Edital de conhecimentos gerais.
Diversidade e Inclusão na Sociedade
Tema: Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: crianças
e adolescentes; idosos; LGBTQIA+; pessoas com deficiências; pessoas em
situação de rua, povos indígenas, comunidades quilombolas e demais minorias
sociais.
Inclusão Social
Inclusão social é uma medida de controle social que visa a incluir na sociedade grupos
marginalizados e excluídos, como os negros, deficientes e homossexuais.
Inclusão social é o ato de incluir na sociedade categorias de pessoas historicamente
excluídas do processo de socialização, como negros, indígenas, pessoas com deficiência,
homossexuais, travestis e transgêneros, bem como aqueles em situação de
vulnerabilidade socioeconômica, como pessoas em situação de rua e pessoas de baixa
renda.
Um dos maiores estudiosos de inclusão social no Brasil, o assistente social Romeu Kazumi Sassaki. Ele diz
que a inclusão social é “um processo bilateral no qual as pessoas ainda excluídas e a sociedade buscam, em
parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos.”
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro, Editora WVA, 1997, p.
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Incluir, para Eugenia Augusta Gonzaga Fávero, “[...] significa, antes de tudo, deixar de excluir [...]. A inclusão
exige que o Poder Público e a sociedade em geral ofereçam as condições necessárias para todos”.
FÁVERO, Eugênia Augusta Gonzaga. Direitos das pessoas com deficiência: garantia da igualdade na
diversidade. Rio de Janeiro: WVA, 2007. p.39-40.
O Instituto Ethos considera que “[...] a inclusão faz parte do compromisso ético de
promover a diversidade, respeitar a diferença e reduzir as desigualdades sociais”.
GIL, Marta (Coord.). O que as empresas podem fazer pela inclusão das pessoas
com deficiência. São Paulo: Instituto Ethos, 2002. p.7.
Entendem-se, por grupos vulneráveis e/ou minoritários, aquelas pessoas que precisam de
uma maior proteção da sociedade com vistas a lhes propiciar igualdade de condições com
os demais integrantes da sociedade. Tais como, as pessoas com deficiência, pessoas
idosas, os obesos, as pessoas pretas e negras, as mulheres, os homossexuais, as
travestis, os transgêneros, entre outros.
O termo minoria refere-se, na sociologia, a grupos sociais historicamente excluídos do
processo de garantia dos direitos básicos por questões étnicas, de origem, por questões
financeiras e por questões de gênero e sexualidade.
No vocabulário clássico da Filosofia Política herdado pela Ciência Política, o par maioria-
minoria é definido pelo elemento numérico, significando o grupo majoritário da situação
que exerce o poder de governo e o grupo minoritário, alienado do poder, tornando-se a
oposição. O princípio da maioria é o que legitima o exercício do poder desde a definição
aristotélica da democracia, como governo do povo ou de todos os cidadãos (Bobbio,
1986, p.319).
A mutação da conceituação do termo minoria a partir da ideia de subjugação ou vulnerabilidade foi
decisiva para a formulação de princípios do Direito Internacional e para a implementação de políticas
públicas protetivas. Em um primeiro momento, as chamadas minorias tradicionais (étnicas, religiosas e
linguísticas) passam a ser incluídas nas políticas e direitos protetivos, como atesta a Declaração sobre
os Direitos das Pessoas pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas, Religiosas e Linguísticas da
ONU de 1992, a qual estabelece como identificadores da diversidade os critérios de: etnia, religião,
língua e cultura. Em um segundo momento, a ampliação conceitual das minorias no sentido de grupos
vulneráveis, permitiu incluir outros grupos em situação de subjugação, tais como: mulheres, crianças,
idosos, “minorias” LGBTI+, população em situação de rua, entre outros.
Conceito de Pessoa com Deficiência (PCD)
Art. 2º da Lei nº 13.146/15. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem
impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual,
em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva
na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
O que são as barreiras previstas no
conceito de PCD?
Art. 3º da Lei nº 13.146/15 Para fins de aplicação desta Lei, consideram-se:
IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem
como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação,
ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo;
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados;
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou
impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de
tecnologia da informação;
e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência
em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas;
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias;
Direito das pessoas com deficiência (Lei nº
13.146/2015)
Uma das grandes novidades na proteção das pessoas com deficiência (PCD), com
repercussão, inclusive, em normas do direito civil, é a presunção de sua capacidade plena,
estabelecida tanto pela Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência quanto pela
Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da PCD). Desse modo, essas normas retiram qualquer menção à
incapacidade civil da pessoa originada somente pelo fato de ela ter algum tipo de deficiência.
As normas que estabelecem políticas públicas para a educação brasileira de pessoas com
deficiência, constantes nos arts. 28 e 30 da Lei nº 13.146/2015, devem ser implementadas nos
ensinos fundamental e médio pelo Poder Público e pela iniciativa privada, sendo vedada pelas
instituições particulares a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza em suas
mensalidades, anuidades e matrículas no cumprimento dessas determinações.
O direito das pessoas com deficiência está em 3 dos 4 tratados de direitos humanos incorporados com
força de emenda constitucional, conforme prevê o art. 5º, § 3º, da CF/1988, que são os seguintes:
1) Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Convenção de Nova York), incorporado
pelo Dec. nº 6.949/2009);
2) Protocolo Facultativo da Convenção sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, incorporado pelo
Dec. nº 6.949/09;
3) Tratado de Marraqueche (Dec. nº 9.522/2018), para facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas
cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso;
4) Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de
Intolerância, Dec. nº 10.932/22.
• Pessoas em situação de rua:
• Problema da moradia e a falta de habitação digna;
• Problemas mentais;
• Dependência química.
• Programas assistenciais do SUAS
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é um modelo que organiza, de forma descentralizada,
as ofertas socioassistenciais por níveis de complexidade, notadamente: Proteção Social Básica (PSB)
e Proteção Social Especial (PSE). As ofertas da rede socioassistencial devem garantir a segurança de
sobrevivência (de renda e de autonomia), de acolhida e de convivência familiar e comunitária dos
grupos vulneráveis.
O SUAS dispõe de um conjunto de ofertas de serviços, programas, projetos e benefícios que
visam a inclusão social por meio de ações que buscam o enfrentamento da exclusão de grupos
e segmentos da sociedade que ainda se encontram privados de algum direito pleno, com vistas
a garantir o acesso à política pública de assistência social e às demais políticas como
educação, saúde, trabalho, direitos humanos, entre outras.
As privações ou negação desses direitos são fruto das desigualdades sofridas dentro da
sociedade por mulheres, negros, indígenas, quilombolas, migrantes, pessoas com deficiência,
LGBTs, pessoas idosas, jovens, crianças e adolescentes. Assim, a inclusão social objetiva
oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todo e quaisquer indivíduos sem
qualquer tipo de discriminação.
• Crianças e Adolescentes:
• Criança = de 0 anos a 12 anos incompletos;
• Adolescentes = de 12 anos a 18 anos.
• Cuidado com a inclusão das crianças e adolescentes que estão sob o cuidado do
Estado.
Proteção Integral: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade a proteção dos direitos fundamentais.
• COMDICA: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
• Das Pessoas Idosas
As pessoas idosas são aquelas pessoas com 60 anos ou mais, conforme definiu o Estatuto da Pessoa
Idosa (Lei nº 10.741/2003).
Atenção às idades!
A partir de 65 anos, há concessão do Benefício Assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência
Social (LOAS) aos idosos que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida
por sua família, assegurando a eles o benefício mensal de um salário-mínimo.
Aos maiores de 65 anos, fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e
semiurbanos.
Prioridade especial para as Pessoas idosas com mais de 80 anos.
Prioridade especial as pessoas idosas maiores de 80 anos
Prioridade na tramitação
Atendimento
Atendimento prioritário dos processos judiciais
de saúde
(art. 3º, § 1º, da Lei nº e administrativos
(art. 15 da Lei nº
10.741/2003) (art. 71 da Lei nº
10.741/2003)
10.741/2003)
Direitos da igualdade racial
O Estatuto da Igualdade Racial, instituído pela Lei nº 12.288/2010, prevê diversas normas direcionadas
à proteção da população negra no Brasil. Estabelece o conceito de população negra, para efeitos da
legislação, o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou
raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam
autodefinição análoga.
As ações afirmativas, que são os programas e as medidas especiais adotados pelo Estado e pela
iniciativa privada para a correção das desigualdades raciais e para a promoção da igualdade de
oportunidades, podem ser exemplificadas pelas políticas de cotas e reservas de vagas para a
população negra que existem para acesso ao ensino universitário, técnico e tecnológico federal, bem
como para o serviço público quando da realização de concursos públicos
Outro exemplo de ação afirmativa é a obrigatoriedade do estudo da história geral da África e da história da
população negra no Brasil nos estabelecimentos de ensinos fundamental e médio, públicos e privados, que foi
estabelecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e, em seguida, reiterada pelo Estatuto da
Igualdade Racial como ação afirmativa nacional.
As ações afirmativas são instrumentos utilizados para a implementação da igualdade material (igualdade de
oportunidades), inclusive já analisadas pelo STF, que as declarou totalmente constitucionais em duas
oportunidades: ADPF nº 186 (rel. Min. Ricardo Lewandowski – Tribunal Pleno – j. 26-4-2012 – acórdão
eletrônico DJe-205 – divulg 17-10-2014 – public 20-10-2014) e ADC nº 41 (rel. Min. Roberto Barroso –
Tribunal Pleno – j. 8-6-2017 – processo eletrônico DJe-180 – divulg 16-08-2017 – public 17-08-2017).
Regulamentação de Terras Quilombolas
Já quanto aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras, a
Constituição Federal determinou o reconhecimento da propriedade definitiva, devendo o Estado emitir os
títulos respectivos de propriedade. Essa propriedade reconhecida será registrada mediante outorga de título
coletivo e pró-indiviso às comunidades com obrigatória inserção de cláusula de inalienabilidade,
imprescritibilidade e de impenhorabilidade.
Atenção! O STF, no julgamento da ADI nº 3239/DF (rel. orig. Min. Cezar Peluso – red. p/ o ac. Min. Rosa
Weber – j. 8-2-2018 – Info 890), reconheceu a constitucionalidade do Dec. nº 4.887/2003, que
regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação
das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).
Norma Constitucional
Para auxiliar na busca da igualdade racial e na luta de combate ao racismo no Brasil,
tivemos a incorporação, com força de emenda constitucional, de um quarto tratado
internacional, que é a Convenção Interamericana de contra o Racismo, a Discriminação
Racial e Formas Correlatas de Intolerância, no Decreto nº 10.932/2022.
População Indígena
A Constituição brasileira reconhece a população indígena, a sua organização social, costumes, línguas,
crenças e tradições, bem como os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam,
terras essas que são de propriedade da União e da posse dos indígenas.
As terras, tradicionalmente, ocupadas pelos índios são as que eles habitam e utilizam para suas
atividades produtivas, imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-
estar e necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
Essas terras destinam-se à posse permanente e ao usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e
dos lagos nelas existentes. É importante destacar que, mesmo as terras não sendo da propriedade dos
indígenas, elas são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis.
Direito LGBTQIAP+
A proteção da dignidade da pessoa humana estabelece a defesa das pessoas contra a
discriminação originada na orientação sexual e a discriminação de gênero. Há poucas
regras internacionais e nacionais de proteção à população LGBTQIA+. O STF
estabeleceu a aplicação da lei do racismo para os crimes de homofobia e transfobia (ADO
nº 26 e MI nº 4733).
• Casamento civil;
• Regularização dos direitos de personalidade;
• Combate à violência e a discriminação.
1. Princípios e valores éticos do serviço
público
1.2. Da Administração Pública (Art. 37 ao Art. 43 da CF).
“Art. 37, “caput” da CF. A administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também,
ao seguinte:”
São princípios da Administração Pública: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade
e Eficiência.
LIMPE
Princípio da Legalidade
O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da Constituição Federal, aplica-se
normalmente na Administração Pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o
administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e
nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de sua vontade subjetiva, pois na
Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, diferentemente da esfera
particular, onde será permitida a realização de tudo que a lei não proíba. Esse princípio
coaduna-se com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade
própria, mas sim em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservar-
se a ordem jurídica. (Alexandre de Moraes – Curso de Direito Constitucional)
Princípio da Impessoalidade
“o princípio da impessoalidade, referido na Constituição de 1988 (art. 37, caput), nada
mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao administrador público que
só pratique o ato para o seu fim legal. E o fim legal é unicamente aquele que a norma de
direito indica expressa ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal” (Helly
Lopes Meirelles – Direito Administrativoo Brasileiro)
Princípio da Moralidade
Pelo princípio da moralidade administrativa, não bastará ao administrador o
estrito cumprimento da estrita legalidade, devendo ele, no exercício de sua
função pública, respeitar os princípios éticos de razoabilidade e justiça, pois a
moralidade constitui, a partir da Constituição de 1988, pressuposto de validade
de todo ato da administração pública. (Alexandre de Moraes – Curso de
Direito Constitucional)
Princípio da Publicidade
A Constituição Federal de 1988 consagrou expressamente o princípio da publicidade
como um dos vetores imprescindíveis à Administração Pública, conferindo-lhe absoluta
prioridade na gestão administrativa e garantindo pleno acesso às informações a toda a
sociedade, pois, como bem salientado pelo Ministro Marco Aurélio, “o princípio da
publicidade no que deságua na busca da eficiência, ante o acompanhamento pela
sociedade. Estando em jogo valores, há de ser observado o coletivo em detrimento, até
mesmo, do individual”. (Alexandre de Moraes – Curso de Direito Constitucional)
Princípio da Eficiência
O administrador público precisa ser eficiente, ou seja, deve ser aquele que produz o efeito desejado,
que dá bom resultado, exercendo suas atividades sob o manto da igualdade de todos perante a lei,
velando pela objetividade e imparcialidade
Assim, princípio da eficiência é aquele que impõe à Administração Pública direta e indireta e a seus
agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências de forma
imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade,
primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para a melhor utilização possível dos
recursos públicos, de maneira a evitar-se desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social.
Note-se que não se trata da consagração da tecnocracia, muito pelo contrário, o princípio da eficiência
dirige-se para a razão e fim maior do Estado, a prestação dos serviços sociais essenciais à população,
visando a adoção de todos os meios legais e morais possíveis para satisfação do bem comum.
(Alexandre de Moraes – Curso de Direito Constitucional)
1.3. Decreto de nº 1171/1994 (Código de Ética
Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal).
• Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal
Das Regras Deontológicas
I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais
são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo
ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.
Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e
da tradição dos serviços públicos.
II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta.
Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o
conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o
honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da
Constituição Federal.
III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal,
devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a
legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a
moralidade do ato administrativo.
IV - A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por
todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se
integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como
consequência, em fator de legalidade.
V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como
acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho
pode ser considerado como seu maior patrimônio.
VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de
cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão
acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e
da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos
termos da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e
moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a
negar.
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que
contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum
Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da
mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o
esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa
causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público,
deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às
instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo,
suas esperanças e seus esforços para construí-los.
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas
funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço,
não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano
moral aos usuários dos serviços públicos.
XI - O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando
atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o
descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo
imprudência no desempenho da função pública.
XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do
serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas.
XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada
concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande
oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação.
Dos Principais Deveres do Servidor Público
XIV - São deveres fundamentais do servidor público:
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que
seja titular;
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou
procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente
diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo
setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo
sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum;
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens, direitos e
serviços da coletividade a seu cargo;
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de comunicação e
contato com o público;
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada
prestação dos serviços públicos;
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações individuais
de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo,
nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes
dano moral;
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento
indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal;
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros que visem
obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou
aéticas e denunciá-las;
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva;
l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo
negativamente em todo o sistema;
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo as
providências cabíveis;
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais adequados à sua organização e
distribuição;
o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por
escopo a realização do bem comum;
p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função;
q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas
funções;
r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto
quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem.
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;
t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo
contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos;
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com
finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades legais e
não cometendo qualquer violação expressa à lei;
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste
Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento.
1.4. Regras Constitucionais de proteção, de
direitos e deveres dos servidores públicos.
Das regras dos concursos públicos (Art. 37 da CF):
Brasileiros e estrangeiros podem acessar cargos, empregos e funções públicas na forma
da lei.
Art. 37, I da CF - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros
que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na
forma da lei;
Da necessidade de aprovação em Concurso
Público
Art. 37, II da CF - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e
a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
Do Prazo de Validade dos Concursos:
Art. 37 da CF
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez,
por igual período;
Prazo de validade dos concursos é de no máximo 2 anos, prorrogável por igual período,
portanto se um concurso foi realizado com a previsão de um prazo de 1 ano, poderá ser
prorrogado por mais 1 anos, o que significa o igual período.
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em
concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos
concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
Dos servidores públicos (Art. 37 da CF):
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
Reserva de Vagas para PCD
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas
portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
Da Contratação por tempo determinado
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional
interesse público;
Do teto remuneratório (Art. 37, XI da CF):
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e
fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores
de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos
cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal,
em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos
Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados
Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa
inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no
âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
Atenção a regra dos Tetos Remuneratórios:
1) Teto Nacional = Subsídio mensal de Ministro do STF;
2) Teto nos Municípios = Subsídio do prefeito;
3) Teto nos Estados e DF
Poder Executivo = Subsídio mensal do Governador;
Poder Legislativo = Subsídio mensal dos deputados estaduais/distritais
Poder Judiciário = Subsídio mensal dos Desembargadores do TJ (limitados a 90,25% do subsídio mensal dos
Ministros do STF).
Da acumulação dos cargos públicos (Art. 37
da CF):
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;
Da Proibição de acumular empregos e funções (Art. 37 da CF)
• XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações,
empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público.