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CENTRO PAULA SOUZA
ETEC JOÃO MARIA STEVANATTO
ETIM Técnico em Química
Luna Rebeca
Miguel Rosa
Ryan de Paula Nani Manrique
Sabrina Fruchi
Thiago Felipe de Godoy Ribeiro
CONFECÇÃO E ANÁLISE DO SABONETE EM BARRA A BASE DE
CINZAS DE MADEIRA COM ÓLEOS VEGETAIS
ITAPIRA
2024
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Luna Rebeca
Miguel Rosa
Ryan de Paula Nani Manrique
Sabrina Fruchi
Thiago Felipe de Godoy Ribeiro
CONFECÇÃO E ANÁLISE DO SABONETE EM BARRA A BASE DE
CINZAS DE MADEIRA COM ÓLEOS VEGETAIS
Trabalho de conclusão de curso
apresentado ao curso Técnico em química
da Etec João Maria Stevannato, orientado
pelo Prof. Elvis Virgílio, como requisito
parcial para obtenção do título de técnico
em química.
ITAPIRA
2024
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RESUMO
A soda cáustica, comumente utilizada na produção de sabões e sabonetes, é um
reagente potencialmente nocivo à saúde humana e ao meio ambiente, podendo
causar danos na pele e afetar a vida marinha se não utilizado corretamente, pensando
nisso, o uso de outros reagentes como alternativas mais sustentáveis e seguras do
que a soda cáustica passa a ser mais atrativo. Sendo assim, neste trabalho de
conclusão de curso realizou-se a confecção e análise de um dos potenciais
concorrentes a substituto da soda cáustica: as cinzas de madeira, já sendo usada nos
chamados sabões neutros, é dito que as cinzas de madeira além de não prejudicarem
a pele, possuem propriedades contra queimaduras além de tratar dermatites. (o resto
a gente faz depois do tcc pronto)
Palavras Chaves: Sabonete, Cinzas de madeira, Soda Cáustica
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ABSTRACT
Caustic soda, commonly used in the production of soaps and soaps, is a reagent that
is potentially harmful to human health and the environment, and can cause damage to
the skin and affect marine life if not used correctly. With this in mind, the use of other
reagents such as More sustainable and safer alternatives than caustic soda become
more attractive. Therefore, this course conclusion work carried out the creation and
analysis of one of the potential competitors as a substitute for caustic soda: wood ash,
already being used in so-called neutral soaps, it is said that wood ash, in addition to
not harm the skin, have properties against burns in addition to treating dermatitis.
Keywords: Soap, Wood ash, Caustic soda
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO_______________________________________________________________ 5
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1 INTRODUÇÃO
Segundo historiadores, foi por volta de 600 a.C que o sabão foi inventado pelos
fenícios. Eles ferviam banha de cabra com água e cinzas de madeira e obtiveram um
sabão cremoso. Mas foi apenas no século VII com os árabes, que o processo de
saponificação com a soda cáustica foi descoberto, onde os mesmos misturavam óleos
naturais, gordura animal e soda cáustica e após fervido, a mistura endurecia, assim
surgindo o primeiro sabão sólido (BIGIO, 2016).
O sabão é um produto saneante amplamente utilizado para limpeza de objetos e
ambientes, sendo resultado de uma reação de saponificação, ou seja, de um álcali e
de uma matéria graxa. São geralmente constituídos de um grupo polar representado
pelo grupamento COONa e um grupo apolar que usualmente é uma cadeia carbônica
linear de quantidade variável (COSTA, 2015).
Já o termo “sabonete” teve origem na França, com a palavra Savon (BIGIO, 2016),
cujo refere-se ao produto de higiene pessoal, feito especificamente para limpeza dos
tecidos do corpo humano, embora o sabonete também seja considerado um tipo de
sabão, os sabonetes costumam ter um nível de álcali mais baixo para prevenir irritação
na pele e de contra partida, uma maior quantidade de óleos nobres (como: óleo de
coco, óleo de amêndoas, óleo de Argan, entre outros tipos), pois os mesmos tem como
característica proteger a derme do ataque de álcalis (ALBERTO, 2020).
Atualmente no mercado mundial, a maioria dos sabonetes utilizam como base o
Hidróxido de Sódio (NaOH), popularmente conhecido como soda cáustica, que é
altamente instável e corrosivo. Quando entra em contato com o solo ou a água,
desencadeia um aumento significativo no pH, fazendo com que aconteça poluição e
degradação na natureza (CETESB).
Sendo assim, foi proposto como possível substituto à soda cáustica, as cinzas de
madeira, material já utilizado em sabões no passado, mas que teve seu uso
amplamente reduzido após a descoberta da soda cáustica. Deste modo visa-se
descobrir se as cinzas podem ser tão eficientes quanto a soda cáustica nos sabonetes.
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2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL
Confeccionar e analisar a eficácia de um sabonete a base de cinzas de madeira
e óleos vegetais.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Encontrar uma potencial alternativa para a soda cáustica na produção de
sabões e sabonetes a fim de reduzir seu uso na indústria e diminuir os
impactos ambientais.
• Entender o motivo do desuso das cinzas de madeira nos sabões e
sabonetes contemporâneos.
• Testar eficácia antibacteriana e de limpeza do sabonete produzido.
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3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1 Sabonete
De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 752, de 19 de
setembro de 2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sabonete
é definido como:
“Produto de higiene pessoal, Grau 1, sólido, semissólido ou em gel, destinado
à limpeza da pele, com propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação
de segurança e eficácia não seja inicialmente necessária [...].”
3.2 História dos sabões e sabonetes
O primeiro produto químico destinado à limpeza, conhecido pelo homem, é o
sabão. Sua origem remonta há cerca de 2300 anos, quando os fenícios
começaram a prepará-lo a partir do sebo de cabras e cinzas de madeira por volta
do ano 600 a.C. Posteriormente, os sabões eram ocasionalmente utilizados como
moeda de troca com os gauleses (UCHIMURA, 2007).
Somente no segundo século d.C., o sabão é mencionado como agente de
limpeza, conforme relatos árabes. Na Itália, sua notoriedade se deu graças à
presença de batedores nas legiões romanas, cuja função era registrar as
inovações culturais dos povos conquistados. Esses batedores aprenderam as
técnicas de produção do sabão na Alemanha, onde o produto era denominado
"sapo" (RIBEIRO et al. 2010).
Embora tenha sido muito apreciado nas termas romanas, a produção e o
consumo de sabão declinaram consideravelmente após a queda do Império
Romano em 476 d.C. Gauleses e germânicos dominavam a técnica de fabricação
de sabão, e no século I d.C., o produto era obtido através de um processo primitivo
de fervura de sebo caprino com cinzas de faia, resultando em um sabão de
qualidade inferior. Foi somente no século IX que o sabão começou a ser
comercializado como um produto de consumo na França, onde também surgiram
as primeiras indústrias de sabão, especialmente na cidade de Marselha. Logo em
seguida, outras indústrias de sabão surgiram nas cidades italianas de Savona,
Veneza e Gênova (ENGEL et al., 2011).
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3.3 Estrutura de um sabonete
Os sabonetes são compostos por uma parte hidrofílica, chamada de "cabeça",
que é solúvel em água, e uma parte hidrofóbica, chamada de "cauda", que é
insolúvel em água. Devido a essa natureza anfifílica, quando o sabão é adicionado
à água, ele forma estruturas esféricas chamadas micelas (Grupo PCC, 2021).
Figura 1 – Cabeça polar e Cauda apolar do sabão
Fonte: O mundo da química.
Figura 2 – Estrutura de uma Micela
Fonte: infoescola.com
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3.3.1 Saponificação
O sabão é um produto obtido a partir da reação química de um álcali e
uma matéria graxa, usualmente chamada de reação de saponificação.
A reação de saponificação ocorre quando um ácido graxo, como os óleos,
é combinado com uma base forte e aquecido, resultando em hidrólise para
formar glicerol e o sal do ácido graxo. Esse sal possui uma parte hidrofóbica,
composta por uma cadeia carbônica longa, e uma parte hidrofílica,
representada pelo grupo carbonila da cadeia. Por essa razão, esses sais são
capazes de se dissolver tanto em gorduras quanto em água (PERUZZO;
CANTO, 2006).
Figura 3 – Exemplo de uma reação de saponificação
Fonte: Sousa, 2008
O composto 1 é um glicerídeo (óleo ou gordura).
O composto 2 é uma base, no caso apresentado, trata-se do hidróxido de
potássio.
O composto 3 é um trialcool, glicerina ou glicerol.
Quanto aos compostos 4, trata-se de uma mistura de sais de potássio de cadeia
longa (sabão).
O sabão pode variar segundo a composição e segundo o método de fabricação.
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3.4 Cinzas de madeira
As cinzas de madeira são um subproduto complexo e multifacetado do
processo de combustão da biomassa lenhosa, contendo uma variedade de
componentes inorgânicos que desempenham papéis significativos na sua
utilidade para diferentes aplicações, incluindo a formulação de sabonetes. Uma
análise química detalhada das cinzas revela a presença de diferentes espécies
químicas e suas contribuições para as propriedades e benefícios do produto final.
3.4.1 Propriedades Esfoliantes e Abrasivas
As cinzas de madeira são compostas por partículas finas e abrasivas, o
que as torna eficazes como agentes esfoliantes na formulação de sabonetes.
Essas partículas auxiliam na remoção de células mortas da pele, promovendo
uma esfoliação suave e estimulando a renovação celular. (NETO, et al.,2008)
3.4.2 Ação Alcalina
Devido à presença de compostos alcalinos, como carbonatos e óxidos
básicos, as cinzas de madeira conferem propriedades alcalinas ao sabonete.
Isso pode ajudar a neutralizar a acidez da pele e a remover impurezas oleosas,
contribuindo para uma limpeza mais profunda.
3.4.3 Propriedades Adsorventes
A estrutura porosa das cinzas de madeira permite que elas atuem como
agentes adsorventes, capturando impurezas e excesso de oleosidade da pele.
Essa capacidade adsorvente é especialmente útil para remover toxinas e
poluentes ambientais, deixando a pele mais limpa e revitalizada. (NETO, et
al.,2008)
3.4.4 Conteúdo Mineral
As cinzas de madeira são ricas em minerais como potássio, cálcio,
magnésio e sílica. Esses minerais desempenham papéis importantes na saúde
da pele, contribuindo para sua integridade estrutural, regulação do equilíbrio
hídrico e proteção contra danos oxidativos. (CGPE 15433,EMBRAPA,2019)
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3.4.5 Atividade Antimicrobiana
Alguns componentes presentes nas cinzas de madeira, como o potássio,
demonstraram ter propriedades antimicrobianas. Isso pode ajudar a combater
a proliferação de bactérias e fungos na pele, reduzindo o risco de infecções e
irritações cutâneas. (Figueiredo et al., 2008)
3.4.6 Composição Química
A composição química das cinzas varia de acordo com a madeira
utilizada, mas geralmente inclui:
Potássio (K2O):Promove ação adstringente e emoliente no sabão.
Carbonato de sódio (Na2CO3):Contribui para a limpeza eficaz e a
emoliência da pele.
Óxido de cálcio (CaO): Aumenta a dureza do sabão e pode contribuir
para a formação de espuma.
Óxido de magnésio (MgO):Possui propriedades adstringentes e
emolientes.
Fósforo (P2O5):Auxilia na limpeza e pode contribuir para a formação de
espuma.
Silício (SiO2):Atua como abrasivo suave e pode ajudar na limpeza de
superfícies (ROSSI, MONTEIRO e VIEIRA, 2011).
3.4.7 Propriedades Relevantes para a Produção de Sabão
Alcalinidade: As cinzas possuem pH alcalino, essencial para a reação de
saponificação que transforma óleos e gorduras em sabão.
Poder de Limpeza: A combinação de potássio, carbonato de sódio e
outros minerais confere às cinzas grande poder de limpeza.
Emoliência: O carbonato de sódio e outros minerais hidratam a pele, deixando-
a macia e suave.
Ação Adstringente: O potássio ajuda a remover impurezas e oleosidade
da pele.
Sustentabilidade: A utilização de cinzas de madeira contribui para a
redução de resíduos e promove a produção sustentável de sabonetes.
(ROSANA,2011)
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3.4.8 Influência na Produção de Sabão
Quantidade de Cinzas: A quantidade de cinzas utilizada impacta na
concentração de álcali na mistura e, consequentemente, no pH e dureza do
sabão final.
Tipo de Madeira: A madeira utilizada influencia na composição química
das cinzas e, por conseguinte, nas propriedades do sabão.
Preparo das Cinzas: Peneirar e armazenar as cinzas de forma adequada
garante a qualidade do sabão final. (CGPE 15433,EMBRAPA,2019)
3.5 Hidróxido de Sódio (Soda Cáustica)
Os impactos da soda cáustica no meio ambiente são bastante expressivos, já
que o hidróxido de sódio é altamente instável e corrosivo. Quando entra em
contato com o solo ou a água, desencadeia um aumento significativo no pH,
fazendo com que aconteça poluição e degradação na natureza. Quando
despejado ou feito o descante incorreto, tem riscos de entrar em contato com
cursos d’água, solos, fauna e flora. A soda cáustica é também prejudicial para os
seres humanos, podendo causar danos a pele, vias aéreas e chegando até ser
fatal outra coisa que devemos tomar cuidado é quando ela reage com água, pois
ocorre uma reação exotérmica que libera bastante calor e nos queimando. Outra
coisa que ela consegue fazer é danificar tubulações das infraestruturas,
conseguindo corroer os canos (CETESB).