Tráfico de Pessoas na Dark Web Brasil
Tráfico de Pessoas na Dark Web Brasil
CACOAL/RO
2024
INVISIBILIDADE DADARK WEB: O TRÁFICO DE PESSOASE A
A
RESPONSABILIDADE JURÍDICO-PENAL NO BRASIL E NO DIREITO
COMPARADO
orrane Ramos1
L
ondinelly Moreira Santos2
R
ESUMO:Estetrabalhovisaanalisararesponsabilidadedalegislaçãobrasileiranocombate
R
ao tráfico de pessoas na Dark Web, um ambiente propício para crimes graves devido ao
anonimato que oferece. A pesquisa busca compreender a eficácia das normas brasileiras,
comoaLeinº13.344/2016eoProtocolodePalermo,naprevençãoerepressãodessetipode
crime, destacando também o direito comparado. A justificativa se baseiananecessidadede
entender esse fenômeno para formular estratégias práticas de combate, dada a crescente
sofisticaçãodoscibercrimeseanaturezatransnacionaldotráficodepessoas.Utilizandouma
abordagemquantitativa,oestudocomparadadosestatísticosdediferentesgruposdevítimas,
traficantes e contextos, aplicando o método indutivo-dedutivo para testar hipóteses. A
metodologia inclui análise documental e bibliográfica, com fontes como relatórios de
organizações internacionais e estudosacadêmicos.Aconclusãoapontaque,emboraoBrasil
tenha feito avanços no combate ao tráfico de pessoas, a Dark Web continua sendo um
obstáculo significativo para as autoridades, devido ao anonimato e à encriptação que
dificultam a identificação epuniçãodosresponsáveis.Apesquisasublinhaaimportânciade
uma abordagem coordenada, com esforços legislativos, tecnológicos e sociais, além de
campanhas preventivas e assistência às vítimas, para enfrentar de forma eficaz esse crime
hediondo.
BSTRACT: This study aims to analyze the responsibility of Brazilian legislation in
A
combating human trafficking ontheDarkWeb,anenvironmentconducivetoseriouscrimes
duetotheanonymityitoffers.TheresearchseekstounderstandtheeffectivenessofBrazilian
regulations, such as Law No. 13.344/2016 and the Palermo Protocol, in preventing and
repressing this type of crime, also highlightingcomparativelawaspects.Thejustificationis
basedontheneedtounderstandthisphenomenoninordertoformulatepracticalstrategiesto
combat it, given the growing sophistication of cybercrimes and the transnational nature of
human trafficking. Using a quantitative approach, the study compares statistical data from
differentgroupsofvictims,traffickers,andcontexts,applyingtheinductive-deductivemethod
to test hypotheses. The methodology includes documentaryandbibliographicanalysis,with
sourcessuchasreportsfrominternationalorganizationsandacademicstudies.Theconclusion
pointsoutthat,althoughBrazilhasmadeprogressincombatinghumantrafficking,theDark
Web remains a significant obstacle for authorities duetotheanonymityandencryptionthat
hinder the identification and punishment of those responsible. The research underscores the
1
Graduanda em Direito pela faculdade (UNINASSAU) Centro Universitário Maurício de Nassau e e-mail:
lohayneramos13s2@[Link].
2
Professor Rondinelly Moreira Santos, graduado em Direito pela CEULJI/ULBRA. Especialização em
Pós-Graduação em Direito Penal e Processual Penal. pelo Damásio Educacional, Servidor Público,
Enquadramento Funcional: Delegado de Polícia Civil,e-mail: rondinellydpc@[Link].
3
importance of a coordinated approach, with legislative, technological, and social efforts, as
well as preventive campaigns and victim assistance, to effectively tackle this heinous crime.
INTRODUÇÃO
ADarkWeb,umcantoobscurodainternet,tem-seconfiguradocomoumterrenofértil
para a proliferação de atividades ilícitas, entre as quais sedestacaotráficodepessoas.Sua
complexidade,associadaaoanonimatoproporcionadopelarede,tornadesafiadorocombatea
essa prática criminosa, especialmente no que tange à responsabilização dos agentes
envolvidos.Otráficohumano,queéconsideradoaterceiraformadecrimemaislucrativado
mundo, gera milhões de dólares em lucros anuais, com estimativas que oscilam entre US$
31,6 bilhões e US$ 150 bilhões.
Oobjetivogeraléexaminaro papeldaleibrasileiranocombateaotráficodepessoas
na Dark Web, incluindo elementos do direito comparado. A pesquisa busca responder ao
seguinteproblema:emquemedidaalegislaçãobrasileiraéeficaznaprevençãoerepressãoao
tráfico de pessoas facilitado pelaDark Web?
Apesquisaterácaráteraplicadoeexplicativo,utilizandoumaabordagemquantitativa
e qualitativa. Serão examinados dados estatísticos sobre o tráfico de pessoas, bem como
documentos legais e estudos de caso.Atécnicaindutiva-dedutivaseráempregadacombase
em uma revisão bibliográfica abrangente sobre o assunto.
No primeiro capítulo, será abordado o surgimento da Dark Web, diferenciando-a da
DeepWeb,econtextualizandoseuusoparaatividadesilícitas,comfoconotráficodepessoas.
Osegundocapítulotratarádocontextohistóricodotráficodepessoas,destacandoaevolução
desse crime ao longodosanoseasprincipaismodalidadesdetráficoexistentes.Noterceiro
capítulo, serão analisados os instrumentos normativos, tanto a nível nacional quanto
internacional, que buscam combater o tráfico de pessoas, com especial atenção às falhas e
lacunas legislativas.Oquartocapítuloabordaráomodusoperandidostraficantesdepessoas
naDarkWeb,analisandoastécnicaseestratégiasutilizadasparaatraireexplorarvítimas.Por
fim, o quinto capítulo explora as estratégias e abordagens mais eficazes para ocombateao
tráfico de pessoas na Dark Web, avaliando as políticas públicas e as práticas jurídicas que
podem ser adotadas para enfrentar esse desafio.
A relevância deste estudo para a ciência jurídica reside na contribuição para a
compreensão e aprimoramento das políticas e legislações voltadasaocombatedotráficode
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pessoas na Dark Web. A pesquisa oferece uma análise crítica das ferramentas jurídicas
existentes e propõe estratégias para tornar o enfrentamento desse crime mais eficaz.
Em1969,aprimeiramensagemeletrônicaéenviada,marcandooiníciodaeradigital.
Redes como a ARPANET, precursora da internet, surgiu e abriu caminho para novas
possibilidades, incluindo as "d arknets", redes ocultas inacessíveis ao público em geral. Na
décadade1970,adarkwebexperimentaseuprimeirocomércio,sendoamaconhaainaugurar
este mercado, onde estudantes de Stanford usam a ARPANET para realizar transações
secretas, estreando o comércio eletrônico (e -commerce) de entorpecentes,ouseja,algocom
propósitopositivosendoutilizadodeformailícita,umcenárioquesetornacomumaolongo
dos anos (Start, 2019). Mais tarde, a Marinha Americana na década de 1990, desenvolveu
umatecnologiainovadoraparanavegaçãoanônimanainternet,visandoaumentarasegurança
de suas operações, e foi essainovaçãoqueacabousendofundamentalparaofuturodadark
web(Coelho, 2023).
VeioentãoolançamentodoTheOnionRouter(TOR),marcandoumpontodevirada,
no ano de 2002. Esse algoritmo permite que usuários comuns acessem a internet de forma
anônima, impulsionando o crescimento da dark webeatraindoumpúblicoamploembusca
de privacidade e acesso a conteúdos ilegais. Atualmente, o TOR se consolida como a
principalferramentaparaacessaradarkweb,facilitandooscibercrimescomoocomérciode
drogas,armas,documentosfalsos,outrositensilícitose,emespecial,otráficodepessoas.A
darkwebsetornaumuniversoparalelo,comsuasprópriasregrasedesafios,ondeatividades
ilícitas proliferam e a segurança é sempre uma questão em aberto (Start, Equipe Tech, 2019).
índice do Google (Kaspersky, [s.d.]). Para que uma página seja indexada pelo Google, ela
precisa ser rastreada pelo "G
ooglebot", que é um rastreador do Google. O rastreador pode
encontrar o site de várias formas, como,porexemplo,apartirdeumlinkdeoutrositeoua
partirdoenviodomapadositediretamenteaoGoogle.Depoisdeencontrarosite,oGoogleo
rastreia, significa que ele verifica todo o site para descobrir o que está nele, analisando o
conteúdo textual, as tags e atributos do conteúdo, imagens e vídeos (Lima,2024).
Para que todas as páginas deumsitesejamindexadas,épossívelcriarlinksinternos
entre os conteúdos do site. Isso ajuda a evitar o surgimento de páginas órfãs, que não são
linkadas a nenhuma outra página do site. São exemplos de conteúdos não indexados os
bancos de dados privados, fóruns restritos, áreas de membros emsitesemuitomais(Lima,
2024).
PáginasqueenglobamaDeepWebsão,emgeral,seguraseacessadascotidianamente
pela população, como acessar serviços de bancos digitais. Essas páginas não representam
risco ao seu computador, apenas deveriam ser utilizadas para proteger dados privados.
Contudo, acaba sendo utilizado para alguns ilícitos, como disponibilização e acesso a
conteúdos piratas, violentos e perturbadores em geral.
A Dark web é popularmente conhecida pela sua reputaçãoruim,entretantopodeser
utilizadadeformalícitaparapesquisasedenúncias,dentreoutrascoisas,masessafamaruim
nãosepropagouindevidamente,vistoqueacabasendoutilizadaemsuamaioriaparacometer
atoscriminosos.OsperigosdestanavegaçãodiferemdosdaDeepWeb,ondehánecessidade
de utilizar medidas de segurança como o Virtual Private Network (VPN) para esconder o
endereçoIP,sendoquecadadispositivotemumIDnainternet,aoutilizá-loimpedequeseja
hackeado. Este serviço VPN camufla e garante uma segurança extra dentro da rede TOR.
Tambéméválidaautilizaçãodepacotesantivírus,umavezqueousuárioestásujeitoatodoe
qualquer tipo de ataque cibernético em sua navegação (Klusaitė, 2021).
A rede The Onion Router (TOR) utilizada para acessar a Dark Web possui vários
servidores pelo mundo, mantida por voluntários, tornando difícil sua intercepção. Imagine
estaredecomoumacebolaqueéconstituídade3camadas,ousuáriosolicitaeoTOR gera
uma criptografia em três nodos ou nó diferentes, cada nodoéumpontodeinterconexãona
rede, então é criado o primeiro nodo sendo o de guarda, aliacontecearetiradadaprimeira
criptografiaepassaparaopróximo,nodoservidorintermediárioqueretiraasegundacamada
e transmite a mensagem para o nodo de saída, este consegue ter acesso ao conteúdo da
mensagem,masnãoaomensageiro,otornandorelativamenteinseguro,fazendoanecessidade
de um VPN para uma segurança mais abrangente ([Link], 2022).
6
Imagine a Deep Web como a parte submersa do iceberg, inacessível à navegação
comum, porém a Dark Web, por sua vez, é um subconjunto da Deep Web propositalmente
oculto e inacessível por navegadores tradicionais. Acessível apenas por ferramentas
específicas como o TOR, essa região sombria da internet é palco de atividades ilícitas e
conteúdos perturbadores, tendo como tipo o tráfico de drogas, armas, pornografia infantil,
venda de órgãos e tantos outros crimes que proliferam nesse ambiente fatídico.
Figura 1-Iceberg
arkWebéumapequenaparceladaDeepWeb,éapartemaisobscuradainternet,
D
composta por redes e sites que não são indexados pelos mecanismos de busca.
Praticamente todo o conteúdo desta camada são voltados parapráticascriminosas
dos tipos mais repugnantes. A grande maioria dos sites são composta por ,de
números e letras sem sentido, para que somente quem possui credenciais e os
domínioscompletospossamacessar.Alémdisso,dispõemdeferramentaspoderosas
de criptografia e proteção de dados, visto que muitos ataquespodemocorrerpara
quem tenta acessar (Romão, 2021, p.13).
Neste aspecto, há pontos principais de diferença entre as duas, onde a Deep Web é
acessívelcomferramentaseconfiguraçõesespecíficas,enquantoaDarkWebexigesoftwares
específicoscomooTOR.Masambascontêmconteúdosvariados,desdeinformaçõesúteisaté
material ilegal; entretanto, a Dark Web é focada em atividades ilícitas e conteúdos
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perturbadores. A Deep Web oferece certo grau de anonimato, ao contrário da outra que é
conhecidaporseualtoníveldeanonimato,dificultandoaidentificaçãodosusuários,ouseja,
elas se diferenciam em grau de profundidade, parecidas, porém nem tanto.
1.2 CIBERCRIME
O cibercrime envolve qualquer atividade ilícita realizada na rede, abrangendodesde
invasões de sistemas e roubo de dados pessoais até falsidade ideológica e acesso a
informações confidenciais. Uma característica marcante do cibercrime é sua natureza
transnacional, dificultando a investigação e a aplicação de provas. Com o aumento dos
computadores pessoais, as práticas criminosas podem ser realizadas em qualquer lugar do
mundo, ampliando o alcance e a complexidade desses delitos. A falta de leis específicas e
punições eficazes em diversos países torna o combate ao cibercrime ainda mais desafiador.
De acordo com Gonçalves (2024), o Brasil é um grande alvo desse tipo de crime,
sendo o segundo em foco para ataques cibernéticos na América Latina, segundo pesquisa
realizada pela SAS Institute, empresa de business intelligence. Muitos brasileiros relatam
sofrer de alguma forma uma espécie de golpe. “Com a tecnologia ganhandocadavezmais
espaço na vida dos consumidores, quadrilhas tentam tirar proveito por meio de compras
on-line, falsas centrais de atendimento e até promessas de renda extra” (Projeto de Lei Nº
2.801, 2024).
Entre os diversos tipos de cibercrimes, destaca-se ousodainternetparapornografia
infantil,lavagemdedinheiroeciberterrorismo.Essescrimessãocometidoscomoauxíliode
tecnologiasdigitaise,muitasvezes,têmmotivaçõespolíticasoufinanceiras.Nocontextodo
tráfico de pessoas, especialmente naDarkWeb,essescrimessãofacilitadospelacapacidade
de operar anonimamente através da rede TOR, caracterizada pela dificuldade em rastrear e
desmantelarosenvolvidosnoesquema.Adistribuiçãodeconteúdorelacionadoaotráficode
pessoas e à exploração sexual de vítimas é uma das formas mais cruéis de cibercrime,
agravada pela invisibilidade proporcionada pela mesma.
O chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury
Fedotov (2024), destaca em artigo de opinião o impacto global crescente dos cibercrimes,
cujocustojáalcança600bilhõesdedólares.Fedotovenfatizaqueamagnitudedessescrimes,
queincluemaexploraçãoinfantilonline,mercadosnegrosvirtuaiseotráficodepessoasnas
redessociais,requerumarespostaglobalrobusta.Eledefendequeacooperaçãointernacional,
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juntamentecomacolaboraçãoentreossetorespúblicoeprivado,éessencialparacapacitaros
atores envolvidos e enfrentar essas ameaças.
Fedotovalertaqueoscibercrimesultrapassamfronteiraseafetamdiversosaspectosda
sociedade,desdelaresatéescolas,negóciosehospitais,amplificandoasameaçasàsegurança
global. Ele também destaca que as mulheres e meninas são desproporcionalmente
prejudicadas pelo abuso sexual online, causando danos significativos ao psicológico, ao
desenvolvimentosustentável,àsegurançaeàigualdadedegênero.Anecessidadeurgentede
cooperação internacional através de ações coordenadas é crucial para mitigar tais impactos
devastadores.
Estatipificaçãodecrimesnaredeuniversaldecomputadoreséalgomaisrecente,mas
ocrimedetráficodepessoasfoiapenasadaptadoaolongodotempoparaficarmaisfácilde
praticá-lo comaajudadatecnologia.Existeumcontextohistóricoatéchegaraserrealizado
com auxílio da internet.
O tráfico de pessoas, uma chaga na sociedade, não é um problema recente. Este
infortúniogerouanecessidadedeumconceitojurídicopropriamentedito,nascendoentãono
século XIX, quando o cenário internacional passou a se voltarcomolharesdepreocupação
quanto ao tráfico de mulheres europeias adiversospontospelomundo.Comisso,veja-seo
primeiro caso registrado:
primeiro caso de tráfico de seres humanos que objetivou lucro aconteceu nas
O
cidades italianas, entre osséculosXIVeXVII,duranteoRenascimento.Aprática
estimulouocomérciomediterrâneonaPenínsulaItálica,ondetambémteveinícioo
pré-capitalismo, que pregava o acúmulo de capital [... ] (Teixeira,2004, p.17).
Desde a Antiguidade, a exploração do homem se manifesta de diversas formas,
moldando-seaolongodosséculoseadaptando-seàsrealidadesdecadaépoca.AnaPaula,em
seus estudos, destaca que a exploração de seres humanos é uma prática econômica que
acompanha a humanidade desde seus primórdios. O Código de Hamurábi (1694 a.C.) e as
escriturasbíblicasjáregistramapresençadaescravidão,evidenciandoalongahistóriadessa
atrocidade.
Observa-se que a escravidão na antiguidade era uma prática comum,
principalmente com os prisioneiros de guerra, segundo Giordani:
9
tráfico de seres humanos é uma prática muito antiga existindo desde a
O
AntiguidadeClássica,primeiramentenaGréciae,posteriormente,emRoma.Nesse
período, o tráfico se dava com o fim de obter prisioneiros de guerra para serem
utilizados como escravos. Salienta-se que o trabalho escravo erarespaldadopelos
pensadores da época, apontando Aristóteles que havia homens escravos por
natureza,poisexistiamindivíduostãoinferioresqueestariamdestinadosaempregar
suas forças corporais e que nada melhor poderiam fazer (Giordani, 1984, p. 23).
NaIdadeMédia,essapráticacresceuemdecorrênciadosderrotadosemguerras,onde
eles eram obrigados a trabalhar em construções, serviços domésticos e outras atividades,
comorelataoIMDH(institutodeimigraçãodosdireitoshumanos).Outropontocrucialforam
as grandes navegações e o estabelecimento das colônias, onde se intensificou o tráfico de
pessoas negras. Durante 400 anos, milhões de africanos foram transportados em condições
desumanas para trabalhar como escravos nas Américas, sustentando a economia colonial
(Jorge, 2018, p. 42).
Aglobalização,porsuavez,tambémserviucomointensificadordotráficodepessoas,
facilitando a livre circulação, dificultando o controle estatal, sendoumcasoobservadopelo
estado brasileiro, com a seguinte constatação, “Otráficodepessoasparafinsdeexploração
sexual tem suas raízes no modelo de desenvolvimento desigual, do mundo capitalista
globalizado e do colapso do Estado” (Justiça, 2007). Contudo, o avanço da capacidade
tecnológica só intensificou algo preexistentenocaráterhumano,ouseja,conseguirsoluções
para este problema ético e imoral não é fácil.
Maria Disselma Tôrres de Arruda, em seus estudos, identificou que,desdeo
ano de 1902, há movimentos por parte do estado buscando uma solução:
o plano internacional, a Conferência de Paris de 1902, foi oprimeiroeventode
N
maiordestaquequetratoudediscutireestabelecernormasdecombateaotráficode
pessoas, resultando no Protocolo deParis,em1904.Primeiroacordointernacional
visando à repressão ao tráfico de pessoas, o Protocolo centrou-se na temática
referente ao tráfico de escravas brancas (Arruda, 2011).
3 INSTRUMENTOS NORMATIVOS
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OProtocolodePalermoéumtratadointernacionalqueassumepapelfundamentalna
legislaçãobrasileiraatravésdaratificaçãodoDecretonº5.017de12demarçode2004.Este
Protocolo oferece uma definição abrangente e precisa do crime em seu artigo 3° de seu
instrumento,servindoemsuaintegralidadecomobasesólidaparaprevençãoecombateatal
crime, seja-se:
“tráfico de pessoas” entende-se o recrutamento, o transporte, a transferência, o
O
alojamentoouoacolhimentodepessoas,recorrendoàameaçaouaousodaforçaou
aoutrasformasdecoação,aorapto,àfraude,aoengano,aoabusodeautoridadeou
de situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou
benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tem autoridade sobre
outra, para fins de exploração. A exploração deverá incluir, pelo menos, a
exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o
trabalho ou serviços forçados, a escravatura ou práticas similares à escravatura,a
servidão ou a extração de órgãos (Protocolo de Palermo, 2003).
Este tratadointernacionalécrucialnalutacontraotráficodepessoas,dedicandoseu
artigo3ºaumadefiniçãoabrangenteeprecisadessecrimehediondo.Atravésdeumaanálise
profunda deste protocolo, podemoscompreenderanaturezacomplexadotráficodepessoas,
seus elementosconstitutivosesuasgravesconsequênciasgeradasàsvítimas.Suaestruturaé
composta por uma redação complexa e bem esquematizada, constituída por 41 artigos,que
reúnem orientações aospaísesparaenfrentarecombaterestecrimeinóspito,eapartirdeste
arcabouçodeartigosépossívelcompreenderaimportânciadelutarcontraamáfia,buscando
a sua erradicação.
OtráficodepessoasnoBrasilpermaneceuinvisívelaosolhosdalei,pormuitotempo
foi ignorado, isso infelizmente acarretou um crescente aumento de crimes desse formato,
trazendo aquela velhaideia“ocrimecompensa”.Sentimentoqueadvinhadeumalegislação
quetipificavaocrimeapenasparafinsdeexploraçãosexual,comoconstavanosartigos231e
231-A do Código Penal, queforamrevogadospelaLein°13.344/2016.Arespectivanorma
deixava um vazio legal que dificultava ainvestigação,puniçãoeproteçãodasvítimas.Veio
então a nova legislação trazida pela lei, que introduziu o artigo 149-A no Código Penal,
abrangendo diversas formas de exploração de seres humanos.
A situação era alarmante, autoridades e a própria sociedade civil se depararam com
um crime complexo, mas sem a devida tipificação legal, tornando a denúncia um processo
tortuoso e incerto. A caracterização do crime exigia interpretações e equiparações penais
complexas, muitas vezes insuficientes para garantir justiça às vítimas. Mas então veio algo
paraacabarcomestaincerteza,em2016,ummarcohistórico,aLeinº13.344de6deoutubro
de 2016 foi promulgada, trazendo luz e justiça para essa realidade cruel. A mesma dispõe
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sobre a prevenção e repressão do tráfico de pessoas, tanto no âmbito nacional quanto
internacional, e estabelece medidas de amparo e atenção às vítimas.
O artigo 149-A do Código Penal, introduzido pela Lei nº 13.344/2016, ampliou o
escopo do crime de tráfico de pessoas,incluindo-ocomocondutaparafinsde:Remoçãode
órgãos, tecidos ou partes do corpo (inciso I); Trabalho em condiçõesanálogasàescravidão
(inciso II) ou qualquer tipo de servidão (inciso III); Adoção ilegal (inciso IV); Exploração
sexual (inciso V). A pena prevista para o crime detráficodepessoasvariadequatroaoito
anosdeprisãoemulta,podendoseraumentadaemcasosespecíficos:crimecometidocontra
crianças, adolescenteseidososouporfuncionáriospúblicos;vítimatraficadaparaoexterior
aproveitando da vulnerabilidade da vítima.
A Lei nº 13.344/2016 representa um avanço significativo na luta contraotráficode
pessoasnoBrasil.Aotipificarocrimedeformaabrangente,enãoapenasexploraçãosexual
como era a antiga classificação para o tráfico de pessoas no Brasil, então esta lei veio
estabelecer medidas de proteção às vítimas, com um maior arcabouço em seu regimento,
caracterizando o todo desse ilícito, contribuindo para a construção de uma sociedade mais
justa e livre da exploração humana.
Ainda sobre a legislação do Brasil, os artigos 228, 229 e 230 do Código Penal
Brasileirodefinemepunemcrimesrelacionadosàexploraçãosexualeaotráficodepessoas.
Artigo228abrangeetipificacomosendocrime:induzir,atrair,facilitarouimpediralguémde
sair da prostituição. A pena é agravada quando o agente tem relação de parentesco ou
autoridadesobreavítima,ondeaindaseagravaapenaseocrimeforcometidocomviolência,
grave ameaça ou fraude, sendo aplicada multa em caso de crime com fins lucrativos.
O artigo 229 declara como crime manter casa de prostituição, com ou sem fins
lucrativos. Na redação do artigo 230, define-secomocrimetirarproveitodaprostituiçãode
outrapessoa.Onde,apenaéagravadaquandoavítimaémenordeidadeouquandoocrimeé
cometido por alguém que tem relação de parentesco ou autoridade sobre a vítima, estando
sujeitaàagravantedeseocrimeforcometidocomviolência,graveameaça,fraudeououtro
meio que impeça a livre manifestação da vontade da vítima.
A Lei 13.344/2016, anteriormentecitada,alémdepunirotráficodepessoas,oferece
amparo às vítimas através do Capítulo IV da proteção e dá assistência às vítimas, visando
preencher lacunas legislativas e abordar os três principais eixos recomendados
internacionalmente:prevenção,repressãoeassistênciaàsvítimas.Essaajudaaconteceatravés
de abrigos, assistência social, assistência jurídica, integração social, entreoutros.Sendoum
serviço fundamental às vítimas.
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Apesar das medidas benéficas previstas pelo ordenamento jurídico nacional e
internacional, sua eficácia depende da implementação prática para alcançar os resultados
desejadospelasociedade,bemcomoentenderaformadeatuaçãodoscriminososparachegar
ao resultado pretendido pelos mesmos.
3.1MODUS OPERAND
Entenderomododeoperaçãodoscriminosos,significaconhecerascaracterísticasdo
tráficohumano,sendotrêselementosessenciais:oato,osmeioseoobjetivo.Oatoenvolveo
recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, enquanto os
meios referem-se à utilização de ameaça, coerção,abdução,fraude,engano,abusodepoder
oudevulnerabilidade,ouatémesmopagamentosebenefíciosparacontrolaravítima(Brasil,
2024).
O objetivo final desse crime é a exploração, que pode se manifestar de diversas
formas, incluindo prostituição, exploração sexual, trabalho forçado, escravidão, remoçãode
órgãos,entreoutraspráticas.Paradeterminarseumasituaçãoconfiguratráficodepessoas,é
fundamental analisar esses elementos à luz da definição do Protocolo de Palermo e da
legislação nacional pertinente, que especificam os componentes constitutivos desse delito.
No contexto do tráfico de pessoas e contrabando de migrantes, é crucial distinguir
entreessesdoiscrimes,frequentementeconfundidoscomoiguais,porémsuagrandediferença
está no consentimento. No contrabando, os migrantes consentem com o transporte ilegal,
mesmo em condições perigosas. Por outro lado, no tráfico de pessoas, o consentimento é
irrelevante, pois a vítima geralmente é enganada ou forçada. Além disso, enquanto o
contrabando de migrantes termina comachegadadapessoaaodestino,otráficodepessoas
continua com a exploração, como o trabalho forçado ou a prostituição. Outro ponto de
distinção entre ambos é que ocontrabandoseconfiguracomoatotransnacional,enquantoo
tráfico pode ocorrer dentro das fronteiras de um país (Brasil, 2024).
Portanto, o contrabando de migrantes refere-se ao pagamentoacontrabandistaspara
facilitar a migração ilegal, sem que os migrantes sejam considerados vítimas do crime em
termos legais. Compreender essas diferenças é fundamental para implementar políticas
eficazes de proteção às vítimas de tráfico e prevenir a reexploração. Partindo disso, os
criminosos utilizam vários métodos para atrair suas vítimas para então traficarem-nas.
Os aliciadores se aproveitam de situações de vulnerabilidade socioeconômica,como
pobreza, falta de perspectivas e baixa escolaridade, para atrair suas vítimas. Promessas de
13
altosrendimentosatravésdealgunssitesduvidosos,alegandoumavidamelhor,mascarandoa
durarealidadequeasespera,comooconfinamento,violênciafísicaepsicológica,servidãoe
condições desumanas.
Os casos são recorrentesdentrodocorposocialmundial,“em2024,houveumcaso
de tráfico de pessoas registrado por dia no Brasil. O Ministério dos Direitos Humanos
catalogou,de1°dejaneiroa7deabril,98violaçõesrelacionadasaotráficohumanonopaís”
(Bastos,2022,p.1).Amuitoscasoscomodessamulherparanaensequefoivítimadetráfico
humano quando aceitou proposta de emprego na Espanha. Contudo, foi levada para uma
situação de exploração sexual,descobrindodapiormaneiraainverdadenapropostadeuma
vida melhor.
O número de tráfico de pessoas do sexo feminino é elevados e muitas vezes os
própriosaliciadoresforamvítimasanteriores,perpetuandoociclosemfimdeexploração,no
estado do Paraná,segundo(Bastos,2022,p.1)oscasosdetráficodepessoasparatrabalhos
análogosàescravidãocresceramoitovezesentre2020e2021,evidenciandoanecessidadede
estratégias eficazes para prevenção .
O Relatório Global sobre TráficodePessoas,de2018,divulgadopeloEscritóriodas
Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), revelou que quase 25 mil vítimas foram
detectadas no mundo em 2016. Entre essas vítimas, a maioria é de mulheres e meninas,
representando72%doscasos,enquantohomenscompreendem21%emeninos7%.Apesarda
diferença numérica entre os sexos, ambos precisam de atenção igualitária, independente de
gênero.
Quantoaodestinodasmulherestraficadas,83%sãoexploradassexualmente,13%são
submetidas a trabalho forçado e 4% enfrentam outras formas de exploração. Esse cenário
destacaaprevalênciadaexploraçãosexualcomoaformamaiscomumdetráficodemulheres,
onde o perfil das vítimas do tráfico de pessoas é amplo e diverso, mas alguns grupos se
destacam, sendo pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, imigrantes ou pessoas
comdistúrbiosneurológicos,baixoníveldeescolaridadeouconhecimentolimitadodelíngua
estrangeira e portadores de deficiência física (Conteúdo, 2023).
Asvítimasdotráficodepessoassofremseverosdanosfísicosepsicológicos.Doenças
sexualmente transmissíveis, depressão, traumas e lesões graves são apenas alguns dos
exemplos. A reintegração social e a superação das marcas dessa experiência cruel exigem
acompanhamento profissional especializado. É de extrema necessidade a realização de
estudos e aprofundamento de abordagens possíveis para mitigar e tratar suas consequências.
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A cooperação internacional, dentro desse contexto de avaliar e identificar os
criminosos, faz uma grande diferença em mitigar os danos causados, do mesmo modo que
auxilia significativamente na interceptação quandoocrimeécibernético,equandopassado
meio virtual, visto que a Dark web apenas auxilia tratativas para então atingir seuobjetivo
real no mundo físico.
Vistoaproporçãointernacionaldecomootráficodepessoaspodeserdesenvolvidono
ambientevirtualequaissãoseusobjetivosaopraticá-lo,ficaevidenteacarênciademedidas
internacionaisdecooperaçãoparafrearcrimescibernéticos,afimdefacilitaracessoaprovas
eletrônicas, para possibilitar a perseguição penal e obtenção de provas no exterior.
No dia 8 de agosto de 2024, foi aprovada a nova convenção que visa fortalecer os
instrumentosdecombateacrimescibernéticos,comcanaisrápidosdecomunicaçãoeseguros
paratramitarpedidosdeassistênciamútuaentrenações.OBrasil,porsuavez,teveumpapel
de destaque aoatuarcomovice-presidentedocomitêeparticipouativamentedasdiscussões
através do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Secretaria Nacional de
Justiça (Senajus), (Brasil, 2024).
A convenção objetiva prevenir e enfrentar crimes como tráfico de pessoas,
contrabando de migrantes, pedofilia e estelionato, que sebeneficiamdoavançotecnológico
por meio da internet para sua prática. O documento também serve de base normativa para
todos os países sem legislação específica, o mesmo visa alinhar-se à adesão do Brasil à
Convenção de Budapeste, aprovada pelo decreto legislativo n° 37/2021, e promulgadapelo
decreto n° 11.491/2023 (Brasil, 2024).
O Brasil recebeu o convite para ser signatário da Convenção de Budapeste em
dezembrode2019,masfoifirmadapeloBrasilemBudapestenodia23denovembrode2001
eaprovadapeloCongressoNacionalatravésdoDecretoLegislativo37,de16dedezembrode
2021. Esta adesão representa um passo significativo para fortalecer a cooperação
internacional no combate aos crimes cibernéticos, permitindo que as autoridadesbrasileiras
acessem testes eletrônicos armazenados em outros países de forma mais rápida, eficaz e
promovendo uma atuação conjunta entre as nações. (Brasil, 2023)
Atualmente,66paísesjáaderiramàconvençãodeBudapestee,emboraoBrasiltenha
aderido, o país já contava com a Lei 12.965/2014 do Marco Civil da Internet, que aborda
15
4 ESTRATÉGIAS E ABORDAGENS
Parareduzirotráficohumano,umapropostaéaumentaradivulgaçãosobreessecrime
para evitar que pessoas inocentes sejam enganadas, para que entendam o quão perigoso a
internet pode ser. Isso pode incluir ações como palestras em comunidades, distribuição de
panfletos e campanhas de conscientização em locais de difícil acesso à informação. Além
disso, é importante reforçar a fiscalização em embarcações e aeroportos, treinando
funcionários para identificar possíveis casos de tráfico.
O Conselho Nacional de Justiça sugere medidas preventivas, como duvidar de
propostasdeempregofáceis,leratentamentecontratosdetrabalho,evitardeixardocumentos
pessoais em mãos de terceiros e informar familiares sobre viagens. Emcasodesuspeitade
tráfico humano, é essencial denunciar às autoridades competentes, como o Disque 100 do
governo federal e o Ministério Público Federal.
Em 30 dejulho,DiaMundialdeEnfrentamentoaoTráficodePessoas,aAgênciada
ONUparaasMigrações(OIM)eoConselhoNacionaldeJustiça(CNJ)lançamacampanha
"Brasil sem Tráfico Humano". A iniciativa visa conscientizar o público sobre esse crime
hediondo,suasformasdealiciamento,asmotivaçõesdostraficantes,oscanaisdedenúnciae
os serviços de apoio às vítimas, com isso ajudando na disseminação de informação
(Migração, [sd]).
16
Comoexpostoduranteestapesquisa,ficaevidenteoquantoodireitomaterialabrange
todosostiposdecrimesrelacionadosaotráficoaquitratado,bemcomoospuneseveramente.
Contudo,denadaadiantaseosculpadospelodelitonãoforemencontrados.Nestesentido,o
Estado disponibiliza meios de sedenunciar,atravésdecanaisdecomunicação,ouseja,para
denunciartráficodepessoasnoBrasil,utilizandooDisque100ouoLigue180paragarantir
sigilo. Para contatar a Polícia Federal, pode ser encaminhado e-mail para
[Link]@[Link]. No exterior, tem-se a Assistência Consular do Ministério das
Relações Exteriores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Dark Web é um dos mais complexos e desafiadores crimes cibernéticos da
atualidade.ApesardeserumapequenaparceladaDeepWeb,éumambientepropícioparaa
prática de crimes graves, incluindo o tráfico de pessoas. A natureza anônima e encriptada
dessa camada da internet dificulta as investigações eapuniçãodosresponsáveis.Emborao
Brasil tenha avançado na tipificação e no combate ao tráfico de pessoas por meio de
instrumentos normativos e aderindo o Protocolo de Palermo e à Lei nº 13.344/2016, ainda
existem lacunas significativas que dificultam a efetividade dessas medidas, tornando a
atuação das autoridades ainda mais complicada.
OsurgimentodaDarkWeb,impulsionadopelodesenvolvimentodetecnologiascomo
o TOR, criou um ambiente propício para a proliferação de atividades ilícitas, incluindo o
tráfico de pessoas. Essa rede oculta, que opera à margem das leis e da vigilância estatal,
desafia as autoridades na identificação e punição dos envolvidos, tornando o combate ao
tráfico de pessoas um esforço ainda mais árduo e complexo.
Onde a distinção entre Deep Web e Dark Web também se mostrou crucial para a
compreensãodocontextoemqueotráficodepessoasocorrenaeradigital.EnquantoaDeep
Web abrangeumavastagamadeconteúdosnãoindexados,aDarkWebsedestacacomoum
espaço deliberadamente oculto, onde o tráfico de seres humanoseoutroscrimesencontram
um ambiente fértil parasedesenvolveremdevidoaoaltoníveldeanonimatoeàdificuldade
de rastreamento das atividades ali realizadas.
Ocibercrime,porsuanaturezatridimensionaleacapacidadedetranscenderfronteiras,
torna a luta contra o tráfico de pessoas ainda mais desafiadora. As características de
anonimato, descentralização e criptografia que definem a Dark Web não facilitam as
17
investigações, exigindo cooperação internacional robusta e a implementação de novas
tecnologias para monitorar e combater essas atividades criminosas.
As estratégias de enfrentamento devem ir além da merarepressãoeincluiraçõesde
prevenção e assistência às vítimas, garantindo que aqueles que foram traficados recebam o
apoio necessário para sua recuperação e reintegração social. O reforço das campanhas de
conscientização, como a "Brasil sem Tráfico Humano", e a disponibilização de canais de
denúncia acessíveis e seguros são passos essenciais para combater essa prática abominável.
Em conclusão, a responsabilidade da legislação brasileira no combate ao tráfico de
pessoas na Dark Web é significativa, mas enfrenta desafios consideráveis. A evolução
contínua das tecnologias e a natureza transnacional do cibercrime exigem uma abordagem
multifacetada,comcombinaçãodeesforçoslegislativos,tecnológicosesociaisparaenfrentar
de forma eficaz esse problema. Apenas através de uma ação coordenada e persistente será
possível reduzir a incidência do tráfico de pessoas e proteger as vítimas desse crime hediondo.
18
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