INSTITUTO SUPERIOR POLITECNICO DA CAALA – POLO UNIVERSITARIO BAILUNDO
DEPARTAMENTO DE ENSINO E INVESTIGAÇÃO EM ENSINO PRIMÁRIO
ANTÓNIO CAPOCO CARAPINHA
DIFICULDADE DO DESENVOLVIMENTO DE LEITURA NO
ENSINO PRIMÁRIO DOS ALUNOS DA 5ª CLASSE, TURMA 5.1 DA
ESCOLA DE CHITALELA NO MUNICÍPIO DO BAILUNDO
ORIENTADOR: JUVENTUS ASAMOAH BONSU, Lic
BAILUNDO/2023
ANTÓNIO CAPOCO CARAPINHA
DIFICULDADE DO DESENVOLVIMENTO DE LEITURA NO
ENSINO PRIMÁRIO DOS ALUNOS DA 5ª CLASSE, TURMA 5.1 DA
ESCOLA DE CHITALELA NO MUNICÍPIO DO BAILUNDO
Ante-projecto de Conclusão do curso
intitulado: Dificuldade do Desenvolvimento de
Leitura no Ensino Primário dos Alunos da 5ª
Classe, Turma 5.1 da Escola deChitalela,
apresentado ao Instituto SuperiorPolitécnico da
Caála, como requisito parcial para a obtenção do
grau de Licenciatura em Ensino Primário.
ORIENTADOR: JUVENTUS ASAMOAH BONSU, Lic
BAILUNDO/2023
EPÍGRAFE
“Aprender a ler não pode ser desligado
da leitura em si mesma, mas é necessário não
esquecer que sem estratégias específicas de
aprendizagem se corre o risco de tropeçarmos no
caminho”.
(Inês Sim-Sim, 2006, p. 74).
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I - INTRODUÇÃO
Esse ante-projecto será uma pesquisa exploratória utilizando a investigação acção, é
uma forma de investigar para a educação, na medida em que é através desta que o professor
pode contribuir para a melhoria das suas práticas educativas. Morais 2013 citado por Catarina
Cotrim Coradinho 2020.
Nele abordaremos a situação problemática, definiremos os objectivos e as
actividades a desenvolver após a aplicação das técnicas escolhidas de acordo com o ante-
projecto, com a aplicação da análise dos conteúdos, nos será possível discutir os resultados e
chegar a conclusões.
Será nossa preocupação a fundamentação teórica através da revisão da literatura,
consultar obras que nos ajudarão a fundamentar o problema que vamos abordar na realização
do nosso ante-projecto e que está ligado a dificuldades do desenvolvimento da leitura no
ensino primário. Neste contexto procuraremos obras especializadas que nos remeterão para
esses paradigmas, tendo no entanto, o cuidado de fazer uma selecção para evitar erros.
Ler é uma atividade complexa que faz amplas solicitações ao intelecto e às
habilidades cognitivas superiores da mente: reconhecer, identificar, agrupar, associar,
relacionar, generalizar, abstrair, comparar, deduzir, inferir e hierarquizar. Não está em pauta
apenas a simples descodificação, mas a apreensão de informações explícitas e implícitas e de
sentidos que dependem de conhecimentos prévios a respeito da língua, dos géneros, das
práticas sociais de interação, dos estilos, das diversas formas de organização textual. A leitura
é a base de aprendizagem de diferentes conteúdos científicos, em todos os níveis de ensino.
Assim, a dificuldade do desenvolvimento de leitura no aluno da 5ª classe, constitui a alavanca
para o insucesso escolar.
A ser assim, a dificuldade do desenvolvimento de leitura do ensino primário nos
alunos da 5ª classe, turma 5.1 da escola de Chitalela do município do Bailundo constitui
problema que carece de solução urgente.
A dificuldade do desenvolvimento de leitura está ligada directamente à dificuldade
de aprendizagem. Daí, dizer que, não é possível tratar de dificuldade do desenvolvimento de
leitura sem decifrar a dificuldade de aprendizagem, uma vez que a leitura é um processo que
requere aprendizagem.
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Dificuldade de aprendizagem (DA) é um termo geral que se refere a um grupo
heterogéneo de transtornos que se manifestam por dificuldades significativas na aquisição e
uso da recepção, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas.
Para Koch (2009), a leitura é um acto social entre dois sujeitos, leitor e autor, que
interagem entre si, obedecendo aos objectivos e as necessidades socialmente determinados. É
por meio da leitura e de várias leituras, que o leitor passa a levantar críticas, formular
hipóteses e compreender melhor o que está escrito. Ler é muito mais que passar os olhos
sobre as letras, é uma prática criadora de sentidos.
O desejo pela leitura não nasce connosco, é adquirido com o tempo e com a prática.
É necessário apontar que a escola tem papel fundamental nesse contexto, é a partir dela que o
indivíduo tem o primeiro contacto com a produção da leitura. Cabe ao educador estimular o
aluno a ter o desejo pela leitura, trabalhando de diversas formas e usando diversas estratégias,
colocando-se na posição de parceiro e servindo como modelo, passando segurança, de
maneira que o aluno veja no professor o perfil de um bom leitor e perceba a importância da
leitura na vida do individuo, seja na escola ou fora dela.
1.1 Justificativa
A escolha do tema relaciona-se com a nossa experiência profissional no ensino
primário, na escola de Chitalela, aonde detectamos problemas candentes no que concerne a
leitura. É também pela existência de uma grande lacuna de aprendizagem e de
impossibilidade de continuar a aprender pela falta de habilidade de ler e compreender textos
dos alunos de Chitalela. As crianças não têm gosto pela leitura, não se esforçam, chegam até
a classe em estudo e nem sequer sabem ler. As razões da escolha deste espaço geográfico
para o nosso estudo têm a ver com o facto de partilharmos a ideia de que as grandes
mudanças da história foram feitas quando a realidade foi vista a partir da periferia.
Urge a necessidade de se tratar sobre a dificuldade do desenvolvimento de leitura da
escola de Chitalela do Município do Bailundo, pelo facto de fazer parte do conjunto de temas
escolhidos para a elaboração do ante-projecto que constitui base para obtenção do grau de
licenciatura em Ensino Primário.
A seleção deste tema, obedeceu a consideração da realidade educacional a nível do
Município do Bailundo, propriamente no que a escola de Chitalela diz respeito.
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Preocupando-se em alinhavar as propostas do Estado angolano com a realidade do
Município, segue-se o tema que é tratado de acordo os princípios didácticos-científicos.
1.2 Situação problemática
A atribuição do elemento condicionador da leitura é complexa. Entretanto, o que
constitui real problema é a dificuldade de junção de letras para constituir som único. Dito de
outro modo, verificou-se a dificuldade de: juntar letras para formar sílabas e com sílabas
formar palavras.
A realidade da classe, neste caso, contradiz a expectativa do currículo. Pois,
interpretar um texto sem conhecer os elementos que o constitui é impossível.
Agora que a situação está clara, é possível dizer que o aluno que não lê se frequentar
a 5ª classe, estar-se-á a desmotivar o seu gosto pela ciência; pois, do primeiro ao último
tempo nenhuma aula será interpretada por ele. Diante do exposto determinamos a seguinte
pergunta de partida:
1.3 Problema científico
Quais são as causas que dificultam o desenvolvimento de leitura no ensino primário
dos alunos da 5ª classe, turma 5.1 da escola de Chitalela do município do Bailundo?
1.4 Hipótese
Sabendo-se que, a leitura é a identidade do processo de ensino-aprendizagem dos
alunos da 5ª classe da escola de Chitalela, são muitos os factores que podem influenciar para
a capacidade de leitura do ensino primário, isto é, nos alunos. Como por exemplo, o apoio
familiar, a socialização ao ambiente escolar, a boa maneira de atuação do professor, a
capacidade psicomotora, a aprendizagem da linguagem oral, o desenvolvimento das
habilidades do reconhecimento de palavras, a competência em leitura, os programas eficazes
vindos do Ministério, além de crenças e atitudes de alguns educadores no que se refere a
linguagem falada e escrita e as relações entre elas podem dirimir ou minimizar esse problema
de leitura na escola referida.
1.5 Objectivo geral
Identificar as dificuldades do desenvolvimento de leitura no ensino primário dos
alunos da 5ª classe, turma 5.1 da escola de Chitalela do município do Bailundo.
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1.6 Objectivos específicos
Analisar as causas que dificultam o desenvolvimento de leitura no ensino primário
dos alunos da 5ª classe da escola de Chitalela;
Fundamentar teoricamente os factores que influenciam o desenvolvimento de leitura
no ensino primário;
Compreender a forma como são feitas as actividades de leitura em sala de aulas;
Saber os hábitos de leitura dos professores do ensino primário da escola de Chitalela;
Apresentar algumas possíveis soluções de promoção de leitura da escola de Chitalela.
1.7 Objecto de estudo
Quanto ao objecto de estudo deste ante-projecto consubstancia-se nos agentes do
processo educativo tais como: o professor, os alunos e os encarregados de educação.
1.8 Campo de acção
Este ante-projecto está a ser realizado na escola de Chitalela, sendo no entanto, o
nosso campo de acção.
1.9 Dificuldades sentidas
Se a escolha do tema não foi difícil o mesmo não se pode dizer quanto a elaboração
e concretização do ante-projecto. Como todo e qualquer trabalho de investigação enfrentamos
alguns constrangimentos e muitas vezes as possibilidades estiveram fora do nosso alcance,
daí que tivemos alguns constrangimentos, que passamos a citar: a indisponibilidade por parte
dos inquiridos em colaborar nas respostas quer do questionário, quer da entrevista,
constrangimentos na revisão da literatura de autores modernos, isto é de 2017 até aos dias de
hoje, que debruçaram sobre o tema em destaque, dificuldades em encontrar conteúdo a partir
do google académico.
1.10 Estrutura do trabalho
O presente ante-projecto será estruturado da seguinte maneira: capa, contra-capa,
catalogação, dedicatória, agradecimento, resumo, introdução, seis capítulos, aonde no
primeiro capítulo debruçaremos sobre a parte introdutória, no segundo sobre a
fundamentação teórica, o terceiro trata sobre a parte da metodologia, o quarto capítulo sobre a
discussão e análise dos resultados, no quinto sobre as conclusões e no sexto e último sobre as
recomendaçõesrespectivamente; bibliografia consultada e anexos também farão parte deste
ante-projecto.
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1.11 Caracterização da escola
A escola na qual se efectua o estudo, geograficamente localiza-se no município do
Bailundo e tem como zonas limítrofes as seguintes:
A Norte com o Bairro e Rio Tewa-tewa;
A Sul com a escola de Velha Chica Capitango;
A Este com a escola de Ombala e Missão Católica; e
A Oeste com a escola de Velha Chica Centro.
1.12 Descrição da escola
A escola primária de Chitalela localiza-se no Bairro com o mesmo nome, no
município de Bailundo, província de Huambo, é de construção definitiva, possui 20 metros de
comprimento, 3,5 metros de largura, comporta 7 salas de aula, 1 gabinete do director, 1
secretaria, 1 sala de professores e 1 biblioteca. De salientar ainda que as condições das salas
são favoráveis e cada sala possui 1 porta, 3 janelas e 60 carteiras.
1.13 Descrição da turma
A turma aonde está a decorrer a pesquisa é a 7ª sala da escola, com 60 carteiras, 1
quadro preto, 1 porta principal, 3 janelas, 1 secretaria para professor e 60 alunos subdivididos
em 2 grupos.
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CAPÍTULO II - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Será nossa preocupação a fundamentação teórica através da revisão da literatura,
consultar obras que nos ajudarão a fundamentar o problema que vamos abordar na realização
do nosso ante-projecto e que está ligado a dificuldade do desenvolvimento de leitura no
ensino primário nos alunos da 5ª classe, turma 5.1 da escola de Chitalela no município do
Bailundo. Neste contexto procuraremos obras especializadas que nos remeterão para esses
paradigmas, tendo no entanto, o cuidado de fazer uma selecção para evitar erros.
2.1 Problemas no trabalho com a Língua Portugusa
A tradição do trabalho com a Língua Portuguesa tem sido objecto de revisões,
principalmente a partir da segunda metade do século passado e fonte de muitas dúvidas para
os professores engajados nessa actividade. As principais dúvidas que os professores
costumam verbalizar parecem estar associadas a um aparente paradoxo. Stella Maris
BORTONI-RICARDO, 2012.
Segundo BORTONI-RICARDO, 2012 um apoio para a aprendizagem dos modos de
falar e modos de escrever que ainda não fazem parte do repertório do falante, a questão que
se impõe é a seguinte:
“Que conceitos sistematizados seriam de relevância na pedagogia da língua
portuguesa?”
Para responder a essa questão, partimos de quatro pressupostos:
1. O ensino e aprendizagem da língua portuguesa na escola tem de levar em conta
que os educandos já são falantes competentes nos registros ou estilos informais da língua,
diferentemente das nações multilíngues, onde as crianças chegam à escola falando línguas
distintas daquela que é usada como código escrito, para a transmissão do acervo de
conhecimentos letrados na educação escolar;
2. Na análise linguística desenvolvida na escola, têm de ser priorizados os factos da
língua que são distintos nas modalidades oral e escrita. Em outras palavras, o ponto de partida
da pedagogia da língua portuguesa devem ser as distinções entre os modos coloquiais de falar
e os modos formais de escrever;
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3. Como a comunicação oral e escrita se processa por meio de textos completos e
significativos, os factos da língua que vão adquirir relevância para uma pedagogia são os
relacionados à textualidade, mais propriamente os processos de coesão e coerência textuais;
4. O trabalho com a análise linguística na escola deve pautar-se por uma abordagem
que seja incidental, holística e indutiva:
Ela é incidental porque, no trabalho pedagógico, toda a oportunidade de se
apresentar um facto linguístico, introduzindo-o, comentando-o ou relacionando-o a
conhecimentos anteriores, deve ser aproveitada;
Ela é indutiva porque as sistematizações sobre a estrutura da língua e os seus usos
são adquiridos pelo processo indutivo. O estudante vai familiarizando-se com os factos
linguísticos em enunciados que permeiam seus usos, seja na interação oral, seja nos processos
de leitura e escrita. Alguns desses enunciados já fazem parte de seu repertório; outros são
novos e serão objecto de seu processo de aquisição.
Outros enunciados, ainda, e talvez esses devam merecer um foco especial, são
aqueles enunciados que se apresentam na língua de mais de uma forma ou variante.
Frequentemente essas variantes são associadas a valores socio-simbólicos distintos e o
estudante terá de aprender a selecionar essas formas concorrentes dependendo de várias
condições que presidem à enunciação, em especial as expectativas de seu interlocutor –
ouvinte ou leitor;
Finalmente, ela é holística, porque os factos da língua não deveriam ser trabalhados
pedagogicamente de forma isolada. Cada evento de fala que enseja uma actividade de análise
linguística não deve ficar circunscrito a um único fenómeno. Outras observações podem ser
oportunas, sejam elas relacionadas à dimensão sintagmática do enunciado, sejam elas
relacionadas à sua dimensão paradigmática.
2.2 A habilidade de ler e compreender textos
É uma condição sem a qual uma pessoa encontrará sérias dificuldades para enfrentar
os desafios na sociedade tal como está organizada neste início do século XXI. As diversas
formas de interação social exigem que um indivíduo possua a capacidade de ler para
conseguir se inserir na maioria das situações sociais, seja no mercado de trabalho, como
cliente de uma loja ou de uma agência bancária, na condição de eleitor ou de viajante, pois
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deve interpretar correctamente os dados impressos em documentos, monitores de
computador, contratos e em passagens, entre muitas outras possibilidades. A habilidade de
realizar leituras também é um factor de crescimento pessoal pois implica na capacidade de
aprender de forma autónoma. Para ter acesso a níveis mais elevados de ensino, é necessário
que uma pessoa tenha desenvolvido uma grande autonomia como leitor e incrementado o seu
repertório linguístico ou vocabular. Portanto, saber ler e interpretar dá essa condição a um
indivíduo, Silvério 2016.
Se Angola é um país cujo status é de nação em desenvolvimento, apesar dos
problemas que ainda tem por superar, é necessário que haja um investimento no sistema
educacional não apenas financeiro, mas, sobretudo de conhecimento a respeito de como não
apenas ensinar os alunos a descodificarem um texto, mas como mostrar a esses alunos a
importância que a habilidade de ler e compreender textos trará para a sua vida em particular,
e para a nação como um todo, Silvério 2016.
Segundo Cagliari 2009, a maioria do que se deve aprender na vida terá de ser
conseguido através da leitura da escola. A leitura é uma herança maior do que qualquer
diploma.
2.3 Dificuldade na leitura
O processo de leitura não é somente um produto final do processo escolar, mas
representa também um importante avanço para o desenvolvimento de uma determinada
sociedade. Através da leitura, o aluno desenvolve melhor a linguagem, e se torna um
indivíduo mais comunicativo, inserido num grupo social que possui vida e histórias
individuais.
2.4 Causas do desenvolvimento da leitura segundo Silvério, 2016
As causas podem assim ser citadas:
Deficit perceptual;
Deficit linguístico;
Dislexia;
Disgrafia;
Disortografia;
Dislalia.
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Muitos estudos indicam que os processos utilizados pelas crianças quando leem e
escrevem não são os mesmos, pois há uma complexidade que podem determinar essas
dificuldades uma vez que cada pessoa tem suas particularidades e anseios que determinam
sua forma de aprender. A compreensão da leitura abrange aspectos sensoriais, emocionais,
intelectuais, fisiológicos, neurológicos, culturais, económicos e políticos. A leitura é um
processo advindo em longo prazo e em determinados momentos da vida quotidiana que
determinam a aprendizagem e a não aprendizagem, Nunes 2001.
Ainda Nunes, 2001 afirma que a estrutura curricular é um factor importantíssimo
para os sistemas de ensino pois predomina o que será ensinado de acordo com a faixa etária e
a habilidade do aluno. Vale ressaltar que a colaboração de outros profissionais pode
proporcionar a melhoria da qualidade dos discentes. Dentre eles: psicólogo, psicopedagogo,
pedagogo, formadores especialistas, etc. nesse âmbito, é obvio que se deve levar em conta os
conhecimentos prévios do aluno seja, cognitivo, familiar, social e económico. Porém, não se
deve esquecer que a competência é construída e reconstruída durante o ensino-aprendizagem.
Ensinar a ler e escrever exige do aluno requisitos para estabelecer situações didácticas
diferenciadas, capazes de se adaptar à diversidade na sala de aula. Dessa forma, ensinar a ler
e escrever depende de compartilhar, seja nos objectivos, nas tarefas, nos conteúdos. Assim a
responsabilidade é distinta tanto para o professor quanto ao aluno. Com isso é necessário que
o professor analise sua prática constantemente a partir de determinados parâmetros
articuladores.
2.5 O papel da escola na dificuldade de leitura
O papel da escola na dificuldade da leitura no ensino primário é notório que nas
primeiras classes do ensino fundamental, existe uma complexidade de dificuldades que
aparecem nesse período. A instituição escolar deve estar atenta as dificuldades de
aprendizagem, pois quanto mais cedo se perceber, haverá vantagens para ser solucionada com
mais rapidez. Assim, a escola deve promover actividades diferenciadas e significativas de
leitura que tenham sentido para os alunos. A instituição escolar, seja, particular, pública,
central ou periférica, sempre surgem alunos a cada ano, que apresentam uma aprendizagem
lenta diante dos outros da mesma faixa etária e classe, Nunes, 2001.
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2.6 Modelos de aprendizagem da leitura
Alguns autores defendem que a aprendizagem da leitura resulta de um processo
contínuo, outros acreditam que é desenvolvida num processo descontínuo, no qual as crianças
têm de passar por diversas etapas. Cruz 2007 citado por Catarina Cotrim Coradinho 2020.
Segundo Frith (1990) citado por Catarina Cotrim Coradinho 2020, identifica três
etapas distintas na aprendizagem da leitura:
Logográfica;
Alfabética; e
Ortográfica.
A etapa logográfica decorre entre 18 e 24 meses e é conhecido como uma etapa na
qual a criança reconhece a palavra tendo por base características como o contexto, a cor e a
forma da mesma, sem atentar à composição das letras que a formam. Cruz 2007 citado por
Catarina Cotrim Coradinho 2020, afirma que nesta etapa as crianças tratam as palavras como
se fossem desenhos, só conseguem reconhecer as palavras com as quais estão familiarizadas e
que confundem as letras e as palavras que são visualmente idênticas tais como o “b” e o “d”.
A etapa alfabética é crucial na aprendizagem da leitura. Nesta, a criança aprende a
fazer a descodificação grafo-fonológica e passa a descodificar pseudopalavras e palavras
novas. É nessa etapa que a criança segmenta as palavras nas letras que as compõe, que
associa cada letra ao som correspondente e que tem que perceber que os sons têm uma
determinada ordem em cada palavra, por exemplo, as palavras “pato” e “tapo” apesar de
serem formadas pelos mesmos grafemas e fonemas a ordem de pronunciação é diferente.
Já na etapa ortográfica o leitor começa a ler fluentemente, uma vez que “adquire
consciência acerca do modo como as letras podem ser combinadas para produzir distintos
sons.
2.7 Factores que interferem na aprendizagem
A aprendizagem depende de factores internos e externos, ou seja, os internos
referem-se ao funcionamento do organismo, a psicomotricidade, a estrutura cognitiva, enfim,
ao seu corpo. Já os externos estão associados ao contexto no qual está inserido. Frente a isso,
a unidade escolar, deve estar sempre observando e analisando o que realmente prejudica o
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ensino-aprendizagem desse aluno no processo educacional. Nesse âmbito, Weiss, 2001, diz
que todo profissional que trabalha com crianças sente que é indispensável haver um espaço e
tempo para a criança brincar e assim melhor comunicar. Nunes, 2001.
Quanto ao fracasso escolar não ocorre só através da dificuldade de aprendizagem,
mas como foi explicado acima, depende de outros factores. Na escola deve haver
psicopedagogo e sala de recurso para justamente detectar o que está ocasionando a
aprendizagem lenta do aluno, realizar uma análise do quadro desse discente. O impacto da
acção dos pais na aprendizagem dos filhos na sociedade actual onde participar plenamente do
mundo letrado faz parte da vida quotidiana das pessoas, parece imprescindível que estejamos
cada vez mais fazendo o uso da leitura como algo que nos leva de facto a exercer plenamente
nossa cidadania e conquistar o mercado de trabalho. Sabemos também que a pressão social
contribui para que algumas crianças apresentem dificuldade na área da leitura, os pais estão
exigindo que as crianças aprendam a ler cada vez mais cedo sem de facto conhecerem quais
os impactos que isso pode causar na criança caso ela não esteja amadurecida biologicamente
e preparada intelectualmente para adquirir tais conhecimentos. Em alguns casos não é
meramente a vontade dos pais de inserir a criança cedo na escola, mas a necessidade uma vez
que o sustento da família advém do trabalho tanto do pai quanto da mãe. Isso faz com que os
dois se ausentem do lar e como alguns não podem pagar uma babá ou não tem nenhum
membro da família para tomar conta da criança acabam matriculando-a muito cedo na escola,
Nunes, 2001.
2.8 Métodos de ensino da leitura
Cruz 2007, citado por Catarina Cotrim Coradinho 2020, identifica dois métodos
de ensino da leitura:
Os métodos fónicos ou sintéticos; e
Os métodos globais ou analíticos.
Segundo Fernandes 2016 citado por Catarina Cotrim Coradinho 2020, os métodos
sintéticos começam pelo estudo dos signos e sons elementares, orientam-se para as regras que
nos permitem relacionar as letras aos sons. São métodos que se enquadram com os modelos
ascendentes de leitura e valorizam a aprendizagem da descodificação numa fase inicial do
ensino da leitura.
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Em contrapartida, os métodos analíticos partem das palavras ou frases completas e
orientam-se para os processos que nos permitem extrair significado da linguagem escrita.
Estes métodos enfatizam a compreensão do significado do texto numa fase inicial do ensino
da leitura.
Ainda para Fernandes 2016, refere que o método sintético é o mais antigo no ensino
da leitura; que consiste num ensino que parte da letra, passa para as sílabas, para as palavras
isoladas, segue para a frase e termina nos textos. Segundo o autor, o método sintético pode
ser dividido em três tipos:
O alfabético;
O fónico e;
O silábico.
No alfabético o aluno conhece e aprende as letras, depois forma sílabas juntando as
consoantes e as vogais e depois forma palavras e textos. No fónico o aluno parte do som das
letras, une-os com as vogais e consoantes e pronuncia a sílaba formada. No silábico o aluno
começa por aprender as sílabas para formar as palavras.
No caso dos métodos analíticos ou globais, Fernandes 2016 refere que são métodos
que consideram a criança como o principal agente de aprendizagem e que partem das
palavras, frases ou contos considerando-os como a unidade a ser dividida em elementos mais
básicos.
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CAPÍTULO III - METODOLOGIA
Para alcançar os objetivos científicos deste ante-projecto nos apoiaremos em métodos
e procedimento que assim o exigem, e conferir rigor prático para a implementação dos
resultados com vista a garantia da robustez científica da problemática.
3.1 Tipo de pesquisa
Considerando a problemática sobre a dificuldade de desenvolvimento de leitura
realizaremos uma pesquisa de campo com a tipologia qualitativa colocando em evidência o
processo que ocorre sem nos preocuparmos com resultados imediatos. Com esta metodologia
será possível a elasticidade da visão do problema e entender as formas como tais fenómenos
acontecem e encontrar as possíveis soluções.
3.2 Métodos teóricos
Análise-síntese: facilitar-nos-a na recolha de diversas obras, sites e consultas em fontes
bibliográficas ligadas ao tema tais como: livros, google académico, bem como opiniões
de alunos, professores e comentários de encarregados de educação. Com este dueto,
analisaremos e sintetizaremos os resultados.
Indução-dedução: nos servirá para delimitar o tema entre o geral e o particular somente
no município e escola em estudo, para não tivermos tanta dificuldade na recolha dos
dados.
Histórico-lógico: com este método buscaremos acontecimentos do passado e comparar
os processos do passado para verificar a sua influência na sociedade actual.
3.3 Métodos empíricos
Observação: servirá para observar se os professores da instituição em referência,
durante as suas aulas têm aplicado metodologias e métodos adequados de maneira que os
alunos saiam da sala de aula com uma cognição diferente a da que entraram com ela.
Entrevista: permitirá buscar de forma mais profunda, dados através da entrevista por
parte dos alunos, professores, direcção da escola e encarregados de educação através de
um pacote de perguntas e respostas abertas e fechadas.
Métodos Estatísticos: este método será para fazer uma análise dos dados numéricos
utilizando a estatística descritiva para a leitura dos resultados percentuais.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A importância da leitura escolar como crescimento e formação do leitor. Disponível
em: <[Link]
em: 22 set 2012.
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. O professor pesquisador: introdução a pesquisa
qualitativa. 1 ed. São Paulo: Parábola Editoral, 2008.
BORTONI-RICARDO, STELLA MARIS. Matriz de habilidades e conhecimentos
para avaliação de professores em início de escolarização: subsídios da sociolinguística
educacional. In: Livro comemorativo dos 20 anos do Ceale. Belo Horizonte: Editora
Segmento, no prelo. 2012.
Cruz, V. 2007. Uma abordagem cognitiva da leitura. Lisboa: Lídel – Edições
Técnicas, Lda.
Fernandes, S.P.D. 2016. Métodos de ensino da leitura e da escrita: Concepções de
docentes do I Ciclo do ensino básico. Dissertação de mestrado, Instituto Superior de
Educação e Ciências, Lisboa. Consultado em htpp://[Link]/10400.26/20603.
Koch, Ingedore Vilaça. Ler e Compreender: Os sentidos do texto. 3 Ed. São Paulo:
Contexto, 2009.
Lílian Miranda Bastos Pacheco. Dificuldades do desenvolvimento de aprendizagem
da leitura. 2020.