa - 50 [Link]-1:
extração mínima de açúcar total - 80 kg r 1 biomassa (considerando a
efici ência de extração de 90-95% ); conteúdo 1nínimo de açúcm· total
no caldo - 12,5%; produção mínima de álcool - 60L r 1 de biomassa: e
período de utilização industrial (PUI) - mínimo de 30 dias.
A indústria de sementes oferece condições p~u-a o atendimento
da demanda das regiões interessadas no culti vo de sorgo sacarina e,
para o plantio ela safra de 201 3/ 14, estará disponível grande número de
cultivares oriundos ele empresas dos setores público e privado. Na
Tabela 7.3 eslão apresentados os culti vares de sorgo sacarina
di sponíveis para safra 20 13/2014.
182 ? a rrelia, Menezes, Rodrigues, Tardin, Parrella e Schaffert
Tabela 7 .3 - Principais cultivares de sorgo sacarino disponíveis para a
comercialização na safra 2013/14
Cultivar CICLO ORIGEM
BRS 511 Médio Embrapa
BRS 509 Médio Embrapa
BRS 508 Médio Embrapa
BR506 Médio Embrapa
EJ 7281 Médio Ceres
EJ 7282 Médio Ceres
CB 7520 Tardio Ceres
N31F2087 Médio Nexsteppe
N31G2174 Médio Nexsteppe
N31K2168 Tardio Nexsteppe
CV007 Médio Canavialis
CV147 Médio Canavialis
CV198 Precoce Canavialis
CV568 Médio Canavialis
Sugargraze Médio Advanta
ADV 2010 Médio Advanta
Fonte: Elaborada a partir de in formações das empresas produtoras de sementes.
Cultivares de Sorgo Biomassa
O sorgo biomassa (Figura 7.4) é um tipo mais sensível ao
fotoperíodo, poi s floresce apenas quando os dias possuem menos de
12 horas e 20 minutos (ROONEY ; A YDIN, 1999), ou seja período
entre 2 1 de março e 22 de sete mbro, na maior parte do Brasil. No
e nt anto, quando o sorgo biomassa é semeado nos meses de outubro a
deze mbro, é poca em que o fotoperíoclo é maior que 12 horas e _Q
minutos, ele apenas iniciará o desenvolvimento da gema floral a partir
dt :2 J de março do an o seguinte, ampliando o ciclo v getativo, porte
(supe.·ior a 5 m) e , concomitantemente, possibilitando maior produção
Cultivares 183
de biomassa por hectare/ciclo em comparação a cultivares insensíveis
ao fotoperíodo, que florescem em qualquer época do ano e com ciclo
curto.
Figura 7.4 - Vista panorâmica de uma lavoura de sorgo biomassa.
Atualmente, está em desenvolvimento a tecnologia para
produção de etanol lignocelulósico, também denominada tecnologia
de segunda geração de biocombustíveis. Nesse caso, a matéria-prima
(biomassa vegetal) precisa passar por hidrólises para tornar os
açúcares fermentescíveis, com vista à produção de biocombustível.
Outro foco para este tipo de sorgo é a cogeração de energia através da
queima da biomassa seca. Haja vista que a importância da
hidroelétricas no total da capacidade de geração foi reduzida de 82.2%
em 2001 para 70,8 no final de 2009, e as termelétricas aumentaran1 em
70% sua participação, passando de 14% em 2001 para 23,8% em
2009. Atualmente, cerca de 5% da matriz brasileira de geração de
energia elétrica é originária da quein1a do bagaço da cana-de-açúcar
(CONAB, 2011) em 313 usinas, as quais comercializam o excedente
de energia, sendo a agroeletricidade o mais recente e promissor
produto do agronegócio brasileiro.
Para estas novas tecnologias, têm sido desenvolvido~ híbridos
de sorgo biomassa sensíveis ao fotoperíodo, de alta produtividade,
com potencial de produzirem mais de 50 [Link]-1 de matéria seca por
ciclo (seis meses) (PARRELLA et al., 20 10). Outras vantagens para
184 Parre/la, Menezes, Rodrigues, Tardin, ?arrelia e Schaffert
utilização de híbridos de sorgo biomassa para produção de etanol
celulósico e cogeração são: cultura totalmente mecanizável
(estabelecida por sementes), com ciclo curto (ci nco a seis meses) e a
colheita é realizada durante a entressafra da cana, quando não há
matéria-prima para produção de etanol nem bagaço para co-geração,
reduzindo, assim, o período de ociosidade das usinas e termoelétricas
e gerando mais renda.
Os principais carboidratos estruturais em forragens são:
celulose, hemicelulose e lignina. Resultados obtidos na avaliação de
cultivares de sorgo biomassa têm demonstrado variação na
porcentagem de lignina de 5 a 10%, porcentagem de hemicelulose de
15 a 25% e porcentagem de celulose de 35 a 45%. A lignina pode
afetar o processo de sacarificação da biomassa em açúcares
fermentáveis (PALONEN et al., 2004; MOONEY et al., 1998) para a
produção de etanol celulósico. Dessa forma, matérias-primas com
altas porcentagens de lignina necessitam de maiores concentrações das
enzimas para o processamento da biomassa, tornando-o
economicamente inviável. Contudo, as baixas porcentagens de lignina
verificadas no sorgo a qualificam como matéria-prima promissora.
Considerando o potencial da biomassa para cogeração de
energia através da queima da biomassa, maiores valores de lignina são
desejáveis. Resultados obtidos do poder calorífico superior e inferior
da biomassa deste sorgo, em base seca, têm sido verificados em torno
de 4.300 kcal/kg de MS e 3.800 kcal/kg de MS, respectivamente. Isto
mostra o grande potencial desta maté1ia-prima na geração de energia.
Nesse caso, há a necessidade de se realizarem mais estudos
fitotécnicos e métodos de colheita para redução da umidade na
biomassa visando maximizar o poder calorífico e a geração de
energia.
Levando-se em conta os altos níveis de produtividade e a
qualidade da biomassa, bem como os aspectos fitotécnicos da cultura
como ciclo curto (seis meses), plantio, manejo e colheita mecanizados.
0 sorgo biomassa vêm se apresentanto como uma cultura promis ora
no fornecimento de matéria-prima na produção de etanol celulósico e
cogeração de energia. Por se tratar de uma cultura nova para esta
finalidade , trabalhos fitotécnicos estão em desenvolvimento, visando
esLabelccer o sistema de produção do sorgo biomassa. Dessa forma, os
primeiros cultivares de sorgo biomassa estarão disponíveis no
Cultivares 185
mercado a partir da safra 2013/2014, mas fortemente a partir da safra
2014/2015.
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544.
MANEJO DE PLANTAS
8 DANINHAS
Alexandre Ferreira da Silva1
Leonardo D 'Antonino2
Francisco Affonso Ferreira3
Lino Roberto Ferreira3
Introdução
A cultura do sorgo destaca-se no cenano nacional como
interessante alternativa de renda para vá.tios produtores, devido à sua
diversidade de uso. Atualmente, há lavouras de sorgo granífero, sacarina,
biomassa, forrageiro e vassoura sendo cultivadas em vários locais do
Territótio Nacional; porém, informações sobre o manejo da cultura são
escassas e, por isso, muitas vezes, tratadas de maneira generalista. Dentre
os tratos culturais que compõem os custos de produção, visando ao bom
desenvolvimento do sorgo, o manejo das plantas daninhas tem papel de
destaque, devido ao lento crescimento inicial da cultura e à baixa
diversidade de herbicidas registrados para uso.
O manejo das plantas daninhas não pode ser evitado pelos
produtores, pois o controle inadequado dessas plantas é um dos
principais fatores responsáveis pela queda na produtividade da cultura
do sorgo. Isso ocorre em consequência das espécies daninhas
envolvidas, do número de plantas infestantes por área, elo período de
1 Engenheiro-Agrônomo. [Link]. E-mail. [Link]@[Link]
~ Engenheiro-Agrônomo, [Link]. , Técnico de nível superior da UfoY. E-mai l: Iconurdo@[Link]
~ Engenheiro~-Agrônornos. D.~c. , e professores da Universidade Féderal de Viçosa. E-mails.
faffun su@ [Link], lrobcrtu@u [Link]
Manejo de plantas daninhas 189
competição e do estádio de desenvolvimento. Nesta cultura, as perdas
de produção devidas à interferência de plantas daninhas variam de 30
a 75 %. As plantas daninhas também podem causar outros problemas,
como: redução da qualidade dos grãos, maturação desunjforme, perdas
e dificuldades na operação da colheita, servem de hospedeiras para
pragas e doenças, além de liberarem toxinas prejudiciais ao
desenvolvimento das culturas.
Sabe-se que as plantas daninhas podem competir com a
cultura por água, luz e nutrientes e, quando não manejadas
corretamente, ocasionam perdas qualitativas e quantitativas no
rendimento final da cultura. Informações sobre a interferência da
comunidade infestante na cultura são escassas e até mesmo
inexistentes para alguns tipos de sorgo. Um dos principais gargalos no
manejo de plantas daninhas na cultura tem sido a indispornbilidade no
mercado brasileiro de herbicidas eficientes para o controle de
gramíneas, seletivos para a cultura do sorgo. Este fato faz com que
muitos produtores desistam de controlar estas espécies
Devido a este fator, a elaboração de estratégias do Manejo
Integrado de Plantas Daninhas (MIPD) é de fundamental importância
para o bom desempenho da cultura. O MIPD tem por finalidade obter
a máxima produtividade com o mínimo de risco econômico e
ambiental. O produtor deve buscar a integração dos métodos de
controle preventivo, cultural, mecânico e químico, sempre que
possível, de acordo com a sua realidade. Para a adequada elaboração
da estratégia de controle é necessário conhecer as plantas daninhas na
área, assim como a sua distribuição para, desse modo, traçar a
estratégias de controle que melhor se adequam à sua propriedade. É
importante salientar que a adoção de somente um método de controle
não resultará em sucesso no manejo da comunidade infestante em
longo prazo. É necessária a adoção integrada dos métodos de controle.
Esta integração irá contribuir para o controle mais eficiente das
plantas daninhas e, geralmente, não aumentam o custo de produção~
ao contrário, podem até mesmo reduzi-lo.
Nes te capítulo estão sintetizadas informações básicas sobre os
principais métodos de controle de plantas daninhas passíveis de serem
utili zados na cultura do sorgo, com o objetivo de subsidiar técnico e
produtores rurais na e laboração ele estrat~gias de manejo que melhor
se adequam à sua realidade.
190 Silva, D 'A11to11i110, Ferreira e Ferreira
Período Crítico de Competição das
Plantas Daninhas com a Cultura
do Sorgo
A determinação dos períodos de interferências de plantas
daninhas na cultura do sorgo é um dos componentes-chave para o
sucesso na adoção do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD).
Porém, resultados de pesquisa que abordam a interferência da
comunidade infestante no rendimento da cultura do sorgo são escassos
e, para determinados tipos de sorgo, até mesmo inexistentes.
Segundo Pitelli (1985), os períodos de interferência das
plantas daninhas na cultura podem ser assim caracterizados: Período
Total de Prevenção à Interferência (PTPI): período a partir da
semeadura ou emergência que a cultura deve permanecer livre da
interferência das plantas daninhas, para que a sua produtividade não
seja afetada quantitativa e, ou, qualitativamente.
Período Anterior à Interferência (PAI): espaço de tempo entre
a semeadura ou emergência que a cultura pode conviver com as
plantas daninhas antes que a interferência se instale de maneira
definitiva; Período Crítico de Prevenção à Inteiferência (PCPI):
intervalo de tempo que a cultura deve permanecer livre da
interferência de plantas daninhas, para que sua produtividade não seja
afetada quantitativa ou qualitativamente.
Esses períodos podem ser caracterizados por dias após a
emergência (DAE), dias após a semeadura (DAS) ou de acordo com o
estádio fenológico da cultura. A determinação do manejo da
comunidade infestante através da fenologia da cultura é algo mais
palpável para o produtor, pois a maioria dos tratos culturais é realizada
de acordo com esta característica. A utilização prática da fenologia
permite o estabelecimento de correlações entre a ocorrência de
e ve ntos fi siológicos e bioquímicos na planta com seus aspectos
morfológicos, por exemplo número e tipos de folhas, presença de
estruturas reprodutivas e frutos, oferecendo maior segurança e
precisão nas ações de manejo e de pesquisa (KOZLOWSKI, 2002).
Os trabalhos de períodos de interferência da comunidade
infestante na c ultura do sorgo, ele mane ira geral, tratam do sorgo
Manejo de plantas dcminhas 191
granífero (FREITAS et ai., 2012; RODRIGUES et ai. , 2010) e
forrageiro (ANDRES et ai., 2009). Com relação ao sorgo granífero, os
resultados encontrados por Freitas et ai. (2012) e Rodrigues et ai.
(2010) indicam que a cultura deve permanecer livre da comunjdade
infestante até os 18 DAE e 26 DAS, respectivamente. Já o controle
das plantas daninhas na cultura do sorgo forrageiro deve ser realjzado
entre a emissão da terceira e sétima folhas (ANDRES et al., 2010). Os
autores indicam que a ausência de controle da comunidade infestante
na cultura do sorgo granífero reduziu sua produtividade em taxas
variando de 33 e 52%, respectivamente. Já para o sorgo forrageiro ,
observou-se redução na produtividade de, aproximadamente, 75%.
Resultados ainda não publicados pela Embrapa Milho e Sorgo
demonstram que a ausência de controle das plantas daninhas na
cultura do sorgo sacarino reduziu a produtividade de caldo em,
aproximadamente, 53%.
É importante, contudo, salientar que a duração dos períodos
de interferência e o nível de perdas na produtividade do sorgo são
influenciados por uma sélie de fatores relacionados à cultura (espécie,
cultivar, densidade de semeadura e espaçamento entre linhas) e à
comunidade infestante (composição específica, densidade e
distribuição na área). Além disso, o grau de interferência depende.
também, da época e duração de convivência mútua entre a cultura e as
espécies infestantes, sendo modificadas pelas condições
edafoclimáticas e tratos culturais de cada local (PITELLI, 1985).
Diante deste cenário, considerando a diversidade de fatores
que influenciam o grau e os períodos de intetferência, é extremamente
importante a pesquisa nesta área para os diversos tipos de sorgo, em
diferentes condições de solo, clima e espécies daninhas, isando
caracterizar com eficiência os períodos de interferências. O
conhecimento dos danos causados pela comunidade infe tante nos
diversos ambientes pern1itirá elaborar com eficiência estratégias de
MIPD para cada tipo de sorgo.
Métodos de Controle
Alternativas de controle ela comunidade infestante que
diminuam os custos de produção, mantendo ou me lhorando a
192 Silva, D'A11to11i110, Ferreira e Ferreira
eficiência de controle, estão diretamente relacionadas ao sistema
integrado de práticas agrícolas. O MIPD deve de ser utilizado com o
objetivo de racionalizar o uso de herbicidas, do ambiente e dos custos
de produção (RIZZARDI et al., 2004). A seguir serão relatados os
métodos de controle passíveis de ser adotados na cultura do sorgo.
Controle Preventivo
Visa prevenir a entrada e o estabelecimento de plantas
daninhas em áreas por elas ainda não infestadas. Para implantar o
método de controle preventivo é necessário que algumas medidas
sejam tomadas:
• Aquisição de sementes certificadas ou fiscalizadas, com elevado
valor cultural (pureza x germinação). A legislação nacional
estabelece limites para sementes de espécies daninhas toleradas e
determina as espécies proibidas nas sementes comerciais. Essa
medida evita que novas áreas sejam contaminadas pela utilização de
sementes com propágulos de difícil controle.
• Limpar cuidadosamente máquinas e implementos agrícolas ao
transitar em áreas infestadas para áreas onde não existam tais
plantas daninhas.
• Não deixar que animais se locomovam de áreas infestadas para as
não infestadas, em especial de plantas daninhas perenes, de difícil
controle, sem que antes eles passem por um período de quarentena.
• Utilizar adubos orgânicos, com o esterco de curral, somente depois
de totalmente fermentado, o que na média pode demorar em torno
de três meses.
• Interromper o ciclo reprodutivo de plantas infestantes em cercas,
pátios, estradas, terraços, canais ~e irrigação ou em qualquer outro
lugar da propriedade_, para evitar que produzam sementes e
repovoem as áreas cultivadas.
...
Manejo de plantas daninhas 193
Controle Cultural
Consiste em usar características da cultura e do meio ambiente
que aumentem a capacidade competitiva das plantas de sorgo,
favorecendo seu crescimento e desenvolvimento em detrimento das
plantas daninhas. Entre as medidas culturais adotadas, podem-se citar:
o uso de cultivares adaptados à região, espaçamento da cultura,
densidade de semeadura, época de semeadura, uso de cobertura morta,
rotação de culturas e adubação balanceada.
Uso de cultivares adaptados
Cultivares que desenvolvem mais rapidamente e cobrem o
solo de maneira mais intensa tendem a reduzir a interferência da
comunidade infestante, devido ao sombreamento mais rápido do solo
e das plantas daninhas. Dessa forma, o produtor deve optar pela
semeadura de cultivares adaptados à sua região, capazes de mostrar
resistência ou tolerância às principais pragas e doenças
predominantes, além de apresentar boa produtividade. Uma lista
completa de cultivares recomendados encontra-se no Capítulo 7.
Arranjo de plantas
A escolha do atTanjo de plantas (densidade de semeadura +
espaçamento entre linhas) é fundamental para que a cultura possa
expressar todo o seu potencial produtivo. Ao escolher o melhor
arranjo de semeadura devem-se levar em consideração alguns fatores,
como: disponibilidade hídrica, nível de fertilidade do solo, cultivar e
época de semeadura.
O incremento na densidade populacional é uma forma de
aumentar a interceptação da radiação solar pela cultura, prejudicando,
dessa forma, o desenvolvimento da comunidade infestante. No
entanto, o uso ele altas populações pode favorecer o aumento da
competição [Link]ífica, por água, luz e nutrientes, reduzindo o
potencial produtivo da cultura, além ocasionar o acamamento das
plantas, afetando negativamente a eficiência na colheita e,
consequentemente, o rendimento da cultura. A densidade de
........ __
194 Si/1 u, D 'A11to11i11u, Ferreira e Ferreira
1
semeadura recomendada varia de acordo com o tipo de sorgo e
cultivar utilizado. Como exemplos, a população final de sorgo
granífero deve ficar entre 180 e 220 mjl plantas ha- 1; já a população de
1
sorgo corte e pastejo pode variar de 400 a 500 mil plantas ha- • O
produtor deve sempre tentar trabalhar com a densidade de semeadura
recomendada pela empresa sementeira, variando a população segundo
as especificidades de cada local. Mais detalhes sobre este tópico
podem ser consultados no Capítulo 5.
Mantendo a densidade de semeadura fixa, a redução no
espaçamento entre linhas proporciona melhor distribuição das plantas na
linha de plantio, aumenta a distância entre plantas na linha de semeadura.
Proporciona ainda um atTanjo mais equidistante dos indivíduos nas áreas
de cultivo, contribuindo, dessa f01ma, pai·a melhor interceptação da
radiação solar, favorecendo o desenvolvimento da cultura em detrimento
das plantas daninhas. A utilização de espaçamentos menores, além de
favorecer o controle de plantas daninhas, em virtude da limitação da
radiação solar nos estratos inferiores do dossel, pode também reduzir a
quantidade de água perdid.1 por evaporação. Em razão do rápido
sombreamento do solo e da melhor distribuição do sistema radicular,
devido ao arranjo mais equidistante, há maior favorecimento de absorção
de água e nutrientes pela cultura.
Em muitas situações a escolha dos espaçamentos entre linhas
na cultura do sorgo é definida de acordo com a disponibilidade dos
equipamentos utilizados na cultura principal. Diante deste cenário,
muitos produtores de sorgo sacai·ino têm adotado a semeadura da
cultura em linhas duplas (p. e.x. lx 0,65 m) e triplas (p. ex. lx 0,5 x
0,5 1n), visando empregar as colheitadeiras de cana-de-açúcar no
processo de colheita do sorgo. Ao usar o espaçamento de linhas duplas
ou triplas, as das extremidades serão mais expostas à inteiferência das
plantas daninhas, devendo o produtor ficar atento a este detalhe.
Devido à menor cobertura do solo proporcionada por estes
espaçamentos, não é aconselhável sua adoção em áreas com média a
alta incidência de plantas daninhas.
Rotação de cu lturas
A rotação de culturas quebra o ciclo de vida das espécies
daninhas, impedindo o seu domínio. Quando são aplicadas as mes mas
\
Manejo de plantas daninhas 195
~ técnicas culturais seguidamente, ano após ano, na mesma área, a
interferência de determinadas plantas daninhas tende a aumentar
muito. Quando o principal objetivo é o controle das plantas
infestantes, a escolha da cultura para a rotação deve recair sobre
plantas com hábito de crescimento e características culturais
contrastantes. A rotação de culturas permite a utilização de diferentes
herbicidas com vários mecanismos de ação na mesma área de cultivo,
dificultando, dessa forma, a perpetuação de espécies daninhas e o
aparecimento de biótipos resistentes.
Devido ao fato de os herbicidas registrados para a cultura do
sorgo possuírem baixa eficiência no controle de gramíneas,
recomenda-se a rotação com culturas que permitam a utilização de
herbicidas de ação graminicida, a fim de reduzir o banco de sementes
dessas plantas nas áreas de cultivo da cultura.
Epoca de semeadura
O sorgo é uma planta sensível ao fotoperiodismo, ou seja, o
seu desenvolvimento vai depender da duração dos períodos de luz e
escuro, caracterizando-se por ser uma planta de dias curtos, ou seja,
floresce em noites longas; porém o fotope1íodo crítico varia entre os
materiais genéticos. Atualmente, os materiais comerciais de sorgo
granífero, em sua maioria, foram melhorados geneticamente, visando
à insensibilidade ao fotoperíodo. Já os genótipos de sorgo fonageiro
são sensíveis ao fotoperíodo (MAGALHÃES; DURÃES, 2003). Ao
ser plantado um material sensível ao fotoperíodo na época mais tardia
da safrinha (plantio de inverno), a cultura tende a crescer menos,
favorecendo o aumento da interferência de plantas daninhas.
De acordo com Magalhães e Durães (2003 ). o sorgo é uma
planta sensível a baixas temperaturas noturnas. A temperatura ótima
para o crescimento é em torno de 33-34 ºC. Acima de 38 ºC e abaixo
de 16 ºC, a produtividade decresce. Baixas temperaturas (< 10 ºC)
reduzem a área foliar, o perfilhamento, a altura e o acúmulo de matéria
seca, afetando consequentemente a capacidade competitiva da cultura
com relação às plantas daninhas. Portanto, é importante que o
produtor conheça o comportamento do material de sorgo que ele irá
semear com relação à sensibilidade ao fotoperíodo e acerca da
possibilidade da ocorrência de baixas temperaturas durante o ciclo da
196 Silva, D 'Antonino, Ferreira e Ferreira
cultura, para que dessa forma ele possa pos1c10nar corretamente o
plantio do cultivar.
Cobertura morta
Devido a escassez de herbicidas registrados para a cultura do
sorgo, a adoção do sistema de semeadura direta ou cultivo mínimo
surge como feITamenta interessante no manejo das plantas daninhas.
A manutenção dos restos culturais (cobertura morta) sobre a superfície
do solo pode impedir ou prejudicar a emergência de determinadas
espécies daninhas que apresentam pequenas quantidades de reserva, a
qual , às vezes, não é suficiente para que a plântula ultrapasse a
cobertura morta em busca de luz. Além desse fator, a palhada pode
interceptar a radiação solar, impedindo sua chegada à superfície do
solo, o que ocasiona efeito negativo sobre as sementes de espécies
danjnhas fotoblásticas positivas. Outro aspecto importante da palhada
é a liberação de substâncias alelopáticas, que podem afetar
negativamente a germinação e o desenvolvimento da comunidade
infestante, além de favorecer o crescimento populacional de
determinados insetos e fungos, hospedeiros e predadores de plantas
daninhas.
Adubação balanceada
A adubação, quando realizada de acordo com a necessidade da
cultura, contribui para o seu bom desenvolvimento, favorecendo,
dessa forma, a rápida cobertura do solo, reduzindo a incidência
luminosa na entre linha da cultura, prejudicando o desenvolvimento da
comunidade infestante.
Controle Mecânico
o controle mecânico consiste em eliminar as plantas daninhas
por efeito físico-mecânico, por meio ela capina manual e, ou, cultivo
mecânico.
Manejo de plantas daninhas 197
A capina manual é um método-controle amplamente adotado
em pequenas propriedades de origem familiar. Geralmente, na cultura
do sorgo os produtores têm realizado em média duas a três capinas,
dependendo do nível de infestação, durante os primeiros 40 a 50 dias
da lavoura, período necessário para o fechamento do dossel da cultura
(RIZZARDI et al., 2004). Os produtores, ao adotarem a capina
manual, devem tomar cuidado, principalmente no início do
desenvolvimento da cultura, para evitar danos às plantas de sorgo, que
poderão acarretar redução do estande da cultura. A capina deve ser
realizada, preferencialmente, em dias quentes e em condição de solo
seco.
O cultivo mecânico geralmente é feito com cultivadores tipo
bico-de-pato, tracionado por animal ou trator. Esse método de controle
apresenta algumas limitações de uso, como: baixa eficiência de controle
quando realizado em dias chuvosos (solos úmidos), devendo, portanto,
ser feito em condições de solo com pouca umidade; ineficiente no
controle de plantas daninhas que se propagam vegetativamente; e
dificuldade de controle das plantas daninhas na linha da cultura.
Recomenda-se que o controle seja realizado quando as plantas daninhas
estiverem na fase jovem (2-4 pares de folhas). Na fase adulta, estas
plantas já contam com um sistema radicular desenvolvido, o que exige
que o cultivo seja feito em maior profundidade, resultando maior
movimentação de solo e, consequentemente, maior probabilidade de dano
no sistema radicular do sorgo.
Controle químico
O controle químico consiste no uso de produto , de ação
herbicida, registrados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento(MAPA). É o método de controle mais utilizado, por
proporcionar vantagens como: menor depe ndência de mão de obra;
não causa danos ao sistema radicular da cultura; apre enta controle
eficiente ele plantas daninhas em solo úmido; e controla as plantas
daninhas da linha de semeadura. Porém, é necessário que o produtor
compreenda que o controle químico deve de er utilizado como um
método de controle complementar e não como única alternativa de
manejo das plantm' daninhas.
198 Silva, D 'Antonino, Ferreira e Ferreira
Epocas e métodos de aplicação de herbicidas
Os herbicidas registrados para uso na cultura do sorgo podem
ser agrupados segundo a época e os métodos de aplicação.
* Pré-sen1eadura: aplicação realizada para a implantação do sistema
de plantio direto ou cultivo mínimo. Na pré-semeadura são
eliminadas as plantas daninhas e, ou, a cobertura verde, antes da
semeadura do sorgo. É uma operação-chave, pois substitui
operações de preparo do solo na eliminação de espécies daninhas,
além de formação de cobertura morta. Normalmente, esse tipo de
aplicação é chamado de dessecação, pois nesta fase são empregados
herbicidas não seletivos de ação total.
* Pré-emergência: a aplicação é feita logo após a semeadura e antes
da emergência das plantas daninhas e do sorgo. Neste método, para
boa performance dos herbicidas, é importante que o solo esteja
úmido ou que ocorram chuvas para incorporação do herbicida na
camada superficial do solo, onde germinam a maioria das sementes
de plantas daninhas.
* Pós-emergência: a aplicação é feita após a emergência da cultura e
das plantas daninhas. Os herbicidas utilizados em pós-emergência
devem ser aplicados quando as plantas daninhas encontram-se no
estádio inicial de desenvolvimento, pois, nessa fase, elas ainda não
estão competindo com a cultura do sorgo e são mais facilmente
controladas.
Principais herbicidas registrados para uso na cultura
do sorgo
A tolerância de uma espécie vegetal a um herbicida está
relacionada à capacidade diferencial de absorver, translocar,
metabolizar e, ou, exsudar para o ambiente o produto. Além disso.
outros fatores corno estágio de desenvolvimento, condições climáticas
antes da apli cação, durante e logo após afetam a tolerância das
culturas e plantas daninhas aos herbicidas (CHRISTOFFOLETI et al..
2008).
Man ejo de plantas daninhas 199
No Brasil , somente o herbicida atrazine possui produtos
comerciais registrados para uso na cuJtura do sorgo (MAPA, 2013).
Este herbicida se caracteriza por ser um inibidor do fotosistema II,
podendo, portanto, ser utilizado tanto em pré quanto em pós-
emergência das plantas daninhas e da cultura, dependendo do registro
do produto comercial (Tabela 8.1). Ao ser aplicado em pré-
emergência, o herbicida é absorvido pelo sistema radicular e
translocado pelo xilema, até as folhas, onde provoca a inibição da
fotossíntese, cujos sintomas se manifestam através de clor9se, necrose
e morte das plantas infestantes. Quando aplicado em pós-emergência,
o produto é absorvido pelas folhas, onde penetra rapidamente,
movimentando-se pelo xilema. Nas aplicações em pós-emergência
tem se misturado atrazine a óleo mineral , na razão de 1 a 2%.
diminuindo a dose aplicada. O herbicida atrazine é indicado
principalmente no controle de folhas largas, apresentando baixo
espectro de controle sobre gramíneas.
Tabela 8.1 - Produtos comerciais registrados para uso na cultura do
sorgo
Produto comercial (p.c.) Modalidade de uso
Atranex WG Pós 2 2a 3
4
Atrazina Agro Import 2a 3
Atrazina Nortox 500 SC Pré 3 a 6,5
Coyote WG Pós 2 2a3
Gesaprim GrDa Pré 3 & Pós 2a3
Gesaprim Ciba-Geigy Pré 3 & Pós 4a 5
2
Herbitrin 500 BR Pós 4a 5
-1
Megatraz 4n5
1
Proof Pré· & Pós 4a5
1
Verificar recomendações ele uso na bula do produto; - adição de óko vegetal parn melhor
controle elas espéc ies gramíneas; 3 o produto não deve ck ser aplicado na pré-emergencia da
cultura do sorgo em solos de textura arenosa: e ~ produto ainda não carm:terizado pelo MAPA
quanto umodalidade de uso.
Fonte: MAPA, 201 3.
200 Silva, D 'A111011ino, Ferreira e Ferreira
Em virtude elo baixo espectro de controle do atrazine sobre
gramíneas, é comum encontrar lavouras de sorgo completamente
infestadas por esse grupo de plantas, mesmo após a aplicação do
herbicida em pré e, ou, pós-emergência (Figura 8.1 ). A adição de óleo
vegetal ou [Link] à calda herbicida, melhora a eficiência de controle
sobre essas espécies quando aplicado em pós-emergência inicial, antes
do perfilhamento das gramíneas. Todavia, deve-se verificar na bula do
herbicida se há essa recomendação, caso não exista, não é indicado
realizar a [Link] por conta própria, pois esta pode potencializar o
efeito do herbicida, causando intoxicação à cultura. A falta de
herbicidas graminicidas seletivos à cultura do sorgo é hoje um dos
principais entraves para o aumento da área de plantio no Brasil. Diante
deste cenário, algumas estratégias de manejo de plantas daninhas
devem de ser elaboradas visando diminuir a pressão deste grupo de
plantas sobre a cultura. Dentre as medidas-controle passíveis de serem
adotadas, o manejo da comunidade infestante na pré-semeadura têm
papel de destaque, por permitir que a cultura inicie o seu
desenvolvimento livre da inte1ferência das plantas [Link].
Figura 8.1 - Lavouras de sorgo sacarino e granífero infestadas por
gramíneas, mesmo após a aplicação de atrazine em (a)
pré e (b) pós-emergência.
Manejo de plantas daninhas na pré-semeadura
Deve-se conhecer a inc idê nc ia de plantas daninhas em suas
tfreas, para plnnejar a estratégia ele manejo a ser adotada em sua
Man ejo de plantas daninhas 201
propriedade. Existem muitas estratégias passíveis de serem adotadas,
antes da implantação da cultura. Dentre elas, destacam-se:
* Escolha da área: deve-se optar pela semeadura do sorgo em locais
com baixa infestação de plantas daninhas, principalmente de
gramíneas. Visando manter baixa a incidência dessas espécies, a
rotação com culturas que permitam a utilização de herbicidas
eficientes no controle dessas plantas e possuam hábitos de
crescimento contrastantes é uma ferramenta fundamental para
reduzir o banco de sementes das espécies-problema.
* Preparo do solo (aração e gradagem): esta prática eErnina,
momentaneamente, as plantas daninhas estabelecidas e toma o solo
propício para a semeadura da cultura e utilização do herbicida em
pré-emergência. Entretanto, esta atividade fica restrita aos
produtores que adotam o sistema de plantio convencional, devendo
ser utilizado com ressalvas, devido aos aspectos negativos sobre a
conservação de solo. O produtor deve ficar atento às espécies de
plantas daninhas de sua área, pois o preparo convencional do solo
pode favorecer a propagação de plantas que se multiplicam
vegetativamente.
* Preparo antecipado do solo: o revolvimento do solo induz a
germinação das plantas daninhas, favorecendo, dessa forma, o
controle das infestantes através do controle mecânico ou uso de
herbicidas de amplo espectro de ação. No entanto, esta prática toma-
se restrita aos produtores que adotam o sistema de plantio
convencional, além de representar aumento no custo de produção,
devido à realização de mais uma operação no controle das planta
daninhas.
* Cobertura morta: a utilização de plantas de cobertura, conforme
mencionado anteriormente, pode auxiliar no controle de alguma
espécies de difícil controle, devido ao efeito mecânico da palha,
atrasando ou inibindo a germinação e, ou, emergência das plantas
daninhas, além da liberação de compostos alelopáticos prej udiciais
ao desenvolvimento das plantas daninhas.
* Dcssccação: é uma operação-chave para os produtore qu adotam 0
sistema de semeadura direta ou culti o núnimo. Porém, esta
atividade deve de ser realizada de forma criteriosa, para que possa
expressar todos os seus benefícios. Na prática tem-se observado a
202 Silva, D 'Antonino, Ferreira e Ferreira
utilização do glyphosate, normalmente, associado a outros
herbicidas como 2,4-0, carfentrazone-ethyl, flumioxazin, etc. Deve-
se ter atenção a este tópico, pois a adição de herbicidas com efeito
residual no solo nesta etapa pode comprometer o desenvolvimento
da lavoura. Apesar do 2,4-D ser comumente associado ao
glyphosate na operação de dessecação, recomenda-se cautela na sua
utilização, quando da semeadura do sorgo, pois alguns cultivares
podem ser susceptíveis a este herbicida. O intervalo entre a
aplicação deste ingrediente ativo e a semeadura da cultura irá variar
de acordo com a susceptibilidade do cultivar ao herbicida, da dose
utilizada e das condições edafoclimáticas.
Efeito residual de herbicidas no solo (Carryover)
É comum observar lavouras de sorgo com sintomas de
intoxicação por herbicidas e muitos produtores desconhecerem o
motivo de suas lavouras apresentarem tais sintomas, tendo em vista
que não aplicaram nenhum produto ou fizeram uso somente dos
herbicidas registrados nas doses recomendadas. Este fato, muitas
vezes, pode ser atribuído à sensibilidade da cultura do sorgo ao efeito
residual do(s) herbicida(s) utilizado(s) na cultura anterior. Por isso, é
necessário o correto planejamento do cultivo nas áreas, conhecendo o
histórico da utilização de herbicidas em cada um dos talhões,
respeitando o intervalo de segurança dos herbicidas anteriormente
usados.
O efeito residual (carryover) pode ser compreendido como a
habilidade de um herbicida de reter a integridade de sua molécula e,
consequenten1ente, suas características físicas, químicas e funcionais
no ambiente (OLIVEIRA Jr., 2001). A situação ideal é de que o
controle com o efeito residual se estenda até o fechan1ento do dossel
da cultura, pois as plantas daninhas que emergirem a partir deste
estágio tenden1 a não causar danos à lavoura. De maneira geral, pode-
se dizer que o potencial de carryover depende do herbicida e da dose
utilizada, da cultura semeada em sucessão, das características físico-
químicas do solo e das condições climáticas após a aplicação. Solos de
textura argilosa e, ou, com altos teores ele matéria orgânica tendem a
apresentar maior efei~o resi~lt~al do que solos de textura arenosa e, ou,
com baixo teor matéria orgamca (ROCHA, 20 l l ), devendo o produtor
Manejo de plantas daninhas 203
ficar atento a esses detalhes para escolha do herbicida e dose, de,
forma a não comprometer o rendimento da cultura plantada em
sucessão. Atenção também deve ser dada ao teor de umidade do solo
após a aplicação do herbicida, pois a falta de umidade faz com que o
herbicida seja rapidamente adsorvido ao solo ficando indisponível a
sua absorção pelas plantas. Com o aumento da umidade no solo, o
herbicida pode ser liberado posteriormente, prolongando-se o efeito
residual do produto.
O aumento do cultivo de sorgo granífero no período de
safrinha após o cultivo da soja faz com que os riscos do aparecimento
de canyover dos herbicidas residuais utilizados nessa cultura sejam
maiores como: imazaquin, imazapyr, imazethapyr, trifluralin,
sulfentrazone etc. Dependendo das condições, estes herbicidas podem
apresentar longo efeito residual no solo e, consequentemente, afetar
negativamente o desenvolvimento das lavouras de sorgo semeadas em
sucessão. Por outro lado, há ampla gama de herbicidas passíveis de
serem utilizados em várias culturas que também podem apresentar
efeito residual prolongado no solo e comprometer o rendimento final
de sorgo, quando este é semeado em sucessão. Diante deste cenário, o
produtor deve ficar atento a este detalhe e planejar adequadamente o
manejo de plantas daninhas dentro do seu sistema de produção.
Perspectiva para o controle químico de gramíneas
em lavouras de sorgo no Brasil
Uma alternativa para o controle químico das plantas daninhas
gramíneas nas lavouras de sorgo em diversos países do mundo, ma
que ainda não se encontra disponível no mercado brasileiro, con ' i te
no tratamento das sementes de sorgo com protetores químico , ou
antídotos, também conhecidos como safeners. Estes agroquí[Link], de
maneira geral, exibem elevado grau de especificidade botânica e
química, protegendo, mas não revertendo às injúrias e, ou, dano.
causados pelos herbicidas as culturas.
Os safeners podem ser utilizados de várias maneira , ·endo as
mais usuais no tratamento de se mentes ou em misturas com os
herbicidas, como componentes de suas formul ações, p é.U :.l serem
aplicados no solo ou e m pós-emergência (OLIYElRA Jr.;
204 Sil va, D 'Antonino, Ferreira e Ferreira
CONSTANTIN, 2001). No entanto, a escolha do método de aplicação
depende do modo de ação do herbicida, ela substância química, da
cultura onde a mi stura será aplicada e também da planta daninha a ser
controlada, já que os mecanismos de ação destes agentes são pontuais
e específicos (GALON et ai., 2011). Geralmente, os safeners
consistem em protetores ele sementes.
O tratamento de sementes de sorgo com os safeners
anidronafttálico, cyometrinil, fluxofenim, flurazoli ou oxabetrinil
proveu tolerância da cultura a determinados herbicidas que
apresentam ação graminicida (GALON et al., 2011 ). Os mecanismos
de ação desses protetores estão relacionados à redução na absorção e,
ou, translocação, metabolização e competição com o local de ação dos
herbicidas. Silva (2007) observou que o safener fluxofenim
proporcionou tolerância da cultura do sorgo ao herbicida s-
metolachlor, nas doses 1.440 e 2.880 g i.a. ha-1, sendo os melhores
resultados observados na dose mais baixa. Segundo o autor, aos 30
dias após a aplicação do herbicida as plantas de sorgo tratadas com
fluxofenim apresentaram O e 7% de intoxicação. Já as sementes não
tratadas mostram 28 e 78% de intoxicação, na menor e na maior dose
do herbicida, respectivamente. A dose registrada do s-metolachlor para
uso na cultura do milho varia de 1.200 a 1.680 g i.a. ha-1 (MAPA,
2013).
O s-metolachlor é um herbicida pré-emergente indicado no
controle de plantas infestantes nas culturas da soja, milho, feijão,
algodão e cana-de-açúcar (RODRIGUES; ALMEIDA, 2005). O efeito
tóxico desse grupo de herbicidas pode ser observado após a
germinação d as plântulas, caracterizando-se pela não abertura do
coleóptilo e pelo enrugamento das folhas definitivas, causado pelo
me nor crescimento da nervura central em relação ao crescimento do
limbo foliar (KARAM, 2003). Esse herbicida não se encontra
registrado para uso em sorgo, devido à toxidez que causa à cultura.
Contudo, o uso do protetor de sementes constitui interessante
ferrame nta no manejo de plantas daninhas na cultura do sorgo.
De ve ser salie ntado que o desempenho dos protetores de
seme ntes pode ser influenc iado por fatores ambie ntais, por exemplo
temperatura, umidade, textura e est~·utura do solo, be m como pela sua
dosagem de utili zação. Dessa m~neffa: antes de re_gistrar o produto, os
fabrica ntes deverão obter o maio r numero poss1vel de informações
Manejo de plantas daninhas 205
sobre comportamento de cada molécula protetora, nas mais di versas
condições de cultivo, a fim de ajustar as doses e demais
recomendações de uso na cultura do sorgo.
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Estadual Paulista, Botucatu, SP, 2007.
j
MANEJO DE PRAGAS
9
Simone Martins Mendes1
José Magid Waquil 2
Paulo Afonso Viana 3
Marco Aurélio Guerra Pimenter'
A cultura do sorgo tem apresentado grande expansão no
Brasil. Estima-se que o sorgo granífero no país tenha alcançado 900
mil ha na safra de 2012/2013 (IBGE, 2013). Embora não existam
estatísticas oficiais, muito tem se especulado sobre o aumento da área
plantada com o sorgo f01Tageiro e o potencial que representa o sorgo
sacarino na produção de biomassa (bioenergia) para a matriz
energética do país. Esse crescimento pode ser at:Iibuído ao potencial
de produção de grãos e forragem, sobretudo em condições de estres es
ambientais, onde outras plantas como o milho poderiam não expressar
seu potencial de produtividade. Adicionalmente, o sorgo apresenta-se
como importante cultura importante no sistema de rotação e na
produção de palhada no sistema de plantio direto e dado o seu denso e
dinâmico sistema radicular é capaz de descompactar o solo e reciclar
os nutrientes nas diferentes camadas do olo (LANDAU;
GUIMARÃES, 2010).
1
Engenheira-Agrônoma, MJ.S., OS e Pesquisadora da Embrap:i Milho e Sorgo. E-mail:
~i [Link]@[Link]
2
Engenheiro-Agrônomo, M.S., Ph.D. e Pesquisauor RlT-DA - E-mail: jmwaquil @gmail.l.'.um
3
Engenheiro-Agrônomo, M.S., Ph.D. e Pesquisador da Embrapa Milho~ Sorgu. - E-mail:
[Link]@[Link]
4
Engenheiro-Agrônomo, M.S., Doutor e Pesquisacltw [Link] Embrapa Milho e Sorgo. E-mail :
[Link] mentcl @[Link]
208 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
A ocorrência de insetos-praga é um dos fatores de prejuízos na
cultura do sorgo, seja qual for sua exploração. É fundamental que o
produtor, ao monitorar sua lavoura contra a incidência desses insetos,
saiba reconhecer aqueles que são fitófagos e têm potencial de causar
prejuízos e os que são benéficos e contribuem para o controle
biológico. Um aspecto primordial é identificar o tipo e a finalidade do
cultivo de sorgo, ou seja, destina-se à produção de grãos, forragem ou
matéria-prima para bioenergia. Nesse aspecto, salienta-se que o porte
da cultura apresenta grande variação de acordo com a aptidão. O nível
de dano (ND) para uma mesma espécie de inseto-praga também varia.
A suscetibilidade dos diferentes estádios de desenvolvimento
da cultura também aponta para as possíveis espécies de insetos-praga,
dentro de cada fase de desenvolvimento, bem como o tipo cultivado.
Assim, os insetos-praga que causam prejuízos para essa cultura podem
ser divididos em quatro grandes grupos:
Grupo de pragas iniciais - formado pelos insetos que atacam
sementes, sistema radicular e plântulas.
Grupo de pragas da fase vegetativa - inclui as pragas de
colmo e folhas.
Grupo de pragas da fase reprodutiva - inclui as pragas que
atacam as panículas.
Grupo de pragas de grãos armazenados - inclui as pragas que
podem iniciar seu ataque no campo e causarem maiores danos durante
o armazenamento.
Grupo de Pragas Iniciais
Ataca Sementes, Raízes e Plântulas
Os insetos-praga que atacam a parte subterrânea das plantas
são normalmente mais difíceis de ser observados. Entretanto, os danos
causados por estas pragas contribuem para a redução da
produtividade, sobretudo pela redução do estande. As principais
espécies de insetos-p1_-aga que pode~n danificar sementes e plantas
jovens de sorgo, reduzmclo a populaçao de plantas no campo são:
Manejo de pragas 209
l . Cupins subterrâneos - Heteroterrnes, Synterrnes e Proconitermes
(lsoptera: Termi tidae) - São insetos sociais que, pela forma áptera,
têm hábitos subterrâneos. Os alados, produzidos para revoadas e
reprodução logo após as primeiras chuvas da primavera, são
conhecidos como aleluias. Os insetos alimentam-se de celulose, que
é digerida por protozoários que vivem em simbiose no tubo
digestivo. Podem atacar as sementes, o sistema radicular e mesmo
cortar folhas como as fonnigas cortadeiras. Restos culturais de
gramíneas geralmente são ótimo meio de cultura para esses insetos
que também têm papel importante na reciclagem da matéria
orgânica. Esses insetos podem ser detectadas na área através de
vistorias em restos culturais ou podem ser usados como iscas o
sabugo de milho, pedaços de papelão enrolados ou mesmo rolo de
papel higiênico, distribuídos na superfície do solo. O exame dessas
iscas revelará a presença desse grupo de insetos, indicando assim a
necessidade de medidas de controle.
2. Larva-arame: Verdadeira e falsa, respectivamente, Conoderus spp.
(Coleoptera: Elateridae) e várias espécies de tenebrionídeos
(Coleoptera: Tenebrionidae). - A larva-arame é a forma imatura de
várias espécies de besouros. Tem o corpo alongado e se movimenta
agilmente no solo. As larvas possuem o corpo rígido, brilhante e
delgado, sendo achatado na larva-arame verdadeira e ci líndrico na
falsa. A coloração varia de amarelo-leitoso (verdadeira) (Figura 9.1)
a maITom (falsa). Os danos causados são principalmente devido à
destruição das sementes e, em menor escala, em razão do ataque ao
sistema radicular na fase de plântula. O estabelecimento da
população de plantas e seu vigor são reduzidos.
3. Larva-angorá - Astylus variegatus (Germar) - Os adultos, com
aproximadamente oito milímetros de comprimento, apresentmn
élitros de coloração amarela e com cinco manchas negra .
Geralmente, se alimentam de pólen e néctar, e as fê meas fazem a
postura no solo. As larvas se alimentam do embrião das sementes
causando falhas na c ultura. Logo após a eclosão, as larvas são de
coloração alaranjada e quando completame nte desenvol ida ,
tornam-se c inza-escuras, podendo atingir até 14 mm de
comprimento. O tegumento da larva é abundantemente coberto por
pelos, o que lhe confere també m o nome comum ele ··peludinha"
(Figura 9.2).
210 Mendes, Woquil, Viana e Pi111e11te/
Figura 9.1 - Larva-arame ( Conoderus scalaris) .
Fonte: PAULO A. VlANA.
Figura 9.2 - Larva Angorá (Astylus variegatus).
Fo111e : PAULO A. VI ANA.
4 . Bicho-bolo, pão-de-galinha ou Conls - São formas imaturas de
besouros de várias espéci es dos gêneros Phyllophaga.
··-----
Manejo de pragas 2 1I
Cyclocephala, Diloboderus, Eutheola, Dyscinetus e Stenocrates -
Os adultos tê m comprimento variável de 15 a 25 mm e, de acordo
com a espécie, a coloração varia de marrom-brilhante a pardo-
escura. Esses beso uros são abundantes nos meses de outubro e
novembro e facilmente percebidos à noite, devido à atração pela
luz, acumulando-se próximos aos postes de iluminação. As fêmeas
põem seus ovos no solo, e, após uma semana, eclodem as larvas,
que se alimentam de todo tipo de matéria orgânica do solo, viva ou
em processo de decomposição. Dependendo da espécie, podem se
alimentar do sistema radicular de plantas causando perdas
expressivas. As larvas das diferentes espécies são bastante
semelhantes entre si e apresentam o formato de um "C", podendo
atingir até 50 mm de comprimento (Figura 9.3). São pouco ati vas e
têm coloração branco-leitosa com as extremidades escuras.
Dependendo da espécie, o ciclo de vida pode durar um, dois ou
mais anos para ser completado. Os danos causados pelo bicho-bolo
são resultados da alimentação das larvas no sistema radicular que
pode provocar a morte de pequenas plantas, reduzindo a população.
Figura 9.3 - Bicho-bolo, pão-de-galinha ou corós.
Fonte: CHARLES MARTINS DE OLIVEIRA.
5. Lagarta-elasmo - Elas111opalpus lignosellus (Zeller) - Esta e ' pé ie
ataca as plântulas logo após a emergencia, sendo o período de
susceptibilidacle relativamente curto, ele duas a três semanas. Os
adultos (Figura 9.4b) são pequenas mariposas de háhit0s rasteiros e
estão sempre pousados no solo. onde geralmente colocam seus ovos.
212 Mendes, Waq11i/, Viana e Pimentel
Os sintomas da infestação caracterizam-se, inicialmente, pela murcha
e, posteriormente, pela morte das folhas centrais, permanecendo as
folhas mais velhas verdes (sintoma denominado coração morto).
Solto no solo ou ligado a esse orifício, pode ser encontrado um
casulo, tecido pela lagarta com fios e detritos, onde ela se protege.
Rompendo-se o casulo, pode-se observar pequena lagarta verde-
avermelhada de até 17 mm de comprimento (Figura 9.4a). A
incidência da lagarta-elasmo dá-se principalmente em período de
estiagem, em culturas semeadas em solos leves e soltos. Os danos
(Figura 9.4c) denominados coração morto, causados por essa espécie
da lagarta, podem ser reduzidos pelo suprimento de água, na fase
injcial do desenvolvimento larval , já as lagartas mai s desenvolvidas
são menos sensíveis a maior umidade do solo. Sendo um inseto
saprófita facultativo, seus danos são reduzidos em áreas de plantio
direto quando comparado com o plantio convencional ou em que
foram queimadas. O prejuízo é causado pelo grande número de
falhas no campo.
Figura 9.4 - Lagarta-elasmo (Elasnzopalpus lignosellus) - A) larva: B)
adulto; e C) dano "coração morto" em sorgo.
Fon te: PAULO A. VIANA .
6. Lagarta-rosca - Agrutis ipsi/011 (Hufnage l) - Os adultos, com 35 a
50 mm de e nve rgad ura, são mariposas de coloração cinza no corpo
Manejo de pragas 213
e nas asas anteri ores. As fêmeas, após o acasalamento, preferem
colocar seu ovo globular, isolado, no solo úrrúdo ou em partes de
plantas jovens, representadas por tigueras e plantas daninhas. Uma
fêmea pode por até 1.000 ovos durante sua semana de vida
reproduti va. A larva apresenta coloração café e com faixa mais
clara na região dorsal. Quando desenvolvida, pode ter 45 mm de
comprimento, leva ndo de 20 a 40 di as para completar seu ciclo.
Neste estagio, a larva apresenta co loração cinza-escuro brilhante,
com uma linha dorsal cinza-claro e tubérculos negros em cada
segmento. As larvas alimentam-se inicialmente de fol has próximas
ao solo e, a partir do terceiro ínstar, passam a cortar plantas de
várias espécies (polífaga) na região do coleto. Os danos são
causados pelas larvas que cortam as plantas no nível do solo para se
alimentarem. São pragas típicas de regiões altas, acima de 1.000 m,
e de solos com maiores níveis de matéria orgânica e de unidade.
Contudo, para o sorgo, pode ser considerada praga secundária.
Entre os métodos culturais, recomendam-se a limpeza e preparação
do solo alguns dias antes da semeadura. No caso do plantio direto,
deve-se roçar ou dessecar a área alguns dias antes.
Grupo de Pragas da Parte Vegetativa
Lagartas desfolhadoras
Embora várias espécies de insetos alimentam-se das folhas do
sorgo, apenas duas causam, regularmente, perdas significativas de área
foliar. A lagarta-do-cartucho do rrúlho prefere atacar as folhas mais
novas, enquanto o curuquerê-dos-capinzais inicia seu ataque pela
folhas mais velhas.
1 - Lagarta-do-cartucho - Spodoptera frugiperda (J. E. Smith)
(Lepidoptera: Noctuidae) - Os adultos da lagmta-do-cartucho são
mariposas de hábitos noturnos e migratórios. Durante o dia, as
mariposas são encontradas, normalmente, dentro do CêU-tucho das
plantas. Durante a noite, os adultos têm inten a atividade de
acasalamento, dispersão e migração. As fêmeas. depois do
acasalamento, depositam massas de ovos ( 150 a 250 o os/postura ;
nas folhas. Após a eclosão, as larvas de primeiro in ·tar têm
comportamento dispersivo, migrando-se para outras folhas e
214 Mend<'s. Waquil, Viana e Pi111e11tel
plantas. No início, raspam as folhas e deslocam-se para as partes
mai s protegidas da planta, c hamado cartucho do sorgo. A larva, ao
se alimentar nas folhas antes de se abrirem, no "palmito" da
planta, provoca lesões que pode m se tornar si métricas nas folhas
após sua abertura (Figura 9.5). Os danos são causados pela
redução da área foliar das folhas mais novas. A lagarta
completamente desenvo lvida apresenta um " Y" invertido na
cabeça (Figura 9.6), transforma-se e m pupa no solo, local em que
passa toda essa fase protegida dentro de uma câmara pupal, de
onde, então, emergem os adultos.
'--
Figura 9.5 - Dano causado pela alimentação de [Link] em sorgo.
Fonte: SIMONE M. MENDES .
Figura 9.6 - Lagarla-do-cart11cho [Link]·ugipl'rda .
Font t:: GEOYANE TEIX l: IR A RODR IGUES .
- - - ::zr::
Manejo de pragas 215
Quando o ataque ocorre no coleto da plântula resulta em um
sintoma denominado coração morto, aparentando o dano causado pela
lagarta elasmo. No caso do sorgo granífero, como as plantas são
baixas, a lagarta pode consumir toda a folha bandeira e partes
significativas das folhas abaixo dela. Como se sabe, as folhas
superiores são as que mais contribuem no processo de enchimento dos
grãos. Em geral, quando se observa o cartucho todo destruído e
abundância de excrementos no topo da planta, a larva já completou o
seu ciclo e caiu no solo para passar à fase de pupa. Na cultura do
sorgo, há variedades tão susceptíveis à lagarta-do-cartucho quanlo na
do milho, apresentando redução de aproximadamente 27% no peso
final de grãos. Em geral, o sorgo é mais resistente que o milho ao
ataque dessa praga.
Nos últimos anos, tanto pela alta incidência como pela
frequência ao longo elo ano e pela distribuição espacial, esta espécie
vem se tornando uma das principais pragas na cultura (Figura 9. 7).
Tem sido registrada infestação dessa espécie, causando danos
econômicos, tanto em sorgo foITageiro quanto em sorgo sacarina.
Figura 9.7 - La"oura ele sorgo forrageiro com sintomas caus~dos pel:1
,nfestação da lagarta-do-cartucho Spodo/[Link]·ugiperda .
Fonte: GEOVANE TEIXE IR A RU[)RICiUES .
216 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
O controle deve ser feito antes que os danos tenham sido
provocados, ou seja, quando a larva está no início de
desenvolvimento. Para o eficiente controle químico dessa praga, é
importante que o produto atinja o interior do cartucho da planta.
Portanto, recomenda-se a pulverização com inseticida em alto volume.
Produtos com ação de profundidade tendem a ser mais eficientes no
controle de S. frugiperda . Deve-se atentar ao uso de produtos
seletivos, para evitar o desequilíbrio biológico, o que pode resultar em
alta infestação do sorgo pelo pulgão-verde.
2 - Lagarta militar ou curuquerê-dos-capinzais - Moeis latipes (Guen.)
- Os adultos são mariposas de coloração pardo-acinzentadas, com
aproximadamente 4,2 cm de envergadura, apresentando linha
escura transversal na asa anterior. As lagartas atacam inicialmente
as folhas baixeiras e, não raramente, todas as folhas são destruídas.
A infestação inicia-se geralmente pelas bordas das lavouras ou nas
reboleiras, infestadas principalmente por gramíneas. As lagartas
são facilmente reconhecidas pelo tipo de caminhamento "mede
palmo" e pela coloração brilhante, sendo sua parte inferior verde-
escuro, com listras castanho-escuras, margeadas por faixas
amarelas, ambas longitudinais.
A importância econômica dessa espécie está associada aos
prejuízos, devido à redução da área foliar das plantas. Geralmente, a
infestação da lavoura inicia-se pelas áreas onde o controle de plantas
daninhas não foi satisfatório. Em anos e em locais críticos, os insetos
podem consumir todo o limbo foliar da planta, ocasionando perdas
totais. Ressalta-se que, normalmente, não são registrados surtos de
ocorrência desse inseto-praga todos os anos no mesmo local. Como
são lagartas que se alimentam nas folhas abertas, estas ficam,
portanto, mais expostas que a lagarta-do-cartucho, tornando-se mais
vulneráveis, tanto ao controle natural como às ações artificiais de
controle. Além dos lagarticidas normalmente utilizados, esta espécie
pode também ser controlada com os produtos à base de Bacillus
thuringiensis.
Broqueodores de colmo
Broca-da-cana-de-açúcar - Dintraea saccharalis (Fabricius)
(Lepidoptera: Crambidae) - Os adulto~ desta praga são mariposas que
Manejo de proga,, 217
oviposilam na face inferior das folhas do sorgo e de outras gramíneas,
sendo lambé m praga importante nas culturas da cana-de-açúcar,
milho, milheto e arroz (Figura 9.8a, b e c). O ovo, com formato
elíptico e achalado, é colocado agrupado numa única camada, cujas
bordas se sob repõem ele forma se melhante a escamas de peixe. Após a
eclosão, as laga rlas raspam o limbo foliar e dirigem para a face interna
da bainha das folhas e, pouco acima do nó, penetram no colmo. Ao se
alimentar no interior do colmo, a lagarta cava uma galeria ascendente,
que termina num orifício para o exterior, por onde sairá o adulto após
completar a fase de pupa (Figura 9.9a, b e c).
Figura 9.8 - Broca-da-cana-de-açúcar - Diatraea saccharalis. em
difere ntes es t,1dios de desenvolvimento - casal de
adultos (A), postura ( B) e lagarta (C).
Fonte: OCTÁVIO GAl3 RY EL A RAÚJO.
218 Mendes, Waq11il, Viana e Pimentel
Figura 9.9 - Dano causado pela alimentação de D. saccharalis em
colmo de sorgo sacarino em diferentes estádios de
desenvolvimento K tnJun as na fase inicial de
desenvolvimento (a) galeria no colmo (b) e pupa no
interior da galeria (c).
Fonte: SIMONE M. MENDES.
Quando a infestação ocorre no início de desenvolvimento da
planta, há morte desta, com sintoma semelhante ao causado pela
lagarta-elasmo, conhecido como "coração morto" (Figura 9.9a), ou
causa o perfilhamento da planta. Nas infestações mais tardias, quando
0 dano ocorre no pedúnculo, ocasiona a morte da panícula, causando o
sintoma denominado panícula-branca, e, no caso ele sorgo granífero, o
prejuízo pode ser total (Figura 9.10).
Manejo de pragas 219
Figura 9. 10 - Sintoma "panícula branca", causado pela infestação de
D. saccharalis em sorgo.
Fonte: SIMONE M. MENDES .
A broca-da-cana é uma espécie polífaga, podendo ser
encontrada em mais de 65 espécies vegetais, incluindo pastagens de
importância econômica, além de cana-de-açúcar, 1nilho. milheto.
sorgo, trigo, entre outras, causando perdas econô1nicas consideráveis
nesses cultivos. Em sorgo, provoca danos diretos e indiretos, sendo os
diretos decoffentes ela alimentação da broca-da-cana dos tecidos da
planta, que pode apresentar perda de peso, abertura de galerias. morte
da gema apical, tombame nto pelos colmos e ncurtame nto do entrenó.
enraizamento aéreo e germinação elas ge mas latewis. Esses danos
podem ocorrer isolados ou associados.
Os danos indiretos es tão re lac ionados co m a entrada de
mi crorga ni smos oportunistas, como os fungos Fusari11111 111011illj<Jn11t>
e Colletotricu111 falcat11111, que promovem a inversão ela sacarose e a
diminui ção da pureza do caldo, levando a um menor r1::ndimento de
açúcar e a contaminação ela ferme ntação alcoólica, com menor
re ndime nto e m á lcool. Além disso, há quebramento das plantas, que
220 Mendes, Waquif. Viana e Pimentel
pode ser agravado por ventos fo rtes e plantios muito adensados.
Assim, o dano indireto é um problema maior quando se trata de sorgo
sacarino, poi s além das perdas quantitativas, ocorre redução da
qualidade do caldo (Figura 9.11 ). Em razão do pigmento antocianina
produzido pelo sorgo em resposta a qualquer injuria, aqueles colmos
com sintomas de dano dessa praga apresentam um vermelho intenso.
Recomenda-se monitorar essa espécie nas lavouras com a
utilização de armadil has contendo fêmeas virgens (feromônio natural)
e manejar a infestação com o uso de agentes de controle biológico.
Deve-se priorizar a utilização de parasitoides de ovos (Trichogramma
spp.) com intuito de reduzir a infestação inicial. Uma vez detectada
infestação de lagartas nos colmos, devem-se utilizar parasitoides de
larvas, especialmente Cotesia spp., que apresenta alta especificidade
com as larvas dessa praga. O controle biológico deve ser a estratégia
de manejo p1ioritária, sobretudo pela inexistência de inseticidas
registrados para o controle dessa praga em sorgo.
,_ _,,,,.,;,,
-1.1
Fi gura 9.11 - Bolo de sorgo sacari no no qual foi extraído caldo para
fabricação de etanol à esquerda, coloração do bolo com
infestação de D. saccharalis, e à direita, sem infestação
da praga.
Manejo de pragas 221
Insetos sugadores e vetores de fitopatógenos (vírus)
Este grupo de insetos, além de causar dano direto nas plantas,
devido à sucção de seiva, transmite viroses capazes de causar redução
significativa na produção ou mesmo a morte de plantas jovens.
1. Pulgão-verde - Schizaphis graminum (Rondani) (Hemiptera:
Aphididae) - O pulgão-verde é uma das pragas-chave para a
cultura, ocorrendo durante todo o estádio vegetativo. Tanto os
adultos como as ninfas sugam seiva das folhas e introduzem toxinas
que provocam bronzeamento e morte da área foliar afetada. Os
adultos, principalmente as de forma alada, são também importantes
vetores de vírus, como o do mosaico-da-cana-de-açúcar. Tanto o
pulgão quanto essa virose têm sido frequentemente observados nas
áreas cultivadas com o sorgo. Os adultos medem aproximadamente
1,8 mm de comprimento, são de cor verde-limão e com duas estrias
verde-escuras bem distintas no dorso do abdômen. As antenas e
pernas apresentam pontos negros. O sifúnculo e as pernas têm
extremidades pretas (Figura 9.12a).
Distingue-se da outra espécie de pulgão, também encontrada
infestando o sorgo, o pulgão-do-milho, por algumas características.
Eles têm sítios preferenciais de alimentação opostos, enquanto o
pulgão-verde prefere as partes mais maduras da planta (bainha e
folhas baixeiras), o pulgão-do-milho prefere as partes mais jovens da
planta (cartucho ou gemas florais). Embora o pulgão-verde
normalmente infeste a face inferior das folhas, o sintoma de danos
pode ser observado na face superior, na forma de manchas
bronzeadas. A presença de exúvias brancas nas folha e de
excrementos pegajosos (honeydew) nas folhas e no solo está associada
à infestação pelo pulgão.
Nas regiões tropicais, os pulgões se reproduzem por
partenogênese, onde fêmeas produzem apenas fêmeas, tendo a_ im
grande potencial biótico formando grandes colônias, podendo em
condições produzir de 3 a 4 gerações por mês. As ninfas passam por
quatro instares e atingem a maturidade em cinco dias. Cada femea
pode produzir até l 00 descendentes nos seus 25 dia ele longevidade.
Tanto as folhas abaixo elas infestadas quanto o solo nas proxinlidades
da planta podem ficar cobertos pela fumagina que se desenvolve nos
excrementos elos pulgões.
222 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
O pul gão-verde causa doi s tipos de dano, como vetor de vírus
e injetando toxina na planta. Como vetor, a forma alada desta espécie
é considerada a mai s eficiente na transmissão do vírus do mosaico
comum. Como várias gramíneas podem servir como hospedeiro
intermediário desse vírus, o controle efetivo de plantas daninhas pode
ser fator importante para evitar a disseminação dessa doença na
lavoura. Sendo este patógeno de transmi ssão estiletar ou não
persistente, o estilete do inseto serve apenas de veículo do patógeno,
sendo facilmente limpo logo após algumas picadas em plantas sadias.
2. Pulgão-do-milho - Rhopalosiphum maidis (Fitch) (Hemiptera:
Aphididae) - Possui coloração verde-azulada, com pernas, antenas
e sifúnculos pretos. Em algumas condições, pode apresentar todo o
corpo negro. Tanto os adultos como as ninfas dessa espécie
preferem infestar as partes mais novas das gramíneas e, geralmente,
estão presentes no cartucho, panículas ou gemas florais, deixando
essas partes da planta cobertas por exúvias brancas (Figura 9. l 2b ).
Durante a alimentação, os insetos desta espécie posicionam-se na
face superior da folha. Esta espécie diferencia-se da anterior por
não introduzir toxina, sendo seus danos atribuídos à sucção de seiva
e transmissão de fitopatógenos entre as plantas. Semelhantemente
ao pulgão-verde, os adultos alados realizam várias picadas de prova
antes de estabelecer uma colônia numa determinada planta. Assim,
devido a essas picadas de prova, os alados tornam-se os principais
vetores do vírus do mosaico da cana-de-açúcar.
Essa espécie leva em geral em torno de seis dias para atingir a
fase adulta, podendo alcançar mais de cinco gerações por mês,
explicando o motivo de formar colônias maiores, mais rapidamente
que o pulgão verde. Normalmente, não é necessáiia nenhuma medida
de controle para essa espécie e uma leve infestação pode ser benéfica
para atrair e manter inimigos naturais, parasitoides e predadores,
importantes agentes de controle biológico de pragas em geral, algumas
até mais nocivas, por exemplo, o pulgão-verde.
Manejo de pragas 223
Figura 9.12 - Pulgões que ocon-em na cultura do sorgo: pulgão-verde
(Schizaphis graminum) (A) e pulgão-do-milho
(Rhopalosiphum maiclis) (B).
Fonte: SfMONE MENDES .
Grupo de pragas e fase reprodutiva
1. Mosca-do-sorgo - Stenodiplosis sorghicola (Coquillett) (Diptera:
Cecidomyiidae) - Os adultos são pequenas moscas, com tamanho
variando de 1,3 a 1,6 mm de comprimento, com coloracão ,
alaranjada, cabeça amarela e apêndices man-ons. As fêmeas são
observadas ovipositando em flores abertas de gramíneas do gênero
Sorghum. Geralmente, é colocado um ovo por flor, às veze mai
de um pode ser observado numa mesma flor, resultando em
múltipla oviposição. Cada fêmea coloca em média 75 ovos durante
o único dia de vida adulta. Os ovos têm forma alongada, com cerca
de O, 1 x 0,4 mm. Após dois ou três dias, eclodem as larvas, que se
deslocam para a base da cariopse (grão em formação). onde se
alimentam dos fluidos cio grão. As larvas são inicialmente leitosas,
passando a uma coloração alaranjada escura no final de s u ciclo
que dura entre 9 e 11 dias. O inseto passa a fase de pupa, que leva
Lrês dias para ser completada, dentro da própria espigueta. No final
dessa fa se, a pupa desloca-se para o ápice da espigueta. por onde
224 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
sai o adulto. Normalmente, os machos emergem primeiro e, após o
endurecimento de suas asas, permanecem voando em torno da
panícula infestada esperando pela emergência das fêmeas para o
acasalamento. Logo depois, as fêmeas migram para plantas no
estádio de florescimento, onde iniciam a atividade de postura.
A importância econômica da mosca-do-sorgo está associada
aos danos causados pelas suas larvas diretamente nos grãos em
formação. Uma larva alimentando-se na espigueta é o suficiente para
causar perda total daquele grão. As infestações podem chegar a níveis
elevados, causando perdas totais nas lavouras de sorgo granífero
cultivado no verão. Os sintomas de danos são vistos somente após a
granação, quando é observado grande número de espiguetas chochas.
Nas áreas onde se cultiva o sorgo-safrinha, o florescimento ocorre em
épocas mais frias e, nessas condições, a infestação por esse inseto é
muito reduzida, devido à entrada das larvas em diapausa. Nas últimas
duas décadas, a população dessa praga reduziu-se naturalmente nas
regiões produtoras de sorgo no Brasil, principalmente na Região
Central. Surtos esporádicos ainda são verificados no Sul e no Nordeste
do país.
2. Lagartas da panícula - Spodoptera frugiperda (Smith), Helicoverpa
zea (Boddy) e Helico verpa annigera (Hubner) (Lepidoptera:
Noctuidae) - As lagartas dessas espécies atacam a panícula do
sorgo durante o período de enchimento de grãos. A postura é feita
pelas mariposas durante o florescimento da panícula, e as lagartas
alimentam-se dos grãos em formação, causando prejuízo direto na
produção. A alimentação dos insetos nos grãos leitosos causa
perdas diretas, pela redução da massa de grãos, e indiretas, pela
contaminação, por fungos, dos grãos danificados. Aparentemente,
os danos são semelhantes aos causados por pássaros. As panículas
abertas dificultam a alimentação e expõem as larvas à ação dos
inimigos naturai s e sua próp1ia agressividade canibal, reduzindo
assim as perdas; portanto, o controle natural é eficiente. No entanto,
sob condições de altas infestações, a interferência pode ser
necessária. Neste caso, o controle deve ser feito quando os
levantamentos indicarem uma média de duas lagartas pequenas por
panícula. Nas condições brasileira~, em que a sequê ncia de culturas,
no verão, safrinha e inverno constitue m a conhecida "ponte verde".
alé m da presença de inúmeros hospedeiros nativos dessas espécies
Manejo de pragas 225
durante todo ano, permite o aumento populacional e potencializa os
problemas para os cultivos subsequentes.
3. Percevejos-da-panícula - Várias espécies de percevejos fitófagos
infestam a panícula de sorgo durante o desenvolvimento dos grãos.
Para facilitar o manejo, pode-se dividi-los em dois grupos
principai s: os percevejos grandes (ex. percevejo-gaucho -
Leptoglossus zonatus, percevejo-verde - Nezara viridula e
percevejo-pardo - Thyanta perditor) e percevejos pequenos
(percevejo-do-sorgo - Sthenaridea carmelitana e percevej o-
chupador-do-arroz - Oebalus spp.).
Tanto as ninfas como os adultos desses insetos alimentam-se,
principalmente, dos grãos em enchimento e, menos frequentemente,
das partes da panícula. Dependendo da população, os percevejos
podem causar danos econômicos, reduzindo até 60% do peso dos
grãos e o e vigor das sementes. Portanto, constituem problemas
principalmente nos campos de produção de sementes. Os sintomas de
danos, por exemplo grãos manchados e com tamanho reduzido,
surgem devido à sucção dos fluidos da ca1iopse. Portanto, panículas
com grãos malformados e manchados constituem o principal indicador
de danos causados por percevejos.
Grupo de pragas na fase de armazenamento
Os grãos de sorgo podem ser danificados durante o
armazenamento pela ação dos insetos-praga de grãos armazenados, em
especial os carunchos ou gorgulhos Sitophilus zeamais, Sitophilus
oryzae, Rhyzopertha dominica, Cryptolestes ferrugineus,
Oryzaephilus surinamensis, Tribolium castaneum; e as rraças
Sitotroga cerealella, Ephestia kuehniella, E. elw ella e Plodia
interpunctella.
O conhecimento da biologia e do hábito alimentar destas
espécies constitui informação importante para definir o manejo dos
grãos durante o armazenamento. As espécies R. dominica, S. oryzae,
S. zeamais; e as traças S. cereolella, E. kuehniella, E. elutella e P.
interpunctel/a são consideradas pragas primárias, pois atacam grãos
inteiros e sadios, alimentando-se de todo o tecido ele reserva,
favorecendo a coloni zação por outras espécies e demai ~ agentes de
deterioração (fungos, por exemplo).
226 Mendes. Waquil. Viana e Pimentel
1. Caruncho ou gorgulho dos cereais: Sitophilus oryzae e Sitophilus
zeamais (Coleoptera: Curculionidae) - São pragas primárias
internas de grande importância, pois podem apresentar infestação
cruzada, ou seja, infestar grãos ainda no campo, antes da colheita, e
permanecer durante a armazenagem, quando penetra
profundamente na massa de grãos. As larvas e os adultos causam
danos e atacam sementes, grãos inteiros e até mesmo produtos
processados. Os danos decorrem da redução de peso, contaminação
da massa de grãos por impurezas, redução da qualidade física dos
grãos e fisiológica da semente. Essas duas espécies são muito
semelhantes em caracteres morfológicos e podem ser corretamente
distinguidas pela observação da genitália. Os adultos são besouros
de 2,0 a 3,5 mm de comprimento, de coloração castanho-escura,
com manchas mais claras nos élitros (asas anteriores), visíveis logo
após a emergência. A principal característica para identificação da
espécie é a cabeça projetada à frente, na forma de rostro (expansão
da parte frontal da cabeça) curvado (Figura 9.13). Nos machos, o
rostro é mais curto e grosso, e, nas fêmeas , mais longo e afilado. As
larvas são de coloração amarelo-clara, com a cabeça de cor
marrom-escura e pupas brancas. As fases larval e pupa
desenvolvem-se no interior dos grãos, completando o ciclo e
alimentando-se do tecido de reserva do grão. Após a fase de pupa,
ocorre a emergência do inseto adulto, que se movimenta na massa
de grãos e provoca danos nos grãos de sorgo armazenado. O
período de oviposição das fê meas é de 104 dias, e o número médio
de ovos por fêmea é de 282. A longevidade das fêmeas é de 140
di as. O período de incubação oscila entre 3 e 6 di as, e o ciclo
completo é possível em temperaturas compreendidas e m torno de
15 e 35 ºC, e levam 35 dias em condições ótimas, que são 27 ºC e
70% U.R.
2. Besourinho dos cereais: Rhy [Link] dominico (Coleoptera:
Bostrichidae) - Os adultos são besouros ele 2,3 mm a 2,8 mm de
comprimento, coloração castanho-escura, corpo c ilíndrico e cabe\·a
globu lar, normalme nte escondida pelo protórax (Fig ura 9.138). As
larvas são de coloração branca, com cabeça esc ura, e mede m cerca
de 2,8 mm quando completamente desenvolvidas. Os ovos são
cilíndricos, e mbora variá veis na forma, inicialmente brancos e
posteriormente rosados e opacos, co m 0,6 mm de comprimento e
Manejo de pragas 227
0,2 mm de diâmetro. O ciclo de vida dessa praga é em torno de 60
dias. A fêmea tem fecundidade média de 250 ovos, que depende da
qualidade do alimento e das condições de temperatura e de
umidade. Deixa as sementes perfuradas e com grande quantidade
de resíduos na forma de farinha, decorrentes do hábito alimentar
(Figura 9.14). Tanto adultos como larvas causam danos às sementes
armazenadas. Possui grande número de hospedeiros e adapta-se
rapidamente às mais diversas condições climáticas, sobrevivendo
mesmo em extremos de temperatura.
As espécies Tribolium castaneum (Coleoptera: Tenebrionidae)
e O,yzaephilus surinamensis (Coleoptera: Silvanidae), Cryptolestes
ferrugineus (Coleoptera: Cucujidae) são consideradas pragas
secundárias e dependem do ataque de outras pragas para se instalarem
nos grãos armazenados. As duas últimas estão presentes em grande
quantidade em armazéns, após o tratamento com inseticidas, pois são
muito tolerantes a esses tratamentos.
1. Traça dos cereais: Sitotroga cerealella (Lepidoptera: Gelechiidae) -
São mariposas com 10 mm a 15 mm de envergadura e 6 a 8 mm de
comprimento (Figura 9.15). As asas anteriores são cor de palha,
com franjas, e as posteriores, mais claras, com franjas maiores.
Vivem de 6 a 10 dias. Os ovos são colocados sobre as sementes.
preferentemente naquelas danificadas e, ou, fendidas. A fêmea pode
ovipositar de 40 a 280 ovos, dependendo do substrato. Após a
eclosão, as larvas penetram no inte1ior das sementes, onde se
alimentam e completam a fase larval, que se estende por.
aproximadamente, 15 dias. As larvas podem atingir 6 mm de
comprimento e são brancas com as mandíbulas escuras. O período
de ovo a adulto é, em média, de 30 dias. S. cerealella é uma praga
que ataca sementes intactas (pri mária), porém afeta mais a
superfície do lote ele sementes. As lmvas destroem a semente,
alterando o peso e a qualidade (Figura 9. 16). Também atacam as
farinhas, nas quais se desenvolvem, causando deterioração do
produto pronto para consumo.
228 Mendes, Waquil. Viana e Pimentel
(A)
Figura 9.13 - Insetos adultos de caruncho do milho (Sitophilus sp.) (A)
e do besourinho dos cereais, Rhyzopertha dominica (B).
Fonte: Autor desconhecido.
Figura 9. J 4 - Massa de grãos de sorgo com dano causado pela
infestação de Rhyzopertlw dominica.
Fonll: : MARCO A. PIMENTEL.
Manejo de pragas 229
(B)
Figura 9.15 - Mariposas adultas de Sitotroga cerealella (A) e de
Ephestia kuehniella (B).
Figura 9.16 - Massa de grão de sorgo com adultos de Sitotroga
cerealella e dano produzido pela infestação dessa
traça.
Fonte: MARCO A. PIMENTEL.
As espécies de traças Ephestia /..:uehniella e E. elwella
(Lepidoptera: Pyralidae), muito semelhantes à Plodia i11terpu11ctella
(Lepidoptera: Pyralidae), são consideradas pragas secundúrias.
Manejo Integrado
Inicialmente, é importante ressaltar que apenas a presença dos
insetos supracitados nas lavouras ele sorgo não os caracteriza como
pragas. Portanto, é necessário realizar o monitoramento constante das
lavouras quanto à presença desses insetos e o nível em que a
230 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
população se encontra. Esses insetos somente podem ser considerados
praga se atingirem o Nível de Dano Econômico (NDE).
Uma prática que deve ser preconizada e implementada em
lavouras de sorgo é o monitoramento de insetos-praga. Para S.
frugiperda, é possível realizar esse monitoramento com a utilização de
armadilhas de feromônio sintético disponível no mercado. Já para o
monitoramento de D. saccharalis é necessário utilizar fêmeas virgens
nas armadilhas. Contudo, esses insetos podem ser encontrados
comercialmente no país. Além disso, deve ser feito o monitoramento
nas lavouras para verificar a presença dos insetos-praga relacionados.
1. Efeitos dos fatores abióticos no controle natural - Com relevância
para o manejo de pragas na cultura do sorgo, serão citados alguns
exemplos de como fatores climáticos afetam diretamente a
incidência e os danos de algumas espécies-praga. A temperatura
destaca-se, de maneira geral, por regular a velocidade de
desenvolvimento do ciclo biológico de todas as espécies.
Entretanto, para algumas espécies, esse fator é mais crítico que para
outras.
No caso da mosca-do-sorgo, espécie com atividade típica de
verão, uma ligeira queda na temperatura induz as larvas em
desenvolvimento a entrarem em diapausa. Enquanto no verão cerca de
90% das larvas passam à fase de pupa e produzem adultos, no
outono/inverno, essa taxa cai para cerca de 13%. Este fato explica
porque a mosca-do-sorgo deixou de ser praga-chave para o sorgo
safrinha. Porém, se se considerar o caso do pulgão-verde, praga
imp01tante para o sorgo no verão e para o trigo no inverno, a
temperatura não limita seus surtos de infestação.
A umidade e o estresse hídrico podem reduzir ou aumentar
tanto a incidência quanto os danos das pragas na cultura do sorgo.
Logo após a emergência das plantas, se a cultura foi semeada em solo
leve, no sistema convencional, e passar por uma a duas semanas sob
estresse hídrico, as chances de infestação pela lagarta-elasmo
aumentam significativamente. Mas, se após a instalação da cultura
ocorrerem fortes precipitações por um período longo de tempo, pelo
menos duas espécies de pragas podem ser significativamente
favorecidas. O encharcamcnto do solo reduz a taxa ele mortalidade das
larvas-de-diabrótica pe la dessecação, aumentando muito os seus
Manejo de pragas 231
danos. A precipitação por períodos prolongados aumenta o vigor e
infestação da lavoura pelas plantas daninhas, o que favorece a
infestação pelo curuquerê-dos-capinzais, M. latipes. A incidência
desta praga causando danos econômicos está altamente correlacionada
com anos chuvosos, envolvendo longos períodos com precipitação
contínua.
Parece não se confirmar a crença de que a precipitação
controla a lagarta-do-cartucho. Na verdade, a baixa umidade do solo
retarda o crescimento da planta e a lagarta danifica o limbo foliar num
número menor de folhas, o que pode realçar visualmente os danos.
Quando oco1Te precipitação, há maior desenvolvimento foliar, com
emissão rápida de novas folhas sem danos ou com a mesma
quantidade de danos diluídos em várias folhas, o que leva o
observador a acreditar num controle devido à chuva.
2. Efeito dos Fatores Bióticos no Controle Natural - Entende-se por
fatores bióticos a comunidade de organismos que direta ou
indiretamente afeta o agroecossistema como um todo. Diretamente,
vários organismos como vírus, bactérias, fungos, nematoides,
artrópodes, pássaros etc. contribuem para a dinâmica populacional
das espécies-ai vo no agroecossistema. A introdução, o aumento e a
preservação dos agentes de controle biológico são importantes para
manter a população de insetos fitófagos em densidades abaixo do
NDE. Na cultura do sorgo, tanto os predadores como os
parasitoides são agentes fundamentais para manter o balanço da
população de pulgões, lagartas e percevejos. Portanto, a
identificação correta dos insetos e o entendimento do seu papel no
agroecossitema são muito importantes no manejo das espécies-alvo.
Entre os inimigos naturais mais relevantes no agroecossitema
durante o desenvolvimento da cultura, principalmente na época da
safrinha, destacam os predadores como a tesourinha (Doru luteipes)
(Figura 9.17a), chrisopídeos ( C/11ysoperla externa) , larvas de
Syrphidae, percevejos Orius insidiosus (Figura 9.17b) e Geocoris
sp. , além de várias es pécies de coleópteros das famílias Carabidae e
Coccinelidae, como as joaninhas (Figura 9.17c). Existem, também,
vanas espec1es de parasitoides (um ou vanos indivíduos
desenvolvem num único hospedeiro) e microrganismos (fungos,
bactérias, vírus etc.) que desempenham papel importante no
controle de espécies-alvo para o sorgo. Neste grupo deve-se dar
-
232 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
ênfase à ação dos parasitoides do gênero Aphidius, que
desempenham importante função no controle de pulgões.
Figura 9 .17 - Predadores, agentes de controle biológico em lavouras
de sorgo. Adulto de tesourinha (Doru luteipes) (A),
ninfa do percevejo predador Orius insidiosus, predando
lagarta do cartucho (B) e adulto de Coccinelidade,
Hipodanúna convergens (C).
Estratégias de Manejo
A) Controle biológico - Liberação de IN. - No caso de pragas como a
broca-da-cana, é possível realizar a liberação de parasitoides
adquiridos no mercado com certa eficiência. Essa praga tem sido
relatada como chave para os cultivos de sorgo com plantas de alto
porte, ou seja, sacarino, biomassa e forrageiro. Nesses casos, a
infestação desse inseto predispõe a planta ao acamamento. Como o
ciclo da cultura é muito curto, preconiza-se a utilização de
parasitoides de ovos do gênero Trichogra1nma e, quando detectada
a presença de larvas nos colmos, deve ser feita a liberação com
parasitoide de larvas Cotesia sp.
B) Época de plantio - Realizar o plantio do sorgo, sobretudo o
granífero, na época da safrinha é fundamental para que se reduza a
infestação da mosca-do-sorgo, a um nível que não cause dano
econômico. No verão, é praticamente impossível controlar essa
praga, poi s ela fi ca protegid~ de ntro da esp~~ueta do sorgo. Além
di sso, a população de pulgao-verde na satnnha encontra-se sob
Manejo de pragas 233
equilíbrio, em razão do aumento de IN na safra. Assim,
parasitoides predadores como os crisopídeos migram e
concentram-se nas culturas de safrinha.
C) Tratamento de sementes - Para a obtenção de altas produtividades,
sabe-se que o estabelecimento efetivo da população ideal de
plantas é fator crucial. Portanto, para garantir um bom estande no
campo, o tratamento de sementes antes da semeadura, com
inseticidas eficientes, é prática tão importante quanto usar uma
semente de boa qualidade tecnológica (germinação e vigor) e
genética. Levantamentos realizados em importantes regiões
produtoras de sorgo safrinha, por exemplo, Alta
Mogiana/Triângulo Mineiro, no vale do Rio Grande, e Sul de
Goiás/Norte do Mato Grosso do Sul, revelaram tanto a baixa
população de plantas quanto a frequente presença de falhas nas
linhas de plantios. Em muitos casos, essa irregularidade deve-se ao
ataque de insetos ou patógenos.
Estão disponíveis no mercado no Brasil produtos para
tratamento de sementes que garantem boa eficiência no controle de
pragas iniciais (Tabela 9.1), protegendo o cultivo em até
aproximadamente 15 dias após o plantio.
A) Controle com inseticida químico - Para evitar a infestação precoce
do sorgo, o tratamento de sementes e, ou, de solo pode trazer
benefícios significativos. Além disso, infestações da lagarta-do-
cartucho têm sido frequentes em regiões produtoras de grão e
vêm demandando, safra após safra, estratégias de controle químico
para reduzir a população a níveis de dano não econômico. Essas
pulverizações vêm sendo exigidas para todos os tipo de sorgo. Na
verdade, essa espécie de inseto é praga primária do orgo, eja
qual for a aptidão. O número de aplicações irá depender da
infestação e do retorno econômico da cultura, pois não se pode
esquecer de que NDE está diretamente ligado ao retorno
econômico da lavoura. O importante é que sejain feitas
pulverizações quando a infestação alcançar pelo menos 20o/(l de
plantas com injúrias.
8) Plantio direto - Praticamente todo sorgo granífero, na safiinha, é
cultivado sob sistema de plantio direto. Assim, implicações dessa
prática sobre o manejo de pragas não podem deixar de ser
234 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
consideradas. Se, por um lado, a abundância de matéria orgânica
na superfície do solo e a preservação da estrutura da camada
superficial do solo podem aumentar a população de insetos em
geral , na litosfera, por outro, neste ambiente possivelmente há
maior ação dos inimigos naturais, beneficiando assim o equilíbrio
biológico. Por exemplo, sabe-se que em culturas no sistema de
plantio direto acontece menor incidência da lagarta-elasmo. Já as
práticas de preparo do solo, como aração e gradagem, constituem
importante fator de mortalidade, reduzindo significativamente a
população de várias espécies que passam pelo menos uma de suas
fases no solo.
Métodos de controle de pra ga s de
grãos a rmazenados
O manejo das pragas de sorgo armazenado depende
praticamente de três métodos de controle: inseticidas químicos
(tratamento preventivo), inseticidas naturais à base de ten-a de
diatomáceas (tratamento preventivo), e o expurgo com o inseticida
fosfina (tratamento curativo), que podem ser usados isoladamente ou
em con1binação.
Controle químico com inseticidas protetores
(tratamento preventivo)
Os inseticidas químicos protetores podem ser utilizados para
aplicações na superfície de pilhas de sacarias, em armazéns
convencionais e sementeiros e nas estruturas, como em silos e
armazéns graneleiros. Esta prática constitui medida complementar,
que, ali ada à higieni zação espacial, limpeza e a realização de expurgos
à base de fosfina, pode evitar a reinfestação dos grãos armazenados.
As pul veri zações de superfície devem ser renovadas quando é
feita a limpeza das instalações e maquinários, que deve acontecer
antes da aplicação protetora ou a cada 60 dias, principalmente em
regiões e épocas mais quentes do ano, quando a ati vidade dos insetos
é mais intensa. Também nos armazéns convencionais e, ou,
Manejo de pragas 235
sementeiros, as aplicações de superfície nas pilhas e nos blocos de
produtos ensacados oferecem excelentes resultados.
O tratamento espacial das instalações e maquinários também
pode ser realizado com termonebulizadores, que tem como mérito a
eliminação dos insetos adultos nos locais inacessíveis à ação dos
pulverizadores, como vigamentos e estruturas do telhado e passarelas,
por exemplo. Este tipo de aplicação é indicado no combate às traças,
como S. cerealella, P. interpunctela, E. kuehniella e E. elutella. Essa
operação é realizada com um gerador de neblina (termonebulizador),
utilizando-se as dosagens recomendadas pelos fabricantes de
inseticidas com adição de óleo mineral. Os inseticidas indicados para
o tratamento espacial são basicamente deltametrina e
pirimifosmetílico.
A fumigação ou expurgo é uma técnica empregada para
eliminar qualquer infestação de pragas em sementes e grãos
armazenados mediante uso de gás. Deve ser realizada sempre que
houver infestação, seja em produto recém-colhido infestado na
lavoura, seja mesmo após um período de armazenamento, em que
houve infestação no armazém. Esse procedimento pode ser feito nos
mais diferentes locais, desde que sejan1 observadas a perfeita vedação
do local a ser expurgado e as normas de segurança para os produto
em uso. O inseticida indicado para expurgo de grãos de sorgo é a
fosfina, independentemente da apresentação comercial.
Recentemente disponibilizados no mercado, os pós inerte à
base de terra de diatomáceas constituem boa alternativa para o
produtor controlar as pragas durante o armazenamento, por meio do
tratamento preventivo dos grãos. No Brasil. apenas dois produtos
comerciais, à base de terra de diatomáceas, estão registrados como
inseticidas e são recomendados para controle de pragas no
armazenamento ele sementes e de grãos. O pó inerte adere à
epicutícula dos insetos por carga eletrostática, levando à de idratação
corporal, em consequência da ação ele adsorção de ceras da camada
lipídica pelos cristais de sílica ou de abrasão da cutícula ou de ambas.
Quando as moléculas de cera da camada superficial são adsorv idas
pelas partículas de sílica, ocorre rompimento da camada lipídica
protetora, o que pe rmite a evaporação dos líquidos do corpo do inseto.
236 Mendes, Waquil, Viana e Pimentel
Considerações finais - No atual sistema de produção de sorgo,
na safrinha, deve-se enfatizar que os dois principais problemas
(tradicionais) de insetos-praga (mosca-do-sorgo e pulgão-verde) estão
razoavelmente equacionados e requerem acompanhamento através de
monitoramentos periódicos. Entretanto, as infestações de S. frugiperda
e Diatraea saccharalis são problemas que precisam ser equacionados,
pois exigem n1onitoramentos sistemáticos e o uso de tecnologias de
manejo aj ustadas para o sistema produtivo.
A lagarta-do-cartucho vem se tomando, ano a ano, uma praga
importante para a cultura do sorgo, nas Regiões Sudeste e Centro
Oeste. Uma vez que essa praga é polífaga, a manutenção de espécies
vegetais hospedeiras durante todo o ano, a chamada "ponte verde",
tem sido fator preponderante para o aumento da população. Na
safrinha, tem-se registrado aumento da incidência (acima de 50%) da
lagarta-do-cartucho. Entretanto, métodos alternativos de controle
dessa praga necessitam ser implementados, pois o uso somente do
controle químico pode ser desastroso, especialmente para a cultura do
sorgo. A redução da população dos inimigos naturais, por exemplo
dos crisopídeos, poderá provocar explosão na população do pulgão-
verde que é, sem dúvida, muito mais prejudicial para a cultura do
sorgo que a lagarta-do-cartucho.
Já a praga D. saccharalis vêm assumido papel de praga-chave
na cultura, sobretudo em função do cultivo de variedades de sorgo de
grande porte, com aptidões para biomassa, fmTagem ou etanol. O
controle químico feito com inseticida para S. frugiperda normalmente
tem auxiliado no controle dessa espécie, quando essa ainda não entrou
no colmo da planta.
~
Tabela 9.1 - Inseticidas registrados para o controle de insetos-praga na cultura do milho (Consulta Agrofit Junho §
2013) ~e:: -
~
r:,
Nome Classe Tec. de
No me c,cnlifico No me comum Ingrediente qtivo Form. Dose Fabricante ~
comercial toxicológica aplicação :::i
:)-:o
D1chelops Pe rce vejo barriga Tiamctoxam Adage 350 300 a 500 ml.1100 SYNGENTA PROTEÇÃO DE ::i
FS Suspensão Ili :..,
Trai. scme111es
melacantJw.s verde (neonicotinóidc) FS kg sementes CULTIVOS LTDA.
Du:htlops Percevejo barriga Tiametoxam Cruiser 350 100 a 150 ml.JIO0 SYNGENTA PROTEÇÃO DE
FS Suspensão Ili Trai. sementes
melacanlh/1$ verde (neonicotinóide) FS kg sementes CULTIVOS LTDA.
lmidacloprido
E/a,11wpalp11.s (neonicotinóide) + SC - Suspensão 1.25 a 1,5 1.1100 kg
Lagarta-clasmo Cropstar li Tr.11. sementes Bayer S.A.
l1.~110sellu~ tiodicarbc (metilc:irbamato concentrada semente
de oxima)
1midacloprido
Spodopura (nconicotinóide) + SC - Suspensão 0.5 a 1 1.1100 kg
Lagarta-do-cartucho Cropstar li Trai. sementes Bnyer S.A.
fn,giperdo tiodicarbe (metilcarbamato concentrada semente
de oxima)
-
E/as11w palpw Tiodicarbc SC - Suspensão 2 1.1100kg
Lagana-elas mo Futur 300 Ili Trai. sementes Bayer S.A.
[Link] (mctilcarbamato de oxima) concentrada sementes
Spudopuro Tiodicarbe SC - Suspensão 3 1.1100kg
Lagana-õo-canucho Futur 30 Ili Trnt. sementes BayerS.A.
fn,gipt rda ( meúlc<.[Link] de oxima) concentrada sementes
Spodopi,,ra EC - Concentrado
L:ig"11a-do-cart ucho Dcltametrina (pirctroidc) Decis 25 Ec 199 [Link] Ili Terrestre/Aérea Baycr S.A.
J111111pnda emulsionável
Sterwdiplosis EC - Concentrndo IJ)
Mo.a-do-:.orgo DeJuuneLrina (piretroide) Dccis 25 Ec 200 [Link] Terrestre/Aérea Bayer S.A.
sorg/11collo emulsionável
~
Lambda -c1alu1rina
Spow,p,,,m SC - Suspensão SYNGENTA PROTEÇÃO DE
l....agarta-du-cartuc ho (pirc1roidc/ + tiamctoxam Eforia 150 a 200 [Link] Ili Terrestre/Aérea
j m {lip, i da co nccmrudn CU LTIVOS LTDA.
(m:onico1inu1de )
I..ambda-ciulotrina
Spndoptua Engeo SC • Suspensão SYNGENTA PROTEÇÃO DE
l..agarto-<lo-canucho (pirctroide ) + tiametoXllm 150 a 200 [Link] Il1 Terrestre
/TU!flf)t:rfÍo Pleno cuncentrnda CULTIVOS LTDA.
(nconicotinoidc)
Sp11dnplrm Clorp,rifó, Lor, ban EC - Concentrndo DOW AGROSCIENCES
L..gariu-dc,-can uch,, 500 a 750 [Link].i li T crrc,trc/ Aérea
f ruf1 1pa do (or_ganufo , luradu/ 480 BR c111ubionávcl INDUSTR IAL LTDi\.
EC - ConccnlrJ<lo i
Stenodiplo~iJ Clorpirifós DOW AGROSCIENCES 1
MoliCa-do -~ rg<i Lorsban 620 ml/ha II Terrestre/Aérea
w rghico/la (orgiinufusforudo) emulslon6vel INDUSTRIAL LTOA.
Continua ... N
w
-.....) 1
N
(j..)
Tabela 9.1 - Cont. 00
!\orne científico Nome comum Ingrediente ati,·o Nome Classe Tec de
comercial form. Dose Fabricante
tox ico lógica aplicação
Spodoptera
Lambda-cialotrina
Platinum SC - Suspensão SYNGENTA PROTEÇÃO DE
f mgiperda
Lagarta-do-cartucho (piretróide) + tiametoxam 150 a 200 rnUha Ili Terrestre/Aérea
Neo concentrada CULTIVOS LTDA.
( nco nicotinó ide)
Spodoptero SC - Suspensão DOW AGROSCfENCES
Lagana-do-canucho Espinosade (espinosinas) Traccr 30 a 60 mLJha IV Terrestre/Aérea
frugipuda concentrada INDUSTRIAL LTDA.
Spodnptera Clorpirifós EC - Concentrado DOW AGROSCIENCES
Lagarta-do-<anucho Vextcr 500 a 700 mL/ha li Terrestre/Aérea
f rugiperda (organofosforado) emulsionável INDUSTRIAL LTDA.
Stowdiplosis Clorpirifós EC - Concentrado DOW AGROSCIENCES
Mosca-do-sorgo Vexter 620 mL/ha li Terrestre/Aérea
sorglucolla (organofosforado) emulsionável INDUSTRIAL LTDA.
fosfeto de alumínio
Rhi::JJpenlta Gastoxin-B FF -Fumigante em
Besourinho (inorgânico precursor de 2 past chatas/m3 I Terrestre Bernardo Química S. A.
domú1ica 57 castilhas
fosfina)
Fosfeto de alumínio
Rl,i:JJpt!rrha FF -Fumigante em
Besourinho (inorgânico precursor de Gastoxin 2 past chatas/m3 I Terrestre Bernardo Química S. A_
dominica castilhas
fosfinaJ
Elasmopalpus Fipronil (pirazol) + FS Suspensão Trat. de
Lagarta-elasmo Sourcc Top 1 Basf S. A.
Jignosel/11.s piraclostrobina concentrada 50 mUha ou 500 sementes
(estrobilurina) + tiofanato- mU 100 kg
H~erolennes metílico (benzimidazol FS Suspensão semente
tenws
Cupim
(precursor de)
Source Top
concentrada ~
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Fonte: [Link] (1:,
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Manejo de pragas 239
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10 MANEJO DE DOENÇAS
Dagma Dionísia da Silva'
Luciano Viana Cota'
Rodrigo Véras da Costa 2
Douglas Ferreira Parreira3
Todas as partes da planta de sorgo são comumente atacadas
por algum tipo de patógeno, que pode ser de origem fúngica,
bacteriana, virai e P<'.. :iematoides; porém, prevalecendo as doenças
causadas por fungos como as mais importantes atualmente. As
principais doenças do sorgo encontram-se disseminadas por todas as
áreas de cultivo com a cultura e podem variar de intensidade de
acordo com a época de plantio, safra ou safrinha, com o genótipo e
com as condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura.
Algumas doenças destacam-se como mais frequentes e severas e
outras ocorrem de forma esporádica, dependendo da combinação das
condições ora citadas. Estas características têm efeito na eficiência e
na metodologia de controle das doenças.
Doenças da Parte Aérea
Doenças da parte aérea são, atualmente, as mais comuns e
severas em sorgo, podendo causar perdas consideráveis na produção
1 Engenheiros-Agrônomos, D.S. e_Pcsq~1isadorcs da Embrapa Milhn c Sorgo. E-mail:
[Link] va @[Link]: e-mail : lw:[Link] <@[Link]
2 Engenhciro-Agrônnmo. D.S . e Pesquisador da Embrapa Milho e Smgo. E-mail:
rodri [Link] @[Link]
' Engenhciro-Agrtinoino, D.S. e Bolsista Pôs-D1K· CNPq
Manejo de doenças 243
de grãos, forragem e massa verde. Diversos patógenos podem atacar
folhas, colmos e panículas do sorgo, ocasionando variados tipos de
sintomas e danos.
Doenças Foliares
Antracnose
Causada pelo fungo Colletotrichum sublineolum Henn., a
antracnose é atualmente a doença mais importante da cultura, devido à
ocoITência de condições favoráveis ao ataque em alta severidade em
quase todas as regiões produtoras. Pode causar perdas superiores a
80% na produtividade, afetar a qualidade das sementes e levar à
esterilidade de panículas. Outro fator referente ao patógeno, que
favorece a ocoITência da doença no país, é a alta variabilidade
apresentada por C. sublineolwn. Este possui em suas populações
isolados virulentos a vários genótipos de sorgo, o que possibilita a
manutenção de inóculo nas áreas de plantio e a sobrevivência do
fungo. Esta variabilidade tem sido um dos maiores problema para
melhoristas que visam obter genótipos resistentes à antracno e, vi ' to
que, além da dificuldade de obtenção de fontes de re i tência. a
superação da resistência pode ocorrer de forma relativamente rápida,
principalmente em híbridos amplamente plantados.
C. sublineolum era considerado uma forma diferente da
espécie Colletotrichum graminicola (Ces.) G. W. Wilson, que atacava
milho, sorgo e outras gramíneas. No entanto, Sutton (19~ ), [Link]-
se em diferenças na m01fologia do apressó1io de isolado de milho e
isolados de sorgo, propôs a existência de duas espécies, considerando-
se como a espécie de milho, C. gra111i11icola e como a espécie de
sorgo, C. sublineolwn. Esta diferença foi evidenciada posteriormente
por análise de isoenzimas, DNA e sequenciamento de rD A.
O fungo produz acérvulos de coloração escura e formato o al
a c i línclrico, com seta. de coloração e cura que ão encontradas,
normalmente, no centro das lesões. Os acérvulos formam-se na
epiderme e nas cavidades subepdérmicas de ambas as superfícies da
folhas e colmos. Os conidióforos são produzidos em grande
quantidade no interior dos acérvulos e são eretos, hialinos e não
244 Silva, Cota, Costa e Parreira
septados. Os conídios, produzidos sobre os conidióforos, são
falciformes e não apresentam septos.
A antracnose é favorecida por condições de alta umidade e
temperatura (22-30 ºC), embora regiões com breve período de chuva,
seguido por seca prolongada, também estejam sujeitas à ocorrência de
epidemias severas. A doença pode ocorrer em três fases: foliar (limbo
e nervura), podridão do colmo e antracnose da panícula. A fase foliar
pode acontecer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta,
surgiindo, normalmente, a partir do início de desenvolvimento da
panícula.
Os sintomas da doença são lesões elípticas a circulares,
medindo até 5 n1n1 de diâmetro, de coloração palha no centro e
margens avermelhadas, alaranjadas ou castanhas, que variam com o
cultivar. Em condições favoráveis, as manchas aumentam em
quantidade e coalescem, cobrindo toda a folha. No centro das lesões
formam-se numerosos acérvulos que permitem identificar a doença no
campo (Figura 10.1).
Figura 10.1 - Sintomas de antracnose no limbo foliar e nervuras de
sorgo.
Fonte: DAGMA D. SILVA.
O surgimento de lesões na nervura central pode ocorrer
independentemente da presença ou não da infecção foliar. Os sintomas
da antracnose nas nervuras são lesões elípticas a alongadas, de
coloração avermelhada, púrpura ou negra, sobre as quais se formam
acérvulos em grande quantidade. As lesões foliares, juntamente com
lesões nas nervuras, resultam em danos mais severos da doença em
relação aos sintomas isolados.
Manejo de doenças 245
C. sublineolwn pode sobreviver por períodos prolongados
como micélio em restos de cultura na superfície do solo (até 18 meses)
e sementes infectadas. Nas sementes, o fungo pode sobreviver por três
anos ou mais, sob condições de armazenamento em baixa temperatura
e por até dois anos em temperatura ambiente. Espécies selvagens de
sorgo, como S. halepense, S. verticilliphorum, S. arundinacerum, S.
margaritiferum, S. sudanense e S. dochna e outras gramíneas, por
exemplo capim-anoz (Echinochloa colonum), são hospedeiras de C.
sublineolum e fonte primária de inóculo. A produção de escleróclios
em colmos secos também permite ao patógeno sobreviver na ausência
do hospedeiro. As principais formas de disseminação dos conídios
são o vento e a chuva.
Helmintosporiose
A helmintosporiose é causada pelo fungo Exserohilum
turcicwn (Pass.) (K. J. Leonard; E. G. Suggs). A doença ocorre na fase
vegetativa, podendo resultar em danos consideráveis à área foliar e
seca precoce das plantas. Em cultivares suscetíveis, perdas superior a
de 50% podem ocorrer sob condições favoráveis à doença. Por ser
favorecida por alta umidade e temperaturas mais amenas, sua
incidência e severidade têm sido maiores em plantios de segunda
safra, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. A helmintosporiose pode
predispor as plantas a fungos causadores de podridão de colmo, como
C. sublineolum e F. verticillioides.
E. turcicum tem como fase sexuada Setosphaeria turcica
(Luttrell) K.J. Leonard & E.G. Suggs, raran1ente observada na
natureza. Os conídios medem 10-20 x 28- 153 µm. são produzido~ no
topo dos conidióforos, possuem coloração cinza-clara e podem ser
retos, fusiformes ou ligeiramente curvos com extren1idades
arredondadas. Possuem entre três e oito septos e presença de
pronunciado hilo basal. Existem evidências de diferenciação
fi siológica entre isolados de sorgo e milho.
Os sintomas ela doença são lesões necróticas alongadas, [Link]
formato elíptico, com bordas púrpuro-avermelhadas, acinzentadas ou
amareladas, variando em função elo culti var (Figura 10.2). As
primeiras lesões podem surgir logo no início do desenvolvimento da
246 Silva, Cota, Costa e Parreira
cultura, nas folhas mais velhas, progredindo para as folhas mais
novas. Em ataques severos, com o avanço da doença, as folhas secam,
tornando-se quebradiças.
Figura 10.2 - Sintomas de helmintosporiose em sorgo.
Fonte: LUCIANO V. COTA.
As condições que favorecem o patógeno são alta umidade e
temperaturas mais amenas, ou seja, entre 18 e 27 ºC. Climas secos
desfavorecem a ocorrência da doença. E. turcicum. sobrevive na forma
de micélio e conídios em restos culturais infectados. A doença é
disseminada por meio dos conídios, que podem ser carregados a
longas distâncias pelo vento. Espécies selvagens de sorgo são
hospedeiras de E. turcicum e também contribuem para a
disseminação e sobrevivência do patógeno.
Míldio
Causado por Peronosclerospora sorghi (W. Weston & Uppal)
C.G. Shaw), o míldio está presente em todas as regiões de plantio do
sorgo. Perdas de até 80% podem ocorrer em ataques severos. O míldio
é uma doença que pode se manifestar de duas formas, a sistémica e a
localizada. A infecção sistê1nica geralmente ocorre na fase inicial de
desenvolvimento das plantas levando à esterilidade elas plantas e,
assim, na ausência ele grãos.
P. sorghi é um Oomiceto, parasita obrigatório, e possui as
fases assexuada e sexuada em seu ciclo de vida. Na fase assexuada são
Man ('. jo de doenças 247
produzidos esporângios (conídios) em esporangióforos (conidióforos)
que emergem dos estômatos das folhas. Na fase sexuada são
produzidos os oósporos dentro do mesófilo foliar e entre feixes
vasculares das folhas. Os oósporos funcionam como estruturas de
resistência e de dissemjnação do patógeno, podendo sobreviver por
longos períodos no solo ou ser transportados a longas distâncias via
sementes, vento, água e pela ação humana e animal.
Oósporos e conídios podem resultar na infecção sistêrnica, o
que ocorre geralmente em plantas no início do desenvolvimento. Em
plantas com mais de 15 dias de idade, a infecção iniciada por conídios
resulta em sintoma localizado.
Os sintomas da infecção sistêrruca são faixas de tecido verde
alternadas com áreas de tecidos cloróticos distribuídos paralelamente
pelo comprimento das folhas (Figura 10.3A). Com o tempo, as faixas
cloróticas necrosam e se rasgam facilmente pela ação do vento.
liberando os oósporos no solo onde irão permanecer por longo período
e infectar as plantas no próximo plantio. Lesões retangulares
delimitadas pelas nervuras das folhas caracterizam o sintoma de
infecção localizada (Figura 10.3B). Tanto na infecção sistêmica como
na infecção localizada, em condições de alta umidade e temperaturas
amenas, observa-se crescimento pulverulento de cor branca, na parte
abaxial das folhas, que corresponde aos conidióforos e conídios de P.
sorghi (Figura 10.3C).
Figura 10.3 - Míldio do sorgo: A) Sintoma sist~mico, B ) Sinto ma
locali zado e C) produção de conídios e conidióforos
na parle inferior das folhas .
Fonte: LUCIA NO V. COT .
248 Silva, Cota, Costa e Parreira
P. sorghi também ataca o milho e tem como hospedeiros
secundátios espécies das tribos Andropogonae, Panicae e Maydae,
entre as quais espécies de sorgo selvagem e S. arundinaceum.
Ferrugem
A ferrugem, causada por Puccinia purpurea Cooke, ocorre em
todas as regiões de cultivo de sorgo no Brasil, sendo favorecida por
umidade e temperaturas amenas. No entanto, nos últimos anos, a
doença tem ocorrido com frequência na safra (temperaturas mais
altas) e safrinha (temperaturas mais baixas), em muitos casos com
severidade alta em diversos genótipos de sorgo granífero e
[Link] sido uma das principais doenças em sorgo sacarina.
Em casos de condições climáticas favoráveis e suscetibilidade,
a ferrugem pode resultar em até 65% de perdas na produção de grãos e
forragem. Porém, perdas de até 13% foram observadas em condições
de baixa severidade da doença, o que demonstra seu poder destrutivo.
A ferrugem pode ainda favorecer o ataque de patógenos ao colmo,
como Fusarium sp. e Macrophomina phaseolina e reduzir a
quantidade de açúcares em sorgo sacarina.
P. purpurea possui uredosporos unicelulares, medindo 30-42
x 22-30 µm , pedicelados, de coloração castanha a amarelo-
avermelhada, formato oval a elíptico, parede equinulada, possui 4 a 10
poros genninativos. Os teliósporos medem 40-60 x 25-32 µm, são
bicelulares, de paredes lisas, alongados a elípticos e castanho-escuros;
e possuem pedicelo persistente, hialino a ligeiramente amarelado e de
comprimento variável, o qual é o poro germinativo onde é formado
um esterigma que conterá um único basidiósporo de formato elíptico.
Os sintomas da ferrugem são caracterizados por pústulas
castanho-avermelhadas distribuídas paralelamente entre as nervuras
(Figura 10.4), onde grande quantidade de uredosporos é produzida. Os
uredosporos são facilmente carregados pelo vento e levados a longas
distâncias ou, ainda, numa mesma área de cultivo, podem infectar
folhas e plantas sadias.
Ma11ejo de doe11ças 249
Figura 10.4 - Ferrugem do sorgo: A) Aspecto da parte superior da
folha e B) Detalhe das pústulas.
Fonte: DAGMA D. SILVA; LUCIANO V. COTA.
A ferrugem raramente é observada em plântulas, ocorrendo
geralmente em plantas entre 45 e 90 dias de plantio, sendo sua
severidade maior próximo ao florescimento.
São também hospedeiros e fontes de disseminação de P.
purpurea, Sorghum halepense, S. verticiliflorum e S. arundinaceum e
trevo ( Oxalis corniculata).
Outras Doenças Foliares
Outras doenças foliares de origem fúngica são observadas
com frequência no campo, embora ainda consideradas secundárias.
devido à baixa severidade com que têm ocmTido na maimia dos anos.
São elas, a cercosporiose ( Cercospora fusimaculans), mancha alvo
(Bipolaris sorghicola) , mancha zonada (Gloeocercospora sorghi ) e a
mancha de ramulispora (Ramulispora sorghi) (Figuras 10.5 e 10.6).
Epidemias mais severas da mancha alvo já foram observada de forma
esporádica e em regiões ainda restritas, enquanto a mancha de
ramulispora tem ocorrido com maior frequência e se eridade nos
últimos anos sendo notada em sorgos dos tipos granífero, sacmino e
forrageiro.
250 Si/1 a, Cota , Costa e Parreira
1
Figura 10.5 - A) Cercosporiose, B) Mancha alvo.
Figura 10.6 - A) Mancha zonada, B) Mancha de ramulispora.
Duas doenças, de origem bacteriana, que oconem no país,
porém restritas à Região Sul e consideradas secundárias, são a risca
bacteriana e a estria bacteriana, causadas por Burkholderia
andropogonis e Xanthomonas campestris pv. holcicola,
respectivamente.
Doenças do Colmo
Antrocnose do Colmo
A antracnose do colmo, causada por C. subli11eolw11, o ~arre
geralmente em plantas adultas. A doença inicia-se com conídios
produzidos na fase foliar, que são levados por água ele chuva ou ela
Manejo de doenças 251
irri gação até a bainha das folhas e estes, ao germinarem, penetram o
pedúnculo ou a panícula causando podridão no colmo, de onde a
doença se estende para a panícula.
Caracteriza-se a podridão do colmo pela formação de cancros
que apresentam áreas mais claras, circundadas por pigmentos da
planta hospedeira. As lesões ocorrem no tecido internodal,
principalmente no pedúnculo e podem se apresentar de forma contínua
ou em formato de manchas isoladas (Figura 7). Devido ao crescimento
do fungo nos tecidos vasculares, o movimento da água e de nutrientes
é prejudicado, o que faz com que haja pobre desenvolvimento de
panícula e grãos. A infecção do colmo resulta em perdas e redução
considerável na produção de grãos e de forragem. A antracnose causa
perdas diretas e indiretas na produção que vari am entre regiões.
cultivares e, principalmente, condições climáticas .
Figura 10.7 - Antracnose do colmo.
Podridão Vermelha
A podridão vermelha é uma doença de ocorr~ncia
generalizada no Brasil, causada por Fusarium rerricillioide · acc.
Nirernberg, que também pode atacar raízes, pedúnculo. sementes e
ainda levar à morte de plântulas. Ocorre normalmente após o
252 Silva, Cota, Costa e Parreira
florescimento e reduz a produção, devido ao enfraquecimento do
colmo, que resulta em tombamento, consequente dificuldade na
colheita e, ainda, favorece a germinação dos grãos que ficam em
contato com o solo.
F. vertiôllioides é um dos patógenos mais complexos entre os
que causam doença em sorgo, em virtude da ampla distribuição tanto
no Brasil como mundialmente, ao grande número de hospedeiros e à
dificuldade de identificação da espécie. Outras espécies também estão
associadas à podridão de colmo F. thapsinum, F. nygamai e F.
subglutinans. Além dessas características, o fungo se destaca como
um dos principais produtores de micotoxinas, metabólitos secundários
produzidos pelo fungo e que estão associados a doenças em humanos
e ammais.
F. verticillioides produz macroconídios com três a cinco
septos, curvaturas próximas às extremidades. Os microconídios
também são produzidos e apresentam forma oval, são produzidos em
cadeias e possuem um septo. A forma perfeita do fungo é Giberella
fujikuroi Saw.) Wr., mas não há relato de sua presença no Brasil.
Os primeiros sintomas visuais de podridão vermelha são a
seca prematura e o tombamento das plantas, mas, antes que isso
aconteça internamente, o colmo e pedúnculo apresentam coloração
avermelhada que, geralmente, passa despercebida. A partir do ponto
inicial da infecção, o fungo progride para a parte superior da planta,
deixando-a com coloração avermelhada em toda a sua extensão.
As condições que favorecem a doença são baixa temperatura e
alta umidade, seguidos de alta temperatura e baixa umidade entre a
fase de florescimento e de maturação fisiológica.
O patógeno sobrevive em restos de cultura, nas formas de
conídios e micélio, e tem como hospedeiros o milho, milheto, cana-
de-açúcar, banana, aveia e arroz.
Podridão Seca do Colmo
O agente etiológico da podridão seca do colmo é
Macrophomina phaseolina (Tassi) G. Goid, fungo que causa podridão
de colmo e de raízes em mais de 500 culturas, em diferentes países.
Manejo de doenças 253
A doença ocorre com mais frequência na fase de enchimento
de grãos e está associada com períodos secos e quentes. No Brasil, a
podridão seca é mais importante em plantios de safrinha. A doença
pode reduzir a produção de grãos e forragem em mais de 50%, o que
acontece principalmente em razão do acamamento das plantas.
M. phaseolina produz picnídios e microescleródios e, em
sorgo, prevalecem os escleródios. Inicialmente, as hifas são hialinas e
medem aproximadamente 8 µm de diâmetro, porém, com o
envelhecimento, tornam-se cinza-claro e septadas.
Relatos de associação de M. phaseolina com espec1es de
Fusarium, Cochliobulus sativus, Nigrospora sphaerica e Rhizoctonia
solani indicam que a doença ocorre em combinação com outros
agentes.
Os sintomas da podridão seca podem ocorrer desde a fase de
plântulas até a fase adulta, nesta última com maior frequência. Em
plântulas, a doença causa queima e tombamento. Raízes de plantas
infectadas apresentam encharcamento de cor castanha ou preta, a
medula se desintegra e apenas vasos permanecem, tornando o colmo
macio e quebradiço. Nos vasos, grande quantidade de
microescleródios pretos é observada e servem como estrutura de
sobrevivência e disseminação da doença. Os microescleródios
sobrevivem isolados no solo ou em restos culturais por períodos entre
dois e três anos.
Entre as centenas de hospedeiros, estão diversas culturas de
importância econômica como o milho, soja, feijão, ainendoim,
milheto, batata, algodão, tomate, girassol. Um fator que pode
favorecer a ocorrência da doença e dificultar o manejo da doença é o
plantio em sucessão de culturas, como a que ocorre no sistema em que
a soja é cultivada no verão seguida por sorgo ou 1nilho na safrinha.
Doenças da Panícula e dos Grãos
Diversos fungos estão associados aos grãos e m sorgo,
dentre eles prevalecem espécies de Fusariw11, F. verticillioides, F.
semitectum , F. subgluti11a11s, Exserohilu111 lllrcicum. Phoma
sorRhina, Cladosporium sp. , Alternaria tenuis, Bipolaris
sorghicola, Penicilliwn sp., Monilia sp., [Link] spp., Aspergillus
254 Silva, Cota, Costa e Parreira
.flavus, Aspergillus 111ger, Trichoderma sp., M. phaseolina,
Curvularia lunata , C. sublineolum, Cercospora sorghi, C.
fusimaculans e S. sorghi. Os danos causados por fungos que atacam
os grãos vão desde a qualidade e deterioração dos grãos até à
produção de micotoxinas. Entre os principais produtores de
micotoxinas estão espécies de Fusarium e Aspergillus.
Antracnose
Na panícula, os sintomas da antracnose são caracterizados por
lesões formadas abaixo da epiderme e têm, inicialmente, aspecto
encharcado e que, com o tempo, adquire coloração cinza a púrpura-
avermelhada. O seccionamento da panícula possibilita a verificação de
áreas de uma cor castanho-avermelhada alternadas com áreas
esbranquiçadas. A esporulação pode ocorrer na raque, nas
ramificações primárias, secundárias e terciárias, nas glumas e nas
sementes (Figura 10.8). Panículas infectadas apresentam tamanho
reduzido, menor peso e amadurecimento precoce e, em caso de ataque
severo, pode ocorrer esterilidade parcial. As plantas com antracnose
da panícula podem originar sementes infectadas que não germinam ou
dão origem a plântulas doentes.
Figura 10.8 - Panícula com sintomas de antracnose e grão com grande
quantidade de acérvulos.
Manejo de doenças 255
As perdas indiretas de grãos causadas pela doença são o
resultado da redução da genrunação das sementes e da transmissão da
doença para novas regiões geográficas.
Doença açucarada ou ergot
Causada por Sphacelia sorghi McRae, cuja fase sexuada
corresponde a Claviceps africana Fredeiiksen, Manthe e De Milliano,
a doença açucarada foi relatada no Brasil em 1995 e, atualmente,
ocorre de forma generalizada em todas as regiões produtoras de sorgo
no país, sendo importante nas áreas de produção de sementes e para os
produtores de grãos. O patógeno, por infectar o ovário não fertilizado
e ocupar o lugar do pólen, impede a produção de grãos ou sementes;
daí sua importância. A doença é favorecida por temperaturas mínimas
entre 13 e 18,7 ºC e umidade entre 76 e 84%.
Os sintomas de mela surgem somente após infectar o ovário,
quando S. sorghi libera nas panículas uma exsudação na forma de
gotas açucaradas, na qual grande quantidade de conídios está presente
(Figura 10.9). As gotas exsudadas são fonte de disseminação da
doença através de respingos e insetos atraídos pelo açúcar. Quando
alta temperatura e baixa umidade ocorrem, a exsudação resseca e se
transforma em uma crosta esbranquiçada e dura que se destaca
facilmente da panícula, sendo ca1Tegada pelo vento. Fungos
saprófitas, Cerebella volkensii, Fusarium spp. e Cladosporium spp ..
em condições de alta umidade, cresce sob as gotas conferindo aspecto
à panícula de uma massa negra e amorfa, que pode ser confundida
com mofo ou carvão.
Diversas gramíneas são hospedeiras de C. africana e fonte de
inóculo da doença, entre as quais S. halepense, Brachiaria sp.,
Panicum, maximum, S. cajji·orum, Andropogon sp. e Dichant/zium
aristatum
256 Silva, Cota, Costa e Parreira
Figura 10.9 - Panícula de sorgo infestada por S. sorghi. A) Exsudação
de gotas onde deve1iam ser produzidos os grãos e B)
Aspecto da panícula após entrada de fungos
oportunistas.
Doenças das Raízes e de Solo
Nematoides
Danos por nematoides em sorgo têm ganhado importância no
Brasil, devido à sua ampla distiibuição e ao aumento de suas
populações em diversas regiões como o Centro-Oeste, Sul e Oeste da
Bahia. Embora o sorgo tenha sido hi storicamente utilizado como uma
cultura desfavorável a nematoides em soja, como Heterodera glycines,
nematoides pe1tencentes aos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus
atacam ambas as culturas. A sucessão entre a soja e o sorgo pode
favorecer este aumento nas populações de nematoides e dificultar o
manejo de forma eficiente.
No Brasil , Pratylenchus brachyurus, P. zeae, Meloidogyne sp.
e Helicotylenchus dihystera são considerados os mais importantes
para a cultu ra; porém, o sorgo é hospedeiro de vários gêneros e
diferentes es péc ies de nematoidcs. Entre eles, Doliclwdorus spp.
Manejo de doença., 257
(nematoide furador), Longidorus africanus Merny (nematoides-
agulha) , Paratylenchus spp., Rotylenchus spp. (nematoide re niforme ).
Criconemella spp. (ncmaloides anelados), Helicotylenclws spp.
(nematoides espiralados), Paratrichodorus spp. , P. minor (Colbi·an)
Siddiqi , Tylenchorhynchus spp., Quinisulcius sp. e Merlinius
brevidens (Allen) Siddiqi (nernatoides do enfezamento).
O gênero Meloidogyne é considerado o mais importante entre
os nematoides no mundo, podendo atacar mais de 2.000 e.-;p,\;ics de
plantas. Várias espécies de Meloidogyne, incluindo M. inLognita, M.
javanica, M. acronea e M. naasi, são relatadas corno parasitas em
sorgo. No Brasil, não existem relatos da ocorrência de M. acronea e
M. naasi, sendo M. incognita considerado o mais importante para a
cultura. Em sistemas de rotação com algodão, M. incognita pode
causar perdas severas em sorgo.
Os nematoides das lesões radiculares P. brachyurus e P. zeae
são endoparasitas migradores. P. brachyurus ataca várias espécies
cultivadas como o arroz, cana-de-açúcar, trigo, capins de uso
zootécnico, milho, milheto, soja, algodão, café, citrus, eucalipto,
abacaxi, pêssego, fumo , amendoim, seringueira, ~ana-de-açúcar,
algumas olerícolas, essências flore stais e plantas daninhas.
Os nematoides do enfezamento são ectoparasitas migradores
que apresentam tamanho médio e atacam diversas espécies de plantas.
entre os quais vários cereais. O gênero Tylenchorhynchus é
comumente detectado em solos cultivados com sorgo e seus danos são
maiores áreas de monocultivo. A espécie T. martini (Fielding) ataca
outras culturas importantes como arroz, algodão, cana-de-açúcar.
manga, e diversas gramíneas, entre as quais Sorghwn halepense.
Alguns sintomas são comuns aos nematoicles, entre eles, a
semelhança dos sintomas com o estresse hídrico e deficiências
nutricionais, a formação de rebole iras com tamanho variado onde as
plantas apresentam aspecto irregular, ele tamanho reduzido.
usualmente enfezadas, cloróticas, com perfilhamento, murchamento e
com raízes mal desenvolvidas. Algumas características específicas
podem ser um indicativo da presença ele um elos três gê neros Lle
nernatoides citados. Quando preva lece m os nematoides das gal has. há
aumento no número de raízes e formação de galhas, devido ao
crescimento desordenado elas células radiculares. No caso de
258 Silva, Cota, Costa e Parreira
nematoides do enfezamento, as extremidades das raízes apresentam-se
mais curtas e grossas, enquanto as raízes infestadas pelos nematoides
das lesões radiculares exibem lesões necróticas escuras, semelhantes
às causadas por fungos.
Doenças Fúngicas
Vários fungos de solo de diferentes espécies podem atacar as
raízes de sorgo e causar tombamento e murcha de plântulas,
apodrecimento de raízes e mofos. Entre eles estão Rhizoctonia solani,
Rhizopus spp., Pythium aphanidermatum e Sclerotium rolfsii.
Manejo de Doenças
Resistência
A principal forma de manejo de doenças em sorgo é o uso da
resistência genética, uma vez que não há diferença no valor comercial
de sementes de genótipos resistentes ou suscetíveis e a utilização
dessa técnica dispensa ou reduz o número de aplicações de defensivos.
CoP-siderando-se que as doenças foliares estão entre as mais
importantes do sorgo, deve-se ressaltar que não existe até o momento
registro de produtos para seu controle no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, MAPA.
Para doenças secundárias, como a cercosporiose e a n1ancha-
alvo, apenas a resistência genética tem sido utilizada como forma de
manejo. Para outras doenças importantes, como a antracnose, a
ferrugem e a helmintosporiose, genótipos resistentes estão disponíveis
e podem auxiliar na escolha das sementes. Para tanto, é necessário
conhecer quais as principais doenças que ocorrem em deternlinada
região, a época do plantio, pois, como citado, algumas doenças são
favorecidas por temperaturas mai s altas ou mais amenas, associada à
umidade, ou até mes mo pe la ocorrência de variação entre períodos
secos e chuvosos, como acontece com Macroplwmina.
É recomendada a alternância de genótipos entre os plantios,
bem como o plantio de mais de um genótipo na mesma safra. Is to tem
Man ejo de doenças 259
efeito preventivo, pois a quebra de resistência é comum para algumas
doenças, como a antracnose, e o uso de um número maior de
genótipos pode reduzir os riscos de prejuízo devido a epidemias.
Controle Químico
Tratamento de Sementes
O tratamento de sementes é uma medida que visa proteger a
cultura do sorgo de patógenos de solo ou que podem atacar a cultura
já nos seus p1imeiros estágios de desenvolvimento. A vantagem do
tratamento de sementes é que a quantidade de produto/kg de semente
a aplicar é baixa e pode prevenir perdas devido à redução de estande
de plantas causada por tombamento, murchas, podridão de raízes e
mofos.
No caso do sorgo, existem no MAPA produtos registrados de
diferentes marcas comerciais, mas todos eles se baseiam nos princípio
ativo captana ou nas misturas fipronil + piraclostrobina + tiofanato-
metílico e fludioxonil + metalaxil-M. Para muitos patógenos mais de
um princípio ativo ou mistura possuem registro (Tabela 10.1).
Tabela l 0.1 - Princípios ativos com registro para tratamento de
sementes de sorgo com registro no MAPA
Princípio ativo (grupo
Patógeno
químico)
Alternaria a/temata; A/rem aria
tenuissima; Aspergil/11s spp.;
Cladosporit1111 cladosporioides; C.
Captana (dicarboximida)
sublineo/um; E. turcicum; F.
verticillioides; Plwma sorohina
..., · .
Rhizoctonia spp. ;Rizoplws spp.
Fludioxonil (fenilpirrol) + Aspergi/lus spp.; C. subli11eolw11; F.
metalaxil-M (acilalaninato) verticillioides; Pe11icilli11111 spp.; Pythi11111
aphaniden11atw11 ; Rhizocto11ia solcmi
Fonte: Sistema Agrofit, MAPA. 2013.
260 Silva, Cota, Costa e Parreira
Vale ressaltar que a mistura fludioxonil + metalaxil-M, que
tem registro para o controle de C. sublineolum, Rhizoctonia solani e
outros, tem eficiência de controle também sobre P. sorghi.
Mais informações sobre produtos, metodologia de aplicação,
época de aplicação e dose de princípio ativo devem ser consultadas na
página do MAPA, sistema Agrofit ([Link]
Controle químico de doenças da
parte áerea
Para doenças da panícula, há registro no MAPA de cmco
produtos comerciais para controle da doença açucarada, mas todos
eles têm como princípio ativo o tebuconazol (grupo dos triazois). As
arlicações devem ter início a partir da emissão da folha bandeira,
sendo recomendadas pulve1izações a cada cinco dias até a antese, para
evitar que o fungo alcance o ovário e inicie o processo infeccioso.
Para doenças foliares, pesquisas apontam o controle químico
como medida eficiente; porém, não existe nenhum produto registrado
no MAPA. No caso da antracnose, da ferrugem e da helmintosporiose,
vários princípios ativos avaliados apresentaram eficiência com
destaque para a mistura dos grupos dos t1iazois + estrobitulinas
(epocoxiconazol + piraclotrobin, azoxistrobina + ciproconazol,
tebuconazol + trifloxistrobina, propiconazol + trifloxistrobina),
carbendazim para a antracnose e tebuconazol para a fen-ugem e a
helmintosporiose.
Manejo Cultural
Para algumas doenças, como a doença açucarada, para a qual
não se tem encontrado fontes ele resistência, o manejo cultural
constitui imporlanle estratégia para reduzir os prejuízos e danos.
Dentre elas, a utilização de cultivares tolerantes a baixas temperaturas,
evit..!r que a fas e de florescime nto coincida com períodos de baixa
temperatura , remoção ele hospedeiras secundárias e plantas
remanescentes, e proporção adequada de linhagens mac ho-estéreis e
Manejo de doenças 261
restauradoras e coincidência no florescimento entre elas, de forma a
obter quantidade de pólen que garanta a fertilização.
Da mesma forma, o manejo de nematoides deve-se basear na
utilização de vários métodos, uma vez que, devida às características
destes patógenos, nenhum será eficiente se aplicado isoladamente. Os
principais são o uso de genótipos resistentes, controle biológico,
incorporação de matéria orgânica, tratamento físico, utilização de
plantas antagônicas e rotação de cultura com plantas não hospedeiras.
Outra medida que tem apresentado grande potencial de uso
para o controle de doenças em sorgo é a utilização de silício aplicado
como corretivo de solo. Resultados obtidos com sorgo tratados com
silício comprovaram a eficiência no controle da antracnose, sendo este
tipo de efeito benéfico já relatado em outras espécies vegetais como:
aIToz, trigo, aveia e uva dentre outros. Interações entre genótipo e
aplicação de silício também foram encontradas com respostas mais
eficientes em cultivares suscetíveis, sendo esta medida passível de ser
adotada em grandes áreas. O uso de controle biológico para grandes
culturas como soja e sorgo pode favorecer a produção de produtos
orgânicos suprindo a demanda de mercado e melhorando a renda do
produtor.
Embora no sistema de cultivo atual a rotação de culturas tenha
sido substituída pela sucessão de culturas, esta estratégia sempre deve
ser considerada quando se pensa em manejo de doenças.
Controle Biológico
Ainda pouco utilizado em condições de campo para doenças
de sorgo, alguns trabalhos têm avaliado o uso de leveduras como
Saccharomyces boulardii, Saccharomyces cerevisae e Torulosa
globosa, devido a efeitos deletérios para os patógenos, seja através da
síntese de compostos com atividade de antibiose, seja como elicitores
de respostas ele defesa, além de competire m por espaço ao colonizar o
filoplano. A utili zação de S. boulardii e ele extratos de basidiocarpo
ele Pycnopurus sangui11e11s foi testada quanto à indução de fitoalexinas
em plantios ele sorgo e de soj a também com resultados satisfatórios.
Trabalhos com S. cerevisae e T. globosa comprovaram a eficiência
262 Silva, Cora, Costa e Parreira
destas leveduras no controle de Colletotrichum sublineolum atuando
na redução do desenvolvimento da doença nas plantas de sorgo.
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11 COLHEITA
Evandro Chartuni Mantovani1
André May 1
2
Jair Rosas da Silva
Claudio Alves Moreira 2
O sorgo é caracterizado por ser uma espécie com múltiplos
usos, por exemplo, para a produção de grãos (sorgo granífero), etanol
(sorgo sacarina), energia (sorgo biomassa), material vegetal para
si]agem (sorgo forrageiro), pastejo direto (sorgo pastejo), e, por essa
razão, há demandas diferentes dos sistemas de plantio e colheita.
O seu sistema de plantio, portanto, está intrinsecamente
interligado ao sistema de colheita. Assim, no momento de planejar o
ano agrícola da propriedade, o produtor deve ter conhecimento da
capacidade operaciona] dos equipamentos disponíveis, do teor de
umidade para colheita, do tamanho da área a ser trabalhada e das
distâncias médias entre o campo e o local de armazenagem, visando à
máxima eficiência dos processos mecanizados.
Contudo, como em qualquer empreendimento agrícola, o
conhecimento aprofundado da equipe de mecanização sobre todos os
equipamentos e máquinas disponíveis na propriedade é fundamental
para adequada regulagem das semeadoras e colhedoras a serem
1
Engenheiros-Agrônomos, [Link]. e pesquisadon:s da Embrapu Milho e Sorgo, Rod. MG 424, km
65, CP 285, CEP 35.701 -970, Sete L.1goas, MG, [Link] @[Link]:
andre. may@[Link]
! Engenheiros-Agrônomos c pesquisadorl!s do Instituto Agronômko de Campinas (lAC), Av.
Barão de llapura. 1481. Cai xa Postal 28, CEP 1301 2-970, Campinas. SP.
jairrnsas @[Link]
Colh eita 267
utilizadas, estando, essas ações, intimamente correlacionadas com a
produtividade e lucratividade das lavouras implantadas.
Da mesma forma que ocorre no semeio do sorgo, o sistema de
colheita da espécie é variável, conforme o tipo de sorgo utilizado.
Assim, na colheita de sorgo granífero utilizam-se máquinas de grande
porte, conhecidas como colhedoras automotrizes de grão, hoje, muito
comuns no mercado, já que são também empregadas na colheita da
soja (Figura 11.1). Há a opção de colhedoras menores, que podem ser
facilmente acopladas a tratores de médio porte, visando à colheita de
sorgo granífero, conforme apresenta a Figura 11.2 .
Figura 11.1 - Colhedora automotriz de grãos utilizada para colheita de
sorgo granífero em Rio Verde/GO.
Fonte: ALBUQUERQUE, 20 13.
Fig ura 11 .2 - Colhedora de grãos, acoplada ao trator, utili zada para
colheita de sorgo granífero e m pequen,b propriedades,
Sete Lagoas/NIG .
Fonte: VIANA. 20 12.
268 Mantovani, May, Silva e Moreira
A colheita mecânica do sorgo granífero tem que ser planejada
adequadamente para não comprometer a qualidade do grão. Neste
aspecto, o ponto mais importante para regulagem do cilindro trilhador
é saber o teor de umidade do grão na colheita. De acordo com
Mantovani et ai. (1982), o grão de sorgo pode ser colhido
satisfatoriamente, do ponto de vista mecânico, quando sua umidade
estiver entre 20 e 25%. Entretanto, não havendo motivos para se
colher cedo, pode-se aguardar que esta umidade caia para 19% ou
menos. Não havendo secagem artificial, em secadores mecânicos ou
terreiros, deve-se aguardar a redução da umidade para menos de 16%,
ressaltando-se que este deve ser armazenado com um teor de umidade
em torno de 13%. Contudo, como o sorgo é produzido em panículas,
esta recomendação merece algum cuidado para que sejam evitadas
perdas excessivas, bem como danos mecânicos nos grãos.
O sistema de trilha, constituído de cilindro e côncavo,
representa a parte mais importante da colhedora automotriz, porque
determina a qualidade do grão colhido. Neste contexto, a regulagem
deste conjunto é altamente dependente do teor de umidade do grão,
para estabelecer a velocidade de trilha do sorgo. Grãos mais úmidos
(18 a 20%) aceitam e demandam velocidade de trilha alta (600 - 800
rpm), e grãos mais secos ( <16% ), velocidades mais baixas (<600
rpm). O manual do fabricante indica uma tabela com esta
recomendação, mas é preciso que esta seja verificada constantemente.
Outro aspecto importante a considerar, na colheita mecânica, é
conhecer a eficiência do operador na redução das perdas. Para se
evitarem perdas e ter um grão de qualidade, o operador deverá esta
atento a cinco pontos de checagem:
1. Perdas de panículas: regulagem do molinete, em relação à distância
da barra de corte.
2. Perdas de grãos soltos na frente da máquina: velocidade de rotação
do molinete.
3. Grãos soltos atrás da máquina: regulage m do sistema de limpeza,
abertura das peneiras e rotação excessiva do ventilador.
4. Grãos presos à panícula, atrás da máquina: distância entre cilindro e
côncavo e baixa rotação do cilindro.
5. Grãos quebrados ou esmagados no depósito de grãos: regulage m
inadequada elo cilindro e côncavo.
Colheita 269
Um operador bem treinado consegue operar a máquina de
colheita com alta eficiência operacional, colhendo grãos com
qualidade e com perdas abaixo de 6%.
Contudo, para a colheita de sorgo forrageiro, a situação é bem
diferente, já que outros equipamentos devem ser utilizados,
conhecidos no mercado como ensiladoras. Esses equipamentos podem
ser acoplados ao trator, como normalmente ocorre (Figura 11.3),
sendo capazes de colher uma ou duas linhas de sorgo, dependendo do
tipo da máquina.
Hoje, em razão do tamanho das áreas cultivadas para a
produção de silagem, novas máquinas têm surgido no mercado,
conhecidas como colhedoras de forragem autopropelidas (Figura
11.4), caracterizadas por possuírem elevado rendimento operacional,
em virtude de uma plataforma de corte com cerca de 3,5 m de
comprimento (Figura 11.5).
Figura 11.3 - Ensiladora acoplada ao terceiro ponto do trator, utilizada
para colheita de sorgo fotTageiro, conduzida sob
espaçamento entre linhas de 0,5 m, em Sete Lagom, MG.
Fonte: MAY, 20 13.
O rendimento operacional da colhedora de forragem
autopropelida, com plataformas de 3,2 e 3,5 m e potência 450 cv e
545 cv, respectivamente, é em torno de 140 a 160 t h-1, ou seja, 2 a
3 ha h-1 (MA Y et al., 201 2 ).
-----,----..
270 Ma11to va11i, May, Sil va e Moreira
A velocidade de deslocamento das colhedoras de forragen s
precisa ser estabelecida, para evitar o "embuchamento" de material a
ser cortado na entrada do cilindro. Cada equipamento de colheita tem
a ua capacidade de processar o material colhido por unidade de área,
conforme indicado no manual. Em algumas circunstâncias, por
exemplo, a única alternativa para evitar o "embuchamento" é reduzir a
velocidade de deslocamento da colhedora, em locais de alta
produtividade, de até 50 t h-1 (Figura 11.6).
Figura 11.4 - Colhedora autopropelida de fonagem utilizada em
grandes áreas produtoras.
Fonte: MA Y, 2013; MANTOVANI. 2013.
Figura 11.5 - Sorgo com potencial forrageiro conduzido sob
espaçamento reduzido de 0.4 m entre linhas e
120.000 plantas por hectare para colheita com
co lhcdorn autopropelida, em Chapadão do ul/NlS.
Fonte: MAY, 2013 .
Colheita 27 l
Após o processo de corte da massa fresca, normalmente é
feito o transporte para o si lo com carretas acopladas a tratores, ou em
transbordos de grande porte, conforme apresenta a Figura 11.6.
Figura 11.6 - Vista geral da colhedora autopropelida de forragem e
carreta transportadora em área de sorgo forrageiro.
cultivado sob espaçamento reduzido de 0.4 m entre
linhas e 120.000 plantas por hectare, em Chapadão do
Sul/GO.
Fonte: MAY , 2013.
Neste caso, o sistema de colheita também é diferenciado.
obedecendo ao padrão dos equipamentos e das máquinas disponíveis
em usinas de grande porte. Para tanto, geralmente têm sido utilizada
colhedoras de cana (Figura 11.7) para a colheita de sorgo sacm·ino.
sem grandes dificuldades, uma vez que o colmo de orgo se comporta
no interior da máquina da mesma forma como acontece com a colheita
da cana, sendo após o corte, o carregamento e transporte para a
indústria realizados da mesma forma.
O pico ele colheita do sorgo sacarino deve coincidir com o
período de acumulação de açúcares, ou seja, quando o grão fica
pastoso/farináceo, ou entre os estágios leitoso e farináceo, o que
ocorre entre 105 e 125 dias, época do estágio final da cultura. O
272 Mantovani, May, Silva e Moreira
período de colheita é muito curto, de cerca de 30 dias, uma vez que, se
colhida fora da época, há perda de qualidade do produto.
Figura 11.7 - Colhedora de cana utilizada para a colheita de sorgo
sacarina em usinas de grande porte.
Fonte: MAY, 2012.
Em razão das características próprias da planta, por exemplo,
a de colmos relativamente resistentes, o setor sucroenergético emprega
na sua colheita a mesma estrutura de máquinas e veículos de colheita
da cana-de-açúcar, incluindo os modelos de colhedoras, de
transbordas de tipos variados, veículos e caminhões-oficina, de apoio
e bombeiro. São utilizadas também as mesmas instalações industriais
para obtenção de etanol da cana-de-açúcar, considerando que a
moagem deve ser feita com moendas de maiores diâmetros.
Atualmente, a colheita do sorgo sacarino usando as mesmas
máquinas utilizadas na colheita da cana é prática usual no setor
sucroalcooleiro (MANTOVANI et al., 2013). Segundo a empresa
Ceres, o extrator primário da máquina deve ser regulado para atuar
entre 400 e 700 rpm, enquanto o secündário deve ser mantido
desligado. A velocidade da colhedora deve estar entre 4 e 6 knvh ou
até 6,5 km/h, conforme adotado na República D01ninicana. A altura
do corte de base da colhedora deve estar entre 3 e 5 cm, e os
despontadores, abaixo da panícula. A colheita mecanizada pode ser
feita em duas Iinhas de plantio~ contudo, o ideal é que se estenda por
Colheita 273
quatro linhas. Um dos desafios da cultura do sorgo sacari no é a
colheita em 100- 11 O dias, ou seja, o ciclo completo da cultura se
completaria nesse espaço de tempo. A colheita deve ser antecipada em
razão da perda de umidade do solo, isto é, no período de estiagem.
Em estudo comparativo entre as culturas do sorgo sacarina e
cana-de-açúcar realizado no Estado de São Paulo, a produtividade do
sorgo esteve compreendida entre 43 e 50 t/ha, e a da cana, de 82,4
t/ha. A capacidade operacional da colheita do sorgo foi 0,66 ha/h. O
teor de açúcares redutores totais (ATR) do sorgo foi 112 kg/t, e o da
cana, de 140 kg/t. O custo da colheita foi semelhante ao da cana.
R$ 23,96/t para o sorgo sacarino e R$ 21,00/t para a cana.
Em apropriação de custo de colheita do sorgo, o custo apenas
do corte foi R$ 8,37 /t; o do caminhão-transbordo foi de R$ 2,34/; t e
do apoio, R$ 0,61/t. No caso de colheita integral, a velocidade da
colhedora deve estar ao redor de 5,0 km/h. Consideram-se maiores
velocidades, em torno de 7 ,5 km/h, para colheita de colmos.
A densidade do produto colhido, de interesse no transporte,
mostra-se cerca de 30% menor que a da cana, representando custo de
R$12,00/t, sem considerar a depreciação de equipamentos. É comum
ocoITerem problemas na logística de transporte, em razão de a
densidade do sorgo sacarina ser menor que a da cana.
Todos os equipamentos mencionados, plantio e colheita.
podem ser avaliados em relação à sua eficiência operacional. A
capacidade operacional de qualquer equipamento pode ser assim
calculada:
Velocidade (m/h) x Largura(rn) x Fator de campo
Capacidade operacional, ha/h = -----------------------------------------------------------------
10.000 nr2
A tabela a seguir indica valores para fator de campo, nas
difere ntes operações. O valor é dado em porcentagem e indica a
verdadeira eficiência da operação, durante o trabalho realizado,
descontando o tempo de desperdício em manobras, embuchamentos.
abastecimento do trator ou equipamento, descarga de grãos etc .. com
valores médios recomendados. Normalmente, a capacidade
operacional é medida e m ha/h ; e ntretanto, no caso da colheita, o valor
é expresso e m t/h. De acordo co m Hunt ( 1977), a capacidade efetiva
274 Mantovani, May, Silva e Moreira
de uma máquina em ha/h não é um indicador adequado para mostrar a
eficiência das colhedoras. Diferenças em produtividade e condições de
uma cultura podem mostrar uma colheitadeira com baixo rendimento
operacional em ha/h, mas com alto rendimento de massa
colhida(kg/h), quando comparado com máquina semelhante em um
campo com condições. Então, para mostrar a eficiência real de
colheita é sempre bom determinar a área colhida por intervalo de
tempo e a quantidade de grãos colhida naquele tempo.
Tabela 11.1 - Velocidades de trabalho e eficiências de campo (Ec % )
para operações com diferentes máquinas e implementos
agrícolas
Equipamento Velocidade (km /h) Ec(%)
Arados 4-8 70 - 85
Grades pesadas 5-7 70-90
Grades niveladoras 7-9 70 - 90
Escarificadores 5-8 70 - 85
Subsoladores 4- 7 70- 90
Enxadas rotativas 2-7 70- 90
Semeadoras de sementes miúdas 4-8 65 - 80
Semeadoras de sementes graúdas (de precisão)
Plantio direto 3- 7 50- 75
Plantio convencional 4- 8 50 - 75
Cultivadores 3-5 70 - 90
Pulverizadores 5-8 60 - 75
Colhedora de arrasto 3- 6 60 - 75
Colhedora combinada automotriz 3- 6 65 - 80
Colhedora de forragem 4- 7 50 - 75
Ceifadoras 6- 9 75 - 85
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Colheita 275
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