Laboratório de Tecnologia (LABTEC), IFPA - Campus Belém, Coordenação de Química.
Orientador: Rogilson Nazaré da Silva Porfírio.
UTILIZAÇÃO DE RESULTADOS
ANALÍTICOS PARA AUXILIAR NA
VIABILIZAÇÃO DA
RECUPERAÇÃO DE ÓLEO
VEGETAL USADO
Alunas: Giovanna de Souza Bezerra da Silva; Izabely de Nazaré Silva
Ferreira; Juliana Lopes Oliveira; Maria Juliana Lopes da Conceição
e Suzana Braga Corrêa.
Sumário
1. Introdução
5. Resultados
2. Objetivos
6. Conclusão
3. Fundamentação
7. Referências
Teórica Bibliográfias
4. Metodologia 8. Agradecimentos
Introdução
Onde os munícipios ficam cabíveis de prestar serviços
O óleo residual de fritura (ORF), é caracterizado como que evitem danos à saúde pública e ao meio ambiente;
resíduo sólido, sendo responsável por grandes impactos aos outras ações também, como exemplo, o projeto Biofrito da
recursos hídricos atualmente. Todavia, no Brasil não há parceria Embrapa Agroenergia com outras instituições,
legislação específica para isso. buscou por meio da reutilização dos óleos residuais a
produção de biodiesel (EMBRAPA AGROENERGIA).
Lei N°12.305 de 02 de agosto de 2010 que rege a Política
Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto
Figura 1 - Publicação sobre a ação EMBRAPA.
N º 7.404 de 23 de dezembro de 2010 (Ministério do Meio
Ambiente, 2012),
Não Geração Redução Reutilização
Destinação
Tratamento Reciclagem
Final
Fonte: [Link]
em-instituicoes-do-df/, [s.d.].
No cenário atual, emerge a necessidade de meios sustentáveis para a diminuição de poluentes nos
ecossistemas baseando-se na conceituação da química verde, sendo esta, amparada pelos pilares da
sustentabilidade, tais são: social, econômico e ambiental.
Ao realizar a análise do óleo puro de origem vegetal de
soja (Glycine max (L.) Merr), compara-se os resultados
com que é solicitado pela ANVISA regidos dentro da Regulamento Técnico para Fixação de
Resolução nº 482, de 23 de setembro de 2006. Identidade e Qualidade de Óleos e
Gorduras Vegetais.
Objetivos
Visa estudar a viabilidade de recuperação dos óleos vegetais oriundos do
processamento de fritura, com uma averiguação comparativa dos resultados do
óleo puro (OP), óleo tratado (OT) e o óleo sujo (OS), buscando-se um tratamento
adequado para o óleo residual de fritura (ORF), sendo uma solução sustentável
para a sociedade, economia e ao meio ambiente, além disso, tornar acessível
uma chance de descarte adequado para a comunidade.
Fundamentação Teórica
Óleos vegetais e sua transformação em óleo residual. Reações de deterioração dos óleos vegetais.
Os óleos e gorduras de vegetais consistem principalmente Durante o processo de fritura, ocorre uma hidrólise
em triacilglicerídeos: parcial do óleo, resultando na formação de ácidos graxos
livres, glicerol, mono e diglicerídeos (ALENEZI et al.,
Gráfico 1 - Percentual de tracilglicerídeos em vegetais.
outros 2009). Além disso, a oxidação do óleo durante o
5%
aquecimento leva à produção de peróxidos (FRITSCH,
1981).
Esse processo geralmente é denominado como rancidez.
Figura 2 - Esquema da reação da hidrólise do triglicerídeo.
triacilglicerídeos
95%
Fonte: Autores,2023. Fonte: Gupta, Practical Guide for Vegetable Oil Processing, 2008.
Esses compostos são formados por glicerol (um triálcool) e A rancidez hidrolítica ocorre devido à presença de
três ácidos graxos (DE FARIA et al., 2018). umidade.
Reações de deterioração dos óleos vegetais.
Figura 3 – Esquema da reação de autoxidação.
Essas reações resultam em um aumento no consumo de
oxigênio, e as mudanças sensoriais tornam-se perceptíveis
à medida que a concentração de hidroperóxidos aumenta.
Esses hidroperóxidos podem se decompor em aldeídos,
cetonas e álcoois, sendo esses os principais responsáveis
pelo odor de rançoso no produto.
Existem outras formas pelas quais o óleo pode passar por
Fonte: VICARI, Jaice, 2013.
oxidação, como a fotoxidação ou a exposição a metais.
Rancidez oxidativa, pode-se desencadear por meio da
atuação da lipoxigenase ou através de processos não
enzimáticos. O ponto de partida para o processo oxidativo
ocorre na região dos triacilglicerídeos.
Parâmetros ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Avaliação dos óleos: Índices realizados com as amostras.
Sanitária).
Refração: permite identificar o grau e o tipo de
Os parâmetros da ANVISA foram alinhados com os insaturações presentes nos ácidos graxos constituintes dos
padrões do Codex Alimentarius, uma compilação triglicerídeos.
internacionalmente reconhecida de normas para a
produção de alimentos, segurança alimentar, código de Acidez: é indicativo da rancidez hidrolítica, revelando o
conduta e outras diretrizes relacionadas a alimentos. estado de conservação dos óleos.
Codex Alimentarius, conforme estabelecido pela resolução Iodo: medida da insaturação ou da quantidade de ligações
RDC n º 270, de 22 de setembro de 2005, que define padrões de duplas presentes nos ácidos graxos do óleo.
identidade e qualidade com o objetivo de garantir a segurança
alimentar da população (VICARI, 2013, p. 87).
Sabonificação: determina a alcalinidade da amostra.
A análise sensorial dos óleos é utilizada como medida
analítica qualitativa.
Metodologia
Análise dos parâmetros físico-químicos.
01 Processo de tratamento do óleo usado.
200 mL de óleo usado.
02
Foram medidos o índice de
30 g de cascas de limão Tahiti.
refração, a viscosidade, a
5 mL de hipoclorito de sódio.
densidade e o pH dos 3 óleos
Aquecimento por 20 minutos.
usados.
Filtração.
Decantação por alguns dias. Figura 6 – Refratômetro J-157 da Rudolph. Figura 7 - Viscosímetro SVM 3000.
Figura 4 – Limão Tahiti. Figura 5 - Óleo em processo de
tratamento após o aquecimento.
Fonte:[Link]
r/muda-limao-tahiti, [s.d]. Fonte: Autores, 2023. Fonte: Autores, 2023.
Fonte: Autores, 2023.
O resultado dessa etapa foi filtrado e decantado por
alguns dias, para só depois ser analisado.
Figura 9 – Sistema de refluxo.
03 Processo de tratamento do óleo usado.
Nos processos foram realizadas
titulações para a determinação do índice,
mas no índice de saponificação foi
utilizado um sistema de refluxo.
Figura 8 – Esquema de titulação.
Fonte: [Link] [s.d].
Fonte: Autores, 2023.
Resultados
Realizou-se a avaliação de óleo de soja puro, usado e tratado, analisando suas características
físico-químicas por meio das médias dos valores obtidos da viscosidade, densidade, índice de
refração, pH e cálculos do índice de saponificação.
Volumes de saponificação foram iguais a 21,4; 22,0 e 21,1 mL, respectivamente.
Tabela 1 - Resultados da avaliação do óleo de puro, usado e tratado.
01 Figura 10 - Titulações de saponificação. 02
Fonte: Autores, 2023. Fonte: Autores, 2023.
03 Figura 11 - Titulações para determinação do IA.
04 Tabela 2 - Volumes gastos nas titulações (índice de acidez).
Fonte: Autores, 2023.
Fonte: Autores, 2023.
O ponto de viragem desse método é uma coloração rosácea, mas percebeu-se que após algumas
titulações a coloração rósea não persistia, o que mostra que, o ponto de viragem ainda não foi
alcançado, por esse motivo as amostras que apresentavam esse comportamento, como visto no
Erlenmeyer 1, eram desprezadas e nos cálculos do índice de acidez foram incluídas somente aquelas
que de fato apresentaram o comportamento correto.
05 Tabela 3 - Resultados dos índices de acidez.
Fonte: Autores, 2023.
Conclusão
Resultados comparados aos parâmetros da ANVISA. Eficácia e finalidade do tratamento do óleo.
Diante dos resultados obtidos Alcançou-se o objetivo da análise da qualidade do
nos testes de tratamento do óleo, é tratamento do óleo, visando sua reutilização para
possível fazer algumas diminuir o impacto ambiental causado pelo descarte
considerações. incorreto de óleos vegetais.
índice de refração entre 1,470 e 1,472.
Índice de Saponificação Ácida (ISA).
A análise dos valores de pH.
Índice de Acidez (IA).
Os resultados indicam que o tratamento do óleo foi
eficaz na melhoria de suas propriedades, atendendo aos
padrões normativos.
Referências Bibliográficas
ALENEZI, R.; LEEKE, G. A.; SANTOS, R. C. D.; KHAN, A. R. Hydrolysis kinetics of sunflower oil under subcritical
water conditions. Chemical Engineering Research and Design. v. 87, p. 867-873, 2009.
ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Disponível em: [Link]
Acesso: 14/01/2024.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 482, de 23 de setembro de 2006. Regulamento
Técnico para Fixação de Identidade e Qualidade de Óleos e Gorduras Vegetais.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 02 de agosto de 2010. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Diário Oficial da União.
Brasília, DF. 2010
DE FARIA, E. A.; Estudo da estabilidade térmica de óleos e gorduras vegetais por TG/DTG e DTA. Eclética Química
Jornal, v. 27, n. 1, 2018.
EMBRAPA AGROENERGIA. Biofrito: do óleo de fritura ao biodiesel. Embrapa. Disponível em:
[Link] Acesso: 25/08/2023.
FRITSCH, C. W. Measurements of frying fat deterioration: A Brief Review. JAOCS, p. 272-274, 1981.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. (2012) Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Política Nacional de Resíduos
Sólidos - PNRS, 103.
VICARI, J. S. O. Qualidade de óleo de soja refinado embalado em PET (Polietileno Tereftalato) armazenado na
presença e ausência de luz. 87p, 2013. Campo Grande - MS. Universidade Católica Dom Bosco. Disponível em:
<[Link] Acesso:
15/01/2024.
Thank
you!
Agradecimentos a Direção Geral, DPI do Campus Belém, ao
LABTEC – Laboratório de Tecnologias e a Coordenação de
Química pelo apoio para a realização deste trabalho.
Agradecimento ao nosso orientador, aos nossos familiares e
colegas de turma, além de todos os professores.