Das obrigações
alternativas, divisíveis
e indivisíveis
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar o que são obrigações alternativas.
Definir obrigações divisíveis e indivisíveis.
Interpretar a jurisprudência e as normas acerca das obrigações alter-
nativas, divisíveis e indivisíveis.
Introdução
Entre as diversas modalidades de obrigações, as alternativas se apresen-
tam como a modalidade de maior flexibilidade da matéria, objetivando
a menor onerosidade do devedor na maioria dos casos. Isso é diferente
do que ocorre com as obrigações divisíveis e indivisíveis, que, por sua vez,
primam pela equidade na realização das prestações frente aos sujeitos
das obrigações. Para tanto, mesmo que a indivisibilidade seja a regra
geral das obrigações, por vezes, ocorre a divisibilidade, principalmente
quando da pluralidade de sujeitos, buscando o objetivo da igualdade.
Neste capítulo, você vai ler sobre as obrigações alternativas e as obri-
gações divisíveis e indivisíveis, explorando a jurisprudência e as normas
que permeiam essas modalidades de obrigações.
Das obrigações alternativas
As obrigações alternativas ocorrem quando há duas ou mais prestações, mas
apenas uma deverá ser realizada. A escolha da prestação pode ser feita tanto
pelo devedor quanto pelo credor, mas preferencialmente pelo devedor. Afirma
Caio Mário Pereira (2013, p. 105) que a obrigação alternativa “[...] é uma figura
2 Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis
obrigacional peculiar, na qual o vínculo abrange um conjunto de objetos, dos
quais um só tem de ser prestado”. Desse modo, quando o objeto da obrigação
tem uma única prestação, é considerado simples. Contudo, quando há mais
de uma prestação a ser escolhida, devendo ser prestada apenas uma, trata-se
de obrigação alternativa.
Quando a obrigação não é simples, ela é complexa ou composta. Entre as obrigações
complexas, há a obrigação alternativa estudada neste capítulo. Entretanto, há outras
modalidades além da alternativa, como as obrigações cumulativas e facultativas.
As obrigações cumulativas também possuem pluralidade de prestações, mas, em vez
de uma ser escolhida, todas devem ser realizadas, ou seja, se, por exemplo, existem três
prestações na obrigação, todas devem ser realizadas de forma simultânea ou sucessiva.
As obrigações facultativas, diferentemente das outras, não possuem pluralidade de
prestações, mas uma prestação única, que, por algum motivo, poderá o devedor, e
somente ele, realizar prestação diversa. É o caso, por exemplo, do devedor que tem a
obrigação de entregar um veículo, porém, por algum motivo, fica impossibilitado e,
para não cair em mora, realiza a prestação pagando em dinheiro o valor do veículo.
A modalidade de obrigação alternativa pode ter como objeto duas ou mais
coisas ou dois ou mais fatos ou, ainda, um fato e uma coisa. Considere este
exemplo. Beto realizou contrato de seguro com a seguradora Alfa S.A. sobre
o seu veículo 0 km. Após dois meses, ocorre um sinistro com o seu veículo,
acarretando perdas de 30%. Beto, credor do prêmio, ao ler a apólice de segu-
ros, percebe que poderá escolher entre consertar o seu veículo ou receber um
veículo novo. Assim, Beto escolheu um veículo novo, e a seguradora pagou
o valor referente à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) do
seu veículo 0 km.
No caso relatado, Beto poderia escolher uma das alternativas que a segu-
radora lhe oferecia, mas não poderia ficar com as duas, ou seja, não poderia
ficar com o conserto do seu veículo e com um veículo novo. Daí a obrigação ser
alternativa, pois, na própria obrigação, há várias prestações possíveis, porém
somente uma deverá ser escolhida e realizada. No caso em tela, a escolha foi
do credor, mas, em outras formas de obrigações, pode ser do devedor.
Dessa maneira, no que concerne à escolha da prestação nas obrigações
alternativas, temos a possibilidade de escolha por parte do credor, do devedor
Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis 3
ou até mesmo de terceiros. No entanto, deve ficar cristalino que, não havendo
disposição expressa na obrigação a quem incumbe a escolha da prestação,
o titular da escolha será sempre o devedor. Portanto, para que a escolha
prestacional recaia para o credor ou para terceiros, esta deve estar de forma
expressa na obrigação. Assim dispõe o art. 252 do Código Civil (BRASIL,
2002, documento on-line): “Art. 252 Nas obrigações alternativas, a escolha
cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou”.
Se a escolha ficar a cargo de terceiro, o que só ocorrerá com acordo entre o credor e o
devedor, deverá ser um ato de equidade. Portanto, a escolha não poderá recair sobre
a prestação pior para o devedor nem para o credor. Assim, caso ocorra arbitrariedade
na escolha do terceiro, esta poderá ser impugnada tanto pelo credor quanto pelo
devedor, diferentemente do que ocorre quando a escolha se dá pelo devedor ou pelo
credor, pois esta não poderá ser contraditada ou objeto de recurso.
Caso o terceiro não queira ou fique impossibilitado de realizar a escolha por motivo
qualquer, o credor e o devedor poderão entrar em consenso sobre a escolha, que, se
por ventura não ocorrer, ficará a cargo do juiz.
Ademais, deve ficar claro que o terceiro não é conciliador do conflito, mas a pessoa
de confiança de ambas as partes para realizar apenas a escolha.
De qualquer sorte, ficando o devedor com a escolha da prestação a ser
realizada, não poderá exigir que o credor aceite, nas obrigações alternativas,
uma parte de uma prestação e outra parte de outra prestação para completar
o adimplemento da obrigação. Assim, mesmo que o objetivo da obrigação
alternativa seja tornar menos gravoso para o devedor, daí a escolha, em re-
gra, ser do devedor, não poderá este tornar as alternativas mistas, ou seja, o
devedor deverá prestar uma prestação por inteiro ou outra por inteiro e não
uma parte de cada uma.
Salientamos que a obrigação alternativa, mesmo havendo escolha, não tem
relação com a obrigação de dar coisa incerta, pois, na alternativa, a coisa ou
o fazer são certos, havendo escolha somente sobre qual das prestações certas
deve ser realizada, enquanto que, na obrigação incerta, não há certeza sobre
a coisa. Outro ponto diz respeito ao modo de execução da prestação, já que,
se a escolha recair sobre isso, não há o que se falar em obrigação alternativa.
Nesse caso, podemos utilizar o exemplo de pagar uma quantia e a escolha
4 Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis
permear entre o pagamento em dinheiro ou depósito bancário. Assim, a escolha
é somente sobre o modo de executar o pagamento e não sobre a prestação,
portanto, não se refere às obrigações alternativas.
As obrigações alternativas devem ser de escolha livre sobre a prestação
que será realizada por quem ficou incumbido da tarefa. Caso tal escolha não
seja livre, não se trata de obrigação alternativa. Paulo Lôbo (2011, p. 123) traz
exemplos de obrigações que não são alternativas:
São exemplos: a) se o negócio jurídico estipular que, se a prestação x não
puder ser praticada, deverá ser substituída pela prestação y; b) se o devedor
não executar a obrigação, terá de prestar perdas e danos, mais juros e atu-
alização monetária (art. 389 do Código Civil). Na obrigação alternativa, ao
contrário, já se deve apenas uma prestação, que ainda não está determinada,
mas que o será pela escolha.
Ocorrendo a escolha, esta retroage ao início da tratativa, tornando-a uma
obrigação simples. Em outras palavras, é como se aquela obrigação, após a
escolha, fosse sempre de uma única prestação. Essa eficácia é velha conhecida
do Direito por meio do instituto romano ex tunc, ou seja, a ideia é que, após a
escolha da obrigação alternativa, essa qualidade nunca tenha existido, ficando
somente a obrigação simples com única prestação para todos os efeitos.
De qualquer forma, o devedor não se exonera da obrigação ao realizar a
escolha, mas sim quando da efetivação da prestação escolhida. No entanto,
uma vez escolhida a prestação, não poderá aquele que escolheu modificar ou
trocar tal prestação. Nesse cerne, cabe buscar qual o momento que se efetiva a
escolha da prestação, pois há divergência na doutrina sobre esse ponto. Para a
doutrina majoritária, que inclui os mestres Orozimbo Nonato e Orlando Gomes,
vale a teoria da declaração, o momento da escolha é aquele que a informação
sobre a escolha realizada chega para a outra parte. Para a doutrina minoritária,
o momento da escolha somente ocorre no início da execução da prestação.
Por outro lado, em caso de prestações de execução sucessiva, poderá o
devedor, se a ele incumbe a escolha, escolher a outra prestação alternativa
para adimplir, com fundamento no art. 252, § 2º, do Código Civil. Salientamos
que há uma grande diferença entre as obrigações de execução imediata e de
execução duradoura, já que, na primeira, uma vez escolhida a prestação a ser
realizada, o devedor não poderá mais substituir pela alternativa, enquanto que,
na segunda, como deverá prestar periodicamente, a cada prestação, poderá
ocorrer uma escolha diferente entre as alternativas.
Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis 5
A obrigação alternativa não deverá ser entendida como obrigação condicional. Afirma
Caio Mário Pereira (2013, p. 106) que a alternativa se distingue da condicional:
[...] em que esta se acha na dependência de um acontecimento futuro e
incerto, enquanto naquela o objeto é sempre certo, ficando a solução
apenas dependente da escolha. A obrigação alternativa também não se
confunde com a obrigação acompanhada de cláusula penal.
Da impossibilidade da prestação alternativa
Na obrigação alternativa, ao ocorrer a impossibilidade de cumprimento, sem
culpa do devedor, de uma das prestações, a obrigação continuará em vigor,
pois haverá a prestação alternativa para adimplir a obrigação. Nesse sentido,
demonstra Carlos Roberto Gonçalves (2010, p. 108) que essa é uma das dife-
renças entre a obrigação alternativa e a obrigação facultativa, a saber:
As obrigações facultativas apresentam certas semelhanças com as obrigações
alternativas, sendo aquelas, em realidade, uma espécie do gênero destas, um
tipo de sui generis da obrigação alternativa, sob certos aspectos, ao menos do
ponto de vista do devedor, que escolhe entre uma ou outra solução da obrigação.
Todavia, malgrado a semelhança apontada, diferem as obrigações alternati-
vas das facultativas não só na questão da escolha, mas também nos efeitos
da impossibilidade da prestação. Se perece um único objeto in obligatione,
sem culpa do devedor, resolve-se o vínculo obrigacional, não podendo o
credor exigir a prestação acessória. [...] A obrigação alternativa, no entanto,
extingue-se somente com o perecimento de todos os objetos, e será válida se
apenas uma das prestações estiver eivada de vício, permanecendo eficaz a
outra. A obrigação facultativa restará totalmente inválida se houver defeito
na obrigação principal, mesmo que não o haja na acessória.
O Código Civil (BRASIL, 2002) dispõe de duas impossibilidades no que
tange às obrigações alternativas:
quando a prestação se torna inexequível por motivo superveniente;
quando a prestação for nula por ser impossível ou ilícita, por isso, não
poderá ser objeto da obrigação.
6 Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis
Entretanto, quando ocorrer um dos motivos elencados em uma das pres-
tações alternativas, a obrigação não será prejudicada, pois restará a outra
prestação para ser realizada, possibilitando o adimplemento da obrigação.
Portanto, mesmo que o objeto seja nulo, o que, em regra geral, levaria à ex-
tinção da obrigação, no caso das obrigações alternativas, continua vigorando,
já que a prestação remanescente pode ser cumprida, não havendo disposição
em contrário na própria obrigação.
Contudo, caso haja impossibilidade para todas as prestações alternativas,
ocasionando a extinção da obrigação, advirão as situações constantes no
Quadro 1.
Quadro 1. Quando da impossibilidade para todas as prestações alternativas
Escolha Culpa Solução
Indiferente Sem culpa do Considerar-se-á resolvida a obrigação
devedor
Credor Credor Responsabilidade por perdas e danos
Devedor Devedor Pagará o valor correspondente
à última prestação, mais
indenização por perdas e danos
Credor Devedor Poderá o credor exigir o valor de
qualquer das prestações, mais
indenização por perdas e danos
Terceiro Credor Considerar-se-á resolvida a obrigação
Terceiro Devedor Indenização do valor da prestação
escolhida pelo terceiro
Definição das obrigações divisíveis
e indivisíveis
As obrigações, quanto ao seu objeto, podem ser divisíveis ou indivisíveis. São
divisíveis quando o objeto da prestação tiver a possibilidade de cumprimento
por partes, permitindo a divisão do adimplemento. Por outro lado, são indivi-
síveis quando o objeto da prestação consistir na impossibilidade de divisão,
ou seja, só caberá adimplemento na sua totalidade.
Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis 7
Vejamos os exemplos:
Obrigação indivisível — Pedro está obrigado a entregar para Paulo um cavalo
da raça crioula adulto com, no máximo, 2 anos de idade.
Obrigação divisível — Raquel tem a obrigação de dar para João 100 kg de arroz
branco parboilizado.
No exemplo da obrigação indivisível, não há a possibilidade de Pedro dividir
o cavalo, objeto da prestação, para entregar a Paulo; no exemplo da obriga-
ção divisível, há a possibilidade de Raquel entregar fracionado o arroz para
João, por exemplo, primeiro um pacote com 40 kg e depois outro pacote com
60 kg. Para o Código Civil, a regra geral é da indivisibilidade. Assim, para
que o objeto da obrigação seja divisível, além da possibilidade fática, deve
estar expresso na obrigação. Dessa maneira, salientamos que, na obrigação
divisível, o adimplemento ocorre conforme se dá a prestação, enquanto que, na
obrigação indivisível, para que ocorra o adimplemento, deverá ser prestada de
uma só vez, e sua parcialidade, por sua vez, não confere qualquer adimplemento.
Obrigações indivisíveis
Como mencionado, as obrigações indivisíveis não aceitam o adimplemento
por partes, fi cando claro que a divisão ou não se refere ao objeto da obrigação
e não da obrigação em si. Assim, mesmo que o objeto possa ser dividido, a
obrigação não aceitará ser prestada em partes. Normalmente, havendo um
único devedor e um único credor, a prestação da obrigação será adimplida de
forma indivisível. Conforme Orlando Gomes (2008, p. 95), “[...] a indivisibi-
lidade da prestação só interessa nas obrigações que têm mais de um credor
ou devedor”. Esse ponto será discorrido mais adiante, pois agora importa
entender a indivisibilidade da obrigação.
A obrigação, de modo geral, concerne em ação do sujeito devedor, seja
ela positiva ou negativa. Nesse diapasão, Caio Mário Pereira (2013, p. 129)
afirma que é costumeiro o equívoco de se confundir a indivisibilidade do
objeto com a indivisibilidade da prestação, fato que ocorreu, inclusive, no
Código Civil: “Art. 258 A obrigação é indivisível quando a prestação tem
por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza,
por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio
8 Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis
jurídico” (BRASIL, 2002, documento on-line). Ora, o próprio Código Civil
brasileiro conceitua a indivisibilidade da obrigação:
por sua natureza, que se refere à coisa impossível de fracionar sem
alteração da substância;
por motivo de ordem econômica, no que diz respeito à diminuição do
seu valor ou ao comprometimento de sua utilidade;
por razão determinante do negócio jurídico, quando a obrigação estipular
a indivisibilidade da prestação.
Porém, a própria lei pode tornar o objeto divisível em indivisível, por
exemplo:
área mínima rural;
herança ou espólio que se mantém indivisível até a partilha;
parte ideal do condômino frente ao condomínio.
Tais exemplos superam a divisibilidade do objeto em si.
No entanto, a doutrina demonstra que a obrigação deve ser analisada pela
ação do sujeito em realizar a prestação, não pelo objeto em si, frente à indi-
visibilidade ou divisibilidade da obrigação. Daí a crítica ao dispositivo legal.
Porém, o objeto é indivisível por sua natureza ou fato, assim, não há o que
se falar em divisibilidade. Como exemplo, temos a entrega de uma muda de
árvore, assim, não há como dividir tal objeto, portanto, a prestação é indivisível.
Por outro lado, a obrigação de fazer ou não fazer, pela regra geral, é in-
divisível, entretanto, se convencionado entre as partes, pode ser divisível,
conforme exemplo a seguir.
Joana contrata Manoel para realizar a reforma da sua casa. No entanto, por questões
de logística e dispêndio financeiro, fica combinado que a reforma se dará em três
momentos distintos:
nas férias da virada do ano;
nas férias escolares do meio do ano;
nas férias da virada do outro ano.
Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis 9
É importante saber que, mesmo que o objeto da obrigação seja divisível e
nada seja convencionado entre as partes, não será o credor obrigado a receber a
obrigação fracionada. Do mesmo modo, ocorre com o devedor, pois, em obriga-
ções com objeto divisível, este não será obrigado a realizar de forma parcelada.
Obrigações divisíveis
Conforme mencionado, a obrigação divisível pode ser realizada de forma fracio-
nada, ou seja, em partes. Assim, a divisibilidade deve ser sempre jurídica, pois
provém do tratado entre as partes ou da lei. Assim como a obrigação indivisível é
a regra geral das obrigações, a obrigação divisível é a regra geral das obrigações
quando há pluralidade das partes. Por lógica, a regra geral, nesse caso e no caso
anterior, poderá ser convencionada em contrário. Os exemplos mais comuns
entre as obrigações de prestação divisível são as prestações continuadas, como
os aluguéis, pois cada aluguel fica determinado por prestação própria.
Assim como a convenção entre as partes e a lei determinam a indivisibilidade, esta
pode ser determinada também pela natureza da coisa ou do fato da prestação. Por
exemplo, na obrigação de entregar um animal vivo, por sua natureza, não há como
realizar a prestação em partes, pois o objeto é indivisível.
Pluralidade de sujeitos nas obrigações divisíveis
e indivisíveis
Orlando Gomes (2008, p. 95) afirma que a indivisibilidade da prestação somente
interessa quando há pluralidade de sujeitos, por isso, alguns tratadistas incluem
as obrigações divisíveis e indivisíveis entre as modalidades classificadas
pelo sujeito. O autor afirma ainda que são quatro os ângulos que devem ser
estudados acerca da matéria:
obrigação divisível com pluralidade de devedores;
obrigação divisível com pluralidade de credores;
obrigação indivisível com pluralidade de devedores;
obrigação indivisível com pluralidade de credores.
10 Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis
Sobre a obrigação divisível com pluralidade de devedores, a solução per-
meia a divisão da prestação de forma distinta e igualitária pela quantidade
de devedores da obrigação. Por exemplo, se três devedores devem R$ 300,00
para Pedro, cada devedor deverá pagar R$ 100,00.
No entanto, quando a obrigação é indivisível e há pluralidade de devedores,
cada devedor é responsável pela totalidade da prestação. Por exemplo, se três
devedores estão obrigados a entregar um bezerro da raça Angus com, no
máximo, 1 ano de idade, cada devedor é responsável pela entrega do bezerro
de forma individual, ou seja, não há solidariedade entre os sujeitos passivos.
No que tange às obrigações divisíveis com mais de um credor, o devedor
deverá realizar a obrigação dividida entre os credores de forma equânime.
Utilizando do mesmo exemplo, se o devedor deve R$ 300,00 para três credores,
ele deverá pagar R$ 100,00 para cada credor.
Porém, nas obrigações indivisíveis com pluralidade de credores, o devedor
só se desobriga realizando a prestação para todos os credores conjuntamente
ou para apenas um, desde que este preste caução de ratificação aos outros
credores. Por exemplo, se o devedor deve entregar um bezerro da raça Angus
com, no máximo, 1 ano de idade, esse deverá entregar para todos os credores
em conjunto ou para um, desde que o credor recebedor preste caução de
ratificação aos outros.
Jurisprudência e normas acerca das obrigações
alternativas, divisíveis e indivisíveis
A seguir, abordaremos as normas acerca das obrigações alternativas.
Das normas acerca das obrigações alternativas
O Código Civil dispõe sobre as obrigações alternativas nos arts. 252 a 256:
Art. 252 Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra
coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação
e parte em outra.
§ 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção
poderá ser exercida em cada período.
§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre
eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação.
Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis 11
§ 4º Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder
exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.
Art. 253 Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se
tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra.
Art. 254 Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das pres-
tações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar
o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o
caso determinar.
Art. 255 Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se
impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação
subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor,
ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor reclamar o
valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos.
Art. 256 Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor,
extinguir-se-á a obrigação (BRASIL, 2002, documento on-line).
Das normas acerca das obrigações divisíveis
e indivisíveis
O Código Civil dispõe sobre as obrigações divisíveis e indivisíveis nos arts.
257 a 263:
Art. 257 Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação
divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas,
quantos os credores ou devedores.
Art. 258 A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma
coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de
ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico.
Art. 259 Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível,
cada um será obrigado pela dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do
credor em relação aos outros coobrigados.
Art. 260 Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a
dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando:
I — a todos conjuntamente;
II — a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.
Art. 261 Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um
dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba
no total.
Art. 262 Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta
para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do
credor remitente.
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação,
compensação ou confusão.
Art. 263 Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em
perdas e danos.
12 Das obrigações alternativas, divisíveis e indivisíveis
§ 1º Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os deve-
dores, responderão todos por partes iguais.
§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só
esse pelas perdas e danos (BRASIL, 2002, documento on-line).
Da jurisprudência acerca das obrigações alternativas,
divisíveis e indivisíveis
Acerca das obrigações alternativas, a escolha da prestação cabia ao credor.
Uma das prestações alternativas refere-se a imóvel gravado por ônus real
ao terceiro de boa-fé sem advertir o credor, havendo, portanto, a perda do
objeto dessa prestação. Desse modo, a perda ocorreu por culpa do devedor
em obrigação que a escolha cabia ao credor. Decidiu o Superior Tribunal de
Justiça (STJ) que o credor poderá exigir a alternativa que restou ou o valor
da prestação que se perdeu, mais perdas e danos se houver (BRASIL, 2010).
No caso seguinte, as obrigações divisíveis consistem na pluralidade de
credores e um único devedor, quando este realizou o pagamento de prestação
divisível para um dos credores que não tinha autorização para receber a quota
parte dos outros credores. Inicialmente o STJ afirmou que a solidariedade
não é regra nas obrigações divisíveis. Depois prolatou acórdão no sentido
de o devedor ter agido com negligência acerca do pagamento para um único
credor, portanto, deverá arcar com o pagamento das quotas partes dos outros
credores, retornando ao status quo ante no que concerne aos credores preju-
dicados, ingressando com regressiva ao credor que recebeu o valor integral
(BRASIL, 2008).
No que diz respeito às obrigações indivisíveis, citamos o litígio entre um
coproprietário de um imóvel e o condomínio na cobrança da quota condominial.
Alega o coproprietário que, por existir mais de um proprietário no imóvel,
mesmo que apenas aquele resida, todos devem pagar o condomínio, portanto,
o coproprietário está obrigado a pagar apenas a sua quota parte. Decidiu o
STJ que a quota condominial é obrigação indivisível, assim, há solidariedade
entre os diversos devedores, desse modo, deverá o coproprietário pagar a
integralidade do valor para, querendo, ingressar com regressiva frente aos
outros proprietários (BRASIL, 2005).