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Amur Cassimo Abdurremane
Aua Alberto Bacar
Felismina Zacarias
Delfina André
Rufino Bernardo
A Política do Ambiente e a sua Regulamentação
Curso de Licenciatura em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Comunitário com
Habilidades em Ecoturismo
Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2022
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Amur Cassimo Abdurremane
Aua Alberto Bacar
Felismina Zacarias
Delfina André
Rufino Bernardo
A Política do Ambiente e a sua Regulamentação
Trabalho de carácter avaliativo a ser entregue ao
Departamento de Geociências, na cadeira de
ARNOT, leccionada no curso de Gestão
Ambiental com habilitações em Ecoturismo no
2° ano, 2° semestre, recomendado pelo docente:
Msc: Talassamo Saide Ali
Universidade Rovuma
Extensão de Cabo Delgado
2022
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Índice
Introdução..................................................................................................................................3
Argumentação teórica................................................................................................................4
1. Conceito de Política............................................................................................................4
1.1. Política do ambiente........................................................................................................4
1.2. Condições básicas da política do ambiente.....................................................................5
1.3. Importância da política ambiental...................................................................................6
1.4. Acções práticas de uma política ambiental.....................................................................7
1.5. Instrumentos de Política do Ambiente............................................................................7
I. Instrumentos regulatórios ou de comando e controle.........................................................7
II. Instrumentos económicos – de mercado ou incitativos...................................................8
III. Instrumentos de cooperação e acordos voluntários.........................................................9
IV. Instrumentos de informação..........................................................................................10
2. Política Moçambicana do Ambiente.................................................................................10
2.1. Objectivos da Política Moçambicana do Ambiente......................................................11
3. Regulamentação da política do ambiente.........................................................................11
Conclusão.................................................................................................................................13
Referência bibliográfica...........................................................................................................14
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Introdução
A magnitude e a complexidade dos problemas ambientais demandam uma acção coordenada
não apenas do Estado, mas de toda a colectividade, para direccionar o conjunto dos recursos
da sociedade rumo à sustentabilidade ambiental, um dos pilares do desenvolvimento
sustentável.
A crescente preocupação com o meio ambiente tem feito com que governos e muitas
empresas estabeleçam políticas ambientais. Estas servem para minimizar os impactos gerados
pelo crescimento económico e urbano no meio ambiente, além de mostrar para os cidadãos e
consumidores quais são os princípios ambientais que devem ser seguidos. Apesar da
relevância dessas políticas como instrumentos para a garantia de um futuro sustentável e o
bem-estar social.
As políticas ambientais são objectivos de acção governamental e não-governamentais
orientados ao uso, controle, protecção e conservação do meio ambiente. Para que se realizem
tais objectivos, mecanismos de gestão e instrumentos legais são produzidos para guiar o planeamento
e o procedimento dos agentes públicos e privados.
Objectivo geral
Analisar as políticas do ambiente e a sua regulamentação
Objectivos específicos
Compreender as políticas do ambiente;
Explicar a regulamentação da política do ambiente;
Classificar os instrumentos da política ambiental
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Argumentação teórica
1. Conceito de Política
De acordo com LEFTWICH (2004: 100), Apud MACKENZIE, a política constitui um
aspecto universal e difuso do comportamento humano e que ocorre sempre que dois ou mais
seres humanos estejam engajados em alguma actividade colectiva, quer seja ela formal ou
informal, pública ou privada.
1.1. Política do ambiente
Segundo Maria Augusta Bursztyn e Marcel Bursztyn (2012), entendem por política ambiental
o conjunto de iniciativas governamentais coordenadas, envolvendo diferentes organismos e
sectores de intervenção pública, em articulação com atores não-governamentais e produtivos,
voltadas à protecção, conservação, uso sustentável e recomposição dos recursos ambientais.
O conceito de política ambiental é apresentado por MALIK
(2007) Apud SALOMÃO (2017), como um conjunto de acções
ordenadas e práticas tomadas por empresas e governos com o
propósito de preservar o meio ambiente e garantir o
desenvolvimento sustentável do planeta. Esta política deve ser
norteada por princípios e valores ambientais que levem em
consideração a sustentabilidade.
A Agenda 21 foi um documento produzido a partir da Conferência do Rio, em 1992, e tinha
como objectivo tornar-se um programa de acção para estimular que práticas sustentáveis de
desenvolvimento fossem traduzidas em políticas públicas. Segundo este documento, políticas
ambientais são objectivos de acção governamental orientados ao uso, controle, protecção e
conservação do meio ambiente (CNUMAD, 1995 Apud SIQUEIRA, 2008).
Portanto, partindo das definições acimas, pode-se dizer que a política do ambiente é um
conjunto de normas, acções e regras de empresas e governo que tem como objectivo a
preservação do meio ambiente e a ocupação com o desenvolvimento da sustentabilidade.
Na visão do SALOMÃO (2017), argumenta que,
Um dos principais desafios do mundo moderno é equilibrar o
desenvolvimento económico com a responsabilidade ambiental, de
forma a alcançar um crescimento sustentável que minimize os
impactos gerados no meio ambiente. Isto tem feito com que muitos
governos e empresas estabeleçam políticas ambientais como
instrumentos para a garantia de um futuro com sustentabilidade e que
favoreçam o bem-estar social, (SALOMÃO, 2017).
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Para SIQUEIRA (2008), salienta que Para que se realizem tais objectivos, mecanismos de
gestão e instrumentos legais são produzidos para guiar o planeamento e o procedimento dos
agentes públicos e privados.
A formulação e a implementação de políticas ambientais dependem
de uma cadeia de agentes sociais, cujos elos vão desde o Estado e os
agentes públicos, a academia e os cientistas, os sectores económicos,
os meios de comunicação até a sociedade civil organizada e a
população em geral. Todos os segmentos sociais têm interesse em que
as políticas ambientais sejam formuladas e executadas de forma a
reflectir o máximo possível as suas pretensões, (SIQUEIRA, 2008).
No entanto, isso possibilita um gasto mais eficiente do dinheiro público, a satisfação da
população com o desempenho dos agentes governamentais, a efectiva protecção ambiental, o
desenvolvimento social e económico sustentável.
1.2. Condições básicas da política do ambiente
Para Maria Augusta Bursztyn e Marcel Bursztyn (2012), a política ambiental é constituída
por um conjunto de objectivos, dispositivos regulamentares e organizacionais, de recursos
humanos e financeiros. Para que os seus objectivos sejam satisfatoriamente atingidos, ela
precisa atender a algumas condições básicas:
Deve ser factível, para que os objectivos possam ser alcançados. Os problemas ambientais
são complexos e exigem soluções que envolvem múltiplos atores e instituições, não raro
envolvidos em conflitos. Isso decorre do fato de que o estabelecimento de regras de
funcionamento das actividades e acções, sejam elas públicas ou privadas, pela política
ambiental, implica mudanças (por vezes onerosas) de certas práticas.
Deve contar com uma base legal sólida e pragmática, para assegurar que os indivíduos,
as instituições e os agentes económicos tenham comportamentos menos agressivos ao
meio ambiente, de forma a não comprometer a qualidade dos meios receptores, nem
exaurir o estoque de recursos ambientais.
Isso significa que os instrumentos coercitivos devem ser plausíveis e que as sanções, em caso
de transgressão, devem ser efectivas. Não basta que existam boas leis; é preciso que elas
sejam realistas e aplicáveis.
Para que as regras sejam efectivas, é preciso instituições públicas consolidadas
legitimadas e fortalecidas. Isso implica não apenas rotinas e procedimentos operacionais
(da política ambiental) claros e transparentes, como também recursos humanos
capacitados.
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A integração e a harmonia com as demais políticas públicas (social, económica,
regional, urbana, educacional, energética, mineral, agrícola, de comércio exterior, dentre
outras) é um ponto nevrálgico. A política ambiental é transversal a todo o tecido social e
institucional, e depende do funcionamento do sistema político e económico real. O seu
carácter transversal faz com os programas ambientais frequentemente sejam baseados em
compromissos entre atores com interesses divergentes, sem que isso implique pactos para
a transgressão das leis.
Sob o ponto de vida estratégico, as políticas ambientais devem estar em consonância com
directrizes políticas nacionais e com opções geopolíticas de escala internacional. Acções
voltadas especificamente ao enfrentamento das mudanças climáticas são um bom
exemplo. Nesse caso, a política ambiental estabelece parâmetros válidos para outros eixos
de políticas públicas nacionais e interage com a esfera da diplomacia, que negocia nos
fóruns internacionais os compromissos nacionais.
Deve manter a flexibilidade para sempre aprimorar e criar novos instrumentos de
intervenção pública de protecção ambiental, em conformidade com a própria dinâmica de
evolução das relações entre sociedade, economia e recursos ambientais. Isso significa
adaptar-se, em tempo razoável, às mudanças em curso.
Deve produzir regularmente informação, sobre o estado e a qualidade ambiental, de
forma a permitir avaliações e a adequação dos meios de regulação. A legitimidade das
acções ambientais do sector público depende, em grande medida, do grau de acerto e
eficiência das medidas adoptadas. Para tanto, a prática de monitoramento torna-se um
imperativo, assim como a definição de indicadores e a sua aferição sistemática. Quanto
maior o grau de transparência (incluindo-se acesso e inteligibilidade) das informações,
menor tende a ser o espaço para conflitos.
1.3. Importância da política ambiental
Segundo SALOMÃO (2017), argumenta que actualmente, quase todos governos e grandes
empresas possuem políticas ambientais. Além de mostrar para os cidadãos e consumidores
quais são os princípios ambientais seguidos, as políticas ambientais servem para minimizar os
impactos ambientais gerados pelo crescimento económico e urbano.
O mesmo autor acima citado, salienta que,
Estas políticas são, portanto, importantes instrumentos para a garantia
de um futuro com desenvolvimento e preservação ambiental. São
também fundamentais para o combate ao aquecimento global,
redução significativa da poluição ambiental (ar, rios, solo e oceanos)
e melhoria na qualidade de vida das pessoas.
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1.4. Acções práticas de uma política ambiental
Para SALOMÃO (2017), distingue as seguintes como algumas acções práticas de uma
política do ambiente:
Adopção de processos de reciclagem;
Acções que visam a redução do consumo de energia;
Acções práticas para evitar o desperdício de água, incentivando o seu consumo racional;
Planeamento urbano adequado por parte dos governos. Nestas acções são importantes
para a preservação de áreas verdes e projectos de arborização urbana;
Uso, sempre que possível, de fontes de energia limpa como, por exemplo, eólica e solar;
As empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo produtivo, devem
adoptar medidas eficazes para que estes poluentes não sejam despejados no meio
ambiente (ar, rios, lagos, solos, etc.);
Criação de produtos com baixo consumo de energia e, sempre que possível, usar
materiais recicláveis numa empresa;
Criação de projectos governamentais voltados para a educação ambiental, principalmente
nas escolas.
1.5. Instrumentos de Política do Ambiente
Segundo GOULDER (2008) Apud SALOMÃO (2017), os instrumentos de política ambiental
podem ser classificados em quatro tipos principais, embora sejam comuns também
instrumentos híbridos, com características presentes em mais de uma tipologia:
I. Instrumentos regulatórios ou de comando e controle
Para GOULDER (2008) Apud SALOMÃO (2017), afirma que os instrumentos regulatórios
ou de comando e controle obrigam a uma acção definida em relação ao meio ambiente. Por
isto, restringem ou limitam as opções disponíveis para as diversas actividades económicas.
Geralmente, estabelecem punições ou sanções para as condutas em desacordo, o que leva à
necessidade de organizar aparato fiscalizatório para seu cumprimento. Os principais tipos de
instrumento reguladores utilizados mundialmente são os padrões, as licenças e o zoneamento.
Vantagens de instrumentos regulatórios ou de comando e controle
Segundo MOURA (2016) Apud SALOMÃO (2017), diz que algumas das vantagens desses
instrumentos como: a previsibilidade, a simplicidade e a possibilidade de aplicação imediata.
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Salienta que, além disso, segundo a autora, os instrumentos de comando e controle passam uma
mensagem política de actuação forte ou rigorosa, por parte do poder público, na protecção ao meio
ambiente. Esta mensagem pode inibir ou prevenir comportamentos indesejáveis.
Desvantagens de instrumentos regulatórios ou de comando e controle
Algumas das desvantagens são a falta de flexibilidade e a ausência de incentivos para as empresas
irem além do mínimo estabelecido pela regulamentação.
Além disso, estes instrumentos demandam complexo aparato institucional necessário para sua
aplicação, como altos custos associados a aplicação desses instrumentos, os quais envolvem processos
burocráticos, esforços fiscalizatórios e estrutura jurídica sólida, ( MOURA, 2016 Apud
SALOMÃO, 2017).
II. Instrumentos económicos – de mercado ou incitativos
Os instrumentos económicos, segundo GOULDER (2008) Apud SALOMÃO (2017),
direccionam e incentivam indirectamente comportamentos favoráveis ao meio ambiente, por
meio de custos ou benefícios associados às alternativas de acção.
Estes tipos de instrumentos, baseiam-se nos princípios de poluidor-
pagador, através da internalização das externalidades ambientais
negativas causadas no processo produtivo; usuário-pagador, que
incentiva ao uso racional dos recursos naturais; ou protector-
recebedor, gerando uma compensação aos que arcam com recursos
privados para beneficiar o meio ambiente. Os principais tipos de
instrumentos económicos que vêm sendo utilizados são as taxas
ambientais, a criação de mercados, os sistemas de depósito e
reembolso e os subsídios, (GOULDER, 2008 Apud SALOMÃO,
2017).
Vantagens dos instrumentos económicos – de mercado ou incitativos
Segundo a percepção da MOURA (2016) Apud SALOMÃO (2017), distingue as seguintes
como vantagens dos instrumentos económicos:
A flexibilidade e a liberdade de escolha que proporcionam: pois permitem que os
agentes optem pelos meios mais adequados as suas realidades ou busquem soluções
próprias e, muitas vezes, inovadoras para a solução dos problemas ambientais;
Geralmente possuem capacidade de incentivo dinâmico: ou seja, como
comportamentos ambientalmente favoráveis se traduzem em benefícios ou custos
menores nos processos produtivos, a tendência é que se procure melhoria progressiva ou
contínua da qualidade ambiental;
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Podem reduzir gastos públicos regulatórios e permitir a arrecadação de recursos que
podem ser revertidos em outras políticas.
Desvantagens dos instrumentos económicos – de mercado ou incitativos
Além das vantagens apresentadas, a MOURA (2016) Apud SALOMÃO (2017), sublinha as
seguintes como vantagens dos instrumentos económicos:
No entanto, alguns desses instrumentos, principalmente quando geram custos, e não
incentivos ou oportunidades, podem ser de mais difícil aprovação por parte do
Legislativo, devido à possível resistência do sector produtivo afectado;
São também de mais difícil concepção por parte dos órgãos ambientais e exigem a
actuação conjunta de outras áreas do governo, como as áreas orçamentárias ou
económicas;
A aplicação dos instrumentos económicos deve ser avaliada periodicamente, para que
sejam feitas as adaptações necessárias, de acordo com a evolução do contexto económico.
III. Instrumentos de cooperação e acordos voluntários
Segundo SALOMÃO (2017), os instrumentos voluntários e de cooperação abrangem os
diversos instrumentos de carácter voluntário e de cooperação entre os entes envolvidos, tais
como: contratos negociados, compromissos e acordos voluntários, auto-regulação voluntária
e instrumentos de cooperação interinstitucional.
Vantagens dos Instrumentos de cooperação e acordos voluntários
Para MOURA (2016) Apud SALOMÃO (2017), também apresenta algumas vantagens
desses instrumentos, tais como: a flexibilidade, a redução de burocracia entre instituições e a
possibilidade de redução de custos para as partes envolvidas.
Desvantagens dos Instrumentos de cooperação e acordos voluntários
Por outro lado, também dificultam, por parte do poder público, a definição de metas a serem
atingidas ou a previsão de cenários de referência. Além disso, caso não se traduzam em
medidas práticas, alguns compromissos assumidos podem se converter em acordos vazios,
apenas de aparência, ou acções pouco efectivas, (MOURA, 2016 Apud SALOMÃO, 2017).
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O autor salienta que, por este motivo, estes instrumentos raramente são utilizados de forma
isolada e geralmente compõem um conjunto de medidas que abrange, também, instrumentos
de comando e controle, de informação ou económicos.
IV. Instrumentos de informação
Segundo SALOMÃO (2017), os instrumentos de informação buscam orientar, influenciar ou
persuadir os agentes públicos ou privados a actuarem de forma benéfica ao meio ambiente,
através da disponibilização de informações e da disseminação de valores favoráveis a
sustentabilidade.
Tem como base a produção e a divulgação de dados sobre qualidade e
gestão ambiental, estudos, avaliações, diagnósticos, materiais
didácticos e conhecimento científico. Abrangem, ainda, o marketing
direccionado aos temas ambientais e à rotulagem ambiental, por meio
de certificações e selos ambientais que disponibilizam informações
sobre produtos ao público consumidor, (SALOMÃO, 2017).
Vantagens dos Instrumentos de informação
A principal vantagem dos instrumentos de informação é que estes podem levar a resultados
sustentáveis, quando resultam em mudanças culturais e de valores. Sendo assim, uma vez
absorvidos os novos valores como parte da conscientização dos indivíduos, estes continuam
tendo efeito mesmo após mudanças de gestão e implementações de novas políticas,
(SALOMÃO, 2017).
Desvantagens dos Instrumentos de informação
Contudo, por serem de carácter mais educativo para a população em geral, são mais lentos
em seus resultados, pois exigem mudanças culturais e de hábitos comportamentais de cada
indivíduo.
Além disto, possuem um alto custo para provocar esse tipo de mudança e para realizar o
monitoramento da qualidade dos recursos naturais, colectar dados ambientais para manter os
sistemas de informação actualizados, realizar estudos e pesquisas etc., (SALOMÃO, 2017).
2. Política Moçambicana do Ambiente
Segundo a Constituição da República (1995), a política nacional do ambiente representa o
instrumento através do qual o governo reconhece de forma clara e inequívoca a
interdependência entre o desenvolvimento e o ambiente.
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Por outra, a constituição considera que é um meio para a execução, no país, de políticas sócio
e macroeconómicas ambientalmente aceitável, visando promover e impulsionar um
crescimento económico que se fundamente, tanto quanto possível, nos preceitos universais do
desenvolvimento sustentável.
2.1. Objectivos da Política Moçambicana do Ambiente
A Constituição da República (1995), diz que o objectivo principal da política do ambiente é
de assegurar um desenvolvimento sustentável do país, considerando as suas condições
específicas, através de um compromisso aceitável e realístico entre o progresso
socioeconómico e a protecção do ambiente.
A mesma constituição, salienta que a política nacional do ambiente visa:
Assegurar a gestão dos recursos naturais e do ambiente em geral, de modo que
mantenham a sua capacidade funcional e produtiva para as gerações presentes e futura;
Desenvolver uma consciência ambiental da população, para possibilitar a participação
pública na gestão ambiental;
Assegurar a integração de considerações ambientais na planificação socioeconómica;
Promover a participação da comunidade local na planificação e tomada de decisões sobre
o uso dos recursos naturais;
Proteger os ecossistemas e os processos ecológicos essenciais;
Integrar os esforços regional e mundial na procura de soluções para os problemas
ambientais.
3. Regulamentação da política do ambiente
As leis e regulamentações ambientais só são úteis na medida que as empresas são persuadidas
a cumpri-las, em parte ou completamente. Porém, como a adequação ao conjunto de padrões
determinados por estas regulamentações costuma ser algo muito custoso para as firmas, estas
muitas vezes, ao invés de investir no cumprimento das regulamentações e na adequação aos
padrões estabelecidos, preferem investir em alternativas para dificultar que sejam
inspeccionadas pelos órgãos fiscalizadores competentes, (SALOMÃO, 2017).
Os agentes que elaboram as políticas ambientais e as regulamentações a serem seguidas
também precisam determinar as melhores acções estratégicas para inspeccionar o
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cumprimento dos conjuntos de padrões ambientais estabelecidos, uma vez que estas
inspecções lhe são custosas.
Devem ser ásperas o suficiente para garantir o incentivo adequado para a prevenção, mas ao
mesmo tempo indulgentes o suficiente para garantir que as firmas prefiram cumprir com as
regulamentações ao invés de buscar outras alternativas prejudiciais ao meio ambiente e que
dificultem a inspecção.
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Conclusão
A política constitui um aspecto universal e difuso do comportamento humano e que ocorre
sempre que dois ou mais seres humanos estejam engajados em alguma actividade colectiva,
quer seja ela formal ou informal, pública ou privada.
A formulação e a implementação de políticas ambientais dependem de uma cadeia de agentes
sociais, cujos elos vão desde o Estado e os agentes públicos, a academia e os cientistas, os
sectores económicos, os meios de comunicação até a sociedade civil organizada e a
população em geral. Todos os segmentos sociais têm interesse em que as políticas ambientais
sejam formuladas e executadas de forma a reflectir o máximo possível as suas pretensões.
Quase todos governos e grandes empresas possuem políticas ambientais. Além de mostrar
para os cidadãos e consumidores quais são os princípios ambientais seguidos, as políticas
ambientais servem para minimizar os impactos ambientais gerados pelo crescimento
económico e urbano.
Estas políticas são, portanto, importantes instrumentos para a garantia de um futuro com
desenvolvimento e preservação ambiental. São também fundamentais para o combate ao
aquecimento global, redução significativa da poluição ambiental (ar, rios, solo e oceanos) e
melhoria na qualidade de vida das pessoas.
As leis e regulamentações ambientais só são úteis na medida que as empresas são persuadidas
a cumpri-las, em parte ou completamente.
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Referência bibliográfica
BURSZTYN, Maria Augusta; BURSZTYN, Marcel (2012); Fundamentos De Política E
Gestão Ambiental-Caminhos Para A Sustentabilidade; editora Garamond, Rio de Janeiro.
Constituição da República de Moçambique, Conselho de Ministros 1995 (06 de Dezembro de
1995); Boletim da República, I Série-numero 49.
MACKENZIE, Iain; Política.
SALOMÃO, Gabriel Meyer (2017); Regulamentação de política ambiental sob a óptica da
Teoria dos Jogos Evolucionários. Rio de Janeiro 81p. Dissertação de Mestrado-
Departamento de Engenharia Industrial, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
SIQUEIRA, Leandro de Castro (2008); Política Ambiental Para Quem? - Ambiente &
Sociedade. Capina V. XI n.2. Brasil.