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Psicologia em Emergências e Desastres

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Patricia Ribeiro
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ISECENSA – Institutos Superiores de Ensino do CENSA

Instituto Superior de Educação do CENSA


Instituto Tecnológico e das Ciências Sociais Aplicadas e da Saúde do
CENSA
Curso: Psicologia

Disciplina: PSICOLOGIA e PREVENÇÃO À CRISE


Período: 3° | Carga Horária: 40h
Emergências e desastres são termos que nos trazem cotidianamente a
inquietante certeza do quão expostos estamos frente às ameaças, sejam
elas provenientes de fenômenos naturais (terremotos, chuvas torrenciais,
estiagens) ou de avanços tecnológicos (vazamentos em usinas nucleares,
acidentes no transporte de produtos químicos)
Cada vez mais nos convencemos de que na realidade não estamos
indefesos frente as ameaças, mas sim, nós mesmos vulnerabilizamo-nos
diante delas, pois muitas vezes as construímos.,
O tema desastres e emergências têm sensibilizado muitos países, que
procuram estudar e definir ações que possibilitem solucionar os problemas
que surgem. O Marco de Ação de Hyogo, lançado pelos governos de 168
países, reflete o compromisso com a adoção de medidas para reduzir o risco
de desastres. A ser desenvolvido entre 2005 e 2015, o Marco visa reduzir as
perdas ocasionadas por desastres tanto em termos de vidas como perdas
sociais, econômicas e ambientais.
Possui objetivos estratégicos centrados: na integração para redução de
riscos de desastres em conjunto com políticas de planejamento de
desenvolvimento sustentável; no desenvolvimento e fortalecimento de
instituições, mecanismos e capacidades, em todos os níveis, para aumentar
a resiliência frente as ameaças; e na incorporação sistemática de políticas
para redução de riscos com a preparação, atenção e recuperação de
comunidades afetadas (EIRD, 2012)
Antes do Marco de Hyogo, em 1994, a Conferência de Yokohama já havia
trazido um novo olhar para o problema, tendo introduzido a atual estratégia
para lidar com os desastres, considerando-os não apenas eventos naturais
ou tecnológicos, mas sim com a atenção voltada para o modelo de
desenvolvimento adotado, indagando sobre o uso irracional dos recursos
naturais e para as desigualdades sociais.
O tema emergências e desastres vem, nos últimos anos, adquirindo grande
interesse e preocupação pública no Brasil, sobretudo a partir da visibilidade
das discussões sobre os efeitos das mudanças climáticas. A sociedade
brasileira parece estar adquirindo maior consciência da importância de seu
envolvimento na preservação ambiental, na prevenção e na preparação para
enfrentar riscos.
Participação da Psicologia em Desastres e Emergências
São cada vez mais visíveis as constatações de que os desastres afetam não
apenas a economia e a infraestrutura do país, mas comprometem em
especial a estrutura social das populações afetadas, bem como a saúde
física e mental dos atingidos – e, por que não, de todos aqueles que
integram equipes de resgate e de assistência aos afetados e, em nível mais
amplo, de toda a sociedade. “As emergências e os desastres são fenômenos
complexos e multidimensionais que causam morte, sofrimento e
desequilíbrios” (ALAMO, 2007).
As ações de resgate em situações de desastre requerem medidas que
envolvem equipes multidisciplinares, medidas estas focadas na promoção,
proteção e recuperação da saúde – física e mental – dos seres humanos,
justificando, assim, a inclusão do saber psicológico em tais cenários.
A psicologia das emergências e desastres, como uma nova especialidade,
apresenta-se como uma consequência lógica de múltiplos estudos e
experiências que demonstram que tais eventos não somente causam a
perda de vidas, atentam contra a integridade física das pessoas, causam
danos materiais e perdas econômicas, mas também causam um profundo
impacto emocional nas pessoas, comunidades e equipes de primeiros
socorros, consequências que podem durar muito tempo e interferir na
posterior reconstrução da comunidade afetada; tais consequências foram
chamadas, por Erikson, inclusive, de “o segundo desastre” (ALAMO, 2007).
O envolvimento da Psicologia em contextos de desastres e emergências tem
sido gradual, inicialmente voltada apenas para o pós-desastre e, no século XXI,
incluindo ações de prevenção. A partir de 2006, o Conselho Federal de
Psicologia (CFP), em parceria com a Associação Brasileira de Ensino da
Psicologia (ABEP) e a Secretaria Nacional de Defesa Civil, vem inserindo
psicólogos e estudantes de Psicologia nos debates científicos sobre o tema,
envolvendo os Conselhos Regionais de Psicologia (CRP).
Das ações da Psicologia nas quatro fases, as possibilidades foram apontadas em
documento elaborado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil (BRASIL, 2010).
São elas: na prevenção, atuar com capacitação comunitária para a percepção
de riscos, em projetos educativos, no desenvolvimento de projetos para a
minimização de vulnerabilidades sociais, e no mapeamento de áreas de risco.
Na preparação, auxiliar as comunidades a estabelecer e estruturar planos de
contingência. As ações durante o desastre e na recuperação pós-desastre, por
sua vez, estão voltadas para a gestão e administração de seus efeitos, o
atendimento às pessoas afetadas, a administração dos abrigos provisórios, e a
concepção dos planos de reconstrução voltados às necessidades da população.
Na atualidade, a participação de psicólogos em emergências e desastres é
uma realidade, sobretudo nos países latino-americanos. Contudo, é preciso
refletir sobre tal participação. Questões como: o que é a psicologia de
desastres e emergências; qual a sua finalidade; o que ela deveria ser; quais
deveriam ser seus objetivos; e qual a sua responsabilidade social, devem
nortear o fazer psicológico em situações de desastres e emergências.
A atuação deve ser, necessariamente, estratégica, inserida em um contexto
que considere o ambiente e as contribuições de outras áreas de
conhecimento. É necessário que a Psicologia das emergências e desastres
ocupe lugar estratégico na contribuição com a Defesa Civil.
Nos dias de hoje, a Psicologia conta com ampla bagagem de investigações
nesta área, que vem evoluindo desde o princípio do século XX, desde os
estudos descritivos e individuais até os recentes trabalhos sociológicos
abrangendo propostas específicas de intervenção.
Os primeiros estudos psicológicos em situações de emergências e desastres
tiveram início com o trabalho de Eduard Stierlin, em Zurique, que investigou o
comportamento humano em sobreviventes de um acidente em uma mina e
posteriormente entrevistou 135 pessoas após o terremoto de Messina, na Itália
(MOLINA, 2006) No entanto, o estudo considerado pioneiro é o do médico
psiquiatra Erich Lindemann, que em 1944 efetuou um trabalho com
sobreviventes e famílias das vítimas do incêndio no Clube Noturno Coconut
Grove, em Boston – morreram mais de 400 pessoas em tal incêndio. À ocasião,
elaborou um informe clínico sobre as reações psicológicas dos sobreviventes.
As investigações subsequentes apontaram a existência de diferentes reações
das vítimas de desastres, tanto durante o impacto do evento quanto
posteriormente, concluindo sobre a inexistência de um comportamento padrão
nas fases de choque inicial e de recuperação.
Há também registro de estudos psicológicos à época das guerras mundiais, em
especial sobre o denominado estresse pós-traumático, conhecido também
como fadiga de batalha ou neurose de guerra.
A Psicologia das emergências e desastres busca estudar as reações dos
indivíduos e dos grupos humanos no antes, durante e depois da situação de
emergência ou desastre, bem como implementa estratégias de intervenção
psicossocial orientadas à mitigação e preparação da população.
É fundamental que a ação do psicólogo seja acompanhada de
posicionamento crítico sobre a conjuntura e sobre as políticas públicas. A
cultura da prevenção deve ser premissa para a atuação psicológica. Nas
intervenções psicológicas bem sucedidas devem estar presentes o
planejamento, a informação, o treinamento e o apoio aos envolvidos
(BRASIL, 2009). O incentivo aos próprios envolvidos para que utilizem seus
mecanismos de enfrentamento, adaptação e estruturas de apoio são
considerados responsáveis pelos bons resultados em saúde mental.
Mattedi (2008) enfatiza que conhecer os fatores que ameaçam as
comunidades, bem como incrementar pesquisas, além de acreditar na
capacidade de preparação e recuperação das comunidades afetadas,
devem ser as reais contribuições da Psicologia nas emergências e
desastres.
Propõe o desenvolvimento de uma psicologia reflexiva, que busque tornar
as comunidades mais conscientes da insegurança a qual estão submetidas,
e sugere que os psicólogos fujam da caracterização daqueles que habitam
tais comunidades como pessoas desintegradas física, psicológica e
moralmente, mas sim as considerem participantes de redes dinâmicas
capazes de aprendizado.
Gómez (2006) complementa, indicando que, quando o psicólogo intervém
em uma situação de desastre, está intervindo com a cidadania. Kapucu
(CFP, 2011), por sua vez, reforça que as redes – instituições governamentais
e não governamentais, cidadãos, setor privado – são a melhor maneira de
lidar com a complexidade dos desastres. Afinal, temos a consciência, como
constatou Albuquerque (1997), de que os desastres não acontecem em um
vazio social.
A Visão Estratégica da Psicologia de Desastres e Emergências
As contribuições da Psicologia em situações de desastres e emergências
abrangem atuações no desenvolvimento de planos de curto, médio e longo
prazo para minimizar riscos, reduzir condições de vulnerabilidade e preparar
para a resposta, considerando cada situação e cada comunidade.
Ainda que possamos vislumbrar intervenções psicológicas em situações de
desastres e emergências, as decisões sobre as estratégias para administrar
riscos não podem estar baseadas somente nas avaliações objetivas e nas
estatísticas sobre a probabilidade de risco. Faz-se necessário uma visão mais
ampla e diversificada de tais riscos, de modo a compreender como as pessoas
percebem o perigo e desenvolvem estratégias mais eficazes de prevenção.
Ainda que possam ser detectados princípios gerais, cada situação requer suas
próprias estratégias e planos em função de suas realidades e características.
Assim, devem ser incrementadas pesquisas sobre percepção de risco,
prevenção de desastres e estratégias de mitigação sob o enfoque psicológico
(LOPEZ, 2006). O desenvolvimento de estratégias eficazes da administração de
risco requer tanto o conhecimento do ambiente físico como dos processos
sociais e psicológicos que podem afetar as respostas das pessoas às condições
de perigo.
Se entendermos que estratégia:
é a arte de articular meios e fins, em função de objetivos de interesse, antagônicos
ou não, considerando os outros, de toda ordem, tantos quantos existam, que quando
aplicada, tenha consequências, predominantemente no tempo (SANTOS, 2012),

reconheceremos que é preciso que a Psicologia tanto se aprofunde em suas


especificidades, ampliando o conhecimento especializado sobre o tema,
quanto amplifique suas indagações, colocando-se como mais um campo de
estudo a colaborar com as situações de desastres e emergências.
Considerar a intervenção psicológica em emergências e desastres como
estratégica é, portanto, vislumbrar como, quando e onde tais intervenções
ocorrerão. Para a formulação da estratégia é preciso analisar, ainda, o
contexto e as possíveis ameaças, para que não haja surpresas, que dificultem
ou inviabilizem as ações.
O desenvolvimento da Psicologia em emergências e desastres deve ampliar-
se à medida que a participação de psicólogos em tais eventos afirme-se, o
que impõe uma demanda crescente de estratégias de formação de
profissionais em diferentes níveis de profundidade – cursos de graduação e
de especialização, fóruns de discussão, treinamentos.
Não podemos perder de vista a noção de que os desastres são ao mesmo
tempo produto e processo, decorrentes tanto da transformação e
crescimento da sociedade quanto de fatores sociais e ambientais ligados a
maneiras de viver - o que pode produzir a vulnerabilidade ao desastre.
Parafraseando Coelho (2006), “nunca podemos desconsiderar que, quando
vamos atuar em desastres, não queremos que tudo volte ao que era antes.
Queremos que mude, pois, se o desastre ocorreu, é porque alguma coisa já
não estava dando certo”.
[Link]
estrategicos/AAtuaodaPsicologiaemDesastreseEmergnciasUma
[Link]
21 Abril 2021
CBMERJ implanta Serviço de Psicologia em Desastre
Iniciativa tem como objetivo preparar e apoiar psicologicamente os bombeiros que atuam no Estado.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) deu início ao “Serviço de Psicologia em
Desastre”. A iniciativa pioneira tem como objetivo principal preparar e apoiar psicologicamente os
bombeiros para situações extremas que fazem parte da rotina do seu trabalho, principalmente nesse
momento de pandemia. O trabalho, previsto para ser realizado em três fases (preventiva, durante e após as
ocorrências), teve início nos quartéis de São Gonçalo e Central.

- Iniciamos a primeira etapa, chamada “Entre Nós”, cujo foco é abrir espaço para que o bombeiro possa
compartilhar sentimentos e emoções. Para isso, trabalhamos várias temáticas relativas ao seu dia a dia em
dinâmicas de grupo, dando voz e vez aos militares para que eles possam falar sobre coisas que não são
externalizadas na rotina. Os encontros contam com uma equipe multidisciplinar que atua de acordo com a
realidade de cada localidade e a necessidade do profissional envolvido - afirmou a coordenadora do
programa, tenente-coronel Eliane Cristine.
O Serviço de Psicologia em Desastre vai percorrer várias cidades fluminenses até outubro, sempre
realizando as atividades em dois quartéis por dia, com encontros que duram uma hora e meia. Segundo a
tenente-coronel, os profissionais que atuam em equipes de emergências, em função da exposição a
situações drásticas, além do perigo iminente e vulnerabilidade humana, precisam de atenção psicológica
constante, pois são emocionalmente impactados. De acordo com a oficial, a saúde mental e o bem-estar
dos bombeiros podem ser afetados potencialmente, favorecendo o risco de adquirir patologias psicológicas
como Síndrome de Burnout, por exemplo, relacionada ao estresse, depressão, ansiedade e transtorno pós-
traumático.

- A gente tem uma premissa de que, para alcançar o cumprimento da missão, o profissional tem que estar
bem preparado tecnicamente, fisicamente e psicologicamente. O nosso trabalho, principalmente nesse
momento, é contribuir com o seu preparo emocional para o melhor desenvolvimento das tarefas e do
cumprimento das missões. Esse é o objetivo da fase preventiva: preparar o militar para que, na hora que ele
precise dar uma resposta rápida, possa conviver com as dificuldades e encarar as adversidades de forma
mais equilibrada e saudável possível - explicou a psicóloga.
Pandemia - “Prioridades” é o nome dado ao projeto que acontecerá semanalmente em todos os quartéis
do Estado. Nesse caso, a meta dos encontros é apoiar os bombeiros que vêm trabalhando diretamente com
o contexto da pandemia. Ele contará com o suporte de profissionais de Saúde que esclarecerão dúvidas
relacionadas ao assunto.

- A iniciativa é fundamental para cuidar da saúde mental dos bombeiros. O objetivo é prepará-los
psicologicamente para o enfrentamento de obstáculos, da exposição ao estresse e das dificuldades que eles
encontram na rotina que, pela sua própria natureza, é permanentemente desafiadora. Em complemento
ao trabalho realizado nos quartéis, lançamos também o Guia de Orientações em Saúde Mental, que inclui
um capítulo que aborda questões relacionadas à pandemia e, em breve, estamos finalizando um outro guia
relacionado ao autocuidado para este cenário - explicou o secretário de Estado de Defesa Civil e
comandante-geral do CBMERJ, coronel Leandro Monteiro.
Corpo de Bombeiros RJ inaugura a seção de Psicologia em
Desastres
10 Setembro 2021

O novo espaço será utilizado como ponto de acolhimento para militares e familiares
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ)
inaugurou, no Quartel Central, a seção de Psicologia em Desastres. A
iniciativa é pioneira na corporação e tem como objetivo principal apoiar
psicologicamente os militares que passam por situações extremas na rotina
do seu trabalho.
De acordo com a psicóloga, tenente-coronel Eliane Cristine, responsável pela
seção, o local também servirá como um ponto de acolhimento, onde os
bombeiros e seus familiares poderão buscar orientação, encaminhamento, ou
ainda, após situações relacionadas a desastres, passar por uma
descompressão emocional. Afinal de contas, os profissionais que atuam em
equipes de emergências, em função da exposição a situações drásticas, além
do perigo iminente e vulnerabilidade, precisam de atenção psicológica
constante.
- Militares da linha de frente são emocionalmente impactados, tendo sua
saúde mental e o bem-estar afetados potencialmente, possuindo maior risco
de adquirir patologias psicológicas relacionadas ao estresse, como
depressão, ansiedade e transtorno pós-traumático - complementa a oficial.
Para o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ,
coronel Leandro Monteiro, para cumprir a missão, o profissional tem que
estar bem preparado tecnicamente, fisicamente e psicologicamente.

- E esse é o objetivo da seção: apoiar emocionalmente o bombeiro para que


ele possa conviver com as dificuldades e encarar as adversidades da forma
mais equilibrada e saudável possível – destaca o secretário.
Abordagem Técnica a
Tentativas de Suicídio
Refletir sobre como realizar a
primeira intervenção em casos
de ocorrências que
envolvam tentativas de
suicídio em locais de risco de
forma técnica e segura, tanto
para o abordador, quanto para o
tentante.
CBMERJ capacita bombeiros em Abordagem
Técnica a Tentativa de Suicídio
21 Novembro 2021

Militares estão qualificados para atuar em


todo o Estado

O Corpo de Bombeiro Militar do Estado do


Rio de Janeiro (CBMERJ) capacitou, em
novembro, mais 26 bombeiros militares no
curso Abordagem Técnica a Tentativa de
Suicídios. Ao todo, já são 48 “abordadores”
especializados para este tipo de ocorrência
em todo o Estado.
Para o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-
geral da corporação, coronel Leandro Monteiro, o objetivo da capacitação
e da qualificação constante em abordagem técnica a tentativas de suicídios
é dar uma resposta à sociedade para um problema de extrema relevância e
que precisa ser enfrentado por profissionais diferenciados e bem
treinados.

- Estatísticas recentes mostram que a cada 46 minutos uma pessoa tira a


própria vida no Brasil. Por isso, estamos enfrentando o problema e somos
uma tropa de “abordadores” em todo Estado, preparados para atuar com
assertividade em situações desse tipo. Se antes utilizávamos o fator
surpresa a fim de distrair a vítima e retirá-la do local, hoje atuamos com
uma abordagem mais técnica e humanizada - afirmou o comandante-geral,
Leandro Monteiro.
A ideação suicida é resultado de uma conjunção de vulnerabilidades
biológicas, psíquicas e sociais, como depressão, experiência patológica de
luto, transtornos de personalidade, dentre outras causas. Sendo assim,
durante as aulas (teóricas e práticas), os abordadores aprendem, com
psicólogos e psiquiatras, noções básicas de psicologia e psicopatologia da
mente, técnicas adequadas de abordagem a pessoas com sofrimento
psíquico em tentativas de suicídio, isoladamente e em equipe,
procedimentos desejáveis e os que devem ser evitados nestas ocorrências,
além de sistema integrado de comando em operações desta natureza.
Durante a pandemia de covid-19, que chegou ao Brasil em março de 2020, os bombeiros militares do Rio de
Janeiro relataram aumento expressivo na manifestação de distúrbios psiquiátricos. É o que aponta a
pesquisa inédita Saúde Mental e Qualidade de Vida, realizada no ano passado com a tropa e divulgada esta
semana.
O levantamento teve como foco a influência do surto sanitário global na vida familiar dos agentes e avaliou
os sentimentos antes e durante a pandemia, ou seja, que sintomas o profissional tinha antes e quais
apareceram com a situação da covid-19. Do total de participantes, 69,8% disseram que a pandemia teve
impacto negativo e 30,2% julgaram o impacto positivo.
Corpo de Bombeiros lança guia de bem-estar e lazer para a
corporação
12 Dezembro 2022

A ideia surgiu dentro da seção de Psicologia em Desastre

Com o objetivo de inspirar e auxiliar os militares da corporação e suas


famílias no resgate de momentos de conexão, diversão, afeto e diálogo,
a seção de Psicologia em Desastre produziu para o mês de dezembro um
material especial que destaca pontos turísticos espalhados pelo Rio de
Janeiro.
A concepção do guia surgiu como resposta à demanda levantada no
Projeto Prontamente, que foi realizado com a tropa de algumas
unidades operacionais. O resultado mostrou a necessidade dos militares
possuírem mais tempo e opções de lazer para o convívio com seus
familiares.
Cada vez mais o cuidado com a saúde mental tem sido debatido e expandido. O Corpo de Bombeiros
Militar do Rio de Janeiro é o primeiro a ter uma área de Psicologia em Desastre, que atua com
iniciativas com foco em prevenção e na promoção da qualidade de vida e do bem-estar.

- O lazer é fundamental para o equilíbrio emocional, funcionando como um fator protetivo em saúde
mental e atuando como um mecanismo que reduz o estresse e a ansiedade, alivia as tensões
provocadas pelo cotidiano, renova as energias, eleva o bom humor e diminui o tédio da rotina. Tudo isso
contribui para uma melhor qualidade de vida – declarou a tenente-coronel Eliane Cristine, responsável
pela seção.
Este é um guia elaborado com o objetivo de inspirar e auxiliar os bombeiros militares e suas famílias a
resgatarem momentos de conexão, diversão, afeto e diálogo fora do ambiente de costume.

O cuidado com a Saúde Mental envolve um conjunto de iniciativas importantes que não são apenas
atendimentos com profissionais da área, mas que prezam por criar espaços saudáveis, momentos
agradáveis no cotidiano, com foco na promoção da Qualidade de Vida e do Bem-Estar.

O lazer atua como um mecanismo que reduz o estresse e a ansiedade, alivia as tensões provocadas
pelos problemas em geral, renova as energias, eleva o bom humor, diminui o tédio da rotina, contribui
para o desenvolvimento e fortalecimento das relações.
Além disso, pesquisas apontam que a produtividade e o engajamento do profissional aumentam
quando se equilibra trabalho e momentos de relaxamento e descontração. Um MILITAR feliz e menos
estressado é mais produtivo e criativo, do que um menos feliz e mais estressado.

Aproveite as sugestões deste guia e viva com mais qualidade, usufruindo do lazer e da conexão com os
espaços apresentados aqui para você!
Proposta da Psicologia Social para a Prevenção/Intervenção
na Violência Intrafamiliar

Kaminsky Mello Cholodovskis


Soraya Aparecida Dias Cholodovskis
Na visão da psicologia e da psicologia social, a violência intrafamiliar é o
produto de qualquer ação que possa causar danos – físicos e/ou
psicológicos – a outrem. Para a mesma, tal fenômeno é passível de análise,
compreensão e superação mediante prevenção ou intervenção.
A violência existe na humanidade desde seus primórdios. Na conjuntura, a
mesma ocupa lugar de destaque na sociedade. Muito se publica na
literatura sobre a violência familiar – o que vem ao encontro da grande
necessidade de se estudar e entender suas causas para ações preventivas e
interventivas. Diante da temática emergente, o presente artigo objetivou
conhecer mais sobre o fenômeno da violência intrafamiliar, na tentativa da
proposição de prevenção/intervenção por parte da Psicologia e da
Psicologia Social.
As hipóteses do estudo foram que a ocorrência da violência nas relações
intrafamiliares é motivo dos sujeitos envolvidos buscarem auxílio nos
serviços de saúde, e que o comportamento violento pode ser evitado o
aprimoramento das práticas dos profissionais da Psicologia Social. Concluiu-
se que cabe à Psicologia Social identificar as demandas particulares dos
sujeitos envolvidos no fenômeno da violência intrafamiliar; que o
profissional da Psicologia Social pode intervir, procurando promover a
garantia dos direitos fundamentais de tais sujeitos, na busca da manutenção
à saúde mental e social dos mesmos; e que a violência intrafamiliar
necessita ser, mas não ser punida.
Podemos dizer que o presente artigo abrange o eixo temático Violência e
Direitos Humanos. Desde os tempos remotos, a humanidade preocupa-se com
a violência, em todas as formas nas quais ela se manifesta; entretanto, nas
últimas décadas – o fenômeno ocupa lugar na sociedade e ganha destaque no
meio acadêmico – com ênfase na área de psicologia, principalmente no que diz
respeito à violência intrafamiliar, procurando então, nesse contexto,
compreender sua natureza, originalidade e motivações de ocorrência. O que se
percebe é o aumento significativo com relação às necessidades de entender e
abordar a violência, em todas as suas formas, pelo âmbito preventivo.
A violência é uma das questões sociais que mais causam preocupação dentro
de uma sociedade civil, e no mundo inteiro é abordada como um problema de
saúde pública. Especificamente, a violência intrafamiliar é aquela que se refere
a todas as formas de abuso que ocorrem entre os membros de uma família,
caracterizando as diferenças de poder entre os mesmos, e podem envolver a
relação de abuso, que incluem condutas de uma das partes em prejudicar o
outro (Seldes, Ziperovich, Viota & Leiva, 2008).
As definições do termo família têm como fundamentos os conceitos
literários providos da antropologia, sociologia, e do direito, bem como da
psicologia. Esta última ciência caracteriza a família como um sistema ou
um grupo de relações entre pessoas que entre si – quer por parentesco ou
por se considerarem pertencentes ao contexto em que se inserem. Assim,
a violência pode ser considerada como aquela que ocorre entre pessoas
com vínculos afetivos – de convivência ou consanguinidade. Outrossim,
àquela que tem como ocorrência na relação entre os sujeitos, e não
apenas no espaço físico em que se origina.
Estudiosos da área afirmam que a violência intrafamiliar, hoje, ocorre de várias formas e com
diferentes graus de severidade. Consideram que para se evitar o agravamento dos atos
violentos, é necessário a proposição de intervenções na tentativa de interromper tais atos
gradativos; que tenha visto que tal violência não se dá de modo isolado, mas que é
consequência de episódios consecutivos e com expansão na gravidade das ações. Na visão da
psicologia e da psicologia social, a violência intrafamiliar é o produto de qualquer ação que
possa causar danos – físicos e/ou psicológicos – a outrem. Para a mesma, tal fenômeno é
passível de análise, compreensão e superação mediante prevenção ou intervenção. O
problema da violência intrafamiliar não ocorre de forma fragmentada, mas sim de forma
dinâmica. No entanto, é importante que se faça uma definição adequada e didática para que o
mesmo seja compreendido e tenha implicações práticas para a prevenção e o manejo.
Repensando a conjuntura, o objetivo deste trabalho era conhecer mais
sobre o fenômeno da violência intrafamiliar, na tentativa da proposição de
prevenção/intervenção por parte da psicologia social. As hipóteses
norteadoras do estudo foram que: a ocorrência da violência nas relações
intrafamiliares motiva os sujeitos a buscarem auxílio em serviços de saúde e
de psicologia, em instituições jurídicas e policiais; o comportamento violento
pode ser evitado mediante aprimoramento das práticas dos profissionais da
psicologia social, na tentativa de buscar melhores resultados no
enfrentamento do problema.
No artigo foi adotada a metodologia de pesquisa bibliográfica – em obras da psicologia social, publicações
do Ministério e da Secretaria da Saúde e doutrinas do direito familiar –, mediante uma revisão da literatura
sobre o tema e sem a pretensão de esgotamento do assunto, porém, na tentativa de uma leitura de alguns
especialistas da área – tal como Minayo (1990). Para isso utilizou-se obras, revistas, artigos, papers e
documentos eletrônicos disponíveis sobre o tema. Ressalta-se que toda a literatura utilizada foi
devidamente citada e referenciada, segundo as normas técnicas exigidas. Diante de vastas publicações
sobre o assunto, através de vários autores que relatam sobre o assunto e com a metodologia adotada, não
se teve em momento algum a pretensão de esgotar o tema, mas sim contribuir cientificamente através da
exposição de um roteiro organizado de informações que evidenciam a propagação da violência intrafamiliar
como ação transgressora da dignidade da pessoa humana. Longe das minhas pretensões como autor do
texto, pensar que somente os autores e assuntos tratados no texto abaixo significa a totalidade dos
pensamentos de vários outros sobre o tema de violência intrafamiliar, e que por aí se encerra essa
discussão. Tenho certeza que uma pequena parte, mas significativa, está sendo tratada no texto, e que
ainda se pode fazer muito para enriquecer este assunto e continuar esta discussão em outros momentos,
no sentido mais amplo e específico.
Para maior coerência e compreensão do artigo, organizou-se o roteiro de
exposição do seu conteúdo da seguinte forma: inicialmente apresentou-se –
brevemente – conceitos de família; na sequência, apontaram-se os conceitos
de família segundo a abordagem da psicologia; posteriormente, a definição
de violência foi ponderada e limitada ao conceito de violência doméstica
[familiar]; finalizou tratando-se sobre a proposta de prevenção e intervenção
por parte da psicologia social para enfrentamento da violência intrafamiliar.
De acordo com Minayo (2006), a prevenção da violência intrafamiliar
por parte da psicologia social requer novos aprendizados e práticas que
ultrapassem o senso comum e dê visão pautada no conhecimento
sobre suas consequências como questão social. Segundo Concha e Malo
(2006), os programas de prevenção de violência intrafamiliar podem
atuar em uma dimensão temporal, em três níveis distintos: prevenção
primária, prevenção secundária e prevenção terciária.
Os programas de prevenção primária são aqueles cujas ações são
formuladas e praticadas por parte do Psicólogo Social, antes do
acontecimento da violência intrafamiliar e “tem como objetivo fomentar um
ambiente social e individual de respeito e tolerância, valores sociais e
comportamento pessoal que favoreçam a solução não violenta de conflitos,
isto é, voltados para evitar o fato violento” (Concha & Malo, 2006, p. 1182).
Os programas de prevenção primária estão associados à ação dos
profissionais da Psicologia visando à redução do desequilíbrio social, por
meio da educação, da recuperação do respeito, dos valores e da ética dos
sujeitos nos seus ambientes familiares.
A falta de valorização da vida e das normas convencionais, assim como
das instituições, dos valores morais e religiosos, o culto à força e ao
machismo, a busca do prazer e do consumo imediato estão na
fundamentação dos códigos paralelos dos sujeitos que praticam a
violência em qualquer contexto social, inclusive em âmbito intrafamiliar
(Minayo, 1993). Assim, as ciências sociais – no caso a psicologia Social –
servem como aparatos e estimulantes para intervir nos processos e
eventos de violência [intrafamiliar] (Minayo, 1999).
A Psicologia Social deve ter como foco o estudo sobre as formas de
intervenção e análise das propostas de como auxiliar as famílias
mediante as consequências da violência praticada em seu âmbito:
conhecer as características gerais da família, do sujeito que sofreu
violência e da pessoa responsável pelo ato violento; descrever, segundo
a avaliação das famílias, os fatores desencadeantes da violência;
analisar a forma como as famílias podem receber a intervenção
oferecida; avaliar o impacto da intervenção na intensidade da violência
familiar (Minayo, 2006).
A Psicologia Social deve ter como foco o estudo sobre as formas de
intervenção e análise das propostas de como auxiliar as famílias
mediante as consequências da violência praticada em seu âmbito:
conhecer as características gerais da família, do sujeito que sofreu
violência e da pessoa responsável pelo ato violento; descrever, segundo
a avaliação das famílias, os fatores desencadeantes da violência;
analisar a forma como as famílias podem receber a intervenção
oferecida; avaliar o impacto da intervenção na intensidade da violência
familiar (Minayo, 2006).
[Link]

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