Apostila Da SEMEC
Apostila Da SEMEC
SEMEC-PA
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
COMUM AS ÁREAS DE
PROFESSOR LICENCIADO
PLENO
CONTEÚDO
- Língua Portuguesa
GRÁTIS
- Legislação
CONTEÚDO ONLINE
- Noções de Informática
Informática
- Backup
Informática
- Windows 10
Português
- Acentuação Gráfica
e Ortografia
Secretaria Municipal De Educação do Estado do Pará
SEMEC-PA
Comum As Áreas de Professor Licenciado Pleno
FV074-N0
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OBRA
AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Legislação - Profº Fernando Zantedeschi e Profª Bruna Pinotti
Noções De Informática - Profº Ovidio Lopes da Cruz Netto
PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Aline Mesquita
Leandro Filho
DIAGRAMAÇÃO
Rodrigo Bernardes de Moura
CAPA
Joel Ferreira dos Santos
www.novaconcursos.com.br
sac@novaconcursos.com.br
APRESENTAÇÃO
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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
LEGISLAÇÃO
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Conceitos e fundamentos básicos. Conhecimento e utilização dos principais softwares utilitários (compactadores
de arquivos, chat, clientes de e-mails, reprodutores de vídeo, visualizadores de imagem, antivírus). Identificação
e manipulação de arquivos. Backup de arquivos.Conceitos básicos de Hardware (Placa mãe, memórias,
processadores (CPU) e disco de armazenamento HDs, CDs e DVDs).Periféricos de computadores.............................. 1
Ambientes operacionais: utilização dos sistemas operacionais Windows 7 e Windows 10............................................ 8
Conceitos básicos sobre Linux e Software Livre. ........................................................................................................................................ 16
Utilização de ferramentas de texto, planilha e apresentação do pacote Microsoft Office (Word, Excel e PowerPoint) –
versões 2010, 2013 e 2016. Utilização de ferramentas de texto, planilha e apresentação do pacote LibreOffice (Writer,
Calc e Impress) - versões 5 e 6. ......................................................................................................................................................................... 21
Utilização e configuração de e-mail no Microsoft Outlook. Conceitos de tecnologias relacionadas à Internet e Intranet,
busca e pesquisa na Web, mecanismos de busca na Web. Navegadores de internet: Internet Explorer, Mozilla Firefox,
Google Chrome. ...................................................................................................................................................................................................... 46
Segurança na internet; vírus de computadores; Spyware; Malware; Phishing e Spam. .............................................................. 59
Transferência de arquivos pela internet.......................................................................................................................................................... 63
ÍNDICE
LÍNGUA PORTUGUESA
Interpretar significa:
interrompa a leitura.
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
• Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas
Através do texto, infere-se que...
forem necessárias.
É possível deduzir que...
• Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma
O autor permite concluir que... conclusão).
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... • Volte ao texto quantas vezes precisar.
• Não permita que prevaleçam suas ideias sobre
Compreender significa as do autor.
1
• Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra
compreensão. descoberta temporã.
• Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
cada questão. num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom
• O autor defende ideias e você deve percebê-las. da flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia
• Observe as relações interparágrafos. Um parágrafo Brava, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente
geralmente mantém com outro uma relação consegui boiar.
de continuação, conclusão ou falsa oposição. Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os
Identifique muito bem essas relações. oito anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso
• Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, e esforço, vocês que não mais se surpreendem com a
a ideia mais importante. sensação de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas
• Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou vocês se esqueceram de como tudo isso é bom.
“incorreto”, evitando, assim, uma confusão na Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
hora da resposta – o que vale não somente para ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
Interpretação de Texto, mas para todas as demais montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
questões! ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
• Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia
água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
principal, leia com atenção a introdução e/ou a
isso, curiosamente, não é fácil.
conclusão.
Essa experiência me sugeriu algumas considerações
• Olhe com especial atenção os pronomes relativos,
sobre a vida em geral.
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos,
etc., chamados vocábulos relatores, porque Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de aprender
remetem a outros vocábulos do texto. ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente,
de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre
SITES incorporando novidades que nos transformam. Somos
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. geneticamente elaborados para lidar com o novo, mas
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> não só. Também somos profundamente modificados por
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/09- ele. A cada momento da vida, quando achamos que tudo
dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- já aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de
provas> nós uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. capaz de boiar é diferente daquelas que afundam como
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. pedras.
html> Suspeito que isso tenha importância também para os
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/ relacionamentos.
cursinho/questoes/questao-117-portugues.htm> Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação.
EXERCÍCIOS COMENTADOS Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-
se tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria
1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística – frustração e a nossa fúria, em permitir que o parceiro
AOCP-2015) floresça, em dar atenção aos detalhes dele. Penso,
sobretudo, em conquistar, aos poucos, a ansiedade e
O verão em que aprendi a boiar
insegurança que nos bloqueiam o caminho do prazer, não
Quando achamos que tudo já aconteceu, novas
apenas no sentido sexual. Penso em estar mais tranquilo
capacidades fazem de nós pessoas diferentes do que
na companhia do outro e de si mesmo, no mundo.
éramos
IVAN MARTINS Assim como boiar, essas coisas são simples, mas precisam
ser aprendidas.
Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acredito Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar
em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um gosto na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você
especial. boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode
Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transformou. afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tempo,
De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A cidade, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas se
minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia. combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral, a
Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a
LÍNGUA PORTUGUESA
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eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coisas 2. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-2018)
do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações Observe a charge a seguir:
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo
se aprende, mesmo as coisas simples que pareciam
impossíveis.
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de
melhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
pode tentar boiar.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/
noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html
A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “Todos destacando o fato de o cientista:
os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de
a) ter alcançado o céu após sua morte;
b) mostrar determinação no combate à doença;
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar
c) ser comparado a cientistas famosos;
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais calma,
d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
com mais prazer, com mais intensidade e menos
e) localizar seus interesses nos estudos de Física.
medo.
b) ser necessário agir com mais cautela nos Resposta: Letra D
relacionamentos amorosos para que eles não se Em “a”: ter alcançado o céu após sua morte; = incorreto
desfaçam. Em “b”: mostrar determinação no combate à doença;
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterioso = incorreto
com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incorreto
vividos intensamente. Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante;
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física.
inclusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. = incorreto
e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que
sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode estávamos esperando”.
acontecer.
3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
Resposta: Letra A
Ao texto: (...) tudo se aprende, mesmo as coisas simples Lastro e o Sistema Bancário
que pareciam impossíveis. / Enquanto se está vivo e [...]
relação existe, há chance de melhorar = sempre há Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro depositado
tempo para boiar (aprender). nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade de
Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para tentar ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse
relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com metal é limitado, isso garantia que a produção de dinheiro
mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros se
menos medo = correta. deram conta de que ninguém estava interessado em
Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a
relacionamentos amorosos para que eles não reserva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do
se desfaçam = incorreta – o autor propõe viver que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises,
intensamente. como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar
Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos,
criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas
sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos economias seguramente guardadas.
LÍNGUA PORTUGUESA
objetivo nos relacionamentos. Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão-
Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e
novas, inclusive agir com o raciocínio nas relações principalmente de valores em contas bancárias, já não
amorosas = incorreta – ser mais emoção. tendo nenhuma riqueza material para representar, é
Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos, criado a partir de empréstimos. Quando alguém vai até
porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que o banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em
pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando, sua conta é gerado naquele instante, criado a partir de
uma decisão administrativa, e assim entra na economia.
não pensando em algo ruim.
3
Essa explicação permaneceu controversa e escondida Resposta: Letra A
por muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
Bank of England de 2014. bancos = correta
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
é criado assim, inventado em canetaços a partir da imaginário = nem todo
concessão de empréstimos. O que torna tudo mais Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
estranho e perverso é que, sobre esse empréstimo, clientes = deve ao banco, este paga/empresta a outros
é cobrada uma dívida. Então, se eu peço dinheiro ao clientes
banco, ele inventa números em uma tabela com meu Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
nome e pede que eu devolva uma quantidade maior mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-
do que essa. Para pagar a dívida, preciso ir até o dito mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
“livre-mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear, para Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes
conseguir o dinheiro que o banco inventou na conta endividados = desde que não paguem a dívida
de outras pessoas. Esse é o dinheiro que vai ser usado
para pagar a dívida, já que a única fonte de moeda é 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
o empréstimo bancário. No fim, os bancos acabam com GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge
todo o dinheiro que foi inventado e ainda confiscam os
abaixo, publicada no momento da intervenção nas
bens da pessoa endividada cujo dinheiro tomei.
atividades de segurança do Rio de Janeiro, em março de
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma
2018.
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante.
Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante
porque é gerada pela simples manipulação de bancos
de dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e
poder sem precedentes: um mundo onde o patrimônio
de 80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde
o 1% mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.
[...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventando-
dinheiro/
Acessado em 20/03/2018
4
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimidade Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura
com o interlocutor = inferência correta venezuelana = como a repressão política, familiar ou
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local de gênero
da charge = incorreta Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam eletrônico = não consta na Manchete acima
a presença do Exército = inferência correta Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na
Rússia = como a repressão política, familiar ou de
6. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Observe gênero
a charge abaixo. Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho
escravo = o desgaste causado pelas condições de
trabalho
5
Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos. Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as
Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve. desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento
= incorreto sustentado e o respeito pelos direitos humanos,
Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a serem reforçando as instituições democráticas, promovendo
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, a liberdade de expressão, preservando a diversidade
conforme estabelecido na legislação. / É o que precisa cultural e o ambiente.
acontecer... = precisa acontecer a punição dos É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento
excessos. — direitos humanos — democracia” que podemos
vislumbrar a educação para a paz.
9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas:
CESPE-2018) desafios para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc.
Educ. (Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com
Texto CG1A1AAA adaptações).
A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos
políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos
independentemente de idade, sexo, estrato social, “gestão de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser
crença religiosa etc. é chamado à criação de um mundo concebidos como
pacificado, um mundo sob a égide de uma cultura da a) obstáculos para a construção da cultura da paz.
paz. b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
Mas, o que significa “cultura da paz”? c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças d) etapas para a construção da cultura da paz.
e os adultos da compreensão de princípios como e) consequências da construção da cultura da paz.
liberdade, justiça, democracia, direitos humanos,
tolerância, igualdade e solidariedade. Implica uma Resposta: Letra D
rejeição, individual e coletiva, da violência que tem Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz.
sido percebida na sociedade, em seus mais variados = incorreto
contextos. A cultura da paz tem de procurar soluções que Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da
advenham de dentro da(s) sociedade(s), que não sejam paz. = incorreto
impostas do exterior. Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado = incorreto
em sentido negativo, quando se traduz em um estado Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
de não guerra, em ausência de conflito, em passividade Em “e”: consequências da construção da cultura da paz.
e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, = incorreto
condenada a um vazio, a uma não existência palpável, Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido
difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concepção refere-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar
positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a prática erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
da não violência para resolver conflitos, a prática do para construção da paz.
diálogo na relação entre pessoas, a postura democrática
frente à vida, que pressupõe a dinâmica da cooperação 10. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE
planejada e o movimento constante da instalação de JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018)
justiça.
Uma cultura de paz exige esforço para modificar o
pensamento e a ação das pessoas para que se promova
a paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa
de ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser
esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e
temos consciência disso. Porém, o sentido do discurso,
a ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de
palavras e conceitos que anunciem os valores humanos
que decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A
violência já é bastante denunciada, e quanto mais falamos
dela, mais lembramos de sua existência em nosso meio
social. É hora de começarmos a convocar a presença da
paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à gestão
LÍNGUA PORTUGUESA
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O humor da tira é conseguido através de uma quebra de expectativa, que é:
Resposta: Letra B
Em “a”: o fato de um adulto colecionar figurinhas; = incorreto
Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos;
Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = incorreto
Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho; = incorreto
Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o contrário. = incorreto
O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema incomum: assuntos sociais.
Resposta: Letra C
Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto
Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. = incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.
12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTERIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge. LÍNGUA PORTUGUESA
(Pancho. www.gazetadopovo.com.br)
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a) os personagens têm uma autoestima elevada e são Resposta: Letra B
otimistas, mesmo vivendo em uma situação de Em “a”: as figurinhas da Copa passaram a ocupar o
completo confinamento. lugar do celular e da carteira nos roubos urbanos; =
b) os dois personagens estão muito bem informados incorreto
sobre a economia, o que não condiz com a imagem Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e
de criminosos. à carteira como alvo de desejo dos assaltantes;
c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros
personagens, pois eles demonstram preocupação que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
com a aparência. Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da
d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende Copa nas bancas de jornais; = incorreto
os personagens, que estão acostumados a pagar caro Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no
por eles nos presídios. alvo principal dos ladrões. = incorreto
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes O título do texto já nos dá a resposta: além do celular
para os personagens, dada a condição em que se e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também
encontram. passaram a ser alvo dos assaltantes.
Resposta: Letra E
Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada
e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS.
completo confinamento. = incorreto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem
informados sobre a economia, o que não condiz com a TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL
imagem de criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida A todo o momento nos deparamos com vários textos,
dos personagens, pois eles demonstram preocupação sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença
com a aparência. = incorreto do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes
surpreende os personagens, que estão acostumados interlocutores são as peças principais em um diálogo ou
a pagar caro por eles nos presídios. = incorreto em um texto escrito.
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser É de fundamental importância sabermos classificar
relevantes para os personagens, dada a condição em os textos com os quais travamos convivência no nosso
que se encontram. dia a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos
Pela condição em que as personagens se encontram, o textuais e gêneros textuais.
aumento no preço dos cosméticos não os afeta. Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018) lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre
alguém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com nessas situações corriqueiras que classificamos os
as figurinhas da Copa nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração,
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 Descrição e Dissertação.
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo As tipologias textuais se caracterizam pelos
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais aspectos de ordem linguística
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos Os tipos textuais designam uma sequência definida
jornaleiros estão levando seus estoques para casa pela natureza linguística de sua composição. São
quando termina o expediente. Pode parecer piada, mas observados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais,
há até boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha relações logicas. Os tipos textuais são o narrativo,
espalhados por mensagens de celular. descritivo, argumentativo/dissertativo, injuntivo e
expositivo.
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
adequada é: ação demarcados no tempo do universo narrado,
como também de advérbios, como é o caso de an-
a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
celular e da carteira nos roubos urbanos; carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
LÍNGUA PORTUGUESA
8
um assunto ou uma determinada situação que se Ouro em Fios
almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
zões de ela acontecer, como em: O cadastramento A natureza é capaz de produzir materiais preciosos,
irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan- como o ouro e o cobre - condutor de ENERGIA ELÉTRICA.
to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para isso.
benefício. Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de
D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT:
uma modalidade na qual as ações são prescritas de - Desligue as luzes nos ambientes onde é possível usar a
forma sequencial, utilizando-se de verbos expres- iluminação natural.
sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente: - Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado.
Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador - Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do am-
até criar uma massa homogênea. biente.
E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar- - Utilize o computador no modo espera.
cam-se pelo predomínio de operadores argumen- Fique ligado! Evite desperdícios.
tativos, revelados por uma carga ideológica cons- Energia elétrica.
tituída de argumentos e contra-argumentos que A natureza cobra o preço do desperdício.
justificam a posição assumida acerca de um deter- Internet: <www.tjdft.jus.br> (com adaptações)
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ-
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço Há no texto elementos característicos das tipologias ex-
no mercado de trabalho, o que significa que os gê- positiva e injuntiva.
neros estão em complementação, não em disputa.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Gêneros Textuais
Resposta: Certo. Texto injuntivo – ou instrucional – é
São os textos materializados que encontramos em aquele que passa instruções ao leitor. O texto acima
nosso cotidiano; tais textos apresentam características apresenta tal característica.
sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função,
composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum, FIGURAS DE LINGUAGEM.
blog, etc.
A escolha de um determinado gênero discursivo
depende, em grande parte, da situação de produção, FIGURA DE LINGUAGEM, PENSAMENTO E
ou seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são CONSTRUÇÃO
os locutores e os interlocutores, o meio disponível para
veicular o texto, etc.
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reportagens,
editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divulgação
científica são comuns gêneros como verbete de dicionário
ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico, seminário,
conferência.
Disponível em: <http://www.terapiadapalavra.com.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS br/figuras-de-linguagem-na-escrita-literaria/> Acesso
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- abr, 2018.
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. A figura de palavra consiste na substituição de uma
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa. palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico,
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática – seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. por uma associação, uma comparação, uma similaridade.
São construções que transformam o significado das
SITE palavras para tirar delas maior efeito ou para construir
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ uma mensagem nova.
redacao/tipologia-textual.htm>
LÍNGUA PORTUGUESA
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Três pratos de trigo para três tigres tristes. Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (=
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa) Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis).
Quem com ferro fere com ferro será ferido. Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (=
As lâmpadas iluminam o mundo).
Assonância - Consiste na repetição ordenada de Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da
sons vocálicos idênticos: “Sou um mulato nato no sentido cruz. (= Não te afastes da religião).
lato mulato democrático do litoral.” Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso
Havana. (= Fumei um saboroso charuto).
Onomatopeia - Ocorre quando se tentam reproduzir Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates
na forma de palavras os sons da realidade: Os sinos tomou veneno).
faziam blem, blem, blem.
Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu
trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que
Paranomásia – é o uso de sons semelhantes em
palavras próximas: “A fossa, a bossa, a nossa grande produzo).
dor...” (Carlos Lyra) Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (=
Bebeu todo o líquido que estava no cálice).
Figuras de Palavras ou de Pensamento Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones
foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás
Metáfora dos jogadores).
Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão Parte pelo todo: Várias pernas passavam
em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas apressadamente. (= Várias pessoas passavam
em virtude da circunstância de que o nosso espírito as apressadamente).
associa e percebe entre elas certas semelhanças. É o Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem
emprego da palavra fora de seu sentido normal. nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse
mundo).
Observação: Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir
Toda metáfora é uma espécie de comparação às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram
implícita, em que o elemento comparativo não aparece. chamadas, não apenas uma mulher).
Seus olhos são como luzes brilhantes. Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (=
O exemplo acima mostra uma comparação evidente, Minha filha adora o iogurte que é da marca Danone).
através do emprego da palavra como. Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns
astronautas foram à Lua).
Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes.
Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá
Neste exemplo não há mais uma comparação (note a
para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado).
ausência da partícula comparativa), e sim símile, ou seja,
qualidade do que é semelhante.
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me. Catacrese
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo,
Esta é a verdadeira metáfora. cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por
falta de um termo específico para designar um conceito,
Outros exemplos: toma-se outro “emprestado”. Assim, passamos a
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando empregar algumas palavras fora de seu sentido original.
Pessoa) Exemplos: “asa da xícara”, “batata da perna”, “maçã do
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que rosto”, “pé da mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do abacaxi”.
o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando Perífrase ou Antonomásia
a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.). Trata-se de uma expressão que designa um ser
através de alguma de suas características ou atributos,
Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar ou de um fato que o celebrizou. É a substituição de um
algum. nome por outro ou por uma expressão que facilmente o
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, identifique:
na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua
expressão que indica uma alma rústica e abandonada atraindo visitantes do mundo todo.
(e angustiadamente inútil), há uma comparação A Cidade-Luz (=Paris)
subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada
O rei das selvas (=o leão)
(e inútil) quanto uma estrada de terra que leva a lugar
algum.
Observação:
LÍNGUA PORTUGUESA
10
Sinestesia O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um
Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as cego que guia.
sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
É o cruzamento de sensações distintas. Chora, violão.
Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito =
auditivo; áspero = tátil) Figuras de Construção ou de Sintaxe
No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os
acontecimentos. (silêncio = auditivo; escuro = visual) Apóstrofe
Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil) Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coisa
personificada, de acordo com o objetivo do discurso,
Antítese que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-
Consiste no emprego de palavras que se opõem se pelo chamamento do receptor da mensagem, seja ele
quanto ao sentido. O contraste que se estabelece serve, imaginário ou não. A introdução da apóstrofe interrompe
essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim
envolvidos que não se conseguiria com a exposição a entidade a que se dirige e a ideia que se pretende pôr
isolada dos mesmos. Observe os exemplos: em evidência com tal invocação. Realiza-se por meio do
“O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa) vocativo. Exemplos:
O corpo é grande e a alma é pequena. Moça, que fazes aí parada?
“Quando um muro separa, uma ponte une.” “Pai Nosso, que estais no céu”
Não há gosto sem desgosto. Deus, ó Deus! Onde estás?
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac) Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
O concurseiro quase morre de tanto estudar!
Silepse
Prosopopeia ou Personificação A silepse é a concordância que se faz com o termo
É a atribuição de ações ou qualidades de seres que não está expresso no texto, mas, sim, subentendido.
animados a seres inanimados, ou características humanas É uma concordância anormal, psicológica, porque se faz
a seres não humanos. Observe os exemplos: com um termo oculto, facilmente identificado. Há três
As pedras andam vagarosamente. tipos de silepse: de gênero, número e pessoa.
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Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino B) Assíndeto - É uma figura caracterizada
e feminino. Ocorre a silepse de gênero quando a pela ausência, pela omissão das conjunções
concordância se faz com a ideia que o termo comporta. coordenativas, resultando no uso de orações
Exemplos: coordenadas assindéticas. Exemplos:
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
A) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o “Vim, vi, venci.” (Júlio César)
calor intenso.
Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando Pleonasmo
com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as
ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é
(a cidade de Porto Velho). realçar a ideia, torná-la mais expressiva.
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo.
B) Vossa Excelência está preocupado.
O adjetivo preocupado concorda com o sexo da Nesta oração, os termos “o problema da violência”
pessoa, que nesse caso é masculino, e não com o termo e “lo” exercem a mesma função sintática: objeto direto.
Vossa Excelência. Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o
pronome “lo” classificado como objeto direto pleonástico.
Silepse de Número - Os números são singular e Outro exemplo:
plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto
oração, mas com a ideia que nele está contida. Exemplos:
A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto,
de Salvador. e o pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto
O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto. pleonástico.
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Observação: 2. (PRF – POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL – FUNRIO
O anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva – 2009) O hino do América F.C., composto por Lamartine
em casos muito especiais. Em geral, evite-o. Babo, diz: “Hei de torcer, torcer, torcer... Hei de torcer
até morrer, morrer, morrer... Pois a torcida americana é
Hipérbato / Inversão toda assim, a começar por mim.” O recurso linguístico
É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da que enfatiza o compromisso entoado pelo hino é
ordem direta dos termos da oração, fazendo com que o
sujeito venha depois do predicado: a) o uso das reticências.
Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O b) a repetição da estrutura sintática.
amor venceu ao ódio) c) o emprego do verbo auxiliar “haver”.
Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: d) a presença da palavra “torcida”.
Eu cuido dos meus problemas) e) a autorreferência do pronome “mim”.
Resposta: Letra C
#FicaDica Em “a”, o uso das reticências = incorreta
Em “b”, a repetição da estrutura sintática = incorreta
O nosso Hino Nacional é um exemplo de Em “c”, o emprego do verbo auxiliar “haver”.
hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos: Em “d”, a presença da palavra “torcida” = incorreta
“As margens plácidas do Ipiranga ouviram o Em “e”, a autorreferência do pronome “mim” =
brado retumbante de um povo heroico”. incorreta
O uso do verbo “haver” (hei de ... hei de ...) reforça o
compromisso do torcedor com o time.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. SIGNIFICAÇÃO DE PALAVRAS E
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza EXPRESSÕES.RELAÇÕES DE SINONÍMIA E DE
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. ANTONÍMIA.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002. Semântica é o estudo da significação das palavras
e das suas mudanças de significação através do tempo
SITES ou em determinada época. A maior importância está em
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ distinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia)
secoes/estil/estil8.php> e homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/estil/estil5.php> Sinônimos
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto
secoes/estil/estil2.php> - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar -
abolir.
Duas palavras são totalmente sinônimas quando
são substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto
EXERCÍCIOS COMENTADOS (cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas
quando, ocasionalmente, podem ser substituídas,
1. (PRF – POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL – FUNRIO uma pela outra, em deteminado enunciado (aguadar e
– 2009) Observe o trecho de “O Cortiço”, de Aluísio esperar).
de Azevedo: “Eram cinco horas da manhã e o cortiço
acordava, [...]. Um acordar alegre e farto de quem dormiu Observação:
de uma assentada sete horas de chumbo.” Seu autor A contribuição greco-latina é responsável pela
utiliza o seguinte recurso estilístico: existência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo;
a) eufemismo. contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo;
b) gradação. transformação e metamorfose; oposição e antítese.
c) comparação.
d) antítese. Antônimos
e) personificação. São palavras que se opõem através de seu significado:
ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar;
LÍNGUA PORTUGUESA
13
Homônimos e Parônimos CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
• Homônimos = palavras que possuem a mesma – São Paulo: Saraiva, 2010.
grafia ou a mesma pronúncia, mas significados AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
diferentes. Podem ser literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.
diferentes na pronúncia:
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher SITE
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) Disponível em: <http://www.coladaweb.com/
e denuncia (verbo); providência (subst.) e providencia portugues/sinonimos,-antonimos,-homonimos-e-
(verbo). paronimos>
14
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada A) Denotação
frequentemente são felizes. Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
Neste caso podem existir duas interpretações apresenta seu significado original, independentemente
diferentes: do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado
As pessoas têm alimentação equilibrada porque mais objetivo e comum, aquele imediatamente
são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro
equilibrada. significado que aparece nos dicionários, sendo o
significado mais literal da palavra.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, A denotação tem como finalidade informar o receptor
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo um
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito caráter prático. É utilizada em textos informativos, como
importante saber qual o contexto em que a frase é jornais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de
proferida. medicamentos, textos científicos, entre outros. A palavra
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é apenas
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, um pedaço de madeira. Outros exemplos:
comicidade. Repare na figura abaixo: O elefante é um mamífero.
As estrelas deixam o céu mais bonito!
B) Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes
interpretações, dependendo do contexto em que esteja
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
significação mediante a circunstância em que a mesma
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido
conotativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau),
reprovação (tomei pau no concurso).
(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto- A conotação tem como finalidade provocar
cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014). sentimentos no receptor da mensagem, através da
expressividade e afetividade que transmite. É utilizada
Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, principalmente numa linguagem poética e na literatura,
mas duas seriam: mas também ocorre em conversas cotidianas, em letras
de música, em anúncios publicitários, entre outros.
Corte e coloração capilar Exemplos:
ou Você é o meu sol!
Faço corte e pintura capilar Minha vida é um mar de tristezas.
Você tem um coração de pedra!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. #FicaDica
– São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Procure associar Denotação com Dicionário:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. trata-se de definição literal, quando o termo
é utilizado com o sentido que consta no
SITE dicionário.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
gramatica/polissemia.htm>
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Denotação e Conotação SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Exemplos de variação no significado das palavras: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –
literal) São Paulo: Saraiva, 2010.
LÍNGUA PORTUGUESA
15
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga
EXERCÍCIOS COMENTADOS crianças e adolescentes a participarem do processo de
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Um hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do
ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte: Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infantil
“Defenda a ecologia, mas não encha o saco”. (Gilberto foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradicado,
Mestrinho) O vocábulo sublinhado, composto do radical- ele continua sendo grave problema nos países mais
logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do meio pobres.
ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo radical, Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com
que tem seu significado corretamente indicado é: adaptações).
a) Antropologia: estudo do homem como representante A palavra “chaga”, empregada com o sentido de ferida
do sexo masculino; social, refere-se, na estrutura sintática do parágrafo, a
b) Etimologia: estudo das raças humanas; “pobreza”.
c) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre
a Terra; ( ) CERTO ( ) ERRADO
d) Ginecologia: estudo das doenças privativas das
mulheres; Resposta: Errado
e) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza. (...) É o caso do trabalho infantil. A chaga encontra
terreno = refere-se a “trabalho infantil”.
Resposta: Letra D
Em “a”: Antropologia: Ciência que se dedica ao estudo 4. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CARGO
do homem (espécie humana) em sua totalidade 33 – TÉCNICO ADMINISTRATIVO - Nível Médio –
Em “b”: Etimologia: Ciência que investiga a origem CESPE-2013)
das palavras procurando determinar as causas e Há um dispositivo no Código Civil que condiciona a
circunstâncias de seu processo evolutivo edição de biografias à autorização do biografado ou
Em “c”: Meteorologia: Estudo dos fenômenos descendentes. As consequências da norma são negativas.
atmosféricos e das suas leis, principalmente com a Uma delas é a impossibilidade de se registrar e deixar
intenção de prever as variações do tempo. para a posteridade a vida de personagens importantes
Em “d”: Ginecologia: estudo das doenças privativas das na formação do país, em qualquer ramo de atividade.
mulheres = correta Permite-se a interdição de registros de época, em
Em “e”: Fisiologia: Ciência que trata das funções prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro.
orgânicas pelas quais a vida se manifesta Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o relato da
vida do poeta Manoel Bandeira e dos escritores Mário de
2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE Andrade e Guimarães Rosa. Tanto no jornalismo quanto
LEGISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Na verdade, na literatura não pode haver censura prévia. Publicada a
todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis reportagem (ou biografia), os que se sentirem atingidos
números da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis” que recorram à justiça. É preciso seguir o padrão existente
equivale ao “que não se aceita”. A equivalência correta em muitos países, em que há biografias “autorizadas” e
abaixo indicada é: “não autorizadas”.
Reclamações posteriores, quando existem, são
a) tinta indelével / que não se apaga; encaminhadas ao foro devido, os tribunais.
b) ação impossível / que não se possui; O alegado “direito à privacidade” é argumento frágil
c) trabalho inexequível / que não se exemplifica; para justificar o veto a que a historiografia do país seja
d) carro invisível / que não tem vistoria; enriquecida, como se não bastasse o fato de o poder
e) voz inaudível / que não possui audiência. de censura concedido a biografados e herdeiros ser um
atentado à Constituição.
Resposta: Letra A O Globo, 23/9/2013 (com adaptações).
Em “a”: tinta indelével / que não se apaga = correta
Em “b”: ação impossível = que não é possível A palavra “sonegado” está sendo empregada com o
Em “c”: trabalho inexequível = que não se executa sentido de reduzido, diminuído.
Em “d”: carro invisível = que não se vê
( ) CERTO ( ) ERRADO
Em “e”: voz inaudível = que não se ouve
LÍNGUA PORTUGUESA
Resposta: Errado
3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010)
(...) Permite-se a interdição de registros de época, em
A pobreza é um dos fatores mais comumente responsáveis
prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro.
pelo baixo nível de desenvolvimento humano e pela
Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o
origem de uma série de mazelas, algumas das quais
relato da vida do poeta Manoel Bandeira e dos
proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso do
escritores Mário de Andrade e Guimarães Rosa = o
trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas
sentido é o de “impedido”.
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5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) O • No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
termo destacado na passagem do primeiro parágrafo – Exemplos: ficasse, falasse.
Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na hora
da compra. – tem sentido equivalente a São escritos com C ou Ç e não S e SS
• Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
a) impetuosidade. • Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
b) empatia. Juçara, caçula, cachaça, cacique.
c) relutância. • Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu,
d) consentimento. uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça,
e) segurança. caniço, esperança, carapuça, dentuço.
• Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção /
Resposta: Letra C deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção.
Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na
• Após ditongos: foice, coice, traição.
hora da compra.
• Palavras derivadas de outras terminadas em -te,
Em “a”: impetuosidade (força) = incorreto
to(r): marte - marciano / infrator - infração /
Em “b”: empatia = incorreto
Em “c”: relutância (resistência). absorto – absorção.
Em “d”: consentimento (aceitação) = incorreto
Em “e”: segurança = incorreto B) O fonema z
A substituição que manteria o sentido do período é
“ainda há relutância”. São escritos com S e não Z
• Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical
é substantivo, ou em gentílicos e títulos
nobiliárquicos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa,
ORTOGRAFIA. baronesa, princesa.
• Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese,
metamorfose.
ORTOGRAFIA • Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
quiseste.
A ortografia é a parte da Fonologia que trata da • Nomes derivados de verbos com radicais terminados
correta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /
devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
empreender - empresa / difundir – difusão.
língua são grafados segundo acordos ortográficos.
• Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
A maneira mais simples, prática e objetiva de aprender
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho.
ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras • Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa.
é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções • Verbos derivados de nomes cujo radical termina
e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar
etimologia (origem da palavra). – pesquisar.
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• Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir, Os símbolos das unidades de medida são escritos
mugir. sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
• Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
surgir. 20km, 120km/h.
• Depois da letra “a”, desde que não seja radical Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
terminado com j: ágil, agente.
Na indicação de horas, minutos e segundos, não
São escritas com J e não G deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
• Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. 22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três
• Palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia, minutos e trinta e quatro segundos).
manjerona. O símbolo do real antecede o número sem espaço:
• Palavras terminadas com aje: ultraje. R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma
barra vertical ($).
D) O fonema ch
Alguns Usos Ortográficos Especiais
São escritas com X e não CH
• Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi, POR QUE / POR QUÊ / PORQUÊ / PORQUE
xucro.
• Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu, POR QUE (separado e sem acento)
lagartixa.
• Depois de ditongo: frouxo, feixe. É usado em:
• Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval. 1. interrogações diretas (longe do ponto de
Exceção: quando a palavra de origem não derive de interrogação) = Por que você não veio ontem?
outra iniciada com ch - Cheio - (enchente) 2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
São escritas com CH e não X que faltara à aula ontem.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” =
Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, Ignoro o motivo por que ele se demitiu.
chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
POR QUÊ (separado e com acento)
E) As letras “e” e “i”
Usos:
• Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. 1. como pronome interrogativo, quando colocado no
Com “i”, só o ditongo interno cãibra. fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
• Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar Você faltou. Por quê?
são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. 2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
Escrevemos com “i”, os verbos com infinitivo em quê?
-air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
Há palavras que mudam de sentido quando
substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), Usos:
ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) 1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale
/ emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na
estância, que anda a pé), pião (brinquedo). escrita (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à ponto final) = Compre agora, porque há poucas
ortografia de uma palavra, há a possibilidade de consultar peças.
o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), 2. como conjunção subordinativa causal, substituível
elaborado pela Academia Brasileira de Letras. É uma obra por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu
porque se antecipou.
de referência até mesmo para a criação de dicionários,
pois traz a grafia atualizada das palavras (sem o
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)
significado). Na Internet, o endereço é www.academia.
org.br.
Usos:
1. como substantivo, com o sentido de “causa”,
Informações importantes
“razão” ou “motivo”, admitindo pluralização
LÍNGUA PORTUGUESA
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Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte
que expressam movimento = Aonde você vai? Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas
combinações históricas ou ocasionais: Áustria-
MAU / MAL Hungria, Angola-Brasil, etc.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e
Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se super- quando associados com outro termo que é
como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super-
mau elemento. racional, etc.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-
Mal = pode ser usado como diretor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito.
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”, 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
“logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu. pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação,
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi etc.
mal na prova? 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se,
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal 10. Nas formações em que o prefixo tem como
não compensa. segundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-
hepático, geo-história, neo-helênico, extra-humano,
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS semi-hospitalar, super-homem.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa 11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. termina com a mesma vogal do segundo elemento:
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-
Cochar - Português linguagens: volume 1. – 7.ª ed. Reform. observação, etc.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras:
O hífen é suprimido quando para formar outros
literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo: #FicaDica
Saraiva, 2002.
Ao separar palavras na translineação
SITE (mudança de linha), caso a última palavra a
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/ ser escrita seja formada por hífen, repita-o
aulas/portugues/ortografia> na próxima linha. Exemplo: escreverei anti-
inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
Hífen Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
(hífen em ambas as linhas). Devido à
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado diagramação, pode ser que a repetição do
para ligar os elementos de palavras compostas (como ex- hífen na translineação não ocorra em meus
presidente, por exemplo) e para unir pronomes átonos conteúdos, mas saiba que a regra é esta!
a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa; B) Não se emprega o hífen:
compa-/nheiro). 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
“r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas
Ortográfica:
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom,
1. Em palavras compostas por justaposição que
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.
formam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo
que se unem para formam um novo significado:
termina em vogal e o segundo termo inicia-se com
tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação,
coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro. autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico,
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde. “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h”
LÍNGUA PORTUGUESA
3. Nos compostos com elementos além, aquém, inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
recém e sem: além-mar, recém-nascido, sem- 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
número, recém-casado. o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas coobrigação, coordenar, coocupante, coautor,
algumas exceções continuam por já estarem coedição, coexistir, etc.
consagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram
mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia, noção de composição: pontapé, girassol,
queima-roupa, deus-dará. paraquedas, paraquedista, etc.
19
6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: Resposta: Letra A
benfeito, benquerer, benquerido, etc. Mal = advérbio (antônimo de “bem”) / mau = adjetivo
(antônimo de “bom”). Para saber quando utilizar um
Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas ou outro, a dica é substituir por seu antônimo. Se a
correspondentes átonas, aglutinam-se com o elemento frase ficar coerente, saberemos qual dos dois deve ser
seguinte, não havendo hífen: pospor, predeterminar, utilizado. Por exemplo: Cigarro faz mal/mau à saúde
predeterminado, pressuposto, propor. = Cigarro faz bem à saúde. A frase ficou coerente –
Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso,
embora errada em termos de saúde! Então, a maneira
auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
correta é “Cigarro faz mal à saúde”.
humano, super-realista, alto-mar.
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma, Vamos aos itens:
antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante, Em “a”: O estagiário foi mal (bem) treinado = correta
ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus, Em “b”: O time não jogou mau (bem)no último
autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi. campeonato = mal
Em “c”: O menino não era mal (bom) aluno = mau
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Em “d”: Os funcionários perceberam que o chefe
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa estava de mal (bom) humor = mau
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Em “e”: Os participantes compreendiam mau (bem) o
que estava sendo discutido = mal
SITE
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/ 3. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR –
aulas/portugues/ortografia> CESGRANRIO-2018) Obedecem às regras ortográficas
da língua portuguesa as palavras
a) O estagiário foi mal treinado, por isso não a) Descoberta a conspiração, enquanto os outros não
desempenhava satisfatoriamente as tarefas solicitadas procuravam outra coisa se não salvar-se, ele revelou
pelos seus superiores.
a mais heróica força de ânimo, chamando a si toda a
b) O time não jogou mau no último campeonato,
culpa.
apesar de enfrentar alguns problemas com jogadores
descontrolados. b) Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da profissão
c) O menino não era mal aluno, somente tinha dificuldade que lhe valera o apelido.
c) Não obstante, foi ele talvez o único a demonstrar fé,
LÍNGUA PORTUGUESA
20
Resposta: Letra A Em “b”: haver vírgula após a expressão “Um dia”; = está
Em “a”: Descoberta a conspiração, enquanto os outros correto, pois separa o advérbio no início do período
não procuravam outra coisa se não salvar-se (senão se Em “c”: usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o
salvar) , ele revelou a mais heróica (heroica) força de perguntaram”; = está correto (o “lhe” é objeto indireto
ânimo, chamando a si toda a culpa. – perguntaram o que a quem)
Em “b”: Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da Em “d”: grafar-se “porque” em vez de “por que”;
profissão que lhe valera o apelido = correta Em “e”: escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”.
Em “c”: Não obstante, foi ele talvez o único a = correto, pois se invertermos haverá mudança de
demonstrar fé, entusiasmo e coragem na aventura de sentido (ele usava só meias, nenhuma outra peça de
89 = correta roupa).
Em “d”: A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da A incorreção está no uso de “porque” no lugar de “por
Costa, Alvarenga eram homens requintados, letrados, que”, já que se trata de uma pergunta indireta.
a quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes
sempre lutara pela subsistência = correta
Em “e”: Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim,
enfrentou a pena última = correta ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
e) escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”. “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre
fechado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs .
Resposta: Letra D C) acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a”
“Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
usava meias vermelhas” D) trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi
Em “a”: empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe totalmente abolido das palavras. Há uma exceção:
cercaram”; = está correto, pois o “o” funciona como é utilizado em palavras derivadas de nomes
objeto direto (sem preposição) próprios estrangeiros: mülleriano (de Müller)
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E) til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam Acento Diferencial
vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
Representam os acentos gráficos que, pelas regras
Regras fundamentais de acentuação, não se justificariam, mas são utilizados
para diferenciar classes gramaticais entre determinadas
A) Palavras oxítonas:acentuam-se todas as oxítonas palavras e/ou tempos verbais. Por exemplo: Pôr (verbo) X
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não por (preposição) / pôde (pretérito perfeito do Indicativo do
do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém. verbo “poder”) X pode (presente do Indicativo do mesmo
Esta regra também é aplicada aos seguintes casos: verbo).
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se,
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição.
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas Os demais casos de acento diferencial não são
terminadas em: mais utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo
i, is: táxi – lápis – júri (substantivo), pelo (preposição). Seus significados e
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum classes gramaticais são definidos pelo contexto.
l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax – Polícia para o trânsito para que se realize a operação
fórceps planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo,
ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos conjunção (com relação de finalidade).
ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
#FicaDica
#FicaDica Quando, na frase, der para substituir o “por”
por “colocar”, estaremos trabalhando com
Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que um verbo, portanto: “pôr”; nos demais casos,
esta palavra apresenta as terminações das “por” é preposição: Faço isso por você. /
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
(aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO.
Assim ficará mais fácil a memorização!
Regra do Hiato
C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos,
quando a sua antepenúltima sílaba é tônica segunda vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”,
(mais forte). Quanto à regra de acentuação: haverá acento: saída – faísca – baú – país – Luís
todas as proparoxítonas são acentuadas, Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
independentemente de sua terminação: árvore, quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
paralelepípedo, cárcere. Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se
Regras especiais
estiverem seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando
palavras paroxítonas. hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxítonas):
Antes Agora
FIQUE ATENTO!
Se os ditongos abertos estiverem em uma bocaiúva bocaiuva
palavra oxítona (herói) ou monossílaba feiúra feiura
(céu) ainda são acentuados: dói, escarcéu. Sauípe Sauipe
assembléia assembleia
Antes Agora
idéia ideia
crêem creem
geléia geleia
lêem leem
jibóia jiboia
vôo voo
apóia (verbo apoiar) apoia
enjôo enjoo
paranóico paranoico
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Em “a”, íris = paroxítona terminada em i(s)
#FicaDica Em “b”, estórias = paroxítona terminada em ditongo
Em “c”, queríamos = proparoxítona
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os Em “d”, aí = regra do hiato
verbos que, no plural, dobram o “e”, mas Em “e”, páginas = proparoxítona
que não recebem mais acento como antes:
CRER, DAR, LER e VER. 2. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – FADESP-2018)
Repare: A sequência de palavras cujos acentos são empregados
O menino crê em você. / Os meninos creem pelo mesmo motivo é
em você.
Elza lê bem! / Todas leem bem! a) público, função, dói.
Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos b) burocráticos, próximo, século.
que os garotos deem o recado! c) será, aí, é, está.
Rubens vê tudo! / Eles veem tudo! d) glória, exercício, publicação.
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / e) hábito, bancário, poética.
Eles vêm à tarde!
Resposta: Letra B
Em “a”, público = proparoxítona / função = o til tem
As formas verbais que possuíam o acento tônico na função de nasalizar (indicar som fechado) / dói =
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de monossílabo formado por ditongo aberto
“e” ou “i” não serão mais acentuadas: Em “b”, burocráticos = proparoxítona / próximo =
proparoxítona / século = proparoxítona
Antes Agora Em “c”, será = oxítona terminada em ‘a” / aí = regra do
apazigúe (apaziguar) apazigue hiato / é = (verbo) monossílabo tônico terminado em
“e” / está = (verbo) oxítona terminada em “a”
averigúe (averiguar) averigue Em “d”, glória = paroxítona terminada em ditongo
argúi (arguir) argui / exercício = paroxítona terminada em ditongo /
publicação = o til indica nasalização (som fechado)
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira Em “e”, hábito = (substantivo) proparoxítona /
pessoa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles bancário = paroxítona terminada em ditongo / poética
vêm (verbo vir). A regra prevalece também para os verbos = proparoxítona
conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém 3. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR –
– eles convêm. CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) O emprego
do acento gráfico nas palavras “metálica”, “acúmulo”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS e “imóveis” justifica-se com base na mesma regra de
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa acentuação.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza ( ) CERTO ( ) ERRADO
Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Resposta: Errado
O emprego do acento gráfico nas palavras “metálica”,
SITE “acúmulo” e “imóveis” justifica-se com base na mesma
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ regra de acentuação.
gramatica/acentuacao.htm> metálica = proparoxítona / acúmulo = proparoxítona /
imóveis = paroxítona terminada em ditongo
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Resposta: Letra D Resposta: Letra E
Em “a”: Todo escritor de novela tem = singular (não Em “a”: Ele se esqueceu de que? = quê?
acentuado) Em “b”: Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu
Em “b”: Os telespectadores veem = correta - plural para distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
dobra o “e” (perdeu o acento com o Acordo) Em “c”: Embora devêssemos (devêssemos), não fomos
Em “c”: Alguns novelistas gostam de superpor = excessivos nas críticas.
correta Em “d”: O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às
Em “d”: Para decorar o texto antes de gravar, cada ator reivindicações dos funcionários.
rele = relê (oxítona) Em “e”: Não sei por que ele mereceria minha
Em “e”: Alguns atores de novela constroem = correta consideração.
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Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos • Constata-se o uso da crase se as locuções prepositivas
jamais vividos. à moda de, à maneira de apresentarem-se
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
FIQUE ATENTO! moda de Luís XV)
Nas situações em que o nome geográfico • Não se efetiva o uso da crase diante da locução
se apresentar modificado por um adjunto adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
adnominal, a crase está confirmada. observamos a queima de fogos a distância.
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
de suas praias. uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; pedestre foi arremessado à distância de cem metros.
vou A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo:
Vou a Campinas. = Volto de Campinas. • De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
(crase pra quê?) -, faz-se necessário o emprego da crase.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) Ensino à distância.
Ensino a distância.
Quando o nome de lugar estiver especificado, • Em locuções adverbiais formadas por palavras
ocorrerá crase. Veja: repetidas, não há ocorrência da crase.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo Ela ficou frente a frente com o agressor.
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE” Eu o seguirei passo a passo.
Irei à Salvador de Jorge Amado.
Casos em que não se admite o emprego da crase:
A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo Antes de vocábulos masculinos.
regente exigir complemento regido da preposição “a”. As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Entregamos a encomenda àquela menina. Esta caneta pertence a Pedro.
(preposição + pronome demonstrativo)
Antes de verbos no infinitivo.
Iremos àquela reunião. Ele estava a cantar.
(preposição + pronome demonstrativo) Começou a chover.
• A crase é facultativa diante de nomes próprios Contudo, se o termo estiver precedido por um
femininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza. determinante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá
crase.
• Também é facultativa diante de pronomes
Paulo viajou rumo à sua terra natal.
possessivos femininos: O diretor fez referência a
O astronauta voltou à Terra.
(à) sua empresa.
• Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
• Não ocorre crase antes de pronomes que requerem
ficará aberta até as (às) dezoito horas.
o uso do artigo.
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Os livros foram entregues a mim. 2. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017)
Dei a ela a merecida recompensa. Assinale a alternativa que preenche, correta e
respectivamente, as lacunas do texto a seguir.
• Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, atendimento _____ presos da Casa de Detenção, em São
o uso da crase está confirmado no “a” que os Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella chega ao
antecede, no caso de o termo regente exigir a fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de
preposição. “Estação Carandiru” (1999), que mostra ________ entranhas
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. daquela que foi ________maior prisão da América Latina,
e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que
• Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado trabalham no sistema prisional, Varella agora faz um
em sentido genérico ou indeterminado: retrato das detentas da Penitenciária Feminina da Capital,
Estamos sujeitos a críticas. também na capital paulista, onde cumprem pena mais de
Refiro-me a conversas paralelas. duas mil mulheres.
(https://oglobo.globo.com. Adaptado)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a) à … às … a
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
b) a … as … a
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
c) a … às … a
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
d) à … às … à
Cochar. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform.
e) a … as … à
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Resposta: Letra B
SITE Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/ atendimento a (preposição – regência nominal de
gramatica/o-uso-crase-.html> “atendimento”, mas sem acento grave por estar diante
de palavra masculina) presos da Casa de Detenção,
em São Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella
EXERCÍCIOS COMENTADOS chega ao fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”.
Depois de “Estação Carandiru” (1999), que mostra as
1. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - (objeto direto do verbo “mostrar”) entranhas daquela
SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) O acento que foi a (artigo definido) maior prisão da América
Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários
indicativo de crase está empregado corretamente em:
que trabalham no sistema prisional, Varella agora faz
um retrato das detentas da Penitenciária Feminina da
a) O personagem evita considerar à internet responsável
Capital, também na capital paulista, onde cumprem
por suas atitudes.
pena mais de duas mil mulheres.
b) O personagem reconheceu que já tinha uma propensão Teremos: a / as / a.
à jogar o tempo fora.
c) O personagem tinha um comportamento indiferente à 3. (CÂMARA MUNICIPAL DE DOIS CÓRREGOS-SP
qualquer influência da internet. - OFICIAL DE ATENDIMENTO E ADMINISTRAÇÃO –
d) O personagem refere-se à uma maneira de se portar VUNESP-2018) Assinale a alternativa em que o acento
com relação ao tempo. indicativo de crase está empregado corretamente.
e) O personagem revelou à pessoa com quem conversava
que jogava o tempo fora. a) Algumas pessoas com supermemória chegam à sofrer
com dores de cabeça.
Resposta: Letra E b) Há lembranças tão vivas que nos fazem voltar à
Aos itens: episódios de nosso passado.
Em “a”, evita considerar à internet = a internet (objeto c) Lembrar-se do passado pode ser uma tarefa muito
direto) difícil à determinadas pessoas.
Em “b”, tinha uma propensão à jogar = a jogar (sem d) Ela referiu-se à vontade de esquecer completamente
acento grave indicativo de crase antes de verbo no os momentos dolorosos.
infinitivo) e) Ao nos atermos à uma experiência ruim,
Em “c”, tinha um comportamento indiferente à desconsideramos o que ela traz de bom.
qualquer influência = a qualquer (antes de pronome
indefinido) Resposta: Letra D
LÍNGUA PORTUGUESA
26
Em “d”, Ela referiu-se à vontade = correta (quem se Resposta: Letra E
refere, refere-se a algo ou a alguém) Vamos aos trechos:
Em “e”, Ao nos atermos à uma experiência = a uma a rápida industrialização nos Estados Unidos deu
(antes de artigo indefinido) origem a algumas das maiores fortunas = antes de
pronome indefinido
4. (IPSM-SP - ASSISTENTE DE GESTÃO MUNICIPAL - e passaram a ostentar sua riqueza = antes de verbo
VUNESP-2018) De acordo com a norma- -padrão, o no infinitivo
acento indicativo da crase está corretamente empregado e de negócios ligados à tecnologia = regência nominal
em: de “ligados” pede preposição
a) O leitor aludiu à escrita como se ela fosse questão de
6. (CÂMARA MUNICIPAL DE COTIA-SP – CONTADOR -
talento: quem não tem, não vai nunca aprender.
VUNESP-2017) Assinale a alternativa correta quanto ao
b) A escrita deve levar o texto à uma riqueza, marcada
pela clareza e precisão, afastando o leitor da confusão emprego do acento indicativo da crase.
ou tédio.
c) De parte à parte, o texto precisa organizar-se como um a) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
tecido coeso e claro, instigando, assim, o leitor. chegam à um grande público devido à rapidez
d) Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões da internet, é favorável à formação de ondas de
semelhantes, no entanto elas seguem pelo lado credulidade.
oposto. b) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
e) Também não estamos falando só de correção chegam à muitas pessoas devido a rapidez da internet,
gramatical e ortográfica. Estamos nos referindo à favorece que se formem ondas de credulidade.
pensamento. c) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
chegam a muitas pessoas devido à rapidez da internet,
Resposta: Letra A é favorável à formação de ondas de credulidade.
Em “a”, O leitor aludiu à escrita = correta (regência do d) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
verbo “aludir” pede preposição) chegam a um grande número de pessoas devido à
Em “b”, A escrita deve levar o texto à uma riqueza = a rapidez da internet, é favorável as ondas de credulidade
uma (antes de artigo indefinido) que se formam.
Em “c”, De parte à parte = parte a parte (entre palavras e) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
repetidas) chegam a muitas pessoas devido a rapidez da internet,
Em “d”, Existem aquelas pessoas que chegam à favorece à formação de ondas de credulidade.
conclusões = a conclusões (antes de palavra no plural
e o “a” está “sozinho” = somente preposição)
Resposta: Letra C
Em “e”, Estamos nos referindo à pensamento = a
pensamento (palavra masculina) Acertos entre parênteses:
Em “a”, as quais chegam à um (a um) grande público
5. (PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRUZES- devido à rapidez (ok) da internet, é favorável à
SP - AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO - formação (ok)
VUNESP-2018) Em “b”, às quais (as quais) chegam à muitas (a muitas)
No começo do século 20, a rápida industrialização nos pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet
Estados Unidos deu origem _______ algumas das maiores Em “c”, as quais chegam a muitas pessoas devido à
fortunas que o mundo já viu. Famílias como os Vanderbilt rapidez da internet, é favorável à formação = correta
e os Rockefeller investiram em ferrovias, petróleo e Em “d”, às quais (as quais) chegam a um (ok) grande
aço, obtendo um grande retorno, e passaram _________ número de pessoas devido à rapidez (ok) da internet,
ostentar sua riqueza. O período ficou conhecido como é favorável as ondas (às ondas)
Era Dourada. A desigualdade nunca foi tão grande – até Em “e”, às quais (as quais) chegam a muitas (ok)
agora. É o que mostra um relatório da UBS, companhia de pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet,
serviços financeiros, feito em parceria com a consultora favorece à formação (a formação)
PwC. Observação: quanto à regência verbal de “favorecer”
Para os autores do documento, a primeira Era Dourada = pede complemento verbal direto (favorece o quê?
aconteceu entre 1870 e 1910. Segundo eles, a atual favorece quem?); já a regência nominal de “favorável”
começou em 1980 e deve se estender pelos próximos 10 pede preposição (favorável a quem? a quê?).
a 20 anos, prolongada pelo desempenho econômico da
Ásia e de negócios ligados ________ tecnologia.
(IstoÉ, 15.11.2017. Adaptado)
FONÉTICA E FONOLOGIA: SOM E
FONEMA, ENCONTROS VOCÁLICOS E
LÍNGUA PORTUGUESA
a) a … a … a LETRA E FONEMA
b) à … à … à
c) a … à … à A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos
d) à … à … a fono (“som, voz”) e log, logia (“estudo”, “conhecimento”).
e) a … a … à Significa literalmente “estudo dos sons” ou “estudo dos
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sons da voz”. Fonologia é a parte da gramática que As letras “m” e “n”, em determinadas palavras, não
estuda os sons da língua quanto à sua função no sistema representam fonemas. Observe os exemplos: compra,
de comunicação linguística, quanto à sua organização e conta. Nestas palavras, “m” e “n” indicam a nasalização
classificação. Cuida, também, de aspectos relacionados à das vogais que as antecedem: /õ/. Veja ainda: nave: o /n/
divisão silábica, à ortografia, à acentuação, bem como da é um fonema; dança: o “n” não é um fonema; o fonema é
forma correta de pronunciar certas palavras. Lembrando /ã/, representado na escrita pelas letras “a” e “n”.
que, cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa
fonema.
estes sons no ato da fala. Particularidades na pronúncia
de cada falante são estudadas pela Fonética. Hoje:
Na língua falada, as palavras se constituem de
fonemas; na língua escrita, as palavras são reproduzidas fonemas: ho / j / e /
por meio de símbolos gráficos, chamados de letras 1 2 3
ou grafemas. Dá-se o nome de fonema ao menor
elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção letras: hoje
de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos 1234
a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os
pares de palavras: Classificação dos Fonemas
amor – ator / morro – corro / vento - cento Os fonemas da língua portuguesa são classificados
em:
Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua
Vogais
portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica
As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma
que você - como falante de português - guarda de cada
corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa
um deles. É essa imagem acústica que constitui o fonema. língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Isso
Este forma os significantes dos signos linguísticos. significa que em toda sílaba há, necessariamente, uma
Geralmente, aparece representado entre barras: /m/, /b/, única vogal.
/a/, /v/, etc. Na produção de vogais, a boca fica aberta ou
O fonema não deve ser confundido com a letra. Esta entreaberta. As vogais podem ser:
é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo,
por exemplo, a letra “s” representa o fonema /s/ (lê-se Orais: quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/,
sê); já na palavra brasa, a letra “s” representa o fonema /o/, /u/.
/z/ (lê-se zê).
Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado Nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas
por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema nasais.
/z/, que pode ser representado pelas letras z, s, x: zebra, /ã/: fã, canto, tampa
/ ẽ /: dente, tempero
casamento, exílio.
/ ĩ/: lindo, mim
Em alguns casos, a mesma letra pode representar /õ/: bonde, tombo
mais de um fonema. A letra “x”, por exemplo, pode / ũ /: nunca, algum
representar:
A) o fonema /sê/: texto Átonas: pronunciadas com menor intensidade: até,
B) o fonema /zê/: exibir bola.
C) o fonema /che/: enxame
D) o grupo de sons /ks/: táxi Tônicas: pronunciadas com maior intensidade: até,
bola.
O número de letras nem sempre coincide com o
número de fonemas. Quanto ao timbre, as vogais podem ser:
Abertas: pé, lata, pó
Tóxico: Fechadas: mês, luta, amor
Reduzidas - Aparecem quase sempre no final das
palavras: dedo (“dedu”), ave (“avi”), gente (“genti”).
fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/
1234567 Semivogais
Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais.
letras: t ó x i c o Aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela
12 3 45 6 uma só emissão de voz (uma sílaba). Neste caso, estes
LÍNGUA PORTUGUESA
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Consoantes Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas
Para a produção das consoantes, a corrente de ar para representar um único fonema (di = dois + grafo
expirada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar = letra). Em nossa língua, há um número razoável de
pela cavidade bucal, fazendo com que as consoantes dígrafos que convém conhecer. Podemos agrupá-los em
sejam verdadeiros “ruídos”, incapazes de atuar como dois tipos: consonantais e vocálicos.
núcleos silábicos. Seu nome provém justamente desse
fato, pois, em português, sempre consoam (“soam com”) A) Dígrafos Consonantais
as vogais. Exemplos: /b/, /t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc.
Letras Fonemas Exemplos
Encontros Vocálicos
Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e lh /lhe/ telhado
semivogais, sem consoantes intermediárias. É importante nh /nhe/ marinheiro
reconhecê-los para dividir corretamente os vocábulos
em sílabas. Existem três tipos de encontros: o ditongo, o ch /xe/ chave
tritongo e o hiato. rr /re/ (no interior da palavra) carro
ss /se/ (no interior da palavra) passo
A) Ditongo
É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice- qu /k/ (qu seguido de e e i) queijo, quiabo
versa) numa mesma sílaba. Pode ser: gu /g/ ( gu seguido de e e i) guerra, guia
Crescente: quando a semivogal vem antes da vogal: sc /se/ crescer
sé-rie (i = semivogal, e = vogal)
Decrescente: quando a vogal vem antes da semivogal: sç /se/ desço
pai (a = vogal, i = semivogal) xc /se/ exceção
Oral: quando o ar sai apenas pela boca: pai
Nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais: B) Dígrafos Vocálicos
mãe Registram-se na representação das vogais nasais:
B) Tritongo
É a sequência formada por uma semivogal, uma vogal Fonemas Letras Exemplos
e uma semivogal, sempre nesta ordem, numa só sílaba. /ã/ am tampa
Pode ser oral ou nasal: Paraguai - Tritongo oral, quão - an canto
Tritongo nasal.
/ẽ/ em templo
C) Hiato en lenda
É a sequência de duas vogais numa mesma palavra
/ĩ/ im limpo
que pertencem a sílabas diferentes, uma vez que nunca
há mais de uma vogal numa mesma sílaba: saída (sa-í- in lindo
da), poesia (po-e-si-a). õ/ om tombo
Dígrafos
LÍNGUA PORTUGUESA
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Observe outros exemplos:
#FicaDica
Conseguimos ouvir o som da letra “u” de águia aquilino
também, por isso não há dígrafo! Veja outros de aluno discente
exemplos: Água = /agua/ pronunciamos a de anjo angelical
letra “u”, ou então teríamos /aga/. Temos, em
“água”, 4 letras e 4 fonemas. Já em guitarra de ano anual
= /gitara/ - não pronunciamos o “u”, então de aranha aracnídeo
temos dígrafo (aliás, dois dígrafos: “gu” e “rr”).
de boi bovino
Portanto: 8 letras e 6 fonemas.
de cabelo capilar
de cabra caprino
Dífonos de campo campestre ou rural
Assim como existem duas letras que representam um
de chuva pluvial
só fonema (os dígrafos!), exite letra que representa dois
fonemas. Sim! É o caso de “fixo”, por exemplo, em que o de criança pueril
“x” representa o fonema /ks/; táxi e crucifixo também são de dedo digital
exemplos de dífonos. Quando uma letra representa dois
de estômago estomacal ou gástrico
fonemas temos um caso de dífono.
de falcão falconídeo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de farinha farináceo
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa de fera ferino
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
de ferro férreo
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. de fogo ígneo
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza de garganta gutural
Cochar - Português linguagens: volume 1. – 7.ª ed. Reform. de gelo glacial
– São Paulo: Saraiva, 2010.
de guerra bélico
SITE de homem viril ou humano
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ de ilha insular
secoes/fono/fono1.php>
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre
MORFOLOGIA: CLASSES DE PALAVRAS
VARIÁVEIS E INVARIÁVEIS E SEUS de leão leonino
EMPREGOS NO TEXTO. 11. LOCUÇÕES de lebre leporino
VERBAIS (PERÍFRASES VERBAIS).
de lua lunar ou selênico
de madeira lígneo
CLASSES DE PALAVRAS
de mestre magistral
1. ADJETIVO de ouro áureo
de paixão passional
É a palavra que expressa uma qualidade ou de pâncreas pancreático
característica do ser e se relaciona com o substantivo,
de porco suíno ou porcino
concordando com este em gênero e número.
As praias brasileiras estão poluídas. dos quadris ciático
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos de rio fluvial
(plural e feminino, pois concordam com “praias”). de sonho onírico
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Observação: Flexão dos adjetivos
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo
correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas O adjetivo varia em gênero, número e grau.
da 5ª série. / O muro de tijolos caiu.
Gênero dos Adjetivos
Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função referem (masculino e feminino). De forma semelhante
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, aos substantivos, classificam-se em:
atuando como adjunto adnominal ou como predicativo
(do sujeito ou do objeto). A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o
masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. feminino somente o último elemento: o moço norte-
Observe alguns deles: americano, a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
Estados e cidades brasileiras:
B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o
Alagoas alagoano masculino como para o feminino: homem feliz e
mulher feliz.
Amapá amapaense Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável
Aracaju aracajuano ou aracajuense no feminino: conflito político-social e desavença político-
social.
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino Número dos Adjetivos
Brasília brasiliense
A) Plural dos adjetivos simples
Cabo Frio cabo-friense
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo
Campinas campineiro ou campinense com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e
Adjetivo Pátrio Composto ruins, boa e boas.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja,
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, se a palavra que estiver qualificando um elemento for,
erudita. Observe alguns exemplos: originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma
primitiva. Exemplo: a palavra cinza é, originalmente, um
África afro- / Cultura afro-americana substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento,
funcionará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo:
germano- ou teuto-/Competições camisas cinza, ternos cinza.
Alemanha
teuto-inglesas Motos vinho (mas: motos verdes)
américo- / Companhia américo- Paredes musgo (mas: paredes brancas).
América
africana Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
belgo- / Acampamentos belgo-
Bélgica B) Adjetivo Composto
franceses
É aquele formado por dois ou mais elementos.
China sino- / Acordos sino-japoneses Normalmente, esses elementos são ligados por hífen.
Espanha hispano- / Mercado hispano-português Apenas o último elemento concorda com o substantivo
a que se refere; os demais ficam na forma masculina,
Europa euro- / Negociações euro-americanas
singular. Caso um dos elementos que formam o adjetivo
franco- ou galo- / Reuniões franco- composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo
França
italianas composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa”
Grécia greco- / Filmes greco-romanos é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver
qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
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Observação: • Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, • Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
vestidos cor-de-rosa. exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois
elementos flexionados: crianças surdas-mudas. Observe alguns superlativos sintéticos:
Grau do Adjetivo
benéfico beneficentíssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a bom boníssimo ou ótimo
intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do comum comuníssimo
adjetivo: o comparativo e o superlativo.
cruel crudelíssimo
A) Comparativo difícil dificílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica doce dulcíssimo
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais
características atribuídas ao mesmo ser. O comparativo fácil facílimo
pode ser de igualdade, de superioridade ou de fiel fidelíssimo
inferioridade.
B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto • De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
• De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de
todas.
Superioridade
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Inferioridade dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
antepostos ao adjetivo.
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. formas: uma erudita - de origem latina – e outra popular
São eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/ - de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
superior, grande/maior, baixo/inferior. radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo
ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo; a popular é
Observe que: constituída do radical do adjetivo português + o sufixo
• As formas menor e pior são comparativos de -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
superioridade, pois equivalem a mais pequeno e Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
mais mau, respectivamente. com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os
• Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas terminados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo,
(melhor, pior, maior e menor), porém, em cheio – cheíssimo.
comparações feitas entre duas qualidades de um
mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
mais bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Por exemplo: Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois – São Paulo: Saraiva, 2010.
elementos.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
duas qualidades de um mesmo elemento.
Português: novas palavras: literatura, gramática,
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de
Inferioridade redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Sou menos passivo (do) que tolerante.
SITE
LÍNGUA PORTUGUESA
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Advérbio é uma palavra invariável que modifica o B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e antes, doravante, nunca, então, ora, jamais,
do próprio advérbio. agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve,
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei constantemente, entrementes, imediatamente,
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio primeiramente, provisoriamente, sucessivamente,
(bem) às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um vez em quando, de quando em quando, a qualquer
adjetivo (claros) momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
Quando modifica um verbo, o advérbio pode
C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior,
acrescentar ideia de:
Tempo: Ela chegou tarde. depressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às
Lugar: Ele mora aqui. claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Modo: Eles agiram mal. poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
Negação: Ela não saiu de casa. geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Dúvida: Talvez ele volte. vão e a maior parte dos que terminam em “-mente”:
calmamente, tristemente, propositadamente,
Flexão do Advérbio pacientemente, amorosamente, docemente,
escandalosamente, bondosamente, generosamente.
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
apresentam variação em gênero e número. Alguns efetivamente, certo, decididamente, deveras,
advérbios, porém, admitem a variação em grau. Observe: indubitavelmente.
E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
A) Grau Comparativo de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente,
modo que o comparativo do adjetivo: provavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por
• de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): certo, quem sabe.
Renato fala tão alto quanto João. G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em
• de inferioridade: menos + advérbio + que (do
excesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
que): Renato fala menos alto do que João.
quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
• de superioridade:
nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato extremamente, intensamente, grandemente, bem
fala mais alto do que João. (quando aplicado a propriedades graduáveis).
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão,
fala melhor que João. somente, simplesmente, só, unicamente. Por
exemplo: Brando, o vento apenas move a copa das
B) Grau Superlativo árvores.
O superlativo pode ser analítico ou sintético: I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente,
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: também. Por exemplo: O indivíduo também
Renato fala muito alto. amadurece durante a adolescência.
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
de modo exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala aos meus amigos por comparecerem à festa.
altíssimo.
Saiba que:
Observação: Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
comuns na língua popular.
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
A criança levantou cedinho. (muito cedo) tarde possível.
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
Classificação dos Advérbios em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
calma e respeitosamente.
De acordo com a circunstância que exprime, o
LÍNGUA PORTUGUESA
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Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto
#FicaDica adverbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de
Como saber se a palavra bastante é intensidade e de tempo, respectivamente.
advérbio (não varia, não se flexiona) ou
pronome indefinido (varia, sofre flexão)? Se REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
der, na frase, para substituir o “bastante” por CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
“muito”, estamos diante de um advérbio; se Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
der para substituir por “muitos” (ou muitas), – São Paulo: Saraiva, 2010.
é um pronome. Veja: AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
(estudei muitos capítulos) = pronome
indefinido SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
Advérbios Interrogativos secoes/morf/morf75.php>
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
advérbio: Cheguei primeiro. artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”.
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Quanto a sua função sintática: o advérbio e a Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
locução adverbial desempenham na oração a função (qualquer classe)
de adjunto adverbial, classificando-se de acordo com as
circunstâncias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é
ao advérbio. Exemplo: facultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso.
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A utilização do artigo indefinido pode indicar uma isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve de sentido que cada um dos elementos possui. Já no
ter é uns vinte anos. segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
O artigo também é usado para substantivar palavras conjunção depende da existência do outro. Veja:
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
porquê de tudo isso. / O bem vence o mal. Podemos separá-las por ponto:
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
Há casos em que o artigo definido não pode ser
usado:
Temos acima um exemplo de conjunção (e,
consequentemente, orações coordenadas) coordenativa
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas
conhecidas: O professor visitará Roma. – “mas”. Já em:
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a Espero que eu seja aprovada no concurso!
presença do artigo será obrigatória: O professor visitará
a bela Roma. Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período
sairá agora? temos uma oração subordinada substantiva objetiva
Exceção: O senhor vai à festa? direta (ela exerce a função de objeto direto do verbo da
oração principal).
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações:
Esse é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o Conjunções Coordenativas
candidato cuja nota foi a mais alta.
São aquelas que ligam orações de sentido completo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS e independente ou termos da oração que têm a mesma
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
função gramatical. Subdividem-se em:
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa não), não só... mas também, não só... como também,
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. bem como, não só... mas ainda.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza A sua pesquisa é clara e objetiva.
Cochar - Português linguagens: volume 1– 7.ª ed. Reform. Não só dança, mas também canta.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
SITE expressando ideia de contraste ou compensação.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
gramatica/artigo.htm> no entanto, não obstante.
Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
4. CONJUNÇÃO
C) Alternativas: ligam orações ou palavras,
Além da preposição, há outra palavra também expressando ideia de alternância ou escolha,
invariável que, na frase, é usada como elemento de
indicando fatos que se realizam separadamente.
ligação: a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou
São elas: ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer,
duas palavras de mesma função em uma oração:
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e seja... seja, talvez... talvez.
São Paulo. Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.
D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
Morfossintaxe da Conjunção que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
As conjunções, a exemplo das preposições, não conseguinte, por isso, assim.
exercem propriamente uma função sintática: são Marta estava bem preparada para o teste, portanto
LÍNGUA PORTUGUESA
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Conjunções Subordinativas
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração dependente, introduzida
pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha começado
quando ela chegou.
O baile já tinha começado: oração principal
quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
ela chegou: oração subordinada
Integrantes - Indicam que a oração subordinada por elas introduzida completa ou integra o sentido da principal.
Introduzem orações que equivalem a substantivos, ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: que, se.
Quero que você volte. (Quero sua volta)
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exerce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo com
a circunstância que expressam, classificam-se em:
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como (=
porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
B) Concessivas: introduzem uma oração que expressa ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impedir
sua realização. São elas: embora, ainda que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por mais que, posto que,
conquanto, etc.
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da principal. São
elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
#FicaDica
Você deve ter percebido que a conjunção condicional “se” também é conjunção integrante. A diferença
é clara ao ler as orações que são introduzidas por ela. Acima, ela nos dá a ideia da condição para que
recebamos um telefonema (se for preciso ajuda). Já na oração: Não sei se farei o concurso. = Não há ideia
de condição alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração principal (sei) pede complemento (objeto direto,
já que “quem não sabe, não sabe algo”). Portanto, a oração em destaque exerce a função de objeto direto
da oração principal, sendo classificada como oração subordinada substantiva objetiva direta.
D) Conformativas: introduzem uma oração que exprime a conformidade de um fato com outro. São elas: conforme,
como (= conforme), segundo, consoante, etc.
O passeio ocorreu como havíamos planejado.
t
E) Finais: introduzem uma oração que expressa a finalidade ou o objetivo com que se realiza a oração principal. São
elas: para que, a fim de que, que, porque (= para que), que, etc.
Toque o sinal para que todos entrem no salão.
F) Proporcionais: introduzem uma oração que expressa um fato relacionado proporcionalmente à ocorrência do
expresso na principal. São elas: à medida que, à proporção que, ao passo que e as combinações quanto mais...
(mais), quanto menos... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos... (menos), etc.
O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam.
LÍNGUA PORTUGUESA
Observação:
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida que e na medida em que.
G) Temporais: introduzem uma oração que acrescenta uma circunstância de tempo ao fato expresso na oração
principal. São elas: quando, enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde que, sempre que,
assim que, agora que, mal (= assim que), etc.
A briga começou assim que saímos da festa.
36
H) Comparativas: introduzem uma oração que Psiu!
expressa ideia de comparação com referência à contexto: alguém pronunciando em um hospital;
oração principal. São elas: como, assim como, tal significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça
como, como se, (tão)... como, tanto como, tanto silêncio!”
quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem,
que (combinado com menos ou mais), etc. Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem. puxa: interjeição; tom da fala: euforia
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
a consequência da principal. São elas: de sorte que, puxa: interjeição; tom da fala: decepção
de modo que, sem que (= que não), de forma que, de
jeito que, que (tendo como antecedente na oração As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo
tamanho), etc. alegria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do interessante!
exame. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da
minha frente.
sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não
em que for utilizada. Exemplos: sofrem variação em gênero, número e grau como os
nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto
e voz como os verbos. No entanto, em uso específico,
Psiu!
algumas interjeições sofrem variação em grau. Não se
contexto: alguém pronunciando esta expressão
trata de um processo natural desta classe de palavra, mas
na rua ; significado da interjeição (sugestão): “Estou te
tão só uma variação que a linguagem afetiva permite.
chamando! Ei, espere!”
Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.
37
Locução Interjetiva B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
ou alguma coisa ocupa numa determinada
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma sequência: primeiro, segundo, centésimo, etc.
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus! As palavras anterior, posterior, último, antepenúltimo,
Toda frase mais ou menos breve dita em tom final e penúltimo também indicam posição dos seres,
exclamativo torna-se uma locução interjetiva, mas são classificadas como adjetivos, não ordinais.
dispensando análise dos termos que a compõem:
Macacos me mordam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
1. As interjeições são como frases resumidas,
sintéticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
por essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe) quintos, etc.
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
é o seu tom exclamativo; por isso, palavras de dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
outras classes gramaticais podem aparecer como foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
interjeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) /
Fora! Francamente! (Advérbios) Flexão dos numerais
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
frase” porque sozinha pode constituir uma Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
mensagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
Silêncio! Fique quieto! duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
imitativas, que exprimem ruídos e vozes. Por variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
exemplo: Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba!
cardinais são invariáveis.
Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo
«ó» com a sua homônima «oh!», que exprime Os numerais ordinais variam em gênero e número:
admiração, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa
depois do «oh!» exclamativo e não a fazemos primeiro segundo milésimo
depois do «ó» vocativo. Por exemplo: “Ó natureza!
primeira segunda milésima
ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
primeiros segundos milésimos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS primeiras segundas milésimas
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa
- Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do
– volume único – 3.ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. esforço e conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
SITE flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ triplas do medicamento.
secoes/morf/morf89.php> Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
6. NUMERAL duas terças partes.
Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
Numeral é a palavra variável que indica quantidade dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
pessoas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
determinada sequência. de sentido. É o que ocorre em frases como:
Os numerais traduzem, em palavras, o que os números
“Me empresta duzentinho...”
indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão
É artigo de primeiríssima qualidade!
é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se trata de
numerais, mas sim de algarismos. O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem segunda divisão de futebol)
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas
palavras consideradas numerais porque denotam Emprego e Leitura dos Numerais
quantidade, proporção ou ordenação. São alguns
LÍNGUA PORTUGUESA
exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena. Os numerais são escritos em conjunto de três
algarismos, contados da direita para a esquerda, em
Classificação dos Numerais forma de centenas, dezenas e unidades, tendo cada
conjunto uma separação através de ponto ou espaço
A) Cardinais: indicam quantidade exata ou correspondente a um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.
determinada de seres: um, dois, cem mil, etc. Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar
Alguns cardinais têm sentido coletivo, como por exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
exemplo: século, par, dúzia, década, bimestre. conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
38
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.
Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)
Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;
Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)
Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)
#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!
Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua
utilização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.
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Quinze Décimo Quinto - Quinze Avos
Dezesseis Décimo Sexto - Dezesseis Avos
Dezessete Décimo Sétimo - Dezessete Avos
Dezoito Décimo Oitavo - Dezoito Avos
Dezenove Décimo Nono - Dezenove Avos
Vinte Vigésimo - Vinte Avos
Trinta Trigésimo - Trinta Avos
Quarenta Quadragésimo - Quarenta Avos
Cinqüenta Quinquagésimo - Cinquenta Avos
Sessenta Sexagésimo - Sessenta Avos
Setenta Septuagésimo - Setenta Avos
Oitenta Octogésimo - Oitenta Avos
Noventa Nonagésimo - Noventa Avos
Cem Centésimo Cêntuplo Centésimo
Duzentos Ducentésimo - Ducentésimo
Trezentos Trecentésimo - Trecentésimo
Quatrocentos Quadringentésimo - Quadringentésimo
Quinhentos Quingentésimo - Quingentésimo
Seiscentos Sexcentésimo - Sexcentésimo
Setecentos Septingentésimo Septingentésimo
Oitocentos Octingentésimo Octingentésimo
Nongentésimo ou
Novecentos Nongentésimo
Noningentésimo
Mil Milésimo Milésimo
Milhão Milionésimo Milionésimo
Milhão Bilionésimo Bilionésimo
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php>
7. PREPOSIÇÃO
Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece,
normalmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes
na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a
compreensão do texto.
Tipos de Preposição
LÍNGUA PORTUGUESA
A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.
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A preposição é invariável, no entanto pode unir-se CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + – São Paulo: Saraiva, 2010.
a = pela. AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
Essa concordância não é característica da preposição, literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com SITE
outra palavra pode se dar a partir dos processos de: Disponível em: <http://www.infoescola.com/
portugues/preposicao/>
• Combinação: união da preposição “a” com o
artigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos.
8. PRONOME
Os vocábulos não sofrem alteração.
• Contração: união de uma preposição com Pronome é a palavra variável que substitui ou
outra palavra, ocorrendo perda ou transformação de acompanha um substantivo (nome), qualificando-o de
fonema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, de + alguma forma.
aquele = daquele, em + isso = nisso. O homem julga que é superior à natureza, por isso o
• Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” homem destrói a natureza...
preposição + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
vogal do pronome “aquilo”). superior à natureza, por isso ele a destrói...
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de
O “a” pode funcionar como preposição, pronome termos (homem e natureza).
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a”
seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo Grande parte dos pronomes não possuem significados
para determiná-lo como um substantivo singular e fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação
feminino: A matéria que estudei é fácil! dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar
a referência exata daquilo que está sendo colocado
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois por meio dos pronomes no ato da comunicação. Com
exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os
termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
demais pronomes têm por função principal apontar para
Irei à festa sozinha. as pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
artigo; o segundo, preposição. dessa característica, os pronomes apresentam uma forma
específica para cada pessoa do discurso.
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a [minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
apostila. = Nós a trouxemos. Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas fala]
por meio das preposições: A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
Destino = Irei a Salvador. se fala]
Modo = Saiu aos prantos.
Lugar = Sempre a seu lado. Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
Assunto = Falemos sobre futebol. variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em
Tempo = Chegarei em instantes. número (singular ou plural). Assim, espera-se que a
referência através do pronome seja coerente em termos
Causa = Chorei de saudade.
de gênero e número (fenômeno da concordância) com
Fim ou finalidade = Vim para ficar. o seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente
Instrumento = Escreveu a lápis. no enunciado.
Posse = Vi as roupas da mamãe. Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da
Autoria = livro de Machado de Assis nossa escola neste ano.
Companhia = Estarei com ele amanhã. [nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
Matéria = copo de cristal. adequada]
Meio = passeio de barco. [neste: pronome que determina “ano” = concordância
Origem = Nós somos do Nordeste. adequada]
Conteúdo = frascos de perfume. [ele: pronome que faz referência à “Roberta” =
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. concordância inadequada]
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
LÍNGUA PORTUGUESA
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pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a
quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer FIQUE ATENTO!
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala. Os pronomes o, os, a, as assumem formas
Os pronomes pessoais variam de acordo com as especiais depois de certas terminações
funções que exercem nas orações, podendo ser do caso verbais:
reto ou do caso oblíquo.
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou
A) Pronome Reto -r, o pronome assume a forma lo, los, la
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na ou las, ao mesmo tempo que a terminação
sentença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos verbal é suprimida. Por exemplo:
flores.
fiz + o = fi-lo
Os pronomes retos apresentam flexão de número,
fazeis + o = fazei-lo
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa
dizer + a = dizê-la
última a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
assim configurado: 2. Quando o verbo termina em som nasal,
1.ª pessoa do singular: eu o pronome assume as formas no, nos, na,
2.ª pessoa do singular: tu nas. Por exemplo:
3.ª pessoa do singular: ele, ela viram + o: viram-no
1.ª pessoa do plural: nós repõe + os = repõe-nos
2.ª pessoa do plural: vós retém + a: retém-na
3.ª pessoa do plural: eles, elas tem + as = tem-nas
tônica fraca: Ele me deu um presente. o verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um
Lista dos pronomes oblíquos átonos pronome, deverá ser do caso reto.
1.ª pessoa do singular (eu): me Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
2.ª pessoa do singular (tu): te Não vá sem eu mandar.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
1.ª pessoa do plural (nós): nos A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”
2.ª pessoa do plural (vós): vos está correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”. A
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil para mim!
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A combinação da preposição “com” e alguns Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
pronomes originou as formas especiais comigo, contigo, Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
consigo, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e
tônicos frequentemente exercem a função de adjunto religiosos em geral
adverbial de companhia: Ele carregava o documento Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior
consigo. à de coronel, senadores, deputados, embaixadores,
professores de curso superior, ministros de Estado
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: e de Tribunais, governadores, secretários de Estado,
Ela veio até mim, mas nada falou. presidente da República (sempre por extenso)
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de
inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na universidades
prova, até eu! (= inclusive eu) Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais de igual categoria
são reforçados por palavras como outros, mesmos, Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
próprios, todos, ambos ou algum numeral. de direito
Você terá de viajar com nós todos. Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
Estávamos com vós outros quando chegaram as más cerimonioso
notícias. Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
Ele disse que iria com nós três.
Também são pronomes de tratamento o senhor,
B.3 Pronome Reflexivo a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora”
São pronomes pessoais oblíquos que, embora são empregados no tratamento cerimonioso; “você”
funcionem como objetos direto ou indireto, referem-
e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são
se ao sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e
largamente empregados no português do Brasil; em
recebe a ação expressa pelo verbo.
algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em
outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
Lista dos pronomes reflexivos:
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.
1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
lembro disso.
2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo. Observações:
3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo =
Guilherme já se preparou. 1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes
Ela deu a si um presente. de tratamento que possuem “Vossa(s)” são
Antônio conversou consigo mesmo. empregados em relação à pessoa com quem
falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro,
1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio. compareça a este encontro.
2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
com esta conquista. 2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram
conheceram. / Elas deram a si um dia de folga. que Sua Excelência, o Senhor Presidente da
República, agiu com propriedade.
tentativas. / Será que eles se foram? em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das
suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem
C) Pronomes de Tratamento reconhecidos.
São pronomes utilizados no tratamento formal,
cerimonioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor 5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos
(portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar,
terceira pessoa. Alguns exemplos: ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida
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inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
a chamar alguém de “você”, não poderemos usar oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
terceira pessoa.
6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu,
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos próprio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-
teus cabelos. (errado) lo, para que não ocorra redundância: Coloque tudo
nos respectivos lugares.
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular Pronomes Demonstrativos
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Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
Paulo; este está mais bem colocado que aquele. (= este lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
[São Paulo], aquele [Palmeiras]) na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
ou beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Quem avisa amigo é.
Paulo; aquele está mais bem colocado que este. (= este
[São Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
invariáveis, observe: certa(s).
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), Cada povo tem seus costumes.
aquela(s). Certas pessoas exercem várias profissões.
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Note que:
Também aparecem como pronomes demonstrativos: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora
pronomes indefinidos adjetivos:
• o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito,
puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum,
aquilo. nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.) qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal,
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s),
indiquei.) vários, várias.
Menos palavras e mais ações.
• mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): Alguns se contentam pouco.
variam em gênero quando têm caráter reforçativo:
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem. Os pronomes indefinidos podem ser divididos em
Eu mesma refiz os exercícios. variáveis e invariáveis. Observe:
Elas mesmas fizeram isso. • Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco,
Eles próprios cozinharam. vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda,
Os próprios alunos resolveram o problema. muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer,
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos,
• semelhante(s): Não tenha semelhante atitude. vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
• tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria. • Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
algo, cada.
1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. *Qualquer é composto de qual + quer (do verbo
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra
refere à pessoa mencionada em último lugar; cujo plural é feito em seu interior).
aquele, à mencionada em primeiro lugar.
2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação Todo e toda no singular e junto de artigo significa
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor? inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
em com pronome demonstrativo: àquele, àquela, Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
que estava vendo. (no = naquilo) Trabalho todo dia. (= todos os dias)
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém- Cada um escolheu o vinho desejado.
plantadas.
Pronomes Relativos
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa São aqueles que representam nomes já mencionados
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser as orações subordinadas adjetivas.
humano que seguramente existe, mas cuja identidade é O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: um grupo racial sobre outros.
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(afirma a superioridade de um grupo racial sobre “Quanto” é pronome relativo quando tem por
outros = oração subordinada adjetiva). antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações)
e tudo:
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra Emprestei tantos quantos foram necessários.
“sistema” é antecedente do pronome relativo que. (antecedente)
O antecedente do pronome relativo pode ser o
pronome demonstrativo o, a, os, as. Ele fez tudo quanto havia falado.
Não sei o que você está querendo dizer. (antecedente)
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso. O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre
Quem casa, quer casa. precedido de preposição.
É um professor a quem muito devemos.
Observe: (preposição)
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, “Onde”, como pronome relativo, sempre possui
quantas. antecedente e só pode ser utilizado na indicação de
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde. lugar: A casa onde morava foi assaltada.
das quais.
O pronome pessoal é do caso reto quando tem
Existem pessoas cujas ações são nobres.
função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso
(antecedente) (consequente)
oblíquo quando desempenha função de complemento.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia
pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui!
lhe ajudar.
(referiu-se a)
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Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao esforçou.
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. oportunidade.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta
para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não • Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem
sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe). lhe disse isso?
• Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou se ofendem!
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, • Orações que exprimem desejo (orações optativas):
diferentemente dos segundos, que são sempre Que Deus o ajude.
precedidos de preposição. • A próclise é obrigatória quando se utiliza o pronome
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o
que eu estava fazendo. material amanhã. / Tu sabes cantar?
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
mim o que eu estava fazendo. Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do
verbo. A mesóclise é usada:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Quando o verbo estiver no futuro do presente ou
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. futuro do pretérito, contanto que esses verbos não
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza estejam precedidos de palavras que exijam a próclise.
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. Exemplos: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande
– São Paulo: Saraiva, 2010. evento em prol da paz no mundo.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: Repare que o pronome está “no meio” do verbo
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. “realizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, alguma palavra que justificasse o uso da próclise, esta
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira prevaleceria. Veja: Não se realizará...
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
São Paulo: Saraiva, 2002. nessa viagem.
(com presença de palavra que justifique o uso de
SITE próclise: Não fossem os meus compromissos, EU te
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ acompanharia nessa viagem).
secoes/morf/morf42.php>
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
Colocação Pronominal A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos • Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
pronomes oblíquos átonos na frase. Quando eu avisar, silenciem-se todos.
• Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não
era minha intenção machucá-la.
#FicaDica • Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a inicia período com pronome oblíquo).
função de complemento verbal (objeto). Por Vou-me embora agora mesmo.
isso, memorize: Levanto-me às 6h.
OBlíquo = OBjeto!
• Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
no concurso, mudo-me hoje mesmo!
• Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
Embora na linguagem falada a colocação dos
proposta fazendo-se de desentendida.
pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas
normas devem ser observadas na linguagem escrita.
Colocação pronominal nas locuções verbais
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
• Após verbo no particípio = pronome depois do
A próclise é usada:
verbo auxiliar (e não depois do particípio):
LÍNGUA PORTUGUESA
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• Quando há um fator para próclise nos tempos ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto
Não vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
preocupar”). substantivos como núcleos de adjuntos adnominais
e de adjuntos adverbiais - quando essas funções são
Emprego de o, a, os, as desempenhadas por grupos de palavras.
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• Substantivos Coletivos leva presos, recrutas
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
outra abelha, mais outra abelha. malfeitores ou
malta
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. desordeiros
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. manada búfalos, bois, elefantes,
matilha cães de raça
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi
necessário repetir o substantivo: uma abelha, outra molho chaves, verduras
abelha, mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram- multidão pessoas em geral
se duas palavras no plural. No terceiro, empregou-se
insetos (gafanhotos,
um substantivo no singular (enxame) para designar um nuvem
mosquitos, etc.)
conjunto de seres da mesma espécie (abelhas).
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. penca bananas, chaves
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, pinacoteca pinturas, quadros
mesmo estando no singular, designa um conjunto de
seres da mesma espécie. quadrilha ladrões, bandidos
ramalhete flores
Substantivo coletivo Conjunto de: rebanho ovelhas
assembleia pessoas reunidas peças teatrais, obras
repertório
musicais
alcateia lobos
réstia alhos ou cebolas
acervo livros
romanceiro poesias narrativas
trechos literários
antologia revoada pássaros
selecionados
arquipélago ilhas sínodo párocos
banda músicos talha lenha
desordeiros ou tropa muares, soldados
bando
malfeitores turma estudantes, trabalhadores
banca examinadores vara porcos
batalhão soldados
cardume peixes Formação dos Substantivos
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Flexão dos substantivos Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
O substantivo é uma classe variável. A palavra é Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
variável quando sofre flexão (variação). A palavra menino, - aluna.
por exemplo, pode sofrer variações para indicar: • Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: ao masculino: freguês - freguesa
meninão / Diminutivo: menininho • Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
de três formas:
A) Flexão de Gênero 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
Gênero é um princípio puramente linguístico, não 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
devendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
respeito a todos os substantivos de nossa língua, quer se Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
refiram a seres animais providos de sexo, quer designem sultana
apenas “coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e • Substantivos terminados em -or:
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substantivos acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja
troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
estes títulos de filmes:
O velho e o mar
• Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
Um Natal inesquecível
cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta
Os reis da praia
- poetisa / duque - duquesa / conde - condessa /
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que profeta - profetisa
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas: • Substantivos que formam o feminino trocando o -e
A história sem fim final por -a: elefante - elefanta
Uma cidade sem passado • Substantivos que têm radicais diferentes no
As tartarugas ninjas masculino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
• Substantivos que formam o feminino de maneira
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
anteriores: czar – czarina, réu - ré
1. Substantivos Biformes (= duas formas):
apresentam uma forma para cada gênero: gato – Formação do Feminino dos Substantivos
gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - Uniformes
prefeita
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única Epicenos:
forma, que serve tanto para o masculino quanto Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
para o feminino. Classificam-se em:
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão.
A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma
se faz mediante a utilização das palavras “macho” forma para indicar o masculino e o feminino.
e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré Alguns nomes de animais apresentam uma só forma
macho e o jacaré fêmea. para designar os dois sexos. Esses substantivos são
B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
a pessoas de ambos os sexos: a criança, a houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se
testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, palavras macho e fêmea.
o indivíduo. A cobra macho picou o marinheiro.
C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros: A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
colega e a colega, o doente e a doente, o artista e Sobrecomuns:
a artista. Entregue as crianças à natureza.
Substantivos de origem grega terminados em ema A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse
sintoma, o teorema.
caso, nem o artigo nem um possível adjetivo permitem
identificar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja:
• Existem certos substantivos que, variando de gênero,
A criança chorona chamava-se João.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Comuns de Dois Gêneros: na administração da crisma e de outros sacramentos),
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. a crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco),
a cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? estepe (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma guia outras), a guia (documento, pena grande das asas
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. das aves), o grama (unidade de peso), a grama (relva),
A distinção de gênero pode ser feita através da o caixa (funcionário da caixa), a caixa (recipiente, setor
análise do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o de pagamentos), o lente (professor), a lente (vidro de
substantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, bons
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
repórter francês - repórter francesa nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o
A palavra personagem é usada indistintamente pala (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe,
nos dois gêneros. Entre os escritores modernos nota- anteparo), o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora),
se acentuada preferência pelo masculino: O menino o voga (remador), a voga (moda).
descobriu nas nuvens os personagens dos contos de
carochinha. B) Flexão de Número do Substantivo
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: Em português, há dois números gramaticais: o
O problema está nas mulheres de mais idade, que não singular, que indica um ser ou um grupo de seres, e o
aceitam a personagem. plural, que indica mais de um ser ou grupo de seres. A
característica do plural é o “s” final.
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
fotográfico Ana Belmonte. Plural dos Substantivos Simples
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a em “ns”: homem - homens.
libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa). Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
São geralmente masculinos os substantivos de origem
grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, Atenção:
o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o O plural de caráter é caracteres.
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-
tracoma, o hematoma. se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais;
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc. caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males,
cônsul e cônsules.
Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exceções, Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro Preto. / duas maneiras:
A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Alegre. / Uma 1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
Londres imensa e triste. 2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
Observação:
Gênero e Significação A palavra réptil pode formar seu plural de duas
maneiras: répteis ou reptis (pouco usada).
Muitos substantivos têm uma significação no
masculino e outra no feminino. Observe: Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
o baliza (soldado que, que à frente da tropa, indica os duas maneiras:
movimentos que se deve realizar em conjunto; o que vai à 1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o
frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão), acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
LÍNGUA PORTUGUESA
a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou 2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam
proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do invariáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma
(ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta), Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural
a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro), de três maneiras.
a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma 1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações
(cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro), 2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado 3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
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Observação: Casos Especiais
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam
dois – e até três – plurais: o louva-a-deus e os louva-a-deus
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião –
anciões/anciães/anciãos o bem-te-vi e os bem-te-vis
charlatão – charlatões/charlatães corrimão – o bem-me-quer e os bem-me-queres
corrimãos/corrimões o joão-ninguém e os joões-ninguém.
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/
vilões/vilães Plural das Palavras Substantivadas
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
o látex - os látex. classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Plural dos Substantivos Compostos Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
A formação do plural dos substantivos compostos Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
depende da forma como são grafados, do tipo de
palavras que formam o composto e da relação que Observação:
estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
hífen comportam-se como os substantivos simples: não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/ seis e alguns dez.
pontapés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos Plural dos Diminutivos
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas
e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s”
final e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
A) Flexionam-se os dois elementos, quando
formados de: pãe(s) + zinhos = pãezinhos
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores- animai(s) + zinhos = animaizinhos
perfeitos botõe(s) + zinhos = botõezinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis- chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras farói(s) + zinhos = faroizinhos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
B) Flexiona-se somente o segundo elemento, colhere(s) + zinhas = colherezinhas
quando formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas flore(s) + zinhas = florezinhas
palavra invariável + palavra variável = alto-falante e mão(s) + zinhas = mãozinhas
alto-falantes
papéi(s) + zinhos = papeizinhos
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
recos nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
funi(s) + zinhos = funizinhos
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
quando formados de:
substantivo + preposição clara + substantivo = água- pai(s) + zinhos = paizinhos
de-colônia e águas-de-colônia pé(s) + zinhos = pezinhos
substantivo + preposição oculta + substantivo =
cavalo-vapor e cavalos-vapor pé(s) + zitos = pezitos
substantivo + substantivo que funciona como
determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou Plural dos Nomes Próprios Personativos
o tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas
bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã,
sempre que a terminação preste-se à flexão.
peixe-espada - peixes-espada.
Os Napoleões também são derrotados.
LÍNGUA PORTUGUESA
As Raquéis e Esteres.
D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora Plural dos Substantivos Estrangeiros
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
saca-rolhas Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
escritos como na língua original, acrescentando-se “s”
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os
shorts, os jazz.
52
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de Analítico = o substantivo é acompanhado de um
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
chopes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo
garçons, os réquiens. indicador de aumento. Por exemplo: casarão.
Observe o exemplo: Este jogador faz gols toda vez que
joga. 3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. do ser. Pode ser:
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
Plural com Mudança de Timbre que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo
Certos substantivos formam o plural com mudança indicador de diminuição. Por exemplo: casinha.
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Singular Plural Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Corpo (ô) Corpos (ó) CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
Esforço Esforços
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Fogo Fogos CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Forno Fornos Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Fosso Fossos Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002.
Imposto Impostos
Olho Olhos SITE
Osso (ô) Ossos (ó) Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/morf/morf12.php>
Ovo Ovos
Poço Poços 10. VERBO
Porto Portos
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
Posto Postos tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Tijolo Tijolos nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno
bolsos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
etc.
Estrutura das Formas Verbais
Observação:
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
molho (ó) = feixe (molho de lenha). os seguintes elementos:
Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o A) Radical: é a parte invariável, que expressa o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
significado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei;
Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
fal-ava; fal-am. (radical fal-)
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que
bom nome) e honras (homenagem, títulos). indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas exemplo: fala-r. São três as conjugações:
com sentido de plural: Aqui morreu muito negro. 1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas - E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
improvisadas.
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que
C) Flexão de Grau do Substantivo designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
LÍNGUA PORTUGUESA
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo)
as variações de tamanho dos seres. / falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
53
C) Defectivos: são aqueles que não apresentam
FIQUE ATENTO! conjugação completa. Os principais são adequar,
O verbo pôr, assim como seus derivados precaver, computar, reaver, abolir, falir.
(compor, repor, depor), pertencem à 2.ª D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito
conjugação, pois a forma arcaica do verbo e, normalmente, são usados na terceira pessoa do
pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver singular. Os principais verbos impessoais são:
desaparecido do infinitivo, revela-se em
algumas formas do verbo: põe, pões, 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer,
põem, etc. realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
Existiam)
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)
dos verbos com o conceito de acentuação tônica,
percebemos com facilidade que nas formas rizotônicas o 2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
acento tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, Faz invernos rigorosos na Europa.
amo, por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento Era primavera quando o conheci.
tônico não cai no radical, mas sim na terminação verbal Estava frio naquele dia.
(fora do radical): opinei, aprenderão, amaríamos.
3. Todos os verbos que indicam fenômenos da
Classificação dos Verbos natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear,
trovejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
Classificam-se em: se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
“amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radical impessoal, empregado em sentido figurado, deixa
inalterado durante a conjugação e desinências
de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
idênticas às de todos os verbos regulares da
conjugação completa.
mesma conjugação. Por exemplo: comparemos os
verbos “cantar” e “falar”, conjugados no presente Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
do Modo Indicativo: Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
Canto Falo 4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando
Cantas Falas tempo: Já passa das seis.
Canta Falas
5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
Cantamos Falamos “de”, indicando suficiência:
Cantais Falais Basta de tolices.
Chega de promessas.
#FicaDica 6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem,
Observe que, retirando os radicais, as Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem
desinências modo-temporal e número- referência a sujeito expresso anteriormente (por
pessoal mantiveram-se idênticas. Tente fazer exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso,
com outro verbo e perceberá que se repetirá classificar o sujeito como hipotético, tornando-se,
o fato (desde que o verbo seja da primeira tais verbos, pessoais.
conjugação e regular!). Faça com o verbo
“andar”, por exemplo. Substitua o radical 7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente
“cant” e coloque o “and” (radical do verbo de “ser possível”. Por exemplo:
andar). Viu? Fácil! Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?
54
O que é que aquela garota está cacarejando?
• Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)
F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:
Particípio Particípio
Infinitivo
Regular Irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/dito,
escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.
G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).
LÍNGUA PORTUGUESA
H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo
principal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
55
Está chegando a hora!
(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)
Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.
Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês
serdes vós
serem eles
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ESTAR - Modo Indicativo
Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres Fut.do Preté
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam
57
HAVER - Formas Nominais
I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
• Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a
reflexibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de
reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e
respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem
• Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto
representado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre
ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com
LÍNGUA PORTUGUESA
os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-me.
Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente
pronominais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa
idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
58
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me 2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
(objeto direto) – 1.ª pessoa do singular
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada,
Modos Verbais pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no
momento da outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um
pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. futuro em andamento, exigindo, no caso, a construção
Existem três modos: “verificarei” ou “vou verificar”.
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu
estudo para o concurso. C) Particípio: quando não é empregado na formação
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: dos tempos compostos, o particípio indica,
Talvez eu estude amanhã. geralmente, o resultado de uma ação terminada,
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: flexionando-se em gênero, número e grau. Por
Estude, colega! exemplo: Terminados os exames, os candidatos
saíram.
Formas Nominais Quando o particípio exprime somente estado, sem
nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda função de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida
formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, pela turma.
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas
nominais. Observe:
A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de
modo vago e indefinido, podendo ter valor e
função de substantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
(Ziraldo)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente
(forma simples) ou no passado (forma composta). Por Tempos Verbais
exemplo:
É preciso ler este livro. Tomando-se como referência o momento em que
Era preciso ter lido este livro. se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em
diversos tempos.
A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às
três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do A) Tempos do Modo Indicativo
singular, não apresenta desinências, assumindo a Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste
mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona- colégio.
se da seguinte maneira: Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu) num momento anterior ao atual, mas que não foi
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós) completamente terminado: Ele estudava as lições quando
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós) foi interrompido.
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles) Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação. num momento anterior ao atual e que foi totalmente
terminado: Ele estudou as lições ontem à noite.
B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato
adjetivo ou advérbio. Por exemplo: ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de as lições quando os amigos chegaram. (forma simples).
advérbio) Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo) ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento
atual: Ele estudará as lições amanhã.
Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode
em curso; na forma composta (2), uma ação concluída: ocorrer posteriormente a um determinado fato passado:
LÍNGUA PORTUGUESA
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro. Se ele pudesse, estudaria um pouco mais.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.
B) Tempos do Modo Subjuntivo
Quando o gerúndio é vício de linguagem Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no
(gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
gerúndio:
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado,
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando
mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele
futebol.
vencesse o jogo.
59
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.
FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)
No próximo final de semana, faço a prova!
faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)
Modo Indicativo
Presente do Indicativo
Pretérito mais-que-perfeito
3.ª conjugação
1.ª conjugação 2.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
LÍNGUA PORTUGUESA
60
Pretérito Imperfeito do Indicativo
Presente do Subjuntivo
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).
61
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo
Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.
Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M
Futuro do Subjuntivo
Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.
Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM
C) Modo Imperativo
Imperativo Afirmativo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:
Imperativo Negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.
62
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
ação expressa pelo verbo:
Que eu cante - Ele fez o trabalho.
Que tu cantes Não cantes tu sujeito agente ação objeto (paciente)
Que ele cante Não cante você B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo
Que nós cantemos Não cantemos nós a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
Que vós canteis Não canteis vós sujeito paciente ação agente da passiva
Que eles cantem Não cantem eles
C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo,
• No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois O menino feriu-se.
uma ordem, pedido ou conselho só se aplicam
diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa
razão, utiliza-se você/vocês. #FicaDica
• O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: Não confundir o emprego reflexivo do verbo
sê (tu), sede (vós).
com a noção de reciprocidade:
Infinitivo Pessoal Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)
indicativo)
Vozes do Verbo
Ele fará o trabalho. (futuro do presente)
Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar • Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume
que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz
as vozes verbais: ativa. Observe a transformação da frase seguinte:
63
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
EXERCÍCIOS COMENTADOS
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética -
ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª
pessoa, seguido do pronome apassivador “se”. Por 1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
exemplo: CESGRANRIO-2018)
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola. O ano da esperança
64
Resposta: Letra A 4. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
Em “a”: Não se perde = correta (advérbio atrai o VUNESP-2014) Considerando-se o uso do pronome e
pronome = próclise) a colocação pronominal, a expressão em destaque no
Em “b”: Perderia-se = verbo no futuro do pretérito: trecho – ... que cercam o sentido da existência humana...
perder-se-ia (mesóclise) – está corretamente substituída pelo pronome, de
Em “c”: O dinheiro e o amigo tinham perdido-se = acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, na
tinham se perdido alternativa:
Em “d”: Se perdeu = não se inicia período com
pronome oblíquo/partícula apassivadora (Perdeu-se) a) ... que cercam-lo...
Em “e”: Se o amigo que perdeu-se = o “que” atrai o b) ... que cercam-no...
pronome (próclise): que se perdeu c)... que o cercam...
d) ... que lhe cercam...
2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – e) ... que cercam-lhe...
CESGRANRIO-2018) Segundo as exigências da norma-
padrão da língua portuguesa, o pronome destacado foi Resposta: Letra C
utilizado na posição correta em: Correções à frente:
Em “a”: que cercam-lo = o “que” atrai o pronome (que
a) Os jornais noticiaram que alguns países mobilizam-se o cercam)
para combater a disseminação de notícias falsas nas Em “b”: que cercam-no = que o cercam (“no” está
redes sociais. correta – caso não tivéssemos o “que”, pois, devido a
b) Para criar leis eficientes no combate aos boatos, sua presença, teremos próclise, não ênclise)
sempre deve-se ter em mente que o problema de Em “c”: que o cercam = correta
divulgação de notícias falsas é grave e muito atual. Em “d”: que lhe cercam = a posição está correta, mas
c) Entre os numerosos usuários da internet, constata-se o pronome está errado (“lhe” é para objeto indireto =
um sentimento generalizado de reprovação à prática a ele/ela)
de divulgação de inverdades. Em “e”: que cercam-lhe = que o cercam
d) Uma nova lei contra as fake news promulgada na
Alemanha não aplica-se aos sites e redes sociais com 5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014)
menos de 2 milhões de membros. Considerando apenas as regras de regência e de colocação
e) Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo mais pronominal da norma-padrão da língua portuguesa, a
eficaz para que adote-se a conduta correta em relação expressão destacada em – Ainda assim, 60% afirmam que
à reputação das celebridades. raramente ou nunca têm informações sobre o impacto
ambiental do produto ou do comportamento da empresa.
Resposta: Letra C – pode ser corretamente substituída por
Em “a”: Os jornais noticiaram que alguns países
mobilizam-se = se mobilizam a) ... nunca informam-se sob o impacto...
Em “b”: Para criar leis eficientes no combate aos b)... nunca se informam o impacto...
boatos, sempre deve-se = sempre se deve c) ... nunca informam-se ao impacto...
Em “c”: Entre os numerosos usuários da internet, d) ... nunca se informam do impacto...
constata-se um sentimento = correta e)... nunca informam-se no impacto...
Em “d”: Uma nova lei contra as fake news promulgada
na Alemanha não aplica-se = não se aplica Resposta: Letra D
Em “e”: Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo Por eliminação: o advérbio “nunca” atrai o pronome,
mais eficaz para que adote-se = que se adote teremos próclise (nunca se). Ficamos com B e D. Agora
vamos ao verbo: quem se informa, informa-se sobre
3. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – algo = precisa de preposição. A alternativa que tem
ARQUITETURA – FGV-2017-ADAPTADA) Se preposição presente é a D (do = de+o). Teremos:
substituíssemos os complementos dos verbos abaixo por nunca se informam do impacto.
pronomes pessoais oblíquos enclíticos, a única forma
INADEQUADA seria: 6. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL
– VUNESP-2013) Considerando a substituição da
a) impregna a vida cotidiana / impregna-a; expressão em destaque por um pronome e as normas da
b) entender os debates / entendê-los; colocação pronominal, a oração – … que abrem a cabeça
c) ganha destaque / ganha-o; … – equivale, na norma-padrão da língua, a:
d) supõe um conhecimento / supõe-lo; a) que abrem-a.
e) marcaram sua história / marcaram-na. b) que abrem-na.
LÍNGUA PORTUGUESA
c) que a abrem.
Resposta: Letra D d) que lhe abrem.
Em “a”: impregna a vida cotidiana / impregna-a = e) que abrem-lhe.
correta
Em “b”: entender os debates / entendê-los = correta Resposta: Letra C
Em “c”: ganha destaque / ganha-o = correta Primeiramente: o “que” atrai o pronome oblíquo,
Em “d”: supõe um conhecimento / supõe-lo = supõe-no então teremos que + pronome. Resta-nos identificar
Em “e”: marcaram sua história / marcaram-na = correta se o pronome é objeto direto (a) ou indireto (lhe).
65
Voltemos ao verbo: abrir. Quem abre, abre algo... abre c) ... país que transformou a infância numa bilionária
o quê? Sem preposição! Portanto: objeto direto = que indústria de consumo...
a abrem. d) E, mesmo que se esforcem muito...
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
7. (TST - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA APOIO
ESPECIALIZADO - ESPECIALIDADE MEDICINA DO Resposta: Letra D
TRABALHO – FCC/2012) Aos poucos, contudo, fui que nos ajude = presente do Subjuntivo
chegando à constatação de que todo perfil de rede Em “a”, que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
social é um retrato ideal de nós mesmos. Em “b”, que proliferaram = pretérito perfeito (e
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra também mais-que-perfeito) do Indicativo
alteração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser Em “c”, que transformou = pretérito perfeito do
substituído por: Indicativo
Em “d”, que se esforcem = presente do Subjuntivo
a) ademais. Em “e”, há algo novo nesse cenário = presente do
b) conquanto. Indicativo
c) porquanto.
d) entretanto. 10. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - Técnico Judiciário – FCC-
e) apesar. 2016) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
com a norma culta na seguinte frase:
Resposta: Letra D
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
oposição). A substituição deve utilizar outra de mesma não poderia receber qualquer tipo de retificação.
classificação, para que se mantenha a ideia do período. b) Os documentos com assinatura digital disporam de
A correta é entretanto. algoritmos de criptografia que os protegeram.
c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
8. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - ANALISTA JUDICIÁRIO -
contar com a proteção de uma assinatura digital.
ÁREA ADMINISTRATIVA- FCC-2016)
d) Quem se propor a alterar um documento criptografado
... para quem Manoel de Barros era comparável a São
deve saber que comprometerá sua integridade.
Francisco de Assis...
e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
comprometer a integridade dos documentos.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
frase acima está em:
Resposta: Letra E
a) Dizia-se um “vedor de cinema”... Em “a”, Para que se mantesse (mantivesse) sua
b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no autenticidade, o documento não poderia receber
espaço... qualquer tipo de retificação.
c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e Em “b”, Os documentos com assinatura digital
Charles Baudelaire. disporam (dispuseram) de algoritmos de criptografia
d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de que os protegeram.
Barros na literatura... Em “c”, Arquivados eletronicamente, os documentos
e) ... para depois casá-las... poderam (puderam) contar com a proteção de uma
assinatura digital.
Resposta: Letra A Em “d”, Quem se propor (propuser) a alterar
“Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do um documento criptografado deve saber que
Indicativo. Procuremos nos itens: comprometerá sua integridade.
Em “a”, Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo Em “e”, Não é possível fazer as alterações que
Em “b”, Porque não seria = futuro do pretérito do convierem sem comprometer a integridade dos
Indicativo documentos = correta
Em “c”, Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfeito
do Indicativo 11. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO -
Em “d”, Quase meio século separa = presente do SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) Considere
Indicativo as seguintes frases:
Em “e”, para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
elas) Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!
9. (TRT 20.ª REGIÃO-SE - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC-
LÍNGUA PORTUGUESA
66
c) ... após discar e fazer a ligação, não precisamos mais dele... Disponível em: http://www.acharge.com.br/index.htm
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em (acesso: 03/03/2010)
que morou quando era criança?
e) É o que mostra também uma pesquisa recente A palavra “oposição”, da charge, é classificada
conduzida pela empresa de segurança digital morfologicamente como:
Kaspersky...
a) Substantivo concreto.
Resposta: Letra D b) Substantivo abstrato.
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperativo c) Substantivo coletivo.
(expressam ordem). Vamos aos itens: d) Substantivo próprio.
Em “a”, ... o acesso rápido e a quantidade de textos e) Adjetivo.
fazem = presente do Indicativo
Em “b”, Na internet, basta um clique = presente do Resposta: Letra B
Indicativo O termo “oposição” é classificado – morfologicamente
Em “c”, ... após discar e fazer a ligação, não precisamos – como substantivo abstrato, pois não existe por si só
= presente do Indicativo – depende de outro ser para “se concretizar”.
Em “d”, Pense rápido: = Imperativo
Em “e”, É o que mostra também uma pesquisa =
presente do Indicativo
FUNÇÕES DO “QUE” E DO “SE”.
12. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
VUNESP-2014) Assinale a alternativa em que a palavra
Prezado candidato, o tema foi abordado ao decor-
em destaque na frase pertence à classe dos adjetivos
rer da matéria”.
(palavra que qualifica um substantivo).
67
C) Desinências - Quando se conjuga o verbo amar, desinências indicadoras de gênero, pois mesa e
obtêm-se formas como amava, amavas, amava, escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão.
amávamos, amáveis, amavam. Estas modificações É a estas vogais temáticas que se liga a desinência
ocorrem à medida que o verbo vai sendo indicadora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os
flexionado em número (singular e plural) e pessoa nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café,
(primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem cipó, caqui, por exemplo) não apresentam vogal
se modificarmos o tempo e o modo do verbo temática.
(amava, amara, amasse, por exemplo). Assim,
podemos concluir que existem morfemas que D.2 Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
indicam as flexões das palavras. Estes morfemas caracterizam três grupos de verbos a que se dá o
sempre surgem no fim das palavras variáveis e nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal
recebem o nome de desinências. Há desinências temática é -a pertencem à primeira conjugação;
nominais e desinências verbais. aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à
segunda conjugação e os que têm vogal temática
C.1 Desinências nominais: indicam o gênero e o -i pertencem à terceira conjugação.
número dos nomes. Para a indicação de gênero,
o português costuma opor as desinências -o/-a: E) Interfixos
garoto/garota; menino/menina. Para a indicação São os elementos (vogais ou consoantes) que se
de número, costuma-se utilizar o morfema –s,
intercalam entre o radical e o sufixo, para facilitar ou
que indica o plural em oposição à ausência de
mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra.
morfema, que indica o singular: garoto/garotos;
Por exemplo:
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas.
Vogais: frutífero, gasômetro, carnívoro.
No caso dos nomes terminados em –r e –z, a
Consoantes: cafezal, sonolento, friorento.
desinência de plural assume a forma -es: mar/
mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes.
Formação das Palavras
C.2 Desinências verbais: em nossa língua, as Há em Português palavras primitivas, palavras
desinências verbais pertencem a dois tipos derivadas, palavras simples, palavras compostas.
distintos. Há desinências que indicam o modo e A) Palavras primitivas: aquelas que, na língua
o tempo (desinências modo-temporais) e outras portuguesa, não provêm de outra palavra: pedra,
que indicam o número e a pessoa dos verbos flor.
(desinência número-pessoais): B) Palavras derivadas: aquelas que, na língua
portuguesa, provêm de outra palavra: pedreiro,
cant-á-va-mos: floricultura.
cant: radical / -á-: vogal temática / -va-: desinência C) Palavras simples: aquelas que possuem um só
modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do radical: azeite, cavalo.
indicativo) / -mos: desinência número-pessoal (caracteriza D) Palavras compostas: aquelas que possuem mais
a primeira pessoa do plural) de um radical: couve-flor, planalto.
68
C) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo Onomatopeia – é a palavra que procura reproduzir
acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por certos sons ou ruídos: reco-reco, tique-taque, fom-fom.
parassíntese formam-se principalmente verbos. Abreviação – é a redução de palavras até o limite
permitido pela compreensão: moto (motocicleta), pneu
En trist ecer (pneumático), metrô (metropolitano), foto (fotografia).
Prefixo radical sufixo Abreviatura: é a redução na grafia de certas palavras,
limitando-as quase sempre à letra inicial ou às letras
En tard ecer iniciais: p. ou pág. (para página), Sr. (para senhor).
prefixo radical sufixo Sigla: é um caso especial de abreviatura, na qual
se reduzem locuções substantivas próprias às suas
Há dois casos em que a palavra derivada é formada letras iniciais (são as siglas puras) ou sílabas iniciais
sem que haja a presença de afixos. São eles: a derivação (siglas impuras), que se grafam de duas formas: IBGE,
regressiva e a derivação imprópria. MEC (siglas puras); DETRAN ou Detran, PETROBRAS ou
Petrobras (siglas impuras).
Derivação
Hibridismo: é a palavra formada com elementos
oriundos de línguas diferentes: automóvel (auto: grego;
• Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por
móvel: latim); sociologia (socio: latim; logia: grego);
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo,
sambódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego).
na formação de substantivos derivados de verbos.
janta (substantivo) - deriva de jantar (verbo) / pesca
(substantivo) – deriva de pescar (verbo) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
• Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
obtida pela mudança de categoria gramatical da CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
palavra primitiva. Não ocorre, pois, alteração na Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
forma, mas somente na classe gramatical. – São Paulo: Saraiva, 2010.
Não entendi o porquê da briga. (o substantivo AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras:
“porquê” deriva da conjunção porque) literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
Seu olhar me fascina! (olhar aqui é substantivo, deriva
do verbo olhar). SITE
Disponível em: http://www.brasilescola.com/
gramatica/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm
#FicaDica
A derivação regressiva “mexe” na estrutura ELEMENTOS DE COMUNICAÇÃO.
da palavra, geralmente transforma verbos
em substantivos: caça = deriva de caçar,
saque = deriva de sacar RIA DA COMUNICAÇÃO: EMISSOR, MENSAGEM E
RECEPTOR
A derivação imprópria não “mexe” com a palavra,
Nas situações de comunicação, alguns elementos são
apenas faz com que ela pertença a uma classe
sempre identificados, isto é, sem eles, pode-se dizer que
gramatical “imprópria” da qual ela realmente, ou melhor,
não há comunicação. É o que diz a teoria da comunicação.
costumeiramente faz parte. A alteração acontece devido
Os elementos da comunicação são:
à presença de outros termos, como artigos, por exemplo:
O verde das matas! (o adjetivo “verde” passou a A) Emissor ou destinador: alguém que emite a
funcionar como substantivo devido à presença do artigo mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo, uma
“o”) empresa, uma instituição.
B) Receptor ou destinatário: a quem se destina a
Composição mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo ou
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais mesmo um animal, como um cão, por exemplo.
radicais para formar uma nova palavra. Há dois tipos de C) Código: a maneira pela qual a mensagem se
composição: justaposição e aglutinação. organiza. O código é formado por um conjunto de
A) Justaposição: ocorre quando os elementos que sinais, organizados de acordo com determinadas
formam o composto são postos lado a lado, ou regras, em que cada um dos elementos tem
LÍNGUA PORTUGUESA
seja, justapostos: para-raios, corre-corre, guarda- significado em relação com os demais. Pode ser a
roupa, segunda-feira, girassol. língua, oral ou escrita, gestos, código Morse, sons
B) Composição por aglutinação: ocorre quando os etc. O código deve ser de conhecimento de ambos
elementos que formam o composto aglutinam- os envolvidos: emissor e destinatário.
se e pelo menos um deles perde sua integridade D) Canal de comunicação: meio físico ou virtual, que
sonora: aguardente (água + ardente), planalto assegura a circulação da mensagem, por exemplo:
(plano + alto), pernalta (perna + alta), vinagre ondas sonoras, no caso da voz. O canal deve
(vinho + acre). garantir o contato entre emissor e receptor.
69
E) Mensagem: é o objeto da comunicação, é O sujeito é o termo da frase que concorda com o
constituída pelo conteúdo das informações verbo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara
transmitidas. algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é
F) Referente: o contexto, a situação à qual a a parte da frase que contém “a informação nova para
mensagem se refere. O contexto pode se constituir o ouvinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao
na situação, nas circunstâncias de espaço e tempo tema, constituindo a declaração do que se atribui ao
em que se encontra o remetente da mensagem. sujeito.
Pode também dizer respeito aos aspectos do Quando o núcleo da declaração está no verbo (que
mundo textual da mensagem. indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o
Todo sistema de comunicação é constituído por esse núcleo estiver em um nome (geralmente um adjetivo),
conjunto de elementos, que entra em jogo em cada ato teremos um predicado nominal (os verbos deste tipo de
de comunicação para assegurar a troca de informações. predicado são os que indicam estado, conhecidos como
Nem sempre a troca de informações é bem sucedida. verbos de ligação):
Denomina-se ruído os elementos que perturbam, O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
dificultam a compreensão pelo destinador, como por (predicado verbal)
exemplo, o barulho ou mesmo uma voz muito baixa. O A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o
núcleo é “fácil” (predicado nominal)
ruído pode ser também de ordem visual, como borrões,
rabiscos etc.
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
por uma ou mais orações, formando um todo, com
SITE
sentido completo. O período pode ser simples ou
Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/
composto.
disciplinas/portugues/teoria-da-comunicacao-emissor-
mensagem-e-receptor.htm> Período simples é aquele constituído por apenas
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
SINTAXE: RELAÇÕES SINTÁTICO- Chove.
SEMÂNTICAS ESTABELECIDAS ENTRE A existência é frágil.
ORAÇÕES, PERÍODOS OU PARÁGRAFOS Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
(PERÍODO SIMPLES E PERÍODO
COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E Período composto é aquele constituído por duas ou
SUBORDINAÇÃO). mais orações:
Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais.
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO Termos da Oração
TERMOS DA ORAÇÃO
COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO Termos essenciais
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para O sujeito e o predicado são considerados termos
estabelecer comunicação. Normalmente é composta essenciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis
por dois termos – o sujeito e o predicado – mas não para a formação das orações. No entanto, existem
obrigatoriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: orações formadas exclusivamente pelo predicado. O
Trovejou muito ontem à noite. que define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o
termo que estabelece concordância com o verbo.
Quanto aos tipos de frases, além da classificação O candidato está preparado.
em verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e Os candidatos estão preparados.
nominais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”.
partir de seu sentido global: “Candidato” é a principal palavra do sujeito, sendo, por
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem isso, denominada núcleo do sujeito. Este se relaciona
formula uma pergunta: Que dia é hoje? com o verbo, estabelecendo a concordância (núcleo no
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou singular, verbo no singular: candidato = está).
faz um pedido: Dê-me uma luz! A função do sujeito é basicamente desempenhada
por substantivos, o que a torna uma função substantiva
LÍNGUA PORTUGUESA
70
Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: Bateram à porta;
o de determinação ou indeterminação e o de núcleo do Andam espalhando boatos a respeito da queda do
sujeito. ministro.
Um sujeito é determinado quando é facilmente Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
identificado pela concordância verbal. O sujeito ou composto:
determinado pode ser simples ou composto. Os meninos bateram à porta. (simples)
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
A indeterminação do sujeito ocorre quando não
é possível identificar claramente a que se refere a B) com o verbo na terceira pessoa do singular,
concordância verbal. Isso ocorre quando não se pode acrescido do pronome “se”. Esta é uma
ou não interessa indicar precisamente o sujeito de uma construção típica dos verbos que não apresentam
oração. complemento direto:
Estão gritando seu nome lá fora. Precisa-se de mentes criativas.
Trabalha-se demais neste lugar. Vivia-se bem naqueles tempos.
Trata-se de casos delicados.
O sujeito simples é o sujeito determinado que Sempre se está sujeito a erros.
apresenta um único núcleo, que pode estar no singular
ou no plural; pode também ser um pronome indefinido. O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
Abaixo, sublinhei os núcleos dos sujeitos: de indeterminação do sujeito.
Nós estudaremso juntos.
A humanidade é frágil. As orações sem sujeito, formadas apenas pelo
Ninguém se move. predicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal.
A mensagem está centrada no processo verbal. Os
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
principais casos de orações sem sujeito com:
derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
As crianças precisam de alimentos saudáveis. • os verbos que indicam fenômenos da natureza:
Amanheceu.
O sujeito composto é o sujeito determinado que Está trovejando.
apresenta mais de um núcleo.
Alimentos e roupas custam caro. • os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
Ela e eu sabemos o conteúdo. fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda. tempo em geral:
Está tarde.
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a Já são dez horas.
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o Faz frio nesta época do ano.
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo Há muitos concursos com inscrições abertas.
do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
pela desinência verbal ou pelo contexto. Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
Abolimos todas as regras. = (nós)
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
Falaste o recado à sala? = (tu) um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado
é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na exceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo
primeira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na o que difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
segunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os Chove muito nesta época do ano.
pronomes não estejam explícitos. Houve problemas na reunião.
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito
na desinência verbal “-mos” Em ambas as orações não há sujeito, apenas
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na predicado. Na segunda oração, “problemas” funciona
desinência verbal “-ais” como objeto direto.
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração Predicado = passou-me pelo pensamento
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Para o estudo do predicado, é necessário verificar
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
indeterminado de duas maneiras: nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se
considerar também se as palavras que formam o
A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que predicado referem-se apenas ao verbo ou também ao
o sujeito não tenha sido identificado anteriormente: sujeito da oração.
71
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres Termos integrantes da oração
de opinião.
Predicado Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o
complemento nominal são chamados termos integrantes
O predicado acima apresenta apenas uma palavra da oração.
que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se Os complementos verbais integram o sentido
ligam direta ou indiretamente ao verbo. dos verbos transitivos, com eles formando unidades
A cidade está deserta. significativas. Estes verbos podem se relacionar com
seus complementos diretamente, sem a presença
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere- de preposição, ou indiretamente, por intermédio de
se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como preposição.
elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = O objeto direto é o complemento que se liga
predicativo do sujeito). diretamente ao verbo.
Houve muita confusão na partida final.
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo Queremos sua ajuda.
significativo um verbo:
Chove muito nesta época do ano. O objeto direto preposicionado ocorre
Estudei muito hoje! principalmente:
Compraste a apostila?
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem referentes a pessoas:
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
processos. (o objeto é direto, mas como há preposição,
denomina-se: objeto direto preposicionado)
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo
significativo um nome; este atribui uma qualidade ou B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a outro cansar a Vossa Senhoria.
nome da oração por meio de um verbo (o verbo de
ligação). C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, (sem preposição, o sentido seria outro: O povo
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao prejudica a crise)
predicativo, indicando circunstâncias referentes ao
estado do sujeito: Os dados parecem corretos. O objeto indireto é o complemento que se liga
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, indiretamente ao verbo, ou seja, através de uma
andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como preposição.
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele Gosto de música popular brasileira.
relacionadas. Necessito de ajuda.
72
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo” O vocativo é um termo que serve para chamar,
invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético,
Termos acessórios da oração e vocativo não mantendo relação sintática com outro termo da
oração. A função de vocativo é substantiva, cabendo
Os termos acessórios recebem este nome por serem a substantivos, pronomes substantivos, numerais e
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o palavras substantivadas esse papel na linguagem.
adjunto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o João, venha comigo!
vocativo – este, sem relação sintática com outros temos Traga-me doces, minha menina!
da oração.
Períodos Compostos
O adjunto adverbial é o termo da oração que indica
uma circunstância do processo verbal ou intensifica o Período Composto por Coordenação
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais O período composto se caracteriza por possuir mais
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei de uma oração em sua composição. Sendo assim:
a pé àquela velha praça. Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
oração)
O adjunto adnominal é o termo acessório que Estou comprando um protetor solar, depois irei à
determina, especifica ou explica um substantivo. É uma praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
função adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções orações)
adjetivas que exercem o papel de adjunto adnominal na Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
oração. Também atuam como adjuntos adnominais os um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
artigos, os numerais e os pronomes adjetivos. orações).
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
amigo de infância. Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
entre as orações de um período composto: uma relação
O adjunto adnominal se liga diretamente ao de coordenação ou uma relação de subordinação.
substantivo a que se refere, sem participação do verbo. Duas orações são coordenadas quando estão juntas
Já o predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
um verbo. de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
O poeta português deixou uma obra originalíssima. ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
O poeta deixou-a. Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: (Período Composto)
adjunto adnominal) Podemos dizer:
1. Estou comprando um protetor solar.
O poeta português deixou uma obra inacabada. 2. Irei à praia.
O poeta deixou-a inacabada.
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo Separando as duas, vemos que elas são independentes.
do objeto) Tal período é classificado como Período Composto por
Coordenação.
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um Quanto à classificação das orações coordenadas,
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se temos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
relaciona apenas ao substantivo. Sindéticas.
humanas, permite-nos interpretar melhor nossa cinco tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas
relação com o mundo. e explicativas.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
coisas: amor, arte, ação. Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e
sonho, tudo forma o carnaval. • Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, principais conjunções são: e, nem, não só... mas
fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida. também, não só... como, assim... como.
73
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia. A) Orações Subordinadas Substantivas
Comprei o protetor solar e fui à praia. A oração subordinada substantiva tem valor de
substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção
• Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: integrante (que, se).
suas principais conjunções são: mas, contudo,
todavia, entretanto, porém, no entanto, ainda, Não sei se sairemos hoje.
assim, senão. Oração Subordinada Substantiva
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi! Temos medo de que não sejamos aprovados.
Oração Subordinada Substantiva
• Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também
quer...quer; seja...seja. introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador. como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde,
como).
• Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
suas principais conjunções são: logo, portanto, O garoto perguntou qual seu nome.
por fim, por conseguinte, consequentemente, pois Oração Subordinada Substantiva
(posposto ao verbo).
Passei no concurso, portanto comemorarei! Não sabemos quando ele virá.
A situação é delicada; devemos, pois, agir. Oração Subordinada Substantiva
Observe que na oração subordinada temos o verbo É fundamental que você compareça à reunião.
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular Oração Principal Oração Subordinada
do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por Substantiva Subjetiva
conjunção. As orações subordinadas que apresentam
verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo
do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas FIQUE ATENTO!
por conjunção, chamam-se orações desenvolvidas ou Observe que a oração subordinada
explícitas. substantiva pode ser substituída pelo
pronome “isso”. Assim, temos um período
Podemos modificar o período acima. Veja: simples:
É fundamental isso ou Isso é
Quero ser aprovado. fundamental.
Oração Principal Oração Subordinada
Desta forma, a oração correspondente a
A análise das orações continua sendo a mesma: “isso” exercerá a função de sujeito.
“Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a
oração subordinada “ser aprovado”. Observe que a
oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na
(ser). Além disso, a conjunção “que”, conectivo que unia oração principal:
as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas
cujo verbo surge numa das formas nominais (infinitivo, • Verbos de ligação + predicativo, em construções
LÍNGUA PORTUGUESA
gerúndio ou particípio) são chamadas de orações do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
reduzidas ou implícitas (como no exemplo acima). certo - É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.
Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por • Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-
conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi
eventualmente, introduzidas por preposição. anunciado, Ficou provado.
74
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro. As orações subordinadas substantivas objetivas
indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto
• Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - que orações subordinadas substantivas completivas
importar - ocorrer - acontecer nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir
Convém que não se atrase na entrevista. uma da outra, é necessário levar em conta o termo
complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto
Observação: e o complemento nominal: o primeiro complementa um
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, verbo; o segundo, um nome.
o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
singular.
5. Predicativa = exerce papel de predicativo do
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto
sujeito do verbo da oração principal e vem sempre
do verbo da oração principal:
depois do verbo ser.
Todos querem sua aprovação no concurso. Nosso desejo era sua desistência.
Objeto Direto Predicativo do Sujeito
Todos querem que você seja aprovado. (Todos Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso
querem isso) desejo era isso)
Oração Principal Oração Subordinada Oração Subordinada
Substantiva Objetiva Direta Substantiva Predicativa
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste Esta foi uma redação bem-sucedida.
nisso) Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)
Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Indireta O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo
“bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
Observação: construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na
oração. Esta foi uma redação que fez sucesso.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora. Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
Oração Subordinada
Substantiva Objetiva Indireta Perceba que a conexão entre a oração subordinada
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é
4. Completiva Nominal = completa um nome
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou
que pertence à oração principal e também vem
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha
marcada por preposição.
LÍNGUA PORTUGUESA
75
Agora, a oração em destaque não tem sentido
FIQUE ATENTO! restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade,
Vale lembrar um recurso didático para apenas explicita uma ideia que já sabemos estar contida
reconhecer o pronome relativo “que”: ele no conceito de “homem”.
sempre pode ser substituído por: o qual -
a qual - os quais - as quais Saiba que:
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta A oração subordinada adjetiva explicativa é separada
oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno da oração principal por uma pausa que, na escrita,
o qual estuda. é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
Exemplo 2: Observação:
A classificação das orações subordinadas adverbiais
O homem, que se considera racional, muitas vezes é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos
age animalescamente. adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa oração.
76
Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais Só irei se ele for.
A oração acima expressa uma condição: o fato de
A) Causal = A ideia de causa está diretamente “eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.
ligada àquilo que provoca um determinado fato, Compare agora com:
ao motivo do que se declara na oração principal. Irei mesmo que ele não vá.
Principal conjunção subordinativa causal: porque.
Outras conjunções e locuções causais: como A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
(sempre introduzido na oração anteposta à oração irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
que. concessiva.
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito Observe outros exemplos:
forte. Embora fizesse calor, levei agasalho.
Já que você não vai, eu também não vou. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse /
embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
A diferença entre a subordinada adverbial causal e
a sindética explicativa é que esta “explica” o fato que E) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais
aconteceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela
comparativas estabelecem uma comparação com
apresenta a “causa” do acontecimento expresso na
a ação indicada pelo verbo da oração principal.
oração à qual ela se subordina. Repare:
Principal conjunção subordinativa comparativa:
1. Faltei à aula porque estava doente.
como.
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos.
Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) Você age como criança. (age como uma criança age)
que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de
estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a • geralmente há omissão do verbo.
oração sublinhada relata um fato que aconteceu depois,
já que primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
vermelhos. seja, apresenta uma regra, um modelo adotado
para a execução do que se declara na oração
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequência, principal. Principal conjunção subordinativa
é efeito do que se declara na oração principal. São conformativa: conforme. Outras conjunções
introduzidas pelas conjunções e locuções: que, conformativas: como, consoante e segundo (todas
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas com o mesmo valor de conforme).
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) direitos iguais.
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou
concretizando-os. G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração se declara na oração principal. Principal conjunção
Reduzida de Infinitivo) subordinativa final: a fim de. Outras conjunções
finais: que, porque (= para que) e a locução
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe conjuntiva para que.
como necessário para a realização ou não de Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
um fato. As orações subordinadas adverbiais Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer
para que se realize - ou deixe de se realizar - o fato H) Proporcional = exprime ideia de proporção,
expresso na oração principal. ou seja, um fato simultâneo ao expresso na
Principal conjunção subordinativa condicional: se. oração principal. Principal locução conjuntiva
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, subordinativa proporcional: à proporção que.
desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, Outras locuções conjuntivas proporcionais: à
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). medida que, ao passo que. Há ainda as estruturas:
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, quanto maior...(maior), quanto maior...(menor),
certamente o melhor time será campeão. quanto menor...(maior), quanto menor...(menor),
Caso você saia, convide-me.
quanto mais...(mais), quanto mais...(menos), quanto
menos...(mais), quanto menos...(menos).
D) Concessiva = indica concessão às ações do
LÍNGUA PORTUGUESA
77
temporal: quando. Outras conjunções Resposta: Letra C
subordinativas temporais: enquanto, mal e Em “c”: que relembremos este dia;
locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as Em “d”: que relembrássemos este dia;
vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde Em uma oração desenvolvida há a presença de
que, etc. conjunção. Ambos os itens têm, mas temos que fazer
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou. a correlação verbal com o período da oração reduzida
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando (o verbo nos dá uma hipótese – talvez seja bom
terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) relembrar). Portanto, a forma correta é: Talvez um dia
seja bom que relembremos este dia.
Orações Reduzidas
2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE
As orações subordinadas podem vir expressas como LEGISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Ou seja,
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas foi usada para criar uma desigualdade social...”; se
modificarmos a oração reduzida de infinitivo por uma
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem
oração desenvolvida, a forma adequada seria:
conectivo subordinativo que as introduza.
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
a) para a criação de uma desigualdade social;
É preciso que se estude = oração desenvolvida
b) para que se criasse uma desigualdade social;
(presença do conectivo) c) para que se crie uma desigualdade social;
d) para a criatividade de uma desigualdade social;
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam e) para criarem uma desigualdade social.
“desenvolvidas” – como no exemplo acima.
É preciso estudar = oração subordinada substantiva Resposta: Letra B
subjetiva reduzida de infinitivo Em “b”: para que se criasse uma desigualdade social;
É preciso que se estude = oração subordinada Em “c”: para que se crie uma desigualdade social;
substantiva subjetiva Desenvolvida = tem conjunção. Ambas têm. A
diferença é o tempo verbal. A ação aconteceu (foi
Orações Intercaladas usada para criar): Ou seja, foi usada para que se criasse
uma desigualdade social.
São orações independentes encaixadas na sequência
do período, utilizadas para um esclarecimento, um 3. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou – FGV-2017) Uma manchete do Estado de São Paulo,
travessões. 10/04/2017, dizia o seguinte: “Atentados contra cristãos
Nós – continuava o relator – já abordamos este matam 44 no Egito e país decreta emergência”. As duas
assunto. orações desse período mantêm entre si a seguinte
relação lógica:
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa a) causa e consequência;
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. b) informação e comprovação;
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, c) fato e exemplificação;
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira d) afirmação e explicação;
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – e) tese e argumentação.
São Paulo: Saraiva, 2002.
Resposta: Letra A
Atentados contra cristãos matam 44 no Egito e país
SITE
decreta emergência = devido aos atentados (causa),
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
o país decretou emergência (consequência).
aulas/portugues/frase-periodo-e-oracao>
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
– FGV-2017) “Com as novas medidas para evitar a
EXERCÍCIOS COMENTADOS abstenção, o governo espera uma economia vultosa no
Enem”. A oração reduzida “para evitar a abstenção” pode
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) ser adequadamente substituída pela seguinte oração
“Talvez um dia seja bom relembrar este dia”. (Virgílio) A desenvolvida:
LÍNGUA PORTUGUESA
78
Em “a”: para que se evitasse a abstenção; d) exerce função de adjunto adnominal, portanto é um
Em “b”: a fim de que a abstenção fosse evitada; termo acessório.
Em “c”: para que se evite a abstenção; e) exerce função de adjunto adverbial, portanto é um
Desenvolvida tem conjunção. O período traz “para termo acessório.
evitar a abstenção” = hipótese. A forma correta é: “com
as novas medidas para que se evite a abstenção”. Resposta: Letra B
A expressão destacada exerce a função de aposto
5. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – – uma informação a mais sobre o termo citado
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) Assinale a opção em que anteriormente (no caso, Minas Gerais). É um termo
o termo sublinhado funciona como sujeito. acessório, podendo ser retirado do período sem
prejudicar a coerência.
a) “Em um regime de liberdades, há sempre o risco de
excessos”. 8. (TRF-1.ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
b) “Sempre há, também, o oportunismo político- INFORMÁTICA – FCC-2014)
ideológico para se aproveitar da crise”. Em 1980, um gigabyte de dados armazenados ocupava
c) “Não faltam, também, os arautos do quanto pior, uma sala...
melhor, ...”. O verbo que exige complemento tal como o sublinhado
d) “A greve atravessou vários sinais ao estrangular as acima está em:
vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo
funcionando”. a) A capacidade de computação duplicou a cada 18
e) “Numa democracia, é livre a expressão”. meses nos últimos 20 anos ...
b) ... que deriva da informação.
Resposta: Letra C c) ... que reduz as barreiras ao acesso.
Em “a”: há sempre o risco de excessos = objeto direto d) ... do que era nos anos 70.
Em “b”: “Sempre há, também, o oportunismo político- e) ... atualmente, 200 gigabytes cabem no bolso de uma
ideológico = objeto direto camisa.
Em “c”: “Não faltam, também, os arautos do quanto
pior, melhor = sujeito Resposta: Letra C
Em “d”: que mantêm o sistema produtivo funcionando “Ocupava uma sala” = transitivo direto
= objeto direto Em “a”: A capacidade de computação duplicou =
Em “e”: é livre a expressão = predicativo do sujeito verbo intransitivo
Em “b”: que deriva da informação = transitivo indireto
6. (TJ-PE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FUNÇÃO Em “c”: que reduz as barreiras = transitivo direto
JUDICIÁRIA – IBFC-2017 - ADAPTADA) “A resposta que Em “d”: do que era nos anos 70 = verbo de ligação
lhe daria seria: ‘Essa estória não aconteceu nunca para Em “e”: atualmente, 200 gigabytes cabem = verbo
que aconteça sempre... ’” O pronome destacado cumpre intransitivo
papel coesivo, mas também sintático na oração. Assim,
sintaticamente, ele deve ser classificado como: 9. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) “Tenho
comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da
a) adjunto adnominal. internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação
b) objeto direto. específica que coíba não somente os usos mas os abusos
c) complemento nominal. deste importante e eficaz veículo de comunicação”. Sobre
d) objeto indireto. as ocorrências do vocábulo que, nesse segmento do
e) predicativo. texto, é correto afirmar que:
Resposta: Letra D a) são pronomes relativos com o mesmo antecedente;
O verbo “dar” é bitransitivo (transitivo direto e indireto): b) exemplificam classes gramaticais diferentes;
Quem dá, dá algo (direto) a alguém (indireto). No c) mostram diferentes funções sintáticas;
caso: resposta (objeto direto) / lhe (objeto indireto =
d) são da mesma classe gramatical e da mesma função
a ele[a])
sintática;
GABARITO OFICIAL: D
e) iniciam o mesmo tipo de oração subordinada.
7. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA
Resposta: Letra D
ADMINISTRATIVA – AOCP-2015) Em “Ele diz que vota
“Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas,
desde os 18, quando ainda era jovem e morava em Minas
LÍNGUA PORTUGUESA
79
10. (TRE-RJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA Sujeito Simples - Regra Geral
ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017) Analise as
afirmações apresentadas a seguir. O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
I. Em “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, a em número e pessoa. Veja os exemplos:
oração sublinhada é uma oração subordinada adjetiva
explicativa. A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
II. Em “[...] tem surgido, cada vez mais frequente, o 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
diminutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua
como sujeito da locução verbal “ter surgido”. Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
III. “Não pense que para por aí [...]”, a oração sublinhada 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
IV. Em “[...] se te chamarem de ‘queridinho’, querem é Casos Particulares
que você exploda.”, a oração destacada é uma oração
subordinada adverbial causal. A) Quando o sujeito é formado por uma expressão
partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
Estão corretas apenas as afirmativas metade de, a maioria de, a maior parte de, grande
parte de...) seguida de um substantivo ou pronome
a) I e II. no plural, o verbo pode ficar no singular ou no
b) II e III. plural.
c) III e IV. A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia.
d) I, II e IV. Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram
proposta.
Resposta: Letra B
Em “I” - “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos
a oração sublinhada é uma oração subordinada dos coletivos, quando especificados: Um bando de
adjetiva explicativa = substituindo “que” por “a qual”, vândalos destruiu / destruíram o monumento.
continua com sentido, então é pronome relativo –
presente nas adjetivas, mas no período em questão Observação:
temos uma restritiva = incorreta Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
Em “II” - tem surgido, cada vez mais frequente, o unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque
diminutivo do gerúndio.”, a expressão destacada aos elementos que formam esse conjunto.
atua como sujeito da locução verbal “ter surgido” =
correta B) Quando o sujeito é formado por expressão que
Em “III” - “Não pense que para por aí [...]”, a oração indica quantidade aproximada (cerca de, mais
sublinhada é uma oração subordinada substantiva de, menos de, perto de...) seguida de numeral e
objetiva direta = correta substantivo, o verbo concorda com o substantivo.
Em “IV” - se te chamarem de ‘queridinho’, a oração Cerca de mil pessoas participaram do concurso.
destacada é uma oração subordinada adverbial causal Perto de quinhentos alunos compareceram à
= adverbial condicional (“se”) = incorreta solenidade.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL. últimas Olimpíadas.
Observação:
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL Quando a expressão “mais de um” se associar a verbos
que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Mais
Os concurseiros estão apreensivos. de um colega se ofenderam na discussão. (ofenderam um
Concurseiros apreensivos. ao outro)
No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra C) Quando se trata de nomes que só existem no
na terceira pessoa do plural, concordando com o seu plural, a concordância deve ser feita levando-se
sujeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo em conta a ausência ou presença de artigo. Sem
“apreensivos” está concordando em gênero (masculino) artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo
e número (plural) com o substantivo a que se refere: no plural, o verbo deve ficar o plural.
concurseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, Os Estados Unidos possuem grandes universidades.
Estados Unidos possui grandes universidades.
LÍNGUA PORTUGUESA
80
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro • Quando “um dos que” vem entremeada de
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o substantivo, o verbo pode:
pronome pessoal. 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atravessa
Quais de nós são / somos capazes? o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio que
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? faça o mesmo).
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões 2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão
inovadoras. poluídos (noção de que existem outros rios na
mesma condição).
Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
diz ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada Vossa Excelência está cansado?
fizemos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso Vossas Excelências renunciarão?
não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia. I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido de acordo com o numeral.
estiver no singular, o verbo ficará no singular. Deu uma hora no relógio da sala.
Qual de nós é capaz? Deram cinco horas no relógio da sala.
Algum de vós fez isso. Soam dezenove horas no relógio da praça.
Baterão doze horas daqui a pouco.
E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
que indica porcentagem seguida de substantivo, o Observação:
verbo deve concordar com o substantivo. Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
25% do orçamento do país será destinado à Educação. torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
85% dos entrevistados não aprovam a administração O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
do prefeito. Soa quinze horas o relógio da matriz.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova. J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do
• Quando a expressão que indica porcentagem não singular. São verbos impessoais: Haver no sentido
é seguida de substantivo, o verbo deve concordar de existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que
com o número. indicam fenômenos da natureza. Exemplos:
25% querem a mudança. Havia muitas garotas na festa.
1% conhece o assunto. Faz dois meses que não vejo meu pai.
Chovia ontem à tarde.
• Se o número percentual estiver determinado por
artigo ou pronome adjetivo, a concordância far- Sujeito Composto
se-á com eles:
Os 30% da produção de soja serão exportados.
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao
Esses 2% da prova serão questionados.
verbo, a concordância se faz no plural:
F) O pronome “que” não interfere na concordância;
Pai e filho conversavam longamente.
já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
Sujeito
do singular.
Fui eu que paguei a conta.
Pais e filhos devem conversar com frequência.
Fomos nós que pintamos o muro.
Sujeito
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Sou eu quem faz a prova.
B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas
Não serão eles quem será aprovado.
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da
seguinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós)
G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve
prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por
assumir a forma plural.
Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais sua vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja:
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão.
LÍNGUA PORTUGUESA
encantaram os poetas.
Este candidato é um dos que mais estudaram! Primeira Pessoa do Plural (Nós)
81
Observação: o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos
Quando o sujeito é composto, formado por um recebem um mesmo grau de importância e a
elemento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), palavra “com” tem sentido muito próximo ao de
é possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural “e”.
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar O pai com o filho montaram o brinquedo.
de “tomaríeis”. O governador com o secretariado traçaram os planos
para o próximo semestre.
C) No caso do sujeito composto posposto ao O professor com o aluno questionaram as regras.
verbo, passa a existir uma nova possibilidade de
concordância: em vez de concordar no plural com Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
a totalidade do sujeito, o verbo pode estabelecer a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
concordância com o núcleo do sujeito mais O pai com o filho montou o brinquedo.
próximo. O governador com o secretariado traçou os planos
Faltaram coragem e competência. para o próximo semestre.
Faltou coragem e competência. O professor com o aluno questionou as regras.
Compareceram todos os candidatos e o banca.
Compareceu o banca e todos os candidatos. Com o verbo no singular, não se pode falar em
sujeito composto. O sujeito é simples, uma vez que as
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a expressões “com o filho” e “com o secretariado” são
concordância é feita no plural. Observe: adjuntos adverbiais de companhia. Na verdade, é como
Abraçaram-se vencedor e vencido. se houvesse uma inversão da ordem. Veja:
Ofenderam-se o jogador e o árbitro. “O pai montou o brinquedo com o filho.”
“O governador traçou os planos para o próximo
Casos Particulares semestre com o secretariado.”
“O professor questionou as regras com o aluno.”
• Quando o sujeito composto é formado por núcleos
sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no Casos em que se usa o verbo no singular:
singular.
Descaso e desprezo marca seu comportamento. Café com leite é uma delícia!
A coragem e o destemor fez dele um herói. O frango com quiabo foi receita da vovó.
• Quando o sujeito composto é formado por núcleos Quando os núcleos do sujeito são unidos por
dispostos em gradação, verbo no singular: expressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não
Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”,
segundo me satisfaz. o verbo ficará no plural.
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
• Quando os núcleos do sujeito composto são unidos Nordeste.
por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural, Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a
de acordo com o valor semântico das conjunções: notícia.
Drummond ou Bandeira representam a essência da
poesia brasileira. Quando os elementos de um sujeito composto são
Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta. resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância
é feita com esse termo resumidor.
Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da
“adição”. Já em: apatia.
Juca ou Pedro será contratado. Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima na vida das pessoas.
Olimpíada.
Outros Casos
Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
no singular. O Verbo e a Palavra “SE”
• Com as expressões “um ou outro” e “nem um Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há
nem outro”, a concordância costuma ser feita no duas de particular interesse para a concordância verbal:
singular. A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
LÍNGUA PORTUGUESA
82
Confia-se em teses absurdas. São quatro horas.
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha quilômetros.
verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e
indiretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. • datas, concordará com a palavra dia(s), que pode
Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito da estar expressa ou subentendida:
oração. Exemplos: Hoje é dia 26 de agosto.
Construiu-se um posto de saúde. Hoje são 26 de agosto.
Construíram-se novos postos de saúde.
Aqui não se cometem equívocos • Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade
Alugam-se casas. e for seguido de palavras ou expressões como
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular:
#FicaDica Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido.
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
Duas semanas de férias é muito para mim.
ou índice de indeterminação do sujeito, ten-
te transformar a frase para a voz passiva. Se
• Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo)
a frase construída for “compreensível”, esta-
for pronome pessoal do caso reto, com este
remos diante de uma partícula apassivadora;
concordará o verbo.
se não, o “se” será índice de indeterminação.
No meu setor, eu sou a única mulher.
Veja:
Aqui os adultos somos nós.
Precisa-se de funcionários qualificados.
Tentemos a voz passiva:
Observação:
Funcionários qualificados são precisados (ou
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo)
precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se”
representados por pronomes pessoais, o verbo concorda
destacado é índice de indeterminação do
com o pronome sujeito.
sujeito. Eu não sou ela.
Agora: Ela não é eu.
Vendem-se casas.
Voz passiva: Casas são vendidas. Constru- • Quando o sujeito for uma expressão de sentido
ção correta! Então, aqui, o “se” é partícula partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no
apassivadora. (Dá para eu passar para a voz plural, o verbo SER concordará com o predicativo.
passiva. Repare em meu destaque. Percebeu A grande maioria no protesto eram jovens.
semelhança? Agora é só memorizar!). O resto foram atitudes imaturas.
O Verbo “Parecer”
O Verbo “Ser” O verbo parecer, quando é auxiliar em uma
locução verbal (é seguido de infinitivo), admite duas
A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo concordâncias:
e o sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa
concordância pode ocorrer também entre o verbo e o • Ocorre variação do verbo PARECER e não se flexiona
predicativo do sujeito. o infinitivo: As crianças parecem gostar do desenho.
Quando o sujeito ou o predicativo for: • A variação do verbo parecer não ocorre e o infinitivo
sofre flexão:
A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo As crianças parece gostarem do desenho.
SER concorda com a pessoa gramatical: (essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho
Ele é forte, mas não é dois. aas crianças)
Fernando Pessoa era vários poetas.
A esperança dos pais são eles, os filhos. Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER fica no
singular. Por exemplo: As paredes parece que têm ouvidos.
B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no (Parece que as paredes têm ouvidos = oração subordinada
plural, o verbo SER concordará, preferencialmente, substantiva subjetiva).
com o que estiver no plural:
LÍNGUA PORTUGUESA
83
A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as Cristina saiu só.
seguintes regras gerais: Cristina e Débora saíram sós.
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas Observação:
denunciavam o que sentia. Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou
B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos, “apenas”, tem função adverbial, ficando, portanto,
a concordância pode variar. Podemos sistematizar invariável: Eles só desejam ganhar presentes.
essa flexão nos seguintes casos:
84
Seguem anexas as documentações requeridas. c) As notícias informam que até hoje, em nenhuma parte
A menina agradeceu: - Muito obrigada. do mundo, se substituíram totalmente as moedas
Muito obrigadas, disseram as senhoras. reais pelas virtuais.
Seguem inclusos os papéis solicitados. d) De acordo com as regras do mercado financeiro,
Estamos quites com nossos credores. criou-se apenas 21 milhões de bitcoins nos últimos
anos.
Bastante - Caro - Barato - Longe e) O valor dos produtos comercializados seriam
Estas palavras são invariáveis quando funcionam determinados por uma moeda virtual se a real fosse
como advérbios. Concordam com o nome a que se abolida.
referem quando funcionam como adjetivos, pronomes
adjetivos, ou numerais. Resposta: Letra C
As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio) Em “a”: Atualmente, comercializam-se diferentes
Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
criptomoedas mas a bitcoin é a mais conhecida de
(pronome adjetivo)
todas as moedas virtuais.
Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
As casas estão caras. (adjetivo) Em “b”: A especulação e o comércio ilegal, de
Achei barato este casaco. (advérbio) acordo com alguns analistas, podem tornar as bitcoins
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo) inviáveis.
Em “c”: As notícias informam que até hoje, em nenhuma
Meio - Meia parte do mundo, se substituíram totalmente as
A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo, moedas reais pelas virtuais. = correta
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi Em “d”: De acordo com as regras do mercado
meia porção de polentas. financeiro, criaram-se apenas 21 milhões de bitcoins
Quando empregada como advérbio permanece nos últimos anos.
invariável: A candidata está meio nervosa. Em “e”: O valor dos produtos comercializados seria
determinado por uma moeda virtual se a real fosse
abolida.
#FicaDica
2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
I – CESGRANRIO-2018) A concordância da palavra
saberei que se trata de um advérbio, não
destacada atende às exigências da norma-padrão da
de adjetivo: “A candidata está um pouco
língua portuguesa em:
nervosa”.
a) Alimentos saudáveis e prática constante de exercícios
são necessárias para uma vida longa e mais
Alerta - Menos equilibrada.
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem b) Inexistência de esgoto em muitas regiões e falta de
sempre invariáveis. tratamento adequado da água são causadores de
Os concurseiros estão sempre alerta. doenças.
Não queira menos matéria! c) Notícias falsas e boatos perigosos não deveriam
ser reproduzidas nas redes sociais da forma como
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
acontece hoje.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. d) Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos
– São Paulo: Saraiva, 2010. da Região Nordeste foram elogiados por suas
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa propriedades alimentares.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. e) Profissionais dedicados e pesquisas constantes
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: precisam ser estimuladas para que se avance na cura
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. de algumas doenças.
1. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – deveriam ser reproduzidas (reproduzidos) nas redes
CESGRANRIO-2018) A forma verbal em destaque está sociais da forma como acontece hoje.
empregada de acordo com a norma-padrão em: Em “d”: Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos
da Região Nordeste foram elogiados por suas
a) Atualmente, comercializa-se diferentes criptomoedas mas propriedades alimentares = correta
a bitcoin é a mais conhecida de todas as moedas virtuais.
Em “e”: Profissionais dedicados e pesquisas constantes
b) A especulação e o comércio ilegal, de acordo com
precisam ser estimuladas (estimulados) para que se
alguns analistas, pode tornar as bitcoins inviáveis.
avance na cura de algumas doenças.
85
3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR Resposta: Letra D
– CESGRANRIO-2018) A concordância do verbo 1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e
destacado foi realizada de acordo com as exigências da independente.
norma-padrão da língua portuguesa em: 2. A agenda pública é determinada pela imprensa
tradicional.
a) Com a corrida desenfreada pelas versões mais atuais 3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de
dos smartphones, evidenciou-se atitudes agressivas e conteúdo independentes.
violentas por parte dos usuários. Em “a”: os dois adjetivos da frase (1) referem-se,
b) Devido à utilização de estratégias de marketing, respectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’;
desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que a A democracia reclama um jornalismo vigoroso e
posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia de independente = apenas a “jornalismo”
sucesso. Em “b”: os adjetivos da frase (1) deveriam estar no
c) É necessário que se envie a todas as escolas do país plural por referirem-se a dois substantivos;
vídeos educacionais que permitam esclarecer os A democracia reclama um jornalismo vigoroso e
jovens sobre o vício da tecnologia. independente = a um substantivo (jornalismo)
d) É preciso educar as novas gerações para que se reduza Em “c”: na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’
os comportamentos compulsivos relacionados ao uso se refere a ‘imprensa’;
das novas tecnologias. A agenda pública é determinada pela imprensa
e) Nos países mais industrializados, comprovou-se tradicional = refere-se ao termo “agenda pública”
os danos psicológicos e o consumismo exagerado Em “d”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está
causados pelo vício da tecnologia. corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’;
Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de
Resposta: Letra B conteúdo independentes = correta
Em “a”: Com a corrida desenfreada pelas versões mais Em “e”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’
deveria estar no singular por referir-se ao substantivo
atuais dos smartphones, evidenciou-se (evidenciaram-
‘conteúdo’ = incorreta (refere-se a “empresas”)
se) atitudes agressivas e violentas por parte dos
usuários.
5. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015)
Em “b”: Devido à utilização de estratégias de
marketing, desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de
Texto I
que a posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia
de sucesso = correta Na organização do poder político no Estado moderno,
Em “c”: É necessário que se envie (enviem) a todas as à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
escolas do país vídeos educacionais que permitam preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a
esclarecer os jovens sobre o vício da tecnologia. desordem do estado de natureza, que, em virtude do risco
Em “d”: É preciso educar as novas gerações para que da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige
se reduza (reduzam) os comportamentos compulsivos a existência de um poder institucional. Mas a conquista
relacionados ao uso das novas tecnologias. da liberdade humana também reclama a distribuição do
Em “e”: Nos países mais industrializados, comprovou- poder em ramos diversos, com a disposição de meios
se (comprovaram-se) os danos psicológicos e o que assegurem o controle recíproco entre eles para o
consumismo exagerado causados pelo vício da advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas
tecnologia. sociedades estatais. A concentração do poder em um só
órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO – da liberdade. É que, como observou Montesquieu, “todo
FGV-2017) Observe os seguintes casos de concordância homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até
nominal retirados do texto 1: onde encontra limites. Para que não se possa abusar do
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder
independente. limite o poder”.
2. A agenda pública é determinada pela imprensa Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
tradicional. as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
conteúdo independentes. separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a forma
de sistema coerente, as consequências de conceitos
A afirmação correta sobre essas concordâncias é: diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
a) os dois adjetivos da frase (1) referem-se, de origem baconiana, não abandonando o rigor das
respectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
LÍNGUA PORTUGUESA
b) os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plural por refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
referirem-se a dois substantivos; idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
c) na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ se explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
refere a ‘imprensa’; civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
d) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’; Ministério Público em função da proteção dos direitos
e) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria estar humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p.
no singular por referir-se ao substantivo ‘conteúdo’. 18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
86
A flexão plural em “eram identificadas” decorre da Regência Verbal = Termo Regente: VERBO
concordância com o sujeito dessa forma verbal: “as
esferas de abrangência dos poderes políticos”. A regência verbal estuda a relação que se estabelece
entre os verbos e os termos que os complementam
( ) CERTO ( ) ERRADO (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam
(adjuntos adverbiais). Há verbos que admitem mais
Resposta: Certo de uma regência, o que corresponde à diversidade
(...) Até Montesquieu, não eram identificadas com
de significados que estes verbos podem adquirir
clareza as esferas de abrangência dos poderes
políticos = passando o período para a ordem direta dependendo do contexto em que forem empregados.
(sujeito + verbo), temos: Até Montesquieu, as esferas
de abrangência dos poderes políticos não eram A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar,
identificadas com clareza. contentar.
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar
6. (PC-RS – ESCRIVÃO e Inspetor de Polícia – agrado ou prazer”, satisfazer.
Fundatec-2018 - adaptada) Sobre a frase “Esses alunos
que são usuários constantes de redes sociais têm um risco Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
27% maior de desenvolver depressão”, avalie as assertivas “agradar a alguém”.
que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado para o O conhecimento do uso adequado das preposições
singular, outras quatro palavras deveriam sofrer ajustes é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência
para fins de concordância. verbal (e também nominal). As preposições são capazes
( ) Mais da metade dos alunos que usam redes sociais de modificar completamente o sentido daquilo que está
podem ficar deprimidos.
sendo dito.
( ) O risco de alunos usuários de redes sociais desenvolverem
depressão constante extrapola o índice dos 27%.
Cheguei ao metrô.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de Cheguei no metrô.
cima para baixo, é:
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no
a) V – V – V. segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado.
b) F – V – F.
c) V – F – F. A voluntária distribuía leite às crianças.
d) F – F – V. A voluntária distribuía leite com as crianças.
e) F – F – F.
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado
Resposta: Letra C como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto
Esses alunos que são usuários constantes de redes sociais (objeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo
têm um risco 27% maior de desenvolver depressão direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto
Em: ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado
adverbial).
para o singular, outras quatro palavras deveriam sofrer
ajustes para fins de concordância. Para estudar a regência verbal, agruparemos os
Esse aluno que é usuário constante de redes sociais verbos de acordo com sua transitividade. Esta, porém,
tem um risco 27% maior de desenvolver depressão não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de
= (verdadeira = haveria quatro alterações) diferentes formas em frases distintas.
Em: ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes
sociais podem ficar deprimidos. A) Verbos Intransitivos
= falsa (o período em análise não nos transmite tal Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
informação, apenas afirma que usuários constantes importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
têm um risco 27% maior que os demais) aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
Em: ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais
desenvolverem depressão constante extrapola o Chegar, Ir
índice dos 27%. Normalmente vêm acompanhados de adjuntos
= Falsa (“depressão constante” altera o sentido do adverbiais de lugar. Na língua culta, as preposições
período)
usadas para indicar destino ou direção são: a, para.
Fui ao teatro.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL.
LÍNGUA PORTUGUESA
87
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o Respondi ao meu patrão.
último jogo. Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
B) Verbos Transitivos Diretos
Os verbos transitivos diretos são complementados por Observação:
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição O verbo responder, apesar de transitivo indireto
para o estabelecimento da relação de regência. Ao quando exprime aquilo a que se responde, admite voz
empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes passiva analítica:
oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses O questionário foi respondido corretamente.
pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após Todas as perguntas foram respondidas
formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, satisfatoriamente.
nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais, Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus
objetos indiretos. complementos introduzidos pela preposição “com”.
São verbos transitivos diretos, dentre outros: Antipatizo com aquela apresentadora.
abandonar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, Simpatizo com os que condenam os políticos que
acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, governam para uma minoria privilegiada.
auxiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar,
defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
prejudicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar,
ver, visitar. Os verbos transitivos diretos e indiretos são
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente acompanhados de um objeto direto e um indireto.
como o verbo amar: Merecem destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar
Amo aquele rapaz. / Amo-o. e pagar. São verbos que apresentam objeto direto
relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a
Amo aquela moça. / Amo-a.
pessoas.
Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Agradeço aos ouvintes a audiência.
Objeto Indireto Objeto Direto
Observação:
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos Paguei o débito ao cobrador.
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos Objeto Direto Objeto Indireto
adnominais):
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua com particular cuidado:
carreira) Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
humor) Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
C) Verbos Transitivos Indiretos Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Os verbos transitivos indiretos são complementados Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos
exigem uma preposição para o estabelecimento da Informar
relação de regência. Os pronomes pessoais do caso Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir Informe os novos preços aos clientes.
pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a, as como Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os
complementos de verbos transitivos indiretos. Com os novos preços)
objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se
pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) Na utilização de pronomes como complementos, veja
em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes. as construções:
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: preços.
Consistir - Tem complemento introduzido pela Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
preposição “em”: A modernidade verdadeira consiste em sobre eles)
direitos iguais para todos.
Observação:
LÍNGUA PORTUGUESA
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus A mesma regência do verbo informar é usada para os
complementos introduzidos pela preposição “a”: seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Eles desobedeceram às leis do trânsito. Comparar
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
Responder - Tem complemento introduzido pela preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de
indicar “a quem” ou “ao que” se responde. uma criança.
88
Pedir Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar,
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente ter como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor.
na forma de oração subordinada substantiva) e indireto (Aspirávamos a ele)
de pessoa.
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa,
Pedi-lhe favores. as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são
Objeto Indireto Objeto Direto utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (=
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. Aspiravam a ela)
Objeto Indireto Oração Subordinada
Substantiva Objetiva Direta Assistir
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
A construção “pedir para”, muito comum na assistência a, auxiliar.
linguagem cotidiana, deve ter emprego muito limitado
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
na língua culta. No entanto, é considerada correta
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
quando a palavra licença estiver subentendida.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver,
casa.
presenciar, estar presente, caber, pertencer.
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz Assistimos ao documentário.
uma oração subordinada adverbial final reduzida de Não assisti às últimas sessões.
infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa). Essa lei assiste ao inquilino.
89
A Gramática Normativa condena as construções que No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
pessoa: Custei para entender o problema. O ensino deve sempre visar ao progresso social.
= Forma correta: Custou-me entender o problema. Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-
estar público.
Implicar
Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: Esquecer – Lembrar
A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes Lembrar algo – esquecer algo
implicavam um firme propósito. Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo
B) ter como consequência, trazer como consequência, (pronominal)
acarretar, provocar: Uma ação implica reação.
No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja,
Como transitivo direto e indireto, significa exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o
comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em livro.
questões econômicas. No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me,
etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São,
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo portanto, transitivos indiretos:
indireto e rege com preposição “com”: Implicava com Ele se esqueceu do caderno.
quem não trabalhasse arduamente.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Namorar
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois
anos.
Há uma construção em que a coisa esquecida ou
lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre
Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto: leve alteração de sentido. É uma construção muito rara
Todos obedeceram às regras. na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la
Ninguém desobedece às leis. em textos clássicos tanto brasileiros como portugueses.
Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem várias vezes.
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas. Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Proceder Não lhe lembram os bons momentos da infância? (=
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter momentos é sujeito)
cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto Simpatizar - Antipatizar
adverbial de modo. São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
As afirmações da testemunha procediam, não havia Não simpatizei com os jurados.
como refutá-las. Simpatizei com os alunos.
Você procede muito mal.
Importante:
Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a A norma culta exige que os verbos e expressões que
preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento dão ideia de movimento sejam usados com a preposição
introduzido pela preposição “a”) é transitivo indireto. “a”:
O avião procede de Maceió. Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Procedeu-se aos exames. Cláudia desceu ao segundo andar.
O delegado procederá ao inquérito. Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.
90
Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será
completiva nominal (subordinada substantiva).
Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por
Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de
Advérbios
Longe de Perto de
Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
SITE
LÍNGUA PORTUGUESA
91
Resposta: Letra C
Em “a”: Podemos esperar para um futuro melhor = po-
EXERCÍCIOS COMENTADOS demos esperar o quê?
Em “b”: Podemos esperar com um futuro melhor = po-
1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CES- demos esperar o quê?
GRANRIO-2018) Em “c”: Podemos esperar um futuro melhor = correta
Em “d”: Podemos esperar porquanto um futuro me-
O ano da esperança lhor = sentido de “porque”
Em “e”: Podemos esperar todavia um futuro melhor =
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos conjunção adversativa (ideia contrária à apresentada
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás anteriormente)
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de A única frase correta – e coerente - é podemos esperar
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei- um futuro melhor.
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a
consciência de que era uma doação. A situação foi pio- 2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
rando. Os argumentos também. No início era para pagar GRANRIO-2018) Considere a seguinte frase: “Os lança-
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. mentos tecnológicos a que o autor se refere podem re-
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava sultar em comportamentos impulsivos nos consumidores
um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so- desses produtos”. A utilização da preposição destacada
freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. a é obrigatória para atender às exigências da regência
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, do verbo “referir-se”, de acordo com a norma-padrão da
remédios. A situação piorando, eu já estava encomen- língua portuguesa. É também obrigatório o uso de uma
dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, preposição antecedendo o pronome que destacado em:
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen-
te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até a) Os consumidores, ao adquirirem um produto que qua-
que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu se ninguém possui, recém-lançado no mercado, pas-
não ajudava mais. sam a ter uma sensação de superioridade.
b) Muitos aparelhos difundidos no mercado nem sempre
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita
trazem novidades que justifiquem seu preço elevado
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca
em relação ao modelo anterior.
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter
c) O estudo de mapeamento cerebral que o pesquisador
caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o em-
realizou foi importante para mostrar que o vício em
prego após o suposto acidente. Foi por isso que me dei-
novidades tecnológicas cresce cada vez mais.
xei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde
d) O hormônio chamado dopamina é responsável por
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As causar sensações de prazer que levam as pessoas a se
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a sentirem recompensadas.
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. e) As pessoas, na maioria das vezes, gastam muito mais
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos do que o seu orçamento permite em aparelhos que
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- elas não necessitam.
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova Resposta: Letra E
consciência para votar. Como? Num mundo em que as Em “a”: Os consumidores, ao adquirirem um produto
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites que (= o qual) quase ninguém possui, recém-lançado
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram no mercado, passam a ter uma sensação de superio-
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já ridade.
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre- Em “b”: Muitos aparelhos difundidos no mercado nem
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso sempre trazem novidades que (= as quais) justifiquem
ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. seu preço elevado em relação ao modelo anterior.
Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da Em “c”: O estudo de mapeamento cerebral que (= o
internet. qual) o pesquisador realizou foi importante para mos-
Duvidam. Acham que estou mentindo. trar que o vício em novidades tecnológicas cresce
CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. cada vez mais.
2017, p.97. Adaptado. Em “d”: O hormônio chamado dopamina é responsá-
vel por causar sensações de prazer que (= as quais)
Considere o trecho “Podemos esperar por um futuro me- levam as pessoas a se sentirem recompensadas.
lhor”. Respeitando-se as regras da norma-padrão e con- Em “e”: As pessoas, na maioria das vezes, gastam mui-
LÍNGUA PORTUGUESA
servando-se o conteúdo informacional, o trecho acima to mais do que o seu orçamento permite em apare-
está corretamente reescrito em: lhos de que (= das quais) elas não necessitam.
92
A chaga encontra terreno fértil nas sociedades subdesen- Resposta: Letra A
volvidas, mas também viceja onde o capitalismo, em seu Vamos por exclusão: “à elas” está errada, já que não
ambiente mais selvagem, obriga crianças e adolescentes a temos acento indicativo de crase antes de pronome
participarem do processo de produção. Foi assim na Revo- pessoal; quando temos um verbo no infinitivo, po-
lução Industrial de ontem e nas economias ditas avançadas. demos usar a construção: verbo + preposição + pro-
E ainda é, nos dias de hoje, nas manufaturas da Ásia ou em nome pessoal. Por exemplo: Dar a eles (ao invés de
diversas regiões do Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o “dar-lhes”).
trabalho infantil foi minimizado, já que nunca se pode dizer
erradicado, ele continua sendo grave problema nos países
mais pobres.
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações). COLOCAÇÃO PRONOMINAL.
93
• Separa partes de frases que já estão separadas 2. Entre o verbo e seus objetos:
por vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
outros, montanhas, frio e cobertor. V.T.D.I. O.D. O.I.
94
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa (na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. de Mussolini), e desde então cultivados por obsoletos
programas socialdemocratas, são hoje armas de
SITE destruição em massa de empregos locais em meio à
Disponível em: <http://www.infoescola.com/ competição global. Reduzem a competitividade das
portugues/pontuacao/> empresas, fabricam desigualdades sociais, dissipam em
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ consumo corrente a poupança compulsória dos encargos
gramatica/uso-da-virgula.htm> recolhidos, derrubam o crescimento da economia e
solapam o valor futuro das aposentadorias”. (adaptado)
Resposta: Letra C
Em artigo publicado no jornal carioca O Globo, 19/3/2018, Indiquei com (X) os lugares inadequados e acrescentei
com o nome Erros do passado, o articulista Paulo a pontuação que faltou:
Guedes escreve o seguinte: “Os regimes trabalhista e Em “a”, O jeitinho, essa instituição tipicamente
previdenciário brasileiros são politicamente anacrônicos, brasileira , pode ser considerado, sem dúvida, um
economicamente desastrosos e socialmente perversos. desvio de caráter.
Arquitetados de início em sistemas políticos fechados Em “b”, Apareciam novos problemas , (X) e o funcionário ,
embora competente, nem sempre conseguia resolvê-los.
95
Em “c”, Ainda que os níveis de educação estivessem 5. (PC-SP - Investigador de Polícia – Vunesp-2014)
avançando, o sentimento geral, às vezes, era de
frustração.= correta
Em “d”, É claro , (X) que se fôssemos levar a lei ao pé da
letra, muitos sofreriam sanções diariamente.
Em “e”, O tempo não para , as transformações sociais
são urgentes , mas há quem não perceba esse fato,
que é evidente.
COESÃO E COERÊNCIA
96
linguísticos que estabelecem a coesão e retomada do • Emprego de hiperônimos - relações de um termo
que foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, de sentido mais amplo com outros de sentido mais
que buscam garantir a coesão textual para que haja específico. Por exemplo, felino está numa relação
coerência, não só entre os elementos que compõem de hiperonímia com gato.
a oração, como também entre a sequência de orações • Substitutos universais, como os verbos vicários.
dentro do texto. Essa coesão também pode muitas vezes
se dar de modo implícito, baseado em conhecimentos Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
anteriores que os participantes do processo têm com o no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo
tema. fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”,
imaginária - composta de termos e expressões - que evitando repetição desnecessária.
une os diversos elementos do texto e busca estabelecer A coesão apoiada na gramática se dá no uso de
relações de sentido entre eles. Dessa forma, com o conectivos, como pronomes, advérbios e expressões
emprego de diferentes procedimentos, sejam lexicais adverbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse
(repetição, substituição, associação), sejam gramaticais justifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
(emprego de pronomes, conjunções, numerais, elipses), a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
constroem-se frases, orações, períodos, que irão jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas
apresentar o contexto – decorre daí a coerência textual. as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou assim, estabelece a relação entre as duas orações).
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa
incoerência é resultado do mau uso dos elementos Dêiticos são elementos linguísticos que têm a
de coesão textual. Na organização de períodos e de propriedade de fazer referência ao contexto situacional
parágrafos, um erro no emprego dos mecanismos ou ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa
gramaticais e lexicais prejudica o entendimento do texto. função de progressão textual, dada sua característica: são
Construído com os elementos corretos, confere-se a ele elementos que não significam, apenas indicam, remetem
uma unidade formal. aos componentes da situação comunicativa.
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o Já os componentes concentram em si a significação.
enunciado não se constrói com um amontoado de Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito:
palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios “Os pronomes pessoais e as desinências verbais
gerais de dependência e independência sintática e indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes
semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais,
que sedimentam estes princípios”. bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento
Não se deve escrever frases ou textos desconexos da enunciação, podendo indicar simultaneidade,
– é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que anterioridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje,
as frases estejam coesas e coerentes formando o texto. neste momento (presente); ultimamente, recentemente,
Relembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em
relação, nexo entre os elementos que compõem a diante, no próximo ano, depois de (futuro).”
estrutura textual.
A coerência de um texto está ligada:
Formas de se garantir a coesão entre os elementos 1. à sua organização como um todo, em que devem
de uma frase ou de um texto: estar assegurados o início, o meio e o fim;
2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um
• Substituição de palavras com o emprego de texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência
sinônimos - palavras ou expressões do mesmo fundamentada em comprovações, apresentação
campo associativo. de estatísticas, relato de experiências; um texto
• Nominalização – emprego alternativo entre um informativo apresenta coerência se trabalhar com
verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos, por
(desgastar / desgaste / desgastante). outro lado, trabalham com a linguagem figurada,
• Emprego adequado de tempos e modos verbais:
livre associação de ideias, palavras conotativas.
Embora não gostassem de estudar, participaram da
aula.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
• Emprego adequado de pronomes, conjunções,
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
preposições, artigos:
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática –
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira,
LÍNGUA PORTUGUESA
97
Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin,
que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o
EXERCÍCIOS COMENTADOS termo “processo de nascimento”)
Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado
1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades” =
retoma o termo “faixa limitada”
Texto 2 Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de
carteira, que é criada (= a qual – retoma “carteira”)
“A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha
circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O que (= a qual) em algum momento deve estourar.”
objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão [bolha] = correta
dos monumentos”. (Veja, 7/3/2018) GABARITO OFICIAL: E
[espécie ]
para os mais entusiastas.
e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em
O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais
algum momento deve estourar.” [bolha]
novo lançamento tecnológico dispara em nosso cérebro
Resposta: Letra E a liberação de um hormônio chamado dopamina,
Em “a”: “Ela é produzida de forma descentralizada por responsável por nos causar sensações de prazer. Ele
milhares de computadores, mantidos por pessoas que é liberado quando nosso cérebro identifica algo que
(= as quais – retoma o termo “pessoas”) represente uma recompensa.
98
O grande problema é que a busca excessiva por Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica atende
recompensas pode resultar em comportamentos a essa última necessidade citada” [segurança]
impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego excessivo Texto: (...) suprir necessidades básicas para a
a redes sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do sobrevivência e a perpetuação da espécie, tais como
consumo, podemos observar a situação problematizada sexo, segurança e status social. / Nesse sentido, a
aqui: gasto excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos compra de uma novidade tecnológica atende a essa
que nem sempre trazem novidade –– as atualizações de última necessidade citada... = status social
modelos de smartphones, por exemplo, na maior parte Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e
comprar o mais novo lançamento tecnológico dispara
das vezes apresentam poucas mudanças em relação ao
em nosso cérebro a liberação de um hormônio
modelo anterior, considerando-se seu preço elevado. Em
chamado dopamina” [mapeamento cerebral]
outros casos, gasta-se uma quantia absurda em algum (...) vício em novidades tecnológicas é quase uma
aparelho novo que não se sabe se terá tanta utilidade religião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse
prática ou inovadora no cotidiano. impulso cerebral e comprar
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar
a conter os impulsos na hora de comprar um novo Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica
smartphone ou alguma novidade de mercado: compare algo que represente uma recompensa.” [impulso
o efeito momentâneo da dopamina com o impacto de cerebral]
imaginar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito (...) a liberação de um hormônio chamado dopamina,
com a nova compra. responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode liberado = dopamina
ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
respeito da aquisição. 4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. AMBIENTE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018)
2018. Adaptado.
Texto I
A ideia a que a expressão destacada se refere está
Portugueses no Rio de Janeiro
explicitada adequadamente entre colchetes em:
O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração
a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à portuguesa até meados dos anos cinquenta do século
utilização de inteligência artificial — que hoje é um dos passado, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa
temas que mais desperta interesse em profissionais do mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um décimo
da área” [experiências de realidade virtual] de sua população urbana. Ali, os portugueses dedicam-se
b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis, como os
tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteligência cafés, as panificações, as leitarias, os talhos, além de outros
artificial] ramos, como os das papelarias e lojas de vestuários. Fora
c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa do comércio, podem exercer as mais variadas profissões,
última necessidade citada” [segurança] como atividades domésticas ou as de barbeiros e alfaiates.
d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar Há, de igual forma, entre os mais afortunados, aqueles
o mais novo lançamento tecnológico dispara em ligados à indústria, voltados para construção civil, o
nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de bebidas.
dopamina” [mapeamento cerebral] A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação de
e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo guetos, denota uma tendência para a sua concentração
que represente uma recompensa.” [impulso cerebral] em determinados bairros, escolhidos, muitas das vezes,
pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da
cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo
Resposta: Letra B significativo de patrícios e algumas associações de porte,
Ao texto: como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
Em “a”: “relacionados a experiências de realidade Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
virtual e à utilização de inteligência artificial — que de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
hoje é um dos temas que mais desperta interesse da colônia, se localizam outras associações portuguesas,
em profissionais da área” [experiências de realidade como a Casa de Portugal e um grande número de casas
virtual] regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros
Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa: periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente
inteligência artificial formado por quintas de pequenos lavradores; nos
subúrbios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas
Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse mais privilegiadas, como Botafogo e restante da zona
LÍNGUA PORTUGUESA
tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos” sul carioca, área nobre da cidade a partir da década de
[inteligência artificial] cinquenta, preferida pelos mais abastados.
Texto: Entre as inovações, estavam produtos
relacionados a experiências de realidade virtual e à PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro:
utilização de inteligência artificial — que hoje é um salazaristas e opositores em manifestação na cidade. In:
ALVES, Ida et alii. 450 Anos de Portugueses no Rio de
dos temas que mais desperta interesse em profissionais
Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina Raquel, 2017, pp. 260-1.
da área, tendo em vista a ampliação do uso desse tipo Adaptado.
de tecnologia nos mais diversos segmentos.= correta
99
“No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, temos “Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta.
um grupo significativo de patrícios e algumas associações Compras exageradas nos supermercados, estoques
de porte”. No trecho acima, a autora usou em itálico a domésticos, filas nervosas nos postos de combustível –
palavra destacada para fazer referência aos teve muito comportamento na base de cada um por si.
Cabem nessa categoria as greves e manifestações
a) luso-brasileiros oportunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o
b) patriotas da cidade meu – tal foi o comportamento de muita gente.
c) habitantes da cidade Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018.
d) imigrantes portugueses
e) compatriotas brasileiros
“A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
Resposta: Letra D Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão
Ainda hoje é o utilizado o termo “patrício” para se do primeiro período que leva à produção do segundo
referir aos portugueses. “Patrício” significa “da mesma período é
pátria”.
a) a crise.
5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Todas b) não trouxe.
as frases abaixo apresentam elementos sublinhados que c) apenas.
estabelecem coesão com elementos anteriores (anáfora); d) danos sociais.
a frase em que o elemento sublinhado se refere a um e) (danos) econômicos.
elemento futuro do texto (catáfora) é:
Resposta: Letra C
a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais 1.º período: A crise não trouxe apenas danos sociais e
preciosos que a alma humana pode desejar”; econômicos.
b) “Todo o problema da vida é este: como romper a 2.º período: Mostrou também danos morais.
própria solidão”; A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais
c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de informações que complementarão a primeira “tese”
viver com alguém que saiba pensar”;
apresentada é “apenas”.
d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas
a de uma vela que queima”;
e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que 7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017)
produzem menos”.
Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo
Resposta: Letra B tem um sobrenome e temos de agradecer aos romanos
Em “a”: “A civilização converteu a solidão num dos por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos
bens mais preciosos que a alma humana pode desejar” ergueu um império com a conquista de boa parte das
= retoma “bens preciosos” terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda.
Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como romper Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou
a própria solidão” = o pronome se refere ao período prenome, um nome.
que virá (= catáfora) Por quê? Porque o império romano crescia e eles
Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a precisavam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o
vantagem de viver com alguém que saiba pensar” = lugar onde tinha nascido”.
retoma “solidão” (Ciência Hoje, março de 2014)
Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que
seja apenas a de uma vela que queima” = retoma “Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer
“companhia”
aos romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas
segmento do texto, se refere a(à):
que produzem menos” = retoma “pessoas”
100
econômico e social de um país. Para isso, é preciso as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
criatividade, capacidade de inventar e coragem para concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
sair dos esquemas tradicionais. Inovador é o indivíduo separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a forma
que procura respostas originais e pertinentes em de sistema coerente, as consequências de conceitos
situações com as quais ele se defronta. É preciso uma diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
atitude de abertura para as coisas novas, pois a novidade situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
é catastrófica para os mais céticos. Pode-se dizer de origem baconiana, não abandonando o rigor das
que o caminho da inovação é um percurso de difícil certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
travessia para a maioria das instituições. Inovar significa refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
transformar os pontos frágeis de um empreendimento idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
em uma realidade duradoura e lucrativa. A inovação
civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
estimula a comercialização de produtos ou serviços
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
e também permite avanços importantes para toda a Ministério Público em função da proteção dos direitos
sociedade. Porém, a inovação é verdadeira somente humanos.
quando está fundamentada no conhecimento. A Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9.
capacidade de inovação depende da pesquisa, da geração Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
de conhecimento. É necessário investir em pesquisa
para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz
entanto, os resultados desse tipo de investimento não referência a “ramos diversos”.
são necessariamente recursos financeiros ou valores
econômicos, podem ser também a qualidade de vida ( ) CERTO ( ) ERRADO
com justiça social.
Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In: Resposta: Certo
Darcy. Revista de jornalismo científico e cultural da Ao período: (...) reclama a distribuição do poder
Universidade de Brasília, novembro e dezembro de em ramos diversos, com a disposição de meios que
2009, p. 37 (com adaptações). assegurem o controle recíproco entre eles para o
advento de um cenário de equilíbrio e harmonia.
Subentende-se da argumentação do texto que o pronome
demonstrativo, no trecho “desse tipo de investimento”, 10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLASSE
refere-se à ideia de “fermento do crescimento econômico – NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado
e social de um país”. sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo,
é promovido primeiro, é celebrado quando volta de
( ) CERTO ( ) ERRADO férias, é convidado para ser padrinho ou madrinha e
para ser companhia em momentos prazerosos. Quanto
Resposta: Errado melhor vivemos, mais motivos surgem para vivermos
bem. A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O
Ao trecho: (...) É necessário investir em pesquisa
importante é decidir fazer parte dele.
para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No
Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra
entanto, os resultados desse tipo de investimento = Dele retoma, textualmente,
investir em pesquisa / desse tipo de investimento.
a) ciclo.
9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015) b) Alguém.
c) padrinho.
Texto I d) grupo.
e) apaixonado.
Na organização do poder político no Estado moderno,
à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a Resposta: Letra A
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a Voltemos ao período:
desordem do estado de natureza, que, em virtude do risco A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O
da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige importante é decidir fazer parte dele.
a existência de um poder institucional. Mas a conquista
da liberdade humana também reclama a distribuição do
poder em ramos diversos, com a disposição de meios FUNÇÃO TEXTUAL DOS VOCÁBULOS.
que assegurem o controle recíproco entre eles para o
advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas
sociedades estatais. A concentração do poder em um só
LÍNGUA PORTUGUESA
ESTRUTURA TEXTUAL
órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício
da liberdade. É que, como observou Montesquieu, “todo Primeiramente, o que nos faz produzir um texto
homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até é a capacidade que temos de pensar. Por meio do
onde encontra limites. Para que não se possa abusar do pensamento, elaboramos todas as informações que
poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder recebemos e orientamos as ações que interferem na
limite o poder”. realidade e organização de nossos escritos. O que lemos
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza é produto de um pensamento transformado em texto.
101
Logo, como cada um de nós tem seu modo de pensar, Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma
quando escrevemos sempre procuramos uma maneira brecha para uma possível continuidade do assunto;
organizada do leitor compreender as nossas ideias. A ou seja, possui atributos de síntese. A discussão não
finalidade da escrita é direcionar totalmente o que você deve ser encerrada com argumentos repetitivos, como
quer dizer, por meio da comunicação. por exemplo: “Portanto, como já dissemos antes...”,
Para isso, os elementos que compõem o texto “Concluindo...”, “Em conclusão...”.
se subdividem em: introdução, desenvolvimento e Sua proporção em relação à totalidade do texto deve
conclusão. Todos eles devem ser organizados de maneira ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das
equilibrada. características de textos bem redigidos.
Os seguintes erros aparecem quando as conclusões
Introdução ficam muito longas:
Caracterizada pela entrada no assunto e a • O problema aparece quando não ocorre uma
argumentação inicial. A ideia central do texto é exploração devida do desenvolvimento, o que
apresentada nessa etapa. Essa apresentação deve ser gera uma invasão das ideias de desenvolvimento
direta, sem rodeios. O seu tamanho raramente excede a na conclusão.
1/5 de todo o texto. Porém, em textos mais curtos, essa • Outro fator consequente da insuficiência de
proporção não é equivalente. Neles, a introdução pode fundamentação do desenvolvimento está na
ser o próprio título. Já nos textos mais longos, em que conclusão precisar de maiores explicações, ficando
o assunto é exposto em várias páginas, ela pode ter o bastante vazia.
tamanho de um capítulo ou de uma parte precedida por • Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no
subtítulo. Nessa situação, pode ter vários parágrafos. Em texto em que o autor fica girando em torno de
redações mais comuns, que em média têm de 25 a 80 ideias redundantes ou paralelas.
linhas, a introdução será o primeiro parágrafo. • Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeitamente
dispensáveis.
Desenvolvimento
• Quando não tem clareza de qual é a melhor conclusão,
o autor acaba se perdendo na argumentação final.
A maior parte do texto está inserida no
desenvolvimento, que é responsável por estabelecer uma
Em relação à abertura para novas discussões, a
ligação entre a introdução e a conclusão. É nessa etapa
conclusão não pode ter esse formato, exceto pelos
que são elaboradas as ideias, os dados e os argumentos
que sustentam e dão base às explicações e posições do seguintes fatores:
autor. É caracterizado por uma “ponte” formada pela • Para não influenciar a conclusão do leitor sobre
organização das ideias em uma sequência que permite temas polêmicos, o autor deixa a conclusão em
formar uma relação equilibrada entre os dois lados. aberto.
O autor do texto revela sua capacidade de discutir • Para estimular o leitor a ler uma possível continuidade
um determinado tema no desenvolvimento, e é através do texto, o autor não fecha a discussão de
desse que o autor mostra sua capacidade de defender propósito.
seus pontos de vista, além de dirigir a atenção do leitor • Por apenas apresentar dados e informações sobre
para a conclusão. As conclusões são fundamentadas a o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja
partir daqui. concluir o assunto.
Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, • Para que o leitor tire suas próprias conclusões, o
o escritor já deve ter uma ideia clara de como será a autor enumera algumas perguntas no final do
conclusão. Daí a importância em planejar o texto. texto.
Em média, o desenvolvimento ocupa 3/5 do texto, no
mínimo. Já nos textos mais longos, pode estar inserido A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o
em capítulos ou trechos destacados por subtítulos. autor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técnica
Apresentar-se-á no formato de parágrafos medianos e é um roteiro, em que estão presentes os planejamentos.
curtos. Naquele devem estar indicadas as melhores sequências
Os principais erros cometidos no desenvolvimento a serem utilizadas na redação; ele deve ser o mais enxuto
são o desvio e a desconexão da argumentação. O possível.
primeiro está relacionado ao autor tomar um argumento
secundário que se distancia da discussão inicial, ou SITE
quando se concentra em apenas um aspecto do tema e Disponível em:
esquece o seu todo. O segundo caso acontece quando <http://producao-de-textos.info/mos/view/
quem redige tem muitas ideias ou informações sobre o Caracter%C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/>
que está sendo discutido, não conseguindo estruturá-
las. Surge também a dificuldade de organizar seus
LÍNGUA PORTUGUESA
Conclusão
Considerada como a parte mais importante do texto, VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS
é o ponto de chegada de todas as argumentações
elaboradas. As ideias e os dados utilizados convergem A linguagem é a característica que nos difere dos
para essa parte, em que a exposição ou discussão se demais seres, permitindo-nos a oportunidade de
fecha. expressar sentimentos, revelar conhecimentos, expor
102
nossa opinião frente aos assuntos relacionados ao nosso ao profissionalismo, caracterizando um linguajar técnico.
cotidiano e, sobretudo, promovendo nossa inserção ao Representando a classe, podemos citar os médicos,
convívio social. Dentre os fatores que a ela se relacionam advogados, profissionais da área de informática, dentre
destacam-se os níveis da fala, que são basicamente dois: outros.
o nível de formalidade e o de informalidade. Vejamos um poema sobre o assunto:
O padrão formal está diretamente ligado à linguagem
escrita, restringindo-se às normas gramaticais de um Vício na fala
modo geral. Razão pela qual nunca escrevemos da
mesma maneira que falamos. Este fator foi determinante Para dizerem milho dizem mio
para a que a mesma pudesse exercer total soberania Para melhor dizem mió
sobre as demais. Para pior pió
Quanto ao nível informal, por sua vez, representa Para telha dizem teia
o estilo considerado “de menor prestígio”, e isto tem Para telhado dizem teiado
gerado controvérsias entre os estudos da língua, uma vez E vão fazendo telhados.
que, para a sociedade, aquela pessoa que fala ou escreve Oswald de Andrade
de maneira errônea é considerada “inculta”, tornando-se
desta forma um estigma. SITE
Compondo o quadro do padrão informal da Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
linguagem, estão as chamadas variedades linguísticas, gramatica/variacoes-linguisticas.htm>
as quais representam as variações de acordo com as
condições sociais, culturais, regionais e históricas em que
é utilizada. Dentre elas destacam-se:
Antigamente
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles
e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam
anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os
janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-
alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses
debaixo do balaio.”
Carlos Drummond de Andrade
103
c) a dispersão e a menor capacidade de conservar con-
teúdos.
HORA DE PRATICAR! d) a distração e a possibilidade de haver colaboração de
colegas e chefes.
(TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉDIO e) o isolamento na realização das tarefas e a vigilância
- VUNESP – 2017 - ADAPTADA) Leia o texto, para res- constante dos chefes.
ponder às questões de 1 a 7.
2. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos executi- DIO - VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que a
vos no setor de tecnologia já tinham feito – ele transferiu nova redação dada ao seguinte trecho do primeiro pará-
sua equipe para um chamado escritório aberto, sem pa- grafo apresenta concordância de acordo com a norma-
redes e divisórias. -padrão: Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas ele executivos no setor de tecnologia já tinham feito.
queria que todos estivessem juntos, para se conectarem
e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco tempo fi- a) Muitos executivos já havia transferido suas equipes
cou claro que Nagele tinha cometido um grande erro. para o chamado escritório aberto, como feito por Ch-
Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove ris Nagele.
empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio b) Mais de um executivo já tinham transferido suas equi-
chefe. pes para escritórios abertos, o que só aconteceu com
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança para Chris Nagele fazem mais de quatro anos.
o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa para um c) O que muitos executivos fizeram, transferindo suas
espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu próprio es- equipes para escritórios abertos, também foi feito por
paço, com portas e tudo. Chris Nagele, faz cerca de quatro anos.
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório d) Devem fazer uns quatro anos que Chris Nagele trans-
aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Uni- feriu sua equipe para escritórios abertos, tais como foi
dos são assim – e até onde se sabe poucos retornaram transferido por muitos executivos.
ao modelo de espaços tradicionais com salas e portas. e) Faz exatamente quatro anos que Chris Nagele fez o
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder até que já tinham sido feitos por outros executivos do se-
15% da produtividade, desenvolver problemas graves tor.
de concentração e até ter o dobro de chances de ficar 3. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que DIO - VUNESP – 2017) É correto afirmar que a expressão
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de – até então –, em destaque no início do segundo pará-
organização. grafo, expressa um limite, com referência
Desde que se mudou para o formato tradicional, Nagele
já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem sentir a) temporal ao momento em que se deu a transferência
falta do estilo de trabalho do escritório fechado. “Muita da equipe de Nagele para o escritório aberto.
gente concorda – simplesmente não aguentam o escri- b) espacial aos escritórios fechados onde trabalhava a
tório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e é equipe de Nagele antes da mudança para locais aber-
preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele. tos.
É improvável que o conceito de escritório aberto caia em c) temporal ao dia em que Nagele decidiu seguir o exem-
desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exemplo plo de outros executivos, e espacial ao tipo de escri-
de Nagele e voltando aos espaços privados. tório que adotou.
Há uma boa razão que explica por que todos adoram um d) espacial ao caso de sucesso de outros executivos do
espaço com quatro paredes e uma porta: foco. A verdade setor de tecnologia que aboliram paredes e divisórias.
é que não conseguimos cumprir várias tarefas ao mesmo e) espacial ao novo tipo de ambiente de trabalho, e tem-
tempo, e pequenas distrações podem desviar nosso foco poral às mudanças favoráveis à integração.
por até 20 minutos.
Retemos mais informações quando nos sentamos em um 4. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental e DIO - VUNESP – 2017) É correto afirmar que a expressão
design de interiores. – contudo –, destacada no quinto parágrafo, estabelece
(Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos podem uma relação de sentido com o parágrafo
ser ruins para funcionários.” Disponível em:<www1.
folha.uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adaptado) a) anterior, confirmando com estatísticas o sucesso das
empresas que adotaram o modelo de escritórios aber-
1. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- tos.
LÍNGUA PORTUGUESA
DIO - VUNESP – 2017) Segundo o texto, são aspectos b) posterior, expondo argumentos favoráveis à adoção
desfavoráveis ao trabalho em espaços abertos compar- do modelo de escritórios abertos.
tilhados c) anterior, atestando a eficiência do modelo aberto com
base em resultados de pesquisas.
a) a impossibilidade de cumprir várias tarefas e a restri- d) anterior, introduzindo informações que se contra-
ção à criatividade. põem à visão positiva acerca dos escritórios abertos.
b) a dificuldade de propor soluções tecnológicas e a e) posterior, contestando com dados estatísticos o for-
transferência de atividades para o lar. mato tradicional de escritório fechado.
104
5. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- Tenho estado atento às agruras e oportunidades da ci-
DIO - VUNESP – 2017) Assinale a frase do texto em que dade porque, depois de cinco anos vivendo na Granja
se identifica expressão do ponto de vista do próprio au- Viana, vim morar em Higienópolis. Lá em Cotia, no fim da
tor acerca do assunto de que trata. tarde, eu corria em volta de um lago, desviando de patos
e assustando jacus. Agora, aos domingos, corro pela Pau-
a) “Nunca se consegue terminar as coisas e é preciso levar lista ou Minhocão e, durante a semana, venho testando
mais trabalho para casa”, diz ele. (6.º parágrafo). diferentes percursos.
b) Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório Corri em volta do parque Buenos Aires e do cemitério da
aberto... (4.º parágrafo). Consolação, ziguezagueei por Santa Cecília e pelas en-
c) Retemos mais informações quando nos sentamos em costas do Sumaré, até que, na última terça, sem querer,
um local fixo, afirma Sally Augustin... (último parágra- descobri um insuspeito parque noturno com bastante
fo). gente, quase nenhum carro e propício a todo tipo de ati-
d) Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas vidades: o estacionamento do estádio do Pacaembu.
ele queria que todos estivessem juntos... (2.º parágra- (Antonio Prata. “O paulistano não é de jogar a toa-
fo). lha. Prefere estendê-la e deitar em cima.” Disponível
e) É improvável que o conceito de escritório aberto caia em:<http://www1.folha.uol.com.br/colunas>. Acesso em:
em desuso... (7.º parágrafo). 13.04.2017. Adaptado)
6. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- É correto afirmar que, do ponto de vista do autor, o pau-
DIO - VUNESP – 2017) Na frase – É improvável que o listano
conceito de escritório aberto caia em desuso... (7.º pará-
grafo) – a expressão em destaque tem o sentido de a) busca em Ipanema o contato com a natureza exube-
rante que não consegue achar em sua cidade.
a) sofra censura. b) sabe como vencer a rudeza da paisagem de São Paulo,
b) torne-se obsoleto. encontrando nesta espaços para o lazer.
c) mostre-se alterado. c) se vê impedido de realizar atividades esportivas, no
d) mereça sanção. mar de asfalto que é São Paulo.
e) seja substituído. d) tem feito críticas à cidade, porque ela não oferece ati-
vidades recreativas a seus habitantes.
7. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- e) toma Ipanema como um símbolo daquilo que se pode
DIO - VUNESP – 2017) O trecho destacado na passagem alcançar, apesar de muito andar e andar.
– Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e os nove
empregados estavam insatisfeitos, sem falar do próprio 9. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
chefe.– tem sentido de: DIO - VUNESP – 2015)
a) até mesmo o próprio chefe. Ser gentil é um ato de rebeldia. Você sai às ruas e insis-
b) apesar do próprio chefe. te, briga, luta para se manter gentil. O motorista quase
c) exceto o próprio chefe. te mata de susto buzinando e te xingando porque você
d) diante do próprio chefe. usou a faixa de pedestres quando o sinal estava fechado
e) portanto o próprio chefe. para ele. Você posta um pensamento gentil nas redes so-
ciais apesar de ler dezenas de comentários xenofóbicos,
8. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- homofóbicos, irônicos e maldosos sobre tudo e todos.
DIO - VUNESP – 2017) Inclusive você. Afinal, você é obviamente um idiota gentil.
O problema de São Paulo, dizia o Vinicius, “é que você Há teorias evolucionistas que defendem que as socieda-
anda, anda, anda e nunca chega a Ipanema”. Se tomar- des com maior número de pessoas altruístas sobrevive-
mos “Ipanema” ao pé da letra, a frase é absurda e cômi- ram por mais tempo por serem mais capazes de manter
ca. Tomando “Ipanema” como um símbolo, no entanto, a coesão. Pesquisadores da atualidade dizem, baseados
como um exemplo de alívio, promessa de alegria em em estudos, que gestos de gentileza liberam substâncias
meio à vida dura da cidade, a frase passa a ser de um tris-
que proporcionam prazer e felicidade.
te realismo: o problema de São Paulo é que você anda,
Mas gentileza virou fraqueza. É preciso ser macho pacas
anda, anda e nunca chega a alívio algum. O Ibirapuera, o
para ser gentil nos dias de hoje. Só consigo associar a
parque do Estado, o Jardim da Luz são uns raros respiros
aversão à gentileza à profunda necessidade de ser – ou
perdidos entre o mar de asfalto, a floresta de lajes bati-
parecer ser – invencível e bem-sucedido. Nossas fragili-
das e os Corcovados de concreto armado.
dades seriam uma vergonha social. Um empecilho à car-
O paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere
LÍNGUA PORTUGUESA
105
no nosso modelo de felicidade tem alguém chorando ali 13. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
no canto. Porque ser gentil abala sua autonomia. Enfim, I – CESGRANRIO-2018) O grupo em que todas as pala-
ser gentil está fora de moda. Estou sempre fora de moda. vras estão grafadas de acordo com a norma-padrão da
Querendo falar de gentileza, imaginem vocês! Pura rebel- língua portuguesa é:
dia. Sair por aí exibindo minhas vulnerabilidades e, em ato
de pura desobediência civil, esperar alguma cumplicidade. a) admissão, infração, renovação
Deve ser a idade. b) diversão, excessão, sucessão
(Ana Paula Padrão, Gentileza virou fraqueza. Disponível
c) extenção, eleição, informação
em: <http://www.istoe.com.br>. Acesso em: 27 jan 2015.
Adaptado) d) introdução, repreção, intenção
e) transmissão, conceção, omissão
É correto inferir que, do ponto de vista da autora, a gen-
tileza 14. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
FGV-2018) “A crise não trouxe apenas danos sociais e
a) é prerrogativa dos que querem ter sua importância re- econômicos”; se juntarmos os adjetivos sublinhados em
conhecida socialmente. um só vocábulo, a forma adequada será
b) é uma via de mão dupla, por isso não deve ser pratica-
da se não houver reciprocidade. a) sociais-econômicos.
c) representa um hábito primitivo, que pouco afeta as b) social-econômicos.
relações interpessoais. c) sociais-econômico.
d) restringe-se ao gênero masculino, pois este represen- d) socioeconômicos.
ta os mais fortes. e) socioseconômicos.
e) é uma qualidade desvalorizada em nossa sociedade
nos dias atuais.
15. (IBGE – ANALISTA CENSITÁRIO – AGRONOMIA –
10. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- FGV-2017) “É preciso levar em conta questões econô-
DIO - VUNESP – 2015) No final do último parágrafo, a micas e sociais”; se juntássemos os adjetivos sublinha-
autora caracteriza a gentileza como “ato de pura desobe- dos em forma de adjetivo composto, a forma correta, no
diência civil”; isso permite deduzir que contexto, seria:
106
então não passar __________. Vamos copiar a Europa na c) a criação de um vocabulário novo;
proibição, mas também na infraestrutura. d) a tentativa de copiar a fala;
(Seção “Leitor”, Veja, 14.07.2010. Adaptado) e) a grafia sem acentos ou sinais gráficos.
Os espaços do texto devem ser preenchidos, correta e 20. (TJ-SP – ADVOGADO - VUNESP/2013)
respectivamente, com: A Polícia Militar prendeu, nesta semana, um homem de
37 anos, acusado de ____________ de drogas e ____________
a) A dez anos … sub-desenvolvida … por quê … cidadões
… mau à avó de 74 anos de idade. Ele foi preso em __________
b) Há dez anos … subdesenvolvida … por que … cidadãos com uma pequena quantidade de drogas no bairro Ira-
… mal puá II, em Floriano, após várias denúncias de vizinhos. De
c) Fazem dez anos que … subdesenvolvida … porque … acordo com o Comandante do 3.º BPM, o acusado era
cidadões … mau conhecido na região pela atuação no crime.
d) São dez anos que … sub desenvolvida … porquê … (www.cidadeverde.com/floriano. Acesso em 23.06.2013.
cidadãos … mal Adaptado)
e) Faz dez anos que … sub-desenvolvida … porque … ci-
dadães … mau
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
18. (PM-SP - TECNÓLOGO DE ADMINISTRAÇÃO PO- as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectiva-
LICIAL MILITAR – VUNESP-2014) Leia a tira de Hagar, mente, com:
por Chris Browne, e assinale a alternativa que completa, a) tráfico … mal-tratos … flagrante
correta e respectivamente, as lacunas, em conformidade b) tráfego … maltratos … fragrante
com as regras de ortografia. c) tráfego … maus-trato … flagrante
d) tráfico … maus-tratos … flagrante
e) tráfico … mau-trato … fragrante
a) porque ... por que ... porque ... atraz (1) advérbio
b) por que ... por quê ... por que ... atraz (2) pronome
c) por que ... por que ... porque ... atráz (3) conjunção
d) porque ... porquê ... por que ... atrás (4) substantivo
e) por que ... por quê ... porque ... atrás
( ) “Não há prisão pior [...]”
19. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018)
( ) “O lugar de estudo era isso.”
( ) “E o olho sem se mexer [...]”
( ) “Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, [...]”
( ) “Emília respondeu com uma pergunta que me espan-
tou.”
a) 1 – 4 – 2 – 3 – 2
b) 2 – 1 – 3 – 3 – 4
c) 3 – 4 – 1 – 3 – 2
d) 4 – 2 – 4 – 1 – 3
107
23. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015) creem serem os únicos capazes de cuidar das pessoas e
Em “Mas o bom humor de ambos os tornava parecidos.”, das coisas, a palavra grifada tem a função de pronome
os termos destacados são, respectivamente, relativo, retomando um termo anterior. Do mesmo modo
como ocorre em:
a) artigo e pronome.
b) artigo e preposição. a) Os ianomâmis acreditam que os xamãs recebem dos
c) preposição e artigo. espíritos chamados “xapiris” a capacidade de cura.
d) pronome e artigo. b) Eu queria escrever para os não indígenas não acharem
e) preposição e pronome. que índio não sabe nada.
c) O branco está preocupado que não chove mais em
alguns lugares.
24. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
d) Gravou 15 fitas em que narrou também sua própria
– FGV-2017)
trajetória.
e) Não sabia o que me atrapalhava o sono.
Texto 1 - “A democracia reclama um jornalismo vigo-
roso e independente. A agenda pública é determinada 28. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AM-
pela imprensa tradicional. Não há um único assunto rele- BIENTE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018) De acordo com
vante que não tenha nascido numa pauta do jornalismo as normas da linguagem padrão, a colocação pronominal
de qualidade. Alguns formadores de opinião utilizam as está INCORRETA em:
redes sociais para reverberar, multiplicar e cumprem as- a) Virgínia encontrava-se acamada há semanas.
sim relevante papel mobilizador. Mas o pontapé inicial é b) A ferida não se curava com os remédios.
sempre das empresas de conteúdo independentes”. c) A benzedeira usava uma peruca que não favorecia-a.
(O Estado de São Paulo, 10/04/2017) d) Imediatamente lhe deram uma caneta-tinteiro verme-
lha.
O texto 1, do Estado de São Paulo, mostra um conjunto e) Enquanto se rezavam Ave-Marias, a ferida era circun-
de adjetivos sublinhados que poderiam ser substituídos dada.
por locuções; a substituição abaixo que está adequada é:
29. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) A
a) independente = com dependência; frase em que se deveria usar a forma EU em lugar de
b) pública = de publicidade; MIM é:
c) relevante = de relevância;
d) sociais = de associados; a) Um desejo de minha avó fez de mim um artista;
b) Há muitas diferenças entre mim e a minha futura mu-
e) mobilizador = de motivação.
lher;
c) Para mim, ver filmes antigos é a maior diversão;
25. (PC-SP - AUXILIAR DE NECROPSIA – VUNESP-2014) d) Entre mim viajar ou descansar, prefiro o descanso;
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica e) Separamo-nos, mas sempre de mim se lembra.
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme-
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é 30. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LE-
um adjetivo. GISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018-ADAPTADA) O
segmento em que a substituição do termo sublinhado
a) ... um câncer de boca horroroso, ... por um pronome pessoal foi feita de forma adequada é:
b) Ele tem dezesseis anos...
c) Eu queria que ele morresse logo, ... a) “deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência” / dei-
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- xou de ser-lhe;
mílias. b) “podemos definir violência” / podemos defini-la;
e) E o inferno não atinge só os terminais. c) “Hoje, esse termo denota, além de agressão física, di-
versos tipos de imposição” / denota-los;
26. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI- d) “Consideremos o surgimento das desigualdades” /
NISTRATIVA – AOCP-2015) Assinale a alternativa cujo consideremos-lo;
“que” em destaque funciona como pronome relativo. e) “ao nos referirmos à violência” / ao nos referirmo-la.
a) «É uma maneira de expressar a vontade que a gente 31. (MPU – Conhecimentos Básicos para os Cargos de
tem. Acho que um voto pode fazer a diferença”. 11 a 26 – CESPE-2013)
Recordar algo nunca ocorrido é comum e pode aconte-
b) “Ele diz que vota desde os 18...”.
cer com pessoas de qualquer idade. Muitos indivíduos
c) “Acho que um voto pode fazer a diferença”.
sequer percebem que determinadas lembranças foram
d) “... e acreditam que um voto consciente agora pode
LÍNGUA PORTUGUESA
108
Um neurocientista de uma equipe que pesquisa esse as- De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
sunto afirma que se busca reforçar a ideia de que a me- as lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res-
mória não pode ser considerada um papel carbono, ou pectivamente, com:
seja, de que ela não reproduz fielmente um acontecimen-
to. “Nossa esperança é que, ao propor uma explicação a) Se enche … movem-se
neural para o processo de geração das falsas memórias, b) Se enchem … se movem
haja aplicações práticas nas cortes de justiça, por exem- c) Enchem-se … se move
plo”, diz o cientista. “Jurados e magistrados precisam de d) Enche-se … move-se
evidências de que, por mais real que aparente ser, um e) Enche-se … se movem
fato recordado por uma testemunha pode não ser verda-
deiro. A memória humana não é como uma memória de 34. (PC-SP - AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP-2013) As-
computador, não está certa o tempo todo.” sinale a alternativa correta quanto à colocação prono-
O neurocientista relatou que quase três quartos dos pri- minal, de acordo com a norma-padrão da língua portu-
meiros 250 americanos que tiveram suas condenações guesa.
penais anuladas graças ao exame de DNA haviam sido a) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situação
vítimas de falso testemunho ocular. Um psicólogo en- de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida.
trevistado afirmou que, dependendo de como se conduz b) O homem se indignou quando propuseram-lhe que
uma acareação, ela pode confundir a pessoa interrogada. abrisse a bolsa que encontrara.
Correio Braziliense, 26/7/2013 (com adaptações). c) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos
O trecho “a memória não pode ser considerada um papel restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
carbono” poderia ser corretamente reescrita da seguinte d) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que
forma: não pode-se considerá-la papel carbono. eles sejam sempre trazidos junto ao corpo.
e) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma ten-
( ) CERTO ( ) ERRADO dência natural das pessoas em devolvê-los a seus do-
nos.
32. (PC-MS – DELEGADO DE POLÍCIA – FAPEMS-2017)
35. (CONCURSO INTERNO DE SELEÇÃO PARA O CUR-
De acordo com os padrões da língua portuguesa, assina-
SO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS - PM/2014) A fra-
le a alternativa correta.
se – Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto.
– está corretamente reescrita quanto à flexão verbal, à
a) A frase: “Ela lhe ama” está correta visto que “amar” pontuação e à colocação pronominal em:
se classifica como verbo transitivo direto, pois quem a) Se remordia, o amigo, no seu canto, sem que nada
ama, ama alguém. visse.
b) Em: “Sou te fiel”, o pronome oblíquo átono desem- b) O amigo, sem que nada vesse, se remordia no seu can-
penha função sintática de complemento nominal por to.
complementar o sentido de adjetivos, advérbios ou c) Remordia-se, no seu canto, o amigo, sem que nada
substantivos abstratos, além de constituir emprego de visse.
ênclise. d) Se remordia no seu canto o amigo, sem que nada ves-
c) No exemplo: “Demos a ele todas as oportunidades”, o se.
termo em destaque pode ser substituído por “Demo
lhes” todas as oportunidades”, tendo em vista o em- 36. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017-
prego do pronome oblíquo como complemento do ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o trecho está
verbo. reescrito conforme a norma-padrão da língua portugue-
d) Em: “Não me ..incomodo com esse tipo de barulho”, sa, com a expressão destacada substituída pelo pronome
te.mos.um clássico emprego de mesóclise. correspondente.
e) Na frase: “Alunos, aquietem-se! “, o termo destacado
exemplifica o uso de próclise. a) ... o prazer de contar aquelas histórias... → ... o prazer
de contar-nas...
33. (PC-SP - INVESTIGADOR DE POLÍCIA – VU- b) ... meio século sem escrever livros. → ... meio século
NESP-2014) sem escrevê-los.
c) ... puxo a mesinha... → ... puxo-lhe...
Compras de Natal d) ... livro que reúne entrevistas e textos de Ernest He-
mingway... → ... livro que reúne-as...
A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. e) O médico que atendia pacientes... → O médico que
__________ de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões lhe atendia...
que não sobem, anjos e santos que não __________ , estre-
las que jamais estiveram no céu. 37. (TRE-PR – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI-
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano NISTRATIVA – FCC-2017) A substituição do elemento
LÍNGUA PORTUGUESA
inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão sublinhado pelo pronome correspondente, com os ne-
de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coi- cessários ajustes no segmento, foi realizada de acordo
sas que possam representar beleza e excelência. com a norma padrão em:
Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em po- a) quem considera o amor abstrato = quem lhe consi-
bres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil dera abstrato
anos, num abrigo de animais, em Belém. b) consideram o amor algo ingênuo e pueril = conside-
(Cecília Meireles, Quatro Vozes. Adaptado) ram-lhe algo ingênuo e pueril
109
c) parece que inviabiliza o amor = parece que inviabili- para sobreviver.” A forma reduzida de “para sobreviver”
za-lhe pode ser nominalizada de forma conveniente na seguin-
d) o ressentimento é cego ao amor = o ressentimento te alternativa:
lhe é cego
e) o amor não vê a hipocrisia = o amor não lhe vê a) para que sobrevivam.
b) a fim de que sobrevivessem.
38. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LE- c) para sua sobrevida.
GISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) d) no intuito de sobreviverem.
e) para sua sobrevivência.
Texto 1 – Guerra civil
Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017 41. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR-
GO 33 – TÉCNICO ÁREA ADMINISTRATIVA - NÍVEL
O 11.º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pú- MÉDIO – CESPE-2013)
blica, mostrando o crescimento das mortes violentas no O Ministério Público é fruto do desenvolvimento do es-
Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram tado brasileiro e da democracia. A sua história é marcada
61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. por processos que culminaram na sua formalização insti-
Outro dado relevante é o crescimento da violência em tucional e na ampliação de sua área de atuação.
alguns estados do Sul e do Sudeste. No período colonial, o Brasil foi orientado pelo direito
Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca lusitano. Não havia o Ministério Público como instituição.
os inaceitáveis números da violência no país. Todos se Mas as Ordenações Manuelinas de 1521 e as Ordena-
assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. ções Filipinas de 1603 já faziam menção aos promotores
Tem sido assim com o governo federal e boa parte das de justiça, atribuindo a eles o papel de fiscalizar a lei e
demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o ar- de promover a acusação criminal. Existiam os cargos de
gumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo procurador dos feitos da Coroa (defensor da Coroa) e de
em períodos de economia mais forte, pouco se viu da im- procurador da Fazenda (defensor do fisco).
plementação de programas estruturantes com o objetivo A Constituição de 1988 faz referência expressa ao Mi-
de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição nistério Público no capítulo Das Funções Essenciais à
de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medi- Justiça. Define as funções institucionais, as garantias e as
das essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas vedações de seus membros. Isso deu evidência à institui-
e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, ção, tornando-a uma espécie de ouvidoria da sociedade
deve ser parte de um programa bem articulado, que per- brasileira.
mita o acompanhamento das ações e que incentive o Internet: <www.mpu.mp.br> (com adaptações).
trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da
União e das guardas municipais. No período “A sua história é marcada por processos que
culminaram”, o termo “que” introduz oração de natureza
O segmento do texto 1 em que a conjunção E tem valor restritiva.
adversativo (oposição) e NÃO aditivo (adição) é:
a) “...crescimento da violência em alguns estados do Sul ( ) CERTO ( ) ERRADO
e do Sudeste”;
b) “Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação de- 42. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR-
corre de fato”; GO 33 – TÉCNICO ÁREA ADMINISTRATIVA - NÍVEL
c) “Tem sido assim com o governo federal e boa parte MÉDIO – CESPE-2013)
das demais unidades da Federação”; Uma legislação que tenha hoje 70 anos de vigência en-
d) “...viaturas e novas tecnologias”; trou em vigor muito antes do lançamento do primeiro
e) “Definir metas e alcançá-las...”. computador pessoal e do início da histórica revolução
imposta pela tecnologia digital. Isso não seria proble-
ma se esse não fosse o caso da Consolidação das Leis
39. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – AR-
do Trabalho (CLT), destinada a regular um dos universos
QUITETURA – FGV-2017) “... implica poder decifrar as
mais impactados por esta revolução, o das relações tra-
referências cristãs...”; a forma reduzida sublinhada fica
balhistas.
convenientemente substituída por uma oração em forma
Instituída por Getúlio Vargas para outro Brasil — ainda
desenvolvida na seguinte opção:
agrário, com indústria e serviços incipientes —, a CLT tem
sido defendida por sindicatos em nome da “preservação
a) a possibilidade de decifrar as referências cristãs;
dos direitos do trabalhador”.
b) a possibilidade de decifração das referências cristãs;
Na vida real, longe das ideologias, a CLT, em função dos
LÍNGUA PORTUGUESA
110
43. (PC-RS – DELEGADO DE POLÍCIA – FUNDA- Essa “cultura de massas” nasce com o predomínio da
TEC-2018 - ADAPTADA) Observe a frase: “com o gover- imagem e do som sobre a palavra, ou seja, com a tela.
no criando leis e começando a punir quem agride o meio A indústria cinematográfica, sobretudo a partir de Holly-
ambiente” e avalie as afirmações seguintes: wood, “globaliza” os filmes, levando-os a todos os países,
a todas as camadas sociais. Esse processo se acelerou
I. O sujeito das formas verbais criando e começando é com a criação das redes sociais e a universalização da
o mesmo. internet.
II. O sujeito de punir é inexistente. Tal cultura planetária teria, ainda, desenvolvido um indi-
III. O sujeito de agride é representado pelo pronome in- vidualismo extremo em todo o globo. Contudo, a publi-
definido, portanto, classifica-se como indeterminado. cidade e as modas que lançam e impõem os produtos
culturais em nossos tempos são um obstáculo a indiví-
Quais estão corretas? duos independentes.
O que não está claro é se essa cultura-mundo é cultura
a) Apenas I. em sentido estrito, ou se nos referimos a coisas com-
b) Apenas II. pletamente diferentes quando falamos, por um lado, de
c) Apenas III. uma ópera de Wagner e, por outro, dos filmes de Hitch-
d) Apenas I e II. cock e de John Ford.
e) Apenas II e III. A meu ver, a diferença essencial entre a cultura do passa-
do e o entretenimento de hoje é que os produtos daque-
44. (PROCESSO SELETIVO INTERNO DA SECRETARIA la pretendiam transcender o tempo presente, continuar
DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO-PE vivos nas gerações futuras, ao passo que os produtos
– SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR - FM-2010) A frase: deste são fabricados para serem consumidos no mo-
“Começa vacinação contra gripe A.”, só não está correta- mento e desaparecer. Cultura é diversão, e o que não é
mente analisada em: divertido não é cultura.
(Adaptado de: VARGAS LLOSA, M. A civilização do espetá-
culo. Rio de Janeiro, Objetiva, 2013, formato ebook)
a) O sujeito é classificado como simples
b) O núcleo do sujeito é vacinação.
Possuem os mesmos tipos de complemento os verbos
c) O verbo é classificado como intransitivo.
grifados em:
d) Vacinação é um substantivo abstrato.
e) O objeto direto é vacinação contra gripe A.
a) ... nossa época produz milagres todos os dias. // ... o
mito de que as humanidades humanizam.
45. (TRF-4.ª REGIÃO – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
b) Essa “cultura de massas” nasce com o predomínio... //
ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC-2014) Um deles é o de Gilles Lipovetski...
c) A pós-modernidade destruiu o mito de que... // ... nos-
No campo da técnica e da ciência, nossa época produz sa época produz milagres todos os dias.
milagres todos os dias. Mas o progresso moderno tem d) Essa cultura de massas nasce com o predomínio... // ...
amiúde um custo destrutivo, por exemplo, em danos ir- e nem sempre contribui para...
reparáveis à natureza, e nem sempre contribui para re- e) ... as ciências podem prosperar nas proximidades... //
duzir a pobreza. A pós-modernidade destruiu o mito de que...
A pós-modernidade destruiu o mito de que as humani-
dades humanizam. Não é indubitável aquilo em que acre- 46. (TRF-2.ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA
ditam tantos filósofos otimistas, ou seja, que uma educa- ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017)
ção liberal, ao alcance de todos, garantiria um futuro de
liberdade e igualdade de oportunidades nas democracias Internet e as novas mídias: contribuições para a proteção
modernas. George Steiner, por exemplo, afirma que “bi- do meio ambiente no ciberespaço
bliotecas, museus, universidades, centros de investigação
por meio dos quais se transmitem as humanidades e as A sociedade passou por profundas transformações em
ciências podem prosperar nas proximidades dos campos que a realidade socioeconômica modificou-se com ra-
de concentração”. “O que o elevado humanismo fez de pidez junto ao desenvolvimento incessante das econo-
bom para as massas oprimidas da comunidade? Que uti- mias de massas. Os mecanismos de produção desenvol-
lidade teve a cultura quando chegou a barbárie?” veram-se de tal forma a adequarem-se às necessidades
e vontades humanas. Contudo, o homem não mediu as
Numerosos trabalhos procuraram definir as característi- possíveis consequências que tal desenvolvimento pudes-
cas da cultura no contexto da globalização e da extraordi-
LÍNGUA PORTUGUESA
111
espaços virtuais de interatividade, por meio das novas II. “Contudo, o homem não mediu as possíveis consequên-
mídias, as quais representam novos meios de comuni- cias [...]” (1º§)
cação, tem-se o debate sobre a problemática ambiental. III. “Desse modo, a preocupação com o meio ambiente é
O capitalismo foi reestruturado e a partir das transforma- questionada, [...]” (2º§)
ções científicas e tecnológicas deu-se origem a um novo IV. “[...] por meio das novas mídias, as quais representam
estabelecimento social, em que por meio de redes e da novos meios de comunicação, [...]” (2º§)
cultura da virtualidade, configura-se a chamada socieda- Os verbos que, no contexto, exigem o mesmo tipo de
complemento verbal, foram empregados em apenas
de informacional, na qual a comunicação e a informação
constituem-se ferramentas essenciais da Era Digital. a) I e II.
As novas mídias, por meio da utilização da Internet, estão b) I, III e IV.
sendo consideradas como novos instrumentos de prote- c) II e IV.
ção do meio ambiente, na medida em que proporcionam d) II, III e IV.
a expansão da informação ambiental, de práticas susten-
táveis, de reivindicações e ensejo de decisões em prol do 47. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
meio ambiente. I – CESGRANRIO-2018) O sinal de dois-pontos (:) está
No ciberespaço, devido à conectividade em tempo real, é empregado de acordo com a norma-padrão da língua
possível promover debates de inúmeras questões como portuguesa em:
a construção da hidrelétrica de Belo Monte, o Novo Có-
digo Florestal, Barra Grande, dentre outras, as quais en- a) A diferença entre notícias falsas e verdadeiras é maior
sejam por tomada de decisões políticas, jurídicas e so- no campo da política: é menor nas publicações rela-
ciais. [...] cionadas às catástrofes naturais.
Vislumbra-se que a Internet é um meio que aproxima b) A explicação para a difusão de notícias falsas é que
os usuários compartilham informações com as quais
pessoas e distâncias, sendo utilizada por um número ili-
concordam: pois não verificam as fontes antes.
mitado de pessoas, a custo razoável e em tempo real. c) As informações enganosas são mais difundidas do que
De fato, a Internet proporciona benefícios, pois, além de as verdadeiras: de acordo com estudo recente feito
promover a circulação de informações, a curto espaço de por um instituto de pesquisa.
tempo, muitos debates virtuais produzem manifestações d) As notícias falsas podem ser desmascaradas com o
sociais. Assim sendo, tem-se a democratização das infor- uso do bom senso: mas esperar isso de todo mundo é
mações através dos espaços virtuais, como blogs, web- quase impossível.
sites, redes sociais, jornais virtuais, sites especializados, e) As revistas especializadas dão alguns conselhos: não
sites oficiais, dentre outros, de modo a expandir conheci- entre em sites desconhecidos e não compartilhe notí-
mentos, promover discussões e, por vezes, influenciando cias sem fonte confiável.
nas tomadas de decisões dos governantes e na prolife-
ração de movimentos sociais. Desse modo, os cidadãos 48. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
acabam participando e exercendo a cidadania de forma I – CESGRANRIO-2018) A vírgula está empregada cor-
democrática no ciberespaço. [...] retamente em:
Faz-se necessária a execução de ações concretas em prol
a) A divulgação de histórias falsas pode ter consequên-
do meio ambiente, com adaptação e intermédio do novo
cias reais desastrosas: prejuízos, financeiros e cons-
padrão de democracia participativa fomentado pelas no- trangimentos às empresas.
vas mídias, a fim de enfrentar a gestão dos riscos am-
bientais, dentre outras questões socioambientais. Ainda, b) As novas tecnologias, criaram um abismo ao separar
são necessárias discussões aprofundadas sobre a com- quem está conectado de quem não faz parte do mun-
plexidade ambiental, agregando a interdisciplinaridade do digital.
para escolhas sustentáveis e na difusão do conhecimen- c) As pessoas tendem a aceitar apenas as declarações que
to. E, embora haja inúmeros desafios a percorrer com a confirmam aquilo que corresponde, às suas crenças.
utilização das tecnologias de comunicação e informação d) Os jornalistas devem verificar as fontes citadas, cruzar
(novas TIC’s), entende-se que a atuação das novas mídias dados e checar se as informações refletem a realidade.
é de suma importância, pois possibilita a expansão da
informação, a práxis ambiental, o debate e as aspirações e) Os consumidores de notícias não agem como cientis-
dos cidadãos, contribuindo, dessa forma, para a proteção tas porque não estão preocupados em conferir, pon-
do meio ambiente. tos de vista alternativos.
(SILVA NUNES, Denise. Internet e as novas mídias: con-
49. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
tribuições para a proteção do meio ambiente no ciberes-
GRANRIO-2018) A vírgula foi plenamente empregada
paço. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XVI, n. 115, ago. de acordo com as exigências da norma-padrão da língua
2013. Disponível em: http://ambito - juridico.com.br/
LÍNGUA PORTUGUESA
portuguesa em:
site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=13051&re-
vista_caderno=17. Acesso em: jan. 2017. Adaptado.) a) A conexão é feita por meio de uma plataforma especí-
fica, e os conteúdos, podem ser acessados pelos dis-
Analise os trechos a seguir. positivos móveis dos passageiros.
b) O mercado brasileiro de automóveis, ainda é muito
I. “[...] adequarem-se às necessidades e vontades huma- grande, porém não é capaz de absorver uma presença
nas.” (1º§) maior de produtos vindos do exterior.
112
c) Depois de chegarem às telas dos computadores e ce-
lulares, as notícias estarão disponíveis em voos inter-
nacionais. GABARITO
d) Os últimos dados mostram que, muitas economias
apresentam crescimento e inflação baixa, fazendo
com que os juros cresçam pouco.
e) Pode ser que haja uma grande procura de carros im-
portados, mas as montadoras vão fazer os cálculos e 1 C
ver, se a importação vale a pena.
2 C
50. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010) 3 A
Para a maioria das pessoas, os assaltantes, assassinos e 4 D
traficantes que possam ser encontrados em uma rua es-
cura da cidade são o cerne do problema criminal. Mas os 5 E
danos que tais criminosos causam são minúsculos quan- 6 B
do comparados com os de criminosos respeitáveis, que
7 A
vestem colarinho branco e trabalham para as organiza-
ções mais poderosas. Estima-se que as perdas provoca- 8 B
das por violações das leis antitrust — apenas um item de 9 E
uma longa lista dos principais crimes do colarinho bran-
10 A
co — sejam maiores que todas as perdas causadas pelos
crimes notificados à polícia em mais de uma década, e 11 E
as relativas a danos e mortes provocadas por esse crime 12 E
apresentam índices ainda maiores. A ocultação, pela in-
dústria do asbesto (amianto), dos perigos representados 13 A
por seus produtos provavelmente custou tantas vidas 14 D
quanto as destruídas por todos os assassinatos ocorridos 15 D
nos Estados Unidos da América durante uma década in-
teira; e outros produtos perigosos, como o cigarro, tam- 16 B
bém provocam, a cada ano, mais mortes do que essas. 17 B
James William Coleman. A elite do crime. 5.ª ed., São 18 E
Paulo: Manole, 2005, p. 1 (com adaptações).
19 E
Não haveria prejuízo para o sentido original do texto 20 D
nem para a correção gramatical caso a expressão “a cada 21 A
ano” fosse deslocada, com as vírgulas que a isolam, para
imediatamente depois de “e”. 22 E
23 A
( ) CERTO ( ) ERRADO
24 C
25 A
26 A
27 D
28 C
29 D
30 B
31 ERRADO
32 B
33 E
34 D
35 C
LÍNGUA PORTUGUESA
36 B
37 D
38 B
39 D
40 E
113
41 CERTO ANOTAÇÕES
42 CERTO
43 A
44 E _________________________________________________
45 C _________________________________________________
46 C _________________________________________________
47 E
_________________________________________________
48 D
49 C _________________________________________________
50 CERTO _________________________________________________
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114
ÍNDICE
LEGISLAÇÃO
1
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pes- Art. 6º É dever dos pais ou responsáveis efetuar a ma-
quisa e da criação artística, segundo a capacidade de trícula das crianças na educação básica a partir dos 4
cada um; (quatro) anos de idade.
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às
condições do educando; Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e as seguintes condições:
adultos, com características e modalidades adequadas I - cumprimento das normas gerais da educação na-
às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se cional e do respectivo sistema de ensino;
aos que forem trabalhadores as condições de acesso e II - autorização de funcionamento e avaliação de qua-
permanência na escola; lidade pelo Poder Público;
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o
da educação básica, por meio de programas suple- previsto no art. 213 da Constituição Federal.
mentares de material didático-escolar, transporte, ali-
mentação e assistência à saúde; Art. 7º-A Ao aluno regularmente matriculado em
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, defi- instituição de ensino pública ou privada, de qualquer
nidos como a variedade e quantidade mínimas, por nível, é assegurado, no exercício da liberdade de cons-
aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento ciência e de crença, o direito de, mediante prévio e
do processo de ensino-aprendizagem. motivado requerimento, ausentar-se de prova ou de
X - vaga na escola pública de educação infantil ou de aula marcada para dia em que, segundo os preceitos
ensino fundamental mais próxima de sua residência a de sua religião, seja vedado o exercício de tais ativida-
toda criança a partir do dia em que completar 4 (qua- des, devendo-se-lhe atribuir, a critério da instituição e
tro) anos de idade. sem custos para o aluno, uma das seguintes presta-
Art. 4º-A. É assegurado atendimento educacional, du- ções alternativas, nos termos do inciso VIII do caput do
rante o período de internação, ao aluno da educação art. 5º da Constituição Federal:
básica internado para tratamento de saúde em regime I - prova ou aula de reposição, conforme o caso, a ser
hospitalar ou domiciliar por tempo prolongado, con- realizada em data alternativa, no turno de estudo do
forme dispuser o Poder Público em regulamento, na aluno ou em outro horário agendado com sua anuên-
esfera de sua competência federativa. cia expressa;
II - trabalho escrito ou outra modalidade de atividade
Art. 5º O acesso à educação básica obrigatória é direi- de pesquisa, com tema, objetivo e data de entrega de-
to público subjetivo, podendo qualquer cidadão, gru- finidos pela instituição de ensino.
po de cidadãos, associação comunitária, organização § 1º A prestação alternativa deverá observar os pa-
sindical, entidade de classe ou outra legalmente cons- râmetros curriculares e o plano de aula do dia da au-
tituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder sência do aluno.
público para exigi-lo. § 2º O cumprimento das formas de prestação alter-
§ 1º O poder público, na esfera de sua competência nativa de que trata este artigo substituirá a obrigação
federativa, deverá: original para todos os efeitos, inclusive regularização
I - recensear anualmente as crianças e adolescentes do registro de frequência.
em idade escolar, bem como os jovens e adultos que § 3º As instituições de ensino implementarão progres-
não concluíram a educação básica; sivamente, no prazo de 2 (dois) anos, as providências e
II - fazer-lhes a chamada pública; adaptações necessárias à adequação de seu funciona-
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequên- mento às medidas previstas neste artigo.
cia à escola. § 4º O disposto neste artigo não se aplica ao ensino
§ 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Pú- militar a que se refere o art. 83 desta Lei.
blico assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino
obrigatório, nos termos deste artigo, contemplando Conforme se percebe pelo artigo 4º, divide-se em
em seguida os demais níveis e modalidades de ensino, etapas a formação escolar, nos seguintes termos:
conforme as prioridades constitucionais e legais. - A educação básica é obrigatória e gratuita. Envol-
§ 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste ve a pré-escola, o ensino fundamental e o ensino
artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judi- médio. A educação infantil deve ser garantida pró-
ciário, na hipótese do § 2º do art. 208 da Constituição xima à residência. Com efeito, existe a garantia do
Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judi- direito à creche gratuita. No mais, pessoas fora da
cial correspondente. idade escolar que queiram completar seus estudos
§ 4º Comprovada a negligência da autoridade com- têm direito ao ensino fundamental e médio.
petente para garantir o oferecimento do ensino obri- - A educação superior envolve os níveis mais eleva-
gatório, poderá ela ser imputada por crime de respon- dos do ensino, da pesquisa e da criação artística,
LEGISLAÇÃO
2
O artigo 5º reitera a gratuidade e obrigatoriedade do e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus
ensino básico e assegura a possibilidade de se buscar ju- conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação
dicialmente a garantia deste direito em caso de negati- básica comum;
va pelo poder público. Será possível fazê-lo por meio de IV-A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o
mandado de segurança ou ação civil pública. Além da ju- Distrito Federal e os Municípios, diretrizes e procedi-
dicialização para fazer valer o direito na esfera cível, cabe mentos para identificação, cadastramento e atendi-
em caso de negligência o acionamento na esfera penal, mento, na educação básica e na educação superior, de
buscando-se a punição por crime de responsabilidade. alunos com altas habilidades ou superdotação;
Adiante, coloca-se o dever dos pais ou responsáveis V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a
efetuar a matrícula da criança. educação;
Por fim, o artigo 7º estabelece a possibilidade do en- VI - assegurar processo nacional de avaliação do
sino particular, desde que sejam respeitadas as normas rendimento escolar no ensino fundamental, médio e
da educação nacional, autorizado o funcionamento pelo superior, em colaboração com os sistemas de ensino,
poder público e que tenha possibilidade de se manter objetivando a definição de prioridades e a melhoria da
independentemente de auxílio estatal, embora exista qualidade do ensino;
previsão de tais auxílios em circunstâncias determinadas VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação
descritas no artigo 213, CF. e pós-graduação;
Já o artigo 7o-A, passando a valer em 03 de março de VIII - assegurar processo nacional de avaliação das
2019, disciplina o direito do aluno de, por motivo religio-
instituições de educação superior, com a cooperação
so, faltar à aula ou à prova, devendo ser aplicada ativida-
dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este
de ou aula substitutiva para eventual reposição.
nível de ensino;
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e
#FicaDica avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de
educação superior e os estabelecimentos do seu siste-
A LDB amplia o conteúdo da própria CF, ao ma de ensino.
garantir não apenas o ensino fundamental, § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho
mas todo o ensino básico (pré-escola, fun- Nacional de Educação, com funções normativas e de
damental e médio) como obrigatório e gra- supervisão e atividade permanente, criado por lei.
tuito, também prevendo de forma expressa § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a
a gratuidade do ensino infantil (creches). IX, a União terá acesso a todos os dados e informa-
ções necessários de todos os estabelecimentos e ór-
gãos educacionais.
TÍTULO IV § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser
DA ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL delegadas aos Estados e ao Distrito Federal, desde que
mantenham instituições de educação superior.
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu-
nicípios organizarão, em regime de colaboração, os Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
respectivos sistemas de ensino. I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e insti-
§ 1º Caberá à União a coordenação da política na- tuições oficiais dos seus sistemas de ensino;
cional de educação, articulando os diferentes níveis e II - definir, com os Municípios, formas de colaboração
sistemas e exercendo função normativa, redistributiva na oferta do ensino fundamental, as quais devem as-
e supletiva em relação às demais instâncias educa- segurar a distribuição proporcional das responsabili-
cionais. dades, de acordo com a população a ser atendida e os
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organi- recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas
zação nos termos desta Lei. esferas do Poder Público;
III - elaborar e executar políticas e planos educacio-
Art. 9º A União incumbir-se-á de: nais, em consonância com as diretrizes e planos na-
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em cola- cionais de educação, integrando e coordenando as
boração com os Estados, o Distrito Federal e os Mu- suas ações e as dos seus Municípios;
nicípios; IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e ins- avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de
tituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos educação superior e os estabelecimentos do seu siste-
Territórios; ma de ensino;
III - prestar assistência técnica e financeira aos Esta-
dos, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desen- V - baixar normas complementares para o seu sistema
volvimento de seus sistemas de ensino e o atendimen- de ensino;
to prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo
LEGISLAÇÃO
3
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
competências referentes aos Estados e aos Municípios. I - participar da elaboração da proposta pedagógica
do estabelecimento de ensino;
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e insti- proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
tuições oficiais dos seus sistemas de ensino, integran- III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
do-os às políticas e planos educacionais da União e IV - estabelecer estratégias de recuperação para os
dos Estados; alunos de menor rendimento;
II - exercer ação redistributiva em relação às suas es- V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabeleci-
colas; dos, além de participar integralmente dos períodos
III - baixar normas complementares para o seu siste- dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desen-
ma de ensino; volvimento profissional;
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabele- VI - colaborar com as atividades de articulação da es-
cimentos do seu sistema de ensino; cola com as famílias e a comunidade.
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-es-
colas, e, com prioridade, o ensino fundamental, per- Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da
mitida a atuação em outros níveis de ensino somente gestão democrática do ensino público na educação
quando estiverem atendidas plenamente as neces- básica, de acordo com as suas peculiaridades e con-
sidades de sua área de competência e com recursos forme os seguintes princípios:
acima dos percentuais mínimos vinculados pela Cons- I - participação dos profissionais da educação na ela-
tituição Federal à manutenção e desenvolvimento do boração do projeto pedagógico da escola;
ensino. II - participação das comunidades escolar e local em
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede conselhos escolares ou equivalentes.
municipal. Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unida-
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, des escolares públicas de educação básica que os in-
por se integrar ao sistema estadual de ensino ou com- tegram progressivos graus de autonomia pedagógica
por com ele um sistema único de educação básica. e administrativa e de gestão financeira, observadas as
normas gerais de direito financeiro público.
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as
normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão Art. 16. O sistema federal de ensino compreende:
a incumbência de: I - as instituições de ensino mantidas pela União;
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; II - as instituições de educação superior mantidas pela
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais iniciativa privada;
e financeiros; III - os órgãos federais de educação.
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-
-aula estabelecidas; Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de Federal compreendem:
cada docente; I - as instituições de ensino mantidas, respectivamen-
V - prover meios para a recuperação dos alunos de te, pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal;
menor rendimento; II - as instituições de educação superior mantidas pelo
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, Poder Público municipal;
criando processos de integração da sociedade com a III - as instituições de ensino fundamental e médio
escola; criadas e mantidas pela iniciativa privada;
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Fe-
filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a deral, respectivamente.
frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de
a execução da proposta pedagógica da escola; educação infantil, criadas e mantidas pela iniciativa
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município a re- privada, integram seu sistema de ensino.
lação dos alunos que apresentem quantidade de faltas
acima de 30% (trinta por cento) do percentual permi- Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreen-
tido em lei; dem:
IX - promover medidas de conscientização, de preven- I - as instituições do ensino fundamental, médio e de
ção e de combate a todos os tipos de violência, es- educação infantil mantidas pelo Poder Público muni-
pecialmente a intimidação sistemática (bullying), no cipal;
âmbito das escolas; II - as instituições de educação infantil criadas e man-
X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura tidas pela iniciativa privada;
LEGISLAÇÃO
4
I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorpo- CAPÍTULO II
radas, mantidas e administradas pelo Poder Público; DA EDUCAÇÃO BÁSICA
II - privadas, assim entendidas as mantidas e admi-
nistradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito SEÇÃO I
privado. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
III - comunitárias, na forma da lei.
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desen-
§ 1º As instituições de ensino a que se referem os in-
volver o educando, assegurar-lhe a formação comum
cisos II e III do caput deste artigo podem qualificar-se indispensável para o exercício da cidadania e forne-
como confessionais, atendidas a orientação confessio- cer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos
nal e a ideologia específicas. posteriores.
§ 2º As instituições de ensino a que se referem os inci-
sos II e III do caput deste artigo podem ser certificadas Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em
como filantrópicas, na forma da lei. séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância
regular de períodos de estudos, grupos não-seriados,
Art. 20. (Revogado pela Lei nº 13.868, de 2019) com base na idade, na competência e em outros cri-
A LDB estabelece um regime de colaboração entre térios, ou por forma diversa de organização, sempre
as entidades de ensino nas esferas federativas diversas, que o interesse do processo de aprendizagem assim o
no entanto, coloca competência à União de encabeçar e recomendar.
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusi-
coordenar os sistemas de ensino. Tal papel de liderança,
ve quando se tratar de transferências entre estabele-
descrito no artigo 9º, envolve poderes de regulação e de cimentos situados no País e no exterior, tendo como
controle, autorizando funcionamento ou suspendendo- base as normas curriculares gerais.
-o, realizando avaliação constante de desempenho, entre § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às pecu-
outros deveres. liaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a
Uma nota interessante é reparar que o artigo 10 es- critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso
tabelece o dever dos Estados de garantir a educação no reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei.
ensino fundamental e priorizar a educação no ensino
médio, ao passo que o artigo 11 coloca o dever dos mu- Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e
nicípios de garantir a educação infantil e priorizar a edu- médio, será organizada de acordo com as seguintes
cação fundamental. É possível, ainda, integrar educação regras comuns:
municipal e estadual em um sistema único. I - a carga horária mínima anual será de oitocentas
horas para o ensino fundamental e para o ensino mé-
Quanto às questões pedagógicas e de gestão dos es-
dio, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de
tabelecimentos de ensino, incumbe a eles próprios, em efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado
integração com seus docentes. Este processo de intera- aos exames finais, quando houver; ;
ção entre instituição e docente, bem como destes com II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto
a comunidade local, é conhecido como gestão demo- a primeira do ensino fundamental, pode ser feita:
crática. a) por promoção, para alunos que cursaram, com
aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria
escola;
#FicaDica b) por transferência, para candidatos procedentes de
outras escolas;
O regime de colaboração impõe que a
c) independentemente de escolarização anterior, me-
União, os Estados, o DF e os Municípios
diante avaliação feita pela escola, que defina o grau de
partilhem do dever de fornecer educação
desenvolvimento e experiência do candidato e permita
à população, cada um em sua esfera de
sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme
competência, mas de forma colaborativa, regulamentação do respectivo sistema de ensino;
compartilhando vivência e redistribuindo III - nos estabelecimentos que adotam a progressão
recursos humanos e materiais. regular por série, o regimento escolar pode admitir
formas de progressão parcial, desde que preservada a
sequência do currículo, observadas as normas do res-
TÍTULO V pectivo sistema de ensino;
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com
DOS NÍVEIS E DAS MODALIDADES DE EDUCAÇÃO
alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de
E ENSINO
adiantamento na matéria, para o ensino de línguas
estrangeiras, artes, ou outros componentes curricula-
CAPÍTULO I res;
DA COMPOSIÇÃO DOS NÍVEIS ESCOLARES V - a verificação do rendimento escolar observará os
LEGISLAÇÃO
seguintes critérios:
Art. 21. A educação escolar compõe-se de: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho
I - educação básica, formada pela educação infantil, do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos
ensino fundamental e ensino médio; sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do
II - educação superior. período sobre os de eventuais provas finais;
5
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos II - maior de trinta anos de idade;
com atraso escolar; III - que estiver prestando serviço militar inicial ou que,
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries me- em situação similar, estiver obrigado à prática da edu-
diante verificação do aprendizado; cação física;
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; IV - amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de ou-
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de pre- tubro de 1969;
ferência paralelos ao período letivo, para os casos de V - (VETADO);
baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas VI - que tenha prole.
instituições de ensino em seus regimentos; § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as
VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, contribuições das diferentes culturas e etnias para a
conforme o disposto no seu regimento e nas normas formação do povo brasileiro, especialmente das ma-
do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência trizes indígena, africana e europeia.
mínima de setenta e cinco por cento do total de horas § 5o No currículo do ensino fundamental, a partir do
letivas para aprovação; sexto ano, será ofertada a língua inglesa.
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir his- § 6o As artes visuais, a dança, a música e o teatro são
tóricos escolares, declarações de conclusão de série e as linguagens que constituirão o componente curricu-
diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com lar de que trata o § 2o deste artigo.
as especificações cabíveis. § 7º A integralização curricular poderá incluir, a cri-
§ 1º A carga horária mínima anual de que trata o in- tério dos sistemas de ensino, projetos e pesquisas en-
ciso I do caput deverá ser ampliada de forma progres- volvendo os temas transversais de que trata o caput.
siva, no ensino médio, para mil e quatrocentas horas, § 8º A exibição de filmes de produção nacional consti-
devendo os sistemas de ensino oferecer, no prazo má- tuirá componente curricular complementar integrado
ximo de cinco anos, pelo menos mil horas anuais de à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição
carga horária, a partir de 2 de março de 2017. obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais.
§ 2º Os sistemas de ensino disporão sobre a oferta de § 9o Conteúdos relativos aos direitos humanos e à
educação de jovens e adultos e de ensino noturno re- prevenção de todas as formas de violência contra
gular, adequado às condições do educando, conforme a criança e o adolescente serão incluídos, como te-
o inciso VI do art. 4º. mas transversais, nos currículos escolares de que
trata o caput deste artigo, tendo como diretriz a Lei
Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades res- no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e
ponsáveis alcançar relação adequada entre o número do Adolescente), observada a produção e distribuição
de alunos e o professor, a carga horária e as condições de material didático adequado.
materiais do estabelecimento. § 9º-A. A educação alimentar e nutricional será incluí-
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de en- da entre os temas transversais de que trata o caput.
sino, à vista das condições disponíveis e das caracte- § 10. A inclusão de novos componentes curriculares
rísticas regionais e locais, estabelecer parâmetro para de caráter obrigatório na Base Nacional Comum Cur-
atendimento do disposto neste artigo. ricular dependerá de aprovação do Conselho Nacional
de Educação e de homologação pelo Ministro de Esta-
Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino do da Educação.
fundamental e do ensino médio devem ter base nacio-
nal comum, a ser complementada, em cada sistema Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamen-
de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma tal e de ensino médio, públicos e privados, torna-se
parte diversificada, exigida pelas características regio- obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasi-
nais e locais da sociedade, da cultura, da economia e leira e indígena.
dos educandos. § 1o O conteúdo programático a que se refere este ar-
§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem tigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura
abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portu- que caracterizam a formação da população brasileira,
guesa e da matemática, o conhecimento do mundo fí- a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo
sico e natural e da realidade social e política, especial- da história da África e dos africanos, a luta dos negros
mente da República Federativa do Brasil, observado, e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e in-
na educação infantil, o disposto no art. 31, no ensino dígena brasileira e o negro e o índio na formação da
fundamental, o disposto no art. 32, e no ensino médio, sociedade nacional, resgatando as suas contribuições
o disposto no art. 36. nas áreas social, econômica e política, pertinentes à
§ 2º O ensino da arte, especialmente em suas expres- história do Brasil.
sões regionais, constituirá componente curricular obri- § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-
gatório da educação básica. -brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão mi-
§ 3º A educação física, integrada à proposta pedagó- nistrados no âmbito de todo o currículo escolar, em
gica da escola, é componente curricular obrigatório da especial nas áreas de educação artística e de literatura
LEGISLAÇÃO
6
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse so- Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
cial, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças
bem comum e à ordem democrática; de até três anos de idade;
II - consideração das condições de escolaridade dos II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cin-
alunos em cada estabelecimento; co) anos de idade.
III - orientação para o trabalho;
IV - promoção do desporto educacional e apoio às Art. 31. A educação infantil será organizada de acor-
práticas desportivas não-formais. do com as seguintes regras comuns:
I - avaliação mediante acompanhamento e registro do
Art. 28. Na oferta de educação básica para a popula- desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de pro-
ção rural, os sistemas de ensino promoverão as adap- moção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental;
tações necessárias à sua adequação às peculiaridades II - carga horária mínima anual de 800 (oitocentas)
da vida rural e de cada região, especialmente:
horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos)
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas
dias de trabalho educacional;
às reais necessidades e interesses dos alunos da zona
III - atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro)
rural;
horas diárias para o turno parcial e de 7 (sete) horas
II - organização escolar própria, incluindo adequação
do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às para a jornada integral;
condições climáticas; IV - controle de frequência pela instituição de educa-
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. ção pré-escolar, exigida a frequência mínima de 60%
Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo, (sessenta por cento) do total de horas;
indígenas e quilombolas será precedido de manifes- V - expedição de documentação que permita atestar
tação do órgão normativo do respectivo sistema de os processos de desenvolvimento e aprendizagem da
ensino, que considerará a justificativa apresentada criança.
pela Secretaria de Educação, a análise do diagnóstico A educação infantil é ministrada em creches até os
do impacto da ação e a manifestação da comunidade 3 anos de idade e em pré-escolas dos 3 aos 5 anos de
escolar. idade.
A educação básica tem por papel a formação da base
do educado. SEÇÃO III
Os critérios para mudança de série podem ser pro- DO ENSINO FUNDAMENTAL
moção (aprovação em etapa anterior), transferência
(candidatos de outras escolas) e avaliação (análise da Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com dura-
experiência e desenvolvimento do candidato). O ensino ção de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, ini-
poderá ser acelerado caso necessário. Nas situações de ciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo
alunos que não acompanhem seu ritmo, deverá ser ga- a formação básica do cidadão, mediante:
rantida recuperação. I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, ten-
Exige-se, além do desempenho, a frequência de 75%, do como meios básicos o pleno domínio da leitura, da
no mínimo, para aprovação. escrita e do cálculo;
O currículo da educação básica segue uma base na- II - a compreensão do ambiente natural e social, do
cional comum. Devem abranger língua portuguesa e da sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores
matemática, o conhecimento do mundo físico e natural em que se fundamenta a sociedade;
e da realidade social e política. A educação física deve
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendiza-
ser oferecida obrigatoriamente, mas é facultativa ao alu-
gem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e
no em certas situações, como de trabalho, serviço mili-
habilidades e a formação de atitudes e valores;
tar, idade superior a 30 anos. Em respeito ao pluralismo,
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços
deve considerar as matrizes indígena, africana e europeia
como temas transversais. Ainda em tal condição, cabe de solidariedade humana e de tolerância recíproca em
o aprendizado de Conteúdos relativos aos direitos hu- que se assenta a vida social.
manos e à prevenção de todas as formas de violência § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o
contra a criança e o adolescente. É obrigatório o estudo ensino fundamental em ciclos.
da história e cultura afro-brasileira e indígena. Ainda, a § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão re-
educação deve considerar as peculiaridades da zona ru- gular por série podem adotar no ensino fundamental
ral quando nela for ministrada. o regime de progressão continuada, sem prejuízo da
avaliação do processo de ensino-aprendizagem, ob-
SEÇÃO II servadas as normas do respectivo sistema de ensino.
DA EDUCAÇÃO INFANTIL § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em
língua portuguesa, assegurada às comunidades indí-
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da edu- genas a utilização de suas línguas maternas e proces-
LEGISLAÇÃO
7
§ 5º O currículo do ensino fundamental incluirá, obri- Art. 35-A. A Base Nacional Comum Curricular defi-
gatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das nirá direitos e objetivos de aprendizagem do ensino
crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei médio, conforme diretrizes do Conselho Nacional de
nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatu- Educação, nas seguintes áreas do conhecimento:
to da Criança e do Adolescente, observada a produção I - linguagens e suas tecnologias;
e distribuição de material didático adequado. II - matemática e suas tecnologias;
§ 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluí- III - ciências da natureza e suas tecnologias;
do como tema transversal nos currículos do ensino IV - ciências humanas e sociais aplicadas.
fundamental. § 1º A parte diversificada dos currículos de que trata
o caput do art. 26, definida em cada sistema de en-
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, sino, deverá estar harmonizada à Base Nacional Co-
é parte integrante da formação básica do cidadão e mum Curricular e ser articulada a partir do contexto
constitui disciplina dos horários normais das escolas histórico, econômico, social, ambiental e cultural.
públicas de ensino fundamental, assegurado o respei- § 2º A Base Nacional Comum Curricular referente ao
to à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas ensino médio incluirá obrigatoriamente estudos e prá-
quaisquer formas de proselitismo. ticas de educação física, arte, sociologia e filosofia.
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os proce- § 3º O ensino da língua portuguesa e da matemática
dimentos para a definição dos conteúdos do ensino será obrigatório nos três anos do ensino médio, asse-
gurada às comunidades indígenas, também, a utiliza-
religioso e estabelecerão as normas para a habilitação
ção das respectivas línguas maternas.
e admissão dos professores.
§ 4º Os currículos do ensino médio incluirão, obriga-
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil,
toriamente, o estudo da língua inglesa e poderão ofer-
constituída pelas diferentes denominações religiosas,
tar outras línguas estrangeiras, em caráter optativo,
para a definição dos conteúdos do ensino religioso.
preferencialmente o espanhol, de acordo com a dispo-
nibilidade de oferta, locais e horários definidos pelos
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental in- sistemas de ensino.
cluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em § 5º A carga horária destinada ao cumprimento da
sala de aula, sendo progressivamente ampliado o pe- Base Nacional Comum Curricular não poderá ser su-
ríodo de permanência na escola. perior a mil e oitocentas horas do total da carga ho-
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das rária do ensino médio, de acordo com a definição dos
formas alternativas de organização autorizadas nesta sistemas de ensino.
Lei. § 6º A União estabelecerá os padrões de desempenho
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progres- esperados para o ensino médio, que serão referência
sivamente em tempo integral, a critério dos sistemas nos processos nacionais de avaliação, a partir da Base
de ensino. Nacional Comum Curricular.
O ensino fundamental inicia-se aos 6 anos de idade e § 7º Os currículos do ensino médio deverão considerar
tem duração de 9 anos. Além de objetivar a alfabetização, a formação integral do aluno, de maneira a adotar um
também incentiva a formação do cidadão, da pessoa em trabalho voltado para a construção de seu projeto de
contato com o mundo que o cerca estabelecendo víncu- vida e para sua formação nos aspectos físicos, cogniti-
los de solidariedade e amizade. O ensino fundamental vos e socioemocionais.
deve ser presencial, em regra. O ensino religioso é fa- § 8º Os conteúdos, as metodologias e as formas de
cultativo. A carga horária diária é de no mínimo 4 horas. avaliação processual e formativa serão organizados
nas redes de ensino por meio de atividades teóricas e
SEÇÃO IV práticas, provas orais e escritas, seminários, projetos e
DO ENSINO MÉDIO atividades on-line, de tal forma que ao final do ensino
médio o educando demonstre:
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação bá- I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos
sica, com duração mínima de três anos, terá como fi- que presidem a produção moderna;
nalidades: II - conhecimento das formas contemporâneas de lin-
I - a consolidação e o aprofundamento dos conheci- guagem.
mentos adquiridos no ensino fundamental, possibili-
tando o prosseguimento de estudos; Art. 36. O currículo do ensino médio será composto
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerá-
do educando, para continuar aprendendo, de modo a rios formativos, que deverão ser organizados por meio
ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas con- da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme
dições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; a relevância para o contexto local e a possibilidade
III - o aprimoramento do educando como pessoa hu- dos sistemas de ensino, a saber:
I - linguagens e suas tecnologias;
LEGISLAÇÃO
8
§ 1º A organização das áreas de que trata o caput e V - estudos realizados em instituições de ensino nacio-
das respectivas competências e habilidades será feita nais ou estrangeiras;
de acordo com critérios estabelecidos em cada sistema VI - cursos realizados por meio de educação a distân-
de ensino. cia ou educação presencial mediada por tecnologias.
§ 2º (Revogado) § 12. As escolas deverão orientar os alunos no processo
§ 3º A critério dos sistemas de ensino, poderá ser com- de escolha das áreas de conhecimento ou de atuação
posto itinerário formativo integrado, que se traduz profissional previstas no caput.
na composição de componentes curriculares da Base A etapa final do ensino médio tem a duração de três
Nacional Comum Curricular - BNCC e dos itinerários anos e busca fornecer a consolidação e o aprofunda-
formativos, considerando os incisos I a V do caput. mento dos conhecimentos transmitidos no ensino fun-
§ 4º (Revogado) damental, com a devida atenção a conhecimentos que
§ 5º Os sistemas de ensino, mediante disponibilidade permitam o ingresso do aluno no ensino universitário e
de vagas na rede, possibilitarão ao aluno concluinte na carreira de trabalho. Neste ponto, a LDB sofreu al-
do ensino médio cursar mais um itinerário formativo terações recentes pela Medida Provisória nº 746/2016,
de que trata o caput. convertida na Lei nº 13.415, de 2017, que foi alvo de inú-
§ 6º A critério dos sistemas de ensino, a oferta de for- meras críticas, notadamente por estabelecer como facul-
mação com ênfase técnica e profissional considerará: tativos conhecimentos que antes eram tidos como obri-
I - a inclusão de vivências práticas de trabalho no se- gatórios. Para entender melhor esta questão, percebe-se
tor produtivo ou em ambientes de simulação, esta- que na verdade a proposta é a especificação de matrizes
belecendo parcerias e fazendo uso, quando aplicável, ainda durante o ensino médio: o aluno poderá escolher
de instrumentos estabelecidos pela legislação sobre em quais áreas de conhecimento pretende se concentrar.
aprendizagem profissional; Por exemplo, um aluno que não queira se especializar em
II - a possibilidade de concessão de certificados inter- ciências humanas, não teria a obrigação de cursar maté-
mediários de qualificação para o trabalho, quando rias como história e geografia. Um aluno que não tenha
a formação for estruturada e organizada em etapas interesse em ir para a universidade e já queira ingres-
com terminalidade. sar no mercado de trabalho, terá aulas concentradas em
§ 7º A oferta de formações experimentais relaciona- formação técnica e profissional, aprendendo marcenaria,
das ao inciso V do caput, em áreas que não constem mecânica, administração, entre outras questões. As áreas
do Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos, depende- que podem ser optadas são as seguintes: linguagens e
rá, para sua continuidade, do reconhecimento pelo suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciên-
respectivo Conselho Estadual de Educação, no prazo cias da natureza e suas tecnologias; ciências humanas
de três anos, e da inserção no Catálogo Nacional dos e sociais aplicadas; formação técnica e profissional. As
Cursos Técnicos, no prazo de cinco anos, contados da únicas matérias estabelecidas como obrigatórias são:
data de oferta inicial da formação. português, matemática, artes, educação física, filosofia e
§ 8º A oferta de formação técnica e profissional a que sociologia – estas quatro últimas inicialmente seriam fa-
se refere o inciso V do caput, realizada na própria ins- cultativas, mas devido a pressões sociais foram colocadas
tituição ou em parceria com outras instituições, deve- como obrigatórias. Ainda é cedo para dizer se realmente
rá ser aprovada previamente pelo Conselho Estadual este será o rumo conferido pela reforma, eis que a Base
de Educação, homologada pelo Secretário Estadual de Nacional Comum Curricular que detalhará estas ques-
Educação e certificada pelos sistemas de ensino. tões ainda está em discussão.
§ 9º As instituições de ensino emitirão certificado com
validade nacional, que habilitará o concluinte do ensi- SEÇÃO IV-A
no médio ao prosseguimento dos estudos em nível su- DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL
perior ou em outros cursos ou formações para os quais MÉDIO
a conclusão do ensino médio seja etapa obrigatória.
§ 10. Além das formas de organização previstas no art. Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste
23, o ensino médio poderá ser organizado em módu- Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral
los e adotar o sistema de créditos com terminalidade do educando, poderá prepará-lo para o exercício de
específica. profissões técnicas.
§ 11. Para efeito de cumprimento das exigências cur- Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho
riculares do ensino médio, os sistemas de ensino po- e, facultativamente, a habilitação profissional pode-
derão reconhecer competências e firmar convênios rão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos
com instituições de educação a distância com notó- de ensino médio ou em cooperação com instituições
rio reconhecimento, mediante as seguintes formas de especializadas em educação profissional.
comprovação:
I - demonstração prática; Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível
II - experiência de trabalho supervisionado ou outra médio será desenvolvida nas seguintes formas:
experiência adquirida fora do ambiente escolar; I - articulada com o ensino médio;
LEGISLAÇÃO
III - atividades de educação técnica oferecidas em ou- II - subsequente, em cursos destinados a quem já te-
tras instituições de ensino credenciadas; nha concluído o ensino médio.
IV - cursos oferecidos por centros ou programas ocu- Parágrafo único. A educação profissional técnica de
pacionais; nível médio deverá observar:
9
I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes cur- apropriadas, consideradas as características do aluna-
riculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Na- do, seus interesses, condições de vida e de trabalho,
cional de Educação; mediante cursos e exames.
II - as normas complementares dos respectivos siste- § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso
mas de ensino; e a permanência do trabalhador na escola, mediante
III - as exigências de cada instituição de ensino, nos ações integradas e complementares entre si.
termos de seu projeto pedagógico. § 3º A educação de jovens e adultos deverá articular-
-se, preferencialmente, com a educação profissional,
Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível na forma do regulamento.
médio articulada, prevista no inciso I do caput do art.
36-B desta Lei, será desenvolvida de forma: Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exa-
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha con- mes supletivos, que compreenderão a base nacional
cluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado
comum do currículo, habilitando ao prosseguimento
de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional
de estudos em caráter regular.
técnica de nível médio, na mesma instituição de en-
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-
sino, efetuando-se matrícula única para cada aluno;
-se-ão:
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino
médio ou já o esteja cursando, efetuando-se matrícu- I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para
las distintas para cada curso, e podendo ocorrer: os maiores de quinze anos;
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as II - no nível de conclusão do ensino médio, para os
oportunidades educacionais disponíveis; maiores de dezoito anos.
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos
as oportunidades educacionais disponíveis; educandos por meios informais serão aferidos e reco-
c) em instituições de ensino distintas, mediante con- nhecidos mediante exames.
vênios de intercomplementaridade, visando ao plane- A educação de jovens e adultos objetiva permitir a
jamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico conclusão do ensino fundamental e médio para aqueles
unificado. que já ultrapassaram a idade regular em que isso deveria
ter acontecido.
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação pro-
fissional técnica de nível médio, quando registrados,
terão validade nacional e habilitarão ao prossegui- #FicaDica
mento de estudos na educação superior. Educação básica:
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional - Ensino infantil – creche e pré-escola;
técnica de nível médio, nas formas articulada conco- - Ensino fundamental;
mitante e subsequente, quando estruturados e orga- - Ensino médio (colegial) – pode também
nizados em etapas com terminalidade, possibilitarão abranger o ensino técnico.
a obtenção de certificados de qualificação para o Educação básica tardia – EJA – educação de
trabalho após a conclusão, com aproveitamento, de jovens e adultos.
cada etapa que caracterize uma qualificação para o
trabalho.
A educação profissional e técnica pode se dar durante
o Ensino Médio, notadamente se o estudante fizer a op- CAPÍTULO III
ção por esta categoria de ensino (o ensino médio pode
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
ser voltado à formação técnico-profissional, preparando
o jovem para o ingresso no mercado de trabalho inde-
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no
pendentemente de ensino universitário), quanto após o
cumprimento dos objetivos da educação nacional, in-
Ensino Médio, em instituições próprias de ensino técni-
co-profissionalizante (neste sentido, há cursos técnicos- tegra-se aos diferentes níveis e modalidades de edu-
-profissionais com menor duração que os cursos de ensi- cação e às dimensões do trabalho, da ciência e da
no superior e que são equiparados a este). tecnologia.
§ 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica
SEÇÃO V poderão ser organizados por eixos tecnológicos, pos-
DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS sibilitando a construção de diferentes itinerários for-
mativos, observadas as normas do respectivo sistema
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada e nível de ensino.
àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de § 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá
estudos nos ensinos fundamental e médio na idade os seguintes cursos:
própria e constituirá instrumento para a educação e a I – de formação inicial e continuada ou qualificação
LEGISLAÇÃO
10
§ 3º Os cursos de educação profissional tecnológica VII - promover a extensão, aberta à participação da
de graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no população, visando à difusão das conquistas e benefí-
que concerne a objetivos, características e duração, de cios resultantes da criação cultural e da pesquisa cien-
acordo com as diretrizes curriculares nacionais esta- tífica e tecnológica geradas na instituição.
belecidas pelo Conselho Nacional de Educação. VIII - atuar em favor da universalização e do aprimo-
ramento da educação básica, mediante a formação e
Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em a capacitação de profissionais, a realização de pesqui-
articulação com o ensino regular ou por diferentes sas pedagógicas e o desenvolvimento de atividades de
estratégias de educação continuada, em instituições extensão que aproximem os dois níveis escolares.
especializadas ou no ambiente de trabalho.
Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação pro- cursos e programas:
I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferen-
fissional e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá
tes níveis de abrangência, abertos a candidatos que
ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação
atendam aos requisitos estabelecidos pelas institui-
para prosseguimento ou conclusão de estudos.
ções de ensino, desde que tenham concluído o ensino
médio ou equivalente;
Art. 42. As instituições de educação profissional e tec- II - de graduação, abertos a candidatos que tenham
nológica, além dos seus cursos regulares, oferecerão concluído o ensino médio ou equivalente e tenham
cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada sido classificados em processo seletivo;
a matrícula à capacidade de aproveitamento e não III - de pós-graduação, compreendendo programas
necessariamente ao nível de escolaridade. de mestrado e doutorado, cursos de especialização,
A educação profissional e tecnológica pode se dar aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos di-
não apenas no ensino médio, mas também em institui- plomados em cursos de graduação e que atendam às
ções próprias, que podem conferir inclusive diploma de exigências das instituições de ensino;
formação em nível superior. Exemplos: FATEC, SENAI, en- IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam
tre outros. O acesso a este tipo de ensino não necessaria- aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas insti-
mente exige conclusão dos níveis prévios de educação, tuições de ensino.
eis que seu principal objetivo não é o ensino de conteú- § 1º O resultado do processo seletivo referido no in-
dos típicos, mas sim a capacitação profissional. ciso II do caput deste artigo será tornado público pela
instituição de ensino superior, sendo obrigatórios a
CAPÍTULO IV divulgação da relação nominal dos classificados, a
DA EDUCAÇÃO SUPERIOR respectiva ordem de classificação e o cronograma das
chamadas para matrícula, de acordo com os critérios
Art. 43. A educação superior tem por finalidade: para preenchimento das vagas constantes do edital,
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do assegurado o direito do candidato, classificado ou
espírito científico e do pensamento reflexivo; não, a ter acesso a suas notas ou indicadores de de-
II - formar diplomados nas diferentes áreas de co- sempenho em provas, exames e demais atividades da
nhecimento, aptos para a inserção em setores pro- seleção e a sua posição na ordem de classificação de
fissionais e para a participação no desenvolvimento todos os candidatos.
da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação § 2º No caso de empate no processo seletivo, as ins-
tituições públicas de ensino superior darão prioridade
contínua;
de matrícula ao candidato que comprove ter renda fa-
III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação
miliar inferior a dez salários mínimos, ou ao de menor
científica, visando o desenvolvimento da ciência e da
renda familiar, quando mais de um candidato preen-
tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse
cher o critério inicial.
modo, desenvolver o entendimento do homem e do § 3º O processo seletivo referido no inciso II considera-
meio em que vive; rá as competências e as habilidades definidas na Base
IV - promover a divulgação de conhecimentos cultu- Nacional Comum Curricular.
rais, científicos e técnicos que constituem patrimônio
da humanidade e comunicar o saber através do en- Art. 45. A educação superior será ministrada em insti-
sino, de publicações ou de outras formas de comuni- tuições de ensino superior, públicas ou privadas, com
cação; variados graus de abrangência ou especialização.
V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento
cultural e profissional e possibilitar a correspondente Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos,
concretização, integrando os conhecimentos que vão bem como o credenciamento de instituições de educa-
sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistema- ção superior, terão prazos limitados, sendo renovados,
tizadora do conhecimento de cada geração; periodicamente, após processo regular de avaliação.
LEGISLAÇÃO
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mun- § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências
do presente, em particular os nacionais e regionais, eventualmente identificadas pela avaliação a que se
prestar serviços especializados à comunidade e esta- refere este artigo, haverá reavaliação, que poderá re-
belecer com esta uma relação de reciprocidade; sultar, conforme o caso, em desativação de cursos e
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habilitações, em intervenção na instituição, em sus- c) caso haja mudança na grade do curso ou no corpo
pensão temporária de prerrogativas da autonomia, ou docente até o início das aulas, os alunos devem ser
em descredenciamento. comunicados sobre as alterações;
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo V - deve conter as seguintes informações:
responsável por sua manutenção acompanhará o pro- a) a lista de todos os cursos oferecidos pela instituição
cesso de saneamento e fornecerá recursos adicionais, de ensino superior;
se necessários, para a superação das deficiências. b) a lista das disciplinas que compõem a grade curri-
§ 3o No caso de instituição privada, além das sanções cular de cada curso e as respectivas cargas horárias;
previstas no § 1o deste artigo, o processo de reavalia- c) a identificação dos docentes que ministrarão as
ção poderá resultar em redução de vagas autorizadas aulas em cada curso, as disciplinas que efetivamen-
e em suspensão temporária de novos ingressos e de te ministrará naquele curso ou cursos, sua titulação,
oferta de cursos. abrangendo a qualificação profissional do docente e
§ 4o É facultado ao Ministério da Educação, mediante o tempo de casa do docente, de forma total, contínua
procedimento específico e com aquiescência da insti-
ou intermitente.
tuição de ensino, com vistas a resguardar os interesses
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveita-
dos estudantes, comutar as penalidades previstas nos
mento nos estudos, demonstrado por meio de provas
§§ 1o e 3o deste artigo por outras medidas, desde que
e outros instrumentos de avaliação específicos, apli-
adequadas para superação das deficiências e irregula-
ridades constatadas. cados por banca examinadora especial, poderão ter
§ 5o Para fins de regulação, os Estados e o Distrito Fe- abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com
deral deverão adotar os critérios definidos pela União as normas dos sistemas de ensino.
para autorização de funcionamento de curso de gra- § 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores,
duação em Medicina. salvo nos programas de educação a distância.
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão,
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, no período noturno, cursos de graduação nos mesmos
independente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos padrões de qualidade mantidos no período diurno,
dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições
reservado aos exames finais, quando houver. públicas, garantida a necessária previsão orçamentá-
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes ria.
de cada período letivo, os programas dos cursos e de-
mais componentes curriculares, sua duração, requisi- Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhe-
tos, qualificação dos professores, recursos disponíveis e cidos, quando registrados, terão validade nacional
critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as res- como prova da formação recebida por seu titular.
pectivas condições, e a publicação deve ser feita, sen- § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão
do as 3 (três) primeiras formas concomitantemente: por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por
I - em página específica na internet no sítio eletrônico instituições não-universitárias serão registrados em
oficial da instituição de ensino superior, obedecido o universidades indicadas pelo Conselho Nacional de
seguinte: Educação.
a) toda publicação a que se refere esta Lei deve ter § 2º Os diplomas de graduação expedidos por univer-
como título “Grade e Corpo Docente”; sidades estrangeiras serão revalidados por universida-
b) a página principal da instituição de ensino supe- des públicas que tenham curso do mesmo nível e área
rior, bem como a página da oferta de seus cursos aos ou equivalente, respeitando-se os acordos internacio-
ingressantes sob a forma de vestibulares, processo se- nais de reciprocidade ou equiparação.
letivo e outras com a mesma finalidade, deve conter § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expe-
a ligação desta com a página específica prevista neste
didos por universidades estrangeiras só poderão ser
inciso;
reconhecidos por universidades que possuam cursos
c) caso a instituição de ensino superior não possua sí-
de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na mes-
tio eletrônico, deve criar página específica para divul-
ma área de conhecimento e em nível equivalente ou
gação das informações de que trata esta Lei;
d) a página específica deve conter a data completa de superior.
sua última atualização;
II - em toda propaganda eletrônica da instituição de Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão
ensino superior, por meio de ligação para a página a transferência de alunos regulares, para cursos afins,
referida no inciso I; na hipótese de existência de vagas, e mediante pro-
III - em local visível da instituição de ensino superior e cesso seletivo.
de fácil acesso ao público; Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão
IV - deve ser atualizada semestralmente ou anual- na forma da lei.
mente, de acordo com a duração das disciplinas de
LEGISLAÇÃO
cada curso oferecido, observando o seguinte: Art. 50. As instituições de educação superior, quando
a) caso o curso mantenha disciplinas com duração di- da ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas disci-
ferenciada, a publicação deve ser semestral; plinas de seus cursos a alunos não regulares que de-
b) a publicação deve ser feita até 1 (um) mês antes do monstrarem capacidade de cursá-las com proveito,
início das aulas; mediante processo seletivo prévio.
12
Art. 51. As instituições de educação superior creden- § 2o As doações, inclusive monetárias, podem ser diri-
ciadas como universidades, ao deliberar sobre critérios gidas a setores ou projetos específicos, conforme acor-
e normas de seleção e admissão de estudantes, leva- do entre doadores e universidades.
rão em conta os efeitos desses critérios sobre a orien- § 3o No caso das universidades públicas, os recursos
tação do ensino médio, articulando-se com os órgãos das doações devem ser dirigidos ao caixa único da
normativos dos sistemas de ensino. instituição, com destinação garantida às unidades a
serem beneficiadas.
Art. 52. As universidades são instituições pluridiscipli- Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público
nares de formação dos quadros profissionais de nível gozarão, na forma da lei, de estatuto jurídico especial
superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cul- para atender às peculiaridades de sua estrutura, or-
tivo do saber humano, que se caracterizam por: ganização e financiamento pelo Poder Público, assim
I - produção intelectual institucionalizada mediante o como dos seus planos de carreira e do regime jurídico
estudo sistemático dos temas e problemas mais rele- do seu pessoal.
vantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, § 1º No exercício da sua autonomia, além das atribui-
quanto regional e nacional; ções asseguradas pelo artigo anterior, as universida-
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titula- des públicas poderão:
ção acadêmica de mestrado ou doutorado; I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico
III - um terço do corpo docente em regime de tempo e administrativo, assim como um plano de cargos e
integral. salários, atendidas as normas gerais pertinentes e os
Parágrafo único. É facultada a criação de universida- recursos disponíveis;
des especializadas por campo do saber. II - elaborar o regulamento de seu pessoal em confor-
midade com as normas gerais concernentes;
Art. 53. No exercício de sua autonomia, são assegu- III - aprovar e executar planos, programas e projetos
radas às universidades, sem prejuízo de outras, as se- de investimentos referentes a obras, serviços e aqui-
guintes atribuições: sições em geral, de acordo com os recursos alocados
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e pelo respectivo Poder mantenedor;
programas de educação superior previstos nesta Lei, IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais;
obedecendo às normas gerais da União e, quando for V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às
o caso, do respectivo sistema de ensino; suas peculiaridades de organização e funcionamento;
II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, VI - realizar operações de crédito ou de financiamen-
observadas as diretrizes gerais pertinentes; to, com aprovação do Poder competente, para aquisi-
III - estabelecer planos, programas e projetos de pes- ção de bens imóveis, instalações e equipamentos;
quisa científica, produção artística e atividades de ex- VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras
tensão; providências de ordem orçamentária, financeira e pa-
IV - fixar o número de vagas de acordo com a capaci- trimonial necessárias ao seu bom desempenho.
dade institucional e as exigências do seu meio; § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão
V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos ser estendidas a instituições que comprovem alta qua-
em consonância com as normas gerais atinentes; lificação para o ensino ou para a pesquisa, com base
VI - conferir graus, diplomas e outros títulos; em avaliação realizada pelo Poder Público.
VII - firmar contratos, acordos e convênios;
VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em
de investimentos referentes a obras, serviços e aqui- seu Orçamento Geral, recursos suficientes para manu-
sições em geral, bem como administrar rendimentos tenção e desenvolvimento das instituições de educa-
conforme dispositivos institucionais; ção superior por ela mantidas.
IX - administrar os rendimentos e deles dispor na for-
ma prevista no ato de constituição, nas leis e nos res- Art. 56. As instituições públicas de educação superior
pectivos estatutos; obedecerão ao princípio da gestão democrática, asse-
X - receber subvenções, doações, heranças, legados e gurada a existência de órgãos colegiados deliberati-
cooperação financeira resultante de convênios com vos, de que participarão os segmentos da comunidade
entidades públicas e privadas. institucional, local e regional.
§ 1º Para garantir a autonomia didático-científica das Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocu-
universidades, caberá aos seus colegiados de ensino parão setenta por cento dos assentos em cada órgão
e pesquisa decidir, dentro dos recursos orçamentários colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da
disponíveis, sobre: elaboração e modificações estatutárias e regimentais,
I - criação, expansão, modificação e extinção de cur- bem como da escolha de dirigentes.
sos;
II - ampliação e diminuição de vagas; Art. 57. Nas instituições públicas de educação supe-
III - elaboração da programação dos cursos; rior, o professor ficará obrigado ao mínimo de oito ho-
LEGISLAÇÃO
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dentro do ambiente acadêmico quanto fora dele; no as- § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio es-
pecto pesquisa, busca-se desenvolver os conhecimentos pecializado, na escola regular, para atender às pecu-
já existentes; no aspecto extensão, pretende-se atingir a liaridades da clientela de educação especial.
comunidade por meio de atividades que possam ir além § 2º O atendimento educacional será feito em clas-
dos ambientes acadêmicos, inserindo-se no cotidiano da ses, escolas ou serviços especializados, sempre que,
vida social. em função das condições específicas dos alunos, não
for possível a sua integração nas classes comuns de
Classicamente, a educação superior se dá nos níveis
ensino regular.
de graduação, cujo acesso se dá por meio dos vestibu-
lares, e pós-graduação, cujo acesso também se dá por § 3º A oferta de educação especial, nos termos do
processos seletivos próprios, funcionando como comple- caput deste artigo, tem início na educação infantil e
mentação ao ensino superior. Entretanto, o ensino su- estende-se ao longo da vida, observados o inciso III do
perior também pode se dar em cursos sequenciais e em art. 4º e o parágrafo único do art. 60 desta Lei.
cursos de extensão, de menor duração e complexidade. Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos edu-
O ensino superior pode ser ministrado em institui- candos com deficiência, transtornos globais do desen-
ções públicas ou privadas. Independentemente da natu- volvimento e altas habilidades ou superdotação:
reza da instituição, é necessário respeitar as regras míni- I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e
mas sobre duração do ano letivo, programas de curso, organização específicos, para atender às suas neces-
componentes curriculares, etc. sidades;
O diploma faz prova da formação. II - terminalidade específica para aqueles que não
É possível a transferência entre instituições. A trans- puderem atingir o nível exigido para a conclusão do
ferência a pedido está condicionada a número de vagas
ensino fundamental, em virtude de suas deficiências,
e a processo seletivo. As transferências de ofício se sujei-
tam a critérios próprios. Um exemplo de transferência de e aceleração para concluir em menor tempo o progra-
ofício se dá no caso de remoção de servidor público de ma escolar para os superdotados;
ofício no interesse da Administração (caso o servidor ou III - professores com especialização adequada em ní-
seu dependente estude em instituição pública na cidade vel médio ou superior, para atendimento especializa-
onde estava lotado, tem o direito de ser transferido para do, bem como professores do ensino regular capaci-
a instituição pública da nova lotação). tados para a integração desses educandos nas classes
É possível que uma pessoa assista aulas nas institui- comuns;
ções públicas independentemente de vínculo com o cur- IV - educação especial para o trabalho, visando a
so, desde que haja vagas disponíveis. sua efetiva integração na vida em sociedade, inclu-
Para propiciar o desenvolvimento institucional, exige- sive condições adequadas para os que não revelarem
-se que pelo menos 1/3 do corpo docente da instituição capacidade de inserção no trabalho competitivo, me-
possua mestrado ou doutorado, bem como que 1/3 do diante articulação com os órgãos oficiais afins, bem
corpo docente se dedique exclusivamente à docência.
como para aqueles que apresentam uma habilidade
Em que pesem as regras mínimas acerca do ensino
superior, as instituições de ensino superior são dotadas superior nas áreas artística, intelectual ou psicomo-
de autonomia para se organizarem. tora;
As universidades públicas gozam de estatuto jurídico V - acesso igualitário aos benefícios dos programas
especial. sociais suplementares disponíveis para o respectivo
As instituições públicas devem obedecer ao princípio nível do ensino regular.
da gestão democrática, assegurado pela existência de
órgãos colegiados deliberativos que mesclem membros Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro
da comunidade, do corpo docente e do corpo discente. nacional de alunos com altas habilidades ou superdo-
tação matriculados na educação básica e na educação
#FicaDica superior, a fim de fomentar a execução de políticas
públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das po-
Educação superior – nível universitário – tencialidades desse alunado.
em instituições públicas ou privadas – o Parágrafo único. A identificação precoce de alunos
ingresso deve se dar conforme mérito (ves- com altas habilidades ou superdotação, os critérios
tibulares). e procedimentos para inclusão no cadastro referido
no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo
cadastramento, os mecanismos de acesso aos dados
do cadastro e as políticas de desenvolvimento das po-
CAPÍTULO V tencialidades do alunado de que trata o caput serão
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
definidos em regulamento.
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino
LEGISLAÇÃO
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Parágrafo único. O poder público adotará, como al- para o exercício do magistério na educação infantil
ternativa preferencial, a ampliação do atendimento e nos cinco primeiros anos do ensino fundamental, a
aos educandos com deficiência, transtornos globais do oferecida em nível médio, na modalidade normal.
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Muni-
na própria rede pública regular de ensino, indepen- cípios, em regime de colaboração, deverão promover
dentemente do apoio às instituições previstas neste a formação inicial, a continuada e a capacitação dos
artigo. profissionais de magistério.
A educação especial volta-se a educandos com defi- § 2º A formação continuada e a capacitação dos pro-
ciência, transtornos globais do desenvolvimento e altas fissionais de magistério poderão utilizar recursos e
habilidades ou superdotação. Para que ela seja efetivada, tecnologias de educação a distância.
exige-se a especialização das instituições de ensino e de § 3º A formação inicial de profissionais de magisté-
seus profissionais. rio dará preferência ao ensino presencial, subsidiaria-
mente fazendo uso de recursos e tecnologias de edu-
TÍTULO VI cação a distância.
DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO § 4º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Muni-
cípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação es- permanência em cursos de formação de docentes em
colar básica os que, nela estando em efetivo exercício nível superior para atuar na educação básica pública.
e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: § 5º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Mu-
I – professores habilitados em nível médio ou superior nicípios incentivarão a formação de profissionais do
para a docência na educação infantil e nos ensinos magistério para atuar na educação básica pública
fundamental e médio; mediante programa institucional de bolsa de inicia-
II – trabalhadores em educação portadores de diplo- ção à docência a estudantes matriculados em cursos
ma de pedagogia, com habilitação em administração, de licenciatura, de graduação plena, nas instituições
planejamento, supervisão, inspeção e orientação edu- de educação superior.
cacional, bem como com títulos de mestrado ou dou- § 6º O Ministério da Educação poderá estabelecer
torado nas mesmas áreas; nota mínima em exame nacional aplicado aos con-
III - trabalhadores em educação, portadores de diplo- cluintes do ensino médio como pré-requisito para o
ma de curso técnico ou superior em área pedagógica ingresso em cursos de graduação para formação de
ou afim; e docentes, ouvido o Conselho Nacional de Educação -
IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos CNE.
respectivos sistemas de ensino para ministrar conteú- § 7º (VETADO).
dos de áreas afins à sua formação para atender o dis- § 8º Os currículos dos cursos de formação de docentes
posto no inciso V do caput do art. 36. terão por referência a Base Nacional Comum Curri-
Parágrafo único. A formação dos profissionais da cular.
educação, de modo a atender às especificidades do
exercício de suas atividades, bem como aos objetivos Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se re-
das diferentes etapas e modalidades da educação bá- fere o inciso III do art. 61 far-se-á por meio de cursos
sica, terá como fundamentos: de conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou
I – a presença de sólida formação básica, que propicie superior, incluindo habilitações tecnológicas.
o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada
de suas competências de trabalho; para os profissionais a que se refere o caput, no local
II – a associação entre teorias e práticas, mediante es- de trabalho ou em instituições de educação básica e
tágios supervisionados e capacitação em serviço; superior, incluindo cursos de educação profissional,
III – o aproveitamento da formação e experiências an- cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos
teriores, em instituições de ensino e em outras ativi- e de pós-graduação.
dades.
IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos Art. 62-B. O acesso de professores das redes públicas
respectivos sistemas de ensino, para ministrar conteú- de educação básica a cursos superiores de pedagogia
dos de áreas afins à sua formação ou experiência pro- e licenciatura será efetivado por meio de processo se-
fissional, atestados por titulação específica ou prática letivo diferenciado.
de ensino em unidades educacionais da rede pública § 1º Terão direito de pleitear o acesso previsto no
ou privada ou das corporações privadas em que te- caput deste artigo os professores das redes públicas
nham atuado, exclusivamente para atender ao inciso municipais, estaduais e federal que ingressaram por
V do caput do art. 36; concurso público, tenham pelo menos três anos de
V - profissionais graduados que tenham feito comple- exercício da profissão e não sejam portadores de di-
mentação pedagógica, conforme disposto pelo Conse- ploma de graduação.
lho Nacional de Educação. § 2o As instituições de ensino responsáveis pela oferta
LEGISLAÇÃO
15
§ 3o Sem prejuízo dos concursos seletivos a serem de- modalidades, incluídas, além do exercício da docência,
finidos em regulamento pelas universidades, terão as de direção de unidade escolar e as de coordenação
prioridade de ingresso os professores que optarem por e assessoramento pedagógico.
cursos de licenciatura em matemática, física, química, § 3º A União prestará assistência técnica aos Estados,
biologia e língua portuguesa. ao Distrito Federal e aos Municípios na elaboração
de concursos públicos para provimento de cargos dos
Art. 63. Os institutos superiores de educação mante- profissionais da educação.
rão: Os profissionais da educação devem possuir forma-
I - cursos formadores de profissionais para a educação ção específica, notadamente possuir habilitação para a
básica, inclusive o curso normal superior, destinado à docência, que pode se dar pelas licenciaturas e magisté-
formação de docentes para a educação infantil e para rios em geral, bem como pela pedagogia, ou ainda por
as primeiras séries do ensino fundamental; formação e área afim que habilite para o ensino de ma-
II - programas de formação pedagógica para portado- térias específicas (ex.: profissional do Direito pode lecio-
res de diplomas de educação superior que queiram se nar português, filosofia e sociologia). Além disso, devem
dedicar à educação básica; possuir experiência em atividades de ensino. Quanto ao
III - programas de educação continuada para os pro- ensino superior, exige-se pós-graduação, que pode ser
fissionais de educação dos diversos níveis. uma simples especialização, embora deva preferencial-
mente se possuir mestrado ou doutorado. No âmbito
Art. 64. A formação de profissionais de educação para do ensino público, exige-se valorização do profissional,
administração, planejamento, inspeção, supervisão e criando-se plano de carreira e aperfeiçoando-se as con-
orientação educacional para a educação básica, será dições de trabalho.
feita em cursos de graduação em pedagogia ou em
nível de pós-graduação, a critério da instituição de TÍTULO VII
ensino, garantida, nesta formação, a base comum na- DOS RECURSOS FINANCEIROS
cional.
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação os originários de:
superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, tre- I - receita de impostos próprios da União, dos Estados,
zentas horas. do Distrito Federal e dos Municípios;
II - receita de transferências constitucionais e outras
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério transferências;
superior far-se-á em nível de pós-graduação, priori- III - receita do salário-educação e de outras contribui-
tariamente em programas de mestrado e doutorado. ções sociais;
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por uni- IV - receita de incentivos fiscais;
versidade com curso de doutorado em área afim, po- V - outros recursos previstos em lei.
derá suprir a exigência de título acadêmico.
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valoriza- de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Mu-
ção dos profissionais da educação, assegurando-lhes, nicípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas
inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de car- respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita
reira do magistério público: resultante de impostos, compreendidas as transferên-
I - ingresso exclusivamente por concurso público de cias constitucionais, na manutenção e desenvolvimen-
provas e títulos; to do ensino público.
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida
com licenciamento periódico remunerado para esse pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Mu-
fim; nicípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios,
III - piso salarial profissional; não será considerada, para efeito do cálculo previsto
IV - progressão funcional baseada na titulação ou ha- neste artigo, receita do governo que a transferir.
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de
bilitação, e na avaliação do desempenho;
impostos mencionadas neste artigo as operações de
V - período reservado a estudos, planejamento e ava-
crédito por antecipação de receita orçamentária de
liação, incluído na carga de trabalho;
impostos.
VI - condições adequadas de trabalho.
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes
§ 1º A experiência docente é pré-requisito para o exer-
aos mínimos estatuídos neste artigo, será considerada
cício profissional de quaisquer outras funções de ma-
a receita estimada na lei do orçamento anual, ajusta-
gistério, nos termos das normas de cada sistema de
da, quando for o caso, por lei que autorizar a abertura
ensino.
de créditos adicionais, com base no eventual excesso
§ 2º Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no
de arrecadação.
§ 8º do art. 201 da Constituição Federal, são conside-
LEGISLAÇÃO
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§ 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, priorita-
caixa da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos riamente, na prestação de contas de recursos públicos,
Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão respon- o cumprimento do disposto no art. 212 da Constitui-
sável pela educação, observados os seguintes prazos: ção Federal, no art. 60 do Ato das Disposições Consti-
I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de tucionais Transitórias e na legislação concernente.
cada mês, até o vigésimo dia; Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o
II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigé- Distrito Federal e os Municípios, estabelecerá padrão
simo dia de cada mês, até o trigésimo dia; mínimo de oportunidades educacionais para o ensino
III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao fundamental, baseado no cálculo do custo mínimo por
final de cada mês, até o décimo dia do mês subse- aluno, capaz de assegurar ensino de qualidade.
quente.
§ 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a cor- Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este ar-
reção monetária e à responsabilização civil e criminal tigo será calculado pela União ao final de cada ano,
das autoridades competentes. com validade para o ano subsequente, considerando
Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e de- variações regionais no custo dos insumos e as diversas
senvolvimento do ensino as despesas realizadas com modalidades de ensino.
vistas à consecução dos objetivos básicos das institui-
ções educacionais de todos os níveis, compreendendo Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e
as que se destinam a: dos Estados será exercida de modo a corrigir, progres-
I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docen- sivamente, as disparidades de acesso e garantir o pa-
te e demais profissionais da educação; drão mínimo de qualidade de ensino.
II - aquisição, manutenção, construção e conservação § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a
de instalações e equipamentos necessários ao ensino; fórmula de domínio público que inclua a capacidade
III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados de atendimento e a medida do esforço fiscal do res-
ao ensino; pectivo Estado, do Distrito Federal ou do Município em
IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino.
visando precipuamente ao aprimoramento da quali- § 2º A capacidade de atendimento de cada governo
dade e à expansão do ensino; será definida pela razão entre os recursos de uso cons-
V - realização de atividades-meio necessárias ao fun- titucionalmente obrigatório na manutenção e desen-
cionamento dos sistemas de ensino; volvimento do ensino e o custo anual do aluno, relati-
VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas vo ao padrão mínimo de qualidade.
públicas e privadas; § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e
VII - amortização e custeio de operações de crédito 2º, a União poderá fazer a transferência direta de re-
destinadas a atender ao disposto nos incisos deste ar- cursos a cada estabelecimento de ensino, considerado
tigo; o número de alunos que efetivamente frequentam a
VIII - aquisição de material didático-escolar e manu- escola.
tenção de programas de transporte escolar. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser
exercida em favor do Distrito Federal, dos Estados e
Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e dos Municípios se estes oferecerem vagas, na área de
desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: ensino de sua responsabilidade, conforme o inciso VI
I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de do art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número
ensino, ou, quando efetivada fora dos sistemas de en- inferior à sua capacidade de atendimento.
sino, que não vise, precipuamente, ao aprimoramento
de sua qualidade ou à sua expansão; Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no
II - subvenção a instituições públicas ou privadas de artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumpri-
caráter assistencial, desportivo ou cultural; mento pelos Estados, Distrito Federal e Municípios do
III - formação de quadros especiais para a adminis- disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras prescrições
tração pública, sejam militares ou civis, inclusive di- legais.
plomáticos;
IV - programas suplementares de alimentação, assis-
Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às esco-
tência médico-odontológica, farmacêutica e psicológi-
las públicas, podendo ser dirigidos a escolas comuni-
ca, e outras formas de assistência social;
tárias, confessionais ou filantrópicas que:
V - obras de infraestrutura, ainda que realizadas para
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distri-
beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar;
buam resultados, dividendos, bonificações, participa-
VI - pessoal docente e demais trabalhadores da edu-
ções ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma for-
cação, quando em desvio de função ou em atividade
ma ou pretexto;
alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino.
II - apliquem seus excedentes financeiros em educa-
ção;
LEGISLAÇÃO
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IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos re- § 3º No que se refere à educação superior, sem pre-
cebidos. juízo de outras ações, o atendimento aos povos indí-
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser genas efetivar-se-á, nas universidades públicas e pri-
destinados a bolsas de estudo para a educação básica, vadas, mediante a oferta de ensino e de assistência
na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiên- estudantil, assim como de estímulo à pesquisa e de-
cia de recursos, quando houver falta de vagas e cursos senvolvimento de programas especiais.
regulares da rede pública de domicílio do educando, Art. 79-A. (VETADO).
ficando o Poder Público obrigado a investir priorita- Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de
riamente na expansão da sua rede local. novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e exten-
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimen-
são poderão receber apoio financeiro do Poder Públi-
to e a veiculação de programas de ensino a distância,
co, inclusive mediante bolsas de estudo.
em todos os níveis e modalidades de ensino, e de edu-
No aspecto orçamentário, merece destaque a exi-
cação continuada.
gência de dedicação de parcela mínima dos impostos da § 1º A educação a distância, organizada com abertura
União (18%) e dos Estados e Distrito Federal (25%) vol- e regime especiais, será oferecida por instituições es-
tada à educação. Ainda, coloca-se o papel de suplemen- pecificamente credenciadas pela União.
tação e redistribuição da União em relação aos Estados § 2º A União regulamentará os requisitos para a rea-
e Municípios e dos Estados com relação aos Municípios, lização de exames e registro de diploma relativos a
repassando-se verbas para permitir que estas unidades cursos de educação a distância.
federativas consigam lograr êxito em oferecer parâmetro § 3º As normas para produção, controle e avaliação
mínimo de qualidade no ensino que é de sua incumbên- de programas de educação a distância e a autoriza-
cia. ção para sua implementação, caberão aos respectivos
sistemas de ensino, podendo haver cooperação e inte-
TÍTULO VIII gração entre os diferentes sistemas.
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS § 4º A educação a distância gozará de tratamento di-
ferenciado, que incluirá:
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colabo- I - custos de transmissão reduzidos em canais comer-
ração das agências federais de fomento à cultura e de ciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em
assistência aos índios, desenvolverá programas inte- outros meios de comunicação que sejam explorados
grados de ensino e pesquisa, para oferta de educação mediante autorização, concessão ou permissão do po-
escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas, der público;
com os seguintes objetivos: II - concessão de canais com finalidades exclusiva-
mente educativas;
I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos,
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder
a recuperação de suas memórias históricas; a reafir-
Público, pelos concessionários de canais comerciais.
mação de suas identidades étnicas; a valorização de
suas línguas e ciências; Art. 81. É permitida a organização de cursos ou insti-
II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o tuições de ensino experimentais, desde que obedeci-
acesso às informações, conhecimentos técnicos e cien- das as disposições desta Lei.
tíficos da sociedade nacional e demais sociedades in-
dígenas e não-índias. Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as nor-
mas de realização de estágio em sua jurisdição, obser-
Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente vada a lei federal sobre a matéria.
os sistemas de ensino no provimento da educação in-
tercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica,
programas integrados de ensino e pesquisa. admitida a equivalência de estudos, de acordo com as
§ 1º Os programas serão planejados com audiência normas fixadas pelos sistemas de ensino.
das comunidades indígenas.
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluí- Art. 84. Os discentes da educação superior poderão
dos nos Planos Nacionais de Educação, terão os se- ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas
guintes objetivos: respectivas instituições, exercendo funções de moni-
I - fortalecer as práticas socioculturais e a língua ma- toria, de acordo com seu rendimento e seu plano de
terna de cada comunidade indígena; estudos.
II - manter programas de formação de pessoal espe-
cializado, destinado à educação escolar nas comuni- Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação
própria poderá exigir a abertura de concurso públi-
dades indígenas;
co de provas e títulos para cargo de docente de ins-
III - desenvolver currículos e programas específicos,
LEGISLAÇÃO
18
Art. 86. As instituições de educação superior constituí- Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publi-
das como universidades integrar-se-ão, também, na cação.
sua condição de instituições de pesquisa, ao Sistema
Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos da le- Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024,
gislação específica. de 20 de dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novem-
bro de 1968, não alteradas pelas Leis nºs 9.131, de 24
TÍTULO IX de novembro de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro de
DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de
1971 e 7.044, de 18 de outubro de 1982, e as demais
Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer ou-
um ano a partir da publicação desta Lei. tras disposições em contrário.
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da publi-
cação desta Lei, encaminhará, ao Congresso Nacional,
o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas EXERCÍCIOS COMENTADOS
para os dez anos seguintes, em sintonia com a Decla-
ração Mundial sobre Educação para Todos. 1. (UFPA - Assistente de Aluno - CEPS-UFPA/2015) A
§ 2º (Revogado). Lei nº 9.394/1996 estabelece que:
§ 3º O Distrito Federal, cada Estado e Município, e,
supletivamente, a União, devem: a) a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios
I - (Revogado). organizarão, em regime de colaboração, os respecti-
II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens vos sistemas de esportes nacionais.
e adultos insuficientemente escolarizados; b) a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios
III - realizar programas de capacitação para todos organizarão, em regime de colaboração, a merenda
os professores em exercício, utilizando também, para escolar, o transporte escolar, os livros didáticos, a ma-
isto, os recursos da educação a distância; nutenção de veículos públicos e particulares.
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino c) os municípios devem garantir a todos os alunos o en-
fundamental do seu território ao sistema nacional de sino médio primeiramente e depois o ensino funda-
avaliação do rendimento escolar. mental.
d) os Estados devem assegurar primeiramente o ensino
§ 4º (Revogado).
médio, a educação de jovens e adultos, a educação
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando
quilombola e a educação especial.
a progressão das redes escolares públicas urbanas de e) a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios
ensino fundamental para o regime de escolas de tem- organizarão, em regime de colaboração, os respecti-
po integral. vos sistemas de ensino.
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a dos Resposta: Letra E. É o teor do artigo 8º da Lei nº
Estados aos seus Municípios, ficam condicionadas ao 9.394/1996: “A União, os Estados, o Distrito Federal e
cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e os Municípios organizarão, em regime de colabora-
dispositivos legais pertinentes pelos governos benefi- ção, os respectivos sistemas de ensino”.
ciados. A, B, C, D. Incorretas, por exclusão, devido ao teor do
artigo 8o, Lei nº 9.394/1996.
Art. 87-A. (VETADO).
2. (CREF - 3ª Região - Assistente Administrativo -
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Quadrix/2013 - adaptada) Assinale a alternativa con-
Municípios adaptarão sua legislação educacional e de trária ao disposto pela Lei Federal n° 9.394:
ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de
um ano, a partir da data de sua publicação. a) A educação, dever da família e do Estado, inspirada
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus es- nos princípios de liberdade e nos ideais de solidarie-
tatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às dade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvi-
normas dos respectivos sistemas de ensino, nos prazos mento do educando, seu preparo para o exercício da
por estes estabelecidos. cidadania e sua qualificação para o trabalho.
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o b) O acesso ao ensino fundamental é direito público sub-
disposto nos incisos II e III do art. 52 é de oito anos. jetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos,
associação comunitária, organização sindical, entida-
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que ve- de de classe ou outra legalmente constituída, e, ain-
da, o Ministério Público, acionar o Poder Público para
nham a ser criadas deverão, no prazo de três anos, a
exigi-lo.
contar da publicação desta Lei, integrar-se ao respec-
c) Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escola-
tivo sistema de ensino. res públicas de educação básica que os integram pro-
gressivos graus de autonomia pedagógica e adminis-
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o trativa e de gestão financeira, observadas as normas
LEGISLAÇÃO
regime anterior e o que se institui nesta Lei serão re- gerais de direito financeiro público.
solvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou, me- d) A educação física, integrada à proposta pedagógica da
diante delegação deste, pelos órgãos normativos dos escola, é componente curricular da Educação Básica,
sistemas de ensino, preservada a autonomia univer- ajustando-se às faixas etárias e às condições da popu-
sitária. lação escolar, sendo obrigatória nos cursos noturnos.
19
Resposta: Letra D. Eis o teor da Lei nº 9.394: “artigo preparo para o exercício da cidadania e sua qualifi-
26, § 3º A educação física, integrada à proposta peda- cação para o trabalho. Art. 225. Todos têm direito ao
gógica da escola, é componente curricular obrigatório meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
da educação infantil e do ensino fundamental, sendo uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
sua prática facultativa ao aluno: I - que cumpra jorna- de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletivida-
da de trabalho igual ou superior a seis horas; II - maior de o dever de defendê-lo e preservá-lo para as pre-
de trinta anos de idade; III - que estiver prestando ser- sentes e futuras gerações.), definir políticas públicas
viço militar inicial ou que, em situação similar, estiver que incorporem a dimensão ambiental, promover
obrigado à prática da educação física; IV - amparado a educação ambiental em todos os níveis de ensi-
pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969; no e o engajamento da sociedade na conservação,
V - (VETADO); VI - que tenha prole”. recuperação e melhoria do meio ambiente;
A. Correta, conforme artigo 2o, LDB. • às instituições educativas, promover a educação
B. Correta, conforme artigo 5o, LDB. ambiental de maneira integrada aos programas
C. Correta, conforme artigo 15, LDB. educacionais que desenvolvem;
• aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de
3. (Prefeitura de Alto Piquiri - Cuidador Social - Meio Ambiente - Sisnama, promover ações de
KLC/2012) A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, educação ambiental integradas aos programas de
estabelece: conservação, recuperação e melhoria do meio am-
biente;
a) os parâmetros curriculares nacionais.
• aos meios de comunicação de massa, colaborar de
b) as diretrizes e bases da educação nacional.
maneira ativa e permanente na disseminação de
c) exclusivamente as normas da educação básica.
informações e práticas educativas sobre meio am-
d) as leis e diretrizes somente para a educação superior
biente e incorporar a dimensão ambiental em sua
e) unicamente o funcionamento do sistema de avaliação.
programação;
Resposta: Letra B. Conforme consta na própria Lei nº • às empresas, entidades de classe, instituições pú-
9.394, ela “estabelece as diretrizes e bases da educa- blicas e privadas, promover programas destinados
ção nacional”. à capacitação dos trabalhadores, visando à me-
A, C, D e E. Incorretas, são abrangidas as diretrizes e lhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente de
bases da educação nacional, em todos os níveis. trabalho, bem como sobre as repercussões do pro-
cesso produtivo no meio ambiente;
• à sociedade como um todo, manter atenção per-
LEI Nº 9.795, DE 27 DE ABRIL DE 1999
- POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO manente à formação de valores, atitudes e habili-
AMBIENTAL dades que propiciem a atuação individual e cole-
tiva voltada para a prevenção, a identificação e a
solução de problemas ambientais.
Para estudar a Lei nº 9.795/1999 é necessário ano-
tar ou grifar os conceitos e os requisitos aqui dispostos, Quando se fala em educação ambiental, deve-se ob-
com ênfase nas relações (muitos princípios, objetivos, servar os seguintes princípios básico, podendo estende-
funções, etc). -los (anote ou grife):
Então, logo de início, devemos entender que educa- • o enfoque humanista, holístico, democrático e par-
ção ambiental é processos por meio dos quais o indiví- ticipativo;
duo e a coletividade constroem valores sociais, conhe- • a concepção do meio ambiente em sua totalidade,
cimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas considerando a interdependência entre o meio na-
para a conservação do meio ambiente, bem de uso co- tural, o sócio econômico e o cultural, sob o enfo-
mum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua que da sustentabilidade;
sustentabilidade. Aqui podemos compreender que a • o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas,
obrigação de conhecer e proteger o meio ambiente é da na perspectiva da inter, multi e transdisciplinarida-
pessoa física, pessoa jurídica, quer o indivíduo sozinho de;
ou integrado na sociedade, enfim, de todos. • a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e
A educação ambiental é um componente essencial e
as práticas sociais;
permanente da educação nacional, devendo estar pre-
• a garantia de continuidade e permanência do pro-
sente, de forma articulada, em todos os níveis e modali-
cesso educativo;
dades do processo educativo, em caráter formal e não-
• a permanente avaliação crítica do processo edu-
-formal.
cativo;
Como parte do processo educativo mais amplo, to-
dos têm direito à educação ambiental, incumbindo:
• a abordagem articulada das questões ambientais
• ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da locais, regionais, nacionais e globais;
LEGISLAÇÃO
20
• o desenvolvimento de uma compreensão integra- • o desenvolvimento de instrumentos e metodolo-
da do meio ambiente em suas múltiplas e com- gias, visando à incorporação da dimensão ambien-
plexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, tal, de forma interdisciplinar, nos diferentes níveis e
psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, modalidades de ensino (a montagem de uma rede
científicos, culturais e éticos; de banco de dados e imagens);
• a garantia de democratização das informações • a difusão de conhecimentos, tecnologias e infor-
ambientais; mações sobre a questão ambiental (a montagem
• o estímulo e o fortalecimento de uma consciência de uma rede de banco de dados e imagens);
crítica sobre a problemática ambiental e social; • o desenvolvimento de instrumentos e metodolo-
• o incentivo à participação individual e coletiva, per- gias, visando à participação dos interessados na
manente e responsável, na preservação do equilí- formulação e execução de pesquisas relacionadas
brio do meio ambiente, entendendo-se a defesa à problemática ambiental (a montagem de uma
da qualidade ambiental como um valor inseparável rede de banco de dados e imagens);
do exercício da cidadania; • a busca de alternativas curriculares e metodológi-
• o estímulo à cooperação entre as diversas regiões cas de capacitação na área ambiental (a montagem
do País, em níveis micro e macrorregionais, com de uma rede de banco de dados e imagens);
vistas à construção de uma sociedade ambien- • o apoio a iniciativas e experiências locais e regio-
talmente equilibrada, fundada nos princípios da nais, incluindo a produção de material educativo
liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, (a montagem de uma rede de banco de dados e
justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; imagens).
• o fomento e o fortalecimento da integração com a Entende-se por educação ambiental na educação es-
ciência e a tecnologia; colar a desenvolvida no âmbito dos currículos das insti-
• o fortalecimento da cidadania, autodeterminação tuições de ensino públicas e privadas, englobando edu-
dos povos e solidariedade como fundamentos cação básica:
para o futuro da humanidade. a) educação infantil;
b) ensino fundamental e
A Política Nacional de Educação Ambiental é instituí- c) ensino médio;
da por esta lei que estamos estudando e envolve em sua Inclui também a educação superior, educação espe-
esfera de ação, além dos órgãos e entidades integrantes cial, educação profissional e educação de jovens e adul-
do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, ins- tos.
tituições educacionais públicas e privadas dos sistemas A educação ambiental será desenvolvida como uma
de ensino, os órgãos públicos da União, dos Estados, do prática educativa integrada, contínua e permanente em
Distrito Federal e dos Municípios, e organizações não- todos os níveis e modalidades do ensino formal. A edu-
-governamentais com atuação em educação ambiental. cação ambiental não deve ser implantada como discipli-
As atividades vinculadas à Política Nacional de Edu- na específica no currículo de ensino.
cação Ambiental devem ser desenvolvidas na educação Nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas
em geral e na educação escolar, por meio das seguintes voltadas ao aspecto metodológico da educação ambien-
linhas de atuação inter-relacionadas, sendo respeitados tal, quando se fizer necessário, é facultada a criação de
os princípios e objetivos acima citados: disciplina específica.
• capacitação de recursos humanos; Nos cursos de formação e especialização técnico-
• desenvolvimento de estudos, pesquisas e experi- -profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado
mentações; conteúdo que trate da ética ambiental das atividades
• produção e divulgação de material educativo; profissionais a serem desenvolvidas.
• acompanhamento e avaliação. A dimensão ambiental deve constar dos currículos de
formação de professores, em todos os níveis e em todas
A capacitação de recursos humanos deverá atender: as disciplinas. Os professores em atividade devem rece-
• a incorporação da dimensão ambiental na forma- ber formação complementar em suas áreas de atuação,
ção, especialização e atualização dos educadores com o propósito de atender adequadamente ao cumpri-
mento dos princípios e objetivos da Política Nacional de
de todos os níveis e modalidades de ensino;
Educação Ambiental.
• a incorporação da dimensão ambiental na forma-
Além da educação formal, há a educação ambiental
ção, especialização e atualização dos profissionais
não formal.
de todas as áreas;
Entendem-se por educação ambiental não-formal as
• a preparação de profissionais orientados para as
ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da
atividades de gestão ambiental;
coletividade sobre as questões ambientais e à sua orga-
• a formação, especialização e atualização de profis-
nização e participação na defesa da qualidade do meio
sionais na área de meio ambiente;
ambiente.
• o atendimento da demanda dos diversos segmen-
O Poder Público federal, estadual e municipal incen-
tos da sociedade no que diz respeito à problemá-
LEGISLAÇÃO
tivará:
tica ambiental.
• a difusão, por intermédio dos meios de comunica-
ção de massa, em espaços nobres, de programas e
As ações de estudos, pesquisas e experimentações
campanhas educativas, e de informações acerca de
visam:
temas relacionados ao meio ambiente;
21
• a ampla participação da escola, da universidade e de organizações não-governamentais na formulação e execu-
ção de programas e atividades vinculadas à educação ambiental não-formal;
• a participação de empresas públicas e privadas no desenvolvimento de programas de educação ambiental em
parceria com a escola, a universidade e as organizações não-governamentais;
• a sensibilização da sociedade para a importância das unidades de conservação;
• a sensibilização ambiental das populações tradicionais ligadas às unidades de conservação;
• a sensibilização ambiental dos agricultores;
• o ecoturismo.
Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, na esfera de sua competência e nas áreas de sua jurisdição, definirão
diretrizes, normas e critérios para a educação ambiental, respeitados os princípios e objetivos da Política Nacional de
Educação Ambiental.
A eleição de planos e programas, para fins de alocação de recursos públicos vinculados à Política Nacional de Edu-
cação Ambiental, deve ser realizada levando-se em conta os seguintes critérios:
• conformidade com os princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional de Educação Ambiental;
• prioridade dos órgãos integrantes do Sisnama e do Sistema Nacional de Educação;
• economicidade, medida pela relação entre a magnitude dos recursos a alocar e o retorno social propiciado pelo
plano ou programa proposto.
Na eleição de planos e programas acima citado, devem ser contemplados, de forma equitativa, os planos, progra-
mas e projetos das diferentes regiões do País.
Os programas de assistência técnica e financeira relativos a meio ambiente e educação, em níveis federal, estadual
e municipal, devem alocar recursos às ações de educação ambiental.
O presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições legais de
conformidade com o disposto na alínea “c” do Artigo 9º da Lei nº 4024/61, com a redação dada pela Lei nº 9131/95,
bem como no Artigo 90, no § 1º do artigo 8º e no § 1º do Artigo 9º da Lei 9.394/96 e com fundamento no Parecer CNE/
CEB nº 6/2005, homologado por despacho do Senhor Ministro de Estado da Educação, publicado no DOU de 14 de
julho de 2005, resolve:
Art. 1º A antecipação da obrigatoriedade de matrícula no Ensino Fundamental aos seis anos de idade implica na am-
pliação da duração do Ensino Fundamental para nove anos.
Art. 2º A organização do Ensino Fundamental de 9 (nove) anos e da Educação Infantil adotará a seguinte nomenclatura:
LEGISLAÇÃO
Art. 3º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
22
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamen-
LEI N° 8.069/90, ESTATUTO DA CRIANÇA E to, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualifi-
DO ADOLESCENTE – ECA cações, proibidas quaisquer designações discriminató-
rias relativas à filiação.
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS E DISCIPLINA § 7º No atendimento dos direitos da criança e do ado-
CONSTITUCIONAL lescente levar-se-á em consideração o disposto no art.
2042.
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado § 8º A lei estabelecerá:
assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com I - o estatuto da juventude, destinado a regular os di-
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à ali- reitos dos jovens;
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal,
mentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
visando à articulação das várias esferas do poder pú-
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
blico para a execução de políticas públicas.
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los
a salvo de toda forma de negligência, discriminação, No caput do artigo 227, CF se encontra uma das prin-
exploração, violência, crueldade e opressão. cipais diretrizes do direito da criança e do adolescente
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência in- que é o princípio da prioridade absoluta. Significa que
tegral à saúde da criança, do adolescente e do jovem, cada criança e adolescente deve receber tratamento es-
admitida a participação de entidades não governa- pecial do Estado e ser priorizado em suas políticas públi-
mentais, mediante políticas específicas e obedecendo cas, pois são o futuro do país e as bases de construção
aos seguintes preceitos: da sociedade.
I - aplicação de percentual dos recursos públicos desti- A Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 dispõe sobre
nados à saúde na assistência materno-infantil; o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras pro-
II - criação de programas de prevenção e atendimen- vidências, seguindo em seus dispositivos a ideologia do
to especializado para as pessoas portadoras de defi- princípio da absoluta prioridade.
ciência física, sensorial ou mental, bem como de inte- No §1º do artigo 227 aborda-se a questão da assis-
gração social do adolescente e do jovem portador de tência à saúde da criança e do adolescente. Do inciso I
deficiência, mediante o treinamento para o trabalho se depreende a intrínseca relação entre a proteção da
e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e criança e do adolescente com a proteção da maternidade
serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos ar- e da infância, mencionada no artigo 6º, CF. Já do inciso
quitetônicos e de todas as formas de discriminação. II se depreende a proteção de outro grupo vulnerável,
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos que é a pessoa portadora de deficiência, valendo lembrar
que o Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, que
logradouros e dos edifícios de uso público e de fa-
promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos
bricação de veículos de transporte coletivo, a fim de
das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultati-
garantir acesso adequado às pessoas portadoras de vo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007,
deficiência. foi promulgado após aprovação no Congresso Nacional
§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os se- nos moldes da Emenda Constitucional nº 45/2004, tendo
guintes aspectos: força de norma constitucional e não de lei ordinária. A
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao preocupação com o direito da pessoa portadora de defi-
trabalho, observado o disposto no art. 7º, XXXIII; ciência se estende ao §2º do artigo 227, CF: “a lei dispo-
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; rá sobre normas de construção dos logradouros e dos
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e edifícios de uso público e de fabricação de veículos de
jovem à escola; transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atri- pessoas portadoras de deficiência”.
buição de ato infracional, igualdade na relação pro- A proteção especial que decorre do princípio da prio-
cessual e defesa técnica por profissional habilitado, ridade absoluta está prevista no §3º do artigo 227. Li-
segundo dispuser a legislação tutelar específica; ga-se, ainda, à proteção especial, a previsão do §4º do
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcio- artigo 227: “A lei punirá severamente o abuso, a violência
nalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em e a exploração sexual da criança e do adolescente”.
desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer 2 Art. 204. As ações governamentais na área da assistência
medida privativa da liberdade; social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas
jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da com base nas seguintes diretrizes: I - descentralização político-
lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança -administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfe-
ou adolescente órfão ou abandonado; ra federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas
às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes
VII - programas de prevenção e atendimento especia-
e de assistência social; II - participação da população, por meio
lizado à criança, ao adolescente e ao jovem dependen- de organizações representativas, na formulação das políticas e no
te de entorpecentes e drogas afins. controle das ações em todos os níveis. Parágrafo único. É faculta-
§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a
LEGISLAÇÃO
23
Tendo em vista o direito de toda criança e adolescen- há se prestar bastante atenção nas provas de concurso,
te de ser criado no seio de uma família, o §5º do artigo tendo em vista que só se costuma colocar o Estado como
227 da Constituição prevê que “a adoção será assistida observador da “Doutrina da Proteção Integral”, sendo
pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá ca- que isso também compete à família e à sociedade.
sos e condições de sua efetivação por parte de estran- Nesta frequência, o direito à proteção especial abran-
geiros”. Neste sentido, a Lei nº 12.010, de 3 de agosto de gerá os seguintes aspectos (art. 227, §3º, CF):
2009, dispõe sobre a adoção. - A idade mínima de dezesseis anos para admissão ao
A igualdade entre os filhos, quebrando o paradigma trabalho, salvo a partir dos quatorze anos, na condição
da Constituição anterior e do até então vigente Código de aprendiz (inciso I de acordo com o art. 7º, XXXIII, CF,
Civil de 1916 consta no artigo 227, § 6º, CF: “os filhos, pós-alteração promovida pela Emenda Constitucional nº
havidos ou não da relação do casamento, ou por ado- 20/98);
ção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas - A garantia de direitos previdenciários e trabalhistas
quaisquer designações discriminatórias relativas à filia- (inciso II);
ção”. - A garantia de acesso ao trabalhador adolescente e
Quando o artigo 227 dispõe no § 7º que “no atendi- jovem à escola (inciso III);
mento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- - A garantia de pleno e formal conhecimento da atri-
-á em consideração o disposto no art. 204” tem em vista buição do ato infracional, igualdade na relação
a adoção de práticas de assistência social, com recursos processual e defesa técnica por profissional habi-
da seguridade social, em prol da criança e do adolescen- litado, segundo dispuser a legislação tutelar espe-
te. cífica (inciso IV);
Por seu turno, o artigo 227, § 8º, CF, preconiza: “A - A obediência aos princípios de brevidade, excep-
lei estabelecerá: I - o estatuto da juventude, destinado cionalidade e respeito à condição peculiar de pes-
a regular os direitos dos jovens; II - o plano nacional de soa em desenvolvimento, quando da aplicação de
juventude, de duração decenal, visando à articulação qualquer medida privativa de liberdade (inciso V);
das várias esferas do poder público para a execução de - O estímulo do Poder Público, através de assistência
políticas públicas”. A Lei nº 12.852, de 5 de agosto de jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos
2013, institui o Estatuto da Juventude e dispõe sobre os da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de
direitos dos jovens, os princípios e diretrizes das políticas criança ou adolescente órfão ou abandonado (in-
públicas de juventude e o Sistema Nacional de Juventude ciso VI);
- SINAJUVE. Mais informações sobre a Política menciona- - Programas de prevenção e atendimento especiali-
da no inciso II e sobre a Secretaria e o Conselho Nacional zado à criança, ao adolescente e ao jovem depen-
de Juventude que direcionam a implementação dela po- dente de entorpecentes e drogas afins (inciso VII).
dem ser obtidas na rede3.
Aprofundando o tema, a cabeça do art. 227, da Lei Prosseguindo, o parágrafo sexto, do art. 227, da
Fundamental, preconiza ser dever da família, da socieda- Constituição, garante o “Princípio da Igualdade entre os
de e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao Filhos”, ao dispor que os filhos, havidos ou não da relação
jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos
à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, e qualificações, proibidas quaisquer designações discri-
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convi- minatórias relativas à filiação.
vência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo Assim, com a Constituição Federal, os filhos não têm
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, mais “valor” para efeito de direitos alimentícios e suces-
violência, crueldade e opressão. sórios. Não se pode falar em um filho receber metade
A leitura do art. 227, caput, da Constituição Federal da parte que originalmente lhe cabia por ser “bastardo”,
permite concluir que se adotou, neste país, a chamada enquanto aquele fruto da sociedade conjugal receber a
“Doutrina da Proteção Integral da Criança”, ao lhe asse- quantia integral. Aliás, nem mesmo a expressão “filho
gurar a absoluta prioridade em políticas públicas, medi- bastardo” pode mais ser utilizada, por representar uma
das sociais, decisões judiciais, respeito aos direitos hu- forma de discriminação designatória.
manos, e observância da dignidade da pessoa humana. Também, o art. 229 traz uma “via de mão dupla” entre
Neste sentido, o parágrafo único, do art. 5º, do “Estatuto pais e filhos, isto é, os pais têm o dever de assistir, criar
da Criança e do Adolescente”, prevê que a garantia de e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o
prioridade compreende a primazia de receber proteção dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência
e socorro em quaisquer circunstâncias (alínea “a”), a pre- ou enfermidade. Tal dispositivo, inclusive, permite que os
cedência de atendimento nos serviços públicos ou de re- filhos peçam alimentos aos pais, e que os pais peçam
levância pública (alínea “b”), a preferência na formulação alimentos aos filhos.
e na execução das políticas sociais públicas (alínea “c”), e Por fim, há se mencionar o acrescentado parágrafo oi-
a destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas tavo (pela Emenda Constitucional nº 65/2010), ao art. 227,
relacionadas com a proteção à infância e à juventude (alí- da Constituição Federal, segundo o qual a lei estabelecerá
nea “d”). o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos
LEGISLAÇÃO
Ademais, a proteção à criança, ao adolescente e ao dos jovens (inciso I), e o plano nacional de juventude, de
jovem representa incumbência atribuída não só ao Es- duração decenal, visando à articulação das várias esferas
tado, mas também à família e à sociedade. Sendo assim, do poder público para a execução de políticas públicas
(inciso II). Nada obstante a exigência constitucional desde
3 http://www.juventude.gov.br/politica
24
2010, somente bem recentemente o Estatuto da Juventu- a Infância, mas mantém a sigla que a tornara conhecida
de foi aprovado (Lei nº 12.852/2013), como visto acima, em todo o mundo – UNICEF. Desde então, sobrevieram
carecendo, ainda, o Plano Nacional de Juventude de maior no âmbito das Nações Unidas documentos bastante re-
regulamentação infraconstitucional. levantes sobre a condição jurídica peculiar da criança, já
estudados neste material.
Evolução histórica No Brasil, no final do século XIX e início do século XX,
foi instituído no Rio de Janeiro o Instituto de Proteção e
Na Grécia antiga, a criança era colocada numa posi- Assistência à Infância, primeiro estabelecimento público
ção de inferioridade, tida como um ser irracional, sem ca- nacional de atendimento a crianças e adolescentes. Em
pacidade de tomar qualquer tipo de decisão. Trata-se de seguida, veio a Lei nº 4.242/1921, que autorizou o go-
marco da cultura grega, que enxergava apenas poucos verno a organizar o Serviço de Assistência e Proteção à
homens de posses como cidadãos. Estes homens con- Infância Abandonada e Dellinquente. Em 1927 foi apro-
centravam para si o pátrio poder, isto é, o poder do pai. vado o primeiro Código de Menores. Em 1941, durante
Devido ao pátrio poder, o pai de família concentrava em o governo Vargas, foi criado o Serviço de Assistência ao
suas mãos plena possibilidade de gerir a vida das crian- Menor, cujo fim era dar tratamento penal teoricamen-
ças e adolescentes e estes não tinham nenhuma possibi- te diferenciado aos menores (na prática, eram tratados
lidade de participar destas decisões. Na Idade Média se como criminosos comuns). Em 1964 surge a Política Na-
manteve o sistema do “pátrio poder”. As crianças eram cional do Bem-estar do Menor (Lei nº 4.513/1964), que
submetidas ao absoluto poder do pai e seus destinos se- criou a FUNABEM. Surge novo Código de Menores em
guiam a mesma sorte. 1979 (Lei nº 6.697), cujo objeto era a proteção e vigilân-
A partir da Idade Moderna, com o Renascimento e o cia de crianças e adolescentes em situação irregular. Na
Iluminismo, as crianças e os adolescentes saíram ligei- década de 80 começa um movimento de reelaboração
ramente da margem social. A moral da época passa a da concepção de infância e juventude. O destaque re-
impor aos pais o dever de educar seus filhos. Entretanto, percute na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto
a educação costumava ser oferecida apenas aos homens. da Criança e do Adolescente de 1990, que revogou o
Aqueles que possuíam melhores condições enviavam Código de Menores e substituiu a doutrina da situação
seus filhos para estudarem nas universidades que co- irregular pela doutrina da proteção integral4.
meçavam a despontar na Europa, aqueles que possuíam
condições piores ao menos passavam a ensinar seus ofí- Relações jurídicas no direito da criança e do ado-
cios a estes jovens. Já as meninas permaneciam margina- lescente
lizadas das atividades educacionais e profissionalizantes,
apenas lhes era ensinado como desempenhar atividades “As relações jurídicas são formas qualificadas de
domésticas. relações interpessoais, indicando, assim, a ligação en-
Desde o final da Revolução Francesa e, com destaque, tre pessoas, em razão de algum objeto, devidamente
a partir da Revolução Industrial, que alterou substancial- regulada pelo direito. Desta forma, o Direito da Crian-
mente os modos e métodos de produção, a criança e ça e do Adolescente, sob o aspecto objetivo e formal,
o adolescente passam a ocupar papel central na socie- representa a disciplina das relações jurídicas entre
dade, desempenhando atividades trabalhistas de caráter Crianças e Adolescentes, de um lado, e de outro, a fa-
equivalente a dos adultos. Foram vítimas de inúmeros mília, a comunidade, a sociedade e o próprio Estado.
acidentes de trabalho, morriam em meio à insalubridade [...] Percebemos que a intenção dos doutrinadores e
das fábricas, então movidas predominantemente a car- do próprio legislador foi, sempre, criar uma doutri-
vão. Foi apenas com a emergência da Organização Inter- na da proteção integral não somente para a Criança,
nacional do Trabalho – OIT, em 1919, que aos poucos se como, ainda, para o Adolescente, ambos ainda em
consolidou uma consciência a respeito da necessidade desenvolvimento, posto que, somente com o término
de se limitar a participação das crianças e adolescentes da adolescência é que o menor completará o processo
no espaço de trabalho. Este foi o estopim para o reco- de aquisição de mecanismos mentais relacionados ao
nhecimento da condição especial da criança e do ado- pensamento, percepção, reconhecimento, classificação
lescente. etc. [...] Com isso, o Estatuto da Criança e do Adoles-
Internacionalmente, a proteção efetiva da criança e cente, sabiamente, se preocupou em envolver não so-
do adolescente começa a tomar corpo com o reconhe- mente a família, mas, ainda, a comunidade, a socieda-
cimento internacional dos direitos humanos e a funda- de e o próprio Estado, para que todos, em conjunto,
ção da UNICEF. A UNICEF, inicialmente conhecida como exerçam seus direitos e deveres sem oprimir aqueles
Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas que, em condição inferior, viviam a mercê da socieda-
para as Crianças, foi criada em dezembro de 1946 para de. Mas, qual a razão dessa inclusão tão abrangente?
ajudar as crianças da Europa vítimas da II Guerra Mun- Pois bem, a intenção do Estatuto da Criança e do Ado-
dial. No início da década de 50 o seu mandato foi alar- lescente foi conferir ao menor, de forma integral, todas
gado para responder às necessidades das crianças e das as condições para que o mesmo possa desenvolver-se
mães nos países em desenvolvimento. Em 1953, torna-se plenamente, evitando-se, com isso, que haja alguma
LEGISLAÇÃO
25
deficiência em sua formação. Desta forma, a melhor um caráter estigmatizante, mas deve abranger
solução apresentada pelo legislador foi incluir todos todas as situações de vida pelas quais passa a
os segmentos da sociedade, para que ninguém ficasse criança e o adolescente, mesmo as regulares.
isento de qualquer responsabilidade, uma vez que a Neste sentido, ao se assegurar direitos na regu-
doutrina da proteção integral apresentada pelo Esta- laridade, evita-se que a criança e o adolescente
tuto da Criança e do Adolescente exige a participação caiam em irregularidade.
de todos, sem qualquer exceção”5. Com efeito, o ob- c) Princípio da dignidade da pessoa humana: A
jeto formal do direito da criança e do adolescente é a dignidade da pessoa humana é o valor-base de
proteção jurídica especial da criança e do adolescente. interpretação de qualquer sistema jurídico, in-
Já o objeto material é a própria criança ou adolescente. ternacional ou nacional, que possa se considerar
compatível com os valores éticos, notadamente da
Princípios moral, da justiça e da democracia. Pensar em dig-
nidade da pessoa humana significa, acima de tudo,
Não se pode olvidar que os princípios sempre desem- colocar a pessoa humana como centro e norte
penharam um importante papel social, mas foi somente para qualquer processo de interpretação jurídico,
na atual dogmática jurídica que eles adquiriram normati- seja na elaboração da norma, seja na sua aplicação.
vidade. Hoje em dia, os princípios servem para condensar
valores, dar unidade ao sistema e condicionar a ativida- Sem pretender estabelecer uma definição fechada ou
de do intérprete. Os princípios são normas jurídicas, não plena, é possível conceituar dignidade da pessoa huma-
meros conteúdos axiológicos, aceitando aplicação autô- na como o principal valor do ordenamento ético e, por
noma6. consequência, jurídico que pretende colocar a pessoa
Em resumo, a teoria dos princípios chega à presente humana como um sujeito pleno de direitos e obriga-
fase do Pós-positivismo com os seguintes resultados já ções na ordem internacional e nacional, cujo desrespeito
consolidados: a passagem dos princípios da especulação acarreta a própria exclusão de sua personalidade.
metafísica e abstrata para o campo concreto e positivo Aponta Barroso8: “o princípio da dignidade da pessoa
do Direito, com baixíssimo teor de densidade normati- humana identifica um espaço de integridade moral a ser
va; a transição crucial da ordem jusprivatista (sua antiga assegurado a todas as pessoas por sua só existência no
inserção nos Códigos) para a órbita juspublicística (seu mundo. É um respeito à criação, independente da crença
ingresso nas Constituições); a suspensão da distinção que se professe quanto à sua origem. A dignidade re-
clássica entre princípios e normas; o deslocamento dos laciona-se tanto com a liberdade e valores do espírito
princípios da esfera da jusfilosofia para o domínio da como com as condições materiais de subsistência”.
Ciência Jurídica; a proclamação de sua normatividade; a O Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
perda de seu caráter de normas programáticas; o reco- do Tribunal Superior do Trabalho, trouxe interessante
nhecimento definitivo de sua positividade e concretude conceito numa das decisões que relatou: “a dignidade
por obra sobretudo das Constituições; a distinção en- consiste na percepção intrínseca de cada ser humano a
tre regras e princípios, como espécies diversificadas do respeito dos direitos e obrigações, de modo a assegurar,
gênero norma, e, finalmente, por expressão máxima de sob o foco de condições existenciais mínimas, a partici-
todo esse desdobramento doutrinário, o mais significa- pação saudável e ativa nos destinos escolhidos, sem que
tivo de seus efeitos: a total hegemonia e preeminência isso importe destilação dos valores soberanos da demo-
dos princípios7. cracia e das liberdades individuais. O processo de valo-
rização do indivíduo articula a promoção de escolhas,
No campo do direito da criança e do adolescente, al- posturas e sonhos, sem olvidar que o espectro de abran-
guns princípios assumem destaque, entre eles: gência das liberdades individuais encontra limitação em
outros direitos fundamentais, tais como a honra, a vida
a) Princípio da prioridade absoluta: previsto nos privada, a intimidade, a imagem. Sobreleva registrar que
artigos 227, CF e 4º, ECA preconiza que é dever essas garantias, associadas ao princípio da dignidade da
de todos – Estado, sociedade, comunidade e fa- pessoa humana, subsistem como conquista da humani-
mília – assegurar com absoluta prioridade direitos dade, razão pela qual auferiram proteção especial con-
fundamentais às crianças e adolescentes. Por isso, sistente em indenização por dano moral decorrente de
estabelece-se com primazia a adoção de políticas sua violação”9.
públicas, a destinação de recursos e a prestação de Para Reale10, a evolução histórica demonstra o do-
serviços essenciais àqueles que se encontram na mínio de um valor sobre o outro, ou seja, a existência
faixa etária inferior a 18 anos. de uma ordem gradativa entre os valores; mas existem
b) Princípio da proteção integral: previsto no os valores fundamentais e os secundários, sendo que o
artigo 1º, ECA estabelece que a proteção da valor fonte é o da pessoa humana. Nesse sentido, são
criança e do adolescente não pode se restrin- 8 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da
gir às situações de irregularidade, o que teria Constituição. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 382.
LEGISLAÇÃO
5 MENDES, Moacyr Pereira. As relações jurídicas decorren- 9 BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Re-
tes do Estatuto da Criança e do Adolescente. Âmbito Jurídico, Rio vista n. 259300-59.2007.5.02.0202. Relator: Alberto Luiz Bresciani
Grande, XII, n. 70, nov. 2009. de Fontan Pereira. Brasília, 05 de setembro de 2012j1. Disponível
6 Ibid., p.327. em: www.tst.gov.br. Acesso em: 17 nov. 2012.
7 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 26. 10 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo:
ed. São Paulo: Malheiros, 2011, p. 294. Saraiva, 2002, p. 228.
26
os dizeres de Reale11: “partimos dessa ideia, a nosso ver Entretanto, para que este processo de análise de sua
básica, de que a pessoa humana é o valor-fonte de todos autonomia transcorra de maneira isenta, fundamental-
os valores. O homem, como ser natural biopsíquico, é mente centrado nas peculiaridades do desenvolvimento
apenas um indivíduo entre outros indivíduos, um ente do ser humano, o primeiro ponto a ser considerado é a
animal entre os demais da mesma espécie. O homem, necessidade de abdicar de alguns conceitos preestabele-
considerado na sua objetividade espiritual, enquanto cidos, como é o caso da atitude paternalista. [...]
ser que só realiza no sentido de seu dever ser, é o que O segundo ponto a considerar neste percurso, em
chamamos de pessoa. Só o homem possui a dignidade geral decorrente do primeiro, é a própria legislação que,
originária de ser enquanto deve ser, pondo-se essencial- mesmo tendo o melhor dos intuitos, praticamente nivela
mente como razão determinante do processo histórico”. todos os menores a uma mesma condição: a de incapaci-
Quando a Constituição Federal assegura a dignidade dade, criando a necessidade de se ter figuras aptas a de-
da pessoa humana como um dos fundamentos da Repú- cidir e responder por eles, como se estas figuras fossem
blica, faz emergir uma nova concepção de proteção de sempre e inevitavelmente imbuídas das melhores inten-
cada membro do seu povo. Tal ideologia de forte fulcro ções em relação à criança e ao adolescente.
humanista guia a afirmação de todos os direitos funda- No entender de Kopelman, para que toda esta legis-
mentais e confere a eles posição hierárquica superior às lação fosse realmente válida seria necessário definir me-
normas organizacionais do Estado, de modo que é o Es-
lhor, de maneira bem precisa, o que se entende por um
tado que está para o povo, devendo garantir a dignidade
padrão mínimo de benefício ou o que é ‘o melhor’ para
de seus membros, e não o inverso.
os interesses da criança ou do adolescente, de modo que
a definição não fique em aberto para a interpretação de
d) Princípio da participação popular: previsto no
artigo 227, §§ 3º e 7º e no artigo 204, II, CF, assegu- quem detém o poder de decidir em nome deles. Além
ra a participação popular, através de organizações disso, estas definições deveriam estar em constante revi-
representativas, na elaboração de políticas públi- são, para que não acabem sendo ultrapassadas, frente à
cas direcionadas à infância e à juventude. evolução histórico-social dos fatos que geraram a neces-
e) Princípio da excepcionalidade: previsto no artigo sidade de sua criação.
227, §3º, V, CF assegura que quando da imposi- Superados estes dois pontos, que apesar de poten-
ção de medida privativa de liberdade esta não será cialmente limitantes do processo de discussão da auto-
imposta a não ser que se trate de um caso excep- nomia da criança e do adolescente não podem ser sim-
cional, em que nenhuma outra medida sócio-edu- plesmente ignorados, como se não existissem, chega-se
cativa possa ser utilizada. ao terceiro e mais importante: a interpretação do concei-
f) Princípio da brevidade: previsto no artigo 227, to de autonomia à luz do momento de desenvolvimen-
§3º, V, CF assegura que quando da aplicação de to em que uma determinada criança ou adolescente se
medida privativa de liberdade esta não se esten- encontra.
derá no tempo, devendo ser a mais breve possível,
perdurando apenas pelo prazo necessário para a Nesse sentido, diversas características do desenvolvi-
ressocialização do adolescente. No caso, o ECA mento devem ser levadas em consideração:
limita a aplicação de medidas desta natureza ao
prazo máximo de 3 anos. 1. Trata-se de um processo que evolui continuamente
g) Princípio da condição peculiar da pessoa em à medida que habilidades se aperfeiçoam, novas
desenvolvimento: a criança e o adolescente es- capacidades são adquiridas, novas vivências são
tão em processo de formação e de transformação acumuladas e integradas e, portanto, passível de
física e psíquica, logo, possuem uma condição pe- rápidas e extremas mudanças no tempo;
culiar que deve ser respeitada quando da aplicação 2. A aquisição das competências é progressiva, não se
da lei. dá saltos, como se se tratasse de compartimentos
estanques, e segue sempre uma ordem preestabe-
Autonomia da criança e do adolescente lecida, sendo, portanto, razoavelmente previsível;
3. Os tempos e o ritmo em que o desenvolvimento se
Coloca-se o trecho do trabalho de Cláudio Leone12 processa são muito individualizados, fazendo com
em que reflete sobre a construção da autonomia do in- que dois indivíduos de uma mesma idade possam
fante: estar em momentos diferentes de desenvolvimen-
“Conceitualmente, a análise do respeito à autonomia to;
de uma criança ou de um adolescente só tem sentido se 4. No caso específico da inteligência, o desenvolvi-
for conduzida a partir do conhecimento da evolução de
mento é extremamente influenciável por fatores
suas competências nas diferentes idades. É de conheci-
extrínsecos ao indivíduo: as experiências, os estí-
mento de todos que a criança nasce totalmente depen-
mulos, o ambiente, a educação, a cultura, etc., o
dente de cuidados alheios e que passa por um processo
que também acaba por reforçar sua evolução ex-
de desenvolvimento progressivo que a leva a alcançar a
completa independência na maturidade, o que, nas so- tremamente individualizada.
LEGISLAÇÃO
27
vida. Este amadurecimento se completa na adolescência, Na realidade, o que deve existir é a construção con-
com a capacidade crescente de abstração que a criança junta de uma verdade para aquele momento, amadure-
desenvolve nesta fase da existência. Como consequência, cida no crescimento e evolução de todos: juízes e legis-
é possível admitir que é na segunda fase da adolescência, ladores, pais ou responsáveis, médicos e profissionais
em geral a partir dos 15 anos, que o indivíduo atingiria de saúde e, principalmente, a criança ou o adolescente,
as competências necessárias para o exercício de sua au- como parte de um processo de interação franco, since-
tonomia, competências estas que necessitariam apenas ro, isento e realmente participativo que de fato respeite
serem lapidadas ao longo das vivências e de uma maior a autonomia, qualquer que seja o nível de competência
experiência de vida. que a criança ou o adolescente estejam apresentando
Entretanto, isto não significa que a autonomia da para tal”.
criança e do adolescente só possa (ou deva) ser respeita-
da a partir desta fase.
Imputabilidade penal
Compete ao pediatra e aos demais profissionais de
saúde, utilizando suas competências profissionais, defi-
nir já desde os primeiros anos de vida em que etapa a Art. 228, CF. São penalmente inimputáveis os meno-
criança se encontra ao longo do seu processo evolutivo, res de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação
tentando diferenciar se se está diante de uma tomada especial.
de decisão ditada apenas pelo receio do desconhecido,
por um capricho ou vontade decorrente apenas de sua O artigo 228, CF dispõe: “são penalmente inimputá-
visão egocêntrica, natural em determinadas idades, ou se veis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da
a mesma já é o resultado de uma reflexão mais amadu- legislação especial”. Percebe-se que a normativa não está
recida. São estes extremos que dão a entender a ampla no rol de cláusulas pétreas, razão pela qual seria possível
gama de estágios de desenvolvimento, portanto de au- uma emenda constitucional que alterasse a menoridade
tonomia, que entre eles podem se apresentar. [...] penal. Inclusive, há projetos de lei neste sentido.
Novamente, cabe enfatizar que o risco que se corre
ao se utilizar definições bastante precisas como estas é o COMENTÁRIOS À LEI
de acabar classificando um indivíduo de maneira dicotô-
mica, no caso específico da autonomia, como sendo ca- PARTE GERAL
paz ou incapaz, desistindo assim de uma possível análise
de sua real capacidade. TÍTULO I
Consequentemente, a ausência de uma ou de mais DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
das características anteriormente citadas não deve ser
utilizada para qualificar a criança ou o adolescente como Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à
incapaz. Deve, isto sim, servir de embasamento para que
criança e ao adolescente.
se possa tentar entender como suas decisões se origi-
naram.
O princípio da proteção integral se associa ao princí-
Em face de situações específicas, individualizadas,
como ocorre no dia-a-dia da prática pediátrica, esta é a pio da prioridade absoluta, colacionado no artigo 4º do
única forma que o profissional tem de realmente respei- ECA e no artigo 227, CF. “Com a positivação desse prin-
tar a autonomia da criança ou do adolescente. cípio tem-se também a positivação da proteção integral,
A interpretação adequada da legislação e o dimen- que se opõe à antiga e superada doutrina da situação
sionamento correto da decisão dos pais ou responsáveis irregular, que era prevista no antigo Código de Menores
dependerão fundamentalmente deste tipo de análise da e especificava que sua incidência se restringia aos me-
autonomia da criança ou adolescente. Deste modo, mes- nores em situação irregular, apresentando um conjunto
mo que resulte em situações de conflito entre as posi- de normas destinadas ao tratamento e prevenção dessas
ções, servirá de embasamento para um trabalho, muitas situações”13.
vezes exaustivo, de apresentação, de reflexão e de dis- Basicamente, tinha-se na doutrina da situação irregu-
cussão de argumentos e fatos, capaz de conduzir a uma lar que era necessário disciplinar um estatuto jurídico da
decisão amadurecida e o mais isenta possível, que, res- criança e do adolescente que apenas abordasse situa-
peitando a posição da criança ou do adolescente, poderá ções em que ele estivesse irregular, seja por uma despro-
efetivamente redundar em seu benefício. teção, como no caso de abandono, ou pela violação da
No leque das diferentes situações da prática pediátri- lei, como nos casos de atos infracionais.
ca, que se estende desde o recém-nascido no limite de Entretanto, o direito evoluiu e passou a contemplar
viabilidade ao qual se quer prestar cuidados intensivos uma noção de proteção mais ampla da criança e do ado-
de validade questionável naquelas circunstâncias, pas- lescente, que não apenas abordasse situações de irregu-
sando pelas pesquisas científicas que envolvem crianças laridade (embora ainda o fizesse), mas que abrangesse
e adolescentes, até a criança cujo pátrio poder pertence
todo o arcabouço jurídico protetivo da criança e do ado-
a pais adolescentes, portanto autônomos nas decisões
lescente.
LEGISLAÇÃO
28
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, Vale ressaltar que às crianças e aos adolescentes são
a pessoa até doze anos de idade incompletos, e ado- garantidos os mesmos direitos fundamentais que aos
lescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. adultos, entretanto, o ECA aprofunda alguns direitos
Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se fundamentais em espécie, abordando-os na vertente da
excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre de- condição especial dos que pertencem a este grupo.
zoito e vinte e um anos de idade. As crianças e adolescentes gozam de igualdade de
direitos em relação às demais pessoas, podendo usufruir
O Estatuto da Criança e do Adolescente opta por ca- de todos eles. O próprio estatuto contempla em seu título
tegorizar separadamente estas duas categorias de me- II os direitos fundamentais da criança e do adolescente,
nores. Criança é aquele que tem até 12 anos de idade (na entre eles incluindo-se: vida, saúde, liberdade, respeito,
data de aniversário de 12 anos, passa a ser adolescente), dignidade, convivência familiar e comunitária, educação,
adolescente é aquele que tem entre 12 e 18 anos (na cultura, esporte, lazer, profissionalização e proteção no
data de aniversário de 18 anos, passa a ser maior). Em trabalho. Não se trata de rol taxativo de direitos funda-
situações excepcionais o ECA se aplica ao maior de 18 mentais garantidos à criança e ao adolescente, eis que
anos, até os 21 anos de idade, por exemplo, no caso do ele possui todos os direitos humanos e fundamentais
menor infrator sujeito a internação em fundação CASA que as demais pessoas. O título II do ECA tem por ob-
que tenha 17 anos e 11 meses na data do ato infracional jetivo aprofundar especificidades acerca de algumas das
poderá ficar detido até o limite de seus 20 anos e 11 categorias de direitos fundamentais assegurados à crian-
meses (eis que 3 anos é o tempo máximo de internação). ça e ao adolescente.
Deste artigo 3º do ECA é possível, ainda, extrair o des-
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os di- taque ao princípio da igualdade, no sentido de que há
reitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem plena igualdade na garantia de direitos entre todas as
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, as- crianças e adolescentes, não sendo permitido qualquer
segurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas tipo de discriminação.
as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar A leitura dos artigos 4º e 5º, em conjunto com outros
o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e dispositivos do ECA, por sua vez, permite detectar a pre-
social, em condições de liberdade e de dignidade. sença de um tríplice sistema de garantias.
Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei
aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem Assim, o Estatuto da Criança e do Adolescente adota
discriminação de nascimento, situação familiar, idade, uma estrutura que contempla três sistemas de garantia –
sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência, primário, secundário e terciário.
condição pessoal de desenvolvimento e aprendiza-
gem, condição econômica, ambiente social, região e a) Sistema primário – artigos 4º e 87, ECA – abor-
local de moradia ou outra condição que diferencie as da políticas públicas de atendimento de crianças e
pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. adolescentes.
O artigo 3º volta-se à concretização dos direitos da Art. 4º É dever da família, da comunidade, da socieda-
criança e do adolescente. Concretização significa viabili- de em geral e do poder público assegurar, com abso-
zação prática, consecução real dos fins que a lei descreve. luta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à
Como se percebe pela leitura até o momento, o legisla- vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte,
dor brasileiro preocupou-se em elaborar uma legislação ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
cujo objetivo é concretizar estes direitos da criança e do ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e co-
adolescente. Entretanto, a lei é apenas uma carta de in- munitária.
tenções. É necessário colocar seu conteúdo em prática, Parágrafo único. A garantia de prioridade compreen-
porque sozinha ela nada faz. de:
A implementação na prática dos direitos da criança e a) primazia de receber proteção e socorro em quais-
do adolescente depende da adoção de posturas por par- quer circunstâncias;
te de todos aqueles colocados como responsáveis para b) precedência de atendimento nos serviços públicos
ou de relevância pública;
tanto: Estado, sociedade, comunidade e família. Especifi-
c) preferência na formulação e na execução das políti-
camente no que se refere ao Estado, mostra-se essencial
cas sociais públicas;
que ele desenvolve políticas públicas adequadas em res-
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas
peito à peculiar condição do infante.
áreas relacionadas com a proteção à infância e à ju-
“O Direito da Criança e do Adolescente deve ter con-
ventude.
dições suficientemente próprias de promoção e concre-
tização de direitos. Para isso deve-se desvencilhar do
O artigo 4º do ECA colaciona em seu caput teor idên-
dogmatismo e do mero positivismo jurídico acrítico. O
tico ao do caput do artigo 227, CF, onde se encontra
Direito da Criança e do Adolescente enquanto ramo au-
uma das principais diretrizes do direito da criança e do
tônomo do direito é responsável por ressignificar a atua-
LEGISLAÇÃO
29
Explica Liberati15: “Por absoluta prioridade, devemos c) Sistema terciário – artigo 112, ECA – aborda as
entender que a criança e o adolescente deverão estar em medidas socioeducativas, destinadas à responsabi-
primeiro lugar na escala de preocupação dos governan- lização penal do adolescente infrator, isto é, àquele
tes; devemos entender que, primeiro, devem ser atendi- entre 12 e 18 anos que comete atos infracionais.
das todas as necessidades das crianças e adolescentes Obs.: as medidas socioeducativas são estudadas
[...]. Por absoluta prioridade, entende-se que, na área adiante neste material.
administrativa, enquanto não existirem creches, escolas,
postos de saúde, atendimento preventivo e emergencial O sistema tríplice deve operar de forma harmônica,
às gestantes dignas moradias e trabalho, não se deveria com o acionamento gradual de cada um deles. Nas situa-
asfaltar ruas, construir praças, sambódromos monumen- ções em que a criança ou adolescente escape ao sistema
tos artísticos etc., porque a vida, a saúde, o lar, a preven- primário de prevenção, ou seja, nos casos de ineficácia
ção de doenças são importantes que as obras de concre- das políticas públicas específicas, deve ser acionado o
to que ficam par a demonstrar o poder do governante”. sistema secundário, operado predominantemente pelo
O parágrafo único do artigo 4º especifica a abrangên- Conselho Tutelas. Por sua vez, em casos extremos, é ne-
cia da absoluta prioridade, esclarecendo que é necessário cessário partir para a adoção de medidas socioeducati-
conferir atendimento prioritário às crianças e aos adoles- vas, operadas predominantemente pelo Ministério Públi-
centes diante de situações de perigo e risco (como no co e pelo Judiciário.
salvamento em incêndios e enchentes, etc.), bem como
nos serviços públicos em geral (chegada aos hospitais, Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto
por exemplo). Além disso, devem ser priorizadas políti- de qualquer forma de negligência, discriminação, ex-
cas públicas que favoreçam a criança e o adolescente e ploração, violência, crueldade e opressão, punido na
também devem ser reservados recursos próprios priori- forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão,
tariamente a eles. aos seus direitos fundamentais.
Art. 87. São linhas de ação da política de atendimento: O artigo 5º ressalta o verdadeiro objetivo geral do
I - políticas sociais básicas; ECA: proteger a criança de qualquer forma de negli-
II - serviços, programas, projetos e benefícios de assis- gência, discriminação, exploração, violência, crueldade
tência social de garantia de proteção social e de pre- e opressão. Neste sentido, coloca-se a possibilidade de
venção e redução de violações de direitos, seus agra- responsabilização de todos que atentarem contra esse
vamentos ou reincidências; propósito. A responsabilização poderá se dar em qual-
III - serviços especiais de prevenção e atendimento quer uma das três esferas, isolada ou cumulativamente:
médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus- penal, respondendo por crimes e contravenções penais
-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão; todo aquele que praticá-lo contra criança e adolescente,
IV - serviço de identificação e localização de pais, res- bem como respondendo por atos infracionais as crianças
ponsável, crianças e adolescentes desaparecidos; e adolescentes que atentarem um contra o outro; civil,
V - proteção jurídico-social por entidades de defesa estabelecendo-se o dever de indenizar por danos cau-
dos direitos da criança e do adolescente. sados a crianças e a adolescentes, que se estende a toda
VI - políticas e programas destinados a prevenir ou e qualquer pessoa física ou jurídica que o faça, inclusive
abreviar o período de afastamento do convívio fami- o próprio Estado; e administrativa, impondo-se penas
liar e a garantir o efetivo exercício do direito à convi- disciplinares a funcionários sujeitos a regime jurídico ad-
vência familiar de crianças e adolescentes; ministrativo em trabalhos privados ou em cargos, empre-
VII - campanhas de estímulo ao acolhimento sob for- gos e funções públicos.
ma de guarda de crianças e adolescentes afastados
do convívio familiar e à adoção, especificamente inter- Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em con-
-racial, de crianças maiores ou de adolescentes, com ta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do
necessidades específicas de saúde ou com deficiências bem comum, os direitos e deveres individuais e coleti-
e de grupos de irmãos. vos, e a condição peculiar da criança e do adolescente
como pessoas em desenvolvimento.
O artigo 87 descreve linhas de ação na política de
atendimento, que compõem a delimitação do princípio É pacífico que o processo de interpretação hoje
da prioridade absoluta na vertente da priorização na faz parte do Direito, principalmente se considerada a
adoção de políticas públicas e na delimitação de recursos constante evolução da sociedade, demandando dia-
financeiros para execução de tais políticas. riamente por novos modos de aplicação das normas.
Como a sociedade é dinâmica e o Direito existe para
b) Sistema secundário – artigos 98 e 101, ECA – servi-la, cabe a ele adequar-se às novas exigências
aborda as medidas de proteção destinadas à crian- sociais, aplicando-se da maneira mais justa à vasta
ça e ao adolescente em situação de risco pessoal gama de casos concretos. Sobre a interpretação, ex-
ou social. plica Gonçalves 16: “Quando o fato é típico e se enqua-
LEGISLAÇÃO
Obs.: as medidas de proteção são estudadas adiante dra perfeitamente no conceito abstrato da norma, dá-
neste material. -se o fenômeno da subsunção. Há casos, no entanto,
15 LIBERATI, Wilson Donizeti. O Estatuto da Criança e do 16 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. 9.
Adolescente: Comentários. São Paulo: IBPS. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, v. 1.
30
em que tal enquadramento não ocorre, não encon- § 3º Os serviços de saúde onde o parto for realizado
trando o juiz nenhuma norma aplicável à hipótese sub assegurarão às mulheres e aos seus filhos recém-nas-
judice. Deve, então, proceder à integração normativa, cidos alta hospitalar responsável e contrarreferência
mediante o emprego da analogia, dos costumes e dos na atenção primária, bem como o acesso a outros ser-
princípios gerais do direito. [...] Para verificar se a nor- viços e a grupos de apoio à amamentação.
ma é aplicável ao caso em julgamento (subsunção) § 4º Incumbe ao poder público proporcionar assistên-
ou se deve proceder à integração normativa, o juiz cia psicológica à gestante e à mãe, no período pré e
procura descobrir o sentido da norma, interpretan- pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou mino-
do-a. Interpretar é descobrir o sentido e o alcance da rar as consequências do estado puerperal.
norma jurídica”. § 5º A assistência referida no § 4º deste artigo deverá
A hermenêutica possui 3 categorias de métodos. ser prestada também a gestantes e mães que mani-
Quanto às fontes ou origem, a interpretação pode ser festem interesse em entregar seus filhos para adoção,
autêntica ou legislativa, jurisprudencial ou judicial e dou- bem como a gestantes e mães que se encontrem em
trinária. Quanto aos meios, pode ser gramatical ou literal, situação de privação de liberdade.
examinando o texto normativo linguísticamente; lógica § 6º A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um)
ou racional, apurando o sentido e a finalidade da nor- acompanhante de sua preferência durante o período
ma; sistemática, analisando a lei de maneira compara-
do pré-natal, do trabalho de parto e do pós-parto ime-
tiva com outras leis pertencentes à mesma província do
diato.
Direito (livro, título, capítulo, seção, parágrafo); histórica,
§ 7º A gestante deverá receber orientação sobre alei-
baseando-se na verificação dos antecedentes do proces-
tamento materno, alimentação complementar sau-
so legislativo; sociológica, adaptando o sentido ou fi-
nalidade da norma às novas exigências sociais (artigo dável e crescimento e desenvolvimento infantil, bem
5°, LINDB). Quanto aos resultados pode ser declarativa, como sobre formas de favorecer a criação de vínculos
quando o texto legal corresponde ao pensamento do le- afetivos e de estimular o desenvolvimento integral da
gislador; extensiva ou ampliativa, quando o alcance da lei criança.
é mais amplo que o indicado pelo seu texto; e restritiva, § 8º A gestante tem direito a acompanhamento sau-
na qual se limita o campo de aplicação da lei. Nenhum dável durante toda a gestação e a parto natural cui-
destes métodos se opera isoladamente17. dadoso, estabelecendo-se a aplicação de cesariana e
O artigo 6º do ECA, tal como o artigo 5º da LINDB, ex- outras intervenções cirúrgicas por motivos médicos.
pressa o método de interpretação sociológico, chaman- § 9º A atenção primária à saúde fará a busca ativa
do atenção à interpretação da lei levando em conta os da gestante que não iniciar ou que abandonar as con-
seus fins sociais, as exigências do bem comum, os direi- sultas de pré-natal, bem como da puérpera que não
tos e deveres individuais e coletivos, e vai além: exige que comparecer às consultas pós-parto.
se leve em conta a condição peculiar da criança e do § 10. Incumbe ao poder público garantir, à gestan-
adolescente. Logo, ao se interpretar o ECA não se pode te e à mulher com filho na primeira infância que se
nunca perder de vista que o seu objeto material, a crian- encontrem sob custódia em unidade de privação de
ça e o adolescente, é extremamente peculiar, dotado de liberdade, ambiência que atenda às normas sanitá-
especificidades as quais sempre se deve atentar. rias e assistenciais do Sistema Único de Saúde para o
acolhimento do filho, em articulação com o sistema
TÍTULO II de ensino competente, visando ao desenvolvimento
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS integral da criança.
31
avaliação de ações de promoção, proteção e apoio ao § 1º As gestantes ou mães que manifestem interesse
aleitamento materno e à alimentação complementar em entregar seus filhos para adoção serão obrigato-
saudável, de forma contínua. riamente encaminhadas, sem constrangimento, à Jus-
§ 2º Os serviços de unidades de terapia intensiva tiça da Infância e da Juventude.
neonatal deverão dispor de banco de leite humano ou § 2º Os serviços de saúde em suas diferentes portas
unidade de coleta de leite humano. de entrada, os serviços de assistência social em seu
componente especializado, o Centro de Referência Es-
Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de pecializado de Assistência Social (Creas) e os demais
atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, órgãos do Sistema de Garantia de Direitos da Criança
são obrigados a: e do Adolescente deverão conferir máxima prioridade
I - manter registro das atividades desenvolvidas, atra- ao atendimento das crianças na faixa etária da pri-
vés de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito meira infância com suspeita ou confirmação de vio-
anos; lência de qualquer natureza, formulando projeto tera-
II - identificar o recém-nascido mediante o registro de pêutico singular que inclua intervenção em rede e, se
sua impressão plantar e digital e da impressão digital necessário, acompanhamento domiciliar.
da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas
pela autoridade administrativa competente;
Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá pro-
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e tera-
gramas de assistência médica e odontológica para a
pêutica de anormalidades no metabolismo do recém-
prevenção das enfermidades que ordinariamente afe-
-nascido, bem como prestar orientação aos pais;
tam a população infantil, e campanhas de educação
IV - fornecer declaração de nascimento onde constem
necessariamente as intercorrências do parto e do de- sanitária para pais, educadores e alunos.
senvolvimento do neonato; § 1º É obrigatória a vacinação das crianças nos casos
V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao recomendados pelas autoridades sanitárias.
neonato a permanência junto à mãe. § 2º O Sistema Único de Saúde promoverá a atenção
VI - acompanhar a prática do processo de amamenta- à saúde bucal das crianças e das gestantes, de forma
ção, prestando orientações quanto à técnica adequa- transversal, integral e intersetorial com as demais li-
da, enquanto a mãe permanecer na unidade hospita- nhas de cuidado direcionadas à mulher e à criança.
lar, utilizando o corpo técnico já existente. § 3º A atenção odontológica à criança terá função edu-
cativa protetiva e será prestada, inicialmente, antes de
Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cui- o bebê nascer, por meio de aconselhamento pré-natal,
dado voltadas à saúde da criança e do adolescente, e, posteriormente, no sexto e no décimo segundo anos
por intermédio do Sistema Único de Saúde, observado de vida, com orientações sobre saúde bucal.
o princípio da equidade no acesso a ações e serviços § 4º A criança com necessidade de cuidados odonto-
para promoção, proteção e recuperação da saúde. lógicos especiais será atendida pelo Sistema Único de
§ 1º A criança e o adolescente com deficiência serão Saúde.
atendidos, sem discriminação ou segregação, em suas § 5º É obrigatória a aplicação a todas as crianças, nos
necessidades gerais de saúde e específicas de habilita- seus primeiros dezoito meses de vida, de protocolo ou
ção e reabilitação. outro instrumento construído com a finalidade de fa-
§ 2º Incumbe ao poder público fornecer gratuitamen- cilitar a detecção, em consulta pediátrica de acompa-
te, àqueles que necessitarem, medicamentos, órteses, nhamento da criança, de risco para o seu desenvolvi-
próteses e outras tecnologias assistivas relativas ao mento psíquico.
tratamento, habilitação ou reabilitação para crianças
e adolescentes, de acordo com as linhas de cuidado CAPÍTULO II
voltadas às suas necessidades específicas. DO DIREITO À LIBERDADE, AO RESPEITO E À
§ 3º Os profissionais que atuam no cuidado diário ou DIGNIDADE
frequente de crianças na primeira infância receberão
formação específica e permanente para a detecção de Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liber-
sinais de risco para o desenvolvimento psíquico, bem dade, ao respeito e à dignidade como pessoas huma-
como para o acompanhamento que se fizer necessá- nas em processo de desenvolvimento e como sujeitos
rio. de direitos civis, humanos e sociais garantidos na
Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde, Constituição e nas leis.
inclusive as unidades neonatais, de terapia intensiva Entre os direitos fundamentais garantidos à criança e
e de cuidados intermediários, deverão proporcionar
ao adolescente que são especificados e aprofundados
condições para a permanência em tempo integral de
no ECA estão os direitos à liberdade, ao respeito e à
um dos pais ou responsável, nos casos de internação
dignidade.
de criança ou adolescente.
Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de cas- Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes
aspectos:
LEGISLAÇÃO
32
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; III - encaminhamento a cursos ou programas de orien-
V - participar da vida familiar e comunitária, sem dis- tação;
criminação; IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento
VI - participar da vida política, na forma da lei; especializado;
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação. V - advertência.
O artigo 16 aborda diversas facetas do direito de liber- Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo
dade: locomoção, opinião e expressão, religiosa e polí- serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de
tica. Cria, ainda, duas facetes específicas deste direito: outras providências legais.
liberdade para brincar e divertir-se e liberdade para
buscar refúgio, auxílio e orientação, processos estes Os artigos 18-A e 18-B foram incluídos no ECA pela
essenciais para o desenvolvimento do infante. Lei nº 13.010, de 26 de junho de 2014, que estabelece o
direito da criança e do adolescente de serem educados e
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilida- cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento
de da integridade física, psíquica e moral da criança cruel ou degradante. Também ficou conhecida como “Lei
e do adolescente, abrangendo a preservação da ima- do Menino Bernardo”18 e “Lei da Palmada”.
gem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias Em que pesem as aparentes boas intenções da lei no
sentido de evitar situações extremas como a do menino
e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Bernardo, assassinado após incontáveis ameaças e agres-
sões físicas por parte de seus responsáveis, seu conteúdo
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da crian-
é bastante criticado. Afinal, é claro que a lei coloca todo
ça e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tra-
e qualquer tipo de agressão física no mesmo patamar.
tamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório Considerado o teor da lei, mesmo uma palmada numa
ou constrangedor. criança é proibida.
Os direitos ao respeito e à dignidade abrangem a pro- Os críticos da “Lei da Palmada” apontam que ela adota
teção da criança e do adolescente em todas facetas de uma posição extrema e impõe uma indevida intervenção
sua integridade: física, psíquica e moral. do Estado nos ambientes familiares, retirando o poder
disciplinar garantido aos pais na educação de seus filhos.
Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de Os defensores da “Lei da Palmada” utilizam estudos
ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico de psicólogos e educadores para argumentar que não é
ou de tratamento cruel ou degradante, como formas necessário utilizar qualquer tipo de agressão física, mes-
de correção, disciplina, educação ou qualquer outro mo a mais leve, para educar uma criança.
pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família am-
pliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos exe- CAPÍTULO III
cutores de medidas socioeducativas ou por qualquer DO DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E
pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá- COMUNITÁRIA
-los ou protegê-los.
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se: SEÇÃO I
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou puni- DISPOSIÇÕES GERAIS
tiva aplicada com o uso da força física sobre a criança
ou o adolescente que resulte em: Quando se aborda o direito à convivência familiar e
a) sofrimento físico; ou comunitária no ECA confere-se destaque à distinção en-
b) lesão; tre família natural e substituta e aos procedimentos que
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma caracterizam a inserção e a retirada da criança e do ado-
cruel de tratamento em relação à criança ou ao ado- lescente destes ambientes.
lescente que:
a) humilhe; ou Art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado
b) ameace gravemente; ou e educado no seio de sua família e, excepcionalmente,
c) ridicularize. em família substituta, assegurada a convivência fa-
miliar e comunitária, em ambiente que garanta seu
Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família amplia- desenvolvimento integral.
da, os responsáveis, os agentes públicos executores de § 1o Toda criança ou adolescente que estiver inserido
medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarre- em programa de acolhimento familiar ou institucio-
gada de cuidar de crianças e de adolescentes, tratá- nal terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada
3 (três) meses, devendo a autoridade judiciária compe-
-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo
tente, com base em relatório elaborado por equipe in-
físico ou tratamento cruel ou degradante como formas
terprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fun-
de correção, disciplina, educação ou qualquer outro
damentada pela possibilidade de reintegração familiar
pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras san-
ou pela colocação em família substituta, em quaisquer
ções cabíveis, às seguintes medidas, que serão aplica- das modalidades previstas no art. 28 desta Lei.
das de acordo com a gravidade do caso:
LEGISLAÇÃO
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitá- 18 O nome da lei é uma homenagem ao menino Bernardo
rio de proteção à família; Boldrini, morto em abril de 2014, aos 11 anos, em Três Passos (RS).
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psi- Os acusados são o pai e a madrasta do menino, com ajuda de uma
amiga e do irmão dela. Segundo as investigações, Bernardo procu-
quiátrico;
rou ajuda para denunciar as ameaças que sofria.
33
§ 2o A permanência da criança e do adolescente em § 5o Após o nascimento da criança, a vontade da mãe
programa de acolhimento institucional não se prolon- ou de ambos os genitores, se houver pai registral ou
gará por mais de 18 (dezoito meses), salvo comprova- pai indicado, deve ser manifestada na audiência a que
da necessidade que atenda ao seu superior interesse, se refere o § 1o do art. 166 desta Lei, garantido o sigilo
devidamente fundamentada pela autoridade judiciá- sobre a entrega.
ria. § 6o (VETADO).
§ 3º A manutenção ou a reintegração de criança ou § 7o Os detentores da guarda possuem o prazo de 15
adolescente à sua família terá preferência em relação (quinze) dias para propor a ação de adoção, contado
a qualquer outra providência, caso em que será esta do dia seguinte à data do término do estágio de con-
incluída em serviços e programas de proteção, apoio e vivência.
promoção, nos termos do § 1o do art. 23, dos incisos I § 8o Na hipótese de desistência pelos genitores - ma-
e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput nifestada em audiência ou perante a equipe interpro-
do art. 129 desta Lei. fissional - da entrega da criança após o nascimento,
§ 4º Será garantida a convivência da criança e do ado- a criança será mantida com os genitores, e será de-
lescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por terminado pela Justiça da Infância e da Juventude o
meio de visitas periódicas promovidas pelo respon- acompanhamento familiar pelo prazo de 180 (cento
sável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, e oitenta) dias.
pela entidade responsável, independentemente de au- § 9o É garantido à mãe o direito ao sigilo sobre o nasci-
torização judicial. mento, respeitado o disposto no art. 48 desta Lei.
§ 5o Será garantida a convivência integral da criança § 10. (VETADO).
com a mãe adolescente que estiver em acolhimento O artigo 19-A trata do procedimento aplicável nos
institucional. casos em que a família biológica pretenda entregar
§ 6o A mãe adolescente será assistida por equipe espe- recém-nascido para adoção, assegurando-se o acom-
cializada multidisciplinar. panhamento por equipe multidisciplinar e também a
tomada de providências de busca de pessoa da família
Como se depreende do artigo 19, a família natural é extensa apta a assumir o encargo.
a regra e a família substituta é a exceção. A criança e o
adolescente podem ser inseridos em programa de aco- Art. 19-B. A criança e o adolescente em programa de
lhimento familiar ou institucional, pelo limite temporal acolhimento institucional ou familiar poderão partici-
de 18 meses, cujo caráter é o de permitir a sua retirada par de programa de apadrinhamento.
de potencial ou efetiva situação de risco. Durante este § 1o O apadrinhamento consiste em estabelecer e pro-
programa, reavaliado a cada 3 meses, se verificará se é porcionar à criança e ao adolescente vínculos externos
possível a reinserção no ambiente da família natural (o à instituição para fins de convivência familiar e comu-
que é preferencial) ou se é o caso de colocação definitiva nitária e colaboração com o seu desenvolvimento nos
em família substituta. aspectos social, moral, físico, cognitivo, educacional e
financeiro.
Art. 19-A. A gestante ou mãe que manifeste interesse § 2o (VETADO).
em entregar seu filho para adoção, antes ou logo após § 3o Pessoas jurídicas podem apadrinhar criança ou
o nascimento, será encaminhada à Justiça da Infância adolescente a fim de colaborar para o seu desenvol-
e da Juventude. vimento.
§ 1o A gestante ou mãe será ouvida pela equipe inter- § 4o O perfil da criança ou do adolescente a ser apa-
profissional da Justiça da Infância e da Juventude, que drinhado será definido no âmbito de cada programa
apresentará relatório à autoridade judiciária, conside- de apadrinhamento, com prioridade para crianças ou
rando inclusive os eventuais efeitos do estado gesta- adolescentes com remota possibilidade de reinserção
cional e puerperal. familiar ou colocação em família adotiva.
§ 2o De posse do relatório, a autoridade judiciária po- § 5o Os programas ou serviços de apadrinhamento
derá determinar o encaminhamento da gestante ou apoiados pela Justiça da Infância e da Juventude po-
mãe, mediante sua expressa concordância, à rede pú- derão ser executados por órgãos públicos ou por orga-
blica de saúde e assistência social para atendimento nizações da sociedade civil.
especializado. § 6o Se ocorrer violação das regras de apadrinhamen-
§ 3o A busca à família extensa, conforme definida nos to, os responsáveis pelo programa e pelos serviços de
termos do parágrafo único do art. 25 desta Lei, respei- acolhimento deverão imediatamente notificar a auto-
tará o prazo máximo de 90 (noventa) dias, prorrogável ridade judiciária competente.
por igual período. Os programas de apadrinhamento visam permitir a
§ 4o Na hipótese de não haver a indicação do genitor convivência comunitária da criança e do adolescente
e de não existir outro representante da família exten- que estão no sistema de adoção, especialmente com
sa apto a receber a guarda, a autoridade judiciária relação àqueles que dificilmente sairão dele.
competente deverá decretar a extinção do poder fami-
LEGISLAÇÃO
liar e determinar a colocação da criança sob a guarda Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do ca-
provisória de quem estiver habilitado a adotá-la ou samento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e
de entidade que desenvolva programa de acolhimento qualificações, proibidas quaisquer designações discri-
familiar ou institucional. minatórias relativas à filiação.
34
O artigo 20 destaca a igualdade entre todos os filhos, De acordo com Santos Neto20: “[...] o exercício da
sejam eles havidos dentro ou fora do casamento, se- autoridade parental pela mãe era admitido apenas em
jam eles inseridos em família natural ou substituta. caráter excepcional. Ao homem era dada, em condições
normais, a titularidade exclusiva do direito em pauta. Sua
A disciplina sobre a perda e suspensão do poder de vontade prevalecia e contra ela não havia remédio pre-
família no ECA se encontra em dois blocos, o primeiro visto, salvo, é claro, no caso de comportamento abusivo
do artigo 21 ao 24, que aborda questões materiais, e e contrário aos interesses dos menores”.
o segundo do artigo 155 a 163, que foca em questões O Código Civil de 2002, por seu turno, seguindo a
procedimentais: toada da Constituição Federal de 1988, trouxe significati-
vas modificações ao instituto em análise, surgindo então
Art. 21. O poder familiar será exercido, em igualdade
o chamado poder familiar, onde ambos os pais exercem
de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que
de forma igualitária o poder sobre os filhos menores,
dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer de-
equilibrando dessa forma a relação familiar.
les o direito de, em caso de discordância, recorrer à
autoridade judiciária competente para a solução da O artigo 1.630 do atual Código Civil, sem definir o po-
divergência. der familiar, dispõe que “os filhos estão sujeitos ao poder
familiar enquanto menores”, ou seja, enquanto não com-
Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda pletarem dezoito anos ou não alcançarem a maioridade
e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, civil por meio de uma das formas previstas no artigo 5º,
no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer parágrafo único e seus incisos, do mesmo diploma legal.
cumprir as determinações judiciais. No mesmo sentido, o citado artigo 21, ECA.
Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os responsáveis, O poder familiar, conhecido também como autorida-
têm direitos iguais e deveres e responsabilidades com- de parental, é um conjunto de direitos e deveres que são
partilhados no cuidado e na educação da criança, de- atribuídos aos pais para que esses administrem de forma
vendo ser resguardado o direito de transmissão fami- legal a pessoa dos filhos e também de seus bens.
liar de suas crenças e culturas, assegurados os direitos “O poder familiar pode ser definido como um con-
da criança estabelecidos nesta Lei. junto de direitos e obrigações, quanto às pessoas e bens
do filho menor não emancipado, exercido, em igualdade
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não de condições, por ambos os pais, para que possam de-
constitui motivo suficiente para a perda ou a suspen- sempenhar os encargos que a norma jurídica lhes impõe,
são do poder familiar. tendo em vista o interesse e a proteção do filho”21.
§ 1º Não existindo outro motivo que por si só autorize
a decretação da medida, a criança ou o adolescente Artigo 1.634, CC. Compete aos pais, quanto à pessoa
será mantido em sua família de origem, a qual deverá
dos filhos menores:
obrigatoriamente ser incluída em serviços e progra-
I – dirigir-lhes a criação e educação;
mas oficiais de proteção, apoio e promoção.
II – tê-los em sua companhia e guarda;
§ 2º A condenação criminal do pai ou da mãe não
implicará a destituição do poder familiar, exceto na III – conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para
hipótese de condenação por crime doloso sujeito à casarem;
pena de reclusão contra outrem igualmente titular do IV – nomear-lhes tutor por testamento ou documento
mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro autêntico, se o outro dos pais não lhe sobreviver, ou o
descendente. sobrevivo não puder exercer o poder familiar;
V – representá-los, até aos dezesseis anos, nos atos da
Art. 24. A perda e a suspensão do poder familiar serão vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em
decretadas judicialmente, em procedimento contradi- que forem partes, suprindo-lhes o consentimento;
tório, nos casos previstos na legislação civil, bem como VI – reclamá-los de quem ilegalmente os detenha;
na hipótese de descumprimento injustificado dos de- VII – exigir que lhes prestem obediência, respeito e os
veres e obrigações a que alude o art. 22. serviços próprios de sua idade e condição.
O instituto do poder familiar surgiu no direito roma- Em relação às suas características, o poder familiar é
no e era conhecido naquela época como pátrio poder, indisponível e decorre da paternidade natural ou legal,
pois o pai exercia mais poderes sobre os filhos do que a por isso, não há a possibilidade de seu titular o transferir
mãe, o que vinha a representar um poder absoluto por a terceiros por iniciativa própria, tampouco existindo a
parte do genitor, inclusive sobre a vida e a morte dos viabilidade de ocorrer a sua prescrição pelo desuso. O
próprios filhos19. poder familiar é indelegável, sendo, em regra, irrenunciá-
O Código Civil de 1916 atribuiu o poder familiar ao vel e sempre intransferível. Logo, não sendo possível ao
pai, que era considerado o chefe da sociedade conjugal, titular do poder familiar abrir mão de seu dever, a renún-
e a mãe possuía um papel secundário, conforme apon-
cia é inviável, existindo apenas uma exceção, qual seja, a
LEGISLAÇÃO
35
Existe apenas uma exceção, que é o caso do pedido III – praticar atos contrários à moral e aos bons cos-
de colocação do menor em família substituta, disponi- tumes;
bilizando o filho para a adoção, caso em que os direitos IV – incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no ar-
e deveres decorrentes do poder familiar serão exercidos tigo antecedente.
por novos titulares, ou seja, pelos pais adotivos.
A esse respeito, os direitos e deveres dos pais dispos- Nessa linha de pensamento, os artigos 24 e 22 do
tos nos artigos 1.630 a 1.638 do Código Civil regulam, Estatuto da Criança e do Adolescente, citados anterior-
dentre os deveres e poderes decorrentes do poder fa- mente, além de preverem a suspensão e destituição do
miliar, também os de ordem pessoal, ou seja, o cuida- poder familiar, trazem também os motivos que poderão
do existencial do menor, a educação, a correição, e os acarretá-las.
de ordem material, que envolvem a administração dos São bastante frequentes nos casos de pais que per-
bens dos filhos. Os principais atributos do poder familiar dem o poder familiar os atos de violência e espancamen-
são a guarda, a criação e a educação, que se refletem to; assim como o de abandono, no qual os menores, ao
nos deveres dos pais para com os filhos; tanto que, não se verem abandonados, começam a relacionar-se com
cumprindo algum desses atributos, o detentor do poder pessoas delinquentes e usuárias de drogas, que não vão
poderá sofrer sanções cíveis e até criminais. colaborar em nada com seu desenvolvimento e cresci-
O poder familiar, conforme disposição do próprio or- mento. Nessas situações, os detentores do poder familiar
denamento civil, não é um instituto irrevogável e pode podem sofrer a perda do poder familiar.
ser extinto, suspenso ou destituído a qualquer tempo. Cabe aqui consignar que, no caso da perda do poder
Basicamente, as formas de extinção se aplicam quando familiar, se no decorrer do tempo o menor não vier a
o exercício do poder familiar não é mais necessário; ao ser adotado por outra família e as causas que levaram
passo que as regras de perda e suspensão constituem a perda do poder desaparecerem, os genitores poderão
casos de privação do exercício do poder familiar pelo requerer judicialmente a reintegração do poder familiar,
descumprimento de seus deveres. desde que comprovem realmente que o motivo que os
Sendo assim, o Estado poderá interferir na relação levou a perder esse poder já não existe mais.
familiar, com o objetivo de resguardar os interesses do Por seu turno, pelo que se verifica na análise da legis-
menor, sendo que a lei disciplina os casos em que o titu- lação, quando o legislador estabeleceu as hipóteses de
lar do poder familiar ficará privado de exercê-lo, seja de extinção do poder familiar, em regra, o fez por perceber
forma temporária ou até mesmo definitiva. que a pessoa que a ele se encontrava sujeita adquiriu
maturidade o suficiente para guiar a sua vida, não haven-
Artigo 1.637, CC. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua do razão para que permaneça tal vínculo. Há casos, en-
autoridade, faltando aos deveres a eles inerentes ou tretanto, que a violação aos direitos inerentes ao poder
arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requeren- familiar tornou irreversível o seu restabelecimento, como
do algum parente, ou o Ministério Público, adotar a ocorre na adoção.
medida que lhe pareça reclamada pela segurança do
menor e seus haveres, até suspendendo o poder fami- Artigo 1.635, CC. Extingue-se o poder familiar: I – pela
liar, quando convenha. morte dos pais ou do filho; II – pela emancipação, nos
Parágrafo único. Suspende-se igualmente o exercício termos do artigo 5º, parágrafo único; III – pela maio-
do poder familiar ao pai ou à mãe condenados por ridade; IV – pela adoção; V – por decisão judicial, na
sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena forma do artigo 1.638.
exceda a dois anos de prisão. A extinção do poder familiar é mais complexa, pois
Nestes casos, a suspensão não será definitiva, é ape- nesta situação os pais, extintos do poder, não poderão
nas uma sanção imposta pelo Poder Judiciário visando requerer a reintegração do poder familiar se houve inter-
preservar os interesses dos filhos, assim, diante da com- ferência deles para sua extinção. Na maioria dos casos,
provação de que os problemas que levaram à suspensão é possível identificar facilmente a existência da extinção
desapareceram, o poder familiar poderá retornar aos ge- do poder familiar, por se tratarem de hipóteses objetivas.
nitores.
Assim sendo, os pais podem ser suspensos de exer- SEÇÃO II
cer os direitos e deveres decorrentes do poder familiar DA FAMÍLIA NATURAL
quando ficar evidenciado perante a autoridade compe-
tente o abuso. Como visto, existe, também, a probabili- Dos artigos 25 a 27 o ECA aborda a família natural,
dade de se decretar a suspensão do poder familiar, caso nos seguintes termos:
um dos pais seja condenado por crime cuja pena exceda
a dois anos de prisão. Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade
Há, ainda, as hipóteses de perda ou destituição do formada pelos pais ou qualquer deles e seus descen-
poder familiar, que é a sanção mais grave imposta aos dentes.
pais que faltarem com os deveres em relação aos filhos: Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou
ampliada aquela que se estende para além da unida-
LEGISLAÇÃO
Artigo 1.638, CC. Perderá por ato judicial o poder fa- de pais e filhos ou da unidade do casal, formada por
miliar o pai ou a mãe que: parentes próximos com os quais a criança ou adoles-
I – castigar imoderadamente o filho; cente convive e mantém vínculos de afinidade e afe-
II – deixar o filho em abandono; tividade.
36
A família natural é composta por pais e filhos que for- § 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o
mam vínculo entre si desde o nascimento, por questão grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afe-
biológica. tividade, a fim de evitar ou minorar as consequências
O conceito de família pode ser visto de uma maneira decorrentes da medida.
mais ampla, o que se denomina família extensa ou am- § 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção,
pliada. Por exemplo, avós e tios que sejam muito próxi- tutela ou guarda da mesma família substituta, ressal-
mos e participem diretamente do convívio familiar, for- vada a comprovada existência de risco de abuso ou
mando para com a criança e o adolescente vínculos de outra situação que justifique plenamente a excepcio-
afinidade e afetividade. nalidade de solução diversa, procurando-se, em qual-
quer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos
Art. 26. Os filhos havidos fora do casamento poderão fraternais.
ser reconhecidos pelos pais, conjunta ou separada- § 5o A colocação da criança ou adolescente em família
mente, no próprio termo de nascimento, por testa- substituta será precedida de sua preparação gradativa
mento, mediante escritura ou outro documento públi- e acompanhamento posterior, realizados pela equipe
co, qualquer que seja a origem da filiação. interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da
Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o Juventude, preferencialmente com o apoio dos técni-
nascimento do filho ou suceder-lhe ao falecimento, se cos responsáveis pela execução da política municipal
deixar descendentes. de garantia do direito à convivência familiar.
§ 6o Em se tratando de criança ou adolescente indí-
Como o artigo 20 estabelece a igualdade entre os fi- gena ou proveniente de comunidade remanescente de
lhos havidos dentro ou fora do casamento, sentido em quilombo, é ainda obrigatório:
que se compreende que tanto os filhos inseridos no ma- I - que sejam consideradas e respeitadas sua identida-
trimônio quanto os que não o estão fazem parte da famí- de social e cultural, os seus costumes e tradições, bem
lia natural, o artigo 26 tece detalhes sobre a possibilidade como suas instituições, desde que não sejam incompa-
de reconhecimento do vínculo de filiação, que pode se tíveis com os direitos fundamentais reconhecidos por
dar antes mesmo do nascimento do filho ou extrapolar a esta Lei e pela Constituição Federal;
sua vida, devendo ser feito em documento público. II - que a colocação familiar ocorra prioritariamente
no seio de sua comunidade ou junto a membros da
Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é di- mesma etnia;
reito personalíssimo, indisponível e imprescritível, po- III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão
dendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, federal responsável pela política indigenista, no caso
sem qualquer restrição, observado o segredo de Jus- de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólo-
tiça. gos, perante a equipe interprofissional ou multidisci-
plinar que irá acompanhar o caso.
O direito à filiação é personalíssimo, indisponível e
imprescritível. Mesmo que um filho passe a vida toda ou Art. 29. Não se deferirá colocação em família substitu-
boa parte de sua vida sem buscar o seu reconhecimento, ta a pessoa que revele, por qualquer modo, incompa-
ele não se perde. Logo, a ação de investigação de pater- tibilidade com a natureza da medida ou não ofereça
nidade é imprescritível, pois também o é o vínculo que ambiente familiar adequado.
ela reconhece em caso de procedência.
Art. 30. A colocação em família substituta não admiti-
SEÇÃO III rá transferência da criança ou adolescente a terceiros
DA FAMÍLIA SUBSTITUTA ou a entidades governamentais ou não-governamen-
tais, sem autorização judicial.
SUBSEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira
constitui medida excepcional, somente admissível na
Dos artigos 28 a 32 aborda-se a família substituta, nos modalidade de adoção.
seguintes termos:
Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável
prestará compromisso de bem e fielmente desempe-
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á
nhar o encargo, mediante termo nos autos.
mediante guarda, tutela ou adoção, independente-
mente da situação jurídica da criança ou adolescente,
Existem três formas de colocação em família substi-
nos termos desta Lei.
tuta: guarda, tutela e adoção. Neste sentido, a criança
§ 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente
é retirada da esfera do poder familiar de ambos os pais
será previamente ouvido por equipe interprofissional,
(o que pode acontecer na tutela e na adoção), ou então
respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de
permanece vinculado ao poder familiar de ambos geni-
compreensão sobre as implicações da medida, e terá
LEGISLAÇÃO
37
Neste tipo de circunstância, deve-se buscar sempre § 4º Poderão ser utilizados recursos federais, esta-
ouvir a criança ou o adolescente. Caso já possua 12 anos duais, distritais e municipais para a manutenção dos
completos, a oitiva é obrigatória. Trata-se de respeito à serviços de acolhimento em família acolhedora, facul-
autonomia da criança e do adolescente. tando-se o repasse de recursos para a própria família
Os irmãos devem permanecer unidos em qualquer acolhedora.
circunstância, sendo a separação de irmãos medida ex-
cepcional. Por exemplo, se um casal estiver disposto a Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer
adotar 4 filhos e existirem 4 irmãos, será dada prioridade tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido
a ele, passando na frente dos demais candidatos à ado- o Ministério Público.
ção.
Na definição de Santos Neto22 a guarda trata-se de
SUBSEÇÃO II um “direito consistente na posse de menor oponível a
terceiros e que acarreta deveres de vigilância em relação
DA GUARDA
a este”.
No entender de Ishida23, a guarda é vinculada ao po-
Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência
der familiar, “todavia, pode ocorrer a separação dos dois
material, moral e educacional à criança ou adolescen-
institutos, por exemplo, com a separação judicial do ma-
te, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a rido e da mulher, onde o poder familiar continua per-
terceiros, inclusive aos pais. tencendo aos dois, no entanto um só poderá ficar com
§ 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, a guarda da prole”. ou seja, tanto o pai como a mãe são
podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos detentores do poder familiar mesmo após a separação,
procedimentos de tutela e adoção, exceto no de ado- mas nos tipos de guarda comum, apenas um terá a guar-
ção por estrangeiros. da do filho.
§ 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos Logo, a dissolução do vínculo conjugal não exclui o
casos de tutela e adoção, para atender a situações pe- poder familiar, mas pode excluir a guarda de um dos
culiares ou suprir a falta eventual dos pais ou respon- pais, reservando-o apenas o direito de visitas, dependen-
sável, podendo ser deferido o direito de representação do da modalidade de guarda adotada. Com a dissolução
para a prática de atos determinados. da união conjugal, hoje se estabeleceu que a prole po-
§ 3º A guarda confere à criança ou adolescente a con- derá ficar com o genitor que tiver melhor condições de
dição de dependente, para todos os fins e efeitos de assistir o filho.
direito, inclusive previdenciários. “Mesmo que a mãe seja considerada culpada pela se-
§ 4o Salvo expressa e fundamentada determinação paração, pode o juiz deferir-lhe a guarda dos filhos me-
em contrário, da autoridade judiciária competente, ou nores, se estiver comprovado que o pai, por exemplo,
quando a medida for aplicada em preparação para é alcoólatra e não tem condições de cuidar bem deles.
adoção, o deferimento da guarda de criança ou ado- Não se indaga, portanto, quem deu causa à separação e
lescente a terceiros não impede o exercício do direito quem é o cônjuge inocente, mas qual deles revela me-
de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar lhores condições para exercer a guarda dos filhos me-
alimentos, que serão objeto de regulamentação espe- nores, cujos interesses foram colocados em primeiro
cífica, a pedido do interessado ou do Ministério Pú- plano. A solução será, portanto, a mesma se ambos os
blico. pais forem culpados pela separação e se a hipótese for
de ruptura da vida em comum ou de separação por mo-
tivo de doença mental. A regra amolda-se ao princípio
Art. 34. O poder público estimulará, por meio de as-
do melhor interesse da criança, identificado como direito
sistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o aco-
fundamental na Constituição Federal (art. 5º, §2º), em ra-
lhimento, sob a forma de guarda, de criança ou ado-
zão da ratificação pela Convenção Internacional sobre os
lescente afastado do convívio familiar.
Direitos da Criança – ONU/89”24.
§ 1o A inclusão da criança ou adolescente em pro- O juiz antes de decidir o mérito de uma ação de guar-
gramas de acolhimento familiar terá preferência a seu da, separação ou divórcio, tem que determinar a guarda
acolhimento institucional, observado, em qualquer provisória do menor a um dos pais, o qual não se trata
caso, o caráter temporário e excepcional da medida, de um modelo de guarda, mas de definir uma situação
nos termos desta Lei. momentânea em que a prole se encontra. Somente com
§ 2o Na hipótese do § 1o deste artigo a pessoa ou casal o julgamento do mérito será estabelecida a guarda de-
cadastrado no programa de acolhimento familiar po- finitiva, que deverá adotar um dos modelos de guarda
derá receber a criança ou adolescente mediante guar- permitida no ordenamento jurídico brasileiro.
da, observado o disposto nos arts. 28 a 33 desta Lei. A guarda definitiva expressa o modelo de guarda
§ 3º A União apoiará a implementação de serviços de adotado pelos pais. Porém, mesmo tratando-se de guar-
acolhimento em família acolhedora como política pú- da definitiva, tal modelo poderá ser alterado a qualquer
blica, os quais deverão dispor de equipe que organize
LEGISLAÇÃO
38
tempo, pois o que regula o instituto da guarda é o me- ou com a mãe, existindo dessa forma sempre uma alter-
lhor interesse do menor e, não sendo isso possível, a nância na guarda jurídica do menor. O período em que a
guarda é passível de modificação. guarda ficará com o pai ou com a mãe na guarda alter-
nada, poderá ser de um dia, uma semana, uma parte da
a) Guarda Comum ou Guarda OrigináriaA semana, um mês, um ano, ou até mais, dependendo do
guarda comum ou guarda originária não é uma guar- acordo dos genitores, sendo que, ao término desse pe-
da judicial, existindo quando os genitores possuem vín- ríodo, os papéis se invertem. Os direitos e deveres deste
culo matrimonial ou vivem em união estável e moram modelo de guarda ficarão sempre com o cônjuge que
juntos com seus filhos, situação na qual exercem plena- estiver com a guarda do menor, cabendo ao outro os
mente e simultaneamente todos os poderes inerentes direitos inerentes do não guardião, ou seja, o de visita e
do poder familiar e, consequentemente, a guarda. Não o de fiscalização25.
existe a figura do guardião e nem arbitramento judicial
sobre a questão. Ambos pais exercem juntos a guarda d) Guarda Dividida
em plenitude. Na guarda dividida, são os próprios pais que contes-
tam e procuram novos meios de garantir uma maior par-
b) Guarda Unilateral ou Guarda Única ticipação na vida da prole, pois neste modelo o menor
Observando-se sempre o princípio do melhor interes- vive em um lar fixo e determinado e recebe periodica-
se do menor, a guarda excepcionalmente poderá ser atri- mente a visita do pai ou da mãe que não tem a guarda.
buída de forma unilateral a uma terceira pessoa quando Na guarda dividida o filho tem um lar fixo e recebe
os genitores não estiverem em condições de exercê-la, nele a visita de ambos os genitores em tempos diferen-
pois, conforme determina o artigo 1.583, §1º, do Código tes, sendo que a guarda é exercida por aquele que estiver
Civil, “compreende-se por guarda unilateral a atribuída a com a criança, o que é diferente da guarda unilateral,
um só dos genitores ou a alguém que o substitua”. Neste pois nela a guarda é de um dos genitores e o infante
viés, dispõe o artigo 1.584, §5º, do mesmo diploma legal: vai, em dias determinados, receber a visita do outro não
“Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob guardião.
a guarda do pai ou da mãe, deferirá a guarda à pessoa
que revele compatibilidade com a natureza da medida, e) Guarda por Aninhamento ou Nidação
considerados, de preferência, o grau de parentesco e as A guarda por aninhamento, conhecida também como
relações de afinidade e afetividade”. Vale ressaltar que guarda por nidação, ocorre quando a prole possui um lar
a guarda unilateral também é possível quando nenhum fixo e os pais se revezam, mudando-se para a casa do(s)
dos pais tem condições de exercê-la, por exemplo, atri- filho(s) em períodos alternados de tempo, para conviver
buindo a guarda aos avós ou aos tios. e atender as suas necessidades. Basicamente, os pais se
Usualmente, nesse contexto, podemos constatar a revezam na residência do filho.
existência da guarda unilateral, que é atribuída somente
a um dos genitores, e da guarda compartilhada, que é f) Guarda Compartilhada
atribuída a ambos, sendo que a previsão das duas moda- Considerando a evolução da família, especialmente a
lidades de guarda encontra-se no artigo 1.583, da Lei n. da mulher na sociedade, bem como o grande número de
11.698/2008, que constitui que “a guarda será unilateral separações ocorridas nos últimos anos, o ordenamento
ou compartilhada”. jurídico busca com o instituto da guarda compartilhada
A Lei alterou a redação do artigo 1.583 e passou a evitar prejuízos ainda maiores aos filhos de casal separa-
estabelecer nos incisos do §2º do dispositivo algumas do, que, além de não terem o convívio diário com um dos
das situações que deverão ser consideradas pelo magis- genitores, têm que vivenciar os problemas conjugais de
trado ao atribuir a guarda a um dos genitores: afeto nas seus pais e ainda se tornarem, em muitos casos, vítimas
relações com o genitor e com o grupo familiar; saúde e da Síndrome da Alienação Parental.
segurança; e educação. Segundo Akel26, “a guarda compartilhada surgiu da
Na guarda unilateral atribuída a apenas um dos pais, necessidade de se encontrar uma maneira que fosse ca-
apesar de um dos genitores não ser o guardião, conti- paz de fazer com que os pais, que não mais convivem,
nuam ambos a exercerem a guarda jurídica. A diferença e seus filhos mantivessem os vínculos afetivos latentes,
é que, em virtude da guarda, o genitor guardião tem o mesmo após o rompimento”.
poder de decisão, enquanto o genitor não guardião tem Com esse propósito, a recente Lei nº 11.698/2008 ins-
o poder de fiscalização, podendo contestar a decisão do tituiu expressamente no ordenamento jurídico o instituto
genitor guardião e até mesmo recorrer à justiça, caso da guarda compartilhada. Embora tenha sido sancionada
entenda que a decisão tomada não seja a melhor para em 13 de junho de 2008 e publicada no Diário Oficial da
a prole, conforme prevê o artigo 1.583, §3º, do Código União em 16 de junho do mesmo ano, por força da vaca-
Civil: “a guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não tio legis instituída no artigo 2º, a lei somente entrou em
a detenha a supervisionar os interesses dos filhos”. vigor no país 60 (sessenta) dias após a sua publicação, ou
seja, em 16 de agosto de 2008 (vide anexo).
c) Guarda Alternada ou Guarda Partilhada
LEGISLAÇÃO
39
A nova lei trás em seu bojo o conceito de guarda Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-
compartilhada nos seguintes termos: “compreende-se -se-á segundo o disposto nesta Lei.
por [...] guarda compartilhada a responsabilização con- § 1o A adoção é medida excepcional e irrevogável, à
junta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe qual se deve recorrer apenas quando esgotados os re-
que não vivam sob o mesmo teto, concernentes ao po- cursos de manutenção da criança ou adolescente na
der familiar dos filhos comuns”. família natural ou extensa, na forma do parágrafo
Assim, de acordo com o novo diploma legal, pode-se único do art. 25 desta Lei.
verificar que na guarda compartilhada os pais terão os § 2o É vedada a adoção por procuração.
mesmos direitos e deveres com relação ao filho, ou seja, § 3o Em caso de conflito entre direitos e interesses do
adotando e de outras pessoas, inclusive seus pais bio-
as tarefas serão divididas de forma igualitária, não sobre-
lógicos, devem prevalecer os direitos e os interesses do
carregando somente um dos genitores.
adotando.
SUBSEÇÃO III Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, de-
DA TUTELA zoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a
guarda ou tutela dos adotantes.
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a
pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao ado-
Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe tado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive su-
a prévia decretação da perda ou suspensão do poder cessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e
familiar e implica necessariamente o dever de guarda. parentes, salvo os impedimentos matrimoniais.
§ 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho
Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer do outro, mantêm-se os vínculos de filiação entre o
documento autêntico, conforme previsto no parágrafo adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os
único do art. 1.729 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro respectivos parentes.
de 2002 - Código Civil, deverá, no prazo de 30 (trinta) § 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado,
dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedi- seus descendentes, o adotante, seus ascendentes, des-
do destinado ao controle judicial do ato, observando cendentes e colaterais até o 4º grau, observada a or-
o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei. dem de vocação hereditária.
Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão ob-
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito)
servados os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta
anos, independentemente do estado civil.
Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada § 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos
na disposição de última vontade, se restar comprova- do adotando.
do que a medida é vantajosa ao tutelando e que não § 2o Para adoção conjunta, é indispensável que os
existe outra pessoa em melhores condições de assu- adotantes sejam casados civilmente ou mantenham
mi-la. união estável, comprovada a estabilidade da família.
§ 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos
Art. 38. Aplica-se à destituição da tutela o disposto no mais velho do que o adotando.
art. 24. § 4o Os divorciados, os judicialmente separados e os
ex-companheiros podem adotar conjuntamente, con-
A tutela é forma de colocação de criança e adolescen- tanto que acordem sobre a guarda e o regime de vi-
te em família substituta. Pressupõe, ao contrário da guar- sitas e desde que o estágio de convivência tenha sido
da, a prévia destituição ou suspensão do poder familiar iniciado na constância do período de convivência e
dos pais (família natural). Visa essencialmente a suprir que seja comprovada a existência de vínculos de afini-
carência de representação legal, assumindo o tutor tal dade e afetividade com aquele não detentor da guar-
munus na ausência dos genitores. Na hipótese de os pais da, que justifiquem a excepcionalidade da concessão.
serem falecidos, tiverem sido destituídos ou suspensos § 5o Nos casos do § 4o deste artigo, desde que demons-
trado efetivo benefício ao adotando, será assegurada
do poder familiar, ou houverem aderido expressamente
a guarda compartilhada, conforme previsto no art.
ao pedido de colocação em família substituta, este po-
1.584 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Có-
derá ser formulado diretamente em cartório, em petição digo Civil.
assinada pelos próprios requerentes, dispensada a assis- § 6o A adoção poderá ser deferida ao adotante que,
tência por advogado (art. 166, ECA). Em outras circuns- após inequívoca manifestação de vontade, vier a fa-
tâncias, deve passar pelo crivo do Judiciário. lecer no curso do procedimento, antes de prolatada a
sentença.
SUBSEÇÃO IV
DA ADOÇÃO Art. 43. A adoção será deferida quando apresentar
reais vantagens para o adotando e fundar-se em mo-
LEGISLAÇÃO
40
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais § 6o Caso a modificação de prenome seja requerida
ou do representante legal do adotando. pelo adotante, é obrigatória a oitiva do adotando, ob-
§ 1º O consentimento será dispensado em relação à servado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei.
criança ou adolescente cujos pais sejam desconheci- § 7o A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito
dos ou tenham sido destituídos do poder familiar. em julgado da sentença constitutiva, exceto na hipó-
§ 2º Em se tratando de adotando maior de doze anos tese prevista no § 6o do art. 42 desta Lei, caso em que
de idade, será também necessário o seu consentimen- terá força retroativa à data do óbito.
to. § 8o O processo relativo à adoção assim como outros a
ele relacionados serão mantidos em arquivo, admitin-
Art. 46. A adoção será precedida de estágio de con-
do-se seu armazenamento em microfilme ou por ou-
vivência com a criança ou adolescente, pelo prazo
tros meios, garantida a sua conservação para consulta
máximo de 90 (noventa) dias, observadas a idade da
criança ou adolescente e as peculiaridades do caso. a qualquer tempo.
§ 1o O estágio de convivência poderá ser dispensado § 9º Terão prioridade de tramitação os processos de
se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal adoção em que o adotando for criança ou adolescente
do adotante durante tempo suficiente para que seja com deficiência ou com doença crônica.
possível avaliar a conveniência da constituição do vín- § 10. O prazo máximo para conclusão da ação de ado-
culo. ção será de 120 (cento e vinte) dias, prorrogável uma
§ 2o A simples guarda de fato não autoriza, por si só, única vez por igual período, mediante decisão funda-
a dispensa da realização do estágio de convivência. mentada da autoridade judiciária.
§ 2o-A. O prazo máximo estabelecido no caput des-
te artigo pode ser prorrogado por até igual período, Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua ori-
mediante decisão fundamentada da autoridade judi- gem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao
ciária. processo no qual a medida foi aplicada e seus even-
§ 3o Em caso de adoção por pessoa ou casal residente tuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos.
ou domiciliado fora do País, o estágio de convivência Parágrafo único. O acesso ao processo de adoção po-
será de, no mínimo, 30 (trinta) dias e, no máximo, 45 derá ser também deferido ao adotado menor de 18
(quarenta e cinco) dias, prorrogável por até igual pe- (dezoito) anos, a seu pedido, assegurada orientação e
ríodo, uma única vez, mediante decisão fundamenta- assistência jurídica e psicológica.
da da autoridade judiciária.
§ 3o-A. Ao final do prazo previsto no § 3o deste arti-
Art. 49. A morte dos adotantes não restabelece o po-
go, deverá ser apresentado laudo fundamentado pela
equipe mencionada no § 4o deste artigo, que recomen- der familiar dos pais naturais.
dará ou não o deferimento da adoção à autoridade
judiciária. Art. 50. A autoridade judiciária manterá, em cada co-
§ 4o O estágio de convivência será acompanhado pela marca ou foro regional, um registro de crianças e ado-
equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infân- lescentes em condições de serem adotados e outro de
cia e da Juventude, preferencialmente com apoio dos pessoas interessadas na adoção.
técnicos responsáveis pela execução da política de ga- § 1º O deferimento da inscrição dar-se-á após prévia
rantia do direito à convivência familiar, que apresen- consulta aos órgãos técnicos do juizado, ouvido o Mi-
tarão relatório minucioso acerca da conveniência do nistério Público.
deferimento da medida. § 2º Não será deferida a inscrição se o interessado não
§ 5o O estágio de convivência será cumprido no terri- satisfazer os requisitos legais, ou verificada qualquer
tório nacional, preferencialmente na comarca de resi- das hipóteses previstas no art. 29.
dência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, § 3o A inscrição de postulantes à adoção será precedi-
em cidade limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, da de um período de preparação psicossocial e jurídi-
a competência do juízo da comarca de residência da ca, orientado pela equipe técnica da Justiça da Infân-
criança. cia e da Juventude, preferencialmente com apoio dos
técnicos responsáveis pela execução da política mu-
Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por senten-
nicipal de garantia do direito à convivência familiar.
ça judicial, que será inscrita no registro civil mediante
mandado do qual não se fornecerá certidão. § 4o Sempre que possível e recomendável, a prepara-
§ 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes ção referida no § 3o deste artigo incluirá o contato com
como pais, bem como o nome de seus ascendentes. crianças e adolescentes em acolhimento familiar ou
§ 2º O mandado judicial, que será arquivado, cancela- institucional em condições de serem adotados, a ser
rá o registro original do adotado. realizado sob a orientação, supervisão e avaliação da
§ 3o A pedido do adotante, o novo registro poderá ser equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude,
lavrado no Cartório do Registro Civil do Município de com apoio dos técnicos responsáveis pelo programa
sua residência. de acolhimento e pela execução da política municipal
LEGISLAÇÃO
§ 4o Nenhuma observação sobre a origem do ato po- de garantia do direito à convivência familiar.
derá constar nas certidões do registro. § 5o Serão criados e implementados cadastros esta-
§ 5o A sentença conferirá ao adotado o nome do ado- duais e nacional de crianças e adolescentes em condi-
tante e, a pedido de qualquer deles, poderá determi- ções de serem adotados e de pessoas ou casais habili-
nar a modificação do prenome. tados à adoção.
41
§ 6o Haverá cadastros distintos para pessoas ou casais § 1o A adoção internacional de criança ou adolescente
residentes fora do País, que somente serão consulta- brasileiro ou domiciliado no Brasil somente terá lugar
dos na inexistência de postulantes nacionais habilita- quando restar comprovado:
dos nos cadastros mencionados no § 5o deste artigo. I - que a colocação em família adotiva é a solução
§ 7o As autoridades estaduais e federais em matéria adequada ao caso concreto;
de adoção terão acesso integral aos cadastros, incum- II - que foram esgotadas todas as possibilidades de co-
bindo-lhes a troca de informações e a cooperação mú- locação da criança ou adolescente em família adotiva
tua, para melhoria do sistema. brasileira, com a comprovação, certificada nos autos,
§ 8o A autoridade judiciária providenciará, no prazo da inexistência de adotantes habilitados residentes no
de 48 (quarenta e oito) horas, a inscrição das crian- Brasil com perfil compatível com a criança ou adoles-
ças e adolescentes em condições de serem adotados cente, após consulta aos cadastros mencionados nesta
que não tiveram colocação familiar na comarca de Lei;
origem, e das pessoas ou casais que tiveram deferi- III - que, em se tratando de adoção de adolescente,
da sua habilitação à adoção nos cadastros estadual este foi consultado, por meios adequados ao seu está-
e nacional referidos no § 5o deste artigo, sob pena de gio de desenvolvimento, e que se encontra preparado
responsabilidade. para a medida, mediante parecer elaborado por equi-
§ 9o Compete à Autoridade Central Estadual zelar
pe interprofissional, observado o disposto nos §§ 1o e
pela manutenção e correta alimentação dos cadas-
2o do art. 28 desta Lei.
tros, com posterior comunicação à Autoridade Central
§ 2o Os brasileiros residentes no exterior terão prefe-
Federal Brasileira.
rência aos estrangeiros, nos casos de adoção interna-
§ 10. Consultados os cadastros e verificada a ausência
de pretendentes habilitados residentes no País com cional de criança ou adolescente brasileiro.
perfil compatível e interesse manifesto pela adoção de § 3o A adoção internacional pressupõe a intervenção
criança ou adolescente inscrito nos cadastros existen- das Autoridades Centrais Estaduais e Federal em ma-
tes, será realizado o encaminhamento da criança ou téria de adoção internacional.
adolescente à adoção internacional.
§ 11. Enquanto não localizada pessoa ou casal inte- Art. 52. A adoção internacional observará o procedi-
ressado em sua adoção, a criança ou o adolescente, mento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei, com as
sempre que possível e recomendável, será colocado seguintes adaptações:
sob guarda de família cadastrada em programa de I - a pessoa ou casal estrangeiro, interessado em ado-
acolhimento familiar. tar criança ou adolescente brasileiro, deverá formular
§ 12. A alimentação do cadastro e a convocação crite- pedido de habilitação à adoção perante a Autoridade
riosa dos postulantes à adoção serão fiscalizadas pelo Central em matéria de adoção internacional no país
Ministério Público. de acolhida, assim entendido aquele onde está situada
§ 13. Somente poderá ser deferida adoção em favor sua residência habitual;
de candidato domiciliado no Brasil não cadastrado II - se a Autoridade Central do país de acolhida con-
previamente nos termos desta Lei quando: siderar que os solicitantes estão habilitados e aptos
I - se tratar de pedido de adoção unilateral; para adotar, emitirá um relatório que contenha in-
II - for formulada por parente com o qual a criança formações sobre a identidade, a capacidade jurídica
ou adolescente mantenha vínculos de afinidade e afe- e adequação dos solicitantes para adotar, sua situação
tividade; pessoal, familiar e médica, seu meio social, os motivos
III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guar- que os animam e sua aptidão para assumir uma ado-
da legal de criança maior de 3 (três) anos ou ado- ção internacional;
lescente, desde que o lapso de tempo de convivência III - a Autoridade Central do país de acolhida enviará
comprove a fixação de laços de afinidade e afetivida- o relatório à Autoridade Central Estadual, com cópia
de, e não seja constatada a ocorrência de má-fé ou para a Autoridade Central Federal Brasileira;
qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 IV - o relatório será instruído com toda a documen-
desta Lei. tação necessária, incluindo estudo psicossocial elabo-
§ 14. Nas hipóteses previstas no § 13 deste artigo, o rado por equipe interprofissional habilitada e cópia
candidato deverá comprovar, no curso do procedimen- autenticada da legislação pertinente, acompanhada
to, que preenche os requisitos necessários à adoção, da respectiva prova de vigência;
conforme previsto nesta Lei. V - os documentos em língua estrangeira serão de-
§ 15. Será assegurada prioridade no cadastro a pes- vidamente autenticados pela autoridade consular,
soas interessadas em adotar criança ou adolescente
observados os tratados e convenções internacionais,
com deficiência, com doença crônica ou com necessi-
e acompanhados da respectiva tradução, por tradutor
dades específicas de saúde, além de grupo de irmãos.
público juramentado;
VI - a Autoridade Central Estadual poderá fazer exi-
Art. 51. Considera-se adoção internacional aquela
na qual o pretendente possui residência habitual em gências e solicitar complementação sobre o estudo
psicossocial do postulante estrangeiro à adoção, já
LEGISLAÇÃO
42
parte dos postulantes à medida dos requisitos objeti- V - enviar relatório pós-adotivo semestral para a Au-
vos e subjetivos necessários ao seu deferimento, tanto toridade Central Estadual, com cópia para a Autori-
à luz do que dispõe esta Lei como da legislação do país dade Central Federal Brasileira, pelo período mínimo
de acolhida, será expedido laudo de habilitação à ado- de 2 (dois) anos. O envio do relatório será mantido
ção internacional, que terá validade por, no máximo, até a juntada de cópia autenticada do registro civil,
1 (um) ano; estabelecendo a cidadania do país de acolhida para
VIII - de posse do laudo de habilitação, o interessado o adotado;
será autorizado a formalizar pedido de adoção peran- VI - tomar as medidas necessárias para garantir que
te o Juízo da Infância e da Juventude do local em que os adotantes encaminhem à Autoridade Central Fe-
se encontra a criança ou adolescente, conforme indi- deral Brasileira cópia da certidão de registro de nas-
cação efetuada pela Autoridade Central Estadual. cimento estrangeira e do certificado de nacionalidade
§ 1o Se a legislação do país de acolhida assim o au-
tão logo lhes sejam concedidos.
torizar, admite-se que os pedidos de habilitação à
§ 5o A não apresentação dos relatórios referidos no
adoção internacional sejam intermediados por orga-
§ 4o deste artigo pelo organismo credenciado poderá
nismos credenciados.
§ 2o Incumbe à Autoridade Central Federal Brasileira acarretar a suspensão de seu credenciamento.
o credenciamento de organismos nacionais e estran- § 6o O credenciamento de organismo nacional ou es-
geiros encarregados de intermediar pedidos de habili- trangeiro encarregado de intermediar pedidos de ado-
tação à adoção internacional, com posterior comuni- ção internacional terá validade de 2 (dois) anos.
cação às Autoridades Centrais Estaduais e publicação § 7o A renovação do credenciamento poderá ser con-
nos órgãos oficiais de imprensa e em sítio próprio da cedida mediante requerimento protocolado na Auto-
internet. ridade Central Federal Brasileira nos 60 (sessenta) dias
§ 3o Somente será admissível o credenciamento de anteriores ao término do respectivo prazo de validade.
organismos que: § 8o Antes de transitada em julgado a decisão que
I - sejam oriundos de países que ratificaram a Conven- concedeu a adoção internacional, não será permitida
ção de Haia e estejam devidamente credenciados pela a saída do adotando do território nacional.
Autoridade Central do país onde estiverem sediados e § 9o Transitada em julgado a decisão, a autoridade
no país de acolhida do adotando para atuar em ado- judiciária determinará a expedição de alvará com
ção internacional no Brasil; autorização de viagem, bem como para obtenção de
II - satisfizerem as condições de integridade moral, passaporte, constando, obrigatoriamente, as carac-
competência profissional, experiência e responsabili- terísticas da criança ou adolescente adotado, como
dade exigidas pelos países respectivos e pela Autori- idade, cor, sexo, eventuais sinais ou traços peculiares,
dade Central Federal Brasileira; assim como foto recente e a aposição da impressão
III - forem qualificados por seus padrões éticos e sua digital do seu polegar direito, instruindo o documento
formação e experiência para atuar na área de adoção com cópia autenticada da decisão e certidão de trân-
internacional; sito em julgado.
IV - cumprirem os requisitos exigidos pelo ordena-
§ 10. A Autoridade Central Federal Brasileira poderá,
mento jurídico brasileiro e pelas normas estabelecidas
a qualquer momento, solicitar informações sobre a si-
pela Autoridade Central Federal Brasileira.
tuação das crianças e adolescentes adotados.
§ 4o Os organismos credenciados deverão ainda:
I - perseguir unicamente fins não lucrativos, nas con- § 11. A cobrança de valores por parte dos organis-
dições e dentro dos limites fixados pelas autoridades mos credenciados, que sejam considerados abusivos
competentes do país onde estiverem sediados, do país pela Autoridade Central Federal Brasileira e que não
de acolhida e pela Autoridade Central Federal Brasi- estejam devidamente comprovados, é causa de seu
leira; descredenciamento.
II - ser dirigidos e administrados por pessoas qualifi- § 12. Uma mesma pessoa ou seu cônjuge não podem
cadas e de reconhecida idoneidade moral, com com- ser representados por mais de uma entidade creden-
provada formação ou experiência para atuar na área ciada para atuar na cooperação em adoção interna-
de adoção internacional, cadastradas pelo Departa- cional.
mento de Polícia Federal e aprovadas pela Autorida- § 13. A habilitação de postulante estrangeiro ou do-
de Central Federal Brasileira, mediante publicação de miciliado fora do Brasil terá validade máxima de 1
portaria do órgão federal competente; (um) ano, podendo ser renovada.
III - estar submetidos à supervisão das autoridades § 14. É vedado o contato direto de representantes de
competentes do país onde estiverem sediados e no organismos de adoção, nacionais ou estrangeiros, com
país de acolhida, inclusive quanto à sua composição, dirigentes de programas de acolhimento institucional
funcionamento e situação financeira; ou familiar, assim como com crianças e adolescentes
IV - apresentar à Autoridade Central Federal Brasilei- em condições de serem adotados, sem a devida auto-
ra, a cada ano, relatório geral das atividades desen-
LEGISLAÇÃO
rização judicial.
volvidas, bem como relatório de acompanhamento § 15. A Autoridade Central Federal Brasileira poderá
das adoções internacionais efetuadas no período, cuja limitar ou suspender a concessão de novos credencia-
cópia será encaminhada ao Departamento de Polícia
mentos sempre que julgar necessário, mediante ato
Federal;
administrativo fundamentado.
43
Art. 52-A. É vedado, sob pena de responsabilidade e A adoção no Código Civil de 1916 era tratada em seu
descredenciamento, o repasse de recursos provenien- capítulo V. A adoção seguia um critério de ter um filho
tes de organismos estrangeiros encarregados de inter- para que a família tivesse sucessão e para configurar a
mediar pedidos de adoção internacional a organismos família da época que só tinha uma configuração costu-
nacionais ou a pessoas físicas. meira se houvesse pai, mãe e filhos. A idade de 30 (trinta)
Parágrafo único. Eventuais repasses somente pode- anos para que as pessoas pudessem não se arrepender
rão ser efetuados via Fundo dos Direitos da Criança do feito. Quando se falava do casamento criava-se o cri-
e do Adolescente e estarão sujeitos às deliberações do tério de que tenha se passado 05 (cinco) anos de matri-
respectivo Conselho de Direitos da Criança e do Ado- mônio para que o casal possa adotar, pois o ideal era que
lescente. os filhos fossem consanguíneos. A adoção poderia se
dissolver por vontade das partes. Caso houvessem filhos
naturais reconhecidos ou legitimados os filhos adotivos
Art. 52-B. A adoção por brasileiro residente no exte-
não participavam da sucessão além de não se desfazer o
rior em país ratificante da Convenção de Haia, cujo
vínculo com os parentes naturais, somente no que dizia
processo de adoção tenha sido processado em confor-
respeito ao pátrio poder.
midade com a legislação vigente no país de residência Houve um grande salto no que concerne a adoção
e atendido o disposto na Alínea “c” do Artigo 17 da que foi a letra trazida pela Constituição Federal de 1988
referida Convenção, será automaticamente recepcio- em seu artigo 227 e com o ECA, que versa sobre todas as
nada com o reingresso no Brasil. garantias constitucionais e no que tange a adoção vem
§ 1o Caso não tenha sido atendido o disposto na Alí- dos artigos 39 ao 52-D falando sobre a regularização da
nea “c” do Artigo 17 da Convenção de Haia, deverá adoção e traz como princípio basilar o melhor interesse
a sentença ser homologada pelo Superior Tribunal de da criança, além de ter como fundamento o afeto de pai
Justiça. para filho sem que haja qualquer diferenciação para com
§ 2o O pretendente brasileiro residente no exterior em os filhos biológicos.
país não ratificante da Convenção de Haia, uma vez Ainda no que concerne a adoção, foi criada para dar
reingressado no Brasil, deverá requerer a homologa- efetividade ao ECA a Lei nº 12.010 de 03 de agosto de
ção da sentença estrangeira pelo Superior Tribunal de 2009, que tem o intuito de alterar o direito à convivên-
Justiça. cia familiar mostrando com clareza como deve ocorrer a
adoção.
Art. 52-C. Nas adoções internacionais, quando o Para ser candidato a adoção deve ter cumprido uma
Brasil for o país de acolhida, a decisão da autorida- série de requisitos para se tornar hábil, estes requisitos
de competente do país de origem da criança ou do são elencados na lei. O primeiro deles é a qualificação
adolescente será conhecida pela Autoridade Central completa: da pessoa que deseja adotar ou das pessoas
Estadual que tiver processado o pedido de habilitação que desejam no caso de casais juntamente com os dados
dos pais adotivos, que comunicará o fato à Autorida- familiares, dados que vão completar não só a ficha do ca-
de Central Federal e determinará as providências ne- sal ou pessoa que deseja adotar, mais da família onde o
menor vai residir e ter sua formação os documentos pes-
cessárias à expedição do Certificado de Naturalização
soais como cópias de certidão de nascimento (quando
Provisório.
solteiros), de certidão de casamento (quando casados),
§ 1o A Autoridade Central Estadual, ouvido o Ministé-
cópias de declaração de período de união estável, Cópias
rio Público, somente deixará de reconhecer os efeitos de Certidão de identidade (RG), Comprovante da renda
daquela decisão se restar demonstrado que a adoção da pessoa ou casal, comprovante que demostre que as
é manifestamente contrária à ordem pública ou não condições vão suprir a necessidade de se incluir mais um
atende ao interesse superior da criança ou do ado- membro naquele lar, comprovante de moradia em que
lescente. prove a pessoa ter sua residência que acolherá o novo
§ 2o Na hipótese de não reconhecimento da adoção, integrante.
prevista no § 1o deste artigo, o Ministério Público de- O interessado em adotar deve juntar atestados de
verá imediatamente requerer o que for de direito para saúde física onde a pessoa vai demonstrar ser capaz de
resguardar os interesses da criança ou do adolescente, cuidar e garantir uma boa vida para o adotando e atesta-
comunicando-se as providências à Autoridade Central do de saúde mental, comprovando que a pessoa é capaz
Estadual, que fará a comunicação à Autoridade Cen- legalmente.
tral Federal Brasileira e à Autoridade Central do país Nos aspectos judiciais inerentes ao caso devem ser
de origem. juntados Certidão de antecedentes criminais, que de-
mostra conduta legal do indivíduo perante a sociedade,
Art. 52-D. Nas adoções internacionais, quando o Bra- Certidão negativa de distribuição civil, além da manifes-
sil for o país de acolhida e a adoção não tenha sido tação do M.P (Ministério Público) apresentando quesi-
deferida no país de origem porque a sua legislação a tos a serem respondidos pela equipe interdisciplinar,
designação de audiência para oitiva de testemunhas e
LEGISLAÇÃO
44
um membro junto aos filhos já existente. Os programas - Afastamento da criança e do adolescente do con-
de capacitação também devem ser aderido a este siste- vívio familiar: É um processo contencioso que im-
ma, levando esclarecimentos aos pretendentes a adoção portara aos pais o direito do contraditório e da
além, de manter contato com a criança em regime de ampla defesa, este procedimento é de competên-
acolhimento familiar. cia do judiciário (procedimento judicial) artigo 28
Sendo os adotantes inscritos são chamados por or- §§ 1° e 2° do E.C.A;
dem cronológica de acordo com a habilitação, e que só - Acolhimento familiar: medida de proteção criada
poderá ser dispensada se for pelo melhor interesse do para o amparo da criança até que seja resolvida a
adotando. situação;
- Guia de acolhimento: será elaborado pelo poder Ju-
Os seguintes princípios e diretrizes devem guiar a de- diciário um guia para encaminhar à criança a en-
cisão pela adoção: tidade de acolhimento (guia deve conter a causa
da retirada e permanência do menor fora da sua
- Condição da criança e do adolescente como ser de família natural além de todos os dados)
direitos: As crianças são detentoras de direitos pre- - Plano individual de atendimento: cada criança vai
vistos na lei 8.069/90 e na Constituição Federal de ter um plano a ser desenvolvido visando sua adap-
1988;
tação a nova família;
- Proteção integral e prioritária: Toda e qualquer nor-
- Destituição do poder familiar: Promovida pelo M.P
ma contida dentro da lei 8.069/90 deve ser voltada
(Ministério público) sendo para isto necessário
a proteção integral dos interesses do menor;
prévio aviso a entidade de acolhimento familiar,
- Responsabilidade primária e solidaria do poder pú-
blico: tanto nos casos ressalvados pelo E.C.A (Es- ou, responsáveis pela execução da política muni-
tatuto da Criança e do Adolescente) quanto nos cipal de garantia do direito a convivência familiar.
casos que a CF/88 (Constituição Federal de 1988) - Cadastro de crianças a adolescentes à regime insti-
e demais objetos legais específicos, é, dever dos tucional e familiar: é um cadastro para crianças e
três poderes atuarem no que for necessário para a adolescentes que necessitem de acolhimento fa-
proteção do menor; miliar ou institucional devido a algum registro de
- Interesse superior da criança e do adolescente: me- maus tratos.
diante a necessidade da intervenção estatal é ne- A Lei no 13.509 de 22 de novembro de 2017 surgiu
cessário que se dê privilégio ao interesse do que com o propósito de maximizar a efetividade das disposi-
for melhor para a criança e/ou adolescente. O pri- ções do ECA, inclusive no âmbito da adoção, possuindo a
meiro interesse a ser observado é o que trouxer peculiaridade de ser mais rigorosa no que tange ao cum-
melhor benefício a estes; primento de prazos para maior celeridade do processo.
- Privacidade: A promoção dos direitos deve ser sem-
pre feita respeitando a privação e o direito da ima- CAPÍTULO IV
gem, a sua vida privada e a intimidade; DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO
- Intervenção precoce: Ao primeiro sinal de perigo e ESPORTE E AO LAZER
risco ao menor, o Estado deve intervir para reverter
a situação presente; Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educa-
- Intervenção mínima; ção, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa,
- Proporcionalidade e atualidade: Ser a atitude toma- preparo para o exercício da cidadania e qualificação
da de acordo com a proporção de perigo existen- para o trabalho, assegurando-se-lhes:
te no momento, evitando e revertendo o risco de I - igualdade de condições para o acesso e permanên-
morte; cia na escola;
- Responsabilidade parental: a intervenção deve ser a II - direito de ser respeitado por seus educadores;
princípio para que os pais tomem responsabilida- III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo
de sobre seus filhos; recorrer às instâncias escolares superiores;
- Prevalência da família: Primeiro se dará a preferência IV - direito de organização e participação em entida-
a família natural para que a criança continue com des estudantis;
seus pais depois a preferência vai ser da família V - acesso à escola pública e gratuita, próxima de sua
contínua (família natural a primeira e extensa a se- residência, garantindo-se vagas no mesmo estabele-
gunda), em último caso a criança/adolescente vai cimento a irmãos que frequentem a mesma etapa ou
ser direcionada a família substituta. ciclo de ensino da educação básica.
- Obrigatoriedade da informação: respeitando o está-
gio de desenvolvimento e compreensão da criança
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter
ou adolescente, além de seus pais e responsáveis
ciência do processo pedagógico, bem como participar
devem ser informados o motivo em que se dá a
da definição das propostas educacionais.
intervenção e como esta se processou;
- Oitiva obrigatória e participação: a criança ou ado-
Art. 53-A. É dever da instituição de ensino, clubes e
LEGISLAÇÃO
45
Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao CAPÍTULO V
adolescente: DO DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E À
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclu- PROTEÇÃO NO TRABALHO
sive para os que a ele não tiveram acesso na idade
própria; Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de
quatorze anos de idade, salvo na condição de apren-
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratui-
diz.
dade ao ensino médio;
III - atendimento educacional especializado aos por- Preconiza o artigo 7º, XXXIII, CF a “proibição de tra-
tadores de deficiência, preferencialmente na rede re- balho noturno, perigoso ou insalubre a menores de
gular de ensino; dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezes-
IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças seis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
de zero a cinco anos de idade; quatorze anos”.
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pes- Portanto, em decorrência da própria norma constitu-
quisa e da criação artística, segundo a capacidade de cional, nenhuma criança ou adolescente pode trabalhar
antes dos 14 anos de idade. Evidentemente que há algu-
cada um;
mas exceções a esta regra, devidamente fiscalizadas pelo
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às Conselho Tutelar, como é o caso dos artistas mirins.
condições do adolescente trabalhador; Entre 14 anos e 16 anos de idade somente será pos-
VII - atendimento no ensino fundamental, através de sível o trabalho na condição de menor aprendiz, cuja
programas suplementares de material didático-esco- natureza é de ensino técnico-profissional, viabilizando a
lar, transporte, alimentação e assistência à saúde. futura inserção do adolescente no mercado de trabalho.
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito A partir dos 16 anos, o menor pode trabalhar, mas
público subjetivo. não no período noturno ou em condições de periculosi-
§ 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo dade e insalubridade.
poder público ou sua oferta irregular importa respon-
Art. 61. A proteção ao trabalho dos adolescentes é re-
sabilidade da autoridade competente. gulada por legislação especial, sem prejuízo do dis-
§ 3º Compete ao poder público recensear os educan- posto nesta Lei.
dos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e
zelar, junto aos pais ou responsável, pela frequência Art. 62. Considera-se aprendizagem a formação téc-
à escola. nico-profissional ministrada segundo as diretrizes e
bases da legislação de educação em vigor.
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de
matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de Art. 63. A formação técnico-profissional obedecerá aos
seguintes princípios:
ensino.
I - garantia de acesso e frequência obrigatória ao en-
sino regular;
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino II - atividade compatível com o desenvolvimento do
fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os ca- adolescente;
sos de: III - horário especial para o exercício das atividades.
I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão esco- Aquele que trabalha na condição de menor aprendiz
lar, esgotados os recursos escolares; é obrigado a frequentar a escola, devendo ser facilitadas
III - elevados níveis de repetência. as condições para que o faça, notadamente pelo estabe-
lecimento de horário especial de trabalho. Além disso, a
atividade laboral deve ser compatível com as atividades
Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, expe- de ensino, até mesmo por se tratar de ensino técnico-
riências e novas propostas relativas a calendário, se- -profissionalizante.
riação, currículo, metodologia, didática e avaliação, Ex.: um jovem pode trabalhar no período matutino,
com vistas à inserção de crianças e adolescentes ex- frequentar o SENAI na parte da tarde e ir ao colégio no
cluídos do ensino fundamental obrigatório. ensino médio noturno.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é
valores culturais, artísticos e históricos próprios do assegurada bolsa de aprendizagem.
contexto social da criança e do adolescente, garan- Toda criança e adolescente que necessitar receberá fo-
mento para que não se desvincule das atividades de
tindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às
ensino. Trata-se de incentivo àquele que sem auxílio
fontes de cultura. acabaria entrando em situação irregular e trabalhan-
LEGISLAÇÃO
do.
Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da
União, estimularão e facilitarão a destinação de recur- Art. 65. Ao adolescente aprendiz, maior de quatorze
sos e espaços para programações culturais, esportivas anos, são assegurados os direitos trabalhistas e pre-
e de lazer voltadas para a infância e a juventude. videnciários.
46
Uma vez que o adolescente está autorizado a traba- TÍTULO III
lhar, mesmo que na condição de menor aprendiz, pos- DA PREVENÇÃO
sui direitos trabalhistas e previdenciários.
CAPÍTULO I
Art. 66. Ao adolescente portador de deficiência é asse- DISPOSIÇÕES GERAIS
gurado trabalho protegido.
O adolescente que possui deficiência não pode ser Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de
exposto a uma situação de risco em decorrência da ameaça ou violação dos direitos da criança e do ado-
atividade laboral. lescente.
Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em re- Art. 70-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
gime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, Municípios deverão atuar de forma articulada na ela-
assistido em entidade governamental ou não-gover- boração de políticas públicas e na execução de ações
namental, é vedado trabalho: destinadas a coibir o uso de castigo físico ou de tra-
I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de tamento cruel ou degradante e difundir formas não
um dia e as cinco horas do dia seguinte; violentas de educação de crianças e de adolescentes,
II - perigoso, insalubre ou penoso; tendo como principais ações:
III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e I - a promoção de campanhas educativas permanen-
ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; tes para a divulgação do direito da criança e do ado-
IV - realizado em horários e locais que não permitam lescente de serem educados e cuidados sem o uso de
a frequência à escola. castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e
O menor aprendiz está proibido de trabalhar no pe- dos instrumentos de proteção aos direitos humanos;
ríodo noturno, em trabalho que o coloque exposto a II - a integração com os órgãos do Poder Judiciário,
periculosidade (ex.: em andaimes, em áreas com risco do Ministério Público e da Defensoria Pública, com
o Conselho Tutelar, com os Conselhos de Direitos da
de incêndio ou choques), insalubridade (ex.: em free-
Criança e do Adolescente e com as entidades não go-
zers de frigoríficos, expostos a radiação) ou penosida-
vernamentais que atuam na promoção, proteção e de-
de (ex.: excesso de força física exigida).
fesa dos direitos da criança e do adolescente;
III - a formação continuada e a capacitação dos pro-
Art. 68. O programa social que tenha por base o tra-
fissionais de saúde, educação e assistência social e dos
balho educativo, sob responsabilidade de entidade
demais agentes que atuam na promoção, proteção e
governamental ou não-governamental sem fins lu- defesa dos direitos da criança e do adolescente para o
crativos, deverá assegurar ao adolescente que dele desenvolvimento das competências necessárias à pre-
participe condições de capacitação para o exercício de venção, à identificação de evidências, ao diagnóstico
atividade regular remunerada. e ao enfrentamento de todas as formas de violência
§ 1º Entende-se por trabalho educativo a atividade la- contra a criança e o adolescente;
boral em que as exigências pedagógicas relativas ao IV - o apoio e o incentivo às práticas de resolução
desenvolvimento pessoal e social do educando preva- pacífica de conflitos que envolvam violência contra a
lecem sobre o aspecto produtivo. criança e o adolescente;
§ 2º A remuneração que o adolescente recebe pelo tra- V - a inclusão, nas políticas públicas, de ações que vi-
balho efetuado ou a participação na venda dos produ- sem a garantir os direitos da criança e do adolescente,
tos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo. desde a atenção pré-natal, e de atividades junto aos
Os programas sociais voltados à capacitação dos ado- pais e responsáveis com o objetivo de promover a in-
lescentes devem sempre ter por objetivo educá-lo para formação, a reflexão, o debate e a orientação sobre
que ele adquira condições de inserir-se no mercado alternativas ao uso de castigo físico ou de tratamento
de trabalho. Deve ser ensinado, logo, dele não se deve cruel ou degradante no processo educativo;
cobrar tanta produtividade, mas sim deve ser avaliado VI - a promoção de espaços intersetoriais locais para
pelo seu aprendizado. O fato do trabalho ser remune- a articulação de ações e a elaboração de planos de
rado não desvirtua este propósito. atuação conjunta focados nas famílias em situação de
violência, com participação de profissionais de saúde,
Art. 69. O adolescente tem direito à profissionalização de assistência social e de educação e de órgãos de pro-
e à proteção no trabalho, observados os seguintes as- moção, proteção e defesa dos direitos da criança e do
pectos, entre outros: adolescente.
I - respeito à condição peculiar de pessoa em desen- Parágrafo único. As famílias com crianças e adoles-
volvimento; centes com deficiência terão prioridade de atendi-
II - capacitação profissional adequada ao mercado de mento nas ações e políticas públicas de prevenção e
trabalho. proteção.
Com efeito, profissionalização e proteção no traba- Art. 70-B. As entidades, públicas e privadas, que
LEGISLAÇÃO
lho são direitos fundamentais garantidos ao adolescente, atuem nas áreas a que se refere o art. 71, dentre ou-
exigindo-se neste campo que sua condição peculiar ine- tras, devem contar, em seus quadros, com pessoas
rente ao processo de aprendizado seja respeitada e que capacitadas a reconhecer e comunicar ao Conselho
o trabalho sirva para permitir a sua inserção no mercado Tutelar suspeitas ou casos de maus-tratos praticados
de trabalho. contra crianças e adolescentes.
47
Parágrafo único. São igualmente responsáveis pela Art. 78. As revistas e publicações contendo material
comunicação de que trata este artigo, as pessoas en- impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes
carregadas, por razão de cargo, função, ofício, minis- deverão ser comercializadas em embalagem lacrada,
tério, profissão ou ocupação, do cuidado, assistência com a advertência de seu conteúdo.
ou guarda de crianças e adolescentes, punível, na Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as ca-
forma deste Estatuto, o injustificado retardamento ou pas que contenham mensagens pornográficas ou obs-
omissão, culposos ou dolosos. cenas sejam protegidas com embalagem opaca.
Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a infor- Art. 79. As revistas e publicações destinadas ao público
mação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos infanto-juvenil não poderão conter ilustrações, foto-
e produtos e serviços que respeitem sua condição pe- grafias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas al-
culiar de pessoa em desenvolvimento. coólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respei-
tar os valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Art. 72. As obrigações previstas nesta Lei não excluem
da prevenção especial outras decorrentes dos princí- Art. 80. Os responsáveis por estabelecimentos que ex-
pios por ela adotados. plorem comercialmente bilhar, sinuca ou congênere
Art. 73. A inobservância das normas de prevenção im- ou por casas de jogos, assim entendidas as que reali-
portará em responsabilidade da pessoa física ou jurí- zem apostas, ainda que eventualmente, cuidarão para
dica, nos termos desta Lei.
que não seja permitida a entrada e a permanência de
crianças e adolescentes no local, afixando aviso para
CAPÍTULO II
orientação do público.
DA PREVENÇÃO ESPECIAL
SEÇÃO II
SEÇÃO I
DOS PRODUTOS E SERVIÇOS
DA INFORMAÇÃO, CULTURA, LAZER, ESPORTES,
DIVERSÕES E ESPETÁCULOS
Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adoles-
Art. 74. O poder público, através do órgão competen- cente de:
te, regulará as diversões e espetáculos públicos, in- I - armas, munições e explosivos;
formando sobre a natureza deles, as faixas etárias a II - bebidas alcoólicas;
que não se recomendem, locais e horários em que sua III - produtos cujos componentes possam causar de-
apresentação se mostre inadequada. pendência física ou psíquica ainda que por utilização
Parágrafo único. Os responsáveis pelas diversões e es- indevida;
petáculos públicos deverão afixar, em lugar visível e de IV - fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles
fácil acesso, à entrada do local de exibição, informa- que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de
ção destacada sobre a natureza do espetáculo e a fai- provocar qualquer dano físico em caso de utilização
xa etária especificada no certificado de classificação. indevida;
V - revistas e publicações a que alude o art. 78;
Art. 75. Toda criança ou adolescente terá acesso às di- VI - bilhetes lotéricos e equivalentes.
versões e espetáculos públicos classificados como ade-
quados à sua faixa etária. Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou ado-
Parágrafo único. As crianças menores de dez anos so- lescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento
mente poderão ingressar e permanecer nos locais de congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pe-
apresentação ou exibição quando acompanhadas dos los pais ou responsável.
pais ou responsável.
SEÇÃO III
Art. 76. As emissoras de rádio e televisão somente exi- DA AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR
birão, no horário recomendado para o público infanto
juvenil, programas com finalidades educativas, artísti- Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de
cas, culturais e informativas. 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da comar-
Parágrafo único. Nenhum espetáculo será apresenta- ca onde reside desacompanhado dos pais ou dos res-
do ou anunciado sem aviso de sua classificação, antes ponsáveis sem expressa autorização judicial. (Redação
de sua transmissão, apresentação ou exibição. dada pela Lei nº 13.812, de 2019)
§ 1º A autorização não será exigida quando:
Art. 77. Os proprietários, diretores, gerentes e funcio- a) tratar-se de comarca contígua à da residência da
nários de empresas que explorem a venda ou aluguel criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis)
de fitas de programação em vídeo cuidarão para que anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída
não haja venda ou locação em desacordo com a clas-
LEGISLAÇÃO
48
1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro II - criação de conselhos municipais, estaduais e na-
grau, comprovado documentalmente o parentesco; cional dos direitos da criança e do adolescente, órgãos
2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo deliberativos e controladores das ações em todos os
pai, mãe ou responsável. níveis, assegurada a participação popular paritária
§ 2º A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais por meio de organizações representativas, segundo
ou responsável, conceder autorização válida por dois leis federal, estaduais e municipais;
anos. III - criação e manutenção de programas específicos,
observada a descentralização político-administrativa;
Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a au- IV - manutenção de fundos nacional, estaduais e mu-
torização é dispensável, se a criança ou adolescente: nicipais vinculados aos respectivos conselhos dos di-
I - estiver acompanhado de ambos os pais ou respon- reitos da criança e do adolescente;
sável; V - integração operacional de órgãos do Judiciário,
II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado Ministério Público, Defensoria, Segurança Pública e
expressamente pelo outro através de documento com Assistência Social, preferencialmente em um mesmo
firma reconhecida. local, para efeito de agilização do atendimento ini-
cial a adolescente a quem se atribua autoria de ato
Art. 85. Sem prévia e expressa autorização judicial, ne- infracional;
nhuma criança ou adolescente nascido em território VI - integração operacional de órgãos do Judiciário,
Ministério Público, Defensoria, Conselho Tutelar e en-
nacional poderá sair do País em companhia de estran-
carregados da execução das políticas sociais básicas
geiro residente ou domiciliado no exterior.
e de assistência social, para efeito de agilização do
atendimento de crianças e de adolescentes inseridos
PARTE ESPECIAL
em programas de acolhimento familiar ou institucio-
nal, com vista na sua rápida reintegração à família de
TÍTULO I
origem ou, se tal solução se mostrar comprovadamen-
DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO te inviável, sua colocação em família substituta, em
quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta
CAPÍTULO I Lei;
DISPOSIÇÕES GERAIS VII - mobilização da opinião pública para a indispen-
sável participação dos diversos segmentos da socie-
Art. 86. A política de atendimento dos direitos da dade;
criança e do adolescente far-se-á através de um con- VIII - especialização e formação continuada dos profis-
junto articulado de ações governamentais e não-go- sionais que trabalham nas diferentes áreas da atenção
vernamentais, da União, dos estados, do Distrito Fe- à primeira infância, incluindo os conhecimentos sobre
deral e dos municípios. direitos da criança e sobre desenvolvimento infantil;
IX - formação profissional com abrangência dos diver-
Art. 87. São linhas de ação da política de atendimento: sos direitos da criança e do adolescente que favoreça
I - políticas sociais básicas; a intersetorialidade no atendimento da criança e do
II - serviços, programas, projetos e benefícios de assis- adolescente e seu desenvolvimento integral;
tência social de garantia de proteção social e de pre- X - realização e divulgação de pesquisas sobre desen-
venção e redução de violações de direitos, seus agra- volvimento infantil e sobre prevenção da violência.
vamentos ou reincidências;
III - serviços especiais de prevenção e atendimento Art. 89. A função de membro do conselho nacional e
médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus- dos conselhos estaduais e municipais dos direitos da
-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão; criança e do adolescente é considerada de interesse
IV - serviço de identificação e localização de pais, res- público relevante e não será remunerada.
ponsável, crianças e adolescentes desaparecidos;
V - proteção jurídico-social por entidades de defesa CAPÍTULO II
dos direitos da criança e do adolescente; DAS ENTIDADES DE ATENDIMENTO
VI - políticas e programas destinados a prevenir ou
abreviar o período de afastamento do convívio fami- SEÇÃO I
liar e a garantir o efetivo exercício do direito à convi- DISPOSIÇÕES GERAIS
vência familiar de crianças e adolescentes;
VII - campanhas de estímulo ao acolhimento sob for- Art. 90. As entidades de atendimento são responsáveis
ma de guarda de crianças e adolescentes afastados pela manutenção das próprias unidades, assim como
do convívio familiar e à adoção, especificamente inter- pelo planejamento e execução de programas de pro-
-racial, de crianças maiores ou de adolescentes, com teção e socioeducativos destinados a crianças e ado-
lescentes, em regime de:
LEGISLAÇÃO
49
V - prestação de serviços à comunidade; Art. 92. As entidades que desenvolvam programas de
VI - liberdade assistida; acolhimento familiar ou institucional deverão adotar
VII - semiliberdade; e os seguintes princípios:
VIII - internação. I - preservação dos vínculos familiares e promoção da
§ 1o As entidades governamentais e não governamen- reintegração familiar;
tais deverão proceder à inscrição de seus programas, II - integração em família substituta, quando esgota-
especificando os regimes de atendimento, na forma dos os recursos de manutenção na família natural ou
definida neste artigo, no Conselho Municipal dos Di- extensa;
reitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá III - atendimento personalizado e em pequenos gru-
registro das inscrições e de suas alterações, do que pos;
fará comunicação ao Conselho Tutelar e à autoridade IV - desenvolvimento de atividades em regime de coe-
judiciária. ducação;
§ 2o Os recursos destinados à implementação e ma- V - não desmembramento de grupos de irmãos;
nutenção dos programas relacionados neste artigo se- VI - evitar, sempre que possível, a transferência para
rão previstos nas dotações orçamentárias dos órgãos outras entidades de crianças e adolescentes abrigados;
públicos encarregados das áreas de Educação, Saúde VII - participação na vida da comunidade local;
e Assistência Social, dentre outros, observando-se o VIII - preparação gradativa para o desligamento;
princípio da prioridade absoluta à criança e ao ado- IX - participação de pessoas da comunidade no pro-
lescente preconizado pelo caput do art. 227 da Cons- cesso educativo.
tituição Federal e pelo caput e parágrafo único do art. § 1o O dirigente de entidade que desenvolve pro-
4o desta Lei. grama de acolhimento institucional é equiparado ao
§ 3o Os programas em execução serão reavaliados guardião, para todos os efeitos de direito.
pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do § 2o Os dirigentes de entidades que desenvolvem pro-
Adolescente, no máximo, a cada 2 (dois) anos, consti- gramas de acolhimento familiar ou institucional re-
tuindo-se critérios para renovação da autorização de meterão à autoridade judiciária, no máximo a cada
funcionamento:
6 (seis) meses, relatório circunstanciado acerca da si-
I - o efetivo respeito às regras e princípios desta Lei,
tuação de cada criança ou adolescente acolhido e sua
bem como às resoluções relativas à modalidade de
família, para fins da reavaliação prevista no § 1o do
atendimento prestado expedidas pelos Conselhos de
art. 19 desta Lei.
Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os ní-
§ 3o Os entes federados, por intermédio dos Poderes
veis;
Executivo e Judiciário, promoverão conjuntamente a
II - a qualidade e eficiência do trabalho desenvolvido,
permanente qualificação dos profissionais que atuam
atestadas pelo Conselho Tutelar, pelo Ministério Públi-
direta ou indiretamente em programas de acolhimen-
co e pela Justiça da Infância e da Juventude;
to institucional e destinados à colocação familiar de
III - em se tratando de programas de acolhimento ins-
crianças e adolescentes, incluindo membros do Poder
titucional ou familiar, serão considerados os índices de
sucesso na reintegração familiar ou de adaptação à Judiciário, Ministério Público e Conselho Tutelar.
família substituta, conforme o caso. § 4o Salvo determinação em contrário da autoridade
judiciária competente, as entidades que desenvolvem
Art. 91. As entidades não-governamentais somente programas de acolhimento familiar ou institucional,
poderão funcionar depois de registradas no Conselho se necessário com o auxílio do Conselho Tutelar e dos
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgãos de assistência social, estimularão o contato da
o qual comunicará o registro ao Conselho Tutelar e à criança ou adolescente com seus pais e parentes, em
autoridade judiciária da respectiva localidade. cumprimento ao disposto nos incisos I e VIII do caput
§ 1o Será negado o registro à entidade que: deste artigo.
a) não ofereça instalações físicas em condições ade- § 5o As entidades que desenvolvem programas de
quadas de habitabilidade, higiene, salubridade e se- acolhimento familiar ou institucional somente pode-
gurança; rão receber recursos públicos se comprovado o aten-
b) não apresente plano de trabalho compatível com os dimento dos princípios, exigências e finalidades desta
princípios desta Lei; Lei.
c) esteja irregularmente constituída; § 6o O descumprimento das disposições desta Lei pelo
d) tenha em seus quadros pessoas inidôneas. dirigente de entidade que desenvolva programas de
e) não se adequar ou deixar de cumprir as resoluções acolhimento familiar ou institucional é causa de sua
e deliberações relativas à modalidade de atendimen- destituição, sem prejuízo da apuração de sua respon-
to prestado expedidas pelos Conselhos de Direitos da sabilidade administrativa, civil e criminal.
Criança e do Adolescente, em todos os níveis. § 7o Quando se tratar de criança de 0 (zero) a 3 (três)
LEGISLAÇÃO
§ 2o O registro terá validade máxima de 4 (quatro) anos em acolhimento institucional, dar-se-á especial
anos, cabendo ao Conselho Municipal dos Direitos da atenção à atuação de educadores de referência está-
Criança e do Adolescente, periodicamente, reavaliar o veis e qualitativamente significativos, às rotinas es-
cabimento de sua renovação, observado o disposto no pecíficas e ao atendimento das necessidades básicas,
§ 1o deste artigo. incluindo as de afeto como prioritárias.
50
Art. 93. As entidades que mantenham programa de XX - manter arquivo de anotações onde constem data
acolhimento institucional poderão, em caráter excep- e circunstâncias do atendimento, nome do adolescen-
cional e de urgência, acolher crianças e adolescentes te, seus pais ou responsável, parentes, endereços, sexo,
sem prévia determinação da autoridade competente, idade, acompanhamento da sua formação, relação de
fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e qua- seus pertences e demais dados que possibilitem sua
tro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena identificação e a individualização do atendimento.
de responsabilidade. § 1o Aplicam-se, no que couber, as obrigações cons-
Parágrafo único. Recebida a comunicação, a autori- tantes deste artigo às entidades que mantêm progra-
dade judiciária, ouvido o Ministério Público e se neces- mas de acolhimento institucional e familiar.
sário com o apoio do Conselho Tutelar local, tomará § 2º No cumprimento das obrigações a que alude este
as medidas necessárias para promover a imediata re- artigo as entidades utilizarão preferencialmente os re-
integração familiar da criança ou do adolescente ou, cursos da comunidade.
se por qualquer razão não for isso possível ou reco-
mendável, para seu encaminhamento a programa de Art. 94-A. As entidades, públicas ou privadas, que
acolhimento familiar, institucional ou a família substi- abriguem ou recepcionem crianças e adolescentes,
tuta, observado o disposto no § 2o do art. 101 desta Lei. ainda que em caráter temporário, devem ter, em seus
quadros, profissionais capacitados a reconhecer e re-
Art. 94. As entidades que desenvolvem programas portar ao Conselho Tutelar suspeitas ou ocorrências
de internação têm as seguintes obrigações, entre ou- de maus-tratos.
tras: SEÇÃO II
I - observar os direitos e garantias de que são titulares DA FISCALIZAÇÃO DAS ENTIDADES
os adolescentes;
II - não restringir nenhum direito que não tenha sido Art. 95. As entidades governamentais e não-gover-
objeto de restrição na decisão de internação; namentais referidas no art. 90 serão fiscalizadas pelo
III - oferecer atendimento personalizado, em pequenas Judiciário, pelo Ministério Público e pelos Conselhos
unidades e grupos reduzidos;
Tutelares.
IV - preservar a identidade e oferecer ambiente de res-
peito e dignidade ao adolescente;
Art. 96. Os planos de aplicação e as prestações de
V - diligenciar no sentido do restabelecimento e da
contas serão apresentados ao estado ou ao município,
preservação dos vínculos familiares;
conforme a origem das dotações orçamentárias.
VI - comunicar à autoridade judiciária, periodicamen-
te, os casos em que se mostre inviável ou impossível o
Art. 97. São medidas aplicáveis às entidades de aten-
reatamento dos vínculos familiares;
dimento que descumprirem obrigação constante do
VII - oferecer instalações físicas em condições adequa-
art. 94, sem prejuízo da responsabilidade civil e crimi-
das de habitabilidade, higiene, salubridade e seguran-
ça e os objetos necessários à higiene pessoal; nal de seus dirigentes ou prepostos:
VIII - oferecer vestuário e alimentação suficientes e I - às entidades governamentais:
adequados à faixa etária dos adolescentes atendidos; a) advertência;
IX - oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontoló- b) afastamento provisório de seus dirigentes;
gicos e farmacêuticos; c) afastamento definitivo de seus dirigentes;
X - propiciar escolarização e profissionalização; d) fechamento de unidade ou interdição de programa.
XI - propiciar atividades culturais, esportivas e de la- II - às entidades não-governamentais:
zer; a) advertência;
XII - propiciar assistência religiosa àqueles que deseja- b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas pú-
rem, de acordo com suas crenças; blicas;
XIII - proceder a estudo social e pessoal de cada caso; c) interdição de unidades ou suspensão de programa;
XIV - reavaliar periodicamente cada caso, com inter- d) cassação do registro.
valo máximo de seis meses, dando ciência dos resulta- § 1o Em caso de reiteradas infrações cometidas por
dos à autoridade competente; entidades de atendimento, que coloquem em risco os
XV - informar, periodicamente, o adolescente interna- direitos assegurados nesta Lei, deverá ser o fato comu-
do sobre sua situação processual; nicado ao Ministério Público ou representado perante
XVI - comunicar às autoridades competentes todos os autoridade judiciária competente para as providências
casos de adolescentes portadores de moléstias infec- cabíveis, inclusive suspensão das atividades ou disso-
tocontagiosas; lução da entidade.
XVII - fornecer comprovante de depósito dos pertences § 2o As pessoas jurídicas de direito público e as or-
LEGISLAÇÃO
51
TÍTULO II VIII - proporcionalidade e atualidade: a intervenção
DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO deve ser a necessária e adequada à situação de perigo
em que a criança ou o adolescente se encontram no
CAPÍTULO I momento em que a decisão é tomada;
DISPOSIÇÕES GERAIS IX - responsabilidade parental: a intervenção deve ser
efetuada de modo que os pais assumam os seus deve-
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adoles- res para com a criança e o adolescente;
cente são aplicáveis sempre que os direitos reconheci- X - prevalência da família: na promoção de direitos
dos nesta Lei forem ameaçados ou violados: e na proteção da criança e do adolescente deve ser
dada prevalência às medidas que os mantenham ou
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou respon-
isso não for possível, que promovam a sua integração
sável; em família adotiva;
III - em razão de sua conduta. XI - obrigatoriedade da informação: a criança e o ado-
lescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e
CAPÍTULO II capacidade de compreensão, seus pais ou responsável
DAS MEDIDAS ESPECÍFICAS DE PROTEÇÃO devem ser informados dos seus direitos, dos motivos
que determinaram a intervenção e da forma como
Art. 99. As medidas previstas neste Capítulo poderão esta se processa;
ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como XII - oitiva obrigatória e participação: a criança e o
substituídas a qualquer tempo. adolescente, em separado ou na companhia dos pais,
de responsável ou de pessoa por si indicada, bem
Art. 100. Na aplicação das medidas levar-se-ão em como os seus pais ou responsável, têm direito a ser
conta as necessidades pedagógicas, preferindo-se ouvidos e a participar nos atos e na definição da me-
aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos fa- dida de promoção dos direitos e de proteção, sendo
miliares e comunitários. sua opinião devidamente considerada pela autorida-
Parágrafo único. São também princípios que regem a de judiciária competente, observado o disposto nos §§
aplicação das medidas: 1o e 2o do art. 28 desta Lei.
I - condição da criança e do adolescente como sujeitos
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas
de direitos: crianças e adolescentes são os titulares dos
no art. 98, a autoridade competente poderá determi-
direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na
nar, dentre outras, as seguintes medidas:
Constituição Federal; I - encaminhamento aos pais ou responsável, median-
II - proteção integral e prioritária: a interpretação e te termo de responsabilidade;
aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei II - orientação, apoio e acompanhamento temporá-
deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos rios;
direitos de que crianças e adolescentes são titulares; III - matrícula e frequência obrigatórias em estabeleci-
III - responsabilidade primária e solidária do poder mento oficial de ensino fundamental;
público: a plena efetivação dos direitos assegurados a IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou co-
crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constitui- munitários de proteção, apoio e promoção da família,
ção Federal, salvo nos casos por esta expressamente da criança e do adolescente;
ressalvados, é de responsabilidade primária e solidá- V - requisição de tratamento médico, psicológico ou
ria das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;
municipalização do atendimento e da possibilidade VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de
da execução de programas por entidades não gover- auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxi-
namentais; cômanos;
IV - interesse superior da criança e do adolescente: a VII - acolhimento institucional;
intervenção deve atender prioritariamente aos inte- VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar;
IX - colocação em família substituta.
resses e direitos da criança e do adolescente, sem pre-
§ 1o O acolhimento institucional e o acolhimento fami-
juízo da consideração que for devida a outros interes-
liar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis
ses legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses como forma de transição para reintegração familiar
presentes no caso concreto; ou, não sendo esta possível, para colocação em família
V - privacidade: a promoção dos direitos e proteção da substituta, não implicando privação de liberdade.
criança e do adolescente deve ser efetuada no respeito § 2o Sem prejuízo da tomada de medidas emergen-
pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua ciais para proteção de vítimas de violência ou abuso
vida privada; sexual e das providências a que alude o art. 130 desta
VI - intervenção precoce: a intervenção das autorida- Lei, o afastamento da criança ou adolescente do con-
des competentes deve ser efetuada logo que a situa- vívio familiar é de competência exclusiva da autorida-
LEGISLAÇÃO
52
§ 3o Crianças e adolescentes somente poderão ser en- § 10. Recebido o relatório, o Ministério Público terá o
caminhados às instituições que executam programas prazo de 15 (quinze) dias para o ingresso com a ação
de acolhimento institucional, governamentais ou não, de destituição do poder familiar, salvo se entender ne-
por meio de uma Guia de Acolhimento, expedida pela cessária a realização de estudos complementares ou
autoridade judiciária, na qual obrigatoriamente cons- de outras providências indispensáveis ao ajuizamento
tará, dentre outros: da demanda.
I - sua identificação e a qualificação completa de seus § 11. A autoridade judiciária manterá, em cada co-
pais ou de seu responsável, se conhecidos; marca ou foro regional, um cadastro contendo infor-
II - o endereço de residência dos pais ou do responsá- mações atualizadas sobre as crianças e adolescentes
vel, com pontos de referência; em regime de acolhimento familiar e institucional sob
III - os nomes de parentes ou de terceiros interessados sua responsabilidade, com informações pormenoriza-
em tê-los sob sua guarda; das sobre a situação jurídica de cada um, bem como
IV - os motivos da retirada ou da não reintegração ao as providências tomadas para sua reintegração fami-
convívio familiar. liar ou colocação em família substituta, em qualquer
§ 4o Imediatamente após o acolhimento da criança ou das modalidades previstas no art. 28 desta Lei.
do adolescente, a entidade responsável pelo programa § 12. Terão acesso ao cadastro o Ministério Público, o
de acolhimento institucional ou familiar elaborará um
Conselho Tutelar, o órgão gestor da Assistência Social
plano individual de atendimento, visando à reintegra-
e os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e
ção familiar, ressalvada a existência de ordem escrita
do Adolescente e da Assistência Social, aos quais in-
e fundamentada em contrário de autoridade judiciária
cumbe deliberar sobre a implementação de políticas
competente, caso em que também deverá contemplar
sua colocação em família substituta, observadas as re- públicas que permitam reduzir o número de crianças e
gras e princípios desta Lei. adolescentes afastados do convívio familiar e abreviar
§ 5o O plano individual será elaborado sob a respon- o período de permanência em programa de acolhi-
sabilidade da equipe técnica do respectivo programa mento.
de atendimento e levará em consideração a opinião
da criança ou do adolescente e a oitiva dos pais ou do Art. 102. As medidas de proteção de que trata este
responsável. Capítulo serão acompanhadas da regularização do
§ 6o Constarão do plano individual, dentre outros: registro civil.
I - os resultados da avaliação interdisciplinar; § 1º Verificada a inexistência de registro anterior, o
II - os compromissos assumidos pelos pais ou respon- assento de nascimento da criança ou adolescente será
sável; e feito à vista dos elementos disponíveis, mediante re-
III - a previsão das atividades a serem desenvolvidas quisição da autoridade judiciária.
com a criança ou com o adolescente acolhido e seus § 2º Os registros e certidões necessários à regulariza-
pais ou responsável, com vista na reintegração fa- ção de que trata este artigo são isentos de multas, cus-
miliar ou, caso seja esta vedada por expressa e fun- tas e emolumentos, gozando de absoluta prioridade.
damentada determinação judicial, as providências a § 3o Caso ainda não definida a paternidade, será de-
serem tomadas para sua colocação em família subs- flagrado procedimento específico destinado à sua ave-
tituta, sob direta supervisão da autoridade judiciária. riguação, conforme previsto pela Lei no 8.560, de 29 de
§ 7o O acolhimento familiar ou institucional ocorre- dezembro de 1992.
rá no local mais próximo à residência dos pais ou do § 4o Nas hipóteses previstas no § 3o deste artigo, é
responsável e, como parte do processo de reintegração dispensável o ajuizamento de ação de investigação
familiar, sempre que identificada a necessidade, a fa- de paternidade pelo Ministério Público se, após o não
mília de origem será incluída em programas oficiais comparecimento ou a recusa do suposto pai em assu-
de orientação, de apoio e de promoção social, sendo mir a paternidade a ele atribuída, a criança for enca-
facilitado e estimulado o contato com a criança ou minhada para adoção.
com o adolescente acolhido. § 5º Os registros e certidões necessários à inclusão, a
§ 8o Verificada a possibilidade de reintegração fa- qualquer tempo, do nome do pai no assento de nas-
miliar, o responsável pelo programa de acolhimento cimento são isentos de multas, custas e emolumentos,
familiar ou institucional fará imediata comunicação gozando de absoluta prioridade.
à autoridade judiciária, que dará vista ao Ministério § 6º São gratuitas, a qualquer tempo, a averbação re-
Público, pelo prazo de 5 (cinco) dias, decidindo em querida do reconhecimento de paternidade no assento
igual prazo. de nascimento e a certidão correspondente.
§ 9o Em sendo constatada a impossibilidade de reinte-
gração da criança ou do adolescente à família de ori-
As normas de prevenção do ECA são destinadas a
gem, após seu encaminhamento a programas oficiais
crianças e adolescentes em situação de risco. Existirá si-
ou comunitários de orientação, apoio e promoção so-
tuação de risco quando a criança ou o adolescente esti-
cial, será enviado relatório fundamentado ao Ministé-
rio Público, no qual conste a descrição pormenorizada verem privados de assistência. Essa assistência pode ser
material (quando não se tem onde dormir, o que comer,
LEGISLAÇÃO
53
O menor que pratica ato infracional está em situação Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o
de risco por estar privado de assistência moral. A situa- local onde se encontra recolhido serão incontinenti
ção de risco pode decorrer de ação ou omissão do Poder comunicados à autoridade judiciária competente e à
Público; ação ou omissão dos pais ou dos responsáveis; família do apreendido ou à pessoa por ele indicada.
por conduta própria. Parágrafo único. Examinar-se-á, desde logo e sob
O art. 101 do ECA traz um rol das medidas protetivas pena de responsabilidade, a possibilidade de liberação
diante da situação de risco. Essas medidas poderão ser imediata.
aplicadas tanto para a criança quanto para o adolescen-
te. São elas: Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser
determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco
- encaminhamento da criança e do adolescente aos dias.
pais ou responsáveis, mediante termo ou respon- Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada
sabilidade; e basear-se em indícios suficientes de autoria e ma-
- orientação, apoio e acompanhamentos temporários terialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da
por pessoa nomeada pelo Juiz; medida.
- matrícula e frequência obrigatória em estabeleci-
mento oficial de ensino fundamental (o Juiz deter- Art. 109. O adolescente civilmente identificado não
mina aos pais a obrigação); será submetido a identificação compulsória pelos ór-
- inclusão em programa comunitário ou oficial de au- gãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito
xílio à família, à criança e ao adolescente; de confrontação, havendo dúvida fundada.
- requisição de tratamento médico, psicológico ou
psiquiátrico em regime hospitalar (internação) ou O adolescente não é preso, é apreendido.
ambulatorial (consultas periódicas); A internação é a medida mais gravosa para o adoles-
- abrigo em entidade (não se fala em orfanato). A cente. O ECA permite a internação provisória durante o
doutrina chama de “Tutela de Estado” quando a processo. É fixado o prazo máximo de 45 dias. Os funda-
criança está em abrigo sob a proteção do Estado; mentos para que o Juiz decrete essa internação provisó-
- colocação em família substituta (é utilizada somente ria são: indícios suficientes de autoria e materialidade e
em situações muito graves). necessidade da medida.
Esse prazo de internação provisória será descontado
O Juiz pode aplicar essas medidas isolada ou cumu- na internação definitiva. Em nenhuma hipótese a criança
lativamente. Pode, também, substituir uma medida pela poderá ser internada. Criança, que é todo aquele menor
outra a qualquer tempo (art. 99 do ECA). Antes de aplicar de 12 anos, não se sujeita a medida sócio-educativa, mas
qualquer uma dessas medidas, o Juiz deverá ouvir os pais apenas a medida de proteção.
ou responsáveis, realizar estudo social do caso e ouvir o
MP. Essa oitiva do MP é obrigatória, sob pena de nulida- CAPÍTULO III
de (art. 204 do ECA). Esse rol do art. 101 é taxativo. DAS GARANTIAS PROCESSUAIS
TÍTULO III Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua li-
DA PRÁTICA DE ATO INFRACIONAL berdade sem o devido processo legal.
54
I - advertência; Disposta no art. 115 do ECA, é uma medida sócio-e-
II - obrigação de reparar o dano; ducativa que consiste em uma admoestação verbal que
III - prestação de serviços à comunidade; é aplicada pelo Juiz ao adolescente e que é reduzida a
IV - liberdade assistida; termo. É destinada a atos de menor gravidade.
V - inserção em regime de semi-liberdade; Para a aplicação da advertência, o Juiz deve levar em
VI - internação em estabelecimento educacional; consideração a prova da materialidade e indícios sufi-
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI. cientes de autoria. É a única medida que o Juiz poderá
§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em con- aplicar fundamentando-se somente em indícios de au-
ta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e toria.
a gravidade da infração.
§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será SEÇÃO III
admitida a prestação de trabalho forçado. DA OBRIGAÇÃO DE REPARAR O DANO
§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou defi-
ciência mental receberão tratamento individual e es- Art. 116. Em se tratando de ato infracional com refle-
pecializado, em local adequado às suas condições. xos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se
for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova
Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, com-
99 e 100. pense o prejuízo da vítima.
Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade,
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos inci- a medida poderá ser substituída por outra adequada.
sos II a VI do art. 112 pressupõe a existência de provas
suficientes da autoria e da materialidade da infração, Obrigação de reparar o dano (art. 116 do ECA). Há
ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. um pressuposto: o ato infracional deve ter causado um
127. dano à vítima. Essa reparação é para a vítima que sofreu
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada o dano. É uma medida voltada para o adolescente, então
sempre que houver prova da materialidade e indícios deve ser estabelecida de acordo com a possibilidade de
suficientes da autoria. cumprimento pelo adolescente (ex.: devolução da coisa
furtada, pequenos serviços a título de reparação etc.).
As medidas socioeducativas dependem de um proce- A jurisprudência admite que essa reparação de dano
dimento judicial, só podendo ser aplicadas pelo Juiz. O pode ser aplicada à criança (ex.: devolução da coisa fur-
ECA apresenta dois critérios genéricos para a aplicação tada).
de medida socioeducativa:
SEÇÃO IV
- capacidade do adolescente para cumprir a medida; DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE
- circunstâncias e gravidade da infração.
Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste
A internação é uma exceção, existindo hipóteses le- na realização de tarefas gratuitas de interesse geral,
gais para sua aplicação. por período não excedente a seis meses, junto a en-
A medida de segurança não poderá ser aplicada ao tidades assistenciais, hospitais, escolas e outros esta-
adolescente, tendo em vista ser medida para maior de belecimentos congêneres, bem como em programas
idade que apresenta periculosidade. No caso de adoles- comunitários ou governamentais.
cente doente mental, será aplicada medida de proteção, Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas confor-
podendo ser requisitado tratamento médico. me as aptidões do adolescente, devendo ser cumpri-
O Juiz poderá cumular medidas socioeducativas, des- das durante jornada máxima de oito horas semanais,
de que sejam compatíveis (ex.: prestação de serviço à aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis,
comunidade cumulada com reparação de danos). Com de modo a não prejudicar a frequência à escola ou à
exceção da internação, o Juiz poderá substituir as me- jornada normal de trabalho.
didas socioeducativas de acordo com o caso concreto,
visto não haver taxatividade. Disposta no art. 117 do ECA, o adolescente será obri-
Se o Promotor discordar com a medida socioeducati- gado a prestar serviços em benefício da coletividade. São
va aplicada, deverá entrar com recurso de apelação. Essa tarefas gratuitas de interesse geral junto a entidades as-
apelação do ECA possui juízo de retratação, ou seja, o sistenciais, hospitais, escolas ou estabelecimentos con-
Juiz pode voltar atrás na decisão. O Tribunal competente gêneres.
para julgar essa apelação é o TJ. Como a medida é mais gravosa, a lei fixa um prazo
máximo de 6 meses para essa prestação e um máximo
LEGISLAÇÃO
55
SEÇÃO V Disposta no art. 120 do ECA, é uma medida que im-
DA LIBERDADE ASSISTIDA porta em privação de liberdade ao adolescente que pra-
tica um ato infracional mais grave. O adolescente é reti-
Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre rado de sua família e colocado em um estabelecimento
que se afigurar a medida mais adequada para o fim apropriado de semiliberdade, podendo realizar ativida-
de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. des externas (estudar, trabalhar etc.) somente com au-
§ 1º A autoridade designará pessoa capacitada para torização do diretor do estabelecimento, não havendo
necessidade de autorização judicial. Pode ser usada tanto
acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada
como medida principal quanto como medida progressi-
por entidade ou programa de atendimento. va ou regressiva.
§ 2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo míni- A semiliberdade não tem prazo fixado em lei, nem
mo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser pror- mínimo nem máximo. A doutrina e a jurisprudência de-
rogada, revogada ou substituída por outra medida, terminam a aplicação da medida por analogia dos prazos
ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor. da internação, tendo como prazo máximo 3 anos. Há a
obrigatoriedade de escolarização e profissionalização na
Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a su- semiliberdade.
pervisão da autoridade competente, a realização dos
seguintes encargos, entre outros: SEÇÃO VII
I - promover socialmente o adolescente e sua família, DA INTERNAÇÃO
fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se neces-
sário, em programa oficial ou comunitário de auxílio Art. 121. A internação constitui medida privativa da
e assistência social; liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excep-
cionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa
II - supervisionar a frequência e o aproveitamento es-
em desenvolvimento.
colar do adolescente, promovendo, inclusive, sua ma- § 1º Será permitida a realização de atividades exter-
trícula; nas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo ex-
III - diligenciar no sentido da profissionalização do pressa determinação judicial em contrário.
adolescente e de sua inserção no mercado de trabalho; § 2º A medida não comporta prazo determinado, de-
IV - apresentar relatório do caso. vendo sua manutenção ser reavaliada, mediante de-
cisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
É a última medida em que o adolescente permanece § 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de in-
com sua família. O Juiz irá determinar um acompanha- ternação excederá a três anos.
mento permanente ao adolescente, designando, para § 4º Atingido o limite estabelecido no parágrafo an-
isso, um orientador, que poderá ser substituído a qual- terior, o adolescente deverá ser liberado, colocado em
quer tempo. A lei fixa um prazo mínimo de 6 meses para regime de semiliberdade ou de liberdade assistida.
a duração dessa medida. O orientador terá as seguintes § 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos
obrigações legais: de idade.
§ 6º Em qualquer hipótese a desinternação será pre-
cedida de autorização judicial, ouvido o Ministério Pú-
- promover socialmente o adolescente, bem como blico.
a sua família, inserindo-os em programas sociais. § 7o A determinação judicial mencionada no § 1o po-
Promover socialmente é fazer com que o adoles- derá ser revista a qualquer tempo pela autoridade ju-
cente realize atividades valorizadas socialmente diciária.
(teatro, música etc.);
- supervisionar a frequência e o aproveitamento es- Art. 122. A medida de internação só poderá ser apli-
colar do adolescente; cada quando:
- profissionalizar o adolescente (nos termos da EC n. I - tratar-se de ato infracional cometido mediante gra-
20); ve ameaça ou violência a pessoa;
- apresentar relatório do caso ao Juiz. II - por reiteração no cometimento de outras infrações
graves;
SEÇÃO VI III - por descumprimento reiterado e injustificável da
DO REGIME DE SEMILIBERDADE medida anteriormente imposta.
§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III
deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses,
Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser determi- devendo ser decretada judicialmente após o devido
nado desde o início, ou como forma de transição para processo legal.
o meio aberto, possibilitada a realização de atividades § 2º Em nenhuma hipótese será aplicada a internação,
externas, independentemente de autorização judicial. havendo outra medida adequada.
§ 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionali-
LEGISLAÇÃO
zação, devendo, sempre que possível, ser utilizados os Art. 123. A internação deverá ser cumprida em en-
recursos existentes na comunidade. tidade exclusiva para adolescentes, em local distinto
§ 2º A medida não comporta prazo determinado apli- daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa se-
cando-se, no que couber, as disposições relativas à in- paração por critérios de idade, compleição física e gra-
ternação. vidade da infração.
56
Parágrafo único. Durante o período de internação, in- Nas duas primeiras hipóteses, o prazo máximo para
clusive provisória, serão obrigatórias atividades peda- internação é de 3 anos. Por força desse prazo, o ECA po-
gógicas. derá atingir o maior de 18 anos. Em rigor, todas as medi-
das sócio-educativas poderão atingir o maior de 18 anos.
Art. 124. São direitos do adolescente privado de liber- A medida só poderá ser aplicada com o devido pro-
dade, entre outros, os seguintes: cesso legal e em nenhuma hipótese poderá ser aplica-
I - entrevistar-se pessoalmente com o representante da à criança. Quando o adolescente completar 21 anos,
do Ministério Público; a liberação será obrigatória. Caso o adolescente tenha
II - peticionar diretamente a qualquer autoridade; passado por internação provisória, esses dias serão com-
III - avistar-se reservadamente com seu defensor; putados na internação (detração). A diferença entre se-
IV - ser informado de sua situação processual, sempre mi-liberdade e internação é que, nesta, o adolescente
que solicitada; depende de autorização expressa do juiz para praticar
V - ser tratado com respeito e dignidade; atividades externas, ou seja, o adolescente internado so-
VI - permanecer internado na mesma localidade ou mente se ausentará do estabelecimento em que se achar
naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou se autorizado pelo juiz.
responsável; O art. 123 dispõe que o local para a internação deve
VII - receber visitas, ao menos, semanalmente;
ser distinto do abrigo, devendo-se obedecer a separação
VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos;
por idade, composição física (tamanho), sexo e gravida-
IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e as-
de do ato infracional. Há, também, a obrigatoriedade de
seio pessoal;
realização de atividades pedagógicas.
X - habitar alojamento em condições adequadas de
higiene e salubridade;
XI - receber escolarização e profissionalização; O art. 124 dispõe sobre direitos específicos dos ado-
XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer: lescentes:
XIII - ter acesso aos meios de comunicação social;
XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua cren- - entrevista pessoal com o representante do MP;
ça, e desde que assim o deseje; - entrevista reservada com seu defensor, dentre ou-
XV - manter a posse de seus objetos pessoais e dispor tros.
de local seguro para guardá-los, recebendo compro-
vante daqueles porventura depositados em poder da As visitas podem ser suspensas pelo juiz, sob o fun-
entidade; damento de segurança e proteção do menor, entretanto,
XVI - receber, quando de sua desinternação, os docu- em nenhuma hipótese o menor poderá ficar incomuni-
mentos pessoais indispensáveis à vida em sociedade. cável.
§ 1º Em nenhum caso haverá incomunicabilidade.
§ 2º A autoridade judiciária poderá suspender tempo- CAPÍTULO V
rariamente a visita, inclusive de pais ou responsável, DA REMISSÃO
se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudi-
cialidade aos interesses do adolescente. Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial
para apuração de ato infracional, o representante do
Art. 125. É dever do Estado zelar pela integridade física Ministério Público poderá conceder a remissão, como
e mental dos internos, cabendo-lhe adotar as medidas forma de exclusão do processo, atendendo às circuns-
adequadas de contenção e segurança. tâncias e consequências do fato, ao contexto social,
bem como à personalidade do adolescente e sua
Disposta no art. 121 e seguintes do ECA, é a medida maior ou menor participação no ato infracional.
reservada para os atos infracionais de natureza grave. O Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão
ECA estabelece princípios específicos para a internação, da remissão pela autoridade judiciária importará na
pois é medida de privação de liberdade sempre excep- suspensão ou extinção do processo.
cional.
A internação deve durar o menor tempo possível Art. 127. A remissão não implica necessariamente o
(princípio da brevidade), é uma medida de exceção que reconhecimento ou comprovação da responsabilida-
só deverá ser utilizada em último caso (princípio da ex- de, nem prevalece para efeito de antecedentes, po-
cepcionalidade) e deve seguir o princípio do respeito à dendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer
condição peculiar do adolescente como pessoa em de- das medidas previstas em lei, exceto a colocação em
senvolvimento. Em nenhuma hipótese pode ser aplicada
regime de semi-liberdade e a internação.
à criança.
Art. 128. A medida aplicada por força da remissão
poderá ser revista judicialmente, a qualquer tempo,
O ECA estabelece hipóteses de internação para:
mediante pedido expresso do adolescente ou de seu
- prática de ato infracional mediante grave ameaça ou
violência à pessoa; representante legal, ou do Ministério Público.
LEGISLAÇÃO
57
(portanto, pressupõe o processo em curso). Já a remissão II - inclusão em programa oficial ou comunitário de
ministerial é forma de exclusão do processo (logo, deve auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxi-
ser concedida antes do processo - administrativamente). cômanos;
Quando a remissão é concedida pelo MP, segue-se o se- III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psi-
guinte procedimento: quiátrico;
IV - encaminhamento a cursos ou programas de
- o menor é ouvido pelo Promotor que concederá a orientação;
remissão; V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acom-
- o Promotor encaminha a remissão para homologa- panhar sua frequência e aproveitamento escolar;
ção pelo Juiz; VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescen-
- se o Juiz não aceitar a remissão, deverá remeter te a tratamento especializado;
para o Procurador de Justiça, que poderá insistir VII - advertência;
na remissão ou designar outro representante do VIII - perda da guarda;
MP para apresentar representação contra o menor. IX - destituição da tutela;
Essa remissão concedida pelo MP é causa de exclu- X - suspensão ou destituição do poder familiar.
são do processo, visto que, ao conceder a remis- Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas
são, inexiste o processo. nos incisos IX e X deste artigo, observar-se-á o dispos-
to nos arts. 23 e 24.
Quando a remissão é concedida pelo Juiz, segue-se o
seguinte procedimento:
Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opres-
são ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsá-
- o Promotor oferece a representação;
vel, a autoridade judiciária poderá determinar, como
- na audiência de apresentação, o menor será ouvido
medida cautelar, o afastamento do agressor da mo-
pelo Juiz, que poderá decidir pela remissão;
radia comum.
- o representante do MP deverá, obrigatoriamente,
ser ouvido sobre a possibilidade da remissão antes Parágrafo único. Da medida cautelar constará, ainda,
de ela ser aplicada. A remissão concedida pelo Juiz a fixação provisória dos alimentos de que necessitem
causa extinção do processo. Havendo discordância a criança ou o adolescente dependentes do agressor.
por parte do MP, este deverá ingressar com uma
apelação para reformar a decisão do Juiz. CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Tanto a doutrina quanto a jurisprudência admitem a
cumulação da remissão com uma medida sócio-educa- Art. 131. O Conselho Tutelar é órgão permanente e
tiva que seja compatível (ex.: reparação do dano, adver- autônomo, não jurisdicional, encarregado pela socie-
tência etc.). Neste caso, a remissão é causa de suspensão dade de zelar pelo cumprimento dos direitos da crian-
do processo. ça e do adolescente, definidos nesta Lei.
O ECA traz quatro requisitos genéricos para a aplica-
ção da remissão, devendo ficar a critério do membro do Art. 132. Em cada Município e em cada Região Ad-
MP ou do Juiz a sua concessão. São eles: ministrativa do Distrito Federal haverá, no mínimo,
1 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante da
- circunstâncias e conseqüências do fato; administração pública local, composto de 5 (cinco)
- contexto social em que o fato foi praticado; membros, escolhidos pela população local para man-
- personalidade do agente; dato de 4 (quatro) anos, permitida recondução por
- maior ou menor participação no ato infracional. novos processos de escolha. (Redação dada pela Lei nº
13.824, de 2019)
A remissão, quer concedida pelo MP quer pelo Juiz,
não implica confissão de culpa. Existe uma divergência Art. 133. Para a candidatura a membro do Conselho
na doutrina em considerar a remissão como um acordo Tutelar, serão exigidos os seguintes requisitos:
ou não. A posição majoritária entende que a remissão I - reconhecida idoneidade moral;
não é um acordo, tendo em vista a lei falar em concessão II - idade superior a vinte e um anos;
e, ainda, pelo fato de não haver nenhum prejuízo para o III - residir no município.
adolescente, não possuindo a remissão nenhum efeito,
podendo ser concedida quantas vezes forem necessárias. Art. 134. Lei municipal ou distrital disporá sobre o
TÍTULO IV local, dia e horário de funcionamento do Conselho Tu-
DAS MEDIDAS PERTINENTES AOS PAIS OU telar, inclusive quanto à remuneração dos respectivos
RESPONSÁVEL membros, aos quais é assegurado o direito a:
I - cobertura previdenciária;
Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou respon-
LEGISLAÇÃO
58
Parágrafo único. Constará da lei orçamentária mu- CAPÍTULO III
nicipal e da do Distrito Federal previsão dos recursos DA COMPETÊNCIA
necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar e à
remuneração e formação continuada dos conselheiros Art. 138. Aplica-se ao Conselho Tutelar a regra de
tutelares. competência constante do art. 147.
59
Art. 143. E vedada a divulgação de atos judiciais, po- competência; indelegabilidade, não podendo o Poder Ju-
liciais e administrativos que digam respeito a crianças diciário delegar sua competência; inafastabilidade, pois
e adolescentes a que se atribua autoria de ato infra- a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário
cional. nenhuma lesão ou ameaça a direito.
Parágrafo único. Qualquer notícia a respeito do fato Embora a jurisdição seja una, em termos doutriná-
não poderá identificar a criança ou adolescente, ve- rios é possível classificá-la: a) quanto ao objeto – penal,
dando-se fotografia, referência a nome, apelido, fi- trabalhista e civil (a civil é subsidiária, envolvendo todo
liação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do direito material que não seja penal ou trabalhista, não
nome e sobrenome. somente questões inerentes ao direito civil); b) quanto
ao organismo que a exerce – comum (estadual ou fede-
Art. 144. A expedição de cópia ou certidão de atos a ral) ou especial (trabalhista, militar, eleitoral); c) quanto à
que se refere o artigo anterior somente será deferida hierarquia – superior e inferior.
pela autoridade judiciária competente, se demonstra- Neste sentido, com vistas a instrumentalizar a jurisdi-
do o interesse e justificada a finalidade. ção, impedindo que ela seja exercida de maneira caótica,
ela é distribuída entre juízos e foros (órgãos competen-
O homem necessita do convívio social, não é um ser tes em localidades determinadas). A esta distribuição das
capaz de viver de maneira autônoma e totalmente des- parcelas de jurisdição dá-se o nome de competência.
vinculada dos demais. Neste sentido, a imposição de re- As tutelas jurisdicionais diferenciadas, por sua vez,
gramentos e normas permitiu que a sociedade atingisse são aquelas que apresentam procedimentos diversos do
o atual grau de evolução. comum. Possuem procedimentos ditos especiais, os quais
Obviamente, no ambiente social surgem conflitos de buscam garantir um processo mais rápido e compatível
interesses. Afinal, nem sempre os bens e valores exis- com as necessidades específicas do direito em discus-
tem em quantidade suficiente para atender a todas as são. No âmbito do direito da criança e do adolescente,
pessoas. Inicialmente, estes conflitos eram solucionados tem-se o estabelecimento de uma tutela jurisdicional di-
pelos próprios envolvidos, na denominada fase da auto- ferenciada, eis que existem inúmeras regras específicas
tutela. aplicáveis aos processos que envolvem de algum modo
Contudo, a solução possibilidade pela autotutela era criança ou adolescente.
bastante insatisfatória e fazia com que prevalecesse a lei A noção de jurisdição inclusiva também se aplica
do mais forte. Então, surgiu o Estado apresentando um à tutela jurisdicional da criança e do adolescente. Basi-
melhor sistema para a solução dos conflitos. camente, refere-se à propiciação de uma jurisdição que
O Estado assumiu para si o poder-dever de dizer o Di- esteja atenta às peculiaridades das minorias e dos grupos
reito, de solucionar os conflitos, conhecido como jurisdi- vulneráveis. No caso, as crianças e adolescentes são con-
ção. Assim, o Estado irá elaborar as leis (direito material) siderados um grupo vulnerável devido à condição espe-
e prever como elas serão aplicadas (direito processual). A cial que ocupam.
autotutela para a ser punida como regra geral e o Estado
exerce a heterotutela por meio da atividade jurisdicional. CAPÍTULO II
Jurisdição é o poder-dever do Estado de dizer o Di- DA JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE
reito. Sendo assim, trata-se de atividade estatal exercida
por intermédio de um agente constituído com compe- SEÇÃO I
tência para exercê-la, o juiz. DISPOSIÇÕES GERAIS
Nos primórdios da humanidade não existia o Direito
e nem existiam as leis, de modo que a justiça era feita Art. 145. Os estados e o Distrito Federal poderão criar
pelas próprias mãos, na denominada autotutela. Com varas especializadas e exclusivas da infância e da ju-
a evolução das instituições, o Estado avocou para si o ventude, cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua
poder-dever de solucionar os litígios, o que é feito pela proporcionalidade por número de habitantes, dotá-las
jurisdição. de infra-estrutura e dispor sobre o atendimento, inclu-
O poder-dever de dizer o direito é uno, apenas exis- sive em plantões.
tindo uma separação de funções: o Legislativo regula-
SEÇÃO II
menta normas gerais e abstratas (função legislativa) e o
DO JUIZ
Judiciário as aplica no caso concreto (função jurisdicio-
nal).
Art. 146. A autoridade a que se refere esta Lei é o Juiz
Entretanto, vale destacar que na sociedade contem-
da Infância e da Juventude, ou o juiz que exerce essa
porânea, devido às inúmeras mazelas que se apresen-
função, na forma da lei de organização judiciária lo-
taram envolvendo o abarrotamento de processos pelo
cal.
Judiciário, passou-se a incentivar a adoção de métodos
de autocomposição, como conciliação, mediação e arbi-
Art. 147. A competência será determinada:
tragem.
I - pelo domicílio dos pais ou responsável;
Tradicionalmente, são enumerados pela doutrina os
LEGISLAÇÃO
60
§ 2º A execução das medidas poderá ser delegada à e) estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e tele-
autoridade competente da residência dos pais ou res- visão.
ponsável, ou do local onde sediar-se a entidade que II - a participação de criança e adolescente em:
abrigar a criança ou adolescente. a) espetáculos públicos e seus ensaios;
§ 3º Em caso de infração cometida através de trans- b) certames de beleza.
missão simultânea de rádio ou televisão, que atinja § 1º Para os fins do disposto neste artigo, a autoridade
mais de uma comarca, será competente, para aplica- judiciária levará em conta, dentre outros fatores:
ção da penalidade, a autoridade judiciária do local da a) os princípios desta Lei;
sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença b) as peculiaridades locais;
eficácia para todas as transmissoras ou retransmisso- c) a existência de instalações adequadas;
ras do respectivo estado. d) o tipo de freqüência habitual ao local;
e) a adequação do ambiente a eventual participação
Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é com- ou freqüência de crianças e adolescentes;
petente para: f) a natureza do espetáculo.
I - conhecer de representações promovidas pelo Minis- § 2º As medidas adotadas na conformidade deste ar-
tério Público, para apuração de ato infracional atri- tigo deverão ser fundamentadas, caso a caso, vedadas
buído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis; as determinações de caráter geral.
II - conceder a remissão, como forma de suspensão ou
extinção do processo;
SEÇÃO III
III - conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes;
DOS SERVIÇOS AUXILIARES
IV - conhecer de ações civis fundadas em interesses
individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao
Art. 150. Cabe ao Poder Judiciário, na elaboração de
adolescente, observado o disposto no art. 209;
sua proposta orçamentária, prever recursos para ma-
V - conhecer de ações decorrentes de irregularidades
nutenção de equipe interprofissional, destinada a as-
em entidades de atendimento, aplicando as medidas
cabíveis; sessorar a Justiça da Infância e da Juventude.
VI - aplicar penalidades administrativas nos casos de
infrações contra norma de proteção à criança ou ado- Art. 151. Compete à equipe interprofissional dentre
lescente; outras atribuições que lhe forem reservadas pela le-
VII - conhecer de casos encaminhados pelo Conselho gislação local, fornecer subsídios por escrito, mediante
Tutelar, aplicando as medidas cabíveis. laudos, ou verbalmente, na audiência, e bem assim
Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou ado- desenvolver trabalhos de aconselhamento, orientação,
lescente nas hipóteses do art. 98, é também compe- encaminhamento, prevenção e outros, tudo sob a ime-
tente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim diata subordinação à autoridade judiciária, assegura-
de: da a livre manifestação do ponto de vista técnico.
a) conhecer de pedidos de guarda e tutela; Parágrafo único. Na ausência ou insuficiência de ser-
b) conhecer de ações de destituição do poder familiar, vidores públicos integrantes do Poder Judiciário res-
perda ou modificação da tutela ou guarda; ponsáveis pela realização dos estudos psicossociais ou
c) suprir a capacidade ou o consentimento para o ca- de quaisquer outras espécies de avaliações técnicas
samento; exigidas por esta Lei ou por determinação judicial, a
d) conhecer de pedidos baseados em discordância pa- autoridade judiciária poderá proceder à nomeação de
terna ou materna, em relação ao exercício do poder perito, nos termos do art. 156 da Lei no 13.105, de 16
familiar; de março de 2015 (Código de Processo Civil).
e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil,
quando faltarem os pais; CAPÍTULO III
f) designar curador especial em casos de apresentação DOS PROCEDIMENTOS
de queixa ou representação, ou de outros procedimen-
tos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses SEÇÃO I
de criança ou adolescente; DISPOSIÇÕES GERAIS
g) conhecer de ações de alimentos;
h) determinar o cancelamento, a retificação e o supri- Art. 152. Aos procedimentos regulados nesta Lei apli-
mento dos registros de nascimento e óbito. cam-se subsidiariamente as normas gerais previstas
na legislação processual pertinente.
Art. 149. Compete à autoridade judiciária disciplinar, § 1o É assegurada, sob pena de responsabilidade, prio-
através de portaria, ou autorizar, mediante alvará: ridade absoluta na tramitação dos processos e proce-
I - a entrada e permanência de criança ou adolescen- dimentos previstos nesta Lei, assim como na execução
te, desacompanhado dos pais ou responsável, em: dos atos e diligências judiciais a eles referentes.
a) estádio, ginásio e campo desportivo;
LEGISLAÇÃO
61
Art. 153. Se a medida judicial a ser adotada não cor- Art. 157. Havendo motivo grave, poderá a autoridade
responder a procedimento previsto nesta ou em outra judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar a sus-
lei, a autoridade judiciária poderá investigar os fatos e pensão do poder familiar, liminar ou incidentalmente,
ordenar de ofício as providências necessárias, ouvido até o julgamento definitivo da causa, ficando a crian-
o Ministério Público. ça ou adolescente confiado a pessoa idônea, mediante
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica termo de responsabilidade.
para o fim de afastamento da criança ou do adoles- § 1o Recebida a petição inicial, a autoridade judiciá-
cente de sua família de origem e em outros procedi- ria determinará, concomitantemente ao despacho de
mentos necessariamente contenciosos. citação e independentemente de requerimento do in-
teressado, a realização de estudo social ou perícia por
Art. 154. Aplica-se às multas o disposto no art. 214. equipe interprofissional ou multidisciplinar para com-
provar a presença de uma das causas de suspensão ou
A tutela sócio-individual abrange aspectos do direito destituição do poder familiar, ressalvado o disposto no
da criança e do adolescente voltado à criança e ao ado- § 10 do art. 101 desta Lei, e observada a Lei no 13.431,
lescente individualmente concebidos, isto é, pensados de 4 de abril de 2017.
como sujeitos de direitos individuais que possam ser por § 2o Em sendo os pais oriundos de comunidades in-
eles exercidos. dígenas, é ainda obrigatória a intervenção, junto à
A tutela sócio-educativa abrange aspectos do direito equipe interprofissional ou multidisciplinar referida no
da criança e do adolescente voltados às atividades de en- § 1o deste artigo, de representantes do órgão federal
sino e aprendizagem, tanto no que se refere à educação responsável pela política indigenista, observado o dis-
formal quanto em relação à educação informal. posto no § 6o do art. 28 desta Lei.
A tutela coletiva volta-se à proteção de direitos di-
fusos e coletivos da criança e do adolescente. Aos di- Art. 158. O requerido será citado para, no prazo de
reitos difusos e coletivos são conferidos mecanismos de dez dias, oferecer resposta escrita, indicando as provas
tutela específicos para sua proteção, bem como atribuí- a serem produzidas e oferecendo desde logo o rol de
da competência para tanto a órgãos determinados que testemunhas e documentos.
exercerão um papel representativo. No Brasil, destacam- § 1º A citação será pessoal, salvo se esgotados todos os
-se instituições como o Ministério Público e a Defensoria meios para sua realização.
Pública. Sem prejuízo, como visto, há remédios consti- § 2º O requerido privado de liberdade deverá ser cita-
tucionais que se voltam à proteção de interesses desta do pessoalmente.
categoria, como o mandado de segurança coletivo e § 3o Quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de justiça
a própria ação popular, sem falar na ação civil pública, houver procurado o citando em seu domicílio ou resi-
também mencionada no texto constitucional. dência sem o encontrar, deverá, havendo suspeita de
Considerados os diferentes tipos de tutelas inseridas ocultação, informar qualquer pessoa da família ou,
no direito da criança e do adolescente, justifica-se a tute- em sua falta, qualquer vizinho do dia útil em que vol-
la jurisdicional diferenciada, adaptada à condição em de- tará a fim de efetuar a citação, na hora que designar,
senvolvimento da criança e do adolescente, que deve ser nos termos do art. 252 e seguintes da Lei no 13.105, de
ágil, efetiva, atenta às peculiaridades do caso concreto. 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil).
Os procedimentos especiais do ECA se referem a: per- § 4o Na hipótese de os genitores encontrarem-se em
da e suspensão de poder familiar, destituição de tutela, local incerto ou não sabido, serão citados por edital no
colocação em família substituta, apuração de ato infra- prazo de 10 (dez) dias, em publicação única, dispensa-
cional atribuído a adolescente, apuração de irregularida- do o envio de ofícios para a localização.
des em atendimento, apuração de infração administrati-
va às normas de proteção da criança e do adolescente e Art. 159. Se o requerido não tiver possibilidade de
habilitação em adoção. constituir advogado, sem prejuízo do próprio sustento
e de sua família, poderá requerer, em cartório, que lhe
SEÇÃO II seja nomeado dativo, ao qual incumbirá a apresenta-
DA PERDA E DA SUSPENSÃO DO PODER FAMILIAR ção de resposta, contando-se o prazo a partir da inti-
mação do despacho de nomeação.
Parágrafo único. Na hipótese de requerido privado
Art. 155. O procedimento para a perda ou a suspensão
de liberdade, o oficial de justiça deverá perguntar, no
do poder familiar terá início por provocação do Mi-
momento da citação pessoal, se deseja que lhe seja
nistério Público ou de quem tenha legítimo interesse.
nomeado defensor.
Art. 156. A petição inicial indicará:
Art. 160. Sendo necessário, a autoridade judiciária re-
I - a autoridade judiciária a que for dirigida;
quisitará de qualquer repartição ou órgão público a
II - o nome, o estado civil, a profissão e a residência do
apresentação de documento que interesse à causa, de
requerente e do requerido, dispensada a qualificação
ofício ou a requerimento das partes ou do Ministério
em se tratando de pedido formulado por representan-
LEGISLAÇÃO
Público.
te do Ministério Público;
III - a exposição sumária do fato e o pedido;
Art. 161. Se não for contestado o pedido e tiver
IV - as provas que serão produzidas, oferecendo, desde
sido concluído o estudo social ou a perícia realiza-
logo, o rol de testemunhas e documentos.
da por equipe interprofissional ou multidisciplinar,
62
a autoridade judiciária dará vista dos autos ao Mi- A destituição da tutela pode, assim, ser decretada ju-
nistério Público, por 5 (cinco) dias, salvo quando dicialmente, em procedimento contraditório, nos casos
este for o requerente, e decidirá em igual prazo. previstos na legislação civil, bem como na hipótese de
§ 1º A autoridade judiciária, de ofício ou a requeri- descumprimento injustificado dos deveres e obrigações.
mento das partes ou do Ministério Público, determina-
rá a oitiva de testemunhas que comprovem a presença SEÇÃO IV
de uma das causas de suspensão ou destituição do po- DA COLOCAÇÃO EM FAMÍLIA SUBSTITUTA
der familiar previstas nos arts. 1.637 e 1.638 da Lei no
10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), ou no Dos artigos 165 a 170 estão descritos procedimentos
art. 24 desta Lei. adotados na colocação em família substituta:
§ 2o (Revogado).
§ 3o Se o pedido importar em modificação de guarda, Art. 165. São requisitos para a concessão de pedidos
será obrigatória, desde que possível e razoável, a oi- de colocação em família substituta:
tiva da criança ou adolescente, respeitado seu estágio
I - qualificação completa do requerente e de seu even-
de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as
tual cônjuge, ou companheiro, com expressa anuência
implicações da medida.
deste;
§ 4º É obrigatória a oitiva dos pais sempre que eles
II - indicação de eventual parentesco do requerente
forem identificados e estiverem em local conhecido,
ressalvados os casos de não comparecimento perante e de seu cônjuge, ou companheiro, com a criança ou
a Justiça quando devidamente citados. adolescente, especificando se tem ou não parente vivo;
§ 5o Se o pai ou a mãe estiverem privados de liberda- III - qualificação completa da criança ou adolescente e
de, a autoridade judicial requisitará sua apresentação de seus pais, se conhecidos;
para a oitiva. IV - indicação do cartório onde foi inscrito nascimento,
anexando, se possível, uma cópia da respectiva certi-
Art. 162. Apresentada a resposta, a autoridade judiciá- dão;
ria dará vista dos autos ao Ministério Público, por cin- V - declaração sobre a existência de bens, direitos ou
co dias, salvo quando este for o requerente, designan- rendimentos relativos à criança ou ao adolescente.
do, desde logo, audiência de instrução e julgamento. Parágrafo único. Em se tratando de adoção, observar-
§ 1º (Revogado). -se-ão também os requisitos específicos.
§ 2o Na audiência, presentes as partes e o Ministério
Público, serão ouvidas as testemunhas, colhendo-se Art. 166. Se os pais forem falecidos, tiverem sido des-
oralmente o parecer técnico, salvo quando apresen- tituídos ou suspensos do poder familiar, ou houverem
tado por escrito, manifestando-se sucessivamente o aderido expressamente ao pedido de colocação em
requerente, o requerido e o Ministério Público, pelo família substituta, este poderá ser formulado direta-
tempo de 20 (vinte) minutos cada um, prorrogável por mente em cartório, em petição assinada pelos próprios
mais 10 (dez) minutos. requerentes, dispensada a assistência de advogado.
§ 3o A decisão será proferida na audiência, podendo § 1o Na hipótese de concordância dos pais, o juiz:
a autoridade judiciária, excepcionalmente, designar I - na presença do Ministério Público, ouvirá as partes,
data para sua leitura no prazo máximo de 5 (cinco) devidamente assistidas por advogado ou por defensor
dias. público, para verificar sua concordância com a ado-
§ 4o Quando o procedimento de destituição de poder ção, no prazo máximo de 10 (dez) dias, contado da
familiar for iniciado pelo Ministério Público, não have- data do protocolo da petição ou da entrega da criança
rá necessidade de nomeação de curador especial em em juízo, tomando por termo as declarações; e
favor da criança ou adolescente. II - declarará a extinção do poder familiar.
§ 2o O consentimento dos titulares do poder familiar
Art. 163. O prazo máximo para conclusão do pro-
será precedido de orientações e esclarecimentos pres-
cedimento será de 120 (cento e vinte) dias, e caberá
tados pela equipe interprofissional da Justiça da In-
ao juiz, no caso de notória inviabilidade de manuten-
fância e da Juventude, em especial, no caso de adoção,
ção do poder familiar, dirigir esforços para preparar a
criança ou o adolescente com vistas à colocação em sobre a irrevogabilidade da medida.
família substituta. § 3o São garantidos a livre manifestação de vontade
Parágrafo único. A sentença que decretar a perda ou dos detentores do poder familiar e o direito ao sigilo
a suspensão do poder familiar será averbada à mar- das informações.
gem do registro de nascimento da criança ou do ado- § 4o O consentimento prestado por escrito não terá
lescente. validade se não for ratificado na audiência a que se
refere o § 1o deste artigo.
SEÇÃO III § 5o O consentimento é retratável até a data da reali-
DA DESTITUIÇÃO DA TUTELA zação da audiência especificada no § 1o deste artigo, e
LEGISLAÇÃO
63
§ 7o A família natural e a família substituta receberão Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional co-
a devida orientação por intermédio de equipe técnica metido mediante violência ou grave ameaça a pessoa,
interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos
Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos arts. 106, parágrafo único, e 107, deverá:
responsáveis pela execução da política municipal de I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas
garantia do direito à convivência familiar. e o adolescente;
II - apreender o produto e os instrumentos da infração;
Art. 167. A autoridade judiciária, de ofício ou a reque- III - requisitar os exames ou perícias necessários à
rimento das partes ou do Ministério Público, deter- comprovação da materialidade e autoria da infração.
minará a realização de estudo social ou, se possível, Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a
perícia por equipe interprofissional, decidindo sobre a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim
de ocorrência circunstanciada.
concessão de guarda provisória, bem como, no caso de
adoção, sobre o estágio de convivência.
Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou respon-
Parágrafo único. Deferida a concessão da guarda pro-
sável, o adolescente será prontamente liberado pela
visória ou do estágio de convivência, a criança ou o autoridade policial, sob termo de compromisso e res-
adolescente será entregue ao interessado, mediante ponsabilidade de sua apresentação ao representante
termo de responsabilidade. do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo im-
possível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando,
Art. 168. Apresentado o relatório social ou o laudo pe- pela gravidade do ato infracional e sua repercussão
ricial, e ouvida, sempre que possível, a criança ou o social, deva o adolescente permanecer sob internação
adolescente, dar-se-á vista dos autos ao Ministério Pú- para garantia de sua segurança pessoal ou manuten-
blico, pelo prazo de cinco dias, decidindo a autoridade ção da ordem pública.
judiciária em igual prazo.
Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade poli-
Art. 169. Nas hipóteses em que a destituição da tutela, cial encaminhará, desde logo, o adolescente ao repre-
a perda ou a suspensão do poder familiar constituir sentante do Ministério Público, juntamente com cópia
pressuposto lógico da medida principal de colocação do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.
em família substituta, será observado o procedimento § 1º Sendo impossível a apresentação imediata, a
contraditório previsto nas Seções II e III deste Capítulo. autoridade policial encaminhará o adolescente à en-
Parágrafo único. A perda ou a modificação da guarda tidade de atendimento, que fará a apresentação ao
poderá ser decretada nos mesmos autos do procedi- representante do Ministério Público no prazo de vinte
mento, observado o disposto no art. 35. e quatro horas.
§ 2º Nas localidades onde não houver entidade de
Art. 170. Concedida a guarda ou a tutela, observar-se- atendimento, a apresentação far-se-á pela autoridade
-á o disposto no art. 32, e, quanto à adoção, o contido policial. À falta de repartição policial especializada, o
adolescente aguardará a apresentação em dependên-
no art. 47.
cia separada da destinada a maiores, não podendo,
Parágrafo único. A colocação de criança ou adoles-
em qualquer hipótese, exceder o prazo referido no pa-
cente sob a guarda de pessoa inscrita em programa de
rágrafo anterior.
acolhimento familiar será comunicada pela autorida-
de judiciária à entidade por este responsável no prazo Art. 176. Sendo o adolescente liberado, a autoridade
máximo de 5 (cinco) dias. policial encaminhará imediatamente ao representan-
te do Ministério Público cópia do auto de apreensão
SEÇÃO V ou boletim de ocorrência.
DA APURAÇÃO DE ATO INFRACIONAL ATRIBUÍDO
A ADOLESCENTE Art. 177. Se, afastada a hipótese de flagrante, houver
indícios de participação de adolescente na prática de
Art. 171. O adolescente apreendido por força de or- ato infracional, a autoridade policial encaminhará ao
dem judicial será, desde logo, encaminhado à autori- representante do Ministério Público relatório das in-
dade judiciária. vestigações e demais documentos.
Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de
ato infracional será, desde logo, encaminhado à auto- ato infracional não poderá ser conduzido ou transpor-
ridade policial competente. tado em compartimento fechado de veículo policial,
Parágrafo único. Havendo repartição policial espe- em condições atentatórias à sua dignidade, ou que
cializada para atendimento de adolescente e em se impliquem risco à sua integridade física ou mental,
sob pena de responsabilidade.
LEGISLAÇÃO
64
devidamente autuados pelo cartório judicial e com infor- § 3º Não sendo localizado o adolescente, a autorida-
mação sobre os antecedentes do adolescente, procederá de judiciária expedirá mandado de busca e apreensão,
imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo pos- determinando o sobrestamento do feito, até a efetiva
sível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas. apresentação.
Parágrafo único. Em caso de não apresentação, o re- § 4º Estando o adolescente internado, será requisitada
presentante do Ministério Público notificará os pais ou a sua apresentação, sem prejuízo da notificação dos
responsável para apresentação do adolescente, po- pais ou responsável.
dendo requisitar o concurso das polícias civil e militar.
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela au-
Art. 180. Adotadas as providências a que alude o ar- toridade judiciária, não poderá ser cumprida em esta-
tigo anterior, o representante do Ministério Público belecimento prisional.
poderá: § 1º Inexistindo na comarca entidade com as carac-
I - promover o arquivamento dos autos; terísticas definidas no art. 123, o adolescente deverá
II - conceder a remissão; ser imediatamente transferido para a localidade mais
III - representar à autoridade judiciária para aplicação próxima.
de medida sócio-educativa. § 2º Sendo impossível a pronta transferência, o adoles-
cente aguardará sua remoção em repartição policial,
Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou desde que em seção isolada dos adultos e com insta-
concedida a remissão pelo representante do Ministério lações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo
Público, mediante termo fundamentado, que conterá máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade.
o resumo dos fatos, os autos serão conclusos à autori-
dade judiciária para homologação. Art. 186. Comparecendo o adolescente, seus pais ou
§ 1º Homologado o arquivamento ou a remissão, a responsável, a autoridade judiciária procederá à oitiva
autoridade judiciária determinará, conforme o caso, o dos mesmos, podendo solicitar opinião de profissional
cumprimento da medida. qualificado.
§ 2º Discordando, a autoridade judiciária fará remessa § 1º Se a autoridade judiciária entender adequada a
dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, mediante remissão, ouvirá o representante do Ministério Públi-
despacho fundamentado, e este oferecerá represen- co, proferindo decisão.
tação, designará outro membro do Ministério Público § 2º Sendo o fato grave, passível de aplicação de
para apresentá-la, ou ratificará o arquivamento ou a medida de internação ou colocação em regime de
remissão, que só então estará a autoridade judiciária semi-liberdade, a autoridade judiciária, verificando
obrigada a homologar. que o adolescente não possui advogado constituído,
nomeará defensor, designando, desde logo, audiência
Art. 182. Se, por qualquer razão, o representante do em continuação, podendo determinar a realização de
Ministério Público não promover o arquivamento ou diligências e estudo do caso.
conceder a remissão, oferecerá representação à auto- § 3º O advogado constituído ou o defensor nomeado,
ridade judiciária, propondo a instauração de procedi- no prazo de três dias contado da audiência de apre-
mento para aplicação da medida sócio-educativa que sentação, oferecerá defesa prévia e rol de testemu-
se afigurar a mais adequada. nhas.
§ 1º A representação será oferecida por petição, que § 4º Na audiência em continuação, ouvidas as teste-
conterá o breve resumo dos fatos e a classificação do munhas arroladas na representação e na defesa pré-
ato infracional e, quando necessário, o rol de teste- via, cumpridas as diligências e juntado o relatório da
munhas, podendo ser deduzida oralmente, em sessão equipe interprofissional, será dada a palavra ao re-
diária instalada pela autoridade judiciária. presentante do Ministério Público e ao defensor, su-
§ 2º A representação independe de prova pré-consti- cessivamente, pelo tempo de vinte minutos para cada
tuída da autoria e materialidade. um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade
judiciária, que em seguida proferirá decisão.
Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a con-
clusão do procedimento, estando o adolescente inter- Art. 187. Se o adolescente, devidamente notificado,
nado provisoriamente, será de quarenta e cinco dias. não comparecer, injustificadamente à audiência de
apresentação, a autoridade judiciária designará nova
Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade ju- data, determinando sua condução coercitiva.
diciária designará audiência de apresentação do ado-
lescente, decidindo, desde logo, sobre a decretação ou Art. 188. A remissão, como forma de extinção ou sus-
manutenção da internação, observado o disposto no pensão do processo, poderá ser aplicada em qualquer
art. 108 e parágrafo. fase do procedimento, antes da sentença.
§ 1º O adolescente e seus pais ou responsável serão
cientificados do teor da representação, e notificados a Art. 189. A autoridade judiciária não aplicará qual-
LEGISLAÇÃO
comparecer à audiência, acompanhados de advogado. quer medida, desde que reconheça na sentença:
§ 2º Se os pais ou responsável não forem localizados, I - estar provada a inexistência do fato;
a autoridade judiciária dará curador especial ao ado- II - não haver prova da existência do fato;
lescente. III - não constituir o fato ato infracional;
65
IV - não existir prova de ter o adolescente concorrido Art. 190-B. As informações da operação de infiltração
para o ato infracional. serão encaminhadas diretamente ao juiz responsável
Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, estando o pela autorização da medida, que zelará por seu sigilo.
adolescente internado, será imediatamente colocado Parágrafo único. Antes da conclusão da operação, o
em liberdade. acesso aos autos será reservado ao juiz, ao Ministé-
rio Público e ao delegado de polícia responsável pela
Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida operação, com o objetivo de garantir o sigilo das in-
de internação ou regime de semi-liberdade será feita: vestigações.
I - ao adolescente e ao seu defensor;
II - quando não for encontrado o adolescente, a seus
Art. 190-C. Não comete crime o policial que oculta
pais ou responsável, sem prejuízo do defensor.
a sua identidade para, por meio da internet, colher
§ 1º Sendo outra a medida aplicada, a intimação far-
-se-á unicamente na pessoa do defensor. indícios de autoria e materialidade dos crimes previs-
§ 2º Recaindo a intimação na pessoa do adolescente, tos nos arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D
deverá este manifestar se deseja ou não recorrer da desta Lei e nos arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B
sentença. do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal).
SEÇÃO V-A Parágrafo único. O agente policial infiltrado que dei-
DA INFILTRAÇÃO DE AGENTES DE POLÍCIA xar de observar a estrita finalidade da investigação
PARA A INVESTIGAÇÃO DE CRIMES CONTRA responderá pelos excessos praticados.
A DIGNIDADE SEXUAL DE CRIANÇA E DE
ADOLESCENTE Art. 190-D. Os órgãos de registro e cadastro público
poderão incluir nos bancos de dados próprios, me-
Art. 190-A. A infiltração de agentes de polícia na in- diante procedimento sigiloso e requisição da autori-
ternet com o fim de investigar os crimes previstos nos dade judicial, as informações necessárias à efetividade
arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D desta Lei da identidade fictícia criada.
e nos arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B do De- Parágrafo único. O procedimento sigiloso de que trata
creto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código esta Seção será numerado e tombado em livro espe-
Penal), obedecerá às seguintes regras: cífico.
I – será precedida de autorização judicial devidamente
circunstanciada e fundamentada, que estabelecerá os
Art. 190-E. Concluída a investigação, todos os atos
limites da infiltração para obtenção de prova, ouvido
eletrônicos praticados durante a operação deverão ser
o Ministério Público;
II – dar-se-á mediante requerimento do Ministério Pú- registrados, gravados, armazenados e encaminhados
blico ou representação de delegado de polícia e conte- ao juiz e ao Ministério Público, juntamente com rela-
rá a demonstração de sua necessidade, o alcance das tório circunstanciado.
tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas Parágrafo único. Os atos eletrônicos registrados ci-
investigadas e, quando possível, os dados de conexão tados no caput deste artigo serão reunidos em autos
ou cadastrais que permitam a identificação dessas apartados e apensados ao processo criminal junta-
pessoas; mente com o inquérito policial, assegurando-se a pre-
III – não poderá exceder o prazo de 90 (noventa) dias, servação da identidade do agente policial infiltrado e
sem prejuízo de eventuais renovações, desde que o to- a intimidade das crianças e dos adolescentes envol-
tal não exceda a 720 (setecentos e vinte) dias e seja vidos.
demonstrada sua efetiva necessidade, a critério da au-
toridade judicial. SEÇÃO VI
§ 1º A autoridade judicial e o Ministério Público pode- DA APURAÇÃO DE IRREGULARIDADES EM
rão requisitar relatórios parciais da operação de infil- ENTIDADE DE ATENDIMENTO
tração antes do término do prazo de que trata o inciso
II do § 1º deste artigo. Art. 191. O procedimento de apuração de irregulari-
§ 2º Para efeitos do disposto no inciso I do § 1º deste dades em entidade governamental e não-governa-
artigo, consideram-se:
mental terá início mediante portaria da autoridade
I – dados de conexão: informações referentes a hora,
judiciária ou representação do Ministério Público ou
data, início, término, duração, endereço de Protocolo
de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da co- do Conselho Tutelar, onde conste, necessariamente,
nexão; resumo dos fatos.
II – dados cadastrais: informações referentes a nome Parágrafo único. Havendo motivo grave, poderá a au-
e endereço de assinante ou de usuário registrado ou toridade judiciária, ouvido o Ministério Público, decre-
autenticado para a conexão a quem endereço de IP, tar liminarmente o afastamento provisório do dirigen-
LEGISLAÇÃO
66
Art. 193. Apresentada ou não a resposta, e sendo ne- Parágrafo único. Colhida a prova oral, manifestar-se-
cessário, a autoridade judiciária designará audiência -ão sucessivamente o Ministério Público e o procura-
de instrução e julgamento, intimando as partes. dor do requerido, pelo tempo de vinte minutos para
§ 1º Salvo manifestação em audiência, as partes e o cada um, prorrogável por mais dez, a critério da auto-
Ministério Público terão cinco dias para oferecer ale- ridade judiciária, que em seguida proferirá sentença.
gações finais, decidindo a autoridade judiciária em
igual prazo. SEÇÃO VIII
§ 2º Em se tratando de afastamento provisório ou de- DA HABILITAÇÃO DE PRETENDENTES À ADOÇÃO
finitivo de dirigente de entidade governamental, a au-
toridade judiciária oficiará à autoridade administra- Art. 197-A. Os postulantes à adoção, domiciliados no
tiva imediatamente superior ao afastado, marcando Brasil, apresentarão petição inicial na qual conste:
prazo para a substituição. I - qualificação completa;
§ 3º Antes de aplicar qualquer das medidas, a autori- II - dados familiares;
dade judiciária poderá fixar prazo para a remoção das III - cópias autenticadas de certidão de nascimento
irregularidades verificadas. Satisfeitas as exigências, o ou casamento, ou declaração relativa ao período de
processo será extinto, sem julgamento de mérito. união estável;
§ 4º A multa e a advertência serão impostas ao diri- IV - cópias da cédula de identidade e inscrição no Ca-
gente da entidade ou programa de atendimento. dastro de Pessoas Físicas;
V - comprovante de renda e domicílio;
SEÇÃO VII VI - atestados de sanidade física e mental;
DA APURAÇÃO DE INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA VII - certidão de antecedentes criminais;
ÀS NORMAS DE PROTEÇÃO À CRIANÇA E AO VIII - certidão negativa de distribuição cível.
ADOLESCENTE
Art. 197-B. A autoridade judiciária, no prazo de 48
Art. 194. O procedimento para imposição de penalida- (quarenta e oito) horas, dará vista dos autos ao Minis-
de administrativa por infração às normas de proteção tério Público, que no prazo de 5 (cinco) dias poderá:
à criança e ao adolescente terá início por represen- I - apresentar quesitos a serem respondidos pela equi-
tação do Ministério Público, ou do Conselho Tutelar, pe interprofissional encarregada de elaborar o estudo
ou auto de infração elaborado por servidor efetivo ou técnico a que se refere o art. 197-C desta Lei;
voluntário credenciado, e assinado por duas testemu- II - requerer a designação de audiência para oitiva dos
nhas, se possível. postulantes em juízo e testemunhas;
§ 1º No procedimento iniciado com o auto de infração, III - requerer a juntada de documentos complementa-
poderão ser usadas fórmulas impressas, especifican- res e a realização de outras diligências que entender
do-se a natureza e as circunstâncias da infração. necessárias.
§ 2º Sempre que possível, à verificação da infração se-
guir-se-á a lavratura do auto, certificando-se, em caso Art. 197-C. Intervirá no feito, obrigatoriamente, equi-
contrário, dos motivos do retardamento. pe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e
da Juventude, que deverá elaborar estudo psicossocial,
Art. 195. O requerido terá prazo de dez dias para que conterá subsídios que permitam aferir a capaci-
apresentação de defesa, contado da data da intima- dade e o preparo dos postulantes para o exercício de
ção, que será feita: uma paternidade ou maternidade responsável, à luz
I - pelo autuante, no próprio auto, quando este for la- dos requisitos e princípios desta Lei.
vrado na presença do requerido; § 1o É obrigatória a participação dos postulantes em
II - por oficial de justiça ou funcionário legalmente programa oferecido pela Justiça da Infância e da Ju-
habilitado, que entregará cópia do auto ou da repre- ventude, preferencialmente com apoio dos técnicos
sentação ao requerido, ou a seu representante legal, responsáveis pela execução da política municipal de
lavrando certidão; garantia do direito à convivência familiar e dos grupos
III - por via postal, com aviso de recebimento, se não de apoio à adoção devidamente habilitados perante
a Justiça da Infância e da Juventude, que inclua pre-
for encontrado o requerido ou seu representante legal;
paração psicológica, orientação e estímulo à adoção
IV - por edital, com prazo de trinta dias, se incerto ou
inter-racial, de crianças ou de adolescentes com de-
não sabido o paradeiro do requerido ou de seu repre-
ficiência, com doenças crônicas ou com necessidades
sentante legal.
específicas de saúde, e de grupos de irmãos.
§ 2o Sempre que possível e recomendável, a etapa
Art. 196. Não sendo apresentada a defesa no prazo
obrigatória da preparação referida no § 1o deste arti-
legal, a autoridade judiciária dará vista dos autos do
go incluirá o contato com crianças e adolescentes em
Ministério Público, por cinco dias, decidindo em igual
regime de acolhimento familiar ou institucional, a ser
prazo.
realizado sob orientação, supervisão e avaliação da
LEGISLAÇÃO
67
§ 3o É recomendável que as crianças e os adolescentes III - os recursos terão preferência de julgamento e dis-
acolhidos institucionalmente ou por família acolhedo- pensarão revisor;
ra sejam preparados por equipe interprofissional antes VII - antes de determinar a remessa dos autos à supe-
da inclusão em família adotiva. rior instância, no caso de apelação, ou do instrumento,
no caso de agravo, a autoridade judiciária proferirá
Art. 197-D. Certificada nos autos a conclusão da par- despacho fundamentado, mantendo ou reformando a
ticipação no programa referido no art. 197-C desta decisão, no prazo de cinco dias;
Lei, a autoridade judiciária, no prazo de 48 (quarenta VIII - mantida a decisão apelada ou agravada, o es-
e oito) horas, decidirá acerca das diligências requeri- crivão remeterá os autos ou o instrumento à superior
das pelo Ministério Público e determinará a juntada instância dentro de vinte e quatro horas, independen-
do estudo psicossocial, designando, conforme o caso, temente de novo pedido do recorrente; se a reformar,
audiência de instrução e julgamento. a remessa dos autos dependerá de pedido expresso da
Parágrafo único. Caso não sejam requeridas diligên- parte interessada ou do Ministério Público, no prazo
cias, ou sendo essas indeferidas, a autoridade judi- de cinco dias, contados da intimação.
ciária determinará a juntada do estudo psicossocial,
abrindo a seguir vista dos autos ao Ministério Público, Art. 199. Contra as decisões proferidas com base no
por 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo. art. 149 caberá recurso de apelação.
Art. 197-E. Deferida a habilitação, o postulante será
inscrito nos cadastros referidos no art. 50 desta Lei, Art. 199-A. A sentença que deferir a adoção produz
sendo a sua convocação para a adoção feita de acordo efeito desde logo, embora sujeita a apelação, que será
com ordem cronológica de habilitação e conforme a recebida exclusivamente no efeito devolutivo, salvo se
disponibilidade de crianças ou adolescentes adotáveis. se tratar de adoção internacional ou se houver perigo
§ 1o A ordem cronológica das habilitações somente de dano irreparável ou de difícil reparação ao ado-
poderá deixar de ser observada pela autoridade judi- tando.
ciária nas hipóteses previstas no § 13 do art. 50 desta
Lei, quando comprovado ser essa a melhor solução no Art. 199-B. A sentença que destituir ambos ou qual-
interesse do adotando. quer dos genitores do poder familiar fica sujeita a
§ 2o A habilitação à adoção deverá ser renovada no apelação, que deverá ser recebida apenas no efeito
mínimo trienalmente mediante avaliação por equipe devolutivo.
interprofissional.
§ 3o Quando o adotante candidatar-se a uma nova Art. 199-C. Os recursos nos procedimentos de adoção
adoção, será dispensável a renovação da habilitação, e de destituição de poder familiar, em face da rele-
bastando a avaliação por equipe interprofissional. vância das questões, serão processados com priorida-
§ 4o Após 3 (três) recusas injustificadas, pelo habilita- de absoluta, devendo ser imediatamente distribuídos,
do, à adoção de crianças ou adolescentes indicados ficando vedado que aguardem, em qualquer situação,
dentro do perfil escolhido, haverá reavaliação da ha- oportuna distribuição, e serão colocados em mesa
bilitação concedida. para julgamento sem revisão e com parecer urgente
§ 5o A desistência do pretendente em relação à guarda do Ministério Público.
para fins de adoção ou a devolução da criança ou do
adolescente depois do trânsito em julgado da sentença Art. 199-D. O relator deverá colocar o processo em
de adoção importará na sua exclusão dos cadastros mesa para julgamento no prazo máximo de 60 (ses-
de adoção. senta) dias, contado da sua conclusão.
Parágrafo único. O Ministério Público será intimado
Art. 197-F. O prazo máximo para conclusão da ha- da data do julgamento e poderá na sessão, se enten-
bilitação à adoção será de 120 (cento e vinte) dias, der necessário, apresentar oralmente seu parecer.
prorrogável por igual período, mediante decisão fun-
damentada da autoridade judiciária. Art. 199-E. O Ministério Público poderá requerer a
instauração de procedimento para apuração de res-
CAPÍTULO IV
ponsabilidades se constatar o descumprimento das
DOS RECURSOS
providências e do prazo previstos nos artigos anterio-
res.
Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da In-
fância e da Juventude, inclusive os relativos à execu-
CAPÍTULO V
ção das medidas socioeducativas, adotar-se-á o siste-
DO MINISTÉRIO PÚBLICO
ma recursal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973
(Código de Processo Civil), com as seguintes adapta-
Art. 200. As funções do Ministério Público previstas
ções: (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012)
nesta Lei serão exercidas nos termos da respectiva lei
I - os recursos serão interpostos independentemente
orgânica.
LEGISLAÇÃO
de preparo;
II - em todos os recursos, salvo nos embargos de de-
Art. 201. Compete ao Ministério Público:
claração, o prazo para o Ministério Público e para a
I - conceder a remissão como forma de exclusão do
defesa será sempre de 10 (dez) dias; (Redação dada
processo;
pela Lei nº 12.594, de 2012)
68
II - promover e acompanhar os procedimentos relati- § 3º O representante do Ministério Público, no exercí-
vos às infrações atribuídas a adolescentes; cio de suas funções, terá livre acesso a todo local onde
III - promover e acompanhar as ações de alimentos e se encontre criança ou adolescente.
os procedimentos de suspensão e destituição do poder § 4º O representante do Ministério Público será res-
familiar, nomeação e remoção de tutores, curadores e ponsável pelo uso indevido das informações e docu-
guardiães, bem como oficiar em todos os demais pro- mentos que requisitar, nas hipóteses legais de sigilo.
cedimentos da competência da Justiça da Infância e § 5º Para o exercício da atribuição de que trata o inci-
da Juventude; so VIII deste artigo, poderá o representante do Minis-
IV - promover, de ofício ou por solicitação dos inte- tério Público:
ressados, a especialização e a inscrição de hipoteca a) reduzir a termo as declarações do reclamante, ins-
legal e a prestação de contas dos tutores, curadores e taurando o competente procedimento, sob sua presi-
quaisquer administradores de bens de crianças e ado- dência;
lescentes nas hipóteses do art. 98; b) entender-se diretamente com a pessoa ou autori-
V - promover o inquérito civil e a ação civil pública dade reclamada, em dia, local e horário previamente
para a proteção dos interesses individuais, difusos ou notificados ou acertados;
coletivos relativos à infância e à adolescência, inclusi- c) efetuar recomendações visando à melhoria dos ser-
ve os definidos no art. 220, § 3º inciso II, da Constitui- viços públicos e de relevância pública afetos à criança
ção Federal; e ao adolescente, fixando prazo razoável para sua per-
VI - instaurar procedimentos administrativos e, para feita adequação.
instruí-los:
a) expedir notificações para colher depoimentos ou Art. 202. Nos processos e procedimentos em que não
esclarecimentos e, em caso de não comparecimento for parte, atuará obrigatoriamente o Ministério Públi-
injustificado, requisitar condução coercitiva, inclusive co na defesa dos direitos e interesses de que cuida esta
pela polícia civil ou militar; Lei, hipótese em que terá vista dos autos depois das
b) requisitar informações, exames, perícias e docu- partes, podendo juntar documentos e requerer dili-
mentos de autoridades municipais, estaduais e fede- gências, usando os recursos cabíveis.
rais, da administração direta ou indireta, bem como
promover inspeções e diligências investigatórias; Art. 203. A intimação do Ministério Público, em qual-
c) requisitar informações e documentos a particulares quer caso, será feita pessoalmente.
e instituições privadas;
VII - instaurar sindicâncias, requisitar diligências in- Art. 204. A falta de intervenção do Ministério Público
vestigatórias e determinar a instauração de inquérito acarreta a nulidade do feito, que será declarada de
policial, para apuração de ilícitos ou infrações às nor- ofício pelo juiz ou a requerimento de qualquer inte-
mas de proteção à infância e à juventude; ressado.
VIII - zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias
legais assegurados às crianças e adolescentes, promo- Art. 205. As manifestações processuais do represen-
vendo as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis; tante do Ministério Público deverão ser fundamenta-
IX - impetrar mandado de segurança, de injunção e das.
habeas corpus, em qualquer juízo, instância ou tribu-
nal, na defesa dos interesses sociais e individuais in- CAPÍTULO VI
disponíveis afetos à criança e ao adolescente; DO ADVOGADO
X - representar ao juízo visando à aplicação de pe-
nalidade por infrações cometidas contra as normas Art. 206. A criança ou o adolescente, seus pais ou res-
de proteção à infância e à juventude, sem prejuízo da ponsável, e qualquer pessoa que tenha legítimo inte-
promoção da responsabilidade civil e penal do infra- resse na solução da lide poderão intervir nos procedi-
tor, quando cabível; mentos de que trata esta Lei, através de advogado, o
XI - inspecionar as entidades públicas e particulares qual será intimado para todos os atos, pessoalmente
de atendimento e os programas de que trata esta Lei, ou por publicação oficial, respeitado o segredo de jus-
adotando de pronto as medidas administrativas ou ju- tiça.
diciais necessárias à remoção de irregularidades por- Parágrafo único. Será prestada assistência judiciária
ventura verificadas; integral e gratuita àqueles que dela necessitarem.
XII - requisitar força policial, bem como a colaboração
dos serviços médicos, hospitalares, educacionais e de Art. 207. Nenhum adolescente a quem se atribua a
assistência social, públicos ou privados, para o desem- prática de ato infracional, ainda que ausente ou fora-
penho de suas atribuições. gido, será processado sem defensor.
§ 1º A legitimação do Ministério Público para as ações § 1º Se o adolescente não tiver defensor, ser-lhe-á no-
cíveis previstas neste artigo não impede a de terceiros, meado pelo juiz, ressalvado o direito de, a todo tempo,
nas mesmas hipóteses, segundo dispuserem a Consti- constituir outro de sua preferência.
LEGISLAÇÃO
69
§ 3º Será dispensada a outorga de mandato, quando III - as associações legalmente constituídas há pelo
se tratar de defensor nomeado ou, sido constituído, menos um ano e que incluam entre seus fins insti-
tiver sido indicado por ocasião de ato formal com a tucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos
presença da autoridade judiciária. por esta Lei, dispensada a autorização da assembleia,
se houver prévia autorização estatutária.
CAPÍTULO VII § 1º Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Mi-
DA PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES nistérios Públicos da União e dos estados na defesa
INDIVIDUAIS, DIFUSOS E COLETIVOS dos interesses e direitos de que cuida esta Lei.
§ 2º Em caso de desistência ou abandono da ação por
Art. 208. Regem-se pelas disposições desta Lei as associação legitimada, o Ministério Público ou outro
ações de responsabilidade por ofensa aos direitos as- legitimado poderá assumir a titularidade ativa.
segurados à criança e ao adolescente, referentes ao
não oferecimento ou oferta irregular: Art. 211. Os órgãos públicos legitimados poderão to-
I - do ensino obrigatório; mar dos interessados compromisso de ajustamento de
II - de atendimento educacional especializado aos sua conduta às exigências legais, o qual terá eficácia
portadores de deficiência; de título executivo extrajudicial.
III - de atendimento em creche e pré-escola às crian-
ças de zero a cinco anos de idade; Art. 212. Para defesa dos direitos e interesses protegi-
IV - de ensino noturno regular, adequado às condições dos por esta Lei, são admissíveis todas as espécies de
do educando; ações pertinentes.
V - de programas suplementares de oferta de material § 1º Aplicam-se às ações previstas neste Capítulo as
didático-escolar, transporte e assistência à saúde do normas do Código de Processo Civil.
educando do ensino fundamental; § 2º Contra atos ilegais ou abusivos de autoridade
VI - de serviço de assistência social visando à proteção pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
à família, à maternidade, à infância e à adolescência, atribuições do poder público, que lesem direito líquido
bem como ao amparo às crianças e adolescentes que e certo previsto nesta Lei, caberá ação mandamental,
dele necessitem; que se regerá pelas normas da lei do mandado de se-
VII - de acesso às ações e serviços de saúde; gurança.
VIII - de escolarização e profissionalização dos adoles-
centes privados de liberdade. Art. 213. Na ação que tenha por objeto o cumprimen-
IX - de ações, serviços e programas de orientação, to de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá
apoio e promoção social de famílias e destinados ao a tutela específica da obrigação ou determinará provi-
pleno exercício do direito à convivência familiar por dências que assegurem o resultado prático equivalen-
crianças e adolescentes. te ao do adimplemento.
X - de programas de atendimento para a execução das § 1º Sendo relevante o fundamento da demanda e ha-
medidas socioeducativas e aplicação de medidas de vendo justificado receio de ineficácia do provimento
proteção. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou
§ 1o As hipóteses previstas neste artigo não excluem após justificação prévia, citando o réu.
da proteção judicial outros interesses individuais, difu- § 2º O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior
sos ou coletivos, próprios da infância e da adolescên- ou na sentença, impor multa diária ao réu, indepen-
cia, protegidos pela Constituição e pela Lei. dentemente de pedido do autor, se for suficiente ou
§ 2o A investigação do desaparecimento de crianças ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável
adolescentes será realizada imediatamente após noti- para o cumprimento do preceito.
ficação aos órgãos competentes, que deverão comu- § 3º A multa só será exigível do réu após o trânsito
nicar o fato aos portos, aeroportos, Polícia Rodoviária em julgado da sentença favorável ao autor, mas será
e companhias de transporte interestaduais e interna- devida desde o dia em que se houver configurado o
cionais, fornecendo-lhes todos os dados necessários à descumprimento.
identificação do desaparecido.
Art. 214. Os valores das multas reverterão ao fundo
Art. 209. As ações previstas neste Capítulo serão pro- gerido pelo Conselho dos Direitos da Criança e do
postas no foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a Adolescente do respectivo município.
ação ou omissão, cujo juízo terá competência absoluta § 1º As multas não recolhidas até trinta dias após o
para processar a causa, ressalvadas a competência da trânsito em julgado da decisão serão exigidas através
Justiça Federal e a competência originária dos tribu- de execução promovida pelo Ministério Público, nos
nais superiores. mesmos autos, facultada igual iniciativa aos demais
legitimados.
Art. 210. Para as ações cíveis fundadas em interesses § 2º Enquanto o fundo não for regulamentado, o di-
coletivos ou difusos, consideram-se legitimados con- nheiro ficará depositado em estabelecimento oficial
LEGISLAÇÃO
70
Art. 216. Transitada em julgado a sentença que impu- § 4º A promoção de arquivamento será submetida a
ser condenação ao poder público, o juiz determinará exame e deliberação do Conselho Superior do Ministé-
a remessa de peças à autoridade competente, para rio Público, conforme dispuser o seu regimento.
apuração da responsabilidade civil e administrativa § 5º Deixando o Conselho Superior de homologar a
do agente a que se atribua a ação ou omissão. promoção de arquivamento, designará, desde logo,
outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento
Art. 217. Decorridos sessenta dias do trânsito em jul- da ação.
gado da sentença condenatória sem que a associação
autora lhe promova a execução, deverá fazê-lo o Mi- Art. 224. Aplicam-se subsidiariamente, no que couber,
nistério Público, facultada igual iniciativa aos demais as disposições da Lei n.º 7.347, de 24 de julho de 1985.
legitimados. TÍTULO VII
Art. 218. O juiz condenará a associação autora a pa- DOS CRIMES E DAS INFRAÇÕES
gar ao réu os honorários advocatícios arbitrados na ADMINISTRATIVAS
conformidade do § 4º do art. 20 da Lei n.º 5.869, de 11
de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), quando CAPÍTULO I
reconhecer que a pretensão é manifestamente infun- DOS CRIMES
dada.
Parágrafo único. Em caso de litigância de má-fé, a as- SEÇÃO I
sociação autora e os diretores responsáveis pela pro- DISPOSIÇÕES GERAIS
positura da ação serão solidariamente condenados ao
décuplo das custas, sem prejuízo de responsabilidade Art. 225. Este Capítulo dispõe sobre crimes praticados
por perdas e danos. contra a criança e o adolescente, por ação ou omissão,
sem prejuízo do disposto na legislação penal.
Art. 219. Nas ações de que trata este Capítulo, não
haverá adiantamento de custas, emolumentos, hono- Art. 226. Aplicam-se aos crimes definidos nesta Lei as
rários periciais e quaisquer outras despesas. normas da Parte Geral do Código Penal e, quanto ao
processo, as pertinentes ao Código de Processo Penal.
Art. 220. Qualquer pessoa poderá e o servidor públi-
co deverá provocar a iniciativa do Ministério Público, Art. 227. Os crimes definidos nesta Lei são de ação
prestando-lhe informações sobre fatos que constituam pública incondicionada.
objeto de ação civil, e indicando-lhe os elementos de
convicção. SEÇÃO II
DOS CRIMES EM ESPÉCIE
Art. 221. Se, no exercício de suas funções, os juízos e
tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigen-
ensejar a propositura de ação civil, remeterão peças te de estabelecimento de atenção à saúde de gestante
ao Ministério Público para as providências cabíveis. de manter registro das atividades desenvolvidas, na
forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como
Art. 222. Para instruir a petição inicial, o interessado de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por
poderá requerer às autoridades competentes as certi- ocasião da alta médica, declaração de nascimento,
dões e informações que julgar necessárias, que serão onde constem as intercorrências do parto e do desen-
fornecidas no prazo de quinze dias. volvimento do neonato:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Art. 223. O Ministério Público poderá instaurar, sob sua Parágrafo único. Se o crime é culposo:
presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.
pessoa, organismo público ou particular, certidões, in-
formações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de
o qual não poderá ser inferior a dez dias úteis. estabelecimento de atenção à saúde de gestante de
§ 1º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas identificar corretamente o neonato e a parturiente,
as diligências, se convencer da inexistência de funda- por ocasião do parto, bem como deixar de proceder
mento para a propositura da ação cível, promoverá o aos exames referidos no art. 10 desta Lei:
arquivamento dos autos do inquérito civil ou das pe- Pena - detenção de seis meses a dois anos.
ças informativas, fazendo-o fundamentadamente. Parágrafo único. Se o crime é culposo:
§ 2º Os autos do inquérito civil ou as peças de infor- Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.
mação arquivados serão remetidos, sob pena de se
incorrer em falta grave, no prazo de três dias, ao Con- Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua li-
selho Superior do Ministério Público. berdade, procedendo à sua apreensão sem estar em
§ 3º Até que seja homologada ou rejeitada a promo- flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem es-
LEGISLAÇÃO
71
Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabi-
apreensão de criança ou adolescente de fazer imedia- tação ou de hospitalidade; ou
ta comunicação à autoridade judiciária competente e III – prevalecendo-se de relações de parentesco con-
à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada: sangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção,
Pena - detenção de seis meses a dois anos. de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou
de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade so-
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua au- bre ela, ou com seu consentimento.
toridade, guarda ou vigilância a vexame ou a cons-
trangimento: Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo
Pena - detenção de seis meses a dois anos. ou outro registro que contenha cena de sexo explícito
ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:
Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
causa, de ordenar a imediata liberação de criança ou
adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegali- Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir,
dade da apreensão: distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, in-
Pena - detenção de seis meses a dois anos. clusive por meio de sistema de informática ou telemá-
tico, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha
cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo
Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixa-
criança ou adolescente:
do nesta Lei em benefício de adolescente privado de
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
liberdade:
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:
Pena - detenção de seis meses a dois anos. I – assegura os meios ou serviços para o armazena-
mento das fotografias, cenas ou imagens de que trata
Art. 236. Impedir ou embaraçar a ação de autoridade o caput deste artigo;
judiciária, membro do Conselho Tutelar ou represen- II – assegura, por qualquer meio, o acesso por rede
tante do Ministério Público no exercício de função pre- de computadores às fotografias, cenas ou imagens de
vista nesta Lei: que trata o caput deste artigo.
Pena - detenção de seis meses a dois anos. § 2o As condutas tipificadas nos incisos I e II do §
1o deste artigo são puníveis quando o responsável le-
Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de gal pela prestação do serviço, oficialmente notificado,
quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou or- deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de que
dem judicial, com o fim de colocação em lar substituto: trata o caput deste artigo.
Pena - reclusão de dois a seis anos, e multa.
Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qual-
Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou quer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro
pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa: que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica
Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa. envolvendo criança ou adolescente:
Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem ofe- Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
rece ou efetiva a paga ou recompensa. § 1o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços)
se de pequena quantidade o material a que se refere
Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato o caput deste artigo.
destinado ao envio de criança ou adolescente para o § 2o Não há crime se a posse ou o armazenamento
exterior com inobservância das formalidades legais ou tem a finalidade de comunicar às autoridades com-
com o fito de obter lucro: petentes a ocorrência das condutas descritas nos arts.
Pena - reclusão de quatro a seis anos, e multa. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a comuni-
Parágrafo único. Se há emprego de violência, grave cação for feita por:
ameaça ou fraude: I – agente público no exercício de suas funções;
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da II – membro de entidade, legalmente constituída, que
pena correspondente à violência. inclua, entre suas finalidades institucionais, o recebi-
mento, o processamento e o encaminhamento de no-
Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar tícia dos crimes referidos neste parágrafo;
ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito III – representante legal e funcionários responsáveis
ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de
rede de computadores, até o recebimento do material
Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Minis-
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facili-
tério Público ou ao Poder Judiciário.
ta, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia
§ 3o As pessoas referidas no § 2o deste artigo deverão
a participação de criança ou adolescente nas cenas
manter sob sigilo o material ilícito referido.
referidas no caputdeste artigo, ou ainda quem com
esses contracena.
LEGISLAÇÃO
72
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de me-
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem nor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração
vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publica penal ou induzindo-o a praticá-la:
ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou ar- Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
mazena o material produzido na forma do caput des- § 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo
te artigo. quem pratica as condutas ali tipificadas utilizando-se
Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de ba-
por qualquer meio de comunicação, criança, com o te-papo da internet.
fim de com ela praticar ato libidinoso: § 2o As penas previstas no caput deste artigo são au-
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. mentadas de um terço no caso de a infração cometi-
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: da ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei
I – facilita ou induz o acesso à criança de material no 8.072, de 25 de julho de 1990.
contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com
o fim de com ela praticar ato libidinoso;
CAPÍTULO II
II – pratica as condutas descritas no caput deste artigo
DAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
com o fim de induzir criança a se exibir de forma por-
nográfica ou sexualmente explícita.
Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável
Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, por estabelecimento de atenção à saúde e de ensi-
a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” no fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar
compreende qualquer situação que envolva criança à autoridade competente os casos de que tenha co-
ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais nhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de
ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma maus-tratos contra criança ou adolescente:
criança ou adolescente para fins primordialmente se- Pena - multa de três a vinte salários de referência,
xuais. aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou Art. 246. Impedir o responsável ou funcionário de enti-
entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente dade de atendimento o exercício dos direitos constan-
arma, munição ou explosivo: tes nos incisos II, III, VII, VIII e XI do art. 124 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos. Pena - multa de três a vinte salários de referência,
aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entre-
gar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a Art. 247. Divulgar, total ou parcialmente, sem auto-
criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem jus- rização devida, por qualquer meio de comunicação,
ta causa, outros produtos cujos componentes possam nome, ato ou documento de procedimento policial,
causar dependência física ou psíquica: administrativo ou judicial relativo a criança ou ado-
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, lescente a que se atribua ato infracional:
se o fato não constitui crime mais grave. Pena - multa de três a vinte salários de referência,
aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou § 1º Incorre na mesma pena quem exibe, total ou par-
entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescen- cialmente, fotografia de criança ou adolescente envol-
te fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles vido em ato infracional, ou qualquer ilustração que
que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de lhe diga respeito ou se refira a atos que lhe sejam atri-
provocar qualquer dano físico em caso de utilização buídos, de forma a permitir sua identificação, direta
indevida:
ou indiretamente.
Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa.
§ 2º Se o fato for praticado por órgão de imprensa ou
emissora de rádio ou televisão, além da pena prevista
Art. 244-A. Submeter criança ou adolescente, como
neste artigo, a autoridade judiciária poderá determi-
tais definidos no caput do art. 2o desta Lei, à prostitui-
ção ou à exploração sexual: nar a apreensão da publicação ou a suspensão da pro-
Pena – reclusão de quatro a dez anos e multa, além gramação da emissora até por dois dias, bem como
da perda de bens e valores utilizados na prática crimi- da publicação do periódico até por dois números. (Ex-
nosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do pressão declarada inconstitucional pela ADIN 869-2).
Adolescente da unidade da Federação (Estado ou Dis-
trito Federal) em que foi cometido o crime, ressalvado Art. 248. Deixar de apresentar à autoridade judiciária
o direito de terceiro de boa-fé. de seu domicílio, no prazo de cinco dias, com o fim de
§ 1o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o ge- regularizar a guarda, adolescente trazido de outra co-
rente ou o responsável pelo local em que se verifique a marca para a prestação de serviço doméstico, mesmo
LEGISLAÇÃO
submissão de criança ou adolescente às práticas refe- que autorizado pelos pais ou responsável:
ridas no caputdeste artigo. Pena - multa de três a vinte salários de referência,
§ 2o Constitui efeito obrigatório da condenação a cas- aplicando-se o dobro em caso de reincidência, inde-
sação da licença de localização e de funcionamento pendentemente das despesas de retorno do adoles-
do estabelecimento. cente, se for o caso.
73
Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os de- Pena - multa de três a vinte salários de referência; em
veres inerentes ao poder familiar ou decorrente de caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá
tutela ou guarda, bem assim determinação da autori- determinar o fechamento do estabelecimento por até
dade judiciária ou Conselho Tutelar: quinze dias.
Pena - multa de três a vinte salários de referência, Art. 257. Descumprir obrigação constante dos arts. 78
aplicando-se o dobro em caso de reincidência. e 79 desta Lei:
Pena - multa de três a vinte salários de referência,
Art. 250. Hospedar criança ou adolescente desacom- duplicando-se a pena em caso de reincidência, sem
panhado dos pais ou responsável, ou sem autorização prejuízo de apreensão da revista ou publicação.
escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel,
pensão, motel ou congênere: Art. 258. Deixar o responsável pelo estabelecimento
Pena – multa. ou o empresário de observar o que dispõe esta Lei so-
§ 1º Em caso de reincidência, sem prejuízo da pena bre o acesso de criança ou adolescente aos locais de
de multa, a autoridade judiciária poderá determinar diversão, ou sobre sua participação no espetáculo:
o fechamento do estabelecimento por até 15 (quinze) Pena - multa de três a vinte salários de referência; em
dias. caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá
§ 2º Se comprovada a reincidência em período infe- determinar o fechamento do estabelecimento por até
rior a 30 (trinta) dias, o estabelecimento será definiti- quinze dias.
vamente fechado e terá sua licença cassada.
Art. 258-A. Deixar a autoridade competente de pro-
Art. 251. Transportar criança ou adolescente, por qual-
videnciar a instalação e operacionalização dos cadas-
quer meio, com inobservância do disposto nos arts. 83,
tros previstos no art. 50 e no § 11 do art. 101 desta Lei:
84 e 85 desta Lei:
Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00
Pena - multa de três a vinte salários de referência,
(três mil reais).
aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas a autori-
Art. 252. Deixar o responsável por diversão ou espetá- dade que deixa de efetuar o cadastramento de crian-
culo público de afixar, em lugar visível e de fácil acesso, ças e de adolescentes em condições de serem adota-
à entrada do local de exibição, informação destacada das, de pessoas ou casais habilitados à adoção e de
sobre a natureza da diversão ou espetáculo e a faixa crianças e adolescentes em regime de acolhimento
etária especificada no certificado de classificação: institucional ou familiar.
Pena - multa de três a vinte salários de referência,
aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 258-B. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente
de estabelecimento de atenção à saúde de gestante
Art. 253. Anunciar peças teatrais, filmes ou quaisquer de efetuar imediato encaminhamento à autoridade
representações ou espetáculos, sem indicar os limites judiciária de caso de que tenha conhecimento de mãe
de idade a que não se recomendem: ou gestante interessada em entregar seu filho para
Pena - multa de três a vinte salários de referência, du- adoção:
plicada em caso de reincidência, aplicável, separada- Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00
mente, à casa de espetáculo e aos órgãos de divulga- (três mil reais).
ção ou publicidade. Parágrafo único. Incorre na mesma pena o funcioná-
rio de programa oficial ou comunitário destinado à
Art. 254. Transmitir, através de rádio ou televisão, es- garantia do direito à convivência familiar que deixa de
petáculo em horário diverso do autorizado ou sem efetuar a comunicação referida no caput deste artigo.
aviso de sua classificação:
Pena - multa de vinte a cem salários de referência; du- Art. 258-C. Descumprir a proibição estabelecida no
plicada em caso de reincidência a autoridade judiciá- inciso II do art. 81:
ria poderá determinar a suspensão da programação Pena - multa de R$ 3.000,00 (três mil reais) a R$
da emissora por até dois dias. 10.000,00 (dez mil reais);
Medida Administrativa - interdição do estabelecimen-
Art. 255. Exibir filme, trailer, peça, amostra ou con- to comercial até o recolhimento da multa aplicada.
gênere classificado pelo órgão competente como ina-
dequado às crianças ou adolescentes admitidos ao DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
espetáculo:
Pena - multa de vinte a cem salários de referência; na Art. 259. A União, no prazo de noventa dias contados
reincidência, a autoridade poderá determinar a sus- da publicação deste Estatuto, elaborará projeto de lei
pensão do espetáculo ou o fechamento do estabeleci- dispondo sobre a criação ou adaptação de seus órgãos
mento por até quinze dias.
LEGISLAÇÃO
74
Art. 260. Os contribuintes poderão efetuar doações II - não se aplica à pessoa física que:
aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente a) utilizar o desconto simplificado;
nacional, distrital, estaduais ou municipais, devida- b) apresentar declaração em formulário; ou
mente comprovadas, sendo essas integralmente dedu- c) entregar a declaração fora do prazo;
zidas do imposto de renda, obedecidos os seguintes III - só se aplica às doações em espécie; e
limites: IV - não exclui ou reduz outros benefícios ou deduções
I - 1% (um por cento) do imposto sobre a renda devido em vigor.
apurado pelas pessoas jurídicas tributadas com base § 3o O pagamento da doação deve ser efetuado até a
no lucro real; e data de vencimento da primeira quota ou quota única
II - 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apu- do imposto, observadas instruções específicas da Se-
rado pelas pessoas físicas na Declaração de Ajuste cretaria da Receita Federal do Brasil.
Anual, observado o disposto no art. 22 da Lei no 9.532, § 4o O não pagamento da doação no prazo estabe-
de 10 de dezembro de 1997. lecido no § 3o implica a glosa definitiva desta parcela
§ 1º - (Revogado) de dedução, ficando a pessoa física obrigada ao reco-
§ 1o-A. Na definição das prioridades a serem atendi- lhimento da diferença de imposto devido apurado na
das com os recursos captados pelos fundos nacional, Declaração de Ajuste Anual com os acréscimos legais
estaduais e municipais dos direitos da criança e do previstos na legislação.
adolescente, serão consideradas as disposições do Pla- § 5o A pessoa física poderá deduzir do imposto apu-
no Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direi- rado na Declaração de Ajuste Anual as doações feitas,
to de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar no respectivo ano-calendário, aos fundos controlados
e Comunitária e as do Plano Nacional pela Primeira pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adoles-
Infância. cente municipais, distrital, estaduais e nacional con-
§ 2o Os conselhos nacional, estaduais e municipais dos comitantemente com a opção de que trata o caput,
direitos da criança e do adolescente fixarão critérios respeitado o limite previsto no inciso II do art. 260.
de utilização, por meio de planos de aplicação, das do-
tações subsidiadas e demais receitas, aplicando neces- Art. 260-B. A doação de que trata o inciso I do art. 260
sariamente percentual para incentivo ao acolhimento, poderá ser deduzida:
sob a forma de guarda, de crianças e adolescentes e I - do imposto devido no trimestre, para as pessoas
para programas de atenção integral à primeira infân- jurídicas que apuram o imposto trimestralmente; e
cia em áreas de maior carência socioeconômica e em II - do imposto devido mensalmente e no ajuste anual,
situações de calamidade. para as pessoas jurídicas que apuram o imposto
§ 3º O Departamento da Receita Federal, do Ministério anualmente.
da Economia, Fazenda e Planejamento, regulamenta- Parágrafo único. A doação deverá ser efetuada dentro
rá a comprovação das doações feitas aos fundos, nos do período a que se refere a apuração do imposto.
termos deste artigo.
§ 4º O Ministério Público determinará em cada co- Art. 260-C. As doações de que trata o art. 260 desta
marca a forma de fiscalização da aplicação, pelo Fun- Lei podem ser efetuadas em espécie ou em bens.
do Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescen- Parágrafo único. As doações efetuadas em espécie
te, dos incentivos fiscais referidos neste artigo. devem ser depositadas em conta específica, em ins-
§ 5o Observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no tituição financeira pública, vinculadas aos respectivos
9.249, de 26 de dezembro de 1995, a dedução de que fundos de que trata o art. 260.
trata o inciso I do caput:
I - será considerada isoladamente, não se submetendo Art. 260-D. Os órgãos responsáveis pela administra-
a limite em conjunto com outras deduções do imposto; ção das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e
e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e munici-
II - não poderá ser computada como despesa opera- pais devem emitir recibo em favor do doador, assinado
cional na apuração do lucro real. por pessoa competente e pelo presidente do Conselho
correspondente, especificando:
I - número de ordem;
Art. 260-A. A partir do exercício de 2010, ano-ca-
II - nome, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)
lendário de 2009, a pessoa física poderá optar pela
e endereço do emitente;
doação de que trata o inciso II do caput do art. 260
III - nome, CNPJ ou Cadastro de Pessoas Físicas (CPF)
diretamente em sua Declaração de Ajuste Anual.
do doador;
§ 1o A doação de que trata o caput poderá ser de-
IV - data da doação e valor efetivamente recebido; e
duzida até os seguintes percentuais aplicados sobre o
V - ano-calendário a que se refere a doação.
imposto apurado na declaração:
§ 1o O comprovante de que trata o caput deste artigo
I - (VETADO);
pode ser emitido anualmente, desde que discrimine os
II - (VETADO);
valores doados mês a mês.
III - 3% (três por cento) a partir do exercício de 2012.
LEGISLAÇÃO
75
Art. 260-E. Na hipótese da doação em bens, o doador Art. 260-J. O Ministério Público determinará, em cada
deverá: Comarca, a forma de fiscalização da aplicação dos in-
I - comprovar a propriedade dos bens, mediante docu- centivos fiscais referidos no art. 260 desta Lei.
mentação hábil; Parágrafo único. O descumprimento do disposto nos
II - baixar os bens doados na declaração de bens e arts. 260-G e 260-I sujeitará os infratores a responder
direitos, quando se tratar de pessoa física, e na escri- por ação judicial proposta pelo Ministério Público, que
turação, no caso de pessoa jurídica; e poderá atuar de ofício, a requerimento ou representa-
III - considerar como valor dos bens doados: ção de qualquer cidadão.
a) para as pessoas físicas, o valor constante da última
declaração do imposto de renda, desde que não exce- Art. 260-K. A Secretaria de Direitos Humanos da Pre-
da o valor de mercado; sidência da República (SDH/PR) encaminhará à Secre-
b) para as pessoas jurídicas, o valor contábil dos bens. taria da Receita Federal do Brasil, até 31 de outubro
Parágrafo único. O preço obtido em caso de leilão de cada ano, arquivo eletrônico contendo a relação
não será considerado na determinação do valor dos atualizada dos Fundos dos Direitos da Criança e do
bens doados, exceto se o leilão for determinado por Adolescente nacional, distrital, estaduais e municipais,
autoridade judiciária. com a indicação dos respectivos números de inscrição
no CNPJ e das contas bancárias específicas mantidas
Art. 260-F. Os documentos a que se referem os arts. em instituições financeiras públicas, destinadas exclu-
260-D e 260-E devem ser mantidos pelo contribuinte
sivamente a gerir os recursos dos Fundos.
por um prazo de 5 (cinco) anos para fins de compro-
vação da dedução perante a Receita Federal do Brasil.
Art. 260-L. A Secretaria da Receita Federal do Brasil
expedirá as instruções necessárias à aplicação do dis-
Art. 260-G. Os órgãos responsáveis pela administra-
posto nos arts. 260 a 260-K.
ção das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e
do Adolescente nacional, estaduais, distrital e munici-
pais devem: Art. 261. A falta dos conselhos municipais dos direitos
I - manter conta bancária específica destinada exclu- da criança e do adolescente, os registros, inscrições e
sivamente a gerir os recursos do Fundo; alterações a que se referem os arts. 90, parágrafo úni-
II - manter controle das doações recebidas; e co, e 91 desta Lei serão efetuados perante a autorida-
III - informar anualmente à Secretaria da Receita Fe- de judiciária da comarca a que pertencer a entidade.
deral do Brasil as doações recebidas mês a mês, iden- Parágrafo único. A União fica autorizada a repassar
tificando os seguintes dados por doador: aos estados e municípios, e os estados aos municípios,
a) nome, CNPJ ou CPF; os recursos referentes aos programas e atividades pre-
b) valor doado, especificando se a doação foi em es- vistos nesta Lei, tão logo estejam criados os conselhos
pécie ou em bens. dos direitos da criança e do adolescente nos seus res-
pectivos níveis.
Art. 260-H. Em caso de descumprimento das obriga-
ções previstas no art. 260-G, a Secretaria da Receita Art. 262. Enquanto não instalados os Conselhos Tute-
Federal do Brasil dará conhecimento do fato ao Mi- lares, as atribuições a eles conferidas serão exercidas
nistério Público. pela autoridade judiciária.
Art. 260-I. Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Art. 263. O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de
Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais 1940 (Código Penal), passa a vigorar com as seguintes
divulgarão amplamente à comunidade: alterações:
I - o calendário de suas reuniões; 1) Art. 121 (...)
II - as ações prioritárias para aplicação das políticas de § 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de
atendimento à criança e ao adolescente; um terço, se o crime resulta de inobservância de regra
III - os requisitos para a apresentação de projetos a se- técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente dei-
rem beneficiados com recursos dos Fundos dos Direi- xa de prestar imediato socorro à vítima, não procura
tos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, diminuir as consequências do seu ato, ou foge para
distrital ou municipais; evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio,
IV - a relação dos projetos aprovados em cada ano-ca- a pena é aumentada de um terço, se o crime é prati-
lendário e o valor dos recursos previstos para imple- cado contra pessoa menor de catorze anos.
mentação das ações, por projeto; 2) Art. 129 (...)
V - o total dos recursos recebidos e a respectiva des- § 7º Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qual-
tinação, por projeto atendido, inclusive com cadastra- quer das hipóteses do art. 121, § 4º.
mento na base de dados do Sistema de Informações § 8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do
sobre a Infância e a Adolescência; e
LEGISLAÇÃO
art. 121.
VI - a avaliação dos resultados dos projetos beneficia- 3) Art. 136 (...)
dos com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança § 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é pra-
e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e mu-
ticado contra pessoa menor de catorze anos.
nicipais.
4) Art. 213 (...)
76
Parágrafo único. Se a ofendida é menor de catorze c) erradicação do analfabetismo; e estímulo do Poder Pú-
anos: blico, através de assistência jurídica, incentivos fiscais
Pena - reclusão de quatro a dez anos. e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a
5) Art. 214 (...) forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou
Parágrafo único. Se o ofendido é menor de catorze abandonado.
anos: d) punição severa ao abuso, à violência e à exploração
Pena - reclusão de três a nove anos.” sexual da criança e do adolescente; e garantia às pre-
sidiárias de condições para que possam permanecer
Art. 264. O art. 102 da Lei n.º 6.015, de 31 de dezem- com seus filhos durante o período de amamentação.
bro de 1973, fica acrescido do seguinte item: e) punição severa ao abuso, à violência e à exploração
“Art. 102 (...) sexual da criança e do adolescente; e estímulo do Po-
6º) a perda e a suspensão do pátrio poder.” der Público, através de assistência jurídica, incentivos
fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento,
sob a forma de guarda, de criança ou adolescente ór-
Art. 265. A Imprensa Nacional e demais gráficas da
fão ou abandonado.
União, da administração direta ou indireta, inclusive
fundações instituídas e mantidas pelo poder público
Resposta: Letra A. O artigo 227, §3º, CF fixa os as-
federal promoverão edição popular do texto integral
pectos que abrangem a proteção especial da criança
deste Estatuto, que será posto à disposição das escolas e do adolescente: “I - idade mínima de quatorze anos
e das entidades de atendimento e de defesa dos direi- para admissão ao trabalho, observado o disposto no
tos da criança e do adolescente. art. 7º, XXXIII; II - garantia de direitos previdenciários
e trabalhistas; III - garantia de acesso do trabalhador
Art. 265-A. O poder público fará periodicamente am- adolescente e jovem à escola; IV - garantia de pleno
pla divulgação dos direitos da criança e do adolescen- e formal conhecimento da atribuição de ato infracio-
te nos meios de comunicação social. nal, igualdade na relação processual e defesa técnica
Parágrafo único. A divulgação a que se refere o caput por profissional habilitado, segundo dispuser a legis-
será veiculada em linguagem clara, compreensível e lação tutelar específica; V - obediência aos princípios
adequada a crianças e adolescentes, especialmente às de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição
crianças com idade inferior a 6 (seis) anos. peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da
aplicação de qualquer medida privativa da liberdade;
Art. 266. Esta Lei entra em vigor noventa dias após sua VI - estímulo do Poder Público, através de assistência
publicação. jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da
Parágrafo único. Durante o período de vacância deve- lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança
rão ser promovidas atividades e campanhas de divul- ou adolescente órfão ou abandonado; VII - programas
gação e esclarecimentos acerca do disposto nesta Lei. de prevenção e atendimento especializado à criança,
ao adolescente e ao jovem dependente de entorpe-
Art. 267. Revogam-se as Leis nº 4.513, de 1964, e centes e drogas afins”.
6.697, de 10 de outubro de 1979 (Código de Menores),
e as demais disposições em contrário. 2. (Alternative Concursos/2017 - Prefeitura de Sul
Brasil/SC - Agente Educativo) De acordo com o Estatu-
Brasília, 13 de julho de 1990; 169º da Independência to da Criança e do Adolescente, Lei n.º 8.069/90, art. 60,
e 102º da República. é proibido qualquer trabalho a menores:
a) garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; e Resposta: Letra B. Em que pese o teor do art. 64 do
obediência aos princípios de brevidade, excepciona- ECA, que poderia dar a entender que um menor de 14
lidade e respeito à condição peculiar de pessoa em anos pode trabalhar, prevalece o que diz o texto da
Constituição Federal: “Art. 7º São direitos dos trabalha-
LEGISLAÇÃO
77
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quator- Resposta: Letra D. A lei exige como prazo mínimo de
ze anos”. Logo, o menor pode trabalhar em qualquer medida socioeducativa o período de 6 meses, confor-
serviço, desde que não seja noturno, perigoso e insa- me art. 118, § 2º, ECA, não 30 dias conforme a alter-
lubre, dos 16 aos 18 anos; e entre 14 e 16 anos apenas nativa “d”, razão pela qual está incorreta. A alternativa
pode trabalhar como aprendiz. “a” está prevista no art. 122, § 1º, ECA; a alternativa “b”
está prevista no art. 108 do ECA; a alternativa “c” está
3. (FCC/2016 - AL-MS - Agente de Polícia Legislativo) prevista no art. 121, §§ 3º e 5º, ECA; a alternativa “e”
Sobre a adoção, nos termos preconizados pelo Estatuto está prevista no art. 127 ECA.
da Criança e do Adolescente,
5. (COMPERVE/2016 - Câmara de Natal/RN - Guarda
a) o adotante deve ser, no mínimo, 18 anos mais velho Legislativo) As crianças e os adolescentes, qualificados
que o adotando. pelo direito hoje vigente como pessoas em desenvolvi-
b) é permitida a adoção por procuração. mento, receberam do direito positivo brasileiro, tutela
c) se um dos cônjuges adota o filho do outro, mantêm-se especial através da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990,
os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge do mais conhecida como Estatuto da Criança e do Adoles-
adotante e os respectivos parentes. cente. Seguindo as diretrizes traçadas pela Constituição
d) é vedada a adoção conjunta pelos divorciados, separa-
de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente trouxe a
dos judicialmente e pelos ex-companheiros.
previsão normativa da absoluta prioridade e de variados
e) o estágio de convivência que precede a adoção não
direitos fundamentais. Em tal seara, foi determinado que
poderá, em nenhuma hipótese, ser dispensado pela
as crianças e os adolescentes têm direito,
autoridade judiciária.
Resposta: Letra C. Neste sentido, disciplina o art. 41, a) à liberdade, de forma a compreender a liberdade de ir,
§ 1º, ECA: “Se um dos cônjuges ou concubinos adota o vir e estar nos logradouros públicos e espaços comu-
filho do outro, mantêm-se os vínculos de filiação entre nitários, ressalvadas as restrições legais; a liberdade
o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e de opinião e de expressão; a liberdade de brincar e
os respectivos parentes”. A alternativa “a” está errada de praticar esportes, a liberdade de participar da vida
porque o adotante deve ser, pelo menos, 16 anos mais familiar e comunitária; a liberdade de buscar refúgio,
velho que o adotado e possuir pelo menos 18 anos auxílio e orientação, excetuadas dessa tutela a liberda-
(art. 42, § 3º, ECA); a alternativa “b” está incorreta por- de de crença e culto religioso e de participar da vida
que é vedada a adoção por procuração, pois a adoção política.
é ato personalíssimo (art. 39, § 2º, ECA); a alternativa b) ao respeito, consistente na inviolabilidade da sua in-
“d” está incorreta porque é possível a adoção conjunta tegridade física, psíquica e moral, abrangendo a pre-
desde que preencha os requisitos de serem casados servação da imagem, da identidade, da autonomia,
civilmente ou mantenham união estável, comprovada de seus valores, ideias e crenças, excluída a tutela dos
a estabilidade da família (art. 42, § 1º, ECA); e a alter- seus espaços e objetos pessoais.
nativa “e” está incorreta porque pode ser dispensado c) de serem educados e cuidados sem o uso de castigo fí-
o estágio de convivência quando o adotando já estiver sico ou de tratamento cruel ou degradante, como for-
sob a tutela ou guarda do adotante (art. 46, § 1º, ECA). mas de correção, disciplina, educação ou a qualquer
outro pretexto, por parte dos pais, de integrantes da
4. (FCC/2016 - AL-MS - Agente de Polícia Legislativo) família ampliada, dos responsáveis, dos agentes pú-
Sobre a prática de ato infracional à luz do Estatuto da blicos executores de medidas socioeducativas ou por
Criança e do Adolescente, é INCORRETO afirmar que a qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-
-los, educá-los ou protegê-los.
a) medida socioeducativa de internação pode ser deter- d) de serem criados e educados no seio de sua família
minada por descumprimento reiterado e injustificável biológica, não se admitindo a sua inserção em família
da medida anteriormente imposta. substituta, assegurada a convivência familiar e comu-
b) internação, antes da sentença, poderá ser determinada nitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimen-
pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias. to integral.
c) medida socioeducativa de internação não poderá ex-
ceder em nenhuma hipótese três anos, liberando-se Resposta: Letra C. Nestes termos, preconiza o artigo
compulsoriamente o menor infrator aos vinte e um 18-A do ECA: “A criança e o adolescente têm o direito
anos de idade. de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico
d) medida socioeducativa de liberdade assistida será
ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de
fixada pelo prazo mínimo de trinta dias, podendo a
correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretex-
qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substi-
to, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pe-
tuída por outra medida, ouvido o orientador, o Minis-
los responsáveis, pelos agentes públicos executores de
tério Público e o defensor.
e) remissão não implica necessariamente o reconheci- medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encar-
regada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-
LEGISLAÇÃO
78
II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso; Resposta: Errado. Nos termos do artigo 118, ECA, “a
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; V - participar liberdade assistida será adotada sempre que se afigu-
da vida familiar e comunitária, sem discriminação; VI - rar a medida mais adequada para o fim de acompa-
participar da vida política, na forma da lei; VII - buscar nhar, auxiliar e orientar o adolescente”. Ocorre que o
refúgio, auxílio e orientação”. A alternativa “b” está er- adolescente praticou crimes com violência ou grave
rada porque o artigo 17 do ECA prevê que “o direito ao ameaça, razão pela qual cabe internação, conforme
respeito consiste na inviolabilidade da integridade física,
artigo 122, I, ECA: “A medida de internação só pode-
psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangen-
do a preservação da imagem, da identidade, da auto- rá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato infracional
nomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e ob- cometido mediante grave ameaça ou violência a pes-
jetos pessoais”. A alternativa “d” está errada porque o soa”.
artigo 18 do ECA assegura que “é direito da criança e do
adolescente ser criado e educado no seio de sua família 9) (Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo - CES-
e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada PE/2014) Paulo e João foram surpreendidos nas depen-
a convivência familiar e comunitária, em ambiente que dências da Câmara dos Deputados quando subtraíam
garanta seu desenvolvimento integral”. carteiras e celulares dos casacos e bolsas de pessoas que
ali transitavam. Paulo tem dezessete anos e teve acesso
6. (FUNRIO/2016 - IF-PA - Assistente de Alunos) ao local por intermédio de João, que é servidor da Casa.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Com base nessa situação hipotética, julgue o item a se-
8.069/90), é considerado criança guir.
As medidas socioeducativas aplicáveis a Paulo incluem a
a) a pessoa até seis anos incompletos de idade.
b) a pessoa até oito anos incompletos de idade. advertência, a obrigação de reparar o dano e a prestação
c) a pessoa até 12 anos incompletos de idade. de serviços a comunidade.
d) a pessoa até 18 anos incompletos de idade.
e) a pessoa até 14 anos incompletos, desde que não te- ( ) CERTO ( ) ERRADO
nha cometido nenhum crime.
Resposta: Certo. Prevê o artigo 112, ECA: “Verificada
Resposta: Letra C. O Estatuto da Criança e do Adoles- a prática de ato infracional, a autoridade competente
cente opta por categorizar separadamente estas duas poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:
categorias de menores. Criança é aquele que tem até I - advertência; II - obrigação de reparar o dano; III
12 anos de idade (na data de aniversário de 12 anos, - prestação de serviços à comunidade; IV - liberdade
passa a ser adolescente), adolescente é aquele que assistida; V - inserção em regime de semi-liberdade;
tem entre 12 e 18 anos (na data de aniversário de 18
VI - internação em estabelecimento educacional; VII -
anos, passa a ser maior), conforme o artigo 2º do ECA.
qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI”.
7) (Câmara dos Deputados - Analista Legislativo -
CESPE/2014) Julgue o próximo item , referente ao dis-
posto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e às RESOLUÇÃO N° 4, DE 13/07/2010 –
atribuições do conselho tutelar. DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS
As disposições do ECA aplicam-se apenas a crianças, in- PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA
divíduos até doze anos de idade incompletos, e a ado-
lescentes, indivíduos entre doze e dezoito anos de idade.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
( ) CERTO ( ) ERRADO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA
Resposta: Errado. Preconiza o artigo 2º, parágrafo
único, ECA: “Nos casos expressos em lei, aplica-se ex- RESOLUÇÃO Nº 4, DE 13 DE JULHO DE 2010
cepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoi-
to anos e vinte e um anos de idade”. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
Educação Básica.
8) (Câmara dos Deputados - Analista Legislativo -
CESPE/2014) Acerca de ato infracional e medidas so- O Presidente da Câmara de Educação Básica do Con-
cioeducativas, bem como dos crimes e infrações prati-
selho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições
cados contra a criança e o adolescente, julgue o item a
seguir. legais, e de conformidade com o disposto na alínea “c”
Caso um adolescente que faça parte de um grupo for- do § 1º do artigo 9º da Lei nº 4.024/1961, com a redação
mado por adultos e que já tenha praticado, comprova- dada pela Lei nº 9.131/1995, nos artigos 36, 36A, 36-B,
damente, diversos roubos com uso de arma de fogo seja 36-C, 36-D, 37, 39, 40, 41 e 42 da Lei nº 9.394/1996, com
LEGISLAÇÃO
apreendido, a ele deverá ser imposta – após o devido a redação dada pela Lei nº 11.741/2008, bem como no
procedimento judicial – a medida socioeducativa deno- Decreto nº 5.154/2004, e com fundamento no Parecer
minada liberdade assistida. CNE/CEB nº 7/2010, homologado por Despacho do Se-
nhor Ministro de Estado da Educação, publicado no DOU
( ) CERTO ( ) ERRADO de 9 de julho de 2010.
79
RESOLVE: III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e aos direitos;
Art. 1º A presente Resolução define Diretrizes Curri- V - coexistência de instituições públicas e privadas de
culares Nacionais Gerais para o conjunto orgânico, ensino;
sequencial e articulado das etapas e modalidades da VI - gratuidade do ensino público em estabelecimen-
Educação Básica, baseando-se no direito de toda pes- tos oficiais;
soa ao seu pleno desenvolvimento, à preparação para VII - valorização do profissional da educação escolar;
o exercício da cidadania e à qualificação para o traba- VIII - gestão democrática do ensino público, na forma
lho, na vivência e convivência em ambiente educativo, da legislação e das normas dos respectivos sistemas
e tendo como fundamento a responsabilidade que o de ensino;
Estado brasileiro, a família e a sociedade têm de ga- IX - garantia de padrão de qualidade;
rantir a democratização do acesso, a inclusão, a per- X - valorização da experiência extraescolar;
manência e a conclusão com sucesso das crianças, dos XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e
jovens e adultos na instituição educacional, a aprendi- as práticas sociais.
zagem para continuidade dos estudos e a extensão da
obrigatoriedade e da gratuidade da Educação Básica. Art. 5º A Educação Básica é direito universal e alicerce
indispensável para o exercício da cidadania em pleni-
tude, da qual depende a possibilidade de conquistar
TÍTULO I
todos os demais direitos, definidos na Constituição Fe-
OBJETIVOS
deral, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
na legislação ordinária e nas demais disposições que
Art. 2º Estas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais consagram as prerrogativas do cidadão.
para a Educação Básica têm por objetivos:
I - sistematizar os princípios e as diretrizes gerais da Art. 6º Na Educação Básica, é necessário considerar as
Educação Básica contidos na Constituição, na Lei de dimensões do educar e do cuidar, em sua inseparabi-
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e de- lidade, buscando recuperar, para a função social desse
mais dispositivos legais, traduzindo-os em orientações nível da educação, a sua centralidade, que é o edu-
que contribuam para assegurar a formação básica co- cando, pessoa em formação na sua essência humana.
mum nacional, tendo como foco os sujeitos que dão
vida ao currículo e à escola; TÍTULO III
II - estimular a reflexão crítica e propositiva que deve SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO
subsidiar a formulação, a execução e a avaliação do
projeto político-pedagógico da escola de Educação Art. 7º A concepção de educação deve orientar a insti-
Básica; tucionalização do regime de colaboração entre União,
III - orientar os cursos de formação inicial e continua- Estados, Distrito Federal e Municípios, no contexto da
da de docentes e demais profissionais da Educação estrutura federativa brasileira, em que convivem sis-
Básica, os sistemas educativos dos diferentes entes fe- temas educacionais autônomos, para assegurar efe-
derados e as escolas que os integram, indistintamente tividade ao projeto da educação nacional, vencer a
da rede a que pertençam. fragmentação das políticas públicas e superar a de-
sarticulação institucional.
Art. 3º As Diretrizes Curriculares Nacionais específi- § 1º Essa institucionalização é possibilitada por um
cas para as etapas e modalidades da Educação Básica Sistema Nacional de Educação, no qual cada ente fe-
devem evidenciar o seu papel de indicador de opções derativo, com suas peculiares competências, é chama-
políticas, sociais, culturais, educacionais, e a função da do a colaborar para transformar a Educação Básica
educação, na sua relação com um projeto de Nação, em um sistema orgânico, sequencial e articulado.
tendo como referência os objetivos constitucionais, § 2º O que caracteriza um sistema é a atividade in-
fundamentando-se na cidadania e na dignidade da tencional e organicamente concebida, que se justifica
pessoa, o que pressupõe igualdade, liberdade, plurali- pela realização de atividades voltadas para as mes-
dade, diversidade, respeito, justiça social, solidarieda- mas finalidades ou para a concretização dos mesmos
de e sustentabilidade. objetivos.
§ 3º O regime de colaboração entre os entes federados
TÍTULO II pressupõe o estabelecimento de regras de equivalên-
REFERÊNCIAS CONCEITUAIS cia entre as funções distributiva, supletiva, normati-
va, de supervisão e avaliação da educação nacional,
respeitada a autonomia dos sistemas e valorizadas as
Art. 4º As bases que dão sustentação ao projeto na-
diferenças regionais.
cional de educação responsabilizam o poder público,
a família, a sociedade e a escola pela garantia a todos
TÍTULO IV
os educandos de um ensino ministrado de acordo com ACESSO E PERMANÊNCIA PARA A CONQUISTA DA
os princípios de:
LEGISLAÇÃO
QUALIDADE SOCIAL
I - igualdade de condições para o acesso, inclusão,
permanência e sucesso na escola; Art. 8º A garantia de padrão de qualidade, com ple-
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar no acesso, inclusão e permanência dos sujeitos das
a cultura, o pensamento, a arte e o saber; aprendizagens na escola e seu sucesso, com redução
80
da evasão, da retenção e da distorção de idade/ano/ § 2º Para que se concretize a educação escolar, exi-
série, resulta na qualidade social da educação, que é ge-se um padrão mínimo de insumos, que tem como
uma conquista coletiva de todos os sujeitos do proces- base um investimento com valor calculado a partir das
so educativo. despesas essenciais ao desenvolvimento dos processos
e procedimentos formativos, que levem, gradualmen-
Art. 9º A escola de qualidade social adota como cen- te, a uma educação integral, dotada de qualidade so-
tralidade o estudante e a aprendizagem, o que pressu- cial:
põe atendimento aos seguintes requisitos: I - creches e escolas que possuam condições de in-
I - revisão das referências conceituais quanto aos di- fraestrutura e adequados equipamentos;
ferentes espaços e tempos educativos, abrangendo es- II - professores qualificados com remuneração ade-
paços sociais na escola e fora dela; quada e compatível com a de outros profissionais com
II - consideração sobre a inclusão, a valorização das igual nível de formação, em regime de trabalho de 40
diferenças e o atendimento à pluralidade e à diversi- (quarenta) horas em tempo integral em uma mesma
dade cultural, resgatando e respeitando as várias ma- escola;
nifestações de cada comunidade; III - definição de uma relação adequada entre o nú-
III - foco no projeto político-pedagógico, no gosto mero de alunos por turma e por professor, que assegu-
pela aprendizagem e na avaliação das aprendizagens re aprendizagens relevantes;
como instrumento de contínua progressão dos estu- IV - pessoal de apoio técnico e administrativo que res-
dantes; ponda às exigências do que se estabelece no projeto
IV - inter-relação entre organização do currículo, do político-pedagógico.
trabalho pedagógico e da jornada de trabalho do pro-
fessor, tendo como objetivo a aprendizagem do estu- TÍTULO V
dante; ORGANIZAÇÃO CURRICULAR: CONCEITO,
V - preparação dos profissionais da educação, ges- LIMITES, POSSIBILIDADES
tores, professores, especialistas, técnicos, monitores e
outros; Art. 11. A escola de Educação Básica é o espaço em
VI - compatibilidade entre a proposta curricular e a que se ressignifica e se recria a cultura herdada, re-
infraestrutura entendida como espaço formativo do- construindo-se as identidades culturais, em que se
tado de efetiva disponibilidade de tempos para a sua aprende a valorizar as raízes próprias das diferentes
utilização e acessibilidade; regiões do País.
VII - integração dos profissionais da educação, dos Parágrafo único. Essa concepção de escola exige a su-
estudantes, das famílias, dos agentes da comunidade peração do rito escolar, desde a construção do currí-
interessados na educação; culo até os critérios que orientam a organização do
VIII - valorização dos profissionais da educação, com trabalho escolar em sua multidimensionalidade, privi-
programa de formação continuada, critérios de acesso, legia trocas, acolhimento e aconchego, para garantir o
permanência, remuneração compatível com a jornada bem-estar de crianças, adolescentes, jovens e adultos,
de trabalho definida no projeto político-pedagógico; no relacionamento entre todas as pessoas.
IX - realização de parceria com órgãos, tais como os
de assistência social e desenvolvimento humano, cida- Art. 12. Cabe aos sistemas educacionais, em geral, de-
dania, ciência e tecnologia, esporte, turismo, cultura e finir o programa de escolas de tempo parcial diurno
arte, saúde, meio ambiente. (matutino ou vespertino), tempo parcial noturno, e
tempo integral (turno e contra turno ou turno único
Art. 10. A exigência legal de definição de padrões mí- com jornada escolar de 7 horas, no mínimo, durante
nimos de qualidade da educação traduz a necessidade todo o período letivo), tendo em vista a amplitude do
de reconhecer que a sua avaliação associa-se à ação papel socioeducativo atribuído ao conjunto orgânico
planejada, coletivamente, pelos sujeitos da escola. da Educação Básica, o que requer outra organização e
§ 1º O planejamento das ações coletivas exercidas pela gestão do trabalho pedagógico.
escola supõe que os sujeitos tenham clareza quanto: § 1º Deve-se ampliar a jornada escolar, em único ou
I - aos princípios e às finalidades da educação, além
diferentes espaços educativos, nos quais a perma-
do reconhecimento e da análise dos dados indicados
nência do estudante vincula-se tanto à quantidade e
pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
qualidade do tempo diário de escolarização quanto à
(IDEB) e/ou outros indicadores, que o complementem
diversidade de atividades de aprendizagens.
ou substituam;
§ 2º A jornada em tempo integral com qualidade im-
II - à relevância de um projeto político-pedagógico
plica a necessidade da incorporação efetiva e orgâni-
concebido e assumido colegiadamente pela comuni-
ca, no currículo, de atividades e estudos pedagogica-
dade educacional, respeitadas as múltiplas diversida-
mente planejados e acompanhados.
des e a pluralidade cultural;
§ 3º Os cursos em tempo parcial noturno devem es-
III - à riqueza da valorização das diferenças manifes-
tabelecer metodologia adequada às idades, à maturi-
LEGISLAÇÃO
81
CAPÍTULO I escola (na organização do tempo e do espaço curri-
FORMAS PARA A ORGANIZAÇÃO CURRICULAR cular, distribuição e controle do tempo dos trabalhos
docentes), passo para uma gestão centrada na abor-
Art. 13. O currículo, assumindo como referência os dagem interdisciplinar, organizada por eixos temáti-
princípios educacionais garantidos à educação, as- cos, mediante interlocução entre os diferentes campos
segurados no artigo 4º desta Resolução, configura-se do conhecimento;
como o conjunto de valores e práticas que proporcio- VI - entendimento de que eixos temáticos são uma
nam a produção, a socialização de significados no es- forma de organizar o trabalho pedagógico, limitando
paço social e contribuem intensamente para a cons- a dispersão do conhecimento, fornecendo o cenário
trução de identidades socioculturais dos educandos. no qual se constroem objetos de estudo, propiciando
§ 1º O currículo deve difundir os valores fundamentais a concretização da proposta pedagógica centrada na
do interesse social, dos direitos e deveres dos cidadãos, visão interdisciplinar, superando o isolamento das pes-
do respeito ao bem comum e à ordem democrática, soas e a compartimentalização de conteúdos rígidos;
considerando as condições de escolaridade dos estu- VII - estímulo à criação de métodos didático-peda-
dantes em cada estabelecimento, a orientação para o gógicos utilizando-se recursos tecnológicos de infor-
trabalho, a promoção de práticas educativas formais mação e comunicação, a serem inseridos no cotidiano
e não-formais. escolar, a fim de superar a distância entre estudan-
§ 2º Na organização da proposta curricular, deve- tes que aprendem a receber informação com rapidez
-se assegurar o entendimento de currículo como ex-
utilizando a linguagem digital e professores que dela
periências escolares que se desdobram em torno do
ainda não se apropriaram;
conhecimento, permeadas pelas relações sociais, ar-
VIII - constituição de rede de aprendizagem, entendi-
ticulando vivências e saberes dos estudantes com os
da como um conjunto de ações didáticopedagógica,
conhecimentos historicamente acumulados e contri-
com foco na aprendizagem e no gosto de aprender,
buindo para construir as identidades dos educandos.
subsidiada pela consciência de que o processo de co-
§ 3º A organização do percurso formativo, aberto e
contextualizado, deve ser construída em função das municação entre estudantes e professores é efetivado
peculiaridades do meio e das características, interes- por meio de práticas e recursos diversos;
ses e necessidades dos estudantes, incluindo não só os IX - adoção de rede de aprendizagem, também, como
componentes curriculares centrais obrigatórios, pre- ferramenta didáticopedagógica relevante nos progra-
vistos na legislação e nas normas educacionais, mas mas de formação inicial e continuada de profissionais
outros, também, de modo flexível e variável, conforme da educação, sendo que esta opção requer planeja-
cada projeto escolar, e assegurando: mento sistemático integrado estabelecido entre siste-
I - concepção e organização do espaço curricular e fí- mas educativos ou conjunto de unidades escolares;
sico que se imbriquem e alarguem, incluindo espaços, § 4º A transversalidade é entendida como uma forma
ambientes e equipamentos que não apenas as salas de organizar o trabalho didáticopedagógica em que
de aula da escola, mas, igualmente, os espaços de ou- temas e eixos temáticos são integrados às disciplinas
tras escolas e os socioculturais e esportivo recreativos e às áreas ditas convencionais, de forma a estarem
do entorno, da cidade e mesmo da região; presentes em todas elas.
II - ampliação e diversificação dos tempos e espaços § 5º A transversalidade difere da interdisciplinaridade
curriculares que pressuponham profissionais da edu- e ambas complementam-se, rejeitando a concepção
cação dispostos a inventar e construir a escola de qua- de conhecimento que toma a realidade como algo es-
lidade social, com responsabilidade compartilhada tável, pronto e acabado.
com as demais autoridades que respondem pela ges- § 6º A transversalidade refere-se à dimensão didáti-
tão dos órgãos do poder público, na busca de parcerias copedagógica, e a interdisciplinaridade, à abordagem
possíveis e necessárias, até porque educar é responsa- epistemológica dos objetos de conhecimento.
bilidade da família, do Estado e da sociedade;
III - escolha da abordagem didáticopedagógica dis- CAPÍTULO II
ciplinar, pluridisciplinar, interdisciplinar ou transdis- FORMAÇÃO BÁSICA COMUM E PARTE
ciplinar pela escola, que oriente o projeto político- DIVERSIFICADA
-pedagógico e resulte de pacto estabelecido entre os
profissionais da escola, conselhos escolares e comu- Art. 14. A base nacional comum na Educação Básica
nidade, subsidiando a organização da matriz curricu- constitui-se de conhecimentos, saberes e valores pro-
lar, a definição de eixos temáticos e a constituição de duzidos culturalmente, expressos nas políticas públi-
redes de aprendizagem; cas e gerados nas instituições produtoras do conheci-
IV - compreensão da matriz curricular entendida mento científico e tecnológico; no mundo do trabalho;
como propulsora de movimento, dinamismo curricular no desenvolvimento das linguagens; nas atividades
e educacional, de tal modo que os diferentes campos desportivas e corporais; na produção artística; nas for-
do conhecimento possam se coadunar com o conjunto
LEGISLAÇÃO
82
c) o conhecimento do mundo físico, natural, da reali- do Ensino Fundamental e do Médio possam escolher
dade social e política, especialmente do Brasil, incluin- aquele programa ou projeto com que se identifiquem
do-se o estudo da História e das Culturas Afro-Brasi- e que lhes permitam melhor lidar com o conhecimen-
leira e Indígena, to e a experiência.
d) a Arte, em suas diferentes formas de expressão, in- § 1º Tais programas e projetos devem ser desenvol-
cluindo-se a música; vidos de modo dinâmico, criativo e flexível, em arti-
e) a Educação Física; culação com a comunidade em que a escola esteja
f) o Ensino Religioso. inserida.
§ 2º Tais componentes curriculares são organizados § 2º A interdisciplinaridade e a contextualização de-
pelos sistemas educativos, em forma de áreas de co- vem assegurar a transversalidade do conhecimento de
nhecimento, disciplinas, eixos temáticos, preservan- diferentes disciplinas e eixos temáticos, perpassando
do-se a especificidade dos diferentes campos do co- todo o currículo e propiciando a interlocução entre os
nhecimento, por meio dos quais se desenvolvem as saberes e os diferentes campos do conhecimento.
habilidades indispensáveis ao exercício da cidadania,
em ritmo compatível com as etapas do desenvolvi- TÍTULO VI
mento integral do cidadão. ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA
§ 3º A base nacional comum e a parte diversificada
não podem se constituir em dois blocos distintos, com Art. 18. Na organização da Educação Básica, devem-
disciplinas específicas para cada uma dessas partes, -se observar as Diretrizes Curriculares Nacionais co-
mas devem ser organicamente planejadas e geridas muns a todas as suas etapas, modalidades e orienta-
de tal modo que as tecnologias de informação e co- ções temáticas, respeitadas as suas especificidades e
municação perpassem transversalmente a proposta as dos sujeitos a que se destinam.
curricular, desde a Educação Infantil até o Ensino Mé- § 1º As etapas e as modalidades do processo de esco-
dio, imprimindo direção aos projetos políticopedagó- larização estruturam-se de modo orgânico, sequencial
gico. e articulado, de maneira complexa, embora permane-
cendo individualizadas ao logo do percurso do estu-
Art. 15. A parte diversificada enriquece e complementa dante, apesar das mudanças por que passam:
a base nacional comum, prevendo o estudo das carac- I - a dimensão orgânica é atendida quando são ob-
terísticas regionais e locais da sociedade, da cultura, servadas as especificidades e as diferenças de cada
da economia e da comunidade escolar, perpassando sistema educativo, sem perder o que lhes é comum: as
todos os tempos e espaços curriculares constituintes semelhanças e as identidades que lhe são inerentes;
do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, indepen- II - a dimensão sequencial compreende os processos
dentemente do ciclo da vida no qual os sujeitos te- educativos que acompanham as exigências de apren-
nham acesso à escola. dizagens definidas em cada etapa do percurso forma-
§ 1º A parte diversificada pode ser organizada em te- tivo, contínuo e progressivo, da Educação Básica até
mas gerais, na forma de eixos temáticos, seleciona- a Educação Superior, constituindo-se em diferentes e
dos colegiadamente pelos sistemas educativos ou pela insubstituíveis momentos da vida dos educandos;
unidade escolar. III - a articulação das dimensões orgânica e sequencial
§ 2º A LDB inclui o estudo de, pelo menos, uma língua das etapas e das modalidades da Educação Básica, e
estrangeira moderna na parte diversificada, cabendo destas com a Educação Superior, implica ação coorde-
sua escolha à comunidade escolar, dentro das possibi- nada e integradora do seu conjunto.
lidades da escola, que deve considerar o atendimento § 2º A transição entre as etapas da Educação Básica e
das características locais, regionais, nacionais e trans- suas fases requer formas de articulação das dimensões
nacionais, tendo em vista as demandas do mundo do orgânica e sequencial que assegurem aos educandos,
trabalho e da internacionalização de toda ordem de sem tensões e rupturas, a continuidade de seus proces-
relações. sos peculiares de aprendizagem e desenvolvimento.
§ 3º A língua espanhola, por força da Lei nº
11.161/2005, é obrigatoriamente ofertada no Ensi- Art. 19. Cada etapa é delimitada por sua finalidade,
no Médio, embora facultativa para o estudante, bem seus princípios, objetivos e diretrizes educacionais,
como possibilitada no Ensino Fundamental, do 6º ao fundamentando-se na inseparabilidade dos conceitos
9º ano. referenciais: cuidar e educar, pois esta é uma concep-
ção norteadora do projeto político-pedagógico elabo-
Art. 16. Leis específicas, que complementam a LDB, rado e executado pela comunidade educacional.
determinam que sejam incluídos componentes não
disciplinares, como temas relativos ao trânsito, ao Art. 20. O respeito aos educandos e a seus tempos
meio ambiente e à condição e direitos do idoso. mentais, socioemocionais, culturais e identitários é um
princípio orientador de toda a ação educativa, sendo
Art. 17. No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, responsabilidade dos sistemas a criação de condições
LEGISLAÇÃO
destinar-se-ão, pelo menos, 20% do total da carga para que crianças, adolescentes, jovens e adultos, com
horária anual ao conjunto de programas e projetos sua diversidade, tenham a oportunidade de receber a
interdisciplinares eletivos criados pela escola, previs- formação que corresponda à idade própria de percur-
to no projeto pedagógico, de modo que os estudantes so escolar.
83
CAPÍTULO I a família, com agentes sociais e com a sociedade,
ETAPAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA prevendo programas e projetos em parceria, for-
malmente estabelecidos.
Art. 21. São etapas correspondentes a diferentes mo- § 5º A gestão da convivência e as situações em que se
mentos constitutivos do desenvolvimento educacional: torna necessária a solução de problemas individuais e
I - a Educação Infantil, que compreende: a Creche, en- coletivos pelas crianças devem ser previamente pro-
globando as diferentes etapas do desenvolvimento da gramadas, com foco nas motivações estimuladas e
criança até 3 (três) anos e 11 (onze) meses; e a Pré-Es- orientadas pelos professores e demais profissionais da
cola, com duração de 2 (dois) anos; educação e outros de áreas pertinentes, respeitados
II - o Ensino Fundamental, obrigatório e gratuito, com os limites e as potencialidades de cada criança e os
duração de 9 (nove) anos, é organizado e tratado em vínculos desta com a família ou com o seu responsável
duas fases: a dos 5 (cinco) anos iniciais e a dos 4 (qua- direto.
tro) anos finais; III - o Ensino Médio, com duração mí-
nima de 3 (três) anos. SEÇÃO II
Parágrafo único. Essas etapas e fases têm previsão ENSINO FUNDAMENTAL
de idades próprias, as quais, no entanto, são diver-
Art. 23. O Ensino Fundamental com 9 (nove) anos de
sas quando se atenta para sujeitos com características
duração, de matrícula obrigatória para as crianças a
que fogem à norma, como é o caso, entre outros:
partir dos 6 (seis) anos de idade, tem duas fases se-
I - de atraso na matrícula e/ou no percurso escolar;
quentes com características próprias, chamadas de
II - de retenção, repetência e retorno de quem havia
anos iniciais, com 5 (cinco) anos de duração, em regra
abandonado os estudos; para estudantes de 6 (seis) a 10 (dez) anos de idade; e
III - de portadores de deficiência limitadora; anos finais, com 4 (quatro) anos de duração, para os
IV - de jovens e adultos sem escolarização ou com esta de 11 (onze) a 14 (quatorze) anos.
incompleta; Parágrafo único. No Ensino Fundamental, acolher sig-
V - de habitantes de zonas rurais; nifica também cuidar e educar, como forma de garan-
VI - de indígenas e quilombolas; tir a aprendizagem dos conteúdos curriculares, para
VII - de adolescentes em regime de acolhimento ou que o estudante desenvolva interesses e sensibilidades
internação, jovens e adultos em situação de privação que lhe permitam usufruir dos bens culturais disponí-
de liberdade nos estabelecimentos penais. veis na comunidade, na sua cidade ou na sociedade
em geral, e que lhe possibilitem ainda sentir-se como
SEÇÃO I produtor valorizado desses bens.
EDUCAÇÃO INFANTIL
Art. 24. Os objetivos da formação básica das crian-
Art. 22. A Educação Infantil tem por objetivo o desen- ças, definidos para a Educação Infantil, prolongam-
volvimento integral da criança, em seus aspectos físi- -se durante os anos iniciais do Ensino Fundamental,
co, afetivo, psicológico, intelectual, social, complemen- especialmente no primeiro, e completam-se nos anos
tando a ação da família e da comunidade. finais, ampliando e intensificando, gradativamente, o
§ 1º As crianças provêm de diferentes e singulares processo educativo, mediante:
contextos socioculturais, socioeconômicos e étnicos, I - desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo
por isso devem ter a oportunidade de ser acolhidas e como meios básicos o pleno domínio da leitura, da
respeitadas pela escola e pelos profissionais da edu- escrita e do cálculo;
cação, com base nos princípios da individualidade, II - foco central na alfabetização, ao longo dos 3 (três)
igualdade, liberdade, diversidade e pluralidade. primeiros anos;
§ 2º Para as crianças, independentemente das dife- III - compreensão do ambiente natural e social, do sis-
rentes condições físicas, sensoriais, intelectuais, lin- tema político, da economia, da tecnologia, das artes,
guísticas, étnico-raciais, socioeconômicas, de origem, da cultura e dos valores em que se fundamenta a so-
de religião, entre outras, as relações sociais e intersub- ciedade;
jetivas no espaço escolar requerem a atenção intensi- IV - o desenvolvimento da capacidade de aprendiza-
va dos profissionais da educação, durante o tempo de gem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e
desenvolvimento das atividades que lhes são peculia- habilidades e a formação de atitudes e valores;
res, pois este é o momento em que a curiosidade deve V - fortalecimento dos vínculos de família, dos laços
ser estimulada, a partir da brincadeira orientada pelos de solidariedade humana e de respeito recíproco em
que se assenta a vida social.
profissionais da educação.
§ 3º Os vínculos de família, dos laços de solidarieda-
Art. 25. Os sistemas estaduais e municipais devem
de humana e do respeito mútuo em que se assenta
estabelecer especial forma de colaboração visando
a vida social devem iniciar-se na Educação Infantil e
à oferta do Ensino Fundamental e à articulação se-
sua intensificação deve ocorrer ao longo da Educação quente entre a primeira fase, no geral assumida pelo
Básica.
LEGISLAÇÃO
84
SEÇÃO III § 2º Os cursos de EJA, preferencialmente tendo a Edu-
ENSINO MÉDIO cação Profissional articulada com a Educação Básica,
devem pautar-se pela flexibilidade, tanto de currículo
Art. 26. O Ensino Médio, etapa final do processo for- quanto de tempo e espaço, para que seja(m):
mativo da Educação Básica, é orientado por princípios I - rompida a simetria com o ensino regular para
e finalidades que preveem: crianças e adolescentes, de modo a permitir percursos
I - a consolidação e o aprofundamento dos conheci- individualizados e conteúdos significativos para os jo-
mentos adquiridos no Ensino vens e adultos;
Fundamental, possibilitando o prosseguimento de es- II - providos o suporte e a atenção individuais às di-
tudos; ferentes necessidades dos estudantes no processo de
II - a preparação básica para a cidadania e o trabalho, aprendizagem, mediante atividades diversificadas;
tomado este como princípio educativo, para continuar III - valorizada a realização de atividades e vivências
aprendendo, de modo a ser capaz de enfrentar novas socializadoras, culturais, recreativas e esportivas, ge-
condições de ocupação e aperfeiçoamento posteriores; radoras de enriquecimento do percurso formativo dos
III - o desenvolvimento do educando como pessoa hu- estudantes;
mana, incluindo a formação ética e estética, o desen- IV - desenvolvida a agregação de competências para
volvimento da autonomia intelectual e do pensamen- o trabalho;
to crítico; V - promovida a motivação e a orientação permanen-
IV - a compreensão dos fundamentos científicos e tec- te dos estudantes, visando maior participação nas au-
nológicos presentes na sociedade contemporânea, re- las e seu melhor aproveitamento e desempenho;
lacionando a teoria com a prática. VI - realizada, sistematicamente, a formação conti-
§ 1º O Ensino Médio deve ter uma base unitária so- nuada, destinada, especificamente, aos educadores de
bre a qual podem se assentar possibilidades diversas jovens e adultos.
como preparação geral para o trabalho ou, faculta-
SEÇÃO II
tivamente, para profissões técnicas; na ciência e na
EDUCAÇÃO ESPECIAL
tecnologia, como iniciação científica e tecnológica; na
cultura, como ampliação da formação cultural.
Art. 29. A Educação Especial, como modalidade trans-
§ 2º A definição e a gestão do currículo inscrevem-se
versal a todos os níveis, etapas e modalidades de en-
em uma lógica que se dirige aos jovens, considerando
sino, é parte integrante da educação regular, devendo
suas singularidades, que se situam em um tempo de-
ser prevista no projeto político-pedagógico da unidade
terminado. escolar.
§ 3º Os sistemas educativos devem prever currículos § 1º Os sistemas de ensino devem matricular os es-
flexíveis, com diferentes alternativas, para que os jo- tudantes com deficiência, transtornos globais do de-
vens tenham a oportunidade de escolher o percurso senvolvimento e altas habilidades/superdotação nas
formativo que atenda seus interesses, necessidades e classes comuns do ensino regular e no Atendimento
aspirações, para que se assegure a permanência dos Educacional Especializado (AEE), complementar ou
jovens na escola, com proveito, até a conclusão da suplementar à escolarização, ofertado em salas de re-
Educação Básica. cursos multifuncionais ou em centros de AEE da rede
pública ou de instituições comunitárias, confessionais
CAPÍTULO II ou filantrópicas sem fins lucrativos.
MODALIDADES DA EDUCAÇÃO BÁSICA § 2º Os sistemas e as escolas devem criar condições
para que o professor da classe comum possa explorar
Art. 27. A cada etapa da Educação Básica pode cor- as potencialidades de todos os estudantes, adotando
responder uma ou mais das modalidades de ensino: uma pedagogia dialógica, interativa, interdisciplinar
Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, Edu- e inclusiva e, na interface, o professor do AEE deve
cação Profissional e Tecnológica, Educação do Campo, identificar habilidades e necessidades dos estudantes,
Educação Escolar Indígena e Educação a Distância. organizar e orientar sobre os serviços e recursos pe-
dagógicos e de acessibilidade para a participação e
SEÇÃO I aprendizagem dos estudantes.
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS § 3º Na organização desta modalidade, os sistemas de
ensino devem observar as seguintes orientações fun-
Art. 28. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) des- damentais:
tina-se aos que se situam na faixa etária superior à I - o pleno acesso e a efetiva participação dos estudan-
considerada própria, no nível de conclusão do Ensino tes no ensino regular;
Fundamental e do Ensino Médio. II - a oferta do atendimento educacional especializa-
§ 1º Cabe aos sistemas educativos viabilizar a oferta do;
de cursos gratuitos aos jovens e aos adultos, propor- III - a formação de professores para o AEE e para o
cionando-lhes oportunidades educacionais apropria- desenvolvimento de práticas educacionais inclusivas;
LEGISLAÇÃO
85
SEÇÃO III SEÇÃO IV
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA EDUCAÇÃO BÁSICA DO CAMPO
Art. 30. A Educação Profissional e Tecnológica, no Art. 35. Na modalidade de Educação Básica do Cam-
cumprimento dos objetivos da educação nacional, in- po, a educação para a população rural está prevista
tegra-se aos diferentes níveis e modalidades de edu- com adequações necessárias às peculiaridades da vida
cação e às dimensões do trabalho, da ciência e da no campo e de cada região, definindo-se orientações
tecnologia, e articula-se com o ensino regular e com para três aspectos essenciais à organização da ação
outras modalidades educacionais: Educação de Jovens pedagógica:
e Adultos, Educação Especial e Educação a Distância. I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas
Art. 31. Como modalidade da Educação Básica, a Edu- às reais necessidades e interesses dos estudantes da
cação Profissional e Tecnológica ocorre na oferta de zona rural;
cursos de formação inicial e continuada ou qualifica- II - organização escolar própria, incluindo adequação
ção profissional e nos de Educação Profissional Técni- do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às
ca de nível médio. condições climáticas;
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural.
Art. 32. A Educação Profissional Técnica de nível mé-
dio é desenvolvida nas seguintes formas: Art. 36. A identidade da escola do campo é definida
I - articulada com o Ensino Médio, sob duas formas: a) pela vinculação com as questões inerentes à sua rea-
integrada, na mesma instituição; ou lidade, com propostas pedagógicas que contemplam
b) concomitante, na mesma ou em distintas institui- sua diversidade em todos os aspectos, tais como so-
ções; ciais, culturais, políticos, econômicos, de gênero, ge-
II - subsequente, em cursos destinados a quem já te- ração e etnia.
nha concluído o Ensino Médio. Parágrafo único. Formas de organização e metodolo-
§ 1º Os cursos articulados com o Ensino Médio, orga- gias pertinentes à realidade do campo devem ter aco-
nizados na forma integrada, são cursos de matrícula lhidas, como a pedagogia da terra, pela qual se busca
única, que conduzem os educandos à habilitação pro- um trabalho pedagógico fundamentado no princípio
fissional técnica de nível médio ao mesmo tempo em da sustentabilidade, para assegurar a preservação
que concluem a última etapa da Educação Básica. da vida das futuras gerações, e a pedagogia da al-
§ 2º Os cursos técnicos articulados com o Ensino Mé- ternância, na qual o estudante participa, concomitan-
dio, ofertados na forma concomitante, com dupla ma- te e alternadamente, de dois ambientes/situações de
trícula e dupla certificação, podem ocorrer: aprendizagem: o escolar e o laboral, supondo parceria
I - na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as educativa, em que ambas as partes são corresponsá-
oportunidades educacionais disponíveis; veis pelo aprendizado e pela formação do estudante.
II - em instituições de ensino distintas, aproveitando-
-se as oportunidades educacionais disponíveis; SEÇÃO V
III - em instituições de ensino distintas, mediante con- EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA
vênios de intercomplementaridade, com planejamen-
to e desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. Art. 37. A Educação Escolar Indígena ocorre em unida-
§ 3º São admitidas, nos cursos de Educação Profissio- des educacionais inscritas em suas terras e culturas, as
nal Técnica de nível médio, a organização e a estrutu- quais têm uma realidade singular, requerendo peda-
ração em etapas que possibilitem qualificação profis- gogia própria em respeito à especificidade étnico-cul-
sional intermediária. tural de cada povo ou comunidade e formação espe-
§ 4º A Educação Profissional e Tecnológica pode ser cífica de seu quadro docente, observados os princípios
desenvolvida por diferentes estratégias de educação constitucionais, a base nacional comum e os princípios
continuada, em instituições especializadas ou no am- que orientam a Educação Básica brasileira.
biente de trabalho, incluindo os programas e cursos de Parágrafo único. Na estruturação e no funcionamento
aprendizagem, previstos na Consolidação das Leis do das escolas indígenas, é reconhecida a sua condição
de possuidores de normas e ordenamento jurídico pró-
Trabalho (CLT).
prios, com ensino intercultural e bilíngue, visando à
valorização plena das culturas dos povos indígenas e
Art. 33. A organização curricular da Educação Profis-
à afirmação e manutenção de sua diversidade étnica.
sional e Tecnológica por eixo tecnológico fundamenta-
-se na identificação das tecnologias que se encontram
Art. 38. Na organização de escola indígena, deve ser
na base de uma dada formação profissional e dos ar-
considerada a participação da comunidade, na defini-
ranjos lógicos por elas constituídos.
ção do modelo de organização e gestão, bem como:
I - suas estruturas sociais;
Art. 34. Os conhecimentos e as habilidades adquiri-
II - suas práticas socioculturais e religiosas;
dos tanto nos cursos de Educação Profissional e Tec-
LEGISLAÇÃO
86
VI - uso de materiais didático-pedagógicos produzidos § 1º A autonomia da instituição educacional baseia-se
de acordo com o contexto sociocultural de cada povo na busca de sua identidade, que se expressa na cons-
indígena. trução de seu projeto pedagógico e do seu regimento
escolar, enquanto manifestação de seu ideal de educa-
SEÇÃO VI ção e que permite uma nova e democrática ordenação
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA pedagógica das relações escolares.
§ 2º Cabe à escola, considerada a sua identidade e a
de seus sujeitos, articular a formulação do projeto po-
Art. 39. A modalidade Educação a Distância caracte-
lítico-pedagógico com os planos de educação – nacio-
riza-se pela mediação didáticopedagógica nos pro- nal, estadual, municipal –, o contexto em que a escola
cessos de ensino e aprendizagem que ocorre com a se situa e as necessidades locais e de seus estudantes.
utilização de meios e tecnologias de informação e § 3º A missão da unidade escolar, o papel socioedu-
comunicação, com estudantes e professores desen- cativo, artístico, cultural, ambiental, as questões de
volvendo atividades educativas em lugares ou tempos gênero, etnia e diversidade cultural que compõem as
diversos. ações educativas, a organização e a gestão curricular
são componentes integrantes do projeto político-pe-
Art. 40. O credenciamento para a oferta de cursos e dagógico, devendo ser previstas as prioridades insti-
programas de Educação de Jovens e Adultos, de Edu- tucionais que a identificam, definindo o conjunto das
cação Especial e de Educação Profissional Técnica de ações educativas próprias das etapas da Educação
nível médio e Tecnológica, na modalidade a distância, Básica assumidas, de acordo com as especificidades
compete aos sistemas estaduais de ensino, atendidas que lhes correspondam, preservando a sua articulação
a regulamentação federal e as normas complementa- sistêmica.
res desses sistemas.
Art. 44. O projeto político-pedagógico, instância de
construção coletiva que respeita os sujeitos das apren-
SEÇÃO VII dizagens, entendidos como cidadãos com direitos à
EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA proteção e à participação social, deve contemplar:
I - o diagnóstico da realidade concreta dos sujeitos do
Art. 41. A Educação Escolar Quilombola é desenvolvi- processo educativo, contextualizados no espaço e no
da em unidades educacionais inscritas em suas terras tempo;
e cultura, requerendo pedagogia própria em respeito II - a concepção sobre educação, conhecimento, ava-
à especificidade étnico-cultural de cada comunidade e liação da aprendizagem e mobilidade escolar;
formação específica de seu quadro docente, observa- III - o perfil real dos sujeitos – crianças, jovens e adul-
dos os princípios constitucionais, a base nacional co- tos – que justificam e instituem a vida da e na esco-
mum e os princípios que orientam a Educação Básica la, do ponto de vista intelectual, cultural, emocional,
brasileira. afetivo, socioeconômico, como base da reflexão sobre
Parágrafo único. Na estruturação e no funcionamento as relações vida-conhecimento-culturaprofessor-estu-
dante e instituição escolar;
das escolas quilombolas, bem com nas demais, deve
IV - as bases norteadoras da organização do trabalho
ser reconhecida e valorizada a diversidade cultural. pedagógico;
V - a definição de qualidade das aprendizagens e, por
TÍTULO VII consequência, da escola, no contexto das desigualda-
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS PARA A des que se refletem na escola;
ORGANIZAÇÃO DAS VI - os fundamentos da gestão democrática, compar-
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS GERAIS tilhada e participativa (órgãos colegiados e de repre-
PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA sentação estudantil);
VII - o programa de acompanhamento de acesso, de
Art. 42. São elementos constitutivos para a operacio- permanência dos estudantes e de superação da reten-
nalização destas Diretrizes o projeto político-pedagó- ção escolar;
gico e o regimento escolar; o sistema de avaliação; a VIII - o programa de formação inicial e continuada dos
gestão democrática e a organização da escola; o pro- profissionais da educação, regentes e não regentes;
fessor e o programa de formação docente. IX - as ações de acompanhamento sistemático dos
resultados do processo de avaliação interna e exter-
na (Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB,
CAPÍTULO I Prova Brasil, dados estatísticos, pesquisas sobre os su-
O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGI- jeitos da Educação Básica), incluindo dados referentes
MENTO ESCOLAR ao IDEB e/ou que complementem ou substituam os
desenvolvidos pelas unidades da federação e outros;
Art. 43. O projeto político-pedagógico, interdependen- X - a concepção da organização do espaço físico da
LEGISLAÇÃO
temente da autonomia pedagógica, administrativa e instituição escolar de tal modo que este seja compa-
de gestão financeira da instituição educacional, re- tível com as características de seus sujeitos, que aten-
presenta mais do que um documento, sendo um dos da as normas de acessibilidade, além da natureza e
meios de viabilizar a escola democrática para todos e das finalidades da educação, deliberadas e assumidas
de qualidade social. pela comunidade educacional.
87
Art. 45. O regimento escolar, discutido e aprovado pela SEÇÃO II
comunidade escolar e conhecido por todos, constitui- PROMOÇÃO, ACELERAÇÃO DE ESTUDOS E
-se em um dos instrumentos de execução do projeto CLASSIFICAÇÃO
políticopedagógico, com transparência e responsabi-
lidade. Art. 48. A promoção e a classificação no Ensino Fun-
Parágrafo único. O regimento escolar trata da nature- damental e no Ensino Médio podem ser utilizadas em
za e da finalidade da instituição, da relação da gestão qualquer ano, série, ciclo, módulo ou outra unidade
democrática com os órgãos colegiados, das atribui- de percurso adotada, exceto na primeira do Ensino
ções de seus órgãos e sujeitos, das suas normas pe- Fundamental, alicerçando-se na orientação de que a
dagógicas, incluindo os critérios de acesso, promoção, avaliação do rendimento escolar observará os seguin-
mobilidade do estudante, dos direitos e deveres dos tes critérios:
seus sujeitos: estudantes, professores, técnicos e fun- I - avaliação contínua e cumulativa do desempenho
cionários, gestores, famílias, representação estudantil do estudante, com prevalência dos aspectos qualita-
tivos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo
e função das suas instâncias colegiadas.
do período sobre os de eventuais provas finais;
II - possibilidade de aceleração de estudos para estu-
CAPÍTULO II
dantes com atraso escolar;
AVALIAÇÃO
III - possibilidade de avanço nos cursos e nas séries
mediante verificação do aprendizado;
Art. 46. A avaliação no ambiente educacional com- IV - aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
preende 3 (três) dimensões básicas: V - oferta obrigatória de apoio pedagógico destinado
I - avaliação da aprendizagem; à recuperação contínua e concomitante de aprendiza-
II - avaliação institucional interna e externa; gem de estudantes com déficit de rendimento escolar,
III - avaliação de redes de Educação Básica. a ser previsto no regimento escolar.
ta uma estratégia de progresso individual e contínuo tas a serem concretizados, mediante ação dos diversos
que favorece o crescimento do educando, preservando segmentos da comunidade educativa, o que pressupõe
a qualidade necessária para a sua formação escolar, delimitação de indicadores compatíveis com a missão
sendo organizada de acordo com regras comuns a es- da escola, além de clareza quanto ao que seja quali-
sas duas etapas. dade social da aprendizagem e da escola.
88
SEÇÃO IV III - a prática em que os sujeitos constitutivos da co-
AVALIAÇÃO DE REDES DE EDUCAÇÃO BÁSICA munidade educacional discutam a própria práxis pe-
dagógica impregnando-a de entusiasmo e de compro-
Art. 53. A avaliação de redes de Educação Básica ocor- misso com a sua própria comunidade, valorizando-a,
re periodicamente, é realizada por órgãos externos à situando-a no contexto das relações sociais e buscan-
escola e engloba os resultados da avaliação institucio- do soluções conjuntas;
nal, sendo que os resultados dessa avaliação sinali- IV - a construção de relações interpessoais solidárias,
zam para a sociedade se a escola apresenta qualidade geridas de tal modo que os professores se sintam esti-
suficiente para continuar funcionando como está. mulados a conhecer melhor os seus pares (colegas de
trabalho, estudantes, famílias), a expor as suas ideias,
a traduzir as suas dificuldades e expectativas pessoais
CAPÍTULO III
e profissionais;
GESTÃO DEMOCRÁTICA E ORGANIZAÇÃO DA V - a instauração de relações entre os estudantes, pro-
ESCOLA porcionando-lhes espaços de convivência e situações
de aprendizagem, por meio dos quais aprendam a se
Art. 54. É pressuposto da organização do trabalho pe- compreender e se organizar em equipes de estudos e
dagógico e da gestão da escola conceber a organiza- de práticas esportivas, artísticas e políticas;
ção e a gestão das pessoas, do espaço, dos processos e VI - a presença articuladora e mobilizadora do ges-
procedimentos que viabilizam o trabalho expresso no tor no cotidiano da escola e nos espaços com os quais
projeto político-pedagógico e em planos da escola, em a escola interage, em busca da qualidade social das
que se conformam as condições de trabalho definidas aprendizagens que lhe caiba desenvolver, com trans-
pelas instâncias colegiadas. parência e responsabilidade.
§ 1º As instituições, respeitadas as normas legais e as
do seu sistema de ensino, têm incumbências comple- CAPÍTULO IV
xas e abrangentes, que exigem outra concepção de or- O PROFESSOR E A FORMAÇÃO INICIAL E
ganização do trabalho pedagógico, como distribuição CONTINUADA
da carga horária, remuneração, estratégias claramen-
te definidas para a ação didáticopedagógica coletiva Art. 56. A tarefa de cuidar e educar, que a fundamen-
que inclua a pesquisa, a criação de novas abordagens tação da ação docente e os programas de formação
inicial e continuada dos profissionais da educação ins-
e práticas metodológicas, incluindo a produção de re-
tauram, reflete-se na eleição de um ou outro método
cursos didáticos adequados às condições da escola e
de aprendizagem, a partir do qual é determinado o
da comunidade em que esteja ela inserida. perfil de docente para a Educação Básica, em atendi-
§ 2º É obrigatória a gestão democrática no ensino mento às dimensões técnicas, políticas, éticas e esté-
público e prevista, em geral, para todas as institui- ticas.
ções de ensino, o que implica decisões coletivas que § 1º Para a formação inicial e continuada, as esco-
pressupõem a participação da comunidade escolar na las de formação dos profissionais da educação, sejam
gestão da escola e a observância dos princípios e fina- gestores, professores ou especialistas, deverão incluir
lidades da educação. em seus currículos e programas:
§ 3º No exercício da gestão democrática, a escola a) o conhecimento da escola como organização com-
deve se empenhar para constituir-se em espaço das plexa que tem a função de promover a educação para
diferenças e da pluralidade, inscrita na diversidade do e na cidadania;
processo tornado possível por meio de relações inter- b) a pesquisa, a análise e a aplicação dos resultados de
subjetivas, cuja meta é a de se fundamentar em prin- investigações de interesse da área educacional;
cípio educativo emancipador, expresso na liberdade c) a participação na gestão de processos educativos e
de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o na organização e funcionamento de sistemas e insti-
pensamento, a arte e o saber. tuições de ensino;
d) a temática da gestão democrática, dando ênfase
à construção do projeto políticopedagógico, mediante
Art. 55. A gestão democrática constitui-se em instru-
trabalho coletivo de que todos os que compõem a co-
mento de horizontalização das relações, de vivência e
munidade escolar são responsáveis.
convivência colegiada, superando o autoritarismo no
planejamento e na concepção e organização curricu- Art. 57. Entre os princípios definidos para a educação
lar, educando para a conquista da cidadania plena e nacional está a valorização do profissional da educa-
fortalecendo a ação conjunta que busca criar e recriar ção, com a compreensão de que valorizá-lo é valorizar
o trabalho da e na escola mediante: a escola, com qualidade gestorial, educativa, social,
I - a compreensão da globalidade da pessoa, enquanto cultural, ética, estética, ambiental.
ser que aprende, que sonha e ousa, em busca de uma § 1º A valorização do profissional da educação escolar
convivência social libertadora fundamentada na ética vincula-se à obrigatoriedade da garantia de qualida-
LEGISLAÇÃO
89
§ 2º Os programas de formação inicial e continuada c) não existe, uma vez que ela sempre deve prestar con-
dos profissionais da educação, vinculados às orienta- tas de suas ações a uma instância superior.
ções destas Diretrizes, devem prepará-los para o de- d) é definida pela ausência de uma relação de influência
sempenho de suas atribuições, considerando necessá- mútua entre a sociedade, o sistema de ensino, a insti-
rio: tuição escolar e os sujeitos.
a) além de um conjunto de habilidades cognitivas, sa-
ber pesquisar, orientar, avaliar e elaborar propostas, RESPOSTA: Letra A.
isto é, interpretar e reconstruir o conhecimento cole- A questão da autonomia na nova LDB
tivamente; Com relação a esse tema, a Lei 9.394/96 representa
b) trabalhar cooperativamente em equipe; um extraordinário progresso, já que pela primeira vez
c) compreender, interpretar e aplicar a linguagem e os autonomia escolar e projeto pedagógico aparecem
vinculados num texto legal. O Artigo 12 (inciso I) esta-
instrumentos produzidos ao longo da evolução tecno-
belece como incumbência primordial da escola a ela-
lógica, econômica e organizativa;
boração e execução de seu projeto pedagógico e os
d) desenvolver competências para integração com a
Artigos 13 (inciso I) e 14 (incisos I e II) estabelecem que
comunidade e para relacionamento com as famílias. esse projeto é uma tarefa coletiva, na qual devem co-
laborar professores, outros profissionais da educação
Art. 58. A formação inicial, nos cursos de licenciatu- e as comunidades escolar e local. Além dessas referên-
ra, não esgota o desenvolvimento dos conhecimentos, cias explícitas sobre a necessidade de que cada escola
saberes e habilidades referidas, razão pela qual um elabore e execute o seu próprio projeto pedagógico, a
programa de formação continuada dos profissionais nova lei retomou no Art. 32 (inciso III), como princípio
da educação será contemplado no projeto político-pe- de toda educação nacional, a exigência de “pluralismo
dagógico. de ideias e de concepções pedagógicas” que, embora
já figure na Constituição Federal (Art. 205, inciso III),
Art. 59. Os sistemas educativos devem instituir orien- nem sempre é lembrado e obedecido. A relevância
tações para que o projeto de formação dos profissio- desse princípio está justamente no fato de que ele é a
nais preveja: tradução no nível escolar do próprio fundamento da
a) a consolidação da identidade dos profissionais da convivência democrática que é a aceitação das dife-
educação, nas suas relações com a escola e com o es- renças. Porque o simples fato de que cada escola, no
tudante; exercício de sua autonomia, elabore e execute o seu
b) a criação de incentivos para o resgate da imagem próprio projeto escolar não elimina o risco de supres-
social do professor, assim como da autonomia docente são das divergências e nem mesmo a possibilidade de
tanto individual como coletiva; que existam práticas escolares continuamente frustra-
c) a definição de indicadores de qualidade social da doras de uma autêntica educação para a cidadania. Na
educação escolar, a fim de que as agências formado- verdade, a autonomia escolar desligada dos pressu-
postos éticos da tarefa educativa poderá até favorecer
ras de profissionais da educação revejam os projetos
a emergência e o reforço de sentimentos e atitudes
dos cursos de formação inicial e continuada de docen-
contrários à convivência democrática.
tes, de modo que correspondam às exigências de um
projeto de Nação.
RESOLUÇÃO N° 7, DE 14/12/2010 –
Art. 60. Esta Resolução entrará em vigor na data de
DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS
sua publicação.
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DE 9
(NOVE) ANOS
90
Art. 1º A presente Resolução fixa as Diretrizes Cur- III – A equidade alude à importância de tratar de for-
riculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 ma diferenciada o que se apresenta como desigual no
(nove) anos a serem observadas na organização cur- ponto de partida, com vistas a obter desenvolvimento
ricular dos sistemas de ensino e de suas unidades es- e aprendizagens equiparáveis, assegurando a todos a
colares. igualdade de direito à educação.
Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais para o § 3º Na perspectiva de contribuir para a erradicação
Ensino Fundamental de 9 (nove) anos articulam-se da pobreza e das desigualdades, a equidade requer
com as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para que sejam oferecidos mais recursos e melhores condi-
a Educação Básica (Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e ções às escolas menos providas e aos alunos que de-
Resolução CNE/CEB nº 4/2010) e reúnem princípios, les mais necessitem. Ao lado das políticas universais,
fundamentos e procedimentos definidos pelo Conse- dirigidas a todos sem requisito de seleção, é preciso
lho Nacional de Educação, para orientar as políticas também sustentar políticas reparadoras que assegu-
públicas educacionais e a elaboração, implementação rem maior apoio aos diferentes grupos sociais em des-
e avaliação das orientações curriculares nacionais, das vantagem.
propostas curriculares dos Estados, do Distrito Federal, § 4º A educação escolar, comprometida com a igual-
dos Municípios, e dos projetos político-pedagógicos dade do acesso de todos ao conhecimento e espe-
das escolas.
cialmente empenhada em garantir esse acesso aos
Parágrafo único. Estas Diretrizes Curriculares Nacio-
grupos da população em desvantagem na sociedade,
nais aplicam-se a todas as modalidades do Ensino
será uma educação com qualidade social e contribuirá
Fundamental previstas na Lei de Diretrizes e Bases da
para dirimir as desigualdades historicamente produ-
Educação Nacional, bem como à Educação do Cam-
po, à Educação Escolar Indígena e à Educação Escolar zidas, assegurando, assim, o ingresso, a permanência
Quilombola. e o sucesso na escola, com a consequente redução da
evasão, da retenção e das distorções de idade/ano/
FUNDAMENTOS série (Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e Resolução CNE/
CEB nº 4/2010, que define as Diretrizes Curriculares
Art. 3º O Ensino Fundamental se traduz como um di- Nacionais Gerais para a Educação Básica).
reito público subjetivo de cada um e como dever do
Estado e da família na sua oferta a todos. PRINCÍPIOS
Art. 4º É dever do Estado garantir a oferta do Ensino Art. 6º Os sistemas de ensino e as escolas adotarão,
Fundamental público, gratuito e de qualidade, sem re- como norteadores das políticas educativas e das ações
quisito de seleção. pedagógicas, os seguintes princípios:
Parágrafo único. As escolas que ministram esse ensino I – Éticos: de justiça, solidariedade, liberdade e auto-
deverão trabalhar considerando essa etapa da educa- nomia; de respeito à dignidade da pessoa humana e
ção como aquela capaz de assegurar a cada um e a de compromisso com a promoção do bem de todos,
todos o acesso ao conhecimento e aos elementos da contribuindo para combater e eliminar quaisquer ma-
cultura imprescindíveis para o seu desenvolvimento nifestações de preconceito de origem, raça, sexo, cor,
pessoal e para a vida em sociedade, assim como os idade e quaisquer outras formas de discriminação.
benefícios de uma formação comum, independente- II – Políticos: de reconhecimento dos direitos e deveres
mente da grande diversidade da população escolar e de cidadania, de respeito ao bem comum e à preser-
das demandas sociais. vação do regime democrático e dos recursos ambien-
tais; da busca da equidade no acesso à educação, à
Art. 5º O direito à educação, entendido como um direi- saúde, ao trabalho, aos bens culturais e outros bene-
to inalienável do ser humano, constitui o fundamento fícios; da exigência de diversidade de tratamento para
maior destas Diretrizes. A educação, ao proporcionar assegurar a igualdade de direitos entre os alunos que
o desenvolvimento do potencial humano, permite o apresentam diferentes necessidades; da redução da
exercício dos direitos civis, políticos, sociais e do direito pobreza e das desigualdades sociais e regionais.
à diferença, sendo ela mesma também um direito so- III – Estéticos: do cultivo da sensibilidade juntamente
cial, e possibilita a formação cidadã e o usufruto dos com o da racionalidade; do enriquecimento das for-
bens sociais e culturais. mas de expressão e do exercício da criatividade; da
§ 1º O Ensino Fundamental deve comprometer-se com valorização das diferentes manifestações culturais, es-
uma educação com qualidade social, igualmente en- pecialmente a da cultura brasileira; da construção de
tendida como direito humano.
identidades plurais e solidárias.
§ 2º A educação de qualidade, como um direito fun-
damental, é, antes de tudo, relevante, pertinente e
Art. 7º De acordo com esses princípios, e em confor-
equitativa.
midade com o art. 22 e o art. 32 da Lei nº 9.394/96
I – A relevância reporta-se à promoção de aprendi-
zagens significativas do ponto de vista das exigências (LDB), as propostas curriculares do Ensino Fundamen-
tal visarão desenvolver o educando, assegurar-lhe a
LEGISLAÇÃO
91
I – o desenvolvimento da capacidade de aprender, ten- transformam a fim de que possam ser ensinados e
do como meios básicos o pleno domínio da leitura, da aprendidos, ao mesmo tempo em que servem de ele-
escrita e do cálculo; mentos para a formação ética, estética e política do
II – a compreensão do ambiente natural e social, do aluno.
sistema político, das artes, da tecnologia e dos valores
em que se fundamenta a sociedade; BASE NACIONAL COMUM E PARTE
III – a aquisição de conhecimentos e habilidades, e a DIVERSIFICADA: COMPLEMENTARIDADE
formação de atitudes e valores como instrumentos
para uma visão crítica do mundo; Art. 10 O currículo do Ensino Fundamental tem uma
IV – o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços base nacional comum, complementada em cada siste-
de solidariedade humana e de tolerância recíproca em ma de ensino e em cada estabelecimento escolar por
que se assenta a vida social. uma parte diversificada.
92
mundo físico e natural e da realidade social e política, que afetam a vida humana em escala global, regional
especialmente a do Brasil, bem como o ensino da Arte, e local, bem como na esfera individual. Temas como
a Educação Física e o Ensino Religioso. saúde, sexualidade e gênero, vida familiar e social, as-
sim como os direitos das crianças e adolescentes, de
Art. 15 Os componentes curriculares obrigatórios do acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente
Ensino Fundamental serão assim organizados em re- (Lei nº 8.069/90), preservação do meio ambiente, nos
lação às áreas de conhecimento: termos da política nacional de educação ambiental
I – Linguagens: (Lei nº 9.795/99), educação para o consumo, educa-
a) Língua Portuguesa; ção fiscal, trabalho, ciência e tecnologia, e diversidade
b) Língua Materna, para populações indígenas; cultural devem permear o desenvolvimento dos con-
c) Língua Estrangeira moderna; teúdos da base nacional comum e da parte diversifi-
d) Arte; e cada do currículo.
e) Educação Física; § 1º Outras leis específicas que complementam a Lei
II – Matemática; nº 9.394/96 determinam que sejam ainda incluídos
III – Ciências da Natureza; temas relativos à condição e aos direitos dos idosos
IV – Ciências Humanas: (Lei nº 10.741/2003) e à educação para o trânsito (Lei
a) História; nº 9.503/97).
b) Geografia; § 2º A transversalidade constitui uma das maneiras
V – Ensino Religioso. de trabalhar os componentes curriculares, as áreas de
§ 1º O Ensino Fundamental deve ser ministrado em conhecimento e os temas sociais em uma perspectiva
língua portuguesa, assegurada também às comunida- integrada, conforme a Diretrizes Curriculares Nacio-
des indígenas a utilização de suas línguas maternas e nais Gerais para a Educação Básica (Parecer CNE/CEB
processos próprios de aprendizagem, conforme o art. nº 7/2010 e Resolução CNE/CEB nº 4/2010).
210, § 2º, da Constituição Federal. § 3º Aos órgãos executivos dos sistemas de ensino
§ 2º O ensino de História do Brasil levará em conta as
compete a produção e a disseminação de materiais
contribuições das diferentes culturas e etnias para a
subsidiários ao trabalho docente, que contribuam
formação do povo brasileiro, especialmente das ma-
para a eliminação de discriminações, racismo, sexis-
trizes indígena, africana e europeia (art. 26, § 4º, da
mo, homofobia e outros preconceitos e que conduzam
Lei nº 9.394/96).
à adoção de comportamentos responsáveis e solidá-
§ 3º A história e as culturas indígena e afro-brasileira,
rios em relação aos outros e ao meio ambiente.
presentes, obrigatoriamente, nos conteúdos desen-
volvidos no âmbito de todo o currículo escolar e, em
especial, no ensino de Arte, Literatura e História do Art. 17 Na parte diversificada do currículo do Ensino
Brasil, assim como a História da África, deverão asse- Fundamental será incluído, obrigatoriamente, a par-
gurar o conhecimento e o reconhecimento desses po- tir do 6º ano, o ensino de, pelo menos, uma Língua
vos para a constituição da nação (conforme art. 26-A Estrangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da
da Lei nº 9.394/96, alterado pela Lei nº 11.645/2008). comunidade escolar.
Sua inclusão possibilita ampliar o leque de referências Parágrafo único. Entre as línguas estrangeiras moder-
culturais de toda a população escolar e contribui para nas, a língua espanhola poderá ser a opção, nos ter-
a mudança das suas concepções de mundo, transfor- mos da Lei nº 11.161/2005.
mando os conhecimentos comuns veiculados pelo cur-
rículo e contribuindo para a construção de identidades PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
mais plurais e solidárias.
§ 4º A Música constitui conteúdo obrigatório, mas não Art. 18 O currículo do Ensino Fundamental com 9
exclusivo, do componente curricular Arte, o qual com- (nove) anos de duração exige a estruturação de um
preende também as artes visuais, o teatro e a dança, projeto educativo coerente, articulado e integrado,
conforme o § 6º do art. 26 da Lei nº 9.394/96. de acordo com os modos de ser e de se desenvolver
§ 5º A Educação Física, componente obrigatório do das crianças e adolescentes nos diferentes contextos
currículo do Ensino Fundamental, integra a proposta sociais.
políticopedagógica da escola e será facultativa ao alu-
no apenas nas circunstâncias previstas no § 3º do art. Art. 19 Ciclos, séries e outras formas de organização a
26 da Lei nº 9.394/96. que se refere a Lei nº 9.394/96 serão compreendidos
§ 6º O Ensino Religioso, de matrícula facultativa ao como tempos e espaços interdependentes e articula-
aluno, é parte integrante da formação básica do ci- dos entre si, ao longo dos 9 (nove) anos de duração do
dadão e constitui componente curricular dos horários Ensino Fundamental.
normais das escolas públicas de Ensino Fundamental,
assegurado o respeito à diversidade cultural e religio- GESTÃO DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA COMO
sa do Brasil e vedadas quaisquer formas de proselitis- GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO
mo, conforme o art. 33 da Lei nº 9.394/96.
LEGISLAÇÃO
93
§ 1º O projeto político-pedagógico da escola traduz RELEVÂNCIA DOS CONTEÚDOS, INTEGRAÇÃO E
a proposta educativa construída pela comunidade es- ABORDAGENS
colar no exercício de sua autonomia, com base nas
características dos alunos, nos profissionais e recur- Art. 24 A necessária integração dos conhecimentos es-
sos disponíveis, tendo como referência as orientações colares no currículo favorece a sua contextualização e
curriculares nacionais e dos respectivos sistemas de aproxima o processo educativo das experiências dos
ensino. alunos.
§ 2º Será assegurada ampla participação dos profis- § 1º A oportunidade de conhecer e analisar experiên-
sionais da escola, da família, dos alunos e da comu- cias assentadas em diversas concepções de currículo
nidade local na definição das orientações imprimidas integrado e interdisciplinar oferecerá aos docentes
aos processos educativos e nas formas de implemen-
subsídios para desenvolver propostas pedagógicas
tá-las, tendo como apoio um processo contínuo de
que avancem na direção de um trabalho colaborativo,
avaliação das ações, a fim de garantir a distribuição
social do conhecimento e contribuir para a construção capaz de superar a fragmentação dos componentes
de uma sociedade democrática e igualitária. curriculares.
§ 3º O regimento escolar deve assegurar as condições § 2º Constituem exemplos de possibilidades de inte-
institucionais adequadas para a execução do projeto gração do currículo, entre outros, as propostas curri-
político-pedagógico e a oferta de uma educação in- culares ordenadas em torno de grandes eixos articu-
clusiva e com qualidade social, igualmente garantida ladores, projetos interdisciplinares com base em temas
a ampla participação da comunidade escolar na sua geradores formulados a partir de questões da comuni-
elaboração. dade e articulados aos componentes curriculares e às
§ 4º O projeto político-pedagógico e o regimento es- áreas de conhecimento, currículos em rede, propostas
colar, em conformidade com a legislação e as nor- ordenadas em torno de conceitos-chave ou conceitos
mas vigentes, conferirão espaço e tempo para que os nucleares que permitam trabalhar as questões cogni-
profissionais da escola e, em especial, os professores, tivas e as questões culturais numa perspectiva trans-
possam participar de reuniões de trabalho coletivo, versal, e projetos de trabalho com diversas acepções.
planejar e executar as ações educativas de modo ar- § 3º Os projetos propostos pela escola, comunidade,
ticulado, avaliar os trabalhos dos alunos, tomar parte redes e sistemas de ensino serão articulados ao desen-
em ações de formação continuada e estabelecer con- volvimento dos componentes curriculares e às áreas
tatos com a comunidade. de conhecimento, observadas as disposições contidas
§ 5º Na implementação de seu projeto político-peda- nas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
gógico, as escolas se articularão com as instituições Educação Básica (Resolução CNE/CEB nº 4/2010, art.
formadoras com vistas a assegurar a formação conti-
17) e nos termos do Parecer que dá base à presente
nuada de seus profissionais.
Resolução.
Art. 21 No projeto político-pedagógico do Ensino Fun-
damental e no regimento escolar, o aluno, centro do Art. 25 Os professores levarão em conta a diversidade
planejamento curricular, será considerado como sujei- sociocultural da população escolar, as desigualdades
to que atribui sentidos à natureza e à sociedade nas de acesso ao consumo de bens culturais e a multiplici-
práticas sociais que vivencia, produzindo cultura e dade de interesses e necessidades apresentadas pelos
construindo sua identidade pessoal e social. alunos no desenvolvimento de metodologias e estra-
Parágrafo único. Como sujeito de direitos, o aluno to- tégias variadas que melhor respondam às diferenças
mará parte ativa na discussão e na implementação de aprendizagem entre os estudantes e às suas de-
das normas que regem as formas de relacionamento mandas.
na escola, fornecerá indicações relevantes a respeito
do que deve ser trabalhado no currículo e será incenti- Art. 26 Os sistemas de ensino e as escolas assegurarão
vado a participar das organizações estudantis. adequadas condições de trabalho aos seus profissio-
nais e o provimento de outros insumos, de acordo com
Art. 22 O trabalho educativo no Ensino Fundamental os padrões mínimos de qualidade referidos no inciso
deve empenhar-se na promoção de uma cultura esco- IX do art. 4º da Lei nº 9.394/96 e em normas especí-
lar acolhedora e respeitosa, que reconheça e valorize ficas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educa-
as experiências dos alunos atendendo as suas diferen- ção, com vistas à criação de um ambiente propício à
ças e necessidades específicas, de modo a contribuir aprendizagem, com base:
para efetivar a inclusão escolar e o direito de todos à I – no trabalho compartilhado e no compromisso indi-
educação.
vidual e coletivo dos professores e demais profissionais
da escola com a aprendizagem dos alunos;
Art. 23 Na implementação do projeto político-peda-
gógico, o cuidar e o educar, indissociáveis funções da II – no atendimento às necessidades específicas de
escola, resultarão em ações integradas que buscam aprendizagem de cada um mediante abordagens
articular-se, pedagogicamente, no interior da própria apropriadas;
III – na utilização dos recursos disponíveis na escola e
LEGISLAÇÃO
94
V – no cultivo do diálogo e de relações de parceria § 1º O reconhecimento do que os alunos já aprende-
com as famílias. ram antes da sua entrada no Ensino Fundamental e a
Parágrafo único. Como protagonistas das ações pe- recuperação do caráter lúdico do ensino contribuirão
dagógicas, caberá aos docentes equilibrar a ênfase no para melhor qualificar a ação pedagógica junto às
reconhecimento e valorização da experiência do aluno crianças, sobretudo nos anos iniciais dessa etapa da
e da cultura local que contribui para construir iden- escolarização.
tidades afirmativas, e a necessidade de lhes fornecer § 2º Na passagem dos anos iniciais para os anos finais
instrumentos mais complexos de análise da realidade do Ensino Fundamental, especial atenção será dada:
que possibilitem o acesso a níveis universais de expli- I – pelos sistemas de ensino, ao planejamento da ofer-
cação dos fenômenos, propiciando-lhes os meios para ta educativa dos alunos transferidos das redes munici-
transitar entre a sua e outras realidades e culturas e pais para as estaduais;
participar de diferentes esferas da vida social, econô- II – pelas escolas, à coordenação das demandas espe-
mica e política. cíficas feitas pelos diferentes professores aos alunos, a
fim de que os estudantes possam melhor organizar as
Art. 27 Os sistemas de ensino, as escolas e os profes- suas atividades diante das solicitações muito diversas
sores, com o apoio das famílias e da comunidade, en- que recebem.
vidarão esforços para assegurar o progresso contínuo Art. 30 Os três anos iniciais do Ensino Fundamental
dos alunos no que se refere ao seu desenvolvimen- devem assegurar:
to pleno e à aquisição de aprendizagens significati- I – a alfabetização e o letramento;
vas, lançando mão de todos os recursos disponíveis e II – o desenvolvimento das diversas formas de expres-
criando renovadas oportunidades para evitar que a são, incluindo o aprendizado da Língua Portuguesa, a
trajetória escolar discente seja retardada ou indevida- Literatura, a Música e demais artes, a Educação Física,
mente interrompida. assim como o aprendizado da Matemática, da Ciên-
§ 1º Devem, portanto, adotar as providências neces- cia, da História e da Geografia;
III – a continuidade da aprendizagem, tendo em con-
sárias para que a operacionalização do princípio da
ta a complexidade do processo de alfabetização e os
continuidade não seja traduzida como “promoção au-
prejuízos que a repetência pode causar no Ensino Fun-
tomática” de alunos de um ano, série ou ciclo para
damental como um todo e, particularmente, na passa-
o seguinte, e para que o combate à repetência não
gem do primeiro para o segundo ano de escolaridade
se transforme em descompromisso com o ensino e a
e deste para o terceiro.
aprendizagem.
§ 1º Mesmo quando o sistema de ensino ou a escola,
§ 2º A organização do trabalho pedagógico incluirá a no uso de sua autonomia, fizerem opção pelo regime
mobilidade e a flexibilização dos tempos e espaços es- seriado, será necessário considerar os três anos iniciais
colares, a diversidade nos agrupamentos de alunos, as do Ensino Fundamental como um bloco pedagógico
diversas linguagens artísticas, a diversidade de mate- ou um ciclo sequencial não passível de interrupção,
riais, os variados suportes literários, as atividades que voltado para ampliar a todos os alunos as oportunida-
mobilizem o raciocínio, as atitudes investigativas, as des de sistematização e aprofundamento das aprendi-
abordagens complementares e as atividades de refor- zagens básicas, imprescindíveis para o prosseguimen-
ço, a articulação entre a escola e a comunidade, e o to dos estudos.
acesso aos espaços de expressão cultural. § 2º Considerando as características de desenvolvi-
mento dos alunos, cabe aos professores adotar formas
Art. 28 A utilização qualificada das tecnologias e con- de trabalho que proporcionem maior mobilidade das
teúdos das mídias como recurso aliado ao desenvolvi- crianças nas salas de aula e as levem a explorar mais
mento do currículo contribui para o importante papel intensamente as diversas linguagens artísticas, a co-
que tem a escola como ambiente de inclusão digital meçar pela literatura, a utilizar materiais que ofere-
e de utilização crítica das tecnologias da informação çam oportunidades de raciocinar, manuseando-os e
e comunicação, requerendo o aporte dos sistemas de explorando as suas características e propriedades.
ensino no que se refere à:
I – provisão de recursos midiáticos atualizados e em Art. 31 Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, os
número suficiente para o atendimento aos alunos; componentes curriculares Educação Física e Arte
II – adequada formação do professor e demais profis- poderão estar a cargo do professor de referência da
sionais da escola. turma, aquele com o qual os alunos permanecem a
maior parte do período escolar, ou de professores li-
ARTICULAÇÕES E CONTINUIDADE DA cenciados nos respectivos componentes.
TRAJETÓRIA ESCOLAR § 1º Nas escolas que optarem por incluir Língua Es-
trangeira nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o
Art. 29 A necessidade de assegurar aos alunos um professor deverá ter licenciatura específica no compo-
percurso contínuo de aprendizagens torna imperativa nente curricular.
a articulação de todas as etapas da educação, espe- § 2º Nos casos em que esses componentes curriculares
LEGISLAÇÃO
cialmente do Ensino Fundamental com a Educação sejam desenvolvidos por professores com licenciatu-
Infantil, dos anos iniciais e dos anos finais no interior ra específica (conforme Parecer CNE/CEB nº 2/2008),
do Ensino Fundamental, bem como do Ensino Funda- deve ser assegurada a integração com os demais com-
mental com o Ensino Médio, garantindo a qualidade ponentes trabalhados pelo professor de referência da
da Educação Básica. turma.
95
AVALIAÇÃO: PARTE INTEGRANTE DO CURRÍCULO propostas políticopedagógicas das escolas, articuladas
às orientações e propostas curriculares dos sistemas,
Art. 32 A avaliação dos alunos, a ser realizada pelos sem reduzir os seus propósitos ao que é avaliado pelos
professores e pela escola como parte integrante da testes de larga escala.
proposta curricular e da implementação do currículo,
é redimensionadora da ação pedagógica e deve: Art. 34 Os sistemas, as redes de ensino e os projetos
I – assumir um caráter processual, formativo e parti- político-pedagógicos das escolas devem expressar
cipativo, ser contínua, cumulativa e diagnóstica, com com clareza o que é esperado dos alunos em relação
vistas a: à sua aprendizagem.
a) identificar potencialidades e dificuldades de apren- Art. 35 Os resultados de aprendizagem dos alunos de-
dizagem e detectar problemas de ensino; vem ser aliados à avaliação das escolas e de seus pro-
b) subsidiar decisões sobre a utilização de estratégias fessores, tendo em conta os parâmetros de referência
e abordagens de acordo com as necessidades dos alu- dos insumos básicos necessários à educação de quali-
nos, criar condições de intervir de modo imediato e a dade para todos nesta etapa da educação e respectivo
mais longo prazo para sanar dificuldades e redirecio- custo aluno-qualidade inicial (CAQi), consideradas in-
nar o trabalho docente; clusive as suas modalidades e as formas diferenciadas
c) manter a família informada sobre o desempenho de atendimento como a Educação do Campo, a Edu-
dos alunos; cação Escolar Indígena, a Educação Escolar Quilombo-
d) reconhecer o direito do aluno e da família de discu- la e as escolas de tempo integral.
tir os resultados de avaliação, inclusive em instâncias Parágrafo único. A melhoria dos resultados de apren-
superiores à escola, revendo procedimentos sempre dizagem dos alunos e da qualidade da educação obri-
que as reivindicações forem procedentes. ga:
II – utilizar vários instrumentos e procedimentos, tais I – os sistemas de ensino a incrementarem os dispo-
como a observação, o registro descritivo e reflexivo, sitivos da carreira e de condições de exercício e valo-
os trabalhos individuais e coletivos, os portfólios, exer- rização do magistério e dos demais profissionais da
cícios, provas, questionários, dentre outros, tendo em educação e a oferecerem os recursos e apoios que de-
conta a sua adequação à faixa etária e às característi- mandam as escolas e seus profissionais para melhorar
cas de desenvolvimento do educando; a sua atuação;
III – fazer prevalecer os aspectos qualitativos da II – as escolas a uma apreciação mais ampla das opor-
aprendizagem do aluno sobre os quantitativos, bem tunidades educativas por elas oferecidas aos educan-
como os resultados ao longo do período sobre os de dos, reforçando a sua responsabilidade de propiciar
eventuais provas finais, tal como determina a alínea renovadas oportunidades e incentivos aos que delas
“a” do inciso V do art. 24 da Lei nº 9.394/96; mais necessitem.
IV – assegurar tempos e espaços diversos para que os
alunos com menor rendimento tenham condições de A EDUCAÇÃO EM ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL
ser devidamente atendidos ao longo do ano letivo;
V – prover, obrigatoriamente, períodos de recupera- Art. 36 Considera-se como de período integral a jorna-
ção, de preferência paralelos ao período letivo, como da escolar que se organiza em 7 (sete) horas diárias,
determina a Lei nº 9.394/96; no mínimo, perfazendo uma carga horária anual de,
VI – assegurar tempos e espaços de reposição dos con- pelo menos, 1.400 (mil e quatrocentas) horas.
teúdos curriculares, ao longo do ano letivo, aos alu- Parágrafo único. As escolas e, solidariamente, os sis-
nos com frequência insuficiente, evitando, sempre que temas de ensino, conjugarão esforços objetivando o
possível, a retenção por faltas; progressivo aumento da carga horária mínima diária
VII – possibilitar a aceleração de estudos para os alu- e, consequentemente, da carga horária anual, com
nos com defasagem idade-série. vistas à maior qualificação do processo de ensino-
-aprendizagem, tendo como horizonte o atendimento
Art. 33 Os procedimentos de avaliação adotados pelos escolar em período integral.
professores e pela escola serão articulados às avalia-
ções realizadas em nível nacional e às congêneres nos Art. 37 A proposta educacional da escola de tempo
diferentes Estados e Municípios, criadas com o objetivo integral promoverá a ampliação de tempos, espaços
de subsidiar os sistemas de ensino e as escolas nos e oportunidades educativas e o compartilhamento
esforços de melhoria da qualidade da educação e da da tarefa de educar e cuidar entre os profissionais da
aprendizagem dos alunos. escola e de outras áreas, as famílias e outros atores
§ 1º A análise do rendimento dos alunos com base sociais, sob a coordenação da escola e de seus profes-
nos indicadores produzidos por essas avaliações deve sores, visando alcançar a melhoria da qualidade da
auxiliar os sistemas de ensino e a comunidade escolar aprendizagem e da convivência social e diminuir as
a redimensionarem as práticas educativas com vistas diferenças de acesso ao conhecimento e aos bens cul-
ao alcance de melhores resultados. turais, em especial entre as populações socialmente
LEGISLAÇÃO
96
atividades como o acompanhamento pedagógico, o reforço Art. 40 O atendimento escolar às populações do cam-
e o aprofundamento da aprendizagem, a experimentação e po, povos indígenas e quilombolas requer respeito às
a pesquisa científica, a cultura e as artes, o esporte e o lazer, suas peculiares condições de vida e a utilização de
as tecnologias da comunicação e informação, a afirmação pedagogias condizentes com as suas formas próprias
da cultura dos direitos humanos, a preservação do meio de produzir conhecimentos, observadas as Diretrizes
ambiente, a promoção da saúde, entre outras, articuladas Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica
aos componentes curriculares e às áreas de conhecimento, (Parecer CNE/CEB nº 7/2010 e Resolução CNE/CEB nº
a vivências e práticas socioculturais. 4/2010).
§ 2º As atividades serão desenvolvidas dentro do es- § 1º As escolas das populações do campo, dos povos
paço escolar conforme a disponibilidade da escola, ou indígenas e dos quilombolas, ao contar com a par-
fora dele, em espaços distintos da cidade ou do territó- ticipação ativa das comunidades locais nas decisões
rio em que está situada a unidade escolar, mediante a referentes ao currículo, estarão ampliando as oportu-
utilização de equipamentos sociais e culturais aí exis- nidades de:
I – reconhecimento de seus modos próprios de vida,
tentes e o estabelecimento de parcerias com órgãos ou
suas culturas, tradições e memórias coletivas, como
entidades locais, sempre de acordo com o respectivo
fundamentais para a constituição da identidade das
projeto político-pedagógico.
crianças, adolescentes e adultos;
§ 3º Ao restituir a condição de ambiente de aprendiza-
II – valorização dos saberes e do papel dessas popula-
gem à comunidade e à cidade, a escola estará contri- ções na produção de conhecimentos sobre o mundo,
buindo para a construção de redes sociais e de cidades seu ambiente natural e cultural, assim como as práti-
educadoras. cas ambientalmente sustentáveis que utilizam;
§ 4º Os órgãos executivos e normativos da União e III – reafirmação do pertencimento étnico, no caso das
dos sistemas estaduais e municipais de educação as- comunidades quilombolas e dos povos indígenas, e do
segurarão que o atendimento dos alunos na escola cultivo da língua materna na escola para estes últi-
de tempo integral possua infraestrutura adequada e mos, como elementos importantes de construção da
pessoal qualificado, além do que, esse atendimento identidade;
terá caráter obrigatório e será passível de avaliação IV – flexibilização, se necessário, do calendário escolar,
em cada escola. das rotinas e atividades, tendo em conta as diferenças
relativas às atividades econômicas e culturais, manti-
EDUCAÇÃO DO CAMPO, EDUCAÇÃO ESCOLAR do o total de horas anuais obrigatórias no currículo;
INDÍGENA E EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA V – superação das desigualdades sociais e escolares
que afetam essas populações, tendo por garantia o di-
Art. 38 A Educação do Campo, tratada como educa- reito à educação;
ção rural na legislação brasileira, incorpora os espaços § 2º Os projetos político-pedagógicos das escolas do
da floresta, da pecuária, das minas e da agricultura campo, indígenas e quilombolas devem contemplar a
e se estende, também, aos espaços pesqueiros, caiça- diversidade nos seus aspectos sociais, culturais, políti-
ras, ribeirinhos e extrativistas, conforme as Diretrizes cos, econômicos, éticos e estéticos, de gênero, geração
para a Educação Básica do Campo (Parecer CNE/CEB e etnia.
nº 36/2001 e Resolução CNE/CEB nº 1/2002; Parecer § 3º As escolas que atendem a essas populações deve-
CNE/CEB nº 3/2008 e Resolução CNE/CEB nº 2/2008). rão ser devidamente providas pelos sistemas de ensino
de materiais didáticos e educacionais que subsidiem
Art. 39 A Educação Escolar Indígena e a Educação o trabalho com a diversidade, bem como de recursos
Escolar Quilombola são, respectivamente, oferecidas que assegurem aos alunos o acesso a outros bens cul-
em unidades educacionais inscritas em suas terras e turais e lhes permitam estreitar o contato com outros
modos de vida e outras formas de conhecimento.
culturas e, para essas populações, estão assegurados
§ 4º A participação das populações locais pode tam-
direitos específicos na Constituição Federal que lhes
bém subsidiar as redes escolares e os sistemas de
permitem valorizar e preservar as suas culturas e rea-
ensino quanto à produção e à oferta de materiais
firmar o seu pertencimento étnico.
escolares e no que diz respeito a transporte e a equi-
§ 1º As escolas indígenas, atendendo a normas e or- pamentos que atendam as características ambientais
denamentos jurídicos próprios e a Diretrizes Curricu- e socioculturais das comunidades e as necessidades
lares Nacionais específicas, terão ensino intercultural locais e regionais.
e bilíngue, com vistas à afirmação e à manutenção da
diversidade étnica e linguística, assegurarão a parti- EDUCAÇÃO ESPECIAL
cipação da comunidade no seu modelo de edificação,
organização e gestão, e deverão contar com materiais Art. 41 O projeto político-pedagógico da escola e o re-
didáticos produzidos de acordo com o contexto cultu- gimento escolar, amparados na legislação vigente, de-
ral de cada povo (Parecer CNE/CEB nº 14/99 e Reso- verão contemplar a melhoria das condições de acesso
LEGISLAÇÃO
97
Parágrafo único. Os recursos de acessibilidade são Parágrafo único. Considerada a prioridade de aten-
aqueles que asseguram condições de acesso ao currí- dimento à escolarização obrigatória, para que haja
culo dos alunos com deficiência e mobilidade reduzi- oferta capaz de contemplar o pleno atendimento dos
da, por meio da utilização de materiais didáticos, dos adolescentes, jovens e adultos na faixa dos 15 (quinze)
espaços, mobiliários e equipamentos, dos sistemas de anos ou mais, com defasagem idade/série, tanto na
comunicação e informação, dos transportes e outros sequência do ensino regular, quanto em Educação de
serviços. Jovens e Adultos, assim como nos cursos destinados à
formação profissional, torna-se necessário:
Art. 42 O atendimento educacional especializado aos I – fazer a chamada ampliada dos estudantes em to-
alunos da Educação Especial será promovido e expan- das as modalidades do Ensino Fundamental;
dido com o apoio dos órgãos competentes. Ele não II – apoiar as redes e os sistemas de ensino a esta-
substitui a escolarização, mas contribui para ampliar belecerem política própria para o atendimento des-
o acesso ao currículo, ao proporcionar independência ses estudantes, que considere as suas potencialidades,
aos educandos para a realização de tarefas e favorecer necessidades, expectativas em relação à vida, às cul-
a sua autonomia (conforme Decreto nº 6.571/2008, turas juvenis e ao mundo do trabalho, inclusive com
Parecer CNE/CEB nº 13/2009 e Resolução CNE/CEB programas de aceleração da aprendizagem, quando
nº 4/2009). necessário;
Parágrafo único. O atendimento educacional especia- III – incentivar a oferta de Educação de Jovens e Adul-
lizado poderá ser oferecido no contraturno, em salas tos nos períodos diurno e noturno, com avaliação em
de recursos multifuncionais na própria escola, em ou- processo.
tra escola ou em centros especializados e será imple-
mentado por professores e profissionais com formação Art. 46 A oferta de cursos de Educação de Jovens e
especializada, de acordo com plano de atendimento Adultos, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, será
aos alunos que identifique suas necessidades educa- presencial e a sua duração ficará a critério de cada
cionais específicas, defina os recursos necessários e as sistema de ensino, nos termos do Parecer CNE/CEB
atividades a serem desenvolvidas. nº 29/2006, tal como remete o Parecer CNE/CEB nº
6/2010 e a Resolução CNE/CEB nº 3/2010. Nos anos
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS finais, ou seja, do 6º ano ao 9º ano, os cursos poderão
ser presenciais ou a distância, devidamente credencia-
Art. 43 Os sistemas de ensino assegurarão, gratuita- dos, e terão 1.600 (mil e seiscentas) horas de duração.
mente, aos jovens e adultos que não puderam efetuar Parágrafo único. Tendo em conta as situações, os
os estudos na idade própria, oportunidades educa- perfis e as faixas etárias dos adolescentes, jovens e
cionais adequadas às suas características, interesses, adultos, o projeto político-pedagógico da escola e o
condições de vida e de trabalho mediante cursos e regimento escolar viabilizarão um modelo pedagógico
exames, conforme estabelece o art. 37, § 1º, da Lei nº próprio para essa modalidade de ensino que permita a
9.394/96. apropriação e a contextualização das Diretrizes Curri-
culares Nacionais, assegurando:
Art. 44 A Educação de Jovens e Adultos, voltada para I – a identificação e o reconhecimento das formas de
a garantia de formação integral, da alfabetização às aprender dos adolescentes, jovens e adultos e a valori-
diferentes etapas da escolarização ao longo da vida, zação de seus conhecimentos e experiências;
inclusive àqueles em situação de privação de liberda- II – a distribuição dos componentes curriculares de
de, é pautada pela inclusão e pela qualidade social e modo a proporcionar um patamar igualitário de for-
requer: mação, bem como a sua disposição adequada nos
I – um processo de gestão e financiamento que lhe tempos e espaços educativos, em face das necessida-
assegure isonomia em relação ao Ensino Fundamental des específicas dos estudantes.
regular;
II – um modelo pedagógico próprio que permita a Art. 47 A inserção de Educação de Jovens e Adultos no
apropriação e a contextualização das Diretrizes Curri- Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica,
incluindo, além da avaliação do rendimento dos alu-
culares Nacionais;
nos, a aferição de indicadores institucionais das redes
III – a implantação de um sistema de monitoramento
públicas e privadas, concorrerá para a universalização
e avaliação;
e a melhoria da qualidade do processo educativo.
IV – uma política de formação permanente de seus
professores;
A IMPLEMENTAÇÃO DESTAS DIRETRIZES:
V – maior alocação de recursos para que seja minis-
COMPROMISSO SOLIDÁRIO DOS SISTEMAS E
trada por docentes licenciados.
REDES DE ENSINO
Art. 45 A idade mínima para o ingresso nos cursos de
Art. 48 Tendo em vista a implementação destas Dire-
Educação de Jovens e Adultos e para a realização de
LEGISLAÇÃO
98
II – a formação continuada dos professores e demais Parágrafo único. Estas Diretrizes Curriculares Nacio-
profissionais da escola em estreita articulação com nais aplicam-se a todas as modalidades do Ensino
as instituições responsáveis pela formação inicial, Fundamental previstas na Lei de Diretrizes e Bases da
dispensando especiais esforços quanto à formação Educação Nacional, bem como à Educação do Cam-
dos docentes das modalidades específicas do Ensino po, à Educação Escolar Indígena e à Educação Escolar
Fundamental e àqueles que trabalham nas escolas do Quilombola.
campo, indígenas e quilombolas;
III – a coordenação do processo de implementação do 2. (SEDUC-PI – PROFESSOR – NUCEPE – 2013) O
currículo, evitando a fragmentação dos projetos edu- Ensino Fundamental com duração de 9 anos, (Diretrizes
cativos no interior de uma mesma realidade educa- Curriculares Nacionais), abrange a população na faixa
cional; etária dos:
IV – o acompanhamento e a avaliação dos programas (A) 5 aos 13 anos de idade.
e ações educativas nas respectivas redes e escolas e o (B) 6 aos 14 anos de idade.
suprimento das necessidades detectadas. (C) 6 aos 15 anos de idade.
(D) 7 aos 14 anos de idade.
Art. 49 O Ministério da Educação, em articulação com
os Estados, os Municípios e o Distrito Federal, deve- RESPOSTA: Letra B. A opção pela faixa etária dos 6
rá encaminhar ao Conselho Nacional de Educação, aos 14 e não dos 7 aos 15 anos para o Ensino Funda-
precedida de consulta pública nacional, proposta de mental de nove anos segue a tendência das famílias
expectativas de aprendizagem dos conhecimentos es- e dos sistemas de ensino de inserir progressivamente
colares que devem ser atingidas pelos alunos em dife- as crianças de 6 anos na rede escolar. A inclusão, me-
rentes estágios do Ensino Fundamental (art. 9º, § 3º, diante a antecipação do acesso, é uma medida con-
desta Resolução). textualizada nas políticas educacionais focalizadas no
Parágrafo único. Cabe, ainda, ao Ministério da Edu- Ensino Fundamental. A adoção de um ensino obriga-
cação elaborar orientações e oferecer outros subsídios tório de nove anos iniciando aos seis anos de idade
para a implementação destas Diretrizes. pode contribuir para uma mudança na estrutura e na
cultura escolar.
Art. 50 A presente Resolução entrará em vigor na data
de sua publicação, revogando-se as disposições em LEI N° 7.502, DE 20/12/1990 – ESTATUTO
contrário, especialmente a Resolução CNE/CEB nº 2,
DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DO
de 7 de abril de 1998.
MUNICÍPIO DE BELÉM
Fonte
BRASIL, Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação
A lei nº 7.502, de 20 de dezembro de 1990, é a lei
Básica, 2013
que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos Ci-
vis do Município de Pinhais-PR. Os dispositivos trazidos
neste material dizem respeito aos cargos públicos, forma
EXERCÍCIOS COMENTADOS de provimento e vacância, direitos e garantias, deveres e
responsabilidades e o direito de petição.
1. (PREFEITURA DE SANTA ROSA-RS – PROFES- Evidente que o Estatuto apresenta outros dispositivos
SOR DE ED. INFANTIL – UNIJUUI – 2013) O Art. 2º, fora desses temas. Por isso, é sempre recomendada uma
da Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010, no seu leitura do mesmo, na sua íntegra.
Parágrafo único expressa que as Diretrizes Curriculares
Nacionais, para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos e
para a Educação Básica aplicam-se: FIQUE ATENTO!
Dada a multiplicidade de leis, em âm-
a) às modalidades Presenciais e a Distância, bem como a bitos diferentes da Federação, é comum o
Educação Especial. candidato questionar qual lei ele deve uti-
b) às modalidades Presenciais, bem como à Educação do lizar para responder questões de provas.
Campo e à Escolar Indígena. Primeiramente, é importante ressaltar que
c) a todas as modalidades do Ensino Fundamental, bem lei federal não se sobrepõe sobre lei es-
como à Educação do Campo, à Educação Escolar Indí- tadual e vice-versa.
gena e à Educação Escolar Quilombola. Durante a prova, o candidato deve
d) a todas as modalidades do Ensino Fundamental e se ater a o que a pergunta diz. A grande
Médio, à Educação de Jovens e Adultos e à Educação maioria das questões de provas delineiam
Quilombola. a legislação que deve ser utilizada para
responder a questão. Procure por expres-
RESPOSTA: Letra C. sões como “nos termos da Constituição
LEGISLAÇÃO
99
Preliminarmente, os artigos 3º e 4º traz alguns con- A nomeação é a forma mais comum de provimen-
ceitos relevantes para a matéria. to em cargo público e será feita: I - em caráter efetivo,
Funcionário é a pessoa legalmente investida em cargo quando se tratar de cargo de provimento efetivo; ou II
público, se equipara a funcionário o pessoal contratado - em comissão, para cargos de confiança, de livre exone-
por tempo determinado para exercer função decorrente ração. (art. 13).
de necessidade temporária de excepcional interesse pú- O desenvolvimento na carreira será analisado em
blico, sujeitando-se ao regime estatutário previsto nesta momento posterior, pela Lei nº 7507, de 14 de janeiro
Lei. de 1991 (Plano de Carreiras do Quadro de Pessoal de
Cargo público, como unidade básica da estrutura or- Belém).
ganizacional, é o conjunto de atribuições e responsabili- Transferência é a passagem do funcionário estável
dades cometidas a um funcionário, mediante retribuição de cargo efetivo para outro de igual denominação e ven-
cimento, pertencente a quadro de pessoal diverso, no
padronizada e paga pelos cofres públicos.
âmbito do Município. A transferência dar-se-á: I - a pe-
Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasileiros,
dido, atendida a conveniência do serviço; e II - de ofício,
são criados por Lei, com denominação própria e em nú-
no interesse da administração, ouvido o servidor (art. 30).
mero certo, para provimento em caráter efetivo ou em Readaptação é a forma de provimento do funcioná-
comissão. rio em cargo de atribuição e responsabilidades compa-
tíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capaci-
1. Do provimento e vacância dos cargos públicos dade física ou mental, verificada em inspeção médica. O
O artigo 9º apresenta os requisitos básicos para o funcionário readaptado perde definitivamente sua vincu-
ingresso no serviço público do Município de Belém. São: lação com o cargo anteriormente exercido. Em qualquer
I - a nacionalidade brasileira ou equiparada; II - o gozo hipótese, a readaptação não poderá ser deferida se acar-
dos direitos políticos; III - a quitação com as obrigações retar aumento da remuneração do readaptando.
militares e eleitorais; IV - o nível de escolaridade exigido Reversão é o retorno ao serviço ativo de funcioná-
para o exercício do cargo; V - a idade mínima de dezoito rio aposentado por invalidez, quando comprovadamente
anos; eVI - ser julgado apto em inspeção de saúde por forem declaradas insubsistentes as razões determinantes
serviço médico competente. da aposentadoria (art. 33). A reversão far-se-á no mes-
A investidura em cargo público dependerá de apro- mo cargo ou no cargo resultante de sua transformação.
vação prévia em concurso público de provas ou de pro- Não poderá reverter o aposentado que alcançar o limite
vas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade da idade para aposentadoria compulsória.
do cargo, (art. 15). O concurso público terá validade de Ocorrendo a extinção ou declaração da desnecessi-
até 02 (dois) anos, prorrogável, uma vez, por igual perío- dade do cargo, o servidor efetivo estável ficará em dis-
do (art. 16). ponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo
Posse é o ato pelo qual a pessoa é investida em cargo de serviço, até o seu adequado e obrigatório aprovei-
público, aceitando expressamente as atribuições, deveres tamento em outro cargo (art. 37). Não será aberto con-
e responsabilidades, com o compromisso de bem servir, curso para o preenchimento de cargo público enquanto
houver em disponibilidade servidor originário do cargo a
formalizado com a assinatura no termo pela autorida-
ser provido. O servidor em disponibilidade tem direito de
de competente e pelo empossado. É a posse o ato que
se aposentar, nas formas estabelecidas por este Estatuto.
completa a investidura do cargo público, podendo tam-
Aproveitamento é o reingresso à atividade de fun-
bém ser realizada mediante procuração (art. 17, caput e cionário em disponibilidade, em cargo de atribuições e
parágrafos). vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.
Uma vez empossado, deve o servidor entrar em efe- O aproveitamento será obrigatório quando restabelecido
tivo exercício no prazo de 30 (tinta) dias úteis, contados: o cargo de cuja extinção decorreu a disponibilidade (art.
I - da data da posse, no caso de nomeação; ou II - da 36, § 1º).
data da publicação oficial do ato, nos demais caso (art. Reintegração é a reinvestidura do funcionário estável
18, § 1º). no cargo anteriormente ocupado, quando invalidada a
O servidor nomeado para cargo de provimento efe- sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com
tivo ficará sujeito a estágio probatório pelo período de ressarcimento de todas as vantagens. A reintegração será
3 (três) anos, durante o qual sua aptidão e capacidade feita no cargo anteriormente ocupado e, se este houver
serão avaliadas para o desempenho do cargo. Como sido transformado, no cargo resultante (arts. 40 e 41).
condição para a aquisição de estabilidade, é obrigatória Recondução é o retorno do funcionário estável ao
a avaliação de desempenho, a ser procedida nos termos cargo anteriormente ocupado. Encontrando-se provido
estabelecidos nesta Subseção, por comissão instituída, o cargo de origem, o funcionário será aproveitado em
na forma do art. 31, para essa finalidade (art. 20). outro, observado o disposto no artigo 36.
Uma vez que o servidor nomeado em cargo efetivo
tenha computador 2 (dois) anos de efetivo exercício, este
LEGISLAÇÃO
100
Os funcionários poderão ser concedidas as seguintes
#FicaDica gratificações:
A nomeação é a única forma de provi- I - por regime especial de trabalho: a) em tempo inte-
mento originário de cargos públicos, pois gral; e b) em dedicação exclusiva;
é a forma de provimento em que não se II - por atividades especiais: a) de função; b) de lo-
pressupõe uma relação pré-existente entre calização especial de trabalho, na forma prevista em re-
o servidor e a Administração. Todas as ou- gulamento; c) pelo exercício de atividades em condições
tras formas de provimento são derivadas. insalubres ou perigosas; d) de elaboração de trabalho
técnico especializado, na forma prevista em regulamen-
to; e e) de fiscalização ou coordenação de processos se-
O artigo 43 trata das hipóteses de vacância, isso é, letivos, na forma prevista em regulamento;
dos atos de extinção dos cargos públicos. As hipóteses
de vacância são: III - por produtividade;
IV - por serviço ordinário;
I - exoneração; V - gratificação natalina; e
II - demissão; VI - gratificação de permanência.
III - ascensão;
IV - transferência; Ao funcionário serão concedidos os adicionais, na
V - readaptação; forma do artigo 79:
VI - aposentadoria; e
VII - falecimento. I - adicional por tempo de serviço;
II - adicional de férias;
A exoneração dar-se-á a pedido do funcionário ou III - adicional de escolaridade;
de ofício. A exoneração de ofício ocorrerá: I - quando se IV - adicional de turno; e
tratar de cargo em comissão; II - quando não satisfeitas V - adicional de cargo em comissão.
as condições do estágio probatório; III - quando o fun-
cionário não assumir o exercício do cargo no prazo legal; O adicional por tempo de serviço será devido por
IV - quando da investidura do funcionário em outro car- triênio de efetivo exercício, até o máximo de doze. Os
go de provimento efetivo (art. 44). adicionais serão calculados sobre a remuneração do car-
Redistribuição é a movimentação do funcionário, go, nas seguintes proporções: I - aos três anos, 5% II - aos
com o respectivo cargo, para quadro de pessoal de outro seis anos, 5% - 10%; III - aos nove anos, 5% - 15%; IV -
órgão ou entidade cujos planos de cargos e vencimentos aos doze anos, 5% - 20%; V - aos quinze anos, 5% - 25%;
sejam idênticos, observando sempre o interesse da ad- VI - aos dezoito anos, 5% - 30%; VII - aos vinte e um
ministração (art. 46). anos, 5% - 35%; VIII - aos vinte e quatro anos, 5% - 40%;
Haverá substituição, no caso de impedimento legal IX - aos vinte e sete anos, 5% - 45%; X - aos trinta anos,
ou afastamento do titular de cargo em comissão ou fun- 5% - 50%; XI - aos trinta e três anos, 5% - 55%; XII - após
ção gratificada, quando se tornar indispensável tal pro- trinta e quatro anos, 5% - 60%.
videncia em face das necessidades de serviço (art. 47). Os benefícios dos servidores não são apenas de na-
Nas hipóteses consideradas necessárias, os ocupan- tureza econômica. Temos também a concessão de férias,
licenças, afastamentos, e demais vantagens que devem
tes de cargo em comissão terão substitutos indicados no
ser analisadas.
regimento interno ou em ato regulamentar e, em caso
Sobre as licenças, dispõe o artigo 93 que Conceder-
de omissão, serão previamente designados. O substituto
-se-á ao funcionário licença:
indicado assumirá automaticamente o exercício do cargo
I - para tratamento de saúde;
nos afastamentos e impedimentos do titular (art. 48, § II - por motivo de acidente em serviço;
1º). III - por motivo de doença em pessoa da família;
IV - à gestante;
2. Dos direitos, vantagens e autorizações V - paternidade;
Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício VI - por motivo de afastamento do cônjuge;
de cargo público, com valor fixado em lei. Remuneração VII - para prestação de serviço militar;
é o vencimento do cargo acrescido das vantagens pe- VIII - para atividade política;
cuniárias permanentes ou temporárias, estabelecidas em IX - para atividade sindical;
lei. O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vanta- X - a título de prêmio por assiduidade e comporta-
gens de caráter permanente, é irredutível. mento;
As vantagens são compostas por indenizações e au- XI - para tratar de interesse particular.
xílios, de natureza pecuniária e não pecuniária. As inde-
nizações e os auxílios não se incorporam ao vencimento A licença para tratamento de saúde poderá ser con-
ou provento para qualquer efeito. cedida a pedido ou de ofício, com base em inspeção mé-
LEGISLAÇÃO
Além do vencimento, poderão ser atribuídas ao fun- dica realizada pelo órgão competente do Município, sem
cionário, na forma que dispuser o regulamento, as se- prejuízo da remuneração. Sempre que necessário, a ins-
guintes vantagens: I - gratificações; II - adicionais; e III peção médica será realizada na residência do funcioná-
– indenizações (art. 61) rio ou no estabelecimento hospitalar onde se encontrar
internado (art. 95).
101
Será licenciado com remuneração integral o funcioná- períodos de quinze dias corridos, observado sempre o
rio acidentado em serviço. Para conceituação do acidente interesse do serviço. É proibida a acumulação de férias,
e da doença profissional, serão adotados os critérios da salvo por absoluta necessidade de serviço e pelo máximo
legislação social do trabalho, se equiparando a acidente de dois anos consecutivos (art. 121).
em serviço o dano decorrente de agressão sofrida e não Sem qualquer prejuízo, o servidor poderá ausentar-se
provocada pelo funcionário no exercício do cargo. do serviço, a título de concessão, nos seguintes casos:
Poderá ser concedida licença ao funcionário por mo- I - por um dia, para doação de sangue; II - até oito dias,
tivo de doença do cônjuge, companheiro ou companhei- por motivo de: a) casamento; b) falecimento do cônjuge,
ra, padrasto ou madrasta, ascendente, descedente, en- companheiro ou companheira, pais, madrasta, padrasto,
teado e colateral consangüíneo ou afim até o segundo filhos ou enteados e irmãos.
grau civil, mediante comprovação médica. A licença será
concedida com vencimento ou remuneração: I - inte- 3. Direito de Petição
grais, até noventa dias; II - dois terços, quando excedente Dispõe o artigo 130 que é assegurado ao funcionário
de noventa dias; III - um terço, quando superior a cento o direito de requerer ou representar, isso é, de ter seus
e vinte dias e não exceder a trezentos e sessenta e cinco direitos e pretensões defendidas em processo adminis-
dias; IV - sem vencimento, quando exceder de trezentos trativo justo, sendo garantido defesa técnica, contradi-
e sessenta e cinco dias. (art. 102, § 3º). tório e ampla defesa em todos os atos. O requerimen-
A servidora gestante terá direito a 120 (cento e vinte) to, a representação e o pedido de reconsideração serão
dias consecutivos de licença, a partir do 8º (oitavo) mês apresentados no órgão de lotação do servidor e decidido
de gestação, sendo concedido também para servidoras pela autoridade que tenha expedido o ato ou proferido a
adotantes de crianças com até 1 (um) ano de idade. Para decisão, no prazo improrrogável de trinta dias.
amamentar o próprio filho até a idade de seis meses, a Caberá recurso: I - do indeferimento do pedido de
funcionária lactante terá direito, durante a jornada de reconsideração; e II - das decisões sobre recursos suces-
trabalho, a uma hora de descanso, que poderá ser parce- sivamente interpostos. O prazo para interposição do pe-
lada em dois períodos de meia hora. dido de reconsideração ou de recurso é de trinta dias, a
Poderá ser concedida licença ao funcionário para contar da publicação ou da ciência, pelo interessado, da
acompanhar cônjuge, companheiro ou companheira, decisão recorrida (art. 132).
funcionário público civil ou militar, para outro ponto do O direito de petição prescreve a partir da data da pu-
território nacional, para o exterior ou para exercício de blicação, no órgão oficial, do ato impugnado, ou quando
mandato eletivo dos Poderes Executivo e Legislativo (art. este for de natureza reservada, da data em que dele tiver
107). conhecimento o funcionário: I - em cinco anos, quanto
Ao funcionário convocado para o serviço militar será aos atos de que decorrem a demissão, cassação de dis-
concedida licença, na forma e condições previstas na le- ponibilidade, ou que afetem interesse patrimonial e cré-
gislação específica. Concluído o serviço militar, o funcio- ditos resultantes das relações de trabalho; e II - em cento
nário terá até trinta dias, sem remuneração, para reassu- e vinte dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo
mir o exercício do cargo. for fixado em lei (art. 135).
O funcionário terá direito, como prêmio de assidui-
dade e comportamento, à licença de sessenta dias em 4. Do Regime Disciplinar
cada período de três anos de exercício ininterrupto, em Dada a grande importância de suas funções, é evi-
que não haja sofrido qualquer penalidade disciplinar ou dente que aos servidores são aplicados um rigoroso re-
criminal. Não se concederá licença prêmio ao funcionário gime disciplinar.
que, no período aquisitivo: I - sofrer penalidade discipli- É vedada a acumulação remunerada de cargos pú-
nar ou criminal; II - afastar-se do cargo em virtude de: a) blicos, exceto quando houver compatibilidade de horá-
licença para tratamento em pessoa da família que ultra- rios: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de
passe a trinta dias consecutivos ou não durante o triênio; professor com outro técnico ou científico; e c) a de dois
b) licença para tratar de interesses particulares; c) licença cargos privativos de médico (art. 155).
por motivo de afastamento do cônjuge, companheiro
ou companheira; III - faltar ao serviço injustificadamente Primeiramente, os servidores tem o dever de se-
mais de seis dias durante o período aquisitivo. guir as seguintes condutas (art. 144):
A critério da administração, poderá ser concedida ao
funcionário estável licença para trato de assuntos parti- I - manter assiduidade;
culares, pelo prazo de até dois anos consecutivos, sem II - ser pontual;
remuneração. Não poderá ser negada licença quando o III - usar de discrição;
afastamento for comunicado com antecedência mínima IV - tratar com urbanidade as partes, atendendo-as
de trinta dias. sem preferências pessoais;
Em relação as férias, dispõe o artigo 117 que o fun- V - desempenhar pessoalmente, com zelo e presteza,
cionário gozará trinta dias consecutivos, ou não, de fé- os encargos que lhe competirem e os trabalhos de que
rias por ano, de acordo com a escala organizada pelo for incumbido dentro de suas atribuições;
LEGISLAÇÃO
dirigente da Unidade Administrativa, na forma do regu- VI - ser leal às instituições constitucionais e adminis-
lamento. O funcionário terá direito a férias após cada trativas a que servir;
ano de exercício no Sistema Administrativo. Em casos VII - observar as normas legais e regulamentares.
excepcionais, as férias poderão ser fracionadas em dois
102
Por outro lado, aos servidores também são impostas pelo prejuízo a que der causa contra a Fazenda Pública
algumas vedações ou proibições (art. 145). É proibido ou contra terceiros. A responsabilidade pessoal decorre de
ao servidor: ação ou omissão, dolosa ou culposa.
No caso de indenização à Fazenda Pública, por prejuí-
I - retirar, sem prévia permissão da autoridade com- zo causado na modalidade dolosa, o servidor será obri-
petente, qualquer documento ou objeto existente na gado a repor, de uma só vez, o valor correspondente.
repartição; A responsabilidade administrativa não exime o servi-
II - ausentar-se do serviço durante o expediente sem dor da responsabilidade civil ou penal, nem o pagamen-
prévia autorização do chefe imediato; to da indenização a que ficar obrigado o exime da pena
III - entreter-se, durante as horas de trabalho, em pa- disciplinar cabível. Isso significa que as três esferas de
lestras, leituras e outras atividades estranhas ao ser- responsabilidades são independentes, e não se comuni-
viço; cam entre si. Todavia, tal regra comporta uma exceção
IV - deixar de comparecer ao serviço sem causa jus- muito importante: a responsabilidade patrimonial e ad-
tificada; ministrativa do servidor será afastada no caso de absolvi-
V - tratar de interesses particulares na repartição; ção criminal que dê como provada a inexistência do fato
VI - exercer comércio entre os companheiros de servi- ou de sua autoria.
ço, mover ou subscrever listas de donativos dentro da Não cumprindo um dos deveres, ou na ocorrência
repartição; de uma das proibições previstas em Lei, ao servidor será
VII - recusar fé a documentos públicos; aplicada as seguintes penalidades (art. 194): I - repreen-
VIII - opor resistência ínjustificada ao andamento de são; II - suspensão; III - destituição de função; IV - demis-
documento e processo ou execução de serviço; são; V - demissão a bem do serviço público; e VI - cassa-
IX - empregar material do serviço público em serviço ção de aposentadoria e disponibilidade.
particular; A pena de repreensão será aplicada por escrito, no
X - receber propina, comissão, presente ou vantagem caso de falta de cumprimento dos deveres, a que não
de qualquer espécie, em razão de suas atribuições; seja cominada penalidade mais severa (art. 196)
XI - cometer a outro funcionário atribuições estranhas A pena de suspensão, que não excederá a trinta dias,
às do cargo que ocupa, exceto em situações de emer- será aplicada em caso de falta grave ou de reincidência.
gência e transitória; O funcionário suspenso perderá todas as vantagens e di-
XII - exercer quaisquer atividades que sejam imcom- reitos decorrentes do exercício do cargo (art. 197)
patíveis com o exercício do cargo ou função e com o A destituição de função gratificada dar-se-á: I - quan-
horário de trabalho; do se verificar falta de exação no seu desempenho; II -
XIII- proceder de forma desidiosa; quando for constatado que, por negligência ou benevo-
XIV- participar da gerência ou administração de em- lência, o funcionário contribuiu para que se não apuras
presas que mantenham relações comerciais ou ad- o devido tempo, a falta de outrem, III - quando ocorrer à
ministrativas com o governo, sejam por este subven- aplicação de pena prevista no artigo 197 deste Estatuto
cionadas ou estejam diretamente relacionados com (art. 198).
a fínalidade da repartição ou serviço em que esteja Será aplicada a pena de demissão nos casos de: I -
lotado; abandono de cargo; II - procedimento irregular de na-
XV - requerer ou promover a concessão de privilégios, tureza grave; III - ineficiência no serviço; IV - aplicação
garantias e juros ou outros favores semelhantes, fede- indevida de dinheiro público; V - incontinência pública
rais, estaduais ou municipais, exceto o de intervenção escandalosa e prática de jogos proibidos; VI - embria-
própria; guez habitual em serviço; VII - ofensa física em serviço
XVI- praticar usuras sob qualquer de suas formas; contra funcionário ou particular, salvo em legítima defe-
XVII- aceitar representação de Estado estrangeiro, sem sa; VIII - insubordinação grave em serviço; IX - ausência
autorização do Presidente da república; ao serviço, sem causa justificável, por mais de quarenta
XVIII - constituir-se procurador de partes ou servir de e cinco dias interpoladamente, durante um ano; X - pra-
íntermediário perante qualquer repartição pública, ticar a usura em qualquer de suas formas; XI - pedir, por
salvo quando se tratar de benefícios previdenciários empréstimo, dinheiro ou quaisquer valores a pessoas
ou assistenciais a parentes até o segundo grau;
que tratem de interesses ou os tenham na repartição
XIX - receber estipêndios de firmas fornecedoras ou
ou estejam sujeitos à sua fiscalização; e XII - coagir ou
de entidades fiscalizadas no país ou no estrangeiro,
aliciar subordinados ou qualquer outra pessoa, usando
principalmente quando estiver em missão referente à
das prerrogativas funcionais com objetivos de natureza
compra de material ou fiscalização de qualquer na-
político partidária (art. 199).
tureza;
Será aplicada a pena de demissão a bem do serviço
XX - valer-se de sua qualidade de funcionário para
público ao funcionário que: I - praticar crime contra a
desempenhar atividades estranhas às funções ou para
administração pública, nos termos da lei penal; II - revelar
lograr, direta ou índiretamente, qualquer proveito; e
segredos de que tenha conhecimento em razão do car-
XXI - praticar atos de sabotagem contra o serviço pú-
go, desde que o faça dolosamente e com prejuízo para
LEGISLAÇÃO
blico.
o Município ou particulares; III - lesar o patrimônio ou
os cofres públicos; IV - receber ou solicitar propinas, co-
Em relação a responsabilidade, pode-se afirmar que
missões ou vantagens de qualquer espécie, diretamen-
o servidor possui esfera tríplice responsabilidade, isso é, o
te ou por intermédio de outrem, ainda que fora de suas
servidor é responsável civil, penal e administrativamente,
103
funções, mas em razão delas; V - exercer advocacia ad- II - Grupo de Nível Médio, constituído pelas catego-
ministrativa; e VI - apresentar com dolo declaração falsa rias funcionais especificadas na forma a seguir: 2.1
em matéria de salário-famllia, sem prejuízo da respon- - Subgrupo I (escolaridade 2º grau completo e/ou
sabilidade civil e de procedimento criminal que no caso curso profissionalizante de nível médio) - Agente de
couber (art. 200). Vigilância Sanitária e Ambiental, Agente de Postura e
A aplicação de penalidade prescreverá em: I - um ano, Ordem Econômica, Assistente de Administração, Auxi-
a de repreensão;II - dois anos, a de suspensão; III - três liar Técnico em Computação, Cadastrador, Desenhista,
anos, a de destituição de função e demissão por abando- Fotógrafo Técnico Agrícola, Técnico em Agrimensura,
no de cargo ou faltas excessivas ao serviço; IV - quatro Técnico em Contabilidade, Técnico em Edificações,
anos, a de cassação de aposentadoria ou disponibilidade Técnico em Enfermagem, Técnico em Higiene Dental,
e demissão, nos casos não previstos no item anterior; e Técnico em Laboratório, Técnico em Mecânica, Técni-
co em Ótica oftálmica, Técnico em Radiologia, Técnico
V - cinco anos, nos casos de demissão a bem do serviço
em Saneamento e Técnico em Tributação;
público (art. 204).
III - Grupo de Nível Superior, constituído pelas catego-
rias funcionais especificadas a seguir: 3.1 - Subgrupo I
LEI N. 7507, DE 14 DE JANEIRO DE (escolaridade 3º grau completo e/ou registro no órgão
1991, QUE DISPÕE SOBRE O PLANO DE de classe) - Administrador, Arquiteto, Assistente Social,
CARREIRA DO QUADRO DE PESSOAL DA Auditor Fiscal, Bacharel em Direito, Bacharel em Rela-
PREFEITURA MUNICIPAL DE BELÉM ções Públicas, Bacharel em Turismo, Bibliotecário, Bi-
ólogo, Biomédico, Contador, Economista, Enfermeiro,
A Lei nº 7.507, de 14 de janeiro de 1991, dispõe sobre Engenheiro Agrônomo, Engenheiro Civil, Engenheiro
o plano de carreira do quadro de pessoal da prefeitura Florestal, Engenheiro Mecânico, Engenheiro Químico,
Engenheiro Sanitarista, Farmacêutico, Farmacêutico
municipal de Belém.
Bioquímico, Fisioterapeuta, Jornalista, Médico, Médico
Dispõe o artigo 2º que O Plano de Carreira é inte-
Veterinário, Meteorologista, Nutricionista, Odontólo-
grado pelos seguintes Quadros:I - Quadro de Cargos de
go, Psicólogo, Químico Industrial, Radialista, Sanita-
Provimento Efetivo; II - Quadro de Cargos de Provimento rista, Sociólogo, Técnico em Assuntos Culturais e Téc-
em Comissão; III - Quadro de Funções Gratificadas. nico em Desportos e Lazer;
Cargo Efetivo é aquele para cujo provimento origi- IV - Grupo Magistério, constituído pelas categorias
nário é exigida prévia aprovação em concurso público de funcionais especificadas a seguir: 4.1 - Subgrupo I
provas ou de provas e títulos. Os Cargos Efetivos, quanto (escolaridade 2º grau completo na área de Magistério)
à natureza, são: I - Operacional e de Apoio; II - de Nível - Professor Pedagógico; 4.2 - Subgrupo II (escolarida-
Médio; III - de Nível Superior (art. 4º). de 2º grau completo na área de Magistério, acrescido
Cargo de Natureza Operacional e de Apoio é aquele de estudos adicionais) - Professor com Estudos Adicio-
para cujo provimento é exigida escolaridade de até pri- nais; 4.3 - Subgrupo III (escolaridade 3º grau comple-
meiro grau. to com habilitação específica na área de Magistério)
Cargo de Nível Médio é aquele para cujo provimento - Professor Licenciado Pleno, Administrador Escolar,
é exigida habilitação profissional em curso legalmente Orientador Educacional a Supervisor Escolar;
classificado como de segundo grau. V - Grupo Guarda Municipal, constituído pelas cate-
Cargo de Nível Superior é aquele para cujo provimen- gorias funcionais especificadas na forma a seguir: 5.1
to é exigida habilitação profissional em curso legalmente - Subgrupo I (escolaridade 1º grau completo) - Guar-
classificado como de terceiro grau de ensino. da Municipal; 5.2. - Subgrupo II (escolaridade 2º grau
Por outro lado, temos também o Cargo em Comis- completo) - Inspetor da Guarda Municipal.
são. É aquele que, em virtude de lei, depende da con-
fiança pessoal para seu provimento e se destina ao aten- Passaremos a analisar as normas relativas ao ingresso
dimento das atividades de direção e assessoramento e a carreira pública na Prefeitura de Belém.
superiores (art. 5º). O ingresso para os cargos de Provimento Efe-
tivo far-se-á na referência inicial da categoria funcional,
A estrutura básica de Cargos de Provimento Efetivo
mediante habilitação em concurso público de provas ou
constitui-se dos seguintes Grupos Ocupacionais:
de provas e títulos. Os direitos assegurados no Estatuto
e neste Plano de Carreira serão estendidos aos funcioná-
I - Grupo Auxiliar, constituído pelas categorias funcio- rios que tenham sido contratados em Regime de C.L.T.,
nais especificadas na forma a seguir: 1.1 - Subgrupo I antes da promulgação da Lei Municipal 7.453, de 05 de
(escolaridade elementar) - Agente de Serviços Gerais, julho de 1989.
Agente de Serviços Urbanos, Auxiliar de Manutenção A Carreira é a linha de acesso do funcionário na ca-
e Auxiliar de Pavimentação; 1.2 - Subgrupo II (escola- tegoria funcional a que pertencer para a categoria fun-
ridade 1º grau incompleto, até a 4ª série) - Agente de cional mais elevada, respeitando o tempo de serviço. O
Portaria, Agente de Vias Públicas, Carpinteiro, Eletri- desenvolvimento na Carreira dar-se-á por Progressão e
LEGISLAÇÃO
104
cargo da categoria funcional a que pertencer para o car- significa de “nessa qualidade”. A letra C está errada, o
go de referência inicial de categoria funcional mais ele- servidor público, como ser individual, apenas respon-
vada, respeitada a habilitação profissional exigida para de subjetivamente, em ação regressiva movida pelo
provimento (arts. 13 e 14). próprio Estado. A letra D está errada, é assegurado ao
O enquadramento dos funcionários do Quadro de Estado ação regressiva contra o responsável pela prá-
Provimento Efetivo dar-se-á na referência inicial, em car- tica de ato ilícito doloso e culposo. A letra E está erra-
go correspondente em atribuições e responsabilidades da, as pessoas jurídicas de direito privado, justamente
aos que ocupavam. por prestarem serviços públicos, possuem responsabi-
A posição atual do funcionário será considerada ob- lidade subjetiva, como se fossem pessoas jurídicas de
servando-se os seguintes critérios: I - nas atuais classes direito público.
da mesma categoria funcional, constituídas de dois ní-
veis, o funcionário pertencente a nível mais alto terá sua 2. (PREFEITURA DE PINHAIS-PR – PROCURADOR –
classificação elevada em três referências; II - nas atuais INSTITUTO AOCP – 2017) No tocante à Lei Municipal
classes da mesma categoria funcional, constituídas de nº 1.224/11, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores
três níveis, o funcionário do nível intermediário será Públicos do Município de Pinhais, assinale a alternativa
classificado com a elevação de mais duas referências e correta.
o funcionário pertencente ao nível mais alto será classi-
ficado com a elevação de mais três referências; III - nas a) A posse deverá ocorrer no prazo de até 10 (dez) dias
atuais classes da mesma categoria funcional, constituídas contados da publicação do ato de provimento, pror-
de quatro níveis, o funcionário será posicionado na nova rogável por no máximo mais 10 (dez) dias, a requeri-
referência pela ordem sequencial do nível anteriormente mento expresso e justificado do interessado e autori-
ocupado (art. 16). zado pela Administração.
Fica criado o Quadro Suplementar, cujos participarão b) O servidor licenciado terá prazo de até 05 (cinco) dias
do Plano de Carreira e serão extintos na próxima vacân- para entrar em exercício, contados a partir do térmi-
cia. O Quadro Suplementar será integrado: I - pelos car- no da licença e o reintegrado terá 10 (dez) dias para
gos do Quadro Suplementar já existente; II - pelos cargos tomar posse, contados a partir da publicação do ato.
do atual Quadro de Provimento Efetivo que não possam c) A data do exercício deverá coincidir com a data da
ser enquadrados no sistema criado por esta Lei; III - pelos posse.
cargos do atual Quadro de Provimento em que estiverem d) Recondução é o reingresso do servidor aposentado no
considerados em caráter efetivo. serviço público, quando insubsistentes os motivos da
aposentadoria.
e) Reversão é a reinvestidura do servidor no cargo an-
teriormente ocupado ou no cargo resultante de sua
EXERCÍCIO COMENTADO transformação, quando invalidada a sua exoneração
ou demissão por decisão administrativa ou judicial.
1. (PREFEITURA DE BELÉM-PA – BIOMÉDICO – AOCP
– 2018) Segundo o art. 37, § 6º, da Constituição Federal: Resposta: Letra C. A letra A está errada, o prazo para a
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito posse será de até 30 (trinta) dias, contados da publica-
privado prestadoras de serviços públicos responderão ção oficial do ato de nomeação. A letra B está errada, o
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causa- prazo para o servidor entrar em exercício é de 03 (três)
rem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra dias úteis, contados da data da posse. A letra D está
o responsável nos casos de dolo ou culpa”. De acordo errada, a alternativa na verdade descreve hipótese de
com essa norma, é correto afirmar que: reversão. A letra E está errada, a alternativa na verdade
descreve hipótese de reintegração. Observe que, mes-
a) o Estado responderá pela lesão causada por servidor mo com uma legislação diferente, alguns conceitos e
público que agira no exercício de sua função oficial. regras são praticamente os mesmos.
b) se o dano foi causado pelo agente público fora do
exercício de sua função, o Estado igualmente respon- 3. (PREFEITURA DE JARU-RO – ASSISTENTE ADMI-
derá por ele. NISTRATIVO – IBADE – 2019) Na Lei que instituiu o re-
c) o servidor público causador do ato ilícito passível de gime jurídico dos servidores públicos, civis da união no
reparação responde objetivamente por sua conduta Art. 49 trata das vantagens que poderão ser pagas aos
lesiva. servidores. Uma das vantagens pagas é:
d) o direito de regresso do Estado é assegurado contra
o responsável pela lesão nos casos unicamente de ato a) ajuda de custo.
ilícito doloso. b) diárias
e) as pessoas de direito privado não respondem objeti- c) transporte
vamente por eventuais danos enquanto prestam ser- d) auxílio moradia.
viços públicos. e) indenizações
LEGISLAÇÃO
Resposta: Letra A. A letra B está errada, o Estado Resposta: Letra E. As alternativas A a D descrevem os
apenas se responsabiliza pelos danos causados pelo tipos de indenizações, mas as vantagens não se resu-
servidor, enquanto esse estiver em exercício. Esse é o mem a apenas indenizações, há também gratificações
e vantagens.
105
4. (PREFEITURA DE BELA VISTA-MG – PROFESSOR Ética e cidadania
DE EDUCAÇÃO – FUNDEP – 2014) A demissão de um As instituições sociais e políticas têm uma história. É
servidor público do município de Bela Vista de Minas é impossível não reconhecer o seu desenvolvimento e o
anulada pelo Poder Judiciário. Nesse caso o servidor de- seu progresso em muitos aspectos, pelo menos do ponto
verá ser de vista formal.
A escravidão era legal no Brasil até 120 anos atrás. As
a) aposentado do serviço público. mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar ape-
b) colocado à disposição do serviço público estadual ou
nas há 60 anos e os analfabetos apenas há alguns anos.
federal.
c) reintegrado ao serviço público municipal. Chamamos isso de ampliação da cidadania.
d) considerado licenciado do serviço público até que Existem direitos formais (civis, políticos e sociais) que
complete os requisitos de aposentadoria. nem sempre se realizam como direitos reais. A cidada-
nia nem sempre é uma realidade efetiva e nem sempre
Resposta: Letra C. A questão apresenta uma hipótese é para todos. A efetivação da cidadania e a consciência
claríssima de reintegração, que é a reinvestidura do coletiva dessa condição são indicadores do desenvolvi-
funcionário estável no cargo anteriormente ocupado, mento moral e ético de uma sociedade.
quando invalidada a sua demissão por decisão admi- Para a ética, não basta que exista um elenco de princí-
nistrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as pios fundamentais e direitos definidos nas Constituições.
vantagens. O desafio ético para uma nação é o de universalizar os
direitos reais, permitido a todos cidadania plena, coti-
diana e ativa. É preciso fundar a responsabilidade indivi-
ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO dual numa ética construída e instituída tendo em mira o
bem comum, visando à formação do sujeito ético. Desse
modo, será possível a síntese entre ética e cidadania, na
A ética tem sido um dos temas mais trabalhados nos qual possa prevalecer muito mais uma ética de princípios
últimos tempos, pois a corrupção, o descaso social e os do que uma ética do dever. A responsabilidade individual
constantes escândalos políticos e sociais expostos na mí- deverá ser portadora de princípios e não de interesses
dia diariamente suscitam que a sociedade exija o resgate particulares.
de valores morais em todas as suas instâncias, sejam elas
políticas, científicas ou econômicas. Desse conflito de in- Dimensões da qualidade nos deveres dos servidores
teresses pelo bem comum ergue-se a ética, tão discutida públicos
pelos filósofos de toda a história mundial.
Os direitos e deveres dos servidores públicos estão
Ética é uma palavra com duas origens possíveis. A
descritos na Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
primeira advém do grego éthos, literalmente “com e cur-
to”, que pode ser traduzida por “costume”; a segunda Entre os deveres (art. 116), há dois que se encaixam
também se escreve éthos, porém se traduz por “com e no paradigma do atendimento e do relacionamento que
longo”, que significa “propriedade do caráter”. tem como foco principal o usuário.
Conceitua-se Ética como sendo o estudo dos juízos São eles:
de apreciação referentes à conduta humana, do ponto a) “atender com presteza ao público em geral, pres-
de vista do bem e do mal. É um conjunto de normas e tando as informações requeridas” e
princípios que norteiam a boa conduta do ser humano. b) “tratar com urbanidade as pessoas”.
A Ética é a parte da filosofia que aborda o compor- Presteza e urbanidade nem sempre são fáceis de ava-
tamento humano, seus anseios, desejos e vontades. É a liar, uma vez que não têm o mesmo sentido para todas
ciência da conduta humana perante o ser e seus seme- as pessoas, como demonstram as situações descritas a
lhantes e de uma forma específica de comportamento seguir.
humano, envolvendo estudos de aprovação ou desapro- • Serviços realizados em dois dias úteis, por exem-
vação da ação dos homens. É a consideração de valor
plo, podem não corresponder às reais necessida-
como equivalente de uma medição do que é real e vo-
des dos usuários quanto ao prazo.
luntarioso no campo das ações virtuosas. Ela ilumina a
consciência humana, sustenta e dirige as ações do ho- • Um atendimento cortês não significa oferecer ao
mem, norteando a conduta individual e social. usuário aquilo que não se pode cumprir. Para mini-
Como um produto histórico-cultural, define em cada mizar as diferentes interpretações para esses pro-
cultura e sociedade o que é virtude, o que é bom ou mal, cedimentos, uma das opções é a utilização do bom
certo ou errado, permitido ou proibido. senso:
Segundo Reale (1999, p. 29), “ética é a ciência norma- • Quanto à presteza, o estabelecimento de prazos
tiva dos comportamentos humanos”. para a entrega dos serviços tanto para os usuários
Já Maximiano (1974, p. 28) a define como “a discipli- internos quanto para os externos pode ajudar a re-
na ou campo do conhecimento que trata da definição e solver algumas questões.
avaliação de pessoas e organizações, é a disciplina que
LEGISLAÇÃO
106
Uma parcela expressiva da humanidade tem demonstrado que não é mais aceitável tolerar condutas inadequadas
na prestação de serviços e nas relações interpessoais, essa parcela acredita que o século XXI exigirá mudanças de pos-
tura do ser humano.
Aos poucos, nasce a consciência de que precisamos abandonar velhas crenças, como “errar é humano”, “santo de
casa não faz milagres”, “em time que está ganhando não se mexe”, “gosto não se discute”, entre outras, substituindo-as
por:
a) “acertar é humano” – o ser humano tem demonstrado capacidade de eliminar desperdícios, erros, falhas, quando
é cobrado por suas ações;
b) “santo de casa faz milagres” – organizações e pessoas, quando valorizadas, têm apresentado soluções criativas
na identificação e resolução de problemas;
c) “em time que está ganhando se mexe sim” – em todas as atividades da vida profissional ou pessoal, o sucesso
pode ser conseguido por meio da melhoria contínua dos processos, das atitudes, do comportamento; a avaliação
daqueles que lidam diretamente com o usuário pode apontar os que têm perfil adequado para o desempenho
de atividades de atendimento ao público;
d) “gosto se discute” – profissões antes não aceitas ou pensadas, além de aquecerem o mercado de trabalho, con-
tribuem para que os processos de determinada atividade ou serviço sejam reformulados em busca da qualidade
total.
e) Além dessas mudanças, há necessidade da adoção de outros paradigmas em consonância com as transforma-
ções que a globalização e as novas tecnologias vêm trazendo para a humanidade. O desenvolvimento pessoal
é um deles e está entre os temas debatidos na atualidade, por se tratar de um valor indispensável à cidadania.
Autores de diversas áreas do conhecimento defendem que a humanidade deve conscientizar-se de que cada in-
divíduo é responsável pelo seu próprio desenvolvimento e que, para isso, cada cidadão necessita planejar e cuidar do
seu destino, contribuindo, de forma responsável, para o progresso da comunidade onde vive. O novo século exige a
harmonia e a solidariedade como valores permanentes, em resposta aos desafios impostos pela velocidade das trans-
formações da atualidade.
Não é à toa que as organizações estão exigindo habilidades intelectuais e comportamentais dos seus profissionais,
além de apurada determinação estratégica. Entre outros requisitos, essas habilidades incluem:
• atualização constante;
• soluções inovadoras em resposta à velocidade das mudanças;
• decisões criativas, diferenciadas e rápidas;
• flexibilidade para mudar hábitos de trabalho;
• liderança e aptidão para manter relações pessoais e profissionais;
• habilidade para lidar com os usuários internos e externos.
Ética do exercício profissional
Diferença entre Ética E Moral
É de extrema importancia saber diferenciar a Ética da Moral. São duas ciências de conhecimento se diferenciam, no
entanto, tem muitas interligações entre elas.
A moral se baseia em regras que fornecem uma certa previsão sobre os atos humanos. A moral estabelece regras
que devem ser assumidas pelo homem, como uma maneira de garantia do seu bem viver. A moral garante uma identi-
dade entre pessoas que podem até não se conhecer, mas utilizam uma mesma refêrencia de Moral entre elas.
A Ética já é um estudo amplo do que é bem e do que é mal. O objetivo da ética é buscar justificativas para o cum-
primento das regras propostas pela Moral. É diferente da Moral, pois não estabelece regras. A reflexão sobre os atos
humanos é que caracterizam o ser humano ético.
#FicaDica
ÉTICA MORAL
Trata da reflexão filosófica sobre a moral. Tem caráter de força normativa.
É permanente. É temporária
É princípio Representa aspecto de conduta específica
Ciência que estuda a moral. Relacionada com hábitos e costumes de alguns gru-
pos sociais.
A noção de Ética é, portanto, muito ampla e inclui vários princípios básicos e transversais que são:
107
Abaixo, alguns Desafios Éticos com que nos defrontamos diariamente:
1. Se não é proibido/ilegal, pode ser feito – É óbvio que, existem escolhas, que embora, não estando especificamen-
te referidas, na lei ou nas normas, como proibidas, não devem ser tomadas.
2. Todos os outros fazem isso – Ao longo da história da humanidade, o homem esforçou-se sempre, para legitimar
o seu comportamento, mesmo quando, utiliza técnicas eticamente reprováveis.
A postura ética e profissional é um componente importante para imprimir qualidade ao atendimento, qualquer que
seja a modalidade: presencial, por telefone, por carta ou por Internet.
A postura ética também é fator que agrega valor à organização e que está diretamente relacionado às representa-
ções positivas que os usuários venham a construir a respeito da organização.
deve ser acrescida da consciência de que a razão da atuação do servidor público é a busca pelo bem comum;
o servidor deve ter sempre em mente que sua remuneração é proveniente dos tributos pagos pelos cidadãos
brasileiros, inclusive ele mesmo e que a contrapartida que a sociedade brasileira exige dele está voltada para a
moralidade administrativa integrada ao que prevê as normas jurídicas;
108
o sucesso do trabalho do servidor público reflete- Para compor esse perfil, o profissional necessita saber
-se também nele próprio, como cidadão integrante ouvir, conduzir uma negociação, participar de reuniões,
da sociedade brasileira; vestir-se adequadamente, conversar educadamente, tra-
os atos e fatos da vida privada do servidor público tar bem os usuários internos e externos.
têm influência em sua vida profissional, assim sen-
do sua conduta fora do órgão público deve ser tão Comportamento Profissional
ética quanto durante o exercício de seu trabalho A ética está diretamente relacionada ao padrão de
diário; comportamento do individuo e dos profissionais.
danos ao patrimônio público pelo servidor são A elaboração das leis serve para orientar o comporta-
considerados seja por permitir sua deterioração mento dos indivíduos frente às necessidades (direitos e
ou por descuidar de sua manutenção porque, se- obrigações) e em relação ao meio social, entretanto, não
gundo o Código de Ética que estamos estudando, é possível para a lei ditar nosso padrão de comporta-
“constitui uma ofensa (...) a todos os homens de mento. Desta forma, outro ponto importante diz respeito
boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu a cultura e o contexto, ficando claro que não há cultura
tempo, suas esperanças e seus esforços para cons- no sentido de quantidade de conhecimento adquirido,
truí-los”; mas sim, a qualidade na medida em que esta pode ser
também são considerados danos morais aos usuá- usada em prol da função social e do bem estar, entre
rios dos serviços públicos: deixar o cidadão espe- outras coisas mais que referem-se ao bem maior do ser
rando em longas filas; maus tratos ao cidadão; e humano. Este é o ponto fundamental, a essência, o pon-
atraso na prestação do serviço. to mais controverso quando se trata da ética no serviço
publico.
Atitudes comportamentais Para que ética? Os padrões são necessários para
O sucesso profissional e pessoal pode fazer grande manter o mínimo de coesão e estabilidade na comuni-
diferença quando se une competência técnica e compe- dade. No caso especifico do serviço publico, o padrão
tência comportamental. De acordo com especialistas no é requisito para garantir a confiança do publico. Existe
assunto, se essas competências forem desenvolvidas, a uma relação entre a confiança depositada e a eficiência e
organização ganha em qualidade e rapidez, e o servidor eficácia do serviço prestado.
conquista o respeito dos usuários internos e externos.
A competência técnica tem como base o conheci- Organização do Trabalho
mento adquirido na formação profissional. É própria da- O conceito de organização do trabalho procura ana-
queles cuja formação profissional é adequada à função lisar se os diferentes elementos de uma organização tra-
que exercem. De modo geral, são profissionais que reve- balham em conjunto, funcionam de forma eficiente e fo-
lam a preocupação em se manterem atualizados. calizam as necessidades de ambos, clientes e prestadores
A competência comportamental é adquirida na ex- de serviços.
periência. Faz parte das habilidades sociais que exigem Uma melhor organização do trabalho exige muitas
atitudes adequadas das pessoas para lidar com situações vezes pequenas mudanças de um processo ou procedi-
do dia-a-dia. De modo geral, o desenvolvimento dessa mento que resolvem importantes problemas relaciona-
competência é estimulado pela curiosidade, paixão, in- dos ao trabalho.
tuição, razão, cautela, audácia, ousadia. O conceito de organização do trabalho pode ajudar
Sabe-se que não é fácil alcançar o equilíbrio entre es- a tratar de alguns elementos chaves que, se negligencia-
ses dois tipos de competência. É comum se encontrar dos, interferirão com a facilidade de acesso e a qualidade
pessoas capacitadas realizando diferentes atividades dos serviços. Os elementos são:
com maestria, porém, com dificuldade em manterem a) práticas baseadas em evidências.
relacionamentos interpessoais de qualidade. Tratam de b) Capacidade de adaptação – apresentar flexibilida-
forma grosseira tanto os usuários internos como os ex- de
ternos. Lutam para que suas ideias sempre prevaleçam. c) Ligações com outros serviços e locais
Não conversam, gritam. Falam alto ao telefone. Fingem d) Informações maximizadas
que não veem as pessoas. e) Estimulo de criatividade no uso de espaço e recur-
sos
As organizações, ao contrário, buscam cada vez mais
f) Potencializar o fluxo de usuários, administrando
ter em seus quadros servidores com sólida formação téc-
tempo de espera e fluxo das pessoas
nica que, capazes de cultivar valores éticos, como justiça,
g) Divisão e definição do trabalho – funções e res-
respeito, tolerância e solidariedade, demonstrem atitu-
ponsabilidades
des positivas e adequadas ao atendimento de qualidade.
h) Estimular os fatores sociais
Para compor esse perfil, o profissional necessita saber
Atitudes e Prioridades em Serviço
ouvir, conduzir uma negociação, participar de reuniões,
As atitudes de um profissional no exercício de suas
vestir-se adequadamente, conversar educadamente, tra-
funções devem ser pautadas no seu comportamento éti-
tar bem os usuários internos e externos.
co.
As organizações, ao contrário, buscam cada vez mais
LEGISLAÇÃO
109
O código traz as chamadas Regras Dentológicas, Afirmativa III – ERRADO -dependendo da situação, ca-
ou seja, os valores que devem nortear tanto o servidor racteriza imprudência também.
quanto o serviço publico.27 Afirmativa IV – CORRETO
Acesse o link a seguir e veja as regras Deontológicas Todas as afirmativas constam no Código de Ética Pro-
instituídas pelo decreto: www.planalto.gov.br/ccivil_03/ fissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
decreto/d1171.htm Federal (Decreto 1.171/94), portanto, sua leitura é ex-
tremamente importante.
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
110
4. (PREFEITURA DE JARU-RO – ASSISTENTE ADMI-
NISTRATIVO – IBADE – 2019) De acordo com o Estatuto
HORA DE PRATICAR! do Servidor Público do Município de Jaru, quando trata
do assunto “Das Responsabilidades” do servidor, dispõe
1. (PREFEITURA DE MARABÁ-PA – ENGENHEIRO CI- que as sanções civis, penais e administrativas:
VIL – FADESP – 2019) Por conta de seus atos como ser-
vidor público da administração direta ou indireta do mu- a) poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
nicípio de Marabá, o servidor pode ser responsabilizado b) só podem ser aplicadas de forma cumulativa.
civil, penal e administrativamente. Sobre essa responsa- c) têm gradações punitivas diferentes, sendo a sanção
bilização, é correto afirmar que: administrativa a mais grave das três.
d) são decorrentes do exercício regular das atribuições
a) as sanções civis, penais e disciplinares, via de regra, pelo servidor.
poderão acumular-se, pois são independentes entre e) dependem umas das outras.
si.
b) o dano que o servidor público causa a terceiro será 5. (TJ-MS – TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR – PUC-PR
arcado pela Fazenda Pública, que não poderá em ação – 2017) O Estatuto dos Servidores Públicos do Poder Ju-
regressiva obter indenização do servidor. diciário do Estado de Mato Grosso do Sul elenca algumas
c) a responsabilidade administrativa do servidor não será situações em que será aplicada a pena de demissão ao
afastada, caso o servidor, na esfera penal, obtenha ab- servidor público. Assinale a alternativa INCORRETA.
solvição por negativa de autoria.
d) o servidor não possui responsabilidade civil, eis que a) Será aplicada a pena de demissão nos casos de acu-
está regulamentada apenas sua responsabilidade pe- mulação ilícita de cargo ou função, comprovada a má-
nal e administrativa. -fé.
b) Será aplicada a pena de demissão nos casos de con-
2. (PREV. SÃO JOSÉ-PR – AGENTE ADMINISTRATIVO – denação pela justiça comum, independentemente do
FAUEL – 2017) O Estatuto detalhado pela Lei Municipal crime ou da pena aplicada na decisão condenatória.
525, de 25 de março de 2004, diz respeito especificamen- c) Será aplicada a pena de demissão nos casos de exercí-
te aos Servidores Públicos: cio de advocacia administrativa.
d) Será aplicada a pena de demissão nos casos de incon-
a) estaduais. tinência pública ou escandalosa.
b) federais. e) Será aplicada a pena de demissão nos casos de aban-
c) da fazenda. dono de cargo ou inassiduidade habitual.
d) regionais.
e) municipais. 6. (PREV. SÃO JOSÉ-PR – AGENTE ADMINISTRATIVO
– FAUEL – 2017) A Lei nº 525/2004 dispõe sobre o Esta-
3. (CÂMARA DE MARINGÁ-PR – ASSISTENTE ADMI- tuto que se aplica a servidores:
NISTRATIVO – AOCP – 2017) Sobre o ingresso no servi-
ço público do município de Maringá, assinale a alterna- a) do Poder Legislativo.
tiva correta. b) do Poder Executivo.
c) ocupantes de cargos efetivos.
a) É assegurado, às pessoas portadoras de deficiência, o d) ocupantes de cargos em comissão.
direito de se inscrever em concurso público para pro- e) Todas as alternativas anteriores.
vimento de cargo, cujas atribuições sejam compatíveis
com a deficiência de que são portadoras, para as quais 7. (PREV. SÃO JOSÉ-PR – ADVOGADO – FAUEL – 2017)
serão reservados 10% (dez por cento) dos cargos va- Assinale a alternativa CORRETA, com base no Estatuto
gos no quadro geral. dos Servidores Públicos Municipais de São José dos Pi-
b) A nomeação para cargo isolado, de carreira ou em nhais.
comissão depende de prévia habilitação em concurso
público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a a) O servidor em estágio probatório não poderá exercer
ordem de classificação e o prazo de sua validade. função de direção, chefia e assessoramento.
c) São requisitos básicos para o ingresso no serviço pú- b) O prazo para o servidor entrar em exercício é de 03
blico: a nacionalidade brasileira; o gozo dos direitos (três) dias úteis, contados da data da posse.
políticos; a quitação com as obrigações militares e c) O adicional por tempo de serviço, concedido à razão
eleitorais; a idade mínima de dezoito anos e gozar de de 1% (um por cento) por ano, passará a vigorar a par-
boa saúde, comprovada em inspeção médica. tir do dia posterior ao primeiro ano de efetivo exercí-
d) O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante cio.
ato da autoridade máxima do poder legislativo. d) O auxílio refeição será concedido exclusivamente na
e) De acordo com a legislação em vigor, os cargos de forma de vale refeição.
LEGISLAÇÃO
diretor de unidade escolar e de centro municipal de e) A administração deverá conceder ao servidor efetivo
educação infantil serão escolhidos por votação dos estável, quando solicitada, licença para tratar de in-
teresses particulares, pelo prazo de até 02 (dois) anos
membros das respectivas escolas e conselho de mem-
consecutivos, sem remuneração, não se computando
bros da comunidade.
o tempo de licença para nenhum efeito.
111
8. (PREFEITURA DE JARU-RO – ANALISTA ADMINIS- 12. (PREFEITURA DE MARABÁ-PA – ENGENHEIRO CI-
TRATIVO – IBADE – 2019) Conforme dispõe o Estatuto VIL – FADESP – 2019) Sobre as sanções disciplinares que
do Servidor Público do Município de Jaru, ao ato de in- podem ser aplicadas ao servidor da administração públi-
vestidura em cargo público dá-se o nome de: ca direta ou indireta do município de Marabá, é correto
afirmar que:
a) exoneração
b) posse a) a advertência pode ser aplicada, quando o servidor co-
c) exercício meter improbidade administrativa.
d) remoção b) a demissão pode ser aplicada, quando o servidor rece-
e) reengajamento ber propina em razão das suas atribuições.
c) a demissão pode ser aplicada, quando o servidor pro-
mover manifestação de desapreço no recinto da re-
9. (PREFEITURA DE AVELINÓPOLIS-GO – FISCALDE
partição.
TRIBUTOS – ITAME – 2019) É definição de CARGO se-
d) a suspensão pode ser aplicada, quando o servidor pro-
gundo o Estatuto dos Servidores de Avelinópolis:
mover desvio de dinheiro público.
a) Atribuição ou conjunto de especificações que devem 13) (TCE-PA - Auditor de Controle Externo - Área Ad-
ser executadas por um funcionário na estrutura orga- ministrativa - Serviço Social - CESPE/2016) Julgue o
nizacional, fornecendo elementos para caracterização, item subsecutivo, acerca do Estatuto da Criança e do
descrição, classificação e avaliação do cargo. Adolescente (ECA).
b) Posto de trabalho instituído na organização do funcio- De acordo com o ECA, é considerada criança a pessoa
nalismo, caracterizado por deveres e responsabilida- com até doze anos de idade incompletos.
des com estabelecimento de jornada de trabalho pre-
vista em lei, com denominação própria, número certo ( ) CERTO ( ) ERRADO
e remuneração pelos cofres públicos.
c) Conjunto de classes do mesmo grau profissional, dis- 14. (DPU - Assistente Social - CESPE/2016) Segundo
posto hierarquicamente, de acordo com a complexi- as normas contidas na legislação social voltada para os
dade, constituindo a linha natural de promoção do direitos sociais e proteção de crianças e adolescentes,
funcionário. julgue o seguinte item.
d) Conjunto de cargos não hierarquizados segundo a Para o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo,
estrutura organizacional, integrantes dos campos de é prioritária a aplicação de medidas privativas ou restri-
atuação operacional, administrativo e manutenção do tivas de liberdade em estabelecimento educacional, de
serviço público. modo a garantir a inclusão social dos egressos do siste-
ma socioeducativo.
10. (CÂMARA DE FORTALEZA-CE – AGENTE ADMINIS-
( ) CERTO ( ) ERRADO
TRATIVO – FCC – 2019) Nos termos do Estatuto dos Ser-
vidores do Município de Fortaleza, é causa de vacância
15. (TJ-DFT - Analista Judiciário - Judiciária - CES-
de cargo público
PE/2015) Julgue o próximo item, de acordo com o dis-
posto no Código de Defesa do Consumidor e no Estatuto
a) a nomeação. da Criança e do Adolescente (ECA).
b) a transferência. De acordo com o ECA, o conselho tutelar pode aplicar,
c) a reintegração. conforme a gravidade do caso, medida de encaminha-
d) o aproveitamento. mento a tratamento psicológico ou psiquiátrico aos
e) a recondução. pais que apliquem castigo físico ou tratamento cruel ou
degradante como formas de disciplina ou correção do
11. (CÂMARA DE FORTALEZA-CE – CONTADOR – FCC comportamento de criança ou adolescente.
– 2019) De acordo com o Estatuto dos Servidores do
Município de Fortaleza, é proibido ao servidor ( ) CERTO ( ) ERRADO
112
ANOTAÇÕES
GABARITO
1. A ________________________________________________
2. E _________________________________________________
3. C _________________________________________________
4. A _________________________________________________
5. B _________________________________________________
6. E _________________________________________________
7. B _________________________________________________
8. B _________________________________________________
9. B _________________________________________________
10. B _________________________________________________
11. E _________________________________________________
12. B _________________________________________________
13 CERTO _________________________________________________
14 ERRADO _________________________________________________
15 ERRADO _________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
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LEGISLAÇÃO
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113
ANOTAÇÕES
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LEGISLAÇÃO
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114
ÍNDICE
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Conceitos e fundamentos básicos. Conhecimento e utilização dos principais softwares utilitários (compactadores
de arquivos, chat, clientes de e-mails, reprodutores de vídeo, visualizadores de imagem, antivírus). Identificação
e manipulação de arquivos. Backup de arquivos.Conceitos básicos de Hardware (Placa mãe, memórias,
processadores (CPU) e disco de armazenamento HDs, CDs e DVDs).Periféricos de computadores.............................. 1
Ambientes operacionais: utilização dos sistemas operacionais Windows 7 e Windows 10............................................ 8
Conceitos básicos sobre Linux e Software Livre. ........................................................................................................................................ 16
Utilização de ferramentas de texto, planilha e apresentação do pacote Microsoft Office (Word, Excel e PowerPoint) –
versões 2010, 2013 e 2016. Utilização de ferramentas de texto, planilha e apresentação do pacote LibreOffice (Writer,
Calc e Impress) - versões 5 e 6. ......................................................................................................................................................................... 21
Utilização e configuração de e-mail no Microsoft Outlook. Conceitos de tecnologias relacionadas à Internet e Intranet,
busca e pesquisa na Web, mecanismos de busca na Web. Navegadores de internet: Internet Explorer, Mozilla Firefox,
Google Chrome. ...................................................................................................................................................................................................... 46
Segurança na internet; vírus de computadores; Spyware; Malware; Phishing e Spam. .............................................................. 59
Transferência de arquivos pela internet.......................................................................................................................................................... 63
CONCEITOS E FUNDAMENTOS BÁSICOS. CONHECIMENTO E UTILIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS
SOFTWARES UTILITÁRIOS (COMPACTADORES DE ARQUIVOS, CHAT, CLIENTES DE E-MAILS,
REPRODUTORES DE VÍDEO, VISUALIZADORES DE IMAGEM, ANTIVÍRUS). IDENTIFICAÇÃO
E MANIPULAÇÃO DE ARQUIVOS. BACKUP DE ARQUIVOS.CONCEITOS BÁSICOS DE HARDWARE
(PLACA MÃE, MEMÓRIAS, PROCESSADORES (CPU) E DISCO DE ARMAZENAMENTO HDS, CDS E
DVDS).PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES.
A Informática é um meio para diversos fins, com isso acaba atuando em todas as áreas do conhecimento. A sua
utilização passou a ser um diferencial para pessoas e empresas, visto que, o controle da informação passou a ser algo
fundamental para se obter maior flexibilidade no mercado de trabalho. Logo, o profissional, que melhor integrar sua
área de atuação com a informática, atingirá, com mais rapidez, os seus objetivos e, consequentemente, o seu sucesso,
por isso em quase todos editais de concursos públicos temos Informática.
#FicaDica
Informática pode ser considerada como significando “informação automática”, ou seja, a utilização de mé-
todos e técnicas no tratamento automático da informação. Para tal, é preciso uma ferramenta adequada:
O computador.
A palavra informática originou-se da junção de duas outras palavras: informação e automática. Esse prin-
cípio básico descreve o propósito essencial da informática: trabalhar informações para atender as necessi-
dades dos usuários de maneira rápida e eficiente, ou seja, de forma automática e muitas vezes instantânea.
O que é um computador?
O computador é uma máquina que processa dados, orientado por um conjunto de instruções e destinado a produ-
zir resultados completos, com um mínimo de intervenção humana. Entre vários benefícios, podemos citar:
: grande velocidade no processamento e disponibilização de informações;
: precisão no fornecimento das informações;
: propicia a redução de custos em várias atividades
: próprio para execução de tarefas repetitivas;
Vamos observar agora, alguns pontos fundamentais para o entendimento de informática em concursos públicos.
Hardware, são os componentes físicos do computador, ou seja, tudo que for tangível, ele é composto pelos periféri-
cos, que podem ser de entrada, saída, entrada-saída ou apenas saída, além da CPU (Unidade Central de Processamento)
Software, são os programas que permitem o funcionamento e utilização da máquina (hardware), é a parte lógica
do computador, e pode ser dividido em Sistemas Operacionais, Aplicativos, Utilitários ou Linguagens de Programação.
O primeiro software necessário para o funcionamento de um computador é o Sistema Operacional (Sistema Ope-
racional). Os diferentes programas que você utiliza em um computador (como o Word, Excel, PowerPoint etc) são os
aplicativos. Já os utilitários são os programas que auxiliam na manutenção do computador, o antivírus é o principal
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
exemplo, e para finalizar temos as Linguagens de Programação que são programas que fazem outros programas, como
o JAVA por exemplo.
Importante mencionar que os softwares podem ser livres ou pagos, no caso do livre, ele possui as seguintes carac-
terísticas:
• O usuário pode executar o software, para qualquer uso.
• Existe a liberdade de estudar o funcionamento do programa e de adaptá-lo às suas necessidades.
• É permitido redistribuir cópias.
• O usuário tem a liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comu-
nidade inteira beneficie da melhoria.
1
Entre os principais sistemas operacionais pode-se - Tamanho: Organiza os ícones pelo seu tamanho
destacar o Windows (Microsoft), em suas diferentes ver- em bytes, permanecendo inalterados os ícones pa-
sões, o Macintosh (Apple) e o Linux (software livre criado drão da área de trabalho.
pelo finlandês Linus Torvalds), que apresenta entre suas - Tipo: Organiza os ícones em grupos de tipos, por
versões o Ubuntu, o Linux Educacional, entre outras. exemplo, todas as pastas ficarão ordenadas em
É o principal software do computador, pois possibilita sequência, depois todos os arquivos, e assim por
que todos os demais programas operem. diante, permanecendo inalterados os ícones pa-
drão da área de trabalho.
- Modificado em: Organiza os ícones pela data da
#FicaDica última alteração, permanecendo inalterados os
ícones padrão da área de trabalho.
Android é um Sistema Operacional desen- - Organizar automaticamente: Não permite que os
volvido pelo Google para funcionar em ícones sejam colocados em qualquer lugar na área
dispositivos móveis, como Smartphones e de trabalho. Quando arrastados pelo usuário, ao
Tablets. Sua distribuição é livre, e qualquer soltar o botão esquerdo, o ícone voltará ao seu lu-
pessoa pode ter acesso ao seu código- gar padrão.
-fonte e desenvolver aplicativos (apps) para - Alinhar à grade: estabelece uma grade invisível
funcionar neste Sistema Operacional. para alinhamento dos ícones.
iOS, é o sistema operacional utilizado pelos - Mostrar ícones da área de trabalho: Oculta ou
aparelhos fabricados pela Apple, como o mostra os ícones colocados na área de trabalho,
iPhone e o iPad. inclusive os ícones padrão, como Lixeira, Meu
Computador e Meus Documentos.
- Bloquear itens da Web na área de trabalho: Blo-
IDENTIFICAÇÃO E MANIPULAÇÃO DE ARQUIVOS quea recursos da Internet ou baixados em temas
da web e usados na área de trabalho.
Pastas – são estruturas digitais criadas para organizar - Executar assistente para limpeza da área de traba-
arquivos, ícones ou outras pastas. lho:
Arquivos – são registros digitais criados e salvos atra- Inicia um assistente para eliminar da área de trabalho
vés de programas aplicativos. Por exemplo, quando abri- ícones que não estão sendo utilizados.
mos a Microsoft Word, digitamos uma carta e a salvamos Para acessar o Windows Explorer, basta clicar no bo-
no computador, estamos criando um arquivo. tão Windows, Todos os Programas, Acessórios, Windows
Ícones – são imagens representativas associadas a Explorer, ou usar a tecla do Windows+E. O Windows Ex-
programas, arquivos, pastas ou atalhos. As duas figuras plorer é um ambiente do Windows onde podemos rea-
mostradas nos itens anteriores são ícones. O primeiro re- lizar o gerenciamento de arquivos e pastas. Nele, temos
presenta uma pasta e o segundo, um arquivo criado no duas divisões principais: o lado esquerdo, que exibe as
programa Excel. pastas e diretórios em esquema de hierarquia e o lado
Atalhos – são ícones que indicam um caminho mais direito que exibe o conteúdo das pastas e diretórios se-
curto para abrir um programa ou até mesmo um arquivo. lecionados do lado esquerdo.
Clicando com o botão direito do mouse sobre um es- Quando clicamos, por exemplo, sobre uma pasta com
paço vazio da área de trabalho, temos as seguintes op- o botão direito do mouse, é exibido um menu suspenso
ções, de organização: com diversas opções de ações que podem ser realizadas.
Em ambos os lados (esquerdo e direito) esse procedi-
mento ocorre, mas do lado esquerdo, não é possível vi-
sualizar a opção “Criar atalho”, como é possível observar
nas figuras a seguir:
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
2
A figura a cima mostra as opções exibidas no menu
suspenso quando clicamos na pasta DOWNLOADS com
o botão direito do mouse, do lado esquerdo do Windows
Explorer.
No Windows Explorer podemos realizar facilmente
opções de gerenciamento como copiar, recortar, colar e
mover, pastas e arquivos.
-Recortar e Colar: Esse procedimento retira um arqui- Alguns arquivos e pastas, por terem um tamanho
vo ou pasta de um determinado lugar e o coloca em ou- muito grande, são excluídos sem irem antes para a Li-
tro. É como se recortássemos uma figura de uma revista xeira. Sempre que algo for ser excluído, aparecerá uma
e a colássemos em um caderno. O que recortarmos ficará mensagem, ou perguntando se realmente deseja en-
apenas em um lugar do computador. viar aquele item para a Lixeira, ou avisando que o que
Os passos necessários para recortar e colar, são: foi selecionado será permanentemente excluído. Outra
1º Selecione o item desejado; forma de excluir documentos ou pastas sem que eles fi-
2º Clique com o botão direito do mouse e depois quem armazenados na Lixeira é usar as teclas de atalho
com o esquerdo em “recortar”. Se preferir, pode Shift+Delete.
usar as teclas de atalho CTRL+X. Esses passos cria- No Linux a forma mais tradicional para se manipular
rão uma cópia do arquivo ou pasta na memória arquivos é com o comando chmod que altera as permis-
RAM do computador, mas a cópia ainda não estará sões de arquivos ou diretórios. É um comando para ma-
em nenhum lugar visível do sistema operacional. nipulação de arquivos e diretórios que muda as permis-
3º Clique com o botão direito do mouse no local sões para acesso àqueles, por exemplo, um diretório que
onde deseja deixar a cópia e depois, com o esquer- poderia ser de escrita e leitura, pode passar a ser apenas
do, clique em “colar”. Também podem ser usadas leitura, impedindo que seu conteúdo seja alterado.
as teclas CTRL + V, para efetivar o processo de co-
lagem. CONCEITOS BÁSICOS DE HARDWARE (PLACA
MÃE, MEMÓRIAS, PROCESSADORES (CPU) E
Lixeira: Contém os arquivos e pastas excluídos pelo DISCO DE ARMAZENAMENTO HDS, CDS E DVDS)
usuário. Para excluirmos arquivos, atalhos e pastas, po-
demos clicar com o botão direito do mouse sobre eles e Os gabinetes são dotados de fontes de alimentação
depois usar a opção “Excluir”. Outra forma é clicar uma de energia elétrica, botão de ligar e desligar, botão de re-
vez sobre o objeto desejado e depois pressionar o botão set, baias para encaixe de drives de DVD, CD, HD, saídas
delete, no teclado. Esses dois procedimentos enviarão de ventilação e painel traseiro com recortes para encaixe
para lixeira o que foi excluído, sendo possível a restaura- de placas como placa mãe, placa de som, vídeo, rede,
ção, caso haja necessidade. Para restaurar, por exemplo, cada vez mais com saídas USBs e outras.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
um arquivo enviado para a lixeira, podemos, após abri-la, No fundo do gabinete existe uma placa de metal
restaurar o que desejarmos. onde será fixada a placa mãe. Pelos furos nessa placa é
possível verificar se será possível ou não fixar determi-
nada placa mãe em um gabinete, pois eles têm que ser
proporcionais aos furos encontrados na placa mãe para
parafusá-la ou encaixá-la no gabinete.
3
#FicaDica
Placa-mãe, é a placa principal, formada por um conjunto de circuitos integrados (“chip set“) que reconhece
e gerencia o funcionamento dos demais componentes do computador.
Se o processador pode ser considerado o “cérebro” do computador, a placa-mãe (do inglês motherboard) repre-
senta a espinha dorsal, interligando os demais periféricos ao processador.
O disco rígido, do inglês hard disk, também conhecido como HD, serve como unidade de armazenamento perma-
nente, guardando dados e programas.
Ele armazena os dados em discos magnéticos que mantêm a gravação por vários anos, se necessário.
Esses discos giram a uma alta velocidade e tem seus dados gravados ou acessados por um braço móvel composto
por um conjunto de cabeças de leitura capazes de gravar ou acessar os dados em qualquer posição nos discos.
Dessa forma, os computadores digitais (que trabalham com valores discretos) são totalmente binários. Toda infor-
mação introduzida em um computador é convertida para a forma binária, através do emprego de um código qualquer
de armazenamento, como veremos mais adiante.
A menor unidade de informação armazenável em um computador é o algarismo binário ou dígito binário, conheci-
do como bit (contração das palavras inglesas binarydigit). O bit pode ter, então, somente dois valores: 0 e 1.
Evidentemente, com possibilidades tão limitadas, o bit pouco pode representar isoladamente; por essa razão, as
informações manipuladas por um computador são codificadas em grupos ordena- dos de bits, de modo a terem um
significado útil.
O menor grupo ordenado de bits representando uma informação útil e inteligível para o ser humano é o byte (leia-
-se “baite”).
Como os principais códigos de representação de caracteres utilizam grupos de oito bits por caracter, os conceitos
de byte e caracter tornam-se semelhantes e as palavras, quase sinônimas.
É costume, no mercado, construírem memórias cujo acesso, armazenamento e recuperação de informações são
efetuados byte a byte. Por essa razão, em anúncios de computadores, menciona-se que ele possui “512 mega bytes de
memória”; por exemplo, na realidade, em face desse costume, quase sempre o termo byte é omitido por já subentender
esse valor.
Para entender melhor essas unidades de memórias, veja a imagem abaixo:
Em resumo, a cada degrau que você desce na Figura 3 é só você dividir por 1024 e a cada degrau que você sobe
basta multiplicar por 1024. Vejamos dois exemplos abaixo:
Transformar 16422282522
Transformar 4 gigabytes kilobytes em terabytes:
em kilobytes: 16422282522 / 1024 =
4 * 1024 = 4096 megaby- 16037385,28 megabytes
tes 16037385,28 / 1024 =
4096 * 1024 = 4194304 15661,51 gigabytes
kilobytes. 15661,51 / 1024 = 15,29 te-
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
rabytes.
USB é abreviação de “Universal Serial Bus”. É a porta de entrada mais usada atualmente.
Além de ser usado para a conexão de todo o tipo de dispositivos, ele fornece uma pequena quantidade de energia.
Por isso permite que os conectores USB sejam usados por carregadores, luzes, ventiladores e outros equipamentos.
A fonte de energia do computador ou, em inglês é responsável por converter a voltagem da energia elétrica, que
chega pelas tomadas, em voltagens menores, capazes de ser suportadas pelos componentes do computador.
Monitor de vídeo
Normalmente um dispositivo que apresenta informações na tela de LCD, como um televisor atual.
4
Outros monitores são sensíveis ao toque (chamados Contém um conjunto de restritos de células de me-
de touchscreen), onde podemos escolher opções tocan- mória chamados registradores que podem ser lidos e
do em botões virtuais, apresentados na tela. escritos muito mais rapidamente que em outros dispo-
Impressora sitivos de memória. Os registra- dores são unidades de
Muito popular e conhecida por produzir informações memória que representam o meio mais caro e rápido de
impressas em papel. armazenamento de dados. Por isso são usados em pe-
Atualmente existem equipamentos chamados im- quenas quantidades nos processadores.
pressoras multifuncionais, que comportam impressora, Em relação a sua arquitetura, se destacam os modelos
scanner e fotocopiadoras num só equipamento. RISC (Reduced Instruction Set Computer) e CISC (Com-
Pen drive é a mídia portátil mais utilizada pelos usuá- plex Instruction Set Computer). Segundo Carter [s.d.]:
rios de computadores atualmente. ... RISC são arquiteturas de carga-armazenamento,
Ele não precisar recarregar energia para manter os enquanto que a maior parte das arquiteturas CISC per-
dados armazenados. Isso o torna seguro e estável, ao mite que outras operações também façam referência à
contrário dos antigos disquetes. É utilizado através de memória.
uma porta USB (Universal Serial Bus). Possuem um clock interno de sincronização que defi-
Cartões de memória, são baseados na tecnologia ne a velo- cidade com que o processamento ocorre. Essa
flash, semelhante ao que ocorre com a memória RAM velocidade é medida em Hertz. Segundo Amigo (2008):
do computador, existe uma grande variedade de formato Em um computador, a velocidade do clock se refere
desses cartões. ao número de pulsos por segundo gerados por um osci-
São muito utilizados principalmente em câmeras lador (dispositivo eletrônico que gera sinais), que deter-
fotográficas e telefones celulares. Podem ser utilizados mina o tempo necessário para o processador executar
também em microcomputadores. uma instrução. Assim para avaliar a performance de um
processador, medimos a quantidade de pulsos gerados
BIOS é o Basic Input/Output System, ou Sistema Básico
em 1 segundo e, para tanto, utilizamos uma unidade de
de Entrada e Saída, trata-se de um mecanismo responsá-
medida de frequência, o Hertz.
vel por algumas atividades consideradas corriqueiras em
um computador, mas que são de suma importância para
o correto funcionamento de uma máquina.
#FicaDica
BIOS é o Basic Input/Output System, ou Sis-
tema Básico de Entrada e Saída, trata-se de
um mecanismo responsável por algumas
atividades consideradas corriqueiras em
um computador, mas que são de suma im-
portância para o correto funcionamento de
uma máquina.
O processador que é uma peça de computador que mãe, utilizando todos os outros recursos necessários, que
contém instruções para realizar tarefas lógicas e mate- não estão implementa- dos nesses chips, da própria mo-
máticas. O processador é encaixado na placa mãe atra- therboard. Geralmente esse fato implica na redução da
vés do socket, ele que processa todas as informações do velocidade, mas hoje essa redução é pouco considerada,
computador, sua velocidade é medida em Hertz e os fa- uma vez que é aceitável para a maioria dos usuários.
bricantes mais famosos são Intel e AMD. No entanto, quando se pretende ter maior potência
O processador do computador (ou CPU – Unidade de som, melhor qualidade e até aceleração gráfica de
Central de Processamento) é uma das partes principais imagens e uma rede mais veloz, a opção escolhida são as
do hardware do computador e é responsável pelos cál- placas off board. Vamos conhecer mais sobre esse termo
culos, execução de tarefas e processamento de dados. e sobre as placas de vídeo, som e rede:
5
Placas de vídeo são hardwares específicos para traba-
lhar e projetar a imagem exibida no monitor. Essas placas #FicaDica
podem ser onboard, ou seja, com chipset embutido na
placa mãe, ou off board, conectadas em slots presentes Periféricos sempre podem ser classificados
na placa mãe. São considerados dispositivos de saída de em três tipos: entrada, saída e entrada e
dados, pois mostram ao usuário, na forma de imagens, saída.
o resultado do processamento de vários outros dados.
Você já deve ter visto placas de vídeo com especi-
ficações 1x, 2x, 8x e assim por diante. Quanto maior o
número, maior será a quantidade de dados que passarão EXERCÍCIO COMENTADO
por segundo por essa placa, o que oferece imagens de
vídeo, por exemplo, com velocidade cada vez mais próxi- 1. (Delegado de Polícia VUNESP 2014) Com a evolução
ma da realidade. Além dessa velocidade, existem outros da computação pessoal, foi necessário desenvolver uma
itens importantes de serem observados em uma placa de interface de computador que possibilitasse a conexão de
vídeo: aceleração gráfica 3D, resolução, quantidade de periféricos sem a necessidade de desligar o computador.
cores e, como não poderíamos esquecer, qual o padrão Essa interface permite conectar diversos equipamentos
de encaixe na placa mãe que ela deverá usar (atualmente como: mouse, teclado, impressoras, câmeras digitais e
seguem opções de PCI ou AGP). Vamos ver esses itens webcam com o computador.
um a um:
Placas de som são hardwares específicos para traba- Assinale a alternativa que contém o nome dessa inter-
lhar e projetar a sons, seja em caixas de som, fones de face.
ouvido ou microfone. Essas placas podem ser onboard,
ou seja, com chipset embutido na placa mãe, ou of- a) HDLC.
fboard, conectadas em slots presentes na placa mãe. São b) USB.
dispositivos de entrada e saída de dados, pois tanto per- c) ATX.
mitem a inclusão de dados (com a entrada da voz pelo d) IDE.
microfone, por exemplo) como a saída de som (através e) VGA.
das caixas de som, por exemplo).
Placas de rede são hardwares específicos para inte- Resposta: Letra B.
grar um computador a uma rede, de forma que ele possa A interface serial universal (Universal Serial Bus), ou
enviar e receber informações. Essas placas podem ser on- USB foi desenvolvida com o intuído de padronizar o
board, ou seja, com chipset embutido na placa mãe, ou barramento dos periféricos facilitando sua utilização,
offboard, conectadas em slots presentes na placa mãe. muito utilizado no dia a dia. Este barramento dispo-
nibiliza a entrada e saída de dados e a conexão de
#FicaDica diversos dispositivos, além dos descritos na questão
temos na atualidade a utilização para conexão com
Alguns dados importantes a serem obser- pen-drives e HDs externos, e está disponível em diver-
vados em uma placa de rede são: a arquite- sas velocidades de acordo com sua evolução:
tura de rede que atende os tipos de cabos 1.1 – Velocidade de até 12 Mbps.
de rede suportados e a taxa de transmissão. 2.0 – Velocidade de até 480 Mbps.
3.0 – Velocidade de até 4.8 Gbps.
6
3. (Banco do Brasil, 2013) Os diferentes tipos de me- O backup completo é simplesmente fazer a cópia de
mórias encontrados nos computadores atuais apresen- todos os arquivos para o diretório de destino (ou para os
tam características diversas em relação a tecnologia, ve- dispositivos de backup correspondentes), independente
locidade, capacidade e utilização. de versões anteriores ou de alterações nos arquivos des-
Uma característica válida é que de o último backup. Este tipo de backup é o tradicional
e a primeira ideia que vêm à mente das pessoas quan-
a) as memórias SSD são baseadas em discos magnéticos. do pensam em backup: guardar TODAS as informações.
b) a memória de armazenamento terciário faz parte da Outra característica do backup completo é que ele é o
estrutura interna do microprocessador. ponto de início dos outros métodos citados abaixo. To-
c) a memória ROM é usada como cache. dos usam este backup para assinalar as alterações que
deverão ser salvas em cada um dos métodos.
d) a memória RAM é memória mais lenta que os discos
Este tipo consiste no backup de todos os arquivos
rígidos baseados na tecnologia SATA.
para a mídia de backup. Conforme mencionado anterior-
e) a memória cache é mais rápida que as memórias não
mente, se os dados sendo copiados nunca mudam, cada
voláteis. backup completo será igual aos outros. Esta similaridade
ocorre devido ao fato que um backup completo não ve-
Resposta: Letra E. rifica se o arquivo foi alterado desde o último backup;
Alternativa “A” - As memórias SSD não são baseadas copia tudo indiscriminadamente para a mídia de backup,
em discos magnéticos, elas são memórias eletrônicas; tendo modificações ou não. Esta é a razão pela qual os
Alternativa “B” - As únicas memórias que fazem parte backups completos não são feitos o tempo todo. Todos
da estrutura interna do microprocessador são as me- os arquivos seriam gravados na mídia de backup. Isto sig-
mórias cache; nifica que uma grande parte da mídia de backup é usada
Alternativa “C” - As memórias ROM são memórias so- mesmo que nada tenha sido alterado. Fazer backup de
mente de leituras, e não tem relação alguma com a 100 gigabytes de dados todas as noites quando talvez
memória cache; 10 gigabytes de dados foram alterados não é uma boa
Alternativa “D” - A memória RAM é bem mais rápida prática; por este motivo os backups incrementais foram
que os discos rígidos baseados na tecnologia SATA; criados.
Alternativa “E” - A memória cache é mais rápida que as Já os backups incrementais primeiro verificam se o
memórias não voláteis. horário de alteração de um arquivo é mais recente que o
horário de seu último backup, por exemplo, já atuei em
BACKUP DE ARQUIVOS uma Instituição, onde todos os backups eram programa-
dos para a quarta-feira.
O Backup ajuda a proteger os dados de exclusão A vantagem principal em usar backups incrementais
é que rodam mais rápido que os backups completos. A
acidentais, ou até mesmo de falhas, por exemplo se os
principal desvantagem dos backups incrementais é que
dados originais do disco rígido forem apagados ou subs-
para restaurar um determinado arquivo, pode ser neces-
tituídos acidentalmente ou se ficarem inacessíveis devido
sário procurar em um ou mais backups incrementais até
a um defeito do disco rígido, você poderá restaurar facil- encontrar o arquivo. Para restaurar um sistema de ar-
mente os dados usando a cópia arquivada. quivo completo, é necessário restaurar o último backup
completo e todos os backups incrementais subsequen-
Tipos de Backup tes. Numa tentativa de diminuir a necessidade de procu-
Fazer um backup é simples. Basta copiar os arqui- rar em todos os backups incrementais, foi implementada
vos que você usa para outro lugar e pronto, está feito o uma tática ligeiramente diferente. Esta é conhecida como
backup. Mas e se eu alterar um arquivo? E se eu excluir backup diferencial.
acidentalmente um arquivo? E se o arquivo atual corrom- Os backups diferenciais, também só copiam arquivos
peu? Bem, é aí que a coisa começa a ficar mais legal. É alterados desde o último backup, mas existe uma dife-
nessa hora que entram as estratégias de backup. rença, eles mapeiam as alterações em relação ao último
Se você perguntar a alguém que não é familiarizado backup completo, importante mencionar que essa téc-
com backups, a maioria pensará que um backup é so- nica ocasiona o aumento progressivo do tamanho do
mente uma cópia idêntica de todos os dados do com- arquivo.
putador. Em outras palavras, se um backup foi criado na Os backups delta sempre armazenam a diferença en-
noite de terça-feira, e nada mudou no computador du- tre as versões correntes e anteriores dos arquivos, co-
rante o dia todo na quarta-feira, o backup criado na noite meçando a partir de um backup completo e, a partir daí,
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
de quarta seria idêntico àquele criado na terça. Apesar a cada novo backup são copiados somente os arquivos
de ser possível configurar backups desta maneira, é mais que foram alterados enquanto são criados hardlinks para
provável que você não o faça. Para entender mais sobre os arquivos que não foram alterados desde o último
backup. Esta é a técnica utilizada pela Time Machine da
este assunto, devemos primeiro entender os tipos dife-
Apple e por ferramentas como o rsync.
rentes de backup que podem ser criados. Estes são:
• Backups completos; Mídias
• Backups incrementais; A fita foi o primeiro meio de armazenamento de da-
• Backups diferenciais; dos removível amplamente utilizado. Tem os benefícios
• Backups delta; de custo baixo e uma capacidade razoavelmente boa de
7
armazenamento. Entretanto, a fita tem algumas desvan- Para criar uma rede VPN não é preciso mais do que
tagens. Ela está sujeita ao desgaste e o acesso aos dados dois (ou mais) computadores conectados à Internet e um
na fita é sequencial por natureza. Estes fatores significam programa de VPN instalado em cada máquina. O proces-
que é necessário manter o registro do uso das fitas (apo- so para o envio dos dados é o seguinte:
sentá-las ao atingirem o fim de suas vidas úteis) e tam- • Os dados são criptografados e encapsulados.
bém que a procura por um arquivo específico nas fitas • Algumas informações extras, como o número de
pode ser uma tarefa longa. IP da máquina remetente, são adicionadas aos da-
Ultimamente, os drives de disco nunca seriam usados dos que serão enviados para que o computador
como um meio de backup. No entanto, os preços de ar- receptor possa identificar quem mandou o pacote
mazenamento caíram a um ponto que, em alguns casos, de dados.
usar drives de disco para armazenamento de backup faz • O pacote contendo todos os dados é enviado por
meio do “túnel” criado até o computador de desti-
sentido. A razão principal para usar drives de disco como
no.
um meio de backup é a velocidade. Não há um meio de
• A máquina receptora irá identificar o computador
armazenamento em massa mais rápido. A velocidade remetente por meio das informações anexadas ao
pode ser um fator crítico quando a janela de backup do pacote de dados.
seu centro de dados é curta e a quantidade de dados a • Os dados são recebidos e desencapsulados.
serem copiados é grande. • Finalmente os dados são descriptografados e ar-
O armazenamento deve ser sempre levado em con- mazenados no computador de destino
sideração, onde o administrador desses backups deve se
preocupar em encontrar um equilíbrio que atenda ade- Computação na nuvem (cloud computing)
quadamente às necessidades de todos, e também asse- Ao utilizar e acessar arquivos e executar tarefas pela
gurar que os backups estejam disponíveis para a pior das internet, o usuário está utilizando o conceito de compu-
situações. tação em nuvens, não há a necessidade de instalar apli-
Após todas as técnicas de backups estarem efetivadas cativos no seu computador para tudo, pois pode acessar
deve-se garantir os testes para que com o passar do tem- diferentes serviços online para fazer o que precisa, já que
po não fiquem ilegíveis. os dados não se encontram em um computador específi-
co, mas sim em uma rede, um grande exemplo disso é o
Recomendações para proteger seus backups Google com o Google Docs, Planilhas, e até mesmo porta
Fazer backups é uma excelente prática de seguran- aquivos como o Google Drive, ou de outras empresas
ça básica. Agora lhe damos conselhos simples para que como o One Drive.
você esteja a salvo no dia em que precisar deles: Uma vez devidamente conectado ao serviço online, é
1. Tenha seus backups fora do PC, em outro escritório, possível desfrutar suas ferramentas e salvar todo o tra-
balho que for feito para acessá-lo depois de qualquer
e, se for possível, em algum recipiente à prova de
lugar — é justamente por isso que o seu computador
incêndios, como os cofres onde você guarda seus
estará nas nuvens, pois você poderá acessar os aplicati-
documentos e valores importantes. vos a partir de qualquer computador que tenha acesso
2. Faça mais de uma cópia da sua informação e as à internet.
mantenha em lugares separados.
3. Estabeleça uma idade máxima para seus backups,
é melhor comprimir os arquivos que já sejam mui- #FicaDica
to antigos (quase todos os programas de backup
contam com essa opção), assim você não desper- Basta pensar que, a partir de uma conexão com
diça espaço útil. a internet, você pode acessar um servidor capaz
4. Proteja seus backups com uma senha, de maneira de executar o aplicativo desejado, que pode ser
que sua informação fique criptografada o suficien- desde um processador de textos até mesmo
te para que ninguém mais possa acessá-la. Se sua um jogo ou um pesado editor de vídeos. En-
informação é importante para seus entes queridos, quanto os servidores executam um programa
implemente alguma forma para que eles possam ou acessam uma determinada informação, o
saber a senha se você não estiver presente. seu computador precisa apenas do monitor e
dos periféricos para que você interaja.
VPN
É o acrônimo de (Virtual Private Network), que signifi-
ca Rede Particular Virtual, que define-se como a conexão AMBIENTES OPERACIONAIS: UTILIZAÇÃO
de dois computadores utilizando uma rede pública (In- DOS SISTEMAS OPERACIONAIS WINDOWS
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
ternet), imagine uma empresa que quer ligar suas filiais, 7 E WINDOWS 10.
esse é um caso clássico, ou também pensando na mo-
dalidade de trabalho homeoffice, em que o funcionário WINDOWS
pode, da casa dele, acessar todos seus arquivos e softwa-
res específicos da empresa. O Windows assim como tudo que envolve a informá-
A palavra tunelamento é algo normal ao se trabalhar tica passa por uma atualização constante, os concursos
com VPNs, é como se criasse um túnel para que os dados públicos em seus editais acabam variando em suas ver-
possam ser enviados sem que outros usuários tenham sões, por isso vamos abordar de uma maneira geral tanto
acesso. as versões do Windows quanto do Linux.
8
O Windows é um Sistema Operacional, ou seja, é um - Sobre o Windows XP;
software, um programa de computador desenvolvido por - Uma versão Win 7 32 bits, sobre Windows Vista
programadores através de códigos de programação. Os (Win Vista), também 32 bits;
Sistemas Operacionais, assim como os demais softwares, - Win 7 de 64 bits, sobre Win Vista, 32 bits;
são considerados como a parte lógica do computador, - Win 7 de 32 bits, sobre Win Vista, 64 bits;
uma parte não palpável, desenvolvida para ser utilizada - Win 7 de 64 bits, sobre Win Vista, 64 bits;
apenas quando o computador está em funcionamento. O - Win 7 em um computador e formatar o HD duran-
Sistema Operacional (SO) é um programa especial, pois é te a instalação;
o primeiro a ser instalado na máquina. - Win 7 em um computador sem SO;
Quando montamos um computador e o ligamos pela
primeira vez, em sua tela serão mostradas apenas algu- Antes de iniciar a instalação, devemos verificar qual
mas rotinas presentes nos chipsets da máquina. Para uti- tipo de instalação será feita, encontrar e ter em mãos a
lizarmos todos os recursos do computador, com toda a chave do produto, que é um código que será solicitado
qualidade das placas de som, vídeo, rede, acessarmos a durante a instalação.
Internet e usufruirmos de toda a potencialidade do hard- Vamos adotar a opção de instalação com formatação
ware, temos que instalar o SO. de disco rígido, segundo o site oficial da Microsoft Cor-
Após sua instalação é possível configurar as placas poration:
para que alcancem seu melhor desempenho e instalar - Ligue o seu computador, de forma que o Windows
os demais programas, como os softwares aplicativos e seja inicializado normalmente, insira do disco de
utilitários. instalação do Windows 7 ou a unidade flash USB e
O SO gerencia o uso do hardware pelo software e ge- desligue o seu computador.
rencia os demais programas. - Reinicie o computador.
A diferença entre os Sistemas Operacionais de 32 bits - Pressione qualquer tecla, quando solicitado a fazer
e 64 bits está na forma em que o processador do com- isso, e siga as instruções exibidas.
putador trabalha as informações. O Sistema Operacional - Na página de Instalação Windows, insira seu idio-
de 32 bits tem que ser instalado em um computador que ma ou outras preferências e clique em avançar.
tenha o processador de 32 bits, assim como o de 64 bits - Se a página de Instalação Windows não aparecer
tem que ser instalado em um computador de 64 bits. e o programa não solicitar que você pressione al-
Os Sistemas Operacionais de 64 bits do Windows, guma tecla, talvez seja necessário alterar algumas
segundo o site oficial da Microsoft, podem utilizar mais configurações do sistema. Para obter mais infor-
memória que as versões de 32 bits do Windows. “Isso mações sobre como fazer isso, consulte. Inicie o
ajuda a reduzir o tempo despendi- do na permuta de seu computador usando um disco de instalação do
processos para dentro e para fora da memória, pelo ar- Windows 7 ou um pen drive USB.
mazenamento de um número maior desses processos na - Na página Leia os termos de licença, se você acei-
memória de acesso aleatório (RAM) em vez de fazê-lo tar os termos de licença, clique em aceito os ter-
no disco rígido. Por outro lado, isso pode aumentar o mos de licença e em avançar.
desempenho geral do programa”. - Na página que tipo de instalação você deseja? cli-
que em Personalizada.
Windows 7 - Na página onde deseja instalar Windows? clique
em opções da unidade (avançada).
Para saber se o Windows é de 32 ou 64 bits, basta: - Clique na partição que você quiser alterar, clique
na opção de formatação desejada e siga as instru-
ções.
1. Clicar no botão Iniciar, clicar com o botão direito - Quando a formatação terminar, clique em avançar.
em computador e clique em Propriedades. - Siga as instruções para concluir a instalação do
2. Em sistema, é possível exibir o tipo de sistema. Windows 7, inclusive a nomenclatura do compu-
“Para instalar uma versão de 64 bits do Windows 7, tador e a configuração de uma conta do usuário
você precisará de um processador capaz de executar inicial.
uma versão de 64 bits do Windows. Os benefícios de um
sistema operacional de 64 bits ficam mais claros quando Criação de pastas (diretórios)
você tem uma grande quantidade de RAM (memória de
acesso aleatório) no computador, normalmente 4 GB ou
mais.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
9
Em especial, na área de trabalho, encontramos a barra
#FicaDica de tarefas, que traz uma série de particularidades, como:
Clicando com o botão direito do mouse
em um espaço vazio da área de trabalho
ou outro apropriado, podemos encontrar a
opção pasta.
Clicando nesta opção com o botão esquerdo Figura 68: Barra de tarefas
do mouse, temos então uma forma prática
de criar uma pasta. 1) Botão Iniciar: é por ele que entramos em contato
com todos os outros programas instalados, programas
que fazem parte do sistema operacional e ambientes de
configuração e trabalho. Com um clique nesse botão,
abrimos uma lista, chamada Menu Iniciar, que contém
opções que nos permitem ver os programas mais aces-
sados, todos os outros programas instalados e os recur-
sos do próprio Windows. Ele funciona como uma via de
acesso para todas as opções disponíveis no computador.
Figura 65: Criamos aqui uma pasta chamada “Trabalho”. Por meio do botão Iniciar, também podemos:
- desligar o computador, procedimento que encerra
o Sistema Operacional corretamente, e desliga efe-
tivamente a máquina;
- colocar o computador em modo de espera, que
reduz o consumo de energia enquanto a máquina
estiver ociosa, ou seja, sem uso. Muito usado nos
casos em que vamos nos ausentar por um breve
período de tempo da frente do computador;
- reiniciar o computador, que desliga e liga automa-
ticamente o sistema. Usado após a instalação de
alguns programas que precisam da reinicialização
do sistema para efetivarem sua instalação, durante
congelamento de telas ou travamentos da máqui-
na.
- realizar o logoff, acessando o mesmo sistema com
nome e senha de outro usuário, tendo assim um
Figura 66: Tela da pasta criada ambiente com características diferentes para cada
usuário do mesmo computador.
Clicamos duas vezes na pasta “Trabalho” para abrí-la
e agora criaremos mais duas pastas dentro dela:
Para criarmos as outras duas pastas, basta repetir o
procedimento: botão direito, Novo, Pasta.
Área de trabalho:
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
10
Na figura acima temos o menu Iniciar, acessado com
um clique no botão Iniciar.
2) Ícones de inicialização rápida: São ícones coloca-
dos como atalhos na barra de tarefas para serem
acessados com facilidade.
3) Barra de idiomas: Mostra qual a configuração de
idioma que está sendo usada pelo teclado.
4) Ícones de inicialização/execução: Esses ícones são
configurados para entrar em ação quando o com-
putador é iniciado. Muitos deles ficam em exe-
cução o tempo todo no sistema, como é o caso Figura 71: Restauração de arquivos enviados para a
de ícones de programas antivírus que monitoram lixeira
constantemente o sistema para verificar se não há
invasões ou vírus tentando ser executados. A restauração de objetos enviados para a lixeira pode
5) Propriedades de data e hora: Além de mostrar o ser feita com um clique com o botão direito do mouse
relógio constantemente na sua tela, clicando duas sobre o item desejado e depois, outro clique com o es-
vezes, com o botão esquerdo do mouse nesse íco- querdo em “Restaurar”. Isso devolverá, automaticamente
ne, acessamos as Propriedades de data e hora. o arquivo para seu local de origem.
#FicaDica
Outra forma de restaurar é usar a opção
“Restaurar este item”, após selecionar o
objeto.
11
Propriedades da barra de tarefas e do menu iniciar:
Por meio do clique com o botão direito do mouse na bar-
ra de tarefas e do esquerdo em “Propriedades”, podemos
acessar a janela “Propriedades da barra de tarefas e do
menu iniciar”.
Painel de controle
O Painel de Controle é o local onde podemos alte-
rar configurações do Windows, como aparência, idioma,
configurações de mouse e teclado, entre outras. Com ele
é possível personalizar o computador às necessidades do
usuário.
Para acessar o Painel de Controle, basta clicar no Bo-
tão Iniciar e depois em Painel de Controle. Nele encon-
tramos as seguintes opções:
- Sistema e Segurança: “Exibe e altera o status do
sistema e da segurança”, permite a realização de
backups e restauração das configurações do sis-
tema e de arquivos. Possui ferramentas que per-
mitem a atualização do Sistema Operacional, que
Figura 73: Propriedades da barra de tarefas e do exibem a quantidade de memória RAM instalada
menu iniciar no computador e a velocidade do processador.
Oferece ainda, possibilidades de configuração de
Na guia “Barra de Tarefas”, temos, entre outros: Firewall para tornar o computador mais protegido.
- Bloquear a barra de tarefas – que impede que ela - Rede e Internet: mostra o status da rede e possibili-
seja posicionada em outros cantos da tela que não seja o ta configurações de rede e Internet. É possível tam-
inferior, ou seja, impede que seja arrastada com o botão bém definir preferências para compartilhamento
esquerdo do mouse pressionado. de arquivos e computadores.
- Ocultar automaticamente a barra de tarefas – ocul- - Hardware e Sons: é possível adicionar ou remover
ta (esconde) a barra de tarefas para proporcionar maior hardwares como impressoras, por exemplo. Tam-
aproveitamento da área da tela pelos programas abertos, bém permite alterar sons do sistema, reproduzir
e a exibe quando o mouse é posicionado no canto infe- CDs automaticamente, configurar modo de eco-
rior do monitor. nomia de energia e atualizar drives de dispositivos
instalados.
- Programas: através desta opção, podemos reali-
zar a desinstalação de programas ou recursos do
Windows.
- Contas de Usuários e Segurança Familiar: aqui al-
teramos senhas, criamos contas de usuários, deter-
minamos configurações de acesso.
- Aparência: permite a configuração da aparência da
área de trabalho, plano de fundo, proteção de tela,
menu iniciar e barra de tarefas.
- Relógio, Idioma e Região: usamos esta opção para
alterar data, hora, fuso horário, idioma, formatação
de números e moedas.
- Facilidade de Acesso: permite adaptarmos o com-
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
12
Computador anteriores, ficam com o nome na parte de cima e um pe-
queno ícone na parte inferior. Novos mosaicos possuem
tamanhos diferentes, cores diferentes e são atualizados
#FicaDica automaticamente.
A tela pode ser customizada conforme a conveniência
Através do “Computador” podemos consul-
do usuário. Alguns utilitários não aparecem nessa tela,
tar e acessar unidades de disco e outros dis- mas podem ser encontrados clicando com o botão direi-
positivos conectados ao nosso computador. to do mouse em um espaço vazio da tela. Se deseja que
um desses aplicativos apareça na sua tela inicial, clique
com o botão direito sobre o ícone e vá para a opção Fixar
Para acessá-lo, basta clicar no Botão Iniciar e em na Tela Inicial.
Computador. A janela a seguir será aberta:
Charms Bar
O objetivo do Windows 8 é ter uma tela mais limpa
e esse recurso possibilita “esconder” algumas configura-
ções e aplicações. É uma barra localizada na lateral que
pode ser acessada colocando o mouse no canto direito e
inferior da tela ou clicando no atalho Tecla do Windows +
C. Essa função substitui a barra de ferramentas presente
no sistema e configurada de acordo com a página em
que você está.
Com a Charm Bar ativada, digite Personalizar na bus-
ca em configurações. Depois escolha a opção tela inicial
e em seguida escolha a cor da tela. O usuário também
pode selecionar desenhos durante a personalização do
papel de parede.
Redimensionar as tiles
Na tela esses mosaicos ficam uns maiores que os ou-
tros, mas isso pode ser alterado clicando com o botão di-
Figura 76: Computador reito na divisão entre eles e optando pela opção menor.
Você pode deixar maior os aplicativos que você quiser
Observe que é possível visualizarmos as unidades de destacar no computador.
disco, sua capacidade de armazenamento livre e usada.
Vemos também informações como o nome do computa- Grupos de Aplicativos
dor, a quantidade de memória e o processador instalado Pode-se criar divisões e grupos para unir programas
na máquina. parecidos. Isso pode ser feito várias vezes e os grupos
podem ser renomeados.
Windows 8
Visualizar as pastas
É o sistema operacional da Microsoft que substituiu o A interface do programas no computador podem ser
Windows 7 em tablets, computadores, notebooks, celu- vistos de maneira horizontal com painéis dispostos lado
lares, etc. Ele trouxe diversas mudanças, principalmente a lado. Para passar de um painel para outro é necessário
usar a barra de rolagem que fica no rodapé.
no layout, que acabou surpreendendo milhares de usuá-
rios acostumados com o antigo visual desse sistema.
Compartilhar e Receber
A tela inicial completamente alterada foi a mudança Comando utilizado para compartilhar conteúdo, en-
que mais impactou os usuários. Nela encontra-se todas viar uma foto, etc. Tecle Windows + C, clique na opção
as aplicações do computador que ficavam no Menu Ini- Compartilhar e depois escolha qual meio vai usar. Há
ciar e também é possível visualizar previsão do tempo, também a opção Dispositivo que é usada para receber
cotação da bolsa, etc. O usuário tem que organizar as e enviar conteúdos de aparelhos conectados ao compu-
pequenas miniaturas que aparecem em sua tela inicial tador.
para ter acesso aos programas que mais utiliza.
Caso você fique perdido no novo sistema ou dentro Alternar Tarefas
de uma pasta, clique com o botão direito e irá aparecer Com o atalho Alt + Tab, é possível mudar entre os
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
um painel no rodapé da tela. Caso você esteja utilizando programas abertos no desktop e os aplicativos novos do
uma das pastas e não encontre algum comando, clique SO. Com o atalho Windows + Tab é possível abrir uma
com o botão direito do mouse para que esse painel apa- lista na lateral esquerda que mostra os aplicativos mo-
reça. dernos.
A organização de tela do Windows 8 funciona como
o antigo Menu Iniciar e consiste em um mosaico com Telas Lado a Lado
imagens animadas. Cada mosaico representa um aplica- Esse sistema operacional não trabalha com o conceito de
tivo que está instalado no computador. Os atalhos dessa janelas, mas o usuário pode usar dois programas ao mesmo
área de trabalho, que representam aplicativos de versões tempo. É indicado para quem precisa acompanhar o Face-
book e o Twitter, pois ocupa ¼ da tela do computador.
13
Visualizar Imagens Windows 10 Enterprise
O sistema operacional agora faz com que cada vez Baseada na versão 10 Pro, é disponibilizada por meio
que você clica em uma figura, um programa específico do Licenciamento por Volume, voltado a empresas.
abre e isso pode deixar seu sistema lento. Para alterar
isso é preciso ir em Programas – Programas Default – Se- Windows 10 Education
lecionar Windows Photo Viewer e marcar a caixa Set this Baseada na versão Enterprise, é destinada a atender
Program as Default. as necessidades do meio educacional. Também tem seu
método de distribuição baseado através da versão aca-
Imagem e Senha dêmica de licenciamento de volume.
O usuário pode utilizar uma imagem como senha ao
invés de escolher uma senha digitada. Para fazer isso,
Windows 10 Mobile
acesse a Charm Bar, selecione a opção Settings e logo
Embora o Windows 10 tente vender seu nome fanta-
em seguida clique em More PC settings. Acesse a opção
Usuários e depois clique na opção “Criar uma senha com sia como um sistema operacional único, os smartphones
imagem”. Em seguida, o computador pedirá para você com o Windows 10 possuem uma versão específica do
colocar sua senha e redirecionará para uma tela com um sistema operacional compatível com tais dispositivos.
pequeno texto e dando a opção para escolher uma foto.
Escolha uma imagem no seu computador e verifique se a Windows 10 Mobile Enterprise
imagem está correta clicando em “Use this Picture”. Você Projetado para smartphones e tablets do setor cor-
terá que desenhar três formas em touch ou com o mou- porativo. Também estará disponível através do Licencia-
se: uma linha reta, um círculo e um ponto. Depois, finalize mento por Volume, oferecendo as mesmas vantagens do
o processo e sua senha estará pronta. Na próxima vez, Windows 10 Mobile com funcionalidades direcionadas
repita os movimentos para acessar seu computador. para o mercado corporativo.
Windows 10 IoT Core
Internet Explorer no Windows 8 IoT vem da expressão “Internet das Coisas” (Internet
Se você clicar no quadrinho Internet Explorer da pá- of Things). A Microsoft anunciou que haverá edições do
gina inicial, você terá acesso ao software sem a barra de Windows 10 baseadas no Enterprise e Mobile Enterprise
ferramentas e menus. destinados a dispositivos como caixas eletrônicos, ter-
minais de autoatendimento, máquinas de atendimento
Windows 10 para o varejo e robôs industriais. Essa versão IoT Core
O Windows 10 é uma atualização do Windows 8 que será destinada para dispositivos pequenos e de baixo
veio para tentar manter o monopólio da Microsoft no custo.
mundo dos Sistemas Operacionais, uma das suas mis-
Para as versões mais populares (10 e 10 Pro), a Micro-
sões é ficar com um visual mais de smart e touch.
soft indica como requisitos básicos dos computadores:
• Processador de 1 Ghz ou superior;
• 1 GB de RAM (para 32bits); 2GB de RAM (para
64bits);
• Até 20GB de espaço disponível em disco rígido;
• Placa de vídeo com resolução de tela de 800×600
ou maior.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
14
2. (Técnico Judiciário, VUNESP 2017) Usando o Micro- Assinale a alternativa que contém o número correspon-
soft Windows 7, em sua configuração padrão, um usuário dente ao ícone de um atalho de uma pasta que não está
abriu o conteúdo de uma pasta no aplicativo Windows vazia.
Explorer no modo de exibição Detalhes. Essa pasta con-
tém muitos arquivos e nenhuma subpasta, e o usuário a) 1
deseja rapidamente localizar, no topo da lista de arqui- b) 2
vos, o arquivo modificado mais recentemente. Para isso, c) 3
basta ordenar a lista de arquivos, em ordem decrescente, d) 4
por e) 5
15
ainda que, enquanto um conjunto de arquivos e pastas é adotados, os comandos do Linux ainda são largamen-
apresentado, o usuário observe, na barra de ferramentas te empregados, sendo importante seu conhecimento e
do Windows Explorer, as seguintes informações: Biblio- estudo.
tecas > Documentos > Projetos. Nessa situação, é mais Outro termo muito usado quando tratamos do Li-
provável que tais arquivos e pastas estejam contidos no nux é o kernel, que é uma parte do sistema operacional
diretório C:\Bibliotecas\Documentos\Projetos que no di- que faz a ligação entre software e máquina, é a camada
retório C:\Users\joao_jose\Documents\Projetos. de software mais próxima do hardware, considerado o
núcleo do sistema. O Linux teve início com o desenvol-
( ) CERTO ( ) ERRADO vimento de um pequeno kernel, desenvolvido por Linus
Torvalds, em 1991, quando era apenas um estudante fin-
Resposta: Errado. O correto é “C:\Users\joao_jose\ landês. Ao kernel que Linus desenvolveu, deu o nome de
Documents\Projetos”. Há possibilidade das pastas es- Linux. Como o kernel é capaz de fazer gerenciamentos
tarem em outro diretório, se forem feitas configurações primários básicos e essenciais para o funcionamento da
customizadas pelo usuário. Mesmo na configuração em máquina, foi necessário desenvolver módulos específicos
português o diretório dos documentos do usuário con- para atender várias necessidades, como por exemplo um
tinua sendo nomeado em inglês: “documents”. módulo capaz de utilizar uma placa de rede ou de vídeo
Portanto, a afirmação de que o diretório seria “C:\bi- lançada no mercado ou até uma interface gráfica como a
blioteca\documentos\projetos” não está correta. O que usamos no Windows.
item considera o comportamento padrão do sistema
Uma forma de atender a necessidade de comunicação
operacional Windows 7, e, portanto, a afirmação não
entre kernel e aplicativo é a chamada do sistema (System
pode ser absoluta, devido à flexibilidade inerente a
Call), que é uma interface entre um aplicativo de espaço
este sistema software. A premissa de que a informa-
de usuário e um serviço que o kernel fornece.
ção fosse apresentada na barra de ferramentas não
compromete o entendimento da questão.” Como o serviço é fornecido no kernel, uma chamada
direta não pode ser executada; em vez disso, você deve
9. (AGENTE ADMINISTRATIVO – CESPE – 2014) No utilizar um processo de cruzamento do limite de espaço
ambiente Linux, é possível utilizar comandos para copiar do usuário/kernel.
arquivos de um diretório para um pen drive. No Linux também existem diferentes run levels de
operação. O run level de uma inicialização padrão é o de
( ) CERTO ( ) ERRADO número 2.
Como o Linux também é conhecido por ser um sis-
Resposta: Certo. No ambiente Linux, é permitida a tema operacional que ainda usa muitos comandos digi-
execução de vários comandos por meio de um con- tados, não poderíamos deixar de falar sobre o Shell, que
sole. O comando “cp” é utilizado para copiar arquivos é justamente o programa que permite ao usuário digitar
entre diretórios e arquivos para dispositivos. comandos que sejam inteligíveis pelo sistema operacio-
nal e executem funções.
10. (DELEGADO DE POLÍCIA – CESPE – 2004) Ao se No MS DOS, por exemplo, o Shell era o command.
clicar a opção , será exibida uma janela por com, através do qual podíamos usar comandos como o
meio da qual se pode verificar diversas propriedades do dir, cd e outros. No Linux, o Shell mais usado é o Bash,
arquivo, como o seu tamanho e os seus atributos. que, para usuários comuns, aparece com o símbolo $, e
Em computadores do tipo PC, a comunicação com peri- para o root, aparece com o símbolo #.
féricos pode ser realizada por meio de diferentes interfa- Temos também os termos usuário e superusuário.
ces. Acerca desse assunto, julgue os seguintes itens. Enquanto ao usuário é dada a permissão de utilização
de comandos simples, ao superusuário é permitido con-
( ) CERTO ( ) ERRADO figurar quais comandos os usuários podem usar, se eles
podem apenas ver ou também alterar e gravar diretórios,
Resposta: Certo. Dentre as diversas opções que po- ou seja, ele atua como o administrador do sistema. O di-
dem ser consultadas ao se ativar as propriedades de retório padrão que contém os programas utilizados pelo
um arquivo estão as opções: tamanho e os seus atri- superusuário para o gerenciamento e a manutenção do
butos. sistema é o /sbin.
/bin - Comandos utilizados durante o boot e por
usuários comuns.
/sbin - Como os comandos do /bin, só que não são
CONCEITOS BÁSICOS SOBRE LINUX E utilizados pelos usuários comuns.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
16
- addgroup - adiciona grupos Na imagem a seguir, no prompt ftp, foi criado o dire-
- adduser - adiciona usuários tório chamado “myfolder”.
- apropos - realiza pesquisa por palavra ou string
- cat - mostra o conteúdo de um arquivo binário ou
texto
- cd - entra num diretório (exemplo: cd docs) ou re-
torna para home
cd <pasta> – vai para a pasta especificada. exem-
plo: cd /usr/bin/
- chfn - altera informação relativa a um utilizador
- chmod - altera as permissões de arquivos ou di-
retórios. É um comando para manipulação de ar-
quivos e diretórios que muda as permissões para
acesso àqueles. Por exemplo, um diretório que
poderia ser de escrita e leitura, pode passar a ser
apenas leitura, impedindo que seu conteúdo seja
alterado. Figura 78: Prompt “ftp”
- chown - altera a propriedade de arquivos e pastas
(dono) - mount - montar partições em algum lugar do sis-
- clear - limpa a tela do terminal tema.
- cmd>>txt - adiciona o resultado do comando - mtr - mostra rota até determinado IP
(cmd) ao fim do arquivo (txt) - mv - move ou renomeia arquivos e diretórios
- cp - copia diretórios ‘cp -r’ copia recursivamente - nano - editor de textos básico
- df - reporta o uso do espaço em disco do sistema - nfs - sistema de arquivos nativo do sistema opera-
de arquivos cional Linux, para o compartilhamento de recursos
- dig - testa a configuração do servidor DNs pela rede
- dmesg - exibe as mensagens da inicialização (log) - netstat - exibe as portas e protocolos abertos no
- du - exibe estado de ocupação dos discos/parti- sistema
ções - nmap - lista as portas de sistemas remotos/locais
- du -msh - mostra o tamanho do diretório em me- atrás de portas abertas
gabytes - nslookup - consultas a serviços DNs
- env - mostra variáveis do sistema - ntsysv - exibe e configura os processos de iniciali-
- exit - sair do terminal ou de uma sessão de root zação
- /etc - é o diretório onde ficam os arquivos de con- - passwd - modifica senha (password) de usuários
figuração do sistema - ps - mostra os processos correntes
- /etc/skel - é o diretório onde fica o padrão de ar- - ps - aux - mostra todos os processos correntes no
quivos para o diretório Home de novos usuários sistema
- fdisk - l - mostra a lista de partições - ps - e - lista os processos abertos no sistema
- find - comando de busca ex: find ~/ -cmin -3 - pwd - exibe o local do diretório atual. O prompt
- find - busca arquivos no disco rígido padrão do Linux exibe apenas o último nome do
- halt - p - desligar o computador caminho do diretório atual. Para exibir o caminho
- head - mostra as primeiras 10 linhas de um arquivo completo do diretório atual digite o comando
- history - mostra o histórico de comandos dados no pwd. Linux@fedora11 – é a versão do Linux que
terminal está sendo usada. help pwd – é o comando que
- ifconfig - mostra as interfaces de redes ativas e as nos mostrará o conteúdo da ajuda sobre o pwd. A
infor- mações relacionadas a cada uma delas informação do help nos mostra que pwd imprime
- iptraf - analisador de tráfego da rede com interface o nome do diretório atual.
gráfica baseada em diálogos - reboot - reiniciar o computador.
- kill - manda um sinal para um processo. Os sinais - recode - recodifica um arquivo ex: recode iso-
sIG- TErm e sIGKILL encerram o processo 8859-15.. utf8 file_to_change.txt
- kill -9 xxx – mata o processo de número xxx
- killall - manda um sinal para todos os processos - rm - remoção de arquivos (também remove diretó-
- less - mostra o conteúdo de um arquivo de texto rios)
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
17
privado sob a hierarquia de diretórios do samba). os usuários comuns só podem executar o comando sem op-
ções. Ele os levará para que sua senha velha smb seja digitada e, em seguida, pedir-lhes sua nova senha duas
vezes, para garantir que a senha foi digitada corretamente. Nenhuma senha será mostrada na tela enquanto está
sendo digitada.
- su - troca para o superusuário root (é exigida a senha)
-su user - troca para o usuário especificado em ‘user’ (é exigida a senha)
- tac - semelhante ao cat, mas inverte a ordem
- tail - o comando tail mostra as últimas linhas de um arquivo texto, tendo como padrão as 10 últimas linhas. Sua
sintaxe é: tail nome_do_arquivo. Ele pode ser acrescentado de alguns parâmetros como o -n que mostra o [nu-
mero] de linhas do final do arquivo; o – c [numero] que mostra o [numero] de bytes do final do arquivo e o – f
que exibe continuamente os dados do final do arquivo à medida que são acrescentados.
- tcpdump sniffer - sniffer é uma ferramenta que “ouve” os pacotes
- top - mostra os processos do sistema e dados do processador.
- touch touch foo.txt - cria um arquivo foo.txt vazio; também altera data e hora de modificação para agora
- traceroute - traça uma rota do host local até o destino mostrando os roteadores intermediários
- umount - desmontar partições
- uname - a - informações sobre o sistema operacional
- userdel - remove usuários
- vi - editor de ficheiros de texto
- vim - versão melhorada do editor supracitado
- which - mostra qual arquivo binário está sendo chamado pelo shell quando chamado via linha de comando
- who - informa quem está logado no sistema
Não são só comandos digitados via teclado que podemos executar no Linux. Várias versões foram desenvolvidas e
o kernel evoluiu muito. Sobre ele rodam as mais diversas interfaces gráficas, baseadas principalmente no servidor de
janelas XFree. Entre as mais de vinte interfaces gráficas criadas para o Linux, vamos citar o KDE.
Um dos motivos que ainda desestimula várias pessoas a adotarem o Linux como seu sistema operacional é a quanti-
dade de programas compatíveis com ele, o que vem sendo solucionado com o passar do tempo. Sua interface familiar,
semelhante ao do Windows, tem ajudado a aumentar os adeptos ao Linux.
Distribuição Linux é um sistema operacional que utiliza o núcleo (kernel) do Linux e outros softwares. Existem várias
versões do Linux (comerciais ou não): Ubuntu, Debian, Fedora, etc. Cada uma com suas vantagens e desvantagens. O
que torna a escolha de uma distribuição bem pessoal.
#FicaDica
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Distribuições são criadas, normalmente, para atender razões específicas. Por exemplo, existem distribuições
para rodar em servidores, redes - onde a segurança é prioridade - e, também, computadores pessoais.
Assim, não é possível dizer qual é a melhor distribuição. Pois, depende da finalidade do seu computador.
Dependendo da versão do Linux é possível encontrar gerenciadores de arquivos diferentes. Por exemplo, no Linux
Ubuntu, encontramos o Nautilus, que permite a cópia, recorte, colagem, movimentação e organização dos arquivos e
pastas. No Linux, vale lembrar que os dispositivos de armazenamento não são nomeados por letras.
18
Por exemplo, no Windows, se você possui um HD na Na parte superior da janela encontramos uma linha
máquina, ele recebe o nome de C. Se possui dois HDs, de busca, na qual podemos digitar o termo do aplicativo
um será o C e o outro o E. Já no Linux, tudo fará parte de desejado. Ao lado da linha de pesquisa temos a configu-
um mesmo sistema da mesma estrutura de pastas. ração de mostrar apenas os itens suportados pelo Ubun-
tu.
O lado esquerdo lista todas as categorias de progra-
mas. Quando uma categoria é selecionada sua descrição
é mostrada na parte de baixo da janela. Como exemplos
de categorias podemos citar: Acessórios, Educacionais,
Jogos, Gráficos, Internet, entre outros.
19
2.6. Permissões no Linux
Vale lembrar que apenas o superusuário (root) tem acesso irrestrito aos conteúdos do sistema. Os outros dependem
de sua permissão para executar comandos. As permissões podem ser sobre tipo do arquivo, permissões do proprietá-
rio, permissões do grupo e permissões para os outros usuários.
Diretórios são designados com a letra ‘d’ e arquivos comuns com o ‘-‘.
Alguns dos comandos utilizados em permissões são:
ls – l Lista diretórios e suas permissões rw- permissões do proprietário do grupo
r- permissões do grupo ao qual o usuário pertence r- -permissão para os outros usuários
Quando a permissão é acompanhada com o ‘-‘, significa que ela não é atribuída ao usuário.
#FicaDica
Comandos básicos para backups
tar agrupa vários arquivos em somente um.
compress faz a compressão de arquivos padrão do Unix.
uncompress descomprime arquivos compactados pelo compress.
zcat permite visualizar arquivos compactados pelo compress.
Como no Painel de controle do Windows, temos o centro de controle do KDE, que nos permite personalizar toda
a parte gráfica, fontes, temas, ícones, estilos, área de trabalho e ainda Internet, periféricos, acessibilidade, segurança e
privacidade, som e configurações para o administrador do sistema.
20
UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS DE TEXTO, PLANILHA E APRESENTAÇÃO DO PACOTE
MICROSOFT OFFICE (WORD, EXCEL E POWERPOINT) – VERSÕES 2010, 2013 E 2016.
UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS DE TEXTO, PLANILHA E APRESENTAÇÃO DO PACOTE
LIBREOFFICE (WRITER, CALC E IMPRESS) - VERSÕES 5 E 6.
As guias foram criadas para serem orientadas por tarefas, já os grupos dentro de cada guia criam subtarefas para as
tarefas, e os botões de comando em cada grupo possui um comando.
As extensões são fundamentais, desde a versão 2007 passou a ser DOCX, mas vamos analisar outras extensões que
podem ser abordadas em questões de concursos na Figura 7.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
21
#FicaDica
As guias envolvem grupos e botões de comando, e são organizadas por tarefa. Os Grupos dentro de
cada guia quebram uma tarefa em subtarefas. Os Botões de comando em cada grupo possuem um co-
mando ou exibem um menu de comandos.
Existem guias que vão aparecer apenas quando um determinado objeto aparecer para ser formatado. No exemplo
da imagem, foi selecionada uma figura que pode ser editada com as opções que estiverem nessa guia.
Indicadores de caixa de diálogo – aparecem em alguns grupos para oferecer a abertura rápida da caixa de diálogo
do grupo, contendo mais opções de formatação.
As réguas orientam na criação de tabulações e no ajuste de parágrafos, por exemplo.
Determinam o recuo da primeira linha, o recuo de deslocamento, recuo à esquerda e permitem tabulações esquer-
da, direita, centralizada, decimal e barra.
Para ajustar o recuo da primeira linha, após posicionar o cursor do mouse no parágrafo desejado, basta pressionar
o botão esquerdo do mouse sobre o “Recuo da primeira linha” e arrastá-lo pela régua.
Para ajustar o recuo à direita do documento, basta selecionar o parágrafo ou posicionar o cursor após a linha dese-
jada, pressionar o botão esquerdo do mouse no “Recuo à direita” e arrastá-lo na régua.
Para ajustar o recuo, deslocando o parágrafo da esquerda para a direita, basta selecioná-lo e mover, na régua, como
explicado anteriormente, o “Recuo deslocado”.
Podemos também usar o recurso “Recuo à esquerda”, que move para a esquerda, tanto a primeira linha quanto o
restante do parágrafo selecionado.
Com a régua, podemos criar tabulações, ou seja, determinar onde o cursor do mouse vai parar quando pressionar-
mos a tecla Tab.
Figura 9: Réguas
4. Grupo edição
Permite localizar palavras em um documento, substituir palavras localizadas por outras ou aplicar formatações e
selecionar textos e objetos no documento.
Para localizar uma palavra no texto, basta clicar no ícone Localizar , digitar a palavra na linha do localizar e clicar no
botão Localizar Próxima.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
A cada clique será localizada a próxima palavra digitada no texto. Temos também como realçar a palavra que dese-
jamos localizar para facilitar a visualizar da palavra localizada.
Na janela também temos o botão “Mais”. Neste botão, temos, entre outras, as opções:
- Diferenciar maiúscula e minúscula: procura a palavra digitada na forma que foi digitada, ou seja, se foi digitada em
minúscula, será localizada apenas a palavra minúscula e, se foi digitada em maiúscula, será localizada apenas e palavra
maiúscula.
- Localizar palavras inteiras: localiza apenas a palavra exatamente como foi digitada. Por exemplo, se tentarmos
localizar a palavra casa e no texto tiver a palavra casaco, a parte “casa” da palavra casaco será localizada, se essa opção
não estiver marcada. Marcando essa opção, apenas a palavra casa, completa, será localizada.
22
- Usar caracteres curinga: com esta opção marcada, usamos caracteres especiais. Por exemplo, é possível usar o
caractere curinga asterisco (*) para procurar uma sequência de caracteres (por exemplo, “t*o” localiza “tristonho”
e “término”).
Veja a lista de caracteres que são considerados curinga, retirada do site do Microsoft Office:
O grupo tabela é muito utilizado em editores de texto, como por exemplo a definição de estilos da tabela.
Fornece estilos predefinidos de tabela, com formatações de cores de células, linhas, colunas, bordas, fontes e de-
mais itens presentes na mesma. Além de escolher um estilo predefinido, podemos alterar a formatação do sombrea-
mento e das bordas da tabela.
Com essa opção, podemos alterar o estilo da borda, a sua espessura, desenhar uma tabela ou apagar partes de
uma tabela criada e alterar a cor da caneta e ainda, clicando no “Escolher entre várias opções de borda”, para exibir a
seguinte tela:
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
23
a janela Bordas e sombreamento, no campo “Definição”, escolhemos como será a borda da nossa tabela:
- Nenhuma: retira a borda;
- Caixa: contorna a tabela com uma borda tipo caixa;
- Todas: aplica bordas externas e internas na tabela iguais, conforme a seleção que fizermos nos demais campos de
opção;
- Grade: aplica a borda escolhida nas demais opções da janela (como estilo, por exemplo) ao redor da tabela e as
bordas internas permanecem iguais.
- Estilo: permite escolher um estilo para as bordas da tabela, uma cor e uma largura.
- Visualização: através desse recurso, podemos definir bordas diferentes para uma mesma tabela. Por exemplo,
podemos escolher um estilo e, em visualização, clicar na borda superior; escolher outro estilo e clicar na borda inferior;
e assim colocar em cada borda um tipo diferente de estilo, com cores e espessuras diferentes, se assim desejarmos.
A guia “Borda da Página”, desta janela, nos traz recursos semelhantes aos que vimos na Guia Bordas. A diferença é
que se trata de criar bordas na página de um documento e não em uma tabela.
Outra opção diferente nesta guia, é o item Arte. Com ele, podemos decorar nossa página com uma borda que en-
volve vários tipos de desenhos.
Alguns desses desenhos podem ser formatados com cores de linhas diferentes, outros, porém não permitem
outras formatações a não ser o ajuste da largura.
Podemos aplicar as formatações de bordas da página no documento todo ou apenas nas sessões que desejarmos,
tendo assim um mesmo documento com bordas em uma página, sem bordas em outras ou até mesmo bordas de pá-
gina diferentes em um mesmo documento.
5. Grupo Ilustrações:
1 – Inserir imagem do arquivo: permite inserir no teto uma imagem que esteja salva no computador ou em outra
mídia, como pendrive ou CD.
2 – Clip-art: insere no arquivo imagens e figuras que se encontram na galeria de imagens do Word.
3 – Formas: insere formas básicas como setas, cubos, elipses e outras.
4 – SmartArt: insere elementos gráficos para comunicar informações visualmente.
5 – Gráfico: insere gráficos para ilustrar e comparar dados
6. Grupo Links:
Inserir hyperlink: cria um link para uma página da Web, uma imagem, um e – mail. Indicador: cria um indicador para
atribuir um nome a um ponto do texto. Esse indicador pode se tornar um link dentro do próprio documento.
Referência cruzada: referência tabelas.
Grupo cabeçalho e rodapé:
Insere cabeçal
hos, rodapés e números de páginas.
Grupo texto:
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
24
1 – Caixa de texto: insere caixas de texto pré-forma-
tadas. As caixas de texto são espaços próprios para
inserção de textos que podem ser direcionados
exatamente onde precisamos. Por exemplo, na fi-
gura “Grupo Texto”, os números ao redor da figura,
do 1 até o 7, foram adicionados através de caixas
de texto.
2 – Partes rápidas: insere trechos de conteúdos reuti-
lizáveis, incluindo campos, propriedades de docu-
mentos como autor ou quaisquer fragmentos de
texto pré-formado.
3 – Linha de assinatura: insere uma linha que serve
como base para a assinatura de um documento.
4 – Data e hora: insere a data e a hora atuais no do-
cumento.
5 – Insere objeto: insere um objeto incorporado.
6 – Capitular: insere uma letra maiúscula grande no
início de cada parágrafo. É uma opção de forma-
tação decorativa, muito usada principalmente, em
livros e revistas. Para inserir a letra capitular, bas-
ta clicar no parágrafo desejado e depois na opção
Figura 15: Verificar ortografia e gramática
“Letra Capitular”. Veja o exemplo:
A verificação ortográfica e gramatical do Word, já
Neste parágrafo foi inserida a letra capitular busca trechos do texto ou palavras que não se enqua-
drem no perfil de seus dicionários ou regras gramaticais
7. Guia revisão e ortográficas. Na parte de cima da janela “Verificar orto-
grafia e gramática”, aparecerá o trecho do texto ou pa-
7.1. Grupo revisão de texto lavra considerada inadequada. Em baixo, aparecerão as
sugestões. Caso esteja correto e a sugestão do Word não
se aplique, podemos clicar em “Ignorar uma vez”; caso a
regra apresentada esteja incorreta ou não se aplique ao
trecho do texto selecionado, podemos clicar em “Ignorar
regra”; caso a sugestão do Word seja adequada, clicamos
em “Alterar” e podemos continuar a verificação de orto-
grafia e gramática clicando no botão “Próxima sentença”.
Se tivermos uma palavra sublinhada em vermelho,
indicando que o Word a considera incorreta, podemos
apenas clicar com o botão direito do mouse sobre ela e
verificar se uma das sugestões propostas se enquadra.
Figura 14: Grupo revisão de texto
25
9. Grupo controle:
26
e rolagem da página durante a leitura, basta o usuário A tela de apresentação dos principais programas é
dar um duplo clique sobre uma imagem, tabela ou gráfi- ligada ao serviço, oferecendo opções de login, upload e
co e o mesmo será ampliado, facilitando sua visualização. download de arquivos. Isso permite que um arquivo do
Como se não bastasse, clicando com o botão direito do Word, por exemplo, seja acessado em vários dispositivos
mouse sobre uma palavra desconhecida, é possível ver com seu conteúdo sincronizado. Até a página em que o
sua definição através do dicionário integrado do Word. documento foi fechado pode ser registrada.
Documentos em PDF: agora é possível editar um do- Da mesma maneira, é possível realizar trabalhos em
cumento PDF no Word, sem necessitar recorrer ao Adobe conjunto entre vários usuários. Quem não tem o Office
Acrobat. Em seu novo formato, o Word é capaz de con- instalado pode fazer edições na versão online do sistema.
verter o arquivo em uma extensão padrão e, depois de Esses e outros contatos podem ser reunidos no Outlook.
editado, salvá-lo novamente no formato original. Esta fa- As redes sociais também estão disponíveis nos outros
çanha, contudo, passou a ser de extensa utilização, pois o programas. É possível fazer buscas de imagens no Bing
uso de arquivos PDF está sendo cada vez mais corriquei- ou baixar fotografias do Flickr, por exemplo. Outro servi-
ro no ambiente virtual. ço de conectividade é o SharePoint, que indica arquivos
Interação de maneira simplificada: o Word trata nor- a serem acessados e contatos a seguir baseado na ativi-
malmente a colaboração de outras pessoas na criação de dade do usuário no Office.
O Office 365 é um novo jeito de usar os tão conhe-
um documento, ou seja, os comentários realizados neste,
cidos softwares do pacote Office da Microsoft. Em vez
como se cada um fosse um novo tópico. Com o Word
de comprar programas como Word, Excel ou PowerPoint,
2013 é possível responder diretamente o comentário de
você agora pode fazer uma assinatura e desfrutar des-
outra pessoa clicando no ícone de uma folha, presente
ses aplicativos e de muitos outros no seu computador ou
no campo de leitura do mesmo. Esta interação de usuá- smartphone.
rios, realizada através dos comentários, aparece em for- A assinatura ainda traz diversas outras vantagens,
ma de pequenos balões à margem documento. como 1 TB de armazenamento na nuvem com o One-
Compartilhamento Online: compartilhar seus docu- Drive, minutos Skype para fazer ligações para telefones
mentos com diversos usuários e até mesmo enviá-lo por fixos e acesso ao suporte técnico especialista da Micro-
e-mail tornou-se um grande diferencial da nova plata- soft. Tudo isso pagando uma taxa mensal, o que você já
forma Office 2013. O responsável por esta apresentação faz para serviços essenciais para o seu dia a dia, como
online é o Office Presentation Service, porém, para isso, Netflix e Spotify. Porém, aqui estamos falando da suíte de
você precisa estar logado em uma Conta Microsoft para escritório indispensável para qualquer computador.
acessá-lo. Ao terminar o arquivo, basta clicar em Arquivo Veja abaixo as versões do Office 365
/ Compartilhar / Apresentar Online / Apresentar Online e
o mesmo será enviado para a nuvem e, com isso, você
irá receber um link onde poderá compartilhá-lo também
por e-mail, permitindo aos demais usuários baixá-lo em
formato PDF.
Ocultar títulos em um documento: apontado como
uma dificuldade por grande parte dos usuários, a rola- Figura 19: Versões Office 365
gem e edição de determinadas partes de um arquivo
muito extenso, com vários títulos, acabou de se tornar 14. LibreOffice Writer
uma tarefa mais fácil e menos desconfortável. O Word
2013 permite ocultar as seções e/ou títulos do docu- O LibreOffice (que se chamava BrOffice) é um softwa-
mento, bastando os mesmos estarem formatados no es- re livre e de código aberto que foi desenvolvido tendo
tilo Títulos (pré-definidos pelo Office). Ao posicionar o como base o OpenOffice. Pode ser instalado em vários
mouse sobre o título, é exibida uma espécie de triângulo sistemas operacionais (Windows, Linux, Solaris, Unix
a sua esquerda, onde, ao ser clicado, o conteúdo refe- e Mac OS X), ou seja, é multiplataforma. Os aplicativos
rente a ele será ocultado, bastando repetir a ação para o dessa suíte são:
mesmo reaparecer. • Writer - editor de texto;
Enfim, além destas novidades apresentadas existem • Calc - planilha eletrônica;
outras tantas, como um layout totalmente modificado, • Impress - editor de apresentações;
focado para a utilização do software em tablets e apare- • Draw - ferramenta de desenho vetorial;
lhos com telas sensíveis ao toque. Esta nova plataforma, • Base - gerenciador de banco de dados;
também, abre um amplo leque para a adição de vídeos • Math - editor de equações matemáticas.
online e imagens ao documento. Contudo, como forma
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
de assegurar toda esta relação online de compartilha- - O LibreOffice trabalha com um formato de pa-
mento e boas novidades, a Microsoft adotou novos me- drão aberto chamado Open Document Format for Of-
canismos de segurança para seus aplicativos, retornando fice Applications (ODF), que é um formato de arquivo
mais tranquilidade para seus usuários. baseado na linguagem XML. Os formatos para Writer,
O grande trunfo do Office 2013 é sua integração com Calc e Impress utilizam o mesmo “prefixo”, que é “od”
a nuvem. Do armazenamento de arquivos a redes sociais, de “Open Document”. Dessa forma, o que os diferencia
é a última letra. Writer → .odt (Open Document Text);
os softwares dessa versão são todos conectados. O pon-
Calc → .ods (Open Document Spreadsheet); e Impress →
to de encontro deles é o SkyDrive, o HD na internet da
.odp (Open Document Presentations).
Microsoft.
27
Em relação a interface com o usuário, o LibreOffice utiliza o conceito de menus para agrupar as funcionalidades
do aplicativo. Além disso, todos os aplicativos utilizam uma interface semelhante. Veja no exemplo abaixo o aplicativo
Writer.
O LibreOffice permite que o usuário crie tarefas automatizadas que são conhecidas como macros (utilizando a lin-
guagem LibreOffice Basic).
O Writer é o editor de texto do LibreOffice e o seu formato de arquivo padrão é o .odt (Open Document Text). As
principais teclas de atalho do Writer são:
Destacar essa tabela devido a recorrência em cair atalhos em concurso
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
28
Excel 2010, 2013 e detalhes gerais
Barra de Títulos:
A linha superior da tela é a barra de títulos, que mostra o nome da pasta de trabalho na janela. Ao iniciar o programa
aparece Pasta 1 porque você ainda não atribuiu um nome ao seu arquivo.
Faixa de Opções:
Desde a versão 2007 do Office, os menus e barras de ferramentas foram substituídos pela Faixa de Opções. Os co-
mandos são organizados em uma única caixa, reunidos em guias. Cada guia está relacionada a um tipo de atividade e,
para melhorar a organização, algumas são exibidas somente quando necessário.
29
Adicionando e Removendo Componentes:
Para ocultar ou exibir um botão de comando na barra de ferramentas de acesso rápido podemos clicar com o botão
direito no componente que desejamos adicionar, em qualquer guia. Será exibida uma janela com a opção de Adicionar
à Barra de Ferramentas de Acesso Rápido. Temos ainda outra opção de adicionar ou remover componentes nesta bar-
ra, clicando na seta lateral. Na janela apresentada temos várias opções para personalizar a barra, além da opção Mais
Comandos..., onde temos acesso a todos os comandos do Excel.
Para remoção do componente, selecione-o, clique com o botão direito do mouse e escolha Remover da Barra de
Ferramentas de Acesso Rápido.
Barra de Status:
Localizada na parte inferior da tela, a barra de status exibe mensagens, fornece estatísticas e o status de algumas
teclas. Nela encontramos o recurso de Zoom e os botões de “Modos de Exibição”.
Clicando com o botão direito sobre a barra de status, será exibida a caixa Personalizar barra de status. Nela pode-
mos ativar ou desativar vários componentes de visualização.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
30
Barras de Rolagem: Nos lados direito e inferior da região de texto estão as barras de rolagem. Clique nas setas para
cima ou para baixo para mover a tela verticalmente, ou para a direita e para a esquerda para mover a tela horizontal-
mente, e assim poder visualizar toda a sua planilha.
Planilha de Cálculo: A área quadriculada representa uma planilha de cálculos, na qual você fará a inserção de dados
e fórmulas para colher os resultados desejados.
Uma planilha é formada por linhas, colunas e células. As linhas são numeradas (1, 2, 3, etc.) e as colunas nomeadas
com letras (A, B, C, etc.).
Cabeçalho de Coluna: Cada coluna tem um cabeçalho, que contém a letra que a identifica. Ao clicar na letra, toda
a coluna é selecionada.
Ao dar um clique com o botão direito do mouse sobre o cabeçalho de uma coluna, aparecerá o menu pop-up, onde
as opções deste menu são as seguintes:
-Formatação rápida: a caixa de formatação rápida permite escolher a formatação de fonte e formato de dados, bem
como mesclagem das células (será abordado mais detalhadamente adiante).
-Recortar: copia toda a coluna para a área de transferência, para que possa ser colada em outro local determinado
e, após colada, essa coluna é excluída do local de origem.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
-Copiar: copia toda a coluna para a área de transferência, para que possa ser colada em outro local determinado.
-Opções de Colagem: mostra as diversas opções de itens que estão na área de transferência e que tenham sido
recortadas ou copiadas.
-Colar especial: permite definir formatos específicos na colagem de dados, sobretudo copiados de outros aplicativos.
-Inserir: insere uma coluna em branco, exatamente antes da coluna selecionada.
-Excluir: exclui toda a coluna selecionada, inclusive os dados nela contidos e sua formatação.
-Limpar conteúdo: apenas limpa os dados de toda a coluna, mantendo a formatação das células.
-Formatar células: permite escolher entre diversas opções para fazer a formatação das células (tal procedimento
será visto detalhadamente adiante).
31
-Largura da coluna: permite definir o tamanho da coluna selecionada.
-Ocultar: oculta a coluna selecionada. Muitas vezes uma coluna é utilizada para fazer determinados cálculos, neces-
sários para a totalização geral, mas desnecessários na visualização. Neste caso, utiliza-se esse recurso.
-Re-exibir: reexibe colunas ocultas.
Cabeçalho de Linha: Cada linha tem também um cabeçalho, que contém o número que a identifica. Clicando no
cabeçalho de uma linha, esta ficará selecionada.
#FicaDica
Célula: As células, são as combinações entre linha e colunas. Por exemplo, na coluna A, linha 1, temos a
célula A1. Na Caixa de Nome, aparecerá a célula onde se encontra o cursor.
Caixa de Nome: Você pode visualizar a célula na qual o cursor está posicionado através da Caixa de Nome, ou, ao
contrário, pode clicar com o mouse nesta caixa e digitar o endereço da célula em que deseja posicionar o cursor. Após
dar um “Enter”, o cursor será automaticamente posicionado na célula desejada.
Guias de Planilhas: Em versões anteriores do Excel, ao abrir uma nova pasta de trabalho no Excel, três planilhas
já eram criadas: Plan1, Plan2 e Plan3. Nesta versão, somente uma planilha é criada, e você poderá criar outras, se ne-
cessitar. Para criar nova planilha dentro da pasta de trabalho, clique no sinal + ( ). Para alternar entre as
planilhas, basta clicar sobre a guia, na planilha que deseja trabalhar.
Você verá, no decorrer desta lição, como podemos cruzar dados entre planilhas e até mesmo entre pastas de traba-
lho diferentes, utilizando as guias de planilhas.
Ao posicionar o mouse sobre qualquer uma das planilhas existentes e clicar com o botão direito aparecerá um menu
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
pop up.
32
Figura 34: Caixa Selecionar Tudo
-Ocultar/Re-exibir: oculta/reexibe uma planilha. Após essa sequência, o Excel mostrará um pequeno
-Selecionar todas as planilhas: cria uma seleção em lembrete sobre a função que iremos usar, e nele é possí-
todas as planilhas para que possam ser configuradas e vel clicar e obter ajuda, também. Usaremos, no exemplo
impressas juntamente. a seguir, a função = soma(B2:B4).
Lembre-se, basta colocar a célula que contém o pri-
Selecionar Tudo: Clicando-se na caixa Selecionar meiro valor, em seguida os dois pontos (:) e por último a
tudo, todas as células da planilha ativa serão seleciona- célula que contém o último valor.
das.
33
Subtrair: A subtração será feita sempre entre dois va- Na célula C1 está sendo mostrado o resultado da fun-
lores, por isso não precisamos de uma função específica. ção =hoje(), que aparece na barra de fórmulas.
Tendo dois valores em células diferentes, podemos Inteiro: Com essa função podemos obter o valor in-
apenas clicar na primeira, digitar o sinal de “-” (menos) teiro de uma fração. A função a ser digitada é =int(A2).
e depois clicar na segunda célula. Usamos na figura a Lembramos que A2 é a célula escolhida e varia de acordo
seguir a fórmula = B2-B3. com a célula a ser selecionada na planilha trabalhada.
Multiplicar: Para realizarmos a multiplicação, proce- Arredondar para cima: Com essa função, é possível
demos de forma semelhante à subtração. Clicamos no arredondar um número com casas decimais para o nú-
primeiro número, digitamos o sinal de multiplicação que, mero mais distante de zero.
para o Excel é o “*” asterisco, e depois, clicamos no último Sua sintaxe é: = ARREDONDAR.PARA.CIMA(núm;núm_
valor. No próximo exemplo, usaremos a fórmula =B2*B3. dígitos)
Outra forma de realizar a multiplicação é através da Onde:
seguinte função: Núm: é qualquer número real que se deseja arredon-
=mult(B2;c2) multiplica o valor da célula B2 pelo va- dar.
lor da célula C2. Núm_dígitos: é o número de dígitos para o qual se
deseja arredondar núm.
Dividir: Para realizarmos a divisão, procedemos de
forma semelhante à subtração e multiplicação. Clicamos
no primeiro número, digitamos o sinal de divisão que,
para o Excel é a “/” barra, e depois, clicamos no último
valor. No próximo exemplo, usaremos a fórmula =B3/B2.
Data: Esta fórmula insere a data automática em uma Figura 38: Exemplo de digitação da função MOD
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
planilha.
Os valores do exemplo a cima serão, respectivamen-
te: 1,5 e 1.
Valor Absoluto: Com essa função podemos obter o
valor absoluto de um número. O valor absoluto, é o nú-
mero sem o sinal. A sintaxe da função é a seguinte:
=abs(núm)
Onde: aBs(núm)
Figura 36: Exemplo função hoje Núm: é o número real cujo valor absoluto você deseja obter.
34
Usando a planilha acima como exemplo, na coluna ‘E’
queremos colocar uma mensagem se o funcionário rece-
be um salário igual ou acima do valor mínimo R$ 724,00
ou abaixo do valor mínimo determinado em R$ 724,00.
Assim, temos a condição:
SE VALOR DE C3 FOR MAIOR OU IGUAL a 724, então
ESCREVA “ACIMA”, senão ESCREVA “ABAIXO” MOSTRA O
Figura 39: Exemplo função abs RESULTADO NA CÉLULA E3
Traduzindo a condição em variáveis teremos:
Dias 360: Retorna o número de dias entre duas datas Resultado: será mostrado na célula C3, portanto é
com base em um ano de 360 dias (doze meses de 30 onde devemos digitar a fórmula
dias). Sua sintaxe é: Teste lógico: C3>=724
= DIAS360(data_inicial;data_final) Valor_se_verdadeiro: “Acima”
Onde: Valor_se_falso: “Abaixo”
data_inicial = a data de início de contagem. Assim, com o cursor na célula E3, digitamos:
Data_final = a data a qual quer se chegar. =SE(C3>=724;”Acima”;”Abaixo”)
No exemplo a seguir, vamos ver quantos dias fal- Para cada uma das linhas, podemos copiar e colar as
tam para chegar até a data de 14/06/2018, tendo como fórmulas, e o Excel, inteligentemente, acertará as linhas e
data inicial o dia 05/03/2018. A função utilizada será colunas nas células. Nossas fórmulas ficarão assim:
=dias360(A2;B2) E4 ↑ =SE(C4>=724;”Acima”;”Abaixo”)
E5 ↑ =SE(C5>=724;”Acima”;”Abaixo”)
E6 ↑ =SE(C6>=724;”Acima”;”Abaixo”)
E7 ↑ =SE(C7>=724;”Acima”;”Abaixo”)
E8 ↑ =SE(C8>=724;”Acima”;”Abaixo”)
E9 ↑ =SE(C9>=724;”Acima”;”Abaixo”)
E10 ↑ =SE(C10>=724;”Acima”;”Abaixo”)
35
MULHERES: que 1200) e <1200 (menor que 1200), o valor =1200
SE SEXO NO INTERVALO C3 ATÉ C10 FOR FEMINI- (igual a 1200) não entraria na contagem.
NO, ENTÃO
SOMA O VALOR DO SALÁRIO MOSTRADO NO IN- Formatação de Células: Ao observar a planilha abai-
TERVALO D3 ATÉ D10 xo, fica claro que não é uma planilha bem formatada, va-
MOSTRA O RESULTADO NA CÉLULA D17 mos deixar ela de uma maneira mais agradável.
Traduzindo a condição em variáveis teremos:
Resultado: será mostrado na célula D17, portanto é
onde devemos digitar a fórmula
Intervalo para análise: C3:C10
Critério: “FEMININO”
Intervalo para soma: D3:D10
Assim, com o cursor na célula D17, digitamos:
=SomaSE(D3:D10;”feminino”;C3:C10)
R$ 1.200,00 ou MAIS:
SE SALÁRIO NO INTERVALO C3 ATÉ C10 FOR MAIOR
OU IGUAL A 1.200,00, ENTÃO
CONTA REGISTROS NO INTERVALO C3 ATÉ C10
MOSTRA O RESULTADO NA CÉLULA D14
onde devemos digitar a fórmula Em seguida, vamos colocar uma borda no texto digi-
Intervalo para análise: C3:C10 tado, vamos escolher a opção “Todas as bordas”, pode-
Critério: <1200 mos mudar o título para negrito, mudar a cor do fundo e/
Assim, com o cursor na célula D15, digitamos: ou de uma fonte, basta selecionar a(s) célula(s) e escolher
=CONT.SE(C3:C10;”<1200”) as formatações.
36
Filtrando os dados: Ainda no botão temos a opção
FILTRO. Ao selecionar esse botão, cada uma das colunas
da nossa planilha irá abrir uma seta para fazer a seleção
dos dados que desejamos visualizar. Assim, podemos fil-
trar e visualizar somente os dados do mês de Janeiro ou
então somente os gastos com contas de consumo, por
exemplo.
Figura 45: Formatando a planilha (Passo 2) Grupo ferramentas de dados:
- Texto para colunas: separa o conteúdo de uma célu-
Para finalizar essa etapa vamos formatar a coluna C la do Excel em colunas separadas.
para moeda, que é o caso desse exemplo, porém pode - Remover duplicatas: exclui linhas duplicadas de uma
ser realizado vários outros tipos de formatação, como, planilha - Validação de dados: permite especificar valo-
porcentagem, data, hora, científico, basta clicar no dro- res inválidos para uma planilha. Por exemplo, podemos
pbox onde está escrito geral e escolher. especificar que a planilha não aceitará receber valores
menores que 10.
- Consolidar: combina valores de vários intervalos em
um novo intervalo.
- Teste de hipóteses: testa diversos valores para a fór-
mula na planilha.
37
Redimensione o gráfico clicando com o mouse nas bordas para aumentar de tamanho. Reposicione o gráfico na
página, clicando nas linhas e arrastando até o local desejado.
#FicaDica
Importante mencionar que o conceito do Excel 365 é o mesmo apontado no Word, ou seja, fazem parte do
Office 365, que podem ser comprados conforme figura 39.
LibreOffice Calc
O Calc é o software de planilha eletrônica do LibreOffice e o seu formato de arquivo padrão é o .ods (Open Docu-
ment Spreadsheet).
O Calc trabalha de modo semelhante ao Excel no que se refere ao uso de fórmulas. Ou seja, uma fórmula é iniciada
pelo sinal de igual (=) e seguido por uma sequência de valores, referências a células, operadores e funções.
Algumas diferenças entre o Calc e o Excel:
Para fazer referência a uma interseção no Calc, utiliza-se o sinal de exclamação (!). Por exemplo, “B2:C4!C3:C6” retor-
nará a C3 e C4 (interseção entre os dois intervalos). No Excel, isso é feito usando um espaço em branco (B2:C4 C3:C6).
Para fazer referência a uma célula que esteja em outra planilha, na mesma pasta de trabalho, digite “nome_da_pla-
nilha + . + célula. Por exemplo, “Plan2.A1” faz referência a célula A1 da planilha chamada Plan2. No Excel, isso é feito
usando o sinal de exclamação ! (Plan2!A1).
Menus do Calc
Arquivo - contém comandos que se aplicam ao documento inteiro como Abrir, Salvar e Exportar como PDF.
Editar - contém comandos para editar o conteúdo documento como, por exemplo, Desfazer, Localizar e Substituir,
Cortar, Copiar e Colar.
Exibir - contém comandos para controlar a exibição de um documento tais como Zoom, Tela Inteira e Navegador.
Inserir - contém comandos para inserção de novos elementos no documento como células, linhas, colunas, plani-
lhas, gráficos.
Formatar - contém comandos para formatar células selecionadas, objetos e o conteúdo das células no documento.
Ferramentas - contém ferramentas como Ortografia, Atingir meta, Rastrear erro, etc.
Dados - contém comandos para editar os dados de uma planilha. É possível classificar, utilizar filtros, validar, etc.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Na tela inicial do PowerPoint, são listadas as últimas apresentações editadas (à esquerda), opção para criar nova
apresentação em branco e ainda, são sugeridos modelos para criação de novas apresentações (ao centro).
Ao selecionar a opção de Apresentação em Branco você será direcionado para a tela principal, composta pelos
elementos básicos apontados na figura abaixo, e descritos nos tópicos a seguir.
38
Figura 52: Tela Principal do PowerPoint 2013
Barra de Títulos: A linha superior da tela é a barra de títulos, que mostra o nome da apresentação na janela. Ao
iniciar o programa aparece Apresentação 1 porque você ainda não atribuiu um nome ao seu arquivo.
Faixa de Opções: Desde a versão 2007 do Office, os menus e barras de ferramentas foram substituídos pela Faixa de
Opções. Os comandos são organizados em uma única caixa, reunidos em guias. Cada guia está relacionada a um tipo
de atividade e, para melhorar a organização, algumas são exibidas somente quando necessário.
Barra de Ferramentas de Acesso Rápido: A Barra de Ferramentas de Acesso Rápido fica posicionada no topo da
tela e pode ser configurada com os botões de sua preferência, tornando o trabalho mais ágil.
Adicionando e Removendo Componentes: Para ocultar ou exibir um botão de comando na barra de ferramentas
de acesso rápido podemos clicar com o botão direito no componente que desejamos adicionar, em qualquer guia. Será
exibida uma janela com a opção de Adicionar à Barra de Ferramentas de Acesso Rápido.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
39
Temos ainda outra opção de adicionar ou remover componentes nesta barra, clicando na seta lateral. É aberto o
menu Personalizar Barra de Ferramentas de Acesso Rápido, que apresenta várias opções para personalizar a barra, além
da opção Mais Comandos..., onde temos acesso a todos os comandos do PowerPoint.
Para remoção do componente, no mesmo menu selecione-o. Se preferir, clique com o botão direito do mouse sobre
o ícone que deseja remover e escolha Remover da Barra de Ferramentas de Acesso Rápido.
Barra de Status: Localizada na parte inferior da tela, a barra de status permite incluir anotações e comentários na
sua apresentação, mensagens, fornece estatísticas e o status de algumas teclas. Nela encontramos o recurso de Zoom
e os botões de ‘Modos de Exibição’.
Modelos e Temas Online: Algumas vezes parece impossível iniciar uma apresentação. Você nem mesmo sabe
como começar. Nestas situações pode-se usar os modelos prontos, que fornecem sugestões para que você possa
iniciar a criação de sua apresentação. A versão PowerPoint 2013 traz vários modelos disponíveis online divididos por
temas (é necessário estar conectado à internet).
Para utilizar um modelo pronto, selecione um tema. Em nosso exemplo, vamos selecionar ‘Negócios’. Aparecerão
vários modelos prontos que podem ser utilizados para a criação de sua apresentação, conforme mostra a figura abaixo.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
40
Procure conhecer os modelos, clicando sobre eles. Utilize as barras de rolagem para rolar a tela, visualizar as possi-
bilidades, e possivelmente escolher um modelo, dentre as inúmeras possibilidades fornecidas, para criar apresentações
profissionais com muita agilidade.
Ao escolher um modelo, clique no botão ‘Criar’ e aguarde o download do arquivo. Será criado um novo arquivo em
seu computador, que você poderá salvar onde quiser. A partir daí, basta customizar os dados e utilizá-lo como SUA
APRESENTAÇÃO.
Tanto o layout como o padrão de formatação de fontes, poderão ser alterados em qualquer momento, para atender
às suas necessidades.
Apresentação de Slides:
Antes de começarmos a trabalhar em um novo slide, ou nova apresentação, vamos entender um pouco melhor
como funciona uma apresentação. Escolha um modelo pronto qualquer, faça o download, e inicie a apresentação,
assim:
Na barra ‘Modos de exibição de slides’, localizada na barra de status, clique no botão ‘Modo de Apresentação de
Slides’.
Dê cliques com o mouse para seguir ao próximo slide. Ao clicar na apresentação, são exibidos botões de navegação,
que permitem que você siga para o próximo slide ou volte ao anterior, conforme mostrado abaixo. Além dos botões de
navegação você também conta com outras ferramentas durante sua apresentação.
Exibição de Slides: Vamos agora começar a personalizar nossa apresentação, tendo como base o modelo criado. Se
ainda estiver com uma apresentação aberta, termine a apresentação, retornando à estrutura. Clique, na faixa de opções,
no menu ‘EXIBIÇÃO’.
Modo Normal: No modo de exibição ‘Normal’, você trabalha em um slide de cada vez e pode organizar a estrutura
de todos os slides da apresentação.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
41
Modo de Exibição de Estrutura de Tópicos: Este modo de visualização é interessante principalmente durante a
construção do texto da apresentação. Você pode ir digitando o texto do lado esquerdo e o PowerPoint monta os slides
pra você.
Classificação de Slides: Este modo permite ver seus slides em miniatura, para auxiliar na organização e estrutura-
ção de sua apresentação. No modo de classificação de slides, você pode reordenar slides, adicionar transições e efeitos
de animação e definir intervalos de tempo para apresentações eletrônicas de slides.
Para alterar a sequência de exibição de slides, clique no slide e arraste até a posição desejada. Você também pode
ocultar um slide dando um clique com o botão direito do mouse sobre ele e selecionando ‘Ocultar Slide’.
Alterando o Design:
O design de um slide é a apresentação visual do mesmo, ou seja, as cores nele utilizadas, tipos de fontes, etc. O
PowerPoint disponibiliza vários temas prontos para aplicar ao design de sua apresentação.
Para inserir um Tema de design pronto nos slides acesse a guia ‘Design’ na Faixa de Opções. Clique na seta lateral
para visualizar todos os temas existentes.
Clique no tema desejado, para aplicar ao slide selecionado. O tema será aplicado em todos os slides.
Variantes -> Cores e Variantes -> Fontes: ainda na guia ‘Design’ podemos aplicar variações dos temas, alterando
cores e fontes, criando novos temas de cores. Clique na seta da caixa ‘Variantes’ para abrir as opções. Passe o mouse
sobre cada tema para visualizar o efeito na apresentação. Após encontrar a variação desejada, dê um clique com o
mouse para aplicá-la à apresentação.
Variantes -> Efeitos: os efeitos de tema especificam como os efeitos são aplicados a gráficos SmartArt, formas e
imagens. Clique na seta do botão ‘Efeitos’ para acessar a galeria de Efeitos. Aplicando o efeito alteramos rapidamente
a aparência dos objetos.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Layout de Texto:
O primeiro slide criado em nossa apresentação é um ‘Slide de título’. Nele não deve ser inserido o conteúdo da
palestra ou reunião, mas apenas o título e um subtítulo pois trata-se do slide inicial.
Clique no quadro onde está indicado ‘Clique aqui para adicionar um título’, e escreva o título de sua apresentação.
A apresentação que criaremos será sobre ‘Grupo Nova”.
No quadro onde está indicado ‘Clique aqui para adicionar um subtítulo’ coloque seu nome ou o nome da empresa
em que trabalha, ou mesmo um subtítulo ligado ao tema da apresentação.
Formate o texto da forma como desejar, selecionando o tipo da fonte, tamanho, alinhamento, etc., clicando sobre a
‘Caixa de Texto’ para fazer as formatações.
42
Clique no botão novo slide da guia ‘PÁGINA INICIAL’. Ainda em ‘TRANSIÇÕES’ escolha como será feito o
Será criado um novo slide com layout diferente do an- avanço do slide, se após um tempo pré-definido ou ‘Ao
terior. Isso acontece porque o programa entende que o Clicar com o Mouse’, dentro da faixa ‘INTERVALO’. Você
próximo slide não é mais de título, e sim de conteúdo, também pode aplicar som durante a transição.
e assim sucessivamente para a criação da sua apresen-
tação. Animações: As animações podem ser definidas para
cada caixa de texto dos slides. Ou seja, durante sua apre-
Layouts de Conteúdo: sentação você pode optar em ir abrindo o texto confor-
Utilizando os layouts de conteúdo é possível inserir me trabalha os assuntos.
figura ou cliparts, tabelas, gráficos, diagramas ou clipe Neste exemplo, selecionaremos o Slide 3 de nossa
de mídia (que podem ser animações, imagens, sons, etc.). apresentação para enriquecer as explicações. Clique um
A utilização destes recursos é muito simples, bastan- uma das caixas de texto do slide, e na opção ‘ANIMA-
do clicar, no próprio slide, sobre o recurso que deseja ÇÕES’ abra o ‘PAINEL DE ANIMAÇÃO’.
utilizar.
Salve a apresentação atual como ‘Ensino a Distância’
e, sem fechá-la, abra uma nova apresentação. Vamos ver
a utilização dos recursos de Conteúdo.
Na guia ‘Início’ da Faixa de Opções, clique na seta la- Figura 62: Animações
teral da caixa Layout. Será exibida uma janela com várias
opções. Selecione o layout ‘Título e conteúdo’. Escolheremos a opção ‘Flutuar para Dentro’, mas você
Aparecerá a caixa de conteúdo no slide como mos- pode explorar as diversas opções e escolher a que mais
trado na figura a seguir. A caixa de conteúdos ao centro te agradar. Clique na opção escolhida. No Painel de Ani-
do slide possui diversas opções de tipo de conteúdo que mação, abra todas as animações clicando na seta para
se pode utilizar. baixo.
As demais ferramentas da ‘Caixa de Conteúdo’ são:
uma animação;
entre diversas transições prontas, através da faixa de op-
no Painel de Animações clique em ‘Iniciar ao clicar’ no
ções ‘TRANSIÇÕES’. Selecione o primeiro slide da nossa
1º parágrafo da caixa de texto
apresentação e clique nesta opção.
selecione o 2º parágrafo da caixa de texto e selecione
Escolha uma das transições prontas e veja o que
‘Iniciar com anterior’.
acontece. Explore os diversos tipos de transições, apenas
clicando sobre elas e assistindo os efeitos que elas pro-
Impress
duzem. Isso pode ser bastante divertido, mas dependen-
É o editor de apresentações do LibreOffice e o seu
do do intuito da apresentação, o exagero pode tornar
formato de arquivo padrão é o .odp (Open Document
sua apresentação pouco profissional.
Presentations).
43
- O usuário pode iniciar uma apresentação no Im- Resposta: ERRADO. Um pendrive formatado com o
press de duas formas: sistema de arquivos NTFS será lido normalmente pelo
• do primeiro slide (F5) - Menu Apresentação de Sli- Linux, sem necessidade de conversão de qualquer natu-
des -> Iniciar do primeiro slide. reza. E o fato do suposto arquivo estar em formato Excel
• do slide atual (Shift + F5) - Menu Apresentação (xls ou xlsx) é indiferente também, já que o BrOffice é
de Slides -> Iniciar do slide atual. capaz de abrir ambos os formatos.
44
Resposta: CERTO. A inclusão do dicionário no botão 9. (DELEGADO DE POLÍCIA – CESPE – 2004) Para en-
direito na versão Word 2013 é novidade, mas já é an- contrar todas as ocorrências do termo “Ibama” no docu-
tiga no Word pelo comando Shift + F7(dicionário de mento em edição, é suficiente realizar o seguinte proce-
sinônimos). dimento: aplicar um clique duplo sobre o referido termo;
clicar sucessivamente o botão .
( ) CERTO ( ) ERRADO
( ) CERTO ( ) ERRADO
( ) CERTO ( ) ERRADO
Resposta: CERTO. A opção para imprimir documentos
assim como para efetuar as devidas configurações da Resposta: CERTO. Com o botão “Pincel” é possível co-
impressão podem ser feitas através do Menu Arquivo piar toda a formatação de uma célula para outra célu-
/ Imprimir ou utilizando-se do atalho CTRL+P. la, e o procedimento correto foi descrito na questão.
45
UTILIZAÇÃO E CONFIGURAÇÃO DE
E-MAIL NO MICROSOFT OUTLOOK.
CONCEITOS DE TECNOLOGIAS
RELACIONADAS À INTERNET E
INTRANET, BUSCA E PESQUISA NA
WEB, MECANISMOS DE BUSCA NA
WEB. NAVEGADORES DE INTERNET: Figura 2: Símbolo do Mozilla Firefox
INTERNET EXPLORER, MOZILLA
FIREFOX, GOOGLE CHROME. Opera: Usabilidade muito agradável, possui grande
desempenho, porém especialistas em segurança o consi-
NOÇÕES BÁSICAS DE FERRAMENTAS E dera o navegador com menos segurança.
APLICATIVOS DE NAVEGTAÇÃO E CORREIO
ELETRÔNICO
#FicaDica
Ultimamente tem caído perguntas
relacionadas a guia anônima que não deixa
rastro (senhas, auto completar, entre outros),
e é acessado com o atalho CTRL+SHIFT+N Figura 5: Símbolo do Internet Explorer
46
Ao ganhar proporções mundiais, esse tipo de cone-
#FicaDica xão recebeu o nome de internet e até a década de 80
ficou apenas entre os meios acadêmicos. No Brasil ela
Glossário interessante que abordam internet
chegou apenas na década de 90. É na internet que é exe-
e correio eletrônico
cutada a World Wide Web (www), sistema que contém
Anti-spam: Ferramenta utilizada para filtro de
milhares de informações (gráficos, vídeos, textos, sons,
mensagens indesejadas.
etc) que também ficou conhecido como rede mundial.
Browser: Programa utilizado para navegar
Tim Berners-Lee na década de 80 começou a criar um
na Web, também chamado de navegador.
projeto que pode ser considerado o princípio da World
Exemplo: Mozilla Firefox.
Wide Web. No início da década de 90 ele já havia elabo-
Cliente de e-mail: Software destinado a ge-
rado uma nova proposta para o que ficaria conhecido
renciar contas de correio eletrônico, possi-
como WWW. Tim falava sobre o uso de hipertexto e a
bilitando a composição, envio, recebimen-
partir disso surgiu o “http” (em português significa pro-
to, leitura e arquivamento de mensagens. A
tocolo de transferência de hipertexto). Vinton Cerf tam-
seguir, uma lista de gerenciadores de e-mail
bém é um personagem importante e inclusive é conheci-
(em negrito os mais conhecidos e utilizados
do por muitos como o pai da internet.
atualmente):
Microsoft Office Outlook, Microsoft Outlook
Express, Mozilla Thunderbird, Eudora, #FicaDica
Pegasus Mail, Apple Mail (Apple), Kmail (Li-
nux) e Windows Mail. URL: Tudo que é disponível na Web tem seu
próprio endereço, chamado URL, ele facilita
a navegação e possui características especí-
Outros pontos importantes de conceitos que podem ficas como a falta de acentuação gráfica e
ser abordado no seu concurso são: palavras maiúsculas. Uma url possui o http
MIME (Multipurpose Internet Mail Extensions – Exten- (protocolo), www (World Wide Web), o nome
sões multiuso do correio da Internet): Provê mecanismos da empresa que representa o site, .com (ex:
para o envio de outros tipo sde informações por e-mail, se for um site governamental o final será
como imagens, sons, filmes, entre outros. .gov) e a sigla do país de origem daquele site
MTA (Mail Transfer Agent – Agente de Transferência (no Brasil é usado o BR).
de Correio): Termo utilizado para designar os servidores
de Correio Eletrônico.
MUA (Mail User Agent – Agente Usuário de Correio): CORREIOS ELETRÔNICOS
Programas clientes de e-mail, como o Mozilla Thunder-
bird, Microsoft Outlook Express etc. Os correios eletrônicos se dividem em duas formas:
POP3 (Post Office Protocol Version 3 - Protocolo de os agentes de usuários e os agentes de transferência de
Agência de Correio “Versão 3”): Protocolo padrão para mensagens. Os agentes usuários são exemplificados pelo
receber e-mails. Através do POP, um usuário transfere Mozilla Thunderbird e pelo Outlook. Já os agentes de
para o computador as mensagens armazenada sem sua transferência realizam um processo de envio dos agentes
caixa postal no servidor. usuários e servidores de e-mail.
SMTP (Simple Mail Transfer Protocol - Protocolo de Os agentes de transferência usam três protoco-
Transferência Simples de Correio): É um protocolo de en- los: SMTP (Simple Transfer Protocol), POP (Post Office
vio de e-mail apenas. Com ele, não é possível que um Protocol) e IMAP (Internet Message Protocol). O SMTP
usuário descarregue suas mensagens de umservidor. é usado para transferir mensagens eletrônicas entre os
Esse protocolo utiliza a porta 25 do protocolo TCP. computadores. O POP é muito usado para verificar men-
Spam: Mensagens de correio eletrônico não autori- sagens de servidores de e-mail quando ele se conecta ao
zadas ou não solicitadas pelo destinatário, geralmente servidor suas mensagens são levadas do servidor para o
de conotação publicitária ou obscena, enviadas em larga computador local. Pode ser usado por quem usa conexão
escala para uma lista de e-mails, fóruns ou grupos de discada.
discussão. Já o IMAP também é um protocolo padrão que per-
mite acesso a mensagens nos servidores de e-mail. Ele
UM POUCO DE HISTÓRIA possibilita a leitura de arquivos dos e-mails, mas não per-
mite que eles sejam baixados. O IMAP é ideal para quem
A internet é uma rede de computadores que liga os acessa o e-mail de vários locais diferentes.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
47
Para editarmos e lermos nossas mensagens eletrô- Por isso mesmo vale a pena inserir o tema dentro de
nicas em um único computador, sem necessariamente seus estudos do conteúdo básico de informática para a
estarmos conectados à Internet no momento da criação sua preparação para concurso. Ao contrário do que mui-
ou leitura do e-mail, podemos usar um programa de cor- ta gente pensa, a verdade é que todo o processo de criar
reio eletrônico. Existem vários deles. Alguns gratuitos, uma assinatura é bastante simples, de forma que perder
como o Mozilla Thunderbird, outros proprietários como pontos por conta dessa questão em específico é perder
o Outlook Express. Os dois programas, assim como vá- pontos à toa.
rios outros que servem à mesma finalidade, têm recursos Para conseguir criar uma assinatura no Outlook basta
similares. Apresentaremos os recursos dos programas de que você entre no menu Arquivo e busque pelo botão
de Opções. Lá você vai encontrar o botão para E-mail
correio eletrônico através do Outlook Express que tam-
e logo em seguida o botão de Assinaturas, que é onde
bém estão presentes no Mozilla Thunderbird.
você deve clicar. Feito isso, você vai conseguir adicio-
Um conhecimento básico que pode tornar o dia a dia nar as suas assinaturas de maneira rápida e prática sem
com o Outlook muito mais simples é sobre os atalhos maiores problemas.
de teclado para a realização de diversas funções dentro No Outlook Express podemos preparar uma mensa-
do Outlook. Para você começar os seus estudos, anote gem através do ícone Criar e-mail, demonstrado na fi-
alguns atalhos simples. Para criar um novo e-mail, basta gura acima, ao clicar nessa imagem aparecerá a tela a
apertar Ctrl + Shift + M e para excluir uma determinada seguir:
mensagem aposte no atalho Ctrl + D. Levando tudo isso
em consideração inclua os atalhos de teclado na sua ro-
tina de estudos e vá preparado para o concurso com os
principais na cabeça.
Uma das funcionalidades mais úteis do Outlook para
profissionais que compartilham uma mesma área é o
compartilhamento de calendário entre membros de uma
mesma equipe.
Por isso mesmo é importante que você tenha o co-
nhecimento da técnica na hora de fazer uma prova de
concurso que exige os conhecimentos básicos de infor-
mática, pois por ser uma função bastante utilizada tem
maiores chances de aparecer em uma ou mais questões.
O calendário é uma ferramenta bastante interessante
do Outlook que permite que o usuário organize de for-
ma completa a sua rotina, conseguindo encaixar tarefas, Figura 6: Tela de Envio de E-mail
compromissos e reuniões de maneira organizada por dia,
de forma a ter um maior controle das atividades que de-
vem ser realizadas durante o seu dia a dia. #FicaDica
Dessa forma, uma funcionalidade do Outlook permite Para: deve ser digitado o endereço eletrôni-
que você compartilhe em detalhes o seu calendário ou co ou o contato registrado no Outlook do
parte dele com quem você desejar, de forma a permitir destinatário da mensagem. Campo obriga-
que outra pessoa também tenha acesso a sua rotina, o tório.
que pode ser uma ótima pedida para profissionais den- Cc: deve ser digitado o endereço eletrônico
tro de uma mesma equipe, principalmente quando um ou o contato registrado no Outlook do des-
determinado membro entra de férias. tinatário que servirá para ter ciência desse
Para conseguir utilizar essa função basta que você en- e-mail.
tre em Calendário na aba indicada como Página Inicial. Cco: Igual ao Cc, porém os destinatários fi-
Feito isso, basta que você clique em Enviar Calendário cam ocultos.
por E-mail, que vai fazer com que uma janela seja aberta
no seu Outlook.
Nessa janela é que você vai poder escolher todas as Assunto: campo onde será inserida uma breve des-
informações que vão ser compartilhadas com quem você crição, podendo reservar-se a uma palavra ou uma frase
deseja, de forma que o Outlook vai formular um calen- sobre o conteúdo da mensagem. É um campo opcional,
dário de forma simples e detalhada de fácil visualização mas aconselhável, visto que a falta de seu preenchimento
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
para quem você deseja enviar uma mensagem. pode levar o destinatário a não dar a devida importância
Nos dias de hoje, praticamente todo mundo que tra- à mensagem ou até mesmo desconsiderá-la.
balha dentro de uma empresa tem uma assinatura pró- Corpo da mensagem: logo abaixo da linha assunto, é
pria para deixar os comunicados enviados por e-mail equivalente à folha onde será digitada a mensagem.
com uma aparência mais profissional. A mensagem, após digitada, pode passar pelas for-
Dessa forma, é considerado um conhecimento básico matações existentes na barra de formatação do Outlook:
saber como criar assinaturas no Outlook, de forma que Mozilla Thunderbird é um cliente de email e notícias
este conteúdo pode ser cobrado em alguma questão open-source e gratuito criado pela Mozilla Foundation
(mesma criadora do Mozilla Firefox).
dentro de um concurso público.
48
Webmail é o nome dado a um cliente de e-mail que Resposta: Letra B. É possível sinalizar a mensagem
não necessita de instalação no computador do usuário, já como sendo de alta prioridade quando se deseja que
que funciona como uma página de internet, bastando o as pessoas saibam que a mensagem precisa de aten-
usuário acessar a página do seu provedor de e-mail com ção urgente. Se a mensagem é apenas um informativo
seu login e senha. Desta forma, o usuário ganha mobili- ou se está enviando um e-mail sobre um tema que
não precisa ser priorizado, defina o indicador de baixa
dade já que não necessita estar na máquina em que um
prioridade.
cliente de e-mail está instalado para acessar seu e-mail. A maioria dos clientes de e-mail, os destinatários veem
um indicador específico na lista de mensagens ou nos
#FicaDica cabeçalhos.
Na faixa de opções, é possível saber quando a priori-
Segmentos do Outlook Express dade foi definida, pois o botão fica realçado.
Painel de Pastas: permite que o usuário sal-
ve seus e-mails em pastas específicas e dá a 3. (TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP – 2017) Um usuário
possibilidade de criar novas pastas; preparou uma mensagem de correio eletrônico usando o
Painel das Mensagens: onde se concentra a Microsoft Outlook 2010, em sua configuração padrão, e
lista de mensagens de determinada pasta e enviou para o destinatário. Porém, algum tempo depois,
quando se clica em um dos e-mails o conte- percebeu que esqueceu de anexar um arquivo. Esse mes-
údo é disponibilizado no painel de conteúdo. mo usuário preparou, então, uma nova mensagem com
Painel de Conteúdo: esse painel é onde irá o mesmo assunto, e enviou para o mesmo destinatário,
aparecer o conteúdo das mensagens enviadas. agora com o anexo. Assinale a alternativa correta.
Painel de Contatos: nesse local se concen-
tram as pessoas que foram cadastradas em a) A mensagem original, sem o anexo, foi automatica-
sua lista de endereço. mente apagada no computador do destinatário e
substituída pela segunda mensagem, uma vez que
ambas têm o mesmo assunto e são do mesmo reme-
tente.
b) Como as duas mensagens têm o mesmo assunto, a
EXERCÍCIOS COMENTADOS segunda mensagem não foi transmitida, permanecen-
do no computador do destinatário apenas a primeira
1. (TJ-ES – CBNM1-01 – NÍVEL MÉDIO – CESPE – 2011) mensagem.
UM PROGRAMA DE CORREIO ELETRÔNICO VIA WEB c) A segunda mensagem não pode ser transmitida e fica
(WEBMAIL) é uma opção viável para usuários que es- bloqueada na caixa de saída do remetente, até que a
primeira mensagem tenha sido lido pelo destinatário.
tejam longe de seu computador pessoal. A partir de
d) O destinatário recebeu 2 mensagens, sendo, a primei-
qualquer outro computador no mundo, o usuário pode, ra, sem anexo, e a segunda, com o anexo.
via Internet, acessar a caixa de correio armazenada no e) O remetente não recebeu nenhuma das mensagens,
próprio computador cliente remoto e visualizar eventuais pois não é possível transmitir mais de uma mensagem
novas mensagens. com o mesmo assunto e mesmo remetente.
49
De: Pedro 6. (ENGENHEIRO CIVIL – VUNESP – 2018) Considere a
Para: João; Marta imagem a seguir, extraída do Internet Explorer 11, em sua
Cc: Ricardo; Ana configuração padrão. A página exibida no navegador foi
Usando o Microsoft Outlook 2010, em sua configuração completamente carregada.
padrão, ele usou um recurso para responder a mensa-
gem que manteve apenas Pedro na lista de destinatários.
Isso significa que João usou a opção:
a) Responder.
b) Arquivar.
c) Marcar como não lida.
d) Responder a todos.
e) Marcar como lida
a) imediatamente fechada.
5. (AGENTE POLICIAL – VUNESP – 2013)Observe o ar-
b) enviada para impressão.
gumento de busca que o usuário fará utilizando o Goo-
c) atualizada.
gle, na ilustração apresentada a seguir.
d) enviada por e-mail.
e) aberta em uma nova aba.
Resposta: Letra C.
a) Imediatamente fechada.
۰ Alt + F4 = fecha todas as guias
۰ Ctrl + F4 = fecha só guia atual
b) Enviada para impressão.
۰ Ctrl + P
c) Atualizada.
۰ F5
Com base na figura e no que foi digitado, assinale a al- d) Enviada por e-mail.
ternativa correta. ۰ CTRL + Enter (MS Outlook)
e) Aberta em uma nova aba.
a) Será pesquisado o conjunto exato de palavras. ۰ Ctrl + T = abre uma nova aba
b) A pesquisa trará como resultados o que encontrar ۰ Ctrl + N = abre um novo comando
como antônimo do que foi digitado.
c) O conjunto de palavras será excluído dos resultados
pesquisados. REDES DE COMPUTADORES
d) A pesquisa trará somente as imagens e vídeos não re-
lacionados ao argumento digitado. Redes de Computadores refere-se à interligação por
e) Além das palavras digitadas, a pesquisa também trará meio de um sistema de comunicação baseado em trans-
os seus sinônimos missões e protocolos de vários computadores com o ob-
jetivo de trocar informações, entre outros recursos. Essa
Resposta: Letra A. O comando “entre aspas” duran- ligação é chamada de estações de trabalho (nós, pontos
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
50
Hoje, não é preciso estar em casa para enviar e-mails, Topologia de Estrela – modelo em que existe um pon-
basta ter um tablet ou smartphone com acesso à inter- to central (concentrador) para a conexão, geralmente um
net nos dispositivos móveis. Apesar de tantas vantagens, hub ou switch;
o crescimento das redes de computadores também tem Topologia de Anel – modelo atualmente utilizado em
seu lado negativo. A cada dia surgem problemas que automação industrial e na década de 1980 pelas redes
prejudicam as relações entre os indivíduos, como pirata- Token Ring da IBM. Nesse caso, todos os computadores
ria, espionagem, phishing - roubos de identidade, assun- são entreligados formando um anel e os dados são pro-
tos polêmicos como racismo, sexo, pornografia, sendo pagados de computador a computador até a máquina
destacados com mais exaltação, entre outros problemas. de origem;
Há muito tempo, o ser humano sentiu a necessida- Topologia de Barramento – modelo utilizado nas pri-
de de compartilhar conhecimento e estabelecer relações meiras conexões feitas pelas redes Ethernet. Refere- se
com pessoas a distância. Na década de 1960, durante a computadores conectados em formato linear, cujo ca-
a Guerra Fria, as redes de computadores surgiram com beamento é feito sequencialmente;
objetivos militares: interconectar os centros de comando Redes de Difusão (Broadcast) – quando as máquinas
dos EUA para com objetivo de proteger e enviar dados. estão interligadas por um mesmo canal através de paco-
tes endereçados (unicast, broadcast e multicast).
1. Alguns tipos de Redes de Computadores
3. Cabos
Antigamente, os computadores eram conectados
em distâncias curtas, sendo conhecidas como redes lo- Os cabos ou cabeamentos fazem parte da estrutura
cais. Mas, com a evolução das redes de computadores, física utilizada para conectar computadores em rede, es-
foi necessário aumentar a distância da troca de infor- tando relacionados a largura de banda, a taxa de trans-
mações entre as pessoas. As redes podem ser classifi- missão, padrões internacionais, etc. Há vantagens e des-
cadas de acordo com sua arquitetura (Arcnet, Ethernet, vantagens para a conexão feita por meio de cabeamento.
DSL, Token ring, etc.), a extensão geográfica (LAN, PAN, Os mais utilizados são:
MAN, WLAN, etc.), a topologia (anel, barramento, estrela, Cabos de Par Trançado – cabos caracterizados por sua
ponto-a-ponto, etc.) e o meio de transmissão (redes por velocidade, pode ser feito sob medida, comprados em
cabo de fibra óptica, trançado, via rádio, etc.). lojas de informática ou produzidos pelo usuário;
Veja alguns tipos de redes: Cabos Coaxiais – cabos que permitem uma distância
Redes Pessoais (Personal Area Networks – PAN) – se maior na transmissão de dados, apesar de serem flexíveis,
comunicam a 1 metro de distância. Ex.: Redes Bluetooth; são caros e frágeis. Eles necessitam de barramento ISA,
Redes Locais (Local Area Networks – LAN) – redes em suporte não encontrado em computadores mais novos;
que a distância varia de 10m a 1km. Pode ser uma sala, Cabos de Fibra Óptica – cabos complexos, caros e de
um prédio ou um campus de universidade; difícil instalação. São velozes e imunes a interferências
Redes Metropolitanas (Metropolitan Area Network – eletromagnéticas.
MAN) – quando a distância dos equipamentos conec-
tados à uma rede atinge áreas metropolitanas, cerca de
10km. Ex.: TV à cabo; #FicaDica
Redes a Longas Distâncias (Wide Area Network –
WAN) – rede que faz a cobertura de uma grande área Após montar o cabeamento de rede é necessário
realizar um teste através dos testadores de
geográfica, geralmente, um país, cerca de 100 km; cabos, adquirido em lojas especializadas.
Redes Interligadas (Interconexão de WANs) – são re- Apesar de testar o funcionamento, ele não
des espalhadas pelo mundo podendo ser interconecta- detecta se existem ligações incorretas. É preciso
das a outras redes, capazes de atingirem distâncias bem que um técnico veja se os fios dos cabos estão
maiores, como um continente ou o planeta. Ex.: Internet; na posição certa.
Rede sem Fio ou Internet sem Fio (Wireless Local Area
Network – WLAN) – rede capaz de conectar dispositivos
eletrônicos próximos, sem a utilização de cabeamento. 4. Sistema de Cabeamento Estruturado
Além dessa, existe também a WMAN, uma rede sem fio
para área metropolitana e WWAN, rede sem fio para Para que essa conexão não prejudique o ambiente de
grandes distâncias. trabalho, em uma grande empresa, são necessárias várias
conexões e muitos cabos, sendo necessário o cabeamen-
2. Topologia de Redes to estruturado.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
51
concentrador de tomadas, favorecendo a manutenção JECTS AGENCY e o Departamento de Defesa americano,
das redes. Eles são adaptados e construídos para serem na década de 60, criaram um projeto que pudesse conec-
inseridos em um rack. tar os computadores de departamentos de pesquisas e
Todo esse planejamento deve fazer parte do projeto bases militares, para que, caso um desses pontos sofres-
do cabeamento de rede, em que a conexão da rede é se algum tipo de ataque, as informações e comunicação
pensada de forma a realizar a sua expansão. não seriam totalmente perdidas, pois estariam salvas em
Repetidores: Dispositivo capaz de expandir o cabea- outros pontos estratégicos.
mento de rede. Ele poderá transformar os sinais recebi- O projeto inicial, chamado ARPANET, usava uma co-
dos e enviá-los para outros pontos da rede. Apesar de nexão a longa distância e possibilitava que as mensagens
serem transmissores de informações para outros pontos, fossem fragmentadas e endereçadas ao seu computador
eles também diminuem o desempenho da rede, poden- de destino. O percurso entre o emissor e o receptor da
do haver colisões entre os dados à medida que são ane-
informação poderia ser realizado por várias rotas, assim,
xas outras máquinas. Esse equipamento, normalmente,
caso algum ponto no trajeto fosse destruído, os dados
encontra-se dentro do hub.
Hubs: Dispositivos capazes de receber e concentrar poderiam seguir por outro caminho garantindo a entre-
todos os dados da rede e compartilhá-los entre as outras ga da informação, é importante mencionar que a maior
estações (máquinas). Nesse momento nenhuma outra distância entre um ponto e outro, era de 450 quilôme-
máquina consegue enviar um determinado sinal até que tros. No começo dos anos 80, essa tecnologia rompeu as
os dados sejam distribuídos completamente. Eles são uti- barreiras de distância, passando a interligar e favorecer
lizados em redes domésticas e podem ter 8, 16, 24 e 32 a troca de informações de computadores de universi-
portas, variando de acordo com o fabricante. Existem os dades dos EUA e de outros países, criando assim uma
Hubs Passivos, Ativos, Inteligentes e Empilháveis. rede (NET) internacional (INTER), consequentemente seu
Bridges: É um repetidor inteligente que funciona nome passa a ser, INTERNET.
como uma ponte. Ele lê e analisa os dados da rede, além A evolução não parava, além de atingir fronteiras
de relacionar diferentes arquiteturas. continentais, os computadores pessoais evoluíam em
Switches: Tipo de aparelho semelhante a um hub, forte escala alcançando forte potencial comercial, a Inter-
mas que funciona como uma ponte: ele envia os dados net deixou de conectar apenas computadores de univer-
apenas para a máquina que o solicitou. Ele possui muitas sidades, passou a conectar empresas e, enfim, usuários
portas de entrada e melhor performance, podendo ser domésticos. Na década de 90, o Ministério das Comu-
utilizado para redes maiores. nicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil
Roteadores: Dispositivo utilizado para conectar redes
trouxeram a Internet para os centros acadêmicos e co-
e arquiteturas diferentes e de grande porte. Ele funciona
merciais. Essa tecnologia rapidamente foi tomando conta
como um tipo de ponte na camada de rede do modelo
OSI (Open Systens Interconnection - protocolo de inter- de todos os setores sociais até atingir a amplitude de sua
conexão de sistemas abertos para conectar máquinas de difusão nos tempos atuais.
diferentes fabricantes), identificando e determinando um Um marco que é importante frisar é o surgimento do
IP para cada computador que se conecta com a rede. WWW que foi a possibilidade da criação da interface grá-
Sua principal atribuição é ordenar o tráfego de da- fica deixando a internet ainda mais interessante e vanta-
dos na rede e selecionar o melhor caminho. Existem os josa, pois até então, só era possível a existência de textos.
roteadores estáticos, capaz de encontrar o menor cami- Para garantir a comunicação entre o remetente e o
nho para tráfego de dados, mesmo se a rede estiver con- destinatário o americano Vinton Gray Cerf, conhecido
gestionada; e os roteadores dinâmicos que encontram como o pai da internet criou os protocolos TCP/IP, que
caminhos mais rápidos e menos congestionados para o são protocolos de comunicação. O TCP – TRANSMIS-
tráfego. SION CONTROL PROTOCOL (Protocolo de Controle de
Modem: Dispositivo responsável por transformar a Transmissão) e o IP – INTERNET PROTOCOL (Protocolo
onda analógica que será transmitida por meio da linha de Internet) são conjuntos de regras que tornam possível
telefônica, transformando-a em sinal digital original. tanto a conexão entre os computadores, quanto ao en-
Servidor: Sistema que oferece serviço para as redes tendimento da informação trocada entre eles.
de computadores, como por exemplo, envio de arquivos A internet funciona o tempo todo enviando e rece-
ou e-mail. Os computadores que acessam determinado
bendo informações, por isso o periférico que permite a
servidor são conhecidos como clientes.
conexão com a internet chama MODEM, porque que ele
Placa de Rede: Dispositivo que garante a comunica-
ção entre os computadores da rede. Cada arquitetura de MOdula e DEModula sinais, e essas informações só po-
rede depende de um tipo de placa específica. As mais dem ser trocadas graças aos protocolos TCP/IP.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
52
Onde: - POP (Post Office Protocol): Protocolo de Posto dos
http:// → Faz a solicitação de um arquivo de hipermí- Correios permite, como o seu nome o indica, recuperar
dia para a Internet, ou seja, um arquivo que pode conter o seu correio num servidor distante (o servidor POP). É
texto, som, imagem, filmes e links. necessário para as pessoas não ligadas permanentemen-
- URL (Uniform Resource Locator): Localizador Padrão te à Internet, para poderem consultar os mails recebidos
de recursos, serve para endereçar um recurso na web, offline. Existem duas versões principais deste protocolo,
é como se fosse um apelido, uma maneira mais fácil de o POP2 e o POP3, aos quais são atribuídas respectiva-
acessar um determinado site. mente as portas 109 e 110, funcionando com o auxílio de
Exemplo: http://www.novaconcursos.com.br, onde: comandos textuais radicalmente diferentes, na troca de
e-mails ele é o protocolo de entrada.
Faz a solicitação de um arquivo de - IMAP (Internet Message Access Protocol): É um
http:// protocolo alternativo ao protocolo POP3, que oferece
hiper mídia para a Internet.
muitas mais possibilidades, como, gerir vários acessos si-
Estipula que esse recurso está na multâneos e várias caixas de correio, além de poder criar
rede mundial de computadores mais critérios de triagem.
www
(veremos mais sobre www em um - SMTP (Simple Mail Transfer Protocol): É o protocolo
próximo tópico). padrão para envio de e-mails através da Internet. Faz a
É o endereço de domínio. Um validação de destinatários de mensagens. Ele que veri-
endereço de domínio representará fica se o endereço de e-mail do destinatário está corre-
novaconcursos tamente digitado, se é um endereço existente, se a caixa
sua empresa ou seu espaço na
Internet. de mensagens do destinatário está cheia ou se recebeu
sua mensagem, na troca de e-mails ele é o protocolo de
Indica que o servidor onde esse site
saída.
está - UDP (User Datagram Protocol): Protocolo que atua
.com
hospedado é de finalidades na camada de transporte dos protocolos (TCP/IP). Permi-
comerciais. te que a aplicação escreva um datagrama encapsulado
.br Indica queo servidor está no Brasil. num pacote IP e transportado ao destino. É muito co-
mum lermos que se trata de um protocolo não confiável,
Encontramos, ainda, variações na URL de um site, isso porque ele não é implementado com regras que ga-
que demonstram a finalidade e organização que o criou, rantam tratamento de erros ou entrega.
como:
.gov - Organização governamental 2. Provedor
.edu - Organização educacional
.org - Organização O provedor é uma empresa prestadora de serviços
.ind - Organização Industrial que oferece acesso à Internet. Para acessar a Internet, é
.net - Organização telecomunicações necessário conectar-se com um computador que já este-
.mil - Organização militar ja na Internet (no caso, o provedor) e esse computador
.pro - Organização de profissões deve permitir que seus usuários também tenham acesso
.eng – Organização de engenheiros a Internet.
E também, do país de origem: No Brasil, a maioria dos provedores está conectada
.it – Itália à Embratel, que por sua vez, está conectada com outros
.pt – Portugal computadores fora do Brasil. Esta conexão chama-se link,
.ar – Argentina que é a conexão física que interliga o provedor de aces-
.cl – Chile so com a Embratel. Neste caso, a Embratel é conhecida
.gr – Grécia como backbone, ou seja, é a “espinha dorsal” da Internet
no Brasil. Pode-se imaginar o backbone como se fosse
Quando vemos apenas a terminação .com, sabemos uma avenida de três pistas e os links como se fossem as
que se trata de um site hospedado em um servidor dos ruas que estão interligadas nesta avenida. Tanto o link
Estados Unidos. como o backbone possui uma velocidade de transmis-
- HTTPS (Hypertext transfer protocol secure): Se- são, ou seja, com qual velocidade ele transmite os dados.
melhante ao HTTP, porém permite que os dados sejam Esta velocidade é dada em bps (bits por segundo).
transmitidos através de uma conexão criptografada e Deve ser feito um contrato com o provedor de acesso,
que se verifique a autenticidade do servidor e do cliente que fornecerá um nome de usuário, uma senha de aces-
através de certificados digitais.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
53
Assim, não demorou muito a surgir um novo concei-
#FicaDica to, que tem interessado um número cada vez maior de
empresas, hospitais, faculdades e outras organizações
O endereço de Home Pages tem o seguinte interessadas em integrar informações e usuários: a intra-
formato: net. Seu advento e disseminação promete operar uma
http://www.endereço.com/página.html revolução tão profunda para a vida organizacional quan-
Por exemplo, a página principal do meu pro- to o aparecimento das primeiras redes locais de compu-
jeto de mestrado: tadores, no final da década de 80.
http://www.youtube.com/canaldoovidio
1. O que é Intranet?
4. Plug-ins O termo “intranet” começou a ser usado em meados
de 1995 por fornecedores de produtos de rede para se
Os plug-ins são programas que expandem a capaci- referirem ao uso dentro das empresas privadas de tecno-
dade do Browser em recursos específicos - permitindo, logias projetadas para a comunicação por computador
por exemplo, que você toque arquivos de som ou veja entre empresas. Em outras palavras, uma intranet consis-
filmes em vídeo dentro de uma Home Page. As empresas
te em uma rede privativa de computadores que se baseia
de software vêm desenvolvendo plug-ins a uma veloci-
nos padrões de comunicação de dados da Internet pú-
dade impressionante. Maiores informações e endereços
blica, baseadas na tecnologia usada na Internet (páginas
sobre plug-ins são encontradas na página:
HTML, e-mail, FTP, etc.) que vêm, atualmente fazendo
http://www.yahoo.com/Computers_and_Internet/
Software/ Internet/World_Wide_Web/Browsers/Plug_Ins/ muito sucesso. Entre as razões para este sucesso, estão
Indices/ o custo de implantação relativamente baixo e a facilida-
Atualmente existem vários tipos de plug-ins. Abaixo de de uso propiciada pelos programas de navegação na
temos uma relação de alguns deles: Web, os browsers.
- 3D e Animação (Arquivos VRML, MPEG, QuickTime,
etc.). 2. Objetivo de construir uma Intranet
- Áudio/Vídeo (Arquivos WAV, MID, AVI, etc.).
- Visualizadores de Imagens (Arquivos JPG, GIF, BMP, Organizações constroem uma intranet porque ela é
PCX, etc.). uma ferramenta ágil e competitiva. Poderosa o suficien-
- Negócios e Utilitários. te para economizar tempo, diminuir as desvantagens da
- Apresentações. distância e alavancar sobre o seu maior patrimônio de
capital com conhecimentos das operações e produtos da
INTRANET empresa.
54
tipo é uma tarefa complexa e exige a presença de pro- terei como retorno uma gama mista de resultados. Caso eu
fissionais especializados. Essa dificuldade aumenta com queira filtrar somente os casos em que ciências aparece, e
o tamanho da intranet, sua diversidade de funções e a também no estado de SP, realizo uma busca do tipo compu-
quantidade de informações nela armazenadas. tação + ciência SP.
5.3. “frase_chave”
4. A intranet é baseada em quatro conceitos:
Retorna uma busca em que existam as ocorrências
- Conectividade - A base de conexão dos computa- dos termos que estão entre aspas, na ordem e grafia
dores ligados por meio de uma rede, e que podem trans- exatas ao que foi inserido. Assim, se você realizar uma
ferir qualquer tipo de informação digital entre si; busca do tipo “como faser” – sim, com a escrita incorreta
- Heterogeneidade - Diferentes tipos de computa- da palavra FAZER, verá resultados em que a frase idêntica
dores e sistemas operacionais podem ser conectados de foi empregada.
forma transparente;
- Navegação - É possível passar de um documento a 5.4. palavras_chave_01 OR palavra_chave_02
outro por meio de referências ou vínculos de hipertexto,
que facilitam o acesso não linear aos documentos; Mostra resultado para pelo menos uma das palavras
- Execução Distribuída - Determinadas tarefas de chave citadas. Faça uma busca por facebook OR msn, por
acesso ou manipulação na intranet só podem ocorrer exemplo, e terá como resultado de sua busca, páginas
graças à execução de programas aplicativos, que podem relevantes sobre pelo menos um dos dois temas - nes-
estar no servidor, ou nos microcomputadores que aces- se caso, como as duas palavras chaves são populares, os
sam a rede (também chamados de clientes, daí surgiu à dois resultados são apresentados em posição de desta-
expressão que caracteriza a arquitetura da intranet: clien- que.
te-servidor).
- A vantagem da intranet é que esses programas são 5.5. filetype:tipo
ativados através da WWW, permitindo grande flexibili-
dade. Determinadas linguagens, como Java, assumiram Retorna as buscas em que o resultado tem o tipo de
grande importância no desenvolvimento de softwares extensão especificada. Por exemplo, em uma busca fi-
aplicativos que obedeçam aos três conceitos anteriores. letype:pdf jquery serão exibidos os conteúdos da palavra
chave jquery que tiverem como extensão .pdf. Os tipos
5. Mecanismos de Buscas de extensão podem ser: PDF, HTML ou HTM, XLS, PPT,
DOC.
Pesquisar por algo no Google e não ter como retorno
exatamente o que você queria pode trazer algumas ho- 5.6. palavra_chave_01 * palavra_chave_02
ras de trabalho a mais, não é mesmo? Por mais que os
algoritmos de busca sejam sempre revisados e busquem Retorna uma “busca combinada”, ou seja, sendo o *
de certa forma “adivinhar” o que se passa em sua cabeça, um indicador de “qualquer conteúdo”, retorna resultados
lançar mão de alguns artifícios para que sua busca seja em que os termos inicial e final aparecem, independente
otimizada poupará seu tempo e fará com que você tenha do que “esteja entre eles”. Realize uma busca do tipo fa-
acesso a resultados mais relevantes. cebook * msn e veja o resultado na prática.
Os mecanismos de buscas contam com operadores
para filtro de conteúdo. A maior parte desse filtros, no 6. Áudio e Vídeo
entanto, pode não interessar a você, caso não seja um
praticante de SEO. Contudo, alguns são realmente úteis A popularização da banda larga e dos serviços de
e estão listados abaixo. Realize uma busca simples e de- e-mail com grande capacidade de armazenamento está
pois aplique os filtros para poder ver o quanto os resul- aumentando a circulação de vídeos na Internet. O pro-
tados podem ser mais especializados em relação ao que blema é que a profusão de formatos de arquivos pode
você procura. tornar a experiência decepcionante.
A maioria deles depende de um único programa para
5.1. -palavra_chave rodar. Por exemplo, se a extensão é MOV, você vai neces-
sitar do QuickTime, da Apple. Outros, além de um player
Retorna uma busca excluindo aquelas em que a pa- de vídeo, necessitam do “codec” apropriado. Acrônimo
lavra chave aparece. Por exemplo, se eu fizer uma busca
de “COder/DECoder”, codec é uma espécie de comple-
por computação, provavelmente encontrarei na relação
mento que descomprime - e comprime - o arquivo. É o
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
55
Atualmente, devido à evolução da internet com os arquivos para, ou de computadores que se caracterizam
mais variados tipos de páginas pessoais e redes sociais, como servidores remotos. Voltaremos aqui ao conceito
há uma grande demanda por programas para trabalhar de arquivo texto (ASCII – código 7 bits) e arquivos não
com imagens. E, como sempre é esperado, em resposta a texto (Binários – código 8 bits). Há uma diferença interes-
isso, também há no mercado uma ampla gama de ferra- sante entre enviar uma mensagem de correio eletrônico
mentas existentes que fazem algum tipo de tratamento e realizar transferência de um arquivo. A mensagem é
ou conversão de imagens. sempre transferida como uma informação textual, en-
Porém, muitos destes programas não são o que se quanto a transferência de um arquivo pode ser caracteri-
pode chamar de simples e intuitivos, causando confusão zada como textual (ASCII) ou não-textual (binário).
em seu uso ou na manipulação dos recursos existentes. Um servidor FTP é um computador que roda um pro-
Caso o que você precise seja apenas um programa para grama que chamamos de servidor de FTP e, portanto, é
visualizar imagens e aplicar tratamentos e efeitos simples capaz de se comunicar com outro computador na Rede
ou montar apresentações de slides, é sempre bom dar que o esteja acessando através de um cliente FTP.
uma conferida em alguns aplicativos mais leves e com re- FTP anônimo versus FTP com autenticação existem
cursos mais enxutos como os visualizadores de imagens. dois tipos de conexão FTP, a primeira, e mais utilizada,
Abaixo, segue uma seleção de visualizadores, muitos é a conexão anônima, na qual não é preciso possuir um
deles trazendo os recursos mais simples, comuns e fáceis username ou password (senha) no servidor de FTP, bas-
de se utilizar dos editores, para você que não precisa de tando apenas identificar-se como anonymous (anônimo).
tantos recursos, mas ainda assim gosta de dar um trata-
Neste caso, o que acontece é que, em geral, a árvore de
mento especial para as suas mais variadas imagens.
diretório que se enxerga é uma sub-árvore da árvore do
O Picasa está com uma versão cheia de inovações que
sistema. Isto é muito importante, porque garante um
faz dele um aplicativo completo para visualização de fo-
nível de segurança adequado, evitando que estranhos
tos e imagens. Além disso, ele possui diversas ferramen-
tenham acesso a todas as informações da empresa.
tas úteis para editar, organizar e gerenciar arquivos de
Quando se estabelece uma conexão de “FTP anônimo”,
imagem do computador.
As ferramentas de edição possuem os métodos mais o que acontece em geral é que a conexão é posicionada
avançados para automatizar o processo de correção de no diretório raiz da árvore de diretórios. Dentre os mais
imagens. No caso de olhos vermelhos, por exemplo, o comuns estão: pub, etc, outgoing e incoming. O segundo
programa consegue identificar e corrigir todos os olhos tipo de conexão envolve uma autenticação, e portanto, é
vermelhos da foto automaticamente sem precisar sele- indispensável que o usuário possua um username e uma
cionar um por um. Além disso, é possível cortar, endirei- password que sejam reconhecidas pelo sistema, quer di-
tar, adicionar textos, inserir efeitos, e muito mais. zer, ter uma conta nesse servidor. Neste caso, ao esta-
Um dos grandes destaques do Picasa é sua poderosa belecer uma conexão, o posicionamento é no diretório
biblioteca de imagens. Ele possui um sistema inteligen- criado para a conta do usuário – diretório home, e dali
te de armazenamento capaz de filtrar imagens que con- ele poderá percorrer toda a árvore do sistema, mas só
tenham apenas rostos. Assim você consegue visualizar escrever e ler arquivos nos quais ele possua.
apenas as fotos que contém pessoas. Assim como muitas aplicações largamente utilizadas
Depois de tudo organizado em seu computador, você hoje em dia, o FTP também teve a sua origem no sistema
pode escolher diversas opções para salvar e/ou compar- operacional UNIX, que foi o grande percursor e respon-
tilhar suas fotos e imagens com amigos e parentes. Isso sável pelo sucesso e desenvolvimento da Internet.
pode ser feito gravando um CD/DVD ou enviando via
Web. O programa possui integração com o PicasaWeb, o 8. Algumas dicas
qual possibilita enviar um álbum inteiro pela internet em
poucos segundos. 1. Muitos sites que aceitam FTP anônimo limitam o
O IrfanView é um visualizador de imagem muito leve número de conexões simultâneas para evitar uma sobre-
e com uma interface gráfica simples porém otimizada e carga na máquina. Uma outra limitação possível é a faixa
fácil de utilizar, mesmo para quem não tem familiaridade de horário de acesso, que muitas vezes é considerada
com este tipo de programa. Ele também dispõe de al- nobre em horário comercial, e portanto, o FTP anônimo
guns recursos simples de editor. Com ele é possível fazer é temporariamente desativado.
operações como copiar e deletar imagens até o efeito 2. Uma saída para a situação acima é procurar “sites
de remoção de olhos vermelhos em fotos. O programa espelhos” que tenham o mesmo conteúdo do site sendo
oferece alternativas para aplicar efeitos como texturas e acessado.
alteração de cores em sua imagem por meio de apenas 3. Antes de realizar a transferência de qualquer arqui-
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
56
9. Grupos de Discussão e Redes Sociais 10. Vantagens e Desvantagens
São espaços de convivências virtuais em que grupos Existem várias vantagens em fazer parte de redes
de pessoas ou empresas se relacionam por meio do en- sociais e é principalmente por isso que elas tiveram um
vio de mensagens, do compartilhamento de conteúdo, crescimento tão significativo ao longo dos anos.
entre outras ações. Isso porque as redes sociais podem aproximar as pes-
As redes sociais tiveram grande avanço devido a evo- soas. Afinal, elas são uma maneira fácil de manter as re-
lução da internet, cujo boom aconteceu no início do mi- lações e o contato com quem está distante, propiciando,
lênio. Vejamos como esse percurso aconteceu: assim, a possibilidade de interagir em tempo real.
Em 1994 foi lançado o GeoCities, a primeira comuni- As redes também facilitam a relação com quem está
dade que se assemelha a uma rede social. O GeoCities mais perto. Em decorrência da rotina corrida do dia a dia,
que, no entanto, não existe mais, orientava as pessoas nem sempre há tempo para que as pessoas se encon-
para que elas próprias criassem suas páginas na internet. trem fisicamente.
Em 1995 surge o The Globe, que dava aos internautas Além disso, as redes sociais oferecem uma forma rá-
a oportunidade de interagir com um grupo de pessoas. pida e eficaz de comunicar algo para um grande número
No mesmo ano, também surge uma plataforma que de pessoas ao mesmo tempo.
permite a interação com antigos colegas da escola, o Podemos citar como exemplo o fato de poder avisar
Classmates. um acontecimento, a preparação de uma manifestação
ou a mobilização de um grupo para um protesto.
Já nos anos 2000, surge o Fotolog, uma plataforma
No entanto, em decorrência de alguns perigos, as re-
que, desta vez, tinha como foco a publicação de foto-
des sociais apresentam as suas desvantagens. Uma delas
grafias.
é a falta de privacidade.
Em 2002 surge o que é considerada a primeira verda-
Por esse motivo, o uso das redes sociais tem sido
deira rede social, o Friendster.
cada vez mais discutido, inclusive pela polícia, que alerta
No ano seguinte, é lançado o LinkedIn, a maior rede
para algumas precauções.
social de caráter profissional do mundo.
E em 2004, junto com a maior de todas as redes, o
Facebook, surgem o Orkut e o Flickr. #FicaDica
Há vários tipos de redes sociais. A grande diferença
entre elas é o seu objetivo, os quais podem ser: Por ser algo muito atual, tem caído muitas ques-
• Estabelecimento de contatos pessoais (relações de tões de redes sociais nos concursos atualmente.
amizade ou namoro).
• Networking: partilha e busca de conhecimentos
profissionais e procura emprego ou preenchimento de
vagas. EXERCÍCIOS COMENTADOS
• Partilha e busca de imagens e vídeos.
• Partilha e busca de informações sobre temas va-
riados. 1. (ESCRIVÃO DE POLÍCIA – CESPE – 2013) Se uma
• Divulgação para compra e venda de produtos e impressora estiver compartilhada em uma intranet por
serviços. meio de um endereço IP, então, para se imprimir um ar-
• Jogos, entre outros. quivo nessa impressora, é necessário, por uma questão
de padronização dessa tecnologia de impressão, indicar
no navegador web a seguinte url:
Há dezenas de redes sociais. Dentre as mais conheci-
, em
das, destacamos:
que deve estar acessível via rede e
• Facebook: interação e expansão de contatos.
• Youtube: partilha de vídeos.
deve ser do tipo PDF.
• Whatsapp: envio de mensagens instantâneas e
chamadas de voz.
• Instagram: partilha de fotos e vídeos. ( ) CERTO ( ) ERRADO
• Twitter: partilha de pequenas publicações, as quais
são conhecidas como “tweets”. Resposta: Errado. Pelo comando da questão, esta afir-
• Pinterest: partilha de ideias de temas variados. ma que somente arquivos no formato PDF, poderiam
• Skype: telechamada. ser impressos, o que torna o item errado, o comando
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
• LinkedIn: interação e expansão de contatos pro- para impressão não verifica o formato do arquivo, tão
fissionais. somente o local onde está o arquivo a ser impresso.
• Badoo: relacionamentos amorosos.
• Snapchat: envio de mensagens instantâneas. 2. (ESCRIVÃO DE POLÍCIA – CESPE – 2013) Se, em
• Messenger: envio de mensagens instantâneas. uma intranet, for disponibilizado um portal de informa-
• Flickr: partilha de imagens. ções acessível por meio de um navegador, será possível
• Google+: partilha de conteúdos. acessar esse portal fazendo-se uso dos protocolos HTTP
• Tumblr: partilha de pequenas publicações, seme- ou HTTPS, ou de ambos, dependendo de como esteja
lhante ao Twitter. configurado o servidor do portal.
57
Resposta: Certo. E muitas redes LAN o servidor pro-
xy e o firewall estão no mesmo servidor físico/virtual,
porém isso não é uma regra, ou seja, os dois serviços
podem aparecer eventualmente em servidores físicos/
virtuais separados. Para que uma estação de usuário
(que utiliza proxy na porta 80) possa “sair” da rede
LAN para o mundo exterior “WAN” é necessário que
o firewall permita conexões de saída na mesma porta
em que o proxy está respondendo, ou seja, a porta 80.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Com base na figura acima, que ilustra as configurações Resposta: Errado. Somente é solicitado a autentica-
da rede local do navegador Internet Explorer (IE), versão ção se o servidor assim estiver configurado, do con-
9, julgue os próximos itens. trário nenhuma senha é solicitada, além de que foi de-
finido para a rede Interna e não para acesso à Internet.
( ) CERTO ( ) ERRADO
5. (PERITO CRIMINAL – CESPE – 2013) Considere
Resposta: Certo. HTTP (Hyper Text Transfer Protocol) que um usuário necessite utilizar diferentes dispositivos
é um protocolo, ou seja, uma determinada regra que computacionais, permanentemente conectados à Inter-
permite ao seu computador trocar informações com net, que utilizem diferentes clientes de e-mail, como o
um servidor que abriga um site. Isso significa que, uma Outlook Express e Mozilla Thunderbird. Nessa situação, o
vez conectados sob esse protocolo, as máquinas po- usuário deverá optar pelo uso do protocolo IMAP (Inter-
dem receber e enviar qualquer conteúdo textual – os net message access protocol), em detrimento do POP3
códigos que resultam na página acessada pelo nave- (post office protocol), pois isso permitirá a ele manter o
gador. conjunto de e-mails no servidor remoto ou, alternativa-
O problema com o HTTP é que, em redes Wi-Fi ou mente, fazer o download das mensagens para o compu-
outras conexões propícias a phishing (fraude eletrô- tador em uso.
nica) e hackers, pessoas mal-intencionadas podem
atravessar o caminho e interceptar os dados transmiti- ( ) CERTO ( ) ERRADO
dos com relativa facilidade. Portanto, uma conexão em
HTTP é insegura. Resposta: Certo. Em clientes de correios eletrônicos o
Nesse ponto entra o HTTPS (Hyper Text Transfer Pro- padrão é utilizar o Protocolo POP ou POP3 que tem a
tocol Secure), que insere uma camada de proteção na função de baixar as mensagens do servidor de e-mail
transmissão de dados entre seu computador e o ser- para o computador que o programa foi configurado.
vidor. Em sites com endereço HTTPS, a comunicação Quando o POP é substituído pelo IMAP, essas men-
é criptografada, aumentando significativamente a se- sagens são baixadas para o computador do usuário
gurança dos dados. É como se cliente e servidor con- só que apenas uma cópia delas, deixando no servidor
versassem uma língua que só as duas entendessem, as mensagens originais; quando o acesso é feito por
dificultando a interceptação das informações. outro computador essas mensagens que estão no ser-
Para saber se está navegando em um site com crip- vidor são baixadas para este outro computador, dei-
tografia, basta verificar a barra de endereços, na qual xando sempre a original no servidor.
será possível identificar as letras HTTPS e, geralmente,
um símbolo de cadeado que denota segurança. Além 6. (PAPILOSCOPISTA – CESPE – 2012) Twitter, Orkut,
disso, o usuário deverá ver uma bandeira com o nome Google+ e Facebook são exemplos de redes sociais que
do site, já que a conexão segura também identifica pá- utilizam o recurso scraps para propiciar o compartilha-
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
ginas na Internet por meio de seu certificado. mento de arquivos entre seus usuários
58
7. (AGENTE ADMINISTRATIVO – CESPE – 2014) Nas Resposta: Certo. No navegador Internet Explorer 11, a
versões recentes do Mozilla Firefox, há um recurso que seguinte sequência de ação pode ser usada para fazer
mantém o histórico de atualizações instaladas, no qual o bloqueio de cookies: Clicar no botão Ferramentas,
são mostrados detalhes como a data da instalação e o depois em Opções da Internet, ativar guia Privacidade
usuário que executou a operação. e, em Configurações, mover o controle deslizante até
em cima para bloquear todos os cookies e, em segui-
( ) CERTO ( ) ERRADO da, clicar em OK.
Reposta: Errado. Esse recurso existe nas últimas ver- 11. (DELEGADO DE POLÍCIA – CESPE – 2004) Caso o
sões do Firefox, contudo o histórico não contém o acesso à Internet descrito tenha sido realizado mediante
usuário que executou a operação. Este recurso está um provedor de Internet acessível por meio de uma co-
disponível no menu Firefox – Opções – Avançado – nexão a uma rede LAN, à qual estava conectado o com-
Atualizações – Histórico de atualizações. putador do delegado, é correto concluir que as informa-
ções obtidas pelo delegado transitaram na LAN de modo
8. (AGENTE ADMINISTRATIVO – CESPE – 2014) No criptografado.
Internet Explorer 10, por meio da opção Sites Sugeridos,
o usuário pode registrar os sítios que considera mais im- ( ) CERTO ( ) ERRADO
portantes e recomendá-los aos seus amigos.
Resposta: Errado. Pela barra de endereço se verifica
( ) CERTO ( ) ERRADO que o protocolo utilizado é o HTTP; dessa forma se
Resposta: Errado. O recurso Sites Sugeridos é um ser- conclui que não há uma criptografia, se fosse o proto-
viço online que o Internet Explorer usa para recomen- colo HTTPS, poderia se aferir que haveria algum tipo
dar sítios de que o usuário possa gostar, com base nos de criptografia do tipo SSL.
sítios visitados com frequência. Para acessá-lo, basta
clicar o menu Ferramentas-Arquivo- Sites Sugeridos.
12. (DELEGADO DE POLÍCIA – CESPE – 2004) Por
meio do botão , o delegado poderá obter, desde que
Considere que um delegado de polícia federal, em uma
disponíveis, informações a respeito das páginas previa-
sessão de uso do Internet Explorer 6 (IE6), obteve a janela
mente acessadas na sessão de uso do IE6 descrita e de
ilustrada acima, que mostra uma página web do sítio do
outras sessões de uso desse aplicativo, em seu computa-
DPF, cujo endereço eletrônico está indicado no campo
dor. Outro recurso disponibilizado ao se clicar nesse bo-
. A partir dessas informações, julgue os itens de
09 a 12. tão permite ao delegado realizar pesquisa de conteúdo
nas páginas contidas no diretório histórico do IE6.
9. (DELEGADO DE POLÍCIA – CESPE – 2004) O con-
teúdo da página acessada pelo delegado, por conter da- ( ) CERTO ( ) ERRADO
dos importantes à ação do DPF, é constantemente atua-
lizado por seu webmaster. Após o acesso mencionado Resposta: Certo. É possível através do botão descrito,
acima, o delegado desejou verificar se houve alteração o botão de histórico, que se encontre informações das
desse conteúdo. páginas acessadas anteriormente, e também permite
Nessa situação, ao clicar no botão , o delegado terá que se pesquise a respeito de conteúdos nas páginas
condições de verificar se houve ou não a alteração men- contidas no diretório do IE6.
cionada, independentemente da configuração do IE6,
mas desde que haja recursos técnicos e que o IE6 esteja
em modo online. SEGURANÇA NA INTERNET; VÍRUS DE
COMPUTADORES; SPYWARE; MALWARE;
( ) CERTO ( ) ERRADO PHISHING E SPAM.
59
Neste sentido, um firewall pode impedir uma série de A imagem a seguir ajuda na compreensão do concei-
ações maliciosas: um malware que utiliza determinada to. Perceba que em vez de a rede interna se comunicar
porta para se instalar em um computador sem o usuário diretamente com a internet, há um equipamento entre
saber, um programa que envia dados sigilosos para a in- ambos que cria duas conexões: entre a rede e o proxy; e
ternet, uma tentativa de acesso à rede a partir de compu- entre o proxy e a internet. Observe:
tadores externos não autorizados, entre outros.
Você já sabe que um firewall atua como uma espécie
de barreira que verifica quais dados podem passar ou
não. Esta tarefa só pode ser feita mediante o estabele-
cimento de políticas, isto é, de regras estabelecidas pelo
usuário.
Em um modo mais restritivo, um firewall pode ser
configurado para bloquear todo e qualquer tráfego no
computador ou na rede. O problema é que esta condi-
ção isola este computador ou esta rede, então pode-se
criar uma regra para que, por exemplo, todo aplicativo
aguarde autorização do usuário ou administrador para
ter seu acesso liberado. Esta autorização poderá inclusive
ser permanente: uma vez dada, os acessos seguintes se-
rão automaticamente permitidos.
Em um modo mais versátil, um firewall pode ser con-
figurado para permitir automaticamente o tráfego de de- Figura 91: Proxy
terminados tipos de dados, como requisições HTTP (veja
mais sobre esse protocolo no ítem 7), e bloquear outras, Perceba que todo o fluxo de dados necessita passar
como conexões a serviços de e-mail. pelo proxy. Desta forma, é possível, por exemplo, esta-
Perceba, como estes exemplos, tem políticas de um belecer regras que impeçam o acesso de determinados
firewall que são baseadas, inicialmente, em dois princí- endereços externos, assim como que proíbam a comu-
pios: todo tráfego é bloqueado, exceto o que está expli- nicação entre computadores internos e determinados
citamente autorizado; todo tráfego é permitido, exceto o
que está explicitamente bloqueado. serviços remotos.
Firewalls mais avançados podem ir além, direcionan- Este controle amplo também possibilita o uso do pro-
do determinado tipo de tráfego para sistemas de segu- xy para tarefas complementares: o equipamento pode
rança internos mais específicos ou oferecendo um refor- registrar o tráfego de dados em um arquivo de log; con-
ço extraem procedimentos de autenticação de usuários, teúdo muito utilizado pode ser guardado em uma espé-
por exemplo. cie de cache (uma página Web muito acessada fica guar-
O trabalho de um firewall pode ser realizado de várias dada temporariamente no proxy, fazendo com que não
formas. O que define uma metodologia ou outra são fa- seja necessário requisitá-la no endereço original a todo
tores como critérios do desenvolvedor, necessidades es- instante, por exemplo); determinados recursos podem
pecíficas do que será protegido, características do siste-
ser liberados apenas mediante autenticação do usuário;
ma operacional que o mantém, estrutura da rede e assim
por diante. É por isso que podemos encontrar mais de entre outros.
um tipo de firewall. A seguir, os mais conhecidos. A implementação de um proxy não é tarefa fácil, haja
Filtragem de pacotes (packetfiltering): As primeiras visto a enorme quantidade de serviços e protocolos exis-
soluções de firewall surgiram na década de 1980 basean- tentes na internet, fazendo com que, dependendo das
do-se em filtragem de pacotes de dados (packetfiltering), circunstâncias, este tipo de firewall não consiga ou exija
uma metodologia mais simples e, por isso, mais limitada, muito trabalho de configuração para bloquear ou autori-
embora ofereça um nível de segurança significativo. zar determinados acessos.
Para compreender, é importante saber que cada pa- Proxy transparente: No que diz respeito a limitações,
cote possui um cabeçalho com diversas informações a é conveniente mencionar uma solução chamada de pro-
seu respeito, como endereço IP de origem, endereço IP
xy transparente. O proxy “tradicional”, não raramente,
do destino, tipo de serviço, tamanho, entre outros. O Fi-
rewall então analisa estas informações de acordo com as exige que determinadas configurações sejam feitas nas
regras estabelecidas para liberar ou não o pacote (seja ferramentas que utilizam a rede (por exemplo, um na-
para sair ou para entrar na máquina/rede), podendo tam- vegador de internet) para que a comunicação aconteça
bém executar alguma tarefa relacionada, como registrar sem erros. O problema é, dependendo da aplicação, este
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
o acesso (ou tentativa de) em um arquivo de log. trabalho de ajuste pode ser inviável ou custoso.
O firewall de aplicação, também conhecido como O proxy transparente surge como uma alternativa
proxy de serviços (proxy services) ou apenas proxy é uma para estes casos porque as máquinas que fazem parte
solução de segurança que atua como intermediário entre da rede não precisam saber de sua existência, dispensan-
um computador ou uma rede interna e outra rede, exter-
do qualquer configuração específica. Todo acesso é feito
na normalmente, a internet. Geralmente instalados em
servidores potentes por precisarem lidar com um grande normalmente do cliente para a rede externa e vice-ver-
número de solicitações, firewalls deste tipo são opções sa, mas o proxy transparente consegue interceptá-lo e
interessantes de segurança porque não permitem a co- responder adequadamente, como se a comunicação, de
municação direta entre origem e destino. fato, fosse direta.
60
É válido ressaltar que o proxy transparente também Os vírus, worms, Trojans, spyware são tipos de pro-
tem lá suas desvantagens, por exemplo: um proxy «nor- gramas de software que são implementados sem o con-
mal» é capaz de barrar uma atividade maliciosa, como sentimento (e inclusive conhecimento) do usuário ou
um malware enviando dados de uma máquina para a proprietário de um computador e que cumprem diver-
internet; o proxy transparente, por sua vez, pode não sas funções nocivas para o sistema. Entre elas, o roubo e
bloquear este tráfego. Não é difícil entender: para con- perda de dados, alteração de funcionamento, interrup-
seguir se comunicar externamente, o malware teria que ção do sistema e propagação para outros computadores.
ser configurado para usar o proxy «normal» e isso geral- Os antivírus são aplicações de software projetadas
mente não acontece; no proxy transparente não há esta como medida de proteção e segurança para resguardar
limitação, portanto, o acesso aconteceria normalmente. os dados e o funcionamento de sistemas informáticos
caseiros e empresariais de outras aplicações conhecidas
1. Limitações dos firewalls comumente como vírus ou malware que tem a função de
alterar, perturbar ou destruir o correto desempenho dos
computadores.
#FicaDica Um programa de proteção de vírus tem um funcio-
Firewalls têm lá suas limitações, sendo que namento comum que com frequência compara o código
de cada arquivo que revisa com uma base de dados de
estas variam conforme o tipo de solução e
códigos de vírus já conhecidos e, desta maneira, pode
a arquitetura utilizada. De fato, firewalls são
determinar se trata de um elemento prejudicial para o
recursos de segurança bastante importantes,
sistema. Também pode reconhecer um comportamento
mas não são perfeitos em todos os sentidos.
ou padrão de conduta típica de um vírus. Os antivírus
podem registrar tanto os arquivos encontrados dentro
do sistema como aqueles que procuram ingressar ou in-
Seguem abaixo algumas dessas limitações: teragir com o mesmo.
- Um firewall pode oferecer a segurança desejada, Como novos vírus são criados de maneira quase
mas comprometer o desempenho da rede (ou constante, sempre é preciso manter atualizado o pro-
mesmo de um computador). Esta situação pode grama antivírus de maneira de que possa reconhecer as
gerar mais gastos para uma ampliação de infraes- novas versões maliciosas. Assim, o antivírus pode perma-
trutura capaz de superar o problema; necer em execução durante todo tempo que o sistema
- A verificação de políticas tem que ser revista pe- informático permaneça ligado, ou registrar um arquivo
riodicamente para não prejudicar o funcionamento ou série de arquivos cada vez que o usuário exija. Nor-
de novos serviços; malmente, o antivírus também pode verificar e-mails e
- Novos serviços ou protocolos podem não ser devi- sites de entrada e saída visitados.
damente tratados por proxies já implementados; Um antivírus pode ser complementado por outros
- Um firewall pode não ser capaz de impedir uma aplicativos de segurança, como firewalls ou anti-spywa-
atividade maliciosa que se origina e se destina à res que cumprem funções auxiliares para evitar a entrada
rede interna; de vírus.
- Um firewall pode não ser capaz de identificar uma Então, antivírus são os programas criados para man-
atividade maliciosa que acontece por descuido do ter seu computador seguro, protegendo-o de programas
usuário - quando este acessa um site falso de um maliciosos, com o intuito de estragar, deletar ou roubar
banco ao clicar em um link de uma mensagem de dados de seu computador.
e-mail, por exemplo; Ao pesquisar sobre antivírus para baixar, sempre es-
- Firewalls precisam ser “vigiados”. Malwares ou ata- colha os mais famosos, ou conhecidos, pois hackers es-
cantes experientes podem tentar descobrir ou ex- tão usando este mercado para enganar pessoas com fal-
plorar brechas de segurança em soluções do tipo; sos softwares, assim, você instala um “antivírus” e deixa
- Um firewall não pode interceptar uma conexão seu computador vulnerável aos ataques.
que não passa por ele. Se, por exemplo, um usuá- E esses falsos softwares estão por toda parte, cuidado
rio acessar a internet em seu computador a partir ao baixar programas de segurança em sites desconheci-
de uma conexão 3G (justamente para burlar as res- dos, e divulgue, para que ninguém seja vítima por falta
trições da rede, talvez), o firewall não conseguirá de informação.
interferir. Os vírus que se anexam a arquivos infectam também
todos os arquivos que estão sendo ou e serão execu-
2. Sistema antivírus tados. Alguns às vezes recontaminam o mesmo arquivo
tantas vezes e ele fica tão grande que passa a ocupar um
Qualquer usuário já foi, ou ainda é vítima dos vírus,
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
61
Existe uma variedade enorme de softwares antivírus conectar-se à Internet, poderá ter todas as informações
no mercado. Independente de qual você usa, mantenha- contidas no HD visualizadas e capturadas por um intru-
-o sempre atualizado. Isso porque surgem vírus novos so qualquer. Estas visitas são feitas imperceptivelmen-
todos os dias e seu antivírus precisa saber da existência te. Só quem já esteve dentro de um computador alheio
deles para proteger seu sistema operacional. sabe as possibilidades oferecidas.
A maioria dos softwares antivírus possuem serviços Worms (vermes) podem ser interpretados como um
de atualização automática. Abaixo há uma lista com os tipo de vírus mais inteligente que os demais. A princi-
antivírus mais conhecidos: pal diferença entre eles está na forma de propagação:
Norton AntiVirus - Symantec - www.symantec.com.br os worms podem se propagar rapidamente para outros
- Possui versão de teste. computadores, seja pela Internet, seja por meio de uma
McAfee - McAfee - http://www.mcafee.com.br - Pos- rede local. Geralmente, a contaminação ocorre de ma-
sui versão de teste. neira discreta e o usuário só nota o problema quando o
AVG - Grisoft - www.grisoft.com - Possui versão paga computador apresenta alguma anormalidade. O que faz
e outra gratuita para uso não comercial (com menos fun- destes vírus inteligentes é a gama de possibilidades de
cionalidades). propagação. O worm pode capturar endereços de e-mail
Panda Antivírus - Panda Software - www.pandasoft- em arquivos do usuário, usar serviços de SMTP (sistema
ware.com.br - Possui versão de teste. de envio de e-mails) próprios ou qualquer outro meio
É importante frisar que a maioria destes desenvolve- que permita a contaminação de computadores (normal-
dores possuem ferramentas gratuitas destinadas a re-
mente milhares) em pouco tempo.
mover vírus específicos. Geralmente, tais softwares são
criados para combater vírus perigosos ou com alto grau
Spywares, keyloggers e hijackers: Apesar de não
de propagação.
serem necessariamente vírus, estes três nomes também
representam perigo. Spywares são programas que ficam
«espionando» as atividades dos internautas ou capturam
informações sobre eles. Para contaminar um computa-
dor, os spywares podem vir embutidos em softwares
desconhecidos ou serem baixados automaticamente
quando o internauta visita sites de conteúdo duvidoso.
Os keyloggers são pequenos aplicativos que podem
vir embutidos em vírus, spywares ou softwares suspeitos,
destinados a capturar tudo o que é digitado no teclado.
O objetivo principal, nestes casos, é capturar senhas.
Hijackers são programas ou scripts que «sequestram»
navegadores de Internet, principalmente o Internet Ex-
plorer. Quando isso ocorre, o hijacker altera a página ini-
Figura 92: Principais antivírus do mercado atual
cial do browser e impede o usuário de mudá-la, exibe
propagandas em pop-ups ou janelas novas, instala bar-
2. Tipos de Vírus
ras de ferramentas no navegador e podem impedir aces-
Cavalo-de-Tróia: A denominação “Cavalo de Tróia” so a determinados sites (como sites de software antivírus,
(Trojan Horse) foi atribuída aos programas que permi- por exemplo).
tem a invasão de um computador alheio com espanto- Os spywares e os keyloggers podem ser identifica-
sa facilidade. Nesse caso, o termo é análogo ao famoso dos por programas anti-spywares. Porém, algumas des-
artefato militar fabricado pelos gregos espartanos. Um tas pragas são tão perigosas que alguns antivírus podem
“amigo” virtual presenteia o outro com um “presente de ser preparados para identificá-las, como se fossem vírus.
grego”, que seria um aplicativo qualquer. Quando o leigo No caso de hijackers, muitas vezes é necessário usar uma
o executa, o programa atua de forma diferente do que ferramenta desenvolvida especialmente para combater
era esperado. aquela praga. Isso porque os hijackers podem se infiltrar
Ao contrário do que é erroneamente informado na no sistema operacional de uma forma que nem antivírus
mídia, que classifica o Cavalo de Tróia como um vírus, nem anti-spywares conseguem “pegar”.
ele não se reproduz e não tem nenhuma comparação
com vírus de computador, sendo que seu objetivo é to- Hoaxes: São boatos espalhados por mensagens de
talmente diverso. Deve-se levar em consideração, tam- correio eletrônico, que servem para assustar o usuário de
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
bém, que a maioria dos antivírus faz a sua detecção e computador. Uma mensagem no e-mail alerta para um
os classificam como tal. A expressão “Trojan” deve ser novo vírus totalmente destrutivo que está circulando na
usada, exclusivamente, como definição para programas rede e que infectará o micro do destinatário enquanto a
que capturam dados sem o conhecimento do usuário. mensagem estiver sendo lida ou quando o usuário clicar
O Cavalo de Tróia é um programa que se aloca como em determinada tecla ou link. Quem cria a mensagem
um arquivo no computador da vítima. Ele tem o intuito hoax normalmente costuma dizer que a informação par-
de roubar informações como passwords, logins e quais- tiu de uma empresa confiável, como IBM e Microsoft, e
quer dados, sigilosos ou não, mantidos no micro da ví- que tal vírus poderá danificar a máquina do usuário. Des-
tima. Quando a máquina contaminada por um Trojan considere a mensagem.
62
3. Política de segurança da Informação A integridade é a garantia da exatidão e completeza
da informação e dos métodos de processamento (NBR
Hoje as informações são bens ativos da empresa, ISO/IEC 27002:2005) quando a informação é alterada,
imagine uma Universidade perdendo todos os dados falsificada ou furtada, ocorre à quebra da integridade. A
dos seus alunos, ou até mesmo o tornar públicos, com integridade é garantida quando se mantém a informação
isso pode-se dizer que a informação se tornou o ativo no seu formato original.
mais valioso das organizações, podendo ser alvo de uma A disponibilidade é a garantia de que os usuários
série de ameaças com a finalidade de explorar as vulne- autorizados obtenham acesso à informação e aos ati-
rabilidades e causar prejuízos consideráveis. A informa- vos correspondentes sempre que necessário (NBR ISO/
ção é encarada, atualmente, como um dos recursos mais IEC 27002:2005). Quando a informação está indisponível
importantes de uma organização, contribuindo decisiva- para o acesso, ou seja, quando os servidores estão inope-
mente para a uma maior ou menor competitividade, por rantes por conta de ataques e invasões, considera-se um
incidente de segurança da informação por quebra de
isso é necessária a implementação de políticas de segu-
disponibilidade. Mesmo as interrupções involuntárias de
rança da informação que busquem reduzir as chances de
sistemas, ou seja, não intencionais, configuram quebra
fraudes ou perda de informações.
de disponibilidade.
A Política de Segurança da Informação é um docu-
mento que contém um conjunto de normas, métodos e
procedimentos, que obrigatoriamente precisam ser co- TRANSFERÊNCIA DE ARQUIVOS PELA
municados a todos os funcionários, bem como analisado
INTERNET.
e revisado criticamente, em intervalos regulares ou quan-
do mudanças se fizerem necessárias. PREZADO CANDIDATO, ESTE MATERIAL JÁ FOI
Para se elaborar uma Política de Segurança da Infor- ABORDADO ANTERIORMENTE.
mação, deve se levar em consideração a NBR ISO/IEC
27001:2005, que é uma norma de códigos de práticas
para a gestão de segurança da informação, na qual po-
dem ser encontradas as melhores práticas para iniciar,
implementar, manter e melhorar a gestão de segurança
da informação em uma organização.
Importante mencionar que conforme a ISO/IEC
27002:2005(2005), a informação é um conjunto de dados
que representa um ponto de vista, um dado processado
é o que gera uma informação. Um dado não tem valor
antes de ser processado, a partir do seu processamento,
ele passa a ser considerado uma informação, que pode
gerar conhecimento, logo, a informação é o conheci-
mento produzido como resultado do processamento de
dados.
De fato, com o aumento da concorrência de mercado,
tornou-se vital melhorar a capacidade de decisão em to-
dos os níveis. Como resultado deste significante aumen-
to da interconectividade, a informação está agora expos-
ta a um crescente número e a uma grande variedade de
ameaças e vulnerabilidades.
Segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17799:2005 (2005, p.ix),
“segurança da informação é a proteção da informação de
vários tipos de ameaças para garantir a continuidade do
negócio, minimizar o risco ao negócio, maximizar o re-
torno sobre os investimentos e as oportunidades de ne-
gócio, para isso é muito importante a confidencialidade,
integridade e a disponibilidade, onde:
A confidencialidade é a garantia de que a informa-
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
63
c) Intranet é o nome dado à maior rede de computadores
do mundo.
HORA DE PRATICAR! d) Intranet é uma rede privada, interna a uma instituição.
e) Internet é uma rede privada, interna, que pode ser
1.(Informática Básica / Microinformática - Sistemas acessada por todos.
Operacionais - Fundação para o Vestibular da Univer-
sidade Estadual Paulista (VUNESP) - 2018). A estrutura 5. (Informática Básica / Microinformática - Sistemas
de diretórios em árvore é utilizada em diversos sistemas Operacionais - Fundação para o Vestibular da Univer-
operacionais. Uma das características dessa estrutura é:
sidade Estadual Paulista (VUNESP) - 2018) Uma das
a) cada usuário pode criar vários níveis de diretórios (ou diferenças entre a Internet e a Intranet é que na Intranet
subdiretórios), sendo que cada um pode conter arqui-
vos e subdiretórios. a) o acesso é restrito a um certo público que se utiliza de
b) cada usuário possui o seu diretório exclusivo, no qual nome de usuário e senha para o acesso.
todos os seus arquivos são armazenados, e não tem b) o acesso é realizado apenas pelos computadores loca-
acesso e nem conhecimento de outros diretórios. lizados no mesmo local físico do servidor de Intranet.
c) não permite que arquivos com o mesmo nome sejam c) a transmissão da informação entre o servidor e o nave-
criados, mesmo que estejam armazenados em diretó- gador é sempre monitorada para prevenir o vazamen-
rios diferentes. to de informação.
d) o caminho absoluto para um arquivo é quando ele é d) os conteúdos das páginas não podem incluir mídias
referenciado a partir do diretório corrente. como vídeo e música, pois se tratam de sites corpo-
e) um arquivo é especificado por meio de um caminho rativos.
relativo, que descreve todos os diretórios percorridos e) é disponibilizada apenas a troca de informações por
a partir da raiz até o diretório no qual o arquivo se meio do e-mail corporativo.
encontra.
a) Portal Internet.
b) Servidor.
c) Web server.
d) Cliente Internet.
e) Provedor.
a) Transferência Secundária.
b) Download.
c) E-mail.
d) Upload.
e)Transferência Primária.
NOÇÕES DE INFORMÁTICA
64
ANOTAÇÕES
GABARITO
1 A ________________________________________________
2 E _________________________________________________
3 D
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4 D
5 A _________________________________________________
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_________________________________________________
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ANOTAÇÕES
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