ANP
P
-
Acordo de não persecução penal
Este nada mais é do que uma possibilidade de alternativa de punição
● FORMAS DE ALTERNATIVA DE PUNIÇÃO:
1. SURSIS:
Comentário do professor: Se o réu foi condenado a uma pena não superior a 2 anos, poderá converter
aquela condenação em uma suspensão da pena.
É um direito que o réu possui, de suspender a sua pena pelo prazo de 2 a 4 anos.
PREVISÃO LEGAL: (CÓDIGO PENAL)
Requisitos da suspensão da pena
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa,
por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código ( penas restritivas de
direito).
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício. (
§ 2º A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa,
por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde
justifiquem a suspensão.
É O ÚNICO DESSES BENEFÍCIOS QUE CABE NA LEI MARIA DA PENHA.
Ao invés de cumprir a pena, o réu irá, por exemplo, fazer atividade comunitária; não vai poder sair da
comarca; não pode frequentar lugares de festa em determinados horários.
2. TRANSAÇÃO PENAL:
Comentário do professor: Nos crimes de menor potencial ofensivo, o promotor pode, no lugar de
ofertar a denúncia, oferecer essa suspensão do processo.
E o indivíduo passará 1 ano/2 anos cumprindo algumas limitações na liberdade.
PREVISÃO LEGAL: (LEI 9099/95)
Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não
sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena
restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta.
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade.
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por
sentença definitiva;
Processo Penal I
Monitora: Mirnaiana Ramos
Professor/orientador: Dr.Tiago Medeiros Leite
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena
restritiva ou multa, nos termos deste artigo;
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida.
§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz.
§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena
restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para
impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.
§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes
criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos
interessados propor ação cabível no juízo cível.
3. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO:
Comentário do professor: Mesma regra da transação penal.
Se aplica somente aos crimes cuja pena mínima seja inferior ou igual a 1 ano.
CURIOSIDADES:
1. a pessoa não é julgada;
2. suspende a continuidade do processo;
3. requer pena mínima, em abstrato, ou seja, possível de ser aplicada, de até 1 ano;
4. descumprir as condições leva à continuidade do processo que pode ou não gerar uma
condenação;
5. geralmente é realizado logo após o recebimento da denúncia.
4. COLABORAÇÃO PREMIADA:
Comentário do professor: Pode inclusive extinguir a pena.
Consiste no fato do réu ou condenado colaborarem com a justiça em troca de receber alguns
benefícios.
LEI nº 12.850 = lei da organização criminosa.
5. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL:
INCLUÍDO PELO PACOTE ANTICRIME ( 13.964/2019).
PREVISÃO LEGAL: (CPP)
Art. 28-A . Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e
circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena
mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução
penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes
condições ajustadas cumulativa e alternativamente:
Comentário do professor: Quando o MP propõe ou a parte propõe ao MP o ANPP, o investigado tem
que CONFESSAR FORMALMENTE - a confissão formal, não significa necessariamente que foi ele
o autor da infração-, mas é preciso que ele assuma.
SE A PRÁTICA CRIMINOSA FOR COM GRAVE AMEAÇA OU VIOLÊNCIA - também não
pode ser Maria da Penha - NÃO CABE ANPP.
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A PENA MÍNIMA DO CRIME TEM QUE SER INFERIOR A 4 ANOS - se a pena mínima for de 4
anos não cabe ANPP-.
Exemplo:
No caso do homicídio culposo - sob condução de veículo automotor-, CTB, sendo CTB - Código de
Trânsito Brasileiro- a pena é menor do que 4 anos, logo poderá ofertar o ANPP.
O MP tem o PODER-DEVER de -uma vez preenchidos os requisitos legais pelo acusado, o MP tem
o poder dever de apresentar o ANPP-propor o ANPP. E COM ISSO SÃO IMPOSTAS AS
SEGUINTES CONDIÇÕES - PODEM SER CUMULATIVAMENTE - não obrigatoriamente terá
que ser todas -:
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos,
produto ou proveito do crime;
III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima
cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução, na
forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal);
Comentário do professor: Esse serviço à comunidade vai ter relação com o dia a dia do investigado
(ex: qual função que o investigado exerce? Obviamente, o poder judiciário poderá usufruir daquela
formação que o investigado possui, em algo próprio a comunidade).
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7
de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo
juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou
semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou
Comentário do professor: Tem que analisar qual foi a conduta. Essa prestação pecuniária
preferencialmente deve ser paga para entidades de interesse social, que tenham relação com o bem
jurídico atingido.
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que
proporcional e compatível com a infração penal imputada.
Comentário do professor: Permite que o MP crie uma condição nova.
Logo, o rol do art.28-A não é um rol taxativo.
RESUMINDO OS INCISOS DO 28-A:
Esse acordo depende da vontade das duas partes.
Primeiro depende da vontade do MP propor ou o acusado poderá propor e o MP concordar.
Segundo, o réu tem que aceitar.
Pode cumular esses incisos, que tratam das imposições feitas ao investigado para a realização do
acordo.
Ao fazer o acordo, tem que ir para o juiz competente analisar se aquele acordo está muito aquém ou
muito excessivo do que deveria ser.
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O MP poderá propor um acordo muito excessivo e o acusado não concordar e peticionar ao juiz,
dizendo que aquele acordo é muito excessivo.
É uma faculdade do réu aceitar o ANPP, mas é um direito dele ter essa proposta de ANPP, caso não
seja vetado.
§ 1º Para aferição da pena mínima cominada ao delito a que se refere o caput deste artigo, serão
consideradas as causas de aumento e diminuição aplicáveis ao caso concreto.
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes hipóteses:
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos da lei;
Comentário do professor: Se for possível a transação penal/suspensão do processo, são essas as
possibilidades de utilização e não o ANPP.
II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem conduta
criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas;
Comentário do professor: SE O INVESTIGADO TIVER UMA CONDENAÇÃO TRANSITADA
EM JULGADO = este é REINCIDENTE, logo não caberá ANPP-
ELEMENTOS PROBATÓRIOS QUE INDIQUEM A CONDUTA CRIMINAL HABITUAL = Se
demonstra que é algo habitual, ou seja, que o investigado não aprendeu (lembrando que a pena tem
esse caráter educativo). Não cabe persecução penal.
EXEMPLO:
Indivíduo preso por dirigir alcoolizado, mesmo que não tenha outras condenações, se tiverem outras
prisões, por exemplo, pelo mesmo fato, configura uma conduta criminal habitual
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da infração, em
acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; e
Comentário do professor: Se ele já usufruiu de ANPP/ transação penal/ suspensão condicional do
processo, nos últimos 5 anos ele não poderá usufruir novamente.
Se o agente cometer infração penal, após os 5 anos de ter usufruído de qualquer um dos benefícios
listados anteriormente, poderá usufruir do ANPP.
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a
mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor.
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Comentário do professor: MARIA DA PENHA NÃO CABE ANPP.
Das formas alternativas de punição, à Maria da Penha só cabe substituição da pena.
§ 3º O acordo de não persecução penal será formalizado por escrito e será firmado pelo membro do
Ministério Público, pelo investigado e por seu defensor.
§ 4º Para a homologação do acordo de não persecução penal, será realizada audiência na qual o juiz
deverá verificar a sua voluntariedade, por meio da oitiva do investigado na presença do seu defensor,
e sua legalidade.
§ 5º Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições dispostas no acordo de
não persecução penal, devolverá os autos ao Ministério Público para que seja reformulada a proposta
de acordo, com concordância do investigado e seu defensor.
§ 6º Homologado judicialmente o acordo de não persecução penal, o juiz devolverá os autos ao
Ministério Público para que inicie sua execução perante o juízo de execução penal.
§ 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta que não atender aos requisitos legais ou quando
não for realizada a adequação a que se refere o § 5º deste artigo.
§ 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao Ministério Público para a análise da
necessidade de complementação das investigações ou o oferecimento da denúncia.
§ 9º A vítima será intimada da homologação do acordo de não persecução penal e de seu
descumprimento.
§ 10. Descumpridas quaisquer das condições estipuladas no acordo de não persecução penal, o
Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de sua rescisão e posterior oferecimento de
denúncia.
Comentário do professor: Terminado o acordo, está extinta a punibilidade.
Se o investigado descumprir as medidas postas no acordo, este será desfeito e é apresentada a
denúncia, ou seja, o indivíduo vai responder como réu pela ação penal.
§ 11. O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado também poderá ser
utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o eventual não oferecimento de
suspensão condicional do processo.
§ 12. A celebração e o cumprimento do acordo de não persecução penal não constarão de
certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do § 2º deste
artigo.
§ 13. Cumprido integralmente o acordo de não persecução penal, o juízo competente decretará a
extinção de punibilidade.
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§ 14. No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de não persecução
penal, o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão superior, na forma do art. 28
deste Código.
Comentário do professor: Quando o MP não quis propor o ANPP, poderá ser feito um recurso
administrativo para o superior do MP apresentar aquele ANPP.
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