A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO FRENTE AS EMERGÊNCIAS E
DESASTRES: CONTRIBUIÇÕES PARA A RESILIÊNCIA PSICÓLOGICA
E BEM-ESTAR DAS POPULAÇÕES ATINGIDAS
Tâmara Maria Portela Pereira1
RESUMO
A presente pesquisa tem por objetivo compreender o processo de atuação do psicólogo no contexto
das emergências e desastres, visando a resiliência e o bem estar das comunidades atingidas. Por se
tratar de uma revisão integrativa da literatura, a busca foi realizada nas seguintes bases de dados:
Pepsic, Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), etc. Acerca da atuação do psicólogo frente as
emergências e desastres, foram selecionados 24 estudos nesta revisão, sendo que 5 deles foram
publicados no ano de 2019 referente a (20,83%) e 5 no ano de 2021 (20,83%), seguido por 4 estudos
publicados no ano de 2020, equivalente a (16,67%), 4 em 2018, apontando (16.67%) 3 estudos no
ano de 2023 sinalizando (12,5%), 1 estudo no ano de 2016 destacando (4,17%), 1 em 2017 frisando
(4,17%) e um não datado indicando (4,17%). Em relação a leitura e a análise das publicações pode
se elucidar os seguintes temas: 1: Preparação psicológica frente à comunidade. 2: Demandas
emocionais imediatas. 3: Promoção da resiliência em face da comunidade. 4: Principais técnicas a
serem utilizadas durante o ciclo do desastre.
PALAVRAS-CHAVE: Resiliência; Políticas Públicas; Primeiros Socorros Psicológicos.
INTRODUÇÃO
A psicologia das emergências e desastres tem por finalidade conhecer o
comportamento humano em momentos de crise, sejam estes causados por
fenômenos naturais ou pelo homem (Ferreira e Sant’Ana, 2018).
Ainda para os autores, Ferreira e Sant’Ana, (2018), o psicólogo deste campo
do saber tem como ênfase o cuidado da prevenção e da reconstrução, prestando
assistência a todos que se encontram no local (vítimas, equipe de resgate,
voluntários e familiares), frente a acomodação na conjuntura atual.
Apesar da atuação de psicólogas(os) na escuta de pessoas que
passaram por essas experiências – oferecendo acolhimento e contribuindo
para processos de nomeação do sofrimento psíquico –, a Psicologia não se
reduz a uma atividade clínica (CFP – Conselho Federal de Psicologia, 2021,
p. 64).
É importante pontuar que foram desenvolvidas temáticas pela Comissão de
Políticas Públicas e Grupo de Trabalho sobre Gestão do Risco Integral,
Emergências e Desastres do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco e
IASC – Instituto de Assistência Social e Cidadania (2007) para o estágio de
prevenção, mitigação e preparação, como por exemplo:
Graduanda do curso de Bacharelado em Psicologia na Faculdade de Ciências Humanas –
1
ESUDA (polo Recife)
E-mail: 93tmpp@[Link]
Inclusão da temática de Saúde Mental e Atenção Psicossocial nos Planos de
Contingência;
Planejamento de elaboração e execução de programas voltados à população
local como forma de apoiar os processos de redução e prevenção de riscos
observados, bem como validando o conhecimento por parte da população;
Atuação na participação dos treinamentos de profissionais de resgate,
incluindo informações sobre as respostas esperadas em situações de desastres
(CFP, 202i, p. 69-70).
Para Nakano, (2020) é na fase emergencial que surge a necessidade de criar
estratégias para informar a população sobre os riscos, evitando que informações
equivocadas possam ser disseminadas, causando a sensação de insegurança,
estresse, ansiedade e sintomas depressivos na população.
É também nesta fase que a capacidade de se manter um estado de ajuste
psicológico saudável tem maior implicação, devido às altas cargas de experiências e
emoções negativas enfrentadas em virtude das presentes circunstâncias (Nakano,
2020).
Desta forma, o objetivo do atendimento psicológico nesta situação é amenizar
conflitos que gerem grande pressão e angustia em um curto período de tempo,
prezando por uma intervenção diretiva e focalizada. Já que diante do cenário,
grande parte dos danos são causados pela perda da família, falta de moradia e
escassez de recursos financeiros, o que leva os sujeitos acometidos a não
conseguirem lidar com tal condição (Sipriano e Sais, 2019).
É que apesar de o apoio psicológico não possuir prestigio frente aos cuidados
físicos e os prejuízos materiais, este também apresenta grande importância, para
que a vítima possa se organizar e preservar sua saúde mental (Ribeiro e Freitas,
2020).
Contudo, a ajuda imediata não põe fim à tragédia humanitária, que envolve
exigências mais complexas, como a plena garantia dos direitos sociais e humanos,
reconstruindo estratégias que necessitam de formulação a médio e longo prazo
(CFP, 2021, p. 72-73).
Diante deste cenário, focar apenas na reconstrução é um grande erro, já que
a reconstrução custa mais caro que a prevenção, calculando-se que para cada 1
dólar investido na prevenção 3 dólares são gastos na reconstrução (Beck, 2023).
Dário e Malagutti, (2019) alertam que as implicações do desastre sobre a
saúde são marcadas nos aspectos físicos, mentais e sociais. No entanto, para Braga
et al., (2018), os desastres não afetam apenas aqueles que estão presentes na
situação e/ou seus entes, mas toda uma população, que se sensibiliza com o
impacto das notícias frente a produção em massa disseminada pela mídia.
Por haver uma lacuna significativa no entendimento prático das estratégias
mais eficazes nas fases de prevenção, mitigação, preparação, resposta e
recuperação, é o que este estudo busca preencher, fornecendo Insights para
profissionais da área e formuladores de políticas públicas.
Pacheco e Souza, 2017 apontam sobre a importância do psicólogo neste
campo de atuação por se tratar de um profissional que se debruça sobre as
questões humanas, de forma que a sua atuação junto as equipes multiprofissionais
contribuam para o planejamento e compartilhamento na tomada de decisões.
Ademais, como as estratégias de atuação do psicólogo podem ser adaptadas
para melhor atender às necessidades específicas em cada fase do ciclo de desastre,
e de que forma suas intervenções podem influenciar a resiliência psicológica e o
bem-estar das populações afetadas?
A reflexão acerca da psicologia em situação de emergências e desastres
ainda é pouco discutida por parte de psicólogos e estudantes da área.
Diante disto, o estudo apresenta relevância diante da crescente incidência de
desastres naturais no Brasil e da necessidade de compreender como as
intervenções psicológicas podem influenciar a resiliência e o bem-estar das
populações afetadas, ao fornecer suporte emocional, educação, e apoio psicológico
nas diversas fases dos desastres, bem como, contribuir para a superação e
reconstrução dos vitimados após os eventos catastróficos.
METODOLOGIA
O presente artigo constituiu-se de uma revisão bibliográfica a respeito do
seguinte tema: A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO FRENTE AS EMERGÊNCIAS E
DESASTRES: CONTRIBUIÇÕES PARA A RESILIÊNCIA PSICÓLOGICA E BEM-
ESTAR DAS POPULAÇÕES ATINGIDAS. A coleta de dados foi realizada no período
de 13 de novembro de 2023 a 25 de junho de 2024, onde utilizou-se para a pesquisa
as bases de dados Pepsic, Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), dentre
outros.
Foram definidos como critérios de inclusão da pesquisa: artigos publicados
entre os anos de 2016 e 2023, artigos de língua portuguesa completos sobre a
temática. Sendo que os materiais que se mostravam incompletos, repetidos ou não
tratavam do assunto, foram excluídos.
A respeito dos descritores foram incluídos neste estudo, artigos que
apresentassem descritores como: emergências e desastres, primeiros socorros
psicológicos, resiliência, políticas públicas e atuação do psicólogo. Após a seleção
dos artigos conforme os critérios de inclusão previamente definidos, foram seguidos,
nessa ordem, os seguintes passos: leitura exploratória; leitura seletiva e escolha do
material que se adequam aos objetivos e tema deste estudo: leitura analítica e
análise dos textos, finalizando com a realização de leitura interpretativa e redação.
PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA FRENTE À COMUNIDADE
O Glossário de Defesa Civil define resiliência, sd, p.
160, por: [...] Capacidade do indivíduo de lidar com problemas, superar
obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto
psicológico. A resiliência também se trata de uma tomada de decisão
quando alguém se depara com um contexto de crise entre a tensão do
ambiente e a vontade de vencer.
Para tanto, a resiliência comunitária se relaciona enquanto adaptação positiva
da população perante as situações de desastre ou crise, no que concerne as
consequências por acomodação. Neste sentido, a resiliência se apresenta como o
processo que direciona a comunidade a este desfecho, de forma que as relações de
interdependência entre os recursos sociais, culturais e econômico possibilitam que a
comunidade disponha de suas próprias capacidades de enfrentamento frente as
situações calamitosas (Oliveira e Morais, 2018).
Segundo Albuquerque e Zacarias, (2016), nos últimos anos diversos
desastres acometeram o Brasil e o mundo. Por esta razão, os mais diversos setores
da sociedade vêm trabalhando na difícil tarefa de compreender as causas
desencadeadas por danos que afetam sobretudo a vida humana e os prejuízos
materiais. No momento presente, o que vem sendo orientado pela Organizações das
Nações Unidas (ONU) e Brasil é o foco na prevenção, e não na reparação do
problema.
Desta forma, os profissionais de psicologia podem vir a atuar intervindo nos
fatores de risco e vulnerabilidade da população, políticas públicas, auxiliando junto
as equipes multidisciplinares nos territórios que apresentam risco, garantindo os
direitos sociais caso seja necessária a mudança de local por parte dos membros da
comunidade e o suporte psicossocial (CFP, 2021, p. 67).
É importante que durante a fase de preparação o psicólogo desmistifique
frente à comunidade o conceito de normalidade na convivência com o risco,
trazendo informações claras e acessíveis, de forma que exista um intercâmbio entre
os saberes da população e a gestão pública (Braga, 2018).
Faz-se necessário durante esta fase que a população possa estar preparada
para um evento que demande medidas drásticas, contando com o psicólogo, que
fará o papel de norteador, utilizando intervenções e técnicas contínuas, pois poderão
haver novos desastres em maiores proporções. E, com estas medidas de
treinamentos e capacitações a população estará mais madura e fortalecida (Paulino
e Sant’Ana, 2018).
Para Beck, 2023, não é possível evitar a ameaça, embora para a mesma, seja
plausível identificar e monitorar, desta forma, é viável que se reduza a
vulnerabilidade e a exposição ao risco nos desastres futuros sobre a vida da
população, suas residências, o meio ambiente e a economia local.
Neste sentido, a resiliência é um dos caminhos a se percorrer para reduzir os
impactos frente aos desastres, e, portanto, preparar a população para a prevenção e
mitigação. Esta prática vem se mostrando como a melhor resposta na reconstrução
de um cenário pré-desastre (Beck, 2023).
DEMANDAS EMOCIONAIS IMEDIATAS
No primeiro momento às situações em emergências e desastres faz-se
necessário o atendimento assistencial de maneira que ajude a população afetada a
obter recursos básicos à sobrevivência e dignidade humana, dispondo de acesso a
água potável, alimentação, vestuário, materiais de higiene, produtos de limpeza,
abrigo seguro, acesso a lavanderia e banheiro (CFP, 2021, p.72).
Ainda segundo o Conselho Federal de Psicologia, 2021, p.72, é importante
pontuar, que, este suporte passa a ser primordial à saúde mental e ao bem-estar
psicossocial da comunidade afetada, desde que seja ofertada a tempo e de maneira
adequada, oportunizando maiores chances de alívio ao sofrimento psicológico dos
sobreviventes.
Neste ínterim, o papel do psicólogo nas situações de desastre não se
beneficia da escuta clínica tradicional, mas enquanto equipe interdisciplinar, de
forma que cada profissional atue dentro da sua expertise, possibilitando que as
vítimas se reestruturem (Kessler, 2020).
Pacheco e Souza, 2016 alertam sobre a importância dos profissionais de
psicologia estarem atentos aos laços sociais dentre as pessoas desabrigadas,
alocando-as juntas, a fim de conservar os vínculos e torná-las mais resilientes, na
esfera individual e coletiva.
Para Kessler, 2020 é essencial que os profissionais especializados em
atender os membros das comunidades atingidas devam considerar sua história de
vida, tal qual, a subjetividade frente a vivência enfrentada na imprevisibilidade que é
a situação emergencial. E, que diante disso, sejam capazes de compreender quais
reações de desequilíbrio emocionais sejam esperadas.
Segundo Noal; Rabelo; Chachamovich, 2019 algumas condutas, assim como
sintomas e consequências psicossociais e de saúde mental podem ser confundidos
com doenças pré-existentes, reações biológicas e culturais, nas quais, demandam
abordagens diferentes.
No entanto, alguns comportamentos ocorrem de maneira imediata ao
desastre e permanecem durante as 72 horas após o fato, com reações intensas,
repentinas e incontroláveis, sendo esperado que apresentem sentimentos profundos
de medo, horror e impotência, e que venham a desestabilizar a saúde mental das
vítimas (Noal; Rabelo; Chachamovich, 2019).
É importante que durante a situação emergencial o psicólogo esteja
preparado para apoiar a população atingida nas diversas demandas que venham a
surgir na situação calamitosa, caminhando junto aos vitimados, de forma que estes
encontrem estratégias e recursos que os fortaleçam, a fim de minimizar que se
instalem quadros traumáticos (Silva; Martins; Cardoso, 2021).
Ademais, durante a fase aguda, o profissional de psicologia junto à equipe
também deverá trabalhar com intervenções emergenciais, atuando com ações
breves e focadas na situação presente, de forma que o sujeito venha a encarar o
acontecido e fortaleça sua resiliência (Paulino e Sant'ana, 2018).
As autoras Paulino e Sant’Ana, 2018 ainda reforçam o cuidado em não forçar
que seja falado ou vivenciado algo que a vítima não deseje, a fim de não adiantar o
curso natural das coisas, mas fortalecendo-o para que reconstrua a saúde mental e
física.
Para tanto, não se trata de disponibilizar serviços especializados como
consultas psicológicas e psiquiátricas a todos os envolvidos. Mas se faz essencial
fornecer apoio psicossocial as vítimas, visando diminuir o estresse, prevenir o
desenvolvimento de transtornos psicológicos, auxiliar na adaptação da nova rotina e
no processo das perdas e lutos (Rafaloski at al., 2021). Processo este que faz parte
de um recurso natural enquanto reorganizador psíquico, e que cada sujeito vivencia
de forma singular, a partir dos seus mecanismos internos e externos (Miyazaki e
Teodoro, 2020).
PROMOÇÃO DA RESILIÊNCIA EM FACE DA COMUNIDADE
É necessário estudar a história de nossa sociedade, as ocupações
desordenadas, velozes e sem planejamento dos centros urbanos que se
instauraram em nosso país durante o século XX; as misérias e a falta de
estruturas básicas à sobrevivência na zona rural; os inúmeros acidentes
ecológicos provocados por grandes empresas; a falta de investimento em
estruturas de saneamento básico ainda hoje; a falta de investimento em
estruturas que reduzam as inundações e muitos outros aspectos de nossa
história para que possamos definir estratégias de prevenção às
emergências e aos desastres, bem como possibilitar a redução dos danos
causados por esses eventos, não obstando ouvir a própria sociedade civil.
(Pacheco e Souza, 2016).
Diante disto, um grande obstáculo na atuação dos profissionais de saúde
mental se dá pela carência no acesso a áreas isoladas e o baixo investimento dos
governantes, para que possibilitem a assistência destas pessoas e que essa parcela
da população possa ser ouvida e assistida (Pacheco e Souza, 2016).
Ribeiro e Freitas, 2018 destacam que a formulação de políticas públicas seja
sugerida tanto antes quanto após a situação de desastre, pois, concebem como um
processo cíclico, tendo em vista que as experiências vividas no pós-desastre podem
vir a ser úteis como referência para a criação de novas políticas públicas.
Neste sentido, o psicólogo é peça primordial no que se refere à fase do
desastre e reconstrução, pois nestas circunstâncias têm-se por objetivo acolher as
vítimas, bem como favorecer atitudes participativas na busca por informações e os
direitos da população (Silva; Martins; Cardoso, 2021).
Para tanto, é de grande valia que se tenham profissionais no campo da
psicologia atuantes nas políticas públicas e inseridos nas redes de assistência ao
SUS – Sistema Único de Saúde, CRAS – Centro de Referência de Assistência
Social, CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social, Centros
Pop, dentre outros, a fim de obter mais acesso às comunidades em casos de
emergências e desastres, estabelecendo vínculos com a comunidade através do seu
trabalho (Silva; Martins; Cardoso, 2021).
No que tange a saúde mental dos afetados, estima-se que a maioria da
população acometida consiga se restabelecer do impacto psicossocial provocado
pelo desastre. No entanto, por mais que boa parte da população atingida não
apresente nenhum transtorno psicopatológico a médio e longo prazo, a quantidade
de pessoas que precisarão de auxílio à saúde mental pode sobrepor às demandas
anteriores ao desastre, requerendo um maior abastecimento nos serviços de saúde
e estratégias próprias, a fim de conduzir os casos que excedem a antiga rotina
(Noal; Rabelo; Chachamovich, 2019).
Desta forma, a população pode interpretar o mesmo evento de maneiras
distintas, ainda que as vítimas tenham enfrentado situações similares, o que explica
as diferentes respostas (Luz et al., 2023).
PRINCIPAIS TÉCNICAS A SEREM UTILIZADAS DURANTE O CICLO DO
DESASTRE
Segundo Lara et al., 2019 os primeiros socorros psicológicos têm por objetivo
atender as necessidades básicas do sujeito, reduzindo o estresse inicial causado
pelo evento catastrófico, e com intuito de auxiliar no processo de reorganização das
pessoas atingidas.
Sua finalidade é promover uma recuperação posterior eficiente, criando um
ambiente seguro e que disponha de apoio emocional. A incluir, sensação de
segurança, conexão com outras pessoas, tranquilidade e esperança (Queirós e
Passos, 2018).
Ainda para os autores, Queirós e Passos, 2018 são esses cuidados que
visam garantir acesso ao suporte social, emocional e psicológico, no qual o sujeito
utilizará seus próprios recursos como forma de ajudar a si e à comunidade em que
está inserida.
Outras técnicas utilizadas em situações de crise são o Defusing e o
Debriefing. Segundo Kessler, 2020 o Defusing é uma intervenção que ocorre nas
primeiras 24 horas após o evento catastrófico, sendo uma abordagem breve,
destinada a reduzir a intensidade de resposta frente à situação e avaliando as
necessidades para o tratamento contínuo, caso se faça necessário. Enquanto que o
Debriefing, trata-se de uma entrevista aprofundada, que tem por objetivo reorganizar
as vítimas frente às experiências intensas e traumáticas, encorajando que o sujeito
possa desenvolver ferramentas de autodesenvolvimento. Esta por sua vez pode ser
conduzida de forma individual ou grupal, permitindo que haja uma troca sobre as
vivências recentes (Gonçalves, 2020 apud Filho e Lopes, 2017).
No que se refere às estratégias de Coping, estas surgem como uma nova
abordagem diante de uma ameaça real ou perda de recursos, incentivando aos que
passaram pela situação calamitosa a se esforçarem para preservar, proteger ou
recuperar os elementos que valorizam e que no momento estão indisponíveis (Silva;
Martins; Cardoso, 2021).
Ainda com base nos autores, Silva; Martins; Cardoso, 2021 é importante
considerar que o Coping representa um processo em constante transformação,
assim, as estratégias adotadas em determinado momento podem não ser
adequadas para lidar com outros cenários, o que implica em avaliar, interpretar e
simbolizar o fenômeno percebido à medida que geram mudanças em relação ao
sujeito, e portanto, permitindo que o mesmo siga adiante sem maiores prejuízos.
Para tanto, segundo o CRP-RJ, 2023, p. 20, faz-se necessário o foco na
atenção no que se refere as necessidades socioemocionais dos sujeitos, a fim de
favorecer e fortalecer as estratégias de enfrentamento, promovendo a autonomia e a
independência dos atingidos.
Esses conceitos são fundamentais na compreensão e no apoio as vítimas que
passaram por eventos traumáticos, e cada um desempenha um papel específico no
processo de recuperação e adaptação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A psicologia das emergências e desastres destaca-se por demonstrar
interesse no comportamento humano frente aos momentos de crise. Sua atuação se
estende da fase de preparação à reparação, prestando assistência a todos que se
encontram no local afetado, apesar disso, seu exercício não se restringe apenas a
uma escuta clínica, mas na construção e elaboração de políticas públicas junto à
sociedade civil e ao poder público.
Em vista disso, é sabido que o foco está na preparação, e que para cada um
dólar investido nesta etapa, 3 dólares são gastos na recuperação. Portanto, cabe ao
profissional de psicologia monitorar as vulnerabilidades e exposições ao risco nos
desastres perante a comunidade, já que a resiliência vem se mostrando como um
dos caminhos a serem percorridos na redução dos impactos.
Para tanto, durante a fase de emergência, é importante que sejam fornecidos
suprimentos básicos para as necessidades dos sobreviventes, e que estes,
preferencialmente estejam juntos a sua rede de apoio, como forma de se
fortalecerem enquanto indivíduos e grupo. Neste sentido, se faz necessário
compreender cada pessoa como única, compreendendo sua história de vida e
respeitando sua subjetividade frente à nova realidade.
Além disso, um dos grandes desafios encontrados na fase de resposta se dá
pelo fato de não haver tanto material disponível. Apesar disso, a formulação de
políticas públicas é uma das questões sugeridas por alguns autores, por se tratar de
um processo cíclico entre a fase de preparação e resposta.
Outro ponto a ser discutido se refere à redução dos impactos psicológicos,
pois embora alguns comportamentos sejam apresentados no momento agudo ao
evento, a maioria das pessoas conseguiram atravessar esta fase sem ajuda
especializada. No entanto, algumas técnicas pretendem fortalecer a vítima na esfera
pessoal e coletiva, bem como, a curto, médio e longo prazo.
Em síntese, essa pesquisa teve por objetivo compreender a atuação do
psicólogo frente às fases do desastre. Entretanto, a sua prática ainda aparece como
um novo braço da psicologia, especialmente na área de pesquisa, com poucas
contribuições teóricas por parte dos autores.
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