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Doação de Órgãos no Brasil: Desafios e Dados

O documento discute a doação de órgãos no Brasil, destacando a negativa familiar como um dos principais obstáculos para o aumento das doações. Apesar de avanços nas políticas de transplante, a taxa de doadores ainda é baixa e desigual entre os estados. Além disso, menciona a necessidade de maior conscientização sobre a morte encefálica e a importância de um projeto de lei que permita a doação por vontade própria em vida.

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Christian Sales
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Doação de Órgãos no Brasil: Desafios e Dados

O documento discute a doação de órgãos no Brasil, destacando a negativa familiar como um dos principais obstáculos para o aumento das doações. Apesar de avanços nas políticas de transplante, a taxa de doadores ainda é baixa e desigual entre os estados. Além disso, menciona a necessidade de maior conscientização sobre a morte encefálica e a importância de um projeto de lei que permita a doação por vontade própria em vida.

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REDAÇÃO

12 DEBATE SOBRE TEMAS SOCIAIS


E AMBIENTAIS

Todo tema de redação do ENEM parte da discussão de um “Os transplantes de órgãos no Brasil começaram nos anos
problema social. Neste módulo, trazemos fontes relevantes de 60. Em 1964 aconteceu o primeiro transplante de rim; em 1968, de
repertório sociocultural para abordar possíveis temas esperados coração, fígado, pâncreas”, disse o médico Valter Garcia. “Era uma
para sua prova. época heroica, até 1987. Em 1988, começamos uma fase mais
romântica, porque não tinha uma regulação específica, não tinha
financiamento e nem controle. A partir de 1997 se estabeleceu
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS EM QUESTÃO uma política de transplante no Brasil. Naquela época, tínhamos
três doadores por milhão de população (pmp) e se fazia menos de
NO BRASIL mil transplantes de rim, menos de 800 de fígado e muito pouco de
Um dos principais temas sociais discutidos nos últimos anos é transplante de coração e de pulmão”, lembra.
a doção de órgãos no Brasil. De acordo com publicação da Agência “Em 2007, houve uma série de modificações importantes
Brasil de notícias, um dos grandes responsáveis para a não doação e se fez planejamento para dez anos para se chegar em 2017 a
é a negativa familiar. Leia o texto: 20 (pmp) doadores. Até 2014 cumprimos essa meta. Com a crise
econômica e uma série de fatores, entre 2015 e 2016 não houve
A negativa familiar é um dos principais motivos para que um aumento. Em 2017, subimos para 16,6 (ppm). Não chegamos
órgão não seja doado no Brasil. No ano passado, 43% das famílias, aos 20 (pmp), mas chegamos próximo. E então fizemos um novo
segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), planejamento até 2021”, explicou. “Esse ano planejamos chegar a
recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte 20 [pmp]. Mas estamos agora com cerca de 16,9 e vamos chegar
encefálica comprovada. até 18, mas não atingimos a meta. Possivelmente vamos atrasar
em um ano a meta dos 24 por milhão de população”.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, no ano passado,
das 6.476 entrevistas familiares para autorização de doação, houve A dificuldade para que a taxa de doações cresça não ocorre só
2.716 negativas, somando 42%, número que vem se mantendo no Brasil, mas é manifestada aqui pela grande desigualdade entre
praticamente constante ao longo dos anos. os estados, disse Valter Garcia. Em Santa Catarina e no Paraná, por
exemplo, a taxa é maior que nos Estados Unidos. Por outro lado, no
“O transplante só pode ocorrer se houver doação de órgãos”,
Amapá não havia qualquer doador.
ressalta Valter Duro Garcia, médico responsável pelos transplantes
renais na Santa Casa de Porto Alegre e editor do Registro Brasileiro
de Transplantes, além de membro do Conselho Consultivo da FILA
ABTO. “Se eu estivesse na lista [de espera por órgão], eu iria gostar Em 2018, a estimativa da ABTO apontava que 39.663 pessoas
de receber [o órgão]. Então, por que não doar? A doação é uma estavam na fila esperando por um transplante de órgãos. Já
troca. E há muito mais possibilidade de uma pessoa estar na fila o número de transplantes realizados no país no mesmo ano
[por um transplante] do que ser um doador, três a quatro vezes somou 22.668 casos. No ano passado, a maior fila era por córnea,
mais possibilidade”, disse. estimada em 18.689.
Uma das razões para a recusa dos parentes em doar órgãos O ideal, disse Valter Garcia, seria que o número de transplantes no
é a falta de conhecimento sobre o que é a morte encefálica, um país fosse o mesmo do que a quantidade de pessoas nas filas. Mas
processo “absolutamente irreversível”, segundo o médico. a condição ideal não existe em qualquer país do mundo. “A Espanha
“Para ser doador, tem que ter morte encefálica, que é quando está próxima disso, mas não alcançou ainda. Estamos fazendo
há uma lesão grave na cabeça [o que pode acontecer] após se levar [no Brasil] 60% dos transplantes de rim que precisamos, 38% dos
um tiro, ter um acidente de trânsito, principalmente por moto. Ter um transplantes de fígado, menos de 20% dos transplantes de coração
tumor no cérebro ou meningite, por exemplo”, explicou. Quando o e 10% dos transplantes de pulmão que precisamos. Estamos ainda
cérebro para de funcionar, acrescenta, a pessoa para de respirar, e só muito longe, mas estamos aumentando”, disse o médico.
continua respirando por meio artificial. Nesse momento em que ocorre Segundo ele, essa condição aumentaria de duas maneiras. A
a morte encefálica é que os médicos procuram a família para pedir primeira, ampliando o número de doadores. A segunda, melhorando
autorização para que os órgãos dessa pessoa possam ser doados. a utilização dos órgãos doados. “E isso é um pouco mais difícil,
“Um doador pode salvar até oito pessoas”, lembra Valter Garcia. porque se uma pessoa doa os órgãos em Santarém, que está a mil
quilômetros de [distância ] Belém ou de Manaus, e nenhum desses
DOAÇÕES lugares faz transplante de pulmão ou de coração, teria que ir para
alguém de Brasília. Daria para ir buscar o fígado, mas não daria
O número de doações de órgãos vinha crescendo no Brasil.
para buscar o pulmão ou o coração, cujo prazo é de quatro horas
Segundo a ABTO, no ano passado o crescimento na taxa de
para eles serem retirados e implantados. Teria que ter um centro de
doadores efetivos de órgãos cresceu 2,4%, atingindo 17 doadores
pulmão e de coração na Região Norte e não temos, por exemplo”.
por milhão de população (pmp), mesmo número divulgado pelo
Ministério da Saúde, mas ainda abaixo da taxa prevista, que era de
18 doadores por milhão de população. DOADORES
Mas neste ano, entre janeiro e março, a taxa de efetivação caiu, Para José Medina Pestana, diretor do Hospital do Rim e
passando para 16,8 doadores por milhão de população. Segundo Hipertensão de São Paulo, local onde mais se realiza transplante
a associação, esse resultado do primeiro trimestre praticamente de rim em todo o mundo, o número de transplantes do país
inviabiliza a obtenção da meta prevista para este ano, que seria de poderia dobrar se houvesse maior número de doadores e se o
20 doadores por milhão de população. O que é agravado, segundo país conseguisse fazer uma maior utilização dos órgãos dos
a ABTO, pelo fato de que, além da queda na taxa de doadores, houve potenciais doadores. Além disso, ele citou também a necessidade
também um baixo aproveitamento dos órgãos doados. de ser corrigir a disparidade geográfica no país. “A única distorção

TURMA PRODÍGIO PROENEM.COM.BR 1


REDAÇÃO 12 DEBATE SOBRE TEMAS SOCIAIS E AMBIENTAIS

do Programa Nacional de Transplante é essa, qualquer pessoa PROJETO DE LEI


[deveria] ter a oportunidade igual de ser transplantada na região
onde ele resida. Mas enquanto uma pessoa não consegue ser Tramita no Senado Federal um projeto de lei para permitir a
transplantada na Região Norte, o Ministério da Saúde oferece a doação por manifestação própria da vontade, feito ainda em vida
oportunidade para que ela possa se matricular em uma região onde e sob acompanhamento de testemunhas. Se a pessoa não tomar
ela possa fazer o transplante”, disse. essa decisão ainda em vida, a família então seria a responsável pela
doação após sua morte. “É um registro informatizado de candidatos
a doadores após a morte. Se eu quiser ser doador após a morte,
MINISTÉRIO eu assino um documento em frente a testemunhas e isso vai para
Segundo o ministro da Saúde interino, João Gabbardo, o um sistema informatizado fechado e controlado pelo Judiciário e, a
governo tem procurado diminuir essas diferenças nos estados. cada vez que uma pessoa tiver uma morte encefálica, a Central de
“Os médicos especialistas e maiores especialistas de São Paulo, Transplante daquele estado entra em contato e analisa se ele está
através do Proadi [Programa de Apoio ao Desenvolvimento inscrito como doador”, prevê o projeto de lei.
Institucional], com recurso de isenção fiscal do governo federal, Hoje, para ser um doador, a pessoa precisa conversar muito
estão capacitando profissionais nos outros estados. Estamos com sua família sobre o seu desejo e deixar claro que eles poderão
levando daqui de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Paraná, autorizar a doação de seus órgãos. Pela legislação brasileira, não
os melhores especialistas e as melhores experiências para treinar basta a vontade do doador, a família precisa autorizar a doação.
pessoas nos outros estados. Não adianta só a gente ficar trazendo Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2019-09/principal-motivo-para-
as pessoas de lá para São Paulo. Temos que treinar as pessoas nao-doacao-de-um-orgao-e-negativa-familiar

nesses estados para que elas se desenvolvam. Hoje o estado


do Ceará e de Pernambuco já são grandes transplantadores de
órgãos. Mas é necessário que a gente ainda capacite pessoas em O AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA
outros locais”.
IDOSOS NO BRASIL
MORTE ENCEFÁLICA Em se tratando de assuntos sociais, questões relacionadas ao
idoso são também uma boa aposta. De acordo dados publicados
Segundo o médico Valter Garcia, outro problema que prejudica pela FIOCRUZ, a maior parte dos eventos de violência contra essa
as doações se refere às notificações de morte encefálica no Brasil. população acontecem em suas próprias casas e é praticada pela
De acordo com ele, só 70% das mortes encefálicas que ocorrem no família. Leia o texto:
país são detectadas. “Tem muita morte encefálica que não se faz
diagnóstico”, disse.
“Temos que trabalhar na detecção das mortes encefálicas. De Mais de 60% dos casos de violência contra idosos
cada 100 pessoas que morrem, uma morre em morte encefálica. ocorrem nos lares. Este contexto não se refere só ao Brasil, e
E só essa pode ser doadora de órgãos. A gente imagina que tenha sim internacionalmente, segundo dados apresentados pela
hoje, no Brasil, em torno de 20 mil mortes encefálicas por ano. Mas pesquisadora emérita da Fiocruz, Cecília Minayo, durante palestra
o que acontece é que, em muitos lugares, não se consegue detectar realizada em Brasília, intitulada Violências contra a pessoa idosa e
isso. Faltam exames de imagem para fazer o diagnóstico, faltam estratégias para reduzi-las.
especialistas capacitados. Isso está melhorando. Mas ainda tem “Dois terços dos agressores são filhos, que agridem mais que
que melhorar”, disse Garcia. filhas, noras ou genros, e cônjuges, nesta ordem. Os idosos quase
não denunciam, por medo e para protegerem os familiares”, diz.
De acordo com Minayo, normalmente os agressores vivem na casa
O TRANSPLANTE com a vítima, são filhos dependentes do idoso e idoso dependente
Segundo o Ministério da Saúde, o transplante de órgãos é um dos familiares, filhos ou idosos que abusam de álcool e drogas,
procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão pertencem a famílias pouco afetivas ao longo da vida e isoladas
[coração, fígado, pâncreas, pulmão e rim] ou tecido [medula óssea, socialmente. Entre as vítimas de violência estão idosos que tiveram
ossos e córneas] para uma pessoa doente por outro órgão ou comportamento agressivo com a família ao longo da vida e famílias
tecido normal de um doador, vivo ou morto. com histórico de violência. Em relação aos cuidadores, inserem-se
Cada órgão tem um prazo máximo para ser transplantado. O no contexto da violência aqueles que tenham sido ou continuam
coração, por exemplo, deve ser colocado em outro corpo no prazo sendo vítima de violência, que sofrem depressão ou outro tipo
de até 4 horas. Já o tempo de isquemia do rim é de 48 horas. Os de sofrimento mental e em situação de exaustão. “A violência é
órgãos doados vão para pacientes que aguardam em uma fila única, uma forma de comunicação, se me comunico gritando, batendo,
definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada explorando, desprezando, abusando. Famílias violentas colhem
estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (STN). violência”, ressaltou.
No Brasil, o transplante só é realizado com autorização. No O envelhecimento da população tem ocorrido de forma
caso do doador ser vivo, basta ele concordar com a doação, desde acelerada no Brasil. A população nacional possui, atualmente, mais
que ela não prejudique sua própria saúde. O doador vivo pode doar de 30 milhões de idosos. Por ano, mais de 600 mil pessoas, em
um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do média, passam a integrar esta parcela da sociedade. Nos últimos
pulmão. Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser 30 anos, a população de 60 anos cresceu 21,6%, e com mais
doadores. Não parentes, só com autorização judicial. de 80 anos, mais de 45%; 85% da população brasileira idosa é
considerada saudável, de acordo com as informações apresentadas
Pela Lei 9.434, a doação de órgãos pós-morte só pode ser feita por Minayo. Em 1950, a média de idade dos brasileiros era de 50
quando for constatada a morte encefálica, geralmente provocada anos, e, atualmente, 76. As mulheres têm expectativa de vida maior
por traumatismo craniano ou derrame cerebral, que é definida como que a dos homens (79 e 74 anos, respectivamente), que, só não é
a perda completa e irreversível das funções encefálicas (cerebrais) maior devido à violência, de acordo com a pesquisadora.
e do tronco cerebral. Quando ocorre a morte encefálica, o órgão
dessa pessoa só poderão ser doados caso haja autorização de Acerca das taxas de mortalidade por causas externas, os
um familiar. Na Europa, basta o consentimento presumido, em que dados de 2016, consolidado mais recente disponibilizado pelo
a pessoa, em vida, autoriza a doação de seus órgãos, para que a Ministério da Saúde, indicam as quedas (46,5% feminino e 27,9%
doação seja feita. masculino), acidentes de transporte (12,5% feminino e 25,1%

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12 DEBATE SOBRE TEMAS SOCIAIS E AMBIENTAIS REDAÇÃO

masculino), agressões (2,9% feminina e 11,8% masculino), lesões no Nordeste significa manter uma família inteira. Estamos falando
autoprovocadas (3% feminino e 8,6 % masculino), e eventos de uma população que tem vigor e está contribuindo para a
com intenção indeterminada (12,7% feminino e 9,7% masculino). economia nacional, para as famílias e para a sociedade”, explicou.
“Uma pessoa idosa que cai e tem um traumatismo craniano tem A pesquisadora acrescenta que 84,8% de brasileiros idosos têm
probabilidade alta de morrer no primeiro ano após a queda. A queda aposentaria, pensão ou BPC. “Isso não é no mundo inteiro não, é
pode ter relação com fragilidade, equilíbrio, osteoporose, ou com uma conquista brasileira e algo muito importante que temos que
negligências sociais em relação à pessoa idosa, seja dentro de conservar. Não podemos regredir”.
casa, nas travessias, nas calçadas e nos transportes públicos”.
Com relação à internações das pessoas idosas, os acidentes
de trânsito e as quedas são predominantes. “Estas últimas vitimam,
AÇÕES
sobretudo, mulheres na faixa dos 70 anos ou mais. Porém, é evidente Investir no envelhecimento saudável e na positividade da
nos dados o crescimento de óbitos por sufocação, indicando falhas contribuição do idoso, considerando-os como atores sociais de
nos serviços assistenciais e ausência de prestação de cuidados transformação, reconhecer e apoiar o papel da família nas diretrizes
familiares e médicos”, alerta. “Todas essas questões indicam que das políticas sociais, tornar os espaços públicos e habitações
os idosos estão morrendo por causas externas que poderiam ser mais amigáveis, visto que o idoso precisa da rua e da convivência
evitadas”, destaca. social, e investir fortemente em ações que beneficiem a pessoa
idosa dependente foram algumas das ações sugeridas pela
“As mulheres são mais vulneráveis em casa e os homens, mais pesquisadora, a partir do crescimento significativo da população
agredidos na rua. De ambos os sexos, os mais vulneráveis são os idosa no país. “Há uma quantidade de ações que não dependem só
dependentes sociais, física ou mentalmente, sobretudo os que da família. Embora a família seja fundamental, porque é nela que
sofrem alterações do sono, incontinência, dificuldades de locomoção mais de 90% dos idosos se ancoram, não é só ela. É a família, a
e necessitam de cuidados constantes”, alerta Minayo. Estudos sociedade e o Estado”, ressaltou.
indicam que entre 5% e 10% dos idosos sofrem tipos de violência
que não geram lesões, no ambiente familiar ou na comunidade. Para Minayo, o envelhecimento não deve ser considerado um
problema, e sim um bônus social, visto que os idosos brasileiros
Outros dados, apresentados no Seminário Enfrentamento à na sua maioria (cerca de 85%) são ativos, trabalham, consomem,
Violência contra a pessoa idosa: das ações às omissões, promovido movimentam a sociedade, a economia, e participam da política.
pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, “Como pessoas ativas, os idosos continuam atores sociais
ressaltam características dessa parcela da população e os tipos de relevantes, mas o envelhecimento, como todo o fenômeno social,
violência contra a pessoa idosa no Brasil. Minayo abordou ainda as precisa ser compreendido e tratado pela sociedade, famílias e pelo
consequências do envelhecimento no país. Estado de forma abrangente, e não como um projeto pontual ou
como grupo descartável em favor de quem quer que seja”.
TIPOS E NATUREZA DA VIOLÊNCIA FONTE: https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/mais-de-60-dos-casos-de-violencia-
contra-a-pessoa-idosa-ocorrem-nos-lares/
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como violência
ou maltrato contra o idoso o ato (único ou repetido) ou omissão
que cause dano ou aflição e que se produz em qualquer relação
na qual exista expectativa de confiança. Entre os principais tipos O DESAPARECIMENTO DE ESPÉCIES
de violência contra a pessoa idosa, conforme Minayo, estão
a estrutural (relacionada à miséria, deixar a pessoa morrer),
NO BRASIL
interpessoal (do cotidiano, família, comunidade, nas relações), Sobre os temas ambientais, um dos grandes problemas por
institucional (produzida pelos profissionais da saúde, assistência que passa não só o Brasil, mas o mundo é o desaparecimento de
social, instituições em geral) e simbólica (desprezo, menosprezo). espécies. Leia:
Quanto à natureza, as principais expressões da violência são:
física, psicológica, sexual, econômico-financeira-patrimonial, Um duro relatório acerca do impacto humano sobre a natureza
negligência e autonegligência. As denúncias feitas pelo Disque 100 mostra que quase 1 milhão de espécies de animais e plantas
indicam que a violência psicológica tem percentual mais alto que correm risco de extinção dentro de décadas. Os atuais esforços
a violência física. Entre as queixas feitas pelos idosos, ela ressalta para conservar os recursos da Terra devem falhar caso não sejam
a perda de autonomia e o abandono. “Fizemos um estudo sobre tomadas ações radicais, disseram especialistas das Nações
suicídios de pessoas idosas e o fator preponderante é o isolamento, Unidas na segunda-feira (6).
que leva a depressão. Depressão é uma consequência de uma Sobre os riscos à fauna e à flora, o estudo afirmou que atividades
situação anterior de abandono”. humanas “ameaçam mais espécies atualmente do que nunca”. A
Um aspecto positivo ressaltado pela pesquisadora é a conclusão foi baseada no fato de que em torno de 25% das espécies
consciência mais clara do direito da pessoa idosa, do dever da de plantas e de animais estão vulneráveis. Em torno de 1 milhão
sociedade e a própria postura da pessoa idosa, que tem buscado de espécies “já enfrentam risco de extinção, muitas delas dentro
seus direitos e denunciado essas situações. “Houve aumento no de décadas, a não ser que ações sejam tomadas para reduzir a
número de denúncias no Disque 100, e eu fico contente em saber intensidade de impulsionadores de perdas à biodiversidade”.
que aumentaram, porque isso indica que aumentou a coragem do
idoso, do familiar e de um vizinho de denunciar, e não a indicação
de aumento da violência. O disque 100 leva a mensagem de que o
idoso está sofrendo, só que esses dados não são estatísticos de
violência contra a pessoa idosa”, avalia.

CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO IDOSA


No Brasil, 53% dos idosos são responsáveis por mais da
metade da renda familiar. “Idosos não são inoperantes, não são
ociosos e na região Nordeste esse percentual chega a 63,5%. O
Benefício de Prestação Continuada (BPC) e salário mínimo, que
é considerado coisa pequena, miserável na maioria dos estados, Sapo folha esplêndido, no Equador. Foro: PNUD

TURMA PRODÍGIO PROENEM.COM.BR 3


REDAÇÃO 12 DEBATE SOBRE TEMAS SOCIAIS E AMBIENTAIS

Um duro relatório acerca do impacto humano sobre a Ao mesmo tempo, reduções na diversidade de safras cultivadas,
natureza mostra que quase 1 milhão de espécies de animais e plantações selvagens e espécies domesticadas significam que
plantas correm risco de extinção dentro de décadas. Os atuais a agricultura provavelmente será menos resiliente à mudança
esforços para conservar os recursos da Terra devem falhar caso climática, a pestes e patogênicos.
não sejam tomadas ações radicais, disseram especialistas das “Embora mais alimentos, energia e materiais estejam sendo
Nações Unidas(...). fornecidos para pessoas na maioria dos lugares, isso ocorre
Em discurso em Paris no lançamento do estudo — o primeiro cada vez mais à custa da habilidade da natureza de fornecer tais
relatório sobre o assunto desde 2005 —, a diretora-geral da contribuições no futuro”, afirmou o relatório.
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, afirmou que as conclusões
colocam o mundo “em aviso prévio”. POLUIÇÃO MARINHA “AUMENTOU DEZ
“Após a adoção deste relatório histórico, ninguém poderá dizer VEZES DESDE 1980”
que não sabia”, afirmou Azoulay. “Não podemos mais destruir Embora as tendências globais sejam mistas, a poluição do ar,
a diversidade de vida. Esta é nossa responsabilidade com as da água e do solo continua aumentando em algumas áreas, de
gerações futuras”. acordo com o relatório.
Destacando a importância universal da biodiversidade — a “A poluição marinha por plásticos, em particular, aumentou
diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas dez vezes desde 1980, afetando ao menos 267 espécies”, disse o
— Azoulay afirmou que protegê-la “é tão vital quanto combater a documento. Isso inclui 86% das tartarugas marinhas, 44% das aves
mudança climática”. marinhas e 43% dos mamíferos marinhos.
Apresentado para mais de 130 delegações governamentais O Relatório de 2019 da Avaliação Global sobre a Biodiversidade
para aprovação na sede da UNESCO, o relatório contou com e Serviços Ecossistêmicos também é o primeiro a examinar e
trabalho de 400 especialistas de ao menos 50 países. O documento incluir indígenas e conhecimentos locais, questões e prioridades,
foi coordenado pela Plataforma Intergovernamental para afirmou a IPBES em comunicado.
Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), sediada em
Segundo a plataforma, sua missão é fortalecer a tomada de
Bonn, na Alemanha.
decisões políticas para uso sustentável da biodiversidade, bem-
Além de fornecer informações sobre o estado da natureza, de estar humano no longo prazo e desenvolvimento sustentável.
ecossistemas e sobre como a natureza escora todas as atividades FONTE: https://nacoesunidas.org/relatorio-da-onu-mostra-que-1-milhao-de-especies-
humanas, o estudo também discute progresso em metas de-animais-e-plantas-enfrentam-risco-de-extincao/
internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) e o Acordo de Paris sobre mudança climática.
O relatório também examinou cinco fatores impulsionadores A QUALIDADE DO AR NO BRASIL
de mudanças “sem precedentes” na biodiversidade e em
Sobre a qualidade do ar no Brasil, trouxemos a reflexão
ecossistemas ao longo dos últimos 50 anos. Os impulsionadores
publicada pelo Ministério do Meio Ambiente que expõe os riscos
foram identificados como: mudanças no uso da terra e do mar;
por que passamos no país.
exploração direta de organismos; mudança climática, poluição e
invasão de espécies estrangeiras.

UMA EM CADA QUATRO ESPÉCIES ESTÁ QUALIDADE DO AR


EM RISCO DE EXTINÇÃO Os processos industriais e de geração de energia, os veículos
automotores e as queimadas são, dentre as atividades antrópicas,
Sobre os riscos à fauna e à flora, o estudo afirmou que as maiores causas da introdução de substâncias poluentes à
atividades humanas “ameaçam mais espécies atualmente do que atmosfera, muitas delas tóxicas à saúde humana e responsáveis
nunca”. A conclusão foi baseada no fato de que em torno de 25% por danos à flora e aos materiais.
das espécies de plantas e de animais estão vulneráveis.
A poluição atmosférica pode ser definida como qualquer forma
Isso significa que em torno de 1 milhão de espécies “já de matéria ou energia com intensidade, concentração, tempo
enfrentam risco de extinção, muitas delas em décadas, a não ou características que possam tornar o ar impróprio, nocivo ou
ser que ações sejam tomadas para reduzir a intensidade de ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos
impulsionadores de perdas à biodiversidade”. materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e
Sem medidas para redução de perdas, haverá uma “maior gozo da propriedade e à qualidade de vida da comunidade.
aceleração” na taxa global de extinção de espécies. Atualmente, a De uma forma geral, a qualidade do ar é produto da interação
taxa é “ao menos dezenas de centenas de vezes maior do que a de um complexo conjunto de fatores dentre os quais destacam-se a
média ao longo dos últimos 10 milhões de anos”, segundo o relatório. magnitude das emissões, a topografia e as condições meteorológicas
O estudo destacou que, apesar de muitos esforços locais, da região, favoráveis ou não à dispersão dos poluentes.
incluindo de povos indígenas e de comunidades locais, até 2016, Frequentemente, os efeitos da má qualidade do ar não
559 das 6.190 espécies domesticadas de mamíferos usadas são tão visíveis comparados a outros fatores mais fáceis de
para alimentação e agricultura foram extintas. Este número serem identificados. Contudo, os estudos epidemiológicos tem
representa em torno de 9% do total e ao menos mais 1 mil demonstrado, correlações entre a exposição aos poluentes
espécies estão ameaçadas. atmosféricos e os efeitos de morbidade e mortalidade, causadas
por problemas respiratórios (asma, bronquite, enfisema pulmonar
SEGURANÇA DE SAFRAS AMEAÇADA EM e câncer de pulmão) e cardiovasculares, mesmo quando as
concentrações dos poluentes na atmosfera não ultrapassam
LONGO PRAZO os padrões de qualidade do ar vigentes. As populações mais
Além disso, muitas plantações “selvagens” necessárias para vulneráveis são as crianças, os idosos e as pessoas que já
segurança alimentar em longo prazo “não possuem proteção apresentam doenças respiratórias.
eficaz”, segundo o relatório. A situação de “parentes” selvagens de
aves e mamíferos domesticados também “está piorando”.

4 PROENEM.COM.BR TURMA PRODÍGIO


12 DEBATE SOBRE TEMAS SOCIAIS E AMBIENTAIS REDAÇÃO

A poluição atmosférica traz prejuízos não somente à saúde


e à qualidade de vida das pessoas, mas também acarretam
maiores gastos do Estado, decorrentes do aumento do número
de atendimentos e internações hospitalares, além do uso de
medicamentos, custos esses que poderiam ser evitados com a
melhoria da qualidade do ar dos centros urbanos. A poluição de ar
pode também afetar ainda a qualidade dos materiais (corrosão),
do solo e das águas (chuvas ácidas), além de afetar a visibilidade.
A gestão da qualidade do ar tem como objetivo garantir que o
desenvolvimento sócio-econômico ocorra de forma sustentável e
ambientalmente segura. Para tanto, se fazem necessárias ações
de prevenção, combate e redução das emissões de poluentes e dos
efeitos da degradação do ambiente atmosférico.

GESTÃO DA QUALIDADE DO AR NO
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
A gestão deste tema no MMA é atribuição da Gerência de
Qualidade do Ar (GQA), vinculada ao Departamento de Qualidade
Ambiental na Indústria. Esta gerência foi criada com o objetivo de
formular políticas e executar as ações necessárias, no âmbito do
Governo Federal, à preservação e a melhoria da qualidade do ar.
A GQA tem como atribuições formular políticas de apoio e
fortalecimento institucional aos demais órgãos do SISNAMA,
responsáveis pela execução das ações locais de gestão da
qualidade do ar, que envolvem o licenciamento ambiental, o
monitoramento da qualidade do ar, a elaboração de inventários de
emissões locais, a definição de áreas prioritárias para o controle de
emissões, o setor de transportes, o combate às queimadas, entre
outras.
Cabe ainda à GQA propor, apoiar e avaliar tecnicamente
estudos e projetos relacionados com a preservação e a melhoria da
qualidade do ar, implementar programas e projetos na sua área de
atuação, assistir tecnicamente aos órgãos colegiados de assuntos
afeitos a essa temática (CONAMA e CONTRAN), elaborar pareceres
e notas técnicas sobre os assuntos de sua competência.
Entre os programas da Gerência, destacam-se os programas
para fontes específicas de poluição atmosférica, tais como
o PRONAR, o PROCONVE, o PROMOT e o apoio aos Estados para a
elaboração dos Planos de Controle da Poluição Veicular - PCPVs e
dos Programas de Inspeção e Manutenção Veicular - I/M, conforme
Resolução CONAMA nº 418/2009.
https://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar

ANOTAÇÕES

TURMA PRODÍGIO PROENEM.COM.BR 5

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